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CAPITÚLO 01

wModelagem de Linhas de Distribuição
Em função da existência de três fenômenos básicos (tensões induzidas pelos
campos magnéticos ao redor dos condutores; corrente shunt, ou de derivação, devido ao
campo elétrico entre condutores; e a resistência ôhmica do material condutor) a
modelagem de linhas por meio de circuitos elétricos ideais é considerada limitada
(GROSS, 1986).
A representação do comportamento real de linhas de energia através de modelos
equivalentes representa área de vasta pesquisa. A modelagem de linhas é aspecto
importante para a representação fidedigna dos fenômenos transitórios em sistemas de
potência. Historicamente, linhas de transmissão e distribuição foram modeladas através
de circuitos elétricos com parâmetros concentrados. Considerando estudos de regime
permanente, como, por exemplo, fluxo de carga e análise de curto-circuito, essa
aproximação é considerada suficiente (DOMMEL,1995). Entretanto, tais modelos são
válidos apenas para linhas curtas, produzindo uma resposta em frequência correta
apenas na faixa de frequência em que os parâmetros foram calculados (MARTÍ, 1988).
Conforme (POWER SYSTEM RELAYING COMMITTEE, 2004), a limitação de
modelos com parâmetros concentrados é resultado da natureza distribuída dos
parâmetros ao longo do comprimento da linha e, em alguns casos, à dependência com a
frequência.
Visando à representação fidedigna de linhas de energia em simuladores de
transitórios Eletromagnéticos, diferentes modelos foram propostos. Esses modelos,
denominados de “parâmetros distribuídos” e propostos em (MARTÍ, 1982; MARTÍ,
1988; MORCHED, GUSTAVSEN, TARTIBI, 1999), utilizam a teoria de propagação
de ondas e a decomposição modal para a representação do comportamento
eletromagnético de linhas de transmissão.
Entretanto, a utilização desses modelos demanda tempo e recursos
computacionais consideráveis. Logo, a aplicação em condições dependentes do quesito
tempo computacional, como, por exemplo, para a detecção e proteção de sistemas
elétricos, torna-se impraticável, restringindo a sua utilização a simuladores
computacionais.

Como resultado da limitação computacional estabelecida pelos modelos de
parâmetros distribuídos, bem como a existência de aplicações onde haja a necessidade
de modelos equivalentes com base em elementos de circuitos elétricos, a representação
por parâmetros concentrados torna-se atrativa. Para tanto, são utilizados modelos
equivalentes, como π ou RL, adequados às diferentes topologias e características de
linhas de transmissão ou distribuição e cujos parâmetros são usualmente calculados
através das Equações de Carson (CARSON,1926).
Neste capítulo serão apresentados diferentes modelos para a representação de
linhas de distribuição através de parâmetros concentrados e distribuídos. A formulação
para o cálculo dos parâmetros concentrados de linhas de distribuição de topologia aérea
contemplada através da descrição das Equações de Carson.

1 Modelagem de Linhas de Distribuição por Parâmetros Concentrados
A modelagem através de parâmetros concentrados tem como objetivo a
representação da linha de distribuição através de elementos de circuitos elétricos. Para
tanto, estes são arranjados de forma a representar as características eletromagnéticas dos
condutores. Modelos como circuito π ou RL representam o comportamento
eletromagnético da linha de distribuição através de parâmetros concentrados calculados
em uma determinada frequência, tipicamente a frequência nominal do sistema.
1.1 Parâmetros Concentrados
A modelagem de linhas através de parâmetros concentrados é baseada em quatro
elementos: resistência (R), indutância (L), capacitância (C) e condutância (G). Destes,
resistência e indutância são denominados “parâmetros série” e compõem a matriz de
impedância série (Z = R + jωL), enquanto capacitância e condutância são os elementos
em derivação, que compõem a matriz admitância shunt (Y = G + jωC). Tais elementos
apresentam natureza uniformemente distribuída ao longo do comprimento da linha,
entretanto, são agrupados e concentrados, conforme o modelo equivalente adotado.
1.1.1 Resistência
A resistência de um condutor representa, segundo (GRAINGER, STEVENSON
JR.,1994), a relação entre as perdas no condutor e a corrente circulante, conforme a
expressão (1.0), onde |I| é módulo da corrente que circula no condutor em ampères.
(1.0)

