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Jornadas do Mar 2014

Economia do Mar:
O Amanhã Português?
Autores:
Ana Lúcia Barracho Oliveira
Francisco Alexandre Pinheiro Pires
Joana Filipa Lopes Luís
Telma Filipa Marques Peixoto

Orientador: Professor Doutor Nuno Venes

Lisboa, 17 de Outubro de 2014

Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014

Índice
Introdução ........................................................................................................................ 4
História Marítima .............................................................................................................. 5
À Conquista do Mar – Progresso à Vista .......................................................................................... 6
Património (I)material ...................................................................................................................... 9
O 25 de Abril e a Vocação Europeia .................................................................................... 9
O Estado Português e o Mar .......................................................................................................... 12
Reatar Laços com o Mar .................................................................................................. 12
Sectores da Economia do Mar .......................................................................................... 16
Pesca, Aquicultura e Indústria de Pescado .................................................................................... 17
Transportes Marítimos, Portos e Logística..................................................................................... 18
Construção e Reparação Naval ...................................................................................................... 19
Náutica de Recreio e Turismo Náutico ........................................................................................... 19
Evolução da Economia Mar .............................................................................................. 20
Receitas da Segurança Social ......................................................................................................... 21
Receita Fiscal .................................................................................................................. 23
Conclusão ....................................................................................................................... 27
Referências Bibliográficas ................................................................................................ 29
Anexos ........................................................................................................................... 32
Anexo I ............................................................................................................................................ 33
Anexo II ........................................................................................................................................... 34
Anexo IV ......................................................................................................................................... 36
Anexo V .......................................................................................................................................... 37
Anexo VI ......................................................................................................................................... 38

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Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014

Anexo VII ........................................................................................................................................ 39
Anexo VIII ....................................................................................................................................... 40
Anexo IX .......................................................................................................................................... 41
Anexo X ........................................................................................................................................... 42

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Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014

Introdução
“Um país que tem mar só é pequeno se não o souber
aproveitar.”
Leopoldo II da Bélgica

Durante séculos, o vasto mar que banha a costa portuguesa atraiu e repeliu gerações. Um reino
pobre e subdesenvolvido, diminuído face aos seus congéneres europeus, daria origem ao mais
imponente Império Marítimo que a História alguma vez conheceu. Ao território cujas fronteiras são as
mais antigas da Europa, juntar-se-iam, a partir do século XV, territórios em todos os continentes. O
mar foi meio de potenciar a economia nacional e veículo de transmissão do nome da nossa Pátria
amada pelos quatro cantos do mundo. As grandes ondas de progresso levadas pelo mar à nação
portuguesa pareceram escassear após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Impõe-se questionar se o
mar acalmou e com ele as desejadas “ondas”, ou se se tratou de puro abandono. A resposta não é
consensual: se uns se pronunciam pela existência de imposições europeias que obrigaram ao
abandono do mar ou mesmo de uma tentativa de corte com o passado, outros afirmam que as
oportunidades deixaram de existir.
Os últimos anos acenderam a chama da esperança em reabraçar aquele que que ao longo de mais
de cinco séculos definiu a nação portuguesa: o Mar. A ratificação da Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito do Mar permitiria a apresentação da Proposta de Extensão da Plataforma Continental
de Portugal, mas a resposta tarda em surgir. O XVII Governo Constitucional definiria a Estratégia
Nacional para o Mar que seria seguida e actualizada pelos Governos Constitucionais seguintes,
colocando a questão marítima na agenda política nacional.
Numa época em que urge fomentar a economia nacional, estará a resposta na Economia do Mar?
Qual o peso da Economia do Mar no Produto Interno Bruto? Será o peso das receitas da Segurança
Social respeitantes à Economia do Mar relevante? Estarão as potencialidades do nosso mar a ser
verdadeiramente aproveitadas? Temos a matéria-prima, seremos capazes de a trabalhar eficiente e
eficazmente? Procuraremos responder a estas e outras questões conexas, não deixando de chamar a
atenção, em nome da prosperidade nacional, para a necessidade premente de voltarmos a aproveitar
o que o nosso mar tem para nos dar. O presente trabalho permitiu que nos inteirássemos da actual
relação dos portugueses com o Mar e fez-nos desejar recuperar a relação umbilical que nos ligou. Está
nas mãos de todos nós, portugueses, consegui-lo.

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Importa referir que “Não foi uma audácia desordenada e febril o móbil dos Descobrimentos Portugueses”5. neste período. Portugal conseguiria estabelecer ligação com os principais comerciantes europeus no porto de Lisboa. 3 Ribeiro. a partir de então prosseguido a senda de formação de um Portugal que veria as suas fronteiras definidas em 12 de Setembro de 1297. Fernando IV. uma decidida vocação marítima. aquela sobretudo. Recordemos que há pouco menos de nove séculos. alcançou feitos históricos jamais empreendidos por Nações com forte poder económico e social. Rei de Castela.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 História Marítima É inegável a importância do mar enquanto via para muitas das conquistas feitas por Portugal que. 5 . por outro. É. Jaime.”6. (1992). a nossa posição geográfica. já no séc. a pesca e a indústria salinífera foram. Se. os. Guerras e Campanhas Militares da História de Portugal: A Definição das Fronteiras 1096 . no entanto. já haviam sido implementados mecanismos de navegação costeira com fins comerciais e de pesca – nesta fase possuíamos parca experiência em técnicas navais. D. gerando assim um interesse pelo mar. Lisboa: Europress. Afonso Henriques conquistava à sua mãe o governo do pequeno Condado Portucalense1. 4 Para mais vide: Boxer. que nos primeiros séculos da vida já portuguesa veio a manifestar-se de múltiplas maneiras. que nos tornaria num grande império marítimo4. Por estarmos junto do Atlântico. Rei de Portugal e D. Aliás. O Império Marítimo Português 1415-1825. com a assinatura do Tratado de Alcanices2. De relevar que os instrumentos de navegação (tais como o astrolábio e a bússola.1297. pouco abastado e desorganizado. e com ele. “por toda a orla atlântica do território em que veio a constituir-se Portugal. nos limitavam a expansão terrestre. da excelsa expansão marítima portuguesa que trataremos no presente capítulo. 1960: 35. entre outras) conheceram. da guerra e da fome. T. o jovem D. XIV. atracando. In A Portugal. durante o percurso. de um “jardim da Europa à beira-mar plantado”3 permitiu que nos voltássemos para o espaço marítimo e empreendêssemos a grande epopeia dos Descobrimentos. tendo. C. (1989). embora incipiente. actividades exercidas desde remotas eras. reinos de Leão e Castela e da Galiza. em Lisboa. (2007). um desenvolvimento notável. Dinis. 5 Peres. Lisboa: Edições 70. visto que a necessidade de a elas recorrer 1 Para mais vide Ventura.R. M. que se foi aperfeiçoando ao longo de toda a epopeia. recorriam à via marítima para chegar ao norte da Europa evitando as vias terrestres afectadas pelos flagelos da peste. Lisboa: QuidNovi. G. por um lado. 2 Firmado entre D. Estes. pese embora o facto de ser rotulado como um país de dimensões reduzidas.

e nenhum segredo de Estado (…) poderia ter obstado à sua divulgação. Portugal reunia. tornou-se possível que os intentos da Igreja Católica fossem legitimados pelos dogmas por si defendidos. usufruindo da vantagem da posição geográfica e em plena crise socioeconómica que obstava a que as cidades portuguesas se desenvolvessem como as suas prósperas congéneres europeias. cujo progresso seria da responsabilidade do Infante D. até ao 6 Idem. A Burguesia foi de fácil incentivo: sendo a classe mais directamente afectada com o monopólio italiano do comércio das especiarias. 7 6 .Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 obrigava à sua adequação às exigências de então. do alargamento do Império. O grande Império Marítimo Português perduraria durante séculos tendo tido o seu primeiro revés com a morte de D. Sobreviveu. por muito apertadas que tivessem sido as medidas tomadas para a evitar. a Burguesia e a Nobreza). desta maneira.1991: 93. que afirmava o poder divino como promotor das grandes navegações e legitimava o avanço para o desconhecido9. face à hipótese de obtenção de lucros decorrentes da venda de novos produtos a comercializar nas rotas comerciais a implementar. em alguns casos de rigor assinalável. aumentando assim. as condições favoráveis para o início. no reinado de D. Por outro lado. Conseguida a aprovação da Igreja Católica. mas também na possibilidade de propagação da fé cristã. que introduziriam profundas e proveitosas inovações na marinharia tradicional. muito pela evangelização. “Essa arte de navegar compunha-se de regras. O expansionismo marítimo português não pode ser dissociado de uma realidade que foi bastante importante no acentuar da vontade de descobrir novos mundos: a Igreja Católica. os dízimos e conquistando mais poder8. apenas e somente. À Conquista do Mar – Progresso à Vista O Império Marítimo Português iniciou-se. 8 Com base em Bulas Papais. a Nobreza conquistar-se-ia com a ideia da obtenção de novas matérias que sustentariam o domínio das forças militares na guerra. tornava-se imperativo que a Burguesia e a Nobreza apoiassem esta iniciativa. Albuquerque. propriamente dito. no ano de 1578 que colocaria o Império Português sob domínio espanhol. em 1415. não só na luta contra os infiéis (os mouros). Obtidos os apoios das classes dominantes (o Clero. como o ponto de partida para o que viria a ser uma vasta área territorial dominada pelos portugueses. tornando possíveis os avanços portugueses e a sua participação. bem como a outorga de terras. João I. Esta apoiava determinadamente o expansionismo por considerar que se traduzia. Sebastião. com a conquista de Ceuta. em glória e reconhecimento. Ceuta constituiu-se. nomeadamente nas Bulas Alexandrinas. Henrique e dos Reis que lhe seguiram.”7. na epopeia dos Descobrimentos.

