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Ano II • Nº 12 • Junho 2000 • R$ 5,00

www.embalagemmarca.com.br

o presente e o futuro da logística • embalagens para carnes

Carta do editor

Não, não estamos loucos

E

sta é uma mensagem muito pessoal de agra­ decimento aos leitores, anunciantes e amigos que EmbalagEmmarca, sua equipe e eu, pessoalmente, ganhamos ao longo dos últimos doze meses. Ao chegarmos a esta edição de primeiro aniversário da revista, concluo que, ao contrário do que alguns me disseram um ano atrás ao saber que lançaria uma revista, não estava louco. Embora já existissem revis­ tas em bom número no segmento de embalagens, conseguimos conquistar nosso lugar, sem retirar espaço de ninguém. As

demais publicações do setor continuam aí e, since­ ramente, espero que se tor­ nem cada vez melhores. Entendo que, em vez de ser “mais uma”, EmbalagEm­ marca conseguiu firmar­ se como outra revista, que, ao contrário de apenas con­ correr com as demais, veio reforçar o arsenal de infor­ mações colocado à dispo­ sição dos profissionais da cadeia de embalagem. Se algo nos faz diferentes é a determinação de abordar o universo da embalagem sob ângulos não abordados pelos outros. Afinal (com meus pedidos de desculpas pela filosofada), ninguém

pode ser tão completo a ponto de ser completo. Importante é fazer bem fei­ to aquilo que se faz, procu­ rando sempre fazer melhor. Isso, sim, continuaremos a tentar, acreditando, como um ano atrás e sempre, que o Brasil não vai acabar. Ao contrário, vai crescer. Estou certo de que eu e todos que partilham dessa idéia não estamos loucos. Até julho.

Wilson Palhares
PS – Com tiragem inicial de 5 000 exemplares, EmbalagEmmarca chega a esta edição com 8 000, auditados pelo IVC.
BLOCO

Espaço aberto
xcepcionalmente, a equipe de EmbalagEmmarca ocupa este Espa­ ço Aberto a fim de registrar seus agradecimentos pelo apoio aqui manifestado por leitores ao longo dos últimos doze meses, na forma de aplausos, críticas e sugestões. A equipe da revista agradece tam­ bém aos anunciantes, que tornaram possível levar adiante o projeto de oferecer ao mercado um instrumento de trabalho de leitura útil e agradável, pautado pela imparcialidade e pela decisão de contribuir para o fortaleci­ mento do universo das embalagens e das marcas. Dentro do objetivo de mostrar da melhor maneira possível o que acon­ tece na cadeia de embalagem, a revis­ ta se empenha para ser diferenciada e inovadora não só no conteúdo e na forma de seu material editorial. Tam­ bém na área comercial EmbalagEm­ marca tem por meta inovar, dar destaque aos produtos dos anuncian­ tes, causar impacto. Esta edição é um exemplo concreto de que, com criati­ vidade, as peças publicitárias podem obter alta visibilidade e repercussão. O primeiro exemplo, até por cons­ tituir a “embalagem” da presente edição, é dado pela Cia. Suzano de Papel e Celulose. A empresa aprovei­ tou a oportunidade de aniversário da revista para apresentar, na forma de capa da publicação, seu mais recente lançamento, o Papelcartão Supremo Duo Design. Trata­se de um cartão com amplas possibilidades de uso e de grande efeito em embalagens, em ações promocionais e no mercado editorial, para capas de livros – e de revistas, como se vê aqui.

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Completamos esta comemoração agradecendo aos seguintes anunciantes que nos prestigiaram durante este ano:
ABIVIDRO ABRE - Comitê de Design ADK AGAPRINT ALCAN ALCANTARA MACHADO ALCOA ALLIVE ARCONVERT AVERY DENNISON BAUCH & CAMPOS BRACELPA BRASEMBA BRASIL RIO BRASILATA CALIXTO`S CIA. METALÚRGICA PRADA CISPER CIV CONFIDENCE CSN DIPRO LTDA. EAC – EMPR. AMAZ. DE CANETAS ECO PLASTIC FENIX FRUGIS GRÁFICA ESPÍRITO SANTO GRÁFICA RAMI GRAPHIC DESIGNERS GUI@ DA EMBALAGEM HENKEL IMAJE INAPEL EMBALAGENS KENWORK PACKAGING KROMOS MA ASSOCIADOS MÁLAGA MALLUMAR MD PAPÉIS MILLER FREEMAN NADIR FIGUEIREDO NOVELPRINT NOVOFOTOLITO PACKING DESIGN PAPIRUS POLIGRAN POLY SCREEN PRODESMAQ PROMOSALONS PS CARNEIRO PTI POLYFIBRON BRASIL RAFT EMBALAGENS REED EXHIBITION COMPANIES REMARCA RIGESA WESTVACO DO BRASIL ROTO DESIGN SERAGINI DESIGN SIPA SÃO PAULO FEIRAS COMERCIAIS STUDIO AG SUZANO TETRA PAK TME PLÁSTICOS VIFRAN WB2 DESIGN WHEATON DO BRASIL WHITE CAP WILLETT WMM ACAB. E EMBALAGENS

pela Agaprint, em prazo recorde. Para completar, as “embalagens de transporte” – os sacos com zíper que serviram para remeter os 8 000 exemplares desta edição – foram confeccionadas pela Eco Plastic. A criação ficou a cargo da Hi Design. Com esses exemplos, Embala­ gEmmarca reitera ao mercado sua determinação de fortalecer cada vez mais as duas paralelas em que per­ correu seus primeiros doze meses de vida: conteúdo editorial isento e comercial que traga o máximo retor­ no aos anunciantes. Neste aspecto, a revista coloca a capacidade de traba­ lho e a criatividade de sua equipe para colaborar com agências e anun­ ciantes na idealização de peças publicitárias interativas, inovadoras e impactantes. A propósito, em bre­ ve haverá mais.
Mensagens
para

eMbalageMMarca

Anúncios interativos

Esta edição de aniversário marca o início de uma nova era para a revista. Pretendemos, a partir de agora, levar aos leitores anúncios diferenciados, que tragam amostras de produtos e tenham maior grau de interatividade. Já na estréia temos dois exemplos. Os anúncios constantes do folder da segunda capa e da quarta capa foram criados pela agência Light Comunicação, e o da terceira capa, pela The Group. A impressão foi feita

Redação: Rua Arcílio Martins, 53 CEP 04718-040 • São Paulo, SP Tel: (11) 5181-6533 Fax: (11) 5182-9463 redacao@embalagemmarca.com.br

As mensagens recebidas por carta, e-mail ou fax poderão ter trechos não essenciais eliminados, em função do espaço disponível, de modo a dar o maior número possível de oportunidades aos leitores. As mensagens poderão também ser inseridas no site da revista (www.embalagemmarca.com.br).

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Diretor de Redação Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

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ENTREVISTA: PEDRO FRANCISCO MOREIRA Presidente da Associação Brasileira de Movimentação e Logística fala da necessidade de integração com a área de embalagem

Reportagem
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Flávio Palhares flavio@embalagemmarca.com.br Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br Thays Freitas thays@embalagemmarca.com.br Colaboradores Adélia Borges, Fernando Barros, Josué Machado, Luiz Antonio Maciel

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CARNES Setor aposta em materiais e em novos sistemas de acondicionamento para aproveitar o grande potencial de mercado EQUIPAMENTOS Ficam mais acessíveis as codificadoras a laser, que podem levar vantagem sobre as ink jet, dependendo da aplicação

METÁLICAS Novos implementos para latas de tintas e alimentos investem na praticidade para conquistar o consumidor CAPA: BRASIL PACK TRENDS 2005 EmbalagEmmarca antecipa documento que traz a opinião de especialistas sobre os rumos da embalagem para os próximos anos

Diretor de Arte Carlos Gustavo Curado Administração Marcos F. Palhares (Diretor) Eunice Fruet (Financeiro) Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br

Wagner Ferreira Circulação e Assinaturas
assinaturas@embalagemmarca.com.br

Cesar Torres Público-Alvo
EmbalagEmmarca é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, con­ vertedoras e usuárias de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, medicamen­ tos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem. A revista é dis­ tribuída gratuitamente a órgãos governamen­ tais, universidades, centros de pesquisa, asso­ ciações, imprensa e agências de propaganda.

Tiragem 8 000 exemplares Filiada ao

CARTA DO EDITOR ........................ 3

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ADESIVOS Euromelt, da Henkel Loctite, inova ao vir acondicionado em embalagem feita com o próprio material, evitando resíduos após a utilização

ESPAÇO ABERTO ........................... 4 LOGÍSTICA......................................24 REGISTRO .................................... 40 PANORAMA ................................... 40 DISPLAY ........................................ 42 EVENTOS ...................................... 49 COMO ENCONTRAR .................... 49 ALMANAQUE ................................ 50

ILUSTRAÇãO DE CAPA: THE IMAGE BANK

E MAIS

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ENTREVISTA

Sem embalagem não há logística
É sobre essa necessidade de inte­ gração em todos os níveis, corpora­ tivos e governamentais, com ênfase na harmonia embalagem­logística, que fala nesta entrevista Pedro Fran­ cisco Moreira, presidente da Associação Brasileira de Movimen­ tação e Logística. Qualificações não lhe faltam para isso. Formado em engenharia industrial e em tecnolo­ gia de alimentos, ele trabalhou três anos em indústria de alimentos. Depois, teve uma carreira de sete anos no Cetea – Centro de Tecnolo­ gia de Embalagem. “Lá, tive uma base muito importante sobre a importância da embalagem e sua integração com a logística”, conta. Posteriormente, como consultor por dez anos, Moreira participou de mais de 130 projetos de logística, desen­ volvimento de embalagens e planeja­ mento estratégico de empresas. Dedi­ cou­se então a seu próprio negócio, a empresa de multipaletes para embal­ agens Sped, que veio a associar­se com a gigante mundial dessa área, a Chep, da qual é diretor no Brasil. Como presidente da ABML, ele representa a entidade no Comitê de Logística do Mercosul, além de par­ ticipar de movimentos de padroni­ zação de embalagens da indústria automotiva e de ações em outras entidades empresariais e gerenciais. Aqui, Pedro Francisco Moreira adianta um pouco do que será deba­ tido II Congresso Internacional da ABML, a realizar­se em outubro próximo em São Paulo, sob o tema “A Logística no Novo Milênio”. Qual a situação da logística no Brasil em comparação com países da Europa, com os Estados Unidos e com a América do Sul? Houve uma explosão a partir de 1994, em conseqüência da estabili­ dade econômica e da tendência de

PEDRO FRANCISCO MOREIRA, presidente da Associação Brasileira de Movimentação e Logística, fala dos problemas, do enorme potencial do setor e da necessidade de sua integracão com a área de embalagem (em especial com os designers)
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inguém é tão desinfor­ mado a ponto de não saber que, se a economia se globaliza, o comércio eletrônico se acentua e a concorrência se torna impiedosa, a logística se torna decisiva. É natural, já que ela se desenvolveu para atender neces­ sidades de guerra, sendo depois aplicada em atividades industriais e comerciais – outras formas de guer­ ra. Mas, apesar de conscientes da importância da logística, nem todos os empresários a valorizam na práti­ ca. Talvez não tenham ainda se dado conta de que, para que as coisas dêem certo é necessário que o con­ junto funcione de forma integrada e harmoniosa.

