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melhores práticas

>REVESTIMENTO DE PISOS<

Uso de concreto reodinâmico
em piso de estacionamento
de um shopping center:
um estudo de caso
Vinicius José Bezerra Fernandes Filgueiras • Fábio Giovanni Xavier de Oliveira
Rehabilitar Engenharia Ltda

Muitas de nossas estruturas não estão
preparadas para suportar o uso a que estão sendo solicitadas. Falta de planejamento ou mudança de uso para a qual foram projetadas trazem
problemas de durabilidade, sendo necessário
intervenções em curto período de utilização,
tendo estas estruturas uma baixa vida útil.
A obra em questão foi realizada em
lajes de um Shopping Center totalizando uma
área de 18.000m², sendo executada em duas
etapas. A primeira tratou-se de um revesti-

mento de proteção em lajes que seriam ainda
liberadas para uso com área de aproximadamente 6.000m² proveniente de uma expansão.
A segunda etapa tratou-se da recuperação dos
recobrimentos das lajes de estacionamento
que já estavam sendo utilizadas, com área de
aproximadamente 12.000m².
O modelo estrutural desta estrutura é
composto de lajes maciças nervuradas envoltas
por faixas protendidas apoiadas em pilares.
Todo o concreto utilizado na estrutura possui
fck = 30 MPa fornecido por central dosadora.
Durante a execução da superestrutura foi realizado controle tecnológico do concreto.

REVISTA CONCRETO

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REVESTIMENTO DE PISOS

1. Introdução

produzido pela BASF. e com as seguintes características: PA00SP chamado de padrão. proteger a superestrutura dos agentes agressivos deste micro-clima propiciando um aumento de sua vida útil. Concepção do revestimento Muitos tipos de revestimento foram propostos. * Glenium 51 . O objetivo principal era projetar um revestimento que fosse capaz de suportar as solicitações impostas. com finalidade de se executar todos os testes que seriam necessários para a aprovação deste revestimento. sem ponte de aderência. Alguns foram descartados devido ao alto custo ou dificuldade de execução. alcançadas com o uso de um superplastificante de 3° geração*. MT08SP com adição 8% de metacaulim em substituição ao cimento. pois não se poderia nivelar o revestimento que seria colocado. para melhorar algumas de suas propriedades como aumento de resistência à abrasão. o que causaria um aumento tanto do consumo dos insumos como do carregamento. pois o estacionamento não poderia ser fechado por completo. que age também como modificador de viscosidade. Com isso.5cm³. melhorando a coesão e segregação. O cimento foi fornecido por um fabricante local e era do Tipo CPII F – 32. Os corpos-de-prova aplicados sobre a laje foram divididos em grupos com duas amostras. com relação água/cimento baixíssima. sem adições e sem ponte de aderência. O superplastificante adotado era de terceira geração a base de policarboxilatos. testou-se a utilização de um concreto auto-adensável que facilitaria tanto o acabamento superficial como o espalhamento a baixas espessuras. De todas as amostras foram moldados 6 (seis) corpos-de-prova cilíndricos 10x20cm² para a realização de ensaios de resistência à compressão destes concretos. 3. carregamento compatível com aqueles considerados no cálculo estrutural com um custo de execução aceitável para a contratante. PA00CP sem adições aplicado com ponte de aderência. aumento do fck deste concreto.Preparação do Substrato Durante a fase de projeto e execução não foi concebido nenhum revestimento de proteção para estas lajes que seriam utilizadas como estacionamento. sem ponte de aderência. Materiais A areia e a brita utilizados nesse estudo foram extraídos de jazidas regionais obtidos através de fornecedores locais. frente de carbonatação avançada e fissuração excessiva. sendo este um fator agravante para a realização destes serviços. outros devido à baixa resistência à abrasão ou ao carregamento excessivo que causaria à estrutura. 2. esta estrutura ao longo destes 5 anos apresentou um desgaste excessivo da espessura de cobrimento das armaduras. sendo cada um executado com e sem a incorporação de fibra de polipropileno. As principais características deste concreto eram a sua alta fluidez e coesão. levando a um aparecimento das mesmas. MS08SP com adição de 8% de microssílica em substituição ao cimento. aumento da espessura de cobrimento das armaduras. nas dimensões de 100x100x2. sendo adotado em todos os corpo-de-prova uma cura úmida de sete dias. Foram moldados oito corpos-de-prova. também não foi realizado nenhum tratamento específico neste concreto. Com a ausência de determinado tratamento. 24 REVISTA CONCRETo A estrutura do shopping não possui um bom nivelamento de suas lajes.

