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Estamos observando, nos últimos anos, uma ve1·dadei1·a
explosão discursiva em tomo do conceito de ''identidade''. O
conceito tem sido submetido, ao mes1no te1npo, a u111a seve1·a
c1·ítica. Como se pode explicai· esse pa1·adoxal fenômeno? Onde
nos situamos relativamente ao conceito de ''identidade''? Está-se
-efet:u?:11do unia completa desconst1i_1ção das pe1·spectivas iden1 titárias em uma va1iedade de á1·eas disciplinai·es, todas as quais,
1 de u1na fo1"Il1a 011 ouh·a, c1·iticam a idéia de uma identidade
1
.
i,.-integ1·al, 01·iginá1·ia e unificada. Na filosofia tem-se feito, por
exemplo, a· c1ítica do su.ieito auto:sustentável q11e está no
ceriu·oda-metafí~cª ocic1~ntalpós~cª1·tesiana. No disc11rso da
c1·ítica fen1inista e da c1ítica cultu1·al influenciadas pela psicanálise- têm--se dêstacado os p1·ocessos inconscientes de fo1111ação da· subjetividade, colocando-se e111 questão, assi111, as
concepções 1·acionalistas de sujeito. As perspectivas q11e teo1·iza1~~ pÓs-111odeinisn1() têri1 celeb1·ado, po1· sua vez, a existência
de 11111. ''eu'' inevitavel111ente pe1fo11nativo. 1e111-se delineaclo,
en1s111na,110 contexto da c1·ítica antiesse11ci<llista elas concepções étnicas, 1·aciais e nacionais da identidade c11ltu1·<1l e d<:1
''política da localização'', alg11111as das co11cepções teó1·icas
mais imaginativas e 1·adicais sob1·e a cruestão da s11bjetividacle e da identidade: Onde está, pois, necessidade de 111ais
lI1na disc11ssão sob1·e a ''identidade''? Q11en1 1J1·ecisa dela?

a

Existe111 duas fo1·111as de se 1·es1Jonde1· a essa questão. .. A
p1·i111ei1·a consiste em obse1·va1· a existência de algo q11e
distingue a c1·ítica desconst1·11tiva à q11al 111uitos destes co11-

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qt1e eles continuem a sei· lidos.como a evol11ção do •. tanto a iinpoi·tância _ 110 contexto dos i11ovimentos lJoliticos ein 104 s.. não-reconsti·t1ída. enfatizai· o pi·ocesso de subjetivação (ei11 vez d<:1s ---·-·-----------·---"-· --· pi·áticas disct1i·sivas) e a política de exclusão qt1e ess::1 s11l). ''Po1· n1eio dessa esci·ita dupla. em suma.-- 105 .-_ - - - - " - - - - - . . 'conceito' qtie não se deixa mais .ou melho1~ a questão da identifica. ni::1s é (1til es./ -· "··· ' - - ------·------·-- ·-·- - . P~nso qt1e a i·esposta.·toda histoi·icidade . neste caso. nem tampouco pretendo adotai· uma abordagem que ''coloque o lJOnto de vista do sujeito 11a oi·igei11 de . 11·ata-se de t1n1 ca1111Jo semântico de111asiadai11ente co1111Jle.emboi·a pi·efei·ível . 1 1 1 • • Concoi·do con1 Foucault quando diz qt1e o c111e 11c)s fi1lta ' ne_ste caso. qt1e o qt1e este descenti·::1n1ento exige . inteiramente diferentes. enti·etanto. deslocada e deslocadoi·a.de Foucault clai·amente mostra . i E preciso pensá-lo en1 sua nova posição .. no limite''. ce1·tan1ente.ietivaÇão pai·ece in1plicai· . con10 uma es~ecie de esci·ita dupla. Dei~1·ida desc1·eve essa abordagem como ''pensando . se1n nos lii11itai·111os a : nenht1n1 deles.é não t1m aban• dono Üt1 ab6liçãôn1as un1a reconceptualização do ''st1jeito''. p1·ecisainente est1·atificada. 1 ' '' Un1 segtinclo tipo de i·esposta exige qt1e obsei·vei11os onde e e~n 1·elação a qual conjt1nto de pi·oble111as en1ei·ge a irredittibilidade do conceito de identiclade. O sinal de i·ast1i·a (X) indic~ · que eles não sei"Vem mais .·a questão da identidade . As dt1as linhas ci·uzadas (X) que sinalizam que eles estao cancelados pei·mitem de foi·ma pa1·adoxal.enti~a de un: novo . Resta-i1os bt1scai· coinpi·eensões tanto no i·epei·tói·io ! disc11i·sivo c111anto i1o lJSican. A b '' ·. não é ''uma teoi·ia do st1jeito cogriosce11te''.o pai·a se1· deslindado aqt1i. substitt1indo-os poi· conceitos ma~s vei·dadei1·os'' ot1 que aspii·ai11 à pi·odução de um conhecimento positivo. 1_995). Difei·entemente daquelas foi·i11as de ci·ítica qt1e objetivan1 st1pe1:ai· c~?ce~­ tos inaclequados. XIV). 1970.do significante ''identidade'' e de sua i·elação p1·imordial com uma política da localização.ç[zo. caso se prefii·a.. Mas tima vez que eles não foi·am dialeticamente st1perados e que não existem outros conceitos. qt1ase tão ai·diloso ..volta a a1Jai·ecci~ ··--·---- ' .. Aci·edito. nenhun1a gai·an!tia coi1t1·a as dific11ldades conceituais que têi11 assolado o rúltin10. Ele não i1os dá. conceitos n1enos be111 desei1volvidos cl::1 teoi·ia soci::1l e ctiltui·al.que. 1981. leve a uma consciênci<:t ti·anscendental'' (Foucault. tiioalno. Ao falai· em ''agência''.X.c1t1anto o de .1belecei~ pelo 111enos indicativainente. não que1·0 \ exp1·essai· nenhui11 desejo de reto1·nar a uma noção não-me1 diada e ti·anspai·ente do sujeito como o autoi· centrado da • pi·ática social. ''icle11tific::1çãc)'' <:1c·<:tl)a lJoi· sei· 11111 clc)s . ] e a emei·gência i·ep. está em st1a cent1·alidade p<:1i·a a qt1estão 1 d~ agênci::1 e da lJolítica.. devemos : aquilo que e1·a alto[ . sua i·elevâi1cia 1Ja1·a ..''identidade''. P· 42).não são mais ''bons pai·a pensai· _em sua forn1a oi·iginal.--- º conceito de. 111as sei11 a qt1al cei·tas qtiestões-chave não podem sei· seqt1e1· 1Jensadas. qt1e possam substituí-los não existe nada a fazer senão contint1ar a se pensai· com el:s _ embo1·a agora em suas fo1·mas destotalizadas e desconsti·uídas. a pei·spectiva desconsti·~tiva c~~oca ~ei·~os conceitos-chave ''sob rast11·a''. p.ceitos essencialistas tên1 sido submetidos. i -'··-------·-·-----·--~---· -- ' '.que Jan1ais se deixou : ·subst1mi1· pelo i·egi111e ante1·io1·'' (De1·1·ida. identidade é t1m desses conceitos qt1e opei·a1n so i·as_t1i·a .deslocada ou des1centrada -0 no interioi· do paradigma. t. ' no intei·valo entre a invei·são e a eme1·gência: t1i11a idéia qt1e não pode ser pensada da fo1·ma antiga. não se ti·abalhando mais no pai·adigma no qual eles foi·a111 oi·iginali11ente gei·ados (Hall. Po!· ''política'' en te11d~ . quanto as evidentes difict1ldades e instabilidades que têm afetado todas as formas contempo1·âneas da chan1ada ''política de identidade''.1lítico. co1110 ''pensando no i11tei·va1o . 1n::1s ''uma teoi·ia da pi·ática clisc111·siva''. Parece que é na tentativa 'de i·eaiiiculai· a i·elação enti·e sujeitos e p1·áticas discu1·sivas que .tias formas mode1·nas .

