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L a esencia d e l cristianismo
L u d w i g Feuerbach

Traducción de José L. Iglesias
Pròlogo de Manuel Cabada Castro

E D I T O R I A L

T R D T T A

Comunidad de

Madrid

^uiisti|Biiu de Educación y Cultura

CONTENIDO

Director de Colección
Jacobo Muñoz

I n t r o d u c c i ó n a la e d i c i ó n castellana: Manuel
P r ó l o g o a la p r i m e r a e d i c i ó n ( 1 8 4 1 )
P r ó l o g o a la segunda e d i c i ó n ( 1 8 4 3 )
Postcriptum
P r ó l o g o a la tercera edición ( 1 8 4 8 )

1.
2.

Joaquín Gallego

3.
4.
5.

ISBN Trolla: 84-8164-072-7

ISBN Comunidad de M a d r i d : 84-45 M 1 10-8
Depósito Legal: V A - 7 2 4 / 9 5

Impresión
Simancas Ediciones, S.A.

Pol. Ind. San Cristóbal
C / Estaño, parcela 1 5 2
4 7 0 1 2 Valladolid

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l . A E S E N C I A V E R D A D E R A , ES D E C I R ,

ANTROPOLÓGICA,

DE LA RELIGIÓN

© José L Iglesias, para la traducción

Diseño

L a esencia d e l h o m b r e
L a esencia de la religión

I.

© Comunidad de M a d r i d . Consejería de Educación y Cultura, 1 9 9 5

© Manuel C a b a d a Castro, para el prólogo

Castro.

INTRODUCCIÓN

Tilulo original: Das W e s e n des Christentums
© Editorial Trolla, ? A., 1 9 9 5
Altamirano, 3 4 . 2 8 0 0 8 M a d r i d
Teléfono: 5 4 9 1 4 4 3
Fax: 5 4 9 1 6 15

Cabada

6.
7.
8.
9.
10.

D i o s , c o m o ser d e l e n t e n d i m i e n t o
D i o s , c o m o ser m o r a l o c o m o l e y
E l m i s t e r i o de la e n c a r n a c i ó n o D i o s c o m o ser d e l
corazón
E l m i s t e r i o d e l D i o s que sufre
El m i s t e r i o de la t r i n i d a d y de la madre de D i o s
E l m i s t e r i o del logos y la i m a g e n d i v i n a
E l m i s t e r i o d e l p r i n c i p i o c r e a d o r d e l m u n d o en D i o s ...
E l m i s t e r i o d e l m i s t i c i s m o o el m i s t e r i o de la
naturaleza en D i o s
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LA ESENCIA D E L H O M B R E

La religión se f u n d a en la d i f e r e n c i a esencial que existe entre el
h o m b r e y el a n i m a l ; los animales n o tienen r e l i g i ó n . Los a n t i g u o s
naturalistas, sin r i g o r c r í t i c o , atribuían al elefante, entre otras l o a bles p r o p i e d a d e s , la v i r t u d de la r e l i g i o s i d a d ; p e r o la religión d e l
elefante pertenece a l r e i n o de la fábula. C u v i e r , u n o de los m á s
grandes conocedores d e l r e i n o a n i m a l , sostiene, a p o y á n d o s e en sus
propias observaciones, que el elefante n o posee m a y o r n i v e l de i n t e ligencia que el p e r r o .
¿En qué consiste esa d i f e r e n c i a esencial que existe entre el h o m bre y el animal? La respuesta más s i m p l e , más general y t a m b i é n
más p o p u l a r a esta cuestión es: en la conciencia, p e r o c o n c i e n c i a
entendida en sentido e s t r i c t o ; puesto que la c o n c i e n c i a e n t e n d i d a
c o m o s e n t i m i e n t o de sí m i s m o , c o m o f a c u l t a d de distinción de l o
sensible, de la p e r c e p c i ó n e i n c l u s o d e l j u i c i o sobre las cosas e x t e r nas, según d e t e r m i n a d a s características sensibles, n o puede negarse a los animales. L a c o n c i e n c i a , en s e n t i d o e s t r i c t o , sólo existe allí
donde u n ser tiene c o m o objeto su p r o p i o g é n e r o , su p r o p i a esenc i a l i d a d . E l a n i m a l puede d e v e n i r o b j e t o de sí m i s m o en c u a n t o
i n d i v i d u o — p o r eso posee s e n t i m i e n t o de sí m i s m o — , p e r o n o en
cuanto g é n e r o — p o r eso carece de conciencia, n o m b r e d e r i v a d o de
saber—. Por eso, d o n d e hay c o n c i e n c i a , hay t a m b i é n a p t i t u d p a r a
la ciencia. La ciencia es la conciencia de los g é n e r o s . E n la v i d a
tratamos c o n i n d i v i d u o s , en la ciencia con g é n e r o s . Pero sólo u n ser
que tiene c o m o objeto su p r o p i o g é n e r o , su esencialidad, puede c o n v e r t i r en objeto otras cosas, otros seres, según su naturaleza esencial. El a n i m a l , p o r c o n s i g u i e n t e , t i e n e una única v i d a ; el h o m b r e
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LA

