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Irene Maria da Graça dos Santos Bases de Análise Linguística 1ºAno 1ºSemestre nº 28028 2009/2010

Índice

1. A Subordinação

2. Classificação das orações subordinadas; 3. Caracterização das orações subordinadas;
3.1 Orações subordinadas Substantivas
3.2 Orações subordinadas Adjectivas 3.3 Orações subordinadas Adverbiais

4. Identificação das conjunções subordinadas adverbiais do Português;

Introdução

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As línguas naturais dispõem de uma das propriedades mais interessantes, que é o facto de poderem combinar frases com outras frases, de modo a obter unidades frásicas complexas. Essencialmente existem dois processos de construção de frases complexas: a coordenação e a subordinação. As frases complexas formadas por coordenação, podem ser ligadas por dois tipos de conectores, as pausas, representadas na escrita através de vírgulas, e conjunções coordenativas. O segundo processo de construção de frases complexas, a subordinação, caracteriza-se pelo facto de a sua construção frásica ser essencialmente através de estruturas de encaixe, no qual a subordinada é um constituinte, essencial ou acessório, de toda a frase superior.

1. A Subordinação

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A subordinação é um processo de construção de frases complexas, que se caracteriza pelo
facto de a sua construção frásica ser essencialmente através de estruturas de encaixe, ou seja dependente de uma outra oração.

2. Classificação das orações subordinadas
As orações Subordinadas classificam-se em Substantivas, Adjectivas e Adverbiais, porque as funções que desempenham são comparáveis às exercidas por substantivos, adjectivos e advérbios.

3. Caracterização das orações subordinadas
3.1 Orações subordinadas Substantivas
São orações subordinadas substantivas, as orações que, na frase superior, ocupam posições destinadas a argumentos. Assim, as subordinadas substantivas ora se encontram na posição reservada ao argumento externo ( com a relação gramatical de sujeito), ora na posição reservada ao argumento interno não preposicionado ( em que desempenham a função de complemento directo) ou ainda nas posições reservadas a argumentos internos preposicionais (tendo neste caso, uma relação gramatical de complemento oblíquo, ou de complemento indirecto). Uma vez que são argumentos de verbos, nomes e adjectivos da frase superior (são seleccionadas por itens lexicais da frase superior), estas frases subordinadas denominam-se completivas ou integrantes. Consoante a categoria sintáctica a que pertence o item que selecciona a completiva, assim recebe a designação de completiva de verbo de nome ou de adjectivo. Exemplos: 1. Ela sabe que me pode telefonar.

2. É verdade que ele não colaborou no trabalho. 3. A Maria sente-se orgulhosa por os seus alunos terem sido premiados.
Há ainda um subtipo de orações relativas que se qualificam como substantivas; são as relativas sem antecedente expresso ou livres.

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Este tipo de relativas, muito frequentes em provérbios, ocorrem em posições típicas de expressões nominais, quando são utilizadas as formas quem e o que. Ocorrem em posições típicas de expressões preposicionais, quando ocorre a forma onde. Exemplos:

4. Quem vai ao mar perde o lugar. 5. O João odeia o que o faz pensar. 6. Jantámos ontem onde vocês fizeram a festa de anos.

3.2 Orações subordinadas Adjectivas São orações subordinadas adjectivas aquelas que, na frase superior ocupam posições destinadas a modificadores nomínais. Assim, a subordinação adjectiva é um processo de formação de frases complexas em que a frase encaixada ocupa posições típicas de adjectivos. As subordinadas com esta propriedade são as relativas com antecedente expresso, são constituintes de um Sintágma Nominal (SN), e ocupam nele posições típicas de adjectivos atributivos. Ao caracterizar uma oração relativa com antecedente expresso, é necessário identificar a expressão que fixa o valor referencial do pronome relativo e o seu antecedente. Exemplo:

7. O rapaz simpático abriu a porta.
A oração relativa ocorre adjacente à direita do seu antecedente. Às orações relativas adjectivas, que restringem a referência do seu antecedente, chamam-se relativas restritivas, uma vez que funcionam como modificadores restritivos. Quanto à natureza do antecedente, este pode ser um quantificador (como em 8); O modo verbal escolhido é o indicativo ou o conjuntivo. Exemplos:

8. Os miudos que acabaram o trabalho estão a brincar no recreio. 9. Encontrei um escritor que não sabe Linguística.

Existe ainda um subtipo de orações relativas denominadas explicativas ou apositivas, que constituem uma espécie de parêntesis e que contém informação adicional sobre o antecedente.

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As orações relativas explicativas ou apositivas acrescentam ao antecedente uma qualidade acessória e esclarecem melhor a sua significação, mas não são indispensáveis ao sentido essencial da frase. Aparecem na escrita entre vírgulas. Exemplo:

10. As laranjas, que eu comprei ontem , são muito doces.

3.3 Orações subordinadas Adverbiais

São orações subordinadas adverbiais aquelas que, na formação de frases complexas, ocupam posições típicas de expressões adverbiais. São normalmente introduzidas por uma conjunção subordinativa adverbial. Assim, as orações subordinadas adverbiais ocorrem geralmente à esquerda ou à direita da frase superior. A Subordinada adverbial tanto pode preceder como seguir-se ao restante material da frase superior, sem que tal facto origine agramaticalidade da frase complexa. Exemplos:

11. Quando chegar a casa, tomo um duche frio. 12. Tomo um duche frio quando chegar a casa. 13. Se tiveres dúvidas sobre o trabalho, podes telefonar-me. 14. Podes telefonar-me Se tiveres dúvidas sobre o trabalho.

As subordinadas adverbiais são introduzidas por conjunções subordinativas, e podem ser finitas (com o verbo no indicativo ou no conjuntivo) ou não finitas, se o verbo se encontra no infinitivo (flexionado ou não flexionado), no gerúndio ou no particípio passado. Exemplos:

15. Comprei uma casa embora tenha pouco dinheiro. 16. Para chegares a horas leva o carro. 17. Em terminando a aula vamos jantar. 18. Terminada a aula , fomos jantar.

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Há dois tipos de frases encaixadas tradicionalmente incluidas na subordinação adverbial, as comparativas e as consecutivas. As comparativas exprimem um termo de comparação, enquanto que as consecutivas exprimem um efeito ou consequência do elevado grau de uma propriedade expressa na frase superior. Exemplos:

19. Ele é tão simpático como eu esperava ( que fosse). 20. Às vezes é mais perigoso mentir (do) que dizer a verdade. 21. O João fala tanto que toda a gente fica farta. 22. Há tão poucos médicos nesse hospital que encerraram três serviços.
Contudo, estas orações não ocorrem em posições típicas de adverbiais, ou seja, não partilham propriedades deste tipo de subordinadas – por exemplo, não podem preceder o restante material da frase superior mantendo a mesma interpretação. Além disso, a ocorrência destes dois tipos de subordinadas depende da presença de certos itens na frase superior , concretamente, de expressões que exprimem o grau. Exemplos:

23. Ele é tão simpático como eu esperava ( que fosse). 24. * Como eu esperava (que fosse) ele é tão simpático. 25. *Ele é simpático como eu esperava (que fosse).

As subordinadas adverbiais comparativas e consecutivas, não partilham propriedades típicas deste tipo de subordinadas e apresentam propriedades que as aproximam das subordinadas completivas.

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4. Identificação das conjunções subordinadas adverbiais do Português
No Português Europeu contemporâneo, classificam-se as conjunções subordinativas Adverbiais em causais, condicionas, concessivas, conformativas, finais, modais, proporcionais, temporais;

Quadro I – Introdutores de orações Adverbiais Adverbiais Indicativo Causais Finitas Conjuntivo Adverbiais Não Finitas dado/visto+infinitivo o+gerúndio Se, caso; desde que Embora; Ainda que, se bem que Conformativas Finais Modais Proporcionais Temporais Como, conforme, segundo Para que Sem que à medida que, ao passo que Quando, mal, enquanto; assim que, logo queª
antes de/depois de+ infinitivo

Porque, como, que; visto que, uma vez que, dado que

Condicionais Concessivas

o+ part.passado a+ infinitivo Apesar de+ infinitivo

Para/a fim de+ infinitivo Sem+infinitivo

o/em + gerúndio o/uma vez+part.passado

ª Estas conjunções e locuções conjuncionais seleccionam indicativo com tempo passado e presente; seleccionam conjuntivo com
tempo futuro, que pode ser expresso quer pelo presente quer pelo futuro do conjuntivo.

Fonte da tabela: Língua Portuguesa; Instrumentos de Análise; Inês Duarte. Cap. 4 pp 171. Universidade Aberta. 2000.

Conclusões:

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As orações Subordinadas denominam-se, Substantivas, Adjectivas e Adverbiais. Desempenham funções comparáveis às exercidas por substantivos, adjectivos e advérbios. As Subordinadas completivas são sempre seleccionadas por um item da frase superior. As orações subordinadas adverbiais são normalmente introduzidas por uma conjunção subordinativa adverbial. Tanto podem preceder como seguir-se ao restante material da frase superior, sem que tal facto origine agramaticalidade da frase complexa. As subordinadas adverbiais comparativas e consecutivas, não partilham propriedades típicas deste tipo de subordinadas e apresentam propriedades que as aproximam das subordinadas completivas.

Bibliografia:

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Gramática Moderna; Bechara Evanildo ; (Ed. 1983: pag 200 a 220). Nova Gramática do Português Contemporâneo; Celso Cunha e Lindley Cintra; Edições João Sá da Costa. Lisboa 1984. Cap.18, pp 596 a 612. Língua Portuguesa, Instrumentos de Análise; Inês Duarte; Cap. 4 “O conhecimento Sintáctico”; Universidade Aberta. 2000.

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