Entretanto, a correta determinação dos valores de resistência é dependente do
efeito pelicular (skin effect). A influência desse fenômeno é proporcional ao aumento da
frequência, sendo observável em 60 Hz. Como resultado, a resistência efetiva de

condutores submetidos às correntes alternadas é superior à resistência de condutores
expostos a correntes contínuas de mesma amplitude (GROSS, 1986; SAADAT, 2002).
A utilização de condutores compostos por diversos fios trançados também
implica uma maior resistência do condutor em relação à resistência teórica. Tal efeito é
resultado da forma construtiva, onde os fios são agrupados em forma espiral, resultando
em um maior comprimento do que o próprio condutor. Esta característica resulta em um
aumento da resistência de 1% para condutores com três fios e 2% para fios concêntricos
(GRAINGER, STEVENSON JR., 1994). Segundo (SAADAT, 2002), a resistência dos
condutores é ainda afetada pela temperatura. A relação entre resistência e temperatura
pode ser considerada linear para a faixa de temperaturas ambiente e representada por:
(1.1)

Sendo R2 e R1 as resistências do condutor nas temperaturas t1 e t2. T representa a
temperatura constante dependente do tipo de material (228ºC para condutores de
Alumínio).
Em função de tais efeitos sobre a resistência dos condutores, esta é tipicamente
determinada a partir das informações obtidas em catálogos de fabricantes (SAADAT,
2002; KERSTING, 2002).

1.1.2 Indutância
A indutância é, segundo (ELGERD, 1971), o elemento mais importante na
modelagem de linhas por parâmetros concentrados. A indutância representa os campos
magnéticos gerados pela circulação de corrente no condutor e relaciona a razão entre as
linhas de fluxo magnético e a corrente circulante, conforme (1.2).
(1.2)
Onde: λ e i são o fluxo magnético e a corrente instantânea no condutor,
respectivamente.
A indutância de um condutor pode ser definida como a soma entre os fluxos
internos e externos para o condutor. Assim, a determinação das indutâncias próprias e
mútuas de linhas de distribuição, ou transmissão, é dependente de fatores como o
número de fases e condutores, o espaçamento entre os condutores, a existência de
transposições, além de dados construtivos dos condutores. A formulação para o cálculo
da indutância de linhas de energia, considerando esses aspectos, é apresentada em

detalhes na literatura, como, por exemplo, em (GROSS, 1986; GRAINGER,
STEVENSON JR., 1994; SAADAT, 2002).

1.1.3 Capacitância
A capacitância é resultado da diferença de potencial entre os condutores ou entre
condutor e terra, sendo determinada através da expressão (1.3) (KERSTING, 2002).

(1.3)
Onde:
ε
qn
Dni
Dnj
RDn

permissividade do meio;
densidade de carga no condutor n;
distância entre os condutores n e i;
distância entre os condutores n e j;
raio do condutor n.

Assim, a capacitância de um condutor é dependente de fatores como tamanho e
espaçamento entre os condutores, cuja formulação detalhada, considerando esses
aspectos, é descrita em (GRAINGER, STEVENSON JR., 1994; SAADAT, 2002).
Segundo (STEVENSON JR., 1974), o efeito da capacitância é considerado
desprezível para a modelagem para linhas de transmissão de até 80 km. Porém, em
linhas de tensões elevadas e mais extensas, este parâmetro passa a ser de grande
importância.
O efeito da capacitância também é não desprezível na modelagem de linhas
subterrâneas. Cabos subterrâneos, devido a suas características construtivas, apresentam
capacitâncias muito mais elevadas que condutores aéreos (KUNDUR, 1994; SHORT,
2004). Neste caso, em função de as linhas subterrâneas apresentarem comprimentos
significantemente inferiores em relação às linhas aéreas, resulta em uma baixa
influência dos parâmetros de impedância série no modelo equivalente. Assim, é
possível, em alguns casos, a representação de linhas subterrâneas unicamente como uma
capacitância concentrada (DOMMEL, 1995).

