W W W. d i a R i o i n s U l a R .

CO M

259 # 23.03.2008
Jornal Diário | Ano LX I | Nº19022 | 0,55 e Fundado em 1946 | Terceira | Açores

Escola dE ExcElência

Tomás de BorBa

mUseU aBerTo 060
FoToGraFIa aNTóNIo araújo

noTa dE aBERTURa
José Lourenço

cRisTo cRUcificado 04 eBs Tomás de Borba 12 Francisco Coelho e reis Leite 14 Maduro-Dias 16 Álvaro Monjardino
[VELA DE ESTAI] [REPORTAGEM] [PERSPECTIVAS]

[REPORTAGEM]

CrisTo CruCiFiCADo.
MaRfiM, MadEiRa dE jacaRandá E laTão. sécUlo xVii. 95x46,5 cM. MaH.R.92.666. a escultura de marfim ocupa um lugar de destaque na arte indo-portuguesa. o seu período de maior importância ocorreu nos séculos XVII e XVIII, quando estas obras, aos olhos dos europeus, reuniam beleza, raridade e re-

sistência fora do comum. a presença pioneira dos portugueses no oriente permitiu o convívio com o marfim que era bastante invulgar no resto da europa e apenas acessível a algumas elites. este cristo em agonia é um bom exemplo do trabalho de um artífice com alguma maturidade. Esta escultura pertence ao acervo do Museu de Angra do Heroísmo.

18 Luiz Fagundes Duarte 20 os dias da criação 22 Clubes motard 24 Guilherme Marinho 25 Arnaldo ourique 26 António Godinho 28 sugestões 29 Tiro&Queda
[AGENDA] [CARTOON]

[FOLHETIM]

[REPORTAGEM]

[REPORTAGEM]

[OPINIÃO]

[OPINIÃO]

[DESPORTO]

eBs Tomás de Borba: uma escola de ponta Tema de abertura: com capacidade para mil e duzentos alunos, a escola Básica e secundária Tomás de Borba, em são Carlos, abriu no início de Fevereiro as portas a 300 alunos do Conservatório regional de angra do Heroísmo. até 31 de março, o estabelecimento de ensino deverá receber ainda cerca de 800 estudantes do ensino regular. o presidente do conselho executivo da escola Básica e secundária Tomás de Borba, augusto oliveira, considera que o novo estabelecimento de ensino reúne “todos os requisitos para propiciar uma aprendizagem de qualidade e o sucesso escolar”. reportagem: álvaro monjardino conduziu, há mais de um quarto de século, o processo que culminou com a classificação de angra do Heroísmo, em 1983, como Património da Humanidade. Numa conferência proferida, recentemente em angra, destacou a relevância histórica da cidade para a classificação atribuída pela UNesCo e apontou uma série de sugestões para tirarmos partido da classificação. reportagem 2: “os dias da Criação” é o título de uma exposição de pintura, da autoria de dimas simas Lopes, patente na Carmina-Galeria de arte Contemporânea, em angra do Heroísmo, até 4 de maio. dI foi ver como era para contar como foi. reportagem 3: são advogados, polícias, pescadores..., de todos os credos e religiões, com o vício das motos em comum. dI aproveitou a inauguração da sede do Terceiraçor moto Clube, em são mateus, para conhecer o universo motard. desporto: antónio Godinho é um dos dirigentes mais conhecidos do desporto terceirense. Vice-presidente do Boa Viagem há quase duas décadas, defende que o segredo do sucesso do clube do Corpo santo é o verdadeiro espírito de família que reina entre dirigentes, atletas e treinadores.

di domINGo 

23.MARÇO.2008

TOMáS DE bORbA

UMa Escola paRa o séc. xxii
Com CaPaCIdade Para 1.200 aLUNos, a esCoLa BásICa e seCUNdárIa Tomás de BorBa, em são CarLos, aBrIU No INíCIo de FeVereIro as PorTas a 300 aLUNos do CoNserVaTórIo reGIoNaL de aNGra do Heroísmo. aTé 31 de março, o esTaBeLeCImeNTo de eNsINo deVerá reCeBer aINda CerCa de 800 esTUdaNTes do eNsINo reGULar. »

di domINGo

5

23.MARÇO.2008

rePorTaGem vAnDA MenDonçA

FoToGraFIa AnTónio ArAúJo

o PresIdeNTe do CoNseLHo eXe-

CUTIVo da esCoLa BásICa e seCUNdárIa Tomás de BorBa, aUGUsTo oLIVeIra, CoNsIdera QUe o NoVo esTaBeLeCImeNTo de eNsINo reúNe “Todos os reQUIsITos Para ProPICIar Uma aPreNdIzaGem de QUaLIdade e o sUCesso esCoLar”.

Na ampla sala forrada de espelhos, sara rosa, de 9 anos, exercita o corpo ao som da música. Há três anos que frequenta as aulas de dança Criativa do Conservatório regional de angra do Heroísmo. este ano, no entanto, a instituição deixou as velhinhas instalações do Corpo santo e inaugurou a recém-nascida escola Básica e secundária Tomás de Borba, em são Carlos.

“estou maravilhada”, diz a professora ana Henriques, para quem “não há comparação possível” entre os dois espaços. “Não se pode pedir melhores condições do que estas. o trabalho corre melhor, os alunos estão mais motivados e é até mais fácil preparar os espectáculos. Há uma diferença circunstancial”, sublinha. Também sara rosa considera o novo estabelecimento

de ensino “muito grande e giro”. Questionada sobre o que mais gosta na nova escola, a pequena dançarina não tem dúvidas: “Gosto de tudo”, diz, timidamente. “até dá mais vontade de vir às aulas”. o ensino artístico na escola Básica e secundária Tomás de Borba arrancou a 11 de Fevereiro, com a transferência de 300 alunos de música e dança do Conservatório regional de angra do Heroísmo. desde 25 de Fevereiro, o estabelecimento de ensino passou também a acolher 70 estudantes do pré-escolar e do 1.º Ciclo da eB1/jI de são Carlos. a 10 de março, foi a vez de 202 alunos da escola Básica e Integrada de angra do Heroísmo rumarem à nova escola. Por último, a 31 de março, terá lugar a transferência de 550 alunos do 3.º Ciclo e secundário da escola secundária Padre jerónimo emiliano de andrade, totalizando cerca de 800 estudantes. Para além dos alunos da eB1/jI de são Carlos, o novo estabelecimento de ensino destina-se aos estudantes do 1.º Ciclo que se encontravam já matriculados no Conservatório regional de angra do He-

roísmo e aos que queiram iniciar agora a aprendizagem artística, bem como a todos os do 2.º Ciclo da área situada entre a serreta e são Pedro. Quanto ao 3.º Ciclo e secundário, os alunos e encarregados de educação são livres de escolher a escola a frequentar.

