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Universidade do Sul de Santa Catarina

Gestão por Resultados
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça
UnisulVirtual
2007

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22/8/2007 14:26:24

Créditos
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Tecnologia
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Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Gestão por Resultados.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando
uma linguagem que facilite seu estudo a distância.
Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho.
Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será
acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por
correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua
aprendizagem é nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual.

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Davi Solonca Gestão por Resultados Livro didático 2ª edição Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2007 gestao_por_resultados_na_adm_pub5 5 22/8/2007 14:26:39 .

Título Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca U niversitária da U nisul . I. . design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. II. – Palhoça : UnisulVirtual. : il. Edição – Livro Didático Professor Conteudista Davi solonca Design Instrucional Carmen maria Cipriani Pandini ISBN 978-85-7817-022-6 Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagram ação Fernando Dias Zimermman Revisão Ortográfica B2B 352. Inclui bibliografia. Administração pública. Pandini. 2007. Davi Gestão por resultados : livro didático / Davi Solonca . Carmen Maria Cipriani. 28 cm. – 2. ed.Copyright © U nisulVirtual 2007 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. 170 p.3 S67 Solonca. ISBN 978-85-7817-022-6 1.

. . . . . . . . . . . . . . . . . 99 Unidade 6: Responsabilidade e o dever de prestar contas ao cidadão . . . . 157 Respostas e comentários das atividades da auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Plano de estudo .11 Unidade 1: Estado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Sobre o professor conteudista. . . . . . . .Sumário Palavras do professor . . . . . . . . . . 159 gestao_por_resultados_na_adm_pub7 7 22/8/2007 14:26:39 . . . . 131 Para concluir o estudo da disciplina. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .73 Unidade 5: Gerenciamento por resultados nos serviços públicos. . . . . . . . . . . . . 53 Unidade 4: O Sistema de planejamento dos serviços públicos: O Estado responsável no desempenho das atividades de interesse coletivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Unidade 2: Cidadania como estratégia de transformação . . . 35 Unidade 3: Os 5 E’s da Administração Pública e os tipos de gerenciamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Governo e Sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Nesta disciplina você também vai estudar as transformações dos Serviços Públicos.Palavras . Em cada unidade você estudará conceitos que permitirão uma melhor compreensão da Prestação dos Serviços. A compreensão de que os orçamentos estratégicos devem estar voltados para o bem coletivo. ofertados pela Administração Pública.União.. Davi Solonca gestao_por_resultados_na_adm_pub9 9 22/8/2007 14:26:39 . o seu direcionamento e os resultados voltados para o benefício do cidadão.... O objetivo principal desta disciplina é transmitir a você o conhecimento da Administração Pública. Sucesso! Prof. também será um assunto que você vai estudar. Estado e Município. relacionando com a Gestão por Resultados nos três níveis de Governo .

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Plano de estudo O plano de estudos visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. Cidadania como estratégia de transformação. A Responsabilidade e o Dever de Prestar Contas ao Cidadão. portanto. O EVA (Espaço virtual de Aprendizagem). Carga horária  horas-aula. Mensurar o Desempenho no Serviço Público. São elementos desse processo: O Livro didático. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/ mediação. Governo e Sociedade. Gerenciamento por Resultados. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Atividades de avaliação (complementares a distância e presenciais). Ementa Estado. gestao_por_resultados_na_adm_pub11 11 22/8/2007 14:26:40 . Serviços Públicos: O Estado responsável no desempenho das atividades de interesse Coletivo. A Eficiência Orçamentária na Administração Pública. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. Definição dos Resultados no Serviço Público.

Estudar as transformações dos Serviços Públicos. Unidade 2: Cidadania como estratégia de transformação Na segunda unidade. trabalhando em torno de objetivos comuns. econômicas e tecnológicas. a Ciência Política. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. o objetivo é estudar a sociedade de modo geral.Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivos da disciplina Conhecer a Administração Pública. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Estudar os Orçamentos Estratégicos. as de Estado e as suas funções básicas. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Conteúdo programático/objetivos Veja. seus conceitos e suas aplicações. 12 gestao_por_resultados_na_adm_pub12 12 22/8/2007 14:26:41 . identificando as formas de Governo. Governo e Sociedade Nesta unidade você vai estudar o que é o Estado. nos três níveis de Governo (União. Unidades de estudo: 6 Unidade 1: Estado. Estado e Município) voltados para Gestão por Resultados. a seguir. especialmente a sua individualização e os seus reclames. centrada na necessidade de enfrentar profundas alterações sociais. Contribuir com a cidadania. Entender o processo de Gestão por Resultados na mudança de cultural. ideologias.

sobre a ausência de visibilidade e de transparência. Organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Debater por que a administração não saberia precisar os seus objetivos e. e da interação com os seus colegas e tutor. por isso mesmo. da realização de análises e sínteses do conteúdo. Analisar a evolução histórica dos tipos de trabalho realizados pela auditoria e as mudanças no serviço público. Analisa a tendência de que o serviço público se refugia na técnica e se na justifica dizendo que o gerenciamento não se adapta ao serviço público. Registre as datas no espaço a seguir. fornece serviços às vezes obsoletos ou não ajustados à expectativa dos usuários. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. com as ferramentas administrativas.Gestão por Resultados Unidade 3: Os 5 E’s da Administração Pública e os tipos de gerenciamento Analisa. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Unidade 5: Gerenciamento por resultados nos serviços públicos Nesta unidade você vai estudar até que ponto a mensuração econômica dos resultados da Gestão Pública traz benefício para a sociedade. Unidade 4: O Sistema de planejamento dos serviços públicos: o Estado responsável no desempenho das atividades de interesse coletivo Identifica os tipos de serviços públicos e como são gerenciados. Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA. Unidade 6: Responsabilidade e o dever de prestar contas ao cidadão Nesta unidade você vai estudar sobre a responsabilidade e o dever de prestar contas ao cidadão. aspectos da responsabilidade e o dever legal de prestar contas. Não perca os prazos das atividades. 13 gestao_por_resultados_na_adm_pub13 13 22/8/2007 14:26:41 . o posicionamento estratégico das organizações públicas.

Atividades Avaliação a Distância Avaliação Presencial Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 14 gestao_por_resultados_na_adm_pub14 14 22/8/2007 14:26:41 .Universidade do Sul de Santa Catarina Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.

UNIDADE 1 Estado. Identificar as formas de Governo e as de Estado. Estudar seus conceitos e suas aplicações. Governo e Sociedade 1 Objetivos de aprendizagem Compreender o que é o Estado e a Ciência Política. Analisar as funções básicas do Estado. Plano de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 O estudo do Estado e a ciência política Seção 2 Estado e o poder Seção 3 O Estado e o Direito Seção 4 As formas de Governo Seção 5 As forma de Estado Seção 6 Funções básicas do Estado gestao_por_resultados_na_adm_pub15 15 22/8/2007 14:26:42 .

Para início de conversa

Ao desenvolver seu estudo nesta disciplina, você compreenderá
primeiramente as funções e formas do Estado e do Governo.
Mais do que em seu desenvolvimento histórico, o Estado é estudado em si mesmo, em suas estruturas, funções, elementos constitutivos, mecanismos, órgãos etc., como um sistema complexo
considerado como próprio e nas relações com os demais sistemas
contíguos.

Antes de estudar esta unidade, pense o que você entende
por ESTADO, GOVERNO e SOCIEDADE e qual a relação entre
os três?

SEÇÃO 1
Tomás Hobbes (-)
nasceu em Westport, Inglaterra.
Filho de clérigo, em , sai
da Universidade de Oxford e se
torna preceptor do filho de Lord
Cavendish. Durante toda sua
vida, ele foi o amigo devotado
dos Stuarts. Antes mesmo da
revolução de , que vai
suprimir o poder real, ele foge
da Inglaterra, onde se sente
ameaçado por causa de suas
convicções monarquistas.

Estudo do Estado e a ciência política
Atualmente o imenso campo de investigação da política está
dividido entre duas disciplinas distintas: a filosofia política e a
ciência política.
Hobbes (1651) chamava de philosophia civilis o conjunto das análises sobre o homem em suas relações sociais, nela também compreendia uma série de considerações que hoje seriam incluídas na
ciência política; ao contrário disso, Hegel deu aos seus Princípios
de filosofia do direito os “Fundamentos da ciência do Estado”.

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Gestão por Resultados

Na filosofia política são compreendidos três tipos de investigação:
a) da melhor forma de governo;
b) do fundamento do Estado, ou do poder político, com a
conseqüente justificação da obrigação política;
c) da essência da categoria do político, com a prevalente disputa
sobre a distinção entre ética e política.
Essas três versões da filosofia política são exemplarmente representadas,
no início da Idade Moderna, por três obras que deixaram marcas indeléveis na história da reflexão sobre a política:
1. A Utopia de More (1516), desenho da república ideal.
2. O Leviatã de Hobbes (1651), que pretende dar uma
justificação racional e, portanto, universal da existência do
Estado e indicar as razões pelas quais os seus comandos
devem ser obedecidos.
3. O Príncipe de Maquiavel (1513), no qual, ao menos em
uma de suas interpretações, seria mostrado em que consiste
a propriedade específica da atividade política e como se
distingue ela da moral.

Saiba mais
Procure ter o hábito de realizar leituras complementares ao
longo do curso. Uma boa dica é adquirir os livros indicados
acima!

Por ciência política entende-se hoje uma investigação no campo da vidpolítica capaz de satisfazer a essas três condições:
a) o princípio de verificação ou de falsificação como critério da
aceitabilidade dos seus resultados;

Unidade 1

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b) o uso de técnicas da razão que permitam dar uma
explicação causal em sentido forte ou mesmo em
sentido fraco do fenômeno investigação;
c) a abstenção ou abstinência de juízos de valor.

SEÇÃO 2

O Estado e o poder
Na filosofia política o problema do poder foi apresentado sob
três aspectos, à base dos quais podem-se distinguir as três teorias
fundamentais do poder:
a) substancialista: o poder é concebido como uma coisa
que se possui e se usa como um outro bem qualquer;
b) subjetivista: o poder entende não a coisa que serve
para alcançar o objetivo, mas, a capacidade do sujeito
de obter certos efeitos, de onde se diz que o fogo tem
o poder de fundir os metais, do mesmo modo que o
soberano tem o poder de fazer as leis e, de influir sobre
a conduta de seus súditos;
c) relacional: que é a interpretação mais aceita no
discurso político contemporâneo, o qual se deve
entender uma relação entre dois sujeitos, dos quais o
primeiro obtém do segundo um comportamento que,
em caso contrário, não ocorreria.
Do ponto de vista dos vários critérios que foram adotados para
distinguir as várias formas de poder, podemos destacar:
o poder político, como o poder que está em condições
de recorrer em última instância à força;
o poder econômico que é aquele que se vale da posse
de certos bens, necessários em uma escassez, para
induzir os que não os possuem a adotar uma certa
conduta;

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Nestes últimos anos. organizações e nações. o Estado é definido como o portador de poder. a teoria política pode ser por sua vez considerada como uma parte e da teoria do poder. executivo e judiciário) e das relações entre eles. Para ir a um texto canônico dos nossos dias. Mas a identificação entre a esfera da política e a esfera do Estado continua além do aparecimento do termo “Estado”. que se vale da posse de certas formas de saber. Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub19 19 19 22/8/2007 14:26:44 . Qual sua opinião sobre isso? SEÇÃO 3 O Estado e o Direito Antes do aparecimento e do uso corrente do termo “Estado”. das empresas. Por longa tradição. Dentre as várias vantagens desta expressão está também a de ter um significado mais neutro do que o termo “Estado”. às vezes apenas de informações. os estudiosos dos fenômenos políticos abandonaram o termo “Estado” para substituí-lo pelo mais compreensivo “sistema político”. a distribuição e o exercício do poder”. A teoria do Estado apóia-se na teoria dos três poderes (legislativo. ou códigos de conduta. Se a teoria do Estado pode ser considerada como uma parte da teoria política.Gestão por Resultados o poder ideológico. o problema da distinção entre ordenamento político e Estado não era discutido nem analisado. e a análise do Estado se resolve quase totalmente no estudo dos diversos poderes que competem ao soberano. para exercer influência sobre comportamento alheio e induzir os membros do grupo a realizar uma ação. Você já ouviu a seguinte frase: “Conhecer é poder” de Francis Bacon? Atualmente vários autores têm discutido o conhecimento como forma de poder da sociedade. conhecimentos. Aquilo que o Estado e política têm em comum é a referência ao fenômeno do poder. o processo político é ali definido como a “formação. doutrinas.

Aspectos Constitucionais. embora nem sempre com uma clara linha demarcatória. Para citar uma definição corrente e autorizada. aristocracia. 1969. governo de muitos. a de Maquiavel e a de Montesquieu. as características históricas e sociológicas. governo de poucos e a democracia. contribuiu de forma extraordinária. Na tipologia dos tipos de Estado. o território e a soberania. Desde quando do problema do Estado passaram a tomar conta os juristas. Você lembra em qual disciplina estudou a diferença entre os três termos? Caso tenha dúvida. a doutrina clássica do Estado sempre se ocupou também do problema dos limites do poder. ou seja: monarquia. as ideologias e os fins. o Estado tem sido definido por meio de três elementos constitutivos: o povo. procure estudar a primeira disciplina do curso . As tipologias clássicas das formas de Governo são três: a de Aristóteles. as formas de governo dos tipos de Estado. Na tipologia das formas de governo. p. o Estado é “um ordenamento jurídico destinado a exercer o poder soberano sobre um dado território.23). SEÇÃO 4 As formas de Governo Na teoria geral do Estado distinguem-se. a relação entre o sistema de poder e a sociedade subjacente. leva-se em conta mais as relações de classe. leva-se mais em conta a estrutura de poder e as relações entre os vários órgãos dos quais a constituição solicita o exercício de poder. 20 gestao_por_resultados_na_adm_pub20 20 22/8/2007 14:26:44 . problema que geralmente é apresentado como problema de relações entre direito e poder. em particular nos livros III e IV. A política de Aristóteles.Universidade do Sul de Santa Catarina Ao lado do problema do fundamento do poder. ao qual estão necessariamente subordinados os sujeitos a ele pertencentes” (MORTARI. governo de um. classificando as constituições com base no número dos governantes.

o grande Estado territorial moderno nasce. com base nas diversas molas que induzem os sujeitos a obedecer. o peso do poder se deslo- Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub21 21 21 22/8/2007 14:26:44 . república e despotismo. Maquiavel define despotismo como o governo de um só. monarquia é o governo de um só. Maquiavel as reduz a duas. para Weber.Gestão por Resultados Na obra. compreendendo no gênero das repúblicas tanto as aristocráticas quanto as democráticas. Montesquieu acrescenta um novo critério de distinção. E. A tradicional relação entre monarquia e república foi completamente subvertida nos últimos cinqüenta anos. mas “sem lei nem freios”. O seu pensamento caracteriza-se pela crítica ao materialismo histórico. Ora. A distinção que melhor resistiu ao tempo. de uma assembléia. Montesquieu se preocupa com o funcionamento da máquina do Estado e Max Weber se preocupa com a capacidade que têm os governantes e seus aparatos de obter obediência. O Príncipe. diversa. Montesquieu retorna a uma tricotomia. Com a queda da maior parte dos governos monárquicos após a primeira e a segunda guerra mundial. porém da aristotélica: monarquia. como a religião. podem ter sobre a própria estrutura econômica. mais precisamente. a monarquia corresponde cada vez menos à realidade histórica. na medida em que também nas monarquias a começar pela Inglesa. Além do mais. quando na verdade se trata de uma relação que. cresce e se consolida como Estado monárquico. Originariamente. e república. isto é. monarquia e república. deve ser esclarecida segundo a sua efetiva configuração. que dogmatiza e petrifica as relações entre as formas de produção e de trabalho (a chamada estrutura) e as outras manifestações culturais da sociedade (a chamada superestrutura). a cada vez. isso significa que o cientista social deve estar pronto para o reconhecimento da influência que as formas culturais. por exemplo. no sentido maquiaveliano é o governo de muitos. chegando embora cada vez mais extenuada aos nossos dias. o critério com base nos “princípios”. em outras palavras como a forma degenerada da monarquia. é a distinção maquiaveliana entre monarquia e república. e.

é uma forma mista. Platão. A tipologia mais corrente e mais acreditada junto aos historiadores das instituições é a que propõe a seguinte seqüência: o Estado Feudal. as principais características de cada uma delas. especialmente em referência ou às relações entre a organização política e a sociedade ou às diversas finalidades que o poder político organizado persegue nas diversas épocas históricas e nas diversas sociedades. o Estado Estamental. 22 gestao_por_resultados_na_adm_pub22 22 22/8/2007 14:26:44 . metade monarquia e metade república. a monarquia. após ter afirmado que monarquia e democracia são as mães de todas as outras formas de governo.Universidade do Sul de Santa Catarina ca do rei para o parlamento. acrescenta: “é obrigatório e necessário participar de ambas as duas se quiser ter a liberdade e a concórdia inteligente”. o Estado burocrático caracterizado pela progressiva concentração e pela simultânea especialização das funções de governo. de outro lado. nas Leis. transformou-se em uma forma de governo bem diversa daquela para a qual a palavra foi usada durante séculos. Nada mostra mais a vitalidade da tipologia tradicional do que a persistência da teoria do governo misto. a seguir. Veja. segundo a qual a melhor forma de governo é a que resulta de uma combinação das três ou das duas formas de governo. SEÇÃO 5 As formas de Estado São muitos os elementos que se deve levar em conta para distinguir as formas de Estado. tornada primeiro constitucional e depois parlamentar. Aristóteles menciona a opinião segundo a qual “a melhor constituição deve ser uma combinação de todas as constituições”. o Estado Absoluto e o Estado Representativo. O Estado Feudal é caracterizado pelo exercício acumulativo das diversas funções diretivas por parte das mesmas pessoas e pela fragmentação do poder central em pequenos agregados sociais e.

como instrumento de organização política da comunidade. ou seja. conscientemente de sua nacionalidade. o Estado Estamental nasce sobre as ruínas do absolutismo monárquico.Gestão por Resultados O Estado Estamental entende-se a organização política na qual se foram formandos órgãos colegiados que reúnem indivíduos possuidores da mesma posição social. O Estado Absoluto ocorre por meio de um duplo processo paralelo de concentração e de centralização do poder num determinado território. se organiza politicamente. primeiro constitucional e depois parlamentar. deve ser estudado como um sistema de funções que disciplinam e coordenam os meios (eficiência) para atingir determinados objetivos (eficácia) e como um conjunto de órgãos destinados a exercer essas funções (efetividade). Enquanto na Inglaterra o Estado representativo nasce quase sem solução de dar continuidade do Estado feudal. O Estado Representativo. O Estado. Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub23 23 23 22/8/2007 14:26:45 . precisamente os estamentos. econômica e social e o desenvolvimento. os estamentos (decisões de colegiado) começam a se sobrepor sobre as decisões absolutistas. SEÇÃO 6 Funções básicas do Estado O Estado passa a ter existência a partir do momento em que o povo. com o objetivo de promover o bem comum. como objetivo de manter a ordem política. na Inglaterra e no resto da Europa após a Revolução Francesa e sob a forma de república presidencial nos Estados Unidos da América. A concepção Aristotélica O Estado tem como finalidades básicas: a segurança. tais direitos e privilégios que fazem valer contra o detentor do poder soberano através das assembléias deliberantes como os parlamentos. sob a forma de monarquia.

A concepção liberalista Segundo Souza Franco (1992. Estas funções traduzem a competência de cada um dos Poderes para realizar sua própria gestão administrativa. que já vem sendo discutida desde a década de 80.Universidade do Sul de Santa Catarina A concepção Marxista Maurice Duverger refere-se ao Estado como poder instituído em uma sociedade para dominação de certas classes sobre outras. resolvendo os conflitos de interesses (função disciplinadora ou jurisdicional). cumprir essa ordem. administrando os interesses coletivos. por que passa a Administração Pública. sucedeu no nosso tempo a complexidade de um conceito de atividade financeira centrada sobre o setor público”. gerindo os bens públicos e atendendo às necessidades gerais (função executiva ou administrativa). A concepção Contemporânea O Estado desempenha as seguintes funções: instruir e dinamizar uma ordem jurídica (função normativa. sendo necessário dar respostas à crise fiscal e administrativa. ao tratar das funções básicas do Estado. cumprir e fazer cumprir as normas próprias dessa ordem. Isso nos leva a refletir sobre os reflexos do patrimônio.140). é preciso incluir no temário a discussão sobre sua reforma. O Estado é um mero instrumento das classes dominantes. das estruturas e das instituições que integram o Estado. patrimonial e de controle. “a visão do Estado homogêneo. p. Assim. típica do pensamento e da realidade do liberalismo. conforme quadro a seguir: 24 gestao_por_resultados_na_adm_pub24 24 22/8/2007 14:26:45 . ordenadora ou legislativa).

Aliomar Baleeiro (1978). a de estabelecer um equilíbrio Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub25 25 25 22/8/2007 14:26:45 . ou seja.Gestão por Resultados Quadro 1: Funções Preponderantes e Específicas Funções Preponderantes Funções Específicas Principal Legislativa Normativa Executiva Administrativa Judiciária Judiciativa Acessórias Normativa Administrativa Controle Interno e Externo Administrativa Normativa Controle Interno Judiciativa Controle Interno Fonte: Silva. foi necessário obter os meios indispensáveis para manter sua existência e cumprir suas múltiplas atividades. na qual as funções públicas eram consideradas um mal necessário. as finanças públicas não são somente um meio de assegurar a cobertura para as despesas do governo. até as teorias mais modernas. influenciando o processo de formação e distribuição de riquezas. Com este instrumental. das finanças funcionais. qual seja. na sua obra de Uma Introdução a Ciências das finanças. de simples provedoras de recursos. arremata com precisão quais as atividades que o Estado deveria limitar-se. São Paulo: Atlas. são também. fundamentalmente. as finanças públicas. do Estado Intervencionista. Lino Martins. um meio de intervir na economia. sendo esta última a que se preocupa em obter. defesa. administrativa. passaram a confundir-se com a nova finalidade do Estado. 4 ed. gerir e aplicar recursos necessários para fazer funcionar as instituições. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo. justiça. de exercer pressão sobre a estrutura produtiva e de modificar as regras da distribuição da renda. diplomacia e obras públicas. 2000. No Estado Moderno. financeira. econômica. política. As atividades do Estado estão concretizadas nos objetivos nacionais que fornecem os critérios norteadores da política financeira adotada. Organizado o Estado.

as finanças públicas envolvem toda a ação do Estado para satisfação das necessidades coletivas e. política. a administração pública é dividida. moral e religiosa). o que ultrapassa de muito o conceito clássico e restrito do equilíbrio orçamentário. Para atingir a plena satisfação das necessidades da população. o estudo da conveniência e oportunidade da adequabilidade das ações a serem desenvolvidas para o atendimento de tais necessidades. 2) atividades administrativas e de apoio 26 gestao_por_resultados_na_adm_pub26 26 22/8/2007 14:26:45 . como conseqüência. atividades-fim. segundo as atividades que exerce. que estão voltadas para o efetivo atendimento das demandas da população. que envolvem o próprio papel do Estado e sua estrutura para atender às necessidades da população. Deste modo. Tanto as atividades-meio quanto as atividades-fim podem ser divididas de acordo com a área de atuação em: 1) atividades estratégicas e políticas. em: atividades-meio.Universidade do Sul de Santa Catarina geral das estruturas institucionais (jurídica.

Gestão por Resultados Quadro 1: Funções Preponderantes e Específicas Políticas e estratégias (atividades-fim) Justiça Segurança Pública Defesa Nacional Administrativas e de apoio (atividades-fim) Educação Saúde Transporte Urbanismo Agricultura Gestão Ambiental (atividadesz-meio) Planejamento Orçamento Recursos Humanos Controle Interno Integrado (atividades-meio) Material e Patrimônio Documentação Serviços Gerais Controle Interno de cada Poder FONTE: Silva. dependendo da definição estratégica da organização. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo. Uma atividade meio pode ser considerada como atividade-fim e viceversa. 2000. depende da estrutura que está inserida. O que chama a atenção sobre este quadro é de que a vinculação das atividades-meio e fim se dá exclusivamente no âmbito organizacional. São Paulo: Atlas. Lino Martins. ou seja. Atividades de auto-avaliação Leia com atenção e responda as seguintes perguntas: 1) O que você entende sobre filosofia política e ciência política? Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub27 27 27 22/8/2007 14:26:45 . 4 ed.

Universidade do Sul de Santa Catarina 2) O que é. Maquiavel e Montesquieu? 5) Quais as formas de Estado? 28 gestao_por_resultados_na_adm_pub28 28 22/8/2007 14:26:45 . para você. teorias fundamentais do poder? 3) O que você entende por Estado e Poder? 4) Quais as formas de Governo preconizadas por Aristóteles.

Gestão por Resultados 6) A administração pública pode ser dividida em atividades-meio e atividades-fim e tem como objetivo básico satisfazer as necessidades da população e proporcionar o desenvolvimento do Estado. cumprir e fazer cumprir as normas próprias. Baseado neste conceito. b) ( ) Os Bancos. Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pub29 29 29 22/8/2007 14:26:46 . coloque “V” para verdadeiro e “F” para falso: a) ( ) Segurança. resolvendo conflitos de interesses. com o objetivo de manter a ordem política. (1) Atividades-fim (2) Atividades-meio ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Planejamento e Orçamento ) Justiça ) Recursos Humanos ) Saúde-Saneamento ) Controle Interno Integrado ) Material e Patrimônio )Defesa Nacional ) Documentação )Serviços Gerais ) Segurança pública 7) Com relação às funções (finalidades) do Estado Contemporâneo. e) ( ) Administrar os interesses coletivos. b) ( ) Instituir e dinamizar uma ordem jurídica. d) ( ) O desenvolvimento. econômica e social. consciente de sua nacionalidade. se organiza politicamente. gerindo os bens públicos e atendendo as necessidades gerais. 8) A partir do momento em que o povo. d) ( ) A Política. c) ( ) O Estado. c) ( ) Por meio da função disciplinadora. com o objetivo de promover o bem comum. relacione as colunas. passa a ter existência: a) ( ) O Tributo.

de Ed.Universidade do Sul de Santa Catarina 9) Relacione os Poderes com os Órgãos da primeira linha de acordo com a segunda: a) Poder Legislativo Federal b) Poder Judiciário Federal c) Poder Executivo Federal d) Poder Legislativo Estadual e) Poder Judiciário Estadual f) Poder Executivo Estadual g) Poder Legislativo Municipal h) Poder Judiciário Municipal i) Poder Executivo Municipal j) Auxiliar do Poder Legislativo Estadual k) Auxiliar do Poder Legislativo Federal l) Quarto Poder Federal (Poder Judiciário) m) Quarto Poder Estadual (Poder Judiciário) n) Concessão do Poder Judiciário o) Entidades Privadas sem fins lucrativos 1 ( ) Procuradoria Geral do Estado 2 ( ) Ministério Público Federal 3 ( ) Tribunal de Contas de SC 4 ( ) Promotor de Justiça 5 ( ) Ministério Público Estadual 6 ( ) Juiz de Paz 7 ( ) Assembléia Legislativa 8 ( ) Secretarias de Estado 9 ( ) Congresso Nacional 10 ( ) Câmara dos Deputados 11 ( ) Senado Federal 12 ( ) Câmara de Vereadores 13 ( ) Prefeito 14 ( ) Governador 15 ( ) Presidente do Brasil 16 ( ) Tribunal de Contas da União 17 ( ) Supremo Tribunal Federal – STF 18 ( ) Tribunal de Justiça 19 ( ) Foros 20 ( 21 ( 22 ( 23 ( 24 ( 25 ( 26 ( 27 ( 28 ( 29 ( 30 ( 31 ( 32 ( 33 ( 34 ( 35 ( 36 ( 37 ( 38 ( ) Superior Tribunal de Justiça ) Cartórios Civis e de Imóveis ) Tribunal Regional Eleitoral ) Ministério Público Federal ) Ministério de Integração Social ) Junta Comercial do Estado de SC ) Sindicato dos Servidores Estaduais ) Fundação Cultural do Município ) Orionópolis ) Creche Vinde a Mim a Criancinhas ) Fundação Catarin. Especial ) Receita Federal ) Procuradoria do Município ) Delegacia de Polícia ) INSS – Previdência Social ) Ministério da Cultura ) Colégio Municipal Maria Luiza de Melo (Melão) ) CEI Flor de Nápolis ) APP’s dos Colégios Estaduais 30 gestao_por_resultados_na_adm_pub30 30 22/8/2007 14:26:46 .

procure pesquisar sobre eles nos seguintes sites: www. Continue esta seqüência lógica: S T Q Q ___ ___ ___ 2. Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:31 Sec1:31 31 22/8/2007 14:26:46 .geocities.com www. as formas de Governo e as formas e funções do Estado.Gestão por Resultados Desafios para descontrair! 1.mundodosfilosofos. Desenhe um retângulo com 3 linhas: Veja no Ambiente Virtual de Aprendizagem a resolução dos DESAFIOS e compare com as suas respostas! Saiba mais Para você aprofundar seus conhecimentos sobre cada um dos autores citados nesta unidade. Por meio dos assuntos estudados. escreva qualquer coisa: |____________________| 4.br Síntese Nesta unidade você estudou o Estado e a ciência política. você pôde desenvolver seus conhecimentos sobre as funções e formas do Estado e do Governo.com. além da compreensão de algo mais além do que o desenvolvimento histórico do Estado e Governo. o Estado e o poder. Por favor. colocando apenas um traço: 5 + 5 + 5 = 550 3. o Estado e direito. Corrija esta fórmula.

Universidade do Sul de Santa Catarina Você também realizou uma reflexão sobre as estruturas. funções. Governo e a Sociedade. eles já deram sua contribuição. Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. Agora é com você! Procure desenvolver sua linha de raciocínio com base nos autores aqui mencionados e na indicação do Saiba Mais. elementos constitutivos. releia o texto novamente. antes de prosseguir leia novamente os objetivos de aprendizagem e pense se foram alcançados. Caso persista a dúvida.. atribuindo a esses conceitos um sistema complexo considerado como próprio e nas suas relações com os demais sistemas contíguos inerentes ao Estado. mecanismos etc. O assunto aqui abordado não se limita ao conhecimento das figuras mais importantes da nossa história e filosofia. A partir desses cientistas políticos a humanidade tem se comportado e muitas das idéias que achamos “novas”. já foram exaustivamente discutidas. ou pesquise nas referências no final desta unidade para completar o entendimento do texto. 32 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:32 Sec1:32 22/8/2007 14:26:46 .

Aliomar. DALLARI. São Paulo: Saraiva. Darcy. São Paulo: Globo. São Paulo: Ed. São Paulo: Atlas. BRESSER PEREIRA.Rio de Janeiro: Forense. MUTTI. Luiz Carlos. Brasília: ENAP. 12ª ed. A Burguesia de Estado: estrutura e funções da empresa pública.ed. SEGATTI. BALEEIRO. 1989. Uma introdução à ciência das finanças. 2001. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo.Gestão por Resultados Referências AZAMBUJA. O futuro do Estado. 1978. Dalmo de Abreu. 34. SILVA. 1998. 2000. Unidade 1 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:33 Sec1:33 33 22/8/2007 14:26:46 . 42. Antonio. Paolo. 4 ed. Reforma do Estado para a cidadania: a reforma gerencial brasileira na perspectiva internacional. Lino Martins. 2001. Teoria Geral do Estado.

gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:34 Sec1:34 22/8/2007 14:26:46 .

descaso político. para combatê-los. corrupção.UNIDADE 2 Cidadania como estratégia de transformação 2 Objetivos de aprendizagem Desenvolver o inconformismo deliberado e a impaciência metódica quanto aos temas do nosso dia-a-dia. diante da impotência de se tentar fazer alguma coisa para mudar a situação e não conseguir. não aceitando as coisas como elas são ou estão. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 Exemplos de mazelas públicas Seção 2 Perto da incompetência a corrupção é um Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 gestao_por_resultados_na_adm_pub35 35 mal menor Nesse show do milhão quem paga a conta é você O tamanho da sonegação e dos vazamentos de recursos públicos provocados pelas brechas legais O que eu vou ser? Guga poderia virar um assassino? A quadra que faz derrotados e perdedores 22/8/2007 14:26:46 . Conhecer as atividades marginais. Provocar uma reflexão sobre os assuntos polêmicos e criar em cada pessoa um “mal-estar intelectual”.

quantas reproduções de Sudam e Sudene ocorrem em todo o país: as concorrências superfaturadas. ou seja.7 bilhão em apenas dez anos. zona de influência do senador Antônio Carlos Magalhães. SEÇÃO 1 Exemplos de mazelas públicas Na contabilidade das mazelas públicas. carentes de uma análise técnica. Imagine se alguém tivesse a capacidade de contabilizar. e sim questionar. chegam a R$ 1. com um mínimo de precisão.6 bilhão. pressão dos empresários que não pagam seus débitos.Para início de conversa Nesta unidade você vai estudar a cidadania como estratégia de transformação. provocando em cada pessoa um “mal-estar intelectual” para que reaja diante das circunstâncias e do conhecimento dos fatos. praticar o inconformismo deliberado e a impaciência metódica. na Sudene. coluna de Gilberto Dimenstein. passando pelas obras desnecessárias apenas para alimentar empreiteiros. Os textos pré-selecionados foram extraídos da “Folhaonline”. região do senador Jader Barbalho. empréstimos ruins. financiadores de campanhas. a concessão ou manutenção de subsídios articulados no 36 gestao_por_resultados_na_adm_pub36 36 22/8/2007 14:26:47 . não aceitar as coisas como elas são ou estão. foram divulgados cálculos informando que os desvios da Sudam. mais R$ 1.

O estudo indica que os impactos da corrupção custariam a cada brasileiro R$ 6 mil anuais. contratação de parentes e correligionários eternizados nas folhas de pagamento. divulgado pela Transparência Brasil. os bancos oficiais como Banco do Brasil. vive-se uma crise de bandeiras. propostas inovadoras saíram da pauta. prometem mais gastos na área social.ou qualquer cargo . Daí que a luta contra a ladroagem tornou-se o ópio dos políticos. Todas aceitam. forçando uma reação do TCU. em essência. as regras da economia de mercado. ou seja. em maior ou menor grau. Desde 1992 o Tribunal de Contas da União possuía documentos indicando irregularidades na construção do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. as mesmas propostas. as privatizações já um fato consumado. lançam. Além da crise ética. A exploração da questão da ética expressa muito menos a vontade de limpar a sociedade das falcatruas e muito mais a necessidade de ganhar pontos na corrida sucessória e destacar-se com uma bandeira capaz de entusiasmar o eleitorado.Gestão por Resultados jogo política. mais de três salários mínimos. cerca de R$ 500 por mês. Vende-se a idéia de que honestidade não é condição básica para alguém exercer um cargo público . ou Caixa Econômica Federal. muitos vezes porque os endividados têm força no Congresso e assim por diante. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas. Apenas em 1999. exemplo acabado de descalabro. Os partidos falam a mesma linguagem. dá uma medida do custo daquela combinação. entidade recém-criada no Brasil para prevenir e denunciar a roubalheira pública. melhorando educação. emprego. o Tribunal condenou a obra. virou um dos focos centrais da CPI do Judiciário. Unidade 2 gestao_por_resultados_na_adm_pub37 37 37 22/8/2007 14:26:47 . saúde. repletos de listas de empréstimos que não voltaram e o dinheiro não é resgatado. depois de longos sete anos. na busca de uma diferenciação.mas uma qualidade. mesmo assim porque aquele prédio inacabado.

o zelo para atacar as mazelas. O escândalo rapidamente se esvai. 38 gestao_por_resultados_na_adm_pub38 38 22/8/2007 14:26:47 . hoje. Nenhum país conseguiu. a reação generalizada é de que faltam punições (o que é verdade) porque a polícia não funciona (também verdade) e o Judiciário é lento (mais uma verdade). mesmo a mais informada. substituído por outro escândalo. Chegamos onde chegamos porque a população. O problema brasileiro não é. em uma quase indiferença. se for uma doença localizada ou uma metástase. O que vemos. cai no esquecimento. Pior. O que acaba estimulando a inoperância da polícia e a lerdeza do Judiciário. sequer se sentem donos de direitos. assim como o Pão de Açúcar. vamos reconhecer que aumentam os esforços. espalhando-se por todo o tecido de uma nação. em essência. dilapidada à céu aberto. campo fértil para atuação das máfias. Esses níveis de corrupção só conseguem prosperar em uma sociedade desorganizada pela ignorância. quando a ignorância dos direitos sobressai e impera. são espasmos de indignação. As nações mais ricas e democráticas como o Japão. Pegue-se o exemplo de São Paulo. não conhecem seus direitos ou deveres. especialmente entre os jovens procuradores. essa estrutura é a conseqüência. O grave é a ignorância. reforçando a idéia de que todos são delinqüentes e de que a corrupção é integrante natural da paisagem brasileira. raramente acompanham sua atuação. a estrutura capenga obrigada a descobrir e punir. de fato. óbvio. E os que sabem. ostentam escândalos que abalaram suas cúpulas políticas. a maioria sequer sabe em quem votou para vereador. Impunidade prospera. erradicar a ladroagem pública. virou as costas para a cidade.Universidade do Sul de Santa Catarina A cada episódio. Deu no que deu: impunidade crônica. na qual os cidadãos são desinformados. a partir da descoberta de algum caso pela imprensa. A questão é a intensidade. por exemplo.

Esse é o melhor remédio para se enfrentar a corrupção. SEÇÃO 2 Perto da incompetência a corrupção é o mal menor O prejuízo do racionamento de energia elétrica vai ser de R$ 30 bilhões. Este cálculo está em um relatório de economistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e mostra que. a disseminação nas noções de direitos e deveres. Inegável. É fácil de entender. a corrupção consegue ser um mal menor. hoje. Quantos golpes nos cofres públicos seriam necessários para angariar R$ 30 bilhões? Não há a menor dúvida de que os erros de políticas públicas são mais devastadores do que a roubalheira. uma galeria não tão escassa de cabeças coroadas.Gestão por Resultados Se houve um avanço em São Paulo. Mas a solução não está na polícia. Some-se o corte de empregos (algo como 800 mil) para se ter uma pálida idéia da tragédia. porém.a soma da produção de bens e serviços . deve ceifar o crescimento.5%.5%. apesar desses escândalos. o Brasil desenvolveu nos últimos anos mais e melhores mecanismos para coibir a roubalheira. Esses 3% podados do bolso dos brasileiros significariam os R$ 30 bilhões. incapaz de detectar um problema tão grave. comparada ao custo da incompetência. mas nas salas de aula. O impacto do racionamento. e não apenas em momentos especiais. Unidade 2 gestao_por_resultados_na_adm_pub39 39 39 22/8/2007 14:26:47 . que é pouco. limitando-o a 1. por técnicos. Assim como ensinam matemática e português. segundo os técnicos. já existem. nas próprias páginas da imprensa. Estimava-se que o Produto Interno Bruto . advertido. Inegável que.inclusive da imprensa. mas diariamente. foi a consciência de que a cidade passa por uma metástase de delinqüência.cresceria este ano 4. É consenso que essa crise foi provocada essencialmente pela escassez de competência . entre elas de juízes. as escolas devem levar a sério.

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Mas existe uma questão de marketing. Notícias sobre corrupção
atraem mais atenção, entronizadas na guerra entre o bem e o mal:
são notícias com cara e alma de personagens conhecidos projetados nas trevas.
Acompanhar políticas públicas e detectar erros exige paciência de
acompanhamento de longos e intrincados processos, o que não
tem charme para o leitor comum. Quantas pessoas teriam interesse em acompanhar as negociações sobre o preço do gás que,
afinal, impediram a construção de usinas termoelétricas e ajudam
a explicar a entender a escassez de energia?
O problema é que nem sempre vemos nitidamente os efeitos da
incompetência; no caso da energia, vemos nossas casas escuras.
Imagine se pudéssemos acompanhar e avaliar os custos de erros
das políticas educacional, de segurança, de saúde, agrícola, industrial, entre outras, nas esferas da União, Estados e Municípios.
O amadurecimento político do país será medido pela capacidade
de o cidadão ter mais recursos para prestar menos atenção no
show e olhar os processos decisórios.

SEÇÃO 3

Neste show do milhão quem paga a conta é você
Pelos cálculos da Receita Federal, o contribuinte brasileiro transfere cerca de R$ 1,4 milhão diariamente para os produtores de
refrigerantes, isso significa que empresas como a Coca-Cola sorvem recursos públicos e engordam seu faturamento.
Tudo na mais perfeita legalidade, graças aos créditos fiscais. Ou
seja, elas desfrutam da possibilidade de pagar menos impostos,
em uma trama realizada em gabinetes ministeriais e parlamentares, e mantida, na maioria das vezes, pela engenhosidade de
grupos tão poderosos quanto silenciosos.
“É um disparate. Dinheiro que, em tese, poderia estar indo
para cestas básicas ou saneamento ajuda a vender refrigerantes sem teor nutritivo”, afirmou Everardo Maciel, exSecretário da Receita Federal.

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Gestão por Resultados

Para avaliar o que daria para fazer R$ 1,4 milhão por dia: imagine um programa de renda mínima transferindo um salário mínimo mensal para 245 mil famílias miseráveis. Em uma estimativa
conservadora, cada família com seis integrantes, o programa ajudaria 1,5 milhão de pessoas.

SEÇÃO 4

O tamanho da sonegação e dos vazamentos de
recursos públicos provocados pelas brechas legais
Para a imensa maioria dos brasileiros, o fluxo de dinheiro público
é uma caixa-preta; como se vê (ou se deixa de ver) nos ingênuos
refrigerantes, apenas símbolos exóticos dessa monumental ignorância.
O debate sobre o sigilo fiscal, aquecido nos últimos tempos, com
sua flexibilização aprovada na Câmara, coloca em evidência o
tamanho do desconhecimento sobre como sai, deixa de sair e é
usado o dinheiro do cidadão.
“Mesmo quem, em matéria de impostos, acha que sabe muito,
sabe muito pouco”, diz supostamente o brasileiro melhor informado sobre os números dos impostos.
Ninguém conhece, segundo Everardo, ex-Secretário da Receita
Federal, o tamanho da sonegação e dos vazamentos de recursos
públicos provocados pelas brechas legais.
Só uma inexpressiva minoria de técnicos conhece os
labirintos que fazem com que esse ou aquele grupo
leve uma mordida maior ou menor dos impostos.
Trabalha-se com vagas estimativas.
Ao pedir aos deputados e senadores mais poder
para investigar sonegação, o governo divulgou um estudo, baseado na arrecadação do CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e
de Créditos de Natureza Financeira); descontado direto da conta
bancária, esse imposto dá uma idéia da movimentação financeira
do contribuinte.

Unidade 2

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Universidade do Sul de Santa Catarina

O estudo analisou uma amostra de 62 indivíduos isentos do pagamento de Imposto de Renda. Para entrar nessa humilde categoria, exige-se renda inferior a R$ 900 mensais. Mas os 62 isentos ostentam um movimento bancário de milionários.
Mais disparates contidos no mesmo estudo. Registradas como
inativas na Receita Federal, 24 empresas movimentaram R$ 34
bilhões, milagroso capital de giro.
A Receita leva bordoadas de todos lados porque, ao exigir o direito de usar os dados da CPMF como pistas da sonegação, estaria
ferindo o princípio do sigilo fiscal.
É consenso que o dinheiro público é mal gasto, desperdiçado,
perdendo-se na incompetência e na corrupção.
Basta lembrar das fortunas pagas para se manterem as aposentadorias dos funcionários do setor público; um funcionário do Judiciário ganha 23 vezes mais do que o pobre mortal que depende
do INSS.
A sensação é de que o dinheiro público passa sempre por mais
mãos do que deveria.
Sempre disposta a achar (muitas vezes erradamente) que todo e
qualquer político é um delinqüente, a opinião pública acompanha
o duelo com a sólida suspeita de que ambos devem ter razão, ambos supostamente beneficiados pelo binômio impunidade/desinformação.
Mais um motivo para dizer que se, na cobertura, alguns conseguem se enriquecer tão facilmente, é injusto cobrar honestidade
dos que estão no porão.
E, assim, guiados pelo mau exemplo de quem deveria ser o primeiro a dar o exemplo, muitos encontram pretexto para sonegar.

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Gestão por Resultados

SEÇÃO 5

O que eu vou ser?
Uma experiência desenvolvida nos Estados Unidos
mostra como ensinar ética a futuros executivos e
empresários: levá-los para a cadeia. Nem que seja
por algumas horas.
O estudo de ética nos negócios faz parte do MBA
da Pepperdine University, na Califórnia. Para reforçar e ilustrar o conteúdo de sala aula, os alunos são
convidados a visitar um presídio, onde conversam
com empresários e executivos, presos por terem
ferido a lei, quase todos, a exemplo da audiência,
com diploma de curso superior e MBAs, incompetentes em sua esperteza.
Depois da experiência na cadeia por algumas horas,
os estudantes se mostraram, provocados mais pelo medo do que
senso de honestidade, a encarar com mais reverência à lei.
Vamos supor que tentássemos reproduzir tal experiência no Brasil. A primeira e óbvia pergunta: quantos empresários ou executivos estão na cadeia e poderiam dar uma aula prática sobre os
perigos da transgressão?
A reposta é também óbvia. O curso seria, portanto, um fracasso
por falta de material didático e por uma falha didática, a falta de
exemplos de punição às transgressões cotidianas.
Centralizam-se os alvos no poder público e, em muito menor
escala, no poder empresarial. E muito menos ainda na esfera
privada. Tipo: jogar papel no chão, furar fila, subornar guarda de
trânsito, andar em alta velocidade, estacionar em fila dupla e por
aí vai.
O problema, difícil de admitir, é que a falta de ética na política é,
em boa medida, apenas e tão-somente reflexo da falta de ética da
sociedade, acostumada à impunidade.
Há poucos políticos, porque existem poucos empresários e executivos enjaulados. Ou pouquíssima gente multada por depredar ou
sujar o espaço público.

Unidade 2

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Apesar das cifras baterem nos bilhões, o dinheiro é pouco, muito
pouco, para enfrentar o tamanho da criminalidade, uma tarefa
que, a rigor, está nas mãos dos governadores, administradores de
uma polícia mal-treinada, escassa, mal-remunerada e, muitas vezes, corrupta ou associada ao crime organizado.
Apesar de lançar medidas de prevenção, voltadas à educação ou
iluminação de ruas, sobressaiu, no debate gerado pelo plano, a
ênfase à repressão.
Compreensível: a opinião pública acredita que, melhorando a polícia, a criminalidade vai despencar
rapidamente.
O que é, em parte, verdade, mas uma ilusão. Uma
estatística, em especial, pouco divulgada, mostra que o
buraco é mais embaixo, o desemprego juvenil, na faixa dos 15 aos
24 anos.
Quem não levar em conta essa estatística, vai estar ludibriando os
cidadãos.
Todos sabemos que o desemprego aumentou. Pouco se sabe, em
detalhes, que aumentou espantosamente entre os jovens, caldo
para a formação de delinqüentes. Basta ver o perfil dos presos.
Peguemos o caso da região metropolitana de São Paulo, segundo
o IBGE. De 1979 até 1998, o desemprego entre os jovens de 15 a
24 anos cresceu 543,9%. Arredondando: quase 7 (sete) vezes.
Em 79, a taxa de desemprego nesse segmento era de 5,6% e, em
98, 27,9%. Um em cada três jovens está desempregado.
Traduzindo ainda mais: se, em 79, tínhamos 78 mil jovens desempregados, hoje beiram os 700 mil.
Para entender melhor, visualizem 10 estádios lotados do Morumbi, com jovens frustrados e sem perspectivas, marginalizados.
Nesse período de quase 20 anos, o número de vagas oferecidas
para essa faixa etária caiu em 3,2%.
Afirma Márcio Pochmann, economista da Unicamp, que acaba
de lançar o livro “A batalha pelo primeiro emprego”, com a mudança da economia, reduziram-se vagas que, tradicionalmente,
absorviam a mão-de-obra juvenil com baixa qualificação.
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Gestão por Resultados

Diante dessa avalancha de marginalidade, retratada em seu livro,
o economista defende que os governos desenvolvam projetos de
renda mínima, para estimular o jovem a ficar mais tempo na escola.
A tendência em São Paulo é seguida em todas as regiões metropolitanas brasileiras.
A forte influência do desemprego juvenil é notável a partir de
uma simples comparação de estatísticas.
Novamente vamos exemplificar o caso da região metropolitana
de São Paulo, onde, do final da década de 70 até hoje a população
saltou de 10 milhões para 17 milhões de habitantes.
Em 1975, quando o desemprego geral era de 5,6%, a taxa de homicídio chegava a 8 (oito) por 100 mil. Visto com as lentes atuais, era como se vivêssemos no paraíso.
Em 1999, o desemprego, na média, era de 8,3% e a taxa de homicídios 66,55 por 100 mil habitantes.
Os homicídios cresceram, como se vê, várias vezes mais do que o
índice médio de desemprego; a população inchou 70%. A renda
por habitante evoluiu; a cidade, portanto, está mais rica e os salários maiores.
O que acompanha a linha de assassinatos é a linha de desemprego juvenil: saltou quase sete vezes. Ou seja, o homicídio cresceu 7
(sete) vezes e o desemprego na faixa dos 15 a 24 anos, 8 vezes.
Seria uma irresponsabilidade fazer uma ligação automática entre
desemprego juvenil e mais criminalidade.
Há mais fatores em jogo. Por exemplo: impunidade, indigência
da polícia, pobreza das escolas públicas, epidemia de crack, falta
de lazer, carência do sistema judiciário, falta de justiça, migração
caótica, selvageria das prisões.
Mas, com absoluta certeza, pode-se dizer que, sem medidas para
garantir ao jovem, meios de ingressar no mercado de trabalho,
qualquer plano de segurança não é plano nem, muito menos, seguro.

Unidade 2

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gerando explosões tanto no ensino médio como superior. depois de um atabalhoado seqüestro. levando em conta o tamanho de nossa economia e o potencial de nossas riquezas naturais e. Em uma segunda-feira. Nunca tanta gente esteve na escola. a julgar por esse ritmo de crescimento econômico. ganhou fama com uma raquete de tênis na mão. expectativa de vida. Gustavo Küerten. temos melhora nos nossos indicadores de mortalidade infantil. com o troféu que levou no torneio de Roland Garros. porém. é coisa de quem não lê números ou tem interesses políticos. Outro. era jogado num camburão. negro. ele queria R$ 1 mil. cercado de policiais. o Guga. SEÇÃO 6 Guga poderia virar um assassino? Dois jovens. comoveram o Brasil. analfabetismo e matrícula escolar. vamos ficar sem comemorar por muito tempo . Para o que poderíamos ser. Um deles é branco. 22 anos. Nada disso. é sinal de que vamos para frente. com a sociedade. 23 anos. E. autoriza qualquer governante a comemorar. crescemos uma média de 10% ao ano. se deixava fotografar em frente à Torre Eiffel. mas muito melhor. ex-colegial. Sandro do Nascimento. estadual e municipal). cercado de fãs. Naquele mesmo dia. 46 gestao_por_resultados_na_adm_pub46 46 22/8/2007 14:26:48 . combinado.mas daí a achar que vamos para trás. deveríamos estar muito. onde morreu sufocado. que projetou-o para o primeiro lugar do ranking mundial e o deixou U$ 600 mil mais rico. muitas vezes. Graças ao esforço de várias esferas de governo (federal. só no ensino médio. humanas. quase a mesma idade. ganhou fama com um revólver na mão.Universidade do Sul de Santa Catarina Os fatos que importam para se avaliar a performance social de um país devem ser buscados na educação e saúde: se a média mostra uma população com mais saúde e educação. poucos meses de diferença. em especial.

lhe faltaram apoio. nos ensina sobre o que pior podemos ser. matou e foi assassinado. Guga chegou aonde chegou porque recebeu apoio. conectados pela TV. nos ensina sobre o que melhor podemos ser. Todo grande vencedor tem uma grande dívida com alguém que o ajudou a prosperar. seja na quadra de tênis ou no ônibus. no ambiente que levou Sandro para a rua. talento e perseverança. num simpático gesto provinciano. graças à união da técnica. graças à união da falta de técnica. pela TV. nas quase 4 horas que precisou para derrotar o adversário. Vimos. Unidade 2 gestao_por_resultados_na_adm_pub47 47 47 22/8/2007 14:26:48 . por trás do troféu. despreparo e omissão. Mas o suspense provocado pela raquete de Guga. Nas saudações. O suspense de Sandro. minuto a minuto. Sabia que. falou de seus familiares e. ao contrário. Pelo seu jeito desengonçado. estímulo e orientação. estímulo e orientação. Cada qual ficou em seu palco. numa hipótese absurda. seu único dia de notoriedade foi também seu último dia de vida. naquele mesmo ano em que nasceu. em tempo real. estilo menino travesso. encerrado o jogo. também quatro horas no ônibus em que tinha o mundo adversário e uma refém nos braços. Sandro nunca inspirou confiança e só rompeu a barreira do anonimato quando seqüestrou.Gestão por Resultados Ambos foram acompanhados. Guga não inspirava confiança quando ganhou pela primeira vez Roland Garros e rompeu a barreira do anonimato. jogássemos Guga. ele quis saber onde estava seu técnico e. provavelmente estaria preso ou morto. Sandro chegou onde chegou porque. quase quatro horas. estavam os familiares e o técnico. que. mandou pelas câmeras beijos para os parentes. subiu as cadeiras para abraçá-lo. ele que escapara da notória chacina da Candelária. Se.

subemprego. que fazem prosperar ou regredir. em particular aqueles com baixa escolaridade. Por trás do corpo asfixiado estava a família desestruturada. E também mostram como a renda está caindo especialmente nas regiões metropolitanas. 48 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:48 Sec1:48 22/8/2007 14:26:48 . Deterioração das regiões metropolitanas. Guga e Sandro estavam divididos exatamente pelas linhas que incluem e excluem. são as linhas dessa quadra de exclusão. que dão ou tiram chances. elas apenas serviram para marginalizá-lo. funcione. mantendo-o deseducado e. devastada pela violência e drogas. educação pública ruim. Nessa quadra chamada Brasil. baixa escolaridade. Desemprego. no Jardim Botânico. não há polícia que. políticas públicas indigentes para recuperar jovens. Nem prisão que abrigue tantos delinqüentes.Universidade do Sul de Santa Catarina Não teve ajuda da família. SEÇÃO 7 A quadra que faz derrotados e perdedores Porventura. se temos mais medo e vergonha do Brasil do que orgulho e confiança. com clareza. é porque nossas linhas divisórias criam mais espaço para gerar Sandros do que Gugas. como o desemprego atinge. Os números mostram. desempregado. de fato. da escola ou de instituições públicas. Vamos seguir produzindo mais chances de Sandros do que Gugas. desemprego acentuado entre os jovens. baixos salários. por conseqüência. são os fatores que empurraram o transtornado Sandro para dentro daquele ônibus. Nesse jogo da morte. mais pesadamente. Todo grande derrotado também tem um grande crédito com alguém ou algo que o ajudou a afundar. tratar drogados e assessorar famílias desestruturadas. Pior.

lá pela década de 70. Alguns colegas argumentaram que num boteco mais simples dá para encontrar cafezinho a R$ 0.00 por dia.12 1(hum) pãozinho..04 4 cafezinhos e 4 pãezinhos por dia são suficientes para alimentar muito bem uma pessoa. pelos “critérios” do PASQUIM deveria ser hoje de R$ 504. o salário mínimo. Bom. E eis que alguns dias depois “O PASQUIM” aparece com uma de suas capas que se tornaram históricas: um sujeito fantasiado de Mário Henrique Simonsen numa sala de aula. Então... e o salário mínimo deveria ser de R$ 360. Qual seria a base para sua definição.. Muito se discutiu sobre o porquê daquele valor meio exótico..64. Até que depois de várias discussões Mário Henrique Simonsen finalmente definiu: Cr$76. enfim.. Agora vamos fazer a mesma conta para o novo salário mínimo. Por esse cálculo. escrevendo no quadronegro: “1 cafezinho.. Uma família média tem 4 pessoas.” e a manchete: “Pasquim explica o cálculo do salário mínimo” e lá dentro..Gestão por Resultados Somos.56. mas ISTO É A VERDADE!!!! Unidade 2 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:49 Sec1:49 49 22/8/2007 14:26:48 . uma pessoa precisa de R$ 4... na padaria aqui perto) e o pãozinho francês está em torno de R$ 0. 4 pessoas de R$ 12. Portanto....25.. portanto chegamos ao valor de Cr$ 76..80. houve uma certa hesitação sobre qual seria o novo valor do salário mínimo.. vinha a conta: 1(hum) cafezinho... O mês tem 30 dias. uma pessoa precisaria de R$ 3..80. uma nação de perdedores? Curiosidade No início do governo Geisel... Parece gozação.80 (setenta e seis cruzeiros e oitenta centavos). Ou seja. Cr$ 0.80 (pelo menos. Cr$ 0. 1 pãozinho.00. o cafezinho custa R$ 0. logo uma família média precisa por dia de Cr$ 2.00...50.20 por dia para se alimentar e 4 pessoas precisam de R$ 16. uma pessoa precisa por dia de Cr$ 0.00 Pelo critério dos 4 cafezinhos e 4 pãezinhos do Pasquim de 30 anos atrás.

convocação de sessões extraordinárias etc? 2) Na sua opinião. quando se tem um filho chorando de fome. por estadas em hotéis e fazendo assembléias para votar o aumento do seu próprio salário e auxílio terno. pois não tem onde morar. reivindicando mais cotas para cada gabinete. enquanto vemos nossos “representantes” corrompendo-se por passagens áreas. ou quando a família passa frio.Universidade do Sul de Santa Catarina Atividade de auto-avaliação Leia com atenção e responda as seguintes perguntas: 1) Como não se tornar corrupto. transporte. tendo que morar de favores. moradia. não suportando aluguel. como e de que forma podemos combater a corrupção? 50 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:50 Sec1:50 22/8/2007 14:26:54 . doenças provenientes da situação miserável e sua renda (que renda?). alimentação.

Gestão por Resultados 3) Nesta unidade você estudou que as pessoas são desinformadas ou desonestas quando dizem que o país está piorando. o autor Gilberto Dimenstein afirma que a corrupção é o ópio dos políticos. Justifique esta afirmação. Unidade 2 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:51 Sec1:51 51 22/8/2007 14:26:54 . Qual a sua opinião sobre este fato? 4) No texto.

Caso persista a dúvida.folhaonline. pôde questionar-se sobre esta questão: o que você pretende ser? Ou qual o caminho que você poderá ou deverá tomar. antes de prosseguir leia novamente os objetivos de aprendizagem e veja se foram alcançados.Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade você conheceu exemplos de mazelas públicas e pôde constatar que perto da incompetência.folhaonline. ou use a bibliografia básica ofertada abaixo. da União – www. Além disso. Saiba mais Visite o site www.br para se informar sobre o que o Governo Federal está fazendo para dar mais transparência às suas ações. releia o texto novamente. Quer ficar sabendo de mais notícias: visite o site http://www. a corrupção é um mal menor.br\gilbertodimenstein\ 52 gestao_por_resultados_na_adm_pubSec1:52 Sec1:52 22/8/2007 14:26:54 .com.gov.tcu. Você também verificou que o tamanho da sonegação e dos vazamentos de recursos público é provocado pelas brechas legais.portaldatransparencia. gov. com.gov. diante de tantos exemplos negativos? Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. para completar o entendimento do texto.br e do seu Estado www.tce.br Referências www.sc. Em nível estadual visite sites de Tribunais de Contas.br e conheça como funciona esta estrutura de combate à sonegação.

Estudar os tipos de gerenciamento que podem ser implementados nas gestões governamentais de políticas públicas. Compreender os paradigmas atuais e os ultrapassados. Entender que é preciso modernizar os serviços prestados aos cidadãos. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 O que são os 5 E’s da administração pública? Seção 2 Quais são os paradigmas organizacionais atuais e os ultrapassados? Seção 3 Quais são as quatro boas razões para não Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 gestao_por_resultados_na_adm_pub53 53 gerenciar o Serviço Público? Quais são as quatro importantes razões para gerenciar o Serviço Público? O que é um gerenciamento responsabilizante? O que é um gerenciamento âncora na cultura do serviço público? Você sabia que a cada gerente cabe encontrar seu estilo? 22/8/2007 14:26:54 .UNIDADE 3 Os 5 E´s da Administração Pública e os tipos de gerenciamento 3 Objetivos de aprendizagem Analisar os 5 E´s da Administração Pública.

da Constituição Federal de 1988. Publicidade e Eficiência . SEÇÃO 1 O que são os 5 E’s da administração pública? Você já ouviu falar nos princípios constitucionais? O que você sabe sobre este assunto? Aproveite o espaço a seguir para fazer suas anotações. 54 gestao_por_resultados_na_adm_pub54 54 22/8/2007 14:26:54 . Já em relação aos paradigmas organizacionais. com a alocação dos recursos no momento preciso e com menor dispêndio possível (economicidade).Para início de conversa O estudo dos cinco E’s nos remetem a um sistema de funções que disciplinam e coordenam os meios (eficiência) para atingir determinados objetivos (eficácia) e como um conjunto de órgãos destinados a exercer essas funções de forma a atestar se o que foi feito serviu para atenuar os problemas da sociedade (efetividade). Moralidade. para se alcançar o equilíbrio das contas públicas. Impessoalidade. estes princípios constitucionais estão dispostos no artigo 37. podemos observar que ainda estamos assentados em modelos obsoletos. Veja agora algumas características dos princípios constitucionais: Legalidade.LIMPE.

mas também pela moral comum. sua validade perante partes e terceiros. A Eficácia refere-se ao grau de obtenção dos objetivos. e que se alinham nesta interpretação. ou seja. da Legalidade. verificando se está compatível com os custos e os preços de mercado e alocando esses recursos na hora apropriada. Exclui. Já a Publicidade é a divulgação de todos os atos da Administração para conhecimento público e início de seus efeitos externos. Sua meta é a diminuição do Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub55 55 55 22/8/2007 14:26:55 . a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. que se guia não só pelos preceitos legais. A Moralidade está intimamente ligada ao conceito do “bom administrador”. Já com referência ao princípio da Impessoalidade. impõe ao administrador a prática permanente do ato para o seu fim legal. A Efetividade corresponde ao grau de benefícios alcançados pela aplicação de uma determinada quantidade de recursos. correspondendo à otimização dos recursos utilizados. deles não se podendo afastar ou desviar. justo e injusto. referimo-nos à forma pela qual os objetivos são alcançados. Ao comentarmos sobre o princípio da Eficiência. O Equilíbrio após a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal tomou dimensão de princípio. veja os 5E’s. civil e criminal. devendo estar atento ao que é lícito e ilícito. também. de forma impessoal. Para fazer jus a outros princípios que iniciam pela letra “E”. o interesse público. A Economicidade diz respeito ao grau de adequação econômica dos meios (bens e serviços) necessários à realização dos serviços públicos. coloca que nada se pode fazer na Administração Pública sem sujeição aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum. ou seja.Gestão por Resultados O primeiro princípio. sob pena de exposição à responsabilidade disciplinar. se relaciona com o retorno social que a ação governamental trouxe a sociedade (medida de impacto social).

Redução dos níveis hierárquicos da empresa Estrutura Horizontal a um mínimo necessário. Planos. A execução das despesas. Programas. Redução da quantidade de papéis em trânsito dentro da instituição. Informatização Diretrizes.Descrição rígida de cargos e Receptividade nas Conscientização pela de suas atribuições. reduzindo cargos de chefias. Padronização e racionalização de formulários. 4 .Estrutura Vertical (minimização dos níveis aglomerando áreas afins e (Multiplicidade de níveis hierárquicos). de normas. O princípio do equilíbrio passa a ser parâmetro para o acompanhamento da execução orçamentária. através da redução de formulários. relações entre subordinados e educação(treinar sabendo-se superiores. é necessário mostrar as inadequações e iniqüidades daquilo que geralmente se faz a respeito dos continuísmos e dos velhos paradigmas organizacionais e culturais que ainda predominam na cabeça dos dirigentes e das decorrências inevitáveis que eles trazem para o comportamento das pessoas e das organizações. Descentralização de arquivos e diminuição dos documentos arquivados. Flexibilização de cargos.Funções Preponderantes e Específicas PARADIGMAS ULTRAPASSADOS 1 . Flexibilização das normas.Estrutura Organizacional e Operacional voltadas apenas para o empresário e a empresa. hierárquicos). Eliminação de setores ineficientes. 3 . o porquê. resultados comprometedores para o cumprimento das metas fiscais. 2 . Veja no quadro a seguir algumas mudanças: Quadro 1 .Universidade do Sul de Santa Catarina déficit público. cada funcionário. 22/8/2007 14:26:55 . 56 gestao_por_resultados_na_adm_pub56 56 PARADIGMAS ATUAIS MUDANÇAS DE PARADIGMAS Enfoque para a Qualidade Implementar mudanças nas Total. Projetos. Rotinas voltadas para o cliente. Sistemas. invariavelmente. SEÇÃO 2 Quais os paradigmas organizacionais atuais e os ultrapassados? Para se obter as transformações necessárias que a sociedade deseja. etc..Burocracia rígida. e Reengenharia. da importância da ética). sem a correspondente arrecadação no mesmo período acarretará. Maior responsabilidade de baseada na ética.

informatizada com processos comparado ao financeiro ou amparado na capacidade e permanentes de educação material. São Paulo: Atlas. eficaz. efetividade.O computador é um fim em entre outras ferramentas de os recursos existentes. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub57 57 57 22/8/2007 14:26:55 . Aproveitamento do funcionário em diversas funções através do rodízio de atividades. um suporte. Reciclar a metodologia. Idalberto. humano(visão sistêmica). estratégica e especialistas em OSM para a mudanças.O Homem visto apenas paradigmas de organização como Recurso Humano Liberdade para ousar. economicidade.entre o grupo. informatizar. se agir separadamente perde Ferramenta poderosa como potencial.Gestão por Resultados 5 . O coletivo acima do Aumentar a produtividade individual. custo em menor espaço de tempo possível (informatizar planejada e permanente. inclusive os erros). atingindo assim a Teoria dos 5 Es – eficiência.Informatização a qualquer Planejamento estratégico treinar de maneira harmônica. não as partes que interagem O homem como objetivo do priorizando o homem formando um todo coeso e planejamento. apenas pelos gerentes. si mesmo.Somente os indicados terão Oportunidade de oportunidade de crescer. O computador é mais uma Interagir a máquina com 9 .Instrumentos e Metodologias voltadas para instrumentos e metodologias Metodologias Organizacionais o cliente. pois um todo. Criatividade na Solução de Problemas. Criar grupos de trabalho para levantar os problemas e encontrar as soluções. experimentação pessoal para todos por competência . Fonte:Chiavenato. Divulgar os problemas A tomada de decisão faz 6 . organizacionais como meio voltadas apenas para o não como um fim em si empresário e a empresa. Preparar equipe multidisciplinar de Profissionais com visão 8 . Tratar da análise dos 11 . eficácia. abertos globalizada. profissionais especialistas Dinamicidade para exercer externos que possam suas funções. 7 .A informática é apenas para profissionais internos. Organizar. Educar cada envolvido para que expresse suas idéias. interagindo com operacional da empresa. 2003. 4. alavancar um processo de mudança na organização. ed. propiciando a criação de novos 10 . burocratas. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. equilíbrio. Valorização do talento Rever a visão da empresa. e conseqüente diminuição das despesas. mesma. organizacional. conhecimento adquiridos.Planejamento estabelecido Organizar para harmonizar parte do trabalho de todos.

torna-se o desafio do gerenciamento administrativo público de nossos dias.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 Quais são as quatro boas razões para não gerenciar o Serviço Público? As quatro razões mais freqüentemente colocadas pelos gerentes do serviço público para concluir que o gerenciamento não lhes concerne são as seguintes: 1) É bom para o privado. vejamos: 1) É bom para o privado. 4) É manipulação. gerir a eficácia das ações e regulação dos procedimentos com ênfase nos resultados e o respeito às regras. O setor privado obedece à racionalidade gerencial. logo passará. racionalizá-las. Conciliar essas duas lógicas contraditórias (gerencial e jurídica). O setor público deveria obedecer à racionalidade jurídica e à racionalidade gerencial. 2) É somente uma moda. mas inadequado para o público A oposição entre gerenciamento no setor público e gerenciamento privado é ativa. mas inadequado para o público. tem como conseqüência o desconhecimento das especificidades dos setores administrativo e privado. Nossa opinião é que esta oposição. 3) Nova vestimenta para uma prática antiga. Senão. 58 gestao_por_resultados_na_adm_pub58 58 22/8/2007 14:26:55 . sabiamente mantida.

e buscam exatamente facilitar a sua assimilação pelos quadros do serviço público. o argumento não se sustenta. para se adaptar ao contexto atual. essas discussões sobre o gerenciamento. uma profunda perplexidade. enfim. De fato. a nosso ver. as diferentes práticas anteriormente mencionadas tiveram. todos os governos mantêm uma grande continuidade em relação ao gerenciamento de expandir seu uso público. parece difícil aceitar este argumento. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub59 59 59 22/8/2007 14:26:56 . Traduz. são sem fundamento. e não é por não serem mais utilizadas que não tiveram seu papel. estão todas ligadas ao gerenciamento.Gestão por Resultados 2) É somente uma moda. posto que já o praticam. mas deixam claro que a maneira de conduzir os homens e as mulheres deveria mudar. se nos ativermos à definição dada. 4) É manipulação Este questionamento é muitas vezes expresso no serviço público. sua utilidade. já que as organizações que introduziram e desenvolveram o gerenciamento em seu interior não têm o sentimento de apenas terem mudado o nome de uma prática antiga. logo passará Outra boa razão para não gerenciar é apresentar o gerenciamento como uma moda e. pois: de um lado. pois há muito tempo fazem a mesma coisa. Mesmo assim. é surpreendente constatar que. cada qual a seu tempo. de alguns anos para cá. os quadros apresentados indicam gerenciamento e representam uma nova vestimenta para uma prática antiga. assim. de forma a melhor realizar as mudanças indispensáveis. efêmera por natureza. embora raramente o seja nas empresas. conseqüência da própria cultura dos quadros do meio administrativo público. 3) Nova vestimenta para uma prática antiga Para os funcionários mais antigos. as diferentes técnicas ou métodos introduzidos no serviço público. Porém. apesar das mudanças e desvios políticos ocorridos há dez anos até agora. de outro.

o que a nosso ver reflete o alto conceito que as pessoas que trabalham no serviço público têm dele. Em segundo lugar. conhecimentos e instrumentos para trabalhar os processos. 4) O serviço público deve conduzir a mudança por si mesmo. é quase sempre uma descoberta para as pessoas do serviço público. as estruturas são preconcebidas. o gerenciamento. Esta impessoalidade se traduz por: cada um deve fazer o seu trabalho por si mesmo. por isso não é preciso utilizar-se de métodos psicológicos. 2) O serviço público deve novamente provar sua eficácia e eficiência. que contém uma inegável dimensão psicológica. SEÇÃO 4 Quais as quatro importantes razões para gerenciar o Serviço Público? As razões que nos parecem determinantes: 1) O serviço público continua mais indispensável do que nunca. os indivíduos devem ser facilmente intercambiáveis.Universidade do Sul de Santa Catarina Em primeiro lugar. 3) Para atingir isso. o serviço público precisa antes de tudo de quadros gerenciais que conduzam à mudança necessária. 60 gestao_por_resultados_na_adm_pub60 60 22/8/2007 14:26:56 . e não em ações individuais e escolhas pessoais. o modo de funcionamento da administração pública consistia em apoiar-se na “impessoalidade”. os quadros têm um papel essencialmente técnico: eles trazem os métodos. o essencial do funcionamento reside em processos já escritos.

e isso se traduz na apologia do mercado e na crítica sistemática do serviço público. condição de sua sobrevivência. à mudança de regime. as empresas estão cada vez mais inclinadas a buscarem novos mercados. para preservar o longo-prazo e tratar dos problemas sociais. Nestas condições. do serviço público. tradicionalmente. os países de economia em torno de um ideal socialista tiveram muitas derrotas chegando. com a diminuição do crescimento. as correntes de pensamento ultraliberais ganharam importância em toda parte. sob o risco do desaparecimento. como. ou seja. entre outros. instrução. Veja quais são as razões: a globalização da economia e a emergência dos novos países obrigaram as empresas ocidentais a demonstrarem uma eficácia crescente. Podemos citar como exemplo o modelo welfare economics. no entanto. já que as empresas só sabem administrar no curto-prazo. com estrutura a serem repensadas. que só podem ser exercidas por ele. de que o serviço público deveria reduzir seu lugar na vida econômica e social do país. e não hesitam em olhar as atividades que dependem. o serviço público se torna mais indispensável do que nunca para garantir as funções do Estado. o estado de bem-estar social. saúde. 2) O serviço público deve novamente provar sua eficácia e sua eficiência Por indispensável que seja o serviço público. deve. na maioria dos casos. telefone. como a URSS e a China. por intermédio do livre comércio. correio. O conjunto desses elementos criou a ilusão de que o mercado poderia resolver tudo. repensar seu funcionamento. Confrontando com as modificações sensíveis de seus objetivos. o serviço público deverá provar Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub61 61 61 22/8/2007 14:26:56 . em razão da necessidade que têm de garantir seu montante de negócios cotidiano. televisão. rádio.Gestão por Resultados 1) O serviço público continua mais indispensável do que nunca O serviço público foi muito atacado nos últimos 15 anos.

o que supõe aumentar as competências técnicas dos quadros. mas as suas qualidades gerenciais. já que não pode mais aumentar impostos (carga tributária) pois. a fim de conseguir todos os benefícios possíveis da expansão desses novos recursos. sua capacidade de alcançar as metas propostas. a relação entre os resultados obtidos e os meios desenvolvidos para consegui-los. a sociedade tem um limite de pagamento. a generalização dos instrumentos de trabalho de escritório incluindo a informática. hoje em dia. As mutações sociológicas.Universidade do Sul de Santa Catarina sua eficácia. que os gerentes repensem a organização e a maneira de trabalhar nos seus serviços. da evolução do meio econômico e político. já que tanto os assalariados do serviço público quanto os usuários e cidadãos se modificaram. com menos meios. Porque a eficácia e a eficiência. ao mesmo tempo. 3) Conduzir a mudança supõe dispor de quadros gerenciais As mudanças que devem conduzir o serviço público são resultantes. supõem que os funcionários e os gerentes sejam formados nessas técnicas. que todas juntas impulsionam para a emergência de gerentes no serviço público. mas. isto é. É de fato. já elevadas. e a relação com os usuários administradores. de realizar os objetivos pré-definidos. mais que provável que o serviço público deverá fazer as mesmas coisas. ou fazer melhor com os mesmos meios. os modos de funcionamento interno do serviço público. sobretudo. impõem revisão dos modos de gerenciamento. O serviço público deve continuar. Tudo isso leva a repensar. quer dizer. 62 gestao_por_resultados_na_adm_pub62 62 22/8/2007 14:26:56 . Mas a esses fatores econômicos e políticos juntam-se razões tecnológicas e sociológicas. Mas deve por outro lado melhorar sua eficiência. As mutações tecnológicas. como você já estudou. aprendendo a orientar-se para a mudança e não mais administrar o que já existe. passam pela capacidade dos responsáveis em mobilizar a inteligência de todos nos serviços.

menos adaptada à realidade do que a processada internamente. não aceitarão por muito tempo não receber do serviço público o apoio de que precisam. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub63 63 63 22/8/2007 14:26:56 . confrontados com uma brutal concorrência internacional. por natureza. estatuto da função pública. já que controla suas especificidades: natureza dos objetivos. têm dificuldades de aderir. rigor das regras de contabilidade pública.Gestão por Resultados 4) O serviço público deve conduzir a mudança por si mesmo O serviço público deve mudar e é o único que pode fazê-lo corretamente. É importante lembrar que toda transformação imposta do exterior é. mas por outros critérios. e que estes dependerão tanto das suas capacidades gerenciais quanto de suas competências técnicas. Convém prosseguir com o esforço e acelerá-lo. sob pressão da opinião pública e de empresas que. instâncias do diálogo social. adaptados à sua realidade. mas deve ser acelerado. Alguns consideram que não são julgados por suas competências gerenciais. Compete ao serviço público inventar as formas de gerenciamento. O movimento já foi adotado em muitos serviços. Eles devem se convencer de que serão cada vez mais valorizados nos resultados obtidos em serviços que estão sob sua responsabilidade. para não correr o risco de que as medidas sejam tomadas pelos políticos.

as dificuldades do serviço público permanecem. mas cada um é consciente de que elas não justificam por si mesmas um funcionamento que pode ser visto como pesado e impessoal. responsabilizar sobre o alcance e dos objetivos/resultados e não sobre as tarefas a realizar. as respostas sob medida. 4.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 5 Um gerenciamento responsabilizante Atualmente as necessidades e expectativas dos administradores usuários. quanto horizontais. graças a uma melhor adesão daqueles que têm a tarefa de aplicá-la. 4. 2. Claro. a rapidez. incitar a tomada de iniciativas no respeito aos princípios e às orientações definidas a priori. a simplicidade dos procedimentos e processos. por quatro grandes traços: 1. favorecer as liberações de fluxos. habituados a um outro tratamento enquanto consumidores/clientes se caracterizam. 3. para tudo que concerne à informação. as respostas personalizadas. tanto verticais. 64 gestao_por_resultados_na_adm_pub64 64 22/8/2007 14:26:56 . delegar as decisões operacionais para o lugar onde as pessoas são mais competentes. 2. O gerenciamento responsabilizante se caracteriza por quatro linhas de pensamento: 1. 3. sobretudo para tudo aquilo que tem um caráter “a-normal”. consultas às pessoas que irão pôr em prática uma decisão antes de tomá-la: o tempo aparentemente perdido para tomar esta decisão será largamente recuperado no momento de sua aplicação. As aspirações de auto-realização correspondem que os cidadãos têm o direito de esperar um serviço público altamente capacitado e que tem à sua disposição os instrumentos de informática e aparelhagem de escritórios que não existiam antes. e impor um sistema de relatórios permanente. para reger as coordenações das ações.

Apesar da grande diversidade de organizações que constituem o serviço público. portanto. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub65 65 65 22/8/2007 14:26:56 .Gestão por Resultados Trata-se. mas que supõem. Os discursos sobre a necessidade de mudar os valores são inoperantes. o “gerenciamento operacional. De um lado temos o “gerenciamento estratégico. e de outro lado. podemos dizer que não soubemos modificá-la no tempo certo. As organizações bem-sucedidas são aquelas que sabem se apoiar em sua cultura para fazê-la evoluir. de princípios simples. parece-nos que. Gerenciamos por ato e não por encantamento. uma inversão completa do funcionamento de bom número de atividades do serviço público. o gerenciamento relacional e o gerenciamento instrumental”. de fato. SEÇÃO 6 O que é um gerenciamento âncora na cultura do serviço público? Contrariamente a uma literatura jornalística recente que preconiza de forma um pouco exagerada a “destruição da cultura” ou a “mudança de valores” do serviço público a qualquer preço. a escolha de opções estratégicas”. um certo número de traços comuns ao conjunto do serviço público pode ser observado. e não aquelas que a destroem. já que. e da especificidade da cultura de cada uma delas. Na realidade são as transformações concretas que provocarão uma mudança progressiva dos valores. Para administrar esta etapa são os gerentes que devem agir e tomar decisões que esclarecem as missões. quando é preciso destruir uma cultura. ao contrário. devemos nos “apoiar na cultura de uma organização para fazê-la evoluir”. que devem repensar a organização e fazer evoluir o modo de funcionamento dela. a mobilização das energias.

qualquer que seja seu estilo. Podemos ser diretivos. a realidade mostra que não é assim. Nossa constatação é de que. Pois cada um de nós gostaria de que o estilo de sua preferência fosse o “bom estilo”. Coerência É a palavra-chave de todo gerenciamento. Coerência. liberais.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 7 A cada gerente cabe encontrar seu estilo A questão do estilo de gerenciamento tem um lugar importante na literatura gerencial. consideramos que o estilo é próprio a cada indivíduo. participativos. mas se conseguir a adesão de nossos colaboradores. com a condição de sermos coerentes. Coragem. coerência depois das decisões entre si. Coerência antes de tudo. Clareza. Ora. dirá você. Quais sejam: 1. sua legitimidade raramente será contestada. “Que pena”. com estilos diferentes. Em nossa opinião. 3. A observação dos gerentes bem-sucedidos nos mostra que podemos obter resultados notáveis. entre os objetivos estabelecidos e os meios destinados a eles. Ele deve desenvolver o estilo mais próximo à sua personalidade. Mas nos mostra também que além do estilo próprio de cada grande patrão ou gerente eficiente com uma leitura transversal faz que apareça o que chamaremos a “regra dos quatros C”. 4. mesmo se os seus colaboradores nem sempre estejam de acordo com as decisões tomadas. Consideração. coerência enfim. 2. 66 gestao_por_resultados_na_adm_pub66 66 22/8/2007 14:26:56 . desde que um gerente se preocupe com a coerência de seus atos. 1.

3. enfim. atenção dada às pessoas. perseverança. Clareza significa. e saber o que é positivo e negativo. Clareza significa. os obstáculos que ainda restam para superar. as opções estratégicas. a coragem física. Significa. a primeira qualidade do gerente. Clareza A clareza corresponde ao terceiro princípio que os gerentes devem hoje em dia respeitar. ao menos tanto quanto a inteligência. mas sim a coragem intelectual e moral do gerente. Coragem A coragem constitui. tomar decisões. os obstáculos a serem evitados. Consideração pelas idéias e propostas apresentadas pelos colaboradores. esclarecer as metas da organização a que se pertence. Coragem significa. e as regras do jogo. depois. dizer o que está bem e o que não está. respeito. evidentemente.Gestão por Resultados 2. em primeiro lugar. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub67 67 67 22/8/2007 14:26:57 . para um gerente. vontade. tenacidade. um primeiro lugar. Consideração significa. coragem psicológica e moral. É preciso coragem também para gerenciar seus colaboradores no cotidiano. 4. comunicar de maneira regular a respeito dos resultados alcançados. do caminho percorrido e a percorrer. as dificuldades encontradas. Consideração pelo trabalho de seus colaboradores. Consideração A consideração é tão importante quanto os demais “Cs”. escuta. atingidos. precisar os objetivos a alcançar durante o período em curso. Clareza significa. O termo coragem aqui não designa.

o gerenciamento para ser bem-sucedido. Fatores pessoais: as convicções e a personalidade do gerente. leia com atenção e responda as seguintes perguntas: 1) Relacione as colunas conforme as funções básicas administrativas e suas funções na visão neoclássica de administração. organizado e dirigido realmente cumpriu com os objetivos pretendidos. por isso. deve levar em conta: Fatores gerais: o contexto econômico. sociológico e político. Fatores próprios da organização: apoiar-se sobre suas especificidades. a) Planejamento b) Organização c) Direção d) Controle ( ) É a função administrativa que antecipadamente determina quais os objetivos e o que deve ser feito para alcançá-los. ( ) É a função administrativa que busca assegurar se aquilo que foi planejado. ( ) É a função administrativa que orienta e indica o comportamento das pessoas na direção dos objetivos a serem alcançados. Atividades de auto-avaliação Ao final de cada unidade você será desafiado a realizar atividades de autoavaliação.Universidade do Sul de Santa Catarina Sintetizando. ( ) É a função administrativa que consiste no agrupamento das atividades necessárias para realizar aquilo que foi planejado. 68 gestao_por_resultados_na_adm_pub68 68 22/8/2007 14:26:57 .

Significa conformidade com os requisitos. a) Eficiência b) Eficácia c) Produtividade d) Qualidade e) Economicidade f) Efetividade g) Equilíbrio h) Legalidade i) Impessoalidade j) Moralidade l) Publicidade ( ) Parâmetro para o acompanhamento da execução orçamentária. invariavelmente. 3) ( ) Corredor de pensamento padronizado dentro de faixas e limites. 5) ( ) Modelo que define o comportamento das pessoas. devendo estar atento ao que é lícito e ilícito. ( ) Diminuição do déficit público em função da avaliação de metas fiscais. ( ) Alocação apropriada dos recursos de preferência da maneira mais econômica. entre o verdadeiro e o falso. ( ) Relação entre os recursos que deveriam ser consumidos e os recursos realmente consumidos. some as alternativas verdadeiras. Como resposta. Somatório:______ Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub69 69 69 22/8/2007 14:26:57 . 2) ( ) Redução de custos de materiais e suprimentos.Gestão por Resultados 2) Relacione as duas colunas: ( ) Relação entre os resultados obtidos e os recursos consumidos. mas também pela moral comum. ( ) Retorno social que a ação governamental trouxe a sociedade (medida de impacto social). ( ) Relação entre os resultados obtidos e os resultados desejados ou previstos. ( ) Guia-se não só pelos preceitos legais. ou seja. justo e injusto. 3) Assinale “V” para as alternativas que fazem parte da definição de PARADIGMAS e “F” para as alternativas que não fazem parte do referido conceito. resultados. entre o que se deve fazer e o que não se deve fazer. 6) ( ) Programa que dá aos trabalhadores a responsabilidade pelo alcance de padrões de qualidade. Exclui a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. ( ) Prática permanente do interesse público. 4) ( ) Programa que relaciona pensamentos e ações. ( ) Divulgação de todos os atos da Administração para conhecimento público e início de seus efeitos externos. comprometedores para o cumprimento das metas fiscais. ( ) Nada se pode fazer na Administração Pública sem sujeição aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum. A execução das despesas sem a correspondente arrecadação no mesmo período acarretará. 1) ( ) Conjunto de regras que definem fronteiras entre o certo e o errado. sua validade perante partes e terceiros.

Universidade do Sul de Santa Catarina 4) Com relação aos novos paradigmas organizacionais e a informatização dos processos existentes nas organizações. qual o papel do analista de contas públicas e dos analistas em administração? 5) O que você entende por boas razões para não gerenciar o serviço público? 6) O que você entende por boas razões para gerenciar o serviço público? 7) O que é gerenciamento responsabilizante? 70 gestao_por_resultados_na_adm_pub70 70 22/8/2007 14:26:57 .

analisou os paradigmas organizacionais atuais e os ultrapassados. as razões de um bom ou mau gerenciamento. antes de prosseguir leia-os novamente e veja se foram alcançados.Gestão por Resultados 8) O que você entendeu por gerenciamento âncora na cultura do serviço público? 9) Qual seria o “estilo” de um bom gerente? O que precisaria ter? Que tipo de gerente eu sou? Acesse o AVA. identificou a utilidade do gerenciamento do serviço público. um gerenciamento âncora e o estilo de um bom gerente. vamos descobrir as qualidades e defeitos de cada um! Síntese Nesta unidade você estudou os 5 E’s da administração pública e o LIMPE. Caso você tenha alguma dúvida. a responsabilidade do gerenciamento. Unidade 3 gestao_por_resultados_na_adm_pub71 71 71 22/8/2007 14:26:57 . na ferramenta FÓRUM e se apresente como se fosse o Prefeito de sua cidade. Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. complete o entendimento do texto relendo-o novamente ou use a bibliografia básica ofertada abaixo.

Salvador: FLEM. 2001. Rio de Janeiro: Editora FGV. CUNIL GRAU. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. DF: ENAP. 2003. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. A gestão pública: desafios e perspectivas. _________. Rio de Janeiro: Editora FGV. São Paulo: Atlas. Reforma do Estado e administração pública gerencial. 1999. 2003. Idalberto. 4. Luiz Carlos. pesquise em: CHIAVENATO. ed. São Paulo: Atlas. 2001. Referências BRESSER PEREIRA.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para saber mais sobre o assunto tratado nesta unidade. Fundação Luiz Eduardo Magalhães. 72 gestao_por_resultados_na_adm_pub72 72 22/8/2007 14:26:57 . Repensando o público através da sociedade: novas formas de gestão pública e representação social. 1998. O público não-estatal na reforma do Estado. Brasília. Rio de Janeiro: Revan. 4. CHIAVENATO. Idalberto. ed. Nuria.

Conhecer o sistema de orçamentos estratégicos para trabalhar em torno de objetivos comuns. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 Qual a estrutura dos Serviços públicos? Seção 2 O orçamento deveria refletir a política do Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 gestao_por_resultados_na_adm_pub73 73 governo? A modernização não é somente uma questão de gestão e sim de política pública O orçamento deve ser direcionado pelo desempenho orçamentário? Quais os efeitos da globalização junto aos serviços públicos? Diversidade crescente das expectativas dos usuários Da concorrência à competência dos funcionários 22/8/2007 14:26:58 . ou políticas dependentes de prioridades governamentais lastreadas em avaliações.UNIDADE 4 O Sistema de Planejamento dos Serviços Públicos 4 Objetivos de aprendizagem Compreender a estrutura dos serviços públicos. Estudar o que são macro-decisões orçamentárias por setor. Estudar as micro-decisões orçamentárias sobre “quem faz” e “como fazer” baseadas em análises e indicadores de desempenho.

moralidade. Veja a seguir mais detalhes sobre cada uma delas: 74 gestao_por_resultados_na_adm_pub74 74 22/8/2007 14:26:58 . não existe mais lugar para desperdícios. 2003).Pois de nada adianta ter um orçamento só para satisfazer o princípio da legalidade. como debilitam o próprio sistema administrativo governamental. prima-se por alcançar as metas e necessidades coletivas. Estados. Nesta unidade você. União. ainda persistem as “organizações parasitas” que acabam não só representando um pesado fardo tributário para a sociedade. Nas duas últimas décadas vem crescendo nas sociedades democráticas de economias avançadas e emergentes a demanda pelo melhor uso possível dos recursos arrecadados pelo governo. impessoalidade. vai repensar a forma de administrar o Estado e vai descobrir que mais que gerenciar o orçamento. composta de órgãos compreendidos como sendo da Administração Direta ou Centralizada e Administração Indireta ou Descentralizada para melhor servir a população (Peter & Machado. efetivo e não está plenamente equilibrado. SEÇÃO 1 Qual a estrutura dos Serviços Públicos? A administração pública tem sua estrutura político-administrativa em qualquer das esferas. ou seja.Para início de conversa Na administração moderna. econômico. publicidade e eficiência (LIMPE). se ele não é eficaz. Contudo. tanto na iniciativa privada quanto na pública. caro aluno. Municípios e Distrito Federal.

Supremo Tribunal Federal. Senado Federal e Câmara dos Deputados. Ressalte-se que no âmbito Municipal não há Poder Judiciário. Tribunais Superiores e Ministério Público Federal. serviços pertinentes ao governo Estadual ou Municipal e respectivas Secretarias. Empresas Públicas.Gestão por Resultados 1) Administração Direta Compreende os serviços integrados à Presidência e Vice-presidência da República. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub75 75 75 22/8/2007 14:26:58 . É formada por pessoas jurídicas de direito público ou privado. ou seja. Controladoria Geral da União. Advocacia Geral da União. Veja o que são cada uma delas e alguns exemplos. a seguir. 2) Administração Indireta Compreende os serviços de interesse público deslocados do Estado para uma entidade por ele criada ou autorizada. Secretaria do Governo Federal e Ministérios. obedecendo à estrutura semelhante. Senado Federal. Procuradoria Geral da República. Vice-Presidência da República. Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais e Tribunais de Contas. Sociedades de Economia Mista e Fundações. Tribunal de Contas. Tribunal de Contas da União/Estados/Municípios. Para exemplificar apresentam-se. Câmara dos Deputados. Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica. que são as Autarquias. Casa Civil. Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. Tribunais de Justiça e Ministério Público. alguns órgãos da Administração Direta Federal: Presidência da República.

Universidade do Sul de Santa Catarina a) Autarquias São entidades autônomas. Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). para fins de regulação ou desenvolvimento. criadas por lei para a exploração econômica na qual seja necessária a intervenção do Estado. Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte (Geipot). Como exemplo. 76 gestao_por_resultados_na_adm_pub76 76 22/8/2007 14:26:58 . Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). para executar atividades típicas da Administração Pública que requeiram para seu melhor funcionamento gestão administrativa e financeira descentralizada. podem ser citadas as seguintes: Agência Espacial Brasileira. Superintendência de Seguros Privados. Casa da Moeda. Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM). cujo capital pertence exclusivamente à União. Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). com patrimônio próprio e capital exclusivo do Estado. São exemplos: Caixa Econômica Federal. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Estado ou Município. Constituem-se na forma de Sociedade Anônima. Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). criadas por lei. Executam atividades que necessitam de especialização. Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Banco Central do Brasil. no âmbito federal. b) Empresas Públicas São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito Privado. Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Universidade Federal do Ceará. com personalidade de Direito Público e patrimônio próprio. Conselho Federal de Administração.

Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub77 77 77 22/8/2007 14:26:58 . criadas por lei. com participação do Poder Público e de particulares em seu capital e administração. criadas por lei. com patrimônio próprio.A. Como exemplos. Tem a forma de Sociedade Anônima. cujo funcionamento é amparado pela União. Furnas Centrais Elétricas S. com o objetivo geralmente de educação. Fundação Nacional do Índio (Funai). que se subordinam a supervisão ministerial. pois as Fundações são criadas por lei. no âmbito federal.Gestão por Resultados c) Sociedades de Economia Mista São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito Privado. Como exemplo. Banco do Nordeste. podem ser citadas as seguintes: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). sem fins lucrativos. podemos citar: Banco do Brasil.A. cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União. Petrobrás. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). pesquisa ou assistência social. Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São supervisionadas pelo Ministério (ou Secretaria) em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade. para a exploração econômica. Eletrobrás S. Fundação Universidade de Brasília (FUFB). com escritura pública e estatuto registrado e inscrito no Registro civil de Pessoa Jurídica. d) Fundações São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito Privado. Fundação Universidade Federal do Sergipe (FUFSE). com patrimônio e recursos próprios. Difere aqui da iniciativa privada.

Em um mundo ideal. A permanência de dirigentes da administração tende a se reduzir por motivações políticas ou porque os processos de mudança exigem continuidade e obstinação durante muitos anos. Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae). A verdade é que os modelos tradicionais de divisão de papéis entre funcionários e dirigentes não funcionam muito bem. Serviço Social do Comércio (Sesc). embora sua criação seja autorizada pelo Governo. SEÇÃO 2 O orçamento deveria refletir a política do governo? É uma das questões mais delicadas. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). 78 gestao_por_resultados_na_adm_pub78 78 22/8/2007 14:26:58 . Atuam em cooperação com a Administração Pública.Universidade do Sul de Santa Catarina e) Serviços Sociais Autônomos São entidades que possuem personalidade de Direito Privado. Arrecadam receitas por seus próprios meios e recebem recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades. suas características evoluíram de modo considerável. os funcionários representam a continuidade do serviço público e suas funções são suficientemente estáveis para gerenciar as mudanças ao longo do tempo. As relações entre os dirigentes e os funcionários tornam-se complexas. Os dirigentes pensam que os funcionários preocupam-se mais em forçar suas próprias idéias do que em ajudar positivamente o governo a pôr em prática seus objetivos. Em muitos países há uma espécie de mal-entendido recíproco. patrimônio próprio e administração particular. entretanto não fazem parte da Administração Pública Indireta ou Descentralizada. Serviço Social da Indústria (Sesi). criadas com a finalidade específica de assistência ou ensino a determinadas categorias sociais ou profissionais. sem fins lucrativos. Na prática. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A opinião pública não confia espontaneamente nos funcionários públicos (USA. parece difícil modernizar sem um apoio dos dirigentes. tendo os dirigentes. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub79 79 79 22/8/2007 14:26:58 . os países (tigres asiáticos). os dirigentes se interessam prioritariamente pelos resultados de políticas. nesses casos. Não se trata de ser ingênuo. 2. melhoria dos serviços prestados e o impacto sobre as políticas podem ser bem explicadas pelos funcionários. Um apoio claro da cúpula. mas sendo um apoio a uma visão para o serviço público e à sociedade. Hoje. Em todos os casos. ao contrário. a ligação entre a modernização interna. pelo menos. onde a inclinação para a técnica dos processos precipita os dirigentes em negociações e detalhes que deveriam caber aos funcionários de nível médio e afasta os dirigentes de um debate sobre a visão e os objetivos gerais da organização. mais do que com a gestão interna. onde a diferença entre dirigentes e os funcionários é pouco percebida. de comprovar coragem para se mostrar publicamente favoráveis aos serviços públicos. seu apoio. Reino Unido). Austrália. é um ingrediente indispensável ao estímulo à modernização. A dificuldade de criar relações produtivas entre dirigentes. Durante muito tempo. incluindo os superiores hierarquicamente e os diretores. não como porta-vozes dos funcionários. a longo prazo. a apoiarem. Há também. torna-se necessário.Gestão por Resultados Surge aí o elo com a questão da modernização. Não há ação de modernização sem um controle da sua cúpula. porém duas evoluções são possíveis: 1. o caso é outro e é pouco provável que a modernização seja possível se os dirigentes não investirem nela ou. seus gabinetes e funcionários às vezes é real. o controle pôde ser o trunfo de diretores de administrações estáveis. na medida em que querem ser mais envolvidos no encaminhamento dos negócios.

A instalação de um sistema pode gerar: Resistência a mudanças. Os métodos de Planejamento devem considerar: () Certos fatores externos que afetam a organização. A sua complexidade pode variar de acordo com o tamanho da organização. os orçamentos demandam tempo e esforço por parte de todos os níveis da organização: estratégico. Processo Orçamentário Brasileiro Como já vimos anteriormente. A figura a seguir sintetiza esse processo: 80 gestao_por_resultados_na_adm_pub80 80 22/8/2007 14:26:59 . Mau uso. Para que funcione a contento. Os estudos de VIABILIDADE ECONÔMOMICA apontam para: Fazer orçamentos para saber se a aplicação de um PROGRAMA é viável ou não. falta de compreensão e receio do desconhecido. sua avaliação econômica e aplicação do julgamento administrativo na escolha de uma ou algumas das diversas alternativas. Focalizar o desenvolvimento de alternativas de aperfeiçoamento (alterações) destinadas a corrigir ou minimizar as ineficiências apontas. que devem guardar compatibilidade entre si. tático e operacional. ou uso indevido gera desconfiança. o processo orçamentário é composto por três Leis. () Estimativas da receita/despesa. face ao conservadorismo. no Brasil. Envolver a geração de alternativas de ação. insegurança. () Características internas das organizações. () Nível de sofisticação de sua administração.Universidade do Sul de Santa Catarina A escolha de técnicas e conceitos apropriados e a sua adaptação às características de cada situação é de grande importância para que os orçamentos dêem certo.

com vigência a partir do º ano do seu mandato até o término do primeiro ano do mandato subseqüente. o PPA resume as estratégias de um governo para quatro exercícios financeiros ( anos). do Distrito Federal e da União. no entanto. art. seria a síntese do planejamento estratégico. introduziu-se na Constituição Federal de  a obrigatoriedade de elaboração do Plano Plurianual. para que o fornecimento dos bens e serviços públicos não sofra descontinuidade. É o plano onde as ações governamentais são ordenadas a atingirem um objetivo fi xado para um determinado período (quatro anos). ). de cada Estado. Comparativamente com o orçamento empresarial. Com esse objetivo. a cada quatro anos são realizadas eleições para escolher os representantes do povo que irão comandar as ações de cada Município.Gestão por Resultados A Administração Pública não está sujeita à falência ou à concordata. nos termos da Constituição Federal. Ao assumir o comando do ente da federação é necessário que o novo gestor tenha uma programação orçamentária e financeira aprovada. Governador ou Presidente da República). de Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub81 81 81 22/8/2007 14:26:59 . a intervenção da União nos Estados e do Estado nos Municípios. a ser elaborado no primeiro ano do mandado de cada chefe do Poder Executivo (Prefeito. em cumprimento ao mandamento constitucional (CF/. Pode ocorrer. No processo orçamentário brasileiro. Em decorrência do regime democrático brasileiro. A lei que instituir o plano plurianual deve estabelecer.

para vigorar a partir do segundo ano de mandato até o término do primeiro ano do mandato subseqüente. e  da CF/). nos prazos estipulados pelas Constituições Federal e Estaduais e Lei Orgânica de cada Município.Universidade do Sul de Santa Catarina forma clara e regionalizada. É importante lembrar que nenhum investimento cuja execução ultrapasse o exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no PPA. o projeto de lei do Plano Plurianual. Isto deve ocorrer no primeiro ano de seu mandato. uma nova visão de planejamento foi imposta à administração pública. 82 gestao_por_resultados_na_adm_pub82 82 22/8/2007 14:26:59 . portanto. (art. ou sem uma lei que autorize a referida inclusão. é de quatro anos. A vigência. pelo Chefe do Poder Executivo de cada esfera de governo. O projeto de Lei do Plano Plurianual deve ser elaborado e encaminhado. para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial subseqüente. do segundo ano do mandato do atual Chefe do Poder Executivo até o término do primeiro exercício do mandado subseqüente. § º do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias ADCT-CF/. os objetivos e metas da administração pública para as despesas de capital e outras dela decorrentes.. Nos termos do art. sob pena de crime de responsabilidade. será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até encerramento da Sessão Legislativa. . ou seja. ao Poder Legislativo. A figura a seguir sintetiza o tema: Síntese das etapas para a elaboração do PPA – 20X1/20X4 Com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (LC /). as diretrizes.

que darão origem. fazendo com que o mesmo passe a ser centrado na solução de “problemas”). com vistas a atingir os objetivos que implicarão na solução dos problemas ou aproveitamento das oportunidades. mais especialmente pelos Municípios que em geral são mais carentes de especialistas nessa área para a elaboração do Plano Plurianual. Características do novo modelo de administração. quando couber. a nova metodologia de planejamento governamental deve conter as seguintes características: a) Visão estratégica. Proposta de Roteiro a ser observado. objetivando tornar realidade essa visão estratégica. c) Simplificação. 1º da LRF. b) Cobrança de resultados: pressupostos representativos de uma administração gerencial: (avaliação junto à sociedade das ações efetivamente oferecidas ao cidadão) e realidade problematizada: (traduz o esforço de modernização do planejamento. 3. descentralização e responsabilidade: Princípios a serem observados em decorrência dos dois pressupostos acima. apresentamos uma proposta de roteiro a ser seguida pelos entes da Federação. Ele está dividido em: 1. Características do novo modelo de administração Em razão dos pressupostos e princípios anteriormente mencionados. b) Identificação dos problemas a enfrentar ou oportunidades a aproveitar. Lógicas de classificações a serem utilizadas.Gestão por Resultados Com o objetivo de oferecer uma pequena contribuição aos interessados no assunto. com identificação dos respectivos produtos. e) Atribuição de indicadores aos objetivos e aos produtos/metas. aos projetos e atividades. 2. Pontos a considerar. 4. 1. Pontos a Considerar a) Ação planejada e transparente: pressupostos para a responsabilidade na gestão fiscal conforme o § 1º do art. com o estabelecimento de objetivos. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub83 83 83 22/8/2007 14:26:59 . c) Concepção dos programas que deverão ser implementados. d) Especificação das diferentes ações do programa. 2.

ou seja. ou seja. de forma regionalizada. b) Funcional: que se propõe a explicitar as áreas em que as despesas serão alocadas (Funções e Subfunções padronizadas para as três esferas de governo. adicionadas e confrontadas com o inventário de programas e de demandas da sociedade. de 19 de fevereiro de 2001. as que estão em desenvolvimento e as que. c) Programática: que tem a preocupação de identificar os objetivos do gasto público.Universidade do Sul de Santa Catarina 3. As fontes de recursos indicam a origem dos recursos que farão face às despesas. Proposta de Roteiro a ser observado Primeiramente. Elemento de Despesa e. parágrafo único). ou seja.º 42/1999). da programação orçamentária e da proposta de Governo. Grupo de Despesa. segundo suas Categorias Econômicas. art. demonstrar no Plano Plurianual. também por Unidades Administrativas. para a União. Segundo a região a ser beneficiada com a ação governamental: visa a atender ao disposto no § º do art. se pretende efetivar. conforme a Portaria n. O resultado da conjugação dessas vertentes. 4. e) Fontes de recursos: ditada. as ações a serem executadas pelo ente governamental. com desdobramento por Unidades Orçamentárias e. pela Portaria nº 1. 8º. ainda que aplicadas em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso (LRF. também por Desdobramento do Elemento. ou seja. é necessário identificar.  da CF/. quando julgado conveniente. a relação de ações que deveriam estar sendo implementadas. os seus programas e ações adequados à solução dos seus problemas). será a elaboração da estru- 84 gestao_por_resultados_na_adm_pub84 84 22/8/2007 14:26:59 . para que as despesas estão efetivadas (cada esfera de governo deve montar a sua estrutura própria. da constituição. quando necessário para fins de controle. Modalidade de Aplicação. detectadas por intermédio do processo de trabalho desenvolvido pela área de planejamento. da organização institucional da administração pública. a partir da análise do conteúdo. estratégica e politicamente. d) Econômica: ditada pela Portaria Interministerial nº 163/2001. da programação setorial. Lógicas de classificações a serem utilizadas a) Institucional: para a correta apropriação das despesas segundo a finalidade de cada um dos órgãos e entidades do ente estatal.

Verificação da participação percentual desses órgãos/entidades na atual estrutura funcional programática. 3. Recadastramento (inventário) das Ações em andamento (Lei Orçamentária vigente em 20XX).Gestão por Resultados tura de Programas e suas ações que. conforme legislação/definição do Chefe do Poder Executivo (verificar os percentuais legais pertencentes a cada um dos Poderes). 5. reformulação e validação pelos Secretários e Diretores setoriais. Distribuição do cadastro de Programas/Ações para os órgãos/ entidades/unidades orçamentárias (modelo de cadastro na seqüência). de baixo para cima – a partir de uma realidade de projetos e atividades. 2. 6. nos termos da legislação atual. com base nas suas legislações constitutivas. Alocação das ações em andamento aos atuais/novos Programas de Governo. Especificação dos objetivos e atribuições dos órgãos e entidades governamentais. atividades e operações especiais em curso. e análise horizontal – a fim de Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub85 85 85 22/8/2007 14:27:00 . 10. 4. a fim de verificar o cumprimento do Programa pela execução das Ações. Assim. após a crítica. passará a compor o Plano Plurianual para X/X e a proposta de Lei Orçamentária Anual para X.Análise cruzada: de cima para baixo – análise crítica dos programas propostos pelas unidades administrativas em face do perfil de sua atuação (características organizacionais). 7. recomenda-se a observação das seguintes etapas básicas na elaboração da proposta do PPA (a ordem deve ser adaptada conforme a realidade/necessidade local): 1. Definição dos Programas de Governo para o período do PPA (os atuais que serão mantidos e os novos a serem implementados). Estimativas das receitas para os exercícios financeiros de 20XX a 20XX. ou seja. Estabelecimento das novas cotas orçamentárias por órgãos/ entidades. levantamento dos projetos. Identificação dos bens e serviços finais (produtos) a serem ofertados à sociedade por esses órgãos/entidades. 9. segundo as regras contidas na LC 101/2000 (LRF). 8.

de gestão de administrações. 15. base para a elaboração da proposta orçamentária. por exemplo.Elaboração da Exposição de Motivos do Secretário de Planejamento ao Chefe do Poder Executivo. e os serviços prestados aos cidadãos. 13. A modernização arrisca-se ao insucesso se sua ligação com o conteúdo da escolha de políticas públicas.Consolidação e validação dos Programas/Ações. 11. O ponto mais delicado atualmente está em que a modernização é julgada como uma questão interna. A modernização do sistema de saúde. sem que apareça a relação com a melhoria do serviço aos cidadãos. SEÇÃO 3 A modernização não é somente uma questão de gestão e sim de política pública A modernização não é apenas mais uma questão interna (modernizam-se os produtos e os processos) enquanto a estratégia e as escolhas de políticas públicas seriam questões externas. A melhoria da recepção é vital. por parte do Chefe do Poder Executivo.Cadastramento final dos Programas/Ações. mas somente se ela estiver ligada a uma reflexão sobre a adequação ou à qualidade das prestações de serviço. é nesse momento que se torna necessária a mudança na ligação com a escolha de políticas públicas mais claras e de instrumentos de desempenho para executá-las. 12. 86 gestao_por_resultados_na_adm_pub86 86 22/8/2007 14:27:00 . isto é. Provavelmente.Elaboração do texto de lei do PPA. superposição ou redundância de Programas/Ações entre as diversas áreas administrativas. da Mensagem e Projeto de Lei do PPA.Universidade do Sul de Santa Catarina observar a existência de complementariedade. tem alguma coisa a ver com os objetivos de equidade social ou de continuidade de tratamentos ou de reforma do setor hospitalar. ou de melhores políticas públicas.Encaminhamento. 14. não for estabelecida. ao Poder Legislativo.

de avaliações das formas mais competentes de pôr em prática uma política pública. Mas ele não tomará esta decisão. o seu sucesso depende de sua capacidade de prever e adiantar as evoluções econômicas e sociais.Gestão por Resultados Vários projetos de serviços divulgam melhorias muito interessantes. Na realidade. de visão da sociedade. cortará os créditos às escolas? O Dirigente só o fará. a concorrência significou conhecer os consumidores. e não resultarão provavelmente de indicadores de desempenho. mas sem relacioná-los ao posicionamento estratégico do serviço diante das prioridades governamentais. introvertido. O “que fazer” deveria resultar de escolhas de prioridades governamentais e o “como fazer”. SEÇÃO 4 O orçamento deve ser direcionado pelo desempenho orçamentário? As escolhas estratégicas dependerão de decisões políticas. Esta evolução acompanha uma evolução similar da reflexão nas empresas privadas. econômicas. eventualmente. que Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub87 87 87 22/8/2007 14:27:00 . mas somente se souber exatamente quais são as necessidades e aspirações sociais de seus consumidores. Este sistema de reflexão é terrivelmente autocentrado. baseado em puras estatísticas. o setor público não poderia ficar atrás e pensar que a modernização é questão de melhoria interna. Um dirigente que constate que seu sistema escolar está obsoleto e deficiente. por exemplo. a empresa pode modernizar seus processos. que um prolongamento da vida escolar não melhorará as possibilidades dos alunos. Para estas. sem ligação com os serviços prestados aos cidadãos e escolhas de políticas públicas. A dificuldade do “que fazer” é que a tendência mais espontânea de qualquer orçamento é somar todas as demandas dos Órgãos Governamentais e depois decidir quais são viáveis. se uma avaliação dos resultados lhe demonstrar. pois. durante muito tempo. dominado pelos processos. ter melhores produtos e desenvolver melhores processos. em vez de fazer o contrário. E o governo pensa assim? Se essa transformação atinge as empresas.

não entre as macrodecisões orçamentárias e o desempenho (ninguém decidirá sobre as verbas que um país aloca à educação na base do desempenho das escolas). mas é preciso estar consciente das conseqüências de falta de relação. o Ministério da Fazenda. prêmios) e o desempenho. da forma com que cada Órgão contribui para o que é prioritário e o que deve ser objeto de um financiamento residual. Em qualquer das hipóteses. ou a administração central. no mínimo. pois isso criaria uma espiral desfavorecendo ou favorecendo o usuário duplamente. mas entre as microdecisões orçamentárias (funcionamento. É totalmente descabido deixar aqueles que mais se esforçaram sem. e os usuários de serviços com mau desempenho teriam a desvantagem de serviços de baixa qualidade e orçamentos reduzidos. uma certa relação deve existir. médio e longo prazo? Esses critérios são totalmente independentes do desempenho da organização? Certamente. Os usuários de serviços com bom desempenho teriam o benefício desse desempenho. Os critérios da atribuição orçamentária são ligados à convicção íntima de cada elaborador do orçamento ou as análises argumentadas sobre as conseqüências das decisões a curto. Que caminho seguir? Apostar no desempenho coletivo. ninguém preconiza uma relação mecânica entre desempenho e orçamento. pois tal ligação é impossível. menos dinheiro. um retorno coletivo de modernização que marca a diferença. De qualquer modo. não pode haver uma relação mecânica: aqueles com bom desempenho não terão automaticamente mais dinheiro e os não-competentes. pode tornar-se mais “controlador”. mais uma melhor situação orçamentária. 88 gestao_por_resultados_na_adm_pub88 88 22/8/2007 14:27:00 . que fará com que a modernização atinja ou não seus objetivos. No caso de mau desempenho. retorno de modernização.Universidade do Sul de Santa Catarina é de reunir os dirigentes para decidir o que é prioritário.

a implantação de um PROGRAMA DE ELEVAÇÃO DA RENTABILIDADE pode muito bem representar um dos principais eventos administrativos em uma empresa. que não se consideram mais como simples agentes. uma minúscula entidade sem local definido pode fornecer instantaneamente informações a qualquer outra unidade no mundo. a fim de ter maior capacidade de influir sobre a ação da administração e para a elevação do nível de qualificação e de cultura dos funcionários. A realidade hoje é que empresas com bom desempenho funcionam em rede. das aspirações crescentes e mais complexas dos indivíduos cada vez menos submissos.Gestão por Resultados Na iniciativa privada. 2. a pressão da opinião pública e dos governos que procuram saber o que se passa com os serviços. ou seja. Aplicação do conceito a todas as fases das operações. enfoques motivacionais e de controle dinâmico. Preparação de orçamentos não é um simples exercício financeiro ou contábil. Participação na administração. Estes eventos administrativos devem estar apoiado por uma liderança administrativa evidenciada através do estabelecimento de objetivos realistas e criativos. a globalização das trocas e especialmente dos intercâmbios de informação. Ou seja. Orçamentos de longo e curto prazos explícitos em um sistema amplo de planejamento e controle de resultados. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub89 89 89 22/8/2007 14:27:00 . e 4. SEÇÃO 5 Quais os efeitos da globalização junto aos serviços públicos? O serviço público não pode ficar à margem de certas evoluções fundamentais. Para o Planejamento e Controle nas Tomadas de Decisões é necessário: 1. há uma gama de tecidos sociais entrelaçados. 3. que fazem o mundo girar e se manter.

Não se trata de ficção científica. Essas empresas estão em condições de pensar de maneira mundial e de adaptar sua ação a cada país e cultura especifica. Isso cria uma defasagem muito clara na capacidade de reagir nessa nova “sociedade do conhecimento”. isso significa que a função pública precisa ao mesmo tempo dos mágicos do intercâmbio de informações generalizadas e de tradutores culturais de indivíduos capazes de compreender e gerenciar as diferenças entre as culturas nacionais e regionais. o que lhes dá capacidade de flexibilidade e enriquece suas especialidades. enquanto as funções públicas são. reagrupando diversas nacionalidades.Universidade do Sul de Santa Catarina Além disso. de capacidades tecnológicas desconhecidas pela administração. O que aconteceria se a função pública continuasse tecnologicamente artesanal e estreitamente nacional? Retomando o tema “pensando globalmente e agindo localmente” teríamos. Benchmarking significa as melhores práticas na geração de serviços em comparação com os respectivos custos Para começar. Para o serviço público. Em termos operacionais. O serviço público está começando a utilizar a Internet. 90 gestao_por_resultados_na_adm_pub90 90 22/8/2007 14:27:01 . entre o setor público e as grandes empresas privadas. mas está longe de possuir redes internacionais de conhecimento e de intercâmbio de informações mundiais que possam ser mobilizadas instantaneamente. pois a introversão não permite nem pensar o macro nem saber sustentar os micros projetos locais. um déficit dos dois lados. Funcionários com contratos de terceirização para gerenciar se encontram diante de empresas multinacionais que dispõem de serviços de pesquisa poderosos. O pensamento não seria suficientemente global e ação local seria insuficiente. As negociações orçamentárias recorrem cada vez mais às técnicas de benchmarking que permitem justificar que um certo nível de recursos é necessário. os organismos similares encontram-se com maior freqüência em outros países. de redes mundiais. na maioria das vezes. por falta de equivalentes no mercado nacional. essas empresas podem ser multiculturais. muito nacionais em suas informações e sua sociologia. então. a função pública teria cada vez mais dificuldades para justificar sua existência em termos financeiros.

enfim. a passagem do universal abstrato a soluções específicas. serem considerados em princípio culpados e não inocentes. muito bem. O problema é que muitas vezes essas evoluções vêm junto com a privatização. quando outras. e sim de resultados como número de empregos obtidos pelos desempregados. Gerenciar uma igualdade de resultados é um conceito novo. em quase todos os serviços públicos a igualdade é uma igualdade de procedimento e não de resultados. não havendo alternativa. Aí está a questão do contratualismo. pois o sob medida ao menos no primeiro momento. não serem tratados com respeito e cortesia ou ainda verem ser aplicadas soluções gerais e padronizadas para seu problema específico. Se a igualdade não é mais concebida como a idéia de um tratamento absolutamente idêntico a todos. Os usuários não toleram mais serem tratados como súditos ou beneficiários. os prestadores de serviço. Existe. algumas soluções sob medida poderão. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub91 91 91 22/8/2007 14:27:01 . como se os governos tivessem mais confiança nas empresas privadas do que no serviço público quanto à capacidade de adaptação às necessidades dos usuários. em termos de ajuda aos desempregados. A evolução está longe de ser simples. custa caro em termos de tempo e praticamente todas as funções públicas estão diminuindo seus efetivos. ficarão no limite do tratamento preferencial.Gestão por Resultados SEÇÃO 6 Diversidade crescente das expectativas dos usuários Esta evolução é bastante profunda. ao contrário. Salvo se voltar ao sistema weberiano de “o mesmo procedimento para todos”. parece não haver solução mágica para o tratamento da diversidade. por exemplo. no qual se elimina o problema pela uniformidade da norma. não colocar em perigo o princípio da igualdade. mas como a capacidade de dar iguais oportunidades a todos. não são mais pagos à base da produção como número de cursos dados. senão a capacitação dos agentes para apreciar essas complexidades e dar conta delas. Ouvir o usuário não é financeiramente simples. O desafio é grande. um problema de igualdade dos usuários diante do serviço público. Em alguns países.

Os usuários individuais são certamente mais consultados do que antes. não dispõem mais do poder de impulsionar grandes projetos. células tronco. é freqüente ver grupos de pressão quase a ponto de definir um orçamento para a nação. Os grupos de pressão mudam porque se apoderam cada vez mais do campo político e os funcionários. mas também porque seu ambiente mudou. porque o Estado não parece mais capaz de uma redistribuição social eficaz. Nesse estágio. aumento do salário dos deputados e assim por diante. mas sobre questões específicas como a AIDS. que antigamente só defendiam seus interesses setoriais. Como por exemplo a questão dos trangênicos. senão os dirigentes se apoiarão mais sobre os grupos de pressão do que em seus funcionários. ou questionários de grande amplitude. bioética e o meio ambiente etc. Os famosos lobbies. O papel do serviço público torna-se mais difícil: ele deve ajudar as coordenações a ir além de um ponto de vista estreitamente egoísta. Como poderão os funcionários reagir? 92 gestao_por_resultados_na_adm_pub92 92 22/8/2007 14:27:01 . Hoje. do mesmo modo que os políticos. O político muda porque não trabalha mais para grandes projetos da sociedade. os grupos de pressão dispõem de quase plataformas governamentais. No momento em que. seja por entrevistas.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 7 Da concorrência à competência dos funcionários Fundamentalmente. o serviço público deve provar que seu conselho é melhor. mas navegam e negociam no seio de uma sociedade civil tornada cada vez mais complexa. em oposição. enfim. a qualidade do aconselhamento em matéria de política pública dada pelas administrações centrais pode. homossexualismo. pelo menos ser posta amplamente em concorrência. nas despesas e nas receitas. começam a apresentar visões de conjunto da sociedade e de programas políticos alternativos que ultrapassam seus simples interesses. em todos os países o debate trata da legitimidade do Estado. senão ser discutida. seja por intermédio de grupos de teste.

. conforme o exemplo a seguir apresentado. mesmo se forem virtuosos da Internet... balançou a cabeça e pagou no ato..Quanto te devo? . Pegou uma pequena chave de fenda do bolso e deu uma volta e meia em um minúsculo parafuso....Gestão por Resultados Certamente. apertou umas quantas teclas...999 dólares Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub93 93 93 22/8/2007 14:27:01 . pudemos identificar esta questão. Às vezes paga-se muito caro para se obter uma informação. O especialista confirmou com a cabeça e foi embora. E se ofereceu para pagar o serviço à vista... quem tem acesso aos dirigentes etc... murmurou algo para ele mesmo e apagou o equipamento.Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares só para apertar um simples parafuso? Eu sei que meu computador vale 12 milhões de dólares. Sentado na frente do monitor. Se sua capacidade de fornecer bons conselhos em políticas públicas for contestada. ligou o computador e comprovou que funcionava perfeitamente. ... Pagarei somente se me mandares uma fatura detalhada que justifique o valor. balançou a cabeça. São mil dólares pelo serviço....... Na manhã seguinte o presidente recebeu a fatura e a leu com cuidado. mas mil dólares é muito dinheiro. quais os argumentos... Qual o moral da história? O Parafuso correto Algumas vezes é um erro julgar o valor de uma atividade simplesmente pelo tempo que se demora em realizá-la. um computador de 12 milhões de dólares.perguntou. Um bom exemplo é o caso do expert que foi chamado para arrumar um computador muito grande e extremamente complexo.. A fatura dizia: SERVIÇOS PRESTADOS: Apertar um parafuso. Então.. eles deverão provavelmente ir além e saber exatamente o que acontece no jogo dos grupos de pressão. não ficando sentados em seus escritórios.1 dólar Saber qual parafuso apertar.. contudo não se leva em consideração o tempo para se alcançar e obter os resultados almejados........ O presidente da empresa se mostrou surpreso e satisfeito.

o mais importante. descobrir esses talentos e dar um ambiente de treinamento e desenvolvimento profissional e pessoal a essas pessoas.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes tentamos achar soluções mirabolantes quando temos especialistas e pessoas capazes para desempenhar muito bem um serviço nos nossos quadros de pessoal. Atividades de auto-avaliação Leia com atenção e responda as seguintes perguntas: 1) Você acha que o orçamento deve refletir a política de governo? Justifique 2) A modernização depende de uma política pública externa com visão geral. O problema é valorizar a prata da casa e. Você concorda com esta afirmação? 3) O orçamento deve ser direcionado pelo desempenho ou por prioridades governamentais? Como 94 gestao_por_resultados_na_adm_pub94 94 22/8/2007 14:27:01 .

Tribunal de Contas. Tribunais Superiores e Ministério Público Federal. criadas por lei. cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União. Executam atividades que necessitam de especialização. para a exploração econômica. com patrimônio próprio e capital exclusivo do Estado. serviços pertinentes ao governo Estadual ou Municipal e respectivas Secretarias. Empresas Públicas. cujo capital pertence exclusivamente à União. com personalidade de Direito Público e patrimônio próprio. para executar atividades típicas da Administração Pública que requeiram para seu melhor funcionamento gestão administrativa e financeira descentralizada. criadas por lei para a exploração econ6omica na qual seja necessária a intervenção do Estado. Compreende os serviços de interesse público deslocados do Estado para uma entidade por Ele criada ou autorizada. Secretaria do Governo Federal e Ministérios. Estado ou Município. São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito Privado. Sociedades de Economia Mista e Fundações. para fins de regulação ou desenvolvimento. Ressalte-se que no âmbito Municipal não há Poder Judiciário. que são as Autarquias.Gestão por Resultados 4) Devo privilegiar no orçamento entidades com bom desempenho (indicadores)? Justifique. Tem a forma de Sociedade Anônima. Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais e Tribunais de Contas. com patrimônio próprio. São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito Privado. Constituem-se na forma de Sociedade Anônima. obedecendo à estrutura semelhante. 5) Relacione as colunas de acordo com os conceitos que você estudou: a) b) c) d) e) Compreende os serviços integrados à Presidência e Vicepresidência da República. Advocacia Geral da União. ou seja. É formada por pessoas jurídicas de direito público ou privado. criadas por lei. com participação do Poder Público e de particulares em seu capital e administração. Senado Federal e Câmara dos Deputados. ( ) Autarquias ( ) Empresas Públicas ( ) Administração Direta ( ) Administração Indireta ( ) Serviços Sociais Autônomos Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub95 95 95 22/8/2007 14:27:01 . São entidades autônomas. Tribunais de Justiça e Ministério Público.

Serviço Social do Comércio (Sesc). criadas por Economia Mista lei. ( ) Agência Espacial Brasileira. entretanto não fazem parte da Administração Pública Indireta ou Descentralizada. com objetivo geralmente de educação. sem fins lucrativos. Câmara dos Deputados. ( ) Caixa Econômica Federal. patrimônio próprio e administração particular.Universidade do Sul de Santa Catarina f) g) São entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito ( ) Sociedades de Privado. Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte (Geipot). Universidade Federal do Ceará. 6) Relacione a coluna da direita com a esquerda: a Administração Direta . Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica.A. Arrecadam receitas por seus próprios meios e recebem recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades. ( ) Presidência da República. São entidades que possuem personalidade de Direito ( ) Fundações Privado. sem fins lucrativos. Petrobrás.. Banco do Nordeste. pois as Fundações são criadas por lei. Procuradoria Geral da República. Fundação Nacional do Índio (Funai). Conselho Federal de Administração. Difere aqui da iniciativa privada. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atuam em cooperação com a Administração Pública.A. Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). Vice-Presidência da República. Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Fundação Universidade de Brasília (FUFB). Eletrobrás S. São supervisionadas pelo Ministério (ou Secretaria) em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade. pesquisa ou assistência social. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). com patrimônio e recursos próprios. Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Banco Central do Brasil. embora sua criação seja autorizada pelo Governo. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Senado Federal. Tribunal de Contas da União/Estados/Municípios. b Autarquias c Empresas Públicas d Sociedades de Economia Mista e Fundações f Serviços Sociais Autônomos ( ) Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). ( ) Banco do Brasil. Casa Civil. Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae). Casa da Moeda. Superintendência de Seguros Privados. Fundação Universidade Federal do Sergipe (FUFSE). Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Controladoria Geral da União. 96 gestao_por_resultados_na_adm_pub96 96 22/8/2007 14:27:02 . que se subordinam a supervisão ministerial. Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Furnas Centrais Elétricas S. ( ) Serviço Social da Indústria (Sesi). Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM). Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). com escritura pública e estatuto registrado e inscrito no Registro civil de Pessoas Jurídicas. Supremo Tribunal Federal. criadas com a finalidade específica de assistência ou ensino a determinadas categorias sociais ou profissionais. cujo funcionamento é amparado pela União.

para completar o entendimento do texto. antes de prosseguir leia novamente se os objetivos de aprendizagem foram alcançados.Gestão por Resultados Síntese da unidade Nesta unidade você estudou o sistema de planejamento estratégico da Administração Pública.gecon. Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. Podemos citar o site www. ou use a bibliografia básica. Unidade 4 gestao_por_resultados_na_adm_pub97 97 97 22/8/2007 14:27:02 . a modernização como questão de política pública. Caso persista a dúvida.com. a modernização orçamentária com a colaboração dos superiores. Saiba mais Procure pesquisar na internet modelos de empresas de recursos humanos que apostam na capacitação profissional e desenvolvem pesquisas voltadas à gestão de resultados. que desenvolve pesquisas voltadas à Gestão de Resultados. releia o texto novamente.br. ofertada abaixo. Verificou que o orçamento deveria refletir a política do governo. e o orçamento deve ser direcionado pelo desempenho.

_________. 1998. CUNIL GRAU. Repensando o público através da sociedade: novas formas de gestão pública e representação social. Luiz Carlos. Brasília: ENAP. O público não-estatal na reforma do Estado. Nuria. Rio de Janeiro: Editora FGV. 34. Reforma do Estado para a cidadania: a reforma gerencial brasileira na perspectiva internacional. Brasília. _________. 98 gestao_por_resultados_na_adm_pub98 98 22/8/2007 14:27:02 . DF: ENAP. 2001. Reforma do Estado e administração pública gerencial. Rio de Janeiro: Editora FGV. Rio de Janeiro: Revan. 1999.Universidade do Sul de Santa Catarina Referências BRESSER PEREIRA. São Paulo: Ed. 1998.

UNIDADE 5 Gerenciamento por resultados nos serviços públicos 5 Objetivos de aprendizagem Examinar uma nova postura da gestão pública e da mensuração econômica dos benefícios da atuação governamental para a sociedade. Determinar um valor econômico agregado efetuado a partir da consideração de custos de oportunidade. conforme os princípios e critérios do Sistema de Gestão Econômica. Identificar o valor criado na gestão pública. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 Uma nova postura da gestão pública e da Seção 2 Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 gestao_por_resultados_na_adm_pub99 99 sociedade Governo empreendedor e governo burocrático A gestão pública por resultados Exemplos de programas avaliados pelos resultados O modelo de gestão pública criadora de valor Mensuração do valor agregado por uma entidade governamental Visão sistêmica da eficácia da gestão pública 22/8/2007 14:27:02 .

a sua expressão monetária. efetividade e equilíbrio. na sua quase totalidade. a administração pública buscou conhecimentos da iniciativa privada e formulou postulados que serão desenvolvidos no decorrer desta unidade. voltado para o cidadão como cliente. ainda é difícil de se mensurar. ou seja. busca padrões otimizados de eficiência. Essa nova postura do governo empreendedor.Para início de conversa Você já caminhou bastante. balizada pelos custos incorridos na gestão pública. Os sistemas de avaliação. Para que isso ocorra. pois se restringe a índices físicos e subjetivos. como já vimos anteriormente e deve estar orientada por processos de avaliação contínua e de legitimação pela sociedade. sem falar que a visão a sistêmica é a base para este modelo. agora está na última unidade da disciplina. impossibilitando a avaliação completa dos resultados. economicidade. Para tentar minimizar esta situação e obter esse equilíbrio. que trata da Gestão por Resultados nos Serviços Públicos. Esta unidade tem o objetivo de fornecer uma nova idéia da postura da gestão pública diante da sociedade. eficácia. A abordagem dos benefícios da atuação governamental gera para a sociedade. Iremos dar alguns exemplos de programas avaliados pelos resultados e mensurados por valor agregado. consideram apenas o lado econômico. 100 gestao_por_resultados_na_adm_pub100 100 22/8/2007 14:27:02 . pois mantém custos e benefícios em escalas diferentes de mensuração. o governo precisa ser mais empreendedor e menos burocrático. que cada vez espera mais resultados.

causadas por desequilíbrios econômicos e fiscais. mediante terceirizações e privatizações. XX barreiras intransponíveis. p. exacerbado em todos os países durante duas guerras mundiais e. 1991. p. perderam seu atrativo num mundo de pluralismo social centrado cada vez mais na “uniclasse” (idem. muitas das suas atividades anteriormente assumidas (Drucker. 61). 2001 e sua citação nos foi autorizada pelo Prof. Armando Catelli SEÇÃO 1 Uma nova postura da gestão pública e da sociedade Entre as “Novas Realidades” surgidas no final do Séc. como o Welfare State. voltado. após a crise de 1929. O Estado passou. p. Uma “Rebelião Fiscal Silenciosa” fez crescer em muitos países a sonegação e a economia informal (Drucker. em parte. assim. o Estado de Bem Estar. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub101 101 101 22/8/2007 14:27:02 . encontrou no final do Séc. XX em contraste com posturas estabelecidas durante os últimos dois séculos. 21) dos “trabalhadores do conhecimento”. para o estímulo à prosperidade americana e ao equilíbrio entre os grupos de interesse econômico. o ímpeto arrecadador e de endividamento financeiro do Estado de Bem Estar. Sucessos do passado. 1991. Peter Drucker (1991) identifica uma nova consciência das funções do governo. 28-31 de outubro. 55). Com isso tem sido levado a concentrar-se nas suas funções mais essenciais e a entregar à sociedade.Gestão por Resultados O conteúdo desta unidade foi extraído do Trabalho apresentado na 13th Asian Pacific Conference on International Accounting Issues – Rio de Janeiro. a reconhecer os seus limites fiscais e de endividamento. tendo que selecionar atividades a partir de recursos escassos. inaugurado por Bismarck contra a luta de classes e o New Deal de Franklin Roosevelt. Estudos sobre os impactos da arrecadação e endividamento na saúde da economia e na coesão da sociedade comprovaram a exaustão do modelo do Estado Fiscal de Bem Estar. De fato.

) “uma frustração crescente entre os contribuintes é não saber exatamente o que estão recebendo pelo dinheiro que investem.” SEÇÃO 2 Governo empreendedor e governo burocrático A consciência dos limites fiscais. p. A gestão burocrática teve grande sucesso desde a Revolução Industrial ao substituir o governo das famílias reais e da nobreza por uma administração baseada na impessoalidade.. p. 15) pouco sensível aos problemas reais da comunidade. 13). Assim. p. essa nova realidade se manifesta. 152) “os cidadãos de hoje se recusam a pagar altos impostos por serviços cujos preços disparam. 102 gestao_por_resultados_na_adm_pub102 102 22/8/2007 14:27:03 . a burocracia logo se tornou um fim em si mesma. 52) pôde constatar que “tanto nos países democráticos como nos comunistas a maioria dos programas governamentais desde 1945 têm sido verdadeiros desastres. é incapaz de fazer. tendo sido desde então sinônimo de um “governo lento. Se chegam a obter resultados. 1995. Drucker (idem.) Hoje nós sabemos que existem algumas coisas que o governo. 1995.” Com efeito. como estudado por Weber (Osborne & Gaebler. (. nos Estados Unidos constatam Osborne & Gaebler (1995. XX a postura do Governo Empreendedor em oposição ao governo burocrático tradicional. profissionalismo e racionalidade técnica. estes são freqüentemente o oposto dos esperados.. que Bresser Pereira (1998) em sua obra aborda. financeiros e administrativos do Estado fez surgir na última década do Séc.. (.Universidade do Sul de Santa Catarina Do ponto de vista dos cidadãos. tanto na desconfiança diante das ineficiências da administração pública tradicional como em exigências sempre maiores de que os serviços proporcionados pelo governo à sociedade sejam otimizados em relação aos recursos que consomem. fechando-se às mudanças que se aceleraram após à Segunda Guerra Mundial. p. enquanto a qualidade despenca”. mediante o carreirismo e corporativismo. De fato.. por sua própria essência. ineficiente e impessoal” (Osborne & Gaebler.

Ammons 2000) .Gestão por Resultados O governo empreendedor caracteriza-se. possuir empresas ou concentrar-se no “fazer” em ampla escala. este se volta prioritariamente para o controle do cumprimento dos custos orçados e não para a consecução de metas otimizadas. como um governo que “pertence à comunidade. centra-se na transparência de um “governo competitivo. o governo empreendedor não pretende controlar a economia.1995.80) e visa atender aos cidadãos como clientes e não aos interesses da burocracia (idem. que introduz a competição na prestação de serviços” e. 26-50) denominam de “governo catalisador”. por exemplo. É o que Osborne & Gaebler (1995. perdendo tanto a capacidade de decidir (Osborne & Gaebler. derivado de sua postura de controle orientado por missões. ou seja. 51. De fato. Distanciando-se do modelo tradicional burocrático. na Carolina do Norte. assim. SEÇÃO 3 A gestão pública por resultados A eficácia do governo empreendedor. p. no detalhe em meio a tarefas amplas. Isso faz com que. metas e objetivos (Osborne & Gaebler. p. sobretudo. tenha sido criado um sistema de medição de desempenho dos governos locais baseados no benchmarking. Concentra-se. dando responsabilidade ao cidadão em vez de servi-lo” (Osborne & Gaebler. o poder de realização do governo empreendedor. p. Com isso. pelo contrário. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub103 103 103 22/8/2007 14:27:03 . p. a verificação das melhores práticas na geração de serviços em comparação com os respectivos custos (Rivenbark & Carter. 181-213). p. 1999. 32) como a visão de eficácia das políticas governamentais. justamente por serem escassos os seus recursos orçamentários. p. mas sim estimular a ação e a parceria da sociedade. preocupa-se com a obtenção dos melhores resultados que os recursos disponíveis possam proporcionar (Reese & Ohren. 2000. 1995. 116-148) se torna expressivamente maior que o do governo burocrático.1995. 80-116).

p. para atender com maior eficácia ao bem comum – gerando resultados. THOENIG.xi). Isso. obter o “lucro público” que é o bem estar da sociedade. para outros países do mundo. terceirizações e Contratos de Gestão ( Johnson et al. De fato. 2000). redefinindo ‘os conceitos contábeis geralmente aceitos’ para incluir entre eles. BRESSER-PEREIRA. 21). iniciativa e autonomia gerencial. CAMPOS et al. p. o critério de avaliação de desempenho” (OSBORNE & GAEBLER. 152). mediante privatizações. 1995. No Brasil. 1996. na prática. gerenciar com eficiência recursos tributários coletados. já preconizado por Bill Clinton (id. 1999 e 2000. 1999. a experiência internacional de avaliação da gestão pública tem despertado grande interesse como uma das condições básicas de sucesso da reforma administrativa do Estado.. 1996. Como notam Osborne & Gaebler (1995.. e sua ação implementadora. nas diversas esferas governamentais (BARBOSA. controle por objetivos e metas ou governo por parcerias. p. porém. não significa “governar como quem dirige uma empresa”. iniciou-se na Junta Normativa da Contabilidade Governamental americana. ao visar resultados que melhor respondam às demandas dos cidadãos como clientes. FREITAS.Universidade do Sul de Santa Catarina Nos Estados Unidos o governo empreendedor é considerado hoje um “paradigma político emergente” (Osborne.. planos e metas. 2000. 319). mas sim. a gestão pública empreendedora adota “princípios de gestão de negócios” – como atendimento ao cidadão como cliente. 104 gestao_por_resultados_na_adm_pub104 104 22/8/2007 14:27:03 . para ajustar suas estratégias. a gestão pública empreendedora é baseada em avaliações contínuas da sociedade. “que determina os padrões contábeis geralmente seguidos pela maioria dos governos estaduais e municipais e que está. os critérios do governo empreendedor vêm sendo desenvolvidos durante a última década e constituem hoje um dos fundamentos da política do governo federal voltada para as reformas centradas na entrega à sociedade de tarefas antes assumidas pelo governo burocrático tradicional. No Brasil. que visa prioritariamente obter lucro monetário com seus produtos. 1994. p. A importância da avaliação de desempenho na moderna gestão pública por resultados. ou seja. pró-atividade. 127) com agências e entidades públicas. p.

Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub105 105 105 22/8/2007 14:27:03 . Os programas habitacionais. 18). A adoção de critérios de desempenho e de obtenção de resultados por parte da nova postura da gestão pública empreendedora envolve. 1995. Elaborar e divulgar sistemas de indicadores de desempenho do serviço público. Orientar as políticas de recursos humanos pelos parâmetros de avaliação de desempenho. alguns conseguiram atingir seus objetivos. comparam seus custos orçados com o aumento da taxa de ocupação de apartamentos populares (Osborne & Gaebler. como notam Teixeira & Santana (1994. certamente. por exemplo.Gestão por Resultados Contudo. p. p. p. Os programas de emprego para jovens medem o percentual de estagiários que conseguiram se efetivar em empresas e o nível de satisfação dos seus empregadores (idem. devem estar na pauta de negociações dos nossos Parlamentos: A avaliação de desempenho deveria ser priorizada num novo modelo de gestão pública através de iniciativas como: Redirecionar o sistema de avaliação dentro da administração governamental para uma ação centrada no eixo da avaliação do desempenho do serviço prestado – qualitativa e quantitativamente – pelos diversos setores e unidades. os sistemas de avaliação de desempenho na gestão pública. 155). 67). ainda deficientes. SEÇÃO 4 Exemplos de programas avaliados pelos resultados Nesta seção estaremos apresentando alguns exemplos de programas avaliados sob a ótima dos resultados. outros necessitariam de mais atenção para melhorar e alcançar as metas propostas. Garantir uma ampla divulgação e acompanhamento dos indicadores e seus valores. questões relevantes de mensuração.

por exemplo. a fim de compará-las com eficiência aos seus atuais programas. Do mesmo modo. O critério do uso de recursos em programas alternativos. desde o final da década de 40 nos Estados Unidos. procurava se afastar do “orçamento baseado em entradas” (input-oriented budgeting) adotando o “orçamento baseado em saídas” (output-oriented budgeting) e. a um mesmo custo.  Cost accounting ésignifica custo/benefício. identificar as “melhores práticas” de outras comunidades. se.Universidade do Sul de Santa Catarina A campanha de limpeza pública em New York. p. Assim.  Benchmarking é a verificação das melhores práticas de outras comunidades. pode ocorrer que o programa B. quando governos locais buscam identificar através de “benchmarking”1 ou seja. com isso. portanto. constituem desta forma os parâmetros de avaliação (RIVENBARK & CARTER. 158).000 prisões de criminosos) é maior que o output do programa B (que conseguiu apenas 1. AMMONS. comparando os índices qualitativos de atendimento de programas alternativos. confrontados com os respectivos custos. recompensava equipes de voluntários conforme um Scorecard com o percentual decrescente de “ruas imundas” que. conseguindo. 106 gestao_por_resultados_na_adm_pub106 106 22/8/2007 14:27:03 . Na última década. melhor desempenho e a preferência dos recursos. 2000). comparar os índices qualitativos de atendimento de programas alternativos. o output do programa policial A (que efetuou por ex. passando a relacionar resultados (outputs) e custos dos serviços públicos. no mesmo exemplo. caracteriza. 2. segundo Wang (1999. com a postura empreendedora de gestão que outorga maior autonomia de decisão aos gestores das políticas públicas. p. vem sendo adotado o “orçamento orientado por resultados” (outcome-oriented budgeting) que mede o desempenho do serviço. a fim de comparálas com eficiência aos programas que serão executados. mas pela qualidade do resultado obtido (por exemplo: diminuição dos índices de criminalidade). confrontados com os respectivos custos. dando um enfoque de “cost accounting”2. 2000. tenha obtido maior redução efetiva da criminalidade. em 1986 diminuiu de 43% para 4% (idem.500 prisões). ainda que fazendo menos prisões que o programa A. conforme os respectivos índices de atendimento à sociedade. não simplesmente pelo seu output quantitativo (por exemplo: número de prisões efetuadas). 2) o “orçamento baseado em desempenho” (performance budgeting) que. Assim. ou seja. os recursos seriam canalizados para o programa A.

Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub107 107 107 22/8/2007 14:27:03 . são muitas vezes de natureza diversa e de difícil comparação. p. A aplicação de pesos e ponderações para se apurarem notas e ratings deixa largo espaço para arbitrariedades e pressões políticas. por mais intensa que venha sendo a elaboração das técnicas de mensuração por índices físicos e qualitativos. Tais critérios. conforme exemplo acima abordado. 7): Na avaliação das organizações públicas.000 famílias carentes a um custo de R$ 50. entretanto. Por isso. não são isentos de dificuldades. é usual que resultados sejam definidos por indicadores físicos ou qualitativos.00? Em suma. cujos produtos e serviços se traduzem em lucro econômico.000. não passam desapercebidos aos diversos autores os limites da mensuração por índices físicos e qualitativos. As dificuldades da mensuração restrita aos indicadores físicos ou qualitativos são igualmente destacadas por Catelli et al. Entretanto. (2001. por mais relevantes e imprescindíveis que sejam. mas necessitou de enormes subsídios? É bom ou mau desempenho atender a 5. Merece um rating maior uma atividade que se destacou na geração de benefícios. as limitações da abordagem dos resultados das políticas e serviços públicos apenas mediante índices físicos e qualitativos levanta a questão da mensuração econômica dos benefícios que a atuação governamental proporciona à sociedade – crucial para os que financiam os custos desses benefícios na forma monetária de tributos compulsórios. kW/h e mortalidade infantil. Wang (1999. permanece a impossibilidade de se utilizar escalas de natureza diversa para comparar benefícios e custos. Tais valores. ao contrário das empresas. a determinação do valor econômico gerado pela gestão pública requer considerações e abordagens específicas. portanto. por exemplo.Gestão por Resultados Entretanto. na mensuração de desempenho entre os diversos gestores. p. 4) constata expressivas diferenças de enfoques de valoração e.

ausência de profissionais habilitados em nível superior nas diversas áreas do conhecimento. O Programa Magister foi criado no Estado de Santa Catarina. através de uma Auditoria de Gestão. Sua versão voltada à gestão pública tem sido utilizada por diversas organizações e agências governamentais. conseqüente. para a formação de professores em serviço de professores não habilitados. principalmente nas de ciências exatas. Tomando por base o estudo dos países originários de governos empreendedores. O Núcleo GECON – Gestão Econômica – da FEA-USP vem desenvolvendo há mais de dez anos um sistema de gestão e de informação fundado em critérios econômicos. dissertações de mestrado. idealizando-se um programa de formação em serviço para professores da rede pública catarinense. Visite o site www. A implementação do Magister veio a ocorrer somente em 1995.com. livros e artigos científicos. fora dos centros culturais. 17) que a elaboração de indicadores de desempenho ainda não é generalizada.br Programa Magister Outro exemplo de mensuração de valor do serviço público e verificação dos resultados alcançados foi desenvolvido pelo Tribunal de Contas de SC como parte do programa de treinamento dos Auditores Fiscais foi a verificação do cumprimento de dispositivos legais aplicáveis e os aspectos relacionados à economicidade. O objetivo deste programa. em unidades mais próximas ao seu local de trabalho. a partir de instituições que melhor admitem a gestão por resultados. mas se encontra em desenvolvimento. modalidade de desempenho. em efetivo exercício do magistério. em caráter emergencial. como uma ação do Governo do Estado de Santa Catarina. efetivos e admitidos temporaria- 108 gestao_por_resultados_na_adm_pub108 108 22/8/2007 14:27:04 . eficiência e eficácia da gestão do Programa Magister. O sistema GECON tem sido aplicado mediante consultorias a empresas entre as mais importantes do Brasil. uma vez que havia o desequilíbrio na distribuição do ensino no Estado e. notam Osborne & Gaebler (1995. realizado em  de junho de .gecon. p. seria oportunizar a formação universitária aos professores. aplicando-se genericamente às políticas de gestão pública um instrumento contábil-gerencial. para sua eficácia. propor um modelo de mensuração de valor que. conforme concebido.Universidade do Sul de Santa Catarina Não é escopo deste estudo examinar a definição de políticas governamentais – o que cabe aos mandatários eleitos e seus partidos em diálogo com a sociedade – mas sim. a partir do Fórum Estadual de Educação. tendo publicado mais de uma centena de trabalhos entre teses doutorais e de livre-docência.

com duração de dois anos ou quatro fases/semestres. com carga horária total de (2.200 a 3. até o fim da Década da Educação (ano de 2006). inciso III). os propósitos do Programa Magister foram ajustados para dar cumprimento a estas disposições. em nível de licenciatura plena.500h). supletivamente. parágrafo 30. Com o advento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . onde exista um contingente de professores em efetivo exercício do magistério público sem habilitação específica na área de sua atuação.Gestão por Resultados mente. 87. A missão do Programa Magister.394/96). 87. ao Estado e à União a incumbência de “realizar programas de formação para todos os professores em exercício. distribuição dos cursos de forma descentralizada em todo território Catarinense. parágrafo 40). e cursos de complementação. utilizando para isso também os recursos da Educação à Distância” (art. em nível de licenciatura plena.LDB (Lei nº 9. sem afastamento do ambiente de sala de aula. que atribuiu a cada município e. de tal modo que. para professores com licenciatura curta. As principais estratégias adotadas pelo programa foram: oportunizar a formação em curso de graduação. para os professores que atuam no Estado de Santa Catarina. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub109 109 109 22/8/2007 14:27:04 . com carga horária total de 900 a 1100 horas. como concebido pela Secretaria de Estado da Educação e do Desporto de SC e aceito pelas Instituições de Ensino Superior era a de realizar ações emergenciais para suprir a rede estadual e municipal de ensino com recursos humanos qualificados. de acordo com a grade curricular de todo curso. Para estes professores foram oferecidas duas modalidades de habilitação: cursos completos com duração de 4 (quatro) anos ou 8 (oito) fases/semestres. que atuavam na da rede pública estadual e municipal de ensino. somente sejam admitidos “professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço” (Art. formação universitária mais próxima ao local de trabalho. objetivando a melhoria científico-pedagógica do ensino nas escolas.

para o magistério estadual? Variáveis de mensuração Para aferir se o Programa Magister tem conseguido suprir a deficiência de Recursos Humanos habilitados nas diversas áreas do conhecimento. no período de 1995 a 2002? 3. por área e de profissionais habilitados.Salário Educação. Qual é a insuficiência de recursos humanos. no período de 1995 a 2002? 2. a seguir detalhadas: 110 gestao_por_resultados_na_adm_pub110 110 22/8/2007 14:27:04 . fonte 06 . optou-se pelo estabelecimento de 7 (sete) sub-variáveis de mensuração. através de convênios entre estas e a Secretaria de Estado da Educação e do Desporto de SC. na SED. por área. por área de habilitação. passou-se a tratar a questão principal. realização de cursos nas áreas de maior defasagem de recursos humanos qualificados para atender à rede escolar pública e apoio financeiro aos professores que ingressam nos cursos. A seguir demonstra-se as questões e os critérios de auditoria utilizados para a sua mensuração: Questões e critérios de Auditoria A partir do problema de auditoria. especificamente na de ciências exatas. Os recursos alocados no orçamento estadual supriram as demandas. no que concerne à responsabilidade do Governo do Estado. objetivando selecionar os potenciais candidatos às vagas existentes nos cursos implantados pelo Estado. foram alocados no Projeto de Capacitação de Recursos Humanos. subdividindo-a em 3 (três) questões a saber: 1.Universidade do Sul de Santa Catarina As principais atividades desenvolvidas pelo programa foram a realização de concursos de vestibular. Os recursos financeiros para o funcionamento dos cursos do Programa Magister. anualmente. principalmente nas áreas de ciências exatas. especificamente na de ciências exatas. Os cursos foram ministrados pelas Instituições de Ensino Superior do Estado de Santa Catarina. Os professores habilitados pelo programa magister supriram as deficiências.

c) Variável referente à suficiência de recursos financeiros 7. 6. 2. Alunos: quantifica e especifica os alunos matriculados. 5. Fatores de mensuração Procurou-se medir as variáveis através de indicadores de avaliação conforme a seguir apresentado. Cursos desenvolvidos: apresenta e especifica a quantidade de cursos. por curso. evadidos e habilitados. Recursos orçamentários: quantifica o montante anual de recursos orçamentários aplicados no programa. após o término da sua habilitação. 3.Gestão por Resultados a) Variáveis referentes à insuficiência de recursos humanos 1. por área de atuação. Efetivo exercício no magistério: verifica a condição do professor /aluno. a) Taxa de Professores Inabilitados Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub111 111 111 22/8/2007 14:27:04 . no magistério público estadual. b) Variáveis referentes ao efetivo exercício do magistério 4. Insuficiência de recursos humanos habilitados: mede a quantidade de vagas e de professores não-habilitados. Candidatos aprovados em concurso: identifica o percentual de alunos egressos do magister e que foram aprovados em concurso do magistério estadual. Vínculo de emprego no magistério estadual: identifica os professores egressos do magister e o vínculo que mantém com a SED.