em parte. pertenciam. “À medida que a economia europeia se desenvolvia e aumentava o poder de compra. Acompanhados do espírito de Cruzada12 procuravam obter produtos orientais. essencialmente ao povo. Lisboa: Editorial Presença (1982). para os europeus. cravo.) e constituíram o motor que nos permitiria implantar em novos mundos e alcançar o que outros não alcançaram. ainda nos dias de hoje. o que mudou com a expansão marítima? A que níveis fomos capazes de nos destacar? Que ondas de progresso navegámos económica. Volume III. Este facto viria a trazer graves problemas demográficos ao reino. chegaria a Democracia. Os Descobrimentos e a Economia Mundial. época em que findado o Estado Novo. O progresso chegaria pouco a pouco: aprenderam a navegar utilizando as estrelas como guia. Admitamos que seria de todo precoce afirmar que somente o Rei. “O mundo da viagem manifesta também uma forte presença da religiosidade e todo o viajante se confessa antes de iniciar a viagem. afinal. as navegações. Lisboa: Publicações Quipu. havia que renovar e melhorar as técnicas de navegação existentes à época bastante rudimentares (apenas “navegação à vista”). 1983: 23. São ainda de digna menção os esforços feitos pela sociedade em geral que. V. de todo. veludos. a procura das especiarias também se acentuava. visto que a classe mercantil viu na expansão a oportunidade de percorrer vastos territórios que lhes permitiriam encontrar novas áreas de exploração e novas matérias. 14 Para mais vide: Godinho.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 ano de 1974. para além de contribuírem para a empresa marítima com impostos do trabalho. o Clero e a Burguesia tiveram papéis fulcrais na expansão marítima. Assim. política e socialmente? Que património angariámos e perdura. dominaram as ondas. embora não possuindo conhecimentos para tal. segurança e estabilidade – o retorno de quem partia não era assegurado devido às viagens arriscadas. G. jóias.”13. Mas. Isto permitiria o enriquecimento de mercadores e massivos lucros para a Coroa através de impostos e demais taxas pagas pelos comerciantes que permitiram custear. etc. era chamada a contribuir com empreitada14. os ventos e as correntes marítimas 9 Segundo Barreto (1987: 23). para que a expansão marítima fosse empreendida e com o mínimo de riscos possível. Todavia. pois os marinheiros que embarcavam para descobrir o Mundo. aos cidadãos era pedido o esforço suplementar de dizerem adeus aos seus entes queridos que partiam para uma missão que não oferecia. e fizeram-no. 11 Tese económica que parte da premissa base da produção de mercadorias destinadas ao consumidor final por meio de trocas. na nossa memória (e aos nossos olhos)?10 A economia mercantil11 revelou-se um factor de suma importância para a expansão marítima. 7 . (2003). Mar Português: Considerações Sobre a Epopeia Marítima. 13 Arnold. (1971). exóticos (canela. 12 Levavam consigo Missionários que propagariam a fé cristã e evangelizariam os infiéis.” 10 Coutinho.

atraindo mercadores e artistas de todo o mundo. A estratégia adoptada não foi a de aplicar os lucros do comércio marítimo nacional na agricultura e na indústria. em cerca de um século (anos 1420-inícios do século XVI). sociedades por acções. o papel da Escola de Sagres enquanto meio de difusão de conhecimentos. “Após séculos de isolamento. grandes companhias. 8 .Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 como ninguém. bem como o sistema bancário e novas formas de pagamento como. Como refere Mendes (1997). Assiste-se agora ao revés das rotas. passa a estar distribuída pelos cinco Continentes”16. etc. passando a moeda a ser o principal factor demonstrador de riqueza. tendo sido desenhada por Pedro Reinel. muito pelo contrário: o segredo consistiu em aplicar esses lucros numa reinvestida no 15 16 17 18 A primeira carta náutica conhecida data de 1462. se. Holanda e Inglaterra. em 1498. Sistema económico em que o lucro é dado como factor essencial. permitia que quem fazia viagens posteriores fosse munido de informação que lhe permitisse partir à descoberta e voltar. “com o comércio marítimo desenvolveram-se novas formas de sociedade. desenvolveram a cartografia náutica15. um importante ponto de passagem para a realização de negócios para Nações como Portugal. em que o comércio externo se circunscrevia às costas atlânticas e mediterrânicas do Continente Europeu. alcança a Índia a mando da Coroa Portuguesa. Construíram caravelas. as primeiras embarcações com robustez suficiente para uma navegação minimamente segura em alto-mar. Mendes. ainda. De notar. agora. O Oceano Atlântico tornou-se promotor dos Descobrimentos e. Quando Vasco da Gama. este vai poder alargar consideravelmente a área de mercado que. as letras de câmbio. as rotas que passavam por Veneza. Descobrem-se novas especiarias e produtos que proporcionam elevadas margens de lucro e Lisboa afirma-se como importante centro de comércio europeu. por exemplo.”18. o desenvolvimento do comércio colonial e o surgimento de novos mecanismos comerciais permitiriam ao Capitalismo17 implementar-se e vingar. abre-se a porta para o domínio do comércio de especiarias pelos mercadores portugueses. são as rotas voltadas para o Atlântico as mais procuradas.. estudada e aplicada. Mendes. 1997: 85. utilizando-os para facilitar a navegação. França. 1997: 90. isto é. As novas rotas comerciais. privilegiadas pela sua localização. de formação de navegadores e de desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas náuticas. Espanha. que se revelou uma ciência que. Génova e pelo sul da Alemanha eram as principais rotas de comércio. até ao momento da descoberta da Índia.

situado na cidade de Lisboa. nas ruas e monumentos Macaenses e Brasileiros… Não obstante. o derradeiro empreendedor da aventura marítima. partindo da representação de uma caravela. 9 . chegar tão longe com tão pouco. a vontade. Tal revelou-se tão eficaz que alguns países do norte da Europa enriqueceram à custa da acumulação de capitais oriundos do comércio marítimo. Estão cá para nos recordar a potência económica que outrora fomos. em chegar. através de várias figuras históricas lideradas pelo Infante D. o Mosteiro dos Jerónimos ou mesmo o Convento de Mafra só se tornaram possíveis devido à riqueza conseguida com a expansão marítima. a determinação em encontrar. fica-nos o que não pode jamais ser esquecido: a força de espírito.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 comércio. em descobrir. Henrique. a unidade e o esforço conjunto de um Povo. do incerto. Não esqueçamos também as marcas que deixámos um pouco por todo o mundo: na língua Japonesa. desde 1960 e mais directamente. Património (I)material Também o património cultural se desenvolveu nesta época áurea dos Descobrimentos: edifícios como a Torre de Belém. acabando o Mar por ser um dos grandes sacrificados. pois se eles conseguiram ser empreendedores. como está também. de uma descrença sistémica na sua potencialidade de exploração e investimento? Como passou Portugal de império ultramarino a um actor insignificante no que toca à Economia do Mar contemporânea? 19 Mandado erigir por Oliveira Salazar para comemorar os 500 anos da morte do Infante D. fomentando assim aquele sector. apesar do receio do desconhecido. o saber ser e estar. Henrique. que simboliza. o Padrão dos Descobrimentos19. Esta decisão suscita-nos algumas dúvidas: ter-se-ão tratado simplesmente de obstáculos impostos pela conjuntura económica aos organismos decisores portugueses ou de uma viragem estratégica focada num maior investimento noutros sectores de produção de riqueza? Ou será este “estado de sítio” em que se encontra a Economia do Mar e os sectores a ela ligados causa de uma razão mais profunda. Os feitos dos nossos antepassados devem permanecer no nosso íntimo. também nós seremos capazes de o conseguir suportando-nos nos valores e princípios herdados. a Fortaleza de Sagres. do Fado. O 25 de Abril e a Vocação Europeia O 25 de Abril de 1974 (como qualquer Revolução) trouxe consigo um corte radical com o passado. em levar o nome da Nação tão longe quanto possível. os esforços que empreendemos para descobrir o mundo e o sucesso que tivemos.

10 . Portugal e os produtores portugueses. quer em termos económicos. quer técnicos e comerciais. para quê melhorar a qualidade de produção? Para quê investir em modernização de práticas e de estratégias de produção. cá dentro. Este artifício de baixa de preços em particular levou a um aumento de procura sustentável para os trabalhadores e profissionais portugueses das áreas em questão. para um mercado livre e competitivo que aqui não penetrava. mas originou um problema muito maior. Isto porque se há algo que parece ocorrer em Portugal é a manifestação de uma visão estratégica de maioritariamente curta duração. não tinham razão alguma para acompanhar os tempos. 2010. a falta de visão estratégica que destes elementos se retira: a falha em projectar as consequências a longo prazo das decisões tomadas. que não foi benevolente para os sectores primários da economia. a economia portuguesa falhou no esforço de modernização necessário para enfrentar uma globalização económica competitiva. 2010). ficámos parados no tempo. Tal aconteceu com as medidas proteccionistas tomadas pelo Governo de Portugal (pelo menos até ao 25 de Abril). escudados sob a sua cúpula proteccionista e confortáveis com os fundos europeus. a “(…) ausência muitas vezes de uma visão abrangente e de longo prazo dos interesses nacionais” 20 (Cunha. ou a desvalorização sistemática e abusiva do escudo. em retrospectiva. através de uma 20 Cunha. assim como já havia falhado com o seu programa de ajustamento de integração na CEE (Comunidade Económica Europeia). Se os profissionais portugueses dispunham de procura pelos seus produtos artificialmente mais baratos que os dos competidores externos. quando a procura já existia à partida. artificialmente baixando os preços dos nossos produtos face às moedas externas. uma espécie de carpe diem dos decisores políticos e económicos nacionais. Isto aplica-se também aos sectores ligados à Economia do Mar: não existia razão para proceder a um investimento contínuo de manutenção das frotas pesqueiras e de transporte.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Poder-se-á afirmar que o problema começa com a passagem de Portugal para uma economia de mercado livre moderna. baseada no livre comércio com intervenção mínima do Estado. Em resultado. a criação de barreiras à entrada de produtos oriundos de mercados externos (por via de imposições técnicas). um erro de base na interpretação da natureza humana: não mudes o que não está mal. por exemplo. conseguindo preços mais que suficientes para garantir a sustentabilidade dos modelos de produção vigentes? É óbvia. E pese embora quer os tempos quer as vontades mudassem do lado de lá da cúpula. bem como à actualização das técnicas de construção naval.

