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22/10/2014

Reflexões para as manas: Judith Luacute Lua... - Aristóteles Kandimba

Reflexões para as manas: Judith Luacute Lua Nascimento Mwana PwoEsmeralda Do Carmo Ortiz Jussara
Alves Rafaela Araújo Santana Mpenzi Rocha Belgna Ribeiro Ramos Tatiane De Souza Silvério Miriam
Castro...Thaís Vieira Maitê Lourenço Cheyenne Santos e companhia.
"A ginecocracia representa uma realeza matriarcal ou governo exercido por mulheres, em que o trono ou o poder
deve teoricamente pertencer apenas às mulheres e ser transmitido por filiação de mulher para mulher.
Segundo certos autores evolucionistas, este tipo de governo caracterizou uma etapa da evolução política de todas as
sociedades. Contudo, se tal facto pode ser praticamente exíguo (ou até mesmo desconhecido) nas sociedades
europeias e asiáticas, em África, antes da influência islâmica e católica, ocorreu com frequência, dado que, segundo
Cheik Anta Diop, a família africana era toda ela matriarcal com descendência uterina e a mulher, na vida
doméstica, era considerada emancipada.
Tal como é o facto de África ter atingindo a idade do ferro sem passar pela do bronze – o que não aconteceu nem
na Europa nem na Ásia –, a ginecrocracia marcou, também, a singularidade africana, já que o regime patriarcal das
sociedades europeias foi sempre caracterizado pela sujeição feminina à superioridade do varão.
Na literatura oral dos Nganguela (Povo Bantu de Angola), destaca-se o nome da rainha Danda Candundo e a
existência de uma organização social ginecocrática. O grupo etnolinguístico Nganguela é o mais heterogéneo de
Angola e alguns etnólogos, de acordo com José Redinha, chegam mesmo a admitir que estes sejam os “bantu” mais
antigos de Angola. Divididos em dois hemisférios, devido à penetração dos Lunda-Cokwe, os Nganguela chegaram
a ser tributários dos Lwena, estes, antigos Lunda-Cokwe que adoptaram a língua dos Nganguela.
Hoje os Lwena são um sub-grupo dos Nganguela (quase 100 mil) que se distinguiu pela forma como funde o ferro,
pelos seus trabalhos em cerâmica negra e polida e ainda pela forte personalidade da sua rainha – Nhakatolo
Chissengo –, que, após a independência de Angola, ainda era viva. Culturalmente são mais chegados às tradições
dos povos da bacia do rio Zambeze. Embora oriundos das antigas populações de caçadores, dedicam-se
principalmente á agricultura na sua área oriental. Na sua parte ocidental, por influência dos criadores de bois do
sudoeste, dedicam-se muito à pecuária. Das suas actividades económicas constam, para além da agricultura e da
criação do gado, também a pesca lacustre e a apicultura.
Do ponto de vista social predominam nos Nganguela os ritos de passagem masculinos, nas artes praticam alguma
escultura e também manufacturam uma curiosa série de máscaras. Os que se encontram dispersos pelas
intermináveis planícies orientais, nunca tiveram relações intensas com os portugueses e foram durante muito tempo
perseguidos pelos Ovimbundu, Lunda-Cokwe e Ambó."
(Início Cultura Património/ Os Nganguela os primeiros Bantu de Angola/ Filipe Zau.
Jornal de Angola/2 de Fevereiro, 2010
Foto: Mulher Tchokwe (Angola).

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