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Encontro 7 - A Teoria Administrativa e as Metáforas Organizacionais
Administração - Teoria e Pratica no contexto brasileiro
A Evolução do Pensamento em Administração
VERÃO, Danielle Bertolino De Macedo1

O objetivo deste trabalho é apresentar os principais conceitos propostos por SOBRAL e PECI
referente à “Evolução do Pensamento em Administração”. Os autores perfazem um roteiro histórico
desde a criação do primeiro curso de administração no mundo e no Brasil. Também, o que é e qual a
importância das teorias em administração para as organizações. Descrevem cada uma delas, ilustrando
convergências e divergências existentes e por fim, informam os novos paradigmas organizacionais com
suas inovações e implicações para o mercado atual. As teorias organizacionais são um conjunto de
pressupostos básicos de conduta para uma organização prosperar. Estas objetivam prever os cenários
futuros afim de se antecipar a problemas ou conquistar mercados. Busca-se, de fato, conhecer a
organização como um sistema social, político e financeiro. Entender seu funcionamento, ou mais,
esmiuçá-lo, preferencialmente, as empresas de sucesso, é parte integrante do trabalho dos teóricos em
administração. Porém, o que se nota atualmente é a dificuldade de previsibilidade num mercado
altamente complexo, instável e dinâmico.
As teorias administrativas podem ser conceituadas como complementares, quando questionam
parcialmente as teorias anteriores, incorporando a estas novos conceitos, e como incomensuráveis,
quando estabelecem pressupostos contraditórios. Os autores abrem um parêntese acerca da implantação
de técnicas gerenciais estrangeiras em organizações brasileiras. Afirmam que estas servem tanto para
acalmar os ânimos diante de uma situação de turbulência, porém podem gerar frustrações diante da não
possibilidade de implantação. Mas existem ainda as técnicas que são de adaptação criativa, ou seja, será
utilizada a “ideia” da técnica gerencial estrangeira, porém moldando-a às características específicas da
organização. Há de se destacar que para este caso, deverá haver um conhecimento profundo das
variáveis institucionais, culturais e organizacionais.
As atividades de organização e administração datam de muitos séculos, a confundir-se com a
própria existência do ser humano. Ou seja, a partir do momento que os indivíduos entendem-se como
seres que precisam estar organizados a fim de proteção, de se manterem vivos, há ali as atividades de
organização, administração e controle. Assim, é pela aplicação cotidiana que as práticas administrativas
institucionalizaram-se e ganharam persistência e durabilidade, servindo-se de modelo a ser adotado por
gerações posteriores.
O pensamento administrativo inicia-se com a consolidação do capitalismo, pois com este surge
a necessidade de uma nova forma de produzir e organizar o trabalho. Várias etapas transcorreram até a
consolidação do capitalismo, a saber: declínio do feudalismo, surgimento das cidades e fortalecimento
do comércio, criação e fortalecimento industrial, constituição de corporações de ofícios, formação da
burguesia pela centralização do poder e de recursos em suas mãos, sistema de trabalho assalariado.
Neste mesmo período, Adam Smith, posteriormente a um estudo acerca da produção fabril, passa a
defender a divisão e a especialização do trabalho. Destes, alcança-se a economia de tempo pela
melhoria das capacidades de cada trabalhador e o incremento das tecnologias empregadas. Porém a
realidade criada não fora somente de ganhos. Os trabalhadores manifestaram-se por sofrerem péssimas
condições de trabalho e jornadas demasiadamente extensas. Desse contexto, o capitalismo prova ser
capaz de se autorregular ao processar e apresentar soluções aos trabalhadores insatisfeitos com a
realidade até então vivenciada. Ali também principia-se os ideais socialistas, que influenciaram as
escolas administrativas posteriores, como a Escola de Relações Humanas. Sore a Escola de Relações
Humanas, os autores asseveram que Robert Owen é seu precursor.