Transferência Tranquila
segundo augusto oliveira, presidente do conselho executivo da escola Básica e secundária Tomás de Borba, “a mudança tem acontecido de forma tranquila, quer para os alunos, quer para os pais”. “Também os professores têm manifestado uma grande satisfação”, salienta. No próximo ano lectivo, o estabelecimento de ensino pretende integrar o ensino artístico no horário lectivo do ensino regular, assim como criar condições para aproveitar esses espaços para a realização de oficinas de dança, música, artes gráficas e multimédia. “No ano lectivo 2008/2009, todos os alunos do ensino regular vão ter manchas horárias durante as quais pode-

di domINGo

6

23.MARÇO.2008

di domINGo 

23.MARÇO.2008

rão frequentar ateliês artísticos e desportivos”, adianta augusto oliveira. os cursos de ensino artístico da escola Tomás de Borba destinam-se a alunos do sistema regular e do Conservatório regional de angra do Heroísmo. No que se refere ao ensino regular, estão a ser promovidos os cursos básicos de música e de dança com a duração de cinco anos, correspondente aos 2.º e 3.º Ciclos do ensino básico. Quanto ao curso de iniciação musical terá a duração de quatro anos, correspondente ao 1.º Ciclo do ensino básico. a nova escola de angra do Heroísmo oferece ainda um curso complementar de música com duração de três anos em formação musical, instrumentos e canto, para além de cursos livres destinados a toda a população. os conteúdos dos currículos de todas áreas de ensino da escola Básica e secundária Tomás de Borba serão orientados para a vertente artística, estando prevista para o futuro a leccionação de cursos de teatro e artes plásticas.

insTalações e acessibilidades
Pelos corredores da nova escola, sente-se ainda o cheiro dos materiais acabados de estrear. Com capacidade para 1.200 alunos, o estabelecimento de ensino dispõe de um total de 84 salas, das quais 32 concebidas especialmente para o ensino artístico, para além de um auditório com capacidade para mais de 200 pessoas e um estúdio de gravação. Conta também com um parque desportivo com pisci-

na para a aprendizagem de natação, sala de judo, sala de ginástica, um pavilhão gimnodesportivo, polidesportivo exterior e campo de futebol de piso sintético. está ainda equipada com tecnologia da mais actual, permitindo a eventual existência de uma rádio escolar e de um circuito de televisão interna, assim como a exploração de outras vertentes multimédia. “estão reunidos todos os requisitos para propiciar uma aprendizagem de qualidade e o sucesso escolar”, considera augusto oliveira. a nova escola soma igualmente 19 gabinetes destinados aos docentes, que serão cerca de 80 a partir de 31 de março, assim como ao núcleo do ensino especial e ao serviço de psicologia. “estas condições permitem também aos professores a realização dos seus projectos profissionais, uma vez que passam a dispor de um vasto conjunto de espaços de trabalho”, acrescenta o presidente do conselho executivo. Quanto às acessibilidades, o Governo regional já abriu o concurso público para a empreitada de construção de um troço da Variante à estrada regional nº6-2ª, que deverá arrancar em abril. o empreendimento, orçado em 1,5 milhões de euros e com um prazo de execução de quatro meses, respeita à abertura de um lanço de via que vai ligar a rotunda do Caminho do meio de são Carlos, junto à escola Básica e secundária Tomás de Borba, à Circular externa de angra do Heroísmo. a empreitada prevê igualmente a construção de uma ligação do tipo intersecção, giratória, entre a Variante

e a Circular externa, com um restabelecimento de cerca de 275 metros da Circular externa. a estrada terá uma faixa de rodagem, com duas vias de 3, 5 metros cada, em cada sentido, bermas de 2, 25 metros de estacionamento e passeios com 1, 5 metros, conferindo uma dimensão urbana a esta via.

“condições maravilhosas”
melissa Baptista, 10 anos, executa concentradamente uma escala no seu pequeno violino, seguindo as instruções do professor ostap Kharambura. Na pequena sala revestida de madeira e munida de um piano, uma estante com alguns livros, um rádio leitor de Cds e um computador, respira-se música. “as condições são maravilhosas”, afirma o docente, sem hesitar. “é preciso lembrar que antes estávamos numa casa adaptada, enquanto aqui as instalações foram previstas para este tipo de ensino”. “Todas as salas têm uma boa acústica, o que para nós é o ideal, porque não cansa o ouvido e a cabeça. os alunos estão também mais motivados, pois o bemestar na sala e na escola também tem influência na aprendizagem”. ostap Kharambura lança, contudo, um alerta: “No ensino artístico, é importante assegurar um ambiente familiar”. “esperamos que continue assim”, afirma. Para melissa Baptista, que estuda violino há quatro anos, o mais impressionante na nova escola é o tamanho. “é uma escola muito maior”, destaca a jovem. e conclui: “Gosto muito das novas instalações”.

di domINGo

8

23.MARÇO.2008

di domINGo

9

23.MARÇO.2008

di domINGo

10

23.MARÇO.2008

di domINGo

11

23.MARÇO.2008

P
FrAnCisCo CoeLho

E

R

S

P

E

C

T
reis LeiTe

I

V

A

S

VElHas TEnTaÇÕEs…
Gula, avareza, preguiça, raiva, luxúria, inveja e orgulho – foi no já remoto séc. VI que o Papa Gregório I estabeleceu a lista dos pecados capitais. mas notícias recentes davam-nos conta de mais seis pecados – a juntar, claro, aos dez mandamentos. a saber: pedofilia, aborto, poluição do ambiente, pobreza extrema de uns e riqueza escandalosa de outros, tráfico de droga e realização de experiências de manipulação genética. afinal, parece que a coisa não é bem assim. Pelo menos não há nenhuma “decretal” de Bento XVI a instituir novos pecados. Tudo não passou de uma entrevista, dada ao jornal do Vaticano, “L’osservatore romano”, do Bispo regente do Tribunal da Penitenciária apostólica, d. Gianfranco Girotti. mais concretamente, este dignitário da Cúria romana respondeu à pergunta “quais são, para si, os novos pecados?”, da seguinte forma: - “Há muitas áreas dentro das quais, hoje em dia, vemos atitudes pecaminosas a respeito dos direitos individuais e sociais. acima de tudo na área da bioética, dentro da qual não podemos deixar de denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujo êxito é difícil de vislumbrar e ter sob controlo. Uma outra área, propriamente social, é a área da droga, através da qual se enfraquece a psique e se obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. mais ainda: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma insustentável injustiça social; a área da ecologia, que se reveste hoje de um interesse relevante”. a verdade é que, em bom rigor, e como ordem ético-normativa, o catolicismo, no seu núcleo essencial, não alterou nem a sua ética, nem a sua doutrina. apenas, por questões “pedadógicas”, a aplica com “roupagens” novas às novas realidades da globalização, da evolução científico-tecnológica e dos novos movimentos sociais. Quer isto dizer que a visão da Igreja sobre a Pessoa Humana, a sua vocação e missão continua obviamente a mesma. Quer se concorde ou não – o que já é outra coisa. alguns não deixarão, concerteza, de achar que a Igreja se contradiz, ao eleger a pobreza como pecado - mas ao continuar a considerar pecado toda e qualquer forma de controlo da natalidade – sendo certo que, assim, “ignora” o relatório da oNU publicado há cerca de um ano que elege a desigualdade do género como o primeiro factor da perpetuação da pobreza. Igualmente “ignorando” que a incapacidade das mulheres decidirem da sua vida reprodutiva, reproduz a pobreza. e se é verdade que os avanços tecnológicos nos colocam poderosos e complexos dilemas bio-éticos, a simples proibição ou condenação de experiências ou manipulações genéticas pode ser acusada de impedir a cura para graves doenças e o progresso e bem-estar da Pessoa Humana. mas a notícia sobre os novos pecados não deixa de ser uma interessante intromissão nos dias profanos de hoje, sobretudo neste tempo de Páscoa. entre o tempo litúrgico e o coelhinho da Páscoa. entre o consumismo e o neo-liberalismo desenfreados, que a Igreja Católica condena, e valores em que vale sempre a pena reflectir. e sobretudo escolher e adoptar alguns!

