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revista nº10

E D I Ç Ã O

E S P E C I A L

COMUNICARE - Portugal J&D - Consultores em Comunicação, Lda. NPC: 508 336 783 | Capital Social: 5.000€ Rua do Senhor, 592 - 1º Frente 4460-417 Sra. da Hora - Portugal Tel. +351 229 544 259 | Fax +351 229 520 369 Email: geral@comunicare.pt www.comunicare.pt Delegação Angola’in Rua Rainha Ginga, Porta 7 Mutamba - Luanda - Angola Contacto: Ludmila Paixão E-mail: pontodevenda@comunicare.pt Tel. +244 222 391 918 | Fax +244 222 392 216

in loco
revista bimestral nº10 - edição especial
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NO ‘PALCO’ DO MUNDO
O ano de 2009 está a chegar ao fim e é tempo de analisar os acontecimentos mais importantes dos últimos 12 meses, tirando as devidas lições e usar a experiência adquirida para continuar a aposta no crescimento económico que, apesar das previsões menos optimistas, continuará a ser um período de desenvolvimento acima da média mundial. O próximo ano será certamente o da solidificação e diversificação da economia, onde o investimento privado e as obras públicas prometem estar novamente na ordem do dia. Mas as boas notícias não ficam por aí. Além da retrospectiva do ano transacto, a Angola’in apresenta-lhe nesta edição muito especial algumas das principais expectativas para o novo ano: a abertura da Bolsa de Valores e Derivados, a elaboração da Constituição e as eleições presidenciais vão agitar a vida social, em que a participação de todos é crucial. 2010 será certamente o ano de concretização de todos os sonhos. O CAN concentra todas as expectativas e é a prova de fogo à capacidade de organização nacional. O evento do ano augura tornar-se um sucesso. As entidades estão empenhadas e a população vibra com a recepção dos 16 candidatos ao título. Será um arranque de ano em cheio, com o país a fervilhar de vida. Os olhos vão estar concentrados em Angola, que terá, através deste torneio, a grande oportunidade para se projectar ainda mais, tanto no contexto africano, como mundial. A selecção nacional também tem responsabilidades acrescidas. Como refere Manuel José, em entrevista exclusiva à Angola’in, esta formação tem “um compromisso para com o povo”. Os adeptos prometem dar apoio incondicional e os Palancas Negras estão dispostos a lutar ao máximo e a suar a camisola para honrar as cores do seu país. Por isso, não pode perder o nosso suplemento sobre o CAN, que elaboramos especificamente para si, para que fique a par de tudo o que importa saber sobre a maior competição continental. Para fechar o ano em beleza, convidamos um dos maiores ícones das artes nacionais para pintar a nossa capa, tudo para que este exemplar seja um coleccionável inesquecível. Eleutério Sanches aceitou o desafio e presenteia os nossos leitores com um belíssimo quadro e uma entrevista, que é um autêntico testemunho sobre a sua constante aprendizagem e os múltiplos ensinamentos que esta figura ainda tem para dar às novas gerações. Natal é sinónimo de convívio em família, recheado de belas iguarias e muitas prendas. A pensar nesta época festiva, a Angola’in preparou-lhe uma edição, repleta de sugestões para ofertas para si e para os seus entes queridos, onde não faltam os melhores gadjets. Tudo acompanhado pelas receitas de Wilson Aguiar e a nossa selecção de vinhos! A todos desejamos um óptimo Natal, um excelente 2010 e um magnífico CAN!

Direcção Executiva Daniel Mota Gomes · João Braga Tavares Direcção Editorial Manuela Bártolo - mbartolo@comunicare.pt Redacção Patrícia Alves Tavares - ptavares@comunicare.pt Mónica Mendes - mmendes@comunicare.pt Colaborador Especial João Paulo Jardim - jpjardim@comunicare.pt André Sibi Design Gráfico Bruno Tavares · Patrícia Ferreira design@comunicare.pt Fotografia Ana Rita Rodrigues · Shutterstock · Fotolia Serviços Administrativos e Agenda Maria Sá - agenda@comunicare.pt Revisão Marta Gomes Direcção de Marketing Pedro Posser Brandão Tel. +351 229 544 259 | Fax.+351 229 520 369 E-mail - pbrandao@comunicare.pt Publicidade Tel. +351 229 544 259 | Fax.+351 229 520 369 E-mail - publicidade@comunicare.pt João Tavares - jtavares@comunicare.pt Daniel Gomes - dgomes@comunicare.pt ASSINATURAS - assinaturas@comunicare.pt Envie o seu pedido para: Rua Rainha Ginga, Porta 7 Mutamba - Luanda - Angola Departamento Financeiro Sílvia Coelho Departamento Jurídico Nicolau Vieira Impressão Multitema Distribuição Africana Distribuidora Expresso Luanda - Angola Tiragem 10.000 exemplares — ISSN 1647-3574 DEPÓSITO LEGAL Nº 297695/09
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A Direcção

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1 ANO 17,55 EUROS (10% DESCONTO) 2 ANOS 31,20 EUROS (20% DESCONTO)
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IN LOCO · ANGOLA’IN

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GRANDE ENTREVISTA
É o ícone dos artistas mais completos. Eleutério Sanches é um dos símbolos da cultura nacional. Multifacetado, tem provas dadas na pintura, música e poesia. Enquanto pintor, já expôs nos ‘quatro’ cantos do mundo e cede uma das suas pinturas para a nossa capa. Em entrevista à Angola’in, o antigo professor faz a análise do seu país e do estado das artes, revelando que tem projectos na calha para o próximo ano

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DESPORTO
O país ultima os pormenores para o evento do ano. A população está em contagem crescente e deposita todas as expectativas no desempenho da sua selecção, que tem responsabilidades acrescidas. Manuel José, em entrevista exclusiva à Angola’in, fala dos objectivos para este Campeonato Africano das Nações e do trabalho desenvolvido nos últimos meses com os Palancas Negras. Conheça os estádios, as equipas e todos os pormenores das cerimónias oficiais. Tudo num suplemento sobre a competição preparado a pensar em si!

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LUXOS
O Natal está próximo e cheio de novidades. Nesta edição especial, preparamos um dossier com as últimas novidades em alta tecnologia. Conheça os melhores gadjets e os produtos mais inovadores. Não deixe de consultar os relógios exclusivos que propomos, bem como os carros mais desejados. Uma oportunidade única! Aproveite as nossas sugestões e comece a escolher as prendas para a família e amigos

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VINHOS & COMPANHIA
Em período de festividades, a escolha da ementa e dos vinhos é essencial para impressionar a sua família e convidados. Wilson Aguiar prepara o menu para a noite de Natal e de Passagem de Ano. A nossa equipa faz a selecção dos melhores vinhos para a ocasião. São 40 opções a não perder! Se pretende viajar, apresentamos os restaurantes mais in do momento

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IN FOCO
Com o final de 2009 a aproximar-se, é tempo de fazer o balanço do ano transacto. A economia está em destaque e neste número apresentamos a antevisão dos pontos fortes para 2010: a abertura da Bolsa de Valores, as eleições presidenciais e as apostas na diversificação da economia, nomeadamente ao nível do investimento privado, são as principais novidades. A fechar, fique a saber tudo sobre as comemorações do 34ª aniversário da Independência (em Portugal)

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PERSONALIDADES
É o cantor do momento. A jovem revelação termina este mês a tournée pela Europa, onde fez a primeira parte do concerto de Eros Ramazotti. Yuri da Cunha é a esperança da música angolana. De passagem por Portugal, para actuar na comemoração do 34º aniversário da Independência, o artista revelou-nos os seus projectos

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FOTO REPORTAGEM

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ESTILOS

6 | ANGOLA’IN · SUMÁRIO

SUMÁRIO · ANGOLA’IN

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editorial

muito mais angola!
Com o pensamento na penumbra de emoções que entoam à média luz, penso num coração angolano que não bombeia sangue, mas sim sentimento. É tal a intensidade, que a sensação que melhor define o final de mais um ano é nada mais do que um momento de catarse. Aquela impressão que todos nós vivemos de libertação de uma emoção há muito contida. A mesma que Aristóteles, filósofo grego, designa de “purificação sentida”. Na última edição de 2009, trago à consciência o que denomino ‘estrada do sucesso’, um caminho difícil, em que se sente o sangue ‘dar a volta’ e a vida a andar à solta, mas nem por isso sem rédea. 2010 será para todos os angolanos o desdobrar de um mapa, a descoberta de um espaço num tempo em movimento. Lá fora há lugar, à espera de todos e essa é talvez a mensagem mais importante a transmitir. Aprendizes fomos, construtores somos, inventores e aventureiros sempre. Sonhadores inatos, sobreviventes natos, nem sempre conseguimos ser exactos, nem sempre conseguimos evitar maus actos. Temos alianças, muitas desconfianças, mas também as nossas esperanças. Podem falar, mas para quem ama a liberdade o importante é nunca parar. Esse é o grande desígnio do novo ano: saber que a distância que existe entre o não ser e o ser é uma questão de não ter medo de ir longe demais. Adivinham-se meses de luta, assentes em pilares de cidadania, maturidade, mudança e consenso, importantes para a ‘maioridade’ de um país que sabe honrar o seu passado e procura projectar um futuro sustentável para as suas gerações. Importa criar espaço e um papel para a Assembleia Nacional, os partidos políticos, as universidades, a Comunicação Social e outros actores que se assumam como motores de dinamização do progresso. Tudo isto passa por divulgar insistentemente a “bandeira”, que serve para comunicar o sonho de um país que se propõe operacionalizar as suas ideias mais arrojadas. Avante com a empresarialização da economia nacional para que esta possa definitivamente integrar os actores da globalização e com isso trazer desenvolvimento ao povo. Sejamos formadores de novas atitudes, numa perspectiva de oportunidade para todos, elevando assim o nível de vida da população. Apresentemos liderança ao Mundo na criação de um mercado alargado, uma das bases para a construção de uma sustentabilidade competitiva. Desenhe-se um espaço nacional onde a sociedade civil comece a construir os novos desígnios para o país, de forma a que Angola se torne cada vez mais uma marca de orgulho. Estes são sinais de respeito e reconhecimento, sedeados em palavras de esperança e crença num advir melhor. Se todos trabalharmos e juntarmos os nossos esforços para a concretização destes objectivos prestamos um contributo inestimável ao processo de desenvolvimento económico, social, cultural e de reconciliação nacional. Nesse dia, deixaremos de sofrer em consequência das condições materiais, reafirmando a nossa determinação em remover todos os obstáculos que se erguem diariamente na vida de cada um de nós! Feliz 2010!

mbartolo@comunicare.pt

Os Angolanos são o mais valioso ‘capital’ de sempre
Esta é talvez a primeira vez que me dirijo na primeira pessoa aos leitores da revista, num assomo de sentimento (confesso), para por palavras próprias lhes desejar votos sinceros de prosperidade e sucesso.

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EDITORIAL · ANGOLA’IN

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IN FOCO

| manuela bártolo*

ARTIGO DE OPINIÃO

(Ante) Visão do Futuro

O MERCADO DE CAPITAIS E A BOLSA Ao terminarmos mais um ano, várias são as reflexões e pontos de vista que se entrecruzam nos bastidores. Por um lado, os angolanos vão enaltecendo as metas alcançadas nas mais diversas áreas, sobretudo no sector económico. Por outro, precisam de ter coragem de identificar e assumir as falhas cometidas para melhor direccionarem o futuro. No que se refere à melhoria das condições sociais básicas, foram construídos vários empreendimentos no domínio energético e da construção civil, designadamente ao nível das estradas, hospitais e mercados municipais, que são de enaltecer. No entanto, um dos grandes desafios que se impõe passa pela melhoria do sentido de responsabilidade e consolidação da Comissão de Mercados de Capitais (CMC), cuja missão é promover um importante instrumento de desenvolvimento, dada a sua capacidade de acelerar o crescimento económico. Uma das maiores propostas deste organismo prende-se com a criação da Bolsa de Valores e Derivados de Angola, que vai certamente permitir a regulamentação, supervisão e fiscalização do mercado e dos seus agentes. De acordo com as informações tornadas públicas, a mesma já conta com um montante de USD 7 milhões e 710 mil para a sua criação, o que justifica uma infra-estrutura e condições de trabalho muito sólidas em todas as suas esferas, para se evitar possíveis atrasos no seu funcionamento. Numa primeira fase, este importante instrumento de desenvolvimento vai contar com 27 subscritores, com destaque para a Sonangol, Endiama, Ensa, FDES, BFA, BIC, BAI, grupo António Mosquito, Sistec e Chicoil, cujas presenças no mercado estão devidamente consolidadas, o que por si só se pode considerar uma grande mais-valia. Uma vez que a bolsa de valores vai acelerar a privatização das empresas angolanas, seria bom que as oportunidades nesta grande praça económica fossem iguais para todos. A bolsa deverá conhecer e obedecer a uma legislação transparente para permitir que todos tenham acesso aos negócios que irá proporcionar, sem destinação da cor partidária ou religiosa, evitando assim facilidades para uns e dificuldades para outros. A coerência no seu funcionamento vai permitir a valorização da economia do país ao mais alto nível, pelo que a modernização do sistema financeiro irá também transformar Angola numa praça financeira forte.

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A NOVA CONSTITUIÇÃO Outro dos desafios será sem dúvida a realização das eleições presidenciais. Dezasseis anos depois das primeiras eleições legislativas, os angolanos voltaram às urnas em 2008 para eleger o Parlamento. Um ano depois, seria a vez do Presidente da República. Infelizmente, não foi o que aconteceu. A realização das eleições presidenciais no país está a depender de um conjunto de factores, entre as quais a aprovação da Nova Constituição. A normalização constitucional em curso é um passo fundamental para a consolidação da democracia rumo ao desenvolvimento sustentável. Para tal, os angolanos precisam definir o futuro sem depender dos interesses deste ou daquele, uma vez que se trata de um diploma legal que vai definir as políticas para as presentes e futuras gerações. Para 2010, é intenção de todo o angolano que o país tenha uma situação de constitucionalidade, completamente normalizada para garantir a realização periódica das eleições legislativas e presidenciais. A Nova Constituição cuja aprovação está a condicionar as “eleições” deverá ser um documento aprovado por consenso da maioria. Um diploma onde cada um de nós se possa rever. O crescimento económico, político e social de um país depende de vários factores, entre eles a constituição, que não deve ser considerado um triunfo de manipulação política. É desejo também de todos nós que o poder judicial seja completamente liberalizado para se garantir a serenidade dos tribunais, isto porque os mesmos devem ser instituições independentes. Democracia sem liberdade é como um edifício sem pilares. PLANO NACIONAL 2010/2011 Falar de 2010 é também falar de desporto em Angola. O CAN dá o pontapé de saída para um ano que promete ser de forte desenvolvimento nesta área. No entanto, sendo este um evento desportivo de grande envergadura, esperamos que se repensem estratégias para o aproveitamento dos estádios de futebol sob pena de virem a ser subaproveitados. Para que o desenvolvimento chegue aos mais recônditos cantos de Angola basta a

A bolsa deverá permitir que todos tenham acesso aos negócios que irá proporcionar, sem destinação da cor partidária ou religiosa
vontade política, pois o crescimento depende da atenção que se dá aos recursos humanos. Um desejo de mudança igualmente presente na aprovação do Plano Nacional para o novo ano. Prioridades: “promover a unidade e coesão nacional e a consolidação da democracia e das suas instituições”. Os dados estão lançados resta cumpri-los, ou seja, garantir um ritmo elevado e sustentado do crescimento económico, com estabilidade macroeconómica, transformação e diversificação das estruturas económicas. Melhorar a qualidade de vida e de desenvolvimento humano, bem como estimular o progresso do sector privado, apoiar o empresariado nacional e reforçar a inserção competitiva no contexto internacional são outras das metas que se impõem. O Plano Nacional 2010/2011 prevê ainda a implementação de uma política de desenvolvimento rural e peri-urbano, que mitigue o desiquilíbrio na qualidade de vida entre os meios rural e urbano, através da promoção de um desenvolvimento industrial que permita substituir as importações e reabilitar as infra-estruturas necessárias à reconstrução do país. Em causa está também a necessidade de assegurar a rápida urbanização dos musseques e a modernização das comunidades urbanas. Tudo isto faz com que importe, cada vez mais, definir uma política de proteccção social e de solidariedade nacional adequada, que priorizem em simultâneo o sector social, particularmente ao nível da educação e saúde. Neste último capítulo, interessa (em particular) fazer uma resenha na melhoria das condições sanitárias dos mercados municipais da capital. Em Luanda, foram melhoradas as condições de saneamento básico, em algumas artérias da cidade, com destaque para estes espaços, nomeadamente os mercados dos congolenses no Município do Rangel, o mercado do Asa Branca no Município do Cazenga, o mercado do Kikolo no Município Cacuaco e por último o mercado do Roque Santeiro, igualmente no Cacuaco. Em comparação com o passado, estes locais de comercialização de bens de consumo de primeira necessidade, conheceram uma melhoria significativa na higiene. Durante muito tempo, os produtos eram expostos ao ar livre, as bancadas onde se vendiam apresentavam condições péssimas, não existia iluminação, tão pouco a água potável para o consumo. Sabemos todos que a comercialização de produtos de consumo alimentar ao ar livre acarreta uma série de problemas à saúde pública das populações. Assim, a ausência de infra-estruturas logísticas para a comercialização destes bens alimentares fazia com que boa parte da população tivesse os mercados informais como alternativa. Durante décadas, o Governo perdeu avultadas somas de dinheiro devido à fuga ao fisco. Esta evasão deviase à falta de uma estrutura administrativa adequada nos mercados municipais. Com a melhoria das condições destes mercados, doravante vai aumentar o volume das receitas a serem arrecadadas. A melhoria das condições vai limitar o espaço de manobra aos infractores. O que irá permitir uma satisfação total de todos agentes envolvidos neste processo. Por hoje, a higiene, consumo de água potável, a melhoria das condições nas bancadas de venda tendem a melhorar a cada dia que passa. Para melhor respondermos às necessidades dos munícipes da capital, dada a sua divisão administrativa que compreende nove municípios, deveríamos ter no mínimo 18 supermercados, dito por outras palavras dois em cada municipalidade. Estes locais de venda de produtos de vária ordem, gerariam um número considerável de postos de trabalho, melhoria das condições de trabalho e consumo de produtos devidamente conservados. Uma ideia a reter e a aplicar neste novo ano!
* em colaboração com André Sibi

A Nova Constituição deverá ser um documento aprovado por consenso da maioria; um diploma onde cada um de nós se possa rever
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IN FOCO

| manuela bártolo

Memória colectiva
A maior parte de nós não decora datas, apesar de alguns (poucos) terem todos os dias importantes (ou não) memorizados de uma forma impressionante. Há, no entanto, um momento que marca particularmente todos os angolanos, mais patriotas, menos patriotas, pouco importa. O 11 de Novembro é e será sempre uma data a festejar por todos. Seja qual for o canto do mundo, onde há um angolano, há o sentimento de felicidade por essa independência conquistada. Partilham uma história de dor e sofrimento, mas também de conquistas e vitórias, de respeito pelos seus heróis que lutaram e venceram. Faz 34 anos que Angola se “libertou” do jugo colonialista. Não foi uma luta fácil e desencadeou outra que viu o seu fim há menos de dez anos. Contudo, como todos sabemos o importante é começar-se por algum lado. A 11 de Novembro de 1975 proclamou-se a República Popular de Angola, hoje República de Angola, mas tudo começou com o fim da ditadura em Portugal, a 25 de Abril de 1974. Para recordar a sua História, o Consulado Geral de Angola no Porto (Portugal) organizou, no passado mês, em dois espaços distintos da cidade, uma enorme festa. Foi num clima de elevada esperança e sentido orgulho, que se comemorou o 34º Aniversário da Independência. Em memória de todos os guerrilheiros e cidadãos anónimos, que lutaram pela autonomia do país, tornando o combate pela libertação nacional um marco árduo e glorioso, que permitiu aos angolanos passarem a decidir o seu destino, os altos dignitários angolanos em terras lusas honraram o seu passado e celebraram com toda a comunidade. O evento serviu, sobretudo, para marcar a assumpção da dignidade e orgulho presente em todos que, longe da sua terra natal, se esforçam para tornar a pátria-mãe uma nação cada vez mais soberana. A batalha contra o colonialismo português possibilitou aos políticos nacionais passar a comandar os desígnios do país. Sacrifícios patrióticos de homens e mulheres, que “devem sempre ser homenageados”, proporcionando um futuro digno às novas gerações, que no exterior defendem a oportunidade de usufruírem de um país rico e abundante em recursos. A proclamação da independência permitiu o seu reconhecimento como nação, tornando-o um exemplo para os restantes países africanos ao demonstrar ser possível a pacificação e a estabilidade política por via do diálogo. A estratégia adoptada na resolução do conflito interno é hoje um modelo a ser transmitido, de forma profunda e contínua aos jovens, para que estes possam compreender a sua história não só academicamente, mas também entender a sua importância e repercussão no presente e futuro do seu país. Angola soube ser, ao longo das últimas décadas, um impulsionador das revoluções raciais no continente africano, uma enorme evolução baseada num trabalho árduo de gerações, que lutaram com convicção pelo direito dos negros à igualdade e dignidade como seres humanos. A instauração definitiva da paz possibilitou ao país destacar-se quer em África, quer no mundo, pois tem-se revelado capaz de consolidar, cada vez mais, o seu sistema democrático, espelhado na realização de eleições livres e pacíficas, a última das quais realizada em Setembro de 2008. Todos crêem estar no bom caminho, confiantes na melhoria social e num amplo progresso económico, muito, também, devido à estabilidade política alcançada.