graxa. tanto a parte que já estava sendo utilizada como a que seria liberada. As superfícies das lajes que ainda seriam liberadas para uso possuíam a presença apenas de partes de concreto mal-aderidas e sujeiras de fácil remoção. pó de madeira e outras normalmente encontradas em obras. não era realizado nenhuma vibração neste concerto.Foram realizados dois tipos de preparação das superfícies. Foram orçados outros tipos de possibilidades para remoção destas marcas de óleo e pintura. O concreto era lançado diretamente sobre o substrato sem o uso de ponte de aderência. jateamento de granalha de aço. estavam cobertas por óleo. uma para a estrutura nova. produtos químico diversos. pois era necessário garantir a máxima aderência entre os pisos. partes de concreto mal-aderidas ao substrato oriundo das concretagens da etapa de execução da superestrutura. Preparação da superfície . possuindo uma rugosidade desejável para favorecer esta interface entre o concreto novo e o velho. esta área era delimitada por réguas de alumínio ou barrotes de madeira para evitar o espalhamento excessivo deste concreto. respectivamente. REVISTA CONCRETO 25 REVESTIMENTO DE PISOS 4. e devido à sua alta fluidez e alta coesão. Testou-se a limpeza Execução do piso desta área numa etapa final com hidrojateamento de areia. Esta foi a etapa mais importante de toda a execução. Após a realização do hidrojateamento de areia. pó resultante do atrito dos pneus com a estrutura. areia. como fresagem do piso. e outra para a estrutura que já estava em uso. Como o concreto era auto-adensável. algumas ferragens expostas. constatou-se uma visível melhora na limpeza da superfície. assim como era na etapa de limpeza. Esta preparação era realizada em toda a estrutura. resultante da utilização e lavagem dos automóveis. enfim. executava-se uma lavagem com equipamentos adequados com pressões de até 150bar. mas o mais econômico era o hidrojatemento de areia. O espalhamento quando necessário era realizado com pá. O acabamento superficial era feito manualmente com desempenadeira de aço. Esta preparação começou com a limpeza mecânica dos concretos mal-aderidos. como se verificou nos resultados de aderência entre os pisos. mostrando-se bastante eficaz na realização deste serviço. As superfícies das lajes que se encontravam em uso.Execução do revestimento Os módulos de concretagem possuíam uma área de 64m². após 5 anos. borracha. como areia. As espessuras máximas e mínimas admitida deste revestimento eram de 3 e 2 cm. 5. delimitandose uma área de 64m² por vez. A superfície ideal para uma correta aderência entre os pisos deveria estar isenta de todos estes materiais citados acima e qualquer outro estranho ao sistema adotado. sendo necessária a realização de uma etapa que propiciasse uma remoção mais profunda neste sistema. sendo a estrutura formada por módulos de 8m x 8m. mas a estrutura antiga apresentava ainda presença de óleo e faixas de pintura que existiam no piso. combustível. um substrato bastante desfavorável para garantir uma perfeita aderência com o novo revestimento que ali seria executado. Após a realização desta limpeza mecânica. coincidindo com os da superestrutura. Esta primeira limpeza deixava a estrutura nova apta a receber o revestimento. realizado durante os testes. formando assim uma estrutura monolítica. que era exatamente o tamanho de cada laje.

devido a este lento processo de hidratação. o concreto teve a cura retardada.5cm³. pois houve verificação apenas por contato físico para verificar seu aquecimento. Sempre existia a preocupação no controle das condições do substrato. em uma betoneira de 350 litros. o transporte era realizado em camionetes de porte médio.Resultados dos ensaios Piso executado Todo o concreto foi dosado em obra. totalizando 16 amostras. sendo o transporte realizado por carros-de-mão. Juntas de movimentação As juntas foram posteriormente cortadas a execução do piso. que possuía capacidade de tração de até2000kgf. devendo estar no estado seco/saturado na hora da execução deste revestimento. Cura Com o elevado consumo de plastificante. Estes ensaios eram realizados 14(quatorze) dias após a moldagem das placas que foram utilizadas nos primeiros testes e durante toda a execução do piso. 26 REVISTA CONCRETo Os primeiros ensaios realizados no período de testes foram em placas concretadas com dimensões de 100x100x2.5m³/hora. não sendo esse o fator determinante para a escolha do traço a ser utilizado. a uma produção de 1. como também possuía a dosagem mais econômica de todas as outras. cerca de 3 (três) dias. pois os resultados das amostras deste revestimento se mostraram satisfatórios. considerando o concreto de revestimento mais como uma recuperação estrutural do que como um simples revestimento. e foram locadas de acordo com as deformações máximas * Alfa Instrumentos . Ausência de fissuras de retração. das 8 (oito) amostras moldadas em cada substrato. O equipamento utilizado para a realização destes ensaios foi o TRANSUTOR*.7. devido ao alto custo despendido. pois o concreto possuía um grande consumo de cimento e baixa relação água/cimento. 6. finalizando-se no sétimo dia. segundo ponto importante era garantir que a estrutura ao receber o carregamento tivesse comportamento monolítico. depois de 2(dois) dias eram efetuados os arrancamentos. Durante os testes para a escolha do revestimento existia a preocupação de garantir a máxima aderência possível entre os concretos. endurecimento lento nas primeiras horas e baixo calor de hidratação aparente. modelo: Z2T. pois todos os outros se mostraram com elevada resistência. Como as lajes encontram-se no subsolo da superestrutura. primeiramente para evitar o uso de ponte de aderência que poderia inviabilizar a obra. trazendo-se um volume limitado de materiais para a execução do revestimento. Foram retiradas 6(seis) corpos-deprova de cada amostra. a dificuldade em armazenar os insumos era maior. Os resultados obtidos com ponte de aderência são maiores em ambas. Observa-se que os resultados obtidos na estrutura que ainda não estava liberada para uso são maiores que o da estrutura que já estava sendo utilizada. 8. Os resultados obtidos estão mostrados na tabela 5. Os corpos-de-prova eram colados ao concreto com adesivo epóxi. Todos os concretos dosados tiveram tanto o controle à aderência entre os pisos como a resistência à compressão. A cura úmida era iniciada após 8 horas do término da concretagem. novo e antigo. sendo esta uma das principais preocupações durante a execução do piso. mas não foi a solução adotada.

