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Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-3099-6

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Márcia Londero

Ciências Sociais nas Organizações

Edição revisada

IESDE Brasil S.A.
Curitiba
2012
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. 12-6855. Título. 1.A. PR : IESDE Brasil.A. Al.10. I. : 28 cm Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-3099-6 1. CDD: 302.iesde. Márcia Ciências sociais nas organizações / Márcia Londero.09.iesde. sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. mesmo parcial.br Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. IESDE Brasil S.Curitiba.482. RJ __________________________________________________________________________________ L838c Londero.com. Imagem da capa: Shutterstock Todos os direitos reservados.© 2008 – IESDE Brasil S.A.A.. por qualquer processo. 2012..com. Carlos de Carvalho.35 CDU: 3. Dr. rev.ed. CIP-BRASIL. 156p.12 08. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www. É proibida a reprodução. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS.12 039329 __________________________________________________________________________________ Capa: IESDE Brasil S. .br . Sociologia organizacional.07 20.1. mais informações www.

A. mais informações www.br .iesde. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 19 As contribuições da Sociologia clássica | 19 A evolução histórica do pensamento econômico no Brasil | 20 Diferentes formas de organização do trabalho | 22 Analisando racionalmente as organizações | 24 Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 33 O objeto de estudo da Sociologia das Organizações | 33 Sociabilidade e socialização | 34 Convívio social.com.Sumário O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 7 O desenvolvimento da Sociologia e a Sociologia do Desenvolvimento | 12 A Sociologia do Desenvolvimento | 13 Sociologia do Desenvolvimento.. isolamento e contato | 34 Interação | 37 Relação indivíduo-sociedade | 40 Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 47 Grupos sociais | 48 Os agregados sociais | 50 Mecanismos de sustentação dos grupos sociais | 52 Organizações e sociedade | 59 Conceito de organizações | 59 Teorias das organizações: o enfoque sociológico | 60 Classificação e objetivos das organizações | 63 Novas abordagens teóricas das organizações | 69 A teoria das relações humanas | 70 A teoria dos sistemas | 74 A teoria contingencial | 75 O poder nas organizações | 81 O conceito de poder | 82 O poder organizacional | 83 As principais fontes de poder nas organizações | 85 Liderança nas organizações | 86 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura | 93 Definindo cultura | 93 Mudança social | 93 Cultura organizacional | 94 As subculturas organizacionais | 96 A mudança organizacional | 97 A inovação | 98 Grau de resistência à mudança | 100 As organizações e suas relações com o entorno | 105 A influência das culturas nacionais nas organizações | 105 As interdependências institucionais da empresa | 107 A empresa e a estrutura educacional | 107 A empresa e as relações com a estrutura hierárquica nacional | 108 A empresa e a família | 108 A empresa e o Estado | 109 Democracia e estrutura hierárquica nas organizações modernas | 110 Concluindo | 111 Aprendizagem organizacional | 119 As relações entre ator e empresa: a força do coletivo | 119 A empresa como produtora de cultura | 120 A aprendizagem cultural | 121 Quatro tipos de identidades no trabalho | 122 As organizações que aprendem | 123 Inovação tecnológica e organizacional | 131 As transformações impulsionadas pela implementação de novas tecnologias na empresa | 131 A influência da tecnologia para uma boa organização | 132 As relações entre tecnologia e estrutura | 133 A previsão das mudanças nas organizações | 135 Novas tecnologias.iesde. novos horizontes | 136 Novas perspectivas para a inovação nas organizações | 137 A globalizaçãoe as organizações | 143 As novas formas de organização | 144 As organizações em rede | 145 A organização pós-moderna | 146 A responsabilidade social | 147 Referências | 153 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..com. mais informações www.br .A.

19) Deparamos-nos hoje com imensas transformações políticas e econômicas de alcance mundial que abalam as formas mais íntimas de nos relacionarmos com o planeta. como os gregos reconheceram. As noções de tempo e espaço relativizadas pelos avanços tecnológicos. e o que era impensável até pouco tempo. As informações e os contatos com as pessoas feitos através dessas novas tecnologias vêm revolucionando o nosso modo de vida como um todo.br . As novas tecnologias impulsionam modificações profundas e nos impelem para caminhos incertos.Apresentação Uma fronteira não é o ponto onde algo termina. Apesar de tantas incertezas. mas. as ciências continuam contribuindo para iluminar os novos caminhos ainda em construção. Perdemos o apoio das tradições. ainda não traçados. a fronteira é o ponto a partir do qual algo começa a se fazer presente. mas destacamos neste trabalho o papel das organizações que objetivam construir uma sociedade mais justa e responsável. o que é real ou virtual. nessa conjuntura.com. Martin Heidegger (apud BHABHA. mas vivemos hoje em um cenário de possibilidades. Visões dicotômicas sobre o que é moderno e o que é arcaico.. Por isso. o perto e o distante. As organizações.iesde. hoje pode ser realizável. p. o possível e o impensável se revelam ultrapassadas. principalmente nas áreas de informática e telemática. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. esperamos que essa nova realidade global sirva de referência para a construção de novas atitudes e valores mundiais que devam ser assumidos por todos. A realidade dinâmica de hoje nos ajuda a refletir sobre o novo. nos colocam grandes questões. 1998. sustentam e fazem crescer a globalização transformando-se em uma estrutura cada vez mais aberta e permeável às situações da sociedade como um todo.A.

A.com. mais informações www.br ..iesde.Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

* Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nesta definição entendemos que: ::: os conhecimentos articulados entre si formam uma teoria que constantemente está sendo posta à prova. se considerarmos que é possível assimilar um conjunto de informações acerca de fenômenos da natureza e de fenômenos que ocorrem na sociedade e na vida das pessoas em geral. que podem assegurar os seus resultados. Por mais distintas que sejam as explicações.iesde. Em qualquer explicação que se dê ao termo. No entanto. mais informações www. todas elas convergem para a indicação de alguns quesitos indispensáveis para a sua compreensão. Graduada em Ciências Sociais pela UFRGS. Ciência é conhecimento provado através da observação e da experimentação. o nascimento de um filho ou a participação de um grupo de bombeiros em um incêndio. por serem exclusivas de uma pessoa ou de um grupo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. por exemplo.br . ::: a investigação é realizada de forma objetiva..O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições Márcia Londero* Ciência é um conceito presente em muitas de nossas falas e ao longo da história tem sido definida de diferentes formas. É possível existir conhecimento que não seja científico? Sim. previsão. sem opiniões pessoais dos pesquisadores que possam interferir no resultado. ::: investigação empírica significa que o conhecimento é obtido a partir de experiências e tentativas repetitivas. ::: essa teoria ou conjunto de conhecimento foi gerada através de uma investigação criteriosa. encontraremos: certeza.A. lei.com. mesmo as experiências mais marcantes como. metodológica com respeito à lógica ou à coerência.

Química.). Nova Atlântida. A primeira classificação das ciências foi dada por Aristóteles (384322 a. estudos sobre o Estado e as formas de governar e também trabalharam teoricamente propondo comparações e requisitos para a construção de sociedades ideais. Subdivide as ciências segundo sua complexidade crescente e sua generalidade decrescente. mais informações www. o que resulta no seguinte: Matemática. Max Weber (1864-1920) e Karl Marx (1818-1883). As obras O Elogio da Loucura. Alguns anos depois. que. saber bem onde estão os melhores cardumes. ::: ciências práticas (lógica e moral). crenças pessoais. Mas foi no final do século XVIII. Essas classificações ilustram como historicamente as concepções de ciência foram se configurando. Psicologia e Sociologia. que a investigação dos fenômenos sociais ganhou um caráter verdadeiramente científico. de Francis Bacon (1561-1626).br . Todas as experiências que acumulamos são chamadas de conhecimento.A. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. surgidas do Renascimento. das melhores colheitas e do tempo. de Thomas Morus (1478-1535) e Nova Atlântida. início do século XIX. baseia-se num princípio mais rigoroso para classificar a Ciência. segundo ele. um agricultor pode saber. Mecânica. como foi o caso da obra de Francis Bacon. uma vez que a Filosofia antiga é a gênese de muitas ciências. metodológica e nem podem ser repetidas com o mesmo resultado.iesde. ao nascer. Ele esquematiza as ciências da seguinte forma: ::: ciências teóricas (Física. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). ressaltando o poder da sociedade em transformar o homem. pessoal. é por essência um homem bom e a vida social é que o corrompe. Na Antiguidade. do saber que o indivíduo acumula tendo como base informações de seu grupo. de Thomas Hobbes (1588-1679) e outras que as precederam. reconhece a decisiva influência da sociedade sobre o indivíduo em sua obra O Contrato Social (1762). podemos entender que a Ciência se diferencia do senso comum. Matemática. Diante disso. Herbert Spencer (1820-1903). por exemplo. Biologia. mas nem todo conhecimento é científico. Jean Gabriel de Tarde (1843-1904) e principalmente com Émile Durkheim (18581917).com. a Filosofia abarcava todos os conhecimentos. Esses autores construíram análises sobre as diferentes formas de organização da política. Não poderia ser diferente. de Maquiavel (1469-1527). não pode ser reproduzida por outras pessoas. mas esta experiência é subjetiva.C. O Leviatã. tais como O Príncipe. Física. foram de suma importância para as Ciências Sociais e contribuíram para o desenvolvimento desta porque marcaram os primórdios das preocupações da ciência com o mundo social. Metafísica). Atualmente sabemos que não abarcam a totalidade das diferentes formas sistematizadas do conhecimento. de Erasmo de Rotterdam (1466-1536). Auguste Comte.. pela experiência acumulada ao longo de anos de observação e trabalho. pois não advém da busca sistemática. referendado pelo crescimento das explicações científicas.8 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições não poderão ser reproduzidas sempre com o mesmo resultado. Um pescador pode. Contexto histórico do desenvolvimento das ciências: o surgimento da Sociologia Encontramos na Filosofia grega importantes subsídios para a divisão das ciências. com Auguste Comte (1798-1857). Utopia.

. A Ciência é conhecimento objetivo porque podemos prová-la concretamente.O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 9 A crescente credibilidade alcançada pelo pensamento científico contribuiu para o surgimento da Sociologia. ::: a observação. ::: os questionários. René Descartes (1596-1650) defendia a validade do método dedutivo. Etnologia. Sob a perspectiva da população da Europa da época. ::: a dedução. pregada por Francis Bacon (1561-1626) desde o fim do Renascimento. Se o homem pode controlar cada vez mais os fenômenos da natureza.iesde. Economia. História e Ciência Política formam um conjunto sistemático. Métodos sociológicos mais relevantes A preocupação em compreender o meio social trouxe à tona a necessidade de encontrar também o meio racionalmente mais adequado para chegar a este objetivo. A Ciência volta-se então à análise do mundo social. Geografia.br . ::: a análise e interpretação de dados. aquele que possibilitava descobertas através do encadeamento lógico de hipóteses elaboradas a partir da atividade primordial da razão. Psicologia. A indução é o método que concebia o conhecimento como resultado da experimentação sucessiva e da utilização da manipulação empírica. Por outro lado. válido indistintamente para cada uma das disciplinas elencadas. São considerados os diferentes princípios e técnicas para a realização de uma investigação: ::: a indução.com. Podemos dizer que a Ciência começa com a observação e que a observação produz uma base segura de onde deriva o conhecimento. de forma ambiciosa. mais informações www. A Ciência é baseada naquilo que podemos observar com Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. concreta. apresenta-se também para todas as Ciências Sociais a importância do quadro metodológico. As ideias de progresso e avanço do controle da natureza pelo homem encantavam e aceleravam o crescimento científico com os investimentos dos próprios capitalistas industriais deste período nesta área. eram vitoriosas as mudanças que a Revolução Industrial e a era dos inventos trazia para o modo de vida cotidiana. ou seja. As disciplinas como Antropologia. A metodologia nas Ciências Sociais compõe um amplo conjunto de procedimentos usados para se chegar ao conhecimento com segurança e rapidez. Foi daí que vieram as primeiras discussões sobre o método científico das ciências sociais. Nesse sentido. um conjunto de saberes acerca de aspectos da vida social ou da realidade social concreta. A teoria é baseada na maneira rigorosa com que obtemos os dados a partir da observação e da experimentação. Sociologia. por analogia poderá controlar também os fenômenos sociais. O campo de estudos das ciências sociais recém constituído define. ou seja.A. Veremos brevemente algumas características neste capítulo. ::: a coleta de dados. aceito como o bojo estrutural das Ciências Sociais.

um método de investigação e. O Empirismo acredita que a Ciência é baseada na observação dos fenômenos concretos. Mas também podemos dizer que para tornar mais preciso o nosso olhar. ::: Funcionalismo: também chamado de organicismo. em alguns sistemas políticos. estruturas subjacentes. A coleta de dados orientada pela teoria e perpassada pela observação é o passo seguinte. utilizamos duas grandes correntes metodológicas ou dois grandes métodos: o Funcionalismo e o Marxismo. ouvir. Em Ciências Sociais são usados diferentes métodos.br . a produção de Karl Marx (1818-1883) marca a introdução de conceitos obtidos da Filosofia. O Positivismo. tocar etc. A Sociologia deveria interessar-se apenas pelo que pode ser observado com os sentidos.iesde. baseia-se na suposição de que é possível observar a vida social e reunir conhecimentos válidos sobre como ela funciona. portanto. Qualquer problema ocasional que surja é tido como uma patologia. O método funcionalista predominou como instrumento teórico até meados de 1950.. O estruturalismo defende que existem. Embora considerado ao mesmo tempo uma filosofia da história. a observação científica da realidade necessita da teoria.com. cujo objetivo é tentar solucionar e explicar um problema ou um fenômeno. tal como um organismo vivo. mas que são concretas e modelam a vida social. Questionários. A pesquisa. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. harmoniosamente vinculadas entre si. ::: Marxismo: também chamado de dialético e histórico-crítico. Nas Ciências Sociais. outros específicos das Ciências Sociais. Estruturalismo.A. ver. onde as partes estão integradas num todo. Um autor clássico desse método é Émile Durkheim (1858-1917). O Funcionalismo interpreta a realidade social pela harmonia e funcionamento equilibrado entre todas as instituições sociais. Esses conhecimentos então seriam utilizados para aperfeiçoar a vida social. um caso anormal que a sociedade terá de sanar. em documentos históricos ou através de material coletado por nós mesmos em entrevistas ou questionários. alguns comuns a outras ciências. O marxismo interpreta uma realidade social estimulada pelo conflito ou luta de classes. formulários. em que selecionamos os dados relevantes para explicar o fenômeno que estudamos. mais informações www. uma não pode prescindir da outra. em oposição à influência religiosa que propunha a fé como explicação maior. Esses dados podem ser levantados através de pesquisa bibliográfica. um dogma. Marxismo. de maneira que os críticos desta corrente apontam a falha da análise em não levar em consideração a subjetividade do real que não pode ser percebida pela mera observação dos fatos. na sociedade. Deriva da palavra “organismo”. ou entrevistas fechadas e abertas são técnicas utilizadas pelos diferentes métodos e vão ser escolhidas a partir das características dos dados a serem coletados e do objeto a ser analisado. Positivismo. que é a forma como entende a sociedade. no sentido de estudar a vida social e sua dinâmica própria.10 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições nossos sentidos. A dialética compreende uma tese e uma antítese que se chocam constantemente e resultam em uma outra tese. como por exemplo a estrutura social e a cultura. A análise e interpretação dos dados coletados aparece como o último passo a ser realizado para se chegar a uma conclusão sobre o fenômeno estudado. Funcionalismo. que não podem ser observadas diretamente. criado por Auguste Comte. engloba um conjunto de instrumentos para a investigação. e marcou trabalhos importantes na Antropologia e na Linguística. Pode-se também conceber o método como o referencial teórico ou conhecimento prévio a orientar a busca científica. a saber: Empirismo.

::: Roger Bastide (1898-1974) – Brasil. e tendo em vista o objetivo desta disciplina que enfoca organizações em particular.iesde. terra de contrastes (1957). cada um a seu tempo e momento histórico-cultural. elencamos obras e autores de diferentes matizes que se tornaram clássicas pela abordagem que oferecem aos estudos nesse campo. que compartilham o cosmopolitismo do universo científico.A. está se construindo o conceito de que pertencemos a um mesmo grupamento e a uma mesma espécie. ::: Vilfredo Pareto (1848-1923): Curso de Economia Política (1896-97). Embora classificados em uma delas. Na Sociologia. diversos recursos metodológicos de diferentes correntes ao mesmo tempo. A leitura dos clássicos é de fundamental importância para alunos que se dediquem ao estudo da sociedade. a espécie humana que. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mas é importante frisar que não pretendemos esgotar toda a gama de pensadores que contribuíram de forma importante na constituição do campo de estudos desta ciência. ::: Max Weber (1864-1920): principais obras – A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (19041905) e Economia e Sociedade (1922). ::: Karl Marx (1818-1883): principal obra – O Capital (1867-1879). Sabemos que pensamos da mesma forma. Na Antropologia.O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 11 Principais pensadores e leituras clássicas das Ciências Sociais Os clássicos das Ciências Sociais interpretaram a sociedade e os problemas dela oriundos. Na Ciência Política destacamos: ::: John Stuart Mill (1806-1873): Princípios de Economia Política (1848).. parece não estar dando certo. mas encontramos no mundo social tantos problemas que é preciso encontrar respostas coerentes ou pelo menos que aliviem e tornem a existência humana um pouco mais compreensível. mais informações www. para os pessimistas. Cada leitura ou obra postula uma seguinte.br . os pensadores. as Ciências Sociais avançaram tanto em metodologia quanto em teoria. Atualmente. incorporam no bojo de seus escritos o contexto histórico e político da época em que viveram. ::: Lévi-Strauss (1908-2009) – As Estruturas Elementares do Parentesco (1949). Paulatinamente. Para efeito de estudos num curso de Ciências Sociais. como já dissemos. ou seja. hoje se pode adotar. pois vislumbra mais aberta e ampla a paisagem. deve-se consultar: ::: Michel de Montaigne (1533-1592) – em sua obra Ensaios (1588) o capítulo “Dos canibais” . com facilidade. destacamos: ::: Émile Durkheim (1858-1917): principais obras – O Suicídio (1897) e da Divisão do Trabalho Social (1893).com. ::: Herbert Spencer (1820-1903): O Indivíduo Contra o Estado (1884). fazendo uso da melhor combinação entre eles para alcançar a compreensão do fenômeno estudado.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. refugiados da Primeira Guerra Mundial. a aceleração do processo de industrialização e o aumento de nações concorrentes na corrida imperialista fizeram com que um novo surto de modernização e formação de novos estados independentes atingisse os continentes asiáticos. tanto em um sistema como no outro. Essa preocupação deu origem a uma disciplina chamada Sociologia Econômica. a saber. respectivamente. O conhecimento também passa a submeter-se aos interesses dessa ordem e as Ciências Sociais são utilizadas como técnica de manutenção das relações dominantes. No século XX. cada uma delas representando uma corrente política diferente. Esse processo revelava a constante internacionalização do processo de industrialização e a expansão do modo de produção capitalista. no próprio desenvolvimento do capitalismo industrial. pano de fundo do surgimento da Sociologia. a burguesia se distanciava de um projeto de igualdade e fraternidade se comportando de forma mais conservadora e utilizando aparatos de repressão físicos e ideológicos para assegurar sua dominação. Mas é com investimentos provenientes do capitalismo que a Sociologia vai se desenvolver através do surgimento da Escola de Chicago nos Estados Unidos onde os grandes pensadores da Europa.com. o de possibilitar a expansão necessária.br . O papel dessas nações periféricas era. As críticas ao evolucionismo. mais precisamente no final dos anos 1980. quando surgiu a Sociologia do Trabalho de onde se derivou a Sociologia das Organizações. mais informações www. africanos e também as recentemente independentizadas nações latino-americanas. dos mercados consumidores de produtos industrializados produzidos nestes países e também fornecer matéria-prima para estas indústrias. vão desenvolver os métodos de investigação de campo que serão plenamente testados na realidade. fez com que recentemente esta nomenclatura fosse abandonada.A. As novas nações então adotaram um modelo de desenvolvimento baseado na expansão do capitalismo industrial ditado pelos países líderes do capitalismo na Europa. O quadro histórico do desenvolvimento do capitalismo Problemas conjunturais como as guerras mundiais. focalizamos a preocupação dos teóricos das Ciências Sociais na questão econômica. Em consequência.12 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições O desenvolvimento da Sociologia e a Sociologia do Desenvolvimento Ao aprofundarmos nossos estudos em direção ao objetivo deste curso.iesde. No cenário internacional surgem duas grandes potências econômicas: os Estados Unidos e a União Soviética. ao aumento da produção na Europa e nos Estados Unidos.. bastante comum no início do ensino acadêmico da Sociologia e posteriormente da chamada Sociologia do Desenvolvimento. o capitalismo e o socialismo. neste momento. que é o de compreender a Sociologia das Organizações. o monopólio das grandes empresas em lugar da livre concorrência e a intensificação da organização dos trabalhadores culminando com as revoluções socialistas revelavam as imperfeições do capitalismo e colocavam abaixo as esperanças de alguns sociólogos de democratização deste sistema. embutido neste conceito de desenvolvimento. ou seja.

os países subdesenvolvidos alcançariam os padrões dos desenvolvidos bastando seguir os passos que os últimos tinham percorrido. estavam localizadas apenas no grau de desenvolvimento. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. para as conhecidas como subdesenvolvidas.com. e não apenas isso. A Sociologia do Desenvolvimento Na ânsia de explicar esta conjuntura em que as novas nações capitalistas buscavam copiar o modelo de desenvolvimento das nações do velho mundo. A Sociologia continua a ampliar seus campos de análise. não só de industrialização. como também de conhecimento. surge na Sociologia um novo tipo de evolucionismo chamado por alguns sociólogos como modelo desenvolvimentista. que neste período era o foco das políticas econômicas nacionais e internacionais.. Nessa perspectiva. concebendo como única diferença o grau de desenvolvimento e não de qualidade deste sistema. o que as aproximava do modelo capitalista industrial europeu. consumidoras dos produtos industrializados dos países do capitalismo central e fornecedoras de matérias-primas para os mesmos. A Sociologia para interpretar estas mudanças As ex-colônias transformadas em nações capitalistas. As categorias de análise da sociologia do desenvolvimento buscam definir estas mudanças. chamadas então de desenvolvidas.br . A partir dessa aproximação passou-se a interpretar o desenvolvimento da economia dessas nações novas como uma mera cópia do modelo do capitalismo central. porém. reproduzir também os modelos de organização das instituições políticas e econômicas. essas novas nações necessitaram passar por um processo de modernização de seus meios de transporte e produção de matérias-primas semelhante ao dos países industrializados.iesde. as teorias sobre desenvolvimento e subdesenvolvimento passam a ser centrais principalmente para os países do capitalismo periférico e dentro deles localizamos os sociólogos brasileiros. todas as nações do mundo pareciam marchar rumo ao desenvolvimento industrial. Surgem novas universidade e novas teorias para explicar a situação específica dos países recém-industrializados ou dos países do chamado Terceiro Mundo. não podiam mais ser classificadas em categorias evolucionistas dos tipo “civilizadas” e “primitivas”. Ou seja. Junto com esse movimento de industrialização foi necessário a criação de técnicas nacionais e a importação de modelos.O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 13 Para consumir esses produtos e fornecer as matérias-primas necessárias ao avanço da produção capitalista central. O mundo passa a ser dividido em nações desenvolvidas. passa a ser justamente o desenvolvimento.A. mais informações www. A Sociologia cria então novos conceitos para interpretar o recente processo de internacionalização do capitalismo. nações em desenvolvimento e nações subdesenvolvidas. Estas análises acreditavam que as diferenças entre estas sociedades. O objeto de estudo da Sociologia neste contexto.

. Este autor.com. Um crescimento baseado no imperialismo colonial que eles praticavam nos países mais pobres e da periferia do capitalismo.A. p. garantiriam uma transição segura do subdesenvolvimento para o desenvolvimento e do progresso prometido pelo capitalismo. em seu livro Etapas do Desenvolvimento (1974. ::: as sociedades em maturação. Índios e negros foram responsabilizados pelo atraso de uma civilização baseada em moldes europeus que eles nem conheciam e tampouco foram convidados a fazer parte. por exemplo. Isso porque estes estudiosos ligavam as causas do subdesenvolvimento de países da América Latina e da África. A teoria desenvolvimentista difundia-se como explicação para os diferentes estágios de desenvolvimento econômico dos países capitalistas e servia como modo de manter a submissão dos países considerados subdesenvolvidos aos padrões e modelos dos chamados desenvolvidos. portanto. mais informações www. ::: as sociedades de produção em massa. 16) formula em 1967 uma teoria em que classifica as diferentes sociedades em cinco etapas de desenvolvimento: ::: as sociedades tradicionais. As teorias desenvolvimentistas.iesde. Essa subdivisão. não reconhecendo aquilo que era o próprio efeito de um modelo de exploração capitalista colonial por eles mesmos praticada. ::: as sociedades em processo de transição. fundamenta-se na ideia de que o desenvolvimento do capitalismo e o modelo de organização da civilização ocidental europeia é o único modelo a ser seguido. Cada estágio entre esses cinco apresentados seriam lentamente alcançados através do desenvolvimento econômico do capitalismo. as Ciências Sociais contribuíram com suas análises no sentido de alcançar instituições que.14 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições Assim. oportunizaram a proliferação desses preconceitos para explicar as causas do subdesenvolvimento.br . às características étnicas e culturais destes povos. que serve de exemplo clássico da teoria desenvolvimentista. Muitos teóricos adeptos deste modelo buscavam identificar as causas do subdesenvolvimento nas formas tradicionais de organização das sociedades mais atrasadas e em explicações muitas vezes racistas e preconceituosas. portanto. acredita que todas as sociedades devem estar localizadas em algum desses estágios desconsiderando a possibilidade de diferentes caminhos para alcançar o desenvolvimento. O norte americano William Wilber Rostow. ::: as sociedades em início de desenvolvimento. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. As nações que apareciam como centros de dominação política e econômica passaram a construir modelos superiores a serem almejados por todos os povos para que alcançassem o progresso. aos moldes das que já existiam nos países da Europa Central e nos Estados Unidos.

Assim. casar-se. participar de eventos. Ocupando-se sistematicamente do comportamento social humano. o objeto das Ciências Sociais é. portanto. mais informações www. Há comportamentos como andar. Objeto e objetivo das Ciências Sociais Pode-se dizer que as Ciências Sociais são o estudo sistemático do comportamento social do ser humano. As Ciências Sociais (a Sociologia é um de seus ramos) pesquisam e estudam o comportamento social humano e suas várias formas de organização.br . educar os filhos são comportamentos sociais. as Ciências Sociais contribuem para um melhor entendimento da sociedade em que vivemos e dos fatos e processos sociais que nos rodeiam. Cada indivíduo recebe influências de seu meio. Ao longo da história.A. 2001) O comportamento humano é muito diversificado. respirar. dormir – estritamente individuais que se originam na pessoa enquanto organismo biológico. receber salário.. fazer greve. o objetivo das Ciências Sociais é ampliar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais. pois se desenvolvem no contexto da sociedade. Como ciência voltada para o social. A investigação científica é o método usado pelas Ciências Sociais em suas atividades. O indivíduo aprende com o meio. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O conhecimento teórico e técnico das Ciências Sociais é de tal forma amplo que pode ser aplicado tanto para entender um fato social como para elaborar e implementar desde pequenos projetos até estudos de política de governo. o ser humano em suas relações sociais.com. Tendo como objeto de interesse o ser humano em suas relações sociais. São comportamentos estudados pelas ciências físicas e biológicas.O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 15 Textos complementares De que se ocupam as Ciências Sociais (OLIVEIRA. a espécie humana organizou sua vida em grupo. forma-se de determinada maneira e age no meio social de acordo com sua formação. mas também pode transformá-lo em sua ação social. tem um amplo corpo de conhecimento. Por outro lado.iesde.

Não esqueça de referendar o título do assunto. de escolarização. basicamente. baixa produtividade. a data e nome do veículo de comunicação que você usou. dieta alimentar etc.. e tomam. explícita ou implicitamente. faça um comentário pessoal sobre o tema pesquisado. Depois. no caso dos países ou regiões ditos subdesenvolvidos.16 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições Os índices do subdesenvolvimento (PEREIRA. baixa taxa de investimento etc. o objetivo e o objeto das Ciências Sociais. um resumo do texto. a renda per capita é tomada pelo lado do consumo de bens e serviços: precárias ou insuficientes condições de salubridade. e tomada pelo lado da produção quando se apontam fatores próximos responsáveis por esta baixa renda per capita: estrutura pouco diferenciada do aparelho produtivo (predominância do setor primário).br .com.A. Escreva em uma folha.. Elabore com suas palavras o conceito.iesde. Atividades 1. exemplos de comportamentos sociais. 2. Pesquise em jornais. de residência. e de alta renda per capita. além da própria renda per capita. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. à disposição num continuum de países ou religiões de baixa renda per capita. De fato. indicadores dessa baixa renda per capita. na internet ou em revistas. 1970) As formulações mais elementares e vulgares recorrem. mais informações www.

mais informações www. Qual a crítica de Luiz Pereira em relação aos índices escolhidos para medir o grau de desenvolvimento ou subdesenvolvimento dos países.com..O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições | 17 3.br .A.iesde. Houve modificações nas análises evolucionistas da Sociologia com o surgimento das novas nações? Por quê? 4. apresentada no segundo Texto complementar? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

A crítica do autor está relacionada ao fato de que não se pode medir o grau de desenvolvimento ou subdesenvolvimento de um país meramente comparando suas rendas per capita. mais informações www.br . As Ciências Sociais realizam estudos sistemáticos do comportamento social do ser humano. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 2.com.18 | O surgimento da Sociologia e suas principais contribuições Gabarito 1.A. O objeto das Ciências Sociais é. É esperado que o aluno inicie o processo de pesquisa em fontes primárias. use os conceitos explicados e reflita sobre o significado das interações que os indivíduos estabelecem no convívio com seus semelhantes. porque as análises do surgimento das novas nações apenas reproduziram um modelo que deveria ser alcançado através do cumprimento de etapas e passos já percorridos pelos países considerados desenvolvidos. Estas devem servir para interpretar dados mais complexos da economia. As Ciências Sociais contribuem para um melhor entendimento da sociedade em que vivemos e dos fatos e processos sociais que nos rodeiam. 4.iesde. Não.. portanto. 3. o ser humano em suas relações sociais.

com. e a estrutura ideológica (filosofia.A. A infraestrutura é a estrutura econômica. arte. A preocupação com os fenômenos ligados à economia da época. mais informações www. está fortemente presente na vida e obra de Karl Marx que trabalha durante toda sua vida em uma grande obra chamada O Capital. Para Marx a sociedade se divide em infra e superestrutura. Desde então a Sociologia procura explicar as grandes questões com as quais os atores sociais de cada época se defrontam. que é formada pelas normas e leis que correspondem à sistematização das relações já existentes. que é formada por um conjunto de ideias de determinada classe social. Já a superestrutura pode ser dividida em dois níveis: a estrutura jurídico-política. política e econômica. É neste período que os fenômenos econômicos marcam fortemente a reflexão sociológica. as Revoluções Francesa e Industrial as quais marcam esta conjuntura..iesde.Sociologia do Desenvolvimento. permeada por duas revoluções que transformaram radicalmente o modo de organização da vida social.br . Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações As contribuições da Sociologia clássica A Sociologia surge para compreender as mudanças ocorridas na sociedade do final do século XIX. que se apresentava em profunda transformação.). As obras de Karl Marx. a qual através de sua ideologia. formada pelas relações de produção e pelas forças produtivas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. defende seus interesses. religião etc. Émile Durkheim e Max Weber alicerçam a Sociologia do século XIX.

br . equipamentos etc. Max Weber distingue três tipos de fenômenos econômico-sociais: ::: os fenômenos econômicos propriamente ditos – são aqueles centrados na importância que possuem na luta material pela existência. em sua primeira obra publicada: Da Divisão do Trabalho Social de 1893. Para ele. em termos de incentivo da produção nacional e nos entraves da relação entre um modelo tradicional baseado na produção agrícola familiar e o modelo industrial moderno..A. A evolução histórica do pensamento econômico no Brasil Durante o período de 1930 a 1970 o Brasil cresceu e se industrializou através principalmente dos incentivos do Estado aos setores industriais e agrícolas com o objetivo de modernizar a indústria para a exportação. da regulamentação das leis trabalhistas. o autor estabelece uma relação entre o aumento da divisão social do trabalho nas sociedades industriais e a criação de um novo tipo de solidariedade que vem a fortalecer a coesão social entre seus membros. a siderurgia e também a implantação da indústria de bens de produção ou bens de capital. principalmente. ::: os fenômenos economicamente condicionados – os que têm pouca importância econômica em si. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mas podem gerar efeitos econômicos. mas são influenciados pela economia. como. mais informações www. Estas questões podem ser resumidas na participação fundamental do Estado. A solidariedade social aparece aqui como uma consequência da própria divisão do trabalho social que necessita da união e da aproximação dos indivíduos para realizar-se. O Estado passava a se empenhar em criar condições para essa industrialização através. ::: os fenômenos economicamente importantes – aqueles que têm importância econômica em si mesmos. por sua vez. por exemplo.com.20 | Sociologia do Desenvolvimento. (máquinas.iesde. sendo influenciados pelos diferentes aspectos da vida social. A preocupação com os fenômenos econômicos orienta também os trabalhos de Max Weber que considerava estes fenômenos como profundamente ligados às instâncias da vida social. A partir da década de 1970 passa-se a considerar o Brasil como um país industrializado e as questões centrais que envolviam o desenvolvimento do capitalismo vão se localizando no desenvolvimento das empresas. o equilíbrio e a ordem sociais obtidos com a divisão do trabalho social geram a solidariedade social. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações Nos trabalhos de Émile Durkheim.). Sabemos que nos primórdios da Sociologia como disciplina nas universidades havia uma Sociologia econômica como parte do currículo formador básico do sociólogo. influenciando-as e. subsídios e investimentos em infraestrutura para a criação das indústrias de base. A mesma interdependência necessária para realizar o trabalho social é a que sustenta os indivíduos coesos dentro da sociedade em que vivem. fixação de preços. Hoje a Sociologia contemporânea começa a perceber novamente a necessidade de se preocupar com a chamada esfera da vida econômica e é nessa tradição forte que se incluem os trabalhos de alguns autores que vamos desenvolver ao longo de nosso curso.

Pelo contrário. pois o crescimento econômico estava baseado na aquisição de grandes empréstimos internacionais. Este modelo de desenvolvimento não absorvia a mão de obra disponível resultando em desemprego em larga escala e empurrando os salários para níveis cada vez mais baixos. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 21 A Sociologia do Desenvolvimento foi o principal marco teórico deste período. mais informações www. Na década de 1980 os problemas econômicos pioraram muito a situação da população. o sindicalismo brasileiro e a constituição do empresariado industrial. o processo de industrialização brasileiro não trouxe. A cultura nacional clientelista e o populismo são considerados entraves a um desenvolvimento racional necessário ao modelo capitalista das empresas baseado no desenvolvimento científico e tecnológico e nas relações de trabalho assalariadas. Estes eram setores que economizavam mão de obra e.A. os pesquisadores dividiram-se em dois blocos: os que aceitavam a ascensão do modelo pós-fordismo e os que acreditavam em diferentes modelos de modernização tecnológica. Nesta conjuntura de mudanças radicais que se apresenta para todo o planeta a partir do processo de globalização das economias.br . no incentivo à instalação de grandes empresas multinacionais no país e numa produção e modernização orientada para a exportação.com. gestão e organização do trabalho. A empresa é ainda estudada sob a óptica do trabalho. as transformações ocorridas no processo de produção. as pesquisas sociológicas no Brasil. Voltada para os problemas macroestruturais do desenvolvimento e influenciada pela corrente funcionalista. a Sociologia do Trabalho vai se firmando através das análises da economia. praticamente de fora dos temas de interesse das Ciências Sociais no Brasil. que teve início na década de 1990. não geravam empregos suficientes para a população economicamente ativa do país. Assim. Reagindo criticamente a esta conjuntura de superexploração da classe trabalhadora. fortemente influenciadas pelo marxismo. ficando o estudo das elites. Neste período as Ciências Sociais partiam das análises sobre o trabalho e se dedicavam a estudar a classe operária. ou seja. As empresas e os empresários passam a fazer parte das análises dos sociólogos que começam a perceber os problemas da flexibilização da produção e do trabalho. e abre à competição alguns serviços monopolizados por grupos privados..iesde. a redução da pobreza e nem a integração da população nestes novos setores. compreendia os problemas do desenvolvimento brasileiro através de uma perspectiva que contrastava os atrasos do modelo de uma economia tradicional com as necessidades de modernização das relações sociais de produção. o fosso entre as classes dirigentes e empresariais e a massa de assalariados aumentava.Sociologia do Desenvolvimento. passam a privilegiar o estudo da classe operária enfocando as indústrias como espaço privilegiado do conflito de classes. principalmente pelo viés da classe trabalhadora. Com a crise do modelo fordista de produção e a ascensão do modelo taylorista. como a sociedade empresarial convivia com os valores do Brasil “arcaico”. ou seja. No entanto. o capitalismo no Brasil e seus atores sociais. Esta política de liberalização da economia e de menor intervenção estatal afetou profundamente a economia brasileira que se internacionalizou rapidamente. ou seja. tanto empresarial como agrária. portanto. o Estado brasileiro negocia com o setor privado a venda de setores estratégicos como as telecomunicações e a eletricidade. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O papel dos empresários no desenvolvimento social e econômico do país e suas relações com o Estado. como era de se esperar.

Soluções organizacionais e modelos racionais foram. O comércio e a agricultura eram.iesde. Até mesmo os estudos antropológicos de diferentes populações e tribos indígenas do começo do século XX serviram para a compreensão da importância dos valores e da cultura para a organização de agrupamentos humanos. no encadeamento das peças. funcionamento racional da empresa. construídos por uma doutrina de que todos faziam parte. formando um mecanismo único. o que deu origem a diferentes teorias utilizadas pela Sociologia do Trabalho. ou seja. A organização da igreja representava um modelo de hierarquia que era baseado na crença dos mesmos valores. Na era dos inventos e das máquinas. As organizações militares de soldados mantinham uma disciplina através de regulamentos e regras que variavam conforme a missão. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações A Sociologia enfatiza então. em seus estudos. baseada. O pleno funcionamento dessas empresas era o foco central das análises científicas interessadas no desenvolvimento do sistema capitalista. a flexibilização ou a precarização do trabalho no contexto pós-fordista. As armas que utilizavam e o poder era centralizado por uma motivação: vencer a guerra. As organizações passam. classificar e reconhecer as práticas normativas e as regras sobre as quais os modos de racionalização de suas estruturas funcionam. formulados e postos em ação ao longo da história da indústria. então. entre outras.A. Um dos primeiros objetivos de uma abordagem sociológica das empresas é marcar.com. necessitaram de aprofundamento na medida em que as sociedades começaram a se complexificar. o trabalho de cada homem devia funcionar como uma peça dentro da máquina. centralização de decisões.22 | Sociologia do Desenvolvimento. estes modelos.. As indústrias e fábricas que nasceram na França. hierarquias e disciplina. Diferentes formas de organização do trabalho O que entendemos por flexibilização da produção e do trabalho? O que é Fordismo. Para exemplificar vamos citar aqui os principais. Vamos compreender como isto ocorreu para depois estudarmos cada um destes conceitos. Taylorismo e Toyotismo? Estes conceitos foram elaborados ao longo do tempo. que nos ajudam a compreender as etapas pelas quais passaram as formas de organização do trabalho dentro da indústria. chefia. a estrutura produtiva deixa de se basear no poder familiar e passa a ser mais técnica. mais racional. por outro lado. por analogia. Tal estrutura das organizações. valores. motivados pelo crescimento das empresas capitalistas. Para isso foram analisados os diferentes modos de organizar o trabalho na prática. a ser estudadas cientificamente enquanto microssociedades com o objetivo de produção econômica. que são importantes porque continuam até hoje inspirando diferentes formas de organizações. o trabalho humano considerado como simples sequência do funcionamento de uma máquina. segue a lógica do encaixe perfeito de todas as peças. No entanto. Em outras palavras. As ideias de cultura da empresa. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. nos seus primórdios. tem essas origens mais longínquas. o chamado maquinismo industrial. mais informações www.br . o que traria melhor resultado na produção. Inglaterra e Alemanha no período da Revolução Industrial partiram de modelos de organizações preexistentes. a partir daí. tarefa de pequenas empresas familiares que ofereciam um modelo baseado na autoridade patriarcal.

o fabricante americano de automóveis buscava formas de aumentar a produtividade de sua linha de montagem com a ideia de que. É considerado o pai da administração científica. que além de modos de organizar as empresas.com. na organização do trabalho em série introduzido pela invenção da esteira que transportava as peças em um circuito dentro das fábricas. eles também viraram teorias. Isso vai trazer a divisão do trabalho por competências onde uns vão executar e os outros vão pensar. o que deu origem à teoria racional legal ou burocrática. a autoridade se divide em três tipos diferentes de poder: ::: o poder tradicional – arraigado através dos costumes e hábitos enraizados.A. Vejamos os principais: ::: Taylorismo Frederick Taylor (1856-1915) Teoria que surgiu em 1911. sendo que os trabalhadores é que ficavam em lugares fixos. Podemos dizer.br . que ela seja legítima. ::: Burocracia Max Weber (1864-1920) No mesmo momento em que Taylor realizava seus estudos. ou de um político. o autor se dedica a estudar o problema da organização. Ex. Para ele. O trabalho era fragmentado em tarefas para obter uma adaptação melhor do trabalhador que acaba se concentrando em uma especialidade limitada da tarefa. O foco das análises de Weber foram as regras e procedimentos legais e a autoridade dentro das empresas. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 23 os modos de organização da produção dentro das empresas (de Taylor. de Ford e da Toyota) deram origens às teorias taylorista. fordista e toyotista ou da flexibilização.. portanto. Ex. Seu método se apoia. como Fidel Castro. ::: o poder carismático – fundado na pessoa e nas suas características extraordinárias. Assim.Sociologia do Desenvolvimento. conhecido como One best Way. que considera como um problema ligado à informação e às competências necessárias para o exercício da autoridade em um mundo econômico novo. como Dalai Lama. ::: Fordismo Henry Ford (1863-1947) Henry Ford. Além do processo do trabalho repetitivo imposto ao trabalhador a linha de montagem possibilitava um controle bem maior dos supervisores e administradores sobre as tarefas do operário.: o poder de um líder religioso. portanto. repousa em uma análise científica da tarefa do trabalhador. em um tempo organizado. Taylor comparou o corpo humano com uma máquina e analisou o tempo e os movimentos sucessivos realizados pelo homem para produzir. quer dizer. Para Weber. o sociólogo Max Weber analisava o trabalho de escritório e problematizava com isso o campo da informação e das competências necessárias para o exercício da autoridade que aparecia paralelamente às questões diretamente ligadas à produção. para se atingir um modo operatório melhor e mais produtivo.iesde. é preciso que essa autoridade seja aceita. produzindo carros idênticos que só tinham o número de série para os diferenciar. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. a melhor maneira. baratearia o custo da matéria-prima e do trabalho. Nasce assim o trabalho em linhas de montagem e a produção em série. não é suficiente que haja a autoridade de um chefe.: o poder paterno. analisar e preparar as condições de seu trabalho.

por isso. porque essa autoridade fica presa ao cumprimento das regras preestabelecidas.br . p. ::: Toyotismo Surgiu em 1950. possibilitava que o trabalhador realizasse também o que foi chamado de trabalho flexível.A. o objeto específico de uma sociologia compreensiva é a “atividade”. Esta divisão. A importância desta interpretação para a Sociologia das organizações seria a capacidade de prever prováveis ações a partir de determinadas situações padrão.. Max Weber ressalta que é necessário compreender a ação do homem e considera como objeto da Sociologia a ação social.. o poder na sociedade de massa só é legitimo porque é racional. ele próprio. mas também para outros membros da sociedade. a legitimidade baseia-se em uma ordem estabelecida pelas tradições e. mais informações www.. como.. Produzindo menos. ou seja.] o nascimento de um pensamento sobre a racionalidade das empresas apoia-se nas categorias da sociologia compreensiva de Max Weber (1965).. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o poder dos reis que é herdado. didaticamente descrita por Weber. por exemplo. os tipos de autoridades entre os dois casos são diferentes. Este modelo.24 | Sociologia do Desenvolvimento. a análise científica da organização das empresas tem origem na sociologia compreensiva de Max Weber: [. influenciado por essa relação significativa. O tipo de autoridade legal ou racional é o tipo que mais se adapta às sociedades industriais e é esse estudo da questão da legitimidade no exercício da autoridade desenvolvida por Weber que dará origem ao que ele chamou de burocracia ou administração racional legal. mas com modelos mais variados e utilizando mão de obra mais qualificada. Analisando racionalmente as organizações Segundo Renaud Sainsaulieu (2006. sendo requisitado em diferentes etapas do processo produtivo. A do primeiro caso é mais forte porque é devida ao indivíduo que herdou esse poder. portanto. permite opor o funcionamento do poder na sociedade tradicional com o poder que se fundamenta na legitimidade racional. isto é. No segundo caso.: o poder de um presidente da República. No primeiro caso.iesde. A obediência é devida não ao indivíduo. que se baseava em uma linha de montagem em que o trabalhador ficava fixo realizando sempre a mesma tarefa. 59).] Esta atividade orientada não pode compreender-se a si mesma sem introduzir o comportamento do outro visado pelo sentido desse ato e. Seu estudo trata da compreensão que se pode adquirir de um comportamento humano e do tipo de interpretação que se pode dar a ele. ao contrário do Fordista. um comportamento relativo a objetos que é especificada de maneira mais ou menos consciente por um sentido qualquer [. às leis e regulamentos. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações ::: o poder legal – que se dá em virtude da crença no valor de leis existentes ou de uma competência fundamentada sobre regras estabelecidas racionalmente. contava com menos mão de obra e por isso o sistema investia na qualificação profissional desta mão de obra e na flexibilização da produção. Ou seja. o que se poderia esperar como uma ação racional para cada situação da realidade social. aquela que tem um significado não apenas para ele próprio. Ex. e ficou conhecido mundialmente a partir dos anos 1970. suficiente em si mesmo. sua autoridade não é contestada. os procedimentos pelos quais as regras são fixadas são legais e. e sim. Para este autor. se a autoridade segue os procedimentos legais.com. Como podemos notar. na fábrica da Toyota no Japão. No segundo é mais frágil.

