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BE denuncia a 'colecção' de ex-ministros da Mota
EVA CABRAL LEONARDO NEGRÃO-ARQUIVO DN

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, denunciou ontem a verdadeira "colecção de ex-ministros" da empresa de construção civil Mota-Engil . "Não podemos confiar em políticos com apetite", referiu Francisco Louçã que condenou o facto de Jorge Coelho ter aceite o convite da empresa juntando-se na administração com outros dois governantes : Valente de Oliveira (PSD) e Luís Parreirão (PS). O BE lembra que entregou recentemente no Parlamento um diploma a defender a existência de um período mínimo de dez anos de incompatibilidades entre funções públicas e privadas. "Enriquecer não é a regra para a decisão política" , declarou Louçã, em conferência de imprensa após a reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda - o órgão máximo desta força política entre congresso. O líder do BE refere que tem razão "João Cravinho quando diz que é inaceitável que quem concedeu o exercício do monopólio para a construção e exploração de obras públicas tenha depois cargos de direcção na execução desses mesmos monopólios". Francisco Louçã frisou que "era o que faltava que um dia destes alguém nos viesse dizer que quem se mete com a Mota-Engil leva", lembrando uma célebre frase de Jorge Coelho. "A Mota-Engil e outras grandes empresas têm levado o que querem: ganham os concursos, têm a construção das auto-estradas, têm a construção das pontes e depois têm à sua frente os ex-ministros que contribuíram para algumas dessas decisões. É preciso decência", acrescentou Louçã. A Mesa do Bloco debruçou-se, ainda, sobre o que considerou de crescendo de "violência social" destacando ser inaceitável a política do Ministério da Educação face à avaliação dos professores contratados. Francisco Louçã frisa que o BE "saúda todas as escolas que, em nome do bom senso, procuram garantir a classificação dos professores contratados segundo as regras experimentadas e que rejeitam a avaliação de professores segundo o modelo de José Sócrates". O líder do BE deixou ainda um alerta sobre o aumento da precariedade laboral, chamando a atenção para o facto de estar iminente a apresentação de uma revisão do Código Laboral que vai prejudicar os trabalhadores. Neste domínio acusou ainda o Executivo de ir avançar com uma lei que determina o contrato de trabalho na função pública. Para o BE "em ambos os casos, o Governo procura destruir a contratação colectiva e os direitos dos trabalhadores". Segundo refere "no Código, o Governo pretende instituir o princípio do despedimento sem justa causa, por opção patronal".|

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