a doUTRina dE BEnTo xVi
o Papa Bento XVI tem surpreendido, pelo menos os mais incautos, pela sua inteligente e firme intervenção doutrinal e sobretudo pelo desassombro como fala ao mundo contemporâneo sem cedências em questões fundamentais que chocam com a doutrina católica, mas antes apresentando uma forte vontade de participar activamente na construção de uma sociedade mais justa. o “agiornamento” (termo muito querido dos progressistas) da Igreja não se faz negando o evangelho ou distorcendo a doutrina para a adaptar às injustiças do mundo. o desafio que a Igreja sempre se impôs a si própria foi precisamente o contrário. Pretendem e pretende exercer um magistério que convença a própria sociedade a adoptar as suas lições inspiradas nas palavras de Cristo. a doutrina papal não desiste de cristianizar o mundo nem renega os fundamentos da sua Fé e é por isso mesmo que tanto irrita aqueles que gostavam de ver a Igreja precisamente a renegar-se em “converterse” aos nossos ídolos. a tentação que alguns lançam ao Papa não é nova e quem conhece minimamente o evangelho reconhece-a na passagem das tentações pelas quais passou Cristo. Bento XVI em boa verdade não inova. mantém-se firme e fiel ao percurso dos seus antecessores. muda de estilo, adapta a palavra aos tempos que correm, mas não faz concessões. o que vem dizer, talvez com linguagem mais burilada é precisamente o que os Papas que o antecederam todos disseram. o que era pecado ontem continua a sê-lo hoje, porque desprezar o próximo, aniquilar a vida, ser egoísta, destruir a natureza, tanto era pecado no passado como o é no presente. Às vezes, parece que a sociedade se esquece do que já foi dito e da doutrina que já foi fixada. esquece-se por ignorância, por falta de memória e, sobretudo, porque não lhe convém recordar os seus próprios erros. a lição do Papa tem sido precisamente essa. relembrar as vezes todas que for necessário que a doutrina se mantém, a fonte é a palavra de Cristo, o magistério é o magistério da Igreja e tudo o resto são desvios, traições e pecados que a virtude da humildade exige que se reconheçam e se condenem. mas se se exige à igreja exige-se também aos outros. Bento XVI, ao enumerar os “novos pecados”, pecados sobretudo sociais e colectivos, contra a vida, contra a dignidade humana, contra a pessoa, dirige-se, é óbvio, aos pais, aos católicos antes de mais, mas lança um grande desafio a todos os homens de boa vontade, pedindolhes que reconheçam o quanto erram quando se afastam do essencial do evangelho. ao fazê-lo, reafirma o fundamento do catolicismo, que sempre afirmou que o evangelho, a boa nova, é para todos, é para a humanidade, mesmo para aqueles que se recusam aceitá-lo. Nada disto é, aliás, incompatível com o desejado estado laico. sê-loia, talvez, para os laicistas.

di domINGo

12

foTogRAfIA ETToRE fERRARI/EPA

23.MARÇO.2008

di domINGo

1

23.MARÇO.2008

FrAnCisCo MADuro-DiAs
maduro.dias@mail.telepac.pt

VeLa de esTaI

GEnTE E caRRos
Há neste momento uma nova intervenção urbana em curso no alto das Covas em angra. Nova não porque seja diferente, nem porque seja para melhorar ou piorar muito! ela é, tanto como as outras o foram antes, desde há séculos, a tentativa da administração municipal resolver problemas ou, pelo menos, reduzir dificuldades. Trazer este assunto à conversa pública em dia de Páscoa poderá parecer estranho, mas o objectivo aqui é tornar claro que isto que agora acontece em angra, num cenário de árvores ao chão e calçada revirada, precisa de ser discutido e pensado com um horizonte mais largo e serve de exemplo do que se passa tantas vezes por aí nas nossas cidades. o alto das Covas é um quebra-cabeças! Quem conhece o largo sabe disso e qualquer cidade tem um ou dois, por muito pequena que seja. Naquele lugar “de confusão instalada” juntam-se destinos, sentidos, vontades e funções muito diferentes. durante tempos aquilo era o fim de uma certa cidade organizada, que começava na Praça Velha e terminava ali. era por isso lugar de saída veículos e de tomada de transportes. Havia cocheiras e carros de aluguer, havia correeiros para consertar selas e arreios. desse serviço ficaram os táxis, mais limpos embora menos pitorescos. o nome tem a ver, como muitos sabem, com as várias dezenas de covas para trigo que ali havia, feitas no chão, com mais de três metros de altura algumas, com as suas tampas de pedra. apareceram exemplares, logo tapados, durante as obras de saneamento básico. Foi, portanto, também um celeiro público.

No início de 1900 o casarão do antigo Convento da Graça ainda estava por aqueles sítios, detrás de um muro alto e de um belíssimo portão de ferro forjado, que a necessidade de metal para construção levou à desmontagem e uso em betão armado. mas o alto das Covas – como outros lugares em outras cidades do arquipélago – mudou e tem neste momento uma grande escola primária ou de primeiro ciclo, ostentando o esforço do Plano dos Centenários de 1940 e o nome do Infante d. Henrique, bem a propósito. Chama-se agora e de novo “das Covas”, depois de ter sido “Largo dr. oliveira salazar” e, antes, “Largo 11 de agosto”. Nunca lhe conseguiram chamar Praça porque não é, e uma anterior tentativa de regularização de trânsito, aí pelos anos 20/30 do século XX, valeu-lhe uma tal dose de pequenas plataformas, por onde os peões saltitavam, que antónio dacosta lhe chamou “a região placoideia da Cidade”. ora bem! a tal região placoideia surgiu porque os automóveis estavam a aparecer e as placas têm, desde então, crescido, diminuído, alongado, estreitecido, sem pararem quietas muito mais que uma ou duas dezenas de anos. Tudo porque há carros e há peões, melhor dizendo: gente que anda em cima de rodas e a pé! aqui é que está a questão! o anterior jeito que haviam dado há uns 20 anos ao alto das Covas, com uma larga plataforma fronteira à escola e um saboroso espaço onde organizar pe-

quenas funções festivas sem atravancar o trânsito, teve por musa inspiradora a ideia de proteger os passantes a pé. afogava um pouco os carros e dava gosto ver as crianças atravessar com alguma segurança, sem grandes artefactos luminosos, a pequena passadeira. agora, pelo que já se vê, a prioridade foi dada aos passantes com rodas! ora uma cidade é um lugar de gente, com e sem rodas, mas sobretudo com conforto de uso! o objectivo deve ser uma circulação fluida e confortável de todos. as pessoas são e devem ser a medida da escala das nossas urbes e, sobretudo em espaços patrimoniais como são os centros das nossas maiores cidades, o que se deve fazer, rezam as cartilhas internacionais e o bom senso, é a modificação do que acontece, não a modificação do sítio. Como noutros casos e noutras cidades, nós é que pusemos os carros no alto das Covas! Não foi o largo que mingou! e se a modificação do espaço urbano é norma numa cidade, dar demasiados privilégios a um modo de circular sobre o outro é errado, sob pena de a gente estar a contribuir apenas para mais trânsito e a mudar a atravancação de sítio. as cidades dos açores têm uma escala própria que precisa ser cuidada, para bem de quem mora, vive, vem trabalhar ou se diverte. é este balancear entre gente e carros que precisa ser cuidado e mais procurado. Boas e Felizes Páscoas.

