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Ano II • Nº 11 • Maio 2000 • R$ 5,00

www.embalagemmarca.com.br

rótulos: novidades no mercado • entrevista: dicas sobre marcas

Carta do editor

Internet, marca e embalagem

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estes tempos de eco­ nomia globalizada, algumas questões relacionadas com embala­ gem tornam­se persistentes. Que conseqüências pode ter a Internet, ou melhor, o comércio eletrônico, sobre as embalagens? Sem ir até o ponto­de­venda, o que será preponderante na decisão de compra do consumidor? Segundo algumas teorias e especulações, a embalagem que é vista na tela do com­ putador terá de ter outro tratamento de cores, de bri­ lho, de design. Outra inda­ gação: a força da marca continuará sendo, como hoje, um poderoso fator de influência na escolha dos

consumidores. Se for assim, por que avançam tão rapidamente as marcas próprias de produtos? A propósito: esse avanço é bom ou ruim para a indús­ tria? Na tentativa de encontrar algumas respostas, Emba­ lagEmmarca traz nesta edição, entre outros temas de interesse dos profissio­ nais ligados à cadeia de embalagem, duas matérias mais extensas. Uma é a reportagem de capa sobre e­commerce, de autoria do repórter Guilherme Kamio. Outra é a entrevista do mês, com o consultor de marcas José Roberto Martins, um nome que vem se consa­

grando solidamente na área de branding. São duas peças que sem dúvida contribuem para o esforço de EmbalagEm­ marca de oferecer a seus leitores informação isenta, de boa qualidade e anteci­ patória. Nessa linha, sugiro especial atenção à edição de aniversário da revista. Ela será um pouco mais especial do que as anterio­ res e terá distribuição dife­ renciada na Fispal. Até lá.

Wilson Palhares
PS: A tiragem de Embala­ gEmmarca – auditada pelo IVC – subiu para 7 000 exemplares.

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Espaço aberto

cabei de receber EmbalagEm­ marca de abril 2000 e dou os para­ béns à redação pelo trabalho técnico apresentado. Gostaria, todavia, de fazer duas observações sobre a maté­ ria “Lata contra Lata – o Retorno” : 1) Acredito que a capacidade da Metalic seja de 700 milhões de uni­ dades e não de 50 milhões como saiu; 2) Existe, ou pelo menos existia, na lata de aço o problema da tampa ser de alumínio, o que dificultava muito a reciclagem. Talvez em próximas matérias isso deva ser abordado. Parabéns pela revista e pelo site. Flavio M. Chiaretti Gerente corporate Banco Itaú São Paulo – SP 1) Na reportagem faltou a expressão “por mês” depois da referência a 50 milhões de unidades. Em seguida, porém, está informado que a capaci­ dade de produção será elevada para 75 milhões de unidades/mês, ou 900 milhões por ano. 2) A assessoria de imprensa da Meta­ lic informa: “Do ponto de vista téc­ nico, nada impede a reciclagem da lata de aço em conjunto com as tam­ pas de alumínio. Para as siderúrgi­ cas, a mistura de alumínio e aço agrega valor. A principal questão é que a tampa de alumínio tem valor maior para o mercado coletador que o aço. Porém, já existe processo para separar o aço do alumínio. A lata e a tampa são trituradas e o aço é separado do alumínio por ímã, via­ bilizando a comercialização em separado. Em outras palavras: a reciclagem é possível, indicada e

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apropriada.” ais uma vez parabenizo as exce­ lentes matérias de EmbalagEmmar­ ca, que contemplam diversos assun­ tos, deixando­nos informados sobre os mais variados temas relacionados a embalagens. Gostaria de solicitar que as reportagens mencionem o papel ondulado. Na edição de abril, a matéria sobre mercado de congela­ dos foi excelente, porém faltou abor­ dar as inovações e adaptações que o papelão tem feito para atender as necessidades específicas desse seg­ mento, como aplicação de resinas e utilização de tintas especiais, a fim de garantir a impermeabilidade. Mário Henrique Santos Gerente de marketing e vendas Paraibuna Papéis S/A Juiz de Fora – MG Já está em andamento reportagem sobre o tema, a ser publicada em uma próxima edição.

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nível e a diversificação dos temas abordados pela revista, agre­ gados ao alto padrão gráfico, colo­ cam EmbalagEmmarca no melhor patamar de publicações do gênero. A coluna Almanaque é uma agradável lição de história setorial. Esta jovem revista tornou­se leitura indispensá­ vel ao profissional do setor. Claudio Salce Diretor Papirus Indústria de Papel S.A. São Paulo – SP

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ostaria de agradecer a nota dada em seu site referente a nossa Loja Virtual caixasnet.com.br, o que nos deixou orgulhosos, e parabenizá­lo pelo site, que é de muito bom gosto. David Romano Diretor Administrativo Brasemba Ind. de Embalagens Ltda São Paulo – SP

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Aço, não plástico
Ao contrário do que foi publicado em emba­
lagemmarca

ocorro, o carteiro (sem perceber) deixou a revista na chuva. Não posso ficar sem lê­la e muito menos furar minha coleção. Por favor mande­me outra. Elson Levy Ciccoli Químico Dijanga Bel Arome Perfumes e Cosméticos Paulista – PE

10, na página 36, o Block

Palete, da Parmatec, tem estrutura de aço, e não de plástico. O Block Palete é uma estrutura modular que funciona como por­ ta­palete, feito sob medida e de acordo com as necessidades de movimentação, suportando peso de até duas toneladas.

O autor da foto abaixo
A foto da entrevista da edição de abril, com o sr. José Velloso Dias Cardoso (ao lado), é de autoria de márcio moscardi. O crédito saiu errado, como “Divulgação”.

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ecebi a revista deste mês. Como sempre está ótima. Parabéns pelo tra­ balho desenvolvido. Armando Branco Diretor de criação Gula Propaganda e Publicidade São Paulo – SP

Mensagens

para

eMbalageMMarca

arabéns a EmbalagEmmarca pela excelente matéria sobre fecha­ mentos. Tenho indicado a revista para os alunos das Escolas de Marketing e de Artes Visuais, assim como para nossa biblioteca. Roberto Caldas Professor Instituto de Artes Visuais ­ IAV Centro Universitário da Cidade Rio de Janeiro ­ RJ

Redação: Rua Arcílio Martins, 53 CEP 04718-040 • São Paulo, SP Tel: (11) 5181-6533 Fax: (11) 5182-9463 redacao@embalagemmarca.com.br As mensagens recebidas por carta, e-mail ou fax poderão ter trechos não essenciais eliminados, em função do espaço disponível, de modo a dar o maior número possível de oportunidades aos leitores. As mensagens poderão também ser inseridas no site da revista (www.embalagemmarca.com.br).

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Diretor de Redação Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

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ENTREVISTA: JOSÉ ROBERTO MARTINS O autor de Branding discute a importância das marcas e adverte sobre o risco de depender do varejista com marcas próprias CAPA O e­commerce cresce e apresenta­se como uma boa oportunidade de negócios para a indústria. O setor de embalagens pode tirar proveito dessa onda

Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br Fabio Brentano fabio@embalagemmarca.com.br

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RÓTULOS Novos players, investimentos e novos produtos movimentam a área de auto­adesivos LOGÍSTICA Contêineres recicláveis ganham cada vez mais espaço no setor de movimentação de materiais FECHAMENTOS Boas novidades nos segmentos de medicamentos e cosméticos

Flávio Palhares flavio@embalagemmarca.com.br Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br Leandro Haberli leandro@embalagemmarca.com.br Colaboradores Adélia Borges, Fernando Barros, Josué Machado, Luiz Antonio Maciel Diretor de Arte Carlos Gustavo Curado Administração Marcos F. Palhares (Diretor) Eunice Fruet (Financeiro) Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br

Wagner Ferreira Circulação e Assinaturas
assinaturas@embalagemmarca.com.br

Cesar Torres Público-Alvo
EmbalagEmmarca é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, con­ vertedoras e usuárias de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, medicamen­ tos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem. A revista é dis­ tribuída gratuitamente a órgãos governamen­ tais, universidades, centros de pesquisa, asso­ ciações, imprensa e agências de propaganda.

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ESTRATÉGIA Como a embalagem pode auxiliar nas estratégias de posicionamento

Tiragem 7 000 exemplares

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MERA COINCIDÊNCIA Uma nova seção: até onde vão os limites da cópia e até onde o que existe é apenas tendência de categoria?

Filiada ao

EmbalagEmmarca
é uma publicação mensal da Bloco de Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 – Chácara Santo Antonio ­ CEP 04718­040 ­ São Paulo, SP Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

E MAIS
CARTA DO EDITOR .........................3 FEIRA ............................................ 36 REGISTRO .................................... 38 DISPLAY ........................................ 40

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CERVEJA A Tetra Pak entra na disputa do mercado com garrafas de PET

EVENTOS ...................................... 48 COMO ENCONTRAR .................... 49 ALMANAQUE ................................ 50
ILUSTRAçãO DE CAPA: EDITORIA DE ARTE

“Há muito mais além de marca”
Roberto Martins, um dos especialistas brasileiros que mais tem contribuído para aprofundar a questão do gerenciamento de marcas. Em 1994, ele interrompeu uma promissora carreira de treze anos no setor financeiro e começou a fazer pesquisa de marca, preocupado sobretudo com o valor dos ativos intangíveis. Foi o primeiro profissional a fazer isso no Brasil. No ano seguinte lançou, em parceria com o jornalista Nelson Blecher, o livro das Marcas, no qual demonstra que marcas têm valor monetário e, portanto, podem ser utilizadas como lastro na captação de recursos pelas empresas. Ainda em 1995, Martins fundou a J. R. Brands, empresa especializada em avaliação de marcas com critérios econômicos e financeiros, e posteriormente a Global Brands, voltada para a produção de marcas. Desde então escreveu mais dois livros, Grandes Marcas, Grandes Negócios e Branding, este recém lançado pela Negócio Editora. Aqui, Martins fala, entre outros aspectos instigantes, das vantagens e dos riscos de a indústria dedicar sua capacidade ociosa à produção de marcas próprias de redes de varejo. Existe a crença generalizada de que, com a globalização da econo­ mia, as marcas tendem a se fortale­ cer. Marca virou uma espécie de pedra filosofal que tudo pode trans­ formar para melhor. Não há um certo exagero nisso? Sim, porque marca, só, não resolve todos os problemas da empresa. Ela é valiosa e importante dentro de um contexto. Enquanto esse contexto estiver bem adequado, bem azeitado, e as coisas funcionarem adequadamente para a empresa, a marca irá refletir o valor dessa empresa ou

ENTREVISTA

JOSÉ ROBERTO MARTINS, diretor da Global Brands e da J. R. Brands, lembra que, sozinha, a marca nada resolve. Para funcionar, a marca tem de definir os compromissos da empresa consigo mesma, com os acionistas e com o mercado.
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ornou-se habitual ouvir, em eventos relacionados com marketing e com embalagem, que a marca é um dos principais patrimônios de uma empresa e, cada vez mais, o grande diferencial entre produtos. No entanto – talvez pela brevidade do tempo dado a cada palestrante –, nesses eventos nem sempre se torna claro como gerenciar marcas, ou como avaliá-las. Geralmente, deixa-se o recinto com a sensação de que o “branding” – chamemos logo pelo nome, que não demorará a tornar-se tão familiar quanto “marketing” – é uma espécie de ciência oculta, inacessível. Existe muita mistificação nisso, como mostra nesta entrevista José

Divulgação

agregar valor à empresa, ao produto ou ao serviço. Marca é importante quando? A gente começa refletindo que algumas boas marcas têm problemas, embora sejam boas marcas, muito valorizadas pelos consumidores, e fica pensando: “Por que essa marca tem problemas?” Os grandes problemas de conceito de marca no Brasil, que podemos chamar de branding, é a questão do foco na marca. Quando os empresários pensam em marca, acham que é apenas comunicação, apenas embalagem, apenas o desenho em si da marca, ou a letra de uma marca. Não é isso. Marca é um posicionamento. Quando a empresa define um programa de posicionamento, define uma série de compromissos consigo mesma, com os acionistas e com o mercado. Há para isso uma expressão internacional, inexistente em nosso idioma: stake holders, que são todos os sistemas de relacionamento da marca, isto é, os acionistas, os fornecedores, os empregados, a opinião pública, os vizinhos, os organismos públicos, todos aqueles que se relacionam com a marca. Quando uma marca define um posicionamento ela define compromissos. Daí para a frente tem de cumprir e mostrar que é séria no cumprimento desses compromissos. Quanto maior a marca, maior é seu nível de risco, porque maiores são seus compromissos com os stake holders, com o ambiente onde está inserida. Ainda pondo em questão a força das marcas: nota­se, principalmen­ te no Brasil, que há uma grande preocupação do consumidor com preço. Tanto que as marcas pró­ prias de algumas redes de super­ mercados, em determinadas catego­ rias, vêm liderando vendas ou estão encostando nas marcas líderes. Como o senhor explica isso? É necessário separar preço de mar-

ca. Não há relação direta, intrínseca, entre ambos, porque a marca é importante para algumas pessoas, como preço é mais ou menos importante para outras dentro de algum contexto. Disposmo-nos a pagar mais por algumas marcas do que por outras. Se percebermos na marca a entrega de promessas que são muito importantes para nós, não nos preocupamos tanto com o preço. Se aquela marca não consegue cumprir

ca própria, sem lembrar que ela vive dentro de limites muito estreitos. O crescimento de marcas próprias no mundo está muito ligado a secos e molhados, produtos de grocery, ou seja, azeite, batata, feijão, arroz, palha de aço, detergente, macarrão, biscoito, cereais... São produtos onde há uma grande concentração de marcas próprias. Fora dessas categorias o número é reduzido. No Brasil, parece que as marcas próprias crescem mais que lá fora. Elas têm conseguido crescimento em secos e molhados. Se, por exemplo, um óleo comestível mais ou menos igual a outro custa 40%, 20% ou 15% menos, numa compra mensal de supermercado, que é o hábito brasileiro, ocorre um impacto interessante de preço. Há uma diferença em relação ao mercado externo, onde, em geral, as pessoas fazem compras semanais. No Brasil, onde as compras são mensais, o descolamento de preço entre a marca própria e a líder não é tão grande quanto no exterior, mas o impacto é muito maior. Aqui, o volume de dinheiro no momento da compra é maior. Conseqüentemente, para o consumidor, a economia, embora seja menor, tem um valor agregado maior. Para o consumidor que faz compra semanal, a diferença de preço é muito maior. Também há outras facilidades que aqui não há. No Brasil, ou no Mercosul, raras empresas são fornecedoras exclusivas de marcas próprias. Isso traz um problema de crescimento desse segmento. Para alguns varejistas, a marca própria representa algo entre 3% e 8% das vendas. O que impede que cresçam mais? Um fator de restrição ao crescimento da marca própria no Brasil, além do preço, é a falta de fornecedores. Há quem imagine que para ter marca própria basta o dono do supermercado, que tem 30 000, 40
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Há quem pense

que para ter marca do supermercado colocar em uma embalagem

própria basta o dono

pegar qualquer coisa,

bonitinha, expor na prateleira e ficar comprarem vendo as pessoas

suas promessas, ou se perde a capacidade de comunicar a experiência passada, agradável, que nos transmitia, iremos questionar seu preço. O preço não é tão crucial para a vida ou a morte das marcas. Uma caneta Mont Blanc custa dez ou 100 vezes mais que uma caneta Bic, e as duas ganham muito dinheiro vendendo nas suas categorias. Uma pessoa compra uma caneta de 100 dólares e outra compra uma de 1 dólar porque suas necessidades e suas possibilidades – as circunstâncias, enfim – são diferentes. Em outras palavras, apenas o preço não sustenta uma marca própria. Há outros componentes importantes. O varejo acha que marca própria é tudo – e todos produzem uma mar-

000 itens, pegar qualquer coisa, colocar em uma embalagem bonitinha, expor na prateleira e ficar vendo as pessoas comprarem. Não é bem assim. Ele tem de ter o mesmo compromisso e a mesma técnica de criação e gestão de marcas que têm as grandes indústrias, porque, se o consumidor compra um produto com marca própria e esse produto não é bom, não vai mais comprá-lo. Pior ainda: a imagem do varejista será queimada na mente daquele consumidor. Outro aspecto a ser levado em conta pelo varejista, que a indústria não precisa considerar, é justamente que ele não é uma indústria. Ele depende de um fornecedor. Se esse fornecedor não assume com ele o compromisso de entregar com o mesmo padrão de qualidade, o mesmo blend, o mesmo espírito ou o mesmo conteúdo que sempre entregou, o varejista vai ter problemas, pode perder o consumidor. Isso acontece muito com produtos que requerem manuseio idêntico ou uma fonte idêntica, como pêssego em calda ou figo em calda, ou doce de leite. Se muda o fornecedor, o consumidor percebe, ele não é idiota. Ele já pensa duas, três vezes antes de comprar, custe 20%, 30%, 40%, 60% ou 80% menos. A força de negociação do varejo não seria superior à força das mar­ cas, especialmente num momento em que cai o poder de compra do consumidor, como agora? Até certo ponto é. Para o fabricante isso é uma faca de dois gumes. O fabricante imagina: “Estou num momento em que a demanda não é tão grande, e eu tenho uma capacidade ociosa de 30%, 40%. Essa capacidade ociosa acarreta custo e comprime ainda mais as margens, porque não há tanta demanda. O que vou fazer? Para não ficar aqui parado, vou fornecer para determinado supermercado que está me oferecendo comprar um certo volume...”.