Por exemplo: acasos econômicos.Sociologia do Desenvolvimento.com. Por isso essa organização da empresa em métodos racionais é até hoje almejada por muitas empresas contemporâneas que ainda não chegaram lá.A. políticas e sociais. Por outro lado. Porém. conflitos. mais informações www. Estas críticas começaram na França de 1950 e podem ser resumidas em quatro principais: ::: A crítica sociológica – esta tratou de dois pontos principais.iesde. explicá-los e corrigi-los. por exemplo. nos princípios que vimos anteriormente. valores profissionais e de identidades coletivas complexas. Essa crítica levantava o problema do surgimento de fatores imprevisíveis que podem entrar em jogo e modificar a pertinência das estruturas em ação.. os quais estariam mais submetidos às regras. pois estas podem ser mais facilmente identificadas e transformadas nos pontos necessários. ou seja. fordistas e weberianas. ::: a substituição da informalidade da rotina de trabalho pela disponibilidade de regras escritas que podem ser consultadas tornando mais impessoais as relações de trabalho. a impessoalidade acarretaria um empobrecimento do conhecimento da realidade humana composta de indivíduos (lideranças ou não). ::: a substituição do “dom” do artesão pela competência do profissional. um efeito contraproducente no excessivo processo de racionalização formal da produção. limitando a capacidade criativa do trabalhador. Porém. ::: a facilidade de transpor ou comparar um modelo racional de uma indústria para outra ou com outras indústrias. As posições fixas que ocupavam dentro das empresas dando margens inclusive ao aparecimento de graves problemas psíquicos e mentais. ::: A crítica econômica – dá-se em função da fraca possibilidade de mudança oferecida à grande maioria dos trabalhadores de base. ::: a facilidade de realizar mudanças nas estruturas de trabalho quando as regras são claramente definidas é maior. Em primeiro lugar foi de encontro ao termo One best way. aquela que busca a produtividade máxima do trabalhador. portanto. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 25 A utilização de teorias taylorianas. Há. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. em segundo lugar criticou-se também a impessoalidade do modelo racional. ideia criada por Taylor que significava um modo operatório ótimo. contingências tecnológicas. As competências técnicas são buscadas em cada profissional para situá-lo onde elas possam ser melhor aproveitadas. (Ver filme de Charles Chaplin – Tempos Modernos). Através de um método de análise é possível encontrar soluções para os problemas da organização. motivações pessoais e a complexidade dos polos decisórios e de comunicação dentro de uma empresa. Vantagens e desvantagens do modelo racional de organização As vantagens podem ser agrupadas em cinco: ::: a substituição da intuição pelo saber científico. a mais eficiente maneira de produzir. estes modelos também sofreram muitas críticas. há também muitas críticas feitas a esse modelo racional de organização. são a base para o desenvolvimento de modelos racionais de organização das empresas ao longo de séculos.br .

pois mantém as vantagens econômicas e culturais daí resultantes para as gerações subsequentes. A burocracia e a Organização Social do Trabalho – OST. para a deformação do modelo racional diante de sua extensão para o resto dos países em função das diferentes culturas sociais. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações ::: A crítica política – formulada por autores franceses influenciados pelo marxismo e depois retomada pelos sindicalistas italianos. a Sociologia das organizações no Brasil vai dedicar-se a analisar o desenvolvimento econômico e social da empresa. por um lado. 1986) A dominação. podemos dizer que a organização racional proposta como modelo foi importante no período de crescimento industrial e ganhou espaço de destaque dentro das teorias que analisavam as organizações na época. a microssociedade empresa não pode ser isolada da grande sociedade nacional. ou seja. Por outro lado. Ou seja. As variações complexas de diferentes modos de organização e gestão das empresas em função das culturas nacionais. a crítica cultural relaciona-se ao caráter fechado da organização racional.br . Pode depender diretamente de uma consteEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a organização social do trabalho é criticada aqui por reproduzir a divisão social do trabalho do início do capitalismo.. questionava a proibição feita aos operários de participar da análise de suas próprias condições de trabalho. Fundamentava-se em dois pontos principais: ::: os sindicatos e os defensores dos operários são excluídos do organograma da empresa. ou seja. Textos complementares Os três tipos puros de dominação legítima (WEBER. Concluindo.com. ::: A crítica cultural – aponta. mais informações www. pois a estrutura de uma empresa depende fortemente de seus ambientes educativos. servem de fato a ideologias não igualitárias de grupos tecnocratas no poder das estruturas econômicas. sindicais e políticos. ::: a divisão extrema do trabalho entre planejadores e executores cria uma nova alienação dos tempos atuais e abre uma contradição crescente com as capacidades intelectuais e profissionais adquiridas durante o tempo livre de uma sociedade avançada. a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato pode fundar-se em diversos motivos de submissão. entendida esta como uma estrutura social formada por atores da produção e seus dirigentes.26 | Sociologia do Desenvolvimento. Neste sentido.iesde. mas trouxe à tona o problema de sua aplicação na diversidade dos contextos existentes. aparentemente fundamentadas na ciência.A.

.br . na comunidade ou no séquito.com. e. que estabelece ao mesmo tempo a quem e em que medida se deve obedecer. A associação dominante é de caráter comunitário. ou seja. ou seja. Obedece-se exclusivamente à pessoa do líder por suas qualidades excepcionais e não em virtude de sua posição estatuída ou de sua dignidade tradicional.. a faculdades mágicas.A. poder intelectual ou de oratória. o inaudito e o arrebatamento emotivo que provocam constituem aqui a fonte da devoção pessoal. a dominação que repousasse apenas nesses fundamentos seria relativamente instável. O tipo daquele que ordena é o “senhor”. Nas relações entre dominantes e dominados.Sociologia do Desenvolvimento. Obedece-se à pessoa em virtude de sua dignidade própria. a dominação costuma apoiar-se internamente em bases jurídicas. Pode também depender de mero costume. portanto. e ela própria e todas as suas partes são empresas. de caráter doméstico ou outro ( como é o caso do quadro administrativo patriarcal). A associação dominante é eleita ou nomeada. O tipo que manda é o líder. o extracotidiano. e os subordinados são membros da associação (cidadãos.. O conteúdo das ordens está fixado pela tradição. Dominação Legal A dominação legal se dá em virtude de estatuto. do hábito cego de um comportamento inveterado. enquanto o quadro administrativo é formado por “servidores”. mais informações www.. Seus tipos mais puros são a dominação do profeta. e o abalo dessa crença na legitimidade costuma acarretar consequências de grande alcance. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 27 lação de interesses. cada uma das quais se acha entrelaçada – no tipo puro – com uma estrutura sociológica fundamentalmente diversa do quadro e dos meios administrativos. O tipo que obedece é o apóstolo. revelações ou heroísmo. Seu tipo mais puro é o da dominação patriarcal...iesde. [.] O quadro administrativo é escolhido segundo carisma e vocação pessoais e não devido à sua qualificação profissional (como o funcionário). finalmente. Obedece-se não à pessoa em virtude de seu direito próprio.. por outro lado. também somente enquanto essas qualidades são atribuídas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. [. nas quais se funda a sua “legitimidade”.] Dominação Tradicional A dominação tradicional se dá em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais há muito existentes. santificada pela tradição: por fidelidade.] Dominação Carismática A dominação carismática se dá em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e. particularmente. [. enquanto seu carisma subsiste. no puro afeto. Seu tipo mais puro é a dominação burocrática. Sua ideia básica é: qualquer direito pode ser criado e modificado mediante um estatuto sancionado corretamente quanto à forma. do herói guerreiro e do grande demagogo. camaradas). O sempre novo.. Ou pode fundar-se. Não obstante. e os que obedecem são “súditos”.. de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que obedece. na mera inclinação pessoal do súdito. à sua posição (como no quadro administrativo estamental) ou à sua dependência pessoal. mas à regra estatuída.] O quadro administrativo consiste de funcionários nomeados pelo senhor. A associação dominante é de caráter comunitário. as “bases de legitimidade” da dominação são somente três. [. Em forma totalmente pura.

mais informações www. ao buscar a produtividade com a manutenção da flexibilidade. a qualidade era assegurada através de controles amostrais apenas em pontos do processo produtivo. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações Toyotismo (NOTÍCIASBR. O Japão desenvolveu um elevado padrão de qualidade que permitiu a sua inserção nos lucrativos mercados dos países centrais e. nos quais através da promoção de palestras de grandes especialistas norte-americanos. A resposta foi o aumento na produtividade na fabricação de pequenas quantidades de numerosos modelos de produtos. de modo a gerar divisas tanto para a obtenção de matérias-primas e alimentos. A partir de meados da década de 1970. voltados para o mercado externo. os japoneses de fato buscaram a qualidade total. que consumissem pouca energia e matéria-prima. incentivando uma atuação voltada para o enriquecimento do trabalho. o aumento da produtividade. o toyotismo se complementava naturalmente com a automação flexível.28 | Sociologia do Desenvolvimento. quanto para importar os equipamentos e bens de capital necessários para a sua reconstrução pós-guerra e para o desenvolvimento da própria industrialização. Para atingir esse objetivo os japoneses investiram na educação e qualificação de seu povo e o toyotismo. e grande disponibilidade de mão de obra não especializada. uma dinâmica oposta à rígida automação fordista decorrente da inexistência de escalas que viabilizassem a rigidez. Se. ao se trabalhar com pequenos lotes e com matérias-primas muito caras.. os países passaram a demandar uma série de produtos que não tinham capacidade e. a mão de obra não podia ser especializada em funções únicas e restritas como a fordista. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. no toyotismo. uma vez que. ::: implantação de sistemas de controle de qualidade total. O sistema pode ser teoricamente caracterizado por quatro aspectos: ::: mecanização flexível. perdeu espaço para fatores tais como a qualidade e a diversidade de produtos para melhor atendimento dos consumidores. o objetivo final seria produzir um bem no exato momento em que é demandado. ::: processo de multifuncionalização de sua mão de obra.iesde. por se basear na mecanização flexível e na produção para mercados muito segmentados. impossibilitavam a solução taylorista-fordista de produção em massa. embora continuasse importante. seguiu também um caminho inverso. nem interesse em produzir.com.br . no sistema fordista de produção em massa. em lugar de avançar na tradicional divisão do trabalho. 2008) O Japão foi o berço da automação flexível pois apresentava um cenário diferente do dos Estados Unidos e da Europa: um pequeno mercado consumidor. Com o choque do petróleo e a consequente queda no padrão de consumo. A razão para esse fato é que devido à crise. a princípio. ::: sistema just-in-time que se caracteriza pela minimização dos estoques necessários à produção de um extenso leque de produtos. o que favoreceu o cenário para as empresas japonesas toyotistas. em que. principalmente pela sua sistemática produtiva que consistia em produzir bens pequenos. o controle de qualidade se desenvolve por meio de todos os trabalhadores em todos os pontos do processo produtivo. as empresas toyotistas assumiriam a supremacia produtiva e econômica. com um planejamento de produção dinâmico.A. ao contrário do padrão norte-americano. capital e matéria-prima escassos. Como indicado pelo próprio nome. difundiu-se um aprimoramento do modelo norte-americano.

Sociologia do Desenvolvimento. 2.A. qual era o principal foco da Sociologia do trabalho e por quê? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Tendo em vista o contexto histórico de surgimento da Sociologia.br . Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 29 Atividades 1. mais informações www. explique por que a Sociologia econômica foi tão marcante na Sociologia e como ela aparece em cada um dos autores clássicos.iesde.com.. No Brasil.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..iesde. A partir do processo de globalização do planeta a flexibilização do trabalho e do trabalhador é crescente. mais informações www.30 | Sociologia do Desenvolvimento.com.A. Consultando o segundo Texto complementar.br . 4. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações 3. Cite e explique as diferentes formas de organização do trabalho. explique o que significa a flexibilização do trabalho.

sendo requisitado em diferentes etapas do processo produtivo. 3.com. Taylorista: analisa a melhor maneira. Isso porque a Sociologia brasileira foi fortemente influenciada pela teoria marxista. passou a dar ênfase às análises econômicas. 2. mas com uma maior variedade de modelos (a chamada flexibilização da produção) e utilizando mão de obra mais qualificada possibilitando que o trabalhador realize o que foi chamado de trabalho flexível. Durkheim analisa a divisão social do trabalho e seus resultados na vida social. “em série”(minimização dos estoques necessários à produção de um extenso leque de produtos). da classe operária. buscando compreender e explicar tais modificações. onde os trabalhadores tinham lugares fixos. Assim. Burocrática: Weber analisava o trabalho de escritório e problematizava com isso o campo da informação e das competências necessárias para o exercício da autoridade que aparecia paralelamente às questões diretamente ligadas à produção. em decorrência disso. É o processo pelo qual a empresa passa a utilizar os trabalhadores em diferentes setores produtivos e não mais em posições fixas (processo de multifuncionalização de sua mão de obra).br . a Sociologia.iesde. para se atingir um modo operatório melhor. Fordista: organização do trabalho em série introduzido pela invenção da esteira que transportava as peças em um circuito dentro das fábricas.A. As grandes transformações ocorridas nas sociedades no período de surgimento da Sociologia foram em grande medida determinadas pelas modificações econômicas.Sociologia do Desenvolvimento. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações | 31 Gabarito 1. o produto também sofre uma diversificação ao invés de ser produzida uma grande quantidade de produtos iguais. O tipo de autoridade legal ou racional é o tipo que mais se adapta às sociedades industriais e é esse estudo da questão da legitimidade no exercício da autoridade desenvolvida por Weber que dará origem ao que ele chamou de burocracia ou administração racional legal. ficando as elites de fora. Weber considera que os fenômenos econômicos influenciam os fenômenos sociais e são também influenciados pelos mesmos. Toyotista: produzir menos. 4. mais informações www. O foco era o estudo dos trabalhadores. mais produtivo conhecido como One best Way. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. em um tempo organizado. Marx divide a sociedade em super e infraestrutura e destaca as implicações da segunda sobre a primeira.

mais informações www.br .32 | Sociologia do Desenvolvimento.A.com.iesde. Sociologia do Trabalho e Sociologia das Organizações Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..

mais informações www. O objeto de estudo da Sociologia das Organizações A Sociologia das Organizações se propõe a estudar os grupos de indivíduos que interagem dentro das organizações e toda a complexidade que provém de suas inter-relações e de sua relação com o meio. Para estudar as relações humanas no trabalho é necessário analisarmos algumas das categorias principais.A. os grupos. mais se desembocava numa série de manifestações individuais e coletivas que até então não entravam na organização científica.. Nesse sentido. os imprevistos. o estudo das organizações trouxe recentemente para o centro das discussões a importância de analisar o fator humano e suas relações que são permeadas também pelos fatores sociais externos à própria organização. as classes ou camadas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a falta de iniciativas e as críticas. os conflitos. Quanto mais se buscava organizar o trabalho. O desenvolvimento social é a base da mudança porque para se desenvolver é necessário contar com o fator humano.br . desejos e intenções? Subjetividades que envolviam conflitos os quais aos poucos se tornavam entraves para o bom funcionamento destas organizações. Como analisar vontades. da comunicação e da organização geral da empresa. Em torno destas questões.com.Conceitos básicos para a compreensão da vida social A vontade de organizar melhor as empresas pôs em evidência a complexidade do fator humano. O fator humano aparecia assim de forma preponderante e ressaltava os aspectos da moral. necessárias para a compreensão da vida social. o período de 1950 a 1990 foi marcado pelo desenvolvimento de uma nova corrente centrada na integração do fator humano aos diversos contextos da produção.iesde. a insubordinação. a comunicação insuficiente. a rotina.

crenças e sentimentos com os membros de seu grupo. valores e crenças que constituem os padrões da sua cultura. p..34 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social Sociabilidade e socialização Anthony Giddens (2004. p. 29) Já para Guy Rocher. Quanto maior for esse processo de interiorização. 28-29)refere-se ao processo de socialização comumente analisado pelos sociólogos como algo que ocorre em duas fases: [. Os indivíduos concebem e assumem papéis sociais. outra é a responsabilidade. Convívio social. mais informações www. ao longo de sua vida. A socialização secundária decorre desde um momento mais tardio na infância até a idade adulta. o indivíduo não apenas desempenha um papel social dentro daquilo que aprende. socialização é o processo que se dá ao longo da vida. normas e crenças que são padrões na sociedade em que vive.A. é um vínculo recíproco sendo que é o sentido moral que vincula o indivíduo aos interesses de um grupo social. fazendo com que a pessoa compartilhe ideias.com. Nesta fase.. Na verdade a socialização é um processo pelo qual os seres humanos se tornam agentes. Eles não são simplesmente sujeitos passivos à espera de serem instruídos ou programados. As escolas. ou seja. 1976 In: DUARTE. assim como o agente aprende os valores. as interações sociais ajudam as pessoas a aprender as normas. ou seja. (GIDDENS. ::: a integração da cultura na personalidade – quando há o processo de socialização. outros agentes de socialização assumem alguma da responsabilidade que pertencia à família. tornam-se forças de socialização de um indivíduo. Nestes contextos. a família é o principal agente de socialização. responder pelos seus atos. 2004. A solidariedade também é um valor que condiciona a vida social. É a altura em que a criança aprende a falar e aprende os mais básicos padrões comportamentais que são os alicerces de aprendizagens posteriores.iesde. os meios de comunicação e eventualmente o local de trabalho. isolamento e contato A liberdade é uma das condições para o convívio humano. pelo qual a pessoa aprende e interioriza os elementos socioculturais de seu meio integrando-os na sua personalidade.] a socialização primária decorre durante a infância e constitui o período mais intenso de aprendizagem cultural. (ROCHER. instituições. 12). menor será a pressão do grupo no indivíduo. ele também intervém na criação desses padrões. mas é sim um agente social em intensa interação com o seu meio. no decurso de um processo de interação social. agir e sentir de seu grupo. sofrer as consequências das resoluções. começa a adquirir as maneiras de pensar.. p. Esse processo constitui o principal canal de transmissão da cultura através do tempo e das gerações.br . Porém. os grupos de pares. ::: a adaptação ao ambiente social – é a consequência do processo de socialização. de uma nação ou da humanidade. os elementos da cultura e da sociedade integram-se na personalidade do indivíduo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o conceito de socialização para este autor é mais dialético. Esse processo de socialização pode ser dividido em três partes: ::: a aquisição da cultura – a partir do nascimento o indivíduo. 1998. Nesta fase.

Esta categoria pode ser dividida teoricamente em: ::: isolamento espacial ou físico – dá-se por fatores geográficos como montanhas. como por exemplo. hoje temos o isolamento relativo dos guetos formados principalmente por imigrantes provindos de vários pontos do mundo em direção aos grandes centros como Europa e Estados Unidos. um tipo de interação negativa. nos Estados Unidos. Para o homem que vive em sociedade não há isolamento absoluto. nos Estados Unidos. a cegueira e outras limitações físicas exigem condições especiais. Mas o isolamento pode referir-se também a um indivíduo dentro de seu grupo ou sociedade. evidenciadas pelas lutas do movimento feminista e o aculturamento dos índios pela evangelização que ainda hoje é prática de muitas igrejas dos países desenvolvidos. a surdez. o religioso e o cético etc. cada um com sua experiência. mais informações www. afastam estes indivíduos do convívio com outros e com a própria sociedade. Como exemplo temos o isolamento entre o analfabeto e o cientista. como por exemplo. Quando falamos em uma comunidade isolada queremos dizer que esta tem pouco ou quase nenhum contato com outras sociedades ou comunidades. pontos de vista. ::: isolamento psíquico – origina-se em fundamentos da própria personalidade individual em indivíduos da mesma cultura.Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 35 Tipos de isolamento Os processos sociais derivam da interação. A sociedade pode atribuir diferença de funções e atividades partindo destas características biológicas. no lazer etc. etnia. Por exemplo. os gostos. valores de consumo. Como no passado recente. Isto ocorre pelo fato de que dentro de uma mesma sociedade existem grupos sociais diversos. para que os indivíduos possam diminuir a distância imposta a eles na vida cotidiana. no caso dos eremitas. temperamentos. Harlem negros em Nova York. rios. ou seja. O isolamento individual pode ocorrer entre presos em solitária ou voluntariamente.br .com. da ação exercida constantemente por indivíduos ou grupos. mas podemos falar em graus diferenciados de isolamento. causando reações mútuas. sexo e idade. A sociedade de consumo hoje contribui muito para o isolamento psíquico porque dependendo do poder aquisitivo de determinado grupo haverá um conjunto correspondente de valores a ele associados. atitudes e sentimentos. florestas e pela distância das comunidades que funcionam como isolantes. ::: isolamento estrutural – este tipo constitui-se por diferenças biológicas. a falta de contato entre indivíduos ou grupos é. portanto. que só nas sociedades atuais têm sido levadas em consideração.iesde. Como por exemplo. tínhamos a escravidão entre os negros. O desenvolvimento tecnológico é que pode diminuir estes obstáculos. no trabalho. de lazer etc. uns sobre os outros. O isolamento pode ser definido como a oposição a isso. ou seja. se não forem atendidas.A. os guetos de latinos.. a segregação de mulheres nas religiões muçulmanas e em menor grau nas sociedades industriais. de judeus em vários países do mundo. ou seja. ::: isolamento funcional – origina-se de deficiências físicas individuais as quais acarretam necessidades especiais que. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

baseada na aparência física. carta. envolvem o elemento emocional.. É de importância fundamental. a comunicação de significados. geralmente superficiais envolvendo apenas uma faceta da personalidade. Ex. a forma de se fazer o contato – o aperto de mão. o assobio. ::: contatos com o passado e com o presente – o primeiro tem por finalidade a transmissão da herança social através do estudo histórico ou do intercâmbio com gerações mais velhas. são os contatos resultantes da classificação que fazemos de uma pessoa desconhecida. permitindo certa fusão de individualidade que dá origem aos “nós”. feições e profissão. dando origem a formas de associação ou dissociação. que derivam da imposição de uma das partes sobre a outra (como o contato entre guardas e prisioneiros). o importante do contato social é a interpretação. ::: contatos categóricos – definido pelo sociólogo americano Shaler.36 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social Contatos sociais As relações sociais são processos dinâmicos porque. impessoais. Os membros de um grupo são conscientes de suas semelhanças.: família.iesde. racionais e calculados. telegrama.com. Os contatos secundários são formais. os indivíduos podem se aproximar ou afastar-se. mais informações www. Um primeiro aspecto fundamental destas relações é o contato social. realizados face a face e os contatos indiretos são realizados através de intermediários ou de meios técnicos de comunicação – telefone. simpatia. a transmissão de ideias. ::: contatos voluntários e involuntários – os contatos sociais voluntários são derivados da vontade própria.. Portanto. Os contatos podem ser: ::: contatos diretos e indiretos – os primeiros ocorrem por meio da percepção física. e os contatos que envolvem significados. Do contato social dependem todos os outros processos ou relações sociais. valores e atitudes. em que os indivíduos tendem a compartilhar suas experiências particulares. ::: contatos do “nosso grupo” – esta categoria está baseada no conceito de etnocentrismo criado por William Summer (1953). ::: contatos primários e secundários – os contatos primários são pessoais. o regionalismo e o nacionalismo fanáticos são também formas de etnocentrismo. Os contatos do “nosso grupo” são baseados no fenômeno do etnocentrismo com a supervalorização da cultura e dos costumes. através delas. grupos de amizade e de vizinhança. que são apenas os instrumentos.: aeromoça e passageiros de avião. O contato é completo. É uma relação baseada nos sentimentos de identificação. o sinal de cabeça. Ex. e opõem-se aos contatos involuntários. rádio etc. considerado como um fim em si mesmo.A.br . Nas sociedades mais complexas há um numero bem maior de contatos secundários e categóricos e os contatos tendem a tornar-se cada vez mais fugazes e superficiais (LAKATOS. ou seja. lealdade e amizade. comprador e vendedor. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. e o contato com o presente tem a finalidade de acolher ideias ou atitudes de outros grupos dando origem a um processo de mobilidade e mudança. 1999). íntimos e espontâneos. sem coação. Os contatos podem ser divididos em: físicos. As relações resultantes do contato são chamadas de interação. O bairrismo. o piscar de olhos etc.

Ex. adaptação. ou seja. mais informações www. Novas tecnologias aumentam a comunicação e aproximam enormemente diferentes grupos e sociedades. Ela pode ser temporária. entre outros. e pode ser contínua quando. competição. fixados em determinado local. 81). acomodação e assimilação. já o nível das ideias é limitado ao homem pelo uso da linguagem. os indivíduos cooperam uns com os outros (Ex.Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 37 Interação Interação social é a ação social que exige reciprocidade de dois ou mais indivíduos ou grupos em contato. Cooperação É a atuação de dois ou mais indivíduos. para complementar seu trabalho.com. Segundo Lakatos (1999. interna (socialização) ou externa (adaptação). Assim. para alcançar um objetivo comum e requer uma combinação das atividades de forma organizada. p. ideias e sentimentos de pessoas ou grupos. a compreensão do conceito de processos sociais e de seus principais tipos é fundamental para analisar a importância das relações humanas dentro das organizações. quando indivíduos se reúnem para realizar uma tarefa durante um período de tempo (Ex. causando modificação do seu comportamento.: quando consciente ou inconscientemente um agricultor trabalha para produzir matéria-prima para um industriário. Os dois primeiros níveis de comunicação são básicos e comuns a todos os animais. direta ou indireta.A. processos sociais são aqueles através dos quais a personalidade individual se desenvolve e se relaciona com a sociedade.iesde. das emoções e dos sentimentos e ideias. conflito.: mutirão). A interação tem sido classificada em seis formas básicas: cooperação. Um bom exemplo disso é a internet e a TV a cabo. pois ninguém é autossuficiente. de um pedreiro e de um eletricista. É requisito indispensável para a manutenção e continuidade dos grupos e sociedades. Ex. a utilização de palavras ou símbolos perpassados pela cultura que formam o idioma. É o entrelaçamento dos atos.: quando um engenheiro contrata o trabalho de um arquiteto. ou seja. Pode também ser direta quando pessoas ou grupos realizam em conjunto coisas semelhantes. Um agregado de indivíduos torna-se um grupo ou uma sociedade a partir do relacionamento de seus membros e de uma influência recíproca. Ou indireta na realização de trabalhos diferentes.. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. em conjunto. se inter-relaciona. A capacidade de interação destes grupos O instrumento de interação social é a comunicação que aparece através dos sentidos.br .: controle de poluição).

Em alguns casos fica difícil perceber onde termina a competição e onde começa o conflito. Em alguns casos pode ser impessoal. consciente ou inconscientemente. Os efeitos do conflito podem ser negativos ou positivos. contínua. Ex. seja no plano econômico. Ex.: um estudante aprovado no vestibular está impedindo. a diminuição do conflito e o estabelecimento de um modo de vida. e indeliberadamente. Mas são negativos e enfraquecem a solidariedade e os valores morais deste grupo.br . isso porque quando a competição é consciente e deliberada está beirando o conflito. É considerado pelos estudiosos como um tipo de luta universal. no âmbito de uma sociedade. guerra que provocou a partição da Ex-Iugoslávia. grupos religiosos ou étnicos e partidos políticos. político ou social. gostos e atitudes corporais se faz através do conhecimento do organismo neurofisiológico e de Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a integração sociocultural entre indivíduos e grupos.: Revolução Francesa. Guerras Mundiais. a entrada de outro na universidade. os indivíduos não têm consciência deste fato.: a rivalidade entre torcedores de equipes de futebol de uma mesma localidade. geralmente. Ex. Realiza-se em três níveis principais: ::: no nível biológico ou psicomotor – o desenvolvimento de determinadas necessidades.A. Ex. É sempre uma luta entre indivíduos ou grupos por uma posição mais elevada. Estes indivíduos ou sociedades competem entre si a fim de satisfazerem suas necessidades e aspirações.iesde. ::: debate – contestação a respeito de ideias ou crenças diferenciadas entre indivíduos ou grupos. por acontecer em ambos os mundos: animal e vegetal.: os debates entre candidatos de partidos políticos em períodos de eleições. O conflito pode apresentar-se de diversas maneiras: ::: rivalidade – acontece pelo ciúme e antagonismo. Ex. Ex.. ::: litígio judicial – enfrentamento judicial entre partes contrárias. forma mais acalorada de debate. mais informações www.38 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social Competição e conflito Em todos os grupos sociais e sociedades existem diferentes capacidades e desejos entre seus componentes. envolvendo sempre uma relação de tensão.: entre gangues juvenis. ::: guerras – enfrentamento armado entre nações. Adaptação Fatores associativos que sucessivamente propiciam certo grau de adesão e conformidade às normas estabelecidas.: as discussões são comuns entre vizinhos em reuniões de condomínio. destituída de violência e. ::: discussão – polêmica ou disputa de ideias. Na maioria das vezes. ::: contenda – briga entre indivíduos ou grupos. isso porque a solidariedade e o companheirismo são fortalecidos num processo interno de cooperação para vencer o desafio que o outro grupo lhes impõe.: partilha de bens em uma separação. pessoal e emocional implicando hostilidade na relação define o conflito e a diferencia da competição. quando se dá dentro de um mesmo grupo.com. Ex. Formas de conflito A luta de interesses. são efeitos positivos quando o conflito se dá entre grupos.

Ex. Ex.: escravidão. ou seja.br .Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 39 seu aparelho sensitivo-motor. mais informações www.: disputas parlamentares. ::: tolerância – maneira de impedir o conflito manifesto.com. A adaptação de um indivíduo ao grupo pressupõe a utilização de uma margem de liberdade e autonomia concedida pelo meio.iesde. não implicando necessariamente em conformidade social. Ex. a acomodação assume diferentes formas: ::: coerção – através do uso da força ou ameaça a parte mais forte submete a mais fraca. ::: arbitragem – dá-se por meio de atuação de um árbitro ou mediador. pois só aparece nos aspectos externos do comportamento.: respeito mútuo entre pesquisadores da mesma comunidade científica que defendem teorias que se contrapõem uma a outra. sentimentos e atitudes podem ser compartilhados. cultural. Ex: disputas trabalhistas ou das varas de família. Acomodação É o processo social que objetiva atenuar o conflito entre indivíduos ou grupos. Pode ser considerado como um ajustamento formal e temporário..: como nos grupos de amigos.: a convivência de grupos religiosos dentro de um mesmo país. pois é através da linguagem que valores. ::: compromisso – chegam à acomodação porque fazem concessões mútuas. não significando a mera obediência às normas deste grupo. Os fatores que influenciam o processo de assimilação são: ::: linguagem – a linguagem aparece como o primeiro e às vezes mais prolongado empecilho no processo de assimilação. há diminuição da hostilidade e harmonização entre os antagonistas. sendo quase nula a mudança interna relativa a valores e significados. ::: contatos primários – através deles o processo de assimilação é mais fácil e natural. Para alguns sociólogos a organização social humana é baseada na acomodação de elementos em conflito. ::: conciliação – é uma forma consciente de acomodação. no caso de possuírem igual poder. Assimilação Ao contrário da acomodação a assimilação é uma mudança interna. ::: no nível afetivo – verifica-se a modificação de sentimentos. quando as partes envolvidas têm poderes desiguais. Por exemplo: hoje se incentiva o amor no casamento e não o interesse das famílias. Esse arranjo possibilita a convivência entre elementos e grupos antagônicos e restaura o equilíbrio afetado pelo conflito. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. É o processo pelo qual pessoas e grupos adquirem maneiras e costumes de outros grupos compartilhando sua experiência e história e a incorporando numa vida cultural comum. Ex. O corpo e os gostos dos indivíduos sofrem uma socialização que tende a adaptá-los a um determinado ambiente sociocultural. considerado como grau mínimo de acomodação. Ex. reduzindo-o. ::: no nível de pensamento – quando as faculdades intelectuais se desenvolvem através da incorporação de elementos da cultura.A. Segundo Lakatos (1999).

É preciso admitir que hoje o social não vem mais antes ou depois do econômico. de dinâmica de coesão social necessária à pertinência dos esforços de colaboração entre atores. até hoje. ou seja. o homem passa a ser visto na Sociologia a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que a constituem. Na verdade a socialização só é possível se houver liberdade e individualidade. no estudo racional das organizações produtivas. como nos coloca Tomazi (2000). Em termos sociológicos. A relação entre indivíduo e sociedade é uma relação central na análise sociológica. como seres individuais. Mas quais são as relações fundamentais que os indivíduos estabelecem em suas comunidades e até onde estas relações com o grupo os influencia nas decisões da vida cotidiana? Essa influência do meio em que nascemos é reconhecida pelos sociólogos.com. sua assimilação é mais difícil porque o convívio entre si mantém seus padrões culturais por mais tempo e as relações com o grupo local tornam-se menos necessárias. Visto que também associa homens. A empresa se constitui numa forma de comunidade humana mais ou menos aberta ou obrigatória. a realidade humana da empresa é histórica.br . mais informações www. Contrapondo-se a isso. conduzindo a uma qualidade de sociedade que se tornará um trunfo importante da economia. a assimilação também é facilitada pelo processo de identificação. partir da análise das formas de interação social dos indivíduos na abordagem de alguns modelos de administração dos recursos humanos. constitutiva de laços de solidariedade duráveis. ::: prestígio da cultura – se os imigrantes desejam fazer parte daquela cultura nova porque a consideram uma cultura superior.iesde. Pelo simples fato de ser social. até que ponto o indivíduo é determinado pela sociedade e até onde ele tem liberdade em suas escolhas.A. mas no coração da produção como forma de integração possível entre os atores da produção.. ::: número e concentração de indivíduos – quando os imigrantes se estabelecem em grande número em determinado local (bairros de uma cidade). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.40 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social ::: ausência de caracteres físicos distintivos – quando os indivíduos se assemelham fisicamente entre si. mas isso não significa que seja negada a individualidade dos seres humanos. a sua assimilação é mais rápida. pois cada um de nós. A Sociologia nasce no século XIX como uma reação ao individualismo predominante na sociedade capitalista que nascia e a teoria econômica consolida seus modelos baseando-se principalmente em ações individuais. A Sociologia trata o indivíduo como um produto social em alguma medida. Discutem-se através de diversas teorias quais as possíveis formas de interação do indivíduo com a sociedade. vai desenvolver um sentido de identidade e capacidades para pensar e agir de forma independente. É por isso que se faz necessário. Relação indivíduo-sociedade Como ações individuais podem ser explicadas no seu relacionamento com outras ações (exemplo da eleição) ou como regras de ação coletiva podem ser incorporadas pelos indivíduos (exemplo da escola)? Nestas situações está em jogo a relação entre indivíduo e sociedade. fala-se de construção de sociedade. mas aqui com um objetivo específico que é a realização de uma produção econômica. é sobre a capacidade de comunicação e de colaboração desses homens dentro da empresa que se fundamenta uma parte essencial da qualidade dos resultados e da intensidade dos desempenhos desta organização.

A noção de identidade pessoal deriva em grande medida da obra dos interacionistas simbólicos. posicionam essa pessoa em relação a outros indivíduos com quem partilha os mesmos atributos. são exemplos de identidades sociais. valores e experiências comuns – podem constituir um importante ponto de partida para os movimentos sociais. a identidade está relacionada com os entendimentos que as pessoas têm acerca de quem são do que é importante para elas. muçulmana e vereadora. 2004) De uma forma geral. Embora esta pluralidade de identidades sociais possa constituir uma fonte potencial de conflitos. a orientação sexual.br . delimitados pela classe ou nacionalidade. O fato de se ter múltiplas identidades sociais reflete as muitas dimensões da vida de uma pessoa. a agência e a escolha individual são de importância central. a identidade pessoal distingue-nos enquanto indivíduos. mais informações www. engenheira.. O processo de interação entre o eu e a sociedade contribui para ligar o mundo pessoal e o mundo público.iesde. hoje a identidade é mais multifacetada e instável. sindicalistas. Estudante. advogado. mãe. Muitos indivíduos têm identidades sociais que abrangem mais do que um atributo. em uma dimensão coletiva. ambientalistas. então. A negociação constante do indivíduo com o mundo que o rodeia ajuda a criar e moldar a sua identidade. disléxico. Se antes a identidade das pessoas era em grande medida determinada pela sua pertença a grupos sociais vastos. As identidades partilhadas – decorrentes de um conjunto de objetivos.. Os sociólogos referem-se. Estas podem ser vistas como marcadores que indicam. a classe social. casado etc. Feministas. de um modo geral. a dois tipos de identidade: a identidade social e a identidade pessoal. Por identidade social entendem-se as características que os outros atribuem a um indivíduo. asiático. a nacionalidade ou a etnicidade são algumas das principais fontes de identidade. Ao abordar as mudanças da identidade pessoal das sociedades tradicionais até as modernas. a industrialização e Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. estabelecendo as formas pelas quais os indivíduos se “assemelham” uns aos outros. Uma pessoa pode simultaneamente ser mãe. católico. Ao mesmo tempo. sem-teto. Se as identidades sociais estabelecem as formas pelas quais os indivíduos são semelhantes a outros. Esses entendimentos formam-se em função de determinados atributos que são prioritários em relação a outras fontes geradoras de sentido.Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 41 Textos complementares Identidade (GIDDENS. Os processos de crescimento urbano. Embora analiticamente distintas estas formas de identidade estão intimamente relacionadas. O gênero. a maioria das pessoas organiza o sentido e a experiência das suas vidas à volta de uma identidade principal que é relativamente contínua no tempo e no espaço.com. fundamentalistas religiosos e/ou nacionalistas são exemplos de casos em que uma identidade social comum é construída como fonte importante de sentido. pode perceber-se um afastamento dos fatores invariáveis e herdados que antigamente determinavam a formação da identidade.A. Este tipo de identidade diz respeito ao processo de desenvolvimento pessoal através do qual formulamos uma noção intrínseca de nós próprios e do relacionamento com o mundo à nossa volta. sobretudo. quem essa pessoa é. Embora o contexto cultural e social seja um fator que dá forma à identidade pessoal. As identidades sociais implicam.

como viver e o que fazer – sem oferecer grandes orientações acerca das seleções a fazer. sendo uma questão de conservação e de transformação da realidade subjetiva – a base social específica e os processos sociais exigidos para sua con- Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Bonk e Hara (1998). a partir da potencialidade desagregadora e reflexiva oportunizada pelos recursos informáticos e por sua forma de uso a partir de proposta pedagógica baseada na autonomia e na construção do conhecimento. onde a experiência é fator fundamental para a criação da realidade. 2005) Alguns estudos sugerem que ambientes mediados por computador são capazes de suportar interação interpessoal afetiva. centrada na experiência pessoal e grupal da comunidade virtual. pois ela sustenta e dá significado à existência. o mundo social confronta-nos com um estonteante leque de escolhas acerca de quem devemos ser. nomeadamente em estudos que envolvem ambientes educativos. Como seres humanos cientes e autoconscientes. Esta mudança criou espaço para que outras fontes de sentido.br . como agir ou como ocupar o tempo – ajudam-nos a tornar-nos quem somos. criamos e recriamos as nossas identidades a todo o momento. No mundo atual. As decisões que tomamos no cotidiano – acerca do que vestir.. anedotas. Por exemplo. de onde viemos e para onde vamos. fato que libertou as pessoas das comunidades unitárias e relativamente homogêneas do passado onde os padrões eram transmitidos de uma forma rígida de geração em geração. desempenhassem um papel mais importante na noção de identidade das pessoas. discutem que se constituem vínculos afetivos entre os participantes.42 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social o colapso das antigas formações sociais enfraquecem o impacto das convenções e regras herdadas. A possibilidade da vida ter significados para os indivíduos está na criação de uma “estrutura de plausibilidade” onde a plausibilidade é a capacidade de tornar o mundo algo possível e compreensivo. Além disso. O mundo moderno força-nos a descobrir-nos a nós próprios. como o gênero ou a orientação sexual. mais informações www.A.com. Em pesquisas na graduação em Psicologia e cursos de formação de professores. Para esses autores. Os indivíduos passaram a ter mais mobilidade social e geográfica. Andreson. os estudos de Angeli. Garrison e Archer (2001) apontam que em determinado ambiente. Para eles. Refletindo sobre a interação social em ambientes virtuais de aprendizagem (MACHADO. Peter Berger e Thomas Luckmann (2004) afirmam que a presença social é permeada pela formação de um mundo coerente que dê sustentação e significado a cada um de seus membros e esse mundo é objetivo e subjetivo. citados por Rourke. Maraschin e Axt (1999) relatam a emergência de uma escrita autonarrativa e autopoiética.iesde. Agora que sinais tradicionais se tornaram menos determinantes. como vestir. a possibilidade de interação social só pode ocorrer quando houver o encontro real e pessoal com o outro. Somos o nosso melhor recurso na definição de quem somos. 27% do total de mensagens continha expressões de sentimentos. temos a oportunidade sem precedentes para decidir a nossa vida e criar a nossa própria identidade. a linguagem é fator preponderante na objetivação da vida. cumprimentos e outros. O sujeito e o objeto da experiência se perfazem de maneira “interativa”.

inclusive a corriqueira.iesde. estar em sintonia com seu próprio pensamento. Essas ameaças ocorrem não apenas com o mais importante veículo para a conservação da realidade. A simples conversa. portanto deve ser constante. Desta forma.com. A conversa significa que os indivíduos interagem e nessa conversa está a fala e a comunicação não verbal. mas com qualquer outro que interrompa a definição da realidade na consciência.Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 43 servação. Para manter a realidade subjetiva. pois se houver rupturas podem representar ameaças para a paz subjetiva. identificação e conservação estão presentes na conversa – o veículo mais importante para a conservação da realidade. o que Berger e Luckmann chamam de “alternação”. Baseado na leitura do primeiro Texto complementar. Atividades 1. qual é a relação entre a identidade pessoal e as identidades sociais? 2. mais informações www. Que importância tem a socialização primária nas sociedades complexas? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. A necessidade de confirmação. a conversa deve ser com continuidade e coerência. há a possibilidade da realidade subjetiva ser transformada..A.br . Conservá-lo é encontrar-se. marca essa necessidade de identificação do indivíduo com seu mundo (em amplo aspecto).

