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27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado

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ITEM 1
1.a. Desenvolvimento histórico do Direito Internacional. Terminologia. A sociedade
internacional e suas características. Soberania e a atuação do Direito nas relações
internacionais. Princípios que regem as relações internacionais do Brasil.
Eduardo Luiz Bezerra de Souza
Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR; PORTELA, Paulo Henrique
Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado, incluindo noções de Direitos Humanos e de
Direito Comunitário, 4ª ed. Editora Jus Podivm; AMARAL JUNIOR, Alberto do. Curso de
Direito Internacional Público. 3ª ed. Editora Atlas; SHAW, Malcolm N. Direito Internacional,
2010. Martins Editora.
Legislação básica: CRFB/88, art. 4º.
Desenvolvimento histórico do Direito Internacional: O Direito Internacional nasceu como
ramo autônomo do Direito público na Europa do Século XVIII, com o Tratado de Westfalia
(1648), que pôs fim à Guerra dos 30 anos. Hugo Grotius contribuiu para a sua autonomização.
O DIP está dividido em basicamente duas fases: na Fase clássica (1648-1918), marcada pelo
Direito à Guerra (Jus ad bellum) e à colonização, o DIP se preocupa basicamente com o estudo
das relações entre os Estados; na Fase moderna ou contemporânea (a partir do fim da Segunda
Guerra Mundial), o seu enfoque passa a ser a proteção internacional da pessoa humana –
começam a aparecer limitações ao poder soberano dos Estados; o uso da força no cenário
internacional passa a ser regulado; a colonização é vedada; e a exaltação do Direito de Guerra
(Jus in bello – Direito de Haia) e do Direito Humanitário (Direito de Genebra). Ocorre a
especialização do DIP em ramos (ambiental, trabalho, etc.), proliferam-se as Organizações
Internacionais e o indivíduo passa a ser considerado sujeito de Direito Internacional.
Terminologia: A terminologia ―Direito Internacional‖ foi criada em 1780, por Jeremy Bentham,
para distinguir o direito que cuida das relações entre os Estados do Direito Nacional e do Direito
Municipal. A complementação ―Direito Internacional Público‖ surgiu mais tarde na França, para
diferenciar o DIP do DIPriv. Outros termos utilizados são ―Direito das Gentes‖ ou ―jus gentium”.
A Sociedade internacional e suas características: Sociedade internacional é o ―conjunto de
vínculos entre diversas pessoas e entidades interdependentes entre si, que coexistem por diversos
motivos e que estabelecem relações que reclamam a devida disciplina‖ (PORTELA:2012, p. 4445). A vontade (racional) é o elemento decisivo para a aproximação dos seus membros.
Suas características são a universalidade (abrange no mundo inteiro, embora o nível de
integração varie bastante), a heterogeneidade (os atores que a compõem apresentam mudanças
significativas dos pontos de vista social, econômico, político, educacional, etc.), a
descentralização (não há um governo central) e a cooperação (corolário da descentralização,
importa na ausência de subordinação entre os seus atores). Parte da doutrina defende ser a
sociedade internacional interestatal, mas há críticas a esse entendimento a partir do
reconhecimento das organizações internacionais como sujeitos de Direito Internacional e com a
crescente participação direta das ONGs, dos indivíduos e de outros agentes no cenário
internacional.
Sociedade Internacional não se confunde com comunidade internacional – esta se fundamenta
em vínculos espontâneos e de caráter subjetivo (culturais, históricos, linguísticos, religiosos, etc.)
e se caracteriza de ausência de dominação, pela cumplicidade e pela identificação entre seus
membros. A vontade (racional) não constitui elemento decisivo.
Soberania e a atuação do Direito nas relações internacionais: o conceito de soberania foi

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primeiramente desenvolvido pelo filósofo francês Jean Bodin. Classicamente, designa ―o poder
de declarar, em última instância, a validade do direito dentro de um certo território‖ (AMARAL
JÚNIOR:2008 , p.99). Atualmente, entende-se soberania como o alcance de patamares de
desenvolvimento econômico e social que garanta a um Estado a plena independência das suas
decisões políticas, sem a necessidade de auxílios internacionais. Nesse sentido, soberania é um
dos elementos constitutivos do Estado, possuindo um aspecto interno (supremacia dentro de um
determinado território) e um aspecto internacional (igualdade formal entre os Estados na
sociedade internacional e independência do ente estatal frente a outros Estados).
O Direito, seja o natural ou o positivo, atua nas relações internacionais como instrumento de
respeito, cortesia, cooperação, relação que sustentam a horizontalidade e a igualdade jurídica
entre os Estados componentes da ordem internacional. Os ―Estados precisam do Direito para
buscar atingir certos objetivos, que vão desde o bem-estar econômico até a promoção de uma
ideologia, passando pela segurança ou pela simples sobrevivência‖ (SHAW:2010, 38). O Direito
Internacional é uma cultura no sentido mais amplo do termo, na medida em que constitui um
método de comunicação de pretensões, expectativas e previsões, além de fornecer uma estrutura
que permite a avaliação e a priorização dessas demandas (SHAW:2010, 54).
Princípios que regem as relações internacionais do Brasil: estão previstos no art. 4º da
CRFB/88, sendo eles: I. independência nacional; II. prevalência dos direitos humanos; III.
autodeterminação dos povos; IV. não intervenção; V. igualdade entre os Estados; VI. defesa da
paz; VII. solução pacífica dos conflitos; VIII. repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX.
Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; e X. concessão de asilo político.
Além disso, ―a República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e
cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana
de nações‖ (art. 4º, parágrafo único).

1.b. Fontes do Direito Internacional Público. Costume Internacional. Princípios Gerais.
Jurisprudência e Doutrina. Atos Unilaterais. Decisões de Organizações Internacionais. Jus
Cogens. Obrigações erga omnes. Soft Law.
Eduardo Luiz Bezerra de Souza
Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR; PORTELA, Paulo Henrique
Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado, incluindo noções de Direitos Humanos e de
Direito Comunitário, 4ª ed. Editora Jus Podivm; AMARAL JUNIOR, Alberto do. Curso de
Direito Internacional Público. 3ª ed. Editora Atlas; SHAW, Malcolm N. Direito Internacional,
2010. Editora Martins Editora; RAMOS, André de Carvalho. Responsabilidade Internacional por
Violação de Direitos Humanos, 1ª ed. Editora Renovar, 2004.
Legislação básica: Estatuto da Corte Internacional de Justiça; Convenção de Viena sobre o
Direito dos Tratados.
Fontes do DIP: as fontes materiais do DIP são os fatos que demonstram a necessidade e a
importância da formulação de preceitos jurídicos internacionais, com vistas a regular
determinadas situações (Ex.: Segunda Guerra Mundial, o aquecimento global, etc.).
As fontes formais são o modo de revelação e exteriorização das normas jurídicas e dos valores
que ela pretende tutelar. O art. 38 (1) do Estatuto da CIJ traz um rol exemplificativo das
principais fontes formais do Direito Internacional. O referido diploma elencou os tratados, os

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costumes e os princípios gerais do Direito como fontes, e fez referência à jurisprudência
internacional e à doutrina como “meios auxiliares na determinação de direito”. Há quem
classifique as 3 primeiras como fontes primárias, e as duas últimas como fontes secundárias do
DIP.
No entanto, a doutrina majoritária entende que não há hierarquia entre as fontes do DIP.
Costume Internacional: resulta de uma prática geral aceita como sendo o direito. A parte que o
invoca deve provar sua existência.
Compõe-se de dois elementos: (a) a prática reiterada de determinados atos (elemento material ou
objetivo), que deve ser justa e estar de acordo com o Direito Internacional; e (b) a ―opinio juris”,
ou seja, a convicção da justiça e da obrigatoriedade jurídica dos atos praticados (elemento
subjetivo) – a mera reiteração de atos sem a convicção da sua obrigatoriedade não caracteriza um
costume internacional.
A generalidade não se confunde com a unanimidade, bastando que um grupo amplo e
representativo reconheça a sua obrigatoriedade. Também não é sinônimo de universalidade, pois
há costumes regionais e até mesmo empregados exclusivamente em relações bilaterais.
O costume extingue-se pelo desuso (perda de um dos dois elementos acima descritos), pelo
aparecimento de um novo costume que substitua outro anterior, ou por sua substituição por
tratado internacional que incorpore as normas costumeiras (―Codificação do Direito
Internacional‖).
Princípios Gerais: originários do direito interno dos Estados, ascenderam para o Direito
Internacional. Foram previstos no art. 38 para preencher as lacunas do sistema e evitar o non
liquet (função interpretativa). Ex. boa fé, pacta sunt servanda, coisa julgada e direito adquirido.
Para SHAW (2010, 86), a equidade é um princípio aplicável para a resolução de conflitos.
Jurisprudência e Doutrina: segundo o Estatuto da CIJ, são meios auxiliares na determinação
do direito.
A Jurisprudência é formada pelo conjunto de decisões reiteradas das Cortes Internacionais (CIJ,
CIDH, TPI) em um mesmo sentido. Segundo SHAW (2010, p. 87), ―o grau de respeito conferido
à Corte [CIJ] e às suas decisões faz com que suas opiniões sejam vitais para o crescimento e o
cada vez mais amplo conhecimento do direito internacional‖. A decisão da CIJ só será
obrigatória para as partes litigantes e a respeito do caso em questão (art. 59, do estatuto da CIJ).
A Doutrina, como fonte auxiliar, tem como principal função ―contribuir para a interpretação e
aplicação da norma internacional, bem como para a formulação de novos princípios e regras
jurídicas‖ (PORTELA:2012, 82). Tem que ser de produzida por juristas internacionalistas, que
publicam textos internacionalmente e que sejam mundialmente reconhecidos. Ex. Hugo Grotius.
Atos Unilaterais: podem produzir importantes consequências jurídicas na seara internacional,
independente da aceitação ou do envolvimento de outros entes estatais. Ex.: ratificação de
tratados (gera obrigações na esfera internacional), protesto, notificação, renúncia, denúncia,
reconhecimento, promessa, ruptura das relações diplomáticas.
Decisões de Organizações Internacionais: Podem ser internas (aplicáveis apenas ao
funcionamento da organização) ou externas (voltados a tutelar direitos e obrigações de outros
sujeitos de Direito Internacional). Podem ser cogentes (vinculam os sujeitos de Direito
Internacional – Ex.: resoluções do CSONU) ou facultativas (não possuem força jurídica, são
cumpridas voluntariamente pelos Estados por força moral ou política – ―Power of shame” - Ex.:
decisões do AGONU, OMS, OMC, OIT, etc.).
Jus Cogens: são normas aceites e reconhecidas pela comunidade internacional dos Estados no
seu todo como norma cuja derrogação não é permitida e que só pode ser modificada por uma

Por sua vez. são regras cujo valor normativo seria limitado. Há uma nítida relação entre o jus cogens e as obrigações erga omnes. que é a legitimidade de todos os Estados da sociedade internacional de buscar a reparação pela violação perpetrada (RAMOS. Ex. Alberto do. no momento da sua conclusão. Competência para processar e Investigação pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. aceita em todas as partes do globo e que alcança profunda consciência de todas as nações. de modo que toda norma daquela categoria gera uma obrigação erga omnes. 1972). que o dever de respeitar o direito à autodeterminação dos povos é uma obrigação erga omnes. Direito Internacional Público e Privado. seja porque os instrumentos que as contêm não seriam juridicamente obrigatórios. Editora Martins Editora. seja porque as disposições em causa. 53 da CVDT). a obrigação erga omnes nasce da valoração da obrigação primária. Segundo RAMOS. é um conjunto de preceitos que resguarda os mais importantes e valiosos interesses da sociedade internacional. de genocídio. incluindo noções de Direitos Humanos e de Direito Comunitário. Editora Renovar. resoluções não-vinculantes de organismos internacionais (como a Declaração Universal dos Direitos Humanos). seja incompatível com o jus cogens (art. AMARAL JUNIOR. de escravidão e de discriminação racial. vedação de tortura. 2010. Imprescritibilidade. em parecer consultivo. 340). Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos. SHAW. 1ª ed. Soft Law: instituto novo e de contornos ainda imprecisos. não-vinculantes. todos os Estados podem ser considerados como tendo um interesse jurídico em que esses direitos sejam protegidos‖. sem os quais a inteira estrutura se romperia. A norma de jus cogens tem efeito erga omnes e o poder de derrogar tratado anterior ao seu surgimento (art. . em obiter dictum na sentença do caso Barcelona Traction (CIJ. Eduardo Luiz Bezerra de Souza Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR. satisfazendo o superior interesse da comunidade internacional como um todo. São normas nãoimperativas. 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados – CVDT).c. A CIJ já entendeu. PORTELA.: acordos de cavalheiros (gentlemen‟s agreements). 4ª ed. como aquelas em que ―tendo em vista a importância dos direitos em causa. é nulo todo o tratado que. Malcolm N. Editora Jus Podivm. não criariam obrigações de direito positivo ou criariam obrigações pouco constringentes.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 4 nova norma de direito internacional geral com a mesma natureza (art. 2004: 342). como expressão de uma convicção. 1. Essas obrigações foram conceituadas. caracteriza-se pela sua imperatividade e constitui restrição direta da soberania estatal. 64 da CVDT). Em virtude disso. Direito Internacional. 3ª ed. gerando como consequência o dever de respeito por todos os Estados (2004. Graves violações às Convenções de Genebra e crimes de guerra. Paulo Henrique Gonçalves. Curso de Direito Internacional Público. ainda que contidas num instrumento constringente. 2004. RAMOS. que não têm sanção correspondente. Editora Atlas. códigos de condutas. Ex. A sanção pelo seu descumprimento é o embaraço internacional (Power of shame ou Power of embarrassment) e para serem cumpridas dependem da vontade dos Estados. Obrigações Erga Omnes: são aquelas que criam deveres a serem observados por toda a comunidade de Estados. como os fundamentos de uma sociedade internacional. Sua inobservância gera uma obrigação secundária. atas de reuniões internacionais. Noutros termos. André de Carvalho.

Após. Convenção relativa ao Tratamento de Prisioneiros de Guerra (III Convenção de Genebra de 1949). é qualquer indivíduo não-combatente – art.  Convenção relativa ao Tratamento de Prisioneiros de Guerra (III Convenção). 13 e 14). e  Convenção relativa à Proteção dos Civis em Tempo de Guerra (IV Convenção).  Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos. Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra relativo à Proteção das Vítimas de Conflitos Armados Internacionais e Não-Internacionais (Protocolos I e II. formam um único sistema complexo: o Direito Humanitário Internacional – CIJ (SHAW. de 1977). Estatuto de Roma (Tribunal Penal Internacional). juntos. Enfermos e Náufragos das Forças Armadas no Mar (II Convenção de Genebra de 1949).Direito de Haia) e do Direito Humanitário (Direito de Genebra) – que. Graves violações às Convenções de Genebra: Crimes de guerra são atos ilícitos cometidos contra as normas do Direito de Guerra (Jus in bello . as Convenções de Genebra foram atualizadas pelo Protocolo Adicional às Convenções de Genebra relativo à Proteção das Vítimas de Conflitos Armados Internacionais (Protocolo I) e Não-Internacionais (Protocolo II). Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos. vieram as quatro Convenções de Genebra de 1949 (“Convenções da Cruz Vermelha”).org/por/resources/documents/misc/icrc-statutes-080503. ataques indiscriminados (atingem tanto objetivos militares quanto civis .arts. atos de violência ou intimidação. O conceito de civil. População e bens civis não podem ser alvo de ataque. Em caso de dúvida. exposição à curiosidade pública e medidas de represália (arts. nas quais foram adotadas várias convenções que tratavam da guerra terrestre e marítima. após capturados. é dado por exclusão (basicamente. Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes Contra a Humanidade (Convenção de Nova York de 1968).icrc. experiência médica ou científica de qualquer natureza que não seja justificada pelo tratamento médico do prisioneiro referido e no seu interesse. Convenções sobre a Resolução Pacífica de Controvérsias Internacionais de 1899 e 1907 (Conferências de Haia). 50 do Protocolo I/1977). 51 e 57 do Protocolo I). nem devem ser usados para tornar áreas imunes a operações militares (art. Em virtude do aumento do número de guerras revolucionárias de libertação nacional e civis após a Segunda Guerra mundial. ambos de 1977 e promulgados no Brasil pelo Decreto nº 849/1993. A III Convenção (prisioneiros de guerra) considera violações: mutilação física. Enfermos e Náufragos das Forças Armadas no Mar (II Convenção). . qualquer pessoa deve ser considerada civil. As leis de guerra foram sistematizadas nas Convenções sobre a Resolução Pacífica de Controvérsias Internacionais (Conferências de Haia) de 1899 e 1907. insultos. sendo proibidos atos ou ameaças com objetivo de disseminar terror. 23). 2010).121/1957:  Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos e Enfermos dos Exércitos em Campanha (I Convenção). Convenção relativa à Proteção dos Civis em Tempo de Guerra (IV Convenção de Genebra de 1949). Leituras complementares: Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos e Enfermos dos Exércitos em Campanha (I Convenção de Genebra de 1949).htm). para fins de proteção pela IV Convenção. Projeto de Lei nº 4. todas promulgadas pelo Brasil pelo Decreto nº 42. Estatutos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (http://www. Prisioneiros de guerra. Relatório do XV Encontro Nacional de Procuradoras e Procuradores dos Direitos do Cidadão (2009).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 5 Legislação básica: Estatuto da Corte Internacional de Justiça.038/2008. devem ser levados a locais nos quais não estejam expostos a perigos das zonas de combate.

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O direito das partes de escolher os meios de guerra não é ilimitado (art. 22, Conferência de
Haia/1907), sendo proibido o uso de armas, projéteis ou materiais destinados a causar sofrimento
desnecessário (art. 23). As violações e os crimes de guerra podem ocorrer em conflitos armados
internos (o art. 3º, comum a todas as quatro Convenções de Genebra, fornece, para os conflitos
armados não-internacionais no território de uma das partes, garantias mínimas para proteção dos
que não tomaram parte nas hostilidades, bem como enfermos e feridos). Com o Protocolo
II/1977, o citado artigo passou a ser aplicado a todos os conflitos armados não-internacionais no
território de Estado-parte entre suas forças armadas e forças armadas dissidentes/grupos armados
organizados (SHAW: 2010).
Crimes de guerra: o art. 6º do Acordo de Londres/1945 (que criou o Tribunal de Nuremberg)
tipificou crimes de guerra, assim como o art. 3º do Estatuto do Tribunal Penal Internacional para
a ex-Iugoslávia (Resolução CSONU nº 827).
Segundo Bassiouni, os crimes de guerra consistem em categoria que envolve 71 instrumentos
relevantes datados de 1854-1998, muitos dos quais corporificam, codificam ou evidenciam o
direito internacional costumeiro – cuja regulação de conflitos armados também se aplica. A
maioria de tais instrumentos foi delineada com clareza e especificidade suficientes, o que
evidenciam suas características penais. Bassiouni menciona que as quatro Convenções de
Genebra de 1949 e seus dois Protocolos adicionais são as codificações mais abrangentes e com
as características penais mais específicas e aponta que se trata de jus cogens.
Atualmente, os crimes de guerra se encontram definidos no art. 8º do Estatuto de Roma (Tribunal
Penal Internacional). Integra a definição de tais crimes a circunstância especial de serem parte
integrante de um plano ou de uma política ou de uma prática em larga escala (art. 8.1).
Imprescritibilidade: Nem o Estatuto de Nuremberg/Tóquio, nem a Convenção sobre o
Genocídio de 1948, nem as quatro Convenções de Genebra/1949 a preveem expressamente.
Apesar disso, o Tribunal da Ex-Iugoslávia (Caso Furundzija) afirmou que ―a natureza imperativa
da proibição da tortura produz a imprescritibilidade desta infração, acrescentando que os crimes
de competência da Corte não são prescritíveis‖ (estende o campo de aplicação da
imprescritibilidade às violações graves das Convenções de Genebra de 1949, à infração das leis e
costumes da guerra, ao genocídio e aos crimes contra a humanidade).
Apesar de a Assembleia Geral da ONU ter elaborado a Convenção sobre a Imprescritibilidade
dos Crimes de Guerra e dos Crimes Contra a Humanidade (Convenção de Nova York, 1968),
esta não obteve muitas ratificações, sendo criticada pela aplicação aos crimes cometidos antes de
sua entrada em vigor (art. 1º); por outro lado, a Convenção Europeia sobre a Imprescritibilidade
(Estrasburgo, 1974), que não previa a sua retroatividade, também só foi ratificada pelos Países
Baixos/Romênia – o que evidencia a então falta de consenso sobre o tema.
OBS: por razões técnico-jurídicas brasileiras, o Brasil não ratificou a Convenção de Nova York!
Entretanto, tramita na Câmara dos Deputados (janeiro/2012) o Projeto de Lei nº 4.038/2008, que
estabelece, entre outras coisas, a imprescritibilidade dos crimes de guerra.
O Estatuto de Roma (TPI) adotou a imprescritibilidade expressa, geral e definitiva (ação penal e
penas – art. 29/duas vertentes: obrigação de fazer com que tais crimes sejam imprescritíveis no
âmbito interno dos Estados ou que os crimes são imprescritíveis perante o TPI apenas). Parte da
doutrina considera que tal Estatuto tem efeito apenas declaratório de regra costumeira prévia;
outros acreditam que a baixa adesão à Convenção demonstra a falta de consistência costumeira
(ausência de opinio juris); parte da doutrina entende, ainda, que o art. 29 reflete o estado do
direito internacional costumeiro ou configura norma costumeira em formação. OBS: não cabe a
crítica da aplicação retroativa da imprescritibilidade no TPI!
A favor da imprescritibilidade: Relatório do XV Encontro Nacional de Procuradoras e
Procuradores dos Direitos do Cidadão, 2009: ―Como se tratam de crimes jus cogens, a

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prescritibilidade desses crimes pela inação do Estado não é admitida pelo direito costumeiro
internacional. O Brasil não firmou a Convenção da ONU sobre crimes imprescritíveis, mas esta
tem efeito declaratório e não constitutivo, expressa um consenso‖. No mesmo sentido, Debate
sobre a imprescritibilidade da tortura/ desaparecimento forçado, que se aplicam ao tema:
“Marcelo Miller – PRDC/ RJ –(...) O primeiro ponto diz respeito à existência de um costume de
imprescritibilidade com base na Convenção das Nações Unidas, que até a década de 30 tinha
poucos Estados partes, não se podendo falar assim de prática reiterada. Falar de um conteúdo
declaratório da Convenção é também uma dificuldade, porque a convenção estabelece apenas
um dever de se criar imprescritibilidades e não as declara. E esse costume de
imprescritibilidade seria oponível perante a ordem internacional e não interna. Também quando
o TPI fala nos crimes mais graves de violação aos direitos humanos exigem uma tipificação
além da prevista no Estatuto de Roma. Eugênio Aragão – Compreendo suas ponderações. O
assunto não é fechado. Entendo que o Tratado de Roma para obrigar os Estados a legislarem
antes declaram a imprescritibilidade desses crimes”.
Competência para processar: A jurisdição do TPI limita-se a crimes cometidos após
1º/07/2002, atuando de forma complementar aos sistemas nacionais. Também é possível a
jurisdição universal por parte dos Estados. Lembrar que o exercício da jurisdição penal
internacional pelos Estados é, em regra, livre, cabendo ao Estado que se opõe comprovar o
impedimento: CIJ, Caso Lótus (Império Turco x França); e Caso Bélgica x Congo. A
competência do TPI está restrita aos crimes de guerra previstos no tratado que o criou (nullum
crimen sine lege). Não basta subsunção formal ao art. 8º do Estatuto de Roma, mas também
lesão efetiva à comunidade internacional (art. 17.1.d). Restringe-se aos crimes ocorridos no
território de Estado-parte ou réu nacional de Estado-parte (iniciativa do Procurador/Estado-parte)
Para os crimes anteriores houve a criação de Tribunais ―ad hoc‖ (Iugoslávia, Ruanda, Tóquio) –
que, por definição, julgam crimes anteriores à sua constituição. Não há limitações territoriais
quando a iniciativa é do Conselho de Segurança da ONU (Sudão x Líbia).
Investigação pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha: O Comitê é competente para
cuidar da assistência à pessoa nos conflitos armados/catástrofes/tragédias, naturais ou não. É
competente também para velar pela aplicação do Direito Humanitário por parte dos Estados, para
o que tem poderes inclusive para investigá-los ou para servir de intermediário entre entes estatais
em tratativas que envolvam matéria humanitária (PORTELA, 2009).
A competência investigativa pode ser extraída do artigo 4º do Estatuto do CICV: "1. O papel do
CICV será: c) empreender as tarefas determinadas pela Convenção de Genebra, trabalhar pelo
cumprimento correto do Direito Internacional Humanitário em casos de conflitos armados e
tomar conhecimento de quaisquer queixas baseadas em supostos casos de desrespeito deste
direito; 2. Na qualidade de instituição neutra, independente e de intermediação, o CICV pode
promover qualquer iniciativa humanitária que tenha relação com o seu papel, e pode examinar
qualquer problema que necessite de análise por uma instituição deste tipo".

ITEM 2
Ponto 2.a. Direito Internacional Privado. Evolução histórica. Conflito de leis e espécies de
normas.
Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira
Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR; PORTELA, P. H. G. Direito
internacional público e privado. 3ª Edição. Ed. Jus Podivm, 2011. DOLINGER, J. Direito
internacional privado. 4ª Edição. Ed. Renovar, 1997. STRENGER, Irineu. Direito internacional

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privado, 5ª ed. S. Paulo: Ltr, 2003.
Legislação básica: Código Bustamante (Decreto 18.871/1929) e LINDB (DL 4.657/1942)..
O Direito Internacional Privado regula os conflitos de leis no espaço, cuidando, essencialmente,
de estabelecer critérios para determinar qual a norma, nacional ou estrangeira, aplicável a
relações privadas com conexão internacional, ou seja, que transcendem os limites nacionais e
sobre as quais incidiria mais de uma ordem jurídica (PORTELA, 2011, p. 58).
Embora consagrada, a expressão ―direito internacional privado‖ costuma ser criticada, pois o
ramo jurídico a que se refere integraria o direito interno e abrangeria, p. ex., questões
processuais, alheias ao direito privado.
De fato, o objeto do direito internacional privado inclui: (1) conflito de leis interespacial ou
interpessoal (possibilidade de aplicação simultânea de mais de um sistema jurídico para
regular determinada situação — para DOLINGER (1997, p. 23), podem colidir até mesmo
sistemas pessoais diversos, como os baseados em etnias); (2) conflito de jurisdições; (3)
cooperação jurídica internacional, incluindo o reconhecimento de sentenças estrangeiras.
Na França, diversamente do que ocorre nos EUA, parte da doutrina inclui no DIPRI: (1)
nacionalidade, aqui entendida como a caracterização dos nacionais do Estado; (2) condição
jurídica do estrangeiro no País; por outro lado, exclui-se o que ―não corresponde ao direito
privado‖, como, p. ex., extradição. Atualmente, a exemplo de VALLADÃO, a doutrina
brasileira tende a congregar a opção americana e a francesa, com algumas variações.
Tomando a antiguidade como ponto de partida, DOLINGER cita FUSTEL DE COULANGES,
em seu clássico ―A Cidade Antiga‖, no qual este autor realça as limitações e distinções impostas
aos estrangeiros, aos quais eram vedados de participar do direito da cidade. Na Grécia e Roma o
estrangeiro não tinha direitos, pois estes derivavam exclusivamente da religião, da qual o
alienígena era excluído. Daí porque não podia ser proprietário, não podia casar, os filhos
nascidos de um cidadão e uma estrangeira eram considerados bastardos, não podia contratar, nem
herdar, e dele nada podia ser herdado. Enfim, aos estrangeiros as leis da cidade não existiam.
Sécs. XII e ss.: o comércio entre cidades do norte da Itália (Módena, Florença, Gênova, Veneza,
dentre outras) e províncias francesas cria situações de conflito de leis no espaço. Começam daí a
reduzir a escritos o seu próprio direito consuetudinário, ocupando-se principalmente das relações
jurídicas de direito privado, de modo a regular os novos conflitos exsurgentes com o fluxo
crescente de pessoas de diferentes partes, atraídas pela perspectiva de ganho.
1849: a consolidação científica do DIPRI dá-se em 1849, em obra de SAVIGNY, que propõe
encontrar a sede da relação jurídica para determinar se aplicável a lei nacional ou estrangeira:
―Abandonando o unilateralismo, a ideia que o legislador só poderia criar normas que se
aplicassem em seu território e a seus nacionais, Savigny pregava a igualdade entre direitos e uma
comunidade de direito entre as nações, a permitir o bilateralismo, isto é, a aplicação em pé de
igualdade da lei nacional ou da lei estrangeira‖ (MARQUES, 2008, p. 335).
1928: Na América Latina, busca-se de modo pioneiro a codificação do DIPRI, a exemplo do
Código Bustamante. Posteriormente, as cortes norte-americanas criticam a indiferença com o
resultado material na solução do conflito de leis no método europeu e, nos anos 60, passam a
considerar o resultado material na escolha da norma a ser aplicada especialmente em matéria
contratual e de responsabilidade civil (busca da justiça substancial no caso concreto – Caso
Babcock/1963: troca da regra de conexão clássica ―lex loci delicti‖ pela flexível ―proper law of
the tort‖). Na Europa, atualmente, a evolução do DIPRI, propulsionada pelas normas
comunitárias, levou ao pluralismo de métodos (recurso a regras materiais de DIPRI e regras
alternativas) e flexibilização das normas de conflito (cláusulas de exceção e adoção de princípios

hoje o direito internacional privado conta também com: (1) normas materiais: regulam a conduta. Ex: o juiz brasileiro em determinados casos pode aplicar lei estrangeira aqui no Brasil (vide LINDB. G. Essa é a corrente adotada no Brasil. ex. PORTELA. ex. p. Este pode ser considerado o objeto básico do direito internacional privado. Organização Internacional. P. Características. Ponto 2. as espécies de normas de direito internacional privado não se limitam a princípios (tal qual a ordem pública) e regras de conexão clássicas (ou rígidas). pode-se afirmar que a principal tarefa do direito internacional privado é a de procurar qual a solução adequada para resolver um conflito de leis no espaço. 2011. com aparelho institucional permanente (órgãos/agentes. a aplicação da lei favorável ao consumidor. H. também conhecidos como organismos internacionais ou organizações intergovernamentais. Para alcançar resultados materialmente equitativos. Espécies e finalidades. vale referir que duas escolas divergem acerca do objeto do direito internacional privado. pois ele apenas indica a norma a ser aplicada de acordo com cada caso concreto em que se envolva um estrangeiro. A evolução recente do DIPRI na América Latina. Direito internacional público. Prerrogativas e imunidades no Brasil Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira Principais obras consultadas: Resumo do 26º CPR. Curso de Direito Internacional Público. para a interpretação de outras normas (soft law). Ed. 10ª Edição. 3ª Edição. (4) normas flexíveis: permitem ao juiz ou partes valorar elementos do caso concreto. solucionando diretamente o caso. Direito internacional público e privado. VALÉRIO. Jus Podivm. conflito de jurisdição. O conflito surge do contato entre ordens jurídicas diferentes. Nesse ponto. 2007. Regime jurídico.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 9 como o da proximidade). Legislação básica: não indicou. REZEK. 2011. J. p. Acerca do conflito de leis. 5ª Edição. com estrutura e personalidade jurídica próprias e com o objetivo de administrar a cooperação internacional em temas de interesse comum. MAZZUOLI. Tais sujeitos de Direito Internacional são as organizações internacionais. Com efeito. dentre os quais entidades criadas e formadas por Estados. para determinar a lei aplicável. art. e a evolução faz-se sentir especialmente nos tratados. como. No Brasil. São elas a (a) Escola Francesa: diz que o Direito Internacional Privado possui cinco objetos: conflito de leis. (2) normas narrativas: sem regular conduta. Evolução. F. O Direito Internacional Privado soluciona o conflito de forma indireta. Santa Sé. Ed. direitos adquiridos.. Atualmente. que é o conflito de leis. foi provocada pela OEA (CIDIPs). A sociedade internacional não é composta apenas por Estados. ditam diretrizes e fins. iniciativas do Mercosul e reformas legislativas em alguns países. outros entes atuam no âmbito das relações internacionais.b. nacionalidade e condição jurídica do estrangeiro. em geral: órgão plenário/órgão executivo/secretariado) e personalidade jurídica própria de direito internacional (derivada= porque se origina dos Estados) . § 4º). e a (b) Escola Anglo-americana: diz que o Direito Internacional Privado só possui um objeto. 7º. Saraiva. Organização Internacional: entidades compostas por Estados por tratado multilateral (―Carta‖) de caráter especial (natureza convencional e institucional). o DIPRI tradicional está incorporado à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (1942). (3) normas alternativas. aplicando o princípio da proximidade.

2007. Ex: OEA/Liga dos Estados Árabes-LEA/Mercosul). decisões imediatamente executáveis nos Estados) Regime jurídico: como são criadas por tratados e estes devem ser interpretados/aplicados por meio do DIP. Unidas”. Conceitos introduzidos por elas (encontros regulares/ secretariados permanentes/ decisão maioria/ voto ponderado/ contribuição financeira proporcional) formam as bases das organizações internacionais do séc. 242). A regulamentação interna da organização rege relações de trabalho/criação de órgãos/serviços administrativos. externo: para demais sujeitos de DIP). ONU/Agências Especializadas da ONU como OIT/UNESCO) e regional (Estados com vínculo geográfico/cultural/histórico./governo. A personalidade jurídica ou está no ato constitutivo ou é inferida dos poderes/objetivos da organização e sua prática (vide ―caso Reparação por ferimentos recebidos a serviço das N. responsabilidade civil danos causados pela organização ou contra ela (SHAW). Atual configuração: Acordos de Latrão (1929): concordata+tratado político+convenção financeira (+ reconhecimento de propriedade de imóveis dispersos/plena soberania nos 44 hectares da colina vaticana = Estado da Cidade do Vaticano). Características: multilateralidade (mín. contratos de equipamentos/serviços. XIX: desenvolvimento de instituições internacionais não governamentais privadas (Comitê Internacional da Cruz Vermelha/Associação de Direito Internacional) e também organizações internacionais públicas. No entendimento de Valério Muzzuoli (MAZUOLI. Embora a Santa Sé esteja intimamente ligada ao Estado do Vaticano (este último resultante dos Tratados de Latrão de . Quanto domínio temático: vocação política (principalmente paz e segurança – ONU/OEA) e vocação específica (fim econômico/financeiro/cultural/técnico. institucionalização (órgãos/agentes próprios). p. páginas 408-414). XX: grande inovação é a abrangência global (ONU). Surgiram as conferências internacionais: reuniões para tratar de problemas entre Estados. 2011. poder normativo (interno: suas atividades. Séc.CIJ: ONU tem direito à reparação pela morte de seu mediador (Folke Bernadotte) em Jerusalém/1948 e tem personalidade jurídica internacional objetiva (vale também perante Estados não membros) porque era indispensável para atingir seus objetivos/princípios. ―Desde muito tempo se discute a que categoria jurídica pertencem a chamada Santa Sé (cúpula do governo da Igreja Católica) e o Estado da Cidade do Vaticano. O direito interno dos Estados rege: aquisição/arrendamento de terras. este é. Celebra concordatas: compromissos sobre as relações da Igreja com o Estado. Se não há previsão. controle (competência para supervisionar cumprimento de tratados/normas de seu âmbito). o direito aplicável às organizações internacionais. Ex: Agências Especializadas da ONU/FMI/OMS) (PORTELA): Quanto à natureza dos poderes exercidos: intergovernamentais (relação de coordenação com membros. Espécies e finalidades: (REZEK): Quanto ao alcance: universal (maior número de Estados sem restrições geográfica/cultural/etc. não é Estado (embora tenha território/pop. em regra. 3 membros). permanência (prazo indeterminado). o DIP aplica-se subsidiariamente.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 10 para cooperação internacional em temas de interesse comum. Santa Sé: Cúpula governativa da Igreja Católica. voluntariedade da associação. não preenche o critério teleológico= fins do Estado e não possui dimensão pessoal= nacionais). Após Congresso de Viena/1815: conferências internacionais regulares que ensejaram surgimento de ―instituições internacionais‖ (SHAW). Evolução: surgimento com evolução do Estado moderno e de uma ordem internacional que demandava cooperação internacional que a diplomacia não satisfazia. Não se confundem com ONG´s: entes privados c/ personalidade jurídica de direito interno que eventualmente atuam no âmbito internacional (PORTELA). competência impositiva (impor suas decisões/ aplicar sanções). decisões maioria/consenso) e supranacional (relação de subordinação. princípio majoritário (Mercosul é por consenso). não é organização internacional e sim caso único de personalidade internacional anômala (REZEK.

não é porque Constitui um Estado que a Santa Sé é soberana: "é. É preciso compreender a história para se ter a exata noção da personalidade jurídica internacional da Santa Sé. Em outras palavras. é a condição básica da existência da outra". É relevante também o fato de que sua personalidade internacional nunca foi posta em dúvida mesmo por Estados de população predominantemente não católica. ao que se denomina princípio da efetividade nas relações internacionais. sui generis . também caracterizado pela diversidade religiosa. Ocorre que mesmo essa nova estruturação da sociedade internacional (formada agora por Estados soberanos e independentes. Daí alguns autores terem equiparado essa situação à de uma união real. Sob a ótica do Direito Internacional é relevante o fato de que nunca se negou à Santa Sé a capacidade jurídica de agir (isto é. Não obstante ter a Santa Sé o seu governo sediado na Cidade Estado do Vaticano. Tal se deu porque o Direito Internacional aceita a subjetividade internacional de certos entes que não são Estados. De fato. o início do Direito Internacional coincide. A primeira parte dessa história diz respeito ao período anterior a 1870. o fato do reconhecimento da personalidade internacional da Santa Sé sem dúvida. neste código vêm não só o Romario Pontífice. seu reconhecimento por parte de tais sujeitos etc. Dessa forma. ela não se limita a território algum.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 11 1929) e o Papa seja tanto o chefe de uma como do outro. à semelhança de qualquer Chefe de Estado. com a criação da Cidade Estado do Vaticano (a partir de 1929) o Papado passou então a abranger "duas pessoas internacionais distintas. a criação do Estado pontifício que constitui uma consequência da soberania inerente à natureza da Igreja‖. quando o Papa englobava . 361 do Código de Direito Canônico de 1983 nos seguintes termos: "Sob a denominação de Sé Apostólica ou Santa Se. o Conselho para os negócios públicos da Igreja e os demais organismo da Cúria Romana". Como se sabe. desde que presentes certos requisitos.. desvinculados do poder religioso da Igreja) manteve o reconhecimento da figura do Papa com a qualidade de Soberano perante as relações internacionais. como a mantença de relações internacionais com os demais sujeitos do direito das gentes. A Santa Sé. uma das quais uma das quais. os Estados nasceram (a partir desse momento histórico) de forma autônoma e independente. muito antes da criação da Cidade Estado do Vaticano (o que ocorreu somente em 1929) a Santa Sé já firmava tratados e acordos internacionais e participava das relações internacionais. como fim da ideia da república cristã chefiada pela Igreja Católica. os seus membros encontram-se espalhados por todas as partes do planeta e suas normas não encontram limitação de outra ordem que não as da própria Igreja. Como observou Le Fur. ao contrário. mesmo não sendo tecnicamente um Estado. que representa. A definição de Santa Sé é feita pelo art. Assim. não tendo sido jamais contestado à luz do direito das gentes. aliás. com características soberanas e sem qualquer subordinação (superiorem non recognoscentes) a um poder do tipo religioso (ao que se chamou de "sistema estatal europeu". a expressão de sua autoridade (chamada de Santa Sé) foi reconhecida como sujeito do Direito Internacional. Posteriormente. ela não se acha limitada ao território deste. mas também) a não ser que pela natureza da coisa ou pelo contexto das palavras se depreenda o contrário. cabe aqui estudar em separado a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano. de participar das relações internacionais) em pé de igualdade com as demais potências soberanas. a própria Igreja. fruto da reforma protestante). Como consequência. a Secretaria de Estado.é histórico. repita-se. analisando suas principais diferenças à luz do Direito Internacional Público. Aliás. de sorte que a sua personalidade jurídica (e isso não se nega) é bem anterior aos Tratados de Latrão. não por acaso. a cúpula do governo da Igreja Católica e tem como autoridade máxima o Papa. quando se passa (desde os tratados de Westfália de 1648) da Respublica sub deo para sociedade de Estados soberanos e independentes. a personalidade jurídica internacional da Igreja não é precisamente a mesma do Estado da Cidade do Vaticano.

o poder temporal do Papa (de chefe dos Estados pontifícios) desapareceu. os estadistas italianos procuraram não constranger o exercício do poder espiritual do Papa na sua condição de chefe da Igreja Católica e. de chefe dos Estados pontifícios. Executivo e Judiciário). que pode ser considerado um Estado instrumental a serviço da Santa Sé. assim. Em vista desse fato. mas dele integrante. esse despojo territorial geraria um inconformismo em todo o mundo e aos milhares de católicos espalhados pelas diversas potências. segundo a qual o "Sumo Pontífice conserva a dignidade. foi de menor interesse para o Direito Internacional Público (não obstante ter sido de grande interesse para a Santa Sé). Apesar das divergências doutrinárias sobre a juridicidade de tais prerrogativas papais. Mas como destaca Accioly. atribuiu-se ao Papa soberania internacional. formando com o Estado um único ente jurídico. como se falou. porque decorre da própria existência do Estado. a independência e o livre exercício da autoridade especial da Santa Sé". E essa qualidade primacial é o que constitui a verdadeira razão de ser do Papado". garantindo-se lhe. além de a Itália ter deixado claro que o Papa não é súdito de ninguém. com a franquia territorial. o certo é que. tornando-se mundial.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 12 em sua pessoa o poder espiritual. além de inviolabilidade e imunidade à jurisdição penal e civil (sem a possibilidade de ser demandado judicialmente). Desaparecendo o Estado (pela anexação de Roma à Itália). No que tange ao seu poder temporal. quando Vittorio Emanuele II se apodera violentamente de Roma (sede do Papado) e dá surgimento à chamada "questão romana". em 20 de setembro de 1870. esse poder temporal do Papa "nunca foi senão um acessório de seu poder espiritual. também atribuiu personalidade jurídica (em princípio." Havia. uma coisa foi certa: a soberania espiritual (honorífica. o papa tinha autoridade Similar a de qualquer chefe de Estado: mantinha relações com potências estrangeira e participava das relações internacionais. portanto. o Papa perderia a sua personalidade internacional. a validade civil do casamento religioso e a proibição . e todas as prerrogativas pessoais de soberano. religiosa. O primeiro era. e o poder temporal. a inviolabilidade. acima de sua qualidade de soberano temporal. para tanto. promulgaram (em 13 de maio de 1871) a chamada Lei das Garantias. Certamente. moral) da Igreja Católica tornou-se inconteste pela Lei das Garantias. não é um elemento acima e fora do Estado. É dizer. tem-se que a soberania do Estado da Cidade do Vaticano é originária. E conclui: "Em todo caso. Ali também se previu o respeito às festas religiosas católicas (tidas a partir dai como feriados nacionais). Entre outras coisas. uma garantia para a independência do segundo. sendo o seu poder (ou chefia) espiritual. deram origem a esse novo sujeito: o Estado da Cidade do Vaticano. A segunda parte da história ocorre depois de 1870. por meio dela reconheceu-se ao catolicismo a qualidade de religião oficial do Estado italiano. Mas. a soberania temporal do Vigário de cristo bastava para que se não discutisse a situação internacional da Santa Sé"'. de chefe da Igreja Católica. Assim. interna) à Santa Sé. pois até então (internacionalmentee juridicamente) só se considerava ao Papa o caráter de chefe de um Estado. Foi precisamente nos Tratados de Latrão que esses dois atores. mas com sua Representação e seu poder de governo submetidos à autoridade da Santa Sé. por não depender de nenhum dos poderes conhecíveis do sistema tripartite moderno (Legislativo. A Santa Sé. contudo. Como se percebe. cuja autoridade ultrapassava os limites dos Estados pontifícios. Com isso. ambas tendo como chefe a figura do Papa. sempre esteve a de soberano espiritual. Além do referido acordo político. foi também celebrada (no âmbito dos tratados de Latrão de 1929) uma concordata entre a Santa Sé ea Itália. as relações entre a Santa Sé e o Vaticano têm natureza absolutamente sui generis. Esta. suprema instituição governativa da Igreja Católica. sem dúvida. O que ocorreu foi o seguinte: a partir da referida anexação de Roma ao reino da Itália sob a dinastia da Casa de Savoia. duas pessoas de Direito Internacional: a Santa Sé e os Estados pontifícios. os quais obviamente exigiriam uma satisfação do governo italiano por conta da nova situação instaurada.a Santa Sé e a Itália com suas estipulações recíprocas.

MAZZUOLI. Direito internacional público. Crime de ius cogens.qualidade. os governos estrangeiros. Não existem regras generalizadas e sim acordos específicos. Rel. Obs. não se poderá negar ao Estado da Cidade do Vaticano tal prerrogativa. Mas se não se quiser atribuir ao Papa individualmente. 2011. . como se verá a seguir. Desaparecimento forçado como crime internacional. Ed. QUE ELES TENHAM CONSTITUÍDO. Em suma. c) ( ) não podem adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação. Segundo REZEK.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 13 da instituição do divórcio. unidade. o que transfonna a Santa Sé num caso verdadeiramente único na arena internacional. 5ª Edição. A ONU e suas Agências Especializadas têm ampla imunidade prevista em sua Carta e Convenções Gerais de 1947 (SHAW). a qualidade de sujeito do Direito Internacional Público . F. Ed. G. Ponto 2. REZEK.SHAW). mas podem. DIRIJAM OU HAJAM INVESTIDO DE FUNÇÕES PÚBLICAS.: parecer consultivo da CIJ Imunidade ao processo legal (reconheceu imunidade de Cumaraswamy.c. VALÉRIO. é possível que isso mude por coerência e face a interesses sociais relevantes para situação análoga a dos Estados. H. No Brasil: STF (RE 578543/MT) cassou decisão do TST que não reconheceu imunidade da ONU/PNUD em reclamação trabalhista (a relativização da imunidade de jurisdição dos Estados estrangeiros é baseada na igualdade soberana e reciprocidade. juntamente com a assertiva dada como correta no gabarito definitivo: 60. distinguindo-se atos de império/gestão com base em norma costumeira internacional e não se aplica às organizações internacionais porque não têm as mesmas características daqueles). no mundo. Sua imunidade tem fundamento em tratados (vontade dos Estados). Especial da Comissão de Dir. ao que parece do estudo ora realizado. 10ª Edição.‖ Prerrogativas e imunidades no Brasil: As imunidades das organizações internacionais estão fundadas na necessidade para o efetivo exercício de suas funções (preservar independência). 3ª Edição. Jus Podivm. nenhuma outra comunidade religiosa agrupa. Normativa internacional. inconteste-. J. PORTELA.) e uma organização semelhante à sua. a seguir transcrita. Legislação básica: não indicou. Direito internacional público e privado. da ONU sobre independência de juízes e advogados na Malásia em relação a palavras pronunciadas em entrevista publicada em jornal e que a Malásia tinha obrigação de informar seus tribunais sobre a decisão do Secretário Geral da ONU nesse sentido . Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira Principais obras consultadas: Resumo do 26º CPR. GOVERNOS ESTRANGEIROS BEM COMO AS ORGANIZAÇÕES DE QUALQUER NATUREZA. adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. do CPR 26. autoridade moral etc. Prerrogativas e imunidades de representantes também são abordadas em acordos sobre sedes entre as organizações e os Estados (em regra: imunidade de jurisdição interna/ inviolabilidade de prédios e arquivos/privilégios fiscais e monetários/liberdade de comunicação). P. 2007. Saraiva. 2011. todo as características que tem a Igreja Católica (universalidade. Curso de Direito Internacional Público. QUESTÃO DE PROVA: O tema foi abordado na questão 60. Imprescritibilidade. Hum.

mais tarde. o que não impede sua aplicação a todos os Estados. Na Convenção. A normatividade internacional conta também com a Convenção Interamericana contra o Desaparecimento Forçado. A. . Essa decisão possui o diferencial de ter sido proferida por uma corte local interna. 2009. Esse entendimento foi um dos fundamentos para condenação do Brasil. no entanto. O crime de desaparecimento forçado é crime de lesa-humanidade e como tal abarcado pela Convenção sobre a Imprescritibilidade de Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade de 1968. também alude à natureza permanente do crime de desaparecimento forçado. Também chamada de norma peremptória ou cogente (ARAGÃO. Crimes contra a humanidade são reconhecidos como normas de jus cogens (conforme esposado no entendimento da Corte Interamericana). Acesso em 10/05/2012. independentemente da data de sua consumação‖1. O art. conforme relembrou ex-presidente da Corte. p. pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. mas também organizações políticas e motivações políticas. de sua pronta reação aos crimes que afetam a humanidade como um todo. os Estados comprometem-se a incluir o crime no código penal e garantir mecanismos para aplicação da lei nos seus territórios. Destacou que com o passar do tempo. impedindo a alegação da prescrição do crime pelo Estado infrator. e essa característica se impõe sobre todas as normas internas que possam estar contidas em disposições contrárias. no entanto. e desenvolveram-se. enquanto desaparecida a pessoa. como tal imprescritível. 2) da natureza de crime contra a humanidade. em seu voto separado no Caso Almonacid: que a configuração dos crimes contra a humanidade é uma manifestação mais da consciência jurídica universal. que entrou em vigor em 1996. 2009:360).scielo. no âmbito do Direito Internacional Humanitário. o judiciário argentino (Cámara Federal en lo Criminal y Correccional) já decidiu que ‖o desaparecimento forçado de pessoas. a jurisprudência Internacional.php?pid=S1806-64452005000200008&script=sci_arttext#nt09. Ademais. Salienta-se que a categoria de crimes contra a humanidade surgiu ainda na década de 50. que é a norma aceita pela comunidade internacional de Estados que não permite nenhuma derrogação. sendo reafirmada no Estatuto de Roma. impede a contagem do prazo prescricional. originalmente. que tenha como autores não apenas o Estado. do direito imperativo (Almonacid. no caso Gomes Lund e outros (Guerrilha do Araguaia) VS. do Direito Internacional consuetudinário.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 14 Desde a década de 80 a ONU se debruça sobre o tema do desaparecimento forçado. Dessas afirmações decorre a conclusão de imprescritibilidade do crime de desaparecimento forçado: 1) regras de ius cogens não estão sujeitas à prescrição. sendo considerada precursora na normativa internacional sobre o tema (HEINTZE. que embora não seja em si um fator de imprescritibilidade. foi apenas em 2006 que a Assembleia Geral aprovou a Convenção para Proteção de Pessoas Contra o Desaparecimento Forçado definindo-o como crime contra a humanidade. parágrafo 28).br/scielo. 7° do Estatuto do TPI também criminaliza a prática do desaparecimento forçado como crime contra a humanidade. sendo que sua competência está circunscrita aos ataques generalizados/ou em grande escala contra população civil. assinada pelo Brasil. Apreciando o tema. A. Brasil. não a ratificou. as normas que vieram a definir os ―crimes contra a humanidade‖ emanaram. e. que se mostra alinhada ao entendimento das cortes supranacionais pela imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade e cogência da normativa internacional. Cançado Trindade. 1 http://www. também não prescritíveis. inclusive da Corte Interamericana. conceitualmente. em cuja definição se inscrevem os fatos aqui investigados. com o Tribunal de Nuremberg. mais recentemente no domínio do jus cogens. constitui um crime contra a humanidade. que. 56).

o sequestro. criada para esclarecer violações de direitos humanos durante a ditadura militar. exatamente por seu caráter bilateral. em determinado momento histórico. à sombra do Poder e nos porões da ditadura a que serviram. Acesso em 10/05/2012 2 . o estupro. O Palácio do Planalto anunciou nesta quinta-feira sete nomes que vão integrar a Comissão da Verdade. com os princípios consagrados na Convenção Americana de Direitos Humanos. pois foram completamente diversas as circunstâncias históricas e políticas que presidiram.com. a agentes estatais. Min. Quem são os sete integrantes: José Carlos Dias. ex. em contexto inteiramente distinto daquele vigente na Argentina.. a Lei nº 6. Rel. unicamente. em 2001. a elaboração e a edição da Lei de Anistia. dentre outros regimes ditatoriais‖.683/79 – que traduz exemplo expressivo de anistia de “mão dupla” (ou de “dupla via”). em inúmeros países da América Latina. Paulo Sérgio Pinheiro. no Chile e no Uruguai. a invocação dos mencionados precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. para os fins deste julgamento. das leis nacionais que concederam anistia. as denominadas “leis de auto-anistia”. Ayres Britto. no caso brasileiro. covardemente. Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. de modo sistemático. Eros Grau). no julgamento da ADPF 153/DF (rel. os mais ominosos e cruéis delitos. Com efeito. o desaparecimento forçado das vítimas. Lewandowski e o Min. suprimir a responsabilidade dos agentes do Estado e que constituiu instrumento utilizado. Obs. afirmou que a lei da anistia se deu por solução consensual das partes (em plena ditadura). que busca. Claudio Fonteles.br/brasil/noticias/0.OI5766784-EI7896. http://noticias. a discussão. Rosa Maria Cardoso da Cunha. que a lei de anistia brasileira. p.terra. advogada de Dilma durante a ditadura. Como anteriormente ressaltado.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 15 Obs. Ficaram vencidos apenas o Min.: ANISTIA NO BRASIL: Em 29 de abril 2010. e “Loayza Tamayo”. em diversos julgamentos – como aqueles proferidos.00-Planalto+anuncia+nomes+dos+integrantes+ da+Comissao+da+Verdade. Gilson Dipp. ex-ministro da Justiça. com a presença dos ex-presidentes José Sarney. no entanto. unicamente. mas recíproca) e que o cidadão tinha direito à verdade (mas que eventual ‗Comissão de Verdade‘ não tinha qualquer finalidade de persecução penal). não pode ser qualificada como uma lei de autoanistia. uma auto-concedida anistia. como já referido. ministro do STJ. A razão dos diversos precedentes firmados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos apoia-se no reconhecimento de que o Pacto de São José da Costa Rica não tolera o esquecimento penal de violações aos direitos fundamentais da pessoa humana nem legitima leis nacionais que amparam e protegem criminosos que ultrajaram. com o concurso efetivo e a participação ativa da sociedade civil e da Oposição militante. como o homicídio.: COMISSÃO DA VERDADE: Planalto anuncia nomes dos 7 integrantes da Comissão da Verdade 2 . pois se estendeu tanto aos opositores do regime militar quanto aos agentes da repressão – não consagrou a denominada anistia em branco. em 1998) e contra o Chile (“Almonacid Arellano e outros”. valores essenciais protegidos pela Convenção Americana de Direitos Humanos e que perpetraram.html. em seu próprio favor. no Brasil. ex-procurador-geral da República.. A posse dos membros da comissão será realizada no dia 16 de maio. Vale transcrever trecho do voto do Min. proclamou a absoluta incompatibilidade. Fernando Collor. É preciso ressaltar. a tortura e outros atentados às pessoas daqueles que se opuseram aos regimes de exceção que vigoraram. por ditaduras militares latino-americanas. Eros Grau: ―Reconheço que a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ainda não foi escolhido o presidente do grupo. que não era aplicável a jurisprudência internacional (não seria anistia ‗unilateral‘. nos casos contra o Peru (“Barrios Altos”. não se registrou. Os nomes serão publicados na edição de amanhã do Diário Oficial da União. o que torna inconsistente. o STF. em 2006) .

dispõe que na mesma pena incorre quem ordena. apoio ou aquiescência destes. Direito . "promover a reconstrução da história dos casos de violação de direitos humanos" e disponibilizar meios e recursos necessários para a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos. O prazo para o trabalho de investigação é de dois anos. na resposta. ou com a autorização. ocultando o fato ou negando informação sobre o paradeiro da pessoa privada de liberdade ou de seu cadáver. encobre os atos ou mantém a pessoa desaparecida sob sua custódia. sua capacidade de resistência.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 16 diplomata. J. Princípios. Direito Internacional Público e Privado. para tipificar a conduta de apreender. Patrimônio Comum da Humanidade. F. Os sete integrantes. se o desaparecimento durar mais de trinta dias ou se a vítima for criança ou adolescente. ou deixando a referida pessoa sem amparo legal por período superior a 48 horas.Desaparecimento forçado de pessoa -.848/1940 (Código Penal) para incluir o art. Vital do Rêgo. Antártica.a. Rezek. ainda que legalmente. Espaços Globais Comuns. portador de necessidade especial. requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer os fatos da repressão militar. Prevista no projeto que veio do Senado. jurista. que busca acrescentar o art. QUESTÃO DE PROVA: A imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade foi objeto de questionamento na prova subjetiva do CPR 26. e até convocar pessoas. Fundos Marinhos. As atribuições da comissão foram intensamente criticadas pelos militares. neste. Nº 245 de 2011. ITEM 3 Ponto 3. Editora Jus Podivm. com ajuda de 14 auxiliares. Maria Rita Kehl. A Comissão da Verdade será responsável por apurar as violações de direitos ocorridas entre 1946 e 1988 período que compreende os chamados "Anos de chumbo". a imprescritibilidade desses crimes? O Estado brasileiro é obrigado a persegui-los incondicionalmente? Considere. Justiça e Cidadania . investigar violações aos direitos humanos . O grupo deverá ter um perfil de imparcialidade: seus membros não podem ter cargos executivos em partidos políticos ou trabalharem em cargos de comissão ou de confiança em qualquer dos três poderes.PRONTA PARA A PAUTA NA COMISSÃO. Espaço Sideral. 3ª edição. enquanto o assunto foi discutido no Congresso Nacional. A Comissão da Verdade poderá pedir à Justiça acesso a documentos privados. da autoria do Sen. de motivação política e eleitorais abrangidos pela Lei da Anistia -. não importando se protegidas por sigilo.683/1979. por qualquer causa.: Tramita no Senado o PROJETO DE LEI DO SENADO. Explicação da ementa: Altera o Decreto-Lei nº 2. Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira Principais obras consultadas: Resumo do 26º CPR. Alto Mar. O grupo também terá poderes de requisitar informações públicas. para tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoa. em nome do Estado ou de grupo armado ou paramilitar.Comissão de Constituição. terão a missão de ouvir depoimentos em todo o País. gestante ou tiver diminuída. Paulo Henrique Gonçalves Portela. majora a pena de metade. Ártico. 149-A que trata do crime de . outra das polêmicas com as Forças Armadas é a que classifica como "dever" dos militares colaborar com a comissão. Obs. 149-A ao Código Penal. a hipótese de crimes alcançados pela lei de anistia – Lei nº 6. nos seguintes termos: GRUPO I – Questão 4: A categoria de crimes contra a humanidade tem aplicabilidade no direito brasileiro? É juridicamente sustentável.com exceção dos crimes políticos. incluindo os militares e exguerrilheiros. professora e José Paulo Cavalcante Filho. Data de apresentação: 11/05/2011 Situação atual: Local: 29/02/2012 . deter ou de qualquer outro modo privar alguém de sua liberdade.

a expressão é sinônimo de ―domínio público internacional‖ ou ―bem público internacional‖. São as áreas e recursos que não pertencem a nenhum Estado específico ou que se revestem de amplo interesse internacional. de 17 de Abril de 1969) / Acordo sobre Salvamento de Astronautas e Restituição de Astronautas e de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico.989/73) / Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais (Decreto 71. A impossibilidade de apropriação nacional. Essa cooperação é complementar à ação estatal que é a responsável em identificar. Expressão norte-americana. Patrimônio Comum da Humanidade.963/75) / Convenção das Focas Antárticas (Decreto 66/91) / Convenção sobre a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (Convenção de Canberra – Decreto 93. Espaço aéreo. diferente de res nullius). delimitar. Havendo risco para a res communis. Legislação básica: Convenção de Montego Bay de 1982 (Decreto 1. haverá a necessidade da cooperação internacional para sua preservação. Alto Mar.935/87) / Protocolo ao Tratado da Antártida sobre Proteção ao Meio Ambiente (Protocolo de Madri – Decreto 2. ―Área‖ (fundos marinhos. Plataforma continental (200 milhas a partir da linha de base). através de seu comitê. Editora Saraiva. 2. Curso de Direito Internacional Público.742/98) / Tratado sobre Exploração e Uso do Espaço Cósmico (Decreto nº 64. Princípios Gerais. coisa comum que.530/95) / Lei 8617/93 / Decreto 80.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 17 Internacional Público. Ressalta-se que há determinadas áreas que pertencem ao território de um ou de mais Estados e que parecem muito importantes para boa parcela da humanidade. VALÉRIO. proteger. Zona contígua (de 12 a 24 milhas). Espaço aéreo subjacente ao alto mar e às zonas polares.362. tem-se como conclusão inicial que eles são considerados res communis. como a Amazônia. Espaços Globais Comuns (Global Commons). valorizar e transmitir a futuras gerações tais patrimônios por meio de políticas . 1.978/77 e Decreto 5. de 1968 (Decreto 71. Áreas de Áreas de domínio público internacional domínio que estão sob a jurisdição total ou parcial público de um estado internaciona l Áreas de domínio público internacional que NÃO estão sob a jurisdição total ou parcial de um estado Mar. 3. Assim. Zonas polares. Também conhecidos como ―patrimônio comum da humanidade‖ (res communnis. para seu melhor aproveitamento. Espaço extraatmosférico. Para a doutrina tradicional (Rezek). o Saara e a Sibéria. MAZZUOLI. que não são considerados como domínio público internacional. liberdade de acesso pesquisa e exploração e não-militarização. Espaço aéreo subjacente às áreas sob a jurisdição do Estado (atmosfera terrestre). Desta feita.978/77 e Decreto 5. ou seja. Zonas polares. Tema passou a ser objeto de atenção da UNESCO que. 2011.753/06.981/73) / Convenção Relativa ao Registro de Objetos Lançados no Espaço Cósmico (Decreto 5. Ver: Decreto 80. leito e subsolo do alto mar) Mar territorial (até 12 milhas). natural e imaterial. o principal princípio que rege é não submetê-lo a nenhuma apropriação individual. Espaço extraatmosférico. Zona econômica exclusiva (12 a 200 milhas). todos podem explorar. 5ª Edição. em tese. conservar.906/06). São protegidos os patrimônios cultural. 9ª edição. administra a cooperação internacional sobre o tema.753/06 / Tratado da Antártida (ou Tratado Antártico) de 1959 (Decreto 75. embora estejam sob a soberania de um Estado.

como patrimônio comum da humanidade. a exploração deve necessariamente reverter em prol da humanidade em geral (benefícios distribuídos equitativamente. ser considerada sem nacionalidade (Montego Bay. Passagem inocente (arts. São patrimônio comum da humanidade. tráfico de entorpecentes. não deu os frutos que se imaginava. 5. o leito marinho e o subsolo. alguns deveres.. impedir e punir o transporte de escravos. Tanto é assim que a própria Convenção de Montego Bay fala de deveres de preservação. a Convenção de Montego Bay não considerou o alto mar. já que naquela época não havia tecnologia suficiente para servir de suporte à apropriação do espaço marítimo. Casos: a Austrália processa diuturnamente o Japão no Tribunal Internacional do Mar. Curiosidade. tendo eles. Os fundos marinhos são definidos por exclusão: não abarca a Zona Econômica Exclusiva nem a Plataforma Continental. 90/94). tráfico de escravos.e. ACR diz que não existe mais aquela res communis do tempo do Grócio (espaço terrestre serviria de apropriação. Fundos Marinhos. arts. Apesar disso. Segundo ARC. no entanto. 133/155). Há um órgão de solução de controvérsia chamado de ―Câmara de Controvérsias dos Fundos Marinhos do Tribunal Internacional do Direito do Mar‖. 2) Jurisdição: a preservação da ordem se dá pelo conceito de nacionalidade do navio e consequente jurisdição do país de registro sobre a embarcação em alto mar (princípio da exclusividade de jurisdição. absorvendo as áreas subaquáticas. pirataria. A res communis rege o alto mar. não pode ser de conveniência – a mas sim efetiva (ligação genuína) – e o navio deve sempre navegar com a bandeira do Estado de registro hasteada. colocação de cabos e dutos submarinos. Alto Mar. e uma embarcação que navegue sob a bandeira de mais de um Estado não pode reivindicar qualquer dessas nacionalidades perante um terceiro Estado. reserva de peixes transzonais e direitos estabelecidos em tratados. quando a Convenção de Motego Bay finalmente foi aprovada. podendo. independentemente de sua localização geográfica) pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. arts. Em 1982. 111). armazenando o produto em suas embarcações – frigorífico em alto mar). por exemplo. 17/32 da Convenção). perseguição (direito regulado pela convenção no art. combater a pirataria e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes. como a antártica. construção de ilhas artificiais e instalações congêneres e pesquisa. uma vez que foi considerado como patrimônio comum da humanidade apenas os fundos marinhos. caso Lotus). nasce aí uma tentativa de criação de um sujeito de direito internacional chamado ―humanidade‖ (todos os indivíduos do globo) que. salvo raríssima exceção. Assim. mas os minerais eventualmente extraídos são alienáveis. 4. na forma da Conv. normalmente com uma política fundada em reciprocidade. 1) Princípios: liberdade de navegação e sobrevoo. a não ser no caso de transferência efetiva da propriedade ou de mudança de registro. 86-115). transmissões não autorizadas de rádio e televisão. Montego Bay (arts. no entanto. O navio não pode mudar de bandeira durante uma viagem ou em porto de escala. Hoje a história é outra. consistindo no direito de a humanidade explorar determinados espaços globais comuns em seu próprio benefício. 1) Denominação: também conhecida como ―área‖. 4) Exceções à liberdade de uso: inspeção. É a parte do mar sobre a qual não incide o poder soberano de qualquer Estado (Montego Bay. foi criado o conceito de patrimônio comum da humanidade. ainda. reconhecimento mútuo de licenças de exploração e de regimes tributários. i. tais como o de prestar assistência. mas o espaço marítimo não). poluição. 2) Princípios: a área e seus recursos são insuscetíveis de apropriação. 4) Acordo de 1994 sobre a Implementação dos Dispositivos da Convenção de 1982 sobre o Direito do Mar Referente ao Leito Oceânico (estágio atual): iniciativa da ONU para evitar conflito de regimes . 3) Regime de Estados em reciprocidade (estágio inicial): os Estados começaram a promulgar leis internas para estabelecer uma estrutura provisória de pesquisa e exploração da área.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 18 próprias. 3) Nacionalidade das embarcações: a nacionalidade deve ser única. colisões. por entender que eles estão extinguindo o atum (pesca predatória – o pais fica até anos pescando.

enfim. Sendo patrimônio comum da humanidade. sendo este o seu princípio norteador.. 136).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 19 estabelecidos autonomamente pelos Estados. . com base em 04 pontos nodais: suspensão de reivindicações territoriais (não se converta em cenário ou objeto de discórdias internacionais. à espera da iniciativa de quem primeiro pudesse. Nos termos do § 10 desse dispositivo "nenhum Estado pode reivindicar ou exercer soberania ou direitos de soberania sobre qualquer parte da área ou seus recursos. todos os recursos extraídos da área são denominados pela convenção de "minerais" . foi regulada por tratado específico (Tratado da Antártica. com tecnologia avançada. desde que para fins pacíficos ou de pesquisa científica). 157). principalmente os minerais. A chamada Area é. proibindo o estabelecimento de bases militares. A questão dos recursos minerais é regulada em outro tratado (Conv. Não serão reconhecidos tal reivindicação ou exercício de soberania ou direitos de soberania nem tal apropriação". tem-se que as políticas gerais relativas às atividades na área devem primar pelo desenvolvimento harmonioso do comércio internacional. regulamentos e procedimentos da referida Autoridade. explorá-los". Para os efeitos da Convenção. Zona Polar. Seus órgãos principais são uma Assembléia. 2011. Como constitui uma verdadeira massa de terra. O autor Valério Mazuoli (MAZUOLI. ". Interessante: ler o artigo IV do tratado Antártico). manobras e experiências com armamentos de qualquer tipo – cuidado: o tratado permite o emprego de pessoal e de equipamento militar na Antártida. O § 20 do art. líquidos ou gasosos situados na área. preservação ambiental e liberdade de pesquisa científica (importante para o progresso da humanidade).que se encontra fora dos limites da jurisdição do Estado repousam as águas do fundo do mar e o espaço aéreo respectivo. o solo e o subsolo subjacentes ao alto-mar e que são o prolongamento da plataforma continental. em especial os menos favorecidos e subdesenvolvidos. Aliás. São inúmeros os recursos existentes nos fundos marinhos. páginas 780-781). grosso modo. Dela são partes todos os Estadospartes na Convenção de Montego Bay (art. A Convenção institui e regulamenta na sua Parte XI uma Autoridade internacional dos Fundos Marinhos para se ocupar da administração da área (arts: 156 a 185). diz o seguinte sobre os fundos marinhos: ―A Convenção de Montego Bay chama de área (ou Zona) o leito do mar na região dos fundos marinhos. A Convenção foi expressa em proibir a qualquer Estado o exercício de direitos soberanos sobre a área. pode apropriar-se de qualquer parte da área ou dos seus recursos.. a área e seus recursos são "patrimônio comum da humanidade". Ela é competente para organizar e controlaras atividades empreendidas na área (art. A área também tem um regime jurídico próprio. 137 da Convenção de Montego Bay. Assim. sendo tais recursos inalienáveis. Antártica. sempre a favor do desenvolvimento de todos os países. Ainda nos termos da Convenção de Montego Bay (arl. um Conselho e um Secretariado (art. que não se sujeita à soberania territorial de qualquer Estado. segundo Rezek. a expressão "recursos" significa todos os recursos minerais sólidos. não-militarização (utilização só para fins pacíficos. Sobre essa área . fez "com que os Estados Unidos repudiassem o tratado: teriam preferido que os fundos marinhos permanecessem no estatuto jurídico de res nullius. alínea a). no leito do mar ou no seu subsolo. 1959). 133. Foi esta norma que. incluindo os chamados nódulos polimetálicos (art. singular ou coletiva. 158). estabeleceu que os minerais extraídos da Área poderão ser alienados de conformidade com o que dispuser a Convenção e as normas. de que cuida o art. 137 repete o princípio segundo o qual todos "os direitos sobre os recursos da área pertencem à humanidade em geral . nenhum Estado ou pessoa jurídica. Esta é que dá o suporte institucional do regime relativo aos recursos da área. Trata-se de um espaço (terrestre) considerado internacional. 6. 156). o espaço terrestre que integra.

contudo. África do Sul. revestida de gelo em quase toda sua extensão. (a) renuncia a direitos previamente invocados ou a pretensões de soberania territorial na Antártida. tendo entrado em vigor internacional em 23 de junho de 1961. o do Paquistão. A Grã Bretanha e a Noruega propuseram a aplicação da teoria da descoberta em relação à área antártica. notadamente em face da considerável distância entre as massas continentais. o da África do Sul e o da Austrália). no seu preâmbulo. . e até mesmo o da Islândia. diz que é ―a parte geográfica da Terra que constitui-se numa gigantesca ilha circular situada na extremidade sul do planeta." Por isso. mas também daqueles outros situados a enormes distâncias. ademais é o da não militarização da Antártica. O doutrinador Valério Mazzuoli. Nova Zelândia. ou ainda (c) faz qualquer prejulgamento da posição de qualquer das partes quanto ao reconhecimento dos direitos ou reivindicações ou bases de reivindicação de algum outro Estado quanto à soberania territorial na Antártida (art. pois é ela detentora de extraordinárias riquezas minerais. Noruega. que possa ter. adotado em Washington. 4°). ex-URSS. a realização de manobras militares. O Brasil aderiu ao instrumento internacional em 1975. O compromisso dos Estados foi o de manter a liberdade de investigação científica e a cooperação destinada a tal finalidade. Se a teoria dos setores fosse aplicada à Antártica. Daí a necessidade também de uma regulamentação sui generis. com base nos seus interesses pessoais.1988). cuja procura e interesse são crescentes em todo o mundo. na Antártida. O regime jurídico estabelecido pelo texto. Trata-se do único espaço terrestre intemacionalizado. por nele ingressar. Bélgica. formulou a teoria da continuidade da massa geológica. pelo qual se constituíram comitês reguladores especiais. em que os Estados cooperam mutuamente para a realização sobretudo de pesquisas científicas. ocorrido de 1 ° de julho de 1957 a 31 de dezembro de 1958. Japão.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 20 Regulamentação de atividades com os Recursos Minerais da Antártica . Austrália. que nenhum dos Estados pactuantes. os Estados reconheceram ser de interesse de toda a humanidade que a Antártida continue sendo utilizada "exclusivamente para fins pacíficos e não se converta em cenário ou objeto de discórdias internacionais". realizou-se um programa científico com a participação de doze países (Argentina. quer como resultado de sua atividade. bem como para a preservação de recursos biológicos. A idéia principal do tratado foi a de tornar a Antártica utilizável somente para fins pacíficos e para a realização de pesquisas científicas. Esse objetivo foi atingido com a celebração do Tratado da Antártica. existe na Antártica um considerável interesse dos Estados em relação à sua exploração econômica. tais como o estabelecimento de bases e fortificações. Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e Estados Unidos da América) com o objetivo de discutir a adoção de um tratado multilateral sobre o problema da região Antártica. como fundamento de uma pretensa autorização para exploração econômica do território. ao discorrer sobre a Antártica. principalmente no que tange aos chamados materiais atômicos. o continente haveria de ser dividido em inúmeras linhas triangulares resultantes da projeção não só de litorais relativamente próximos (é como o Chile. ao passo que os Estados Unidos tiveram a intenção de prestigiar a atividade de controle do litoral antártico (embora não formulassem nenhuma reivindicação territorial concreta). que deve ser somente utilizada para fins pacíficos e para pesquisas científicas. França. de modo a não converter-se em um centro de discórdias mundial. O tratado deixa claro. quer por qualquer outra forma. No Ano Geofísico Internacional. ou de seus nacionais. com 15 milhões de km'. sendo vedadas quaisquer medidas de natureza militar. Não é possível a aplicação da teoria dos setores com relação à Antártica. O instrumento foi celebrado originalmente pelos doze países acima citados. (b) renúncia ou tem diminuída qualquer base de reivindicação de soberania territorial na Antártida. em 1° de dezembro de 1959. assim como em virtude da inexistência de linhas ou arquipélagos. Chile. capaz de impedir principalmente disputas dominiais sobre a região. A Argentina. Ao contrário do que ocorre com o Pólo Norte. como o do México.