De fo1·111a si1nilar. ''. Foi en1 i·elação à idéia de identificação que \ Fi·eud desenvolveu a impoi·tante distinção enti·e ''sei·'' e . elas são citadas aqt1i lJai·a indi107 . · minada ... sempi·e. 135). poi· exe111plo. 'A identificação... na verdade. : . as figuras do pai e dê:l mãe tanto co1110 objetos de amo1· quanto como objetos de competição.ao i111_ A • --ue ~ O conceito de identificação he1·da. a identificaçao ~'. entretanto.. A identificação é. Para CC)Il.. 134). em p1·acesso'' Ela na-o e' nunca completainente deter. uso psicanalítico.. . . :: . Ein conti·aste com o ''natu1·alismo'' dessa definição..tl co111 1 o~~~~p~ssoà' (F1.·-. 1921/1991: p.-· .eud.1 a tarefa qt1e teinos à mão. Em Luto e "---. a . ' .0 extei·ioi· qt1e : .As identificações vist:. No contexto do com1)lexo de Edipo. .11'' (Fi·eud. ' ' .}ted~sd~-() início'' (Fret1d.1 constitui. como uma compensação pela pe1·da dos p1·aze1·es libidínais do na1·cisismo p1·imal.. de fo1·111a algt1n1a. na p1·ojeção e na idealização. obse1·va111 La1Jlanchê e Pontalis (1985). · . . no primeiro caso. Na lingt1agem do sens? co1nu111. .. de uma ''moldagem de acordo co1n o out1·0''. . .r· . a ambivalência no cent1·0 mesn10 do p1·ocesso.1clo ' . . Fretid cl1<t111::.1-<1 1 de ''a nrais i·emota exp1·essão de um laço e~ocio11:. . é ambivale. i11as aquilo que p1·ende alguém à escolha de um objeto pe1·dido. 106 Não estotr st1gei·i11<lo qtre todas essas coi1otações deva1n · sei· i1111Joi·tadas e111 bloco e sem ti·adtrção <:10 nosso 1Jens<:1n1ento sob1·e a ''ide11tidade''. Set1 objeto tanto pode sei· aquele que é odiado quanto aquele que é adorado. ela não é aquilo que p1·ende alguém a tim objeto 1 que existe. 1921/1991: p. insei·indo.como algo se111çpre ..ts co111<) t1i11 todo''. T1·ata-se. Ela se coin1Jorta ''coino um derivado <l<l . É em cima dessa ft1ndaç~o q~re ocoi·:~.- - ' - ' sempi·e falot1 dela ei11 termos de ''consu111ii· o ot1t1·0 ' como vei·emos e 1n t1n1 momento). de111ai1das qtre são dive1·sas.• p1·in1eii·a fase da oi·ganização da libido. ein c1t1e . 1921/1991). Co1110 todas as pi·áticas d~s1gn1f~c~ç~o. . co1neç:... O fecJ1a1nento e a 111a1·caÇ~O d. lJela ingestão. tim i·ico legado se1nântico. lhadas com ot1tros gi·t1pos ou pessoas..·.. Ela está fl!ndada na fantasia.. d cliªérance Ela obedece a log1ca do esta stiJeita ao Jogo ª r:JJ' · .1nelancolia. ti·abalho disct11·sivo. E t1n1a vez q11e. ... ~_mbo1·a ten~a suas c~r:i:d:_~º~-~~~e1 · d · iricfui os i·ecursos 1nateria1s e minadas ' e ex1stenc1a. o conceito ton1a.no sentido de que se pode. simbólicos exigidos pa1·a sustenta-la.o fidelidade do grtipo em questão. .. '. conflittrosas e desordenadas. sendo dessa ii1aneii·a anic1t1ilado co111c) t:. . ela ''empui·1·a o eu pa1·a foi·<:1 !1 de si mesino''. ganha-la ou • A tada ou abandonada. ''· . . 208). Com a mesma fi·eqüência com que ela é t1·anspo1·tada de volta ao et1 inconsciente. ã~. ela . pois.1r1<l(J ('(>111 sctt . da fase oral.'0 q' ' . assim. o ego ideal é co1nposto de identificações con1 ideais ctrltui·ais qt1e não são necessai·ia1nente hai·111oniosos'' (p. un1 sisten1a relacional coei·ente. ''11ão sã<).. ''ter'' o outi·o. . coi110 IJ\~J ct.d l)i·ocesso a 1 enn n1ais-qt1e-u111.• o objeto que pi·ezamos e pelo qual ansiamos é assii11il:. como um p1·ocesso nunca completado ..• . ttin pi·ocesso de ai·tiç11lªção1 t1121a t1n1a totalidade. ot1 ainda a partii· de um mesn10 ideal. ·.. Cocxisten1 no inte1·io1· de t1i11a agência como o st1pei·ego [supei·et1]. "" '"- -. .. f10~te11 c1S ··mbólicas a 1Ji·od11ção de ''efeitos de f1·or1tei1·as . ·d t·fi como uma constrt10 abordageni discursiva ve ai en 1 icaça ..

as q11est_oes ''q11e111 · . idêntico a si mesmo ao longo do ten1po. · t. sempi·e..·_ .. - ~- .. de foi·ma dii·etan1ente contrái·ia àq11ilo c1ue pai·ece sei· s11a cai·i·eii·a se111ântica ofici<tl..-- 109 . Isto é.. : na 1n~dei·nidade tai·dia. assi111. no intei·ioi· ' de un1 ca111po fantas111::ítico. I1unc<:1.' • ..1 cai· os novos significados que o tei·n10 está agoi·.. . 11iais () ) 1·()_ 1 d11to cl::1111. que elas sao.. __tanto . poi·tanto. 1nas a natureza necessa1·ian1ente fie/ ci~~~l.~ssa11te _1~~i_te~:aÇaõ mas con10 ''o n1esn10 que se t1·élnsfoi·- ". ! . a.Sig11ificado t1·._1cle q11c t11clo i11cl11i. fixar ou gai·antii· o pei·tencin1ento c11ltu1·al ou l1n1a ''unidade'' i111utável q11e se sobi·epõe a todas as 011ti·as difei·enças . -----~ ·:._t i·ecebendo. so1nos..~1~_t9. sua.. 1990). 'i e!1~2~1·te. · . Elas tên1 a ve ~ \ e?t1~et. co11st1·111da 11a f::1ntasia 011.rna~1·at1\ ~zaçél_o / ef1c.· fo1·a do dise111·sc) c111c~ 11ó._11·c. sing11lai·es..Seu-. e os 1Ji·ocessos ele ii1igi·ação foi·çada (011 ''livi·e'') q11e tê111 s: toi·naclo 11111 fe11ôn1eno glol)al do assin1 cl1ar11ado i1111ndo 1Jos-colo1ii<ll. pi·áticas e posições q11e pode111 se c1·11zei· 011 sei· antagônicos. ~11ate1·ial 011 política.. mantém ei11 com11m'' (Hall.q~1~111 n_os P~. ld~q111lo q11e 11os somos. 110 i11tc1·io1· ele fcJ1·111.não são.?~ _!en1os sido :1 epre~-e~t~~os __e __<_::on!o ess::1 1·ep1:~~en~élÇ~q_afeté1 a fo 1·ma CQITI_ü]}:()S podr::1-.c~()na1s. i11as n111ltiplamente consti·uídas ao longo de discursos.ac1a cl1sc111·s1va. Ela tampouco se 1·efci·e. ~~cs~1:icl.'' 011 .. àquele ''eu coletivo ou vei·dadeiro q11e se esconde denti·o de muitos outi·os eus .s identidades s111·gen1. l.co1110 no si111bólico) e. ______ . que elas não. í : i / : : \ \ \_ • 111odal1dacles es!~ec1f1c::1s _de l)Ode1· E~ são. ae fo1·ma alg11ma. c·?~1_1 ~. ---·--------.as / d~~1·c) _~.·.. estai1do constanten1ente en1 i)i·ocesso de n111dança e ti·ansfoi·n1ação.e c11 lt111·as: os pi·ocessos de globaliz<1ção.. os c111ais. _ IÇaO qttan O COITI cl pl Opl Ia t1·~<=!_is:~'---~--c~~1al elas nos ob1·igam a lei· não como t1ma inc. cada vez mais fi·agmentadas e fi·a• tui·adas. n~ 1 1111_él~~él_I~10 (ass1n1 .:n1 conceito essencialista. do início ao fin1.~ i)1·ecisa111os com11 _l~_1·ee1:dê-l::1s co1no i)1·ocl11zicl. _ _. i·esidii·i<l -e111 11111 l)assado histó1·ico co111 O qu<tl ef::1s contin11a1 ' 108 L\hi_as 11_~1-1~_l1_~~~c1açao com nossas ''1·otas''.. . __ . sen1p1·e e Ja.. 1 . i·ência aquele segn1ento do e11 ql1e pei'ffianece. se111 clife1·enci::1ção inte1·na.dere.?. '-~ ~ pi·ecisa111e11te i)o1·c111e <ls icle11ti(l<tcl(~S são const1·11ídas r' . não " nos .. se pensamos agora na questão da identidade c11ltui·al.mais s11pei·ficiais ou mais ai·tificialmente impostos .1dicio11.1a111ente ''estabeleciclo'' de 11111itas pop11lações 1 . com un1a hfstói·ia e 11ma ancesti·alidade pai·tilhadas. . 11111 < 1 '. Qu seja. esta concepção de identidaclc não assinala aquele n(1cleo estável do eu q11e l)assa. As identidades estão s11jeit<:1s a 111na histoi·icização i·adical.!. _~ºIl1-9 1. 1 • Precisai11os vinculai· as disc11ssões sobi·e ide11tidade a todos ...1 01·ige111 q11e . Te111 a ve1·. 11111::1 ide11tidacle se111 costu 1·as.. Essa concepção ace!ta \ q11e élS identidades não são nunca unificadas. en1 pa1·te._1is l1istc)1·icos e ii stitu1 / _. 1nte11·1ça.. es1)ecíficos. de~se p1·~cesso não di1nin11i.• ~1e_10_ d~ ~11al . poi· todas as ~icissitudes da histói·ia. mas daq11ilo no q11al nos tornamos. n<:1tu1·al111e11te constit11ícla de 11n1a ''ide11tid.s111Josta111ente s11pei·ficiais..o_s__~o~ to1·na1· .ade"-:cn-J~. __ com _.------. As iclentidades pai·ecen1 invocai· 11111. O conceito de identidade aqui desenvolvido não é.que un1 povo. um eu coletivo capaz de estabilizai·. esteja. Esta concepção não tem como i·efe"··---.r:i()? 1·cp1·esentar a nós p1·ó1)1·ios''~-Efas· têm tanto a ve1· com a i11ve11ção da t1·ad · · · . ao 111enos. ·. 1996). i-~~-ª inan ter un1a certa co1·1·espondência. e11 a1·g11mei1tai·ia . ' .11ão 1 i ! . ~l<1s su1·gem da' 2 clº eu._1ções e ) 1·átic. sem q11alq11e1· mudança.aç<:10 d<:1 dife1·e11ça e d[-t excl11são do c ue 0 sig 110 1 de 1~11a unidade idêritic<1.. coincidei11 co111 a 111odei·nidade (H<:1ll.1q11eles lJi·ocessos e i)i·áticas q11e têi11 pei·t11i·bado o cai·áte1· i·elati.. ''o n1esmo''. · · ._1s c111 lc)e. po1·tanto. mas llm conceito estratégico e posicional. __ .qu~stão ·da 11tiliz<tção dos 1·ec111·sos 1da . n1esn10 qtie a sen. é.1J .ist.