Divulgação

reduzir custos em diversas ativida­ des, incluindo as de logística. Até então predominava nas empresas a cultura inflacionária, com foco no aumento de preços e dos ganhos na ciranda financeira. Em 1994 ocorreu um corte nessa realidade. As empre­ sas passam a encontrar dificuldade em repassar custos. A saída foi redu­ zi­los na produção, na administra­ ção, até chegar à logística, não só no aspecto do transporte, mas passando por planejamento, gestão e controle do fluxo de informações e materiais, da captação do pedido à distribui­ ção. Foi uma grande experiência. As atividades de logística, que englo­ bam previsão de vendas, produção, armazenagem etc., estavam disso­ ciadas. Via­se e ainda se vê o trans­ porte sob o chapéu da diretoria administrativa ou financeira. Então, não houve progresso? Evoluiu, mas o Brasil tem potencial muito grande para expandir, tanto nas corporações industriais quanto nas de serviço. Comparado aos grandes centros, estamos um pouco distantes. Em termos de América do Sul temos vantagens, como a Argentina, que tem mostrado bom avanço em logística. Cito um indi­ cador: a empilhadeira, que é um equipamento de movimentação lar­ gamente utilizado, mostra um pou­ co da evolução da logística nas empresas. De tudo o que se vende de empilhadeiras no mundo, o Bra­ sil participa apenas com 1%. Consi­ derando o nosso PIB, o fato de que somos hoje a nona potência econô­ mica mundial, algo assim, temos um potencial imenso para crescer. Quais as principais barreiras para que a área de logística se torne mais eficaz? Um dos grandes entraves é a criação de uma cultura corporativa da logís­ tica. As empresas precisam entender a logística como algo estratégico para o seu negócio. Devem partici­

par do planejamento, da escolha da localização estratégica de fábricas e depósitos. É necessário difundir a cultura corporativa de logística. Esse é um problema sério de forma­ ção de profissionais, não há univer­ sidades focadas em logística. Exis­ tem alguns centros preocupados com isso, mas é preciso disseminar a cultura corporativa. Logicamente, temos problemas, o Brasil é um país continental , há um problema sério

A logística é um dos pilares de sustentação do comércio eletrônico. Quem pensa que vai abrir um e-commerce sem entrar na questão da logística está com os seus dias contados
de balanceamento de demanda, que é muito concentrada. Numa área de 1 000 quilômetros em torno de São Paulo se concentram cerca de 60% do nosso PIB, e temos de vencer um território imenso. Aí entramos nos problemas estruturais do país, na estrutura rodoviária, na ferroviária, na hidroviária. De qualquer forma, progredimos alguma coisa. O gover­ no tem feito um trabalho muito inte­ ressante, um pacote de ações visan­ do integrar os modais e modernizá­ los. Os processos de privatização, questionáveis ou não, de alguma forma têm trazido alguma melhora nas condições. Pelo menos a médio prazo a perspectiva é boa. A logística se torna cada vez mais um fator de competitividade nos

negócios. Isso se acentua com a perspectiva de crescimento do comércio eletrônico, no qual as exi­ gências do consumidor se acentuam quanto a prazos, trocas e devolu­ ções. Uma resposta inadequada da área de logística não pode compro­ meter o e­commerce? Sem dúvida. A logística é um dos pilares de sustentação do e­com­ merce. Quem pensa que vai abrir um e­commerce sem entrar na logís­ tica tem os dias contados. Na rela­ ção empresa­empresa, a relação B2B, a prática da logística é um pouco tranqüila. Os volumes transa­ cionados são maiores, a distribuição é feita ponto a ponto, dá para aplicar alguns modelos tradicionais da logística. Já na venda para o consu­ midor final, a relação B2C, o negó­ cio pega. Vemos casos de empresas que tentaram fazer modelos con­ vencionais de logística para a práti­ ca do B2C e estão enfrentando pro­ blemas sérios de prazo de entrega. Como prever esses prazos? A previsão de vendas é uma incóg­ nita. Como prever vendas de um negócio que pode acontecer em questão de segundos? A cobertura de estoque é outro grande desafio. Qual é a taxa de cobertura de esto­ que que se deve dar? Quais os pro­ cessos internos de seleção de pedi­ dos, que são muito fracionados? As entregas são muito fracionadas. A dinâmica é outra. Esse aspecto da logística é fundamental. Empresas de e­commerce que não tiverem bons profissionais de logística, que não conheçam a matéria, estão fada­ das ao insucesso. Tanto é verdade que neste ano o fluxo de capitais para empresas de e­commerce no Brasil deve girar em torno de 500 milhões de dólares. Desse total, aproximadamente 40% serão dedi­ cados à performance logística des­ sas empresas. Isso é importante, porque é um novo negócio no mun­ do. Este ano o mundo deverá movi­

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mentar 940 bi­lhões de dólares em transações comerciais via e­com­ merce. Esse número deve dobrar no ano que vem, e o crescimento é exponencial para os próximos anos. A logística crescerá em importân­ cia. Qual é hoje a posição do setor na questão da embalagem? A embala­ gem brasileira, de modo geral, atin­ ge as necessidades da logística? A embalagem é um dos focos da logística, tem relação direta com ela. O que se observa no Brasil é que, mesmo na embalagem primária, existe ainda falta de integração no desenvolvimento dimensional. Há progressos, mas há carências. Do ponto de vista dimensional, os desig­ ners não estão muito atentos a aspec­ tos logísticos. Não se vê uma busca de otimização da embalagem secun­ dária, da embalagem de transporte, do palete, do sistema de armazena­ mento e transporte, para que haja ganho de ocupação por metro. Isso não quer dizer que a embalagem tem de ser quadradinha para otimi­ zar espaço, mas tem de ser inteli­ gente, tem de buscar a otimização. A falta de integração dimensional da embalagem é o que vejo como uma carência no mercado brasileiro. No aspecto de resistência, o Brasil ainda perde muitos produtos devido a embalagem inadequada. Há casos em que 60% das avarias de produtos decorrem de embalagens inadequa­ das. Outro problema é a nossa con­ dição de manuseio. O Brasil é um dos países que manuseia muito a carga. Da indústria ao consumidor final, aquele que vai buscar o produ­ to, o produto pode ter de catorze a dezoito manuseios. São vários canais de distribuição, vários repas­ ses, e isso gera uma manipulação muito grande. Em comparação com países efica­ zes nesse campo, isso significa um ônus de quanto?

Com certeza, de 50%, pelo menos. Em países desenvolvidos isso cai para seis manuseios. Outro problema é que, além de manipular muito a carga, o Brasil mecaniza pouco. Peguemos uma média nacional: de tudo que o Brasil distribui de produ­ tos e bens de consumo, não mais de 50% são paletizados. Há empresas que movimentam 70% da carga paletizada, mas na média ponderada não se passa dos 50%. Na Argentina, esse índice chega a 75%, na Europa

Às vezes projetamos uma embalagem perfeita, mas quando vai se fazer sua modulação no pátio o aproveitamento da área é de apenas 60%. Perde-se 40% do espaço de armazenagem
chega a 80%, 90%. Temos de meca­ nizar mais, e isso influencia direta­ mente na embalagem. A embalagem e a logística devem caminhar juntas. Os profissionais de marketing e, principalmente, de design vêem a palavra padronização como uma espécie de anátema. Embora tenham de subordinar­se a questões de cus­ to para que os produtos das empre­ sas e clientes sejam competitivos, em geral defendem a necessidade de diferenciação da embalagem como fator crucial na decisão de compra do consumidor. O movi­ mento de aproximação entre profis­ sionais de logística e de marketing, entre outros, de modo geral ocorre nas atividades de ECR, o Efficient

Consumer Response. Existe essa aproximação com técnicos e desig­ ners de embalagem? Esse é o grande desafio. A embala­ gem adequada não é a mais bonita, mas a que é inteligente. Na área de alimentos já existe integração na hora do desenvolvimento. Já se coloca a questão: “Este produto que estamos lançando tem uma cadeia produtiva complicada, a manipula­ ção é grande, hoje temos um custo logístico muito grande, vamos tentar otimizar espaço”. Às vezes projeta­ se uma embalagem fantástica, mas quando vai se fazer sua modulação no pátio o aproveitamento da área é de apenas de 60%. Perde­se 40% de espaço de armazenagem, de trans­ porte. Tudo isso é custo que está sendo gerado. A palavra, em suma, é integração. Perfeitamente, é fundamental. Ao fazer o briefing do novo produto ou da embalagem, é preciso chamar profissionais de logística para a troca de informações, para mostrar os pro­ blemas que aparecem na cadeia logística e o quanto a embalagem pode ajudar na melhoria. Além do mais, temos softwares que ajudam, que dão balizamento básico dimen­ sional, movimento de largura e altu­ ra, otimização de espaço e tudo o mais. A partir dessas referências bási­ cas, o designer teria condições de criar e colocar sua arte em prática. É um desafio para as duas pontas, principalmente para os designers. Exatamente. Embalagem inteligente é aquela que está integrada no pro­ cesso. Pega todos os benefícios, é bonita, tem uma boa diagramação, um bom design. Se completa toda a cadeia logística, traz ganhos para a empresa, otimiza custos. O ECR se preocupa com isso. Se é espaço, é custo. É necessário que o designer faça um curso de logística para conhecer a realidade operacional. A AMBL está aí para ajudar.

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bandejas e filmes
carnes

a

materiais e sistemas modernos são a aposta do mercado de car

inda há muito a fazer – ou seja, há grandes opor­ tunidades – no mercado de carne bovina no Bra­ sil, inclusive para a indústria de embalagens. Comparada aos méto­ dos de produção e de acondiciona­ mento de aves, por exemplo, a carne vermelha perde de goleada. Para superar tal situação, os fabricantes de embalagens assumem importân­ cia crucial, embora se saiba que projetos de embalagem, por si só, não podem resolver problemas que perduram no segmento, como méto­ dos precários de processamento, transporte e comercialização. “A integração entre supermerca­ dos, açougues, frigoríficos e distri­ buidores é fundamental na busca de uma cadeia de distribuição eficiente e de uma carne de boa qualidade”, afirma Claire Sarantópoulos, enge­ nheira pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos. Essa necessidade é reforçada pela precariedade da comercialização em regiões distan­ tes – em casos extremos, há a expo­ sição da carne em cavaletes impro­ visados ao ar livre – e até mesmo nas regiões metropolitanas, sobretu­ do nos açougues mais populares, onde o binômio deficiência de dis­ tribuição e embalagens inadequadas muitas vezes se traduz na venda de carnes impróprias para consumo. Segundo Claire, há deficiência na maioria dos estoques e pontos­de­ venda em termos de refrigeração.

Mas, como diz o antigo ditado, há males que vêm para bem. A falta de estrutura logística causou intensa movimentação dos fabricantes de embalagem no sentido de garantir maior tempo de prateleira (shelf life) aos produtos, minimizando perdas. Por isso, o emprego de fil­ mes de alta barreira tornou­se cru­ cial, por terem baixa taxa de per­ meabilidade de oxigênio. “O oxigê­

nio é o maior inimigo da conserva­ ção dos alimentos”, lembra a pes­ quisadora do Cetea.

no vácuo da oportunidade
Por erradicar esse inimigo, as embalagens a vácuo tornaram­se quase vitais para o transporte em grandes distâncias, já que minimi­ zam, com eficácia, os efeitos da deficitária cadeia do frio. Com

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fotos: divulgação

ampliam vida da carne
ne vermelha para superar entraves logísticos e de armazenagem
refrigeração e selantes adequados, as embalagens a vácuo garantem trinta ou mais dias de vida útil à carne. No vácuo, porém, o produto adquire uma aparência escura, ainda não totalmente assimilada pelo consumidor brasileiro. “Apesar de deixar a carne arro­ xeada, as embalagens a vácuo têm boas perspectivas de crescimento, pois diminuem o processo de degra­ dação microbiológica e estendem o tempo de prateleira do produto, facilitando a distribuição e o trans­ porte”, define Walmir Soller, geren­ te de embalagens da Du Pont. Ele afirma que “o acondicionamento a vácuo também agrega valor, pois pode levar à maturação da carne, tornando­a mais macia”. Ademais, a carne adquire sua coloração vermelha novamente quando é exposta ao ar. “O consu­ midor já está se adequando a essa tecnologia”, afirma Renaldo Lonat Jr., supervisor de vendas da Selo­ vac, uma das principais fabricantes de máquinas para acondicionamen­ to a vácuo. Ele ressalta que, depois dos frigoríficos, o pequeno varejo também está demonstrando interes­ se em acondicionar carnes utilizan­ do esse sistema. De olho nesse panorama, a Du Pont aposta na resina ionomérica Surlyn, que, “usada internamente nos filmes multicamada, mantém o vácuo íntegro, pois é eficiente na selagem através de contaminação, isto é, sela mesmo que a área de selagem contenha traços de sangue ou gordura”, ilustra Walmil Soller. “E em linhas automáticas, onde a eficiência e a produtividade são crí­ ticas, ele faz as máquinas fluírem sem problemas com perda de vácuo ou reembalagem”.
atmosfera modificada mantém a coloração avermelhada

Filmes lisos
Para embalar a vácuo, a opção mais comum são filmes termoencolhí­ veis, mas há alternativas. A Inter­ vac, por exemplo, oferece soluções em filmes lisos. A empresa trabalha com o nylon­poli (náilon e poliéster em cinco camadas), cujo grande apelo é driblar altos investimentos. “As embalagens termoencolhíveis

embalagens a vácuo da intervac (acima) e da cryovac

são bem mais caras”, compara Wal­ ter Folco, responsável pela área comercial da Intervac. Entretanto, a alternativa é menos resistente do que os filmes termoencolhíveis, sobretudo na movimentação e nos cortes com osso, situações que tra­ zem pressão extra à embalagem. Já a Cryovac, subsidiária da nor­ te­americana Sealed Air Corpora­ tion, oferece várias opções de embalagens que, em linhas gerais, se diferenciam pela temperatura de encolhimento, pela resistência mecânica e pelos níveis de barreira. Com essa linha, a empresa conse­ guiu tornar sua marca sinônimo de sistemas de embalagem a vácuo no Brasil. Essa especialização resultou em estratégias bem definidas de atuação. “Nosso objetivo”, revela o gerente de vendas Paulo de Lara, “é fomentar o mercado de carne desos­ sada, como ocorre nos Estados Uni­ dos, onde 99% da carne consumida são comercializados assim”. A empresa oferece, todavia, um pro­ cesso de acondicionamento a vácuo que usa um filme capaz de suportar a pressão dos cortes com osso. Outra opção que aumenta o shelf
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Um nicho estratégico
ao lado de filmes e bandejas, os absorventes representam um nicho estratégico no atual mercado de embalagens para carne. Tanto que, para intensificar a atuação nesse nicho, a cryovac pretende construir uma nova unidade industrial dedi­ cada ao produto. Feitos de polpa de celulose vegetal virgem, os absor­ ventes oferecidos pela cryovac foram patenteados sob a marca dri­ loc. “a função dos absorventes é reter os sucos naturais que toda carne libera, mantendo a bandeja limpa”, explica o gerente de vendas paulo de lara. além da cryovac, a Johnson & Johnson vem produzindo, desde 1998, películas absorventes regis­ tradas como Safedrier. como expli­ ca luiz carlos dutra, do departa­ mento de assuntos públicos da empresa, elas se estruturam em três camadas: filme plástico, polpa de celulose e um não tecido. a ini­ ciativa de entrar no segmento, bas­ tante específica se comparada à vocação da J&J, de produzir itens de higiene pessoal, foi sedimentada em dois fatores. primeiro, o boom dos alimentos importados nas gôn­ dolas nacionais divulgou as pelícu­ las para uma estratégica fatia de consumidores. “além disso, a incursão nesta área deve­se à facili­ dade de produção, pois já detínha­ mos a tecnologia”, lembra dutra, evocando o know­how na produção d e absorventes íntimos femininos.

life da carne é o acondicionamento com atmosfera modificada, por meio de misturas gasosas de alta concentração de oxigênio. Isso mantém a coloração vermelha da carne por mais tempo do que em ar. “Contudo, a vida útil do produto, embora mais longa que no ar – oito a doze dias versus dois a três – é menor que no vácuo”, observa Clai­ re Sarantópoulos, do Cetea. Para se trabalhar com atmosfera modifica­ da, também são necessários filmes especiais, que garantam a proteção contra perda das misturas gasosas.

Bandejas da cFS em Xpp

Do freezer ao microondas
Entre as empresas que trabalham nesse segmento, a Convenience Food Systems aposta em filmes que intercalam camadas de PET, SiOx e polietileno, com tratamento antiembaçante. “O SiOx substitui o EVOH, geralmente usado para bar­ reira, com vantagens, por ser menos espesso e mais transparente”, ilus­ tra a engenheira de vendas da empresa, Alessandra Sales. A Convenience Food Systems aposta também em bandejas com base em filme de polipropileno expandido (XPP) que, “por terem memória, não quebram nem amas­ sam e podem ir direto do freezer ao microondas sem variação de temperatura”, diz Rogivaldo Coe­ lho de Oliveira, da área de vendas da empresa. Essas bandejas podem possuir barreira de EVOH para acondicionar produtos em atmos­ fera modificada e são encontradas em diversas cores. Já a Band Plast aposta em bandejas de polietileno de alta densidade (PEAD), que resistem a alterações de tempera­ tura e também são mais duráveis, de acordo com José Tonhato de Lima, gerente comercial da empresa. O auto­serviço também promo­ veu uma explosão para os filmes esticáveis de PVC. Para se ter uma

idéia, das 704 000 toneladas de PVC consumidas no Brasil em 1999, 7 000 foram extrudadas em filmes esticáveis, para acondicionar alimentos. O dado é do Instituto do PVC, que prevê para este ano um crescimento de 10% a 20% nesse número, puxado pelas empresas especializadas. A Goodyear, tradicional fabri­ cante de pneus para automóveis, já fornece há algum tempo o Omni­ film Açougue, especial para baixas temperaturas com agente antiemba­ çante. Segundo Fernando Corrêa Júnior, inspetor de vendas da empre­ sa, as redes de varejo vêm sendo a principal clientela do produto. Já a Du Pont aposta na família Clysar de filmes encolhíveis e esticáveis de poliolefina de alta transparência, adequada a linhas automáticas de grande velocidade. Segundo Mar­ cos Cantarino, gerente da área de filmes poliolefínicos da empresa, “o Clysar é adequado à carne fresca, pois não possui barreira e deixa o alimento respirar”.
Omnifilm açougue, da Goodyear

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EQUIPAMENTOS

premium

codificação

o

Tecnologia laser traz vantagens, dependendo da aplicação

panorama está se agi­ tando na área de codifi­ cação, hoje dominada pelas impressoras ink jet (a jato de tinta). É verdade que a tecnologia desses equipamentos vem se aperfeiçoando sensivelmente e tornando possível inserir dados nos mais variados tipos de rótulos e embalagens. No entanto, estão fican­ do mais acessíveis as impressoras a laser, que trazem apelos considerá­ veis para a produção, como redução de custos a médio prazo e maior segurança. Neste caso, o benefício se deve ao fato de o laser imprimir códigos a partir de calor, que não correm o risco de “desaparecer”. O laboratório Stiefel, fabricante de produtos dermatológicos e pediá­ tricos, adotou essa nova opção e substituiu, em abril, uma de suas sete codificadoras ink jet por uma Willett 550 a laser. O laboratório usa as codificadoras para imprimir núme­ ros de lotes e datas de fabricação e validade em frascos de polietileno. Waldir Allan Bonetti, diretor indus­ trial da Stiefel, revela que a intenção da empresa é trocar todas as máqui­ nas a jato de tinta pelas a laser. “Elas dispensam o uso de tintas e solven­ tes, que são caríssimos”, ele diz. Como a codificadora a laser é bem mais cara do que uma ink jet, o investimento não tem retorno ime­ diato. “Calculando o valor do equi­

Produtos da Stiefel. No destaque, codificação com ink jet (à dir.) e a laser

pamento e a redução dos gastos com os itens consumíveis, esperamos ter retorno dentro de cinco anos”, prevê Bonetti. Outra vantagem, segundo ele, é a manutenção da codificadora a laser, mais simples e mais prática,

porque não há manuseio de tintas. Por atuar no mercado farmacêu­ tico, a Stiefel precisa de ambiente de trabalho limpo, aspecto em que a codificadora a laser é mais adequa­ da. “Com a ink jet, já ocorreu de cair tinta durante o preparo e manchar o piso e o equipamento”, conta Bonet­ ti. “Na impressora a laser, basta pas­ sar um pano úmido por fora da máquina para remover a poeira.”

Para grandes linhas
Não obstante essas vantagens, nem sempre o laser é a melhor opção. Segundo Edison Loureiro, coorde­ nador de marketing da Sunnyvale,
divulgação

Modelo 550 da Willett

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andré godoy

por custar até o dobro de uma ink jet a codificadora a laser é mais indicada para grandes linhas de produção. “O custo com insumos praticamente desaparece e o consu­ mo de energia é menor, mas o equi­ pamento a laser é caro”, ele obser­ va. Por isso, a seu ver, a ink jet ainda é mais aconselhável para empresas com baixa produção. A Sunnyvale disponibiliza ao mercado a codificadora digital a laser DDC3, da Domino, que pos­ sui cabeçote com sete canhões. Isso permite melhor ajuste de potência, com impressões permanentes em embalagens plásticas e em papel cartão sem danificá­los. “São canhões de baixa potência, que geram menos calor e, conseqüente­ mente, gastam menos energia”, afirma Loureiro. Além disso, segundo ele, o equipamento pode continuar operando mesmo sem um ou dois canhões, diminuindo apenas o tamanho da fonte.

LaserPro dM, da Videojet comprint

produção de higiene máxima. Entre­ tanto, ele lembra que o laser mal direcionado pode causar estragos, como derreter embalagens de PET, acrílico ou borracha e alterar quimi­ camente a superfície do PVC.

Espaço para todos
A Nytek é outra empresa que ofe­ rece equipamentos a laser. O mode­ lo Linx LiteMarque imprime até seis linhas com velocidade de 2 500 caracteres por segundo e memória para mensagens de até 1 365 caracteres. Wanderley Félix, gerente de serviços da empresa, adverte que a codificadora, além de ser mais cara, exige funcionários treinados para operá­la e que mate­ riais muito finos podem ser danifi­ cados pelo laser, inclusive prejudi­ cando as características do produto. No entanto, Félix acredita que há espaço para ambas as tecnologias. “A ink jet não será substituída totalmente e nem a curto prazo”, diz. “Para que isso ocorra, as codi­ ficadoras a laser devem ficar meno­ res e mais baratas.” Da mesma forma, a Tecnotrade, que fornece no Brasil impressoras a laser da fabricante alemã GSI Lumonics, não vê conflitos na ven­ da dos dois tipos de tecnologia. “Conseguimos atender empresas de portes diferentes em vários segmen­ tos de mercado”, conta Elisa Batel­ li, do departamento de marketing da empresa. “É uma escolha do clien­ te, de sua aplicação e de sua capaci­ dade de investimento inicial.”

Adequada à ISO 14000
Buscando manter competitividade nesse mercado, a Videojet Comprint está lançando a LaserPro DM, fabri­ cada nos Estados Unidos pela Marco­ ni Data Systems. O sistema permite impressão em vários tipos de mate­ riais, com rotação de 360º e códigos em até três linhas, com velocidade de 225 metros por minuto e resolução

fotos: divulgação

máxima de 133 dpi (pontos por pole­ gada). Ricardo Montagnini, represen­ tante de vendas da Videojet, afirma que a aquisição de uma codificadora a laser é um investimento interessante para empresas que buscam obter selos de qualidade. “Por não usar produtos tóxicos, a codificadora a laser é ade­ quada ao selo ISO 14000”, lembra. Ele ressalta, contudo, que o laser pode ser perigoso se manuseado de forma errada. “É preciso cuidado na opera­ ção, já que o raio é invisível e corta”, diz. “Usar materiais que produzam reflexos, por exemplo, pode causar sérios acidentes.”

Evolução
Já o gerente de vendas da Willett, Joaquim Vilela, vê a codificadora a laser como uma evolução da ink jet, que na sua opinião pode vir a ser substituída. “O laser é uma alterna­ tiva mais moderna, com melhor qualidade de impressão, baixo custo de manutenção e maior segurança, pelo fato de a impressão ser indelé­ vel”, resume. A Willett oferece, além do 550, dois outros modelos a laser, que podem ser especificados de acordo com a necessidade do cliente. Vilela acredita que o laser substituirá o jato de tinta nas indús­ trias alimentícia, farmacêutica e de bebidas, onde se exige ambiente de

codificadora ddc3, da domino

Linx LiteMarque, comercializada pela Nytek

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ADESIVOS

sem resíduos
Henkel faz embalagem com o material do próprio produto

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e, do ponto de vista ambiental, boa embalagem é aquela que depois de usada deixa poucos resí­ duos, o Euromelt, da Henkel Loctite Adesivos, tem a embalagem perfeita. O grande atrativo tecnológico do produto – um hot­melt de pressão sensi­ tiva para uso nos processos de rotulagem e colagem – é justamente seu envoltório, fabricado com material do próprio adesivo. Isso significa que o produto não precisa ser desembalado para sua utilização. Basta depositá­lo no coleiro, para que recipiente e conteúdo se fundam totalmente. Em outras palavras, a embalagem desapare­ ce ao ser usada. Julio Muñoz Kampf, diretor de adesivos industriais da Henkel Loctite para a América do Sul, observa que, além de propiciar benefícios ambientais, a embalagem do Euromelt é um facilitador de uso, trazendo grandes vantagens de produtividade. Com ela foi dispensado o envoltório de papel siliconado em que eram acondicio­ nados os cubos de hot melt de pressão sensitiva. “A eliminação daquela embalagem, que era importada, sig­ nifica o fim da manipulação e do descarte”, ele diz. O executivo da Henkel não revela detalhes do pro­ cesso de acondicionamento do Euromelt, mas chama a atenção para o fato de tratar­se de tecnologia muito avançada, já que o envoltório é selado com o conteúdo em temperatura superior a 140ºC. O lançamento do Euromelt marca a inauguração da fábrica do produto no

Brasil, na mesma área de Jacareí (SP) onde a Henkel inaugurou, no ano passado, a fábrica de Technomelt, um hot melt granulado obtido em processo de Granula­ ção Submersa em Água (Underwater Granulation). Kampf informa que a nova fábrica, única unidade de produção do Euromelt fora da Alemanha, abastecerá toda a América do Sul e ficará disponível para exportar para outras regiões. Toda a tecnologia utilizada pela fábrica do Euromelt foi desenvolvida pela Henkel na Alemanha, e a implantação dos sistemas de produção foi feita com total assessoria de profissionais daquele país.

Preocupação ambiental – O diretor da Henkel Loctite destaca que “a empresa se preocupa com o for­ necimento de materiais que causem o mínimo impacto possível ao ambiente, partindo do desenvolvimento de produtos com características biodegradáveis e conside­ rando o ciclo de vida de seus produtos”. Por levar às últimas conseqüências essa preocupação, cumprindo as normas da ISO 14001, lembra ele, a Henkel foi nova­ mente certificada pelo BVQI (Bureau Veritas). As caixas de papelão ondulado em que são transpor­ tados os sachês de Euromelt também se enquadram no conceito de embalagens não agressivas ao ambiente e facilitadoras de uso. Recicláveis, não utilizam grampos e trazem na parte externa instruções de uso apenas visuais, compreensíveis em qualquer idioma.

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LOGÍSTICA

parceria global, produção

local

intermediate bulk containers terão fabricação nacional

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guilherme Kamio

perar soluções resguar­ dadas pela experiência de parceiros internacio­ nais vem sendo a tônica nas grandes empresas nacionais ligadas à movimentação de car­ gas. Com tecnologia e know­how de sistemas já consagrados em mercados exteriores, ganha­se apelo de excelência e, acima de tudo, novas armas para pleitear espaço junto ao enorme campo de oportunidades que o Brasil apre­ senta na área de logística. O recen­ te anúncio da implantação da Schütz do Brasil é mais um caso a ilustrar essa tendência. A empresa é fruto da união da alemã Schütz Werke, líder mun­ dial no fornecimento de Interme­ diate Bulk Containers (IBCs), com as nacionais SteelDrum­Raft Embalagens, produtora de tam­ bores, a operadora logística Inter­ Tank e a J.C. Thompson Consul­ toria. A joint­venture irá permitir uma operação inédita: a fabrica­ ção local de IBCs, atualmente importados. Para tanto, já está sendo construída uma moderna planta industrial em Jundiaí (SP), cujos investimentos chegam a 10 milhões de dólares. “O Brasil é o

mercado mais importante para nós no Mercosul”, avalia o fran­ cês Bernard Hennet, membro do conselho e vice­presidente da Schütz em sua matriz. O volume de tais contêineres em atividade no Brasil, estimado em sete a oito mil unidades, revela um mercado crescente e sedutor.

Forte apelo ecológico
O produto, criado em 1975 por Udo Schütz, fundador da Schütz Werke, apresenta virtudes no trans­

porte de líquidos e produtos pastosos. Tem capacidade para carregar o volume de cinco tambores de aço, porém ocupando o espaço de quatro, é retornável e possui sistemas de válvulas e man­ gueiras especiais modulares, que impedem vazamentos – um forte apelo ecológico. Com corpo em polietileno de alta densidade (PEAD), o IBC já é fornecido sobre paletes, que podem ser de madeira, aço ou plástico, e é envol­ vido por grade de aço galvanizado com chapa de rotulagem. “O IBC

fotos: divulgação

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o contêiner é fornecido sobre palete de aço, plástico ou madeira

irá se impor naturalmente, princi­ palmente no transporte de produ­ tos químicos, por ser opção que maximiza ganhos na cadeia produ­ tiva como um todo”, argumenta Bernard Hennet.

Preços reduzidos
Segundo José Carlos Thompson, diretor comercial da Raft Embala­ gens, a meta é iniciar a produção dos IBCs de 640, 1000 e 1250 litros já no início do próximo ano. Ele garante que os preços serão drasticamente reduzidos, pela supressão dos impostos alfande­ gários e pela política da Schütz de oferecer serviços e condições

similares ao redor do mundo, numa política de parcerias glo­ bais. No caso brasileiro, a união de forças é visível: a Schütz for­ nece a tecnologia, à InterTank cabe o serviço de recuperação e recolhimento dos IBCs após o uso e a Raft entra com a experiência de fabricação local, salvaguarda­ da por recentes investimentos em seus parques industriais de Resen­ de (RJ) e Guarulhos (SP), para o fornecimento de tambores de aço, que, apesar de serem concorrentes diretos dos IBCs, “terão sempre sua fatia de mercado resguardada, sem canibalização maciça”, no entender de Thompson.

o ibc ocupa o espaço de quatro tambores, mas tem o volume equivalente ao de cinco

METÁLICAS

latas Mais práticas
tintas, solventes, óleos e alimentos ganham com novos implementos
andré godoy

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ispositivos práticos são fundamentais na luta pela conquista da aten­ ção do consumidor. Facilitar o uso do pro­ duto através da embala­ gem sempre deixa a impressão de preocupação com o usuário, o que acaba revertendo num inestimável ganho em ima­ gem – e em vendas. Quem vem sendo beneficiada por progressi­ vas evoluções em acondiciona­ mento são as latas, utilizadas nos mais diversos mercados, como o de tintas, solventes, alimentos e óleos, tanto lubrificantes quanto comestíveis. A Brasilata, uma das principais fornecedoras de embalagens metá­ licas no país, apresentou novida­ des durante a Brasilpack, no final de abril. A nova lata Biplus é uma delas. Trata­se de uma lata arre­ dondada com a já conhecida tam­ pa Plus e um batoque plástico transparente em seu centro. O batoque, inserido na tampa por processo pneumático, possui lacre exclusivo que, depois de rompido, se transforma numa alça, garantin­ do a segurança do usuário e otimi­ zando o tempo de abrir e fechar o recipiente. Devido à facilidade de abertu­ ra, a nova lata permite melhor tra­ balho com os misturadores de pig­ mento dos sistemas tintométricos (mix machines), agilizando o pre­ paro de colorações de tintas imo­ biliárias. Como o batoque é trans­

Biplus, da Brasilata: abaixo, o uso do batoque, com lacre que vira alça

parente, também permite melhor visualização da cor pelo usuário. O fechamento especial está dispo­ nível inicialmente no galão (lata com 3,6 litros) e será estendido, no próximo ano, às latas de 900 mililitros e 18 litros.

Frisos e vincos
Além da Biplus, a Bra­ silata aposta em sua lata retangular de 5 litros com frisos hori­ zontais e vincos verti­ cais. O produto é resul­ tado da combinação da técnica de frisos hori­ zontais – contemplada
andré godoy

com o Diploma de Prata no prê­ mio internacional Cans of the Year de 1999 – com a confecção de reforços verticais nas arestas. “Além do ganho em rigidez, que possibilita maior carga de empi­ lhamento, há econo­ mia na matéria­pri­ ma, com a diminui­ ção sensível na espes­ sura das folhas”, diz Carlos Viterbo Júnior, gerente de marketing da Brasilata. Outra novidade
Lata retangular de 5 litros da Brasilata: empilhamento fácil

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divulgação

vem da Unidade Metalgráfica da Renner Herrmann, do Rio Grande do Sul: a lata cônica para múltiplas aplicações. Ela tem bocal com borda enrola­ da, para evitar desperdício do conteúdo e escorrimento pelas paredes externas da embala­ gem. O fechamento é feito com tampa de pressão dupla, o que “proporciona vedação total e fácil abertura”, segundo José Victor Basso, gerente da Metal­ gráfica. A nova lata cônica permi­ te ainda o encaixe superposto de latas vazias, facilitando o estoque. “Há um ganho de até 62% em espaço com o empilhamento que a lata permite”, afirma Basso.

Lata cônica da renner Herrmann

Diâmetro maior
Já a Cia. Metalúrgica Prada, outra tradicional fornecedora na área, está reforçando, nos setores de

alimentos e de tintas, o trabalho com suas latas de quatro frisos verticais e tampa de pressão Latalimpa. Esta consiste num sis­ tema de fechamento do tipo tam­ per­evident, desenvolvido para garantir a inviolabilidade do pro­ duto e para eliminar áreas de possível oxidação nas arestas da embalagem. Para maior comodidade do usuário, o sistema conta com abertura de diâmetro prolongado, de 210 milímetros, em vez dos tradicionais 170 milímetros. “Isso

garante o manuseio mais fácil, principalmente para situações em que o conteúdo das latas é utiliza­ do aos poucos, como margarinas e até tintas”, ilustra Djalma Car­ los, gerente de vendas da empre­ sa. A Prada anuncia também que está preparando novas opções em tampas easy­open para alimentos, a serem divulgadas em breve.

divulgação

Frisos aumentam a resistência; abertura maior facilita o manuseio

Na dose certa, sem escorrer e denunciando violações
as tampas retráteis estão com tudo. são vistas em número cada vez maior de produtos, e a perspectiva de crescimento em novos mercados é das melhores, pois estão substi­ tuindo batoques tradicionais com apelos irresistíveis. além de não necessitarem de instrumentos pon­ tiagudos para abertura, servem como bico dosador – o que gera segurança ao impedir os inevitáveis escorrimentos pelo corpo da embala­ gem – e trazem lacres, para a com­ provação de violações do produto. “a opinião do consumidor vem sen­ do decisiva para a adoção das retrá­ teis”, considera carlos Barfknecht, supervisor comercial da tecplas,
retráteis da tampaflex

empresa de colombo (pr) que já for­ nece essas tampas para azeites de oliva e pretende aumentar a participa­ ção em alimentos. a empresa investiu cerca de 1,5 milhão de dólares no desenvolvimento de matérias­primas que resistissem às mais variadas condições de uso e aos mais diferen­ tes produtos envasados. as tampas já estão sendo fabricadas no Brasil, a partir de um mix de matéria­prima nacional e importada, e têm várias opções de tamanhos. a Bericap também vê o mercado de azeites de oliva como potencial con­ sumidora das retráteis. De acordo com o gerente de vendas irineu sala­ ta, os pedidos dessa indústria à uni­

dade espanhola da empresa têm aumentado bastante, principalmente por parte de marcas fortes do seg­ mento. “a tendência é que tais produtos já cheguem aqui com as tampas”, ele acredita. a Bericap está nacionalizando progressivamente a fabricação das tampas retráteis, e pretende fornecer toda a linha nacio­ nalizada até o fim do ano. Já a tampaflex, de são paulo, conse­ guiu desenvolver um processo de fabricação de tais tampas sem a necessidade de tratamento gama­ molecular, fase radiativa que serve para fechar microfuros inerentes ao processo de reticulação do polímero. “isso permitiu uma redução drástica no preço final”, expõe o gerente de marketing adriano Marçal Vargas. as tampas, feitas a partir de uma mistu­ ra de polipropileno de alta e baixa densidade com aditivos químicos, têm várias cores, podendo combinar com a litografia da lata. “além de segurança e praticidade, o apelo visual também é forte”, diz Vargas.

divulgação

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bom espaço para crescer
Tendências de embalagem nos próximos anos
a embalagem no século xxi: perspectivas e tendências
Luis madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de alimentos - ITaL

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ituado de forma destacada na rota de expansão do varejo internacional e, portanto, constituindo um campo fértil para a expansão da indústria de produtos de consumo, o brasil tem largo espaço para o crescimento e para as inovações de todo tipo no setor de embalagens. Frente aos desafios da globalização e do rápido desenvolvimento tecnológico daí decorrente, já em 1998 o Cetea – Centro de Tecnologia de embalagem do Instituto de Tecnologia de alimentos (ITaL) criou o brasil pack Trends 2005, um valioso conjunto de informações e análises de tendências na cadeia de embalagem no país. Desenvolvido com apoio da Datamark, da müller associados e da Fispal, o documento tornou-se uma referência para o setor. No entanto, de lá para cá o processo evolutivo da área acentuou-se, motivando o Cetea a fazer a edição 2000 daquele trabalho, com apoio da arthur andersen business Consulting. o novo documento, baseado nas palestras de vinte especialistas de diferentes segmentos preparadas para o seminário brasil pack Trends 2005 Fispal 2000, tem seu lançamento programado para setembro próximo. seu conteúdo abrangerá a vasta experiência dos palestrantes e informações de documentos publicados por cerca de cinqüenta especialistas de mais de vinte países. Nas próximas páginas, por cortesia do Cetea, que permitiu o acesso da reportagem aos trabalhos em andamento para o evento paralelo à feira de alimentos que se realiza todos os anos em junho, em são paulo, EmbalagEmmarca faz um resumo antecipado do que será o brasil pack Trends 2005 edição 2000. Na próxima edição esse trabalho será aprofundado.

indústria de embalagem é uma das mais importan­ tes no mundo, embora somente agora comece a ser reconhecida como estratégica. Isto se deve principalmente ao trabalho das associações e sindicatos ligados ao setor, bem como o de todo o seg­ mento industrial e instituições de pesquisa e desenvolvimento, como o Cetea – Centro de Tecnologia de Embalagem do Ital no Brasil. Mundialmente, a indústria de embalagem representa um mercado de 500 bilhões de dólares, com esti­ mativa de 100 000 empresas e geração de 5 milhões de empregos. O consu­ mo está concentrado na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, países que atingiram a maturidade em quase todos os segmentos, mas novos hábi­ tos de alimentação, estilo de vida e aparecimento de nichos proporcionam oportunidades de crescimento, que a longo prazo deverá ocorrer sobretudo nos países em desenvolvimento. Até 2005 a indústria de embala­ gem será afetada por fatores de médio e longo termo, como crescimento da população, PIB, impacto da redução de peso e uso de materiais nas embala­ gens, além de novas tecnologias e imposições legais. Estes trabalhos organizados pelo Cetea procuram mos­ trar, com base em indicadores, estudos e pesquisas, quais as diferentes tendências de embalagens no mundo, principalmente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Extrapolá­las para o cenário brasileiro é o desafio que os participantes tentam responder aqui.

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o paNorama geral
o poder da informação e o papel das associações na indústria de embalagem
sérgio Haberfeld, presidente da associação brasileira de embalagem (abre), União Latino-americana de embalagem (Ulade) e organização mundial de embalagem (Wpo)

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epois da intensa evolução que os materiais e máquinas para embalagem experimentaram nos últimos anos, a informação pode ser considerada um dos principais ingredientes da atualidade para o sucesso de um negócio. Empresários e empresas que pretendam se situar no cenário dos bem sucedidos deve­ rão necessariamente ser bem informados. Um dos papéis básicos das associações e organizações do setor é gerar e propagar dados que norteiem negócios e promovam a interação e a globalização de ações e estratégias. Nesse panorama, o setor de embalagens terá de enfrentar nos próximos anos alguns desafios para se manter competitivo em toda a cadeia e confirmar a afir­ mação de que embalagem vende. Hoje cobra­se da embalagem uma atuação responsável, que não se limita aos lares individualmente. Cada vez mais as redes de distribuição, os supermercados e as lojas de conveniên­ cia contam com a embalagem como um elemento faci­ litador do dia­a­dia e alavancador de negócios. Os supermercados, principalmente, estão investindo em ECR (Efficient Consumer Response), esperando a par­ ticipação ativa da indústria de embalagem. Outro desafio é ter embalagens que agüentem firme as etapas de transporte e distribuição e cheguem intactas ao ponto­de­venda, atendendo às necessidades do consumi­ dor, com o plus da conveniência. Acresce a esse desafio o resultante da preocupação “verde”. Até que ponto a embalagem é a vilã da história da poluição e da geração de resíduos sólidos? Até o ponto em que a indústria não souber se defender corretamente e provar que todo o material de embalagem é passível de reciclagem ou de outros tipos de reaproveitamento, desde que o governo cumpra sua parte, promovendo a coleta seletiva de manei­ ra eficiente e não taxando material reciclado com impos­ tos superiores aos da matéria­prima virgem. Mas a recu­ peração e a reciclagem não são as únicas preocupações da indústria para preservar o meio­ambiente. O setor deve mobilizar­se, tornar­se pró­ativo na questão, e não ficar simplesmente à mercê dos ânimos de legisladores que tentam impor regulamentações no mínimo incabíveis.

A embalagem deve estar em dia com a tecnologia de ponta. O desenvolvimento passa hoje por embala­ gens produzidas com menos material, a chamada redução na fonte. Ao lado disso, um grande desafio é o desenvolvimento de embalagens que atendam às redes virtuais de comércio. O e­commerce dispensa embala­ gens atrativas que vendam o produto na tela do compu­ tador, mas desperta a necessidade de embalagens mui­ to mais resistentes, leves e baratas, que viabilizem a entrega de um CD ou de uma geladeira em qualquer parte do mundo intactos. Mas os desafios não param por aí. É preciso trans­ formar todos os dados e números que eventualmente cheguem a nossas mãos em matéria­prima para grandes realizações. Todo o material de apoio para o sucesso de uma empresa de embalagem não tem razão de ser se não for adequadamente divulgado e promovido. Este é o principal papel das associações do setor, como Abre, Ulade e WPO. Os mercados existem e as formas para explorá­los têm de ser cada vez mais trabalhadas. O setor de embalagens tem latente um dinamismo único que, por si só, impulisona a evolução e a revolução de hábitos de consumo Participar desse proceso não é mais uma opção, e sim uma necessidade.

a evolução do mercado brasileiro de embalagem e sua inserção no mercado internacional
Graham Wallis, sócio da Datamark

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indústria brasileira de embalagens, estimada em 5,5 milhões de toneladas (10 bilhões de dólares) em 1998, dos quais 61% foram para alimentos, cresceu 10% em volume no ano seguinte, mas caiu para 6,8 bilhões de dólares, devido à desvalorização do real. Até 2005, o setor deverá crescer 35% em volume, alcançando 7,4 bilhões de toneladas, ou 8,7 bi­ lhões de dólares aos pre­ ços de 1999. Com todas essas variações, o Brasil per­ manece em nono lugar no ranking dos principais mercados mundiais de
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Principais mercados de embalagens

embalagem, com grande potencial para o futuro. Entre os três maiores mercados da América Latina, o Brasil se destaca no consumo em todos os materiais, exceto no vidro, onde está atrás do México. No consumo per capita, Argentina e México estão na frente. A importân­ cia do mercado brasileiro pode ser medida, também, por ser o país o terceiro maior consumidor de refrige­ rantes depois dos Estados Unidos e do México, o sexto colocado mundial em cerveja e um dos mais importan­ tes do mundo em alimentos.

consumo de embalagens
fonte: amee, cenem, datamark

o consumidor e a embalagem

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arthur andersen business Consulting

Brasil tem o maior índice mundial de decisão de compra nas lojas (85%), indicativo de que o consumidor brasileiro não planeja suas com­ pras, decidindo­as no ponto­de­venda. Isso faz neces­ sário dar ênfase ao merchandising e à promoção no ponto­de­venda para conquistar a atenção do consumi­ dor, contexto em que o papel da embalagem se torna importantíssimo. É interessante observar que o brasil­ eiro gasta em média 12% a mais do que planeja em sua ida ao supermercado e, também, que nas compras de maior valor o índice de compra não planejada é maior. Por diferentes razões, a embalagem passou a repre­ sentar um meio de contato, comunicação e conquista junto ao consumidor final. Se se fizer uma comparação com os outros meios de comunicação normalmente

utilizados, a embala­ gem possui as caracte­ rísticas exclusivas de contato direto, tátil, sen­ sorial e intelectual com seu usuário. Esse conta­ to é capaz de transmitir o posicionamento da marca, no sentido de reforçar sua personali­ dade, seu va­lor e seus benefícios funcionais aos consumidores. Estes, hoje, já não exigem das embalagens apenas proteção, conser­ vação e higiene. É muito nítida a reação dos consumidores atuais diante de novos materiais e de facilidades de uso das embalagens, além de novo comportamento e novo posicionamento perante a questão ambiental. O certo é que influências exercidas pelas novas condições de mercado refletem e induzem novos comportamentos, tornando os consumidores onipotentes no mercado de consumo. A embalagem é o fator que mais influi na percepção que eles têm do produto. Se o consumidor não é conquistado pela embalagem, o produto passa despercebido ou se torna frágil ante o concorrente. Nesse quadro, onde começam e onde terminam as responsabilidades dos agentes da cadeia produtiva de embalagens? Suas responsabilidades não só compreen­ dem suas respectivas atividades e seus limites de atua­ ção, mas também os comprometimentos com seus parceiros em desenvolver em conjunto embalagens inovadoras e condizentes com as necessidades e dese­ jos dos mais diversos tipos de consumidor. O alinhamento dos interesses dos agentes da cadeia pode promover uma competição saudável e fomentar o desenvolvimento sustentável do setor brasileiro de embalagens. As empresas fabricantes de produtos de consumo alertam para que, mais do que nunca, haja maior pró­atividade por parte das empresas de embala­ gem, de modo a atender com maior rapidez o que o mercado está pedindo ou, muitas vezes, sugerindo.

fonte: datamark

decisão de compra nas lojas

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fonte: popai – jan/2000

a vIsão Do cetea
alimentos
Claire sarantópoulos, pesquisadora

bebidas
sílvia Tondella Dantas, pesquisadora

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consumidor brasileiro está cada vez mais exi­ gente, buscando conveniência e praticidade no preparo e no consumo de alimentos. Embala­ gens mais funcionais, com informações claras e objeti­ vas, fáceis de usar, estocar e descartar, ao lado de por­ ções menores, são exigências básicas. Em evidência nos Estados Unidos e crescente aqui, o mercado de home meal replacement, em que alimentos semi ou pré­preparados substituem a refeição caseira, pede embalagens cada vez mais sofisticadas. Pratos prontos, congelados ou refrigerados, hortaliças minimamente processadas e embaladas em atmosfera modificada e produtos semiprontos, desidratados ou congelados têm futuro garantido. Como cresce a importância de tecnologias de produ­ ção e acondicionamento que garantam alimentos mais saudáveis, barreiras serão mais exigidas e, muitas vezes, associadas a atmosfera modificada, à medida que con­ servantes químicos forem sendo eliminados. A seguran­ ça alimentar será valorizada, e a exigência de sanidade se estenderá aos fabricantes de embalagem, que tendem a implantar salas limpas para acondicionamento e até mesmo para produção de algumas embalagens. Mercados regionais das diferentes categorias de alimentos terão suas próprias preferências por embalagens. Padrões não atenderão à segmentação, que pede soluções específi­ cas. A internet, democratizando o acesso de pequenas e médias empresas a informações e serviços antes restritos aos grandes, obri­ gará as empresas líderes a acelerar inova­ ções para diferenciar­se. Com o crescimento do número de requi­ sitos que a embalagem deverá atender, espe­ ra­se ter maior variedade de embalagens de varejo e de transporte. Do ponto de vista de otimização, será mais explorada a possibilidade de trans­ ferência das funções entre os diferentes níveis de emba­ lagem: primária, secundária e de transporte. A primária deverá reunir, preferencialmente, apenas as funções que agreguem valores percebidos pelo consumidor. Funções como resistência mecânica ao empilhamento devem se transferir para a embalagem secundária. E multipacks continuarão sendo ferramentas eficientes para vender.

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setor de embalagens para bebidas (34% do total) tem grande potencial de crescimento no Brasil, já que quase metade do consumo no país é feita de forma não acondicionada. Registram­se na área importantes tendências inovadoras. Em metálicas, a tendência é de diminuição de espes­ suras e diâmetros de tampas, com economia de material e melhoras logísticas. As latas de 350ml reduzem con­ tinuamente o peso e a espessura da folha de alumínio. Em novos formatos, as latas de três peças vêm tendo boa receptividade, e há campo para uso de relevo ou depressão em latas de alumínio ou aço. Materiais alter­ nativos têm sido utilizados na produção de latas, como laminados e extrudados com polímeros (poliéster, polie­ tileno ou polipropileno), em substituição ao verniz. Na área de tampas, surgem várias alternativas em fácil abertura. Entre outras, a Z-Tab garante que a lingüe­ ta seja puxada para fora, melhorando a higiene; a stay on tab spout leva bico para ingestão; e a pop ‘n’pour, cuja abertura é três vezes maior que a convencional. Em embalagens plásticas, surgem garrafas de PET que atendem os requisitos para novos mercados, principalmen­ te o de cervejas. Tradicionais fabricantes de embalagens metálicas e cartonadas diversificaram sua atuação e têm apresentado diferentes opções de melhoramento da barreira do PET a gases. Registram­se melhorias na resistência térmica de embal­ agens para pasteurização. Outra tendência é a contínua redução de peso. A garrafa de refrigerante para dois litros, que há vinte anos pesava 67g e requeria uma base de 24g, atualmente pesa 47g. Reduzir peso é também meta da indústria vidreira, assediada pelo avanço de recipientes de materiais alter­ nativos. O destaque é a tecnologia de produção da gar­ rafa NNPB – Narrow Neck Press and Blow, que permi­ te distribuir melhor o vidro nas paredes do recipiente. Registram­se importantes inovações em embalagens cartonadas, com destaque para novos formatos e aces­ sórios para fácil abertura e retampamento.

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farmacêuticos
sylvio alves ortiz, pesquisador

cosméticos
Leda Coltro, pesquisadora

e

stima­se que o setor farmacêutico crescerá no mundo a uma taxa de 8% ao ano até 2002, com base nas premissas de aumento da expectativa de vida, surgimento de novas drogas, avanço da química combinatória, bio­informática e genética e fusões entre laboratórios. O mercado de farmacêuticos brasileiro, sétimo no mundo, apresentou o maior crescimento den­ tre os dez principais mercados mundiais nos últimos cinco anos. Em 1999 foram comercializadas 1,6 bilhão de unida­ des de embalagens para o setor. Os processos e produ­ tos, incluindo a embalagem, têm sido constantemente aprimorados, a fim de atender os requisitos técnicos e legais, bem como a um mercado consumidor cada vez mais exigente. As tendências se multiplicaram. Muitos medicamentos passaram a exigir dispositi­ vos de dosagem mais precisos. Produtos classificados originalmente como cosméticos passaram a apresentar efeitos terapêuticos. As embalagens inteligentes prolife­ raram, principalmente por causa do envelhecimento da população e da exigência de medicação múltipla. Há ênfase na prevenção de fraudes, violações e falsifica­ ções, em especial para produtos de grande consumo. A globalização incentiva a produção de medicamentos mundiais com embalagens genéricas, a exemplo dos tubos colapsantes e pumps, respeitando­se identidades culturais e formas de consumo de cada país. Por razões ambientais e de custo, as embalagens do futuro devem utilizar menos material. Ampolas e frascos de vidro tendem a adotar siste­ mas de abertura mais eficazes, rotulagem com auto­ adesivos e novos processos de enchimento e fechamen­ to. O PET poderá ganhar espaço e consolidar­se no segmento, por adequar­se a mercados de pequena pro­ dução e ter mais barreira. Blisters tendem a utilizar mais plásticos em sua estrutura, a ter camadas de alumínio menos espessas (21µ), e aprimorar sistemas à prova de abertura por crianças (child-proof ). Outra aposta forte é o blister alu-alu, com duas camadas de alumínio. No campo de fechamentos, deverá haver esforços para criar tampas child­proof, de um lado, e de fácil abertura, por outro, para contemplar a terceira idade. As tampas rosqueáveis de plástico deverão aumentar seu predomínio. Para celulósicos, os cartuchos devem rece­ ber papel­cartão de menores gramaturas e o cartão tri­ plex (branco em ambas as faces) deve se afirmar, assim como o cartão duplex de segurança. O futuro próximo é promissor também para o rótulo multipágina e para dispositivos de segurança como tintas reativas, grava­ ções em relevo, cartuchos com abas coladas e lacres.

s

egundo a Datamark, o setor de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria respondeu, em 1999, por apenas 5% do mercado total de embalagens no Brasil, evidenciando que o consumo per capita brasileiro desses produtos é ainda pequeno (o da Argentina é cinco vezes maior, enquanto o da Itália é doze vezes superior). O segmento de cosméticos divide­se em dois gran­ des grupos: o de cosméticos convencionais, formado por produtos decorativos, como cremes/loções para pele (92%), de maquiagem, esmaltes para unha etc., e o de cosméticos de tratamento, também conhecidos como cosmecêuticos – produtos que normalmente apresentam ações preventivas, sobretudo no tratamen­ to de pele, através do emprego de ácidos, vitaminas e outros. O mercado de embalagem para o setor é dominado por plásticos e vidro. Além de ser a matéria­prima mais utilizada, o plástico está presente em todos os segmentos do setor, enquanto que o vidro se concentra em perfumaria e cosméticos convencionais, especial­ mente esmaltes para unhas. Os materiais celulósicos também tiveram participação expressiva, na forma de cartuchos e de embalagem primária de sabonetes. Embora não se registrem grandes mudanças estruturais e de materiais, nos últimos anos houve concentração dos esforços no desenvolvimento de novos produtos e no design da embalagem. A redução de espessura das embalagens plásticas é um dos fatores que movimentaram o campo do design para o setor. Outro é a exigência do consu­ midor por embalagens mais práticas. A necessi­ dade de praticidade, mas tam bém a ques tão ambiental, leva ram a fechamentos mais sofis­ ticados. Nessa linha, as válvulas pump tendem a se disseminar, pois dis­ pensam propelentes e estão mais funcionais. Novos produtos devem ser desenvolvidos com enfoque nos nichos de mercado (produtos para pele morena, xampu para cabelos cacheados, e por aí) e em itens com efeito terapêutico. Assim, a demanda por embalagens mais complexas deve aumentar, uma vez que em muitos casos os componentes da formulação só podem ser misturados imediatamen­ te antes do uso.

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DeCoração e design
tendências de decoração
Fernando pirutti, superintendente comercial, e Christian Klein, gerente de marketing da Novelprint

e

ntre as tendências mais comuns de decoração, dividi­ das em direta (impressão sobre a própria embalagem) e indireta (uso de rótulos), destacam­se:

decoração indireta – Possibilita, em muitos casos,

que a decoração seja feita antes ou depois do envase, em linha. Isso reduz estoques e custos de armazenagem. • Heat transfer – Surgiu como forma econômica de decoração, mas o custo de equipamentos e exigências com relação à parede do frasco estagnaram seu crescimento. • Sleeve labeling (luva) — Permite envolver por inteiro formas ousadas de embala­ gens, aumentando o leque de possibilidades de aplicação. No Brasil, devido ao custo dos equipamentos, tem sido usa­ do apenas em produtos com alto valor agregado ou grandes produções. Com a instalação de fábricas de sleeve no país, os preços devem cair, ampliando o mercado para o sistema • In mold – Cresce a produção de embalagens de volu­ me mínimo de 1 litro com grandes tiragens; a facilidade na reciclagem dos produtos decorados por esse sistema leva empresas a adotá­lo, com vantagens no custo. • Rótulo de papel – Com a adoção de novos plásticos na

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decoração direta – Exige pré­estoques, onerando custos de armazenagem, mas os custos finais podem justificar sua escolha. Informações variáveis são impres­ sas por sistemas complementares. • Serigrafia (silk screen) – Tende a reduzir sua partici­ pação frente a novas tecnologias, dada a limitação de cores; permanecerá como opção para produtos de boa tiragem que não exijam grande apelo visual. • Off­set – Tem seu nicho definido e vem sendo utiliza­ do principalmente na decoração de tubos de alumínio. • Litografia – Permite cada vez mais usar quadricromia em aço. Tem forte apelo no uso de fotos. As proprieda­ des do aço possibilitam ampliar seu uso em altos e baixos relevos, valorizando a imagem das embalagens.

confecção de embalagens, tornou­se difícil a aplicação com sistema de lambedeiras; novas tecnologias ofere­ cem maior segurança, melhor apresentação e resistência no manuseio; o mercado vem abandonando o processo. • Rótulo auto­adesivo — Tem enormes possibilidades de crescimento, por atender a diversos segmentos; a indús­ tria brasileira se equipara ao que há de mais avançado no mundo em equipamentos, materiais e processos.

tendências de design
Fábio mestriner, diretor da packing Design de embalagem

Desde sua conceituação pela Bauhaus nos anos 20, o design esteve à frente das grandes transformações da sociedade. Avançar no futuro e indicar tendências é missão do designer, que cria apoiado na realidade. Com base nela, o design de embalagem vai dar grande salto qualitativo nos próximos anos, pois cada vez mais a indústria de produtos de consumo vê nele a forma de conquistar e manter posições num ambiente que se move em alta velocidade. É possível vislumbrar uma evolução acelerada do design com a exploração intensiva de novos materiais, pigmentos e recursos de impressão. Essa evolução pas­ sa pelo chamado design integrado, que se manifesta de duas formas. Na primeira, a tampa e o frasco são con­ cebidos e desenhados juntos e se transformam num único objeto. Na segunda, o rótulo desaparece no fras­ co, num efeito chamado no­label look, já que a transpa­ rência é muito valorizada em embalagem. A tecnologia vem oferecendo amplo leque de possi­ bilidades em diferentes áreas. Na de pigmentos há tintas luminosas e extra­brilhantes. Multiplicam­se os trata­ mentos de superfície de filmes, a laminação com texturas a laser que imitam holografia e outros efeitos interessan­ tes. A aplicação de vernizes permite combinar superfí­ cies foscas e brilhantes. O design se torna mais sintético e informativo e se sintoniza cada vez mais com aspectos como a defesa do consumidor, o impacto ambiental da embalagem, a computação gráfica, a internet. Hoje, empresas de qualquer porte podem dispor de bom design de embalagem. Isso obriga as empresas de ponta a recorrerem cada vez mais aos últimos lança­ mentos tecnológicos para diferenciar­se, num movi­ mento que acelera a inovação e exige mais criatividade da indústria e das empresas de design.

Panorama
FoTos: DIvUlGAção

Nova recravadeira
A Polypack anuncia para julho o iní­ cio do fornecimento da recravadeira automática F201, da Ferrum, exclu­ siva para latas redondas de grandes dimensões com diâmetros de até 230 mm. Com capacidade para até 20 latas de diâmetro 230 mm por minuto e até 60 latas de diâmetro 99 mm por minuto, ela é fabricada exclusivamente com materiais inoxi­ dáveis e incorpora um sistema fechado de lubrificação a óleo, livre de manutenção.

roll-on nacional

Prêmio em Nova York
As designers Renata melman e mar­ garete Takeda, da a10 Design, fatu­ raram bronze no 2000 International Print Advertising Collateral and Design Competition, ocorrido no final de maio em Nova York (eUA), com os desenhos que criaram para o bolo pascal Gran Páscoa e para o Panetone, da Bauducco, ambos em embalagens metálicas.

A produtora brasileira de embalagens plásticas sopradas/injetadas Tecmax investiu cerca de 1 milhão de dólares em infra-estrutura, pessoal e equipamentos, e já está produzindo embalagens para desodorantes roll-on tipo “big ball”, tecnologia até então exclusiva de multinacionais. De acordo com o diretor comercial Luiz Feijão, o produto representará cerca de 20% do faturamento da empresa.

Aqui estão resumos de algumas das notas publicadas em òltimas Notícias, seção atualizada diariamente no site da revista. www.embalagemmarca.com.br

A M Design lançou no fim de maio a M Forma, nova unidade de negócios para desenvolvimento de formas para embalagens. São parceiras da M Forma as agências Aesthete, especialista na área de perfumes, e Reso

Cola em março chegaram a 49,9% do mercado, contra 45,4% no mesmo mês de 1999. O fechamento Plus, da Brasilata, está disponível na região Nordeste do país. Ele acaba de ser licendas Renda, tradicional fabricante

cos, que trabalha com peças injetadas de plástico, como tampas para embalagens, está fazendo 30 anos com um motivo especial para comemorar. A empresa registrou crescimento de 31% nas vendas no primeiro trimestre em relação ao mesmo

Design, na área de bebidas. A participação da Coca-Cola nas vendas de refrigerantes no Brasil cresceu 11% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado (dados do instituto A.C.Nielsen). As vendas da Cocade latas e rolhas metálicas de Recife (PE). A Renda projeta crescimento de 20% em volume de latas processadas em um ano, a partir de junho, quando se inicia a produção do galão e da lata de 18 litros com fechamento Plus.

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Display
Embalagens permitidas pela Telefónica
A Telefónica Assist, empresa do grupo Telefónica que comercializa produtos, vai colocar no mercado novos apare­ lhos, que serão vendidos nas lojas da própria empresa, em supermercados e em lojas especializadas. os primei­ ros aparelhos são da linha Amazonas. As embalagens, criadas pela DIl, têm as cores da Telefónica – verde e azul – e laranja, um dos tons permitidos pelo manual de identidade da empresa.
FoTos: DIvUlGAção

Delícia de visual novo
A margarina Delícia chega aos supermercados em novas embala­ gens. Os potes plásticos das ver­ sões Cremosa e Light têm novo formato, e são fabricados pela Dixie Toga. As mudanças acompa­ nham a nova fórmula do produto, e exigiram investimentos de aproximadamente 500 000 reais nas três fábricas de margarina da Santista Alimentos, em Jaguaré (SP), Gaspar (SC) e Cabedelo (PB). A Oficina d’Design é quem assina o novo visual do produto.

TeleTubbies viram embalagem
A Botany & Tree está lançando a linha de personagens infantis da televisão Teletubbies de cosméticos, destinada a crianças de dois a seis anos de idade, composta por xampu, condicionador, sabonete líquido e colônia. O design das embalagens é o mesmo que a Botany & Tree vem utilizando desde que a marca foi lançada, em 1996, e foi desenvolvido pela equipe de marketing da própria empresa. Os frascos de 300ml e 200ml de PVC, fabricados pela Poliblow, têm as cores vermelha, azul e verde claro, os dois últimos translúcidos. As tampas disktop de polipropileno facilitam o uso e evitam desperdício, e os rótulos BOPP têm um cenário diferente em cada produto da linha.

para o mercado de food service
A oetker está colocando no mercado seus chás em latas decoradas, dedicadas ao prom­ issor segmento de food service. No interior da embalagem há nove divisões para acondicionar os sachês de diferentes sabo­ res, e a parte exter na traz lito­ grafia reproduzindo frutas sobre fundo azul. A for necedora das latas é a CsN.

Minas Gerais, o mercado teste da Kaiser
A Kaiser está trazendo ao mercado de Minas Gerais a nova versão da cerveja Summer Draft, em garrafa de 600 ml da Cisper. A iniciativa é reflexo dos bons números alcançados pelo produ­ to no Estado, onde as vendas cresce­ ram 40% em relação ao ano pas­ sado. A idéia é usar Minas como mercado teste, pois “a intenção é lançar o produto em todo o país”, diz o gerente de categoria Milton Turolla Júnior. A cervejaria aproveitou também para lançar no Estado sua extensão do proje­ to Kaiser Clube. Trata­ se de latas decoradas com os motivos dos três principais clubes de futebol mineiros, o Atlético, o Cruzeiro e o América. Os clubes serão beneficiados com 4% das vendas líquidas do produ­ to, comercializado em latas de 350 ml da American National Can (ANC) ou da Crown Cork Embalagens.

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Display
dona mariana, uma nova força em cosméTicos

O mercado de cosméticos tem mais um concorrente: a Dona Mariana Cosméticos, dirigida por Gisela Pitanguy, filha do conhecido cirurgião plástico Ivo Pitanguy. A nova marca está entrando no mercado com a linha Previous, criada pelo Núcleo de Procedimentos Não Cirúrgicos da Clínica Ivo Pitanguy. Com investimentos de US$ 3 milhões

foram desenvolvidos 14 produtos das linhas facial, corporal e capilar para mulheres. Até o final do ano, a empresa vai gastar mais US$ 1 milhão na construção de uma fábrica própria e no lançamento de novos produtos. A linha de tratamento da Dona Mariana Cosméticos usa matérias-primas importadas, através de parceria com a Distrion Especialidades Cosméticas,

representante no Brasil dos principais fabricantes mundiais de matérias-primas. As embalagens, seguindo a mesma tendência, são todas importadas. Os frascos e potes são da vidraria alemã Heinz Glass, as válvulas, com pumps dosadores, são fabricadas pela também alemã Pfeiffer e as latas de alumínio são trazidas do Chile, confeccionadas pela Condensa.

Nescau do jeito que cada um quer
Com investimentos da ordem de R$ 4 milhões, a Nestlé está refor­ çando sua participação no mer­ cado de achocolatados – no qual detém a liderança com 53% de market share – com a mais nova versão do Nescau, o Nescau Syrup. O produto traz para o Bra­ sil um conceito bastante difundi­ do nos EUA e na Europa no con­ sumo do leite achocolatado, per­ mitindo que cada um prepare a bebida da maneira que mais gos­ ta, mais claro ou mais escuro, mais forte ou mais suave. O fras­ co plástico do Nescau Syrup é produzido pela Remaprint, e o rótulo é fornecido pela Pimaco.

Puro êxtase
A Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho – 3 Fazendas (IRB) está lançando seu novo soft drink alcóo­ lico, o ecstasy, com cores e sabores exóticos. o produto, disponível em três versões – curaçao (azul), ervas aromáticas (vermelho) e menta (ver­ de) – chega para ampliar a linha First one, dedicada a jovens entre 18 e 35 anos. A empresa investiu cerca de 300 000 reais em tecnolo­ gia e pesquisas, que duraram quatro meses, para lançar o produto. A embalagem é a garrafa de vidro long neck, da Cisper.

FoTos: DIvUlGAção

como enviar as suas informações
Quando a sua empresa tiver algum lançamento que se encaixe no perfil desta seção, é importante que no material enviado para a redação de EmbalagEmmarca constem informações referentes ao material da embalagem (se for uma mudança de material, informar qual era o anterior), quem é o fornecedor da embalagem e quem é o responsável pelo design. Assim, a sua informação ganha em conteúdo.

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Display
Adria investe em biscoitos Sachês com válvula
A maionese Maio­ negg’s, da Santista Alimentos, está ganhando em junho nova roupagem e mais opções. Ela poderá ser encontrada também em sachês de 500g e 200g, fornecidos pela Itap Bemis, que terão apelo de funcionar como refil. O sachê de meio quilo traz válvula de abertura, o que eli­ mina a necessidade de acondicionamento em potes. Já o novo rótulo, que agora traz forte associação com saladas e logotipo redesenha­ do, foi desenvolvido pela Oficina d’Design.

Tradicional no segmento de massas, a Adria está lançando sua linha de biscoitos, composta por 16 produtos, entre biscoitos doces, salgados, secos e recheados. O projeto gráfico das embalagens ficou a cargo da M Design, que aplicou o logotipo da

empresa sobre uma gravata, para garantir força e ampliar a visibilidade. Fotografias dos produtos foram inseridas para destacar os diferenciais de forma, recheio e desenhos. A Shellmar é a fornecedora das embalagens flexíveis da linha.

Quotidiano, para o dia-a-dia
A Natura lança sua nova fragrância para o público feminino, a Quotidiano de Natura. A colônia é indica­ da para todos os momen­ tos e situações, com bou­ quet que combina elemen­ tos verdes e aquosos, amparados por notas ama­ deiradas. em formato retangular, o frasco do pro­ duto – fornecido pela vidra­ ria estrangeira saint Gobain – explora linhas retas e suaves, com válvula cilín­ drica em prata fosco.

pokémon em bolinhos e lanches

Nestlé aposta em glacê
os novos biscoitos ao leite surpresa Fun, da Tostines (Nestlé), são os primeiros com cobertura exclusiva de glacê de chocolate. Além disso, o produto traz os personagens da Turma da mônica em relevo, estraté­ gia para se posicionar frente ao segmento dos biscoitos tematizados com personagens, que repre­ sentam 25% do mercado total da categoria. A embalagem, flexível, é pro­ duzida pela Itap Bemis.

FoTos: DIvUlGAção

A Pullman e a Plus vita, marcas da santista Alimentos, estão lançan­ do em junho o lanchinho e o Bolinho Pokémon, que trazem tatuagens dos monstrinhos como brindes para o público infantil. Para o lanchinho, que consiste em pães do

tipo bisnaguinha, foram feitas 12 embalagens exclusivas, enquanto que para o Bolinho, de cho­ colate com recheio de doce­de­leite, quatro. o visual ficou a cargo da mazz Design e quem confecciona as embala­ gens é a shellmar.

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ThomAs kRemeR

EVENTOS
JULHO

Como Encontrar

• FCE Pharma 2000 – Exposição de fornecedores da indústria farmacêutica. De 5 a 7 de julho no Expo Center Norte, em São Paulo. Informações: (11) 3873-0081. • HBA South America – Feira de fornecedores para a indústria de cosméticos. De 5 a 7 de julho, no Expo Center Norte, em São Paulo. Informações: (11) 3873-0081.
AGOSTO

N

esta seção encontram-se, em ordem alfabética, os números de telefone das empresas citadas nas reportagens da presente edição. EmbalagEm­ marca fica à disposição para outras informações. (11) 3845-3503 Johnson & Johnson (11) 3030-8797 Light Comunicação (11) 853-1411 Metalgráfica Renner Herrmann (51) 344-5544 Novelprint Nytek (11) 268-4111 (11) 3648-8000

a10 Design

ABML – Associação Brasileira de Movimentação e Logística (11) 549-4954 ABRE – Associação Brasileira de Embalagem (11) 282-9722 Agaprint Embalagens (11) 6947-9200 Arthur Andersen Business Consulting (11) 5185-2444 Band Plast Bericap Brasilata (11) 523-6031 (15) 225-1222 (11) 3619-4400

• TecnoBebida 2000 – Exposição e conferências sobre tecnologia para a indústria de bebidas. De 2 a 4 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo. (11) 3873-0081. • Movimat 2000 – Feira de logística, movimentação, armazenagem e transporte. De 15 a 18 de agosto no Expo Center Norte. Informações pelo telefone: (11) 575-1400.
SETEMBRO

Packing Design de Embalagem (11) 3064-9822 Polypack Selovac (11) 3044-3555 (11) 5641-5599

Cetea – Centro de Tecnologia de Embalagem (19) 241-5111 Cia. Metalúrgica Prada (11) 524-4222 Convenience Food Systems (19) 232-3636 Cryovac Datamark Du Pont Eco Plastic (11) 833-2600 (11) 3819-1810 0800-171715 (19) 245-8800

Steeldrum/Raft Embalagens (11) 6412-5177 Sunnyvale Tampaflex Tecmax Tecnotrade Tecplas (11) 3842-9300 (11) 6160-9870 (11) 7972-0600 (11) 7298-4355 (41) 675-6750

• Pack Expo Brasil 2000 – Apresentará novidades em equipamentos, processos, embalagens e componentes. De 12 a 15 de setembro no ITM, em São Paulo. (11) 3758-0996.
OUTUBRO

• Interphex South America – Voltada à indústria farmacêutica. De 25 a 27 de outubro no ITM, em São Paulo. (11) 5505-7272.
NOVEMBRO

The Group Propaganda (11) 5506-1611 Videojet Comprint (11) 820-0077 Willett (11) 7295-3261

• Emballage 2000 – Ponto de encontro mundial do setor de embalagens, com mais de 2 500 expositores. Paralelamente, será realizado evento de tecnologia e processo de alimentos. De 20 a 24 de novembro em Paris, França. (11) 881-1255.

Goodyear – Divisão Térmico-Técnicos (11) 608-7470 Henkel Hi Design InterTank Intervac (11) 3848-2321 (11) 251-5531 (21) 233-2333 (11) 6941-6015

Na edição anterior de Embala­ gEmmarca, os telefones das empresas abaixo saíram errrados. Anote os corretos. Labeltech Multilabel Prodesmaq (19) 3867-1327 (11) 5641-4573 (19) 3876-9300

Almanaque
Água bicentenária
A marca Schweppes, carregada pela famosa água tônica, surgiu em 1792, em Londres. Nesse ano, o joalheiro suíço Jacob Schweppe montou uma pequena indústria de água mineral gaseificada, que logo conquistou os ingleses por sua qualidade e pelas originais garrafas de vidro em forma de ovo.

Uma erva poderosa
A palavra mate é um típico exem­ plo de produto que tem seu nome originado do recipiente. O termo provém de “mati”, que na língua quíchua designava a cuia onde era feita a infusão das folhas trituradas da erva. O nome foi adotado em toda a América do Sul para deno­ minar a bebida feita da erva­mate. Segundo pesquisa do Parque Histó­ rico do Mate, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, o produto foi o grande argumento de ordem econômica que levou à emancipação política do Paraná, concretizada em 19 de dezembro de 1853, quando deixou de ser comar­ ca da Província de São Paulo. A atividade ervateira chegou a repre­ sentar 85% da economia da nova Província, que no ano de sua auto­ nomia tinha noventa engenhos de beneficiamento. Paralelamente à indústria ervateira desenvolveram­ se as fábricas de barricas, usadas para acondicionar o produto con­ sumido internamente e o exportado para a Argentina e o Uruguai. Os rótulos, em litografia, eram impres­ sos em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Os que aparecem aqui circularam entre 1852 e 1921. A erva­mate foi o esteio econômico do Paraná até a II Guerra Mun­ dial, quando começou a ser substi­ tuída por outros ciclos.

À mesa do bar
Considerada “a melhor do mundo” pelos apreciadores de cerveja, a pilsen Urquell fabri­ cada na cidade de Pilsen, na atual República Checa, foi a primeira marca comercializada nomundo, em 1842.

* * *
A logomarca contendo o A e uma águia, da cervejaria norte­ameri­ cana Anheuser­Busch, foi adota­ da em 1872. A marca Budweiser nasceu quatro anos depois.
1995

Suaves mudanças

1911

1970

Participe desta seção
Se você tiver, na sua empresa ou em seus arquivos particulares, imagens, fotos e histórias interessantes rela­ cionadas a embalagens e marcas de produtos, como as que costumam ser publicadas nesta seção, entre em contato conosco. Teremos o máximo prazer em publicar.

Se existe um produto que mantém firmemente o que os especialistas chamam de brand equity, ou seja, as características 1924 básicas da marca, que a tornam inconfundível através do tempo, esse produto é o Creme Nivea, da Beiersdorf. Depois de sua criação, em 1911, a tampa da latinha de Nivea somente passou por uma modificação notável em 1925, quando mudou de cor e de logotipia. Depois disso, as mudanças, para adaptar o visual a 1925 cada época, foram sempre 1959 suaves.

1949

1935

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