Em sua opinião. mais informações www. Quais são as formas básicas de interação? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. quais são os principais processos sociais? Conceitue-os.com.44 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social 3. 4.iesde.A.br .

pois a identidade é mais multifacetada e instável. 4. Contato – do contato social dependem todos os outros processos ou relações sociais. ::: Cooperação – atuação de dois ou mais indivíduos. Isso porque os fatores invariáveis e herdados que antigamente determinavam mais fortemente a formação da identidade. O processo de interação entre o eu e a sociedade contribui para ligar o mundo pessoal e o mundo público. gostos e atitudes corporais). delimitados pela classe ou nacionalidade.Conceitos básicos para a compreensão da vida social | 45 Gabarito 1.com.iesde. portanto. São as relações resultantes do contato. mais informações www. a medida determinada pela sua pertença a grupos sociais vastos. mas também intervém na criação desses padrões. para alcançar um objetivo comum. a agência e a escolha individual são de importância central. ::: Acomodação – é o processo social que objetiva atenuar o conflito entre indivíduos ou grupos. Embora o contexto cultural e social seja um fator que dá forma à identidade pessoal. em conjunto. Isolamento – pode ser definido como a falta de contato entre os indivíduos ou grupos e é. ou seja. A importância da socialização primária baseada nos valores mais tradicionais vem diminuindo. ::: Adaptação – processos biológicos (necessidades. um tipo de interação negativa. podemos enumerar algumas formas básicas de interação. por exemplo. Socialização – processo pelo qual o indivíduo aprende os valores. como. mas podemos falar em graus diferenciados de isolamento. ::: Competição e conflito – resultado das diferentes capacidades e desejos entre os componentes do grupo. afetivos (modificação de sentimentos) e intelectuais (através da incorporação de elementos da cultura) que propiciam a adesão e conformidade às normas estabelecidas pelo grupo. tornando-se assim um agente social em seu meio. normas e crenças que são padrões na sociedade em que vivem. o que pode ser um ajustamento formal e temporário. hoje em dia não o fazem.br . 3. 2. Para o homem que vive em sociedade não há isolamento absoluto.A. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. reduzindo-o. Sabendo que a interação social é a ação social que exige reciprocidade de dois ou mais indivíduos ou grupos em contato. Esse arranjo possibilita a convivência entre elementos e grupos antagônicos e restaura o equilíbrio afetado pelo conflito.. Elas estão intimamente relacionadas porque o indivíduo está em constante negociação com o mundo que o rodeia e esse mundo social ajuda a criar e moldar a sua identidade pessoal. Interação – ação social que exige reciprocidade de dois ou mais indivíduos ou grupos em contato.

46 | Conceitos básicos para a compreensão da vida social ::: Assimilação – trata-se de um processo que envolve uma mudança interna e cultural em que pessoas e grupos adquirem maneiras e costumes de outros grupos compartilhando sua experiência e história e a incorporando numa vida cultural comum.A.br .com. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..iesde. mais informações www.

A. o homem como um ser criativo tem sempre a possibilidade de tomar diferentes decisões frente a questões diversas que lhes aparecem a todo o momento. Portanto. mais informações www. através desse estudo. o ambiente físico (rural ou urbano) e político (estrutura organizacional da sociedade) em que vivem.com. de indivíduo para indivíduo e de grupo para grupo. Estas relações envolvem a cultura. em interação. Vamos nos concentrar na análise de alguns agrupamentos humanos mais importantes para o nosso estudo das organizações.iesde. Esta relação se dá de maneira diferenciada. A compreensão desses conceitos se faz necessária para que possamos aprofundar nossa compreensão de como se dão essas interações. estes estudos de grupamentos sociais em menor escala são necessários. também. pois nossas ações cotidianas de interação com as pessoas estruturam o nosso dia a dia. Ou seja.. para que possamos compreender as instituições mais amplas. O estudo do comportamento cotidiano centra-se em indivíduos ou grupos pequenos. de suas motivações e de seus interesses.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais A análise das formas de interação social é importante para a Sociologia. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. modificando a sociedade em que vivemos. Também é possível conhecer. mas não podemos descontextualizar estas análises da influência dada pelo enquadramento social mais amplo de que fazem parte. agimos consciente ou inconscientemente. isso porque ela vai depender da posição social que o indivíduo ocupa. podemos dizer que estudar as interações sociais também nos ajuda a compreender e interpretar as organizações e as instituições que formam a sociedade em que vivemos. a forma como.br . Isso porque organizamos as nossas vidas através de padrões que se repetem diariamente. Por último.

p. Este importante aprendizado se estendeu aos poucos para muitas outras situações da vida e o homem passou a se organizar e a participar de diversos grupos sociais que. 119-120). Mas como se dá o recrutamento dos membros de um grupo social? Lakatos relaciona seis formas diferenciadas de formação dos grupos. participantes de um grupo social têm direitos e obrigações que as outras pessoas não têm. em grupos de amigos. Conforme Fitcher (In: LAKATOS. pois cada um de seus membros tem uma participação determinada. participamos de diferentes grupos que estão constantemente surgindo das relações de interação entre seus integrantes. Por indicação. ::: estruturação social – decorrente do fato de que cada componente ocupa uma posição relacionada com a posição dos demais. foram formando o que hoje chamamos de sociedades. o homem passa a caçar em grupos e aos poucos vai aperfeiçoando esta técnica descoberta com a divisão das tarefas dentro desses grupos permitindo um melhor resultado. através de outros membros.48 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais Grupos sociais Historicamente. dentro de grupos maiores. E por coerção. MARCONI. ::: papéis individuais – condição essencial para a existência do grupo e sua permanência como tal. esta é a única característica empregada na conceituação de grupo social. Assim.. organização. Através da aceitação voluntária da participação. Mas o que entendemos por grupos sociais? Os grupos sociais. elas podem também ser hostis. como no casamento. possuem algumas características comuns. a característica principal dos grupos é a de apresentar integração social entre seus membros. podem ser definidos como sistemas de relações sociais de cooperação duradouras e estáveis que possuem um objetivo em comum. onde todos os membros do grupo podem participar da escolha de mais um. obedecem a diferentes formas de recrutamento. Por qualificação do indivíduo e contrato. em clubes sociais ou associações. Estado (coerção legal). o ser humano logo descobriu que a vida em grupo facilitava em muito as tarefas necessárias a sua sobrevivência e que como indivíduos isolados teriam menos chances de sobrevivência. empregada por variados grupos como a família (coerção moral). no entanto. Portanto. da qual decorrem relações de reciprocidade e a unidade do grupo advém de um objetivo comum ou de consenso. 1999. ::: relações recíprocas – entre os membros de um grupo deve haver interação. O fato de haver cooperação entre os membros do grupo não significa que seja necessária a existência de relações amigáveis entre seus integrantes. mais informações www. mas a cooperação deve implicar a existência de normas que orientem a ação de seus membros. sistema penitenciário (coerção física). Por alistamento. como agentes de socialização. Assim. Para alguns autores. legítima ou ilegítima. finalidade e objetivos.A.iesde. nomeação ou designação pelo grupo ou seus dirigentes. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Os grupos.br . Essa é a característica que as distingue como membros de um grupo. usado principalmente pelas forças armadas. as características dos grupos sociais podem ser divididas em: ::: identificação – o grupo deve poder ser identificado como tal pelos seus membros e pelos elementos de fora. portanto. que é utilizado principalmente pelas empresas.com. Em sociedade. Por eleição.

: auditório. estatutos e regulamentos. a partir dos estudos de Clooney. recreativos e educacionais. Podemos também classificar os grupos sociais a partir de diferentes critérios.: clubes filantrópicos.iesde. especificadas em regimentos. escola. outro sociólogo e também demógrafo norte-americano da mesma escola de Clooney. Ex.: família. pois não são excludentes. Ex. Ex. No entanto. ::: permanência – para que um grupo seja considerado como tal. sindicatos e Estado. O grupo geralmente se divide quando ocorre o conflito de valores.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 49 ::: normas comportamentais – são certos padrões. igreja. Segundo Lakatos eles também podem se classificar em: ::: espontâneos – quando se formam espontaneamente.: grupos econômicos. limitação no número de seus integrantes e duração da relação do grupo.. empresa.com. ::: interesses e valores comuns – o que é considerado bom. renomado sociólogo norte americano.: multidão e cidade. Ex. ou outras pessoas. ::: secundários – os que ocorrem predominantemente de forma indireta. ::: contratuais ou voluntários – criados com uma finalidade determinada e possuidores de estatutos. ::: finalidade social – razão de ser e objetivo do grupo. aceito e compartilhado pelos membros do grupo. Ex.br . mais informações www. representando o contato face a face. um valor maior para a socialização do indivíduo. ::: organizados – aqueles que obedecem a regras preestabelecidas. ::: difusos – agrupamentos nos quais inexistem leis. desejável. é necessário que a interação entre os membros se prolongue durante determinado período de tempo.: grupo de amigos. que orientam a ação dos componentes do grupo e determinam a forma de desempenho do papel.A. ::: permanentes ou contínuos – são aqueles estáveis no tempo. Ex. também se desfazem em pouco tempo. propõe-se a analisar mais profundamente a diferença proposta por Clooney entre grupos primários e grupos secundários a partir das condições físicas de proximidade. grupo de estudos. Se levarmos em consideração o tipo de contato entre seus membros. ::: acidentais ou periódicos – constituídos acidentalmente.: na relação do Estado com os indivíduos. multidão. Ex. Assim.: a família. duração e estrutura dos grupos podem aparecer conjuntamente na realidade estudada. baseia-se em determinados padrões de comportamento e em distribuição rudimentar de autoridade e subordinação. estatutos e leis. escritos ou não. a característica fundamental entre todas as estudadas na classificação dos grupos sociais é sem dúvida o tipo de relações entre os membros. podemos dividi-los em dois principais: ::: primários – os que estabelecem um contato direto entre seus membros. mediante instrumentos ou meios de comunicação. como também das características sociais de relação existentes entre seus membros. Estes tipos divididos pela origem. Ex. a vizinhança. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Kingsley Davis.

º grau) Aldeia ou vizinhança Avaliação extrínseca de outra Presidente da Estado Distância física pessoa. Disparidade dos fins. Secundária Avaliação intrínseca da relação. Marido – mulher Família Exiguidade do grupo A relação é completa – completo Amigo – amigo Grupo de brinquedos Duração prolongada da conhecimento de outra pessoa. Professor – aluno Grupo de amigos relação A relação é espontânea – (escolas de 1. Primária A relação é pessoal – avaliação Proximidade física intrínseca de outra pessoa. para isso. Para começar. podemos fazer uso de um exemplo bem simples: o diretório de um partido político em uma determinada cidade é um grupo Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Os agregados sociais Conhecidos o conceito e os tipos de grupos sociais existentes. República – eleitores Igreja Grande número de Conhecimento especializado e Papa – fiéis Forças Armadas pessoas limitado de outra pessoa..com. funcionamento dos controles informais. Condições Físicas Características Sociais Exemplo de Relações Exemplo de Grupos Identificação dos fins. vejamos o quadro abaixo elaborado por Davis (LAKATOS. vamos analisar outros grupamentos sociais importantes em nossa análise: os agregados sociais. mais informações www. que historicamente constituíram as diferentes formas de organizações sociais. p. Oficial de Estado-Maior – Federações e Pouca duração da relação Sentimento de soldado Confederações de constrangimento externo.br . 127).iesde. 1999. vamos diferenciar grupos e agregados sociais e.A. Funcionamento dos controles formais. Vendedor – freguês Trabalhadores sentimento de liberdade e espontaneidade. MARCONI. A relação é um fim em si mesma – avaliação intrínseca da relação.50 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais Para que esta característica fique mais clara na classificação proposta.

mas são muito poucas para lutar contra a corrente. A multidão pode ser caracterizada como desordenada. Alguns tipos principais de agregados Multidão Segundo Lakatos é um “agregado pacífico ou tumultuoso de pessoas ocupando determinado espaço físico” (LAKATOS. 1999. b. p. e também a atenção da multidão é fixa em uma única ideia. pois a comunicação. pode não haver comunicação ou as relações sociais entre seus membros pode ser considerada mínima. Conjunto de elementos em que: a. as comemorações esportivas etc. portanto. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. os seus componentes são anônimos. recebendo impressões e opiniões já formadas. d. convencionais ou auditórios. com existência momentânea. o que os torna iguais. as instituições de autoridade não têm penetração – o público é. porém.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 51 social e um comício promovido por esse diretório forma um agregado social. segundo Lakatos. multidões em pânico. mais ou menos autônomo em suas ações. como nas comemorações de carnaval. o número de pessoas que expressam opiniões é incomparavelmente menor do que aquele que as recebe. Massa. mas sim. Público e massa Lakatos trabalha com as características de público e massa a partir de suas diferenças. o contato e a interação não são obrigatórios. possuem duração limitada e um comportamento preeestabelecido. onde a ação é canalizada para um alvo e em geral é agressiva e destrutiva. Público. pois os sentimentos são comuns a todos os integrantes do grupo. mais informações www. encontra possibilidades de se transformar em ação efetiva. é praticamente igual o número de pessoas que expressam e recebem opiniões.br . se quisermos definir agregados sociais em comparação com os grupos sociais. Apesar de poder ter um líder. Conjunto de indivíduos em que: a. mas seus participantes adquirem segurança e poder pelo simples fato de que os seus membros procedem da mesma forma. formada através dessa discussão. Os agregados têm proximidade física como os grupos sociais. As multidões são ainda classificadas. a organização da comunicação pública permite uma resposta imediata e efetiva a uma opinião publicamente expressa. voltada para a fuga de um perigo em comum. mesmo contra o sistema de autoridade vigente. onde a interação aparece de forma descontrolada. veiculadas pelos meios de comunicação de massa. pois as pessoas dotadas de forte personalidade podem até resistir à sugestão. e multidão expressiva que não se dirige a um objetivo determinado. espontânea e imprevisível. em: casuais. ativa ou turba. Ou seja.A.. serve para descarregar tensões.iesde. são duas as diferenças básicas.com. a ação em que o grupo intensifica o caráter irracional. a opinião. c. não possui divisão de trabalho nem sistema de posições. a massa é uma coleção abstrata de indivíduos. MARCONI. como em saques e pilhagens. podendo aparecer em grau mínimo. 111). A ação da multidão é sempre de baixo nível intelectual em comparação com as ações dos indivíduos. e as ações são simultâneas e análogas. se necessário.

trata-se de uma sociedade de massa. portanto. insultos. p. MARCONI. mas quando a comunicação predominante se der através de veículos formais onde as pessoas aparecem apenas como espectadoras de opiniões já formadas. ::: Normas sociais: são regras que regulam o comportamento e a aparência das atitudes dos indivíduos. a massa. Ajudam também a sustentar os grupos sociais quando são reconhecidos pelos membros do grupo. honrarias etc. mais informações www. ::: Sanções sociais: controlam o comportamento e as atitudes dos indivíduos através de recompensas ou punições. normas.A. tem importante papel integrador entre seus membros por representar os interesses e valores do mesmo. Esses mecanismos são racionalmente preestabelecidos e devidos à própria dinâmica interna dos grupos sociais. ampliada ou não por veículos de comunicação. São valores do grupo ou daquela sociedade.. Quando a comunicação principal for a discussão. em função dos quais estes devem ajustar o seu comportamento. d.br . c. na faculdade socialmente reconhecida de mandar). se não o fazem sofrem sanções. (LAKATOS. Podemos dividir os tipos de liderança em: pessoal (baseada no prestígio. 1999. perdas de bens e multas até a prisão do indivíduo. 114-115) Assim. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o tipo de comunicação é uma característica básica na diferenciação entre público e massa. Na maioria das vezes está baseada em alguma forma de autoridade legítima em associação com uma posição social ou cargo dentro do grupo. não tem autonomia. As punições vão desde vaias. Os valores estão em constante evolução. Mecanismos de sustentação dos grupos sociais Os elementos que sustentam a permanência dos grupos sociais são mecanismos de controle que organizam o comportamento de seus membros de acordo com os padrões estabelecidos. sendo reduzida a formação da opinião independente através da discussão. os agentes institucionais têm maior penetração. nas habilidades próprias da personalidade do indivíduo) e institucional (baseada na autoridade. estamos falando de um público. ::: Liderança: é a capacidade de influenciar o que acontece dentro de um grupo. falar caluniosamente) e as sanções sociais (ser processado).52 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais b. ::: Valores sociais: são conjuntos de ideias utilizadas para categorizar coisas em relação a outras e não compará-las como sendo apenas semelhantes.com. As recompensas são aplicadas sob a forma de aceitação. Aqui tratamos dos principais: liderança. Valores são partes importantes de todas as sociedades porque influenciam a maneira como pessoas escolhem e como sistemas sociais se desenvolvem e mudam. Os valores existem fora do indivíduo que pode tê-los ou não. ex.iesde. valores e símbolos sociais. aplausos. a organização da comunicação pública impede ou dificulta a resposta imediata e efetiva às opiniões externadas publicamente. pois estabelecem uma relação entre um ato (p. Os grupos oferecem aos indivíduos certos padrões ideais. A toda norma social corresponde uma sanção social. as autoridades controlam e fiscalizam os canais por meio dos quais a opinião se transforma em ação. sanções.

Para muitos gerentes.iesde.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 53 ::: Símbolos: constituem o núcleo do sistema social. e quer garantia acima de tudo. Texto complementar Teoria X: pressuposições acerca da natureza e do comportamento humano (MCGREGOR. É a relação entre essas partes que forma a estrutura do todo e nos ajuda a compreender as instituições existentes na sociedade desde sua lógica interna. Só a ameaça de punição terá efeito.br . O ser humano. dirigida. Devido a essa característica humana de aversão ao trabalho. aos males da operação tartaruga e da sonegação do produto. desde as menores como as empresas até as maiores como as sociedades. As pessoas aceitam as recompensas e as exigem cada vez mais elevadas.A. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Quando estudamos a estrutura de alguma coisa. pois é com eles que formamos pensamentos. de modo geral.. de modo geral. estamos estudando a inter-relação das diversas partes (grupos e grupamentos) que a compõem. A ênfase dada pela gerência à produtividade. ameaçada de punição para que se esforce no sentido da consecução dos objetivos organizacionais. controlada. o estudo da forma como os seres humanos se organizam em grupos e a análise dos grupamentos sociais nos dá uma ideia de como se estruturam e se relacionam as organizações. Para concluir. mas isso não basta para produzir o esforço necessário. 3. É um sinal convencionado que evoca ou substitui algo relevante para determinado grupo social. aos prêmios para melhor desempenho – conquanto tenha uma lógica em termos dos objetivos da empresa – reflete uma crença subjacente de que a gerência deve agir de forma a neutralizar uma inerente tendência humana a fugir do trabalho. à evidência da verdade essa pressuposição seria incontestável.com. ideias e outras maneiras de representar a realidade e pode ser definido como qualquer coisa usada para representar algo mais do que si mesmo. 2. mais informações www. quer evitar responsabilidade. ao conceito de “uma boa média de trabalho por dia”. 2008) 1. tem uma aversão essencial ao trabalho e o evita sempre que possível. prefere ser dirigido. O ser humano. A aversão é tão forte que nem mesmo a promessa de recompensas é geralmente suficiente para vencê-la. tem relativamente pouca ambição. A linguagem pode ser considerada o mais complexo conjunto de símbolos da humanidade. a maioria das pessoas precisa ser coagida.

iesde. Nas condições da vida industrial moderna.54 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais Essa pressuposição da “mediocridade das massas” raramente é expressa de maneira assim tão rude. a satisfação do ego e das necessidades de autoafirmação pode ser produto direto do esforço feito em vista dos objetivos organizacionais. O ser humano não detesta. consequências da experiência. O compromisso com os objetivos é dependente das recompensas associadas à sua consecução. sob condições adequadas. a falta de ambição e a busca de garantia são. e não características humanas natas. O controle externo e a ameaça de punição não são os únicos meios de estimular o trabalho em vista dos objetivos organizacionais. por natureza. A recusa de responsabilidades. Não obstante. de engenhosidade e de criatividade na solução de problemas organizacionais é mais amplamente distribuída na população do que geralmente se pensa. que se pode facilmente ver refletida na política e na prática. muito se louva o valor do ser humano. não só a aceitar responsabilidades como a procurá-las. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Nossos valores sociais e políticos exigem essas expressões públicas. as potencialidades intelectuais do ser humano comum estão sendo parcialmente usadas..br . essa pressuposição. se possível). 5. 6. geralmente. de forma alguma. 2. uma filosofia gerencial já morta e enterrada. o trabalho. A capacidade de usar um grau relativamente alto de imaginação. Paternalismo passou a ser palavrão. isto é. o trabalho pode ser uma fonte de satisfação (e será voluntariamente realizado) ou uma fonte de punição (e será evitado. A mais importante dessas recompensas. mais informações www. O ser humano comum aprende. um grande volume de gerentes apoia. 4. De fato. Teoria Y: pressuposições acerca da natureza e do comportamento humano (MCGREGOR In: DIAS.A. privadamente. O dispêndio de esforço físico e mental no trabalho é tão natural como o jogo ou o descanso. 2008) 1. Dependendo de condições contornáveis.com. 3. O homem está sempre disposto a se autodirigir e se autocontrolar a serviço de objetivos com os quais se compromete. mas não é.

mais informações www. Você tem escolhas a fazer e opções que deve tomar em seu dia a dia.A.com.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 55 Atividades 1. Agora pare e pense na sua vida cotidiana.iesde. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Seria possível a vida social sem interação entre indivíduos e grupos sociais? Por quê? 2.br .. Identifique quais de suas ações dependem de sua vontade e quais você poderia imputar ao contexto mais amplo em que está inserido.

ou mais especificamente uma empresa.A. sanções e valores sociais encontrados no texto.br . A partir das ideias do Texto complementar podemos identificar alguns mecanismos utilizados pelos gerentes para controlar o grupo social que lideram. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com.56 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais 3. Cite exemplos de normas. Como podemos definir grupos sociais? 4. no caso um grupo econômico.. mais informações www.iesde.

::: Sanção – “prêmios para o melhor desempenho.A. Na teoria X: ::: Norma – “uma boa média de trabalho por dia”. mais informações www. Podem ser concebidos como agentes de socialização cuja principal característica é de apresentar a integração social entre seus membros. 2. o trabalho pode ser uma fonte de satisfação”. Na teoria Y: ::: Norma – “dependendo de condições controláveis. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br . O aluno deve refletir sobre quais ações cotidianas estruturam o seu dia a dia e apontar as que são tomadas por opções pessoais e quais são consideradas fruto da influência dada pelos grupos de que fazem parte. Os grupos sociais são sistemas de relações sociais de cooperação duradouras e estáveis que possuem um objetivo em comum. aprende não só a aceitar responsabilidades como a procurá-las”.iesde. Essas relações envolvem a cultura. o ambiente físico e político em que vivem. ::: Valores sociais – “o ser humano comum não detesta o trabalho. Não.. de modo geral prefere ser dirigido. porque nossas ações cotidianas de interação com as pessoas estruturam o nosso dia a dia. 3. ::: Sanção – “o compromisso com os objetivos é dependente das recompensas associadas à sua consecução”. como indivíduos ou enquanto grupos sociais dos quais fazemos parte. Organizamos as nossas vidas através da interação entre nós. 4. ::: Valores sociais – “o ser humano. ameaça de punição”.Características e tipologias dos principais grupamentos sociais | 57 Gabarito 1.com. tem pouca ambição e quer garantia acima de tudo”.

58 | Características e tipologias dos principais grupamentos sociais Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com.A..iesde. mais informações www.br .

Podemos dizer ainda que uma organização é uma forma de comunidade humana mais ou menos aberta ou obrigatória. A quantidade de modelos de organização estruturados por diversos teóricos da área demonstram uma constante tentativa de encontrar respostas aos problemas técnicos de produção e de comportamento dos homens no trabalho. A empresa não pode desconsiderar a complexidade da estrutura social de suas capacidades de produção. estruturado em linhas impessoais e constituído para se alcançarem objetivos específicos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.Organizações e sociedade O surgimento da Sociologia das Organizações está diretamente vinculado ao aparecimento das empresas industriais ocorrido no período das grandes transformações estruturais decorrentes do processo de industrialização e do surgimento do capitalismo.br . estes objetivos são os de curar doenças e prestar outras formas de assistência médica. Segundo Anthony Giddens: “uma organização é um grupo amplo de pessoas. mais informações www.” (GIDDENS. A Sociologia das Organizações tenta compreender a organização social da empresa entendendo-a como uma unidade constituída por grupos de indivíduos em interação..com. A passagem da produção artesanal para a produção fabril revolucionou a forma como os trabalhadores se organizavam até então para o trabalho. Vamos trabalhar com algumas destas conceituações que nos ajudarão a compreender melhor esta realidade. Essa nova forma de organização dos trabalhadores em empresas industriais foi de importância fundamental para o crescimento do sistema capitalista como até hoje se apresenta. É para analisar esta complexificação dentro das organizações que surge a Sociologia das Organizações. no caso de um hospital. Toda a complexidade que provém de suas inter-relações e de sua relação com o meio é objeto da Sociologia das Organizações. Com o tempo aparecem estruturas de grupo. Conceito de organizações Vamos primeiramente conhecer o significado de organização. 2004. 348). p. visto que associa homens para realizar um objetivo e é sobre sua capacidade de comunicação e de colaboração que se funda uma parte essencial da qualidade de seus resultados. nascem relações entre estas forças e as regulações coletivas tornam-se indispensáveis.iesde.A.

(GIDDENS. disponíveis aos indivíduos dentro das organizações é fundamental para que essa organização atinja seus objetivos.A. tiveram grande impacto na construção do pensamento sociológico acerca das organizações. com a complexificação das sociedades modernas aumenta também a nossa dependência em relação às organizações. ao abrirmos uma torneira estamos em contato com as empresas públicas ou privadas que tratam a água em nossa cidade. mas o seu uso foi generalizado gradualmente para nos referirmos às grandes organizações em geral. e a canalizam para que saia em nossas casas. ou seja. derivada do verbo grego “governar”. porque é racional e eficiente pela existência de regras claras que devem ser seguidas. Teorias das organizações: o enfoque sociológico Três autores. 2004.com. O termo burocracia é empregado por Weber para explicar um modelo organizacional considerado por ele como ideal. Depois deles. que desenvolveu o primeiro estudo mais sistemático do surgimento das organizações modernas e Robert Merton que. com seus estudos sobre as relações de poder e o aumento do controle das instituições sobre os indivíduos. esta palavra já fazia parte de estudos relacionados ao funcionamento das organizações públicas como nos mostra Giddens nesta passagem: A palavra burocracia foi utilizada pela primeira vez por de Gournay em 1745. o pagamento de impostos e a participação dos jovens em guerras..br . passamos a ser controlados por especialistas e autoridades que através de regras normativas determinam aquilo que somos obrigados a fazer. mais especificamente. Para ele. demonstrando as suas disfunções decorrentes da própria burocratização do processo. A perspectiva de Max Weber Este autor inicia seus estudos sobre a burocracia enfocando-a de uma perspectiva histórica. a palavra “cracia”. 350) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o controle do tempo e do espaço. A princípio o termo era aplicado apenas aos funcionários do governo. teremos a possibilidade de sofrer sanções. que tanto significava escritório como secretária. várias delas estão interagindo para possibilitar a vida que levamos. através de um paralelo entre a mecanização da indústria e o aumento das formas burocráticas de organização das mesmas. Por exemplo. o poder dos funcionários. Max Weber. analisou o tipo ideal de burocracia salientando as consequências prejudiciais deste sistema. que juntou ao prefixo “Bureau” (originalmente em francês). p. Giddens também nos aponta o lado negativo desta enorme influência que as organizações exercem em nossas vidas. são exemplos bem claros desse controle. A burocracia é por conseguinte. Este simples fato de se obter água encanada em casa mobiliza mais de uma organização existente em nossa sociedade e das quais nos tornamos dependentes. A obediência às leis. se não fizermos. partindo dos trabalhos de Weber. Historicamente. de forma que. mais informações www. não dando margens às variações e instabilidades do ser humano.iesde. Isso porque. Michel Foucault fez uma grande contribuição nessa área. muitas vezes.60 | Organizações e sociedade Nossas vidas estruturadas em sociedades modernas são perpassadas pelas organizações de forma constante e permanente e. chamando atenção para o fato de que a arquitetura de uma organização está diretamente relacionada com a ordenação social e o sistema de autoridade da mesma.

As formas de dominação burocrática estão em ascensão em todas as partes. 130) Ele chama atenção para o fato de que o desenvolvimento das organizações estaria baseado no domínio da informação e da competência necessárias para o exercício da autoridade em um mundo econômico inteiramente novo na história das sociedades. (WEBER apud COHN. de maneira predominante e progressiva. Para ele toda a informação sobre a organização em questão deve estar registrada através da existência de regras escritas e de registros guardados em arquivos contendo o histórico da organização. as organizações constituem formas de coordenar as atividades dos seres humanos de uma maneira constante no tempo e no espaço. Todas as decisões das pessoas passavam a obedecer a objetivos concretos e racionais. de fato. conceberam de forma diferente a burocracia – como um modelo de gestão cautelosa. Considerava legítima a autoridade apoiada na competência do funcionário. estando o poder concentrado no topo da organização. particularmente. à ineficácia e ao desperdício. mais informações www. dado todas as tarefas serem reguladas por regras de procedimento escritas. em oposição à forma mais presente na sociedade da época que se baseava na tradição ou no carisma da autoridade.iesde. A burocracia é frequentemente associada à formalidade.. nos fala que na dominação burocrática: [. tornaria a burocratização das organizações inevitável e atingiria todos os campos da vida moderna. desde sua formulação. para o qual as sociedades modernas se encaminhavam. Partilham a ideia de que a burocracia é. ao elemento burocrático. todavia que o trabalho rotineiro esteja entregue. Outros autores.. precisa. passando pela Educação e chegando aos sistemas de governo. bastante polêmico. Weber considerava que o processo de racionalização. O romancista francês Honoré de Balzac retratava a burocracia como “O poder gigante dos pigmeus”. A autoridade burocrática então aparecia como a única forma de lidar com as implicações administrativas de grandes sistemas sociais. substituindo-se as crenças religiosas pelas explicações científicas. Weber.A. (GIDDENS.Organizações e sociedade | 61 Para Weber. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br . identifica-se com a da moderna burocracia da empresa burocrática. Weber percebia a estrutura das organizações como fortemente hierarquizadas. p. quando define os três tipos de dominação. 350). formadas pela concentração de poder e por uma organização burocratizada. a forma de organização mais eficaz que os seres humanos desenvolveram. portanto. tornou-se necessário desenvolver sistemas de controle e de gestão de forma a lidar com essa complexificação. o que garantiria a máxima eficiência na execução dos objetivos da organização. Por um lado é sinônimo de ineficiência e por outro de cautela e organização. por natureza. O caminho melhor e mais eficiente seria escolhido para produzir determinado resultado. As pessoas seriam escolhidas para suas funções ou cargos conforme suas aptidões e sua formação ou através de regras explícitas já existentes. da mesma forma que toda a evolução do grande capitalismo moderno se identifica com a burocratização crescente das empresas econômicas. Este tipo de opinião tem persistido até aos nossos dias. À medida que as tarefas se tornaram mais complexas. 1986. as grandes organizações modernas são. Vejamos o que nos coloca Anthony Giddens sobre isso: De Gournay falou do desenvolvimento do poder dos funcionários como uma “doença chamada buromania”.] é decisivo.. No entanto. O conjunto de regras escritas para cada organização seriam os estatutos que ajudariam a estabelecer critérios de escolha e distribuição dos indivíduos dentro das organizações. p. Para ele a superioridade técnica do sistema de racionalização legal era comparável com a precisão das máquinas mais avançadas e sofisticadas. eficaz. desde a Ciência. Toda a história do desenvolvimento do Estado moderno. sabemos que este conceito de burocracia é. contudo. 2004. Para ele. É a partir da questão da legitimidade no exercício da autoridade legal que ele vai criar sua teoria sobre a “administração racional legal”.com.

Na tentativa de evidenciar as formas de controle utilizadas por estas organizações.br . não está previsto nas regras da burocracia e por isso sofremos com respostas generalizadas de funcionários que parecem não perceber nossas necessidades específicas. Ao pensarmos nas organizações modernas percebemos que as mesmas funcionam em espaços físicos especificamente planejados para elas e ao mesmo tempo existem características gerais em todas elas. E quase todos nós sabemos dos problemas em lidar com as grandes burocracias quando. recusa que ele receba o benefício porque ele não preencheu corretamente o pedido e perdeu o prazo. tolhendo a flexibilidade natural do ser humano em aplicá-las quando necessário ou em buscar outras soluções que não fossem as já registradas e disponíveis. o ritual burocrático poderia assumir prioridade sobre as necessidades do cliente que sofreu a perda (GIDDENS. Merton. demonstrou inclusive que a arquitetura de uma organização está diretamente implicada no controle do tempo e do espaço da mesma. Foucault realizou minuciosos estudos sobre instituições. realizado a partir do surgimento das sociedades industriais no século XIX.62 | Organizações e sociedade Apesar disso. Neste sentido. por algum motivo. necessitamos de licenças e concessões do governo ou quando tentamos resolver nosso caso em particular que. decorados de forma padronizada e por onde circulam as pessoas. percebeu disfunções prejudiciais para o funcionamento da própria burocracia. 2004.A. ao analisar o tipo ideal de burocracia de Weber.com. ou seja. por danos legítimos. mais informações www.iesde. 35). as análises de Weber sobre a burocratização das organizações são utilizadas como ponto de partida da maioria dos trabalhos sobre as organizações e é a partir delas que aprimoramentos no conceito foram realizados. p.. muitas vezes usando uniformes ou Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Em função da importância dada ao procedimento correto. Assim. por exemplo. As críticas de Robert Merton à burocracia Robert Merton foi um sociólogo americano de orientação funcionalista e importante teórico da burocracia. até então consideradas de segunda categoria. Como no exemplo dado por Giddens. em que um burocrata responsável pelo processamento de pedidos de seguros. Grandes corredores que se abrem para muitas salas ordenadas uma depois da outra. seria perigoso perder de vista o verdadeiro objetivo. facilitando a obediência de uns e a autoridade de outros (FOUCAULT. pois uma das maiores fraquezas da burocracia é a dificuldade que a mesma tem em lidar com casos que precisam de uma consideração e tratamento especiais. como as prisões e os manicômios. Merton previu a possibilidade da existência de tensão entre o público e a burocracia. O sociólogo preocupava-se com a situação em que a obediência às regras pudesse virar um fim em si mesmo. Michel Foucault e o controle do tempo e do espaço Uma das preocupações centrais da obra de Michel Foucault foi analisar o aumento do controle social e do processo de disciplinarização e normalização. evocando a ausência de um formulário ou o preenchimento incorreto do mesmo. 1987). Suas críticas voltavam-se principalmente às dificuldades dos burocratas em usar as capacidades individuais de pensar e de buscar soluções originais por estarem por demais presos a um conjunto de regras preestabelecidas.

por oposição. 57. 31) Administração pública (setor público) Modo primário de filiação Fundamento da filiação primária Fundamento da filiação secundária Empresas (setor privado) Organizações sociais (terceiro setor) Obrigatório Voluntário Voluntário Cidadania Propriedade Inscrição Emprego Emprego Emprego Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Estas diferenças estabelecidas a partir dos objetivos encontram correlação em outros aspectos das semelhanças e diferenças mais importantes entre elas. organizações filantrópicas. p. e o terceiro.. (DIAS. Assim dizemos que estamos galgando o último degrau na empresa quando nos referimos aos cargos mais altos que podemos atingir dentro da hierarquia da mesma. Adaptado. por isso. p. ou interesses comuns a certos setores da população que não encontram resposta na administração pública. Dias (2008) propõe classificá-las quanto ao setor em que atuam dividindo-as em públicas.). constituído pelas diversas formas organizacionais da administração pública. In: DIAS. as organizações sociais.iesde. 31. OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). mais informações www. O próprio organograma da empresa tem este formato e a proximidade ou distância física das chefias afeta de forma significativa as relações e os grupos que aí se formam.) Características dos três grandes tipos de organizações . de maneira que muitas vezes os postos de chefia mais importantes são aqueles onde os escritórios estão nos andares mais elevados do prédio. privadas e as do terceiro setor (ONGs. fundações etc. Aqui se incluem ONGs (Organizações Não Governamentais). fundações etc. se caracteriza por buscar o bem comum como valor essencial. de conteúdo não econômico. a empresa. Através do estudo das características físicas das organizações podemos ainda observar a distribuição do poder através da estruturação hierárquica de seus funcionários. as atividades dentro da empresa podem ser realizadas de forma intensiva através do controle do tempo e do espaço.Organizações e sociedade | 63 crachás que as identifiquem como membros da organização e as distingam dos visitantes ou clientes. busca antes de tudo o interesse privado em sua expressão econômica. Todas estas estratégias são criadas com o objetivo de facilitar o controle do tempo e do espaço nesses ambientes.com. pela eficiência da utilização do tempo de seus funcionários e.br (INFESTAS GIL 2001. reunidas num terceiro setor e que pretendem realizar interesses privados. o segundo. 2008. no relacionamento entre departamentos em uma empresa a proximidade física facilita a formação de grupos primários e. a distância pode aumentar a polarização dos grupos. podemos distinguir três grandes tipos de organizações na sociedade contemporânea baseando-se em suas especificidades macrossetoriais: o primeiro. Segundo os objetivos estabelecidos para as organizações por seus fundadores e quem as controla em um momento determinado. 2008. A produtividade da mesma pode ser medida. Classificação e objetivos das organizações Para facilitar a compreensão dos tipos de organizações existentes e as funções para que foram criadas. Por exemplo.A. por exemplo. O controle do tempo também é fator fundamental para o bom funcionamento de uma empresa. p.

br . Charles Perrow (apud DIAS. como as cooperativas. ou seja. como é o caso dos partidos políticos. Estas instituições têm uma influência muito mais direta sobre os indivíduos que dela participam. Este tipo de organização é a mais estudada entre todas. criar e manter valores culturais etc. as relações entre seus membros são menos hierárquicas e mais flexíveis. Já as organizações sociais buscam objetivos de caráter solidário. Outros autores como o alemão Renate Maintz e o americano Charles Perrow buscam ainda definir as organizações a partir de seus objetivos. as associações profissionais ou ainda. como é o caso das ONGs. ou da Administração Pública. E por causa de sua importância para a sociedade. o tipo de organização chamado Administração Pública tem como função principal a prestação de serviço para o bem comum. ou seja. mais informações www.A.iesde.. manter a ordem. Por terem participação voluntária. visando o bem comum. pela posição central que ocupa dentro do modelo das sociedades atuais. ou forçada no caso de internações em hospitais psiquiátricos ou em prisões. como os sindicatos. como nos clubes e nas organizações recreativas. Existem ainda as chamadas instituições totais como as prisões. São exemplos: produzir bens e serviços. p. os manicômios. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. da existência de meios disponíveis para realizá-los. visando o bem de seus associados. a produção de capital. 34-35) afirma que o objetivo das organizações pode também ser conflitante relacionando cinco categorias principais de objetivos: ::: objetivos da sociedade – que têm como ponto de referência a sociedade em geral. apresenta uma disputa de poder que a organiza sob uma forte estrutura hierárquica. que combinam as características de mais de uma delas. visando a obtenção de poder. Estes se definem a partir da possibilidade de realizá-los. no caso de escolas. aquelas que visam o lucro onde os membros participam porque sobrevivem disso.com. Já as empresas têm como função a atividade econômica.64 | Organizações e sociedade Administração pública (setor público) Tipos de tarefas Estrutura primária de poder Empresas (setor privado) Geral Específica Estrutura política Propriedade Organizações sociais (terceiro setor) Específica Estrutura participativa Conforme Dias. Há ainda as de tipo misto. Sob a perspectiva do sociólogo Renate Maintz (1984) podemos dividi-las em: ::: organizações voluntárias – têm como objetivo a relação de coexistência entre seus membros. universidades e igrejas.. ::: organizações estruturadas – têm como objetivo atuar de maneira determinada sobre um grupo de pessoas e podem ser de incorporação voluntária. ::: organizações com objetivo de obter um determinado resultado – como por exemplo. os hospitais e os quartéis que têm como característica principal o fato de que seus membros ficam isolados enquanto fazem parte das mesmas. 2008. os consórcios e as fundações.