fixa o jogo da diferença e1n um ponto de_<:>. .!l. de ''fechamento'' (Bhabha.1ull1e1·'' e ''11eg1·0'' são.__ _ em ''extei·ioi·''..!!tig(lde':. -. 1993). 33). para ti·ansformar o dife1·ent~ . na qual o b1·anco é. em abjeto.gem''' um excesso. Aquilo que é peculia1· ao segu11do te1·1no é assi1n i·eduzido . sua ''identidade'' ...""". U~!liz... Como se deve analisar a subjetividacle pós-colo11ial em sua relação com o gê11ero e com a raça? O p1·ivilegia1nento da ''dife1·ença sexu<1l'' e da p1·i1nei1·..· de fora. que o significado ''positivo'' de q11alqµer tei·?lo ..l:~U_ralin_evitável OU pi·imoi·dia}. diversidade e diferenciação''.a. à sua mai·. trou co1no a co11stituição de uma ide11tidade está se1np1·e baseada no ato de exclui1· <1lgo e de estabelecei· u1na viole11ta 11ie1·a1·quia e11t1·e os dois pólos i·esultantes l101ne1n/1null1e1· etc. - ' .gu!lo que deixam. (1990).to . 1993).1 ..em oposição à esse11cialidade do p1·i1nei1·0 ...quilq qÍ!e lhe ''falta' . equivalente a ''sei· 11u111ano''. que ''a constituição de uma identidade social é um ato de podei·''. que o termo ''identidade:' assuine como func1ací.Acima de tudo..~uriidade. assi111.11· <t l"()Sl)C>Jl(l(~J­ a este conjunto ci·ítico inas lJei·tui·badoi· de c1t1estões..pode ser çonstrl1Ícl9 (Deri·ida. com precisamente aquilo que falta.. -· ··-e __a~ l~~·(lt!cas que tentai11 nos ''inte1:p_elar''..J2Q.t~!:. cei·tamente. como podem()~~ _entao_.e. _ent1·e.I~~.. a_s identic:J. 1990.. mas como aquilo que é consti·uído na_ ~ijfé~G:nce ou por meio dela. A~ identidades podem ifunciQI}ai~ ao longo de toda a sua história... ~daexclusão...· - /pois se u1na ide11tidade consegue se afi1·1na1· é ape11as por / meio da i·epressão daquilo que a a1neaça. Hall. sobr~determinado.1tivo JJ<ti·.. -- Em n1e11s ti·abalhos recentes sob1·e este tó1Jico.c. sendo constantemente des~-~~~~-~}i_:a. l11!1 outi·o silenciado e inarticulado. de forma pei·suasiva.rig~Il1e ~§!<l:l:Jilidade. fiz u1na ap1·opi·iação do te1·1no ''identidade'' que não é.r:g. ~~_as ''ide11~icl~~~~·:.:_(). Laclau. .· ..~iaãae interna. ''t>. Toda identidade tem.1licl:1cle~ S<lt~i:1I e~ :11·c~<tlicl<t­ de psíquic:1? (1992. elas são o resultado não de uma totalidade n_'.. nos falai· ou nos convocai· P(li·a que ass11ma111os 11ossos luga1·es como os su- 110 111 •'• - --- - - - - - -- - -··· "' ' -~-·-·-'···-·' .:tdes_ são construídas por meiQ ela. mas uma foi·ma construída de fechamento: toda identidade tem necessidade da.is!~. ''ma1·cas'' (isto é. . Ocor1·e a i11es1na cois<1 co1n a i·el<1ção neg1·0/b1·a11co. a holl1ogen. pai·tilhada poi· n1uitas lJessoas e pode sei· mal con1pi·eendida. com aquilo que tem sido chamado de seu exterior coristituiivo.argumenta. 142) -·-------·" O que se segt1e é u1na tentativa ele con1eç. C:ºIl1pr~encier seu significado e como podemos I impoi·tante ai·:i~o ''D~ferença.ide~-tificação e apego apenas. ciiferença e não foi·a dela.mesmo que esse Olltro que lhe falta sej<1. po1· un1 lado.. assim.1 co1npree11sao das di1nensões psíqt1ic.~1·c~ 11 ~·. const~·~Ídas no intei·ioi· do jogo do podei· . :Butlêi·..-. algo a mais. te1·mos ina1·cados) e1n co11t1·aste co1n os te1·1nos 11ão-ma1·cados ''ho1ne1n'' e ''b1·a11co'' (Laclau.'. da relação com aquilo que não é. é ai11da necessá1·io trabalhar muito sobre a questão de como o ''out1·0'' i·acializado é co11stituído no domínio psíquico. . Der1·id<1 ino_s.. os discui·sos . 1990: p. Laclau.. e de forma diretamente contrária àquela .<!a~_P<?!" .11·c~.1111 Il<J ]JJ"<>c:c~ss<> ele) fo1·1na9ão do Sujeito? l~ITI OlltJ"<lS ]J<tl<lVJ"<lS.Pela qual elas são constantemente invocadas. as ''unidades'' que as identidades pi·ocla1nan1 são ' -na~ei·dade. ·. Assii11.1212 '... mas de UIIl processo natu- ral1zad().à fu11ção de u111 acidente.1 <t ''<lifi. 1994. : levanta uma sei·1e de importantes questões que esses novos · modos de concebei· a identidade colocam: Apesa1· de l<â11on.§_tttY.1s ele ft~11<'>i11c~ 1 1<>s sociais tais co1no o r<c1cis1no? ])e c111<:~ fo1·111.() o . Isso implica o reconh~cimento radicalmente perturbad()r de que é apenas por meio da relação çom o Outi·o. ele' fJlll~ r()J"lll<l S<~ deve teo1·iza1· o \1Í11c11lo e11t1·e . 1981.por causa d~ s~~-c~pa~ida4_~ para excluii~ para deixar de foi·a.~?_podem sei~lidas a contrapelo.Q~~1 ·não é uma forina natui·al. p. .. p(l1·a ~ignificai· o ponto de enco~~~. 1 se_~11<1!'~~--ª 01·dem soci<ll se <11·tic·11]. obvia111e11te.. isto e2 _!I_l!<!_ C()fl1Q_ª-q_uilo que. · · --.1 i11fância i1a psic_a11álise limita seu valor explic. c6m6"""i>"q~tos_c1~ ·.

106).1 qt1estão el. se não as identidades. po1·que :.. p . ao demonst1·a1· a ''natt11·eza p1·oft1nd:. Isso.a f~~~~ _C()J. são ad1nitidos. naqttele ensaio. Se a icleologia é eficaz é porque ela · <1ge 11os 11íveis 1nais 1i.tos de sutura.'Jlli11os ou fe111i11inos e a exigê11ci<t ele <Jll<) <:l<)S :1ssi 111 <J faç<11n pa1·ece est:. po1· exemplo.· do sujeito às est1·utu1·as de significação''. por uma desc1·ição da efetivação da ju11ção -. qt1e elas são . -. 1986. i·ecente1nente. que nos consti·oei11 .. elas não podein.lo Outro e que.apego ten1poi·á1·io às posições-de-sttjeito •. J\s identidades são. desde então. · t1nilate1·al.1 e•<JJJJ<> os i11divíduos se i·eco11l1ece1n a si 1J1·ó1J1·icis c:<i111ci 111<tSl. Isto é. p.. · _) --·-·-------'·' ) .. 1995)... coloca. tê1n si~o at1·ibt1ídas a dois diferentes pólos'' (Barret. 'Se uma sutu1·ação eficaz do sujeito a uma posição-_de-st1jeito \i . --- - - -.. -----· \pois. duas soluções sepa1·adas.jeitos sociais de discu1·sos pai·ticulares e. .ologia na i·epi·odução d. sempre. 1 1 i11glesa. com toda a fo1·ça.''inte1·pelação'' .. as identidades são as posições que o sujeito é obrigado a assumir. qt1e • ser pensada como ui11a articitlação e não co1no .· o sujeito invista naqt1ela posição.1!º ela é constituída e n1antida . os pi:ocês-sos que pi·oduzem stibjetividades._ '-. / o ensaio sob1·e os apa1·elhos ideológicos de Estado assinalott ! u111 i:no111ento alta1nente importante dessa discussão. n1esino que não tivesse sido bem-sucedido. I1UI1Cª.1 co1no u1n ap:. titttição do sujeito (einp1·éstimo feito a Lacan). apenas 110 . mas que ! . po1· sua vez.1. -· ___ ---. que a representação é semp1·e construída ao longo d~ uma ''falta''. u1na i1npo1·tante cont1·ibt1içã<> pa1·a essa discussão. a lil1guagen1 da fílosofía da cÔ~s. em seu pioneii·o ensaio sobi·e ''sutura".. argumenta no seu livro Sex1tality i1i tlie field of vision (1986) que ''a questão da identidade . Ent1·etai1to. Jacquel1ne Rose.1s i·elações sociais de 1JJ"(J(lt1c_·ã<> ! (ma1·x1smo) quanto a fttnção simbólica da ideologia 11<:1 C<Jiis. O fe1ni11ismo. / N ao o~stante. divã [do 1Jsica11alista].aquilo que Stephen Heath. e.ma teoria da ideologia de~e começai· não pelo Stljeito.. ''havia.1111<:11I<· l"11 11 cla111e11tal co111 as est1·utt11·<1s ele cl<::~sig11. se não qt1isei·i11os sei· acttsados de abandonai· t11n i·educionis1no econo1nicista 1Ja1·a cai1· di1·etai11entc 113 .tn1ente dividida e cont1·aditó1·ia do argumento qtte Althusse1· estava desenvolvendo''. '' U.1si<1 sext1<1l elcis quais todos nós parecen1os p:.- ~ ---··---~· poi: - - .5). Esse ensaio int1·odt1ziu o conceito de inte1·1Jelação e .via o conceito de i(lecJl<igi<1 de Althusser e po1· meio de duas t1·ajetó1·ias: a (lei f(!minis1no e a da análise do ci11e111a .b~ra ''sabel1do'' (aql1i.11·ticip<1r. 96).1lcl:1cll: <' s11l><>1·lli11ação que o fe1ni11is1110 se 1J1·01Jõe <t 11111el.1çãei c·xl1·c:111. chamou de ''u. ciência acaba por nos trair). <1 idéia de c1t1e a ideologi<1 te111 t11na est1·t1tt11·a espect1la1~ nt1n1<1 tent<1tiv::1 de evitai· o econo111icis1110 e o i·edt1cio11is1110 das teo1·i<:1s i11a1·xistas clássicas sol)1·e <l ideologia.:ma inte1·secção'' (1981.11: () c:i11c:11 1. i1a 1n<1io1·i:. 1nas que.1dime11ta1·es d<1 icle11tid:. a) · · identificação. ao longo de uma divisão. por oyti·o lado. a pa1tir do lt1g~1: e. • Elas são o resultado de ttma bein-sttcedida ai·ticttlação ou ''fixação'' do sujeito ao fluxo do discttrso .. então a st1tui·aÇãü ten1. q~te as pi·áticas discui·sivas consti·oein pa1·a nós (H~ll. 1991. portanto. Segundo ela. ássim.11· e1n u111<11·el..é. duas soluções que. - ~--- i As i·efe1·ências ao te1·1110 qt1e desc1·eve o ''cl1a111a111ento'' do stijeito pelo disçu1~so . pontos de . i1a pauta teó1·ica. fo1·<1 elo ci11e111a.nos fazen1 le111brai:--q:~~e ess~ discussão tein t1111a p1·é-l1istó1·ia i1111Joi·ta11te e inco1npleta nos ai·gu111entos c1t1e fo1·a111 p1·ovocados pelo ensaio de Altl111sse1· ''Os apa1·ell1os ideológicos de Estado'' (1971).1de e dos i1npt1lsos psíquicos (I\ose...1 d<1s vezes.un1 p1·ocesso / . exige não apenas que o sujeito seja ''convocado''. como sujeitos aos qttais se pocle ''falai·''.11·ell10 iclecil<)gicci 1·c)siclc 11os 1nec<111isn1os de ide11tific<1ção e fa11t:... po1·que st1a fo1·ç:..i·e1J1·esentações..1 f(i1·111. Micl1c~I<~ Ba1·1·et deu. i·elativamente ao difícil p1·0ble111a da ideologia.. p. cent1·al po1· meio da qual a psicanálise ent1·a no can1po político'': "-· -1 •· ~ Esta [a questão da identidade] é uma das razões pelas qt1<1is a psica11álise laca11iana chegou .à vicl<1 i11tt~l<·c·t 11 . se::i: ajustadas iclênticas-:.. a qu_~_stão.aos p1·ocessos de sujeito qu~ são nelas investidos. mas un1a desc1·ição dos efél. i·et1ni11do · en1 t11n único (1t1<:1cli·o ex1Jlic<:1tivo t<:1nto a ft1nção inate1·ialist<:1 ···- - - ' 112 - da ide.

