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Ano III • Nº 25 • Agosto 2001 • R$ 6,00

www.embalagemmarca.com.br

águas minerais premium • o melhor da fce e da hba

A presença do design

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s leitores observa­ rão que, nesta edi­ ção, o tema design de embalagem, que per­ passa – ou que deveria perpassar – toda a cadeia produtiva, é abordado em proporção maior do que a habitual nas páginas da revista. São três os moti­ vos para isso: 1) sem design, isto é, sem um projeto, nenhuma embalagem, como nenhum outro objeto industrial, conseguirá desempenhar adequadamente as funções a que se destina; 2) quase simultaneamente ocorreram durante os tra­ balhos jornalísticos desta edição lançamentos de produtos em que o design tem papel central e que mereceram cobertura na edição (veja as páginas 28, 30, 32 e 34); 3) no mês de data de capa da revista e logo em segui­ da, estava programada a realização de dois eventos de grande importância para o setor, que são a 3ª Sema­ na ABRE do Design de Embalagem e o Prêmio ABRE de Design de Embalagem. Assim, a cobertura do tema com a merecida extensão consiste numa ação de oportunidade editorial e, ao mesmo tempo, de homenagem ao público interessado no conteúdo daqueles eventos. A propósito, o apoio a pre­ miações, concursos e outras atividades que con­ tribuam para aperfeiçoar o

trabalho de empresas e profissionais envolvidos na cadeia de embalagem está implícito na missão editorial de EmbalagEm­ marca. Sob esse prisma, além de aplaudir e divulgar aqueles e outros acontecimentos semelhantes, nestes pouco mais de dois anos de sua existência, sistematica­ mente, a revista deu ampla cobertura a eventos espe­ cializados em áreas tão diferentes quanto engarra­ famento de bebidas, tintas, logística e outros ramos relacionados com a ativi­ dade de packaging. Agora mesmo estamos dando nosso apoio ao Top de Embalagem ADVB 2001 (Prêmio Nacional de Exce­ lência em Embalagem), patrocinado pela Associa­ ção dos Dirigentes de Ven­ das do Brasil, cujo anda­ mento receberá a merecida cobertura. Esse tipo de apoio conti­ nuará sendo dado a todas as iniciativas que se enqua­ drem na missão da revista de contribuir para o forta­ lecimento do setor. Reite­ ramos, porém, que, por princípio, EmbalagEm­ marca não é dona, não organiza, não patrocina prêmios e nem mesmo participa de comissões julgadoras de nenhum deles. A revista limita­se a cumprir o seu dever, que é informar com imparciali­ dade, isenção e profundi­ dade, a fim de consolidar­ se cada vez mais como

ferramenta indispensável a quem atua na cadeia de embalagem. Dentro dessa meta, tenho a satisfação de anunciar o retorno aos quadros da redação do repórter Lea­ dro Haberli, um jovem jor­ nalista que já integrou a equipe de EmbalagEm­ marca, contribuindo para a consolidação da revista em sua fase inicial. Em futuras edições, a revista inaugurará, pro­ gressivamente, seções e serviços que reforçarão nosso intento de aportar informações destinadas a tornar mais eficaz a ativi­ dade dos profissionais da área de embalagem. Um lembrete final: embo­ ra em boa parte esta edição trate do assunto design de embalagem, não deixa de dar ampla cobertura a outros assuntos importan­ tes. Isso pode ser constata­ do na reportagem de capa, de autoria de Guilherme Kamio, sobre os efeitos da crise energética no setor; na cobertura dos eventos FCE Pharma e HBA South América e na matéria sobre embalagens para frutas, legumes e verduras. Até setembro.

Wilson Palhares
PS – A vocação de Emba­ lagEmmarca para a ino­ vação continua. Aguardem novidades interessantes já na próxima edição.

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com muita satisfação que temos acompanhado o crescimento e conso­ lidação deste excelente instrumento de comunicação, voltado para um mercado tão vital como o de embala­ gens. Apesar de a Brasil Multimídia estar focada no desenvolvimento de websites e ferramentas multimídia, EmbalagEmmarca nos tem sido sempre útil e instrutiva, afinal websi­ tes não deixam de ser embalagens que as empresas e produtos vestem para ser vendidos no mundo virtual. As mídias podem ser distintas, mas o objetivo será sempre o mesmo: ven­ der uma marca, produto ou idéia. Parabéns e ótimo trabalho. Rodrigo Maruxo Peres Diretor de Conteúdo Brasil Multimídia São Paulo, SP m nome do Grupo Brasil Rio, o departamento de marketing parabeni­ za e agradece a toda a equipe de EmbalagEmmarca pelo excelente trabalho de cobertura da Fispal Tec­ nologia 2001 (julho de 2001). Ressal­ tamos ainda o padrão gráfico adota­ do, a diagramação, o texto… enfim, parabéns! Esperamos continuar con­

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onheci o site de vocês através da revista Design Gráfico e adorei. Marcos Pinho da Silva ST – Graphic Design São Paulo, SP ecebemos em meu departamento, mensalmente um exemplar de Emba­ lagEmmarca. Um dos segmentos em que a Cargill atua é o de amidos modificados para uso industrial, aten­ dendo prioritariamente as indústrias têxtil, de papel, papelão e celulose. A revista é de grande utilidade para esta Unidade de Negócios. Vick G. Li Assuntos Corporativos Cargill Agricola São Paulo, SP

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tando com seu apoio e nos colocamos à disposição para trabalhos futuros. Marcelo Santos Neto e Catia di Stasi Departamento de Marketing Grupo Brasil Rio São Paulo, SP

m primeiro lugar gostaria de para­ benizá­los pelo excelente trabalho. Meu primeiro contato com Embala­ gEmmarca foi há uns dois anos. Des­ de então, venho recebendo a revista e tenho todo semestre sugerido a assi­ natura para meus alunos de Design de Embalagem. Colecionar Embala­ gEmmarca é uma excelente fonte para meu trabalho como professora. Carolina Teixeira Professora de prática projetual Escola de Design UEMG Belo Horizonte, MG screvo para dizer que a revista é de grande utilidade para nós. Fernando Reis Diretor de arte 1 a Zero Propaganda São Caetano do Sul, SP
Mensagens eMbalageMMarca

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tória todos os meses, um prazer, Reco­ nheço e concordo que aqueles que recebiam assinatura de cortesia devem assinar normalmente (pagando!). Muito obrigada e parabéns pela publi­ cação. Deise Lopes Correa Analista de Marketing Telefonica Celular Rio de Janeiro, RJ

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emos colecionado, para consultas freqüentes que fazemos, todas as edi­ ções de EmbalagEmmarca. Não sei como, mas algumas das edições mais recentes simplesmente sumiram de nosso acervo. Gostaria de saber se haveria disponibilidade de termos um exemplar destes que estão faltando Marcelo Marini Administração corporativa Rigesa Westvaco do Brasil Campinas, SP ecebo EmbalagEmmarca desde o número 2. Desde então sou apaixo­ nada pela revista, que é leitura obriga­

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Redação: Rua Arcílio Martins, 53 CEP 04718-040 • São Paulo, SP Tel (11) 5181-6533 Fax (11) 5182-9463 redacao@embalagemmarca.com.br As mensagens recebidas poderão ter trechos não essenciais eliminados, e poderão ser inseridas no site da revista (www.embalagemmarca.com.br).

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Diretor de Redação Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

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EntrEvista: Maria inEz Murad A diretora de marketing home care da Unilever conta como a gigante anglo-holandesa lida com suas marcas no Brasil CaPa Mudança de hábitos de consumo imposta pela crise energética afeta o setor de embalagens

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HortigranjEiros Para exportar mais, produtores agrícolas brasileiros adotam embalagens próprias para consumo lá fora difErEnCiação Fabricantes de chás lançam novos projetos de embalagem para se destacar nas gôndolas Making of Minalba e Petrópolis Paulista lançam águas minerais premium, provando que marcas nacionais estão investindo em embalagem para crescer na faixa top de mercado

Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br

Flávio Palhares flavio@embalagemmarca.com.br Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br Thays Freitas thays@embalagemmarca.com.br

Leandro Haberli leandro@embalagemmarca.com.br

Colaboradores Josué Machado e Luiz Antonio Maciel Diretor de Arte Carlos Gustavo Curado Administração Marcos Palhares (Diretor de Marketing) Eunice Fruet (Diretora Financeira) Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br

Wagner Ferreira

Circulação e Assinaturas
Claudia Regina Salomão assinaturas@embalagemmarca.com.br Assinatura anual (11 exemplares): R$ 60,00

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fEira Dirigidas às indústrias farmacêutica e cosmética, FCE Pharma e HBA South America transpõem perfil de feiras puramente comerciais
FOTO DE CAPA: STUDIO AG / ANDRé GODOy (EMBALAGEM CEDIDA PELA RIGESA WESTvACO)

EmbalagEmmarca é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, convertedoras e usuárias de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, medicamentos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem.

Público-Alvo

Tiragem desta edição 7 500 exemplares

Editorial A essência da edição do mês, opinião - e mudanças Cartas A opinião, a sugestão e o comentário dos leitores

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Mercado Criação da CBL dá fôlego novo às embalagens de aço

Filiada ao

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Panorama Movimentação na indústria de embalagens e seus lançamentos

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Bohemia fortalece caráter premium para tornar-se referência Materiais Maionegg’s quer inovar com pote de vidro personalizado

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Impressa em papel Couché Reflex Matte L2 120g/m2 (miolo) e Couché Reflex Arctic L2 150g/m2 (capa), da Suzano EmbalagEmmarca é uma publicação mensal da Bloco de Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 – Chácara Santo Antonio - CEP 04718-040 - São Paulo, SP Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463

display Lançamentos e novidades no mercado de consumo

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almanaque Fatos e curiosidades não muito conhecidos do universo das embalagens

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entrevista

“Marca é relacionamento”

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MARIA INEZ MURAD, diretora de marketing home care da Unilever Brasil, fala sobre a política de gerenciamento de marcas em uma empresa que concentra dezenas delas, e sobre as transformações na relação dos consumidores com os produtos com os quais se relaciona no ponto-devenda e em seu lar
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aior fabricante de bens de consumo do país, a Unilever Brasil, subsidiária da gigante anglo-holandesa Unilever, até recentemente conhecida como Gessy Lever, tem um histórico de indiscutível êxito no trato das marcas. Basta lembrar que algumas delas, a começar pela mais conhecida entre os brasileiros, a do detergente em pó Omo, e do sabonete Lux, líder em sua categoria, têm longos históricos de presença e de excelentes vendas no mercado nacional. Boa parte da história de sucesso dessa empresa que atua nas áreas de artigos para cuidados pessoais, higiene do lar e alimentos (que na recente reestruturação do grupo ficou sob o guarda-chuva da Unilever Best-foods) se deve a uma presença de décadas no país, um dos fatores de seu expertise no relacionamento com o consumidor final. Para falar sobre essa especialização e a sintonia com quem, no final das contas, mantém qualquer empresa, EmbalagEmmarca fez esta entrevista com Maria Inez Murad, diretora de marketing/home care da Unilever Brasil. Nestas páginas está apenas parte do que ela disse. Outra boa parte está na seção Um Pouco Mais do website da revista. A Unilever sempre se destacou como uma empresa que valoriza muito as marcas. É possível dimensionar a importância dada à questão na empresa? Construção de marca é a essência da companhia. Entendemos que, como empresa de produtos de massa que vende produtos e serviços, só conseguimos nos comunicar com o consumidor oferecendo isso via marcas. A empresa dá total importância aos valores de cada marca e a tudo que a rodeia. Que valores são esses? Tudo que está envolvido na marca é um canal de comunicação com o consumidor – da marca em si aos serviços que o produto oferece, à embalagem etc. É óbvio que, numa era em que cada vez mais os produtos têm tecnologias similares e o consumidor

divulgação

começa a ter maior expectativa de serviços, não só de marcas, temos de posicioná-las de forma a atender essa expectativa. Um exemplo é nossa marca de sabão em pó Ala, lançada no Nordeste e que agora foi para o Rio de Janeiro também. É uma marca para o consumidor de baixa renda, ao qual Ala vende brancura e perfume, mas sabemos que, além da necessidade do produto em si, esse consumidor tem uma série de outras necessidades na vida. Então o que fazemos? Ala oferece alguns serviços específicos que procuram satisfazer essas necessidades.

com Omo e eles funcionaram bem juntos. Temos também um programa de desenvolvimento com a Brastemp, onde cada produto desenvolvido de lado a lado é testado de forma recíproca: cada máquina nova que a Brastemp desenvolve, nós testamos; por sua vez, eles testam nossos protótipos, em fase bem preliminar. Assim vão sendo feitas adaptações nos projetos, para que o consumidor, no final da linha, tenha os melhores produtos.

