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Resenha

DIGITAL

OURO BRANCO:
Origens
Origens do
do

““Lugar
Lugar que
á mel
que ddá
mel”

Madureira Modernista:
Tarsila do Amaral e o Carnaval
História do Lugar:
Memórias e Identificações do Subúrbio
Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá
ANO 1 | Nº 3 | GRATUITO | ABRIL - SETEMBRO 2012

Resenha DIGITAL
Publicação e-magazine do
Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá
História, geografia e demais ciências
na Baixada de Irajá e seus bairros.
Aberto à publicação de colaborações
Distribuição Gratuita pela Internet
Ano 1 Numero 3
Abril a Setembro
2012

PROJETO DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO

BAIXADA DE IRAJÁ

ASSINATURA DO
E-MAGAZINE

Resenha DIGITAL
Envie seu e-mail para
ihgbi@bol.com.br
e receba as edições Adobe Reader
(.pdf) em sua caixa postal

Produção e Editoração
Colegiado de Fundação do IHGBI
Fernanda O. Nascimento Costa
Gilson B. de Gusmão - J. Justino dos Santos
José Carlos Joaquim - Karen Barros
Maria Celeste.Ferreira - Roberto Mattos
Ronaldo Luiz-Martins - Rolf de Souza
Vanderley Giarola
Colaboradores nesta edição
Vera Rodrigues
Carlos Henrique Silva

COLABORE COM A Resenha
ENVIE SEU TRABALHO PARA PUBLICAÇÃO
BAIXADA DE IRAJÁ: Acari – Anchieta - Barros Filho - Bento Ribeiro - Brás de Pina – Campinho - Campo dos Afonsos Coelho Neto - Colégio - Cordovil - Costa Barros - Deodoro – Guadalupe - Honório Gurgel - Irajá - Jardim América - Sulacap Madureira - Marechal Hermes - Olaria - Oswaldo Cruz - Parada de Lucas – Parque Anchieta - Parque Columbia - Pavuna Penha - Penha Circular - Ramos - Rocha Miranda – Ricardo Albuquerque - Turiaçu - Vaz Lobo - Vicente Carvalho - Vigário
Geral - Vila da Penha - Vila Kosmos – Vila Valqueire - Vista Alegre.
EM: História – Geográfia - Arquitetura – Arqueologia – Antropologia – Geologia – Urbanismo – Cartografia – Mineralogia –
Engenharia – Sociologia – Museologia – Literatura e Biblioteconomia – Biomedicina – Botânica – Zoologia – Musica –
Teatro/Dança – Pintura/Desenho – Direito – Economia – Comunicação – Comércio – Serviço – Indústria – Transporte
NÃO ACADÊMICO E ACADÊMICO: Memorista – Pós Universitário – Universitário – Médio – Fundamental
SEÇÕES ESPECIAIS:
Academia: produção na formação acadêmica
Ensaio: produção na formação médio e técnica
Primeiro Passo: produção na formação fundamental
Comentando: estimulo à livre produção da crônica social e urbana –
Lembrando: estimulo à livre produção da memória popular.
Além de Irajá: espaço das baixadas vizinhas
História em Imagem : a memória icnográfica da baixada de Irajá

NESTA EDIÇÃO
FALA A EDIÇÃO
UM GIRO PELA BAIXADA
Gilson Gusmão

Pág. 04

AGENDA
Aconteceu e o que vai acontecer

Pág. 06

OPINIÃO DO LEITOR
Correspondência para a redação - caixa postal ihgbi@bol.com.br

Pág. 07

ARTIGO
OURO BRANCO: ORIGENS DO LUGAR QUE DÁ MEL
O Primeiro Engenho
A Produção do Açúcar
Ronaldo Luiz-Martins
COMENTANDO
MADUREIRA MODERNISTA: A VISITA DE TARSILA DO AMARAL AO BAIRRO

Pág. 09
Pág. 13

Pág. 18

Roberto Mattos
CARNAVAL EM MADUREIRA: ENCANTAMENTO E PERCEPÇÕES PARA A PINTURA
PAU-BRASIL DE TARSILA DO AMARAL
Vera Rodrigues
ACADEMIA
APRENDER E ENSINAR: A HISTÓRIA DO LUGAR – MEMÓRIAS E IDENTIDADES DO
SUBÚRBIO

Pág. 20

Pág. 25

Joaquim Justino Moura dos Santos
BAIXADA DE IRAJÁ: EDUCAÇÃO E PATRIMÔNIO
Maria Celeste Ferreira
PRIMEIRO PASSO
IRAJÁ: ORIGEM DE MUITOS BAIRROS
Estudantes do fundamental da E. M. Nun” Alavres Perreira - 2010

Pág. 33

Pág. 37

HISTÓRIA EM IMAGEM
MADUREIRA EM 1928 – INSTALAÇÃO DE TRILHAS E REDE AÉREA DA
ELETRIFICAÇÃO DE BONDES DA LINHA IRAJÁ
Redação da resenha Digital.

Pág. 40

LEMBRANDO
MEMÓRIAS DA MINHA ADOLESCÊNIA
Carlos Henrique Silva

Pág. 44

ENSAIO
Espaço da formação média e técnica - Resenha e ensaios

ESPAÇO FINAL
ONTEM... HORTAS, HOJE UM PARQUE
Ronaldo Luiz-Martins

Pág. 46

Pág. 47

FALA A EDIÇÃO
UM GIRO PELA BAIXADA
Gilson Gusmão *
Neste terceiro numero de nossa Revista convidamos os leitores virtuais para um passeio
em nossas plagas. Com o sabor do mel relataremos, após pesquisas realizadas de nossos
incansáveis colaboradores, de como surgiu, no Brasil, precisamente em Irajá, o Empório do que seria
nossa cidade, pois abastecia-se das riquezas extraídas deste solo. Suspeitamos, ai, um dos primeiros
passos da exploração da mão-de-obra humana, semente e alicerce do sistema capitalista e/ou da mais
valia. (Marx explica).
Caminhando um pouco mais próximos de nossa memória recente faremos um breve passeio com
Tarsila do Amaral por Madureira e o nosso Carnaval de rua, em artigo de Roberto Matos e Vera
Rodrigues, nossos colaboradores.
Ainda, os primórdios do nascedouro do IHGBI - Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá
que, com seus bairros e historias, deu inicio a um trabalho junto as escolas municipais na divulgação
da nossa história, isso na seção ACADEMIA, com trabalhos de nossos colaboradores, Maria Celeste e
Joaquim Justino, professores e estudiosos de historia.
É ler para crer! E mais, já que estamos vivendo a modernização com as obras da Transcarioca
trazendo o moderno e alavancando nossa região, porque não um pouco mais de historia e informação
sobre a instalação dos trilhos e rede eletrificada dos bondes surgida em 1928?
Embriaguem-se!.˜

* GUSMÂO, Gilson: Advogado, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá e do
Movimento Cine Vaz Lobo: Preservação, Cultura e Memória.

PARCEIROS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ

da APRESENTAÇÃO DE IRAJÁ 1613 QUARTO CENTENÁRIO 2013 A MAIS ANTIGA MATRIZ DE FREGUESIA EM VOLUMETRIA ORIGINAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO AÇÃO PELA REVISÃO DO TOMBAMENTO DO IMÓVEL NO PATRIMÔNIO HISTÓRICO NACIONAL TOMBAMENTO DOS BENS MÓVEIS E INCORPORADOS RESTAURAÇÃO EM PROXIMIDADE AO ORIGINAL POSPECÇÃO HISTÓRICA DOS LIVROS DA MATRIZ E SUA DIVULGAÇÃO PARA PESQUISAS PLANO PROGRAMA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ . Srª.IGREJA N.

Realizada. Adelino da Palma Carlos (Praça Seca). sendo destaque o livro “Dicionário da Hinterlândia Carioca” . membro fundador do coletivo e contemporâneo de Nei Lopes em Irajá. por equipe do IHGBI formada pelas professoras Maria Celeste Ferreira. esta na Escola Municipal Nun’ Álvares Pereira (Irajá) em dois turnos. Na primeira. nele foram debatida diversas questões quanto a promoção cultural nas Zonas Norte e Oeste. Com destaque aos 400 anos da Igreja de N.A cargo da empresa Terra Nova Projetos Ambientais. da Apresentação em entrevista da Rede Brasil – Com vista a matéria de seu jornal local. Srª. esteve presente Ronaldo Luiz-Martins. Cultura e Memória / Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá – IHGBI. M.agenda ACONTECEU : Movimento Cine Vaz Lobo em entrevista da Rede Brasil – Em 9 de março passado os componentes do Movimento Cine Vaz Lobo:Preservação. realizada em 18 de junho na sede da 7ª CRE em Jacarepaguá com atendimento as escolas municipais Barão da Taquara (Taquara) e Augusto Cony (Tanque) e o CIEP Dr. A quarto centenária Igreja de N. Com grande freqüência. foram realizadas duas apresentações quanto ao Corredor Transcarioca. Reunião do Movimento Cine Vaz Lobo trata do projeto de reabertura de cinemas de rua – Realizada em 14 de abril de 2012 e contando com a presença de representantes do Movimento pela Preservação do Cine Guaracy e do Movimento Pró Cine Cachambi. Programa História do Lugar na E. participante do Consórcio Construtor Transcarioca. suas intervenções e impactos em Escolas Municipais por ele afetadas. realizou-se no auditório do Mercadão de Madureira a reunião do Movimento Cine Vaz Lobo em que foi analisado pelos presentes o projeto da Prefeitura do Rio em reabrir cinemas de rua. sambista e literato Nei Lopes fez o lançamento de três de suas obras. Guaracy e Rosário. concederam entrevista à jornalistas da Rede Brasil sobre o cinema e as ações do Movimento. tendo particular ênfase o programa “História do Lugar” 1º Fórum Suburbano de Políticas Públicas – Realizado em 3 de junho passado no Centro Cultural Casa do Artista – CASARTI (Vista Alegre) o fórum contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Cultura. Inclusos neste projeto estão os cines Vaz Lobo. sendo nela destacado os 400 anos da Igreja de Irajá. Apresentação das Obras da Transcarioca na 5ª e na 7º Coordenadoria Regional de Educação . Em ambos eventos estiveram presentes membros do IHGBI. após a palestra dois grupos de 15 alunos foram acompanhados em visita a mesma. onde lhes foram apresentados destaques da sua edificação e dos valores históricos nela presentes. participaram ao encontro e apresentaram trabalhos os membros fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá. em 19 de abril. A matéria foi apresentada em noticiário desta emissora. em 17 de maio. Nun’Alvares Pereira . Nei Lopes lança três livros – Realizado em 5 de maio no Parque das Ruínas (Santa Tereza) o evento em que o compositor. representando o IHGBI em prestigio ao destacado irajaense. jornalistas da Rede Brasil realizaram entrevista com componentes do IHGBI. sendo feita uma apresentação de seus objetivos e ações já realizadas. Karen Barros e o memorista Ronaldo Luiz-Martins. Ao evento. A segunda. CASARTI e IHGBI. mais uma palestra do programa “História do Lugar”. teve por atendimento as escola municipais de Madureira Astolfo Resende e Ministro Edgar Romero. em 24 de abril. VIII ENCONTRO NACIONAL DE PERSPECTIVAS DO ENSINO DE HISTÓRIA – Realizado de 02 a 05 de julho na Universidade Estadual de Campinhas (São Paulo). Srª. Joaquim Justino Moura dos Santos com a exposição de História do Lugar: ensino e aprendizagem no ensino médio e fundamental e Maria Celeste Ferreira com Baixada de Irajá: educação e patrimônio . da Apresentação. professores Dr. realizada na sede da 5º CRE em Rocha Miranda.

. . Vale a pena dar uma olhada ! – No site Trilhos do Rio em trilhosdorio. Aproveito a oportunidade para indagar de que maneira posso contribuir para esse projeto .Vista Alegre COMPARTILHE O CONVÍVIO MULTIDISCIPLINAR DO NÃO ACADEMICO AO PÓS ACADEMICO PUBLIQUE SUA PESQUISA.Penha Circular Ricardo de Albuquerque – Ramos .Vigário Geral Vila da Penha .Barros Filho .Paulo D’Lucia Kraus . MEMÓRIA E DIVULGAÇÃO DO PATRIMÔNIO E CONHECIMENTO MULTIFÁRIO DOS 38 BAIRROS DA PRIMEIRA GRANDE ÁREA SUBURBANA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO Acari . caminho das águas .Parada de Lucas .. me trousse recordações.Costa Barros . PRESERVAÇÃO.OPINIÃO DO LEITOR Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa de constituir o IHGBI..Irajá ..Vicente Carvalho ...Anchieta .br [agradecemos a Trilhos do Rio pela citação e link ao blog RESENHA Digital] Buscando informações sobre o bairro de Ramos onde morei de 1948 a 1965..br .17/08/2012 por e-mail [Respondido também por e-mail] INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ . Parabéns a todos o componentes do Instituto e da revista . O trabalho de vocês é muito bom. a história de alguns bairros . . SUA OPINIÃO OU SUA MEMÓRIA QUANTO À BAIXADA DE IRAJÁ INSCREVA-SE COMO MEMBRO PERMANENTE OU CORRESPONDENTE Solicite adesão em ihgbi@bol. Não bastassem as imagens. e dos lugares que morei só encontrei falar deles como lugar de baixa cultura. Enganam-se os que acham que os franceses só vem o Rio de Janeiro dos mapas turísticos. por jornais e internet..Vila Kosmos .Honório Gurgel .EM FORMAÇ FORMAÇÃO PESQUISA. Ao ver a Revista RESENHA e os objetivos que o Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá tem quanto a divulgação da história desses bairros.Parque Anchieta Parque Columbia .Rocha Miranda Turiaçu .. sempre que procurei informações do Brasil. Ver na seção História em Imagem as fotos de Ramos foi grande emoção.Olaria Oswaldo Cruz ... Eles sabem mais . Longe a mais de 20 anos (Marceille – France)..Bento Ribeiro Brás de Pina – Campinho .Campo dos Afonsos . Publicada e produzida pelo Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá.Vaz Lobo .Deodoro Guadalupe . Represento o Brasil na promoção de turismo junto aos franceses . do pouco que falo sobre ela espanta .Marechal Hermes .Coelho Neto Colégio – Cordovil . muitos me perguntam por que ai não falam e contam nada sobre a área maior da cidade . sinto que há muitos valores deles a serem mostrados.. além de outros textos interessantes sobre o Cine Vaz Lobo.Jardim América Jardim Sulacap – Madureira . sofrimento e violência ..Vila Valqueire . cheguei ao blog da revista Resenha.Pavuna – Penha .com... a descrição e os comentários a elas completando..Caminho de ferro.com.. [Respondido também por e-mail] Encontrei hoje esta interessante publicação: Resenha Digital: Rio d'Ouro . conta histórias interessantes sobre a ferrovia. Por gostar do que li eu traduzi o artigo da Rio Douro para o francês e dei para alguns amigos . A matéria Rio Douro: Caminhos de ferro e caminhos das águas fez ver fatos que não conhecia e compreender o quanto sempre foi pouco falado dos bairros da zona norte.Adriano Gomes Filho – 03/08/2012 por e-mail.. Quando digo que nasci e cresci nesta área.. precisos quanto ao momento e lugar.