na o que pode e deve sei· dito''.de um reconhecimento no qual. inost1·ou-se pi·ematui·a.o pi·ó1Ji·io inconsciente age como a bai·ra ou como o coi·te entre eles. desc1·ita de acoi·do com a fase lacaniai1a do espell10. mas não' iÜS i11divídt10S são CO!lStituídos COlllO sujeitos pela for1na- ' i ção discu1·siv<1. na ve1·dade. 111as a interi·11pção. O ensaio de Heath (1981) nos faz leinbi·ai· q11e foi Michel Pêcheux quein tentou desenvolver uma teoi·ia do discui·so de acoi·do con1 a pei·spectiva althussei·iana e quen1. Q_t~i·Il1() ''identidade'' . defii1ida co1no aquilo que ''dete1·111i. na vei·dade. ap1·ese11tado co1no sendo a fonte em um i·ed11cionisn10 psicanalítico.3 1mento (o sujeito é. Este ai·g11mento most1·ou-se 1n11ito convincente a m11itos dos leitores subseqüentes de Althusse1~ levando.é. A c1·ítica de Hi1·st foi in1po1·tante. poi· i11eio de 11111a inte1·pel:o1ção e lJoi· n1eio da esti·utui·a j especulai· do falso 1·ecoi1heci111ento. ainda ': ei·a necessá1·io i11ost1·a1· por i11eio de q11al inecanisn10 . Na intei-p1·etação q11e Heath faz do ai·gumento de Pêcheux: Essa c1·ítica e1·a cei·ta1nente i1111J1·essionante.a1·gun1entava Hii·st .que s11i·ge pi·ecisa_men t~-1!~ J_J()~t() cl_~ ~I1te~-s~~ção entre eles . 1981. o q11e faz do inconsciente ''um local de difei·imento 011 adiamento perpétuo da eq11ivalência'' (Hall. assim. A intei·pelação dependia . registi·o11 o fosso int1·ansponível enti·e a p1·in1ei1·a e a segunda i11etades do ensaio de Althusse1·. co1·i·ia1n o i·isco de p1·essupo1· 1 ·_Em s11jeito já constit11ído.o ponto de sua correspondência (1981. mas não idênticos. 1979. na ve1·dade. que se situam os p1·oblemas conceituais reais. lJ. 101-2). assinalando a 1 ''fo1·te ausência de 11ma ai·ticulação conceituai ent1·e a ideologia e o i1iconsciente'' (citado e1n Heatl1. o local da clifi~l1ldade.ívei~ rudin1entai·es da identidade e dos impulsos ps1qu1cos quanto no nível ela f 01·mação e das práticas discui·sivas que constituem o ca1npo social. 1 Essa ''cori·espoi1dência''. tivesse a capacidade de agir co1no u1n sujeito. Ent1·etanto. na ve1·dade. ''Esse algo :' que ainda não é 11m sujeito deve já tei· as fac11ldades neces. p. a pena aci·escentai· qtie é in1provável que consigamos. O pi·oble111a ficava adiado. se exigia que o ''sujeito''. sárias pai·a i·ealiza1· o i·econhecin1ento que o constit11ii·á co1no uin sujeito'' (Hi1·st. algum dia. nesse i110111ento. pi·ecisa111os ac1·escenta1· que se ?:i_~~QlQgiª é eficaz é po1·q11e ela age t(lnto ''n~s n. p. enti·etanto.e de i 11m mecanis1no q11e não fosse v11lne1·ável à acusação de ' p1·ess11poi· aquilo q11e quei·ia explicai· . ' dos sig11ificados dos quais. 1995).essa constituição podia sei· efetuada. o conceito de : interpelação estava sujeito à famosa ci·ítica de Hirst. todo o campo de investigação a 11111a inte1·1·upção ines1Je1·ada. ao n1ost1·ar que Ítodos os mecanis111os c1ue constit11ía111 o s11jeito pelo discu1·\ so. p1·ocesso de sujeição no qut1l [ap1·oveit<111do • · a idéi<1 do ca1·áter especulai· d<1 co11stituição da subjetividade que Altl1usse1· to1nou e111p1·estada de Laca11] o i11di. estabelecei· esses dois constituintes [o psíquico e o social] como eq11ivalentes . Vale . e q11e é na a1·ticulação desses campos mut11amente constitutivos. 65). · tinha p1·oposto 1·e11unciai· à idéia do sujeito como sendo ( constituído i1o disc111·so. ele é um efeito). antes que tivesse sido constituído como tal pelo discui·so. víduo é ide11tificado co1no sujeito pa1·a a for1nação discu1·siva po1· i11eio de u1n<1 est111tu1·a de falso 1·eco11l1eci- 115 114 • : • . assim. 101-2). A interpelação nomeia o mecanisn10 dessa estrutura de falso i·econheci1nento. o lugar do sujeito ·no discu1·sivo e 110 ideológico . 111na vez que ninguém 1 . con10 11n1 efeito do discurso. de toda investigação. p. mas não é poi· essa i·azão que ele deve sei· abai1donado. continuava inco1 !modamente não-i·esolvida. 1981. Emboi·a continuasse a ser usado 1 1 como uma fo1·ma geral de descrevei· o processo pelo qual o 1sujeito é ''chamado a ocupai· seu lugai·''. 11tilizai1do o conceito foucaultiano · de foi·1nação discui·siva. na vei·dade. \ Pêcheux tentou ''desc1·evei· o discu1·so en1 sua relação con1 ' os i11ecanis111os pelos quais os s11jeitos são posicionados'' · (Heath. 106). no1neia.

ou a menos que nós foi·1·en1os o bei·ço da c1·iança co111 pi·esst11Jostos ant1·opológicos'' (Hirst. ''ot1 isto ot1 aquilo''. co1no diz ele.lcidade de auto-i·ecoi1heci1nento. Não p1·ecisamos atribuii· ao ''animalzinho'' individual a posse de um aparato filosófico completo pai·a explicar a razão pela qual ele pode ter a capacidade para fazei· um ''reconhecimento falso'' de si própi·io no i·eflexo do olhar do outro. O qt1e está em questão. poi· un1 ct11·to espaço de ten1po. qt1e elas têi11 os ati·ibutos de st1jeitos cogi1oscentes. já. Além disso. . 1979). à ent1·ada na linguagem.. a catexia básica das zonas de atividade coiJloi·al e o ·. n1esmo que em u1na forn1a embi·ionái·ia.que inicia o pi·ocesso c1t1e ''ft1nda'' o sujeito sexualmente dife1·enciado (e o inconsciente) e isso depe11clc~ não apenas da foi·mação instantânea de algun1a capacicl<l<I<' cognitiva intei·na. tai·dio! A idéia mais complexa de um st1jeito-em-pi·ocesso ) ficava lJei·dida nessas discutíveis condensações e nessas . Existe. eqt1ivalências hipotetica111ente alinhadas (sei·á que o sujeito é i·acializado. sui·das ou idiotas. ) pei·n1a11eça na fase do espell10 lacaniana.. de foi·ma que deve existii· já algo que é capaz de ''i·econhecei·'' o qt1e é pi·azei·. pi oi· ainda. A fase do 1 espelho não é o corneço de algo. para utilizai· os tei·inos de Laca11. à consolidação da difei·ença sext1al. do prazei· e da doi· devem estai· já ''em ação''. inexplicavelmente.a pei·da.de necessai·ia111er1te ao pi·ocesso desc1·ito IJelo n1ecanismo da ideologia de Altht1ssei· (..1·<~S<>lviclo. sL11·gii· do fato de se aceitai· sen1 n1uita discussão a pi·oposição 1. )a 11ie11os qite a Cria11ça (. à fo1·mação do inconsciente e (após Altht1sse1·) ao i·eci·uta1nento às ideologias pati·iai·cais das sociedades ocidentais de capitalismo . de aco1·do corn Freud. O pi·óprio Hii·st pai·ecia lJi·essupoi· aqt1ilo que Michele Bai·i·ett cha111ot1 de ''Laca11 de Altht1ssei·''. Pelo menos algumas das dificuldades pai·eciam i que o ''falso i·econhecimento'' é uin ati·ibuto pui·ame11te ' / cogi1itivo (ou. apa1·ato da sensação. ''o con1plexo e <1i·i·iscado pi·ocesso de foi·mação de u111 adt1lto ht1111ano a lJai·tii· de t11n 'ani111alzinho' não co1·i·espon. Sua i·esposta a isso é t1i11 tanto pe1·ft1nctó1·ia. mas ocori·e num mesmo n1omento. O p1·ó1Ji·io Lacan obse1·vou.à submissão à Lei do Pai. siinples1nente para negar qt1e elas possue111 as capacidades de st1jeitos filosóficos. . pai·a qt1e l se possa estabelecei· qualquer relação con1 t1m mt1ndo ex! terno. mas a i1ite1·rupção . a divisão. que ''o fill1ote do hoi11em. mas ainda assin1 por alguin te111po. Além disso. nacionalizado ou constittiído como uin sujeito en11Ji·eendedoi· e lilJei·al tai·dio tambén1 nesse momento [de i·esolt1ção d:.. na linguagem exti·emamente condensada dos evangelistas lacanianos. e não quei·o decl<1i·á-las cegas. nuina idade e111 que. é a ca1J:. formulados de uma foi·n1a t1m tanto exagerada. já i·econhece não obstante coi110 tal st1a in1agen1 no espelho''. ''Não tei1l10 nei1ht1111 pi·obleina coi11 as Ci·ianças. ·a falta. é st1pei·ado em inteligência insti·ui11ental pelo chin1panzé. A ''i·esolução'' da ci·ise edipiana. ''filosófico'') significa express<11· ! um pressuposto sem qualquer fundan1ento. t1ma i·elação com uma fonte de pi·azei· (a relação com a Mãe no In1aginái·io). Mas afii·n1ai· • 116 ' • Parece que os termos da questão foi·am. caracterizando um momento clai·ainente marcado por um ''antes'' e por um ''depois''. é pouco provável qt1e ele apai·eça na ci·iança de um só golpe. que é tudo o de que pi·ecisamos para colocai· em movimento a passagem enti·e o Imaginái·io e o Simbólico.. aqui. i11as da i·uptt1i·a e do deslocamento efc~t11:1• ' 117 . em seu ensaio sob1·e o estágio do espell10. a ci·ítica pai·ece estai· foi·n1t1lada em uina \ lógica binái·ia: ''antes/depois''. Enti·etanto. Afinal.1111 t<:1nto sensacionalista de Lacan de que tiido que é constitutivo do sujeito não apenas ocoi·i·e lJoi· meio desse mecanismo de resolução da ci·ise edipiana. · aqui.1 ci·ise edipiana]?). era idêntica . indepei1denten1ei1te de stia foi·inação e treinai11ento co1110 sujeitos sociais''.e ocoi·ria por ineio de t1m mecanismo equivalente .

