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Escola Profissional de Capelas

Curso: Técnico de Restauração-Restaurante/bar
Disciplina: Português
Professora: Maria Délia Correia
Módulo: Textos narrativos/descritivos e textos líricos
Ano Letivo: 2012/2013

Elaborado por:
Marlene Soares nº527

este último é considerado por muitos o melhor romance realista português do século XIX. 16 de agosto de 1900) é um dos mais importantes escritores lusos. de Os Maias e O crime do Padre Amaro. 25 de novembro de 1845 — Paris.José Maria de Eça de Queirós (Póvoa de Varzim. entre outros romances de reconhecida importância.1 Foi autor.2 .

Carlos da Maia.Os ―Maias‖ Subtítulo . Caracterização Psicológica Provavelmente o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais valorizou. falecido o pai. Enquanto jovem adere aos ideais do Liberalismo e é obrigado. Sendo as personagens centrais Afonso da Maia. opinando sobre a necessidade de renovação do país. Já velho passa o tempo em conversas com os amigos. . Pedro da Maia. Não se lhe conhecem defeitos. instala-se em Inglaterra mas. muito curto e a barba branca e comprida. Craft. às personagens principais e a algumas personagens tipo que consideramos importantes para o desenrolar da acção. a sair de casa. Condessa de Gouvarinho. E as personagens tipo João da Ega. regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa. pelo seu pai. um D. Cingimo-nos portanto.Episódios da vida romântica As Personagens As personagens intervenientes na acção d' Os Maias são cerca de 60. É um homem de carácter culto e requintado nos gostos. O cabelo era branco. dedica a sua vida ao neto Carlos. Cruges. Alencar. de ombros quadrados e fortes. Maria Eduarda e Maria Monforte. Personagens centrais: Afonso da Maia Caracterização Física: Afonso era baixo. Conde de Gouvarinho. o nariz aquilino e a pele corada. Mais tarde. A sua cara larga. maciço. Dâmaso Salcede. Eusebiozinho e Sr Guimarães. lendo com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés.Título . Duarte Meneses ou um Afonso de Albuquerque". Como dizia Carlos: "lembrava um varão esforçado das idas heróicas.

de gostos requintados. é de uma enorme cobardia moral (como demonstra a reação do suicídio face à fuga da mulher). bem constituído. Eça de Queirós dá grande importância à vinculação desta personagem ao ramo familiar dos Runa e à sua semelhança psicológica com estes. Carlos da Maia Caracterização Física Carlos era um belo e magnífico rapaz. O bigode era arqueado aos cantos da boca. e diletantismo (incapacidade de se fixar num projeto sério e de o . quando descobre os amores incestuosos dos seus netos. ele tinha uma fisionomia de "belo cavaleiro da Renascença". amarelo. É corajoso e frontal. Caracterização Psicológica Pedro da Maia apresentava um temperamento nervoso. pele branca. Tinha barba fina. O seu único sentimento vivo e intenso fora a paixão pela mãe. é fruto de uma educação à Inglesa. Ama a natureza e o que é pobre e fraco. olhos belos – "assemelhavam-no a um belo árabe". a sensualidade. Pedro é vítima do meio baixo lisboeta e de uma educação retrograda. de ombros largos. Caracterização Psicológica Carlos era culto. pequena e aguçada no queixo. o gosto pelo luxo. murcho. Tem altos firmes princípios morais.É generoso para com os amigos e os necessitados. face oval de "um trigueiro cálido". Falha no casamento e falha como homem. olhos negros. fraco e de grande instabilidade emocional. Era alto. Amigo do seu amigo e generoso. bem educado. Como diz Eça. Valentia física. Apesar da robustez física. cabelos negros e ondulados. Ao contrário do seu pai. Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo. Tinha assiduamente crises de "melancolia negra que o traziam dias e dias. com as olheiras fundas e já velho". castanha escura. Morre de uma apoplexia. Pedro da Maia Caracterização Física Era pequenino.