os reformatórios e os mosteiros que impõem coercitivamente aos seus residentes um sistema de existência completamente isolado do mundo exterior. São exemplos “a ênfase dada ao crescimento. estilo. tendo em conta os significados que estes atribuíam ao mundo à sua volta. São exemplos: bens de consumo.” Estas classificações devem ser entendidas apenas como exemplos entre os mais variados tipos de organizações existentes na realidade. originalidade ou inovação dos produtos. Goffman estava particularmente interessado em compreender as mudanças profundas que ocorriam no sentido de si dos indivíduos nestas condições. ::: objetivos derivados – cujo ponto de referência é o uso que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos. construídos teoricamente apenas para facilitar as análises. As instituições totais podem ser vistas como exemplos de burocracias elaboradas. Os indivíduos em instituições totais encontram-se rodeados por um mundo rigidamente organizado. investigando o fenômeno social na perspectiva dos próprios atores sociais.com. Suas validades e limitações devem ser consideradas a partir do estudo que se deseja realizar buscando aquela que mais se aproxima de um desses tipos puros.. política de investimento e localização das instalações de modo a afetar a economia e o futuro de comunicações específicas. O ponto de referência são as características dos bens e serviços produzidos. ou dos objetivos daí resultantes”. Texto complementar (GIDDENS. de 1968. ::: objetivos de produtos – na realidade. São exemplos: “metas políticas.”.br .Organizações e sociedade | 65 ::: objetivos de produção – aqui o ponto de referência é o público que entra em contato com a organização. tais como fazê-los sob controle escrito ou mais liberal”.. mais informações www. serviços à empresa. As instituições totais são instalações como os hospitais mentais. objetivos caracterizados pelos produtos. serviços comunitários. inteiramente Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. São exemplos: “a ênfase sobre a qualidade ou quantidade. educação etc. Nesse estudo específico. estabilidade. cuidados com a saúde. variedade. lucros ou às modalidades de funcionamento. Goffman procurou compreender o funcionamento das instituições totais através das experiências dos indivíduos que passam por elas. 2004) Um dos estudos mais influentes sobre as organizações foi conduzido pelo sociólogo americano Erving Goffman em finais dos anos 1950 e publicado no livro Asylums (Asilos). ::: objetivos de sistemas – neste caso o ponto de referência “é o estado ou maneira de funcionar da organização independentemente dos bens e serviços que produz. quitadas por procedimentos complexos e rígidos que são obrigatórios para os seus membros. desenvolvimento profissional. as prisões. disponibilidade.iesde. Goffman trabalhou com base na tradição interacionista.A.

mas que assumiu uma nova identidade como membro da instituição. Recusavam-se a ver-se como “criminosos” e a diminuir a imagem que tinham de si próprios como resultado da sua posição no sistema de justiça criminal. Em vez de resistirem completamente ao sistema. Este processo de garantia de submissão é ajudado em parte por aquilo que Goffman chamou de mortificação do eu.. Os recém-chegados a instituições totais são sistematicamente humilhados e rebaixados perante os seus superiores e pares até o seu autoconceito anterior ser quebrado. no conjunto. greves de fome. mais informações www.66 | Organizações e sociedade planejado e meticulosamente supervisionado. Os bens pessoais são retirados e os traços identificativos neutralizados: as roupas são trocadas por uniformes. Assim. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. fazem-se cortes de cabelo estandardizados. encontraram mais provas de resistência à autoridade do que Goffman. a maioria dos internos resiste à pressão para abandonar o seu sentido de si “levando as coisas com calma” – protegendo-se psicologicamente e fazendo o mínimo necessário para ir andando e evitar problemas. Stanley Cohen e Laurie Taylor. de muitas maneiras que já não é a pessoa que foi anteriormente. Existem linhas claras que separam os residentes em instituições totais do pessoal. campanhas de abaixo-assinados. Goffman descobriu que tipos distintos dessas instituições têm certas características em comum. de fato. existe uma resistência muito maior nestas instituições do que a que ele sugeriu. Alguns sociólogos defendem que Goffman exagerou a dimensão do “ajustamento” e que. A mortificação do eu pode ocorrer através de uma variedade de formas. Argumentavam que muitas formas de resistência nas prisões assentam em objeções coletivas ao sistema e têm como objetivo provocar mudanças no funcionamento da instituição. Resistências às instituições totais: críticas à Goffman Como muitos trabalhos pioneiros.A. uma falta constante de privacidade e a necessidade de pedir licença antes de realizar qualquer tarefa. incluindo os amigos e a família. impressões digitais. atribuições de tarefas domésticas ou servis. Cohen e Taylor observaram formas de resistência que iam bem além da mera proteção do sentido de si. Uma forma de resistência menos pública indicada por Cohen e Taylor reside na tendência para os hóspedes rejeitarem os rótulos atribuídos pelas autoridades prisionais. o estudo de Goffman sobre as instituições totais tem atraído tanto louvores como críticas. Contudo concluiu que. atribui-se um novo nome ou número de identificação e as ligações com o mundo exterior. Goffman identificou cinco respostas da parte dos internos às suas experiências em instituições totais. tentativas de fuga e motins nas prisões podem ser vistos como exemplos de reações ativas à experiência do aprisionamento. Estas variavam ente a retirada completa e a resistência ostensiva à acomodação e ao “fazer o seu papel”.com. Enquanto Goffman considerou a resistência obstinada como uma forma mais direta de resistência à autoridade. As rotinas diárias são planejadas e supervisionadas pelos empregados que têm autoridade para castigar ou recompensar os residentes de acordo com o grau de obediência revelado. são restringidas.br .iesde. Recorda-se ao interno. Em todos os casos. muitos internos encontram formas pragmáticas de se ajustarem ao mesmo. no seu estudo sobre a penitenciária de Durham (1972). os recém-chegados são despidos do seu sentido de si e de sua individualidade enquanto pessoas e “reconstruídos” de acordo com as regras da instituição. em que se incluem exames de saúde e exames de cavidades corporais.

iesde. as prisões e os quartéis? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.Organizações e sociedade | 67 Atividades 1. cite quais são as suas vantagens. mais informações www.. 2. Em função do sucesso da forma burocrática de estruturação de uma organização.com.A. O que há de comum entre os hospitais psiquiátricos.br .

com. Gabarito 1. ::: as rotinas diárias são todas planejadas e supervisionadas pelos funcionários. o que garantiria a máxima eficiência na execução dos objetivos da organização superando as deficiências da instabilidade humana. ::: Empresas: em que a função principal é a atividade econômica.. ::: os indivíduos são neutralizados através da negação de traços que os possam identificar – suas roupas são trocadas por uniformes. Acreditava-se em uma superioridade técnica do sistema de racionalização legal comparável à precisão das máquinas mais avançadas. e muitas vezes atribuem-se um novo nome ou número de identificação.iesde. 3. como tais. fazem-se cortes de cabelo estandartizados. As vantagens são: as decisões das pessoas passam a obedecer a objetivos concretos e racionais. 2. São instituições totais e. | Organizações e sociedade Cite quais são as características dos três grandes tipos de organizações. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. possuem as seguintes características gerais: ::: impõem coercitivamente o isolamento de seus membros do resto da sociedade. ::: Administração Pública: em que a função principal é a prestação de serviço para o bem comum. ::: Organizações sociais: que têm objetivo de caráter solidário e se definem a partir da existência de meios disponíveis para realizá-los.br .68 3. mais informações www.A. O caminho mais eficiente seria escolhido para produzir determinado resultado. ::: apresentam-se como burocracias complexas e com uma série de procedimentos rígidos que são obrigatórios. ::: os indivíduos são meticulosamente controlados.

na teoria dos sistemas e na contingencial. taylorista e burocrático. O Modelo Humanista dentro da organização passa a abranger o fator humano a partir da análise dos grupos sociais internos e das relações informais que se formam dentro da organização. Quanto ao Modelo Contingencial. Esse modelo refuta a existência de princípios universais de administração e ressalta a necessidade de se avaliar as particularidades de cada empresa. Nesse sentido.com. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde. O Modelo Racionalizador Clássico dá ênfase principalmente à eficiência e à produtividade e procura alcançá-las através da busca de mecanismos de controle do indivíduo para que este possa realizar as tarefas do trabalho de forma mais eficiente. o que também inclui a relação com outras organizações e com elas trocam influências. Esses modelos ficaram conhecidos como fordista. ele pressupõe a importância de fatores específicos de cada organização como elementos determinantes nas decisões administrativas da empresa e combinados com fatores externos já ressaltados pela teoria sistêmica. No Modelo Sistêmico as organizações são consideradas como sistemas abertos que estão em constante relação com o ambiente externo à organização. mais informações www. dificulta a possibilidade de utilização de modelos de análise mais globais que possam ser utilizados em diferentes organizações.br . Com o aprofundamento destas análises foram construídos outros modelos mais atuais baseados nas teorias das relações humanas.Novas abordagens teóricas das organizações A análise sociológica das organizações trabalha primeiramente com modelos racionalizadores clássicos da Sociologia das Organizações que dão ênfase à eficiência dos processos organizacionais buscando a otimização do desempenho das mesmas através da estrutura organizacional.A..

a de que o aumento da produção não estava ligado às condições físicas de trabalho. e não da estrutura organizativa. formal e informal. Como esses grupos funcionam também como pontos de referência para as pessoas que trabalham na empresa. Quanto mais se procurava organizar o trabalho e toda a empresa. em número de integrantes de um mesmo grupo. eram deixados de lado pela preocupação mais urgente em aumentar a produtividade das empresas. grupos. No entanto. mais se desembocava numa série de manifestações individuais e coletivas que não estavam previstas nos estudos da organização científica clássica: conflitos. Resumindo. mas se os interesses são diversos. estudos passaram a ser realizados dentro de uma fábrica nos Estados Unidos. mais informações www.br . maior a satisfação dos trabalhadores. as relações de interação entre os grupos de trabalhadores e entre estes grupos e seus dirigentes problematizavam o próprio funcionamento da organização além do que o modelo racional dava conta de explicar. por parecerem depender das pessoas. temperatura. insubordinação. estarão buscando objetivos contrários. Na Western Electric Co. Auxiliados pela Psicologia Industrial. imprevistos. o trabalhador sentia-se reconhecido por ter feito parte de um estudo científico e isso implicava maior motivação para o trabalho. mas sim ao chamado efeito Hawthorne. os grupos servem como incentivadores dos indivíduos.iesde. podemos caracterizar os grupos informais dizendo que eles variam em quantidade dentro de uma mesma empresa.. Em segundo lugar. e se descobriu que independente destas variações no ambiente físico local a produtividade do grupo estudado só aumentava. e deles com a própria empresa. A conclusão a que chegaram foi. podem surgir conflitos porque ambas as estruturas organizacionais.com. Todos estes fatores também contribuíram para um efetivo aumento na produtividade do grupo.. A conclusão aqui foi a identificação da existência de grupos informais e da importância do papel desempenhado por eles nas organizações. cor das paredes. sempre de forma mais eficaz. que serviam para que se protegessem dos atos das chefias e dos administradores daquela empresa. Quanto maior a integração interna desses grupos.A. no caso da existência de interesses comuns aos da organização. em primeiro lugar.70 | Novas abordagens teóricas das organizações A teoria das relações humanas A vontade de organizar as empresas. pôs logo em evidência a complexidade do fator humano. E por último. ficou clara a existência de grupos criados por elas de maneira informal. em objetivos e Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. A esse grupo foi proposto que continuasse trabalhando normalmente enquanto modificavam-se as condições físicas do ambiente através de alterações na luminosidade. as análises realizadas nas organizações até então não levavam em consideração a constituição humana da mesma e tratavam os problemas dos indivíduos dentro da organização como questões individuais. Portanto. rotina e falta de iniciativa. inclusive com lideranças. ou seja. redução da jornada de trabalho e modificações na forma de pagamento dos salários. ao realizar entrevistas com as operárias da mesma fábrica. Elton Mayo integra-se a esta pesquisa numa segunda fase na qual são incluídas outras variáveis como: aumento na duração e na quantidade de intervalos de descanso. comunicação insuficiente entre os indivíduos. um grupo de trabalhadores foi separado dos demais em uma sala que funcionaria como um laboratório. Todos estes comportamentos. Percebe-se a partir disso um complexo sistema de relações interpessoais estabelecido de forma espontânea entre os membros de qualquer organização. classes ou camadas. que configuram uma estrutura informal construída por diferentes grupos que podem ou não ter objetivos comuns aos da organização. ruído etc. descobriu-se que a forma de gerenciar direitos e deveres do trabalhador é também um fator que pode modificar a produtividade.

Barnard ressalta o aspecto cooperativo na realização das atividades. A tarefa dos dirigentes Dado o crescimento dos grupos industriais e das empresas e até mesmo da estrutura organizacional dos Estados.br . p. dirigir e controlar.iesde. 2006. se os indivíduos buscam a satisfação de suas necessidades complexas também no trabalho. Surge a necessidade de levar em consideração um grande número de fatores complexos que passam a influenciar de forma mais direta as organizações. apatia. 2008. O sociólogo americano Chester Barnard trabalhou também dentro desta perspectiva analisando o papel do gestor nas organizações complexas e desenvolveu uma teoria sobre a forma cooperativa de trabalho dentro das empresas. KIRSCHNER.. ao contrário. São formados de forma independente de autorização na empresa. Na nova perspectiva das “relações humanas” admite-se. o aumento da concorrência. a tarefa era mal definida ou a oficina mal organizada. A originalidade desse movimento foi certamente chamar a atenção dos dirigentes sobre os comportamentos humanos que antes se consideravam sob o ângulo puramente econômico. Portanto. uma organização funciona bem quando há equilíbrio nas relações dos agentes envolvidos. p. Esse tema passa a ser objeto de análise de muitos autores que se preocupavam principalmente com cinco pontos considerados fundamentais na função de um gestor: planificar. Para ele.com.Novas abordagens teóricas das organizações | 71 podem apoiar ou não a organização a que pertencem. Ao definir as organizações. técnico ou ideológico. havia três hipóteses possíveis: eram mal pagos. A melhora das relações humanas aparece assim como a resposta a uma espécie de corrente de evolução sociocultural. são como uma organização social menor que coexiste dentro de uma maior. a cooperação só faz sentido na execução de objetivos a serem alcançados e pode ser eficaz quando permite atingir estes objetivos. 92). as relações informais de grupo podem servir de fonte para encontrar estas respostas. Assim. e eficiente quando. podem ou não corresponder às equipes de trabalho formadas pela administração e suas lideranças podem não corresponder àquelas escolhidas pela gerência. mais informações www. as decisões dos gestores tornam-se cada vez mais complicadas. além disso. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. os indivíduos eram de má-fé ou agiam por razões psicológicas e políticas as quais a empresa não tinha como conhecer. Se os assalariados manifestavam agressividade. 88) Nesse sentido inicia-se uma nova forma de analisar a eficiência no trabalho e buscam-se regras para acompanhar a forma com que os indivíduos participam deste ambiente no sentido de observar se a integração do fator humano aos diversos contextos da produção da comunicação e da organização geral da empresa influencia na produtividade dos trabalhadores. que não estariam apenas ligadas às condições físicas do trabalho. No entanto. (SANSAULIEU. a necessidade de investimentos a longo prazo e a gestão de filiais distantes da mesma empresa. Organizações são como “sistemas de atividades coordenadas conscientemente entre dois ou mais indivíduos” (BARNARD. como por exemplo.A. até mesmo a implicação voluntária. permite a satisfação dos agentes envolvidos. que esses problemas têm um significado específico que remete à lógica das ações interindividuais e às motivações coletivas suscitadas pelas circunstâncias do trabalho. Para que a cooperação se realize é essencial uma boa comunicação entre as partes garantindo a transmissão dos objetivos e a organização das atividades. Na relação entre interesses e objetivos dentro da empresa existirão sempre pontos conflitantes e sistemas cooperativos e a medida do equilíbrio entre estas forças dá-se através da negociação entre seus agentes. a qual provém de diminuições do crescimento econômico e técnico. Para tudo isso é exigido maior rigor na tarefa do dirigente. organizar. escolher as pessoas.

mas garantir a efetividade de sua transmissão aos níveis inferiores da organização. criação de um código de conduta e a manutenção de um moral elevado. A gestão dos recursos humanos Os métodos de gestão dos recursos humanos aparecem como um caminho natural no processo de racionalização dos fatores de produção. 2008. o dirigente de uma organização deve ter as seguintes funções principais: ::: garantir a comunicação na organização – envolve a definição da estrutura organizacional e o preenchimento das funções com uma equipe de gestores adequada. 2008. A estrutura decisória se mantém hierárquica. chamou a atenção para a importância da engenhosidade da direção em descobrir como engajar o potencial dos membros da organização. para que sejam realizados de forma cooperativa. 97). melhorando a comunicação interna. surgiram alguns estudos teóricos importantes que identificaram cinco grandes dimensões do envolvimento dos indivíduos no trabalho: o grupo.iesde.72 | Novas abordagens teóricas das organizações Assim. mais informações www.com. e construir uma identidade própria possibilitando um melhor envolvimento no trabalho. ::: assegurar os serviços e tarefas essenciais da organização – implica o recrutamento e gestão de pessoal qualificado para as funções que lhe são atribuídas. pois é onde os indivíduos podem se apoiar. encontrar reconhecimento. 93) Outras técnicas se juntaram às do grupo cooperativo para racionalizar o processo de gestão nas empresas. p. a autonomia e incentivando a independência criativa dos trabalhadores..A. Neste sentido. capazes de fazer os indivíduos abdicarem de interesses próprios para atingir os objetivos da organização. esses objetivos devem ser entendidos como sendo coletivos. buscando a utilização de suas qualidades técnicas e de suas competências no cotidiano do trabalho e no planejamento de futuro. ao criticar o modelo da escola clássica. A busca do fator humano como fator específico do desenvolvimento das empresas procurou acompanhar os indivíduos na realização de projetos pessoais no trabalho a fim de obter seu envolvimento nas atividades requeridas pela produção. os projetos e a cultura. centrando seus esforços de melhorias diretamente sobre os indivíduos. segundo Dias. no sentido de aprender uma profissão através da experiência e da aprendizagem ao longo dos anos. Para Barnard. significa a análise das competências e do saber fazer dos indivíduos comparados com as tarefas. (DIAS. entre elas as de Douglas McGregor que nos anos de 1950. O grupo é importante. o ofício. p. a mobilidade. o emprego. O ofício.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. as condições e as oportunidades da empresa que levem a um desempenho previsível. O princípio fundamental da teoria desse autor “é o da integração: a criação de condições tais que permitam aos membros da organização alcançar melhor os seus próprios objetivos dirigindo os seus esforços para o sucesso da empresa” (DIAS. Na busca de uma organização mais motivadora investiu-se principalmente em diminuir a estrutura hierárquica da empresa criando-se grupos de aconselhamento. portanto. mas necessita negociar com os diferentes grupos e deve buscar esse espírito comum que englobe os interesses de todos os seus membros. ::: definir a missão e os objetivos da organização – deve-se defini-los em termos gerais. Este método se desenvolveu através de duas etapas: o desenvolvimento da motivação e o aproveitamento das capacidades dos membros da organização.

a do acordo entre projetos e as capacidades pessoais com os objetivos e os projetos coletivos de desenvolvimento da empresa em ambiente aleatório. programas de formação de adultos etc. p. p.. a administração da GRH (Gestão de Recursos Humanos) visa desenvolver um tipo de racionalidade. mais informações www. Para que os trabalhadores sintam-se envolvidos pelos objetivos da empresa eles têm que se sentir parte integrante dessa cultura da empresa. com a inserção de jovens em contratos temporários. a gestão como técnica auxiliar do gerenciamento de recursos humanos foi aprimorada com a excessiva oferta de mão de obra. Para resumir a gestão de recursos humanos e suas transformações ocorridas desde os anos 1970 até por volta do ano 2000. flexibilidade e criatividade.A. Políticas de GRH O grupo O emprego Projeto. comunicação O ofício A mobilidade Organização qualificante participativa reativa Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. de função e até de ofício.iesde. (SANSAULIEU. A cultura da empresa é o mecanismo pelo qual estes objetivos são divulgados. 106) Gráfico 1 – O sistema da gestão das relações humanas .br (SANSAULIEU. Os projetos coletivos de desenvolvimento das empresas são importantes fontes de mobilização dos indivíduos e implicam na união de esforços em torno de objetivos comuns como a qualidade do produto final.] diante da forte coação das contingências de um mercado que se tornou mundial. o que pode incluir deslocamentos de região ou de estado para o indivíduo realocado. As políticas de mobilidade do pessoal visam salvar o emprego e o desempenho.com. propondo aos indivíduos mudar de trabalho. através da reorganização do tempo de trabalho. Sansaulieu nos propõe um gráfico e esclarece que: [.Novas abordagens teóricas das organizações | 73 No emprego.. estágios. 106) Contingências econômicas e técnicas. cultura.. Coações de competitividade. 2006. 2006. a imagem da marca etc. o contato com o cliente.

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Novas abordagens teóricas das organizações

As políticas de GRH, levando em conta as influências externas econômicas e técnicas, as coações
de competitividade, flexibilidade e criatividade do mercado devem buscar combinar os projetos da empresa e as capacidades pessoais dos trabalhadores com os objetivos e projetos coletivos. Tudo isso para
chegar a uma organização mais qualificada, participativa e reativa.

A teoria dos sistemas
Diferentemente da escola Clássica, que estabeleceu os parâmetros de organização da indústria
como uma unidade produtiva voltada exclusivamente para o seu interior, o modelo sistêmico de análise
das organizações considera a empresa a partir de sua constituição como uma teia de relações humanas.
Este modelo, desenvolvido a partir da Teoria Geral dos Sistemas, importada da Biologia, compreende a análise das organizações como um sistema aberto e neste sentido revela a importância da influência do meio externo em suas relações com a unidade.
A teoria geral dos sistemas foi importante no sentido de estabelecer uma conexão entre o nível
macro e o microssocial. Para essa teoria existem estruturas típicas muito gerais que permitem entabular comparações ou que possibilitam também um complexo intercâmbio de conhecimentos científicos
quando realizamos análises de diferentes organizações.
Conforme Dias nos explica nesta passagem:
[...] de acordo com a teoria dos sistemas, o todo (o sistema) é produto de partes que interagem, cujo conhecimento e estudo deve ocorrer sempre relacionando o funcionamento dessas partes em relação ao todo (um sistema) que
apresentará um conjunto de partes interativas que o compõem. Assim o estudo do turismo pode ser realizado considerando-o como um todo complexo (um sistema) constituído de inúmeras partes que interagem e que o compõem.
(DIAS, 2008, p. 98)

Para esta teoria, portanto, as organizações podem ser estudadas como partes de um sistema
maior que seriam as sociedades em que vivemos, as quais estão divididas também em subsistemas
onde as organizações estariam incluídas. Esses subsistemas seriam, por exemplo, o econômico (onde se
localizam as empresas), o político (onde estão os partidos), o religioso (onde estão as igrejas) etc. Todo
este esquema serve para compreender a complexa rede de relações às quais as organizações estão ligadas e de onde sofrem influências. Esta compreensão da estrutura relacional ajudaria a explicar problemas que do lado de dentro das organizações pareceriam incompreensíveis.
Este autor define sistema como:
[...] um conjunto de elementos interligados que sofrem influência recíproca, ou seja, influenciam e são influenciados.
Ocorre uma interdependência entre as partes do sistema, de tal modo que a alteração em uma delas provoca efeitos
nas outras, podendo afetar o conjunto. Assim as sociedades humanas podem ser estruturadas como um sistema social,
no qual o conjunto das relações entre as pessoas forma um todo.
Uma abordagem sistêmica permite compreender o papel das partes isoladas, pois muitas ações que podem ser incompreensíveis isoladamente passam a ter algum significado em função do papel que desempenham no conjunto.
A teoria geral de sistemas fundamenta-se em quatro premissas básicas:

:: os sistemas existem dentro de sistema maiores;
:: os sistemas são abertos e estabelecem trocas com os outros que lhes são contíguos;
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Novas abordagens teóricas das organizações

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:: as funções dos sistemas dependem de sua estrutura;
:: os princípios formulados através da teoria geral de sistemas devem ser válidos para qualquer tipo de sistema. (DIAS,
2008, p. 99)

Tal teoria identificou entidades que não eram um simples somatório das suas partes componentes, mas o resultado de complexas interações de um conjunto perfeitamente identificado, ou seja, um
sistema em que as diversas partes que o compõe estão inter-relacionadas entre si e contidas num sistema ambiental. Sua base teórica consiste em formular princípios que são válidos para os sistemas de um
modo geral, qualquer que seja a natureza de seus componentes e as relações entre eles.
Ao buscar realizar uma análise sociológica da empresa, muitos acadêmicos utilizaram o modelo
sistêmico para explicar a composição da mesma dividindo-a em diversas partes ou subsistemas que incluíam, por exemplo:
[...] um subsistema técnico (documentos, técnicas, equipamentos etc.); um subsistema estrutural (tarefas, fluxo de trabalho, hierarquia de autoridade, fluxo de informações etc.); um subsistema psicossocial (recursos humanos, atitudes,
percepções, clima organizacional etc.); um subsistema de metas e valores (objetivos gerais, específicos e individuais); e
um subsistema gerencial (objetivo, planejamento, controle etc.). (DIAS, 2008, p. 101)

Dias chama a atenção ainda para o fato de que todos estes subsistemas estariam em interação formando uma organização que, como conjunto, estaria também se relacionando com o meio externo.

A teoria contingencial
Proveniente da teoria dos sistemas, esta procura ampliar o grau de abrangência da mesma, que
por valorizar o caráter aberto das organizações e suas influências provindas do meio em que existe, ressalta a casualidade de que cada existência nunca é igual a outra. Assim descarta qualquer teoria geral
que pretenda explicar as organizações como um todo, valorizando a variação dos fatores que podem influenciar diferentemente em cada caso particular. Valoriza a imprevisibilidade de que determinado fato
aconteça ou não e, portanto afirma que cada caso nas organizações deve exigir atitudes diferenciadas.
Propõe assim que cada organização apresente sua própria particularidade em resolver tanto suas questões internas como as externas.
Para essa teoria não existem fórmulas eficientes de administrar uma organização, mas por considerá-la também como um sistema aberto, acredita que cada forma será influenciada diferentemente
pelo meio com o qual a mesma mantém relação.
A importância deste enfoque é ressaltar a flexibilidade que as organizações podem ter para enfrentar situações externas instáveis em que podem ocorrer mudanças aceleradas. As organizações atentas a essas mudanças que ocorrem no contexto em que estão inseridas teriam mais chances de se ajustar
às novas necessidades da sociedade e, portanto estariam mais propícias a realizar adaptações necessárias para alcançar melhores resultados.
Dias (2008, p. 107) relaciona alguns fatores contingenciais que influenciam no desempenho das
organizações:
::: o tamanho das organizações;
::: o contexto ou o meio onde está inserida a organização;
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Novas abordagens teóricas das organizações

::: a tecnologia existente;
::: objetivos e estratégias dos elementos do entorno, em particular a concorrência.
Esta teoria foi seguida por vários autores reconhecidos da área da Sociologia das Organizações e
o ponto em comum entre eles foi o de que todas as organizações deveriam levar em consideração fatores contingenciais na construção de uma estrutura mais eficaz de organização. No entanto, os fatores mais importantes a serem considerados variavam na interpretação de cada autor, por exemplo, para
Charles Perrow (1972) a contingência mais importante seria a variável tecnológica, já para outros poderiam ser o contexto ou mesmo o tamanho da empresa.
O avanço dos estudos científicos realizados na área da Sociologia das Organizações está sempre voltado para a realização de melhorias na eficiência das empresas. A estruturação dos três modelos
analisados neste capítulo, que se baseiam na preocupação com o fator humano, com sua relação com
o ambiente e com a consideração de fatores contingenciais que influenciam no desempenho e no funcionamento das organizações, são estratégias de análise elaboradas para aproximação desta realidade
tão complexa que compõe o estudo das empresas.

Texto complementar
Outros aspectos do ambiente
(PERROW, 1972)

Todas as organizações, sejam ou não industriais, têm um ambiente constituído, no mínimo, de
fornecedores, concorrentes, clientes ou usuários, ligações potenciais ou efetivas; instituições governamentais que regulam, em nível local, nacional e às vezes internacional; novas tecnologias e, naturalmente, o complexo meio político e social das comunidades em que vivem. Muitas organizações
tentam estabilizar e controlar estas influências ambientais, isto é, tentam lidar com as mudanças de
ambiente, estabelecendo regras e criando cargos que tornem possível tratar tal ambiente em bases previsíveis e de rotina. Tomemos o simples assunto de compras e de controle e estoque de uma
indústria, ou da admissão de um beneficiário, numa organização de bem-estar social. Se a procura
por bens ou serviços fosse estável e pudesse manter-se assim, haveria pouca necessidade de regulamentos complexos com relação à quantidade de estoque a ser mantida, ou de provisões a serem
compradas, e tampouco haveria necessidade de cargos especializados tais como os de agentes de
compras, funcionários de estoque, ou comitês de admissão; uma vez estabelecida a rotina, cada indivíduo que precisasse de um fornecimento de material, ou de beneficiários, poderia fazer seu próprio pedido. Mas onde há oscilação da procura, em virtude das alterações ambientais e quando não
se pode prever o volume de produção dos fornecedores, exigem-se regulamentos complexos para
decidir sobre estoques e compras e as organizações acham que vale a pena contratar especialistas
ou criar comitês especiais para tratar desse tipo de problema.
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o setor de “marketing” prevê as alterações de oferta e de procura. as janelas e portas estão sempre abertas. Caso tudo isso fosse verdade. diariamente. mas mesmo assim acha que em algum ponto distante. é trabalhada. E sua posição tampouco lhes permite ver como o mercado de trabalho ou o valor do dinheiro está mudando. que seus muros constituem proteção contra o mundo de fora. que a qualidade varia de um fornecedor para outro e que. De certa forma. e nem ficamos com eles o tempo suficiente para modificá-los totalmente. emprega. alguém decidiu dar-lhe justamente o contrário do que ele pediu. por assim dizer. Uma outra maneira de encarar os cargos de pessoal é considerá-los como pontos de contato com o ambiente – o selecionador recruta. Mas. Enfim. A necessidade de estabilidade e criação de rotina A casa aberta Quando pensamos em organizações. quando necessário. Entretanto. O trabalho de seleção não é tão perfeito que possamos escolher a dedo os que colocamos na organização.Novas abordagens teóricas das organizações | 77 Naturalmente. com limites bem precisos e características tão marcadas. A organização existe nos fins de semana e durante as férias mesmo quando não está presente a força de trabalho. ou como se faz a previsão de linha e o pessoal burocrático pode ser muito grande. pode não conseguir exatamente o item desejado. quem precisa de fornecimento ou de beneficiários queixa-se das políticas complicadas e se pergunta por que não pode simplesmente obter o que precisa. As organizações têm um local. Esse processo exige ainda outras portas e janelas para entrada de maquinário. poderíamos supor com segurança que dentro desta “casa”. geralmente vêm-nos à ideia entidades estáveis. ele sabe que uma determinada espécie de material presta-se melhor às exigências do serviço. Trabalham lá durante certo tempo. duradouras. como vimos. o técnico de outra parte da organização provavelmente decidiu que um certo fornecedor é mais digno de confiança do que outro e que pode-se economizar fazendo grandes pedidos. Tudo isso complica seu trabalho e ele se irrita com a ineficiência.A. e os indivíduos são parte delas. que os fornos estão equipados de maneira que a temperatura se mantém em nível ótimo. porque a organização industrializa a matéria-prima. na hora em que precisa. há controle sobre o comportamento dos que entram e saem. e depois voltam para casa. nem como os progressos técnicos afetarão a firma. no mundo. enfim. ou ainda. que as distinguem de tudo mais ao redor. Se o conceito fosse exato. know-how etc. portanto.iesde. este é um retrato completamente falso da organização. Desta perspectiva. Além disto. é muito difícil manter controle de qualquer espécie sobre a organização.br . e sai pela outra. o tempo todo. a organização seria tão perfeita e confortável como as residências e não teríamos que nos preocupar com ela. não estão eles próprios em condições de executar suas funções de maneira eficiente. que a luz vai e volta.. as unidades de pesquisa e desenvolvimento pesquisam itens técnicos. Afinal. um endereço. demite e julga. mais informações www. os que por ela transitam têm consigo sinais muito fortes do mundo de fora.com. na lata administração. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. ela parece estar separada de tudo o mais. que entra por uma porta. o contador lida com entrada e saída de dinheiro. Os que se encontram realmente envolvidos na produção e vendas diretas.

não se podem diminuir os custos de emprego e. Cada decisão que se toma é um compromisso porque. as organizações empregam especialistas para tentar manter a ordem dentro dessa casa altamente exposta e sujeita a influências.com.iesde. Atividades 1. e pretender ter estoques baixos a fim de evitar empate de capital. portanto. ao mesmo tempo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Não se pode providenciar estoques de reposição adequados para manter a produção ininterruptamente. Fale sobre os principais modelos racionalizadores da Sociologia das Organizações que surgiram depois da teoria clássica e suas principais diferenças.. mais informações www. arriscando-se. fomentar a educação. a cair em desgraça com uma das outras partes.br . Além de baixar ordens e regulamentos. por exemplo.A. Muitos especialistas em pessoal estão em posição de tentar mediar disputas entre várias partes da organização.78 | Novas abordagens teóricas das organizações O alto preço do controle Os elementos de que se dispõe para controle são muito dispendiosos. a menos que sejam dotados de alto grau de tolerância e habilidade. As ordens e regulamentos às vezes não conseguem atender às exigências do caso e são eles próprios conflitantes. treinamento e experiência de novos empregados.

com. qual deles seria o melhor para administrar uma empresa? Por quê? 3. comunicação insuficiente entre os indivíduos. humanista.A. insubordinação. grupos.Novas abordagens teóricas das organizações | 79 2. Segundo o sociólogo americano Chester Barnard.iesde. Por que problemas como conflitos. sistêmico e contingencial. mais informações www. segundo sua opinião. classes ou camadas. quais as funções principais do dirigente de uma organização? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. imprevistos. Ao comparar os modelos clássico. rotina e falta de iniciativa eram deixados de lado pelas análises racionais realizadas nas empresas? 4..br .

passa a abranger o fator humano a partir da análise dos grupos sociais internos e das relações informais que se formam dentro da organização. 3. O aluno deve ser capaz de se posicionar a partir de uma fundamentação feita ao resumir os modelos apresentados. o sistêmico e o contingencial.. e ressalta a necessidade de se avaliar as particularidades de cada empresa. 4. O Modelo Contingencial pressupõe a importância de fatores específicos de cada organização. ::: D efinir a missão e os objetivos da organização: deve-se defini-los em termos gerais. combinado com os fatores externos já ressaltados pela teoria sistêmica.A. mas garantir a efetividade de sua transmissão aos níveis inferiores da organização. criação de um código de conduta e a manutenção de um moral elevado. mais informações www. que por isso possam ser utilizados em grande parte das mesmas.com. como elementos determinantes nas decisões administrativas da empresa. O Modelo Humanista. Os modelos são o humanista. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. e assim eram interpretados como questões individuais e incontroláveis.iesde. dentro da organização. ::: Garantir a comunicação na organização: o que envolve a definição da estrutura organizacional e o preenchimento das funções com uma equipe de gestores adequada. 2. Todos esses comportamentos pareciam depender das pessoas e não da estrutura organizativa. O Modelo Sistêmico considera que as organizações são como sistemas abertos que estão em constante relação com o ambiente externo à organização. o que inclui outras organizações que com elas trocam influências.80 | Novas abordagens teóricas das organizações Gabarito 1. Esse modelo refuta a existência de princípios universais de administração.br . ::: Assegurar os serviços e tarefas essenciais da organização: o que implica o recrutamento e gestão de pessoal qualificado para as funções que lhe são atribuídas.

por um lado.iesde. que se reforçam mutuamente. no fato de profissionais superespecializados acabarem isolados em sua própria especialidade. sua adaptação consistirá em descobrir. Assim. que a regra não se aplica diretamente. (SAINSAULIEU. as rotinas e os ritualismos dos comportamentos burocratizados tornam-se eles próprios empecilhos para um melhor funcionamento da empresa.com. nem os atores. que há disfunção e. Como nos demonstra Sainsaulieu nesta passagem: [. que a regra do jogo de todas essas liberdades relativas é uma margem de manobra resultante. dificultaria a leitura e a utilização destas normas.] os jovens ou os novos recém-chegados. sendo seguidas como normas pelos “mais experientes” nas relações de trabalho. constitui como que um modelo.A. antes de tudo. mas que em função da enormidade de regras criadas. “Eles ainda não sabem”. variação repetitiva entre a regra formal e a realidade de condutas. nem o conjunto das coações que marcam o cenário. na rigidez das regras. que se reproduzem à medida que não se mudou nem a regra. de todos esses jogos de atores sociais. acabam por travar a própria organização. os sociólogos se depararam com disfunções provenientes de vícios burocráticos que ao invés de ajudarem na organização efetiva do trabalho. mais informações www. são vistos como ingênuos. por exemplo. Estas interpretações acabam por criar regras informais que aos poucos vão ganhando força de lei dentro da empresa e. que acaba tolhendo a iniciativa e a criatividade dos mais jovens ritualizando a realização das tarefas e por outro lado. Os excessos na burocracia podem ser identificados. pois. que. A análise sociológica consiste. no caso da criação de gigantescos livros de estatutos escritos com o intuito de regulamentar detalhadamente as atividades funcionais. é apenas o sintoma de um sistema de jogos informais. de forma consciente ou não. em seguida. 138) As principais disfunções da burocracia podem assim ser resumidas. p. e que buscam na regra formal da organização do trabalho ou carreiras e da remuneração a explicação dos comportamentos de colegas. dificultando a passaEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Ou ainda. Pesquisas realizadas em empresas francesas constataram a existência de verdadeiros círculos viciosos entre disfunções desse sistema. como propunha originalmente Max Weber. em segundo grau..O poder nas organizações Ao analisar o modelo de organização burocrático aplicado na maioria das empresas de tipo administrativo ao longo dos anos. e o cenário da peça é a regra do jogo. por outro lado. mas que cada um joga com ela para alcançar um certo número de objetivos mais pessoais. um verdadeiro sistema de ação. 2006. acessível a quem quer e sabe jogar. por um lado. ainda que formal. A disfunção..br . os papéis são o jogo de cada um em torno da regra formal. no isolamento que a especialização das funções acarreta. compreender os jogos de cada um e a regra do jogo terminal. dir-se-á deles.. são constituídos em torno de interpretações das regras formais que sustentam este tipo de organização. na elaboração de jogos que. A principal contribuição destes estudos para a compreensão das relações de poder dentro das organizações foi a constatação de que a reprodução dos comportamentos burocratizados se dá em função da prática dos atores desse sistema. em muitos casos. em descobrir. concorrem em vantagem com as regras formais.

.. só existe em ação. Existem muitas definições de poder. p. tradicional e carismática. [.br .] o poder é acima de tudo uma relação de força.” (FOUCAULT. como no caso do crime organizado.A. 179). p. p. Este desenvolvimento inesperado de relações informais em todas as direções dificulta as capacidades de decisão dos responsáveis que se defrontam com as resistências ocultas dos estratos e das redes informais das organizações. mais informações www. diferentes estratégias são utilizadas por ambas as partes e é nesse jogo de forças que se constroem diferentes formas de controle e de autoridade na empresa. Se pensarmos nas organizações. poder é “toda a probabilidade de impor a própria vontade numa relação social. nem se retoma. o autor define dominação como sendo “a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato” (WEBER. mas se exerce. Nesse sentido podemos pensar que o poder circula entre dois polos e é em função desta disputa que se articulam as relações. no entanto.” (WEBER. ou de influência. O poder baseado no uso da força ou da coerção física se dá em última instância pelo uso de armas. A autoridade burocrática ou racional-legal está baseada no cargo ou na posição que a pessoa ocupa dentro da organização e que a autoriza através de leis ou regras a exercê-la.com. apud DIAS. entra nessa disputa a possibilidade de uma pessoa ou um grupo de pessoas imporem seus próprios interesses a outros e as estratégias que utilizam para conseguir este objetivo são de importância fundamental para que o poder seja mantido.iesde. não se troca. 1984. às quais os outros se submetem apenas em fun- Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. estas podem se dar através da força. Ao Estado é reservado o monopólio legal do uso da força. Já a autoridade tradicional fundamenta-se na legitimidade das tradições. da autoridade que pressupõe uma dominação. 128) dividindo-a em burocrática ou racional-legal. seja qual for o fundamento dessa probabilidade. Para Max Weber.82 | O poder nas organizações gem das informações de centros de especialistas para os trabalhadores e dos clientes para os próprios gestores. A partir de um estudo clássico de Max Weber que analisa “os três tipos puros de dominação legítima”. cabe analisar as três principais formas como ele pode se manifestar. mesmo contra resistências. existem outros grupos que também utilizam a força como forma de poder.. Esse círculo vicioso a que se referem os pesquisadores causa um efeito indesejado ao próprio conceito de burocracia que passa a significar mais uma organização que não consegue mais eliminar as suas disfunções e que vive pelo menos tanto sobre suas leis informais como sobre a regulamentação formal inicial. 175). 1986. 2008. O poder baseado na autoridade é o poder legitimado pela dominação legal ou burocrática. O conceito de poder A análise do poder é fundamental para a Sociologia. Ao considerarmos o poder como algo que é exercido e não como algo que se possua. Conforme Dias. tradicional e carismática. pois está presente em todas as relações sociais e em todas as sociedades. mas a mais abrangente ainda parece ser a de Michel Foucault que define poder como uma relação de forças: “o poder não se dá. Para fazer valer os interesses dos dirigentes das empresas ou os dos trabalhadores.

Os sinais desse embate de forças nas estruturas da organização são muitos. Portanto. Por outro lado. hierarquia essa que distribui seus membros em diferentes posições a partir de suas capacidades pessoais ou do poder formal que possuem. 2008.com. que já se preocupou com a dominação absoluta da autoridade existente nas organizações do início do século XIX. 181).. A busca das pesquisas se dá no sentido de revelar as estruturas de jogo e as lógicas de ação que se constroem nestas inter-relações profissionais e que convivem de forma simultânea com as estruturas formais de poder hierárquico dentro da empresa. mesmo hoje quando as greves. E. criado pelas novas formas de participação mais democrática nas organizações. Conforme Dias. como forma pura de dominação e identificada em estudos clássicos. hoje trabalha sobre o emaranhado das relações humanas dentro da empresa. baseia-se na capacidade de uma pessoa afetar as decisões de outra. inspirados nos trabalhos de Max Weber sobre dominação. as sutilezas de jogos de poder que se dão ao redor das regras formais que devem ser cumpridas pelos membros de uma organização e que acontecem nos entrelaçamentos das relações sociais dentro da empresa formando polos de resistência e de poder informais. p. mais informações www. a Sociologia. “é influente um indivíduo que consegue modificar o comportamento dos outros sem ocupar um cargo público ou privado e sem utilizar nenhuma forma de coerção física” (DIAS.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. apesar da ausência de autoridade para tal.A. O poder da influência é aquele que. Estudiosos da área de comportamento organizacional identificam French e Raven como autores que. No entanto. Tudo isso revela o quão dinâmicas são as relações interpessoais de trabalho. Mas se essa análise não se concentra mais apenas no poder formal da hierarquia nas empresas e sim na compreensão deste jogo. por exemplo.iesde. por último. em que B. como estruturas permanentemente permeadas por uma hierarquização das relações sociais. O poder organizacional Em primeiro lugar é importante identificar as organizações que conhecemos. interessa compreender qual é a forma de poder que vem a contrabalancear o poder formal da hierarquia encarregada de fazer e aplicar as regras da organização para que ela funcione e chegue ao seu objetivo final. ou seja. para os sindicalistas há uma dificuldade concreta em mobilizar as massas que pode ser explicada pelo poder de coerção das estruturas hierárquicas da empresa. muda seu comportamento em função de uma ação específica de A. já perderam grande parte de sua força política e as negociações com os trabalhadores já fazem parte do cotidiano das empresas.O poder nas organizações | 83 ção de seus costumes. realizaram um estudo clássico onde diferenciam vários tipos de influências dentro das organizações e as definem como uma relação entre duas pessoas A e B. aquelas que existem na prática. por exemplo. a administração carismática está baseada nas qualidades pessoais do líder a quem se obedece em função de sua qualidade enigmática. e é devida única e exclusivamente à pessoa do líder. sabemos que existe também uma rede de relações informais que estruturam poderes informais que devem também entrar em nossos estudos. paralisações de trabalhadores são sempre instrumentos cuja dimensão de força não pode ser facilmente avaliada pelo administrador.

1972 apud Sainsaulieu. ::: O poder de persuasão – cada um dos parceiros da relação de poder está pronto a deixar-se persuadir pela superioridade dos argumentos do outro. Insiste-se sobre o caráter mais ou menos correto do poder. 148).A. ::: O poder de sanção (positivo ou negativo). 147) conferem poder sobre outros.com. esta posição exige capacidades gerais de compreender. ao ponto de autorizar quase jogos subversivos com a regra instituída.. fazendo surgir jogos informais de atores que em interação.] destes resultados se podem tirar as conclusões teóricas seguintes: um bom chefe é exatamente apreciado por suas qualidades “de jogo”. 2006.. 2006. [. os poderes dominantes eram os de persuasão.. São elas: ::: O poder da recompensa (sanção positiva) – o comportamento de B é determinado pela esperança de uma recompensa se ele realizar os desejos de A.. às vezes ideológica: grupos e massas podem ser mobilizados. utilizado em diferentes situações no cotidiano da empresa.] Assim. Conforme Sainsaulieu.. Comandar e dirigir não se faz apenas com galões. ::: O poder de referência: – B considera que ele e A são do mesmo gênero e que isso justifica a sua influência. A partir da constatação da existência de fatores externos que complexificam as organizações. p.. diríamos. no extremo isso pode levar a uma imitação total. ::: O poder de experto – B reconhece que A dispõe de mais conhecimentos e de competência que ele. A abordagem das relações humanas que amplia a abordagem burocrática ressalta que os líderes. entretanto. é uma situação de igualdade de poder. ::: O poder de punição (sanção negativa) – o comportamento de B é influenciado pelo temor de uma punição se não se dobrar às exigências de A. e às vezes situacional quando as posições técnicas e econômicas [. p. (SAINSAULIEU. esse jogo pode depender de mudanças nas circunstâncias dos problemas a resolver. em uma outra linguagem. modificam a distribuição de poder hierarquicamente construída dentro da empresa. o fenômeno do poder assemelha-se a um jogo de relação entre os chefes e seus subordinados ou superiores. que: [. estudiosos da área nos apresentam três tipos de pressões sociais que influenciam nestas relações cotidianas de trabalho: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Sainsaulieu conclui.. o reconhecimento da existência de jogos informais que englobam o cotidiano de situações complexas dentro de uma empresa e exigem de sua liderança a capacidade de reconhecer e negociar para além das regras preestabelecidas. os poderes mais utilizados foram o formal. Os resultados apresentados foram os seguintes: em circunstâncias cotidianas de trabalho. esta pesquisa foi realizada com o objetivo de elaborar um método de análise do poder que envolvesse as lideranças e seus subordinados imediatos.]” (SAINSAULIEU. por exemplo. ::: O poder legítimo – trata-se de situações onde o poder formal tem justificações suplementares sobre a legitimidade de seu exercício.br . o de referência e o de experto (baseado na competência) e nas situações de crises no trabalho. ::: O poder formal – B segue seu chefe A porque este está situado acima dele na hierarquia. “O poder aparece então como uma espécie de capacidade às vezes psicológica: há homens influentes. 149) Evidencia-se assim.84 | O poder nas organizações Apresentaremos agora oito categorias de poder relacionadas por Sainsaulieu e que foram elaboradas principalmente por French e Raven com a ajuda de pesquisas realizadas por um sociólogo holandês chamado Mauk Mulder (1975. p. Um ou outro pode vencer. dentro destas categorias construídas. O objetivo era avaliar qual era o tipo de poder. como característica positiva de uma chefia. podem ter uma influência muito maior do que aquela provinda da autoridade legal que o mesmo pode possuir. portanto.iesde. 2006. a influência exterior e superior e o poder de referência. não se trata de uma ausência de poder. de persuasão e de relações complexas. mais informações www.

::: as influências ideológicas e os modelos culturais – têm origens de classe ou categoria profissional e origens socioculturais. a grande contribuição teórica destes autores. ::: o controle das comunicações – na medida em que se pode filtrar as informações ou controlar os contatos que serão estabelecidos internamente entre os diferentes setores. foi a importância que deram ao peso das incertezas. ao fazê-lo interpretar a regra ou ao aplicar o texto ao pé da letra. ::: a posição superior na hierarquia – tem o poder de influenciar seus parceiros. deformadas ou esquecidas. as Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Crozier e Friedberg. Essas teorias foram enormemente utilizadas por pesquisadores e estudantes em diferentes universidades. decorrente de sua posição e do acesso às fontes de capital que essa posição lhe dá. ::: o controle dos processos de decisão – que depende de pôr em ação a regra e procedimento como chefe ou subordinado o qual. da técnica.O poder nas organizações | 85 ::: as pressões diretas – provenientes dos regulamentos da própria organização. As principais fontes de poder nas organizações Partindo dessa complexificação das relações de poder dentro da empresa através da consideração de fatores externos influentes e que estão permanentemente em transformação. Para eles. o que revela um poder de ação mais difuso do que o apresentado na pirâmide hierárquica da empresa. mais informações www. No entanto. as fontes de poder estariam baseadas no maior ou menor controle destas incertezas: ::: o controle do conhecimento – dá-se a partir da competência profissional.com. do comércio e da estrutura da organização abre permanentemente um jogo possível entre os atores do sistema de relações humanas e do trabalho.iesde. da comunicação interna e da disciplina. observaram-se numerosas transformações para a teoria das organizações quanto à complexidade. Engloba também o controle das novas tecnologias que estão em constante transformação.A. Para ele. mas também foram aplicadas por diferentes engenheiros e consultores como método de análise estratégica. Estado e concorrentes. Segundo Sainsaulieu. à criatividade e ao emprego ocorridas desde meados dos anos 1980 e estas modificações se refletem na estrutura das relações de poder dentro das empresas. sindicatos. Sem esquecer que numerosas decisões superiores são frequentemente desobedecidas. ::: o controle das relações da empresa com seu ambiente externo – de indivíduos ou funções que permitem manter contatos com seus parceiros externos: clientes. Nesse caso.. é o saber fazer que supre uma necessidade real da organização. o próprio estado das incertezas externas. da expertise do ofício. se desprende um meio de proteção contra o arbítrio dos superiores. Assim.br . podem garantir um certo poder. compreender de onde viriam as incertezas se converteria em uma forma de poder informal. bancos. a análise sociológica de Michel Crozier e Erhard Friedberg (1977) procura identificar alguns pontos de incerteza entre os atores que. se puderem ser controlados.

sempre que a pessoa que queira ser líder esteja disposta a colocar as próprias qualidades a serviço dos demais membros da organização.iesde. A abertura dos mercados à concorrência externa e as intervenções em termos de políticas ecológicas de privatização e de legislação trabalhista causam uma ação reativa das empresas e.com. Dias (2008. que a capacidade de liderança pode ser adquirida e melhorada. Outra característica importante que diferencia a autoridade do líder da de um dirigente ou gestor é de que seus seguidores agem por livre e espontânea vontade. a característica mais importante da liderança está na forma como se dá essa influência. Assim. Conforme Dias (2008). e em sua atitude no trabalho. Caso essa liderança não esteja direEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. p. no comportamento do líder eticamente bom percebe-se que a motivação transcendente está presente. o conceito de liderança pode ser traduzido como uma capacidade humana que permite influenciar os outros. entende-se que atua no serviço para o bem dos demais. clientes e usuários do mundo todo. assim. em sua dimensão ética. mas sim que está em condições de o ser em sua dimensão ética. na atual estrutura de poder das empresas. aumentando a autonomia e a necessidade de colaboração das equipes e de serviços incorporados em cada tarefa e cada função têm como consequência a difusão do poder do especialista ao próprio nível da execução. fazendo com que elas tenham que se adaptar às novas demandas e aos possíveis riscos dos mercados internacionais. O controle das comunicações e da organização em redes para compor as parcerias torna-se de importância crescente na relação com fornecedores. Isto não quer dizer que toda pessoa vá ser líder. que a capacidade de liderança. 193) elenca três implicações práticas da dimensão ética na prática da liderança: ::: em primeiro lugar. que vão muito além daquilo que lhe poderia ser exigido. Para ele. ::: em segundo lugar.. em suas habilidades individuais de influenciar comportamentos e atitudes dos seguidores. o comportamento de seus seguidores estará baseado na confiança e na identificação dos mesmos com suas ideias. apoiada principalmente nas características pessoais do líder e sem relação alguma com o cargo ou a posição que o mesmo ocupa dentro da organização. Ao contrário. do agradável. Liderança nas organizações A liderança é considerada uma forma especial de poder. a principal conclusão destas análises é de que. todas as posições na organização são fontes de jogos de atores quando o trabalho acarreta incertezas técnicas e organizacionais que apenas jogos de interações permitirão resolver. e não para o benefício próprio exclusivamente. está ao alcance de qualquer pessoa. e do bom. em suas motivações e competências. pois isso garante a eficácia do trabalho de seus seguidores.A. pois sua raiz mais profunda está na vontade daquele que a quer. a característica de liderança em membros da organização que não detêm nenhum poder formal é considerada como um fator perigoso para a estabilidade desta mesma hierarquia de poder formal constituído dentro da empresa. o futuro das organizações passa a ser mais incerto. ::: em terceiro lugar. Isso porque uma liderança fundamenta sua autoridade em características pessoais. e que faça o possível para melhorar essas qualidades em três âmbitos: do útil. somente quem se comporta assim é capaz de incentivar que quem o segue livremente faça o mesmo. que saia de si mesmo para dar voluntariamente mais do que dariam normalmente.br . com isso. No ambiente organizacional a liderança é valorizada como uma qualidade necessária nos membros que detêm o poder formal dentro da estrutura hierárquica da empresa. mais informações www.86 | O poder nas organizações novas tecnologias. Deste modo. intenções e comportamentos.

a liderança se envolve como projetista dos ideais e propósitos da organização e. baseada na realização de uma tarefa que deveria ser bem orientada pelo líder através de especificações claras de como. O líder deveria ser encarado. segundo o autor. a teoria da liderança busca adaptar-se às situações específicas de vida dos liderados dentro da empresa. No exercício do primeiro papel. das políticas e estratégias. de sua tradução prática. o autor procura caracterizar os requisitos da liderança da organização que aprende. Se a responsabilidade primária da liderança é com esse planejamento. as novas habilidades que ela deveria incorporar. professor e regente. A expressão construção coletiva sugere conceber o processo de planejamento das políticas e estratégias como um processo de aprendizagem organizacional ampla. Assim percebemos que hoje não se pode falar de uma liderança ideal no sentido de ter validade em todos os casos porque é somente na situação concreta que se poderá dizer quais as características mais importantes e o estilo de liderança mais apropriado para cada caso. a participação na tomada de decisões. p. Esta última é também dividida em duas: uma que valorizava o respeito mútuo e a confiança dos seguidores e a outra unilateral. isso não quer dizer que esse ato seja solitário. o autor assume que esse planejamento não pode ser visto como um esquema racional elaborado no plano abstrato e implementado em toda a extensão da organização. construídas coletivamente. quando e onde deveria ser realizada a tarefa. Para acompanhar o desenvolvimento da teoria das organizações e as novas formas de gestão mais democráticas.iesde. 1997). por outro lado. A atuação do líder. portanto. 194) dos seus seguidores. mais informações www. ainda. uma corrente que valorizava as características pessoais do líder como. 2008.br . As análises sobre diferentes tipos de liderança seguiram caracterizando a figura do líder a partir de diferentes aspectos.com.. A atuação das lideranças volta-se cada vez mais para a importância em observar as aptidões e capacidades dos liderados em executar adequadamente as tarefas designadas. pode significar um ponto de fraqueza para a autoridade de seus dirigentes. Por um lado. a inteligência. Texto complementar Liderança individual ou coletiva? (URIBE. 2001) Peter Senge tem se notabilizado por suas análises sobre a liderança. Em O Novo Trabalho do Líder (STARKEY. poderá variar entre “a delegação de atribuições. As atitudes dos seguidores e suas disponibilidades em realizar a tarefa são também fatores que devem ser levados em consideração pelo líder. como projetista.A. a autoconfiança etc. e. uma corrente que valorizava mais a conduta do líder em relação a seus seguidores. mas Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a persuasão e a mera direção” (DIAS. Citando Mintzberg. o magnetismo pessoal. a algumas ferramentas de desenvolvimento da liderança.O poder nas organizações | 87 cionada para os interesses da empresa. por exemplo. referindo-se.

O líder como regente das pessoas e da missão organizacional é uma instância que se compenetra dos ideais de alta responsabilidade que caracterizam uma organização que aprende e que se coloca a serviço dos interesses superiores da organização. A escolha da ação individual é apenas parte da necessidade do criador da política. fortalecendo as primeiras. em termos da ação. do facilitador. d) reconhecer e dissipar rotinas defensivas. em áreas de alta alavancagem. ::: trazer à tona e testar modelos mentais. do guia. no sentido de conferir se ela merece o comprometimento dos outros e de se dispor a questionar seu ponto de vista. ::: desenvolver o pensamento sistêmico.br . Os objetivos fundamentais desse professor seriam trazer à tona e ajudar a reestruturar os modelos mentais e visões da realidade das pessoas e promover o pensamento sistêmico. Senge cita Rivera (2000a): ::: a construção de visões compartilhadas.A. b) ir além das acusações.. ponderando o desejável e o factível. Entre as habilidades que a liderança deveria desenvolver. assumindo que a distância entre o declarado e o real em uso implícito é crítica para o aprendizado. c) concentrar-se na complexidade dinâmica (saber relacionar causas e efeitos distantes no tempo e espaço e distinguir consequências remotas) e não na complexidade de detalhes. um novo padrão de satisfação de necessidades). mais informações www. questionando generalizações. mas que corresponde à difusão de um tipo de pensar estratégico capaz de apoiar o questionamento quotidiano do que realmente queremos conseguir em cada circunstância prática. implicando alguns requisitos: a) o líder deve saber comunicar sua visão. que corresponde a: a) enxergar inter-relações. O líder como professor corresponde à visão do mentor. no sentido daquele pensamento voltado para as causas estruturais ou profundas dos fenômenos. c) distinguir a teoria esposada (o que a pessoa diz que faz) da teoria em uso. mas sim em promover o pensamento estratégico. pedir apoio e indagar sobre a posição dos outros. assumindo que situações complexas exigem um aprendizado cooperativo. uma vez que estão continuamente aprendendo com as constantes mudanças nas condições dos negócios. A promoção de um ambiente de aprendizagem através da difusão do pensamento estratégico seria uma das funções essenciais da liderança. assumindo um tipo de construção interativa.iesde. processos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. e) evitar soluções sintomáticas. b) as visões pessoais devem ser estimuladas e não anuladas. O mais importante é a necessidade de conseguir enxergar a complexidade e de formular conceitos e visões de mundo para lidar com essa complexidade. mas os sistemas. d) concentrar-se. assumindo que a fonte das falhas não são as pessoas. O segredo não está em obter a estratégia certa. c) a construção da visão é um processo contínuo. Organizações de sucesso “fabricam sua estratégia”. que não se deixa apreender pela figura da “declaração da missão” em reuniões especiais. b) equilibrar indagação e argumentação. ::: definir dilemas estratégicos: refere-se à capacidade de evocar os dilemas ou de distinguir os valores distintos e às vezes aparentemente conflitantes atrás das decisões (por exemplo.88 | O poder nas organizações como um fenômeno emergente. fotos instantâneas. d) a liderança deve poder combinar visões extrínsecas (do tipo “derrotar um oponente”) com visões intrínsecas (criar um novo produto. não coisas. implicando alguns requisitos: a) a possibilidade de perceber saltos de abstração. O conceito de uma liderança que presta serviços (servant leadership) é o oposto da liderança egocêntrica. e) a liderança deve saber distinguir visões positivas (alicerçadas em aspirações) e negativas (baseadas no medo).

com pessoas. capaz de sustentar a possibilidade da inovação e da mudança. então o novo acaba conquistando espaço. à tendência de evitar o enfrentamento das causas mais complexas dos problemas em prol de um tratamento sintomático.br . o líder-jardineiro seria aquele que tenta atuar sobre as condições limitadoras e promotoras do desenvolvimento potencial das pessoas organizacionais. não podem ser tratadas como peças de uma engrenagem maquinal. Se um comportamento novo é mais eficaz do que o antigo. que assim como as plantas. Atrás dessa imagem está a ideia de que as organizações devem ser vistas como sistemas biológicos e não como máquinas. Na sua visão ecológica de liderança. ::: criar uma rede de proteção para a reflexão individual e coletiva. a capacidade de garantir um tempo livre para a reflexão dos sujeitos organizacionais é fundamental. Essas restrições. em relações de transversalidade. os grandes problemas que a mudança enfrenta são de tipo gerencial. Aqui. Destacam-se entre eles os “que portam a semente”. cresçam com afinco”. a um tipo de conduta defensiva que escamoteia medidas que podem afetar interesses etc.O poder nas organizações | 89 custo e qualidade). ao contrário. reconhece que o crescimento das mesmas depende de seu potencial e se decide a acompanhar seu ciclo natural. lidamos com gente. prostrado sobre as plantas. aqueles que têm a capacidade de estabelecer redes mais ou menos informais de comunicação. A liderança para Senge não seria um fator individual. potencial esse que poderia ser tolhido em contextos impositivos e objetivantes. uma planta não morre para ser substituída por outra. O que acontece é que uma nova vai crescendo e acaba por tomar o lugar da velha. não necessariamente executivos. A mudança exigiria uma maior concentração sobre os aspectos limitadores do crescimento. Referem. solo.A. Seriam essas as condições de aprendizado. procurando sintetizá-los. Na concepção biológica organizacional. ou dito de outra forma: “cada movimento está sendo Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. típicas da despreocupação dos dirigentes com a aprendizagem coletiva. Senge desenvolve a versão mais atualizada de sua concepção de liderança. No livro A Dança das Mudanças (1999). especialmente sobre as condições básicas para uma aprendizagem coletiva solidária. Dessa maneira. mas como crescimento (como evolução do novo a partir do antigo). isto é. fatores propulsores ou realizadores do potencial de crescimento das pessoas. Mas isso não é suficiente. A partir da metáfora do jardim. em vários níveis. aqui. No caso de uma concepção maquinal da organização. a capacidade de lidar com paradoxos. Para o autor.. a possibilidade da transferência de habilidades e de conhecimentos. entendendo mudança não como troca ou substituição. na linha do posto por Mitroff. esta corresponde a uma capacidade coletiva para moldar as mudanças. podem ser compensadas através de estratégias de aprendizagem. de impulsionar a todos os níveis. O mesmo ocorre com o comportamento. quando surge um problema. implora: “cresçam plantas. preocupando-se com as condições que reforçam e que limitam seu crescimento (água. No caso do jardim. simplesmente. à dificuldade de trazer à tona temas “indiscutíveis” mediante o desenvolvimento de habilidades de reflexão e indagação. sol. Essa liderança. mais informações www.com. Ou apenas individual.se à incapacidade de gerar uma dinâmica de negociação de uma visão compartilhada. Como acréscimo apontaríamos. nutrientes. Na organização haveria vários líderes.iesde. outras árvores). A liderança “jardineiro” não é aquele tipo que. o autor se contrapõe à imagem da liderança-herói. A referência de Senge a Maturana: “a história é a transformação para a conservação”. ou produção de algo absolutamente novo. este é assimilado à condição de uma peça defeituosa que deve ser trocada. Esses líderes retirariam seu potencial da capacidade de estabelecer interconexões entre inovadores.

Motta (1991) formula que a essência da liderança consiste de capacidades de domínio do contexto (capacidades de análise estratégica do ambiente e dos problemas organizacionais. Essa perspectiva não pretende afirmar que a liderança não seja individual. Trata. portanto. Reforçando a dimensão subjetiva.iesde. Qual o significado de disfunção burocrática? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 2000). mais informações www. Toda esta reflexão aponta para a necessidade de pensar não em termos de impor mudanças. Em Bennis (RIVERA. isso sim. para a reflexão futurista da grande visão em detrimento do detalhe operacional e para o desenvolvimento da inovação. a capacidade de socialização e a autenticidade).com.. O mesmo acrescenta que a intuição mistura elementos de racionalidade formal e informal e que esta se apoia fortemente na experiência acumulada pela liderança. a ideia da liderança como processo de aprendizagem e como instância de mobilização das capacidades individuais e intersubjetivas da organização. Diferentemente da lógica do controle inerente à gestão tecno-burocrática clássica. Tenciona reforçar a ideia de que líder é quem fomenta os processos de aprendizagem que podem gerar uma liderança disseminada. das relações entre capacidades individuais e sociais. A promoção da liderança dependeria muito de um tipo de aprendizado caracterizado pelo trânsito cultural entre disciplinas diferenciadas e informações aparentemente distantes. o fenômeno da liderança atuaria como o exercício do poder para o desenvolvimento de dinâmicas de equipe e de interação disciplinar que favoreceriam a inovação e a mudança.A. que explicam o caráter às vezes pouco coerente e racional da mesma.br . por fim. corresponde ao reconhecimento de tendências naturais de compensação ou de limitação do crescimento. mas de cultivar mudanças. Esse destaque dado à dimensão subjetiva não formal ou racional da liderança opera aqui como um argumento importante para não omitir a natureza individual da mesma.90 | O poder nas organizações inibido à medida que ocorre”. Essa linha de pensamento reforça. que deveriam ser o alvo privilegiado de uma reflexão estratégica sobre como agir para enfraquecer ou atenuar essas tendências e para adiar os momentos de inflexão compensadora. encontramos. de intuição do futuro e de formulação da visão). ideias importantes sobre a liderança como um fenômeno voltado prioritariamente para a mobilização das pessoas (e não necessariamente para a indução da motivação). capacidades de manejo intersubjetivo (comunicação e negociação) e individuais (como o bom conhecimento de si. Atividades 1. o autor se detém na importância do ilógico e da intuição na gestão administrativa.

.iesde. mais informações www.com. Defina o conceito de “poder” e explique por que ele é tão importante para a Sociologia das Organizações. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. Por que a análise dos entraves produzidos pelas disfunções burocráticas é importante para compreender as relações de poder dentro da empresa? 3.br .O poder nas organizações | 91 2.

3. A principal contribuição desses estudos para a compreensão das relações de poder dentro das organizações é a constatação de que a reprodução desses comportamentos se dá em função da ação dos ocupantes desse sistema na elaboração de jogos.. nem se retoma. cabe identificar as diferentes estratégias que são utilizadas por ambas as partes e é nesse jogo que se constroem diferentes formas de controle e de autoridade na empresa.] o poder é acima de tudo uma relação de força. mas se exerce.br .” É importante conhecer o jogo de forças existente dentro de uma empresa porque. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. só existe em ação. para fazer valer os interesses dos dirigentes das empresas ou os dos trabalhadores. Michel Foucault define poder como uma relação de forças: “o poder não se dá. [. 2. que acaba tolhendo a iniciativa e a criatividade dos mais jovens ritualizando a realização das tarefas. que são constituídos em torno de interpretações das regras formais que sustentam a organização. ::: do isolamento que a especialização das funções acarreta.. A disfunção burocrática acaba por criar regras informais que aos poucos vão ganhando força de lei dentro da empresa e concorrem com as regras formais sendo seguidas como normas pelos “mais experientes” nas relações de trabalho. Essas interpretações acabam por criar regras informais que aos poucos vão ganhando força de lei dentro da empresa. É a variação repetitiva entre a regra formal e a realidade das condutas. mais informações www. O desenvolvimento inesperado de relações informais em todas as direções dificulta a capacidade de decisão dos responsáveis que se defrontam com as resistências ocultas dos estratos e das redes informais das organizações. não se troca.com. dificultando a passagem das informações de centros de especialistas para os trabalhadores e dos clientes para os próprios gestores.iesde. São vícios burocráticos que surgem principalmente em função: ::: da rigidez das regras..92 | O poder nas organizações Gabarito 1.A.

dependendo do grau de resistência. que a define como um sistema de significados. isso porque o conceito é central dentro do campo da Antropologia e vem se transformando ao longo do tempo na medida em que esta área aprofunda investigações que abordam o tema.iesde. pois é ela que compõe a rede de entrelaçamentos que une o grupo ou a sociedade. 1978). Essas alterações podem ser mais complexas.. porém. nunca são de fácil realização podendo algumas vezes durar vários anos até se concretizarem. uma espécie de teia que une os indivíduos ao mundo e filtram suas perspectivas. de adaptação ou de aceitação da mudança. autor bastante reconhecido na área das Ciências Sociais. quando sua abrangência é maior ou mais simples. Essa definição mais ampla pode ser ajustada aos tipos de fenômenos particulares que se pretende analisar. orientando suas práticas sociais em conformidade com seus diferentes pertencimentos a grupos ou categorias dentro de uma sociedade (GEERTZ. os fenômenos relativos à cultura de uma organização.O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura Definindo cultura As definições de cultura são muitas. como por exemplo. Qualquer mudança encontra resistência na dimensão da cultura. Aqui vamos utilizar o conceito de Clifford Geertz.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. Mudança social Pode-se dizer que a mudança social ocorre quando há uma alteração na cultura. mais informações www. O mais comum é que se modifiquem alguns padrões da cultura em questão e não a cultura como um todo. criador de um tipo de identidade coletiva.com.

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O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura

E quando ocorre a mudança? Há uma dimensão dinâmica no entendimento da cultura, pois as
práticas culturais desenvolvem-se no sentido de reproduzi-la e mantê-la, mas por outro lado é ao cultivar as tradições que surgem os questionamentos da própria cultura e dos rituais existentes que acabam pondo em xeque essa mesma cultura. É através das mudanças adotadas que surgem novas visões
de mundo, assim, as culturas são formadas, ao mesmo tempo, por movimentos de adaptação e por fontes de mudança.
As separações existentes entre “povos primitivos” e “povos civilizados”; “sociedades arcaicas” e “sociedades modernas” e entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos são meras tentativas de explicar
diferentes culturas, e a partir de uma perspectiva eurocêntrica e ocidentalizada, que percebe o “resto
do mundo” através de seus próprios princípios, de suas próprias concepções de sociedade e de desenvolvimento.
Percebemos, com o aprofundamento dos estudos culturais, que há uma lógica binária através da
qual estas identidades de diferença são quase sempre construídas e que não nos deixam conhecer o
espaço que está no meio destas identidades: primitivo versus civilizado, moderno versus arcaico, subdesenvolvido versus desenvolvido são categorias que se apresentam fechadas, polarizadas e que por
isso entram em profundo processo de redefinição. Busca-se complexificar estes conceitos, evidenciando que nem mesmo as culturas nacionais europeias dominantes são culturas homogêneas (veja os conflitos na ex-Iugoslávia, por exemplo) e sua transmissão não é, tampouco, consensual ou contínua. As
comunidades têm seus próprios processos de crescimento e muitas das causas destas comparações antagônicas têm explicações nos processos de colonialismo e dominação de determinadas culturas consideradas “desenvolvidas” sob outras chamadas subdesenvolvidas.
Ao mesmo tempo, as próprias sociedades industriais desenvolvidas passam também por crises
econômicas e sociais, o que reforça a ideia de que o desenvolvimento e o crescimento das comunidades é fragmentado e apresenta-se desigual em diferentes sociedades. O padrão de desenvolvimento
de culturas consideradas mais atrasadas, que cresceriam nos mesmos moldes das grandes potências
industriais ocidentais, até atingir o seu grau de desenvolvimento, cai por terra, e a análise de diferentes
modelos de organização da vida e das riquezas sociais, em distintas culturas, passa a fazer parte de análises mais aprofundadas nestes estudos.
A cultura vai aparecer então de forma interiorizada e transmitida historicamente por um conjunto de valores e regras que funcionam na intimidade das relações humanas. Percebe-se hoje que a possibilidade de mudança nas sociedades também depende muito das capacidades de escolher e julgar de
cada ser humano.

Cultura organizacional
Levando-se em consideração o fato de que a empresa está em constante troca com o ambiente
externo em que está inserida, a mesma deve ser compreendida a partir de sua inserção na cultura desse ambiente, ou seja, da sociedade a que pertence. Portanto, não se pode compreendê-la em sua totalidade por princípios puramente organizacionais.

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O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura

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Conforme Sainsaulieu:
[...] as investigações recentes [...] demonstram que a empresa é um sistema social além de um sistema econômico e técnico. Ela tem, pois, todas as características de uma sociedade humana com sua história própria, seus valores específicos,
centrados no trabalho e nos valores e nas relações interprofissionais e hierárquicas, e sua inscrição em uma sociedade
global que também é portadora de cultura. Tanto do interior como do exterior a empresa não pode escapar das influências culturais. A questão é fundamentalmente a das interdependências entre a sociedade e a empresa, dado que os
indivíduos dirigentes ou simples executantes não podem facilmente mudar de identidade e de cultura ao passar pelas
portas da empresa. Até onde esta última é, de fato, dona da base cultural de seu potencial humano? Eis uma pergunta
crucial para o estudo de seu desenvolvimento. (SAINSAULIEU, 2006, p. 174)

No entanto, temos que cuidar para não reduzir a forma como percebemos a cultura nas sociedades mais amplas como correspondente ao conceito de cultura nos limites de uma empresa, pois uma
não é o mero prolongamento da outra.
Hoje, mais do que nunca, as empresas necessitam adaptar-se às mudanças externas e, como estas mudanças ocorrem em uma velocidade crescente, essa habilidade da empresa em conformar-se às
novas circunstâncias transforma-se em uma questão de sobrevivência para a mesma.
Descobrir quais elementos culturais intervêm na regulação das relações sociais do trabalho, portanto, é fator primordial das análises organizacionais atuais.
A cultura organizacional pode então ser definida como o conjunto de valores, crenças e entendimentos que adquirem um significado comum para os integrantes de uma organização e que guiam o
comportamento daqueles que integram a organização.
Estudiosos deste campo identificam algumas características comuns na cultura organizacional.
Elas são únicas e devem ser distintas de outras organizações para que possam gerar identidade de seus
integrantes, é aprendida através da experiência no grupo, é implícita na estrutura formal e explícita na
ação de seus membros; manifesta-se em todas as partes e elementos da organização, pode se expressar através de sinais pela linguagem, emoções, ordem, disciplina e organização do ambiente físico dos
locais de trabalho; é aceita pela maioria e transmitida a novos membros e é um sistema em permanente mudança e contato com o seu entorno.
Estas características gerais aparecem todas inter-relacionadas com o contexto externo no qual a
organização se insere. Isso, combinado aos valores e crenças dos fundadores da organização, às experiências de seus membros e aos conhecimentos trazidos pelos líderes e pelos novos membros, compõe a
essência da cultura de uma organização.
A importância da cultura de uma organização pode ser identificada por inúmeros fatores, entre
os quais citamos a delimitação de papéis diferenciados para seus integrantes, o que contribui para um
senso de identidade e de pertencimento aos membros de uma organização. Fortalece a estabilidade
do sistema, pois envolve todos os seus integrantes em um mesmo compromisso que se apresenta acima de cada indivíduo, facilitando a união do grupo e diminuindo a importância de valores individuais.
Indica um jeito específico de realizar as tarefas, um guia de atitudes e comportamentos aceitos dentro
daquela empresa. A identificação com esses valores por parte dos indivíduos, ao favorecer a integração
do mesmo, contribui para a consequente ascensão dos membros da organização. É importante componente da história da empresa que através da repetição de rituais se atualiza e por isso permite a constante adaptação da empresa a seu ambiente externo. Ajuda a distinguir seus membros, portadores de
uma identidade comum, de outros grupos e organizações.

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O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura

As subculturas organizacionais
A cultura organizacional, assim como qualquer cultura, não se apresenta de forma homogênea
na realidade das empresas. Isso porque ela é formada por diversas “subculturas” que competem entre si
ao se inter-relacionarem. Diferenças entre os grupos dentro da empresa podem gerar formas diversas
de gerenciamento, atribuições e modos de realização de determinas atividades. Diversidades religiosas,
étnicas, sociais e até mesmo de categorias profissionais podem dar pesos diferentes a determinadas
ações ou maneiras de atingir os objetivos e realizar atividades dentro da empresa. Essas maneiras diferenciadas vão estar em constante competição dentro da organização, formando o que chamamos de
subculturas organizacionais.
Dias (2008), de forma bastante didática, divide em 16 os elementos fundamentais que compõem
a cultura organizacional:
::: os valores – são as concepções compartilhadas do que é importante para uma determinada
organização e que influenciam e orientam as ações dos membros de uma organização;
::: as crenças – é a aceitação consciente que as pessoas têm de uma ideia, sem que essa necessite de uma demonstração concreta. Elas eliminam as dúvidas e indicam linhas de ação para todos, pois estão imersas na consciência coletiva daquele grupo;
::: os ritos – são atividades planejadas como eventos especiais onde se reforçam valores específicos da empresa através da celebração de símbolos ou de pessoas importantes para a
mesma. Elas se repetem no sentido de manter vivos os comportamentos e metas mais importantes para o grupo. Alguns exemplos: a entrega de prêmios por resultados alcançados, reuniões periódicas para avaliação, organizações de eventos especiais onde os funcionários são
os convidados especiais; cerimônias ou rituais de reconhecimento público dos resultados dos
melhores trabalhadores;
::: os mitos – são histórias contadas e recontadas ao longo do tempo e que podem ou não
apoiar-se em situações verídicas, criadas com o objetivo de transmitir os valores e crenças da
empresa. Têm forte apelo emocional e se apresentam como narrações de sucessos ou fracassos estabelecendo limites do que é certo ou errado para os indivíduos-membros;
::: a linguagem – inclui todas as formas de comunicação dentro da empresa que formam as brincadeiras, jargões, metáforas etc., e que contêm significados especiais que são apenas compreendidos pelos componentes da organização;
::: lendas – são narrativas de fatos históricos que podem estar misturados com fatos fantasiosos,
os quais ao longo do tempo vão sendo acrescentados para ficarem mais atrativos;
::: slogans ou lemas – é a forma resumida de dar significado à ideia central da cultura da organização, significa “grito de guerra”. Por exemplo: “somos vencedores”;
::: condutas de forma geral – a maneira de vestir, comer, descansar, reunir-se etc., vão se tornando características em cada organização. Esses modos vão sendo copiados pelo grupo como
um sinal de integração;

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a distribuição física dos departamentos. estratégias e procedimentos preestabelecidos. É necessário passar a considerar a influência de empresas internacionais. para a necessidade de se adaptarem às novas realidades e para isso é necessário que mudem.br . São exigidas novas posturas dos membros de uma organização que viabilizem a integração desta organização neste contexto onde o foco não é mais o desenvolvimento local. como sistemas abertos que são. sentar em cadeiras etc.O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura | 97 ::: tabus – os tabus são importantes demarcações das proibições dentro de uma organização. mais informações www.com. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. ::: comunicações – alicerçada na troca de mensagens e de significados que criam. é cada vez mais imprescindível que uma empresa saiba como realizar suas adaptações internas. necessárias para que possa acompanhar as pressões externas e sobreviver em tempos de aceleradas transformações globais e tecnológicas. formas de controle. A mudança organizacional As organizações. quando podem ameaçar sua existência. ::: hábitos – são comportamentos adquiridos pela realização de ações repetitivas que ajudam a regular comportamentos e atividades dentro da empresa. A organização dos elementos físicos de uma empresa pode estimular atividades e até mesmo estruturar relações de poder dentro de uma empresa. ::: elementos materiais – são as instalações. muitas vezes. ::: símbolos – são quaisquer objetos ou eventos primeiros da organização que são cultuados como forma de relembrar os valores mais fundamentais da mesma.iesde. por exemplo. os decretos e os regulamentos que são quase todos escritos e os últimos são comportamentos ritualizados. ::: elementos estruturais – são os aspectos formais da organização como. sustentam.A. transmitem e mudam as culturas.. as leis. a arquitetura da empresa. estão sempre sofrendo com influências que podem ser boas quando proporcionam seu crescimento. Podem ser temas delicados para a empresa que não podem ser citados. hierarquia. ::: normas e costumes – as primeiras são codificadas e configuram o direito. com a aceleração das mudanças sociais. As consequências da globalização dos mercados e de capitais são importantes fontes de mudança nas organizações. Hoje. por exemplo: a estrutura de autoridade e decisão da empresa. regulações de mercado e influências culturais de todos os cantos do planeta. não mascar chicletes durante o expediente. ::: ideologia – pode ser definido como o reflexo do sistema de ideias que de forma explícita ou implícita definem o que deve ser feito e como fazer dentro da empresa. Esses fatores externos que influenciam as organizações empurram-nas. mas sim o desenvolvimento mundial. ou ruins. dos equipamentos etc. como por exemplo.

a localização geográfica da empresa. A inovação Colocar em prática um conjunto de ideias novas dentro de uma empresa é o que Dias chama de Inovação Organizacional (DIAS. Impulsionada por estes fatores. A mudança sempre gera certa resistência. como. Neste sentido. o tipo e o tamanho da mesma. A inovação tecnológica que se dá em função da aquisição de novos produtos e equipamentos exige uma readaptação da forma como se organiza o trabalho para absorver o uso desses novos equipamentos.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. neste contexto. inovação nada mais é do que um tipo de mudança que pode estar apoiada na implementação de novas tecnologias dentro da empresa ou de um novo jeito de administrar a mesma. a forma de se pensar e atuar dentro de uma organização. a tecnologia. aprender a fazer essa mudança torna-se central para as organizações e passa a ser primordial também nas análises organizacionais. levando-se em consideração os fatores imprevisíveis e o risco de mexer em uma estrutura complexa. pois não estão diretamente relacionados com os objetivos da organização. 2008). Em termos organizacionais. por exemplo.98 | O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura Os contextos locais estão submetidos a contextos mais amplos e é dessa perspectiva que as organizações devem se estruturar. Os impulsos transformadores podem surgir tanto de fora como de dentro da organização. pois a busca da estabilidade é alicerçada na permanência da ordem conhecida. 218). mudar significa alterar a estrutura física. importa muito a política e as estratégias adotadas para reorganizar as coisas. tendo em vista os mercados mundiais e o mercado de trabalho mundial que agora aparece também disponível a seus membros. 2008. A mudança e a constante adaptação ao novo. A melhor mudança é aquela planejada que leva em conta os fatores externos que nem sempre são facilmente perceptíveis aos gestores dessa mudança. se incorporam como fatores cotidianos e inevitáveis nas empresas. para que a mudança em uma organização se efetive. que sempre desencadeará fatores imprevisíveis. Dias nos apresenta um quadro onde estão sistematizadas nove medidas de inovação implementadas por pequenas e médias empresas que fizeram parte do estudo a citado seguir. o que impulsiona mudanças internas necessárias. “A busca pela estabilidade foi substituída pelo movimento contínuo” (DIAS.iesde. Assim entendida. A forma ideal de realização destas mudanças é sem dúvida aquela que é implantada de forma gradativa. mas principalmente as atitudes e valores frente a esta nova realidade. e frequentemente uma coisa exige a outra.com. realização e comercialização do produto. o que requer uma modificação nos modos de concepção. porém as causas mais comuns para a mudança organizacional advêm da necessidade de adaptação ao ambiente externo na busca de uma maior flexibilização para melhoria de resultados. os procedimentos administrativos. p.. O que deve ser alterado é principalmente a forma de se organizar o trabalho.A.

a estrutura de poder. Para esse autor. mais informações www.br . O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura Ao analisar essa gama de fatores. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S./out..com. Possuem uma política de reconhecimento e incentivo aos funcionários. Adotam uma estratégia formal de negócios que prioriza a inovação. de forma planejada e discutida em todos os níveis da empresa e tem a vantagem de envolver mais seus integrantes. importa ainda ressaltar a existência de três dimensões principais onde se realizam a mudança: quanto à intensidade. Formam profissionais capacitados a lidar com a maior diversidade possível de desafios. p. quando ocorre a partir de pressão externa. tem a desvantagem de ter menor adesão do grupo. e a estratégica. quanto à origem e quanto à velocidade.A. 2008. 36. ::: A origem da mudança pode ser reativa. quando se desenvolvem passo a passo. Dispõem de área de pesquisa e desenvolvimento ou departamento voltado para novos produtos ou serviços. p. ou podem ser mudanças rápidas promovidas em espaços curtos de tempo e geralmente oriundas de pressões externas. Buscam disseminar uma cultura aberta a novas perspectivas na solução de problemas. 222. Contam com medidas para avaliar a adequação da cultura de inovação da empresa a seus objetivos de negócios. a cultura organizacional e a escala de valores da mesma. | 99 Fonte: pesquisa realizada entre as 100 pequenas e médias empresas que mais cresceram nos últimos três anos.Porcentagem de empresas (%) 67 60 55 48 44 39 35 32 10 Medidas adotadas Investem constantemente em tecnologia. Por ser menos discutida e planejada por um número restrito de membros. o que parece fundamental a ser ressaltado é a necessidade de envolver todos os membros da organização nas possibilidades de mudança e de sua contribuição para o surgimento de novas ideias. É a tentativa de planejar a mudança antes que ela se imponha. In: DIAS. quando se modificam apenas alguns fatores internos para aumentar a sua eficácia. publicada pela revista Exame-pme. que modifica a essência da organização ao se redefinirem os objetivos. Colhem ideias novas dos funcionários e têm mecanismos para avaliar seus produtos ou serviços. Fazem parcerias com fornecedores para o desenvolvimento de produtos e serviços. nº 10. ::: Quanto à velocidade das mudanças elas podem ser: gradativas. ::: A intensidade da mudança corresponde ao alcance da mesma e pode ser evolutiva.iesde. set. ou proativa quando a organização atua de forma preventiva identificando os primeiros impulsos de inovações e reagindo rapidamente no sentido de antecipar-se às exigências externas. que contribuem com ideias inovadoras. 2007.

portanto. São obstáculos do ambiente externo em que as organizações estão inseridas e incluem fatores como as restrições oficiais (leis e regulamentos). a dificuldade de adaptação à mudança. com o objetivo de difundi-las aumentando a adesão e diminuindo as resistências. O ideal é que as organizações consigam realizar suas mudanças de forma mais lenta e planejada. para toda a mudança haverá um maior ou menor grau de resistência a ela. ::: a oposição à mudança por parte de grupos que. a qual impede que os indivíduos percebam a nova realidade que lhes impõe a mudança. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. Dias propõe um maior cuidado com a comunicação. que se dá em longo prazo e tem por objetivo aumentar a receptividade a elas. e a falta de recursos (financeiros ou de esforços pessoais) necessários para concretizar as mudanças. não raro. se sentem ameaçados pelas reestruturações trazidas pela mudança e se mostram contrários a qualquer modificação da estrutura. Vale lembrar ainda que toda mudança é fruto da ação humana e tem como resultado uma reação que pode ser positiva ou negativa. promovendo debates e pedindo sugestões. que seria uma forma de promover as mudanças divulgando-as internamente. portanto. Como sabemos.A. Para amenizar esse processo. pela adoção de normas mais rígidas.100 | O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura Em situações concretas todas estas características podem aparecer misturadas e devem. mas ela é sempre confrontada com forças que a colocam em xeque e que geram adaptações e resistências que quase sempre aparecem de forma conjunta nos diferentes níveis da organização. Grau de resistência à mudança A mudança organizacional não é sempre boa ou sempre ruim. por terem vantagens no modelo vigente.com.iesde. mais informações www. ::: a incapacidade para a mudança por estar alicerçada na insegurança em não saber como fazê-lo ou como agir sob novas bases estruturais. adaptando-se constantemente ao meio em que estão inseridas. ser elementos a considerar. que chamamos aqui de resistência à mudança pode ser identificada principalmente por três fatores internos: ::: a familiaridade com os padrões existentes. regulamentos formais e regras que possam coagir a mudança e através do endomarketing. as restrições ao comportamento não oficiais e não planejadas (quando há imobilidade por falta de regramento e reprimem-se as ações improvisadas).br . Assim. mas hoje. também de forma mais abrupta e profunda impulsionada principalmente pelos grandes avanços tecnológicos atuais. valorizando o diálogo e a divulgação de intenções para alcançar melhores resultados e menor resistência às transformações. os acordos internos de categorias de trabalho (feitos entre operários e administração). Para este autor existem três formas principais de promover a mudança dentro da empresa: através da educação para a mudança. Existem fatores adicionais que contribuem para a resistência à mudança. as mudanças sociais são permanentes e constantes acontecendo quase sempre de forma gradativa.

até recentemente.O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura | 101 Texto complementar Mudanças recentes no ambiente das organizações (SACOMANO NETO. desde a abertura dos mercados para a concorrência internacional. Chesnais (1997. segundo. políticas e econômicas em esfera mundial. implicando uma dinâmica complexa e incessante no contexto das mudanças e inovações.A. Com a consolidação do capitalismo e o crescimento da “sociedade de consumo”. um dos principais mecanismos organizacionais para a melhoria da competitividade é a adequação da estrutura ao foco de atenção da empresa. as empresas Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. pois exercem influência direta no ambiente das organizações brasileiras que. isto é. aos objetivos que se pretende atingir. a implantação das equipes de trabalho torna-se uma das peças centrais para a flexibilização do processo produtivo. ESCRIVÃO FILHO. terceiro. Em contrapartida. torna-se indispensável uma análise destes aspectos. Como colocado por Wellins et al. 1997).com. em outros termos. onde uma das alternativas a este impacto é a formação das equipes de trabalho.. representa uma das vantagens competitivas na concorrência de mercado. a adaptação organizacional torna-se imperativa para a sobrevivência das empresas neste ambiente competitivo e turbulento. viviam dentro de uma “redoma de vidro”. a terceira revolução tecnológica com os avanços da transmissão da informação e das inovações da engenharia genética. As adaptações das estruturas organizacionais refletem um impacto sensível na forma pela qual o trabalho é organizado (MARX.iesde. a crescente interligação e interdependência dos mercados físicos e financeiros em uma escala planetária. Em decorrência da internacionalização dos mercados. Atualmente não existe um consenso de interpretação deste fenômeno. Assim. As inovações tecnológicas e as transformações sociais dominam a sociedade atual: mudam profundamente a produção de bens e a vida das pessoas (MOTTA. pois sua natureza é essencialmente excludente em relação aos países em desenvolvimento. 4). buscando a obtenção de vantagens advindas da diferenciação estrutural. (1994). um grande estudioso da gênese e dos efeitos da globalização. Essas transformações radicais afetam todos os países do mundo com o fenômeno irreversível da globalização. Como colocado por Hoffman e Kaplinsky (apud AMATO NETO. existem três forças poderosas agindo neste processo: primeiro. A flexibilidade organizacional que corresponde à capacidade de reação da organização frente aos sobressaltos impostos pelos movimentos de inovação. Difere-se dos outros regimes de acumulação. coloca que “estamos diante de um novo modo de funcionamento sistêmico do capitalismo mundial ou. as organizações buscam adaptar-se a um novo cenário competitivo. Na visão de Fonseca (1997). de uma nova modalidade do regime de acumulação”. mais informações www. Neste sentido. 2000) O mundo contemporâneo assiste a um período de grandes transformações sociais. a formação de áreas de livre comércio e dos blocos econômicos. p. 1995). 1998).br .

mais informações www. Atividades 1. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Este esforço está intimamente ligado aos novos arranjos organizacionais. Defina cultura e explique por que ela ajuda na compreensão das organizações.com.iesde. têm realizado um esforço significativo para atingir patamares mais competitivos.br . entre os quais pode-se citar as mudanças na estrutura organizacional e a formação das equipes de trabalho.A. tanto de capital nacional como internacional.102 | O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura brasileiras..

O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura | 103 2.iesde. Quais são os obstáculos à mudança e a partir de que fatores eles podem ocorrer dentro da empresa? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br . O que é mudança social e para que ela serve? 3.com.. mais informações www.A.

É através das mudanças adotadas que surgem novas visões de mundo.iesde. da sociedade a que pertence. orientando suas práticas sociais em conformidade com seus diferentes pertencimentos a grupos ou categorias dentro da sociedade. por isso. ::: a incapacidade para a mudança por estar alicerçada na insegurança em não saber como fazê-lo ou como agir sob novas bases estruturais. as práticas culturais desenvolvem-se no sentido de reproduzi-la e mantê-la. que chamamos de resistência à mudança. a mesma deve ser compreendida a partir de sua inserção na cultura deste ambiente. se sentem ameaçados pelas reestruturações trazidas pela mudança e se mostram contrários a qualquer modificação da estrutura. Cultura pode ser definida como um sistema de significados. A mudança social é fruto de uma alteração na cultura. como correspondente ao conceito de cultura nos limites de uma empresa. Mas por outro lado é ao cultivar as tradições que surgem os questionamentos sobre a própria cultura. pois geralmente. Esta possui necessariamente uma dimensão dinâmica.br . A dificuldade de adaptação à mudança. A empresa está em constante troca com o ambiente externo em que está inserida. que levam às mudanças sociais. que impede que os indivíduos percebam a nova realidade que lhes impõe a mudança. por terem vantagens no modelo vigente. assim. ::: a oposição à mudança por parte de grupos que. 3. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.104 | O estudo das empresas pela compreensão de sua cultura Gabarito 1. ou seja. por movimentos de adaptação e por fontes de mudança. mais informações www. criador de um tipo de identidade coletiva que une os indivíduos ao mundo e filtra suas perspectivas. Qualquer mudança encontra resistência na dimensão da cultura.A.. pode ser identificada principalmente por três fatores internos: ::: a familiaridade com os padrões existentes. as culturas são formadas. e. temos que cuidar para não reduzir a forma como percebemos a cultura nas sociedades mais amplas.com. pois uma não é o mero prolongamento da outra. sendo que é comum que se modifiquem alguns padrões da cultura em questão (e não a cultura como um todo). No entanto. 2. ao mesmo tempo.

principalmente ligado às tecnologias informacionais. Dentro desta perspectiva. no modelo francês. ampliar ainda mais o campo de visão destas análises. mas também no escandinavo. baseado principalmente no fordismo. para situar a empresa em um quadro mais amplo de análise é necessário ter em vista que ela está em relação de interdependência com todas as instituições sociais que estruturam a vida em sociedade. e. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. com estoques muito menores e agilidade na comercialização dos mesmos. tem levado os estudiosos da teoria organizacional a refletir ainda mais sobre a natureza da organização como um sistema aberto que está em constante troca com seu meio. podemos dizer que uma empresa funciona bem quando consegue reagir a pressões externas.com. no modelo japonês. vamos tentar compreender como se dão essas relações nas organizações. no entanto. no final do século.As organizações e suas relações com o entorno O crescente aumento na implementação de inovações nas empresas atribuído à aceleração do avanço tecnológico. Para responder aos desafios de um mercado consumidor e de oferta de trabalhadores cada vez mais globalizado é necessário. Assim. A influência das culturas nacionais nas organizações A experiência organizacional parece estar fundada sobre a realidade cultural nacional na busca de uma forma mais eficaz de organização. É possível perceber tais fatores não apenas no modelo americano.. com iniciativas de democratização dentro da empresa. que se apoiava na produção minuciosa de variados modelos do mesmo produto. mais informações www. apoiado na política social democrata que permaneceu por anos à frente do poder estatal nos países escandinavos. levando em consideração as influências que a empresa exerce em cada contexto em que se insere. sustentado por uma estrutura bastante burocratizada e que acarretava maior proteção dos trabalhadores em função de uma estrutura hierárquica e da existência de regras e leis protecionistas que possibilitavam também a organização coletiva. Agora.br .A. e a consequente aproximação da sociedade mundial através das redes de comunicação que facilitam a circulação destas informações.iesde.

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As organizações e suas relações com o entorno

Vamos analisar com mais detalhes este último, por apresentar características mais marcadamente ligadas à cultura daquela nação. Diferenciando-se enormemente da maioria das grandes corporações
ocidentais, o modelo de organização japonês, que obteve um grande sucesso na década de 1980, merece ser estudado mais aprofundadamente. Conforme Giddens (2004), podemos relacionar algumas das
principais características deste modelo:
::: tomada de decisões de “baixo pra cima” – nas grandes corporações japonesas são realizadas consultas aos trabalhadores que ocupam posições inferiores na organização, a respeito
das políticas que vêm sendo aplicadas pela gerência; e até mesmo altos executivos reúnem-se
regularmente com esses trabalhadores;
::: menos especialização – os empregados especializam-se bem menos que no Ocidente. Os jovens trabalhadores que entram na empresa como estagiários em uma posição de treinamento gerencial passam um ano aprendendo o funcionamento dos diversos departamentos e só
depois passarão por várias posições em diferentes sedes da mesma empresa, para adquirirem
experiência nas diversas dimensões de atividades da empresa. Até chegar ao auge da carreira
passarão em média 30 anos para que o funcionário tenha dominado todas as tarefas importantes da empresa;
::: segurança no emprego – o empregado tem a garantia de emprego vitalício pelas grandes
empresas no Japão. O plano de carreira baseia-se na antiguidade do trabalhador, que seguido
por estas corporações garante a importância deste longo aprendizado;
::: produção voltada para o grupo – os trabalhadores participam de pequenas equipes ou grupos de trabalho em todas as esferas da empresa. E são esses grupos que serão avaliados, não
os trabalhadores individualmente, o que facilita o trabalho cooperativo;
::: fusão da vida profissional com a vida privada – não há uma divisão clara na relação do empregado com a empresa no Japão. As grandes empresas sustentam muitas das necessidades
de seus funcionários em troca de total fidelidade e lealdade destes em relação à empresa.
Algumas delas fornecem, por exemplo, moradias e auxílios para educação dos filhos, cobrem
despesas com casamentos e funerais.
Muitas destas características têm sido adaptadas por outros países principalmente no Ocidente,
na tentativa de acompanhar os resultados proveitosos que este modelo obteve nas empresas japonesas.
Todos estes exemplos servem de prova da importante penetração das características culturais de
um contexto nacional mais amplo, na forma de organização do trabalho dentro da empresa.
Assim, após tantos estudos e análises realizados em várias organizações de nações diferenciadas,
investigadores da área concluem pela importância do ajustamento das estruturas de organização das
empresas às especificidades culturais nacionais. A influência da cultura nacional dos membros da empresa é fator dominante da diversificação dos comportamentos organizacionais. Os homens no trabalho não conseguem abstrair-se de sua cultura para se organizar.

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As organizações e suas relações com o entorno

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As interdependências institucionais da empresa
A empresa é realmente o lugar de mudanças e de adaptações permanentes às suas diversas contingências. As instituições são configurações estruturais onde as normas e regras são interiorizadas e é
nas instituições que sentimos o peso dos regulamentos que se apresentam de forma mais ou menos coercitiva e como parte que deve ser integrada.
As organizações são construídas necessariamente a partir das relações com o entorno, cada setor
dentro da empresa tem que considerar as regras sociais existentes na cultura mais ampla em que esta
está inserida para elaborar a forma como essas regras vão funcionar dentro da organização. As exigências de habilidades e qualificações por profissão devem corresponder, por exemplo, àquelas formadas
pelas universidades e escolas locais; as obrigações e direitos dos trabalhadores cumpridos pela empresa devem encontrar correspondência com aqueles estabelecidos pelas regras do Direito formal e pelas
organizações sindicais; os planos de carreira dos funcionários e as regras de seus estatutos devem também ser supervisionados pelo Estado e regulados por profissionais destes mesmos setores. Assim, a empresa deve levar em consideração todas essas estruturas externas já existentes que auxiliam a moldar a
sua forma de atuação interna.
As análises teóricas da Sociologia das Organizações, baseadas em inúmeras pesquisas, explicam as
especificidades encontradas em diferentes países através de quatro processos de interdependência das
principais instituições sociais: a Educação, as relações com a estrutura hierárquica, a família e o Estado.

A empresa e a estrutura educacional
Um estudo citado por Sainsaulieu (2006, p. 186) foi pioneiro nesta área. Realizado entre os anos
de 1975 e 1979, comparava indústrias na França e Alemanha na tentativa de compreender as diferenças
nacionais das organizações no processo de qualificação de grandes empresas nestes países. Estas distinções podem ser resumidas da seguinte forma:
::: na Alemanha – existência de poucos chefes (um para vinte e cinco operários), os operários
têm tarefas polivalentes e se apoiam em uma boa qualificação. A manutenção é feita dentro
da indústria por funcionários desta. O trabalho é feito com autonomia, aos pares, de forma
complementar, com assistência e conselhos. As relações hierárquicas entre operário, chefia e
quadros parece fácil. A ascensão para postos de chefia está baseada na competência;
::: na França – há mais chefes (um para dez operários), os operários são menos versáteis porque
mais especializados em tarefas que suas funções exigem. A manutenção é frequentemente
terceirizada. O trabalho é realizado de forma isolada e geralmente controlado de forma coercitiva. A ascensão dentro da empresa é mais difícil, pois tem critérios culturais.

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As organizações e suas relações com o entorno

As diferenças constatadas impressionam porque os dois países são fronteiriços e industrializados
praticamente ao mesmo tempo, e neste sentido justificam-se as análises sociológicas que as explicam
através da importância do contexto da educação nacional. Assim, torna-se evidente o peso da formação
diferenciada dos operários, dos técnicos e dos engenheiros nos dois países analisados. Na França, esse
aprendizado se dá em escolas estatais e as promoções são feitas mais por antiguidade e baseadas em
relações pessoais do que por qualificação. Já na Alemanha, a aprendizagem acontece dentro da indústria onde os trabalhadores passam por diversos setores para aprender as diversas tarefas e funções e as
promoções são feitas naturalmente pela qualificação dos operários. Portanto, conclui-se que a distribuição das funções dentro do organograma hierárquico da empresa é bastante diferente nos dois países.

A empresa e as relações com a estrutura hierárquica nacional
Outro trabalho comparativo realizado no mesmo período (WARNER; MAURICE; SORGE apud
SAINSAULIEU, 2006) tinha como foco a variável tecnológica de produção. A primeira observação desse estudo foi de que na França há um número muito maior de grupos funcionais em relação ao conjunto dos
funcionários do que na Inglaterra e esta última tem mais grupos do que a Alemanha. A predominância
da estrutura hierárquica é também maior na França, mas na Inglaterra há mais liberdade de manobra e a
Alemanha destaca-se por uma fraqueza do controle técnico, mas uma maior autonomia dos operários.
No caso da introdução de novas tecnologias, o estudo evidenciou que, na Alemanha, as atividades de programação dessas tecnologias são realizadas mais frequentemente nas próprias oficinas de
trabalho e pelos próprios trabalhadores. Isso porque é principalmente no local de trabalho que se dá a
aprendizagem das técnicas necessárias para os trabalhadores alemães. Já no caso da Inglaterra a utilização dessas novas tecnologias seriam confiadas preferencialmente a especialistas diplomados, podendo
estes corresponder aos próprios engenheiros.

A empresa e a família
No Japão tornou-se famoso o termo “grupismo” para classificar um tipo de organização do trabalho dentro das empresas que valoriza mais as atividades realizadas em grupo e menos a individual. Tal
modo de organização permite uma aprendizagem local apoiada na versatilidade de posições e tarefas
em forma de rodízio dentro da empresa e as relações hierárquicas são respeitadas de forma positiva.
Estudos de Sylvaine Trinh (apud SAINSAULIEU, 2006) constatam que estas relações estariam menos ligadas a uma reprodução da estrutura familiar rural e mais apoiadas nas interdependências institucionais
essenciais entre a família, a vida doméstica e a empresa, apoiadas na participação precária das mulheres
no mundo do trabalho, na sua permanência em casa e disponibilidade para acompanhar a mobilidade
do marido necessária em função das exigências de sua empresa. Além disso, estaria ainda baseada em
uma sociedade desigual que garante a integração das famílias com a empresa apenas para os setores
privilegiados que apostariam na não terceirização e, portanto, trariam maiores garantias de segurança a
seus funcionários. Sabe-se, no entanto, da existência de inúmeras empresas menores que não estariam
investindo nestes princípios integradores que as maiores investem.
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p.As organizações e suas relações com o entorno | 109 Na França. a empresa nessa época era um simples prolongamento do aparelho de poder do Estado. demonstrada em várias outras investigações. em termos gerenciais. 2006..com. mais informações www. Fratelli e Lowiet (apud SAINSAULIEU. sobretudo. apesar desta relação de interdependência entre as empresas e as estruturas familiares não ter sido objeto de estudos mais profundos. Percebe-se uma forte tendência. p. ::: o partido cujos representantes de base estão em relação com o nacional. por analogia ao poder de um pai dentro da família. mas. Assim. 2006. ::: o aumento da influência das mulheres nas empresas espalhado pelas estruturas profissionais. as categorias profissionais e os operários aproximaram-se de uma espécie de consenso baseado na negociação como meio de resolver os problemas ao nível da empresa. ainda que decadente e em transição iniciada na década de 1980 e que se estendeu até 1989. os regionais estavam oficialmente presentes na unidade produtiva. de considerar as empresas como uma extensão da família aplicando-lhes formas hierárquicas na solução de problemas da empresa baseadas no modelo paternalista. pois pelo fato de existirem sob um regime político socialista. ::: especialistas delegados pelo planejamento econômico centralizado que podiam juntar-se aos da empresa e ao poder da direção. Constata-se hoje que a interdependência entre família e empresa sofre influências da própria evolução econômica. Durante este período de decadência do comunismo surgem fenômenos interessantes que foram destacados nas empresas polonesas (RYCKARDS et al. sobretudo. ::: o papel predominante das famílias na busca de soluções “caseiras” para o aumento do desemprego.br .iesde. entre eles os de Bafoil. seja pela influência das famílias nas grandes greves das indústrias em países como a França e Inglaterra. ou seja. 190) apresentam resultados completamente diferentes. hierárquicas. de cima para baixo e estruturava-se a partir de três elementos principais: ::: os sindicatos nacionais. no auge do comunismo. ressalta-se a importância de uma estrutura paternalista na concepção de autoridade nas empresas.A. que garante outro controle oficial sobre o conjunto das atividades da fábrica. A hierarquia destas empresas distribuía o poder decisório verticalmente. administrativas. apud SAINSAULIEU. não poderiam ser compreendidas sem a análise das influências do Estado e do partido. social e cultural principalmente em três fatores: ::: o tempo parcial que surge como solução para o desemprego. 190): ::: grupos e categorias profissionais que provocam mais conflitos de interesses abertos que antes. técnicas e. seja criando pequenas e médias empresas artesanais. ou seja. ::: as relações entre os administradores.. A empresa e o Estado As empresas do Leste europeu que foram objeto de estudos sociológicos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

o que influencia muito a vida nas empresas. e seus projetos. este país passara. Na França. O que Max Weber temia era que o surgimento de uma casta burocrática. Agora. THOBOIS. que já existiam. e de maneira muito original. do planejamento e dos sindicatos. (BAUER. com a importância crescente dos desafios econômicos e a força dos acasos da contingência internacional. 2006. Segundo pesquisa citada por Sainsaulieu [. 191) mostraram que. com suas regras.iesde. p. se distanciasse dos interesses de qualquer um que estivesse de fora dessa estrutura. são os pequenos núcleos de grandes dirigentes que tomam as decisões estratégicas em longo prazo em um sistema de influências e de redes no qual a relação com o Estado é um trunfo. que provém da passagem de engenheiros de grandes corporações e de alunos do ENA nos gabinetes ministeriais antes de “vestirem o pijama” nas empresas. a um paradigma marcado pela emergência de diferenças entre grupos e ramos interessados.br . 190) Assim. de um paradigma organizador centralizado baseado no papel do partido.. Para estes autores. seus costumes. perpetrado pelo crescimento das organizações e de suas formas de controle da vida em sociedade sempre foi uma preocupação de Max Weber. consequentemente.] as pesquisas de Michel Bauer e de Bènédicte Bertin-Mourot sobre a produção social das elites dirigentes de grandes empresas privadas e públicas explicitam ainda um pouco mais. e o Estado. Com todas estas transformações no início da década de 1980.A.. BERTIN-MOUROT. a empresa atravessou mais conflitos. necessariamente burocráticas e hierárquicas. ao passo que na Alemanha seria antes o trunfo carreira que tomaria a “direção” e a Inglaterra ocupa uma posição intermediária entre esse dois países. mais informações www. pois para ele a vida em sociedade tendia a níveis cada vez mais altos de racionalização. Pegando-se o exemplo da Polônia. as decisões principais não resultam mais de níveis intermediários da tecnoestrutura das empresas na conjuntura de desenvolvimento do capitalismo. 1995. p. quando novos períodos de instabilidade econômica mundial apontam. na França também há uma relação direta com o Estado. apud SAINSAULIEU. o que aumentava o poder das organizações. três trunfos principais modelam o acesso aos postos dirigentes: o capital possuído pelas famílias. O próprio enfraquecimento da democracia social. Democracia e estrutura hierárquica nas organizações modernas Os modelos de organização da empresa estão apoiados também no problema central da democracia e da hierarquia das sociedades onde estas empresas estão inseridas. nos anos de 1970. a relação que as empresas mantêm com o Estado. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a carreira que se baseia na experiência de uma promoção dentro de uma mesma empresa. as pesquisas de Michel Bauer e Elie Cohen (apud SAINSAULIEU.110 | As organizações e suas relações com o entorno ::: as estruturas de assembleia e conselho. Este dado é de importância fundamental para as próprias lutas sindicais e corporativas pois o poder de barganha destes passa também pela compreensão de um Estado protetor.com. menor a liberdade e o exercício da democracia. 2006. Na França o trunfo Estado domina os outros dois. limitada pelo cumprimento das regras e normas. uma preocupação e um parceiro principal.. tiveram oportunidade de restringir-se a tratar dos problemas da organização. e a organização da fábrica se tornou um desafio local. o aumento de nossa dependência das organizações torna maior o controle das mesmas sobre o nosso cotidiano e. Assim.

com. com a evolução da crítica ao excessivo controle sobre os indivíduos no ambiente de trabalho e à estrutura hierárquica muito rígida que o sustenta. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. da tarefa realizada e. regras jurídicas de representação e de expressão). Por outro lado. que se inscreve em um sistema complexo de fatores internos e externos à empresa.. p. Comparando sistemas de hierarquias em diferentes países e sua relação com a participação democrática. quando se acentuou mais os indicadores de participação do que os de hierarquia constatou-se uma distribuição nacional diferenciada de indicadores de participação direta e indireta. conforme as diferentes nações pesquisadas. tem de haver lideranças e grupos capazes de decidir e influenciar os demais trabalhadores em longo prazo. mais informações www. Sendo este um campo que não para de se desenvolver através de recentes e extensas pesquisas de sociólogos de diferentes países. mas. em relação ao exercício da democracia interna da unidade produtiva. entre: ::: estruturas formais legais e sindicais de participação. Isso explica algumas das vias necessárias à participação democrática na empresa. motivado. não dependeria apenas de estruturas externas formais de descentralização. Assim. ::: aquela que é mais fortemente influenciada pelo ambiente sociopolítico dos países do que pelos fatores econômicos e tecnológicos. que possuem forte influência destas estruturas. muitas organizações buscaram como alternativa modelos mais horizontais e cooperativos de forma a tornarem-se mais flexíveis e com maior capacidade de resposta às instabilidades do mercado. A existência de relações mais horizontais dentro de unidades produtivas.As organizações e suas relações com o entorno | 111 Mesmo dentro das organizações. Em uma investigação subsequente em países da Europa Ocidental de 1981. menos se é livre. mas sim com o grau de hierarquia. Para que haja participação deve haver canais formais e legais (sindicatos. Por isso. o cerceamento da capacidade criativa e autodeterminada dos mesmos. de um grupo intitulado IDE (International Democracy in Europe). de influências sobre os outros” (SAINSAULIEU. normas que regimentem essa participação.br . Há uma relação inversa entre o comprimento das cadeias hierárquicas e os indicadores de participação e uma relação direta entre os últimos e a satisfação no trabalho. estes resultados variam ainda de um país ou de um lugar para outro. Aí se observam vários tipos de democracia participativa variando. de iniciativas. satisfeito. E segundo este autor. 192). no entanto. a democratização permanece uma escolha difícil de fazer. o efeito alienante dos altos níveis de controle gerencial necessário para que se realizasse a tarefa era motivo de preocupação deste autor que percebia um processo de distanciamento real. “Quanto mais longa for a hierarquia. 2006.A. podemos resumir alguns resultados. estudiosos da área concluíram que há dois indicadores. Concluindo A enorme gama de investigações sobre as influências de diferentes fatores (principalmente os culturais) nas estruturas racionais de organização do trabalho está amplamente alicerçada no próprio interesse da área. como consequência. capaz de ajustamentos pessoais. informado. nesta perspectiva. vários estudos já citados aqui demonstram não haver uma correlação tão direta entre a participação dos trabalhadores nas decisões da empresa e o exercício da democracia na mesma.iesde. também. por parte dos trabalhadores. concluindo-se que a participação não está fortemente correlacionada com o indicador global de satisfação.

o tipo de chefia. os centros decisórios. as qualificações e tipos de formação profissional. aos centros de formação e às estruturas familiares que podem desempenhar um papel determinante no futuro das empresas. em uma análise do índice de citações de ciências sociais foram encontradas 1136 citações de Culture’s Consequences em jornais.112 | As organizações e suas relações com o entorno ::: A organização das empresas pode variar consideravelmente. da Educação e das estruturas políticas e administrativas que apoiam a sociedade em que essa organização está inserida. das quais mais de 80% são posteEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Esta análise do entorno deve contribuir para desvelar como cada organização está relacionada com as instituições de seu ambiente. 1999) Os estudos de Hofstede Para Sondergaard (1994) a pesquisa de Hofstede (1980) Culture’s Consequences parece ter sido relevante para efetuar mudanças no enfoque dos estudos cross-cultural. pois deve se adaptar às exigências específicas dos contextos locais. quais as influências locais dos sindicatos. na busca de outra forma de racionalidade..A. ::: Ainda cabe ressaltar que o desemprego exerce um papel coercitivo muito forte frente a novas possibilidades informais de organização trazendo importante papel às comunidades locais. a presença de grupos no trabalho etc. deve basear-se no funcionamento social de um sistema aberto a seus diversos ambientes e assim integrar os recursos exteriores capazes de ampliar o seu sistema de ação. é a interdependência entre a empresa e as instituições que fazem parte de sua sociedade. ::: Esta diversidade na forma de organização das empresas não se deve apenas às diferenças das culturas nacionais vivenciadas pelos membros da organização e filtros de suas práticas cotidianas de interação e de relações no trabalho. Segundo Sondergaard (1994). A caracterização da organização produtiva racional.com.br . mais informações www. do Estado. não é mais considerada universal. em fatores estruturantes fundamentais para a mesma. regionais ou mesmo nacionais em que estão inseridas.iesde. como a distribuição hierárquica e participativa dentro da mesma. O que pode explicar sobremaneira estas diferenças de um país ou lugar para outro. buscando seu desenvolvimento interno. Texto complementar Percepções de incerteza em um sistema de planejamento e controle Um estudo comparativo Brasil – Inglaterra (FONSECA. a relação entre fabricação e serviços técnicos. de um país para outro. portanto. A empresa.

Então. que trabalhavam em subsidiárias de uma corporação multinacional. a última dimensão. respectivamente. Assim. Desta forma. 110) afirma: “como seres humanos. não seria possível desfazer o que já foi feito. mesmo que. essa tendência pode ter sido ocasionada pela influência da pesquisa de Hofstede (1980) sobre as demais da área. Individualismo versus coletivismo relacionar-se-ia com o grau de interdependência que uma sociedade mantém entre as pessoas. Hofstede (1994) acrescenta que. outros dois foram realizados entre estudantes de 10 e 23 países.As organizações e suas relações com o entorno | 113 riores a 1986. a IBM.com. os estudos nas áreas internacionais de comportamento organizacional e gerência de recursos humanos tenderam a reconhecer a importância da cultura e de seu impacto. as amostras eram semelhantes em todos os aspectos.A. mas soluções peculiares a cada país. o que faria com que o efeito de diferenças nacionais ficasse bem claro. como o tempo corre numa única direção. partindo da suposição levantada por vários antropólogos americanos da primeira metade do século 20: todas as sociedades enfrentam os mesmos problemas. Masculinidade versus feminilidade abordaria a forma como cada sociedade aloca papéis sociais aos sexos. Em sua opinião. a questão fundamental levantada por esta dimensão seria: como a sociedade lida com a incerteza sobre o futuro.br . só variando as respostas. principalmente após 1986. Valores associados à orientação de longo prazo seriam frugalidade e perseverança. exceto nacionalidade.. entretanto os índices obtidos pelos países nas dimensões mostram que a maior parte dos casos reais se situa entre os extremos. Distância do poder trataria da forma como uma sociedade lida com desigualdades entre as pessoas. O projeto foi conduzido entre 1967 e 1973. nós todos temos de encarar o fato de que não sabemos o que acontecerá amanhã: o futuro é incerto. valores associados à orientação de curto prazo seriam respeito pela tradição. com a busca da virtude. os extremos opostos descrevem tipos ideais. lidaria. Para cada dimensão separada. a tentar gerenciar situações imprevisíveis adotando um código rígido de comportamento. à primeira vista. rejeitando ideias novas. empiricamente. Hofstede (1991) concluiu que a análise estatística das respostas das questões sobre valores revelou problemas comuns. além do primeiro projeto. p. As quatro primeiras dimensões encontradas foram interpretadas da seguinte forma por Hofstede (1983). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Da mesma forma.iesde. orientação de longo prazo versus orientação de curto prazo. contando com 116 respondentes. De acordo com Hofstede (1980). alta fuga à incerteza levaria as pessoas a abraçarem crenças que prometem certezas. a partir da segunda metade dos anos 1980. regras explícitas e regulamentos. mas temos que conviver com isto”. que ocorrem em combinação. em algumas áreas básicas por ele denominadas dimensões. sem apresentar estresse excessivo. e aceitando a existência de verdades absolutas. O comportamento inverso indicaria tolerância para circunstâncias novas e ambíguas. Finalmente. O estudo de Hofstede (1980) analisou grande quantidade de dados sobre valores de pessoas em mais de 50 países ao redor do mundo. utilizando questionário desenhado por pesquisadores chineses. Adler e Bartholomew (1992) detectaram que. segundo Hofstede (1994). cumprimento de obrigações sociais e proteção da face. nem se poderia prever o que está por vir. mais informações www. se ela tenta controlá-lo ou o deixa acontecer. não pareça haver uma necessidade lógica de ficarem juntos. encontrada apenas em 1987. a manter instituições que protegem tradições e costumes. Hofstede (1991. a extensão em que seus membros seriam capazes de lidar com a incerteza. Fuga à incerteza consistiria no grau em que os membros de uma sociedade se sentem desconfortáveis com a incerteza e a ambiguidade. Segundo Hofstede (1991) uma dimensão agruparia um número de fenômenos em uma sociedade que se descobriu.

que a organização tentaria compensar. após o fato de decisões que pareceriam ter sido tomadas por razões não lógicas à primeira vista. leis e religião para lidar com a incerteza. ::: uma parte considerável dos sistemas de planejamento não garantiria necessariamente operações mais eficazes. tornaria os resultados mais previsíveis a curto prazo. Enquanto as sociedades em geral empregariam tecnologia.com. a checagem dos minutos na contabilidade de viagens. Hofstede (1980) inclui os seguintes itens na categoria de rituais para evitar incerteza: ::: memorandos e relatórios geralmente não conteriam nenhuma informação de que alguém fosse precisar para agir. como. O conhecimento de valores Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. ::: o sistema contábil seria considerado um processo de absorção de incerteza. O estabelecimento de regras e regulamentos reduziria a incerteza interna causada pela imprevisibilidade do comportamento de seus membros e investidores. ao construir uma certeza simbólica dentro da qual os membros da organização soubessem como se comportar. O conceito de incerteza estaria frequentemente ligado ao conceito de ambiente. as organizações fariam uso de tecnologia. A tecnologia.br . transformariam incerteza em certeza aos olhos dos membros da organização. os rituais de fuga à incerteza não tornariam o futuro mais previsível. quando não houvesse possibilidade de julgar a sua necessidade.A. regras e rituais para este fim. uma vez que a informação contábil seria frequentemente usada com uma justificativa. ::: uma parte considerável dos sistemas de controle seriam rituais que poderiam ser danosos. mas seriam dispositivos para parar o tempo por um momento. As sociedades distintas lidariam com incerteza de formas diferentes. mais informações www. Conclusões A pesquisa parece ter permitido que fossem evidenciados nos dois grupos aspectos que poderiam ter alguma influência sobre o sistema de planejamento e controle. Os rituais expostos por Hofstede (1980) parecem estar fortemente relacionados com o sistema de planejamento e controle. os sistemas de controle poderiam ainda ser ritualísticos. afetando a maneira como elas constroem suas organizações.114 | As organizações e suas relações com o entorno Hofstede (1980) observa ainda que a incerteza é conceito-chave nas teorias organizacionais modernas. rituais seriam práticas não racionais desenvolvidas para tornar a incerteza tolerável. aliviariam um pouco do estresse causado pela incerteza. que geralmente inclui tudo o que não está sob controle direto das organizações. Mesmo quando fosse possível medir as realizações. por exemplo. pois eles seriam capazes de encobrir questões reais por meio de certezas simbólicas. já que manteria o moral em face da incerteza.iesde. por exemplo. Seria uma fonte de incerteza. Conforme destacado por Hofstede (1980). A identificação de tais pontos poderia ajudar a compreender problemas que estariam ocorrendo dentro do sistema de planejamento e controle da empresa e que não poderiam ser solucionados pelo sistema formal. Finalmente. adotando um planejamento mais elaborado. tanto membros internos como consultores externos. ::: especialistas que trabalham numa organização. mesmo que não possuíssem maior quantidade de informação ou maior capacidade para resolver o problema. mas. como. tornando as coisas menos discutíveis. a automação de processos. mas permitiria que gerentes dormissem mais tranquilamente. à medida que acreditassem que poderiam reduzir a incerteza.

melhorando o relacionamento entre elas ou.com. como a característica marcadamente relacional da sociedade brasileira que. tais como outros aspectos culturais atuam em sentido contrário ao da dimensão fuga à incerteza. ajudando a formular políticas que incluíssem esses aspectos valorizados tanto pela subsidiária quanto pela matriz. na maioria das vezes.. em outros casos. Em particular. Finalmente. sugerindo que outros fatores. possivelmente. destacam-se aqueles peculiares à cultura brasileira. Por exemplo.As organizações e suas relações com o entorno | 115 do grupo brasileiro. pode ser muito útil nas suas relações com empresas localizadas em outras culturas. em oposição ao que seria esperado com base somente em aspectos culturais. Em outro extremo. o qual possivelmente permitiria acomodar flexibilidade e preferência por um sistema de controle normativo. a onda de reestruturação de empresas na Europa talvez possa explicar a ênfase dos britânicos em segurança no emprego. como as referentes à alienação dos funcionários em relação à vida organizacional ou à crença deles no desinteresse da empresa por seu bem-estar. ou ainda. permitiria identificar causas de atritos em relação ao cumprimento das metas entre os dois grupos que. já que nenhum dos dois grupos se mostrou favorável a elas. como sugere este estudo. tais como necessidade de harmonia e dificuldade em transmitir notícias ruins. a cultura organizacional poderia explicar as semelhanças detectadas nos dois grupos. alguns aspectos não puderam ser corroborados ou mostraram-se totalmente opostos ao que seria esperado com base na teoria. a identificação de valores comuns poderia contribuir para criar pontos de identificação entre as duas equipes. como o jeitinho. Além dos aspectos relativos à cultura brasileira. Essas e outras idiossincrasias da cultura brasileira deveriam ser evidenciadas para que se conheçam os limites da aplicação de uma dimensão tão ampla como fuga à incerteza a essa cultura. seriam atribuídas à situação econômica e política. contingências externas também poderiam ser levadas em conta. pode-se escolher entre as alternativas apresentadas. Determinados pontos previstos em pesquisas anteriores foram confirmados. uma complementação entre as pesquisas quantitativa e qualitativa. Verifica-se. enquanto. mais informações www. o que. deveriam ser evitadas. para explicar os resultados que contrariam a teoria.br . ainda. Atividades 1. políticas de compensação que envolvessem riscos. Tal procedimento permitiria empregar com maior segurança essa dimensão às empresas brasileiras.iesde. Por exemplo. ainda. Por outro lado. quando a literatura sugere que sociedades com alta fuga à incerteza apresentariam maior orientação para tarefas. uma vez que a análise conseguiu aprofundar o que havia sido sugerido em alguns estudos quantitativos encontrados na literatura. que também não haviam sido previstas na literatura.A. nos quais havia mais de um comportamento possível. O que tem levado os estudiosos da teoria organizacional a refletir sobre a natureza da organização como um sistema aberto? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. poderia explicar a verificada orientação para pessoas por parte dos gerentes brasileiros.

mais informações www.iesde.br . quais as características principais do modelo de organização japonês? 3.A.com.116 | As organizações e suas relações com o entorno 2.. Segundo Giddens. Como podemos resumir as influências de diferentes fatores culturais nas estruturas racionais de organização do trabalho? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

no qual os trabalhadores passam anos aprendendo o funcionamento dos diversos departamentos para adquirirem experiência nas diversas dimensões de atividades da empresa antes de fixarem-se em determinada função. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. principalmente ligado às tecnologias informacionais e a consequente aproximação da sociedade mundial através das redes de comunicação. Além das diferenças das culturas nacionais. mesmo em seus fatores estruturantes fundamentais como: a distribuição hierárquica e participativa de seus quadros. podemos também destacar como forte influência a interdependência entre a empresa e as instituições que fazem parte de sua sociedade e o forte papel coercitivo exercido pelo desemprego frente às possibilidades informais de organização. o estímulo à produção cooperativa.A.As organizações e suas relações com o entorno | 117 Gabarito 1. 3. O crescente aumento na implementação de inovações nas empresas atribuído à aceleração do avanço tecnológico. o longo processo de treinamento gerencial. de um país para outro. pois deve se adaptar às exigências específicas dos contextos locais. o tipo de chefia e centros decisórios. A caracterização da organização produtiva racional não pode mais ser considerada universal.iesde. As principais características do modelo japonês são: a orientação de consultar a opinião dos trabalhadores (mesmo aqueles que ocupam posições inferiores na organização) sobre as políticas implementadas pela gerência. que será avaliado coletivamente bem como a tendência de fundir a vida profissional dos trabalhadores com sua vida privada.. Tal fato faz com que a organização das empresas possa variar consideravelmente. 2. a garantia de emprego vitalício (dentro das grandes empresas) que tem como ponto central para a carreira profissional o tempo de trabalho do empregado. centrada no grupo. as qualificações e tipos de formação profissional etc. mais informações www. pois as empresas responsabilizam-se por diversas necessidades de seus funcionários em troca de total fidelidade e lealdade dos mesmos. regionais ou mesmo nacionais em que estão inseridas.br .com.

A.com.. mais informações www.118 | As organizações e suas relações com o entorno Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br .iesde.

. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. de controle e de avaliação. A empresa é parte interessada na vida e na efetividade social de tais comunidades profissionais. Apoiando-nos em trabalhos de Sainsaulieu (2006. de circulação da informação.Aprendizagem organizacional Hoje a subjetividade na gestão é um tema bastante estudado em função do aprofundamento dos estudos culturais e da reconhecida influência que o ambiente externo exerce nas organizações. As formas de socialização dentro da empresa passam a ser então objeto central de análise. valores e práticas elaboradas de forma consensual que façam funcionar suas relações cotidianas como relações de solidariedade. pois é nestas instâncias que se acredita que o aprendizado se realize. Para isso. A importância das abordagens que valorizam a cultura e as relações intercomunicativas reconhece a construção de identidades dentro da organização e reforçam a análise da atuação de seus membros como indivíduos que atuam num ambiente de aprendizagem.com.br . elas se organizam em grupos de diferentes formas. mais informações www. 1978) sobre a análise cultural e os laços de sociabilidade que fundamentam a vida cotidiana no trabalho. A análise das interdependências culturais entre a sociedade e a empresa põe em evidência a força e a eficiência organizacional.A. pois sua lógica é de defesa de sua identidade social e profissional. de complementação técnica e de autoridade profissional.iesde. vamos buscar compreender como ocorre a aprendizagem dentro das organizações. Estudos antropológicos mais aprofundados demonstram a construção de diferentes formas de relações sociais duráveis e prolongadas entre os membros de uma organização. 1988. mas também social dessas comunidades profissionais. Os grupos organizados comunitariamente e de forma mais igualitária podem se apresentar defensivamente ou com capacidade de reações coletivas às mudanças sociais e tecnológicas externas. As relações entre ator e empresa: a força do coletivo Para concretizarem um trabalho em conjunto as pessoas necessitam de regras.

há muito mais que a defesa de direitos e vantagens para determinadas categorias. a família ou o bairro.120 | Aprendizagem organizacional O estudo das relações sociais em grupos de trabalho nos mostra que os atores podem ter muito poder se o estabelecerem em áreas que dominem a técnica necessária.com. é também identificada como uma fonte de aprendizagem cultural assim como a escola. da definição de identidades e de representações do mundo. podemos entender um tipo de trabalho que exige saberes específicos que são geralmente adquiridos através da aprendizagem informal. A empresa como produtora de cultura Observando os comportamentos coletivos nas empresas Sainsaulieu percebe uma construção de identidades de grupo que são fruto das relações sociais de trabalho.iesde. Existem. São as representações culturais que definem um modo associativo destes grupos. da técnica. seu modo de vida no trabalho. portanto. com exigências cognitivas e afetivas e. mas são também saberes especializados. Quando as culturas da comunidade estão em jogo. Ela organiza as relações entre os indivíduos de forma intensa. portanto. constantes e profundas. ou no “seu saber profissional”. aprendidos em centros de educação formais. pois pode produzir sistemas de representações e de culturas e não ser somente o depositório de culturas comunitárias e profissionais. O verdadeiro desafio da ação coletiva está ligado aos valores desses grupos que através de lutas coletivas são mantidos e renovados. verdadeiras comunidades humanas construídas em torno de formas associativas resultantes do trabalho profissional do ator sindical ou profissional. por exemplo. nas especialidades que dominam nos diferentes ofícios. para ele a empresa é também um lugar central de socialização. Não são saberes profissionais. muitas vezes herdada de algum familiar ou mesmo aprendidos dentro da empresa.br . símbolos formam a organização profunda dessa realidade humana que se constroem segundo as exigências das relações de trabalho. Sabemos hoje que o exercício de um ofício é em geral constitutivo de fenômenos de sociabilidades coletivas mais duráveis. Isso porque no cerne de todas as lutas sindicais fortes. Assim.. Essas análises mostram também a existência de outro desfio social na articulação das relações entre atores. por exemplo. Um determinante poderoso da ação coletiva está localizado na defesa da comunidade. das funções. normas. das relações. portanto. da autoridade e da distribuição de vantagens materiais. Valores coletivos. códigos. A maneira como esses grupos estão inseridos nas relações sociais na empresa é. Por ofício. sua profissão e uma comunidade humana a que pertençam. É neste sentido que se ressalta a importância da análise cultural de empresas para compreensão de uma camada mais profunda das relações sociais. bem como da definição de um código de vida a propósito do poder.A. as lutas sociais só param depois de ter obtido o reconhecimento social de seus valores. Portanto. ou seja. mais informações www. a empresa é também capaz de difundir suas próprias influências culturais para o resto da sociedade. compreender de forma mais aprofundada estas relações. fortificando ainda mais os elos de sociabilidade dos mesmos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o foco das análises culturais das organizações. suas lutas. É a compreensão dos sistemas de representação acerca do trabalho. A análise cultural destas comunidades deve. que são as relações comunitárias.

Muitas pesquisas na área comprovam que a empresa é um lugar de socialização importante. 199) Estes questionamentos trazem à tona o problema de como se constroem as identidades dos indivíduos. mais informações www. se as mudanças de “representações mentais”. porque permitem processos de transferência e de identificação. p. As relações hierárquicas. seus projetos. por ocasião de experiência da vida adulta..A.] onde estão os lugares produtores de representações sobre os grupos humanos.iesde. para perceber se também é possível aprender dentro das empresas e. porque é preciso fornecer aos indivíduos os meios de encontrarem-se em sociedade para viver. pois assumem estes entendimentos como seus. Os psicólogos sociais Serge Moscovici e William Doise investigaram o papel dos grupos no processo de aprendizagem e constataram a importância da troca de informações para aproximação e união destes grupos (MOSCOVICI. as de ensinamentos. 200). Portanto. Analisando o conceito de representações sociais podemos compreender melhor as situações de mudanças culturais. da forma como vemos o mundo e como o compreendemos. o autor se pergunta: [. A questão aqui posta para a Sociologia das Organizações é saber explorar esses processos de mudança das representações ou de maneira mais simples. com ou contra outros. que as pessoas podem mudar de cultura.. de definição de suas diferenças e de reconhecimento de suas identidades específicas? Como os indivíduos chegam a se reconhecer.. coletivamente ou por oposição a outros grupos. ao falar de aprendizagens específicas à empresa. Assim. agir e perseguir. no caso de uma resposta afirmativa. principalmente para poder explicar como ocorrem as mudanças nas organizações. 2006. ou fazer evoluir seus sistemas de representação recebidos da infância. mas também as de equipes. é preciso pensar quais os lugares e contextos da vida em organização onde seriam possíveis de realizar estas aprendizagens.br . É possível a construção de uma identidade social dentro da empresa? A Sociologia das Organizações formula hipóteses de construção coletiva de identidades nas relações sociais dentro da empresa. de representação de si e dos outros.” (SAINSAULIEU. são veículos desse trabalho de análise de suas próprias representações. a se apreciar e a se diferenciar coletivamente na multiplicidade de suas interações obrigadas de trabalho? Podem aprender a se socializar desde que passem aí uma parte importante de sua vida? Tais são as interrogações de toda a sociedade sobre ela mesma. p. Segundo Sainsaulieu. de aprendizagem. inclusive na fase adulta. mais unidos ficam os indivíduos pelas concepções construídas pelo grupo. 2006).com. 1972-1973 apud SAINSAULIEU. onde e como isso é possível.Aprendizagem organizacional | 121 Porém. “falar de aprendizagem cultural significa. uma parte importante da transformação cultural se dá nos diferentes grupos de pertença social em que o indivíduo vive relações duráveis e diferentes na vida cotidiana. 2006. ou seja. Quanto mais trocam informações. podem acontecer ao longo de toda a vida e. A aprendizagem cultural A Sociologia das Organizações estuda a forma de apreensão da cultura. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O problema social da transformação das culturas que nos interessa aqui deve ser buscado nas situações coletivas que favorecem tais processos de identificação e de análise nas relações cotidianas. (SAINSAULIEU. de debates e de confrontações de ideias. então. portanto.

Uma primeira identidade aparece junto aos trabalhadores da linha de produção.br . mais informações www. “quatro modos de estar com os colegas” existentes no mundo do trabalho.122 | Aprendizagem organizacional Quatro tipos de identidades no trabalho A aprendizagem de novos valores pode levar a diferentes interpretações de si e dos outros e também conduzir para a produção de identidades coletivas resultante de processos sociais que envolvem indivíduos e grupos.A. 1972. ::: o ofício e seus valores conexos de autonomia.iesde. As características identificadas foram: ::: a cultura de autodidatas. de independência e de domínio de si e dos outros é muito valorizado. moldando-se uns com os outros e desprezando-se as diferenças. As características identificadas foram: ::: grande riqueza afetiva e cognitiva das relações interpessoais. A terceira identidade. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. As características deste modo foram: ::: o coletivo é valorizado como um refúgio e uma proteção contra as divergências e as fragmentações. Estudos mais aprofundados nesta área (SAINSAULIEU. ::: as relações entre iguais são intensamente afetivas. Sainsaulieu nos fala de um vasto estudo realizado em oficinas e serviços. entre os empregados e entre os agentes técnicos que exercem um ofício. que vamos aqui apresentar de forma bastante resumida. mas também a diferença e a experiência do grupo. Encontradas nas empresas onde houve a promoção interna graças ao crescimento do pessoal e do número de categorias e de agentes. os componentes deste grupo procuram pontos de convergência entre si. Pode ser encontrada entre os profissionais operários. dos trabalhos mais simples e repetitivos em que as representações coletivas remetem a um “modo de fusão nas relações”. ::: importância de uma vida coletiva de tipo democrático em que se aceita o debate produtivo entre maioria e minoria e se recusa toda a autoridade imposta. ou seja. ::: a relação com o chefe ou com o líder é indispensável para orientar o grupo e centralizar nele a maior parte dos combates de ideias.. ::: valoriza a solidariedade. A segunda identidade é caracterizada de maneira inversa à primeira pela negociação e pela aceitação das diferenças. a das afinidades. nos anos 1960 e começo dos anos 1970 que sintetizou quatro modelos de identidades coletivas. onde as relações se fundamentam em afinidades seletivas e sem identificação de grupo. mas pouco centradas no debate das ideias. aparece mais nas situações de mobilidade socioprofissional prolongadas. Baseado na evolução pessoal rápida. da unidade e da camaradagem são centrais.com. ::: os valores da massa. 1988) evidenciam que as situações cotidianas de troca e de poder exigidas pelo próprio ambiente de trabalho podem também acarretar efeitos de aprendizagem cultural. Os líderes ou chefes devem ser escolhidos ou eleitos por suas aptidões.

::: o chefe toma um lugar considerável. ::: tem relações conflituosas marcadas pela exclusão do grupo e de afinidades seletivas. resultantes de uma construção que parte da observação da realidade empírica. poderíamos dizer que o termo “retirada” provém da ideia de que os trabalhadores pertencentes a esta categoria são os que estariam se retirando da empresa. ::: estas relações interpessoais com os colegas são pouco numerosas. grupos e chefes que podem estar presentes no interior de um mesmo grupo socioprofissional ainda que de forma mais ou menos desenvolvidas. no entanto este deve ser liberal e atento aos problemas dos subordinados.com. 1981 apud SAINSAULIEU. ::: O líder também é recusado.br . ::: A relação com o chefe é fundamental porque as outras relações são minimizadas. 2006) estes poderiam ser resumidos em três: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. responsável e até autoritário quando se quer ser protegido.iesde. tipos ideais (no sentido que Weber dá). ::: para estes indivíduos os grupos são considerados perigosos porque são vistos como freios à sua promoção individual. São quatro formas de sintetizar os modos de comportamento entre os pares: entre os colegas. ::: O trabalho não é um valor e sim uma necessidade econômica ou meio de realizar um projeto exterior. ::: O grupo é recusado. ::: o trabalho é valorizado como um lugar de crescimento pessoal e de apego a uma estrutura preocupada com as relações humanas e com os problemas de cada um.A. ::: o status e a carreira são considerados meios de estratégias evolutivas pessoais e não tanto formas de proteção coletiva. ::: Há poucos amigos entre os colegas e as relações permanecem superficiais no trabalho. mas intensas no plano afetivo e cognitivo. As organizações que aprendem Alguns fatores facilitam a aprendizagem das empresas.. pois evoca o grupo. ou seja.Aprendizagem organizacional | 123 ::: vivencia a mobilidade social na empresa. A quarta identidade é chamada por Sainsaulieu de “retirada” e se caracteriza por uma participação muito fraca no complexo das relações interpessoais e coletivas com os demais membros da organização. ou melhor. Por analogia. ::: o líder é rejeitado. tudo passa pelo chefe que deve ser ao mesmo tempo compreensivo. com interesses mais fortes fora dela. dele se exige atenção e apoio nesta tentativa de movimento. mais informações www. Segundo resultados de pesquisas de Sainsaulieu (1974. Os tipos de identidades aqui apresentados são apenas modelos. mas o comando hierárquico é visto como indispensável.

são as mudanças nas situações exteriores ao trabalho tanto vindas de fora como de dentro da própria organização que podem impor aos membros dela. a cultura está baseada em estratégias coletivas de proteção dos indivíduos que sozinhos não têm poder algum no ambiente de trabalho. como os indivíduos exercitam o poder dentro da empresa. o sujeito encontra mais ou menos oportunidades estratégicas para viver as provas de força impostas pelas mudanças de produção.A. ou seja. profundamente marcado pelas relações de poder que aí se desenrolam. com relação às culturas já existentes ou paralelamente adquiridas. ::: os movimentos individuais dos empregados – impostos por situações diversas e imprevisíveis dentro da empresa. Esses jogos seriam produzidos principalmente em ambientes mais competitivos dentro da empresa e repetidos como estratégias de sobrevivência ou de conquista de espaços dentro das organizações. negociação. Tais relações movediças e perigosas são então abordadas com a cultura transmitida pela família e pelo meio de origem que vai guiar as escolhas. O poder se esgota na preocupação da promoção de seus membros e as relações interpessoais ganham importância. mais informações www.iesde. modificações na parte profissional de seus comportamentos e. Outra forma de aprendizagem bastante marcante e durável dentro da empresa é o que o autor chama de “desenvolvimento de capacidades estratégicas” aprendidas através da prática de jogos desenvolvidos no cotidiano das relações de poder no trabalho. porque as coerções hierárquicas ou de grupos encontram sempre resistência suficiente para impor o debate. (SAINSAULIEU. é preciso ver bem que estas últimas são profundamente constituídas de relações interpessoais. para uma grandíssima maioria de atores sociais. Quando há mobilidade organizacional a cultura das afinidades é a mais comum. O sistema de representações no ambiente de trabalho está.com. antes de tudo uma questão de saber profissional. Em termos de acesso a bastante poder formal ou informal para viver estas provas de força. é preciso reconhecer que o lugar em organização confere não somente os meios desiguais. Quando há poder baseado no saber profissional ou na posição hierárquica ocupada e as relações de trabalho são longas e densas. p. de direito à aplicação das regras e das redes de influência. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br . mas também com os chefes e a identificação entre o grupo acontece mais pela oposição aos outros do que por imitação. que podem até chegar a sair dos limites do organograma. ::: as mudanças tecnológicas ou de pessoal – impostas pela administração ou por necessidades de adaptação a momentos de crise. Neste contexto. as afinidades. na cultura. Nestas. 2006. é importante o debate com os colegas em grupo. portanto. as solidariedades e as submissões. Quando há pouco ou nenhum poder acessível na relação de trabalho ocorre a fusão de identidades (reforço do grupo pela valorização dos pontos de convergência).124 | Aprendizagem organizacional ::: os desafios presentes nas situações do cotidiano da empresa – nas relações cotidianas de trabalho que podem produzir crescimento ou não.. 210) Os quatro tipos de identidades analisadas (fusão. as relações são diferenciadas entre seus membros. portanto. sob a condição de admitir a ideia de que o poder em nossa sociedade é. mas também de serviços. onde se pesam e se jogam os imperativos econômicos e técnicos da produção de bens. de controle sobre as comunicações. mas também variáveis. Ou seja. As relações ditas humanas são apenas o supérfluo que viria a amenizar as relações de trabalho. coletivas e hierárquicas. afinidade e retirada) podem ser entendidos como quatro modalidades de experiência de poder pelo trabalho. A cultura da negociação aparece nas situações de trabalho ricas em poder pelo ofício ou pela hierarquia.

sindicais e de categorias profissionais. de “revolucionária” quando inverte a situação de poder pela aliança de dois fracos contra um forte. também as relações de poder.. as que se estabelecem durante um movimento prolongado de greve de uma categoria). quando há uma transformação parcial e momentânea da ordem através de zonas de resistências à mudança. p. por exemplo. negociações coletivas. pois os trabalhadores vivenciam outras formas. outros valores e outras normas e experienciam assim diferentes posições de poder. ou se descobrem outros modos de respostas face aos parceiros e às estratégias novas e se modifica progressivamente o estoque de normas e de valores já representados. Pode também ser formada através do que ele chama de “curtos-circuitos”. as identidades coletivas. Porém. conduz os indivíduos à possibilidade de rearranjos nos acordos vigentes e esses novos arranjos são também novas fontes de aprendizagem ligadas às diferentes situações de trabalho. O autor chama esses jogos com três atores de tríades. e “ilegítima” quando há uma modificação parcial da ordem existente por zonas de resistência. Assim.com. não são tão fortes e duráveis como as resultantes de grupos profissionais integrados em verdadeiras comunidades e que realizam trocas e mantêm relações mais íntimas (como por exemplo. chefe – adjuntos – subordinados. 212) A própria dinâmica das relações de poder dentro da empresa (que o autor aqui classifica como jogos de poder). chefe – militares – base etc. 2006. mais informações www. o sujeito deve compensar a perda de seus grupos de identificação anteriores pela adesão às relações interpessoais novas e a dependência e a identificação com os outros se dão na imitação dos superiores. (SAINSAULIEU. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Até mesmo as lutas sociais. Assim.A. assim produzidas pela experiência das relações organizadas pela empresa. pois atingem as relações entre os membros de uma organização diretamente. Concluindo: A situação de trabalho é assim uma dupla oportunidade de aprendizagem: ou se verifica que o sistema de representações culturais anteriormente adquiridas é sempre suficiente para esclarecer e viver outro encontro de riscos e confrontações.Aprendizagem organizacional | 125 Quando situações de mobilidade profissional impulsionam crescimentos acelerados.br . a análise cultural dos grupos e comunidades de trabalho comprovou a força das formas de associação coletiva no sentido de transformação de sujeitos trabalhadores em sujeitos capazes de ação e de transformação. através de alianças de dois contra um chamada por ele de “conservadora” quando se conserva a relação anterior.) funcionam. comitês de militantes e de representantes das categorias de trabalho são situações de aprendizagem. reformas técnicas ou de serviços e melhoras nas condições de trabalho também são fontes de aprendizagem cultural. p. Isso porque a organização disponibiliza assim “oportunidades de constituir coalizões ofensivas ou defensivas. 2006. Nestas duas hipóteses a cultura não é objeto de aprendizagem senão em uma compreensão racional do sujeito individual que reage às coerções materiais de toda situação por um jogo complexo no campo do social. ações. de desenvolver jogos mais ou menos complexos e mutáveis” (SAINSAULIEU. 212). riscos diferentes que imponham novas formas de atuação que se convertam em situações de aprendizagem e modificações culturais. A empresa é também produtora de identidades nas relações humanas de trabalho. Essas tríades (termo utilizado pelo autor para se referir às alianças entre.iesde. por exemplo. Novas tecnologias. isto é. os jogos e negociações podem construir situações novas. e admite que são bastante comuns nas empresas.

porque traduz a realidade humana fundamental dos diferentes pertencimentos dos indivíduos aos mais variados contextos sociais. Muitas questões ainda estão postas e as análises culturais realizadas nas empresas podem fornecer esclarecimentos ainda muito pertinentes sobre os atores destas organizações produtivas contemporâneas. Expressão que resta aos que não podem controlar. nem sabem fazer. o aumento da concorrência. com as transnacionais globais. ::: o ator de si – é aquele cujas energias pessoais estão empenhadas em construir uma integração social e o reconhecimento pessoal. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. a saber as ameaças de desemprego.126 | Aprendizagem organizacional Sainsaulieu ressalta ainda que além de produzir identidades. aqueles que sabem negociar. acabam modificando enormemente o contexto das aprendizagens que podem se realizar no ambiente de trabalho. dos jovens e dos operários rurais. Ele nos apresenta então quatro tipos de atores sociais: ::: o ator de massa – corresponde às identidades com características dos grupos de fusão.com. onde há mobilidade e promoção técnica e hierárquica dentro da empresa. nem oportunidades de iniciativa. Esse ator é característico da cultura das afinidades. nem tem liberdade de manobra. mas o aumento das pressões externas. Hoje buscam-se soluções de gestão que comportem a convivência de empresas nacionais (principalmente pequenas e médias). Sabemos que na esfera cultural a aprendizagem acontece de forma bastante lenta. tecnológicas. o avanço da substituição do trabalho humano pelo uso da tecnologia provocando a diminuição da carga horária do trabalhador. e outras inovações sociais. Podemos observar desde o início dos anos 1980 um processo de aceleração das mudanças econômicas. ::: o ator externo – ocupa uma posição muito importante na vida das organizações. sustentado pelas ações de reivindicação coletiva sob direção sindical. A forma de organização da economia capitalista ocidental difundiu-se através da expansão de grandes corporações transnacionais e impulsionou uma crise prolongada principalmente entre as pequenas e médias empresas mundo afora. as relações organizadas de trabalho produzem diferentes tipos de atores sociais resultantes dessas aprendizagens culturais no trabalho.br . por muitos conhecido como globalização ou mundialização. dos imigrados. políticas e culturais. Esta situação desestruturou muitas maneiras de gerir as empresas que estavam baseadas no crescimento econômico e na oferta de emprego. ::: o ator estrategista – refere-se ao universo dos poderes profissionais operários ou dos grupos reconhecidos em suas organizações que participam das possibilidades de negociação..iesde.A. Característico das mulheres.

1991). Este investigador define este termo como organizações que são capacitadas a criar. 3).. sociologia e teoria organizacional. (4) aprendizagem em equipe e (5) pensamento sistêmico. premissas com um corpo teórico e técnico que. gestão da produção.. a adquirir e a transferir 1 Adaptado livremente.) A literatura revela a falta de um corpo teórico convergente sobre as organizações que aprendem. Uma organização que aprende é uma organização que facilita a aprendizagem de todos os seus membros e ao mesmo tempo transforma-os (PEDLER et al.iesde.” De fato. e antropologia cultural. Para Senge (1996. O conceito de organizações que aprendem também foi apresentado por Garvin (1993). p. estratégia.A. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. por Márcia Londero. Esta interdisciplinaridade gera uma área que contém contribuições tanto complementares quanto competitivas (EASTERBY-SMITH. fundamentando-se em cinco disciplinas. Contudo.com. para fins acadêmicos. (2) modelos mentais. 2002).. BONTIS et al. o conceito de organização que aprende foi introduzido por Senge. 1997. no início da década de 1990.Aprendizagem organizacional | 127 Texto complementar Um estudo de caso sobre as organizações que aprendem Organização que aprende (FRANCO. Este resultado surge possivelmente do caráter multidisciplinar nesta área do conhecimento.br . mais informações www. 2007 Adaptado1. (3) visão compartilhada. organizações que aprendem são “organizações nas quais as pessoas expandem continuamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam. para o desenvolvimento deste tópico: psicologia e desenvolvimento organizacional. onde se estimulam padrões de pensamento novos e abrangentes. ciência da administração. quando colocadas em prática. FERREIRA. podem transformar uma organização qualquer numa ”organização que aprende”: (1) domínio pessoal. consistentemente. A essência das organizações que aprendem é a habilidade da organização em utilizar a capacidade mental de todos os seus membros para criar processos que melhorem este processo de aprendizagem. onde a aspiração coletiva ganha liberdade e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas. pelo menos seis disciplinas têm contribuído.

. A aprendizagem individual depende da percepção.com. a modificar os seus comportamentos de modo a refletir sobre os novos conhecimentos. destaca-o como um potencial. A aprendizagem é organizacional na medida em que: (1) é realizada para alcançar propósitos organizacionais. da atribuição de tarefas de acordo com as capacidades demonstradas. da gestão e circulação do conhecimento disponível e do incentivo e apoio prestados pela organização. 58) compreendem que “as empresas possuem conhecimento organizacional. como referem Probst et al. Por outro lado. e (3) os resultados da aprendizagem são incorporados em sistemas. Após uma análise a essa questão. sublinhar que a aprendizagem organizacional é um fenômeno coletivo. mas esta aprendizagem pode ou não contribuir para a aprendizagem organizacional. só pode acontecer. esta será sempre mediatizada pela aprendizagem dos membros da organização (nível de grupo). a aprendizagem de grupo caracteriza-se por uma racionalidade e um quadro de referência coletivo. (1998. uma vez que uma organização só pode aprender por intermédio dos indivíduos que a compreendem. Popper e Lipshitz (2000) sugerem que.128 | Aprendizagem organizacional novos conhecimentos e. independentemente da definição de aprendizagem organizacional utilizada. 2000) compreendem as organizações que aprendem como a aprendizagem individual que ocorre no contexto organizacional. POPPER. Assim. Alguns autores (CROSSAN et al. dado que a organização só pode aprender através dos seus membros. No entanto. p. LIPSHITZ.. a criação e manutenção de construções sociais comuns à realidade da organização. então. Pode-se. da experiência e das necessidades e motivações de cada um. esta definição. o seu sucesso ou insucesso dependem do grau de liberdade que lhes é permitido. Caracteriza-se por uma racionalidade e por uma especificidade individuais e resulta em mudanças cognitivas e/ou comportamento individual. do ambiente de aprendizagem. Depende. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. uma vez que é o indivíduo que possui a capacidade de agir nesse contexto. (2) é compartilhada ou distribuída entre os membros da organização (grupos). 1999. Mas. ainda. p.br . estrutura e cultura organizacionais. comunicando-as e discutindo-as com os outros membros. 875) realizaram uma síntese da relação entre a aprendizagem individual e a aprendizagem organizacional: os indivíduos aprendem em organizações. visando essas tarefas criar valor às partes interessadas na organização”.iesde. apesar de atribuir ao coletivo humano o papel central na construção e aplicação do conhecimento. se os membros aceitarem modificar as suas representações e hipóteses individuais. Garvin et al.A. Snyder e Cummings (1998. Estes investigadores consideram os grupos como elos fundamentais entre a aprendizagem individual e a aprendizagem organizacional. (1998). mais informações www. da inteligência. ainda. e este é a capacidade de poder executar tarefas em conjunto que as pessoas não conseguem alcançar de forma isolada.

mais informações www.. Quais os tipos de atores sociais que resultam dessas aprendizagens culturais no ambiente de trabalho? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Segundo Sainsaulieu. Qual a importância do estudo das formas de socialização dentro das organizações para a teoria da aprendizagem organizacional? 2. quais os fatores que facilitam a aprendizagem nas empresas? 3.br .A.com.iesde.Aprendizagem organizacional | 129 Atividades 1.

dos imigrados. ::: As transformações de tecnologia ou de pessoal impostas pela administração ou por necessidades de adaptação a momentos de crise. ::: O ator de massa – corresponde às identidades de caráter fusional.br . com exigências cognitivas e afetivas e. ::: O enfrentamento de circunstâncias que impliquem um movimento do empregado no contexto da empresa. É um tipo de ação sustentada pelas ações de reivindicação coletiva sob direção sindical. pois traduz a realidade humana fundamental das pertenças múltiplas em várias cenas sociais. da definição de identidades e de representações do mundo. nem oportunidades de iniciativa. 2. dos jovens e dos operários rurais. nem saber fazer. que podem produzir crescimento ou regressões com relação às culturas já existentes na empresa. a das afinidades. ::: O ator externo – ocupa uma posição muito importante na vida das organizações. onde há mobilidade e promoção técnica e hierárquica. é também identificada como uma fonte de aprendizagem.A.. ::: O ator de si – é aquele cujas energias pessoais estão centradas na conquista de uma integração social e de um reconhecimento pessoal. ::: O ator estrategista – refere-se ao universo dos poderes profissionais operários ou dos grupos reconhecidos em suas organizações que participam da cultura e da negociação. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Expressão que resta aos que não podem controlar. Ela organiza as relações entre os indivíduos de forma intensa. Característico das mulheres. A empresa é um lugar central de socialização. portanto. nem têm liberdade de manobra. Aparece em uma cultura muito diferente. mais informações www. ::: As relações cotidianas de trabalho. Os estudos das diferentes formas de socialização dentro da empresa demonstram a construção de relações sociais profundas e duráveis nas quais se dá o aprendizado organizacional.130 | Aprendizagem organizacional Gabarito 1.com. 3.iesde.

Inovação tecnológica
e organizacional
As transformações impulsionadas pela
implementação de novas tecnologias na empresa
Um dos fatores mais importantes que impulsionam o desenvolvimento das empresas desde o final dos anos 1980, e permanece até hoje, é o surgimento de uma nova gama de inovações tecnológicas
que transformam profundamente o funcionamento das empresas e sua cultura. Um período de aprofundamento de mudanças tecnológicas, perpetrado principalmente pelo aparecimento de tecnologias
informacionais e telemáticas, da produção assessorada por computadores e robótica, enfim das chamadas “novas tecnologias”, que modificam profundamente as profissões e as relações sociais nas empresas.
A assimilação acelerada destas tecnologias é mais do que nunca decisiva para o sucesso das empresas, pois em um curto espaço de tempo muitos destes avanços tecnológicos tornaram-se fundamentais em nossas vidas. O desenvolvimento da pesquisa nas áreas da informática, da eletrônica e da
telecomunicação e a aceleração da concorrência econômica internacional obrigam assim as empresas a
mudar as suas táticas de produção. Trata-se de um novo período de articulação entre tecnologia, organização e dinâmica social da produção.
Podemos considerar esta fase como uma nova revolução industrial, agora na área da eletrônica e
da informática, que é acompanhada pelo nascimento de uma nova categoria de trabalhadores: agentes
técnicos encarregados particularmente da reconversão da eletromecânica, ou da gestão informatizada
da informação. Todas estas transformações que atingem as empresas refletem também no capital humano das organizações, que é posto à prova com estas mudanças econômicas globais complexas. Para
Charles Perrow (1972) é importante definir a diferença entre técnica e tecnologia ressaltando a importância do fator humano na aplicação das mesmas nas empresas. O autor então ressalta que:
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Inovação tecnológica e organizacional

As organizações destinam-se à realização de algum tipo de trabalho para o que necessitam de técnicas e tecnologia.
Essas técnicas aplicam-se a uma certa espécie de “matéria-prima”, que a organização transforma em produto negociável. E o produto tanto pode ser delinquentes reabilitados, como programas de TV; símbolos de propaganda ou decisões
governamentais, ou até o aço. Porém, a tecnologia é necessária não só para o processo de produção em si, mas também
para a aquisição de material, capital e mão de obra, para a distribuição da produção entre outras organizações ou consumidores, e para a coordenação das três “funções” ou “etapas” de compra-transformação-venda.
E como é que se estabelece o conceito de tecnologia, de modo a poder analisá-la desta forma, isto é, como um meio de
transformar matéria-prima (humana, simbólica ou material) em mercadorias ou serviços vendáveis? Neste enfoque da
tecnologia, as máquinas e equipamentos são apenas instrumentos e não a tecnologia em si. Na verdade, o elemento
do setor de pessoal usa uma tecnologia que pouco tem a ver com ferramentas ou instrumentos. Tampouco podemos
utilizar as técnicas como aparecem nos manuais de produção, pois são muito específicas para a organização em pauta.
Ao invés disso consideramos o indivíduo designado para executar determinado trabalho.
Este indivíduo recebe estímulos (ordens, sinais) aos quais deve reagir. Mesmo a posição de ignorar os estímulos, ou
mesmo de não “vê-los” é uma reação, é uma resposta. (PERROW, 1972, p. 101-102)

A influência da tecnologia para uma boa organização
Inúmeras pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na Inglaterra (WOODWARD; PERROW apud
SAINSAULIEU, 2006), preocuparam-se em demonstrar que as empresas eram também passíveis de ser
delimitadas como objeto da Sociologia e que um fator determinante sobre a estrutura das empresas
vem da tecnologia e de suas variações. Partindo de questões bem pragmáticas, como por exemplo: há
uma associação entre a aplicação de regras gerais de estruturas das empresas – distribuição hierárquica
de poder, especialização das funções, formalismo na gestão de pessoal e controle das informações – e o
sucesso econômico? Joan Woodward, em suas pesquisas, não conseguiu observar uma relação positiva
direta entre estas duas variáveis. Ou seja, a mera aplicação de um conjunto de regras gerais de organização na empresa não garante o sucesso da mesma.
Porém, depois de agrupados os dados por tipos de empresas, de acordo com a modalidade de
produção, surgiram outras ligações interessantes que fizeram aparecer alguns elos entre organização e
tecnologia. Os sistemas de produção formam três tipos:
:::

:::

:::

produção unitária ou pequenas séries:
:::

unidades simples segundo exigências do cliente;

:::

protótipos;

:::

equipamentos;

:::

pequenas séries em função das demandas do cliente.

produção em grande série e produção em massa:
:::

grande série;

:::

grande série em cadeia;

:::

massa.

produção em contínuo:
:::

contínuo: produtos químicos;

:::

contínuo: produtos líquidos, gás. (SAINSAULIEU, 2006, p. 350)
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Inovação tecnológica e organizacional

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O primeiro grupo de produção unitária corresponde aos itens feitos sob encomenda. O segundo é o da produção em grande escala, como no caso das confecções, equipamentos industriais e automóveis produzidos em grande série. E o último é o de produção processual (há uma continuidade na
produção), como por exemplo, a produção de petróleo, produtos químicos e farmacêuticos. Depois de
examinar os tipos de conflitos e problemas destes três grupos, Woodward concluiu que, na medida em
que cresce a complexidade na fabricação, cresce também a necessidade de prever e aperfeiçoar os controles da produção.
Para Charles Perrow, ao abordar a relação entre tecnologia e organização devem-se levar em conta os seguintes aspectos:
::: o grau de variabilidade na rotina das empresas que dependem do tipo de trabalho que executam levando-se em conta as exceções;
::: se é possível analisar o comportamento das organizações através de pesquisa científica, para
tratar as exceções de maneira lógica e sistemática, ou vaga, intuitiva.
Perrow, considerando a organização como um todo, põe em destaque as exceções e todo o esforço que o domínio de tais variações acarreta ao nível de toda a estrutura da organização. Para ele, as empresas se distinguem em sua própria estrutura de acordo com o tipo de trabalho que executam.
Percebe-se assim que a tecnologia pode intervir muitas vezes como um problema central da empresa, mas não há uma única forma dessa intervenção acontecer. Os problemas acarretados pela intervenção de novas tecnologias na empresa podem variar dependendo do tipo de produção, do tamanho,
dos clientes e do tipo de tecnologia empregada estando estas causas, por vezes, relacionadas umas
com as outras.
Portanto, a noção de tecnologia deve ser pensada de maneira mais aprofundada e a medida dos
parâmetros (tecnologia, tamanho, estrutura) só tem sentido ao ser analisada em movimento, quando
estes parâmetros se relacionam.
Com estes resultados, a pesquisa sobre as transformações acarretadas pela introdução de tecnologias nas empresas foi lentamente deslocada de estudos deterministas para uma compreensão mais
aprofundada, onde a variável tecnológica é percebida em sua inserção complexa de influências sobre as
relações sociais de trabalho. Os trabalhos de pesquisa em Sociologia se preocupam então em demonstrar a interação profunda entre sistema técnico e sistema social.

As relações entre tecnologia e estrutura
A análise das organizações, que estão em constante busca de maior eficiência e equilíbrio, permite perceber que, intencionalmente ou não, as mesmas tentam aumentar o entrosamento entre sua tecnologia e sua estrutura.
Pesquisas sociológicas da década de 1960 questionaram a ideologia tecnocrática da época quando, ao relacionar o tamanho de empresas e a tecnologia com diferentes dimensões características de
sua estrutura como as atividades, a concentração da autoridade, a especialização, a formalização, a centralização etc., bem como medidas relativas ao pessoal, concluíram que:
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Ou seja. em tamanho constante. mas não conduzem necessariamente a transformações na estrutura e no sistema hierárquico das relações sociais dentro da empresa. a videoconferência (estas últimas permitindo ligar atividades descentralizadas em sedes distantes da mesma empresa). é muito menos evidente. quando esta ainda era uma “caixa preta” para a maioria dos trabalhadores e inclusive para gestores.A. O diagnóstico sociológico resultante de uma corrente de pesquisa muito importante nos anos 1960 sobre o que então se chamava de mudança técnica. ou. mais informações www. os resultados destes estudos contribuíram no sentido de pensar a noção de tecnologia a partir de suas relações com outros parâmetros – tecnologia. Os membros das organizações podem sentir-se ameaçados e por isso oferecer resistência em suas zonas de atuação. rejeitando-as ou adaptando-as em função das circunstâncias particulares de cada contexto sociotécnico. evidenciou-se o caráter sociopolítico das mudanças organizacionais ligadas a ela. Estas constatações de mudanças ligadas à implementação de novas tecnologias foram retomadas a partir dos anos 1980 com a chegada das chamadas “novas tecnologias” (informacionais. (SAINSAULIEU. a relação tecnologia/estrutura. Constata-se uma movimentação quase certa de toda a regulação social e cultural da empresa.br . a audioconferência. ao contrário. a programação. 353) Todo o conjunto da empresa reage às novas tecnologias pondo-as em ação. o que confirma uma ligação entre tecnologia e estrutura. de rede e telemáticas).134 | Inovação tecnológica e organizacional ::: quanto mais a tecnologia está integrada. entre outras. questionou de novo a ideologia tecnocrática da época. pois estes só têm sentido no contexto de suas relações.. isso porque todas as decisões dos dirigentes da empresa deveriam passar pelo processo de informatização. Neste caso. o telecopiador (fax). tamanho da organização e estrutura. dos chefes etc. Resumindo.com. podem crescer segundo processo de aprendizagem cultural do trabalho. Sainsaulieu pergunta-se então se haveria uma correlação direta entre as transformações tecnológicas na empresa e melhorias na organização e na produtividade de seus membros. mais as atividades são formalizadas. As transformações são inúmeras e de alcance considerável: o tratamento de texto por memória. Estudos psicossociais dos comportamentos de trabalhadores que passam por estas transformações mostram que os representantes do trabalho.. a especialização elevada e os procedimentos padronizados. Uma verdadeira revolução na forma de lidar com informações e na comunicação dentro da empresa revela um impressionante desenvolvimento de técnicas de tratamento e de transmissão destas informações que influenciam grandemente a estrutura produtiva das empresas. no entanto. as mudanças tecnológicas produzem simultaneamente efeitos organizacionais e comportamentais. nunca foi possível tirar a prova de uma equação como esta: Economia + Tecnologia = organização melhor Em compensação. dos ofícios. Com base nestas análises. que em relação ao impacto de chegada da informática nas empresas foi diferente. De fato. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. dos colegas. a realização de cálculos. ::: o efeito do tamanho da organização tem papel mais importante sobre os indicadores de estrutura de organização. Observa-se. 2006.iesde. havia a possibilidade de deslocamento do centro de poder da empresa que poderia empoderar os técnicos e profissionais especialistas nas áreas de informática. favorecer uma descentralização do poder. p. Por um lado.

forçando a várias mudanças sócio-organizacionais. ::: ao nível social – os trabalhos na área de informática atingem mais da metade da população ativa em um país desenvolvido.br . A previsão das mudanças nas organizações A possibilidade de prever as mudanças ocasionadas pela implementação de novas tecnologias facilita a elaboração de um diagnóstico de prevenção organizacional com relação à organização social do trabalho. A programação. permitindo planejar mais o trabalho antecipadamente. o trabalho cotidiano incorpora mais dados informativos e. também se é mais dependente dos outros e da máquina como um todo. agora.Inovação tecnológica e organizacional | 135 Segundo Norbert Alter (1985 apud SAINSAULIEU. c) e também aumenta a autoavaliação e a possibilidade de corrigir-se nas tarefas de execução. na polivalência do trabalhador que percorre diversos postos dentro da empresa e na estrutura hierárquica menos verticalizada. três tipos de resultados: a) diminui as oportunidades de decidir e de executar um poder suprimindo tarefas de controle. ::: ao nível econômico – com a queda do custo médio dos componentes tornando-os acessíveis ao consumidor comum.. Como consequência ocorre o aumento do valor do trabalho intelectual e da capacidade das organizações de utilização dessas técnicas em relação ao custo de sua produção. aparelhos antes reservados apenas às administrações dos Estados nacionais ou a grandes empresas. Caracterizado pela concentração das decisões no esquema hierárquico da empresa a introdução da telemática e da informática nas rotinas das empresas pode trazer. p. Hoje é mais difícil saber utilizar a tecnologia do que conseguir comprá-la. a qualificação. estas mudanças de tecnologia em curso no trabalho de escritório atingem todas as dimensões de uma empresa: a organização. de escolha de informações. a saber: ::: a clássica separação entre a concepção do trabalho e a realização do mesmo perde importância. o emprego. portanto. imagens e voz. mais informações www. b) mas aumenta a capacidade de autocontrole de seu próprio trabalho pelo acesso rápido às informações desejadas. mais processos cognitivos e mentais. segundo Sainsaulieu. as condições de trabalho e a administração com consequências também na elevação das qualificações profissionais. ::: atinge a esfera decisória e executiva da empresa. Muitas antecipações de mudanças podem ser previstas por efeitos nas estruturas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde. até então. As tarefas repetitivas e simplificadas são realizadas pelas máquinas ou diminuídas no tempo de trabalho em empresa. 2006. a prática de aplicação destas técnicas introduz modificações profundas na forma como vinha sendo feito o trabalho administrativo. se aproxima da execução. de interconexão de matérias e articulação entre textos. ao ser mais autônomo em seu trabalho. 355).A.com. enfim. dados. de intervenções na transmissão das informações. Essas modificações se dão principalmente em três níveis: ::: ao nível técnico – modificado pela incrível capacidade de tratamento e transmissão de informação. Portanto. no crescimento da interdependência das funções.

iesde. mais informações www. e a capacidade de aprendizagem ou de orientação permanente estão assim no cerne da definição das novas tarefas provenientes dessas novas tecnologias. 2006. Sainsaulieu aponta para um possível surgimento de novos atores sociais que talvez tornem estas transformações mais duráveis em termos de relações sociais nas organizações. Mas há outras possibilidades. a formação continuada deve estar agregada ao trabalho. trabalhos realizados por robôs inteiramente integrados ao processo produtivo. exigência de um trabalho mais abstrato e mais racional.] com as novas tecnologias. Isso porque. então. assim. Sainsaulieu ressalta que. a organização do trabalho é. neles embutidos. Mas nada está decidido.. A estrutura hierárquica piramidal. de aprender e de novamente questionar suas técnicas. um interesse pelo novo e a percepção positiva da amplitude desses fenômenos de mudança. suas hierarquias e suas rotinas fazendo reagir os atores sociais envolvidos. por enquanto limita-se a mexer em suas estruturas. vemos organizações que controlam ainda mais seus trabalhadores com tarefas mais coercitivas e. A quantidade de formas de transmissão de informação escrita e oral aumenta a transversalidade das relações de trabalho sobre distâncias às vezes consideráveis. questão de homens e sua compreensão das mudanças em curso e de suas capacidades de intervir sobre o seu próprio sistema social. Uma formação constante e integrada ao ato de produção. no entanto. além de reorganizar sistematicamente seus esquemas culturais e suas concepções do trabalho. 358) Novas tecnologias. hoje. partindo-se de uma formação que qualifique e propicie a participação em equipes de trabalho. Portanto. se percebe é que a automatização abre muitas possibilidades. mais arriscada. mais presente nas empresas. Porém. Desenvolvem-se também nesta conjuntura. bruscamente situada na encruzilhada dos caminhos entre a volta a estruturas bem conhecidas.. mas estas não são fixas e englobam posições extremas.com. que contribui para uma concepção experimental. após um movimento de adaptação e a invenção real de um novo tipo de organização. da organização das empresas. novos horizontes O movimento de assimilação de novas tecnologias nas organizações que sacode as certezas e as rotinas das empresas não nos trouxe ainda uma nova empresa. Existem também operários mais autônomos que definem sua própria produção. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. estas não constituem uma nova forma de empresa. apesar de todas estas mudanças advindas da introdução das novas tecnologias.A. ::: está relacionada com a formação escolar versus formação contínua. Assim Sainsaulieu conclui que: [.. ao contrário. A diferença é.136 | Inovação tecnológica e organizacional ::: atinge também a hierarquia da empresa. uma cultura de inovação. dada a amplidão das instalações e do material empenhado. Evoluções podem fixar as coisas muito rapidamente e por longo tempo. é substituída por uma teia de relações reguladas por uma espécie de “matriz informacional” que exige mais trabalho em equipe e troca entre produtores e funcionários. seu papel e o dos outros e as relações de poder. as transformações das novas tecnologias podem marcar também o surgimento de uma nova classe industrial empreendedora no contexto do futuro do trabalho. Todas estas mudanças exigem aprendizagens muito numerosas e frequentes que envolvem grandes esforços teóricos e práticos para se chegar novamente ao andamento produtivo da empresa. (SAINSAULIEU. pronta e estruturada. O que. E aconselha que uma organização do futuro deva ser inventada. ou seja. os seus próprios programas e que vão eles mesmos formar-se com os construtores de novas possibilidades. p. É necessário ter capacidade de evoluir.br .

. p. agora também programadores. pois correm o risco de criar de novo uma elite de técnicos como foi o caso das primeiras gerações de computadores. e os que aproveitando oportunidades assim abertas. Sainsaulieu alerta que em seu país esta questão permanece em aberto.com. foi o de ter aberto espaço para inovações.A. mas sim a atuação de indivíduos especializados. querem conquistar uma posição social nova.br . passando a trabalhar nesta área e atuar também nos consertos. Isso porque ela produz clivagens de poder em setores técnicos dividindo-os naqueles que dominam e os que não dominam o uso da tecnologia. No entanto. segundo a frequência imposta pelo surgimento constante de atualizações no mercado. as novas tecnologias também possibilitam o surgimento de um novo tipo de trabalhador. as novas tecnologias ameaçam de fato as estruturas sociais da empresa. mais informações www. Para Sainsaulieu (2006. Por outro lado. O autor não visualiza o surgimento coletivo de novos atores. onde os operários qualificados receberam uma formação específica para programadores dentro da empresa. Na Grã-Bretanha.] um jogo a três corre o risco de aparecer um pouco por toda a parte entre gestionários do existente que buscam preservar suas posições resistindo à inovação e uma dupla qualidade de atores da inovação: aqueles que já no trabalho. com uma cultura geral maior e especializada. novos “atores organizacionais ou profissionais”. a reação do operário frente ao surgimento de novas tarefas ligadas a aquisições de novas tecnologias gera bastante instabilidade nos grupos de trabalhadores. 361): [. sem segurança. fragmentado por diferenças de saberes associado a poderes. isso se deve ao fato da existência de pressões econômicas muito grandes provindas dessa mesma conjuntura.. com menos possibilidades no mercado de trabalho. Hoje temos visto os profissionais mais qualificados com mais segurança e flexibilidade. Novas perspectivas para a inovação nas organizações O resultado mais significativo deste período de surgimento e implementação das novas tecnologias. há um dado novo nesta realidade mutante. Percebemos que se a prática de uma experiência de empresa mais democrática e participativa é ainda pouco provável. não se pode esperar que os programas de modernização e aperfeiçoamento implementados pelas empresas formem de maneira determinista estes novos atores de que nos fala Sainsaulieu. Conhecedor mais aprofundado da realidade francesa. Assim. o que gera um poder diferencial.. Assim.iesde. As novas tecnologias implementadas nas rotinas das empresas tanto podem incentivar a profissionalização e a formação de seus trabalhadores como podem desestimular a outros. responsáveis por utilizar e espalhar as inovações em um ambiente ainda de poucos e. ao contrário. O autor aponta as soluções adotadas na Alemanha. que a partir da década de 1980 revolucionaram a rotina das empresas. os novos técnicos.Inovação tecnológica e organizacional | 137 Sainsaulieu nos fala dessa possibilidade com exemplos de como ocorreu em países da Europa Central. confiscá-lo. Mas isso não ocorre de maneira direta. as empresas agora se aventuram em zonas ainda pouco conheEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. presa fácil do desemprego e por isso passivos e desprovidos de qualquer poder de barganha. formando uma nova classe dentro da estrutura da empresa. Abordadas de uma perspectiva menos cristalizada em modelos convencionais e consagrados de organização do trabalho. Já na França a contratação de novos trabalhadores especialistas nas novas tecnologias foi a solução adotada para acompanhar as moderinzações do setor. permanecem na situação de operário. há os sem qualificação. portanto. na manutenção e até na escolha de novas máquinas adquiridas. querem apropriar-se do posto.

Políticas de modernização das organizações devem preocupar-se em aproveitar estas oportunidades e efetivamente crescer levando em consideração todas as esferas que estruturam as empresas. das mudanças organizacionais que provoca quando é instituída dentro da empresa. A técnica é importante em função da movimentação que se faz necessária para recebê-la. sugeriu-se que os prisioneiros de instituições penais fossem submetidos a essa operação.. São movimentos de adaptação e transformação de antigos modos de produzir que devem ser revistos para que funcionem as novas tecnologias. mas após algumas reclamaEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. na humana e na administrativa. A possibilidade do surgimento de atores sociais mais abertos e participativos é uma grande novidade dessa cultura de inovação. p. inclusive com maior participação de seus membros. O desenvolvimento social não pode ser pensado sem uma concepção organizacional da inovação. A inovação passa a fazer parte da cultura da empresa e implementá-la é objetivo dela.iesde. a formação continuada e a relativização da relação piramidal da estrutura de poder são componentes essenciais. impulsionadas pela necessidade de absorver as novidades tecnológicas que permanecem em ascendência. Esta mudança passa pela transformação do “trabalhador-ferramenta” para o “trabalhador-ator” e passa por novas concepções nas relações sociais de trabalho onde a criatividade.. 1972) As normas e valores culturais de uma sociedade impõem restrições ao que de melhor se pode fazer com a “matéria-prima” das organizações. o desenvolvimento social das empresas. inventando outras estruturas e outras relações de trabalho. com segurança. mais informações www. “uma cultura da inovação pode ser vista como a consequência e chance deste período” (SAINSAULIEU. Quando pela primeira vez. Para tanto a cultura da inovação deve aparecer nas três esferas fundamentais de uma organização: na esfera técnica. e provavelmente a prática continua. 361).138 | Inovação tecnológica e organizacional cidas. Como nos diz Sainsaulieu. impostas à tecnologia (PERROW. 2006. Em geral. Sainsaulieu (2006.. 362) acredita que todas estas transformações pelas quais passam as empresas. fez-se possível realizar lobotomias. Texto complementar Restrições de natureza cultural.A. [. tais limitações referem-se ao trato com as pessoas.] O interesse das novas tecnologias é que a ampliação de investimentos feitos em um contexto de crise da concorrência econômica mundial obriga as empresas a sair do isolamento.br . acarretem ou possam acarretar um processo de “desburocratização” que parece possível através da contribuição das novas tecnologias. Na esfera administrativa. Portanto. p.com. de que fala o autor. aparece aqui impulsionado pelo surgimento das novas tecnologias que ampliam as possibilidades de organizar a estrutura interna da empresa de uma forma totalmente nova. Foram feitas muitas lobotomias em doentes mentais.

com. Trabalhavam rapidamente. e um outro. com capacidade de produção de 20 milhões de cápsulas diárias. não fosse difícil demonstrar que os pombos adoravam o trabalho. O cientista cuja função na firma relacionava-se com a pesquisa de técnicas para análise dos efeitos das drogas sobre animais. do psicólogo B. ambos teriam argumentado que os vendedores das firmas concorrentes poderiam perguntar aos médicos: “quem vai confiar em remédio examinado por pombos?”. E assim chegou-se à conclusão de que a empresa vinha despendendo grandes quantias para examinar as cápsulas à procura de eventuais defeitos que os olhos humanos dificilmente conseguiam detectar. embora. ambos antigos estadistas. Há estados em que se tentaram fazer leis determinando a esterilização de mulheres que tivessem filhos ilegítimos [. Tom Verhave. aparentemente. A cada atuação correta.. o cientista prosseguiu projetando um local para os pombos executarem seu trabalho de inspeção e treinou alguns deles.. o resultado era uma exatidão muito maior do que a atingida por seres humanos. No fim da década de cinquenta. O trabalho era rotineiro e monótono. caso essa estivesse defeituosa. veladamente. Baseando-se na teoria do “condicionamento atuante”. um psicofarmacologista. sendo pois despendida ali grande parcela da folha de pagamento. Não era necessária destreza manual. o projeto foi abandonado por determinação do presidente do conselho diretor e de seu irmão. e nossos exemplos são bastante diferentes e quiçá únicos. mas dão-nos uma visão incomum do papel dos fatores ambientais em uma nação1 que se orgulha de possuir abertura total para com as inovações tecnológicas e de dedicar-se totalmente a atingir sempre mais eficiência. tinha grande capacidade de aprendizado.Inovação tecnológica e organizacional | 139 ções os prisioneiros foram poupados e o número de intervenções em doentes mentais decresceu. com o bico. afinal. Naturalmente houve também a Sociedade Humana a interferir. acuidade visual e visão para cores tão boas quanto as do olho humano. custo inicial baixo (mais ou menos um dólar e cinquenta) e custo de manutenção especial: “comida de galinha”. eram recompensados com milho. o que pode haver mais agudo do que o olho do gavião?” Tal comentário provocou um sorriso apagado. teria respondido: “os pombos foram escolhidos inicialmente. F. era um pombo. mas seria extremamente difícil automatizar a função. O dispositivo. Após discussões e muitas piadas em torno do assunto. Skinner – uma variação importante e um refinamento da teoria de estímulo-resposta – os pássaros eram treinados e ensinados a provocar o aparecimento da cápsula e apertar um botão. Esta primeira etapa deu bons resultados e ficou claro então que o projeto era inteiramente factível. os Estados Unidos. Durante uma visita que fizeram ao local de treinamento e demonstração do trabalho dos pombos. Infelizmente. Em resumo. 1 Charles Perrow se refere aqui a seu país de origem.iesde. que os pombos separavam “manualmente” as cápsulas boas das más.]. mais informações www. porém o dispositivo não funcionou. teve ocasião de observar mais ou menos 70 mulheres ocupadas na inspeção visual das cápsulas de drogas saídas de máquinas enormes e complexas. poderiam ter sido gaviões e. de uma das maiores indústrias farmacêuticas do país. o qual apresentava as seguintes vantagens: durava de 10 a 15 anos. o conselho diretor votou contra o projeto num total de 11 contra 1. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mas exigia grande acuidade visual e capacidade de distinguir cores. Ao que o autor.br . Não obstante.. propôs a um colega a adoção de um dispositivo orgânico para execução do serviço. naturalmente. As restrições culturais impostas à tecnologia industrial são menos conhecidas. Outro problema aventado foi que os concorrentes poderiam sugerir.A. se não houvesse defeito. sem precisar de intervalos para descanso e pondo-se dois pombos a examinar a mesma cápsula.

para montagem. após o treinamento. a percentagem de erro era insignificante.140 | Inovação tecnológica e organizacional Em outro caso. num setor tecnológico tão avançado. por que não usá-los? E foi assim que utilizando pombos. seria difícil e extremamente dispendioso ter locais de inspeção automática para todas as peças. as maneiras antigas de utilizar o trabalho animal não são tão incongruentes como as que as firmas da indústria química e eletrônica pretendem adotar. na inspeção de defeitos mínimos. essa seria simplesmente posta de lado. uma ou duas marteladas resolveriam o problema da peça defeituosa. uma peça defeituosa. Atividades 1. dizer que o mesmo foi “inspecionado por pombos”. mais informações www. para distingui-los dos sistemas de utilização de circuitos impressos e dispositivos automáticos. Além dos eventuais problemas com os defensores dos pombos. o fator que mais influiu na decisão foi a atitude cultural com referência ao trabalho de animais e a incongruência da utilização desse tipo de trabalho. refere-se aos mesmos como feitos à mão. ele construiu um dispositivo para examinar pequenas peças eletrônicas chamadas diódios. há o fato de que uma das aves. a máquina para e os mecânicos têm de vasculhá-la a fim de retirar a peça. uma vez que simples animais poderiam ser treinados para a tarefa. Seria contraproducente. Por que podemos dizer que a assimilação acelerada das novas tecnologias é decisiva para o sucesso das empresas? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. não nos opomos à utilização de bois e cavalos para tração de carros e pessoas.. do problema comum na indústria: o das máquinas de montagens altamente seguras e de grande produtividade. teve uma percentagem de erro de apenas 1%. a um ritmo de mais de mil peças por hora. Quando isto acontece. Provavelmente. na mesma peça. A “Zenith”. um engenheiro queixava-se para um cientista. o número deles e seu custo anulariam todas as vantagens econômicas da automatização. Quando a montagem era manual. de mão de obra. quando quer associar a seus televisores um sentido de alta qualidade. Evidentemente. Mas mesmo assim. o projeto foi barrado pela alta administração. a reação dos sindicatos trabalhistas tinha de ser levada em conta.A.com. ou então. O cientista sugeriu que não se desperdiçassem operários nem máquinas num problema tão simples como o da inspeção visual. Uma vez que são incontáveis os tipos de defeitos que uma peça pode apresentar. talvez. Para exemplificar. e caso se decidisse manter operários para fazer a inspeção. sob o aspecto de confiança no produto.br . ou melhor.iesde. Quando se colocavam dois pombos juntos. as quais funcionam maravilhosamente contanto que não se coloque nelas. Apesar disso. Mais uma vez o sistema funcionou perfeitamente.

mais informações www.Inovação tecnológica e organizacional 2.com..br | 141 . Segundo Charles Perrow.iesde. qual a diferença entre técnica e tecnologia? 3.A. Quais as contribuições das novas tecnologias para o desenvolvimento social das empresas? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

com. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.142 | Inovação tecnológica e organizacional Gabarito 1.iesde. Através das novas tecnologias a inovação passa a fazer parte da cultura da empresa e implementá-la é seu objetivo. 2. 101) 3. Neste enfoque da tecnologia. da eletrônica e da telecomunicação e a aceleração da concorrência econômica internacional obrigam as empresas a mudar as suas táticas de produção.br .” (PERROW.. 1972. mais informações www. O resultado mais significativo desse período de surgimento e implementação das novas tecnologias foi o de ter aberto espaço para inovações. pois em um curto espaço de tempo muitos desses avanços tecnológicos tornaram-se fundamentais em nossas vidas.A. p. simbólica ou material) em mercadorias ou serviços vendáveis. O desenvolvimento da pesquisa nas áreas da informática. Abordadas de uma perspectiva menos cristalizada em modelos convencionais e consagrados de organização do trabalho. as máquinas e equipamentos são apenas instrumentos e não a tecnologia. organização e dinâmica social da produção. Trata-se de um novo período de articulação entre tecnologia. As técnicas “aplicam-se a uma certa espécie de ‘matéria-prima’. as empresas agora se aventuram em zonas ainda pouco conhecidas impulsionadas pela necessidade de absorver as novidades tecnológicas que permanecem em ascendência. que a organização transforma em produto negociável.” Já a tecnologia é considerada por ele “como um meio de transformar matéria-prima (humana.

acontecimentos políticos e econômicos de alcance mundial alimentam a noção de que estamos aproximando o planeta e transformando-o em uma “grande aldeia global”.. A Bolsa de Valores consiste em um grande número de negociantes. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. parecem não estar em nenhum lugar.iesde. Assim. desde que ela lhe sirva.com. os clientes que utilizam os serviços da empresa geralmente não estão preocupados com a localização física da mesma. a busca por rapidez e eficiência no mercado mundial traz consigo novas ideias a respeito da criação de riqueza.] a Bolsa de Valores não é mais. isso porque a comunicação entre as pessoas acontece de forma virtual. muitos dos quais trabalham diante de uma tela de computador. mas suas atividades combinadas estimulam.. em substituição aos bens físicos. mas as informações em forma de sinais eletrônicos podem. assim como os mercados o foram um dia. em escritórios e ambientes diversos. 298): [. Como nos exemplifica Anthony Giddens (2005. facilitam. p. atravessando o mundo de forma imediata e também pela importância da informação.br . Isso significa dizer que as organizações não são simplesmente afetadas por esta conjuntura. O fato de que informações e contatos com as pessoas podem ser feitos através das tecnologias da informação e da comunicação vem revolucionando o nosso modo de vida como um todo e as organizações em particular. Os processos globalizantes que são gerados por essas tecnologias são também a força motriz que está por trás delas. Tóquio e Frankfurt. que molda a nossa existência social. Em qualquer ponto do globo culturas e ideologias se cruzam para satisfazer as necessidades desse mercado mundial e esses parâmetros ampliados com que lidamos hoje tornam muito mais difícil qualquer possibilidade de controle antes existente. A informática e a telemática têm possibilitado a relativização dos conceitos de tempo e espaço como conhecíamos até então.A. A dissolução de fronteiras tornou confusas distinções que antes pareciam mais claras: entender o que é real e o que é virtual não é tão fácil. Pode-se dizer que ela fica em todos os lugares e em nenhum lugar. estabelecendo contato contínuo por todo o mundo com seus semelhantes em Nova York.. As organizações de hoje. mais imediatamente. sustentam e expandem a globalização transformando a estrutura de muitas delas e. mais informações www.A globalização e as organizações Atualmente. um local físico para compra de títulos e ações. Paris. por exemplo. Os locais e os bens físicos podem não ocupar o mesmo espaço. daquelas que devem competir no mercado mundial.

aumentando a desigualdade. a robótica. no entanto. isso porque a globalização possibilita que organizações de qualquer porte.com. alteram constantemente a natureza do trabalho trazendo pessoas para o mercado e excluindo outras. na forma de sinais eletrônicos que se movem à velocidade da luz através das modernas tecnologias de comunicação e informação. existem evidências de que seus princípios estão ainda em evidência. estas não funcionam mais como unidades fechadas. As novas formas de organização Vários autores apontam para o fim das organizações burocráticas. tipo ou localização geográfica participem deste processo. a inteligência artificial. DAVIS. 411-412) Isso sinaliza para um enfraquecimento da atuação dos Estados nacionais em um mundo com fronteiras muito mais permeáveis do que aquelas que conhecemos e que dividia Estados-nações que envolviam espaços geográficos e culturais delimitados e independentes. participando de uma reunião do G-7 em 1994: “com um trilhão de dólares fluindo pelos mercados financeiros diariamente. criando um potencial para uma maior equidade ou. Diferentes tipos de organizações estão se tornando globais. Novas descobertas médicas. há pouco que os governos possam fazer com exceção de parar o movimento por um dia. e é cada vez maior o número de organizações a descobrirem que suas operações funcionam melhor quando estão ligadas a uma rede de relações complexas com outras organizações e empresas. com a fala de um importante membro do governo do Canadá: [. Na revolução da informação. com toda esta estrutura da telemática à disposição das empresas.] como disse um alto funcionário canadense. Mais do que nunca a quantidade de inovações tecnológicas como a informática... por uma hora – ou talvez por apenas dez minutos” (GUMBEL. híbridos e que envolvem um novo conjunto de tarefas fundamentais. como a comunicação com parceiros de negócios. 1994). Possibilidades múltiplas de escolha e processos organizacionais mais complexos.. Isso porque o conhecimento e as finanças podem ser transferidos pelo mundo afora. p. a miniaturização. Para exemplificar essa dificuldade das nações e seus governos Parker nos dá o exemplo da tentativa dos governos em controlar a entrada de dólares em seus países através da atuação de seus Bancos Centrais. ao inverso. 1998a. porém parecem coexistir com novas formas de organização mais complexas.iesde. os pedidos aos fornecedores e os produtos de marketing estão sendo transformados pelo potencial das novas tecnologias. de produtos e de processos produtivos. a eletrônica digital. recursos e dinheiro que atravessam as suas fronteiras. satélites e condutores a laser são exemplos das mais avançadas tecnologias que revolucionam nosso cotidiano. As organizações se encontram assim diante de novos desafios e oportunidades para as quais procedimentos utilizados anteriormente parecem ultrapassados ou irrelevantes. o conhecimento é um recurso organizacional muito importante quando compartilhado.A.144 | A globalização e as organizações No entanto. Hoje é mais difícil saber quais ferramentas e técnicas devem ser utilizadas para gerenciar a empresa global. Os Estados têm conseguido cada vez menos conter ou controlar os fluxos de informações. como delineou Max Weber em sua época. Não existe mais uma linha divisória clara Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. a capacidade de envolver-se em atividades globais não é apenas das grandes corporações.br . O sucesso das empresas hoje depende da assimilação acelerada dessas tecnologias. (PARKER In: Handbook de Estudos Organizacionais. a telemática. Hoje.

processando conhecimentos. p.] empresas de pequeno e médio porte também aumentam sua importância ao investir fora de seus países. Utiliza o modelo da Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Olhando por outro prisma. Manuel Castells afirma que: [. adaptar-se à geometria variável da economia global. As redes são e serão os componentes fundamentais das organizações. As organizações em rede Com a globalização. que para ele representam aquilo que considera fundamental nesse processo. tecnológica e institucional. Ásia e Índia também estão procurando o crescimento global. os limites das empresas são hoje mais abertos e variáveis do que o foram no passado. de Portugal.. contribuem para diversificar e enriquecer as formas gerenciais na esfera global.A globalização e as organizações | 145 entre empresas nacionais ou empresas internacionais de capital externo. que se torna praticamente impossível para as organizações. Espanha. o IDE (Investimento Direto Externo) das empresas de pequeno e médio porte contribuiu com $43 bilhões ou cerca de 7.br . e inovar. ou seja.. E são capazes de formar-se e expandir-se por todas as avenidas e becos da economia global porque contam com o poder da informação propiciado pelo novo paradigma tecnológico. porém cerca de 60% das empresas japonesas do mesmo tamanho participam de alguma forma de investimentos no exterior. 188) Este autor define empresa em rede como: “aquela forma específica de empresa cujo sistema de meios é constituído pela intersecção de segmentos de sistemas autônomos de objetivos” (CASTELLS. O autor exemplifica várias empresas que trabalham através de redes organizacionais de contato. Coreia. a tecnologia da informação e as novas tendências nos padrões ocupacionais. a desintegração da burocracia tradicional. por ser flexível o suficiente para transformar seus meios tão rapidamente quanto mudam os objetivos sob o impacto da rápida transformação cultural. [. China etc.] Essa atuação parece estar de acordo com as características da economia informacional: organizações bem-sucedidas são aquelas capazes de gerar conhecimentos e processar informações com eficiência.] a experiência histórica recente já oferece algumas das respostas sobre as novas formas organizacionais da economia informacional. já que a inovação torna-se a principal arma competitiva. Japão. Empresas familiares das Américas do Sul e Central.5% do total de investimentos diretos das nações desenvolvidas europeias. sejam elas grandes corporações ou pequenas empresas.. (CASTELLS. Como ressalta Parker (1998. cerca de 28% das PMEs [Empresas de Pequeno e Médio Porte] americanas têm algum investimento direto externo.] porque a empresa em rede é a forma organizacional da economia informacional/global? [. 1999. Exemplos dos países desenvolvidos mostram que. 408): [.. p. em 1992. E explica: [. p. Sob diferentes sistemas organizacionais e por intermédio de expressões culturais diversas todas elas baseiam-se em redes. mesmo sem ser majoritárias (BLEAKLEY. 1999... $40 bilhões (15%) do total dos investimentos diretos exteriores do Japão... 1993)..iesde.). de origens e fortemente influenciadas por contextos culturais diversos (Estados Unidos. 191-192) Castells ressalta. Itália. com suas gestões típicas e muitas vezes familiares. p. 1999. Até mesmo um considerável número de pequenas e médias empresas está deixando de ser apenas nacional e globalizando-se. sobreviver sem fazer parte de uma rede..com.] Neste sentido a empresa em rede concretiza a cultura da economia informacional/global: transforma sinais em commodities. O que possibilita o estabelecimento de uma rede de contatos é o crescimento da tecnologia da informação: organizações espalhadas pelo mundo conseguem entrar em contato de forma imediata e realizar atividades conjuntas através de um meio eletrônico.. portanto. (CASTELLS. e $15 bilhões em IDE (3%) do total dos IDE realizados pelos Estados Unidos. Em A Era da Informação (1999).A. Essas empresas. 191). mais informações www.

que virou um exemplo nesta área justamente por estar estruturada em um princípio de rede. que subcontrata fabricantes para executarem pedidos de produtos de suas mais de cinco mil lojas em todo o globo. p. A chamada flexibilização do trabalho. Valores e estilos de vida pertencentes a culturas específicas afetam o modo de funcionamento das organizações. podendo impedir o domínio por parte de estruturas burocráticas de larga escala. citando Ritzer explica que: [. (GIDDENS. Como vimos. são formas de produção baseadas no envolvimento de trabalhadores em um número bem maior de estágios do processo de produção. pioneiramente aplicada pelas gestões japonesas baseadas no toyotismo. segundo Ritzer. Ritzer utiliza os quatro princípios que orientam os restaurantes McDonald’s – eficiência. A organização pós-moderna Alguns sociólogos sustentam que as mudanças que ocorreram dentro das burocracias estão dando origem a um tipo de organização que chamam de “organização pós-moderna”.A. Esta organização surgiu de uma empresa familiar no norte da Itália e opera com franquias comerciais servidas pela central na Itália. A gigante Times-Warner dos Estados Unidos. As grandes corporações estão cada vez mais se tornando redes de empreendimentos através da união de suas centrais com empresas menores. mais diversas dentro da empresa. George Ritzer chama essa tendência de processo de “mcdonaldização da sociedade”.. nem todos os estudiosos das teorias das organizações concordam que nossa sociedade e suas organizações tenham suplantado as formas burocráticas de estruturação das empresas.. Um bom exemplo utilizado por Anthony Giddens é o caso da produção de pão francês que ainda é produzido artesanalmente em grande escala. ou seja.] a mcdonaldização. Giddens. Assim a “descentralização” é um processo que contribui para que as organizações funcionem em redes.iesde. Para demonstrar a atualidade das formas burocráticas de organização. assim como o resto do mundo”.com. Outro aspecto das organizações pós-modernas é a tendência ao abandono de tarefas especializadas pelo desenvolvimento de habilidades genéricas. 2005. mais informações www.br . com o passar do tempo a nossa sociedade está se tornando cada vez mais racionalizada. Esta visão dentro da Sociologia das organizações está centrada na forte influência dos contextos culturais sobre as formas organizacionais. calculabilidade.. Apesar de algumas tendências terem flexibilizado o processo produtivo de suas empresas percebe-se que a existência de regras rígidas e ordenadas são ainda bastante valorizadas. Outro exemplo de organizações em rede pode ser percebido nas grandes e poderosas alianças estratégicas formadas pelas empresas de ponta. é “o processo pelo qual os princípios dos restaurantes de fast-food vêm dominando um número crescente de setores da sociedade norte-americana. como única forma de atender as exigências de pão sempre fresco tão importante na cultura desse país. 301) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.146 | A globalização e as organizações malharia italiana Benneton. A competência em muitas áreas de um emprego é bem mais importante do que o desenvolvimento de especialista em uma área apenas. em processo de fusão com a AOL-Internet é um bom exemplo deste processo. Os diversos componentes da rede são assim conectados por computadores. uniformidade e controle da automação – para demonstrar que. O nível mais acelerado do ritmo das mudanças hoje torna as burocracias extremamente centralizadas lentas ou quase inertes dificultando a adaptação mais veloz necessária às empresas globais. Os que defendem a ideia da pós-modernidade alegam que a noção de progresso entrou em colapso e proclamam que vivemos em uma sociedade pós-moderna permeada pela diversidade de valores e culturas.

ecológicas. E mais que isso. estratégias de marketing e principalmente o processo produtivo de seus lanches. Assim. assim ele está diretamente relacionado com uma organização em particular. As funções são extremamente automatizadas. Questões econômicas. uma organização se estrutura configurando e construindo o seu ambiente e também provoca mudanças no seu ambiente externo. ou corporativa. Há uma demanda de um maior compromisso com a melhora do ambiente em que as organizações operam. Segundo Dias. tecnológicas.A globalização e as organizações | 147 A forma como as franquias dos restaurantes McDonald’s são administradas padronizam ambientes. difunde-se a ideia de que nenhuma organização econômica. qualquer que seja sua natureza. o que permite acreditar que as burocracias não estão em fase de extinção completa. políticas.A. agora envolvem interações com sistemas automatizados e computadores em vez de seres humanos. pode ficar indiferente diante do contexto social e natural em que está inserida. legais. Muitos aspectos do nosso cotidiano. climáticas. A responsabilidade social Hoje. entre outras fazem parte desta conjuntura que se relaciona com a organização. Surgem códigos e princípios provindos de governos e líderes empresariais sobre o aumento da responsabilidade social das empresas pelo mundo afora. esta visão pessimista pede cautela porque o que se percebe hoje são sistemas permeados por estruturas menos homogêneas e adaptáveis fazendo coexistir mais de uma forma de organização da produção dentro das empresas. a responsabilidade social organizacional (RSO). preocupa-se com os efeitos prejudiciais da racionalização sobre a criatividade e a humanidade dos indivíduos. mais rígida. Nos ambientes organizacionais vários aspectos da realidade social e natural podem afetar a organização e podem ser afetados por ela. assim como Max Weber em seu tempo. Todas as tarefas são construídas para minimizar a participação da mão de obra humana e maximizar a eficiência em todo o processo. Porém. atender as demandas sociais está se tornando uma vantagem competitiva e fonte de recursos para os indivíduos e organizações que estão de algum modo relacionados com a empresa. por exemplo. Mesmo não tendo influência direta sobre estas questões a empresa pode ser afetada por elas e ao mesmo tempo afetá-las. além de criar riqueza para todos os seus membros. À medida que se constitui. Isso porque acredita-se que hoje.. E concluiu que a vida em sociedade está se tornando cada vez mais “mcdonaldizada”. controladas por tempos e termostatos das próprias máquinas. Ritzer acredita que a sociedade como um todo está se deslocando em direção a esse modelo altamente padronizado e regulado para a realização das coisas e dá como exemplo disso. Consideramos ambiente organizacional aquilo que é significativo para a organização. No entanto.com. ordenada e menos pessoal. o fato de que muitas das nossas tarefas cotidianas estão sendo realizadas por sistemas automatizados e computadores. ou ainda empresarial “promove um comportamento empresarial que integra elementos Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o que significa dizer. mais informações www. atendimento. culturais.iesde. As reflexões sobre essas relações entre empresas e sociedade deram origem ao conceito de responsabilidade social organizacional. a empresa deve também contribuir para a melhoria das condições de vida das sociedades onde atua.br . Ritzer.

2008.. Ao longo destes anos. Princípios contra a Corrupção: ::: combater a corrupção em todas as suas formas. ::: eliminar a discriminação no ambiente de trabalho. 2008. p. p. Princípios de Direitos do Trabalho: ::: apoiar a liberdade de associação no trabalho.pactoglobal. o bem estar da sociedade. apud DIAS.br> apud DIAS. 242) E aí sim define as ações de responsabilidade social corporativa: [. 2008. em particular. 242).] responsabilidade social da empresa vai além da filantropia. ::: abolir o trabalho forçado.org. 2008. Kofi Annan pedia por uma globalização mais humanitária e foi neste mesmo ano que sugeriu um Pacto Global pelas Nações Unidas que apresentava dez princípios universais: ::: ::: ::: ::: Princípios dos Direitos Humanos: ::: respeitar e proteger os direitos humanos. Na maioria das definições se descreve como as medidas constitutivas pelas quais as empresas integram preocupações da sociedade em suas políticas e operações comerciais.iesde. mas que atendem às expectativas da sociedade em relação à empresa. A observância da lei é o requisito mínimo que deverão de cumprir as empresas.com. 242) Essa tendência reforça a concepção de que a empresa seria responsável pelos impactos sociais e ambientais que provoca com sua atividade e vai mais longe comprometendo-se a participar de forma a transformar estas realidades. econômicas e sociais.A.br . p. Neste trecho. (UNCTAD apud DIAS. inclusive extorsão e propina. esse envolvimento deverá ser duradouro.148 | A globalização e as organizações sociais e ambientais que não necessariamente estão contidos na legislação. A empresa está inserida nela e seus negócios dependerão de seu desenvolvimento e. Assim. ::: encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente. ::: promover a responsabilidade ambiental. É um comprometimento. organizações supranacionais como a Organização das Nações Unidas – ONU e a Organização Internacional do Trabalho – OIT tentam participar no sentido de transcender as políticas nacionais na promoção de sociedades mais democráticas organizadas globalmente através de valores comuns. (TOLDO apud DIAS.. encontra as empresas muito mais permeáveis às pressões sociais.. a retomada dessa concepção de responsabilidade social nos anos 1990. Em 1999 uma manifestação do secretário geral da ONU. ::: abolir o trabalho infantil. mais informações www. portanto. Princípios de Proteção Ambiental: ::: apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais. além do lucro e da satisfação de seus clientes.” (ARAYA.” (Disponível em: <www.] são estratégias pensadas para orientar as ações das empresas em consonância com as necessidades sociais.. 246) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. por exemplo. de modo que a empresa garanta. O autor destaca ainda a diferença entre doações filantrópicas e responsabilidade social: [. preocupações ambientais. Dias observa a importância de destacar que as iniciativas de RSO devem ir além da obrigação imposta por lei.. como no caso da pressão feita pelos consumidores que atuaram junto a empresas como IKEA (sueca) e Nike (norte-americana) nas questões de direitos humanos e trabalho infantil. p. ::: impedir violações de direitos humanos.

cada vez mais. Em 1991.A globalização e as organizações | 149 Assim. a Índia possuía um canal de TV controlado pelo Estado. 2005) Os efeitos da globalização da mídia podem ser percebidos claramente no caso da Índia.br ..iesde. o que acarreta uma série de consequências sociais que desestabilizam as próprias organizações. A rádiodifusão via-satélite – como a que é realizada pela STAR TV de Hong Kong e pela CNN dos Estados Unidos – ganhou bastante popularidade entre a elite culta urbana. espera-se que este pacto sirva de referência para a construção de novas atitudes e valores mundiais que devam ser assumidos por todos os indivíduos. com o objetivo de construir uma sociedade mais justa e responsável. o programa da mídia tem apresentado mudanças profundas na Índia. Apesar da histórica liberdade da mídia impressa na Índia. onde. além de introduzir aparelhos de TV em cores no país. Com a globalização dos capitais. Ela supervisionou a expansão no número de estações emissoras de televisão. a Índia é vista por muitas empresas internacionais do setor com um mercado vibrante. houve um crescimento exponencial na transmissão de programas de TV. induzindo a um ráEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mas até 1998 já contava com quase 70 canais – incluindo a maior rede de televisão asiática do mundo. Texto complementar Televisão e globalização: o caso da Índia (GIDDENS. Enquanto era um Estado pós-colonial com altos índices de analfabetismo e um frágil senso de identidade. abrindo a porta para que corporações estrangeiras dessa área transmitissem uma programação dentro de um sistema anteriormente fechado. construídas independentemente de seus contextos locais. Um dos momentos decisivos da radiodifusão indiana ocorreu durante a liderança de Indira Gandhi (1967-1978 e 1980-1984). o governo indiano liberalizou o setor da mídia. Nos últimos anos. Falta ainda desenvolver um modelo de desenvolvimento que articule “reação econômica” com a exigência de uma “Democracia Civilizatória”. de novas necessidades geradoras de novas possibilidades. ou seja. a Doordarshan era submetida a uma censura e a um controle rigorosos. 1999). mais informações www. país cuja enorme classe média (composta por 250 milhões de pessoas) de falantes de inglês o transforma em um dos mercados mundiais da mídia em que se verifica um crescimento mais acelerado (THUSSU. advindas das próprias relações de produção. Atualmente. venha da questão prática da busca pelo “emprego para todos”.A. Para o governo indiano. na última década.com. a regulação social de que nos fala Sainsaulieu (2006). já que o volume imenso da população e a diversidade de culturas e de línguas traduzemse em uma ampla demanda de programa e canal. as políticas das empresas são. promover certos objetivos de “desenvolvimento” entre a população e educar os cidadãos coletivamente. sociedades e organizações. que considerava a televisão um instrumento crucial para promover as ideias de construção da nação entre o povo. Em 1991. a Doordarshan representava um meio de construir a unidade nacional. a Zee TV. Talvez. a Índia foi dominada pela radiodifusora nacional Doordarshan.

1997). Lançado em 1992.br . contra 28% da estadual (HERMAN. Outros afirmam que a globalização da mídia na Índia foi importante para quebrar o controle do Estado na área da transmissão de programas de TV e para expandir a esfera pública. A Zee TV. mais informações www. a produção de notícias e o conteúdo da TV são impulsionados por interesses de mercado.A. os anunciantes interessaram-se por essa minoria. Essa mudança em direção à privatização da mídia na Índia – a maior democracia no mundo – foi criticada por muitos observadores que afirmam que a TV indiana está se transformando em uma corporação e seu controle está sendo assumido pelas gigantes da mídia ocidental. o primeiro canal de TV privado da Índia em língua híndi conseguiu superar a Doordarshan até 1996. A programação da Zee TV conseguiu adaptar com sucesso os formatos dessas atrações ocidentais para um público especificamente indiano (THUSSU. MCCHESNEY. o aparecimento de novos radiodifusores comerciais serviu para ampliar e revitalizar a esfera pública indiana. uma programação inovadora que é novidade para os telespectadores indianos além do amplo uso do “hinglês” (uma mistura do híndi com o inglês que caiu na preferência dos jovens urbanos). elas muitas vezes “situavam” os programas acrescentando legendas em híndi. a MTV e a CNBC – estavam transmitindo seus programas na Índia ao lado de empresa indianas. Ainda que no início da década de 1990 esses modos de exibição estivessem restritos a uma pequena minoria rica. cai a qualidade do conteúdo e a programação passa a ser dominada pelas necessidades e pelas visões dos anunciantes (THUSSU. Neste aspecto. o Discovery. a CNN. A Zee TV foi o maior e mais bem sucedido canal de TV indiana a surgir ao lado do Doordarshan. À medida que as forças globais firmaram-se na área de transmissão de programas de TV na Índia. forçando esta última a liberalizar a cobertura política (HERMAN.iesde. a Doordarshan começou a incluir programas de entretenimento em sua programação para reforçar seus índices de audiência. Embora essas empresas de mídia transmitissem um material cujo conteúdo era praticamente todo estrangeiro. dedica uma atenção bem maior às opiniões dos políticos da oposição do que a Doordarshan. todos os principais canais mundiais de TV a cabo – incluindo a BBC. Além de oferecer um conteúdo educacional. 1997). 1999). Até o ano de 1998.150 | A globalização e as organizações pido crescimento das conexões a cabo e das antenas de satélite. MCCHESNEY. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Essa discussão chega a alegar que quando o jornalismo.com. foi gradualmente substituída por políticas voltadas para o lucro e o mercado. a missão da Doordarshan. por exemplo. ou colocando no ar programas que tratassem de tópicos de interesse específico para o país. A popularidade da Zee TV parece estar relacionada a uma combinação de fatores.. a Doordarshan se viu obrigada a reagir à concorrência ampliando a própria oferta. 1999). a STAR. entre eles. enxergando na transmissão de programas de televisão na Índia um caminho excelente para promover seus produtos. com seus 37% de audiência. de comprometimento com a prestação de um serviço público. A exemplo da mudança que ocorreu em múltiplos países.

principalmente a informática e a telemática..com.A globalização e as organizações | 151 Atividades 1.iesde. mais informações www. têm realizado em nossas noções de tempo e espaço? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. Quais as transformações que as novas tecnologias.br . De que forma as organizações são afetadas pela globalização? 2.

facilitam.iesde. e mais imediatamente daquelas que devem competir no mercado mundial. além do lucro e da satisfação de seus clientes. transformando a estrutura de muitas delas. mais informações www. 84. p. apud DIAS. esse envolvimento deverá ser duradouro. sustentam e expandem a globalização. 2008. A empresa está inserida nela e seus negócios dependerão de seu desenvolvimento e.br .com. p.A.152 3. e as organizações em particular. 242). As novas tecnologias têm possibilitado a relativização dos conceitos de tempo e espaço como conhecíamos até então. portanto. É um comprometimento” (TOLDO.. | A globalização e as organizações Como podemos definir responsabilidade social das empresas? Gabarito 1. o bem-estar da sociedade. de modo que a empresa garanta. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O fato de que informações e contatos com as pessoas podem ser feitos através das tecnologias da informação e da comunicação vem revolucionando o nosso modo de vida como um todo. As atividades combinadas das organizações estimulam. 2002. 2. 3. “São estratégias pensadas para orientar as ações das empresas em consonância com as necessidades sociais.

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