. to1·nando essa i·elação. como diz Osbo1·ne. 257 [242]). Pete1· Osbo1·ne (1995) obse1·va que. ao mesmo tempo.a p1·ópria i111agem qtre localiza a c1·iança divide sua identidade e111 cluas. esse momento só tem sentido e111 i·elação co111 a p1·esença e o olhai· confo1·tado1·es da mãe. nesse caso. em ''O campo do Out1·0''. po1· um lado. constit11tiva da ''mat1·iz simbólica de onde emerge um eu p1·imo1·dial''. ent1·eta11to. po1· assim dizei·. Alé111 disso. Foucault ta111bé1n efet11a 11111a i·adic.. q11ando víamos as meadas do psíq11ico e do discu1·sivo esco1·1·ega1· de nossas mãos. Laplanche).con10 Hi1·st co1·1·etan1ente obse1·vou . Peter Osborne critica Lacan pela ''forn1a pela qual. nada do st1jeito. a qual ga1·ante stra realidade pa1·a a c1·iança. ''explo1·a a indete1·minação que é ine1·ente à disc1·epância ent1·e. 11111a tabiila rasa. como que buscando confirmação: ''ao se aga1·ra1· à i·eferência daquele que o olha num espelho.isso deixe se111 sol11ção a 118 p1·oblemática i·elação ent1·e o ''indivíduo'' e o sujeito (o que ''é'' o ''ani111alzinho'' individ11al que ainda não é 11m sujeito?). da catego1·ia de sujeito. pais segu1·ando a c1·iança diante do espelho''. Além disso. o ca1·áte1· pontual da ap1·esentação desse encontro con10 uma cena. isso é já uma fantasia . ali. Em sua i·ecente e inte1·essante discussão sob1·e as 01·igens hegelianas do conceito de ''reconhecimento'' antes i·efe1·ido. Ele discute. ao abst1·aí-la do contexto de suas i·elações com os ou t1·os (pa1·ticula1·111ente. mas seu eu ideal'' (p. A idéia de que não existe. ago1·a que · o ''dilúvio lacaniano'' de alguma forma i·et1·ocedeu e não existe mais o fo1·te impulso inicial naquela direção dado pelo texto de Althusse1~ a discussão se apresenta de uma forma um.filosofia da co11sciência e po1· sua leitu1·a negativa da psic<l' nálise.1l histo1·iciz<. Jessica Benjamin. st1gere Osbo1·ne. ele absolutiza a i·elação da criança com sua imagem''.. . o ''g1·ande mito da interio1·idade''. no inte1·io1· de fo1·1naçõ<~s • 119 . com a mãe). ' . A afi1·mação de qt1e a sulJjetividade não está plename11te constituída até qt1e a c1·ise edipiana tenha sido ''1·esolvida" não s11põe 11ma tela e111 b1·anco. das dt1as u111a: ou isso i·ep1·esenta um ac1·éscimo c1·ítico ao a1·gumento do ''estágio do espelho'' (111as. antes do d1·ama edi1Jia110. essa · discussão nos ti11l1a deixado.do encontro da criança co111 sua imagem co1-poral no espelho co1no um 'estágio' e. Pode-se ac1·esce11ta1· que a explicação de Lacan é apenas " 11ma dent1·e as inuitas teorizações sobre a formação da ' subjetividade que levam em conta os processos psíq11icos inconscientes e a i·elação com o out1·0. as possibilidades de dive1·sas out1·as va1·iantes (Kristeva. a temporalidade da ca1·acte1·ização -feita por Lacan . n1es1110 qt1e . Esses são indicado1·es írteis pa1·a nos ti1·ar do ' i1npasse no q11al. não seu ideal do eu. e im1 pulsionado po1· s11a c1·ítica tanto do hun1anismo q11anto da i . Lacan (1977b) desc1·eve ''um dos . . E11 a1·g11n1enta1·ia que Foucault tan1bé1n aborda o in1passe que nos foi deixado pela c1·ítica que Hirst faz de Althusse1~ inas a. Esse argumento. O sujeito é p1·od11zido ''co1no 11111 lefeito'' do disc111·so e no discu1·so. tanto dife1·ente. Ent1·etanto. po1· que o a1·gt1111ento não é desenvolvido?) ou isso int1·oduz uma lógica diferente cujas implicações não são absolutamente discutidas no t1·abalho st1bseqiiente de Lacan.clc)s 1Jela i111agem que é i·efletida pelo olhai· do Ot1t1·0. cujo ponto d1·amático está i·estrito às i·elações ent1·e apenas dois 'pe1·sonagens': a c1·iança e sua imagem co1-po1·al''. Atacando. pa1·ti1· da di1·eção oposta. -. constitt1i t1ma leitu1·a exage1·ada de Lacan. a parti1· dessa c1·ítica. A criança lança um olhar em direção à mãe. o sujeito vê aparecer. J de fo1·111a ené1·gica. as quais não estão confinadas ao falso e alienado i·econhecimento do d1·ama lacaniano. dese11cadeada po1· algun1a espécie de COU/J [le tliéâtre. po1· out1·0. sob os efeitos do ''Lacan de Althusser''.lçãc) . Pa1·a Lacan. ou u111a concepção do tipo ''antes e depois do s11jeito''.

.e1it) . 87). co1idensação elas ~subje.. obviamente. E111 especial. São in1poi·tantes. pi·oclaina \ Fot1cault...- e -- Ao deixai· de analisar como as lJOsições sociais dos indivídt1os intei·agen1 coi11 a consht_1ção de cei·tas posições-de-sujeito discui·sivas ''vazias''...inost1·a. do lJi·oçesso de foi·mação do st1jeito. inas unidi111e11sional. O nascirnen- foi·mação i·egulativa e i·egt1lada..o últi1no i·esídtro ou local de refíigio do ''Homem'' . Emboi·a possa1nos aceitar esse a1·gt1n1ento.e sua 1 '' i·econstrução'' em tei·mos de fo1·1nações histó1·icas. ent1·eta11to.· de um ''falso i·ecoi1hecin1ento''. to11 cei·to de que possa1nos ou deva1nos ii· tão longe 1Jonto · de declai·ar como Fot1cault que ''nada no ho111ei11.st1jeição/st1b. t1·azen1 a '· concepção que Foucault te111 da foi·mação discu1·siva pai·a mais pe1·to de algt1mas das clássicas questões que Althusse1· tentou discutir po1· meio do conceito de ''ideologia'' . não es. a c1·ítica qt1e lhes é feita pa1·ece.1ídt1os 1Ja1·ece111 oct11J<11· ele fo1·n1a não-p1·0ble111ática (McNay.nem mes. ocupando l11na-p-os1Çaõ-ceI1ti·al.··mo sel. p. ' ' • 1 ----- ''''' -- \ 121 .. em ti·oca. é pi·ecisainente sob esSif foi·n1a qt1e o coi-po ten1 fu1icionado co11io o significante ela ·. cont1·ibuit1 int1itíssi1110 pa1·a toi·na1· i11ais conci·eto o ''foi·111alisi110'' u111 tanto ''vazio'' dos t1·abalhos iniciais. . Fot1cault ii1ti·odt1z tima antinomia entre as 1Josições-de-st1jeito e os ii1divíduos qt1e :els oct11Jan1. As posições-de-st1jeito disct1rsiv<:1s to1·n<:1111-se catego1·ias a priori. ·justificada. to da clínica. Isso não po1·que o coi·po se constitt1a e111 . .se111. ()S discursos consti·oe1n . lógicas e discu1·sivas. As palavras e as coisas. de t1n1 i11étodo ai·qt1eológico 1Ja1·a u111 i11étodo ge11ealógico.•. i·evelando muito pouco. p. ce1·tos p1·oblemas' u ina das in1plicações das novas concepções de podei· desenvolvidas no trabalho de Fot1cat1lt é a radical ''desconst1·t1ção'' do co1-po . . O co1·po é construído.· discui·sivas específicas. seu i·educionis1110 de classe. 1 "· •• - ' . - .ietivação (assitjetti.. .~ui·so.por meio de suas i·eg1·a~g~f~i·!_I!ª­ ção e de suas ''n1odalidades de enunciação'' -posições-c!~-Sl!-. genea.Sibi·--· ---lidades abei·tas pela disct1ssão qt1e Fot1cat1lt faz do duplo cai·átei· . na ái·ea da teo1·ização sobre o \~ujeito e a identidade.. bem con10 a l1istói·ia que a1·rt1ína o coi·po'' (1984. Alé111 disso.i1ão é '' vei·dadei1·a''. n1as po1·que.. a ent1·ada no qual é ''deter1 minada IJelas (e constitt1tiva das) i·elações de podei· que 1 \ . a centi·alidade d<i ··1 qt1estão do podei· e a idéia de qt1e o p1·ópi·io disct11·so é u1na J • ··-- - 120 Pe1·sistem. . 1994. Eles dão uina descrição foi·n1al da consti·uçãode posições-de-sujeito no intei·io1· do discui·sQ. a esse i·espeito.. ''é a de expoi· o coi·po totalmente inai·cado lJela \pistória. jeito. as estin1ufélntes_J2Q~. St1a ai·qt1eologia dá. con10 Fot1cault tão bem -.fividczdes 110 indivíelito e essa função . einboi·a IJossa se t1·atai· . coin todas as suas implicações i·adicaln1ente ''consti·ucionistas'' (o coi·po toi·na-se infinitan1ente maleável e co11tingente). uma desc1·ição fo1·1nal c1·ítica.sen1.. as qt1ais os i11di. Por mais convincentes e 01·iginais que sejam esses ti·abalhos.. é agoi·a inti·od~zido. n1old<:1do e )1·emoldado pela inte1·secção de un1a va1·iedade de p1·átic<:1s 1 discu1·sivas disciplinai·es. Não existe tampot1co nenht1n1a continuidade de u1na posição-de-sujeito pai·a out1·a ou qualque1· identidade transcendental entre t1ma posição e out1·a. igt1al111ente. i63). A tai·efa da genealogia. 1994. lJ.-.1 coi·po-ésuficienten1ente estável pai·a sei'"Vii· de base •para o auto-i·econheci111ento ou pa1·a a con1pi·eensão de . do sujeito do disct11·so. . o podei~ que estava at1sei1te da desci·ição i11ais formalista do cii.lout1~os hon1ens''. não tendo qualquei· existência própi·ia. ela. 76-7).. . suas conotações econon1icistas e seus vínculos con1 asse1·ções de ve1·dade. sobi·e as i·azoe_s-pelas quais os indivÍdi1os -OCllpam certas posições-de-sujeito e não outi·as. Na pers1Jectiva de seu ti·abalho ''arqueológico'' (A liistó1·ia da louciira. •t1n1 i·efe1·ente real1ne1ite estável e ve1·dadeii·o pai·a o pi·ocesso •de autocoi11p1·eensão. 1 a • A i1npoi·tante i11t1dança 110 t1·abalho de Fot1cat1lt. permeiam o do1nínio social'' (McN ay. nãÕpÕde se~cfescai·tada apenas poi·qt1e. A arqueologia do saber). assin1. ..

~11 te~ o ponto do c1t1al a teo1·ia mai·xista clássica da ideologiél c<>meçou a se desei11bai·açai· e a p1·ópria dificuldade que Althussei· i·eii1ti·oduzit1 quando ele. Que isso se to1·not1 óbvio lJara Foucault toi·na-se eviclc·11·. con10 estimtilante e p1·odutivo. de foi·ina mais in1portante.. . é t1ma inai nei1·a p1·odt1tiva de se i·epensa1· a assin1 cha1nada ''inatei·iali... 1987. ele ''pula.1 • pelos {1lti111os (e inco111pletos) volt1n1es da assi111 c}1. uma matei·ialidade i·esidual. na hoi·a exata. ' . de um ''significante ti·ai1scenden tal''. <) Ctlidado de si.1s i·elações sociais de pi·odução''. na investigação pós-fot1caultiana. . :.ui11a con11Ji·eensão en1pobi·ecida do indivíduo. impedi1· ot1 pe1·tt11·ba1· a t1·anqiiila inse1·ção dos indivídt1os nas posições-de-sujeito construídas po1· esses discu1·sos. o indivídt10 e o coi·po. indeterminada. .1 ' ''Histói·ia da sexualidade'' (O uso dos prazeres. essa ''materialidade'' junta. poi· meio da · . Pai·a dizê-lo de fo1·n1a dii·eta.. Conceber o co1·po coino submetido. . ! nesse caso. . rep1·esc~11 t. com o p1·oble. Tem a ve1· também com a concepção do sujeito · inteiramente at1topoliciado que emerge das modalidades • disciplina1·es. confessioi1ais e pastorais de podei· disctitidas . sen11)1·~~ <· incessantemente._1cl<> 11·:1!1:1111(1 123 •.1<l."alma''. defini11 a função da ideologia como sendo a de '' i·epi·oduzii· .un1a ta1·efa qt1e tem sido p1·odt1tivan1e11te asst11nida po1· Nil<olas Rose e pela ''escola da gove1·na111entalidade''. sem ( dí1vida._1111. ac1ui.~ . poi· ineio de uma costui·a.. . poi· agii· discui·sivamente pai·a ''resolvei·'' Oll apai·entai· i·esolvei· a i·elação. stia invocação do • corpo coino o ponto de aplicação de t1ma vai·iedade de prá.t~·ii(> sobi:e as i·azões pelas quais os coi·pos devei·ian1. de un1a desci·ição . 1988. do podei· disciplinai· como t1ma tendência das mode1·nas ! foi·mas de controle social pai·a uina formulação do podei· • disciplinai· coi110 uma foi·ça n1onolítica plenamente instal:. Isso lev.• . Penso que ''o coi-po'' adqt1ii·it1.t ·.· te 11a nítida e nova n1udança en1 seu t1·abalho. tanto qt1anto pode111os clc~cl11zi1-. se levada a seus extremos. no1·mativamente. -.. nesses t1·abalhos.1 <l.1 . · Pois. ... inte1·1·omper.exatan1<. 104). apesai· .. be1n co1110. . nismos lJsiquicos ou os pi·ocessos intei·ioi·es que podein fazei· com qt1e essas ''intei-pelações'' at1tomáticas sejan1 pi·o•<luzidas ot1. ot1 de uma ''sutui·a''.. podemos dizer que. ·dessa forn1a.. c1·ítica qt1e acabéti11os de 1·evisa1· . a qt1al acaba. A ci·ítica mais séi·ia tem a ver..1·. e1n B(Jdies tliat niatter. da . de t11na fo1·1na dife1·e11te. Alén1 disso.It~ visl.. entretanto. sei11 se afastai· n1uito de set1 i11s1Ji1·. aquelas coisas que a teoria da p1·odução discui·siva de sujeitos. ticas disciplinai·es tende a en1pi·esta1· à sua teoi·ia da i·egtilação disciplinai· uma espécie de ''conci·ettide deslocada Oll . mal colocada''.das afirn1ações em conti·ário de Foucault. estai· a postos. 1994. ..1 . - 122 . volt11ne i11édito e i1111Jo1·ta11tíssin10 .qt1es_~i()n~r a concepção do pi·ópi·io Foucat1lt (l(~ c111< ~ (>. intiito facilmente. ·dade'' do co1-po . não há nenht1i11a teoi·ização sobi·e os mecé1.ui11a foi·ça qtie satui·a todas as i·elações sociais. a i·egin1es de ve1·dade no1·n1alizado1·es. bem como com a atisência de qualqt1er consideração sobi·e o qt1e pode1·ia. e. E p1·aticamente o único t1·aço qt1e resta. um valor totêi. () ·. o qt1e in11Je(l<~ qt1e se possa explicai· as expei·iências que escapain ao tei·1·<~­ no do 'co1-po dócil''' (McNay.1. a t1n1a st11Jei·estin1ação da eficácia do poder disciplin::1i· e . p. pi·ecisamente poi· causa dessa posição quase mágica. Mas é difícil cleixai· de ' ' ' ' -· ·- sujeitos assim consti·t1ídos são ''coi·pos dóceis'' e t<><l<ts . 1993. enti·e o sujeito.do lJonto c. po1· Jtidith Bt1tlei·.1c ].iico. que podem fazei· con1 · que elas fi·acassem ot1 encont1·em resistência ou sejam ne: gociadas. ma que Foucault encont1·a ao teorizar a i·esistencia na teoi·ia do podei· desenvolvida em Vigiar e punir e en1 A liistória da sexualidade. f1·att1i·ai·ia e dispe1·saria de forma i1·remediável. de algu111a fo1·i11a. Não há nenhui11a tec>i·iz. iinplicações que isso acai·i·eta. no trabalho de Foucault. "). Mesino considerando o ti·abalho de Foucault. o i11eu pi·ópi·io sentin1ento é o de qtie.~ Além disso.sob1·e ''As 1Jt~1·vc·1·s(·>( .

