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DA PRISÃO, DAS MEDIDAS CAUTELARES E DA LIBERDADE

PROVISÓRIA
*Pesquisa realizada no site preparatório para OAB – Fórum Criminal
PRISÃO EM FLAGRANTE

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus
agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante
delito.
Flagrante facultativo e compulsório: qualquer pessoa pode prender
em flagrante quem se encontre em flagrante delito, inclusive a vítima do
crime. Com base na redação do dispositivo, podemos dizer que a prisão
pode ser efetuada, até mesmo, por quem não atingiu a maioridade, ou por
quem se encontre com seus direitos políticos suspensos ou submisso a
qualquer outra restrição legal. Ademais, levando-se em consideração a
razão de existir da prisão em flagrante (veja, mais abaixo, o tópico
“funções da prisão em flagrante”), não vemos razão para que a prisão não
possa ser efetuada por estrangeiro, apesar de o dispositivo falar em
“povo”. No entanto, trata-se de ato facultativo (o texto fala em “poderá”).
Ou seja, se, ao presenciar um crime, o “membro do povo” não efetua a
prisão em flagrante, não é possível puni-lo em virtude disso. Por outro
lado, as autoridades policiais e os seus agentes (polícia civil, militar etc.)
tem o dever legal de efetuar a prisão em flagrante (aqui, a redação fala
em “deverão”), sob pena de responder criminal e administrativamente
pelo
descaso.
Prisão por qualquer do povo: “Não é ilegal a prisão realizada por
agentes públicos que não tenham competência para a realização do ato
quando o preso foi encontrado em estado de flagrância. Os tipos penais
previstos nos arts. 12 e 16 da Lei n. 10.826/2003 (Estatuto do
Desarmamento) são crimes permanentes e, de acordo com o art. 303 do
CPP, o estado de flagrância nesse tipo de crime persiste enquanto não
cessada a permanência. Segundo o art. 301 do CPP, qualquer do povo
pode prender quem quer que seja encontrado em situação de flagrante,
razão pela qual a alegação de ilegalidade da prisão – pois realizada por
agentes que não tinham competência para tanto – não se sustenta.” (STJ,
HC 244.016-ES, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 16/10/2012).
Policial fora de serviço: “A situação de trabalho do policial civil o remete
ao porte permanente de arma, já que considerado por lei constantemente
atrelado aos seus deveres funcionais.” (TJSP, HC 342.778-3, Jaú, 6a C., rel.
Barbosa
Pereira,
19.04.2001,
v.u.
JUBI
60/01).
Prisão fora da circunscrição territorial: “Não importa saber de onde

provinham os agentes policiais que efetuaram a prisão em flagrante do
indiciado se agiram eles na conformidade da lei, que autoriza qualquer do
povo e obriga as autoridades policiais e seus agentes a prender quem
quer que seja encontrado em situação de flagrância.” (RT 545/347).
Natureza jurídica: "Sem embargo de opiniões em sentido contrário,
pensamos que a prisão em flagrante tem caráter precautelar. Não se trata
de uma medida cautelar de natureza pessoal, mas sim precautelar,
porquanto não se dirige a garantir o resultado final do processo, mas
apenas objetiva colocar o capturado à disposição do juiz para que adote
uma verdadeira medida cautelar: a conversão em prisão preventiva (ou
temporária), ou a concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança,
com ou sem fiança, cumulada ou não com as medidas cautelares diversas
da prisão." (BRASILEIRO, Renato. Curso de Processo Penal, p. 863, Editora
Impetus). Nota: o tema será tratado mais a fundo na análise do art. 310 do
CPP).
Excludente de ilicitude: na prisão efetuada por qualquer do povo, incide
a excludente do “exercício regular de direito” (art. 23, III do CP). Quando,
no entanto, a prisão é efetuada por autoridade policial ou um dos seus
agentes, a excludente da ilicitude é a intitulada “estrito cumprimento do
dever legal” (também prevista no art. 23, III do CP). Por essa razão, quem
efetua a prisão, não pode responder criminalmente pela conduta, pois não
há ilicitude no ato – desde que, evidentemente, exista a situação de
flagrância, nos termos do art. 302 do CPP, devendo ser punidos eventuais
abusos.
Funções da prisão em flagrante: “A prisão em flagrante tem duas
funções básicas. A primeira é a de interceptar o evento criminoso,
impedindo a consumação do crime ou o exaurimento de seu iter criminis.
Por isso, o Código de Processo Penal permite que a prisão em flagrante
seja realizada por 'qualquer do povo', tendo em vista que o Estado policial
não pode estar presente em todos os lugares, em todos os momentos.
Nesse sentido, a Constituição, em seu art. 5º, XI, estabelece o flagrante
delito como hipótese excepcional de violação do domicílio, sem ordem
judicial, mesmo à noite. A segunda função é a de possibilitar a colheita
imediata de provas contundentes sobre o fato delituoso, especialmente no
que se refere à autoria.” (MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito
Constitucional, 7a edição, p. 773, Editora Saraiva). Em inteligente reflexão,
Renato Brasileiro ressalta que a prisão em flagrante também tem como
função a preservação da integridade física do autor do fato (Curso de
Processo
Penal,
p.
863,
Editora
Impetus).
Resistência: “Flagrante. Legalidade. Testemunhas. Indeferimento. (...) III
– A resistência do acusado à ordem de prisão, com agressão aos policiais
que efetivaram a medida constritiva, demonstra a sua insubordinação à

é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga. 106 do ECA. por exemplo. Confissão espontânea: “A Turma. § 1o Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito. nem se exigirá fiança. 178 do ECA. que veda a condução do adolescente apreendido em compartimento fechado de carro policial. entre outras questões. Em caso de violência doméstica. Rel. HC 135. Menor de idade: o menor de 18 anos não pode ser preso em flagrante. imediatamente. Benito A.343/06). de Figueiredo. e o preso foge ou tente fugir mediante o emprego de violência. Lei de Drogas: “Art. domicílio ou local de convivência com a vítima. em verdade. por si só. sem prejuízo de eventual punição na esfera administrativa. 301 do CTB). o crime será o do art. entendeu que o fato de a prisão do paciente ter sido em flagrante não impede. o procedimento de prisão e o de apreensão não são iguais. Em caso de ato infracional. deverá ocorrer a sua apreensão. Og Fernandes. Crimes de menor potencial ofensivo: “Ao autor do fato que. nos termos do art. 69. b) os crimes a que a lei comina pena máxima não superior a 2 . poderá a autoridade responsável pela prisão responder criminalmente pelo abuso. 16-12-2004). Caso isso ocorra.” (STJ. na falta deste. havendo flagrância. o juiz poderá determinar. firmado por perito oficial ou. Nota: o crime de resistência está previsto no art. por pessoa idônea. após a lavratura do termo.430-MS. for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer. seu afastamento do lar.099/95).. Veja. Pode parecer mero eufemismo.ordem pública.” (art. remetendo-lhe cópia do auto lavrado. em 24 (vinte e quatro) horas. e a inobservância de suas peculiaridades pode gerar a ilegalidade do ato. justificaria a manutenção da custódia” (TJBA. Des. mas. nos casos de acidentes de trânsito de que resulte vítima. Acidente de trânsito: “Ao condutor de veículo. DJ 18/12/2006. 2ª C. parágrafo único da Lei 9. 329 do CP. Min. que se reconheça a atenuante da confissão espontânea. do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público. julgado em 22/2/2011). Ocorrendo prisão em flagrante. o art.” (art. o que por si só. nem se exigirá fiança. como medida de cautela. São delitos de menor potencial ofensivo: a) as contravenções penais. não se imporá prisão em flagrante. Precedente citado: REsp 435. Rel. 352 do CP (“Evasão mediante violência contra a pessoa”). se prestar pronto e integral socorro àquela.” (Lei 11. HC 34270-4/2004. a autoridade de polícia judiciária fará. comunicação ao juiz competente. j. Crim. Caso a prisão já tenha sido efetuada.666-RJ. não se imporá a prisão em flagrante. 50.

pois inexistente. Ademais. Crimes de ação penal privada [2]: "Em sede de crime de ação penal privada não se exige fórmula sacramental para a manifestação de vontade . pois. Por isso. não terá ocorrido a sua prisão em flagrante. 306. o auto não será lavrado – e. cumulada ou não com multa. Apresentação espontânea [2]: “Não tem cabimento prender em flagrante o agente que. e confessa o crime. Imagine o seguinte exemplo: “A” é preso em flagrante estuprando “B”. evidentemente. mas em virtude de cumprimento de determinação judicial. "caso a vítima não esteja presente .” (CPP Comentado. mediante queixa-crime. se presentes os seus pressupostos” (RT 584/447). O mesmo raciocínio é aplicável aos crimes de ação penal pública condicionada à representação. parece-nos correta a reflexão de Nucci. incapaz de se manifestar sobre o ocorrido nas primeiras horas após o crime. não seria possível a prisão em flagrante. Contudo. Apresentação espontânea [1]: a apresentação espontânea do autor de crime à autoridade policial impede a prisão em flagrante (construção doutrinária e jurisprudencial. o auto não poderá ser lavrado e o ofensor deverá ser imediatamente liberado. é essencial a manifestação da vítima quanto à prisão em flagrante. Por isso. a autoridade policial poderá realizar a prisão. p. Crimes de ação pena privada [1]: os crimes de ação penal privada são aqueles em que a ação criminal é proposta pelo ofendido ou pelo representante legal. em tese. Por isso. Caso não concorde com a prisão. sem previsão legal expressa). maior de idade. caso não seja lavrado o auto. por decretação de prisão preventiva ou temporária. caso exista mandado de prisão em aberto. e não somente pela “voz de prisão”. a soltura do suposto ofensor não dependerá da expedição de alvará. entrega-se à polícia. não teria o menor cabimento deixar de realizar a prisão de “A” em razão da situação de fragilidade momentânea de “B”. permanece em estado de choque nas horas seguintes ao delito. parágrafo primeiro do CPP).ou seja incapaz de dar o seu consentimento lavra-se a prisão e busca-se colher a manifestação do ofendido para efeito de lavratura do auto de prisão em flagrante. senão quando efetuada pela própria vítima. Ressalvada a hipótese de decretação da custódia preventiva.(dois) anos. ainda que o agente seja encaminhado à delegacia. em razão do crime. Por se tratar de crime de ação penal pública condicionada. horas depois do delito. adota-se o seguinte procedimento: no momento da lavratura do auto de prisão em flagrante. Caso a vítima manifeste-se de forma contrária à prisão em flagrante. como já dito. que não o perseguia. deverá o ofendido manifestar-se a seu respeito. que. A prisão em flagrante é composta por uma série de atos (fala-se em “ato complexo”). para Nucci. Editora RT). Para solucionar a celeuma. não será encaminhado ao juiz (art. 633. que não será em flagrante. No entanto.

entretanto. 863. Nestor. contudo. Gilmar Ferreira. pode adentrá-la. Quebrado o flagrante. DJ 04. seja quanto ao relaxamento da prisão ilegal. a partir do momento em que o juiz é comunicado da prisão em flagrante. pois o art.1999. Curso de Direito Processual Penal. p. Uso de algemas: “Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou . que não é absoluta. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. p. p.09. Inviolabilidade do domicílio: “A casa é asilo inviolável do indivíduo. RHC 8. 737. por determinação judicial. 419. Editora Jus Podivm). 481. razão pela qual eventual habeas corpus deve ser impetrado perante um juiz de 1o grau. Curso de Direito Constitucional. 8a edição. Curso de Processo Penal. 7a edição. a autoridade coatora é o delegado de polícia. Editora Saraiva). seja quanto à concessão da liberdade provisória. deve ser ouvida a vítima ou seu representante legal para que se cumpram as formalidades legais.do ofendido no sentido de que se promova a responsabilização do autor do delito.” (MIRABETE.680-MG. XI da CF). quedando-se inerte. 301 do CPP não distingue. ou. Julio Fabbrini. rel.” (BRASILEIRO. “A Constituição estabelece exceções à inviolabilidade.” (art. p. Todo aquele que é preso.1999. Capturado. e que se homiziou na sua casa. 63). dando perseguição ao agente que acabou de cometer um crime. conceito que cabe ao legislador definir. durante o dia. será revistado” (TÁVORA. A polícia. Renato. José Arnaldo da Fonseca. 5o. Editora Impetus).10.u. transformarse em autoridade coatora. Editora Atlas). décima primeira edição. A qualquer momento é lícito o ingresso no domicílio alheio em caso de flagrante delito.. a invasão é proibida. Crimes de ação penal privada [3]: “A legislação pátria não veda a prisão em flagrante em qualquer espécie de infração. Prisão por particular e apreensão: “STF: Permitida a apreensão de coisas pelo particular que realizar o flagrante (RTJ 58/34). o autor da infração penal. No entanto. referindo-se genericamente a todos que se encontram em flagrante delito. Código de Processo Penal Interpretado. devendo o respectivo habeas corpus ser dirigido ao respectivo Tribunal. Busca pessoal: “A busca pessoal pode dispensar a expedição de mandado nas seguintes hipóteses: (1) quando da realização de prisão." (STJ. em flagrante ou por ordem judicial. 14. ou para prestar socorro.” (MENDES.” (RT 700/375). p. v. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. Autoridade coatora: “Enquanto a prisão em flagrante for um ato administrativo.

” (art.alheia. Advogados: “Art. resolva sobre a prisão. Presidente da República: “§ 3º . caso em que a autoridade fará. Membros do Congresso Nacional: “§ 2º Desde a expedição do diploma.Enquanto não sobrevier sentença condenatória. por parte do preso ou de terceiros. pelo voto da maioria de seus membros. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. 7º São direitos do advogado: IV . Também há previsão de inafiançabilidade na CF/88 e em algumas leis penais especiais. salvo em flagrante de crime inafiançável.” (art.” (Lei 8. 40. compreende. nos demais casos. o Presidente da República não estará sujeito a prisão.” (Enunciado n. Também há previsão de inafiançabilidade na CF/88 e em algumas leis penais especiais. quando preso em flagrante. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público. consoante o regimento.” (Súmula Vinculante n. Nota: os crimes inafiançáveis estão em rol taxativo. os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos. além de outras previstas na Lei Orgânica: III . justificada a excepcionalidade por escrito. Nota: os crimes inafiançáveis estão em rol taxativo. 86 da CF).906/94).ter a presença de representante da OAB. a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito. salvo em flagrante de crime inafiançável. sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere. nos arts. para que. por motivo ligado ao exercício da advocacia. sob pena de nulidade e. Nesse caso. a comunicação expressa à seccional da OAB. 53 da CF). salvo em flagrante de crime inafiançável.” (LOMAN). 323 e 324 do CPP. 397 da Súmula do STF). Poder de polícia do Congresso Nacional: “O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.” (LOMP).ser preso somente por ordem judicial escrita. em caso de crime cometido nas suas dependências.não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do órgão especal competente para o julgamento. 11). a comunicação e a apresentação do membro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça.São prerrogativas do magistrado: II . Membros do MP: “Art. nas infrações comuns. para lavratura do auto respectivo. 33 . Magistrados: “Art. nos arts. caso em que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado (vetado). os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva. 323 e 324 do CPP. no prazo máximo de vinte e quatro horas. A Constituição do Estado de São Paulo .

art.é encontrado. Portanto.trazia a mesma previsão em relação do Governador (art. exigir a sua punição. não pode a sociedade. foi considerado culpado. Diferentemente dos agentes diplomáticos. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. diante de ação penal em trâmite. Considera-se em flagrante delito quem: I . em razão do mal praticado pelo criminoso. com instrumentos. em xeque. pela autoridade. é a única que tem como objetivo dar uma resposta à sociedade. De todas as prisões. afinal. 302.está cometendo a infração penal. que estariam cobertos pela imunidade (Convenção de Viena. sim. O que se presume é a “não culpabilidade”.435/65). pois o acusado É INOCENTE – antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. III . a expressão “presunção de inocência” não é adequada. em situação que faça presumir ser autor da infração. b) prisão preventiva: nesta prisão.” (MENDES. então. farei a seguinte divisão. promulgada pelo Dec. n. A INOCÊNCIA É CERTA. após o trânsito em julgado. Nasce. Para a população em geral. No entanto. Editora Saraiva). o acusado ainda não foi condenado. no entanto. pois se confirmou que o acusado. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. de fato. por ora. armas. os agentes consulares podem ser presos em flagrante delito ou preventivamente. 61. p. o STF entendeu pela inconstitucionalidade do dispositivo. esta. IV .210/84 (“LEP”). Espécies de prisão: para a melhor compreensão do tema “prisão”. n. é essencial que se conheça as espécies de segregação existentes. praticou o delito. 5º). estando a sociedade legitimada a puni-lo com a mais grave das penas. Por isso. em tópicos: a) prisão decorrente de condenação criminal: regulada pela Lei 7. após o trâmite da ação penal. logo após. parágrafo quinto). Gilmar Ferreira. 49. Art. ele é inocente – e só o deixará de ser se. excetuadas as hipóteses de crimes praticados no exercício das funções. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. Portanto. Por isso. de 1963. já não se fala mais em “presunção de inocência”.078/67. o direito a responder o processo . 7a edição. Agentes diplomáticos: “Admite-se que a imunidade diplomática obsta a que se efetive a prisão do agente diplomático ou de qualquer membro de sua família (Convenção de Viena. Curso de Direito Constitucional. Nas infrações permanentes. em tempos de paz: o cerceamento da liberdade. e não mera presunção. 776. II . a sua culpa for comprovada por sentença penal condenatória.é perseguido. promulgada pelo Dec. 303. é aquela imposta àquele que.acaba de cometê-la. o desejo de justiça. 56. pois tal imunidade só poderia ser concedida pela União. logo depois. Art. posteriormente.