ESENCIA

DEL

LA

C R I S T I A N I S M O

una v i d a d o b l e : en el a n i m a l la v i d a i n t e r i o r y e x t e r i o r se i d e n t i f i can; el h o m b r e , sin e m b a r g o , posee una vida i n t e r i o r y o t r a exter i o r . L a vida i n t e r i o r d e l h o m b r e es la v i d a en relación a su especie,
a su esencia. El h o m b r e piensa, es decir, conversa, habla consigo
m i s m o . E l a n i m a l no puede realizar n i n g u n a función genérica sin
o t r o i n d i v i d u o e x t e r i o r a él; el h o m b r e , sin e m b a r g o , puede realizarlas f u n c i o n e s genéricas del pensar y hablar, que son verdaderas f u n ciones genéricas, i n d e p e n d i e n t e m e n t e de o t r o i n d i v i d u o . E l h o m b r e
es, al m i s m o t i e m p o , para sí m i s m o el y o y el tú; él puede ponerse
en el lugar d e l o t r o , precisamente p o r q u e su objeto n o es solamente
su i n d i v i d u a l i d a d , sino también su especie genérica, su esencia.
La esencia d e l h o m b r e , a d i f e r e n c i a de la del a n i m a l , es no sólo
el f u n d a m e n t o de la religión, sino t a m b i é n su o b j e t o . La religión es
la conciencia de l o i n f i n i t o ; es y sólo puede ser la conciencia que el
h o m b r e tiene de su esencia, n o f i n i t a y l i m i t a d a , sino i n f i n i t a . U n
ser realmente f i n i t o n o tiene n i el más r e m o t o p r e s e n t i m i e n t o n i ,
p o r supuesto, conciencia, de u n ser i n f i n i t o , pues la limitación del
ser i m p l i c a la l i m i t a c i ó n de la c o n c i e n c i a . La conciencia de u n a
o r u g a , cuya v i d a y c u y o ser están l i m i t a d o s en el estrecho círculo de
una d e t e r m i n a d a especie de plantas, n o se extiende t a m p o c o más
allá de este á m b i t o l i m i t a d o ; d i s t i n g u e perfectamente esta p l a n t a de
las otras, p e r o n o sabe nada más. Semejante conciencia l i m i t a d a ,
i n f a l i b l e , sin p o s i b i l i d a d de e r r o r , en razón de su limitación, la llam a m o s i n s t i n t o y n o conciencia. C o n c i e n c i a , en s e n t i d o p r o p i o , r i g u r o s o , y conciencia de l o i n f i n i t o son s i n ó n i m o s ; conciencia l i m i tada n o es c o n c i e n c i a ; la c o n c i e n c i a es esencialmente u n i v e r s a l ,
naturaleza i n f i n i t a . La conciencia de lo i n f i n i t o sólo puede ser c o n ciencia de la i n f i n i t u d de la conciencia. C o n otras palabras, en la
j conciencia de l o i n f i n i t o , el h o m b r e consciente tiene p o r objeto la
i n f i n i t u d de su p r o p i a esencia.
¿ Q u é es, entonces, la esencia del h o m b r e , de la que éste es const i e n t e , o qué es lo que c o n s t i t u y e en el h o m b r e el g é n e r o de la
h u m a n i d a d p r o p i a m e n t e dicha ? L a razón, la v o l u n t a d , el c o r a z ó n .
E l h o m b r e p e r f e c t o debe poseer la f a c u l t a d del p e n s a m i e n t o , la fac u l t a d de la v o l u n t a d , la f a c u l t a d d e l c o r a z ó n . La f a c u l t a d d e l p e n samiento es la luz d e l c o n o c i m i e n t o , la f a c u l t a d de la v o l u n t a d es la
energía d e l c a r á c t e r y la f a c u l t a d d e l corazón es el a m o r . R a z ó n ,
1

