You are on page 1of 8

Aula 1: Língua, linguagem e variação linguística

Objetivos
 Avaliar os conceitos de língua, linguagem e contextos de uso;
 Reconhecer as atividades de linguagem;
 Identificar contexto formal e informal.
Muitos momentos de nossas vidas envolvem situações em que estamos ora com pessoas
muito íntimas, ora pessoas com quem temos pouca intimidade ou até com pessoas
desconhecidas, não é mesmo?
A convivência com pessoas desconhecidas exige de nós postura diferente da que temos com
familiares, concorda? Isso, consequentemente, gera uma forma de falar diferenciada.
Enfim, as situações comunicativas são enquadradas na formalidade ou na informalidade.
Então, a necessidade de adquirirmos uma linguagem mais elaborada, utilizando a norma culta,
se dá porque às vezes precisamos usar uma linguagem mais formal.
Entretanto, isso não quer dizer que há perda dos aspectos informais da língua, ou seja,
continuaremos sempre a falar com pessoas de nossa intimidade da mesma forma. Adquirir
outros modos de falar, apenas “alarga nossa capacidade de comunicação”.
Por que nos comunicamos?
Já parou para pensar que tudo para nós, seres humanos, tem de ter uma explicação?
Isso chama a atenção para uma coisa que fazemos constantemente, mas não nos damos
conta: procuramos sempre dar um sentido aos fatos, interpretar situações, interpretar o
mundo e a vida.
Por que elas falam que sou metida?
O que quer dizer “é o fim da picada”?
Por que eu fui falar aquilo para ela?
“Não é possível não comunicar... não existe comportamento que não seja comunicação.”
(Paul Watzalawick)
Buscamos dar sentido aos fatos quando:
Comunicamos nossa maneira de pensar
"Prefiro ficar com todos os defeitos que as pessoas dizem que tenho, do que fingir ser alguém
que não sou.”

Defendemos ideologias

mas pensar ‘posso’ é força da convicção. Porém. sabemos. . prestenção que isso é um assalto. possui algumas variações. pense ‘posso ser’. Clique nas caixas e veja os exemplos: Informalidade: E ai. a língua também varia de acordo com o contexto de comunicação. Angola e outros países.” (Katsumi Tokuhisa) Expressamos nossos sentimentos Eu + Você = Beijos.“Em vez de pensar ‘quero fazer’. e a linguagem é o veículo de expressão.” (Friedrich Nietzcsche) Mesmo quando buscamos dar sentido aos fatos. usando uma linguagem apropriada a cada situação. risadas. pense ‘consigo fazer’. de acordo com a região em que é falado. ponderamos a nossa maneira de falar. distinguir informalidade da linguagem vulgar ou popular. as imagens. portanto. para reforçar o seu entendimento sobre a fala formal e a informal. uai. Ô sô. Uma vez que o texto é um produto social. A língua é um produto social e cultural constituído por signos linguísticos. Como vimos anteriormente. a cultura. Adaptar a linguagem para situações formais ou informais fazem parte de nossa realidade. Você sabia que o Português também é a língua oficial de outros países? O Português é a língua oficial de Brasil. brother? Bora pegar onda? Formalidade: Muitíssimo bom dia! Gostaria de convidar-lhe a adentrar ao oceano para iniciarmos a prática da modalidade esportiva denominada surfe. Portugal.. nos comportar de forma adequada. com base nas situações em que somos colocados(as). Sendo necessário. embora muitas vezes não identifiquemos isso. carinhos e amor. Pensar ‘quero’ é força de vontade. formando o que chamamos de dialetos regionais ou geográficos. existe uma relação intrínseca entre ele. as línguas são diferentes formas de expressão ou linguagens. Moçambique. o momento histórico e a ideologia em que é formado. Em vez de pensar ‘quero ser’. Percebeu a diferença nas falas do surfista? Tanto no contexto formal quanto no informal. já que não falamos sempre do mesmo modo. intuitivamente. Assista ao vídeo.. Difundimos ideias “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. abraços. a música. os gráficos e os gestos. caracterizado por um código. Assim como a dança.