MOVIMENTO CINE VAZ LOBO PRESERVAÇÃO. PRESERVAÇÃO HISTÓRICA PLANO PROGRAMA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ . BIBLIOTECA. CORTINAS E JOGO DE LUZES ORIGINAIS TRÊS SALAS DE MULTIUSO SALÃO DE EXPOSIÇÕES LOJAS DE SERVIÇOS SALAS DE CURSOS. EVENTOS E INTEGRAÇÃO SÓCIOCULTURAL COM A POPULAÇÃO. MANTENDO TODA A TRADIÇÃO DOS FLORÕES. CULTURA E MEMÓRIA MORADORES E AMIGOS DA BAIXADA DE IRAJÁ EM AÇÃO PELA TRANSFORMAÇÃO DO CINE VAZ LOBO EM CENTRO CULTURAL DE ARTES CÊNICA E AUDIO VISUAL EXTERNAMENTE PRESERVADO EM SUA ARQUITETURA ORIGINAL INTERNAMENTE ADAPTADO PARA A NOVA ATIVIDADE CINE TEATRO COM 800 LUGARES. CENTRO DE EDIÇÃO AUDIO VISUAL E ACERVO HISTÓRICO.

muito poucos exemplares de seu livro foram preservados. em doação de sesmaria datada de 14 de junho de 1568 4 recebeu a estas. do seu crime de expor a sanha da ambição de outros reinos europeus os segredos das riquezas portuguesas.500 arrobas de açúcar em 1494 7. Esses agraciados deveriam providenciar o plantio de cana e instalar engenhos. cumpriu ao governador Salvador Correa de Sá prover as bases econômicas de sua sustentação. o açúcar. onde trata dos processos e recursos para a produção de açúcar 3. era. recebidas as terras na Baixada de Irajá. Cabe crer que Antônio de França teria emigrado da Ilha da Madeira com a expedição de Martin Afonso de Souza. sendo representativo João de França na região de Ponta do Sol com a produção de 2. coube a Antônio de França ocupa-las e. na qual Antônio de França solicita confirmação de doação de terreno para residência no Morro do Castelo 5. tornando-os produtivos no prazo máximo de 3 anos. Outro registro. Seu pecado e causa de tão drástica censura era o de descrever. teria que ser pessoa de cabedal e governo. 2 Tendo por base o que descreveu Antonil quanto a lavra do açúcar no Engenho Real moente e corrente. sumariamente apreendido e quase todos os seus exemplares destruídos. Membro Fundador do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá e Movimento Cine Vaz Lobo: Preservação. a forma e processos de como eram obtidas as grandes riquezas que as terras do Brasil produziam para Portugal. Autor de “Mercadão de Madureira: Caminhos de Comércio” – 2009. em detalhes. pois eram grandes os investimentos a serem aplicados. bem como lhes era vedado vender ou transferir-las a outrem. Ä Ä LUIZ-MARTINS. desta forma. Neste período deveriam obrigatoriamente residir em suas terras ou na vila ou cidade que delas fosse mais próxima. Cultura e Memória. em cerca de 1533. como senhores de engenho nesta ilha. penetrando pelo rio que mais tarde iria ser chamado de Ira-ia-já. Assim. mulher e filhos da Capitania do São Vicente em tempos que o Rio de Janeiro estava muito necessitado de gente e povoadores 6. para as doações de sesmarias com vista da produção do açúcar a garantir a vida econômica da Capitania. para além do lugar de bmy-ry-ty (onde tem mosquitos). equipamentos e técnicos de sua família. sendo possível que tenha ele se proposto a transferência para o Brasil. Vencidos os Tamoios e estabelecida a cidade em forma definitiva.OURO BRANCO: ORIGENS DO LUGAR QUE DÁ MEL Ä Ronaldo Luiz-Martins Ä Ä O PRIMEIRO ENGENHO Em 1711. necessariamente haveria de ser escolhido quem possuísse riqueza e.O Engenho de Antônio de França” do livro ““De Mby-ry-ty a Yacare-upa-guá: Caminhos e Desenvolvimento Urbano” em elaboração pelo autor. principalmente. seria pessoa de grande riqueza e capacidade de investimentos. Ronaldo: Analista de Sistemas e pesquisador não acadêmico da história da Baixada de Irajá. Prova disso foi a doação de terras na atual Baixada Fluminense a Brás Cuba. é possível concluir que Antônio de França. sendo já senhor de engenho. Conforme exposto em petição de 1585. em particular quanto ao ouro amarelo das lavras e o ouro branco dos engenhos de açúcar. Igual critério seria também adotado para as terras da Baixada de Irajá e. nelas implantar canaviais e montar engenho. João V. por ato do Governador Salvador Correa de Sá. em 1570 teria ele se mudado para o Rio de Janeiro com fato e cabana. o livro intitulado Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. com várias notícias curiosas. o que demonstra que já teria ele chegado ao Brasil a mais tempo e formado “fato” de investimentos. mal saída sua primeira edição. É seu autor mais conhecido como Antonil 1 e sem maior punição que a proibição de divulgação de sua obra. por correlação. ficando ela ignorada até o século XIX. grande empreendedor e capitalista que já havia fundado vila e engenhos em São Paulo. para a produção de seu ouro branco. Para tanto os primeiros passos foram o de. este na Ilha da Madeira. Por essa afirmação podemos considerar que. Seguindo os regimentos estabelecidos desde o Governo Geral de Tome de Souza. Ä Resumo do capitulo “Início da Ocupação da Baixada de Irajá . ultrapassando os manguezais. de engenho. transferindo meios de São Vicente. era mister conceder sesmarias a investidores para a produção de açúcar. possíveis antecedentes de Antonio. podemos visualizar aspectos da ocupação da Baixada de Irajá. conhecimento do seu mister. dá conta da presença da família de França. que. Diz-nos Antonil que para alguém pudesse ser Senhor de Engenho. estabelecer a base de suas instalações. . diferentemente das doações de sesmaria no entorno da cidade aos principais capitães e homens de governo que lutaram pela conquista do território. por ordem do rei de Portugal D. na atual cidade de Santos. o lugar que dá mel. igualdade e verossimilhança.

entre os atuais bairros de Brás de Pina e Acari. onde a água das chuvas corria umedecendo solo. os quais deveriam roçar. A ocupação de uma tapera se justifica por ser área já desmatada pelos índios. muitas foram as tarefas à realizar. Na contra partida o governo lhe autorizava usar escravos índios cativados entre os vencidos e a contratar a mão de obra de índios amigos e catequizados pelos Jesuítas. 11 Até a primeira produção de açúcar. dado ao regime de fortes chuvas de verão. Montagem Ronaldo Luiz-Martins –Acervo IGHBI Seguindo as diretivas definidas pela Coroa desde o Regimento do primeiro Governo Geral. entregar a cana ao engenho para o seu processamento em açúcar. fazer a derrubada da mata ao longo dos caminhos. destoca-la e plantar as socas de canas. Meriti ou Acari. teria sido ele uma tapera. Por este mesmo Regimento e considerando possíveis ataques indígenas. antigas trilhas indígenas (piabirus). foi seu encargo construir junto ao engenho edificações fortificadas e com torres de observação. a tapera era de mais fácil ocupação pelos pioneiros do engenho a implantar. A proximidade de fonte de água e estar livre de inundações era fundamental ao engenho. Rios de planície de caudal volumoso na estação das chuvas. e em proximidade de riacho ou fonte. de acordo com as técnicas então existentes teria sido realizado em glebas (tarefas) que permitissem a ocorrência de colheita em lotes seqüenciados a capacidade de moagem e transformação do engenho em implantação. a melhor área a ser plantada eram os aclives de colinas. melhor ao plantio de cana e de material utilizado no processo de produção de açúcar 10. possivelmente trazidas de São Vicente. Possível região de instalação do engenho de Antônio de França O primeiro engenho de açúcar da Baixada de Irajá pode ter sido construído em 1574. 12 Este plantio. . espaço onde haviam feito aldeia e formado roças de mandioca e milho. sendo estes por foro ou meação. mas em área de pequena elevação e pouca vulnerabilidade a inundações. particularmente na região dos atuais bairros de Parada de Lucas e Cordovil entre os rios Irajá e Meriti 9. lotes de terra para plantio de cana. recebendo deste parte do produto final. junto com os colonos a quem cedeu partido.Não há registro com que se possa precisar o local das instalações do engenho de Antônio de França 8. sendo estas áreas de solo argiloso. encontrando eles ali restos de roças e choupanas. e em menor escala terras de baixios onde o maior alagamento iria prejudicar a cana tornando seu caldo mais aguado e com menos sacarose. porem. Nesse sentido. Antônio de França distribuiu a colonos partidos. que convergiam ao local de instalação do engenho. suas margens eram arenosas e inundáveis. em local entre os bairros de Brás de Pina e Acari. (circulo em vermelho). Em melhor desta característica estavam às proximidades do rio Cachorros e do riacho hoje retificado e arrimado conhecido como Canal da CEASA. sendo as margens do rio Acari pantanosas. Com trilhas de acesso já abertas pelos antigos habitantes. no tempo da colheita. fato que leva a excluir de ter sido este assentamento próximo às margens dos atuais rios Irajá. A primeira foi a de. plantar e. de melhor forma a garantir a qualidade do futuro produto. antiga taba de Tamoios. mantendo a suas custas homens e armas de defesa. que possivelmente começou em junho de 1571 para a primeira colheita entre abril e setembro de 1574. em particular na Capitania do Rio de Janeiro onde os Tamoios não estavam ainda totalmente dizimados.

mas concorrentes. instrumento básico a purga de purificação e cristalização do açúcar. Plantações de alimentos se formaram entorno do engenho e dos canaviais. outras providencias tiveram que ser tomadas. Não havendo na região rio que fornecesse força hidráulica a mover roda. em circulo. Oficinas de equipamentos. a moenda era movimentada por força animal. Estima-se que o engenho de Antônio de França foi de pequeno porte com produção máxima por safra de 40 toneladas de açúcar. especialista nas técnicas de produção. A este assessoravam os responsáveis pelo cozimento do caldo e geração do mel de açúcar. obtendo na mata a madeira. mais fortificação. . seria fervido o caldo da cana para sua transformação em escuro melaço e deste produzir o dourado mel de açúcar. A casa das caldeiras. por ano. 13 Ao lado desta o grande galpão de purga onde em bancadas seriam postas as formas de barro cozido cheia com o mel a ser cristalizado e purificado formando pães de açúcar. onde os pães de açúcar retirados das formas seriam quebrados. condutores de carroças de transporte de cana e de produtos. Nestas condições. Autor não identificado – Domínio Público divulgado em Internet Casa grande de engenho típico do século XVI Afastados de vilas. de residência do senhor de engenho e seus agregados. conservação e colheita nos canaviais. em tachos de cobre. Nesta dimensão de moenda. após granulados. Seguinte a esta. local onde se formou a tecnologia portuguesa de produção açucareira. considerado como trapiche. barqueiros para o transporte fluvial de produtos do engenho e para esse. bem como pastos para criação de animais de tração. casas para os trabalhadores e colonos. Edificações foram construídas: Casa. telhas. Outras demandas ao engenho faziam-se necessário prover. e nela a torre de vigia. o banqueiro responsável pela quebra dos pães de açúcar e o caixeiro responsável pelo seu encaixotamento. Para tanto Antônio de França teve que se fazer acompanhar de expressivo contingente formado por mais de vinte homens brancos e suas famílias e cerca de sessenta outros entre índios livres e índios escravos. de abate e de leite. manilhas e principalmente a confecção de centenas de formas de pão de açúcar. carpintaria. Ao engenho iriam demandar tijolos. pessoa de alto ganho e apreço do senhor do engenho que possivelmente fosse originário da Ilha da Madeira. Mais espaço seria necessário à construção da casa da moer onde a cana seria esmagada para retirada do caldo. a casa de mascavar e encaixotar. da moenda e particularmente da confecção dos grandes caixotes de madeira de lei em que o açúcar era embalado para ser remetido à Europa. onde abrigar o grande fogão sobre a qual. tendo ao centro a moenda com cerca de 5 metros de comprimento por 3 metros de largura e espaço entorno desta por onde. cerca de 140 caixas de 20 arrobas.Iniciado o plantio da cana. aos quais completavam tropeiros de burros. a casa da moer seria um galpão de piso mais elevado que o piso da casa das caldeiras que lhe ficava logo ao lado. o purgador e feitor da casa de purga. marcharem os animais de tração. ferreiros e em especial o carpinteiro que. Artesãos eram necessários: pedreiro. Para a sua defesa as casas de suas sedes eram construídas de forma possibilitar a vigília e defesa de eventual agressão indígena ou investida de saque de sua produção por estrangeiros . A mais importante era o mestre de açúcar. serem encaixotados para venda. a casa de purga teria que ter área mínima de 270 metros quadrados para ser capaz de abrigar 300 formas de pão de açúcar. ocupavam a pequena população que se formava ao entorno do engenho. Buscar um barreiro e junto a ele instalar uma olaria. separados o açúcar branco do mascavo escuro e. rotatividade necessária à produção de cerca de 800 formas por safra. somavam-se na produção do engenho grupos de corte e transporte de lenha para as fornalhas. Atividades diversas. abrigos para escravos e cozinha para a produção de alimentação completavam o complexo agro industrial que se formava. Além de partideiros e escravos alocados na plantação. era responsável pelas estruturas dos prédios. os engenhos estavam sujeitos a ataques do gentio ainda não dominado.

Deste se propagaria o topônimo que meio século depois seria perpetuado na terceira freguesia da Cidade do Rio de Janeiro e sua igreja matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá.Estima-se que já em 1574 iniciava a produção de açúcar na Baixada de Irajá. negociadas na Europa. as terras que constituíram a sesmaria que deu origem a ocupação da Baixada de Irajá foram redistribuídas em novas sesmarias e ao inicio do seguinte. durante cerca de três anos Antônio de França não sofreu tributação na sua produção.década de 1930 Existente até 1945 quando foi aterrado para a construção da Av. no século XIX. na Fazenda do Conde de Irajá. em local no atual bairro de Brás de Pina que seria conhecido como Portinho de Irajá. local hoje sob as pistas da Avenida Brasil na Penha. não foi por Antônio de França alcançado. Com o ouro amarelo das Gerais e a posterior ocupação do Vale do Paraíba na produção de açúcar. mas fato é que 1600 já findara o prazo de 30 anos. das terras situadas no Morro do Castelo que a ele pertenciam. Embarcadas em largas canoas. As documentações disponíveis levam a concluir que em 1602 Antônio de França já não mais estava à frente de seus bens no Rio de Janeiro. onde mais tarde seria o chamado Porto de Maria Angu. no qual teriam que estar todas as terras recebidas já ocupadas e produtivas. as levavam para armazém na que seria chamada Praia do Peixe. constituíram-se nas primeiras receitas da Capitania e da Cidade do Rio de Janeiro. a partir daí essa ocupação expandiu-se e por quase dois séculos o ouro branco nela produzido representou destacado papel na riqueza econômica da Cidade do Rio de Janeiro. local hoje aterrado ao lado Praça XV. Por um incentivo fiscal promovido pela Coroa aos primeiros investidores em engenho nas capitanias da colônia. ao longo do período de produção. na região haviam 15 engenhos em franca produção. Brasil. conforme estipulado as doações de sesmaria. e para este o dourado mel de cana de sua pré cristalização. aos índios nele empregados tornar-se-ia ali o ira-ia-já. particularmente em seu início. embarcações a vela. também do engenho de Antônio de França a cidade do Rio de Janeiro recebeu alimentos. possivelmente por sua morte. o que. Ù . onde eram negociadas com atravessador para o Reino. produtos de olaria e cal 14 que contribuíram aos seus primeiros passos de desenvolvimento nas últimas décadas do século XVI. já que em 4 de julho deste ano era transcrito no Livro de Tombo do Colégio dos Jesuítas o recebimento. A Intensa atividade se formava a partir de abril. sua origem remonta em cerca de 1580 quando na praia ali existente era a produção de açúcar da Baixada de Irajá transferida de canoas para faluas. condição que se manteve até o inicio do século XX quando passa a formar-se como área urbana. Produzindo o engenho de Antônio de França o ouro branco de sua época. No século XVII. e transportada ao porto da cidade. porem aos compradores e ao embarque no porto eram cobradas taxas em produtos que. Em excedentes dos gerados para subsistência. navegando pela baia da Guanabara. gradualmente a Baixada de Irajá iria modificar sua vocação para. Em novo ciclo. As caixas do engenho de Antônio de França eram transportadas por carro de boi até as margens do Rio Irajá. no século XIX. por herança. 15 Não há referencias quanto ao destino do engenho em Irajá. na medida em que se fechavam as caixas com o açúcar produzido. o lugar que dá mel. tornar-se um grande centro de abastecimento de produtos agrícolas e gado. O engenho e seus canaviais podem ter sido vendidos a terceiro e é provável que os seus terrenos tenham vindo a se constituir. dada a grande extensão de sua sesmaria. eram essas levadas para o porto da cidade onde em armazéns aguardavam embarque para Portugal. Neste ponto as caixas de duas a três canoas eram transferidas para embarcações maiores que. as caixas eram transportadas por esse rio e margeando o litoral da baia eram levadas até a pequena enseada. quando diminuíam as intensas chuvas da estação das águas e. Autor não identificado – Divulgação na Internet Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro Porto de Maria Angu na Penha .

Do tonel de deposito. A produção no trapiche não era continua. Como a moenda era de dois rolos com um só esmagamento por passagem. 16 Carregada a carroça ou tropa de burro com a quantidade estipulada a um lote de produção de açúcar. eram selecionados a colheita iniciando-se essa pelas de plantas mais velhas. . pois quando na primeira fervura do caldo as impurezas seriam retiradas. que inclinada para um dos cantos. juntando duas ou três canas. era necessário repassar os bagaços para maior aproveitamento de caldo. Trabalho extremamente sacrificante pelo calor gerado. o crescimento de nova planta a partir destes. levava o caldo a cair em um manilhamento que. O primeiro abaixado ao pé das plantas. quando diminuíam as intensas chuvas da estação das águas. a outra mantendo força sobre uma das pontas da haste poderia causar quebra desta e provocar a parada da moenda. empreendiam um movimento circular entorno do seu corpo principal. Este em seu extremo tinha sua fornalha alimentada por escravo que continuamente nela introduzia achas e os gravetos de lenha. esgotada em força. Anos mais tarde iriam ser empregadas nos engenhos moendas de três rolos que em uma só passagem procediam dois esmagamentos sucessivos a cana. A colheita era realizada por grupos de três trabalhadores. promovendo o equilíbrio de qualidade. única medida possível de ser por ele reconhecida. o caldo vindo da moenda era por bica direcionado a uma primeira caldeira de cobre que seguidas de outras se assentavam em um grande fogão de lenha construído com tijolos de barro. Sentado à frente de dois grandes rolos de madeira de lei colocados horizontalmente um sobre outro. pois empacando uma. A este escravo cabia também recolher as cinzas para misturadas à água fazer a decoada. As tarefas. No lado inverso da moenda. As dos aclives de colinas e morro também deveriam ser das primeiras. escorrendo pelo rolo inferior caia em uma calha de madeira logo abaixo. a alimentação da fornalha era em geral destinada a escravos rebeldes e quase sempre executado sob a força do feitor. lotes de plantação. já provocava perda de ritmo aos rolos moedores. registrando o feitor a sua procedência para controle de direito do partideiro ao açúcar que dela seria produzido. seria então a momento do corte da cana de baixio mais aguada. pois a seu açúcar se misturava ao restante das anteriores. pois deixando-as para depois ficariam ressecadas e com pouco sumo. pois com sumo menos aguado dariam um açúcar de mais alta qualidade necessária ao bom nome do engenho e do seu partido de origem. 18 Em tempos. eram então estas conduzidas ao engenho. deixando esta no solo para o seu adubamento. Um escravo conduzia essas parelhas de forma que ambas seguissem um mesmo ritmo de movimento. outro escravo cuidava de retirar do local os bagaços de cana que já estivesse totalmente esmagado e devolver para frente os que ainda contivessem algum caldo. sobre fornalha. as cortava deixando ainda alguns centímetros de talo para a “ressoca”. cabia agrupar as canas em feixes de dez. Fora essa condição nenhuma outra limpeza era feita. com a produção já adiantada e com sobras dos primeiros lotes. 17 Chegada a cana ao engenho. Mas adiante. comumente uma mulher. componente essencial no processo de purificação do caldo e sua transformação no mel de açúcar. Ao segundo cabia limpar a cana de sua folhagem. onde o feitor registrava os lotes realizados. Também esse tangedor devia estar atento ao movimento de moagem para parar de imediato o movimento dos bois em caso de acidente ou a ordem do feitor. A cana era de imediato levada a moenda. e leva-los a carroça ou tropa de burro de transporte. passando sob o piso da casa da moenda. alcançando esse grande temperatura. os bagaços de cana eram levados aos pastos para alimentação dos animais. mantendo o fogo alimentado de oxigênio por chaminé na outra ponta.A PRODUÇÃO DO AÇUCAR A Intensa atividade de produção de açúcar se formava a partir de abril. Esse. Recorte . pois a cabo de algum tempo era necessária ser feita a troca das parelhas de bois que. um escravos empurrava de três a quatro canas contra esses que. Ao terceiro. estando ela suja de barro e lama era rapidamente lavada em um grande tanque construído ao lado da casa da moenda. em passagens por sucessivos tachos de cobre o caldo da cana era transformado em mel de açúcar.Autor desconhecido – divulgação em internet Casa das caldeiras – Local em que. em movimento circular sobre seus eixos. ia depositá-lo em um tonel de madeira na casa das caldeiras. A moenda era movimentada por duas parelhas de bois que presas a uma grande haste sobre ela. as esmagava extraindo o seu caldo.

a água sorando do barro e passando de forma lenta pelos cristais mais acima ia a eles branqueado e. cabia a Antonio de França promover. uma boca em torno de 40 cm. na casa de purga as formas eram colocadas em estrados com sua ponta estreita para baixo. madeira de grande resistência como a sucupira. Por via longa e custosa. escurecendo os mais abaixo. Surge então. tão logo eram elas fechadas se fazia o seu transporte. era então colocado nas formas de barro para o processo de purga. por distribuição equilibrada quanto ao maior e menor grau de pureza. o nome do partido produtor da cana. Não podendo estocar caixas de açúcar em suas instalações. da freguesia rural de Irajá. jacarandá ou maçaranduba. em sucessivas viagens de poucas unidades transportadas. aguardavam embarque para Portugal. Sobre mantas de couro. com cerca de 80 cm de altura. o custo final do produto era alto. eram elas chamadas de cachaça. Neste processo. 19 Forma de pão-de-açúcar Peça de barro cozido. que se tornaria a matriz. sendo utilizada na alimentação de animais. Nestas caixas. e até 2/3 da forma. Completa a secagem o açúcar era então levado ao encaixotamento. distintas a cada produtor. na qual era depositado o mel de açúcar para sua cristalização. a mais larga. em armazéns. a fogo sobre sua tampa e uma das laterais. a qual se tornou o berço dos subúrbios carioca. Cone de barro cozido com cerca de 80 cm de altura. sem destilação. Em sentido oposto. em pau de lei. apresentava-se um açúcar de branco a cinza claro e no restante mais escurecido. o açúcar cristalizado formava um torrão que era denominado pão-de-açúcar. tornou-se preocupação a boa ordem dos engenhos. Fechadas. Na purga era o tarugo retirado para por esse furo escorrer parte do mel expurgado na cristalização do açúcar. sendo em sua comercialização consideradas margens de 10% a menos. o açúcar era disposto em camadas que eram pesadas para definição do peso total embalado. os tarugos de branco e de mascavo. Ao inicio do século XVII. descoberta pelos índios livres e escravos. Ù . recebendo coação e batimento. coube também a esses atravessadores o fornecimento aos engenhos dos bens de consumo vindos do reino. sede religiosa. política e judicial. Após um período de 20 dias. as formas eram levadas a casa de mascarvar e caixotar. as caixas eram então levadas para o porto da cidade onde. por concentração maior. sendo então eles cortados em tarugos. Para comportar 20 arrobas de açúcar eram construídas caixas de madeira de cerca de 100 cm x 60 cm x 45 cm. por seus meios. o transporte do açúcar até porto da cidade. Neste local foi erguida a capela. Para melhor embranquecer a cristalização. de melado na primeira fervura chegava ele a mel de coloração dourada. Ali eram retirados das formas os pães-deaçúcar. Retiradas por meio de grandes escumadeiras de cobre. secarem retirando do produto a umidade ainda restante. após seco.Na primeira caldeira e mais próxima da fornalha. eram então triturados e levados a pó. Após cerca de 20 dias na casa de purgar. sendo a sua parte superior. separando-se o açúcar branco do mascavo. o primeiro grande pólo de comércio da Cidade do Rio de Janeiro. Preenchidas com o mel de açúcar e com a identificação de qual o partido de procedência da cana com a qual foi este produzido. ponto em que. uma aguardente de baixa qualidade que. a forma de um lacre de inviolabilidade. formando assim também a sua pioneira centralidade sub urbe. quando novos engenhos foram implantados. Findo a purga. a forma possuía em sua ponta inferior um furo que era fechado por um tarugo de madeira por ocasião de seu preenchimento. após 15 dias e por duas vezes em 5 dias. como ponto de convergência de negociações e preparação a transporte. eram marcados o tipo de açúcar (branco ou mascavo). em fogo alto o caldo era fervido e com a ebulição viam à tona as maiores impurezas. ao tempo. bloco de açúcar cristalizado. e de cuja fermentação produzia-se. na parte superior. sobre a boca larga era colocado um tampão de barro amassado e úmido na qual era mantido até secar e endurecer. A fidelidade do conteúdo das caixas era assumida pelo princípio de honra e bom nome do engenho. sendo esses colocados sobre grandes mesas para. passando o açúcar e os excedentes da subsistência a serem negociados junto aos produtores. a mais larga. surgiram os atravessadores e os empreendimentos de logística de transporte para a cidade. que pelo interior tinham os encontros de tabuas vedados com barro. o peso total do açúcar na caixa. o nome do engenho e o local deste. após esfriamento. símbolo da centralidade social. Ao tempo de seu engenho pioneiro. Fervendo o caldo em passagem de uma caldeira a outra em fogo gradualmente mais brando. Fechadas as caixas. o que sacrificava o preço de negociação e a margem de lucro do produtor. estando este localizado na atual Praça Nossa da Apresentação.

D. resta por indicação o topônimo Estrada da Água Grande. a mão-de-obra de indígenas catequizados em reduções promovidas por padres jesuítas. mulher e filhos da Capitania do São Vicente em tempos que o Rio de Janeiro estava muito necessitado de gente e povoadores é destacada em Transcrição do Livro de Tombo do Colégio de Jesus do Rio de Janeiro .Trata a primeira parte de Cultura e Opulência do Brasil quanto a: Do senhor do engenho do açúcar. desfalcavam o processo fabril e a agricultura. 7 . o total de 175 arrobas (cerca de 2. Alberto . dos feitores e outros oficiais que nele se ocupam. o Governador Cristóvão de Barros (1571 . teria Antônio de França recebido terra para construção de moradia que era próxima ao Colégio dos Jesuítas junto ao Baluarte d’el-Rei (fortificação sobre o Morro do Castelo). 6 . purga e encaixa o açúcar no Recôncavo da Bahia. por possível remarcação de território.MACEDO. 12 . 4 .Em relação ao que era a região de alagadiços entre o rio Irajá e o rio Meriti. fugindo ou cedo morrendo.7). o qual tomou por exemplo o Engenho de Sergipe do Conde em 1711. remontado a esta época a primitiva capela que deu origem a quarta centenária igreja Matriz da Freguesia de Irajá.Seção de Manuscritos . a qual foi prefaciada por um estudo bibliográfico de Affonso D’Escragnolle Taunay.A data da concessão da sesmaria de Antonio de França é informada por Vieira Fazenda em Limites entre o Estado do Rio de Janeiro e o Districto Federal – Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Tomo LXVIII – 1905 – pagina 52. suas obrigações e salários.VIEIRA. . e seus emolumentos.000 metros) por três léguas para o sertão (18. até ao final dos anos de 1960 existiam restos de olarias anteriores ao século XIX e grande fossos de extração de argila que se transformaram em lagoas atualmente aterradas.300 metros) e que seria entre o Porto de Maria Angu e o Rio Irajá. de forma aparentemente livre e assalariada. sendo este admitido como André João Antonil. 10 . para o reino de Portugal. como atualmente é mais conhecido. Possivelmente uma das reduções a fornecer mão-de-obra aos primeiros engenhos da Baixada de Irajá foi estabelecida no local onde hoje se encontra a Praça Nossa Senhora da Apresentação.000 metros). quando conhecendo os engenhos de açúcar da Bahia. Seu verdadeiro nome somente viria a ser identificado por Capistrano de Abreu em 1886. que na casa de caldeiras de um engenho de grande porte eram utilizados.Com grande numero de equipamentos de cobre.Na área onde estão hoje a CEASA e a Comunidade de Para Pedro. assim como por iguais visitas e pesquisas os de outros mais produtos das terras brasileiras.1575). e de como se faz. o que com a profundidade citada corresponde a quase totalidade da Baixada de Irajá. o Bmy-ry-ty (lugar que tem mosquitos) dos indígenas. nas chamadas “descidas”. concedia nova sesmaria para engenho na Baixada de Irajá. Reconhecido como João Antônio de Andreoni (Toscana / Itália 1650 .Muitos dos índios escravizados não suportavam as grandes cargas do cativeiro e. 9 . era ele jesuíta e Provincial do Brasil. 3 . Nesta época o engenho de Antônio de França estava produtivo. Posteriormente foi cognominado como Antonil. 11 . Antes do emprego de escravos africanos foi recurso adotar.códice 4. em tachos e ferramenta.litoral entre a ponta do Maciço da Misericórdia e o Rio Meriti.Segundo consta no Livro de Tombo das Escrituras das Cousa. é possível se estimar em mais de 300 quilos o total de cobre aplicado no engenho de Antônio de França. tendo estas légua e meia pela frente ( 6. para a ocupação dos espaços deixados pelos Tupinambás (Tamoios) dizimados. Cita o artigo que esta sesmaria seria de 1. Pesquisas mais recente mostram que em 1574. detalhadamente descreveu os processos de obtenção de seus produtos.600 quilos) de cobre. citam o engenho de Antônio de França como sendo o de Nossa Senhora da Ajuda.No Brasil o livro Cultura e Opulência do Brasil veio ser melhor apresentado em reedição de 1922. Leite – Anais da Biblioteca Nacional – Volume 82 – 1968 – páginas 173 a 176. 5 .NOTAS 1 . Consideradas as informações de Antonil. A grande ocorrência de argila ali guarda ainda vestígios no topônimo Estrada do Barro Vermelho. sendo provável não ser ele o citado. em local correspondente a Fazenda Grande. sendo a de Antônio de França na costa de Piraquanopã .A citação de Antonio de França de que teria ele vindo para o Rio de Janeiro com fato e cabana.Centro de Estudos de História do Atlântico – 1996. no Brasil. sua condução e moagem.Vieira Fazenda em Limites entre o Estado do Rio de Janeiro e o Districto Federal e Brasil Gerson em História das Ruas do Rio. 2 .À cultura da cana muito favoreceu o relevo da Baixada de Irajá que possui pequenas elevações (colinas e morros) de solo argiloso e altitude não acima de 50 metros. entre este João de França com engenho na região de Ponta do Sol.2. 8 .Bahia 1716).Em Cinco Séculos de Açúcar na Madeira . Que Pertencem ao Collégio de São Sebastião da Companhia de Jesus do Rio de Janeiro (Biblioteca Nacional .500 braças (3. muitos deles de tribos e nações do interior e trazidos. estando ele na Fazenda Grande da Penha que teria sido divisão da sua sesmaria. Da planta das canas. Da moenda. 13 . são citados os principais produtores de açúcar da Ilha da Madeira no final do século XV. o investimento na casa das caldeiras era dos mais altos ao senhor de engenho. fábrica e oficinas do engenho e do que em cada uma delas se faz. É esta a edição que serve de referencia ao presente trabalho.No original de Cultura e Opulência do Brasil o autor se identificava como Antônio Toscano. Outras fontes consideram que Antônio de França e Brás Cuba receberam as maiores sesmarias então concedidas.

Alberto – Cinco Séculos de Açúcar na Madeira – Centro de Estudos do Atlântico (CEHA) – Funchal (Ilha da Madeira) – 1996 – cópia digital em www. as estradas no primeiro mês após as chuvas eram lamacentas e sem cuidado e atenção do condutor podiam os carros de boi se atolarem bloqueando o caminho e provocar atrasos ao engenho.inf. Em termos de custo pouca diferença havia entre o escravo e o livre. casa e terreno no Morro do Castelo. 16 . José de Vieira – Limite entre o Estado do Rio de Janeiro e o Districto Federal . como as fornalhas. Olga .Recorte da foto de peça do acervo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ..Desde a instalação do primeiro engenho.7 .Historia das Ruas do Rio – 5º edição . André João .2000 FAZENDA.uol. que ficaram de Antonio de França como pertencente ao Colégio por deixar este por herança..sites.Tomo LXVIII / Parte 1 – Páginas 51 a 53 – Rio de Janeiro ..php RODRIGUES.Belo Horizonte .Anais da Biblioteca Nacional – Volume 82 – 1962 . Mauricio de Almeida – Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502 – 1700) – Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda. 18 . Stuart B. que ganhava por lote de cana cortada. tampando buracos provocados pelos cascos dos animais e evitando que ali se formasse um fundo canal circular que. sendo também feita a troca dos escravos ali empregados.ceha-madeira.br/generali. Os índios escravos. Das caieiras então estabelecidas restou como marco a industria Cimento Branco Irajá.htm – 2005 – em Biblioteca Municipal João do Rio de Irajá e SCHWARTZ. & Prefeitura do Município do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – 2010 ANTONIL.agrocon.Cultura e Opulência do Brasil Por Suas Drogas e Minas – Original em cópia digital: Officina Real DESLANDESIANA – Lisboa – 1711 / 3º edição .net editada em 1998 . sendo destaque o seu emprego na construção da Igreja de Nossa da Apresentação em 1613. com a existência de montes de calcário nas margens do alagadiço entre os rio Irajá e Meriti e junto a foz destes.Amargo Açúcar – Site Histórias e Lendas de Santos – Novo Milênio – Santos – 2006 – em www.Por ocasião da troca de parelha de animais de movimentação da moenda era também necessário fazer a manutenção do solo em que estas rodavam. . Brasil (Görresen) . se estabeleceu a produção da cal utilizada como argamassa na construção das edificações locais e para a exportação para a cidade. em 4 de julho de 1602.IPHAN 9º Coordenadoria de São Paulo BIBLIOGRAFIA ABREU.Na colheita da cana dava-se preferência ao índio livre.Transcrição de D.2.1982.Editora Nova Aguilar S.A.novomilenio. 17 .Editora Itatiaia Ltda. Agostinho – Meu Irajá www. 15 .ipahb.A Canaã do Açúcar . entre outros danos.Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense (IPAHB) – Rio de Janeiro – 2004 – em http://www. Nesta mesma ocasião cabia a limpeza de fezes e urina deixada pelos animais. eram recusados pelo trabalhador livre. o que lhe era pago em bens e produtos eram de valores ínfimos e descontava-se a sua alimentação.Consta no Livro de Tombo das Escrituras das Cousa. – Segredos Internos: Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial – Companhia das Letras – São Paulo – 1988 VIEIRA.com.Anotações de pesquisas do autor – Arquivo Nacional e Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro – 1970 a 2008 . poderia atingir a canalização de escoamento do caldo. no campo aberto dos canaviais teriam maior oportunidade de fuga e assim ficavam reservados ao trabalho no engenho onde melhor seriam vigiados e onde trabalhos mais árduos e desgastante. em muitas vezes a colheita era interrompida para desatolar carroças e recuperar os caminhos. já que a este último. 19 . atualmente já descontinuada e a ser em futuro demolida.1905 PASQUARELLI.Antigas trilhas indígenas alargadas.Livro de Tombo das Escrituras das Cousas Que pertencem ao Colégio São de Sebastião da Companhia de Jesus do Rio de Janeiro (Registros de terras de Antônio de França no termo da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro) – Biblioteca Nacional – códice 4. GERSON. da carta de chão junto ao Baluarte D’Rei.7) o translado.Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB . Luiz de Macedo .2..14 . Assim.com. – Rio de Janeiro . Que Pertencem ao Collégio de São Sebastião da Companhia de Jesus do Rio de Janeiro (Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional – códice 4.br/principal.br/santos/ .

Ricardo de Albuquerque. Rio de Janeiro Street View . Cid.Bairro em 23 de julho de 1981 Limites: Guadalupe. Pavuna.57 Hectares - População: 55 652 habitantes (2010) Rua Inácia Gertudes Portal Geo / Pref. Parque Anchieta.BAIRRO DA BAIXADA DE IRAJÁ ANCHIETA Homenagem ao padre jesuíta José de Anchieta Área original do Engenho Nossa Senhora de Nazaré (século XVII) Estação ferroviária em 1° de outubro de 1896 . Costa Barros e Município de Nilópolis.Google Heath PARCEIROS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ . Bairro de classe média Área: 434.

José Costa. O Sr. Pós-graduado em História do Rio de Janeiro (UFF) – Membro Fundador do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá. Fotos da época mostram a grandeza de seus trabalhos e a sua grande organização. Fenianos e Tenentes do Diabo. “pudessem. Mário de Haristal. que eram verdadeiras obras de arte. conseguiu levar a seus coretos. tranquilamente. Costa reflete a dinâmica do carnaval carioca daquele período. Corroborando com o pensamento do Sr. o Sr. aereamente o seu lunch”. Foram antecessores das escolas de samba em organização e beleza. Precursor da verticalidade dos atuais carros alegóricos existentes nos carnavais cariocas. José da Costa. LARGO DE MADUREIRA Imagem Google earth Street View 2010 Ponto central do carnaval no bairro e onde são armados coretos a mais de 90 anos. * O artigo faz parte de pesquisas em andamento quanto a “Coretos no Carnaval” desenvolvidas pelo autor. instalado na antiga Estrada Marechal Rangel. inaugurada na primeira década do século XX e que tornou-se o local do “footing”. com três. o colunista da revista Careta. quatro ou cinco lances e dispondo de passadiços para que os foliões de Madureira. os arrabaldes. onde as grandes sociedades carnavalescas desfilavam como os Democráticos. A surpresa apresentada pelo Sr. as praças e ruas centrais dos bairros mais afastados vibram e se animam cheios de uma multidão irrequieta que canta e ri. cansados das alegorias ambulantes. fazer. Roberto: Professor e historiador (UERJ). ** MATTOS. O lugar agregador dos foliões até aquela data era a Avenida Rio Branco.998 (hoje Ministro Edgard Romero). quando tomei conhecimento de um movimento carnavalesco em Madureira na segunda década do século XX. . Construir coretos com vinte ou trinta metros de altura. de pesquisas exaustivas realizadas na Biblioteca Nacional. escreve no carnaval de 1922 em sua coluna intitulada Da rua do Ouvidor ao ponto Chic: Ao passo que o centro da cidade permanece quasi indiferente às pagodeiras irresistíveis de Momo. grandes multidões de curiosos e admiradores que vinham de longe para admirar a novidade. si lhes apetecesse. José Costa teve uma brilhante idéia. Onde teria se inspirado para colocá-las no topo da torre Eiffel? O que estaria fazendo uma Torre Eiffel em pleno carnaval nos arrabaldes carioca? A resposta a tais indagações surgiu.COMENTANDO i MADUREIRA MODERNISTA A VISITA DE TARSILA DO AMARAL AO BAIRRO (*) Roberto Mattos (**) Observando o balançar dos galhos de uma amendoeira numa tarde ensolarada em que o vento soprava de forma amena fiquei pensando nas bandeirinhas de Tarsila do Amaral na obra Carnaval em Madureira. É nesse ínterim. por iniciativa do proprietário de uma loja de grinaldas. que Tarsila do Amaral vai a Madureira no carnaval de 1924 e conhece de perto a grande novidade e a retrata.

também em homenagem a Santos Dumont. para o carnaval de 1956. o corredor que dava acesso a um clube carnavalesco. Todo o conjunto foi demolido nos últimos anos da década 1960. Costa conseguido seguidores de seus projetos grandiosos em outros bairros? O centro das atenções do carnaval teria se rendido ao novo invento? Essas perguntas serão respondidas nas próximas edições a serem divulgadas. também hoje desativados.. quer ser o incendiário Momo. Após este o prédio que foi bar com venda de caldo de cana. sendo o local do galpão do clube ocupado pelos cinemas Madureira I e II na Rua Dagmar da Fonseca. o prédio da Padaria Madureira que foi a mais famosa da região. tendo ao alto um letreiro. entre as esquinas das ruas Carvalho de Souza (a direita na foto) e Dagmar da Fonseca (a esquerda e antes do foco da foto). em forma de grande torre o coreto representava a Torre Eiffel de Paris tendo um dirigível a girar em seu topo. quando deixava a Avenida. onde em grande galpão eram realizados animados bailes. foi comemorativo dos 50 anos do mesmo evento. a esquerda. . Além deste coreto de 1924. as famosas armações a feição de quiosques que é velho hábito nosso erguer nos dias de festas. em primeiro plano. demonstra assim que Madureira estava em consonância com os desejos dos cariocas mais autênticos de realizar os festejos de Momo com alegria e descontração em seu próprio ambiente. local hoje ocupado pelo Shopping dos Peixinhos. foi armado outro em forma de Torre Eiffel que. Teria o Sr.. Localizado na Av. Ministro Edgar Romero.. o Largo de Madureira é desde sua formação o principal reduto do carnaval de Madureira e são armados coretos temáticos. a época Estrada Marechal Rangel. o meu olhar divisara os clássicos coretos. Ù CORETO TORRE EIFFEL – HOMENAGEM A SANTOS DUMONT CARNAVAL DE MADUREIRA DE 1924 Foto de autor desconhecido – Revista Careta Ano XVII nº 821 de 15 de março de 1924 – Acervo Biblioteca Nacional Construído por Jose Costa no Largo de Madureira para o carnaval de 1924. sendo uma homenagem a Santos Dumont e o vôo de circunavegação de seu dirigível nº 6 em 1906. Na foto. Entre os dois prédios.E na semana de pleno carnaval: Já na sexta-feira.

frágeis e totalmente contaminadas não podem ser negadas. torna-se impossível determinar barreiras às contaminações culturais provocadas pelas sociedades globalizadas. Isto é. Que as classificações sobre cultura erudita e popular tentam persistir em um mundo onde essas fronteiras são permeáveis.1958 Acervo ACOGRAMM * RODRIGUES. entendimento de que a cultura dita erudita não chega a determinados lugares e que se concentra onde os artistas – também entendidos como eruditos – encontram-se. não é concebível que um material didático seja produzido sem o mínimo de pesquisa necessária e sem o devido comprometimento e responsabilidade com as informações ali constantes. . que a cultura se esbarra todo o tempo e se constitui como um único sistema que organiza uma sociedade −. à cultura também chamada erudita. CARNAVAL EM MADUREIRA PEDRAS DO MORRO DO DENDE A autora retrata sua visão do coreto em forma de Torre Eiffel. Diante de tal situação. a erudição não chega ao subúrbio e este possui uma cultura característica que não se alinha às tradições eruditas e. Todavia. contagiando-se e se interrelacionando? Se no passado. No entanto. convenientemente ou não. inconsciente ou não. é fato que podemos encontrar esse viés em alguns textos informativos e formativos sobre a produção artística. como podemos classificar o que seja cultura erudita ou cultura popular? Como podemos discernir esses limites se eles se contatam todo o tempo. atualmente. tentava-se impor limites entre o erudito e o popular – esquecendo-se. no carnaval de Madureira de 1924. Quadro deTarsila do Amaral Óleo s/ tela 76 x 63 cm 1924 . com a internet sendo professora de um conhecimento superficializado diante de tantas informações simultâneas. a despreocupação com o fato tenha se dado pelo. no Rio de Janeiro. Um exemplo de tal situação se encontra no programa educativo do Centro Cultural Banco do Brasil que organizou material para ser distribuído ao público – principalmente crianças – sobre a exposição “Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo”. Porém. muito menos.COMENTANDO II CARNAVAL EM MADUREIRA ENCANTAMENTO E PERCEPÇÕES PARA PINTURA PAU-BRASIL DE TARSILA DO AMARAL Vera Rodrigues (*) Talvez não caia bem dizermos que ainda persiste um viés elitista na formação da história da arte brasileira. que aconteceu de 14 de fevereiro a 29 de abril de 2012. sendo reconstruida em 1931. Vera: Professora e historiadora de artes e administradora cultural – Membro do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá. Esta sendo sobrinha-neta da artista Tarsila do Amaral ali curada. A curadoria da exposição ficou por conta de Antonio Carlos Abdalla e Tarsilinha do Amaral. SP Capela de São Jose da Pedra Morro do Dende – Madureira . (ver pagina anterior) Em plano de fundo retrata também o Morro do Dende (Maciço da Misericórdia) e as pedras nele existentes.Acervo José e Paulina Nemirovski. Não retrata a capela pois esta em 1924 estava em ruinas. homenagem a Santos Dumont. dentro de nossa sociedade informatizada e globalizada.

a tela “Carnaval em Madureira” possui um texto que disserta mais sobre a viagem dos modernistas às Cidades Históricas de Minas Gerais do que ao encontro desses mesmos modernistas com o carnaval da cidade do Rio de Janeiro e sobretudo ao que aconteceu em Madureira. Importavam-se modos. John Graz. Tudo isso acontecia no ano do centenário da independência do Brasil. Não é levantada se quer a hipótese de que a artista teria visto a tal torre em sua visita a Madureira durante o carnaval de 1924. O que reforçaria ou resgataria as diversidades culturais. na semana de 13 a 18 de fevereiro de 1922. O mais grave disso tudo é o fato desse material ser distribuído a um público que. gestos. Mário de Andrade. e três sessões lítero-musicais com os artistas Graça Aranha. mais uma vez. Sua exposição de 1917 levou Monteiro Lobato a se pronunciar em uma crítica demasiadamente contundente sobre a pintura que Anita trouxera de suas viagens pela Europa e Estados Unidos. Daí. tira-se a oportunidade dessas crianças conhecerem a história de seus lugares e dar a devida importância cultural a eles. assim dito pela própria artista quando deu título a sua obra. pudesse estar realmente se referindo à torre de Paris. moda. por algum tempo. enquanto fazia uma dessas viagens para aprofundar seu conhecimento sobre as vanguardas europeias. Nesse contexto. a referida tela. Independência política. É mais fácil levantarmos a hipótese de uma alegoria do que tentarmos pesquisar a razão pela qual Tarsila pudesse ter visto uma “Torre Eiffel” em Madureira. Muito teria que ser dito aqui sobre o Modernismo. subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. . a valorização do nosso “nacional” ter vindo de uma elite oriunda. Foram críticas que questionaram o valor daquelas obras como também a capacidade daquela artista. quando voltou ao Brasil. da oligarquia cafeeira. para as crianças que forem provenientes do subúrbio. E. principalmente. Vale a pena destacar que os artistas envolvidos na Semana de 1922 eram. Vicente do Rego Monteiro. Tarsila do Amaral fizera inúmeras viagens para estudar arte. comunicam-se com o todo e se posicionam com conhecimento do que se passa no mundo muito antes da internet globalizadora existir. Não bastando isso. demonstrando que. reforçando o que foi dito acima sobre o pensamento de que o subúrbio carioca em 1924 ainda não pudesse saber ou reproduzir uma torre aos moldes da de Paris ou. desconhece a história do Rio de Janeiro: crianças. Tivemos a independência política. As correspondências que trocavam entre si durante suas viagens muito contribuíram para esquentar esse desejo de modernidade entre alguns intelectuais no Brasil. Almeida Prado.Nos “Postais de Mediação” referentes à exposição em questão. em sua maioria. aconteceu um festival com uma exposição com aproximadamente 100 obras de artistas como Anita Malfatti. onde artistas de várias linguagens se juntaram em prol de um modernismo que quebrasse as regras acadêmicas da produção artística brasileira e elevasse o Brasil a um país envolvido com as “modernas” produções de arte que aconteciam pela Europa e Estados Unidos. fixou seu ateliê também na cidade de Paris. E. Victor Brecheret entre outros. Tarsila do Amaral (1896-1973) é uma importante artista do modernismo brasileiro. ricos e habituados a fazerem viagens “culturais” na tentativa de absorverem uma erudição que acreditava-se. costumes. mas não a intelectual. intelectualidade e tudo mais que poderia ser sinônimo de desenvolvimento de um continente que havia sido o colonizador de nosso país. amigos de Anita Malfatti. ainda o texto refere-se à Torre Eiffel que aparece bem no centro da tela como se fosse uma alegoria ao progresso vindo da Europa e reforçado pelas idas e vindas da artista a Paris − Tarsila. No entanto. inclusive sobre Anita Malfatti que trouxe as vanguardas européias para o Brasil. Guilherme de Almeida. Encontro esse que originou. apesar de diversas. Assim. entre outros artistas. Di Cavalcanti. ainda. ser a propícia para o desenvolvimento intelectual de uma pessoa. na sua maioria. sua estética e sua técnica reforçaram o que almejava o grupo de artistas que desencadeou esse movimento. Menotti del Picchia. na época. Mesmo não tendo participado do evento da Semana Moderna de 1922. Oswald de Andrade com a interpretação de composições de Villa-Lobos e Debussy por Guiomar Novaes e Hernani Braga. vale sempre ressaltar. reunidos no Theatro Municipal de São Paulo provocavam um movimento de libertação para a produção artística no Brasil. de fato. alguns artistas. foi essa exposição o passo inicial do que culminou no evento de Semana de Arte Moderna.

a 15 de julho. teria feito seus primeiros vôos no 14 Bis nos arredores de Paris e com seu dirigível nº 6 em torno da própria Torre Eiffel. 2003. O expressionismo ali exposto mostra a força da arte brasileira em suas principais características: diversidades culturais e contextos históricos que se sobrepõem em nossa sociedade. lanchar e observar a fluência dos outros foliões diante das marchas de carnaval que eram tocadas. representando o reconhecimento. Tarsila foi apresentada à Semana de 22 por sua amiga Anita Malfatti. Tarsila conheceu Blaise Cendrars.3 cm – 1924 Esboço do coreto de Madureira a partir do qual foi por Tarsila dp Amaral produziu o quadro. Tarsila tinha um apego muito grande à Torre Eiffel por tudo que a torre representava para a cidade de Paris quanto a ser um símbolo da modernidade. na bagagem de Tarsila vai uma brasilidade que a artista expõe em suas telas.Enquanto isso. onde tem seu ateliê fixo. ou mesmo. Em 1923. em companhia de Oswald de Andrade. Mas data dessa viagem ao Rio uma série de esboços que Tarsila desenvolveria à sua volta a São Paulo. Porém. em sua tela “Negra”. o fato é que Sr. construiu um coreto com o tema da Torre Eiffel (****). de seu trabalho artístico. naquele país. em torno de 20 a 30 metros de altura. mas complexa. vida caipira. cores e bidimensionalidade da tela. com patamares em diversos níveis. símbolo daquela cidade. A artista volta para São Paulo.25. Sua produção demonstra seu apego pelas cores e formas da simplicidade. onde foliões pudessem descansar. Essa contradição entre simplicidade e complexidade aparece. *** Ver artigo anterior: Madureira Modernista: a visita de Tarsila do Amaral ao bairro **** Ver foto na pagina anterior . Tarsila produziu bastante. Sem contar que Paris tinha para a artista também um significado de independência artística que poderia estar presente na forma daquela torre. E nesse ano. mas volta para Paris. realizarem uma viagem de descobertas pelo Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Às vésperas do Carnaval. segundo pesquisa do historiador e pesquisador Roberto Mattos (***). despertando o seu lado caipira como ela mesma chegou a dizer. O poeta iria dedicar um livro inteiro às suas experiências vividas pelas terras do Brasil em companhia de seus novos amigos modernistas. como se costuma dizer. Sr.Série Carnaval no Rio de Janeiro . porque Santos Dumont. todo e qualquer deslocamento dentro do país era quase uma aventura.grafite sobre papel . [1] AMARAL. a terça-feira gorda. provavelmente. brasileiro. os modernistas planejaram de imediato uma novidade: passar o Carnaval no Rio de Janeiro para que Cendrars pudesse apreciar a famosa festa popular. O Brasil falado em língua francesa para os franceses conhecerem a terra de tão espetacular pintora. 148-9. Tarsila foi admitida. O desenho comprova que esteve ela presente ao carnaval de Madureira e é a ele que seu quadro retrata.4 x 19. Tarsila: sua obra e seu tempo. por exemplo. Carnaval em Madureira (frente de Vários esboços do Rio) . Edusp. Porém. 3ª edição revista e ampliada. São Paulo: Ed. Ela se engaja na proposta modernista para a arte brasileira. formas. já na sua nova fase de colorido brasileiro: Morro da Favela e Carnaval em Madureira. nos primeiros anos daquele século. José Costa construía altos coretos decorados. Numa época de turismo inexistente. como também para os artistas que a representavam sob a nova abordagem vanguardista. Ainda em 1923. em homenagem à modernidade que vinha daquele país. quem sabe. no final desse ano. Tarsila possuía várias telas com a representação da Torre Eiffel produzidas por artistas que ela admirava. encontrando as portas já abertas para os questionamentos que sua obra trazia quanto às técnicas. pp. José Costa. no início de 1924. comerciante de uma loja de grinaldas no bairro de Madureira na cidade do Rio de Janeiro. [1] O Carnaval de 1924 aconteceu em 4 de março. nesse mesmo ano. no Salon de la Société des Artistes Français. Aracy A.34. poeta suíço que veio com o casal ao Brasil para. ainda em 1922.

com o sotaque bem brasileiro. do colorido e dos movimentos dos foliões que. Mas cortando o quadro em vertical. Como também. naturalmente. HEDEL-SAMSON. no Carnaval de 1924. E como prova de que o Modernismo é mesmo um dos movimentos mais alegres da nossa literatura e também de nossa pintura. A antropofagia tinha ali o seu embrião. In: HERKENHOFF. irradiando os princípios de uma arte nova. (Curadoria). Em Carnaval em Madureira. Tarsila do Amaral. 3ª edição. sendo mais urbana. De volta à terra natal. em amarelo-vivo..[2] O que interessa mais neste momento é destacar o papel que o subúrbio de Madureira tem na formação da história da arte brasileira.95. Tarsila do Amaral: Peintre Brésilienne à Paris. em seguida. Elza Ajzenberg. com certeza. esse encontro com o carnaval carioca de 1924 influenciou a literatura de Oswald de Andrade em seu Manifesto da poesia Pau-Brasil. o que teria levado Tarsila e seu grupo ao carnaval de Madureira se as concentrações carnavalescas mais conhecidas deveriam se espalhar pelo Centro da cidade do Rio. também encantaram o grupo. B. a modernista. É o experimentalismo do fazer a partir de um pensamento não formatado por uma escola de artes. p. No entanto. . 2003. a cultura brasileira nas imagens de negros e índios. como uma espécie de torre-antena de novos tempos modernistas. ergue-se forte. Tarsila opera o modelo de Rivera para celebrar a ingenuidade do vernáculo. A pintura conhecida como pau-brasil de Tarsila teve o seu início no encontro com essas cores e formas descobertas a partir de sua viagem ao Rio de Janeiro. A literatura de Oswald de Andrade caminhou para a absorção das várias culturas que estão presentes em nossa formação. incluindo-se aí. A Tour Eiffel ocupa lugar de destaque no carnaval pintado por Tarsila.88.. a versão carioca da Tour Eiffel parisiense. não traduz a verdadeira arte brasileira. 2005. Muito pouco é falado sobre isso até mesmo em algumas biografias da artista e de Oswald. As Duas e Única Tarsila. Ù [2] GOTLIB.. a coincidência da decoração do coreto de Sr. a literatura como uma linguagem artística como lhe é devido. 1923-1929.Não se sabe. pela viagem ao Rio. São Paulo: Editora Senac São Paulo.[3] O envolvimento estético da produção desses coretos deve ter levado à descoberta de grandes artistas autodidatas que não tiveram a chance de ingressar em uma academia de arte ou até mesmo saber da existência de uma. Jean-François Chougnet. Paulo. destacando e reforçando. É destacada a arquitetura colonial mineira. inspirado. A falta de uma teoria não impede a criatividade de procurar seus caminhos para a exposição e comunicação de grandes projetos artísticos.portanto. Nádia Battella. Rio de Janeiro: Imago Escritório de Arte. durante a Semana Santa. por ora. (. mas vivenciado por aqueles que são artistas mesmo não sendo reconhecidos ou não se reconhecendo como tais.. Brigitte Hedel-Samson. O experimentalismo tão requisitado pela arte contemporânea está presente nos resultados bem arranjados de artistas que estão fora de um circuito que se conduz para um mercado que. Textos Maria Clara Rodrigues. Sua primeira fonte de cor no Brasil foi encontrada no Rio de Janeiro. que o povo do subúrbio criara nesse ano como ornamentação carnavalesca.. pronunciando.. p. Paulo Herkenhoff e Tarsilinha do Amaral. na cidade de São Paulo . mas muito pouco se fala da alegria. Encantamento que fez esse grupo se deslocar do Centro da cidade até o subúrbio em uma época de transportes lentos e precários. Tarsila parece aplicar a lição de Léger em 1923 sobre a 'cor local'. Houve um elo entre literatura e artes plásticas conduzido pela brasilidade desvelada pela viagem ao Rio de Janeiro e complementada pela viagem desse grupo modernista.) Aqui. às Cidades Históricas de Minas Gerais. no carnaval de 1924 (com as citadas Carnaval em Madureira e Morro da Favela) e. Costa ser a torre de Paris e o apego de Tarsila a essa torre poderia ser uma boa hipótese para Tarsila ter despertado o seu interesse em ir até Madureira conhecer o tal coreto. essa forma. Fala-se mais da viagem às Cidades Históricas mineiras e a descoberta de Aleijadinho pelos modernistas que se encantaram com suas esculturas e condições as quais foram executadas. [3] HERKENHOFF. sua cor não é “caipira”. Foi nas cenas urbanas que Tarsila lançou sua paleta brasileira que apresentaria uma visão nova do país. sua força é encontrá-la e organizá-la com independência'. P. se comparados aos atuais. reiterada sobre Diego Rivera: 'cada raça possui uma ordem sua. ganha uma nova configuração. com certeza. consumando-se em pau-brasil.

Penosa subida. e com a permissão do senhor.bicuda@bicuda. Apresentação de Irajá. subiram à penha para missa na capela. o Capitão Baltazar. Cultural e Artístico.7 FM A mais comunitária de todas! 24 horas na Internet Av. os seus juntaram-se em canções.br CINECLUBE SUBÚRBIO EM TRANSE ALMA SUBURBANA Documentário Filmes e documentários em sessões para apaixonados por cinema Toda terça feira – 19 hora – Centro Cultural CASARTI .: (21) 3352-3665 / 9153-8396 . Desde então.org. proprietário de partido de cana da Fazenda Grande na que seria a Freguesia de N.361-140 – Rio de Janeiro –RJ Tel. com o final da colheita da cana e fechando a produção de açúcar. os escravos em dança à fé disfarçada.TRADIÇÕES DA BAIXADA DE IRAJÁ FESTA DA PENHA 377 ANOS DE MANISFESTAÇÕES RELIGIOSAS E PROFANAS Em 1635. o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso. em agradecimento a Virgem pelos bons resultados. Srª. em descanso antes de retorno à casa grande. Ministro Edgar Romero. com seus familiares. Para o lazer. Fotos: Acervo IHGBI / Jornal Ultima Hora – Arquivo Público de São Paulo PARCEIROS DO INSTITUTO HISTÓ HISTÓRICO E GEOGRÁ GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ IRAJÁ BICUDA ECOLÓGICA Associação em Defesa da Qualidade de Vida. chegando outubro. construiu sobre uma penha de suas terras uma capela em louvor a Virgem Maria. agregados e escravos.Vaz Lobo – CEP 21. 15 – Vista Alegre . 896 salas 302 e 303 . aos pés de sua Nossa Senhora. RÁDIO COMUNITÁRIA BICUDA FM – 98. aos pés do rochedo fizeram uma refeição. louvá-la de forma religiosa e profana. Já ao primeiro mês de outubro. todos iam a Penha.Rua Ponta Porã. do meio Ambiente e do Patrimônio Histórico.

segundo os bairros que teriam ocupado em 1996 nas áreas correspondentes às duas freguesias. sendo autorizada a sua publicação exclusivamente por RESENHA Digital. o qual é parte de um projeto que venho desenvolvendo há algum tempo. que o subúrbio carioca já havia se consolidado em uma primeira fase de sua história. até 1920. dos hábitos e costumes dos habitantes dos lugares já estudados em termos econômicos e sociais. se torna essencial a localização do espaço e do tempo a serem considerados. no doutorado. Autor de De Freguesias Rurais a Subúrbio: Inhaúma e Irajá no Município do Rio de Janeiro (1996) . e suas fazendas. quando foi fundada.MEMÓRIAS E IDENTIDADES DO SUBÚRBIO Direitos reservados * Prof. 1 . Investiguei o processo de passagem do rural para o urbano. Mas. Nele demarquei a área em estudo. não permitindo a sua reprodução e uso sem sua autorização prévia. já com esse conhecimento preliminar. vivências e experimentações em diferentes comunidades escolares no subúrbio carioca. 1987). ao mesmo tempo em que amadureço abordagens. em tais experiências e na produção de novos conhecimentos que o método traz ao ser aplicado. localizando-as. por exemplo. a princípio. práticas e procedimentos relacionados ao método a que chamo de história do lugar. que. que se combinou à transformação da Freguesia de Inhaúma no subúrbio propriamente dito da época. pleiteando em seguida uma bolsa de aperfeiçoamento em pesquisa junto ao CNPq. Depois. na Universidade de São Paulo. que localiza os limites de todos os bairros então oficiais do município do Rio de Janeiro. sobretudo em terras da antiga freguesia de Inhaúma. o quanto de sua formação já seguia em direção à freguesia de Irajá. elaborei um projeto de pesquisa. prossigo trabalhando com o tema. com novos desdobramentos. desde princípios dos anos 1980. e mantendo o corte temporal final no ano de 1920 (SANTOS. Professor Dr. naquele ano. na época. pp. indo da fundação da cidade do Rio de Janeiro. cujo passo a passo já foi objeto de artigo anterior (SANTOS. vendo-a a partir da Freguesia de Inhaúma entre o ano de 1743. reuniam 78 bairros do subúrbio carioca. Dr.ACADEMIA i APRENDER E ENSINAR: A HISTÓRIA DO LUGAR . expandi a pesquisa à Inhaúma e Irajá. grande parcela deles em sua totalidade e outros apenas em parte. mas recorrendo também a outras discussões. com os dados que possuía. as concessões das primeiras sesmarias. ou melhor. Encerrado esse estudo introdutório de dois anos. Além de perceber. em 1980. Logo que terminei a minha graduação em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Joaquim Justino Moura dos Santos ** Inicio com um breve comentário sobre o estudo aqui apresentado. como se vê a seguir. da música.Noções Gerais Sobre a Área em Estudo e sua Localização Espacial Temos ao lado. vivências. correspondente às terras ocupadas pelas antigas freguesias de Inhaúma e de Irajá. já relacionado à formação do subúrbio carioca. quando entendi. 2002. ÂMatéria reservada pelo autor. no então recém-criado curso de mestrado do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.com ÂÂ SANTOS. que se desdobram pelo caminho da cultura popular.105-124). para que se compreenda melhor o sentido que o método adquire hoje. e-mail: jjmsantos@hotmail. um mapa publicado em 1981. Atualmente. e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado Rio de Janeiro – UNIRIO. Joaquim Justino Moura dos – Doutor em História Social (USP) / Mestre em História do Brasil (UFRJ). 1996). iniciei o mestrado em História do Brasil. hoje Instituto de História. ao final do período (SANTOS. Principiei minhas investigações sobre a formação do subúrbio.

a respeito da memória e das identidades e culturas de uma parte do subúrbio carioca. além das que tenho realizado. situados em encruzilhadas ou em pontos de passagem obrigatória. Como ocorreu. por professores e amigos a ele dedicados. incluiria as terras das antigas freguesias de Jacarepaguá. entre outras. tanto naquele primeiro momento. até Cascadura) e seguia. ao mesmo tempo. Trata-se do método de ensino e pesquisa a que dou o nome de História do Lugar. Hoje. Para esse fim.por mercadores. tiradas nos anos 1930/40 e 50. com os resultados de pesquisas obtidos até agora. á cópias de fotografias emprestadas por vizinhos e antigos moradores locais. prossigo com o estudo das duas freguesias. após ter o seu primeiro pároco colado na nova Matriz. as ilhotas de Bom Jesus. em 1743. Com base nessas referências. assim. como hoje. em seus afazeres e lazeres diários. Seu território original abrangeria hoje. neste caso. por fim. Assim como. partia do atual bairro do Engenho de Dentro (onde nasceria a freguesia de Inhaúma. prédios. Para Oeste. trago à discussão um outro estudo. se estendia até ao atual bairro de Todos os Santos _ alargando-se em direção ao chamado recôncavo do Rio de Janeiro e da Baia de Guanabara. Para Nordeste e Leste. do atual bairro de Inhaúma. por sua vez. dos conhecimentos produzidos no decorrer de minhas pesquisas de mestrado e doutorado. escravos e outros. atividades econômicas. O recôncavo. 2 – Alguns Exemplos de Fontes e a Abordagem: O Bairro de Inhaúma em Perspectiva Remeto-me aqui. onde começava a freguesia do Engenho Novo. foram sendo mais freqüentados e/ou ocupados . Eram esses os limites e espaços gerais ocupados pela freguesia de Irajá. partindo da Penha. só então desmembrados da freguesia de Irajá. com maior ênfase. de Campo Grande e de Santa Cruz. por exemplo. até 1930. de Sapucaia. ato que deu vida. culturais e sociais locais. recorro. recreativas. Mas. por mim. com a fundação da freguesia e paróquia de São Tiago de Inhaúma. fazem concluir que o subúrbio carioca iniciou sua formação e se consolidou como tal. com os mesmos limites geográficos. . por exemplo. entrando na freguesia de Irajá por Madureira. Onde. Esta.A freguesia de Irajá foi a primeira da zona rural a ser fundada. Com essa perspectiva. Foram crescendo em população. além de englobar as Ilhas do Governador. além da zona norte – entendida aqui como sendo as terras localizadas para além da freguesia do Engenho velho (que iniciava nos arredores do atual Largo do Estácio e seguia até ao atual bairro de Vila Isabel). da Caqueirada. neste trabalho. como um exemplo de procedimentos possíveis à produção e aplicação da história do lugar. negociantes. para a construção da Cidade Universitária da UFRJ). coletadas em instituições esportivas. sobretudo a populacional. à Baia de Guanabara. à paróquia e à freguesia. em direção à Pavuna. de Barra de Guaratiba. do Fundão e outras (que desde os anos 1940 formaram a Ilha do Fundão. no período que situo entre os anos de 1870 e 1930. oriento a pesquisa no sentido de identificar as principais mudanças ocorridas em suas vidas econômicas. chegava até Vigário Geral de hoje. nasceu em boa parte. agora. de Paquetá. que foi e vem sendo aplicado em escolas do ensino médio e fundamental. chegando. afinal. sociais e. e. entre outras. inclusive entre minha própria família. graças ao crescente número de “almas” e “fogos”. dos lugares e habitantes que presenciaram o que entendemos como a primeira fase de formação do subúrbio carioca. que. considerando os limites geográficos a elas atribuídos em diferentes momentos. rendeiros. Irajá. a fotografias produzidas por meu pai. Na medida em que alguns lugares mais estratégicos economicamente. com dados de acervos de família identificados até o momento. citado acima. ao ser desmembrada da freguesia da Candelária em 1644. mais especificamente. a oeste e para o norte. Aprofundo a análise das transformações que viveram ao passarem da vida rural para as novas formas de vida e de ocupação urbanas do espaço. fazendeiros. foram sendo desmembrados para dar lugar a novas freguesias e paróquias. de fins da década de 1950 a meados da de 1960. relacionados às áreas correspondentes às freguesias de Inhaúma e de Irajá. como o entendo. na vida e nas práticas e vivências culturais.

à história desses diferentes aspectos da sociedade local. Trilhando um caminho de ida e de chegada. em estudo intitulado La ley del desrrollo desigual y combinado (NOVACK. mas. podemos ver como era a casa do leiteiro que atendia. a seguir. Del Castilho. para estes últimos. Thomas Coelho. veja-se Inhaúma. Lembro. sempre no espaço e no tempo em que ocorrem ou ocorreram. Nesse caso. Engenho da Rainha. uma das áreas da antiga Foto 1 freguesia onde a vida rural sobreviveu mais A casa do leiteiro: sobrevivências rurais do lugar tempo. algumas vacas. com o que ocorria no Rio de Janeiro. . No sentido de refletir sobre alguns exemplos do abandono em que se encontram referenciais importantes para a preservação da memória e das identidades desses lugares. busca-se observar. em diferentes graus. no trabalho. olhá-los sempre como partes de um conjunto maior. associada a uma ou mais memória(s) viva(s) do lugar. Pilares. uma carroça de uma parelha. aos bairros de Inhaúma. O que uma imagem pode nos dizer. Autor: José Ferreira dos Santos (In memórian) . Possuía.Na verdade. com sua carroça e galões de leite. Trata-se de um procedimento metodológico. mas que se combinam entre si.. Tal perspectiva nos remete a procedimentos teóricos e metodológicos sugeridos por George Novack. que. como entendo eu. essencial para a compreensão do todo. nos remetemos há alguns casos ocorridos no atual bairro de Inhaúma. que acredito que possa nos levar o mais próximo do real ali presente. formado pela combinação do que acontecia naqueles espaços e naquele tempo de vida desses lugares e seus habitantes. são identificáveis ao serem reconstruídos os seus pedaços. sob uma perspectiva histórica. cada parte só ganha sentido histórico ao ser vista como parte desigual. naturezas. tomada do lado Leste da encosta do morro da Fazenda das Palmeiras (este último lugar. de acordo com o que for possível recuperar com base na variedade de fontes e dados disponíveis para tanto. 1977). Cavalcante e outros. a diversidade de aspectos desiguais do dia a dia desses lugares e de seus habitantes. Assim. parte inseparável das demais. como parte inseparável do Rio de Janeiro e de suas relações com o restante do país e do mundo. ao mesmo tempo. e. sendo essas preocupações básicas da pesquisa e do método em execução. pois com elas compõem o todo. no pequeno sítio retratado. pois também os vendia. com sua diversidade de combinações. no Brasil e no mundo da época. pois já sou memória viva do lugar. sempre em suas realidades históricas na época. conhecido por todas as comunidades locais como “seu Franki”.. cavalos e porcos. 3 – Lugares do Subúrbio no Tempo: Memórias e Identidades ao Relento – o caso de Inhaúma. passava todos os dias. Aspectos desiguais e em desiguais sentidos. já há algum tempo. no inicio dos anos 1960. após distribuir o leite. Mas também. no vôo da História. ordens. bem como sobre alguns aspectos de sua história. A identificação das partes torna-se. têm se revelado bastante eficazes nas investigações e análises por mim realizadas no decorrer da pesquisa. que era ele o “seu Franklin”. para recolher nas casas os restos das refeições do dia anterior. assim. ainda pela manhã. Na foto 1. só possíveis de serem percebidas naquele(s) lugar(es) e em seu(s) tempo(s). só separados para fins de estudos ou de pesquisa científica. hoje chamado de Fazendinha). enquanto algo constituído de infinitas partes desiguais.

o caráter ainda rural do lugar. e os outros morros do Complexo do Alemão. quando ocorrem as festas em homenagem à Santa. de fins do século XIX. Cavalcante. A fazenda. na direção de Ramos.A Favelização do Lugar . portanto. situava-se no lugar onde é hoje a favela da Grota. à Igreja da Penha. Na foto 3. Foto 2 – Aspectos da vida rural do lugar Para que se compreenda o problema.As palmeiras da Fazendinha . Pilares. ao nos remetermos às duas fotos seguintes. durante os meses de outubro. procedentes de lugares como Abolição. cuja história particular sempre deu vida ao lugar. foi dada como dote de casamento da filha do Coronel Antônio de Souza Pereira Botafogo. Thomas Coelho. seguiam nos fins de semana para banhar-se e\ou pescar nas então águas limpas e famosas da Praia de Ramos. como segue: DA FAZENDA À FAVELA Foto 3 . podemos ver melhor a casa do leiteiro. e ainda não se presenciavam maiores sinais de favelização ao redor e ao fundo.Na foto 2.1986 Foto 4 . Caminho que era o mais percorrido por aqueles que. Justino Moura dos Santos [1] Antiga Fazenda das Palmeiras. com todo o estigma que o cerca nas más línguas. com saída principal no Caminho do Itararé. em um vale que é ponto de confluência entre a atual Fazendinha [1]. seus arredores e encostas dos morros do lugar. que abarcava toda a região de Inhaúma. que durante muito tempo. Del Castilho. hoje um lugar também Autor: José Ferreira dos Santos (In memórian) famoso. é possível se observar o casarão da fazenda das Palmeiras e o seu bom estado em 1986. Inhaúma e outros. . Podemos ainda ter uma noção do que foi a fazenda das Palmeiras e do que dela resta na atualidade. teve o Campo do Palmeiras (de futebol) ao seu redor. ainda não ocupados por moradias populares nesse trecho.2002 Fotos: J. Higienópolis. em verdadeiras romarias. o trecho fotografado no início dos anos 1960. quando ainda contava com uma aléia frontal de palmeiras reais. a seguir. além de frondosa aléia de palmeiras. Fica evidente. Pelo mesmo caminho chegava-se também. mas já como Piscinão de Ramos. então dono do Engenho da Rainha.

Já que falamos da Fazenda das Palmeiras. Como se vê nas duas fotos abaixo. já ocupadas. ENGENHO DA RAINHA Foto 5 A casa do administrador da fazenda – 1986 Foto 6 O que restou para a memória do lugar – 2002 Fotos: J. que no lugar da aléia de palmeiras.. ou. seu casarão principal foi derrubado. mulher de D. como ocorreu com as casas do engenho e do administrador da fazenda do Engenho da Rainha. favelizando-se em seguida. 2000. para ser mais ousado. notamos mudanças radicais impostas ao lugar por projetos públicos diversos. e para as suas. abaixo. Afinal. Não sei se seria correto. que dava acolhida há mais de 15 famílias.. Mas. havia ido abaixo. “uma aléia de postes de iluminação pública. já cercada por esse e outro conjunto de habitações populares. privada e doméstica”. sobreviveu até meu tempo e de boa parte dos atuais moradores do lugar. como em seu tempo de engenho. boatos nos lugares têm seus fundos de verdades! Sei que não funciona mais como asilo de senhoras. segundo Brasil Gerson. a casa da fazenda das Palmeiras. após longo tempo funcionando como cabeça de porco. João VI. o conjunto de casinhas do projeto Favela Bairro. ao fundo. Sem árvores outras. com a ponte do rio Timbó e uma verdadeira lixeira sobre as margens e o próprio leito do rio. onde se prendem as pipas da meninada. o caso do Engenho da Rainha.. ao ser comprado por Dona Carlota Joaquina. Olhem que. temos hoje uma aléia energizada. ligada por fios e cabos elétricos. o que me permitiu fotografá-lo em diferentes momentos de sua degradação e posterior desabamento. como veremos logo depois. como um ponto estratégico e panorâmico do bairro. quando o último proprietário mandou demoli-lo ao saber que seria tombado pelo patrimônio histórico (GERSON. em segundo plano. Fundado com esse nome em 1810. o casarão do administrador da fazenda. não se sabe para quem nem para que. em 1942. para a memória e para as identidades do lugar. também em Inhaúma. as comunidades locais poderão perder de vez tudo o que ele representou para a história. já em 2002. ainda em bom estado para que se reivindique o seu tombamento como patrimônio histórico.Já na foto 4. ao fundo direito. Em terceiro plano.216-41 – Os subúrbios propriamente ditos). situado em uma meia lua com vista panorâmica de toda a fazenda. aqui. está por ser vendido. embora com outras finalidades. Justino Moura dos Santos . em 1986 estava ainda em condições regulares de conservação. mas não me privo de dizer. Em todo o caso. de números 5 e 6. mantinha-se o lugar. deslizando de cima do morro em velocidade pelo gramado com meu irmão. sem o belo campo de futebol e lazeres. mas ainda por acabar. corre hoje no lugar o boato de que esse casarão. não poderíamos deixar de lado. chamado pelos moradores de bairro “das Casinhas”. em primeiro plano. até onde muito descia escorregando em folha de palmeira. como o foi por décadas. Trata-se de foto tirada por mim em 2002. Que Maravilha !!! Mas. ou dependendo de quem o tenha comprado e do que pretenda com o negócio. pp. Enquanto.

os primeiros barracos do lugar. com base em dados já pesquisados no tempo.Nasce a Grota 1959/63 pesquisa. já mencionado antes. com base Fotos: José Ferreira dos Santos (In memórian) na fotografia como fonte de informação. em torno de um tronco de árvore queimado. e há algumas décadas. amadurecimento e aplicação do método a que dou o nome de história do lugar.Sobrevive o Rural. encontramos ali um costão cheio de barracos. colaboraram diretamente com sua ocorrência. já usado. Hoje. entre outros. Como também. como já ocorre. ocupada pelos moradores pioneiros (In memórian) e formadores da favela. percebe-se em primeiro plano. veríamos já ocupar. verificamos ser importante a compreensão de uma série de aspectos Foto 8 . além das fontes orais que são essenciais à história do lugar. conectados entre si. temos uma outra visão do mesmo lugar. um dos últimos lugares da freguesia a perder a vida rural. nota-se às margens do caminho central do vale em que se localiza a casa do leiteiro. as duas encostas do vale em todas as direções. assim como os conhecimentos reunidos na pesquisa até hoje. Seja a caminho dos bairros de Ramos. um grupo de crianças do lugar brincando com um velocípede. Aponta o Urbano que. horizontalmente e verticalmente enfileirados. Isso se dava por volta dos anos 1959-1963. na foto 8. Conclusão Sobre a formação do subúrbio carioca. como era dia de Natal. e até os anos 30 no caso de Irajá. situados entre os anos de 1870 e 1920 na área correspondente na época à antiga freguesia de Inhaúma. seja na direção Este da Serra da Misericórdia. Bonsucesso. vemos na foto 7. Na mesma foto. comigo a frente. Tal área de estudo e período. que devem ter ganho de presente. Em outra parte da encosta. com os barracos uns acima dos outros. é digna de nota a informação em que se vê o nascimento dos primeiros barracos da favela da Grota. sobrepostos uns aos outros. vistos Foto: José Ferreira dos Santos no alto da encosta do morro. que me permitiu demonstrar tal fato e procedimentos metodológicos em que o método se confirma. recorri ao caso do bairro de Inhaúma. foram e têm sido bases essenciais para a construção. em uma foto atual. por razões de segurança. ou para o lado do bairro da Penha.Para encerrar nossos exemplos de fontes e métodos de Foto 7 . mais uma imagem que já nos revela o outro lado do morro da Fazendinha. aqui. Ù . a seguir. Na imagem. desenvolvimento. Nesse sentido. a título de exemplo e nos limites deste artigo. localizada no tempo e no espaço. a fontes de um acervo de imagens de família. e. Olaria. embora os mesmos procedimentos possam ser aplicados em outros espaços e períodos. Tem-se a impressão de que estamos nos deparando com um prédio de uns 50 andares. mais precisamente no que remete ao que chamo de sua fase inicial. que hoje formam o chamado Complexo do Alemão. na qual. mais precisamente na Vila Cruzeiro. Enquanto isso. É pena não se poder mais tirar uma foto sequer do mesmo lugar nos dias de hoje.

Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.l. Rainha do Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves. em frente ao local onde existiu a residência do administrador da fazenda. n. Casa de Oswaldo Cruz. _________. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz. História do lugar: um método de ensino e pesquisa para as escolas de nível médio e fundamental. Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral. RIO DE JANEIRO. SANTOS.-abr. Atualmente. Dissertação de Mestrado. Joaquim Justino Moura dos Santos. 1981. s. pp. construída em 1902. 23. esposa do coronel Antônio Joaquim de Souza Pereira Botafogo. Rio de Janeiro.1996.105-24. Faculdade de Filosofia. NOVACK. 1973. Tese de doutoramento. Referências Bibliográficas GERSON.2002). v. ed. descaracterizada e próxima de ruína. George. Institudo de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. De freguesias rurais a subúrbio: Inhaúma e Irajá no município do Rio de Janeiro. Justino Moura dos Santos Foto Google Earth – Street View Localizada na Rua Dona Luiza. Brasil.Residência do ultimo proprietário do Engenho da Rainha 1986 2012 Foto J. . 5. Saúde: Manguinhos.1 (jan. São Paulo. Prefeitura da Cidade. La ley del desarrollo desigual y combinado. 2000. Bairros do município do Rio de Janeiro. Ediciones Pluma. _________. a casa de Dona Luiza. 1987. Rio de Janeiro: Lacerda Editores. Contribuição ao estudo da história do subúrbio do Rio de Janeiro: a freguesia de Inhaúma – 1743/1920. até 1986 estava em bom estado de conservação. é o último marco da fazenda / engenho que pertenceu a Dona Carlota Joaquina. História das ruas do Rio (e da sua liderança na história política do Brasil). p. último dono do Engenho da Rainha. In: História.9.

MARECHAL HERMES 1913 – 1º DE MAIO .2013 1º CENTENÁRIO BAIRRO E ESTAÇÃO FERROVIÁRIA TERCEIRO BAIRRO PROLETÁRIO PLANEJADO DO BRASIL CONSTRUIDO EM TERRAS QUE PERTENCERAM AO ENGENHO/FAZENDA DE SAPOPEMBA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA CONSTRUIDA EM ESTILO INGLÊS DO SÉCULO XIX AÇÃO PELA REALIZAÇÃO DE EVENTOS COMEMORATIVOS PLANO PROGRAMA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ .

Este trabalho nasceu de um encontro entre a vivência e a vontade de pesquisar . a partir do primeiro contato com o pesquisador Ronaldo Luiz-Martins.ACADEMIA II BAIXADA DE IRAJÁ: EDUCAÇÃO E PATRIMÔNIO * Maria Celeste Ferreira ** O IHGBI (Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá) é um coletivo de moradores. com os parceiros do IHGBI. social e religioso. para destacar a participação deste coletivo (IHGBI) formado pela sociedade civil em contato com escolas públicas/RJ. passando por alguns. * Resumo adaptado do trabalho apresentado pela autora no VIII Encontro Nacional – Perspectivas do Ensino de História / III Encontro Internacional de Ensino de História – 2 a 5 de julho de 2012 – UNICAMP ** FERREIRA. A parceria aprofundou-se e a vontade de conhecer a história do subúrbio carioca. do ensino fundamental ao médio. por acaso. Pós-Graduação Contemporânea/UFF . ainda não totalmente reconhecido. reforçando a necessidade de pensar e cuidar do Patrimônio Histórico. Foto Karen Barros – 2012 – Acervo IHGBI Palestra aos alunos da E. informações. Será a história dos bairros e lugares que vivenciamos. M. A atual região passa hoje por um grande processo de transformação. M. tanto nos aspectos material e imaterial. na qual estava lecionando no ano de 2006: E. “o fio condutor” do projeto atual: BAIXADA DE IRAJÁ: Educação e Patrimônio. levando em conta a voz dos que aqui vivem e constroem a sua história. Maria Celeste – Historiadora e professora (SME/SEE). além do ponto de partida para a construção de uma “história do lugar”. fornecendo sugestões. nomeado de “Baixada de Irajá”. Nun’Álvares Pereira em 24 de abril de 2012 A Escola Municipal Nun’Álvares Pereira. todos empreendidos com a participação do IHGBI. com ênfase na “história do lugar”. Acervo IHGBI 2012 Visita a Matriz de Irajá com alunos da E. fica em Vista Alegre. Nun’Álvares Pereira: Apresentada pelo pesquisador Ronaldo Luiz-Martins e as professoras Maria Celeste Ferreira e Karen Barros. o que só foi possível com a participação destas diferentes coletividades e do engajamento de alunos. que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Tom Jobim . O registro das escolas públicas . em História . Os projetos educativos surgiram . onde trabalho como professora de história. Os projetos foram individualizados. dos vários bairros da Baixada de Irajá. Newton Braga de Farias/Irajá. em diferentes realidades escolares. antigo morador de Irajá. reunidos deste 2006 em torno de um projeto educativo sobre a história e memória dos lugares e micro-regiões que compõem este espaço delimitado. procurando valorizar a história local. registrar e expor a vida suburbana da cidade do Rio de Janeiro. do qual também faço parte. aumentou. com a construção da Via Transcarioca . entre outros foram abordados aspectos da ocupação do território para produção de açúcar e o desenvolvimento dos atuais bairros da região. M. em cada escola na qual eu estava lecionando. em sua visita a outra escola da rede municipal. professores e funcionários nas respectivas escolas. pertencendo a 5ª CRE (Coordenadoria Regional de Ensino) que engloba bairros desta mesma região. . professores e pesquisadores do subúrbio carioca.Membro Fundador do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá. se faz necessário. visto que a região é formada de antigos bairros de rica diversidade cultural. deste encontro nasceram várias experiências educativas. O projeto atual está vinculado a primeira experiência da Escola em 2010. em que faço parte. bairro da Baixada de Irajá.