a que fez a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida. e esta personagem afasta-se discretamente de "cena". para quem tudo o que viesse de Maria Eduarda era perfeito. loira." Uma vez descoberta toda a verdade da sua origem. curiosamente. por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita.concretizar). com um curto decote onde resplandecia o incomparável esplendor do seu colo" Caracterização psicológica Podemos verificar que. chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia. Eça manteve sempre esta personagem à distância. Não foi devido a esta mas falhou. ociosa. ao contrário das outras personagens femininas Maria Eduarda nunca é criticada. de que Carlos é um bom exemplo. Maria Eduarda Caracterização Física Maria Eduarda era uma bela mulher: alta. Era bastante simples na maneira de vestir. o seu passado é quase desconhecido o que contribui para o aumento e encanto que a envolve. bem feita. faz relevo nesta multidão de mulheres miudinhas e morenas". . o seu comportamento mantém-se afastado da crítica de costumes (o seu papel na intriga amorosa está cumprido). a fraqueza e a cobardia do pai. o egoísmo. quase sempre de escuro. Carlos fracassou. "Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela. A sua caracterização é feita através do contraste entre si e as outras personagens femininas. a fim de possibilitar o desenrolar de um desfecho dramático (esta personagem cumpre um papel de vítima passiva). apesar da educação. mas e ao mesmo tempo. Todavia. Mas também devido a aspectos hereditários. Maria Eduarda é então delineada em poucos traços. e pareceu-lhe perfeito. fútil e sem estímulos. em parte. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude. condizendo bem com a sua beleza serena. "divinamente bela. sensual mas delicada. "com um passo soberano de deusa". é "flor de uma civilização superior. o futilidade e o espírito boémio da mãe.

progressista e crítico. por outro.e o filho . excêntrico. Apaixonou-se por Pedro e casou com ele. Morto Tancredo. Por um lado. Boémio. sarcástico do Portugal Constitucional. com a filha.com documentos que poderiam identificar a filha a quem nunca revelou as origens. noutros tempos. Maria Eduarda. o colo ebúrneo". Deixa um cofre a um conhecido português . excêntrico e excessivo. anarquista sem Deus e sem moral.Carlos Eduardo. cargas de negros para o Brasil.Maria Monforte Caracterização Física É extremamente bela e sensual. Guimarães . leva uma vida dissipada e morre quase na miséria. a culpada de todas as desgraças da família Maia. Tinha os cabelos loiros. Caracterização Psicológica É vítima da literatura romântica e daqui deriva o seu carácter pobre. Leviana e imoral. Era o autêntico retrato de Eça. "a testa curta e clássica. A mãe era uma rica viúva e beata que vivia ao pé de Celorico de Bastos. pernas de cegonha". em parte. Tancredo.o democrata Sr. Havana e Nova Orleães. Amigo íntimo de Carlos desde os tempos de Coimbra. onde se formara em Direito (muito lentamente). exagerado. Desse casamento nasceram dois filhos. Caracterização Psicológica João da Ega é a projeção literária de Eça de Queirós. levando consigo a filha. romântico e sentimental. punhos tísicos. é. . Fê-lo por amor. Mais tarde foge com o napolitano. num duelo. tinha "nariz adunco. Era o Mefistófeles de Celorico. É leal com os amigos. não por maldade. Personagens-Tipo: João da Ega Caracterização Física Ega usava "um vidro entalado no olho". e abandonando o marido Pedro da Maia . É uma Personagem contraditória. pescoço esganiçado. caricatural. Costumavam chamar-lhe negreira porque o seu pai levara.

Representa a incompetência do poder político (principalmente dos altos cargos). É ele que diz a verdade a Maria Eduarda e a acompanha quando esta parte para Paris definitivamente. Condessa de Gouvarinho Caracterização Física Cabelos crespos e ruivos. corrompido pela sociedade. pele clara. É juntamente com ele. sem qualquer tipo de remorsos. Tem lapsos de memória e revela uma enorme falta de cultura. mais tarde. demasiado fútil. Na prática. Envolve-se com Carlos e revela-se apaixonada e impetuosa. olhos escuros e brilhantes. acaba por perceber que ela é uma mulher sem qualquer interesse. é casada com o conde de Gouvarinho e é filha de um comerciante inglês do Porto. fina e doce. com Carlos. um falhado. encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica. Não compreende a ironia sarcástica de Ega. Nos últimos capítulos ocupa um papel de grande relevo no desenrolar da intriga. Guimarães entrega o cofre. Revelar-se-á. Fala de um modo depreciativo das mulheres. Conde de Gouvarinho Caracterização Física Era ministro e par do Reino. É a ele que o Sr. Caracterização Psicológica Era voltado para o passado. Caracterização Psicológica É imoral e sem escrúpulos. . Ega. que Carlos revela a verdade a Afonso. um bruto com a sua mulher. também ele teve a sua grande paixão . Terminado o curso. Tinha um bigode encerado e uma pêra curta. bem feita.Raquel Cohen. Questões de dinheiro e a mediocridade do conde fazem com que o casal se desentenda. nariz petulante.Sofre também de diletantismo. Traí o marido. vem viver para Lisboa e torna-se amigo inseparável de Carlos. Como Carlos. revela-se em eterno romântico. concebe grandes projetos literários que nunca chega a executar. Carlos deixa-a.

