You are on page 1of 7

Divida Pública brasileira

Núcleo da Auditoria Cidadã do Rio de Janeiro
Paulo Lindesay
Síntese da luta da Auditoria Cidadã
1 - História da Auditoria Cidadã da Dívida
A América Latina foi colônia européia por mais de 300 anos, e mesmo depois das declarações de
independência, continuamos dependente, explorados e oprimidos. Grande parte da riqueza que
produzimos é transferida para os paíse ricos, que nos cobram uma grande dívida.
Os efeitos da dívida são como os de uma terceira guerra mundial, só que em vez de soldados,
morrem crianças. Em vez de feridos, os hospitais estão lotados de doentes e subnutridos; as ruas, de
desempregados. Nessa guerra não se destroem pontes ou estradas, mas se eliminam fábricas, escolas
e hospitais. Não se lançam bombas nessa guerra, mas nossas riquezas são saqueadas. A dívida é
uma sangria permanente nas veias abertas há 500 anos na América Latina.
A partir desse cenário foi elaborado pelas entidades participantes da Campanha Auditoria Cidadã da
Dívida um plebiscito Popular sobre a Dívida Externa, realizado em 2000. Nesse Plebiscito, cerca de
6 milhões de pessoas, em 3440 municípios, votaram contra a continuidade do pagamento da dívida
externa sem a realização da auditoria prevista no Art. 26 dos Atos de Disposições Transitórias da
Constituição Federal.
2 - Arcaboço Jurídico legitimando o Sistema da Dívida Públia e as Ações de combate a esse
Sistema
Lei 11.943, de 28 de maio de 2009 – Art. 13. O excesso de arrecadação e o superávit financeiro das
fontes de recursos existentes no Tesouro Nacional poderão ser destinados à amortização da dívida
pública federal.
Lei 10.179 06 de fevereiro de 2001 – Dispõe sobre os títulos da dívida pública de responsabilidade
do Tesouro Nacional, consolidando a legislação em vigor sobre a matéria. Art.1º Fica o Poder
Executivo autorizar a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional,
com a finalidade de:
3 - Arguição de Descumprimento de preceitos fundamental – Ordem dos Advogados do
Brasil/ADPF 59 – Face do descumprimento, pelo Congresso Nacional, do artigo 26 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte:
Atos de Disposições Transitórias Constitucionais - Art. 26. no prazo de um ano a contar da
promulgação da Constituição Federal, o Congresso Nacional promoverá, através de comissão mista,
exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro.
O Conselho Pleno do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, reunido decidiu, por maioria de
votos, deduzir arquição de descumprimento de preceito fundamental, perante o Supremo Tribunal
Federal, em face do descumprimento, pelo Congresso Nacional, do artigo 26 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. Tinha com relator o Ministro
Aires Brito, que se aposentou. O novo relator é ministro Luís Roberto Barroso.

4 - As ilegalidades e ilegitinidade da Dívida Pública – CPI da Dívida Pública Apesar da Comissão
mista que se iniciou nos idos de 1989, presidida pelo então Senador Severo Gomes. E seu relatório
aprovado em plenário indicar as várias ilegalidades e ilegitinidades, não procedeu ao exame
analítico e pericial sob todos os aspectos de todos os atos e fatos geradores do endividamento
externo brasileiro.
Com efeito, do teor do relatório aprovado, da lavra do Senador Severo Gomes, percebe-se que não
houve em momento algum tal exame. O ralatório, destaque-se, se diz expressamente parcial e se
limitou à analise exclusivamente do ponto de vista jurídico da contratação da dívida, como
assevera:
“A Comissão decidiu, nareunião que aprovou o roteiro preliminar, manifestar-se através de
relatórios parciais ao término do exame de cada um dos fatos que são objeto do inquérito. Essa é a
razão de ser relatório sob os aspectos legais da contratação.
A aprovação de tal relatório aliás, na mesma sessão, em 04 de outubro de 1989, de requerimento
para o fim de que fosse criada comissão mista temporária com o mesmo objeto, comprova que o
Congresso não cumpriu aquilo que fora determinado pela Constituição.
Por sua vez, a tal comissão mista temporária concebida em 1989 em face do malogro(insucesso) da
comissão anterior, restou encerrada por decurso de prazo, sem apresentação do relatório final,
merecendo arquivamento em 13 de março de 1991.
Por derradeiro, Comissão Parlamentar Mista de Inquerito com o mesmo objeto da anterior, cuja
concepção se deu em junho de 1991, foi também arquivada, em 1993, em virtude do término de seu
prazo.
CPI DA DÍVIDA – CÂMARA DOS DEPUTADOS
Criada em Dez/2008 e Instalada em ago/2009, por iniciativa do Dep. Fed Ivan Valente (PSOL/SP);
Concluída em 11 de maio de 2010 Identificação de graves indícios de ilegalidades da dívida
pública; Momento atual: investigações do Ministério Público.
1. Indícios de ilegalidades: Alta unilateral das taxas de juros pelos EUA – Violação ao art.62 da
Convenção de Viena;
2. Indícios de ilegalidade: juros sobre juros, ou “ anatocismo”(STF Súmula nº 121 13/12/1963 - Súmula da Jurisprudência Predominante do Supremo Tribunal Federal - Anexo
ao Regimento Interno. Edição: Imprensa Nacional, 1964, p. 73. Capitalização de Juros Convenção Expressa - É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente
convencionada).
3. A Dívida NÃO acabou – O acúmulo de Reservas Cambiais (apontado como grande
conquista do país, que seria “credor externo”) tem sido obtido às custas de aumento
acelerado da Dívida “INTERNA” - O Brasil paga juros altíssimos na dívida interna (SELIC
ou acima desta) e recebe juros quase negativo pelas reservas – Governo alega que as
reservas foram importantes para combater a crise: AUSÊNCIA DA DISCUSSÃO SOBRE
CONTROLE DO FLUXO DE CAPITAIS. - Mega prejuízo do Banco Central 209 – R$ 147
bilhões de reais

Apesar do relatório final reconhecer diversas ilegitimidades da dívida, denunciadas pela Auditoria
da Dívida.
Juros elevadissimo (taxa não-civilizadas, como denominou o relatório da CPI) foram o fator mais
importantes para o crescimento da dívida, inclusive dos estados e municípios; Dívida interna
cresceu nos últimos anos para financiar a compra de dólares das reservas internacionais, com
grande custo para as contas públicas; Senado Federal renunciou à sua competência, pois permetiu
emissões de títulos da dívida externa sem especificar suas características (CAC); Falta de
informações, ausência de documentos e falta de transparência.
Não apontou nenhuma irregularidade. Ralatório PIZZA
Apesar do grave diagnóstico, o Relatório Final diz não ter encontrado irregularidades no
endividamento, não recomenda a auditoria da dívida e não recomenda acionar o Ministério Público
Resultado de “CORDÃO” entre a base do Governo e a Velha Direita (PSDB e DEM).Porém, a
pressão da sociedade fez com que somente 1/3 dos 24 membros da CPI votassem a favor do
“Relatório Pizza”
Voto em Separado – CPI – Encaminhado ao Ministério Público (para elaboração de ações
jurídicas)
Denuncia graves indícios de ilegalidades da dívida:
1.
2.
3.
4.
5.

Juros sobre juros (Anatocismo), ilegal segundo o STF;
Juros flutuantes na dívida externa – ilegais segundo a Convenção de Viena;
Ausência de contratos e documentos; ausência de conciliação de cifras; clausulas ilegitimas;
Ilegalidade do livre fluxo de capitais, que deu origem à dívida interna;
A grande destinação dos recursos orçamentários para o pagamento da dívida viola os
direitos humanos e sociais;
6. O Banco Central faz reuniões com os bancos e outros rentistas para definir as previsões de
inflação, que definem as taxas de juros.
Atentado contra a Soberania Nacional e seu povo
A Cláusula CAC – Não foi objeto de aprovação pelo Congresso Nacional e nem de qualquer
discussão ou seguer divulgação perante a sociedade, apesar de sua enorme relevância. Essa
Cláusula significa abrir mão da soberania nacional, pois elege foro estrangeiro para julgar e decidir
sobre quaisquer conflitos relacionados aos títulos da dívida externa brasileira. Além disso, essa
cláusula garante a uma maioria de credores o direito de decidir sobre as regras de uma futura
renegociação. A claúsula CAC significa entregar aos próprios credores privados o poder para
decidir como a dívida será para.
Fraude a Cosntituição Art. 166, art 3º, iten II, linha (b)
§ 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modofiquem somente
podem ser aprovados caso:
II – indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa,
EXCLUÍDAS as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e o Distrito Federal.

A Dívida Externa atual é resultado de sucessivas renegociações de uma mesma dívida que cresceu a
partir da aplicação de JUROS FLUTUANTES. Com a alta unilateral e ilegal das taxas de juros
internacionais pelos Estados Unidos e Inglaterra, a partir de de 1979, as taxas passaram de 6% ao
ano para 20%. Caso de juros tivessem sido mantidos em 6% ao ano, os pagamentos realizados
teriam sido suficiente para pagar toda dívida externa, ainda teriamos volta créditos – atualmente em
U$$ 485 bilhões de dólares, e o Brasil ainda teria valores a serem ressarcidos, conforme as
simulações apresentadas.

2012
Os gastos com a Copa provocaram revolta na população, pois os direitos sociais previstos na
Constituição Federal não têm sido respeitados:
Art. 6° São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,a moradia, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.
Os gastos com a Copa estão de fato exorbitantes, mas os gastos com a dívida pública têm sido os
principais responsáveis pela negação dos direitos sociais.
Para se ter uma ideia, com os R$ 753 bilhões gastos pelo governo federal com o pagamento de juros
e amortizações da dívida pública em 2012 seria possível construir 624 estádios doMaracanã ou 416
estádios Mané Garrincha, mesmo considerando o preço superfaturado dessas obras.
A dívida externa supera 485 bilhões de dólares, em 2014 e a dívida interna federal já alcançou mais
de 4,1 trilhões de reais. Essas dívidas, que beneficiam principalmente o setor financeiro e grandes
corporações, crescerão ainda mais por causa dos gastos com a Copa.
Com os R$ 753 bilhões gastos com a dívida em 2012 (juros e amortizações) poderíamos construir:
974 mil Unidades Básicas de Saúde
(Considerando o custo unitário de R$ 773 mil, conforme Portaria n• 340/2013,
do Ministério da Saude)
188 mil Unidades de Pronto Atendimento {UPAs)
(Considerando o custo unitário de R$ 4 milhões, constante na Portaria 342/2013,
do Ministério da Saúde)
802 mil escolas {de 6 salas de aula cada uma)
(Considerando o custo unitário de R$ 939,4 mil, constante na publicação "Orientação para
elaboração de Emendas Parlamentares- 2012", do Ministério da Educação, pág 17)

2014
Dividômedro
Em 2014, até 17/9, a dívida consumiu R$ 825.582.650.928 = 3,3 bi / dia = 51% do gasto federal.
Mais que o equivalente quadruplo da folha salarial dos Servidores Públicos Federal em 2013. Que
foi de aproximadamente R$ 204 Bilhões. Dinheiro tem, o problema é o seu distino.

Governo Federal enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária para 2015, que
prevê 47% dos recursos para juros e amortizações da dívida pública Valor destinado à dívida em
2015 aumenta 35% em relação à previsão para 2014
Previsão Orçamento da União Executado em 2015 – R$ 2,863 trilhões = Juros e Amortização da Dívida –
47%
Orçamento da União Executado em 2014 – R$ 2,383 trilhões = Juros e Amortização da Dívida – 42,42%
Orçamento da União Executado em 2013– R$ 1,783 trilhões = Juros e Amortização da Dívida – 40,30%
Orçamento da União Executado em 2012 – R$ 1,712 trilhões = Juros e Amortização da Dívida – 43,98%
Orçamento da União Executado em 2011 – R$ 1,571 trilhões = Juros e Amortização da Dívida – 45,00%