Nesse sentido. Em 1959. para que ninguém exerça na Antártida qualquer atividade contrária aos princípios e propósitos do presente Tratado" (art. várias contribuições concorreram para a corrida espacial. dois acordos tratam da exploração dos recursos da Lua. O regime hoje é o da exploração com preservação. no tratado de Washington. as partes Contratantes comprometeram-se "a empregar os esforços apropriados. ou Tratado do Espaço. dentre cujas finalidades principais encontramse o acompanhamento. EUA. O governo brasileiro. como o costume instantâneo e o estudo do tema humanidade. 7. Pela Secretaria do Estado das Relações Exteriores. 1°). inclusive da Lua e demais Corpos Celestes. 8. de acordo com o direito internacional aplicável ao alto-mar. Ártico. O outro é o Acordo que Regula as Atividades dos Estados na Lua e em outros . da Marinha brasileira. Por isso que falar que o regime da Antártica é o da res communis. Em 1991 foi concluído o Protocolo ao Tratado da Antártida sobre Proteção ao Meio Ambiente. daí porque seu regime se confunde enormemente com os regimes territorial países próximos e de alto mar (v. no entanto. referem-se ao Ártico as normas internacionais pertinentes à navegação aérea. e não há regulamentação especifica para ela. e Professor W Besnard.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 21 assim como as experiências com quaisquer tipos de armas (art. ainda no ano de 1982. o Ártico não é uma massa de terra. um congelamento de aspirações soberanas por 50 anos (feitas pela Inglaterra. de qualquer Estado. entretanto. como a área Situada ao sul de 60 graus de latitude sul. 2°). Hoje. mas complementando que "nada no presente tratado prejudicará e. poderá alterar os direitos ou exercícios dos direitos. no Protocolo de Madrid de 1991. 6° do Tratado de Washington. 10). à navegação marítima. à exploração dos recursos marítimos e à proteção do meio ambiente. onde quer que ele viesse a cair. criou. a exploração no local também está banida . devendo ser devolvido ao Estado de sua nacionalidade. Curiosidade. No mesmo instrumento. regulamentada em 1983. o uso de armas nucleares e quaisquer artefatos de destruição em massa). começaram a perceber que nenhum dos lados políticos iria conseguir conquistar ―à bala‖ a Antártica. de conformidade com a Cartadas Nações Unidas. para aprofundar sobre regime de ocupação do Ártico). da evolução da política antártica brasileira no campo internacional e o estímulo da participação de universidades. vedado. Falou-se em ―patrimônio comum da humanidade‖ porque no ano de 65 foi feito um acordo considerando o astronauta ou cosmonauta um representante da humanidade. Nos anos 60. Noção que ganhou espaço após a corrida espacial. Mas. com os navios Bariio de Teffé. centros de pesquisa e entidades governamentais ou privadas nas atividades desenvolvidas pelo Brasil nas regiões antárticas. caso Groelândia Oriental. Ademais. essa visão de que o espaço sideral é da humanidade não prosperou. consagrada à paz e à ciência" (art. Chile etc. inclusive às plataformas de gelo. das quais a primeira se realizou entre dezembro de 1982 e fevereiro de 1983. O território antártico ficou definido no art. Assim. criou-se. informada pelos princípios da cooperação e do pacifismo relativo (a Lua só pode ser usada para fins pacíficos. a Comissão Nacional para Assuntos Antárticos (CONATAR). do instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Um é o Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades Espaciais dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico. Espaço Sideral. para ACR. Zona Polar. dentro daquela área". datado de 1967. O Brasil enviou diversas expedições científicas à Antártica. designando a Antártida "como reserva natural.permitida só para fins científicos. Ao contrário da Antártica. de forma alguma. o Ártico é um grande oceano coberto de gelo permanente em sua maior parte. mas meramente uma região formada pelo congelamento das águas. A Argentina e o Chile fazem projeções de seu território na Antártica – conduta denominada de teoria dos setores). ainda hoje não é possível. por exemplo. por meio de Decreto. Segundo PHGP. sua órbita comporta o uso de material militar. destinado principalmente a "assegurar a proteção abrangente ao meio ambiente antártico e aos ecossistemas dependentes e associados".

ao falar sobre o tema. A normatização internacional ocorreu no dia 27 de janeiro 1967. devendo. que pode ser explorada pelos demais membros da sociedade internacional pacificamente e para fins lícitos. Conceito. Ponto 3.o Acordo da Lua. apesar de legalmente vigente. apenas a França o assinou. e demais Corpos Celestes. pelas limitações impostas pelo Direito Internacional à sua exploração e aproveitamento econômico. a começar pelos Estados Unidos e pela antiga União Soviética (a atual Federação Russa mantém a posição). essa área compreende o espaço acima daquele em que as aeronaves conseguem navegar mediante propulsão própria. Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira . quanto mais dominado pelo homem ele for. para outros. O fenômeno da bitributação.quando se modificam os fatos e valores da sociedade em causa. e que a Lua pode ser livremente explorada (para estudos científicos ou para aproveitamento de seus recursos). Para alguns. o espaço sideral é considerado. A natureza jurídica de alguns institutos muda . resguardado. pode-se entender o espaço extra-atmosférico como um prolongamento do espaço aéreo. O Brasil não o ratificou. Assim. sob os auspícios das Nações Unidas. como res communis. à medida que o Direito passou a impor-lhes a observância de normas internacionais de proteção ambiental e o espaço extra-atmosférico provavelmente passará. mas não o ratificou. o Acordo da Lua tem escassa base de reconhecimento e apoio. Valério Mazzuoli. Inclusive a Lua. sem violação dos princípios do Direito Internacional.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 22 Corpos Celestes. Direito tributário internacional. as principais potências espaciais sempre o rejeitaram. que o Tratado da Antártida. para além de uma certa altura ainda não muito bem definida. mas. deixando aos poucos de ser considerado de uso irrestrito dos Estados. que entrou em vigor em outubro daquele ano. ser feita de modo a evitar danos ao meio ambiente terrestre. pode-se dizer que a natureza jurídica do espaço extra-atmosférico é de res communis omnium. O Acordo da Lua segue o mesmo caminho. em 5 de dezembro de 1979. Entre os países com atividades espaciais mais intensas. que diz que todos os países têm direitos de pesquisa e uso da Antártida. no entanto. Em relação à natureza jurídica. sempre coisa de uso comum. hoje. em 20 de julho de 1969 (missão Apolo XI). o espaço extra-atmosférico tem início a partir de mais ou menos 90 a 100 milhas de distância.b. O Tratado do Espaço reconhece "o interesse que apresenta para toda a humanidade o programa da exploração e uso do espaço cósmico para fins pacíficos" e enfatiza o desejo dos países de "contribuir para o desenvolvimento de ampla cooperação internacional" nesse programa. em 4 de outubro de 1957. Assim. Tome-se como exemplo o alto-mar. o espaço extra-atmosférico constitui-se num espaço de imensidão ao redor do planeta. por exemplo. entretanto. Esse acordo também estabelece que o uso do espaço e dos corpos celestes deve ser feito em condições de igualdade e em conformidade com o direito internacional. de 1979 . e a chegada do homem à Lua. Trata-se do mesmo tipo de acordo. Por isso que não é necessário pedir autorização para sua exploração. em futuro não muito distante. quando houve a celebração em Nova York. De qualquer forma. pela mesma experiência. mas não pode ser apropriada. disse que teve como termo inicial de sua regulamentação jurídica a ocorrência de dois fatos de fundamental importância para a história da humanidade: a colocação em órbita do primeiro satélite artificial (o Sputnik) pela União Soviética. apesar de sua aprovação unânime pela Assembleia Geral das Nações Unidas. o Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico.e é normal que assim o seja . o espaço extra-atmosférico. Ou seja. Mas esta afirmação não induz a pensar que continuará sendo. Acordos de bitributação. que praticamente mudou de natureza.

http://www. 47).pdf. p. a sua natureza (direta ou indireta) e a sua função (substancial ou instrumental). http://bdjur. Alberto. ―[…] normas editadas em nome do Direito Internacional Tributário são aquelas produzidas mediante acordos de vontades de distintos Estados soberanos. p. quanto as normas de produção internacional. dotadas daquilo que cursivamente se denomina elemento de estraneidade‖ (BASSANEZE. fenômeno decorrente da intensificação e da dinâmica do comércio exterior.br/xmlui/bitstream/handle/2011/27668/acordos_bitributacao_incentivos_fiscai s. http://www. http://www. em que ocupam lugar preponderante os tratados contra a dupla tributação.. http://repositorio. com segurança. diz que a tributação indireta aplicada pelo governo brasileiro por meio das chamadas ―contribuições sociais‖ onera excessivamente o comércio praticado pelo Brasil. ed. o seu conteúdo é constituído por todos os tipos de normas que respeitam a tais situações. 5.com. 4ª Edição. 4ª Edição. O fenômeno da bitributação.pdf?se quence=1. Conceito de Direito tributário internacional. http://www.pdf. Leandro Paulsen.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 23 Principais obras consultadas: Resumo do 26º CPR.php/cej/article/viewFile/963/1134. Além disso. de início. 2003. No que concerne à fonte.noticiasfiscais. esclarece: ―para que a bitributação econômica internacional pudesse ser admitida como bitributação e.upf.br/scielo.direitonet. 436). Trata da bitributação internacional. Direito tributário internacional do Brasil: tributação das operações internacionais. ao dissertar sobre o fenômeno de bitributação econômica. Heleno Tôrres.br/artigos/exibir/2348/Direito-Tributario-Internacional-e-DireitoInternacional-Tributario-existencia-ou-nao-de-distincoes. as normas do Direito Tributário Internacional são normas internas. páginas 131 a 133. seja qual for a sua fonte (interna ou internacional). que as principais normas que integram tal ramo didaticamente autônomo do direito são os tratados internacionais em matéria tributária. de 2012. No entanto. incluem-se no Direito Tributário Internacional tanto as normas de produção interna.br/ojs2/index.stj.gov. assim.. Poderíamos dizer. pelo menos indiretamente. através de órgãos e procedimentos por eles em conjunto estipulados para tanto.br/Direito_Lorena/Revista_Juridica_Online_files/13_Tratados_Internacionais_Tributario. Eduardo Sabagg.com. ser. conduzida à definição geral de pluritributação internacional.direitounisal.br/2012/05/02/tributacao-de-servicos-e-os-acordos-debitributacao/. Ressalta a importância das políticas fiscais dos Estados no intuito de limitar o exercício de sua competência tributária – a fim de evitar as conseqüências danosas da bitributação – bem como a dos tratados internacionais com idêntico objetivo. Rio de Janeiro: Forense.tjmg.jus. reconduzível aos elementos basilares da respectiva definição: concurso impositivo entre duas ou mais legislações fiscais soberanas contemporaneamente incidentes . afirma que muitos dos Estados signatários desses acordos vêm pressionando o Brasil pela revisão de suas cláusulas por não mais refletirem nossa realidade socioeconômica. PORTELA. […] Por outro lado.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/122/PF2011DanielDAgostini. Posição monista de Alberto Xavier: ―Sendo o objeto do Direito Tributário Internacional constituído pelas situações da vida conexas com mais do que um ordenamento tributário soberano (situações internacionais). necessitaria.ejef. em confronto com as contribuições cobradas pelo governo do Brasil sobre as transações comerciais realizadas com outros países.pdf?sequence=3.scielo.jus.br/home/files/publicacoes/artigos/112010. Curso De Direito Tributário Completo.‖ (XAVIER.com. 2000. página 54 http://www. http://www2.php?pid=S180824322008000100007&script=sci_arttext Legislação básica: não indicou. Manual de Direito Tributário.cjf. de 2012.

Valério de Oliveira Mazzuoli. as habitadas por espanhóis. ao final das hostilidades. autorizando uma parte a reivindicar um território conquistado pela guerra.. Paulo Henrique Gonçalves Portela. Descobrimento e ocupação como critérios de aquisição territorial. há inúmeras Convenções para evitar a bitributação da renda e evitar a evasão. só no de residência ou só no de percepção da renda. Os acordos de bitributação são os instrumentos de que se valem os Estados para evitar ou mitigar os efeitos da bitributação por meio de concessões mútuas. Curso de Direito Internacional Público. 3ª edição. ita possideatis. que significa "quem possui de fato. convém estabelecer um conceito de bitributação internacional. nesta visão. como demonstraremos. 5. com o fito de inibir a bitributação internacional. Observação: Segundo Leandro Palsen. ed. Nesse momento. F. devido à proposta do diplomata luso brasileiro (Alexandre de Gusmão. Princípio uti possidetis.‖ Acordos de bitributação. deve possuir de direito". p. ao menos parcialmente. em que é acordado critério uniforme para que a tributação se dê apenas em um dos países. 54). impostos análogos. 2011. Editora Saraiva. Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira Principais obras consultadas: Resumo do 26º CPR. o Brasil não é membro da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE). Editora Jus Podivm. 9ª edição. J. mas adota.922/06. ou seja. O princípio clássico possibilitava aos beligerantes em um conflito conservarem. espanholas. Editora Revista dos Tribunais. Um exemplo histórico de sua aplicação foi o Tratado de Madri (1750). nos seguintes termos: ―há forte laço comunicante entre as searas jurídicas em destaque. muitos dos seus Modelos de Convênio. definindo os limites entre as colônias americanas daquelas potências: as terras habitadas por portugueses seriam portuguesas. Princípio uti possidetis. inclusive relativos à dupla tributação da renda. Direito Internacional Público e Privado. nascido no Brasil colônia. dentre muitas outras. em Santos em 1695 e tendo morrido em Lisboa em 1753). para estabelecer as . Para tanto é que foi firmada a Convenção BrasilChile para evitar a dupla tributação. celebrado entre Portugal e Espanha para substituir o Tratado de Tordesilhas. ao lado da inafastável necessidade de sistematização dos impostos aduaneiros. Este tratado garantiu aos portugueses a maior parte do que hoje constitui o território brasileiro. Ponto 3. perante suas implicações no plano econômico interno. promulgada pelo Decreto 4. A expressão seria um excerto da frase uti possidetis.‖(SABAGG.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 24 sobre um mesmo suporte fático dotado de elementos de estraneidade. No Brasil. Por fim. Rezek. uma vez imprescindível o devido tratamento a ser dado aos tratados e convenções internacionais. A compreensão moderna do princípio foi utilizada após a descolonização. Legislação básica: não indicou. promulgada através do Decreto 5. ao mesmo contribuinte. Sua origem remonta ao direito romano. o que não se verifica. quando aborda acerca da relação entre o direito tributário e o direito internacional público. a menos que este aspecto seja objeto de tratado específico. sendo ela entendida como o fenômeno por meio do qual um único fato implica obrigações semelhantes impostas por mais de um Estado soberano. imputando. as posses territoriais e patrimoniais obtidas durante seu desenrolar. Direito Internacional Público.852/03 e a Convenção BrasilÁfrica do Sul. 2012.c. é a base da soberania. vale a pena trazer à baila o entendimento do doutrinador Eduardo Sabagg. A posse efetiva.

php%2FMED%2Farticle%2Fdownload%2F4640%2F4 650&ei=Suy7T7u8H836ggfniv3ZCg&usg=AFQjCNHcFPIZONBhRSpPW2AA0l6zfYnMYw&sig2=CoKCXPaJxuByqVigtTDFRg . o uti possidetis juris3 pode ser entendido como o direito de um país recentemente independente de conservar o território que possuía enquanto colônia – o que evita intervenções ou avanços estrangeiros sob a alegação de se tratar de terra de ninguém (terra nullius). Foi um ato jurídico. a terra abandonada por seu antigo descobridor. atua seguindo certos princípios no que tange ao limite terrestre: (i) dá primazia aos tratados anteriores (interpreta-os até extrair dele delimitação clara e completa). dissociado da continuidade e do exercício da soberania sobre o território descoberto. intervenção da Guiné Equatorial). O caso demonstra. a sua soberania. transmitido via oral. unilateral. considerando a presença continua e o exercício da soberania holandesa na Ilha de Palmas. Assim. Nessa situação a CIJ entendeu que a Noruega havia se obrigado perante a Dinamarca 5A ilha de Palmas foi cedida aos Estados Unidos em 1898 pela Espanha. O território é a base física ou o âmbito espacial do Estado. 1994 (Camarões vs . Em 1928. Assim. também. os cidadãos noruegueses terem levado a cabo uma série de atividades na ilha.google. Em 1906. A Corte afirmou que. O uti possidetis de jure é uma salvação para problemas de terra. dessa forma. onde que ele ocorra. (ii) effectivités (atos de soberania e consolidação história) alegada pela Nigéria não prevalece sobre o título de Camarões. a declaração de ocupação promulgada pelo governo Norueguês. significando que quem tivesse a posse jurídica. A descoberta tinha por objeto a terra desabitada (terra nullius – ‗terra de ninguém‘) ou habitada por povos que não seguiam o modelo de organização estatal e que não estavam sob o poder de nenhuma soberania. cujo estatuto jurídico equivalia ao da terra nullius.bce. conectado logicamente com o fenômeno da obtenção de independência. no tocante aos limites territoriais. ilegais e inválidas. 1932. decidindo que o titulo de descobrimento. os Estados Unidos descobrem que a Holanda também alegava ser soberana. a Dinamarca.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 25 fronteiras dos novos Estados independentes na América. foram uma violação à situação jurídica existente à época e. 4Lembre-se que este caso é exemplo. na tentativa de evitar conflitos. A partir da ocupação da terra desabitada ou abandonada. não possuía efeitos jurídicos. em ordem a manter como limites territoriais aqueles tradicionalmente correspondentes aos antigos territórios.br%2Findex. Ásia e África.Caso Estados Unidos vs Holanda. ou seja. 1928 5 . http://www. as mudanças ocorreriam só por baixo de muita guerra. em 10 de julho de 1931.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&ved=0CFcQFjAC&url=http%3A%2F%2Fseer. revela a aproximação deste em relação à ideologia imperialista europeia. no Tratado de Paris. ao utilizar argumentos remanescentes do ciclo colonial no continente americano. em 1986 (Uti possidetis é um princípio geral. o arbitro Max Huber. justificando que o título de descobrimento da Espanha lhe conferia a propriedade da Ilha de Palmas como parte integrante de seu território. permaneceria no território. seguida da ocupação efetiva (com o exercício contínuo ou a demonstração efetiva de soberania) ou presumida. Descobrimento e ocupação como critérios de aquisição territorial. embora não tão frequente. pois do contrário. Corte Internacional de Justiça . emitiu seu julgamento. em consenso com a Holanda. foi a terra derelicta. onde ele se impõe para exercer. que produziu efeitos na medida em que a Dinamarca aceitou como promessa. que até o estabelecimento das Nações Unidas não havia qualquer noção de direito à autodeterminação dos povos. novos territórios eram adquiridos por 3O uti possidetis de jure (em contraponto ao uti possidetis de facto. Seu propósito é impedir que a independência e estabilidade de novos Estados sejam ameaçadas por lutas fratricidas provocadas pela mudança de fronteiras após a retirada do poder que administrava o local [os colonizadores]).Caso da península de Bakassi e a área do lago Chad. No passado era comum que os Estados que faziam parte das potências navais adquirissem território por descoberta. de responsabilidade internacional do Estado O embaixador da Noruega prometeu à Dinamarca que não criaria problemas em relação à adoção do estatuto jurídico da Groenlândia Oriental. neste caso. e (iii) valorização do uti possidetis iuris favorecendo Camarões). a participação dos Estados Unidos no Caso Palmas. Corte Internacional de Justiça . como parte litigante. com exclusividade. Hoje. Assim. sobretudo. que possuía e exercia soberania sobre toda a ilha da Groelândia. A necessidade de ocupação efetiva do território tornou-se um costume internacional e. Outro modo de aquisição de território no passado. o do Gusmão). Aplicação moderna: Corte Internacional de Justiça . A efetividade da ocupação foi o critério da decisão do caso das Ilhe de Palmas para a Holanda.com. recorreu à jurisdição da Corte Permanente de Arbitragem. os Estados Unidos. Corte Permanente de Arbitragem . e que foi registrado. e quaisquer outras medidas tomadas nesse sentido. ao longo dos anos.Caso Burkina Faso e Mali.Caso Noruega vs Dinamarca4. independente de. Além disso. a Corte conferiu a soberania à Holanda. teve reconhecido a incorporação do território. renomado jurista suíço. Nigéria.unb.

. o Tribunal Permanente decidiu a favor da Dinamarca contra a Noruega que havia anunciado sua ocupação em 10 de julho de 1931. Frise-se que. nos tempos atuais. são as seguintes: a) ser o território res nullius. Depois de descoberto. de exploração mineira e outras. o tema ocupação de território perdeu significativamente a sua importância. Daí se entender que a descoberta faz nascer para o Estado-descobridor um título condicionado. Num planeta já praticamente todo dominado. Essa efetividade se demonstra pelo exercício dos poderes de fato. baseado na manifestação efetiva de autoridade estatal sobre toda a Groelândia. o Estado se instalava nesse território. convenceu o Tribunal. Assim. pode-se dizer que as condições necessárias para que a ocupação seja considerada legítima. No caso Groelândia Oriental. não mais existindo territórios desocupados passíveis de ocupação. Pgs. não mais avulta de importância o estudo da ocupação como modo de aquisição de território. são as seguintes: a) ser o território res nullius. Uma bandeira fincada à terra a elaboração de uma ata e o envio de correspondências ao soberano sobre a nova colônia eram os meios utilizados para a tomada de posse das terras descobertas. Território: aquisição e perda. a fim de manter a efetividade da posse. Depois de descoberto. Rios Internacionais e Regimes Fluviais. prevenindo o seu direito em relação aos demais Estados. b) ter sido a sua posse tomada para o Estado e em nome dele. b) ter sido a sua posse tomada para o Estado e em nome dele. e a celebração de numerosos tratados em cujos termos apareciam explícitos os direitos dinamarqueses sobre a Groelândia". c) ser real e efetiva a posse exercida pelo Estado sobre o território res nullius. a não ser pelo ponto de vista de perspectiva histórica. a fim de manter a efetividade da posse. em sua obra. Daí se entender que a descoberta faz nascer para o Estado-descobridor um título condicionado. Assim. Autodeterminação dos Povos. A arguição da Dinamarca. e d) ser a ocupação formalmente notificada aos demais membros da sociedade internacional. Domínio Aéreo. Faixa de Fronteira. o exercício de funções governamental e de administração. Direitos e Deveres.a. c) ser real e efetiva a posse exercida pelo Estado sobre o território res nullius. que formalizavam a prioridade daquela aquisição. 495-496). pode-se dizer que as condições necessárias para que a ocupação seja considerada legítima. traz importante discussão acerca do tema: ―a simples prioridade no descobrimento de novas terras já era suficiente para legitimar a aquisição do território. oponível aos outros Estados enquanto não contestado pela presunção juris tantum de veracidade (e da efetividade por um período razoável) dos atos ocupatórios. o Estado se instalava nesse território. e d) ser a ocupação formalmente notificada aos demais membros da sociedade internacional. 2011. pelo avanço da ocupação para terras adjacentes até que se encontrasse outra soberania. uma vez que todas as terras do nosso planeta já estão efetivamente ocupadas. Reconhecimento do Estado e Governo. no sentido de que durante muito tempo havia existido a seu favor um título válido. Estados. conservando o seu domínio. que o estado exerce no território res nullius.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 26 contiguidade. que levou em conta as atividades exercidas por esse país entre 1921 e 1931. Deverá por isso provar o seu animus occupandi ou animus possidendi como condição essencial para a formalização do título. conservando o seu domínio. não obstante ter sido este o modo mais frequente de aquisição de território no passado. oponível aos outros Estados enquanto não contestado pela presunção juris tantum de veracidade (e da efetividade por um período razoável) dos atos ocupatórios. a atribuição de concessões comerciais. ITEM 4 Ponto 4. ou seja. incluindo "a imposição de legislação relativa a um monopólio estatal de comércio. correspondentes ao exercício da Soberania. Mazzuoli (MAZZUOLI.

Neste ponto. 4ª Edição. bens e relações jurídicas dentro de um dado território. Shaw. deve possuir os seguintes requisitos: população permanente. 2006. Art. 2002. e. a exemplo do que ocorrei com a Bósnia e Herzegovina no Acordo de Paz de Dayton de 1955 (SHAW. 1. como a independência do ente estatal em relação a outros Estados. Art. arts. capítulo 1 da Carta das Nações Unidas.166). muitos autores diferenciam os termos ―povo‖ e ―população‖: A idéia de ―povo‖ está ligada ao conjunto de pessoas naturais. 5 Edição.634/79. Art. Hildebrando Accioly e Paulo Borba Casella. inclusive estrangeiros e apátridas (PAULO BONAVIDES. 9a Edição. Através de tais conceitos. 15 da Declaração Universal dos Direitos das Nações Unidas. 19 edição. Saraiva. étnicas e religiosas). num determinado momento. capacidade de entrar em relações com os demais Estados. tanto do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) como do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. PAG. VARELLA. pág. pg. Malcolm N. mesmo quando algumas funções de governo são colocadas nas mãos de um organismo externo. históricas. já que as nações podem estar espalhadas por vários Estados. 1. Direito Internacional. essas disposições não são nem exaustivas nem imutáveis. Direito Internacional Privado: teoria e prática. 1. PAG. Art. como o poder que tem supremacia sobre as pessoas. Noções Gerais: Primeiramente. de modo que outros fatores podem ser relevantes. Art. 2. Curso de Direito Internacional Público. art. Para alguns autores (SHAW. 31 a 33. dentre eles os aspectos relativos à autodeterminação dos povos e o reconhecimento dos Estados na seara internacional. Convenção de Varsóvia de 1929 (Decreto 20. JORGE MIRANDA.º 6. Editora Saraiva.704/1931). SP: Saraiva. Art. e o território de um ente estatal específico pode conter diversas nações. Elementos Constitutivos: De acordo com a Convenção dos Direitos e Deveres dos Estados (1933. incumbe salientar que o conceito de autodeterminação dos povos está intimamente relacionado à noção de povo (elemento humano constitutivo do Estado) e de soberania (elemento governo constitutivo do Estado). estabelecido permanentemente num território determinado e sob um governo independente (ACCIOLY. 5 da LICC. Noções Gerais: O Estado pode ser definido como um agrupamento humano. 337 do CPC. 16 da LICC. Paulo Henrique Gonçalves Portela. . Ed. Convenção de Viena de 1986. Valério de Oliveira Mazzuoli. vinculadas juridicamente a um ente estatal por meio da nacionalidade (PAULO HENRIQUE PORTELA. Marcelo D. Direito Internacional Público.83). 68). Convenção de Montreal de 1999 (Decreto 5910/2006). alguns autores lembram a possibilidade de um ente estatal ser aceito como independente. 2011. tomar suas escolhas sem intervenção externa. 1º. Montevidéu).713/46). CIÊNCIA POLÍTICA. 203). pág. No tocante ao conceito de povo. AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS. território determinado. 1o da Lei Federal n. Art.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 27 Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (mantido na íntegra). 199). Manual de Direito Internacional Público. Convenção de Chicago de 1944 (Decreto 21. o Estado. Sociais e Culturais (PIDESC). Editora RT. Editora Martins Fontes. no âmbito interno. enquanto que o termo ―população‖ se refere a todas as pessoas presentes no território do Estado. 48 a 51 da Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados de 1969. Já a soberania pode se compreendida. CURSO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO. tem-se que a autodeterminação dos povos é o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar. Legislação básica: Convenção dos Direitos e Deveres dos Estados de 1933 (assinada em Montevidéu). 14 da LICC. O Estado não deve ser confundido com o conceito de nação ou povo (grupos sociais unidos por afinidades culturais. governo. como pessoa de direito internacional. no âmbito internacional. tendo como um de seus colorários o princípio da não-intervenção nos assuntos internos de outros Estados. Beat Walter Rechsteiner. 2006.

O reconhecimento de Governo não altera o reconhecimento de Estado anterior. Características: unilateral. não intervirem em assuntos da soberania de outros entes. de um determinado povo de determinar seu próprio status político. o direito à Soberania. inserindo-se na dinâmica das relações internacionais. RECONHECIMENTO DO ESTADO E GOVERNO: Conceito: trata-se de instituto ligado á capacidade de um ente estatal manter vínculos com outros Estados e organismos internacionais. 1930): o não reconhecimento ou o reconhecimento expresso de um novo governo é um intervenção indevida em assuntos internos de outros entes estatais (caso o Estado esteja insatisfeito com o novo governo. Características: a) Ato declaratório (maioria doutrinária): apenas atesta o surgimento do novo estado. direito a legislar sobre seus interesses. Duas doutrinas principais: I. o direito de o Estado existir independentemente de reconhecimento. discricionário. Em outras palavras. administrar seus serviços e determinar a inviolável. São direitos dos Estados. c) Não obrigatório (não é um dever do Estado que o concede nem um direito do Estado que o requer). DIREITOS E DEVERES. Deveres: Proteger igualmente nacionais e estrangeiros (embora este não possam exigir direitos diferentes ou mais extensos que os dos nacionais). Incondicionado (apesar de se exigir o respeito às normas jus cogens pelo novo Estado). ressaltar que a CIJ. 3 da Convenção de Montevidéu de 1933: ―a existência política de um Estado é independente do seu reconhecimento pelos demais‖. Doutrina Estrada (México. manter relações diplomáticas. Efeitos: o Estado reconhecido passa a poder celebrar tratados. Vale. utilizar de mecanismos judiciais internos no Estado que o reconhece e a ter direito de propriedade sobre os bens existentes no território do Estado que o reconhece. não podendo se objeto de ocupação militar nem de qualquer medida de força temporária ou permanente (salvo: legítima defesa ou ação internacional voltada a manter ou liberdade (possibilidade de determinar autonomamente seus rumos) como o direito de exercer jurisdição sobre todas as pessoas que se encontrem em seus territórios. Reconhecimento de Estado: é um ato unilateral pelo qual um ente estatal constata o aparecimento de um novo Estado e admite as conseqüências jurídicas (ex: estabelecimento de relações jurídicas) desse fato. e) Irrevogável. Art. ao manifestar-se sobre o caso de Timor Leste. conservação. h) Pode ser individual (feito só por um Estado) ou coletivo (concedido a um grupo de Estados). ainda. busca . b) Ato discricionário (fundado em razões de interesse nacional). participar de organizações internacionais. Aplica-se apenas a governantes cuja investidura resulte de rupturas na ordem constitucional anterior (Ex: golpes de Estado). prosperidade e independência. entendeu que a autodeterminação dos povos tem caráter erga omnes. ou seja. II.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 28 ou seja. g) Pode ser concedido sem qualquer solicitação. Reconhecimento de Governo: é o ato pelo qual um Estado admite um novo governo de outro Estado como representante deste nas relações internacionais. não é seu elemento essencial e nem inoritária). Direitos: A Convenção consagra. seria o direito que o povo de determinado país tem de escolher como será legitimado o direito interno sem influência de qualquer outro país. não obrigatório. 1907): só deve ser concedido o reconhecimento de governo quando este último contar com o apoio popular (adotada pelos EUA). deve apenas romper relações diplomáticas com ele). irrevogável e incondicionado. Consagrados tanto nos costumes como na norma escrita (Convenção de Montevidéu sobre Direitos e deveres dos Estados de 1933). d) Retroativo (gera efeitos a partir do instante em que se forma o Estado). Doutrina Tobar (Equador. ainda que não reconhecidos: defesa de sua integridade. de modo que o Estado que ―reconhece‖ apenas aceita a personalidade do ―reconhecido‖ (não o constitui. inicialmente. f) Pode ser expresso ou tácito.

"ao longo das fronteiras terrestres. No presente: negociações internacionais. plataforma continental e ZEE. proteção ou mandato do Estado. feitas pelos Estados. normalmente. Não fazem parte do território: embaixadas e consulados no exterior. Nesses casos. Conceito: Trata-se o limite físico do território e do exercício de poder do Estado. Logo. sendo vedadas as guerras de conquista e as ações militares para anexações de territórios). O Estado exerce jurisdição: sobre o subsolo abaixo da área que ocupa. acessão (forças da natureza. Doutrinas: a) Doutrina uti possidetis (principio da intangibilidade das fronteiras coloniais): divisões administrativas que foram determinantes para a constituição dos limites entre os Estados colonizados. mar territorial. embarcações e aeronaves militares (em qualquer lugar) e embarcações e aeronaves civis em águas internacionais. em período imediatamente pós colonial e em período mais recente (SHAW. o uso. a Convenção sobre Aviação Civil de Chicago permite que aeronaves de seus Estados-partes. b) contíguos (limítrofes ou fronteiriços): separam os territórios dos Estados. aproveitando-se de paralelos e meridianos). Súmula 477 do STF: As concessões de terras devolutas feitas nas faixas de fronteiras. Perda do território: decorre da sua aquisição por outros Estados. A zona de fronteira é constitucionalmente definida como a faixa de até 150 (cento e cinqüenta) km de largura. conquista militar de áreas pertencentes a outros Estados (método atualmente considerado ilícito. adjudicação (decisão tomada por mecanismo internacional de solução de controvérsia). TERRITÓRIOS. FAIXA DE FRONTEIRA. ainda que se mantenha inerte ou tolerante. como rios e cordilheiras) ou artificiais (criadas pelos Estados. jurisdição. Podem ser naturais (resultantes de acidentes geográficos. Espécies: a) Sucessivos: passam consecutivamente por um Estado e depois por outro. Espaço Aéreo: compreende o espaço acima da área terrestre. apenas. 322). É o espaço físico dentro do qual o Estado exerce seu poder soberano. 20. deve-se ater à noção de prova do efetivo exercício de jurisdição territorial em período colonial. DOMÍNIO AÉREO. posse. Não há um direito de passagem inocente no espaço aéreo. pág. Entretanto. RIOS INTERNACIONAIS E REGIMES FLUVIAIS. devem permanecer servindo de limites dos Estados sucessores (recém independentes) (SHAW. de modo que a matéria termina sendo regulamentada pelos Estados que compartilham os cursos d´água. em relação aos possuidores. o espaço aéreo acima de suas fronteiras. 529). Doutrina das efetividades: Nem sempre o princípio do uti possidetis é apto à fixação de fronteiras (Casos Burkina Faso-Mali e El Salvador-Honduras). pág. art. devendo todo o sobrevôo sobre o território de outro Estado ser objeto da devida autorização (REZEK. a qualidade de ente estatal não é afetada quando parte de seu território não está sobre o controle do governo (guerras civis. II. autorizam. cessão. Conceito: são os que banham mais de um Estado. invasão estrangeira e disputa de fronteiras). Trata-se de um princípio de direito internacional segundo o qual os que de fato ocupam um território possuem direito sobre este. pág. desde que em . São normalmente estabelecidas por tratados (embora possa ser provenientes de arbitragem ou mediação). Formas de Aquisição: No passado: descoberta. Algumas Regras: I. a título gratuito ou oneroso. pág. considerada fundamental para defesa do território nacional" (CRFB/88. O elemento que integra o conceito de Estado é território e não território estável. águas interiores e fronteiriças (até o limite com o ente estatal vizinho). 525). sendo um direito casuístico (REZEK. 326). permanecendo o domínio com a União. Regime Jurídico: não há um tratado geral sobre o tema. ocupação da terra desabitada. do mar territorial de áreas sob a soberania. Composição: solos. Há rios que podem reunir as duas características: serem sucessivo em uma dada extensão e contíguos em outra. Direito Internacional Público. O Estado exerce sua soberania sobre o espaço aéreo de maneira absoluta e exclusiva. § 2º). dentre elas aluvião ou avulsão).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 29 de solução de controvérsias entre si de forma pacífica e dever de não reconhecer aquisições territoriais ou quaisquer outras vantagens obtidas pela força ou pela coação.

Características Principais: a) Os tratados não podem violar as normas jus cogens. O Estado Sobrevoado apenas pode proibir o vôo sobre áreas determinadas ou pré-determinar rotas. É aplicável especialmente em tratados multilaterais.). Tráfego Aéreo: Regime das ―cinco liberdades‖. Cada Aeronave terá apenas uma nacionalidade e uma matrícula. parte Geral. ou com destino a. sobrevoem outros Estados-partes sem fazer escalas. As reservas são também chamadas de salvaguardas. mas ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional). Convenção de governo). Embarcar ou desembarcar passageiros ou mercadorias procedentes de. de 14 de dezembro de 2009). Liberdade de Sobrevôo. Nacionalidade das Aeronaves: Toda aeronave deve ter uma nacionalidade. Modalidades de Extinção. Interpretação. não podem ser postas em perigo a vida dos ocupantes da aeronave e a segurança dos equipamentos (Protocolo à Convenção de Chicago de 1984-Decreto 3032/99). Desembarcar passageiros e mercadorias provenientes do Estado de origem da aeronave. RESERVAS: Trata-se de uma declaração unilateral (qualquer que seja sua denominação) feita por um Estado ao assinar. aceitar ou aprovar um tratado. Efeitos sobre Terceiros. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (sem qualquer alteração) Legislação básica: Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados de 1969 (Decreto 7030. III. Tratados Internacionais. às organizações internacionais o poder de concluir tratados (o que já era feito na prática). pacto.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 30 vôos não regulares. e três comerciais. sendo que. Somente com o advento da Convenção de Viena de 1986 (ainda não em vigor no Brasil) conferiu-se. Entrada em vigor. Reservas. qualquer que seja a sua denominação específica. Apesar de alguns autores (Mazzuoli. protocolo. explicitamente. Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais de 1986 (o Brasil assinou a Convenção em 1986. definida a partir de sua matrícula ou de seu registro no Estado. com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em relação ao Estado. c) Possuem caráter obrigatório. Liberdade de escala técnica. Características: I. b) o termo ―tratado‖ é gênero. sem escalas. Ponto 4. Liberdades Comerciais: I. Liberdades Técnicas: I. II. Vícios de Consentimento. A Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados de 1969 estabelece tratado como ―acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. que incorpora várias espécies (convenção. ainda que pertença a uma companhia multinacional. em caso de interceptação. III. Todo Estado deve se abster quanto ao uso de armas contra aeronaves civis em vôo. È proibido o registro em mais de um Estado. quer conste de instrumento único. sem necessidade de obter licença prévia. Embarcar passageiros e mercadorias com destino ao Estado de origem da aeronave. TRATADOS INTERNACIONAIS. ou fazendo escalas apenas para fins não comerciais. Sujeitos celebrantes: Apenas Estados e Organizações internacionais podem celebrar tratados. ratificar. Registro e Publicidade. quer de dois ou mais conexos. II. acordo. terceiros países. sendo duas de caráter técnico. etc. Direito Internacional Público. sem fins comerciais ou em casos de emergência. .b.

pelas circunstâncias. Mazzuoli afirma que a Convenção de Viena de 1969 regula: 1) os vícios que podem influir no consentimento do Estado em obrigar-se pelo tratado. deve ser formalmente confirmada pelo Estado quando manifestar seu consentimento definitivo (diferentemente. O erro não se configura se o Estado contribuiu para o fato com a sua conduta e se. II. simultaneamente. A reserva não modifica as disposições do tratado quanto às demais partes no compromisso em suas relações entre si. ameaças ou pressões. 517). IV. 19 da Convenção de Viena de 1969 determina que uma reserva não poderá ser feita se for proibida pelo Tratado ou incompatível com a finalidade deste último). a aceitação ou objeção feita a uma reserva antes do consentimento definitivo do Estado que a formulou não requer posterior confirmação do Estado que aceitou ou objetou). dentre eles: I. O consentimento livre e sem vícios é pressuposto da formação dos tratados. definiu que quando um Estado faz reservas não contrárias ao objeto do tratado. pág. A CIJ. seria mais apropriado se estudar o tema sob a rubrica ―Vícios do Consentimento e Nulidade dos Tratados‖. sua aceitação expressa ou objeção devem ser formuladas por escrito (assim como as retiradas de uma reserva ou de uma objeção à reserva). 52 e 538). gerando duplicidade de regimes jurídicos. ao que alguns se opõem e outros concordam. através dos procedimentos: notificação de ratificação e troca dos instrumentos de ratificação. dividindo-os em anuláveis (artigos 46 a 50) e nulos (hipótese única do art. Tratados Bilaterais: ambas as partes precisam ratificar as de trocas informações entre si. condicionada à futura ratificação ou aceitação. §1 e §2 da Convenção de Viena). e não para os outros. desenvolveram-se procedimentos diferenciados. b) DOLO: é a informação distorcida intencionalmente por meio ardil. 58) não aceitarem as reservas em tratados bilaterais. ou. A reserva. c) COAÇÃO: conclui-se o tratado em virtude do emprego de forças. segundo o autor. há outros doutrinadores (Paulo Henrique Portela. Uma reserva formulada quando da assinatura do tratado. b) quando o tratado é ato constitutivo de uma organização internacional (ocasião em que a reserva deverá ser aceita pelo órgão competente). manobra ou artifício.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 31 pág. em 1951. Para que torne o tratado inválido. d) CORRUPÇÃO DO REPRESENTANTE DE UM ESTADO (ação direta ou indireta do outro Estado negociador). e causas de nulidade do tratado (efeitos ex tunc). o estabelecimento de um depositário. num caso consultivo sobre as reservas à Convenção contra o Genocídio. outros autores elencam causas de anulabilidade (efeitos ex nunc). Daí. embora possam sofrer restrições (O art. A entrada em vigor poderá ser no dia em que for feita a última notificação de ratificação. V. Exceções (quando a reserva depende de anuência das outras partes): a) quando se infere do número limitado de Estados ou do objeto do tratado que a aplicação do acordo na íntegra entre todas as partes é condição essencial para cada uma das partes obrigaremse pelo acordo. ainda. embora a não aceitação da reserva acarrete a não conclusão do tratado. 122) que aceitam. As reservas podem ser formuladas em qualquer momento durante a elaboração do tratado. 24. As reservas podem ser exclusivas (excluem os efeitos de certas cláusulas) ou interpretativas (o Estado declara a forma como dadas clausulas devem ser aplicadas a ele). o qual será . VÍCIOS DE CONSENTIMENTO. em data posterior (se o acordo assim estabelecer). Diante disso. ENTRADA EM VIGOR. Tratados Multilaterais: As hipóteses anteriores podem ser pouco práticas (principalmente se o acordo envolver muitos Estados). Regra: reserva é unilateral. III. Apesar de alguns autores afirmarem que os vícios de consentimento geram a anulabilidade do tratado. no dia em que houve a troca dos instrumentos. Os vícios de consentimento podem ser decorrentes de: a) ERRO: há falta de informação sobre o objeto do tratado ou quando esse objeto não condiz com a verdade. O tratado entra em vigor na forma e na data previstas nele ou conforme acordado pelos Estados negociadores (art. o Estado tivesse possibilidade de perceber o erro. o erro deve atingir a essência do ato. o Estado que fez a reserva será parte em relação aos que concordarem. VI. 2) os casos de nulidade do tratado propriamente dito (artigos.

80) dispõe que ―após sua entrada em vigor. não retroagindo. saliente-se que os tratados não necessitam de aprovação das Nações Unidas para entrarem em vigor. É com base em tal idéia que o STF. 114). jurisdicional e doutrinária. a Convenção de Viena de 1969 estabelece que todas as versões autênticas do ato. os atos internacionais entram no universo jurídico do direito internacional independentemente de registro. via de regra. bem como de publicação‖. B) Vigência diferida: o texto do tratado estipula um prazo para sua entrada em vigor após expressão final da vontade dos signatários. afirma que o registro é mera condição para que uma norma seja invocada nos órgãos das Nações Unidas. PAG. o tratado não gerará efeito para a parte que o ratificou. governamental. II. A CARTA DA ONU (art. deverá ser promulgado por meio de decreto do Presidente da República. Após certo prazo estabelecido no acordo. ao julgar a ADPF 153. o contexto do tratado é formado por seu preâmbulo. ainda que em língua diversa da dos Estados envolvidos. entretanto.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 32 um Estado ou um Organismo internacional que receberá os instrumentos de ratificação e informará as partes que assinam o tratado a respeito. Princípio do pacta sund servanda e da boa fé: O art. após o tratado ser ratificado. REGISTRO E PUBLICIDADE. Métodos: A interpretação poderá ser autêntica. Entretanto. os trabalhos preparatórios. EFEITOS SOBRE TERCEIROS. salvo disposição em contrário. 102) determina que todo tratado concluído por qualquer um de seus Estados Membros deverá ser registrado e publicado pelo Secretariado Geral da Organização. Assim. . tendo em vista que. no dispositivo anteriormente referido. a própria Carta da ONU. é possível se observar que a vigência do acordo independe do registro na ONU (PORTELA. A exigência de um número mínimo de ratificações. Na prática. parte da doutrina entende que o registro do acordo na ONU e sua respectiva publicação é condição para que o ato entre em vigor. Por fim. os tratados serão remetidos ao Secretariado das Nações Unidas para fins de registro ou de classificação e catalogação. o preâmbulo do acordo e seus anexos. não afetando. alegou que a Convenção contra a Tortura de 1984. têm fé e são iguais entre si. efeitos ex nunc. 26 da Convenção de Viena de 1969 prevê os referidos princípios ao afirmar que ―todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé‖. para que possa ser invocado perante o órgão das Nações Unidas. No mesmo sentido. Do exame de tal disposição. O depositário não precisa ser parte no tratado. por seu texto e seus anexos (expressões autênticas das intenções das partes). Além desses meios. podem ser empregados métodos suplementares. podendo levar em consideração os costumes e acordos posteriores (relativos à interpretação do tratado e suas aplicações). por ter entrado em vigor no Brasil apenas em 1989. No Brasil. uma das versões poderá prevalecer para fins de interpretação caso as partes assim decidam no texto do acordo ou no caso concreto. dentre eles: as circunstâncias de conclusão do acordo. não poderia ser aplicada aos agentes estatais acusados da prática de tortura durante o período de exceção vivido pelo Brasil a partir de 1964. Para dirimir os conflitos advindos das diferentes traduções feitas do tratado. Antes que seja atingido esse número mínimo. a Lei de Anistia. INTERPRETAÇÃO: De acordo com a Convenção de Viena em referência. C) o tratado pode entrar em vigor de maneira escalonada (em momentos diferentes para alguns signatários). É comum nas Convenções da OIT e nos acordos de integração regional. Vigência (início da aplicabilidade do tratado no universo jurídico): A) Vigência contemporânea: o ato entra em vigor tão logo seja manifestado o consentimento definitivo das duas partes (tratado bilateral) ou de um mínimo de signatários (tratado multilateral). conforme o caso. III. portanto. Irretroatividade dos tratados: Os tratados geram. Na data do recebimento da última ratificação exigida IV. a Convenção de Viena de 1969 (art.

em princípio. d)caducidade. cumpre observar as situações que não geram a extinção dos tratados: a) a impossibilidade temporária (enseja apenas a suspensão). Os tratados abertos são. g) Um ato unilateral. 36 da Convenção de Viena de 1969). c) cumprimento do objeto. pela vontade comum das partes (ab-rogação). e b) o rompimento de relações diplomáticas e consulares (salvo se tais relações forem indispensáveis à aplicação do ato). a anuência do favorecido é presumida até indicação em contrário (art. Ponto 4. A possibilidade de os atos internacionais repercutirem sobre partes não contratantes depende. No que diz respeito aos tratados multilaterais. PAG. Por fim. Questão diversa da eficácia dos tratados perante terceiros. como. a exemplo da denúncia.c: Interpretação e aplicação do direito estrangeiro. também pode gerar a extinção de um tratado bilateral ou multilateral. estes somente serão extintos na hipótese de um número de partes ser inferior a um determinado número mínimo. A violação substancial de um tratado multilateral por uma parte autoriza as outras a suspenderem a execução do acordo (no todo ou em parte) ou extinguirem o ato. em geral. no todo ou em parte. por definição. b) mudança imprevisível de circunstâncias fundamentais (cláusula rebus sic stantibus). somente aos entes estatais e organizações internacionais que o celebraram. há que se ressaltar a possibilidade de um tratado gerar efeitos para terceiros independentemente do consentimento destes. No caso de violação substancial. desde que haja consentimento unânime. e) superveniência de jus cogens que o torne nulo. um tratado pode impor obrigações ou criar direitos para um terceiro ente. 34 da Convenção de Viena de 1969). têm-se duas situações: I. MODALIDADES DE EXTINÇÃO. a qual pode ser prévia (pré-determinação ab-rogatória ou termo final) ou posterior (decisão ab-rogatória superveniente). é necessário que este último as aceite expressamente e por escrito (art. tais direitos só não prevalecerão se o beneficiário não consentir a respeito e. do consentimento destas. é a questão da oponibilidade erga omnes (eficácia externa) dos tratados: todos os Estados devem respeitar os tratados concluídos por outros Estados e não interferir na sua execução (JORGE MIRANDA. a menos que o ato internacional determine diversamente.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 33 No que diz respeito à aplicação dos tratados no espaço. Os tratados também se extinguem pelos seguintes fatos: a) impossibilidade de execução. . O tratado pode ser extinto pela sua execução integral. tem-se que tais acordos aplicam-se. 124). A violação substancial de um tratado bilateral por uma das partes autoriza a outra a invocar tal transgressão como causa de extinção ou de suspensão da execução do tratado. se tal circunstância estiver prevista sem suas normas (PAULO HENRIQUE PORTELA. Tais obrigações só poderão ser modificadas e revogadas com a concordância das partes do tratado e do ente que não seja seu signatário. salvo disposição em contrário. quem em relação à apenas o ente faltoso ou em relação a todos os signatários. por exemplo. tratados que conferem direitos a terceiros (o direito de aderir ou o direito de se tornar parte supervenientemente). II. f) cumprimento de dada condição resolutiva. Entretanto. pág. Tratado que cria direitos para Estado não parte: Na hipótese de o tratado criar direitos para entes que não sejam partes. A respeito do assunto. Vejamos as duas situações: Tratado que impõe deveres a Estado não parte: No caso de o tratado impor obrigações a terceiro ente. um acordo de fixação de fronteiras. Prova do Direito Estrangeiro. 82).

Assim. é o ordenamento interno que vai determinar qual a norma aplicável ao caso: se a estrangeira ou a nacional. o que não impede a possibilidade de o juiz exigir que as partes contribuam para provar a existência da norma ou determinar a realização de diligências para apuração do conteúdo do preceito. 3ª edição. poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e vigência‖. Não sendo viável produzir-se essa prova. 337 do CPC afirma que ―a parte que alegar direito municipal. Assim. No entanto. como não pode o litígio ficar sem solução. consoante as normas de Direito Internacional Privado. Já o art. um direito estrangeiro pode. julgamento da lide contra a parte que invoca a norma estrangeira. pelo qual o magistrado deve aplicar a norma de ofício aos casos que examina. soberania nacional ou aos bons costumes (art. o magistrado pode aplicar a norma estrangeira de ofício (mesmo sem ter sido provocado pelas partes). 14 da LICC prevê que ―não conhecendo a lei estrangeira. se assim o determinar o juiz‖. publicações oficiais. surgem as seguintes possibilidades elencadas pela doutrina: aplicação da lex fori (alternativa preferida). vale ressaltar o seguinte julgado: ―Sendo caso de aplicação de direito estrangeiro. Paulo Henrique Gonçalves Portela. salvo quando por ela invocado. podem ser citados: a doutrina estrangeira. A verificação e prova do direito estrangeiro regem-se pela lex fori. julgamento em conformidade com os princípios gerais de direito. . entretanto. Diante disso. pareceres de juristas. carregar à parte o ônus de trazer a prova de seu teor e vigência.544/MG). Segunda Corrente: Só as partes do processo podem alegar e provar o direito estrangeiro. 3a TURMA. a aplicação e a interpretação do direito estrangeiro é objeto de polêmica. conversão do julgamento em diligência. provar-lhe-á o teor e a vigência. gerar efeitos em outros Estados (a depender do que for dito pela ordem jurídica interna e pelos tratados pertinentes). ser aplicado quando houver tentativa de fraudar a legislação interna ou houver ofensa à ordem pública. caberá ao juiz fazê-lo. ainda de ofício. Não se poderá. Caso não seja possível provar a existência e o teor da norma estrangeira dentro do processo. etc. 17 da LICC). Terceira Corrente: coloca ao critério do juiz estabelecer o modo que deve ser aplicada a norma estrangeira. estadual. Direito Internacional Privado. o juiz aplicará o direito nacional‖ (STJ. Legislação básica: não indicou INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO. O art. existindo três correntes sobre o tema: Primeira corrente: o juiz deve aplicar a norma estrangeira de ofício. Acerca da aplicação da norma estrangeira. O direito estrangeiro não poderá. Para a definição da norma a ser aplicada. entretanto. estrangeiro ou consuetudinário. o magistrado deve decidir em conformidade com a lex fori. A jurisdição é exercida de acordo com o princípio iura novit curia. Em princípio. que é composto tanto pelas normas nacionais quanto pelos tratados dos quais o ente estatal faça parte. o direito aplicável às relações humanas é o direito interno do Estado onde elas têm lugar.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 34 Ordem Pública e exceções à aplicação do direito estrangeiro Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (mantido na íntegra). cartas rogatórias. Resp n. Dentre os meios que podem comprovar a existência da norma estrangeira. 254. como também poderá requerer a colaboração das mesmas. poderá surgir dúvidas quanto à interpretação de seu conteúdo. Uma vez provada a existência de uma norma estrangeira. na prática brasileira. PROVA DO DIREITO ESTRANGEIRO. excepcionalmente.

pág. equipara-se à legislação ordinária. 17 da LICC). Paulo Henrique Portela. b) .724/RS. Entrada. Juspodivm. entende-se a ação deliberada no sentido de evitar a aplicação da norma no caso concreto.é o documento de viagem por excelência que permite aos Estados controlarem o ingresso de estrangeiros em seu território. a soberania nacional e os bons costumes (art. 235-236). Também não haverá aplicação da norma estrangeira quando houver fraude à lei. 1. A entrada/permanência está condicionada ao ―justo título‖: documento de viagem válido + visto. há autores que salientam que somente é possível o controle incidental da norma estrangeira (RECHSTEINER. a exemplo da norma inserida no art. religiosas. no art. Nesse sentido.. Tal situação pode ser resolvida pela adaptação (emprego de uma norma que regule instituto semelhante). STJ].815/80) Noções Gerais. Por fim. considera-se estrangeiro quem tenha nascido fora do território do Estado em que se encontra e não tenha adquirido a nacionalidade deste. São diversas as causas que podem levar ao fenômeno migratório: políticas. No Brasil. A aquisição da condição de estrangeiro se dá com o ingresso na jurisdição de Estado diverso do de origem. econômicas. A aceitação de estrangeiros em território nacional é um ato discricionário do Estado. expulsão Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR. 10. Já a instituição desconhecida surge quando determinada matéria. Estrangeiros.118. págs. Espécie de documentos de viagem válidos: a) passaporte . permanência e saída irregular. não é objeto de previsão na ordem jurídica do Estado onde se pretende aplicar norma de outro ente estatal. instituição desconhecida e lei imperfeita. 585). 312] Estrangeiros: Segundo Valério Mazuolli. O Estado tem o direito de decidir quem ingressa em seu território [Ag. O direito estrangeiro. permanência e saída regular. quando aplicado. Por fraude à lei. as normas de outro Estado não terão eficácia quando ofenderem a ordem pública. Legislação básica: CF e Estatuto do Estrangeiro (Lei 6. Ed. Direito Internacional Público e Privado. etc. Saída compulsória: deportação. Neste ponto. Entrada. Direitos do Estrangeiro. títulos de ingresso e exclusão do estrangeiro por iniciativa estatal. Tema inserido dentro da conjuntura dos Indivíduos e o Direito Internacional. 1º. prevê o direito de os Estados estabelecerem em lei condições para entrada/residência dos estrangeiros. ITEM 5 Ponto 5.a. regulada em ordenamento estrangeiro. Também recebe a nomenclatura de ―condição jurídica do estrangeiro‖ ―o conjunto de normais que regula a entrada e a permanência de indivíduos em outro Estado do qual não são nacionais‖ [Portela. a lei imperfeita pode ser entendida como a que prevê ou a aplicação do direito interno ou a do direito estrangeiro.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 35 ORDEM PÚBLICA E EXCEÇÕES À APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO. 4ª ed. sendo que a Convenção de Havana/1928. Nem sempre a norma estrangeira será aplicada. especialmente no tocante à admissão do estrangeiro no território nacional. as normas estrangeiras podem ser objeto de controle de constitucionalidade (até porque a violação a dispositivos da Constituição Federal configura uma forma de afronta à ordem pública). §1 da LICC (Paulo Henrique Gonçalves Portela.

São espécies de vistos. É sempre individual. sendo vedada a deportação coletiva. o Estado não é obrigado a admitir estrangeiros e seu território. de Imigração). mas de iguais efeitos]. observados requisitos legais estabelecidos na legislação interna e nos tratados. mas uma vez que os aceitou deve conceder-lhes o mínimo de direitos. Ainda sobre o tema: Resolução 3/08 da Comissão de Direitos Humanos da OEA ―Direitos humanos dos migrantes. Tais direitos correspondem a um 'standard' protetivo mínimo. ex. sobre ao qual o Poder Judiciário exerce controle formal de seus fundamentos. Possui efeitos imediatos. através do Departamento de Polícia Federal. A posse/propriedade de bens no Brasil não dá direito a visto. salvo convenção (ex: Estatuto da Igualdade Brasil/Portugal). A expulsão impede o retorno do estrangeiro. 4-21: a) de trânsito: passagem pelo Brasil p/ chegar ao Estado de destino. 57-64. salvo revogação. No julgado Ext1021/França. f) oficial: autoridades e. asilo ou sem passaporte e c) documento de identidade – se previsto em tratados. 5º. normais internacionais e diretiva europeia sobre retorno‖. após será deferida liberdade vigiada. da Saúde. ao que não atenda condições do Min. coerência entre a medida e a motivação. Não se concede visto: a menor de 18 desacompanhado do responsável legal e sem autorização expressa. Regulada pelos arts. praticando atos contrários à segurança e à tranquilidade do país. cuja permanência no País é indesejável e inconveniente . Ao contrário da deportação. do Estatuto. ofendeu ou violou as regras de conduta ou as leis locais. b) de turista: fins recreativos/visita sem atividade remunerada/fins imigratórios. por não existir correspondência no ordenamento pátrio. expulsão: Deportação é a retirada compulsória do estrangeiro fundamentada na entrada ou permanência irregular. 7 do Estatuto. segundo o Estatuto do Estrangeiro arts. Cabe dispensa se houver reciprocidade. c) temporário: viagem cultural/ missão de estudos/ artista/ desportista/ estudante/ cientista/professor/correspondente de jornal etc.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 36 laissez-passer – estrangeiro em circunstância excepcionais. ―A expulsão é ato de soberania. de caráter discricionário e político-administrativo. Cabe controle judicial dos vícios do ato. estada ou o registro do estrangeiro ser obstado nas hipóteses do art. Saída Compulsória: deportação e. a pessoas nocivas à ordem pública/ interesses nacionais. sendo as hipóteses legais taxativas. 03/08/2010). não tem efeitos imediatos. ao condenado/processado em outro país por crime doloso passível de extradição. podendo a entrada. A posse do visto configura mera expectativa de direito.6815). É diferente da não admissão: negativa antes da entrada [divisão feita por parte da doutrina.).J. O Código de Bustamante garante aos estrangeiros os mesmos direitos civis afetos aos nacionais (artigo 1º). A CF. ao expulso. e) de cortesia.E. 57 do E. mas somente será efetivada se o estrangeiro não se retirar voluntariamente do país (art. o STF indeferiu medida de interceptação telefônica. prorrogáveis por mais 60. ainda que neste tenha ingressado de forma regular (Mazuolli). prevê isonomia entre estrangeiro e nacionais.447/2000 – aceito pelo STF HC101269/DF -1ª T. d) permanente: p/ fixação definitiva c/ requisitos estabelecidos pelo CNIg (Conselho Nacional. pedida para viabilizar prisão para fins de extradição. Não cabe ao Poder Judiciário examinar a conveniência e oportunidade de ato do Poder Executivo consistente na expulsão de estrangeiro. 338 do CP). que os assegura uma plataforma razoável de civilidade quando assentados em terra alheia. atendendo sempre o interesse público (art. Direitos do estrangeiro. 3º L. O Visto é ato discricionário que cria expectativa de direito de admissão. especificamente quanto às formalidades. de alguma maneira. Segundo Mazuolli. Não cabe deportação quando importar extradição vedada pelo ordenamento pátrio (princípio do non refoulement) [casos no qual o indivíduo solicita asilo ou refúgio]. Mercosul. art. através do Decreto 3. configurando crime (art. Saída: não se exige visto p/ sair do Brasil (salvo medida do Ministro da Justiça por Segurança Nacional). A competência (discricionária) é do Presidente da República (Por decreto. Cabível a prisão por 60 dias. Competência: Ministério da Justiça. Aos estrangeiros não são assegurados os direitos políticos. Expulsão é a medida repressiva por meio da qual um Estado retira de seu território estrangeiro que. foi delegada ao Ministro da Justiça. g) diplomático: agentes consulares/diplomáticos e famílias.

Imunidade pessoal e real. foram abolidas as figuras do banimento (envio compulsório de nacionais para o exterior) e o desterro (confinamento dentro do próprio território). par. b) o estrangeiro é casado c/ brasileiro há mais de 5 anos ou. feitos sucessórios a título estritamente pessoal e ação referente a qualquer profissão liberal ou atividade comercial exercida pelo agente. É comum que se aguarde o cumprimento da pena privativa de liberdade para posterior cumprimento do decreto de expulsão [STF e STJ]. considera-se recepcionadas com filtragem constitucional. Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR. A imunidade dos Estados não é objeto de tratado sendo regras costumeiras.898/SP Embora a Lei 6. c) tenha filho brasileiro sob sua guarda e dependência econômica. Imunidade de Estados. Direito Internacional Público e Privado. Não é cabível a expulsão quando esta configurar extradição inadmitida pela lei ou quando o estrangeiro é pretendente de refúgio. Imunidade cognitiva e executória. embora a Convenção de Viena reconhece exceções. Imunidade de exchefes de Estado. A imunidade pode ser pessoal (diplomatas e cônsules) e real (local das embaixadas e objetos). Imunidade diplomática e imunidade consular. No Brasil. tais como causas envolvendo imóveis particulares que não o residencial.815/80. para manter no país o estrangeiro que possui filho brasileiro. Paulo Henrique Portela.b. Regime de tropas estacionadas por força de tratado. a criança e o adolescente (HC 232640/DF). mesmo que nascido posteriormente à condenação penal e ao decreto expulsório. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça flexibilizou a interpretação do art.06/08/09. o Pacto de São José (art.HC 85203/SPPleno-J. administrativa e trabalhista. no afã de tutelar a família. O expulso tem por destino o Estado de que é nacional (ou outro que o aceite). A imunidade diplomática abrange a jurisdição penal. Ponto 5.E.898/SP: Repercussão geral-expulsão de estrangeiro-filho nascido após o fato motivador do ato expulsório. 65/75 do E. Legislação básica: Convenção de Viena de 1961.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 37 à ordem e segurança públicas‖ (HC 207071/DF-1ª S-Rel. . Em sentido contrário: STF . Não impede a expulsão: adoção/reconhecimento de filho após fato que ensejou expulsão (arts. da Lei 6. 22. Juspodivm. sendo caso de reserva de jurisdição.815 preveja prisão administrativa para fins de deportação (60 dias) e expulsão (90 dias). 26/10/2011). 4ª ed. Acompanhar. A imunidade consular é semelhante à diplomática. inciso II. 678/92 – veda a expulsão coletiva. também não abrangendo eventuais reconvenções que enfrentem caso tenha acionado o judiciário local. Tanto a imunidade diplomática quanto a consular estendem-se aos familiares. Min Benjamin-J. E Súmula1/STF). Sempre individual. pois ainda não há decisão. Imunidades.. O apátrida é encaminhado ao país da nacionalidade perdida ou de onde proveio. O STF reconheceu repercussão geral na matéria RE 608. Jurisprudência e Leitura complementar: RE 608. Não cabe quando: a) configurar extradição inadmitida. 9) – dec. cível. Não há deportação nem expulsão de brasileiro nato ou naturalizado. Ed. mas restrita às funções consulares. 65.

Ponto 5. 51 da Carta da ONU). de forma que um Estado não estaria sujeito à jurisdição doméstica de outro Estado. de forma que a imunidade estaria apenas para aqueles (atos de império).696. Papel do Conselho de Segurança da ONU na garantia da paz e da segurança internacional. difere-se os atos de império (prerrogativas soberanas) e atos de gestão (quando equipara-se ao particular). ou ainda no caso deste assumir tais atos como próprios. para. STF: Julgado em 1989. seria possível o julgamento de um ex-Chefe de Estado por cortes internas de Estados estrangeiros ou por tribunais internacionais por conta de atos cometidos por essa autoridade durante o período em que exerceu o poder. os crimes de guerra e os crimes contra a paz. Carta da ONU (comumente . Espanha e Inglaterra. na visão moderna. Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR. mormente as violações dos direitos humanos.‖ (PORTELA) Quanto ao ―regime de tropas estacionadas por força de tratado‖. o Brasil tem acordos neste sentido firmado com Peru. servirem-se da convenção para um ato de agressão contra um terceiro Estado. por força de tratado. chamados genericamente de ‗crimes contra a humanidade‘. da Carta da ONU). Jurisprudência e Leitura complementar: ACi 9. Recentes acordos de cooperação estão a implicar o exercício extraterritorial da competência de um Estado em matéria de defesa e segurança. conforme entendimento do STF. pois na fase da execução será absoluta em ambos os casos. todavia tal diferenciação importa apenas na fase cognitiva. Todavia. Exemplos: pode tal situação verificar-se nos acordos de cooperação entre a Colombia/EUA e Aruba/EUA.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 38 A imunidade do Estado. 4ª ed. Com isso. mantendo-se até o presente momento para manutenção das base de Guantanamo. Legislação básica: Convenções de Genebra. 2. Direito Internacional Público e Privado. Ed. ―O atual entendimento prevalecente é o de que as imunidades de ex-Chefes de Estado não persistem diante de atos contrários aos princípios e objetivos das Nações Unidas. embora o TST conserve entendimento que apenas os bens que estejam afetos às atividades diplomáticas e consulares estão a salvo (ROMS 282/2003-000-10-00-1). deve ser avaliada de forma cuidadosa a responsabilização das partes envolvidas. se tropas militares de um determinado Estado. Juspodivm. 4. de um Estado em outro. que serviu-se de antigo tratado entre tais países para instalar base militar na época da Guerra Fria. direito de autodefesa ou de legítima defesa (art. salvo se os atos do Estado de acolhida (Estado que recebe as tropas estacionadas do Estado de origem) forem tais sobre as tropas estacionadas/acolhidas a ponto de serem imputados de forma independente e autônoma ao Estado de acolhida. Também.c. Em princípio tais acordos são lícitos e já existiam no estudo do direito internacional. tem-se que a imputação de responsabilidade recai sobre o Estado de origem (Estado que remeteu as tropas estacionadas em outro Estado). salvo seu consentimento. Uso da força no direito internacional: proibição (art. Paulo Henrique Portela. o que antes não seria viável. abrindo uma polêmica relativa a potenciais atos de agressão contra terceiros. também assim no conhecido caso Cuba/EUA. admitiu não haver imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro em matéria trabalhista após a CF de 1988. ―Direito de Haia‖. na visão clássica era baseada na teoria da imunidade absoluta.. No caso de tropas estacionadas.

determinando aos EUA que cessasse as agressões (que eram cometidas pelos EUA mediante envio de recursos a opositores do Governo). contra o terrorismo. quer seja de qualquer outro modo incompatível com os objetivos das Nações Unidas‖. através de sua Resolução 1. de modo imediato e efêmero.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 39 caem artigos da Carta) e Estatuto de Roma do TPI. assim como no Direito interno. A CIJ. O ataque armado pode ser atual ou iminente (como na Guerra dos Seis Dias / Israel). a cargo do Conselho de Segurança. Essa posição acabou prevalecendo em face dos ataques de 11/09. o que se tira do caso Caroline em termos jurídicos. A CIJ. conhecido como o marco jurisprudencial relativo à matéria” (MAZZUOLI). . Atualmente somente é reconhecido em duas situações: a) direito de se defender de agressões externas e b) o direito da ONU. ingleses atacaram o navio enquanto ele estava ancorado nos EUA.] serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão. de modo algum. tomar medidas para evitar a guerra e restaurar a paz. não podendo ser preventiva e. JUS IN BELLO . quer seja contra a integridade territorial ou a independência política de um Estado. até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. rejeitou a alegação dos EUA no sentido de que estariam agindo em legítima defesa preventiva. ocorrido em 1837.. admite-se apenas o uso da força de segurança coletiva.. tendo o CS/ONU acolhido a aplicação do artigo 51 da Carta da ONU na ―Guerra contra o Terror‖. § 4º da Carta da ONU inclui entre os princípios da ONU que ―os membros deverão abster-se nas suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao uso da força. deu razão à Nicarágua. os EUA defendem a extensão do direito à legítima defesa preventiva. entendeu que a legítima defesa pressupõe ataque armado direto. O art. ―No plano internacional. atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito. em razão disso. 51 da Carta da ONU dispõe que ―nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um membro das Nações Unidas. no caso. É o ―Direito de Guerra‖ ou ―Direito de Haia‖ e ―Direito de Genebra‖. no plano internacional o uso da legítima defesa só seria lícito se exercido imediatamente a uma agressão injusta ou a um perigo de dano atual ou iminente´(MAZZUOLI).Direito de autodefesa /legítima defesa: O art.368 de 2001 (Questão 34. uma vez que o ataque deveria ser direto.―normas aplicáveis durante os conflitos‖. por meio do seu Conselho de Segurança. a não ser em casos de legítima defesa de seus direitos. 25° Concurso CPR). no caso das atividades militares na Nicarágua. ajuizado por esse país contra os EUA em 1984.Noções gerais: JUS AD BELLUM. Nessa linha. comprovada por uma agressão injusta ou por um perigo de dano atual e iminente”. o que inocorria no caso. a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais‖. No caso.―direito de promover a guerra‖. As medidas tomadas [.. . não podendo ser utilizado pelos Estados.. Essas posições antagônicas acabaram por demonstrar que. ―Apensar de o caso ter terminado com um pedido formal de desculpas.) o direito à guerra é atualmente considerado um ato ilícito internacional. . Além dele. o estudo da legitima defesa remete ao caso do navio Caroline. em qualquer momento. Proibição do uso da força no direito internacional: VALERIO MAZZUOLI esclarece que ―(. é a tese de fundo da legítima defesa com as posições contrárias da Grã-Bretanha (defendendo um direito natural à legítima defesa) e dos Estados Unidos (limitando esse direito à proporcionalidade do mal causado pelo ato original). No sistema da ONU. o emprego legítimo de esforço armado singular é aquele com o que certo Estado se defende de uma agressão.2. Os Britânicos alegaram legítima defesa para justificar o ataque. alegando que ele trazia homens e armas para municiar Canadenses insurgentes.

que admite também a legítima defesa preventiva a um ataque armado. atacando-o). Pode haver reação de um ou mais Estados. b) restauração da paz – quando o conflito já existe. Na realidade. ou se é imprescindível para o seu uso lícito a ocorrência de um ataque armado. ITEM 6 Ponto 6. Esta última existe quando o Estado responde antecipadamente a um ataque em abstrato (ou seja. que não há nada no artigo 51 da Carta da ONU que autorize esse tipo de medida. Nacionalidade. A partir da resolução 1723/2001.a. não exigindo que este ataque armado tenha ocorrido efetivamente. ruptura da paz ou de ato de agressão. é que a legítima defesa é um direito transitório. Na legítima defesa. e c) reconstrução da paz após intervenção da ONU.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 40 A legítima defesa não pode se voltar contra ataques indiretos (CIJ. o cotejo do artigo 51 com o artigo 2°§ 4° da Carta da ONU permite concluir que a legítima defesa preventiva deve ser compreendida como um método ilícito do uso da força. sendo modalidade de defesa prevista no mesmo artigo 51 da Carta da ONU. o Estado se antecipa à ação do inimigo. ruptura da paz internacional e diante de atos de agressão. EUA). para a solução pacífica dos conflitos ou casos de ameaça à paz. considerados pela maioria como culpados por violar a paz internacional. possuindo. . Caso Nicarágua vs. Apatridia. valendo notar que o Examinador. a reação deve ser proporcional ao ataque real ou potencial e dirigida ao Estado agressor. do que prescrito pelo costume internacional.Segurança Coletiva é o nome que se dá à ação da comunidade internacional contra um Estado ou um grupo deles. nessa função. advertindo o autor. Derivada. usando as tropas de membros. 51) é destoante. Polipatria. em defesa do que sofreu ou está na iminência de sofrer ataque. que atuam em nome da ONU. A ONU não tem tropas próprias. Perda da . Daí a expressão „guerra preemptiva‟ ser utilizada quando um Estado ataca a outro porque sente ou supõe que a curto prazo será atacado por este”(MAZZUOLI). segundo MAZZUOLI. Atualmente. o CS passou a considerar o terrorismo como ameaça à paz internacional. O CS realiza três modalidades de operações: a) manutenção da paz – para evitar a eclosão de conflito. a grande discussão é se o artigo 51 da Carta da ONU admite a legítima defesa preventiva. Para MAZZUOLI. e pode ainda formular recomendações ou tomar decisões que podem acarretar o uso das forças armadas que irão intervir nos países que estão em disputa. duas ordens de atribuições: dirigir recomendações aos Estados em litígio. todavia. A reação deve ser imediatamente comunicada ao CS/ONU. como determina o mencionado dispositivo. É relevante ressaltar que este dispositivo da Carta da ONU (art. Não pode ser solicitada por grupos de oposição interna. ―Convém ainda diferenciar a legítima defesa preventiva da legítima defesa preemptiva. vez que as medidas tomadas em termos de legítima defesa devem ser levadas imediatamente ao CS/ONU.) Tratase de medida motivada mais pelo medo que pela ambição. (. pressupondo a concordância desse. para reconstruir o estado e suas instituições. O fato é que a doutrina diverge. defende-se o direito de intervenção humanitária. no 25° concurso foi obsequioso à literalidade do artigo 51 da Carta. O que é certo. A chamada doutrina Bush (defendida pelo então Presidente dos EUA quando da Guerra do Iraque) notabilizou-se por tentar introduzir essa modalidade de „defesa‟ como nova exceção à proibição do uso privado da força. O CS é o responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais. no entanto.. ao se limitar a tratar da legítima defesa à luz do artigo 51 da Carta.. Originária. Importante consignar que a doutrina diverge entre admitir ou não a guerra preemptiva. Está previsto em três situações: ameaça à paz internacional. em face de graves violações de direitos humanos. As resoluções do CS nessa matéria são obrigatórias para todos os Estados. que deverão dar suporte às ações do CS.

na prática. Estatuto da igualdade: portugueses. 2010. Direito Internacional Público–Curso Elementar. Sistemas para determinar a nacionalidade: a) Jus soli – o indivíduo tem a nacionalidade do Estado em cujo território nasceu – critério territorial (em regra. 2010.Tratado de Amizade. como no direito internacional econômico. Arts. Roberto Luiz Silva.927∕2001 . Jus Podivm. 10ª Edição. Decreto n. 3. 111 a 116 do Estatuto do Estrangeiro – Lei n. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (mantido na íntegra). garantido tanto na seara internacional. Saraiva. ―É o vínculo jurídico-político de fidelidade entre o Estado e o indivíduo. 6. são aqueles submetidos à autoridade direta do Estado. por uma decisão do indivíduo. Carlos Roberto Husek. Importante ressaltar que. atribuído pelo Estado. Del Rey. o Brasil adota o sistema misto (com prevalência do jus soli).815∕80. então. Francisco Rezek. 924. adotado pelos países de tradição emigratória). A atribuição da nacionalidade a bens é uma competência do Estado onde se localizam esses bens. É a nacionalidade que o indivíduo adquire posteriormente ao seu . b) Jus sanguinis . de 2005. Para REZEK. O indivíduo tem a nacionalidade de seus pais. conforme critérios próprios. que quase sempre se funda na mera consideração da sede social ou do lugar de fundação da empresa. ―Nacionais. Para a maioria da doutrina. 925 e 928. Art. Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil. Legislação básica: Art. Varella. 2. adotado pelos países de tradição imigratória). 20 da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969 (Pacto de San José da Costa Rica). CF. o titular da nacionalidade seria apenas o ser humano. Marcelo D. Saraiva. Paulo Henrique Gonçalves Portela. Direito Internacional Público. 3ª Edição. pela Constituição da República de 1988. 10ª Edição. 2007. que faz deste um membro da comunidade constitutiva da dimensão pessoal do Estado‖ (REZEK). Direito Internacional Público. LTr. que a eles reconhece direitos civis e políticos e dispensa proteção além de suas fronteiras‖ (HUSEK). contudo. apenas por extensão se usa falar em nacionalidade das pessoas jurídicas ou das coisas. não há como negar valor jurídico ao vínculo. A nacionalidade é direito fundamental do ser humano. Incumbe ao direito interno de cada Estado a fixação de regras de nacionalidade. Curso de Direito Internacional Público. 2010. Conceito. Relaciona-se a elos diretos com o Estado. 3. 1. Nacionais de países do Mercado Comum do Sul (Mercosul). 4. c) Sistema misto – combina os dois critérios – será nacional tanto aquele que nascer no território do Estado quanto o que tem laços familiares com um nacional do Estado. Nacionalidade derivada ou adquirida. Nacionalidade originária ou primária. 2ª Edição. o termo é usado indistintamente para pessoas jurídicas ou bens. a ser obedecida por todos os Estados. pouco importando o local em que tenha nascido (em regra. Art. Decretos Legislativos n. É aquela solicitada por vontade própria. por exemplo. ―É um vínculo político entre o Estado soberano e o indivíduo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 41 nacionalidade. É adquirida pelo nascimento. 923. No segundo caso. no exercício de seu poder soberano‖ (MARCELO VARELLA).a nacionalidade se transmite por laços familiares de ascendência – critério familiar – fixado por laços sanguíneos. impondo-se a cada cidadão sem que lhe seja necessário tomar uma iniciativa – é obra da vontade do Estado. (nacionais do Mercosul). 12. Direito Internacional Público e Privado. quanto no âmbito interno. XV da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. 4ª Edição. o uso não excederia à metáfora. Natos são os detentores de nacionalidade originária. Noções Gerais. Nacionalidade. no primeiro caso. Não existe uma definição do direito internacional.

com título regular e idoneidade moral. implica a ruptura do vínculo anterior. e) Especial – destina-se ao cônjuge de diplomata brasileiro. ou seja. por razões políticas ou de perseguição. Também é chamada de especial a naturalização do estrangeiro que veio residir no país antes de sua maioridade e concluiu curso superior em instituição nacional de ensino (prazo de até 1 ano após a formatura para requerer a naturalização). sem a nacionalidade. II da CF∕88). 12. e) Jus labori. não se tem documento de identidade ou passaporte nem liberdade de locomoção pelos principais países do mundo. com domínio da leitura e escrita em língua portuguesa e outros requisitos (prazo de 4 anos pode ser reduzido se o estrangeiro tem cônjuge ou filho brasileiro ou habilidade profissional considerada necessária para o país). exigindo-se como requisitos apenas a residência no país. (―Sem pátria‖). Apatridia. a naturalização nessa hipótese só dependeria de requerimento do estrangeiro. Outras hipóteses de aquisição da nacionalidade derivada: a) Naturalização coletiva. Hipótese mais comum de aquisição da nacionalidade derivada: NATURALIZAÇÃO – ato pelo qual uma pessoa requer a nacionalidade de outro Estado. para indicar qualquer mudança de nacionalidade posterior ao nascimento. c) Legitimação ou adoção. por 1 ano. ou ao estrangeiro a serviço de missão diplomática brasileira no exterior. casado há mais de 5 anos. em duas situações: a) Descendentes de nacionais de Estados que não reconhecem a nacionalidade por laços familiares. sendo ato vinculado. há mais de 10 anos. Refere-se à múltipla nacionalidade. mas também se utiliza o termo num sentido mais amplo. 5. não é direito adquirido pelo estrangeiro. Trata-se de situação desconfortável porque. ora cumulativos. Apátridas ou heimatlos – indivíduos sem nacionalidade. Polipatridia.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 42 nascimento e. embora possam existir hipóteses constitucionais em que o Estado é compelido a conceder a naturalização (caso do art. c) Provisória – estrangeiros que vieram para o Brasil antes de completarem 5 anos de idade e permaneceram no país a título definitivo. Também não é caso de perda da . todos aqueles que não são considerados por Estado algum como seus nacionais. b) Extraordinária ou quinzenária – estrangeiros que vivem no Brasil há pelo menos 15 anos e não têm condenação penal (não exige que o estrangeiro saiba ler e escrever em língua portuguesa) para alguns autores (como Alexandre de Morais). d) Residência definitiva. b) Casamento. trata-se da aquisição por parte de estrangeiro de nacionalidade do Estado a pedido próprio. ora alternativos. basicamente. A naturalização no Brasil pode ser: a) Comum – estrangeiros que vivem no Brasil há pelo menos 4 anos ininterruptos. nascidos em territórios de um Estado que não reconhece a nacionalidade pelo local de nascimento. não permitindo a discricionariedade do Poder Público. Por essa razão. Não há restrição para a múltipla nacionalidade de brasileiros que possuam nacionalidade originária estrangeira em virtude do nascimento (jus soli) ou de ascendência (jus sanguinis). b) Indivíduos que abdicaram de sua nacionalidade de origem. Em regra. Existem três tratados a reger o tema: Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas (1954). em regra. a sociedade internacional (especialmente a ONU) tenta amenizar a situação e se reconhece universalmente a ideia de que ―todo indivíduo deve ter uma nacionalidade de origem‖ (art. 6. Convenção sobre a Redução dos Casos de Apatridia (1961) e a Convenção sobre a Nacionalidade das Mulheres Casadas (1957). Mas ainda hoje ocorrem vários casos de apatridia. É requerida pelos pais do menor e chamada de provisória porque depende de confirmação pelo beneficiário quando atinge a maioridade. f) Prática de serviço militar em outro Estado. definidos pelo ordenamento jurídico de cada Estado. Depende do atendimento a requisitos. Tecnicamente. a decisão pela concessão da nacionalidade derivada é ato discricionário da autoridade pública nacional. Ocorre. d) Definitiva – aquela solicitada pelo detentor da naturalização provisória até dois anos após a maioridade (até completar 20 anos). 15 da Declaração Universal dos Direitos do Homem – 1948: ―todo homem tem direito à nacionalidade‖). f) Específica para os originários de países de língua portuguesa – procedimento facilitado.