Que tipo de serviço? No lançamento no Rio oferecemos um serviço chamado “Fale Grátis”. Como na classe social que é o público-alvo do produto a maioria não tem telefone em casa, a consumidora podia conversar por determinado período de tempo às expensas de Ala. Amplia-se o âmbito da marca ting do passado, Não será a falta dessa prática que na vida da consumidora quando, onde se falava está fortalecendo a idéia de que as além de um detergente em pó que de ‘produto, marcas estão morrendo? entende o que ela precisa – que tipo de sujeira ela tem em casa, quanto preço, embalagem’; Eu não acredito em morte de marca. Acredito sim numa mudança de conpode pagar, que outros fatores afeo conceito hoje ceito do que é uma marca. Ela deixa tam sua vida –, é possível participar vai além e de ser só um produto e passa a ser um de outros momentos, de outras conjunto de produtos e serviços de necessidades. Outro exemplo é o do abrange também relacionamento com a consumidora. Omo On Line, um serviço em que, a oferta Quem mantiver por exemplo um site se a pessoa tem uma roupa com de serviço na internet onde presta um serviço algum tipo de mancha de que não que agrega valor à vida da consumisabe como cuidar, liga e recebe dicas dora – e fizer isso antes dos outros e do que fazer. Na crise de energia de forma mais relevante – vai ter uma marca estamos veiculando na televisão vinhetas cada vez mais forte. No passado, as indússobre como economizar. Um terceiro exemtrias achavam que os produtos de consumo, plo interessante nessa ampliação de marca e se tivessem qualidade, certamente teriam serviço é o programa que Omo mantém sucesso. A idéia era: “Cumpri meu papel; com alguns parceiros. Na embalagem do você pagou, eu entreguei”. Mas algumas produto há uma série daquilo que chamamarcas começam a ocupar espaços diferenmos de autoridades recomendando Omo. ciados na relação com o consumidor, porque além de entregarem a ele um produto de Isso tudo não pode ser interpretado apenas qualidade passaram a prestar algum tipo de como publicidade? serviço adicional. Antes de integrarem a comunicação pela embalagem, os produtos de cada uma Não é o que as empresas que trabalhavam daqueles marcas passam por um processo marcas institucionais, como bancos e redes de teste, não só para garantia da nossa imade supermercados, sempre fizeram? gem, mas para garantia da imagem deles. Sim, porque, como têm vários produtos, Quando coloco o selo da Hering na embalanão dá para mostrá-los separadamente. Elas gem é porque testei os produtos da Hering
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Ou seja, a empresa vai além dos conceitos básicos que compõem uma marca. O conceito de marca não é só aquela coisa básica de marketing do passado, onde se falava de “produto, preço, embalagem”. Obviamente isso está lá, porO conceito que sem a base não se consegue consde marca não truir, mas, de fato, o conceito hoje vai é só aquela coisa além e abrange também a oferta de serviço. básica de marke­

juntavam a comunicação num guarda-chuva. Quando o Pão de Açúcar faz uma promoção cultural, não está lá anunciando a seção de hortifrutigranjeiros ou de mercearia. Está vendendo a marca como um todo, está estabelecendo um vínculo com a consumidora. Esse tipo de relacionamento vai ser cada vez mais importante também para as marcas de produtos de consumo. Quem não fizer isso vai ter problema, porque a marca está deixando de ser só produto físico para ser uma entidade na vida do consumidor.

Como ficam as marcas próprias nisso? Elas vêm crescendo, o que parece ser um desafio à teoria da força das marcas. Há dois pontos muito claros no quanto uma marca própria desafia ou não uma marca de uma empresa. O primeiro é que a consumidora compra o que chamamos de equação de valor. Eu tenho um valor monetário – ou seja, dinheiro no bolso – para destinar a determinado tipo de atividade, e tenho uma oferta de produto/serviço que vou comprar. Aí, vou escolher. Obviamente, há os extremos: tem produto que não compro de jeito nenhum porque está abaixo do meu nível de Pelo que ouvimos os especialistas dizerem, qualidade, e tem produto que eu adoraria isso já vem acontecendo em boa pro­ comprar, mas não consigo porque é porção. muito caro. Dentro do leque de opções Realmente. Por força do nosso trabaque se encaixam no meu bolso e tem As marcas lho, ouvimos sempre a consumidora nível de qualidade que acho interesnão vão morrer, falando de Omo, de Ala, de Brilhante sante, escolho o que melhor me pareou de Comfort. Utilizamos então o porque é necessário ce. A briga toda entre as marcas conque chamamos de técnica de personisiste na melhor oferta de equação de um mínimo de ficação: “Que cara tem essa marca? valor. identidade para se É um homem? É uma mulher?”. Ao relacionar com responder, a consumidora parece que Como se insere nessa equação a rela­ está falando de um amigo, de uma ção com o consumidor? os produtos que se pessoa que conhece. Não está falanConvém observar que o expertise do usa. Por isso, é do de uma caixa. Nós vendemos trade é entender o consumidor como possível traçar o sabão, que é detergente em pó dentro comprador. É lógico que o trade pesde uma caixa, e a consumidora fica quisa hábito de uso e tipo de produto, perfil de uma três horas em discussão de grupo mas seu expertise é entender o consupessoa olhando o falando sobre aquilo como se estimidor como comprador. Já o expertiseu carrinho de vesse falando do vizinho dela. A se da indústria é entendê-lo como marca que há sete anos é no país usuário. Nós pesquisamos o consusupermercado inteiro mais lembrada em todas as midor como comprador também, mas categorias extrapolou há muito temcom certeza os meus clientes no varepo a categoria onde atua. Isso mostra o que jo e no atacado conhecem mais do consumié a força de uma marca. Quanto mais forte dor como comprador do que eu. Por outro é a associação com uma determinada catelado, conheço mais a consumidora como goria, mais se limita a expansão. As marcas usuária do que ele. A parceria, onde eu pronão vão morrer, porque é necessário um duzo e o trade vende, é o ideal – e não só mínimo de identidade para se relacionar porque a situação é mais confortável para a com os produtos que se usa. A escolha de empresa A ou B, mas porque ele também uma marca é sempre uma forma de mostrar vai vender mais. A equação de valor que para as pessoas como cada indivíduo é, da vou conseguir oferecer para a consumidora, mesma maneira que escolhe o círculo de na maioria das vezes, vai ser melhor do que amigos. A cabeça funciona assim: “Eu escoa dele. lhi esta pessoa para me relacionar e não aquela, esta pessoa para casar e não aquela”. Segundo algumas pesquisas, mais de 80% Com marca é o mesmo. É possível traçar o dos consumidores fazem a decisão de com­ perfil de uma pessoa olhando o seu carrinho pra no ponto­de­venda. A leitura disso não de supermercado. pode ser, simplesmente, que a decisão se dá pelo preço, por influência de promoções?

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Dizer que o consumidor não troca de marca no ponto-de-venda seria ingênuo. Se tiver uma superpromoção da marca concorrente ele troca. Ainda no exemplo do sabão em pó, que pode ser estendido para outras categorias de produtos: é uma categoria em que a consumidora não quer gastar muito tempo pensando em que marca quer usar. É uma tarefa para ela, não é um prazer. Lavar roupa não é, entre os deveres de casa, a tarefa que ela mais odeia, mas é uma tarefa. Ela vai lá, faz a compra e vai embora. É diferente de creme, perfume, batom, para cuja compra a mulher dedica mais tempo. Os próprios varejistas já entenderam isso, daí algumas lojas terem áreas para amostragem, para experimentar os produtos. Será porque comprar sabão é com­ prar commodity, um ato racional, ao contrário de perfume e cosmético? Com detergente em pó a compra não é de impulso, é racional e emocional junto. As pessoas acham que ela é só racional, mas é uma compra muito rápida. Aí, entra a força da marca – e não é ela que tem a ver com o fato de a compra ser rápida. Tem a ver com a categoria. A consumidora não quer gastar muito tempo comprando detergente em pó. Imagino que para papel higiênico, para açúcar, seja igual. São commodities? Não.

propaganda na televisão… mas a única coisa que a consumidora leva para casa é o produto com a embalagem. O folheto ela pode jogar fora, o que ouviu pode esquecer, o que viu na televisão também. Mas o produto com a embalagem ela vai levar para casa. Hoje o varejo não permite muito que a indústria use material promocional nos pontos-de-venda, porque no passado houve uma avalanche, e a consumidora começou a se sentir oprimida. O que sobra então para falar com ela? Sobra a embalagem. A embalagem não é só um acondicionador de produto. É um local de informação, um local de identificação, de reconhecimento da marca preferida. A Unilever desativou 1 200 de suas marcas. A tendência é concentrar nas grandes marcas? Isso se enquadra na estratégia mundial da empresa de transformar as marcas que ficam, fortalecendo-as como marcas cada vez maiores.

A força de atração da embalagem não pode ser uma razão? O papel da embalagem é muito forte. Coloca-se demonstradoras na lojas distribuindo folhetos, caminhão na porta, anúncio em rádio na loja,

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Onde está a diferença? Está em que, se eu usar o detergente errado, se errar na minha escolha, duas coisas acontecem: primeiro, o meu dano pode ser operacional: posso ter de lavar a roupa mais de uma vez, ou posso estragá-la. O dano emocional também é ruim, porque se a roupa da minha família for mal lavada aquilo vira um problema. O espaço da marca própria varia de categoria para categoria. Agora, se sou consumidora e estou feliz com quanto estou pagando e com quanto estou levando para casa por isso, fica difícil para uma marca própria encontrar um espaço. Não tenho razão para mudar.

O papel de embalagem é muito forte, é a única coi­ sa que a consumido­ ra leva para casa. Ela pode jogar fora o folheto, esquecer o que ouviu, o que viu na televisão também. O que sobra então para falar com ela? A embalagem

Há exemplos no Brasil? Estão localizados principalmente na área de professional products. As marcas de home care já eram grandes antes dessa decisão estratégica. São marcas como Omo, Minerva, Brilhante, cujos faturamentos individuais são muito expressivos. Em personal care, um mercado mais segmentado, é mais difícil transformar as marcas em marcas grandes. Mas a estratégia de focar em marcas maiores para crescer vem sendo aplicada em várias áreas da companhia.

É possível conciliar a “marca Brasil” com marcas globalizadas? O desafio é mostrar que o Brasil oferece o que existe de melhor. O consumidor quer que o melhor do mundo esteja aqui. Não é preciso dizer isso para ele, mas de alguma forma, nem que seja indireta, ele precisa perceber que a marca, nacional ou mundial, lhe traz o que há de melhor. Se pudermos fazer aqui, por uma questão de responsabilidade social, é preferível. Trata-se de importar tecnologia, produzir aqui e transferir para marcas conhecidas. Fora disso, a discussão sobre globalização é uma discussão de empresário.

reportagem de capa

Efeitos da crise de e
Por Guilherme Kamio

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ão bastassem a violência, as doen­ ças, o desemprego, a dívida exter­ na e até os seguidos vexames da seleção de futebol, os brasileiros se perguntam agora como escapar dessa espécie de raio às avessas que é a crise de energia elétrica. É verdade que todos são atingi­ dos pelo que a expressão representa na prática: sobretaxa tarifária, corte no fornecimento e pre­ visíveis blecautes, agora chamados apagões. Mas, na cadeia produtiva, o efeito é mais per­ verso para alguns segmentos, ainda que o qua­ dro seja nebuloso para toda a indústria. Frente à imposição de gastar menos eletrici­ dade nas residências, a população decidiu desli­ gar alguns aparelhos domésticos, sacrificando confortos. Os mais visados foram o freezer e o forno de microondas. Para os fabricantes de ali­ mentos congelados, como pratos prontos, não poderia existir coisa pior. Esse segmento indus­ trial, que vinha crescendo de maneira extraordi­ nária nos últimos anos (26,5% em 2000, segun­ do pesquisa da ACNielsen), está agora às voltas com um cenário nebuloso pela frente. De ime­ diato, os ponteiros apontam para quedas nas vendas. A médio prazo pode vir a ocorrer uma mudança nos hábitos de consumo, variando da freqüência de compra ao tamanho das porções e ao tipo de alimentos prontos e semiprontos para consumo, como os de fácil preparo em substi­ tuição parcial dos congelados.

Racionamento sacode o mercado de congelados e a área de embalagem

Queda e reflexo
Os reflexos do fornecimento precário de energia já estão sendo sentidos. Na Nestlé, por exemplo, as vendas de congelados caí­ ram 40% nos meses de maio e junho. Sabe­ se que outros grandes players do mercado também não escaparam da retração nas ven­ das desses produtos, embora muitos não tenham ainda divulgado números a respeito. Tal queda, obviamente, vem influindo no desempenho da cadeia de embalagem. Entre outros fabricantes, o departamento de mar­ keting da Klabin, grande fornecedora de papel cartão frigorificado para embalagens de alimentos, sob a marca Freeze Board, 16 – embalagemmarca • ago 2001

confirma uma retração nas vendas. As coisas de fato não vão bem. No entan­ to, decididamente, não é sábio adotar a postu­ ra de Poliana e achar que se deva ficar feliz com o “lado bom” da catarata de más notícias e de maus presságios que tiram o sono dos brasileiros nos últimos tempos. Como reza a cartilha dos bons negócios, não é salutar ficar parado e reclamando do infortúnio. Sob essa óti­ ca, o empresariado bra­ sileiro sempre se amol­ dou a sucessivas crises e a um estado de permanente apreensão no tocante ao cenário macroeconômico. “Esta não é a primeira nem a última crise que enfrentamos”, diz Amando Varella, gerente de negó­ cios da Ripasa. Mesmo com o quadro desfavo­ rável, a empresa não hesitou em lan­ çar a tecnologia

Klabin acredita em melhora de vendas de seu cartão Freeze Board após agosto
fotos: divulgação

studio ag – andré godoy

nergia
PEX de extrusão de polietileno em cartões na origem, para criar cartuchos ainda mais adequados à refrigeração. “Os clientes estão fazendo pedidos mais flexíveis, mas isso não desestimulou o lançamento”, diz Varella. Segundo ele, a receptividade do produto foi boa em usuários finais como Sadia, Nestlé e Perdigão. Ainda que forte­ mente atingida por ser a fornecedora líder para o segmento, a Klabin aposta no rea­ quecimento dos negócios na área daqui para a frente.

Impacto psicológico
Algumas empresas esperam que isso acon­ teça de forma mais ou menos natural, ou melhor, como conseqüência de uma even­ tual superação do problema do fornecimen­ to de energia e do impacto psicológico causado pela notícia do “apagão” mais ou menos iminente. “Estamos sofrendo o reflexo do mercado, já que a crise afetou de forma moral os nossos clientes”, diz Paulo César Medina, diretor comercial da Siry Embalagens, fornecedora de bandejas de polipropileno para pratos prontos a empre­ sas como a Bel Cook. “Os meios de comu­ nicação foram incisivos em aconselhar o desligamento do freezer e do microondas como saída para se economizar”, ele apon­ ta. No mesmo tom, o diretor comercial da Rosset Artes Gráficas, Ricardo Rosset, que fornece embalagens de cartão para pratos prontos, reitera que os volumes de pedidos caíram para quase um terço do normal, “em função do abatimento dos clientes”. Por sua vez, Valter Narcizo Ribeiro, gerente comercial da Wyda Embalagens, fornecedora de bandejas de alumínio para produtores de congelados, confirma que seus clientes – cerca de 3 000 ativos entre mais de 6 000 cadastrados – “vivem um drama”. Ele espera uma superação do pro­ blema energético para que as empresas possam investir em embalagens com alto valor agregado, como as bandejas de alu­

mínio com revestimento de epóxi, uma das vedetes da Wyda, que garantem resistência ao ataque de alimentos ácidos e gordurosos e a altas temperaturas no microondas. Ribeiro adianta que a Wyda tem proje­ tos de auto­suficiência em energia, o que pode se tornar “um diferencial importante para a competitividade dos fornecedores de embalagem”.

Mais lançamentos
O certo é que, dentro da realidade de que é preciso ir em frente para não ser atro­ pelado, o setor não se acomodou diante da crise. Assim, embora apreensivas, as empre­ sas de embalagem não postergam lança­ mentos. A Kentinha, por exemplo, lançou recentemente o Pizza Croc, uma bandeja para o acondicionamento de pizzas que leva um revestimento especial de alu­ mínio, para deixar a massa do pro­ duto crocante no preparo no microondas. Na mesma tendência, a Plásticos Formar colocou no mercado uma linha de bande­ jas com divisórias para refeições completas, a Food Pack Prática, à base de polipropileno. Seu principal atribu­ to é o trânsito livre entre freezer e microon­ das, o mesmo das bandejas de cartão Prati­ cook, lançamento da Rosset para pratos prontos e que têm matéria­prima importa­ da. Ainda no lado da embalagem, os fabri­ cantes têm de arcar com um ônus adicional. Na obrigação de cumprir as metas de racio­ namento, muitos varejistas, principalmente

Pratos prontos em queda com freezers e microondas fora da tomada

Refeições completas da Bel Cook em bandejas da Siry

pequenos e médios, sem capacidade de investir em geradores de energia, estão des­ ligando suas unidades de refrigeração durante alguns períodos. Assim, mesmo com embalagens especiais, com alta tecno­ logia em barreiras, as perdas de produtos devem aumentar, em conseqüência do transporte, da estocagem e da exposição inadequados ao longo da cadeia produção. “A embalagem pode resistir muito, mas chega o ponto em que não há como impedir danos ao alimen­ to, pelo ataque da umidade e do descongelamento”, diz Véssia Cordaro, do marketing da Papi­ rus, empresa que também forne­ ce papel cartão para congelados. A saída que o varejo vem encontran­ do para minimizar o problema, além de comprar geradores e diminuir o espaço para congelados, é um verdadeiro malabarismo logístico, com entregas “picadas” e em menores quantidades, como já detecta a Abras – Associação Brasileira dos Super­ mercados.

Mudança de hábito
Mesmo com o quadro problemático, os produtores de alimentos preferem apostar numa mudança de hábito de consumo, que não influenciará radicalmente seus volumes de negócios. “O desligamento do freezer não significa o fim da conveniência dos pratos prontos”, afirma César Scartezini, diretor de marketing da Sadia. “Acredita­ mos que os consumidores irão visitar mais o varejo, principalmente os mercados de vizinhança”, ele completa, adiantando que ainda em 2001 a empresa lançará entre setenta e 75 produtos na área de congela­ dos, com o perfil de produtos de maior valor agregado.

Bandejas de polipropileno da Formar: lançamento em meio à crise

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Na Bel Cook, o gerente geral Roberto Altério argumenta que sua clientela é for­ mada principalmente por pessoas que moram sozinhas. Por isso, aposta que as vendas não irão acabar de um dia para o outro. “Essas pessoas não compram conge­ lados por opção, e sim por necessidade”, diz. Por outro lado, Medina, da Siry Emba­ lagens, é convicto ao dizer que “na compra diária de congelados desaparece o principal benefício desse tipo de produto, que é a comodidade da estocagem, e isso é signifi­ cativo”. Nos lares, com os freezers desligados, a luta é por aproveitar melhor o espaço dos congeladores conjugados às geladeiras. Por isso, é de se esperar que se abra um campo de oportunidade para embalagens de meno­ res dimensões, que possibilitem a estoca­ gem de uma maior variedade de produtos no espaço do congelador. Embalagens com

Bel Cook (11) 6917­1954 belcook@belcook.com.br Kentinha (11) 4057­6000 www.kentinha.com.br Klabin (11) 3048­4800 www.klabin.com.br Papirus (11) 5090­3900 www.papiruscartao.com.br Plásticos Formar (11) 4056­3655 www.formar.com.br Ripasa (11) 3315­5000 www.ripasa.com.br Rosset Artes Gráficas (11) 5642­1944 rosset@uol.com.br Sadia (11) 3649­1949 / 3649­3888 www.sadia.com.br Siry Embalagens (11) 5062­6600 www.siryembalagens.com.br Tetra Pak (11) 5505­7248 www.tetrapak.com.br

porções menores, aliás, já vêm sendo uma tendência, para se atender o público single. Contudo, um fator limitador para sua maior expansão pode ser a questão de preço, já que “enquanto a porção diminui, o preço de embalagem não reduz na mesma propor­ ção”, assinala Ricardo Rosset. Nesse panorama, é previsível que, se o risco de falta de energia perdurar, surgirão novas for­ mas de relação entre usuários e fornecedores de embalagem, e a necessidade de soluções em acondicionamento adequadas ao cenário de racionamento será inevitável. Será uma forma alternativa de religar a tomada das vendas.

Rosset: queda na linha Praticook

Wyda Embalagens (15) 3238­7500 www.wyda.com.br

Tetra Pak vê racionamento como oportunidade
Alguns fornecedores já estão encarando o raciona­ mento como um fator que potencializa os apelos de suas embalagens. É o caso da Tetra Pak, cujo argu­ mento de que suas embalagens car tonadas assépti­ cas dispensam refrigeração no transpor te, na esto­ cagem e na exposição no ponto­de­venda ganha for­ ça na indústria usuária. Um exemplo pode ser dado com o mercado de pol­ pas de frutas, que está entrando para a car teira de clientes da Tetra Pak através da empresa Tropical Fruit. A empresa resolveu acondicionar suas polpas em embalagens Tetra Classic Aseptic, de 65 milili­ tros, após constatar uma queda de 45% nas vendas do segmento após o racionamento. Além de não pre­ cisar de refrigeração, com a embalagem longa vida o produto ganha shelf life de 120 dias, dispensa o uso de conservantes e, por não ser congelado, pode ser usado em doces, geléias e sobremesas, além de sucos. “Nela, a polpa dispensa o uso do liqüidifica­ dor para o preparo do suco”, diz Paulo Fernando Montanha de Assis, diretor da Tropical Fruit.

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studio ag – andré godoy

Espaços não só para vender
FCE e HBA ultrapassam caráter de feiras puramente comerciais
O espectro de feiras apenas comer­ ciais não é mais aceito pelo merca­ do. Sem perder de vista a possibili­ dade de implementar vendas, cada vez mais os expositores buscam nesses eventos sinergia e interação com todos os elos da cadeia em que estão inseridos. Isso mais uma vez ficou claro na FCe Pharma e na HBA South America, eventos dirigidos às indústrias farmacêutica e cosmética, realizados de 24 a 26 de julho no expo Center Norte, em São Paulo. era sensível, nos depoimentos de participantes, ter sido atingida a meta de construção de um espaço qualifi­ cado não apenas para possibilitar a presença institucional de empresas, mas sobretudo para a apresentação de novidades e de dinamização do setor. “esses eventos são de excep­ cional importância para o setor, pois estimulam a troca de informações e implementam a integração de todos os elos da cadeia produtiva”, diz Lau­ ro moretto, vice­presidente executivo do Sindusfarma – Sindicato da Indús­ tria de Produtos Farmacêuticos do estado de São Paulo. Contribuindo para reforçar o aspecto altamente técnico da FCe e da HBA, paralelamente foram realizados o 15o Congresso Brasileiro de Cosmetolo­ gia, inúmeros keynotes e eventos corporativos. Nessa atmosfera, mais de 21 000 visitantes puderam conhe­ cer novidades em embalagem apre­ sentadas por diversos expositores. Apesar de as feiras não se direciona­ rem só à embalagem, as empresas de tecnologia para acondicionamen­ to ocuparam espaço maior que as dedicadas a insumos para produção.

Frascos de vidro “standard variado”
A Wheaton do Brasil apresentou uma nova linha de frascos standard de vidro para perfumes, a Class, produzi­ dos num sistema que resolve um anti­ go problema no fornecimento desse tipo de embalagem: o de fazer reci­ pientes padronizados mas, ao mesmo tempo, variados e fornecidos em lotes relativamente pequenos, como o mer­ cado solicita de forma crescente. A linha Class, para uso com válvulas do tipo pump, é composta de duas medi­ das (50ml e 100ml) e três modelos diferentes. Segundo Paula Mesquita, o perfil dos frascos segue a atual ten­ embalagens para perfumes e colônias, que é de recipientes altos e finos, baseados em formatos tubulares. Em termos de atendimento às necessida­ des da indústria usuária, a grande van­
StudIO Ag ­ANdré gOdOy

tagem do lançamento, de acordo com ela, resulta da forma de fabricação. As máquinas de moldagem, com seis seções cada uma, trabalham com três pares de moldes diferentes, de modo que os três modelos são produzidos simultaneamente. “Assim, é possível obter escala e oferecer diferenciação”, diz Paula.

(11) 4351-4433

dência internacional de design de

Bisnagas monocamada e potes lacráveis
Participando de sua primeira feira, a empresa catarinense Embale apresentou sua linha de bisnagas plásticas monocamada e de potes para cosméticos e farmacêu­ ticos. As bisnagas podem ter fundo fechado ou aberto, dependendo da necessida­ de do cliente e de seus equipamentos, e ser impressas em até quatro cores, com hot stamping, silk screen e vernizes foscos ou brilhantes. Já para os potes, feitos de polietileno ou polipropileno, o destaque vai para o fato de serem auto­lacráveis, de acordo com Paulo Medeiros Jr., representante comercial da empresa. (47) 436-5677 • embale@zaz.com.br

Válvulas especiais para medicamentos
Especializada em sistemas de fecha­ mento, a Seaquist Valois está iniciando o fornecimento da linha de válvulas plásticas Metered Dose Inhaler, ideal para medicamentos para o combate da asma. Um diferencial, conta André Nune David, gerente de contas da empresa, é que o fecha­ mento permite o trabalho com HPA, gás propelente que está começando a se difundir no mercado. O laboratório Glaxo Wellco­ me já vem utilizando a solução. Outro lançamento é a PFS, válvula pump com fechamento a vácuo, que dispensa o uso de conservantes na formulação de descongestionantes nasais. A Seaquist Valois também expôs no evento suas linhas de tampas disc top e flip top. (11) 4141-4344 adavid@seaquistvalois.com.br

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Agora, também bisnagas plásticas
FCE Pharma – No lado da indústria farmacêutica, as vedetes foram novos materiais para a construção de reci­ pientes (especialmente blisters, fras­ cos e bisnagas), tampas e válvulas com mecanismos engenhosos, dedi­ cados a aplicações específicas, e sis­ temas de segurança de procedência dos produtos. Vale destacar a presen­ ça de delegações da China e da Índia na feira, de olho no potencial do mer­ cado brasileiro para os genéricos. São dois dos maiores produtores mundiais de genéricos, e, como suas produ­ ções de matérias­primas e de medica­ mentos são as de menor custo em todo o mundo, suas empresas vêem no Brasil ótimas oportunidades. HBA South America – em cos­ mética, a quantidade de novidades em embalagem ecoou o dinamismo do mercado. Havia não só sistemas inovadores em termos estruturais e de funcionalidade, mas também de decoração. tampas, frascos, tubos, bisnagas e cartuchos estão dia após dia mais esmerados em aparência. e, num mercado que abre grandes pos­ sibilidades de embalagens com valor agregado, estiveram em evidência as ofertas de projetos personalizados de frascos, estojos, tampas e outros recipientes, em variados materiais. um exemplo foi o da rexam Beauty & Closures, especializada em proje­ tos custom made de embalagens para grandes marcas de cosméticos. Para a organizadora, VNu Business media, o evento superou as expecta­ tivas: cresceu 25% em espaço em relação à edição do ano passado. Nestas páginas, embalagemmarca mostra alguns itens apresentados. Como mais uma opção aos segmen­ tos cosmético e farmacêutico, a Cebal, antiga metalpack, agora braço do gru­ po francês Pechiney no país, está ini­ ciando o fornecimento de bisnagas plásticas, disponíveis em diversos for­ matos e com várias opções de deco­ ração. Ao lado das metálicas e lamina­ das que a empresa regularmente for­ nece, “as novas embalagens podem se conjugar a diversos tipos de tam­ pas e acondicionar uma ampla gama de produtos”, salienta o gerente comercial da Cebal, Armando Farhate. (11) 4727-2333 www.cebalbrasil.com.br

Pumps inteligentes
As válvulas pump F­2, do tipo foamer (formadoras de espuma), fabricadas pela holandesa Airspray, estão come­ çando a ser trazidas ao Brasil pela tech Sprayer. Construídas em polieti­ leno e polipropileno, têm acionamento mecânico, que dispensa o uso de gás propelente. estão disponíveis com 28 mm ou 38 mm de diâmetro. Outro destaque é a válvula pump dual dis­ penser Symbio, usada no mercado nacional no produto Chronos gel C+, da Natura. ela integra um sistema que mistura a emulsão a um composto de vitamina C, presente em um comparti­ mento interno da embalagem, no momento da aplicação. “O sistema, inteligente, faz com que os dois com­ ponentes acabem ao mesmo tempo”, explica Fábio Barcellini, diretor da tech Sprayer. (11) 6601-0888 www.techsprayer.com.br

Gatilhos práticos

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Divisão do grupo francês Saint­Go­ bain e com fábrica recém­inaugurada no Brasil, a Calmar, especializada em fechamentos, apresentou a P 2000 (1), integrante de uma nova geração de válvulas dispensadoras para pro­ dutos de personal care. Ela pode ter encaixe por rosca ou do tipo “snap” e tem fechamento duplo. Outra novidade, a M 100 (2), é uma válvula spray compacta, de pulveriza­ ção fina, com acabamento metálico (prata ou dourado). Dedicada ao setor de alta perfumaria, tem encaixes por rosca, férula ou snap. A Calmar tam­ bém reforçou as opções em gatilhos plásticos (triggers) com o lançamen­ to do TS­800 (3) e do Mixor HP, ideais, segundo o gerente comercial Doni­ zetti Tarakdjian, “para protetores sola­ res e outros cosméticos”.

Por Guilherme Kamio Leandro Haberli Marcos Palhares

(11) 3874-7933 www.calmar.com ago 2001 • embalagemmarca – 21

FOtOS: dIVuLgAçãO

Tampas melhores
Com cerca de 30% de seu faturamen­ to hoje centrado no fornecimento de sistemas de fechamento para embala­ gens de produtos farmacêuticos, a Tapon Corona mostrou alguns melho­ ramentos na segurança e na inviola­ bilidade de seus produtos. Já conhe­ cida do mercado, a linha de tampas Tapon Lacre Total permanece como uma das mais indicadas para medica­ mentos, pois tem lacre de inviolabili­ dade do tipo child­proof (à prova de crianças). “Nessa área não temos lan­ çamentos efetivos, só evoluções das mesmas tampas”, disse Gian Piero Bortone, gerente de desenvolvimento de mercado da empresa. Novidade mesmo é um novo frasco criado pela divisão de plásticos da Tapon Corona para um fabricante da área alimentí­ cia. Feito de PVC e com rótulos auto­ adesivos fornecidos pela Gomacol, a embalagem deve chegar em breve ao mercado, acondicionando o adoçante Magro, da Lightsweet.

Controle de qualidade como apelo
Para evitar incômodos equívocos para o consumidor de medicamentos, como bulas ou blisters trocados, que não cor­ respondam ao produto identificado na embalagem, a Bauch e Campos apre­ sentou o Sistema Farmacode, compos­ to por equipamentos da fabricante Leuze Meltec, desenvolvidos para con­ trole de qualidade das embalagens uti­ lizadas pela indústria farmacêutica. Além de se valer de leitura do código de barras, a solução também faz a fis­ calização da linha de produção com gravação de imagens, excluindo as embalagens que tenham apresentado erros de especificação ou apresenta­ ção. “O sistema permite aumentar a automação no embalo de medicamen­ tos”, explica Edmilson Oliveira, técnico de desenvolvimento da empresa. (11) 4785-2500 www.bauchcampos.com.br

Selagem versátil de bisnagas
Controlada pela Sidel, a marca Kalix de equipamentos de embalagem mar­ cou presença na feira através de duas máquinas: a enchedora de bis­ nagas KX 601 (foto) e a encartucha­ deira KPS. A primeira enche até 70 bisnagas metálicas ou plásticas por minuto através de insuflação de ar, um sistema asséptico de alta tempe­ ratura que permite cortar o topo da bisnaga em formatos variados. Segundo Guilherme Arcuri, coordena­ dor técnico­comercial da Sidel, empresas como Natura e O Boticário já adquiriram a máquina. Já a encar­ tuchadeira KPS embala até 50 produ­ tos por minuto, trabalhando com papelão micro­ondulado ou papel car­ tão. Ambas as máquinas, diz Arcuri, permitem rápidas trocas de formato.

(11) 3835-8662 www.tapon-corona.com.br

Entrando em frascos
A Védat lançou sua linha de tampas plásticas de segurança child proof, nos diâmetros de 18 mm, 24 mm e 28 mm. Para flaconetes, a empresa está apresentando a tampa P­16, com lacre. E de olho numa possível migra­ ção em materiais de embalagem para produtos farmacêuticos, a Védat tam­ bém está lançando uma linha de fras­ cos em PET, com a aparência de vidro âmbar, nos volumes de 30ml, 60ml e 120ml. “Já estão sendo feitos testes em linha com estes frascos em alguns clientes tradicionais”, adianta Marco Riguzzi, diretor da empresa. (11) 4704-4266 • www.vedat.com.br

(11) 3783-8933 arcuri@uol.com.br

Qualidade e prazo garantidos
A Prakolar, especializada em etique­ tas e rótulos auto­adesivos, anunciou a aquisição de uma rebobinadeira canadense rotoflex modelo VSI­250, comercializada no Brasil pela Com­ print. roberto Inson, do marketing da Prakolar, ressalta que o equipamento realiza as seguintes operações e con­ troles: inspeção, corte, rebobinamen­ to, registro das cores, falhas de impressão, checagem de registro e indicação de falta de rótulos ou eti­ quetas na bobina. graças ao sistema de inspeção ALIS de que é dotada, a rebobinadeira faz a inspeção eletrôni­ ca dos produtos, “garantindo entre­ gas com total qualidade e dentro dos prazos contratados”. (11) 291-6033 www.prakolar.com.br

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Energia e nova divisão em pauta
Como a produção de alumínio é eletro­inten­ siva, a Alcan, além de expor os aprimora­ mentos de sua linha de blisters Alu­alu e as novas embalagens plásticas para cosméti­ cos e medicamentos, também se esmerou em demonstrar aos clientes sua tática para sair incólume do bug energético. “Até o final de agosto, toda nossa área fabril contará com geradores”, adianta daisy Zakzuk Spa­ co, diretora de marketing e de novos negó­ cios. A empresa também usou a feira como plataforma de lançamentos de sua divisão Alcan Packaging, criada há pouco tempo (ver edição 20), como a resina COC (Cyclic Olefin Copolymer). Fornecida pela ticona, ela está sendo considerada pelos técnicos da Alcan uma boa alternativa ao PVC utiliza­ do em linhas de blisters da empresa. As van­ tagens são o apelo ambiental e a maior bar­ reira à umidade, embora o custo de produção pareça ainda ser um obstáculo à difusão da nova resina. (11) 4512-7000 ou (11) 4075-6500 www.alcan.com.br (11) 5683-7542 www.ticona.com

Proteção sofisticada através de hologramas
Nem é preciso dizer como a preocu­ pação com falsificações mexe com a indústria farmacêutica. Por isso, sur­ gem a todo instante novos selos e lacres para embalagens de medica­ mentos e de produtos de valor agre­ gado. Como uma opção de alta sofis­ ticação, a ATech, representante da OpSec Security Technologies, grupo mundial de tecnologia em autentica­ ção e proteção de marcas e docu­ mentos, mostrou soluções em disposi­ tivos óticos variáveis, tais como selos holográficos bidimensionais, tridimen­ sionais, com profundidade e em outros formatos especiais. De acordo com Lúcia Alvino, gerente comercial da ATech, além de impedir falsifica­ ções, “os hologramas também se tor­

nam um reforço para diferenciar a marca”. Ela exemplifica com o caso do Viagra, da Pfizer, que vem utilizan­ do solução da empresa no Brasil (foto). Conta a favor dos selos holo­ gráficos o fato de serem, segundo Lúcia, “infalsificáveis”, e poderem receber numeração seqüencial para o rastreamento de produtos. No even­ to, a ATech esteve em parceria com a Willett, cujas etiquetadoras podem aplicar os selos em grandes volumes. (11) 278-6601 www.opsec.com.br

Seladoras e envasadoras para todos os bolsos
Apostando na venda de equipamentos menos onerosos, voltados tanto para projetos piloto de grandes fabricantes como para atender às neces­ sidades de pequenos produtores, a JHM máqui­ nas, que atua principalmente com seladoras, pesadoras, rosqueadeiras e lacradoras, apresen­ tou sua nova seladora por indução de fundos de bisnaga e de outras embalagens para cosméti­ cos e medicamentos. Segundo Julio Cesar Mole­ ti, diretor da empresa, a máquina alia alta produ­ tividade a um preço competitivo. “O modelo básico sai por 1 750 reais, cerca de 10% do valor das seladoras concorrentes”. A JHM tam­ bém mostrou envasadoras com sistema de bomba peristáltica, que, explica Moleti, “atuam sem permitir que o produto tenha contato com a máquina ou o ambiente”. Segundo ele, isso as torna ideais para o trabalho com produtos farma­ cêuticos.

(11) 4723-3744 • www.jhm.com.br

Amostra garantida
Os flaconetes de vidro são essenciais para o lançamento de novas fragrân­ cias de perfumes no mercado, como embalagens de amostras. especializa­ da nesses recipientes, a Vitroplast, que tem clientes como Natura, Avon, O Boticário e Água de Cheiro, está começando a fornecer também os batoques para os flaconetes, produ­ to o qual não dispunha, em diversas cores. de acordo com yorick Bevi­ lacqua, gerente de marke­ ting e vendas da Vitroplast, isso gera comodidade ao cliente, “pois, além de concentrar contatos com apenas um fornecedor, ele pode ter mais segurança em seu controle de qualidade”. (11) 5535-5582 www.vitroplast.com.br ago 2001 • embalagemmarca – 23

hortigranjeiros

Mais do que nunca
Embalagens adequadas podem ser a grande arma para exportar

V

Por Leandro Haberli negociado da ordem de 8,2 milhões de dóla­ res (cada quilo de mamão papaia custa, em média, 3,5 dólares naquele país). Em meio a tais indicativos de mercado, que conferem aos legumes, frutas e verduras brasileiros um espectro mais amplo do que o de meros ícones do exotismo tropical, o que também tem ficado claro é que esses produtos precisam de embalagens modernas e específicas para ter sucesso, ou simples­ mente serem admitidos lá fora.

ender lá fora produtos não manufaturados e importar bens industrializados têm sido a receita para comprometer a balança comercial de expressi­ vo grupo de países, do qual, infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu se desligar. Daí a maldosa, porém pertinente, máxima de que tais nações nunca conseguirão equilibrar suas contas externas, se seguirem exportan­ do bananas e comprando computadores. Com a bandeira da exportação sendo novamente empunhada como solução para vencer a iminente estagnação da economia brasileira, ficou ainda mais evidente ser imprescindível investir em diversificação pro­ dutiva e em tecnologia de fato. Porém, mes­ mo ante a urgência que o país enfrenta para vender mercadorias de alto valor agregado e tecnologia própria lá fora, tudo confirma, para espanto de muitos, que a exportação de pro­ dutos agrícolas genuinamente brasileiros hoje é mais estratégica do que nunca. Essa categoria de mercadorias, na qual, além da já mencionada banana, poderiam ser incluídos inúmeros outros hortigranjei­ ros que o país produz, tem extrapolado sua tradição histórica de alto potencial de expor­ tação. Para ficar só num exemplo, dados da Agência de Defesa Sanitária do Departa­ mento de Agricultura norte­americano (Aphis/USDA) apontam que a venda de mamão para os EUA deverá aumentar 100% este ano, alcançando um volume

Maior fornecedor
Tidas como imprescindíveis para reverter os prejuízos causados por soluções paliativas de transporte e acondicionamento no merca­ do interno de hortigranjeiros, as embalagens de papelão ondulado despontam hoje como um dos fatores que podem levar o Brasil a firmar­se entre os maiores fornecedores de frutas e hortaliças tropicais dos Estados Unidos e da Europa. Em favor do emprego do papelão ondu­ lado, material que vem concorrendo tam­ bém com boas embalagens plásticas para hortifrutis (ver o quadro), estão atributos como condições adequadas de higiene e proteção dos alimentos, além de aceitar impressões variadas e sofisticadas. Mas tais vantagens ainda são pouco exploradas.

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fotos: divulgação

No Brasil, 4,2% das vendas de embala­ gens de papelão ondulado, ou 73 200 tone­ ladas, estão ligadas ao setor hortigranjeiro. Os dados são da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) e referem­se a 2000, ano que apresentou, em relação ao anterior, um aumento de 9% na venda de embalagens de papelão ondulado para fru­ tas. “Mas existem países com até 20% das vendas de embalagens de papelão ondulado centradas na fruticultura”, conta Paulo Peres, presidente da entidade. “Portanto, temos muito a progredir”, ele diz. Ao longo da cadeia envolvida no merca­ do hortigranjeiro, parece não restar dúvidas de que, ao lado da modernização do merca­ do interno, que exige o banimento das cai­ xas de madeira reutilizáveis, essa progres­ são pode ser impulsionada por ações de exportação. Com esse discurso, o Grupo Orsa, que produz 276 000 toneladas de papel para embalagens por ano, adquiriu recentemente, num investimento de 350 000 dólares, um novo equipamento para tratamento do miolo utilizado na estrutura de pape­ lão ondulado com parafina. “A tecnologia consiste em aplicar resinas especiais na onduladeira, a fim de aumentar a resistência da embala­ gem à umidade e a baixas temperatu­ ras”, explica Ricardo Galan, diretor industrial de embalagens do Grupo Orsa. Segundo ele, o papelão produzido pelo novo equipamento é ideal para embala­ gens submetidas a ambiente de câmara fria, como exigem os procedimentos logísticos de exportação de alimentos frescos.

fotos: divulgação

Caixas plásticas: sinônimo de higiene também na distribuição de hortigranjeiros

Outra gigante do setor, com 12% do mercado de papelão ondulado para embala­ gens, a Rigesa Westvaco continua apostan­ do na família de caixas Plaform, cuja licen­ ça de produção adquiriu da espanhola Car­ tisa. Também disseminadas no merca­ do interno, tais embalagens, afirma Lucas Gutierrez, engenheiro agrôno­ mo da empresa, têm tido desempenho igualmente positivo no acondiciona­ mento de frutas tipo exportação. “Nes­ tes casos, a gramatura do papel deve ser maior, para aumentar a resistência a empilhamentos e umidade”, ele diz.