Levanta os braços. os nossos anseios. Isso quer dizer que para se comunicar em LIBRAS não basta apenas conhecer sinais. pois. tá ligado? É o seguiiinnte rapá. dotados de linguagem. Mas afinal qual é a diferença entre linguagem e língua? Podemos dizer que linguagem é uma faculdade (capacidade) que permite exercitar a comunicação.. Os animais se comportam sempre da mesma forma em determinadas situações. a LIBRAS conta com diversos níveis linguísticos e itens lexicais conhecidos por sinais. sotaque e na sua forma de falar. exclusivamente humana. Já a língua refere-se a um conjunto de palavras e expressões usado por um povo. playboy! Isso aqui é um assalto. munido de regras próprias (sua gramática). por uma nação. é necessário conhecer também a gramática para combinar frases e estabelecer comunicação. Se você ainda estiver pensando no caso dos animais. desejos etc. as terminações em "n" do Mineiro. assim como diversas línguas. a fala cantada do Baiano e muitas outras características são geográficas e estão ligadas também à comunidade em que são faladas. que nos permite comunicar o que estamos pensando. Já os seres humanos. levando em consideração também as diferenças regionais como em todas as línguas. fica quetin e vai passando esse trem ai que está na tua mão.Perdeu. levanta os braço e não fica de bobeira que o ladrão aqui é sinistro e está furioso pra caraca. sempre podem criar uma comunicação diferente. mas se comunicam ―. passa a grana. que neste caso se dará através das combinações de configurações de mão. a LIBRAS se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de ideias e pertencente à comunidade surda brasileira. a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) não se resume simplesmente à transposição da Língua Portuguesa em gestos. movimentos e de pontos de articulação. vale reforçar que a grande questão é . Reconhecida por Lei. latente ou em ação. A fala chiada do Carioca. Por isso. língua e linguagem A interpretação dos fatos e o significado que precisamos atribuir às coisas estão relacionados à capacidade humana.. refletindo se eles se comunicam de alguma maneira ― não como nós. dentre outros aspectos em que o indivíduo se insere e que influenciam no seu comportamento. não criam coisa alguma.

por exemplo. Em casa. – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro. – Mas. de modo que os animais ficaram inquietos. Mas não chegavam a uma conclusão. em chimpanzés. pois esta é exclusiva do ser humano. fome. O teto do meu galinheiro está pingando. não é tão simples assim. Isso é chuva! – Ora. elabora o que quer comunicar. não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo. a criança fala chinês com os familiares. O que os animais têm são formas de comunicação. Mas são formas pontuais. como assim? tornava a lebre. principalmente na escola. – Ora. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro. esclareceu a galinha. você pensa. Leia com atenção a fábula “A causa da chuva”. Você deve estar se perguntando. de uma determinada nação. Uns diziam que ia chover logo. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas. alegria etc. por que todos nós não falamos a mesma língua? Tente responder à seguinte questão: por que uma criança de família chinesa. de Millôr Fernandes e observe como o autor consegue trazer dentro de uma única história diversos pontos de vista. Pesquisas científicas já catalogaram.. mas e na prática? A atividade de comunicação que fazemos todos os dias. – Viram? gritou a galinha.. que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. ela fala as duas línguas porque tem contato com as duas culturas. cerca de 100 sinais diferentes para expressar medo.que não podemos afirmar que eles tenham linguagem. – Como assim? disse a lebre.. Se a linguagem é uma capacidade humana. por exemplo. . A CAUSA DA CHUVA (MILLOR FERNANDES. ela fala o idioma francês. limitadas. história e sociedade de um determinado povo. outros diziam que ainda ia demorar. aparentemente sem muito esforço.. Fábulas Fabulosas) Não chovia há muitos e muitos meses. No caso das crianças chinesas. depois procura palavras e construções adequadas na língua para que essa fala possa ser entendida pelos outros. Antes da fala sair de sua boca.. já na rua e nos demais meios sociais. específicas. Nesse momento começou a chover. língua. Parecem cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores? Linguagem. .. que nasce na França. fala francês e também chinês? Aqui chegamos a um ponto essencial: a língua é uma construção social e corresponde à cultura.

estamos lidando apenas com a escrita. para haver comunicação. entramos no contexto verbal. Pedágio a 1Km Passagem Livre No caso dessa placa. a comunicação prevê que os usuários da língua utilizem construções adequadas para que a mensagem possa ser devidamente compreendida. dentre outras. aos anseios. para encerrar a nossa aula. Essa linguagem é chamada de não verbal. certo? Ela representa. basta o indivíduo “acionar” a capacidade mental (linguagem) e articular o código social (língua). daí temos a linguagem dos sinais como as das placas de trânsito. indicação de gênero nas portas dos banheiros. Agora que você já sabe tudo sobre língua e linguagem. vamos refletir um pouco sobre a escrita e a fala. a linguagem do corpo. Você já assistiu ao filme "Narradores de Javé". à nossa capacidade de atribuir significado às coisas. a linguagem das cores. Para decifrar o texto você precisará levar em consideração tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. especificamente. Esse contexto possibilita nossa comunicação pelas regras de uma língua.A linguagem é uma capacidade humana e a língua uma espécie de “contrato” entre as pessoas em uma sociedade e é por ser uma capacidade humana que os analfabetos conseguem se comunicar. Logo. Isso permite uma fala adequada que resultará em entendimento caso o interlocutor compartilhe as referências necessárias para compreender o significado. Isso quer dizer que. Dissemos que a linguagem está relacionada à interpretação do mundo. mesmo sem saber ler e escrever. de Eliane Caffé? . qualquer forma de comunicação. Agora vamos retornar aos tempos de criança e desvendar a Carta Enigmática. à natureza. Anote suas deduções na caixa abaixo e depois confira o resultado final: Como vimos. portanto.