1 . El materialista carente de espíritu dice: «El h o m b r e se distingue del animal sólo polla conciencia, es un animal d o t a d o de conciencia», o l v i d a n d o de este m o d o que en un ser
que se despierta a la conciencia se produce un cambio c u a l i t a t i v o del ser t o t a l . Por o t r a
parte, no se debe rebajar la esencia de los animales apoyándose en So que hemos d i c h o . N o
es éste el lugar o p o r t u n o para p r o f u n d i z a r en esta cuestión.

E S E N C I A

DEL

H O M B R E

amor y v o l u n t a d son perfecciones, son facultades supremas, c o n s t i tuyen la esencia absoluta del h o m b r e en cuanto h o m b r e y el f i n de
su existencia. E l h o m b r e existe para c o n o c e r , para amar, para querer. Pero ¿cuál es el f i n de la razón? L a razón m i s m a . ¿Y d e l amor?
El a m o r . ¿Y el de la v o l u n t a d ? La l i b e r t a d de q u e r e r . C o n o c e m o s
para conocer, amamos p a r a amar, q u e r e m o s para q u e r e r , es d e c i r ,
para ser libres. E l v e r d a d e r o ser es el ser que piensa, ama, q u i e r e .
V e r d a d e r o , p e r f e c t o , d i v i n o es solamente l o que existe para sí m i s m o . Pero así es el a m o r , así la razón, así la v o l u n t a d . La t r i n i d a d
d i v i n a en el h o m b r e , p o r encima d e l h o m b r e i n d i v i d u a l , es la u n i dad de razón, a m o r y v o l u n t a d . R a z ó n ( i m a g i n a c i ó n , fantasía, ideas,
o p i n i ó n ) , v o l u n t a d , a m o r o corazón n o son facultades que el h o m bre tiene — p u e s él es nada sin ellas; el h o m b r e es l o que es solamente p o r ellas—; son los elementos que f u n d a m e n t a n su ser, ser que él
ni tiene n i hace, fuerzas que lo a n i m a n , d e t e r m i n a n y d o m i n a n ,
fuerzas absolutas, d i v i n a s , a las que n o puede o p o n e r resistencia
alguna .
2

E n efecto, ¿ c ó m o p o d r í a resistir el h o m b r e s e n t i m e n t a l al s e n t i m i e n t o , el amante al a m o r , el razonable a la razón? ¿Quién n o ha
e x p e r i m e n t a d o la fuerza fascinadora de la música? Pero ¿qué es la
fuerza de la música sino la fuerza de los sentimientos? L a música es
el lenguaje d e l s e n t i m i e n t o — e l s o n i d o es el s e n t i m i e n t o s o n o r o , es
el s e n t i m i e n t o que se c o m u n i c a — . ¿ Q u i é n n o ha e x p e r i m e n t a d o la
fuerza del a m o r o, p o r l o menos, o í d o hablar de él? ¿Quién es más
fuerte: el a m o r o el h o m b r e i n d i v i d u a l ? ¿Es el h o m b r e q u i e n posee
el a m o r o es, más b i e n , el a m o r q u i e n posee a los hombres? C u a n do el a m o r mueve a los h o m b r e s hasta el p u n t o de i r c o n alegría a la
muerte p o r los seres q u e r i d o s , esta f u e r z a que vence a la m u e r t e ¿es
su p r o p i a fuerza i n d i v i d u a l o, más b i e n , la fuerza del amor? ¿Y quién,
que haya v e r d a d e r a m e n t e pensado, n o ha e x p e r i m e n t a d o la fuerza
t r a n q u i l a y silenciosa d e l pensamiento? C u a n d o tú estás absorto en
p r o f u n d o s pensamientos, olvidándote de t i m i s m o y de c u a n t o te
rodea, ¿dominas tú la r a z ó n o acaso n o eres tú el d o m i n a d o y absorb i d o p o r ella? ¿No es el entusiasmo p o r la ciencia el t r i u n f o más
bello que sobre t i celebra la razón? ¿ N o es el p o d e r del i n s t i n t o de
saber una fuerza i r r e s i s t i b l e que supera t o d o s los obstáculos? C u a n do sometes una pasión, c u a n d o r e p r i m e s una c o s t u m b r e , en u n a
palabra, c u a n d o obtienes u n a v i c t o r i a sobre t i m i s m o , ¿es esa fuerza
vencedora t u p r o p i a f u e r z a p e r s o n a l , pensada p o r sí m i s m a , o es

2.