de fato. aos olhos de todos – incluo-me -. a reflexão acima é necessária para entender a prisão preventiva e as recentes alterações no CPP.343/06). De acordo com a Súmula Vinculante n. garantir a ordem pública. “é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. Ou seja. para quem atua na área criminal. desde que não seja possível garanti-la por meio de outra medida cautelar (veja o art. Vivemos em um país violento. No entanto. inegavelmente. Infelizmente. posso citar um: a falta de divulgação das absolvições. é considerado culpado. possivelmente culpado. pois passa a impressão de impunidade. ao final. outra razão que advoga em desfavor do direito a responder o processo em liberdade é o aumento da criminalidade. Arrisco-me a justificar a razão disso: em regra. se a panela serve para cozinhar. modifica a legislação para vedar a concessão de liberdade provisória.403/11. quando essenciais para a prática do ato de prender. é justo impor a alguém o cerceamento da liberdade em razão da violência que assola a sociedade? E se. Posso apostar que dificilmente encontrará algo. 44 da Lei 11. Por fim. Entretanto. a prisão preventiva é hipótese de prisão de pessoa inocente. permaneça em liberdade. presenciar uma absolvição não é algo incomum. 11. de . Com base nisso. por parte do preso ou de terceiros”. as algemas servem para imobilizar – e não para gerar humilhação ou coisa do tipo -. Diante do mal provocado por um criminoso. o legislador. questiono: se a nossa Constituição garante a inocência de quem ainda não foi condenado. no entanto. é inconcebível que um processo tramite durante anos. sempre que a legislação traz nova hipótese de vedação. E por quê isso? Dentre vários motivos. Por isso. Faça um teste! Procure. não aceita a ideia de que alguém. não praticou o crime? A vedação à liberdade provisória tem como intuito. ficar comprovado que o acusado. ao final da ação penal. 319 do CPP). pode o juiz decretar a prisão preventiva de um acusado. fragilizada. a inconstitucional antecipação da punição (que só deve ocorrer na prisão decorrente de imposição de pena). Basta que se aponte o dedo para que a culpa esteja formada (principalmente quando o dedo é da imprensa!). Para. Não é raro. especialmente em crimes de maior gravidade. enquanto o acusado é inocente. não demora muito até que o Poder Judiciário a rechace. alguém pode ser preso? A resposta está nos artigos 312 e 313 do CPP. Apesar de longa. A prisão preventiva em muito se assemelha ao uso de algemas. contraditório e presunção de não culpabilidade são ideais que fogem do julgamento popular. o desejo de vingança. impedindo que o acusado responda em liberdade (ex. a sua imposição deve ocorrer em situações excepcionais. de tempos em tempos. e não são poucos os casos em que. ao ser acusado. Devido processo legal. no jornal de sua cidade. Outro fator fundamental para o sentimento de impunidade é a morosidade do Judiciário. Explico: como ainda não há condenação judicial transitada em julgado. inerente à aplicação da pena de prisão. e a população. é urgente. promovidas pela Lei 12. constata-se a inocência do acusado. Por isso. A prisão preventiva também é forma de imobilização. essas absolvições não chegam à população.em liberdade soa como desatino. E quais seriam as hipóteses em que. Portanto. por exemplo. apesar da inocência. uma manchete que trate sobre a absolvição de alguém. parte-se do princípio de que alguém.: art. previstas em lei.

Tem como objetivo. É a situação em o autor da infração é perseguido. Trata-se de rol taxativo. Contudo. Classificação da prisão em flagrante: é fundamental conhecer a classificação doutrinária das várias modalidades de prisão em flagrante. 310: a) relaxar a prisão. garantir a colheita de provas e assegurar a integridade física do autor do crime. ocorrerá a soltura. logo após. dentre outros. 301 do CPP). sendo imperioso o seu relaxamento (art. é encontrado. com instrumentos. acaba de cometê-la.960/89). que determinam os objetivos buscados pela medida. 302. é legítima a prisão em flagrante. caso não exista razão para a decretação da prisão preventiva. considerar-se-á ilegal.segregação. o procedimento denominado “prisão em flagrante” é concluído com a entrega do respectivo auto ao juiz. se for ilegal (hipótese em que o preso deve ser libertado). evitar a consumação ou o exaurimento do crime. o magistrado deverá impor a prisão preventiva ou a temporária. 312 e 313 do CPP. para que o acusado permaneça preso. em situação que faça presumir ser autor da infração. Caso contrário. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Em qualquer dessas situações. I e II): é a hipótese em que o agente é surpreendido praticando o crime (ou logo após cometê-lo). pelo ofendido ou por qualquer pessoa. decretar a prisão temporária (regulada pela Lei 7. logo depois. b) decretar a prisão preventiva ou outra medida cautelar diversa. não bastando a memorização do art. Contudo. não por atamento de mãos (como nas algemas). que deverá. III): também chamado de quase flagrante. Relaxamento: considera-se em flagrante delito quem: está cometendo a infração penal. Inicia-se no momento da “voz de prisão” e se extingue com a entrega do auto de prisão em flagrante ao juiz. 5o. Portanto. que dita o que se busca com a sua aplicação. se a prisão preventiva for inútil ao que se busca. que pode ser decretada por qualquer pessoa (veja os comentários sobre o art. se a prisão não encontrar amparo em nenhuma das hipóteses acima. mas pelo uso de grades e de vigilância constante. d) prisão em flagrante: pode ocorrer no momento em que o crime é praticado ou logo após. pela autoridade. não há como confundi-las. se a prisão for legal. A prisão preventiva tem como fundamento legal os arts. veja o art. c) conceder a liberdade provisória. O acusado não poderá aguardar o julgamento preso em razão do flagrante. pela autoridade. c) prisão temporária: tudo o que foi dito a respeito da prisão preventiva é aplicável à prisão temporária. 302 do CPP. só deve ser imposta quando o objetivo pretendido não puder ser alcançado por alguma medida diversa (novamente. 302. Por isso. e só deve ser utilizada nas hipóteses dos arts. Vejamos cada uma: a) flagrante próprio (art. em situação que faça presumir ser . 302 CPP. Já a prisão temporária encontra amparo legal na Lei 7. Caso contrário. b) flagrante impróprio (art. 312 e 313 do CPP. por se tratar de restrição de liberdade de pessoa inocente. Como já explicado. logo após. a fuga do possível culpado. também. deverá o acusado responder o processo em liberdade. 319 do CPP). é perseguido. extraídas do art.960/89. armas. nos termos do art. LXV da CF). pelo ofendido ou por qualquer pessoa. Poderá.

previstas na legislação. alguém é encontrado com instrumentos. “embora ambas as expressões tenham o mesmo significado. pode o agente público deixar de efetuar a prisão em flagrante. A Lei 12. trata-se de ato vinculado. pois se trata de crime impossível (art. Curso de Processo Penal. e não discricionário. a autora da infração. A Lei 11. Não é ilegal. e. enquanto no prorrogado. STJ: “Não há flagrante preparado quando a ação policial aguarda o momento da prática delituosa. Caso alguém venha a arrombar o automóvel. do flagrante impróprio. objetos ou papéis que façam com que se presuma ser. II. pode ocorrer a sua prisão em flagrante. Imagine a seguinte situação: logo após o arrombamento de um imóvel. a doutrina tem entendido que o 'logo depois'.” (Capez. pois tem como fundamento a suposição (o inciso III também fala em “presumir”. caminhando pela região. em seu art. IV): trata-se de hipótese em que. quando. para que seja possível a prisão em flagrante do criminoso. é. e) flagrante esperado: não se confunde com o provocado. fala-se em “logo após”. permanece em campana. sem qualquer vínculo com o crime. com um “notebook” em seu interior. é aceitável um lapso temporal mais amplo). logo depois do crime. sem seguida. f) flagrante prorrogado ou retardado: como já comentado anteriormente. Qual seria a diferença? Para Capez. 315). com o intuito de prender arrombadores de automóveis. neste. essa pessoa. 8o. é preciso que aquele que efetue a prisão tenha muita cautela ao realizá-la. enquanto. 302. também autoriza o flagrante prorrogado.850/13 (trata sobre “organização criminosa”). Consiste no ato (por isso o nome) de esperar a ocorrência do delito. valendo-se de investigação anterior. pois. 301 do CPP. O flagrante retardado “difere-se do esperado. comporta um lapso temporal maior do que o 'logo após'.autor da infração. o agente é obrigado a efetuar a prisão em flagrante no primeiro momento em que ocorrer o delito. Visualize o seguinte exemplo: a polícia. pois. não podendo escolher um momento posterior que considerar mais adequado. a autoridade policial e os seus agentes tem o dever legal de efetuar a prisão de quem se encontre em flagrante delito. a prisão em flagrante será ilegal. Fernando. c) flagrante presumido ou ficto (art. 53. armas. sem dúvida alguma. Das quatro hipóteses previstas nos incisos do art. no inciso III. d) flagrante preparado ou provocado: é a situação em que o autor do crime é induzido a praticar o ato. do flagrante presumido. Por presunção. p. a que mais facilmente pode ser considerada ilegal. em seu Curso de Processo Penal (p. ficando afastada a tipicidade da conduta. para efetivar a prisão. g) flagrante forjado: é o caso em que . traz previsão expressa de flagrante retardado (intitulado “Ação Controlada” no texto legal). Contudo. 10/389). Não há perseguição. 319). o agente policial tem a discricionariedade quanto ao momento da prisão. Evidentemente. como veremos a seguir. para a investigação criminal.343/06 (“Lei de Drogas”). Portanto. estaciona um “carro isca” em local ermo. no inciso IV. o agente não foi induzido a praticar o crime. 17 do CP). for mais interessante a prisão em momento posterior. Sobre o tema. 302. quando vimos o art. para evitar que alguém. alguém é visto. O inciso IV fala em “logo depois”. aqui. sofra tamanho constrangimento. em situações excepcionais. em cenário montado para tal fim. mas. em seu art. aguardando eventual criminoso. com a “res furtiva” subtraída do local do crime. sem utilização de agente provocador” (RSTJ.

a autoridade policial poderá realizar a prisão. Desprovida do periculum in mora (cf. mas é atípica a conduta. a suposta pessoa em flagrante não praticou qualquer ato. o agente pratica fato que é considerado crime. 302. Apresentação espontânea [2]: “Não tem cabimento prender em flagrante o agente que. “Logo após” [2]: "a perseguição há que ser imediata e ininterrupta. que não o perseguia. 978). cabendo ao juiz. p. a prisão em flagrante não será nada após o prazo de vinte e quatro horas. diante de cada caso concreto e em razão das circunstâncias em que se houver dado a captura do agente. 634). que não será em flagrante. caso exista mandado de prisão em aberto. 312). Exemplo: policial que implanta grande quantidade de cocaína no interior de um veículo. Edilson. não podendo. horas depois do delito. a ocorrência ou não de um decurso de tempo que coadune com a determinação legal. p. 302. III) e logo depois (art.” (MOUGENOT.o flagrante é criado. em seguida. não restando ao indigitado autor do delito qualquer momento de tranquilidade" (DELMANTO. Roberto. p. e confessa o crime. até que o juiz decida se o indiciado deve ou não responder preso à persecução penal. as expressões não se referem a um lapso fixo e determinado de tempo. Apresentação espontânea [1]: a apresentação espontânea do autor de crime à autoridade policial impede a prisão em flagrante (construção doutrinária e jurisprudencial. Com efeito. “Logo após” e “logo depois”: “Alguma controvérsia existe acerca das expressões logo após (art. assim. Código de Processo Penal Anotado. ser considerada prisão provisória.” (CAPEZ. ao contrário do que parte da doutrina sugeriu no passado. por tráfico de drogas. para que não se autorize a perseguição de pessoas simplesmente suspeitas. prende o seu condutor em flagrante. Fernando. e. portanto. IV). As modalidades de prisão provisória e seu prazo de duração. CPP. utilizou a lei a expressão logo após. No flagrante provocado. mas contra as quais não há certeza alguma de autoria. mas em virtude de cumprimento de determinação judicial. a ser uma mera detenção cautelar provisória pelo prazo de vinte e quatro horas. . reconhecer. por decretação de prisão preventiva ou temporária. entrega-se à polícia. Ressalvada a hipótese de decretação da custódia preventiva. 101). se presentes os seus pressupostos” (RT 584/447). Guilherme de Souza. “Logo após” [1]: "evitando-se conferir larga extensão à situação imprópria de flagrante. sem previsão legal expressa). CPP Comentado. sem intervalos longos" (NUCCI. querendo demonstrar que a perseguição deve iniciar-se em ato contínuo à execução do delito. Contudo. a seu prudente arbítrio. art. No forjado. p. 143). Curso de Processo Penal. Natureza jurídica: “A prisão em flagrante passou. pois não passa de mero fantoche nas mãos de quem o induziu a praticar o ato.

mesmo que dure dias ou até mesmo semanas.” (DAMÁSIO. que. cuidava-se da chamada quase flagrância. Havendo perseguição ao ofensor. p. o auto de flagrante. distante do local da cena delituosa. em razão de tiros que o atingiram quando perseguido pela polícia. 391). 563). estupro de vulnerável do art. Prazo de 24 horas: “A crença popular de que é de 24 horas o prazo entre a prática do crime e a prisão em flagrante não tem o menor sentido. o executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar. se a perseguição não for interrompida. tendo em vista as circunstâncias do caso. RT 527/304. prevista no n. DJU 27. TACrimSP. mesmo que no momento da prisão já se soubesse quem era o autor do delito. se não houve a perseguição logo após o delito. do CP). não é admissível a prisão no outro dia. 3381). Não havendo solução de continuidade. que o . Evidentemente. Renato. RTJ 35/171. p. p. p. Conceito legal de perseguição (CPP): “Art. não existe um limite temporal para o encerramento da perseguição.79. apresentando-o imediatamente à autoridade local. STF.” (TÁVORA. até então.” (DAMÁSIO. caput. por indícios ou informações fidedignas. fosse o detido o autor do crime que averiguavam (TJSP. eis que. por policiais. for perseguindo-o sem interrupção. § 1o . Prisão em hospital: TACRSP: “Quase-flagrância – Acusado que estava sendo medicado em hospital.4. Se o réu. ocasião em que foi preso. tratando-se de quase flagrante ou flagrante impróprio relativo a fato contra menor.” (BRASILEIRO. há julgados do Superior Tribunal de Justiça conferindo maior elasticidade à expressão logo após.“Logo após” em crime contra menor: “Em se tratando de crimes contra menores de idade (v. 390). logo após o fato. providenciará para a remoção do preso. sendo perseguido. p.964. se for o caso.. Entende o Egrégio Tribunal que. depois de lavrado. CPP Comentado.” (RT 572/357-8). 290. havendo êxito na captura do perseguido. estaremos diante de flagrante delito. Nestor. quando: a) tendo-o avistado. Inexistência de constrangimento ilegal. embora depois o tenha perdido de vista. Prisão por casualidade: “Não pode ser considerada em flagrante a prisão levada a efeito por mera casualidade. Prisão duas horas após o crime: “O STF apreciou hipótese de prisão efetuada aproximadamente duas horas depois da prática de homicídio confessado pelo réu.g. b) sabendo. Curso de Processo Penal. 217-A. Seu reconhecimento imediato pelas vítimas. isto é. passar ao território de outro município ou comarca. caracterizado estará o estado de quase flagrância. III (RHC 56. pouco importando se a prisão ocorreu somente poucas horas depois.Entenderse-á que o executor vai em perseguição do réu. logo após terem sido informados do fato pela mãe da vítima. se seus executores ignoravam. decidindo que. RT 786/651 e 788/600). Curso de Direito Processual Penal. 106/996. 870). o tempo a ser considerado medeia entre a ciência do fato pelo seu representante e as providências legais que este venha a adotar para a perseguição do paciente. CPP Comentado. 115/188 e 117/639. 70/76.

564). for no seu encalço”. isso por ter exigido valores sob a promessa de reduzir multa fiscal a ser aplicada. que poderá. pelo lugar em que o procure. DJ 5/8/1983. Nestor. em tal ou qual direção. mas sim esperado.311-RJ. p. validamente. de tal forma que o crime jamais possa se consumar (CP. 302. Guilherme de Souza. III): "pode demorar horas ou dias. não caracteriza crime impossível.a própria vítima no momento de negociação da propina . Resultou em sua demissão e na impossibilidade de assumir cargo público pelo prazo de cinco anos. conforme a jurisprudência deste Superior Tribunal e do STF. Perseguição duradoura (art. Quanto à gravação utilizada como prova naqueles autos. Precedente citado do STF: RHC 61. p. 17. Rel. desde que tenha tido início logo após a prática do crime” (NUCCI. esperando seu deslinde. Curso de Processo Penal. não podemos atribuir-lhe o conatus. não tinha como alcançar a sua consumação porque dele soubera com antecedência a autoridade policial e preparou tudo de modo a evitála. Renato. se o agente. Flagrante esperado [3]: “O fato de o co-réu encontrar-se fora do país no momento da consumação do crime não impede sua participação na trama ou a existência do liame subjetivo entre ele e os demais membros da quadrilha. p. quanto mais se o automóvel envolvido no sinistro.” (TÁVORA. não há que a tachar de ilícita. analisando o caso concreto. caput). ao tomar conhecimento da farsa. 634). É recomendado. Segundo o referido autor. Nota: posicionamento diverso do adotado pelo STJ. Flagrante esperado em concussão [1]: “O processo administrativo disciplinar contra o auditor fiscal estadual foi instaurado após sua prisão em flagrante. julgado em 16/12/2004).018-RN. Flagrante esperado [1]: Nada impede que o flagrante esperado seja realizado por particular. aguardar o início dos atos executórios para prender em flagrante. art.réu tenha passado. visto que foi realizada por um dos interlocutores . Não o fazendo. pois a solicitação do numerário se deu dias antes de sua prisão.fato que. HC 36. ainda assim a prisão estará revestida de legalidade.” (BRASILEIRO. 873). quando não mais se dependia de flagrante . caso a autoridade policial adote um esquema infalível de proteção ao bem jurídico. Curso de Direito Processual Penal.” (STJ. afasta-lhe a pecha. sabendo que a infração irá ocorrer. que se entre em contato com a polícia. Gilson Dipp. que havendo tempo hábil e por uma questão de segurança. Outrossim. contudo. Também não se trata de flagrante preparado. CPP Comentado. Rogério Greco entende que é possível que uma hipótese de flagrante esperado transforme-se em crime impossível. mais sim flagrante esperado. estimulado ou não a praticar o crime. o fato de a polícia e a seguradora. era de sua propriedade. há pouco tempo. Não importa se o flagrante é preparado ou esperado. forjado com fins de se receber o respectivo seguro. Min. observarem a colisão dos veículos levada a efeito pela quadrilha. Flagrante esperado [2]: “Em sentido um pouco diverso.

a corrupção passiva e a extorsão. DJU. pratica o crime de concussão. é possível a prisão em flagrante no momento do recebimento da quantia. sem instigar a atuação do auditor. É o caso do sequestro. Flagrante esperado em concussão [2]: “Crime exaurido. Flagrante em crime permanente [1]: “enquanto não cessada a permanência. com a exigência da vantagem. prevalece o entendimento de que a prisão em flagrante pode ocorrer tanto no momento da exigência quanto do recebimento. Nota: há muita discussão sobre o tema. razão pela qual pode o agente. Arnaldo Esteves Lima. exaurimento do delito. no momento do recebimento. o oficial de Justiça que exige o pagamento de condução além do valor previsto no respectivo regimento. cumpre reconhecer a ocorrência de flagrante preparado. ainda que separados por lapso temporal. O crime de concussão é formal. Ação controlada em crime de “lavagem de dinheiro” (Lei 9. poderá ocorrer a prisão em flagrante dos sequestradores. em sua forma consumada. previamente informada pela vítima. Min. Código Penal Comentado. direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz.469-4RJ. p. 4o-B. Por isso. no ato da entrega lhe dá voz de prisão.785-RO. Enquanto a vítima estiver privada de sua liberdade. Rel. 707/293). p. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. 79) Flagrante preparado [1]: “Não há crime. há quem sustente que a prisão em flagrante só será possível quando praticado o primeiro ato (exigir). pois o crime se consumou. sendo ilegal a prisão em flagrante realizada posteriormente. ouvido o Ministério Público. 145 da Súmula do STF). Contudo. e se consuma no momento da exigência da vantagem indevida.” (CAPEZ. e a equipe policial apenas permaneceu alerta. ser preso em flagrante pela autoridade policial. Flagrante preparado [2]: “Se o agente policial induz ou instiga o acusado a fornecer-lhe a droga que no momento não a possuía. Prisão em flagrante: Em crimes formais como a concussão.para caracterizar o delito. caso a exigência e o recebimento ocorram em momentos diversos. Fernando. perdura o flagrante ensejador da prisão” (STJ. Flagrante em crime permanente [2]: “O crime de manutenção de casa de prostituição tipifica objetivamente uma conduta permanente. porém saindo do local e retornando minutos depois com certa quantidade de entorpecente pedido pelo policial que.613/98): “Art. A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens. sendo o efetivo recebimento mero exaurimento da conduta. anteriormente. 1993. 3128). julgado em 10/10/2006). quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações”. RMS 19. RHC 2. tão somente. Assim.” (Enunciado n. A posterior entrega da quantia exigida constitui. não incidindo a Súmula 145 do STF.” (RT. 8 mar.” (STJ. pouco . neste momento.

simbolizando várias infrações. do CP (subtração de dois sacos de cimento de 50 kg. por uma ficção jurídica. no instante em que um dos atos componentes da cadeia da habitualidade estiver sendo praticado. configurada a conduta típica descrita no art.” (TÁVORA. Relator. Como existem várias ações independentes. no entanto. não há de se falar em consequente absolvição nesse ponto.” (CAPEZ. 5ª T.. Daí a impossibilidade do flagrante. não se saberá ao certo se aquele ato era de preparação. ato a cuja execução o apenado se opôs de forma violenta. Fernando. ser impossível acolher o argumento de que a referida declaração de atipicidade teria o condão de descaracterizar a legalidade da ordem de prisão em flagrante. albergada pela legislação brasileira para fins exclusivos de imposição da sanção penal)l9. Nestor. de acordo com as circunstâncias atinentes ao caso concreto. 319). surge para a autoridade policial o dever legal de agir e efetuar o ato prisional. a aplicação da pena de um só crime (teoria da ficção jurídica do crime continuado ou teoria da unidade fictícia limitada. a prisão em flagrante poderá ser efetuada diante da prática de qualquer novo ato. " (art. 357). devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro . Em sentido contrário. não cabe prisão em flagrante. mediante mais de uma ação ou omissão. Rel. pelas condições de tempo. p. o que não é possível verificar em um ato ou momento isolado.. no instante da prisão. José Arnaldo da Fonseca. mormente pelo fato de que ambos os delitos imputados ao paciente são autônomos e . lugar. 354). irá incidir. maneira de execução e outras semelhantes. exasperada de um sexto a dois terços (parte final do art. Ordem denegada. Para esta segunda posição.importando o momento da fiscalização do poder público e a comprovação de haver. Assim. se a polícia já tiver uma prova anterior da habitualidade. no ato. j. a possibilidade de se efetuar a prisão em flagrante por cada uma delas. HC 42995/RJ. isoladamente. Segundo o Min. contudo. cit. Flagrante em crime continuado: “No crime continuado. O juízo acerca da incidência do princípio da insignificância é realizado apenas em momento posterior pelo Poder Judiciário. 155. Min. não é incabível a prisão em flagrante em crime habitual se o agente é surpreendido na prática do ato e se recolhe.. 71 do CP). p. Logo.” (STJ. Flagrante e crime de resistência: “A Turma concedeu parcialmente a ordem de habeas corpus a paciente condenado pelos delitos de furto e de resistência. Curso de Processo Penal. na sentença. É o que se chama de flagrante fracionado. Curso de Direito Processual Penal. caput. irá haver. reconhecendo a aplicabilidade do princípio da insignificância somente em relação à conduta enquadrada no art. provas cabais da habitualidade' (Código de Processo Penal interpretado. 71).. DJ 24-10-2005.. p. Flagrante em crime habitual: “em tese. "o agente.. no momento em que toma conhecimento de um delito. execução ou consumação. 27-9-2005. várias condutas. avaliados em R$ 45). pois o crime só se aperfeiçoa com a reiteração da conduta. Mirabete: '. Na hipótese de continuidade delitiva. temos. 570). relacionamento sexual das aliciadas. indubitavelmente. 329 do CP. Asseverou-se. p. pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e.

p. porquanto não processam e nada sentenciam. as condutas anteriores configurar crime permanente. e sim pelo outro. Felix Fischer. 636). mas somente para descobrir a real autoria e materialidade de outro. Guarda municipal: “Entendeu o TJSP que a prisão em flagrante efetuada por guardas municipais no interior de domicílio constitui ato irregular. e o posterior encaminhamento à autoridade . Curso de Processo Penal. não exercendo a Polícia atividade jurisdicional. HC 154. No que concerne aos crimes inafiançáveis. mas porque trazia consigo ou tinha em depósito substância entorpecente. É o que ocorre nos casos de tráfico ilícito de entorpecentes. não se submete ela à competência jurisdicional ratione loci (RT. 383). julgado em 3/8/2010). veja os comentários feitos ao art.” (DAMÁSIO. Min.949-MG. Competência: "Não obstante as disposições sobre a competência das autoridades policiais. no ato da venda. 113).04. induzindo ou instigando o autor a praticado um determinado delito. p. Flagrante preparado: "há casos em que a polícia se vale do agente provocador. p. 'caput'. 33. da Constituição Federal não se aplica às autoridades policiais." (NUCCI. desejoso de comprar drogas. tem-se entendido que a falta de atribuição destas não invalida os seus atos. não será autuado por 'vender'. somente é admissível a prisão em flagrante. Celso de Mello. Guilherme. 542/315). não se dá voz de prisão por conta do delito preparado. determinou-se a anulação de auto de prisão em flagrante lavrado sob tais condições (JTJ 230/311). v. Curso de Processo Penal. Nenhuma outra modalidade de prisão cautelar (temporária ou preventiva) ou mesmo de prisão civil (por alimentos. Assim sendo. pois tais agentes não dispõem de poder de polícia. Parlamentar: “Em crimes afiançáveis jamais o parlamentar pode ser preso.” (CAPEZ. ainda que se trate de prisão em flagrante. Afinal. Procedimento da prisão em flagrante: muitos imaginam que a prisão em flagrante é composta somente por dois atos: a “voz de prisão”. Fernando. Fernando. o traficante ao ser detido. p. Rel.tutelam bens jurídicos diversos. caso o policial se passe por viciado. 113). 5º. Assim. Como consequência.” (CAPEZ. pois. descoberto em razão deste. p. CPP Comentado.91. 4581). Anote-se que o art. Inq. CPP Comentado. Pleno. possui dezoito formas alternativas de conduta. 301 do CPP.” (STJ. Lavratura do auto: “A atribuição para a lavratura do auto de prisão em flagrante é da autoridade do lugar em que se efetivou a prisão (CPP. da Lei 11. devendo os atos subsequentes ser praticados pela autoridade do local em que o crime se consumou. momento em que a autoridade ou qualquer do povo afirma que a pessoa está presa e realiza a sua captura. Nota: sobre hipóteses em que não é possível a prisão em flagrante. O art. 510-DF.) tem incidência” (STF. arts. g.343/06. DJUde 19. LIII. 531/364. 290 e 308).

É importante lembrar que o preso tem o direito de saber quem está realizando a sua prisão (art. o juiz de direito (art. 11. LXIII da CF). quando não observada. tampouco em “acusado”. o passo a passo da prisão em flagrante: 1o ato: a captura do agente: as hipóteses de flagrante delito estão no art. 304 não a mencione. Trata-se. sendolhe assegurada a assistência da família e de advogado (art. e) interrogatório do acusado: para alguns autores. em caso de abuso. LXIV da CF). de um mal-entendido. Como a lei fala em “testemunhas”. a prisão em flagrante é composta por uma série de atos que. 5o. ainda não há qualquer acusação. O preso tem o direito de permanecer em silêncio (art. consulte-se a Súmula 397 do STF". de qualquer evento posterior que venha a ocorrer em relação à prisão ou ao preso. poderá ocorrer a sua prisão em flagrante. 301). 5o. afinal. a possibilidade de o auto ser lavrado por deputado ou senador. no plural (art. a oitiva do ofendido é essencial à lavratura do auto de prisão em flagrante. 304 não fala em “autoridade policial”. 2o ato: condução coercitiva à presença da autoridade: o art. ainda. Acrescente-se. Pode ser. de forma resumida. sendo suas declarações reduzidas a termo. pois a prisão em flagrante pode ser feita por qualquer do povo (art. por ora. LXIII da CF). b) oitiva do condutor: aquele que levou o preso até a presença da autoridade será ouvido. também. parte final). há o entendimento de que devem ser. colhida a assinatura. mas em “autoridade competente”. 639): "é. por seus agentes ou por qualquer do povo (veja os comentários ao art. entre os quais o de permanecer calado. pois ainda não existe imputação ou processo. não é preciso que tenha presenciado o fato. Ademais. Caso alguém se encontre em qualquer daquelas situações. p. 306. e a ele será entregue cópia do termo e recibo de entrega do preso. Quanto ao preso impossibilitado de ser . que pode se dar pelas autoridades policiais. sendo ilegal a prisão. que tem como consequência a soltura de quem foi preso. no mínimo. c) oitiva das testemunhas: devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor do preso à autoridade competente. por exemplo. ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada”. O condutor pode ser particular. sem prejuízo da responsabilização funcional e criminal da autoridade responsável pelo ato. transcrevo as lições de Nucci (CPP Comentado. deverá ocorrer o seu relaxamento. 5o. 304 do CPP). 302 do CPP. Nos crimes de ação penal privada ou de ação penal pública condicionada à representação. “a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente. o preso será informado de seus direitos. Sobre o tema.(geralmente. é inegável a importância de suas declarações. serão realizados os seguintes atos: a) comunicação: segundo o art. Apresentado o preso à autoridade. Quanto às algemas. de pessoa conduzida à autoridade policial para o esclarecimento dos fatos – não é impossível que tudo não passe. 301). vejamos. Nada impede que policiais sirvam como testemunhas para a lavratura do auto. O recibo tem como objetivo desonerar o condutor. a autoridade policial. Até mesmo quando não houver testemunhas é possível a lavratura do auto. Ademais. não é correto se falar em “interrogatório”. duas. o delegado). Para que o tema fique claro. como regra. d) oitiva da vítima: ainda que o art. a partir daquele momento. deve-se observar o que dispõe a Súmula Vinculante n. A respeito. Contudo. 307. pode torná-la ilegal – e.

sob pena de antecipar indevidamente a fase judicial de apreciação de provas. Curso de Processo Penal. que o juiz decrete a prisão preventiva ou temporária do acusado. Não lavratura do APF: “O auto somente não será lavrado se o fato for manifestamente atípico. nessa fase. de crime permanente. Violação de domicílio: “Tratando-se. o escrivão lavrará o auto. 306. que aquele que teve a prisão “relaxada” não venha a responder pelo crime ou contravenção praticada. Veremos o assunto ao longo deste material. 4o ato: encarceramento do preso: nas hipóteses em que não for possível a soltura. qualquer que seja. Evidentemente. e o auto não poderá ser lavrado. p. a transferência do preso pelo condutor a terceiro. a prisão em flagrante foi ilegal. policial ou não. Somente o condutor. do acusado pelo crime. Prisão por delegação: “Não deve ser admitida. permanecendo a dúvida ou diante de fatos aparentemente criminosos. cópia integral para a Defensoria Pública. vigora o princípio do in dubio pro societate. p. Prisão em flagrante ilegal: caso a autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante constate que a prisão foi ilegal. uma das hipóteses de causa de exclusão da antijuridicidade. é possível o interrogatório do preso em hospital (STF. insignificante ou se estiver presente. sendo vedada a chamada prisão por delegação. 323). não estando a situação prevista em qualquer das hipóteses do art. 5o ato: encaminhamento do auto de prisão em flagrante: em até vinte e quatro horas após a realização da prisão. não podendo o delegado de polícia embrenhar-se em questões doutrinárias de alta indagação. Fernando. deixará de lavrar o auto. no entanto. em hipótese alguma. se o policial atendeu à ocorrência e ajudou a efetuar a prisão. com clarividência. No mesmo prazo. supostamente em flagrante. 3o ato: a lavratura do auto de prisão em flagrante: convencida a autoridade de que a prisão em flagrante foi legal. policiais efetuam a prisão. Curso de Processo Penal. serlhe-á entregue a denominada “nota de culpa” (art. deverá ser formalizada a prisão em flagrante. qualquer pessoa designada pela autoridade o lavrará. Fernando. depois de prestado o compromisso legal. Vejamos o seguinte exemplo: semanas após um homicídio.” (CAPEZ. caso o autuado não informe o nome de seu advogado. não se falando em ilegalidade do APF em razão disso (RT 582/317 e RJDTACrimSP 9/196). Em situações excepcionais. 323). devendo-se atentar que. RTJ 113/577). será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e. Isso não impede. hospitalizado). pode ele assumir a condição de condutor. evidentemente que a sua oitiva será deixada para momento posterior. contudo. como nos autos. pode fazer a apresentação. Caso ele esteja impedido. Evidentemente. tampouco impede a decretação de sua prisão cautelar. parágrafo primeiro).ouvido (por exemplo. não há se falar em ilegalidade da prisão em flagrante por . Isso não impede. que não tomou parte na detenção.” (CAPEZ. tampouco que o Ministério Público ofereça denúncia em seu desfavor. pela prática do homicídio. 302 do CPP. ou em sua falta.

exercida por juiz." (NUCCI. 884). de praticar os atos descritos no dispositivo. independente da expedição de mandado judicial. 5º.” (STJ.violação de domicílio. a divisão administrativa de sua estrutura (e. autoriza a entrada da autoridade policial. inciso XI. Renato.. dessa forma. Curso de Processo Penal. no prazo de 24 horas. é coisa inerente à jurisdição. Essa permissão somente se refere às pessoas que podem presidir inquéritos ou ações penais (autoridade policial e juiz). competência tem a ver com jurisdição. Local diverso: "A lavratura do auto de prisão em flagrante realizado em local diverso daquele onde foi efetuada a prisão não acarreta nulidade. j. que a prisão pode ocorrer em lugar distante. que. deve ser interpretado em sentido amplo. “delegacia de crimes contra o patrimônio” etc. não é possível falar em incompetência. mas também em área onde não há autoridade competente para lavrar o auto. estando ela no exercício de suas funções. Quanto ao delegado. RHC 32564 / SP. p. Digo em sentido amplo porque. a nota de culpa (art. A incompetência do juiz é causa de nulidade de processo (art. uma vez que a Constituição Federal. permite-se a ocorrência da detenção. como já dito. CPP).). 646). Contudo. no art. como ele não exerce jurisdição. Autoridade competente como condutora: “Quando a infração penal é cometida contra a autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante. É o caso do delegado de polícia. 564. parágrafo 2o. 17. em verdade. mais uma vez." (STJ. 304. devendo o condutor encaminhar. no mais. onde há a autoridade. Relatora Ministra LAURITA VAZ. “delegacia de homicídios”. Autoridade competente: o termo “competente”. seja durante o dia. não conhecida.2004). mas tão somente administrativa. 22/10/2013). em seu art.236-RJ.” (BRASILEIRO. a própria autoridade pode figurar como condutora. ou em sua presença. I do CPP). Min. ficando o delegado responsável pelos casos de sua seção. e por mais ninguém. Rel. porquanto a autoridade policial não exerce função jurisdicional. CPP Comentado. Algumas situações a respeito do delegado de polícia: “a) Delegado de Polícia vítima de crime: Pode presidir o inquérito policial instaurado . mesmo sendo ela presidente de comissão parlamentar de inquérito. Guilherme de Souza. Inexistência de autoridade competente no lugar da prisão: "demonstrando.02. 5. não somente do local do crime. em razão do cargo. não há que se falar em nulidade ou ilegalidade da prisão. tampouco em incompetência. Há. Felix Fischer.g. no entanto. nas polícias. p. HC 30. seja durante a noite. e não à qualquer autoridade. razão para se falar em incompetência ratione loci (Precedentes). como atribuição que determinada autoridade possui. para que a prisão seja formalizada e expedida. caso a prisão em flagrante seja autuada em delegacia diversa daquela onde deveria ter ocorrido (com base em divisão administrativa). 306. inexistindo. Ordem de habeas corpus parcialmente prejudicada e. j. imediatamente à cidade mais próxima.

b) Delegado de Polícia testemunha do crime: Pode presidir a lavratura do auto (TJSP. se não houver prévia comunicação do direito de permanecer em silêncio. depois de lido na presença de ambos.” (STJ. a infração tenha sido cometida contra ele ou em sua presença.1999). pode. ser considerado como segunda testemunha. Depõem. 18. o próprio condutor. portanto. 397) Testemunhas para a lavratura do auto de prisão em flagrante: como o art. ou não puder fazê-lo. deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade (art. Nada impede que policiais funcionem como testemunhas. 304 fala em “testemunhas”. no plural.977-SC.para apurar o fato (no sentido do texto: RT 512/406 e 542/407. ou seja. não sobre os fatos que constituem o objeto principal do julgamento. Não é possível. que depõem sobre a regularidade de um ato. p. no exercício da função. a falta de testemunhas da infração não impede a lavratura do auto de prisão em flagrante. São as intituladas “testemunhas fedatárias” ou “testemunhas instrumentárias”. Isso porque somente podem lavrar o auto de prisão em flagrante. duas. Se houver apenas uma testemunha. HC 8.” (trechos da obra “CPP Anotado”. pedirá a alguém que o faça por ela. HC 244. entretanto.690-GO. Rel. Ônus do conduzido: "Para que se configure o defeito no auto de prisão em flagrante pela omissão da autoridade policial em advertir o preso da faculdade de exercício de seus direitos constitucionais é necessário que tal circunstância seja adequadamente demonstrada. Direito a manter-se em silêncio: “É ilícita a gravação de conversa informal entre os policiais e o conduzido ocorrida quando da lavratura do auto de prisão em flagrante. RT 763/568. Em sentido contrário: TJSP. por analogia: “O depoimento da testemunha será reduzido a termo. RT 802/570).”. como ficou assinalado na nota anterior.05. j. assinado por ela. nesse caso. pelo juiz e pelas partes. julgado em 25/9/2012). sobre a regularidade de atos que presenciaram. RT 602/347). Min. Vicente Leal. desde que tenha presenciado o fato. . c) Delegado de Polícia como condutor: É admissível (RT 480/337). no mínimo. Promotor de Justiça: “Não pode presidir a lavratura do auto de prisão em flagrante. que apareça ao mesmo tempo como condutor. Rel." (STJ. há o entendimento de que devem ser. aquelas pessoas legalmente legitimadas a proceder ao inquérito ou à ação penal (DE JESUS. Se a testemunha não souber assinar. são as testemunhas que confirmam a autenticidade de um ato realizado. Min. d) Auto de prisão em flagrante presidido pelo próprio Delegado de Polícia que executou o ato: Inadmissibilidade (TACrimSP. 216 do CPP. Ademais. testemunha e presida a lavratura do auto de prisão em flagrante (RT 495/353). JTACrimSP 92/66). CPP Anotado. Damásio. 304. ainda que. de Damásio de Jesus). com o condutor. parágrafo segundo). Sebastião Reis Júnior. Todavia. Testemunha que não pode ou não sabe assinar: aplica-se o art.

Nesse sentido: STJ. 5o. cópia integral do auto de prisão em flagrante à Defensoria Pública (art. na hipótese da parte final do parágrafo primeiro. inclusive audiovisual.9. no momento da apresentação do preso. não sabe ou não pode assinar: o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas (“testemunhas instrumentárias”). teria feito. 193. a autoridade competente deve providenciar a comunicação imediata do juiz e do MP. Min. não implica nulidade do auto e. que fala em “24 (vinte e quatro) horas”. no entanto. RHC 25. Liberdade Provisória e Medidas Cautelares Restritivas. caso não indique advogado (ou não esteja acompanhado por um)." (MARCÃO. no “caput”. deverá encaminhar ao juiz o respectivo APF. 306. Portanto. para que adote as medidas cabíveis. que tenham ouvido sua leitura na presença do preso. nos termos dos arts. Rel.2009. Por isso. parágrafo primeiro. Comunicação à Defensoria Pública [1]: para evitar ilegalidades. por isso. DJE 14.633/SP. Renato. 405. Na prática. Art. Geralmente. Vejamos o que diz o dispositivo: “Sempre que possível. o registro dos depoimentos do investigado.Preso que não compreende a língua portuguesa: deve ser nomeado intérprete. bem como à Defensoria Pública. o que fez no art. dentro do prazo de vinte e quatro horas. j. “a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada”. § 1o do CPP: perfeitamente aplicável ao auto de prisão em flagrante. contudo. dentro do prazo de vinte e quatro horas. indiciado. LXII. destinada a obter maior fidelidade das informações. em seu art. 5ª Turma.”. e. Comunicação ao juiz e ao Ministério Público: o art. Imediato é o que não comporta espaço de tempo – se o legislador quisesse estipular prazo. parágrafo primeiro). 79). LXII da CF).8. é essencial que o preso tenha a oportunidade de discutir judicialmente a sua prisão. isso não ocorre. contado da prisão. no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. p. Comunicação à Defensoria Pública [2]: "A ausência de comunicação à Defensoria. Felix Fischer. relaxamento da prisão. estenotipia. ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética. a comunicação da prisão ocorre no momento em que o APF é encaminhado ao juiz. sob pena de ilegalidade da prisão em flagrante. deverá a autoridade competente encaminhar. Comunicação à família: segundo a CF. contado da prisão.2009. A redação é repetida no art. Prisões Cautelares. 5o. 13. 306 do CPP. . digital ou técnica similar. Conduzido que se recusa. 306. O não atendimento à determinação pode ensejar o relaxamento da prisão em flagrante. 306 determina que a prisão deve ser imediatamente comunicada ao juiz competente e ao Ministério Público (vide art.

Crimes de menor potencial ofensivo: é comum ouvir que. deve ser lavrado o APF.099/95). a ausência de defensor não gera qualquer ilegalidade. Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE. 69. Ademais. dos direitos constitucionais do preso de ser assistido. LXIV da CF). 61 da Lei 9. 5o. pela autoridade policial. sendo suficiente a lembrança. inscritas nos artigos 185 a 195 do CPP. no momento da lavratura do auto. j. 306. mediante recibo. caso isso não ocorra. a nota de culpa deve ser entregue ao preso no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas. mas foi comunicado. for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer.” (STJ. dos direitos previstos no art. 5º. de Damásio de Jesus. parágrafo segundo. não se imporá prisão em flagrante. para que o auto não seja lavrado: a) encaminhamento imediato do autor do fato ao juizado. Perceba que o dispositivo traz duas condições. poderá a prisão em flagrante ser considerada ilegal. a nota de culpa é imprescindível. Por isso. impondo-se tão somente que se observem as regras pertinentes ao interrogatório judicial. o nome do condutor e os das testemunhas. Nota de culpa: é um documento entregue ao preso. após a lavratura do termo. em especial o de receber assistência de familiares ou do advogado que indicar. e. Vejamos a redação do art. tratando-se de ato de natureza inquisitorial. o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial (art. Ademais. Como já comentado acima. Lições extraídas da obra "CPP Anotado". RHC 39284 / SP. alternativas. após a realização da prisão. parágrafo único: “Ao autor do fato que. não é possível a lavratura do auto de prisão em flagrante. 5º. pela autoridade policial. 19/09/2013). Quando não atendidas. não constitui formalidade essencial à validade do auto de prisão em flagrante a presença do advogado durante o interrogatório.”. Segundo o art. Por isso. LXIV). Motivo da prisão: decidiu o STF que a omissão do motivo da prisão na nota de culpa não gera a nulidade do flagrante (RTJ 58/29). onde constam o motivo da prisão. O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial (CF. em crimes de menor potencial ofensivo (veja o conceito no art. Isso porque a documentação do flagrante prescinde da presença do defensor técnico do conduzido. deve o autor do fato assumir o compromisso de a ele comparecer. Presença de advogado [2]: “Não é possível o relaxamento de prisão sob a alegação de nulidade do auto de prisão em flagrante quando o réu. é essencial que o preso tenha plena ciência do motivo que ensejou a sua prisão. nem se exigirá fiança.Presença de advogado [1]: não é imprescindível para a lavratura do auto de prisão em flagrante. b) não sendo possível a primeira hipótese. Contudo. a assertiva não é verdadeira. . não estava assistido por advogado. CF de 1988. art.

parágrafo único). e não preso. Antes disso. fala-se em ato infracional. em substituição à portaria. 302/310 do CPP. Sobre o tema.. firmado por perito oficial ou. E se o adolescente for apreendido por ato praticado em concurso com maior de idade. lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários”. que. II). Inquérito policial: o auto de prisão em flagrante é peça hábil a iniciar o inquérito policial. A apreensão é regulada pelo ECA (Lei 8. a autoridade de polícia judiciária fará. 302 do CPP). O adolescente infrator. a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada (art. deverá a autoridade policial lavrar o auto de apreensão em flagrante (art. qual procedimento deve ser adotado? A resposta está no art. na falta deste. b) o adolescente apreendido não pode ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial (art.069/90). do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público.. c) comparecendo qualquer dos pais ou responsável. encontrado em situação de flagrante (nos termos do art. parágrafo único do ECA: “(.343/06 não afasta a aplicação dos arts. comunicação ao juiz competente. assumir o compromisso de a ele comparecer. é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga. a prisão em flagrante e a apreensão em flagrante são procedimentos completamente diversos. Pode parecer mero eufemismo.343/06. do mesmo texto: “Tratando-se da conduta prevista no art. imediatamente. na falta deste.”. encaminhará o adulto à repartição policial própria. 173. I do ECA). que nada mais é do que a conduta descrita como crime ou contravenção penal praticada por quem ainda não alcançou os dezoito anos de idade. Caso contrário. o adolescente apreendido poderá ser liberado pela autoridade policial. Nota: o art. enquanto a prisão em flagrante está prevista nos arts. d) é possível a remissão do apreendido pelo ato praticado (art. Menor infrator: só comete crime ou contravenção penal quem já atingiu a maioridade penal (art. 301/310 do CPP. mas. remetendo-lhe cópia do auto lavrado. após as providências necessárias e conforme o caso. em verdade. Ocorrendo prisão em flagrante. prevalecerá a atribuição da repartição especializada. 28 da Lei 11. deve ser apreendido.) em se tratando de ato infracional praticado em co-autoria com maior. em 24 (vinte e quatro) horas. . 48. 50. 50 da Lei 11. 288 da CF).Lei de Drogas [1]: é vedada a prisão em flagrante daquele que é surpreendido em uma das hipóteses do art. § 1o Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito. não se imporá prisão em flagrante. 178). por pessoa idônea. 173. nos artigos 172/181. Lei de Drogas [2]: “Art.”. devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou. vejamos a transcrição do art. parágrafo segundo. Vejamos algumas particularidades do procedimento do ECA: a) se o ato infracional for praticado mediante violência ou grave ameaça. 180. 28 desta Lei. 172.

ou seja. garantirá a soltura do preso. o raciocínio não é correto. a prisão em flagrante é ato complexo.”. muitos autores entendem que a prisão em flagrante pode ser relaxada pela autoridade policial. fará com que o preso seja solto. O preso poderá. pela autoridade policial. deve a autoridade policial determinar o encarceramento do preso (ato vinculado). pois o flagrante será tido como inexistente. A primeira hipótese de soltura é a da prisão ilegal. o preso deverá ser colocado imediatamente em liberdade – também é necessária a expedição de alvará de soltura. a condução coercitiva e a lavratura do APF. Portanto. que. que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. a autoridade policial arbitrará fiança (veja os valores no art. ao receber o APF. estarão presentes todos os atos anteriores: a captura. “a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária”. salvo se a sua soltura for imposta pela legislação. deve o juiz analisar se os requisitos da prisão preventiva (arts.a captura e o encaminhamento. o juiz -. não é hipótese de relaxamento da prisão. sem a necessidade de expedição de alvará. o juiz deverá conceder a liberdade provisória mediante fiança. a autoridade competente deverá realizar todos os atos que compõem a lavratura do APF. discordam. a fiança será requerida ao juiz. Caso o crime seja afiançável (vide arts.Soltura do preso: lavrado o auto de prisão em flagrante. o juiz deverá: a) analisar a legalidade da prisão: com base no art. o preso só será solto mediante alvará). composto por vários atos. dentro do prazo de 24 (vinte e quatro) horas. Outra hipótese de soltura é a concessão. a colocação em liberdade passará a depender de concessão judicial. pelo juiz. c) determinar a manutenção da prisão: dentro do prazo de vinte e quatro horas. 322. a prisão é relaxada e expede-se alvará de soltura em favor do preso. deixará de lavrar o auto de prisão em flagrante – o que. 312 e 313) estão presentes. pois não será mais considerado preso (na prisão relaxada pelo juiz. ao final. nos seguintes termos: “Art. Nos demais casos. b) conceder a liberdade provisória: reconhecida a legalidade da prisão. Caso a constatação seja negativa. que tem como termo final a remessa dos autos ao juiz. é possível identificar se a prisão em flagrante foi ou não legal. Caso não seja paga. levantar-se e sair do local em que se encontre. Após o seu término. 325). e explico a razão: como já comentado. Remessa do APF ao juiz: de acordo com o art. 302 do CPP. 310. que só se completa com a lavratura do respectivo auto. caso não exista outra razão que o impeça. Muitos. de liberdade provisória mediante fiança. Apesar de o texto falar em “autoridade judiciária” . a prisão só . A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. Segundo a CF. Na hipótese de liberdade provisória mediante fiança. Somente durante esse prazo alguém poderá permanecer preso em razão de prisão em flagrante. no entanto. caso seja ilegal. 323 e 324). mas de não ratificação dos atos praticados anteriormente à entrega do preso à autoridade policial . simplesmente. Contudo. Caso o delegado constate que a voz de prisão e o encaminhamento do preso à sua presença foram ilegais. Contudo. se paga. Reconhecida a ilegalidade. e entendem que se trata de relaxamento. como consequência lógica. em vez de determinar o recolhimento do preso. Parágrafo único.

por constituir mera irregularidade. até que a autoridade judicial decida pela sua transformação em prisão preventiva ou não. mas nada impede que seja remetido diretamente à autoridade que detém a custódia do preso. 19/09/2013). ou concede a liberdade (provisória ou por relaxamento em decorrência de vício formal). Excesso de prazo [2]: “A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que a demora de prazo superior a 24h para apreciar a conversão da prisão em flagrante em preventiva. a necessidade da segregação cautelar para garantia da ordem pública. j. portanto. Manutenção da prisão: “Como já analisado. ao que parece. caso o juiz decrete a prisão preventiva. pelo Juízo de primeiro grau. mas não junta documentação suficiente para comprovar tal alegação. Quando ausentes. HC 259068 / RJ. p. em seu inciso II. Os requisitos da prisão preventiva estão nos arts. se a pessoa já está presa. Convertida a prisão em flagrante em preventiva. a prisão em flagrante. impõe-se a concessão de liberdade provisória (vide item “b”). Por mais que a pessoa já esteja presa. RHC 39284 / SP. Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE. Excesso de prazo [1]: “Não é possível o relaxamento de prisão sob a alegação de nulidade do auto quando a defesa sustenta a demora na comunicação do flagrante ao juiz. eventual demora na comunicação do flagrante ao juiz não tem o condão de nulificar o processo. a partir da nova redação do art. No relaxamento e na concessão de liberdade provisória.” (STJ. expedir-se-á mandado de prisão contra quem foi preso em flagrante. o qual está em consonância com o do STJ. 312/313 do CPP. 09/04/2013). mais se assemelha a uma detenção cautelar provisória pelo prazo máximo de vinte e quatro horas. Ninguém mais responde a um processo criminal por estar preso em flagrante. Fernando.poderá ser mantida se decretada a prisão preventiva. perdeu seu caráter de prisão provisória. caso contrário. oportunidade em que será comunicada a respeito da decisão que manteve a sua prisão. o preso deverá ser colocado imediatamente em liberdade. tido como razoável.” (STJ. sobretudo quando se trata de pequeno atraso. 310. Por outro lado. o juiz. é possível cumprir mandado de prisão em seu desfavor? Sim. Ou o juiz converte o flagrante em preventiva. consiste em mera irregularidade procedimental. por meio de decreto no qual se demonstrou. Mas. Isso porque. Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE. in concreto. evidentemente. Quando presentes. A prisão em flagrante. 327). o alvará é cumprido por oficial de justiça. resta . Excesso de prazo [3]: “1. expede-se alvará de soltura em favor do preso – geralmente. a qual não enseja o relaxamento da prisão cautelar. de acordo com entendimento do tribunal de origem. deve decretá-la. Curso de Processo Penal. em virtude do flagrante.” (CAPEZ. como consignado no acórdão impugnado. 312 do Código de Processo Penal. mormente se considerada a superveniência de decisão na qual está devidamente apontada a presença dos requisitos para a custódia cautelar previstos no art. j. ser-lhe-á dada voz de prisão.

Recurso ordinário desprovido. p. 310 do Código de Processo Penal. 312 e 313.e não do término da lavratura do auto de prisão em flagrante" (NUCCI. deverá convertê-la em preventiva. j. 07/11/2013). a necessidade da custódia. Nota: as medidas cautelares diversas da prisão estão previstas no art. quando reconhecer a existência dos requisitos preconizados nos arts. sem que se apontasse qualquer fato concreto. 2. não se admite.” (STJ. 319 do CPP. CPP Comentado. 644). fica superada eventual ilegalidade do flagrante.superada eventual irregularidade decorrente de alegado excesso de prazo na realização da providência prevista no art. Guilherme de Souza. RHC 41235 / MG. 22/10/2013). para garantia da ordem pública.” (STJ. em relaxamento do flagrante ao argumento de que a situação do acusado não se enquadraria nas hipóteses previstas no art. é despiciendo o recorrente possuir condições pessoais favoráveis. constata-se o constrangimento ilegal. Recurso em "habeas corpus" a que se nega provimento. A necessidade da segregação cautelar se encontra fundamentada na garantia da ordem pública em face da periculosidade do recorrente. 2. j. pensando em quem está se preparando para a prova.” (STJ. Superação da ilegalidade: “Decretada a prisão preventiva. 4. em que se negou ao acusado o direito de recorrer em liberdade. em 24 horas. relaxamento da prisão em flagrante e o Exame de Ordem: não faz muito tempo. Liberdade provisória. ato constritivo de cerceamento da liberdade. ao receber o auto de prisão em flagrante. j. de acordo com a jurisprudência do STJ. O Juízo processante. 302 do Código de Processo Penal. Excesso de prazo [4]: "Tratando-se de prisão. do CPP. contadas a partir do momento da prisão . o que. em orientação uníssona. a FGV pediu. 12/11/2013). não se deve admitir concessões. portanto. O Superior Tribunal de Justiça. caracterizada pela reiteração de prática delituosa. à Defensoria Pública deve ocorrer. Fundamentação insuficiente: “Na hipótese. CPP). entende que persistindo os requisitos autorizadores da segregação cautelar (art. HC 231118 / TO. na medida em que a prisão em flagrante do paciente foi convertida em preventiva e mantida. principalmente como no caso. Por isso. Não há falar. HC 267356 / MA. razão pela qual a remessa da cópia do auto de prisão em flagrante ao magistrado competente. quando for o caso. Relatora Ministra LAURITA VAZ. impreterivelmente. na segunda fase. Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES. Relator Ministro MOURA RIBEIRO. 312. que demonstrasse. para garantia da ordem pública. verificando sua legalidade e inviabilidade de sua substituição por medida diversa. decidi incluir este . em que já foi proferida até sentença condenatória.” (STJ. ao Ministério Público e. a elaboração de um pedido de relaxamento da prisão em flagrante. 3. de maneira fundamentada e idônea. Precedentes. 17/10/2013). Medidas cautelares diversas da prisão: “1. independente de representação ou requerimento. Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. j. RHC 39691 / MG.

então a peça cabível será o pedido de concessão de liberdade provisória. o pedido será o de relaxamento da prisão. endereçado ao juiz. Em primeiro lugar. é preciso ter em mente: se o problema trouxer um caso em que o cliente foi preso em flagrante. faça o pedido de relaxamento da prisão em flagrante. com a alegação de que os requisitos da prisão preventiva não estão presentes (provavelmente. em casos reais. Leia o enunciado uma. subsidiariamente. caso o juiz entenda pela legalidade da prisão. com a tese de ausência dos requisitos da prisão preventiva (veja arts. em que o advogado usa tudo ao seu alcance para conseguir a liberdade do acusado. procure “ganchos” no enunciado que apontem a ilegalidade da prisão (ex. o enunciado dirá que o preso possui residência fixa. endereçado ao juiz. o pedido será o de concessão de liberdade provisória. b) se a prisão for legal. 312/313). com ou sem fiança (modelo também disponível no “manual”). pois a alegação é de ilegalidade da prisão. empreenda todos os esforços para que o acusado seja solto. trabalha etc. com a tese de prisão ilegal. e. Em ambos os casos. Pede-se o relaxamento em preliminar.tópico ao nosso material. endereçado ao juiz (veja o modelo em nosso “manual de prática”). E se não houver ilegalidade alguma? Se a prisão for legal. o pedido será o mesmo: a expedição de alvará de soltura. até que todos os “ganchos” sejam detectados. Caso encontre alguma ilegalidade. uma questão: é possível cumular os pedidos de relaxamento e de liberdade provisória? Sim! Principalmente. Por ora.: a família não foi comunicada). Logo. a concessão de liberdade provisória. Por fim. podemos concluir o seguinte: a) se a prisão for ilegal. E como isso é possível? Inicialmente. o pedido de relaxamento é a peça cabível quando a prisão em flagrante for ilegal. Portanto. o seu objetivo será apenas um: conseguir com que ele seja solto. duas. . três ou mais vezes.). Qualquer outra questão deverá ser deixada de lado.