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Fernando

Modesto
Colunas / Online/Offline

A CARA DA BIBLIOTECA NA PRÓXIMA GERAÇÃO DO OPAC
[Novembro/2010]

Um dos canais de comunicação entre a biblioteca e a sua comunidade usuária é o catálogo.
Com a internet e a evolução da web, o catálogo torna-se cada vez mais essencial para a
visibilidade dos produtos e serviços bibliotecários.
O questionamento suscitado é se as bibliotecas exploram bem este canal de interação com o
público.

Se a questão gera dúvida no leitor, é provável que esteja acessando pouco os

OPACs e muito os mecanismos de busca, na web. Neste caso só o Google explica. E a
explicação pode estar na preocupação que bibliotecários devam ter com uma nova geração
de catálogo eletrônico, que também pode representar a sobrevivência da própria biblioteca.
Recorde-se que nos anos de 1980, segundo Hildreth, os OPACs podiam se dividir em três
gerações ou categorias de interface:

Primeira geração: nasce com a automação dos catálogos impressos. O acesso à
informação bibliográfica era limitado como os catálogos de fichas (acesso por ordem
alfabética das letras iniciais dos índices de cabeçalhos de assunto, autores e títulos).
A interface de interação realizada era por menu.

Segunda geração: incluía algumas funcionalidades, basicamente, de recuperação da
informação, como acesso por palavra-chave ou busca em texto completo. Adotava
princípios da pós-coordenação para recuperação da informação. Passa a oferecer a
possibilidade de usar comandos e operações booleanas.

Terceira geração: combinou funcionalidades das duas gerações anteriores, assim
como maior funcionalidade nos recursos de busca, uso de menus e de telas de ajuda.

Os anos de 1980 marcam evoluções nos sistemas com projetos que melhoram a
funcionalidade. Projetos amadurecidos por meio de protótipos acadêmicos e comerciais
desenvolvidos com vista a superar as dificuldades que os usuários tinham no uso do OPAC,
mediante adoção de ajuda contextualizada e melhoramento na organização e recuperação da
informação.

A percepção da obsolescência de suas funções . o valor agregado do catálogo eletrônico decorre do fato de ser uma base de dados estruturada em campos.  Flexibilidade e a potência. Algumas características podem parecer contraditórias. quer dizer. nenhuma surpresa os comentários sobre a extinção dos catálogos online em sua configuração tradicional de objetivos. o OPAC poder ser visualizado como portal para acesso a Internet ou outras fontes de informação acessíveis através dele. Baixo custo.  Facilidade de aprendizagem e uso. por exemplo. além do próprio catálogo. O Catálogo vai se transformando em um mirante para ambientes informacionais. Assim. os OPACs ganham mais importância pelo valor agregado que adicionam ao produto que transmitem. bem como de mecanismos de busca).  Baixo custo. tornando desnecessária a função da biblioteca. constituída por critérios de descrição definidos e padronizados segundo regras catalográficas. O OPAC na sua evolução deixa de ser uma mera janela na qual o usuário visualiza exclusivamente as referências dos materiais contidos na coleção da biblioteca. Porém. Neste aspecto. – Alta precisão. segundo Tague. portanto. segundo Thomas.  Rapidez de resposta. Com a internet. Sabe-se que na Internet tudo está.  Capacidade para recuperar itens relevantes em vez dos não relevantes. pode estar associado a sistemas de pouco desempenho. pesquisas sobre o tema destacam as características desejáveis para um “bom” OPAC e que. – Alta exaustividade.No início dos anos de 1990. até para minimizar o consenso social de que a Internet tudo prove. a capacidade para entender distintos usuários. Já não é. e que coletam documentos autenticados por serem catalogados em centros ou agências documentais reconhecidas. o OPAC tem esse valor agregado de adaptar-se ou integrar-se nos vários canais de informação acessível por meio da web. De outro lado. deveria oferecer:  Capacidade para apresentar a maior quantidade possível de itens relevantes ou úteis de bases de dados. E é importante que assim se transforme. Possibilidade de servir como meio de acesso a distintos recursos (mediante links ou estabelecimento de estratégias de busca a outras bases de dados. o que se sobressaia nas características era a ênfase dada à busca por assunto. mas ao mesmo tempo é muito mais difícil de encontrar.

