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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Faculdade de Filosofia e Ciências humanas- FAFICH
Ciências Sociais 2014/2
Laurene Marquesane Oliveira da Silva

Resenha da obra Mozart, a sociologia de gênio.
Trabalho

apresentado

à

disciplina

Sociologia III da professora Yumi Garcia
dos Santos, como requisito mínimo para
obtenção de nota e aprovação.

Belo Horizonte, 2014

A partir do conceito de sociogênese e psicogênese analisamos e interpretamos o processo da vida do musico. Numa análise sociológica contextual podemos comparar esta obra não só conceitos. A primeira turnê da qual ele participou foi pouco antes de completar seis anos. como "Processo Civilizador" e "Sociedade de Corte". mas também com tantas obras deste mesmo autor. O autor busca identificar as influências que Mozart sofreu e que o fez se tornar o que ele foi. aonde ambos tocaram para Maximillian III. este já é um indicio de um homem que gostaria de se ver independente da corte. devemos tentar estabelecer relações entre a vida do músico e os conceitos sociológicos apresentados por Elias. influenciam diretamente as transformações no modo que o individuo pensa. onde o pequeno Mozart fez sucesso por onde passou. mas também era ambicioso. e as alterações na psico e sociogênese tem uma grande influencia neste caminhar. em Salzburgo. Com quatro anos de idade era capaz de tocar peças musicais complexas. podemos também encontrar uma relação com "Os estabelecidos e Outsiders" trabalhados nesta disciplina. tendo uma infância muito ligada à música. E pouco mais de um ano depois eles foram pra Viena e depois fizeram uma turnê pela Europa. mas não teve a coragem que seu filho teve como veremos mais tarde. Seu pai foi um homem que viveu para a corte. Ao lê-lo. Escreveu um manual para violino que fez um grande sucesso. O livro “Mozart. Seu pai foi regente da corte de Salzburgo e dava aulas para a irmã mais velha de Mozart. nesta obra vemos claramente como as transformações na sociedade. a sociologia de um gênio” é um compêndio da narração da vida de Mozart e das ideias sociológicas de Elias aplicadas na prática.2 A sociologia de um gênio. seu pai desejava que o pequeno fosse . Tanto seu pai quanto sua mãe eram apreciadores da música. no caso da vida. sendo que processo é o caminhar. sem um ponto “final” préestabelecido. E estas alterações modificam e alteram o processo de vida de Mozart. Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em 1756. O menino cresceu tendo esse contato com a música. onde foi junto com o pai e a irmã ate Munique. ou seja. Em cada corte que eles iam. Quando tinha cinco começou a compor e aos doze escreveu sua primeira peça.

em duas realidades diferentes. mas ainda assim seu pai não conseguia emprego para ambos em outra corte. de ser o músico conhecido e com boas condições financeiras. via que seu filho poderia ser um grande músico de uma corte importante e iminente. Nunca se podia prever a quantia. com maior visibilidade. com interrupções. Isto é uma pequena amostra da vida que Mozart levou. Mozart vivia e sempre viveu em dois mundos. até aos 20 anos ao lado de seu pai. com muitas caricias e demonstrações de amor. Eles comiam na mesa com os príncipes. dependia da generosidade do príncipe ou dos nobres para quem se tocava. o pequeno tinha um talento incontestável. e quando brincando ela respondia que não. sabia também que as sociedades europeias. e não como uma obrigação por um serviço prestado. Enquanto o primeiro queria que o filho se .3 chamado para ser daquele núcleo. recebiam presentes e agrados. Mas também tentou educá-lo conforme os padrões da corte naquela época. Elias mostra que ainda pequeno Mozart tinha uma grande necessidade de se sentir amado e querido. a corte que moldava suas tarefas e o mundo burguês ao qual pertencia. o relacionamento dele com o arcebispo de Salzburgo ( o qual foi chefe de seu pai e dele por um tempo) era complicado. Leopold não educou apenas musicalmente seu filho mais novo. com isto estimulava o pequeno menino no mundo da música. mas Leopold o pai sabia que quanto mais velho o filho ficasse menos prestigio ele teria. Até porque naquela época o pagamento aos artistas era feito tal como um presente. Quanto ao primeiro aspecto obteve êxito. Os nobres e as cortes se curvavam pelo talento do pequeno músico. não havia ninguém igual á ele. chegava a perguntar várias vezes ao dia se sua mãe o amava. logo após Mozart recitar uma música. principalmente a Vienense. Mozart tentou cargos como músico permanente nas principais cortes europeias mas não conseguiu. se cansavam rapidamente das atrações e logo queriam outra. Mozart já tinha um relacionamento complicado com outra pessoa: seu pai. Antes mesmo de romper com o arcebispo. mas Mozart apesar dos esforços do pai continuou a agir de um modo “franco” e “direto” porém considerado rude para aquela classe social. vários elogios. tudo isto contribuiu mais tarde para a decadência do Mozart. A saída para Mozart então foi sair da corte de Viena e ir para outro local. quanto em sua teimosia em se tornar um artista autônomo. o mundo do seu status. os olhos do menino se enchiam de lágrimas. Tanto pela questão do comportamento de Mozart na corte. Seu pai viu nele uma forma de se realizar.