nacional.Baixada de Irajá: Educação e Patrimônio tem como metodologia: A História do Lugar. mas fortemente agregadores como as cadeiras nas calçadas ao entardecer. na década de 80 do séc. Nun’Álvares Pereira reconheceram os valores históricos da edificação em pedra e cal em estilo barroco jesuítico. sendo assim a de valorização do patrimônio surge justo no momento de desaparecimento dos traços urbanos do passado. realçam o lugar onde se viveu. tendem a ganhar força nas histórias de vida. no subúrbio do RJ. tem-se novas necessidades e novas buscas. Todo professor. que atravessa a trajetória profissional do Professor Joaquim Justino Moura dos Santos no ensino fundamental e médio. ao verificar o estímulo e identificação causada aos alunos ao trazer a história concreta de vida. Em uma visão tradicional de história. cria vida. o historiador é um “guardião da memória pública”. isto é. Estruturado e nomeado como método em 1991. É importante conhecer os novos conceitos. também sobre a redução ao longo de décadas de espaços público do subúrbio. não se limitam a ela mesma. buscando a “história do lugar” de seus alunos. No espaço escolar encontramos colegas de diferentes gerações. o método foi divulgado publicamente para professores de história no nível fundamental. percebe facilmente o peso e o tipo de ação que seu “Estado(nação)” exerce sobre a formação da memória nacional. 1987. nem sempre abordados nas generalizações históricas. sobre a área de estudo da Memória Social. Outro elemento importante da memória. Pontua. maior atenção a memória voltadas ao contexto local gestadas em concretas experiências da vida coletiva. médio e superior. complexificar a História Nacional. sobre diferentes acontecimentos locais. da Apresentação. O atual projeto . pois em estudos recentes. ora apoiando-a. entrevistados por eles. A partir de novas pesquisas. seja ou não dos conteúdos de história e geografia. por outra buscando novas narrativas. que são memórias coletivas que não foram contempladas no recorte nacional. com o aprofundamento das trocas de bens materiais e culturais por todo o planeta (Globalização) surgindo também intensos conflitos. áreas de lazer com o fim de pontos tradicionais de encontro. festas de ruas. por vezes oculta. mundial. ora entrando em conflitos. a partir do tempo é que “reconstruímos” nossas memórias. com conflitos ou não. demonstram que as “memórias subterrâneas” (Michael Pollack). são memórias coletivas. dos mais velhos. construída a partir de uma prática de ensino e pesquisa. sobre a formação do “Subúrbio Carioca” nas áreas da história social e econômica. que ainda hoje é mantida quase intacta em certos níveis. e por fim o desejo e a lembrança se processam no presente. diferentes concepções de História. antigos sepulcros sob altares laterais. Srª.No mundo de hoje em completa transformação.XX. perdidos pela intensa transformação das ruas em espaços privados ou vias que se tornaram apenas pontos de passagens sem conexão com a história local. partindo da interação prática-teoria. professores e funcionários da unidade escolar. Matriz da Freguesia de Irajá Em visita a quatro centenária Igreja de N. dita a versão oficial da História. a sensação de estabilidade se esvai. encontrando o contexto vivido por cada grupo de suas classes. seja na construção e conservação dos Museus Nacionais. Fotos Karen Barros – 2012 – Acervo IHGBI . estão sempre na relação do indivíduo dentro de um contexto familiar. na aceleração dos contatos e das relações sociais. observamos entre nós. seja no reflexo de suas ações na área educacional. com ampla receptividade. social. deixando aos indivíduos e suas coletividades um “vazio” que em larga medida tem impulsionado a necessidade de construções de narrativas próprias. A valorização da História regional e local acabou por aumentar o volume. tanto mostra. amadurecido por suas pesquisas anteriores do Mestrado da UFRJ. brincadeiras infantis coletivas e variados costumes sociais simples. os alunos da E. e em uma simples conversa. peças sacras e móveis que remontam aos séculos XVII e XVIII. no Doutorado em História Social da Universidade de São Paulo. é que ela é seletiva. M. as memórias de uma pessoa. até mais intensa que na década anterior. O método toma corpo. local. Nos momentos de crises ou de transformações. relatos dos mais velhos. quanto esconde.

como na manhã. com o enfoque sobre alguns dos patrimônios locais. antropologia e da memória social. O uso do nome “suburbano” e do conceito “subúrbio” foi transformado em um “signo ideológico da segregação social e espacial no Rio de Janeiro do século XX”. foi positiva. ou no caso. No livro: O Rapto Ideológico da Categoria Subúrbio – Rio de Janeiro 1858/1945.A necessidade de uma história local se intensifica com o avanço das grandes mídias. Ù . o muro diagonal na lateral. Manhã/Tarde: ™ Palestra “Caminhos de Ontem e de Hoje: Ira-ia-já Caminhos do Mel”. Provocação necessária para assumir o desejo de conhecer recursos que levem as novas reflexões sobre a história de onde vivemos. pois a aula-passeio é ótimo recurso para sensibilizar os alunos a variados temas e mostraram-se animados. foi escolhida como ponto de referência histórica e cultural em 2 atividades. dos primeiros povoados ligados a fundação de sua igreja principal de 1613 ( século XVII) Nossa Senhora da Apresentação do Irajá . “o antes e depois do túnel”. As dificuldades sentidas de imediato foi a necessidade de simplificação do vocabulário histórico. na escola Municipal Nun’Álvares Pereira. A Igreja de Nossa Senhora da Apresentação do Irajá. A visitação ao patrimônio da Igreja Nossa Senhora da Apresentação do Irajá. no bairro de Vista Alegre/RJ : 2012 . estes que criam modelos de hábitos e culturas. da mídia e de produções acadêmicas. também com membros da comunidade local. que abordam o “subúrbio carioca” de diferentes formas. tem revelado caminhos e espaços que estavam ocultos ou apagados. é inegável o isolamento familiar nas práticas da audiência televisiva e na “relação” virtual do uso da Internet. e os interessados levavam um pedido de autorização para o responsável assinar. a palestra não era obrigatória ao participante da atividade de visitação e vice-versa e participação de alguns professores e funcionários da escola. Observamos vários aspectos positivos. no geral. Segundo o autor. tem merecido pouca atenção. o que de imediato resultou o envio de 20 autorizações por turno. Sendo a primeira atividade do Projeto “Baixada de Irajá: Educação e Patrimônio” neste ano. foram feitas diversas atividades educativas. como continuação da “história do lugar”. do espaço suburbano. professores e funcionários). e registrada por pequenos comentários. A visita foi feita destacando seus pontos externos e internos. com uma média de 20 alunos de cada turno. aliados ao espaço de moradia das classes trabalhadoras ao longo das estradas de ferro e do poderoso senso comum que divide a cidade do Rio de Janeiro em dois lados. na semana anterior foi feito o convite em todas as turmas. Nelson da Nóbrega Fernandes mostra que a desvalorização do termo “subúrbio”. na interação das duas atividades: Um público maior e mais variado. O ocultamento desses costumes específicos dos lugares. nem sempre foi assim. esse processo.24 de abril. os materiais usados na construção e no seu interior a observação dos detalhes arquitetônicos e símbolos religiosos. o foco estava em sensibilizar a Escola (alunos. e que não mostram a participação das populações suburbanas do RJ. em diferentes épocas. mas nos acostumamos apenas a reproduzir conceitos. pois através de novas pesquisas nas áreas da história. foi o primeiro feito pela Escola. o deslocamento embora seja pequena a distância. tanto no turno da tarde. Para promover esta reflexão e a valorização dos espaços suburbanos. A “história do Lugar”. no Rio de Janeiro. desconstruímos visões estereotipadas que recusam a ver o passado histórico e a importância atual dos variados “subúrbios” na estruturação da nossa Cidade. em um modelo distribuído aos alunos e participantes das atividades. ™Visitação ao patrimônio histórico da Igreja Nossa Senhora da Apresentação do Irajá. embora hoje tido como elemento facilitador da comunicação. geografia. A visitação durou cerca de uma hora. é uma construção social e política. Ambientes. A avaliação. pia batismal. é uma tarefa necessária e urgente. planejadas para o turno da manhã (7º e 9º ano) e repetindo a mesma organização para o turno da tarde (8º e 6º ano). trazendo novos olhares e questionamentos para a nossa História. para destacar os prováveis caminhos indígenas e as histórias dos trabalhadores das fazendas de açúcar de Irajá. aos detalhes nas paredes. fruto de escolhas também econômicas aprofundadas durante o período republicano. como lugares de falta de sofisticação e de cultura. palavras e valores sem sequer imaginar as variadas formas de participações e de circulações entre o Centro da cidade com suas ditas “periferias”. O coreto descaracterizado. salvo em situações estereotipadas. do que uma única turma. não sendo necessária identificação·. A visitação ocorreu. ambos do segundo segmento do ensino fundamental. precisamente as sub-urbs. na vida social e econômica da Cidade. prestes a completar 400 anos em 2013. que pode ser datado e estudado. para a continuação do projeto em parceria com IHGBI. mas a média confirmada foi a metade.

da PENHA TREZENTOS ANOS VISTA SOBRE PENHASCO QUE DÁ NOME AO BAIRRO VISIBILIDADE TAMBÉM É PATRIMÔNIO MOVIMENTO IGREJA DA PENHA SEM COBERTURA VISUAL AÇÃO PELO NÃO LICENCIAMENTO DE EDIFICAÇÕES QUE POSSAM OBSTRUIR A VISÃO DO CONJUNTO PENHA ‒ ADRO . Srª.IGREJA PLANO PROGRAMA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ .IGREJA DE N.

Mesmo morando em outro lugar. o significado da [estrada da] Água Grande. Como incentivo a produção de trabalhos literários e artísticos à alunos do nível fundamental. participantes de palestras em 2010 na Escola Municipal Nun’Alvares Pereira (Irajá) e em 2006 na Escola Municipal Almirante Newton Braga de Farias (Irajá). vêem promovendo palestras em escolas da rede publica. morou e estudou. Eu adorei saber disso. dentro do plano/programa “História do Lugar. Ver os caminhos e como era antes. Cada detalhe me chamou atenção. como o tempo mudou umas paisagens. IRAJÁ: ORIGEM DE MUITOS BAIRROS Camila Corrêa Aluna da Escola Municipal Nun’Alvares Pereira a época cursando a 6º série Transcrito pelo editorial de RESENHA Digital Achei muito interessante saber a origem de bairros e saber sobre Irajá. É bom saber que ainda existem pessoas que se interessam pela historia do lugar em que viveu. mas o que me interessou foi saber a história de Irajá. IRAJÁ: ORIGEM DE MUITOS BAIRROS Yngrid Lopes Aluna da Escola Municipal Nun’Alvares Pereira a época cursando a 6º série Transcrito pelo editorial de RESENHA Digital Eu gostei de tudo. que foi feita de pedra. Saber como era antes foi muito novo. óleo de baleia e barro. Como a pedra que deu origem a igreja de Irajá e saber que a cola que usava-se antigamente era feito de óleo de baleia e esse pode ser até o fato que faz com que haja extinção. nas quais são aos alunos apresentados fatos e valores da história regional. Ao termino de cada evento os alunos são convidados a escreverem. RESERNA Digital abre nesta edição uma amostra de trabalhos desenvolvidos por Na amostra inicial são editados trabalhos produzidos por participantes de eventos já realizados.Primeiro passo Desde 2006 componentes do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá. coisa que não vi e nem sabia. * os bondes nas ruas. E o escritor também é muito legal e a historia dele é muito interessante. . * A autora faz referência aos lotações em uso no transporte coletivo nas décadas de 1950 e 1960. quem foi Nun’Álvares Pereira. Ver como era a “avó das van”. e ver fotos antigas. e foi muito bom saber sobre meu bairro. desenharem e comporem painéis e maquetes expressando suas visões sobre o que lhes foi apresentado. principalmente as fotografias. Foi uma palestra muito boa. A igreja que daqui a três anos vai fazer 400 anos. e é bom saber que além de se preocupar com o lugar ainda incentivam as outras pessoas que ainda moram nesse lugar a pesquisar a historia do lugar que vive.

Regina Bizarro . da Apresentação E. M. Maquetes de alunos da 6º a 8º séries de 2006 da Escola Municipal Almirante Newton Braga de Farias Diversos autores – Coordenação Prof.Igreja Matriz da Freguesia de Irajá Lápis sobre papel Juliana Aluna da Escola Municipal Nun’Alvares Pereira a época cursando a 9º série A autora reinterpreta a igreja de N. Srª. Srª. Newton Braga de Farias . Alm.2006 Comunidade “Para Pedro” Avenida Monsenhor Felix Igreja de N. da Apresentação de quase quatro séculos.

Teixeira concepção arquitetônica de Enéas Trigueiro Silva.com.350 alunos Educação Infantil – 1ª a 9ª série fundamental – Classe especial – 2 turnos Prédio escolar do período 1931 / 1936 e pertencente ao conjunto de 28 prédios escolares denominados “Escolas Escolas de Aní Anísio Teixeira”. Conde de Agrolongo é importante patrimônio histórico da Baixada de Irajá.Oficinas de capacitaç capacitação em áudio.emcagrolongo@rioeduca. a Escola Municipal Conde de Agrolongo conserva em seu prédio principal a quase totalidade das características originais. na época Distrito Federal.: (21) 3884-8623 / 3884-5678 / 3884-0 . 1246 – Penha – Rio de Janeiro – RJ CEP 21020-190 Tel. cinema e ví vídeo Rua Ponta Porã. e uma das primeiras construções com estrutura própria ao abrigo de escola de educação primária da Cidade do Rio de Janeiro.net * Pesquisa: “Guia das Escolas de Anísio Teixeira – Centro de Referência da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro – SME – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – 2006 - PARCEIRO DO INSTITUTO HISTÓ HISTÓRICO E GEOGRÁ GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ IRAJÁ CENTRO CULTURAL CASARTI Cineclube . A E.Rio de Janeiro – RJ centroculturalcasarti@yahoo. Rua Conde de Agrolongo. Tipo Platoon 12 salas da Serie “Nome de Personalidades Brasileiras ”.Vista Alegre . sendo uma das Escolas de Anísio Teixeira em que se encontra preservada a sua concepção arquitetônica.PATRIMÔNIO EDUCACIONAL DA BAIXADA DE IRAJÁ ESCOLA MUNICIPAL conde de agrolongo PENHA Inaugurada em 04 de abril de 1932 4ª CRE – 11368 28 salas – 1.br . 15 Sobrado . M. Março de 2011 – Vista da Rua / Google earth Com 80 anos de atividade. e mesmo tendo a sua capacidade ampliada em mais 16 salas.

sendo a do meio a que nos anos 1930 seria o Bar dos Lavradores. que manteve-se em tráfego ate 1964 quando desativada pelo fim do sistema transporte coletivo por bondes no Rio de janeiro. da Apresentação. Pela direita. em 12 de outubro até a atual Praça N. atual Avenida Ministro Edgar Romero. o prédio de dois andares que somente no final década de 1960 seria demolido para a construção do Shopping São Luiz (Shopping dos Peixinhos). . Estava o fotografo na Praça Magno. O local retratado é a Estrada Marechal Rangel.HISTÓRIA EM IMAGEM MADUREIRA EM 1928 – INSTALAÇÃO DE TRILHOS E REDE AÉREA DA ELETRIFICAÇÃO DE BONDES DA LINHA IRAJÁ Foto de autor desconhecido . a foto registra um ponto de trabalho de instalação da rede aérea para a linha de bondes elétricos de Madureira a Irajá que viria a ser inaugurada em 26 de junho seguinte.Revista LIGHT Julho de 1928 – Acervo Centro Cultural Light – Rio de Janeiro Realizada entre abril e maio de 1928. agrupadas duas em uma única e totalmente descaracterizadas. antes da atual passarela sobre a via férrea e em primeiro plano tem-se a linha singela de bonde atravessando a linha dupla da ferrovia. entre a esquina da Estrada do Portela e a estação de Magno (atual Mercadão) da Linha Auxiliar da Estrada de Ferro Central do Brasil. hoje Ramal de Belford Roxo da Supervia. em sua primeira etapa entre o Largo de Madureira e a esquina da Rua Lima Drumond em Vaz Lobo. Mais a fundo o Largo de Madureira na esquina da Rua Carvalho de Souza tendo ao fundo o Morro do Fubá no Largo de Campinho. A seguir desta. ainda ali existem. Srª. a esquina da Estrada do Portela e um correr de prédios hoje já substituídos. e. também em primeiro plano três lojas que. destacando-se ao fundo destes.

por trás dos dormentes e a linha férrea. na pagina 19. Entre estes carros destaca-se o poste de ferro tendo em seu topo a grande lâmpada de iluminação da praça (*). tendo a frente à linha de bondes de Irajá como apresentado na foto de 1928. A foto dá fim a duvida de que tenha a linha de bondes para Irajá sido inaugurada com inicial na Praça Magno e sem atravessar as linhas da ferrovia. o grande espaço no qual desde 1916 estava instalado o Mercado de Madureira que. Após este prédio. a época da foto. O local da estação de bondes é agora a rampa ao viaduto do sistema Transcarioca. seria construído no ano seguinte (1929) e somente em 1949 foi construído o prédio que hoje é entrada da sede da Escola de Samba Império Serrano. O primeiro pavilhão. após a construção do Viaduto Negrão de Lima. também azul. que a ele daria a real forma de mercado. o circulo azul indica a posição do fotografo e a seta. o qual foi demolido após 1930 para o alargamento de bitola da terceira linha do pátio da estação. onde funcionários da Light faziam a instalação da rede aérea dos bondes. antes da saída desse. Augusto Malta . Somente em 1945. não era mais que uma feira permanente. a pequena edificação que serviu ao controle do trafego ferroviário da estação de Magno. a direção e o foco central da fotografia. A esquerda. ilustra o artigo “Madureira Modernista: A visita de Tarsila do Amaral ao bairro”. Na imagem de satélite do entorno da estação Mercadão em Madureira. . Nesta ocasião. As fotos abaixo apresentam o mesmo local em datas posteriores:. com a eletrificação da Linha Auxiliar é que os bondes Irajá e Penha-Madureira passaram a fazer circular nesta praça e terem por ponto inicial uma pequena estação localizada antes da Rua Olívia Maia e. Mais ao fundo o conjunto de lojas comerciais após a Rua Carvalho de Souza. Imagem Google Earth – Composição equipe de edição de RESENHA Digital 1930 – O Mercado de Madureira com o pavilhão central e murada recém construídos. sendo em seu lugar posteriormente construída a pequena loja que hoje abriga a tradicional Casa das Panelas.Acervo Mercadão de Madureira (*) O poste de ferro de iluminação é também observado na foto do coreto de Madureira de 1924 que.Ao centro dois carros plataforma puxadas por animais.1930 . também era usada esta linha por bondes cargueiros que pela linha do Cascadura faziam o transporte de produtos entre este mercado e o Mercado Municipal da Praça XV.

o fotografo estava posicionado no ponto onde esta estacionado o segundo furgão de carga. Para a foto de 1928. . Ao centro a já Av.Av.com/en/galeria/ 2012 . Após 1945 o ponto inicial das linhas de bonde Irajá e Madureira-Penha passou a ser uma pequena estação localizada a esquerda da foto. o Largo de Madureira.Site Cidade Olímpica em http://www. o local onde na foto de 1928 estão as carroças de plataformas da instalação da rede aérea dos bondes.2011 Foto para a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – 2012 . antigo Mercado de Madureira. esquina de Estrada do Portela e Largo de Madureira.Final da década de 1950 O Mercado de Madureira já com seu prédio de entrada construído. no qual estava ele identificado como Mercado Municipal de Madureira. é hoje a rampa do viaduto do Transcarioca. No fundo o Maciço da Tijuca na descida para o Morro do Fubá. Após a linha a loja que substituiu o prédio apresentado na foto de 1928. Autor desconhecido .cidadeolimpica. mais atrás. Ministro Edgar Romero e. Neste mesmo local. Recorte de foto Google Earth Street View . no canteiro central com arvores. Vê-se a terceira linha do pátio de Magno e a rede aérea dos trens elétricos. À esquerda a sede da Escola de Samba Império Serrano. recém construída. Ao fundo a passarela sobre a via férrea e acesso a estação Mercadão. Ao centro. Ministro Edgar Romero.Divulgação na internet / Acervo Mercadão de Madureira 2011 – Praça Magno na descida do viaduto Negrão de Lima.