di domINGo

14

foTogRAfIA AnTónIo ARAújo

23.MARÇO.2008

di domINGo

15

23.MARÇO.2008

rePorTaGem FoToGraFIa

héLio vieirA AnTónio ArAúJo

pEso HisTóRico dE anGRa
áLVaro moNjardINo CoNdUzIU, Há maIs de Um QUarTo de séCULo, o ProCesso QUe CULmINoU Com a CLassIFICação de aNGra do Heroísmo, em 1983, Como PaTrImóNIo da HUmaNIdade. NUma CoNFerêNCIa ProFerIda, reCeNTemeNTe, desTaCoU a reLeVâNCIa HIsTórICa da CIdade Para a CLassIFICação aTrIBUída PeLa UNesCo.
Numa conferência no âmbito das comemorações do 25º aniversário da classificação de angra do Heroísmo pela UNesCo, realizada a 13 de março no salão Nobre da Câmara municipal de angra do Heroísmo, álvaro monjardino recordou as diversas etapas que estiveram na origem da atribuição do título de Património mundial. “a inclusão de zona central de angra na lista do Património mundial acabou efectivamente recomendada pelo IComos “no quadro de uma proposta global sobre as explorações marítimas dos séculos XV e XVI”, com expressa menção das escalas no retorno das índias orientais e ocidentais, da Provedoria das armadas, da escolha do terreno em função de um porto que ia servir para isso mesmo, de uma malha urbana desenhada em função desse porto e, facto admitido como único, da meteorologia condicionante, além de um sistema defensivo inexpugnável”, referiu. durante a conferência, álvaro monjardino lembrou que “ao longo dos seus mais de quinhentos anos de existência como povoação deixou-lhe marcas físicas que, tendo muito a ver com a História da ilha e do arquipélago, têm a ver também com a História portuguesa, a ibérica e a universal”. Nesse sentido, recordou que o século XV corresponde à era dos descobrimentos e à criação do núcleo urbano, o século seguinte a crescimento de uma cidade que assume a sua importância portuária intercontinental. o século XVII ficou marcado pela ocupação espanhola e, posteriormente, pela restauração, enquanto no século seguinte é mercado pela decadência da importância da cidade e no século XIX pela era Liberal e a resistência ao absolutismo. durante o século XX angra já tinha perdido a influência que foi tendo ao longo de mais de quatrocentos anos. “Ficaram ressentimentos, prosápias antigas, hábitos de lazer e um marasmo que apenas o movimento de ideias havido na década de 60 conseguiu sacudir. Tal sacudidela contudo não se reflectiu de forma positiva no património construído. Pelo contrário. Quiçá com a única excepção do solar restaurado dos Bettencourtsde-Trás-da-sé, essa época deixou sobretudo provas de insensibilidade perante a herança cultural que esse património representava. eliminaram-se notáveis edifícios seiscentistas, continuaram a desfigurar-se as fortalezas de são sebastião e do monte Brasil, desactivou-se a plurissecular ribeira dos moinhos e alteraram-se fachadas harmoniosas e castiças em nome de um progresso mal entendido, ao querer-se mesquinhamente uma cidade nova dentro de uma cidade velha e que valia como e por isso mesmo”, disse. segundo álvaro monjardino, foi o terramoto de 1980 que veio por um travão a descaracterização do património arquitectónico de angra do Heroísmo. “Por um lado, o mundo culto descobriu esta cidade esquecida, marco da expansão europeia, apesar de tudo ainda preservada pela sua própria decadência. Por outro, começou localmente a consciencializar-se o valor intrínseco, em termos culturais e até em possível qualidade de vida, deste testemunho do passado”, frisou. a nível regional e por via legislativa foram tomadas medidas para que a cidade pudesse ser reconstruída, tendo como referência a sua herança cultural e histórica. novos fins, o restauro dessa antiga sinalização encontra até razões acrescidas para se fazer”, afirmou. Para além de lamentar que tenham desaparecido os esboços elaborados por Francisco Coelho madurodias entregues na Câmara municipal de angra do Heroísmo para assinalar no Pico das Cruzinhas (monte Brasil) a classificação de angra pela UNesCo, álvaro monjardino fez notar que não estão afixados nos diversos miradouros da cidade elementos explicativos sobre a história da cidade, bem como, referências sobre os monumentos. No que se refere à animação cultural, considera que poderiam ser aproveitados alguns do momentos relevantes da história de angra do Heroísmo para se fazer recriações destinadas aos visitantes. outra medida proposta por álvaro monjardino é a recuperação das Portas do mar que se encontram cobertas de areia na sequência das obras de recuperação do Pátio da alfândega. Nesse sentido, considerou que é possível implementar uma solução semelhante à que foi adoptada para mostrar os vestígios arqueológicos existentes na praça municipal da vila alentejana de arraiolos, que são visíveis através de uma cobertura com placas de vidro. “Conhecer e dar a conhecer a história da cidade e o seu entrosamento na grande História não pode ficarse por aquilo que o museu de angra já mostra na sua exposição permanente que, sendo importante e bem conseguida, não evidencia ainda tudo o que deve evidenciar-se. Por outro lado, ser-se um guia na cidade de angra implica apresentá-la na sua realidade presente e no seu significado histórico, em termos de sensibilizar pessoas, sejam elas de Portugal, sejam do resto da europa, sejam de outras partes do mundo”, afirmou álvaro monjardino.

áLVaro moNjardINo

ainda angra do Heroísmo tinha pedras caídas pelas ruas e pó no ar, na sequência do sismo de 1 de janeiro de 1980, quando o Instituto Histórico da Ilha Terceira decidiu promover o propósito de inscrever a cidade na então reduzida lista de pouco mais oito dezenas de monumentos e sítios classificados pela UNesCo como Património da Humanidade. álvaro monjardino tomou a seu cargo a tarefa de convencer o IComos (International Council on monuments and sites) que angra do Heroísmo deveria ser classificada como Património mundial por estar associada a um acontecimento relevante da história universal: a exploração marítima dos séculos XV e XVI que permitiu estabelecer laços entre as diferentes civilizações da terra. o processo relativo às diligências que culminaram com classificação de angra do Heroísmo começou em 1981, quando foram desenvolvidos os primeiros contactos junto da UNesCo e em Lisboa. a decisão favorável foi tomada a 7 de dezembro de 1983 pelo Comité do Património mundial na reunião realizada Florença (Itália).

valoriZar anGra
Na segunda parte da sua conferência, álvaro monjardino deixou algumas sugestões para que angra do Heroísmo possa tirar melhor partido do de estatuto de Património mundial. entre as iniciativas propostas, está uma apresentada em 1984 e nunca concretizada e que visa recuperar uma estrutura de apoio à navegação do Pico do Facho (monte Brasil), constituída por um jogo de lanternas e balões, que durante séculos assinalava a existência de movimento de navios ao largo da baía de angra. “Com a reorientação do porto de angra para os seus

di domINGo

16

23.MARÇO.2008

di domINGo

1

23.MARÇO.2008

FoLHeTIm 365 Luiz FAGunDes DuArTe

áGUa BEnTa
ainda me lembro, como se fosse ontem – embora já lá vão mais de quarenta anos bem contados –, quando no sábado de aleluia – o sábdo d’arelhúa, como dizia a Tia Guilhermina – íamos à igreja da serreta buscar uma lata de água benta. Não sei já para que servia essa água, que ficava, até ao ano seguinte, bem arrumadinha no sótão lá de casa, ao lado da palma do domingo de ramos e com a mesma exacta utilidade: cumprir um ritual. e lembro-me que nesse tempo, quando não havia taparuéres (deixem-me cá aportuguesar estes malfadados “tupper ware” que hoje tanto nos facilitam como enfernizam a vida, sobretudo quando os tentamos arrumar), nem garrafas de plástico, e as garrafas de vidro eram poucas e, constantemente recicladas, serviam para guardar outras coisas mais de servidão, como o azeite e o vinagre, ou os licores de anis ou de casca de laranja – íamos, no sábado de aleluia, à igreja da serreta buscar a água benta para o resto do ano, na latinha de folha de flandres (que melhor se dizia folheta), ou já de zinco, com que habitualmente se ia buscar o leite a casa do produtor (eu, tal como nunca toquei na música da serreta, também nunca tive gado, nem ordenhei vacas, e por isso peço pròmôrdeus que não venha para aí alguma senhora professora mandar-me calar e que me ocupe antes das vacas… Porque de vacas, de facto, é que não percebo mesmo). Nessa altura também não existia a asae, e creio que nunca terá passado pela cabeça do Padre Coito pôr em questão a idoneidade de se transportar a água benta nas latinhas do leite – ficando eu agora com a dúvida de saber se a asae, a existir nesses tempos, teria pegado connosco por pormos a água benta na lata do leite, ou se o leite na lata que transportara a água benta… (Bem, tendo em conta o estado das mãos que eu via mergulharem na pia da água benta para o sinal da cruz à entrada da missa – “puai-filhe-xprito-suanto” –, e o aspecto duvidoso dos óleos sagrados que o Padre Coito lá metia, acho que sei por onde pegariam os fiscais; mas adiante, que nesse tempo os fiscais eram outros, e bem outros os interesses deles…) mas o facto é que lá vínhamos nós para casa, todos penteadinhos e de roupas novas, com a latinha do leite cheia da água benta que mais tarde alguém guardava, depois de benzer todas as divisões da casa com um hissope nela embebido, lá nos cafundós do sótão. e tenho pena que essa já não seja a prática: quando eu vejo hoje os senhores padres a abençoarem casas novas, ou a rezarem os responsos dos defuntos, ou a praticarem outros actos canónicos, aspergindo as coisas e as pessoas com uma espécie de caneta de tinta permanente que em vez de tinta tem água benta lá dentro (e que tem o seu quê de agressivo quando é utilizado sobre as pessoas), sinto uma saudade calada das velhas caldeirinhas que assim, em nome do progresso e da bênção rápida (ou será “fast blessing”, à maneira do “fast food”?) vão sendo mandadas para os confins da memória e das sacristias das igrejas… mas deixemo-nos de coisas, que este folhetim do domingo de Páscoa vem cá para fora no sábado de aleluia – e as pessoas têm coisas mais importantes em que pensar do que em caldeirinhas ou latas de leite. Por exemplo, em água benta, que é coisa de que, sem desprimor para os rituais sagrados ou para os inspectores da asae, andamos todos bem precisadinhos.

di domINGo

18

23.MARÇO.2008

di domINGo

19

23.MARÇO.2008

rePorTaGem FoToGraFIa

vAnDA MenDonçA AnTónio ArAúJo

os dias da cRiaÇão
“os dIas da CrIação” é o TíTULo de Uma eXPosIção de PINTUra, da aUTorIa de dImas sImas LoPes, PaTeNTe Na CarmINa-GaLerIa de arTe CoNTemPorâNea, em aNGra do Heroísmo, aTé 4 de maIo.
uma preocupação de deixar algo no quadro, um pequeno sinal, mesmo nos mais abstractos”. Nesta exposição, dimas Lopes regressa a “temas antigos, como os dias da criação e o espírito santo”. “Tal como nos escritores, há sempre um retorno. a criação é um acto circular - voltamos quase sempre ao ponto de partida, ao princípio que nos orienta. a própria vida é circular”.

dImas LoPes

médico-pinTor
dimas Lopes concilia a pintura com a profissão de médico. Uma ligação que, segundo ele, tem dado bons resultados “Pode-se dizer que é um casamento sem problemas de maior”, afirma, com sentido de humor. “Quando parto da arte para a medicina, sinto que o contacto com o próximo, com o doente que precisa de mim, é melhor”, sublinha, garantindo que o contrário também é verdade: “o contacto com a doença leva-me a necessitar de me refugiar e aproximar do processo artístico”. o “namoro” entre as duas actividades surgiu em 1989. “já era médico e tinha muita curiosidade pelo fenómeno artístico, nomeadamente por teatro, cinema, música, pintura, artes plásticas…” a determinada altura, não resistiu à “tentação de entrar no processo de criação”, que, na sua opinião, “pressupõe sempre alguma ousadia e atrevimento”. o médico-pintor descreve o acto criativo como um “momento singular, que comanda o criador”. “À medida que o quadro é pintado, a pintura é que conduz o pintor, é que pede o que vem a seguir…” No seu entender, “cada vez mais a intervenção artística é difícil, pois há a impressão de que tudo já foi dito ou criado, mas é um acto impulsivo, um vício…” “sentimos necessidade disso como de comer ou respirar”, afirma dimas Lopes, para quem o processo criativo é, para o artista, “uma necessidade vital”.

do princípio do mundo ao corpo, passando pelo espírito santo, a alquimia, a simbólica e as geometrias, dimas simas Lopes conduz-nos, em “os dias da Criação”, a uma viagem pelo Livro do Génesis e pelo próprio processo artístico. Composta por quadros pintados entre 2004 e 2008, a mostra está patente ao público na Carmina Galeria, na Feteira, até 4 de maio. “Trata-se de uma metáfora dos dias descritos no Génesis. a partir daí, fui buscar imagens muito bonitas da própria Bíblia para a colocação de cores sobre uma superfície plana, pois a pintura é sempre isto”, começa por dizer o pintor, sentado entre as suas obras, na ampla sala de exposições da galeria que fundou há três anos e meio. “é também uma alusão ao meu próprio trabalho, porque o artista todos os dias tem dias da criação”. os quatro elementos que formam o universo – fogo, terra, água e ar –, aos quais se segue o caos, dão o mote a esta mostra. “o fio condutor parte do primeiro ao sétimo dias da criação. surge depois a simbólica, ou profana, do espírito santo, que tem a ver também com alguma alquimia – a ciência não exacta de fazer criar o ouro. as geometrias, por seu lado, têm também a ver com as alquimias. No fundo está tudo ligado…”, explica dimas Lopes. o artista define a sua pintura como tendo “fases mais figurativas do que outras”. “Tenho, contudo, sempre

“acTo de avenTura”
a abertura da Carmina Galeria, em julho de 2004, foi,

“mais uma vez, um sonho atrevido”. “surgiu do desejo de colaborar para apresentar também novos valores emergentes, assim como da percepção de que a nossa terra precisava de uma coisa destas”, recorda. “Numa terra pequena como a nossa, um projecto destes é um acto de ousadia que também dá grandes preocupações”. mas apesar de todas as dificuldades, sublinha a “adesão muito paulatina, mas constante”, das pessoas à primeira galeria de arte da Terceira. dimas Lopes alerta, no entanto, para a “grande necessidade de os jovens e as crianças visitarem mais estes sítios, para que se habituem de um modo natural a conviver e a usufruir da arte”. Quanto ao futuro, o médico-pintor pretende “partir para outras fases e outra aventura”. “escrever um livro ou pintar é também um acto de aventura. o artista sente uma curiosidade, que não pode combater, de ver o resultado do seu acto criativo”. observando as suas obras penduradas nas paredes brancas da galeria, dimas Lopes sintetiza a sua visão sobre a arte e a vida: “só têm um fim – conduzir-nos ao objectivo supremo de sermos felizes. e a pintura é uma das actividades humanas que pode contribuir para o acesso a essa felicidade…”

di domINGo

20

23.MARÇO.2008

di domINGo

21

23.MARÇO.2008

rePorTaGem FoToGraFIa

heLenA FAGunDes AnTónio ArAúJo

coMpanHEiRos a dUas Rodas

CLUBes moTard

são adVoGados, PoLíCIas, PesCadores... Todos Com o VíCIo das moTos em ComUm. dI aProVeIToU a INaUGUração da sede do TerCeIraçor moTo CLUBe, em são maTeUs, Para CoNHeCer o UNIVerso moTard.
di domINGo

