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Recensão Critica – “Monumentos Patreos” – Alexandre Herculano

Segundo Alexandre Herculano, para alertar as mentalidades era necessário começar
por estimular a educação do povo, sensibilizando-o pelo interesse para com os seus monumentos e a sua importância na identificação da sociedade onde se inseriam. Para isto Herculano vai formular vários artigos publicados na revista “O Panorama”. Foram os primeiros textos
dedicados exclusivamente aos monumentos nacionais, onde articula, também, os primeiros
protestos contra o descuido a que o Estado consagrava nestes mesmos monumentos. É nestes
que insere o texto intitulado de “Monumentos Patreos”.
Neste texto, Herculano, vem criticar vários aspectos relacionados com a defesa e a valorização do Património nacional. Sintetiza a noção de monumento como memória e herança
de uma nação, testemunho de um passado glorioso, e como tal, tem de ser honrado e defendido. Este texto é um “grito” de alerta, ou mesmo de desespero, para o abandono, a destruição e o desprezo realizados nos monumentos portugueses pelo povo e também pelo Estado.
Num tom sombrio e solene, o autor regista neste texto vários pontos fundamentais para à consagração de monumento histórico, entre eles se destacam, a valorização da arquitectura da Idade Média, contra a supremacia clássica. Estabelece uma equivalência entre a arquitectura gótica e a história de Portugal. Define os monumentos como a constituição de uma
nação. E apela á conservação dos edifícios. A forma de encarar os monumentos nacionais, e as
ideias da sua conservação, foram evoluindo aos longos dos tempos, até as teorias de hoje.
Alexandre Herculano foi um dos grandes contributos para estas abordagens. Vai definir o monumento com uma obra colectiva, construída com a força e suor de um povo, reflectindo a sua
envolvência social, e como tal testemunhos de um momento glorioso do passado testemunhado no presente.
O monumento é um testemunho, um documento, uma prova, de um passado histórico, são livros, que contam uma história, relatam acontecimentos, dão lições do passado e indicam o presente são …documentos ininterruptas (…) da existência dos indivíduos que nelle haviam intervindo..., portanto a preservação destes é essencial por duas razões, sendo as quais:
honrar a herança dos nossos antepassados, e conserva-la para as gerações vindouras, pelas
quais seriamos sentenciados pelos tipos de cuidados que tivemos sobre estes.
Herculano elogia explicitamente a arquitectura gótica, defendendo que esta originou a
nacionalidade. Apesar das suas modernas teorias que se estenderam até aos nossos tempos,
entende que o gótico se abrange desde a fundação da monarquia (D. Afonso Henriques) até ao
reinado de D. João I. Devido a época em que este se insere, entende o período da Idade Média
como um todo, isto é, não distingue os vários estilos inseridos neste período. Herculano tem
uma visão mágica, mística e literária da arquitectura gótica. Para ele o gótico é a forma mais
magnífica da arte, representa um passado glorioso e monumental e por isso tem de se protegido e conservado para as gerações vindouras.
Apesar da conservação destes monumentos seja de enorme importância, existe uma
enorme ignorância, desprezo, descuido e desprezo pelo património, tal como refere Herculano. Segundo este, as várias entidades responsáveis pela preservação dos monumentos é também responsável por o desmoronamento de variados edifícios pela falta de conservação ou de

um verdadeiro monumento histórico… um exemplo da força do povo. um dos maiores símbolos da nossa historia estar a cair em ruinas. é inevitavelmente uma …civilização vandálica… Deplora a destruição da muralha de D. Herculano sente-se na obrigação de defender a honra da nação e do seu património. para fazer uma praça. ignorando qualquer valor artístico e crenças pelo passado. mas por todos. Podemos nota-la quando se compara varias das suas teorias. sem tradições. Era necessário conservar de forma correcta todas obras. Sendo essencial criar uma lei. mercera um assinalável prestigio nos anos seguintes. Pintaos de várias cores. Era necessário incutir nas pessoas o valor pelo passado.). locais …sem mysterios. Ambos os autores apelam por leis. Para Herculano passam a ser iguais a salas de baile ou à praça pública. Estava então lançado o mote e pelo próprio Herculano. Há uma forte influência de Victor Hugo e Montalembert nos seus textos. pelo facto de ter sido pintada. usando um sarcasmo no seu discurso. Para Herculano uma civilização que destrói monumentos históricos. que representam uma região.restauros. porque quanto mais longas as recordações. bem como outros autores. Mesmo sabendo que levar a voz da razão a sociedade o iriam levar à crítica da sua obra e de si próprio. o que faz com que o monumento perca todo o sua essência. repetindo-se inúmeras vezes. Esta muralha era portanto. Montalembert enaltece o culto da história e do passado. e lutam. Critica também o facto de utilizaram certos espaços por uma diferente actividade do que a original. Herculano apelava ao povo português para deixarem …os monumentos em paz… Se a realização da sua conservação só leva à sua destruição. O autor também menciona que a responsabilidade pelos monumentos. com seculos de vida. O interesse pelo passado e pela história teriam de ser impostos na sociedade. sem saudades… Compara a igreja de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães a uma velha prostituta que esconde as rugas sob a pintura. Herculano classifica os vândalos de modernos Hunos enquanto Montalembert os qualifica de bárbaros. Existe dois tipos de vandalismo. história. mais vale não fazer nada. dourada e caiada. O vândalo destruidor retirara aos monumentos cristãos o seu ambiente sagrado. e despertar no povo emoções e sentimentos nobres. uma povoação ou uma nação. era necessário promover estes valores. não era apenas daqueles que a usufruem diariamente. e cobri-os de cal.. Correspondendo à formação de cada um e . Se esta destruição continuasse deixaríamos de ter monumentos. passado e futuro Nos seus textos passa uma ideia de uma sociedade portuguesa decadente. por estas crenças e não recebem a consideração necessária pelas multidões. Mas critica que quando estes são realizados. o restaurador e o destruidor. maior é a grandeza de um povo. Fernando. recordações. doura-os. memórias. cuja quais destruídas era impossível o seu retorno. seguem modas ou gostos pessoais. … A esta muralha deve talvez hoje Portugal o não ser uma província de Hespanha (. entre elas destacam-se a ideia de vandalismo.. glória nacional. para a protecção destes. que discipline todas estas destruições. Herculano escreve que os monumentos são arte. “Chora” por todos os autores que defendem.

. porque a partir daqui a defesa dos monumentos torna-se um tema da opinião pública e de debate político.também as mentalidades políticas.