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1ª APOSTILA
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
(Arts. 233 a 420 e 840 a 886 do Código Civil)
O Direito das Obrigações é considerado a parte especial do Código Civil. Porque
grande parte da teoria geral do Direito Civil tem aplicação direcionada às
obrigações, em detrimento das demais especialidades.
No Novo Código Civil, o Livro de Direito das Obrigações engloba o exame dos
Contratos (Títulos V e VI), dos atos unilaterais (Título VII), dos títulos de crédito
(Título VIII) e da responsabilidade civil (Título IX).
“O direito das obrigações disciplina essencialmente três coisas: as relações de
intercâmbio de bens entre as pessoas e das prestações de serviços (obrigações
negociais); a reparação de danos que umas pessoas causem a outras
(responsabilidade civil geral, ou em sentido estrito), e, no caso de benefícios
indevidamente auferidos com o aproveitamento de bens ou direitos de outras
pessoas, a sua devolução ao respectivo titular (enriquecimento sem causa)”.
Fernando Noronha.
Os Contratos e atos unilaterais são fontes de obrigação. O conteúdo dos
Contratos e atos unilaterais é plasmado por obrigações de dar, fazer e não fazer.
A única distinção entre negócios jurídicos bilaterais (contratos) e unilaterais, diz
respeito à formação.
Enquanto o Contrato demanda acordo de vontades, os atos unilaterais pedem
apenas a emissão da vontade de uma das partes.
CONCEITO DE OBRIGAÇÃO
Obrigações é o vinculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de
exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação.
Corresponde a uma relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter
transitório (extingue-se pelo cumprimento), cujo objeto consiste numa prestação
economicamente aferível. É o patrimônio do devedor que responde por suas
obrigações. Constitui a garantia do adimplemento com que pode contar o credor.
O direito das obrigações consiste num complexo de normas que regem relações
jurídicas de ordem patrimonial, que tem por objeto prestações de um sujeito em
proveito de outro. Visa, regular vínculos jurídicos em que o poder de exigir uma
prestação, conferido a alguém, corresponde a um dever de prestar, imposto a
outrem.
Exemplo: um vendedor tem direito de exigir do comprador o preço convencionado
ou o direito do locador de reclamar o aluguel do bem locado.
O direito das obrigações é um ramo do direito civil que trata dos vínculos entre
credor e devedor, é um direito de natureza pessoal.

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A importância dos direitos obrigacionais na atualidade deve-se ao fato do homem
moderno viver numa “sociedade de consumo”, onde os bens de novos produtos da
tecnologia moderna lhes são apresentados, mediante uma propaganda tão bem
elaborada, que os leva a sentir necessidades primárias ou voluptuárias.
Essa intensificação da atividade econômica, provocada pela urbanização, pelo
progresso tecnológico, pela comunicação permanente, causou grande repercussão
nas relações humanas, que por isso precisam ser controladas e regulamentadas
por normas jurídicas, que compõem o direito das obrigações.
O direito das obrigações intervém na vida econômica não só na produção (compra
de matéria-prima; associação da técnica e da mão-de-obra ao capital da empresa,
por meio de contrato de sociedade, etc); mas também no consumo dos bens (por
meio de compra e venda, de troca, etc.) e na distribuição ou circulação (mediante
contratos de venda, feitos aos armazenistas ou revendedores).
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS.
01- Subjetivos – sujeito ativo – credor (beneficiário da obrigação) e sujeito passivo
– devedor.
02- Objetivo – objeto da obrigação – prestação.
03- Vínculo jurídico – elo que sujeita o devedor a determinada prestação em favor
do credor.
HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Na antiguidade, aquele que não cumprisse com suas obrigações, ou as cumprisse
de maneira incorreta, podia sofrer sanções de caráter pessoal sobre si próprio.
Exemplo típico é o Código de Hamurabi, a codificação mais antiga da
humanidade, no qual se encontra inserido o princípio do “olho por olho, dente
por dente” (pena de Talião),
“Se um construtor edificou uma casa para uma família, mas não reforçou seu
trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse
construtor seria morto”.
A obrigação era o vinculo pessoal pelo qual o credor estava autorizado a impor
sanções ao devedor, tais como a pena de privação de liberdade, sujeição a
trabalhos forçados ou até mesmo vende-lo como escravo.
Para se ter uma ideia, no Direito Romano, até o advento da Lei Petélia Papíria
(Lex Poetelia Papiria), estava em vigor a Lei das XII Tábuas que, em seu § 9º,
estabelecia o seguinte:
Assim agiam os credores:

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“Se são muitos os credores, é permitido, depois do terceiro dia de feira, dividir o
corpo do devedor em tantos pedaços quanto sejam os credores não importando
cortar mais ou menos; se os credores preferirem, poderão vender o devedor a um
estrangeiro, além do Tibre.”
Foi com a Lei Petélia Papíria (Lex Poetelia Papiria), que se aboliu essa pratica
condenável. Dai para frente a execução, pelo não cumprimento de qualquer
obrigação, passou a recair sobre os bens do devedor não mais sobre a pessoa.
Atualmente, no sistema jurídico dos povos modernos, a única hipótese
admitida de prisão civil é por divida de pensão alimentícia. Quer dizer,
somente se admite sanção a pessoa do devedor por dívidas decorrentes do dever
de alimentar. Esse posicionamento foi consolidado na Convenção Americana
sobre os Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), realizada em 22 de
novembro de 1969, da qual o Brasil é signatário. (O Brasil incorporou a
Convenção no nosso ordenamento jurídico pelo Decreto nº 678, de 6 de novembro
de 1992).
Na sistemática moderna quem responde pela divida do devedor é o seu ativo
patrimonial e não seu corpo.
O DIREITO DAS OBRIGAÇÕES NO DIREITO BRASILEIRO
No Brasil não é diferente. Hoje, especialmente em razão do princípio
constitucional da dignidade da pessoa humana (CF, art.1º, III), não se admite
tratamento degradante contra qualquer pessoa, mesmo que ela seja
devedora.
Na nossa Constituição ainda consta, ao lado d prisão do devedor de pensão
alimentar, a previsão de prisão também do depositário infiel (CF, art. 5º, LXVII),
porém essa disposição não mais se aplica em face da Sumula Vinculante nº 25
16.12.2009, que passou a considerar ilícito esse tipo de prisão civil, derrogando
por vias transversas o estatuído na Lei Maior.

PRINCIPAIS CARACTERISTICAS DOS DIREITOS
DAS OBRIGAÇÕES
O direito das obrigações, também chamado de direitos pessoais ou direitos de
crédito, se materializa através do vinculo jurídico existente entre credor (sujeito
ativo) e devedor (sujeito passivo) pelo qual o primeiro pode exigir do segundo uma
prestação (dar, fazer ou não fazer), cabendo destacar as seguintes características:


direito de crédito;
patrimonialidade e;
autonomia da vontade.

regular vínculos patrimoniais as pessoas. ou não puder ser valorizada ainda que por arbitramento. a entrega da prestação (a cozinha). Vencido o prazo. PATRIMONIALIDADE É objeto ínsito a toda e qualquer obrigação e significa dizer que toda obrigação tem que ter. No entanto é possível estimar o valor pecuniário do dano moral levando-se em conta o binômio punitivo-compensatório. por óbvio. com quem melhor possa lhe parecer ser capaz de cumprir e utilizando a forma que lhes parecer suficiente para provar e exigir o pacto. no mínimo. O direito de crédito tem a ver com o poder atribuído ao credor de exigir do devedor a prestação combinada. João (credor) poderá exigir do marceneiro (devedor) a satisfação do seu crédito. não tem valor patrimonial. Alguns autores discordam do caráter patrimonial que é atribuído as obrigações. Nesse caso. tendo em vista a positivação do direito de indenizar por dano moral que. a obrigação de indenizar surge em razão da violação a um dever jurídico. isto é. não interessa ao direito das obrigações. para obrigar o ofensor (devedor) a oferecer à vitima (credor) uma soma em dinheiro que compense seu sofrimento. AUTONOMIA DA VONTADE Os indivíduos têm plena liberdade para praticar os atos e negócios de sua vontade. no caso de não cumprimento. Em princípio. ser passível de avaliação pecuniária. incluindo perdas e danos. . sob pena de não o fazendo ter de devolver o que foi pago em dobro (arras). mas eventuais perdas e danos se necessário. criando os mais variados tipos de relações jurídicas. até judicialmente. Se a obrigação não tiver valor econômico. Não se pode executar o patrimônio do devedor se não tiver um valor aferido para a prestação não cumprida.4 DIREITO DE CRÉDITO A principal característica do direito de crédito é. Exemplo: João contrata e paga um marceneiro para que ele faça os móveis de sua cozinha (prestação) para entregar numa determinada data. buscar o recebimento de seu crédito. Não cumprida a obrigação pode o credor adotar as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para exigir do devedor a prestação a que se obrigou e. um valor econômico ou. impondo ao devedor a obrigação de prestar algo no interesse do credor ou a quem a lei assegure o direito de exigir a prestação que tanto pode ser positiva (agir0 quanto negativa (omitir). Podemos mencionar como exemplo de obrigações sem caráter econômico a fidelidade dos cônjuges ou o dever de obediência do filho em relação ao pai. direta ou indiretamente. que recairá sobre o patrimônio do inadimplente. as pessoas são livres para contratarem o que bem entenderem.