«Toute opinión est assez f o r t e p o u r se faire exposer au p r i x de la vie»: M o n t a i g n e

(en francés en el t e x t o o r i g i n a l ) .

55

LA

ESENCIA

DEL

más b i e n la energía de la v o l u n t a d , la fuerza de la m o r a l i d a d que te
d o m i n a p o r la fuerza y que te llena de indignación c o n t r a t i m i s m o
y c o n t r a tus debilidades i n d i v i d u a l e s ?
Sin o b j e t o , el h o m b r e es u n a nada. H o m b r e s grandes y ejemplares, c o m o aquellos que nos r e v e l a r o n la esencia d e l h o m b r e , c o n f i r m a r o n este p r i n c i p i o c o n su v i d a . Solamente t u v i e r o n u n a pasión
d o m i n a n t e y f u n d a m e n t a l : la realización d e l f i n que fue el o b j e t o
esencial de su a c t i v i d a d . Pero el o b j e t o al que se refiere esencial y
necesariamente u n sujeto sólo puede ser la p r o p i a esencia o b j e t i v a da de este sujeto. Si este m i s m o o b j e t o es c o m ú n a varios i n d i v i d u o s
iguales según el g é n e r o p e r o diferentes según la especie, entonces es
su p r o p i a esencia o b j e t i v a d a en c u a n t o es objeto de cada u n o de
estos i n d i v i d u o s d i s t i n t o s .
3

Así, el Sol es objeto c o m ú n a los planetas, p e r o n o es objeto para
la T i e r r a , de la m i s m a manera c o m o l o es para M e r c u r i o , V e n u s ,
S a t u r n o o U r a n o . Cada planeta tiene su p r o p i o sol. E l Sol que i l u m i n a y calienta a U r a n o de una manera d e t e r m i n a d a n o posee existencia física para la T i e r r a (solamente u n a existencia a s t r o n ó m i c a ,
c i e n t í f i c a ) ; y el Sol n o s ó l o aparenta ser o t r o , sino que es r e a l m e n t e
o t r o Sol d i f e r e n t e respecto de U r a n o que respecto de la T i e r r a .
L a relación de la T i e r r a al Sol, es, p o r t a n t o , al m i s m o t i e m p o , una
relación de la T i e r r a consigo m i s m a o c o n su p r o p i a esencia, pues la
m e d i d a de la m a g n i t u d y de la i n t e n s i d a d de la l u z , en función de las
cuales el Sol es o b j e t o para la T i e r r a , es la m e d i d a de la distancia, a
p a r t i r de la cual se c o n s t i t u y e la naturaleza p r o p i a de la T i e r r a .
Cada planeta, p o r t a n t o , tiene en su Sol el espejo de su p r o p i a esencia.
A través d e l objeto viene el h o m b r e a ser consciente de sí m i s m o : la conciencia del o b j e t o es la conciencia de sí m i s m o del h o m b r e . Por el objeto conoces tú los h o m b r e s ; en él te aparece su esencia; el objeto es su esencia revelada, su yo v e r d a d e r o , o b j e t i v o . Y
esto n o es válido solamente de los objetos espirituales, sino también
de los sensibles: hasta de los objetos más distantes respecto del h o m b r e ,
p o r q u e y en c u a n t o son sus objetos, c o n s t i t u y e n revelaciones de la
3. Si esta distinción entre el i n d i v i d u o — u n a palabra que, c o m o todas las palabras
abstractas, es sumamente i n d e t e r m i n a d a , ambigua, e n g a ñ o s a — y el a m o r , la razón, la v o luntad es una distinción fundada en la naturaleza o n o , es algo t o t a l m e n t e i n d i f e r e n t e para
el tema del presente escrito. La religión substrae las facultades, cualidades, determinaciones
esenciales del h o m b r e y las diviniza como seres independientes —carece de i m p o r t a n c i a si
las convierte a cada una de ellas en un ser, como el politeísmo, o c o m o si en el m o n o t e í s m o
las reúne todas en un solo ser—, es, pues, necesario hacer esta distinción cuando se explica
y reduce estos seres d i v i n o s a! h o m b r e . Por lo demás la distinción n o existe sólo en el objet o , sino también en la lengua y, lo que es lo m i s m o , en la lógica, porque el h o m b r e se
distingue de su espíritu, de su cabeza, de su corazón, como si fuera todavía algo sin ellos.

