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Estado arrisca pagar 35 milhões por ano à Lusoponte
ANA SUSPIRO

Perda de tráfego e receitas na Ponte Vasco da Gama O Estado deverá ser confrontado com um pedido de indemnização de pelo menos 30 a 35 milhões de euros por ano da Lusoponte pela entrega a terceiros, via concurso público, da componente rodoviária da ponte Chelas/Barreiro. Este é um valor mínimo que reflecte o impacto anual que a nova travessia deverá ter nas receitas da Ponte Vasco da Gama entre 2014 e 2018, ano em que estará em operação plena o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete. Em causa estão 140 milhões de euros por quatro anos. Segundo projecções ontem divulgadas pela Rede de Alta Velocidade (Rave), a perda de tráfego da Vasco da Gama no primeiro ano de operação da nova travessia será da ordem dos 28 mil carros/dia, dos quais metade (14 mil) pagam portagem. Esse número, que hoje representa cerca de 40% do tráfego Vasco da Gama, traduz uma perda de receita anual da ordem dos 18 milhões de euros em portagens a partir de 2014. Uma soma que resulta da actualização anual da taxa média cobrada por veículo com base na inflação, que passará de 2,785 euros para 3,52 euros nesse ano. Só que o contrato de concessão prevê que eventuais indemnizações por perda de tráfego tenham como ponto de partida a diferença entre a previsão do número de carros que a Vasco da Gama terá em 2014 e o cenário base contratualizado com o Estado. Sem confirmar valores, fonte oficial da Lusoponte disse ao DN que o tráfego previsto no caso base contratualizado com o Estado para esse ano é de 105 mil carros/dia. Ora as estimativas do relatório da terceira travessia prevêem, num cenário intermédio de procura, que a Vasco da Gama tenha 57 mil carros/dia em 2014 com a concorrência da Chelas/Barreiro. Sem esse efeito, a Vasco da Gama teria no mesmo ano 75 mil carros/dia. As duas travessias exploradas pela Lusoponte vão ser as principais contribuintes com automóveis, com 80% do tráfego global esperado no primeiro ano da nova ponte, ou seja, cerca de 55 mil carros por dia (com entradas e saídas) num universo de 69 mil veículos diários. O contributo está mais ou menos dividido com uma ligeira vantagem para a 25 de Abril, por causa do efeito que terá a construção de um viaduto sobre um braço do Tejo que ligará o Seixal à nova travessia. Só que este efeito, que hoje representa 17% do tráfego da 25 de Abril, deverá ter menos impacto nas receitas porque se espera que a procura reprimida (que hoje não usa a 25 de Abril por causa dos congestionamentos) compense mais rapidamente a perda. Na Vasco da Gama, a recuperação será mais difícil, embora projectos como a plataforma logística do Poceirão possam contrariar parcialmente a perda. Mas só com a entrada em funcionamento do aeroporto, em 2018, é que a Vasco da Gama conseguirá ultrapassar este efeito e mais que compensar o prejuízo. E é este o grande argumento que o Estado tem para renegociar o contrato que hoje dá a exclusividade das travessias rodoviárias do Tejo à Lusoponte. A forte transferência de tráfego já existente para a nova ponte é o argumento da Rave e do Governo para responder às críticas dos ambientalistas que ameaçam com uma queixa na Comissão Europeia por causa dos impactos resultantes da entrada de mais carros em Lisboa. As projecções são de um

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acréscimo de 5000 mil carros/dia (2500 a entrar) em Lisboa por causa da Chelas/Barreiro, o que representa apenas 7% do tráfego total. O resto vem das actuais travessias (80%) e do movimento rodoviário transferido de outros corredores devido à relocalização de actividades. A Rave prevê ainda uma perda marginal nos transportes públicos, como resultado da nova ponte, afectando mais o transporte fluvial.

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