talvez. Serviram afinal para o quase total desmantelamento das capacidades marítimas do povo de Camões a partir da segunda metade dos anos 70. culminou nos resultados que vemos hoje: um país que. desconsiderar o impacto da adopção da Convenção de Direito do Mar das Nações Unidas e consequente consagração das Zonas Económicas Exclusivas. tanto como qualquer outra coisa. de igual forma. a evolução do volume das capturas de pescado pelas frotas portuguesas tem vindo a diminuir drasticamente. o súbito abandonar de toda uma construção económica fundada na exploração do hypercluster da economia do mar. para com o cerne da mensagem política e simbologia fortemente relacionada com o mar e com os Descobrimentos difundida pelo Estado Novo. com o encarecimento do petróleo a servir de ponto de viragem numa indústria naval 21 Contrariamente ao que se passou na Irlanda e Espanha. com uma parca regulação na área. o investimento maciço em auto-estradas e vias rodoviárias. 11 . aliado ao orgulho ferido da perda dos seus territórios ultramarinos. de vergonha até. Este talvez tenha sido um dos maiores erros de Portugal no seu processo de integração europeia: o abandono daquele que havia sido o seu sustentáculo económico desde o império ultramarino. Convirá contudo referir que a responsabilidade pelo estado da Economia do Mar em Portugal não é fruto unicamente de uma acção duvidosa dos poderes públicos. Também a crise petrolífera dos anos 70. estima-se que das 9600 embarcações pesqueiras existentes em 1993. Este romper artificial com as nossas raízes marítimas. grande parte da sua história e do que o torna. decidiu conscientemente abdicar da área da sua economia que lhe era mais característica. e ainda uma dita “incompreensão e/ou ignorância do verdadeiro valor para o mar” por parte dos decisores públicos. não de abate indiscriminado de navios. passando de cerca de 220 mil toneladas em 2004 para apenas 153 mil em 2009. De facto. Portugal. contribuindo assim para as perdas de rendimento e dificuldade de exploração associadas a este sector. as decisões políticas tomadas aquando do Plano Revolucionário em Curso (PREC) e a forte instabilidade política desse período. que tanto protegeu Portugal da exploração das suas costas pelas frotas pesqueiras de outros países. forçando Portugal a uma súbita mudança de visão estratégica. a crise petrolífera dos anos 70.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 documentada má utilização dos fundos comunitários disponibilizados: os incentivos ao abate da frota pesqueira tinham como objectivo a modernização da frota. por exemplo. ao invés de se fortalecer através das suas memórias de épocas passadas. na sua adesão à União Europeia. numa tentativa de ligar Portugal aos principais motores da CEE. como veio restringir a capacidade de pesca da frota longínqua de Portugal. nomeadamente. no seu livro intitulado “Portugal e o Mar”. numa tentativa forçada de ruptura com o passado. refere outras razões para o falhanço na política de modernização portuguesa e cisão com o mar. Portugal22. recusou. 22 Tiago Pitta e Cunha. uma redução de quase 50%. que tomaram o caminho diametralmente oposto. Ao invés. não reinvestindo os fundos21 que serviriam uma modernização. económicos e políticos nacionais. foram abatidos activos navais por forma a receber os incentivos. que veio alterar o paradigma da viabilidade na construção e reparação naval nacionais. seria um erro. como uma criança embirrenta. apenas 6800 ainda operavam em 2011.

de onde se devem salientar a Política Marítima Integrada para a União Europeia. Estes. que Portugal muito contribuiu para forjar. relacionam-se mais com as vicissitudes características de um estado integrado no processo a que se chama hoje globalização. no sentido de uma admissão discreta mas importante da ainda relevante importância e potencialidade dos mares na economia portuguesa. do que propriamente com más (ou pelo menos. Por último. Um segundo período. correspondente ao fim dos anos 80 e início dos 90. o primeiro registo de uma tentativa de reaproximação marítima verificou-se em 10 de Dezembro de 1982 com a assinatura da 12 . entre outros factores. discutíveis) decisões macroeconómicas. um período de deslumbramento com a pertença a uma Comunidade Europeia e de desequilíbrio claro no investimento no que toca aos sectores-alvo. com uma muito maior proeminência atribuída à criação de infra-estruturas terrestres que nos unissem ao coração da comunidade europeia e esquecimento forçado dos investimentos já feitos na área da Economia do Mar. documento que apresenta um modelo de desenvolvimento costeiro e dos oceanos com claro ênfase numa visão estratégica alargada e prolongada no tempo. bem como a operacionalização e sistematização de uma Estratégia Nacional para o Mar. assistindo-se ao desmantelamento dos sectores marítimos tradicionais. fortemente associado à simbologia do Estado Novo. Reatar Laços com o Mar Após o corte com o vasto mar que banha a costa da nação portuguesa. à crise petrolífera e da “alergia” ao culto dos heróis do mar. um terceiro momento que começou no fim dos anos 90 e tem vindo a caminhar lenta. afectou irremediavelmente a capacidade de produção dos estaleiros portugueses. em que se deu cumprimento ao novo paradigma de estratégia económica para Portugal. ao fim do colonialismo. como a definição e estabilização dos novos regimes político e económico.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 relativamente desenvolvida. lentamente. O Estado Português e o Mar A relação do Estado Português com o mar poderá ser interpretada em 3 diferentes momentos: Um primeiro período desde perto do fim do século XIX (com o ênfase dado às medidas proteccionistas da economia) à segunda metade da década de 70. em que Portugal se dedicou a problemas de caracterização e descoberta geopolítica.

seria apenas em 3 de Abril de 1997 que veríamos a CNUDM e o referido Acordo ratificados por Portugal25.A. com o fim da EXPO'98 findaria também. A COI e a CIDPC continuariam a operar. em Montego Bay. à qual se seguiu. Cadernos Navais. tendo Portugal sido um dos Estados signatários originais. subordinada ao tema Oceanos: Um Património para o Futuro. O ano de 1998 seria particularmente produtivo.htm. (1998). 43. levariam o mundo a lançar um novo olhar sobre o mar e os oceanos e fariam renascer a esperança dos portugueses na reconciliação nacional marítima. a proposta seria entregue apenas em 2009. a informação não nos chegou em tempo útil. 27 Embora a preparação do projecto de Extensão da Plataforma Continental de Portugal tivesse sido iniciada em 1998 pela Comissão Interministerial da Plataforma Continental (CIDPC). e a declaração. a esperança. de 14 de Outubro. Não obstante. A razão. por 23 A CNUDM foi adoptada no dia 10 de Dezembro.. pelo menos mediaticamente. Para espanto de muitos. com competências na área da investigação científica e técnica dos oceanos e. Guia Oficial da Exposição Mundial de Lisboa de 1998. foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1994. J. 25 Resolução da Assembleia da República n. todavia fora dos holofotes dos órgãos de comunicação social. Seguir-se-ia a criação da Comissão Oceanográfica Intersectorial (COI)29. 24 13 .Dezembro de 2012).1997). Adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 28 de Julho de 1994. apenas entraria em vigor em 199426. é algo que faz qualquer Português questionar-se. 28 Apesar de ter começado a ser delineada em 1989. acabaria por fazer o nosso mar cair novamente no esquecimento para a grande maioria da população. A verdade é que. com o objectivo de “investigar e apresentar uma proposta de delimitação da plataforma continental de Portugal”30. para uma nação que tem uma ligação umbilical ao mar. O ano de 1998 colocaria os Oceanos na agenda política internacional e voltaria a alertar a humanidade para a necessidade de cuidar das grandes massas de água que garantem a sobrevivência. o que inevitavelmente. A Plataforma Continental Portuguesa: Análise do Processo de Transformação do Potencial Estratégico em Poder Nacional. por parte da Organização das Nações Unidas (ONU). em 29 de Julho de 1994 a assinatura do Acordo Relativo à Aplicação da Parte XI da Convenção24. A Exposição Mundial de Lisboa de 1998 (EXPO'98)28. a criação da Comissão Interministerial para a Delimitação da Plataforma Continental (CIDPC). no mesmo ano.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM)23. directa ou indirectamente. no entanto. Vide Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998. não a encontramos. 29 Criada através da Resolução do Conselho de Ministros nº 88/98. do ano de 1998 como o Ano Internacional do Oceano. Lisboa: Parque Expo 98 S. Este hiato temporal (1982 . A própria CIDPC seria substituída em 2005. que se auspicia fonte de enorme potencial económico27.º 60-B/97. tendo ocorrido no período de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998. a CNUDM.unesco. Não deixa todavia de nos espantar a existência deste hiato: A ratificação da CNUDM conferiu-nos direitos (e deveres) face a outros países e seria ponto de partida para a Proposta de Extensão da Plataforma Continental de Portugal. apesar de adoptada em 1982. Para mais vide Silva. (Outubro . Tentámos apurar junto da COI quais os projectos actuais. da vida no planeta. 26 Para mais vide Discurso do Director Geral da UNESCO por ocasião do Ano Internacional do Oceano em http://www.org/bpi/eng/unescopress/97-250e. Jamaica. de 10 de Julho de 1998.