Também se pode medir a importância dos direitos obrigacionais no campo da responsabilidade civil. os bons costumes nem a ordem pública. por exemplo formas de aquisição de matéria-prima. Além disso. DOS DIREITOS OBRIGACIONAIS E DOS DIREITOS REAIS Todos os bens. pode ser positivo (mais direitos que obrigações) ou negativo (mais obrigações que direitos). Os direitos reais somente podem ser criados por Lei e atualmente são aqueles previstos no art. além de disciplinar a distribuição e circulação das riquezas. mercantis e empresariais. o objeto deve ser lícito. do titular sobre a coisa (domínio). tendo em vista disciplinar. somente atingiu o estágio de desenvolvimento atual em face da possibilidade de realização dos mais diversos contratos (obrigações). contratando aquisição de bens e serviços. especialmente o princípio da supremacia da ordem pública. estabelecendo um poder jurídico. limitam a liberdade das pessoas. direitos e obrigações de uma determinada pessoa compõem o seu patrimônio que. tendo em vista que vários princípios. das comunicações. dividindo-se em pessoais (ou obrigacionais) e reais (ou de coisas). DA IMPORTÂNCIA DOS DIREITOS DAS OBRIGAÇÕES É através das relações obrigacionais que se desenvolvem e se estruturam os regimes econômicos de todas as nações.1. remuneração da relação capital-trabalho. morais e estéticos eventualmente provocados. Nos dias atuais é impossível que alguém viva sem assumir as mais variadas obrigações. relação de consumo. através das mais variadas formas de contratos civis. tendo em vista a complexidade das inter-relações pessoas que faz aflorar violações de direitos e consequentemente impõe o dever de indenizar os danos materiais. da tecnologia. reivindicação e perda.5 A autonomia não é ilimitada. . conservação. utilização. sendo suscetíveis de estimação pecuniária. bem como não deve ferir a moral. sem os quais os homens ainda estariam na “idade da pedra”. especialmente em face do desenvolvimento da chamada sociedade de consumo. DIREITOS PATRIMONIAIS É o conjunto de bens. o negócio não deve conter vícios.225 do Código Civil. assim como toda e qualquer outra atividade humana. DIREITOS REAIS (das coisas) É o ramo do direito que regula o poder dos homens sobre os bens (corpóreos ou incorpóreos) e os modos de sua aquisição. direto e imediato. A evolução da economia. com exclusividade e oponível contra todos (erga omnes). direitos e obrigações de uma pessoa natural ou jurídica. na linguagem contabilista.

as servidões. Nesse sentido dispõe o art.agente capaz. os ônus reais e as obrigações com eficácia real: a) OBRIGAÇÕES PROPTER REM Este tipo de obrigação passa a existir quando o titular do direito real é obrigado. (Incluído pela Lei nº 11.o direito do promitente comprador do imóvel.forma prescrita ou não defesa em lei. de 2007)” DIREITOS OBRIGACIONAIS (pessoais) Constitui uma relação jurídica entre pessoas. VI . VII .” FIGURAS HÍBRIDAS Há algumas categorias de direitos que se situam intermediariamente entre os direitos reais (das coisas) e os direitos obrigacionais (pessoais). de 2007) XII .a anticrese. 104.a hipoteca. obrigando quem quer que seja o seu proprietário.objeto lícito.280 do CC: . (Incluído pela Lei nº 11.481. despesas de demarcação e despesas de conservação de tapumes divisórios.481. V . A validade do negócio jurídico requer: I .225. IX .o penhor. ainda não ocorreu. X .6 “Art.a superfície. recompensa por coisa perdida.104). O dano infecto é iminente. Tal obrigação só existe em razão da coisa e a ela se vincula. constituindo-se em um misto de direito obrigacional e de direito real. São direitos reais: I .o usufruto. II . a satisfazer certa prestação dela decorrente. XI . bastando que o negócio entabulado seja lícito. possível.o uso. possível e determinado ou determinável (CC. devido à sua condição de proprietário da coisa.a habitação. mas está prestes a acontecer. consistente num vinculo jurídico pelo qual o sujeito ativo (credor) te a prerrogativa de exigir do sujeito passivo (devedor) o cumprimento da obrigação assumida (prestação) Os direitos obrigacionais podem ser criados livremente pelas partes. São obrigações que só existem por causa da coisa. reunindo características de ambos.a propriedade. etc. 1. art. caução por dano infecto. ou seja. São as obrigações propter rem.a concessão de direito real de uso. determinado ou determinável. não alterar fachada de prédio. VIII . Em verdade só não são considerados direitos reais porque não estão previsto em lei como tal. Exemplos: despesas de condomínio. III . “Art. indenização por benfeitorias. e por isso a lei irá fornecer ao proprietário ou possuidor a possibilidade de exigir uma caução de garantia caso esse dano venha a se concretizar. IV . III . II . 1.a concessão de uso especial para fins de moradia.

e não constar de registro. constituindo-se em gravames ou direitos oponíveis erga omnes. e será o Registro de Imóveis da respectiva circunscrição. se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação. decorrente da coisa (móvel ou imóvel). como. se transmitem e são oponíveis a terceiro. pois são obrigações que embora tenham caráter pessoal. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. DIFERENÇAS ENTRE OS DIREITOS OBRIGACIONAIS E OS DIREITOS REAIS As principais distinções entre direitos obrigacionais (pessoais) e os direitos reais (das coisas) são: I.280. cuja obrigação assume o titular em favor de outra pessoa. para poder valer.” Exemplo: Contrato de Locação. Seu objetivo é gerar créditos pessoais. art. ou a reparação deste.QUANTO AO OBJETO: No direito pessoal o objeto é sempre o cumprimento de uma prestação (dar. a renda constituída sobre imóvel (CC. O contrato pode ser também a título oneroso. § 1o O registro a que se refere este artigo será o de Títulos e Documentos do domicílio do locador. 576. (CC. fazer ou não fazer). não poderá ele despedir o locatário. e ainda no caso em que o locador não esteja obrigado a respeitar o contrato. § 2o Em se tratando de imóvel. 1. o adquirente não ficará obrigado a respeitar o contrato. entregando-se bens móveis ou imóveis à pessoa que se obriga a satisfazer as prestações a favor do credor ou de terceiros” Exemplos: financiamento de imóvel e financiamento de um veículo. Esse compromisso adere e acompanha a coisa com quem quer que a detenha ou possua. em favor do credor. “Art. c) OBRIGAÇÕES COM EFICÁCIA REAL São alguns tipos de obrigações que s situam num terreno fronteiriço entre os direitos obrigacionais e os direitos reais. podendo-se até dizer que quem deve é a coisa e não a pessoa. 804. frente ao novo adquirente. quando imóvel. registrado em Cartório de Registro de Imóveis. por exemplo. mesmo ao novo adquirente da coisa. senão observado o prazo de noventa dias após a notificação. . quando ameace ruína. 804).” b) ÔNUS REAIS É um direito que recai sobre coisa alheia que limita o uso e o gozo da propriedade.7 “Art. Se a coisa for alienada durante a locação. “Art. O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição. art. etc. quando a coisa for móvel. enquanto que o direito real o objeto é o direito do titular que recai sobre a própria coisa.576).

seu titular tem uma ação pessoal.QUANTO AO MODO DE EXERCÍCIO: O direito pessoal se exerce através da figura intermediária do devedor. IX. dirigida especificamente contra aquele que é o devedor. desapropriação.QUANTO A DURAÇÃO: Os direitos pessoais são transitórios.QUANTO À AÇÃO: Quando violado o direito obrigacional. tendo em vista que toda a coletividade deve se abster de violar aquele direito (obrigação de não fazer). que pode até inexistir no momento da execução (garantia fraca. não sendo aplicável aos direitos pessoais. VII. pois só se extinguem nos casos expressos em lei (usucapião.) IV. embora na prática o leigo considere ambas como coisas iguais.8 II. . enquanto que no direito real a ação pode ser exercida contra quem quer que injustamente detenha a coisa (sujeito indeterminado). já os direitos reais são exercidos e recaem diretamente sobre a coisa. III. DIFERENÇAS ENTRE OBRIGAÇÃO E RESPONSABILIDADE Existem diferenças entre obrigação e responsabilidade. se extinguem com o cumprimento da obrigação. VI. tal qual a palavra empenhada). o crédito nunca será satisfeito.DIREITO DE SEQUELA.QUANTO À CRIAÇÃO: O direito pessoal surge como manifestação de vontade das partes (consensualismo). VIII. pois a coisa é a garantia e ela dificilmente deixará de existir).DIREITO DE PREFERÊNCIA CREDITÓRIO. isto é. V. enquanto que no direito real ele é indeterminado. portanto ilimitados. não se cogitando sua existência nos direitos obrigacionais. enquanto que os direitos reais tendem à perpetuidade. Este só decorre dos direitos reais de garantia (hipoteca. não cabendo nos direitos obrigacionais que só podem ser exigidos do devedor. É a prerrogativa conferida ao titular do direito real de defender sua propriedade contra quem quer que a moleste e de persegui-la aonde quer que ela esteja. Por todas as diferenças apontadas entre os direitos obrigacionais e os direitos reais fica visível que o titular de direitos reais goza de uma maior certeza na realização do seu crédito. enquanto que no direito obrigacional a garantia é o patrimônio do devedor.QUANTO AO SUJEITO PASSIVO: No direito pessoal o sujeito passivo é determinado (devedor). tendo em vista que a garantia é a própria coisa (garantia é muito forte. Se o devedor não quiser cumprir e não tiver patrimônio. sem necessidade de nenhum intermediário. penhor e anticrese) e consiste na preferencia de recebimento de seus créditos frente a outros credores (quirografários).USUCAPIÃO: Só existe como forma de aquisição da propriedade no direito real. ao passo que os direitos reais somente podem ser criados e regulados pela lei. etc.