Ao considerar a existência de Mozart como “artista autônomo”. O principal “erro” de Mozart foi tentar se estabelecer como autônomo numa época em que a estrutura social ainda não oferecia lugar para músicos ilustres. a grande maioria dos concertos e. Isso só faz com que ele se sinta cada vez mais sentir como se não houvesse mais sentido para a vida. Ele até fez sucesso durante um tempo. Ao mesmo tempo. Para ele. ele veio a falecer em novembro de 1791 aos35 anos. devido tanto à doença fatal que o acometeu e devido também à tristeza que tomou comta dele depois do fracasso como musico independente. Mas em 1789 ele anuncia que seu concerto deu errado. foi um músico pouco reconhecido e muito talentoso. Mozart creditava suas esperanças especialmente na alta sociedade vienense. das óperas (principal interesse de Mozart como compositor). Mas o que o pai já sabia. mas o que realmente definiu seu talento . sua imaginação musical era formada e impregnada pelo modo tradicional de compor da aristocracia de corte. deparamos novamente com a profunda ambivalência que era característica de sua atitude em relação à aristocracia da corte que deveria determinar sua vida inteira. Mas o que Elias trabalha é a desconstrução da ideia de talento inato por si só. e o que Mozart se tornou quando adulto. Mas ao romper com padrões de gosto existentes ele acaba por reduzir suas chances de ser acolhido pelo público. Mozart ainda tinha um dom musical. com a sensação de que sua vida social foi um fracasso. de ser o centro das atenções. Faltavam principalmente instituições necessárias para que o mercado artístico ultrapassasse o nível local Na Áustria e em muitos territórios alemães. Logo ele que sempre se sentiu necessitado de atenção. nas turnês que fazia. era organizada para um público de convidados e financiada por aristocratas da corte. a qual tinha como os grupos mais importantes as famílias da nobreza de corte e os quais Mozart tinham alguns conhecidos e amigos. como se sua existência fosse um completo fracasso. ser amado e querido. se apresentando durante a noite e dando aulas durante o dia. evidenciando assim que a sociedade vienense se afastou dele e o Imperador foi o primeiro. o segundo tentava se dar bem pela Europa. De alguma maneira o músico tinha absorvido o padrão de comportamento da classe dominante de sua época. acima de tudo.4 estabelecesse numa corte fixa. ele acabou por “dar asas a imaginação”. Assim. Mas ao tentar sobreviver como artista autônomo.

Mozart fazia na verdade uma transformação sublimadora de energias naturais.5 foi o contexto de sua família ligada a música. foram os grandes responsáveis pelo seu talento. O exemplo de seu pai e dos grandes nomes da música que ele teve contato em suas turnês. . e todos os incentivos que ele recebeu. Não há um talento inato.

6 Bibliografia ELIAS. Norbert. Mozart: sociologia de um gênio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1995 ..