dando o seu trabalho por terminado com a publicação do relatório O Oceano: Um Desígnio Nacional para o Século XXI. O primeiro país foi a Rússia no ano de 2001. (09 de Julho de 2003). ”uma considerável nação oceânica à escala global”. mas Portugal terá que ser consultado previamente em relação a alguns assuntos relativos à coluna de água. ainda a aguardamos.aspx?content_id=765480&page=-1.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 sua sugestão. apesar de na periferia da Europa.000 Km2 que nos colocará.pt/paginainicial/interior. com um potencial económico reforçado. 33 Ao contrário do que vulgarmente se pensa de imediato. a extensão da Plataforma Continental não nos conferirá qualquer aumento da área piscatória. Aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 9/2005. afirmando ainda que o oceano deveria ser pensado como “parte verdadeiramente integrante do país. isto é. de 17 de Junho. Portugal poderá assumir uma notoriedade internacional imensa. É o caso de medidas tomadas no âmbito da Convenção OSPAR para a Protecção do Ambiente Marinho do Atlântico Noroeste (Consultar em http://www. A verdade é que se a proposta for aceite. assente no desenvolvimento e uso sustentável do oceano e seus recursos.ospar. O seu mandato tem sido prorrogado prevendo-se terminar em 31 de Dezembro de 2016. altura em que. fosse ela económica. passando a deter um território de cerca de 4. 35 Resolução do Conselho de Ministros nº 81/2003. como uma extensão do nosso território terrestre”. Prevê-se que a nomeação da Subcomissão para apreciação da proposta ocorra no final do ano de 2015. Durão Barroso. Esta extensão permitirá que nos sejam reconhecidos direitos de soberania no que respeita à exploração dos recursos naturais existentes no fundo do mar e no subsolo33. segundo indicações obtidas junto da EMEPC será apresentada revisão de proposta com vista a uma ligeira extensão dos limites inicialmente propostos por existirem dados que permitem concluir que tal extensão é possível e benéfica para o país.asp?menu=01481200000000_000000_000000). TSF Rádio Notícias.4. tendo acordado o país para a necessidade de potenciar a exploração do mar. e que potencie a gestão e exploração das áreas marítimas sob jurisdição nacional”36. de http://www. cultural ou política34.000. que. então Primeiro-Ministro. no ano de 2003 nasceria a Comissão Estratégica dos Oceanos (CEO)35 com o objectivo traçado de “apresentar os elementos de definição de uma estratégia nacional para o oceano que. A tomada de consciência por parte da elite governante do papel do oceano num país com uma vocação marítima inegável e que este não era a fonte inesgotável de recursos que se havia pensado ser durante anos fez sobressair a necessidade de uma gestão eficaz e eficiente das áreas marítimas nacionais e dos seus recursos de forma integrada.org/content/content. 34 No discurso de tomada de posse da Comissão Estratégica dos Oceanos. no qual ficariam definidas as linhas 30 Ordem dos Engenheiros: p. Portugal será <<país incontornável na agenda dos oceanos>>.tsf. A resposta. mais central no mundo. reforçando a associação de Portugal ao mar. de 17 de Janeiro. A extinção da CEO seria proposta em 2004. 31 14 . Assim. TSF Rádio Notícias. admitia Portugal como “um país incontornável na agenda dos oceanos”. em 11 de Maio de 2009 apresentaria à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU a proposta de Extensão da Plataforma Continental de Portugal para além das 200 milhas náuticas32. 32 Portugal foi o 44º país a submeter a proposta de Extensão da Plataforma Continental. realizada no Oceanário de Lisboa. pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC)31. Obtido em 02 de Setembro de 2014.

incumbida de definir as medidas a implementar para o desenvolvimento de uma política integrada de governação do mar.pdf 39 Resolução do Conselho de Ministros nº 128/05 de 10 de Agosto. Seria criada a Comissão Interminesterial para os Assuntos do Mar. Estratégia Nacional para o Mar (2006-2016). pelas mãos desta estrutura. através da investigação científica e do desenvolvimento de tecnologias passíveis de aplicação ao oceano41. a promoção e defesa activas dos interesses nacionais. de 12 de Dezembro. o planeamento e ordenamento espaciais. apostando no estabelecimento de relações multilaterais que permitam a articulação da actuação de diversas entidades e/ou sectores. (2006). ao mesmo tempo que integra políticas europeias para uma Europa assumidamente 36 Nº2 da Resolução do Conselho de Ministros nº 81/2003. entidade coordenadora e integradora das políticas adoptadas para os Assuntos do Mar. Seria criada a Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar 39 . 40 Resolução do Conselho de Ministros nº 163/2006. colocando-as sob uma só tutela. traria um novo impulso às questões marítimas através da publicação de uma nova Estratégia Nacional para o Mar (2013-2020). 38Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar. a necessidade de retomar os laços que nos unem ao mar. o Mar seria visto como um “dos principais factores de desenvolvimento do país. de 17 de Junho. sob os auspícios do XIX Governo Constitucional. como aliás pudemos verificar ao longo da realização deste trabalho.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 orientadoras de uma estratégia nacional para o mar em torno de cinco grandes objectivos estratégicos 37 . o que tão pouco permite fomentar o interesse privado em investir nas actividades marítimas. 41 Aposta-se assim em três pilares fundamentais: o conhecimento. Oito anos volvidos. Nascia em 2006. nas vertentes social. se devidamente explorado e salvaguardado”38. Neste relatório ressalva-se novamente. “Valorizar a associação de Portugal ao oceano como factor de identidade”. de http://www. “promover o desenvolvimento sustentado das actividades económicas. relevando a necessidade de preservação do património marinho. sendo o nosso mar visto como uno. reforçando a imagem do país 37 15 . O ano de 2013. muito foi feito para apoiar o desenvolvimento da Economia do Mar e apurar o seu real peso mas as lacunas continuam e constituem-se como um grande desafio. a Estratégia Nacional para o Mar40 com a definição das linhas orientadoras prioritárias para os Assuntos do Mar. Reconhecia-se ainda a necessidade de uma estrutura coordenativa que pudesse garantir o cumprimento dos objectivos traçados e a existência de lacunas relevantes que obstam a que se desvende o peso real que a Economia do Mar tem na economia nacional. Obtido em 01 de Outubro de 2014. Com o XVII Governo Constitucional. mantendo-se bastante actual e útil mal haja vontade efectiva de apostar na exploração sustentável dos recursos marinhos. há tanto perdidos. através de um planeamento e coordenação das actividades realizadas nos oceanos.pt/images/stories/estrategia_nacional_mar_pt. com vista à recuperação da identidade marítima portuguesa e à afirmação de Portugal como Nação marítima. Lisboa: Ministério da Defesa Nacional. ambiental e económica41. “assumir internacionalmente uma posição de destaque e de especialização em assuntos do oceano” e “construir uma estrutura institucional moderna de gestão do oceano”.maroceano. nacionais e internacionais. “assegurar o conhecimento e a protecção do oceano.

Esta Conta Satélite resultará do esforço conjunto da DGPM. Também a Marinha Portuguesa tem. procedendo-se à integração de políticas europeias. Se o objectivo será cumprido? O futuro o dirá. ao longo dos anos. é cultural. umbilical. os transportes marítimos ou a construção naval. no entanto. poderemos.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 marítima42. aumento dos fundos eurpeus atribuídos a Portugal para investimento nos sectores do mar. contando com o apoio dos diversos Ministérios. permitindo monitorizar a evolução deste impacto e orientar a actuação governativa no sentido do cumprimento dos objectivos traçados por esta Estratégia. sendo este um dos mais importantes activos estratégicos da economia e principal recurso natural. “agitado as águas”. de entre as quais as energias renováveis. o Colóquio Jornadas do Mar. Não obstante. quer ao nível dos sectores tradicionais. quer ao nível dos sectores ainda em desenvolvimento. não obstante a intenção de recuperação da identidade marítima nacional com a implementação da nova Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020. indubitavelmente. Sectores da Economia do Mar O vínculo que Portugal possui com o mar. em http://atlanticarea. Constitui-se como vector primordial do desenvolvimento e. ter acesso a estes dados. os avanços chegam a pouco e pouco: avizinham-se melhorias nas políticas definidas para o Mar. à data e com elevado rigor. criação de uma Conta Satélite para a Economia do Mar43 que nos permitirá. potenciando as oportunidades que o mar português tem para dar ao país. nos últimos anos. como a pesca. no final do ano de 2014. é algo que face à conjuntura económica actual e à indefinição de aspectos tão simples como não existirem. dados actuais no que respeita aos diversos sectores da Economia do Mar. histórico e. 43 16 . Instituto Nacional de Estatística.pt/apresentacao/estrategia-maritima-para-a-regiao-atlantica Segundo informação da Direcção-Geral de Política do Mar (DGPM).ccdr-n. Participou nos trabalhos preparatórios para a Proposta de Extensão da Plataforma Continental de Portugal e tem realizado. tentado alertar o público em geral para a necessidade de reabraçarmos o Mar. se nos apresenta como inexequível. a breve trecho. Fórum Empresarial da Economia do Mar. consideramos que Portugal ainda se encontra de “costas voltadas para o mar”: existem demasiadas actividades e vantagens subaproveitadas. Um dos objectivos mais relevantes é que a Economia do Mar contribua. ter acesso a dados fiáveis que permitam calcular o real impacto dos sectores da Economia do Mar na economia nacional. com 50% para o PIB nacional. subordinado a temas relacionados com o Mar e que tem. nomeadamente a exploração e 42 Vide Estratégia Marítima para a Região Atlântica. pelo menos no meio Universitário. até ao ano de 2020. Pretende-se criar condições suceptíveis de atrair investimento nacional e estrangeiro.

a frota pesqueira portuguesa era composta por cerca de 8. representando apenas uma pequena percentagem no Produto Interno Bruto (PIB) nacional.276 embarcações.eu/fisheries/fleet/index. a 31 de Dezembro de 2012.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 aproveitamento da energia das ondas e marés. investigação. Segundo informação obtida junto da Direcção Geral de Recursos Naturais.000. Não obstante a diversidade de sectores económicos que existem. Dados obtidos em http://www.00. 47 Vide Anexo I – Tabela 2.ine. 49 Dados do Instituto Nacional de Estatística. com cerca de 1. cerca de dois terços do pescado consumido é importado. sendo composta por 8. Este cenário não patenteia o que acontece em Portugal. Construção e reparação naval e Náutica de recreio e turismo náutico.0046. desde o comércio de conservas ou peixe fresco. um aumento de produção de cerca de 43% 44 Dados de 06 de Outubro de 2014. Torna-se inevitável evidenciar os diferentes alicerces que compõem a economia marítima do nosso país.137 toneladas. 48 Apenas para comparação.198 embarcações44. No ano de 201249 a produção cifrou-se nas 10. produzem-se cerca de 250 mil toneladas de peixe em regime de aquicultura. 46 Vide Anexo I. não é. tendo sido actualizados a 29 de Maio de 2014.europa. 17 .700. De facto entre 1996 e 2013 a captura de pescado reduziu cerca de 30%47. A pesca (e actividades conexas) tem sido desde sempre essencial enquanto fonte de subsistência para a população. havendo por parte do Estado largos incentivos à produção em regime de aquicultura. Aquicultura e Indústria de Pescado Portugal possui a terceira maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia (UE). que se traduziram em €53. quando comparada com a de outros países. A frota pesqueira portuguesa activa constitui-se como a 4ª maior da EU. obtidos em http://ec. 2004). a 12 Outubro de 2014. um défice de €638 980 243. Também a actividade aquícola ou o desenvolvimento da cultura de novas espécies com interesse comercial se apresenta residual no quadro económico marítimo português.000km2. muito significativa48. sendo Portugal o terceiro maior consumidor de peixe do mundo45. Ainda que a produção de pescado em regime de aquicultura tenha vindo a aumentar nos últimos anos. Dados obtidos junto do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que este sector tem vindo a regredir. portos e logística. alcançando diversos sectores de empregabilidade. a aquicultura ou a biotecnologia associada a áreas como a medicina ou cosmética.659. 45 Apenas ultrapassado pelo Japão e pela Islândia. sobretudo na Galiza. Segurança e Serviços Marítimos. em Espanha. na qual Portugal foi pioneiro (Cruz & Sarmento. transportes ou construção naval.cfm. Últimos dados disponíveis são de 2012. tendo o saldo da balança comercial registado no ano de 2013. aquicultura e indústria de pescado. o que nos mostra que a redução da frota continua. Não obstante. optámos por analisar o impacto económico dos seguintes componentes: Pesca. Transportes marítimos. ainda que a Espanha se encontre atrás no ranking relativo ao consumo de pescado.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0001474&contexto=bd&selTab=tab2. Pesca.

fomentando o transporte marítimo. arrecadado alguns estímulos. representando mais 12. correspondendo a 3 160 navios (2 934 de mercadorias e 226 de passageiros). Será igualmente relevante a articulação do transporte marítimo com outros meios de transporte.652. sendo que a carga movimentada atingiu 18. Setúbal. XX.000. permitem-nos admitir que o sector da aquicultura pode dar um contributo importante para o valor económico do sector das pescas. Aliás. enquanto.6 milhões de toneladas no 1º trimestre de 2014. Os valores apresentados e a evolução registada. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referente à Actividade dos Transportes no 1ºT de 2014. permitirá a Portugal afirmar-se como porta atlântica de entrada de mercadorias na Europa.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 face ao ano de 2004. que nos permite ambicionar cada vez mais ganhos económicos. A isto não será alheia a posição geográfica da nossa Pátria que se espera. ser negligenciada. pois apresenta enormes potencialidades para o desenvolvimento da economia e não poderá. O movimento de mercadorias nos portos de Aveiro. Estima-se que esta actividade seja uma das mais fulcrais e representativas da realidade económica portuguesa. O número de embarcações acolhidas nos portos nacionais cresceu 2. Portos e Logística Na segunda metade do séc. Apesar do número elevado de navios cargueiros nos portos nacionais. no qual a produção atingiu as 6. 18 . correspondentes a €39. traduzindo-se num acréscimo de 5. Transportes Marítimos. contudo. a globalização e o desenvolvimento exponencial das tecnologias marcaram o aumento do transporte e tráfego marítimo internacional. grande parte tem destino a outros países europeus. Sines e Lisboa foram determinantes para o aumento global.2%51. o crescimento do comércio. modo de transporte menos poluente. a modernização e extensão dos portos nacionais. Para isto contribuirá. o número de contentores e a carga movimentada registaram aumentos consideráveis50.1% do que no 4º trimestre de 2013. Esta actividade tem. por exemplo.802 toneladas de pescado. ainda que ínfimos. Importa então apostar na competitividade dos nossos portos. Também o número de contentores e a carga movimentados têm aumentado a um ritmo significativo. nos últimos anos. apesar do número de navios não ter aumentado fortemente.0% no 1º trimestre de 2014. decerto. bem como a 50 51 Vide Anexo III.00. o que nos indica que podemos olhar para este sector com esperança reforçada. Os portos com maiores incrementos foram os de Setúbal e Sines. certamente.

726 postos de trabalho53. versátil e amplo (Baptista. enquanto fenómeno humano. 556 . JUP . desde logo. a plataforma electrónica que materializa o conceito de balcão único virtual. um crescimento de 8% a 10%54). devido às condições climatéricas e fantásticas praias de que dispõe. como referido. Lisboa: Turismo de Portugal. tais como a Janela Única Portuária52. Possui uma extensa costa. tendo em conta os desafios com que actualmente nos deparamos em termos de competitividade e sustentabilidade ambiental e.A. electrónica e comunicação naval e.830km. 53 Dados de 2013. XXI (pp. mar e praia. S. a escassa oferta hoteleira em zonas balneares ou de 52 Para mais vide Sousa. Construção e Reparação Naval Em Portugal. é complexo. Almada: Escola Naval. Fonte: Instituto de Informática.). De facto. com boas condições e bem localizadas que se podem constituir como elemento atractivo (estima-se que o mercado da náutica de recreio apresente. apresentando-se como um destino de sol. a cada ano. etc. L.560).Departamento de Análise Gestão de Informação. . a indústria da construção e reparação naval é um sector estratégico que beneficia da sua localização geográfica.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 implementação de instrumentos de regularização e simplificação de procedimentos. (2012).. a construção de plataformas para exploração offshore e equipamentos para exploração submarina. I. países com mão-de-obra mais barata ou tecnologias mais avançadas surgem como fortes competidores. Em contrapartida. motores. nomeadamente sistemas de propulsão. mais recentemente. Este sector abarca igualmente componentes como o desenvolvimento de equipamento naval. 1990). Portugal tem vindo a revelar-se uma pérola para amantes do mar e das actividades que proporciona.P. a competitividade tecnológica gerada por outros países. 19 . 10 Produtos Estratégicos para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal: Turismo Náutico. Náutica de Recreio e Turismo Náutico O turismo. Jornadas do Mar: O Reencontro com o Mar no Séc. e gera riqueza em diversas indústrias. tem potencialidades para criar mais emprego do que os actuais 1. contudo.A Janela Única Portuária. países asiáticos têm vindo a superar-nos. com cerca de 2. Relembrando a controvérsia relativa aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo notamos que. Consideramos que se constitui como um importante potenciador da economia do mar. (2006). A isto acresce uma rede de instalações náuticas. das condições climatéricas e ainda de mão-de-obra especializada. 54 Vide THR (Asesores en Turismo Hotelería y Recréacion. razão pelo qual se deveriam rever os processos e tecnologias utilizados na construção e reparação naval. limitando a potenciação deste sector e colocando em risco a subsistência. Vide Anexo IV. progressivamente.

salvemosurf. Procedemos assim à recolha de dados junto de várias entidades. ideais para afastar potenciais investidores.pdf.pt/bitstream/123456789/498/1/NeD122_TeresaGamito. procurámos averiguar se o peso das receitas das contribuições para a Segurança Social efectuadas pelos trabalhadores dos diversos sectores da Economia do Mar seria relevante tendo. (2009). nomeadamente agências de apoio terreste. também estas necessitam de incentivos e investimento. surf. charters. Uma análise realizada ao 1º semestre de 2014 permite-nos considerar que o turismo de cruzeiro pode dar bons frutos: os portos marítimos nacionais receberam 378 cruzeiros com 491. Também a prática de actividades como mergulho. P. Os clubes náuticos ou mesmo as escolas de surf e de mergulho. Obtido em 01 de Outubro de 2014. Obtido em 01 de Outubro de 2014. T. 56. acolhendo uma das suas etapas através da prova Rip Curl Pro Portugal.000M€. 57 Bicudo. impunha-se averiguar o impacto da Economia do Mar no Produto Interno Bruto nacional. (2009). a canoagem.rcaap. Nação e Defesa. porém.org/Bicudo_ICS_2009_revised1. Série Mar Português: Pode Portugal Ser um Imenso País do Surf? Público. Apenas conseguimos imaginar o potencial económico que aqui se esconde. Evolução da Economia Mar Conforme nos propusemos no presente trabalho. atraindo cada vez mais turistas às nossas águas55-56. (2012). ou o kayak. 122 (4ª Série). de http://www. num período de quatro dias.271 passageiros. tem vindo a chamar a atenção sobre o nosso país com relevantes ganhos para as economias locais. da existência de actividades de apoio.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 recreio e a desadequada regulamentação das actividades de Turismo Náutico é pouco adequada ao seu desenvolvimento: tem elevada carga burocrática e processos morosos e onerosos. de http://comum. receitas entre 1.500M€ e 3. necessitando. Desenvolvimento da Economia do Mar: Turismo Náutico. atraindo milhares de turistas. 20 . na mesma linha procurado averiguar o impacto da receita fiscal. tendo. Estima-se ainda que o sector do surf. que resultaram na análise gráfica que se segue. A. Integrating Surfing in the Socio-economic and Morfology and Coastal Dynamic Impacts of the Environmental Evaluation of Coastal Projects.pdf.57 Globalmente falando. calculado o peso relativo de cada um 55 Para mais vide Gamito. o turismo náutico tem condições para ser um elemento chave na economia marítima portuguesa. 43 . ou estaleiros. No entanto.. para a economia de Peniche. No ano de 2013 gerou. de http://www.800M€ em receitas.pt/sociedade/noticia/serie-mar-portugues-pode-portugal-ser-um-imenso-pais-do-surf-1565111. Por fim. se têm vindo a tornar cada vez mais apetecíveis. pp. Journal of Coastal Research.60.publico. cerca de 7. 56 Para mais vide Coelho. pululam um pouco por toda a costa. possa a longo prazo gerar para o turismo nacional. ou até a vela. O facto de Portugal ter entrado no circuito mundial de Surf em 2009. no que respeita ao impacto no PIB. por si só. & Horta. Obtido em 01 de Outubro de 2014. A.

I.00 150 €8 000 000 000.00 2010 2011 2012 2013 Total Remunerações (€) 289 680 991 284 020 556 280 966 393 272 899 010 Total Contribuições (€) 93 646 752 92 376 114 90 280 407 88 898 314 Total Contribuições (parcela Trabalhador) (€) 29 765 702 29 502 603 28 270 260 27 815 915 Total Contribuições (parcela Entidade Empregadora) (€) 63 881 049 62 873 511 62 010 147 61 082 399 €- 0.50%. tendo.67% nos anos de 2011 e 2013. tendência acompanhada pelas contribuições da entidade empregadora.00 100 €6 000 000 000.80% no valor total de remunerações dos diversos sectores. As contribuições dos trabalhadores sofreram um decréscimo de 6.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 dos sectores relativamente aos quais foi possível a obtenção de dados.00 50 €4 000 000 000.Peso Relativo das Contribuições dos trabalhadores da Economia do Mar Fonte: Instituto de Informática. no período analisado. que apresentamos no final do trabalho.P. I. um peso relativo de 0. 58 Vide Anexo VII.66% 2010 2011 Total Contribuições Gráfico 1 .00 200 €10 000 000 000.00 300 €14 000 000 000. Avaliadas as contribuições para a Segurança Social da totalidade dos trabalhadores a nível nacional e isoladas as contribuições dos trabalhadores dos sectores da Economia do Mar consideradas58. para o intervalo 2010/2013. 2012 2013 Contribuições Sectores Mar Peso Relativo Sectores do Mar Gráfico 2 .00 0 0. 21 .70% 0.00 250 €12 000 000 000.69 % nos anos de 2010 e 2012 e de 0.67% €2 000 000 000.P. Total (M €) Receitas da Segurança Social 350 €16 000 000 000. resulta.Receita Declarada de Contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores dos sectores da Economia do Mar Fonte: Instituto de Informática. sido verificado um decréscimo no valor total de contribuições. ao mesmo tempo. uma redução de 5. Da análise dos dados no gráfico 1. estas apresentaram.69% 0.68% 0.

podemos concluir que a redução de cerca de 11% ocorrida entre 2010/2011 do número de trabalhadores por conta de outrem (contribuintes) cuja actividade profissional está relacionada com a Economia do Mar.. Este aumento de 1p. Da análise global dos dados seguem-se algumas considerações que consideramos pertinentes: entre 2011 e 2013. bem como do seu potencial de crescimento económico.pt No que respeita ao gráfico 2. forçosamente. pelo menos. admitir que 3.p. No entanto. na taxa de desemprego correspondeu a cerca de 52 mil desempregados. acompanha os dados do Eurostat. quando conjugado com os dados apresentados no gráfico 3.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 40 000 35 000 Nº Contribuintes 30 000 25 000 20 000 15 000 10 000 5 000 0 Contribuintes (Nº) 2010 2011 2012 2013 2014 35 615 31 858 32 682 33 196 29 507 Gráfico 3 . I.p.757 destes pertenciam a qualquer um dos sectores relacionados com a economia do mar parece-nos razoável. contrariando a tendência de aumento de desempregados verificado em Portugal.google. De referir que este aumento ocorre contrariando a tendência nacional de aumento da taxa de desemprego global! 22 .P.Contribuintes Segurança Social Economia do Mar Fonte: Instituto de Informática. Infere-se assim que o valor médio das remunerações no sector terá. parcialmente explicável por esta). O aumento do número de contribuintes no período supra referido é prova da capacidade de absorção de mão-de-obra nestes sectores. verifica-se uma diminuição do total remuneratório nos sectores da Economia do Mar. Departamento de Análise Gestão de Informação (última actualização a 01 de Outubro de 2014) Gráfico 4 – Taxa de Desemprego em Portugal e na União Europeia Fonte: www. verificamos que a taxa de desemprego em Portugal subiu continuamente entre 2010/2013. diminuído. Por outro lado. o número de contribuintes nos sectores considerados da Economia do Mar aumenta entre 2011/2012. ao passo que o número de contribuintes para a Segurança Social aumenta. e em linha com os efeitos esperados provocados pela crise económica (ou. que apresenta valores de crescimento da taxa de desemprego em Portugal para o mesmo período de cerca de 1p.

00 €40 000 000.Impostos Sobre o Rendimento Total Fonte: Direcção Geral do Orçamento (Contas Nacionais) Face à impossibilidade de obtenção de dados relativos às receitas fiscais provenientes dos sectores do mar com o nível de desagregação supra.00 €6 000 000 000. no sentido de manter o momentum de crescimento em termos de empregabilidade neste sector. esta tendência. Ou seja. 23 . admitimos um peso matematicamente igual no que toca ao total das receitas fiscais por parte desses mesmos sectores. mas considerámo-la mais enriquecedora para o trabalho do que a alternativa: a não apresentação de dados. em paralelo com o aumento global dos encargos a nível de impostos sobre o rendimento e sobre o consumo.00 €62 689 950.00 €20 000 000.00 €65 867 700.00 €116 623 550.00 €82 487 050.00 €100 490 620.00 €28 679 350. é inegável que a redução global da média dos salários nos sectores em causa afecta a atractividade dos empregos que neles se desenvolvem.00 0.69% €14 000 000 000.00 €120 000 000.67% €4 000 000 000. extrapolámos os valores aí obtidos no sentido de os aplicar aos valores totais das receitas fiscais.69% dos sectores do mar no que toca às contribuições para a Segurança Social.68% €60 000 000.68% €8 000 000 000.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Relacionando os dois pontos anteriores.00 €80 000 000.00 IRS Sectores Economia do Mar €61 663 230. parece-nos.Impostos Sobre o Rendimento Economia do Mar Fonte: Direcção Geral do Orçamento (Contas Nacionais) €- 0.70% €18 000 000 000.00 0. considerando um peso relativo de 0.00 €100 000 000.00 €34 622 920.67% €2 000 000 000.00 €91 369 300.00 0.00 €12 000 000 000. crua e hipotética: através da análise dos valores das contribuições para a Segurança Social.00 0. Estamos conscientes das limitações inerentes a esta abordagem. Esta tendência.66% 2010 Total Impostos 2011 2012 2013 Total Impostos Sectores Economia Mar Peso Relativo Sectores Mar Gráfico 6 .00 €34 136 500.00 0. Receita Fiscal €20 000 000 000.00 €140 000 000. tem que ser forçosamente contrariada.00 €31 682 040. implica uma menor capacidade de resposta dos trabalhadores desta área aos custos de vida crescentes na sociedade portuguesa.00 0.00 €IRC Sectores Economia do Mar 2010 2011 2012 2013 0.00 Total Impostos Sectores Economia Mar €93 345 270. recorremos conscientemente a uma metodologia admitidamente arriscada. conforme o possibilite a conjuntura económica nacional e internacional.00 €10 000 000 000.69% €16 000 000 000.00 IRC Sectores Economia do Mar IRS Sectores Economia do Mar Total Impostos Sectores Economia Mar Gráfico 5 . e de acordo com o cálculo do peso relativo dos sectores do mar nas contribuições totais para a Segurança Social.

00 €220 000 000. Crustáceos e Moluscos €1 800 000 000.00 Volume de negócios da reparação naval €177 000 000.00 €1 000 000 000.00 €200 000 000.00 €138 000 000.00 €1 600 000 000. Preparação e Transformação de Peixe.00 Gráfico 8 .00 €400 000 000.00 €800 000 000. quando o número de trabalhadores nos sectores constituintes da Economia do Mar se reduziu em cerca de 14%? Cremos que este aumento no volume de negócio pode ser justificado parcialmente pelo aumento do preço médio de pescado capturado de X para Y.00 €600 000 000. Por outro lado.00 €150 000 000.00 €2010 Pesca 2011 Aquicultura (Produção €) 2012 Preparação e conservação de peixes. €300 000 000. este aumento do preço médio pode ter origem numa muito menor fatia de trabalhadores que terão contribuído para tal aumento na taxa de desemprego do sector.00 €106 000 000.00 €50 000 000.00 €1 200 000 000.00 €1 400 000 000. considerando o aumento no volume de negócios.00 €- 2010 2011 2012 Volume de negócios da construção naval €92 000 000. Crustáceos e Moluscos Fonte: INE/DRGM (Estatísticas da Pesca) (Consultar tabela em Anexo VIII) Como justificar o aumento no volume de negócios registado em todos os sectores supra entre os anos de 2010 e 2011. Base da Dados Online do Sistema Integrado de Contas das Empresas 24 . Preparação e Transformação de Peixe.00 Valor € €250 000 000.00 €200 000 000.00 €100 000 000.00 €74 000 000. Aquicultura.00 Volume de negócios da construção e reparação navais €269 000 000.00 €146 000 000.00 €244 000 000.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Pesca. Aquicultura. crustáceos e moluscos 2013 Total Gráfico 7 -Volume Negócios Pesca.Volume Negócios Construção e Reparação Naval Fonte: INE (última actualização de 14 de Outubro de 2013). conforme Anexo II.

Na Tabela 1 agregámos os valores dos diferentes sectores que constituem a Economia do Mar e dos quais conseguimos obter valores fidedignos.00 €736 833 086. também o aumento do volume de negócios (agregado) destes sectores entre 2011 e 2012 parece em linha com o aumento de trabalhadores nos sectores da Economia do Mar.00 €300 000 000.00 €600 000 000.00 €10 201 717.00 €700 000 000.00 €319 125 494.Transportes Marítimos Fonte: Instituto Nacional de Estatística (última actualização a 8 de Outubro de 2014).00 €295 246 644.00 Valor (€) €500 000 000.00 €348 083 565.00 €703 537 012.00 €43 669 959. a redução de 19% no volume de negócios destes sectores entre 2010 e 2011 parece razão que justifique a necessidade de redução no corpo de trabalhadores aqui inseridos.00 €200 000 000. resulta uma tendência de crescimento quantificável no que a estes sectores se refere.00 €696 167 130.00 €400 000 000. julgamos ser razoável afirmar que tal contribuiu.00 €19 641 209. (Vide Tabela em Anexo IX) Da análise do gráfico supra.00 €- €19 198 607. de alguma forma.00 €37 323 255. mesmo quando se considera a não contribuição dos dados relativos ao transporte marítimo de passageiros para os resultados de 2013.00 €100 000 000.00 2010 €40 875 549. De resto.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Já a recta do agregado do volume de negócios na Construção e Reparação Naval levam a crer que terá sido este o sector com maior impacto nos níveis de empregabilidade da Economia do Mar.00 €351 768 506. pese embora não se possa afirmar que esta melhoria nas condições e negócio destes sectores tenha sido a principal responsável para o aumento da empregabilidade nos sectores supra.00 €304 262 999. Procedemos ainda ao cálculo do peso relativo de 25 . €800 000 000.00 €374 037 633. para esse mesmo aumento.00 2012 2013 Ano Transportes por água Transportes marítimos de passageiros Transportes marítimos de mercadorias Transportes de passageiros por vias navegáveis interiores Total Gráfico 9 .00 2011 €33 618 849.00 €366 321 398.00 €305 804 640.00 €732 642 796. Este crescimento parece confirmar o potencial de desenvolvimento e exploração económica deste sector na economia portuguesa.

628% 269 000 000. seguido pelo sector dos “Transportes marítimos” (fortemente impulsionado pelos subsectores “Transportes por água” e “Transportes Marítimos de Mercadorias”).00 € 171 210 956 000. “Transportes Marítimos de Mercadorias”.14% n. Base da Dados Online do Sistema Integrado de Contas das Empresas.00 € 220 000 000. Tabela 1 .00 € 438 265 762. Tal deveu-se ao facto de não existirem dados oficiais que permitam aferir o seu impacto com a exactidão que se 26 . tendo. “Transportes Marítimos de Passageiros”. superior a 0.00 € 0.00 € 382 876 496.00 € 1 074 625 505.312% 1.00 € n.14% 0. da imensidão de sectores que podem ser incluídos na economia do Mar.00 € 0.41% 0.00 € 2013 169 668 161 000.642% 0.033% 0. 1 Inclui “Transportes por água”.Peso Relativo Economia do Mar no PIB Total Economia Mar 2010 PIB Pesca Peso Relativo Aquicultura (produção €) Peso relativo Preparação e conservação de peixes.15% 0. Conforme pode ser verificado na tabela supra. por fim. na medida em que.43% 1.00 € 434 368 957.00 € 736 833 086.388% 1.00 € 362 993 061. *Não inclui peso relativo do sector “Construção e Reparação Naval” por os dados não se encontrarem disponíveis. 0. o impacto da Economia do Mar no PIB tem vindo a aumentar gradualmente. no entanto.d. 1 089 174 670.d.97 € n.15% 47 265 416.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 cada um dos sectores no PIB para cada ano do período em análise.00 € 244 000 000. calculado o peso relativo total da Economia do Mar no PIB.635% 0.605% 0. “Transportes de Passageiros por Vias Navegáveis Interiores”. 703 537 012. parece ser de aceitar que no ano de 2013 o peso relativo da Economia do Mar no PIB tenha seguido a tendência de aumento dos anos transactos. crustáceos e moluscos” é aquele que apresenta maior impacto no PIB.d.39% 0.00 € 696 167 130.00 € 0.00 € 732 642 796.032% n.12% 0.d. O peso relativo do ano de 2013 apresenta-se inferior aos dos restantes anos. De ressalvar que tudo aponta para que o impacto da Economia do Mar no PIB seja consideravelmente superior ao apurado.00 € 2012 176 166 578 000.53 € 53 658 630.208%* Fonte: INE/DGRM. apenas pudemos considerar na análise cinco sectores.371% 1.94 € 58 432 157.42% 0. De acordo com o apurado e face aos dados analisados e expostos.026% 0. tendo em conta que no mesmo apenas estão incluídos três dos cinco sectores em análise. 0.00 € 1 131 578 029.00 € 1 077 971 138. o sector da “Preparação e conservação de peixes.60% em todos os anos do período em análise.16% 0. crustáceos e moluscos Peso Relativo Construção e Reparação Naval Peso Relativo Transportes Marítimos1 Peso Relativo Peso Relativo Ano 2011 179 929 812 000. Nota: PIB 2012 e 2013 provisórios (Base = 2011).17% 0.

estando em curso a criação de uma Conta-Satélite para a Economia do Mar. Instituto Nacional de Estatística. o potencial económico existe. Portugal e o Mar construíram-se e descobriram-se mutuamente. Não obstante. esta aproximação surge-nos. Turismo de Portugal. horrorizadas. Finda a metáfora. seguiu-se a fase do desencanto. tem faltado aos decisores nacionais. Vemos as primeiras 59 Entre as quais: Fórum Empresarial da Economia do Mar. basta atentarmos aos movimentos nos Portos nacionais. high reward – algo que. como demonstrámos ao longo do trabalho. Direcção-Geral de Recursos Naturais. Finalmente. Importa ainda relevar que a inexistência de dados se constituiu como uma limitação de peso ao presente trabalho. de facto. em boa verdade. Se a isto adicionarmos o impacto económico do turismo náutico e a economia paralela do sector. Segurança e Serviços Marítimos. naquele período áureo que constituiu a época dos Descobrimentos. em que ambas as partes descobriram. e nos últimos tempos. relativamente aos quais. De entre as entidades contactadas 59 . que nos remetem ao período 2006 2010. como fomos vendo ao longo do desenvolvimento deste trabalho. deparam-se com as mesmas dificuldades que nós: obtenção de dados. e da necessidade (sentimental e estratégica) de reatar laços antigos. E Portugal e o Mar são.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 impõe. fácil será crer que o impacto económico da Economia do Mar no PIB seja imensamente superior ao apurado. ambas as partes estivessem ainda bem conscientes da presença da outra. temos assistido à tentativa de reaproximação entre estes dois seres humanos em título: a consciência de que talvez os seus futuros estejam interligados. não foi possível apurar o impacto económico. Instituto da Mobilidade e dos Transportes. uma tarefa árdua. e aos avanços e recuos na relação existente entre ambos. dois sistemas sensíveis aos estímulos exteriores (mais acentuado desde que o fenómeno globalização ganhou maior tracção internacional). importa relevar o contributo da Direcção-Geral da Política do Mar que nos informou que os únicos dados existentes são os constantes do Anexo A da Estratégia Nacional para o Mar 2013 (Anexo X). 27 . Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (Viana do Castelo). de high commitment. os defeitos uma da outra – que culminou com o rasgar. não obstante terem sido contactadas diversas entidades. Conclusão A relação entre Portugal e o Mar surge-nos impressionantemente humanizada porque se comporta quase perfeitamente de acordo com as expectativas de um romance entre duas pessoas. o terminus quase total de ligações privilegiadas entre Portugal e o Mar no pós-25 de Abril – embora. No início. De resto. Associação dos Agentes de Navegação de Portugal. carecendo de uma planificação e organização estratégicas com uma visão de longo prazo.

69%. em direcção a um futuro que respeita e se apoia no ontem. terminamos este trabalho com a sensação de que talvez os objectivos propostos no que concerne à importância e peso relativos da Economia do Mar no PIB nacional hajam sido demasiado optimistas. que a extensa costa nacional permite apostar na energia das ondas como garantia de independência energética. foi dado um passo de suprema importância com o delinear da Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020 – este é um dos exemplos de pensamento estratégico suportado por um esforço de desenvolvimento e de estruturação política e económica que tem faltado ao Portugal moderno. o investimento realizado até agora fica demasiado aquém do exigido. e sempre foi. Ousamos todavia afirmar que a diferença no que respeita ao peso relativo dos sectores ligados à Economia do Mar não seria a suficente para justificar uma diferente opinião no que respeita à possibilidade (ou impossibilidade) de atingir a meta delineada na já referida ENM. no entanto. talvez. nos 0. e por louvável que seja o delinear de uma Estratégia Nacional com um pensamento a longo prazo. a sua identidade: a de um país capaz de abandonar o estigma de estar “cauda da Europa” e de se revelar uma verdadeira potência económica. sendo que as contribuições para a Segurança Social se cifraram. com a consciência de que é nele. Importa relevar a escassez de postos de trabalho nas diferentes actividades que podem ser incluídas nos sectores da Economia do Mar (cerca de 30. que se encontra a resposta para o nosso amanhã. Afirmamos isto tão-só pela constatação da realidade sócio-económica vivida em Portugal hoje: embora tenhamos consciência de que ainda faltam cerca de 5 anos para o término do plano (que esperamos veementemente venha a ser actualizado e estendido perto do fim do seu tempo de aplicação).67% e 0. nos últimos anos. no entanto. apesar de não referido no trabalho. Posto isto. Conforme apurado com os dados estatísticos possíveis de obter. Para tal.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 sementes de um plano mais próximo desta natureza com a ratificação da CNUDM e do Acordo Relativo à Aplicação da Parte XI da Convenção. um valor quase insignificante. esta deriva da incompreensível inexistência de dados num mundo e num Portugal tão voltados para a importância estatística. 1. mais recentemente.30%. Gostaríamos ainda de salvaguardar. 28 . é nossa opinião de que Portugal finalmente se encontra em caminho de reconciliação com aquela que é. a não total precisão dos dados estatísticos analisados.000/ano). somos da opinião educada de que um crescimento tão significativo exigiria um investimento ainda maior. importa que uma visão estratégica abrangente actue lado a lado com o indomável espírito português. claro. De relevar ainda a existência de um sub-aproveitamento das potencialidades do nosso Mar. o que não se coaduna com as circunstâncias económicas vigentes. o peso económico dos diferentes sectores no PIB rondou. Admitimos. no período em análise. No entanto.

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Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexos 32 .

Segurança e Serviços Marítimos (Estatísticas da Pesca 2013).00 € 831 789 757.638 980 488. 33 .00 € 813 479 000.656 203 639.00 € .Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo I Tabela 2 .00 € 1 470 770 245.13% 55.00 € 825 298 517.683 448 579.662 161 437.00 € 1 508 747 096.00 € 1 475 640 437.00 € .Balança Comercial dos Produtos da Pesca 2010 2011 2012 2013 Importações 1 365 203 639.00 € Exportações 709 000 000.92% 54.70% 55.00 € .31% Fonte: Instituto Nacional de Estatística e Direcção-Geral de Recursos Naturais.00 € Taxa de cobertura das importações do sector 51.00 € Saldo Balança Comercial Produtos Pesca .

547 297.127 157.064 44.81 1.979 348.182 171.880 184.57 Fonte: Instituto Nacional de Estatística (última actualização a 29 de Maio de 2014) e Direcção-Geral de Recursos Naturais.Captura Nominal de Pescado (t) Período de referência dos dados 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Portugal 203112 185036 189553 170446 152188 146094 148246 151576 152532 145656 141683 160834 170050 144792 166304 164236 151343 144654 Continente 174171 159004 164314 152833 137348 132338 132807 134986 133418 129691 122076 137822 151782 129082 142676 143691 132208 126521 17215 14965 15794 9882 8187 7070 7840 10013 11042 9254 11860 15882 11528 9441 18944 16092 13366 13961 11726 11067 9445 7731 6653 6686 7599 6578 8072 6711 7748 7129 6739 6269 4683 4453 5769 4172 Região Autónoma dos Açores Região Autónoma da Madeira Fonte: Instituto Nacional de Estatística (última actualização a 29 de Maio de 2014).181 315.157 42.70 2010 1. Tabela 4 .363 1.491 157.811 202.67 1.934 39. Segurança e Serviços Marítimos (Estatísticas da Pesca).756 1.000 321.422 208132 191593 1.855 211.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo II Tabela 3 .64 2008 38.046 1.084 209.693 1. 34 .65 2007 41.288 344.162 351.131 346.462 180. incluindo pesca do largo (1000€) Pescado descarregado.964 24.532 180. animais aquáticos diversos e outros produtos.65 2006 39.503 188. moluscos.110 191. crustáceos.510 208. incluindo pesca do largo (t) Preço médio do pescado descarregado (€/kg) 2011 2012 185. Nota: Inclui captura de espécies de água salobra e doce.150 327.Pesca (Capturas e Preços Médios) 2005 Capturas em ZEE Portuguesa (t) Capturas em Águas Externas (t) Pescado descarregado.289 210. peixes marinhos.66 2009 41.

Portos Marítimos – Portugal. Turismo de Portugal (Última actualização de 7 de Outubro 2013). Sistema Portuário Comercial do Continente.d.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo III Tabela 5 . Estatísticas Online dos Cruzeiros .) Cruzeiros . Administrações Portuárias (8 de Novembro 2013). 400 446 420 847 1 062 000 1 218 000 1 312 000 1 133 232 Fonte: Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos.) Navios de Cruzeiro (unid.Movimento de Portos e Transportes Marítimos Carga Movimentada (milhares de ton) Contentores movimentados (TEU) Navios entrados (unid.Número total de passageiros 2010 2011 2012 2013 64 946 204 66 758 452 67 918 393 79 264 983 1 440 093 1 598 426 1 741 266 2 190 495 10 581 10 397 9 698 10 262 537 303 612 944 616 783 n. 35 .) Passageiros Oceânicos (unid.

I.P. (última actualização a 01 de Outubro de 2014). 36 .Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo IV 2 000 1 950 1 900 1 850 1 800 1 750 1 700 1 650 1 600 1 550 1 500 Trabalhadores da Construção e Reparação Naval 2010 2011 2012 2013 1 964 1 863 1 663 1 726 Gráfico 10 .Nº Trabalhadores da Construção e Reparação Naval Fonte: Instituto de Informática.

Contribuintes da Segurança Social dos Sectores da Economia do Mar Ano de referência 2010 Beneficiários (Nº) Total Remunerações (€) Total Contribuições (€) Total Contribuições (parcela Trabalhador) (€) Total Contribuições (parcela Entidade Empregadora) (€) 2011 2012 2013 2014 35 615 31 858 32 682 33 196 29 507 289 680 991 284 020 556 280 966 393 272 899 010 176 638 936 93 646 752 92 376 114 90 280 407 88 898 314 57 823 343 29 765 702 29 502 603 28 270 260 27 815 915 18 115 988 63 881 049 62 873 511 62 010 147 61 082 399 39 707 355 Fonte: Instituto de Informática. 37 . I. (última actualização a 01 de Outubro de 2014).P.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo V Tabela 6 .

(última actualização a 01 de Outubro de 2014) e Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.69% 0. I.04 € 88 898 314.67% 0.67% 2.00 € Contribuições Sectores Mar 93 646 751.56 € 92 376 114.Total Contribuições Segurança Social vs Contribuições Sectores do Mar Ano 2010 2011 2012 2013 Total do período em análise Total Contribuições 13 483 331 438.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo VI Tabela 7 .12 € Peso Relativo Sectores do Mar 0.00 € 13 234 956 711.P.46 € 365 201 587.00 € 13 746 317 004.00 € 53 541 205 019. 38 .P.69% 0.73% Fontes: Instituto de Informática.00 € 13 076 599 866. (última actualização a 01 de Outubro de 2014). I.05 € 90 280 407.

P.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo VII Tabela 8 . APANHA DE ALGAS E DE OUTROS PRODUTOS DO MAR 3111 PESCA MARÍTIMA 3112 APANHA DE ALGAS E DE OUTROS PRODUTOS DO MAR 3120 PESCA EM ÁGUAS INTERIORES E APANHA DE PRODUTOS EM ÁGUAS INTERIORES 3121 PESCA EM ÁGUAS INTERIORES 3122 APANHA DE PRODUTOS EM ÁGUAS INTERIORES 3210 AQUICULTURA EM ÁGUAS SALGADAS E SALOBRAS 3220 AQUICULTURA EM ÁGUAS DOCES 5011 PESCA MARÍTIMA 5012 PESCA EM ÁGUAS INTERIORES 5013 APANHA DE ALGAS E DE OUTROS PRODUTOS DO MAR E DE ÁGUAS INTERIORES 5020 AQUACULTURA 8931 EXTRACÇÃO DE SAL MARINHO 8932 EXTRACÇÃO DE SAL-GEMA 30100 CONSTRUÇÃO NAVAL 33150 REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EMBARCAÇÕES 35111 PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE DE ORIGEM HÍDRICA 50100 TRANSPORTES MARÍTIMOS DE PASSAGEIROS 50101 TRANSPORTES MARÍTIMOS NÃO COSTEIROS DE PASSAGEIROS 50102 TRANSPORTES COSTEIROS E LOCAIS DE PASSAGEIROS 50200 TRANSPORTES MARÍTIMOS DE MERCADORIAS 50300 TRANSPORTES DE PASSAGEIROS POR VIAS NAVEGÁVEIS INTERIORES 93192 OUTRAS ACTIVIDADES DESPORTIVAS.E. I.Códigos de Actividade Económica utilizados no presente trabalho e Designação Código de Actividade Económica (CAE) Designação Actividade Económica 3100 PESCA 3110 PESCA MARÍTIMA. 39 . (última actualização a 01 de Outubro de 2014). N. 93292 ACTIVIDADES DOS PORTOS DE RECREIO (MARINAS) Fonte: Instituto de Informática.

00 € 1 074 625 505. Aquicultura.00 € 362 993 061.00 € 58 432 000. crustáceos e moluscos 2010 2011 2012 2013 Pesca 382 876 496.00 € 434 368 957.00 € 438 265 762.00 € 53 659 000.d. crustáceos e moluscos 1 089 174 670. Preparação e Conservação de peixes.Volume de negócios das empresas dos sectores Pesca.00 € 1 131 578 029.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo VIII Tabela 9 .00 € n.00 € Aquicultura (Produção €) 47 265 000.00 € 1 077 971 138.00 € Fonte: Instituto Nacional de Estatística (última actualização a 29 de Maio de 2014) 40 . Preparação e conservação de peixes.

00 € 305 804 640.Volume de negócios das empresas de transportes marítimos Transportes por água 2010 Total 2011 Total 2012 Total 2013 Total 351 768 506.00 € 319 125 494.00 € 40 875 549. 41 .00 € Transportes marítimos de passageiros Transportes marítimos de mercadorias Transportes de passageiros por vias navegáveis interiores 19 198 607.00 € 736 833 086.00 € 348 083 565.00 € 304 262 999.00 € 43 669 959.00 € 696 167 130.d. 295 246 644.00 € 366 321 398.00 € 374 037 633.00 € 732 642 796.00 € 33 618 849.Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo IX Tabela 10 .00 € n.00 € 19 641 209.00 € 10 201 717.00 € Total 703 537 012.00 € Fonte: Instituto Nacional de Estatística (última actualização a 29 de Maio de 2014).00 € 37 323 255.

Economia do Mar: O Amanhã Português? | JM2014 Anexo X Figura 1.Indicadores Socioeconómicos para a Economia do Mar 2006-2010 Fonte: Retirado de Estratégia Nacional para o Mar 2013 (Anexo A) 42 .