cobarde e sem dignidade. que revela o envolvimento de Maria Eduarda com Carlos. portanto. É dele a carta anónima enviada a Castro Gomes. Era sobrinho de Guimarães. longos. Guimarães é. a si próprio. A ele e ao tio se devem. Alencar Caracterização Física Tomás de Alencar era "muito alto. é presumido. que lhe confiou um cofre contendo documentos que identificavam a filha. a notícia contra Carlos n' A Corneta do Diabo. Filho de um agiota. e sob o nariz aquilino. Representa o novo riquismo e os vícios da Lisboa da segunda metade do séc. Guimarães Caracterização Física Usava largas barbas e um grande chapéu de abas à moda de 1830. É dele também. "frisado como um noivo de província". espessos. só para evitar bater-se em duelo com Carlos. provinciano e tacanho. Mesquinho e convencido. Caracterização Psicológica Conheceu a mãe de Maria Eduarda. românticos bigodes grisalhos". o início e o fim dos amores de Carlos com Maria Eduarda. respectivamente. O seu carácter é tão baixo. Sr. como um bêbado. XIX. que se retracta. com uma face encaveirada. gordo. o mensageiro da trágica verdade que destruirá a felicidade de Carlos e de Maria Eduarda. Caracterização Psicológica Dâmaso é uma súmula de defeitos.Dâmaso Salcede Caracterização Física Era baixo. olhos encovados. . tem uma única preocupação na vida o "chic a valer".

mas que representa a formação britânica. a arte como idealização do que há de melhor na natureza. Casou-se. molengão. Amigo de infância de Carlos com quem brincava em Santa Olávia. mas enviuvou cedo. coleccionador de "bricaBrac"."Se eu fizesse uma boa ópera. o protótipo do que deve ser um homem. "um diabo adoidado. Craft É uma personagem com pouca importância para o desenrolar da acção. pianista com uma pontinha de génio". era o primogénito de uma das Silveiras .senhoras ricas e beatas. O paladino da moral. Caracterização Psicológica Maestro e pianista patético. em toda a sua pessoa "havia alguma coisa de antiquado. maestro. Cruges Caracterização Física "De grenha crespa que lhe ondulava até à gola do jaquetão". quem é que ma representava". É o poeta do ultra-romantismo. "sentindo finamente. numa versão caricatural da Questão Coimbrã. Era demasiado chegado à sua velha mãe. era amigo de Carlos e íntimo do Ramalhete. levando pancada continuamente. Também conhecido por Silveirinha. Cresceu tísico. tristonho e corrupto. É culto e forte. Segundo Eça. Era também o companheiro e amigo de Pedro da Maia. e com quem contrastava na educação. "olhinhos piscos" e nariz espetado. de hábitos rígidos. É desmotivado devido ao meio lisboeta .Caracterização Psicológica Era calvo. Simboliza o romantismo piegas. . Inglês rico e boémio. pensando com rectidão". Defende a arte pela arte. Eusebiozinho Eusebiozinho representa a educação retrógrada portuguesa. entre naturalistas e românticos. Não tem defeitos e possui um coração grande e generoso. de artificial e de lúgubre". Eça serve-se destas personagens para construir discussões de escola.