14 1. Após a cura de sete dias do piso.18 1.08 0. São necessários mais dados para serem correlacionados.10 6 0. estas fibras se aglomeraram na interface entre os concretos.03 0.15 2. Provavelmente.78 6 0. Todos os valores de aderência dos corposde-prova que tiveram fibras de polipropileno * SL1 BASF incorporadas foram menores.14 2. corrosão das armaduras. entre outros. Agradecimentos Agradecimentos a Rehabilitar Engenharia Ltda.10 MT08SPF 3. reação química entre os concretos de substrato e de revestimento. empresa executara dos serviços e o Shopping Tambiá.18 69.38 0.31 0. carbonatação.05 - da superestrutura. tendo como conseqüência disso o rompimento na colagem entre o corpo-deprova ao concreto. resistência e altíssima trabalhabilidade.99 2.32 6 6 1.93 PA00CP PA00CPF 3.12 0. podendo-se considerar um sistema monolítico para resistir às solicitações mecânicas da estrutura.5MPa.79 0. onde se verificou “in loco” poucas áreas com esta característica.01 6 0.11 0.80 0.Tabela 2 – Resultado do ensaio de resistências a aderência e a compressão Traços Substrato antigo Substrato novo Aderência Desvio Coeficiente Amplitude Aderência Desvio Coeficiente Amplitude Média N Padrão Média N Padrão de variação de variação (MPa) (MPa) Resistência à compressão Fck PA00SP 3.27 0.31 2. As reações pozolânicas destas adições favoreceram estas propriedades do concreto auto-adensável. Este estudo possibilitou a recomposição de estruturas que sofreram desgastes excessivos.42 6 6 0.94 2.35 0.26 2.38 0.72 6 0. REVISTA CONCRETO 27 REVESTIMENTO DE PISOS Ensaio de Aderência . coesão.33 59.71 6 6 0.72 3. chegando a valores da ordem de 2. Os valores de aderência e resistência mecânica dos concretos sem ponte de aderência que tiveram adições de metacaulim foram os maiores. A resistência à compressão não foi alterada coma incorporação de fibras.05 0.27 0.03 0.06 0.39 2.11 0.44 0. O uso de endurecedores de superfície para concretos com alta resistência mostrou-se pouco eficaz. A maioria dos ensaios ocorreu após 2(dois) dias de efetuada a colagem dos corposde-prova (placas quadradas para acoplagem ao aparelho).40 PA00SPF 2.13 1.10 MS08SP MS08SPF MT08SP 3.11 1.80 67.32 0. com controle do substrato seco/ saturado.39 3.22 71. como pressão exercida pelos equipamentos de limpeza. estando situadas nos eixos de momentos fletores máximos negativos e positivos.16 0.54 65.36 2.14 2. Uma das características de reação entre o fluorsilicato de magnésio e o hidróxido de cálcio é o esbranquecimento da superfície.13 0.07 2. Os valores alcançados de aderência entre os pisos mostraram a eficiência alcançada pelo sistema sem ponte de aderência. Todas as amostras que tiveram uso de ponte de aderência melhoraram os seus resultados no ensaio de arrancamento. na cola epóxi. Possivelmente com incorporações de menores taxas de fibra não haja interferência nesta interface. 9.43 0.04 2.42 2. Concretos com baixa relação água/cimento dosados com plastificantes de 3° geração propiciaram um controle da retração.35 0.78 6 6 0.04 0. Apesar de valores de aderência elevados e limpeza rigorosa do substrato. esperava-se a secagem natural do revestimento para aplicação de selante de poliuretano auto nivelante*. Considerações finais Neste trabalho foi apresentada a possibilidade de recuperação de recobrimento de pisos com uso de concreto reodinâmico.50 6 0. o piso antigo que já estava em uso. viscosidade.39 0.13 0.22 60.86 6 0.15 6 0.06 0.08 0. desfavorecendo a aderência entre os pisos.87 0. não obteve os mesmos resultados do piso sem uso.07 0.44 6 0.