Legítima defesa – é a atitude defensiva do agente que, perante uma agressão a si próprio ou a

terceiro, põe termo a essa agressão pelos seus próprios meios.
CRP – artigo 21.º, in fine “ repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à
autoridade pública “.

Requisitos específicos* da
legítima defesa
(artigo 337.º)

*enquanto meio de tutela privada, a defesa só é legítima se não for possível
afastar a agressão pelos meios normais (força pública). Mas também não é
de exigir uma fuga humilhante, a menos que se trate de uma agressão por
inimputável (ex.:criança que aponta uma arma de fogo). Aqui a fuga não
atenta contra a dignidade do agente e a sua reacção seria, provavelmente,
desproporcionada (faltando um requisito da legítima defesa).

agressão

Lesão ou colocação em perigo de
interesses ou de bens juridicamente
protegidos em virtude de uma actuação
humana, finalisticamente dirigida à
provocação dessa lesão.

Quando a lesão provenha
de animais ou de outras
coisas é de aplicar o estado
de
necessidade,
se
verificados
os
seus
requisitos. A menos que os
As lesões podem ser pessoais (vida, animais, sejam utilizados
integridade física, liberdade, honra) ou pelo homem como um
patrimoniais
meio de agressão.

Contrária à lei

Ou seja, ilícita. Trata-se de uma
agressão de bens que são juridicamente
tutelados – vida, integridade física,
honra, propriedade…

Não é necessário que a
agressão seja culposa. O
direito de defesa não
depende da culpa do
agressor. Se existir um
dever de tolerar a agressão
está é lícita.
A defesa contra a legítima
defesa não é legítima, pois
não é uma resposta a uma
agressão ilícita.

Actual (não aquela que seja
previsível ou que já tenha
cessado )

É aquela que, em termos temporais,
está a ocorrer, em execução, ou é
iminente. Ou seja, é aquela que, em face
dos factos já praticados pelo agressor, o
adiamento da defesa conduzira a um
aumento do perigo. O comportamento
do
agressor
representa
uma
perigosidade imediata ou próxima para
o ofendido. (utilidade da defesa no

Antes da agressão nada há
a defender. Depois da
agressão consumada, a
defesa seria mero desforço
ou vingança.
Ou seja, não há legítima
defesa quando alguém
quer
castigar
lesões
passadas ou antecipar-se a
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mas excessiva. mas seria cada caso. então o acto considera-se justificado e não há dever de indemnizar. Mas será proporcionado matar o violador ou quem cause ofensas corporais graves. há uma agressão Não se pode ser demasiado exigente ilícita. exigível que utilizasse meios menos gravosos. Se se exigisse uma equivalência de prejuízos. para a cabeça). ou em que alguém que é injuriado abate a tiro o seu agressor. mas eficaz perante a situação concreta – as capacidades concretas do defendente. não podendo ser desproporcionada. há responsabilidade civil. a intensidade e perigosidade da agressão. Permite-se que o prejuízo causado pelo agente seja superior àquele que se pretende evitar – o agente encontra-se numa situação de aflição que torna mais difícil avaliar objectivamente a situação. devem ser consideradas. isso inviabilizaria. na prática. Mas se o excesso se deveu a medo ou perturbação não culposo do agente. a legítima defesa. Logo não lhe retirar o normal discernimento. 2 . O excesso é ilícito o que permite legítima defesa contra excesso de legítima defesa. embora. Excesso dos meios – estando vários meios de defesa disponíveis. o agente deve optar pelo menos gravoso. O defendente não utiliza os meios mais gravosos deliberadamente e não seria exigível que utilizasse meios menos gravosos. um bom pai de família. Visa-se afastar a legítima defesa nos casos em que o dono de um pomar abate a tiro uma criança que lá ia roubar laranjas. para as pernas. exceder a lesão. Mesmo assim. em O defendente não utiliza os meios mais face das circunstâncias de gravosos deliberadamente. Neste excesso. a actuação do O excesso pode respeitar ao meio agente é ilícita. mas há uma causa nesta apreciação pois o agredido de exclusão da culpa (o encontrava-se numa situação capaz de medo invencível causado pela agressão). O defendente tem consciência de que há meios menos gravosos e eficazes e opta A culpa (artigo 487/2) afere-se pela diligência de pelo meio mais gravoso – há excesso. a defesa tem de corresponder àquela em termos de racionalidade. Podendo.Prejuízo causado pelo agente não seja manifestamente superior ao que pode resultar da agressão contexto da agressão) eventual lesões futuras. utilizado (reagir à paulada ou aos tiros) ou à intensidade da defesa (disparar para o ar. Excesso de legítima defesa – a defesa é legítima (porque se verificam os requisitos supra enunciados).

