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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR

TRABALHO DE FOZ DO IGUAÇU - PR.

JUIZ

DA

2a___VARA

DO

Processo nº 250102223-1

MARCENARIA JOÃO DE DEUS Ltda., pessoa jurídica de direito
privado regularmente inscrita no CNPJ sob n. 829.341/0001-07, com sede à
Avenida Café Filho, nº 17, bairro ..., Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, CEP ...,
por intermédio de seu advogado subscrito, (procuração em anexo, vem
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar
CONTESTAÇÃO à reclamação trabalhista proposta por seus exempregados Marco Aurélio Silva e João de Barro, ambos já qualificados no
Processo nº 250102223-1, pelas razões de fatos e de direito a seguir aduzidas:
I- Dos Fatos
Os reclamantes alegam que trabalharam para a reclamada no período
compreendido entre 10 de março de 1995 e 18 de abril de 2014, prestando
serviços sem a correspondente remuneração e tendo sido dispensados sem o
recebimento de todas as verbas correspondentes aos seus direitos trabalhistas.
Os reclamantes pleiteiam o aviso prévio indenizado, 13º salário
proporcional, férias vencidas e proporcionais + 1/3, 13º salários, FGTS + 40%,
horas extras e respectivos reflexos postulados, multas dos artigos 467 e artigo
477 da CLT, saldo salarial e indenização referente ao seguro desemprego.
A reclamada encerrou as suas atividades empresariais em 20 de março
de 2013, portanto, a pretensão ao reconhecimento do vínculo empregatício
após este período é incabível no presente caso, já que há carência da ação,
visto que os dois reclamantes mantiverem contratos de emprego com a ré
somente no período de 10 de março de 1995 a 20 de março de 2013, sendo
que a partir de 20 de junho de 2013, ou seja, três meses após o encerramento
das atividades da reclamada, e até 18 de abril de 2014, os autores
desenvolveram suas atividades de forma autônoma, mediante uma sociedade
cooperativa de fato, visto que arrendaram a marcenaria do antigo proprietário.

II. Do Direito
II. 1 - Do Encerramento dos Contratos de Emprego em 20 de Março de 2013 e
do Surgimento da Cooperativa de Fato

os empregados despedidos. de forma que sequer acompanhava o desenvolvimento da mesma. sendo na realidade um trabalho desenvolvido de forma autônoma.. mediante acordos extrajudiciais individuais. mediante uma sociedade cooperativa de fato. .). procuraram o proprietário da marcenaria com o intuito de reabrir a mesma.. sendo o trabalho desenvolvido de forma autônoma pelos trabalhadores cooperados. . quando o proprietário resolveu encerrar as atividades comerciais da empresa e encerrar os contratos de todos os seus empregados. ). b) subordinação jurídica do prestador ao tomador dos serviços (o proprietário jamais deu qualquer ordem a qualquer trabalhador da cooperativa). quais sejam: a) percepção de contraprestação (o proprietário jamais pagou um centavo aos trabalhadores da cooperativa. conforme os instrumentos comprobatórios em anexo (doc. o montante equivalente a 30% (trinta por cento) para o proprietário.. a título de preço de arrendamento. bem como a própria celebração do arrendamento. portanto.. recebia um valor a título de preço do arrendamento). assumiram a obrigação de repassar. O contrato de arrendamento e termo de compromisso em anexo (doc. Não existia. quando fossem auferidos os lucros. pelo contrário. os trabalhadores. Da mesma forma. não revela qualquer indício de vínculo empregatício. e doc. manutenção e conservação das máquinas e pela organização e administração da atividade produtiva da marcenaria. O proprietário da marcenaria. O trabalho desenvolvido pelos reclamantes a partir de junho de 2013. propuseram ao proprietário a autorização para uso do local e do maquinário. ex funcionários da reclamada. jamais teve qualquer ingerência ou participação na organização ou administração das atividades da sociedade cooperativa de fato. . conforme comprovante anexo (doc. Os trabalhadores que formavam a cooperativa de fato. não se encontravam presentes os elementos estruturais da relação de emprego durante o período posterior a 20 de março de 2013.. ambos receberam corretamente todas as verbas devidas em face da dissolução contratual. Assim como aos como os demais empregados da ré à época. . nos termos definidos pela respectiva cooperativa de fato.Os dois reclamantes foram admitidos na reclamada em 10 de março de 1995 e foram despedidos sem justa causa em 20 de março de 2013.. comprova a existência de tal pacto entre os trabalhadores cooperados e o proprietário da marcenaria. Três meses depois do encerramento das atividades da empresa. assumindo a responsabilidade pela matéria prima..). .. a figura de um empregador durante o período de desenvolvimento das atividades da cooperativa. por seu turno. dentre os quais os dois autores.