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Maria de Jesus dos Reis Ferreira, Cônsul-Geral de Angola no Porto (ao centro) com Rui Xavier, Ministro Conselheiro e restante comitiva

UM POUCO DE HISTÓRIA – PARTE I
Angola foi povoada pelos portugueses no século XV e permaneceu como sua colónia até à independência em 1975. O primeiro europeu a alcançar o país foi o explorador português Diogo Cão, que desembarcou na foz do Rio Congo, em 1483. Em 1490, os portugueses enviaram uma pequena frota de navios com padres e trabalhadores, bem como ferramentas para o Rei do Congo. Em breve, contudo, o comércio de escravos levou à deterioração das relações de Portugal com o Rei Afonso e os seus sucessores, criando revoltas internas que conduziram ao declínio do Reino do Congo. Entretanto, os portugueses expandiram os seus contactos para Sul ao longo da costa, fundando Luanda, em 1576. O comércio de escravos continuou até meio do século XIX. Descontentes com a governação portuguesa, os angolanos começaram a lutar pela independência iniciando a guerra contra Portugal, em 1961. Em Janeiro de 1975, foi estabelecido um governo de transição, com representantes do Movimento de Libertação de Angola (MPLA), a Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA), A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e o governo português. No entanto, os violentos combates entre o MPLA e FNLA em Março de 1975 tornaram patente o resultado das várias diferenças políticas, que se estenderam através do país. Na segunda metade de 1975, o controlo de Angola estava dividido pelos três maiores grupos nacionalistas, cada um dos quais ajudado por potências estrangeiras. O MPLA , que tinha tomado o controlo da capital, era apoiado pela União Soviética e Cuba, a FNLA pelo Zaire e potências ocidentais (incluíndo os Estados Unidos), enquanto a UNITA era apoiada pelas forças sul-africanas. A FNLA e a UNITA formaram uma frente unida para combater o MPLA

‘Durante anos, por causa da guerra, tivemos um outro tipo de cultura, agora é o momento de mudar para melhor’
Amélia Silva, presidente da OMA com o filho e alguns amigos

discurso directo

Amélia Silva
∏residente da Organização da Mulher Angolana (OMA) no Porto
“Penso que para todos os angolanos, estarmos aqui hoje representados, é um enorme prazer e uma grande honra. O nosso consulado sempre fez questão de manter a comunidade unida nestas datas. Mais uma vez, é com distinção que digo que tanto o consulado, como a nossa embaixada, nos fazem sentir nestes dias como se estivéssemos em solo pátrio. Para mim, este é um dos momentos mais importantes da história do meu país. Vivo em Portugal há dez anos, mas para mim este é um dia que me representa na totalidade. Sinto-o como um dia de reflexão. Já que actualmente Angola vive tempos de paz devemos, cada vez mais, pensar no nosso desenvolvimento. Não adianta neste momento falarmos em guerra, é passado, importa dizer que temos de arregaçar as mangas e levar a nossa nação ao progresso que ela merece, tentando elevar o seu crescimento a to-

dos os níveis. Um dos aspectos fundamentais que Angola deve ter em consideração é a imperiosa necessidade de uma mudança de atitude e consciência. Durante anos, por causa da guerra, tivemos um outro tipo de cultura, agora é o momento de mudar para melhor. Reflectir sobre as camadas mais jovens; prepará-las para que consigam enaltecer o nome do país e continuar com o legado dos nossos antepassados. Acho que os jovens que vivem em Angola sempre sentiram isso, mas os que vivem em Portugal penso que nem tanto. Como emigrante, acho muito sinceramente que, principalmente os que nasceram cá, precisam de se sentir mais integrados. Importa fazer um grande trabalho no sentido de os enraizar; ensiná-los em relação à nossa cultura, gastronomia, hino nacional, etc. É necessário passar essa informação, pelo que devemos começar a fazer isso nas nossas próprias casas e a nível global, através do consulado/embaixada, organizando mais actividades com o apoio das diferentes associações. São pontes que temos de criar, até para ensinar a nossa língua, um dos aspectos que considero mais importante.

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IN FOCO

Pétio Juarez Penelas de Barros e namorada

‘Tenho um desejo: recuperar os códigos ético-civilizacionais e a moral, fundamentos da nossa Nação’

Evy Martins, presidente da Casa de Angola na Figueira da Foz

Evy Martins
Presidente da Casa de Angola na Figueira da Foz
Este é para mim um dia de enorme alegria. Enquanto presidente da Casa de Angola na Figueira da Foz, sinto-me orgulhosa por assinalar esta data junto da nossa comunidade. Procuramos através desta e de outras acções integrar, cada vez mais, os angolanos no país. Razão pela qual, a associação tem vindo a oferecer um conjunto alargado de serviços, como consultas de clínica geral gratuitas ou de advocacia. Temos uma equipa multidisciplinar em acção e recorremos também à Segurança Social portuguesa quando temos necessidade de auxiliar os nossos compatriotas em outras áreas. Quero salientar que o nosso maior objectivo é divulgar a cultura angolana no seio deste concelho. É uma cidade que adoro, onde estão instalados alguns angolanos e que já recebe algum investimento empresarial de Angola ao nível dos apartamentos e compra de casas de praia. Cada vez mais, a comunidade angolana se está a espalhar por todo Portugal. No entanto, uma questão que me preocupa é que, por vezes, é difícil chegar à nossa comunidade, principalmente àqueles que vieram de Angola porque resistem em aceitar a ideia de que está tudo bem. Percebo, contudo, uma

identidade forte e reforçada, que nos dá sangue novo e que às vezes quando estamos a ir a baixo pensamos “vale a pena ir em frente”. A população actual é mais jovem, habituada a fazer intercâmbios de comércio, negócios, cultura e ensino. Um dos maiores objectivos da Casa Angolana na Figueira da Foz é, por isso, promover a lusofonia. A começar pela língua, algo muito forte que nos une. Somos todos irmãos, somos todos lusófonos e temos de lutar por isto, pela língua-mãe que nos identi-

fica. Temos de estar unidos porque é aí que reside a nossa riqueza. Se nos unirmos de facto, tenho a certeza que nos tornaremos menos dependentes de nações que pouco ou quase nada têm a ver connosco. Esse é o nosso tesouro - o factor humano -, até para que não haja alienação cultural. Aos jovens deixo apenas uma mensagem “nunca percam a identidade cultural angolana”.

José Marcos Barrica, Embaixador de Angola em Lisboa, Portugal e Cecília Baptista, Cônsul-Geral de Angola em Lisboa

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Colaboradores do Consulado de Angola no Porto

UM POUCO DE HISTÓRIA – PARTE II
Na sequência do derrube da ditadura em Portugal (25 de Abril de 1974), abriram-se perspectivas imediatas para a independência de Angola. O novo governo revolucionário português encetou negociações com os três principais movimentos de libertação - MPLA, FNLA e UNITA -, para iniciar o período de transição e o processo de implantação de um regime democrático no país (Acordos de Alvor, Janeiro de 1975). No dia 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo português, proclamou a independência de Angola, transferindo a soberania de Portugal, não para um determinado movimento político mas sim para o “Povo Angolano”, de forma efectiva a partir de 11 de Novembro de 1975. Parte do discurso dizia: “E assim Portugal entrega Angola aos angolanos, depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desaparecem, mas a obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter de que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos, deixa um país de que se orgulha e de que todos os angolanos podem orgulhar-se”. Agostinho Neto, foi o primeiro presidente de Angola. A decisão de reconhecer como legítimo o governo de Agostinho Neto foi tomada pelo então presidente Ernesto Geisel ainda a 6 de Novembro, antes da data oficial de independência. A 11 de Novembro Agostinho Neto proclamou em Luanda este dia histórico

Miguel Simões, partner da empresa NBB (National Business Brokers)

Miguel Simões
Partner da empresa NBB (National Business Brokers)
“A grande mensagem que gostaria de transmitir num dia como este é que todas as pessoas percebam que Angola já tem profissionais altamente qualificados e dispõe de empresários que dignificam o nome do país no exterior. Logo, quem pensar ir para este território deve fazê-lo com um espírito de investimento e com o objectivo de se radicar lá. Quem não pensar assim não tem interesse para Angola, pois haverá outros empresários de outras parte do mundo que irão fazer o mesmo. Não é o que o país pretende e precisa. O maior gosto que teria neste próximo ano, era que todos os jovens angolanos que estão a estudar um pouco por toda a parte do mundo voltassem para o seu país e que juntos façam mais por Angola, no sentido de consolidar a imagem de grande potência e obter, cada vez mais, o respeito de toda a comunidade internacional”.

Carlos Gourgel
Angolano a viver em Portugal
“Sinto um júbilo muito grande. Angola é um país muito sofredor, fruto de uma guerra de 40 anos, e estas comemorações fazem com que nunca esqueçamos o quanto nos custou alcançar a paz. Reavivam nas nossas mentes os nossos entes queridos que pereceram. Neste momento, temos progresso e ao festejarmos não podemos esquecer esse passado tão longo e duro. No entanto, chegou a vez do futuro. 2010 será um ano de muito desenvolvimento. Espero, por isso, que os angolanos tenham uma nova corrente de pensamento e possam evoluir baseados em ideais de democracia, liberdade, pão para todos e dignidade. Tenho apenas um desejo – que muitos dos os meus “irmãos” recuperem os códigos éticocivilizacionais e a moral que foram perdendo ao longo dos últimos anos”.

Nota: Este evento teve o patrocínio de algumas das maiores empresas portuguesas e angolanas, entre elas a Mota-Engil, FIL, Unicer, Monte Adriano, Conduril, Saftur, Soares da Costa, Grupo Visabeira, Taminvest Angola, Mufuma e Refriango

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GRANDE ENTREVISTA

| patrícia alves tavares

“nós somos do mundo”

Eleutério Sanches

No último mês assinalaram-se os 34 anos de Independência. O que mudou em termos económicos e sociais? Angola tem progredido em aspectos que têm a ver com o seu desenvolvimento material. Tem-se preocupado com isso. Na última vez, fui a Malange e gostei imenso. Acho que está a andar para a frente. Luanda tem muitos problemas. É uma terra hiper-povoada. A guerra também contribuiu para muitos contrastes do ponto de vista urbano e isso tem de ser e já está a ser corrigido. Muito tem que ser feito e com muita orientação, hierarquizando as coisas mais importantes. Há que tirar as pessoas da pobreza e de aspectos que são degradantes. A guerra trouxe vícios e drogas. Portanto, há ainda muita coisa a corrigir. Está-se a fazer por isso. Há escolas que estão a fazer trabalhos pedagógicos, que têm contribuído já para um certo desenvolvimento e recuperar muita gente desviada. A distribuição populacional de Luanda tem que ser pensada, a ordenação do território tem que se adaptar ao espaço existente e as pessoas só têm a ganhar com isso. Há que fazer uma reintegração. O próximo ano é decisivo em termos políticos: constituição e eleições presidenciais. Isso pode contribuir para essa mudança positiva? Penso que sim. Acho que Angola precisava disso. Já há um clima de paz e esse aspecto pode ser feito com mais adequação. Agora, o país tem a capacidade de poder ser governado de uma ponta à outra e naturalmente tem que se criar um aparelho político, que realmente governe, um poder político com outras ambições, com mais ambição de chegar a todos os lados. Tem que se proteger mais, não pode desistir de insistir naquela parte que está desviada da cidadania.

Nasceu em Luanda, mas foi em Portugal que solidificou a sua brilhante carreira. Eleutério Sanches é o ícone das artes angolanas. Pintor, músico e poeta, acredita que a vida é uma aprendizagem constante e não se incomoda com a definição de místico. O ‘senhor dos sete ofícios’ recebeu a Angola’in e numa conversa intimista falou dos momentos que o país atravessa, do desejo de leccionar em Luanda e dos seus projectos. Nesta edição especial, um dos principais artistas de Angola aceitou o desafio e pintou a nossa capa. A sua entrevista constitui um verdadeiro passar de testemunho às novas gerações

VISÃO DA TERRA NATAL Desloca-se a Angola com frequência. Como foi assistir à distância a todas as situações que se desenrolaram no país? O período da guerra foi por um lado desmotivador e, por outro, terá motivado coisas, que não são propriamente terapêuticas. A guerra é sempre má. Claro que se colhem também muitos ensinamentos. Neste momento, penso que, ainda que as memórias devam ser sempre guardadas e daí tirar-se muitas ilações, há ainda muitas lições a tirar. Agora, o ambiente é muito mais propício para o país progredir em todos os aspectos, não só no lado criativo propriamente e na aprendizagem técnica, mas também no sossego que é preciso para criar.

A elevada presença de investidores estrangeiros é benéfica para o país? A maior parte de Angola está abandonada, mas é preciso fazer esse trabalho de povoamento, privilegiando os de língua portuguesa. Tem todas as vantagens, não só na língua como na cultura e história, que são indissociáveis. Para se compreender o futuro é preciso estudar o passado. Por outro lado, descentralizar Luanda só tem benefícios. Hoje, Angola importa muita coisa que, com o desenvolvimento local, da indústria e do empreendedorismo como deve ser, poderia ser produzida dentro do país. Se todos derem um contributo honesto dá para valorizar não só os verdadeiramente interessados nessas empresas como os angolanos. Agora vão-se fazer parcerias, os dois lados só ganham com isso.

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É exequível combater a corrupção? É possível e eu penso que tudo isso existe precisamente ainda como consequência das guerras. Elas são muito más para estas coisas, tal como contribuíram para separar as famílias, que estão desagregadas, sem estrutura nenhuma e sem capacidade de responder às necessidades que têm. Portanto, isso tem que ser revisto pelos serviços sociais e de inserção, que vão ter muito que fazer. Estão reunidas as condições para que os jovens que estão fora do país regressem? Há muita gente fora, que está a estudar e sabemos que alguns não regressam, o que é mau, pois eram necessários. As coisas não são fáceis. Tem havido regressos frustrados por causa de aspectos de colocações dentro das áreas que estudam, mas isto tem que se fazer com tempo. Não podemos querer já tudo de uma vez. Considero que se está no bom caminho e a intenção é essa. Angola tem capacidade para absorver tudo, mas isso depende sempre dos vários lados, dos que estudam e dos que colocam as pessoas nos lugares em que são necessários. Há-de haver certamente muitos aspectos em que é preciso colocar as pessoas em situações que podem ser muito úteis àquele país.

“O angolano geralmente tem uma tendência e uma apetência natural para as artes, seja a música, a pintura ou o desenho”

NOVA GERAÇÃO DE TALENTOS No caso concreto das artes, um jovem para se formar tem condições para o fazer dentro do país? Tenho um amigo que começou a trabalhar em pedra e tem uma boa mão para a escultura, que é o António Magina. Esteve nas pedreiras do Mussulo, por iniciativa própria, a fazer a sua pesquisa e estudos. Isso é positivo. Não sei se terá formação académica, mas isso não é totalmente necessário. Há grandes artistas que foram autodidactas e chegaram ao topo. Angola precisa sempre dos seus jovens, mesmo dos que saem para estudar e esses precisam de um estímulo para poder voltar ao país, assim como os que lá estão. É preciso criar núcleos afectivos para que possam desenvolver essas diversas intervenções das artes. Nas novas gerações, existe talento? Há, com certeza. Eu creio, e não é chauvinismo da minha parte, que o angolano geralmente tem uma tendência e uma apetência natural para as artes, seja a música, a pintura ou o desenho. Mas claro que é preciso uma iniciação para tudo. Há algumas coisas em que é necessário um impulso. É preciso ir bus-

car recursos humanos adequados seja lá onde for e não deve haver preconceitos. Tem que se procurar os bons onde os houver, para dar o seu contributo. Angola só ganha com isso. Aliás já estão a fazê-lo em muitos domínios, mais ligados às finanças e às economias, o que também não é mau. É necessário mais empenho? Noto que sim, porque as artes voltam a estar numa fase de grande experimentação. O aparecimento de materiais novos obriga a ser dinamizador para novas intervenções. Portanto, estamos também de novo numa fase de grande importância para esse tipo de pesquisa, que tem que ser feita. Não é fácil, é preciso primeiro preparar pessoas para que possam interessar-se a sério e com humildade ir aprender. Existe público para a arte nacional? Há público, mas é preciso formar as pessoas. Agora há uma nova ministra da educação, esperamos que ela, que é uma pessoa sensível, dê um impulso às artes e às coisas relativas às suas diversas manifestações (pintura, cerâmica, etc).

O ARTISTA Como descreveria o seu percurso profissional? O meu avô dizia que eu desenhava em qualquer suporte, por exemplo na areia. Eu lembro-me realmente do percurso de iniciação normal. Os miúdos têm uma inquietação pelo riscar, pela linha e às vezes essas coisas manifestam-se muito cedo. Há crianças muito precoces e eu comecei com poucos anos a fazer os meus riscos e rabiscos. Depois fui desenvolvendo e houve alguém no liceu Salvador Correia, o meu professor de geografia, André Simbrone, que reconheceu o meu talento. Houve várias pessoas a incentivar-me. Vim formar-me em Lisboa, onde estudei Belas Artes e consegui, ainda antes de ser aluno, fazer uma exposição. Fiz um certo sucesso no Palácio Foz. Em Lisboa, trabalhou durante 10 anos no departamento de Ergoterapia do hospital Júlio de Matos… Foi talvez dos sítios onde colhi mais no acto de ensinar, se é que ensinei alguma coisa. Ali a arte funcionava como terapia para criar os ambientes propícios a que as pessoas se liber-

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“A arte é a única coisa que sendo deste mundo já não é deste mundo”

raiz e que sem querer já lá estamos. O pintor hoje é como toda a arte. Nós somos do mundo e a arte é planetária em todos os aspectos, porque há cada vez uma maior interacção. Este mundo está cheio de inquietação, em que há aberturas que são louváveis, em que as pessoas aceitam as outras naturalmente e é já um espírito planetário, cósmico.