Em 25 de setembro de 2012, a dívida já consumiu cerca de R$ 670 bilhões = 51% do gasto federal.
Dívida Interna - R$ 2.986.403.802.880,08
Dívida Externa - US$ 485.895.138.185,71 (dólar comercial R$ 2,31 em reais aproximadamente R$ 1, 120 trilhão de reais)
Estoque da Dívida Brasileira = Dívida Interna + Dívida Externa – R$ 3.986.403.802.880,00
Equivalente a 85% do PIB brasileiro (Dezembro/2013)
Gasto com pessoal Militar e da Administração Federal Direta e Indireta:
2002 – 75 bilhões - 5,07 do PIB (R$ 1.479 trilhões)
2003 – 4,51 do PIB - (R$ 1,50 trilhões)
2010 – 183,3 bilhões - 4,86 % do PIB (R$ 3.675 trilhões)
2011 – 197,40 bilhões – 4,76% do PIB (R$ 4.143 trilhões)
Grande paradoxo - 7º Economia do mundo – 3ª pior distribuição de renda segundo o índice GINI
e, vergonhosamente, o 84º em atendimento aos direitos humanos, segundo o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), pois milhões de brasileiros ainda vivem na miséria, passam
fome, e mais da metade da população sequer tem acesso a Saneamento Básico
CPI da Dívida Pública – A Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada em agosto 2009 com
objetivo de “investigar a Dívida Pública da União, Estados e Municípios, o pagamento de
juros/amortização da mesma.
A CPI foi proposta pelo Deputado Federal Ivan Valente do PSOL/SP.
A dívida pública consome mais de 45,05% do orçamento público, e é produto de juros sobre juros
(Anatocismo), sem a devida contrapartida em termos de desenvolvimento social e econômico do
país. Enquanto foram destinados 2,99 para educação, 4,07 para à saúde, e percentuais mínimos para
as demais áreas sociais fundamentais. Isto caracteriza grave inconstitucionalidade.
A inclusão da “Cláusula de Ação Coletiva” (CAC) – Os títulos da dívida externa a partir de 2003
determinou alterações profundas nas condições do endividamento, tais como a concentração dos
poderes em uma super-maioria de credores (que detenham 85% do valor da dívida), no caso de
dificuldade de pagamento da dívida. A referida cláusula prevê que tal super-maioria de credores
possa impor que o Brasil renuncie à sua soberania, e que efetue qualquer emenda, alteração,
modificações ou renúncia relativa aos títulos de dívida, até mesmo sem o consentimento do Brasil.
Portanto, há indícios de que as disposições da CACA violam diversos dispositivos da Constituição
Brasileira.

A referida cláusula CAC não foi objeto de aprovação pelo Senado Federal, como determina a
Constituição Federal, apesar de significar alteração substancial das condições pactuadas, garantindo
a uma maioria de credores o direito de decidir sobre as regras de uma futura renegociação.
A CPI identificou a realização de recompra antecipada de títulos da dívida externa brasileira com
pagamento de ágio que chegou a atingir percentual superior a 50% do valor de face do título, e
também por meio de emissão de títulos da dívida interna, muito mais caro para o país, e muito mais
rendável aos investidores estrangeiros. O Pagamento antecipado ao FMI em 2005 também
significou a troca de dívida externa mais barata por dívida externa e interna mais cara e com a
Cláusula “CAC”.
Como são orientadas as políticas públicas no BRASIL MODELO ECONÔMICO:
Prioridade absoluta para:
1. Controle inflacionário equivocado, baseado em política de juros elevados e enxugamento da
base monetária. Pouca ou nenhuma atenção à revisão dos preços administrados ou ao
combate à inflação de alimentos via Reforma Agrária, Economia Solidária e fim dos
monopólios do varejo;
2. Política de Superávit Primário, contingenciamentos, congelamentos salariais, etc., para
priorizar o pagamento dos juros da dívida pública;
3. Reformas neoliberais e Privatizações (empresas estatais e estrutura de Estado – portos,
aeroportos, estradas, petróleo);
4. Exportação de produtos primários, com impressionantes riscos ambientais;
5. Falta de controle de capitais, câmbio flutuante e abertura comercial irrestrita, provocando
desindustrialização;
6. Benesses tributárias para rentistas, grandes bancos e empresas transnacionais versus pesados
tributos indiretos que penalizam pobres;
7. Endividamento público sem limites e sem contrapartida efetiva.
BRASIL: Estratégia de manutenção do Poder e da Acumulação Capitalista
1. Lucros crescentes para setor financeiro/empresarial: exonerações fiscais, recursos BNDES,
facilidades;
2. Financiamento de campanhas eleitorais e corrupção;
3. Extremo poder da mídia ligada ao grande capital;
4. Caos social (saúde, educação, creches, transporte, violência);
5. Ilusória distribuição de riqueza;
6. Pequenos ganhos para os pobres: Bolsa Família;
7. Pífios reajustes para trabalhadores;
8. Acesso a produtos baratos: sensação de melhoria de vida;
9. Acesso a crédito/financiamentos.
AUDITORIA JÁ !
www.auditoriacidada.org.br
Paulo Lindesay - paulolindesay@gmail.com

Núcleo da Auditoria Cidadã do Rio de janeiro
Av. Pres Wilson, 210, 8° andar SEDE da ASSIBGE-SN