12. 10. sem necessidade de prazo mínimo de residência no país. Paraguai e Uruguai) e Acordo sobre Residência para Nacionais do Mercosul Bolívia e Chile (Estados Associados) – promulgados no Brasil pelos Decretos n. independentemente de estarem em situação migratória regular ou irregular. b) quase-nacionalidade ampla – Para aquisição de direitos políticos – deve estar em gozo de seus direitos políticos em Portugal e residir no Brasil há pelo menos 3 anos. 6. econômico e financeiro. . conservando incólume o vínculo de nacionalidade com um dos dois países. sem se tornar nacionais do Brasil e sem perder sua nacionalidade de origem – situação chamada de ―quase-nacionalidade‖. Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Parte do Mercosul (Brasil. Perda da Nacionalidade. § 4º. O brasileiro naturalizado também pode perder sua nacionalidade por cancelamento da naturalização brasileira. b) não estão sujeitos à extradição. ficarão suspensos seus direitos políticos em Portugal. O estrangeiro beneficiado com os Acordos de Residência possui igualdade de direitos civis no Brasil. o estrangeiro pode requerer a transformação em residência permanente. cultural. É concedida a residência temporária por dois anos. 90 dias antes de terminar esse prazo. Tratado de ampla cooperação nos campos político. 8. salvo se requerida pelo Governo do Estado da Nacionalidade. e) extinção do benefício estatutário – pela expulsão do território nacional ou pela perda da nacionalidade originária. nas mesmas condições dos respectivos nacionais. da sua capacidade civil e de sua admissão no Brasil em caráter permanente. c) gozo de iguais direitos e deveres. altera a clássica noção da nacionalidade como pressuposto necessário da cidadania. O brasileiro nato e o naturalizado podem perder sua nacionalidade pela aquisição de outra nacionalidade. Argentina. HC 83113).975∕2009. IMPORTANTE: Segundo REZEK. 9. A suspensão dos direitos políticos no país de origem acarretará também a extinção dos mesmos direitos no outro país.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 43 nacionalidade se houve a imposição de naturalização. inc. ―Seu regime torna possível que. alíneas ―a‖ e ―b‖ (aquisição de nacionalidade originária ou imposição de naturalização por outro Estado). pela norma estrangeira. Estatuto da Igualdade: portugueses. Dois procedimentos: a) quase-nacionalidade restrita – Simples igualdade de direitos e obrigações civis – basta a prova da sua nacionalidade. d) caso necessitem de proteção diplomática. como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.: se condenado pelo crime de tráfico de drogas – mas não é efeito direto ou automático da condenação penal). por naturalização voluntária exceto se nas hipóteses do art. Interessante que os estrangeiros poderão requerer residência em quaisquer dos Estados signatários. Nacionais do MERCOSUL. Pode atingir tanto o brasileiro nato quanto o naturalizado.‖ Os portugueses podem requerer direitos iguais aos dos brasileiros naturalizados (não aos dos brasileiros natos). respectivamente. . 7. Deveres e responsabilidades trabalhistas e previdenciárias são também resguardadas. Por esse Estatuto. por sentença judicial. 314. II. Estatuto da Igualdade entre brasileiros e portugueses de 1971 foi substituído pelo Tratado de Amizade e Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e o Brasil. Enquanto estiver exercendo seus direitos políticos no Brasil. o indivíduo passe a exercer no outro direitos inerentes à qualidade de cidadão.964∕2009 e 6. Casuística. além do direito de transferir recursos. em razão de atividade nociva ao interesse nacional (ex. científico. 398 – RE 415957 e Inf. ao brasileiro residente em Estado estrangeiro. brasileiros e portugueses ainda: a) ficam submetidos à lei penal do Estado de residência. Inf. Os que estiverem em situação irregular ficam isentos de multas ou outras sanções administrativas relativas à sua situação migratória.Ver Informativos STF (Inf. será o país de origem que irá protegê-lo. de 22∕04∕2000. 604 – RMS 27840.

In http://www. somente se justificava por meio de laços fáticos entre a pessoa envolvida e um desses Estados: local de sua residência habitual. em províncias federadas e até mesmo em municípios. de impor.no caso de dupla nacionalidade. é limitada. 1º e 4º. Na sua concepção clássica. local de seus laços de família. dentro de seu território. sobretudo a partir do final da Idade Média. não encontra outro maior ou de mais alto grau. LTr. Carlos Roberto Husek. 2ª Edição. internamente. a soberania tem os atributos da unidade. e evolui conforme a própria evolução do conceito de Estado (ou seja. Soberania interna – caracteriza-se pela predominância do poder do Estado sem nenhum contraste e nenhuma limitação por outro poder. 10ª Edição. ―É um poder estatal supremo e independente em relação ao poder dos outros Estados‖ (ROBERTO LUIZ SILVA). nenhum poder maior de que dependam a definição e o exercício de suas competências‖. de forma independente. 10ª Edição.Decisão da Corte Internacional de Justiça – Caso Nottebohm . etc. A noção de soberania nasce com o processo de construção do Estado-Nação. relativa. Del Rey. Saraiva. Tipos: soberania interna e soberania externa. ou seja. A soberania está intimamente ligada à configuração do Estado. Marcelo D. dentro do Estado. ―Impossibilidade para o Estado de ter seu poder limitado por outro qualquer. Legislação básica: Art. é o poder que detém o Estado. 3. na Europa. Ponto 6.br/documentos/. ―o fato de encontrar-se sobre certo território bem delimitado uma população estável e sujeita à autoridade de um governo não basta para identificar o Estado enquanto pessoa jurídica de direito das gentes: afinal esses elementos se encontram reunidos em circunscrições administrativas várias. Direito Internacional Público. Identificamos o Estado quando seu governo não se subordina a qualquer autoridade que lhe seja superior. Conceito. É compreendida como o poder do Estado de exercer o domínio sobre o seu território. Segundo REZEK. Na concepção moderna. 2010. de sua participação na vida pública. Noções Gerais. o conceito de soberania é construído historicamente). 2007. Conceito. Curso de Direito Internacional Público.tvjustica. Roberto Luiz Silva. Tipos: soberania interna e soberania externa. É o poder que. 2010. a soberania pode . local centro de seus interesses.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 44 . Direito Internacional Público–Curso Elementar. Soberania estatal. Saraiva. Artigo: Soberania e a proteção internacional dos direitos humanos: dois fundamentos irreconciliáveis. tanto nas relações internas como nas externas – caráter negativo da soberania‖ (QUEIRÓS LIMA). Varella. 2010. local de educação de seus filhos. 2. não reconhece. indivisibilidade. Valério de Oliveira Mazzuoli. suas decisões. isto é. a nacionalidade preponderante deveria ter correspondência com os fatos. em realidade. CF 1. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (sem qualquer alteração) Francisco Rezek. de editar suas leis e executá-las por si próprio. Direito Internacional Público.jus.b. Princípio da igualdade soberana dos Estados. Soberania. 4ª Edição. inalienabilidade e imprescritibilidade. circunstancial e vinculada à ordem internacional. Nas palavras do Professor TELLES JUNIOR. em última análise.

por ser um aleijão pretender. sem considerações de ordem social. com o fim da Segunda Guerra. 2º. Para BOSON: ―É necessário. quer interna quer internacionalmente. mas igualdade dos Estados‖ (TELLES JÚNIOR). senão abolindo. Em ambos a soberania tem sentido absoluto. há um enfraquecimento da noção da nãointerferência internacional em assuntos internos (Carta das Nações Unidas. No cenário de proteção dos direitos humanos. alínea 7). predominância (…). passa a sofrer um abalo dramático com a crescente preocupação em se efetivar os direitos humanos no plano internacional. Soberania e a Proteção Internacional dos Direitos Humanos. Soberania conota superioridade. É a afirmação da liberdade do Estado em suas relações com os demais membros da comunidade internacional. que só na segunda orientação é possível aplicar o conceito. autodeterminação dos povos e a não intervenção. flexibilizando. passando a sujeitar-se às limitações decorrentes da proteção desses mesmos direitos. pois. sem uma soberania flexibilizada. porém. (…) Na relação entre os Estados. ao mesmo tempo. o que existe não é soberania. de que decorrem outros princípios.se soberania limitada. constituiria verdadeiro contrassenso a afirmação de que os Estados são soberanos em suas relações internacionais. negativa. cultural ou política. são considerados iguais: a soberania significa. num esforço horizontal e igualitário de coordenação no interesse coletivo. em última instância. dentro do território nacional‖. Não existem direitos humanos globais. supremacia. Soberania externa – caracteriza-se por não haver dependência nem subordinação de um Estado a outro em suas relações recíprocas. juridicamente) – colocam-se de acordo com seus homólogos na construção da ordem internacional. Princípio da igualdade soberana dos Estados. independência e interdependência. Enquanto na ordem interna as relações entre o Estado e os indivíduos se dão a partir da subordinação. 5. que aponta a prevalência da perspectiva monista internacionalista para a regência das relações entre o direito interno e o direito internacional. ao Estado. os Estados se igualam (ao menos. No âmbito internacional. devendo haver igualdade. 4. Acontece. positiva. com base no princípio da igualdade jurídica. o que impediria a . A regra é a cooperação. não há que se falar em soberania externa. pautadas sempre pela intenção de não intervenção e de reconhecimento de outros Estados como iguais. No cenário internacional. Logo. Apenas perde parte de sua soberania externa. Não é o fato de um Estado ser invadido por outro que faz com que deixe de ser Estado. ―Nenhum Estado é soberano relativamente a outro Estado. À medida que os Estados assumem compromissos mútuos em convenções internacionais. eles restringem sua soberania e isso constitui uma tendência do constitucionalismo contemporâneo. que foi inspirada na comunidade de indivíduos. como o de imunidade de jurisdição e o de não intervenção‖. estabelecer duas orientações para a imputação do conceito de soberania ao Estado: uma vertical. pouco importa se um Estado é forte ou é considerado fraco. solidariedade. que diminuem a competência discricionária de cada contratante. se tem grande ou pequena porção de terra. econômica. sobre a validade jurídica das normas e dos atos. passa a enfraquecer-se sobremaneira. materializa-se no Direito Internacional clássico através do entendimento de que todos os Estados soberanos são iguais para a ordem jurídica internacional. outra horizontal. que entende ser ela um poder ilimitado do Estado em relação ao qual nenhum outro tem existência. a própria noção de soberania absoluta. na ordem jurídica internacional a relação entre os sujeitos de Direito Internacional se dá a partir de ações de coordenação. onde todos são iguais perante a lei.‖ (MAZZUOLI). Princípio fundamental das relações internacionais. internacionais e universais.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 45 ser definida como um ―poder incontrastável de decidir. ―O conceito tradicional de soberania. art. A doutrina da soberania estatal absoluta. Para muitos autores. Trata-se de um princípio derivado da ideia de comunidade internacional.

714) “A matéria é regulada por normas costumeiras e pelas Convenções de Viena sobre a Sucessão de Estados em Matéria de Tratados. Direito internacional público: curso elementar. aponta para a existência de um Estado não isolado. Noções Gerais: no estudo dos sujeitos internacionais (direito internacional público). p. SHAW. dentre eles o da sucessão de Estados. desde que não violem o 'jus cogens'”. p. PORTELA. acerca do qual são desenvolvidos vários temas. 4ª ed.c: Sucessão de Estados. 3ª ed. Francisco. Um novo conceito de soberania. Direitos e deveres: “O tema da sucessão entre Estados pode surgir em diversas circunstâncias. Por fim. de 1978. Em cada um desses 6 Entrou em vigor em 1996 (SHAW. 272). mas incluso numa comunidade e num sistema internacional como um todo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 46 projeção desses direitos na agenda internacional. A verdadeira soberania deveria consistir numa cooperação internacional dos Estados em prol de finalidades comuns. p. Saraiva. p. A sucessão pode ser regulada também pela lei interna do Estado sucessor. 336-337). VARELLA. Conceito: “substituição de um Estado por outro no tocante à responsabilidade pelas relações internacionais de um determinado território” (SHAW. 335). 3. Convenção de Viena sobre Sucessão de Estados em Matéria de Bens. MAZZUOLI. 155). particularmente complexo no direito internacional. c) transferência territorial: os Estados preexistentes subsistem com suas identidades. Paulo Henrique Gonçalves. Malcom N. o desmembramento de um Estado existente. o tema da “sucessão entre Estados é. Direitos e Deveres. Martins Fontes. segundo o qual o Estado “tende a continuar existindo – ainda que com roupagem política. Legislação básica: Convenção de Viena sobre a Sucessão de Estados em Matéria de Tratados. de 1983. afastada sua noção tradicional. sendo que uma área territorial de um deles é transferida para o outro (REZEK. RT. p. e essas mudanças nem sempre foram tratadas de modo uniforme pela comunidade internacional. de 19786 e sobre Sucessão de Estados em Matéria de Bens. . Direito internacional público. de 1983 (ainda não entrou em vigor). anexação e a fusão. p. Orienta-se pelo princípio da continuidade do Estado (VARELLA. Tratados e patrimônio Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (mantido na íntegra). nada impede que os entes estatais envolvidos (antecessor e sucessor) acertem os termos da sucessão entre si. Direito internacional público e privado. Modalidades: a) fusão ou agregação: dois ou mais Estados que passam a constituir um único. Direito internacional. (PORTELA.714). 714). 5ª ed. Juspodivm.” (SHAW. pela descolonização da totalidade ou parte de uma unidade territorial. Na lição de Shaw. e até mesmo quando ocorram modificações expressivas na determinação da titularidade da soberania” (REZEK. Saraiva. REZEK. Arquivos e Dívidas. destacase o Estado. 177-178) 2. detentor de personalidade originária (PORTELA. p. p. Arquivos e Dívidas. Curso de direito internacional público. entretanto. 1. Ponto 6. Marcelo D. nenhuma das quais em vigor no Brasil. b) secessão ou desmembramento: dois ou mais Estados resultam da divisão do que até então era uma única soberania. a secessão. Valério de Oliveira. Muitas normas surgiram como resposta específica a mudanças pontuais. que refletem as formas pelas quais a soberania política pode ser adquirida: por exemplo.

presume-se que os novos Estados têm o direito de dar continuidade a todos os tratados relacionados ao Estado anterior (VARELLA. os acordos bilaterais e as declarações unilaterais não podem afetar terceiros Estados (SHAW. incidindo o princípio tradicional da tabula rasa (SHAW. 729) Os novos Estados independentes 9 igualmente não se tornam automaticamente partes nos tratados ratificados ou aderidos pelos predecessores (VARELLA. sendo que muitas coisas dependerão das circunstâncias específicas do caso – se fusão. salvo quando não há interesse. salvo quando houver incompatibilidade com o objeto e a finalidade do tratado ou vier a modificar substancialmente as condições de sua execução (SHAW. p. 15 da Convenção. 723). p. os demais não o aceitam ou sua participação mostra-se incompatível com a finalidade do tratado (VARELLA. 178). porém esse sistema não foi considerado satisfatório. 9 Territórios descolonizados (SHAW. 729). mediante envio de notificação de sucessão ao depositário (PORTELA. que instituíram períodos de transição e revisão. 8 Shaw lembra que o art. (SHAW. 8º e 9º da Convenção de Viena sobre a Sucessão de Estados em Matéria de Tratados. uma entidade anteriormente reconhecida desaparece total ou parcialmente e é sucedida por alguma outra autoridade. ―pode-se hoje em dia afirmar que a comunidade internacional está se orientando para uma postura de presunção da continuidade dos tratados. mais adequado se mostra o modelo adotado na unificação da Alemanha (p. No desmembramento. p. p. p. Estes existem em virtude dos princípios fundamentais do direito internacional e como consequência da soberania. 726).” (SHAW. 720). Porém. p. p. 720). Na fusão. segundo Shaw. de 1978. p. é ainda muito cedo ―para declarar que a continuidade ou a presunção de continuidade já é norma estabelecida. conforme art. 178). e sobre quais fundamentos exatamente isso ocorrerá” (SHAW. Tratados e patrimônio: a) quanto aos tratados.” (SHAW. absorção. p. e não como resultado da transferência oriunda do soberano anterior. em razão da condutas dos Estados. 714). o autor ressalta que na absorção. cessão. “No processo. “se deva entender que assim convencionaram”. precipitando assim problemas de transmissão de direitos e obrigações. Daí a assertiva: “Em muitas circunstâncias. 730) Na dissolução de Estados10. passam a valer para esse território os tratados do sucessor (PORTELA. de 1978 (SHAW. 7 . dissolução ou formação de novo Estado decorrente da descolonização. p. 724-725).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 47 casos. além dos tratados territoriais 7 (que impõe direitos ou obrigações a unidades territoriais identificáveis) e políticos ou ―pessoais‖ (que criam direitos ou obrigações ligados ao regime em vigor no território e sua orientação política e não vinculam os Estados sucessores) (SHAW. exceto se quiser tornar-se parte. 723). a Convenção de Viena sobre a Sucessão de Estados em Matéria de Tratados. O art. 34 da Convenção de Viena. p. p. França e Holanda no processo de descolonização). 729). p. é especialmente importante o papel desempenhado pelo reconhecimento e pelo consentimento. Germain. regem a matéria o costume internacional. os tratados “continuarão vigorando para o território As fronteiras estabelecidas por tratados não são prejudicadas (SHAW. o art. 714) De acordo com os arts. Entretanto. 1919) ou acordos bilaterais (Reino Unido. 276). p. p. compromissos assumidos em tratados bilaterais pelo Estado matriz não afetam o novo Estado e mesmo os tratados multilaterais não o obrigam. secessão. 31(2) prevê que tais tratados aplicam-se apenas à parte do território em que já vigia.” (SHAW. 275) 8 . Na cessão de território. p. salvo notificação ou acordo em contrário. Além disso. a questão da sucessão entre Estados não incide sobre os direitos e deveres normais dos Estados no âmbito do direito internacional. p. 729) Apesar disso. p. Consoante art. abordada por tratados multilaterais (Tratado de St. p. os tratados continuam em vigor. sofrendo declarações unilaterais. 10 Entes estatais desaparecem para dar lugar a novos Estados. em muitos casos. 24 da Convenção estabelece que entrará em vigor com a manifestação expressa ou se manterá em vigor quando. 4. 713) O mesmo autor relata que essa questão foi. 274).” (SHAW. não está claro que direitos e deveres passarão de uma autoridade a outra. 12 da Convenção estipula que os direitos ou obrigações relacionados ao uso de qualquer território e estabelecidos por tratado não são afetados pela sucessão (SHAW. Exemplo: União Soviética e Iugoslávia. 722). No tocante aos tratados bilaterais.

(SHAW. 17(1)c da Convenção de Viena de 1983. 748).” (SHAW. p. Já. não havendo sucessão automática. a não ser que os Estados interessados acordem outra coisa.” (VARELLA. devendo ser garantido pelos Estados envolvidos que “ninguém fique privado de nacionalidade” em razão de mudança específica de soberania (SHAW. há necessidade de solicitação de ingresso. na mesma linha VARELLA. (. p. p. ou ao menos que transpareça do tratado. 14 contraídas pelo governo anterior em seu proveito único (contraídas normalmente para sustentar campanhas coloniais). transferem-se para o Estado sucessor (VARELLA. salvo estipulação em contrário (p.” (PORTELA. 745). 179). 340). principalmente após a Segunda Guerra Mundial. o que foi acolhido pela Convenção de 1983. Iugoslávia) (SHAW. 731) Quanto aos tratados sobre direitos humanos. 11 . esses devem permanecer sob o domínio do predecessor. ou se estabeleça de outro modo. corretamente não aceitou assumir as obrigações que a França fizera em seu território antes da independência em 1962. e) o tema dos direitos adquiridos gera divergência teórica à luz dos interesses políticos. p. bem como de sucessão (p. 280-281) f) quanto à nacionalidade. “Excluem-se da responsabilidade do Estado sucessor. sustentam a sua anulação. p. c) os arquivos públicos “deverão ser objeto de acordo entre o predecessor e o sucessor. e por isto próprias para serem compartilhadas na hora da sucessão” (REZEK. especialmente aqueles iniciados durante o período colonial. 179) h) a legislação “do Estado sucessor passa a vigorar no território que a ele foi incorporado. No desmembramento.) Na fusão. g) de regra. p. ou seja. permanece com esse (princípio geral da não divisão da dívida pública) (SHAW. Shaw.. 739). acentua que. ―contraídas no interesse geral da comunidade. p. ―contraídas no interesse do esquema de poder preexistente.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 48 específico onde se aplicavam. p.” (PORTELA. Na dissolução. b) quanto aos bens públicos. O Estado que transferiu parte do território deve respeitar o desejo daqueles que querem manter sua nacionalidade anterior. quanto aos bens móveis no exterior. p. p. p. tanto os imóveis como os móveis. 738)11. Não havendo acordo. de regra. 279). p. 13 Shaw faz referência ao caso dos Colonos alemães. 15(1)b da Convenção traz disposição polêmica. dá-se o rateio da dívida pública (SHAW. 737). 12 Art. cujos direitos foram contestados pelas novas autoridades polonesas (SHAW. e muitas vezes para sustentar a campanha colonial” (REZEK. 179) Varella destaca que são partes integrantes do patrimônio histórico e cultural (p. p. do Estado predecessor.” (MAZZUOLI. as chamadas dívidas de regime. p. 483) De acordo com a doutrina. 735-76. a priori. de regra. entretanto. a dívida.. 178) Aplica-se. os bens dos antigos Estados passam a pertencer ao novo ente estatal. há de prevalecer a sucessão automática conforme o caso Aplicação da Convenção sobre o Genocídio (Bósnia e Herzegovina vs. 280) Shaw destaca que a questão envolve direitos humanos. que a aplicação do tratado seria incompatível com o objeto e a finalidade daquele tratado ou que mudaria radicalmente as condições de sua execução. o critério territorial. (VARELLA. para a participação em organizações internacionais. VARELLA. de dívidas de regime. p. 746). Em sua falta. a dívida nacional passa a ser do sucessor de forma proporcional (SHAW. d) as dívidas. p. “o Estado deve possibilitar que todos aqueles que nasçam em seu território tenham direito a sua nacionalidade. quanto aos bens imóveis no exterior. Em caso de secessão. 734. para a manutenção da ordem na área. 751). A Argélia. 274). p. 281. “normalmente é fruto de ajustes entre o Estado predecessor e o sucessor. 340). sendo defendido pelos Estados europeus a sua manutenção13. quando o Estado predecessor continua a existir. 279). p. PORTELA. Em caso de Shaw ressalta que o art. No caso de fusão. p. transferindo aos “Estados de recente independência” bens imóveis situados fora de seu território que tenham pertencido ao território afetado pela sucessão de Estados e que tenham se tornado propriedade estatal do Estado predecessor durante o período de dependência (p. assim. p. ressaltando que a distinção entre bens públicos e privados deve tomar por parâmetro o direito interno do Estado predecessor (p. o novo Estado assume a dívida (PORTELA. 740). p. o sucessor deverá ficar com os arquivos que lhe digam respeito. distinguem-se dívidas de Estado. 750). “devem passar ao Estado sucessor em proporção equitativa”12 (SHAW. caberão ao sucessor os bens que fiquem em seu território. 747). enquanto os Estados em desenvolvimento.

Tratado é todo acordo formal (escrito) concluído entre pessoas jurídicas de direito internacional público e destinado a produzir efeitos jurídicos. não produzindo efeitos obrigatórios. Legislação básica: Convenção de Viena Sobre o Direito dos Tratados. p. contrato: tratado entre Estados. Formas de expressão do consentimento. concordata: tratados firmados pela Santa-Sé em assuntos de interesse religioso. convênio: tratado em matéria cultural ou de transporte. quer conste de um instrumento único. 4ª ed. Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR. ITEM 7 Ponto 7. modus vivendi: instrumento da diplomacia ordinária. quer de dois ou mais instrumentos conexos. 179) 5. que visa a deixar as coisas como estão ou estabelecer bases para a negociação futura. carta e constituição: constituem organizações internacionais. identificando-se pelo seu processo de produção e pela forma final. de 1969. é em si mesmo um simples instrumento. a ausência de hierarquia entre as partes. "tratado" significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. os termos sinônimos de tratado são de uso livre e aleatório. Iugoslávia) (SHAW. Elaboração por Estados e organizações internacionais. Paulo Henrique Portela. I. Também caracterizam os tratados o consensualismo. antes de o novo ente estatal criar sua própria ordem jurídica. define tratados solenes. pelo qual um se submete à lei do outro. pactum de negociandum: o Estado assume a obrigação de iniciar negociações para concluir um tratado. acordo: tratados de cunho econômico. Direito Internacional Público e Privado. p. Tratados internacionais. Elementos dos tratados: acordo de vontades. qualquer que seja sua denominação específica. Negociação e competência negocial. Classificação. mas não gera compromissos no DIP. Para Rezek. para Georges Scelle. declarações: um tratado que cria princípios gerais. que serão regulamentadas por outros. mas apenas morais. convenção: caráter mais amplo. Tratados internacionais. não pelo conteúdo (variável ao extremo).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 49 emancipação ou secessão. chamados de protocolos. pacto: tratados de importância política. Colonos alemães (SHAW. 748). regulação de temas em comum e obrigatoriedade. regulação pelo direito internacional público.2.. criando normas gerais. mais específicas. p. a). Terminologias. Na fusão. 734). estatuto: cria cortes internacionais. Ed. Juspodivm. ato ou ata: cria regras de direito. nada obstante há certas preferências denunciadas pela análise estatística: tratado: como espécie.” (PORTELA. vigorarão as normas que os Estados antecessores escolherem enquanto as normas do novo ente estatal não são elaboradas. forma escrita. compromisso: pelo qual Estados aceitam submeterem-se à arbitragem. ajuste. Para a Convenção de Viena (art. pacto de contraendo: Estado assume obrigação de concluir um tratado final sobre determinada matéria. como os de paz.a. . Casuística: Aplicação da Convenção sobre o Genocídio (Bósnia e Herzegovina vs. Terminologia. arranjo ou memorando: tratados bilaterais de importância reduzida. é possível que a lei do antecessor ainda se aplique por algum tempo. Atualmente também podem tomar parte em tratados as Organizações Internacionais. Conflito entre trados com as demais fontes.

por exemplo. segundo o qual a expressão “tratado normativo” seria um pleonasmo. Exemplo: a Declaração de Quadros-Frondizi. Troca de notas consiste um processo alternativo de negociação e conclusão de tratados. mas um compromisso moral a operar enquanto durarem os governos dos respectivos signatários. o acordo de Yalta e a Proclamação de Potsdam. São exemplos: a Carta do Atlântico de 1941 (firmada pelo presidente americano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Churchill). é importante a crítica de Kelsen. exceto se exprimirem opção política. como tratados de fronteira. pode designar um meio de comunicação diplomático (quando. ambos de 1945 (ligados ao desfecho da Segunda Guerra. do outro. É o caso da Declaração Universal dos Direitos do Homem. uma postura diante de certa questão tópica. sendo este somente definitivo na ratificação) e unifásico acordos em forma simplificada (o consentimento definitivo se exprime na assinatura).quanto ao procedimento: formais.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 50 Gentlemen’s agreement: não contém um compromisso entre Estados14. e c) modus vivendi. ao se falar em competência 14 A distinção do tratado não se assenta. um processo de conclusão de tratados bilaterais. de 1948. quando pactuante. assim como costumam ter as organizações internacionais. 17 A Organização Internacional. de 1961 (resposta positiva dos presidentes do Brasil e da Argentina às proposições norteamericanas na Aliança para o progresso). sem contraprestação específica dos Estados19. de um lado. para evitar equívocos. Destaca Rezek que tais Declarações podem adquirir importância tão substanciosa que é importante enfatizar sua natureza não-convencional. constituído pela integralidade do teor do tratado. 1 – quanto ao número de partes: bilateral 17 e multilateral ou coletivo. 2 – quanto às fases em que se divide o procedimento: bifásico ou tratado em sentido estrito 18 (assinatura prenunciativa de consentimento. de 1975. 18 Denominação utilizada pelos franceses. e informais. 19 Mesmo se tratando de classificação historicamente importante para o DIP. para quem tanto no tratado contratual quanto no normativo a vontade convencional das partes tem sempre o mesmo objeto. pois aí haverá novo acordo. 4 – quanto à natureza das normas: tratados contratuais. Rezek entende que só é admissível em três hipóteses: a) interpretem tratado em vigor. Declarações15 ou comunicados comuns são variantes dos gentlemen‘s agreements. 5 – quanto à execução no tempo: criadores de obrigação de vigência jurídica estática. que exigem aprovação do legislativo. objetiva e definitiva. b) decorrem de tratado em vigor. 3. a notícia de recebimento da denúncia 16) ou um método negocial. constituindo um pacto pessoal entre estadistas. independentemente do parecer e consentimento do Senado. Comumente não possuem teor de relevante significação. por prazo certo ou indefinido. expedidos nas ocasiões de visitas oficiais ou de outros eventos em que se encontram dois ou mais chefes de Estado ou de governo ou em encontros de trabalho entre Ministros de relações exteriores. uma forma de alinhamento. No Brasil. Acordo executivo é a expressão criada nos Estados Unidos para designar aquele tratado que se conclui sob autoridade do chefe do Poder Executivo. à permanência de seus atores no poder. fundados na honra e condicionados. que substitui a assinatura como forma de conclusão do tratado. Negociação e competência negocial. Todo Estado soberano tem capacidade para celebrar tratados. assim. constitui parte singular. que não exigem (ex. distinta daquela dos Estados que a compõem. no tempo. 15 16 É diversa da hipótese em que as partes desejam modificar o teor ou prorrogar a vigência de um acordo preexistente. . e da Ata final de Helsinque. tendo a qualidade de gentlemen‘n agreement assentada em documentos oficiais). dois governos entram em entendimento para ab-rogar um tratado bilateral vigente ou quando se exprime. no teor do compromisso e sim na qualidade dos atores. como seu complemento. e os criadores de uma relação jurídica obrigacional dinâmica. a denúncia de um tratado e. Classificação dos tratados. quando nenhum vínculo jurídico formam para os Estados envolvidos. que criariam regra direito objetivamente válida. e tratados normativos. acordos executivos). que criam obrigações e benefícios recíprocos.

pois é ato de governo) o consentimento perante outras pessoas jurídicas de DIP. 22 Exceto no que concerne às delegações nacionais na conferência anual da OIT. dependente de ratificação). Outra forma de consentir é a ratificação. como aqueles. fala-se em representatividade exterior do Estado. a ratificação exprime definitivamente. em razão disso. o seu direito constitucional. Tais agentes possuem representatividade originária. não sendo sua posição vinculante em relação aos delegados classistas. a parte deve cumprir com o compromisso desde o momento em que expressou seu consentimento definitivo. Há tratados que impõem prazo para ratificação. como a 20 Rezek alerta para os significados diversos que são frequentemente atribuídos à expressão inglesa treaty making power. tendo por domínio. obrigando os Estados (diferente da assinatura como mero aceite provisório. no plano internacional. significando tal assinatura somente o desfecho das negociações e não o consentimento definitivo). embora. a vontade de o Estado se obrigar. se envolver dois Estados. para tanto. Os Chefes de missão diplomática (embaixador ou encarregado de negócios) não precisam apresentar carta de plenos poderes. o fato de o Chefe de Estado restar à margem do processo decisório não prejudica sua representatividade exterior). este poder vai até a adoção do texto do compromisso. Afirma o autor que. sobre aquilo que. se e quando possível. pois o chefe é um delegado governamental. a expressão designa a competência que a ordem jurídica própria a cada Estado costuma partilhar entre o governo e o parlamento. que é o ato internacional pelo qual o Estado manifesta (por meio do Poder Executivo. cuja opinião deve prevalecer frente aos demais componentes da delegação22. Também pode expressar o consentimento estatal a troca de instrumentos – intercâmbio instrumental. fixa e autentica o texto do compromisso e. para tanto. representantes sindicais dos empregadores e dos trabalhadores. mas tão-somente para negociações de tratados bilaterais entre o Estado acreditante e o acreditado (segundo a Convenção de Viena. ou multilateral. O consentimento do Estado pode ser feito pela assinatura. matéria de direito internacional. diferentemente do Ministro de Estado das Relações Exteriores 21 . embora. . que será chefiada pelo agente que possua a carta de plenos poderes. dizendo respeito ao processo de formação da vontade do Estado quanto ao comprometimento externo. sua negativa possa ser entendida como politicamente inoportuna ou inamistosa (Aragão entende que a assinatura já designa um compromisso de boa-fé por parte do Estado). na verdade. exige-se autorização prévia do Congresso para a ratificação. no entanto. exterioriza o aceite definitivo. sedimentada pela via costumeira e hoje tratada na Convenção de Viena20. Os Chefes de Estado e de Governo possuem representatividade internacional para firmar compromissos de forma plena. simultânea ou sucessivamente – pode exigir o consentimento prévio do Congresso Nacional. concedida pelo chefe do executivo. Os demais representantes (plenipotenciários). designando. que. ou a atribuição de certo servidor para falar em nome do Estado. inclusive em hipóteses em que ainda aguarda a outra parte emitir seu consentimento ou que é preciso aguardar determinado quorum para que o tratado passe a viger. o que antecede a autenticação do texto. representantes de cada Estado assinam um instrumento e transmitem ao outro.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 51 negocial. sendo eles abertos à adesão. após a fase negocial. A negociação pode ser bilateral. que possui representatividade derivada – embora possua representatividade também ampla. conforme pondera Rousseau. que põe fim à negociação. A relativização deste compromisso somente é possível em hipóteses excepcionais. às vezes. o poder dos Estados e outras pessoas jurídicas para convencionar. na prática. agentes públicos ou não. 21 Os demais Ministros precisam da carta de plenos poderes. estará subordinada às regras prefixadas. Pela irretratabilidade. por exemplo. desimportando. dependem de carta de plenos poderes. Formas de expressão do consentimento. A ratificação é também irretratável: vigente o compromisso. um Estado que tenha perdido o prazo pode aderir ao compromisso como qualquer outro Estado que não firmou o tratado originalmente. diferente da assinatura em um documento único. A discricionariedade é a principal característica da ratificação. No Brasil. se mais. ficara pendente de aceite definitivo. a parte deve cumpri-lo fielmente e a denúncia unilateral. O Estado pode mandar uma delegação nacional para a negociação. os diplomatas negociem e assinem os tratados bilaterais. a disciplina constitucional específica de cada Estado (nos regimes parlamentaristas. somente a tem a partir do momento em que investido pelo Chefe de Estado ou Governo na função. ainda.

A proteção ao brasileiro no exterior. Daí porque o asilo é discricionário e concedido intuito personae. observar pressupostos de competência. No Brasil o asilo termina com a renúncia ao benefício. Convenções Sobre asilo Diplomático e Territorial (OEA) de 1954. Marcelo D.215/61). expressa.Asilo. Como decisão estatal que é. haverá um conflito real.70. Ponto 7.474/97. Direito Internacional Público e Privado. extraterritorial ou político) surge na América do Sul como um autêntico costume regional . prevalecendo o posterior ou o especial. Convenção de Caracas sobre Asilo Diplomático (Dec. No caso de conflito entre tratados. Refúgio. Parte da doutrina critica a discricionariedade tendo em conta o imperativo maior de proteção à pessoa humana [Portela. No caso de identidade. quando as partes são as mesmas. de 1951(dec. sendo que o conflito entre tratados e outras fontes será solucionado por critérios de especialidade e cronológico. o tratado será considerado nulo. Também pode-se relativizar a regra pela invocação da cláusula rebus sic stantibus. a fuga do asilado e a saída do país sem autorização do governo brasileiro e impede o reingresso como asilado. 346]. São Paulo: Saraiva. O asilo territorial (externo ou internacional) é o asilo em que o beneficiado é acolhido no território do Estado. 42. A ratificação deve ser. intranacional. Regime Jurídico. mas não é um procedimento administrativo de asilo. o Ministério das Relações Exteriores deve ser ouvido. É primordialmente um instrumento de condução da política externa do Estado. Conflito entre tratados e com as demais fontes: não há hierarquia entre as fontes do DIP.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 52 que deixa entrever a Convenção de Viena em seu art. O asilo diplomático (interno. Paulo Henrique Portela. por fim. devem-se distinguir as hipóteses de identidade e de diversidade de fontes de produção normativa. Embora seja de competência do Ministério da Justiça. Juspodivm. mas sob a condição de que esta não seja indevidamente retardada. Direito Internacional Público. é possível que se consume sem que haja instrumento escrito.html Legislação básica: CF e Estatuto do Estrangeiro (Lei 6. Site do alto comissariado da ONU para os refugiados (http://www..18.pt/acnur/acn_lisboa/ovcap2. Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR. ou quando o próprio tratado reclama confirmação do consentimento por notas diplomáticas. São Paulo: Saraiva: 2012.b. Ed. exceto se o conflito for com uma norma imperativa de direito internacional – jus cogens. Consultadas no 26: REZEK. Papel dos órgãos internos. o ato vai ter que ter forma escrita. Refúgio.815/80). como nos casos em que é declarada oralmente ou pela via telegráfica. não há conflito.50. Varella. entre outros.946/72) e Lei 9. ASILO TERRITORIAL E ASILO DIPLOMÁTICO: Asilo se desmembra em asilo territorial e asilo diplomático. o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados.628/57). ASILO: O asilo é apenas indiretamente vinculado ao prestigio da dignidade humana. b. de 1967(dec. Declaração das nações Unidas Sobre Asilo Territorial.Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados. Princípio do non-refoulement.cidadevirtual. 4ª ed. Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados. Direito Internacional Público: curso elementar. Já quando as partes não coincidem. quando manda que o Estado se abstenha de praticar atos frustratórios do objeto do tratado por ele ratificado enquanto aguarda sua entrada em vigor. sem solução jurídica. Não há propriamente um processo de asilo. Francisco. 2011.

devido a grave e generalizada violação de direitos humanos. a lei brasileira de refúgio adota em seus arts. religião. envolvendo Peru e Colômbia. grupo social. III . Depois disso. Não existe refúgio diplomático. Basta que ele seja alvo de um quadro sistemático de violação grave de direitos humanos . O Art. Esta convenção. é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. II . que é a Convenção das Nações Unidas de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados. Os dois Estados devem fazer a classificação. O asilo diplomático é a utilização das imunidades diplomáticas e em especial da inviolabilidade dos locais da missão para abrigar uma pessoa que o Estado asilante entenda ser merecedora do asilo.Basta que exista uma expectativa de ser perseguido. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que: I . a Corte disse que a sua concessão é obrigatória desde que o crime que respalde a persecução empreendida contra o asilado em face do Estado territorial seja um crime político. religião.não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual. Quanto ao salvo conduto. Segundo Marcelo Miller. Vários estados têm um problema sério para expedir o salvo conduto dizendo que não podem preterir o exercício da sua jurisdição penal. a concessão do salvo conduto não é obrigatória. o refugiado TEM QUE entrar no território nacional. pode se fundar em questões de raça. O refugiado não precisa ter sido perseguido ou ter fundado temor de o ser. não é proteger contra um infortúnio. o refúgio não é guiado por razões políticas. REFÚGIO: Diferentemente do asilo. Ele se destina a acautelar a intangibilidade do asilado para permitir que ele vá ao território do Estado asilante e ali possa receber o asilo territorial propriamente dito. Existe um dispositivo na Convenção de Viena sobre as Relações Diplomática (art. não é unilateral. 41. é universal e está disciplinado em instrumento de alcance universal. que é a lei brasileira do refúgio. Refugiado no Brasil: somente o estrangeiro. Não existe um regime internacional universal sobre asilo. foram celebradas duas convenções que trouxeram avanços para a matéria. da qual o Brasil é parte. década de 1950. . em função das circunstâncias descritas no inciso anterior. Basta que o Estado territorial diga que o crime é comum que ele vai se desobrigar de conceder o salvo conduto. estabelecendo também cláusulas de exclusão desse direito. como calamidades naturais. . Foi importante a Corte assentar esse entendimento porque uma das alegações do Peru era de que estaria havendo abuso de imunidade diplomática. 1º e 3º um sistema de atribuição de um direito público subjetivo de refúgio ao estrangeiro. 4º da Convenção de Caracas sobre asilo diplomático diz que compete ao Estado asilante a classificação da natureza do delito ou dos motivos da perseguição e o art. A concessão de asilo precisa de existência preliminar de norma de direito internacional que autorize aquele uso. O refúgio. Essa discussão foi parar na Corte Internacional de Justiça no caso Haya de La Torre. SALVO CONDUTO é o instrumento pelo qual o Estado permite a passagem do asilado diplomático pelo seu território para fins de convolação do asilo diplomático em asilo territorial. grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país. Art. A Corte entendeu que há um costume regional sul americano de concessão de asilo diplomático. A Corte manteve abertas as vias do impasse. São as duas convenções sobre asilo diplomático e asilo territorial. infundiu o conteúdo da Lei 9474. nacionalidade. Não podem ser refugiados os residentes no Brasil e pessoas que tenham direitos e obrigações relacionados com a condição de brasileiro. etc. não possa ou não queira regressar a ele. 12 prevê a obrigatoriedade da concessão de salvo conduto.A índole da lei é proteger contra um algoz. Atenção: Não existe um costume universal de concessão de asilo diplomático. Se for um crime comum. por outro lado.devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 53 sul americano. É instituto humanitário. § 3º) que diz que os locais da missão não podem ser utilizados para razões incompatíveis com a missão. Esse dispositivo vai além do previsto no Estatuto dos Refugiados.

Esta perspectiva é apoiada pela reafirmação desse princípio na Declaração das Nações Unidas sobre o Asilo Territorial. Um Estado que envie um requerente de asilo ou um refugiado para um local de onde possa ser enviado para uma situação de perseguição. incluindo ameaças à vida e à liberdade. etc. nacionalidade. o benefício da presente disposição não poderá ser invocado por um refugiado que haja razões sérias para considerar perigo para a segurança do país onde se encontra. àqueles que necessitam proteção. e à liberdade e segurança pessoal. em todos os casos". Non-refoulement indireto. incluindo o direito à vida. deve ser escrupulosamente observado. incluindo a não rejeição na fronteira. Isto foi reafirmado pelos Estados na Conclusão No. que afirma "o princípio fundamental de non-refoulement. constitui uma garantia contra reenvios forçados para situações de perseguição ou outros perigos. o gozo dos direitos humanos fundamentais. Este entendimento foi confirmado pelos Estados na Conclusão No. filiação em certo grupo social ou opiniões políticas. este princípio foi enunciado para ser aplicado. 22 do EXCOM sobre Proteção de Requerentes de Asilo em Situações de Influxo em Larga Escala. O princípio de non-refoulement deve ser tomado em devida consideração nos tratados de extradição e nas legislações nacionais. como o princípio de non-refoulement é considerado uma regra de direito consuetudinário internacional. religião. ―Artigo 33. ou que. Proibição de expulsar e de repelir. Na Conclusão No. 3º traz as hipóteses de exclusão. Exclui a concessão de refúgio para Chefes de Estado e dirigente militares que tenham. viola o princípio de non-refoulement. ou não. frequentemente referido como elemento chave para a proteção de refugiados. em diversos instrumentos internacionais sobre refugiados e direitos humanos. Contudo. seja de que maneira for. determinado um ataque a determinado pais. tanto nas fronteiras como no interior do território de um Estado.‖ O princípio de non-refoulement é um corolário dos princípios dos direitos humanos fundamentais e reflete a preocupação e o compromisso da comunidade internacional em assegurar. para as fronteiras dos territórios onde a sua vida ou a sua liberdade sejam ameaçados em virtude da sua raça. Não impede o asilo. 1. O refoulement refere-se a qualquer ação de um Estado em que um refugiado é forçado. O respeito pelo princípio de non-refoulement também requer que o refugiado ou o requerente de asilo não seja reenviado para um país a partir do qual possa ser enviado para o local onde a sua vida ou liberdade esteja em perigo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 54 O art. 6 do EXCOM sobre non-refoulement. 2. de 14 de Dezembro de 1967. Para além disso. tendo sido objecto de uma condenação definitiva por um crime ou delito particularmente grave. nas Conclusões do EXCOM. 6 do EXCOM que o princípio de non-refoulement se aplica tanto a requerentes de asilo como a refugiados reconhecidos. 2) Para quem tenha praticado crime contra a humanidade. . PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO RECHAÇO OU PRINCÍPIO DO NONREFOULEMENT: O princípio de non-refoulement. nem a penas ou tratamentos cruéis. crime de tráfico. obriga também os Estados não signatários da Convenção de 1951 ou aqueles que adotaram uma limitação geográfica. independentemente de terem sido. Nenhum dos Estados Contratantes expulsará ou repelirá um refugiado. desumanos ou degradantes. a regressar ou é enviado para um país onde tenha razões para recear perseguição. em especial no Artigo 33 (1) da Convenção de 1951. crime contra a paz. assim como na aplicação de tratados existentes relacionados com a extradição. Duas são mais relevantes: 1) Para quem tenham praticado atos contrários aos princípios e propósitos das Nações Unidas. Tem sido expresso. direta ou indiretamente. a pessoas que podem estar sujeitas a perseguição se reenviadas para o seu país de origem. sob diferentes formas. à não sujeição a tortura. por exemplo. constitua ameaça para a comunidade do dito país. do ACNUR e nas Resoluções da Assembleia Geral. formalmente reconhecidas como refugiadas.

o princípio de non-refoulement não asseguraria uma proteção efetiva aos refugiados. 1. ela poderá ser torturada.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 55 A razão da ampla aplicação do princípio de non-refoulement está descrita na Nota sobre Protecção Internacional de 1993: "O respeito pelo princípio de non-refoulement exige que os requerentes de asilo. No State Party shall expel. também exige a não rejeição na fronteira de pessoas cuja vida e liberdade estariam em perigo no caso de reenvio. Diz a Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis. where applicable. O pedido de refúgio suspenderá. 33. sejam protegidas contra o reenvio a um local onde a sua vida ou liberdade podem ser ameaçadas até que o seu estatuto de refugiados tenha sido definido com segurança. em acepção mais ampla. um requerente de asilo. até à determinação do seu estatuto.474/97. para a protecção de refugiados. surrender or extradite a person to another State where there are substantial grounds for believing that he or she would be in danger of being subjected to enforced disappearance. assim. o non refoulement significa. conforme prova objetiva do 25º concurso. dependendo dessa admissão. qualquer processo de extradição pendente. de que será submetida à tortura. Direitos e obrigações dos refugiados: Lei 9. nele. § 2º) que o potencial refugiado pode ser rechaçado pelo Estado de refúgio quando ―por motivos sérios seja considerado um perigo à segurança do país no qual ele se encontre ou que. que nenhum Estado Parte expulsará. ou seja. Caso contrário. a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados admite (art. a recusa desse acesso pode constituir uma quebra do princípio de nonrefoulement. arts. Lei 9. desumano ou degradante. baseados nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio‖. em fase administrativa ou judicial. no pressuposto de que podem ser refugiados. tendo sido condenado definitivamente por um crime ou delito particularmente grave. tratamento cruel. .474/97. nos termos das definições anteriores. quando a admissão num território está diretamente relacionada com o acesso aos procedimentos de asilo. pessoas que alegam ser refugiadas. os requerentes de asilo devem ser tratados. ou de que será julgada por tribunais de exceção ou ad hoc. no Estado requerente‖. Este princípio. 2. O simples requerimento de refúgio pelo estrangeiro já suspende qualquer processo relativo à utilização de documento falso para a sua entrada no país. For the purpose of determining whether there are such grounds. desumanos ou degradantes da ONU. de devolver estrangeiro a lugar onde sua vida ou liberdade estão ameaçadas. the competent authorities shall take into account all relevant considerations. ou reenviados para uma situação de perseguição. equivale à violação do princípio de non-refoulement. devolverá ou extraditará uma pessoa para outro Estado quando houver fundados motivos para se acreditar que. até decisão definitiva. Sabe-se. por exemplo. para Estados. Esse será o caso. return ("refouler"). including. constitua ameaça para a comunidade do referido país‖. 1. the existence in the State concerned of a consistent pattern of gross. Note-se que. sujeitará seu beneficiário ao preceituado nesta Lei. entretanto. Todo o refugiado é. em seu artigo 3. Reenviar refugiados que ainda não tenham atravessado as fronteiras de um Estado para uma situação de perseguição. em circunstâncias em que o acesso aos procedimentos de asilo constitui o único meio de evitar o refoulement. Art. flagrant or mass violations of human rights or of serious violations of international humanitarian law. Para Eugênio Aragão. 4º O reconhecimento da condição de refugiado. com o fundamento de que o seu pedido ainda não tinha sido analisado". No mesmo sentido dispõe a Convenção Interamericana para Prevenir e Sancionar a Tortura em seu artigo 13: ―Não se concederá a extradição nem se procederá à devolução da pessoa requerida quando houver suspeita fundada de que corre perigo sua vida. a proibição. sem prejuízo do disposto em instrumentos internacionais de que o Governo brasileiro seja 23 Article 16. 33 a 35. porque os requerentes poderiam ser rejeitados nas fronteiras. assim. A proibição do refoulement consta também da Convenção Internacional para Proteção de Pessoas Contra o desaparecimento forçado23. inicialmente.

o Presidente pode não determinar a extradição. RECONHECEU QUE A DECISAO DE DEFERIMENTO DA EXTRADIÇAO NAO VINCULA O PRESIDENTE DA REPUBLICA. 25A decisao do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva de negar a extradiçao do ativista italiano Cesare Battisti esta correta do ponto de vista formal.Lula nega o pedido de extradiçao. E quem faz política externa no país e o Executivo. a Constituiçao determina que a ultima palavra seja do presidente da Republica e que. Assim. nao ha contestaçao. Art. 11.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 56 parte. ao disposto nesta Lei. na Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951 e no Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados de 1967. Para ele. 3) Poder Judiciário : No pedido de extradição do Padre Medina (EXT 1008). A opiniao e do especialista em Direito Internacional e subprocurador-geral da Republica Eugenio Aragao.O Supremo Tribunal Federal. e que tem por finalidade: analisar o pedido de refúgio. 3) cria o risco de ampliaçao indevida do poder judiciario no processo de extradiçao. como qualquer ato administrativo. Em 2009. fala que o Judiciário. 2) Comitê Internacional para os Refugiados (CONARE): é o órgão colegiado. De acordo com o caso Battisti: a) a concessão do refúgio pode ser analisada pelo Judiciário. contrariando decisão do Conare. concede status de refugiado político a Battisti. da Sociedade Civil e das Nações Unidas. que reúne segmentos representativos da área governamental. ao assim fazer. ratifique ou venha a aderir. regulamentos e providências destinados à manutenção da ordem pública. Quanto ao primeiro ponto. e um erro tentar desautorizar o poder do Executivo por meio de recursos no STF (Supremo Tribunal Federal). acesso em 29/12/2011. Posteriormente. em primeira instância. no caso Battisti24. se mostrava insuscetível de revisão judicial. ministro Gilmar Mendes. tendo a Italia formalizado pedido de extradiçao executoria do seu nacional. a Corte entendeu ser aplicável o artigo 33 da Lei 9. cabe recurso administrativo para o Ministro da Justiça. em seguida. A responsabilidade internacional do estado brasileiro e tratada. estaria indevidamente ingressando nas relações internacionais. PAPEL DOS ÓRGÃOS INTERNOS: 1) Polícia Federal: papel mais contido. Após preenchido o formulário solicitando o refúgio. sua perda. vencido o relator.Essa [extraditar ou nao] e uma avaliaçao estritamente política. NO MERITO. O PGR OPINOU PELA IMPROCEDENCIA DA RECLAMAÇAO. b) O Supremo apenas autoriza a extradição e o Presidente.r7.Contra este ato do Presidente da Republica foi ajuizada reclamaçao ao argumento de que a negativa da extradiçao afrontou a decisao do Supremo Tribunal Federal que a deferiu. cabendo-lhe a obrigação de acatar as leis. foi a visão vencedora no caso Medina. vinculado ao Ministério da Justiça. ao apreciar o pedido. o STF disse que a concessão do refúgio era um ato que revelava a discricionariedade politica do Executivo e que.474/97 que determina que o reconhecimento da condição de refugiado impede o seguimento de qualquer pedido de extradição baseado nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio. Tarso Genro. http://noticias.RESUMO DO PARECER DO PGR NA RECLAMAÇAO n. como uma questao política e nao jurídica. 5º O refugiado gozará de direitos e estará sujeito aos deveres dos estrangeiros no Brasil. Foi o que aconteceu no caso Cesare Batistti. declarar o reconhecimento da condição de refugiado ou determinar. 2) ignora aspectos mais elementares do proprio formato do processamento da solicitaçao. ATENÇÃO: Forte corrente no Brasil. 6º O refugiado terá direito. A pretensao da Italia. quanto a isso. PGR OPINA PELO NAO CONHECIMENTO DA RECLAMAÇAO. anulou decisao do Ministro da Justiça que concedera ao extraditando a condiçao de refugiado político e. com fundamento no Tratado de Extradiçao firmado com o Brasil e promulgado pelo Decreto n° 863/1993. o então Ministro da Justiça. imediatamente a Polícia Federal encaminha o solicitante para uma rede social de proteção. Art. ATENÇÃO: Se o CONARE denega o refúgio. a cédula de identidade comprobatória de sua condição jurídica.html. a determina. com base em uma cláusula de exclusão do CASO CESARI BATTISTI (Extradiçao nº 1085) . com base em tratados. segundo o PGR: 1) ignora a densidade do atributo da soberania nacional na decisao extradicional. Por maioria dos votos. 24 . carteira de trabalho e documento de viagem. com base em parecer da AGU. inclusive adotada por membros do MPF25. baseado no 'fundado temor de perseguição por opinião política'. o STF muda de posição..DEZ 2010. inclusive pelo Supremo.243: 2007Battisti foi preso no Rio de Janeiro. 4) cria o risco de exarcebar a capacidade de Estado estrangeiro para estar em juízo no Brasil. Mas não foi essa a visão vencedora no caso Battisti. deferiu a sua extradiçao.com/brasil/noticias/subprocurador-geral-diz-que-brasil-acertou-aonegar-extradicao-de-battisti-20110107. entendeu que nao parece ser possível ao Supremo Tribunal Federal decidir se o Presidente da Republica descumpriu o Tratado específico firmado entre o Brasil e a Italia ou se praticou algum ilícito internacional ao nao extraditar Cesare Battisti. portanto. Para Aragao. nos termos da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951.

asp?id=261&cod=VCIDA. EXT 1. não seria desarrazoado pensar que a Defensoria Pública da União também pode obter recursos para defender os brasileiros que estejam respondendo a processo no exterior. Com o fim da 1ª Guerra Mundial a região ficou sob soberania polonesa. Obrigações primárias e obrigações secundárias. legalização de documentos estrangeiros e até cadastramento eleitoral. após intensas críticas dos Estados ao projeto aprovado em 1996. 4ª ed. Dois pontos para a reflexão. Obrigação de interrupção de ato ilícito continuado. 1928. O projeto de convenção sobre a responsabilidade internacional do Estado encontrou sua redação final em 2001. André de Carvalho Ramos: 1) A rede consular brasileira seria o palco ideal para a proteção dos interesses dos brasileiros no exterior 26 .c. propostos pelo Prof. Em face disso. 26 É fundamental contar com um bom atendimento nas representações diplomáticas. quando documentos forem roubados. Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos. em dezembro de 1953. algum tipo de credenciamento se fizer necessário.. A Alemanha ocupava a região. Extraído de: http://www. Por exemplo. por exemplo. procuração.gov. Em resumo: STF reconhece como refugiado-Executivo não pode expulsar. deportar ou extraditar.br/nivel3/index. Eis alguns dos documentos que podem ser solicitados nos consulados: passaporte. prevendo certa reparação a este último pelos prejuízos e gravames que injustamente sofreu. na qual requereu à Comissão de Direito Internacional o início de estudos visando a codificação dos princípios de Direito Internacional que regem a responsabilidade do Estado. 28 Casos da Fábrica de Chorzów. . assim. A proteção ao brasileiro no exterior: Tema muito novo. ainda. André de Carvalho. Juspodivm. Vários alemães seguiram vendendo e investindo na região que era industrial. Paulo Henrique Portela. A Polônia editou uma lei que dizia que o Estado polonês expropriaria ativos alemães na região por simples alteração de registro (sem indenização). (há um resumo em nosso dropbox) Legislação básica: Draft articles. o Estado solicitado poderia não extraditar. ou apenas para obter alguma informação. O programa Assistência a Cidadãos Brasileiros no Exterior objetiva prestar assistência aos brasileiros que estejam fora do país. Responsabilidade internacional do Estado. RAMOS. A jurisprudência internacional considerou a responsabilidade internacional do Estado como sendo um princípio geral do Direito Internacional. RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DO ESTADO 27 . STF não reconhece-Executivo pode. no Tratado Brasil-Itália constava que. acesso em 28/12/2011. Obrigação de perseguir ilícitos penais internacionais Rodrigo França Merlo Almeida Principais obras consultadas: Resumos dos Grupos do 25º e 26º CPR.abrasil. Ponto 7. Ed. 2) A Constituição prevê o direito a assistência jurídica integral. Atribuição de atos a Estados. Obrigação de não-repetição de ato ilícito. os brasileiros têm direito à proteção diplomática quando se encontram no exterior. conceder o refúgio ou asilo. casamento ou óbito. 567 e 568. certidão de nascimento. A Corte Permanente de Justiça Internacional consagrou esse princípio na análise dos fatos envolvendo a Fábrica de Chorzów28. indenização e satisfação. 27 A Assembleia Geral da ONU. Reparação: restituição. Direito Internacional Público e Privado. adotou a resolução 799. Instituto que visa a responsabilizar determinado Estado pela prática de um ato atentatório ao Direito Internacional (ilícito) perpetrado contra outro Estado. CPJI. Regras derivam do direito costumeiro.085/Governo da Itália.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 57 tratado. A Alemanha concedeu proteção diplomática aos nacionais e propôs ação contra a Polônia na Corte Permanente de Justiça . Jurisprudência e Leitura complementar: Caso Cesari Battisti: Infs do STF 558. por motivo de perseguição. Além disso.

29 Caso Barcelo Traction. com mera referência a Estados soberanos.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 58 Para Rezek (2008. DECISÃO DA CIJ: não tinha a Bélgica legitimidade ativa para propor a ação porque a nacionalidade da empresa era canadense. Bélgica X Espanha: A empresa Barcelona Traction foi constituída para prestar serviços de iluminação na Espanha. por fim. a CIJ aceita que a proteção diplomática às empresas pode ser prestada por Estado que não seja da nacionalidade (excepcionalidade). . que tenha ocorrido um ato ou omissão que viole essa obrigação e seja imputado ao Estado responsável. A obrigação de reparar o dano substituiu a obrigação de restabelecer a situação anterior. DECISÃO: pela primeira vez a corte entendeu que para o Direito Internacional o direito interno é mero fato (refutando a alegação da Polônia de que havia lei). E seria possível que um Estado prestasse proteção diplomática ainda que não da nacionalidade da empresa desde que houvesse um acordo de proteção de investimentos: dois Estados se comprometem a proteger investimentos feitos por nacionais do outro. 05/07/1970 29 . (SHAW. Também que a desapropriação deve ter utilidade pública. Haia. Não há distinção entre Direito Civil e Penal no Direito Internacional. São regras abstratas que têm por objeto determinar se houve violação de norma primária e quais suas conseqüências. apesar de deduzido em linguagem tradicional. É essa. com a reparação de todos os danos causados e ainda com a aplicação de pena de desestímulo ao Estado infrator (RAMOS. pg. 74-75). 2010. e. Também decidiu que se o Canadá fosse um país incapacitado para prestar proteção diplomática seria possível a legitimidade da Bélgica. Ainda que um delito internacional – por exemplo. segundo. Para Kelsen (2010. podendo ser direta ou indireta (pessoa natural ou pessoa jurídica Internacional. como entendeu a CIJ no caso Barcelona Traction. 2004. A empresa ficou insolvente e foi liquidada pelo judiciário. As normas primárias contêm obrigações de Direito Internacional cujo descumprimento enseja a responsabilidade internacional do Estado. com sede e administração no Canadá. pg. o conceito se aplica igualmente às organizações internacionais. em linhas simples. ATRIBUIÇÃO DE ATOS A ESTADOS. Bélgica x Espanha. a recorrência a uma guerra ilícita – é às vezes chamado de ―crime‖. O sentido final da obrigação secundária é o de substituir a obrigação primária. a existência de uma obrigação jurídica internacional em vigor entre dois Estados determinados. a ideia da responsabilidade internacional. Ou seja. oponíveis mesmo em caso de sucessão de Estados. As normas primárias representam as regras de conduta. A Espanha criou dificuldades de operações para empresa no que tange à transferência de dinheiro. Para que se configure a responsabilidade internacional. fazem nascer as obrigações secundárias. a responsabilidade coletiva do Estado por tal delito não é responsabilidade penal. De acordo com Hans Kelsen (2010. 2) Imputabilidade: vínculo entre a violação da norma internacional e seu responsável. o que pode ser feito com o retorno ao status quo ante. pois represálias e guerra não têm caráter específico de pena. pg. Foi a empresa expropriada para que os serviços fossem prestados pelo executivo espanhol. não pode caracterizar medida discriminatória em relação aos não-nacionais e deve ser seguida de indenização. O mero dano a um interesse não é suficiente para caracterizar a responsabilidade internacional. O controle acionário estava com belgas. uma obrigação que tem origem quando o Estado não cumpriu sua obrigação principal. Cuida-se de uma relação entre sujeitos de direito das gentes: tanto vale dizer que. que se violadas. OBRIGAÇÕES PRIMÁRIAS. que tenha resultado perda ou dano desse ato ou omissão ilegal. 574). 49) a obrigação de reparação pode ser chamada obrigação substituta. Também que os alemães proprietários tinham direito adquirido quando a região passou à soberania polonesa. pg 164) a responsabilidade do Estado estabelecida pelo Direito Internacional geral não é responsabilidade civil nem penal. pg 269) O Estado responsável pela prática de um ato ilícito segundo o direito internacional deve ao Estado a que tal ato tenha causado dano uma reparação adequada. A responsabilidade internacional de um Estado por não pagamento ou dívidas baseadas em Direito Internacional não é diferente de sua responsabilidade pela violação de qualquer outra obrigação internacional. são necessários três elementos: 1) ato ilícito: conduta comissiva ou omissiva que viola norma de DI. OBRIGAÇÕES SECUNDÁRIAS. ou seja. As características essenciais da responsabilidade dependem de alguns fatores básicos: primeiro. A Bélgica entrou com ação com base na Proteção Diplomática.

manifestações da vontade e da atividade dos Estados. Ato de particular: é observada tanto no caso de conduta de agentes estatais agindo a título privado (ou seja. pg. Ato do poder executivo: há consenso entre a doutrina em responsabilizar o Estado por estes atos que por serem atos do representante do Estado. 589). o qual Quanto à espécie de ato que pode vincular o Estado internacionalmente. o que compreende uma série de atos. Ato ultra vires: deve ser atribuído ao Estado pela sua própria conduta em escolher determinado agente. entre outras coisas. a) 30 No caso referido foi analisada. existiria se esse ato não tivesse sido cometido‖ (SHAW. persecução criminal. 6. como particulares) quanto no caso de conduta de agentes estatais no momento do ato de particulares. Embora o ponto trate de DIP é importante lembrar do Caso Lund e outros30 (Guerrilha do Araguaia). A Corte Interamericana de Direitos Humanos considerou ser um princípio do Direito Internacional a responsabilização do Estado pelos atos ultra vires de seus agentes. Atos que não importam em responsabilidade: uso de contramedidas (legítima defesa e represália). razão pela qual não podem continuar representando um obstáculo para a investigação dos fatos do caso. pg. 2004. pg. em face de atos de particulares. Ato do Poder Legislativo: para a Corte Permanente de Justiça Internacional. O princípio fundamental referente à reparação. Ato do Poder Judiciário: no caso de denegação de justiça que engloba tanto a inexistência do remédio judicial quanto as deficiências do mesmo. admite-se a responsabilidade internacional do Estado por atos administrativos. sendo rechaçada a imposição de cláusula federal. . a compatibilidade da Lei de Anistia No. com toda probabilidade. 2010. condenação e detenção dos responsáveis por violações de direitos humanos. Mas em determinadas hipóteses o ato de um mero particular pode acarretar a responsabilidade internacional do Estado.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 59 vinculada ao Estado). quando o Tribunal Permanente de Justiça Internacional ressaltou que ―o princípio essencial contido na real noção de ato ilícito é que a reparação deve. inclusive as garantias de não-repetição. A omissão desses mesmos agentes. nem para a identificação e a punição dos responsáveis. Ato privativo do Ministério Público: quando há falta de investigação. as leis nacionais. A imposição de responsabilidade objetiva sobre o Estado toda vez que um funcionário seu envolver-se num ato ilegal estimula o Estado a exercer maior controle sobre seus vários departamentos e representantes (SHAW. anular todas as conseqüências do ato ilícito e restabelecer a situação que. pode acarretar a responsabilização internacional do Estado. vinculam e acarretam a responsabilidade internacional do mesmo. Com base no direito internacional e em sua jurisprudência constante. foi exposto no caso da Fábrica de Chorzów. ou remediação da violação de uma obrigação internacional pela qual determinado Estado é responsável. a Corte Interamericana concluiu que as disposições da Lei de Anistia que impedem a investigação e sanção de graves violações de direitos humanos são incompatíveis com a Convenção Americana e carecem de efeitos jurídicos. REPARAÇÃO. A responsabilidade internacional do Estado não poderia ser firmada quando a conduta não fosse relacionada de alguma maneira com a função oficial exercida. O artigo 4º do projeto de convenção sobre a responsabilidade internacional do Estado da Comissão de Direito Internacional. Toda e qualquer conduta do Estado infrator para eliminar as conseqüências do fato internacionalmente ilícito. Ato de ente federado: a Federação responde pela conduta de seus entes internos. tanto quanto possível. Teorias da responsabilidade: a) teoria subjetivista/da culpa-Grócio: necessidade de apurar a existência de culpa ou dolo. 577). são simples fatos. legislativos e mesmo judiciais. 2010. para ao Direito Internacional. Represália é a retaliação de um ato ilícito praticado por outro Estado. 3) Dano: prejuízo decorrente do ato ilícito.683/79 com as obrigações internacionais assumidas pelo Brasil à luz da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. 168). b) teoria objetivista/do risco-Rezek: desnecessidade de apuração da culpa ou dolo e c) Teoria Mista-Strupp: Responsabilidade depende de culpa na omissão e independe de culpa ou dolo nos casos comissivos. pode ser material ou moral. que ultrapassou as competências oficiais do órgão. como atos administrativos e decisões judiciais (RAMOS.

sem expedição de ordem judicial. O Equador foi condenado. em razão de suposta violação da lei de drogas. O Equador revogou o artigo que permitia prisão cautelar por prazo acima do razoável quando se tratasse de crime da lei de entorpecentes. a CPJI. Só aplicável nos casos em que há possibilidade de repetição da conduta. O Estado peruano. b) INDENIZAÇÃO: na impossibilidade do retorno ao status quo ante deve o Estado indenizar pecuniariamente o ofendido pelos danos causados. Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR. 34 Caso Loayza Tamayo X Peru: Em 06 de fevereiro de 1993 a Sra. prendeu a Sra. Maria Elena Loayza Tamayo foi presa juntamente com um membro da família. Paradigma da Carta da ONU na solução pacífica de controvérsias: funções do Conselho de Segurança. Ficou preso cautelarmente por 4 anos quando a pena máxima para o delito era de 2 anos. Rosero foi preso cautelarmente por um mês.948. Paulo Henrique Gonçalves. sofreu tortura e foi acusado de crimes políticos. Editora Revista dos Tribunais. d) Obrigação de interrupção de ato ilícito continuado: o Estado violador de obrigação internacional deve interromper imediatamente sua conduta ilícita. Direito Internacional Público e Privado. O princípio aut dedere aut judicare (extraditar ou julgar) remonta Grocius e tem como objetivo assegurar punição aos infratores de normas internacionais. Caso Villagrán Morales y Otros (5 meninos de rua assassinados por policiais na cidade da Guatemala em 1990). PORTELA. (Casos da CtIDH em que se aplicou essa reparação: Suaréz Rosero31. 1948. que determinou a libertação da Sra.947. aconselhou os dois governos a submeter a disputa ao Tribunal. levantada pela Albânia. Por esta razão. Alberto Ladislao Huaman Loayza. reparação por danos sofridos a serviço da ONU. . datado de 25 de março de 1. VIZEU FIGUEIREDO. No caso da Fábrica de Chorzów. e) Obrigação de não-repetição de ato ilícito: obtenção de salvaguardas contra a reiteração da conduta violadora de obrigação internacional. Ed. integridade física. Loayza Tamayo sem um mandado emitido pela autoridade competente. 31 Caso Soarez Rosero X Equador: Rafael S. dentre várias medidas. por uma resolução de 19 de abril de 1. Velasquez Rodrigues32). MAZZUOLI. por membros da Comissão Nacional contra o Terrorismo da Polícia Nacional do Peru. como colaboradora de suposto grupo subversivo. onde quer que eles estejam. CIJ. sem mandado judicial. 2ª Ed. 33 Caso do Estreito de Corfu. Loyaza. a adotar leis que efetivassem os direitos de liberdade previstos no Pacto de San Jose.a. Honduras foi condenada por violação à liberdade pessoal. Caso Velásquez Rodrigues. sem observar o procedimento de verificação mencionada Lei e seus regulamentos. cabe aos Estados prevenir a ocorrência de novas violações. natureza e origem. Valério de Oliveira. no qual o Tribunal declarou que ele tinha jurisdição. o Sr. incluindo-se sérias perdas de vida. da Assembleia-Geral. Solução pacífica de controvérsias: conceito. Direito Internacional Público – Parte Geral. a CtIDH estabeleceu a obrigação de investigar e sancionar as violações. Dois destroyers britânicos colidiram com minas em águas albanianas e sofreram danos. incomunicável. 32 Caso Velásquez Rodrigues X Honduras: Estudante violentamente detido pelas Forças Armadas de Honduras. ofensa à vida e teve de indenizar a família da vítima. O Reino Unido primeiro interpelou o Conselho de Segurança das Nações Unidas que. Caso Loayza Tamayo34 julgado pela CtIDH. 4ª ed. A vítima tem direito de exigir do autor do fato internacionalmente ilícito o retorno ao status quo ante. da Corte Internacional de Justiça. ITEM 8 Ponto 8. Arbitragem internacional e gestão diplomática.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 60 RESTITUIÇÃO (restitutio in integrum): a melhor forma de reparação. JusPODIVM. julgado pela CtIDH. esta petição foi assunto de julgamento. f) Obrigação de perseguir ilícitos penais internacionais: evitar a impunidade e prevenir a ocorrência de novas violações. sem prejuízo de outras formas de reparação. Banco de questões 27º CPR – MPF GII – Questões Prova Oral. o Reino Unido encaminhou uma Petição que depois de uma objeção à sua admissibilidade. LEONARDO. Caso do Estreito de Corfu julgado pela CIJ em 194933. considerou ser a restituição na íntegra a melhor forma de reparação. Lições de Direito Econômico. c) SATISFAÇÃO: conjunto de medidas de declaração da infração cometida e de garantias de não-repetição.

A necessidade de criação de meios que solucionem as controvérsias internacionais deve-se às peculiaridades da sociedade internacional. c) consultas: mecanismos por meio dos quais os Estados buscam identificar e estabelecer os temas objetos de controvérsia. De acordo com a classificação adotada por Portela. salvo no caso de legítima defesa ou no interesse da comunidade internacional para manter ou restaurar a paz (artigo 51 da Carta da ONU). conforme destaca Portela. pois passa a não ser mais tolerado o uso da força nas relações internacionais. de forma bilateral ou multilateral. mas sem interferir nas tratativas. O rol mais importante de mecanismos de solução de controvérsias é trazido pelo artigo 33 da Carta da ONU. Os meios de solução de controvérsias devem. assim como nos bons ofícios há o envolvimento de um terceiro. dentro ou fora de organizações internacionais. meramente jurídica etc. que pode se revestir de qualquer natureza (econômica. Os meios para solução das controvérsias devem ser pacíficos.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 61 Legislação básica: Carta da ONU. ter natureza preventiva e não possuem um rol exaustivo de hipóteses. organismo internacional ou uma autoridade. A Carta da ONU de 1945 traz enumerado como o primeiro dos propósitos da organização ―manter a paz e a segurança internacionais‖ e ―chegar.) e de qualquer grau de gravidade‖. Podem ser meios jurídicos (semijudiciais e judiciais) ou diplomáticos e políticos. o qual prevê a negociação. a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz‖. O terceiro pode ser um Estado. arbitragem. solução judicial e recurso a entidades ou acordos regionais. da solução apresentada pelo Estado soberano quando diante de um conflito de direito interno). inquérito. não apenas aproxima as partes. Os meios diplomáticos tem por característica a manutenção de um diálogo entre as partes divergentes. que tais mecanismos de solução pacífica das controvérsias surgem no contexto do pós-guerra. também conhecido como ―investigação‖ ou ―fact finding‖. política. Meios diplomáticos e políticos: são os denominados ―meios não jurisdicionais‖. o qual colabora na solução das controvérsias. assim. não é propriamente um meio de solução de controvérsia. mediação. e) mediação: na mediação. Assim como o inquérito. conciliação. b) inquérito: é um meio preliminar para esclarecer fatos conflituosos. referindo-se ainda à possibilidade de qualquer outro meio pacífico a ser escolhido pelas partes. caso prevista em tratado. A solução pacífica de controvérsias tem como objetivo resolver conflitos surgidos no âmbito da sociedade internacional. Preparam o terreno para a solução de uma controvérsia. sempre que possível. podese entender ―o litígio que envolve Estados e organizações internacionais. Não pode apresentar posicionamentos a respeito do tema ou proposta de solução do conflito. Diferem-se dos meios políticos. Artigo 33 e seguintes. d) bons ofícios: trata-se da ajuda de terceiro. mas ajuda a esclarecer quais são as divergências entre as partes. Percebe-se. Pelo termo controvérsia internacional. pois nestes as tratativas entre as partes desenvolvem-se no bojo de organizações internacionais e de seus respectivos órgãos. portanto. por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional. Busca aproximar os litigantes. Não há mais o ―direito à guerra‖. mas propõe uma solução pacífica para o conflito. . Pode ser facultativa ou obrigatória. contudo. o qual. denominado ―mediador‖. marcada por relações de coordenação e não de subordinação (difere-se. destacam-se entre os meios diplomáticos e políticos para solução pacífica das controvérsias: a) negociação: entendimento direto entre os Estados.

de 1991 e o Protocolo de Olivos. emanada de órgãos não permanentes. Os Estados não estão autorizados pela Carta da ONU e pelo Estatuto da CJI a solicitar pareceres.1. b) Intervenção do GMC. c) Tribunal Arbitral Ad Hoc e. de acordo com o disposto no artigo 36. Atenção: mesmo Estados não signatários do Estatuto da Corte e até mesmo não integrantes da ONU. convidará as partes a resolverem os conflitos de acordo com os meios estabelecidos no caput do referido artigo. Quando as partes não conseguirem solucionar a controvérsia por um dos meios estabelecidos no artigo 33 da Carta da ONU. Julga litígio entre os Estados..27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 62 f) conciliação: semelhante à mediação. a decisão dos árbitros torna-se obrigatória para as partes e deve ser devidamente cumprida. De acordo com Portela (2012) ―a arbitragem internacional é o meio de solução de controvérsias que funciona por meio de um órgão. mas caracterizando-se pela existência de um órgão de mediação. de 2002. Sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL: O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL baseia-se em dois documentos principais: o Protocolo de Brasília. conhecido como Corte ou Tribunal arbitral. podem vir a ser parte. Normalmente são órgãos criados por tratados.3). devem as mesmas. 37). Arbitragem internacional: a arbitragem é entendida por alguns autores. a questão será submetida ao Conselho de Segurança (art. O CS pode recomendar os métodos e procedimentos que entender adequado para a solução pacífica da controvérsia. A sentença é definitiva. serem submetidas à CIJ (art. como um meio semi-judicial de solução de controvérsias. O descumprimento do laudo arbitral configura ilícito internacional.‖ Frise-se que os Estados não estão obrigados a se submeterem ao procedimento arbitral. a qual examina o litígio e propõe um parecer ou relatório. 36. o sistema possui 4 (quatro) fases: a) negociações diretas. a questão será submetida ao Conselho de Segurança. Tal competência encontrase no artigo 11. sendo que somente estes podem ser parte. podendo ensejar ação do Conselho de Segurança para garantir sua execução. inapelável e obrigatória e seu descumprimento importa em responsabilidade internacional do violador. composto por árbitros de um ou mais Estados. sendo a controvérsia de natureza jurídica. ao optar por tal método de solução das controvérsias. O principal órgão jurisdicional da ONU é a Corte Internacional de Justiça. Alguns autores como Gustavo Bregalda entendem que a arbitragem é um meio jurisdicional. contudo. MEIOS JUDICIAIS: são aqueles que funcionam por meio de órgãos jurisdicionais com regras pré-existentes e permanentes. cumpre observar que quando para a solução da controvérsia for necessária uma ação. Contudo.2 da Carta da ONU. A Assembleia-Geral da ONU pode discutir solução de controvérsias e tem criado comissões de bons ofícios e indicado mediadores em vários casos a ela submetidos. contudo. O Brasil ainda não aceita a cláusula facultativa de jurisdição obrigatória da CIJ. A cláusula compromissória exprime a vontade dos Estados em submeterem-se à arbitragem e tem previsão em vários tratados.2. e) . de acordo com o artigo 33. da Carta da ONU. antes ou depois da discussão. pois não é emitida por um órgão jurisdicional permanente. No exercício da função consultiva somente a AssembleiaGeral e o Conselho de Segurança podem solicitar a emissão de pareceres. formada por juízes eleitos pela Assembleia-Geral e pelo Conselho de Segurança. Segundo Leonardo Vizeu. Produzem uma solução ad hoc. sem força vinculante. a decisão proferida é obrigatória e fundamentada em norma jurídica. por fim. geralmente denominado ―comissão de conciliação‖. que derrogou o primeiro e trouxe a previsão do Tribunal Permanente de Revisão. dentro de alguns parâmetros estabelecido pelo Conselho de Segurança. de acordo com o artigo 34. em regra. Possui competência contenciosa e consultiva. escolhidos pelos litigantes e com notória especialidade na matéria. §1º. O Conselho de Segurança. contudo. Contudo. dentre os quais Portela. do Estatuto da Corte.

admitindo a reclamação. Trata-se de um meio não jurisdicional de solução de conflitos que se inicia pela iniciativa dos Estados em litígio. Os Estados poderão. cumpre ressaltar um ponto acerca da execução das decisões proferidas no âmbito do sistema de solução de controvérsias.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 63 Tribunal Permanente de Revisão. natureza . A outra parte na controvérsia terá o prazo de 15 dias para contestar o recurso e caberá ao Tribunal Permanente de Revisão solucionar a questão no prazo de 30 dias. Direito Internacional Público e Privado. 2012 pg. tais como a suspensão de concessões ou outras equivalentes. muito embora as decisões tenham força de coisa julgada.pg. surgem duas opções: a) estabelecer contato com o Estado-parte em busca de uma solução ou b) levar a reclamação diretamente ao GMC. Crimes contra a humanidade ou de lesa humanidade: definição. 2012 . Legislação complementar: PORTELA. Excepcionalmente. É importante ressaltar que a submissão ao Tribunal Arbitral não deriva de acordo entre os Estados. prorrogado por até mais 15 dias. Assim. A última forma de solução de controvérsias é através do Tribunal Permanente de Revisão. Por fim. das medidas impostas. não gozam de força executória perante o Estado-parte sucumbente. A primeira é a fase de negociações diretas ou negociações diplomáticas. Se as decisões não forem cumpridas no prazo determinado surge para a contraparte o direito de adotar medidas compensatórias. Não sendo possível a solução da controvérsia. mediante acordo expresso dos Estados-Partes ou por meio de um Recurso de Revisão que deve ser interposto em prazo não superior a 15 dias da decisão do Tribunal Arbitral Ad Hoc. todos os membros do MERCOSUL reconhecem como obrigatória e sem necessidade de acordo especial a jurisdição do Tribunal Arbitral que a cada caso seja constituído. Rio de Janeiro: Forense. surgem para os Estados-partes duas opções. o Tribunal poderá decidir pela equidade (ex aequo et bono). VIZEU FIGUEIREDO. 975-992 e 583-597. Ed. pelo Tribunal. se as partes assim convierem. Esse tema ainda continua regido pelo Protocolo de Brasília que nesta parte não foi derrogado pelo Protocolo de Olivos. 518-548. JusPODIVM. nos termos estabelecidos no Protocolo de Brasília. Ainda sobre o sistema de solução de controvérsia no MERCOSUL é preciso abrir um tópico à parte para tratar das Reclamações particulares. Não há a hipótese de execução direta. Diante desta hipótese. mediante acordo expresso. Ponto 8. Lições de Direito Econômico. 4ª ed.b. As negociações durarão até 15 (quinze) dias e passado este prazo é facultado a qualquer dos Estados-partes submeter a questão ao GMC (Grupo Mercado Comum). submeter a controvérsia diretamente para o Tribunal Permanente de Revisão ou submetê-la ao Tribunal Arbitral Ad hoc. Logo. O TPR pode ser provocado diretamente após a fase de intervenção do GMC. É importante ressaltar que o caso somente será levado adiante se houver uma concordância da Seção Nacional. O particular que se sentir afetado deverá formalizar sua reclamação à Seção Nacional do Grupo do Mercado Comum onde tiver sua residência ou a sede de seus negócios. 5 ed. isso porque. Paulo Henrique Gonçalves. a submissão do caso ao Tribunal Arbitral Ad hoc não é pressuposto absoluto para o conhecimento da controvérsia pelo TPR. LEONARDO.

Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR.. 365). PORTELA. Podem ser cometidos tanto em tempo de guerra quanto em tempo de paz. sistematicidade. ―O caráter ‗civil‘ da população deve estar presente tanto em tempo de paz quanto em tempo de guerra (. trabalhos forçados. (Parte II) Disponível em http://www.) devem satisfazer a dois critérios adicionais.com.. Um único ato de assassinato intencional pode ser considerado crime contra a Humanidade se essa conduta se enquadra no contexto geral. 2. extensão. 3. 11 – novembro 2009. ou de nacionalidade diferentes das do Estado de origem dos criminosos. perpetrados contra uma população civil. por exemplo.Eugênio José Guilherme de Aragão.. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – v. de forma isolada ou conjunta. desaparecimentos forçados.‖ (idem. para distinguir os civis. de forma cumulativa: não apenas esses atos devem ser cometidos em quantidade numerosa. Será suficiente demonstrar que número significativo de pessoas foi vítima de ataques (. diversas manifestações criminosas.. São cometidos por agentes do Estado contra civis da mesma nacionalidade.. Artigo: ―Crimes Contra A Humanidade: Sistema Internacional De Repressão‖ . Crimes contra a Humanidade: Conceito e Imprescritibilidade . Legislação básica: não indicou No dizer de José Cretella Neto (2008: 364): ―Atualmente entende-se que os crimes contra a Humanidade apresentam as seguintes características básicas: 1.. perseguição com base em leis e medidas discriminatórias e formas institucionalizadas de opressão social.. Curso de Direito Internacional Público – Valério de Oliveira Mazzuoli – 2011 – Saraiva. quando cometidos de forma múltipla. tortura. Rui Carlo..‖ Acrescenta Cretella que a definição de crimes contra humanidade é bastante ampla. Não é necessário que o próprio criminoso repita as condutas. encarceramento arbitrário. elemento político. Além de assassinatos e extermínio. 7º do Estatuto do TPI). A forma múltipla dessas condutas fica caracterizada tanto no caso de uma mesma conduta ser praticada diversas vezes quanto no caso de prática de diversos tipos de conduta. assim. Direito Internacional Público e Privado.. distinguem-se dos crimes contra a Humanidade (. tais como escravidão. Artigo: ―A conformação da imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade à luz da Constituição da República Federativa do Brasil‖ Joceli Scremin da Rocha. expulsão de pessoas de suas regiões de origem. exigindo-se que estes delitos sejam praticados como parte de um ataque generalizado ou sistemático (Art. p. mas também perpetrados deliberadamente. estupros em massa contra mulheres indefesas (sic). como o homicídio. em nome de uma política da qual constituem um dos elementos. 4ª ed. Paulo Henrique Gonçalves.) que a totalidade da população de um território que esteja sofrendo um ataque seja alvo desse ataque.lfg. 368).) ―Não é relevante. 05 de agosto de 2009. entende-se a prática de uma série de atos de violência. Elementos dos crimes contra a humanidade: ataque à população civil. mas o papel efetivamente desempenhado pelo indivíduo no momento em que o crime foi cometido. Isso pode . JusPODIVM DISSENHA. acrescenta Cretella que ―(. Atos isolados. 21. Os crimes contra humanidade e o Estatuto de Roma ..br. O ataque deve ter como alvo a população civil (ataques perpetrados contra tropas militares são regidas pelo direito de guerra e/ou direito humanitário).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 64 consuetudinária.‖ (Idem). n. imprescritibilidade. praticado contra uma única vítima. levar em conta seu status formal. conquanto graves.). p. Acrescenta Cretella que ―Por ‗ataque‘. 4. os crimes contra a Humanidade podem incluir também.Luiz Flávio Gomes. São crimes de massa. como ser membro de determinadas forças ou unidades militares. Ed. Além disso.)‖ (Idem. ―Não é necessário (.

conforme explica Eugênio Aragão: ―A idéia de crimes contra a humanidade. Desaparecimento forçado de pessoas. Saliente-se que o Estatuto de Roma do TPI arrola uma série de condutas que são consideradas crimes contra a humanidade.. raciais. ou seja. o Estado. jurisdição universal. Uma norma que é conhecida entre os especialistas de Direito Internacional humanitário. 2 . ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. muito mais de exercer uma pretensão punitiva do Estado. Acerca da natureza consuetudinária dos crimes contra a humanidade é preciso fazer uma rápida síntese histórica. religiosos ou de gênero. E. Outros atos desumanos de caráter semelhante. em violação das normas fundamentais de direito internacional. vamos dizer. desaparecimento de pessoas. escravatura sexual. (b) praticados ou não durante conflito armado (posição de Aragão – Luiz Flavio entende que só podem ser praticados durante conflito armado). o Estado é obrigado. esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável. (e) de forma generalizada ou sistemática. quando. 956) destaca que: a expressão ―crimes contra a humanidade‖ geralmente conta quaisquer atrocidades e violações de direitos humanos perpetrados no planeta em larga escala. assim como no crime de promover uma guerra de agressão. Segundo Luiz Flávio Gomes. esses crimes compreendem qualquer dos seguintes atos.. é uma idéia muito recente. NATUREZA CONSUETUDINÁRIA. Uma das possibilidades são os tribunais internacionais e a outra possibilidade é que outro Estado assuma a jurisdição através do exercício da chamada jurisdição extraterritorial. quando o Estado não dá conta de perseguir esses crimes. persegue esses crimes. contra qualquer população civil. são bens jurídicos. Deportação ou transferência forçada de uma população. Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado. por motivos políticos. (d) contra a população civil. ou sujeito ativo do crime. Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave. Agressão sexual. violações sexuais etc. (c) no contexto de uma política de Estado ou de uma organização (que promova essa política). Tortura. são características dos crimes contra a humanidade: de tudo quanto foi dito podemos extrair a conclusão de que a definição do que se entende por crime contra a humanidade exige: (a) atos desumanos (tais quais os descritos no Estatuto de Roma: assassinatos. a parte do Direito Internacional que se aplica em situações de conflitos armados para proteger pessoas vulneráveis expostas aos dramas dos . através de sua jurisdição doméstica.)‖ (CRETELLA.Na verdade. ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional. ou jurisdição a partir de critérios como sujeito passivo do crime. que causem intencionalmente grande sofrimento. Mas o nome ―crimes contra a humanidade‖ se apóia em uma norma anterior. Crime de apartheid. que são propriamente o corpo central do Direito Internacional Penal. generalizado ou sistemático. ele age em substituição à comunidade internacional quando persegue esses crimes. assim como no genocídio. ele exerce uma pretensão punitiva da comunidade internacional. quando cometido no quadro de um ataque. para cuja punição é possível aplicar-se o princípio da jurisdição universal. culturais. Portanto.). Mazzuoli (p. (f) com conhecimento do agente. na verdade. Extermínio. p 366). Ela emerge depois da Segunda Guerra Mundial. havendo conhecimento desse ataque: Homicídio. prostituição forçada.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 65 incluir membros das forças militares que depuseram as armas ou não estão mais tomando parte nos combates (. hoje nós temos vários mecanismos de evitar que a impunidade tome conta do cenário. étnicos. gravidez forçada. assim como nos crimes de guerra. extermínio. relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal.Os crimes contra a humanidade fazem parte de um grupo de delinqüências internacionais. Escravidão. são muito caros à comunidade internacional. nacionais. Comentários de Eugênio Aragão: 1 . De acordo com o artigo 7º do Estatuto. Por que esses crimes são crimes internacionais por excelência? Porque o bem jurídico tutelado nos crimes contra a humanidade.

designada pelo nome do Ministro das Relações Exteriores do Czar Alexandre. São tipos.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 66 conflitos. Em relação a essas devem ser sempre aplicadas as leis de humanidade. em caso de ausência de norma em uma guerra. nem no francês. da Rússia. No preâmbulo da Convenção de 1907 se dizia: ―Até que um código mais completo sobre o direito da guerra terá sido adotado. as altas partes contratantes entendem expediente declarar que nos casos que não forem tratados nesta regulação. os crimes contra a humanidade decorrem de normas consuetudinárias e convencionais e se incluem no jus cogens. possui força normativa vinculante mesmo em relação a Estados que não tenham participado da formação do tratado que reproduza regra consuetudinária). (. Ainda que não estivesse escrito no papel que aquilo era um crime. nos termos do art. das leis da humanidade e os ditados da consciência pública‖. de misericórdia.) Nessa esteira. que se chama Cláusula Martens. praticadas de modo sistemático contra parcela ou segmento da população civil.. são crimes contra as leis de humanidade a que se referia a Cláusula Martens. que têm uma substância costumeira. 38 da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. Porque crimes contra a humanidade tanto podem ser contra o coletivo dos seres humanos tanto quanto o sentimento de humanidade. são tipos que não estão definidos em lugar algum. nessa definição. . a questão da irretroatividade da norma penal. De fato. Nos idiomas latinos essa diferença não fica clara. do direito inglês. porque os crimes contra a humanidade são crimes against humanity e não são crimes against men kind.. primeiro pelo nome ―crimes contra a humanidade‖. Essa era a idéia deles. sem lei escrita. essa diferença fica muito clara. Para nós parece uma coisa esquisita porque estamos acostumados com aquela máxima Nullum crimen. as partes sempre têm que ter em mente que o conflito é entre beligerantes. Mas havia uma clara intenção de dizer que esses crimes preexistiam.. Essa era a idéia. (. Mas para eles não. os crimes contra a humanidade. de 1907. como coletivos de seres humanos. de 1907. Trata-se de atributo essencial. conforme já há no Regulamento da Haia. pois a finalidade da qualificação de um fato como sendo atentatório à humanidade é garantir que não possa ficar impune. seus elementos. burglary. crime costumeiro não é nenhuma novidade. Eles tinham esse esforço. isso decorria do costume internacional e para os britânicos. na verdade. e humanity como o sentimento de humanidade. aparecem pela primeira vez no Estatuto de Londres. nulla poena sine lege scripta . No inglês. Assim. Isso significa basicamente que. homicídio. o principio da anterioridade da lei penal estava cumprido na medida em que crimes contra a humanidade eram contra as leis e costumes da guerra terrestre. são ontologicamente imprescritíveis e insuscetíveis de anistia. em razão da interpretação consolidada pelo jus cogens. Os crimes contra a humanidade não são crimes contra o coletivo dos seres humanos. furto. Mas. desde 1945. A qualificação do fato como ―crime contra a humanidade‖ decorre de norma de jus cogens (O costume é fonte de direito internacional e. ou seja. são dados como uma jurisprudência milenar. sobre os Costumes da Guerra Terrestre. robbery ou murder são tipos que não existem em nenhum código penal inglês.. já atentavam contra os costumes da guerra terrestre de 1907. de 1907. vamos dizer.) É importante. contra as leis de humanidade. Nem no português. que estão fora do combate. entendia-se que violações das leis contra a humanidade. e não entre pessoas que nada têm a ver com o conflito. para nós isso é mais difícil de aceitar. Por exemplo. e sua definição. obriga os Estados membros da comunidade internacional a promoverem a responsabilização criminal dos autores de graves violações a direitos humanos. os crimes contra a humanidade. conforme inscrito na Cláusula Martens. para eles isso aqui é razoável. Convenção nº 4. vamos dizer assim. se nós formos examinar o julgamento de Nuremberg. que. de qualquer forma. Então. as altas partes contratantes acertarão que os habitantes e os beligerantes ficarão sob a proteção dos princípios de Direito Internacional como resultam dos usos entre povos civilizados. Então. principalmente para a common law. Mas a idéia era contra o sentimento de humanidade. os crimes contra a humanidade são contra os sentimentos de humanidade. dentro de uma compreensão de common law. está inserta na Convenção da Haia.

e por isso são imprescritíveis e não podem ser anistiados‘.. a pretensão punitiva do Estado..27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 67 IMPRESCRITIBILIDADE. também o artigo 29 do Estatuto de Roma confirma a imprescritibilidade dos crimes contra Humanidade. dignidade humana etc. o Brasil quer em sua esfera doméstica. os seguintes crimes: ―§1. que a ela também não aderiu. em segundo lugar. na espécie ora em exame. bem como a ideia de imprescritibilidade. adotada em 26/11/1968. conforme noticiado no informativo 588 – na parte das transcrições. teria por fundamento a ―Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade‖. juridicamente.) Como já observado neste julgamento. em terceiro lugar. Quanto à imprescritibilidade dos crimes contra humanidade. como o faz o Conselho Federal da OAB.) As normas da Convenção se aplicam aos representantes das autoridades do Estado ou aos particulares. celebrada em 26/11/1968. fato que já foi afirmado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.. pois. o que a torna verdadeira ―res inter alios acta‖ em face do Estado brasileiro. que tenham participado como autores ou cúmplices dos crimes. Nesse sentido foi o voto do Ministro Eros Grau na ADPF 153. Nem se sustente. em momento algum.)‖. quer no plano internacional (. porém. assim como aos representantes do Estado que tenham tolerado a prática de tais delitos (artigo 2º). A refutação de Swensson Junior é implacável: em primeiro lugar. (Boletim 198 do IBCCRIM). No Dicionário de Direitos Humanos da ESMPU encontra-se o seguinte comentário acerca desta convenção: No artigo 1º a Convenção dispõe que são imprescritíveis. esta foi reconhecida pela Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes Contra a Humanidade. normas do art. sucumbiria perante a segunda linha argumentativa: as ações dos ‗agentes da repressão política estatal são ‗crimes contra a humanidade‘. ou ainda que tenham incitado a prática do ato. havendo ainda consenso na doutrina e jurisprudência internacional de que tais delitos.. 5º. Eis o trecho pertinente: ―(.. (Disponível em: LINK) De se ver que essa convenção não foi ratificada pelo Brasil. e. caso acolhida a postulação deduzida pela parte ora argüente. calculada esta pelo prazo mais longo (20 anos) previsto em nosso ordenamento positivo. tanto quanto o da evidentíssima prescrição. Outra corrente defende que a imprescritibilidade fere normas constitucionais – já que só a CF/88 poderia estabelecer crimes imprescritíveis – nesse último sentido Felipe Caldeira. no caso Gomes Lund (Guerrilha do Araguaia). essa Convenção das Nações Unidas. instrumentos normativos internacionais só adquirem força vinculante após o processo constitucional de internalização. . além dela. jamais foi subscrita pelo Brasil. de 13 de fevereiro de 1946 e 11 de dezembro de 1946. como tal definidos no Estatuto do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg de 8 de agosto de 1945 e confirmados pelas resoluções nº3 (I) e 95 ( i ) da Assembléia Geral das Nações Unidas. Deste modo.. Doutrina majoritária entende que a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade tem base constitucional e não fere a CF/88 – interpretação sistemática. compõe norma de jus conges. Isso significa que a cláusula de imprescritibilidade penal que resulta dessa Convenção das Nações Unidas não se aplica. ‗o costume internacional não pode ser fonte de direito penal‘ sem violação de uma função básica do princípio da legalidade. que a imprescritibilidade penal. não obriga nem vincula. Mostra-se evidente a inconsistência jurídica de semelhante afirmação. muito embora aberta à adesão dos Estados componentes da sociedade internacional. e o Brasil não subscreveu a ‗Convenção sobre Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade de 1968 nem qualquer outro documento que contivesse cláusula similar. ou que tenham participado de um acordo com o fim de cometêlo. independentemente da data em que tenham sido cometidos. nomeadamente as "infrações graves" enumeradas na Convenção de Genebra de 12 de agosto de 1949 para a proteção às vítimas da guerra (. Os crimes de guerra. inclusive no voto do Juiz ad hoc Roberto de Figueiredo Caldas. até a presente data.Mas o argumento da anistia. achar-se-ia atingida pela prescrição penal. se evita que chefes de Estado não sejam responsabilizados pela prática de tais delitos. como se sabe.

No art. geral. haja vista que as normas do referido instituto recorrem a um princípio de direito que já vigorava anteriormente à sua aprovação. ataque sistemático a uma população civil.‖ (grifei) Corroborando a tese da imprescritibilidade. mas dentro de um contexto. portanto aquele ato especificamente. tem que haver uma organização por trás porque ninguém consegue praticar um volume de crimes desse jeito. 7º nós temos uma definição bastante complexa porque. Então. . basicamente doze atos. v. É uma definição circular. o art. firmada em 1968. art. de 8 de novembro de 2002) porém apenas ‗para fatos posteriores a 10 de dezembro de 1998‘. por trás disso. a não ratificação da Convenção sobre a Imprescritibilidade dos crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade não exime a obrigação estatal em comento. Mas o ataque aqui está definido no § 2º. com o conhecimento do ataque. que é o que trata do funcionamento do que institui o Tribunal Penal Internacional. Ataque contra a população civil parece que é uma guerra. 7º vai fazer mais ou menos o seguinte: ele vai dar uma definição circunstancial. Elementos dos crimes contra a humanidade: ataque à população civil. anteriormente à aprovação da Convenção sobre a Imprescritibilidade dos crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade. elemento político. Por isso ele é extenso. envolvendo o múltiplo cometimento de atos. além de serem compatíveis com o regime democrático adotado pelo Brasil. encontram supedâneo nos compromissos internacionais firmados pelo Brasil e na atual redação da Constituição Federal. Isso não ajuda muito. (c) cuida-se de delito de execução permanente (até que se descubram os corpos). ele só pode ser cometido se. Os crimes de lesa-humanidade não admitem o instituto penal da prescrição. houver uma organização. A dimensão é parte inerente. explica Eugênio Aragão: Os crimes contra a humanidade estão definidos no art. É verdade que esse termo advém do direito de guerra. sistematicidade. a autoridade de seus arestos foi por nós reconhecida plenamente em 2002 (Dec. segundo ou em apoio a uma política de Estado ou organização para cometer tal ataque”. na verdade. 4. A permanência se dá enquanto seus autores continuem ocultando o destino e o paradeiro da pessoa desaparecida e enquanto os fatos não forem esclarecidos.g. Scremim da Rocha destaca que: ―pode-se afirmar que as interpretações proferidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em relação à prevalência da imprescritibilidade dos crimes de lesa-humanidade. porque não sobrou pedra sobre pedra. III). enquanto não cessa a permanência (CP. 7º do Estatuto de Roma. Quando chegamos a Timor Leste. a exemplo do precedente ‗Arellano x Chile‘. Acerca desse tópico. 111. Mas. (b) cuida-se de obrigação que emana do ius cogens . mostra aqui que para um crime ser elevado à categoria de crime contra a humanidade ele tem que ter uma certa dimensão. que diz: “Ataque contra uma população civil significa o curso de conduta. contra qualquer população civil. quando existem crimes desse volume.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 68 conjurando o fantasma da condenação pela Corte Interamericana. pela sua própria extensão. E com espeque neste princípio de direito internacional os Estados detém o dever de perseguir e sancionar os agentes responsáveis. Também. verificamos que todas as casas ali estavam queimadas com lança-chamas. A contextualização está assim: crimes contra a humanidade são os seguintes atos quando cometidos como parte de um ataque extenso ou sistemático dirigido contra qualquer população civil. Crimes permanentes e imprescritibilidade: no que diz respeito especificamente ao desaparecimento de pessoas a jurisprudência da Corte Interamericana (Caso Goiburú . de qualquer forma. A imprescritibilidade é um princípio do direito internacional que foi reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas. mas de um jeito tão regular que só poderia ter sido cometido se tivesse uma ordem militar por trás disso.463. extensão. n. Isso posto. Então.) consolidou o seguinte: (a) os Estados têm a obrigação de investigar e punir esses crimes. Tratando-se de delitos permanentes não se inicia a contagem da prescrição. referidos no § 1º. e depois vai definir uma série de atos. que podem constituir crimes contra a humanidade.

Ou seja. O ataque pode ser extenso ou sistemático. um planejamento intenso. de acordo com Dissenha. existe. havia uma política por trás. racional. Cretella menciona decisão do Tribunal Penal Internacional para a Iuguslávia em que se assentou que ―Tal política não precisa ser formalizada e pode ser deduzida a partir do modo pelo qual os atos acontecem. Extenso significa apenas que é um ataque praticado por muita gente contra muitas vítimas. Crimes contra a humanidade x Crime de Genocídio: Como já foi dito. hoje. Eugênio Aragão explicita uma das principais diferenças entre o crime contra a humanidade e o genocídio. Assim. Além de grupos paramilitares. O critério político em relação aos quais ocorre o ataque contra civis (art. uma vez que o artigo 30 do estatuto parece não admitir o dolo eventual. Mas não era necessariamente sistemática. promotores e defensores públicos – é incluir no novo código um capítulo exclusivo para tratar do tema. a partir do fim da Guerra Fria. o . passamos a ter esse fenômeno de Estados falidos.‖ Cumpre destacar.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 69 Então. certo grau de maquinação por trás disso. se os atos são praticados em base generalizadas e sistemáticas. Mas. Isso. juízes. senão. A ideia do grupo – formado por advogados. no todo ou em parte. Diferentemente de tais crimes. são os dois elementos. assim. Muitas vezes. Nesse sentido. consistente na possibilidade deste último poder ser praticado por particulares fora de um contexto de conflito. Mas é necessário esse elemento político porque. como na Somália. o que demonstra a existência de uma política para cometê-los. vamos dizer. maquinados. inclui organizações terroristas. como disse o Tribunal de Ruanda. qualquer tipo de onda de violência. a sistematicidade é mais do que elemento político. contra qualquer população civil. ou tem que haver ou o Estado ou uma organização por trás disso para praticar. os crimes contra a humanidade são praticados por exércitos de mercenários privados de senhores de guerra. seguramente. os crimes contra a humanidade são aqueles cometidos no âmbito de um ataque.2. não havia a sofisticação que tinham os alemães na hora em que promoveram o seu extermínio industrial contra os judeus. ao menos. sem Estado por trás. com o dolo de destruí-lo. Portanto. dispondo de equipamentos e recursos que permitem que seja desfechado ataques generalizados e sistemáticos contra civis. para evitar que a onda de violência seja qualificada como crime de violência tem que haver o elemento político por trás. os crimes contra a humanidade existem no Estatuto de Roma apenas na estrita forma dolosa – animados. Há crimes contra a humanidade que são planejados. por oposição a atos espontâneos e isolados de violência. Em qualquer uma das hipóteses tem que haver volume. são aproveitados dentro da euforia da turba. às vezes. Em especial. ―O termo deve ser interpretado de forma mais ampla. No caso do massacre ruandense. formalizada ou não.‖ (CRETELLA: 370). Por organização criminosa entende-se grupo de pessoas. que. já que não se admite o cometimento desse delito na categoria de crime culposo. Para uma leitura facultativa e a título de informação – projeto do novo Código Penal brasileiro Crimes contra a humanidade terão capítulo especial no novo Código Penal – A comissão de juristas que formula uma proposta de reforma para o Código Penal brasileiro aprovou nesta segunda-feira mudanças na lei que trata de crimes contra a humanidade. o elemento intencional desta espécie – como é comum a todas aquelas que compõem a competência material do TPI – se dá apenas na forma de dolo. o genocídio consiste na prática de atos contra membros de um grupo étnico. por fim. que pode ser de Estado ou organizacional porque nós. e outros. poderia ser crime contra a humanidade. nacional ou religioso. se ele é sistemático. o planejamento que está por trás. Seguramente era extenso. Por outro lado. a partir de 1990. 7. tem que haver. às vezes não existe. como o "arrastão" no Rio de Janeiro. pelo dolo direto. Então. é a maquinação.a do Estatuto do TIP) não exige um planejamento ou elaboração formal. Então. ao lado do volume tem que ter esse elemento político. havendo conhecimento do ataque. generalizado ou sistemático. como o de que o crime segue determinada orientação do governo ou de uma organização criminosa. Então.

bem como pelo enfoque do direito interno. e destinado à produção de efeitos jurídicos (Rezek. §1º.jus. Disponível em: http://www. que um Estado invoque o fato de que seu consentimento em obrigar-se por um tratado tenha sido expresso em violação de uma disposição de seu direito interno sobre sua competência para concluir tratados (ressalvado o caso da inobservância manifesta e que diga respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental – art. 2011. quer de dois ou mais instrumentos conexos.aidpbrasil.br /arquivos/anexos/os_crimes_contra_a_humanidade_e_o_estatuto_de_roma_. Eugênio José Guilherme de. 2011. tratado é todo acordo formal concluído entre pessoas jurídicas de direito internacional público.org. Legislação complementar: DISSENHA. Francisco. Convenção de Viena/1969. 2010. Nascimento e. Disponível em: http://aplicacao. Aragão. Rui Carlo. a). 2010. São Paulo: Saraiva. Legislação básica: Art. Casella. Direito Constitucional Esquematizado. inclusive. Pedro. São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Internacional Público. Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR.tst. 19ª Edição.br/dspace/bitstream/handle/1939/6563/aragaoeugeniojoseguilherme. Salvador: Editora Juspodivm. I e art. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969 (CV/69) foi incorporada pelo direito brasileiro recentemente. por meio do Decreto nº 7.pdf. quais as fases e requisitos exigidos internamente para a produção de efeitos desses tratados. São Paulo: Saraiva. Para Francisco Resek. 1. Ambos aspectos serão tratados nesse ponto. pág. 46. E. Hierarquia. 84. Acordo Executivo. Accioly.rui_dissenha. Portela.c. Observe-se que a Convenção de Viena de 1969 não tratou das fases internas de celebração dos tratados. 2º. ―tratado significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. qualquer que seja sua denominação específica‖ (art. Ponto 8. Paulo Borba. Silva. Valério de Oliveira. Ela veda. Processo de formação e incorporação dos tratados internacionais. Graficamente podemos visualizar quatro etapas nesse processo de formação e incorporação dos tratados: . Mazzuoli.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 70 que não ocorre nos crimes contra a humanidade. São Paulo: RT. Direito Internacional Público e Privado. Segundo consta na convenção. 14ª Edição.pdf?s equence=1. Tratados internacionais: conceito. Rezek. Paulo Henrique Gonçalves. 2ª Edição. 2011. Os crimes contra humanidade e o Estatuto de Roma.030/2009. Lenza. Direito Internacional Público – curso elementar. quer conste de um instrumento único. G. 49. 13ª Edição. VII da CF. Crimes contra a humanidade: sistema internacional de repressão. Partindo desse conceito é possível analisar as fase do processo de formação e incorporação dos tratados sob o enfoque do Direito Internacional (fundamentalmente seguindo a CV/69). Hildebrando. CV/69). ou seja. Manual de Direito Internacional Público. 38). 5ª Edição.

à manifestação do consentimento dos Estados em obrigarem-se pelo tratado. na União. que ocorre no plano internacional. CF) e. nos tratados de direitos humanos. se não foi devidamente aprovado por um decreto legislativo. são as negociações preliminares. em termos de agentes. 1 e 2. às funções de depositário e aos outros assuntos que surjam necessariamente antes da entrada em vigor do tratado. adoção do texto e assinatura. Entretanto. para aprovação do texto.‖ A autenticação é uma formalidade protocolar. de competência exclusiva do congresso nacional (a votação é separada. 9º. para quem o tratado assinado já é tratado. Accioly e Rezek defendem que o tratado apenas assinado é tão somente um projeto de tratado. o qual é aprovado por 3/5 em dois turnos. à qual cabe ―manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais‖ (art. à maneira ou a data de sua entrada em vigor. se seguir o rito do art.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 71 1) A primeira fase do processo de formação e incorporação dos tratados. a assinatura não impede a propositura de reservas. 49. (b) ADOÇÃO DO TEXTO: Durante as negociações. um aceite precário e formal. exceto em conferência internacional quando se dá pela maioria de 2/3 dos membros (art. §3º. A exceção. ainda que não vincule à ratificação. CRFB/88). 84. (c) ASSINATURA: A assinatura. Essa doutrina é contestada por Pontes de Miranda. a competência para negociação repousa. consiste no referendo congressual (art. como estabelece o art. que confere autenticidade e definitividade ao texto convencional adotado. sendo. do ponto de vista orgânico. ocorre primeiro na Câmara e depois no Senado). 174). muito embora ainda dependa da ratificação e da aprovação congressual. portanto. I. às reservas. 5º. §4º da CV/69 : ―Aplicam-se desde o momento da adoção do texto de um tratado as disposições relativas à autenticação do seu texto. ou seja. em virtude do princípio da boa-fé (princípio geral de direito internacional) implica em que os signatários não podem atuar de modo a comprometer o objeto do tratado. CRFB/88). há uma fase intermediária de votação entre os negociantes. própria dos documentos diplomáticos. se essa é exigida pelo Direito interno do país (já existiria o tratado. da CV69). 21. embora ainda não tenha ingressado no mundo jurídico como negócio jurídico perfeito (Mazzuoli. pág. No Brasil. compete privativamente ao Presidente da República celebrar tratados internacionais (art. o que se faz por meio de decreto legislativo. A assinatura impede que o texto do acordo seja alterado unilateralmente. a vinculação já com a assinatura está disposta no art. 2) A segunda fase é interna. VIII. ou por maioria . 12 da CV69. que efetua-se pelo consentimento de todos os Estados que participam da sua elaboração. o que pode ser delegado pela carta de plenos poderes a um plenipotenciário. (a) NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES: As negociações preliminares são trocas de manifestações de vontade. A regra é que a exigibilidade dos tratados dependa de atos posteriores. 24. Alguns efeitos jurídicos já podem nascer com a simples adoção do texto. I.

Clóvis Beviláqua). tendo o Brasil adotado o dualismo moderado. o Brasil adota a concepção dualista para a vigência interna dos tratados em geral. troca de notas e depósito de instrumentos (tratado multilaterais). A melhor doutrina (Cachapuz de Medeiros. exprime definitivamente. 49. Celso de Albuquerque Melo. que .U.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 72 simples nos demais tipos de tratados. no plano internacional. uma vez que seriam estes tratados self-executing. 102 da Carta da ONU). a edição de lei formal distinta (visão dualista extremada ou radical). satisfazendo-se com a adoção desse iter procedimental exposto (aprovação congressual + promulgação executiva do texto convencional). Nesse passo. 49. que passa. adeptos de corrente minoritária. como a primeira vista dar a entender o art. O referendo congressual autoriza o Presidente da República a ratificar o tratado no plano internacional. pois quando o aprova ainda será necessária a ratificação e promulgação pelo Presidente da República (―teoria do efeito útil‖). para os tratados de direitos humanos a concepção monista. a vincular e obrigar no plano do direito positivo interno. José Hermes Pereira de Araújo. então. 74). CF diga que é da competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente. c) a executoriedade do ato internacional. pelo qual o Presidente da República confirma a assinatura anteriormente aposta. Guido Soares. 146) e Cançado Trindade. em tema de convenções internacionais ou de tratados de integração. por meio de Decreto do Presidente da república (sinônimos: decreto executivo. que é o ato unilateral com que a pessoa jurídica de direito internacional. 4) A quarta fase consiste na promulgação e publicação do Tratado no D. todavia. nem o princípio do efeito direto. a expedição pelo Presidente da República do referido decreto acarreta três efeitos básicos que lhe são inerentes: a) a promulgação do tratado internacional. O decreto de promulgação cuida-se. analisando o art. I CRFB/88 com o art. decreto de promulgação). com efeito. ou seja. desse modo. pág. doutrina majoritária entende que o Brasil adota o sistema da recepção legislativa. de um costume constitucional (não há menção a decreto de promulgação na Constituição) e de requisito para o controle de constitucionalidade do tratado internacional. De acordo com entendimento do STF (ADI 1480). Embora o inciso I do art. sendo o ato administrativo discricionário e indelegável. não exige. entendem. 3) A terceira fase é a ratificação. Para a citada autora. uma vez que a Constituição brasileira não consagrou. A jurisprudência do STF. Flávia Piovesan (2011. I CRFB/88. A CV69 prevê três forma de ratificação: troca de instrumentos.. Ocorre no plano internacional. para efeito de executoriedade doméstica dos tratados internacionais. Mitôr Fraga. 84.O. nem o postulado da aplicabilidade imediata (STF. b) a publicação oficial de seu texto. e somente então. Emite-se uma Carta de Ratificação e a envia ao Secretariado da ONU (art. declarando a vontade do Estado em definitivamente fazer parte do tratado. 49. entende que a competência do Congresso Nacional para referendar tratados se estende a todos os atos internacionais da República. que se incorporam ao direito brasileiro tão logo ratificados. que para os tratados de direitos humanos adota-se o sistema da recepção automática. signatária de um tratado. e não somente àqueles que acarretam encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. CR 8279). ele só o faz de forma definitiva quando rejeita o projeto de tratado. sua vontade de obrigar-se (Rezek. ato que dá eficácia interna ao tratado. VIII CRFB/88. Esta é a fase do consentimento. que dá eficácia ao tratado no plano internacional.

§3º. §1º e 2º. firmou-se o entendimento de que os atos internacionais incorporados à ordem jurídica pátria equivaleriam à lei ordinária. em virtude do disposto no art. Hierarquia dos tratados de Direito Tributário: o art. em virtude da eficácia imediata que o art. da Constituição Federal. 5º => status de emenda constitucional. acordos que consignem apenas a interpretação de cláusulas de um tratado já em vigor. nesse citado julgamento. e para aqueles . observa-se que os tratados de direitos humanos guardam consonância com a ―teoria do duplo estatuto”: a) anteriores à EC45 e posteriores à EC sem observarem o rito especial => status supralegal. era consolidada no sentido da prevalência dos tratados em matéria tributária sobre a legislação tributária interna. Em entendimento contrário. sem a participação do Poder Legislativo.343 (tese do Ministro Gilmar Mendes). fez referência ao art. b) posteriores à EC45. 5º. destaque-se que a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência foi incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status de norma constitucional. veja-se Flávia Piovesan e Cançado Trindade. segundo Resek (2008. 49. por sua vez. os tratados de direitos humanos internalizados antes da vigência da EC 45/2004. por decorrência lógica. Por fim. os Acordos Executivos não são permitidos no Brasil. 62). citando Accioly. têm equivalência à norma constitucional em sentido formal e material. apesar de dizer respeito a matéria não tributária. um tratado já vigente. Resek (2008. os que apenas complementem. No entanto. na doutrina. adotando a supremacia dos acordos internacionais. os que apenas firmem as bases para uma negociação futura. é ―expressão criada nos Estados Unidos para designar aquele tratado que se conclui sob a autoridade do chefe do poder Executivo. Assim. Portela (2011. 98 do CTN. Porém. os demais tratados internalizados no Brasil. sobre a lei (STF. os quais entendem ter o tratado de direitos humanos status de norma constitucional em sentido material. lhes outorga. A jurisprudência do STF. consoante entendimento do STF – RE 466. I. independentemente de parecer e consentimento do Senado‖. Quanto à hierarquia. RE 226. bem como o Ministro Celso de Mello. sem participação do Congresso. complementando-o. Nesse ponto. §3º. tendo o STF mudado seu posicionamento no julgamento do RE nº 80. têm equivalência de lei federal ordinária. 96). como regra de exceção. 98 do CTN estabelece que ―os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela lei que lhes sobrevenha‖. em oposição à forma solene. designa 3 categorias de tratados que podem ser pactuados sob a ótica de um acordo executivo. anterior ou posterior. II. a jurisprudência brasileira vem retomando a visão da supralegalidade dos tratados em matéria tributária. tendo passado pelo rito do §3º do art. ao tempo da edição do CTN. Via de regra. leia-se. sem o referendo pelo quórum qualificado do CN. São tratados que adotam um procedimento simplificado para sua conclusão. o qual.004/SE. em torno da matéria tributária.096). estando abaixo da égide Constitucional e acima da lei infraconstitucional. de participação dos dois Poderes. Assim. 26). têm status supralegal. uma vez que que foi aprovada pelo rito constante do artigo 5º.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 73 prescinde da promulgação. 5º. III. Acordo Executivo (executive agreement). compondo-se por assuntos de competência privativa do Poder Executivo: I. da CRFB/88. Os tratados de direitos humanos internalizados após a EC 45/04 e sob o rito qualificado do art. cita que os acordos executivos são mais adequados para dar execução a outro tratado já firmado e de escopo mais amplo.

Segundo o Professor acima referido. 2012. Brasil condenado a legislar pela Corte Interamericana de Direitos humanos: da obrigação de tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoas. p. 16. (2ª edição). considerando-as como crimes internacionais. Dever de perseguir e pretensão punitiva da comunidade internacional. Os Tribunais Internacionais para a ex. Manual Prático de Direitos Humanos Internacionais. Mahmoud Cherif Bassiouni. Ed. 4ª ed. 116-145. Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR. editora JusPodivm/2011.a. Paulo Henrique Gonçalves Portela. Crimes internacionais: conceito e classificação. Competência/Jurisdição Universal para Crimes Internacionais: Perspectivas Históricas e Contemporâneas. Direito Internacional Público. JusPODIVM. Lenza. por sua vez. os quais já existiriam no Direito Internacional).Ioguslávia e para Ruanda também vigoraram sob o crivo do mesmo postulado. da CRFB/88. No Direito Internacional Penal. ITEM 9 Ponto 9. Eugênio José Guilherme de Aragão (tema: ―Caso Guerrilha do Araguaia – Reflexões Teóricas‖). construção que permitiu a instalação do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg. previu a máxima do ―nullum crimen. não haveria como puni-los caso se exigisse a legalidade estrita (sustenta-se que o Acordo de Londres teria apenas declarado os tipos penais. Referidos crimes tem previsão em tratado ou costume. constante do material do grupo de estudos do 26º concurso. Legislação básica: não indicou CRIMES INTERNACIONAIS: CONCEITO: Para Mahmoud Cherif BASSIOUNI os crimes internacionais são aqueles que lesam bens jurídicos titulados ou interesses tutelados pela sociedade internacional (aulas do Professor Marcelo MILLER). atento às críticas sofridas pelos Tribunais Internacionais que lhe precederam (tachados de tribunais ―ad hoc‖).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 74 que não impliquem em assunção de novos compromissos. Direito Internacional Público e Privado. Direito Constitucional Esquematizado. o Brasil adota. segundo o Professor Marcelo MILLER. JARDIM. Legislação complementar: PORTELA. Palestra proferida aos 26/08/2009 no MPF/ PRDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão) o Dr. predominantemente. Coordenação Sven Peterke. vigora a ordem ―nullum crimen. a forma solene de recepção. p. 2012. 49. Ministério Público da União. Editora Martins Fontes. I. há determinados fatores (―critérios de incriminação‖) que levam a sociedade internacional a se preocupar com certas condutas puníveis. o que apenas se aplica ao Tribunal Penal Internacional erigido pelo Estatuto. Paulo Henrique Gonçalves. Pedro. José Francisco Rezek. Alega este autor. já que como referidos crimes não contavam com previsão em nenhum tratado internacional. Tradução livre/ Resumo da Turma do 26º concurso MPF. nulla poena. Malcolm N. Tarciso Dal Maso. editora Saraiva. Ed. International Criminal Law. Mahmoud Cherif Bassiouni. Direito Internacional. sine jure‖. São Paulo: Saraiva. quais sejam: . permitindo a forma simplificada quando o ato não trouxer compromissos adicionais para o Estado brasileiro. sine lege‖. Direito Internacional Público e Privado. nulla poena. 604-613. que nos termos do art. Vale lembrar que o Estatuto de Roma. Shaw.

Apartheid j. b) a conduta ofende valores compartilhados pelo conjunto da comunidade internacional (mas o interesse não é de altíssima significação). Genocídio c. Crimes contra as nações unidas e associados f. Crimes contra a humanidade d. Tortura ou outras formas cruéis. Sequestro de aeronaves e atos ilegais contra a segurança aérea . em especial ameaça à paz e segurança internacionais. As categorias são: a. Esses delitos podem ser agravados e serem incluídos no conceito anterior de crimes internacionais. A maioria faz parte do jus cogens. ou que são produtos de ações estatais ou de uma política de preferência estatal. desumanas ou tratamento degradante ou punições l. CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES INTERNACIONAIS: BASSIOUNI sustenta (tradução livre realizada pelo Grupo de estudos do 26º concurso do MPF) que existem 25 categorias de crimes internacionais (o Professor MARCELO MILLER disse em aula que o rol de crimes internacionais sustentados por BASSIOUNI somaria 29). Experimentos humanos ilegais II. Escravização ou similares práticas k. Agressão b. Crimes internacionais – prescrições normativas de direito criminal internacional de violações que violam ou afetam a paz e a segurança da humanidade ou são contrárias a valores fundamentais humanitários. BASSIOUNI classifica-os da seguinte maneira: I.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 75 a) a conduta afeta um interesse internacional significativo. Delitos internacionais – prescrições normativas de direito criminal internacional que afeta um interesse protegido internacionalmente. Pirataria b. e) a conduta é de tal natureza que sua prevenção e repressão podem ser vantajosamente levadas a efeito pela conjugação de esforços internacionais. Posse. uso ou colocação ilegal de armas g. e que sua prática envolve mais que um Estado ou danos a vítimas de mais de um Estado. São eles: a. seja porque a conduta se estende a mais de um território. Crimes de guerra e. Roubo de material nuclear h. Característica muito particular – a ocorrência não ocorre sem ação estatal ou favorecimento de política estatal. d) a conduta é ofensiva à pessoa ou interesse sujeito a proteção internacional (porém o interesse não é de altíssima significação). Prática mercenária i. c) a conduta tem implicações transnacionais por envolver ou afetar mais de um Estado seja por haver mais de uma nacionalidade envolvida.

BASSIOUNI explica que a principal divergência se situa sobre a questão de como um crime internacional atinge o ―status‖ de ―jus cogens‖ e como tais crimes observam as exigências emanadas do princípio da legalidade. as obrigações ―erga omnes‖. No que se refere ao reconhecimento de um crime de ―jus cogens‖. Falsificação e contrafação c. Suborno de oficiais estrangeiros Conceitualmente. Atos ilegais contra certas elementos protegidos internacionalmente dos ambientes III. a dúvida existente é se tal reconhecimento acarreta aos Estados uma obrigação ―erga omnes‖ ou apenas dá àqueles o direito de processar os criminosos. c) A intrínseca seriedade da violação. Fazer civis reféns e.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 76 c. Julgar ou extraditar. b) O prejuízo que se visa evitar. Interferência ilegal com cabo de submarinos internacionais d. são eles: genocídio. surge uma obrigação de perseguir e punir ou surge uma simples faculdade? O autor entende tratar-se de verdadeiro dever. sob pena de se retirar toda a imperatividade da norma. Segundo BASSIOUNI. Sempre deverão ser reprimidos penalmente pelos Estados e pela sociedade internacional. . tortura e formas equiparadas. Destruição ou roubo de tesouros h. Em outras palavras. crimes de guerra. o ―jus cogens‖ pode ser compreendido como o ―status‖ legal atribuído a determinados crimes internacionais. Ameaça ou uso de força contra pessoas internacionalmente protegidas d. BASSIOUNI). d) O perigo do transgressor. que é a sua própria razão de ser. f) A política de criminalização. Eles são: a. essa classificação leva em conta: a) O interesse social que se pretende proteger. Infrações internacionais – violações de normas do direito internacional penal não incluídas nas categorias anteriores. Tráfico ilegal de drogas e ofensas relacionadas g. experimentação ilícita com seres humanos e pirataria (nesse sentido. e) O grau de proteção geral que se busca manifestar. Tráfico internacional em materiais obscenos b. CRIMES INTEGRANTES DO “JUS COGENS”: Dentre os crimes citados haveria aqueles integrantes do ―jus cogens‖: crimes cuja derrogação internacional não é permitida. escravidão e formas análogas. Esse entendimento acarreta as seguintes consequências: i. por sua vez. crimes contra a humanidade. g) Escolhas políticas refletidas na oportunidade de uma persecução criminal. traduziriam uma das consequências advindas da prática de crimes caracterizados como de ―jus cogens‖. Uso ilegal de correios f.

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado
77

ii.

Inaplicabilidade de imunidades;

iii.

Universalidade de jurisdição sobre tais crimes, independentemente do local onde
foram cometidos, por quem (incluindo chefes de Estado), contra a qual categoria
de vítimas, e independentemente do contexto de sua ocorrência (paz ou de
guerra). Acima de tudo, a caracterização de certos crimes como de ―jus cogens‖
impõe aos Estados a obrigação erga omnes de não deixar impunes os responsáveis
por tais práticas criminosas.

BASSIOUNI obtempera que tais crimes (acima citados) atingiram esse ―status‖ (de ―jus
cogens‖) por alguns fundamentos:
I.

Pronunciamentos internacionais – opinio juris – que refletem o
reconhecimento de que esses crimes são considerados parte do costume
internacional;

II.

Preâmbulos ou outros dispositivos convencionais aplicáveis a esses crimes
indicando que os mesmos possuem um status mais elevado na ordem
jurídica internacional;

III.

Grande número de Estados que ratificaram tratados que visam combater
tais práticas;

IV.

Constituição de Tribunais ad hoc para julgar e punir tais crimes;

Aduz o autor que o Direito Internacional Penal positivado não contempla expressamente uma
categoria de crimes de ―jus cogens‖ e as práticas Estatais não se alinham ao entendimento
doutrinário acima exposto, já que as obrigações acima enumeradas não são respeitadas. Há um
movimento doutrinário que propõe a revisão desse comportamento, de maneira a atribuir
responsabilidade estatal nos casos de descumprimento de um obrigação ―erga omnes‖. V. Caso
Pinochet.
BASSIOUNI afirma que condutas que afetam o interesse da comunidade internacional como um
todo, porque ameaçam a paz e segurança da humanidade e porque chocam a consciência da
humanidade, ligadas a determinado Estado (por ação ou omissão), podem ser enquadradas como
crime de ―jus cogens‖. Os crimes de ―jus cogens‖ de direito internacional penal sobrepõem-se
aos Estados.
Os crimes internacionais que são tidos como parte do “jus cogens” corporificam a proteção
dos direitos humanos, sendo o exemplo típico do papel do Direito Internacional Penal como
ultima ratio na imposição da tutela internacional dos Direitos Humanos.
Importante conceituação constante do ―Manual Prático de Direitos Humanos Internacionais‖,
especificamente do Glossário elaborado pelo Dr. Eugênio Aragão refere-se ao que se deve
entender pelo princípio de aut dedere aut iudicare: refere-se à obrigação de extraditar ou julgar
pessoas que cometeram crimes internacionais.
Em aula ministrada no dia 18/5/2011 (aula constante do material do grupo de estudos do 26º
concurso) o Dr. Eugenio Aragão conceituou os crimes de “jus cogens” como aqueles que
necessariamente devem ser perseguidos, seja o Estado parte de um tratado de repressão
desses crimes ou não. São crimes que atentam contra direitos humanos fundamentais e a
obrigação de perseguir independe de tratado internacional.
Para saber se o crime atingiu o nível de ―jus cogens‖, cabe examinar os instrumentos legais
incriminadores, o número de Estados que incorporaram a proibição, número de processos
instaurados para reprimir o ato e exame de outras fontes de pesquisa do DI (princípios gerais,
costumes e opinião dos autores).

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Característica relevante do crime internacional é a sua imprescritibilidade. O Estatuto de Roma
prevê a imprescritibilidade dos crimes nele previstos. Outro vetor normativo sobre o tema é a
Convenção de 1967 sobre a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade. Essa
Convenção tem pouco Estados partes, mas tem a importante função de revelar um costume
internacional.
Vale citar, ademais, que em Palestra proferida aos 26/08/2009 no MPF/ PRDC (Procuradoria
Federal dos Direitos do Cidadão) o Dr. Eugênio José Guilherme de Aragão (tema: ―Caso
Guerrilha do Araguaia – Reflexões Teóricas‖) sustentou que a tortura e o desaparecimento
forçado, enquanto crimes contra a humanidade teriam estatura especial, configurando crimes
internacionais por excelência.
Nessa perspectiva, pela relevância do tema, cumpre tecer breves considerações acerca do crime
de desaparecimento forçado.
De acordo com o Estatuto de Roma, por desaparecimento forçado entende-se a prisão, detenção
ou sequestro de pessoas por um Estado ou por organização política, ou com autorização, apoio
ou aquiescência destes, seguidos da negativa de informar sobre a privação de liberdade ou dar
informação sobre a sorte ou o paradeiro dessas pessoas, com a intenção de deixá-las fora do
amparo da lei por um período prolongado.
O Brasil ainda não possui o tipo autônomo de desaparecimento forçado. Contudo, a Corte
Interamericana de Direitos humanos, em sentença de 24 de novembro de 2010, responsabilizou o
Brasil a tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoas. O caso dizia respeito à
responsabilidade do Brasil pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de
membros do Partido Comunista, em decorrência de operações do exército para erradicar a
Guerrilha do Araguaia.
Destaque-se, ainda, que, na palestra proferida sobre o caso Guerrilha do Araguaia, o Dr. Eugênio
Aragão expôs que, no caso Caso Velásquez Rodrigues, o TPI já decidiu que o delito de
desaparecimento forçado é crime permanente, ou seja, enquanto o Estado não faz nada para
cessar a busca pelos desaparecidos, o crime continua a existir, não havendo que se falar em
prescrição.
DEVER DE PERSEGUIR E PRETENSÃO PUNITIVA DA COMUNIDADE
INTERNACIONAL: Na palestra acima mencionada ―Caso Guerrilha do Araguaia – Reflexões
Teóricas‖, o Dr. Eugênio Aragão consignou vários argumentos favoráveis à perseguição dos
crimes internacionais praticados durante o período de exceção/ ditadura (torturas,
desaparecimentos forçados, entre outros) explicando com vagar o dever de perseguir referidos
crimes e a pretensão punitiva da comunidade internacional, conforme será exposto abaixo:
O Estado tem o dever de investigar e perseguir os crimes internacionais e reparar as vítimas
como decorrência de uma responsabilidade internacional, eis que os citados crimes perpetrados
com a participação ou mesmo com a omissão ilícita do Estado configuram violação por parte
deste de normas internacionais.
O dever de verdade está inserido no dever de investigar. O dever de perseguir apresenta-se,
assim, como dever do Estado e como direito da vítima.
Ao atingirem bens jurídicos caros a comunidade internacional, violando direitos humanos, os
crimes internacionais atingem a própria ordem internacional, de forma que a respectiva
persecução interessa à comunidade internacional. A pretensão interessa/ pertence à
comunidade internacional e o Estado age como substituto desta. A comunidade internacional
retoma o direito de perseguir caso haja omissão do Estado. Não está a disposição de o Estado
perseguir ou não (querer ou não perseguir); não se trata, pois, de mera faculdade. O Estado age
em nome próprio para defender interesse da comunidade internacional, do qual não pode dispor.

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado
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Em nome da sociedade internacional na tarefa de perseguir os crimes agirão as Nações Unidas e
as entidades de direito internacional (art. 53 da Convenção de Viena); o Tribunal Penal
Internacional, por exemplo, age em nome da comunidade internacional, visto que o Estatuto de
Roma foi firmado por mais de cem Estados.
Como se tratam de crimes de ―jus cogens‖ o direito costumeiro internacional não admite a
prescritibilidade de referidos crimes pela inação do Estado. Se há a obrigação do Estado de
perseguir esses crimes (obrigação secundária), a violação dessa obrigação não faz surgir um
direito ao Estado violador (de não perseguir pela suposta ocorrência da prescrição). Por isso, é
razoável que o direito internacional não admita a prescritibilidade de tais crimes.
Impende dizer que embora o Brasil não tenha firmado a Convenção da ONU sobre crimes
imprescritíveis, referida Convenção tem mero efeito declaratório e não constitutivo. A aventada
Convenção expressa um consenso. Note-se que há princípios de direito internacional que são
inderrogáveis e a sua defesa, inclusive em face de Estados que não sejam parte do tratado ou não
sejam membros da ONU (chamados ―terceiros‖), incumbe à ONU e ao Conselho de Segurança
(segundo a Carta da ONU). Quer dizer, o Estado que surge hoje já nasce com obrigações
internacionais, ainda que não tenha aderido a ONU. Esses princípios de direito internacional já
nascem com o Estado e neles se incluem o dever de atuação dos Estados (dever de perseguir) em
relação aos crimes de ―jus cogens‖ (que são fruto de um consenso).
Vale lembrar que segundo BASSIOUNI, conforme já exposto acima, o reconhecimento de um
crime como de ―jus cogens‖ acarreta as seguintes obrigações aos Estados: a) Julgar ou extraditar;
b) Inaplicabilidade de imunidades; c) Universalidade de jurisdição sobre tais crimes,
independentemente do local onde foram cometidos, por quem (incluindo chefes de Estado),
contra a qual categoria de vítimas, e independentemente do contexto de sua ocorrência (paz ou
de guerra). Acima de tudo, a caracterização de certos crimes como de ―jus cogens‖ impõe aos
Estados a obrigação ―erga omnes‖ de não deixar impunes os responsáveis por tais práticas
criminosas.
Em suma, pode-se dizer que a titularidade do direito de punir os crimes internacionais é da
comunidade internacional; os Estados atuam como substitutos desta.
Segundo a aula ministrada pelo Dr. Eugênio Aragão (acima referida) uma das condições
necessárias ao funcionamento do direito internacional penal na maioria dos casos é o
cumprimento por parte dos Estados do dever de perseguir os crimes internacionais, cuida-se da
chamada implementação indireta do direito internacional penal por meio dos Estados. A
razão disso está em que, como regra, as normas penais internacionais não têm como destinatários
instituições persecutórias internacionais eis que os tribunais penais internacionais são exceção e
atuam de forma residual, com competência jurisdicional pontual.
Na implementação indireta, o Estado exerce sua jurisdição de modo pleno e atua, como afirmado
alhures, como substituto da comunidade internacional.
De outro lado, há duas formas de implementação direta: a perfeita, na qual o tribunal
internacional tem domínio de todo o ciclo persecutório (investigação, acusação, processo de
formação de culpa, julgamento, execução de pena) e a imperfeita. A maioria não tem
implementação perfeita porque, como regra, o crime é cometido dentro do território do Estado
onde este exerce soberania. Exemplos de implementação perfeita: Tóquio e Nuremberg (mas
nesses casos os Estados não tinham sua soberania perfeitamente funcional – situação
excepcional). Nos Tribunais para a ex – Iugoslávia, Ruanda, Serra Leoa, Camboja, a
implementação direta foi imperfeita.
Legislação complementar: Eugênio Aragão - Relatório da palestra Caso Guerrilha do

editora JusPodivm/2011. quebra de sigilo. Direito Internacional Público. utilizada principalmente para a comunicação de atos processuais. com esta não se confunde. providência relevante para um processo judicial que tramita em seu Judiciário.b. a provocação pode ser feita pelas partes interessadas ou pela autoridade policial. Embora se assemelhe à carta rogatória. e não necessariamente pelo juiz. de outro vértice. Legislação básica: não indicou AUXÍLIO DIRETO E JUÍZO DE MÉRITO: Trata-se de instituto relativo à cooperação jurídica internacional. a rogatória envolve apenas um juízo de delibação das autoridades do Estado rogado. E mais. em geral. quando um Estado necessita que seja tomada. Os pedidos de auxílio direto.pgr. o pedido de auxílio requer uma decisão de mérito do Estado requerido. Comparando os institutos verifica-se que o que se pretende com o auxílio direto é obter uma decisão judicial estrangeira sobre um processo que tramita no Estado que solicita auxílio. Aula Ministrada pelo Dr. Normalmente.pdf. enquanto na carta rogatória tem-se um pedido judicial estrangeiro. já existe aqui um provimento jurisdicional do Estado rogante. interceptação telefônica. Partilha de ativos ("asset sharing"). Eugênio Pacelli de Oliveira. consoante apregoa Paulo Henrique Gonçalves Portela. Shaw. Disponível em: http://pfdc. Competência da Justiça Federal e atribuições do Ministério Público Federal. 16ª Edição. por carta rogatória entenda-se o instrumento pelo qual se solicita a prática de diligência à autoridade judicial estrangeira. Tarciso Dal Maso.mpf. editora: Atlas/ 2012. Ponto 9. Eugênio Aragão sobre cooperação jurídica em matéria penal. Direito Internacional. Paulo Henrique Gonçalves Portela. mas podem ter a . Direito Internacional Público e Privado. Auxílio direto e juízo de mérito. no território de outro Estado. Brasil condenado a legislar pela Corte Interamericana de Direitos humanos: da obrigação de tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoas. editora Saraiva. não há neste instituto uma decisão do Estado requerente. o escopo é permitir que um ato processual cuja realização foi determinada pelas autoridades judiciárias de um Estado seja praticado em outro. na assistência direta.gov. Meios de auxílio: videoconferência.br/pfdc/institucional/encontros-nacionais-dos-procuradores-dos-direitosdo-cidadao-enpdc/xv-encontro/apresentacoes-erelatorios-2608/Relatoria_GuerrilhaAraguaia_LucianaPortal. Editora Martins Fontes. Distinção da cooperação policial. costuma-se restringir o uso da expressão ―auxílio direto‖ às hipóteses em que a cooperação jurídica internacional requer a produção de atos jurisdicionais (a necessidade de prática de atos meramente administrativos denomina-se ―cooperação administrativa‖). empregado. JARDIM. Malcolm N. José Francisco Rezek. mas um pedido de que o requerido profira uma decisão que vai ter influência sobre um caso em curso no primeiro ente estatal (o requerente). Curso de Processo Penal. Na rogatória.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 80 Araguaia: reflexões teóricas. Primeiramente. baseiam-se em tratados entre as partes. Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR.

de 1991 (Decreto 1320. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL E ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL: A competência da Justiça Federal se justifica com base no art. a repartiçao de ativos relacionados a atividade criminosa (“asset sharing”): b) e estimulada pela Convençao de Palermo. Dessa forma. 109. e. não será possível cooperação meramente administrativa (será necessário acionar o Judiciário. mas de simples banco de dados que compila as informações referentes aos mandados de busca e de prisão expedidos pelos Estados-membros desta organização. entre outros. a intervenção judicial. da CR/88. por sua vez. DISTINÇÃO DA COOPERAÇÃO JURÍDICA POLICIAL: A cooperação jurídica policial é promovida internacionalmente pela Interpol. não aceita referido compartilhamento de ativos quando Questao da prova objetiva do 25º: Na assistencia jurídica mutua em materia penal. de 22/01/2009). de 1956. ou mesmo porque tais pedidos se fundam em tratados internacionais. produção de certas provas. o art.810. Em aula ministrada pelo Dr. XVI do Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do entre o Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América – Decreto n. no Brasil. Eugênio Aragão (constante do material do grupo de estudos do 26º concurso do MPF) este afirma que o Governo Americano partilha os ativos recuperados com o outro país. 2001). Apenas é importante lembrar que. na Convenção de Nova Iorque sobre a Prestação de Alimentos no Estrangeiro. normalmente uma estrangeira e uma nacional. normalmente previstos em tratados genéricos (como as Convenções de Mérida e de Palermo – v. de Mérida e art. facilitando a captura dos procurados. As atribuições do MPF enquanto autoridade central nesses casos são semelhantes às previstas no Decreto n. ex. para que esta submeta á autoridade central nacional (no caso. Existem previsões da mesma espécie em acordos bilaterais (como. Sobre o ponto. 35 . de 30/11/1994) e o Tratado de Assistência Mútua em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Canadá (Decreto 6747. 18 da Conv. grosso modo. ao invés de submeter seu pleito à autoridade central estrangeira (a do seu foro). 3. fixação de pensões alimentícias. determinação de medidas cautelares (como o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens).991/04.. a possibilidade de que os ativos recuperados com base em cooperação jurídica internacional venham a ser partilhados entre os Estados participantes da cooperação. em matéria penal. p. O MPF funciona como autoridade central. O mecanismo do auxílio direto pressupõe a existência de autoridades centrais. Trata-se. que disciplina a atividade do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional -DRCI enquanto autoridade central na quase totalidade dos acordos existentes. portanto. incisos I e III. de Palermo) ou em tratados específicos (como nos acordos bilaterais já citados).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 81 promessa de reciprocidade como fundamento.. venha a submeter diretamente seu pleito à autoridade central nacional. 4. p. no Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil. por meio da autoridade competente). MEIOS DE AUXÍLIO DIRETO: São os mais diversos. se para a consecução da medida desejada for necessária. 14 da Convenção de Palermo 35. a do Brasil). em matéria civil. PARTILHA DE ATIVOS: Alguns tratados preveem. que não se trata de uma polícia internacional. Exemplos: comunicações de atos processuais. de cooperação administrativa. O Brasil. é possível que o interessado. ganham relevância o Capítulo V da Convenção de Mérida e o art. os pedidos de auxílio direto de autoridades estrangeiras são julgados pelos Juízes Federais de 1º grau: seja porque a União ou o Ministério Público Federal figuram como partes interessadas. Capítulo IV da Conv. segundo nosso ordenamento jurídico. ex. Contudo.

A efetiva criação da ONU deu-se em 24 de outubro de 1945. JusPodivm. A Reforma das Nações Unidas. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 82 dizem respeito a recursos públicos (por exemplo: corrupção. Organizações regionais das Américas. cujo objetivo é circular informação informal. restou consignado que a cooperação informal consiste em um sistema de comunicação eletrônica entre MPs. editora JusPodivm/2012. desenvolver relações amistosas entre as nações. Cooperação Informal: Em aula ministrada pelo Dr. Esse tipo de dado pode ser entregue a uma autoridade estrangeira. Direito Internacional Público e Privado.4. Legislação complementar: PORTELA. Maria Luiza Ribeiro. Exemplo: obter atos constitutivos de empresa mexicana para saber exatamente quem são seus diretores (veja que não é necessário solicitar judicialmente). VIOTTI. Rússia.c. Direito Internacional Público e Privado. Direito Internacional. Ponto 9. Malcolm N. Conselho de Segurança. se interpretou o art. Organização das Nações Unidas. Segundo o art. Juliana Tavares Lira Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR. alcançar a cooperação internacional. José Francisco Rezek. 27 . O conselho de segurança é o órgão executivo da ONU. China e França). art. 892) a Organização das Nações Unidas foi criada após o fim da Segunda Guerra Mundial. ed. fraude contra o INSS. É formado por quinze membros. SHAW (p. Foi idealizada pelos Aliados nos encontros de Dumbarton Oaks e Yalta. Os cinco membros permanentes possuem poder de veto. devem ser tomadas pelo voto afirmativo de nove membros. incluindo os votos favoráveis dos membros permanentes. entre outros) resumem a diversidade dos interesses da ONU. Direito Internacional Público. Paulo Henrique Gonçalves Portela. Com o tempo. Desenvolvimento e principais órgãos. Conselho de Tutela. Aula Ministrada pelo Dr. Corte Internacional de Justiça. etc). Legislação básica: Carta da ONU. as decisões do Conselho sobre todos os assuntos. Eugênio Aragão sobre cooperação jurídica em matéria penal (constante do material do 26º CPR). editora Saraiva. 39 e ss. com a missão primária de manutenção da paz e segurança internacionais. DESENVOLVIMENTO E PRINCIPAIS ÓRGÃOS: Segundo MALCOLN N. Eugênio Aragão acerca da cooperação jurídica em matéria penal. Shaw. p. Secretaria. 2012. Conselho econômico e Social e a Corte Internacional de Justiça. por exemplo. 1º de sua Carta embora sejam muito abrangentes (manter a paz e a segurança internacionais. Reino Unido. 27 da Carta da ONU. cinco dos quais permanentes (EUA. à luz do planejamento e das intenções expressas pelos Aliados durante aquele conflito. 538-546. Judiciário e Ministério da Justiça. SHAW aduz que os propósitos da ONU expostos no art. A Carta de São Francisco previu seis órgãos como os principais: Assembléia Geral. Não há reserva de sigilo. Outro exemplo é a obtenção de endereço de alguém através do SIMBA (sistema utilizado na PGR para a consulta de endereços). exceto os temas regimentais. Paulo Henrique Gonçalves. Editora Martins Fontes.

Conteúdo das decisões do Conselho: indeterminado – a Carta da ONU no máximo elenca exemplos. não tem acesso a Corte Internacional de Justiça. cinco países (membros permanentes) são quem efetivamente comandam a ONU. que pelo recurso ao veto. em geral. Na linha do art. porém. é suficiente para vetar qualquer resolução do Conselho. Maria Luiza Ribeiro Viotti apresenta uma síntese da argumentação dos defensores e dos opositores de tal mecanismo: ―Os que o criticam argumentam que constitui medida iníqua. Nessa perspectiva.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 83 de modo que a abstenção de um membro permanente não implicasse em veto automático. Consequências da lista suja: bens e autorizações de viagens internacionais devem ser bloqueados. É possível que resoluções vinculantes do Conselho de Segurança aprovadas por decretos presidenciais sejam questionadas? Quando o Conselho de Segurança edita resoluções vinculantes em relação a indivíduos estes não podem questionar. podendo impedir a aprovação de uma deliberação com a qual concordem todos os outros membros da ONU. Isso porque. recomendações relativas à paz e segurança internacionais) serão tomadas por maioria de 2/3 e as demais por maioria simples dos membros presentes e votantes. 4º da Carta tem-se que a condição de membro é aberta a todos os Estados amantes da paz que aceitem as obrigações constantes da Carta. A Assembléia Geral é o órgão parlamentar da ONU e é formada por representantes de todos os Estados-membros. o instituto. foram criados por resoluções) sob a justificativa de que paz pode ser afetada por crimes internacionais. Pelo art. que somam hoje 191. Segundo SHAW o Conselho não tem correspondido. às expectativas nele depositadas nos anos que se seguiram à criação da ONU e isso se deu basicamente por conta da rivalidade entre as superpotências. Os que o justificam consideram que o princípio da unanimidade entre os membros permanentes é elemento fundamental da concepção das Nações Unidas.CIJ. Isso gera dúvidas sobre se alguém pode controlar as suas ações: este Conselho chegou a editar resolução vinculante para criação de Tribunais Penais Internacionais para julgar indivíduos (os Tribunais Penais Internacionais para a ex . tais países possuem o direito de veto. em especial. cada membro tem direito a um voto e as ―questões importantes‖ (admissão de novos membros.Ioguslávia e para Ruanda. assim. Não se pode perder de vista que o poder de veto pode ser utilizado pelos países membros em prol de interesses particulares. desvirtuando. Nessa linha. apesar da Carta da ONU dispor acerca do princípio da igualdade soberana entre os membros. O Conselho edita as Listas sujas: são decisões do Conselho de Segurança considerando que determinadas pessoas ou organizações não governamentais apoiam o terrorismo. a Assembléia não tem o poder para obrigar . Exceto em determinados assuntos internos. Seus poderes concentram-se em duas categorias. antidemocrática e tendente a debilitar a capacidade do Conselho de desempenhar suas responsabilidades essenciais. saliente-se que. 18. por exemplo. Resoluções vinculantes do Conselho de Segurança: o Conselho de Segurança tem a atribuição básica de manter a paz mundial e para tanto pode editar resoluções vinculantes e não vinculantes. como o orçamento. Nada está excluído da ação do Conselho. pois seria irrealista supor que a Organização pudesse agir contra a vontade das grandes potências.‖ Não se pode perder de vista que as decisões do Conselho vinculam todos os Estados – membros. O mecanismo da lista suja funciona da seguinte forma: os nomes podem ser inseridos por Estados e pelo próprio Conselho de Segurança. a solução pacífica dos conflitos e a adoção de medidas coercitivas. Para tirar o nome: consultar o Estado e o Conselho deve aprovar. Um voto negativo por parte de qualquer dos membros permanentes. impediram a atuação efetiva do Conselho em qualquer questão considerada importante por qualquer dos cinco membros.

o Brasil até hoje não teve caso julgado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ). O mandato tinha. e constitui. que lhe dá poder para submeter ao Conselho de Segurança qualquer assunto que considere capaz de fortalecer a manutenção da paz e da segurança internacional. Depois da primeira guerra foi criado o instituto do mandato: a ideia era que nós tivéssemos potências mandatárias em nome de um mandante (a própria Liga das Nações). de uma continuação do TPJI. 99 da Carta. porém. foi extinta em 1918. mas dispõe de poder limitado e suas resoluções não são vinculantes. mas apenas pela Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI). 97 o Secretário-Geral é nomeado pela Assembléia Geral mediante recomendação unânime do Conselho de Segurança.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 84 seus membros. mas sem controle sobre o atingimento desses fins. dotada virtualmente do mesmo estatuto e jurisdição e com uma linha contínua de jurisprudência. federal concursos/Carreiras Jurídicas Federais 2011): tem como antecessora a Corte Permanente de Justiça Internacional – a CPJI já mencionada no Tratado de Versalhes (quando esse tratado cria a Liga das Nações determina que seja criada uma Corte Permanente). O Secretariado da ONU é formado pelo Secretário-Geral e demais funcionários e assessores. O princípio do direito internacional que move a criação de novos Estados no século XX é a autodeterminação dos povos e não estava tão evidente no contexto da Liga das Nações uma vez que muitos dos seus membros fundadores eram potências colonizadoras: França. segundo SHAW. um serviço público internacional. ou seja. A essência da autoridade do Secretário – Geral consta do art. Com a independência de Palau. Conforme enuncia SHAW boa parte do trabalho da ONU nos campos econômico e social é desempenhada pelo Conselho Econômico e Social. um objetivo nobre: permitir o desenvolvimento e a emancipação desses povos. virtualmente. O Conselho em apreço está suspenso. Seriam eles territórios sob mandato. o conselho suspendeu suas operações. as áreas destacadas de territórios inimigos em decorrência da guerra. Conforme anota SHAW o Conselho de Tutela foi criado para supervisionar os territórios tutelados que surgiram ao fim da Segunda Guerra Mundial. Assim. Não existem mais territórios sob tutela (as ilhas sob tutela foram desativadas). O Brasil submeteu-se à Corte Permanente de Justiça Internacional no caso dos ―empréstimos franco – brasileiros‖. Tem-se a supervisão da obtenção da emancipação. O Secretario . com a decadência das potências européias coloniais o processo de descolonização ganha fôlego. Segundo SHAW (792) ―trata-se.Geral tem a tarefa especialmente importante de exercer seus bons ofícios para conter ou solucionar crises internacionais. Origem histórica (aula Professor André de Carvalho Ramos. O primeiro tribunal permanente do mundo: Corte de Cartago de 1907 – é também chamada de Corte Centro Americana de Justiça. CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA: órgão judicial da ONU. O Conselho de Tutela é órgão composto pelos Estados administradores e pelos membros permanentes da ONU. . no qual França e Brasil se submeteram voluntariamente à jurisdição da Corte. Reino Unido. não se fazendo distinção entre litígios decididos pelo TPJI e pela CIJ‖. Segundo o Professor André de Carvalho Ramos não se alterou a Carta da ONU por falta de consenso politico. A tutela constitui-se em um mandato aperfeiçoado pela existência de controle e cronograma. De acordo com o art. e suas resoluções tem o simples valor de recomendações. Possui diversos órgãos subsidiários (notadamente a antiga comissão de direitos humanos). ocorrida em 1º de outubro de 1994. não é um órgão legislativo. Referido Conselho tem competência para discutir uma grande variedade de temas (art. um dos principais órgãos da instituição. Após a primeira guerra. 62). essencialmente. último território sob tutela.

Em 1946 nasce a Corte Internacional de Justiça como sucessora da CPJI: basta verificar que o art. A CIJ tem a função de ofertar uma solução pacífica de controvérsias: jurisdição contenciosa. alega falta de jurisdição. Não existe execução forçada. não há a figura do relator. A Jurisdição contenciosa da CIJ é regida por: a) só Estados podem ser autores ou réus (não pode ter Organizações internacionais. muito tarde. 38 do Estatuto da CIJ possuem a mesma redação. É possível ação de revisão desde que se prove um fato novo desconhecido (desconhecido por vontade alheia às partes) pelas partes (como se fosse uma ação rescisória). é possível a criação de câmaras setoriais. por isso não pode solicitar auxílio do Conselho de Segurança para solicitar força militar e entrar em um Estado e efetivar as ordens de prisão). Os juízes deliberam em conjunto. Albânia defende-se no mérito e só depois. uma vez realizado este reconhecimento (o Brasil não fez nem na CPJI.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 85 A Corte Permanente é criada em 1920 e encerra seus trabalhos em 1939 (com a segunda guerra ela suspende seus trabalhos) sendo formalmente extinta em 1946. . Processo perante a Corte: a Corte recebe a petição de um agente acreditado a atuar em nome do Estado. A Corte pode solicitar auxílio do Conselho de Segurança se não houver cumprimento (o TPI não é órgão judicial da ONU. não refute a competência da CIJ – não alegue a falta de jurisdição da Corte – ―Estreito de Corfu‖ Albânia x Reino Unido. é possível dizer que o Brasil não reconhece a jurisdição obrigatória da CIJ para todo e qualquer litígio. 38 do Estatuto da Corte Permanente e o art. cabe a cada Estado implementá-la. faz parte do cálculo político do Estado quando reconhece a jurisdição. A sentença internacional é voluntariamente cumprida. etc). esta difere da Jurisdição interna brasileira eis que no âmbito da CIJ sempre é necessária a anuência de ambas as partes. mesmo que não haja o reconhecimento da jurisdição por parte do Estado Réu a Corte o notifica tendo em vista a possibilidade de reconhecimento implícito. A própria Corte avalia se o Estado cumpriu ou não a sentença. 4) quarta hipótese: reconhecimento implícito: basta que o Estado réu. quer dizer. indivíduos. isso gerou reconhecimento implícito da jurisdição da Corte. mas podem também ser tratados temáticos). conselho de segurança. 2) segunda hipótese de reconhecimento: o reconhecimento da jurisdição da Corte consta de tratados específicos – nesse contexto. nessa segunda hipótese podemos ter tratados específicos de solução de controvérsias – Pacto de Bogotá em Honduras. Na Corte só há recurso de interpretação. b) não basta ser membro da ONU – ser membro da ONU significa tão somente ser dispensável à adesão específica ao Estatuto da Corte Internacional de Justiça – se não é membro da ONU para demandar na CIJ deve ter uma adesão específica ao Estatuto da Corte Internacional de Justiça (seja anuência expressa ou implícita à Jurisdição da Corte). o réu tem que concordar com a ação. mas os casos de não cumprimento são raros porque o reconhecimento da jurisdição já exige uma reflexão. vale anotar que parte expressiva da comunidade internacional não aceita essa cláusula (inclusive o Brasil). mas não é autoexecutável. São quinze membros. há também tratados esparsos que o Brasil celebrou que submetem controvérsias a CIJ (assim. por exemplo – que submetem qualquer controvérsia a CIJ. É vinculante. por exemplo: meio ambiente. nem na CIJ) todos os litígios podem ser submetidos a Corte. na contestação. Os Tribunais Internacionais Penais hoje tem duplo grau. mas é parte de diversos tratados aceitando a jurisdição da corte – o Brasil se inclui nessa segunda hipótese de reconhecimento da jurisdição da Corte. 3) terceira hipótese: acordo específico – nesse caso surge o litígio e a partir dai os Estados submetem o caso a CIJ – ex: caso Brasil e França nos ―empréstimos franco brasileiros‖ na CPJI. Hipóteses de reconhecimento da jurisdição da Corte: primeira hipótese de reconhecimento: 1) cláusula Raul Fernandes: é o reconhecimento facultativo da jurisdição obrigatória da Corte. O Presidente pode participar da votação. A sentença é elaborada através de um método dialógico. É o único caso de reconhecimento implícito. O Estatuto foi literalmente herdado: há mudanças tão-apenas na atualização da redação. São irrecorríveis.

ratificado pelo Brasil. representação geográfica: um da América do Sul. O Brasil é membro fundador. Reflexos dessa doutrina: pan-americanismo: consiste em um processo de união de esforços dos Estados da América para firmar acordos. federal concursos/ Carreiras Jurídicas Federais 2011): fruto de uma longa evolução visando a união mais estreita dos povos das Américas. Não é vinculante. ORGANIZAÇÕES REGIONAIS DAS AMÉRICAS: Organização dos Estados Americanos (aula Professor André de Carvalho Ramos. Como são eleitos os membros da CIJ? Quem indica são as seções nacionais de cada país da Corte Permanente de Arbitragem (solução pacífica de controvérsias tradicionais/ 1907). União pan-americana: reuniões/ conferências entre os Estados. as quais são vinculantes. Consistem em medidas que podem ser indicadas pela Corte visando a preservar os respectivos direitos de cada parte. basta que não exista na Corte um juiz da nacionalidade do Estado. Os EUA pregaram ―américa para os americanos‖: busca de união dos Estados das Américas em virtude de uma possível volta dos colonizadores. Assim como vários tribunais internacionais. aprovado na Conferência pan-americana de Havana. Quem pode solicitar uma opinião consultiva da Corte: Assembléia Geral. Não tem poder para criar formalmente o direito. Até hoje a Corte teve 140 casos julgados.segunda guerra mundial: em 1948 . Houve a necessidade de um passo adicional que foi dado com a Doutrina Monroe dos EUA. com sede em Haia. Jurisdição consultiva: é importante no Direito Internacional porque esclarece o seu alcance. senão existir esse vínculo do país com a corte de arbitragem quem indicará será o Executivo. A CIJ. o mandato é de nove anos. Cabe à própria Corte decidir sobre sua competência (isso foi frisado no julgamento Qatar/ Bahrein). tem direito a recondução. Antecessor: Bolivarianismo. entre os quais o Código de Bustamante. independentemente dos acontecimentos ulteriores. Essa indicação vai para a ONU: participam a Assembleia geral e o Conselho de Segurança. por exemplo. este será considerado um juiz com todos os direitos e deveres. Pode ter um caso da CIJ que venha a ser julgado por dezessete juízes e não quinze. continuará a tê-la. essas conferências pan-americanas geraram tratados de direito internacional privado. As conferências pan-americanas geraram mais um fruto pós . e a competência deve ser determinada à época em que proposta a demanda. 36 (2) do Estatuto da Corte exige que as questões a ela submetidas sejam questões jurídicas. Aduz SHAW que a Corte Internacional é uma instituição judicial que decide as causas com base no direito internacional tal como existe na data da decisão. a forma de escolha exige um comprometimento político muito forte. é composta por 15 juízes eleitos para um período de 9 anos. mas só atuará naquele caso. este Estado terá direito de designar um juiz para o caso. Os indicados devem ter a mais alta qualificação para ocupar as Cortes do País. com renovação de 1/5 da Corte a cada 3 anos. O art.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 86 Há a existência de medidas cautelares ou medidas provisórias. já que não é órgão legislativo. Os Estados que já não possuírem um juiz de sua nacionalidade na CIJ podem escolher um juiz ad hoc para a causa em que forem parte. Conselho de Segurança (qualquer pergunta). de maneira que se a Corte possuía jurisdição naquele momento. Inicialmente era mais uma iniciativa diplomática. Suas opiniões sobre qual é o direito aplicável tem a mais alta autoridade. que consistia no sonho de Simon Bolívar de estabelecer uma união entre os Estados recém-emancipados. agência especializada que tenha sido autorizada pela Assembléia Geral (pertinência temática). a Corte tem a previsão do ―juiz ad hoc‖. Todos os membros permanentes têm direito a um assento: vagas natas (representação política). os quais decidirão por maioria absoluta. sede em Washington.

Tão apenas em 1991 – não contando com Cuba – passou a ostentar somente democracias entre seus membros. e a Declaração de Direitos e Deveres do Homem (esta declaração é de maio de 1948 e a Declaração Universal é de dezembro. aprovaram dois diplomas importantes: Carta de Bogotá – tratado internacional que cria uma organização. O papel da OEA seria maiúsculo: mas nesses mais de sessenta anos de atuação a OEA mostra que não cumpriu seus objetivos.CIDH considera que é vinculante porque consiste na declaração/ interpretação autêntica do termo genérico direitos humanos previsto na Carta da OEA. Cuba continuou a fazer parte da OEA. a OEA também tem uma abrangência temática parecida com a ONU já que a sua Carta estabelece que são objetivos da Organização a solução pacífica das controvérsias. usa a OEA para pedir soluções de cumprimento de sentença. Cuida-se. Antes disso era repleta por Estados . A CIDH conta o apoio desta e é financiada por esta. há vários órgãos subsidiários. estes podem continuamente realizar tratativas e coordenar a atuação da OEA. Só podem a ela ascender os Estados da América. Possui hoje 34 membros. Não há um compromisso dos maiores Estados da região de zelar pela paz mundial. a qual foi emendada para incluí-la. a mais antiga é a declaração de Bogotá). Atualmente conta com 35 Estados-membros. Em 2009 essa suspensão de governo foi revogada. A comissão não constava originariamente da Carta da OEA. As votações/ resoluções da OEA são feitas pelo consenso.OEA (com sede em Washington). mas a Corte Interamericana de Direitos Humanos . ficou com deveres porque ainda era membro da OEA. Há ainda um órgão: Comissão Interamericana de direitos humanos. etc. Órgãos da OEA: Assembléia geral onde todos os estados são representados. a comissão interamericana ostenta essa situação híbrida. órgãos permanentes: reunião de Ministros. de uma organização internacional que mimetiza os objetivos da ONU no âmbito regional. Além dessa abrangência territorial. mas seu governo foi suspenso. A CIDH não é órgão da OEA. Há tratados da OEA que remetem os Estados para a CIJ. Secretariado Geral: tem função de estimular os Estados a cumprir os objetivos da OEA (na crise de Colômbia e Venezuela o Secretario Geral realizou trabalho de aproximação entre os dois Estados). papel importante na defesa dos direitos humanos. A OEA é uma organização regional. no contexto da guerra fria. trata-se de ―um órgão autônomo‖. de 1948. SHAW explica que este constitui a Carta original da OEA. em verdade. Além disso. sob os auspícios dos EUA. assim.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 87 em uma conferência pan-americana realizada em Bogotá os EUA e ―seus aliados‖. a Organização dos Estados Americanos . A OEA não possui claramente um órgão judiciário. mas o governo cubano foi suspenso em 1962 da OEA. A Declaração de Bogotá não tem força vinculante. com sede em Washington. SHAW menciona ainda um órgão não referido pelo Professor André: um Conselho Permanente sujeito a autoridade das instituições já mencionadas e que desempenha funções tanto secretariais e de supervisão quanto políticas. Conforme explica SHAW a Organização dos Estados Americanos surgiu depois da Segunda Guerra e foi constituída por dois tratados principais (o professor André referiu apenas a Carta de Bogotá): o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Rio). Ao mesmo tempo em que não poderia exercer nenhum direito porque seu governo estava suspenso. Para Shaw a OEA é um sistema de segurança coletiva que considera um ataque contra um Estado – membro como um ataque contra todos. de 1947 (que é um sistema coletivo de autodefesa) e o já referido Pacto de Bogotá. é também prevista na Convenção Americana de DH: é o mesmo órgão. A Carta da OEA não explicita quais seriam esses direitos. Situação de Cuba: Cuba é membro fundador da OEA. Na OEA falta um mecanismo de segurança coletiva.

Houve grande crise também com a invasão pela Argentina das Malvinas – não houve apoio da OEA à Argentina quando o Reino Unido retomou as Malvinas. A UNASUL exclui os EUA. art. etc. p. Além da OEA há um grande número de organizações americanas (algumas já citadas acima) cujo propósito é promover a integração e o desenvolvimento econômico de seus membros. Disponível em: http://www. Paulo Henrique Gonçalves. ainda temos a OEA. Brasília: FUNAG. 18. há previsões de algum arcabouço institucional diferente do que existe na OEA: um parlamento.br/biblioteca/dmdocuments/0790. Rio de Janeiro. ITEM 10 Ponto 10. Direito Internacional Público e Privado. A Reforma das Nações Unidas. Este tratado foi assinado por todos os países da América do Sul. dos Estados e da dignidade humana contra ações que possam provocar danos a bens jurídicos cuja proteção permite que a convivência se desenvolva dentro de um quadro de segurança e de estabilidade. Pedro Lenza. Fragilidade: não há nenhum mecanismo que assegure o cumprimento dessa vontade política por parte dos estados. 25 a 28. Em primeiro lugar a fragilidade da OEA é fruto das truculências dos Estados.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 88 ditatoriais. In: Seminário sobre a Reforma da ONU. Do ponto de vista político. Direito Internacional Público e Privado. a . O Direito Internacional Penal é o ramo do Direito Internacional que visa a reprimir atos que ofendam valores basilares na convivência internacional. caput. Bernardo Gonçalves Fernandes. Curso de Direito Constitucional.a. art. 2009. Direito Internacional Penal e Direito Penal Internacional: divergências e convergências. como a manutenção da paz.funag. infraestrutura cultural. ALADI. Ed. 15ª Edição.pdf. 263-277. NAFTA. Tratado de Brasília de 2008: União Sul Americana (ou União das Nações Sul Americanas) – UNASUL. Legislação básica: CF. A OEA acaba sendo substituída do ponto de vista econômico. 11 do ADCT. editora JusPodivm/2012. Lumen Juris. Implementação direta e indireta do Direito Internacional Penal. Ed. cuida-se de uma organização regional que possui objetivos amplos: políticos. 1º. art. Legislação Complementar: VIOTTI. 2009. Reforma da ONU: textos acadêmicos. tais como o MERCOSUL. a proteção dos direitos humanos. 3ª Edição. Maria Luiza Ribeiro. Portela. Tem como objeto preciso o combate aos chamados ―crimes internacionais‖. atuação ainda insipiente porque nem foi ratificada pelos países. Surgiram outras organizações internacionais em decorrência dessas crises da OEA. Paulo Henrique Gonçalves. arts. Direito Constitucional Esquematizado. No âmbito do desenvolvimento econômico temos organizações que posteriormente vão dar origem ao MERCOSUL: tratado de Montevidéu que criou a associação latino-americana de livre comércio. André Nardes Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 25º CPR. econômicos. com o intuito de promover a defesa da sociedade internacional. da ausência de interesse dos EUA (o qual prefere estimular relacionamentos bilaterais). Saraiva. UNASUL.gov. entrementes. PORTELA. DIVERGÊNCIAS.

São profundamente imbricados. A maioria não tem a implementação direta perfeita.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 89 preservação ambiental. Mas. § 4. IMPLEMENTAÇÃO DIRETA – Segundo Eugênio Aragão (aula 3). A comunidade internacional pode retomar a pretensão punitiva. O Brasil é parte do TPI (decreto 4. essa distinção não faz mais tanto sentido porque não há ponto de corte ontológico ou epistemológico entre a aplicação do direito penal transnacional e a instituição pelos Estados de um sistema internacional de direito criminal. está agindo em nome da pretensão punitiva da comunidade internacional. a ―implementação indireta se dá quando o Estado faz tudo: exerce sua jurisdição de modo pleno. Direito Internacional Público e Privado. por exemplo o TPI. etc. . vai precisar da colaboração do estado – por isso. normalmente. Ex: Baltazar Garzon julgou os crimes cometidos pelo governo chileno. segundo ACR. Relação do Direito Internacional e o Direito Interno. será estigmatizado e responsabilizado. direito alheio – o bem jurídico lesado é titularizado pela comunidade internacional. É claro que isso depende da perspectiva. Paulo Henrique Gonçalves. sendo a implementação direta e imperfeita. pois o crime. Ruanda. diz-se que o Estado está funcionando como substituto processual da comunidade internacional: defende. execução da pena) e imperfeita. tendo se vinculado também constitucionalmente. do ponto de vista. 5. conforme Art. Camboja – nesses casos houve a participação do Estado. Para o Procurador da República Marcelo Mulller. se o Estado não cumprir sua obrigação de perseguir. em regra.388/2002). CONVERGÊNCIAS. Como o Direito Internacional vê o Direito Interno. A Constituição brasileira e o Direito Internacional. Como se faz isso: através de tribunais internacionais ou eventualmente pelo exercício de jurisdição extraterritorial: entrega para outro estado punir. em que o Estado tem soberania. O TPI não pode sair colhendo evidências. Como o Direito Interno vê o Direito Internacional. Só em Nuremberg e em Tóquio foi direta. mas ali os Estados não tinham sua soberania perfeitamente funcional – situação excepcional. Segundo Aração há ―duas espécies de implementação direta: perfeita (tribunal internacional tem domínio de todo o ciclo persecutório. como os ilícitos transnacionais ou atos que demandem investigações no exterior. desde a investigação. em regra. etc. em nome próprio. acusação. IMPLEMENTAÇÃO INDIRETA – Segundo Eugênio Aragão (aula 3). Quando ocorre a persecução do crime internacional pelo Estado . julgamento. Correntes doutrinárias. O mesmo não acontece no tribunal da Iugoslávia. a implementação direta é imperfeita. da CR/88. processo de formação de culpa. O TPI é o principal órgão jurisdicional internacional voltado ao combate aos crimes internacionais.‖ Ponto 10. André Nardes Obras consultadas: Portela. é cometido no território do Estado. ouvindo e intimando testemunhas. a implementação direta ocorre quando o próprio organismo internacional aplica o direito penal. Visa a combater crimes ocorridos dentro dos Estados e cujo enfrentamento pode exigir o apoio de outros entes estatais. Crimes que apresentam impacto transfonteiriço. O Direito Penal Internacional é o ramo do Direito das Gentes que regula a cooperação internacional no combate à criminalidade. IMPLEMENTAÇÃO DIRETA E INDIRETA DO DIREITO INTERNACIONAL PENAL. Serra Leoa. Então. pois o Chile frustrou a pretensão punitiva da comunidade internacional.b.

o mecanismo coletivo de controle de convencionalidade é mais legítimo e. O Estado assume o compromisso internacional e retira de sua agenda interna a possibilidade de dar nova orientação normativa ao assunto. Para o monismo internacionalista. Internacional. moderado – onde tanto o Direito Internacional quanto o Nacional poderiam ser aplicados dentro do que determina o ordenamento estatal. esse controle pode ser feito de modo unilateral pelos Estados partes do tratado. Outro fenômeno decorrente da expansão do D. Completa separação entre Direito Interno e Internacional. Interno é o bloqueio de competências. através do qual desenvolvimentos futuros de uma determinada matéria são frutos do trabalho de organismos internacionais. como determina o artigo 27 da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados de 1969. Subdivide-se ainda em: radical – onde o tratado teria total supremacia sobre o Direito Nacional. ―transformação‖ ou ―recepção‖). Internacionalmente. 2000. portanto. a que se ajustariam as ordens internas (REZEK. Internacional no D. há o primado do d. Para o monismo nacionalista. É a teoria adotada pelo Direito Internacional. acentuou-se seu relacionamento com o direito interno. devido processo legal e imparcialidade). Um dos impactos desse novo D. Por isso. Caracteriza o monismo a possibilidade de aplicação direta e automática das normas de Direito Internacional pelos agentes do Poder Estatal (para essa corrente d. em caso de conflito deve prevalecer o direito interno de cada Estado. Internacional‖: o tema é estudado a partir de duas correntes doutrinárias (dualismo e monismo). amparados nos dispositivos genéricos de um determinado tratado (produz direito derivado do tratado). Dualismo radical internacionalista Monismo moderado . preferível (ex: controle efetuado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos). O monismo se divide em duas correntes. por meio de norma legislativa interna. pág. e. interno e internacional integraram o mesmo sistema). Internacional é o controle de convencionalidade das normas nacionais. através do qual um tratado internacional com dispositivos genéricos é usado como mecanismo de bloqueio de discussão e produção normativa interna. que incorporaria as normas expostas no instrumento internacional (―incorporação. ou através de mecanismos coletivos (com procedimento. Essa relação entre o Direito Internacional e o Direito Interno deve ser analisada sob os dois primas. 4). Internacional (passou a regular quase todos campos da atividade humana). pelo qual as normas locais têm sua compatibilidade aferida face às normas internacionais. Já a corrente dualista exige uma transformação do Direito Internacional em Direito Interno. ―Como o D. A transferência de competência é fenômeno conexo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 90 Legislação básica: Constituição Federal Com a expansão do D. Interno vê o D. Primazia do Direito interno de cada Estado.

que seu consentimento se deu em violação manifesta a respeito de norma de seu D. o STF entende que. 2004. Única exceção: Estado somente pode alegar. Interno de importância fundamental sobre competência para concluir tratados (art. é tratado ratificado sem a prévia aprovação do Congresso Nacional (ratificação imperfeita ou inconstitucionalidade extrínseca). Internacional‖: Nossa Constituição não contesta a expansão e institucionalização do D. 302). ―Como o Direito Internacional vê o Direito Interno‖: a prática reiterada dos Estados e das Cortes Internacionais é de considerar a norma interna um ―mero fato‖. Por tal razão. Exemplo. 2010). Internacional. A CF/88 prevê apenas a participação do Legislativo e Executivo no processo de formação do tratado. Em relação aos tratados de direitos humanos. que devem ser compatíveis com seus engajamentos internacionais anteriores. Doutrina internacionalista critica essa posição por permitir que lei posterior interna supere o tratado (―treaty override‖). A Constituição brasileira não possui regra específica entre dualismo ou monismo. Norma interna. mas não exige a edição de lei interna para incorporar a norma internacional. são justificadas como ―densificação normativa‖ de sentimentos constitucionais amplos (RAMOS. então. para afastar a aplicação do tratado. Em relação à hierarquia normativa do tratado internacional (ainda considerando a visão do D Interno). D. Estado é considerado ―uno‖ perante a comunidade internacional. Outros entendem que essa opção do STF é dualista (Nádia de Araújo. 46 da Convenção de Viena). Atos normativos internos são expressões da vontade de um Estado. o ―status‖ normativo é de lei ordinária. Também não prevê a figura do decreto presidencial para a entrada em vigor do tratado. Internacionalmente. regra geral. No Brasil. Diversas normas internacionais produzidas. Casos de abertura constitucional ao D. direitos humanos etc). Internacional. Cláusulas constitucionais abertas que permitem a compatibilidade do Direito Constitucional brasileiro face ao D. citado por RAMOS. Jurisprudência das Corte Internacionais nesse sentido. pág. não pode ser alegada para justificar descumprimento de tratado (artigo 26 da Convenção de Viena). 5º. a doutrina critica a posição do STF ao exigir o decreto presidencial. Direito Internacional possui suas próprias fontes normativas. que expressa a vontade do Estado (CIJ considerou esse fundamento ao julgar o caso ―barcelona traction‖. 2004. salvo previsão diversa pelo próprio tratado. citado de passagem por RAMOS. 301). Interno só será utilizado se a norma internacional a ele fizer remissão. em violação ao compromisso internacional assumido (denúncia é o meio próprio para ―revogar‖ tratado). Internacional (proteção do meio ambiente. desconsiderando que o tratado já está em vigor internacionalmente em momento anterior. . Dispositivos constitucionais fazem referência genérica a temas de D. Se forem incorporados seguindo o rito do art. § 3º. Internacional. Por isso. pág. ―Constituição brasileira e o D. no caso brasileiro. incluindo a Constituição. cabe verificar na Constituição de cada Estado a visão interna da norma internacional. sob pena de ser o Estado responsabilizado internacionalmente. possuem ―status‖ de emenda constitucional. o STF passou a entender que possuem caráter supralegal. parte da doutrina entende que o STF adotou a corrente do ―dualismo moderado‖ ou ―monismo moderado‖ (Mazzuoli. da CF. o tratado entra em vigor com a ratificação. o STF entende que é necessária a incorporação interna das normas internacionais através de um ―decreto de execução presidencial‖.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 91 nacionalista Em regra.

3° comum às quatro Convenções de Genebra – Apesar das convenções serem voltadas para os conflitos entre Estados. a distinção entre os conflitos armados internacionais e os não internacionais baseava-se na diferença entre as relações entre os Estados. inacessíveis em princípio à regulamentação jurídica internacional. pág. tratadas com humanidade. cor. essa distinção vem desaparecendo nas últimas décadas. 4º do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. baseada na raça. Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. 3º já previa regras e garantias mínimas para os conflitos não internacionais: 1) As pessoas que não tomem parte diretamente nas hostilidades. portanto.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 92 2004. Convenções de Genebra de 1949. detenção. tradicionalmente entregues à jurisdição interna dos próprios Estados e.c. 314). realizadas por um tribunal regularmente constituído. no âmbito do direito humanitário. são e manter-se-ão proibidas. Conflitos internacionais e conflitos não-internacionais. pág.‖ Art. sem nenhuma distinção de caráter desfavorável. que ofereça todas as garantias judiciais reconhecidas . pelo recurso às normas internacionais (RAMOS. Legislação básica: Convenção Americana de Direitos Humanos. Conflitos internacionais e conflitos não-internacionais – Segundo SHAW (881) ―No passado. Isso pode ser observado. assim. c) As ofensas contra a dignidade das pessoas. 3º comum às quatro Convenções de Genebra. as mutilações. religião ou crença. ferimento. o art. sexo. Paulo Henrique Gonçalves. Constituição é cumprida. Direito Internacional Público e Privado. incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença. que constituem o escopo propriamente dito do direito internacional. Para este efeito. 27 da Convenção Americana de Direitos Humanos e do art. ou qualquer outro critério análogo. nascimento ou fortuna. em todas as circunstâncias. b) A tomada de reféns. torturas e suplícios. No entanto. e os assuntos intra-Estados. André Nardes Obras consultadas: Portela. em especial os tratamentos humilhantes e degradantes. 2004. serão. ou por qualquer outra causa. Art. em qualquer ocasião e lugar relativamente às pessoas acima mencionadas: a) As ofensas contra a vida e integridade física. em especial o homicídio sob todas as formas. os tratamentos cruéis. Ponto 10. d) As condenações proferidas e as execuções efectuadas sem prévio julgamento. Convergências entre as garantias mínimas aplicáveis a conflitos não-internacionais e o regime de derrogações excepcionais do art. na extensão gradual da aplicação dessas normas aos conflitos armados internos. 314). Condições para a aplicação do Protocolo II de 1977.

André de Carvalho. Marcelo D. atos de violência isolados e esporádicos e outros atos de natureza semelhante que não sejam conflitos armados. 75. proteção da família. idioma. Condições para a aplicação do Protocolo II de 1977 – Segundo SHAW (885). 2) Os feridos. JANKOV. Crimes contra a humanidade: sistema internacional de repressão. Paulo Henrique Gonçalves. BASSIOUNI. Eugênio José Guilherme de. 4º CF./set. direito à integridade pessoal (inclusive vedação à tortura e tratamento cruel). 9-31 – jul. ITEM 11 Ponto 11. cor. Este não se aplica a situações de distúrbios internos. Tribunais internacionais ad hoc e tribunais mistos. Fernanda Florentino Fernandez.a. direitos da criança. por si só. p. Legislação básica: Art. M. 27 da Convenção Americana de Direitos Humanos e do art. Estas últimas devem estar sujeitas a um comando responsável e exercer um controle sobre parte de seu território que as habilite a empreender operações militares continuadas e coordenadas e a implementar na prática o Protocolo II. ambos os tratados expressamente excluem certos direitos e garantias de tais derrogações como o direito ao reconhecimento da personalidade jurídica.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 93 como indispensáveis pelos povos civilizados. a. Tal disposição. Ed. qualquer ―emergência pública que ameace a existência da nação‖). III – n. direito à vida. é aplicável ―a todos os conflitos armados não internacionais que ocorram no território de um Estado-parte entre suas forças armadas e forças armadas dissidentes. os doentes e os náufragos serão recolhidos e tratados. porém ao permitirem a derrogação excepcional. O conjunto dos direitos e garantias cuja derrogação é expressamente vedada termina sendo ainda mais amplo que as garantias mínimas das Convenções de Genebra e Protocolos Adicionais. Ed. ambos expressamente proíbem que sejam adotadas medidas discriminatórias (raça. arts. 12. Ed. direito à nacionalidade e direitos políticos. Saraiva. Dever de cooperar com os tribunais internacionais.‖ Convergências entre as garantias mínimas aplicáveis a conflitos não-internacionais e o regime de derrogações excepcionais do art. 4ª Edição. princípio da legalidade e da retroatividade. PORTELA. Direito Internacional Penal – mecanismo de implementação do Tribunal Penal Internacional. No entanto. JusPODIVM. 4° do Pacto Intencional de Direitos Civis e Políticos – Ambos os dispositivos autorizam a suspensão da aplicação dos respectivos tratados em situações excepcionais (guerra. proibição da escravidão e da servidão. 17. 1º. O tribunal penal internacional e a proteção dos direitos humanos: uma análise do Estatuto de Roma à luz dos princípios do Direito Internacional da Pessoa Humana. B. genericamente. Cherif. religião ou origem social) ou incompatíveis com outras obrigações de direito internacional. Ed. 5º. Saraiva. 2004. 86 e ss Estatuto de . 7º ADCT. Volume I – Crimes. ESMPU. André Nardes Obras consultadas: ARAGÃO. já garantiria a aplicação das garantias mínimas previstas pelo art. perigo público ou. 3º das Convenções de Genebra e pelo 2º Protocolo Adicional. 3ª ed. Renovar. liberdade de consciência e religião. 23. como tumultos e desordens. sexo. Princípio da primazia da jurisdição penal internacional e suas mitigações. Responsabilidade internacional por violação de direitos humanos. SOUZA. RAMOS. Artur de Brito Gueiros. VARELLA. Direito Internacional Público e Privado. 22. International criminal law. Direito Internacional Público. Cient. direito ao nome. Brasília. art.

de Roma.: o Est. TRIBUNAIS INTERNACIONAIS AD HOC: são aqueles instituídos em razão de determinada matéria. crimes contra a paz e crimes contra a humanidade praticados por autoridades políticas e militares no Japão imperial. tribunais impostos por ‗vencedores aos vencidos‘‖ (SOUZA. notadamente quanto à base legal aplicável para julgamento. para julgar violações graves às Convenções de Genebra. 17). utiliza a formula nullum crimen nulla poena sine lege – arts. para julgar as inúmeras violações de direitos perpetradas em Ruanda. Os tribunais mistos são criados para julgar atrocidades cometidas em um Estado mediante acordo entre a ONU (Conselho de Segurança) e esse Estado – ou. Ao contrário do TMN. No direito internacional. 14). tecnicamente. mas sim para delimitar a competencia material de um tribunal internacional (v. (b) crimes contra a paz. porem. ―O TPII e o TPIR constituíram os únicos exemplos de jurisdição penal instituída pela comunidade internacional representada pela ONU. previu jurisdição concorrente à jurisdição interna. O rol de delitos do TMN fixou as bases dos ilícitos dos tribunais internacionais subsequentes. em que o costume e tido como uma importante fonte. 9º do Estatuto do TPII. O primeiro deles. p. Somente julgou pessoas físicas e. às leis e aos costumes de guerra. no caso do Kosovo e do Timor Leste. ex post facto e com caráter temporário. 2) Tribunal Militar Internacional de Tóquio (ou Tribunal para o Extremo Oriente). 22 e 23). 37 No caso Tadic (1995). art. 4) Tribunal Penal para Ruanda (TPIR). p. p. 13). TRIBUNAIS MISTOS: surgiram como alternativa ao modelo dos tribunais internacionais ad hoc. questao 53 da prova objetiva do 25º concurso). criado em 1993 por deliberação do Conselho de Segurança da ONU (Resolução 827). Sua estrutura é similar à do TPII. não sendo. art. 8º do Estatuto do TPIR. limitando a soberania ante o Direito Internacional dos Direitos Humanos e o Direito Internacional Humanitário‖ (SOUZA. advindo seu caráter híbrido da composição por juízes nacionais e internacionais (em menor número) e da localização da sua sede no próprio país em que ocorreram os crimes. não foi incluído o tipo penal da conspiração e somente foram julgadas pessoas físicas. criado em 2001. Esse tribunal ―importou numa nova ordem nas relações jurídicas e políticas entre as nações. (c) crimes contra a humanidade 36 e (d) crimes de conspiração praticados pelos nazistas no Holocausto. criado em 1994 também por deliberação do Conselho de Segurança (Resolução 955). que possui jurisdição complementar). 36 . instituído pelo Acordo de Londres em 1945/46. o TPII decidiu que a circunstancia de um crime ser ou nao cometido no contexto de um conflito armado nao e relevante para a definiçao de crimes contra a humanidade. para julgar os (a) crimes de guerra. Os seguintes tribunais internacionais ad hoc são de fundamental importância: 1) Tribunal Militar de Nuremberg (TMN). Não possuem um modelo institucional uniforme pré-definido. sobrepondo-se a quaisquer processos em curso nas cortes nacionais (diferentemente do Tribunal Penal Internacional de Roma – TPI. Admitiu o julgamento de pessoas físicas e jurídicas (SOUZA. ARAGAO). instituído entre os anos de 1946/48 para julgar os crimes de guerra. 3) Tribunal Penal para a ex-Iugoslávia (TPII). o que é mais importante. cujas falhas incluíam a ausência de participação da população local e a falta de legitimidade de suas decisões no plano interno. genocídio e crimes contra a humanidade praticados no território da antiga Iugoslávia 37 . foi o Tribunal Especial para Serra Leoa. inclusive no que diz respeito à jurisdição concorrente à jurisdição interna. por iniciativa exclusiva da ONU –.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 94 Roma. vigora a maxima nullum crimen nulla poena sine iure (obs. seguido pelas Câmaras Especiais O julgamento de Nuremberg nao violou o princípio da irretroatividade da norma penal no que diz respeito aos crimes contra a humanidade porque a violaçao das leis contra a humanidade ja atentava contra os costumes da guerra desde a Clausula Martens inserida Convençao de Haia de 1907 (cf.

―o Tribunal poderá elaborar um relatório e remeter a questão à Assembleia dos Estados Partes ou ao Conselho de Segurança. em qualquer fase do processo. 87. 39 (ADCT) Art. de maneira complementar aos tribunais nacionais. Diversamente do TPII e do TPIR. art. demonstre-se indisposto ou incapaz de processar e julgar determinado crime. para evitar sobrecarga de processos nos tribunais internacionais. Em síntese. 17 do Estatuto de Roma. Assim. o art. DEVER DE COOPERAR COM OS TRIBUNAIS INTERNACIONAIS. A ratificação de uma convenção multilateral para a criação de um tribunal internacional constitui ato de soberania do Estado. 264-265). 7º: “O Brasil propugnara pela formaçao de um Tribunal Internacional dos Direitos Humanos”. solicitar oficialmente as jurisdiçoes nacionais que renunciem a respectiva competencia a seu favor. o enforcement indireto pode ter funcionamento vertical (manejo repressivo do sistema de justiça criminal pelos Estados. então.º do Alcance). pois prevê a atuação complementar do tribunal ao sistema jurisdicional dos Estados. conforme arts. No mesmo sentido. 9º do TPII. em conformidade com o presente Estatuto e com o Regulamento Processual”. regendo-se pelo princípio da complementariedade. sua jurisdição somente tem lugar quando o Estado. sem dispensar. Os tribunais internacionais não são foros vinculados a uma soberania em particular. O dever de cooperar com os tribunais internacionais advém. 8º do Estatuto do TPIR: “Artigo 8º: Jurisdiçoes Concorrentes [. ou (iii) que tenha jurisdição e esteja disposto e adequadamente preparado para aceitar tal caso. previram a jurisdição concorrente em relação à jurisdição interna. da manifestação soberana dos Estados quando da ratificação dos tratados que criaram tais tribunais. o TPI não antecede nem tem primazia sobre a jurisdição interna. b) horizontal. a cooperação estatal.. como no caso do art. nos termos do art. Diante de recusa à obrigação de cooperação. pelo Tribunal Especial para o Líbano (para investigar o assassinato do primeiro ministro) e pelos painéis mistos de julgamento em Kosovo e em Timor Leste. 40 De acordo com Marcello Miller (Prof. que deriva do caráter vinculante da resolução do Conselho de Segurança da ONU que instituiu tais tribunais. quando tiver sido este a submeter o fato ao Tribunal‖ (art. p. por exemplo. Na prática. portanto. 7). par. O Tribunal Internacional para a Ruanda tem primazia sobre as jurisdiçoes nacionais de todos os Estados. prevaleceria a jurisdição internacional do TPII ou do TPIR.] 2. Esses dois modelos são tratados por BASSIOUNI. ou (ii) no qual o acusado foi preso. pelo qual as relações entre os Estados e o tribunal internacional são delineadas conforme o padrão interestatal de cooperação. desse modo. 11 do Regulamento Processual ou Regras de Procedimento e Prova do TPIR. 38 . mas sim entes criados voluntariamente pelos próprios Estados para exercer jurisdição sobre si e. no exercício da sua jurisdição doméstica. v. que permite ao tribunal internacional entregar o caso para julgamento por outra corte do Estado (i) em cujo território o crime foi cometido. respectivamente. também foram previstas mitigações ao princípio da primazia da jurisdição penal internacional. Para solucionar. o TPIR passou a funcionar. O TPI contempla um sistema híbrido de implementação (enforcement). portanto. Existem basicamente dois modelos de cooperação: a) vertical. contribuir para o tratamento de temas de interesse comum39. como sistemas enforcement direto (Tribunais Militares de Nuremberg e Tóquio) e de enforcement indireto (TPIR e TPII)40.. porém. não havendo autoridade do tribunal sobre os Estados (JANKOV. 86 e seguintes. os respectivos estatutos contemplaram o princípio da primazia da jurisdição penal internacional desses tribunais38. Veja-se. em certa medida. de 2003). no caso de conflito de competência. como dito. Contudo. podendo. então. em cumprimento a normas internacionais) ou horizontal (manejo cooperativo do sistema de justiça criminal pelos Estados.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 95 ou Extraordinárias nos Tribunais em Camboja (crimes cometidos pelos Khmer Vermelho – Resolução nº 57/228B da AG da ONU. em cumprimento a normas internacionais). pelo qual o tribunal internacional pode emitir ordens de caráter vinculante aos Estados. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL E SUAS MITIGAÇÕES: os tribunais penais ad hoc para a ex-Iugoslávia e para Ruanda. o conflito entre jurisdições.

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 96 O ETPI poderia ter ido além e previsto as consequências para a não cooperação. Paulo Henrique Gonçalves. o confisco da maioria das ações com direito a voto de uma companhia). a CPJI entendeu pela primeira vez que. Ou seja. como uma razão de utilidade pública e a ausência de tratamento discriminatório em face do estrangeiro (seja em relação ao nacional. uma ação perante a Corte Permanente de Justiça Internacional (antecessora da CIJ). pois. desde que adimplidas algumas condições. desapropriação significa algo mais do que a total tomada da propriedade. A Polônia editou uma lei dispondo que o Estado expropriaria ativos alemães na Alta Silésia por simples alteração de registro (sem desapropriação e sem indenização). A desapropriação de bens estrangeiros suscita um conflito entre dois interesses bem definidos: o dos investidores estrangeiros (que desejam proteção e segurança para investirem no exterior) e o dos países importadores de capital (que precisam ter atenção com os impactos financeiros nacionais de grandes investimentos estrangeiros. 1928): a Alemanha ocupava territorialmente a Alta Silésia. o direito interno é mero fato.. para o direito internacional. ainda. que era oponível mesmo em caso de sucessão de Estados. 846-847). CIDH) não estão sujeitas a homologação pelo STJ (PORTELA. A Alemanha propôs. a região ficou sob a soberania polonesa. Ponto 11. em razão do dever de cooperar. o DIP não reconhece caráter jurídico ao direito interno. p. ex. que o ato transcendeu a esfera dos interesses de seus nacionais. Indenização devida. Legislação básica: não indicou. está violando o tratado‖ (JANKOV.b. tal como a drenagem da moeda). saindo da esfera da responsabilidade civil e para a responsabilidade internacional. mas. diversos alemães permaneceram na região. Desapropriação e seus reflexos no direito internacional. abrangendo também certos atos que não chegam ao ponto de retirar completamente a posse direta dos bens (p. ―se um Estado não coopera com o tribunal. André Nardes Obras consultadas: Portela. a Alemanha entendeu que houve o chamado ―endosso‖. A desapropriação de bens estrangeiros é uma medida legítima no DIP. entende-se que as sentenças de tribunais internacionais aos quais o Brasil aderiu (TPI. seja em relação a estrangeiros de terceiros Estados). Quanto à proteção de nacionais. ao final da Primeira Guerra. Já no que diz respeito à indenização devida. a CPJI declarou que toda violação de um compromisso envolve a obrigação de reparar . então. Porém. Sobre tais condições. ou seja. Por fim. O caso da Fábrica de Chorzow chama atenção para dois temas: A PROTEÇÃO DE NACIONAIS DESAPROPRIADOS POR ESTADO ESTRANGEIRO e a INDENIZAÇÃO DEVIDA. considerando que os alemães proprietários da fábrica de Chorzow possuíam direito adquirido de propriedade. Em DIP. qualquer influência injustificada no uso. Proteção de nacionais desapropriados por Estado estrangeiro. 269). p. gozo ou disposição de bens que permita deduzir que o proprietário não poderá exercer tais faculdades por um período razoável de tempo e. ganha destaque o caso da Fábrica de Chorzow (CPJI. DESAPROPRIAÇÃO NO DIREITO INTERNACIONAL. Direito Internacional Público e Privado. O endosso é ato discricionário. Assim.

Em determinado momento. Para evitar alguns efeitos danosos da desapropriaçao. seria possível. a nacionalidade deles). somente o Canadá é quem poderia pleitear proteção diplomática da empresa canadense. pedia reparação por danos sofridos por seus nacionais. o governo espanhol criou dificuldades para operações internacionais de captação de recursos. 41 . apenas em tese. e comum que se firmem acordos bilaterais ou multilaterais de investimento no exterior. Outro ponto muito importante da decisão foi a definição de obrigação erga omnes como conjunto de obrigações que veiculam valores essenciais para a comunidade internacional como um todo (ex. em célebre passagem: ―a reparação deve. o que não era o caso da Bélgica e da Espanha. pelo que se negou à Bélgica o jus standi (a Bélgica foi considerada um Estado terceiro sem legitimidade para exigir o cumprimento de obrigações pela Espanha). os quais trabalham com a ideia de incentivo ao capital e bens estrangeiros. André Nardes Obras consultadas: Portela. a proteção diplomática por país diverso da nacionalidade da empresa. A CIJ entendeu que a Bélgica não possuía jus standi para propor a ação em defesa dos interesses dos acionistas. apagar todas as consequências do ato ilícito e restabelecer o estado que provavelmente existiria se o referido ato não tivesse sido cometido‖. 1970). A CIJ decidiu também que um Estado poderia prestar proteção diplomática a investimentos estrangeiros que se encontrassem em seu território desde que haja um acordo de proteção de investimentos.c. que procura regulamentar justamente aspectos de investimentos estrangeiros no exterior. Paulo Henrique Gonçalves. No caso. com valor total muito abaixo do valor de mercado dos bens. empresa canadense que prestava serviços na Espanha. Muitas disputas acerca da desapropriaçao de bens estrangeiros foram resolvidas diretamente pelos Estados envolvidos por uso de acertos de pagamento por soma global (lump-sum). ou seja.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 97 (princípio geral de direito). com estabelecimento de condiçoes favoraveis ao investimento. Somente se o Canadá não tivesse capacidade de prestar proteção diplomática à empresa é que seria possível considerar a legitimidade da Bélgica. Fundaçao da Agencia Multilateral de Garantia de Investimentos (1985). assim.: instrumentos universais ou quase universais de proteção de DH). com base no instituto da proteção diplomática. para a proteção diplomática. Existe a Conv. Outro precedente importante no que diz respeito à proteção de nacionais desapropriados é o caso Barcelona Traction (CIJ. uma vez que as medidas reivindicadas se referiam à própria companhia (e não seus sócios ou acionistas. em contraposição à proteção diplomática (que foi o instituto aplicado no caso) – RAMOS. Essa agencia faz parte do Banco Mundial e oferece um seguro aos investidores e credores contra o risco político de desapropriaçao. que foi decretada na Espanha. Responsabilidade não-penal de indivíduos no direito internacional por sua participação em graves violações de direitos humanos. seria possível a celebração de tratado para fins de proteção de investimentos dos nacionais dos países acordantes que estivesse no outro país41. não se reconheceu o caráter erga omnes das obrigações violadas (relativas à desapropriação de bens estrangeiros). tendo seus ativos expropriados para que os serviços de iluminação pudessem ser desenvolvidos pelo Estado espanhol. sendo assim irrelevante. a fim de buscar um equilíbrio. pois a nacionalidade da companhia é definida pelo local da sua constituição (prevalência da nacionalidade nominal sobre a efetiva) e. Ponto 11. tanto quanto possível. que eram acionistas da Cia Barcelona Traction. Direito Internacional Público e Privado. A Bélgica. o que gerou situação de falência à Cia. ou seja. p. A CPJI valeu-se de uma definição ampla de restituição na íntegra (restitutio in integrum) como a melhor forma de reparação. 341-342.

limitando o impacto das hostilidades por meio da proteção de um mínimo de direitos inerentes à pessoa humana e pela regulamentação da assistência às vítimas das guerras.Curso Elementar. são reconhecidos como sujeitos de DIP para parte da doutrina (corrente pluralista ou moderna). Malcom N. Ius in bello e ius ad bellum: convergências e divergências. segundo doutrina amplamente majoritária). indenização ou reabilitação. várias medidas podem ser impostas aos violadores de direitos humanos. Direito Internacional. da perda ou do prejuízo causados às vítimas ou aos titulares do direito à reparação. As fontes são de origem consuetudinária. Saraiva: 2008. restaurar a situação ao ―status anterior quo ante‖. p.719/2008. se possível. Na legislação brasileira. 869). Código Penal brasileiro. 11ª Ed. Jus Podivm: 2010. § 1º (prestação pecuniária como pena restritiva de direitos) e o 91. de direitos humanos de pessoa do sexo feminino. Código de Processo Penal brasileiro. p. Princípio da proteção. 717). Princípio da necessidade militar. motivo pelo qual. Por fim. Aderruan Rodrigues Tavares Obras consultadas: PORTELA. de ofício ou por requerimento. são exemplos desses efeitos não-penais os artigos 45. ambos do CP e o artigo 387. ex. Direito internacional humanitário. Direito Internacional Público e Privado. Direito Internacional Público . celebrar tratados). mas foram . Martins Fontes: 2010. A par da responsabilização estatal pela grave violação de DH (de cunho não-penal apenas. Na esfera civil (não penal). resultado do trabalho pioneiro de Henry Dunant retratado em seu livro Uma Lembrança de Solferino (SHAW. O marco inicial do direito humanitário foi a Convenção de Genebra de 1864. a Lei 11. O Estatuto de Roma traz em seu bojo o artigo 75. externas ou internas‖ (PORTELA. 1ª Ed. 1. os indivíduos também podem ser responsabilizados. determinar a extensão e o nível dos danos. fazer desaparecer os efeitos da violação.. inclusive. inciso IV.340/2006 (Lei Maria da Penha) traz várias consequências não-penais em relação ao agente que incorreu em violação.a: Direito internacional humanitário. e. Isso decorre do fato de que os indivíduos possuem direitos e deveres na ordem internacional. que prevê a reparação em favor das vítimas por meio de restituição. Princípio da distinção. tanto penal quanto civilmente. I (efeito da condenação penal de tornar certa a obrigação de indenizar).557/1934 (Promulga o Tratado de Renúncia à Guerra de 1928). p. inserido com essa redação pela Lei 11. indenizar a vítima no que couber e promover meios para que esta retome a sua vida anterior e continue a sua caminhada rumo à realização como pessoa. Direito de Genebra e Direito da Haia. Decreto 849/1993 (Promulga os Protocolos I e II de 1977 às Convenções de Genebra de 1949). no âmbito doméstico. do CPP. É ―o ramo do Direito Internacional e do Direito Internacional dos Direitos Humanos que visa a reduzir a violência inerente aos conflitos armados. ITEM 12 Ponto 12. 2ª Ed. Princípio da proporcionalidade.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 98 Legislação básica: Estatuto de Roma. dispositivo de efeito não-penal. ainda que de forma específica e limitada a certos objetivos e agendas (não podem. Legislação básica: Decreto 24. Francisco. tais como a obrigação de atuar no sentido de. O TPI poderá. Paulo Henrique G. REZEK. em circunstâncias excepcionais. SHAW.

e os protocolos adicionais de 1977. Direito de Genebra e Direito da Haia. religiosos. É interessante observar que o ius ad bellum atualmente restringe-se a duas possibilidades: (i) legítima defesa individual ou coletiva no caso de ataque armado contra um Estado-membro das Nações Unidas. para evitar a guerra ou restaurar a paz. as partes sempre têm que ter em mente que o conflito é entre beligerantes. Ius in bello: direito aplicável na guerra. (ii) não-discriminação. Princípios: neutralidade. Cuida de regras que devem ser observadas pelas partes envolvidas em um conflito armado.42 Encontra previsão na Convenção da Haia. proibindose tortura e garantindo-se assistência médica. universalidade. 3. mortos. 75.. cercos etc. pessoal da imprensa. relativo às Convenções de 1899 e 1907. através do Conselho de Segurança. Pessoas e bens protegidos: pessoas. p. ambas buscando uma progressiva humanização dos conflitos armados. que estão fora do combate. Ambos abrangem o tema guerra ou. mais conhecido como Pacto de Paris ou Briand-Kellog. vol. sobre os Costumes da Guerra Terrestre (Convenção nº 4). proibição de represálias. estabelecendo ARAGAO. civis e bens de uso civil. Direito de Genebra ou Direito Humanitário refere-se às quatro convenções de 1949. denominadas ―Convenções da Cruz Vermelha‖. o ius in bello objetiva regular a conduta dos beligerantes. nãodiscriminação.. Rev. pessoal. Por outro lado. a principal divergência está no foco. Trata de situações em que uma parte pode empreender uma ―guerra justa‖ contra outra. Enquanto o ius ad bellum visa evitar (ou justificar) o uso da força. tomadas de reféns. Direito da Haia ou Direito da guerra propriamente dito. Cláusula Martens: ―em caso de ausência de norma em uma guerra. normas aplicadas em todas as circunstâncias e em quaisquer tipos de conflitos (externos ou internos). náufragos ou prisioneiros de guerra.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 99 amplamente codificadas durante o século XX. doentes e prisioneiros em poder do inimigo devem ser tratados humanamente. de 1928. o processo judicial deve ser conduzido de acordo com as garantias reconhecidas pelos povos civilizados (PORTELA. A principal convergência parece ser a tentativa de regular a guerra e suas consequências nefastas (em especial na fase mais recente do ius ad bellum). Crimes contra a Humanidade: Sistema Internacional de Repressão. Ius in bello e ius ad bellum: convergências e divergências. inspirado pelo incremento do potencial destrutivo da guerra desde o fim do século XIX. sob a regência de três princípios: (i) neutralidade. bens e locais não militares. e (iii) responsabilidade (RESEK. na necessidade de os Estados justificarem perante a comunidade internacional as guerras que empreendiam como justas. e não entre pessoas que nada têm a ver com o conflito. humanidade. busca regulamentar a condução das hostilidades. doentes. mulheres grávidas. Em relação a essas devem ser sempre aplicadas as leis de humanidade‖. parturientes e mães de lactentes ou com filhos de pouca idade. proteção de bens culturais. TST. militares feridos. Pelo Tratado de Renúncia à Guerra. liberdade de atuação do pessoal sanitário. por sua vez. e na fase da Liga das Nações em uma tentativa de submeter as partes em conflito a métodos de solução de controvérsia diversos antes de efetivamente entrarem em conflito armado. ―é voltado à regulamentação das operações militares. Ius ad bellum: direito de promover a guerra. 42 . em um primeiro momento. 376). prioridade na proteção de crianças. jan/mar 2009. mais especificamente. É chamado de ―Direito de Guerra‖ ou ―Direito da Haia‖. 2. Eugenio Jose Guilherme de. p. e (ii) ação militar determinada pela própria ONU. que tratam da proteção da pessoa humana em caso de conflito armado. bem como entendem que a solução das controvérsias deverá ser sempre feita por meios pacíficos. Brasília. o uso da força nas relações internacionais. é mais recente. proibição de ataques a pessoas e bens informados no tópico anterior. A ideia do ius ad bellum é antiga e se baseou. Principais normas: os não-combatentes e combatentes fora de combate devem receber tratamento humano. p. nº 1. os Estados declaram que condenam o recurso à guerra para a solução das controvérsias internacionais. a ela renunciando como instrumento de política nacional nas suas mútuas relações. instalações e equipamentos sanitários. diz respeito às leis que regem o uso da força. alimentação etc. O ius in bello. 731). 2. os feridos. de 1907.

Para atingir o objetivo de derrotar o inimigo a parte em conflito pode impor danos a bens e direitos de civis.45. arts. Princípio da proporcionalidade. Questões da prova oral: (8) Apresente diferença entre jus in bello e jus ad bellum. de bens de caráter civil. 5. ou danos a bens de caráter civil. n. Revista de informação legislativa. 6. ―A proporcionalidade. de bens indispensáveis à sobrevivência da população civil. atualmente conhecido como direito humanitário internacional‘‖. 1. a destruição deve ser minimizada assim como casualidades colaterais. em conseqüência. ou ambas as coisas. p. acesso em 20/05/2012. 10. 4. Segundo SHAW (p./mar. assim. porém. na estrita medida da necessidade militar.‖43 São vedados. I). portanto. como eram chamados tradicionalmente – e o ‗Direito de Genebra‘ – que trata da proteção de pessoas contra os efeitos dos conflitos armados – ‗tornaram-se tão intimamente inter-relacionados que se pode considerar que aos poucos vieram a constituir um único sistema complexo. do meio ambiente natural. segundo seja de prever. ainda. qualquer que seja a Parte a que pertençam. 51. serão respeitados e protegidos. Link: http://www2. 57. Vide. Operações militares devem se restringir a alvos militares. Os ataques devem ser estritamente limitados aos objetos militares. desde que não caracterize tratamento desumano ou alguma outra atividade proibida por normas de DIP. Princípio da necessidade militar. Este princípio deve sempre ser aplicado tendo em vista o princípio da proporcionalidade. p. 719). ―Todos os feridos. apresente menor perigo para as pessoas civis e os bens de caráter civil. é a relação proporcional entre o uso da força e da violência física para alcançar o objetivo militar. (9) Fale sobre a Cláusula Martens.‖ (art. ―os ataques quando se pode prever que causarão incidentalmente mortos e ferimentos entre a população civil. de refugiados e apátridas. Devem-se distinguir combatentes (militares) de não combatentes (pessoas e bens civis).: proteção da população civil. e que seriam excessivos em relação à vantagem militar concreta e diretamente prevista‖ (art.wordpress. limitando as ações dos Estados nos conflitos armados‖ (PORTELA. b.‖ (art.br/bdsf/item/id/160175 http://ochamini2009. de obras e instalações contendo forças perigosas. 870/871): ―A Corte Internacional de Justiça afirmou que o ‗Direito de Haia‘ – que aborda principalmente as normas interestatais que regem o uso da força ou as ‗leis e costumes da guerra‘. de mulheres. 9. 43 .com/2009/07/29/principios-gerais-do-direito-internacional-humanitario/#_ftnref10. pelo fato dos inevitáveis efeitos colaterais. jan. do PI). do PI). 5. danos aos bens civis dispersos no campo de batalha etc.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 100 os direitos e deveres dos beligerantes nos combates e. v. ―A fim de garantir respeito e proteção à população civil e aos bens de caráter civil. do PI). Ielbo Morais Lobo de. entre os bens de caráter civil e os objetivos militares e.senado. Desafios à ordem internacional ? ataques armados por atores nas estatais e o direito de legitima defesa.177. enfermos e náufragos. Leitura complementar: SOUZA. como morte de civis. como a própria palavra sugere.113-128.. A força utilizada deve ser proporcional ao fim desejado. 48 do Prot. dirigirão suas operações unicamente contra os objetivos militares‖ (art. 51 e ss.gov. 8. ―Quando é possível eleger entre vários objetivos militares para se obter uma vantagem militar equivalente. Princípio da distinção. de bens culturais e dos lugares de culto. crianças e jornalistas. Princípio da proteção. 2008. 3. 7. optar-se-á pelo objetivo cujo ataque. as Partes em conflito deverão sempre fazer distinção entre a população civil e os combatentes.

81 e 84 da Lei 6. a efetiva entrega é discricionária. LII. esse entendimento já foi mitigado (STF. Para realizar promessa de reciprocidade. São requisitos da extradição: dupla tipicidade. A extradição pressupõe que exista. Renovar: 2008. inexistência de prescrição em nenhum dos países. I. É uma medida de cooperação judiciária internacional. O Brasil não extradita se for competente para julgar o crime. a extradição será deferida. Extradição. adotou-se o sistema belga. 105. em caso de crime comum. 2ª Ed. Lei 6. No entanto. na forma da lei. decidida pelo Presidente da República (caso Battisti: Ext 1085 e Rcl 11243). Dessa forma. Legislação básica: Arts. Decreto 4. praticado antes da naturalização. Se houver pena para ser cumprida aqui. respeito ao princípio da especialidade (o extraditando não pode ser processado ou crime diverso do que motivou a extradição). No Brasil. Entrega. É instituto.388/2002 (Tribunal Penal Internacional). no país requerente. Pela Convenção da ONU de 1984. Processo Internacional de Direitos Humanos. Jus Podivm: 2010. 5º. Decreto 5. Direito Internacional Público Curso Elementar. André de Carvalho. A extradição tem como base jurídica tratado de extradição entre os países ou promessa de reciprocidade. I. Direito Internacional Público e Privado. não ser crime político ou de opinião (sendo possível a extradição se for conexo com crime comum). ou da contenciosidade limitada. 2º ed.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 101 Ponto 12. PORTELA. XV. Aderruan Rodrigues Tavares Obras consultadas: RAMOS. CF/88. tendo por objetivo permitir a entrega de indivíduo para outro Estado a fim de que possa responder a processo penal ou cumprir pena. A decisão do STF só vincula quando reconhece irregularidades na extradição.815/80 (Estatuto do Estrangeiro). Paulo Henrique G. que o extraditando não seja torturado ou submetido a tribunal de exceção. sentença penal transitada em julgado ou processo penal com prisão decretada. Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho brasileiro (Súmula 421-STF). de modo que o STF só examina a legalidade da extradição em seus aspectos formais. 109. 22. O terrorismo também não é considerado crime político para fins de extradição. a tortura é sempre crime extraditável entre os signatários. Resolução STJ 9/2005 (Homologação de sentenças estrangeiras e concessão de exequatur às cartas rogatórias). é necessário que o Poder Executivo do outro país tenha competência constitucional para tanto (foi o que impediu a extradição de Ronald Biggs para o Reino Unido). tendo natureza cautelar. suspende-se a extradição até a conclusão do processo de opção. captura e entrega ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de pessoa . Direito Internacional Privado: Teoria e Prática Brasileira. pois se reconhecida. Nádia de. 102. mas a entrega só ocorrerá após o cumprimento. Execução de Sentenças Cíveis e Criminais. salvo em situações excepcionais (STF. Em caso de opção da nacionalidade. ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. que não extraditarão para país onde haja tal risco. X. não cabendo liberdade provisória ou prisão domiciliar. destina-se a assegurar a execução de eventual ordem de extradição (arts. Saraiva.815/90). a nacionalidade será nata. Saraiva: 2008. salvo o naturalizado. também conhecido como surrender ou remise. A prisão preventiva é condição de procedibilidade para o processo de extradição e. ARAÚJO. Ext 1234). REZEK. sendo decisão soberana do país. 4ª Ed. Transferência de presos. O extraditado não pode ser entregue a terceiro país sem autorização do Brasil. comutação da pena de morte em reclusão máxima de 30 anos. Francisco. 11ª Ed. previsto no Estatuto de Roma que visa à localização. 2. Nenhum brasileiro será extraditado. i. São Paulo. g.b: Extradição.919/2006 (Promulga a Convenção Interamericana sobre o Cumprimento de Sentenças Penais no Exterior) 1. Ext 1254 QO). 2012. Entrega.

acesso em 22/05/2012. 19). (iii) ter transitado em julgado. o que. 93 do Estatuto. 573). Porém. independentemente de sua nacionalidade. Brasil. por meio do instrumento da entrega obrigatória do suspeito de crimes da alçada do TPI. As sentenças proferidas por Tribunais Internacionais não necessitam de homologação (PORTELA. aplicável ao reconhecimento e à execução das sentenças e dos laudos arbitrais pronunciados nas jurisdições desses Estados nas citadas matérias. (iv) estar autenticada pelo cônsul brasileiro e acompanhada de tradução por tradutor oficial ou juramentado no Brasil. havendo contestação. coloca-se em consonância com o escopo de tutelar amplamente os direitos fundamentais dos seres humanos. inteligência da decisão e observância dos requisitos da Resolução. No âmbito do Mercosul. Resolução 9/2005).gov. ―a extradição é termo reservado ao ato de cooperação judicial entre Estados soberanos. entretanto. juntamente com os demais mecanismos de cooperação penal arrolados no art. Requisitos: (i) haver sido proferida por autoridade competente. Execução de Sentenças Cíveis e Criminais. em regra.307/96. por intermédio da efetiva punição dos autores de graves crimes que atentem contra tais direitos. Comercial.pgr. e (vi) não ofender a soberania nacional. Artur Gueiros afirma que ―o instituto da entrega. a ordem pública e os bons costumes. 5º. com base em juízo de delibação (revisão limitada). acordos ou cláusulas que não se achem formalmente incorporados ao texto da decisão homologanda (STJ. p.mpf. 45 Natureza http://boletimcientifico. SEC 6335/EX). § 4º. consistente em ato bilateral internacional discricionário que permite ao condenado de um país cumprir a pena privativa de liberdade em outro. fecha-se o leque de persecução penal dos crimes tipificados no art. foi firmado o ―Protocolo de Las Leñas‖ de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil. 3. do qual. da CF).891/2009). 38 e 39 da Lei 9. A defesa somente poderá versar sobre autenticidade dos documentos. A homologação não pode abranger e nem se estender a tópicos. Transferência de presos. pois o Brasil se submete a jurisdição do TPI (art. É possível a concessão de tutela antecipada. como é o caso do TPI‖. conjugado com o princípio da complementaridade. não há impedimento de entrega de nacionais. no qual a jurisdição da Corte só surge quando há fundado receio do fenômeno da ‗impunidade‘ por parte da jurisdição interna. Difere da extradição que é ato de colaboração ―horizontal‖ entre Estados.395/ES).gov.241/EX). é nacional.esmpu. proveniente de uma autoridade estrangeira só terá eficácia no Brasil após sua homologação pelo STJ (v. bem como aos efeitos civis de sentenças penais. à soberania nacional e à ordem pública. o processo será submetido a julgamento pela Corte Especial do STJ e distribuído a um de seus Ministros. enquanto a entrega é ato de colaboração ―vertical‖. Nesse caso. cumpre ao interessado requerer a extração da Carta de Sentença. não se discute a relação de direito material subjacente à sentença arbitral (STJ.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 102 perseguida criminalmente.295). acesso em 44 . Após transitada em julgado a decisão que homologar a sentença estrangeira. CR 7613 AgR/AT). É uma espécie de execução de sentença penal estrangeira. a homologação de sentença estrangeira tem procedimento facilitado (art. Trabalhista e Administrativa. AgRg na SE 3.br/boletins/boletim-cientifico-n. inclusive não judicial. SEC 7. concluído por Argentina.-12-2013-julho-setembro-de-2004/o-tribunalpenal-internacional-e-a-protecao-aos-direitos-humanos-uma-analise-do-estatuto-de-roma-a-luz-dos-principios-dodireito-internacional-da-pessoa-humana (p. se não houver transgressão aos bons costumes. 6º do Estatuto. (ii) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia. com a qual procederá à execução da sentença estrangeira na Justiça Federal competente. Desse modo. 4. É atribuição do Presidente do STJ homologar sentenças estrangeiras e conceder exequatur às cartas rogatórias. As sentenças penais podem ser homologadas no Brasil para surtir efeitos civis (STJ.‖44 Segundo ACR (2012: p.br/gtld/cooperacao-internacional/glossario/glossario-cooperacao-internacional. Qualquer provimento. (v) ter sido homologada pelo STJ. não elide a necessidade de homologação pelo STJ (STF. Dessa forma. A atuação do STJ no processo de homologação de sentença arbitral estrangeira encontra balizas nos arts. 20/21). Paraguai e Uruguai (Decreto 6. Já o surrender é utilizado no caso específico de cumprimento de ordem de organização internacional de proteção de direitos humanos. 45 http://gtld.

que exige minorar o sofrimento de quem se encontra encarcerado e distante de seu círculo familiar e cultural. Decreto 98. 16. ao final. (2) ARAS. 2007. 2ª Ed. a boa administração da justiça e promover a reinserção social do condenado. 233-249.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 103 jurídica: parte da doutrina entende que tem natureza administrativa e. 2º da Convenção Interamericana contra a Tortura: convergências e divergências. Desumanos ou Degradantes de 1984). Ela Wiecko V.386/1989 (Promulga a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura de 1985). com todas as suas implicações decorrentes. processada ou condenada novamente no Estado recebedor pelo mesmo crime e. BALTAZAR JÚNIOR. O art. (ii) trânsito em julgado da sentença. p. Efeito: suspende a execução da pena no Estado sentenciador. (18) Quais são os pressupostos da extradição? Fale sobre suas condições de procedibilidade e prescrição. e (vii) concordância dos Estados partes com a transferência. 46 CASTILHO. ―Cooperação internacional na execução da pena: a transferência de presos‖. Porto Alegre: Verbo Jurídico. Condições: (i) nacionalidade da pessoa condenada correspondente ao Estado recebedor.46 5. V. . de. não exige a prévia homologação da sentença condenatória estrangeira. 71. LIMA. (iii) o Estado deve assumir a tarefa de execução da pena de seu nacional. dada a finalidade de ressocialização. (iv) consentimento voluntário da pessoa condenada. 1º da Convenção da ONU contra a Tortura de 1984 e definição do art. Sao Paulo: Revista dos Tribunais. (iii) lapso mínimo de pena pendente de cumprimento. Leitura Complementar: (1) SOUZA. no caso do Brasil. Ponto 12. Malcom N. pois faz parte da responsabilidade pela violação da ordem jurídico-penal de outro Estado. 6.. 2010. Vladimir. Aderruan Rodrigues Tavares Obras consultadas: PORTELA. Questões da Prova Oral: (10) Fale sobre o princípio da especialidade na extradição. consequentemente. p. Fundamento formal: existência de tratado bi ou multilateral. Fundamentos materiais: (i) custo financeiro da gestão da população prisional estrangeira. Jus Podivm: 2010. Rio de Janeiro: Ed. Limitações: a pessoa transferida não poderá ser detida. (v) dupla incriminação do fato como crime. Legislação básica: Decreto 40/1991 (Promulga a Convenção da ONU Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. em geral seis meses. Presos Estrangeiros no Brasil: aspectos jurídicos e criminológicos. José Paulo. v. (ii) irracionalidade da execução penal dirigida ao preso estrangeiro. 233-249. n. Direito Internacional Público e Privado. ele é expulso para o seu país de origem. Direito Internacional. (vi) conformidade com a ordem jurídica do Estado receptor. III da Convenção Interamericana sobre o Cumprimento de Sentenças Penais no Exterior estabelece outras condições. Cooperação jurídica internacional em matéria penal. 23/05/2012. 71. e (iv) princípio da humanidade. Luciano Flores de. Artur de Brito Gueiros. Cooperação internacional na execução da pena: a transferência de presos. (3) CASTILHO. se. mar/abr 2008. Revista Brasileira de Ciencias Criminais. v. Artur Gueiros e Vladimir Aras entendem que este instituto é de natureza de direitos humanos. Ela. Lumen Juris. 2008. Definição do art. Finalidades: fomentar a cooperação mútua em matéria penal. SHAW. Revista Brasileira de Ciências Criminais. Paulo Henrique G.c: Tortura como crime internacional. Martins Fontes: 2010. ―O papel da autoridade central nos acordos de cooperação penal internacional‖. W. cuja finalidade é a reinserção social do condenado. não é possível a redução dos períodos de prisão ou do cumprimento alternativo da pena. 1ª Ed.

83. Os elementos da conduta classificável como tortura extraídos dessa convenção são: ação ou omissão não qualificável como legítima. indicando três objetivos: a obtenção de informações ou confissões. sendo um direito prioritário. quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas. 2010. pois não pode ser derrogado ―nem em tempo de guerra ou de outra calamidade pública que aflija o país‖ (SHAW.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 104 1. por pessoas hors de combat (soldados incapazes de exercer função militar por estarem detidos. p. havendo conhecimento desse ataque‖. são intencionalmente causados a uma pessoa que esteja sob a custódia ou o controle do acusado. p. A tortura encontra-se igualmente prevista no Estatuto de Roma. Tortura/Coordenaçao Geral de Combate a Tortura (Org. p. letra ―e‖ do mesmo artigo. Caso Furundzija. A Declaração Universal dos Direitos Humanos prescreve que ―ninguém será submetido à tortura. dor severa e sofrimento. V). físicos ou mentais. para a tipificação da tortura não se exige que o ato criminoso seja praticado por instigação ou com a aquiescência de um agente público ou outra pessoa no exercício de funções públicas‖. como castigo pessoal. sobre uma pessoa. como medida preventiva.). desumano ou degradante‖ (art. 7º. 98 e 250). Definição do art. ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram. como pena ou com qualquer outro fim. Sentença de 10 de dezembro de 1998. são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter. informações ou confissões. dela ou de uma terceira pessoa. A definição adotada pelo Estatuto encontra-se no parágrafo 2º. 1º da Convenção da ONU contra a Tortura de 1984 e definição do art. ―No Estatuto do Tribunal Penal Internacional de 1998. Fabio Konder. de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido. 1ª ed. contra qualquer população civil. propósito e vinculação do agente ou responsável. este termo não compreende a dor ou os sofrimentos resultantes unicamente de sanções legais. 1. Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. o castigo e a intimidação ou coação de certas pessoas. ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza. ―quando cometido no quadro de um ataque. generalizado ou sistemático. como o ―ato por meio do qual uma dor ou sofrimentos agudos. A proibição da tortura é considerada atualmente uma obrigação erga omnes e norma de jus cogens47 (SHAW. classificado no rol dos crimes contra a humanidade enumerados no art. ou por sua instigação. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos. porém. inerentes a essas sanções ou por elas ocasionadas‖. com fins de investigação criminal. 2. de métodos tendentes a anular a personalidade da vítima.” Esse artigo estabelece a definição internacionalmente aceita de atos que constituem tortura. A dignidade da pessoa humana é o bem jurídico protegido. 2º da Convenção Interamericana contra a Tortura: convergências e divergências. A tortura é um crime internacional tanto fora quanto dentro de um conflito armado. Desumanos ou Degradantes de 1984: “Artigo 1. Para os efeitos desta Convenção. Tortura como crime internacional. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam conseqüência unicamente de sanções legítimas. de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas. COMPARATO. A tortura no direito internacional. direta ou indiretamente. sendo um crime de guerra quando cometido por pessoal das forças armadas e forças ocupantes contra militares. ou a diminuir sua capacidade física ou Tribunal Penal para a Ex-Iugoslavia. físicos ou mentais. nem a tratamento ou castigo cruel. 47 48 . doentes etc) ou pela população civil. com o Estado.48 Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura de 1985:“Artigo 2. o termo „tortura‟ designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos. ou com o seu consentimento ou aquiescência. Entender-se-á também como tortura a aplicação. entender-se-á por tortura todo ato pelo qual são infligidos intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos físicos ou mentais. Para os fins da presente Convenção. 211). como meio de intimidação. intenção.

Ano 7. ainda. 303. quando possível efetuá-lo (todavia. dando conotação de uma enumeração taxativa ao texto. Alguns aspectos sobre o crime da prática de tortura. na segunda. o que não ocorre na Convenção da ONU. todas elas proibidas. isto é. contato que não incluam a realização dos atos ou aplicação dos métodos a que se refere este Artigo. embora de escopo ligeiramente menos amplo que o da Convenção Interamericana: na primeira é empregada a fórmula ―para propósitos tais como‖ ou for such purposes as no original em inglês. 4) o uso de drogas ou outras técnicas para diminuir a resistência é considerado tortura pela Convenção Interamericana. caracterizando esta como cruel ou degradante‖50. Revista Mestrado em Direito. indo além daquela praticada pelos órgãos do Estado. o fez de maneira ampla.br/denunciar/tortura/a_pdf/felicio_crime_tortura_inconstituc. porquanto exigida nesta última a presença de dor ou sofrimento. prevista também. porém na Convenção Interamericana essa diferenciação não existe. com nitidez. e aquele aplicado quando da execução da pena. a responsabilidade decorrente da omissão de tais agentes no impedimento da realização do fato delituoso. Mérito. como a tortura. e os desaparecimentos forçados. enquanto uma interpretação ortodoxa do texto da convenção das Nações Unidas afasta a caracterização de tal conduta como tortura.‖ STJ. § 171 (citando o Caso Barrios Altos versus Peru. mas ao contrário. acesso em 23/05/2012. 1º do Decreto 20. p. ―As ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de atos de tortura ocorridos durante o Regime Militar de exceção são imprescritíveis. 3. por violar direitos inderrogáveis reconhecidos pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos‖.dhnet. Caso Gomes Lund e Outros (―Guerrilha Do Araguaia‖) Vs. São ―inadmissíveis as disposições de anistia. 4) não há tortura quando esta for decorrência de aplicação de sanções legais. {Corte Interamericana de Direitos Humanos. O tema foi cobrado na dissertação (item b) da prova subjetiva do 25º CPR. cometido apenas por funcionários ou empregados públicos em autoria mediata ou imediata e. a Lei 9.455/97 não definiu o tipo delituoso como crime próprio. Casuística. por indução ou instigação a que o provoquem. Relevante anotar que a versão adotada no decreto brasileiro que incorporou a convenção das Nações Unidas omitiu a fórmula geral ora referida. Brasil. EREsp nº 816. 2) o propósito da tortura não é limitado à extração de informações no processo de investigação criminal (a lista de propósitos contida na convenção das Nações Unidas é exemplificativa. 3) a Convenção da ONU ―não faz referência ao vocábulo pena.pdf. 1. Osasco. Sentença de 14/03/2001)}. 2) na Convenção Interamericana é possível a prática de tortura mesmo que não cause ―dor física ou angústia psíquica‖.910/1932. estabelecendo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 105 mental. embora não causem dor física ou angústia psíquica. Inaplicabilidade do prazo prescricional do art. Pontos de divergência: 1) o conceito de tortura na Convenção Interamericana é mais amplo do que na Convenção da ONU. tornando possível que qualquer pessoa do povo o pratique)49.” Pontos de convergência entre as Convenções: 1) os elementos que integram os conceitos são similares. as disposições de prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade. que pretendam impedir a investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos.org. Não estarão compreendidos no conceito de tortura as penas ou sofrimentos físicos ou mentais que sejam unicamente conseqüência de medidas legais ou inerentes a elas. extrajudiciais ou arbitrárias. STASINSKI. 49 50 . 2007. ―ou com qualquer outro fim‖). n. Fabiani Rios.209/RJ http://www. as execuções sumárias. Sentença de 24/11/2010. a distinção entre o tormento utilizado na fase de formação da culpa ou na tortura processual. 3) o delito autônomo de tortura é ―próprio‖.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha tem natureza jurídica de entidade privada constituída sob as leis suíças. Este status especial de organizar conferências internacionais com o escopo de mobilizar os estados para aceitarem obrigações no tocante à proteção de pessoas vulneráveis em conflitos armados – feridos nos campos de batalha. a própria Suíça celebrou com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. salienta que. e Protocolo n° 2: aprofunda regime de proteção nos conflitos não internacionais. obviamente. na XVII Conferência Internacional de Cruz Vermelha em Estocolmo. Henri Dunant foi o seu idealizador. entretanto. A doutrina. Em 1949 . náufragos em batalhas navais. Além delas foram apresentados dois protocolos adicionais.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 106 ITEM 13 Ponto 13. prisioneiros em campos de guerra. o Brasil tem um acordo internacional com o comitê internacional da Cruz Vermelha dando as mesmas prerrogativas de uma organização internacional. a colocam como sujeito de direito internacional público. o Comitê Internacional de Cruz Vermelha apresentou em agosto de 1948 quatro projetos de convenção. Acordo de sede e imunidades. O Direito internacional humanitário tem como sua fonte este movimento. . em 1. Por isso nas convenções sobre esses temas foram lhe conferidas tarefas especiais.convenção n° 1 tratando dos feridos em campo de batalha. n° 2 náufragos. de um tratado. Inclusive. Ou seja. A natureza jurídica desse acordo é. Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Alexandre Vasconcelos Garcia Frigerio Principais obras consultadas: Resumo do Grupo 26º CPR. as Convenções e o Protocolo Adicional I se aplicam aos conflitos armados internacionais. e n° 4 população civil. O papel desse comitê é tão importante que é considerado crime de guerra atentar contra as pessoas que trabalham para a Cruz Vermelha ou usar falsamente seus símbolos”. Natureza jurídica. ACR atenta para o fato de o direito de Genebra (convenções e protocolos) lhe fazer expressa remissão. um acordo que reconhece imunidade de jurisdição ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha. lá sediado. site do CSMPF Legislação básica: CF. n° 3 prisioneiros de guerra. ratificando esse entendimento. Após a II Guerra Mundial em razão da clara necessidade de proteção à população civil em tempo de guerra. Nas Convenções de Genebra é classificada como ―organismo humanitário imparcial‖ (art. sua natureza jurídica híbrida de instituição neutra e protetora entre os combatentes: ―é uma associação civil sem fins lucrativos de direito privado suíço. só que a sua participação no direito humanitário que deu essa característica híbrida.a. população civil. 9º ou 10). com capacidade limitada de celebrar tratados. Protocolo n° 1: aprofunda regime de proteção nos conflitos internacionais.994. SHAW (958) a denomina de ―associação internacional não governamental‖. desta feita. arts. Noções gerais/ Natureza jurídica O comitê Internacional da Cruz Vermelha nasce da batalha de Solferino como sociedade de socorro aos feridos no campo de batalha. Os princípios da humanidade e da necessidade são os dois princípios gestores desse direito humanitário. enquanto o Protocolo Adicional II se aplica à proteção das vítimas dos conflitos armados internos. (questão – oral: Fale sobre as Convenções de Genebra de 1949 e dos Protocolos de 1977). Todos esses têm proteção do comitê. sobressaindo. Finalidades e funções de acordo com as Convenções de Genebra de 1949 e com os Protocolos I e II de 1977. 163 a 169 1. Parte da doutrina.

art. de acordo com a Convenção de Genebra de 49 e com os protocolos de Genebra de 77. todas elas.121 de 1957. O tratado com a Suíça é particularmente importante por esta reconhecer personalidade internacional e imunidades a uma entidade privada interna. bem como pessoal de serviços de saúde e religiosos. 20). doentes. mas todas elas ligadas à observância dos direitos humanitários. O pessoal suíço pode ser dispensado do serviço militar (art. Isso é ilegítimo. Atenção: O CICV possui tratado de sede com vários países (inclusive com o Brasil. de 1991). Tem ainda bons contatos entre as partes adversárias.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 107 2. Possui função de fiscalização. Proteção a feridos. ainda. Acordo de sede e imunidades. porém aqueles que não tiverem condições de cumprir suas obrigações de proteção podem solicitar ao CICV que realize tais funções humanitárias. . então há indicações de potências protetoras. Também é garantido ao CICV imunidade de jurisdição (com algumas exceções. pois no inicio das hostilidades. A cruz vermelha oferece assistência médica e o pessoal da cruz vermelha tem imunidade também. notadamente questões trabalhistas. Em 19 de março de 1993 a Suíça e o CICV assinaram um acordo de sede. prisioneiros de guerra e populações civis. O Brasil é parte de todos eles. 12). a ter contato com os familiares. O CICV também oferece ―bons ofícios‖ para ajudar os Estados em conflito a negociarem desentendimentos sobre aplicação das Convenções e Protocolos e a estabelecerem ―zonas sanitárias‖ (áreas para os feridos e doentes). 5º) e impede constrição ou execução de seus bens. Atua. tem direito ao silêncio. membros do comitê e pessoal técnico tem imunidade total. com relação a declarações e atos praticados no exercício de suas funções e inviolabilidade de todos os seus documentos e papéis (art. como substituto de potência protetora. Os protocolos tentam introduzir o conceito de vítimas. 14) A Suíça não possui responsabilidade por qualquer ato do CICV ou seus membros (art. porque ninguém vai falar livremente. 3. o Presidente. Quando ele é combatente ele não tem direito à vida. previdenciárias e acidentes com veículos. Os feridos tem que ser recolhidos. As convenções de Genebra. em especial com relação aos prisioneiros de guerra e populações civis. mesmo após deixar o cargo. O acordo reconhece a personalidade internacional do CICV e garante a inviolabilidade dos imóveis utilizados pelo CICV e de seus arquivos. lembra ACR que o grande problema de Guantánamo foi que só muito depois a cruz vermelha foi autorizada a visitar prisioneiros e havia sempre a presença de testemunhas. há ruptura das relações diplomáticas. nos conflitos armados internacionais e nos conflitos armados internos. Esses são as principais finalidade e funções. Visita e entrevista sem testemunhas os prisioneiros e civis. Nesse aspecto particular. foram ratificadas e promulgadas no Brasil pelo Decreto 42. Independente da nacionalidade. náufragos. O pessoal não suíço possui facilidades na entrada no país (art. 11). Finalidades e funções de acordo com as Convenções de Genebra de 1949 e com os Protocolos I e II de 1977. As convenções e protocolos têm finalidade e funções múltiplas. Todo não combatente tem direito à vida. Os Estados envolvidos no conflito têm obrigação de proteção a tais pessoas.

Quaisquer pessoas ou não pessoas. Ordem Soberana Internacional. mobilizar agendas internacionais. É necessário que se prove que o indivíduo exerce direitos em nome próprio e tenha contraído obrigações diretamente. movimentos de libertação nacional. a Santa Sé. O Brasil aceitou que o indivíduo pudesse peticionar contra o Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. indivíduos. pois o indivíduo no campo penal. o indivíduo teve o seu . ACDH e ONU. Parecido com o conceito de personalidade jurídica. Outros. Subjetividade jurídica controvertida.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 108 Ponto 13.b. mas não se usa esta expressão. Responsabilidade individual penal derivada do Direito Internacional. Tendência: cada vez mais o indivíduo passa a ter direitos em nome próprio no plano internacional. corporações internacionais. em especial. Entre os controvertidos há. organizações internacionais. Por exemplo. admitem os indivíduos como sujeitos de direito internacional. Personalidade do indivíduo: só reconhecida em alguns sub-ramos do DIP. O conceito de sujeito internacional remete à titularidade de direitos e deveres na ordem internacional. É dizer. Há aqueles que em todos os manuais estão definidos como tais (sujeitos de direito internacional) e outros em que não há consenso. E esse reconhecimento depende de Estados. Alguns se filiam à corrente realista das relações internacionais negando esta qualidade aos indivíduos. são mais restritos. rede extremamente complexa. corrente pluralista. Os incontroversos são estados. Ordem Soberana Internacional de Malta. E no elemento obrigações a tendência é aceitar. direito da integração (UE. O direito internacional reconhece em seus sub-ramos direitos titularizados pelos indivíduos: DH. com exceção da convenção de Montevideu: ―todo estado é dotado de personalidade jurídica internacional‖ (Aragão. Personalidade jurídica de DIP: aptidão de exercer direitos e contrair obrigações de direito internacional. cadernos). sistema financeiro internacional. Alexandre Vasconcelos Garcia Frigerio Principais obras consultadas: Resumo do Grupo 26º CPR. Mercosul – empresa ou indivíduo pode peticionar à seção nacional do mercado comum). Quem aceitou essa personalidade foi o Estado. ONGs. participação como observadoras de OI. 2. bancos internacionais. participação no Conselho de DH. Os sujeitos internacionais. ONGs que atuam dentro do sistema internacional. os indivíduos. especialmente. INDIVÍDUO NO DIREITO INTERNACIONAL. movimentos rebeldes. Basta que existam para que tenham a personalidade jurídica. Personalidades jurídicas OBJETIVAS: Estado e OI. São todos que de uma forma ou outra possam vir a influenciar. site CSMPF Legislação básica: não indicou 1. tem obrigações internacionais. portanto. Uma primeira distinção que se faz é em relação a sujeito e ator internacional. movimentos terroristas. Indivíduo no Direito Internacional. SUBJETIVIDADE JURÍDICA CONTROVERTIDA. Já o conceito de ator internacional remete para outra realidade.

Por outro lado. não como sujeito do direito internacional. Onde se vê mais essa personalidade jurídica? Direitos humanos. Eugênio. Sujeitos do DIP . Em conclusão. direito internacional penal‖. (ACR) Alguns internacionalistas como Rezek entendem que não há direito internacional sem Estados. direito penal internacional . Quanto a esse específico ponto Eugênio se utiliza de classificação da doutrina internacional para separar os sujeitos de direito internacional em limitados e os absolutos. não sujeito. direitos da integração da comunidade europeia. Entretanto. Afirmam que indivíduo é objeto de proteção do direito internacional. ACR faz observação relevantíssima no sentido de que esses direitos dos indivíduos só existem em alguns subsistemas e não em todos. Então em alguns subsistemas do direito internacional se antevê claramente indivíduos e pessoas jurídicas que deveriam ter personalidade jurídica e não tem. Aptidão para exercer direito e contrair obrigações. só que esses atores econômicos dependem do Brasil para processar o Canadá. 420). Quando o Estado falece a comunidade internacional deve agir garantindo direitos (Aragão. estados não precisam que outros estados tenham relações com eles para terem subjetividade. têm personalidade genérica. o setor de algodão pode estar sendo pisoteado.estados . com Mazzuoli (2011. que os indivíduos compõem o conceito contemporâneo de Direito Internacional Público ao lado dos Estados e das Organizações Internacionais intergovernamentais. Entretanto o indivíduo não tem nada em relação ao comércio internacional ou ao uso da força. Relativos porque há subjetividade internacional reconhecida por alguns estados e não por outros. Tradicionalmente era objeto e quem era sujeito. As organizações internacionais são limitadas ao objeto para o qual foram criadas. incluindo atores que apesar de não terem de formar normas internacionais. Outro exemplo.Incontroversos . Isso mostra que no direito internacional são evidentes os direitos desses atores econômicos. ―Os limitados seriam aqueles que têm titularidades de direitos e deveres restritos a certas agendas. Isso como decorrência do processo de desenvolvimento e solidificação dos Direitos Humanos. na OMC. podem se dirigir a instâncias internacionais. ―Por exemplo. direito dos refugiados. ainda. deve ser intermediado pelo Estado. Isso valia há 20 anos.indivíduos têm direitos e deveres. atualmente há uma ordem jurídica internacional que se destina a vários atores. só o estado tem subjetividade internacional absoluta. para processar os Estados Unidos. Como se prova que o indivíduo é sujeito de direito do direito internacional? Da mesma maneira que se prova no direito interno. Indivíduos têm capacidade postulatória. Refere. cadernos). pode-se afirmar.: indivíduos). não são sujeitos tão completos. o indivíduo não tem acesso ao sistema de solução de controvérsia.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 109 papel no direito internacional como objeto. pg. eram os estados e as organizações internacionais. adverte. A organização pode não significar nada para alguns estados e sim para outros. Garante obrigações aos Estados de garantir esses direitos. a sujeitos de direito internacional relativos e gerais. Subjetividade jurídica internacional limitada‖. em outra classificação. Cansado Trindade afirma que estes catálogos são reconhecimento de patrimônio jurídico individual. é declaratória. não apenas ao Estado. direitos humanos. Podem participar apenas em foros muito limitados (ex. Só o estado pode discorrer e pretender qualquer tipo de matéria e agenda. apesar de envolver claramente os atores econômicos. O estado existe mesmo sem este reconhecimento.

movimentos rebeldes de libertação nacional . o Tribunal será competente para julgar as pessoas físicas.indivíduo . Os dois tribunais internacionais ad hoc criados pelas Nações Unidas em 1993 e 1994. . Quem cometer um crime de competência do Tribunal será considerado individualmente responsável e poderá ser punido de acordo com o presente Estatuto. o Tribunal de Nuremberg. (O Tribunal de Nuremberg foi criado em 1945. respectivamente. que essa não é a regra. França. 2. Estados Unidos. de 1998. mas exceção. dentre outras titularidades.organizações internacionais .27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 110 .povos indígenas .Ordem Soberana e Hospitalar de Malta . Vale ressaltar. é bastante claro a esse respeito. Nesse particular aspecto.sujeitos atípicos . instituído para julgar as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial pelos nazistas. quando dispõe no seu art. essa é exceção e não regra. através dos Governos do Reino Unido.NGOs .URSS).Comitê Internacional da Cruz Vermelha . a sua responsabilidade penal derivada do Direito Internacional. contribuiu para formação dessa concepção quando deixou assente que: ―Crimes contra o Direito Internacional são cometidos por indivíduos – não por entidades abstratas – e os preceitos de Direito Internacional fazem-se efetivos apenas com a condenação dos indivíduos que cometeram esses crimes‖.Controversos . entretanto. Nestes casos fala-se em pretensão punitiva do direito internacional quando o estado não dá conta do recado ou desloca para outro estado ou para o tribunal penal internacional.corporações internacionais 3. A confirmar a contemporânea alocação do indivíduo como sujeito de direito internacional ressai. que veio acabar de vez com as discussões relativas à legalidade dos tribunais ad hoc da ONU.povos . O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. ex. RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL PENAL DERIVADA DO DIREITO INTERNACIONAL.Santa Sé . De acordo com o presente Estatuto. 25 (Responsabilidade criminal individual) que: 1. pelo Acordo de Londres. o instituído para julgar as atrocidades praticadas no território da antiga Iugoslávia desde 1991 e o criado para julgar as inúmeras violações de direitos humanos de idêntica gravidade perpetradas em Ruanda também confirmam a qualidade do indivíduo como sujeito do Direito Internacional. Somente para alguns crimes de porte internacional é que se responsabilizam indivíduos por normas de direito internacional.

criada no âmbito da OEA. Suas garantias processuais persistem no direito internacional. COOPERAÇÃO FORMAL E INFORMAL. que também existem direitos processuais dos indivíduos. Vale ressaltar. 1. Ponto 13. adotada pela Vª Reunião de Ministros da Justiça daquela Organização. em tópico próprio. A cooperação direta ocorre quando a medida a ser solicitada 51 http://ccji. Palavras-chave: Indivíduo – tendência – personalidade jurídica internacional. A cooperação pode ser classificada como direta (informal) ou como formal. bem como sobre a cooperação judiciária internacional em geral.pgr.Rede Ibero-Americana de Cooperação Judicial. mas encontramos normas de responsabilização de indivíduos e diretamente vinculadas a normas de proteção de indivíduos que sofre persecução internacional (Aragão.51 A Rede Judiciária da CPLP tem os seguintes objetivos: a) Facilitar. de três redes de cooperação jurídica internacional: a Iber-Red . O Brasil faz parte. A Rede hemisférica foi constituída em 2004 na 5ª Reunião de Ministros da Justiça da OEA. c) Estabelecer contatos com organismos internos e internacionais e colaborar em atividades de formação levadas a cabo pelos Estados membros ou por organismos internacionais. a Rede Judiciária da CPLP. agilizar e otimizar a cooperação judiciária entre os Estados membros. instituída em 2004 em Cartagena de Índias (Colômbia).br/atuacao-da-ccji/redes-de-cooperacao-juridica . A Rede Ibero-Americana – Iber-Rede será tratada logo abaixo. A Iber-Rede. durante a X Conferência de Ministros da Justiça dos Países de Língua Portuguesa. e a Rede Hemisférica de Intercâmbio de Informações para o Auxílio Jurídico Mútuo em Matéria Penal e de Extradição.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 111 O indivíduo pode ser submetido a obrigações negativas.mpf.gov. Rede de Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional dos Países de Língua Portuguesa. REDES INTERNACIONAIS DE COOPERAÇÃO JUDICIÁRIA E ENTRE MINISTÉRIOS PÚBLICOS. Ainda que seja somente uma fração quase insignificante do direito penal. b) Estabelecer. a não praticar certos atos considerados crimes internacionais. um sistema integrado e atualizado de informação sobre os diferentes sistemas jurídicos da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa. A Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul. A Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos. de forma progressiva. Alexandre Vasconcelos Garcia Frigerio Principais obras consultadas: Resumo do Grupo 26º CPR. criada em novembro de 2005. realizada no ano de 2004 em Washington. site do CSMPF Legislação básica: não indicou. por fim. d) Promover a aplicação efetiva e prática das convenções de cooperação judiciária internacional em vigor entre dois ou mais Estados membros. 2. cadernos). Cooperação formal e informal.c: Redes internacionais de cooperação judiciária e entre ministérios públicos. composta por representantes dos 23 Estados que participam das Cúpulas Ibero-americanas de Chefes de Estado e de Governo. atualmente. A OEA está empenhada em estimular a adesão de todos os países membros da organização à rede. A Cooperação visa a assistência legal mútua em matéria criminal e de extradição.

não necessitando. essas três vias de cooperação e duas formas de cooperação: formal e informal. tem como órgãos representantes o STJ.ex.52 3. Sob tais formas de cooperação (formal e informal) se esposam as três vias/modelos pelas quais os Estados interagem para a solução de questões que os imbricam: a via diplomática. da intervenção do Poder Judiciário. Já a cooperação tida como formal será vislumbrada naqueles casos em que será exigida. celeridade e efetividade. um sistema de COOPERAÇÃO INFORMAL. A via diplomática. é aquela onde todos os atos jurisdicionais que buscam cooperação para terem efeitos em outro país são comunicados através de embaixadas. Somente quando há tratado é que se utiliza a via diplomática. seja para assegurar a validade de uma prova. com a vantagem de que a comunicação desse sistema é criptografada – objetivo é circular informação informal. A IBER-REDE. Não há reserva de sigilo. cadernos). Exemplos: obter atos constitutivos de uma empresa mexicana para saber exatamente quem são seus diretores – não é necessário solicitar judicialmente. O cerne desse sistema é que ele é um sistema de comunicação eletrônica entre essas autoridades – comunicações instantâneas nos dois computadores de contato desses órgãos. pedido do endereço de alguém – na PGR. o auxílio direto (autoridade central) e a assistência direta. encurtando o seu caminho para se atingir o objetivo. casos em que se faz imprescindível a intervenção judicial para sua execução. Qto mais dados sobre ela melhor. porque são públicos (aqui no Brasil. assim. Embora não exista no Brasil sob a forma de cooperação formal (ACR). Esse tipo de dado pode ser entregue a uma autoridade estrangeira – é uma cooperação que revela o caminho das pedras para o órgão de persecução estrangeira (Aragão. seja para garantir a validade de um ato a ser executado. Constitui. Existem. podendo se prestar para inteligência policial. a institucionalização da via escolhida. Vasculha tudo. O sistema funciona com o mecanismo de pedido direto entre autoridades centrais. No Brasil. o contato direto entre as autoridades. p. A Iber-Rede – rede ibero-ameriacana de cooperação judiciária – atinge mais de 500 milhões de cidadãos em 22 países ibero-americanos. moroso. horizontal. a PGR e o MJ (DRCI). bem como manter e estabelecer um sistema de informação sobre os sistemas legais da comunidade da Iber-Rede. mais tradicional. O auxílio direto. 52 O assunto tratado nesse específico tópico tem mais pertinência com o ―ponto 15‖. sem necessidade de autorização judicial pra isso) – e é uma informação preciosa. E é a partir desse ponto que entra a importância das redes de informação (informais por natureza) como caminho para a cooperação formal. atuando de maneira informal. o SIMBA procura em vários bancos de dados e em 15 min descobre o endereço de qq pessoa. Tem caráter formal. com o objetivo de substituir a via diplomática. flexível e baseada na confiança mútua. servindo por ora à contextualização do tratamento das redes de informação nas vias de comunicação internacional. É um método mais lento.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 112 pode ser prestada diretamente à autoridade requerente. fazendo incidir a necessidade de intervenção judicial para a execução dos pedidos. complementar. Tem por objetivos otimizar a cooperação jurídica em matéria penal e civil. não para cooperação formal. portanto. caracteriza-se por ser uma via de comunicação com especialização. para a realização da medida solicitada. salienta Aragão (cadernos): ―no Brasil hoje só funciona para efeito de cooperação informal. basta ir à Junta Comercial. É possível que o membro do MP mande e-mail para membro do MP de outro país e se entendam por correio eletrônico‖. onde cada país tem sua representação. portanto. não mais adequado aos dias atuais. O terceiro mecanismo que acelera a cooperação é a chamada assistência direta. mas não podendo criar prova no processo penal. .

congrega os Ministérios Públicos da Ibero-América. pg. cultural ou em outros.pdf. jurídico. por um período de 6 meses. incluindo Portugal e Espanha. solidariedade e aprimoramento profissional dos membros dos Ministérios Públicos. tráfico de drogas e terrorismo.gov. (Roteiro de Atuação – Cooperação Internacional. Parece com contato direto (auxílio). notadamente no combate ao crime organizado. por meio de Memoriais de Entendimento. no que foi julgada improcedente). por sua vez. A REUNIÃO ESPECIALIZADA DE MINISTÉRIOS PÚBLICOS DO MERCOSUL. 14 e 15). e tem por objetivos estreitar os vínculos de cooperação. Com a assinatura dos Memorandos. complementar ao trabalho que já é feito pelos Ministérios da Justiça dos dois países. econômico. pois não haveria base jurídica para um contato direto entre as PGRs da Rússia e do BRA. com menor formalidade. seja nos planos político. A Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul surgiu de uma decisão do Conselho do Mercosul em 2005 com objetivo de otimizar e agilizar ações conjuntas dos Ministérios Públicos dos Estados-Partes do Mercosul. As reuniões ocorrem semestralmente e são antecedidas de uma reunião preparatória. peticionou à justiça federal que entendeu pela possibilidade do envio direto do ―HD‖ solicitado entre as Procuradorias. 5. Para atender esse último objetivo o Instituto Ibero-americano de Ministérios Públicos foi constituído em 1998. ACR traz como exemplo desse meio de cooperação o CASO BEREZOVSKY .aiamp.py/reunion/pdf/rempm. A AIAMP (www. Constitui uma outra espécie de cooperação direta que pode ocorrer de MP para MP. possibilitando a troca de informações entre estas no intuito de combater o crime organizado internacional de forma mais rápida e eficaz.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 113 4.net) foi fundada em 1954. formulando políticas de cooperação informal e direta entre os Ministérios Públicos e obtendo informações de grande utilidade para o desempenho das funções dos membros do MPF (idem). destinados a registrar princípios gerais que orientarão as relações entre as Partes. pro tempore.pedido da PGR da Rússia de obtenção de provas encaminhado ao MPF brasileiro que. A defesa ajuizou reclamação (reclamação 2645) sob o fundamento de que estaria ocorrendo violação à competência do STJ para conferir exequatur a cartas rogatórias. Mais detalhes: http://www. fica aberto mais um canal de cooperação jurídica direta. ITEM 14 . que têm sido utilizados para atos de forma mais simplificada. desenvolvendo atividades de capacitação e aprimoramento técnico-jurídico de servidores e membros dos Ministérios Públicos da América.ministeriopublico. Trata-se apenas de um conjunto de atos de entendimento mútuo cujo objetivo principal é a intensificação da Cooperação Jurídica Internacional entre o MPF e instituições estrangeiras congêneres. A ASSOCIAÇÃO IBERO-AMERICANA DE MINISTÉRIOS PÚBLICOS. mas não gera obrigações (não se baseiam em tratados). Cada Estado-Parte exerce a presidência de maneira rotativa.

como ato lícito. de poder. através da RES/CONSELHO PERMANENTE/OEA/797/2001. Bassiouni defende que não é bom o tratamento de tais atos como guerra. as resoluções mencionadas passaram. International Criminal Law. fizeram uso sistemático da técnica. em suas palavras: ―Outra lição política ou operacional a ser aprendida é que. No dia seguinte aos ataques. 1. 4º. 4º). bem como qualquer ato de terrorismo internacional. CONCEITO DE TERRORISMO: O conceito preciso de terrorismo desafia a doutrina . então. quando ocorre um ato terrorista. os EUA. o Conselho de Segurança da ONU editou a Resolução 1. e não como a declaração de uma guerra” pois “Quando os altos escalões do governo estão envolvidos. Marcelo Miller (Alcance). Em outras palavras. 3ª Edição. também considerou os ataques de 11 de setembro como atos de guerra.368 (RES/CSNU/1368/2001).a: Guerra contra o terror. embora os tratados sobre a matéria tenham se proliferado mais recentemente. H. Outros documentos: http://www2. indivíduos ou grupos terroristas. Convenção Interamericana Contra o Terrorismo. também do CSNU.373. Shaw. VIII. Em seguida. de 28/09/01. M. ao responder aos eventos terroristas. decidir que uma ameaça terrorista deve ser tratada como uma questão militar. e tal retórica política ultrapassa os níveis da repressão criminal efetiva dentro da legalidade”. de qualquer forma. Não obstante isso. qualificando os atentados. defende que todas as forças da sociedade devem ser reunidas para assegurar os objetivos de proteção e prevenção. Cherif Bassiouni. Repressão internacional ao financiamento de atividades terroristas. Contudo. e não como uma questão criminal? Diz não ter resposta.mre. Atos de terror.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 114 PONTO 14. JusPodium. a pretexto de exercer a soberania. Rysklyft Obras consultadas: P. o que não pode ocorrer é um alarmismo desnecessário junto à sociedade. Segundo Malcom N. acobertem ou facilitem.htm GUERRA CONTRA O TERROR: Os atos de terrorismo são recriminados pelo Direito Internacional de longa data. “Combatentes ilegais”. mas já passou a fazer parte do direito internacional consuetudinário. deixou claro que os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 implicaram atos de guerra. a Resolução n. de 1999 (promulgada no Brasil pelo Decreto 5. Além disso.639/2005). a proibição da tortura consta de diversos tratados. porque manejado em legítima defesa. De igual feita. isso deve ser encarado como um problema criminal qualquer. tendo se consolidado como uma norma de jus cogens. os governos nunca devem engajar-se em nível máximo. mas que passa mais pela questão política. Legislação básica: Arts. pois isso favorece e fortalece os grupos terroristas. Os atentados de 11 de setembro de 2001 repercutiram de forma intensa sobre o tratamento conferido pelo Direito Internacional ao terrorismo. (noções gerais). Cita outra norma que os EUA não seguiram de direito internacional humanitário: proibição de negativa de possibilidade de rendição (Bin Laden). de 2002 (promulgada no Brasil pelo Decreto 5. Portanto. Segundo o Prof. pelo Direito Internacional (ONU e OEA). Gonçalves Portela. a permitir a guerra defensiva contra os Estados que. o Direito Internacional Interamericano. do que por aspectos jurídicos. Convenção Internacional para Supressão do Financiamento do Terrorismo. Assim. a guerra ao terror é considerada. de 1949 (art. Ed. CF.br/dai/terrorismo.gov. Direito Internacional Público e Privado. a questão central é: pode os EUA. Isto também pode gerar distorções e enfraquecimento do DIP. introduz-se uma dimensão política que dificilmente pode ser contida. como ameaçadores da paz e da segurança internacionais.640/05) – é a mais ampla. Lei 7170. na guerra contra o terror. reconheceu a possibilidade de ser manejada a legítima defesa em retaliação a tais ataques. Conceito de terrorismo. Convenção III de Genebra. unilateralmente.

)‖ (CRETELLA. os colonizadores franceses. Tome-se. de maneira calculada para influenciar ou afetar a conduta de um governo ou de uma população civil. 1377 e 1989. Bassiouni. mas a crítica feita é que seria muito amplo. ―As armas usadas pelos guerrilheiros são tipicamente militares. aduzindo que ―O primeiro grande problema diz respeito à definição. o que (. que demonstre evidente desconsideração pela vida humana. Em segundo lugar vem a abrangência da definição dos delitos.. Sua principal característica é o especial fim de agir. pode constituir ato heróico para outros. Dentre os atos considerados terroristas. uma aproximação conceitual foi estabelecida pela Lei 10..) não encontra significado em nenhuma doutrina jurídica‖ (Idem). enquanto a grande maioria da população nativa os idolatrava (. veículos armados com explosivos e sofisticados dispositivos. 864). 1373. Cretella Neto chega a afirmar que o conceito de terrorismo ―(. De se ver que a ONU já adotou doze acordos internacionais que tratam do terrorismo (SHAW. até mesmo porque o que é terrorismo para uns. Nos EUA há tipo penal de terrorismo. Dever-se-iam. por meio de intimidação ou coerção. enquanto as empregadas em ataques terroristas incluem bombas caseiras.‖ Malcolm Shaw também ressalta as dificuldades de conceituação. atentados a bomba. no terrorismo não se objetiva o controle de território. com a finalidade de conseguir uma reação dos poderes.. pode-se mencionar: o apoderamento ilícito de aeronaves. Comentando esta Lei Cretella aduz que ela:“(. Assim. cabendo destacar aqui as resoluções 1368. sendo ou não agentes de um poder soberano. Não obstante. ingleses e portugueses qualificavam os movimentos de libertação nacional de ‗terroristas‘. por exemplo. habitualmente arrolados em diplomas internacionais.) estabelece. Cherif Bassiouni (apud CRETELLA. excluídos os táxis aéreos.. intencionalmente. 865). terrorismo é ―uma estratégia de violência destinada a incutir pavor em um segmento da sociedade. a lei brasileira não define ‗terrorismo‘. atentados nucleares. seja a perda ou dano dele resultante acidental ou intencional‟. Ameaça ou uso de força contra pessoas internacionalmente .” (CRETELA. por exemplo. No Brasil. evitando-se encontro físico direto com o inimigo. atentados contra agentes diplomáticos. § 4º: „entende-se por ato terrorista qualquer ato de uma ou mais pessoas. Neste sentido.)‖ (CRETELLA: 2008a. 695). inclui aí os seguintes ―crimes internacionais‖ (em sentido amplo): Pirataria. infligir dano com base em propósitos de vingança política.‖ (Idem) Para M.) é fórmula muito habitual empregada em muitas convenções e na legislação interna da maioria dos países. prática de atos contra segurança da aviação civil. acionados a distância ou por pressão barométrica. Some-se a imprecisão doutrinária o fato de que ―tampouco a grande maioria dos instrumentos convencionais define terrorismo (. com fins políticos ou terroristas.. 2008a: 699). no artigo 1º.744/2003. e sim ‗atos terroristas‘. 2008a: 691).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 115 internacional. baseada na proteção contra violência terrorista.. ou para retaliar contra conduta governamental será punida com:‖. que ―na época das lutas de descolonização na África.. infiltrando-se na população civil. Sequestro de aeronaves e atos ilegais contra a segurança aérea. ou ainda. incluir igualmente os ataques ao patrimônio e os ataques a pessoas?‖ (SHAW: 2010. nos seguintes termos (2010): ―qualquer pessoa que intencionalmente mate ou inflija grande lesão corporal em uma ou mais pessoas.. 2008a: 696). adotadas após os atentados de 11 de setembro. algumas diferenças são estabelecidas entre terrorismo e guerrilha. Os terroristas não tem base territorial definida. atos de guerra ou eventos correlatos contra aeronaves de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público. ou dar publicidade a uma causa.. Também o Conselho de Segurança da ONU vem reiteradamente se manifestando sobre a matéria.. na segunda metade do século 20. em uma de suas classificações. que regula a responsabilidade civil perante terceiros no caso de atentados terroristas.

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protegidas, Fazer civis reféns e Atos ilegais contra a segurança de navegações marítimas e
plataformas em alto mar.
COMBATENTES ILEGAIS: A análise deste ponto somente é possível de ser feita cotejando-se
três conceitos: a) população civil: aquele que não participa (e não pode participar) dos atos de
hostilidades, em contrapartida não pode ser atacada durante o conflito, sob pena de cometimento
de crime de guerra; b) combatentes legais/legítimos: é um princípio básico de direito
humanitário o fato de que, durante um conflito armado, cada lado busca enfraquecer o potencial
bélico do outro. Para isso, deve ter condições de identificar aquilo (aqueles) que fazem parte das
hostilidades dos que não estão envolvidos no conflito. Os combatentes legais podem ser
atacados, mas estão livres de punição, pelo direito internacional, em face dos ataques legítimos
que perpetrarem contra combatentes inimigos. Recebem proteção nos termos do Direito
Humanitário; ao se interpretar a Convenção de Genebra III de 1949, temos que combatentes
legítimos seriam aqueles que preencham todos os requisitos descritos no seu art. 4º. Em suma,
seriam ―as forças armadas organizadas de um Estado, bem como outras milícias ou grupos de
voluntários, incluindo os movimentos de resistência organizada desde que cumpram alguns
critérios, como o de usar de forma permanente um sinal distintivo; c) combatentes ilegais:
pessoas que tomam parte em um conflito sem o direito de fazê-lo, por essa razão, se matarem ou
ferirem combatentes inimigos, seus atos serão considerados ilegais. Os combatentes ilegais não
recebem a proteção da Convenção III de Genebra, de 1949, que regula o tratamento dado aos
prisioneiros de Guerra. (CRETELLA, 2008b: 254). Importa observar que os EUA declararam
que os membros da Al Qaeda e a milícia Talibã eram considerados combatentes ilegais
(CRETELLA: 2008a, 706).
O conceito de ―combatente ilegal‖ não está presente nos termos da lei internacional, malgrado
ser possível encontrar o termo em alguns tratados. Ocorre que este conceito está implícito nas
definições de ―combatentes legítimos‖.
INSTRUMENTOS DE REPRESSÃO AO FINANCIAMENTO DE ATIVIDADES
TERRORISTAS: Um dos pilares do sistema de prevenção e repressão às atividades terroristas é
o desmantelamento de suas redes financeiras. O terrorismo precisa de fundos para suas
atividades logísticas e operativas. Usando da mesma lógica que já vinha sendo empregada na
prevenção do crime organizado desde os anos 90 – privar os criminosos de seus recursos
financeiros, para evitar o refinanciamento de novos atos delitivos – passou-se a mirar também
nos fundos utilizados para a aquisição de armas e explosivos, entre outros. Financiamento do
terrorismo pode ser definido como a reunião de fundos ou de capital para a realização de
atividades terroristas. Esses fundos podem ter origem legal – como doações, ganho de atividades
econômicas lícitas diversas – ou ilegal – como as procedentes de atividades criminais (crime
organizado, fraudes, contrabando, extorsões, seqüestros, etc.).
Vários instrumentos internacionais foram adotados, visando constituir mecanismos de repressão
ao financiamento de atividades terroristas. Tome-se como exemplo a Convenção Interamericana
Contra o Terrorismo, de 2002 (promulgada no Brasil pelo Decreto 5.639/2005) e a Convenção
Internacional para Supressão do Financiamento do Terrorismo, de 1999 (promulgada no Brasil
pelo Decreto 5.640/05). Tais documentos internacionais propõem, em termos genéricos, que os
Estados partes adotem medidas de combate ao financiamento de atividades terroristas, através de
instrumentos como congelamento ou confisco de bens ou fundos utilizados para a prática de tais
ilícitos. Recomenda, ainda, a cooperação em âmbito fronteiriço e entre autoridades encarregadas
de aplicação da lei (auxílio direto, entre outros).
No Brasil, destaca-se a Lei 9.613/98, que dispõe sobre a lavagem de dinheiro e capitais e, em seu
art. 2º, II prevê sua aplicação ao crime de terrorismo e seu financiamento (mas, segundo o prof.
do Alcance, deve ser precedente internacional, em país onde o terrorismo esteja tipificado).

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Ponto 14.b:

Assistência Jurídica Mútua. Convenções Bilaterais e Multilaterais.
Rysklyft

Obras consultadas:
http://portal.mj.gov.br/data/Pages/MJ1D6DEC8BITEMID6F07888A79B54B8ABADF9D4A5B9
00DBFPTBRIE.htm.
Legislação básica: Lei 6.815, 19 de agosto de 1980; Convenção sobre Acesso Internacional à
Justiça, gerada no âmbito da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, na Haia, em
25 de outubro de 1980.
O acesso à justiça é um direito fundamental básico, requisito fundamental para a construção de
um sistema jurídico igualitário que proteja os direitos de todas as pessoas. esfera internacional, a
temática do acesso à justiça enfrenta obstáculos próprios, além dos existentes em âmbito
nacional, ganhando novos elementos e enfrentando desafios distintos devido à crescente
mobilidade de pessoas entre os diversos países do globo, ao grande desconhecimento dos
sistemas jurídicos estrangeiros e à existência de barreiras específicas de acesso ao judiciário de
outro país. O Brasil tem procurado construir acordos internacionais com o intuito de viabilizar a
construção de uma justiça sem fronteiras, superando as dificuldades mencionadas. Em tais
acordos, os países signatários procuraram trazer dispositivos que permitem:
• A solicitação de assistência jurídica gratuita para atuar perante o judiciário estrangeiro, ou
seja, brasileiros que tenham questões no exterior poderão solicitar tal benefício caso o país em
questão seja signatário de acordo bilateral com o Brasil. O mesmo vale para estrangeiros que
necessitarem de assistência jurídica no Brasil.
• A desobrigação, para iniciar ação perante o judiciário estrangeiro, de pagar caução, depósito ou
qualquer outro tipo de garantia por ser estrangeiro ou por não ser residente ou domiciliado no
território do outro Estado.
• A isenção de custas no cumprimento de pedidos de cooperação jurídica internacional para a
realização de diligências no exterior, necessárias no decorrer de ação judicial no Brasil.
Vejamos algumas situações concernentes à assistência jurídica internacional:
1) Residentes no exterior buscando assistência jurídica no Brasil: Devido a uma parceria firmada
entre o Ministério das Relações Exteriores e a Defensoria Pública da União, o brasileiro
residente no exterior pode buscar orientações diretamente no consulado brasileiro no país em que
reside. O consulado poderá auxiliar o brasileiro a formular a solicitação de assistência,
encaminhando-a para a Defensoria Pública da União, que dará o tratamento adequado conforme
o caso.
2) Residentes no Brasil buscando assistência jurídica perante o Judiciário estrangeiro: A
tramitação de uma solicitação para obtenção de assistência jurídica deve considerar duas
situações: a) Tramitação do pedido com base em Acordo de Cooperação Jurídica Internacional e
por intermédio das Autoridades Centrais; e, b) Tramitação do pedido com base em Reciprocidade
e pela via diplomática. O requerimento de assistência jurídica vai ser analisada pela autoridade
estrangeira (normalmente a defensoria pública ou órgão congênere existente no país que se busca
a Assistência Jurídica) e, preenchidos os requisitos legais, será deferido o pedido e referido órgão
tomará as medidas cabíveis perante o Judiciário local. A regra é que a concessão da assistência

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jurídica não é automática. Cada caso será avaliado.
3) Estrangeiro residente no Brasil: Mesmo aqueles que não possuem a nacionalidade brasileira
podem ser assistidos por um Defensor Público, se atenderem aos requisitos estabelecidos. A Lei
6.815, 19 de agosto de 1980, denominada Estatuto do Estrangeiro, no artigo 94, dispõe que o
estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos
da Constituição e das leis. Assim, caso um estrangeiro não tenha condições de arcar com um
advogado particular, pode procurar a defensoria pública e, demonstrada sua hipossuficiência
econômica, será deferida a Assistência Jurídica gratuita.
O principal tratado multilateral sobre a matéria é a Convenção sobre Acesso Internacional à
Justiça, gerada no âmbito da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, na Haia, em
25 de outubro de 1980. A Convenção tem por objetivo garantir que as partes estrangeiras, quando
necessário, tenham assistência jurídica nas mesmas condições dos residentes ou nacionais, em
matéria cível e comercial. Ou seja, a convenção, no que se refere ao acesso à justiça, cuida da
equiparação da aplicação de normas para a assistência judiciária, além de instituir uma
cooperação jurídica internacional entre Estados. Além disso, a Convenção traz a possibilidade
de isenção da caução exigida do autor estrangeiro sem domicílio nem bens no país, na forma do
artigo 835 do CPC. Brasil ratificou a Convenção da Haia sobre Acesso Internacional à Justiça em
novembro de 2011. Outros 30 países já integram esse tratado, entre os quais Suíça, Bulgária,
Itália, Espanha, França, Marrocos e Turquia. A convenção assegura assistência jurídica gratuita
em situações que envolvam a Justiça dos países signatários. A Autoridade Central deste tratado é
o Ministério da Justiça.
Ao lado deste tratado, o Brasil firmou vários tratados bilaterais buscando a Assistência Jurídica,
variando o seu conteúdo desde a isenção de taxas e emolumentos, até a desoneração de ter que
prestar caução ou outra garantia em razão do postulante ser estrangeiro. Podemos citar os
tratados firmados entre o Brasil e a França, Espanha, Bélgica, Itália, Portugal, Chile e Paraguai.

Ponto 14.c: Tribunal Penal Internacional: jurisdição ratione personae, ratione loci e
ratione temporis. Princípio da complementaridade. Poderes do Conselho de Segurança da
ONU sobre a jurisdição do Tribunal Penal Internacional.
Rysklyft
Obras consultadas: RAMOS, André de Carvalho. Processo Internacional dos Direitos
Humanos. 2 ed, Saraiva: 2012.
Legislação básica: Estatuto de Roma;
É o principal órgão jurisdicional internacional voltado ao combate aos crimes internacionais. Os
precursores do Tribunal Penal Internacional (TPI) foram: o Tribunal Militar Internacional
(Tribunal de Nuremberg), que julgou integrantes do governo nazista alemão; o Tribunal Penal
Internacional para a ex-Iugoslávia e o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criados na
década de 90 do século passado pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU.
O TPI foi criado em 1998 por meio do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, do
qual o Brasil é parte (Decreto 4.388, de 25/09/2002). A Corte iniciou suas atividades em 2003, é
sediada na Haia (Holanda) e tem personalidade jurídica de Direito Internacional Público. Nos
termos do Estatuto de Roma (art. 1), é uma instituição permanente. Possui 18 juízes, eleitos entre

O parâmetro para aferir o bom funcionamento do Judiciário estatal pode ser retirado de tratados de direitos humanos. 1) e que. Porém. está expresso o princípio da irrelevância da qualidade oficial. 24 trata da não retroatividade ratione personae (irretroatividade in pejus). “a” e “b”) Segundo TAVARES. ―o preâmbulo do Estatuto de Roma dispõe que ‗é dever de cada Estado exercer a respectiva jurisdição penal sobre os responsáveis por crimes internacionais‖. há a possibilidade dos Estados emendarem o Estatuto e ampliarem o rol desses crimes (hoje restritos às quatro espécies vistas acima). mas que poderão ser julgados pelo TPI. 3 – RATIONE TEMPORIS: Art. o próprio Estado-parte pode solicitar a intervenção do TPI ou ainda o próprio TPI pode iniciar as investigações e persecuções criminais. evitando-se a impunidade dos autores. salvo se este não tiver ―capacidade‖ ou ―vontade‖ de realizar justiça. 2012). A jurisdição do TPI tem caráter excepcional e complementar. para os Estados que aderiram ou vierem a aderir posteriormente a este tratado. 1 – JURISDIÇÃO RATIONE PERSONAE: o TPI adota o princípio da responsabilidade criminal individual. Ou seja. observo que a jurisdição ratione materiae (de acordo com a matéria) restringe-se aos crimes de jus cogens. Por esse princípio. art. 13 do Estatuto. 26). ―c‖). PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIDADE ( art. estabeleceu-se mais um exemplo da subsidiariedade da jurisdição internacional. tenha excepcionalmente aceito a jurisdição do Tribunal. . André Ramos. enviando relatos anuais à Assembleia Geral (AG) da ONU e possuindo relações com o CS abaixo descritas. § 3º. 1. do Estatuto de Roma. julgamento sem dilações indevidas (Pacto dos Direitos Civis e Políticos. 2 – RATIONE LOCI: para que o TPI exerça sua jurisdição. 17. o que inclui igualdade de partes. Art. 27. Logo. O princípio que espelha essa subsidiariedade é o princípio da complementaridade. tal qual ocorre com os tribunais internacionais de direitos humanos. para um mandato não renovável de 9 anos. 11 do Estatuto. mas apenas pessoas físicas/naturais. (TAVARES. Nesse ponto. O Art. cuja gravidade ofende os valores de toda a comunidade internacional. já possuíam 18 (dezoito) anos de idade (art. mas faz parte do Sistema das Nações Unidas. isto é. 14. 1º do Estatuto. depois da entrada em vigor do Estatuto para esses entes estatais. que afasta possível imunidade concedida pelo direito interno. à data da suposta prática do delito. permitindo que o TPI seja instrumento do incremento do número de crimes internacionais em sentido estrito‖. contraditório e ampla defesa. ou. § 3º). a jurisdição internacional penal é complementar à jurisdição nacional e só poderá ser acionada se o Estado não possuir vontade ou capacidade para realizar justiça e impedir a impunidade Esse princípio está expresso no art. bastando que o ato tenha sido cometido no território de um Estado-membro do TPI ou de um Estado que. o TPI não exercerá sua jurisdição caso o Estado com jurisdição já houver iniciado ou terminado investigação ou processo penal. pelo que tal corte não julgará Estados. A competência do TPI abrange ―as pessoas responsáveis pelos crimes de maior gravidade com alcance internacional‖ (art. somente será exercida em caso de manifesta incapacidade ou falta de disposição de um sistema judiciário nacional para exercer sua jurisdição primária. Assim. Também o TPI exerce jurisdição no âmbito do Estado de que seja nacional a pessoa a quem é imputado o crime. 12. independe a nacionalidade do réu. não fazendo parte do Estatuto de Roma. a menos que estes tenham aceitado anteriormente a competência do Tribunal para apreciar determinado fato (art.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 119 nacionais dos Estados-partes. os Estados terão primazia para investigar e julgar os crimes previstos no Estatuto do Tribunal. No art. O Tribunal só terá competência relativamente aos crimes cometidos após a entrada em vigor do presente Estatuto. ocorrida em 1º/7/2002. O TPI não é órgão da ONU. ―Em primeiro lugar. imparcialidade e independência dos tribunais.

a homologação de sentenças estrangeiras. em virtude dos princípios da territorialidade. c) e que o CS observe o princípio da complementaridade. 3ª Edição. A cooperação jurídica internacional aplica-se a todos os ramos do direito e é regulada pelos ordenamentos internos de cada Estado e por tratados (PORTELA: 2011). 1593 de 2005 (o Sudão não é parte do TPI) e no Caso Kadafi. Direito Internacional Privado: Teoria e Prática Brasileira. permite que o CS noticie ao Procurador do TPI. Transnational Publishers.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 120 PODERES DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU SOBRE A JURISDIÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL Dois são os poderes do CS sobre a jurisdição do TPI.mpf. Processo Internacional de Direitos Humanos. RAMOS. em sentido amplo. Disponível em http://www. b) um quadro generalizado de violações que supere meras violações individuais de DH. Ed. 13. 233-249. 1) O art. (b). 16 do Estatuto dispõe que nenhum inquérito ou procedimento-crime poderá ter início ou prosseguir por um período de 12 meses a contar da data em que o CS assim o tiver solicitado em resolução. Essa suspensão de 12 meses pode ser renovada indefinidamente. ACR (2012. Via do contato direto e cooperação internacional entre Ministérios Públicos. Ed. Via Autoridade Central. o auxílio direto e a cooperação estabelecida por meio de tratados sobre temas específicos. Esse expediente foi utilizado no Caso Bashir/Darfur. Evolução e fundamentos.gov.pdf. na Res. Os principais instrumentos são as cartas rogatórias. como a . CASTILHO. Curso de Direito Internacional Público. MAZZUOLI. Saraiva: 2012. p. André de Carvalho. Ela Wiecko Volkmer de. 13. em regra. 5ª Edição. Aderruan Rodrigues Tavares Obras consultadas: ARAÚJO. Direito Internacional Público e Privado. RT: 2011 Legislação básica: não indicou. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. Saraiva: 2012. Trata-se de jurisdição universal incondicionada do TPI a critério político do CS. Significa. Paulo Henrique Gonçalves. 2011. M. 2ª Edição. 1. RBCCRIM 71 – 2008.prr5. p. JusPodivm. ―b‖: a) que o CS identifique um quadro que ameace ou já tenha rompido a paz e segurança internacionais. os quais estão previstos nos arts.a: Cooperação Jurídica Internacional. 2ª Edição. ITEM 15 Ponto 15. Via diplomática. 133) elenca 3 requisitos práticos para aplicação do art. Renovar: 2008.br/nucrim/boletim/2009_09/doutrina/Cooperacao_internacional_na_exe cucao_da_pena. Valerio de Oliveira. Cherif. da soberania nacional e da não-intervenção. em 2011. Cooperação Internacional na execução da pena: transferência de presos. É mecanismo que surgiu da necessidade de os entes estatais se articularem para colaborar com a solução de processos judiciais em curso em outros Estados. sem qualquer relação com a vinculação ao local dos fatos ou nacionalidade dos autores a Estados que ratificaram o Estatuto. (b). PORTELA. só pode exercer poder dentro do seu território. Cooperação Jurídica Internacional. BASSIOUNI. Nádia de. 13. adotando resolução vinculante. 4ª Ed. 2) O art. ________. pois. “o intercâmbio internacional para o cumprimento extraterritorial de medidas processuais provenientes do Judiciário de um Estado estrangeiro” (ARAÚJO: 2008). cada Estado. e 16 do Estatuto de Roma. qualquer situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática de crime sujeitos à jurisdição do Tribunal. Internacional Criminal Law.

porque a ideia é que a Autoridade Central pratique em juízo ou fora dele os atos necessários à prestação do auxílio – se for dispensável a decisão de autoridade judicial – como envio de FAC. Por muito tempo. mais céleres e eficazes. Evolução e fundamentos. os primeiros atos sobre cooperação jurídica direta surgiram em 195753. existem seis modalidades de cooperação jurídica internacional: i) extradição. Tradicionalmente é realizada por meio de canais diplomáticos. Se for necessário. Se o assunto for estrangeiros (naturalização. o artigo 220. e de 1959. para a PGR. Convençao relativa a Proteçao 53 . o auxílio direto não está sujeito nem a homologação nem a exequatur. 11. que vem sendo aplicada apenas com fundamento no CPP. Os EUA. que no Reino Unido seria ouvida por policial. relativa a Extradiçao. fundamentalmente. exercendo uma sorte de juízo de admissibilidade administrativo. Em materia penal. ajuste à ordem jurídica do Estado solicitante. vi) transferência de procedimento penal. Via autoridade central. 55 Ex: Convençao sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças de 1980. mas sim por procedimento perante os juízes federais de 1ª instância (art. ii) assistência legal mútua. não comportam a conformação negociada do auxílio (ex. Em princípio. tendente a acelerar e melhorar a qualidade dos resultados da cooperação” (PORTELA: 2011). à extradição e à carta rogatória. Mas. iv) apreensão e confisco de produto ilícito de crime. a autoridade central examina os pedidos ativos e passivos. e o decreto 6. No Brasil a autoridade central principal é o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) da Secretaria Nacional de Justiça/Ministério da Justiça (art. mas podem ser encaminhadas via autoridade central. nos últimos 50 anos o cenário se transformou para acolher um número crescente de novas formas de cooperação. 4. sobre o Auxílio Judiciario Mutuo em Materia Penal. extremamente burocrático e lento. v) homologação de sentença penal estrangeira. o Judiciário não irá atuar como no caso de exequatur. I e III. etc.) cabe ao Departamento de Estrangeiros (DEEST). visando ao melhor funcionamento da cooperação entre Estados soberanos. as cartas rogatórias não comportam. no caso de depoimento de testemunha. como o auxílio direto. No Brasil. 109. segundo BASSIOUNI. do Tratado de Roma previa a possibilidade de os Estados-Membros agirem no interior da Comunidade Europeia para simplificar as formalidades a que estavam subordinados o reconhecimento e a execuçao recíprocos das decisoes judiciais. autoridade central é a “designada para gerenciar o envio e o recebimento de pedidos de auxílio jurídico. Além disso.320/94). Percebeu-se que a carta rogatória se tornou um instrumento arcaico. começam a celebrar tratados bilaterais (MLAT tratado de assistência jurídica mútua). que consistem na troca de pedido de auxílio por meio dos ministérios de relações exteriores dos interessados às missões diplomáticas. do Decreto nº 6. adicionais. O Brasil ainda carece de lei regulamentando a cooperação internacional em matéria penal. que além da ideia de execução negociada. IV. trouxeram o conceito de autoridade central. Alguns tratados preveem o PGR como autoridade central54. adequandoos e os remetendo às respectivas autoridades nacionais e estrangeiras competentes. se houver previsão em tratado. sugerindo adequações. Via diplomática. em regra. esse procedimento começou a ser utilizado para resolver o impasse criado pela jurisprudência do STF sobre cartas rogatórias executórias.747/09 de Assistencia Mutua em Materia Penal entre Brasil e Canada. 3. expulsão. No Brasil. não sendo eficaz para atender às necessidades da sociedade contemporânea.061/07). 54 Ex: Tratado de auxílio mutuo em Materia Penal entre o Governo Portugues e o Brasil (decreto 1. Diante disso. sem contraditório).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 121 adoção internacional e o sequestro internacional de crianças. por exemplo – o auxílio direto é feito pela Autoridade Central. na década de 70. os instrumentos de cooperação jurídica internacional se limitaram. 2. ou outros meios competentes de transmitir aos órgãos da estrutura interna dos governos dos Estados soberanos o pedido de cooperação. da CRFB/88). Na Europa. As cartas rogatórias normalmente são encaminhadas pela via diplomática. começaram a surgir mecanismos de cooperação direta por meio de autoridades centrais. Em matéria penal. os primeiros atos elaborados no quadro do Conselho da Europa foram as Convençoes de 1957. outros tratados elegem a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República como autoridade Central55. iii) transferência de presos. Em materia cível. São estruturas mais modernas.

contra-medidas e Aderruan Rodrigues Tavares Obras consultadas: Resumão do CPR26. Ponto 15. 56 Convençao de Nova Iorque sobre a Prestaçao de Alimentos no Estrangeiro. tanto no auxílio judicial como administrativo. Legislação básica: não indicou. podendo ser enviado a órgão administrativo específico competente.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 122 5. Nesse último caso. Cooperação Internacional entre MPs.b: represálias. sanções “inteligentes”. não se trata de reconhecimento e execução de uma decisão judicial estrangeira no Brasil. É implementada através de redes de cooperação jurídica que têm a finalidade de solucionar. se inexistente. O recurso às sanções unilaterais (judex in causa sua) caracteriza o atual das Crianças e a Cooperaçao em Materia de Adoçao Internacional. Luciano Flores de. José Paulo. Vladimir. ou se não existente. Direito de autotutela: sanções. “algumas dificuldades que existem na cooperação entre os Estados.212/94). o cumprimento de prazos e procedimentos jurídicos específicos em cada país e a busca por soluções de auxílio são temas que buscam tratar”. O auxílio direto consubstancia-se na realização de uma diligência de natureza administrativa no Brasil ou na busca de prolação de uma decisão judicial brasileira relativa a litígio que tem lugar em Estado estrangeiro. embora materia seja cível. É utilizado mediante previsão em tratado ou por compromisso de reciprocidade e usado apenas na cooperação desenvolvida entre Autoridades Centrais (Ministério da Justiça: 2009). de 1993. 1. Questões da Prova Oral: (11). Porto Alegre: Verbo Jurídico. e a Convençao Interamericana sobre Restituiçao Internacional de Menores (Decreto nº 1. Direito de autotutela. mas da obtenção de uma decisão judicial genuinamente brasileira. 7. a Rede de Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional dos Países de Língua Portuguesa (Rede Judiciária da CPLP).747/09). auxílio direto por via administrativa ocorre quando a lei não aponta ao ato a ser praticado nenhuma reserva jurisdicional. 2010. A autoridade competente atua perante o juízo federal de 1° instância. Leitura complementar: ARAS. de 1956 (Decreto nº ) indica a PGR como autoridade Central.320/94) e. O acesso a informações. Tratado de Assistencia Mutua em Materia Penal entre o Governo da Republica Federativa do Brasil e o Governo do Canada (Decreto nº 6. Rede Hemisférica de Intercambio de Informações para o Auxílio Jurídico Mútuo em Matéria Penal de Extradição. ―O papel da autoridade central nos acordos de cooperação penal internacional‖. . Atualmente o Brasil faz parte de 3 redes: A Rede Iberoamericana de Cooperação Judicial (IberRED). Tratado de Auxílio Mutuo em Materia Penal entre o Governo da Republica Portuguesa e o Governo da Republica Federativa do Brasil. BALTAZAR JÚNIOR. Se o auxílio direto for por via judicial a AGU ou PGR56 (depende da previsão de tratado. LIMA. à Autoridade Central do Estado Requerente. Fale sobre a evolução da cooperação jurídica internacional. conforme define a PGR. o MLAT (Tratado de Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal entre Brasil e Estados Unidos) e o critério da dupla tipicidade. pode ser praticado pela própria autoridade central. de 1991 (Decreto nº 1. que envia as informações. cível vai para AGU e penal para PGR). (12) O MLAT prevê a cooperação para qualquer tipo de crime? Trata-se de uma lista numerus clausus ou numerus apertus? Cabe cooperação pelo MLAT para a sonegação fiscal? É possível pedir a cooperação internacional para a sonegação fiscal com base na previsão da fraude como crime de cooperação? 8. Cooperação jurídica internacional em matéria penal. Via auxílio-direto. 6.

pg. Os meios coercitivos de solução de controvérsias visam. Ele envolveu uma incursão militar alemã que destruiu bens na colônia de Angola. na qual cada Estado aplica os comandos normativos internacionais. Entre os . de um ato hostil ou danoso. Os bloqueios pacíficos podem ser instituídos pelo Conselho de Segurança da ONU. 2011. O caso clássico de represália foi o caso Nautilaa. medidas de reação. por um Estado.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 123 estágio da sociedade internacional. entretanto. como método de retaliação contra atividades legais prejudiciais de outro Estado. Sanções (ou meios coercitivos). afastam a responsabilidade internacional do Estado. em tese. Retorsão: Consiste na adoção. 2012. em retaliação pela execução errônea de três alemães que estavam legalmente no território português. 3. Contramedidas. (RAMOS. que asseguram uma avaliação neutra e imparcial das condutas supostamente ilícitas (RAMOS. estas poderão se utilizar de certos ―meios coercitivos‖ para pôr fim ao litígio. ao passo que as que envolvem força armada serão legais se empreendidas em conformidade com o direito de legítima defesa. 577). Atualmente essa regra deve ser interpretada à luz da proibição do uso da força disposta no Art. O fator-chave na decisão de empregar sanções inteligentes é a de minimizar consequências indesejadas. 2004. em virtude de eventual injustiça que este tenha cometido contra aquele ou contra os seus nacionais. Fracassados os meios pacíficos de solução de controvérsias. p. A possibilidade de um Estado pretensamente ofendido sancionar um Estado pretensamente infrator surge do fato de ser a sociedade internacional uma sociedade paritária e descentralizada. função punitiva (tendo em vista a reprovação do ato ilícito internacional) e função reparadora (uma vez que obriga o outro Estado a reparar os danos causados). 4. pg. antes do início de uma luta armada (guerra) contra o outro Estado envolvido na controvérsia. mas que se justificam como único meio de se combater outros atos igualmente ilícitos praticados por outro Estado. sendo aquela pela qual os Estados-terceiros apelam para a autotutela (self help) e impõem ao Estado violador medidas de retorsão e represálias. 2010. Contramedida pode ser entendida como sanção unilateral ou represália. 4. 2º. políticos e jurisdicionais. legal. a via unilateral é ainda utilizada. no qual não existe o monopólio de exercício de sanções por violações de obrigação internacional. 2. As represálias que não cheguem ao uso da força podem ainda ser praticadas legitimamente. ou caso não tenham sido aplicadas as medidas judiciais cabíveis para a solução do conflito entre as partes. Represálias. Representam o contra-ataque de um Estado em relação a outro. p. Distinguem-se dos atos de retorsão que considerados em si mesmos são atos legais. Escolha de alvos não-comerciais que afetem diretamente as elites responsáveis pelas violações das normas internacionais. nem sempre precisas de autodefesa. p. que é. sancionar unilateralmente esse Estado. se não atendido. 5. 39). Logo. Sanções “Inteligentes”. (MAZZUOLI. cada Estado analisa o pretenso fato internacionalmente ilícito cometido e requer reparação ao Estado ofensor. e que. A expressão ―contramedida‖ tende a substituir outras expressões. A solução para esse impasse é a aceitação de mecanismos coletivos de solução de controvérsia. da Carta da ONU. ao discutir o pedido de indenização feito por Portugal. mas já não podem ser adotados pelos Estados depois da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas (SHAW. 328). a solucionar conflitos internacionais quando fracassaram meios diplomáticos. sanções. O tribunal. 6. como consequência. As contramedidas têm função protetora (visam impedir ataques injustificados a um Estado). As contramedidas constituem-se em atos ilícitos em si mesmo. 313). entre Portugal e Alemanha. retorsão e represália. O mecanismo unilateral fatalmente acaba gerando uma situação de impasse na qual cada Estado aplica sanções unilaterais ao outro. em 1928. com especial ênfase para com as medidas de cunho econômico. sublinhou que as represálias deveriam ser suficientemente justificadas por um ato anterior contrário ao direito internacional. podendo. 843-844). Porém. Sanção em sentido amplo é toda medida tomada como reação ao descumprimento anterior de obrigação internacional (RAMOS. por esta particularidade.

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado
124

exemplos incluem-se o rompimento de relações diplomáticas e a expulsão ou o controle
restritivo de estrangeiros. É uma forma legítima de mostrar desagrado e prejudicar o outro
Estado, respeitando-se, entretanto, os limites legais. (SHAW, 2010)
7. Leitura complementar: SOUZA, Ielbo Morais Lobo de. Desafios à ordem internacional ?
ataques armados por atores nas estatais e o direito de legitima defesa. Revista de informação
legislativa,
v.45,
n.177,
p.113-128,
jan./mar.
2008.
Link:
http://www2.senado.gov.br/bdsf/item/id/160175

Ponto 15.c: Responsabilidade internacional objetiva. Responsabilidade penal do Estado:
conceito e controvérsias. Relação entre responsabilidade internacional do Estado e
responsabilidade internacional penal do indivíduo. Julgar.
Aderruan Rodrigues Tavares
Obras consultadas: Resumão do CPR26.
Legislação básica: não indicou.
1. Responsabilidade Internacional Objetiva. A responsabilidade internacional nasce a partir da
infração à norma de conduta internacional por meio de ação ou omissão imputável ao Estado,
sem que haja qualquer recurso a uma avaliação da culpa do agente-órgão do Estado. Os tratados
de direitos humanos quando se referem ao dever do Estado de garantir os direitos declarados,
não mencionam o elemento culpa (RAMOS 2004). Há teorias conflitantes quanto à
responsabilidade dos Estados por atos ou omissões ilícitas. Para alguns, a responsabilidade é
objetiva e absoluta; para outros, é necessário haver culpa ou intenção por parte das autoridades
envolvidas. O princípio da responsabilidade objetiva (conhecido como teoria do ―risco‖) sustenta
que a responsabilidade do Estado é absoluta. Uma vez ocorrido um ato ilegal, que tenha causado
dano e tenha sido cometido por um agente do Estado que sofreu o dano, independentemente de
ter sido o ato praticado de boa ou de má-fé. Contrário a essa abordagem é o conceito da
responsabilidade subjetiva (teoria da ―culpa‖). Segundo esse conceito, é necessário um elemento
de conduta intencional (dolo) ou negligência (culpa) por parte do indivíduo envolvido para que
seu Estado seja considerado responsável por qualquer dano causado. A jurisprudência e a
doutrina estão divididas sobre essa questão, embora a corrente majoritária tenda para a teoria
da responsabilidade objetiva e absoluta (SHAW, 2010, pg. 575-576).
2. Responsabilidade Penal do Estado. A responsabilidade pode ser dividida em duas grandes
espécies: responsabilidade penal e responsabilidade civil. De fato, é o conteúdo das obrigações
secundárias que define a natureza cível ou penal da responsabilidade do infrator. Na
responsabilidade cível, as obrigações secundárias têm conteúdo reparatório de cunho
patrimonial, em geral. CONCEITO: na responsabilidade penal, grosso modo, as obrigações
secundárias almejam impor sanções punitivas como retribuição ao mal causado e prevenção à
ocorrência de condutas semelhantes no futuro (RAMOS, 2004, pg. 85) CONTROVÉRSIAS:
Para André de Carvalho Ramos (2004, pg. 86) sendo o Estado uma pessoa jurídica de Direito
Internacional não poderia o mesmo ser equiparado a um indivíduo e com isso responsabilizado
penalmente. Esse entendimento prestigia o Estado enquanto sujeito privilegiado do Direito
Internacional e dotado da igualdade soberana em face de outros Estados. Assim, não poderia ser
julgado penalmente por seus pares. Quem pode cometer crimes internacionais são os agentes
públicos, por exemplo, agindo em nome deste Estado e em conformidade com suas leis. Mas o

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado
125

Estado em si é imune a uma responsabilização penal. Há o receio de que a caracterização do
―Estado criminoso‖ desvie a atenção da persecução penal internacional daqueles indivíduos que,
agindo em nome do Estado, são os verdadeiros autores de condutas bárbaras e odiosas. André de
Carvalho Ramos (2004, pg. 88) entende que a violação de obrigação internacional pelo Estado
não pode ser uma forma de responsabilidade civil, de caráter não–penal, já que há um elemento
importante da responsabilização penal que pode ser apropriado na responsabilidade internacional
do Estado, que é o efeito de prevenção e desestímulo.
3. Relação entre Responsabilidade Internacional do Estado e Responsabilidade
Internacional Penal do Indivíduo. A consagração do princípio da responsabilidade penal
internacional dos indivíduos é, sem dúvida, uma conquista da humanidade. E, como diz
Cachapuz de Medeiros, esta ideia vem sendo sedimentada desde os tempos em que Hugo Grotius
lançou as bases do moderno Direito das Gentes. Qual seja, de que o Direito Internacional não
estava somente circunscrito aos Estados. É bom que fique nítido que a responsabilidade penal
internacional dos indivíduos não exclui em absoluto a responsabilidade do Estado, que não raro é
quem está por traz da atuação criminosa daquele (MAZZUOLI, 2011, pg. 963-964).
4. Julgar. Em princípio, o Estado não responde pelos danos decorrentes de atos praticados por
seus cidadãos. Entretanto, o dever de reparar o prejuízo pode emergir se ficar provado que o ente
estatal deixou de cumprir, como afirma Rezek, seus deveres elementares de ―prevenção e
repressão‖ (Portela, 2011, pg. 333). Segundo Mazzuoli, nesse caso, a responsabilidade estatal
não decorre propriamente do ato de um indivíduo, que vínculo nenhum mantinha com o Estado e
que não atuou em nome deste, mas de uma conduta negativa do Estado relativamente às
obrigações que lhe impõem o direito internacional57. Para André de Carvalho Ramos (trecho
ministrado em aula) em relação a esses deveres penais do indivíduo: o indivíduo violou normas
internacionais, violou condutas essenciais. O Estado, para reparar aquilo que aquele indivíduo
fez, terá que investigar, perseguir, punir. A relação é que um dos deveres de reparação do Estado
vai ser a garantia de não repetição, investigar, perseguir e punir. Por exemplo, o crime de
desaparecimento forçado é um crime jus cogens, o dever do Estado de reparar, fazendo cessar o
desaparecimento forçado, é localizando os restos mortais, investigando e punindo o autor. Se o
estado nada fizer, é a jurisdição internacional penal que vai ser acionada. Em suma, pode-se
concluir que o traço fundamental para se atribuir responsabilidade internacional ao Estado por
ato praticado por seu súdito é verificar se houve negligência ou cumplicidade (culpa) do Estado,
seja se, podendo evitar o ato lesivo, não o evitou; seja se subtraiu o delinquente à punição.

ITEM 16
Ponto 16.a. Dívidas estatais e garantia de credores no direito internacional. Doutrina
Drago. Cláusula Calvo. Cláusula de estabilização
José Augusto Cordeiro da Cruz Neto
Principais Obras consultadas: PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional
Público e Privado. 3ª ed. Ed. JusPODIVM; VARELLA, Marcelo D. Direito Internacional
Público. 4ª Edição. Ed. Saraiva; Malcolm N. Shaw, Direito Internacional, Editora Martins
Fontes; Hildebrando Accioly e Paulo Borba Casella, Manual de Direito Internacional Público,
Editora Saraiva, 19 edição. Valério de Oliveira Mazzuoli, Curso de Direito Internacional
Público, Editora RT, 5 Edição.
Mazzuoli (2011, p. 573) cita vários exemplos de atos de indivíduos que podem acarretar a responsabilidade internacional do Estado, tais como:
os atentados praticados contra chefes de Estado estrangeiro ou contra os seus representantes diplomáticos, os insultos à bandeira ou aos símbolos
nacionais de determinado Estado, as publicações injuriosas contra a dignidade do outro Estado, os atos de apoio armado a uma insurreição etc.
57

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado
126

Legislação básica: não indicou.
Dívidas Estatais e garantia de credores no Direito Internacional. Na prática, muitas das
situações que envolvem relações comerciais entre Estados e partes privadas classificam-se na
categoria de acordos bilaterais. Esses contratos visam incentivar os investimentos de forma que
sejam protegidos os interesses fundamentais tanto do Estado exportador de capital quando do
Estado importador de capital. (SHAW, 2010, pg. 617). A Convenção de Fundação da Agência
Multilateral de Garantia dos Investimentos, de 1985, que entrou em vigor em 1988, trata dos
investimentos estrangeiros e do equilíbrio entre os interesses dos Estados envolvidos. Essa
Agência faz parte do grupo do Banco Mundial e fornece um seguro (garantias) contra o risco
político aos investidores e credores. Todos os membros do Banco Mundial podem associar-se. A
Agência que é afiliada ao Banco Mundial tem a finalidade de incentivar o fluxo de investimentos
para fins produtivos entre os países-membros, em particular para os países em desenvolvimento.
Essencialmente, isso deve ser feito mediante a previsão de cobertura de seguro ―contra riscos não
comerciais‖, como, por exemplo, restrições sobre a transferência de moeda, medidas de
desapropriação, rompimentos de contratos governamentais e perdas resultantes de guerras ou
distúrbios civis (SHAW, 2010, pg. 621).
Doutrina Drago. A formação histórica do princípio da não-intervenção inclui a concepção da
Doutrina Drago, formulada pelo Ministro das Relações Exteriores da Argentina, no início do
século passado. Essa doutrina nasce a partir de um protesto dessa autoridade argentina contra o
bloqueio e o bombardeio dos portos venezuelanos por embarcações alemãs, inglesas e italianas,
em ação militar que tinha o intuito de forçar a Venezuela a pagar dívidas que tinha com esses
três países. A Doutrina Drago pugna contra o emprego da força armada por um ou mais Estados
quando voltado a obrigar outros entes estatais a pagarem dívidas que estes assumiram. Nas
palavras de seu mentor, ―o empréstimo a um Estado tem caráter especial, não podendo estar
sujeito a execuções coercitivas, com a utilização da força armada e com a ocupação material do
solo do país devedor‖ (MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público.
3a Ed., São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009, pág. 472). O pensamento foi acolhido na
Conferência de Paz da Haia, de 1907 pelo tratado conhecido como ―Convenção Porter‖, em
homenagem ao General Porter da delegação norte-americana. A Convenção Porter mitigou os
efeitos da Doutrina Drago defendendo a possibilidade do emprego da força armada para
cobrança de dívida em duas hipóteses: 1) quando o ente estatal devedor não aceitar a arbitragem
para solucionar a querela referente ao débito ou 2) quando tendo aceitado a arbitragem se recuse
a cumprir o laudo arbitral. A Convenção Porter encontra-se derrogada por chocar-se com
princípios consagrados na Carta da ONU que veda o uso da força salvo em caso de legítima
defesa ou ação militar determinada pela ONU.
Lembra Hildebrando Accioly que a doutrina Drago ―não negava a obrigação da nação devedora
de reconhecer as respectivas dívidas e procurar liquidá-las, mas condenava sua cobrança
coercitiva, como capaz de conduzir as nações mais fracas à ruína e até absorção dos respectivos
governos pelos das nações mais poderosas‖. Diz ainda que Drago quis, de certa forma, ligar sua
tese à doutrina Monroe: ―a dívida pública não pode motivar a intervenção armada e, ainda
menos, a ocupação material do solo das nações americanas por uma potência europeia‖.
Conforme ensina Mazzuoli, ―a regra hoje corrente é a da proibição de cobrança de dívidas cujo
pagamento seja reclamado ao governo de um país pelo outro, não havendo lugar para o processo
de intervenção individual, seja qual for o motivo, somente admissível quando se tratar da
manutenção da segurança coletiva e no interesse da sociedade internacional, por meio de
procedimento próprio do organismo internacional competente‖ (MAZZUOLI, pág. 472).

A proteção diplomática é o instituto no qual o Estado decide acolher (endosso) a reclamação apresentada por um nacional (nacionalidade efetiva) seu que haja sofrido dano. no século XIX. As arbitragens internacionais decidiram que era ineficaz. Direito do Estado patrial. Exceção de crime político. Justamente dando a ele a certeza de que o seu regime jurídico contratual não seria rompido afetando seus contratos.815. Busca prevenir os investidores de tais mudanças que possam prejudicar o empreendimento. artigo 76 e seguintes da lei nº 6. artigo 102 I ―g‖ CF. A cláusula de intangibilidade possui como ideia base a de que os direitos e obrigações das partes não poderão ser modificados sem o consentimento mútuo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 127 Cláusula Calvo. a proteção diplomática é ato discricionário do Estado e. também é outro ponto importante. cuja resposta foi: ―visa a afastar o direito de outros Estados à proteção de seus nacionais e de empresas de sua nacionalidade em tudo que decorrer da aplicação do contrato‖. pois ―congela‖ a sua legislação em vigor à situação em que se encontra no momento da celebração do contrato. pelo Ministro das Relações Exteriores Carlos Calvo. e sim ao Estado. Ponto 16. Cláusula De Estabilização. normalmente constava de contratos que envolviam governos latino-americanos e pessoas físicas e jurídicas estrangeiras. tendo como objetivo limitar o exercício da competência legislativa do Estado destinatário de investimento estrangeiro. tal cláusula é considerada inconstitucional por muitos doutrinadores. (trecho de aula do Dr. a finalidade dessas cláusulas é neutralizar o poder normativo do Estado. Dessa forma. José Augusto Cordeiro da Cruz Neto Legislação básica: artigo 5º. A Cláusula Calvo foi objeto de críticas por significar a renúncia a um direito que não pertence à pessoa. André de Carvalho Ramos). via de consequência. cabe destacar. Foi objeto de questionamento na prova objetiva do 25 concurso. A lógica dessas cláusulas é que o Estado contratante é também o mesmo que legisla e. LI e LII CF. A estabilidade desses regimes jurídicos era aplicada aos contratos internacionais. modifica as condições pactuadas de acordo com a realidade política-social do momento do país.b. É a fixação de regimes jurídicos entre Estados e seus investidores. inclusive independentemente de pedido do interessado. fundamentada em seu direito interno. Ocorre que. De um lado a ―cláusula calvo‖ vai proteger o direito dos Estados que recebem o investimento estrangeiro. geralmente de empresas de países desenvolvidos em países subdesenvolvidos. por tratar-se de ingerência externa na soberania dos países. Desenvolvida na Argentina. pois não se pode renunciar a direito alheio. . único ente capaz de conferir a proteção diplomática. Princípio da especialidade e dupla incriminação como condição de assistência jurídica em matéria penal. prova objetiva. de 1980 (estatuto do estrangeiro). justamente por conta disso. A cláusula calvo significa que todo estrangeiro que queira fazer negócios em um determinado Estado deve renunciar antes à futura proteção diplomática. dirigindo contra o infrator o pedido de indenização. Ao mesmo tempo. Segurança jurídica. Tal cláusula prevê uma proteção contra mudanças na ordem jurídica do país que recebe o investimento. É uma cláusula contratual elaborada para resguardar os investimentos estrangeiros. já que suas adoções trazem como resultado a não oponibilidade da nova legislação ao contrato celebrado sob os auspícios da lei anterior. por outro lado essas cláusulas de estabilização deveriam proteger o investidor. Afirma que não vai pedir o endosso.

77. 11 da Convenção Interamericana Contra o Terrorismo. salvo se o Brasil ." (EE. em especial quando conexo o crime político com o comum. ou princípio da identidade ou dupla tipicidade: por esse princípio impõe-se que o pedido extraditório esteja baseado em um ato delituoso tratado como crime tanto no Estado solicitante como no solicitado (art. o extraditando tenha sido julgado ou esteja sujeito a julgamento por tribunal ou juízo de exceção. veda penas perpétuas. se houver comutação da pena. II. Em vista da subjetividade desse conceito. do Estatuto do Estrangeiro. no caso) expressamente o autorize. Frisa-se. Segundo o STF: ―O Estatuto do Estrangeiro. assim. que consagra o princípio da especialidade ou do efeito limitativo da extradição‖ (Extradição 1052). A Constituição de 1988 veda (art. EE). ―bastando que na essência a conduta seja tratada como crime nos dois Estados‖ (PORTELA. A pessoa extraditada pelo Governo brasileiro não poderá ser processada. 4.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 128 Princípio da especialidade limita a concessão da extradição ao processo e julgamento do extraditando apenas aos fatos constantes do pleito extraditório. descaracteriza a natureza política do terrorismo. só será concedida a extradição. o Brasil se utiliza do Princípio da Preponderância para concessão da extradição. desumanas. Dupla incriminação. I) . VIII. quando o crime comum constituir o fato principal. O art.. 5°. ao consagrar o princípio da especialidade (art. LII) a extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. e penas inferiores a um ano. sob a perspectiva do STF (EE. §2°). desde que o Estado requerido (o Brasil. no Estado requerente. admitindo responsabilização do indivíduo por apenas alguns dos atos indicados no pedido (PORTELA. 77. presa ou punida pelo Estado estrangeiro a quem foi entregue. .. é possível o deferimento parcial da extradição. no caso das penas no Estado solicitante ultrapassarem o limite de 30 anos de prisão (art. Segundo Varella. sequestro de pessoa.apreciando pedido de extensão que lhe foi dirigido -. consagra a comutação da pena. ademais. Observa-se ser desnecessária a coincidência absoluta entre os delitos. revele-se diverso daquele que motivou o deferimento da postulação extradicional originária. III.permite que a pessoa já extraditada venha a sofrer persecução estatal ou punição penal por qualquer delito praticado antes da extradição e diverso daquele que motivou o pedido extradicional. e o Estado que solicita a extradição deve comprometer-se a não agravar a pena do crime comum em função de questões políticas. No Brasil a CF no art. Crime político é aquele que tem por escopo a desestruturação das instituições públicas e da ordem social do Estado‖. 91. ―não se aceita extradição por crimes políticos ou de opinião. de morte e de banimento. ou que não aplicam o concurso formal de crimes. da CF /88. com este expressamente concordar. art. Referido princípio não pode deixar de ser observado.77. 2011:298). 5°. XLVII. na impossibilidade de extradição por contravenção. Estatuto do Estrangeiro – EE). ainda que a pessoa extraditada consinta em ser processada no Estado requerente por outros delitos que não os que instruíram o pedido de extradição. cruéis. art. 2011:297). O Supremo também nega a extradição quando. bem assim os atos de anarquismo. sendo aquele cujo ―fundamento em ato vinculado a um movimento político voltado à contestação da ordem política e social vigente ou à implantação de nova ordem política e social‖ (PORTELA. I. desde que o fato delituoso. no caso de prevista uma dessas penas ao crime embasador do pleito extraditório. podendo o Tribunal: "deixar de considerar crimes políticos os atentados contra Chefes de Estado ou quaisquer autoridades. terrorismo/ sabotagem. §1°). 91. e o art. também. conforme entendimento sedimentado no STF. não obstante cometido antes do pedido de extradição. 2011:298). Inteligência do art. de 2002. ou que importe propaganda de guerra ou de processos violentos para subverter a ordem política ou social. A mesma idéia. 91.que constitui postulado fundamental na regência do instituto da extradição . embora de forma menos pacífica.

para PACELLI (2011. trata da prisão para fins de extradição. expulsão e extradição. expulsão e extradição tem natureza jurídica cautelar. Também foi revogado o art. 312 e 313 do CPP.2002). por sua vez. não comportando a liberdade provisória ou a prisão domiciliar. nos termos dos arts. Ponto 16. esta modalidade de prisão cautelar só é possível se decretada por Magistrado. observada as hipóteses que justificam a segregação cautelar.02.815/90. pelo motivo que já foi dito. Lembra Valério Mazzuoli. A prisão preventiva para fins de deportação. 319 do CPP que permitia interpretar esta modalidade de prisão como administrativa.c: Prisão preventiva para fins de deportação. 312 do CPP. 73 e 74 também não foram recepcionados pela Carta Magna. Ellen Greice. o qual não foi recepcionado na parte em que dita caber ao Ministro da Justiça ordenar a prisão do extraditando. 830. . quando presentes os pressupostos do art. como dito alhures. na indicação de crimes para cuja persecução podem ser usadas as provas ou informações por eles fornecidas. O art. inclusive. Atente-se que parte da doutrina indica tratar-se de modalidade de prisão de natureza civil. 11. não se admitindo para outros processos. artigo 312 do CPP. 61 do EE trata da prisão para fins de deportação. a assegurar a execução de eventual ordem de extradição‖ (Ext nº 579-QO. artigo 208 do RISTF. ―destina-se. Na prova objetiva do 25º concurso. assim como o mero fato da existência de conflitos de ordem pessoal com a autoridade do seu país de origem (EXT. 81. E de acordo com aulas do próprio Aragão. O art. o que só pode ser feito por autoridade judicial (art. 208. CRFB/88). 69 do EE trata da prisão para fins de expulsão. Fazendo-se a filtragem constitucional do dispositivo.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 129 Não é considerado crime político o genocídio (Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio). sendo que a resposta correta foi de que seria uma prática adotada por vários Estados. vê-se que não foi recepcionada pela vigente Constituição ordem de prisão emanada pelo Ministro da Justiça. ―o Estado pode limitar a cooperação para determinado crime. Relator o Ministro Celso de Mello. adendo). ou seja. 5º. que há previsão no RISTF: Art. é o STF. Por isso. salvo em situações excepcionais‖ (extradição 1212). ordem de prisão é reservada à autoridade judicial. LXI. Como é cediço. portanto. Tribunal Pleno. DJ de10/9/93). não mais que isso‖. o qual também não foi recepcionado pela CRFB/88 no que tange à possibilidade de decretação pelo Ministro da Justiça. e quando for exigível nos termos da legislação processual penal. mediante requerimento da autoridade policial federal. 81 e 84 da Lei nº 6. Competência e pressupostos. o entendimento que prevalece no STF é de que se trata de uma verdadeira condição de procedibilidade: ―A prisão preventiva é condição de procedibilidade para o processo de extradição e. essa modalidade de prisão só é cabível quando a situação se enquadrar nas hipóteses dos arts. tendo natureza cautelar. ao Juiz Federal a decretação de prisão preventiva para fins de deportação. entrega o dado para um único caso. em sua precípua função instrumental. Compete. questionou-se sobre reserva de especialidade em matéria de assistência jurídica recíproca penal. Contudo. Igualmente. apenas o Pretório Excelso pode ordenar a expedição de mandado de prisão a extraditando. O art. que no caso. Não terá andamento o pedido de extradição sem que o extraditando seja preso e colocado à disposição do Tribunal. José Augusto Cordeiro da Cruz Neto Legislação básica: estatuto do estrangeiro. os arts.

. no Brasil. Leitura complementar: Prisão preventiva para fins de deportação.) 4.Distrito Federal Extradição Relator(a): Min. Causa não obstativa da extradição. Competência e pressupostos. 81. A circunstância de encontrar-se a extraditanda grávida. Tribunal Pleno. mitigada. da Lei nº 6.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 130 Compete.815/90. o que lhe traria natureza de prisão processual cautelar. tendo natureza cautelar. em sua precípua função instrumental. Tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico. algumas medidas cautelares. Ementa Extradição executória. onde fique comprovado não haver risco de frustração da efetivação da medida se julgada procedente. Legitimidade constitucional da prisão cautelar para fins extradicionais. Revogação da prisão. ―destina-se. sob pena de revogação da prisão. caput. adotar as medidas necessárias para retirada do extraditando do território nacional. A prisão preventiva é condição de procedibilidade para o processo de extradição e. (.815/80). 6. por renúncia tácita ao pedido de extradição.) 2. Logo. a natureza e as circunstâncias dos fatos delituosos. trata a Corte a prisão preventiva como condição de procedibilidade do processo de extradição. assim. a data. Prescrição. não configura óbice ao deferimento da extradição. 77. Atendimento aos requisitos da Lei nº 6. em perfeita consonância com as regras do art. salvo em situações excepcionais. Os arts.. não comportando a liberdade provisória ou a prisão domiciliar.815/80. ao Ministro Relator no STF decretar prisão preventiva para fins de extradição. o Estado requerente permaneça inerte. previstos nos arts. assim. a assegurar a execução de eventual ordem de extradição‖ (Ext nº 579-QO. assegurando-se a detração do tempo de prisão no Brasil (art.. Pedido instruído com os documentos necessários à sua análise. em observância aos direitos fundamentais e ao princípio da proporcionalidade. para tanto. 33 e 35 da Lei nº 11. como a apreensão do passaporte. O período em que o extraditando esteve preso cautelarmente para fins de extradição deve ser computado na detração penal da pena a ser cumprida no Estado requerente. da Lei nº 6. Existência de prole no Brasil. Reqte. . O STF pode revogar a prisão. detalhes pormenorizados sobre o local. Ou seja. em vias de dar à luz uma criança que adquirirá a nacionalidade brasileira. Pedido formulado com base em reciprocidade e instruído com os documentos necessários à sua análise. ―a extradição é uma medida de natureza compulsória.343/06. Relator o Ministro Celso de Mello. 80. Ext 1274 / DF . ao requisito da dupla tipicidade previsto no art. inciso II.815/80.(s): Governo da Alemanha Extdo. A jurisprudência pacífica do STF trata a prisão para fins de extradição como compatível com a CRFB/88. como assim entende o STF. em caso de deferimento‖. satisfazendo. Os fatos delituosos imputados à extraditanda correspondem. caso instado a complementar a documentação. o pressuposto tradicional aceito pela jurisprudência do STF para a decretação da prisão é a própria existência do procedimento extradicional. quanto sob a óptica da legislação penal brasileira.815/80. Não ocorrência de situação excepcional que justifique a revogação da medida constritiva da liberdade da extraditanda. (. Tal natureza vem sendo. ao passo que. que pressupõe a prisão do extraditando. Precedentes. adotando-se. Segundo BALTAZAR. Portanto. conforme preceitua o enunciado da Súmula nº 421 desta Suprema Corte: ―não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho brasileiro‖. inciso II. 82 e 84 do EE e do art.. aos crimes de tráfico de entorpecentes e de associação para o tráfico. no prazo de 60 dias. aos poucos. DJ de 10/9/93). 108 do RISTF. trazendo. Pedido deferido. 7. a prisão preventiva deveria ser decretada somente quando justificada nos termos dos pressupostos do art. 5.(A/S): Nina Kossin. 91. 86 e 87 do EE determinam que autorizada a extradição pelo STF e concedida esta pelo Presidente da República. a fim de assegurar efetivação da extradição.Julgamento: 16/10/2012 Órgão Julgador: Primeira Turma. Não ocorrência. Dias Toffoli . Governo da Alemanha. expulsão e extradição. da Lei nº 6. 81 e 84 da Lei nº 6. nos termos dos arts. cabe ao Estado requerente. tradicionalmente. 312 do CPP. inclusive. tanto sob a óptica da legislação alienígena. só podendo ser relativizada em casos excepcionais. segundo a Súmula nº 421 desta Suprema Corte. nos termos dos arts.

Aduz DOLINGER: "Esta posição coincide com a dos ingleses que consideram a ordem pública correspondente à 'fundamental conceptions os English justice' – os conceitos fundamentais da justiça inglesa – e os bons costumes são por eles denominados de 'conceptions of morality' – conceitos de moralidade". . 8. a redação do art. e fica entregue à jurisprudência de cada caso”. está sujeita a determinados limites e condições. à organização da vida social.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 131 De acordo com o art. de religião. em cada época. aí incluída a de bons costumes. sendo supérfluos tanto a soberania nacional como os bons costumes. Seja como for. JACOB DOLINGER. inclusive a soberania nacional e os bons costumes. Extradição deferida. Direito Internacional privado. 10ª ed. Os limites estabelecidos a partir de tal dispositivo decorrem da imperatividade de regras e princípios que desempenham uma espécie de ―defesa‖ do ordenamento jurídico doméstico contra a presença do direito alienígena. de moral. Editora Atlas. de maneira que caberá ao órgão judicante. bem como quaisquer declarações de vontade. Giovana Noronha Obras consultadas: Resumo do 25º e do 26º CPR. os juristas são concordes no entendimento de que a noção de ordem pública. a matéria é regulada pelo art. ITEM 17 Ponto17. no entanto. aqueles outros inspirados na moral. Para MARIA HELENA DINIZ. que se amolda a cada sistema jurídico. A delimitação conceitual de ordem pública configura um dos mais problemáticos conceitos empregados para determinação de hipóteses limitadoras da aplicação do direito estrangeiro. a ordem pública interessa à vida. da Lei nº 6. 2011. Para alguns autores. MARISTELA BASSO. é variável no tempo e no espaço (relatividade). Curso de direito internacional privado. casuística e parcimoniosamente. Legislação básica: LINDB A aplicação do direito estrangeiro em território de outro Estado. 1ª Turma. segundo o qual “As leis. à incolumidade da prosperidade da comunidade. Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. NÁDIA DE ARAÚJO.10. É uma noção fluída relativíssima. nos termos do voto do Relator. 16. Editora Forense: 2011. Direito internacional privado. Unânime. fundados nos conceitos de justiça.2012. a ordem pública e os bons costumes”. não terão eficácia no Brasil. efeito ao direito estrangeiro que choca concepções básicas de foro. 17 da LINDB. de economia e mesmo de política que ali orientam a respectiva legislação. JACOB DOLINGER.. por questões ligadas à soberania. atos e sentenças de outro país. 91. Como sinônimo de ordem social. De acordo com HAROLDO VALLADÃO (citado por Maristela Basso): “Denega-se no Brasil.Limites à aplicação do direito estrangeiro no Brasil. Garantias fundamentais. a ordem pública abrange todas as manifestações sociais relevantes. 17 da LINDB poderia ter se limitado à ordem pública. para quem a expressão bons costumes veio acrescentar aos princípios jurídicos contidos na ordem pública.a. refere-se à clássica lição de CLÓVIS BEVILÁQUA. quando ofenderem a soberania nacional. 4ª ed. 12ª ed. Editora Renovar: 2008. averiguá-lo à luz das normas imperativas da lex fori vigentes no momento de sua aplicação (contemporaneidade). inciso II. No Brasil. quando este se mostre incompatível com o sistema de valores e fundamentos que mantêm a integridade e a ordem jurídica nacional. Decisão: A Turma deferiu a extradição. Ordem pública.815/80 o Governo da Alemanha deverá assegurar a detração do tempo durante o qual a extraditanda permanecer presa no Brasil por força do pedido formulado. Moral e bons costumes.

Já a ordem pública internacional. Essa situação tem nítida relação com o conceito de forum shopping. Quando um contratante resolve não processar a outra parte em seu foro natural (domicílio do réu. quando ofenderem a soberania nacional. que expressa a ideia do uso seletivo por parte de litigantes das ordens normativas que melhor sirvam a seus interesses. insuscetíveis de derrogação pelas partes.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 132 Características da ordem pública: relatividade/instabilidade. Casuística. ou não. o juiz deverá procurar o reconhecimento de efeitos parciais ou limitados decorrentes da aplicação de instituição jurídica desconhecida. mas que guarde certa similaridade com as instituições nacionais vigentes. de uma questão de eficácia. ou não. e o faz com fundamento na legislação processual do local escolhido. 4. com maltrato à regra do ônus da prova que obriga a mulher a demonstrar a capacidade de ganho real do alimentante. a doutrina desenvolveu a teoria da aproximação ou da adaptação. impede ou condiciona: i) a aplicação do direito estrangeiro. a mudança de sua nacionalidade ou do seu domicílio. não de validade (Jacob Dolinger). Os órgãos do Judiciário são soberanos para apreciar se a norma jurídica estrangeira que se pretende aplicar é ou não admissível no foro. não se pode repelir a aplicação da lei estrangeira invocando de forma geral e abstrata a reserva de ordem pública. garantindo o caráter cogente de determinados preceitos. exequível. de um ato. sob pena de transformar o referido instituto em indevida barreira à cooperação jurídica internacional. Todavia. terá agido com fraude à lei (Jacob Dolinger). anote-se que a exceção de ordem pública abrange o conceito de fraude à lei. pois. A ordem pública pode ser visualizada no (a) plano do direito interno e no (b) plano do direito internacional privado. se o ato realizado ou contrato firmado no exterior pode. DJ 06/11/2006. tendo por base apenas "noção arbitrária de eqüidade". se a sentença estrangeira que se deseja executar é. por ato intencional e programado. a ordem pública e os bons costumes. Para essa doutrina. ter eficácia no ambiente local. Sentença estrangeira homologada apenas quanto ao reconhecimento da paternidade. Exemplo: se em matéria de estatuto pessoal. Em qualquer caso. A ordem pública interna corresponde às normas que condicionam e neutralizam a autonomia privada. e iii) a execução de sentenças proferidas por tribunais estrangeiros. visando fugir a uma proibição desta. a exemplo dos direitos e garantias fundamentais. um indivíduo promover. Não há motivação suficiente (princípio de ordem pública) na decisão estrangeira de fixação de alimentos sem a utilização de parâmetro apto a dar suporte ao quantum estabelecido. 2) Dívida de jogo: "Não ofende a soberania do Brasil ou a ordem pública conceder exequatur para citar alguém a se defender contra cobrança de dívida de jogo contraída e exigida em Estado estrangeiro. Em contrapartida. ou de uma sentença estrangeira contrária à nossa ordem pública. por exemplo). onde . CORTE ESPECIAL. Por fim. com o propósito de colocar-se sob incidência de uma lei diversa da que lhe seria originariamente aplicável. É por isso que com o intuito de mitigar a discricionariedade do juiz nacional em sua tendência de rejeição à aplicação do direito estrangeiro. leis e sentenças oriundas do exterior não terão eficácia no Brasil. 287). 1) Sentença estrangeira imotivada: "3. caberá ao Juiz ou Tribunal decidir o que seja contrário à ordem pública (interna ou internacional). que é uma situação criada artificialmente para que o ato se efetive sob o império de norma alienígena. Min. Uma ofensa à ordem pública interna afeta o ato no plano de sua validade (nulidade absoluta ou relativa). em que se encontra o patrimônio do devedor. que admite este tipo de competência jurisdicional. Rel. com exclusão da verba alimentar" (SEC 880/IT. É que não temos como questionar a validade de uma lei. Daí o art. Já no plano internacional a situação é diferente. das declarações de vontade de fatos ocorridos no exterior. contemporaneidade e fator exógeno. estará ocorrendo um forum shopping que não se caracteriza como fraudatório. escolhendo outra jurisdição. ii) o reconhecimento dos atos praticados. nem todo caso de forum shopping se identifica com a fraude à lei. 17 da LINDB dispor que os atos. Trata-se. FERNANDO GONÇALVES. p. ou a uma incompetência por ela determinada.

Min. conforme decorra ela de intransponível fundamento de ordem pública. pp. POR FRANCÊS NATURALIZADO BRASILEIRO. bem como pela LINDB. Princípios da fixação da Jurisdição internacional. Ano VI. Legislação básica: LINDB e artigos 88/90 do CPC. ARI PARGENDLER. HUMBERTO GOMES DE BARROS. Disponível em http://fdc. com base na doutrina firmada ainda na vigência do Código anterior: (a) efetividade e da (b) submissão. O princípio da submissão torna competente o juízo de um Estado. DURANTE A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO . a caracterizar o potencial conhecimento da matéria por órgãos judiciais de diferentes países. A competência internacional da Justiça brasileira. acesso à justiça. Jurisdição universal: conceito. 88/90). do pátrio poder à mãe não ofende a ordem pública nacional" (SEC 2. pois a sua decisão seria inexequível. por sentença. O processo civil internacional deve ser visto pela óptica da prevalência da dignidade da pessoa humana e segue cinco princípios básicos: jurisdição razoável. não discriminação do litigante. limites e controvérsias.pdf. Princípios da fixação da jurisdição internacional. DE AÇÃO EM FACE DA REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA VISANDO A RECEBER INDENIZAÇÃO PELOS DANOS SOFRIDOS POR ELE E POR SUA FAMÍLIA. Se o juiz de um Estado processa uma causa cuja sentença deva ser executada no território de outro e a lei vigente neste (ou em ambos) declara que somente os juízes deste Estado. DE ETNIA JUDAICA.br/Arquivos/Mestrado/Revistas/Revista07/Docente/05. In Revista da Faculdade de Direito de Campos. Rel. No Brasil a matéria é regulada no CPC (arts. apesar do silêncio das normas sobre competência. quando o correto seria “jurisdição internacional”. LEONARDO GRECO. se a legislação do país de destino for alterada ou se os dois países aderirem a algum instrumento de cooperação jurídica internacional. ou de impedimento legal incidente sobre causa que verse apenas sobre interesses privados. equivocadamente utiliza a expressão “competência internacional”. que. Nº 7 – Dez.198/US. PROPOSITURA. com exclusão de quaisquer outros (competência internacional exclusiva). CORTE ESPECIAL.431/DE. especialmente LEONARDO GRECO. 3) Atribuição de pátrio poder à mãe: "A atribuição. Curso de Direito Internacional Privado. O princípio da efetividade significa que cada Estado somente deve processar e julgar as causas cuja decisão tenha possibilidade de executar.b. Há importe julgado do STJ a respeito da matéria: DIREITO PROCESSUAL E DIREITO INTERNACIONAL. Rel. Ponto 17. Geralmente esses princípios são sintetizados em dois. de 2005. A inexequibilidade pode ser absoluta ou relativa. Por jurisdição internacional entende-se o exercício do poder jurisdicional do Estado em relação a uma controvérsia que apresente um elemento de conexão estrangeiro. cooperação jurisdicional e circulação internacional das decisões. CORTE ESPECIAL. Florisbal de Souza Del'Olmo. Giovana Noronha Obras consultadas: Resumo do 25º e do 26º CPR . podem processá-la e decidi-la. de nada adiantaria dar curso ao feito na Justiça do primeiro. 9ª Ed. 169-192. em razão da livre e expressa aceitação dos litigantes a submeterem-se à jurisdição de Estado a que normalmente não estariam sujeitos. que pode vir a ser removido no futuro. Territorialidade e extraterritorialidade. para alguns autores. Min. a exemplo da imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro. DJe 11/09/2008).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 133 tais pretensões são lícitas" (AgRg na CR 3. Editora Forense: 2011. DJe 22/02/2010).

I. há expresso compromisso do país com a prevalência dos direitos humanos. Assim. a autodeterminação dos povos e o repúdio ao terrorismo e ao racismo.A imunidade de jurisdição não representa uma regra que automaticamente deva ser aplicada aos processos judiciais movidos contra um Estado Estrangeiro.. as quais são fundamentadas pelo denominado instituto da extraterritorialidade. da regra do art. No plano internacional. se restringir – em princípio – a esse território: o território do Estado. [. contudo. e que. em princípio. pode haver processos que não se encontram na relação contida nessas normas. Recurso ordinário conhecido e provido. nas hipóteses em que dirigidos contra brasileiros. . querendo. Deve-se analisar a existência de interesse da autoridade judiciária brasileira no julgamento da causa. em algumas hipóteses.]. DJe 23/06/2008). conforme o Direito Internacional..Há interesse da jurisdição brasileira em atuar na repressão dos ilícitos descritos na petição inicial. . demonstrando se tratar. o Estado soberano tem jurisdição geral e exclusiva. Trata-se de um direito que pode. pg.] É esse fator específico que explica o termo ―extraterritorialidade‖. 88 e 89 do CPC. não importando sua nacionalidade ou tempo de permanência no território estatal e. Justifica-se a citação do Estado Estrangeiro para que. 161-162). deve. de plano. Em segundo lugar. alegue seu interesse de não se submeter à jurisdição brasileira. da jurisdição penal. pg. ou não. A AUTORIDADE JUDICIÁRIA BRASILEIRA. SENTENÇA DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU QUE EXTINGUIRA O PROCESSO POR SER. ser aqui julgados. seja extinta a presente ação.. está sujeita a exceções. Para Kelsen (2010. portanto. de pratica de atos de império que autorizariam a invocação desse princípio. o eventual não-reconhecimento do indivíduo da aplicabilidade do poder do Estado sobre si. Em primeiro lugar. Assim. Rel.. civil e administrativa do Estado em cujo território se encontram. 269) a limitação do domínio de validade da ordem coercitiva chamada Estado a determinado território significa que essa ordem. a ordem jurídica nacional. à hipótese. especificamente. 64/SP. TERCEIRA TURMA. do CPC. Extraterritorialidade. que materializa uma ficção jurídica de que alguns indivíduos . Um Estado pode exercer seu poder coercitivo. administrativa e jurisdicional. ser exercido por esse Estado. Disso decorre que a repressão de atos de racismo e de eugenia tão graves como os praticados pela Alemanha durante o regime nazista. não há motivos para que. (RO . a existência de representações diplomáticas do Estado Estrangeiro no Brasil autoriza a aplicação. pelas partes envolvidas. na possibilidade de execução da respectiva sentença (princípio da efetividade) e na concordância. O Estado exerce poder soberano sobre seu território. A) Extraterritorialidade como restrição do domínio pessoal de validade da ordem jurídica nacional: conforme o Direito Internacional geral. a hipótese. no exercício de tais competências. Essa norma de Direito Internacional. Ministra NANCY ANDRIGHI. contra qualquer pessoa em seu território [. Territorialidade. cujo rol não é exaustivo. A generalidade da jurisdição significa que o Estado exerce no seu domínio territorial todas as competências de ordem legislativa. sobretudo. Esse princípio se espalha por todo o texto constitucional. 2008. não obstante. REFORMA DA SENTENÇA RECORRIDA. abrangendo pessoas e bens que ali se encontram. . em submeter o litígio à jurisdição nacional (princípio da submissão). o Estado local não enfrenta a concorrência de qualquer outra soberania (REZEK. interessam à República Federativa do Brasil e podem. são passíveis de julgamento no Brasil. certos indivíduos gozam do privilégio de exceção do poder coercitivo ou. Sobre o território assim entendido. é princípio constitucional basilar da República Federativa do Brasil o respeito à dignidade da pessoa humana.A competência (jurisdição) internacional da autoridade brasileira não se esgota pela mera análise dos arts. como comumente se diz.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 134 FRANCES NA A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. A exclusividade significa que. mesmo naturalizados. INTERNACIONALMENTE INCOMPETENTE PARA O JULGAMENTO DA CAUSA. 88.

e mesmo assim o Brasil vai aplicar sua lei. vai julgar e vai punir.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 135 devem ser tratados como se não estivessem no território do Estado em que. a jurisdição universal nada mais representa do que o exercício da própria jurisdição interna em relação a fatos praticados em território alheio. tais como membros de Tribunais internacionais ou cônsules. Na jurisdição universal. DJe 24/09/2012. Já outras. (b) se há necessidade de incorporação prévia do princípio ao ordenamento interno ou se pode ser utilizado pelo juiz nacional quando provocado. Trata-se do princípio da jurisdição universal. DJe 07/12/2012. a exemplo do Tribunal Penal Internacional (TPI). inclusive. pode incidir a imunidade de jurisdição (absoluta ou relativa). o qual significa que as partes iguais ou soberanas não podem submeter seus iguais. questiona-se (a) se o princípio gera uma obrigação aos Estados ou se concede uma faculdade de exercer a jurisdição. O princípio da jurisdição universal.. conferir isenção de sua jurisdição a pessoas que dela não gozam pelo Direito Internacional geral. permitindo aos Estados criar ou não os mecanismos internos necessários a lhes dar efeito (Convenção da ONU contra o Tráfico Ilícito de Narcóticos e Substâncias Psicotrópicas de 1988. utilizando-se do princípio par in paren non habet imperium. QUARTA TURMA. (AgRg no RO . Nesses casos. [. estão. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI.. ou de cruzar seu território com tropas. 4. a conduta sendo realizada em outro Estado. mas que são considerados particularmente ofensivos a toda a comunidade internacional (jus cogens). limites e controvérsias: Ao lado do conjunto específico de regras de cada ordenamento jurídico. Rel. ultimamente vem ganhando fôlego uma forma de aplicação de normas penais que independem (a) do local em que a infração penal foi praticada.110/RJ. Jurisprudência: RO 99/SP. art. de . o pai do DIPr. com base em tratado que confira a uma das partes contratantes o direito de manter tropas em território de outra parte contratante. que pode afetar todo e qualquer Estado-parte da ONU. todavia. julgado em 04/12/2012. de fato. B) Chefes de Estados estrangeiros e representantes como sujeitos que gozam do privilégio da extraterritorialidade: o privilégio da extraterritorialidade está garantido por Direito Internacional geral a chefes de Estado e aos representantes diplomáticos. (KELSEN. Rel. pertencente ao país inserido em um dos polos da relação jurídica. julgado em 11/09/2012. Jurisdição universal: conceito.1). Esta última (jurisdição internacional) é característica dos Tribunais internacionais. art. C) Outras pessoas privilegiadas: Forças armadas de um Estado podem estar em território de outro Estado. Neste caso. frequentemente enunciam o princípio como uma imposição aos Estados-parte. O princípio da imunidade de jurisdição estrangeira foi reconhecido por Bartolo de Saxoferrato. como princípio válido no direito internacional.: as ações privadas internacionais não se restringem aos particulares. os membros das forças armadas estão excluídos da jurisdição do Estado em cujo território se encontrem. (b) da nacionalidade das pessoas envolvidas e (c) da vinculação aos interesses de proteção de um Estado em particular. À mingua de regras gerais. desumanos ou Degradantes de 1984. 5. que confere a todos os Estados o poder de persecução penal de crimes praticados em territórios alheios. TERCEIRA TURMA. permanecendo submetidos à jurisdição de seu próprio Estado. Estados. e (c) que critério utilizar para definir a categoria de crimes aos quais se aplica o princípio. que vai preservar bens situados no Estado em que tramita a ação. podendo envolver. a vítima um estrangeiro. com base em valores essenciais. e por isso não se confunde com a jurisdição internacional. pode-se ter como torturador um estrangeiro. Obs. que pode se limitar a exigir a incorporação dos meios indispensáveis ao exercício da jurisdição universal aos sistemas jurídicos internos (Convenção da ONU contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis. em tempos de guerra ou em tempos de paz. sem vínculo algum como Brasil. ainda é objeto de intenso debate doutrinário e politico. Assim. 2010). Ministra NANCY ANDRIGHI. Certas convenções atribuem ao princípio um caráter facultativo ao exercício da jurisdição universal.] Os Estados podem por intermédio de acordos internacionais.2) ou.

Uma nova jurisdição internacional. afirmou que era necessário tratado internacional. Na verdade. Cuida-se. todavia. portanto.4 da Lei Orgâniza do Poder Judicial nº 6. Pode ocorrer. 490-498 do livro). tendo em vista que "estes crimes que atacam ao conjunto da humanidade e abalam a consciência das nações são graves crimes contra o próprio Direito Internacional (delicta juris gentium)" (Sentença do Tribunal de Jerusalém. mesmo que seja em jurisdição universal. Pinochet foi denunciado pela Audiencia Nacional Española. ademais. MALCOLM SHAW sustenta que há somente duas categorias nitidamente pertencentes à esfera da jurisdição universal: (a) pirataria e (b) crimes de guerra. Casuística: (a) Caso Eichmann – Após ser abduzido na Argentina. mas sim em locais não sujeitos a nenhuma jurisdição em particular. consultar pgs. § 12). Convenção contra a tortura. seria com base em costume internacional. o artigo 4º obriga o Estado que capture o torturador a extraditar ou julgar mesmo que o torturador tenha cometido o crime contra outro Estado. Ela começa a criar controvérsia quando a jurisdição universal acaba abrangendo esses valores essenciais. Quem autorizaria um estado a exercer essa jurisdição universal? Duas visões: 1) alguns países como Bélgica e Espanha acreditaram que é um costume internacional que vinha de Nuremberg. em razão da prática de crimes contra a humanidade. Em 16 de outubro de 1998. porque muitos desses autores dessas violações são agentes estatais que agiram usando a força do Estado. como é o caso da pirataria. O Brasil é obrigado. (c) Caso . Por "razões médicas". que são os crimes jus cogens. praticados em território alemão e em outros territórios ocupados. de se atribuir ao Estado em que se encontra uma pessoa acusada da prática de determinado crime a obrigação de escolher entre duas alternativas: julgá-la em seus tribunais ou extraditá-la ao país que o solicite. um Estado podia julgar em nome do outro. Foi condenado à pena de morte e enforcado dois dias após a confirmação da sentença condenatória pela Suprema Corte de Israel (1962). O adjetivo universal. de acordo com nosso Código Penal 139 a punir esses crimes que estão previstos em tratados. dada a sua condição de ex-chefe de Estado. e Pinochet retornou ao Chile. 23. obrigar as autoridades nacionais deflagrar efetivamente a persecução penal (Convenção de Genebra I de 1949. terrorismo e tortura praticados por estrangeiro fora do território espanhol. anulou o referido julgamento e determinou a extradição de Pinochet. (b) Caso Pinochet – Em 28 de março de 1996. por solicitação do Tribunal espanhol. não consiste em uma prerrogativa de exercício de jurisdição penal sobre crimes cometidos em outras jurisdições. a jurisdição universal nunca gerou grande controvérsia quando abrangeu condutas consideradas por todos os Estados condutas que. 2) a Corte Internacional de Justiça não aceitou. a Higth Court de Londres negou a extradição de Pinochet para a Espanha. como os atos de pirataria praticados em altomar (para aprofundamentos. cujo objetivo central é evitar a impunidade e fazer com que os indivíduos responsáveis por crimes particularmente graves sejam processados e punidos. da fórmula enunciada pela doutrina internacionalista do dever de extraditar ou julgar (autdedereautjudicare). Em grau de recurso a House of Lords. pois condicionado à presença do acusado no território do Estado em questão. O exercício da jurisdição válida sobre os supostos criminosos por outros delitos previstos em convenções internacionais é referida pelo autor como jurisdição quase-universal.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 136 maneira mais ambiciosa. qualificada. acusado por crimes de guerra. art. 49). Eichmann foi levado a juízo perante o Tribunal Distrital de Jerusalém (1961). de 1985. por economia. Mas em 28 de outubro de 1998. aqui. crimes contra o povo judeu e crimes contra a humanidade. O Tribunal de Jerusalém justificou sua jurisdição sobre os crimes cometidos por Eichmann com base no princípio da jurisdição universal. a extradição não se consumou. Augusto Pinochet foi detido pela Scotland Yard em uma clínica em Londres. porque ela abrangia esses valores essenciais. que estabelece a competência dos tribunais espanhóis de conhecerem e julgarem os crimes de genocídio. com base no art. em cumprimento à ordem expedida pelo Tribunal Municipal londrino. Exemplo. (trecho de aula ministrada por André de Carvalho Ramos). reconhecendo as imunidades civil e criminal perante os tribunais britânicos.

br/scielo. Novas perspectivas para a tese da competência da Justiça Federal para o crime de trabalho escravo.br/sites/all/forced_labour/brasil/documentos/escravidaocontemporanea. de uma mulher casada a terceiro pelo seu marido. com base em uma Lei de 1993. onerosa ou não.c. objeto de comércio para a escravidão (Ela Wiecko). Considerações sobre a interpretação jurídico-penal em matéria de escravidão. Na Convenção adotada pela Sociedade das Nações. No âmbito da OIT. principalmente a partir de 1814. assim considerado. e a Bélgica foi obrigada a cancelar o mandado de prisão anteriormente emitido.pgr. promovida pelas Nações Unidas.scielo. se ocupou primeiro do tráfico de negros. foi elaborada a Convenção sobre Trabalho Forçado ou Obrigatório (Convenção nº 29. na qual o Estado belga concedia a si mesmo ampla jurisdição universal para julgar crimes internacionais. A defesa do interesse da União em erradicar formas contemporâneas de escravidão no Brasil. Porém. Ponto 17. sua família ou seu clã. nomeando expressamente a imobilização por dívidas e a servidão (debtbondage). 2º. §1º. prescrevendo no art. A Convenção de Genebra. a entrega.mpf. DE CASTILHO. in Estudos Avançados 14 (38). a entrega. levado o caso à CIJ. 2000. RAQUEL ELIAS FERREIRA DODGE. a Corte afirmou que a Bélgica feriu a imunidade diplomática do Sr. Giovana Noronha Obras consultadas: ELA WIECKO V. Em 1948. Bélgica) – Em abril de 2000. bem como o casamento forçado de uma mulher em troca de vantagem econômica para seus pais ou terceiros. Disponível em: http://www. Em 1956.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142000000100004.oit.br/atuacao-econteudos-de-apoio/publicacoes/trabalho-escravo/Artigo_Novas_Perspectivas_Dra_Ela. de menor de 18 anos a terceiro. a Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravidão. Repressão internacional ao trabalho e comércio escravo: histórico. de 1930). repetiu esses conceitos e ampliou o foco para instituições e práticas análogas à escravidão. onerosa ou não.gov. definiu-a a escravidão como a “condição de alguém sobre o qual se exercem poderes associados ao direito de propriedade”. Yerodia.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 137 Yerodia (Congo vs.02. para exploração (Ela Wiecko). do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Similares à Escravidão. e para o qual esse indivíduo não se oferece voluntariamente”. Disponível em: http://pfdc. ELA WIECKO V. a Bélgica emitiu um mandado de prisão contra o Ministro das Relações Exteriores da República democrática do Congo (Yerodia Ndombasi). assim como o tráfico de escravos. as partes contratantes conceituaram a escravidão como “o estado ou condição de um indivíduo sobre o qual se exercitam os atributos do direito de propriedade ou algum deles” e também acordaram “evitar que o trabalho forçado ou obrigatório produza condições análogas à escravidão”. a escravidão e o tráfico de escravos são proibidos em todas as formas”. 4º: “Ninguém será mantido em escravidão ou servidão.org. em 1957. a mesma organização adotou a Convenção Especial sobre a Abolição do Trabalho Forçado e Obrigatório (Convenção . com o Tratado de Paris entre Inglaterra e França. as Nações Unidas assinaram a Declaração Universal dos Direitos do Homem. os direitos hereditários sobre uma mulher viúva. como "todo trabalho ou serviço exigido a um indivíduo. nos termos de seu art. também de 1956. Mais tarde.pdf (acesso em 05. Disponível em: http://www. sob a ameaça de uma pena qualquer. DE CASTILHO. em 1926. base normativa e trabalho escravo contemporâneo.2013) A legislação internacional.pdf. na qual se proibiu a prática da escravidão.

à proibição de escravidão e servidão. quando cometido no quadro de um ataque. junto com um colega. em especial Mulheres e Crianças. e certas práticas em regimes coloniais e de apartheid". . relativamente a uma pessoa. Ao tentar fugir. reconheceu a sua responsabilidade internacional e estabeleceu uma série de compromissos relacionados com o julgamento e punição dos responsáveis. em seu 6º. garantias judicias e proteção judicial. havendo conhecimento desse ataque. generalizado ou sistemático. para fins de exploração” (art. o explorador do trabalho alheio não se preocupa em fornecer as condições mínimas de sobrevivência ao trabalhador (trabalho degradante). sofreu tentativa de homicídio. ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra. ele é visto com um mero objeto. através de acordo celebrado no âmbito da CIDH. pornografia infantil. o qual define "tráfico de pessoas" como “o recrutamento. uso de crianças em conflitos armados. Para Ela Wiecko. ao rapto.1. Naquela época. e tanto estas. E de acordo com o art. como o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas”.c: "Por 'escravidão' entende-se o exercício. exploração do trabalho infantil. como o tráfico de escravos. o trabalho escravo era considerado lícito e o escravo se constituía em mais uma mercadoria que se integrava ao conjunto de bens de seu proprietário. os principais instrumentos sobre a matéria são o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966) e o Pacto de San José da Costa Rica (1969). que pedem a aplicação de sanções de natureza penal. 3º). mutilação sexual de meninas. Ninguém pode ser submetido a escravidão ou a servidão. à fraude. incluindo o exercício desse poder no âmbito do tráfico de pessoas. ao final. prostituição infantil. medidas de conscientização contra o trabalho escravo. No âmbito regional americano. Seu colega apelidado de ―Paraná‖ não sobreviveu. tráfico de pessoas e venda de órgãos humanos. Assim. de 1959). escravidão por dívida.2. 1. pois. em 2003. Mencione-se. cujo art. à liberdade. sobre formas contemporâneas de escravidão. relativo à Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas. contra qualquer população civil. sendo livremente negociado em mercado de compra e venda. A situação de trabalho escravo vivenciada atualmente não é a mesma do século XIX. o alojamento ou o acolhimento de pessoas. esses abusos incluem a venda de crianças. no art. Foi reconhecida a violação de diversos dispositivos da Convenção Americana. Caso José Pereira – O Brasil. a criminalização da escravidão e de práticas análogas é um dever prescrito aos Estados Partes na já citada Convenção Suplementar de 1956. ao engano. Em relatório de 1991. Este último. 7º. 7º. tipificou a escravidão como categoria de "crime contra a humanidade".]". à integridade pessoal. 1º que estabelece: "todo o Membro da Organização Internacional do Trabalho que ratifique a presente convenção compromete-se a suprimir o trabalho forçado ou obrigatório e a não o utilizar sob qualquer forma [. de um poder ou de um conjunto de poderes que traduzam um direito de propriedade sobre uma pessoa. a transferência. como violação ao direito à vida. medidas pecuniárias de reparação.. por fim. recorrendo à ameaça ou uso de força ou a outras formas de coação. em particular mulheres e crianças". a escravidão tradicional e as formas análogas contemporâneas constituem graves violações aos direitos humanos. Ademais. exploração da prostituição. foi que o Estatuto de Roma do TPI. assinado em Nova York em 15 de novembro de 2004. o transporte. Já na escravidão contemporânea. José Pereira exercia trabalho escravo e teve sua liberdade cerceada por capangas de uma Fazenda no Pará. prescreve: “Proibição da escravidão ou a servidão. facilmente substituído sem maiores custos. ao trabalho e à justa remuneração.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 138 nº 105. o Protocolo Adicional à Convenção de Palermo.c. o Centro de Direitos Humanos das Nações Unidas afirmou que: "Além da escravidão tradicional e do tráfico de escravos..

' (SEN. 243 da CR. mas também pela violação intensa e persistente de seus direitos básicos. como a proposta de EC n° 57/1999. sobretudo. devido uma comoção popular com a ―Chacina de Unaí – MG‖. foi formulada no Senado uma proposta semelhante. conhecida como PEC do Trabalho Escravo.: Atualmente no Senado Federal tramita a PEC 57A/1999. Recursos marinhos vivos.2012 foi aprovada na Câmara. OBS.412/AL. na Câmara. no qual. o disposto no art. Isso também significa reduzir alguém a condição análoga à de escravo. Desde então a Proposta entrou e saiu de pauta várias vezes. como proposta de Emenda Constitucional n° 438/2001. no que couber. em segundo turno. ITEM 18 Ponto18 a. repetindo Amartya Sen. Desenvolvimento como liberdade. importante transcrever excerto do voto da Ministra Rosa Weber. Biodiversidade. A violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. no ano de 2004. da violência e do confinamento. injusta e ilegal. para determinar que as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do país onde foram localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habilitação popular. 5°. no InQ 3. em decorrência de uma alteração feita pela Câmara. Poluição Marinha. sendo apensadas. astúcia. ou de oportunidades inadequadas que algumas pessoas têm para realizar o mínimo do que gostariam (incluindo a ausência de oportunidades elementares como a capacidade de escapar da morte prematura. Por fim. quando foi aprovada em primeiro turno. ao tratar sobre o disposto no artigo 149 do CP. . as formas contemporâneas de escravidão diferem daquela feição tradicional apenas na oportunidade ou na ênfase de emprego da força. o que pode ser feito não só mediante coação. Posteriormente. Direito Internacional do Meio Ambiente. proferido no final de 2012. Também altera o parágrafo único do mesmo artigo para dispor que todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica. A situação é agravada. São Paulo: Companhia das Letras. assevera que a ―escravidão moderna é mais sutil e o cerceamento da liberdade pode decorrer de diversos constrangimentos econômicos não necessariamente físicos. Poluição Atmosférica. fauna e flora. 13). Princípios. inclusive do direito ao trabalho digno. na forma da lei. sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Nessa perspectiva. mais perversos. como PEC 57A/1999. Somente em 22. mas porque o modo como se invisibiliza na meio social são agravados pela certeza de que a prática é ilícita. pela impunidade. em 2001. utiliza-se da mesma perfídia. Priva-se alguém de sua liberdade e de sua dignidade. Histórico: A proposta teve início em 1995. Amartya. tratando-o como coisa e não como pessoa humana. onde três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego foram mortos durante uma fiscalização de rotina.05.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 139 Segundo Raquel Dodge. não só porque os meios de sua prática são mais dissimulados. 2000. coerção e operam em razão da mesma indiferença e sentimento de superioridade. observado. o renomado economista laureado com o Prêmio Nobel: 'a privação da liberdade pode surgir em razão de processos inadequados (como a violação do direito ao voto ou de outros direitos políticos ou civis). sendo aprovada. A indiferença e o desrespeito à condição do outro ainda persistem e estão hoje acirrados. no sentido de incluir na expropriação os imóveis urbanos. retornando ao Senado. p. mas não teve qualquer avanço à época (PEC 232/95). que altera a redação do art. No mais. morbidez evitável ou fome involuntária. Na Câmara a proposta ficou parada até 2004.

Curso de Direito Internacional Público. 2ª edição. Luis Paulo Sirvinskas. Eco-92. Possui dois aspectos: caráter preventivo e repressivo. Não se configura numa licença para poluir. Frederico Augusto di Trindade. Noções Gerais e princípios. Este campo guarda nítido vínculo com os direitos humanos. mas nas hipóteses de certeza científica sobre os danos a serem provocados. se impõem. que é regido por leis científicas.há a obrigação de pagar ou arcar com os valores necessários à recuperação do meio ambiente poluído.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 140 Matheus Telles de Menezes Andrade Sandim Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR. 7a edição. na medida em que o bem jurídico ambiental decorre da dignidade da pessoa humana. e) prevenção – também se liga aos danos ambientais. 2. c) responsabilidades comuns. Francisco Rezek. 225 da CF. 2009. pois. O conceito de meio ambiente difere do de ecologia. Ele está ligado ao risco incerto e potencial de dano ambiental. mas diferenciadas – cada Estado é responsável por obrigações ambientais segundo suas possibilidades. ultrapassados os limites estabelecidos pelas normas ambientais. (http://jus. podem colocar em risco a saúde. Código Florestal. em que as normas jurídicas. f) poluidor-pagador. tem-se a certeza científica. Legislação básica: Art. livremente elaboradas pelo homem. ultrapassando qualquer fronteira existente entre os Estados. Convenção de Estocolmo sobre o Meio Ambiente (1972). destacam-se: a) Cooperação internacional – a colaboração entre os Estados é imprescindível para que haja uma preservação do meio ambiente. Valério de Oliveira Mazzuoli. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 2008. é a camada gasosa que reveste a Terra (. g) ubiquidade – deve-se tomar providências para evitar o dano. 2ª edição. ―Atmosfera é a camada de ar que envolve o globo terrestre. sendo que as partes se obrigam a apoiar economicamente os objetivos da Convenção. Direito ambiental esquematizado. em seu princípio 20. Manual de Direito Ambiental. que..com. mesmo não existindo certeza científica dos impactos por ele futuramente causados. em conformidade com os seus planos e prioridades nacionais. Rodrigo Fernandes More. sendo que o primeiro texto que se referiu a ele foi a Convenção de Estocolmo. por sua vez. a segurança e o bem-estar comum‖ . durante ou após os danos cometidos. 2011. Ar. Poluição atmosférica. compondo o seu mínimo vital. Passando a analisar os seus princípios. em que se gera a obrigação jurídica de todos os Estados em evitar danos ambientais e manter um padrão de conduta adequado. está-se diante do Direito Internacional do Meio Ambiente.. Quando estas normas extrapolam os limites de um Estado. Neste último caso. O Direito Internacional do Meio Ambiente é composto pelas normas jurídicas que regulam as relações entre os homens e o ambiente que o circunda. b) poluição transfronteiriça – é um princípio extremamente aberto. d) precaução – deve-se avaliar previamente os danos ambientais. Direito Internacional Público. 2007.) Poluição atmosférica é a alteração da constituição dos elementos acima expostos. 11ª edição. Ele está presente na Convenção sobre a Diversidade Biológica. seja num momento anterior. Nota-se. Lei 6938/81.br/revista/texto/3194/a-poluicao-do-meio-ambientemarinho-e-o-principio-daprecaucao/2#ixzz1zDLnlkBg. ao contrário do meio ambiente. 1. que o direito internacional do meio ambiente é imprescindível à manutenção da espécie humana. sob uma perspectiva do comportamento humano. Rio+20.

nada impede que sejam propriedade particular. o transporte. . Em termos de direito internacional do meio ambiente. seja pessoa jurídica ou física. o limite de água fresca é aferido no período da maré baixa. IV. O art. Fauna e flora. Em síntese. vazamento de óleo. o STJ não reconhece a competência da Justiça Federal para julgar os crimes cometidos contra este bem jurídico. 220). ‗Bio‘ significa vida e ‗diversidade‘ refere-se as suas múltiplas formas.br/revista/texto/3194/a-poluicao-do-meio-ambiente-marinho-e-o-principio-daprecaucao/2#ixzz1zDLnlkBg) Desta maneira. Municípios. p. inclusive aqueles que possuem cadeia alimentar atrelada a este ambiente (ex. sendo elementos que se criam e se multiplicam no mar. Estados. diversas convenções foram publicadas. pode-se conceituar o meio ambiente marinho como o que compreende todos os seres vivos e não vivos. etc. Ainda. Uma definição bastante completa e ampla. inclusive o solo de todas as águas internas e seu subsolo. conforme reconhecido pelo direito internacional. Cumpre dizer também que os poluentes consistem em qualquer forma de matéria ou energia liberada no meio ambiente em desacordo com as normas ambientais (Sirvinskas. Finalmente. aves marinhas). Ademais. Quanto aos animais não silvestres. Vejase: Convenção das Nacoes Unidas sobre o Direito do Mar. tem-se que a poluição pode ser causada sob diversas formas: embarcações. existe grande discussão sobre a titularidade dos animais silvestres. 3º. exóticos e domésticos. a fauna pode compor-se de animais silvestres. que comporta recursos marinhos vivos e não-vivos. Não está pacificado o tema. Por fim. sendo que a Resolução CONAMA 394/2007 regula a questão da autorização para a guarda doméstica de animais integrantes da fauna silvestre. p. As águas internas são definidas como as águas que se estendem da linha base para o mar territorial até o limite de água fresca. em conformidade com o local em que se encontram. de origem terrestre. as usinas nucleares. Compreendido o conceito de mar e de meio ambiente marinho. 237). 219/220). Para compreender o significado de "meio ambiente marinho" deve-se tomar a "área marítima" apresentada no artigo 1º da Convenção para Proteção do Meio Ambiente Marinho do Atlântico Nordeste. bem como ao alto-mar. assinada em Paris em 1992 [18]. ―Segundo esta Convenção (que no Preâmbulo reconhece a vital importância tanto do meio ambiente marinho quanto da fauna e da flora para todas as nações). o poluidor é o responsável. etc. Biodiversidade. A fauna consiste no conjunto de animais próprios de uma região e é classificada em terrestre e aquática. Os recursos marinhos vivos são aqueles dotados de existência própria e se classificam em recursos marinhos vivos de alto mar e de jurisdição nacional. 3. Veja-se CC 41. isto é. Neste contexto. A poluição pode ter origem em diversas fontes. O mar é um patrimônio da humanidade. destacam-se a fauna e a flora. pelos danos causados ao meio ambiente (art. 4.com. da Lei nº 6938/81). testes nucleares. biodiversidade é a vida em suas múltiplas formas. Visando a proteger os recursos marinhos. luminosidade artificial. radiação. No que tange a fauna silvestre. conforme anota Frederico Trindade (p. "meio ambiente marinho" deve ser considerado por completo. patrimônio da humanidade. Logo. etc. os recursos marinhos vivos consistem em objeto de proteção do direito internacional do meio ambiente.562/2004. Rio + 20. em toda a amplitude que permite identificar suas características biológicas. 3º da Lei 5197/67 proíbe o comércio das espécimes da fauna silvestre. Recursos marinhos vivos. ao mar além e adjacente ao mar territorial sob jurisdição do Estado costeiro. sua área de aplicação estende-se às águas internas e ao mar territorial dos Estados-partes. estabelecendo-se no local onde o curso d‘água interno adquire salinidade devido à presença da água do mar [19].27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 141 (Sirvinskas. Declaração do Rio 92. como a indústria. Capítulo 17 da Agenda 21. se são bens da União.‖ (http://jus.

enquanto passiva é a recebida por ele. até mesmo. atos executórios e atos não-executórios. . Em algumas situações. por sua vez. http://www. no mínimo. Ela também insere-se no contexto da cooperação civil internacional. os atos serão encaminhados por elas. Ativa é aquela remetida por um Estado. ao lado do auxílio-direto e homologação de sentença estrangeira.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11255&revista_caderno=16. Em relação às cartas rogatórias ativas. conforme art. O Ministério das Relações Exteriores as transmite para o STJ.com.br/site/index. o Pantanal Mato Grossense. 16. Além disso. Casuística. De acordo com a redação constitucional após a reforma do Judiciário (EC 45). Esta afirmação não está correta.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 142 A flora. 11ª edição.com. para a sua análise. STJ – CR 1. A carta rogatória pode ser ativa ou passiva. RHC 26483. 80% da propriedade rural. com a comunicação inicial por meio dos representantes diplomáticos. 1. se houver tratado determinando o trâmite por meio das autoridades centrais. Carta rogatória: juízo delibatório. Marcio Mateus Barbosa Junior. STJ. Regimento Interno do STJ.I. Legislação básica: Art. em que pese não haver norma expressa neste sentido. Resolução nº 9 do STJ. segue-se a mesma lógica. Medidas de caráter executório e denegação de exequatur. Cartas rogatórias. do Código Florestal. par. da CF dispõe que a Floresta Amazônica. segundo afirma a professora Maria Rosa Loula. consiste no conjunto de espécies vegetais de uma determinada localidade. Em síntese. por via diplomática. diz-se que as cartas rogatórias têm como objeto atos simples.ambitojuridico. deve-se destacar que há uma tutela especial da Floresta Amazônica. Francisco Rezek. No entanto. CC 115282 Ponto 18 b. A tutela da Mata Atlantica foi intensificada com a Lei 11428/2006. Quanto ao seu trâmite. 105 CF. medidas cautelares com contraditório diferido. Fórum. http://www. a tramitação de medidas cautelares e solicitação de homologação de sentenças estrangeiras. determinando. 4º. em regra. Carmen Tiburcio. 225. O art. É o instrumento de cooperação jurídica entre dois países. as rogatórias podem se referir tanto ao objeto quanto ao conteúdo da solicitação. Direito Internacional Público. a Mata Atlantica. de mero trâmite ou interlocutório. diga-se que as cartas rogatórias passivas são recebidas. visando à comunicação de atos processuais entre as autoridades. STJ. com reserva legal de. 1ª edição.ambitojuridico. 5. Isto porque os Protocolos do Mercosul inovaram quanto ao objeto das rogatórias. na medida em que servem como mecanismo de comunicação de atos processuais entre as autoridades judiciárias dos países. Saraiva: 2008. a Serra do Mar e a Zona Costeira são patrimônio nacional. as cartas rogatórias são instrumentos importantes de cooperação jurídica internacional. Auxílio Direto. Ainda.457/França – A polêmica da quebra do sigilo bancário no Brasil pela via rogatória.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2208. Maria Rosa Guimaraes Loula. 2010. é o STJ e não o STF que deve analisá-las a fim de que seja dado cumprimento a elas. Matheus Telles de Menezes Andrade Sandim Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR.

Ainda. A homologação serve para que uma sentença estrangeira ganhe eficácia jurídica no território nacional. Veja-se neste sentido o que foi dito no Informativo 540 do STF. Também. Não se adentra ao mérito do ato. No caso. segundo Maria Loula (p. nada mais é. A delibação tem origem na palavra ‗baccio‘. a Turma. a autoridade estrangeira solicitava: a) interrogatório do paciente e de terceiros para que prestassem esclarecimentos sobre a origem de depósitos efetuados em contas. serão encaminhados ou devolvidos ao Ministério da Justiça para as providências necessárias ao cumprimento por auxílio direto. A jurisprudência majoritária do STF (antes da EC 45) era no sentido de que as medidas cautelares. indeferiu habeas corpus no qual se questionava exequatur pronunciado pelo STJ em carta rogatória expedida pelo Juízo de Instrução Federal da Confederação Suíça. naquele país. faz-se oportuno diferenciar as possibilidades de reconhecimento de uma sentença não definitiva e a concessão de medida de urgência. como regra geral. É realizado nas sentenças estrangeiras e para alguns doutrinadores nas cartas rogatórias.2007) segundo a qual é legítima. 7º As cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 143 2.6. http://www. Logo. A mesma lógica ocorre na concessão do exequatur às cartas rogatórias. significa ‗lábios‘. Referido entendimento vem sendo atenuado pela jurisprudência dos tribunais superiores. Não obstante.com. a delibação envolve apenas os elementos formais relativos à soberania e à ordem pública. a realização liminar de diligências sem a ciência prévia nem a presença do réu da ação penal. Parágrafo único. a delibação é um ato de verificação formal dos requisitos necessários à integração do ato de outro país no nosso. Exige-se que a decisão seja definitiva. Em outras palavras. que. Em suma. Homologação de sentença estrangeira. e não propriamente nas cartas rogatórias. por maioria. 3. Esta pode ser tomada para acautelar a ação de homologação. com a finalidade de instruir processo a respeito de lavagem de dinheiro instaurado em desfavor do paciente. o STJ como será demonstrado abaixo. consiste na análise preliminar da sentença estrangeira feita pelo STJ (Resolução nº 9). Assim. quando estas possam frustrar o resultado daquelas. ao que parece. em italiano. antecipatórias de tutela ou liminares. segundo o que está acima descrito. b) informações quanto às funções por eles exercidas na Administração Pública Federal.1 Aplicando a orientação firmada no julgamento do HC 89555/SP (DJU de 8. ainda que denominados como carta rogatória. Veja-se: Art.ambitojuridico. das quais titulares. 67). aduz-se à delibação em cartas rogatórias no art. já que não eram definitivas. é importante mencionar que há possibilidade de contraditório diferido em carta rogatória. enquanto aquela diz respeito à própria natureza da decisão. não poderiam ter eficácia no Brasil. Ainda. ―existe um certo juízo de delibação na concessão do exequatur à carta rogatória. muito embora não seja comum a referência a ele‖.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11255&revista_caderno=16) Segundo a Resolução 9 do STJ. delibação é o ‗toque com os lábios‘. A delibação consiste na análise que o Estado faz da sentença estrangeira para verificar se foram cumpridos os seus requisitos formais e se o conteúdo não ofende a soberania interna. Juízo delibatório. do que o seu cumprimento. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que tiverem por objeto atos que não ensejem juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça. que. em carta rogatória. Carta Rogatória: Ciência Prévia e Contraditório Diferido . Há doutrina que aduz não haver juízo delibatório em carta rogatória (Márcio Mateus Barbosa Junior. bem como sobre disposições legais brasileiras que incriminam a corrupção de . atos executórios e atos não-executórios. medidas cautelares com contraditório diferido. o juízo de delibação é feito nos atos que erroneamente são chamados de cartas rogatórias. em especial. como medidas executórias. 7º da Resolução 9.

penhoras. o STF admitiu o contraditório diferido em medida urgente pleiteada pela justiça suíça em carta rogatória. Menezes Direito. orig. que referido tema mostra-se polêmico na jurisprudência. Diga-se. c) esclarecimentos referentes ao processo brasileiro que imputa ao paciente a prática do crime de corrupção ativa. orig. Quanto ao tema dos atos executórios praticados em rogatória. o art. p/ o acórdão Min. a assertiva de que as “medidas de investigação que se fizerem necessárias” caracterizariam cláusula em aberto e enfatizou-se a possibilidade de haver diligências. a questão ainda não se mostra pacífica. não houvera a intimação prévia do paciente (art. HC 89171/RJ. Ante a urgência requerida pela justiça suíça. ―o STF tinha farta jurisprudência denegando o exequatur a várias cartas rogatórias.2009. ainda.3. tendo sido abrandada no âmbito do Mercosul. d) autorização da presença dos investigadores suíços para participação efetiva nos depoimentos solicitados e e) medidas de investigação que se fizessem necessárias. pois. Min. O Ministro Luiz Fux assim se manifestou: ―CARTA ROGATÓRIA n. Min. que deferia writ quanto à necessária abertura do contraditório e expungia. 24. Assentou-se a viabilidade do exercício pleno do direito de defesa diferido mediante oposição de embargos ou de interposição de agravo regimental contra a decisão que julgar esses embargos. (HC-89171) Carta Rogatória: Ciência Prévia e Contraditório Diferido . rel. busca e apreensão de menores. relator. b) a presença de autoridades estrangeiras nos atos a serem realizados fora admitida. tendo alguns doutrinadores alegado a impossibilidade de execução de atos executórios com base na ausência de tratado e por ferir a ordem pública interna em certas hipóteses (exemplo: sigilo bancário).3.2009. Marco Aurélio. frisou-se que o sigilo diria respeito a terceiros e não a órgãos investidos do ofício judicante. porquanto admite expressamente o cabimento desses recursos (art. a prática de medidas não especificadas. Nota-se. Quanto a atos executórios e não executórios. c) o processo-crime no Brasil transitaria em segredo de justiça. a resolução do STJ não contrariaria o direito de defesa. 7º da Resolução 9 do STJ dispõe que as cartas rogatórias podem envolver tanto atos decisórios como não decisórios. sejam nacionais. Salientando estar-se no plano da cooperação internacional. Entendeu-se que. (HC-89171). em pedidos de arrestos. e quebra de sigilo bancário‖ (Márcio Mateus Barbosa). Referida proibição foi criticada por parte doutrina (Nadia de Araujo). Em decorrência dessa decisão. 13).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 144 servidor público. 226 . sejam estrangeiros. rel. Repeliu-se. a impetração alegava constrangimento ilegal ante os seguintes fatos: a) a execução da carta rogatória não fora precedida de contraditório. providências ou medidas que sejam decorrentes do próprio ato que se estaria praticando e. 24. aduziu-se que a presidência do Tribunal a quo tivera o cuidado de especificar que a participação das autoridades suíças ocorreria sem qualquer interferência no curso das providências que estavam sendo tomadas. 8º. rel. HC 89171/RJ. sem que nelas pudessem interferir. do campo de cumprimento da carta rogatória. não poderiam ser desconsideradas ou deixadas ao alvedrio de nova carta rogatória. que continham medidas de caráter executório por considerá-las contrárias à ordem pública — por exemplo. parágrafo único. da Resolução 9/2005 do STJ) e o Presidente do STJ permitira a presença daquelas autoridades estrangeiras para que pudessem acompanhar a execução das diligências rogadas. Vencido o Min.EX (2005/0008869-6) Relator(a) Ministro LUIS FUX DJe 21/02/2006 . que para evitar qualquer prejuízo às investigações. na espécie. mas há inclinação pela possibilidade de prática de atos executórios em carta rogatória no âmbito do Mercosul ou desde que exista tratado. não podendo pessoas estranhas a ele terem acesso e d) a carta rogatória seria genérica quanto às ―medidas de investigação que se fizerem necessárias‖. Marco Aurélio. dessa forma. Marco Aurélio.2 Inicialmente. Menezes Direito. Hoje. rel. p/ o acórdão Min. assim.

27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 145 Ementa. no Brasil. 1. ATOS DE INSTRUÇÃO. Concessão parcial do exequatur para a realização dos atos de instrução. é um patrimônio da . 21 e 225 da CF. Casuística. d) sobre a plataforma continental. os atos executórios em cartas rogatórias vem sendo admitidos no âmbito do Mercosul (existência de tratado).184) aponta que o STJ vem dando sinais de que o entendimento do STF acima prevalecerá. Domínio marítimo. ressalvadas as hipóteses em que há um tratado entre os países. Curso de Direito Internacional Público. Legislação básica: Art.T. para obter-se simples informações. Ilhas costeiras e oceânicas. a sentença estrangeira que a tenha concedido. de ordem judicial que as decrete. na linha do que ficou decidido na Carta rogatória nº 7. c) sobre a pesca e conservação dos recursos vivos do alto mar. com a celebração de 4 Convenções: a) sobre o mar territorial e a zona contígua. inexistente no caso. por muito tempo.República Italiana. Navios e aeronaves no Direito Internacional. com base na CR 000226. A codificação ganhou alento com as Nações Unidas em 1958. O mar. Portanto. imperiosa é a conclusão de que tal medida não pode ser executada em nosso País antes de ser homologada. reguladas pelo costume.br/boletins/bc-27/regimeconstitucional-de-propriedade-das-ilhas-oceanicas-e-costeiras. IMPOSSIBILIDADE. no Brasil. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Plataforma Continental. Lei 8617/93. b) sobre o alto mar. Direito Internacional Público. BUSCA E APREENSÃO. com exclusão de seqüestro . CONCESSÃO PARCIAL DO EXEQUATUR. S. STJ: AgRg na CR 3198. Em síntese. na jurisdição brasileira. Zona Econômica Exclusiva. 2007. INEXISTÊNCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA QUE OS DECRETE. AgRg na CR 2484. 2. Mar Territorial. A busca e apreensão e a quebra do sigilo bancário dependem. não implica ofensa à ordem pública e à soberania nacional" (CR 8622-Agr). Tratando-se de providência judicial que depende. Ponto 18 c. 4. É cediço no E. 20. 3. Valério de Oliveira Mazzuoli. que os atos executórios e de constrição dependem da homologação da sentença estrangeira que os encerra. de sentença que a decrete.esmpu.F.‖ No entanto. Zona Contígua.e de quebra de sigilo bancário. 2008. Consolidou-se o direito do Mar com a celebração da Convenção de Montego Bay em 1982. Francisco Rezek. 1. Convenção de Montego Bay. CARTA ROGATÓRIA. O direito do mar integra elemento essencial do direito internacional público. as diligências acima referidas não poderiam ser executadas sem que antes se procedesse à homologação. Domínio Marítimo. DILIGÊNCIAS. como já dito. Matheus Telles de Menezes Andrade Sandim Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR.medida executória . João Trindade Cavalcante Filho. Regime constitucional das ilhas costeiras e oceânicas.126-4 . por isso que "o deferimento de execução de carta rogatória. 11 a edição. de eventual sentença estrangeira que as tivesse determinado. A professora Maria Loula (p. pela Justiça Brasileira.gov. sendo suas normas. http://boletimcientifico. as cartas rogatórias executórias são cabíveis desde que exista tratado entre os países envolvidos (ou no âmbito do Mercosul).

Nesse sentido. sendo objeto de disputas. Assim. de igual largura. medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular. por sua vez. 311). conservação e gestão dos recursos naturais. com o que se perfazem 200 milhas a partir da linha de base. o domínio estatal se exerce sobre: a) as águas interiores – mares interiores. tem o direito exclusivo de regulamentar a investigação científica marinha. Zona econômica exclusiva. em princípio. 2. Plataforma continental. 4º A zona contígua brasileira compreende uma faixa que se estende das doze às vinte e quatro milhas marítimas. Com base na Lei nº 8. 628). sendo esta a largura máxima permitida. contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar territorial. II . a delimitação do âmbito de atuação de cada Estado sobre o mar é fundamental para resguardar a ordem pública internacional. ou no seu mar territorial.617/93.617/93 dispõe: “Art. que se sobrepõe à zona contígua. Enfim. o Estado tem soberania limitada. Art. reconhecidas oficialmente no Brasil. Ainda. vivos ou não-vivos. segundo a lei nº 8. e no que se refere a outras atividades com vistas à exploração e ao aproveitamento da zona para fins econômicos. Segundo Rezek. esta soberania sobre o mar territorial não é absoluta. Mar territorial. a Lei 8. além do seu território e das suas margens interiores. o Brasil poderá tomar as medidas de fiscalização necessárias para: I evitar as infrações às leis e aos regulamentos aduaneiros. p. uma zona de mar adjacente denominada mar territorial. criou-se a noção de domínio marítimo. Em todo caso. e cuja largura máxima é de 188 milhas marítimas contadas do limite exterior daquele. Zona Contígua.reprimir as infrações às leis e aos regulamentos. conservação e gestão dos recursos naturais. ela deve ser contínua e rápida. no exercício de sua jurisdição. de imigração ou sanitários. No que tange a sua regulamentação. no seu território ou no seu mar territorial. no seu territórios. Quanto à extensão. tem-se: ―art. não pode o Estado costeiro impor restrições que a dificultem. ela cuida-se de uma segunda faixa. Art. baias. Sobre a zona econômica exclusiva. Art. na medida em que é rico em recursos vivos e não-vivos. à imigração. a proteção e preservação do meio . o mar territorial compreende a faixa de 12 milhas marítimas de largura. que diz respeito ao direito de passagem inocente. 7º Na zona econômica exclusiva. e ainda à disciplina regulamentar dos portos e do trânsito pelas águas territoriais (Rezek. introduziram-se os conceitos acima referidos. etc. A soberania do Estado costeiro abrange. 5º Na zona contígua. tal como indicada nas cartas náuticas de grande escala. adjacente ao mar territorial. à saúde. nem discriminar navios em função da sua origem ou destino. canais. fiscais. consiste numa faixa adjacente ao mar territorial. Buscando delimitar os direitos de cada Estado sobre o mar. Sofre uma restrição. e. 8º Na zona econômica exclusiva. o Brasil tem direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento. no que concerne à alfândega. do leito do mar e seu subsolo. exercendo-a para fins de exploração e aproveitamento.617/93. a Convenção de Montego Bay de 1982 diz que ela deve ser de 12 milhas marítimas (cerca de 22 km). 6º A zona econômica exclusiva brasileira compreende uma faixa que se estende das doze às duzentas milhas marítimas. b) mar territorial e c) zona contígua (Mazzuoli. Com vistas a delimitar o domínio de cada Estado. das águas sobrejacentes ao leito do mar. Ele alcança aquelas áreas que são abrangidas pelo território de um Estado. p. Em relação à zona contígua.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 146 humanidade. o Brasil. onde o Estado costeiro pode tomar medidas de fiscalização em defesa do seu território e de suas águas.‖ A zona econômica exclusiva. contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar territorial.

nas ilhas oceânicas e costeiras. o direito real somente pode incidir sobre áreas em ilhas costeiras. A investigação científica marinha na zona econômica exclusiva só poderá ser conduzida por outros Estados com o consentimento prévio do Governo brasileiro. em particular as que impliquem o uso de armas ou explosivas. A plataforma continental do Brasil compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial. envolvendo Brasil e França. Art. É reconhecidos a todos os Estados o gozo. Por sua vez. O Brasil conseguiu que a França não pescasse mais lagostas. o Brasil exerce a sua soberania na exploração dos recursos naturais. É de se lembrar. in fine. até o bordo exterior da margem continental. consideradas em si mesmas.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 147 marítimo. que a propriedade estadual nas (e não das) ilhas costeiras não exclui a possibilidade de existirem áreas sob domínio dos municípios ou de particulares – enquanto. Rezek cita o caso da guerra da lagosta em 1963. 20. deve-se utilizar o conceito de mar territorial. atribui aos estados a propriedade sobre ―as áreas. Sobre esta plataforma. alienações ou desapropriações. O texto constitucional elenca entre os bens da União ―as ilhas oceânicas e as costeiras. 10. das liberdades de navegação e sobrevôo. Municípios ou terceiros‖. define-se a plataforma continental como: ―Art. enquanto. Para definir o que é perto ou longe da costa. a uma boa distância do litoral. porém. na zona econômica exclusiva. cede lugar às inclinações abruptas que conduzem aos fundos marinhos. que tinham por habitat a plataforma continental brasileira. em determinadas áreas de ambas as ilhas pode incidir a propriedade dos estados. de exercícios ou manobras militares. o referido art. Parágrafo único. enquanto após este limite. Art. relacionados com as referidas liberdades. Assim. excluídas. 26. somente poderá ocorrer com o consentimento do Governo brasileiro. A propriedade estadual será definida por via legal ou por ações concretas. a partir das quais se mede a largura do mar territorial. Ilhas costeiras e oceânicas. o Estado costeiro exerce direitos soberanos de exploração de recursos naturais. ou até uma distância de duzentas milhas marítimas das linhas de base. tais como os ligados à operação de navios e aeronaves. II. Segundo lição de João Trindade Filho. nos termos da legislação em vigor que regula a matéria. Quanto à propriedade das áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. cumpre tratar da plataforma continental. em virtude da presença de barcos franceses próximos a nossa costa. bem como de outros usos do mar internacionalmente lícitos. excluídas aquelas sob domínio da União. quanto aos municípios. destas. II‖ (art. ela é atribuída constitucionalmente à União. as que contenham a sede de Municípios. IV. na zona econômica exclusiva. e as referidas no art. 46/2005). como doações. 3. também não se exclui a propriedade de particulares. operação e uso de todos os tipos de ilhas artificiais. 9º A realização por outros Estados. Com base na Lei 8. nesta área. que é a parte do leito do mar adjacente à costa. Logo. em toda a extensão do prolongamento natural de seu território terrestre. enquanto as marítimas situam-se em alto mar (são chamadas também de pelágicas). elas serão oceânicas. 11. as ilhas marítimas podem ser de duas espécies: costeiras e oceânicas. Porém. Já o domínio da União é definido por . cuja profundidade em geral não excede a duzentos metros. e que. que estiverem no seu domínio. nas ilhas oceânicas.617/93. 26. na redação da EC n. nos casos em que o bordo exterior da margem continental não atinja essa distância‖. bem como a construção.” Por fim. as ilhas situadas nas 12 milhas marítimas são as costeiras. As costeiras situam-se próximas à costa (são chamadas também de continentais). exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal. instalações e estruturas.

p. Legislação básica: não indicou. 1944 e Protocolo de Montreal. 4. de regra. o domínio das áreas nelas contidas (o acessório segue o principal). Assim. Isto não impede que áreas das ilhas passem a ser de propriedade dos Estados e Municípios ou de particulares. Homologação de sentença de divórcio. uma determinada tonelagem. a capacidade e os direitos de família (critério lex domicilii). A regra geral para a regulação do casamento no Brasil é a do domicílio conjugal: ―A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. que seja fruto de um direito costumeiro. Casuística. o Código Civil estabelece norma no sentido de promover o registro do casamento de .a: Comunicabilidade do estado civil. vigora o sistema das cinco liberdades. independentemente de qualquer registro. 1. As aeronaves. Navios e aeronaves no domínio internacional. Elas também devem possuir uma nacionalidade – e uma única – determinada por seu registro ou matrícula (Rezek. não há no espaço aéreo um direito de passagem inocente. já que. Quanto ao espaço aéreo. Segundo Francisco Rezek (p. Convenções de Chicago. Mas é a lei do lugar da celebração do ato que regulamenta a forma e a substância do casamento. b) escala técnica. um porto de matrícula.3ª Edição. AgRg no REsp 597623. 4. O navio tem sempre um nome. possui também. são máquinas capazes de sustentar voo. Em todo caso. As comerciais são: a) desembarcar passageiros. por sua vez. situação jurídica que impede outro matrimônio (incorrerá no crime de bigamia o agente que contrair núpcias em mais de um Estado). à ordem pública e aos bons costumes. e sobretudo uma nacionalidade.” (João Trindade) Em suma.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 148 via de exclusão. 328). daí a comunicabilidade do estado civil de casado. ITEM 19 Ponto 19. Comunicabilidade do estado civil. as ilhas costeiras e oceânicas definem-se pela sua localização. organizado e guarnecido segundo sua finalidade‖. em si mesmas. o Estado é o senhor absoluto desse espaço. p.Juspodvm. passageiros e mercadorias com destino a – ou provenientes – de outros países membros da OACI (Rezek. proprietária das ilhas oceânicas e costeiras em si. b) embarcar passageiros. sendo que a propriedade delas. ―pode-se definir o navio como todo engenho flutuante dotado de alguma forma de autopropulsão. Diga-se por fim que foram firmados alguns tratados visando a garantir a segurança das aeronaves em âmbito internacional (exs. José Augusto Cordeiro da Cruz Neto Principais obras consultadas: Paulo Henrique Gonçalves Portela – Direito Internacional Público e Privado. o nome. sendo 2 técnicas e 3 comerciais. c) cada país permite que as aeronaves do outro embarquem e desembarquem. em seu território. 1984). 304). sendo alçadas por meios próprios. O casamento realizado no exterior produz efeitos no Brasil. exceto se for contrário à soberania nacional. As liberdades técnicas são: a) sobrevoo e o direito de proibir certas áreas em nome da segurança. somente o liberando para outros com permissão ou mediante a celebração de tratados. Ao contrário do que ocorre no mar territorial. 329). é da União. STJ: AgRg no REsp 955816.

em sua falta. celebrado no estrangeiro. O objetivo do registro seria dar publicidade ao casamento celebrado em território alienígena e provar sua ocorrência. quando o casamento foi realizado no Brasil. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil. Como já afirmado. poderá ser reconhecido no Brasil independentemente de prazo prévio. 7º da Lei de Introdução. só será reconhecido no Brasil depois de um ano da data da sentença. O Superior Tribunal de Justiça. a regulamentação do casamento é regida pela norma do Estado de domicílio do nubente. suprimindo o requisito de prévia separação judicial por mais de um ano ou separação de fato por mais de dois anos para o fim do casamento. a separação judicial e medidas correlatas. se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros. apesar da jurisprudência assinalar que juiz estrangeiro seria incompetente para decretar o divórcio perante leis brasileiras. o registro será feito no 1º Ofício do Distrito Federal.066/EU 27/09/96). Por conseguinte. 6º da Lei de introdução. no cartório do respectivo domicílio. obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. Preliminarmente. Quanto ao divórcio envolvendo brasileiros casados no exterior. como a separação de corpos seguem a lexdomicilii. Logo. se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros. para que a sentença estrangeira produza efeitos no Brasil. ou. o divórcio realizado no estrangeiro. estando o casal aqui domiciliado deste antes da união e não tendo havido eleição de foro estrangeiro com a concordância de ambos. decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros. consoante a regra inserta no art. o artigo 7º. 226 da Constituição Federal. desde que haja a previa homologação da sentença estrangeira de divórcio pelo STJ. salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo. no prazo de 180 (cento e oitenta) dias. Entretanto. convém destacar que o divórcio de ESTRANGEIROS concedido no exterior NÃO depende de homologação no Brasil. É importante salientar que o registro NÃO É ato constitutivo do casamento. fixando que o ―casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio‖.544).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 149 brasileiro. Tal registro não é necessário para a validade do casamento celebrado no exterior em nosso território. à luz do princípio da segurança jurídica. Nesse cenário. 1. há necessidade da prévia homologação da sentença de divórcio perante do Superior Tribunal de Justiça. a requerimento do interessado. é possível que os cônjuges aqui domiciliados postulem a dissolução do vínculo matrimonial segundo a lei brasileira. Homologação de sentença de divórcio. Partindo do pressuposto de que há a comunicabilidade do estado civil de casado e. caso em que a homologação produzirá efeito imediato. que pode ser provado pela certidão de casamento estrangeira traduzida oficialmente e legalizada pela autoridade consular brasileira no exterior. 2. o qual determina que ―O divórcio realizado no estrangeiro. perante as respectivas autoridades ou os cônsules brasileiros. embora já divorciados no estrangeiro. Importante destacar que a EC 66 alterou o 6º do art. há certa controvérsia na doutrina quanto ao divórcio. A sentença estrangeira deverá ser legalizada no Consulado do Brasileiro no país que proferiu a sentença com trânsito em julgado. . Em caso de domicílio desconhecido. a pessoa casada em seu domicílio presume-se casada em território brasileiro. Tal norma se aplica ao brasileiro que casou no exterior e vem morar no Brasil. a fim de que passe a produzir todos os efeitos legais‖. aplicando-se o estatuto pessoal. na forma do seu regimento interno. (STF SEC 5. No entanto. ainda que um dos cônjuges tenha a nacionalidade do Estado do magistrado. no 1º Ofício da Capital do Estado em que passarem a residir (art. poderá reexaminar. deve ser interpretado à luz da alteração promovida pelo poder constituinte derivado.

El Salvador. e 26. de 25 de julho de 1968. aderiram a esta Convenção os seguintes países: Alemanha. incisos I ao VII. Juspodivm. 1º. Grécia. denominada Estatuto da Criança e do Adolescente (arts. que se encontra sob jurisdição de outra Parte Contratante. Noruega e Países Baixos. Luxemburgo. China. Atribuições do Ministério Público Federal como autoridade central.b: Prestação de alimentos no estrangeiro. VI. que dispõe sobre ação de alimentos e dá outras providências (arts. Cuba. aprovada pelo Decreto Legislativo nº 10. etc). internamente. pelo Decreto n. México. 3ª Edição. §§ 1º ao 4º. 3ª Edição. Espanha. Lei de Alimentos. 2. ainda.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10891. Tem como objetivo ―facilitar a uma pessoa. 2009. A Convenção de Nova Iorque rege-se pelos seguintes princípios: . 26 da Lei n. foram celebrados tratados internacionais visando à facilitação da cobrança e do adimplemento de tais obrigações. Legislação básica: Convenção Sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro (denominada Convenção de Nova York).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 150 Ponto 19. Renovar. Alto Volta. Além do Brasil. sua execução ou. Argélia. especificamente ao Direito de Família. Lei nº 5. que se encontra no território de uma das Partes Contratantes. Convenção de Nova Iorque sobre Cobrança de Alimentos no Estrangeiro. http://www. Considerando a eventual necessidade de prestação de alimentos entre alimentantes e alimentados que vivem em Estados diferentes e a importância desses recursos para assegurar a sobrevivência e a dignidade humana dos credores. a obtenção de alimentos aos quais pretende ter direito por parte de outra pessoa. inc. Os organismos utilizados para este fim serão doravante designados como Autoridades Remetentes e Instituições Intermediárias‖. A Convenção de Nova Iorque aplica-se à homologação de uma sentença estrangeira referente a alimentos.ambitojuridico. doravante designada como demandante. 141. Cibele Cordeiro Andrade. e promulgada pelo Decreto nº 56. Guatemala. Gustavo Holanda Dias.478/68 – dispositivo que também define a competência da Justiça Federal para os casos fundados na Convenção (além do que determina o art. José Augusto Cordeiro da Cruz Neto Obras consultadas: Nádia de Araújo. Israel. §§ 1º e 2º. Equador. 56. Bolívia. Hungria. nesta Convenção. as designadas pela Convenção como de competência da instituição intermediária. de 02 de setembro de 1965. Camboja. Filipinas. O principal objeto desses tratados é regular a cooperação jurídica entre os Estados no que tange à cobrança de alimentos no exterior. doravante designada como demandado. de 1958. Convenção de Nova York de 1956.971. Bélgica.826/65. A autoridade central é denominada. A Convenção de Nova York sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro (1956) foi promulgada.478. à abertura de processo judicial que vise ao pagamento de pensão alimentícia. enquanto autoridade central.br/site/index. São funções do MPF. a autoridade central é o MPF. Chile. Paulo Henrique Gonçalves Portela. Marrocos. Argentina. como ―instituição intermediária‖. Dos alimentos no plano internacional: Convenções de Nova Iorque e Interamericana sobre prestação de alimentos no estrangeiro. É importante salientar que as convenções internacionais têm caráter complementar e subsidiário ao Direito interno brasileiro (Código Civil. Mônaco. de 13 de julho de 1990. e 148. e Lei nº 8. No Brasil. Tese de Mestrado apresentada na Universidade Católica de Brasília. ganhando relevância o art. CPC.com. parágrafo único). Dinamarca. Direito Internacional Público e Privado. Áustria.) 1. Lei 8. Haití. Iugoslávia. Noções Gerais. Colômbia. Finlândia. Brasil e Cobrança Internacional de Alimentos.069. França. 109. Ceilão. por força do art. alíneas ―a‖ a ―h‖. Direito Internacional Privado: teoria e prática brasileira. 5. parágrafo único.826. III. da CR88). Níger. O regramento da prestação transnacional de alimentos pertence ao ramo do Direito Internacional Privado.

Poderá o Estado demandado obter provas por meio de cartas rogatórias. via diplomática. inclusive. a fim de serem remetidas. salvo se formulado de má-fé (todos aqueles que recorram aos procedimentos da Convenção ficam isentos de custos. No Brasil. e dispõe sobre a previsão da análise do binômio necessidade versus possibilidade na fixação dos alimentos. 3. quaisquer outros meios jurídicos existentes em direito interno ou internacional. a qual se encarregará de encaminhá-lo obrigatoriamente à Instituição Intermediária do Estado do devedor (demandado). exceto as homologações de sentenças estrangeiras que já condenaram ao pagamento de pensão alimentícia. cabendo à Justiça Federal da capital do Estado brasileiro em que residir o devedor o exame dos pedidos oriundos do exterior (art. independentemente do recurso às vias diplomáticas. Caso o Estado onde se encontre o demandado não seja parte da Convenção. a solução da controvérsia será apreciada pela Corte Internacional de Justiça. É comum o estabelecimento direto entre as Autoridades remetente e intermediária. já que os instrumentos jurídicos que prevê apenas complementarão. Os meios jurídicos previstos na presente Convenção completarão. executá-la.pelo princípio da COMPLEMENTARIDADE. é imperioso destacar que qualquer divergência quanto à interpretação ou aplicação da Convenção entre os Estados-partes. com vistas ao Ministério das Relações Exteriores. ou seja. aos juízos rogados. * Procedimento: 1. as funções de Autoridade Remetente e Instituição Intermediária são conferidas à PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA (mais conhecida como AUTORIDADE CENTRAL). outros meios existentes no Direito Internacional ou interno para a cobrança de alimentos em geral. com o encaminhamento de carta rogatória citatória para o devedor no exterior.pelo princípio da RECIPROCIDADE.A Instituição Intermediária tomará. Artigo I2.O pedido é analisado de acordo com a lei do Estado da Instituição Intermediária. pois um Estado só poderá invocar as disposições da Convenção contra outro Estado que também seja parte do tratado.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 151 1. . As autoridades encarregadas de encaminhar os pedidos de alimentos feitos em um Estado são chamadas de AUTORIDADES REMETENTES. cujo pedido será dirigido ao Ministério da Justiça. medidas para assegurar a prestação de alimentos. 4. Por fim. 2. Reciprocidade. As autoridades encarregadas de receber os pedidos oriundos de outro Estado são chamadas de INSTITUIÇÕES INTERMEDIÁRIAS. que deverão ser cumpridas no prazo máximo de quatro meses após seu recebimento e executadas sem custas. sem os substituir. 26 do Decreto). em nome do demandante. antes do trânsito em julgado. cuja competência é prevista constitucionalmente como do STJ. deverá ser proposta ação de alimentos perante a Justiça Estadual. Artigo XVIII. iniciar uma ação de alimentos e. sem substituir. Uma Parte Contratante poderá invocar as disposições da presente Convenção contra outras Partes Contratantes somente na medida em que ela mesma estiver obrigada pela Convenção. inclusive os demandantes estrangeiros ou não residentes).O pedido do alimentando (demandante) é dirigido à Autoridade Remetente do Estado onde o credor se encontra. exceto as questões formais relacionadas ao pedido que devem observar a lei do Estado da Autoridade Remetente. podendo transigir. 2. A Convenção prevê a possibilidade de execução provisória dos alimentos.

como disposto no art. a PGR. 1º. tendo em vista seu caráter alimentar. parágrafo único. O Regimento Interno do Ministério Público Federal – RIMPF. tornando simples e acessível o procedimento de cobrança de alimentos no estrangeiro. hipótese em que a competência se desloca para a Justiça Estadual. O art. através da Procuradoria da República no local do domicílio do devedor. entra em contato com a Autoridade Central correspondente no exterior para que o pedido seja processado. o MPF promove seu encaminhamento. O Procurador . do Código de Processo Civil e art. após análise criteriosa. inciso I. Os documentos devem ser acompanhados da respectiva tradução e caso o demandante não possua condições financeiras de arcar como as despesas da tradução. Já os pedidos de cobrança de alimentos com fundamento na Convenção de Nova York oriundos do exterior são encaminhados diretamente à PGR. A PGR recomenda que. o MPF. Os pedidos podem ser encaminhados às Procuradorias da República nos municípios. após o recebimento dos documentos. Mas é importante salientar que o credor pode ajuizar uma ação de alimentos diretamente no Brasil. define como atribuição da ASCJI atuar em apoio ao PGR. há de ser encaminhado com o pedido. após o que serão remetidos à respectiva Procuradoria da República com atribuição para atuar no feito. Atribuições do Ministério Público como Autoridade Central A Procuradoria Geral da República funciona como Autoridade Remetente quando encaminha documentos para cobrança de alimentos no exterior e atua como Instituição Intermediária quando recebe os documentos do exterior para fazer a cobrança no Brasil. via ASCJI. antes da propositura da ação. instrumento hábil a comprovar o parentesco e. se. bem como adequados à legislação brasileira. 585. do referido ato administrativo. É importante salientar que tais pedidos possuem prioridade em seu processamento. através do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Segundo jurisprudência majoritária. ainda. Assim. A ASCJI analisará os documentos a fim de certificar que estão na conformidade da Convenção. Segundo Nádia de Araújo. transmitirá à Instituição Intermediária designada pelo Estado do demandado. 15.099/95 (Juizados Especiais).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 152 3. segundo orientação da PGR. No caso reverso. ou via diplomática. No caso dos pedidos provenientes do exterior. além de atuar no relacionamento com os órgãos nacionais voltados às atividades próprias da cooperação internacional. por exemplo. da Lei 9. que pode consistir em um pedido de reconhecimento da sentença estrangeira ou iniciar uma ação de alimentos no Brasil. inciso VI. instrumento aceito pela legislação local. prevê que as atribuições referentes aos atos de cooperação internacional são de competência da ASCJI – Assessoria de Cooperação Jurídica Internacional. observando-se o local de domicílio do devedor. seja realizada uma tentativa de acordo extrajudicial. 3º. A competência interna para julgamento das ações judiciais amparadas pela Convenção é da JUSTIÇA FEDERAL. há dois tipos de procedimentos: os oriundos do exterior e os originados no Brasil que precisam ser enviados ao exterior. em seu art. a competência será da JUSTIÇA FEDERAL apenas quando a Procuradoria Geral da República estiver atuando como Instituição Intermediária. para envio e recebimento de pedidos que digam respeito à Convenção de Nova York. inciso II. inciso VI) e assessora o Procurador-Geral da República nos assuntos pertinentes à cooperação jurídica internacional com autoridades estrangeiras e organismos internacionais. como autoridade central. determinado país exige prova do parentesco. De posse dos documentos. 57. É dever do Procurador da República tomar as medidas necessárias para que o pedido seja devidamente instruído em face dos requisitos estabelecidos pela lei do Estado recebedor. através da Autoridade Remetente do país de origem da parte demandante. órgão que compõe o Gabinete do ProcuradorGeral da República (art. o Procurador da República solicitará à unidade administrativa no estado para que seja providenciado o custeio.

onde fixada a obrigação alimentar. é desnecessária a autenticação consular dos documentos que instruem o pedido de homologação. 155) Ponto 19. Ministro FERNANDO GONÇALVES. 4. 1. mas a Autoridade Remetente deve ser sempre informada. terá seu trâmite acompanhado pela Procuradoria da República que oficia na respectiva seção judiciária. parece conveniente desenvolver o presente estudo. Legislação básica: não indicou. como instituição intermediária. quando a tramitação dos mesmos acontecer por via oficial. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA. AUTENTICAÇÃO.133/PT. Por esta idéia tais populações gradualmente abandonariam seu modo de vida tradicional e adotariam o estilo de vida ―civilizado‖ de seus vizinhos. PRESENTES OS REQUISITOS AUTORIZADORES. que as encaminhará ao STJ para homologação. ALIMENTOS.10. tendo o MPF se manifestado contrário a ela em diversas ações e pareceres.826/65. tais sentenças são remetidas pela Autoridade Remetente à PGR. INSTITUIÇÃO INTERMEDIÁRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada do Colendo Supremo Tribunal Federal. dentre as quais pleitear a homologação de sentença estrangeira.Juspodivm. TRAMITAÇÃO VIA OFICIAL. Pedido de homologação deferido.c: Povos indígenas e comunidades tradicionais em face do Direito Internacional. com o objetivo de torná-la exeqüível no Brasil. Tal idéia é atualmente rechaçada pela antropologia. 3. PARCELAS EM ATRASO. onde toda a documentação foi enviada pelo Ministério da Justiça de Portugal. para posterior análise pela ASCJI.2011– Editora Juspodivm. tendo inclusive poderes para transigir. DOCUMENTAÇÃO. 2. representa o demandante na ação. julgado em 17. Paulo Henrique Gonçalves Portela – Direito Internacional Público e Privado – 3ª edição. como ocorre in casu. merece deferimento o pedido de homologação. A carta de sentença.2007. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.2007 p. Rel. Preenchidos os requisitos da Resolução nº 9/2005 do Superior Tribunal de Justiça. No que tange às sentenças estrangeiras de alimentos para execução em território nacional. Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas de 2007. COBRANÇA. na qualidade de Instituição Intermediária. por se basear em uma premissa de superioridade da cultura . pode tomar todas as providências necessárias à efetivação da cobrança de prestações alimentícias. Autoridade Remetente. da Convenção de Nova York Sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro. conforme previsto constitucionalmente.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 153 da República. o Ministério Público Federal. (SEC 2. DESNECESSIDADE. José Augusto Cordeiro da Cruz Neto Obras consultadas: Edilson Vitorelli – Estatuto do Índio 1ª edição . 1. Noções Gerais: Tendo em vista a aridez do tema e o fato de o examinador já ter demonstrado grande interesse por ele. DECRETO 56. 4 – Jurisprudência: STJ SENTENÇA ESTRANGEIRA.11. como é executada no juízo federal do domicílio do devedor. CORTE ESPECIAL. CONVENÇÃO DE NOVA YORK SOBRE PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS NO ESTRANGEIRO. diretamente ou via diplomática. Durante décadas foi dominante na antropologia a idéia de que o caminho para populações indígenas ou tradicionais seria a assimilação pela cultura majoritária com a qual tivessem contato. Nos termos do artigo VI. Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. DJ08.

de maneira que o Estado teria a responsabilidade de buscar a sua integração. de 1989. em um nível inicial do processo de evolução. O Estado considerava a condição indígena transitória. Atualmente. sendo sua aplicação na atualidade combatida pelo MPF. de 19 de abril de 2004. e outra pluralista. entendimento predominante do MPF é o de dar prevalência ao critério do autorreconhecimento. de 1957. ainda que de forma específica e limitada a certos objetivos e agendas. principalmente com o contato com a cultura nacional dominante. A Convenção 107 adotava expressamente as teorias da assimilação ou integracionismo. a doutrina mais moderna entende que a cultura nacional não deve ser obrigatoriamente homogênea e que nenhuma cultura é intrinsecamente superior a outra (deve-se evitar os termos primitivo. ou mais tradicional. a convenção estabelece que a consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para a identificação dos índios. o indivíduo. desde que observados os aspectos culturais do grupo e a dinâmica social. se comparados com a sociedade não índia. aculturado e afins). Trata-se do direito ao autorreconhecimento. O colega ainda observou que a última posição é a mais moderna e adequada à realidade. 2º. As culturas tradicionais devem ser preservadas. pode ser interessante sustentar que esta revogou certas disposições integracionistas da legislação interna. É interessante notar que certos dispositivos de legislação interna brasileira (Estatuto do Índio). Uma crítica que se faz ao autorreconhecimento é a possibilidade de pessoas se identificarem como indígenas para perceberem benefícios reservados ao grupo. organizações internacionais e entes “sui generis”. o mais relevante é a sua comparação com a antiga Convenção 107 da OIT. da época da ditadura. Nesta mesma linha também poderia ser reconhecida subjetividade jurídica internacional aos povos indígenas. assimilado. O examinador atribuiu nota máxima à prova de colega que respondeu existirem duas correntes. A convenção OIT 169 foi aprovada pela Organização Internacional do Trabalho. Apesar disso. Tendo em vista a força cogente de Lei da Convenção. Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. 2. ou seja. não sendo aceitável a criação de . adotam o paradigma do integracionismo. em seu art. prezando pela preservação da cultura indígena e pela participação dos povos indígenas na elaboração das políticas públicas a eles pertinentes. fato que gerou a celebração de tratados e a elaboração de leis internas que estimulavam a assimilação e protegiam as populações indígenas na medida em que estas supostamente eram assimiladas pela cultura nacional. com a seguinte disposição: ―Competirá principalmente aos governos pôr em prática programas coordenados e sistemáticos com vistas à proteção das populações interessadas e sua integração progressiva na vida dos respectivos países‖. Uma realista. inclusive no Brasil. Uma última observação diz respeito ao questionado na segunda fase do 25º Concurso acerca dos povos indígenas como sujeitos de DIP. internacionalizada através do Decreto 5. membros de população em um estágio menos adiantado. porém sem impedir que estas se transformem pelo contato com outras culturas. que reconhece como sujeitos de DIP. Nesse cenário. os índios eram considerados indivíduos não evoluídos. Quanto à Convenção OIT 169.051.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 154 ―civilizada‖ com relação a culturas ―primitivas‖ o que levaria a uma inevitável assimilação da última pela primeira. civilizado. A teoria da assimilação ou do integracionismo esteve em voga em todo o mundo. A convenção 169 possui foco diverso. A Convenção primeiramente identifica em seu artigo 1º quem são os povos indígenas ou grupos tribais. Reserva-se aos indivíduos o direito de buscar sua realização pessoal em uma ou outra cultura ou mesmo em ambas. de maneira a promover a indesejada redução do montante de recursos públicos aos legitimamente interessados. até a concretização do propósito de total assimilação à sociedade não índia. Ao contrário do Estatuto do Índio. que reserva personalidade internacional apenas aos Estados.

que poderia dar ensejo a preconceitos e a prejuízos a cidadãos que efetivamente fazem jus à proteção estatal. a título coletivo ou individual. caso se comprove que as terras que ocupam sejam insuficientes para sua manutenção atual e futura. É uma declaração aprovada pela Assembléia Geral da ONU e não um tratado. O art. em princípio. segundo o qual ―Os povos indígenas e tribais deverão gozar plenamente dos direitos humanos e liberdades fundamentais. A declaração segue a mesma linha da Convenção OIT 169. que prevê que os governos deverão adotar as medidas necessárias para determinar as terras que os povos interessados ocupam tradicionalmente e garantir a proteção efetiva dos seus direitos de propriedade e de posse.do Conselho dos Direitos Humanos da ONU. A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi aprovada pela Resolução 1/2.‖ (art. de 29/06/2006. estabeleceu o Direito de Consulta – consulta livre. 2 e 3). além de proteger os índios. Nesse diapasão. para tanto. instituições e bem-estar espiritual. prévia e informada acerca de medidas administrativas ou legislativas que os afetem (artigo 6 ). preocupando-se com a preservação dos direitos dos povos indígenas e rompendo em definitivo com o antigo paradigma do assimilacionismo. ainda que não possam. social e cultural (art. de forma a promover a maior participação possível das comunidades tradicionais nas decisões acerca de seus destinos e de seu desenvolvimento econômico. não deverão ser transladados das terras que ocupam. crenças. de 2007. a Convenção também confere o direito de consulta aos povos indígenas nas decisões estatais que lhes afetem diretamente e. possibilitando-lhes a participação nas decisões estatais. ao pleno . as comunidades indígenas podem ser beneficiadas pela reforma agrária. bem como as terras que ocupam ou utilizam. A Convenção rege-se pelo princípio da não discriminação. É importante esclarecer que o examinador tem entendimento consolidado no sentido de que as declarações expressam substancial consenso da comunidade internacional. e pela Resolução 61/295. 3) A referida Convenção estatui diversos mecanismos que. 3 – Declaração das Nações Unidas sobre Direitos dos Povos Indígenas: Deve-se destacar que se trata de um documento formalmente não vinculante. 7). o direito de escolher suas próprias prioridades no que diz respeito ao processo de desenvolvimento. 14. desde que compatíveis com os direitos fundamentais e com os direitos humanos (art. As comunidades tradicionais têm direito à conservação de seus costumes e instituições próprias. A Declaração reafirma que ―os indígenas têm direito. por questões formais.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 155 um critério de heterorreconhecimento. 19 da Convenção estabelece que os programas agrários nacionais deverão garantir aos povos interessados condições equivalentes às desfrutadas por outros setores da população. O direito dos povos indígenas terem suas terras demarcadas administrativamente vem reconhecido na Convenção (art. dão poderes às comunidades indígenas. serem consideradas normas de caráter vinculante. inclusive ―métodos aos quais os povos interessados recorrem tradicionalmente para a repressão dos delitos cometidos pelos seus membros‖. integrando o chamado soft law. 8 e 10). Assim. para fins de alocação de terras quando as terras de que disponham sejam insuficientes para lhes garantir os elementos de uma existência normal ou para enfrentarem seu possível crescimento numerário. A proteção das terras indígenas é ressaltada na Convenção e parte do princípio de que toda ação relativa às comunidades tradicionais deverá levar em conta a importância da relação desses povos com suas terras e de que os povos indígenas. quando tais decisões afetem suas vidas. sem obstáculos nem discriminação. da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Hierarquia supralegal. Também no 25º Concurso. Têm direito às terras. com a alteração promovida pela EC45/2004. 5º. foi cobrado o conhecimento da Declaração no que tange à impossibilidade de. de 1966‖) Tanto a convenção da OIT quanto a declaração trazem um direito aos povos indígenas que parece digno de nota e intimamente relacionado à matéria. já que na prova objetiva do 26º Concurso. ou dos tratados internacionais de que a República Federativa do Brasil seja parte". "os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. 46). questão 54. §3º. Dentre tais direitos. territórios e recursos que possuem e ocupam tradicionalmente ou que tenham de outra forma utilizado ou adquirido. Em matéria alusiva a povos indígenas ou comunidades tradicionais não há nenhum tratado de direito internacional aprovado como emenda constitucional. Tratados "equivalentes a emendas constitucionais". por três quintos dos votos dos respectivos membros. incluindo o direito de conservar locais e bens de relevância cultural. destacam-se o direito à autodeterminação. nem a ação de outros estados contra sua integridade territorial. Na doutrina tem prevalecido que os tratados internacionais de direitos humanos têm natureza de norma constitucional formando com a CF-88 um bloco de constitucionalidade. Anteriormente à EC-45/2004 a CF apenas previa que os "direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. territórios ou recursos. foi cobrado conhecimento sobre o direito à autodeterminação dos povos. Neste sentido Flávia Piovesan e Cançado Trindade são os principais nomes.‖ Têm direito à preservação de sua cultura. à autonomia e ao autogoverno nas questões relacionadas a seus assuntos internos e locais. tradições. É importante ressaltar a relevância do tema da autodeterminação para o examinador. a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o direito internacional dos direitos humanos. assim como a disporem dos meios para financiar suas próprias funções autônomas. §3º. com base no princípio da autodeterminação (art. tradições. em cada Casa do Congresso Nacional.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 156 desfrute de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais reconhecidos pela Carta das Nações Unidas. Não podem os povos indígenas ser privados ou removidos à força de suas terras. Leitura complementar: ponto 7C do resumo de Proteção Internacional de Direitos Humanos Valor do tratado de direitos humanos na Constituição Federal. Os povos indígenas separados por fronteiras nacionais (situação comum na Amazônia) têm direito de manter contato com seus membros ou mesmo outros povos. De acordo com o art. Todavia. legitimar-se o desmembramento territorial do Estado em cujo território vivem os povos indígenas. costumes e práticas religiosas. direito à educação em seu próprio idioma e de que a dignidade e a diversidade de suas culturas. serão equivalentes às emendas constitucionais". devendo os Estados adotarem as medidas necessárias para facilitar o intercâmbio e a comunicação. 5º. em dois turnos. histórias e aspirações sejam devidamente refletidas na educação pública e nos meios de informação públicos. mas sob o enfoque dos direitos humanos (―o direito à autodeterminação integra os direitos civis e os direitos sociais e culturais. o STF entendeu que somente terão "status" de norma constitucional o tratado que for aprovado pelo rito do art. da CF. da Constituição Federal. Devem os Estados estabelecer procedimentos de reconhecimentos das terras indígenas. por força dos Pactos Internacionais respectivos. . questão 16.

nos termos do Artigo 3. 5º. Direito Internacional Público e Privado. 3ª Edição. Considera-se transferência ou a retenção ilícita de uma criança quando: a) tenha havido violação a direito de guarda atribuído a pessoa ou a instituição ou a qualquer outro organismo. ―A Convenção aplica-se a qualquer criança que tenha residência habitual num Estado Contratante. estando abaixo apenas da Constituição. para o STF. A Convenção da Haia fundamenta-se na necessidade de defender os interesses superiores da criança e de protegê-la dos nefastos efeitos provenientes de alteração de domicílio ou de retenções indevidas. 5º. individual ou conjuntamente. Legislação básica: Convenção da Haia de Convenção sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças (1980). todos os tratados internacionais de direitos humanos não aprovados pelo rito do art.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 157 Assim.a. Em conclusão. Autoridade Administrativa Central. individual ou conjuntamente. Competência da Justiça Federal. Atribuições do Ministério Público Federal e da Advocacia Geral da União. e b) fazer respeitar de maneira efetiva nos outros Estados Contratantes os direitos de guarda e de visita existentes num Estado Contratante. para o STF somente têm força de norma constitucional o tratado que for aprovado por três quintos dos membros de cada casa do Congresso Nacional e em dois turnos (art. A aplicação da Convenção cessa quando a criança atingir a idade de dezesseis anos‖. e b) esse direito estivesse sendo exercido de maneira efetiva. pela lei do Estado onde a criança tivesse sua residência habitual imediatamente antes de sua transferência ou da sua retenção. São objetivos centrais da Convenção: a) assegurar o retorno imediato de crianças ilicitamente transferidas para qualquer Estado Contratante ou nele retidas indevidamente.413/00. Efeitos civis do sequestro de crianças. de modo que uma vez incorporados prevalecem sobre a legislação ordinária que lhe é contrária. §3º. Todavia. ou devesse está-lo sendo se tais acontecimentos não tivessem ocorrido. Jus Podivm. da CF. estão sujeitos ao controle de constitucionalidade difuso ou concentrado. como tal. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR. voltadas a promover o retorno de menores ilicitamente transferidos do país de residência a outro Estado Contratante. prevê medidas administrativas ou judiciais. no momento da transferência ou da retenção. Assim. esses tratados não incorporados como emenda constitucional possuem hierarquia supralegal. promulgada no Brasil pelo Decreto n. CF). §3º. imediatamente antes da violação do direito de guarda ou de visita. tem "status" de norma infraconstitucional e. e tenha decorrido um período de menos de 1 ano entre a data da transferência ou da retenção indevidas e a data do início do processo perante a autoridade judicial ou administrativa do . Quando uma criança tiver sido ilicitamente transferida ou retida. 3. Paulo Henrique Gonçalves Portela. ITEM 20 Ponto 20.

131 da CR88). Caso não haja o retorno amigável. mesmo após expirado o período de 1 ano. para a promoção da devida ação judicial. 1º do Decreto n. a autoridade respectiva deverá ordenar o retorno imediato da criança. é possível que este peça a guarda do infante na Justiça brasileira. Quando a autoridade judicial ou administrativa do Estado requerido tiver razões para crer que a criança tenha sido levada para outro Estado.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 158 Estado Contratante onde a criança se encontrar.164.951/01. É imperioso salientar que aos Juízes Federais cabe apenas examinar as normas da Convenção. pela AGU (art. no Brasil. O simples fato de que uma decisão relativa à guarda tenha sido tomada. Entretanto. eis que a ação de restituição visa a permitir que o Brasil cumpra o compromisso internacional estatuído na Convenção da Haia. ressalte-se que no caso do menor ser trazido licitamente por genitor brasileiro ao Brasil. em juízo. A autoridade central. evitando deliberar acerca do mérito da guarda.951/01 (este é mais . I). deverá ordenar o retorno da criança. no seu retorno. limitando-se a examinar os aspectos da possível ilegalidade da transferência das crianças de seu país de origem e residência habitual. do qual pode fazer parte um membro da Procuradoria-Geral da República (p. 3.único. Há intervenção obrigatória do MPF no processo. A autoridade judicial ou administrativa respectiva. sob pena de nulidade do feito. instituição ou organismo) deverá procurar a Autoridade Central do Estado de residência da criança ou qualquer outra Autoridade Central (que também faça parte da Convenção) para assistência no que tange ao retorno do menor. salvo quando for provado que a criança já se encontra integrada no seu novo meio. ficar sujeita a perigos de ordem física ou psíquica. O retorno da criança poderá ser recusado quando incompatível como os princípios fundamentais do Estado requerido com relação à proteção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. passível de reconhecimento no Estado requerido não poderá servir de base para justificar a recusa de fazer retornar a criança nos termos desta Convenção. com amparo no art. A decisão acerca da devolução não é ato discricionário. conferiu guarda ou regulou as vistas.547). ou que havia consentido ou concordado posteriormente com esta transferência ou retenção ou no caso de grave risco de a criança. Segundo o art. instituição ou organismo que tinha a seu cuidado a criança não exercia efetivamente o direito de guarda na época da transferência ou retenção. ficar numa situação intolerável. ―fica criado o Conselho da Autoridade Central Administrativa Federal contra o Sequestro Internacional de Crianças‖. inc. 3. deverá a criança retornar ao Estado de onde foi levada.951/01 –. independente do mérito da decisão que. ou. quando ficar provados que a pessoa. poderá suspender o processo ou rejeitar o pedido para o retorno da criança. a Autoridade Central brasileira encaminhará o caso à AGU. assessorada juridicamente e representada. mas as autoridades judiciais ou administrativas do Estado requerido poderão levar em consideração os motivos dessa decisão na aplicação da presente Convenção. no Estado de origem. 82 do CPC. Cumpridos os requisitos explícitos na Convenção que caracterizam a transferência ilícita. cuja competência para processamento e julgamento cabe à JUSTIÇA FEDERAL. O interessado (pessoa. 3º do Decreto n. segundo entendimento do STJ (RESP 1. São atribuições da autoridade central as prevista nos arts. a qual é competente para processar e julgar ação de guarda quando uma criança está na companhia de sua mãe ou de seu pai e reside em território brasileiro. 7º da Convenção e 2º do Decreto. 3. de qualquer modo. é a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) – art. já que a transferência lícita da criança para território brasileiro não configura o sequestro internacional do menor. ou seja.

diferentemente de crimes contra a humanidade. em face de sua peculiar gravidade.001/69).27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 159 detalhado do que o primeiro dispositivo). Competência para seu processo e julgamento. podendo ser autor qualquer pessoa. o genocídio foi considerado ―crime hediondo‖ pela Constituição de 1988 e pela Lei n. defendendo a constitucionalidade dos dispositivos da Convenção da Haia sobre Sequestro Internacional de Crianças (ADI 4245 ajuizada pelo DEM – Democratas) http://noticias. 2. Código Penal Militar (Decreto-Lei n. por influência da União Soviética.aspx?idConteudo=119651&ordenacao =1&id_site=4922 Interessante ler o parecer da PGR. 1. 2.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_pdfs/ADI_4245. A Convenção da ONU de 1948. podem ser praticados por particulares até fora de um contexto de um conflito. cometendo. racial ou religioso de que faz parte. Segundo Eugênio Aragão. ainda. étnico.072/90. os crimes de genocídio.b. assinado pela Dra. no Brasil. submissão intencional destes ou. tome medidas a impedir os nascimentos no seio do grupo. racial ou religioso.072/90. Convenção de Roma (TPI) Noções Gerais: O marco da condenação do genocídio foi o repúdio da comunidade internacional diante do genocídio dos armênios praticado pelos dirigentes do Império Turco-Otomano. Posteriormente. pretende destruir. por garimpeiros. no todo ou em parte. mas o próprio grupo nacional.gov.889/56 e pelo Código Penal Militar (Decreto-Lei n. em 1915. O crime é comum. intencionalmente. 1. Duprat.pdf Ponto 20. não adotou. Genocídio como crime internacional: conceito. Jurisprudência atualizada sobre o sequestro internacional de crianças – acessem: http://www. O bem jurídico tutelado não é a vida do indivíduo considerado em si mesmo. .001/69). o genocídio de grupos políticos e sociais.889/56. tornando-se crime autônomo em 1948. Conceito e características: Pratica genocídio quem. atos como o assassinato de membros do grupo. para tanto.br/sistemas/site/TemplateTexto. Ele relata que. e textos subsequentes. bem como promova a transferência forçada de menores do grupo para outro.agu. Genocídio no Estatuto de Londres e no Estatuto de Tóquio era uma forma de extermínio. com definições coincidentes com a convenção da ONU. era uma forma da prática dos crimes contra a humanidade. étnico. A definição da Convenção da ONU foi repetida pelo Estatuto do TPI. as Nações Unidas adotam a Convenção contra o Genocídio. pela Lei n.gov. pela Lei n. 8.mpf. no Brasil (em cumprimento da Convenção contra o Genocídio de 1948). O genocídio foi tipificado. Lei n. Em 1948. houve casos de julgamento de genocídio contra populações indígenas. natureza e incorporação no ordenamento jurídico brasileiro.pgr. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR (sem qualquer alteração) Legislação básica: Convenção contra o Genocídio de 1948. dano grave à sua integridade física ou mental. um grupo nacional. 8.

STF). http://www.União aduaneira: segunda fase.c: Direito da Integração Regional. união aduaneira. Geralmente estes países estão próximos por suas posições geográficas. especialmente no campo econômico.Zona de livre comércio: Liberação da circulação de bens dentro do bloco regional .pdf.org. Tipologia.br/direitos/sip/euro/jorge_integracao_mercosul_ue. cf. com características deste: necessidade de incorporação de suas normas às ordens internas. Legislação consultada: não indicou Direito da Integração Regional: se consolidou com o surgimento dos blocos econômicos. Internacionalmente. etc. como o estabelecimento de uma tarifa externa comum TEC. O conceito de raça não deve ser tomado de forma científica. Trata-se do estabelecimento de regras comuns para importações oriundas de fora do bloco. basta que uma ou mais pessoas sejam vítimas diretas. É o estágio em que se encontra o MERCOSUL. quando o genocídio é praticado por meio de homicídios. Relação com o Direito brasileiro. o STF decidiu que. como gravames aduaneiros. É ramo do DIP. Recentemente. mercado comum. da característica da subsidiariedade da atuação do TPI. . Estrutura. Evolução. da CF/88. Se praticado contra comunidades indígenas. de destruir o grupo. XI. históricas e culturais. alíquotas cotas. CEZAR PELUSO. Principais atos institutivos. a competência. Não confundir com Direito Comunitário (integrações aprofundadas): se sobrepõe ao direito interno. união econômica e. Lembrando-se. 2. mas como características que possam gerar preconceito. Jus Podivm. Mercado Comum do Sul. (RE 419528 e 179485). Para configuração do crime. por não se confundir com o homicídio. a fim de evitar que produtos e serviços vindos de terceiros países promovam vantagens na concorrência contra produtos do próprio bloco. união política. diretamente aplicável nos Estados (sem incorporação) Tipologia: Um processo de integração regional pode percorrer até cinco etapas distintas: zona de livre comércio. o crime de genocídio está inserido na competência ratione materiae do TPI. a competência para o julgamento do genocídio é do juiz singular. 109. Características.primeira etapa da integração em que são estabelecidas facilidades para circulação de bens dentro do bloco regional com redução progressiva ou total de barreiras alfandegárias e não alfandegárias. mecanismos criados e formados por Estados soberanos que conferem uns aos outros certas vantagens no âmbito das relações que mantêm entre si. será do Tribunal do Júri perante a Justiça Federal (RE 351487. 1. será competente a Justiça Federal. (forma de cooperação entre Estados se caracteriza por mecanismos de vantagens recíprocas). afinidades econômicas. Competência para seu processo e julgamento: Internamente. desde que presente o especial fim de agir. por fim. 3ª Edição. art. estereótipos. Mônica Guimarães Lima Principais obras consultadas: Resumo do Grupo do 26º CPR. sempre.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 160 O sujeito passivo é qualquer pessoa que integra o grupo atacado. por conexão. Paulo Henrique Gonçalves Portela.dhnet. Ponto 20. Direito Internacional Público e Privado. Organização Internacional Supranacional.

5.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 161 3. Aberto à adesão de membros da ALADI que adotem democracia. convém ressaltar que as normas criadas em uma organização internacional supranacional se aplicam diretamente na ordem interna dos Estados-membros (sem internalização) e são de hierarquia superior às normas internas dos Estados.União econômica e monetária política: os membros do bloco regional estabelecem a coordenação de suas políticas macroeconômicas. cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento da região por meio da criação de um espaço econômico comum. de defesa e de segurança. sede e capacidade para celebrar tratados. à existência de entidades que se encontram em posição de primazia frente aos Estados soberanos. (PORTELA). na maioria das vezes. Organização Internacional Supranacional: Trata-se do Direito Comunitário. (Rezek afirma ser organização internacional). observa-se que os blocos regionais já vêm apenas aplicando alguns elementos de união política.br) Celebraram acordos de livre comércio com o bloco . o fortalecimento das posições dos países do bloco nos foros internacionais. com órgãos permanentes. Fundada no princípio da limitação da soberania em nome de interesses comuns (membros transferem parcela para a organização). O Direito Comunitário caracteriza-se por estar associado à supranacionalidade. União econômica e monetária: coordenação de políticas macroeconômicas (política econômica e cambial unificação e moeda única). partindo.Mercado comum: terceiro estágio. Criação da ALALC/1960 (Assoc. Ex: União Européia. Por fim. que permita a ampliação dos mercados nacionais. mas também pelos órgãos do bloco regional.vantagens nas relações econômicocomerciais. a modernização econômica e.gov. ou seja. a melhor inserção internacional de seus integrantes. como reação coletiva dos líderes políticos da região à destituição do poder do então presidente Fernando Lugo. a elevação do grau de competitividade das economias dos Estados-membros.União política: os membros do bloco avançam no sentido de estabelecer uma coordenação de ações no campo político. O Paraguai encontra-se suspenso do bloco. 4º. como a coordenação de políticas externas.mercosul. Teoricamente. 4. para políticas econômicas e cambiais unificadas. em suma. Associados: Bolívia/Chile/Colômbia/Equador/Peru/(fonte: www. em que há livre circulação dos fatores de produção (bens/serviço/capital/mão-de-obra). sendo ainda marcado pela aplicabilidade imediata dentro dos entes estatais e pela superioridade hierárquica em relação ao Direito interno dos Estados. ramo do Direito que regula mecanismos de integração regional que atingiram um estagio de desenvolvimento mais aprofundado e que é criado não só pelos Estados. a obtenção de vantagens comerciais com outros parceiros. a união política pode levar à formação de uma confederação ou mesmo à unificação dos membros do mecanismo integracionista. Mercado Comum do Sul: Pessoa jurídica de direito internacional público. Funciona como um Estado acima dos Estados e cujas instituições operam de modo semelhante a um organismo internacional. CF. São membros: Brasil/Argentina/Paraguai/Uruguai/Venezuela (foi recentemente incluído). porém. Latino-Americana de Livre Comércio):objetivo de criar . ao contrário do Direito Internacional clássico. assemelhada a uma organização internacional. uma só moeda e um banco central único. metas comuns de indicadores macroeconômicos. parágrafo único. Estágio atual da União Europeia. independentemente da etapa em que se encontrem. pelo menos em certos aspectos. Evolução: Fase “romântica”: marcada por dificuldade de integração/ políticas nacionalistas/ênfase para a política externa com os EUA – Europa possuía muita rivalidade com países vizinhos. Lembrar: art. Na prática.

Principais atos institutivos: Tratado de Assunção/1991/acordo-quadro: cria Mercosul e estabelece linhas gerais (liberalização do comércio com redução progressiva de barreiras tarifárias/não tarifárias. Hoje envolve também aspectos políticos e sociais. Estrutura: Conselho do Mercado Comum (CMC): órgão superior. Suas manifestações são chamadas de ―decisões‖ e serão tomadas por consenso. Desde 2010: membros eleitos por voto direto/universal/secreto dos cidadãos dos Estados. ainda não de trabalhadores como na U. por retirada de barreiras. Diretor eleito pelo GMC e designado pelo CMC. Parlamento do Mercosul (Protocolo/2005): sede Montevidéu. adota Decisões em matéria financeira ou orçamentária (obrigatórias. Sucede-a a ALADI (1980) (Assoc. não havendo voto ponderado e exigindo-se. Brasil e Argentina promovem comércio bilateral. Integram: ministros do Ministério das relações Exteriores e do Ministério da Economia dos Estados-membros do bloco. configurando a chamada Presidência pro tempore. Exerce personalidade jurídica. Protocolo de Brasília (1991): rege solução de controvérsias. políticas macroeconômicas). Foro Consultivo Economico-Social: órgão de representação dos setores econômico e social. derrogado pelo Protocolo de Olivos . Após.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 162 zona de livre comércio em 12 anos. subordinado ao CMC. Grupo do Mercado Comum (GMC): principal órgão executivo. a participação de todos os Estadosmembros. sede Montevidéu. com o objetivo de criar mercado comum). Comissão de Comércio do Mercosul (CCM): cuida da aplicação dos instrumentos de política comercial. para promover livre comércio na América Latina.faz condução política da integração . celebra tratados (delegável ao GMC). Também criado pelo Tratado de Assunção. Nos Anos 80. Baixa institucionalização (poucos órgãos permanentes): mudança com o Protocolo de Ouro Preto. Composição similar ao GMC. criado pelo Tratado de Assunção . após redemocratização. Cria Comitês Técnicos para assessoria. nas deliberações. Características: Zona de livre comércio e União Aduaneira (livre circulação dos fatores de produção.toma decisões para assegurar cumprimento dos objetivos. Adota Resoluções em matéria financeira ou orçamentária (são obrigatórias. Sede Montevidéu. por consenso). Órgão de representação de interesses dos cidadãos dos Estados-partes. E. Não tem competência para decidir reclamações de particulares e Estados. tarifa externa comum/TEC. Presidido por Estado-membro com alternância a cada seis meses. Também visa cooperação interparlamentar (harmonização de legislações nacionais/ incorporação de normas do bloco). Paraguai e Uruguai aderem e formam Mercosul. Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM): órgão de apoio operacional (arquivo/pubicação/divulgação de decisões/organiza reuniões). Adota Diretrizes (obrigatórias)/Propostas(recomendações). listas de exceções. Intergovernamental (não transferem parcela da soberania/ decisões por consenso com todos Estados presentes). regime geral de origem. Latino-Americana de Integração): ainda existe. Integrada por quatro membros titulares e quatro alternos por Estado. sem prazo para criar zona de livre comércio. coord. por consenso)..

porém continua regendo conflitos com exame iniciado antes. pois.ATO INTERNACIONAL CUJO CICLO DE INCORPORAÇÃO. E M E N T A: MERCOSUL . reclamando.PROTOCOLO DE MEDIDAS CAUTELARES (OURO PRET0/MG) INAPLICABILIDADE. AO DIREITO INTERNO DO BRASIL. O DIREITO COMUNITÁRIO E O DIREITO NACIONAL DO BRASIL . e não em instrumentos normativos de caráter internacional. .RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. Prevê três etapas: negociações diplomáticas. mas sem efeito imediato) – STF – CR-AgR 8. CELSO DE MELLO. na Constituição da República. conferiu-lhe personalidade jurídica de DIP. dos tratados. PROCEDIMENTO CONSTITUCIONAL DE INCORPORAÇÃO DE CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM GERAL E DE TRATADOS DE INTEGRAÇÃO (MERCOSUL). Protocolo de Las Leñas (1992): Cooperação e assistência jurisdicional em matéria civil/comercial/trab.inclusive daqueles celebrados no contexto regional do MERCOSUL concluídos pelo Estado brasileiro. Min. Protocolo de Ouro Preto (1994): marco na estruturação institucional do bloco. 10. de uma sucessão causal e ordenada de atos revestidos de caráter político-jurídico. a questão da vigência doméstica dos acordos celebrados sob a égide do MERCOSUL continuará sujeita ao mesmo tratamento normativo que a Constituição brasileira dispensa aos tratados internacionais em geral. de reforma do texto da Constituição brasileira. cuja instituição privilegie o processo de recepção dos atos. .A recepção dos tratados internacionais em geral e dos acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL depende. dos tratados ou convenções internacionais em geral. em conseqüência. para efeito de sua ulterior execução no plano interno. para o plano do direito positivo interno do Brasil. protocolos ou tratados celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 163 (2002). à ordem positiva interna brasileira.INEXISTÊNCIA DE CLÁUSULA GERAL DE RECEPÇÃO PLENA E AUTOMÁTICA DE ATOS INTERNACIONAIS. Embora desejável a adoção de mecanismos constitucionais diferenciados. É. Relação com o Direito brasileiro: validade de determinações de órgãos do bloco/tratados dependem de incorporação à ordem interna (caráter obrigatório. Enquanto não sobrevier essa necessária reforma constitucional./adm.DENEGAÇÃO DE EXEQUATUR . A RECEPÇÃO DOS TRATADOS OU CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM GERAL E DOS ACORDOS CELEBRADOS NO ÂMBITO DO MERCOSUL ESTÁ SUJEITA À DISCIPLINA FIXADA NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. POR RAZÕES DE ORDEM CIRCUNSTANCIAL .RELAÇÕES ENTRE O DIREITO INTERNACIONAL. MESMO DAQUELES FUNDADOS EM TRATADOS DE INTEGRAÇÃO .2008). acordos. AINDA NÃO SE ACHAVA CONCLUÍDO À DATA DA DECISÃO DENEGATÓRIA DO EXEQUATUR. convenções ou acordos . PROFERIDA PELO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL .AUSÊNCIA DE SUA PREVISÃO NO SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO .08. esse é um tema que depende. arbitragem e Tribunal Permanente de Revisão (sede Assunção. quanto à sua solução. Protocolo de Olivos para a Solução de Controvérsias (2002) : derrogou o Protocolo de Brasília.480-DF. modificações de jure constituendo. essencialmente.A recepção de acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL está sujeita à mesma disciplina constitucional que rege o processo de incorporação. que reside a definição do iter procedimental pertinente à transposição. assim .CARTA ROGATÓRIA PASSIVA . tem competência recursal sobre os laudos arbitrais e também pode ser instância direta por opção das partes). Precedente: ADI 1. Protocolo de Ushuaia (1998) (bloco + Bolívia e Chile): democracia como condição para participação no Mercosul e gozo de todos os direitos inerentes aos participantes do mecanismo. Rel.279/AT.PRINCÍPIOS DO EFEITO DIRETO E DA APLICABILIDADE IMEDIATA .

de jure constituto. também não poderão ser aplicados. mediante decreto legislativo. pelos particulares. que. nem o princípio do efeito direto. no que se refere aos direitos e obrigações neles fundados (princípio do efeito direto). nem o postulado da aplicabilidade imediata. imediatamente.a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno. mediante decreto. no plano do ordenamento doméstico brasileiro. desde logo. a existência da norma inscrita no art. ainda subsistem os clássicos mecanismos institucionais de recepção das convenções internacionais em geral. os tratados internacionais e os acordos de integração. . O SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO NÃO CONSAGRA O PRINCÍPIO DO EFEITO DIRETO E NEM O POSTULADO DA APLICABILIDADE IMEDIATA DOS TRATADOS OU CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. . . Precedentes.A Constituição brasileira não consagrou. enquanto não se concluírem os diversos ciclos que compõem o seu processo de incorporação ao sistema de direito interno do Brasil. motivo pelo qual tais princípios não podem ser invocados para legitimar a incidência. pelo Presidente da República.e somente então . desde logo. na esfera jurídica dos particulares) e o postulado da aplicabilidade imediata (que diz respeito à vigência automática da norma internacional na ordem jurídica interna) traduzem diretrizes que não se acham consagradas e nem positivadas no texto da Constituição da República.27MPF – GII – Direito Internacional Público e Privado 164 definidos: (a) aprovação. que possui conteúdo meramente programático e cujo sentido não torna dispensável a atuação dos instrumentos constitucionais de transposição. essenciais à sua vigência doméstica: (1) publicação oficial do texto do tratado e (2) executoriedade do ato de direito internacional público. pelo Chefe de Estado. da Constituição da República. pelo Congresso Nacional. então . para o direito interno. para a ordem jurídica doméstica. no âmbito doméstico do Estado brasileiro (postulado da aplicabilidade imediata). não bastando. mediante depósito do respectivo instrumento. protocolos e convenções celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL. enquanto não se concluir o ciclo de sua transposição. mesmo cuidando-se de tratados de integração. (c) promulgação de tais acordos ou tratados. em matéria de direitos e obrigações. parágrafo único. Isso significa.O princípio do efeito direto (aptidão de a norma internacional repercutir. que passa.Sob a égide do modelo constitucional brasileiro. de qualquer convenção internacional. . 4º. para afastá-los. além de não poderem ser invocados. Magistério da doutrina. ainda que se cuide de tratado de integração. em tema de convenções internacionais ou de tratados de integração. dos acordos. em ordem a viabilizar a produção dos seguintes efeitos básicos. de tais convenções. (b) ratificação desses atos internacionais.