acerca dos pressupostos da A sua actuação.A legitima defesa putativa ocorre quando o O defendente actua ilicitamente. este terá maior discernimento quanto à adequação do meio empregue. nomeadamente. mas só deve indemnizar defendente está em erro se o erro não for desculpável. apesar de ilícita. o que revela falta de diligência no trato jurídico. quanto a saber quem é o agressor. 3 . a menos que o erro seja Julga que está perante uma grosseiro. Nestes casos o seu erro será desculpável. a menos que haja uma ligação afectiva estreita entre o defendente e aquele que está a sofrer uma agressão ilícita. Legitima defesa alheia Também aqui o agente pode estar em erro. Quanto ao excesso de legitima defesa. agressão e não está Julga que a agressão é ilícita e não é Julga que a agressão é actual e não é …. A actuação do agente destina-se a afastar uma agressão actual e ilícita contra a pessoa de um terceiro ou contra o seu património. e uma vez que não é o agente que está a sofrer um ataque. não revela um legítima defesa: comportamento antijurídico.

para evitar um dano maior. mas a actuação do agente é lítica por haver consentimento presumido (340) – arrombar a porta do carro daquele que se pretende socorrer. 4 . ou julga que o dano em curso é manifestamente maior do que aquele que vai provocar.que o dano que se pretende evitar seja Ex: o agente arromba um carro para manifestamente superior ao prejuízo que se irá levar um ferido ao hospital causar. A actuação é ilícita. nem o direito a uma indemnização. não há estado de necessidade. Se aquele que. Requisitos: . Neste caso. a actuação é lícita (verifica-se esta causa de exclusão da ilicitude). não estamos no âmbito do estado de necessidade – pois não está aqui em causa a ilicitude da conduta. recorremos ao regime da gestão de negócios. Erro acerca dos pressupostos do estado de necessidade: O agente julga que existe um perigo de dano e não existe.que sejam distintas as esferas jurídicas onde se verifica o perigo de dano e onde se produz o dano Ex: para evitar o atropelamento de um peão. mas há o dever de indemnizar. o agente desvia o carro e para evitar dano manifestamente maior. havendo igualmente o dever de indemnizar.Estado de necessidade (artigo 339) – é justificado o sacrifício de bens patrimoniais de terceiro para remover um perigo de um dano que pode ocorrer na sua própria esfera ou na de terceiro. . Sendo ilícita. pode haver legítima defesa relativamente a esta actuação se se verificarem os restante pressupostos desta figura. Verificados os requisitos do estado de necessidade. ou a ampliação de um dano. Se o lesado em consequência do estado de necessidade for aquele em cuja esfera jurídica existira o perigo de dano. vai embater noutro. provoca na sua esfera jurídica um dano que de outro modo não sofreria. ( 464).supletividade .

de outro modo. com violência.1277: defesa da posse .1314 e 1315: direito propriedade e outros direitos reais .Acção directa – 336 – causa de justificação. Verificados os pressupostos. nem lhe causar ferimentos.que o agente não sacrifique interesses superiores aos que visa salvaguardar Ex: aquele que foi roubado. .recorrer aos meios coercivos normais não era possível.1125/2: para o parceiro pensador . Erro – o mesmo que para a legítima defesa: 338 CC Casos previstos no CC de recurso à acção directa: . Ao contrário da legítima defesa.finalidade de realizar ou assegurar o próprio direito: exercer o direito ou protege-lo.se assim não fizesse. a acção directa é lícita e não há dever de indemnizar.que o agente não exceda o necessário para evitar o prejuízo .se não matar o ladrão. pelo que os seus pressupostos são mais restritivos. pode ser necessário perante as circunstâncias do caso. seria ilícita. sob pena de o ladrão se pôr em fuga .esta actuação (de recurso à força) tem de ser indispensável para evitar a inutilização prática do direito.retirar-lhe os objectos com violência.para proteger o seu direito de propriedade . .1133/2: para o comodatário . causa de exclusão da ilicitude de uma conduta que. ou seja. vê o ladrão na posse das suas coisas e tira-lhas.1037/2: para o locatário quando privado ou esbulhado da coisa . .1188/2: para o depositário 5 . a acção directa é uma atitude ofensiva.impossibilidade de recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais . muito dificilmente conseguiria recuperar as suas coisas . mesmo que use de alguma violência. . Requisitos: . não está a sacrificar interesses superiores.