Porções reduzidas
Um dos usuários das embalagens da Rigesa a aprovar os bons índices de resistência de seu papelão ondulado é a capixaba Caliman, que destina 75% de sua produção anual (cerca de 14 000 tonela­ das) de mamão papaia à Europa e aos EUA. Francisco Faleiro, diretor comercial, conta que a empresa investiu na ampliação de sua linha de embalagens, apostando em públicos com necessidades de consumo mais modes­ tas. Só trabalhando com papelão ondulado e tendo a Rigesa como fornecedora exclusiva de suas embalagens, a Caliman atua com três tipos de caixas (de 2,5; 3,5 e 8 quilos), todas desenvolvidas para ser levadas pelo consu­ midor para a casa. “As menores são mais demandadas lá fora”, comenta Faleiro. “No Brasil, entretanto, também já começa a ser perceptível que as embalagens, além de diminuírem o índice de perdas, estão ligadas ao aumento do nível de confiabilidade entre os consumidores.”

Resistência a empilhamento é uma das vantagens do papelão ondulado Frutas tipo exportação prontas para exposição nas gôndolas. No detalhe, estrutura da parede de uma caixa de papelão ondulado

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Mas, apesar dos exemplos de que o binômio embalagem adequada/produtos de qualidade, altamente selecionados, podem resultar em fidelização de marcas e outros pontos positivos para o meio hortigranjeiro, os sinais de que muitos produtores brasilei­ ros não se deram conta disso são vastos. Por vender produtos de baixo valor agregado, boa parte não se conscientiza das vantagens de uma apresentação mais atraente e das facilidades para os processos logísticos que as embalagens podem representar.

Grande mas pequeno
Para Gerardo Galvez, gerente de vendas da Klabin, empresa que tem 30% do mercado de embalagens de papelão ondulado no país, tal quadro interfere diretamente nos resultados da atividade de exportação do setor. “Estamos entre os maiores produtores de laranja do mundo, mas nossa exportação de cítricos é insignificante”, ele avalia. Medidas protecionistas e demais entra­ ves à exportação de produtos brasileiros à parte, Galvez cita o mesmo exemplo para ilustrar como o uso de embalagens adequa­

das é crucial para ganhar mercado fora do país. “Nossos cítricos, apesar de muito sabo­ rosos, não são bonitos”. Na opinião dele, para que isso não se torne um aspecto negativo no ritmo de vendas para a Europa, onde as laran­ jas à venda apresentam coloração da casca mais atraente, é preciso “camuflar” os produ­ tos. “Por isso indicamos para os produtores embalagens com fundo e tampa, ao invés de nossa linha de caixas Open Top.” Com ou sem sistema de fechamento, as caixas têm sido beneficiadas por uma nova tecnologia. Visando aumentar a resistência das embalagens à umidade, a Klabin tem aplicado uma dispersão, feita à base de resi­ na acrílica estirenada, sobre o papel­base das embalagens (kraftliner ou ekoliner). Como se vê, criatividade e boa dose de investimentos em pesquisa e tecnologia dão ao Brasil opções variadas para acondiciona­ mento e transporte de hortigranjeiros. Elas podem ajudar a eliminar o estigma de que o país é incapaz de produzir frutas e outros vegetais de primeiríssima qualidade – como os costumam chegar às gôndolas de super­ mercados americanos e europeus.

ABPO (11) 3831­9844 www.abpo.org.br Caliman (27) 3371­1818 CEAGESP (11) 3643­3700 www.ceagesp.com.br Grupo Orsa (11) 4689­8700 www.grupoorsa.com.br Klabin (11) 3048­4800 www.klabin.com.br Plásticos Formar (11) 4056­3655 www.formar.com.br Rigesa Westvaco (19) 3881­8800 www.rigesa.com.br Roque Tomate (19) 3821­1585 Sunnyvale 3048­4100 www.sunnyvale.com.br

“Valorização no ponto-de-venda”
Mesmo mais disseminado, o papelão ondulado não reina absoluto entre os materiais utilizados nas embalagens de hortigranjeiros. Entre outras alter­ nativas às condenadas caixas K de madeira, os destaques são as emba­ lagens plásticas, destinadas tanto à distribuição dos produtos no ataca­ do, quanto à exposição direta nos pontos­de­venda. Focada no segundo caso, a Plásticos Formar, de São Paulo, criou a linha Fruit Pack. Composta exclusivamente por embalagens de PET, trata­se de uma aposta no apelo da transparên­ cia para o acondicionamento de hor­ tigranjeiros. De acordo com Fernando Aguiar, responsável pela divisão Fruit Pack da empresa, as embalagens de frutas não requerem grampos para seu fechamento, pois possuem siste­ mas de travas, além de terem a tampa e o berço acoplados, formando uma única peça. Outro ponto que ele con­ sidera vantajoso é a possibilidade de venda fracionada, em porções meno­ res. “Os produtores começam a per­ ceber que não há motivos para uma pessoa que mora sozinha comprar uma caixa com 6 quilos de uva”, ele observa. Utilizando PET e BOPS como maté­ rias­primas, a Sunnyvale também está lançando uma linha de embalagens para o mercado agrícola. Na visão de Antônio Lopes Maurício, gerente de produtos da empresa, por fornecerem condições propícias à rotulagem, as novas embalagens aumentam as pos­ sibilidades de identificação entre con­ sumidor e produtor, agregando ras­ treabilidade ao mercado hortigranjeiro. “A embalagem de papelão já provou ser boa para o transporte e a distribui­ ção de frutas e hortaliças”, ele diz. Mas, considera, “para embalagens individualizadas o plástico valoriza mais o produto.”

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www.embalagemmarca.com.br

diferenciação

A hora do chá
Inovação pela embalagem chega também ao segmento
té pouco tempo atrás, a fleu­ ma britânica que caracteriza boa parte dos apreciadores de chás parecia manifestar­se também nas embalagens do produto, pelo menos no que a expressão carrega de impassibilidade em seu signifi­ cado. Apegados à fórmula em que os sachês são acondicionados em caixas de papel cartão, os fabricantes pareciam não encarar a embalagem como uma maneira de diferenciar­se no ponto­de­venda e, quem sabe, aumentar o consumo do pro­ duto num país em que a cultura de se tomar café é tão arraigada. Com a segmentação de mercado, entre­ tanto, esse panorama vem se alterando. Novos materiais e maior preocupação
Chás Castellari: sachês com envelopes para aumentar shelf life

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visual estão substituindo a mesmice que outrora se via no setor, como comprovam, entre outras, ações empreendidas pelas marcas Castellari, Oetker e Maratá.

Caixas de madeira
Criada pela Linguanotto, empresa que atua também com temperos e especiarias, há cerca de dois anos a Castellari, junto com as outras marcas do grupo, foi comprada pela Effem Brasil, conhecida por sua parti­ cipação no mercado de pet food, com mar­ cas como Whiskas, Frolics e Pedigree Champs. A nova gestão impulsionou mudanças de logotipo da Castellari, além do desen­ volvimento de um envelope específico para os sachês. Feito de polipropileno bio­ rientado (BOPP), ele apresenta os mesmos ícones gráficos da embalagem secundária, além de um sistema de fechamento dotado de lacre inviolável. Alexandre Estefano, gerente de franquia da Effem, considera que o envelope, além de ter a seu favor o apelo da segurança, preserva o sabor e o aroma das ervas, aumentado assim a shelf life dos produtos. Em outra estratégia da empresa para fazer frente às grandes do setor, a embala­ gem também ganhou destaque. Trata­se da distribuição dos chás para cerca de 100 refinados restaurantes da capital paulista. A idéia é fazer os garçons dessas casas ofere­ cerem, em caixas de madeira especialmen­ te desenvolvidas, a linha de chás aos clien­

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fotos: divulgação

tes, num rito que lembraria a degustação de charutos após as refeições. “O que que­ remos é exatamente criar o hábito de se tomar chás depois das refeições”, diz Estefano.

Estojos de aço
Interessada em difundir sua linha de fun­ cionais, a Oetker, que comercializa no Brasil 26 tipos de chás, confiou à agência de design Segmento a tarefa de diferen­ ciar as embalagens de seus mais recentes lançamentos naquela área: Doce Re­feição, Doce Forma, Doce Manhã e Doces Sonhos. De acordo com Luciane Neves, geren­ te de produto da empresa, as novas emba­ lagens estão entre as primeiras de toda a linha de produtos da empresa que recebe­ ram a marca Dr. Oetker. A mudança obe­ dece à padronização mundial definida pela matriz alemã, que visa facilitar a comuni­ cação dos equities da marca com os consu­ midores. Ademais, as embalagens contam com cores que remetem aos novos chás. “A instrução era que elas representassem a alma do produto”, conta Luciane. “Mas também queríamos que o visual fizesse os novos chás saltarem das gôndolas aos olhos dos consumidores.” Na verdade, na Oetker, diferenciar os chás por meio das embalagens não chega a ser uma novidade. Nos últimos anos, a cada inverno a empresa tem lançado um estojo de aço para sua linha de chás, com divisões específicas para os sachês. Com impressão litográfica das ervas e frutas, as latas, fornecidas pela CSN, são voltadas a consumidores que apreciam a bebida em datas especiais. “Também vendemos nos­ sos chás em latas institucionais”, conta Luciane. Neste caso, a idéia é direcionar os produtos para o mercado de food servi­

ce. “Mas a procura tem sido tanta que pre­ tendemos colocá­las à disposição de todo o público a partir do ano que vem”, adianta. Já no caso da marca Maratá, empresa sergipana reconhecida por sua atuação com café e sucos, as embalagens da recém­ lançada linha de chás parecem ter o papel de transmitir ao consumidor a ampliação do escopo de atuação da empresa. Por isso, observa Antonio Muniz Simas, presidente da Dil, agência de design que ficou respon­ sável pelas embalagens, o visual se atém a dois pontos básicos: o desenho estilizado das ervas e a própria marca Maratá. Outro destaque é uma janela na forma do logotipo da marca, que, presente na tam­pa das caixas de papel cartão, permite a visuali­ zação dos sachês, também acondicionados em envelopes de polipropileno, no ponto­de­ venda. As embalagens dos chás Maratá também contam com uma moldura feita de grafismos de ervas estilizadas. Neste caso, conta Muniz Simas, o objetivo foi transmitir a idéia de bebida tradicional, normalmente associada aos chás.

Linha de funionais da Oetker: logotipo padronizado mundialmente

Dil Design (11) 3086-2466 Effem do Brasil (11) 4227-3899 www.effem.com Maratá (79) 631-9100 www.marata.com.br Oetker (11) 3782-3577 www.oetker.com.br Segmento (11) 3021-4566 www.segcom.com.br

Maratá: foco na marca e grafismos para transmitir valores tradicionais

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cervejas

A volta da Bohemia
Cerveja super premium ganha nova imagem para ampliar mercado
ara reforçar sua imagem de loira chique, a velha cerveja Bohemia tomou um banho de loja. A nova identidade visual faz parte dos investimentos consideráveis da proprietária AmBev para tornar a marca uma referência nacional no segmento super premium de cervejas, que detém uma participação ainda muito tímida nas vendas gerais do produto. Segundo o Sindicerv – Sindicato Nacio­ nal da Indústria da Cerveja, ele repre­ senta apenas 2% do mercado total do produto no Brasil, enquanto responde por 24% do americano e por mais de 15% do argentino. Dentro da presumível ótica de que um produto diferenciado, feito com ingredientes de qualidade superior e com cuidados especiais na produção, não pode relaxar na apresentação, a AmBev pediu à agência DM9DDB uma nova cara para a Bohemia. “A idéia foi renovar a marca com a preocupação de não per­ der os apelos de tradição e de requinte que ela conquistou em sua longa histó­ ria”, explica Márcia Valadão, supervisora de merchandising da DM9DDB. Pesqui­ sas que duraram seis meses, com consu­ midores em grandes capitais do país, ajuda­ ram a agência a compor o projeto visual que já pode ser visto no mercado. Nele, o elemento de destaque é o rótulo (veja a foto 1), que, redesenhado pelo designer Márcio Pontes, assume definitivo aspecto de brasão – aliás, um adorno que o produto parece “ser digno” de carregar, pois diz­se que era apreciado por Dom Pedro II em seu refúgio fluminense de Petrópolis. Estampado nas garrafas de vidro long neck de 330 mililitros, da Cis­ per, e de 600 mililitros, fornecida por diversas vidrarias (foto 2), bem como na lata de alumínio, ele traz logotipo em

P

1

letras maiúsculas, com detalhes dourados, que lembra a versão antiga. Segundo Már­ cia Valadão, decidiu­se não mexer radical­ mente com o lettering do logotipo, “pois ele sempre comunicou adequadamente o caráter do produto”.

2

Caixotes de madeira
Outro elemento tradicional no rótulo da Bohemia, a figura da mulher, ganhou mais vida. Presente desde o início da história do produto, a ilustração foi refeita com uma téc­ nica que lembra o bico de pena. A imagem representa as mulheres res­ ponsáveis pela produção da cerveja na região de Pilsen, hoje República Tcheca. Também ganhou mais peso no conjunto o slogan “Desde 1853”, que funciona como um atestado da tradição do produto. A versão em lata de alumínio (foto 6), fornecida pela Rexam do Brasil, destaca o rótulo em textura especial, um trabalho assinado pela designer Marie Elise Carrara, da DM9DDB. Sua impressão também é nobre: a composição de sete cores dá destaque visual ao conjunto e a definição necessária para a adaptação da figura da mulher. Já os multipacks de papel cartão para as latinhas e garrafas (fotos 3 e 4), fabricadas pela Mead Embalagens, ganharam design retrô, que remete aos antigos caixotes de madeira usados para transportar a Bohemia no sécu­ lo 19, quando a produção ainda era artesa­ nal. “O dourado e os detalhes em relevo ajudaram a obter um resultado de valor agregado”, ressalta Márcia. Para completar o conjunto, as geladei­ ras que acondicionam o produto em pon­ tos­de­venda (foto 5) são uma atração à parte, pelo desenho no mesmo estilo pro­ positalmente rústico.

3

4

5

AmBev (11) 3741-7000 www.ambev.com.br Cisper (11) 6542-8016 www.cisper.com.br DM9DDB (11) 5501-9999 www.dm9.com.br Mead (11) 3048-9370 www.mead.com Rexam do Brasil (11) 3266-3199 ramon.ribeiro@rexamcan.com.br 6

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fotos: divulgação

making of

Premium e de massa
Minalba ganha embalagem para classe A (sem prejuízo das outras)
e há no Brasil um número crescente de consumidores dispostos a pagar por águas minerais importadas e posicio­ nadas, com contribuição ine­ gável de suas embalagens, como produtos sofisticados, por que marcas nacionais não poderiam disputar o filão com as estrangei­ ras? Na verdade, por que não valorizar pela embalagem e pela marca, como fazem os estrangeiros, as águas brasileiras, que, em termos de pureza e em propriedades positi­ vas para a saúde e o bem­estar humanos, são superiores à maioria dos similares importados, segundo biólogos, mineralo­ gistas e outros especialistas? Apostando em tudo isso e na vantagem adicional de preços melhores, o Grupo Edson Queiroz, controlador das marcas Indaiá e Minalba, que juntas detêm 18,5% do mercado brasileiro de águas minerais, está lançando a Minalba Classic, numa gar­ rafa de 330ml que se destaca pelo design. E não se trata de uma iniciativa solitária, indi­ cando que o movimento na direção de agre­ gar valor ao produto nacional por meio da embalagem parece estar entrando numa fase dinâmica (ver pág. 34).

S

Minalba Classic: sofisticação para paladares e vistas exigentes Grupo Edson Queiroz (12) 263-1133 www.edsonqueiroz.com.br Hi Design (11) 251-5531 c.klein@hi-design.com.br Sidel (11) 3783-8930 www.sidel.com Multilabel (11) 5641-4573 jl.multilabel@fs.com.br Labelmaq (11) 3485-8737 O-I Tampas (15) 228-3711 oivendas@terra.com.br

Segmento premium
O desenvolvimento do visual da garrafa da Minalba Classic ficou a cargo da agência especializada em embalagem Hi Design. “Procuramos criar identidade para um produto destinado a competir no seg­ mento premium, mas sem perder a imagem que a marca Minalba já tem com o consumidor”, sintetiza Christian Klein, diretor da agên­ cia. Para isso, foi feito um estudo de mercado, na tentativa de antever as pos­ síveis situações e locais de consumo mais freqüentes do produto e direcionar o design da embalagem. Confirmou­se que o canal

de vendas de águas de alto valor agregado é composto principalmente por restaurantes, bares e hotéis. Porém, mesmo tendo aí boa parte de seu público­alvo, conta Klein, a embalagem da nova marca não poderia limitar­se àquelas situações de consumo. Seria essa, aliás, uma das razões que levaram a empresa a desen­ volver as garrafas da Minalba Classic em PET e não em vidro, como fazem outras marcas premium. “O PET é um material que facilita a compra em supermercados, por exemplo”, lembra Klein. Sopradas na estrutura verticalizada da própria empre­ sa, as garrafas, de formato cônico, foram projetadas pela Sidel, fabrican­ te de equipamentos para embala­ gem.

Desafio dos rótulos
Simulação do rótulo na perspectiva conificada: evitar destorções

O desafio de transmitir sofisticação depen­ dia também do desenvolvimento de rótulos que incorporassem a categoria do produto, comenta o diretor da Hi Design. Para alcan­

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daniel rosa

Rótulo mais legível: preocupação na identificação da marca.

çar um design integrado, que se adaptasse às diversas situações de consumo pretendi­ das, o projeto gráfico primou pela diminui­ ção dos contornos e pelo aumento da legi­ bilidade das letras da marca, conta Sara de Paula Souza, também diretora da agência. “A proposta era conseguir um visual mais leve, limpo e iluminado”, ela conta. A nova identidade visual foi concebida a partir do logotipo original e da tradicional paisagem montanhosa que, permeada por um riacho, um sol poente e algumas nuvens, ilustra os rótulos das demais águas Minal­ ba. “A letra foi analisada e redesenhada para que a marca transmitisse equilíbrio e sensação de limpeza, fundamentais em águas”, descreve Sara. Foi mantido o pre­ domínio do azul, cor que, segundo a desig­ ner, “desperta no consumidor a percepção de assepsia e pureza”. Para destacar o logo e aumentar a legi­ bilidade do rótulo, foi diminuída a quanti­ dade de elementos gráficos da paisagem:

ilustrações: divulgação

parte das nuvens foi eliminada , a perspec­ tiva do rio foi ampliada e as montanhas da paisagem de Campos do Jordão (SP), onde a Minalba possui fonte, foram redesenha­ das. O passo seguinte foi o ajuste da espes­ sura das letras, numa tarefa que Sara chama de compensação óptica, ou seja, fazer com que, redesenhados, aqueles elementos des­ sem ao consumidor a impressão de que são proporcionais. “Mas há diferenças”, diz Sara. “O ‘m’, por exemplo, tem a perna do meio mais fina, embora a sensação visual seja de que as três pernas são iguais”. Para que tais detalhes passassem desper­ cebidos, foram ajustados o espaçamento entre os caracteres e as áreas em branco no interior das letras, conhecidas entre os desig­ ners especializados no estudo da forma dos tipos como olhos. Outra mudança gráfica aprovada foi o efeito degradé, que alterou as cores do logo: no pé das letras, a cor predo­ minante é um verde piscina, que vai escure­ cendo até se tornar azul royal na parte de cima. De acordo com a especialista, o degra­ dé aumenta a legibilidade e a definição das letras, suportando ampliações e reduções, sem perda de suas características gráficas. Foram utilizados três diferentes tipos de letras, “mas sem conflito visual”. Fornecidos pela Multilabel do Brasil e impressos em letter press, os rótulos esco­ lhidos para a Minalba Classic são transpa­ rentes e feitos de polipropileno. Sua aplica­ ção nas garrafas, diz José Carlos Drager, diretor comercial da Multilabel, exigiu a importação de cabeçotes especiais, cuja montagem e adaptação no equipamento da Minalba ficaram a cargo da Labelmaq, fabricante de máquinas aplicadoras. O sistema de fechamento foi fornecido pela O­I Tampas, empresa controlada pelo grupo americano Owens­Illinois. Denomi­ nada Flex­Loc, a tampa tem vedação espe­ cial e é usada também em outras águas da Minalba, inclusive nas carbonatadas. “Essas tampas se destacam também pela fácil apli­ cação”, ressalta Claudio Almeida, diretor comercial da O­I Tampas.

Sequência mostra pictograma tradicional da Minalba (ao alto), substituído por paisagem com novas cores e menos elementos gráficos (última, de cima para baixo). Quadros intermediários revelam plano de diminuição dos contornos.

Mudanças no logo: degradé e estudo de compensação ótica

Todas as agências (inclusive os departamentos internos das empresas) e todos os designers interessados em colaborar com esta seção da revista estão convidados a participar. Para obter detalhes, entre em contato com a redação, por telefone (11) 5181-6533 ou por e-mail (redacao@embalagemmarca.com.br).

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making of

Como um drinque
Água Petrópolis Paulista usa vidro para atingir público premium

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eforçando a impressão de que as marcas nacionais de águas estão investindo para valorizar-se e ampliar a participação nas faixas premium de mercado, a Petrópolis Paulista, de São Paulo, acaba de lançar sua marca, nas versões com e sem gás, em garrafas de vidro de 330ml e novo design. O recipiente tem forma de gota e substitui o anterior, que era feito do mesmo material e tinha 355ml de capacidade de conteúdo. Na mesma linha de agregação de valor pela embalagem que vem sendo crescentemente incorporada pelas fontes brasileiras de água mineral (ver página 32), além da nova garrafa, desenvolvida pela Cisper, o projeto visual da Petrópolis premium bus-

Na garrafa de vidro, na tipologia do rótulo e da tampa, elegância e simplicidade

cou a diferenciação. De responsabilidade do designer Rafael Queiroz, da Mazz Design, o trabalho incluiu a criação de rótulo, tampa e um kit de vendas. Segundo Maurício Girard, diretor de criação da agência, o projeto buscou uma linguagem simples e elegante. “Procuramos criar uma embalagem que permitisse colocar a água em qualquer restaurante classe A, podendo ser consumida como um drinque”, ele diz. Para atender às expectativas de embalagem desse universo de consumo, Amilcar A. Lopes Jr., diretor da Petrópolis Paulista, explica que a empresa enviou formulários a 5 000 representantes de pontos-de-dose localizados no Estado de São Paulo. Além definir quais seriam o material e o design da embalagem, buscou-se determinar a capacidade que as novas garrafas deveriam ter. “Os resultados indicaram que 300ml seria uma quantidade muito próxima à do copo (que a empresa também vende, com capacidades de 200ml e 300 ml)”, explica Amilcar Jr. Como a realidade de mercado já vinha mostrando que 355ml é um volume acima das necessidades do consumidor individual, optou-se pela garrafa de 330ml.

Centro de gravidade
O formato do recipiente também não foi decidido a esmo. Júlio Barbedo, diretor de marketing e exportação da Cisper, diz que a nova embalagem apresenta um importante diferencial quando o assunto é equilíbrio sobre a mesa ou o balcão. “Ela tem uma base muito boa”, ele afirma, argumentando que a forma cônica influi no centro de gravidade. “A garrafa foi desenvolvida também para apresentar boa performance tanto nas linhas de fabricação quanto nas de enchimento, sem falar que é muito bonita e atraente.” Para ressaltar o caráter premium do produto, a fonte acatou uma mudança impactante sugerida pela Mazz Design. No frontal do

jorge príncipe

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O rótulo de papel, auto-adesivo, foi fornecido pela Hervás

A logomarca tradicional foi deslocada para a parte de trás do rótulo As informações sobre a composição da água, numa tabela clara

O compromisso com a reciclabilidade é expresso pelos símbolos da atividade para embalagens em geral (esq.) e para a de vidro

rótulo auto-adesivo, de papel, fornecido pela Hervás, aparece a marca, impressa em tipologia “elegante e clássica, para ressaltar a distinção e o refinamento do produto”, nas palavras do diretor da agência. Vem impressa no lugar do tradicional logo “Águas Petropolis Paulista” (sem acento mesmo), que foi deslocado para a parte de trás. Ao fundo da marca, um desenho mostra uma gota caindo sobre uma lâmina de água, causando na superfície líquida ondulações circulares. Na parte superior do rótulo foi incluída a frase “água mineral natural”, em tipos manuscritos. Para Girard, essa opção “imprime um upgrade ao produto”. Na verdade, em certa medida isso é transmitido pela elegância do rótulo, em formato de estreita tira horizontal. Embora sendo uma única peça, ele cumpre também a função de contra-rótulo, pois ocupa quase 360 graus da superfície da garrafa. Outra inovação interessante é a apresentação do conceito de água “com gás”. Apresentado em vermelho na maioria das marcas, ganhou a cor verde no novo rótulo da Petrópolis. O azul permaneceu na versão “natural”, mas em tom mais escuro que o habitual. Já as informações sobre composição da água, que muitas vezes se tornam alvo de críticas dos consumidores, pelo tamanho reduzido das letras e pela conseqüente ilegibilidade, aparecem num quadro em que as linhas são diferenciadas por dois tons de cores, característica que não torna a leitura

CISPER (11) 6542-8000 www.cisper.com.br Hervás 0800-55-5311 www.hervas.com.br Mazz Design (11) 3842-7880 www.mazz.com.br Tapon Corona (11) 3835-8662 tapon@tapon.com.br

da mensagem um suplício. A tampa metálica, tipo crown, é fornecida pela Tapon Corona e segue o conceito de simplicidade e elegância do rótulo. A respeito da garrafa de vidro, o diretor da Petrópolis Paulista lembra que, em mercados como o europeu, em geral as águas minerais, quando direcionadas para consumo em restaurantes, bares e hotéis, são acondicionadas naqule material, “que tem forte apelo de pureza e é totalmente reciclável”. Embalagens de PET ou de outras resinas plásticas são destinadas antes ao consumo doméstico, ele observa. Biólogo de formação, Amilcar Jr. afirma dar muita importância às ações de reciclagem e põe isso em prática: contratou a empresa especializada World Cicla para implementar um programa interno de coleta e reaproveitamento de materiais na fábrica, em São Paulo. Nesse programa, um fato curioso: as embalagens de PET que a empresa destina a reciclagem são transformadas em uniformes para os funcionários. A preocupação com a reciclagem também foi transmitida aos rótulos. Neles, vêm impressos os símbolos de “Embalagem reciclável” (duas setas que se entrelaçam, dentro de um círculo), válido para todo o sistema de embalagem, isto é, garrafa, rótulo, filmes e caixas, e de “O vidro é reciclável” (um ícone de pessoa descartando um recipiente num coletor apropriado, dentro de um triângulo formado por setas).
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materiais

Na vanguarda
Santista quer diferenciar Maionegg’s pela preocupação em embalagem
ara não desandar a Maionegg’s, a Santista, divisão da Bunge Ali­ mentos, colocou em prática uma estratégia de rejuvenescimento da marca. Ao lado da reformulação do produto, que inclusive ganhou uma versão light, novas embalagens, mais práticas e moder­ nas, estão sendo utilizadas. As mudanças na apresentação foram radi­ cais. Os tradicionais potes de 250g e 500g agora são de vidro, em substituição aos de polipropi­ leno, e estão com novo design, mais estreito e prático, para facilitar sua identificação nas gôn­ dolas e o manuseio pelo consumidor. “Essa mudança é fruto de um longo tra­ balho em parceria com a vidraria Cisper”, conta Giselli Brambilla, gerente de catego­ ria maionese da Santista. Segundo ela, o pote foi idealizado de forma a manter a boca larga, pois esse é um aspecto muito valorizado pela consumidora. “Isso permite a movimentação da colher dentro do reci­ piente, para que todo o conteúdo possa ser aproveitado.” Além disso, ela diz, os apelos de reciclabilidade e de reutilização do pote foram relevantes para a migração do mate­ rial da embalagem. “A categoria maionese é associada ao vidro”, ressalta Giselli.

P

O rótulo do produto, de plástico ter­ moencolhível, é outro destaque. Fornecido pela Sleever do Brasil, tem detalhes pratea­ dos, aplicados por hot stamping. Nele, a tipologia do logotipo não mudou, para não afetar a referência de imagem da marca.

Hiper-realismo
O layout, porém, ficou mais leve: o cromo presente na embalagem antiga foi substituí­ do por uma ilustração hiper­realista. Giselli diz que essa é uma tendência forte na Euro­ pa, pois “gera uma imagem moderna, que não envelhece rapidamente”. A tampa ante­ rior, do tipo flip top, foi substituída por uma de rosca, plástica, da Garboni. Acoplada a ela, há um selo de segurança, de papel. Completam a família Maionegg’s versões em bisnaga de 250g, stand­up pouches de 200g, 500g e 1000g, baldes de 3kg e sachês de 8g, “para manter no produto o caráter inovador”, diz Giselli. Essa preocupação, ela recorda, “sempre foi uma tônica na história da marca”. Lançada em 1976, foi a primeira no Bra­ sil a vir em pote com boca larga e tampa plástica, para driblar o problema da ferru­ gem em antigas tampas metálicas.

Linha Maionegg’s: além das embalagens flexíveis, pote de vidro com desenho exclusivo

Santista 0800 90 12 34 www.santista.com.br Cisper (11) 6542-8000 www.cisper.com.br Garboni (11) 5051-3575
divulgação

Sleever do Brasil (11) 5641-3356 www.sleever.com.br

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mercado

Fusão para crescer
Embalagens de aço ganham força com a criação da CBL
CBL – Companhia Brasileira de Latas, empresa resultante da fusão entre a Metalúrgica Mata­ razzo e a Rimet, tradicionais transformadoras de embalagens de aço para diversos segmentos industriais, surge com a proposta de mudar o relaciona­ mento com os clientes. Ambas já estão ope­ rando de forma conjunta nas áreas industrial, financeira, de suprimentos e comercial. De acordo com a presidente da CBL, Ana Tere­ sa Meirelles, há um ano e meio trabalhando na reestruturação das companhias, a criação da holding visa propor ao mercado uma nova estratégia de trabalho, invertendo o processo de soluções em embalagens. “O fornecedor passará a ser parceiro, participan­ do ativamente da concepção, do desenvolvi­ mento e da viabilização da embalagem junto aos clientes”, ela diz. Com a junção de forças, a Rimet e a Matarazzo pretendem transformar a CBL na maior empresa de embalagens de aço do Brasil. A capacidade de produção mensal será de 244 milhões de latas, número que
Latas da CBL: a empresa quer ser a maior em embalagens de aço no Brasil

A

deve sofrer incrementos com a concretiza­ ção das obras da nova fábrica de Lins (SP), a maior das treze plantas fabris do grupo e cujas linhas de produção operam parcial­ mente. Além da estrutura industrial, o siste­ ma logístico também está sendo reavaliado, para tornar a distribuição mais eficaz. Segundo Rita Gomes, do marketing da CBL, os investimentos não se limitam às melhorias nos processos operacionais. “Novas embalagens estão sendo desenvol­ vidas para brigar por novos mercados, como famílias de latas com sistema de abertura fácil, que poderão ser vistas até em segmen­ tos como o de cosméticos”. A empresa tam­ bém aposta em latas com relevo e rotulagem diferenciados, para inovar em mercados em aquecimento, como o de alimentos secos e o de bebidas. Algumas marcas de energéti­ cos, por exemplo, estão sendo acondiciona­ das em lata de aço, em substituição a reci­ pientes de PET ou de alumínio. Pretende­se, também, conquistar para o aço outras cate­ gorias de produtos, como achocolatados, sucos, água de coco e isotônicos.

Companhia Brasileira de Latas (11) 6090-5000 comercial@cbl.ind.br

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divulgação

Fim da novela Ao arrematar a Copene, pelo preço sórcio Odebrecht-Mariani já está integrando a Polialden e a Proppet à petroquímica do Nordeste. O próximo alvo é a compra da Politeno, avaliada em R$ 540 milhões, e a junção de forças com a OPP e a Trikem, da Odebrecht, e a Nitrocarbono, da Mariani. Coleta em parceria Aliando coleta seletiva, reciclagem e contribuição com projetos sociais, a Abividro - Associação Brasileira das Indústrias de Vidro acaba de fechar parcerias com duas ONGs: a Reciclázaro, que ajuda dependentes químicos, e a Coorpel, que atua com catadores de lixo. Com os acordos, a entidade espera coletar cerca de 45 toneladas de vidro por mês. Latas pra chuchu nio do país, a Latasa está investindo em uma nova fábrica, que começa a ser erguida este mês em Viamão, Porto Alegre (RS). A unidade começará a operar em junho de 2002 com capacidade de 750 milhões de latas/ano, podendo chegar a 1,6 bilhão no final de 2004. Nova unidade O Grupo Orsa, terceiro maior produtor de papelão ondulado do país, já está colhendo os frutos de sua nova unidade de Rio Verde (GO). Voltada para os setores frigorífico e alimentício, a unidade atende, entre outros, a Perdigío. Sua capacidade mensal de produçío é de 7 mil toneladas de embalagens.

manual de etiqueta em logística
Estabelecer o nível necessário de ati­ vidades logísticas para disponibilizar produtos no tempo e no local certos e nas condições e formas desejadas, da maneira mais eficaz e lucrativa, se torna cada vez mais um diferencial competitivo importante para as empresas. De olho nisso, a Bookman está lançando o livro Gerenciamen­ to da Cadeia de Suprimentos: Planejamento, Organização e Logística Empresarial, sucesso de vendas nos Estados Unidos. O autor Ronald H. Ballou busca mos­ trar, através de exemplos, exercícios e estudos de casos distribuídos ao longo de 532 páginas e do CD­ROM que acompanha o livro, como dinami­ zar o chamado triângulo do planeja­ mento logístico, em cujos vértices estão as decisões de localização, as decisões de estoque e as decisões de transporte.

(11) 3085­7270 www.artmed.com.br

Proteção à marca e ao usuário
A fim de assegurar aos usuários da indústria que seus fornecedores de embalagem estão utilizando corre­ tamente a resina ionomérica Surlyn, usada principalmente como selante de estruturas flexíveis, a Du Pont, fabricante do material, acaba de criar um programa de certificação. Nele, um selo eletrônico é conferido aos convertedores após uma bateria de avaliações das estruturas das embalagens, e mantido através de análises periódicas realizadas a par­ tir de compras aleatórias dos produ­ tos em supermercados. Para fortalecer o programa de pro­ teção à sua marca, a Du Pont dispo­ nibiliza uma lista com todas as con­ vertedoras certificadas no site www. pack.dupont.com.br. “Consultando a página, as empresas poderão ter a certeza de que o seu fornecedor conta com a nossa certificação”, explica Walmir Soller, gerente de embalagem da Du Pont. Converte­ dores nacionais de embalagens de carnes, de produtos farmacêuticos e de alimentos já estão recebendo o certificado, que abrange até agora oito produtos, entre eles a goma de mascar Trident. Usuária do Surlyn há cerca de cinco anos, a Inapel, que fornece a embalagem do chicle à Adams, foi a primeira certificada. O diretor industrial da Inapel, Rodri­ go Alvarez, diz que, além de funcio­ nar como uma ferramenta de credi­ bilidade que agrega valor, atestando que as estruturas de suas embala­ gens estão sendo elaboradas com qualidade, sem mesclas de outros produtos, a certificação reduz custos, pois elimina a necessidade de análi­ ses, laudos de entrega e outros pro­ cedimentos. “Também ajuda a redu­ zir estoques, já que dispensa previ­ são de contingência para eventuais rejeições da embalagem entregue”.

Claudia Weber, com passagens pela Mead Embalagens e pela M Design, acaba de assumir a direção de atendimento da Oz Design.

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STUdiO AG

Tampas compostas (composites) estão sendo lançadas pela White Cap no mercado nacional. Elas combinam o topo de metal com saia e lacre de plástico. De acordo com Leandro Pignataro, gerente de vendas da empresa, “a composição oferece a segurança e a praticida­ de das tampas plásticas com a pos­ sibilidade de decoração litográfica no metal”. O fechamento já pode ser visto no mercado europeu, em produtos da Hero e da Gerber, no segmento de baby food. Pignataro adianta que no Brasil já existem dois contratos de sigilo para um futuro fornecimento. (11) 3078­0451 www.whitecapinc.com

E fez-se a luz!
Flashing Can é o nome da curio­ sa novidade que a Riverside Tech­ nologies está lançando no merca­ do de embalagens para bebidas. Trata­se de uma lata que, ao ser aberta, dispara feixes de luz, para a surpresa do consumidor. Segun­ do Jim Howes, presidente da Riverside, é mais uma opção de impacto para ações promocionais. “A luz pode indicar um brinde, que o ganhador recebe após ligar para um telefone contido na embalagem”, exemplifica. Os “compartimentos de luz” são ató­ xicos e resistentes à água e ao CO2 presente em bebidas carbo­ natadas. www.riverside­technologies.com

governo define rotulagem de transgênicos
Os ministérios da saúde e da justiça defendiam a categorização como transgênicos, através dos rótulos, os alimentos com mais de 1% de ingre­ dientes geneticamente modificados. O governo, porém, publicou decreto obrigando o rótulo de transgênico para o alimento que contiver mais de 4% de alterações, pendendo para as reivindicações do ministro da agri­ cultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, que queria que a medida atingisse apenas os produtos com índice maior que 5%. A decisão vale a partir de 31 de dezembro de 2001. Só que ONGs de defesa do consumi­ dor acreditam que, com o porcentual escolhido, poucos produtos serão rotulados como transgênicos, para a alegria das indústrias de alimentos.

Holografia e transparência unidas
A Fasson tem inovações para a criação de rótulos com um no label look de alta sofisticação. São filmes holográficos totalmente transparentes, diferentes dos papéis metalizados brilhantes vistos no mercado. Sob os nomes Fasson Pm PeT 50 Quartz/S695/Pet 30 Ni e o Fasson Pm PeT 50 Opal/S695/BG 40 Br Ni, os fil­ mes são levemente tonalizados, adquirindo um visual “esfumaçado”. eles podem ser impressos com tecno­ logias de impressão tradicionais e também com flexo­ grafia UV, letterpress UV e off set, além de oferecerem bom desempenho no meio­corte e em decorações com hot stamping. O adesivo, permanente, tem bom desempenho em uma ampla variedade de superfícies como vidro, papel, metais e plásticos. (19) 3876­7600 www.solution.fasson.com ago 2001 • embalagemmarca – 41

FOTOS: diVUlGAçãO

Vantagens de um e do outro

De olho no segmento de produtos lác­ teos refrigerados (PLF), a Nestlé lançou o iogurte La Frutta. Com consistência cremosa e pedaços de frutas, ele pode ser encontrado nos sabores morango e damasco, este último uma exclusivi­ dade da Nestlé. Nas embalagens desenvolvidas pela mazz Design, ilus­

trações de frutas junto a uma colher cheia de iogurte se encarregam de reforçar o appetite appeal e garantir destaque no ponto­de­venda. Os potes, de polietileno, são fabricados in­house pela própria Nestlé. A gráfica Itaipava fornece o rótulo, e a Alcan, a tampa de alumínio.

Bom peão tem lata decorada
A Brahma, seguindo a tradição de apresentar embalagens comemora­ tivas em ocasiões especiais, apro­ veita a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos para lançar 10 milhões de latinhas com desenhos alusivos ao evento. A embalagem é decora­ da com um selo criado especial­ mente para a 46ª edição da festa e tem motivos country. As latas de 350ml estão à venda apenas no estado de São Paulo.

Linhas dinâmicas com sobriedade

O brandy Domecq, líder abso­ luto no seu segmento no Brasil e uma das principais marcas da multinacional de bebidas Allied Domecq, recebeu inves­ timentos de 800 000 reais para renovar e reforçar a mar­ ca. Entre as ações da compa­ nhia estão os lançamentos da nova embalagem e de uma campanha publicitária. A gar­ rafa, concebida pela agência Packaging Design, ficou mais alta e passa a ter cantos mais arredondados, inspirada nas garrafas de cognacs como o Courvoisier, também comer­ cializado pela Allied Domecq. Foram consumidos dois anos de pesquisa e desenvolvimen­ to, que resultaram na mudan­ ça da cor da tampa. Esta pas­ sa a ser vermelha. No rótulo, a logomarca Domecq ganhou mais destaque e robustez. A garrafa verde e o brasão no rótulo não foram alterados. A garrafa é da Saint Gobain Embalagens, e o rótulo, impresso pela Brasilgráfica.

o espumante salton Brut reserva ouro está de cara nova. para transmitir a idéia de requinte, foi concebida uma identidade visual sóbria, através do rótulo, com aplicação de hot stam­ ping, impresso pela Gesa. a embalagem unitária é impressa pela embanor, a caixa para 6 unidades é con­ feccionada pela Box print e a cápsula é feita pelo ibrac. o projeto visual foi desenvolvi­ do pelo D@Z escritório de Design, de Bento Gonçalves (rs).

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FOtOs: DIvuLgAçãO

Nestlé iNveste em plf com la frutta

Domecq com marca reforçada

Nova imagem também nos cremes
Após a linha de xampus e condiciona­ dores, a marca seda, da unilever, está ganhando embalagens renovadas também na linha de tratamento, que inclui cremes para pentear e para tra­ tamento de cabelos. A nova identida­ de visual está sendo estendida a todos os produtos da marca. O pote do cre­ me de tratamento ganhou tampas tex­ turizadas e um novo design, mais moderno, que facilita o manuseio e o diferencia dos similares nas gôndolas. Os rótulos e contra­rótulos, impressos em offset e serigrafia (silk screen) têm nova arte e informações sobre benefí­ cios e modo de uso. A bisnaga do cre­ me para pentear e os potes estampam o novo logotipo de seda e as tampas têm cores diferentes para identificar as cinco linhas de tratamento da marca. Os potes, de polietileno de alta densi­ dade, são fornecidos pela sinimplast. As tampas, também de polipropileno, são da Cária.

Novo astral para banheiros

A Astra, fabricante de plásticos para banheiros, está assumindo uma nova imagem. Uma das principais mudan­

Graxa com rótulo cheio De iNformação
A tradicional marca de graxa para sapatos Nugget, da Reckitt Benckinser, adotou a solução Form­a­Label Resselável da Novelprint, nas tampas da embalagem metálica convencional do produto, para anunciar o lançamento da Nugget Cremosa. “O rótulo multipágina cumpriu a função de um canal de comunicação com o consumidor”, afirma Silvio Bronzeri, gerente de negócios da Novelprint. Ele conta que os fabricantes estão aumentando as ações promocionais na embalagem, porque estas se mostram iniciativas eficientes e baratas. Além do sistema auto­adesivo, a Novelprint forneceu o equipamento de aplicação automático, instalando­o diretamente na linha de produção da Reckitt Benckiser.

ças pode ser observada na nova embalagem, lançada inicialmente para a linha de armários plásticos para banheiro. A empresa desenvolveu um novo design, utilizando as cores de seu logotipo – azul e vermelho –, para auxiliar na identificação das peças no ponto­de­venda. O consumidor pode­ rá visualizar, através de cortes espe­ ciais na embalagem, a cor do armário e a área do espelho. A caixa contém foto ilustrativa, mostrando o aprovei­ tamento do espaço interno do armá­ rio, informações técnicas, código de barras e referências de cor, com tex­ tos em português, inglês e espanhol. As novas embalagens foram desen­ volvidas pelo departamento de pro­ moção de vendas da Astra.

Certificação pede novo visual
O Café Bom Dia recebeu o cer­ tificado IsO 14001 de excelên­ cia na preservação do meio ambiente e, para comemorar, está mudando o design de sua embalagem, um stand­up pouch. Além de trazer um selo comunicando a certificação, o novo desenho, desenvolvido pela mazz Design, destaca a fotografia de uma xícara de café apoiada sobre um monte de grãos da iguaria. Os converte­ dores da embalagem flexível, que tem estrutura laminada, são a Zaraplast e a santa Rosa.

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Pacotes coloridos para o Personal

Close-Up inova com embalagem preta
Pela primeira vez, o preto é utiliza­ do em cartuchos e bisnagas de um produto de higiene bucal. A iniciati­ va é da Unilever, que acaba de colocar no mercado o gel dental Close­Up Eucalyptus Mint. O preto foi escolhido depois de uma exten­ sa pesquisa realizada com jovens, público­alvo da marca. Aproveitando o lançamento do sabor Eucalyptus Mint, todas as embalagens de Close­Up passaram por um processo de renovação, que as deixou mais coloridas. A logomarca foi reestilizada, de acordo com cada sabor da linha. O processo de impressão em quatro cores da foto do casal que ilustra as embalagens deu lugar a um efei­ to monocromático aplicado no tom que identifica cada sabor. O projeto de renovação das emba­ lagens do gel dental foi desenvolvi­ do numa parceria da equipe de marketing de Close­Up com a agência LFH, de Londres. A adapta­ ção para o Brasil foi feita pela R234 Design. A bisnaga é produzida pela Cebal (ex­Metalpack) e o cartucho é feito pela Brasilgráfica.

O papel higiênico Personal, da san­ ther, líder do mercado brasileiro, está com novas embalagens, desenvolvi­ das pelo escritório Cornerstone, de Nova Iorque. O novo design rompe com os padrões da categoria, conhe­ cida por manter a parte frontal trans­ parente nas bordas, com cores con­ centradas no centro do pacote. As novas embalagens de Personal têm cores em quase toda a parte frontal, reservando apenas o centro para uma faixa ondulada transparente, que per­ mite a visualização do produto. A família de papéis higiênicos da marca foi dividida em duas cores: azul e vinho. O azul corresponde aos produ­ tos da linha de folha simples e o vinho representa a linha de folha dupla, batizada de Personal Premium.

sNack com visual “pra cima”
A Agtal acaba de colocar no mercado a nova embalagem do amen­ doim uP!. O tira­gosto tem três sabores: salsa & cebola, queijo cheddar e churrasco. As flow­packs de 110 gramas são metalizadas, trazem a foto do produto e têm cores diferentes para cada versão do snack. A embalagem, desenvolvi­ da pelo designer free­ lancer Abrahão Netto, é fabricada pela shellmar com uma estrutura que combina poliéster com metalização e polietileno.

Castrol renova rótulos
Dando prosseguimento às adaptações que vêm sen­ do realizadas a partir da mudança do logotipo mundial da companhia, ocorrida em março deste ano, a Castrol Brasil enco­ mendou à agência Dia Design novos rótulos para seus principais óleos lubri­ ficantes para motores, o Castrol GTX, o Castrol GTX Special e o Castrol GTX Magnatec. De acordo com a Dia Design, o principal pedido da subsidiária brasileira foi uma lingua­ gem visual que enfatizasse os atributos que caracter­ izam cada um dos produ­ tos da linha, tais como confiança, superação e inovação. Além dos novos rótulos, a Dia Design tam­ bém desenvolveu todo o material para divulgação da linha GTX em pontos­ de­venda.

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eventos

• De 10 a 14 de setembro acontece em Buenos Aires, na Argentina, a Envase 2001, 7ª exposição Internacional de embalagem, com a participação de fabricantes de embalagens, fornecedores de matérias­primas, máquinas e equipamentos. Paralela­ mente à envase, será realizada a Alimentek 2001, 2ª exposição de maquinário e equipamentos para o Processamento de Alimentos e Bebidas. O evento é realizado a cada dois anos desde 1998, com uma variada mostra de materiais, máquinas, maté­ rias­primas, novas tecnologias e design e é promovido pela Ulade – União Latino­ Americana de embalagem e pelos Instituto Argentino del envase. Os organizadores firmaram convênios para a participação de associados da Abre, da PmmI e das associações de embalagens do Chile, Colômbia, méxico, equador, Peru e Uruguai. Informações: (11) 3082 9722 ou (54-11) 4957 0350 • A cidade gaúcha de Bento Gonçalves será sede de um dos mais importantes eventos do setor vitiviníco­ la, o Vinobrasil 2001 – Salão Brasileiro do Vinho, que vai acontecer de 11 a 15 de setembro no Parque Internacional de eventos da cidade. Serão apresentadas as últimas novidades técnicas e os diversos recursos voltados à melhoria da qualidade e produtividade do vinho, desde o plantio da uva, elaboração da bebida, envase e distribuição. O Vinobrasil 2001 reunirá diversos eventos paralelos e abre espaço para oportunidades de negócios num mesmo local, integrando empresas e profissionais da vitivinicultura. Informações: (54) 223 3197 • O setor de tintas está se preparando para a realização do 7º Congresso Internacional de Tintas, que acontece de 19 a 21 de setembro no Internacional Trade mart, em São Paulo. Promovidos a cada dois anos pela Associação Brasileira de Fabricantes de Tintas – ABRAFATI, os encontros têm por objetivo pos­ sibilitar o intercâmbio de informações tecnológicas e apresentar as principais inovações do setor. No even­ to serão apresentadas 75 palestras sobre o que há de mais avançado nas áreas ligadas ao meio ambiente, matéria­prima, desenvolvimento químico­tecnológico, qualidade e produtividade, entre outras. Paralela­ mente ao Congresso, será realizada a 7a exposição Internacional de Fornecedores para Tintas, que vai reunir os 200 principais fornecedores de insumos para tintas, nacionais e internacionais. Informações: (11) 3081 7388, com marianne, e no site: www.abrafati.com • A Abimaq, em parceria com o Sebrae, o ministério do meio Ambiente e o Cempre, promove de 7 a 10 de novembro o Recicle Show, 2º Seminário e exposição sobre os Desafios Técnicos e econômicos para a Reciclagem. A reciclagem será discutida em palestras e painéis. O objetivo do encontro é estimu­ lar a reciclagem, promover o gerenciamento integrado de resíduos sólidos, expor oportunidades de mer­ cado, promover parcerias e divulgar tecnologias e equipamentos disponíveis para o gerenciamento ade­ quado de resíduos, incluindo coleta seletiva de lixo. O evento será realizado no Centro de Convenções Indianópolis, em São Paulo. Informações: (11) 5582 6428 • SIMEI – Salão Internacional de máquinas para enologia e embalagens. A maior feira especializada do setor em todo o mundo apresentará, nesta que é a sua 19ª edição, máquinas, produtos e equipamentos para a produção, o acondicionamento e o emba­ lamento de bebidas e alimentos líquidos (vinho, cerveja, licores, aguardente, vinagres, água mineral, bebidas carbonatadas, óleos vegetais e outros). Foi anunciada a partici­ pação de mais de 700 indústrias de vinte países, numa área coberta de 75 000 m2. São esperados cerca de 46 000 visitantes oriundos de mais de cem países dos cinco continentes. De 28 de novembro a 2 de dezembro nos pavilhões 14, 15 e 16 do centro de exposição Feria milano, em milão (Itália). Informações: info@simei.it • Labelexpo Europe 2001 – a Labelexpo europe é o mais importante evento sobre rótulos no calendário de feiras da europa. A exposição vai mostrar toda a cadeia de rotulagem, desde a criação até o produto final. De 26 a 29 de setembro no Parque de exposições de Bruxelas, na Bélgica. Informações: www.labelexpo.com

Confira uma relação completa e atualizada de eventos em nosso site, na seção Eventos.

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Almanaque
Quem é o homem do chapéu?
Ao contrário do que pensam muitas pessoas, aquele “senhor de chapéu” que aparece nas embalagens dos produtos da Quaker não é o fundador da empresa. Trata-se de um saudável e sorridente representante da comunidade religiosa inglesa quaker (em português, quacre), fundada no século XVII. Perseguidos em seu país pela intolerância religiosa, grandes grupos de seguidores da seita emigraram para os Estados Unidos na época da colonização. Passaram a ser especialmente reconhecidos pelos costumes austeros e saudáveis que adotavam em seu modo de viver. Em 1877, em Ravenna, Ohio, a Quaker Mill Company, registrou a marca, que viria a ser uma das mais conhecidas do mundo. Posteriormente a empresa se uniu a duas outras que também beneficiavam aveia, nascendo da fusão, em Chicago, Illinois, a The Quaker Oats Company, em 1901. Embora não estivessem diretamente ligados aos religiosos, os dirigentes da empresa escolheram a figura de um quaker, em seu traje típico, como símbolo de seu produto, numa alusão aos preceitos de pureza, alimentação natural, saudável e integridade adotada por aquela comunidade. (Fonte: www.quaker.com.br)

Evolução visual
Líder de mercado em produção por fonte, segundo dados do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, a água Ouro Fino, do Paraná, apresentava na época de seu lançamento, em 1946, um rótulo que se comunicava em nada menos que seis idiomas (português, francês, italiano, inglês, alemão e espa­ nhol). Do ponto de vista gráfico, não há dúvida de que o rótulo atual é muito melhor.

Vox populi
A voz do povo pode não ser o que diz o ditado, mas tem grandes poderes. Foi dela, por exemplo, que nasceu a marca de cerveja Bohemia, cuja pro­ dução, artesanal, começou em 1853, em Petrópolis (RJ), pelas mãos do imigrante alemão Henrique Kremer. O produto logo ficou famoso por seu sabor na região, tor nando­se um dos prediletos da corte de dom Pedro II. em 1876, já como for necedor oficial do Palácio Imperial, Kremer resol­ veu batizar seu estabelecimen­ to como Imperial Fábrica de Cerveja Nacional. entretanto, informalmente os consumido­ res chamavam a cerveja de Bohemia. A história não regis­ tra por que. Seria talvez porque Kremer fosse originário daquela região da Alemanha.

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