Só que ao fazer isso ele está definitivamente abrindo as portas para aquele varejista, que vai ter conhecimento de suas margens, de sua capacidade produtiva. O varejista vai interferir na vida do fabricante. O fabricante não vai poder o tempo todo garantir a entrega para aquele varejista, porque, se a demanda aquecer, ele vai ter de voltar a atender o mercado com sua própria marca. Se estiver comprometido com seu volume de produção com o

você compra tantas toneladas do meu produto com marca...”. Isso, além de ser antiético e até condenável, acaba agravando ainda mais o problema. Ao agir assim, ele abre ainda mais a sua condição de custo, e sua vida ficará mais difícil quando for negociar com o varejista. Apesar disso, no Brasil, as marcas próprias não param de crescer. O que as marcas regulares precisam fazer para enfrentar essa situação? O recomendável é que, se a indústria puder evitar fazer marca própria, evite. Se tem historicamente uma capacidade ociosa média sempre igual – não sazonal, mas que dure todo o ano e seja prejudicial à manutenção dos custos ou à capacidade de investimento da empresa – , que estabeleça uma relação absolutamente bem definida com o varejista. Deve desenvolver uma relação de parceria com ele. Não uma situação concorrencial, tipo venda casada, que imagino ser uma situação de concorrência, não de parceria. Em venda casada, ao se estabelecer uma situação de toma lá-dá cá, de certa forma está se prostituindo a relação. Vai chegar um momento em que o fabricante não poderá sustentar essa posição com o seu varejista. A indústria não pode pensar que vai concorrer com a marca própria. Ela tem de valorizar cada vez mais sua marca tradicional perante o consumidor. Eu não imagino que a marca própria vai crescer tanto ou tão rapidamente quanto algumas pessoas imaginam. Para as grandes redes, como o Carrefour, o grupo Pão de Açúcar e o Sonae, as marcas próprias têm uma representatividade média de 3% a 6% ou 7% das vendas. Todas esperam, quando estiverem maduras com marcas próprias, chegar no máximo a 10%. É muito difícil que no Brasil se ultrapasse isso, principalmente pela ausência de fornecedores voltados à marca própria. Hoje existem pouquíssimos, umas três ou quatro

Alguns

fabricantes pensam

ser espertos quando

fazem vendas casadas de marcas próprias e produtos com marca. Assim, abrem sua condição de custo, e suas vidas ficarão com o varejista difíceis ao negociar

varejista, vai deixar de ganhar dinheiro. Paga os custos fixos, mas não faz margens, porque tem contrato com o varejista. Se tiver de cancelar e não renovar o contrato com o varejista, pode estar criando um problema de relacionamento com o varejista, o que é ruim para ele. Além disso, a partir do momento que tem conhecimento das margens do fabricante, ou seja, do produto com marca e do produto sem marca, o varejista tende a ser mais rígido nas negociações de preço e prazo na próxima compra do produto com marca. Alguns fabricantes até imaginam ser muito espertos quando pensam que podem fazer vendas casadas: “Eu te vendo tantas toneladas de marca própria, mas

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indústrias que trabalham apenas como fornecedoras de matéria-prima para marcas próprias. Esse é um limitador muito forte do crescimento da marca própria. Pesquisas mostram que no Brasil 85% das compras são decididas pelo consumidor nos pontos­de­ venda. O senhor acredita que o comércio eletrônico possa alterar essa situação de alguma forma? Acredito que a longo prazo isso poderá ocorrer. Essa estatística de que 85% são decididos no momento da compra até certo ponto é verdadeira e, em muito, ela é falsa. O consumidor tem um portfólio de marcas na mente. Quando a pessoa está na frente da gôndola, não significa que decidiu pela marca A ou B naquele momento. Ela já decidiu há muito tempo. Naquele momento, por determinada razão, ela optou por uma das três, ou das quatro, ou das tantas marcas que conhece. Dificilmente quando alguém tem um portfólio de marcas na mente muda de repente para outra marca. Somente se estiver completamente sem dinheiro, numa situação totalmente desfavorável, mudará radicalmente seu portfólio. O comércio eletrônico também traz essa percepção. Quando a pessoa vai fazer compra por comércio eletrônico, ainda tem muito medo: de passar o cartão de crédito, de dar o endereço, de que a entrega seja inadequada, da performance técnica do produto ou do serviço que comprou... Nesse sentido, a marca é tão ou mais importante que ao vivo, porque, quando estamos no supermercado ou em alguma loja, tocamos, pegamos o produto, olhamos para ele, botamos debaixo do braço, passamos no caixa e pagamos. No comércio eletrônico não é assim. É preciso ter muita confiança na marca do varejo ou do fornecedor. Nesse contexto a importância da marca é muito maior e tende a crescer, vai

ser cada vez mais crucial na decisão de compra. O e­commerce não poderá ser uma alternativa da indústria para enfrentar as marcas próprias? Se tiver fornecedores virtuais, que desenvolvam a confiança dos consumidores, num determinado momento esses fornecedores virtuais poderão ser os fornecedores finais, desde que desenvolvam

neamente quais são os benefícios daquele produto ou serviço. A agência de um banco é a embalagem. Se a agência não tem a cara de confiabilidade, segurança ou prazer que o banco quer mostrar, então é uma embalagem ruim. Do ponto de vista de branding, qual o principal atributo que a embalagem deve ter? No caso de bens de consumo, tem de mostrar que o produto é capaz de entregar as promessas que fez no posicionamento. A embalagem é um facilitador da relação do consumidor com o produto ou serviço. Quanto mais facilitadora for, mais o produto vai ser valorizado. Um bom exemplo são as embalagens que já são o próprio servidor do produto. Outro são os pacotes de biscoito que podem ser fechados com um selinho. É um aspecto muito sutil, bem planejado, que agrega valor ao produto e melhora o preço final que o produto tem para o consumidor, dispondo-o a pagar mais por ele. Mais um exemplo: as embalagens stand-up pouch de café, com lacre que permite usar, dosar e guardar, pronto para consumir e sem perder as características. Toda embalagem facilitadora tende a ser mais valorizada pelo consumidor. Embalagem difícil de abrir o consumidor vai dizer que só compra porque não tem outra alternativa ou porque não tem poder aquisitivo para comprar uma marca com embalagem facilitadora. As pessoas hoje querem branding, querem relação com marcas, coisas que facilitam as vidas delas. Ninguém quer se aborrecer para abrir um pacote de biscoito ou pensar onde vai guardar esse pacote para o biscoito não murchar ou sujar o armário, esfarelando. Se tiver uma embalagem que elimine esse problema, certamente aquela marca vai ser mais bem posicionada pelo consumidor e vai ser mais valorizada.
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produto pode entregar as promessas que fez é um facilitador da relação do consumidor com o produto. Quanto mais facilitadora for, valorizado mais o produto vai ser ao ser posicionado. Ela

A embalagem

tem de mostrar que o

produtos ou serviços de acordo com a expectativa dos consumidores. Mas como hoje o comércio virtual está muito ligado a CD, livro e um ou outro serviço, ainda é muito cedo para fazer previsões. Qual a importância da embalagem como suporte da marca? A embalagem é resultado do posicionamento que foi adotado para a marca, no período de concepção. Quando se estudava o nome, que produto ia ser etc., a embalagem já estava mais ou menos definida. No processo de branding, numa escala de zero a 100, a embalagem está em 85, 90, bem lá na frente. Ela tem de ser perfeita o suficiente para mostrar ao consumidor instanta-

capa

o embalo do
Com o mercado em crescimento, aumenta a demanda por novas soluções em embalagem. o setor responde com criatividade
Guilherme Kamio B2B (business to business, de empresa para empresa). Ao estimular uma nova forma de relacionamento com os bens de consumo e com as instâncias da cadeia produtiva, natural considerar que o e-commerce também afeta a indústria de embalagens. E, com o desenvolvimento do comércio eletrônico, as transformações também vão se aprofundar. De um lado, surge a dúvida de como a embalagem deve atender a um novo tipo de consumidor, on-line com todos os processos e ávido pela promessa da compra segura, confortável, personalizada e ágil. Em contrapartida, surge a questão: como os participantes dessa mesma cadeia irão encarar a embalagem enquanto elemento ativo de uma nova realidade, que pede ainda mais eficiência através da produtividade e da dinamização de processos?

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mpossível construir qualquer perspectiva conjuntural sem reservar um papel de relevância extrema ao efeito Internet. Basta perceber as conseqüências que a explosão da grande rede já vem causando no comportamento das pessoas e das instituições – e é bom lembrar que se está falando de uma tecnologia que se popularizou há pouquíssimo tempo. Desde que saiu do âmbito estrito da comunicação para invadir a estratégica seara do comércio, a Internet passou a ser vista com outros olhos. As oportunidades que se abriram com a evolução da comunicação digital passaram a significar, também, chances de negócios atraentes e de redução de custos, na otimização de processos. O comércio eletrônico, ou e-commerce, como o chamam os mais íntimos, virou sinô-

nimo de mina com grande potencial. Dados da International Data Corporation (IDC) dão conta que 1999 fechou com cerca de 200 milhões de usuários da web no mundo, número que deve aumentar para 500 milhões até o final de 2003. Acompanhando esse crescimento, o contingente de compradores on-line subiria de 50 milhões para 180 milhões. A IDC prevê ainda que o e-commerce em seu conjunto chegará a

movimentar 1,3 trilhão de dólares daqui a três anos, uma evolução fantástica em relação aos atuais 50 bilhões de dólares. O reflexo dessas estimativas grandiloqüentes vem sendo a aparição de lojas e mais lojas, portais especializados, canais de oportunidade e, mais recentemente, dos leilões virtuais. As chances se abrem tanto nas transações B2C (business to consumer, de empresas ao usuário final) como no

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a

Despacho qualificado
participação do fornecedor de embalagens na cadeia de suprimentos para agregar valor e atender as requisições desse novo canal de varejo é imprescindível. Quem afirma é o designer e diretor da agência Müller Associados, Manoel Müller, que já vem abordando a relação do e-commerce com a indústria de embalagens em palestras. Essa participação terá de basear-se em esforços gerenciais e precisão nos serviços de logística. Aliás, nunca se abordou com tanta ênfase a importância da eficiência em movimentação e armazenagem como ultimamente. A compra pode ser virtual, porém há um intrino portal amélia, do Pão de açucar: diferencial com embalagem de transporte

cado processo que ocorre antes de a mercadoria chegar ao destino. Esse processo é o ponto nevrálgico para qualquer iniciativa consistente no mundo das vendas virtuais. “Apesar de os conceitos de logística não mudarem, a expectativa do consumidor no e-commerce é diferente: ele exige o produto certo, uma política de troca e devolução con-

sistente, o cumprimento de prazos à risca”, avalia Timóteo Barros, diretor de operações logísticas da Americanas.com, braço virtual da Lojas Americanas. A tradicional rede varejista é uma das empresas que firmaram parcerias com empresas de transportes expressos, como a Federal Express, para garantir o serviço de entregas adequado. Na

verdade, a maioria das operadoras logísticas e transportadoras de cargas vem trabalhando para se amoldar às exigências do novo comércio e oferecer diferenciais em serviços dedicados (ver quadro). O alastramento da preferência por esses serviços de encomenda de produtos, uma extensão do chamado serviço de delivery, representa claramente uma revolução de oportunidades na indústria de embalagens de transporte, também conhecidas como de despacho. O Pão de Açucar, que está lançando seu portal de conveniência doméstica Amélia.com, teve de desdobrar-se para gerar diferenciais estratégicos só

O gargalo da logística amplia oportunidades
Com a evidência de seu papel como fator crítico para o sucesso dos negócios no e-commerce, a logística nunca esteve tão em voga. diversas empresas que trabalham sob a ótica da movimentação e armazenagem vêm se armando para competir entre os clientes do e-commerce. a danzas logística, por exemplo, forte nome no meio, acaba de lançar o Web-logistics, portal de gerenciamento de serviços para transportadoras. através dele é possível monitorar simultaneamente o desempenho de demandas de carga de vários clientes, acompanhando a rota dos pedidos num serviço de tracking on-line. Com investimento inicial de 500 000 reais, o Web-logistics pretende trabalhar tanto para empresas baseadas no b2b como para o b2C. “Visamos principalmente a este último”, conta Francisco Tabajara de brito, diretor geral da danzas. “ o brasil tem singularidades que dificultam ainda mais os sistemas de transporte e as entregas personalizadas, por isso temos de desenvolver soluções cada vez mais ágeis”, ele diz. outro serviço que estreou recentemente é o portal netenvios.com, que pretende abarcar toda a américa latina. os investimentos no portal beiram os 5 milhões de dólares, e há parcerias firmadas com empresas mundiais de transporte, como Fedex, TNT, UPS, além das empresas brasileiras Jundiaí, ITd Transportes, Kwikasair, Transbueno, Granero, Ramos e outras do mesmo quilate. o portal trabalhará com base no conceito “I ship” , ou eu entrego, em inglês, oferecendo opções de prazo e preços em tempo real. de acordo com o presidente da netenvios no brasil, Carlos mira, a meta é “romper barreiras,

entregando mercadorias em qualquer ponto do brasil, por mais ermo que seja, dentro do prazo firmado”.