meses e anos vividos pelas personagens. o tempo histórico é dominado pelo encadeamento de três gerações de uma família. e à educação de Carlos da Maia e sua formatura em Coimbra) para recuperar o presente da história que havia referido nas primeiras linhas do livro. alargado ou resumido. ordenado ou alterado logicamente. veio. casamento e suicídio de Pedro (pai). o narrador vai. instalar-se definitivamente em Lisboa. data em que Carlos. o discurso inicia-se no Outono de 1875. após a formatura. Esta analepse ocupa apenas 90 páginas. Do Outono de 1875 a Janeiro de 1877 . N'Os Maias. o tempo concreto da intriga compreende cerca de 70 anos.para tal Eça serve-se muitas vezes da cena dialogada. . A fronteira cronológica situa-se entre 1820 e 1887. como vemos. educação. Assim. Tempo do discurso Por tempo do discurso entende-se aquele que se desteta no próprio texto organizado pelo narrador.data em que Carlos abandona o Ramalhete . refletindo até acontecimentos cronológicos históricos do país. Assim. pelo contrário. bordéis ou aventureiras de ocasião pagas à hora.existe uma tentativa para que o tempo histórico (pouco mais de um ano da vida de Carlos) seja idêntico ao tempo do discurso . Esta primeira parte pode considerar-se uma novela introdutória que dura quase 60 anos. concluída a sua viagem de um ano pela Europa. Na obra. até parte do capítulo IV. uma estrutura complexa na qual se integram vários "tipos" de tempos: Tempo Histórico | Tempo do Discurso | Tempo Psicológico O tempo histórico Entende-se por tempo histórico aquele que se desdobra em dias. mas. para se distrair. referir-se aos antepassados do protagonista (juventude e exílio de Afonso da Maia (avô). Este romance não apresenta um seguimento temporal linear.cerca de 600 páginas . aproximadamente. apresentadas por meio de resumos e elipses. se destaca relativamente aos outros. cujo último membro (Carlos). Pelo processo de analepse. com o avô.Procurava. o tempo histórico é muito mais longo do que o tempo do discurso.

Carlos.O último capítulo é uma elipse (salto no tempo) onde. Tempo psicológico O tempo psicológico é o tempo que a personagem assume interiormente. por exemplo. após a sua chegada de Paris. que traziam todos os dias novidades do centro da Europa. ou. quando recorda o primeiro beijo que lhe deu a Condessa de Gouvarinho. da política à literatura. o que põe em causa as leis do naturalismo. ou Geração de Coimbra. é possível evidenciar alguns momentos de tempo psicológico nalgumas personagens: Pedro da Maia. o velho Ramalhete abandonado e ambos recordam o passado com nostalgia. É o tempo que se alarga ou se encurta conforme o estado de espírito em que se encontra. . contempla. interessa o conhecimento do meio social. Oliveira Martins. Foi o início da Geração de 70. A Geração de 70. é o tempo filtrado pelas suas vivências subjetivas. onde a renovação se manifestou com a introdução do realismo. na cidade universitária de Coimbra. reuniam-se para trocar ideias. Os quadros caracterizadores da sociedade. ele penetrava outra vez naquela sala de repes vermelhos. Eça de Queiroz.. na noite em que se deu o desaparecimento de Maria Monforte e o comunica a seu pai. É o caso de "agora o seu dia estava findo: mas. entre outros jovens intelectuais. Num ambiente boémio. que estava a viver uma autêntica revolução com os novos meios de transportes ferroviários.". Ega se encontra com Carlos em Lisboa. na companhia de João da Ega. a representação de uma época ou de um momento histórico adquirem primazia. passados 10 anos. Antero de Quental. foi um movimento académico de Coimbra do século XIX que veio revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa. do ambiente histórico ou da época em que o ser humano se integra e realiza. livros e formas para renovação da vida política e cultural portuguesa. O tempo psicológico introduz a subjetividade. embora não muito frequente. muitas vezes carregado de densidade dramática. No romance. já no final de livro. terminada a longa noite.. Uma visão pessimista do Mundo e das coisas. passadas as longas horas. influenciando esta geração para as novas ideologias.