1.1.4 Condutância
A condutância quantifica a dispersão de corrente através de cadeia de isoladores
e na isolação de cabos subterrâneos e devido ao efeito Corona (KUNDUR, 1994).
Segundo (GRAINGER, STEVENSON JR., 1994; ELGERD, 1971), tal parâmetro é
usualmente desprezado devido à inexistência de uma formulação confiável para a sua
quantificação. Três aspectos básicos contribuem para que a condutância seja desprezada

na modelagem de linhas: fuga desprezível de corrente através da cadeia de isoladores e
em cabos subterrâneos; dependência da condutância frente às condições climáticas,
como umidade atmosférica e conteúdo salino; e das propriedades condutoras dos
poluentes que envolvem as cadeias de isoladores.

CAPÍTULO 02

Cálculo da impedância série em linhas aéreas de distribuição
de energia
A determinação da impedância série de linhas é uma etapa fundamental para
análises mais precisas de sistemas de distribuição. Calcular a impedância série de
sistemas monofásicos, bifásicos e trifásicos consiste na determinação da resistência,
indutância própria e mútua dos condutores, que dependem das características físicas e
da interação dos campos eletromagnéticos entre as fases. A metodologia proposta foi
extraída das referências bibliográficas [1, 2, 3].

2. Impedância série e linhas de distribuição
A reatância indutiva (própria ou mútua) componente da impedância é função do
campo magnético total que circunda o condutor. O fluxo total concatenado pelo
condutor é dado pela equação:

(2.0)
Onde:
Din = Distância entre o condutor i e o condutor n (ft);
GMRi = Raio médio geométrico do condutor i (ft).
Por meio da análise da equação acima podemos definir equações para o cálculo
da indutância própria e mútua.
Indutância Própria:
(2.1)

Indutância Mútua:
(2.2)

2.1 Transposição de linhas trifásica
Sistemas de transmissão de energia são normalmente transpostos, ou seja, casa
fase ocupa a mesma posição física na estrutura em um terço do comprimento da linha e
são perfeitamente balanceadas. Assim, o cálculo da indutância própria e mútua pode ser
feito da seguinte maneira:
Indutância por fase:
(2.3)

Onde:
(2.4)
Dab, Dbc e Dca = distância entre as fases.
Assumindo a freqüência de 60 Hz, a reatância indutiva é dada por:

(2.5)

A impedância série por fase de uma linha trifásica transposta é dado por:

(2.6)

2.2 Equações de Carson
Devido ao fato de que linhas de distribuição são redes tipicamente
desbalanceadas e não-transpostas, a formulação para o cálculo dos parâmetros
concentrados não deve realizar aproximações referentes ao espaçamento dos
condutores, suas dimensões e sobre a existência de transposição. Para tanto, é usual a
utilização da formulação desenvolvida em (CARSON, 1926), a qual resulta nas
impedâncias próprias e mútuas para um número qualquer de condutores aéreos,
independente de sua topologia descritiva A formulação proposta por Carson serve desde

então como base para o cálculo das impedâncias de linha onde há fluxo para a terra.
Nesse artigo, Carson considera a terra como uma superfície infinita, plana, uniforme e
com resistência constante. A técnica tem como base a utilização de condutores
imagens, ou seja, para cada condutor a uma dada distância acima da terra existe um
condutor imagem disposto a uma mesma distância sob a terra, conforme ilustrado na
figura abaixo.