. simplesmente abandonando o local sem qualquer motivo. a reclamada ressalta que no período empregatício compreendido entre março/1995 e março/2013. Caso Vossa Excelência. Quanto aos pedidos de horas extras e respectivos reflexos. a pretensão dos autores de ver reconhecido vínculos empregatícios. seja porque simplesmente inexistiu qualquer vínculo de emprego entre as partes no período posterior a 20 de março de 2013. 13º salário proporcional. assim.Sem respaldo. . como se conclui pelos recibos e comprovantes de depósitos em anexo (docs.. seja em virtude de que todos os créditos relativos aos contratos de emprego do período de março/1995 a março/2013 foram devidamente quitados. 2 . os pedidos de aviso prévio indenizado. não há como acolher as pretensões relativas a créditos trabalhistas. os autores não laboraram em sobrejornada. devem ser julgados improcedentes os pedidos formulados na Reclamatória Trabalhista. a reclamada acrescenta que.). Quanto ao pleito de multa do artigo 477 da CLT. passa a reclamada a apresentar impugnações específicas aos pleitos formulados. de ser julgados improcedentes.. por cautela. corresponde (na hipótese improvável de reconhecimento dos alegados vínculos empregatícios) a uma "justa causa por abandono de emprego". conforme acima ressaltado. férias proporcionais + 1/3... . a . multa do artigo 477 da CLT e indenização relativo ao seguro desemprego. liberação do FGTS e pagamento da indenização compensatória de 40%. na improvável hipótese de reconhecer os contratos de empregos nos termos apontados na exordial. todos vinculados às supostas despedidas operadas em 18 de abril de 2014. portanto. . não há como aplicar a respectiva sanção em face da clara inexistência de vínculo empregatício. de depósitos do FGTS e de saldo salarial se mostram sem qualquer respaldo.Dos Pedidos de Créditos Trabalhistas Sem a configuração do vínculo de emprego pleiteado. já que tal fato. como consequência de tais constatações. Os pedidos de 13º salários. não configurando as figuras de empregado e nem de empregador. conforme demonstram os cartões de ponto em anexo (docs. visto que lhe faltam os requisitos necessários. haveriam estes. sem sequer proporcionar qualquer aviso.).... por se tratar de conflito envolvendo a discussão acerca da existência ou não de vínculos de emprego. porem. já que os autores se desligaram das atividades da marcenaria espontaneamente. a . II. de férias vencidas. nos termos do artigo 3⁰ da CLT e ainda o requisito do artigo 2⁰ do mesmo diploma legal . pois.

b) a reclamada requer que seja julgado improcedente o pedido objeto da presente reclamação trabalhista. requer: a) o recebimento da presente contestação. DA LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ Considerando o teor da peça vestibular. c) o pagamento das custas e honorários advocatícios por parte do reclamante. saldo salarial e indenização referente ao seguro desemprego. bem como a honorários advocatícios. Requer a reclamada. quais sejam: aviso prévio indenizado. com a condenação dos autores no pagamento das custas processuais. requer a reclamada a aplicação aos dois autores das sanções decorrentes da litigância de má fé. 13º salários. III. tampouco. a improcedência total do pedido objeto da presente reclamatória. . 13º salário proporcional. horas extras e respectivos reflexos postulados. se revela indevida em face da controvérsia estabelecida mediante a presente defesa em relação a toda a postulação dos autores. punindo os reclamantes pela conduta de deslealdade processual com as penas relativas à multa de 1% (um por cento) do valor da causa e a indenização correspondente a 20% (vinte por cento) do valor da causa. FGTS + 40%. bem como a condenação dos autores nas sanções decorrentes da litigância de má fé. e. especificamente o relato de afirmações que alteram a verdade dos fatos. inclusive custas processuais e honorários advocatícios a favor do advogado da reclamada. aos créditos pleiteados pelos mesmos. V. multas dos artigos 467 e artigo 477 da CLT.Da Contestação Específica dos Pedidos Em face ao acima exposto. II. por sua vez. d) Alega provar os fatos por todos os meios de prova admitidos no Direito. não fazem jus os autores ao postulado reconhecimento dos vínculos de emprego posteriores a março de 2013. DOS REQUERIMENTOS FINAIS Diante do exposto. 3 . assim.A multa do artigo 467 da CLT. bem como condenar os demandantes ao pagamento das despesas processuais. férias vencidas e proporcionais + 1/3. ambas em favor da ora demandada.

Foz do Iguaçu. OAB/.... Advogado . pede deferimento.... .. de . .Termos em que.. de 2014.