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possíveis graças a embalagens de transporte adequadas. “Além de caixas de papelão ondulado para os mais diversos produtos, usaremos sacolas térmicas especiais para entregar perecíveis”, conta Paulo Quirino José dos Reis, diretor de logística do portal. Barros, da Americanas.com, conta que a ação baseada na Páscoa deste ano teve como importante aliada uma embalagem especial para transportar ovos de chocolate. Sem ela, diz, seria difícil garantir a integridade do produto na chegada ao destino. A solução consistia em caixas de papelão com suporte interno, protegidas termicamente com isopor e transportadas em vans frigorificadas. Também é interessante notar que essa embalagem de transporte está se transformando em meio fundamental de comunicação da marca junto ao consumidor. “A embalagem que chega ao consumidor é tão importante quanto um outdoor ou um comercial na televisão”, salienta Barros. “Não estabelecemos política de embalagens sem desenvolvimento, no ‘achismo’.”

de produção mais flexíveis e versáteis serão as tendências potenciais nos próximos anos”, prevê Müller.
americanas teve embalagem como aliada nas entregas de Páscoa

O peso da marca
Como a embalagem adquiriu ao longo de sua história a função de vendedor silencioso, sendo a mídia que aglutina informações e atributos, além de precisar despertar atenção, indagações também pipocam nos campos do marketing e do design frente ao e-commerce. Sobram dúvidas de qual o peso que a embalagem terá como fator de decisão de compra e qual será seu papel num canal de vendas que ainda tem muito a evoluir e distante das gôndolas, vitrines e balcões, adaptado ao monitor dos computadores. Tais questões, ainda delicadas pelo pouco tempo de experiência com o novo universo e pela nebulosidade que envolve o desenvolvimento da Internet, suscitam discussões sobre o papel das marcas na web. “As grandes empresas que detêm marcas famosas vão lucrar mais com o e-commerce. Nós, consumidores, tendemos a optar pela garantia de qualidade que as marcas fortes nos transmitem”, acredita Luiz Roberto Farina, diretor da agência de design Benchmark. É previsível que muitas vezes a decisão de compra possa ser tomada exclusivamente com base nos textos descritivos dos produtos cujo apelo de marca já está incorporado na mente do

mo vi men ta ção sob demanda, cortando gastos com estocagem ao longo de todas as etapas do processo produtivo. Para Manoel Müller, o e-commerce é a figurachave que potencializa os procedimentos logísticos verificados na década de 90, como a introdução e a disseminação dos códigos de barras, o ECR (Efficient Consumer Response), o Supply Chain e outras práticas. “Com o consumidor on-line, da venda ao início da cadeia produtiva, o sonho de se tornar zero o tempo entre produção e estoque poderá se realizar”, ele prevê. Seguindo esse raciocínio, da diminuição do tempo entre produção e consumo como tendência irreversível, a importância de aspectos da embalagem, como o de proporcionar vida útil aos produtos, também deve cair. O

aspecto protetor sairá da esfera da vida nas gôndolas, o tão falado shelf-life, para atender ao canal específico do e-commerce. Isso ocorre ao mesmo tempo em que a tecnologia em materiais com barreira avança, a acessibilidade a processos sofisticados de embalagem cresce e a preferência do consumidor vai se baseando na conveniência: porções cada vez menores e produtos mais frescos e menos processados. Tais movimentos irão contribuir para gerar alvoroço maior na disputa de mercados entre os diversos fornecedores de materiais e prestadores de serviços na cadeia de embalagem. “Equipamentos e materiais que se adeqüem a diferentes produtos, sistemas multipack, identificação e decoração em formatos modulares, tiragens sob demanda e lotes mínimos

próximo ao JIT
O e-commerce baliza também a esperança por parte dos fabricantes de bens de consumo pela otimização máxima dos processos ao longo da cadeia produtiva, tornando próximo o sonho do just-intime – a produção e a

Verifi, da Imation: precisão de cores

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consumidor. “Na compra de conveniência, como na web, o consumidor tende a testar pouco, vai direto às grandes marcas, pois ele não pode pegar, observar mais de perto um produto como no ponto-devenda tradicional”, sentencia Farina.

Design em questão
No lado do design, Manoel Müller acredita que o caminho será a suavização no uso de cores e de grafismos voltados ao impacto. Como não há sentido no uso de tais recursos numa mídia eletrônica que ainda é de baixa resolução e captação lenta de imagens, tudo favorece um conceito estético minimalista, baseado no uso de uma cor determinante para a embalagem, ligada estritamente à comunicação visual do produto ou marca. “A logotipia também ganhará força. Não bastará uma tipologia ou um elemento gráfico que transmita sensações e percepções, mas que informe de que produto se trata ou qual é o benefício, o atributo, a aplicação”, sendesign da müller associados já adaptado à web

tencia Müller. “Será preciso, ainda, remeter a alguma imagem simbólica já conhecida do consumidor”, diz. “Concordo que a embalagem deverá ser simplificada e valorizar mais a marca e o atributo do produto, numa necessidade de um reposicionamento, mas não acredito em mudanças drásticas”, pondera Farina, da Benchmark. Por sua vez, Adair Santana, sócio-diretor da Ás Design e Publicidade, crê em novas oportunidades com o e-commerce. “Um exemplo são as amostras grátis enviadas habitualmente junto com o pedido. Isso propulsiona a maior utilização de

embalagens igualmente atraentes, mas em versões menores.” Recentemente, novas tecnologias e fatores surgiram para ajudar o papel do design na exposição no monitor. Entre elas, as comunicações de alta velocidade – que apesar de serem novidade tendem a se consolidar – e sistemas avançados de definição de cores na web, como o Verifi, da Imation. Essas tecnologias podem facilitar a venda de produtos cujas embalagens não poderão decepcionar o consumidor, principalmente no caso de produtos nobres. E é curioso observar estratégias de promoção

do e-commerce que desancam o varejo tradicional, ressaltando os apelos práticos da compra pelo computador. Opiniões radicais que condenam o comércio tradicional não geram mais barulho. Há o consenso de que o comércio eletrônico é um fenômeno que ainda renderá muitos desdobramentos, e ganhará importância extrema, mas não irá substituir, num prazo razoável, o varejo tradicional. Nos Estados Unidos, país que mais abriga consumidores eletrônicos, os gastos com compras online representam apenas 1% do total das vendas do varejo. Comprar em casa traz vantagens, mas ir às compras em lojas ou shoppings são atividades prazerosas. “Prefiro continuar observando a evolução desta tendência, antes de quantificar o que ela vai representar para o mercado em seu conjunto”, pondera Adair Santana. Por enquanto, cautela, caldo de galinha e um modem conectado não fazem mal a ninguém.

a

promessa de agilidade com o B2B
s vendas diretas de bens de consumo ex pres sas pelo B2C são apenas a ponta do iceberg para o e-commerce. Proporcionar agilidade no relacionamento ao longo de toda a cadeia produtiva e novas oportunidades de negócios são as forças motrizes em prol da explosão das transações business to business, o B2B. Só que essas possibilidades são ainda pouco exploradas no Brasil. O consenso entre diversos especialistas é que, apesar de ainda engatinhar,

imark: sucesso com máquinas nos eUa

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canal perfeito para o papelão
a tradicional Klabin já vem colhendo os doces frutos do projeto de implantação de seu sistema de vendas on-line, uma estratégia para o comércio business-tobusiness. mais que uma arma para vender, a empresa apostou na integração total de suas sete unidades distribuídas por todo o país. Isso somente se tornou possível graças ao SICP – Sistema Integrado de Comercialização e Produção, desenvolvido internamente na empresa. Segundo Geraldo barbosa Júnior, gerente de informática da Klabin, cerca de 3% dos clientes tradicionais já fazem seus pedidos e acompanham todo o processo dentro da fábrica e na distribuição on-line. o volume comercializado pela empresa já lhe garante a 41ª posição entre as empresas que mais faturaram no país no ano de 1999 com comércio eletrônico, segundo levantamento recente da revista Info Exame. “o tempo para processar um pedido passou de dois dias para alguns segundos”, conta Geraldo barbosa. os vendedores da Klabin também ganharam, pois podem fazer consultas e dar preços de maneira mais ágil e flexível, com a ajuda de computadores portáteis e longe das bases de operação. “Quem vende vai se transformar em consultor de produto, dando suporte, deixando de ser apenas um tirador de pedidos”, acredita o gerente de informática da Klabin. outras empresas da área de papelão estão entrando também no mundo do b2C. a brasemba, por exemplo, acaba de inaugurar sua loja virtual CaixasNet, voltada a encomendas de pequeno porte. “apostamos num retorno de médio a longo prazo, já que o consumidor não está acostumado a comprar nosso produto através da Internet”, diz david Romano, diretor da empresa. desenvolvida pela prestadora de serviços em informática Scopus e em parceria com o bradesco, o CaixasNet antecipa uma tendência de mercados estrangeiros. “os serviços de pronta-entrega de caixas de papelão são altamente lucrativos em outros países”, comenta Romano.

o B2B deve concentrar as atenções daqui para a frente. Várias empresas que participam da cadeia de embalagens já se concentram para agir com segurança nesse terreno, sobretudo para não perder competitividade. O setor de máquinas e equipamentos dedicados à embalagem, por exemplo, mostra os primeiros sinais da importância da web como aliado para alavancar vendas. Sites específicos são uma mídia eficaz para vender e comprar máquinas, novas ou usadas, con for me vêm demonstrando claramente portais estrangeiros de grande êxito, como o iMark.com, que já conta com 7 000 equipamentos usados expostos e mais de 11 000 potenciais compradores registrados.

Integração
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq está lançando seu portal específico para ações negócio a negócio. Nele, o mote principal é a integração entre as empresas fornecedoras e produtoras de bens de capital que prestam serviços às mais diferentes áreas. Desenvolvido em parceria com o Bradesco e a empresa de tecnologia Scopus, o portal da Abimaq tem por objetivo gerar maior dinamismo ao setor, além de reduzir custos nas transações.

Quem distribui resinas e especiarias parece estar mais ligado à tendência de negociações virtuais. Nesse campo, destacam-se a Piramidal e a Activas. A primeira é a pioneira na venda on-line de substra tos, pos si bi li tan do pedidos on-line des de novembro de 1999. O retorno, po rém, não vem se traduzindo em quan tias sig ni fi ca ti vas de ne gó cios. “Isso é nor mal”, ar gu men ta Wilson Donizete Cataldi, diretor da Piramidal. “A cultura da compra de resinas on-line ainda está sendo formada” ele diz. “Na verdade, colocamos nossa loja no ar para adquirir experiências e ajustá-la de acordo com o retorno dos visitantes”, explica. Laércio Gonçalves, diretor da Activas, concorda com Cataldi. “A loja virtual é um meio dinâmico, exige mudanças, atualizações e lançamentos de serviços constantes, sempre buscando agregar valores e diferenciais”, comenta. A meta da Activas, que já disponibiliza cerca de 250 itens em sua loja, é converter para a venda virtual cerca de 30% de seus clientes até o fim do ano. “Já obtivemos quase 10 000 visitas”, comemora Gonçalves. No setor de fornecimento de matérias-primas para embalagens, a movimentação também é muito itensa em torno do tema do comércio

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eletrônico. As maiores empresas do setor petroquímico já vêm trabalhando para usar a web com maior intensidade em breve. A Polialden, por exemplo, aposta na Internet como ferramenta de agilização de vendas de suas resinas e especiarias plásticas.

Piramidal também aposta em resinas on-line

Jeito latino
De acor do com João Carlos Piazzi, coordenador da área de planejamento e marketing da empresa, ofere cer aos clientes o diferencial de estarem on-line tornouse um serviço inevitável, porém as transações ele trô ni cas, propriamente ditas, ainda estão sendo estudadas com reservas. “A relação pessoal em nossa área de vendas é muito forte, uma característica latina”, pondera. “De qualquer forma, pretendemos investir em nosso site sobretudo para pro ver in for ma ções e estreitar relações.” O aço também vislumbra oportunidades. O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) está apoiando a construção do XYZ, nome provisório de um portal alternativo que dê vazão à distribuição de produtos siderúrgicos, contando com o apoio de distribuidores e siderúrgicas como a CSN, Usiminas/Cosipa, Gerdau, Belgo-Mineira e CST. E isso tudo é apenas o começo.

activas: mais de 10 000 visitas

Sites mencionados
Klabin: www.klabinkpo.com.br Americanas: www.americanas.com.br Amelia: www.amelia.com.br CaixasNet: www.caixasnet.com.br Polialden: www.polialden.com.br Piramidal: www.piramidal.com.br Activas: www.activas.com.br Abimaq: www.abimaq.org.br Web-Logistics: www.danzaslogistica.com.br netenvios: www.netenvios.com.br imark: www.imark.com International Data Corporation: www.idc.com Imation: www.imation.com

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ESTRATÉGIA

diferentes para serem

notados

c

mudar embalagens pode vender mais – se o consumidor quiser
praticamente todo em embalagens assépticas. Em um primeiro momento, o leite em “caixinha” destacou-se dos demais, ganhando maior visibilidade e imagem premium. Porém, como praticamente todas as marcas adotaram a embalagem, que padece da limitação de formato, tudo começou a ficar um tanto igual – e assim os “tijolos” de leite passaram a ganhar cores, vernizes, relevos, metalizações e complementos de conveniência. Como tudo está começando a ficar igual de novo, já há empresas cogitando de utilizar embalagens feitas de outros materiais, bem como com novos formatos, para acondicionar leite. Ninguém deverá estranhar, portanto, se uma das principais marcas do produto, que atualmente faz testes, aparecer em breve nas gôndolas dos supermercados em garrafas de PET. Assim como no caso do leite, fabricantes de diferentes categorias de produtos estão adotando a estratégia de mudar as embalagens, de forma a torná-las mais atraentes aos olhos dos consumidores. Os casos apresentados nas duas próximas páginas demonstram que a teoria, na prática, pode dar certo – ou não. Na dúvida, é sempre conveniente perguntar-se, estudar, pesquisar para descobrir aquilo que é a maior de todas as alavancas de venda: o que o consumidor quer.

ada vez mais afirma-se que, ante a crescente escassez de espaço nos pon tos-de-ven da, da comoditização de inúmeras categorias, da mesmice visual e da guerra de preços, uma forma de atrair consumidores é reposicionar os produtos, mudando suas embalagens – não só no que diz respeito ao design, mas ao próprio material. Dizem os teóricos que um upgrade, mesmo elevando um pouco o custo final do produto, pode garantir aumento nas vendas. Fun-damental, recomendam eles, é não elevar demais os preços. Veja-se o que ocorreu com o leite, antes vendido em sachês de polietileno e hoje acondicionado

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payot, do pVC para o vidro: mudança bem aceita pelo consumidor

Payot: resposta positiva
Em setembro do ano passado, o laboratório Payot substituiu as embalagens de PVC de suas linhas Tradicional e Soin Biocosmétique de anti-rugas por potes de vidro incolor fornecidos pela Wheaton, com formato acinturado e tampas de polipropileno. “O consumidor dessas linhas prefere o vidro, que enobrece o produto”, diz Marta Pongidor, gerente de marketing da empresa. Segundo ela, a embalagem antiga, um pote retangular com tampa no mesmo formato, era pouco prática. Por isso foram feitas alterações também no perfil. “Essa linha é dividida em frascos e potes, mas os potes eram muito grandes”, ela conta. “Então, optamos por usar uma embalagem mais compacta, que foi bem aceita pelo público”, Marta afirma, sem revelar números. “Nosso serviço de atendimento ao consumidor recebeu várias respostas positivas à mudança.”

final do ano. “Isso foi resultado do momento de festas e de toda uma campanha de marketing, mas, com certeza, a apresentação diferenciada contribuiu para o aumento nas vendas”, afirma. “O consumidor está cada vez mais exigente, e uma apresentação melhor identifica o produto com boa qualidade.”

enfatizar para o consumidor a qualidade do produto. “Essa embalagem chama a atenção na gôndola”, observa Cláudia. “Torna o produto mais caro, mas a consumidora o vê como um presente: além de guardar a latinha, ela pode experimentar até cinco tipos diferentes de chá.” Como a estratégia vem dando certo, a Oetker resolveu modificar o formato da embalagem, que antes era quadrada. Em maio último, lançou uma lata arredondada. “Esse tipo de iniciativa compensa, e queremos estar sempre mudando”, revela a gerente de marketing da empresa. “Isso tem uma parcela representativa na estratégia de marketing e ajuda a fincar o nome Oetker no mercado.”

Oetker: reforço na imagem
As opções em embalagens no mercado de chás em sachês não costumam ir além da caixinha de papelcartão. Por se tratar de um produto de baixo valor agregado, os investimentos na diferenciação da apresentação são poucos. Qualquer alteração pode aumentar o custo, tornando o preço final menos competitivo. No entanto, a exposição da marca é um importante fator para alavancar vendas. Um exemplo que deu certo é o da Oetker. Desde 1998 a empresa mantém no mercado, paralelamente ao tradicional cartucho de papel-cartão, uma edição limitada de seus chás Ervas e Flores & Frutas, acomodada em latas de aço decoradas, com quinze sachês em quatro diferentes sabores. Apesar do aumento no custo, que é repassado ao consumidor, a gerente de marketing da empresa, Cláudia Rocha, diz que esse investimento contribuiu para reafirmar a marca e trouxe bom retorno. “De 1998 até o final do ano passado, as vendas dos nossos chás aumentaram mais de 50%”, diz Cláudia. Segundo ela, a iniciativa serve para

Garoto: bonita, porém…
Não é sempre que mudar a embalagem, deixando-a mais prática e com visual mais atraente, dá certo. Como na vida em geral, em termos de marketing todo cuidado é pouco. A Chocolates Garoto parece não ter levado isso em conta quando, em 1997, tro-

Cereser: maior destaque
A Cereser, fabricante de bebidas com sede em Jundiaí (SP), está apostando nos rótulos metalizados em detrimento do antigo, de papel couché, para agregar valor a seus produtos. Segundo o gerente de compras e suprimentos da empresa, Roberto Diório, o papel metalizado propicia melhor apresentação e maior destaque nos pontos-de-venda. “Com certeza o resultado é muito superior”, ele diz. Diório conta que as vendas das bebidas da Cereser aumentaram em 15% desde o

Os rótulos da Cereser em papel couché, ao lado, mudaram para papel metalizado: mais visibilidade nos pontos-de-venda

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A força da Moça
decididamente, diferenciação não é a única estratégia adequada para reposicionar um produto e ganhar mercado. Às vezes a tradição fala mais alto, e o consumidor, acostumado com determinado produto em determinada embalagem, sequer olha para os lados no ponto-de-venda e vai direto aonde sabe que vai encontrar o que quer. em 1996, a parmalat lançou leite condensado em tetra Brik. investiu nessa embalagem como forma de diferenciar seu produto e para garantir maior exposição nas gôndolas do que a lata de aço, embalagem tradicional da categoria. no primeiro caso, conseguiu. no segundo não teve tanto êxito. a estratégia deu relativamente certo, mas não foi suficiente para que a marca alcançasse a líder, o Leite moça, da nestlé. foi bom para a tetra pak: outras marcas, como itambé, passaram a adotar as embalagens assépticas para leite condensado. durante dois anos a parmalat manteve somente a tetra Brik para seu produto, tornando-se líder de vendas em leite condensado com embalagem cartonada. entretanto, como as maiores empresas do segmento continuaram utilizando a lata de aço, a parmalat decidiu, em 1998, investir nesse tipo de embalagem para seu produto, sem, no entanto, abandonar a caixinha. “a iniciativa está relacionada com a tradição de consumo, pois o leite condensado sempre esteve disponível em lata para o consumidor”, diz marcelo Câmara, gerente de produto da empresa. O Leite moça foi o primeiro leite condensado a entrar no Brasil e já no século passado vinha acondicionado em lata, com o mesmo formato que tinha mais de 100 anos atrás. no caso da parmalat, a estratégia da não-mudança funcionou. segundo Câmara, com a introdução da lata na linha de leite condensado da marca, as vendas do produto aumentaram. “estamos conquistando gradativamente mais espaço nas lojas e junto aos consumidores”, ele conta. Hoje, a parmalat ocupa o terceiro lugar entre as marcas do segmento, atrás do leite moça e do Glória.

Chás da Oetker: lata em edição limitada, papel cartão na linha tradicional

cou a tradicional caixa de papel-cartão de seu bombom Crocante por sacos flexíveis laminados, de polietileno e polipropileno bi-orientado (para volumes de até 1 quilo) e de poliéster e polietileno (para volumes superiores a 1 quilo). A embalagem ficou bonita e tem brilho, atributo que segundo os especialistas é um atrativo adicional da atenção do consumidor. No entanto, na época as vendas do bombom chegaram a cair 8%. Segundo o gerente de produtos da Garoto, Guilherme Buarque, a expectativa da empresa não foi alcançada porque o consumidor não percebeu a mudança. “A campanha publicitária não atingiu os níveis necessários de divulgação”, ele diz. A Garoto havia apostado no visual moderno e na funcionalidade da embalagem flexível. “A caixa tem um ar antigo, romântico, enquanto a flexível é mais atual, além de ser mais fácil de carregar e de permitir ao consumidor ver o produto”, considera Buarque. Além disso, como ele destaca, a caixa de papel cartão perdeu espaço para as embalagens flexíveis nas gôndolas. “As caixas estavam ficando com espaço menos privilegiado, e as coisas têm de ser renovadas de tempos em tempos, conforme as tendências de mercado”, justifica o gerente de produtos da Garoto. Convém lembrar, porém, que isso provavelmente se deve muito mais aos interesses do varejo do que de preferência dos consumidores. O fato é que o público-alvo do bombom Crocante é relativamen-

te elitizado e passou a perceber na embalagem flexível, de menor valor agregado, um produto de menor qualidade, embora nada na receita tivesse sido mudado. Para Buarque, mesmo com a queda nas vendas causada pela primeira mudança, um novo investimento para alterar o visual da embalagem do bombom pode dar certo. “A primeira coisa que deve ser feita para que a margem de erro seja menor, é obter o máximo de informações possíveis e observar tendências”, ele diz. Pondo isso em prática, a Garoto estuda o retorno do bombom Crocante às caixas de papel-cartão, preferidas pelos consumidores.

a mudança do bombom Crocante para sacos plásticos (acima) não teve bons resultados, pois o consumidor estava acostumado com o papel cartão (abaixo)

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CERVEJAS

peso pesado
Tetra Pak entra em cena com PET para disputar o mercado
jogo está mais pesado. Menos de dois meses depois de a RhodiaSter, divisão de resinas da Rhodia do Brasil, ter divulgado que sua garrafa de PET para cerveja estava prestes a ser adotada no Brasil (ver quadro na próxima página), é a Tetra Pak, a gigante das embalagens assépticas, quem anuncia a decisão de disputar com o vidro, o alumínio e o aço um mercado estimado em torno de 9 bilhões de reais. A empresa sueca vem juntar-se a um time que já conta com outros jogadores de bom tamanho, como a francesa Sidel, a italiana SIPA e a japonesa Nissei ASB. Com diferenças de nomes para sistemas cujos princípios são basicamente semelhantes – revestimento interno das garrafas com plasma de algum material inerte, ou externo com alguma resina que propicie barreira a gases –, todas afirmam ter a resposta ao desafio. A Tetra Pak entra pelas duas vertentes. Com a tecnologia Glaskin (revestimento interno com plasma de sílica), compete com a Sidel e a Nissei, detentoras, respectivamente, das tecnologias Actis e DLC (de Diamond like Carbon). Com a tecnologia Sealica (preformas de PET revestidas externamente com resina epóxi), disputa espaço com a SIPA e demais fabricantes de garrafas multicamadas revestidas. E, com ambas, enfrenta a Rhodia-Ster, cuja tecnologia se basearia em alterações na formulação da cerveja, a fim de ampliar o shelf-life do produto. Apoiado na força da marca Tetra Pak e na homologação da garrafa nos mercados sueco e alemão, com as cervejas Norrlands Guld e Bitburger, Álvaro Pereira, diretor da divisão de embalagens plásticas da Tetra Pak no Brasil, diz que não há ainda negócios fechados nem testes sendo realizados com a nova garrafa pelas cervejarias. Mas, obviamente, todas estão sendo abordadas. Inicialmente, ele adianta, a empresa direcionará o novo recipiente a canais diferenciados de consumo, como supermercados e eventos artísticos e esportivos, onde o vidro encontra barreiras.
Garrafa de PET de cerveja sueca

mais um

o

Volume baixa custo
A perspectiva é de que, “dentro de dois ou três anos, com ganho de escala, os preços estarão competitivos com os do vidro”. O diretor da Tetra Pak lembra o exemplo das garrafas de PET para refrigerantes, que em poucos anos se tornaram a embalagem preponderante no segmento. “No começo eram caras, mas com o aumento do volume tornaram-se competitivas”, ele destaca. “Com a redução de custos pode-se produzir maiores volumes, e pesquisas indicam que, aparentemente, o consumidor aceita a cerveja em PET.” Outro argumento que Pereira exibe é a possibilidade de diferenciar o formato e de personalizar as garrafas de PET. A Tetra Pak aposta,

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ainda, na mudança de comportamento nos pontos frios, onde o vasilhame retornável de vidro é hegemônico. “A falta de espaço vem-se tornando crucial em padarias, lanchonetes e bares”, observa Pereira. Mesmo assim, não será fácil, já que 80% do consumo de cerveja no Brasil se dão em embalagens retornáveis (77% em garrafas de vidro de 600ml e 3% em barris), basicamente em pontos frios. José Antonio Lorente, presidente da Cisper, refuta a argumentação de Pereira. Ele lem-

bra que do total do consumo de cerveja, 30% ocorrem off premise, isto é, fora do local de compra, dividido da seguinte forma: 75% em lata, 15% em vidro long neck e 10% em vidro retornável. Os restantes 70% refletem o canal on premise, ou seja, o consumo no próprio local. “Pelo que sabemos, não há pressão dos donos de bares, padarias, restaurantes e lanchonetes para mudar”, diz Lorente. “Estão satisfeitos com suas margens de lucro, as cervejarias também – e, se o canal inteiro está

feliz, por que mudar?” Quanto à possibilidade de diferenciar os formatos das embalagens, o presidente da Cisper destaca que “nesse aspecto o mercado de cerveja hoje é bastante segmentado, e o vidro contribuiu muito para isso”. Lorente lembra que as garrafas de vidro long neck de cada marca têm perfis diferentes e três cores distintas, âmbar, verde e incolor. Ademais, o vidro disponibiliza garrafas de 600ml descartáveis, que também podem ser personalizadas.
“deve-se Considerar o Custo”
a abividro - associação das indústrias de Vidro enviou a seguinte mensagem: “Lamentável a reportagem da Gazeta Mercantil do dia 20/03, pois além de tendenciosa não apresenta a situação real do mercado brasileiro e ainda por cima contradiz reportagem publicada pelo próprio jornal no dia 3/12/99. À primeira vista chama a atenção a fonte da pesquisa ‘O Julgamento do Consumidor’ feita pela Promo Edge, dos Estados unidos, empresa sem notoriedade no ramo de pesquisa sobre embalagem de cerveja no mercado americano, conforme informação do american Beer institute, que alega desconhecer tal estudo ou tal empresa. Os números de participação do mercado brasileiro de cerveja estão desatualizados; hoje, conforme dados da Nielsen e do sindicerv, temos o seguinte perfil : Retornável : 70% (Vidro: 77%) Descartável : 30% (Vidro: 4%) atualmente não se utiliza conservantes em nenhuma cerveja com boa reputação e qualidade de nível mundial, pois são totalmente desnecessários. a tendência mundial é de busca, pelo mercado consumidor, de produtos cada vez mais naturais, o que contrapõe a tecnologia proposta pela Rhodia-ster. Quanto ao custo, é preciso considerar que muito em breve haverá lei ambiental cujo enfoque principal será o de poluidor-pagador; isso acarreta riscos adicionais de novos custos, que se agregados a qualquer uma das propostas que tramitam no governo, resultam em: - Encarecimento da matéria-prima - aumento de tributos sobre tipos específicos de embalagens - Restrições que obriguem ao tratamento de resíduos sólidos, ou lixo urbano.”

“Cerveja a um passo da garrafa plástiCa”

Com o título acima, a Gazeta Mer­ cantil do dia 20/3/2000 trouxe reportagem dizendo que a Rhodiaster, divisão de resinas da Rhodia do Brasil, criou um novo processo de fabricação de cervejas que permite o engarrafamento em vasilhames de PET. Sua adoção dependeria apenas de aprovação do Ministério da Agricultura. “Uma cervejaria de médio porte já estaria preparada para lançar a cerveja em

PET, graças a uma mudança no estabilizante da bebida”, segundo a reportagem. A Gazeta Mercantil citava também pesquisa realizada nos Estados Unidos pela Promo Edge mostrando que, “na avaliação dos consumidores, a garrafa plástica para cerveja leva vantagem sobre as latas de alumínio e sobre o vidro”. Aqui, os setores que se sentiram atingidos se manifestam.

“Haverá forte resistênCia”
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a alcan do Brasil, fornecedora de chapas de alumínio para a fabricação de latas, encaminhou o seguinte texto à redação de embalagemmarCa: “O PET para cerveja nas tecnologias disponíveis no exterior ainda é mais caro do que a lata; “o PET para cerveja na tecnologia desenvolvida pela Rhodia-ster (única tecnologia brasileira), por alterar a composição da cerveja deve alterar o seu gosto e suas propriedades químicas, não sendo apoiada pelos mestres cervejeiros e pelo próprio sindicerv (para conhecer em detalhes a opinião do setor cervejeiro, aces­ se o site www.sindicerv.com.br); “há resistência cultural a aceitar um produto como a cerveja envasada em plástico – provavelmente haverá forte resistência à entrada desta embalagem por parte dos consumidores; “a lata gela mais depressa e demora mais tempo para esquentar – a característica de temperatura do líquido é muito importante para cervejas; “a lata é mais facilmente estocável e transportável do que o PET (maior conveniência); “o PET somente se justifica economicamente em embalagens de grande volume e, assim, passa a não representar um concorrente à lata, que é tipicamente uma embalagem do sin­ gle serve; “mesmo nos Estados unidos, onde já passou da fase de teste na miller, o público-alvo dessa embalagem é formado por pessoas que freqüentam estádios, shows e outros eventos externos; as ocasiões de consumo serão restritas a esses eventos abertos; em outras palavras, essa embalagem não canibalizará nenhuma outra já existente; ela será uma opção a mais para uma ocasião de consumo que ainda não está bem servida de emba-lagens específicas.” a Latasa, maior produtora de latas de alumínio no país, não se manifestou.