Figura 1 - Condutores e suas imagens.
As equações desenvolvidas por Carson são as seguintes:
Impedância Própria do Conduto i:
(2.7)

Impedância Mutua do condutor i e j:
(2.8)

(2.9)

(2.10)

(2.11)

(2.12)

Onde:
Zii = impedância própria do condutor i em Ω/mile;
Zij = impedância mútua do condutor i e j em Ω/mile;
ri = resistência do condutor i em Ω/mile;
w = 2pif = freqüência angular em rad/s;
G = 0,1609344 x 10-3 Ω/mile;
RDi = raio do condutor i em ft;
GMRi = raio médio geométrico do condutor i em pés;
f = freqüência;
ρ = resistividade elétrica da terra em Ω-metros;
Dij = distância entre os condutores i e j em ft;
Sij = distância entre condutor i e j em ft;
Θij = ângulo entre o par de linhas desenhadas entre os condutores i e j projetados
em relação a terra;

2.3 Modificação das equações de Carson
Segundo (KESTING, 2000), considerando que as linhas de distribuição são
redes de alturas relativamente baixas, os termos dependentes da altura das equações
(2.10) e (2.11) representados por Θij podem ser desprezados, resultando em:

(2.13)
(2.14)
Substituição às equações acima e realizando algumas manipulações algébricas,
as expressões referentes as impedâncias próprias e mútuas por unidade de comprimento
podem ser reescritas como:
(2.15)

(2.16)

Considerando f = 60 hz e ρ= 100 Ω-m, as equações podem ser reescritas como:

(2.17)

(2.18)

2.4 Matriz de impedância primitiva linhas aéreas
A aplicação da equação de Carson resulta nas impedâncias próprias e mútuas de
um número n de condutores. Assim, o agrupamento sob a forma matricial produz uma
matriz impedância de dimensão n x n. Desse modo, caso o sistema seja composto por
três condutores de fase e um neutro conforme a figura 02 (caso típico de sistemas de
distribuição), a matriz impedância resultante é de dimensão 4 x 4.

Figura 02 - Sistema a 4 fios com neutro aterrado.

(2.19)

Entretanto, a utilização da matriz acima em grande parte das aplicações
existentes é impossibilitada em função de sua dimensão, logo é necessário a
transformação da matriz de impedância primitiva, em uma dimensão 3 x 3, usual em
aplicações de sistemas elétricos de potência. O método padrão para esta redução é o
método de Kron.

Na figura 2 pode-se visualizar um sistema de distribuição genérico constituído
de três condutores fase e um neutro, aplicando a lei de Kirchhoff no circuito temos:

(2.20)

Vm

tensão no terminal emissor do condutor m em relação à terra;

V’mg tensão no terminal receptor do condutor m em relação à terra;
Im

Corrente no condutor m;

Zii

Impedância própria por unidade de comprimento do condutor i ;

Zij

Impedância mútua por unidade de comprimento do condutor i e j;

m

Condutores a, b, c e n

De forma a simplificar a notação utilizada, a expressão acima pode ser reescrita
através do agrupamento das matrizes.

(2.21)

[Vabc] Vetor de tensões no terminal emissor dos condutores a, b e c em relação
à terra;
[Vng]

Tensões no terminal emissor do condutor de neutro em relação à terra;

[V’abc] Vetor de tensões no terminal receptor dos condutores a, b e c em relação
à terra;
[V’ng] Tensões no terminal emissor do condutor de neutro em relação à terra;
[Iabc]

Vetor de corrente do condutores a, b e c em relação à terra;

[In]

Corrente do Condutor n;

[Zij]

Matriz de impedância por unidade de comprimento entre os condutores i

e j;
[Zin] Matriz de impedância por unidade de comprimento entre os condutores i
e n;
[Zij]
j;

Matriz de impedância por unidade de comprimento entre os condutores i e

[Znn] Impedância própria por unidade de comprimento do condutor n;
i,j

Condutores a,b,c.

