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Universidade Estadual do Piauí

Centro de Tecnologia e Urbanismo
Disciplina: Saneamento Básico

Profª.: Márcia Muniz
Novembro - 2014

INTERCEPTORES E EMISSÁRIOS

INTERCEPTOR
Canalizações que reúnem e conduzem os efluentes
de coletores de esgotos a um ponto de concentração.

CARACTERÍSTICAS
-canalização que recebe contribuições em pontos
determinados;
-em virtude das maiores vazões transportadas seus
diâmetros usualmente são maiores dos que os
coletores troncos;

. ao longo dos fundos de vale e às margens cursos d´água ou canais.CARACTERÍSTICAS -canalização localizada nas partes mais baixas da bacia.

da qual resulta o amortecimento das vazões máximas. . -Interceptores de grandes dimensões são dimensionados segundo a NBR 12207/89 – Projeto de Interceptores de Esgoto Sanitário -A NBR 12207 define o interceptor com a canalização cuja função precípua é receber e transportar o esgoto sanitário coletado.CARACTERÍSTICAS -Interceptores de pequeno diâmetro (até 200-250mm) são dimensionados como redes coletoras. segundo a NBR 9649/86. caracterizado pela defasagem das contribuições.

.EMISSÁRIO Canalização que recebe as contribuições de esgoto exclusivamente na extremidade montante.

uma ETE. ou mesmo para descarga no corpo receptor. aquele que precede e contribui para uma estação elevatória.EMISSÁRIO Caso mais comum: o último trecho do interceptor. .

ÓRGÃOS ACESSÓRIOS -Poços de visita (PVs): necessários nos pontos singulares – mudanças de direção e ligações de coletores. -a distância máxima entre poços de visita deve ser limitada pelo alcance dos meios de desobstrução a serem utilizados. . -Observações: -devem possuir dispositivos que evitem conflitos de linhas de fluxo e diferenças de cotas que resultem em excesso de agitação.

desse modo. as vazões são avaliadas pela simples acumulação das vazões anteriores com as novas contribuições que chegam a montante. não há contribuição em marcha (ao longo do trecho).AVALIAÇÃO DAS VAZÕES -Para trechos dos interceptores entre dois PVs. -Para cada trecho do interceptor devem ser estimadas as vazões inicial e final .

AVALIAÇÃO DAS VAZÕES -Vazão inicial de um trecho “n” (Qi.n) Qf.n = Qi.n = Qf.n) Qi.n-1 + Qfa Qfa = vazão final do coletor afluentes ao PV de montante do trecho “n” .n-1 + Qia Qia = vazão inicial do coletor afluente ao PV de montante do trecho “n” -Vazão final de um trecho “n” (Qf.

-defasagem em marcha. . que decorre de dois fatores: -amortecimento em marcha. produzido pelo balanço de volumes no interior de grandes coletores e pelas variações do regime de escoamento. resultante das adições sucessivamente defasadas das contribuições dos coletores tronco.AVALIAÇÃO DAS VAZÕES Para o dimensionamento dos interceptores de grande porte deve ser considerado o efeito do amortecimento das vazões de pico.

AVALIAÇÃO DAS VAZÕES .

e dependendo do sistema. . A defasagem pode ser calculada através do critério da diminuição do coeficiente de pico. poderá causar um amortecimento nas vazões de pico.AVALIAÇÃO DAS VAZÕES Na prática é levada em conta apenas a defasagem em marcha. influindo no dimensionamento das estações elevatórias ou estações de tratamento.

e Qm a vazão média. . A maioria das pesquisas utilizaram para determinar o coeficiente de pico k. equações do tipo K = f (Qm). os picos de vazão diminuem. onde f é a função determinada através de dados observados durante certo período de tempo.AVALIAÇÃO DAS VAZÕES -Diminuição do coeficiente de pico (k = k1 x k2): Resultados de pesquisas já realizadas mostram que à medida que as áreas de contribuição crescem.

curvas a serem utilizadas nas regiões de vazões predominantemente residenciais.80 Para Qm > 751 l/s k = 1. . a partir de dados coletados.485 Qm⁰̕⁵⁰⁹ Qm = somatório das vazões médias de uso predominantemente residencial. comercial. comerciais e públicas.20 + 17.AVALIAÇÃO DAS VAZÕES -Diminuição dos coeficientes de pico (k = k1 x k2): A SABESP obteve. público + contribuição de infiltração “I” em l/s. com os seguintes valores: Para Qm < 751 l/s k=1.

AVALIAÇÃO DAS VAZÕES .

para o dimensionamento em si do interceptor.AVALIAÇÃO DAS VAZÕES -Contribuição pluvial parasitária: Segundo a norma 12207/92 a contribuição pluvial parasitária deve ser adicionada à vazão final para análise de funcionamento do interceptor. . Adota-se uma taxa que não deve ser superior a 6l/s. a vazão parasitária não é levada em consideração. Porém.km de coletor contribuinte do trecho em estudo.

Para o dimensionamento hidráulico.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO O regime de escoamento do interceptor é gradualmente variado e não uniforme (contribuições). pode ser considerado o regime permanente e uniforme. O dimensionamento consiste nas determinações dos diâmetros e da declividade e as verificações são para as comprovações da observância dos limites de tensão trativa e de velocidade crítica. .

5Pa para o coeficiente de Manning n=0.0005m/m uma declividade mínima de .DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: A declividade mínima para a autolimpeza (tensão trativa ρ > 1.013) é dada pela expressão: Imin – declividade mínima do interceptor (m/m) Qi – vazão inicial (m³/s) Deve-se respeitar 0.

a geração de sulfetos. justifica-se pelo fato de que essa tensão além de atender as condições da autolimpeza.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: A utilização da tensão trativa de 1. irá diminuir a formação da película de limo nas paredes das tubulações e.5Pa (superior ao da rede coletora). . consequentemente.

Imax – declividade máxima do interceptor (m/m) Qf – vazão final (l/s) .013).DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: A declividade máxima admissível é aquela para a qual se tenha velocidade de 5m/s para o final do plano. podendo ser calculada pela expressão (n=0.

DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: A lâmina d´água máxima das tubulações dos interceptores tem sido limitada a 85% da tubulação para a vazão máxima final. Y/D = 0.85 .

f = velocidade crítica (m/s) .Io vc.f): ρi=γ.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: Calcula-se.81 m/s²) ρi = tensão trativa (Pa) vc.f=6 g.RHf γ = peso específico da água (10000 N/m³) RHi e RHf = raio hidráulico para as vazões Qi e Qf (m) g = aceleração da gravidade (9. então a tensão trativa inicial (ρi) e a velocidade crítica final (vc.RHi.

5Pa vf < vc.f haverá incorporação de ar ao líquido. Assim o cálculo do diâmetro deverá ser refeito para y/do = 0. aumentando o volume. .5.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Conduto de seção circular: Para o bom funcionamento hidráulico do trecho: ρi > 1.f Se a vf > vc.

bem como qualidade de execução das obras.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Análise de comportamento: Após o dimensionamento dos trechos. Constataram-se em medições valores de 3 a 6 l/s. Essa contribuição pluvial parasitária seria uma parcela do escoamento superficial das águas de chuva. deve-se proceder a verificação do comportamento hidráulico do interceptor para as condições de vazão final acrescidas da vazão de contribuição pluvial parasitária. que depende de dados e características locais das precipitações.km .

após o dimensionamento.DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Análise de comportamento: O procedimento compreende. já tendo o diâmetro e a declividade. calcula-se a relação Q/I½. E com ela calcula-se a nova relação de enchimento Y/D que deve estar abaixo ou igual a máxima admitida (0. acrescer à vazão final estimada. . a vazão de contribuição pluvial parasitária admitida. Com essa nova vazão.85).

O ângulo máximo de deflexão em planta entre trechos adjacentes deve ser de 30º. . Ângulos maiores devem ser justificados técnica e economicamente. Em casos especiais podem ser empregados trechos curvos em plantas.TRAÇADO DO INTERCEPTOR O traçado do interceptor deverá ser constituído por trechos retos em planta e em perfil.

-Devem ser dispostos extravasores ao longo do interceptor ou apenas em seu último trecho -Devem ser estudados meios capazes de minimizar ou mesmo eliminar a contribuição pluvial parasitária. . -As instalações finais devem ser dimensionadas para a capacidade total do sistema. acrescida da contribuição pluvial parasitária.CONDIÇÕES ESPECÍFICAS PARA O PROJETO -Devem possuir dispositivos que evitem conflitos de linhas de fluxo e diferenças de cotas que resultem em excesso de agitação.

MATERIAIS UTILIZADOS EM INTERCEPTORES -tubos de concreto: diâmetros > 400mm -tubos de ferro fundido: linhas de recalque e travessias -tubos de aço: linhas de recalque e travessias .

5 l/kg .MATERIAIS UTILIZADOS EM INTERCEPTORES O principal material utilizado em interceptores de esgoto é o concreto. Tipo de cimento: -Portland pozolânico -Portland resistente ao ácido sulfúrico -Portland de alto forno Dosagem de concreto: -Consumo mínimo de cimento: 300kg/m³ -Relação máxima a/c: 0.