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rótulos

à toda

auto-adeSivoS

e

Segmento tem novas empresas e boas novidades
stá interessado em transformar produtos de modesto desempe­ nho em artigos atraentes no ponto­de­ven­ da? Pense em rótulos auto­adesivos. O seg­ mento está repleto de novidades, de novos for­ necedores e de promes­ sas de oportunidades. Ainda há quem resista à idéia, mas deve ser uma minoria cada vez mais restri­ ta. No Brasil, o uso de rótulos auto­adesivos e dos incontáveis incrementos que podem acompa­ nhá­los tem crescido em média 30% nos últimos anos, refletindo a crescente adesão da indústria às vantagens oferecidas por esse siste­ ma de decorar os mais variados tipos de embalagem. Aqui são apre­ sentadas ações em andamento em algumas das empresas do setor, além de lançamentos.

MultIlABEl INAuGurA FÁBrICA No BrAsIl
Dentro da intensa movimentação registrada na área de auto­adesivos, destaca­se a chegada da Multilabel Argentina ao Brasil. Reconhecida como uma das maiores empresas do segmento no país vizinho, a empresa, segundo Juan Luis Cule­ bras Sanjuan, seu diretor, investiu 2

milhões de dólares na instala­ ção de uma fábrica em São Paulo, a ser inaugurada em junho próximo. A Multilabel já é conhe­ cida no país, onde, tradicional­ mente, fornece a várias empre­ sas. O motivo da inauguração da fábrica local se deve, na expli­ cação de Culebras Sanjuan, sobretudo às dificuldades cria­ das pela defasagem cambial entre o peso e o real e a “cer­ ta resistência de novos clien­ tes a comprar o produto argentino, pois, devido a problemas alfandegários, têm dúvidas quanto à pontualidade da entrega”. A partir de agora, ele diz, “ambos os problemas estão superados, e a Multilabel

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pode oferecer não só rótulos com a qualidade internacional que a con­ sagraram em diferentes mercados da América Latina como também uma ampla gama de produtos dife­ renciados”. Um desses produtos, apresenta­ do durante a Brasilpack, em São Paulo, é o rótulo auto­adesivo Securetiq, com etiquetas de segu­ rança já inseridas no verso. Estas são circuitos de rádio­freqüência fornecidos por dois fabricantes internacionais presentes no Brasil e com os quais a Multilabel já tem parceria na Argentina, a Check­ point e a Sensormatic. A aplicação desse dispositivo antifurto pela indústria usuária das embalagens vem­se tornando uma crescente exigência do varejo. José Carlos Drager, gerente comercial da Multilabel, argumen­ ta que, embora possa trazer peque­ no acréscimo ao custo final da embalagem, a etiqueta de seguran­ ça já aplicada no rótulo pode vir a representar um bom argumento de venda frente ao varejo (ver o qua­ dro ao lado). Assim, está aportan­ do um benefício ao varejista: o de não precisar fazer isso a suas expen­ sas, como ocorre atualmente. Afi­ nal, o atributo da conveniência não é fator de decisão apenas para o consumidor final. Outro poderoso diferencial apresentado pela Multilabel é o processo in mold, no qual os rótu­ los são impressos em filmes plásti­ cos multicamadas, que permite sua fusão diretamente em embalagens de polipropileno e polietileno durante o processo de sopro ou injeção. Além do excelente resulta­ do gráfico obtido, uma vantagem propiciada por esse sistema é que dispensa o uso de rotuladoras. Em sopro, seu uso é mais habitual em recipientes de materiais de limpe­ za, óleos lubrificantes e, em menor escala, de cosméticos. Já em inje­ ção, é mais comum encontrar o uso

Fasson agora em dobro
a avery dennison do Brasil, dona da marca Fasson e maior fornecedora de bases para impressão de rótulos adesivos no país, acaba de ampliar em mais de 100% sua atual capacidade produtiva. a empresa inaugurou em sua unidade de vinhedo, a 60 quilômetros de São Paulo, o mais moderno coater da américa Latina. o investimento feito, segundo Carlos de oliveira Ávila, gerente geral da empresa, foi de 10 milhões de dólares, incluindo a compra e a instalação da laminadora, a ampliação da fábrica em 3 500 metros quadrados e a construção de um centro de distribuição. Para explorar todo o potencial do equipamento, a avery dennison lançou três novos adesivos: Fasson S2045, Fasson S2005 e Fasson C2075. o primeiro destina-se à indústria de rotulagem e tem como característica a perfeita adesão a vidro e plástico, sendo ideal para aplicações em diâmetros pequenos, como ampolas, gargalos de garrafas e pequenos frascos. “No Brasil, é o único adesivo indicado para contato direto com alimentos não gordurosos, e será uma inovação para o mercado de bebidas, dada a possibilidade de aplicação em diâmetros pequenos”, diz Maira trivellato, responsável pela linha de rotulagem na avery dennison. o Fasson 2005, direcionado à indústria gráfica, garante conversão limpa para altas velocidades, entre outras vantagens técnicas. Já o Fasson C2075 distingue-se pelo desempenho em corrugados (papelão) e em situações de grande agressividade, reunindo características necessárias para uso em aplicações frigoríficas.

Securetiq, da Multilabel, em frente…

…e verso: circuito de segurança

de in mold em embalagens de sor­ vetes, margarinas, baldes de tinta e tampas plásticas em geral. Além dessa possibilidades, a Multilabel trabalha com pratica­ mente todos os tipos de impressão de rótulos, incluindo letter­press, hot­stamping e holografia.

ProDEsMAQ AMPlIA o PArQuE INDustrIAl
A Prodesmaq, uma das maiores fornecedoras brasileiras de rótulos auto­adesivos, não está indiferente à chegada do concorrente nem ao crescimento do mercado. Na ver­ dade, antes mesmo que circulasse a notícia de que a Multilabel viria para o Brasil, a empresa de Vinhe­ do (SP) tomou algumas iniciativas para manter a liderança no setor. No momento, informa seu diretor, Nelson Jocionis, a empresa está ampliando a área construída da fábrica de 4 000 para 8 000 metros quadrados. A ampliação destina­se a insta­ lar, em agosto próximo, um equi­ pamento com a mais avançada

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tecnologia para a produção de rótu­ los auto­adesivos, já embarcado na Europa. “É o primeiro equipamen­ to de altíssima qualidade para bai­ xas tiragens”, diz o diretor da Pro­ desmaq. Segundo ele, esse equipa­ mento, dotado de seis estações de off­set e duas de verniz, é capaz de realizar, em linha, desde serigra­ fias, hot stamping e embossing (relevo) até o corte do rótulo. Para demonstrar a alta performance da máquina, Jocionis conta que, com as duas estações envernizadoras, é possível aplicar simultaneamente verniz fosco e verniz brilhante. A grande novidade, ele diz, são as tiragens baixas, que permitirão a clientes de pequeno porte benefi­ ciar­se das vantagens oferecidas pelos rótulos auto­adesivos. “Isso sem abrir mão da qualidade.” Para o final do ano, conta Nel­ son Jocionis, será embarcada na Europa outra máquina, para serigra­ fia, of­set, hot stamping e corte. “É uma máquina modular, que pode realizar as operações de hot stam­ ping ou de serigrafia no momento que se desejar, sem necessidade de que seja seguida uma seqüência”, ele diz. “Em outras palavras, o que

se tem é flexibilidade na confecção do rótulo.” Ao contrário da máqui­ na que entrará em operação em agosto, esta se caracteriza pela alta velocidade e pelas altas tiragens.

NoVElPrINt INVEstE EM rEEstruturAÇÃo
Outra que não esperou para ver o que acontecia na área é a Novel­ print. Segundo Fernando Pirutti, superintendente comercial, em 1999 a empresa investiu 3 milhões de dólares na reestruturação de seus escritórios, em software e na importação de quatro impressoras flexográficas de última geração. São equipamentos capazes de imprimir em até dez cores, com tecnologia a laser. Pirutti afirma que essas máquinas propiciam resultado gráfico similar ao obtido em impressão off­set, porém a cus­ to mais econômico. O investimento, segundo o superintendente comercial da

Migração sem troca de equipamentos
a fornecedora paulista de rótulos Labeltech está levando diversas empresas a migrarem dos rótulos de papel para os de BoPP, mais resistentes. o argumento para a substituição é sedutor: não há necessidade de compra de novas – e dispensiosas – máquinas dedicadas ao trabalho com filmes plásticos. a solução é adequada para produtos rotulados a partir de magazines (unidades), não de bobinas. “o corte na pré-rotulagem envolve uma técnica especial”, destaca Miguel ascoli Neto, diretor da Labeltech. o knowhow desenvolvido consiste no corte limpo, sem a indesejável junção das folhas superpostas. esse aspecto até então era tido como inevitável e intrínseco, quando se tratava de materiais termoplásticos, por causa da alta pressão da guilhotina no momento da disposição dos magazines. isso vem atraindo algumas marcas de água mineral, como Prata, Lindoya verão, Minalba e Bioleve, que já aderiram ao processo. “o processo é adequado para qualquer tipo de embalagem e, com pequenos ajustes, pode gerar de 40% a 50% em economia de adesivo e funcionar a 120o C, ao contrário dos 160o normais”, diz ascoli Neto. Segundo ele, isso possibilita maior velocidade de rotulagem e menor consumo de energia.

Novelprint, foi motivado pela necessidade de acompanhar o ver­ tiginoso crescimento do uso de rótulos auto­adesivos no país, onde as empresas estariam substituindo a serigrafia e a cola por aquela modalidade de decoração. Ele lem­ bra que seguidamente são incorpo­ radas novas tecnologias de impres­ são no segmento, de modo a redu­ zir cada vez mais o metro quadrado impresso. Para manter­se em dia com o estado da arte, no segundo semestre a empresa de auto­adesi­ vos anuncia que importará um novo equipamento com capacidade para aplicar até 800 rótulos por minuto. A expectativa é de que funcione ainda este ano. Em termos de novos produtos, a Novelprint oferece atualmente fil­ mes de polipropileno “com custos similares aos do papel e qualidade gráfica superior”, segundo Pirutti. “São rótulos que chamam a aten­ ção do consumidor no ponto­de­ venda e acompanham a vida útil do produto, sem desmanchar quando em contato com a água”, ele des­ creve. Entre as novidades, a mais recente é o Label Mídia, rótulo auto­adesivo que se desdobra como um folheto e pode trazer, em suas páginas, mensagens publicitárias de outras empresas e produtos, como foi feito há algum tempo nos cartuchos da lã de aço Bom Bril. Pirutti diz que a Novelprint está empenhada em fortalecer o conceito desse tipo de rótu­ lo, no qual aposta firme, por ser inovador. Adequado para uso em produtos de grande tiragem, o Label Mídia sem dúvida tem bom potencial de impacto. “Nessa mídia há garantia de que 100% dos consumidores do produto em que for aplicada terão acesso à mensagem.”

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rótulos

O impORtAntE É

p

Rótulo fluorescente promove produto onde ele é consumido
pouco iluminados, afeitos à penumbra, nos quais rótu­ los comuns poderiam passar despercebidos. As Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho­ Três Fazendas (IRB), fabricante do energético, apos­ ta no diferencial. Tanto que alterou o rótulo do Ato­ mic Energy Drink regular (EmbalagEmmarca no 8) para incluir os detalhes fluorescentes. Fornecidos pela Hervás, de São Paulo, usam a mesma tecnologia dos adesivos com motivos espaciais que crianças costumam grudar nos tetos de seus quartos, como os da recente promoção “Gelo­cósmicos”, da Coca­ Cola, também feitos pela Hervás.

ara que o rótulo possa exercer sua função de ferramenta de marketing é preciso que seja visto. Esse propósito, por mais óbvio que seja, vem promovendo uma novidade para reforçar ainda mais o atributo de comunicador de marca que o rótulo carre­ ga: o uso de tinta especial que o faz brilhar em ambien­ tes escuros. O implemento pode ser visto no rótulo auto­adesivo do Atomic Energy Drink Light, anunciado como o primeiro ener­ gético de baixas calorias no mundo. Os detalhes fluorescentes, produzidos pela tinta ultravioleta, destacam o produto onde ele é normalmente consumido, as casas noturnas e danceterias – locais

Faturamento 35% maior
Os rótulos, de polipropileno bi­orientado (BOPP), levam impressão flexográfica em seis cores, e o papel é fornecido pela Avery Dennison (Fasson). A tinta ultravioleta é atóxica, assim como o adesivo, o que permite seu emprego para os mais diversos produtos, como brinquedos e alimentos, sem qualquer risco, destaca Hélio César Alleman, gerente de vendas da Hervás. Ele sustenta que a entrada da tecnologia no ramo de rótulos industriais gera impacto pela força da novidade. “Os jovens, público do produto, são ávidos por esse tipo de diferencial”, comenta. A meta da Hervás é obter participação progressivamente maior em produtos de linha, não se restringindo a ações pro­ mocionais. O trunfo da empresa na fabricação de tais rótulos é uma máquina espanhola Rotatec, que impri­ me, seca, corta e bobina numa só etapa. “Nada melhor que o rótulo brilhar, simbolizando energia, o caráter do produto”, diz César Rosa, geren­ te de marketing da IRB. Segundo ele, as inovações em embalagem garantiram um faturamento 35% maior que o previsto no início do projeto, o que acaba dirimindo qualquer dúvida em relação à eficácia de implementos de tal impacto.

Os detalhes do rótulo do Atomic Energy Drink Light, com tinta UV, brilham em ambientes escuros

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LOGíSTICA

onda verde
Contêiner reciclável elimina gastos e preocupações ambientais

no embalo da

a

leandro Haberli

s legislações mais austeras, a pressão da porte de óleos lubrificantes e outros derivados de sociedade ou mesmo a conscientização petróleo que a empresa comercializa. Internamente, dos empresários são os principais propul­ os produtos são acondicionados em sacos de polieti­ sores da crescente preocupação ambien­ leno de baixa densidade (PEBD) e polinylon (PN) em tal, que se solidifica nas diversas etapas da cadeia duas ou três camadas. Daí o nome de bag­in­box, ou produtiva. No ramo logístico, a tendência não é dife­ “saco na caixa”, do produto. A Scholle, através da rente. Por isso, muitos fabricantes Stábile Representação, a Quali­ de sistemas de armazenagem e pack e a Embaquim são os forne­ distribuição, antevendo neste cedores dos bags especiais para o panorama boas possibilidades de • o contêiner octogonal mercado nacional. atuação, já disponibilizam alter­ de 1000 litros ocupa a nativas projetadas sob o mote da Menos frete mesma área que quatro preservação ecológica. Entretan­ Segundo Luiz Cláudio de Freitas, tambores de 200 litros to, para que essas opções de fato analista de desenvolvimento de consigam seduzir seus potenciais mercado da Ipiranga, a alternati­ usuários, é necessário mais do que • conceito bag-in-box va começou a ser testada em a promessa isolada de redução de agosto de 1999. “Foi quando per­ impactos ambientais. Na verdade, cebemos que uma de suas maio­ • permite empilhamento o mercado dá clara preferência a res vantagens é a eliminação do dispositivos que, além de ecologi­ frete de retorno”, detalha. Isso é camente corretos, agreguem agili­ • base em madeira (palete) possível porque o sistema é one­ dade e, sobretudo, diminuam as way. Exatamente por ser descar­ própria despesas de movimentação e tável, o contêiner é tido como armazenamento. uma alternativa mais cara do que Conhecida pela rede de postos seus principais concorrentes – no de combustível, a Ipiranga é caso da Ipiranga, se considerados uma das empresas que bus­ apenas os custos absolutos, cam este tipo de solução. Por essa impressão é verdadeira. isso, vem utilizando um con­ Mas, como explica Freitas, a têiner reciclável que une van­ diferença acaba sendo com­ tagens logísticas e apelo pensada em outras fases da ambiental. Feito de papelão cadeia de distribuição. “Além ondulado de alta gramatura, o de não arcar com o retorno do contêiner é usado para trans­ contêiner, eliminamos os gas­

Alguns benefícios

fotos: divulgação

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tos com processos de limpeza”, contabiliza. “Mas, acima de tudo, fomos compensados pela excelente recepção da novidade entre nossos clientes com preocupações ambientais.” O contêiner reciclável da Ipiranga é fornecido pela Rigesa Westvaco do Brasil, e não se restringe ao transporte de produtos químicos e óleos lubrifican­ tes. Na verdade, ele pode ser usado para acondicio­ nar grande variedade de produtos líquidos e pasto­ sos. Já há, por exemplo, indústrias alimentícias que adotaram a alternativa da Rigesa. Entre elas, desta­ cam­se a produtora de sucos naturais GoldenFruit e a divisão de Glucose da Cargill. Na busca de aceita­ ção, a otimização das quantidades transportadas des­ ponta como um diferencial sedutor. “Podendo trans­ portar até 1000 litros, o contêiner tem capacidade equivalente à de cinco tambores”, salienta Marcelo Perucci, promotor de produtos da Rigesa. Outro des­ taque é a excelente resistência, garantida por paredes reforçadas com um tipo especial de papelão. “O mio­ lo utilizado é obtido a partir de um processo de lami­ nação especial, que foi criado exclusivamente para a produção do contêiner reciclável”, conta Augusto Taborda, do departamento de vendas da Rigesa.

De madeira também
a busca por agilidade, a eliminação de gastos adicionais e a preocupação ambiental também impulsionam a dis­ seminação dos contêineres de madeira para líquidos e produtos pastosos. eles funcionam de maneira similar aos de papelão ondulado, com bags plásticos em seu interior, e podem ser desmontados, retornando com um quarto de seu tamanho original. a adezan embalagens e Serviços, de São Paulo, comer­ cializa tais contêineres com o nome de big box, e vem obtendo repercussão do produto principalmente quando o intuito é a exportação. “nesse caso, há o descarte do contêiner, pois o custo para o retorno acaba não com­ pensando”, expõe Vanderlei de Freitas dias, gerente industrial da empresa. Freitas dias ressalta como pontos que contam a favor da madeira a resistência mecânica, a capacidade de empilhamento de até quatro unidades, o possível armazenamento ao ar livre e a capacidade de adaptação a câmaras frias, numa variante em que o com­ pensado de madeira é colado com adesivo fenólico. a adezan tem ainda uma opção com revestimento térmico, patenteada, que em 24 horas perde apenas 10% de sua temperatura original. Já a Vicari, também de São Paulo, adota o nome de Vibox para seu produto similar. a madeira é tratada com fungicida e bactericida, o que garante maior vida útil ao contêiner.

“Sanduíche” econômico
Outra empresa que aposta no potencial do contêiner de papelão ondulado é a Kpack, que apresentou seu modelo durante a Brasilpack, no fim de abril. A estrutura não leva miolo semiquímico ou tratamentos especiais. Consiste num “sanduíche” composto por duas camadas de papelão com tecnologia Corrupad – múltiplas folhas de papel reciclado coladas com adesivos à base de água – no interior. De acordo com Antônio Carlos Martins, gerente comercial da Kpack, a expectativa em relação ao sucesso do produto é total, já que o contêiner “chega a gerar até 70% em economia em relação a sistemas convencionais, como tambores de aço”. Para a montagem e a adequada utilização do sis­ tema, são fornecidos manuais de instrução, embora, na opinião dos fabricantes, de tão simples a monta­ gem chegue a ser intuitiva. Para reforçar o apelo ambiental, os usuários também são instruídos sobre os procedimentos de descarte dos contêineres. Na visão da Rigesa Westvaco, porém, o ganho ecológico não é a característica mais importante do contêiner. “Na verdade, a agilidade e a possibilidade de dimi­ nuição dos custos acabam sendo os diferenciais mais importantes”, avalia Taborda. Martins, da Kpack, concorda. “Claro que conta o fato de a estrutura ser reciclável e biodegradável, mas o produto é compe­ titivo por si só”, conclui.

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fechamentos

segurança
e funcionalidade

n

fechamentos para cosméticos e medicamentos ganham novas opções
os últimos anos, os siste­ mas de fechamento têm ampliado suas funções basicas, ganhando cada vez mais características de instru­ mento de venda, seja quando garan­ tem a integridade e a inviolabilidade do produto, seja como ornamentos que o valorizam. Refletindo esse panorama, os fabricantes de tampas colocam­se em dia com os avanços da tecnolo­ gia internacional e lançam produtos que vêm suprir antigas faltas, sobretudo nas áreas de farmacêuti­ cos e perfumes e cosméticos. Com­ plementando reportagem de capa da edição nº 9, que mostrou novos sis­ temas de fechamentos para alimen­ tos e bebidas, EmbalagEmmarca mostra aqui algumas novidades que as indústrias estão apresentando naquelas duas áreas.

Tampas da TMe: uso mais intensivo de resinas específicas

Perfumes e cosméticos
Apostando no design como fio con­ dutor da comunicação entre consu­ midor e produto, o setor de tampas para perfumes vem contornando a escassez de alternativas de fecha­ mentos sofisticados para frascos e produtos também requintados. Nessa vertente, a TME, de São Bernardo do Campo (SP), tem inten­ sificado o uso de resinas específicas, como o Surlyn, da Du Pont. “Quan­ do uma tampa precisa aliar transpa­ rência a grandes espessuras, o Surlyn é a melhor opção disponível”, afir­

ma Carlos Wagner Toth, gerente de vendas da empresa. De acordo com as especificações do pedido, a empresa trabalha com outros mate­ riais, como resina de cerâmica, utili­ zada em tampas com rosca de 18mm, ou polipropileno (PP), material mais barato e de acabamento menos nobre. A TME desenvolve moldes exclusivos ou disponibiliza sua linha standard. Atenta às excelentes perspectivas para frascos dotados de válvulas pump, a empresa passou a comercia­ lizar a tampa Thenue, de Surlyn, com recrave de 15mm. Ela era exclu­ siva dos perfumes Pierre Alexander, mas em maio a TME a incluiu em sua linha. “É uma tampa com muito apelo feminino”, diz Toth. Sua prin­ cipal característica é a transparência, mas sob alguns ângulos o material

ganha aspecto fosco. “Curvas e ângulos contribuem para que a tam­ pa se harmonize com o frasco do produto”, afirma o designer da TME, Marcos Vega, responsável pela concepção da Thenue. A empresa dispõe também em sua linha da tampa Tahaa Nui, com recraves de 20mm, do mesmo mate­ rial. Como na Thenue, as possibili­ dades de cor seguem a escala Panto­ ne, com mais de 1 000 tons. Na área de cosméticos e produ­ tos de higiene pessoal, a Seaquist Valois está lançando um sistema de fechamento até hoje inédito no Bra­ sil. Instalada no país há um ano e meio, a empresa desenvolveu em sua matriz norte­americana o meca­ nismo SimpliTwist. Trata­se de um sistema que dispensa o manuseio de sobretampas. Ele possui, na abertu­

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perfume, a empresa fornece as tam­ pas dos perfumes Acqua de Gio (Armani), In Love Again (Yves Saint­Laurent) e Tocade (Rochas).

farmacêuticos
Na área de farmacêuticos, onde a principal preocupação em relação a fechamento sempre foi a segurança, as empresas estão incrementando seus produtos, para que acumulem novas funções e garantam a inviola­ bilidade nos pontos­de­venda, evi­ tando o uso inadequado. Neste caso, tampas child­proof, fáceis de serem abertas por adultos, mas difíceis para crianças, ganharam lacres de segurança. O segredo é que, para abrir a tampa não basta desrosqueá­ la. É preciso também pressioná­la simultaneamente. Uma das empresas que já fabri­ cam as tampas child­proof com lacre é a Tapon Corona, que as comercializa para frascos com boca de rosca de 18mm, 24mm e 28mm. “Esse sistema garante que crianças não abrirão frascos com remédios e garante a inviolabilidade do produ­ to, pois acusa violações no ponto­ de­venda”, explica Ingrid Zamboni, assessora de marketing da Tapon Corona. Preocupada também com a agilidade da produção, a empresa vem desenvolvendo polímeros de alta cristalinidade. Além de bom aspecto visual, esse tipo de material garante vantagens ao processamen­ to das tampas, refletidas sobretudo na diminuição do tempo de injeção dos polímeros nas formas. Já a Védat, tradicional fornece­ dora para a indústria farmacêutica, estará disponibilizando a tampa child­proof com lacre em junho próximo, nas mesmas medidas cita­ das acima e “sem comprometer o custo da produção”, segundo a gerente de vendas da empresa, Giu­ liana Olivari. Investindo forte nas tampas sure­guard para atender a uma portaria do Ministério da Saú­ de que obriga o uso de lacres invio­
child-proof da Tapon corona

SimpliTwist, da Seaquist Valois

ra do frasco, uma membrana de sili­ cone cortada em forma de “x” que se abre quando a embalagem é pres­ sionada, permitindo a vazão do pro­ duto. Quando a quantidade desejada já foi obtida, basta desapertar o fras­ co para que fique novamente veda­ do pela membrana. “Esse sistema facilita o manuseio do produto e assegura maior higiene e melhor dosagem, garantindo mais econo­ mia”, afirma o gerente de vendas da Seaquist Valois, Maurício Schibuo­ la. Entretanto, por ser um mecanis­ mo sofisticado e ter de ser importa­ do, ainda é caro para os padrões da indústria brasileira de cosméticos. “Mas para produtos top de linha, que podem ter novos valores agre­ gados, o sistema é ideal”, garante. Outro poderoso player presente na área de fechamentos e embala­ gens para cosméticos e perfu­ mes é a Rexam Beauty Pac­ kaging do Brasil, pertencente ao grupo britânico Rexam e presente em 47 países. Para se ter idéia do poder inovador representado por essa marca, basta lembrar que as embala­ gens de maquiagem dourado­ fosco e as embalagens negras da Natura são produzidas na fábrica da empresa em Jun­ diaí (SP). Além de produção própria a Rexam tem condi­ ções de importar de outras fábricas do grupo. Entre outras marcas consagradas de
Tampa da Rexam para perfume

láveis em embalagens de remédios, a Védat prepara o lançamento de tampas com lacre para flaconetes monodose no diâmetro de 16mm. O laboratório Glaxo Wellcome, que já usa o sistema pilfer­proof nas embalagens de seus produtos, come­ ça a apostar também no mecanismo de segurança contra a curiosidade das crianças. Segundo o supervisor de desenvolvimento de embalagens, Rafael Hurovich, a empresa estuda a adoção desse tipo de fechamento em produtos fabricados no Brasil. Nos importados, os frascos já con­ tam com esse sistema. Apesar do empenho dessas empresas em fornecer sistemas de segurança em fechamentos, Serafim Branco Neto, secretário­executivo da Abifarma – Associação Brasilei­ ra da Indústria Farmacêutica, lem­ bra que o alto custo dos materiais das embalagens tem impedido que todas as empresas utilizem fecha­ mentos sofisticados. “Há um acordo entre as indústrias do setor para não repassar preços adicionais ao consu­ midor”, ele afirma. “Para isso é necessário aumentar a oferta de materiais, que hoje são poucos e caros.”

Tampas da Védat com lacres para medicamentos

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feira

máquinas tra
Brasilpack 2000 apresentou muitas novidades em equipamentos.
Solução em sopro - A
TMS 1001, sopradora de préformas em PET da Side, é a novidade da Lenzi para o mercado nacional. É voltada a produções em média e pequena escala. Permite 1 300 envases/hora em garrafas de até 2 litros de capacidade.

r

eunir num único espaço diversos fornecedores de soluções em embalagem representa uma sedutora oportunidade de estar em dia com o que há de novo para destacar produtos e garantir processos mais compensadores. Nesse sentido, a Brasilpack 2000 pôde proporcionar, através de 350 expositores distribuídos em 22 000 m2 do Pavilhão de Exposições do Anhembi (SP), o contato direto com ten­ dências, publicações, materiais, prestadores de serviços e fornecedores de equipamentos. Aqui são mostradas algumas novidades que despertaram atenção durante os cinco dias da feira para o setor de embalagens.

Túnel para garrafões A Tectron Brasil mostrou seu Túnel Brenner, para encolhimento de sacos plásticos para proteção de garrafões de água, que pode ser adaptado a esteiras transportadoras existentes e permite maior higiene e qualidade de apresentação do produto. A empresa tem ainda equipamentos como seladoras em “L”, seladora automática para sacos plásticos, seladora conjugada em “L” (encolhimento/selagem), esteiras transportadoras e túneis de encolhimento para agrupamento de produtos, cápsulas de PVC (lacres), skin (para blisters) e multipack, automáticas ou semiautomáticas.

Sistemas integrados - A Carnevalli esteve presente

fotos: divulgação

reforçando suas linhas de extrusão e impressão flexográfica com a adição de novos periféricos. As principais estrelas foram o sistema integrado de linha de coextrusão de três camadas COEX 3PO, para sacaria industrial, que permite o trabalho com bobinas tubulares, sanfonadas e gofradas, com impressão em linha por máquina BBI. A impressora flexográfica BSS-1200 foi mostrada em nova roupagem, com rebobinamento automático, enquanto a regranuladora de filmes plásticos CR-60 foi redesenhada, e agora possui sistema de refrigeração acoplado.

Sem sobras - A Embrapac lançou a Sanpack-SP,

máquina para fazer sanfona e selagem de embalagens flexíveis com corte da sobra. Segundo José Aparecido de Lima, do departamento comercial da empresa, isso permite que o produto não fique solto, com fechamento justo e limpo. A Sanpack é voltada principalmente ao mercado de fraldas e absorventes higiênicos.

Polivalência em codificação - A Série A de codi-

ficadoras Domino foi a novidade da Sunnyvale para a feira. Elas podem variar de aplicações intermitentes a contínuas de alto ciclo de operação, seja em ambientes esterilizados, seja em áreas molhadas ou com alta concentração de poeira. O circuito fechado de gerenciamento de tinta elimina problemas de contaminação, e não há necessidade de uso de ar comprimido, o que evita problemas decorrentes de sistemas de alta pressão.

Selagem interna para segurança - A Priscell apostou suas fichas na Ativa I, máquina que permite selagem interna nas abas de cartuchos de cartão. O equipamento baseia-se em aplicação de adesivo hot-melt a partir de bobinas, o que garante uniformidade na aplicação em cada unidade. A cola solidifica-se na aba interna do cartucho e pode ser reativada nas dependências do próprio usuário com o uso do Reativa I, equipamento que aquece o adesivo e une as paredes do cartucho. Esse sistema integrado aumenta a segurança da embalagem, pois é possível agregar mecanismos de fácil abertura (easy open), cuja violação é facilmente percebida.

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azi das ao alcance da mão
aqui são mostradas algumas que mais chamaram a atenção
empacotamento automático - A Day Brasil, fabricante de plásticos semi-acabados, correias e fitas adesivas industriais, mostrou o sistema de empacotamento automático Tectape, que faz o fechamento de até 1 200 caixas por hora. Tem dupla motorização (inferior e superior) e permite a rápida reposição de rolos de fita com até 1 800 metros de comprimento. flexibilidade na largura - A Compacta 6, impressora flexográfica de alto desempenho, foi a vedete no estande da Flexopower. Com sistema de impressão frente/verso tipo 6+6 cores, tem velocidade mecânica máxima de 200 metros por minuto e bobinas de 800mm. A variedade de largura de impressão é de 600/800/1000/1200/1400mm. Segundo Alberto Walter Eckel, engenheiro da Flexopower, a Compacta vem sendo utilizada em convertedoras para aplicações que vão de embalagens industriais a sacolas promocionais.

Para multipacks - A seladora bundling automática

teve suas virtudes reforçadas pela Dal Mak durante o evento. O equipamento – voltado ao fechamento de caixas, galões e peças soltas, ou à junção de unidades de produtos através de filmes encolhíveis (multipacks) – pode ter uma única esteira na entrada ou duas em série para distanciar os pacotes, e possui painel com leitura digital do termorregulador e da velocidade da esteira.

Corte e vinco com amostra imediata - A Per-

Balança com detetor - O sistema

pak mostrou sua mesa de amostras da Artios Kongsberg/ Barco Systems. A máquina de corte e vinco permite a produção instantânea de amostras, o que agiliza o projeto da embalagem de acordo com o desejo do cliente. Segundo Gilberto Niebuhr, diretor da Perpak, a máquina tem uma biblioteca com extensa lista de projetos, o que facilita a tarefa de encontrar a solução adequada.

Diferentes na mesma máquina - A Hudson

Sharp apresentou o MS 1200 Dual Lane, máquina de corte e solda de flexíveis com capacidade para processar dois formatos distintos de embalagens ao mesmo tempo. Com duas linhas para sacos de até 600mm de largura, a MS 1200 já está operando em algumas convertedoras e em empresas como a Panco, no acondicionamento de pães de forma.

integrado (combo) de balança eletrônica com detetor de metais e a armadora automática de caixas de papelão ondulado foram os principais lançamentos da Packintec. O primeiro, agregando detetor PowerPhase, da Safeline, e balança Varpe, permite controle sobre linhas de produção onde o peso correto do produto e a segurança contra corpos estranhos sejam fundamentais (principalmente granulados e pós). O descarte acontece em lados distintos do equipamento.

Dimensões reduzidas - A W26, máquina de

embalar da empresa suíça Willi Maschinenbau AG, é a novidade da Ferrer e Castro para o mercado nacional. Permite o uso de uma gama variada de filmes, até em camadas superpostas, e imprime diretamente na embalagem, podendo agregar informações do produto. O selador tem controle automático de temperatura e painel de fácil operação, com visor. A velocidade de trabalho é de até quarenta sacos por minuto, e há controle de desenrolar e de final da bobina do filme utilizado.
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Registro

Aqui estão resumos de algumas das notas publicadas em òltimas Notícias, seção atualizada diariamente no site da revista. www.embalagemmarca.com.br O grupo holandês Royal Numico aumentou sua participação no mercado de alimentos nutricionais ao comprar, por US$ 1,8 bilhõo, a Rexall Sundown, segunda maior fabricante de vitaminas dos Estados Unidos. O mercado de suplementos nutricionais, que inclui vitaminas, comida natural e bebidas isotônicas, é um dos que mais crescem no mundo, com taxas anuais entre 10% e 15%. No Brasil, a Numico comprou, em julho do ano passado, a fabricante de laticínios Mococa. A MD Papéis e a Technocell Dekor Gmbh&Co., da Alemanha, firmaram acordo de cooperação tecnológica e comercial na área de papéis decorativos, depois de dois anos de negociações. O projeto deverá receber investimentos de US$ 20 milhões até 2001. por toda a comercialização de papéis decorativos das duas companhias na América Latina e a empresa alemã comercializará o excedente da produção brasileira no resto do mundo. A Cisper está desenvolvendo no Rio de Janeiro o projeto "Vidro é Comida, Saúde e Educação", na comunidade da Mangueira. O projeto consiste na troca de três quilos de embalagens usadas de vidro por alimentos, medicamentos ou material escolar. Inicial-

mente, o material está sendo trocado por uma cesta básica de alimentos. O objetivo da Cisper é difundir as qualidades e vantagens das embalagens de vidro e garantir a fidelidade do consumidor ao material. A Embrapa desenvolveu na Amazônia duas variedades de mudas clonadas de guaraná que têm produtividade dez vezes maior que as convencionais. A perspectiva é de que o consumo do produto deve crescer com a criação da AmBev e com o consequente aumento das exportações do refrigerante de guaraná. As novas mudas clonadas também possibilitarão o plantio em outras regiões além da Amazônia, como os estados da Bahia e de Mato Grosso, com a mesma qualidade. A AmBev criou uma divisão de refrigerantes e bebidas não alcoólicas, que dará atenção especial ao guaraná Antarctica, principalmente nas exportações. Além do guaraná, ficarão sob responsabilidade da nova divisão do grupo outros 60 produtos, incluindo refrigerantes, chás, sucos e isotônicos. A criação da estrutura se justifica pelo tamanho do mercado nacional de refrigerantes: 110 bilhões de litros por ano, um consumo per capita de 66 litros. A Westvaco Corporation, que tem como subsidiária brasileira a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens, anunciou um acordo para a compra do grupo Impac, fornecedor mundial líder de soluções de

impressão e embalagens especiais sofisticadas, com unidades fabris nos Estados Unidos e na Europa. O valor da transação girou em torno de US$ 500 milhões, incluindo dívida líquida e ações preferenciais de US$ 294 milhões. A aquisição faz parte da estratégia da Westvaco de aumentar escala e foco em mercados globais de embalagens sofisticadas. A United Distillers & Vintners está vendendo três marcas de bebidas bem posicionadas no Brasil: o conhaque Dreher e os uísques Old Eight e Drury's. A UDV fará uma oferta pública de sua participação em 70% nas marcas e nas fábricas de Sorocaba (SP) e Recife (PE). A venda das marcas, duas delas líderes de mercado em seus segmentos (Dreher no de conhaques de cana de açúcar e Old Eight no de uísques), segue a política mundial da UDV de focar os negócios nos produtos prioritários e abandonar os de baixo valor agregado. Os negócios do grupo serão centralizados nos uísques Johnie Walker (Red Label e Black Label) e J&B, vodca Smirnoff, licor Bayleys, a tequila Jose Cuervo, o rum Malibu e os gins Gordon's e Tanqueray. A Tecmax, empresa que produz embalagens plásticas injetadas e sopradas para produtos de higiene pessoal e cosméticos, está investindo cerca de US$ 1,5 milhão na reestruturação de sua fábrica. Com o investimento, a empresa espera crescer cerca de 25% durante este ano, ampliando seus negócios para a América Latina.

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Quando se passa diante das gôndolas, alguns produtos apresentam semelhança incrível. Nomes com sonoridade parecida, embalagens com formatos e símbolos que seguem os mesmos padrões. Tudo isso deixa uma questão no ar: até que ponto essas similaridades devem-se à identidade da categoria do produto? Geralmente, as empresas pioneiras no segmento (muitas vezes as que detêm maior participação de mercado) acusam as suas seguidoras de plágio. Estas, por sua vez, reagem dizendo que “seguem as tendências da categoria”. Nessa nova seção, EmbalagemMarca traz alguns exemplos de embalagens parecidas, sem fazer qualquer julgamento de valor. Para esta primeira edição de “Mera Coincidência” foram escolhidas as garrafas de vermute das marcas Cinzano, Cortezano e Romano.
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andré godoy

Display
santàl active com cara de isotônico
O Santàl Active, da Parmalat, teve a embalagem totalmente reformulada para o seu relançamento,deixando a imagem de suco para seguir a lingua­ gem dos isotônicos. O logotipo ganhou forma ovalada e um splash mostra desenhos de furtas. Para caracterizar a linha, o rótulo recebeu cor azul na parte superior e cores que variam conforme o sabor da bebida na parte de baixo. O Santàl Active é comercializado em garrafas de vidro de 500ml, fabricadas pela CIV, nos sabo­ res Crazy Red (laranja, tomate e uva), mix Tropical (maçã, laranja e manga), uva com limão, tangerina e guaraná.

Gessy lever inova no Brilhante
O sabão em pó Brilhante, da Gessy Lever, está chegando às gôndolas dos supermercados com nova fórmula e nova emba­ lagem. Na fórmula, a novidade é um alvejante de ação contínua, que segundo o fabricante retira as manchas mais difíceis e real­ ça o branco e as cores das rou­ pas. A inovação na embalagem de um quilo, desenvolvida pela Narita & Associados e produzida pela Canguru, em PeBD, passa pela maior resistência e agora não solta a tinta em contato com a água, e chega ao fecho adesivo produzido pela Novel­ print, que permite o retampa­ mento da embalagem.

Itambé ataca no mercado de sucos
A Itambé, empresa conhecida pela atuação na área de derivados de lei­ te, está diversificando sua linha de produtos, entrando no mercado de sucos de frutas. Os sucos nos sabo­ res laranja, maçã e uva são acondi­ cionados em embalagens Tetra Pak de um litro. As caixas longa vida receberam ilustrações hiper realis­ tas das frutas sobre um fundo escu­ ro, nas cores azul e preta. Como a impressão é feita em papel metaliza­ do, criou­se um efeito de grande contraste entre as cores.

fOTOS: DIVuLGAçãO

Conhaque Domus também em versão de bolso
Com o sucesso da Caninha 51 em embalagem de bolso, a Companhia Müller de Bebidas está colocando no mercado o Conhaque Domus no mesmo tipo de recipiente, uma gar­ rafinha de PET de 200ml. O objetivo da empresa é ampliar a penetração da marca em novos mercados, como a região Nordeste do País, e em pontos­de­venda como bares e padarias. Com design criado pela Benchmark, o produto é disponibili­ zado em displays com seis unidades.

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Display
Círio lança novas embalagens
A Círio reformulou as embalagens da sua linha de atomatados. As princi­ pais novidades são as embalagens Tetra Pak metalizadas e as latas com tampa abre­fácil da Rojek, que antes eram exclusividade da concor­ rente Cica. As caixinhas dos molhos Tradicional Peneirado, de Polpa Gros­ sa e de Polpa Peneirada, de 520 gramas, são as primeiras da categoria de atomatados a utilizar o processo de metalização externa. As novas tampas das latas são coloridas e personalizadas de acordo com cada versão dos molhos Tradicional, Bolo­ nhesa, manjericão e Sugo, de 340 gramas e extrato Supercirio, de 350 gra­ mas. Nas embalagens, desenvolvidas pela Sera­ gini Design, o azul é a cor predominante. O verme­ lho, tradicional nesse seg­ mento, é ressaltado em imagens de tomates.

Embalagem maior para ganhar mercado grande
A linha de iogurtes Fruty com polpa de frutas da Paulista, comercializada em embalagens de 200g, agora também pode ser encontrada, nos sabores morango e frutas verme­ lhas, na versão de 1000g. As embalagens Tetra Rex de 1000g dos iogurtes seguem a mesma identida­ de visual das embalagens de 200g, com o splash “pronto para beber” em destaque no centro da cai­ xa. Lançada em 1986, a marca Fruty é a segunda mais vendida no segmento de iogurtes líquidos em embalagens de 200g, e o objetivo da Paulista é ganhar mercado no seg­ mento de 1000g, hoje res­ ponsável por mais de 60% do volume de vendas de iogurtes líquidos.

fOTOS: DIVuLGAçãO

Danoninho moderniza embalagens
ratinho em emBalaGem de leite
Aumentando a gama de opções de produtos licenciados com a sua marca, o apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, está colocando no mercado o leite em pó Primo, modificado e com sabor. O novo pro­ duto está sendo fabrica­ do pela Nutril Nutri­ mentos Industriais sob licença da Hanggu’s, de propriedade do apre­ sentador. O leite em pó Primo é apresentado em embalagem flexível metalizada de 150 gra­ mas nos sabores bauni­ lha, banana e chocola­ te. A embalagem, cria­ da pelo designer Fer­ nando Quintino, utiliza como personagem prin­ cipal o rato Xaropinho, mascote do programa de TV que será utilizado em todas as linhas de produtos licenciadas pelo apresentador.
O queijo petit suisse Danoni­ nho, da Danone, está ganhando novos sabores e embalagens mais modernas. Os seis novos sabores são banana, maçã e mamão para as bandejas com 360 gramas e cereja, framboesa e amora para o Danoninho maxi, com 520 gramas. Além dos novos sabores, as bandejas incluem o tradicional sabor morango. No total, são oito potinhos, dois de cada sabor, que terão cores diferenciadas. Conti­ nuam no mercado as bandejas apenas com o Danoninho de morango. As embalagens foram reformula­ das em toda a linha, incluindo o Danoninho espichadinho, Danoninho Nutri Cereais, Danoninho Ice e Danoninho Líquido: o logotipo tem tipolo­ gia que imita letras de crian­ ças e o personagem Danoni­ nho ganhou mais destaque. A embalagem do Danoninho espichadinho, antes de papel cartão, agora é produzida em plástico e ganhou uma nova opção, com três unidades (antes era comercializada apenas com seis unidades).

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Display
fOTOS: DIVuLGAçãO

nova identidade visual da natura

Para o dia dos namorados
Aproveitando o dia dos namorados, em junho, a importadora WmL está trazendo ao Brasil embalagens espe­ ciais do bombom Baci, da Nestlé, com 75 anos de tradição no mercado italiano. Todas as embalagens têm formato de coração, variando apenas o material plástico transparente, teci­ do aveludado e lata de aço.

Depois de dois anos de planeja­ mento, a Natura, maior indústria nacional de cosméticos, anunciou a mudança de sua identidade visual. O trabalho começou em 1998, com a contratação da empresa inglesa Interbrand Newell and Sorrel, especializada em con­ sultoria de marcas. A partir da criação da nova marca, uma equi­ pe interna da Natura, em parceria com o estúdio Dezign com Z e com a agência de publicidade Guimarães Profissionais, desenvol­ veu a nova identidade visual da empresa. O novo logotipo da Natura (acima) vai substituir gra­ dualmente o antigo (abaixo) nos produtos e no material de publici­ dade da empresa, e a expectativa é que a alteração nas embalagens se complete em um ano.

Marathon em embalagem especial
A Brahma está colocando no merca­ do mais um sabor do isotônico Mara­ thon: uva verde. A empresa preparou uma edição limitada de 400 mil embalagens revestidas com rótulo sleeve, que envolve toda a garrafa de PET de 500ml. Depois de esgotadas as embalagens especiais, o sabor uva verde continuará na linha Mara­ thon, que já tem oito sabores: kiwi, tangerina, limão, melancia, graviola, água de coco, abacaxi e maracujá.

A aproximação do setor continua
Dia 11 de maio, a Málaga Produtos Metalizados realizou, no Senai, em São Paulo, um workshop técnico, que contou com contou com o apoio do próprio Senai e das forne­ cedoras de tinta Supercor e Cro­ mos. “Queremos derrubar o mito de que para imprimir em papel metalizado são necessários equipa­ mentos especiais”, disse Eliana Agassi, gerente comercial da Mála­ ga. A grande queixa à impressão sobre superfícies não­absorventes é a secagem da tinta, problema que, segundo as empresas organizado­ ras do evento, são resolvidos se forem seguidas às riscas todas as recomendações técnicas dos forne­ cedores. No dia seguinte, na sede Abre, em São Paulo, a Dixie Toga esclareceu dúvidas de designers no Workshop Técnico mensal organizado pelo Comitê de Design da entidade.

requeijão paulista em Blister para o mercado de food service
O requeijão Paulista ganhou uma ver­ são para o mercado institucional em embalagem blister de 20 gramas. Comercializado em todo o País, o pro­ duto é direcionado a hotéis, motéis, restaurantes, lanchonetes, buffets e hospitais. Além de alinhar­se à ten­ dência de crescimento do mercado de embalagens porcionadas, a Paulista pretende estimular a experimentação do requeijão cremoso, fortalecendo a marca e divulgando o produto em sua embalagem maior, o copo de vidro de 250 gramas, para consumo doméstico. Os blisters são acondicionados em caixas de papelão com 144 unidades.

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Display
Bracelpa lança prêmio
A Bracelpa ­ Associação Brasileira de Celulose e Papel e a universidade Anhembi­morumbi realizam o 1º Prêmio Brasileiro de embalagem em Papelcar­ tão, voltado a estudantes universitários das áreas relacionadas com o desen­ volvimento de embalagens. O prêmio tem duas catego­ rias: redesenho de embala­ gens que já utilizam papel cartão e criação de embala­ gens para produtos que ainda não utilizam o mate­ rial. em ambos os casos, é preciso que a embalagem tenha 60% de sua área em papel cartão e que conte­ nha o selo “Papelcartão para embalagem ­ Aprova­ do pela Natureza”, símbolo da campanha institucional do produto. Informações: Solange massuia: (11) 240­ 9933.

Bom pra cachorro....
Para se adaptar às dife­ renças de tamanho e de idade dos cachorros, o ali­ mento para cães Champ, da effem, está chegando ao mercado em nova embalagem e em três variedades: Champ Origi­ nal, Pedaços Pequenos e Crescimento Saudável. A versão seca vem em sacos coextrudados que variam de 1,5 kg a 28 kg. em latas de 625 gramas são encontrados os sabo­ res carne e galinha. Ainda no mercado de comida para cães, a Bras­ wey, através da sua divi­ são Anhangüera Pet, lan­ çou os alimentos semi­ úmidos para cães friend Junior e friend master em nova embalagem. Os produtos, antes apresen­ tados em embalagens de 800 gramas e 2,7 kg, ago­ ra têm nova opção, os baldes plásticos com 8 kg.

a conquista do “tio sukita”
Na história recente de Sukita, o fracasso se resume às tentativas do “Tio” de conquistar a jovem vizinha. A campanha do refrigerante da Brahma volta ao ar depois do suc­ esso da primeira fase. Na Grande São Paulo, Sukita

atingiu 8,6% de share no sabor laranja. Em Salvador, a participação da marca é de 23,7%.

padronização visual
Dando prosseguimento à nova estratégia de comuni­ cação do produto, a AmBev está mudando o rótulo do Guaraná Antarc­ tica. As garrafas em PET de um litro, dois litros, 600ml e 237ml (Caçulinha) estão chegando ao mercado com novo visual. “Seguindo a linha adotada pela lata, o novo rótulo resgata a cor verde que identifica o Gua­ raná Antarctica”, afirma Juan Vergara, diretor de marketing para refrigeran­ tes da AmBev. O guaraná passa a ter uma padroni­ zação visual nos rótulos das embalagens de toda sua linha de produtos, baseada na imagem da garrafa de vidro. O design dos rótulos foi feito pela DM9DDB, que também criou a nova lata.
LuIz NAReTTO JR.

fOTOS: DIVuLGAçãO

...e pra gato também
está no mercado a linha Pratos favoritos da Whis­ kas, feita com pedaços de carne preparados com molho. A ração tem oito sabores disponíveis: carne tenra, peru, peru e miúdos, atum, frango, merluza e atum, salmão e cordeiro. As embalagens são stand up pouches de 85 gramas.

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EVENTOS
JUNHO

AGOSTO

SETEMBRO

Fispal 2000 – Maior feira de alimentação da América Lati­ na, chega à 16ª edição. Mostra lançamentos das indústrias de máquinas, equipamentos, em­ balagens e alimentos. De 13 a 16 de junho no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Informações pelo telefone: (11) 3758­0996. Metav – Feira internacional de manufaturas e automação, em Düsseldorf, Alemanha. De 27 de junho a 1º de julho. Informa­ ções: (11) 535­4799.
JULHO

TecnoBebida 2000 – Exposi­ ção e conferências sobre tec­ nologia para a indústria de bebi das. Desta que para embalagens, equipamentos, máquinas e matérias­primas. De 2 a 4 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo. Informações: (11) 3873­0081. Movi mat 2000 – Fei ra de lo gís ti ca, mo vi men ta ção, ar ma ze na gem e trans por te. De 15 a 18 de agosto no Expo Cen ter Nor te. In for ma ções pelo telefone: (11) 575­1400.
OUTUBRO

Pack Expo Brasil 2000 – Fei­ ra inter nacional de embala­ gem. Vai apresentar novida­ des em equipamentos, pro­ cessos, embalagens e com­ ponentes. De 12 a 15 de se tem bro no In ter na tio nal Trade Mart, em São Paulo. Informações: (11) 3758­0996. Feitintas 2000 – Feira da indús­ tria de tintas, vernizes e produ­ tos correlatos. De 13 a 16 de setembro no International Tra­ de Mart, na capital paulista. Informações (11) 289­5382.

FCE Pharma 2000 – 5ª edição da exposição de fornecedores de embalagens, equipamentos e matérias­primas para a indústria farmacêutica na América Latina. De 5 a 7 de julho no Expo Center Norte, em São Paulo. Informa­ ções: (11) 3873­0081. HBA South America – Exposi­ ção internacional de fornecedo­ res para a indústria de cosméti­ cos, incluindo embalagens, matérias­primas e equipamen­ tos. Paralelamente será realiza­ do o 14º Congresso de Cosme­ tologia. De 5 a 7 de julho, no Expo Center Norte, em São Pau­ lo. Informações: (11) 3873­0081.
3ª Conferência Anual Integrando as Etapas do Desenvolvimento de Embalagens – palestras sobre como diagnosticar as reais necessidades do mercado e público­alvo através de pesquisa; o que há de novo em tec­ nologia e materiais e análise da melhor opção para embalagens; eliminação de custos com aplicação de sistemas de qualidade total; implementação de estratégias eficientes de design e

Interphex South America – Soluções em máquinas, pro­ cessos, transporte e embala­ gens para a indústria farma­ cêutica. Está em sua segunda
NOVEMBRO

edição. De 25 a 27 de outubro no Inter national Trade Mart, em São Paulo. Mais informa­ ções pelo telefone (11) 5505­ 7272.

Emballage 2000 – Ponto de encontro mundial do setor de embalagens, com mais de 2 500 expositores. São esperados mais de 105 000 visitantes na 34ª edição da feira, que receberá exposi­ tores de todo o mundo de áreas como maté­ rias­primas, em­bala­ gens, marcação e eti­ quetagem. A Emballage 2000
posicionamento; impactos do e­com­ merce no design e na indústria de embalagem; soluções para problemas ambientais e minimização de custos através da reciclagem. As apresenta­ ções serão feitas por Antonio Carlos Cabral, da Refinações de Milho Brasil, Eloísa Elena Garcia, do Cetea/Ital, Fábio Mestriner, da Packing, José Olímpio Castanho, da Gessy Lever, José Rober­ to Giosa, da Latasa, Lincoln Seragini,

vai homenagear a Índia. Serão realizadas conferências e encon­ tros personalizados com empre­ sários do país, que está em processo de franco cresci­ mento na área de embala­ gens. Paralelamente à feira será realizado evento de tec­ nologia e processo de ali­ mentos. De 20 a 24 de novembro em Paris, França. Informações: (11) 881­1255.
da Seragini Design, Luciana Pellegri­ no, da Abre, Luis Madi, do Ital, Luiz Roberto Farina, da Benchmark, Manoel Muller, da Muller Associados, Martha Terenzzo, da Sadia, Nelson Marangoni, da Research International, Pierre François Cohen, da Ipsos­No­ vaction, e Walmir Soller, da DuPont. Dias 19 e 20 de julho no Crowne Plaza Hotel, em São Paulo. Informações na IBC do Brasil: (11) 258­5310.

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Como Encontrar
Brasil Pack Trends 2005 – seminário internacional de embalagem, distri­ buição e consumo. Criado pelo Cetea, com apoio da Datamark, Müller Associados e da Fispal, acon­ tece paralelamente à Fispal. Na ocasião, será lançado o documento Brasil Pack Trends 2005, edição 2000. Os participantes receberão o documento preliminar. Entre os palestrantes estão Luis Madi, dire­ tor geral do Ital (A embalagem no século XXI – Perspectivas e tendên­ cias); Sérgio Haberfeld, presidente da Associação Brasileira de Emba­ lagem, da União Latino­Americana de Embalagem e da Organização Mundial de Embalagem (O poder da informação e o papel das associa­ ções na indústria de embalagem); Graham Wallis, diretor da Datamark (A evolução do mercado brasileiro de embalagem e sua inserção no mercado internacional); Antonio Carlos Cabral, gerente de embala­ gem da Refinações de Milho Brasil (A embalagem e os novos canais de venda); Eloísa Elena Garcia, gerente do Cetea/Ital (Desenvolvimento de embalagem e meio ambiente); Nel­ son Barrizelli e Armando Pinto, da FEA/USP (Tendências do supply chain para o mercado de embala­ gem); Fábio Mestriner, diretor da Packing (Tendências do design de embalagem); Fernando Pirutti, supe­ rintendente comercial da Novelprint (A embalagem de transporte e distri­ buição no século XXI); Assis E. Gar­ cia, diretor técnico do Cetea/Ital (A embalagem de transporte e distri­ buição no século XXI); Jorge Izquier­ do, e Ben Myares, da PMMI/EUA (O mercado de equipamentos para embalagem e suas tendências); e Rogério Aun, sócio­diretor da Arthur Andersen (Perspectivas de investi­ mentos no setor de embalagem). Dias 14 e 15 de junho no auditório Elis Regina, no Anhembi, em São Paulo. Informações: (19) 241­5222, ramal 180, com Viviane Lima.

N

esta seção encontram-se, em ordem alfabética, os números de telefone das empresas citadas nas reportagens da presente edição. EmbalagEm­ marca fica à disposição para outras informações.

Abifarma Abimaq Abividro Activas Alcan Avery Dennison

(11) 820­3775 (11) 5582­6311 (11) 255­3033 (11) 716­0088 (11) 5503­0761

Kpack Labeltech Lenzi

(11) 7967­7373 (19) 3876­1327 (11) 3972­2022 (11) 870­4417

Müller Associados Multilabel Nissei ASB Novelprint Oetker Packintec Parmalat Payot Perpak Piramidal Polialden Priscell Prodesmaq Qualipack Rhodia­ster (11) 5641­5473 (11) 3641­1012 (11) 268­4111 (11) 3782­3577 (11) 5581­1948 (11) 3848­2000 (11) 7922­8666 (41) 352­6166 (11) 4392­5080 (11) 5505­3166 (11) 262­9756 (19) 3876­5000 (11) 591­2520 (11) 5188­1380 (19) 3869­9000 Scopus Tecnologia (11) 3904­9811 Seaquist Valois (11) 7241­4344 Sidel Sipa Sunnyvale (11) 5631­2088 (11) 7298­3531 (11) 3842­9300 (11) 5631­0566 (11) 861­2226 (11) 754­3200 (11) 494­4266

(19) 3876­7600 Brasemba Carnevalli Cereser (11) 3972­2182 (11) 6412­3811 (11) 7395­4923 (27) 320­1000 Cisper CIV Dal Mak (11) 206­8000 (81) 271­0122 (11) 3931­9635 (11) 6461­9409 Day Brasil Du Pont Embaquim Embrapac (11) 3823­7744 0800­17­1715 (11) 272­7233 (11) 869­5733 (11) 3758­1010 Flexopower (11) 713­4230 (21) 444­6000 Hervás Hudson Sharp (11) 5181­7935 José Roberto Martins (11) 3266­3947 Klabin Embalagens (11) 7398­7205 (11) 6941­9266 Glaxo Wellcome

Chocolates Garoto

Danzas Logística

Rigesa Westvaco do Brasil

Ferrer Maschinenbau

Tapon Corona (11) 835­8662 Tectron Tetra Pak TME Védat

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Tudo é muito relativo
Tomar uma Coca-Cola em garrafa de vidro retornável de 300ml só não é hoje um hábito mais corriqueiro porque os fabricantes têm cada vez menos interesse em manter o vaivém de vasilhame, substituindo-o por latas de alumínio e garrafas de PET descartáveis, de preferência de volumes maiores. Não faz tanto tempo, porém, que a hoje menor garrafa do refrigerante existente no mercado brasileiro era chamada de “Coca-Cola grande”.

Almanaque

Vantagem: oferecia dois copos da bebida em vez de um. O anúncio aqui mostrado, de fins de 1962, argumentava que o consumidor obtinha “mais por seu dinheiro” com a nova garrafa, que veio fazer companhia à famosa contour de 237ml. Hoje, os recipientes de maior vo-lume do produto são os de PET de 2,5 litros, simplesmente dez vezes o conteúdo da garrafa primordial – que, por razões de imagem, está sendo revivida no mundo inteiro.

Você sabia?
Em 1935 foi lançada nos Estados Unidos a primeira lata de cerveja do mundo, uma Krueger. Cilín­ drica, como as latas de conserva de alimentos, precisava ser aber­ ta com abridor de corte ou rece­ ber dois furos grandes para ser consumida. Atento à conveniên­ cia do consumidor, mais tarde o fabricante substituiu­a por uma lata com abertura tipo crown, como a das garrafas de vidro.

Nada de novo sob a luz do sol
Muito antes que, no Brasil, a esponja de aço Bom Bril se transformasse num case de marketing por utilizar sua embalagem como mídia para a veiculação de produtos de outras categorias, o recurso era comum na Inglaterra. Lá, já algumas décadas atrás, as garrafas de leite colocadas todas as manhãs nas portas das casas pelo leiteiro anunciavam marcas de artigos relacionados com o breakfast, como o hábito de tomar café e escovar os dentes.

* * *
A invenção do sistema de fecha­ mento dos vinhos espumantes remonta a 1670. Naquele ano, Don Pérignon, mestre da adega da abadia de Epernay, na região de Champagne, na França, encontrou a solução para que as garrafas suportassem a pressão interna de 5 a 6 atmosferas da bebida borbulhante que criara misturando pequenas quantida­ des de diferentes vinhos (assem­ blage). Depois de várias expe­ riências mal­sucedidas, ele subs­ tituiu as tampas de madeira embebidas em azeite pelas de cortiça, amarrando­as com arame ao gargalo.

Quem falou em equity?
A marca Bayer, mundialmente reco­ nhecida por seu logotipo com o nome em forma de cruz, é resultado de uma evolução visual que não tem relação declarada de causa e efeito. Simplesmente, num determi­ nado momento o leão original de 1891 foi substituído por um mais moderno. Este, por sua vez, foi substituído pela cruz que antecedeu a atual. Embora nada tenham a ver um com o outro, seriam esses dois exemplos cruciais de equity, a pala­ vra a que tanto recorrem os teóri­ cos quando se referem às caracte­ rísticas básicas de uma marca?

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