Fatores a ressaltar limitações de uma ferramenta basicamente destinada para automatização dos antigos catálogos em ficha. a proliferação de textos eletrônicos com acesso completo. nos quais destacaram que os usuários mostram desorientação e frustação no uso do catálogo online. apesar do reconhecimento quanto a organização da informação. Emerge conceitos como. conteúdo enriquecido. Apesar dos questionamentos e opiniões. Comentavam que. Neste contexto que. porém com melhor destaque no conteúdo e menor desempenho na participação dos usuários e personalização da consulta. as iniciativas de descrição baseadas em metadados e não na descrição tradicional (de alto custo). vai se formando um consenso sobre algumas das características que a próxima geração de catálogos deveria contemplar. Os resultados indicam que há catálogos de bibliotecas com progressos substanciais na implantação de novas características. a tendência à simplicidade imposta pelos estudos de usuários. apresentação de resultados. atualmente busca-se desenvolver OPACs cada vez mais simples de utilizar e cobrindo uma maior variedade de materiais. personalização de consulta e aplicação de tecnologia web 2. que a comunidade bibliotecária tem aderido aos sistemas integrados de código aberto evidenciado pela popularidade crescente do Koha e Evergreen. conhecer o vocabulário e obter um primeiro ponto de acesso a uma variedade de fontes de informação. Em consequência dos acontecimentos. se refere a avaliação realizada junto aos .é influenciada pela Internet. Outro estudo comentado também pelos autores. “catálogo de biblioteca 2. Tais sistemas implementam inovações. o acesso simples e linear aos resultados permitia navegar. Campbell & Fast comentam estudos comparativos entre mecanismos de busca (Google) e OPAC. fornecedores comerciais e a comunidade do código aberto têm intensificado esforço no desenvolvimento de OPAC dotado de recursos avançados. participação dos usuários. no que se refere a aspectos de pesquisa. os mecanismos de busca. envolvendo análise do modelo da Amazon. Uma tentativa de tornar a próxima geração de catálogos bibliográficos em algo atual. É neste sentido. no universo das bibliotecas. bibliotecas.0”.0. Yang e Hofmann comentam que nos últimos três anos (2007-2009). por exemplo. por exemplo. Os autores salientam estudos sobre a comparação de OPACs. no caso dos mecanismos de busca. ressalta discussões sobre a nova geração de catálogos. Os usuários destacavam não serem capazes de utilizar tal organização para acesso à informação por falta de experiência e paciência. além de formatos de apresentação dos registros distantes do design ISBD.

Catálogos tradicionais oferecem registros em formato MARC ou em texto. mas acesso a texto completo das bases de dados eletrônicas. Relevância. 4. Auto-Graphics também aplicam este recurso em seu OPAC: Agent Iluminar. um verificador .bibliotecários norte-americanos sobre o grau de satisfação no uso de sistemas integrados de bibliotecas baseados em software livre e proprietário. locais. índices. Sobre a visão dos bibliotecários para um catálogo moderno. Caixa de pesquisa simples por palavra-chave. também pode ser considerado relevante no ranking de resultados de uma pesquisa. Conteúdo enriquecido. tabelas. CDs. datas. 6. pois os usuários podem não visualizar no Google ou Amazon um ambiente intuitivo e de fácil consulta. Do mesmo modo. renovação e consulta). completeza na busca de recursos. O tradicional ranking de resultados de pesquisa é baseado na frequência e nas posições dos termos nos registros bibliográficos durante as buscas de palavra-chave. Catálogos futuros devem operar semelhante aos mecanismos de busca mais populares da internet. Permitir aos usuários reduzirem os resultados de busca por facetas. 3. bem como qualquer outro recurso da biblioteca. A nova geração de catálogo não conterá só informação bibliográfica sobre livros impressos. tipos de materiais. 7. Isso significa que uma caixa de busca por palavra. O conteúdo enriquecido inclui imagens de livros. autores. Os resultados apontam com destaque para os sistemas de código aberto. Navegação facetada. a dimensão e a fonte de letras das palavras em uma nuvem de tags (etiquetas) ou o número de comentários dos usuários anexado ao item. Amazon e outros sites populares. repositórios digitais. Realização de busca de texto integral de livros eletrônicos e artigos de periódicos e realização de busca federada. em vez de uma caixa com campos específicos ou de vocabulário controlado deve ser apresentada ao usuário na página de abertura com um link para opção de busca mais complexa ou avançada. como Villanova University VuFind e Innovative Interfaces Encore têm usado esta tecnologia nas pesquisas. por exemplo: o número de vezes que um item foi consultado poderia ser considerado indicador de popularidade. As facetas podem incluir assuntos. Você quis dizer? Quando um termo de pesquisa não foi digitado corretamente ou nada é encontrado no catálogo durante uma pesquisa por palavra. A avaliação envolveu quesitos como: facilidade de utilização. filmes. séries. especialmente o Koha. e outras opções de categorias. Interface web. Pode assemelhar-se ao Google. a popularidade é outro aspecto que não tem sido considerado no ranking de relevância da coleção de livros da biblioteca. vídeos e títulos de periódicos. Uma nova geração de catálogos deve trazer conteúdo de fontes variadas para reforçar o apelo visual e a quantidade de informação ofertada ao usuário. facilidade do usuário realizar serviço de autoatendimento online (solicitação. resumos e fotos de itens não presentes nos catálogos tradicionais existentes. Algumas ferramentas de pesquisa e mecanismo de busca federada. 5. Catálogos devem ter “interface intuitiva” e “visualmente atraente” que se comparam com as interfaces dos mecanismos de busca da internet. Ponto de entrada único para toda informação da biblioteca. A relevância não tem funcionado bem nos OPACs. as dez características emanadas das pesquisas foram: 1. Embora alguns pesquisadores considerem este critério subjetivo. Além disto. O melhor exemplo de interface de usuário é o Google. 2.

. Por exemplo. ainda que erros ou equívocos possam ser cometidos. realizando avaliação.. etiquetando conteúdos e incluindo comentários. Fazem mais do que simplesmente mostrar um resultado de busca. p. os usuários poderão ser colaboradores ativos no conteúdo.ortográfico entra em ação sugerindo grafia correta ou recomendando um termo que possa corresponder ao termo de busca desejado pelo usuário. : Council on Library Resources.?”. Washington D. The next generation library catalog: a comparative study of the OPACs of Koha. Negotiation at the OPAC interface. M. In: Brian Aveney (ed.. bem como indicador utilizado no ranking de relevância. Hildreth. Sou favorável pela inovação sempre.). Q. certo arcaísmo do serviço.”. opiniões. Este pode ser um serviço muito popular e útil em OPACs modernos. Evergreen and Voyager.. A. User feedback in the design process. Um modelo de catálogo visualizado como promotor de leitura e de aprendizagem. C.141 -149. mas uma ferramenta projetada para tornar mais fácil ao usuário realizar suas pesquisas. 1989. 3. Avaliações. 1984. Neste sentido. J. na sua interface. E. Information Technology and Libraries. A contribuição dos usuários será indicador importante de uso. The online catalogue: developments and directions. vol. 2010. The catalog as a Portal to the Internet. n. Um catálogo moderno deve ser dinâmico por fornecer lista de novas aquisições e atualização de busca para o usuário através de feeds RSS. poderia aparecer declaração do tipo: “usuários que emprestaram este item também emprestaram os seguintes materiais. no OPAC após uma pesquisa. p. 9. S. Tague. quanto pode retratar.. 8.. produzindo resenhas.. Contribuição do usuário. Sep. Este recurso é uma imitação do catálogo da Amazon e de outros sites de comércio eletrônico ao afirmar que: “os clientes que compraram este artigo também compram. Thomas. In: Charles R. Hofmann.?” ou “talvez você queira dizer.. 10. In: Bicentennial . comentários e etiquetagem dos registros pela comunidade usuária são restritos nos catálogos tradicionais. 67 – 102.C. Recomendações e materiais relacionados. M. Concluindo O catálogo da biblioteca não é um catálogo igual a qualquer outro. 29. de maneira a localizar de forma eficaz. um moderno catálogo pode gerar uma indicação do tipo: “você quis dizer.. dados ou informações que possa utilizar. Nos catálogos de próxima geração. Inclusão de conteúdos é permitida só aos catalogadores. realizando recomendações de outros materiais relacionados ao interesse do usuário. os catálogos online de acesso público tanto podem espelhar o serviço bibliotecário adaptado ao ambiente tecnológico e realizado de forma inovadora.) Online catalog design issues. Da mesma forma. Hildreth (ed.”. 47 – 60. p. London : The Library Association. Indicação de leitura: Yang. RSS. R. S.

Salamanca : Ediciones Universidad de Salamanca.gov/catdir/bibcontrol/thomas. http://www. n. D. Canadian Journal for Information and Library Science. Garcia Lópes. Panizzi. p. 2004. L. Los sistemas automatizados de acceso a la información bibliográfica: evaluación y tendências em la era de internet. 2007. V.loc. Lubetzky and Google: how the modern web environment is reinventing the theory of cataloguing. K. G.. 2000.25 – 38. 3.Conference on Bibliographic Control for the New Millennium: Confronting the Challenges of Networked Resources and the web. G.html Campbell. . Sobre Fernando Modesto Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas. Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP. Fast.