Considerando o condutor neutro solidamente aterrado, as respectivas tensões dos
condutores de neutro em ambos os terminais (V’ng e Vng) são nulas, logo desagrupando a
equação (2.21) e considerando tal condição são obtidas as expressões abaixo:

(2.22)

(2.23)
Substituindo o resultado obtido na equação (2.23) na equação (2.22) resulta na
relação entre o vetor de tensões Vabc e o de corrente Iabc

(2.24)

(2.25)

Para uma linha de distribuição que não é transposta, os componentes da diagonal
principal da matriz das impedâncias não serão iguais entre si e os termos fora da
diagonal principal também não serão iguais entre si, no entanto, a matriz será simétrica.
A matriz obtida através da redução de Kron equação (2.25) é muito utilizada
para determinar a queda de tensão em alimentadores de distribuição, já que não foi feita
nenhuma aproximação (transposição) e o efeito do acoplamento mútuo entre as fases foi
determinado com precisão. Na figura 03 pode-se visualizar o modelo desenvolvido
através da redução de Kron para análise de seguimento de linhas de distribuição.

Figura 03 - Modelo de segmento de linha trifásico.
A equação de tensão na forma matricial para um segmento de linha é dado por

(2.26)

Onde:
Zij = zij x comprimento da linha
A equação (2.26) pode ser escrita e condensada da seguinte maneira,
(2.27)

2.5 Decomposição da matriz das impedâncias em seqüência
Muitas vezes na análise de alimentadores de distribuição é necessário decompor
a matriz das impedâncias em conjunto de sequencias positiva, negativa e zero. Para
obter a matriz de sequencia inicialmente devemos escrever as tensões fase-terra em
função das tensões de seqüência como pode ser visto na equação (2.27).

(2.28)
Onde:

Reescrevendo de forma mais condensada temos
(2.29)
Onde:

(2.30)

O mesmo procedimento será aplicado em relação à corrente:
(2.31)
Realizando manipulações algébricas na equação (2.29) temos que:

(2.32)

(2.33)

A equação (2.27) pode ser transformada para o domínio das seqüências
multiplicando ambos os lados por [As-1]

(2.33)

Onde:

(2.34)

A equação acima é denominada equação de conversão da impedância de fases
para impedância de seqüência, os termos da diagonal principal são as impedâncias de
sequência da linha.
Z00 = Impedância de sequencia zero;
Z11 = Impedância de sequencia positiva;
Z22 = Impedância de sequencia negativa;
Os termos fora da diagonal representam o acoplamento mútuo entre as
seqüências, em sistemas idealizados esses termos seriam iguais a zero, para que isso
aconteça é necessário considerar a existência de uma transposição de linhas, o que
apenas ocorre em sistemas de transmissão. Quando a linha é transposta, o acoplamento
mútuo entre as linhas são iguais e, consequentemente, os termos fora da diagonal da
matriz de impedância de seqüência são iguais a zero.
2.6 Exemplo Numérico
Segue um memorial de cálculos que exemplifica a metodologia proposta.
Exemplo
- Condutor fase: 336,400 26/7 ACSR (Linnet)
GMR = 0.0244 ft
Resistencia 0.306 Ω/mile
- Condutor Neutro: 4/0 6/1 ACSR
GMR = 0.00814 ft.
Resistencia = 0.5920 Ω /mile

As distâncias entre os condutores fase e fase-neutro são as seguintes:

Aplicando as equações de Carson para o cálculo da impedância própria e mútua:
Impedância própria para a fase A

Impedância mútua entre fase A e B

Aplicando a equação para os outros termos, a matriz de impedância primitiva
completa do sistema de distribuição pode ser visualizada logo abaixo

Realizando o particionamento da matriz primitiva temos :

Pode-se obter a matriz de impedância de fase aplicando a redução de kron.

A matriz de impedância de fase pode ser transformada na matriz de impedância
de sequência:

O termo 1,1 , 2,2 e 3,3 são as componentes de sequência zero, positiva e
negativa respectivamente. Os elementos 2,2 e 3,3 são iguais, o que demonstra que os
compenentes de sequência positiva e zero são iguais. Note que os termos fora da
diagonal principal não são iguais zero, isso implica que existe um acoplamento mútuo
entre as sequências, entretanto seus valores são bem pequenos se comparados com os
valores obtidos na daigonal principal.
Em linhas de transmissão, normalmente o sistema pode ser considerado
transposto e balanceado, de tal maneira que os componentes da diagonal principal
possuem o mesmo valor e os componentes fora da daigonal principal são iguais a zero.

CAPÍTULO 03

Admitância Shunt de Linhas de Distribuição Aéreas

A admitância shunt é composta pela condutância e susceptância capacitiva. A
condutãncia é usualmente ignorada devido a seu valor desprezível frente à susceptância
capacitância da linha de distribuição. A capacitância de uma linha é resultado da
diferença de potencial entre os condutores oriundo da itereção dos seus campos
eletromagnéticos.
3. Admitância Shunt
Em processo semelhante ao proposto por Carson, a matriz de admitância shunt
de linhas de distribuição aéreas é calculada através do uso de condutores imagens, cujas
cargas têm sentido contrário às cargas dos condutores reais
conforme ilustrado pela Figura 2.1 e descrito em detalhes em (KERSTING, 2002).

,

Figura 2.1 - Condutores i e j e suas imagens i’ e j’.
Como resultado da formulação descrita em (KERSTING, 2002), a diferença de
potencial entre um condutor i e a terra é expressa por:
(3.0)

onde Pii e Pij são os coeficientes de potencial próprios e mútuos, os quais são
dependentes do meio e das distâncias entre os condutores e dados por (3.1) e (3.2).

(3.1)

(3.2)

Onde:
ε
Sii
RDi
Sij
Dij

permissividade do meio (F/metro);
distância entre o condutor i e a sua imagem (i’);
raio do condutor i;
distância entre o condutor i e a imagem do condutor j (j’);
distância entre o condutor i e o condutor j.

Defini-se a permissividade do meio a partir do da equacao ε = εoεr, onde:

ε0
εr

permissividade no vácuo ε0 = 8.85 x 10-12 ΩµF/metro;
permissividade relativa do meio ( para o ar εr =1,0).

Logo, a permissividade do ar é determinada por:
(3.3)
(3.4)
Assim, com base nos coeficientes de potencial próprios e mútuos de um sistema
de n condutores é possível a construção da matriz de coeficientes P, de dimensão
resultante n x n:

(3.5)

De forma similar ao realizado para a obtenção da matriz de impedância série de
dimensões 3x3, a redução de Kron é novamente utilizada. Considerando o condutor de
neutro aterrado, a matriz de coeficientes P resulta em (KERSTING, 2002):

(3.6)

Finalmente, através da matriz coeficientes de potencial, a matriz de capacitância
por unidade de comprimento de um condutor é obtida por meio de (3.7).
(3.7)
A partir de (3.7) e desprezando a condutância shunt, calculamos a matriz de
admitância shunt por unidade de comprimento para linhas de distribuição aéreas:

(3.8)
onde

é a freqüência angular nominal do sistema, dada em rad/s.

Para uma frequencia tipica de 60 Hz , a frequencia angular será expressa por w =
2*π*f =2* π *60 = 376.9911 rad/s.

3.1 Exemplo
Exemplificaremos a metodologia proposta, determinando a Matriz Admitancia a
partir do caso apresentado na secção 2.6:
Suponha que o condutor neutro está a 25 metros acima do chão. Os diâmetros
dos condutores de fase e neutro são apresentados:

Para a configuração estudada na secção 1.6, as distâncias entre os condutores e
as imagens em são expressas na seguinte matriz:

O coeficiente de potencial próprio para uma fase e o coeficiente de potencial
mútuo entre as fases A e B são dados por:

Usando as equações 2.2 e 2.3, a matriz completa de coeficientes potencial é
calculada:

Considerando que o quarto condutor (neutro) está aterrado, utilizamos o método
de redução de Kron para calcular a matriz coeficiente potencial de fase utilizando a
equação (3.6), os resultados podem ser visualizados logo abaixo.

Invertendo [Pabc] podemos determinar a matriz de capacitância shunt de fase:

Multiplicando
pela frequência em radiano, determinamos a Matriz
admitância final para as três fases:

A partir do método apresentado na seção 2.6 podemos extrair de modo análogo
matriz de admitância sequência.

