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PARTES E PROCURADORES NO PROCESSO DO TRABALHO

Prof. Noemia Porto

1) Na atualidade (lesões em massa; demandas de massa; processos coletivizados enquanto
tendência), o conceito clássico de partes (autor, réu, juiz) tem se revelado insuficiente, no mínimo,
porque atualmente terceiros podem ingressar no feito em momento posterior à formação processual.
2) Capacidade de ser parte. Pessoa física - nascimento com vida (art. 2º do CC). Pessoa
jurídica - inscrição dos atos constitutivos no respectivo cartório de registro (art. 45 do CC). Além
das pessoas físicas e jurídicas, há os entes despersonalizados (massa falida, condomínio, espólio,
etc.).
3) Capacidade processual. Decorrerá, primeiramente, da capacidade civil plena. Aplica-se
a legislação civil, de forma que, na Justiça do Trabalho, os incapazes serão representados e, os
relativamente incapazes, assistidos. É proibido qualquer trabalho ao menor de 16 anos, salvo na
condição de aprendiz, a partir dos 14 anos (art. 7º, XXXIII, da CF/88). A maioridade trabalhista
ocorre aos 18 anos (art. 792 da CLT). O menor de 18 anos poderá firmar recibos de pagamento de
salários (art. 439 da CLT), todavia, no caso do recibo de quitação da rescisão contratual, deverá
estar assistido pelos responsáveis legais. As reclamações trabalhistas de menores de 18 anos
deverão ser propostas pelos respectivos representantes legais e, na falta desses, pela Procuradoria
Regional do Trabalho, pelo sindicato representativo da categoria, pelo Ministério Público Estadual
ou por curador nomeado em juízo (art. 793 da CLT). O empregador pessoa física adquire
capacidade civil plena para estar em juízo (capacidade processual) aos 18 anos, salvo as hipóteses
legais de emancipação. A intervenção do MPT será necessária tão-somente se o menor não estiver
devidamente representado ou assistido por seus representantes legais.
4) Capacidade postulatória. No Processo do Trabalho, a capacidade postulatória, nas
demandas envolvendo relação de emprego, é conferida às próprias partes (jus postulandi - art. 791
da CLT), salvo nas hipóteses de recurso extraordinário para o STF, recurso no STJ (eventual
circunstância de conflito de competência) e recurso de revista para o TST (natureza extraordinária
do recurso). Nos termos da Súmula 425 do TST, "o jus postulandi das partes, estabelecido no art.
791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando
a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do
Tribunal Superior do Trabalho". Como ficaria, nesses casos, a questão dos honorários advocatícios?
Nos termos do art. 839, a, da CLT, "a reclamação poderá ser apresentada pelos empregados e
empregadores, pessoalmente, ou por seus representantes, e pelos sindicatos de classe".
5) Na representação, o representante age no processo em nome do titular da representação
em defesa do direito do representado. Na assistência, porém, o assistente apenas supre a deficiência
da declaração de vontade do assistido, sem substituí-la. Entre 14 e 18 anos o trabalhador deve ser
assistido em juízo. Na eventualidade de demandas de menores de 14 anos, deverão ser
representados (hipóteses de trabalho infantil).
6) Usos da expressão "representação" que precisam ser elucidados. Nos termos da CLT,
"se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao
empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que
pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato" (art. 843, § 2º, da CLT). Todavia, isso significa
que o comparecimento permitido evitará o arquivamento da reclamatória, não havendo típica
representação (o representante não pode transigir, confessar ou desistir da ação). Segundo o art.
791, § 2º, da CLT, "nos dissídios coletivos é facultada aos interessados a assistência por advogado".

do CPC. 1º da Lei nº 6. nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento. O trabalhador. ou contra micro ou pequeno empresário. 265. O empregador doméstico poderá ser representado em juízo por qualquer pessoa da família (empregador doméstico . quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria". Segundo o art. independentemente do comparecimento de seus representantes salvo.membros da família . representado esse último pelo inventariante. o comparecimento dos advogados nas audiências não dispensa o comparecimento das partes. De tal previsão são extraídas três conclusões importantes: primeiro. 7) Preposto que representa o empregador em juízo. Entretanto. segundo. se forem reclamatórias plúrimas. ação de cumprimento é hipótese de substituição processual.858/1980. I.unidade familiar destinatária dos serviços prestados). esse sim obrigatório. Nos termos da Súmula nº 377 do TST. 843 da CLT. § 1º. caso os herdeiros do empregador não o tenha feito. 843. a Justiça do Trabalho vem adotando o entendimento no sentido da legitimidade dos sucessores do trabalhador habilitados como tal perante o INSS. 8) Sucessão das partes. na forma do art. terceiro. pode pedir a abertura do inventário. representado pelo inventariante. havendo litisconsórcio ativo. Consequência jurídica da inobservância do art. "exceto quanto à reclamação de empregado doméstico. sendo suficiente a apresentação da certidão de dependentes junto à Previdência Social (ou de alvará judicial. 23) proíbe que o advogado funcione no mesmo processo como representante e preposto do empregador. haverá representação por advogado. oriundo da Justiça Comum). haverá representação pelo advogado do sindicato. o reclamante promoverá a ação contra o espólio.Ocorre. Caso ocorra o falecimento do sócio da empresa. terá legitimidade para propor a reclamação trabalhista o espólio. Caso o falecido seja o empregador pessoa física ou firma individual. por sua vez. que. não há alteração do polo passivo de eventual reclamação trabalhista proposta contra essa última. O Código de Ética da OAB (art. Ocorrendo no curso do processo. Se o reclamante for falecido. o preposto deve ser necessariamente empregado do reclamado". .reconhecimento dos efeitos da revelia e/ou da confissão ficta. aplica-se o art. nessa circunstância. da CLT . porém. "na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado.