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Fora do Ar

Ah... Lembro-me do dia em que Thallita Bezerra entrou em contato comigo, via
o quase extinto Orkut, para fazer parte de um grupo promovente de problematizações,
debates e, sobretudo, opiniões acerca do cenário político-social da nossa cidade natal,
Caldeirão Grande, formado também por Arielson Silva e Edson Silva.
Lembro-me que pensávamos numa proposta mais radical, na criação de um
tabloide sem papas na língua, para falar da realidade nua e crua que muitos forçavam-se
a esconder ou mesmo mantinham-se coniventes com a situação. Queríamos
implementar uma forma de construir pensamentos sem precedentes na nossa cidade,
visando problematizar os fatos e atrair a população para os assuntos que a ela pertine,
uma vez que trataríamos de política, sociedade, cidadania, dentre outros temas...
De cara aceitei, sem nenhum empecilho ou cerimônia, afinal era uma
oportunidade de auxiliar, de alguma forma, na melhoria da mentalidade das pessoas.
Isso porque é notório o fato de a maioria dos indivíduos, infelizmente, possuir a mente
fechada, importando-se apenas com a vida alheia, com a quantidade de bebidas que
conseguem tomar, com a próxima festa que ocorrerá na cidade, dentre outras coisas
menos importantes, se consideradas como únicas atividades empreendidas.
Daí começaram os primeiros textos, que criticavam a má administração da
cidade à época, traziam informações acerca de cidadania, história, cultura, direito...
Mesmo com dificuldades, conseguimos fazer versões impressas, para permitir um
acesso maior ao tabloide. Muitas pessoas nos parabenizaram pela iniciativa,
principalmente as que estavam insatisfeitas com a gestão da então prefeita e os que não
eram, esclarecidamente, seus eleitores. Note-se que pouquíssimos deram importância
para os outros textos que não tratavam de política ou mesmo não se deram conta de que
os que tratavam de política não o faziam de maneira tendenciosa, que não só atacavam
um polo e que não tinham nada a ver com partidarismo.
Eis o problema que mal notamos: estávamos sendo vistos como um grupo
“contra Aparecida Martins” e não como um grupo “pró Caldeirão Grande”. Muitos
acreditaram que éramos cegamente favoráveis e defensores de Netinho Gama e que por
isso tecíamos críticas ao governo da época. Daí porque muitos curtiam e

Inclusive o próprio perfil. Assim. deu a entender que o governo não estava aberto à críticas. do Já Basta não foi atingido. foi excluído. de como foi criado. nós que. mas não nos damos conta disso! O grande alarde do “algo errado” se deu quando postei no meu perfil pessoal do Facebook uma critica ao atual governo (como não é o objetivo deste texto. eram mais para me atingir pessoalmente que para rebater a crítica. verdadeiramente. em que o então candidato Netinho Gama teve uma representação na Justiça Eleitoral formulada pelo grupo da então prefeita Aparecida Martins. Paz e Progresso”). Em resposta. criticavam Netinho Gama. utilizaram-se de argumentos que. Estava na cara que tinha algo errado.Entretanto. por decisão do juiz. Daí passei a fazer associações e chegar nas conclusões dantes descritas. fundamentada por imagens e postagens do nosso perfil do Facebook. como dantes achei. passei a desacreditar que qualquer manifestação minha ou do grupo pudesse surtir algum efeito (pelo menos o efeito por nós pretendido). mas que sequer perceberam! Tudo isso passou a ficar mais evidente no período das eleições do ano passado. aplaudido e repudiado. sem que apresentássemos defesa. não vou transcrevê-la) e alguns que dele fazem parte ficaram nitidamente espantados ou mesmo enfurecidos.compartilhavam nossas postagens no Facebook. diante dessa reação e de outros fatos que não cabem mencionar neste texto. bem como outras pessoas e à sua administração. em sua maioria. com o PT ou qualquer outro partido e nosso perfil foi utilizado para atingí-los num processo eleitoral. que criticavam-na e a Sérgio Passos. Dessa forma. ante a desesperança que ela irá fazer jus ao seu lema (“União. algumas que. Foi então que comecei a pensar em toda a história do Já Basta. ao ponto de me sentir fazer “pregações num deserto”. éramos parte legítima daquela ação. inclusive. dantes comentado. de como foi recebido. Perdi interesse em me ater o que ocorre na cidade em que nasci. pois o objetivo principal. Foi um espanto geral! Não tínhamos (e nem temos) nada a ver com Netinho Gama. . me surgiu uma indagação: fomos mal interpretados ou fomos usados? Até o presente momento não encontrei respostas para ela e o pior de tudo: pouco importa se fomos mal interpretados ou se fomos usados.

. cada um dentro de sua particularidade. Agradeço à todos que deram atenção.Não sei. tudo me parece confuso no momento. sendo a cor mera cromia de quem observa de determinado ponto de vista. Tal qual a Trindade é Deus amarelo e vermelho parecem ser a mesma coisa. que leram as minhas contribuições e que eventualmente as debeteram ou rebateram. É por isso que deixo o grupo e ficarei “fora do ar”.. Vivam bem! .