“É necessário esforço, sacrifício e gostar muito [da sua arte]. Se não gosta não vá por aí, procure outra coisa”
tassem, porque são doentes de vária ordem (esquizofrénicos, maníacos depressivos, atrasados mentais, etc.). E os que tive como alunos eram de uma diversidade muito grande. Foi uma experiência muito interessante para mim, por ter oportunidade de poder conviver com os tais que dizem que são anormais. Foi professor por muitos anos. Nunca sentiu vontade de leccionar em Luanda? Senti e já o manifestei várias vezes. Sinto essa vontade e falei nisso ainda no tempo do governador Aníbal Roça, um homem sensível, mas não sei em que estado de desenvolvimento está esse anseio. Gostei sempre muito de dar aulas, porque se aprende bastante. É uma actividade que compensa. Que conselho gostaria de dar aos futuros artistas? Procurava dar-lhes uma visão geral dos aspectos que são mais desconfortáveis e incómodos e da parte gratificante, que é boa e que traz depois o resultado final. Até lá é necessário esforço, sacrifício e gostar muito. Se não gosta não vá por aí, procure outra coisa. Deve-se gostar sempre, seja lá o que for.

A ARTE O que significa a arte para si? É uma definição que é quase impossível. A arte é tudo o que é vida, o que me motiva, que me revela a beleza, que tem múltiplas aparências. A beleza contém um mistério que é indescritível, que não desmontamos. Eu penso que se a peça se for uma obra de arte, esta transcende o próprio artista. Ele não deve ter a pretensão de querer ler tudo o que faz. Às vezes até pode ser ultrapassado. Arte é a criatividade, é tudo o que nos toca profundamente. O que faz mais o artista? A parte técnica ou o talento? Eu penso que trabalhar é fundamental. Trabalhar deve ser um acto constante. E nesse acto penso que está também implícita a contemplação. Eu dou muito valor a isso. Sou capaz de no silêncio da meditação estar a ver uma obra durante umas horas, pegar nesse trabalho e virá-lo de costas para depois retomar noutro tempo. Nós temos uma parte emocional, estados de alma e esse retomar já não é o mesmo. Pode enriquecer aquilo que antes foi iniciado. Há uma parte que de facto é a continuidade, que nos abre para outros universos ainda que estejam no mesmo universo. Mas há em nós a capacidade para penetrar em outros compartimentos desse mesmo universo. Vai buscar inspiração às suas raízes? Sempre. É natural, não é forçado. Sou um pintor que não tem preconceitos de motivações. Gosto de qualquer tema. Claro que há os temas afectivos, a que estamos ligados pela

A arte pode ser um veículo para esse entendimento? Sem dúvida. A arte é a única coisa que sendo deste mundo já não é deste mundo. Com isto quero dizer que eu não separo os mundos. Existe alguma obra que o marcou particularmente? Há muitas. O livro Universo-Transverso responde a isso, pois é uma parte expressiva da minha obra, que está sempre ligada aos elementos, à água, ao fogo, à terra… Estou sempre unido ao universo, ao cosmos. Acredito que todos nós temos essa ligação do espírito profundo. Essa parte para mim é importante e eu acho que isso acontece naturalmente. Não preciso de me inspirar, eu vou buscar a inspiração. Nós somos capazes de a ir buscar. Sente-se orgulhoso por ver as suas obras publicadas nos diversos cantos do mundo? Naturalmente que sim. Agora convidaramme para uma exposição que querem fazer com a Unesco, na Suíça. Deve ser para o ano. Espero que se materialize. É pintor, músico e poeta. O que lhe falta fazer? Tanta coisa. Eu cultivo estas coisas, também como terapia, no sentido de mi longo, como se diz na terra, de remédio para a alma. Gosto pessoalmente da dimensão terapêutica da arte, de algo que pode ser feito para fazer bem aos outros. Não sei se é possível conseguir sempre isso, nem eu tenho essa pretensão. A verdade é que penso que o mundo precisa disso.

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FOTO REPORTAGEM

| ana rita rodrigues

De braços abertos a 2010
A doçura de um beijo infantil será a melhor ilustração de votos de muito amor para o novo ano. Angola vive um notável crescimento e progresso e o mundo está de olhos postos em nós. Cada novo dia somos uma Angola mais bonita, mais alegre e ambiciosa. Neste mês de Dezembro, aproveitamos para reflectir sobre o que deixámos para trás e renovamos os nossos votos para o futuro. São sempre os mesmos... amor, saúde, paz, trabalho. Não importa o Hemisfério. Importa a condição humana, igual em todas as partes. Num momento em que o angolano nunca sentiu tanto orgulho de o ser, teremos que receber este novo ano unidos e responder a cada novo desafio com a garra e a confiança de que somos do melhor que há no mundo. O milindro, a fuba, a kizomba e o CAN estao aí! Haja força e felicidade, bem haja 2010!

texto + fotografias - Ana Rita Rodrigues

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FOTO REPORTAGEM

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| patrícia alves tavares

CORRIDA PARA A VITÓRIA

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O país está em contagem decrescente para o maior evento de futebol alguma vez organizado em território nacional. Ultimam-se os pormenores e os adeptos assistem com entusiasmo à preparação da equipa que vai representar as cores da nação. A Angola’in acompanhou os Palancas Negras durante o seu estágio em Portugal, na região do Algarve, e revela-lhe em exclusivo todos os pormenores acerca dos desafios e emoções que o grupo viveu. As palavras de ordem foram concentração total e empenho máximo. A nossa equipa de reportagem conversou com o treinador Manuel José e acompanhou a chegada do presidente da Federação Angolana de Futebol, Justino Fernandes, que se deslocou àquele país para assistir a um dos jogos de preparação da equipa e para motivar a selecção. A aguardar pela chegada dos restantes elementos da comitiva e a poucos dias de ser conhecido o lote dos atletas participantes, o responsável pela organização do evento demonstrou, em declarações à Angola’in, uma forte confiança no sucesso desta formação. Descubra neste especial, inteiramente dedicado ao acontecimento do ano, o dia-a-dia do grupo, cuja união e coesão é evidente. Os principais rostos da equipa

aceitaram o desafio e responderam às questões da nossa publicação, revelando maturidade, vontade de vencer e desejo de chegar mais longe. Neste especial do CAN levamos até si toda a informação que deve reter sobre esta matéria. Os estádios e as infra-estruturas não foram esquecidos e apresentamos um dossier completo sobre as especificidades de cada recinto, bem como todos os pormenores das cerimónias oficiais, que decorrem em Luanda. Tecnologia e simbioses com o passado cultural estão em destaque nos actos de abertura e encerramento do evento desportivo. Por outro lado, porque consideramos que conhecer os adversários é fundamental para explorar as suas fraquezas, elaboramos um ‘raio x’ das selecções que, de 10 a 31 de Janeiro, vão disputar o título do Campeonato Africano das Nações de 2010.

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| patrícia alves tavares

Tecnologia e Cultura na abertura oficial
O dia mais esperado pelos angolanos, desde que tiveram conhecimento da sua nomeação para a organização da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), está a chegar. O arranque e encerramento do torneio estão há muito planeados e nada foi esquecido. A segurança é uma das principais preocupações e as medidas foram devidamente tomadas. Está tudo preparado para o acontecimento do ano, que irá decerto ficar na memória colectiva de Angola

Dez de Janeiro de 2010 é sinónimo de ‘olhos postos’ no país, que acolhe mais uma edição da maior competição continental de futebol. Os pormenores estão ultimados e o arranque começa dez dias antes do ponto de partida da cerimónia oficial, que antecede o jogo inaugural, onde Angola, a equipa anfitriã tem a honra de dar o pontapé de saída. Assim sendo, no primeiro dia do ano realiza-se, como é já habitual, o congresso da Confederação Africana de Futebol (CAF), com a finalidade de fazer o balanço e estruturar os serviços e actividades da entidade, enquanto órgão reitor do desporto rei em África. Recorde-se que o país organiza o primeiro de dois eventos de futebol, de extrema importância, que decorrem no continente em 2010.

“Angola e o Futuro” é o tema da festa de abertura, que terá uma simbiose entre a cultura nacional e as novas tecnologias
ATENÇÕES CONCENTRADAS EM ANGOLA A organização acredita que o arranque do CAN em solo nacional é o início de uma nova era, tendo por isso trabalhado para que a cerimó-

nia de abertura signifique a estreia de uma competição de referência a todos os níveis. A abertura do Campeonato Africano das Nações “Orange Angola 2010” pretende ser um sucesso. Nada foi deixado ao acaso, desde a elaboração do “layout” dos bilhetes e convites, ao material de “merchandising”, que está disponível desde Novembro. A empresa de telecomunicações francesa “Orange” apadrinha o evento, sendo desde Julho o patrocinador oficial da maior competição da CAF. Quanto à cerimónia, o lema escolhido não podia ser mais apropriado, tendo em conta o momento que o país vive, em termos de desenvolvimento económico e social. “Angola e o Futuro” é o tema da festa de abertura, que terá uma simbiose entre a cultura nacional e as novas tecnologias. O projecto cultural, que terá a duração de 45 minutos, conta com a contribuição de historiadores e antropólogos angolanos, de forma a garantir a tradução fiel da história nos três eventos. A organização do espectáculo está a cargo da empresa portuguesa Cunha Vaz e Associados. No total, os eventos (sorteio, abertura e encerramento) contarão com 1500 figurantes, que envergarão as indumentárias de estilistas nacionais. Os conteúdos temáticos estão a ser supervisionados pelo Ministério da Cultura e pelo Comité Organizador do Campeonato Africano das Nações em Futebol (COCAN). A empresa responsável pelos momentos mais marcantes desta compe-

tição garante que está tudo preparado para se conseguir um espectáculo de grandeza comparável às cerimónias de abertura e encerramento do Campeonato do Mundo de Futebol de 2006, que teve lugar na Alemanha. A organização garante ainda que dispõe de material tecnológico de controlo remoto e com recurso a combustíveis não poluentes, projecção audiovisual, luzes e fogo-de-artifício. ENCERRAMENTO EM GRANDE Os últimos minutos de Angola enquanto nação anfitriã da maior competição continental estão a ser planeados com todo o rigor, para que o derradeiro acto oficial dignifique o país, o certame e os participantes, não obstante o destaque para os visitantes, que se espera que deixem o território nacional com saudade e orgulho, quanto à qualidade da recepção. A adaptação dos serviços tecnológicos aos aspectos culturais angolanos será o mote para o encerramento da prova desportiva. A abertura e finalização do CAN estão agendados para o estádio de Luanda (Camama) e os jornalistas ficarão albergados no Complexo Futungo II. Não esquecendo o hino oficial da prova, a Angola’in apurou que a música escolhida é da autoria da dupla Filipe Mukenga e Filipe Zau. O tema intitula-se “Angola, País de Futuro”. A 31 de Janeiro será conhecido o nome do novo campeão africano, que envergará o título durante os próximos dois anos.

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| patrícia alves tavares

Palco de todos os sonhos
o gigante de luanda
É o maior de Angola e o local escolhido para a abertura do evento do ano. Com capacidade para 50 mil espectadores, o estádio de Luanda situa-se no Bairro da Camama. O palco, que albergará as cerimónias oficiais de abertura e encerramento do CAN “Orange” Angola 2010 (10 e 31 de Janeiro), foi edificado pela empresa asiática Shanghai Urban Constrution Group Corporation. A capacidade do principal palco do CAN é de 50 mil pessoas contra os 60 mil inicialmente previstos. A empreitada esteve ao cargo do consórcio formado pelas empresas Urbinvest, Arup SportAr, Mario Sua Kay Arquitecto, China National Impor e Export Corporation (CEIEC), Cogedir, Somague, Engenharia Angola e Mota Engil. A organização está confiante de que o estádio de Luanda vai fomentar o desenvolvimento urbano de toda a região de Luanda e respeita todos os requisitos de funcionalidade, segurança e modernidade, impostos pela FIFA. O design, daquele que é actualmente o maior recinto desportivo do país, é moderno e arrojado, contendo três anéis, elevadores panorâmicos, áreas VIP, camarote presidencial e tribuna para a imprensa. O estádio está inserido numa zona privilegiada, uma vez que está situado em Viana, próximo do Campus Universitário Agostinho Neto (a 10 quilómetros), uma área composta por diversos

Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango vão receber as 16 selecções, que a partir de 10 de Janeiro disputam o troféu do Campeonato das Nações Africanas. Cada cidade viu nascer um novo estádio, com as infra-estruturas (internas e subjacentes) necessárias para responder às exigências de atletas, dirigentes, equipas técnicas, adeptos e profissionais da comunicação social. Orçados em 600 milhões de dólares, os novos espaços são uma mais-valia para as entidades desportivas locais, que poderão usufruir das novas funcionalidades, após o término da competição continental. A garantia é assegurada pelos organizadores da prova e pelo Ministério da Juventude e dos Desportos. As quatro infra-estru-

serviços e acessibilidades. A arquitectura do espaço é funcional e teve especial cuidado para com as necessidades dos adeptos. Os portadores de deficiência não foram esquecidos e possuem locais de acesso especiais. O recinto, que vai acolher a série A do torneio, foi dotado de vários restaurantes, parte deles com vista para o rectângulo de jogo. O espaço alberga ainda uma pista de atletismo com oito faixas, escritórios e um camarote presidencial com 120 lugares. As condições para o trabalho dos meios de comunicação social, nacionais e internacionais, foram pensadas ao pormenor. O estádio integra duas salas de imprensa, espaço para conferências, dois pontos para entrevistas rápidas e uma zona mista. A obra envolveu 2.300 trabalhadores, tendo dado emprego a 1.500 angolanos e 800 chineses. Além do estádio principal, a capital cede dois dos seus antigos estádios para os jogos de treino das selecções apuradas. O Estádio dos Coqueiros, o da Cidadela e o 22 de Junho foram remodelados e assumem durante o período da competição a função de campos de treino. O primeiro tem capacidade para cerca de cinco mil espectadores, relva natural e instalações de qualidade, uma vez que foi recentemente restaurado. As restantes infra-estruturas podem receber até 9.500 pessoas e possuem igualmente relva natural.

à lupa...
• 50.000 lugares no total • 2080 lugares VIPS • 400 lugares para deficientes • 120 lugares no camarote presidencial • 200 lugares na tribuna de imprensa • 3 mil lugares de estacionamento para viaturas ligeiras • 800 lugares de estacionamento para autocarros • 35 km de bancadas pré-fabricadas • 100.000 m3 de betão utilizados • 5 MVA é a potência energética necessária

curiosidades
O Estádio dos Coqueiros foi reinaugurado em Setembro de 2005, após uma intervenção de fundo, que permitiu criar instalações de excelente qualidade. Sem dúvida, o melhor equipado para receber as sessões de treino. Do “velhinho” estádio resta apenas a estrutura arquitectónica da fachada principal. O sistema de irrigação do relvado é automático e tem espaço para 12 mil adeptos. Possui seis portas de acesso para os adeptos, duas para os jogadores e uma VIP.

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turas têm relva natural e pista de tartan. O recinto de Luanda pode albergar até 50 mil espectadores e o de Benguela 35 mil, enquanto Huíla e Cabinda dispõem de uma capacidade para 20 mil pessoas cada. A sua gestão está a cargo do Ministério das Obras Públicas e a manutenção foi entregue a técnicos nacionais. Para apoio ao certame, foram ainda recuperados 12 estádios, para a realização dos treinos das selecções participantes. A organização procedeu igualmente a um investimento de 200 milhões de euros em novos hotéis e pousadas. A formação dos profissionais também não foi esquecida. Em contagem decrescente para a cerimónia de abertura, as infraestruturas materiais e humanas serão postas à prova no início do ano.

As quatro ci dades que v ão acolher o dispõem de CAN um parque de campism criado espec o, ificamente p ara respond necessidades er às de procura n este período Assim, cada . província p ossui um es com capacid paço, ade para aco lher 200 cid de baixa ren adãos da, que não possuam ca financeira p pacidade ara pagar es tadia num h otel

CAN SOLI DÁRIO

cabinda aposta na formação
à lupa...
O novo complexo desportivo não esqueceu os futuros atletas nacionais e tem como principal particularidade o facto de possuir um recinto relvado adjacente, que será usado para treinos ou jogos das escolas de formação. Moderno e dotado de equipamentos sofisticados, o estádio de Cabinda está inserido no Bairro Tchiazi. A arquitectura arrojada e a respectiva cobertura ondulada, que lembra as ondas do mar da província (banhada pelo oceano Atlântico), fazem deste espaço um dos mais belos do CAN 2010. Além desta classificação, a obra merece o aplauso da população, uma vez que a estrutura apresenta 65 lugares de destaque para os adeptos com deficiências. A beleza e originalidade do recinto, com capacidade para 20 mil pessoas, devem-se à empresa responsável pela empreitada, a construtora China Jiangsu International. Relativamente às estruturas externas de apoio, o governo local procedeu à criação de mais uma unidade hoteleira e reabilitou o Hotel Congresso, com o intuito de criar as condições necessárias para que não haja carência de alojamentos. Para melhorar o visual da província, bastante desgastada pela passagem do tempo, os responsáveis procederam ao arranjo dos espaços verdes e dedicaram especial atenção às carências de saneamento básico. O estádio do Tafe é a infra-estrutura designada para os treinos das equipas. Os equipamentos de apoio foram reestruturados para assegurar as condições necessárias para as selecções. O piso relvado tem capacidade para cerca de cinco mil espectadores. Entretanto, foi igualmente construído um campo de jogos no Tchi, para completar as estruturas já existentes. • 20.000 cadeiras é a capacidade total do estádio • 204 lugares VIP • 65 lugares para deficientes • 100 lugares para profissionais da comunicação social • 500 lugares de estacionamento • 1 campo de treino anexo ao estádio (para jogos das equipas das camadas jovens)

curiosidades
A última reabilitação do Estádio do Tafe ocorreu em 2004. O CAN serviu de mote para a reabilitação de uma série de infraestruturas, que já se encontravam desgastadas.

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DESPORTO ESPECIAL CAN 2010

E… s SABIA QUadora do CAN optou por empreesa iz

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assistentes de recinto recebem formação
A cidade de Cabinda acolheu no último mês um curso de formação para assistentes de recintos desportivos. Os 550 participantes mostraram-se empenhados na aprendizagem dos conteúdos, elaborados a pensar na capacitação dos candidatos para a tarefa de servir e auxiliar os utilizadores dos estádios. O curso de aprendizagem foi um sucesso e a direcção espera que após a conclusão do evento o país esteja posicionado em altos patamares da organização de actividades desportivas e logística envolvente. “A magnitude

benguela, ao nível dos melhores
Comparado por muitos aos grandes estádios da Europa, o recinto que nasceu em Benguela para acolher o CAN tem capacidade para 35 mil pessoas. A empreitada esteve ao cargo da empresa Sinohydro Corporation. Localizado estrategicamente no bairro da Nossa Senhora da Graça, o estádio de Benguela obedece rigorosamente a todas as especificações da FIFA. O complexo, à semelhança de Cabinda, criou lugares para 60 adeptos com mobilidade reduzida e possui o maior parque de estacionamento, com espaço para mais de mil viaturas. A principal porta de entrada na província, Lobito, sofreu profundas obras de reabilitação das vias rodoviárias, que duraram meses. A cidade assume especial importância devido ao seu porto comercial, sendo, por isso, um dos principais pontos de referência durante o CAN. Já a capital foi alvo de uma reestruturação mais profunda. As estradas, passeios, jardins e infra-estruturas de apoio foram remodeladas ou construídas de raiz, facultando uma nova imagem da cidade. No entanto, foi ao nível da hotelaria que a província mais cresceu. Aos oito hotéis em funcionamento, juntaram-se mais doze (alguns reabilitados), disponibilizando um total de 1.140 quartos e 1.483 camas, que até ao arranque da competição deverão estar lotados. O Estádio Municipal de Benguela não foi esquecido e vai ter uma função importante na concretização da competição africana ao acolher os treinos das respectivas selecções. Reabilitado em 2003, no âmbito do projecto Goal II, desencadeado pela FIFA, o espaço é provavelmente o mais adequado, ao nível provincial, para a função de campo de treino. A relva é natural e os balneários para as equipas e árbitros estão com nova roupagem, totalmente remodelados. A estruturação de há seis anos contemplou ainda a instalação de água e electricidade em todo o espaço. Com uma capacidade para quatro mil espectadores, foi recentemente adaptado, em termos de iluminação, criação de sala de imprensa e outras funcionalidades. O estádio do Buraco também sofreu obras de restauração, nomeadamente nos balneários, acessos, bancadas, iluminação e substituição da relva.

à lupa...
• 35 mil lugares no total • 308 lugares VIP • 60 lugares para deficientes • 154 lugares para a imprensa • 1300 lugares de estacionamento

curiosidades
O Estádio Municipal de Benguela, com capacidade para quatro mil pessoas, conseguiu concluir as obras de reabilitação, pois determinadas infra-estruturas não foram beneficiadas pelo projecto da FIFA. O Estádio do Buraco ganhou novos balneários, bancadas, acessos e procedeu-se a uma reinstalação da relva.

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do evento impunha a ordem de defesa e segurança e ordem interna à sociedade civil, a responsabilidade de garantir a realização de um CAN exemplar e campeão em termo de segurança nas suas múltiplas vertentes. Constitui preocupação número um a preparação antecipada e acautelada de todos os agentes intervenientes”, apontou António Pedro Kandela, coordenador da subcomissão provincial de segurança e protecção do COCAN. A formação foi dirigida pelo superintendente Sebastião Adão. Trinta

e cinco formadores leccionaram 13 unidades didácticas, durante 19 dias. O plano curricular dividiu-se em três cadeiras: segurança e ordem pública, segurança nos estádios e teoria geral do planeamento, informações e gestão de multidões. O director destacou as vantagens do curso, que dotou os assistentes de recintos desportivos de conhecimentos técnicos, assumindo-se como profissionais eficientes, dispostos a participar activamente e com maior atenção às questões de segurança dos espaços.

cristo rei é atractivo no lubango
Edificado num dos cenários mais belos da província da Huíla, o novo estádio do Lubango é provavelmente o mais cobiçado, esperando-se que dentro de alguns meses seja muito procurado pelas selecções mundiais, com vista à preparação para o Mundial da África do Sul. A Sinohydro Corporation Limited construiu um dos estádios mais pequenos deste CAN, mas igualmente o mais apelativo, em termos de paisagem envolvente. Situado no bairro Chioco, o recinto tem uma vista de rara beleza, a partir do qual é possível apreciar a imagem do Cristo Rei. A altitude da Huíla (1.761 metros) e o clima temperado, mais mediterrâneo, transformam esta infra-estrutura desportiva numa das mais apetecíveis para as equipas (especialmente europeias) apuradas para o Campeonato do Mundo, que decorrerá na vizinha África do Sul, já no próximo Verão. Assim, a organização do CAN está confiante de que este estádio, logo após o término do torneio continental, será procurado para a preparação das selecções internacionais. Prevendo a enorme afluência de adeptos e comitivas, o troço rodoviário de acesso ao estádio foi asfaltado, desde o entroncamento com a avenida que parte do Aeroporto da Mukanka até ao principal campo de futebol, inserido na ladeira da cordilheira do símbolo da província, o Cristo Rei. Esta obra foi muito importante para a população daquela região, que conta agora com melhores acessos, que facilitam a deslocação dos visitantes entre os principais pontos da cidade. A referida estrada e o recinto estão agora ligados através da ponte, que foi erguida especificamente para melhorar as acessibilidades da localidade. A passagem inferior da estrutura alberga a linha do comboio, que diariamente interliga a vila de Malata a outros pontos da Huíla e do Namibe. Ainda relativamente ao exterior, o espaço envolvente do estádio do Lubango, que vai receber os jogos do grupo D, foi requalificada, através de uma acção de arborização, cuja mais valia reside na oxigenação do local, que se encontra cerca de dois mil metros acima do mar. A capital da Huíla apresenta-se na competição com três excelentes campos de treino. Os estádios Nossa Senhora do Monte, do Ferrovia e do Benfica do Lubango são muito convidativos. As recentes modernizações dos acessos, bancadas, balneários, iluminação e relvados, aliados às condições meteorológicas

à lupa...
• 20.000 lugares no total • 208 lugares VIP • 60 lugares para deficientes • 104 lugares para os jornalistas • 780 lugares de estacionamento

curiosidades
O histórico Estádio Nossa Senhora do Monte tem capacidade para 10 mil espectadores e foi proposto pelo país para integrar o Projecto Goal-África da FIFA. O Estádio do Ferrovia tem capacidade para nove mil pessoas, piso em relva e sofreu uma renovação geral, especialmente ao nível dos balneários e da Sala de Imprensa

fazem destes espaços as pérolas da província. No âmbito do CAN, a província ganhou mais dois hotéis, para fazer face à elevada procura de alojamentos. O Chick-Chick (cinco andares) e o Hotel Lubango (com uma área de 3600 m2) abrem portas esse mês, num período em que se verifica uma forte corrida aos locais de acomodação.

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| patrícia alves tavares

Palancas Negras,

Mestres de Cerimónia
Se o Campeonato Africano das Nações fosse disputado na categoria de apoio do público, os Palancas Negras tinham o título garantido. A Selecção Nacional de Angola joga em casa e como organizadora do evento tem exigências acrescidas. Os adeptos estão eufóricos e a formação conta com a mais-valia de um ambiente conhecido e motivador. Manuel José é o mais recente técnico e garante que a sua equipa vai demonstrar empenho e determinação, revelando estar à altura do desafio de honrar as cores do país
RESPONSABILIDADE DE ANFITRIÃO Pedro Mantorras e Fabrice Akwá são os ícones desta selecção, que no último Mundial impressionou pela força de vontade, que superou alguma falta de técnica. Entretanto, Akwá, o jogador que bateu os recordes das convocatórias e marcou mais golos ao serviço da selecção, abandonou os relvados. O último ano não foi fácil para esta equipa, que aposta tudo neste CAN, que pode ser decisivo para a afirmação internacional do país, em todos os níveis. As exibições fracas, o afastamento do Mundial de África do Sul e a mudança de treinador abalaram inevitavelmente o esqueleto da equipa. Porém, a entrada do técnico português Manuel José, conhecido pelos êxitos à frente do Al Ahly e pela experiência nos campeonatos africanos, trouxe um novo fôlego a este grupo, que dispõe de uma enorme garra, humildade e de vários talentos, oriundos dos palcos nacionais e internacionais. As expectativas são muito altas. Afinal, a selecção de Angola, enquanto equipa anfitriã, tem obrigação de impressionar e alcançar um lugar de destaque na 27ª edição do Campeonato das Nações. O apoio do público é uma mais-valia. Os adeptos estão entusiasmados e prometem ‘puxar’ pela equipa dentro e fora de campo. A estrutura da formação ainda não está definida e os jogadores tentam dar o seu melhor para conseguir um lugar no onze inicial, honrando assim a sua nação. Contudo, Manuel José mantém guardado a sete chaves o lote de escolhidos para enfrentar a Argélia, Malawi e Mali, na primeira fase da competição. Os eleitos serão divulgados nas vésperas do torneio, bem como a táctica de jogo (ver caixa). Os adeptos mais ansiosos terão ainda que esperar algumas semanas. EQUIPA RESPEITADA O futebol nacional tem crescido e amadurecido ao longo dos últimos anos. Os Palancas Negras já não são conhecidos pelo jogo irregular, tendo-se livrado da má fama após a exibição na qualificação para a fase final do Campeonato do Mundo, na Alemanha, em 2006. O incrível golo de Akwá frente ao Ruanda permitiu que a equipa se apurasse, em detrimento da Nigéria, para a maior competição organizada pela FIFA. Analisando a prestação da equipa em 2008, os especialistas acreditam que esta deu um salto qualitativo e tudo indica que o seu bom desempenho se tornará uma constante. Os êxitos da selecção significam muito para a população, uma vez que o desempenho da formação de Manuel José tem mostrado ao mundo uma imagem diferente do país. Recorde-se as afirmações de Akwá, durante o Mundial de 2006, que reiterava que ficou “provado que Angola não é só petróleo, guerra e pobreza”. De facto, esta imagem positiva contribuiu para a atribuição da responsabilidade de organizar a maior competição africana. VIRAR A PÁGINA A Selecção Nacional de Angola mostrou-se ao mundo em 2005, data em que se classificou para o Campeonato Mundial, pela primeira vez na sua história. Todavia, é nos Jogos da Lusofonia que os Palancas se evidenciam. Após uma medalha de prata em 2006, a formação subiu este ano ao terceiro lugar do pódio. A mudança de treinador fez crescer a fasquia. O longo currículo e experiência de Manuel José são reconhecidos em todo o continente, pelo que se espera que o grupo

currículo dos palancas negras
• Campeonato das Nações Africanas CAN 1996, 1998, 2006, 2008 • Qualificação Mundial (CAF) Participação nos apuramentos para o WC 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010 • Campeonato do Mundo Fase de grupos do Alemanha 2006

números
• 10 jogos para o CAN • 53 jogos para a qualificação do Mundial • 1 participação no Campeonato do Mundo • 84 jogos amigáveis • 2008 foi o ano da melhor classificação no CAN (quartos-de-final)

ficha técnica
• Primeira participação no CAN: 1996 • Treinador: Manuel José • Preparador físico: Fidalgo Antunes • Equipamento: Puma • Ranking FIFA: 98 • Capitão: André Makanga • Craques: Job, Manucho, Flávio

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Corrida à conquista do sonho
BIC OFERECE UM MILHÃO DE DÓLARES
O Banco BIC lançou um desafio invulgar à selecção nacional. A entidade, de capitais portugueses e angolanos, oferece um milhão de dólares à formação, caso esta conquiste o título no Campeonato das Nações Africanas. Fernando Teles, presidente do organismo bancário, anunciou ainda que caso os Palancas Negras obtenham o segundo lugar, o montante oferecido é de 250 mil dólares. Da mesma forma, o desempenho da equipa durante o campeonato será premiado. Por cada jogo ganho, o grupo arrecada 50 mil dólares e o goleador receberá 25 mil dólares. O objectivo desta recompensa monetária visa incentivar os atletas a empenhar-se ao máximo pela camisola do seu país escolhido pelo técnico se apresente com mais técnica e com um futebol de qualidade, assumindo-se como sérios candidatos ao título. Até ao momento, as prestações da formação têm sido consideradas positivas e o trabalho do técnico foi elogiado, inclusive pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O dirigente máximo da nação louvou a capacidade do treinador luso ao conseguir implementar um sistema de jogo e rigor táctico entre jogadores. A opinião é partilhada pelos adeptos, que enaltecem o seu rigor e visão estratégica. Os apoiantes dos Palancas Negras, bem como os dirigentes desportivos e antigos atletas, destacam a forma como os jogadores têm actuado, mostrando-se equilibrados, com atitude e desinibidos. As exibições fazem prever uma prestação equilibrada durante o CAN, com um grupo a revelar bons níveis de evolução. Recentemente, a má exibição da equipa no primeiro amigável, disputado em ‘casa’ foi apontado como o calcanhar de Aquiles dos Palancas. O seleccionador, que também não se mostrou satisfeito com a prestação da equipa, explicou na ocasião que o facto de jogar em Angola pela primeira vez influenciou negativamente os atletas, que se deixaram dominar pela pressão. “Não podemos ter medo de vencer uma selecção com menos nome, nem encarar a responsabilidade de jogar em casa como algo mau. Jogar diante do nosso público é uma boa responsabilidade e devemos ter força mental para aproveitar isso”, sustentou, falando à imprensa no final do encontro com o Congo.
Manuel José ainda não adiantou dados acerca de quem vai escolher para encabeçar a equipa, que vai disputar o CAN, que decorre de 10 a 31 de Janeiro em Angola. Os jogadores dão ao máximo nas exibições, mostrando muito empenho, dedicação e determinação em honrar a camisola e o nome do país. Até lá, o técnico português vai analisando o potencial de cada um. A Angola’in revela-lhe alguns dos talentos que compõem este grupo de grandes valores:

andré makanga
Posição: Médio Clube: Kuwait FC Data nascimento: 14/05/1978 Altura: 175 cm Peso: 72 kg Internacionalizações pela selecção: Alemanha 2006, CAN 2008, WC2010 CAF

carlos fernandes
Posição: Guarda-redes Clube: Rio Ave (Portugal) Data nascimento: 08/12/1979 Altura: 188 cm Peso: 85kg Internacionalizações pela selecção: -

mantorras
Posição: Avançado Clube: SL Benfica (Portugal) Data nascimento: 18/03/1982 Altura: 180 cm Peso: 77kg Internacionalizações pela selecção: Alemanha 2006, WC U20 2001, WC2010 CAF

gilberto
Posição: Avançado Clube: Al-Ahly Data nascimento: 21/09/1982 Altura: 176 cm Peso: 70 kg Internacionalizações pela selecção: CAN 2008, WC U20 2001, WC2010 CAF

djalma
Posição: Médio Clube: Marítimo (Portugal) Data nascimento: 25/04/1987 Altura: 175 cm Peso: 72kg Internacionalizações pela selecção: -

zé kalanga
Posição: Médio Clube: Dínamo Bucareste Data nascimento: 12/10/1983 Altura: 175 cm Peso: 72kg Internacionalizações pela selecção: Alemanha 2006, CAN 2008, WC2010 CAF

flávio
Posição: Avançado Clube: El Shabad (Arábia Saudita) Data nascimento: 30/12/1979 Altura: 173 cm Peso: 73 kg Internacionalizações pela selecção: Alemanha 2006, CAN2006, CAN 2008, WC2010 CAF

manucho
Posição: Avançado Clube: Valladollid (Espanha) Data nascimento: 07/03/1083 Altura: 187 cm Peso: 83kg Internacionalizações pela selecção: CAN 2008, WC2010 CAF

stélvio
Posição: Médio Clube: União de Leiria (Portugal) Data nascimento: 24/01/1989 Altura: 189 cm Peso: 84 kg Internacionalizações pela selecção: -

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| patrícia alves tavares

‘Incuto nos jogadores uma filosofia competitiva agressiva, de pressing constante sobre o adversário’
Como descreve a equipa que encontrou? Encontrei uma equipa desmoralizada, desmotivada e com índices de confiança baixíssimos porque vinha de quatro jogos em que não tinha ganho nenhum, tendo inclusive sofrido sete golos. Procurei desde logo difundir ideias diferentes. Comecei a introduzir mudanças, uma delas ao nível do modelo de jogo. Angola jogava com a táctica de 4x3x3 e 4x4x2, na maior parte das vezes, 4x5x1, muitas vezes, e quis que a equipa começasse a jogar num 3x5x2 ou num 3x4x3. Passei de uma defesa clássica de quatro homens, para uma defesa de três, jogando com dois jogadores de marcação e um livre. Depois disso, tenho vindo a incutir nos jogadores uma filosofia competitiva agressiva, de pressing constante sobre o adversário e de circulação de bola. A base do futebol africano e angolano é a técnica e por isso tem-se de jogar de acordo com as características dos jogadores. Dessa forma, passamos a jogar um futebol de pé para pé, curto, de apoio, de passe e de devolução do passe. Jogamos em situações de dois contra um permanentemente, mas sempre em espaço curto, fazendo-o sem medo e para ganhar contra todas as equipas. Essa é a nossa filosofia e a que vamos levar para o CAN.

‘Os atletas têm de ser gigantes’
Manuel José, seleccionador de Angola, é bem conhecido no contexto africano devido aos sucessos alcançados como técnico do Al Ahly, equipa egípcia. Em vésperas do maior evento angolano, o treinador português revela em exclusivo à Angola’in tudo o que precisa saber acerca da sua selecção.
Como surgiu o convite para treinar a selecção? O convite surgiu quando já tinha transmitido ao meu clube no Egipto que não iria cumprir o último ano de contrato, ou seja, a época que está a decorrer 2009/2010. Queria descansar, mas de repente apareceu a selecção. A princípio não estava muito entusiasmado, pois tinha a ideia de parar quatro ou cinco meses. O que me convenceu foi o desafio de treinar uma selecção que no ranking africano está numa posição bastante baixa. Hoje é 20ª, mas há uns meses atrás estava no 26º lugar. Além disso, é a selecção de um país que organiza o CAN, o que por si só é motivador, uma vez que me abre mercado ao nível de futuras selecções, podendo desta forma ajudar a prolongar a minha carreira. Sem dúvida que é um acontecimento que cria uma grande expectativa em Angola. Todos querem ganhar. Ninguém acredita no Mundo e muito menos em África que possamos vencer o desafio, por isso aceitei e não me arrependo.