se necessário até coercitivamente através do Estado-Juiz. mas não se pode recobrar a quantia.  Nada impede que exista obrigação responsabilidade sem obrigação. não podem ser exigidas judicialmente. Nesse exemplo. art. e deve ser cumprida espontânea e voluntariamente pelo devedor. o que somente ocorrerá se o afiançado (responsável) não pagar. 882. “Art. em verdade. quem tem a obrigação de pagar os alugueres é o locatário. RESPONSABILIDADE SEM OBRIGAÇÃO Da mesma forma que pode haver obrigação sem responsabilidade. . Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. salvo se foi ganha por dolo. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. o fiador é que será responsabilizado. 814. atingindo o patrimônio do devedor. porém o credor não terá ação para poder coagir ou responsabilizar o devedor pelo não cumprimento. sem responsabilidade ou OBRIGAÇÃO SEM RESPONSABILIDADE São as chamadas obrigações naturais que. mas se ele não fizer. A responsabilidade somente irá surgir se o devedor não cumprir espontaneamente com a obrigação. que voluntariamente se pagou. art. funciona como um garantidor da eventual dívida.” “Art. através do permissivo legal. cuja consequência será a busca da satisfação do credor. ou se o perdente é menor ou interdito. A obrigação existe. pode existir responsabilidade sem obrigação.814) e os créditos prescritos (CC. Exemplo: A responsabilidade sem obrigação do fiador que.882). ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.” Exemplos: divida de jogos (CC. embora existentes.9 A obrigação é o resultado da vontade do Estado.

incluídas as eventuais perdas e danos. com desfalque do patrimônio do devedor. Obrigação cujo conteúdo não tenha valor economicamente apreciável não importa ao direito obrigacional. devolver). A transitoriedade é da essência das obrigações tendo em vista não haver obrigações perpétuas. . podendo tanto um quanto o outro ser pessoa física (natural). que seja adimplido o seu crédito até. vínculo jurídico. ou aqueles. representados pelas figuras. há um limite de sua duração. refere-se aos sujeitos da obrigação. normalmente. se for o caso. do credor (ativo) e do devedor (passivo) que podem ser pessoas jurídicas ou físicas. via judiciário) que seja cumprido o prometido. o ativo (credor) e o passivo (o devedor). que é a previsão legal. DOS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DAS OBRIGAÇÕES Os elementos constitutivos das obrigações são três: o subjetivo. pelo cumprimento daquele que estava obrigado (pagamento). uma expressão monetária. por exemplo. qual seja a morte do usufrutuário. através do Estado-Juiz. o seu objeto deve exprimir um valor pecuniário. Só em caso de não cumprimento é que fará surgir para o credor o direito de exigir forçadamente. Quer dizer. não sendo cumprida. é a prestação a ser realizada pelo devedor em favor do credor. por exemplo.10 CONCEITO E SIGNIFICADO JURÍDICO DA PALAVRA OBRIGAÇÃO Conceito: obrigação é a relação jurídica transitória pela qual alguém (o devedor) se obriga a dar (às vezes restituir. em favor do qual o sujeito passivo (devedor) prometeu realizar um determinado ripo de fato (prestação) e que. O sujeito ativo (credor) será aquele. permitirá seja executado o seu patrimônio para satisfação do crédito (prestação econômica). Mesmo nas obrigações de caráter continuado (até mesmo vitalício). obrigatoriamente. Mesmo naquelas obrigações que não envolvam diretamente uma prestação econômica como. nas obrigações de fazer enquanto prestação de um serviço. como titular do direito. pessoa jurídica (de direito público ou privado. Podem ser simples (um devedor e um credor) ou complexas (multiplicidade de devedores e ou de credores). DO ELEMENTO SUBJETIVO São as partes envolvidas na relação obrigacional. como normalmente é o usufruto. RELAÇÃO JURÍDICA TRANSITÓRIA: As obrigações se extinguem. capaz ou incapaz (devidamente representada). que. ainda assim há de ser possível uma avaliação econômica. ESPONTANEAMENTE: As obrigações são assumidas pelas pessoas para serem cumpridas espontaneamente. decorrente das fontes das obrigações. ou seja. com finalidade lucrativa ou filantrópica) ou até mesmo um ente despersonalizado (espólio) ou as sociedades de fato (pessoa jurídica em formação). isto é. unindo os sujeitos envolvidos na relação. poderá exigir (até forçadamente. fazer ou não fazer determinada coisa espontaneamente em favor de outrem ( o credor. PRESTAÇÃO ECONÔMICA: Toda obrigação tem que ter. de forma natural e livre. o objetivo.

portanto determinado: a escola. 104. obter: a execução do prometido ou na impossibilidade. devedor certo) oferece uma bolsa de estudo para quem ganhar (credor indeterminado) um concurso de monografia.agente capaz. “Art.objeto lícito. art. 389. “Art. art. também chamado prestação.” VÍNCULO JURÍDICO OU ELEMENTO ABSTRATO É o elo existente entre os sujeitos ativo e passivo e que confere ao primeiro o direito de exigir do segundo o cumprimento da obrigação de forma espontânea ou. Durante todo o tempo o sujeito passivo (devedor) é conhecido. Nesse caso é a ação ou omissão a que está obrigado o devedor. Nesse caso só se conhece o credor (aluno ganhador do prêmio) quando for encerrado o concurso e forem atribuídos os pontos aos participantes. a indenização por perdas e danos (CC. Não cumprida a obrigação. determinado ou determinável. podendo ser chamada de prestação positiva (dar ou fazer) ou negativa (não fazer). porém o ativo (credor) poderá ser excepcionalmente determinável. possível. III . Há limitação no que diz respeito ao objeto tendo em vista que o mesmo deverá ser lícito. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Exemplo: a escola (sujeito passivo. e honorários de advogado.forma prescrita ou não defesa em lei. 104 e suscetível de avaliação pecuniária). 389). através da ameaça de execução sobre seus bens. possível. determinado ou determinável (CC. ELEMENTO OBJETIVO É o objeto da obrigação e será sempre uma conduta ou ato humano. II . ir ao judiciário para. responde o devedor por perdas e danos. É o elemento da relação obrigacional que corresponde a uma conduta.” .11 Quanto ao sujeito passivo (devedor) deverá ser determinado. A validade do negócio jurídico requer: I .

art. V . ou em razão dele. a lei. 186. art. por seus empregados. Exemplos: as manifestações bilaterais (contratos em geral) e atos unilaterais da vontade (promessa de recompensa).OS ATOS ILÍCITOS O ato ilícito é também. 1. independentemente do querer ou do agir das pessoas. . arts. ou mesmo decorrente do ato ilícito. tendo em vista o princípio neminem laedere. 1.os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime.ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 932. “Art.A LEI Algumas obrigações decorrem diretamente da lei. que significa. tendo em vista que as pessoas firmam os mais diversos contratos diuturnamente e.187 e 927). criam obrigações para adquirir. 3. por conseguinte. que ninguém pode lesar a outrem impunimente. até a concorrente quantia. os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social. transferir. princípio este positivado na nossa Constituição Federal (CF. II . que se acharem nas mesmas condições. modificar.5. 1º. A rigor. resguardar e até mesmo extinguir direitos. inclusive para atender às necessidades de sua educação.5º. Nos atos e negócios jurídicos se encontram a maior gama de obrigações. a fonte das obrigações é uma só.12 AS FONTES DAS OBRIGAÇÕES A fonte de qualquer obrigação é o ato ou fato jurídico que origina o dever.694) e a obrigação de reparar o dano causado por fato de terceiro (CC. V e X) e Código Civil (CC. 932).os pais. art. São também responsáveis pela reparação civil: I . Exemplos: a obrigação de prestar alimentos (CC.” 2. no exercício do trabalho que lhes competir. II .o empregador ou comitente. serviçais e prepostos.” “Art. desde que em conformidade com o ordenamento jurídico. 1. pelos pupilos e curatelados. Podem os parentes. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. só vão existir e ter validade se estiverem em conformidade com a lei.o tutor e o curador. pelos seus hóspedes. III e art.OS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS É a manifestação livre da vontade das pessoas. todas as obrigações oriundas dos contratos. de grande incidência como fonte das obrigações. moradores e educandos. isto é. que existe independentemente de qualquer contrato ou mesmo da vontade do devedor.” Quer dizer.. em face do princípio constitucional da legalidade que dispõe: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (CF. “Art. hospedarias. II).. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro.694.os donos de hotéis. atos unilaterais da vontade. III . mesmo para fins de educação.5º. art. IV .