TO = Número de vagas não preenchidas Número total de vagas oferecidas d) Taxa de ocupação (TOcup) TO = Número de vagas não preenchidas Número total de vagas oferecidas e) Custo por Aluno do Programa Magister Expressa o custo per capta anual que pode ser comparado com os recursos orçamentários alocados. TSC = Número de Diplomados Número Total de Ingressantes c) Taxa de ociosidade (TO) Expressa o número de preenchimento de vagas no vestibular e o conseqüente grau de ociosidade no ensino de graduação. CP = Número de alunos matriculados Custo total anual 112 gestao_por_resultados_na_adm_pub112 112 22/8/2007 14:27:04 . a cada ano.Universidade do Sul de Santa Catarina Expressa o número de professores inabilitados que estão se preparando no Magister TPI = Total de Professores Inscritos no Magister Total de Professores Inabilitados b) Taxa de sucesso do curso (TSC) Indica a capacidade da instituição de levar seus alunos a concluir com sucesso seus cursos e considerar os formandos aptos em relação a todos os tipos de ingressantes.

com enfoque para a aplicação de metodologia apresentada em curso de capacitação de Analistas de Controle Externo do Tribunal de Contas/SC. também de responsáveis pela execução dos cursos do Programa. unidades educacionais. informações e depoimentos. evasões. diplomados. com os quais buscou-se diretamente dados. responsável pelo curso. alunos. dos integrantes da equipe de auditoria. gráficos e resultados objetivos alcançados pelo Programa Magister. especificamente no Programa Magister. da Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. no tocante a: Relatórios periódicos (semestrais ou anuais). voltou-se para uma avaliação do desempenho da ação do Governo Estadual. em que pese o dedicado empenho e interesse. e de outra parte em face da indisponibilização de dados sistematizados e consistentes. principalmente. Os motivos deste resultado podem ser debitados. executado pela Gerência de Ensino Pesquisa e Extensão.Gestão por Resultados Recomendações e Conclusões A execução dos trabalhos desta auditoria de gestão. custos. de modo a evidenciar com objetividade quais as demandas a serem supridas. porém sem habilitação superior em nível de licenciatura plena. tanto do professor Arlindo Carvalho Rocha. de um lado. vinculadas às Instituições de Ensino Superior em particular da UFSC e UDESC. como dos diversos servidores da Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. Por constituir-se em primeira experiência. à premência improrrogável do tempo de duração dos trabalhos. disciplinas. Estudos e dados periódicos anuais apresentando a real situação do contingente de professores da rede pública estadual. desde a sua implantação até a atualidade. em exercício do magistério. no período de 1995 a 2002. contendo todas as informações inerentes a cursos. o resultado obtido certamente apresenta-se limitado e parcial. matrículas. junto à Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. avaliações. indicando cursos. no cargo de chefia ou de assessoramento de várias diretorias ou gerências. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub113 113 113 22/8/2007 14:27:04 . cidades e regiões.

695)na de Ciências 114 gestao_por_resultados_na_adm_pub114 114 22/8/2007 14:27:04 . em exercício na rede pública estadual de ensino. 12 (7. das IES’s. principalmente na área de exatas. contendo indicações acerca de demandas operacionais da rede pública estadual. sem dúvida. no mesmo período de análise.246. econonomicidade. determinante na valorização dos profissionais da educação e o mecanismo mais eficaz para suprir a insuficiência deste no mercado de trabalho catarinense. 44 (28. mas também a sua melhor remuneração. A definição de um piso salarial em termos adequados é um dos pilares. especificamente na apresentação de resposta à questão primordial levantada. atinentes aos resultados alcançados pela execução desta auditoria. centralização das IES’s nas principais cidades e a incapacidade do aluno em acompanhar o desenvolvimento do curso para o qual ingressou. em média. dentre os quais 10.Universidade do Sul de Santa Catarina Ausência de um sistema que apresente dados do planejamento escolar anual. o que o Programa não prevê é que a qualificação do professor-aluno diz respeito não apenas a sua maior titulação. que explicitem especificamente necessidades de suprimento do Quadro de pessoal do Magistério.os idealizadores do Programa Magister dispõem inicialmente que a insuficiência de professores habilitados exercendo o Magistério Público Estadual está relacionada a fatores como: baixa procura pelos cursos de licenciatura. não possuíam habilitação em nível de licenciatura plena para o exercício do magistério. eficiência e eficácia.21%) foram na área de Artes e Comunicação (Educação Artística e Letras Alemão/ Espanhol/Italiano/Inglês). No entanto.254.no tocante ao universo de professores. c) Cursos oferecidos . com atribuições de atividades e função em sala de aula. pode-se afirmar conclusivamente que: a) Professores não habilitados . Conclusões Considerando estes aspectos. tendo em vista que a auditoria de gestão é de desempenho. no período de 1995 a 2001. b) Valorização do Magistério . certifica-se que os professores tanto efetivos quanto ACT’s totalizam uma média de 23.de um total de 156 cursos implementados. acerca da execução do Programa Magister e tomando por base os princípios da legalidade.

394/96. no total.040 vagas (5.33%) na de Ciências Sociais (Geografia.81% da quantidade de 7.0 9. posto que nesta área foram executados apenas 25% do total de cursos implementados e 24. este índice foi de 22.00%) na de Ciências Exatas (Matemática.63%) e sos de Ciências Naturais/Matemática (43.875 candidatos para 1.833 candidatos (5. em face dos objetivos do programa Magister e. desta lei.49%) na de Ciências Agrícolas (Ciências Agrícolas e Complementação Pedagógica para Ensino Técnico).33%). 39 (25. até dezembro de 2001. foi de 11. e) Outras prioridades que não a do Programa Magister . f) Alunos diplomados e participação em concursos . 33. 07 (4. Ciências da Religião. tiveram apenas 0.730 vagas. buscando dar cumprimento a um dos objetivos prescritos ao programa. onde para 550 vagas acorreram 2. com destaque para os cursos de Pedagogia para Séries Iniciais.foram implementados 21 cursos (13. Física). que resultaram até agora na diplomação de 4.6 candidatos por vaga.os cursos e vagas oferecidas não contemplam. Também.o índice geral de evasão dos cursos implementados. alcançando no geral um índice de 2. Com exceção dos cursos de Letras/Espanhol que. 62 da Lei n.9 candidatos por vaga.02%. foram executados 8 cursos (5. Para a disputa destas vagas.17%). ao que consta do art.6) e os de Pedagogia para Educação Especial. h) Aprovação em concurso .040 vagas (13.103 alunos-professor e permanência em formação de outros 2.45%). com disponibilização de 1. contrariamente ao previsto no art. todos os demais apresentaram uma quantidade de candidatos igual ou superior ao número de vagas oferecidas.Gestão por Resultados Biológicas (Biologia). com prioridade. 52 (33.foram disponibilizadas 7. em particular. 5. d) Vagas oferecidadas na área de ciências exatas .095 candidatos. Nos cursos de Ciências Exatas. destinados à capacitação de professores cuja área de atuação não requeria tal iniciativa como prioridade. História. acorreram 20.não foi possível precisar a correlação de alunos egressos do programa Magister com os candidatos aprovados em concursos públicos Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub115 115 115 22/8/2007 14:27:05 .2). com especial ressalva para o cursos de Ciências Físicas (68. com disponibilização de 400 vagas (5. g) Evasão .46%) de Pedagogia para Séries Iniciais.433 dos alunos inicialmente matriculados. Química. Pedagogia Educação Especial e Séries Iniciais).84% das vagas oferecidas.13%) de Ciências da Religião. disciplinas da área de ciências exatas.452. 02 (1.28%) na Gestão da Educação (Pedagogia de Gestão da Educação).

num total de 7.00.079. 116 gestao_por_resultados_na_adm_pub116 116 22/8/2007 14:27:05 .886. no período de 1995 a 2002. por vaga ocupada. Dados não confirmados.079. considerando um total de 7.394/96 e os objetivos preconizados pelo referido Programa. 33 e 62 da Lei n. indicam que foi de 64.00. i) Alunos matriculados . Recomendações Com referência nos aspectos coletados nesta auditoria.51% o total de aprovados de alunos do Magister no concurso de 2001.790.116. l) Deperdício . os cursos de Pedagogia para Séries Iniciais. em nível de licenciatura plena. atesta-se um desperdício de recursos públicos da ordem de R$1.433 alunos-professores matriculados. a equipe recomenda que sejam acolhidas pelo Tribunal Pleno as seguintes proposições: Determinar à Secretaria de Estado da Educação e do Desporto que providencie: Implementação de cursos do Programa Magister voltados com prioridade para as áreas de Ciências Exatas. Ciências da Religião e Pedagogia para Gestão da Educação.face ao índice de 3.Universidade do Sul de Santa Catarina da Secretaria de Estado da Educação e do Desporto.00.84% de ociosidade das vagas inicialmente ofertadas.pela indisponibilização de registros adequados.132. na rede pública estadual e municipal. Suspensão do custeio com recursos do programa Magister. de levantamento particular da Coordenadora Estadual do programa.00. correspondendo a 297 vagas.0 9. foi de R$1. não foi possível aferir se os alunos matriculados nos cursos do Magister atestadamente apresentavam comprovação com o efetivo exercício do magistério. j) Custo por vaga oferecida e por vaga ocupada Considerando o desembolso de R$29.730. nem se uma vez diplomado passaram a manter um vínculo empregatício efetivo. à vista do que preconizam os arts. buscando atender as unidades da rede pública estadual que mais se ressentem da falta de professores habilitados. e de R$1. de forma regionalizada. tendo por fundamento um diagnóstico consistente das necessidades da Rede Pública Estadual. estima-se que o custo unitário por vaga oferecida.

quantidade de vagas oferecidas e número de fases. e também qual o vínculo empregatício que mantiveram com a Secretaria após a diplomação obtida no citado programa. Determinar a continuidade de avaliação deste Programa. no que diz respeito ao ambiente onde são lecionadas as disciplinas. contendo todas as informações sistematizadas inerentes a cursos. às condições de acesso a biblioteca (bibliografias específicas) e a laboratórios. com a complementação mediante a aplicação de uma auditoria de resultados. a quantidade de vagas. a fim de se buscar a certificação quanto à efetividade das ações levadas a efeito pelo Programa. A republicação do resumo dos contratos firmados com as Instituições de Ensino Superior. diplomados. A sistematização de dados anuais de planejamento e estatística.Gestão por Resultados A elaboração de relatórios periódicos (semestrais ou anuais). o local de sua realização. no que respeita ao Quadro de Pessoal do Magistério. Sugere-se uma avaliação junto às IES’s quanto ao fornecimento de infra-estrutura compatível com um curso em nível superior. realizados em 1998 e 2001. atual ou histórica desta realidade. seleção. alunos. a fim de que resulte possível a certificação imediata. freqüência e resultados alcançados pelo Programa Magister. matrículas. dentre outras a indicação do(s) nome(s) do(s) curso(s). de forma a verificar as condições do professor-aluno. em 2001. contendo precisamente. para ali fazer constar claramente quais os cursos que estão sendo contratados. com vinculação empregatícia efetiva ou de admissão em caráter temporário. A remessa de informações ao TCE/SC que indiquem quantos e quais dos alunos-professores do Programa Magister lograram aprovação nos concursos públicos do magistério estadual. em todos os termos de contratos firmados com as Instituições de Ensino Superior. candidatos. para fins de estudos. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub117 117 117 22/8/2007 14:27:05 . número de fases e o local de execução dos mesmos. A retificação de cláusula referente à descrição do objeto. avaliações. evasão. para execução dos cursos. diagnósticos e controles.

31). com isso. Essa pró-atividade dos gestores é considerada condição fundamental para a criação empreendedora de valor na gestão pública. ao preconizarem o governo descentralizado e aberto à participação e ao trabalho de equipe. 272). ou à simples quantidade produzida. não se admitindo imputações ou transferências eficiências/ineficiências de uma área para outra. como no output-budgeting. A adoção rigorosa desse princípio de controlabilidade possibilita a vinculação das conseqüências às respectivas decisões. Não importa quão inteligente seja o chefe. crenças. 118 gestao_por_resultados_na_adm_pub118 118 22/8/2007 14:27:05 . 1999. em vez de contra eles (idem.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 5 O modelo de gestão pública criadora de valor O modelo de gestão do governo empreendedor reflete a moderna tendência de gestão compartilhada e coordenada. como na administração burocrática. Isso implica igualmente que os gestores são avaliados por fatores e eventos que efetivamente estejam sob seu controle. 2000. mas se oriente pró-ativamente para a eficácia e para a otimização que se expressam na criação de valor para a sociedade. objetivando-se. A visão sistêmica da organização. 272). fundamental para o controle da execução de planos e para a avaliação de desempenho (Catelli. com a missão. p. ex-diretor do Departamento de Saneamento da Cidade de New York. citam Ronald Contino. p. onde afirma que nada pode substituir o conhecimento de um trabalhador acerca de seu local de trabalho. Estes são estimulados a atuar como “donos” de suas áreas e ao mesmo tempo identificados com a missão. Só conseguirá liberar o potencial máximo dos seus empregados trabalhando com eles. 8). “destacar e valorizar posturas empreendedoras – fazer acontecer sem desculpas” (Catelli. que estimula a iniciativa e pró-atividade dos gestores identificando-os. p. valores e objetivos globais da organização. adotada na Gestão Econômica considera como condição para a eficácia a autonomia de decisão dos gestores. Osborne & Gaebler (1995. crenças e valores da sua entidade ou organização. nem tampouco sua capacidade de liderança. Esse modelo aplicado à gestão pública possibilita que a ação dos gestores não se restrinja apenas ao mero cumprimento de rubricas orçamentárias. ao mesmo tempo. p.

c) um sistema de gestão que otimize os esforços do governo e da sociedade em seus diferentes níveis. pelos quais o governo central se relaciona de modo ao mesmo tempo descentralizado e integrado com suas entidades. suspensão e rescisão.Gestão por Resultados O modelo empreendedor de gestão pública fez originar em vários países. (1999. em nível nacional já existia desde 1998 a Lei de nº 9. agências reguladoras etc – mediante cláusulas contendo “objetivos. penalidades dos administradores” e outras. (1996. Lima et al. indicadores de produtividade. b) um modelo de gestão que aproveite todo o potencial dos gestores. 128-9) os contratos de gestão. surgidos na administração francesa na década de 80. de 10 de março de 2005 que trata desta questão. p. d) um sistema de informações e de comunicações que possibilite o entendimento entre governo e sociedade e a avaliação de resultados proporcionando a tomada de decisões transparentes. porém necessitava de regulamentação. a qual se volta inteiramente à satisfação da sociedade como fundamento de sustentação do Estado (id. 545) notam que os contratos de gestão. 3) considera que a eficácia da gestão pública depende principalmente de: a) gestores competentes e bem intencionados. têm por escopo “a necessidade de otimização do benefício social gerado pelos recursos públicos” investidos na entidade governamental. No Estado de Santa Catarina foi aprovada uma a Lei nº 12. expressam compromissos reciprocamente assumidos entre o governo e suas entidades – por exemplo. p. p. inclusive no Brasil. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub119 119 119 22/8/2007 14:27:05 . os chamados Contratos de Gestão. Conforme Johnson et al. de 04 de fevereiro de 2004 e logo em seguida a Lei nº 13. grupos e segmentos.. empresas. p. condições para a revisão. metas.343. 547).929. de 15 de maio de 1998. Catelli (2000. mediante compromissos sobre objetivos e metas. Dentro desses princípios empreendedores. prazos para a consecução das metas estabelecidas e para a vigência do contrato.637. renovação. critérios de avaliação de desempenho.

chamadas por Alfred Marshall (1996. como a infraestrutura de transporte ou de segurança. etc. Como observa Catelli (2001. p. 1971). o planejamento e o controle da atuação de uma entidade (pública) com base na evolução do valor adicionado – criação de valor”. a Gestão Econômica preconiza a otimização da criação de valor pela gestão pública. 172-203) mediante a distinção entre social net product e private net product. as externalidades possibilitam caracterizar a gestão pública – as políticas públicas. estudado por diversos autores (Mishan. políticas de defesa ambiental. as quais foram. p. Por exemplo. Ao integrar a riqueza da sociedade. (2001. como sistema de informações econômico-financeiras. p. Catelli et al. Esse conceito. 2000. 120 gestao_por_resultados_na_adm_pub120 120 22/8/2007 14:27:05 . foi posteriormente aprofundado por Pigou (1962.Universidade do Sul de Santa Catarina e) um sistema de controles internos que assegure a legitimidade de todas as ações dos gestores. 7). na tomada de decisão dos gestores públicos. 359) de “externalidades” (positivas ou negativas). que constituem serviços proporcionados pelo governo. pessoas. 31). (Catelli. sem prejuízo de sua eficácia.5) observam que a atuação do Estado pode ser considerada como uma administração das economias (ou superação de deseconomias) que se situam fora do controle dos agentes econômicos privados. mas das quais esses agentes dependem. p. Nesse sentido. o Sistema de Gestão Econômica constitui um modelo de gestão e um sistema de informações gerenciais que possibilita a tomada de decisões pela gestão pública com base em critérios e princípios de eficácia econômica. que atuam sobre as externalidades – como criação de valor econômico. Conforme o mesmo autor (Catelli. empresas e grupos sociais se beneficiam de externalidades positivas. Bens públicos e bens privados. 1999. normas técnicas.8) “o GECON é um modelo de gestão que permite a simulação. p. A mensuração econômica do valor possibilita. a identificação das alternativas mais favoráveis à identificação de valor para a sociedade. p. proteção legal.

às entidades constituídas e gerenciadas conforme o perfil do governo empreendedor. seria preferível ao governo adquirir o serviço de escolas privadas a continuar mantendo escolas públicas. A entidade ou projeto contribui positivamente para o desempenho do governo na medida em que o valor total agregado pelos serviços por ela produzidos supere as despesas estruturais necessárias para sua atuação. aplicando os escassos recursos disponíveis de forma a otimizar a criação de valor para a sociedade. se o custo do serviço educacional fornecido pela escola pública for superior ao menor valor cobrado por uma escola privada por um serviço em condições equivalentes. às agências governamentais brasileiras regidas por contratos de gestão. por exemplo. Por exemplo. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub121 121 121 22/8/2007 14:27:05 . o valor econômico dos serviços de educação oferecidos por uma escola pública é dado pelo menor preço cobrado por um serviço educacional particular similar disponível no mercado em condições equivalentes. como mencionado. O modelo aplica-se. dotado de autoridade e responsabilidade legitimamente outorgados. preconizada a postura pró-ativa do gestor que busca conseguir o melhor padrão de serviços para a sociedade. de modo particular.Gestão por Resultados SEÇÃO 6 Mensuração do valor agregado por uma entidade governamental O modelo proposto considera como entidade governamental todo centro de decisão voltado a prestação de serviço ou ao exercício de poder público no interesse da sociedade. De fato. assim. É. Uma entidade pública cria valor na medida em que é capaz de produzir serviços para a sociedade de valor superior ao custo dos recursos consumidos na sua produção.

entretanto. as diferenças de percepção do valor criado pela atuação governamental sob a ótica do governo e a sob ótica da sociedade podem ser maiores ou menores a cada momento da vida social. De fato. o indicador da contribuição social do governo. Tais diferenças jamais desaparecem por completo no mundo real. há que gerar serviços cujo valor corresponda a receitas ou economias de custo reais percebidas pela sociedade. variações nas propensões individuais e coletivas. Considera-se. diferentemente do que ocorria quando os serviços governamentais se refletiam em benefícios econômicos percebidos pela sociedade de apenas $25. diferenças de informação e de conhecimento. destinado a servir a sociedade. governo e sociedade. partidarismos. uma igualdade entre o valor dos serviços prestados pelo governo ($60) e as receitas e economias de custo percebidas pelos agentes sociais ($60). conforme já examinado: o indicador da eficácia dos serviços prestados pela entidade. o indicador da eficiência operacional do governo. 122 gestao_por_resultados_na_adm_pub122 122 22/8/2007 14:27:06 . Essa correspondência que aponta um equilíbrio na percepção de valor. uma vez que decorrem de múltiplas variáveis que se refletem de modo diverso nas percepções dos integrantes do governo e nos agentes da sociedade. ineficiências de mercado.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 7 Visão sistêmica da eficácia da gestão pública A eficácia da gestão pública deve ser obtida através da visão sistêmica das interações entre entidades governamentais. que o governo. o indicador da eficácia governamental percebida pela sociedade. Verifica-se a otimização do sistema das interações entre as atividades das entidades governamentais. segmentação econômico-social etc. expressa pelos diversos indicadores da atuação governamental. do governo como um todo e dos agentes da sociedade. ou seja. Procura-se sintetizar os diversos níveis ou enfoques de eficácia e de percepção do valor econômico agregado pela atuação do governo. como: diversidade de interesses.

..a autonomia de. efetividade. operacional.. da organização. constitui o fundamento da legitimação da atuação governamental expressa pela sua aceitação pelos cidadãos e pela outorga do mandato de gestão aos governantes. a definição de indicadores de desempenho permite a análise da evolução o desenvolvimento ou o avanço rumo aos objetivos de um programa.. Atividades de auto-avaliação Leia com atenção os enunciados e responda: 1) Complete as lacunas da frase que segue: A visão....... econômica. considera como condição para a .... decisão b)gerencial.. no mínimo.......... Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub123 123 123 22/8/2007 14:27:06 . certamente contribuiria para a otimização dos benefícios gerados pelos recursos públicos e avaliação de desempenho de entidades e gestores.. a percepção da sociedade. num governo eficaz.. eficácia... além de última instância de avaliação da eficácia da gestão pública... Assim.Gestão por Resultados Esse último indicador.... ao levar em conta a medida da pluralidade de demandas a serem atendidas...... econômica.. efetividade.. mediante o processo eleitoral....... decisão d)operacional. eficiência. estratégica. eficiência. A visão sistêmica dessas percepções do valor criado pela gestão pública. decisão e) sistêmica. considerando-se que os benefícios gerados pela atuação governamental para a sociedade hão de ser. uma vez incluída nas projeções e metas dos Contratos de Gestão.. iguais às receitas e economias de custo efetivas percebidas pelos agentes da sociedade. decisão 2) Principais critérios para Seleção de Indicadores Com relação a formulação do programas. dos gestores... adotada na gestão...... além de superiores aos custos incorridos na sua geração. ao fundar-se na percepção da sociedade quanto ao valor para ela criado pela atuação governamental constitui a última instância na determinação do nível de eficácia da gestão pública. sistematizada..... a) estratégica.. resulstado c) sistêmica.

mas pode ser útil em determinadas áreas de responsabilidade. unidades de tempo. b) ( ) Estudos de viabilidade econômica focaliza o desenvolvimento de alternativas destinadas a corrigir ou minimizar as ineficiências apontadas nos estudos factuais prévios. etc. 124 gestao_por_resultados_na_adm_pub124 124 22/8/2007 14:27:06 . Analise as alternativas abaixo e marque a que mais se aproximar da realidade: a) ( ) Estudos factuais envolve apenas o estudo introspectivo com o objetivo de identificar os pontos fortes e fracos externos de uma empresa e de sua subdivisão. ( ) Possibilidade do registro.Universidade do Sul de Santa Catarina Observando o quadro abaixo. ( ) Compreensão e aplicações fáceis. como porcentagens. distâncias. ( ) Custo de geração baixo. utilizando-se unidades adimensionais ou dimensionais simples. d) ( ) Métodos de planejamento de receita de vendas e outras receitas permanecem iguais de empresa para empresa devendo ser um sistema estático. e) ( ) O conceito de orçamento variável pode não ser aplicável a todos os custos de funcionamento de uma empresa. da manutenção e da disponibilidade dos dados e do método adotado para a sua determinação. 3) Ao introduzir um programa de planejamento e controle de resultados. c) ( ) Estudos de viabilidade envolve a geração de ações e da avaliação econômica na escolha de uma das diversas alternativas. ( ) Captação de uma característica chave da situação que se procura descrever. CRITÉRIOS ( 1 ) BAIXO CUSTO ( 2 ) COMPARABILIDADE ( 3 ) RASTREABILIDADE ( 4 ) SIMPLICIDADE ( 5 ) SELETIVIDADE ( 6 ) ABRANGÊNCIA ( 7 ) ESTABILIDADE DESCRIÇÃO ( ) Representatividade adequada da situação a que se refere. ( ) Validade duradoura e geração a partir de procedimentos que podem ser padronizados e incorporados à rotina do gestor da ação. relacione os critérios para seleção de indicadores à respectiva descrição do objetivo esperado. ( ) Facilidade de comparação com referenciais apropriados. a administração deve realizar estudos para avaliar os seus efeitos econômicos.

b) Assegurar que os programas estejam alinhados com a orientação estratégica do governo e compatíveis com a previsão da disponibilidade de ___________ Proporcionar a alocação nos orçamentos anuais de modo compatível com os objetivos e diretrizes estabelecidas no __________e com o desempenho obtido na execução dos ___________ c) Melhorar o desempenho gerencial da administração __________. e) ( ) Trabalho integrado. b) ( ) Definição clara dos objetivos para ação e compra de material de expediente.Gestão por Resultados 4) O Planejamento é entendido como um processo racional para definir objetivos e determinar os meios para alcançá-los e deve ser anterior à realização do empreendimento. segundo o melhor __________ entre custo . qualidade e prazo. do ________________ dos programas em relação aos objetivos e ___________ especificados no plano. c) ( ) discriminação e quantificação de metas e seus custos. 5) De acordo com o quadro abaixo . tendo como elemento básico a definição de responsabilidade por __________e resultados. d) ( ) Avaliação dos resultados obtidos e nível de satisfação de partidos políticos. preencha as alternativas: EQUILÍBRIO / METAS / PÚBLICA / PROGRAMAS / RECURSOS SERVIÇOS / PLANO / CUSTOS / DESEMPENHO / AÇÕES / BENS / a) Organizar em programas todas as __________ do governo federal que resultem em __________ou __________ para atendimento de demandas da sociedade . pelos gerentes. d) Permite a avaliação . Assinale (V) ou (F) para as características que o planejamento deve obedecer: a) ( ) Diagnóstico da situação existente e identificação das necessidades de bens e serviços. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub125 125 125 22/8/2007 14:27:06 .

São Paulo: Ed. 59-101. Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. set-dez. 1988. 1988.br/ artigo21.Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Esta unidade examinou uma nova postura da gestão pública e da questão da mensuração econômica dos benefícios da atuação governamental para a sociedade. São Paulo: Atlas. Reforma do Estado para a cidadania. conforme os princípios e critérios do Sistema de Gestão Econômica.C. 47 (3). Maria da Glória Arrais & Machado. BARBOSA.htm Referências PETER. Constituição do Brasil: promulgada em 5/10/88. 1996. releia o texto novamente. Uma introdução a ciência das finanças. buscando identificar o valor criado na gestão pública. Manual de auditoria governamental. ou use a bibliografia básica ofertada abaixo. Saiba mais Para ter acesso ao documento deste autor: http://www. A determinação desse valor econômico agregado é efetuada a partir da consideração de custos de oportunidade. L. Caso persista a dúvida. 1978. para completar o entendimento do texto.Rio de Janeiro: Forense. 34. Departamento de Imprensa Nacional. BRESSER-PEREIRA.gecon. Constituição. pp. 12ª ed. 126 gestao_por_resultados_na_adm_pub126 126 22/8/2007 14:27:06 . L. Aliomar. Meritocracia à brasileira: o que é desempenho no Brasil? Revista do Serviço Público RSP/ENAP. Brasília. antes de prosseguir leia novamente os objetivos de aprendizagem e verifique se foram alcançados. 2003. BRASIL. Marcus Vinícius Veras. BALEEIRO. 1998.com.