e acabando por considerarem-se "os vencidos da vida". muito menos executar os seus planos que revolucionaria o pais. de socialização e de autonomia. A temática da educação na obra em estudo No romance Os Maias. este Grupo gerou uma polémica em torno do confronto literário com os ultra românticos do "Bom senso e do Bom gosto" ou mais conhecido por a Questão coimbrã. a geração de oiro de Coimbra acabou por não conseguir fazer mais nada. Este grupo também passou a ser conhecido como Geração de 70. Mais tarde. enquanto Carlos recebe a educação inglesa. a educação produz ou reproduz modelos sociais e políticos que propõem um sistema de valores e princípios que são a base de uma sociedade. no propósito de elaborar um retrato da sociedade. O tema da educação é frequentemente tratado por Eça de Queirós e surge n'Os Maias como um dos principais fatores comportamentais e da mentalidade do Portugal romântico por oposição ao Portugal novo. Fator de humanização. e dentro do espírito naturalista. que insuflou no chamado Grupo do Cenáculo o entusiasmo para as realizar. As Conferências do Casino. que não conseguiram fazer nada com que se comprometeram. voltado para o futuro. para discutir os temas de cada reunião. que acabara por ser proibida pelo governo. As Conferências do Casino foram uma série de conferências realizadas na primavera de 1871 em Lisboa. A educação tradicionalista e conservadora caracteriza-se pelo recurso à memorização. A incapacidade para enfrentar as contrariedades ou a capacidade para se tornar interveniente na sociedade são as consequências imediatas dos processos educativos opostos. Pedro da Maia e Eusebiozinho protagonizam a educação tradicionalista e conservadora. Depois das reuniões. já em Lisboa. política e cultural a partir da formação do indivíduo. são uma réplica da anterior Questão Coimbrã. Eça de Queirós. que se percebe no subtítulo Episódios da Vida Romântica. Este poeta estava sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon. como é frequente ver as conceções de educação afloradas ao longo da obra através de opiniões das personagens ou das mentalidades e cultura que revelam.Em Coimbra. os agora licenciados reuniam-se no Casino Lisbonense. ou Conferências Democráticas do Casino. Não só deparamos com dois sistemas educativos opostos. Foram impulsionadas pelo poeta Antero de Quental. ao . procura encontrar razões para a crise social. Tratava-se de um grupo de escritores e intelectuais jovens e de vanguarda.

Graças a ela. levou-o a uma devoção histérica pela mãe e tornou-o incapaz de encontrar uma solução para a sua vida. tornou-o "molengão e tristonho". para um casamento infeliz e para a debilidade física. arrastou os indivíduos para a decadência física e moral. o próprio estatuto económico que não lhe exigia qualquer esforço e a paixão romântica que o seduziu foram causas suficientes para. pelo contacto direto com a Natureza. de empenhamento na vida literária. à fuga ao ar livre e ao receio do contacto com a Natureza.. Pedro da Maia.nem a um desapontamento. pelo gosto das línguas vivas. A ausência de motivações no meio em que se movimentou. A educação inglesa caracteriza-se pelo desenvolvimento da inteligência graças ao conhecimento experimental. que. Mas ao contrário do seu pai. pelo desprezo da cartilha. pela ginástica e pela vida ao ar livre. elaborando uma filosofia de vida. desistir. A educação inglesa procurou "criar a saúde. Carlos procura um novo caminho. Não se abandonar a uma esperança . mas da sociedade em que se viu inserido.primado da cartilha apenas com os saberes e os valores aí insertos. a que chama "fatalismo muçulmano": "Nada desejar e nada recear.. A educação tradicionalista e conservadora desvalorizou a criatividade e o juízo crítico. por exemplo. Em Pedro da Maia. cultural e cívica. com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. arrastou-o para uma vida de corrupção. se suicidou. fortalecendo o corpo e o espírito. deformou a vontade própria. a força e os seus hábitos". apesar de culturalmente bem formado. quando Maria Monforte o abandonou. sentir o desencanto e afastar-se das atividades produtivas. Tudo aceitar. perante o fracasso amoroso." . embora com a defesa do "amor da virtude" e "da honra" como convém a "um cavalheiro" e a "um homem de bem". em relação à personagem Eusebiozinho. o que vem e o que foge. à "moral do catecismo" e da devoção religiosa com a conceção punitiva do pecado. Carlos da Maia adquiriu valores do trabalho e do conhecimento experimental que o levaram a abraçar um curso de medicina e a projetos de investigação. A vida de ociosidade de Carlos e o sequente fracasso dos seus projetos de trabalho útil e produtivo não resultaram da educação. ao estudo do latim como língua morta.

Ao concluir este trabalho que foi pedido pela formadora Maria Délia Correia da disciplina de português aprendi algumas coisas sobre a vida de Eça de Queirós e a sua obra ―Os Maias‖. . Espero que este trabalho esteja do agrada da sua excelência.