pela boa-fé ou pelos bons costumes..a dignidade da pessoa humana.. além da indenização por dano material. por ação ou omissão voluntária. a vida privada. f) Quanto à multiplicidade de sujeitos (ativos e passivos): obrigação divisível.” “Art. Por decorrência da vida pratica. 187. 927. e) Quanto aos elementos e sujeitos: obrigação simples (um só objeto e um só elemento) obrigação composta ou complexa (mais de um sujeito ou mais de um objeto).” CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES As obrigações se resumem.” “Art. X .5º. Também comete ato ilícito o titular de um direito que.13 “Art. Aquele que. causar dano a outrem. seja com relação às pessoas envolvidas.são invioláveis a intimidade. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. por ato ilícito (arts. “Art. h) Quanto ao momento da execução: Obrigação de execução instantânea (compra a vista). III . no geral. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. obrigação de execução futura (a ser realizada por uma ou ambas as partes em data futura). em um dar (as vezes devolver ou restituir) um fazer ou um não fazer. a honra e a imagem das pessoas. por isso há uma necessidade de classificar as modalidades de incidentes de obrigações: a) Quanto à prestação: a obrigação pode ser de dar (ou restituir). Aquele que. também chamada de impessoal (qualquer pessoa pode executar) e obrigação infungível ou personalíssima (só o devedor pode fazer). V . A obrigação de execução futura se desdobra em duas modalidades: obrigação diferida (a ser cumprida no futuro de uma só vez – ex: a . violar direito e causar dano a outrem. como as dívidas de jogo) e obrigação civil (exigível judicialmente). 186. c) Quanto à exigibilidade: obrigação natural (não tem atributo de coerção.” Art. d) Quanto à pessoalidade: obrigação fungível. qualquer uma dessas modalidades de obrigações pode implicar em consequências diversas.é assegurado o direito de resposta. moral ou à imagem. ainda que exclusivamente moral. obrigação de fazer e obrigação de não fazer. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. proporcional ao agravo. obrigação indivisível e obrigação solidária. b) Quanto às fontes: obrigação legal (decorre da lei) e obrigação voluntária (decorre da vontade das partes). 186 e 187). g) Quanto a liquidez: obrigação líquida (valor certo e definido) e obrigação ilíquida (valor a ser apurado). 1º A República Federativa do Brasil. ao exercê-lo. fica obrigado a reparálo. seja com relação ao objeto da prestação. negligência ou imprudência. comete ato ilícito.

salvo se foi ganha por dolo. ser algo lícito. II). l) Quanto ao fim a ser alcançado: obrigação de meio (médicos e advogados). determinado ou determinável quando do seu cumprimento (CC. entregar um terreno em Marte (impossibilidade física). 104. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. obrigatoriamente. o fazer ou não fazer (prestação de fato). “Art. ou se o perdente é menor ou interdito. é o dar ou restituir (prestação de coisa). possível.” DA LICITUDE A licitude da obrigação implica em que não se pode exigir algo de alguém que seja contrário à lei (dívida de jogo. mas não se pode recobrar a quantia. DA PRESTAÇÃO A prestação é o objeto da obrigação assumida. 426). Obrigação periódica ou de trato sucessivo (a ser cumprido no futuro porém em parcelas periódicas – ex: locação de imóvel). É nulo o negócio jurídico quando: II . exigível. 814. . Também não pode ser contraria à moral e aos bons costumes (contrato de prestação de serviços sexuais. portanto. bem como a obrigação que envolva a herança de pessoa viva (impossibilidade jurídica – CC. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. sob pena de nulidade (CC.for ilícito. determinado ou determinável. Ex. “Art.objeto lícito.agente capaz. j) Quanto a reciprocidade: obrigação principal (existe por si só) e obrigação acessória (para existir depende da principal). obrigação de resultado ou fim (cirurgião plástico) e obrigação de garantia (fornecedor de produtos e serviços). tanto física quanto juridicamente. “Art.forma prescrita ou não defesa em lei. art. obrigação condicional (sob determinada condição). II . que deve. art. k) Quanto ao comportamento do devedor: obrigação comissiva (prestação ativa = fazer) e obrigação omissiva (prestação negativa = não fazer).” DA POSSIBILIDADE Deve a prestação ser possível.14 compra paga com cheque pós-datado). 104). i) Quanto aos elementos acidentais: obrigação pura e simples (sem incidentes). A validade do negócio jurídico requer: I . 166. Art. quer dizer. 426.CC. art. a obrigação. embora não seja ilícito. Assim. obrigação a termo (sujeita a uma determinada data) e obrigação com encargo ou modal (mediante uma contraprestação).814). será considerada impossível e. não é moralmente aceito). impossível ou indeterminável o seu objeto. III . art. 166. que voluntariamente se pagou. possível.” .

muitas circunstâncias podem influir ou mesmo alterar o cumprimento da obrigação como. 243).792). Independentemente da vontade das partes. surge o direito do credor de exigir do devedor o cumprimento do acordado e. não é o sucessor que irá pagar com o dinheiro de seu bolso. no caso de inadimplemento. podendo ser. Ex: no comodato (contrato) o comodatário se obriga a restituir (objeto imediato) a coisa emprestada gratuitamente (objeto mediato). Pode também ocorrer de a coisa sofre uma valorização em face de acréscimos ou melhoramentos. até o limite das forças da herança (CC. por exemplo. próximo) com os meios utilizados para essa operação (o contrato) ou com a coisa sobre a qual recai a prestação (objeto mediato. compromisso assumido (adimplemento). que será individualizado antes da entrega pela escolha (o ato de escolha chama-se juridicamente de “concentração”). distante). De regra as obrigações geram efeitos somente entre as partes contratantes. art. mas sim o patrimônio do devedor representado pelos bens que deixou para serem inventariados. art. o objeto deve ser previamente conhecido das partes envolvidas (a entrega do veículo Placa XPTO) ou pelo menos determinável em algum momento futuro (a entrega de dez sacas de arroz – CC. Nesse caso. algumas peculiaridades chamam a atenção e precisam ser adequadamente compreendidas em face de sua grande incidência na vida prática. lugar e tempo). Não se pode confundir o objeto da prestação (objeto imediato. Como efeito secundário.15 DA DETERMINAÇÃO A prestação deve também ser determinada. responsabilizados os herdeiros. . a coisa ter se deteriorado antes da entrega (sofreu uma perda parcial de suas qualidades) ou vir a perecer (ocorreu a perda total do bem). eventualmente. MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES DAS OBRIGAÇÕES DE DAR: COISA CERTA E COISA INCERTA DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER. devolução do imóvel cedido em comodato). nos exatos termos (objeto. 1. recorrer às vias judiciais para ver seu crédito satisfeito. DOS EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES O principal efeito das obrigações é sujeitar o devedor a cumprir. no caso de morte. DAS CARACTERISTICAS NAS OBRIGAÇÕES DE DAR (RESTITUIR) COISA CERTA Quando se trata das obrigações de dar (ex: entrega de coisa na compra e venda) ou restituir (ex. ou seja.