Entrevista a Manuel José

‘Importante é fazer sentir que este evento é um momento único na vida dos jogadores e do país... Trabalhamos por uma matriz psicológica forte, para que todos os atletas percebam que têm de ser gigantes’
Essas mudanças foram conseguidas? Para se ter sucesso, é importante que treinador, equipa técnica e jogadores tenham uma relação profissional e pessoal boa, assente em valores de respeito e amizade. Penso que isso foi conseguido. O grupo está formado e pronto para jogar. Faltava-nos ultrapassar o problema da ansiedade. Essa tem sido a nossa maior dificuldade. Para a transpor tratamos

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de ter profissionais de outras áreas, psicólogo, nutricionista, entre outros, que ajudassem a educar a mente dos jogadores. O importante é fazer-lhes sentir e perceber que este evento é um momento único na vida deles e do país, visto Angola ser a anfitriã. Esse é o peso histórico que irá perdurar. Uma responsabilidade de todos, que deve ser encarada com optimismo e funcionar como um factor de superação e não de inibição. O que peço aos meus jogadores é que a personalidade competitiva se revele verdadeiramente. Foi sobre essa matriz psicológica que trabalhamos, no sentido de termos um perfil forte, em que todos os atletas percebam que têm de ser gigantes. Jogamos em casa, temos um público fantástico para um estádio lindo, dos melhores e mais modernos do mundo, que comporta 50 mil pessoas e isso tem de ser um orgulho, um prazer e um estímulo para que os jogadores sintam uma vontade tremenda de superação.

jogadores em clubes como a Juventus, o Real Madrid ou o Barcelona, o que faz deles jogadores de topo do futebol europeu e mundial. Angola é a mais modesta. A equipa da Argélia é uma selecção que está em alta. Conseguiu, ao fim de 17 anos suponho, o apuramento para um Campeonato do Mundo. São, por isso, equipas sempre difíceis, muito experientes e que jogam no erro do adversário. O importante é qualificar-nos, depois como são jogos a eliminar tudo pode acontecer.

as vias de comunicação começam a oferecer condições de deslocação por todo o país estruture-se um Campeonato Nacional de Juniores, um Campeonato Nacional de Juvenis, campeonatos distritais, selecções distritais, escolas de jogadores, centros de formação... Primeiro têm de criar uma organização, depois mais e melhores infra-estruturas porque a matériaprima existe para ser desenvolvida. Se for feito já, não tenho dúvidas, que dentro de uma década começarão a surgir grandes jogadores. É um investimento a longo prazo. Como caracteriza os seus jogadores? Tenho jogadores que são humildes e boas pessoas. Principalmente os que jogam no Girabola, são acima de tudo muito ingénuos. De uma ingenuidade que qualquer atleta de 20 anos a jogar na Europa já não tem. Infelizmente, o nível profissional entre o ‘velho continente’ e Angola tem uma diferença muito significativa, daí a razão desta pureza do jogador angolano. Há falta de cultura táctica e os índices de profissionalismo não são elevados. Nos que jogam fora de Angola, nota-se essa diferença porque entretanto já absorveram uma outra cultura, com outros valores, outra intensidade de jogo e outra organização. São diferenças que no jogo se tornam gritantes.

‘Não tenho dúvidas que dentro de uma década irão surgir grandes jogadores’
Independentemente da classificação, organizar um CAN é sempre importante para um país? Não foram apenas os estádios modernos que se construíram, mas também outras infra-estruturas importantes para o desenvolvimento do Desporto. Os espaços devem ser rentabilizados a favor das novas gerações. Angola tem de apostar num projecto de formação e arranjar infra-estruturas desportivas onde os jovens possam aprender. Para formar jogadores, o país dispõe de um leque alargado de escolhas, importa criar um plano. Agora que

‘Com um público deste até a mim me apetecia jogar. Acho que esta é uma oportunidade tremenda para serem felizes’
É uma equipa de constelações ou a estrela é o grupo? A estrela é a equipa até porque Angola não tem estrelas. Temos jogadores médios em equipas pequenas e outros atletas a jogar em equipas grandes, mas com um futebol não tão profissional, como é o caso dos países árabes. Estão em equipas de topo, mas que praticam um futebol sem a dimensão da Europa. Por esse motivo, o mais importante é o conjunto. Os jogadores têm de jogar para a equipa, com uma humildade grande e uma intensidade alta em cada jogo. Acima de tudo, temos de estar muito concentrados e ser uma selecção compacta e organizada. Queremos jogar sempre para ganhar. Não temos as estrelas que outras selecções têm e que podem decidir o jogo de um momento para o outro e por isso temos de nos valer acima de tudo do colectivo. Não há outra decisão a tomar, temos de nos superar recorrendo a um espírito guerreiro, com uma entrega total ao jogo. Com um público deste até a mim me apetecia jogar. Acho que esta é uma oportunidade tremenda para serem felizes. Como classifica o grupo da primeira fase? Difícil, mas equilibrado. A Argélia é o 4º qualificado no ranking africano, o Mali é o 7º e tem

palmarés invejável
A primeira experiência de Manuel José no continente africano foi na época de 2001/2002. Depois de ter conseguido a melhor classificação de sempre para o União de Leiria, clube do campeonato português, aventurou-se em África, onde treinou, durante os últimos seis anos, o Al-Ahly, do Egipto. O que o motivou a aceitar o desafio foi o facto deste ter sido considerado o clube do século XX em África, assim como o Real Madrid o tinha sido na Europa. Manuel José fez 20 finais, tendo ganho 18. Ajudou ainda o clube a conquistar 19 títulos, oito deles continentais, quatro Ligas dos Campeões e quatro Supertaças Africanas. Vitórias que levaram ao delírio os cerca de 40 milhões de adeptos do Al-Ahly

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| patrícia alves tavares

‘União das nações’
LUÍS JOÃO, CONHECIDO POR LAMÁ, CONFIDENCIA QUE A ESCOLHA DO NOME É UM TRIBUTO AO SEU ÍDOLO, O LENDÁRIO GUARDA-REDES FRANCÊS BERNARD LAMA. O GUARDIÃO DA BALIZA NACIONAL É JOGADOR DOS CAMPEÕES DO PETRO DE LUANDA. AOS 28 ANOS, O ATLETA REVELA-NOS O SEU SONHO: FORMAR OS MAIS NOVOS. Estão em contagem decrescente para o CAN. Como decorrem os trabalhos de preparação? Corre tudo bem. Saímos do nosso país para Portugal, que tem sido a nossa sede. Estamos bem em termos de trabalho, de alimentação e de hospitalidade. Em relação ao novo treinador, tentamos acatar todas as orientações, pois é para o bem não só da selecção, mas do nosso país. Sente uma crescente adaptação ao novo estilo de jogo? Tecnicamente estamos a evoluir e a tendência é essa. Todos os dias melhoramos. O nosso trabalho e os nossos índices vão progredindo a cada dia que passa. Que qualidades destaca na equipa e que são determinantes para sobressair perante os adversários? Hoje em dia não há resultados nem equipas fáceis. O futebol está a evoluir e a ser estudado. Na minha opinião, o que faz com que a equipa saia vencedora é a atitude, a inteligência, a disposição e a motivação. Abordou a conjugação da inteligência e da paixão pelo futebol. É esse o equilíbrio que o grupo procura? Sim, por isso a FAF contratou um psicólogo. A emoção e o futebol estão relacionados. Não podemos ter picos de emoção, que levam muitos jogadores a falhar nos momentos decisivos. Como estamos a organizar pela primeira vez um evento deste género, temos que estar bem preparados, não só psicologicamente, mas com o melhor treinador, equipa técnica, nutricionista, entre outros componentes. É o que está a acontecer. Qual é o seu sonho e o da equipa para este africano? No meu caso, como sou guarda-redes, primeiro falo pela equipa e só depois abordo os assuntos pessoais. Neste momento, devemos pensar só no grupo, na união e na coesão. No CAN passado ultrapassamos a primeira fase e, se fora do país fomos até aos quartos-definal, estando na nossa casa queremos ir mais longe. Esse é o nosso grande objectivo. Para si será uma oportunidade para se catapultar internacionalmente? A minha meta é conseguir através desta montra uma equipa de renome, com novos desafios, nova mentalidade, outros ambientes e tipos de trabalho. Sinto falta de sair do país. Jogo na equipa de Angola desde que comecei, ou seja, o destino é sempre o mesmo. Todos sonhamos experimentar o campeonato europeu, é outra experiência profissional, em que crescemos não só como atletas, mas como homens. Comparo a mentalidade dos meus colegas que estão fora e dos que jogam no campeonato nacional e é muito diferente. Por outro lado, no futuro, gostava de criar uma escola de formação, sem me associar a equipas técnicas, apenas para ensinar e transmitir a minha experiência. Isso é o que eu mais quero. A formação é cada vez mais urgente? A formação é muito importante, não só a física, mas também a mental e a académica. Quando nos referimos ao ensino escolar falamos de inteligência, algo exigido pelo futebol actual. Muitos treinadores focam este aspecto, porque temos que estar concentrados e

‘A formação é muito importante, não só a física, mas também a mental e a académica’
saber aquilo que estamos a fazer para desempenhar a nossa tarefa com maior maturidade. Posso estar apto fisicamente, mas se não estiver bem psicologicamente não tenho o rendimento ideal. Temos que saber controlar as emoções. Aconselha os jovens em início de carreira a não desistir dos estudos? A escola é muito importante, porque é o ensino que nos orienta, nos ajuda a saber decidir e a ter massa crítica. Muitos jovens querem ser como o Mantorras ou até como eu e acredito que eles ouvem aquilo que dizemos. Esse factor é muito importante. Os atletas de alta competição funcionam como exemplos? Exactamente, não só como jogadores, mas como Homens. Se um jovem vê que falamos de ensino, ele vai concentrar-se igualmente nesse aspecto e certamente considerar que se nós chegamos aqui é porque também estudamos. Que mensagem gostaria de deixar aos apoiantes da selecção? Desejo que todo o povo esteja connosco desde o princípio até ao fim, tendo em consideração que não há matéria fácil. A selecção promete trabalhar para corresponder às expectativas de todos, pelo que vamos procurar estar presentes em mais fases finais de torneios africanos e mundiais, porque o futebol é a união das nações.

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‘Geração do sucesso’
CARLOS MANUEL GONÇALVES ALONSO, DE SEU NOME, KALI, DE APELIDO, É O ROSTO DA MOTIVAÇÃO ANGOLANA. FERVEROSO ADEPTO DO SEU PAÍS, REVELA O INSTINTO DIGNO DE QUEM QUER IR MAIS ALÉM. NUM DISCURSO EMOCIONADO, FALA DE ASPIRAÇÕES E DE UMA OPORTUNIDADE ÚNICA COM TRANSMISSÃO DIRECTA PARA O MUNDO. Como encara a participação num CAN organizado pelo seu próprio país? Com grande expectativa porque todos sabemos que o país investiu muito para realizar esta prova em casa, o que faz aumentar as nossas responsabilidades. O mais importante é representar condignamente Angola e dar uma alegria a todas as pessoas que acreditam em nós. Temos sorte, pois o nosso povo ama e vive o futebol, são adeptos exigentes, que gostam de bons espectáculos. Isso cria uma ansiedade. Valemo-nos para combatê-la da nossa união e amizade, factores que têm permitido à selecção alcançar algum sucesso, fruto sempre da vontade de vencer. Quais as vossas principais mais-valias? A equipa já mostra uma boa solidez defensiva, trabalhamos muito o meio campo, só ficam a faltar os golos. Temos vindo a afinar o ataque, por intermédio de jogadores com qualidade suficiente para olear uma máquina vencedora. Em África é muito complicado dizer quais são as selecções melhores ou os grupos mais fortes porque hoje em dia no mundo do futebol já não há equipas fáceis. Actualmente, não existem equipas pequenas porque mesmo essas se agigantam, trabalham da melhor maneira e têm profissionais em bons campeonatos. O grupo de Angola é um dos mais difíceis? É equilibrado. A Argélia, é uma equipa super motivada. Esperemos que estejam com a cabeça no mundial e não no CAN, pois vai ser melhor para nós (risos). O Mali tem jogadores que jogam nas melhores equipas do mundo, logo com muita experiência e qualidade. Do Malawi, todas as pessoas dizem que é “o parente mais pobre” do grupo porque tem pouca expressão, mas nós, que já jogamos contra equipas deste país, sabemos que têm muito bons jogadores. Fizeram uma boa qualificação e por isso merecem estar nos 16 melhores de África. Resta salientar, que estamos em casa e essa vai ser uma força muito grande, pois acredito que o público vá ajudar muito. Este vai ser de facto o nosso 12º jogador e temos de mostrar logo à entrada que vamos fazer coisas bonitas para nós e para eles.

‘Somos a geração da guerra, mas conseguimos alcançar mais do que se calhar muitas pessoas acreditavam’
O CAN vai funcionar como uma montra? Acho que se Angola depois do CAN conseguir exportar mais jogadores vai ser muito bom para o país. Depois do mundial e do europeu, esta é a competição mais vista do mundo. No CAN vão estar dos melhores jogadores africanos a jogar na Europa. Grandes clubes europeus vão perder dois ou três jogadores e isso é simbólico, fazendo com que as pessoas estejam de olho neles e nesta competição. No entanto, é importante salientar que ainda conseguimos ter muitos jogadores na selecção que jogam no nosso campeonato e isso é bom, pois vemos selecções africanas que têm 20 jogadores fora. O Girabola é cada vez mais exigente, pelo que também se começa a investir bastante. Esse investimento é importante para o desenvolvimento das camadas mais jovens ao nível da formação. Somos a geração da guerra, mas já conseguimos alcançar coisas que se calhar muitas pessoas não acreditavam como uma ida ao mundial, como estes CAN’s consecutivos num país que se está a organizar. Tenho a certeza que dentro em breve iremos ter muitos mais valores fora de Angola porque é uma geração da paz, com acesso a mais e melhores condições desportivas. Já estive em vários CAN’s e penso que este vai ser exemplar nesse aspecto. Damo-nos ao luxo de ter um hotel para cada selecção, em cada província um campo de treino para cada equipa com boas condições, dados que vêm mostrar o grande investimento que o nosso Governo fez. Um esforço que só terá sucesso se a selecção também tiver porque somos o ponto fulcral de tudo. Estamos a falar de um retorno inquantificável a vários níveis.

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| patrícia alves tavares

‘De Lobito para o Mundo’
DEDÉ, UMA DAS GRANDES REVELAÇÕES ANGOLANAS, CONSERVA AINDA O NOME QUE CONQUISTOU A JOGAR FUTEBOL NO LOBITO, A SUA CIDADE-NATAL. COM TALENTO MAIS DO QUE SUFICIENTE PARA PARTIR RUMO A OUTROS CAMPEONATOS, TEM-SE DESTACADO NO ESTRANGEIRO POR SER UM JOGADOR BASTANTE FORTE, TANTO A NÍVEL FÍSICO, COMO DE TÉCNICA DE JOGO. CONCENTRADO, TEM A CONVICÇÃO QUE PODE CONTRIBUIR PARA AJUDAR A ELEVAR BEM ALTO O NOME DA SELECÇÃO ANGOLANA. PEDE QUE ACREDITEM NELE E QUE AS OPORTUNIDADES SURJAM.

‘Durante a guerra não havia condições para jogar e muitos jovens emigravam. Agora esse cenário pode mudar e a vontade de ir para o exterior diminuir’
Os novos estádios contribuem para elevar a vontade de ganhar? As infra-estruturas são importantes porque dão mais motivação aos jogadores, mas também são cruciais para o desenvolvimento desportivo do país, sobretudo das camadas mais jovens. Como se sabe Angola viveu muitos anos de guerra e não tinha as condições necessárias para os jogadores trabalharem no próprio país e por isso muitos deles emigravam, quando o sonho era jogar no estrangeiro, principalmente na Europa. Actualmente com a realização do CAN e com as infra-estruturas que estão a ser criadas para as futuras gerações esse cenário pode mudar. Acredito que é possível entrar numa nova era do futebol angolano, com novos estádios e novos centros de estágio. Tudo isto é bom para os jovens, pois

recebem mais formação e deixam de ter tanta vontade de ir para o exterior. Começam a sentir mais orgulho e mais vontade de aprender no próprio pais. Nós, os mais velhos, estamos a abrir caminho para que os mais jovens possam ter um futuro brilhante, dando-lhes as oportunidades que não tivemos. No fundo, é bom para Angola e para o próprio campeonato angolano, que sobressai mais e ganha ainda mais nome.

Que análise faz à selecção? A equipa está em boas condições para atingir os seus objectivos, sendo que o mais importante é formar um colectivo coeso e compacto. Para realizar bons jogos no CAN, todo o jogador tem de se sentir mentalmente tranquilo, sem pensar na pressão que irá ter no torneio porque esta existe em todo lado e em todos os jogos. Temos acima de tudo de pensar em nós, naquilo porque temos vindo a trabalhar diariamente, para que o resto saia com naturalidade. Todas as selecções têm a sua qualidade e todos os grupos estão representados por boas equipas. Nós, queremos ganhar jogo a jogo para passar à próxima fase. Essa é a filosofia que defendemos.

‘Nós, os mais velhos, estamos a abrir caminho para que os mais jovens possam ter um futuro brilhante, dando-lhes as oportunidades que não tivemos’
Que mensagem quer deixar aos adeptos? Acreditem mais na selecção e na nossa capacidade, pois só em grupo podemos conseguir alcançar os nossos objectivos. Não só a selecção ou os jogadores, mas o povo tem de estar unido para alcançar a meta, ou seja, a vitória.

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‘Selecção é do povo’
MANOEL RUI MARQUES, JOGADOR DO LEEDS UNITED, CLUBE INGLÊS, PROMETE DAR O SEU MELHOR PELA SELECÇÃO. EM ‘DEFESA’ DAS CORES DA BANDEIRA, FALA DA IMPORTÂNCIA DO APOIO DO PÚBLICO E DESABAFA SOBRE O CONFLITO DE INTERESSES EXISTENTE, POR VEZES, ENTRE AS SELECÇÕES E OS CLUBES, QUE ACABA POR PREJUDICAR AS ESTRELAS DO JOGO – OS ATLETAS.

O que é para si mais importante na véspera de um jogo? Realizar um trabalho que honre o povo angolano é o nosso principal objectivo. Para isso estamos unidos e temos vindo a dar passos positivos. Garantimos uma entrega e concentração redobrada, de forma a termos um bom desempenho. Noto que existe uma grande preocupação ao nível da federação, dos políticos e de todo o povo angolano para que isso aconteça e penso que o CAN não é só importante a nível desportivo, mas também a nível económico, pois vai ajudar Angola a tirar benefício das coisas boas que está a organizar. Penso que o CAN poderá ser um empurrão muito grande para o desenvolvimento do país. Tem-se vindo a construir muitas infraestruturas, algumas delas em tempo recorde, que irão ficar para o futuro e isso é sem dúvida o mais importante. As condições que os jovens irão ter serão óptimas e qualquer angolano se irá sentir orgulhoso por saber que tem bons estádios. O povo angolano está contente por todo este esforço que tem sido feito e tornará este CAN um dos melhores de sempre. Qual é o seu prognóstico para este torneio? Creio que é difícil adiantar. Um dos favoritos é a Costa do Marfim porque tem jogadores muito fortes, mas há outros favoritos. Normalmente qualquer jogador gosta de jogar em casa perante os seus adeptos, mas é uma responsabilidade grande. Não sei como alguns dos meus colegas irão reagir, no entanto penso que é um

factor positivo jogar em Angola, com o incentivo do nosso público. Pode ser o empurrão que precisamos para conquistar mais vitórias. Temos uma meta - como o último CAN nos correu bem -, queremos que este corra melhor e para isso temos de tentar ultrapassar o que já conseguimos. Essa é a nossa obrigação, uma vez que jogamos perante o nosso povo. Nesse sentido, quero deixar uma mensagem para todos os angolanos - que eles acreditem e nos apoiem como têm feito até aqui, pois vamos precisar dessa força. Esperamos acima de tudo contribuir com o nosso desempenho para a mesma felicidade que será a nossa se tivermos sucesso no torneio. Como encara pessoalmente este campeonato? É uma competição que é acompanhada pelo mundo inteiro e por isso uma oportunidade que qualquer jogador gosta de ter. Quanto a

mim, espero estar e representar condignamente a nossa camisola. Neste momento, estou a jogar em Inglaterra, mas tenciono experimentar outros países. É, contudo, um pouco complicado porque estar no CAN não é fácil para nós, principalmente para os jogadores africanos que têm de abandonar o seu clube durante um mês e por vezes é difícil regressar porque as condições tornam-se mais difíceis. Senti no meu caso que o treinador já sabia que a partir do mês de Dezembro não poderia contar comigo e começou a procurar soluções antes. Isso acaba por ser difícil porque quando acabar o CAN, se a nossa equipa estiver bem, talvez não tenhamos a oportunidade de voltar a jogar. Esse é um dos factores negativos, que não acontecem só comigo, penso que também suceda com os meus colegas, pois há sempre um conflito entre o clube e a selecção, que às vezes acaba por nos prejudicar a nós.