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LA

C R I S T I A N I S M O

ESENCIA

DEL

H O M B R E

esencia h u m a n a . H a s t a la l u n a , el s o l , las estrellas g r i t a n al h o m b r e
« c o n ó c e t e a t i m i s m o » . Q u e él los vea de t a l m a n e r a
d e t e r m i n a d a , es u n t e s t i m o n i o de su p r o p i a esencia. El a n i m a l se
c o n m u e v e sólo p o r el r a y o de luz necesario para su v i d a ; el h o m b r e ,
al c o n t r a r i o , también p o r el rayo i n d i f e r e n t e de la estrella más rem o t a . S ó l o el h o m b r e posee la p u r e z a , el sentido i n t e l e c t u a l , el desinterés en las alegrías y las e m o c i o n e s , sólo el h o m b r e celebra la
fiesta óptica de la c o n t e m p l a c i ó n . E l o j o que c o n t e m p l a el f i r m a m e n t o , que observa a q u e l l a luz inútil e i n o f e n s i v a que n o tiene nada
en c o m ú n con la t i e r r a y sus necesidades, ve en esta luz su p r o p i a
esencia, su p r o p i o o r i g e n . E l ojo es de naturaleza celestial. Por eso
el h o m b r e se eleva p o r e n c i m a de la t i e r r a a través d e l o j o , p o r eso la
teoría comienza c o n el m i r a r hacia el c i e l o . Los p r i m e r o s filósofos
f u e r o n a s t r ó n o m o s . E l cielo recuerda al h o m b r e su destino, en cuanto
no sólo ha sido d e t e r m i n a d o a la a c c i ó n , sino t a m b i é n a la c o n t e m plación.

rvá>8i o a m ó v ,

El ser a b s o l u t o , el D i o s d e l h o m b r e , es su p r o p i a esencia. E l
p o d e r que el objeto ejerce sobre él es, p o r lo t a n t o , el p o d e r de su
p r o p i a esencia. E n f o r m a análoga, el p o d e r que ejerce el objeto d e l
s e n t i m i e n t o es el p o d e r d e l s e n t i m i e n t o ; el p o d e r d e l objeto de la
razón es el p o d e r de la razón m i s m a ; el p o d e r del o b j e t o de la v o l u n t a d es el p o d e r de la v o l u n t a d . A los h o m b r e s c u y a esencia d e t e r m i na el s o n i d o , d o m i n a el s e n t i m i e n t o , p o r lo menos aquel s e n t i m i e n t o que encuentra en el s o n i d o su e l e m e n t o c o r r e s p o n d i e n t e . Pero n o
es el s o n i d o en sí, sino el s o n i d o e x p r e s i v o , sensual, s e n t i m e n t a l ,
que tiene el p o d e r sobre el s e n t i m i e n t o . E l s e n t i m i e n t o se d e t e r m i n a
sólo p o r el s e n t i m i e n t o , es decir, p o r sí m i s m o , p o r su p r o p i a esencia. L o m i s m o sucede c o n la v o l u n t a d y con la razón. C u a l q u i e r a
que sea el objeto que se presente a nuestra c o n c i e n c i a , nos c o n d u c e
siempre, al m i s m o t i e m p o , a la c o n c i e n c i a de nuestra p r o p i a esencia; n o p o d e m o s actualizar o t r a cosa sin actualizarnos a n o s o t r o s
m i s m o s . Y p o r q u e q u e r e r , sentir, pensar son perfecciones, esencias,
realidades, es i m p o s i b l e que p o r la razón, el s e n t i m i e n t o , la v o l u n t a d , sintamos o p e r c i b a m o s la r a z ó n , el s e n t i m i e n t o , la v o l u n t a d
c o m o una fuerza l i m i t a d a f i n i t a , es d e c i r , nada. F i n i t u d y nada son
u n o y l o m i s m o ; f i n i t u d es sólo u n e u f e m i s m o respecto de n a d a .
F i n i t u d es la e x p r e s i ó n metafísica y t e ó r i c a , m i e n t r a s que nada es la
e x p r e s i ó n p a t o l ó g i c a y práctica. L o que es f i n i t o para el e n t e n d i m i e n t o , es nada p a r a el c o r a z ó n . Pero es i m p o s i b l e que lleguemos a
ser conscientes de la v o l u n t a d , d e l s e n t i m i e n t o , de la razón, c o m o
de fuerzas f i n i t a s , puesto que t o d a p e r f e c c i ó n , t o d a fuerza y esencia
es c o n f i r m a c i ó n y r e a f i r m a c i ó n i n m e d i a t a de sí m i s m a . N o se p u e d e
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LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