DESATIVADO EM 1831. ATÉ CERCA DE 1960 EXISTIAM DOIS DE SEU CANHÕES PESQUISA E RECUPERAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICAS IHGBI Fotomontagem de Ronaldo Luiz-Martins Memória do autor – Acervo IHGBI PLANO PROGRAMA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BAIXADA DE IRAJÁ .FORTIFICAÇÕES DA BAIXADA DE IRAJA FORTE NOSSA SENHORA DA GLORIA CAMPINHO . APÓS 1852 PASSOU A ABRIGAR O INSTITUTO PIROTÉCNICO DO EXERCITO PRESERVAÇÃO E TOMBAMENTO HISTORICO Foto Subs. NO MORRO EM QUE FOI INSTALADA. do Rio de janeiro BATERIA DE IRAJÁ INICIO DO SÉCULO XVIII LOCALIZADA NO CRUZAMENTO DOS CAMINHOS DE IRAJÁ E DA PAVUNA E CONSTRUIDA ENTRE 1712 E 1720. HOJE NO INTERIOR DA XIV REGIÃO ADMINISTRATIVA.1823 CONSTRUIDO POR ORDEM DE D. Munic. PEDRO I PARA PROTEÇÃO DA INDEPENDENCIA. do Patrimônio Cultural Prefeitura da Cid. IMPEDINDO UM POSSIVEL ATAQUE DE TROPAS PORTUGUESAS A RETARGUARDA DA CORTE. TEVE POR OBJETIVO A PROTEÇÃO DA CIDADE DO RIO DO JANEIRO DE ATAQUES PELA SUA RETAGUARDA.

será ele. Algumas vezes campeão entre os blocos que desfilavam na Marquês de Sapucaí na sexta-feira de Carnaval. Além disso. “Praça do 336” – 2011 – Foto Google Earth / Street View Ainda em Vista Alegre. de dois em dois. nos estúdios da Rede Manchete de Televisão. quando não tínhamos grana no bolso. os do Bloco Cacique de Ramos. A sensação maior era conseguir desfilar na Escola de Samba Unidos de Lucas que. frequentávamos os bailes.via de acesso ao sofisticado “Bairrinho” e “Bairro Araújo” . Parada de Lucas e Cordovil. desfilava no Grupo A. na rua Major Conrado e na Estrada do Porto Velho em Cordovil. era a figura monstruosa de um tal homem que se fantasiava de “Vampiro”.frequentávamos o antigo Cinema ao lado da Padaria e Restaurante “401”. e que de Vista Alegre seguia até o seu final na Praça Quinze no Centro do Rio.G. mas grande para nosso mundo pequeno. havia o “Social Clube de Lucas” onde. surgiram as famosas Adegas na rua Paratinga de onde só saíamos quando a última fechava. Na época de Carnaval. havia CIMENTO BRANCO IRAJÁ as gravações dos programas de auditório.local que alagava em dias de temporal e a água chegava a um metro de altura além do Parque Gráfico da extinta Revista Manchete. 336 era o número da linha de ônibus que fazia ponto de partida na altura do número 433 da rua Ponta Porá. entre outros. Carreguei com orgulho de menino muita alegoria pesada do “Quem Fala”. já não existindo mais o Cinema e o “401”. Foto Revista Brasileira de Geográfia Marco industrial da Baixada de Irajá. E. Na rua Cordovil . mais conhecido como “a Praça do 336”. nas imediações da Estrada da Água Grande . principalmente. Ambas. os principais coretos ficavam na Estrada da Água Grande. até nos adultos. pois era certo encontrarmos na portaria um primo ou vizinho mais velho fazendo segurança. o “Arregaça” e o “Bloco das Piranhas”. na rua Estremadura. Além dessa linha. e o Grêmio Vista Alegre na rua Ponta Porã.R. o que mais metia medo. blocos menos sofisticados como o “Pezão”. vez por outra. o G. como se dizia. Participávamos muito dos ensaios e desfiles do “Quem Fala de Nós Não Sabe o que Diz” de Cordovil. Carlos Henrique . havia também. “Campo do Vista Alegre” ou mundo”. “davam uma volta ao Praça Jardim Vista Alegre. às escondidas.Graduado em História pela UFRuralRJ – Membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico baixada de Irajá . e que pulava através dos telhados das casas. Na Estrada do Porto Velho. Além da fantasia de “Clóvis” (Bate-bola). da Angélica. Simples. em breve.A. Como o futebol noturno que rolava durante a semana no famoso “Campo do Vista Alegre”. descontinuado o seu parque. e que deixava todo mundo entrar. se destacavam os fantasiados de morcego. Só quem viu é que sabe o quanto dava medo. havia a 343 com saída na “Praça do Cimento Branco” (Praça São João Berchmans) com trajeto entre Cordovil e a Praça Tiradentes. Anos mais tarde. caveira e índio.lembrando MEMÓRIAS DA MINHA ADOLESCÊNCIA Carlos Henrique Silva * Sinto falta das coisas simples que meu grupo da adolescência tinha como atrativo nos bairros de Vista Alegre. hoje conhecido como Grupo Especial. implodido. •SILVA. onde atualmente funciona o Supermercado Intercontinental.

Queriamos participar de todas.. Bairro de Vista Alegre O “Bairrinho”. Além disso. e o Grêmio Vista Alegre. Fazíamos todo o percurso andando a pé. Vê.. como diz uma bela e antiga canção que gosto muito: Vê.. com sua admirável procissão em honra ao Mártir Padroeiro pelas ruas de Parada de Lucas e Cordovil. os dias vão passando. que tem seu peso histórico subjetivo e seu valor intrínseco.. ao Largo do Bicão e à Praça Treze de Junho de Cordovil. . nas imediações da Estrada da Água Grande . onde havia um grande aglomerado de devotos que seguiam agarrados ao carro em que se encontrava o andor com a imagem do santo.. entre “causos” e momentos que as novas gerações não desfrutarão jamais.. ASSIM ESTA AGORA Ainda em Vista Alegre. de um lado para outro. GREMIO VISTA ALEGRE Na rua Ponta Porã o clube criado pelos primeiros moradores do “Bairrinho”. Nos Livros de Tombo da paróquia. mas as lembranças estão gravadas na memória. Anos mais tarde.via de acesso ao sofisticado “Bairrinho”. E. o sol iluminando por onde nós vamos indo!..A “Festa de Rua” que deu o ponta pé inicial nos festejos durante os meses de junho e julho foi a do “Paraquedas” em Irajá. Infelizmente. Brás de Pina. um dos novos “point” da rua Paratinga A. destacava-se na região a tradicional Festa de São Sebastião. porque transporte era coisa rara naquele tempo.000 pessoas ou mais. há registros com a estimativa em que houve época da participação de 10. surgiram as famosas Adegas na rua Paratinga de onde só saíamos quando a última fechava Restaurante Brasil 500 Na esquina da Av. somados os dias de festa e a data principal: 20 de janeiro. No seu entorno desenvolveu-se o bairro que recebeu seu nome. frequentávamos o antigo Cinema ao lado da Padaria .. As festas de ruas foram tomando tamanha proporção que chegaram à “Praça do 336”. Vê o novo céu se abrindo... condomínio de 11 ruas construído na década de 1950. Era verdadeiramente realizada em baixo de um grande paraquedas... Sinto falta dessas coisas simples da adolescência.. não tenho fotos. Fotos Google Earth – Street View . .

com 58 anos de funcionamento. PATRIMÔNIO CULTURAL DA BAIXADA DE IRAJÁ TEATRO ARMANDO GONZAGA Marechal Hermes Criado em 19 de abril de 1954 Destacada opção de lazer da Zona Norte. Armando Gonzaga (1884-1953): Jornalista e dramaturgo. projeto de Affonso Eduardo Reidy. em 1954. em 1961 passou a pertencer ao Governo do Estado da Guanabara. divulgue. estando atualmente sob gestão da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro . Av. em 2008 foram executadas obras de modernização e recuperação estrutural. General Osvaldo Cordeiro de Faria.TAG. Ainda sem receber os seus jardins retorno ao original. nos quais nele se apresentaram renomados artistas da musica e teatro brasileiro. Foto FUNARJ Governo do Estado do Rio de Janeiro Além de apresentação de peças e espetáculos. Estudante. destacou-se pela critica e sátira dos costumes cotidianos e de família do inicio do século XX. o Teatro Armando Gonzaga oferece ao público cursos de teatro e dança. Etelvina. os jardins originais foram totalmente descaracterizados em desrespeito ao projeto de seu destacado autor. já em reformas de 1980 e 1986.FUNARJ. produza sua resenha ou ensaio Com foco na Baixada de irajá e em todos os campos das ciências.Rio de Janeiro Tel: (21) 2332 1040 . possui relevante papel de formação e divulgação cultural na Baixada de Irajá. 551 Marechal Hermes . com a fusão. construa. participante da chamada Geração Trianon. Em 1975. vinculada à Secretaria do Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Patrimônio Histórico tombado em 1989 no Instituto Estadual de Patrimônio Cultural – INEPAC.. pesquise. possui o teatro a capacidade de 248 lugares. São de sua obra as peças O Ministro do Supremo e Cala a boca. Nos publicamos. oriente. foi repassada a propriedade do Estado do Rio de Janeiro. o Teatro Armando Gonzaga . Constituído pela então Prefeitura do Distrito Federal e Inaugurado. painéis de Paulo Werneck e jardins externos em concepção original de Burle Marx. na gestão do prefeito Dulcídio do Espírito Santos Cardoso. sendo destacado centro de capacitação e apoio á produção de vídeos.ENSAIO Espaço destinado a produção na formação de nível médio e técnico Professor. Instalado em prédio de singular beleza arquitetônica.

HORTAS. do qual é hoje o sucessor o Mercadão. O corredor de torres com suas hortas representou a valorização econômica e foi no seu conseqüente a razão da grande população agora contemplada. HOJE UM PARQUE Ronaldo Luiz-Martins * Abriram-se os portões do Parque Madureira. *. Necessária porem é a preservação da memória histórica desta longa faixa de terreno a qual liga-se de forma expressiva ao desenvolvimento econômico da Região Em 1905 a The Rio de Janeiro Tramway.ESPAÇO FINAL ONTEM . pois eis ai o Mercadão de Madureira. do qual uma faixa de seis quilômetros. No ciclo de comercialização destes produtos desenvolveu-se a grande feira que em 1914 tornou-se Mercado de Madureira. pela sua magnitude como área de lazer e cultura. sua conseqüência das mais expressivas. Anunciado em matéria publicada na edição do Jornal do Brasil de 25 de julho de 1982. cresceu nas vias convergentes o próspero núcleo comercial que na década de 70 do século passado foi o segundo maior centro de arrecadação comercial do então Estado da Guanabara.. Ronaldo: Já citado nesta edição em “Ouro Branco: Origens do Lugar Que Dá Mel ”. Após vinte anos de divulgada a intenção da Light. hoje Light S.A. inaugurava o sistema de abastecimento de energia a Cidade do Rio de Janeiro. divididos em glebas foram estas distribuídas a emigrantes portugueses para o cultivo de hortaliças e legumes. Em poucos anos a produção destas plantações tornava-se das principais abastecedoras da cidade. Histórias e personagens não faltam. sua hortas e seus lavradores deve o Parque Madureira receber uma placa..Julho de 1982 Sob as torres de transmissão da Lihgt as hortas onde por um século foram cultivados legumes e hortaliças. devolver ao poder público uma longa faixa de terreno do seu corredor de transmissão elétrica para a construção de "corredores de lazer". uma estatua ao lavrador. com cem metros de largura. cortam a Baixada de Irajá entre os bairros de Costa Barros e Madureira. Pela memória das torres. em compactando suas torres. Sem que houvesse o primeiro de nada valeria o segundo. Ao entorno do Mercado. leva a região um novo pólo de valorização social.. por questão de segurança. Turiaçu. foi construído um grande corredor de torres. ou ainda um pavilhão de exposição. fossem as hortas existentes sob as linhas transferidas à outras áreas e em lugar destas a instalação de parques e unidades de cultura. não sendo possível os espaços sob os fios de alta tensão serem ocupados por habitações. LUIZ-MARTINS. Para a transmissão de energia da sua Usina de Fontes em Pirai a estação distribuidora de Frei Caneca no Centro. com as estações ferroviárias de Magno e Madureira como linha de transporte de carga e passageiros. Light and Power. . sendo então a Light uma empresa estatal. Foto Jornal do Brasil . propunha ela que com a modernização de seu sistema de transmissão de alta voltagem. Por fim está concretizado o projeto e Madureira. produção que na primeira metade do século XX promoveu a criação do Mercado de Madureira Conservar o passado dando a conhecer ao presente as suas origens é fundamental para que seja valorizado o que se alcança. Rocha Miranda e toda a Baixada de Irajá novamente tem nesta área valorização. Nesta área. O Parque Madureira. mesmo um painel.

No final dos anos 1970. foi a E. em 5 de dezembro de 1945. teve por endereço a Estrada Monsenhor Felix 1. Também poetisa. 20-10 Maria do Carmo Vidigal extinta. teve por identificação ser a 20-10 e.Irajá. com o desmembramento da Estrada Marechal Rangel. em cerca de 1930. Sua patrona. Nomeada delegada do Distrito Federal ao II Congresso Internacional Feminista. Maria do Carmo Vidigal Pereira das Neves. ao final do século XIX foi incorporada ao recém criado Departamento de Educação Primária da Prefeitura do Distrito Federal. 28 do Departamento de Educação Primaria. então denominada Estrada Marechal Rangel. por transferência passou a funcionar anexada a atual Escola Municipal Alfredo de Paula Freitas. falecida em fins de 1944. Com a inauguração em 18 de março de 1983 da Escola Municipal Newton Braga de Farias.ESCOLA MUNICIPAL 20-10 MARIA DO CARMO VIDIGAL Autor não identificado – Acervo Reynaldo Luiz Martins Originaria de escola de alfabetização e ensino elementar da Irmandade de Nossa da Apresentação da Freguesia de Irajá e já existente em 1835. . nele apresentou como proposição ser a educação moral a base da educação integral da mulher.023 . pela Resolução nº. recebeu a denominação de Maria do Carmo Vidigal. M. Em cerca de 1920 foi transferida para prédio para ela construído em terreno que. foi autora do livro Retalhos d`alma: contos e phantasias editado em 1930. foi professora da Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal. tendo sido diretora do Grupo Escolar José de Alencar. sendo instalada em prédio de posição não identificada na antiga Estrada do Irajá. Tendo por cátedra a matéria de Português escreveu livros didáticos de apoio a esta. para a construção de conjunto residencial abrangendo o seu terreno. instalações que deveriam lhe ser destinadas. Com organização de zoneamento educacional. realizado de 19 a 30 de junho de 1931 no Rio de Janeiro. no conjunto residencial construído.