León.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. _________. 50 (4). _________. Revista de Administração Pública – RAP/FGV. Palestra apresentada no Seminário ESAF 25 anos. Armando et al. CATELLI. São Paulo. 2000. 1994. Palestra apresentada no Workshop Criando Valor na Gestão Pública. 29-46. 1991.S. In IIC-ACODI 2001. _________. out. Gestão econômica de organizações governamentais. & Hays. FREITAS. 1999. 2000. Reflexões sobre a reforma gerencial brasileira de 1995. Unidade 5 gestao_por_resultados_na_adm_pub127 127 127 22/8/2007 14:27:06 . Reinaldo. 22/03/2000. et al.Gestão por Resultados __________. CAMPOS. pp. São Paulo: Atlas. Modelo conceitual de sistema de informação de gestão econômica: uma contribuição à teoria da comunicação da contabilidade. Armando. Revista de Administração Pública – RAP/FGV. As novas realidades. Organização pública. Revista do Serviço Público – RSP/ENAP. pp. A. Controladoria: uma abordagem da Gestão Econômica – GECON. jul-set. O futuro já chegou. Avaliação de agencias reguladoras: uma agenda de desafios para a sociedade brasileira. Peter F. pp. Exame. São Paulo.A. jul. Tese (Doutorado) – FEA/USP./ dez. 34 (4). GUERREIRO. C. São Paulo: Pioneira. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. Steven W.93122. nº 6. Cole B. M. CATELLI. Ano 34. Não publicado. DRUCKER. 1989. 2ª edição. 2001. __________. 1999. Tradução de Britta L. 1999. GRAHAM JR. 50 (3). Não publicado. Revista do Serviço Público – RSP/ENAP. 2000. 34 (5). Brasília.112-126. Criando valor na gestão pública. Avaliação da gestão pública.. Espanha. pp. A reforma gerencial do Estado de 1995. 7-26. A implementação do Governance Performance and Results Act na administração pública dos EUA. de Freitas. set/out./ago.

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gestao_por_resultados_na_adm_pub130 130 22/8/2007 14:27:07 .

gestao_por_resultados_na_adm_pub131 131 22/8/2007 14:27:07 . Seção 2 Responsabilidade e o dever legal de prestar contas. Identificar os meios que os funcionários dispõem. além da necessidade de prestar contas ao cidadão. Seção 3 A evolução histórica dos tipos de trabalho realizados pela auditoria Seção 4 Mudanças no serviço público. Estudar as expectativas dos usuários dos serviços públicos. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos: Seção 1 Ausência de visibilidade e de transparência. Analisar a concorrência que os funcionários dos serviços públicos estão enfrentando para desempenhar suas atividades.UNIDADE 6 Responsabilidade e o dever de prestar contas ao cidadão 6 Objetivos de aprendizagem Compreender os efeitos da globalização junto aos serviços públicos.

.. ausência de visibilidade e de transparência. que passa nos projetos do futuro. Esperamos ter contribuído no sentido de melhorar a capacidade de inteiração com a administração por resultados. As razões dessa insuficiência em prestar contas são diversas: crença de que prestar contas sirva para reduzir o número de agentes. povo marcado e povo feliz.. O serviço público tem hoje. nesta última unidade estudaremos a responsabilidade e o dever de prestar contas tanto do Estado como também do cidadão e as mudanças que necessárias para que haja transformação nos processos públicos/privados..Para início de conversa Ao chegarmos até aqui já caminhamos bastante e aprendemos muito.. vida de gado. é duro tanto ter que caminhar e dar muito mais do que receber. e ver que toda esta engrenagem já sente a ferrugem lhe comer...] vocês que fazem parte desta massa. Os governantes têm de entender esta mensagem e fazer com que suas ações sejam conhecidas pelo cidadão.. oo.... Como dizia o cantor e compositor Zé Ramalho: [. 132 gestao_por_resultados_na_adm_pub132 132 22/8/2007 14:27:07 .eh.. através da prestação de contas diária. fazendo diferença nas relações com o Poder Público. Vamos ao estudo das seções? SEÇÃO 1 Ausência de visibilidade e de transparência A transparência hoje é uma necessidade.

Que esses riscos sejam calculados (nesse caso. Devemos. ausência de incentivos: os indicadores de desempenho são de fato raramente utilizados nas decisões orçamentárias ou na avaliação de desempenho. de acordo com as normas pertinentes a cada ato e com a finalidade de atender ao interesse público. cada vez mais amiúde. O resultado é a obrigação organizada de prestar contas. sobre as comparações de desempenho e de resultado. Trata-se aqui de uma verdadeira mudança cultural: sou mais livre. Ela pode vir dos próprios funcionários.Gestão por Resultados crença de que prestar contas seja mais utilizado para censurar do que para compreender e melhorar. representado pela Câmara Municipal —. A Administração Pública deve atuar com legitimidade. Contudo. a pressão para prestar contas cresce: Ela pode vir do poder político: Há uma preocupação dos governos em ver seus objetivos efetivamente realizados. A crise de legitimidade do Estado favorece a transparência: as administrações preferem prestar contas a se verem constantemente atacadas. pelo Poder Judiciário e pela população. SEÇÃO 2 Responsabilidade e o dever legal de prestar contas O controle externo da administração é exercido pelo Poder Legislativo — no Município. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub133 133 133 22/8/2007 14:27:07 . se seu procedimento no caso tiver sido razoável. portanto: Entender que os funcionários necessitam fazer constantes avaliações e que assumam riscos. Ela pode vir do orçamento. Os mecanismos orçamentários recaem. mas devo também ser capaz de melhor prestar contas. Que os funcionários possam prestar contas em termos qualitativos e quantitativos sem medo de serem censurados. o governante poderia solicitar o apoio dos serviços do Estado ou de auditoria independente para se assegurar da viabilidade).

Como já tratamos sobre a integração do Controle Externo e Interno. A legislação infraconstitucional. p. órgão ou autoridade impõe sobre a conduta funcional de outro Poder. manifesta-se de dois modos: político e financeiro. nesta seção você verá relembrará algumas características importantes destes tipos de controle. Segundo Gonçalves () o controle pode ser assim dividido em controle legislativo. dos órgãos e dos agentes públicos e a demarcação dos tipos e das formas de controle da atuação da administração. financeiro. não pode prever outras formas de controle além das que estejam contidas na Constituição Federal. o Controle da Administração é: “a faculdade de vigilância. estes representados pela população. Nem mesmo a Constituição Estadual pode admitir aquilo que o Texto Constitucional não previu. O que é Controle da Administração? Para Hely Lopes Meirelles (. este em relação às suas funções administrativas. como é o caso da LRF. para defesa desta e dos administrados. onde prevalece o princípio da legalidade. se o fizesse. político. 134 gestao_por_resultados_na_adm_pub134 134 22/8/2007 14:27:07 . outro órgão ou outra autoridade”. o controle legislativo. judicial e popular: O Controle Legislativo O controle exercido pelo Poder Legislativo sobre a Administração encontra limites na própria Constituição da República e implica a interferência desse Poder sobre os demais. para não ofender o princípio da separação dos Poderes. estaria cometendo uma inconstitucionalidade. orientação e correção que um Poder.Universidade do Sul de Santa Catarina Em um Estado de Direito. Esse tipo de controle alcança a Administração Direta e Indireta e o Poder Judiciário. ). tendo em vista que são alvos de auditoria de prestação de contas. ocorre a fi xação de competência das entidades. Ainda segundo o autor Gonçalves ().

Cabe assinalar que o Poder Legislativo. pois aprecia as decisões administrativas. § 2º). Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub135 135 135 22/8/2007 14:27:07 . como se disse. 50). É bom esclarecer que a convocação de autoridades municipais pela Câmara não inclui a possibilidade de o Prefeito ser chamado a depor no Legislativo. bem como sobre pessoas físicas ou entidades privadas que utilizem. e é de natureza política. e 52. XVII. art. IV. cujo não atendimento também provoca a pena por crime de responsabilidade (CF. que permite sua inclusão na Lei Orgânica Municipal (LOM): apreciação pelo Legislativo dos atos do Executivo (CF. 49.Gestão por Resultados O Controle Político Abrange aspectos de mérito e de legalidade. que se refere ao Congresso Nacional. pela Câmara Municipal. V e XI). representado. VI. repetindo o disposto pelo art. arrecadem. II. . Em decorrência do princípio da separação dos Poderes. previstos na CF e aplicáveis ao Município por força da chamada simetria de formas. III. XII. como dirigentes das entidades de Administração Indireta) para prestar informações. gerenciem ou administrem bens e recursos públicos (CF. formação de Comissões de Inquérito para apurar determinados fatos (CF. que será explicado na próxima Seção. é o titular do controle externo no Município. solicitação de informações àquelas autoridades. arts. art. III.  a ). São exemplos do controle político. O Controle Financeiro É exercido pelo exame de informações sobre operações realizadas pela Administração e que produziram efeitos sobre o fluxo de caixa e sobre o patrimônio das entidades em geral. art. 50. I. sob pena de crime de responsabilidade (CF. Incide sobre a Administração Direta e Indireta. convocação de autoridades (Secretários Municipais e outras. § 3º). arts. conforme estabelece o art.  da Constituição Federal. o Chefe do Poder Executivo não pode ser compelido a tanto. IV. 58. somente as autoridades acima mencionadas podem ser convocadas. inclusive sob o aspecto da discricionariedade — esta relativa à oportunidade e à conveniência do ato frente ao interesse público. V.

da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual. dos investimentos e das despesas correntes por meio do uso de seu poder de emenda aos projetos encaminhados pelo Prefeito Municipal. orçamentária. gastos de pessoal. operacional e patrimonial nas unidades dos Poderes Legislativo e Executivo. financeira. do mesmo modo. observadas as limitações ditadas pela Constituição e pela LC nº /. prestar informações à Câmara sobre a fiscalização ou inspeção realizada. entre outras. Ao Tribunal de Contas são dadas atribuições (CF. momento em que verifica se as recomendações legais a respeito das metas de Governo. A LRF estabelece prazo de  (sessenta) dias para que os Tribunais de Contas emitam o parecer prévio conclusivo sobre as contas. Ao exercer o controle financeiro. julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros.Universidade do Sul de Santa Catarina No exercício dessa titularidade. a influência da LRF quanto aos gastos de pessoal. da despesa com pessoal. O Legislativo Municipal pode também definir limites inferiores aos que estabelece a LRF para os montantes da dívida. aplicar aos responsáveis as sanções previstas em lei. bens e valores públicos. o Poder Legislativo conta com o auxílio do Tribunal de Contas competente. 136 gestao_por_resultados_na_adm_pub136 136 22/8/2007 14:27:08 . para efeito da LRF. art. apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias e pensões. quando elabora o chamado parecer prévio. ) para: apreciar as contas prestadas pelo Executivo. de //. A Câmara sofre. das normas de estrutura de custos e das prioridades da Administração estão observadas. realizar inspeções e auditorias de natureza contábil. haja vista que os subsídios dos Vereadores são considerados. no que deve haver a combinação com o que dispõe a Emenda Constitucional nº . a Câmara aprecia os projetos do Plano Plurianual. representar à autoridade competente sobre irregularidades ou abusos apurados. salvo se a Constituição Estadual ou a Lei Orgânica do Município estipular outro prazo.

66 x 2 = 9. as ações de recuperação de créditos nas instâncias administrativa e judicial. Aliás. § º).32. art. Em uma Câmara que possua.Gestão por Resultados O prazo acima será de  (cento e oitenta) dias para os Municípios que possuam menos de . bem como as demais medidas para elevar a receita tributária. A LRF determina também que o Tribunal de Contas não poderá entrar em recesso enquanto existirem contas a serem examinadas. a maioria de / é igual a oito. ou seja. arredonda-se esse número para o número inteiro imediatamente superior. portanto. a LRF enfatiza os aspectos relativos à arrecadação. Como não existem . pendentes de parecer prévio. . ainda por força do que dispõe a LRF. presentes e ausentes à sessão.  Vereadores. pelo menos oito Vereadores deverão votar contrariamente ao parecer prévio para que este possa ser rejeitado.  membros. que somente poderá rejeitá-lo pelo voto de pelo menos / dos seus membros (CF. por exemplo. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub137 137 137 22/8/2007 14:27:08 . a maioria de / será identificada pelo arredondamento para o número inteiro imediatamente superior. os dados e os documentos que traduzem a situação do Município. habitantes e que não sejam capitais. além do formato tradicional que as prestações de contas recebem. para que a Administração promova um esforço no sentido de aumentar sua receita. A prestação de contas deverá. Vereadores. O parecer prévio será encaminhado à Câmara Municipal. com as informações. cabe registrar que a maioria de /. Como se vê. evidenciar o desempenho da arrecadação em relação à previsão. por três e multiplicando o resultado por dois. Número de Vereadores: 14 ÷ 3 = 4. é obtida dividindo-se o número total de Vereadores. Nessa hipótese. destacando as providências para aperfeiçoar a fiscalização das receitas e o combate à sonegação. ou seja. também denominada maioria qualificada.

22 e 23 da LRF. às providências relativas às dívidas consolidada e mobiliária. Idêntica providência por parte do Tribunal de Contas será adotada. junto com o seu próprio controle interno e com o do Executivo. A LRF determina mais. por conseguinte. diretamente ou com o auxílio do Tribunal de Contas.Universidade do Sul de Santa Catarina O Tribunal de Contas competente. das operações de crédito e da concessão de garantia se encontrar acima do mesmo percentual. à destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos. Esse inciso. de acordo com o que dispuser a LDO. na LRF. quando for constatada a possibilidade de ocorrência das situações previstas no inciso II do art. informando em seu parecer prévio se a Administração atendeu ao que prescreve a LRF. às medidas tomadas para adequar as despesas com pessoal ao limite de que tratam os arts. O controle financeiro. deverá examinar a prestação de contas também sob esse ângulo. em relação aos limites traçados. especialmente quanto: ao atingimento das metas estabelecidas na LDO. o Tribunal de Contas estar atento para intervir. devendo a Câmara Municipal. que o Tribunal de Contas competente avise o Poder ou os órgãos referidos em seu art. para respeitar os limites determinados. º da mesma lei. ainda. para que seja promovida a limitação de empenhos e de movimentação financeira. que a receita poderá não admitir o cumprimento do que ficou estabelecido no Anexo de Metas Fiscais. O Tribunal de Contas deve informar àqueles Poderes ou órgãos. não havendo como aplicar a determinação. quando os gastos com inativos e pensionistas se encontrarem além do limite definido em lei e quando identificar fatos que 138 gestao_por_resultados_na_adm_pub138 138 22/8/2007 14:27:08 . todavia. Deve. aos limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em restos a pagar. quando a despesa com pessoal ultrapassar  do limite e quando o montante das dívidas consolidada e mobiliária. fiscalizar o cumprimento das normas de finanças. . vai mais além. foi vetado pelo Presidente da República. ao final de cada bimestre. por meio de alerta. ao cumprimento das restrições de gastos da Câmara Municipal.

o Judiciário julga os atos da administração sob os aspectos da legalidade e. XXXV). por força do que dispõem os arts. o Decreto-lei nº / e. principalmente. porque o primeiro somente ocorre quando o Poder Judiciário é provocado. ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada (art./. O Controle Judicial O controle exercido pelo Poder Judiciário constitui um dos fundamentos do Estado de Direito. por fim. 5º. por iniciativa do próprio Poder Legislativo. A verificação dos cálculos dos limites da despesa com pessoal do Poder Legislativo e do Poder Executivo foi também cometida ao Tribunal de Contas pela LRF.Gestão por Resultados comprometam os custos ou resultados dos programas ou. o respeito ao direito adquirido. entre eles o Código Penal. a Lei nº . A LRF dispõe que as infrações aos dispositivos nela contidos serão punidas segundo diversos diplomas legais. as normas constitucionais que garantem: o direito de recorrer ao Poder Judiciário (art. sob a égide da moralidade. entre outras razões. coube a esse Poder a função de julgar — excepcionalmente. conforme vem entendendo a doutrina mais abalizada. o âmbito de atuação do Tribunal de Contas. como órgão que auxilia o controle externo da Administração. quando houver indícios de irregularidades na gestão orçamentária. por outro lado. Estão em vigor. 5º. foi bastante ampliado. o Chefe do Poder Executivo). Como regra geral. XXXVI). porém somente nos casos expressos na Constituição. O controle judicial distingue-se do controle legislativo. Como se pode ver. Em face do princípio da separação dos Poderes. º e  da Constituição da República. o Legislativo também julga (por exemplo. ao passo que o controle legislativo se dá. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub139 139 139 22/8/2007 14:27:08 . tendo sido concedido a essa Corte um papel extremamente relevante no cumprimento das disposições da LRF.

 da Carta Magna.Universidade do Sul de Santa Catarina o devido processo legal (art. A LRF possui ainda relação com a Lei Complementar nº . em face do que estatui o inciso X do art. O Município goza do denominado duplo grau de jurisdição. inciso XV) e que não há previsão constitucional para que assim se proceda no dispositivo próprio (art. LV). . As autoridades municipais submetem-se à Justiça comum. poderá ocorrer a provocação da Justiça Eleitoral em determinadas situações. pode surgir daí um possível conflito. haverá o Judiciário de ser provocado por quem de direito para que se manifeste. por sua vez. 5º. se o desrespeito a alguns dispositivos da LRF constitui crime. para enquadramento no limite de gastos com pessoal. Isto permite afirmar que o controle judicial far-se-á presente sempre que alguém — autoridade ou outra pessoa competente ou interessada — acionar o Judiciário por meio da demanda própria. goza de alguns privilégios garantidos por lei. que envolve o de controlar a Administração. a sentença proferida contra essa unidade da Federação sobe obrigatoriamente à instância superior. 5º. para que o ente público recorra. Nessa hipótese. § º). conforme nela se lê. ou estadual. É relevante a lembrança de que a LRF prevê a redução dos valores atribuídos a cargos e funções.e isso pode ocorrer também como conseqüência da aplicação da LRF . conforme se explicou anteriormente. Quando o acionado é o Município . .os prazos são contados em dobro. LIV). Cumpre lembrar que. porém o Prefeito Municipal em determinadas situações será julgado pelo Tribunal de Justiça. a chamada Lei de Inelegibilidades. 140 gestao_por_resultados_na_adm_pub140 140 22/8/2007 14:27:08 . exercendo o seu poder julgador. a plenitude de defesa (art. inclusive a municipal. e em quádruplo. para contestação. As ações trabalhistas contra o Município. A administração pública. recairão na Justiça Trabalhista quando os servidores atingidos recorrerem a essa instância para verem respeitado o que consideram seus direitos. ou seja. Tendo em vista que a Constituição Federal prevê a irredutibilidade de vencimentos (art.

certamente.Gestão por Resultados É sabido que a LRF visa especialmente às autoridades responsáveis pela boa gestão dos recursos públicos que lhes são confiados. os próximos itens sobre controle popular e sobre atuação do Ministério Público. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub141 141 141 22/8/2007 14:27:09 . o que. que um dos principais propósitos da LRF é de permitir a transparência da gestão fiscal. pelo Ministério Público (MP) ou pela população. poderá ocorrer que a insatisfação destes resulte em provocação do Judiciário. prestadores de serviços. A participação da população na elaboração do orçamento é exemplo de controle. O controle judicial se manifesta. A Administração deverá também incentivar a participação popular e realizar audiências públicas quando da elaboração dos diversos planos e das leis de diretrizes orçamentárias e do orçamento anual. das prestações de contas. O Controle Popular Viu-se. em razão do que ordena a LRF. quando são propostas ações. orçamentos e diretrizes orçamentárias. Em algumas ocasiões. promovendo-se audiências durante a elaboração e o processo legislativo das leis orçamentárias. visando à punição de agentes públicos. a propósito. que irá então exercer o controle judicial de que aqui se fala. Vejam-se. Há no País diversas experiências de utilização do que se denominou “orçamento participativo”. também. entretanto. ao fim e ao cabo. fornecedores e outras partes contratantes. a participação popular deverá ser incentivada. Para alcançá-la. dos planos. vem constituir formas de exercício do controle popular. pelo fato de a medida adotada interferir nas relações com servidores. São. porém não são as únicas. especialmente o de Gestão Fiscal. do parecer prévio do Tribunal de Contas e de alguns relatórios. anteriormente. novas formas de a população participar do controle dos atos da Administração. Agora. inclusive por meios eletrônicos. o legislador previu a divulgação e a acessibilidade.

A LRF ampliou o escopo desse dispositivo (art. abrindo-se à consulta pelos cidadãos e instituições da sociedade. ) É instrumento de defesa dos interesses da coletividade. à disposição dos contribuintes para exame e apreciação.Universidade do Sul de Santa Catarina Outros exemplos de controle da população sobre os atos do Poder Público estão prescritos na Lei Maior./ e nº . ambas sobre mandado de segurança. durante 60 dias por ano. Por ela não se amparam direitos individuais próprios. este visando ao respeito a direito individual. em seu art. permitido o questionamento de sua legitimidade. o conceito. titular do direito subjetivo ao governo honesto. sobre a cooperação das associações no planejamento municipal (não se pode esquecer que a LRF recomenda o planejamento da ação governamental). Qualquer cidadão possui legitimidade para propor ação popular contra ato da Administração que traga lesão ao patrimônio público e à moralidade administrativa.. utilizável por qualquer de seus membros. 29. mas sim interesses da comunidade. º do Texto Constitucional e foi regulamentado pela Lei nº . utilizado em defesa de uma categoria. p. 142 gestao_por_resultados_na_adm_pub142 142 22/8/2007 14:27:09 . mandando que as contas do Executivo fiquem disponíveis durante todo o exercício. onde é determinado que as contas dos Municípios ficarão. de //. e no § 3º do seu art. Os meios de controle por parte da população não se esgotam nos exemplos acima. Confira. é o povo. existem outras leis para se conferirem. Esse instrumento de controle está prescrito no inciso LXXIII do art. nas instalações do Poder Legislativo e nas do órgão técnico responsável pela sua elaboração. O beneficiário direto e imediato desta ação não é o autor. como já abordado. º). a de nº . e o mandado de segurança coletivo. O que é Ação Popular? Para Hely Lopes Meirelles (. agora. Juntam-se à ação popular o mandado de segurança. cada qual com suas características. 31./. inciso XII.

aplicam-se aos Tribunais de Contas dos Estados e dos Municípios. como as de toda a seção que versa sobre fiscalização financeira. contribuem para o controle da Administração e são exemplos de situações em que o Poder Judiciário é provocado a manifestar-se. incluiu naquele documento um artigo no qual constava: ”Nenhum tributo ou subsídio será instituído no Reino. Moisés regulava as funções da justiça e a arrecadação dos dízimos. associação ou sindicato é parte legítima para. Na Inglaterra. pelos cidadãos. pois o monarca impunha os tributos que desejava e gastava segundo seu poder discricionário. em  foi outorgada a Carta Magna pelo Rei João Sem Terra que. Sabendo-se que as normas desse artigo. a menos que Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub143 143 143 22/8/2007 14:27:09 .  da Lei Magna abriu a possibilidade de exercício da fiscalização. recomendandolhes: “Onde negociares. SEÇÃO 3 A evolução histórica dos tipos de trabalho realizados pela auditoria Há . na forma da lei. em um dos seus livros canônicos denominado Eclesiastes estabeleceu preceitos aos filhos de Israel. tem-se mais um instrumento de controle popular sobre as contas públicas. partido político.Gestão por Resultados Esses recursos. pressionado pela nobreza. como explicado em parágrafos anteriores. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”. Nessa época o povo não participava da fi xação dos impostos e dos gastos públicos. de iniciativa de cidadão ou de grupos de cidadãos. C. nascido no ano de  a. encontrando exato e aceito.. tudo descreve”. Embora não estejam mencionados na LRF. no século XIII. dos atos cometidos pelo Poder Público ao prescrever que: “§ º. A monarquia considerava patrimônio próprio o tesouro público e a soberania do príncipe tinha fundamento divino. Salomão. verifica e pesa. anos antes de Cristo. Registre-se que o § º do art. Qualquer cidadão. não resta dúvida de que poderão ser utilizados para forçar a sua correta aplicação ou para impedir o mau uso dos recursos por parte da administração pública.

fórmula adotada até hoje. ficou estabelecido que: “A partir desta data nenhum homem será compelido a fazer qualquer doação. os colonos ficaram revoltados com a determinação do Parlamento de lançar impostos cobrados na Colônia Americana para pagamento de despesas do Governo Inglês. havendo. em . que tivesse por finalidade levantar uma contribuição dos súditos da América sem o consentimento do povo. começando pelos Certificados de Auditoria. empréstimo ou caridade. A partir de 1949. foi a partir daí que se iniciou a luta pelo controle parlamentar das finanças públicas. mudanças sensíveis nas normas de auditoria e por conseqüência. mas com os tributos que este lhes impusera e. foi a partir de  que a Constituição consagrou o princípio de que “nenhum imposto pode ser cobrado sem o consentimento da nação”. nos termos do Parecer do Auditor. porém. Em 1765. entretanto. estão nos conceitos e tipos de trabalho efetuados pelos auditores externos.Universidade do Sul de Santa Catarina seja aprovado pelo Conselho do Reino”. Os auditores externos emitiram. através dos tempos. ou a pagar imposto. o Certificado passou a ser substituído pelo Parecer do Auditor. dele não fazendo parte os demais setores do povo. Na França. para muitos autores. Após a revolução de 1774 foi firmada a ”Declaração de Direitos”. O Conselho do Reino era uma espécie de parlamento nacional e estava composto pelos barões e pelo clero. As mudanças mais marcantes. diversos tipos de relatórios. através de Lei do Parlamento”. do Congresso da Filadélfia. na qual ficou consagrado o princípio de exclusão de todo o imposto interno ou externo. baseados especialmente na auditoria dentro do conceito de revisão contábil. com o reconhecimento do controle interno como base para o trabalho do auditor externo. 144 gestao_por_resultados_na_adm_pub144 144 22/8/2007 14:27:09 . Com tal redação a nobreza não estava preocupada com as despesas do rei. após a Revolução de  e da Declaração dos Direitos. sem consentimento comum. nos Estados Unidos. Ainda na Inglaterra.

ficando os Tribunais de Contas mais voltados ao processo de prestação de contas. desenvolveuse a Auditoria de Regularidade ou de Conformidade. o uso dos recursos humanos. organização. que dão maior ênfase ao exame das demonstrações contábeis que. fi xa-se cada vez mais a amplitude do trabalho do auditor externo: emitir um conceito sobre a gestão. busca a avaliação dos resultados de cunho social. atualmente procurase desenvolver uma nova modalidade de auditoria: a Integral. Evoluímos para um conceito de Auditoria Operacional. efetividade e equilíbrio das contas públicas. Esta nova modalidade de auditoria visa a ampliar o trabalho do auditor. ainda. comparando-se os resultados a outras organizações que compõe o ambiente externo. passou-se a liberar o auditor para execução de auditorias operacionais. ambiente externo e não apenas sobre o balanço e a prestação de contas da entidade. econômica e financeira e. para examinar além da gestão da entidade. sem deixar de lado as peças contábeis e a prestação de contas. realizados pelos organismos de controle interno. sua situação patrimonial. ampliando-se o conceito de exame das peças contábeis para examinar também as estruturas organizacionais. onde a ênfase está menos no exame das demonstrações contábeis. Esta divisão de trabalho ocorreu também na área pública. alicerçado nos trabalhos de auditoria de regularidade. os  E’s já estudados anteriormente na disciplina Gestão por Resultados. onde ficou cada vez mais latente os conceitos de economicidade. eficiência. Agregando-se novos conceitos.Gestão por Resultados Nos tempos modernos. Partindo desta premissa. eficácia. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub145 145 145 22/8/2007 14:27:09 . por sua vez. a partir da década de /. Desta forma. normalmente adotada pelos auditores internos. para partir para a verificação dos resultados almejados.torna-se cada vez mais uma área reservada aos sistemas informatizados.

. deve ser um relatório circunstanciado e próprio para cada caso. LDO e LOA. mais liberdade e mais obrigação de prestar contas.br e os resultados que este órgão vem obtendo nas suas auditorias. O produto destes exames não se reflete apenas num mero parecer. mas também mais responsabilidade. comparando com Estados e Municípios de tamanhos semelhantes. p. SEÇÃO 4 Mudanças no serviço público A mudança está longe de ser simples. Ele avalia também o Estado e os Municípios dentro de um cenário macro-econômico nacional e internacional.Universidade do Sul de Santa Catarina Diante de um conceito de Auditoria de Gestão. PPA. sobre suas receitas. Os 146 gestao_por_resultados_na_adm_pub146 146 22/8/2007 14:27:09 . criando indicadores de qualidade.tce. O auditor emite seu parecer não apenas quanto a prestação de contas. É interessante você observar. para avaliar os impactos macro-econômicos sobre a sua economia. Estados e a própria União. tomando por base os conceitos de Auditoria Operacional ou de Gestão e a Integral.gov. Ao realizar os trabalhos. tendo gerado muitos frutos. pois ela dá aos servidores mais poderes.sc. isto é. sobre sua capacidade de investimentos. sobre o cumprimento de metas da LRF. Quando o controle era centralizado. o instrumento a ser utilizado pelo Auditor Externo. o balanço anual. Agora. que um novo cenário de auditoria está diante de nós.). criar um meio de trabalho mais produtivo. Acesse o site www. etc. portanto. resumiu o seguinte: Apesar de a idéia de delegação. os gerentes seguiam as normas e tinham pouca liberdade em sua execução. avaliandose os resultados sociais em que as medidas adotadas pelos Órgãos Públicos alcançaram e as análises comparativas com outros Municípios. Conforme (ALLEN SCHICK. sobre suas despesas. eles devem fazer escolhas e o que eles fazem é fiscalização de perto. dentro deste contexto. podemos citar como exemplo o processo de treinamento que o Tribunal de Contas de Estado de Santa Catarina está realizando em auditorias operacionais ou de gestão. é bem verdade que ela também cria um ambiente com muito estresse.

mais difícil. na escuta. O funcionário que domina as redes: os funcionários deverão dispor de redes sólidas e confiáveis que lhes tragam informações e análises de maneira contínua e não episódica. Da mesma maneira que as formas de emprego se diversificam. agora. as entrevistas regulares sobre satisfação obriga-os a levarem em conta a opinião deles. como podemos ver: O funcionário móvel: o trabalho solitário. saber quem são os principais participantes. também o serviço público irá se diversificar. No passado. os gerentes não eram submetidos à pressão dos usuários.Gestão por Resultados objetivos e as medidas de desempenho eram raramente especificados antes e ninguém podia assim ser considerado responsável pelos resultados. mais confl itante. O funcionário multicultural: os funcionários deverão também compreender as diferenças de cultura e de lógica. ter competência jurídica e financeira. O funcionário que sabe negociar contratos: os funcionários devem saber gerenciar contratos. Os salários eram fi xados por normas gerais para o serviço público. atrás de um computador deverá desaparecer como modelo dominante de trabalho. Muitos gerentes têm um trabalho mais longo. no escritório. Agora. A transformação do serviço público será mais radical do que jamais se viu. No passado. com funcionamento e com transferência. os gerentes devem decidir quanto gastam com pessoal. O funcionário conhecedor dos mercados: os funcionários deverão conhecer os mercados nas suas áreas de competência. pois serão confrontados a uma multiplicidade crescente de interesses e a uma sociedade civil mais qualificada. As novas competências exigidas do funcionário serão múltiplas. Os funcionários que sabe ter adversários ou parceiros mais qualificados: os funcionários devem saber negociar melhor. quais são seus interesses. os empregos privados não atraíam os funcionários. suas estratégias. pois todos terão forças e fraquezas de natureza diferente. Essas redes deverão agrupar especialistas práticos e outros funcionários. O funcionário ouvidor: os funcionários deverão ter a capacidade de sair em campo e obter informações de primeira mão. eles serão móveis. Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub147 147 147 22/8/2007 14:27:10 .

Entretanto. em identificar e mensurar o valor agregado à sociedade pela gestão pública do seu resultado legal. Para você ter certeza se alcançou os objetivos propostos. devemos nos preocupar não só com os instrumentos contábil-gerenciais e legais que permitem a mensuração econômica do valor criado na gestão pública. 148 gestao_por_resultados_na_adm_pub148 148 22/8/2007 14:27:10 . mas também dos benefícios da gestão pública. ou use a bibliografia básica ofertada abaixo. através de uma sociedade atuante. releia o texto novamente. financeiro.Universidade do Sul de Santa Catarina Para encerrar. mais liberdade e mais obrigação de prestar contas. geralmente ainda restrita. financeiro. Síntese Nesta unidade você estudou que a responsabilidade e o dever de prestar contas ao cidadão se dá por meio do controle legislativo. qualitativos e sociais podem fornecer. mas também à superação das incompatibilidades de escalas e unidades diversas de medida na informação subjacente à avaliação da eficácia governamental. judicial e popular. para começar as mudanças propostas neste estudo. Considera-se que o custo de oportunidade não apenas como expressão monetária dos custos financeiros. antes de prosseguir leia novamente o início da unidade e verifique se os objetivos de aprendizagem foram alcançados. própria do modelo de governo empreendedor. ou melhor. Estudou a evolução histórica dos meios de controle e compartilhou a angústia da sociedade que clama por mudanças no serviço público. para completar o entendimento do texto. essa mudança é uma via de mão dupla. Caso persista a dúvida. Este resultado constitui a mais abrangente expressão e medida da eficácia da moderna gestão pública por objetivos e resultados. político. tanto por parte dos Órgãos governamentais como na coresponsabilização do cidadão. isto é. econômico e social. na consideração dos benefícios que a avaliação dos índices físicos.

portaldatransparencia.sc. (www. Também visite o site www.sc. pode ser dividido de que forma? Explique cada uma delas Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub149 149 149 22/8/2007 14:27:10 .gov.br).br) e do seu Estado (www.mp. no Brasil.gov.tcu.tce.br) e conheça como funciona a esta estrutura de combate a corrupção.gov.br para se informar sobre o que o governo federal está fazendo para dar mais transparência às suas ações.gov. Atividades de avaliação a distância Leia com atenção e responda as seguintes perguntas: 1ª A pressão da sociedade para que haja responsabilidade e maior efetividade nas contas públicas está crescendo em função de que? 2ª O controle da gestão pública.Gestão por Resultados Saiba mais Visite os sites de Tribunais de Contas da União (www.

7ª De que forma a sociedade brasileira pode exercer um controle mais efetivo? 150 gestao_por_resultados_na_adm_pub150 150 22/8/2007 14:27:10 . Explique cada uma delas.Universidade do Sul de Santa Catarina 4ª Faça uma síntese da evolução histórica dos tipos de trabalho realizados pela auditoria ? 5ª De que forma a sociedade brasileira pode exercer um controle mais efetivo? 6ª As mudanças no serviço público exigem novas competências.

seja qual for entidade pública e se encontrar irregularidades pode denunciá-las? 9ª Qual a missão do Ministério Público frente aos anseios de mudança da sociedade? 10ª A parceria é pressuposto da sustentabilidade política e social? Por que? Unidade 6 gestao_por_resultados_na_adm_pub151 151 151 22/8/2007 14:27:10 .Gestão por Resultados 8ª Qualquer pessoa pode ter acesso às demonstrações da prestação de contas.

gestao_por_resultados_na_adm_pub152 152 22/8/2007 14:27:10 .

necessitando imprimir uma carga tributária que está no seu limite. em continuidade ao processo periódico eleitoral. questionarmos e participarmos de audiências públicas. quando da orientação do curso de treinamento dos Auditores Fiscais do Controle Externo em Auditorias Operacionais/Gestão do Tribunal de Contas de SC. para o benefício do cidadão. gestao_por_resultados_na_adm_pub153 153 22/8/2007 14:27:10 . ou seja. Governo e Sociedade. não nos conformando com a situação atual da administração pública. Na busca pela compreensão de que os orçamentos estratégicos devem estar voltados para o bem coletivo. refletem diferenças de percepção do valor criado entre os agentes públicos e privados. instigarmos o inconformismo deliberado e a impaciência metódica. principalmente. 1 Frase utilizada pelo autor Davi Solonca. que permitem uma melhor inteiração da prestação dos serviços ofertados pela Administração Pública e o próprio exercício da cidadania. identificando as formas de Governo. que possui um alto custo de manutenção. Procurou-se realizar um estudo das transformações dos Serviços Públicos e o seu direcionamento para os resultados voltados. inerentes ao processo dinâmico de gestão pública. a Ciência Política. Assegura-se. incrementando a eficácia da gestão democrática empreendedora. suas aplicações. O esforço contínuo de superação dessas diferenças instaura o diálogo político e faz desenvolver o processo gerencial público.Para concluir o estudo As múltiplas e contínuas interações governo – entidades governamentais – sociedade. provocando um “mal estar intectual”1. as de Estado e as suas funções básicas. A cidadania deve ser usada como estratégia de transformação. a avaliação e a legitimação contínua das políticas de gestão pública. analisou-se os conceitos de Estado. desse modo.

154 gestao_por_resultados_na_adm_pub154 154 22/8/2007 14:27:11 . político e social. a expressão monetária não apenas dos custos. começando por nós mesmos. o seu resultado econômico. mediante avaliações contínuas pelos usuários. Coragem. devem alinhar o posicionamento estratégico das organizações públicas. Existem “boas” razões (desculpas) para não gerenciarmos o serviço público. O uso de índices ou indicadores de qualidade pode contribuir e muito para melhor definição dos resultados no serviço público. eficácia. centrada na necessidade de enfrentar profundas alterações sociais. Devemos. ideologias voltadas para a plena cidadania. procurou identificar e mensurar o valor agregado à sociedade pela gestão pública. mas também dos benefícios da gestão pública. mas em compensação existem outras tantas razões que superam as expectativas negativas. que são ferramentas organizacionais na avaliação dos paradigmas do serviço público. efetividade. Para isso acontecer devemos nos questionar até que ponto a mensuração econômica dos resultados da Gestão Pública traz benefício para a sociedade? A avaliação da performace da eficiência. Coerência. ou seja. econômicas e tecnológicas.Universidade do Sul de Santa Catarina A nossa luta deve ser na direção de combater as mazelas públicas. Ao obter. antes de qualquer coisa identificar os estilos de liderança que foram resumimos em 4 C’S. mensurar o desempenho no serviço público não é algo tão distante. desde a simulação e planejamento das políticas – desenvolvidas pelo diálogo dos mandatários e partidos com os diversos grupos da sociedade e incorporadas em instrumentos institucionais e gerenciais. economicidade e equilíbrio. A mensuração econômica se insere no próprio processo de gestão pública. o modelo proposto nesta disciplina. particularmente nos Contratos de Gestão – até às diversas etapas de execução e controle que asseguram. Este constitui a mais abrangente expressão e medida da eficácia da moderna gestão pública por objetivos e resultados. ou seja. própria do modelo de governo empreendedor. ou seja. Clareza e Consideração. mediante o custo de oportunidade. a eficácia da gestão pública no atendimento aos seus interesses e demandas. por isso devemos entender que o processo de Gestão por Resultados passa pela mudança cultural.

torna a elaboração dos instrumentos dessa nova postura de gestão pública um processo de investigação científica e de experiência e aprendizagem cívica e gerencial pública. 155 gestao_por_resultados_na_adm_pub155 155 22/8/2007 14:27:11 . do qual se esperam novas pesquisas e desenvolvimentos.Gestão por Resultados O fato de o governo empreendedor ser de emergência recente. ainda que já amplamente reconhecida.

gestao_por_resultados_na_adm_pub156 156 22/8/2007 14:27:11 .

respectivamente. na Pós-graduação curso de Especialização de Auditoria Governamental e Responsabilidade Fiscal e nas Faculdades Energia: Finanças Públicas e Orçamento Público. Secretaria de Estado da Administração referente ao controle e cobrança da Dívida Ativa do Estado. gestao_por_resultados_na_adm_pub157 157 22/8/2007 14:27:11 . Auditoria dos Convênios efetuados pelo Estado com Prefeituras Municipais. Exerceu chefias do Controle Externo no Tribunal de Contas. Bacharelou-se em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1987. ministra as disciplinas de Auditoria de Sistemas e Administração e Sistemas. É concursado do Tribunal de Contas de Santa Catarina desde 1984.Sobre o professor conteudista Davi Solonca Nasceu em São Paulo – SP. Auditorias de Gestão. Analisou a antecipação de recursos através das Subvenções e Auxílios a Entidades Civis e Órgãos Estaduais. LRF. Foi “menor aprendiz” do Banco do Brasil e estagiário da Câmara Municipal de Florianópolis. com o título “Valores e crenças dos dirigentes patrimoniais e profissionais que influenciam a profissionalização de empresas familiares”. finanças públicas. Auditoria da Dívida Pública de 1992 a 2002. Atualmente é assessor de Conselheiro. Professor da Unisul desde 1998. Realizou diversas auditorias externas nos órgãos públicos como Secretaria de Estado da Fazenda. Procuradoria Geral do Estado. Comissão que analisou as Letras Financeiras do Tesouro do Estado de SC. Fez parte da Comissão que analisou a Prestação de Contas do Governo do Estado por mais de 10 anos (1992 a 2004). fotocopiadora e autenticador de documentos. Auditoria no orçamento público estadual. como auxiliar de fotografia. Iniciou suas atividades profissionais aos 13 anos. Defendeu sua dissertação de Mestrado em 1994. do curso de Ciência da Computação e de Sistemas de Informação.

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Respostas e comentários das
atividades de auto-avaliação
UNIDADE 1
RESPOSTAS:

1) Na filosofia política são compreendidos três tipos de investigação:
a) da melhor forma de governo;
b) do fundamento do Estado, ou do poder político, com a
conseqüente justificação da obrigação política;
c) da essência da categoria do político, com a prevalente
disputa sobre a distinção entre ética e política.

Por ciência política entende-se hoje uma investigação no campo
da vida política capaz de satisfazer a essas três condições: a) o
princípio de verificação ou de falsificação como critério da aceitabilidade dos seus resultados; b) o uso de técnicas da razão que
permitam dar uma explicação causal em sentido forte ou mesmo
em sentido fraco do fenômeno investigação; c) a abstenção ou
abstinência de juízos de valor.
2) As teorias fundamentais do poder podem ser compreendidas
da seguinte forma: a) substancialista, o poder é concebido como
uma coisa que se possui e se usa como um outro bem qualquer;
b) subjetivista, o poder entende não a coisa que serve para alcançar o objetivo, mas a capacidade do sujeito de obter certos efeitos,
de onde se diz que o fogo tem o poder de fundir os metais, do

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Universidade do Sul de Santa Catarina

mesmo modo que o soberano tem o poder de fazer as leis e, de
influir sobre a conduta de seus súditos; e c) a relacional, que é a
interpretação mais aceita no discurso político contemporâneo, o
qual se deve entender uma relação entre dois sujeitos, dos quais
o primeiro obtém do segundo um comportamento que, em caso
contrário, não ocorreria.
3) Por longa tradição, o Estado é definido como o portador de
poder e a análise do Estado se resolve quase totalmente no estudo dos diversos poderes que competem ao soberano. A teoria do
Estado apóia-se na teoria dos três poderes (legislativo, executivo
e judiciário) e das relações entre eles.
Já o processo político é definido como a “formação, a distribuição e o exercício do poder”. Se a teoria do Estado pode ser considerada como uma parte da teoria política, a teoria política pode
ser por sua vez considerada como uma parte e da teoria do poder.
A doutrina clássica do Estado sempre se ocupou também do problema dos limites do poder, problema que geralmente é apresentado como problema de relações entre direito e poder.
4) A política de Aristóteles, em particular aos livros III e IV, a
extraordinária fortuna da classificação das constituições com base
no número dos governantes, em monarquia ou governo de um,
aristocracia ou governo de poucos e a democracia ou governo
de muitos. Em O Príncipe, Maquiavel as reduz a duas, monarquia e república, compreendendo no gênero das repúblicas tanto
as aristocráticas quanto as democráticas. Montesquieu retorna a
uma tricotomia, diversa, porém da aristotélica: monarquia, república e despotismo.
5) A tipologia mais corrente e mais acreditada junto aos historiadores das instituições é a que propõe a seguinte seqüência: o Estado Feudal, o Estado Estamental, o Estado Absoluto e o Estado
Representativo.
6) (2) Planejamento e Orçamento; (1) Justiça; (2) Recursos Humanos; (1) Saúde-Saneamento; (2) Controle Interno Integrado;
(2) Material e Patrimônio; (1)Defesa Nacional; (2) Documentação; (2)Serviços Gerais; (1) Segurança pública.
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8( 6 ). ser honesto hoje em dia é uma qualidade que não é algo intrínseco ao político. 37( 9 ). 16( 11 ). se satisfaz com algum favor político. O corrupto não tem escrúpulos morais nem respeito aos direitos alheios. 12( 7 ). 10( 1 ). 161 gestao_por_resultados_na_adm_pub161 161 22/8/2007 14:27:11 . 14( 6 ). Aí vem a grande questão que é o caráter. 18( 5 ). 35( 3 ). 15( 3 ). 21(14). 29( 15 ). 32( 9 ). 13( 9 ). 6( 14 ).Gestão por Resultados 7) a) (F). 36( 9 ). se ganhar algo extra então fica de “bico calado” e com isso vai aumentando cada vez mais a corrupção. 33( 6 ). 7( 4 ). 22( 2 ). 31( 3 ). 4( 13 ). 9( 1 ). 24( 3 ). O problema é quando se comete algo por necessidade. Vende-se a idéia de que honestidade não é condição básica para alguém exercer um cargo público . 3( 10 ). 17( 8 ). O grande problema é que o brasileiro está sempre querendo levar vantagem. d) (F). 28( 15 ). 19( 5 ). Estes fatores acabaram influenciando a cultura do brasileiro em aceitar e cometer atos de corrupção. 34( 3 ). 2( 12 ). aí é que a coisa pega.ou qualquer cargo . e 38( 15 ) UNIDADE 2 1) Desde o descobrimento do Brasil pelos portugueses persiste uma exploração das nossas riquezas e em todo o decorrer da história nenhuma punição aos exploradores. Tudo vale para realizar atos ilícitos. b) (V). cobra para não denunciar. 23( 2 ). Assim como a total impunidade aos “senhores de engenho” e “coronéis” em relação aos atos ilícitos cometidos. até o momento em que se rompe o equilíbrio interior e começa inexoravelmente a destruição e ruína moral. 20( 2 ). c) (V). 26( 15 ). 30( 6 ). 11 (1). 25( 6 ). mas algo a ser destacado para ganhar a eleição. 27( 9 ).mas uma qualidade. e) (V) 8) c 9) 1( 6 ). 5( 13 ).

F. V. mas sim pela falta de educação dos cidadãos. melhorando educação. L 3) V. a cada ato de corrupção detectado correspondesse a um processo criminal. é de se esperar que. UNIDADE 3 1) A. 3) A corrupção no Brasil é algo detestável. C.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Na medida em que a quase totalidade dos atos tidos como corrupção pelo senso comum corresponde a um crime (fato típico previsto na legislação penal). Todas aceitam. D. culposa do agente público. Daí que a luta contra a ladroagem tornou-se o ópio dos políticos. E. dando suporte para uma análise administrativa integrada à informática e vice-versa. B e D 2) C. A. F . na busca de uma diferenciação. dolosa ou. principalmente considerando a maioria dos casos em que haja a participação ativa. H. emprego. as privatizações já um fato consumado. V. G. em maior ou menor grau. Ninguém nasce ladrão e ninguém se inicia no mal cometendo logo um crime espetacular. em sistemas de informação. F. vive-se uma crise de bandeiras. voltados às ferramentas utilizadas por analistas de administração. saúde.somatório = 21 4) Cada vez mais os analistas de contas públicas devem consolidar seus conhecimentos. as mesmas propostas. no mínimo. B. lançam. 4) Além da crise ética. F. Os partidos falam a mesma linguagem. em essência. propostas inovadoras saíram da pauta. prometem mais gastos na área social. as regras da economia de mercado. 162 gestao_por_resultados_na_adm_pub162 162 22/8/2007 14:27:12 . Não se pode dizer que esta corrupção se acentua somente pela falta de auditores nas redes públicas e privadas.

delegar as decisões operacionais para o lugar onde as pessoas são mais competentes. para tudo que concerne à informação. 163 gestao_por_resultados_na_adm_pub163 163 22/8/2007 14:27:12 . . incitar a tomada de iniciativas no respeito aos princípios e às orientações definidas a priori. favorecer as liberações de fluxos. o serviço público precisa. 6) As razões que nos parecem determinantes: ) O serviço público continua mais indispensável do que nunca. ) O serviço público deve novamente provar sua eficácia e eficiência. sobretudo para tudo aquilo que tem um caráter “a-normal”. . de quadros gerenciais que conduzam à mudança necessária. quanto horizontais. para concluir que o gerenciamento não lhes concerne. ) O serviço público deve conduzir a mudança por si mesmo. graças a uma melhor adesão daqueles que têm a tarefa de aplicá-la. logo passará. .Gestão por Resultados 5) As quatro razões mais freqüentemente colocadas pelos gerentes do serviço público. são as seguintes: ) É bom para o privado. para reger as coordenações das ações. antes de tudo. ) Para atingir isso. mas inadequado para o público. ) É somente uma moda. e impor um sistema de relatórios permanente. responsabilizar sobre o alcance e dos objetivos/resultados e não sobre as tarefas a realizar. consultas às pessoas que irão pôr em prática uma decisão antes de tomá-la: o tempo aparentemente perdido para tomar esta decisão será largamente recuperado no momento de sua aplicação. ) Nova vestimenta para uma prática antiga. ) É manipulação. tanto verticais. 7) O gerenciamento responsabilizante se caracteriza por quatro linhas de pensamento: .

o orçamento deve se direcionar ao atendimento da política de governo. Quais sejam: Coerência. com uma leitura transversal. o controle pôde ser o trunfo de diretores de administrações estáveis. de gestão de administrações. Hoje. Clareza. 9) Além do estilo próprio de cada grande patrão ou gerente eficiente. isto é. 164 gestao_por_resultados_na_adm_pub164 164 22/8/2007 14:27:12 . Na realidade a empresa pode modernizar seus processos. para cumprir seu papel estratégico. sem que apareça a relação com a melhoria do serviço aos cidadãos. Na realidade são as transformações concretas que provocarão uma mudança progressiva dos valores. O ponto mais delicado atualmente está em que a modernização é julgada como uma questão interna. um certo número de traços comuns ao conjunto do serviço público pode ser observado. tendo em vista que a permanência das estratégias dos dirigentes da administração tende a se reduzir por motivações políticas ou porque processos de mudança exigem continuidade e obstinação durante muitos anos. Coragem. UNIDADE 4 1) A gestão dos administradores deve redundar na melhoria dos serviços aos cidadãos. 2) Não há ação de modernização sem um controle da sua cúpula. e Consideração. mas somente se souber exatamente quais são as necessidades e aspirações sociais de seus consumidores. ou a condução na escolha de melhores políticas públicas. ou de melhores políticas públicas. o caso é outro e é pouco provável que a modernização seja possível se os dirigentes não investirem nela ou pelo menos a apoiarem. Com certeza. faz que apareça o que chamaremos a “regra dos quatros C”. Durante muito tempo.Universidade do Sul de Santa Catarina 8) Apoiar a cultura de uma organização para fazê-la evoluir. Apesar da grande diversidade de organizações que constituem o serviço público e da especificidade da cultura de cada uma delas.

de visão da sociedade. (6) UNIDADE 5 1) A empresa controlada que firmar contrato de gestão em que se estabeleçam objetivos e metas de desempenho. (1). por exemplo. se uma avaliação dos resultados lhe demonstrar. econômicas. orçamentária e financeira. (V). 4) As escolhas estratégicas dependerão de decisões políticas. da forma com que cada Órgão contribui para o que é prioritário e o que deve ser objeto de um financiamento residual. (4). em vez de fazer o contrário.Gestão por Resultados 3) O “que fazer” deveria resultar de escolhas de prioridades governamentais e o “como fazer”. 5) (3). (F). 2) ( 6 ) ( 5 ) ( 7 ) ( 1 ) ( 3 ) ( 2 ) ( 4 ) 3) a ( F ). baseado em puras estatísticas. (V) 165 gestao_por_resultados_na_adm_pub165 165 22/8/2007 14:27:12 . A dificuldade do “que fazer” é que a tendência mais espontânea de qualquer orçamento é somar todas as demandas dos Órgãos Governamentais e depois decidir quais são viáveis. (F). (1). c ( F ). Mas ele não tomará esta decisão. que um prolongamento da vida escolar não melhorará as possibilidades dos alunos. b ( V ). d ( F ). (6) 6) (5). disporá de autonomia gerencial. que é de reunir os dirigentes para decidir o que é prioritário. e ( V ) 4) (V). e não resultarão provavelmente de indicadores de desempenho. (5). na forma da lei. (3). (7). Um dirigente que constate que seu sistema escolar está obsoleto e deficiente cortará os créditos às escolas? O Dirigente só o fará. (4). de avaliações das formas mais competentes de pôr em prática uma política pública. eventualmente. (2). (2).

Controle legislativo. (F). sobre as comparações de desempenho e de resultado. Em face do princípio da separação dos Poderes. Orçamento.Controle Judicial O controle exercido pelo Poder Judiciário constitui um dos fundamentos do Estado de Direito. o Legislativo também julga (por exemplo. cada vez mais amiúde. coube a esse Poder a função de julgar — excepcionalmente. Os mecanismos orçamentários recaem. o Chefe do Poder Executivo). 2) . (F). O resultado é a obrigação organizada de prestar contas. (V) UNIDADE 6 1) Poder político: Há uma preocupação dos governos em ver seus objetivos efetivamente realizados. 166 gestao_por_resultados_na_adm_pub166 166 22/8/2007 14:27:12 . que divide-se em dois modos: político e financeiro. (V). A crise de legitimidade do Estado favorece a transparência: as administrações preferem prestar contas a se verem constantemente atacadas. porém somente nos casos expressos na Constituição. .Universidade do Sul de Santa Catarina 5) a) Nações bens ou serviços equilíbrio b) Recursos c) Plano programas d)PÚBLICA CUSTOS e)DESEMPENHO METAS 6) (V). Servidores públicos.

dele não fazendo parte os demais setores do povo. principalmente. sem consentimento comum. sob a égide da moralidade. a Lei nº 10. encontrando exato e aceito. Governos antigos Na Inglaterra. entre eles o Código Penal.Controle Popular 4ª Faça uma síntese da evolução histórica dos tipos de trabalho realizados pela auditoria? Época Bíblica Moisés. C. conforme vem entendendo a doutrina mais abalizada. Ainda na Inglaterra. entre outras razões. ao passo que o controle legislativo se dá. em 1215 foi outorgada a Carta Magna pelo Rei João Sem Terra que. O Conselho do Reino era uma espécie de parlamento nacional e estava composto pelos barões e pelo clero. pressionado pela nobreza. 5º e 37 da Constituição da República. ou a pagar imposto. após a Revolução de 1688 e da Declaração dos Direitos. através de Lei do Parlamento”. empréstimo ou caridade.. ficou estabelecido que: “A partir desta data nenhum homem será compelido a fazer qualquer doação.Gestão por Resultados Como regra geral. verifica e pesa. . 167 gestao_por_resultados_na_adm_pub167 167 22/8/2007 14:27:12 .028/2000. por força do que dispõem os arts. o Judiciário julga os atos da Administração sob os aspectos da legalidade e. Salomão. no século XIII. A LRF dispõe que as infrações aos dispositivos nela contidos serão punidas segundo diversos diplomas legais. por iniciativa do próprio Poder Legislativo. a menos que seja aprovado pelo Conselho do Reino”. em um dos seus livros canônicos denominado Eclesiastes estabeleceu preceitos aos filhos de Israel. nascido no ano de 1032 a. há 1300 anos antes de Cristo regulava as funções da justiça e a arrecadação dos dízimos. incluiu naquele documento um artigo no qual constava: ”Nenhum tributo ou subsídio será instituído no Reino. o Decreto-lei nº 201/1967 e. em 1689. tudo descreve”. recomendando-lhes: “Onde negociares. porque o primeiro somente ocorre quando o Poder Judiciário é provocado. O controle judicial distingue-se do controle legislativo.

os colonos ficaram revoltados com a determinação do Parlamento de lançar impostos cobrados na Colônia Americana para pagamento de despesas do governo inglês. Em 1765. atrás de um computador deverá desaparecer como modelo dominante de trabalho.Universidade do Sul de Santa Catarina Na França. hoje limitadas às publicações nos Diários Oficiais e publicações na internet. foi a partir de 1789 que a Constituição consagrou o princípio de que “nenhum imposto pode ser cobrado sem o consentimento da nação”. Enfim. de leitura restrita e longe de se atingir a grande maioria da população. 2ª Etapa: Examinar a forma de divulgação das contas públicas. 168 gestao_por_resultados_na_adm_pub168 168 22/8/2007 14:27:12 . nos Estados Unidos. do Congresso da Filadélfia. Explique pelo menos três. O funcionário móvel: o trabalho solitário. que tivesse por finalidade levantar uma contribuição dos súditos da América sem o consentimento do povo. que a sociedade esteja acompanhando e participando deste processo concomitantemente. Após a revolução de 1774 foi firmada a ”Declaração de Direitos”. no escritório. na qual ficou consagrado o princípio de exclusão de todo o imposto interno ou externo. 5) Devemos considerar que algumas etapas que devem ser percorridas: 1ª Etapa: Verificar se a estrutura das contas públicas deve permanecer como está ou se deve ser modificada? Aqui inclui-se os princípios contábeis adotados para a elaboração dos balanços das entidades públicas. que todos tenham acesso às informações e o mais importante. 6) As mudanças no serviço público exigem novas competências. 3ª Etapa: Na terceira etapa devemos considerar o desempenho dos governantes e se as medidas adotadas realmente atendem às necessidades sociais. compreensíveis e com a linguagem acessível a grande parte da população. mostrando à sociedade que as contas de um governante são abertas a sua participação.

7) Devemos. O funcionário conhecedor dos mercados. Por isso. eles serão móveis. certamente. seja qual for entidade pública e se encontrar irregularidades pode denunciálas? 9) Dentre as muitas atribuições dirigidas ao Ministério Público. Os funcionários que sabe ter adversários ou parceiros mais qualificados. os estudos e as estimativas de receitas. na escuta. O funcionário que sabe negociar contratos. a LRF possui um dispositivo. Se os governos gastam fábulas de dinheiro em publicações sobre realizações de obras ou ações de governo que visam mostrar seu desempenho. através do Conselho de Gestão Fiscal. 12. O funcionário multicultural. devemos avaliar e ponderar os impactos que ensejam maior interface com o usuário/cidadão. de forma mais clara e acessível para a grande maioria da população e não somente para contadores. O funcionário ouvidor: os funcionários deverão ter a capacidade de sair em campo e obter informações de primeira mão. Essas redes deverão agrupar especialistas práticos e outros funcionários. após a Constituição de 1988. buscar formas de divulgação mais democráticas. porque não sensibilizá-los a gastar também em publicações sobre as contas públicas. que determina ao Executivo colocar à disposição do Ministério Público até 30 dias antes do prazo de encaminhamento as propostas orçamentárias ao Poder Legislativo. constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de 169 gestao_por_resultados_na_adm_pub169 169 22/8/2007 14:27:12 . o § 3º do art.8ª Qualquer pessoa pode ter acesso às demonstrações da prestação de contas. A verificação da política e da operacionalidade da gestão fiscal é feita de forma permanente. economistas e administradores entenderem? O simples fato das contas públicas serem examinadas por auditores e sobre elas emitirem um parecer não vai provocar uma mudança de entendimento da população sobre as contas públicas.Gestão por Resultados O funcionário que domina as redes: os funcionários deverão dispor de redes sólidas e confiáveis que lhes tragam informações e análises de maneira contínua e não episódica.

doutor em Física pela Universidade de Viena. 10) O mundo não é uma coleção de objetos isolados. CF art. 3º. Operacionamente . Reconhecer que estamos todos na mesma nave terra e que juntos podemos fazer algo melhor para a sociedade.Universidade do Sul de Santa Catarina Governo. O homem é apenas um fio particular na teia da vida. O MP aciona civil e penalmente. 170 gestao_por_resultados_na_adm_pub170 170 22/8/2007 14:27:12 . mas uma rede de fenômenos fundamentalmente interconetados e interdependentes. (Fritjof Capra. os TCs auditam e apreciam contas. vendo o mundo sob a ótica da Ecologia Profunda). não porque isso seja fim si mesmo – mas mero caminho para alcançar os fins Estado. do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade.