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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMIÁRIDO

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS, TECNOLÓGICAS E
HUMANAS
CURSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

LINCOLN ALEXANDRE PAZ SILVA

ANÁLISE NUMÉRICA DO PROBLEMA DE CONDUÇÃO DE CALOR TRANSIENTE E
UNIDIMENSIONAL VIA MÉTODO DAS DIFERENÇAS FINITAS IMPLÍCITO

ANGICOS/RN
2014

Dr.LINCOLN ALEXANDRE PAZ SILVA ANÁLISE NUMÉRICA DO PROBLEMA DE CONDUÇÃO DE CALOR TRANSIENTE E UNIDIMENSIONAL VIA MÉTODO DAS DIFERENÇAS FINITAS IMPLÍCITO Projeto apresentado ao Conselho do Curso de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Rural do Semiárido. como requisito parcial para elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso. Marcus Vinícius Sousa Rodrigues Aprovado pelo Conselho de Curso em: ____/____/________ _________________________________________ Assinatura do Coordenador de Curso . Orientador: Prof.

........ EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS ............04 2... OBJETIVOS ..................................................................................................... CRONOGRAMA ..SUMÁRIO 1........................13 ......................................... OBJETIVO GERAL ..... PROBLEMA .......................................................1...................................09 6.................... 08 5......................... MÉTODOS NUMÉRICOS ......................................................................... EQUAÇÃO DO CALOR .......................2.......12 6..........................................................................07 4................ JUSTIFICATIVA ...........07 4.......................................12 8....................................05 3......................................... OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................. INTRODUÇÃO ....12 7.............................................1......................... 07 4....................................................... METODOLOGIA DE PESQUISA .........................................................................12 6.06 4...................................................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............2......................................................................................3.................................................................................................... REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................

O avanço tecnológico e o surgimento dos computadores possibilitaram. As equações diferenciais ordinárias/parciais vêm sendo utilizadas ao longo dos anos como principal ferramenta para modelar fenômenos da natureza. diversos são os métodos numéricos existentes que podem ser utilizados para obter a solução do problema. contudo. INTRODUÇÃO Nas mais diversas áreas da ciência e engenharia representar o “mundo real” em termos matemáticos tem se tornado uma ferramenta essencial para que estudos sobre os fenômenos naturais possam ser aprimorados e trazidos para dentro dos laboratórios. como ferramenta para resolver problemas que envolvam transferência de calor unidimensional e transiente em uma barra composta por material homogêneo submetido a diferentes temperaturas em suas extremidades e analisar os resultados obtidos numericamente.4 1. Tratando-se de equações diferenciais parciais. . o desenvolvimento de métodos que facilitassem a simulação de problemas cada vez mais complexos através da utilização dos denominados métodos numéricos. Esse processo de “imitar” a realidade usando a matemática é conhecido como modelagem matemática. método dos volumes finitos entre outros. Problemas que envolvam transferência de calor em um determinado meio podem ser representados matematicamente por equações diferenciais parciais denominadas equações do calor. alguns desses métodos são: método das diferenças finitas. o uso de equações diferenciais parciais torna-se um tanto quanto dispendioso quando o fenômeno que se quer modelar envolve equações complexas tornando a resolução exata do problema algo difícil ou até mesmo impossível de se obter analiticamente. método dos elementos de contorno. implementado no software Scilab™. Entretanto. O presente trabalho tem por objetivo utilizar o método das diferenças finitas em sua abordagem implícita. método dos elementos finitos.

O parâmetro Δx é o valor da distância entre cada nó de malha e deve ser definido para que o método seja implementado e varia conforme o problema em questão a figura 2 ilustra uma malha computacional unidimensional e o parâmetro Δt é o intervalo de tempo que deverá se passar para se realizar um novo cálculo. chamada de difusividade térmica. PROBLEMA O problema a ser resolvido no presente trabalho consiste na determinação do campo de temperatura T ao longo do tempo t em uma barra de comprimento l composta de um material qualquer. definir a malha computacional e os parâmetros que serão utilizados para os cálculos. como T1 > T2 o fluxo de calor tende a ser. Observa-se que T1 é a temperatura na extremidade x = 0 e T2 a temperatura em x = l. no sentido de T1 para T2 e tal fenômeno pode ser representado matematicamente pela equação do calor determinada abaixo:  2T T   t x 2 2 (1) Onde α2 é uma propriedade específica do material pelo qual a barra é composta. e a função T(x. conforme ilustrado na figura 1. Para que o método das diferenças finitas seja aplicado ao problema proposto é necessário primeiramente discretizar o problema real. t) é a solução para a equação do calor e determina a cada instante de tempo t o campo de temperatura ao qual os nós internos de posição 0 < x < l da barra estão sujeitos até que o equilíbrio térmico seja atingido. ou seja.5 2. . naturalmente. sujeita á temperaturas diferentes em suas extremidades e isolada termicamente em seu entorno. Figura 1 – Representação de uma barra sujeita condução de calor Fonte: Elaborado pelo autor (2014).

por exemplo. também envolvem estudos nessa área. A importância de se estudar a condução de calor e determinar o campo de temperatura do meio sujeito a esse fenômeno têm levado ao desenvolvimento de análises numéricas a fim de poupar tempo e simplificar problemas que. dão origem a análise do campo de temperatura. haja vista que tais técnicas proporcionam menor tempo gasto e boa aproximação dos resultados reais. fornos. condensadores e vários outros equipamentos que envolvem trocar de calor. motores a combustão. . em geral. como o projeto de usinas térmicas e nucleares. Segundo Silveira (2012) conforme a tecnologia avança os estudos sobre as mais diversas formas de transferência de calor ganham importância. geradores de vapor. nas últimas décadas. automóveis. fontes de calor e fluxos de calor nas regiões do material em que ocorre a condução. ganham mais complexidade em um curto espaço de tempo. Segundo Silveira (2012) a especificação de temperaturas. O estudo de fenômenos relativos à condução de calor ganha espaço no mundo moderno. equipamentos eletrônicos. entre outros. os cuidados com a transferência de calor são de grande importância na concepção de vários processos. JUSTIFICATIVA Problemas envolvendo transferência de calor estão presentes nos mais diversos ramos da engenharia e das ciências. No nosso dia-a-dia aparelhos de ar-condicionado.6 Figura 2 – Malha computacional unidimensional genérica Fonte: Elaborado pelo autor (2014) 3. Na indústria. devido a essa gama de aplicações o estudo da energia em trânsito é de grande importância para a humanidade de uma forma geral. o uso de técnicas numéricas como a que será exposta. que com os avanços tecnológicos. Em função do que foi exposto acima é possível considerar a pesquisa proposta pertinente uma vez que a procura por soluções para problemas de engenharia na área de transferência de calor por condução. envolvem cálculos complexos e difíceis de serem obtidos analiticamente. tem estimulado.

y. e tem como objetivo determinar o campo de temperaturas em um meio de acordo com as condições de temperatura impostas nas fronteiras ou vizinhanças. A partir do conhecimento dessa distribuição é possível determinar o fluxo de calor por condução em qualquer ponto do meio em questão. As equações diferenciais parciais de 2ª ordem lineares possuem ampla aplicação na engenharia. onde não exista fonte de geração de energia que influencie na distribuição de temperaturas. Segundo Chapra e Canale (2010).  Hiperbólica: B2-4AC > 0. e u / y . B e C – a equação (2) pode ser classificada em três categorias:  Elíptica: B2-4AC < 0.1. Dependendo dos valores dos coeficientes das derivadas segundas – A. a equação (3) é a forma geral para o caso unidimensional e transiente na direção x. que exigem técnicas especiais de resolução.  Parabólica: B2-4AC = 0.7 4. 4. pois cada categoria referese a um problema específico da engenharia. REFERENCIAL TEÓRICO 4. u. u / x . essa classificação é útil.2. por meio do estudo das equações diferenciais pode-se imaginar e obter uma compreensão para problemas como condução de calor. al. EQUAÇÃO DO CALOR Segundo Incropera et. entre muitas outras aplicações. Para duas variáveis independentes tais equações podem ser expressas da seguinte forma geral: A  2u  2u  2u  B  C D0 xy x 2 y 2 (2) De acordo com Chapra e Canale (2010) A. propagação de ondas. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS As equações diferenciais configuram uma importante ferramenta das ciências e engenharias. no desenvolvimento de modelos matemáticos para auxiliar na compreensão de fenômenos da natureza. C são funções de x e y e D é uma função de x.   u  u  k   c p x  x  t (3) . Segundo Boyce e Diprima (2002). (2008) a equação do calor origina da Lei de Fourier. B.

2008).3. chamados de nós da malha. busca-se uma representação finita do problema. seus valores são tabelados e as unidades de  2 são comprimento2/tempo. em geral. a equação do calor será: 2  2 u u  x 2 t (4) Onde  2  k c p é uma propriedade do material chamada de difusividade térmica que mede a capacidade do material de conduzir energia térmica em relação à sua capacidade de armazená-la. que. (INCROPERA et. Pode-se reduzir ainda mais a equação (3) para os casos onde a condutividade térmica. al. densidade (kg/m3) e calor específico (J/kgK). Quanto maior o valor de α2 mais rapidamente o material irá responder às mudanças nas condições térmicas a ele submetidas. ou seja. que consiste num conjunto finito de pontos pertencentes ao domínio do problema. MÉTODOS NUMÉRICOS Segundo Franco (2006) os métodos numéricos são utilizados amplamente para aproximar as soluções de problemas envolvendo equações diferenciais parciais. é contínuo. e representam as seguintes propriedades do material. respectivamente. Para a discretização do problema define-se uma malha computacional. k. Figura 3 – Malha computacional bidimensional uniforme Fonte: Elaborado pelo autor (2014) . A partir da solução da equação (3) é possível obter a distribuição de temperatura u(x) como uma função do tempo na dimensão x. for constante. a condutividade térmica (W/mK).8 onde k¸ ρ e cp são constantes.. 4. A ideia básica desses métodos parte do processo de discretização do domínio do problema.

Segundo Wendlander (2004) a distância x de um ponto x qualquer. neste caso. substituir as derivadas presentes na equação por diferenças finitas. j). é representado por pontos com coordenadas (i. por exemplo. na prática. Segundo Franco (2010) a ideia geral do método das diferenças finitas é discretizar o domínio do problema e substituir as derivadas presentes na equação diferencial por aproximações envolvendo somente valores numéricos da função. De acordo com Ruggiero e Lopes (1996) a ideia básica desse método é. por exemplo. e indicam a posição no espaço i e o passo de tempo j. A ferramenta básica no cálculo dessas diferenças/aproximações é a fórmula de Taylor. METODOLOGIA DE PESQUISA O presente trabalho utilizará como metodologia o método das diferenças finitas implícito implementado no software de cálculo computacional Scilab™.9 A figura 3 representa uma malha computacional bidimensional uniforme que pode representar. considerando uma função f qualquer. a distribuição de temperatura em uma barra unidimensional a cada novo instante de tempo. obtida através da expansão da Série de Taylor. basta desprezar os termos da série que possuem n > 1: df f ( x  x)  f ( x) ( x)  dx x (6) Para uma derivada de segunda ordem segue-se o mesmo raciocínio: d2 f f ( x  x)  2 f ( x)  f ( x  x) ( x)  2 dx x 2 (7) . onde: f ( x  x)  f ( x)  x x  d 2 f ( x)    x d n f ( x)   df ( x)  dx 2! dx 2 n! dx n 2 n (5) A equação (5) representa o valor de f ( x  x) para uma função f qualquer pode ser aproximada de acordo com a necessidade. para uma derivada de primeira ordem. 5. f ( x  x) pode ser estimado através de uma expressão da Série de Taylor. Cada um dos nós de malha. O método das diferenças finitas é um método numérico utilizado para obter aproximações de problemas que envolvam equações diferenciais parciais.

De acordo com Chapra e Canale (2010) a diferença básica entre o método das diferenças finitas explícito e o implícito. aplicado à equação do calor. logo seu valor pode ser encontrado facilmente. . pois a solução pode ser obtida diretamente. os valores de temperatura desconhecidos são Ti j11 . por isso o método é dito explícito.10 De acordo com Wendlander (2004) as equações (6) e (7) representam quocientes de diferenças. Utilizando as equações (6) e (7) e a notação de nós de malha. é que na forma explícita aproxima-se a derivada espacial no nível de tempo j. chamado de número de Fourier é um critério para se 2 determinar a estabilidade e convergência do método e T o valor de temperatura que se deseja aproximar. já no implícito a derivada espacial é aproximada no nível de tempo avançado j + 1. basta substituir os respectivos valores de temperaturas nos nós vizinhos em questão fazendo uso das condições iniciais e de contorno. onde cada nó é representado pelas coordenadas (i. j). por isso o nome diferenças finitas. Na equação (8) apenas uma incógnita se apresenta. A figura 4 ilustra a malha computacional para o método das diferenças finitas explícito e implícito e mostra os nós que representam as aproximações espaciais e temporais. As equações (8) e (9). como pode ser visto na figura 4. a equação do calor pode ser representada da seguinte forma: Ti j    Ti j11  (1  2 )  Ti j 1    Ti j11 (9) Onde    2 t x  . onde j indica o passo de tempo e i a posição no espaço. no método explícito o valor desconhecido de temperatura é expresso por Ti j 1 já no método implícito. tem-se que a equação do calor. requer aproximações para a primeira derivada no tempo e para segundo derivada no espaço. equação (4). Segundo Chapra e Canale (2010) o método das diferenças finitas explícito. como pode ser observado nas equações (8) e (9). Ti j 1 e Ti j11 . de acordo com Chapra e Canale (2010) podem ser escritas para os outros nós internos da malha. pode ser representado por tal método da seguinte forma: Ti j 1  Ti j   (Ti j1  2Ti j  Ti j1 ) (8) Pelo método das diferenças finitas implícito.

capazes de realizar cálculos matemáticos simples e avançados e gerar gráficos em 2D ou 3D. . Se o problema envolver n nós internos com valores de temperatura desconhecidos. pois fornece um ambiente de programação com funções pré-definidas. O método das diferenças finitas será implementado no Scilab™ que trata-se de um software livre utilizado para análises numéricas e outros cálculos computacionais. pois a equação (9) possui várias incógnitas e a cada passo de tempo equações algébricas tem de ser solucionadas simultaneamente para determinar a temperatura no nó em questão. Método explícito Método Implícito Fonte: Elaborado pelo autor (2014) Segundo Özisik (1993) esse método é dito implícito.11 Figura 4 – Comparação entre as malhas computacionais dos métodos explícito e implícito. então será necessário solucionar n equações a cada passo de tempo. linguagem de fácil acesso e implementação para resolver problemas de engenharia e outras áreas.

CRONOGRAMA A realização do trabalho proposto seguirá o cronograma indicado no gráfico abaixo.1. Definição do Tema Levantamento Bibliográfico Análise dos Métodos Implementação dos Métodos Aplicação e Testes Análise de Resultados Conclusões Elaboração de Texto Revisão 1 2 3 4 5 6 7 8 Semanas 9 10 11 12 13 14 .2. OBJETIVOS 6. 6. OBJETIVO GERAL Descrever e analisar problema de condução de calor transiente e unidimensional via método das diferenças finitas implícito.12 6.  Analisar os resultados obtidos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS  Desenvolver um algoritmo capaz de solucionar o método das diferenças finitas implícito via Scilab ™.  Aplicar o método numérico proposto a problemas que envolvam condução de calor transiente e unidimensional. 7.

54 p. FRANCO. . Numerical methods for engineers. 406 p. WENDLANDER. 2. São Paulo: Pearson Makron Books. Necati M. 8.1. SILVEIRA. Richard C. Heat conduction. Márcia A. Rio de Janeiro: LTC. Steven C. Modelos matemáticos e métodos numéricos em águas subterrâneas. São Carlos: SBMAC . 771 p. Cálculo numérico: aspectos teóricos e computacionais.13 8. 2006. Gomes. João Pessoa. Dennis G. CANALE. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS INCROPERA. v. ed. Fundamentos de transferência de calor e de massa. 6. ed. 3. ZILL. 6. Equações diferenciais elementares e problemas de valores de contorno. 2012. Frank P et al. 473 p. 504 p.. ed. CHAPRA. William E. Fundamentals of Differential Equations. 2001. 434 p. RUGGIERO. CULLEN. LOPES. Equações diferenciais. New York: John Wiley & Sons. 2012. 2. 2008. Análise da condução de calor transiente uni e bidimensional submetidas as harmônicas térmicas nas condições de contorno. 1996. New York: McGraw-Hill. Universidade Federal da Paraíba. Dissertação (Mestrado). 692. DIPRIMA. 1993. 968 p. Michael R. NAGLE. R. 644 p. 95 p. Rio de Janeiro: LTC. ÖZISIK. Kent et al. 8. BOYCE.ed. ed. Raymond P. Centro de Tecnologia. 2010. Edson. Boston: Pearson Education. 2010. 2003. ed. Igor Cavalcanti da.. Vera Lúcia da Rocha. ed. Cálculo numérico. Neide Bertoldi. 643 p. São Paulo: Pearson Prentice Hall. São Paulo: Pearson Makron Books.