267). no caso de imóvel pelo registro da escritura (título hábil à transferência).1. em benefício do credor.16 Uma questão muito importante que deve ser frisada: O leigo pensa que quando assina um contrato já adquiriu a coisa. art. isto é. alterar o objeto da prestação somente para atender seus próprios caprichos ou interesses. ainda que mais valiosa (CC. Se assim não fosse.” Isso acontece porque o contrato faz lei entre as partes e as obriga na exata medida do que foi pactuado. art. Em razão da liberdade que é dada as partes. ainda que mais valiosa. CONCEITO DA OBRIGAÇÃO DE DAR OU RESTITUIR A obrigação de dar é uma obrigação do tipo positiva. (CC. pela qual o devedor está sujeito a promover. art. art. seria um caos. se o homem compra um pneu para veículo de passeio. o devedor é obrigado a entregar o objeto da prestação pactuada. só a tradição (real ou ficta) que tem o poder de transferir o domínio. pois lhe é vedado entregar coisa diversa. 1. tendo em vista que ele é uma fonte de obrigações e direitos. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. ainda que menos valiosa. tanto credor quanto devedor podem expressamente concordar em receber/entregar coisa diferente do que foi pactuado. perante o Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição onde se localiza o imóvel (CC. 1. que tanto pode ser uma dação em pagamento quanto uma novação.245).267. O credor de coisa certa.” . Da mesma forma.226) e. já é proprietário. que lhe seja entregue um pneu de caminhão.313). podendo ser resumida numa única palavra: “tradição”. em se tratando de coisa móvel. Alguém só adquire a propriedade de uma determinada coisa pela tradição que. por sua vez também não pode exigir coisa diversa da pactuada. ocorrerá pela entrega efetiva do bem (CC. não lhe interessa porque não atende as suas necessidades. 1. Ainda que o pneu de trator seja mais valioso monetariamente. porém isso será uma nova convenção. DA TRADIÇÃO O contrato não é instrumento hábil à transferência do domínio. “Art. segundo suas conveniências. somente cria obrigações para ambas as partes. Ex: Um homem compra um pneu para seu veículo de passeio e depois a loja resolve entregar um pneu de trator. a entrega ( no caso da compra e venda) ou restituição (no caso de comodato) de coisa determinada. 313. não pode ele exigir. individualizada. “Art. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. tanto credor quanto o devedor poderiam. Ledo engano! O contrato não transfere a propriedade. Na obrigação de dar coisa certa.

lhe autoriza desfazer o negócio. Parágrafo único. que para ser ter a propriedade há que existir a tradição. “Art. (CC. ou que transmite a propriedade e mantém a posse. comprou uma TV LCD de 50’ que era seu sonho de consumo. ela passa para o credor.” NA RESTITUIÇÃO Tratando-se de restituição como. no entanto. expressamente. . art. do contrato. quando o bem está com uma terceira pessoa e o proprietário opera a tradição para o comprador através de uma cláusula contratual. NA ENTREGA DE COISA CERTA Pode ocorrer que entre a realização do negócio e a efetiva transferência do bem decorra certo lapso de tempo. pelos quais poderá exigir aumento no preço. por exemplo. Ex: Venda de uma égua. uma linda cobertura nos Jardins Paulista e pagou a vista o valor de R$1. Até a tradição pertence ao devedor a coisa.00. Aqui fica claro. o devedor não está obrigado a entregar a cria. Pagou a vista.17 “Art. Nesse período a coisa continua sendo do devedor e ele terá direitos aos acréscimos pelos quais poderá pedir um aumento de preço que.” Tradição ficta: “Uma cláusula no contrato que transmite a posse para a outra pessoa. entre o ato de venda e a entrega efetiva.245. se o credor não anuir. poderá o devedor resolver a obrigação. 237. Enquanto Maria não assinar a escritura e for feito o registro o imóvel continua a ser de Maria e não de José.237 e parágrafo único). ACRÉSCIMOS E FRUTOS NA ENTREGA DE COISA CERTA E NO CASO DE RESTITUIÇÃO. pois este tem direito aos frutos pendentes. cabendo ao credor os pendentes. Se. art. o credor tem direito a devolução do bem com todos os melhoramentos e acréscimo. DO DIREITO AOS MELHORAMENTOS. no caso de depósito. se isso ocorreu sem trabalho ou despesas do devedor (CC. no ato da entrega a cria não nasceu. A loja disse que entregaria no prazo de quatro dias. exceto se isso constou. a égua veio a dar cria.” Ex: (I) Carlos vai a uma loja de eletrodomésticos Tralhas & Trecos Ltda. com os seus melhoramentos e acrescidos. 241 e 629). Pergunta-se: após Carlos ter realizado o pagamento se pode dizer que ele já é o proprietário da TV? Resposta: Não!!! O que Carlos tem em mãos é um contrato (compra e venda a vista) pelo qual pode provar que comprou e pagou (virou credor) e a loja se obrigou a entregar (devedor). Os frutos percebidos são do devedor. Ex: (II) José comprou um imóvel. 1.000.000. Tanto é verdade que a loja pode vir a vender a mesma TV do Carlos para outra pessoa e nunca entregar o bem comprado. Maria a vendedora (agora devedora) ficou de comparecer no Cartório de Registro de Imóveis para a lavratura da respectiva escritura Pública de venda do imóvel para que seja lá mesmo levada a registro para finalmente passar a propriedade a José (agora credor). se o credor não concordar. Nesse caso. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.

238. 93 e 94). constou do pactuado. ao uso. 93. Se não for indenizado pelo credor. e também às benfeitorias (CC. destinam-se.” “Art. sem despesa ou trabalho do devedor. de modo duradouro. quanto às voluptuárias. Esse princípio só se aplica às partes integrantes da coisa principal tais quais os produtos e frutos. 95). ressalvados os seus direitos até o dia da perda. a levantá-las.” DO DIREITO DE RETENÇÃO Quando se tratar de restituição. Uma vaca (principal) e seu bezerro (acessório). Se a obrigação for de restituir coisa certa. salvo se o contrário resultar da lei. arts. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa.18 “Art. O depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa depositada o cuidado e diligência que costuma com o que lhe pertence. Esse princípio não se aplica às pertenças (CC. São pertenças os bens que. exceto se. lucrará o credor. no caso do art. art. mesa ou armários de uma casa etc. 1. sem ele não existiria. se destinam. sejam naturais e civis (CC. art. 1. . sofrerá o credor a perda. bem como. poderá exercer o direito de reter a coisa como forma de obrigar a realização da indenização (CC. 238. “Art. se perder antes da tradição. com todos os frutos e acrescidos. e esta. que devem acompanha-la quando da tradição. bem como a restituí-la. e a obrigação se resolverá. Se.). sem culpa do devedor. expressamente. apesar de serem bens acessórios. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. quando o exija o depositante. porquanto incluídos no conceito de acessórios. 629. um contrato de aluguel de um imóvel mobiliado).96). da manifestação de vontade.” O CONTEÚDO E ALCANCE DOS ACESSÓRIOS Diz-se no Direito que o acessório segue o principal (CC. não constituindo partes integrantes.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. enquanto que o acessório é aquilo cuja existência depende da existência do principal. terá direito a indenização.” Principal é um bem que tem existência própria. não constituindo partes integrantes.” “Art. ao serviço ou ao aformoseamento de outro (ex: trator em uma fazenda. (ex. se não lhe forem pagas. quando o puder sem detrimento da coisa. ou das circunstâncias do caso. 233. cama. desobrigado de indenização. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. de modo duradouro.219). não seguem o destino do principal. Pertenças . “Art. se o devedor empregou esforços próprios ou realizou gastos para os melhoramentos ou acréscimos. Ex. art.são os bens que. ao serviço ou ao aformoseamento de outro. As pertenças. 233). ar. 241. “Art. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. ou seja. ao uso.

PERECIMENTO DA COISA SEM CULPA DO DEVEDOR Se o fato ocorreu sem culpa do devedor.19 Art. ou pendente a condição suspensiva. Se. depois de concluído o negócio. 234. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. deverá o vendedor (devedor) devolver o preço eventualmente pago pelo comprador (credor) e sofrerá o prejuízo da perda do animal (isto porque o vendedor permanece proprietário da coisa até a tradição). art. “Art. Se o vendedor já recebeu o preço. 95. Se. deverá devolvê-lo ao comprador e. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Independente das responsabilidades a ser apurado. 234. 234 2ª parte). art. e os do preço por conta do comprador.” “Art. 94. antes da tradição. para que se possa definir as responsabilidades. antes da tradição. se a perda resultar de culpa do devedor.234. e ainda.” . no caso do artigo antecedente. da manifestação de vontade. fica resolvida a obrigação para ambas as partes.” Ex: Um negócio envolvendo a venda de um animal e. poderá ser condenado a indenizar as perdas e danos do credor (CC. 1ª parte). o exato momento da tradição da propriedade (móvel ou imóvel) é muito importante. a coisa se perder. ou das circunstâncias do caso. neste caso arcará com o prejuízo da perda do objeto (CC. para as partes retornarem ao “status quo antes”. o devedor deverá arcar com a devolução do que foi pago. porque se aplica o direito brasileiro a regra de que a coisa perece ou se deteriora para o dono independente de sua vontade. salvo se o contrário resultar da lei. saber precisar. “Art. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças. voltando ambos à situação anterior (CC. sem culpa do devedor.” DA RESPONSABILIDADE DO DEVEDOR NA OBRIGAÇÃO DE DAR O devedor tem o dever de guardar e conservar a coisa objeto da obrigação da obrigação de tal sorte que se a mesma perecer ou se deteriorar antes do devedor fazer a entrega é preciso verificar se o fato ocorreu por culpa do devedor ou não. extingue-se a obrigação (resolução) para ambas as partes. 492. Apesar de ainda não separados do bem principal. a coisa se perder. sem culpa do devedor. 492). Nesse caso. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. Art. no caso do artigo antecedente. PERECIMENTO COM CULPA DO DEVEDOR Nesse caso. por ter sido atingido por um raio (força maior). se a perda resultar de culpa do devedor. os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. Até o momento da tradição. art. ou pendente a condição suspensiva. o mesmo veio a morrer antes da entrega. os riscos da coisa correm por conta do vendedor.