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Aluna de Mestrado Profissional em Administração Pública/PROFIAP/CCHS/UFMS. Graduada em Administração pela UFMS. E-mail:
danibmacedo@gmail.com

em benefício da organização. Chester Barnard redefine o conceito de organizações introduzindo a ideia de cooperação entre os membros de uma organização (funcionários. cita-se Mary Parker Follet. Como contribuições restam saber: a administração como profissão e seus pressupostos válidos até a recenticidade. Max Weber descreve os vários tipos de sociedade e os tipos de autoridade que lhe servem de base: a tradicional. Detinham uma visão mais aperfeiçoada das relações dentro da organização e até da organização com seu meio.com . Assim. elencou quatorze princípios de administração. impessoalidade. delegação de poder ou empowerment. Das contribuições desta teoria pode-se destacar: melhoria acentuada da produtividade e eficiência e a introdução de uma forma diferenciada de remuneração. Fayol define as funções da administração: previsão. Ainda. representada pelo senhorio feudal. ao dinamismo do ambiente interno e externo ao qual a organização encontra-se inserida e visão interdisciplinar e holística da organização. pressupostos materialistas e simplistas e alienação do trabalhador devido à extrema divisão do trabalho. A primeira escola a ser descrita pelos autores é a Escola Clássica. Ainda. Destaca o papel da boa e clara comunicação e da motivação. Entre estes. na busca de suas necessidades e desejos. E-mail: danibmacedo@gmail. A Teoria da Burocracia emerge num contexto histórico em que havia a consolidação da autoridade racional-legal nas sociedades ocidentais. fundamentada em regras e normas aceitas por todos os membros de determinada comunidade. Importa destacar o papel de autores que não compartilhavam exatamente dos mesmos preceitos que Taylor e Fayol. hierarquia e autoridade formal. pautado no trabalho de uma mão de obra desqualificada e barata. altas remunerações e divisão das tarefas de maneira equitativa. as empresas viam-se extremamente verticalizadas e hierarquizadas. Urwick e Mooney. que se subdivide em Administração Científica. tais como: Gullick. à gestão de conflitos. _______________________ 1 Aluna de Mestrado Profissional em Administração Pública/PROFIAP/CCHS/UFMS. Além disso. a qual gerava desperdício e ineficiente. O principal defensor deste movimento foi Henri Fayol. fornecedores e governo influenciam e cooperam nas decisões organizacionais. Contextualmente. e como limitações podem ser apontadas as mesmas que as do movimento da administração científica. a lentidão dos processos e a centralização da tomada de decisão. Graduada em Administração pela UFMS. o abuso de poder. e que grupos como stakeholders. coordenação e controle. ao tentar reduzir o clientelismo e favoritismo e a consolidação de metodologias racionais. ensinar e aperfeiçoar. a centralização do poder estatal e forte presença da verticalização e hierarquização nas grandes empresas. O principal representante da Administração Cientifica foi Frederick Taylor que pregava uma única maneira certa para desempenhar determinada tarefa. A próxima teoria a ser descrita é a Gestão Administrativa. gerentes ou proprietários). estudar todas as etapas de cada atividade a ser desenvolvida num processo fabril a fim de aperfeiçoa-la. Suas contribuições dizem respeito à necessidade de um indivíduo de se trabalhar em grupo. observou-se a modernização das sociedades ocidentais. A Escola Clássica surge em um momento onde havia a concentração de mercados e o predomínio do monopólio. organização. Gestão Administrativa e Teoria da Burocracia. a carismática. selecionar cuidadosamente um trabalho e o treinar. Possibilitou um caráter democrático organizacional e até social. Frank Gilbreth foi um importante teórico que contribuiu com os estudos de Taylor. Como limitação pode-se citar que a teoria concebia a empresa como um sistema fechado. Barnard defende a importância de se promover a participação de todos. Já como disfunções pode-se citar a rigidez extremada das estruturas. comando. Apresenta como características a padronização e normatização. profissionalismo.2 Juntamente com a consolidação do capitalismo. apoiada nas características pessoais de um indivíduo e a racional-legal. porém outros autores também contribuíram. estava havendo um crescimento econômico acelerado. Deste cenário passa-se a interpretar o homem como um ser humano egoísta. Barnard também reconhece que a organização insere-se em um contexto maior que seu meio interno. a racionalização do direito. especificamente sobre o estudo dos movimentos. Têm como bases filosóficas destes últimos o liberalismo econômico e a ética protestante individualista.