Blusões e coletes de cabedal preto, botas pesadas, camuflados, ganga, lenços, óculos escuros. o universo motard tomou conta do Negrito, em são mateus. No parque de estacionamento da zona balnear, as motos repetem-se. Yamaha, Honda, suzuki, choppers ou mais desportivas. entre as pessoas que se encontram à espera que abram as portas da nova sede do Terceiraçor moto Clube, um casal inteiramente vestido de preto empurra um carrinho de bebé cor-de-rosa e um homem de meia-idade e aspecto cuidado cruza os braços sobre o blusão de ca-

bedal. é já no interior da sede que o presidente do Terceiraçor moto Clube, antónio medeiros, também vestido como mandam as regras motard, explica que participaram perto de 180 motos no percurso Praça Velha- Praia da Vitória- Negrito. o passeio antecedeu a inauguração da sede, no dia dois deste mês. “até agora, está tudo a correr muito bem”, diz antónio, mais conhecido por Toni, com um ar satisfeito. o presidente do moto clube, fundado em 2003 e com cerca de 300 sócios, tem razões para estar satisfeito. a abertura do novo espaço é a materialização de muitas horas de trabalho. “Tudo o que está aqui é fruto do nosso suor. agora podemos receber os nossos sócios e pensar em atrair mais alguns”, resume, em poucas palavras. é também com poucas palavras que explica o que é ser motard: “é uma pessoa que gosta de andar de moto”. mas não pode ser apenas isso, pois não? “Não, no fundo é uma entrega, uma paixão. Temos a nossa vida normal – eu trabalho no hospital de angra – mas depois temos esta parte da nossa vida de que gostamos muito”, responde. No caso de Toni, a paixão espalhou-se a toda a família. “eu já gostava de motos, mas depois de o conhecer ainda fiquei a gostar mais”, diz a esposa, de cabelo claro amarrado por um lenço, ocupada a servir cerveja aos vários motards que aguardam junto do balcão. “Comecei a gostar de motos desde miúdo, com uns 18 anos. Com perto de 25 deixei e voltei há uns seis anos. a minha mulher adora e as minhas filhas cresceram com as motos. agora, até os meus netos são loucos por isto”, continua o presidente do moto clube. os sócios do Terceiraçor moto Clube são também uma grande e variada família. estão inscritas pessoas de todas as profissões e extractos sociais. além disso, perto de 30 por cento são mulheres. “existe aquela ideia feita de que os motards são só homens, mas temos também muitas mulheres”, diz. entre cumprimentos aos convidados da festa, que se prolonga no exterior, numa grande tenda onde foi montado um palco, Toni recusa que ainda existam preconceitos em relação à comunidade motard. “as pessoas pensavam isso há uns anos. os motards eram uma espécie de bandidos de cabelo comprido que gostavam de andar de moto. Isso agora mudou. já se percebeu que somos pessoas perfeitamente normais”.

espíriTo moTard
joão Carlos medeiros, presidente do moto clube “Ghost riders”, de Vila Franca do Campo, em são miguel, é a prova de que as aparências enganam. depois de uns dez minutos de entrevista, revela que é agente da Polícia de segurança Pública. os óculos escuros, cabeça rapada, calças camuflado, lenços no punho e colete de cabedal estão muito longe da farda que veste no trabalho. “existe o polícia joão Car-

los, que é um pouco um símbolo de autoridade. a minha postura e a reacção das pessoas quando estou fardado são muito diferentes de quando estou à motard. o joão Carlos motard é uma pessoa muito mais aberta, dinâmica. sei dividir todas estas áreas”. o “Ghost riders”, qualquer coisa como “Cavaleiros Fantasma”, nasceu a 22 de junho de 2006. mas são miguel contava já com vários outros clubes. “existem os ‘Gravis’, da Lagoa, os ‘sempre Livres’, também da Lagoa - no inicio havia apenas um moto clube, mas depois dividiram-se – os ‘amigos’, o Clube motard do Norte e o Clube motard de Ponta delgada”, vai explicando joão Carlos, apoiado contra a muralha, de costas para a tenda onde se festeja a inauguração da sede do Terceiraçor moto Clube. Para além de existirem mais moto clubes em são miguel, o panorama motard é diferente do terceirense, afirma joão Carlos. “eu aprendi a ser motard na Lagoa. Todos os anos, a seis de agosto, eles fazem uma grande concentração onde distribuem cadeiras de rodas a pessoas necessitadas. antes, angariam dinheiro com várias festas e outras iniciativas. já os ‘Ghost riders’, pelo Natal, deslocam-se às superfícies comerciais e fazem um peditório a favor das crianças carenciadas. é a nossa forma de retribuir à comunidade e acabar com qualquer preconceito que ainda possa existir”. Também o Terceiraçor moto Clube quer uma maior relação com a comunidade. “Vamos fazer um passeio do dia do dador de sangue, em que vamos mesmo doar sangue, seguindo-se um pequeno lanche e convívio. Queremos também promover vários passeios ao longo de toda a ilha, especialmente para sócios, mas que também podem receber outros motards”, dizia antónio medeiros, numa entrevista concedida ao “diário Insular”, dias antes da abertura da sede. Não é apenas no envolvimento com a população que os vários clubes são diferentes, adianta o presidente dos “Ghost riders”. “o moto clube Terceiraçor, por exemplo, aceita motos de qualquer tipo, enquanto nós apenas admitimos choppers. é uma opção. No passeio que demos hoje de angra à Praia, houve uns quantos rapazes com uma motos de 50 a fazerem cavalinhos. se um deles cai, vamos todos ao chão... o que não quer dizer que seja sempre assim, mas por definição, aceitamos apenas as choppers, grandes e pesadas. a minha Yamaha dragstar- que costumo dizer que é a minha namorada – é um exemplo”, diz, com uma risada. os vários moto clubes têm, no entanto, muitos pontos em comum. sobretudo, o espírito motard determina que exista total igualdade e respeito entre membros, diz joão Carlos: “é a primeira coisa que tentamos meter na cabeça aos miúdos ‘copinho de leite’ que nos aparecem por lá: Não existem distinções. Temos advogados, polícias, pescadores. Tanto eu posso ser presidente como o podia ser o pescador ou o cavador. somos todos iguais, companheiros a duas rodas”.

22

23.MARÇO.2008

di domINGo

2

23.MARÇO.2008

oPINIão

GuiLherMe MArinho
http://chaverde.blogspot.com/

saLa da aUToNomIa
ArnALDo ouriQue
arnaldo.ourique@dacores.com

coMEÇaR pElo fiM
Não houve órgão de comunicação social que não discorresse sobre a possibilidade de, passados quase 10 anos, a região, mais concretamente a assembleia Legislativa, desistir da criação do “seu”/”nosso” canal parlamento. estas curiosas reacções, mais epidérmicas que orgânicas, parecem revelar as sensibilidades da opinião pública, e publicada, sobre quais as prioridades a tratar no âmbito da Comissão eventual para a reforma do Parlamento (1). Contudo, começar aí o debate sobre uma reforma é, não só, começar pelo fim, como começar mal. Qual deve ser, então, o início? o início é o porquê da reforma, e o porquê da urgência em reformar, antes sequer de pensar no que reformar. sim porque trabalhar sobre uma reforma a menos de seis meses do final da legislatura só se compreende perante uma emergência pontual (o que não parece suceder), ou perante uma comprometida predisposição para deixar um legado de dignificação das instituições às gerações vindouras. ou seja, se as reformas parlamentares querem-se com ideias, é certo, a elas estarão, sempre, umbilicalmente, ligadas vontades: a de reformar e a de ser reformado. em qualquer processo de reforma, especialmente em matérias do sistema político, não havendo soluções instantâneas, a manutenção de algumas propostas, ao longo de anos, no campo das prioridades, pode fazer duvidar, primeiro, da necessidade de reforma, segundo, da vontade para a sua concretização, último, da sua possibilidade de concretização. Convém lembrar que, no mandato anterior, foi constituída uma Comissão eventual para “Uma Nova assembleia para o Novo século” que, em 2002, formulou propostas (2) que, ainda, esperam concretização ou avaliação. sendo assim, “dá-se de barato” que o princípio base desta “nova” reforma é o reconhecimento da tendência estrutural para uma “crise dos parlamentos” e a cíclica renovação do voluntarismo político em contribuir para a dignificação da instituição parlamentar. olhemos, então, essa anunciada “crise”. Crise de funcionamento, de recursos, de prestígio dos titulares, de imagem na opinião pública? recorrendo a quem, realmente, sabe, andré Freire, antónio de araújo, Cristina Leston-Bandeira, marina Costa Lobo e Pedro magalhães, em “o Parlamento Português: uma reforma necessária” (2), sublinham que o parlamento está em «crise» porque, se mostra incapaz de exercer de forma consistente todas as funções que lhe estão atribuídas: o espaço da «função tribunícia» é ocupado, com maior eficácia, pelos mass media; a «função legislativa» é dominada pelos governos e, finalmente, o exercício da «função de controlo» ressente-se da ambiguidade do estatuto dos deputados, ou seja, da dificuldade em conciliar dois perfis distintos: o do parlamentar tecnicamente competente (mas, porventura mais distante dos eleitores e mais independente em relação aos directórios partidários) e o deputado «político», muitas vezes recrutado apenas em função das capacidades demonstradas no interior das organizações partidárias e particularmente sensível aos apelos da career politics. Nem mais! do declínio das funções tradicionais do parlamento, apresentação dos seus novos papéis e propositura de soluções trataremos em próximo artigo.
(1) http://base.alra.pt:82/4DACTION/w_foto_comissao/CERP (2)http://base.alra.pt:82/Diario/VII51.pdf (3)http://www.ics.ul.pt/imprensa/det.asp?id_area=2&offset=20&id_publica=18