Ex: um animal atingido por um raio. art. imprudência ou mesmo imperícia. art. Deteriorada a coisa. comodato ou de depósito. com direito a reclamar. o credor estará obrigado a recebê-la-á no estado em que se encontrar. sobrará para o comprador a opção de resolver o negócio recebendo seu dinheiro de volta ou ficar o bem exigindo abatimento no preço. proporcional à diminuição no valor da coisa (CC. ou aceitar a coisa. 235. “Art. ou aceitar a coisa deteriorada e. poderá o credor resolver a obrigação.235) “Art. caracterizando-se pelo fato de que a coisa em poder do devedor não lhe pertence. Nesse tipo de obrigação o devedor poderá ser obrigado a indenizar se a perda ou deterioração da coisa ocorreu por sua culpa. PERECIMENTO SEM CULPA DO DEVEDOR Se a coisa se perder sem concorrência de culpa do devedor. arcando com os prejuízos da diminuição do valor do bem.” RESPONSABILIDADE DO DEVEDOR NA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR A obrigação de restituir é como uma subespécie da obrigação de dar. estando em suas mãos em razão de um contrato de locação. poderá o credor exigir o equivalente.” DETERIORAÇÃO COM CULPA DO DEVEDOR Nesse caso o credor poderá optar por exigir que lhe seja devolvido o que pagou e assim resolver o contrato. acrescido das eventuais perdas e danos. ficando isento se isso aconteceu sem sua participação. . indenização das perdas e danos. deverá indenizar o proprietário pelo valor da coisa. poderá exigir. DETERIORAÇÃO SEM CULPA DO DEVEDOR Se a coisa deteriorar sem que o devedor tenha culpa. PERECIMENTO COM CULPA DO DEVEDOR Se o devedor deu causa ao evento danoso. adicionalmente. 236). o credor arcará com os prejuízos do objeto perdido. abatido de seu preço o valor que perdeu. Sendo culpado o devedor. por negligência. em um ou em outro caso. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. perdas e danos (CC. em ambos os casos. 236. não sendo o devedor culpado.20 DA DETERIORAÇÃO SEM CULPA DO DEVEDOR Se o devedor não concorreu (por ação ou omissão) para a deterioração da coisa.

21 DETERIORAÇÃO COM CULPA DO DEVEDOR Se o devedor deu causa à deterioração do bem. 315. “Art. salvo o disposto nos artigos subsequentes.” O artigo315 do Código Civil estipula que as dividas em dinheiro devem ser pagas em moeda corrente e pelo valor nominal. em verdade ele está cumprindo com uma prestação de fato que é “entregar” o dinheiro devido para adimplir a obrigação assumida. se o dinheiro foi furtado (caso fortuito) ou se a moeda saiu de circulação (teoria da imprevisão). OBRIGAÇÃO DE DAR DINHEIRO: OBRIGAÇÃO PECUNIÁRIA Muitas vezes. 243. Se o devedor tem uma dívida representada por dinheiro. responderá pelo equivalente do prejuízo em dinheiro. uma prestação decorrente do próprio dinheiro (contrato de empréstimo bancário). Ex: Alguém obrigado a entregar “dez sacas” sem dizer do que. Já no tocante às dividas de valor. portanto. Se não for indicada a quantidade e o gênero. “Art. especialmente no que diz respeito à classificação. inexistente. na origem. em moeda corrente e pelo valor nominal. art. Embora o devedor compareça perante o credor para “fazer” o pagamento do valor devido. se é uma obrigação de dar ou de fazer. pouco importa se perdeu o dinheiro numa enchente (força maior). logo. (CC. essas se originam de um fato ao qual se atribui um valor para efeito de indenização ou recomposição do dano decorrente do ato ilícito (a indenização por dano moral). 243). DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA A obrigação de dar coisa incerta é aquela em que o devedor se compromete a entregar ao credor objeto indeterminado. Existe uma distinção entre a dívida em dinheiro da divida de valor. O devedor continua com a obrigação de pagar. a obrigação será impossível e. A coisa incerta será indicada. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. obrigação de dar. pelo gênero e pela quantidade. porém determinável pelo gênero e quantidade que deverá estar indicado no Contrato.” . acrescido das perdas e dano que o credor comprovar. surge a dúvida no que diz respeito à natureza da obrigação de pagar quantia certa. A obrigação pecuniária é uma obrigação de dar de caráter sui generis porque o risco da perda do objeto não se transmite ao credor. ao menos. Dívida de dinheiro é aquela em que o devedor já assumiu.

no instante do pagamento. ao menos. indicado genericamente (gênero e quantidade) no começo da relação. 244). a determinação do objeto se faz pela escolha. Ou seja. pelo gênero e pela quantidade. a escolha pertence ao devedor. mas não poderá dar a coisa pior. “Art. o devedor não poderá alegar perda ou deterioração da coisa. Antes da escolha. nem será obrigado a dar coisa melhor. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. sendo ela somente indicada pelo gênero e pela quantidade. qualidade e quantidade (CC. que é ato unilateral. art. se o contrário não resultar do título da obrigação. Cientificado da escolha o credor. 246. nem será obrigado a prestar a melhor.22 Após a definição. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. tendo em vista que o negócio não envolve uma coisa determinada (infungível). ainda que por força maior ou caso fortuito. 246). vigorará o disposto na Seção antecedente. restando uma indicação posterior quanto à sua qualidade. 245). 244. não gerará obrigação.” . pelo devedor (CC. apenas inicialmente. A RESPONSABILIDADE DO DEVEDOR PELO PERECIMENTO OU DETERIORAÇÃO DA COISA Antes de realizada a escolha. A coisa incerta será indicada. Exceção: O contrato pode estipular o direito de escolha ao credor. art. vir a ser determinado por um ato de escolha. “Artigo 244.” (dar coisa certa). e a avença com tal objeto.”  Caso falte o gênero ou a quantidade. A principal característica dessa modalidade de obrigação reside no fato de o objeto ou o conteúdo da prestação. Art. a obrigação se transforma em obrigação de dar coisa certa (CC. mas não poderá dar a coisa pior. 243. “Art. Art. chama-se concentração). A quem compete o direito de escolha? Regra: Compete ao devedor. a indeterminação será absoluta. se o contrário não resultar do título da obrigação. a escolha pertence ao devedor. 245. CC: “Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. ainda que por força maior ou caso fortuito. do que deve ser entregue (o ato de escolha e reunião. art. ESCOLHA E CONCENTRAÇÃO O objeto é indeterminado. Concentração = ato unilateral de escolha. sendo perfeitamente possível a substituição por outra coisa de igual espécie.

Caso contrário. Art. Cientificado da escolha o credor. ou só por ele exequível. Obs. É importante asseverar que as modificações nas relações de consumo. DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER O Código de Defesa do Consumidor.   A escolha do devedor não pode recair sobre a coisa que seja menos valiosa. sem prejuízo da indenização cabível. Se o fato puder ser executado por terceiro. CC. fez . 247. havendo recusa ou mora deste. a obrigação genérica é convertida em obrigação específica. inovou a ordem jurídica brasileira e. poderá o devedor entregar qualquer delas. E. as normas relativas a obrigação de dar coisa certa.” CAPÍTULO II Das Obrigações de Fazer Art. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. executar ou mandar executar o fato. por isso. Realizada a escolha ou concentração pelo devedor e cientificado o credor. é considerado um estatuto de qualidade e precisão técnica imensuráveis. responderá por perdas e danos. Em caso de urgência. “Artigo 245. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor.: Caso a coisa a ser entregue só existirem duas qualidades. nessa área. portanto. resolver-se-á a obrigação. Parágrafo único. comparando-se às legislações de países europeus. a escolha não haverá. principalmente nas últimas décadas. aplica-se. nem o devedor poderá ser compelido a entregar coisa mais valiosa. 248. vigorará o disposto na Seção antecedente. independentemente de autorização judicial. que o Código de Defesa do Consumidor. pode o credor. consubstanciado pelo Código de Processo Civil. até mesmo a pior. O objeto obrigacional deve recair sempre dentro do gênero intermediário. se por culpa dele. instituído pela lei 8078/90. 249.23 Princípio da equivalência das prestações ou Critério da qualidade média ou intermediária. Art. sendo depois ressarcido. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. A mudança fundamental está no âmbito da reparação de danos provindos da relação jurídica consumerista. a partir deste instante.