daí a possibilidade de haver comunicação sem contar a distância. que ficou responsável por reunir as histórias do povo.. outra coisa é o fato escrito.. até hoje não melhorou. Para aprofundar essa discussão... sempre. os presidentes nas suas campanhas ficam falando que vão fazer isso. “Oralidade e Escrita”......... O acontecido deve ser melhorado no escrito para que o povo creia no acontecido”. o Presidencialismo já teve muitas chances de melhorar. a realidade é diferente. aí sempre. suas funções e o contexto em que se realiza. do livro Gramática – texto: análise e construção de sentido. não podemos deixar de considerar que cada contexto tem suas particularidades e importância.. sempre. “Uma coisa é fato acontecido. opiniões ou simplesmente manter o contato com o interlocutor ―. É ai que entra a figura de Antônio Biá. como informar. de Maria Luiza M. evidenciando as repetições.. justamente porque a pessoa não está presente. Essa possibilidade requer comportamentos diferentes da modalidade da fala. Diante dessa situação. eh... dono de um caráter duvidoso. expressar ideias. Dessa . estava prestes a ser inundado... formando o objetivo... expressar ideias. a comunidade se reuniu para registrar a sua história.. vão fazer aquilo... Abaurre e Marcela Pontara. Somente uma história científica garantiria o tombamento do povoado e impediria a construção da usina.) na minha opinião. pois seria construída ali uma enorme usina hidrelétrica. e vimos que existe uma relação entre a linguagem.. lidamos com outro contexto: faz-se uma comunicação e a pessoa não está presente. Tudo deve ser comunicado da forma mais clara possível. mais de cem anos. pois é necessário marcar as pausas próprias dessa modalidade. (Fala do personagem Antônio Biá) Mesmo que se pense dessa forma. leia o capítulo 2. cem anos já. o público alvo e a situação social. Resumindo Estudamos nesta aula a linguagem com finalidades comunicativas ― como informar.. Processo comunicativo e funções da linguagem Usamos a linguagem com finalidades comunicativas diferenciadas.. o único letrado do povoado.. não é mesmo? “(.O povoado de Javé. né? E. situado no sertão baiano. chega sempre lá na hora. opiniões ou simplesmente manter contato com o interlocutor. presente em seu material didático.. Na escrita. pois o leitor não tem outros recursos para entender a mensagem. eh.” (Projeto Discurso & Gramática ― UFRJ ― dados da língua falada) Note que transcrever um discurso falado tentando ser fiel à fala é problemático.. o veículo..

Função referencial ― ela ocorre em textos que tenham como objetivo transmitir uma informação ou expor um conhecimento sobre determinado assunto. Você já se perguntou o que esse texto significa? Se não dissermos a saudação. o assunto. Exemplo: a saudação que fazemos nas chamadas telefônicas ― “Alô!”.Função conativa ou apelativa ― é o caso do texto que tem o receptor como elemento predominante. Isso acontece no dicionário. a música. aquele que está ligando não saberá se o telefonema foi atendido. o código e a mensagem. do meio em que o ato comunicativo se realiza.Função metalinguística ― é interessante observar que existem textos que usam o seu código para explicar o próprio código. Exemplo: um verbete de dicionário. em que usamos as palavras para explicar o conteúdo de uma palavra. suas funções e o contexto em que se realiza: o objetivo. acionamos elementos essenciais: o emissor. o público alvo e a situação social. assim como o telefone. Exemplo: uma carta ou um e‐mail bem pessoal. Quando realizamos o ato de comunicação. 2 . o vídeo são canais de comunicação. ou seja.Função fática ― é frequente nos textos em que o objetivo daquele que fala ou escreve é certificar‐se de que a mensagem está sendo recebida pelo receptor/ouvinte. o canal por meio do qual ocorre o contato. naquele que produz o texto.Função poética ― se um texto valoriza a combinação de palavras. nos textos que produzimos. Roman Jakobson. O papel. se é possível haver comunicação por aquele canal. Em outras palavras. Vem!” 3 . Esse tipo de texto é produzido para convencer o destinatário de algo. o veículo. pelo menos.forma. ou seja. é um texto que funciona como um teste do canal de comunicação. 6 . A essa predominância ele denominou Função e verificou que existem. um linguista russo. É um traço comum dos textos publicitários. isto é. é correto afirmar que existe uma relação entre a linguagem. Exemplo: “Vem prá Caixa você também. de acordo com o objetivo da mensagem transmitida. os sons produzidos por essa combinação ou os sentidos novos que possam ser gerados. 4 . 2 Exemplo: “Bancos terão novas regras para acesso de deficientes”. percebeu que nos enunciados. por exemplo. 6 delas: 1 . há a predominância de um desses elementos da comunicação.Função emotiva ― trata‐se de um texto centrado no emissor. teremos a função . 5 . o destinatário.

poética da linguagem. Exemplo: letras de música e poesias. Aqui é muito importante fazermos uma distinção no uso das palavras. se as empregamos com o sentido denotativo ou conotativo. .