MATERIAIS UTILIZADOS EM INTERCEPTORES Recobrimento em contato com meio agressivo: 4.5cm Resistência característica da compressão do concreto: fck = 25MPa .

POÇOS DE VISITA Distância recomendada entre PVs: -para diâmetros menores que 400mm -para diâmetros de 400 a 1200mm -para diâmetros acima de 1200mm Diâmetros dos tampões: -para tubulação < 600mm de ferro fundido -para tubulações > 600mm de ferro fundido 100m 120 a 150m 200m tampões de 600mm tampões de 900mm .

. -quando o interceptor recebe contribuições de outros coletores em cota superior.DISSIPADORES DE ENERGIA Para tubulações de esgoto com diâmetro maiores de 400m. às vezes torna-se necessário a dissipação de energia: -quando houver um desnível razoável ente o coletor de montante e o de jusante. onde geralmente são utilizados tubos de concreto. -quando a declividade do terreno for maior que a declividade máxima recomendada para se limitar a velocidade a 5m/s.

pode-se projetar vários poços de visita com tubos de queda.DISSIPADORES DE ENERGIA Alternativas: Para os casos em que a declividade da tubulação é maior que a máxima recomendada (v>5m/s). .

. de modo que a energia seja dissipada e a velocidade de escoamento fique abaixo dos valores máximos recomendados.DISSIPADORES DE ENERGIA Alternativas: Pode-se projetar os coletores com degraus.

.DISSIPADORES DE ENERGIA Alternativas: Projetar degraus dentro dos poços de visita.

.DISSIPADORES DE ENERGIA Alternativas: Projetar o poço de visita com um colchão de água para amortecer a queda dágua do coletor afluente.

EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO .

EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO .

636) = 392 l/s Como Qmi < 751 l/s K = 1.EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 a)Cálculo da vazão inicial: I-14 + CT-1 para a hora de maior contribuição (K2 = K/K1) + infiltração Qi = K2 x Qmi + Qinf Qmi = Qmdi +Qinf Qmi = (310 + 75) + 0.5 = 585 l/s .2 x 392 + 7 = 584.1 x (56.364+13.8 Qi = 1.8/1.

165 l/s .EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 b)Cálculo da vazão final: I-14 + CT-1 para o dia e hora de maior contribuição (K) + infiltração.4 = 1.182+15.8 x 643 + 8 = 1. sem considerar a contribuição pluvial parasitária Qf = K x Qmf + Qinf Qmf = Qmdf +Qinf Qmf = (525 + 118) + 0.325) = 651 l/s Como Qmf < 751 l/s K = 1.165.1 x (68.8 Qf = 1.

507 = 251 l/s Qf = 1.416 l/s d) Cálculo da declividade mínima Imin = 0.EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 c)Cálculo da vazão final com contribuição pluvial parasitária: Qp = 3 l/s.00045 m/m I limite = 0.km x 83.585)¯⁰′⁴⁷ = 0.0005 m/m (adotar) .165 + 251 = 1.00035 x (0.

98m/s D = 1.16 Vi = 0.165 / (0.0005) ½ = 52.10 f) Cálculo das lâminas e velocidades -para a vazão inicial Qi / I½ = 0.585 / (0.83m/s -para a vazão final Qf / I½ = 52.10 Vf / I½ = 43.EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 e)Cálculo do diâmetro (Y/D = 0.85) Qf / I½ = 1.16 Vi / I½ = 37.0005) ½ = 26.50m Yi / D = 0.425 .65 Vf = 0.96 Yi / D = 0.

351 x 0.EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 g) Cálculo da tensão trativa Para Y/D = 0.351 σ = γ x Rh x I = 1000 x 0.76Pa h) Cálculo da velocidade crítica Para Y/D = 0.432)½ = 12.425 β = 0.0005 = 0.81 x 0.288 Rh = 0. considerando a contribuição pluvial parasitária .65 β = 0.234 Rh = 0.1755 kgf/m² = 1.35m/s i) Análise do funcionamento da tubulação.432 Vc = 6 x (g x Rh)½ = 6 x (9.

416 / (0.0005) ½ = 63.32 Yf/D = 0. considerando a contribuição pluvial parasitária -Verificar se com a contribuição pluvial o interceptor funciona como conduto livre (é necessário o cálculo da lâmina): Qf / I½ = 1.EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-15 i) Análise do funcionamento da tubulação.75 .

EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO TRECHO I-16 TAREFA DE CASA Dimensionar o trecho I-16 Preencher a planilha de cálculo Representar os resultados em planta .

EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO .