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O trabalho escravo no Brasil

O início: a escravidão indígena no Brasil
No Brasil, a escravidão teve início no século XVI, época em que os
portugueses chegaram ao país. Os colonos portugueses começaram escravizando
os índios, uma vez que o litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas. Além disso,
a falta e o alto custo dos escravos africanos fizeram com que os colonos optassem
pelos índios. Como o objetivo principal dos colonos era a obtenção de lucro na nova
terra conquistada, a opção pela escravidão indígena foi quase que imediata. O auge
dessa escravidão no Brasil ocorreu no período inicial da colonização, entre os anos
de 1540 e 1580.
A primeira “relação de trabalho” entre portugueses e índios brasileiros foi o
escambo. Os portugueses ofereciam objetos (espelhos, apitos, cordas, facas e etc.)
aos índios em troca do trabalho no corte e transporte de pau-brasil. Com o
estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste brasileiro, os colonos
precisavam de grande quantidade de mão-de-obra. Muitos senhores de engenho
recorreram à escravização de índios, organizavam expedições que invadiam as
tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para sequestrarem os
indígenas jovens e fortes para levarem até o engenho.
Como forma de “obtenção” de escravos indígenas era também comum o
mercado de negócios, onde comerciantes organizavam expedições de captura
indígena para lucrar com a venda destes escravos aos senhores de engenho. Além
dessa forma, havia também guerra entre tribos indígenas. Os portugueses se
aproveitaram desta rivalidade, faziam alianças com determinadas tribos e, em troca
de apoio militar, recebiam índios adversários capturados como recompensa.
Embora, como já dito, os índios tenham sido utilizados intensamente nos
engenhos de cana-de-açúcar, eles também foram usados em pequenas lavouras e
na exploração das "drogas do sertão", principalmente no Maranhão. As "drogas",
como cacau, baunilha, canela, castanha-do-pará, eram produtos nativos do Brasil,
que não existiam na Europa e, por isso, atraíam o interesse dos europeus que as
consideravam como novas especiarias.

no entanto. Porém um dos principais motivos foi a forte oposição ao trabalho escravo indígena por parte dos jesuítas portugueses que vieram para o Brasil catequizarem os indígenas no período colonial. Inicialmente. os índios só poderiam ser presos e escravizados em situação de guerra justa. que entraram em conflito com os colonos da região. Portugal proibiu a captura de índios por meio de uma Carta Régia emitida no ano de 1570. como futuros convertidos a fé católica. em 1757. mas. proibiu a escravidão indígena e transformou algumas aldeias em vilas submetidas ao poderio da Coroa. Esta segunda era bem mais lucrativa aos comerciantes e também à cora portuguesa.Apesar de terem sidos os “escravos pioneiros”. como sarampo. com o aumento do lucrativo tráfico de escravos africanos. varíola e gripe. Isso ocorreu. Oficialmente. Segundo esse documento. por volta de 1550. Primeiramente. pela Igreja. a escravidão indígena só foi proibida no século XVIII através de um decreto do Marques de Pombal. houve uma forte redução da escravidão indígena. principalmente. Ou seja. não trabalhando (mesmo recebendo punições físicas) ou tentando a todo custo fugir para a mata. em função das dificuldades apontadas acima. principalmente. a própria coroa portuguesa começou a se opor à escravização indígena no final do século XVI. somente os índios que se voltassem contra os colonizadores estariam sujeitos à condição de escravos. como ocorreu com a indígena. Por meio dessa medida. a escravidão indígena não vingou por diversos motivos. A continuidade: a escravidão africana no Brasil A presença negra no Brasil começou no século XVI. O uso dos nativos como escravos teve forte oposição desses jesuítas. Outro fato é que muitos indígenas morriam de doenças trazidas pelos colonos portugueses. Os africanos. Logo depois. uma forte oposição dos jesuítas ao trabalho escravo africano no Brasil. Não houve também. Assim. Mediante a forte pressão dos religiosos. ordenou a expulsão dos jesuítas do Brasil mediante a ampla influência política e econômica que tinha dentro da colônia. eram associados aos . os colonizadores conseguiram manter a escravidão indígena durante todo o período colonial. a partir desse século. Depois disso. Os índios que ainda não tinham religião eram vistos. os índios não aguentavam o trabalho forçado e intenso nos engenhos e muitos não resistiam a esse tipo de trabalho. pelo aumento da escravidão negra africana.

Havia os que cometiam suicídio. Os escravos africanos viviam em senzalas.muçulmanos (vistos como infiéis). A igreja via a escravidão na América como forma dos africanos pagarem pelos seus pecados. Eles também eram proibidos de praticar sua religião e seguir sua cultura. aprendizes. Pernambuco e em outras cidades litorâneas chegaram a trabalhar como estivadores (retirada e arrumação de cargas). Por causa das péssimas condições de vida a vida útil do escravo chegava a no máximo 10 anos sendo substituídos por seus filhos. tendo como principal alimento a mandioca. Muitos conseguiam fugir e formar os quilombos. vendedores. Trabalhavam de sol a sol nos canaviais. O comércio de escravos africanos foi uma das atividades econômicas mais rentáveis para os europeus. castração e quebra de dentes. Para a manutenção dos negros a manufatura (o comercio de tecidos. pólvora) e o cultivo de gêneros agrícolas como o tabaco. com a maior rentabilidade compensava o custo do investimento. matavam os feitores. tinham uma péssima alimentação. Os escravos eram responsáveis por todo o trabalho braçal realizado no engenho. de maior poder aquisitivo. Os quilombos eram o refúgio para o . Em torno disso muitas áreas econômicas foram desenvolvidas. E então. preferiam a mão de obra africana a indígena. palmatória. quatro milhões de africanos ingressaram nessas terras. moendas. O africano era visto como uma mercadoria. e. Para dificultar rebeliões os senhores de escravo evitavam comprar africanos da mesma tribo ou família. No transporte dos negros incrementou-se a indústria naval. os navios negreiros tinham péssimas condições para os escravos e muitos morriam durante o trafico. Os negros realizavam as mais duras e difíceis tarefas. uma espécie de galpão úmido e escuro. Chegando a terras americanas eram exibidos e seus compradores analisavam minuciosamente se eles mereciam ou não ser comprado. mestres em artesanato e serviços domésticos. Os senhores de engenho. se não obedecessem às ordens do seu senhor recebiam duros castigos físicos como o tronco. Os escravos resistiram ao cativeiro de diversas formas. amputações. Isso porque o escravo africano se adaptou melhor ao tipo de trabalho realizado na colônia. Em regiões como Rio de Janeiro. os que conseguiam fugir e a luta armada. barqueiros. caldeiras e aos domingos cuidavam do roçado para o seu próprio sustento.

mas a lei não vingou. portugueses e africanos. cedendo a pressão inglesa. Palmares foi a união de vários quilombos. Primeiramente em 1831 todos os escravos que entrasse no Brasil era considerado livre. A partir de 1860. consolidado pela Revolução Industrial. resgatar suas tradições. sob a influencia dos ideais iluministas. punindo adultério. com ajuda do bandeirante Domingos Jorge Velho palmares foi destruído. Se conseguissem encontrar uma boa quantidade de ouro podiam até comprar sua liberdade. Depois da independência do Brasil. Depois da Guerra do Paraguai. declarando os filhos dos escravos livres e em 1875 a Lei do Sexagenário. Praticavam uma justiça severa. que muitos escravos lutaram juntos dos militantes brasileiros. durante 80 anos. roubo e homicídio com pena de morte. Um lugar de difícil acesso que os permitiam viver em liberdade. Muitas foram as tentativas de destruí-lo. O segredo dos negros é que eles preferiam morrer lutando a voltar à condição de escravo. com o capitalismo. os quilombolas derrotaram mais de 30 expedições. A maior herança deixada pelos africanos foi a diversidade étnica brasileira. Ficava no atual estado de Alagoas. Os brasileiros são uma mistura de índios. os escravos africanos foram trabalhar nas minas. Só em 1695. a Lei Eusébio de Queiroz extinguiu o tráfico negreiro no Brasil. Em 1850. a princesa Isabel assinou a Lei Áurea declarando extinta a escravidão do Brasil. ela desejava trabalhadores assalariados para exercer o poder da compra. japoneses e outros povos. produzir seus alimentos e produtos manufaturados. Nossa miscigenação não é .negro. A reação do nativo foi tão marcante que se tornou um perigo para capitanias como Espírito Santo e Maranhão. A Inglaterra foi a maior defensora. com o desenvolvimento do comércio de pedras preciosas em Minas Gerais e Goiás. No auge da campanha em 13 de maio de 1888. acrescida de europeus não-portugueses. começou a surgir a consciência antiescravista. Em 1871 veio a Lei do Ventre Livre. Outras áreas econômicas que utilizavam o trabalho escravo foram a criação de gado e o tropeirismo (comerciantes que iam de uma região a outra). emancipando os maiores de 80 anos (poucos escravos chegavam a 80 anos). O líder que se destacou foi Zumbi. a libertação virou questão de honra. a pressão pública aumentou com debates e campanhas na imprensa. Na primeira metade do século XIX cresceram as pressões internacionais pelo fim do tráfico negreiro. O mais importante quilombo foi Palmares. A partir dos séculos XVIII e XIX.

A religião africana. sem alimentação adequada ou água potável. a escravidão ainda é um problema que continua a existir. ameaças de mortes. mas também cultural. o maiores salários. Essa diferença tem diminuído com a ação de alguns projetos sociais implementados no Brasil voltado para os negros. Atualmente. quer restringindo. Salvo raras exceções. o número de libertos na área urbana chegou a ultrapassar o da área rural. sofrerá pena de reclusão. distantes de centros urbanos. é considerada “escravidão moderna”. os melhores empregos. houve um vasto crescimento de libertações de trabalhadores. mas na comida e música brasileira pode-se ver a suprema influência africana. há várias semelhanças com o trabalho escravo de séculos passados: castigos físicos. quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva. De acordo com o Código Penal. de dois a oito anos. artigo 149. o trabalho escravo atual ocorre com mais frequência em espaços rurais. em termos práticos. além da pena correspondente à violência. Ainda na zona urbana. Em 2013. A escravidão atual Mesmo passado mais de um século após a implementação da lei Áurea. ainda são dos “brancos”. o preconceito com o negro no Brasil ainda resiste até os dias de hoje. Já no cenário urbano. A influencia africana revelou-se mais forte que a européia. casos em que uma pessoa é submetida a condições degradantes de trabalho. os imigrantes latinos americanos com situação irregular são. Mesmo que hoje já não existam mais senzalas ou correntes. por qualquer meio. com jornadas exaustivas e que seja submetido a qualquer forma de privação de liberdade. sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. em atividades econômicas como a pecuária. principalmente no setor da construção civil. . reduzir alguém a condição análoga à de escravo. atrai seguidores de todas as classes sociais. quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalhando. jornadas de trabalho que ultrapassam 12 horas por dia. mais vulneráveis a exploração e a terem seus direitos desrespeitados. a produção de carvão e trabalho em lavouras.apenas física. os maiores cargos públicos. como a umbanda. Apesar da miscigenação. No Brasil. e multa. Não só na religião. muitas vezes.

E altera o parágrafo único do mesmo artigo para dispor que todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com a destinação específica. entretanto ainda se encontram dificuldades já que fere os interesses de muitos. a PEC 57A. completam-se 10 anos da chacina de Unaí: quatro funcionários do Ministério do Trabalho. o maior número de trabalhadores resgatados provém das regiões Norte. na forma da lei. três auditores fiscais e o motorista. não há adoção de técnicas agrícolas mais avançadas e apresentam locais que dificultam a fiscalização. há uma grande luta para avançar em ações para o combate da escravidão no Brasil. Em 2014. foram mortos em uma emboscada quando investigavam uma denúncia de trabalho escravo em fazendas da região de Unaí. foi protocolada. o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho realizaram um protesto no dia 28 de janeiro pedindo o julgamento e a condenação de todos os envolvidos no crime. a proposta de emenda foi aprovada e transformada na Emenda Constitucional 81. Além disso. além de relações políticas de poder local. Já geograficamente. Nordeste e Centro-Oeste. As atividades normalmente requerem força física e por isso os mais procurados são jovens e homens. É notável também que as vítimas da escravidão atual são predominantemente do sexo masculino. muitos acreditam que a própria definição de “trabalho escravo” dá margem à interpretação no momento das fiscalizações. A proposta da ementa altera a redação do artigo 243 da Constituição determinando que as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do país onde for localizada exploração de trabalho escravo serão expropriadas e destinadas a reforma agrária e a programas de habitação popular sem qualquer indenização ao proprietário. Atualmente. principalmente latifundiários. Em 1999.A migração vem ocorrendo devido ao recente crescimento econômico do Brasil e a crise mundial que tem afetado muitos desses países. em zonas de expansão da fronteira agrícola do país. Em lembrança ao acontecimento. . proveniente de regiões que não aquela que são escravizados. Nesses locais. Após 15 anos. também chamada de PEC do Trabalho Escravo.

com.senado.com/historiab/formas-trabalho-escravo-no-brasil.br/sobre-o-projeto/o-trabalho-escravo-no-brasil/ http://g1.historiadobrasil. ainda existe muito a ser diagnosticado e erradicado.net/escravidao/ http://www.asp?p_cod_mate=105791 http://g1.htm http://www.brasilescola.gov.org.htm http://amazonia.globo.br/conteudo/default.htm http://g1.org.com/economia/trabalho-escravo-2014/platb/ http://www.Arruda e Nelson Piletti editora ática 11ª edição.globo.brasilescola.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/01/chacina-de-unai-completa-10-anos-e-ato-emfrente-ao-stf-pede-justica. já que o número de pessoas vivendo em condições de trabalho sub-humanas ainda é grande.brasilescola.pdf http://www. FONTES http://www.historianet.br/atividade/materia/detalhes.aspx?codigo=4 http://www.br/wp-content/uploads/2012/05/Atlas-do-Trabalho-Escravo.com/brasil/trabalho-escravo-no-brasil-atual.com/economia/trabalho-escravo-2014/platb/ http://www.com/brasil/trabalho-escravo-no-brasil-atual.escravonempensar.org.br/sobre-o-projeto/o-trabalho-escravo-no-brasil/ http://www. A aprovação da PEC 57A foi um grande avanço nesse sentido.escravonempensar.Apesar do avanço no combate a escravidão. .html LIVRO: TODA A HISTORIA Historia Geral e do Brasil Jose Jobson de A.