passasse a creditar ao indivíduo mais que um atributo de recurso para o alcance dos objetivos organizacionais. abordagens descritivas e pouco prescritivas para as práticas da organização e a desconsideração de fatores externos como a tecnologia.com . Então. Ainda que muito à frente das escolas anteriores devido à preocupação com o ambiente externo e à percepção da importância das relações dos subsistemas a fim de atingir os objetivos organizacionais. A melhoria da produtividade destes grupos e do indivíduo relaciona-se à sua integração social. otimizações. das condições qualitativas. Houve também um movimento demonstrando o prejuízo pela excessiva especialização das disciplinas cientificas. fronteiras. tais como simulações. Os estudos focam a dinâmica do trabalho em grupo. Autores como Ludwig Von Bertalanffy. teoria dos jogos. dos fatos circunstanciais. que são: fisiológicas. Graduada em Administração pela UFMS. como a questão do homem econômico. A partir de então a organização é vista como um sistema composto por subsistemas e partes interdependentes entre si. Porém. suas motivações e o papel do líder na organização. A organização recebe os insumos. impossíveis de previsibilidade e quantificação. _______________________ 1 Aluna de Mestrado Profissional em Administração Pública/PROFIAP/CCHS/UFMS. Após o fim da Segunda Guerra Mundial. produz seus produtos e serviços e os fornece novamente ao mercado. compreendem que o trabalhador não é só motivado por retribuição financeira. A importância destes teóricos recai sobre um estudo de maior complexidade acerca do comportamento humano. nem todos os conceitos fisiológicos e sistêmicos são aplicáveis à unicidade da vida social. Neste momento também iniciam-se as pesquisas acerca da liderança organizacional. feedback. sinergia. algumas deficiências são observadas nestas Teoria Comportamental e de Relações Humanas: algumas abordagens de manipulação motivacional do trabalhador. Os termos mais utilizados nesta teoria são: subsistemas. Entender quais são e como atendê-las é tarefa da organização de modo a incentivar o funcionário a também buscar os objetivos daquela. Verificam que estes grupos informais têm mais força que a os constituídos hierarquicamente pela organização. Inicia-se uma crise geral e internacional.3 A prosperidade advinda da produção industrial decai e os lucros obtidos com a guerra se cessam também com o fim desta. desenvolveram e apoiaram-se no conceito de que o sistema aberto é um complexo de elementos em interação e intercâmbio contínuos com o ambiente. falhou esta teoria ao não oferecer direcionamento sobre funções e práticas gerenciais concretas. As maiores deficiências desta abordagem referem-se ao fato da total desconsideração do lado humano. Há aí uma retroalimentação. Importa mencionar a teoria X e Y de Mc Gregor e o estudo da aprendizagem organizacional de Chris Argyris. de autoestima e de auto realização. Abraham Maslow defende que há uma pirâmide de prioridades e necessidades aos quais o indivíduo persegue. também. Frederick Herzberg estuda a percepção e motivação dos funcionários acerca das condições de trabalho e destaca dois grupos de fatores motivacionais: os higiênicos – necessários mas não suficientes para o homem trabalhar – e os intrínsecos. Vê-se que muitos dos pressupostos até então defendidos não eram exatamente reflexo da realidade. surge a escola da Abordagem Quantitativa. Seus autores são influenciados pelo impacto da Segunda Guerra Mundial e do financiamento estatal da pesquisa operacional e das associações e revistas de pesquisas operacionais. os países percebem a necessidade de se interrelacionar. E-mail: danibmacedo@gmail. probabilidades. de segurança. modelagem matemática e estatística. Defendiam que os problemas administrativos poderiam ser resolvidos por meio de análises quantitativas. além de sua interdependência. de pertencimento a um grupo social. como se há de constatar. Após. Por meio de diversas pesquisas organizacionais. holismo e homeostase. o papel dos grupos informais e no comportamento do homem como indivíduo social. entre outros. Outros pesquisadores introduzem o estudo do comportamento motivacional do funcionário. Também atribuem um valor cada vez maior aos recursos humanos e buscam a eficiência organizacional por meio da motivação destes recursos (humanos). fluxos. com base nos quais a organização obtém maior comprometimento e dedicação dos funcionários. Estas ferramentas facilitariam o processo de tomada de decisão e aprimoraria os métodos quantitativos para análise de problemas.

este modelo recebe críticas. Houve uma evolução considerável. PECI. Outra escola é a de Ecologia Populacional. por não abordar seu processo gerencial. E-mail: danibmacedo@gmail. podendo ser acertadamente utilizadas em organizações modernas. Seu principal defensor é Oliver Williamson. a teia que se deve formar. Alketa.com . focou-se em apenas uma das áreas organizacionais. demográfica e social. algumas teorias são atemporais. Esta condensa diversas teorias e pesquisas empíricas semelhantes entre si. Neste contexto. O conceito de subsistemas de Bertalanffy é muito válida pois traduz a dinamicidade de cada uma das funções de uma organização. mas essa existência também impõe custos adicionais à transação. _______________________ 1 Aluna de Mestrado Profissional em Administração Pública/PROFIAP/CCHS/UFMS. Da análise da evolução das principais escolas administrativas. custos que podem ser calculados para serem minimizados. 2008. e o pluralismo paradigmático no campo das ideias. tarefas. que representa uma das correntes mais dominantes na área de estudos organizacionais. sua pouca contribuição para transformações organizacionais e a existência de mitos institucionais. tecnologias. além de fatores contingenciais. compostos por organizações que constituem uma área reconhecida da vida institucional. organizada e em equilíbrio com o ambiente interno e externo. Supõe também que a direção das mudanças organizacionais seja orientada à melhor adaptação ao ambiente. como os conflitos e lutas de poder. O foco são as populações organizacionais. Ainda assim. com uma manifesta mudança na ordem econômica. como se o sucesso de uma organização contasse com tecnologia apenas ou somente com pessoas. cita-se a Teoria do Custo das Transações. é imprescindível contextualizálas a fim de se entender suas finalidades e pressupostos. Os estudos históricos baseados neste modelo têm como objetivo analisar o processo de aparecimento até o desaparecimento organizacional. Das críticas a esta escola. Para estes autores – Emery e Trist. Referências SOBRAL. que entende que as organizações existem para superar os limites dos mercados imperfeitos. Graduada em Administração pela UFMS. baseia-se em um amplo conjunto de pesquisas empíricas que contribuem para aperfeiçoar a base teórica. a importância de outras questões. consumidores e agências reguladoras que produzem bens similares fazem parte do mesmo campo organizacional. Burns e Stalker e Lawrence e Lorsh – tudo depende. principais fornecedores. cultural. Ainda. concebida na economia. esta teoria entende a eficiência como a própria sobrevivência organizacional. que se utiliza do ponto de vista ambiental para explicar fenômenos organizacionais. mas é possível notar que a cada modelo proposto. por exemplo. Woodward. Poucas as escolas que traduzem a complexidade de uma organização. Mesmo que contemporâneo. Administração: Teoria e Pratica no Contexto Brasileiro. ou ainda apenas com financeiro. Deverão ser considerados fatores como o tamanho da empresa e tipo de mercado. forças miméticas e forças normativas. destaca-se o fato de a mesma ignorar os atores humanos da organização. e também as características do ambiente interno. ou seja.4 A teoria contingencial é concebida sob o lema “não há a única melhor maneira de administrar e organizar” tanto propagado por Taylor e Fayol. tais como a tendência de incorporar fenômenos organizacionais como institucionalização. até então ignoradas por outras escolas administrativas. há a Teoria Institucional. O contexto da geração das teorias administrativas contemporâneas baseia-se na influência do pós-modernismo. Conceitua o isomorfismo organizacional como a razão determinante da semelhança existente entre as formas organizacionais e para sua existência três razões são explicitadas: forças coercitivas do ambiente. Filipe. Dentre estas. conceituados como as características situacionais (internas e externas) que podem influenciar uma organização. Mais. Estuda os campos organizacionais. São Paulo: Pearson Prentice Hall. não as unidades organizacionais específicas.