CAPÍTULO 4

Modelos de Linhas de Distribuição
Os métodos de parâmetros concentrados utilizam-se de modelos elétricos
equivalentes de forma a representar o comportamento eletromagnético de linhas de
transmissão e distribuição. A seguir são apresentados modelos típicos para linhas de
distribuição.

4.1 Modelo π-Nominal
O modelo π-nominal para um sistema trifásico é ilustrada pela Figura 4.1. Este
modelo é definido por (KERSTING, 2002) como o modelo exato de um segmento de
linha de distribuição. Essa definição é resultado de o modelo ser constituído pelas
matrizes de impedância série e admitância shunt, calculadas pelas Equações de Carson
na frequência de interesse. Assim, é possível a representação de linhas aéreas ou
subterrâneas trifásicas, bifásicas ou monofásicas, considerando o efeito pelicular, bem
como as correntes de retorno à terra.
Entretanto, a dependência dos parâmetros de linha com a frequência não é
representada pelo modelo π-nominal, impossibilitando a sua utilização em linhas
eletricamente longas (POWER SYSTEM RELAYING COMMITTEE, 2004).
A utilização do modelo π-nominal em análises transitórias não é, conforme
(POWER SYSTEM RELAYING COMMITTEE, 2004), a escolha mais adequada.
Neste caso, a representação de efeitos transitórios é limitada a uma faixa de frequências
restrita. Entretanto, esse modelo tem sido utilizado para a representação de fenômenos
transitórios através do cascateamento (conexão em série de diversos segmentos) de
circuitos π-nominais, ampliando a faixa de frequências representada e permitindo que
seja aproximada a dependência com a frequência dos fatores de correção hiperbólicos
(MARTÍ; MARTÍ; DOMMEL, 1993). No entanto, tal procedimento implica o
aparecimento de reflexões nos pontos de intersecção dos circuitos π.

Figura 25: Modelo π-nominal.
Tabela 4.1: Relação de número de seções para diferentes faixas de frequências.

4.1 Modelo RL
O modelo RL, para um sistema trifásico é ilustrada pela Figura 4.2, representa
uma simplificação do modelo π-nominal, onde o efeito da capacitância shunt é
ignorado. Esta simplificação é usualmente aplicada em sistemas onde a componente
capacitiva possui valor desprezível, como, por exemplo, em linhas de distribuição
aéreas, ou ainda em linhas aéreas de transmissão de comprimento inferior a 80 km
(KERSTING, 2002; SAADAT, 2002).

Figura 4.2: Modelo de linha RL.

REFERÊNCIAS
DOMMEL, H. Electro-Magnetic Transients Program (EMTP) Theory Book.
Portland, USA: University of British Columbia, 1995. 483p.
ELEGERD. O. I. Electric Energy System Theory: Na Instrduction, New York, NY:
McGraw – Hill, 1971. 564p.
GRAINGER, J. j.; STEVENSON JR., W. D. Power System Analysis. New York, NY:
McGraw – Hill, 1994. 787p.
GROSS, C. A. Power System Analysis. New York, NY: John Wuley, 1986. 593.p.
KERSTING, W. H. Distribution System Modeling and Analysis. Boca Raton. FL:
CRC, 2002. 314p
KERSTING, W. H., PHILLIPS, W. H. Distribution Feeders Line Models. IEEE
Transactions on Industry Application. New York. V. 35. N. 4. P. 715 – 720. JulyAgo. 1995
MARTI, J. R. Accurate Modelling of Frequency-Dependent Transmission Lines in
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MARTI, J. R.; MARTÍ, L. DOMMEL, H. W. Transmission line Models for SteadyState and Transient Analyse. IN.: ATHENS POWER TECH. 1993, Athens.
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MORCHED, A.; GUSTAVSEN, B.; TARTIBI M. A. Universal Model Accurate
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SAADAT, H. Power System Analysis. New York, NY: McGraw-Hill, 2002, 712p.
STEVENSON JR. W. D. Elementos de Análise de Sistemas de Potência. São Paulo, SP:
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1323.