siM oU não (2/) ao RR?
sim ou não ao representante da república. No primeiro texto consideramos que o cargo é importante para a autonomia. No segundo texto vimos a recente evolução política e as previsíveis consequências, umas técnicas e outras políticas. Vejamos agora o estatuto do representante da república que está, como lei avulsa, em discussão na assembleia da república. o projecto de lei (nº405/X) que está em discussão não levanta nenhuns problemas à autonomia: limitase a agrupar num único diploma um conjunto de matérias dispersas por várias leis ao nível de vencimentos e outras questões burocráticas; não toca na matéria constitucional e estatutária, designadamente as normas referentes à assinatura e veto das leis. mas é aqui que está o perigo: quando um dia houver necessidade de colmatar omissões constitucionais, essa lei, por ser lei avulsa e não pertencer ao bloco superior da legalidade autonómica, criará todos os sistemas que se quiser – os quais, estando mesmo de acordo com a Constituição, não têm a anuência das regiões autónomas. Claro que existirá sempre o princípio da audição das regiões autónomas; mas quão diferente é a audição da proposta de poder exclusivo. é assim que se iniciam as profundas alterações: primeiro retiram-se dos estatutos Políticos e, pois, deixam de ter relevância autonómica, ou pelo menos é muitíssimo menor; segue-se a existência de um regime autonómico cujas normas das entidades envolvidas estão dispersas, pior ainda em leis avulsa e sem a força jurídica que os estatutos possuem (por enquanto); e por fim, um bloco de legalidade que já não é autonómico mas estadual, eminentemente estadual. Nunca em trinta anos de democracia o estado foi tão centralizador; quem quer a centralização e acompanha a criação legislativa da região deve fartar-se de rir com a impotência pueril; quem quer a autonomia e acompanha essa criação deve estar atónito com a pueril impotência. o cargo de Presidente da república chama a si o cargo do representante da república. embora o representante da república seja uma entidade da dialéctica autonómica, não pertence à autonomia, mas à Presidência. agora sim, o representante da república está livre, totalmente livre, para fazer o que o estado quiser: pertence ao procedimento autonómico, mas não à sua estrutura institucional. e quem pensa que o cargo é de transição, deixe de o pensar. antes pelo contrário, pelo menos nos próximos dez anos: nunca este cargo, agora representante da república, antes ministro da república, esteve tão preso à autonomia como hoje, com uma diferença: ontem pertencia, apesar de tudo, ao sistema autonómico, hoje pertence ao estado – e as regiões autónomas, pelo menos a dos açores, perderam por completo aquele poder de dizer com força de lei o que querem com o cargo; fica poder político conjuntural, mas perde-se todo o outro – e que é precisamente o mais importante. o cargo de representante da república deve manter-se (quanto pior não será um cargo idêntico ao de um governador, como já foi antes de 1974). deve estar em lugar destacado no estatuto (quão diferente é um cargo de estatuto de um de uma lei avulsa). deve estar ocupado por pessoas com vontade de contribuir para o mundo.

di domINGo

24

23.MARÇO.2008

di domINGo

25

23.MARÇO.2008

rePorTaGem FoToGraFIa

MATeus roChA AnTónio ArAúJo

a GRandE faMÍlia

aNTóNIo GodINHo

loucuras, mantemos as contas equilibradas. No plano desportivo, o clube tem estado num patamar elevado nos últimos anos. a equipa do Boa Viagem é, sem favor, uma das melhores da Liga Feminina”, afirma, para início de conversa com a reportagem do dI/revista. “somos muito realistas e temos larga experiência enquanto dirigentes desportivos. o orçamento estipulado em cada época é para cumprir. a exemplo de outros emblemas, podíamos arriscar em determinados momentos, só que esta não é a nossa postura. Não queremos que o tiro nos saía pela culatra. Como tal, não entramos numa política de ganhar títulos a qual-

so do clube. Foi, na realidade, algo que nos empolgou imenso”. “estamos no dirigismo com empenho e dedicação. ser profissional ou amador não é o mais importante. somos totalmente amadores mas trabalhamos como verdadeiros profissionais, procurando fazer o melhor possível todos os dias. Com o nosso amadorismo, temos superado objectivos de clubes ditos profissionais”, responde, quando questionado sobre o assunto. será o gosto pelo dirigismo desportivo hereditário? a pergunta prende-se com o facto do filho do nosso interlocu-

o VICe-PresIdeNTe do Boa VIaGem CoNsIdera QUe o seGredo do sUCesso do CLUBe aNGreNse é o esPírITo de FamíLIa QUe reINa eNTre dIrIGeNTes, CorPo CLíNICo, aTLeTas e TreINadores. a CoNQUIsTa de Um GraNde TíTULo é Um desejo assUmIdo, emBora sem “LoUCUras orçameNTaIs”.
di domINGo

antónio Godinho é, juntamente com Paulo jorge silva e ângelo Faria, um dos elementos do núcleo histórico do Clube juvenil Boa Viagem. aos 54 anos de idade, este desenhador de construção civil sonha com a conquista de um título de expressão nacional (Liga Feminina ou Taça de Portugal), mas não a qualquer preço. o actual vice-presidente do Boa Viagem entrou para o clube em 1993, isto depois de ter exercido funções na extinta associação de desportos de angra, na temporada de 1977/78. Cansaço e desmotivação são palavras que não entram no seu dicionário. “Trabalhamos sempre com a mesma dinâmica, até porque vemos o nosso esforço recompensado em termos desportivos. Claro que o aspecto financeiro é a maior dificuldade, mas, como não entramos em

quer preço”, reforça. “Talvez a experiência acumulada ajude-nos na vertente desportiva. o percurso do Boa Viagem tem sido feito de avanços e recuos. Por vezes, um passo atrás tem significado dois ou três à frente na época seguinte. descemos de divisão em várias ocasiões e voltámos sempre a subir, até que conseguimos formar uma equipa competitiva que nos permite andar entre os melhores”, sublinha com evidente orgulho. é com um sorriso de orelha a orelha que antónio Godinho recorda os momentos de glória do Clube juvenil Boa Viagem. “já vivemos momentos inolvidáveis, sobretudo aquando das subidas de escalão. o título de campeão nacional da Primeira divisão é outro marco no percur-

tor, Pedro Godinho, também já ter abraçado a causa. “o Pedro desempenha as funções de delegado da equipa de basquetebol do Lusitânia no continente, uma vez que está a estudar em Lisboa. Habituou-se desde miúdo a acompanhar o Boa Viagem, o que lhe criou um certo entusiasmo pelo desporto”, diz com ar de pai babado. “Um dos segredos do sucesso do Boa Viagem é o ambiente de verdadeira família que se vive no clube. mesmo no relacionamento com as atletas, treinadores, corpo clínico, dirigentes e colaboradores procuramos criar um clima de perfeita harmonia. Ninguém exige nada a ninguém. Quando escolhemos as pessoas, sabemos que podemos contar com elas”, remata, em jeito de confissão.

26

23.MARÇO.2008

di domINGo

2

23.MARÇO.2008

rui MessiAs

sUGEsTÕEs
liVRos
Rapariga com Brinco de pérola Tracy Chevalier Quetzal Editores 223 Páginas

TiRo&qUEda
cinEMa
“sweeney Todd: o Terrível Barbeiro de Fleet street” é o filme em exibição no Centro Cultural de angra, de segunda a quinta-feira, dias 24 a 27, pelas 21h00. o Centro Cultural de angra estreia sexta-feira, dia 28, pelas 21h00, “o sonho de Cassandra”. o filme é apresentado até segunda-feira, dia 31, pelas 21h00, e domingo, dia 30, às 18h00 e às 21h00. o auditório do ramo Grande apresenta sábado, dia 29, pelas 21h00, “sweeney Todd: o Terrível Barbeiro de Fleet street”.

Holanda. Na próspera delf de oitocentos todos conheciam bem o respectivo lugar numa ordem pré-estabelecida: ricos e pobres, católicos e protestantes, patrões e criados. e também Griet julgava conhecer o seu papel quando foi trabalhar para casa de johannes Vermeer: fazer a lida doméstica e tomar conta dos seis filhos do pintor. Ninguém esperava contudo que as maneiras delicadas da rapariga, a sua perspicácia e o fascínio demonstrado pelas pinturas do mestre holandês a arrastassem inexoravelmente para o mundo dele. mas, à medida que Griet se torna parte integrante da obra de Vermeer, a intimidade crescente entre ambos vai espalhando tensão pela casa e adquirindo o carácter de escândalo em toda a cidade.

TEaTRo
simas Lopes está patente na Carmina Galeria, até 4 de maio. “Laboratório de Imagens” é o título de uma exposição de fotografia científica patente no museu da Graciosa, até 31 de março. “do eterno feminino” é o título de uma exposição de pintura, da autoria de Fátima madruga, patente no autitório do ramo Grande, até 26 de março.

a Culturangra e a dramax oeiras apresentam quinta-feira, dia 27, pelas 21h30, a estreia nacional de “Boa Noite mãe”, no Teatro angrense. a peça é apresentada até domingo, dia 20, pelas 21h30. o grupo seiva Trupe apresenta quinta e sextafeira, dias 27 e 28, pelas 21h30, “Yepeto”, no auditório do ramo Grande.

Música

ExposiÇÕEs

PUBLICIDADE

“Corpo Intermitente” é o título de uma mostra de arte contemporânea patente no museu de angra, até 20 de abril. Uma exposição de pintura da autoria de dimas

o espectáculo “Fantasminha Brincalhão - avô Cantigas” sobe hoje, domingo, a partir das 16h00, ao palco do auditório do ramo Grande.
Nota: os eventos agendados estão sujeitos a alteração, da responsabilidade dos promotores.

DIÁRIO INSULAR - Ficha Técnica: Propriedade: Sociedade Terceirense de Publicidade, Lda., nº. Pessoa Colectiva: 512002746 nº. registo título 101105 Jornal diário de manhã Composição e Impressão: Oficinas gráficas da Sociedade Terceirense de Publicidade, Lda. Sede: Administração e Redacção - Avenida Infante D. Henrique, n.º 1, 9701-098 Angra do Heroísmo Terceira - Açores - Portugal Telefone: 295401050 Telefax: 295214246 diarioins@mail.telepac.pt | www.diarioinsular.com Director: José Lourenço Chefe de Redacção: Armando Mendes Redacção: Hélio Jorge Vieira, Fátima Martins, Vanda Mendonça, Henrique Dédalo, Rui Messias e Helena Fagundes Desporto: Mateus Rocha (coordenador), Luís Almeida, Daniel Costa, José Eliseu Costa, Jorge Cipriano e Carlos do Carmo. Artes e Letras: Álamo Oliveira (coordenador) Colaboradores: Francisco dos Reis Maduro Dias, Ramiro Carrola, Claudia Cardoso, Luís Rafael do Carmo, Luiz Fagundes Duarte, Gustavo Moura, Francisco Coelho, José Guilherme Reis Leite, Ferreira Moreno, António Vallacorba, Diniz Borges, Bento Barcelos, Jorge Moreira, Duarte Freitas, Guilherme Marinho, Daniel de Sá, Soares de Barcelos, Cristóvão de Aguiar, Vitor Toste, Luis Filipe Miranda, Paulo Melo e Fábio Vieira Fotografia: António Araújo, Rodrigo Bento, João Costa e Fausto Costa Design gráfico: António Araújo. Agência e Serviços: Lusa Edição Electrónica: Isabel Silva Sócios-Gerentes, com mais de 10% de capital: Paula Cristina Lourenço, José Lourenço, Carlos Raulino, Manuel Raulino e Paulo Raulino. Tiragem desta edição: 3.500 exemplares,; Tiragem média do mês anterior: 3.500 exemplares; Assinatura mensal: 11 euros

di domINGo

28

23.MARÇO.2008

pUBlicidadE
PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

serviço TéCniCo De DesinFeCções
Profissionais em: Desbaratizações * Desratizações Tratamento de Madeiras (Combate às Térmitas)
seDe: rua vigário Geral, 5 A - 9500-443 Fajã de Baixo Telefone 296 382 110 - Fax: 296 636 664 - TM. 919 903 300
2146

DR.º JOÃO BARBAS
PUBLICIDADE

Médico

Consultas 4, 5 e 6 de Abril

PUBLICIDADE

DR.º RUI PAIXÃO
Naturopatia, Quiroprática, Iridologia, Fitoterapia, Oligoterapia, Geoterapia e Correcção Osteo-articular
à sEGUnda daMos o ponTapé dE saÍda dURanTE a sEMana VaMos a Todas RElaxaMos ao doMinGo

Temos mais de 40 pratos diferentes de Borrego, Frango, Peixe, Camarão grelhados, agridoce e Vegetais, com um sortido de especiarias de boa qualidade preparado pelo chefe especialmente vindo da Índia. Segunda a sexta-feira,Prato do dia apenas P/ e 6,00 inclui bebida e café,Pratos portugueses e indianos ACeitAm-Se reServAS De gruPoS
PUBLICIDADE

preços especiais
FAz-Se ComiDA PArA ForA. PrePArAmoS toDo tiPo De FeStAS
horário do restaurante, aberto todos os dias das 12h00 às 14h30 e das 18h00 às 22h30 Rua da Graça, 19 E- Praia da Vitória | Tel: 295 54 28 84

www.diarioinsular.com

PUBLICIDADE

Centro DietétiCo De F. PACheCo
rua de São João n.º 54 Angra do heroísmo Tel. 295 214 969
PUBLICIDADE PUBLICIDADE

CARLOS CARVALHO
Homeopatia - Acupunctura - Naturopatia - Nutrição Reiki - Mesoterapia - Massagem de recuperação CONSuLTAS de 06 A 17 de AbRiL
Com mais de 30 anos de experiência

PeçA gRáTiS A ReViSTA Nº 6 - 100% NATuRAL
SomoS AqueleS que em mAtériA De PreçoS PrAtiCAmoS oS mAiS bAixoS 31 AnoS Ao Serviço DA SuA SAúDe venha confirmar

di domINGo 

2

23.MARÇO.2008