pelo menos. um modo de relação intersubjetiva. Da relação jurídica A relação jurídica pressupõe um elo entre pessoas. numa estrutura normativa. portanto. com a junção de fato social e norma sobrevém à relação jurídica. assume caráter duplo e complexo. a relação jurídica. Da relação jurídica como fonte das obrigações Como fonte deve ser entendido o gerador de um fenômeno que se instaura. dos meios em virtude dos quais surgem as obrigações aos sujeitos de direito. estabelecendo relações-de-causalidade. com todos os seus efeitos desencadeando o que se entende por obrigação entre os sujeitos a ela subordinados. portanto. ainda. daquela dispensada ao dever e ao ônus. que inexistem sem ela. “a norma de direito faz a causalidade jurídica. e vice-versa. Logo. entre sujeitos denominados sujeitos-de-direito. A relação jurídica obrigacional nasce da vontade dos indivíduos ou da lei e. Tratam-se. porque a mesma pessoa que é investida da faculdade ou pretensão é também investida de uma obrigação. propôs-se uma análise da legislação consumerista. que lhe dá a garantia de coerção no cumprimento. espontaneamente. Como se vê na lição de Giogio Del Vecchio. Cada indivíduo pode ser partícipe. a lei serve como fonte imediata. a norma”. de uma maneira distinta. assim sendo. pelo que um tem determinada pretensão à qual o outro estará obrigado. equilibrar a relação jurídica após o inadimplemento de obrigação beneficiando ambas as partes deste vínculo instaurado. Apresentando pelo menos dois sujeitos. A expressão latina “fons et origo” indica a origem primária de algo. . Uma vez que apresenta. implicando que a pessoa titular da pretensão também o é de uma obrigação. fonte do Direito são os processos ou os meios pelos quais o fenômeno jurídico se exterioriza. Essa sujeição derivada da obrigação encontra respaldo na proteção conferida pelo Estado. contudo. e vice-versa. e gênese das próprias fontes. Portanto. sujeitando-se a muitos direitos e deveres concomitantes. Ou. de acordo com o qual uma delas pode pretender determinada coisa a que a outra está obrigada. Como fonte mediata.acaba por assumir um caráter de complexidade e duplicidade. “a lei (aqui entendida como instrumento introdutório de norma no ordenamento jurídico) instaura uma relação jurídica.24 com que o legislador constitucional elevasse a tal patamar a proteção ao consumidor.ativo e passivo . deve ser cumprida no meio social. ao lado da legislação processual. Assim. introduzida pelo Código de Defesa do Consumidor. ao mesmo tempo. dois sujeitos . Também às obrigações. o dizer de Lourival Vilanova. o ativo (titular da faculdade ou pretensão) e o passivo (a cargo de quem fica a obrigação). brota à vigência e eficácia. A relação jurídica é. a partir de sua incidência sobre um fato social”. Da mesma forma ocorre com as obrigações quando se alude às suas fontes. a qual tem o intuito de dar celeridade ao processo e. no mais das vezes. desde a gênese das obrigações até a nova ideia de reparação de dano. numa tentativa de trazer à luz os posicionamentos pertinentes à matéria. de um grande número de relações jurídicas.

na obrigação de fazer “o compromisso do devedor junto ao credor de prestar ato ou fato seu ou de terceiros”. São elas as obrigações da dar. conforme as qualidades pessoais do devedor. O elemento pessoal diferenciador de tais modalidades de obrigação de fazer assume importância tal que. d) garantia: poder do credor de exigir do devedor a efetivação da obrigação Das obrigações de fazer As obrigações de fazer – (obligatio faciendi) assim como as obrigações de dar. específica. fazer ou não fazer. ou seja. a relação jurídica obrigacional exterioriza-se pela possibilidade de o sujeito ativo em exigir um comportamento positivo (obrigação de dar ou a de fazer) ou negativo (obrigação de não fazer). b) objeto: imediatamente a prestação de dar. Aqui. entenda-se a atividade como lícita e dotada de certa vantagem ao sujeito ativo da relação. fazer e não fazer. previamente estabelecida. a partir do que ensina Álvaro Villaça Azevedo tem-se. Então. puramente material. uma vez que o cumprimento destas depende de qualificação específica do devedor. na qual o devedor obriga-se a realizar uma atividade em benefício do seu credor. intelectual ou artística. As obrigações de fazer são consideradas de cunho material ou imaterial. Tanto o é que em caso de impossibilidade deste em cumprir a obrigação poderá providenciar o objeto da prestação com terceiro . naquelas de cunho personalíssimo ao credor é facultado recusar o cumprimento da prestação por terceiro. c) vínculo: contratual. Nas obrigações materiais o devedor compromete-se a um fazer físico. Assim sendo. encontram-se no campo das prestações positivas. São elementos constitutivos da relação jurídica obrigacional: a) sujeitos: ativo (credor) e passivo (devedor).como o supra referido: compromisso do credor em prestar ato ou fato seu ou de terceiros. . dada a sua aptidão. e a imposição correspondente de um dever ou uma sujeição em relação ao sujeito passivo. mediatamente o bem material de conteúdo econômico ou mesmo conversível economicamente. ato unilateral ou ato ilícito. Daí infere-se que a obrigação de fazer depende de uma atividade humana individualizada. personalíssimas. e.25 Da relação jurídica obrigacional Cabe observar que ao direito de pretender determinado comportamento de outrem (atribuído ao sujeito ativo da relação) e ao dever a que se obriga o outro polo da relação (sujeito passivo) encaixam-se as três modalidades genéricas de obrigações. Em contrapartida. às obrigações de fazer imateriais é atribuído o caráter de intuitu personae. seja ela científica.

art. Obrigação de emitir declaração de vontade A obrigação de fazer pode também derivar de um comportamento preliminar e consistir numa manifestação de vontade a ser expressa. de sorte que só ele é que pode cumprir a obrigação pela forma e modo contratado. cadeira. acabou por ser alvo de chacotas por parte de seus amigos. Nesse caso. material ou impessoal Nesse tipo de obrigação não há exigência expressa com relação a quem deva fazer. com o não comparecimento de Lulu Santos. seja o ato pode ser praticado por qualquer pessoa. o devedor somente se exonerará se ele próprio cumprir a obrigação. 247). equipamento de som e luz. Se a obrigação não puder ser cumprida. até porque não se pode obrigar alguém a fazer o que não quer. podendo ser realizada por qualquer pessoa ou pela própria pessoa do devedor (CC. seja por sua capacidade. Obrigação infungível. importa que ela fique pronta na forma. Exemplo: Se Lucimar contrata uma empreiteira para fazer um “puxadinho” na sua casa em Sol Nascente. resolve-se via perdas e danos. imaterial ou personalíssima O Contrato é intuito personae. Thalles poderá até pedir danos morais. Thalles não é obrigado a aceitar porque contratou Lulu Santos por suas especialidades (cantor de pop rock). Obrigação fungível. não se pode nem exigir dos sucessores em caso de morte do obrigado. etc). Sua negativa comporta uma ação com o fim de compelir o mesmo a .249). Há ainda um tipo especial que consiste na declaração de vontades. o vendedor se obriga a outorgar a escritura definitiva quando do final do pagamento. No dia da Festa. pouco importa qual pedreiro vai realizar a obra. classificamos as obrigações em fungíveis ou infungíveis. seja por suas qualidades. baseado na confiança pessoal depositada nas credenciais do devedor. prazo e preço contratado. Exemplo: Thalles contrata o cantor Lulu Santos para abrilhantar a sua festa de aniversário. Exemplo: No compromisso de compra e venda de bens imóveis a prestação. executando o ato ou serviço prometido. art. que quer dizer. Lulu Santos decide que não vai e quer mandar o cantor Zeca Pagodinho (cantor de samba e pagode) em seu lugar. e o fez por ser grande fã do famoso cantor. pois. Por ser ato personalíssimo. Nesse caso Lulu Santos deverá devolver o cachê que recebeu e indenizará Thalles por todas as despesas que ele realizou (contratação da montagem do palco.26 ESPÉCIES As espécies são reveladas conforme possa ser o ato praticado pelo próprio devedor e somente por ele. não se cogitando a sua substituição por outra pessoa (CC.

Art. 248). art. é um meio indireto de . . mas depois parou na metade da obra. do devedor. não se podendo obrigar o mesmo a cumprir a obrigação. Ela não poderá realizar o serviço para o qual foi contratada e não poderá ser responsabilizada. poderá fazê-lo sem autorização judicial (CC. normalmente por dia de atraso. quando se dirigia ao hospital. Em caso de urgência. (caso fortuito). o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou. a fazer o que não estava disposto a realizar. (CC.27 praticar esse ato (fazer). art.Sem culpa do devedor Se a prestação se tornar impossível sem culpa do devedor. Responsabilidade pelo inadimplemento No inadimplemento é indispensável que se afira se o inadimplemento decorre da culpa. A empresa iniciou os serviços.Execução por terceiro Quando a prestação é fungível. .232. resolve-se via perdas e danos. (Incluído pela Lei nº 11. 249 e § único).Com culpa do devedor Havendo culpa do devedor e. sofre um acidente com seu veículo e quebra a mão. ou não. Quer dizer. de 2005). Exemplo: Daniel contrata uma empreiteira para fazer um reforma em sua casa. nesse caso ficará afastada sua responsabilidade. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. parágrafo único). produzirá todos os efeitos da declaração não emitida. Art. poderá o credor optar por requerer autorização judicial e mandar executar a prestação à custa do devedor. dispensa-se a ordem judicial e o credor poderá contratar outra empresa e debitar à conta do devedor as despesas. a sentença. Nesse caso. No dia e horas marcados. . determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. 249. pois as consequências serão diferentes (CC. Condenado o devedor a emitir declaração de vontade. c/c art 466-A).Astreintes É uma multa pecuniária. art. a sentença irá substituir a declaração não emitida pelo devedor (CPC. art. Daniel poderá pedir autorização judicial para contratar outra empresa às custas da primeira ou. . inclusive de obrigação personalíssima. sendo este um típico caso de autotutela. abandonandoa. se procedente o pedido. Exemplo: Gabriela médica especialista foi contratada para realizar uma determinada operação. denominada adjudicação compulsória. com o fim de constranger indiretamente o devedor. 466-A. resolvendo-se a obrigação. Nesse caso. uma vez transitada em julgado. havendo inadimplemento do devedor. se for urgente o serviço. 461.

pois atinge a parte mais sensível do ser humano – o bolso. enquanto na obrigação de fazer isso não é possível porque ninguém pode ser compelido a fazer algo contra sua vontade. Ex: Se não retirar o nome do autor da ação do SERASA para uma multa diária de R$500. Extingue-se a obrigação de não fazer. por parte do devedor. acabam por ser uma obrigação de dar. b) A obrigação de dar comporta cumprimento in natura. aquele que se comprometeu a entregar determinada coisa pode ser compelido a fazê-lo. EX. desde que. enquanto na obrigação de fazer. O pintor vai “fazer” o quadro e depois “entrega” (dar) ao credor o quadro. existe uma prestação de fato.000.28 forçar o devedor a cumprir com o prometido. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. sem prejuízo do ressarcimento devido. ressarcindo o culpado perdas e danos. Diferenças entre a obrigação de dar e de fazer Muitas obrigações de fazer. Em caso de urgência. o credor pode exigir dele que o desfaça. CAPÍTULO III Das Obrigações de Não Fazer Art. Art. sem culpa do devedor. Parágrafo único. vindo a ser resolvido por perdas e danos.00 por dia até efetiva retirada. Se não fizer a entrega da coisa arcará com uma multa diária de R$1.00 até efetiva entrega. Apesar disso. independentemente de autorização judicial. ainda que por vias tortas. da busca e apreensão. utilizando-se por exemplo. Obrigação de não fazer Obrigação de Não Fazer (obligatio non faciendi) caracteriza-se por uma abstenção de um ato. se lhe torne impossível abster-se do ato. em benefício do credor ou de terceiros. Praticado pelo devedor o ato. representada por atos ou serviços que o devedor deve executar. 250. . sob pena de se desfazer à sua custa. Gregory contrata um pintor para lhe fazer um quadro com motivos florais. que se obrigou a não praticar. há duas diferenças que são importantes para que não se cometa o erro de trocar uma pela outra: a) Na obrigação de dar existe uma prestação de coisas (certa ou incerta). Ex. a cuja abstenção se obrigara. 251. isto é.

Quando há culpa por parte do devedor. O inadimplimento da obrigação dar-se-á com a prática do ato proibido. Nesse caso. Esse tipo de obrigação como todas as demais. Em caso de urgência. o credor pode desfazer ou determinar que terceiro desfaça o ato. a obrigação se resolve. ou seja. Seria o caso. As obrigações de não fazer determinam que o devedor deixe de executar determinado ato em virtude de um contrato estabelecido entre as partes. Consequências do inadimplemento Se o devedor realiza ato a que estava proibido. que ainda deverá ressarcir por perdas e danos. o credor pode exigir que o devedor desfaça o ato. ou determina que outro desfaça à custa do devedor. Essas regras estão presentes nos arts. exatamente. pode sofrer o descumprimento por parte do devedor. Segundo Maria Helena Diniz a obrigação de não fazer é aquela em que o devedor assume o compromisso de se abster de algum ato.29 Nos ensinamentos de Caio Mário da Silva Pereira é a obrigação negativa típica. 287. 250 e 251 do CC/02. e a obrigação se extingue. o artista assina um contrato em que se obriga a não conceder entrevista à outra emissora. Indubitavelmente. independente de autorização judicial. o credor pode exigir que ele o desfaça. sob pena de ser desfeito por terceiro às suas custas. razão pela qual se considera este inadimplente a partir do momento em que consumar o ato a cuja abstenção se obrigara. A obrigação de não fazer é. que poderia praticar livremente se não tivesse obrigado para atender interesse jurídico do credor ou do terceiro. é uma obrigação negativa. entendida esta como abstenção de resistência ou oposição. A obrigação de não fazer pode resultar da lei. art.444/2002). se obriga para com o vizinho a não lhe impedir a passagem sobre o seu terreno. quando não há culpa do devedor. suportando atividade alheia. que poderia exercer se não houvesse obrigação. Um exemplo seria o contrato de exclusividade de um artista a uma determinada emissora de televisão. pois a prestação negativa a que se comprometeu consiste ou num ato de tolerância (CPC. o devedor restitui o valor pago. a de não fazer vem a ser aquela que se caracteriza como uma abstenção em relação ao devedor. sem prejuízo da eventual indenização por perdas e danos. com redação da lei nº 10. É uma obrigação que se materializa na abstenção de um comportamento que poderia normalmente ser exercido se não houvesse o contrato entre as partes. de sentença ou de convenção das partes. do proprietário que. visto que o devedor se conserva em uma situação omissiva. para garantir a exclusividade. sendo posteriormente ressarcido pelos prejuízos sofridos. se abster de conceder uma entrevista à outra emissora de televisão. por exemplo. O momento do inadimplemento .

No compromisso de não divulgar segredo industrial assumido pelo empregado. 461-A). Advém uma lei municipal que obriga todos a murarem seus terrenos. Nesse caso a única alternativa é a indenização via perdas e danos. A convenção do Condomínio Ilha Bella impõe a todos os moradores a obrigação de não fazer muros limítrofes. Ex. Impossibilidade do desfazimento Em algumas situações torna-se impossível o desfazimento do ato. isto é. o devedor é constituído em mora no exato momento que realiza o ato a que se obrigou não praticar. a mora é presumida só pelo fato de descumprir o dever de não agir. . ser desfeito por terceiro às suas custas (CC. 250). ter alterado a varanda de seu apartamento quando isso é proibido pela convenção do condomínio. que não poderia praticar como. o condomínio pode pedir judicialmente a citação do réu. de reintegração de posse. se ele divulga tal fato. Execução por terceiro Uma vez praticado o ato pelo devedor. de imissão na posse. Quer dizer. não há como restituir às partes ao status quo ante. 251). art. fazer ou não fazer. intimando-o a desfazer sob pena de.30 Nesse tipo de obrigação. por exemplo. em razão de fato alheio à sua vontade. Se houver recusa. fará surgir o dever de desfazer a obra e retornar ao que era antes. não se pode voltar ao status anterior. Nesse caso. contrariando a convenção condominial. enquanto tutela específica. Descumprimento por fato alheio à vontade do devedor Pode ocorrer de o devedor não poder cumprir o prometido. esgotadas as providencias extrajudiciais cabíveis no intento de forçar o devedor a cumprir com sua obrigação. art. dentre outras (CPC. não o fazendo. Nesse caso o ato emanado de autoridade competente é como um caso fortuito que irá isentar de responsabilidade os condôminos que agora serão obrigados a construir seus respectivos muros. Além de se possível manejar ação cominatória. resolve-se a obrigação e não há falar-se em indenização (CC. admitindo apenas cercas vivas como marco divisório. poderá ir a juízo para obter do judiciário de duas uma: ou uma ordem que substitua a vontade do devedor (quando cabível) ou a determinação de que seja necessária dar ou restituir. Ex. Da ação cabível para obrigar o devedor O credor. pode ser manejada a ação de busca e apreensão. não obtendo resultado. art. existem várias ações possíveis de serem manejadas pelo credor conforme seja a prestação a ser cumprida. Obrigação de dar ou restituir Sendo a obrigação de dar. resolvendo-se em perdas e danos.

x.x. Esse procedimento atualmente está mais ágil e mais efetivo porque o juiz está autorizado a emitir uma decisão que substitua a vontade a ser declarada pelo devedor.x.x.x.x..x.x.x. Emissão de vontade Tratando-se de obrigação de emissão de vontade como.x.x.x. conforme o caso.x .x. a ação correspondente para obrigá-lo à prestação correspondente será.x.. nos termos do que prevê o art.x.x.x.x. no sentido de um fato ou ato a ser praticado (ou não) pelo devedor. no caso de ser necessário compelir aquele que vendeu um imóvel a comparecer em cartório e lavrar a respectiva escritura que permitirá ao adquirente transferir a propriedade para seu nome junto ao Cartório de Registro de Imóveis.x. de “ação de obrigação de fazer” ou “ação de obrigação de não fazer”.x.x.x.x. por exemplo.x. a ação cabível é a “adjudicação compulsória”.x. 461 e 466-A no CPC. x.x.x..x.x.x.31 Obrigação de fazer ou não fazer Nas obrigações de fazer ou não fazer.x..x.x.