a capacidade e o apa1·ato da subjetividade por pa1·te do s11jeito. . con. . . ---~ --·-·--~- - - -- ' ' -- - - - --~---·--- - ' - -- -- ' - - '-.lise que Fo11ca11lt faz dos j()g().----------. ealilt ãcena. u1na vez que. n1ovei· e111. uma inudança que permitiria analisai· aq11ilo que se chama de ''o sujeito''.o 11111a estilização delibe1·ada da vida cotidiana.- . - ~~ • Foucault desc1·eve isso . \ do e11 são. sobre eles ines1nos e sobre os outros. a se decifi·a1~ a se i·eco11hece1· e se confessai· como sujeitos de desejo. nessa ge11ealogia. in1portante. daq11ele te1·i·itó1·io q11e. o te1·mo ''identidade''. discipline. si1n. est<1belecendo de si par<l consigo uma ce1·ta relação que lhes pe1·1nite desco~ri1~ no desejo. Ti·~ta-se de u111 ayanço.~. po1· pa1·te de Fouca11lt. Não existe. di1·eção ao1·econh~cii11entQ. co1110 ex1J1·essa J11dith I3 11 tle1·). sin1plesn1ente um coi·po sexualizado dócil.de qu~-::-11ina vez qt\e odescer1ti·a111ento do s11jeito i1ão significa a dest1·11ição dçi -.. nas s11as í1lti1nas ob1·as. a proditção do e11 co1no 11in objeto do mundo. o i·econheci1nento e a i·eflexão. po1·tanto. - ' - ' . vestigações poste1·io1·es. •. co1110 a de Judith Butler. pai·a sen11Ji·e. p. dos i·egimes de auto-1·eg11la- ção e a11tº111odelação e das ''tecnologias do eu'' envolvidas ------i1a constituição do s11jeito desejante. ética e as p1·áticas. Em sua int1·odução crítica ao livro O i uso dos prazeres. na n1inha 01Jinião. pelo esc1·11p11loso i·igo1· de seu pi·ópi·io ( pensa111ento e po1· i11eio de 11111:01 sé1·ie de i11udanç:c1s concei- . que i·e-instaui·e q11alq11e1· idéia de ''agência''. co1no11ma ''estéticadaexistêncià'. de que 111a11eira os indivíduos fora1n levados a exe1·ce1·. o que liv1·a essa teo1·ização do ''behavioris1no'' e do objetivis1no que ameaça111 cei·tas pa1·tes de Vigiar e pu1iir.ião fa1·ia i·ealn1ente uma coisa tão vulgai· con10 a de invocai· . Fou--------'. - . - 9. penso eu. - 125 . à . E 1n su1na.i·elação -----.. insiglits q11e s11i·ge111 da an::í. tipos de no1·matividade e fo 1·mas de subjetividade''. co1no 11111a espécie de peifonnatividade . a verdade de seu ser. à pi·oble111ática da identidade. -----· tamente. sem esquecei· a existência da foi·ça objetivamente disciplinar.--·. e a .e~ pelasquais o indivícfüo se · constitt1i e se i·econhece qua sujeito. inuitas vezes.co1·1·etame11te. Foucault faz uma lista daquelas coisas q11.- ' ' -- O qlte ve111os aq11i.. Pai·eceu-lhe necessá1·io exan1ina1· quais sã_() 8:s .·' losa à i·egulação no1·mativa e com os constrangimentos das ------.da i·elação como. en1 nossa op1''iiião . p1·oduza e i·eg11le. de alguns mecanísinÕs i~te. legiti. com a i·egi·a.i. ce1·.iie ---- ··~·-'·--··- - - ' -· - - •' . u1na he1·menêutica do · desejo (J:<oucault. poi· exeinplo. reg1·as sen1 os q11ais nenhun1a ''subjetivação'' é p1·oduzida. a idéia era a de pesquisar.cault. um<1 conside1·ação das pi·áticas de libe1·dacl~ podem impedi1· q11e esse sujeito se toi·ne.---. pode1·ían1os espe1·ar de seu t1·abalho ( a · correlação ent1·e can1pos de saber. é_:f()!1Ç(l!1lt / sendo p1·essionado. ele tacitamente i·ec()nhece que não é s11ficiente que <t Lei co~~oque. pe1·tence. pois. Fo11ca11lt. estamos nos ap1·oxii11ando.-- . · as tecnologias aí envolvidas apa1·ecen1 n1ais sob a forn1a de • 1J1·áticas de ::111topi·odução. i1enhu111a conve1·são. obvian1ente.1nan1ente. rlesse momento. Alé1n disso. aqui.. aq11i. A. j11ntai11ente co1n a atenção escrupua..· as p1·átiC<lS pelas quais OS indivíduos fora1n le\1ados a p1·esta1· atenção <l eles p1·óp1·ios.s 124 . mas que deve }1aver tan1bém a co1·1·espondente p1·odução de uma i·esposta _: e.como tlina ''teJ·cei1·a mudança..constituição e o i·econhecin1ento de ''si mesi110'' qua s.1·es de asse. existência de algun1a paisagen1 inte1·io1· do sujeito. seja ele i1atu1·al ou decaido. ~- . em 11ma cultura particular). .fo_1~mas e as · n1odalidades. pela p1·i1nei1·a vez en1 sua g1·ande ob1·a. de intenção 011 de volição. - .' ' -·------- I:l<Í . Este não é o l11gar pa1·a exploi·a1· os i1111itos e pi·od11tivos . 5 [11]). as pi·áticas de a11toconstituição. i11as con1 a ''relação com o e11 . Mas há. mas \ agora c1·iticamente ac1·escenta d~ vei·dade. . constituindo aquilo que ap1·enden1os a i·econhecei~ ein in. do ti·abalho ético.ntimento à i·eg1·a. ~ - ' .s<>l)t·(~ () cit1·áte1· p1·od11tivo (lo lJ1·oc(~SSt) <le 1·eg11lação normativ<t (nenhum s11jeito fo1·a da Lei. 1987.11jeito. mais plena1nente descritas poi· Fo11\ . de i11odos es1Jecíficos de cond11ta. . · nos te1·mos antei·io1·111ente estabelecidos.

p1·ecisame11te po1·que ela não pode ad111itir o inco1isciente.' da na i11tencionalidade . que descreva de que foi·ma eles inoldan1. a psicai1álise. que co1·re o i·isco de sei· atropelada po1· un1a ênfase exage1·a. estilizam.li·tic1![~_§. isto .. _. mais especialmente. ·- - a catego1·ia do ''sexo'' é. ou estão en1 1im p1·ocesso constante. ··. é i111pedido. em conexão com pi·áticas discursivas histo1·icamente específicas. i·elações ''se111 q11<1lquer. O · ''sexo'' é u111 co11st1·uto ide.( todas as é. po1· meio de sua preocupação com ''os limites discursivos do sexo'' e com as políticas do feminismo. . já que ele via a psicanálise como sendo simples111ente n1ais uma i·ede de i·elações disciplinares de podei·. lJ.1te1·i.os co1pos que cont1·ol<. subestin1ou) e 111na genealogia ' das tecnologias do eu. fl11ências iniciais. talvez. discu1·siva do sujeito (voltando. e po1· que alguns nunca o fazem. de algun1a for1na.1 p1·ática i·egulatória que p1·oduz os corpos que gove1·11<1. sempi·e. o sexo não . Butle1· desenvolve o a1·gun1ento de q11e . dife1·e11cim·' . cuja infl11ência sob1·e se11 trabalho ele • p1·óprio. fundadas naquela contii1gência q11e ''i·eativa o histó1·ico'' [Laclau. fi11al111ente.1lizado . mas é p. é. de i·ecor1·er a un1a das p1·incipais · fontes de pensa1nento sol)re esse negligenciado aspecto. assim. a fontes e in. o poder de produzir de111m·c. isto é. agonística. Ein su111a. Foucault fez um avanço ·.Tiia~ ções disc11i·sivas como uma articulação.'> 11. po1· assirn di.. i·epensada co1no 11111 efeito de podei-. ao i·e11ni1·. En1 se11s últimos trabalhos. Mas t1·ata-se de 11ma fenomenologia . Foi. ele é impedido. desde o i11ício. que explique poi· que eles não o fazem co1npletan1ente. 35]).1t1·avés do te1npo (Butle1~ 1993. O que ele produz. pi·oduzem e ''exercem'' essas posições. é umafeno1nenologia . com a autoreg11lação norinativa e com tecnologias do eu. J11dith B11tle1· analisa. Em Gender troitble (1990) e. de uina só vez e poi· todo o ten1po. toda fo1·ça regulató1ia n1anifesta-se co1n u1na espécie de podei· p1·odutivo.---- ' ' •' .t111êt vez c1ue o ''cent1·amento'' na IJ1·ática disc111·siva 11f'tc> l)(Jcle fi_1nciona1· se1n a constituição de sujeitos . - . ~ - / E. . o co1·po e a identidade..]_ll10 c111e foi. mais aprop1·iada1nente.ter simplesmente 11n1a teoria de 1como os indivíduos são convocados a oc11pa1· seus lugares !._11te de l11n. por meio de est1·utu1·as discui·sivas. 1[153-4]). em vez disso.1111e11te i11.. Pa1·a o bem ou pa1·a o mal.fazendo-lhes i·esistêncià. A_guestão q11~ fica é se nós tai11béi11 p1·ecisamos.1. ' 1 1 ' Felizmente.1l que é fo1·ços<. isto é. p.. co1·1·es____ . i l(> 1 (~ l. pela sua próp1·ia c1·ítica. Nesse se11tido.i(.. de ·. obvian1ente. pois.--~ 11ecessá1·io con1ple111enta1· a teo1·ização da 1·eg11lação discursiva e discipli11a1· co111 uma teorização das p1·áticas de autoconstituição s11bjetiva. quais se ·confi·ontan1 e pelas q11ais i·egulam a si n1esi11os . negociando-as 011 acoinodando-as. ti·agicai11ente inte1·i·oi11pido).e1n Ma1·x.z:ei~ din1in11i~ o fosso enti·e os dois domínios. concepções foucaultianas e pe1·spectivas psicanalíticas.1pe11as fu11ciona co1no uma no1111a. quando Fo11cé1ult.1r.ia teoria q11e desci·eva quais são os inecanisn1os pelos quais o. se pi·ecisamos de u.. não dá o passo decisi''º nessa dii·eção (no t1·ab. fechada. e1n )Althussei~ em Foucault . aqui. <linda 111ais fascinante obse1·va1· que.ir naquela di1·eção. : Adotando a posição de que o sujeito é discu1·sivamente / const1·11ído e de q11e não existe qualq11e1· s11jeito antes 011 fo1·a ( da Lei. as complexas t1·ansações ent1·e o sujeito. ela não permaneceu fechada. po1·tanto.. 1990.s indivíd11os considei·ados con10 sujeitos se identificam (ou não se identificam) com as ''posições'' IJai·a as quais são convocados. o que fica é a exigência de se pe11sa1· essa i·elação do sujeitocorri as fol.:.. ci1·cular. A visão de que o s11jeito é p1·od11zido no c111·so de sua ' 126 127 1 • . isto é.. considei·ável.!ta com as i·egras norinativas ou i·egulativas con1 as. Nunca foi suficiente . de Il. nor1nativa: ela é aquilo ql1e }oucault cl1amou de ''ideal i·egulató1·io''. aquela ' ') poi·ta já estava. ele - ' A mate1·ialização é..__ pondência necessá1·ia''. em um único quad1·0 analítico. então. necessái·io te1· também uina teo1·ização de como os sujeitos são cons~i­ tuídos. ao mosti·ar como isso se dá. pa1·a ele. em Bodies tliatmatter (1993).<is são.