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DESPORTO ESPECIAL CAN 2010

| patrícia alves tavares

‘Mais Angola’
PARA LOVE ESTE PODERÁ SER O ÚLTIMO CAN. AOS 30 ANOS, O AVANÇADO DOS PALANCAS NEGRAS CONTOU À ANGOLA’IN OS MOMENTOS QUE VIVEU AO SERVIÇO DA SELECÇÃO, NOMEADAMENTE A PARTICIPAÇÃO NO MUNDIAL DA ALEMANHA. O ATLETA É DOS MAIS EXPERIENTES DO GRUPO E MOSTRA QUE AINDA TEM MUITO PARA DAR. Novo treinador, novas tácticas e nova equipa técnica. Como é que a selecção está a reagir? A adaptação tem corrido com toda a normalidade. Somos profissionais de futebol e estamos habituados a situações do género. Nos nossos clubes temos vivido episódios semelhantes. Os atletas têm feito tudo de forma a assimilar os ensinamentos da nova equipa técnica. Estamos a trabalhar juntos há seis/ sete meses e felizmente temos interiorizado muito daquilo que o treinador tem exigido. Como se encontra o espírito da equipa? É muitíssimo bom, uma vez que o CAN vai realizar-se em Angola. Temos algumas obrigações, porque a nação está atenta à prestação que a equipa poderá desempenhar durante o africano. Fizeram-se muitos investimentos, criaram-se novas infra-estruturas para o nosso futebol e acho que devemos retribuir todo este carinho, esforço e atenção que o Governo e a população têm feito em prol do Campeonato Africano das Nações. Sente que o grupo tem evoluído ao longo dos últimos meses? Acredito que sim. Temos conseguido bons resultados. Tivemos recentemente uma derrota, o que é normal, pois estamos na fase de preparação. O treinador é rigoroso, algo necessário dado o nível de competição e das exigências que a selecção acarreta consigo. Temos esse privilégio e vamos aproveitar ao máximo, pois com esta equipa técnica vamos adquirindo novas experiências, o que tem sido muito bom. O factor casa tem sido inibidor. Como estão a superar a situação? Temos o exemplo do CAN anterior, que decorreu no Gana. Nessa altura, conseguimos alcançar os quartos-de-final, apesar de jogarmos sem o nosso público. Tivemos alguns apoiantes, mas não em tão grande número como se espera em As novas infra-estruturas contribuem para a melhoria dessa formação? Com esses equipamentos, o nosso futebol só tem a ganhar e é mais uma oportunidade para os escalões inferiores poderem evoluir e fazer jogos em campos relvados. Em termos pessoais, o CAN pode ser uma ajuda para a projecção da sua carreira? O CAN é uma grande montra. Todos os jogadores estão a trabalhar no sentido de poder ajudar o colectivo. Tenho os meus sonhos, que

‘Os dirigentes estão mais atentos às equipas seniores, uma vez que estas geram rendimentos financeiros’
Luanda. Em Janeiro, jogamos em casa e, por isso, temos obrigação de fazer melhor. São essas as vossas aspirações? Exactamente. Queremos atingir os mesmos níveis e até ir à final, se for possível. Falou há pouco na equipa técnica, que trouxe maior diversidade. Considera importante, enquanto atleta de alta competição, que se aposte na formação mais especializada dos jovens? Os escalões de formações em Angola sofrem de algumas debilidades de atenção. Os seniores são alvo de maiores cuidados e, por vezes, essa juventude passa por alguns sacrifícios, já que habitualmente têm falta de apoios. Os dirigentes estão mais atentos às equipas seniores, uma vez que estas geram rendimentos financeiros. No caso das camadas jovens, os jogadores, os treinadores e os massagistas devem ter uma mentalidade forte. É preciso muita força de vontade e muita humildade. prefiro não exteriorizar agora. Neste momento, quero apenas dar o meu melhor. Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos? Primeiro devo dizer que em momento algum devem sentir-se mal com a selecção. No futebol, todos vão com o propósito de conquistar os três pontos e Angola não é excepção. Vamos passar períodos em que as equipas adversárias poderão estar em vantagem numérica, pelo que é preciso paciência. Peço que apoiem todos os instantes do jogo. Os atletas em campo vão fazer tudo para dignificar a organização do CAN, a nação e o povo. É preciso o estímulo de todos. Temos a responsabilidade de elevar o nome de Angola ao nível do futebol africano, porque no ranking da CAF não estamos bem posicionados e uma boa prestação permitirá que a classificação melhore. Há vários ganhos, a organização deu emprego a muitos, dinamizou o turismo e a nossa cultura vai ser redescoberta.

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Foi um ano de mudanças. Que alterações considera mais positivas? Sem dúvida o rigor táctico, a marcação e a pressão sobre quem tem a bola. Em Angola, não estamos habituados a esse estilo de jogo e isso exige a transformação que está a acontecer na selecção nacional. Como está a decorrer a preparação? Inicialmente foi complicado, porque estávamos familiarizados com o sistema do antigo treinador. Mas agora já nos habituamos e os trabalhos no Algarve têm corrido bem. No dia-a-dia estamos a conseguir aprender os ensinamentos do professor Manuel José. Este é o técnico de que a nossa selecção estava a precisar. O campeonato nacional parou há algum tempo e os primeiros dias de estágio foram um bocado difíceis. Actualmente sinto que há uma evolução crescente, estamos a ganhar mais ritmo competitivo e temos conseguido acertar algumas coisas.

Sente que tem que dar o exemplo enquanto jogador e pessoa? Sou o ídolo dos jovens e tenho feito muita publicidade sobre delinquência juvenil. O que o nosso país tem que fazer é apostar nos campos de futebol e nas infra-estruturas. Os jovens agora têm imensas condições e podem seguir esta carreira ou outras modalidades. Quem sabe se não aparecem mais craques como eu, apesar de ainda não me definir dessa forma… O que é que lhe falta? Não me acho um craque porque ainda tenho alguns defeitos. Às vezes tenho pouca responsabilidade no campo, talvez porque subi ao escalão de sénior muito cedo, com apenas 16 anos. Entrei no futebol aos 12 anos. Foi difícil conciliar o desporto com a escola, mas prometi aos meus pais que quando atingisse a minha meta, que era chegar aos seniores, ia voltar a estudar e é o que estou a fazer neste momento.

‘Superação pessoal’
NATURAL DO MOXICO, A JOVEM REVELAÇÃO DO FUTEBOL NACIONAL PREPARA-SE PARA A ESTREIA NO CAN. JOB, MELHOR MARCADOR DO GIRABOLA, É O ÍDOLO DOS MAIS NOVOS, EMBORA AINDA NÃO SE CONSIDERE UM CRAQUE. O AVANÇADO PROMETE EMPENHAR-SE AO MÁXIMO NUM CAMPEONATO QUE LHE PODE ABRIR AS PORTAS PARA A EUROPA.

É a primeira vez que participa no CAN. Quais são as aspirações para o torneio? Este ano vamos organizar o campeonato na nossa casa, o nosso povo está orgulhoso e acho que é uma grande responsabilidade que temos. O professor tem conversado connosco e o importante é passar a primeira fase. Depois, com a ajuda de Deus e a dedicação que o grupo tem, o objectivo será ganhar a competição. Como aguarda a sua estreia no CAN? Sou o jogador mais novo da selecção e normalmente quando estamos a jogar com atletas mais experientes as responsabilidades também são mais acrescidas. O professor ainda não escolheu o grupo que vai participar no campeonato africano. Se for seleccionado, prometo fazer o que sei melhor, que é jogar futebol e dar alegrias a este povo angolano que tanto merece. É o melhor marcador do Girabola. O desempenho na competição pode ser uma mais-valia para a sua carreira?

Desde pequeno que sonho jogar futebol e a minha meta principal sempre foi alcançar a selecção. Todos os atletas sonham participar no CAN. Actualmente sou considerado o melhor jogador do campeonato do Girabola de 2009. Acho que isso me faz ter maior responsabilidade e jogar mais. De momento

Considera importante conciliar o futebol e a escola? O professor diz-nos constantemente que a nossa carreira é muito curta, por isso temos que pensar no futuro. O conselho que dou é que se quiserem jogar futebol devem abraçar a escola, pois é importante e no nosso campeonato há poucos atletas com estudos. É preciso ter muita força de vontade.

‘Há uma evolução crescente, estamos a ganhar mais ritmo competitivo’
sou um jogador livre, pois já não tenho contrato com o Petro. Se tiver a oportunidade de jogar fora não vou esquecer as minhas origens. Já tenho muitos convites para vir para a Europa. Pode adiantar quais são essas propostas? Em Portugal tenho equipas interessadas, mas isso está no segredo dos deuses. Agora quero concentrar-me na selecção nacional.

Que mensagem gostaria de deixar aos angolanos? A selecção é do povo e deixo o apelo para que apareçam, encham o estádio e nos apoiem. A única oferta que podemos dar depois de 30 anos de guerra é esta competição. Vamos fazer tudo para conseguir passar a primeira fase, que é o objectivo principal e voltar a dar alegrias a este povo que está agora a renascer.

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DESPORTO ESPECIAL CAN 2010

| patrícia alves tavares

can 2010

Fogueira das Vaidades
A história do CAN começa em 1957. O Sudão foi o país que teve a honra de dar o pontapé inicial à maior manifestação futebolística do continente berço. Na prova que não contou com eliminatórias de acesso, apenas três selecções estiveram presentes. O Sudão, na condição de anfitrião, o Egipto e a Etiópia. A África do Sul era a quarta, mas foi excluída devido ao apartheid. Nos anos seguintes, o CAN não teve uma definição quanto à sua periodicidade. Só em 1968, na 6ª edição, ocorrida na Etiópia, é que o torneio passou a realizar-se a cada dois anos. Ao nível dos títulos, o Egipto tem a hegemonia, com seis campeonatos vencidos, seguindo-se o Gana, com quatro taças, os Camarões, com três, e a Nigéria, com dois.

Dezasseis países à procura do título continental

ARGÉLIA

RADAR

As Raposas do Deserto competiram nos palcos mundiais pela primeira vez em 1982. Rabah Madjer e Lakhdar Belloumi destacaram o “talento” de uma formação, que na época brilhava nos palcos continentais. No entanto, após a vitória do torneio africano em 1990, esta selecção, que formava um dos melhores grupos, acabou afastada das lides mundiais. A constante mudança de treinador (34 técnicos, desde 1962) levou a equipa a falhar a qualificação para as duas últimas edições do CAN

MALAWI

O percurso do Malawi não tem sido fácil. Após as tentativas frustradas de apuramento para os Mundiais da FIFA, as Chamas procuram melhorar o seu desempenho no CAN. Este é o regresso há muito aguardado, após uma única participação no torneio continental. Confiantes em alcançar um bom resultado, os adeptos depositam as esperanças no seu goleador Chiukepo Msowoya

MALI

É o desejado regresso da selecção do Mali às competições africanas. No último CAN, a equipa não foi apurada. O treinador foi substituído pelo reputado nigeriano Stephen Keshi. A formação conta agora com as potencialidades de jogadores como Frederic Kanoute, considerado o atleta africano do ano

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1972 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 51º lugar

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1984 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 90º lugar

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1968 Títulos continentais: CAN 1990 Ranking da FIFA: 29º lugar

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BURKINA FASO

Os Garanhões apostam tudo nesta competição, que conta com muitas caras novas. A formação está confiante no regresso às vitórias, procurando alcançar um resultado melhor que a quarta posição, conquistada na edição de 1998, por eles organizada

CÔTE D’IVOIRE

GANA

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1978 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 55º lugar

Considerado o gigante do futebol africano, a formação da Costa do Marfim conta com a participação da nova geração de atletas, que jogam nas principais ligas mundiais. Drogba, Kalou e Eboue são alguns dos seus craques. Foram vicecampeões no CAN 2006 e chegaram às semi-finais de 2008 no Gana. Em 2006, participaram pela primeira vez no Mundial FIFA

As Estrelas Negras têm por hábito ser os protagonistas das competições africanas. Venceram 4 vezes o CAN e foram organizadores do evento em 2008. Actualmente, estão também apurados para o Mundial. No de 2006, chegaram pela primeira vez à final de um campeonato do mundo e já estiveram em 16 fases finais do CAN

TOGO

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1963 Títulos continentais: CAN 1963, 1965, 1978 e 1982 Ranking da FIFA: 38º lugar

O país é jovem, mas a sua selecção ingressou há muito nas competições continentais e inter-continentais. No CAN, estreou-se em 1972 e dois anos depois participou pela primeira vez nas eliminatórias de um Mundial. Os Gaviões contam cinco apuramentos para a fase final. As esperanças surgem renovadas graças ao novo ícone nacional Emmanuel Adebayor, um dos melhores marcadores da liga inglesa

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1972 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 80º lugar

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1965 Títulos continentais: CAN 1992 Ranking da FIFA: 19º lugar

BENIN

A equipa é jovem, mas considerada competitiva e perigosa. Os Esquilos estrearam-se no CAN de 2004, contando apenas com duas participações. O curto palmarés inclui uma subida histórica do ranking mundial (do 99ª para 67ª desde o início de 2009) e da Confederação Africana de Futebol (de 28ª para 12ª)

EGIPTO

São os reis dos campeonatos africanos. Os atletas egípcios são bi-campeões do CAN e procuram nesta edição o hepta. Os Faraós são uma das maiores formações africanas, cujo talento e reconhecido palmarés fazem desta selecção uma das mais temidas pelos adversários

MOÇAMBIQUE NIGÉRIA
A selecção foi considerada em 2007 como a que mais progrediu nos rankings da classificação mundial FIFA/ CocaCola. O percurso não tem sido fácil e a equipa continua a batalhar para levar uma taça para o seu país. A primeira vitória dos Mambas nesta competição ocorreu apenas em 2002

As Super Águias da Nigéria preparam-se para entrar com o pé direito no CAN. Com o apuramento para o Mundial garantido, a equipa está motivada e promete manter as habituais boas prestações no dérbi africano. A última vez que o país levou o troféu do CAN foi há 14 anos (1994)

ficha técnica ficha técnica
1ª participação no CAN: 2004 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 67º lugar 1ª participação no CAN: 1957 Títulos continentais: CAN 1957, 1959, 1986, 1998, 2006, 2008 Ranking da FIFA: 28º lugar

ficha técnica ficha técnica
1ª participação no CAN: 1986 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 84º lugar 1ª participação no CAN: 1963 Títulos continentais: CAN 1980 e 1994 Ranking da FIFA: 32º lugar

CAMARÕES

São dos principais candidatos ao título. Após um excelente desempenho no apuramento para a competição, os Leões Indomáveis contam com as estrelas Samuel Eto’o (tricampeão Futebolista Africano do Ano) e o veterano Rigobert Song para a vitória final

GABÃO

O Gabão aposta tudo nesta edição. O percurso dos Panteras Negras tem-se pautado pela discrição e por muitas dificuldades em alcançar o estrelato continental e intercontinental

TUNÍSIA

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1994 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 45º lugar

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1970 Títulos continentais: CAN 1984, 1988, 2000 e 2002 Ranking da FIFA: 14º lugar

Este país tem-se consolidado como uma das equipas mais fortes do continente. No contexto africano, a formação é presença assídua. Após duas derrotas em finais do CAN (1965 e 1996), os atletas conseguiram quebrar a maldição e em 2004 conquistaram o tão desejado título. As Águias do Cartago contam com o novo técnico para consolidar o grupo

ZÂMBIA

A sua reputação é sólida e é das selecções mais respeitadas. O êxito é uma constante para a equipa, que parece ter a sorte contra si. Os sul-africanos foram duas vezes vice-campeões nas finais do CAN. Porém, nunca conseguiram alcançar o lugar mais alto do pódio

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1974 Títulos continentais: 0 Ranking da FIFA: 96º lugar

ficha técnica
1ª participação no CAN: 1962 Títulos continentais: CAN 2004 Ranking da FIFA: 54º lugar

DESPORTO · ANGOLA’IN

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DESPORTO ESPECIAL CAN 2010

| patrícia alves tavares

go que conseguimos através de contactos directos com o senhor presidente Issa Hayatou. Entretanto, fui chamado para a comissão organizadora dos CANs e adquiri uma certa experiência. Depois do Coreia / Japão, em 2003, fui convidado para ser membro da comissão de auditoria interna da FIFA, cargo que ocupo até hoje. Nessa altura pensamos em organizar o CAN, mas chegamos à conclusão de que ainda não estávamos suficientemente maduros. Recentemente apresentamos a candidatura e de entre oito países fomos escolhidos. Sempre manteve a esperança de conseguir trazer este evento para o país? Se não tivesse esperança, nem sequer teria concorrido. O caderno de encargos da CAF não exige que se tenha as condições. Daí o cepticismo de muitos em relação à sua concretização. Estávamos a quatro anos do CAN e conseguimos mostrar que tínhamos os pressupostos todos. E era isso que a CAF queria. Saímos da guerra há seis anos e somos das economias que mais crescem no mundo. O país tem um desenvolvimento económico muito grande. Em dois anos, construímos quatro estádios novos, recuperamos 13 recintos e criamos os equipamentos necessários. Segundo os especialistas, o estádio 11 de Novembro de Luanda é o mais bonito de África, algo de que nos orgulhamos. Para materializar o projecto, foi necessário o apoio do Governo e do senhor presidente José Eduardo dos Santos, que foi fundamental em todo o processo.

‘Competir para ganhar’
Antigo atleta e defensor incansável do Desporto, Justino Fernandes tem uma longa experiência. Durante um treino matinal da selecção, o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) descreveu à Angola’in como está a ser vivida a aventura do CAN. O responsável pelo Comité Organizador da prova está confiante nos bons resultados
o homem
O desporto sofreu uma evolução, mas nunca tanto foi feito como agora. Como tem vivido a fase de preparação do CAN? Neste momento, sinto um certo orgulho em ser presidente da FAF. Fui desportista durante muitos anos na selecção de Luanda e de Angola e enquanto atleta fui capitão das duas equipas. Isso deu-me uma certa experiência. Porém, infelizmente, tive de deixar o futebol, que na altura era amador. Joguei no ASA e estive a um passo do Sport Lisboa e Benfica. Porém, a minha mãe (a minha família é matriarcal) não encarou muito bem a minha partida. Éramos uma família bastante unida e decidi não ir. Foi o desistir de um sonho? Não, porque queria fazer uma formação superior, situação que acabou por acontecer. Aos 26 anos resolvi dedicar-me totalmente à minha formação. Depois da Independência fui director da Cuca, ministro da Indústria, da Juventude e dos Desportos e assim fui evoluindo. Só mais tarde surgiu o convite para a Federação, quando me pediram para agarrar o nosso futebol, que é um factor de unidade nacional. Como analisa o trabalho que tem sido desenvolvido pela entidade? A princípio, tivemos algumas dificuldades, porque a nossa associação não era muito bem vista ao nível da Confederação Africana de Futebol (CAF). Tivemos alguns dissabores com os meus antecessores. O nosso primeiro trabalho foi repor a imagem positiva junto da CAF, al-

‘Em dois anos construímos quatro estádios novos, recuperamos 13 recintos e criamos os equipamentos necessários’
‘frutos’ gerados pelo can
A nível de desporto, quais os benefícios deste evento? Sem infra-estruturas desportivas não há desenvolvimento. O futebol ganhou quatro estádios novos em quatro províncias. Temos infra-estruturas nas 18 localidades, contudo nas que vão albergar o CAN demos um salto qualitativo. Criamos as condições para dar início ao desenvolvimento, existindo igualmente a possibilidade de acolher outros eventos no nosso país, como é o caso da taça das confederações.

‘O futebol é um factor de unidade nacional’
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O torneio potenciou o desenvolvimento de uma série de áreas, ao nível da hotelaria, da construção civil, até na criação de emprego. O progresso atrai mais investimentos? Ora nem mais. Os ganhos serão a todos os níveis. Vamos mostrar que Angola não é só um país de guerra. É um acto de coragem porque vamos abrir as portas ao mundo, após seis anos de conflito e as pessoas não irão apenas ver o futebol. Vão tentar julgar-nos, avaliar a nossa hospitalidade, o nosso carácter e de que forma estamos a progredir. O CAN permitiu a criação de infra-estruturas envolventes, que provavelmente seriam produzidas daqui a uns dez anos. O evento já está a ser um catalisador do progresso. Por exemplo, iniciamos um pólo de desenvolvimento em torno do estádio de Luanda, onde começam a surgir projectos imobiliários, fruto das condições criadas na região. A nível de recursos humanos acredita que agora é o começar de uma nova era? É muito bom em termos de formação. E para tal temos que ter formadores. A nossa principal preocupação será em obter técnicos angolanos capacitados, que realmente possam formar os nossos jovens. Pensase que um bom jogador de futebol será um bom treinador e não é bem assim. São raros os casos de sucesso. Estes jovens [selecção nacional] aprenderam nos seus bairros, com bolas de trapos. Não tinham os fundamentos técnicos, que foram assimilados aqui, na idade adulta. Temos esse projecto, que queremos colocar em prática depois do CAN. Ao nível das infra-estruturas está aceitável. A vertente de criação de escolas é algo que temos que pensar. Temos ainda que questionar outro aspecto. Sou presidente da FAF em ‘part-time’. Tenho outras responsabilidades no país. Poderia fazer muito mais se estivesse apenas dedicado à federação, pelo que no fim deste mandato, daqui a dois anos, terei que ser substituído por um profissional a tempo inteiro. Está nos desafios da federação formar equipas capazes de competir com os ‘grandes’ do mundo? É para aí que devemos caminhar. Queremos ser cada vez mais fortes e há que apostar na formação. Porém, há sempre uma utopia nisso tudo. Por cada jogador congolês que desperta na Europa, fica uma série deles desperdiçados. Esses aspectos têm que ser bem ponderados e conjugados com a educação escolar da criança.

o ano de áfrica
Como está a motivação da população? O apoio do povo angolano é total. Só se fala do CAN, é o centro das conversas de todos. O Governo também tem dado um apoio incondicional, especialmente nos investimentos, mostrando-se interessado, pois sabe que o campeonato é uma mais-valia para desenvolver o nosso país, principalmente no aspecto de dignidade nacional. Quais são as suas expectativas quanto à prestação da selecção? Este grupo está a trabalhar muito bem. Quando os que jogam fora se juntarem a esta equipa vamos fazer um bom ‘team’. Não pretendemos participar, queremos competir para ganhar o CAN. Esse é o espírito incutido nos atletas. As conversas que têm com o professor Manuel José têm sido muito úteis. Agora, os nossos jogadores estão a acabar com a inibição. Está a ser feito um trabalho nesse âmbito e estão a ser acompanhados por pessoas especializadas para vencer esses receios. A equipa tem evoluído tecnicamente? Há já algum tempo, essa evolução tem sido bastante visível. É evidente que estamos a fazer jogos de treino e é um trabalho feito a longo prazo. Com a integração dos que chegam

no dia 26, vão ficar muito mais desinibidos. Temos uma equipa técnica boa. Apesar não participarem no Mundial de 2010, acredita que o evento pode ser importante para o país, inclusive no aproveitamento dos estádios? Podemos acolher qualquer selecção no nosso país, principalmente aquelas que vão jogar em Joanesburgo. Temos condições excelentes na província da Huíla que, à semelhança de Joanesburgo, se encontra a cerca de dois mil metros de altitude. Temos um clima fantástico, hotéis excelentes e as equipas estão a procurar esse estádio. É um ano importante para vocês? Considero o ano do futebol em África. Em Janeiro será em Angola e em Julho na África do Sul. Estamos muito unidos e os sul-africanos pedemme para fazer um CAN exemplar, pois será o prelúdio do que vai acontecer na África do Sul. Que apelo gostaria de fazer à nação? Deixo um pedido à população para que confie em nós. Estamos a trabalhar para dignificar o nosso futebol e dar uma alegria a este povo sofredor. O nosso obrigado por todo o apoio e prometemos fazer tudo para corresponder às expectativas.

‘Queremos ser cada vez mais fortes e para isso temos que apostar na formação’

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| patrícia alves tavares

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Descubra o áudio de alta qualidade com o Controlo SensMe. Estes auscultadores permitem ouvir música ou atender uma chamada, assim que são colocados no ouvido.

Apple Magicmouse Pacemak Pacemaker ker
Para quem deseja tornar-se num autêntico DJ se DJ, este Pacemaker faz toda a diferença, pois pode ser usado como mixer. Este aparelho permite misturar músicas (dois canais independentes) e guardar tudo no HD de 120 GB. É o primeiro mouse Multi-Touch do mundo, disponível na compra do novo Imac de 21,5” e 27”. Também pode adquirir este rato sem fios separadamente.

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Sony Rolly
O novo leitor permite-lhe viver uma surpreendente experiência de música. O aparelho funde som e movimento consoante o ritmo e luzes multicolor, que piscam ao mesmo tempo. Pode ainda personalizar os seus movimentos e vê-lo dançar ao ritmo da sua música.

Livio NPR Radio
Com este rádio pode ouvir centenas de estações NPR de todo o mundo, a partir de qualquer sítio, longe do seu PC. Em minutos o aparelho localiza e conecta-o a mais de 16.000 emissoras.

Apple Imac
O novo IMAC apresenta-se com um ecrã panorâmico 16:9 com retroiluminação LED de 21,5 ou 27 polegadas. Ideal para vídeo HD.

Apple Wireless Keyboard
O teclado sem fios permite-lhe dispor de mais espaço na sua secretária e transportá-lo facilmente para qualquer lado.

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LUXOS

TREKSTOR i.Beat organix Gold
O leitor de mp3 mais caro do mundo é banhado a ouro de 18 quilates e está revestido com 63 diamantes. Este objecto raro foi trabalhado à mão por um joalheiro suíço.

ZUNE HD
Suporta vídeos em alta definição até 1280x720 pixels de resolução. Esta é a mais-valia de um aparelho composto por um ecrã de 3,3 polegadas, 16:9 de proporção com 480x272 pixels de resolução e conectividade wireless.

LACIE LaCinema
Este novo aparelho dá a possibilidade de reproduzir filmes, música e fotografias em qualquer televisor, possuindo capacidade para armazenar ficheiros até 500 GB.

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LUXOS

Leatherman Freestyle CX
Esta ferramenta baseia-se no famoso Skeletool, herdando o seu estilo, mas numa versão mais leve. Resistente a arranhões e à corrosão, está equipado com uma faca de 154 cm. É perfeito para incluir nos utensílios a levar nas suas aventuras.

Brunopasso espresso machine

Design moderno e disponíveis em várias cores (para combinar com os electrodomésticos), as máquinas de café Brunopasso permitem desfrutar do café com muito estilo.

LEICA M8 WHITE EDITION
É a nova versão da famosa rangefinder Leica M8, que surge agora com qualidade renovada. Sinónimo de luxúria, foram fabricadas poucas unidades desta máquina digital. É sem dúvida um produto único e com certificado de autenticidade.

NOOK eBOOK
O Ebook Reader mais avançado do mundo lê os formatos PDF e ePub, suportando igualmente ficheiros MP3 e vários formatos de imagem. Dispõe de 2GB de memória interna e um ecrã de 3.5 polegadas a cores e sensível ao toque. Tem ainda conectividade 3G e ligação wireless.

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MERCEDES-BENZ FOLDING BIKE
Esta bike da Mercedes é bastante inovadora, pois é totalmente desdobrável, ideal para o uso urbano. Quando dobrada, ocupa pouco espaço (mede apenas 80X80X35cm), pelo que, além de prática, pode ser facilmente arrumada em casa e transportada no carro. Leve e compacta, necessita apenas de alguns segundos para ser montada. Disponível em branco e prateado.

VholdR ContourHD
A pensar no Youtube, a empresa vholdR criou uma câmara de capacete que captura vídeos em HD, desenvolvendo um software próprio para o upload directo, para que os seus utilizadores possam poupar tempo. A empresa criou ainda um canal no referido site para poder partilhar os seus vídeos. Além de captar áudio, cria o efeito Point of View nas fotografias e tem 2 GB de memória interna.

REGEN RENU
O Renu é um painel solar compatível com o SoundStation. O dock para iPod/ iPhone oferece 8 a 9 horas de reprodução (com a bateria completa, que leva 8 horas a carregar).

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LUXOS

| patrícia alves tavares

LOUIS VUITTON
TAMBOUR A B R MYSTERIEUSE T RE S
Esta peça única, que brinca com as leis da física, é sinónimo de exclusividade. O valor deste objecto de luxo equivale ao preço de um carro desportivo ou de uma confortável casa. Produzido em aço e ouro, as 115 peças foram montadas manualmente. Pode ainda optar por personalizá-lo, usando por exemplo pedras preciosas.

Victorinox
Swiss Army ws r y
Fundo transparente, bracelete de pele e visor em safira são algumas das particularidades deste relógio, que é à prova de água e possui índices luminosos. A sua linha clássica atrai homens inteligentes e de personalidade forte, que apreciam uma peça que perdure no tempo.

TISSOT

Couturier Automatic u o c
A Tissot distingue-se por combinar nas suas peças modernidade e tecnologia inovadora. É o caso deste exemplar, que se destaca pela elegância, ideal para quem gosta de estar ‘chic’ todos os dias. O bracelete é em pele genuína e o relógio é à prova de água até 100m.

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SOXUL

ESTILOS

| lisete pote

Mais uma marca trazida pela loja Markas. Desta vez os tecidos de alta qualidade vêm com a assinatura de Ermenegildo Zegna.

Lisete Pote - lpote@comunicare.pt
Modelo - Rui Cunha

Sapatos Azuis escuros

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ERMENEGILDO ZEGNA

Fato cinza escuro D&G com gravata da mesma marca em seda, camisa em cambraia branca e sapatos pretos

Fato bege com riscas pretas e gravata da mesma marca e tom, camisa preta e sapatos pretos

O mesmo fato, mas com a variante de usar uns mocassins, num estilo mais informal sem gravata As várias propostas em termos de gravatas da marca Zegna

ESTILOS

As várias propostas em termos de gravatas da marca Zegna

Casaco em linho azul escuro, com camisa, jeans e mocassins

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A versão anterior é refrescada com um pólo de riscas e ténis.

Ténis brancos e castanhos

Sapatos de relaxe bege

ESTILOS · ANGOLA’IN

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ESTILOS
gucci

| patrícia alves tavares

Gucci by Gucci
a fragrância da gucci destaca-se pelo seu aroma amadeirado. elegante e sensual, o perfume resulta da combinação marcante dos elementos da natureza, tornando-o único e inconfundível.

givenchy

Play
a novidade da givenchy oferece-lhe uma fragrância fresca, detentora de notas de laranja amarga, uva, pimenta e patchouli. tudo com o selo da conhecida marca de perfumes, que já habituou os seus clientes à qualidade única dos seus produtos.
porshe

The Essence
é o primeiro perfume da porsche, que reflecte a paixão, perfeição, refinamento e prazer. assume-se como um novo conceito de luxo, criado exclusivamente para homens espontâneos e rigorosos.

dav beckham d david

S Si Signature for Him
assu assume-se como a assinatura de beckham, ura tr ra odos transportando consigo todos fi os e elementos que o identificam: glam fi glamour, luxo, estilo e sofisticação. pe m a pensar no actual homem gue guerreiro, a fragrância orie esca oriental amadeirada é fresca tas e se sedutora, graças às notas ar de m melão, mandarina, âmbar bra ras. branco, musgo, entre outras.

burberry

The Beat for Men
o novo perfume da burberry é uma projecção única do universo masculino, criando um estilo próprio, detentor da elegância da cultura pós-moderna. amadeirada refrescante, a fragrância detém notas de cedro, madeira de couro, pimenta negra e folhas de violeta, uma combinação perfeita para o jovem contemporâneo, urbano e dinâmico.

acqua di parma

Magnólia Nobile
magnólia nobile é o nome da nova fragrância da reputada marca de colónias italiana. explorando o fantástico aroma desta flor, o perfume conjuga ainda notas de bergamota, limão, cedro, magnólia, rosa, jasmin, madeira de sândalo, patchouli, vetiver e baunilha.

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LUXOS · ANGOLA’IN

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VINHOS & CA.

| patrícia alves tavares

ESP ESPORÃO Rese Reserva (Branco)
Este néc intenso é o ideal para acompanhar néctar pratos d bacalhau frito até carnes brancas de grelhada grelhadas, passando pela elegância do pato com laranja. Deve consumir-se entre os 10 e 12ºC.

VINHA DA DEFESA (Branco)
De aspecto límpido e cristalino, é bom para acompanhar desde saladas compostas até peixes grelhados e sopas de peixe mediterrânicas, passando pelas pastas e raclettes.

PR PRIVATE Se Selection (Branco)
É um vinho complexo e encorpado, cheio, crem cremoso, com bom equilíbrio e persistência b na boca. Deve servir-se a 10 ou 12ºC.

LICOROSO
É uma óptima sugestão para usar como aperitivo ou vinho de sobremesa. Límpido e com uma tonalidade ruby, deve servir-se a 16 ou 18ºC.

ESPUMANTE ESPORÃO
Aroma fino, mineral e complexo com notas de bolacha e avelãs, este espumante é ideal para refeições tipo fois-gras e peixe fumado, bem como para acompanhar frutos secos. Deve servir-se entre os 7 e 10ºC.

ADEGA VELHA Aguardente
De cor âmbar e aspecto límpido, esta Adega Velha apresenta um bouquet complexo e harmonioso, lembrando o aroma de bagas e flores silvestres, envolvido por uma sensação delicada de aroma.

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EVEL Grande Escolha (Tinto)
Este vinho apresenta uma cor rubi intensa. Ideal para carnes e queijos fortes, este néctar é servido à temperatura de cave.

QUINTA DE CIDRÔ Reserva Chardonnay
Apesar da complexidade, este produto possui um aroma exuberante a baunilha, madeira amanteigada e frutos crus. Quando provado destacam-se os sabores a pêssego, alperce, madeira torrada e especiarias.

QUINTA DE CIDRÔ Reserva Cabernet Sauvignon / Touriga Nacional
É um vinho muito profundo, vinoso, cheio de aromas e sabores a fruto preto, baunilha e chocolate. É perfeito para pratos de carne, pastas e queijos fortes.

ROYAL OPORTO 10 Anos
Este produto apresenta aromas e sabores primários, típicos dos vinhos jovens, pelo que desenvolve um vasto leque de subtis nuances torrados e complexados. Deve ser consumido a 16ºC.

MEANDRO
Este vinho oferece um muito bom compromisso de equilíbrio na boca. Tem notas de fruto maduro com leve baunilha, tudo certo e arrumado com carácter duriense.

PORCA DE MURÇA Reserva (Tinto)
Aroma complexo que integra harmoniosamente a baunilha da madeira e frutos vermelhos da uva. Vinho de cor ruby, límpido e brilhante.

QUINTA DO PORTAL Grande Reserva
Possui um perfil aromático muito complexo, onde se apercebem os frutos maduros, impressões doces e um elegante tostado. É complexo na boca.

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN

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VINHOS & CA.

M MARQUÊS D DE MARIALVA A Aguardente V Vínica Velha
Es Esta aguardente de cor âmbar cristalina, é muito complexa, cr onde se destacam as notas de on frutos secos, como avelã, noz fr e figo. Deve servir-se como digestivo e em balão aquecido. di

C CASA DOS ZAGALOS Z
Ri Rico e equilibrado, este vinho alentejano possui vin uma óptima acidez, com um aromas complexos de ar frutos vermelhos, integrado fru com notas de tostados e co especiarias. es

QUINTA DO PORTAL Auru
Idea Ideal para ser desfrutado numa altu especial, é considerado a altura segunda melhor versão deste ex-líbris. Pode ser incluído na dieta vegetariana e servir-se entre 16 e 17ºC.

QUINTA DO MOURO O
De cor granada intensa, este vinho inicia-se no de paladar com uma maciesa e untuosidade, onde se distingue uma riqueza de fruta madura, que é o. conjugada com um equilíbrio perfeito.

QUINTA DO MONTE D’OIRO
De um rubi/ negro profundo, este vinho apresenta um majestático bouquet, de onde sobressaem notas de ameixas pretas e especiarias exóticas.

QUINTA DE PANCAS Reserva Touriga Nacional
De cor vermelho cereja e granada opaco, este vinho apresenta um aroma complexo e profundo com notas de ameixa, figo e especiarias.

DONA MARIA Reserva
Este vinho de cor rubi retinta e aroma limpo, rico em frutos silvestres, deve abrir-se de preferência duas horas antes do consumo, servindo-se entre 18 e 19ºC.

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PRIMAVERA BAIRRADA
É a escolha certa para acompanhar carnes vermelhas grelhadas ou com molhos e refeições de caça e queijos fortes.

TAPADA DE COELHEIROS Garrafeira
Cheio, boa estrutura, taninos vigorosos, com um final muito persistente. É um vinho de cor rubi intenso. Uma boa sugestão!

Possui um sabor frutado, robusto e persistência.

CONVENTUAL
É uma boa escolha para pratos de caça e queijos de ovelha. Equilibrado e aveludado, tem notas de frutos maduros.

CEM AMIGOS
Este néctar destaca-se pelo seu equilíbrio e estrutura suave. É a escolha ideal para acompanhar refeições de carne branca, pastas e queijos suaves. Serve-se entre os 16 e 18ºC.

VIP IP
Elegante e de acidez equilibrada, este néctar apresenta enta se um aroma rico em frutos vermelhos, destacando-se os 8ºC. sabores da ameixa e framboesa. Serve-se entre 16 e 18ºC.

CEM AMIGOS Reserva
É perfeito para acompanhar pratos elaborados de cozinha mediterrânica, pastas e queijos. Deve servir-se entre os 16 e 18ºC.

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VINHOS & CA.

FLAMINGO Verde Branco
Jovem e fresco, este vinho, de cor citrina, destaca-se pela elegância, leveza e equilíbrio de aro aromas penetrantes.

MORGADO DE STA. CATHERINA
Vinho branco, de tom amarelo citrino, destaca-se pela frescura, mineralidade e persistência aromática. Recomendado prato para pratos de marisco, carnes brancas e queijos de pasta mole.

FL FLAMINGO Ve Verde Rosé
O vin produzido por esta casta vinho apre apresenta-se num rosé límpido, frutado e sa de sabor persistente. Possui notas doces d e é detentor de agradável qualidade.

D DÃO MEIA ENCOSTA T Tinto
E Este néctar de cor rubi, destaca-se pelo a aspecto límpido e acompanha na perfeição p pratos de caça, assados e queijos curados.

MARQUÊS DE MARIALVA Reserva
Este espumante branco destaca-se pela frescura e mineralidade, sendo uma boa

LELLO Tinto
Óptima combinação com pratos de carne, caça, enchidos e queijos, o Lello deve estar a uma temperatura entre os 16 e 18ºC. É um vinho com aroma intenso a frutos vermelhos.

escolha para aperitivo ou para frutas e saladas. Deve ser servido entre os 6 e 8ºC.

PORTO SOALHEIRA 10 Anos
Macio, com frutos secos e um final doce e persistente. Oferece um aroma com um envelhecimento prolongado em madeira e ligeiramente frutado.

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GATO NEGRO O Cabernet Sauvignon on
Este vinho, de cor rubi escura, ura, apresenta-se cheio de aromas de frutos tos vermelhos, tais como aromas, cassis ssis ção e cerejas, que se fundem na perfeição oco. com notas de baunilha e coco.

TAPADA DE COELHEIROS
É uma boa opção para mariscos e peixes De sabor amanteigado e complexo, tem boa acidez e frescura.

GATO NEGRO Sauvignon Blanc
Néctar de cor ligeira verde-amarelado, bastante refrescante, com aroma a ervas e frutos, como folhagem de tomate, uva, ananás e manga.

VINA MAIPO Reserva Cabernet Sauvignon
De cor vermelho cereja e granada opaco, este vinho apresenta um aroma complexo e profundo com notas de ameixa, figo e especiarias.

LEOPARD’S LEAP Cabernet Sauvignon
Para apreciadores de frutos silvestres, o Leonard’s Leap possui aromas ricos de ameixa e amora, com um toque suave de café e caramelo.

VINA MAIPO Cabernet Sauvignon/ Merlot
Possui um aroma a frutos cristalizados e ameixas vermelhas, com notas de chocolate. Na boca revela toda a sua essência, revelando bom corpo e taninos harmoniosos.

VINANTIA Collection
É um vinho profundo e de cor rubi escura. Apresenta um potencial de envelhecimento de uma década.

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VINHOS & CA. GOURMET

| patrícia alves tavares

boeucc,

O histórico restaurante de Milão é muito fácil de descobrir e encanta quem o visita, que acaba invariavelmente por lá voltar. Situado no majestoso palácio Belgioioso, o Boeucc apresenta-se como um local elegante e digno dos clientes mais exigentes, pois neste restaurante é possível degustar uma cozinha lombarda e clássica, com uma enorme variedade de carnes e peixes. A lista de vinhos vai de encontro à qualidade das elaboradas refeições. Tudo pelo preço mínimo de 62 USD por pessoa. Com mais de 300 anos de vida, o Boeucc encontra-se no ‘top ten’ dos melhores restau-

rantes do mundo. L’Antico Ristorante Boeucc é o mais antigo de Milão e originalmente era uma bodega. Actualmente, foi transformado num espaço moderno e atraente, com a particularidade de oferecer autêntica comida milanesa, pelo que não deve perder as especialidades italianas, como a salada de tomates, a mozarela de Búfala e azeite de oliva e o presunto de Parma com melão. No Verão, desfrute a sua refeição na esplanada da varanda. No exterior aproveite a localização deste espaço fantástico e visite os principais espaços artísticos de Milão, que circundam o Boeucc.

informações úteis
Morada: Piazza Belgioioso, 2, 20121 Milão. Site: www.boeucc.it. Contactos: 02 76 02 02 24 | 02 76 02 28 80. Parque: possui parque de estacionamento privado. Preço médio: 62 USD. Encerra: aos Sábados e Domingos ao almoço

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alain ducasse,
informações úteis
Morada: 25 avenue de Montaigne, 75 008 Paris Contactos: +33 (0) 1 53 67 65 00 Site: www.alain-ducasse.com Cinquenta lugares e 55 funcionários compõem o melhor restaurante da cidade luz, Paris (França). Inaugurado em Agosto de 1996, o espaço tem o nome do seu proprietário, Alain Ducasse, um reputado chef francês e situa-se no luxuoso hotel Plaza Athénée. Os visitantes usufruem da tradicional cozinha francesa, cujo menu é alterado conforme a estação do ano. Esta sinfonia parisiense, repleta de sabores modernos e autênticos, é produto do experiente chef Christophe Moret. Porém, se preferir, pode criar a sua própria refeição, através da escolha de uma enorme variedade de pratos de diferentes regiões e culturas. O luxo e os requintados jantares no Alain Ducasse au Plaza Athénée não são para todas as bolsas. Não se esqueça que é o segundo restaurante mais caro do mundo, que inclusive recebeu três estrelas no famoso guia Michelin. As refeições mais acessíveis rondam os 231 USD por pessoa. A localização na avenida Champs-Élysées e a vista para a Torre Eiffel dão o toque final a um espaço onde se reúnem no mesmo universo a arte, o teatro, o glamour e a gastronomia. O restaurante e respectivo hotel são símbolos de luxo, moda e arte, ponto de passagem para indivíduos de classe e com muito poder de compra. Elegante e clássica, a equipa comandada pelo maître Denis Courtiade usa uniformes desenhados por Georges Feghaly, pelo que é conveniente vestir roupas formais. O blazer/ smoking é obrigatório e a gravata altamente recomendada. Horários: Segunda a sexta-feira para jantar das 19.45h às 22.15h Quinta e sexta-feira para almoço, das 12.45h às 14.15h Encerra: Sábado e Domingo e feriados franceses oficiais Período de férias: 15 de Julho a 15 de Agosto | 15 de Dezembro a 31 de Dezembro (reabre na noite de Passagem de Ano) Dress code: Blazer/ smoking é obrigatório e a gravata recomendada Outros: Proibido fumar

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN

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VINHOS & CA. GOURMET

d.o.m.

informações úteis
Morada: R. Barão de Capanema, 549 Jardins – São Paulo - Brasil Site: www.domrestaurante.com.br Contactos: 55 (11) 30880761 ou 55 (11) 3891-1311 Reservas: Sim, até às 21 horas (confirmadas via email ou telefone) Para grupos superiores a 12

O sugestivo nome deste restaurante brasileiro provém do latim Deo Optimo Maximo, que significa “Deus é óptimo e máximo: óptimo na sabedoria e máximo na bondade”. Neste caso, a palavra “Deo” foi substituída por “DOM”, que quer dizer “casa”. E é neste “lar” que encontra uma gastronomia máxima em sabores, cores, texturas e aromas. Fundado em 1999, o local já arrecadou os principais prémios respeitantes à cozinha contemporânea brasileira. À criatividade das refeições junte as surpresas do bar e encontrará todos os ingredientes para um jantar inesquecível. O chef Alex Atala, responsável pelo espaço, é muito conhecido no Brasil, nomeadamente pelo seu talento particular para experimentar

novas possibilidades gastronómicas, a partir das bases dos ingredientes brasileiros. Defensor acérrimo do que é nacional, neste restaurante terá certamente a oportunidade de ficar perito em culinária brasileira, conhecendo o que de melhor se confecciona no país. O D.O.M. cativa os seus visitantes pelo design, que relembra o modernismo clássico, onde se fundem linhos, pratas, madeira de lei e cristais. O requinte deve-se ao arquitecto Ruy Ohtake e ao trabalho do paisagista Gilberto Elkis. O artista plástico Ricky Castro encarregou-se de dar cor às paredes. O espaço tem a particularidade de ser simultaneamente amplo e intimista. Sem dúvida, local obrigatório de passagem para quem visita o Brasil.

pessoas contacte: (11) 30880761 ou (11) 3891-1311 Reservas online: eventos@ domrestaurante.com.br (de seg. a sexta das 9h às 17h) Horários: Almoço: 2ª a 6ª das 12h às 15 horas Jantar: 2ª a 5ª das 12h às 24h 6ª e sábado das 19h à 1h Tome nota: Encerra aos domingos Dicas: Experimente a enorme variedade de chás e cafés, que o D.O.M. tem para lhe oferecer

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VINHOS & CA.

| luís duarte

desmistificar o vinho
artigo de opinião

A SABER... profissional Luís Duarte começou a sua actividade ugal) em 1987 com o na Herdade do Esporão (Port ogo e director arranque do projecto, tendo sido enól à criaução durante 18 anos. Esteve ligado de prod as de vinhos do ção e lançamento de grandes marc do Esporão, Alentejo, como por exemplo Herdade Vinha da Defesa, no projecto HerMonte Velho e ém funções dade do Esporão. Desempenhou tamb outros projectos como consultor de enologia em Grande, a Hercomo a Quinta do Mouro, a Herdade ha, a Herdade São Miguel, a Herdade da Malhadin e ainda ligado dade das Servas e a Dona Maria. Estev ão do projecto como consultor de enologia à criaç ado externo e “Enoforum”, desenhado para o merc iação de seis adegas cooperativas que reúne a assoc produção na do Alentejo, que controlam 70 % da nalizou a gestão e região. Mais recentemente perso dos projectos enologia da Herdade dos Grous, um ência do Alentejo, com um somade maior refer num curto tório inigualável de vinhos premiados , inicia um novo prazo de tempo. A partir de 2007 e Relvas e Filiprojecto em parceria com Alexandr te na construção de uma adega pe de Botton, assen vinificar 2.5 “state of the art” com capacidade para o mercado vinhos milhões de garrafas e lança para já se enconcom as marcas Cem Amigos e VIP que ercializados no mercado angolano. tram a ser com sido distinguiFoi o único enólogo português a ter s em 2007) como do duas vezes (a última das quai os, a publi“Enólogo do Ano” pela Revista de Vinh ada de referência em Portugal cação especializ

Convidaram-me para escrever uma coluna sobre vinho. Desafio que aceitei com todo o entusiasmo, mais pelo facto de ter experiência na prova de vinhos, do que na redacção da mesma, o que também me deixou algo nervoso e sem a certeza dos assuntos que deveria abordar. Nesta minha vida de enólogo, que leva 22 anos, várias vezes, amigos e conhecidos desabafaram comigo a medo, por gostarem muito de vinho, mas não se sentirem suficientemente à vontade com o vocabulário utilizado por especialistas. Por regra digo, numa perspectiva pragmática, que a linguagem não é o mais importante, mas sim a percepção que têm do vinho e se efectivamente gostam dele ou não. Claro que me apercebo que não acreditam de facto nas minhas palavras e por vezes questionam porque lhes estarei a fazer uma recomendação de tal ordem. Pois foi exactamente a pensar nestas questões que resolvi escrever sobre a desmistificação do vinho.

Deste modo, espero ajudar alguns iniciados enófilos num mundo no qual a linguagem técnica se tornou cada vez mais complexa e inibidora e que despoleta receios no momento de provar e comentar um vinho. Comecemos por traduzir o significado de alguns termos que, para muitos naturalmente serão familiares, mas que para outros são algo estranhos. Antes de iniciar, questiono – será que sem a utilização destes termos não se deve provar ou avançar para um comentário sobre um determinado vinho? Claro que não! A prova de um vinho é sempre um acto pessoal e subjectivo. Com a aprendizagem do vocabulário utilizado para descrever um vinho é possível encontrar uma linguagem comum, de forma a que todos se entendam. No entanto, de modo algum o desconhecimento deste vocabulário poderá impedir que se prove, se comente e se partilhe as sensações de prova de um vinho. Passo então à “tradução” de alguns termos vínicos, utilizados repetidamente por enólogos e especialistas do vinho em situação de prova: Adstringente – vinho com tanino, que cau-

‘A prova de um vinho é sempre um acto pessoal e subjectivo’
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sa sensação de boca seca ou como aquela que ã d b l é causada por frutas ainda verdes; Aroma – odor libertado pelo vinho; Bouquet – aromas terciários do vinho que reflectem sensações olfactivas que o mesmo desenvolve depois de engarrafado e envelhecido; Curto – Vinho que não tem um sabor prolongado e termina rapidamente; Boca cheia – vinho com uma grande textura e com sabores que enchem a boca; Decantação – passagem lenta de um vinho da garrafa para um recipiente de vidro – decanter. Serve para separar sedimentos do vinho ou para arejamento do mesmo; Encorpado – vinho com um sabor rico, redondo e sem arestas; Enófilo – pessoa que aprecia e estuda os vinhos; Enólogo – especialista da ciência do vinho e do processo de vinificação; Gosto de rolha – transmitido por um composto denominado TCA (tricloroanisol), que dá ao vinho uma aroma de mofo; Monocasta/Vinho Varietal – Vinho feito a partir de uma só casta, de um só tipo de uva; Tanino – substância natural encontrada no vinho, transmitida pelas grainhas, películas e engaços que transmite uma sensação adstringente.

VINHOS & CA.

| wilson aguiar

Festas com sabores tradicionais
Wilson Aguiar : sugere

Olá meus amigos! A época das festas de final de ano está a chegar e as ocasiões convidam a que toda a família se junte para celebrar o Natal e a Passagem de Ano. As refeições são mais elaboradas e preparam-se as melhores iguarias para presentear os convidados. A receita que vos sugiro para este período tão especial tem no bacalhau o seu principal elemento. Aliás, na maioria das culturas, este é o alimento mais simbólico desta época. Assim preparei para vocês uma refeição única que recorre ao peixe para criar um ambiente de requinte e unir a família e amigos através de um prato saboroso e elaborado como manda a tradição. Para acompanhar escolha um bom vinho. E, claro que não pode faltar a sobremesa, composta pela doçaria típica da sua região. A finalizar, desejo-vos um Bom Natal e óptimos cozinhados! Espero-vos no próximo ano, prometendo apresentar os múltiplos sabores africanos, com novas receitas. VOTOS DE UM EXCELENTE 2010!

E INGREDIENTES

com o bacalhau desfiado Comece por refogar te Bacalhau-1,5kg tra-virgem. Acrescen a cebola e o azeite ex ré frita- 500gs Logo Batata-p ar bem o bacalhau. o alho e deixe refog tata Gambas-1,5gs ado, acrescente a ba que esteja tudo refog -1pacote o molho Natas quanto prepara já frita e conserve en tifique Leite- 1 pacote lho ao preparado, rec bechamel. Junte o mo Farinha trigo q.b , num tabuleiro peros e leve ao forno o ralado q.b os tem o. Use Queijo parmesã co serve para decoraçã apropriado. O maris prato e Ovos - 4 uns a para decorar este as gambas e a lagost starda queijo 1 frasco de Mo , após cobrir tudo com leve também ao forno q.b Azeite extra-virgem r. ralado para gratina s Azeitonas preta 1 Lagosta ada 2 grandes cebola pic Pimenta moída fresca Alho picado q.b 200grs Manteiga

ÇÃO MODO DE PREPARA

EL O O MOLHO BECHAM COMO PREPARAR a do e a água da cozedur

Se possível reserv do, o estiver muito salga bacalhau. Se este nã . Noutro água para este molho poderá aproveitar a Em iga e deixe alourar. tacho coloque a mante go onar a farinha de tri seguida, deverá adici xar este 0grs) e deixe pu (aproximadamente 20 ua do uco, acrescente a ág refogado. Pouco a po lume brando. er devagar e em bacalhau e deixe coz escente e de se aumentar, acr Se houver necessidad ficar espesso. leite e deixe o molho

Bom apetite!

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN

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PERSONALIDADES

| manuela bártolo

pre. Não me insiro no mundo como um cantor da juventude, mas sim do tempo que aí vem.

‘Defendo que temos de fazer música global. É importante que tenhamos em atenção a nossa própria identidade’
A produção artística e cultural em Angola tem crescido. Tem sentido que há cada vez mais apoios? Tem crescido muito. Falta ainda bastante para atingirmos os grandes palcos. Carecem infraestruturas, salas para espectáculos, material profissional sofisticado e moderno para os shows e principalmente os recursos humanos qualificados que vão operar esse material. Ainda nos falta isso. Mas passo a mensagem aos meus compatriotas: estamos num momento de aprendizagem, vamos ser humildes e aceitar que ainda não sabemos e vamos deixar que os outros nos venham ensinar. Acredita que as novas gerações vão respeitar a raiz cultural ou a tendência é para globalizar? Defendo que temos de fazer música global. Mas é importante que tenhamos em atenção a nossa própria identidade. Devemos explorar o que é nosso e mostrar ao mundo aquilo que realmente somos. Defendo o poder da lusofonia. Acho que os angolanos têm uma afinidade com os portugueses. Quais os seus projectos para 2010? Temos a continuação da tournée com o Eros Ramazzotti. Estou a fazer um projecto de resgates culturais da música angolana. De seguida vamos fazer espectáculos e lançar uma escola com o apoio de vários patrocinadores. Vou simplesmente arranjar o valor. Com o nome e a imagem que tenho cabe-me encontrar as condições para construir essa escola social, que visa ajudar as crianças. Qual a mensagem que gostaria de deixar para o próximo ano? Espero que os angolanos acreditem em Angola. As coisas não acontecem de repente. Vamos ter calma. Em vez de apontar os defeitos dos outros, vamos tentar arranjar soluções para juntos erguer o país. No CAN vamos apoiar a nossa selecção, mas antes de tudo apoiar todas as equipas, recebendo-as bem, tratando bem os outros cidadãos, mostrando que temos uma educação.

Yuri da Cunha

“embaixador” da música nacional
Filho do célebre guitarrista “Riquito”, Yuri da Cunha revelou o talento para a música ainda na infância. Com três discos editados, o artista angolano mostrou na Europa a qualidade dos sons nacionais, que atraem fãs de todas as idades. O cantor, natural do Kwanza Sul, conseguiu com 28 anos fazer a abertura do concerto de Eros Ramazzotti, estando para breve um dueto. De passagem por Portugal para apadrinhar as comemorações da Independência de Angola, o músico confidenciou à Angola’in as alegrias desta nova fase da sua carreira. Qual o significado de estar em Portugal a celebrar o aniversário da Independência de Angola? Gostaria de fazer isso em todos os países onde existe a comunidade angolana porque para mim tem um significado muito grande: é o encontro entre os angolanos que se separaram da terra por dificuldades. Muitos estão aqui porque houve necessidade de emigrar. Hoje, muitos regressam. Eu venho ter com os que não conseguem voltar. Significa a aproximação, o amor e o reencontro entre os angolanos. A sua carreira está a catapultar. Actuou com Eros Ramazzotti... Como tem lidado com este êxito? É tudo novo para mim. É um outro mundo. O Eros Ramazzotti tem uma dimensão muito grande e ainda estou a digerir esse encontro com o público dele. Como tem sido essa junção cultural de sonoridades tão distintas? Eu faço a abertura do show. Ainda não começamos a fazer os duetos. Temos que ensaiar bem. Ele tem uma equipa muito profissional. Em breve vamos começar. Mas a minha vinda a Portugal faz-me sentir mais feliz, pois analisando o povo para quem eu tenho cantado ultimamente vejo que eles vibram, dançam, mas não conhecem as músicas. Encontrarme com as pessoas que cantam e conhecem a minha música foi muito bom para sentir esse calor, como se vivesse em Angola. Onde vai buscar a inspiração? No angolano, no dia-a-dia do Mwangolé, que é de onde venho. Por exemplo, digo que sou fã número zero do Bonga. Sou angolano e vou à busca de inspiração nele e no dia-a-dia de cada cidadão. Procuro trazer isso para o palco para depois poder mostrar ao mundo. Considera-se um cantor da nova geração ou intemporal? Quero fazer uma carreira muito longa, cheia de saúde e para isso é preciso que eu faça músicas para todas as idades e para todos os tempos, que permaneçam para todo o sem-

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