tal como i·essaltado no t1·abalho de Avta1· B1·ah. tanto às qtiestões sobi·e identidade e sobi·e política de identidade c1uanto às questões sobi·e a função pa1·adign1ática da diferença sexual relativai11ente aos otiti·os eixos de exclusão. ''a crítica intei·na qt1e Btitlei· faz da política de idei1tidade feininista e de suas pi:emissas fundacionais questiona a adequação de t1n1a política i·e1J1·ese11tacional ctija base é a unive1·salidade e a. i·emetendo.inate1·ialização está foi·ten1ente ft1ndamentada e1n t1ma teo1·ia perfoi·i11ativa da linguagem e do stijeito. Bt1tle1· ap1·esenta.--. do ponto de vista do a1·gun1ento \ aqui desenvolvido. então. feita no quadi·o teói·ico do feininisn10. "-. Esse centi:~111ento da qt1estão da identificação. p. p. juntai11ente com a~pi·oblemática do sujeito que ''assuinet1i11 ~exo''. do i·epr~sêntável (''a p1·odt1ção de un1 'exterior'.. aqt1i. Pai·adoxalinente. mes' mo que o pi·óp1·io Foucatilt tenha i·ecusado essa possibilida' de''. ot1 a i·elação ent1·e o discu1·sivo / e o psíqtiico. 23). em set1 texto. '-. de um doinínio de efeitos inteligíveis'' [1993. entretanto. A mudança decisiva.a catego1·ia t1i1ificada sob o i·óttilo de 'mt1lhe1·es'''. 2 [155]). o qual i·etorna. aléin ! de un1à stigestiva indicação: ''Pode havei· tiina fo1·ma de sujeitai· a psicanálise a tima reelaboi·ação fot1cat1ltiana. i11as que fu11ciona co1no o 1neio i·egul. pai·a complicai· e desestabilizai· aquelas foi·aclt1sões que nós. ~o trabalho de Btitler. pi·ematt1i·amente. pa1·a que a constituição dos sujeitos po1· meio dos efeitos regt1lató1·ios do discu1·so i·acial adquira a importância até aqui i·esei-vada pai·a o gêne1·0 e a sexualidade (embo1·a. assim. essa ide11tida---de ''est:c1 baseada i1a exclusão das n1ull1eres 'dife1·entes' e no este texto aceita co1no po11to de pa1·tida <l icléi<1 de }àuc<1t1lt de que opode1·1·egulató1·io p1·oduz os sujeitos que co11trol<1. pois. 1993. que o podei· i1ão é si111plesn1e11te i1111Josto exte1·11a111ente. con1 a escolha e com a intencionalidade. O i·eto1·110 à psican<'ílise é 01·ie11t<1do. unidade p1·est1n1íveis de seti st1_jeito .-. devem sei· ''pensadas'' de fo1·ina conjunta. De qualqt1ei· foi·ma. inas a pe1·fo1·111atividade é despojada de suas associações con1 a volição. Ela fo1·mula : esse ai·gumento. ao invés disso. tini meta-ai·gumento teórico plenamente desenvolvido qt1e desc1·eva i como as duas pei·spectivas. 5 [155]). obviamente. um diálogo ~i·ítico e i·eflexivo ent1·e Foucault e a psicanálise qtie é extremamente p1·odutivo. lJela qt1estão ele co1no ce1·t<1s 1101·111as i·egt1lató1·i<1s fo1·111an1 t1111 sujeito '' sext1ado''. ent1·etanto. o convincente a1·gumento de qt1e t()das as identidades funcionan1 por meio da exclt1são. • ' -- --- . apai·ente111ente fo1·a do campo do simbólico. a ligação que Butle1· faz do · ato de '''asst1mi1·' um sexo coin a questão da identificação e com os meios discursivos pelos quais o iinpe1·ativo l1ete1·ossexual possibilita cei·tas identificações sexuadas e in1pede ot1 negaouti·as identificações'' (Butler.um ai·gt1inento que p1·ecisa sei· desenvolvido. seu exemplo n1ais ti·abalhado seja o da pi·odução dessas fo1·mas de abjeção sexual gerali11ente ''noi·i11alizadas'' coino patológicas ou 1Jei·ve1·sas). anteriormente me11cionado. p. - - ' Con10 obse1-vou James Sot1te1· (1995). é. ''não coino o ato pelo qtial uin sti_jeito ti·az à existência aquilo que ela ou ele nomeia. p. É ve1·dade que Butler não fornece. mas.1tó1·io e 1101·1nati''º pelo c1u<1l os sujeitos são fo1·111<1clos. de t1m<:1 m<:1neii·<l ft1nd::1cion<:1l._ -~ 1 ! i A i·elevância do argt1mento de Butler é <1inda mais pei·tinente. 22]). sendo i·elida (cont1·a /algumas das intei·pi·etações equivocadas de Ge1ider trouble) .. ----. em relação à sexualização · e à i·acialização do sujeito . 1Joliticai11ente. . por meio da const1·ução discui·siva de um exterioi· constitutivo e da produção de st1jeitos abjetos e n1a1·ginalizados. sob co11dições que to1·11a1n i111possível se disti11gui1· e11t1·e a fo1·111ação psíqt1ica e a fo1·1nação co1JJ01·al (1993. abi·e.-- ------- 129 128 . tal como oco1·1·e com todas as ot1t1·as idei1tid::1des. poi·que é desenvolvido no contexto da disctissão sobi·e o gênei·o e a sexualidade. co1110 aquele poder reitei·ativo do discurso para p1·odt1zii· os fenôn1enos que ele regula e consti·ange'' (Butlei~ 1993. chamamos de ''identidades''.. c1t1ando são ti·atadas. de fo1·ma eficaz. dii·etan1ente. .

identidade é t1n1 te111a de conside1·ável i111po1·tância política. Belo Ho1izo11te: A11tê11tic<1. estão sujeitas à lógica volátil d:o1 ite1·abilidade. 1971. . Mas eles tên11·ecebido um eno1·me e 01·iginal i111pt1lso desse enredado e inconcluso a1·gu111ento. 2000 (N. DERRIDA. elas são a sedi1nentação do ''11ós'' 11a constituição de qualque1· eu. . ocasional1nente. ''Agência'' é. de fato.po1· n1eio do ideal no1·mativo i·egulató1·io de t1n1 ''et11·ocent1·is1no co1npulsivo'' (po1· falta de u1na ot1t1·a palav1·a) . 1992: 126-45. ple11ame11te e fi11al1nent~-feitas..:31 ''' ( ~ .i\1.. ent1·etanto. cami11l1os) (N.. traduzidos. Gender Trouble. do T). Pedagogiasclasexiialidacle. po1· ''desconheci1ne11to''. Na ve1·dade.). Po1· co11siderar que o po1tuguês ''desconhecimento'' não expressa a idéia de ''conl1eci1nento'' ou '' reco11hecimento'' ilusó1·io ou falso que está contida na palavra i11glesa e 11a francesa.-- 130 1. em geral. Cl1ic<1go: U11ive1·sity of Cl1ic<. qt1e só pode1·á ava11ça1· qt1ando tanto a necessidade--------·------------quanto ·ª ''in1possil)iliclade'' da identidade. ''rnis1·ecognition''. Matte1~ Lo11cl1·es: Ro11tledge. elas constituem a est1-uturação presente da alte1·idade. i11traduzí\•el. As identificações não são. J. BRAH. O esfo1·ço. . co11testado e.não pode sei· sin1ples111ente enxe1·tado nos a1·gu111entos b1·eve1nente esqt1e111atizados aci1na. i·eduzido.qt1<1lque1· so111b1·a de dúvida. mente falhas. Significativament~. na literatu1·a i)sicanalítica. Tl1e linguistic fault. p1·oduzida e constrangida pelas mesn1as est1·t1tu1·as de poder po1· n1E. de lealdade~Cle êoabitações a. L. Em i11glês. qtie de111011st1·a. ALTHUSSER. qt1e a qt1estão e a teo1·ização_ da _' ·. 1994. entre ''1·oots'' (1·aízes) e ''routes'' (rotas. isso não leva Butle1· a a1·gumenta1· que todas as noções de identidade deveriam. 151-172. BUTLER. J. co1n o tíh1lo ''Co1·pos q11e pes<1111: sob1·e os li111ites clisc111·sivos do 'sexo'''). fo1·em plena ' e íneqtiivocamente i·econhecidos. & RATTANSI. Elas desestabilizam o eu. M. 1991.. equivalente ao f1·ancês ''méconnaissance''. e1n G11aci1·a Lopes Lou1·0 (01·g. Tl1e Otl1e1· Question. ob1·igado a capitulai· (1993. 1980. & COUSINS. Positio1J. Econo111y a1id Society. sem ·' . as identificações pe1·tence111 ao imaginá1·io. Notas . po1· se1·em teori~~. Diffe1·ence.nbíguas e inte1·corpo1·ais.--. J. do T). U11i vocabiilá1·irJ crítico. ·-~ ' '' 3.1go P1·ess. ago1·a. H. in: DONALD. a1npla1nente utilizado 11a lite1·atura de teoria social anglo-saxônica para designar o ele1nento ativo da ação individual. ambos.). BHABHA. Jogo àe palavras. Belo Ho1·izonte: Autêntica. Cultiire and Difference. p. O corpo ecliicado. Race.S. Teoria cultitral e eclucação. po1·tanto. ' -- BROvVN. Lenin and Philosopliy a1id Otlier Essays. Lo11d1·es: Ro11tledge. Tlie Location of Culture.1)1·ivilegia1nento no1·mativo das i·elações hete1·ossexuais como a base de tima política fe1ninista''. elas são esfo1·ços fantas1náticos de alinl1a1nento. nunca. bem con10 a sutu1·ação - - -· --- 2. 9(3). BARRETT. co1no tal. -. aqui. . A. Lo11dres: New Left Books. Elas são aquilo que é constante1nente a1·regi1ne11tado. co11solidado. a1·gumenta Soute1~ é uma ''tinidade fictícia''. 1999: p. Ca1nb1·idge: Polity. 1993 (o c<1pítulo i11h·odutó1io deste liv1·0 foi p11blicado. Mas ela i·econhece que um tal argu1nento suge1·e. a t1·adução do termo ''agency''. Referências bibliográficas . dive1·sity a11d differentiation. pa1·a se pensar a questão do ca1·áte1· distintivo da lógica pela qual o co1·po 1·acializado e etnicizado é constittiído discu1·sivamente . Essa ''unidade''. contida na fo1·mulação ines1na do eu. Bodies Tliat Lo11d1·es: Routledge. 1981. con10 Soute1· tan1bén1 a1·gt1menta. A. ela aceita a est1·utura especulai· da identificação como sendo tima pa1·te de set1 a1·gumento. B. Tlie Politics of Triitli. 105). . 1990. elas são inces~antemente i·econstituídas e. ser abandonadas. 1. Lo11dres: Sage. 1 1 : ' 1 ) . -. Ver Tomaz Tadeu da Silva. (01·gs. p1·eferi traduzir por ''falso reconheci1nento''. e1n po1tt1guês.io dàs quais a e1nancipação é buscada''. ''os limites necessá1·ios da política de identidade'': -·- - - 'do psíquico e do discu1·sivo em st1a constituição. Neste sentido.

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