amar, n i querer, n i pensar, sin e x p e r i m e n t a r estas actividades c o m o
perfecciones; n o es posible p e r c i b i r que existe u n ser que ama, que
quiere y que piensa, sin e x p e r i m e n t a r p o r este m o t i v o una alegría
i n f i n i t a . C o n c i e n c i a significa el ser o b j e t o de sí m i s m o , de una esencia; p o r l o t a n t o , n o es nada especial, nada d i f e r e n t e d e l ser que es
consciente de sí m i s m o . D e o t r o m o d o , ¿ c ó m o podría ser consciente de sí mismo? Por esó es i m p o s i b l e llegar a ser consciente de u n a
p e r f e c c i ó n c o m o si fuera una i m p e r f e c c i ó n , i m p o s i b l e sentir el sent i m i e n t o y pensar el p e n s a m i e n t o c o m o l i m i t a d o .
C o n c i e n c i a significa actualización de sí m i s m o , a u t o a f i r m a c i ó n ,
a m o r de sí m i s m o , alegría de la p r o p i a p e r f e c c i ó n . C o n c i e n c i a es la
p r o p i e d a d característica de u n ser p e r f e c t o : la conciencia sólo existe en u n ser satisfecho y p l e n o . H a s t a la p r o p i a v a n i d a d h u m a n a
c o n f i r m a esta v e r d a d . E l h o m b r e se m i r a en el espejo, e n c u e n t r a
satisfacción en su f i g u r a . Esta satisfacción es una consecuencia necesaria, n o a r b i t r a r i a , de la p l e n i t u d y de la belleza de la f i g u r a . L a
f i g u r a hermosa está satisfecha en sí m i s m a . L a v a n i d a d surge c u a n d o el h o m b r e se c o m p l a c e en su p r o p i a f i g u r a i n d i v i d u a l , p e r o n o
c u a n d o a d m i r a la f i g u r a h u m a n a . Debe a d m i r a r l a ; el h o m b r e n o
puede representarse u n a f o r m a más b e l l a , más elevada que la f i g u r a
humana .
4

E n v e r d a d , t o d o ser se ama a sí m i s m o , ama su ser y debe amarl o . La existencia es u n b i e n . « T o d o lo que es d i g n o d e l ser — d i c e
B a c o n — es t a m b i é n d i g n o d e l saber». T o d o l o que existe, posee u n
v a l o r , es u n ser d o t a d o de distinción; p o r eso se a f i r m a , se sostiene.
Pero la f o r m a más alta de a u t o a f i r m a c i ó n , la que p o r sí m i s m a se
d i s t i n g u e , perfecta, feliz y buena, es la conciencia.
T o d a limitación de la razón o, en general, de la esencia del h o m bre descansa sobre una ilusión o u n e r r o r . E l i n d i v i d u o h u m a n o
puede y debe conocerse y sentirse c o m o l i m i t a d o : en esto consiste
su d i f e r e n c i a c o n el a n i m a l ; p e r o puede ser consciente de su l i m i t a c i ó n , de su f i n i t u d , p o r q u e tiene c o m o objeto la p e r f e c c i ó n y la
i n f i n i t u d d e l g é n e r o , b i e n sea c o m o o b j e t o d e l s e n t i m i e n t o , de la
conciencia m o r a l o de la conciencia i n t e l e c t u a l . C u a n d o el i n d i v i d u o a t r i b u y e su p r o p i a limitación al g é n e r o , procede esta ilusión
de la creencia de que se i d e n t i f i c a c o n el g é n e r o ; e r r o r en estrecha
c o n e x i ó n c o n el a m o r a la t r a n q u i l i d a d , la s u p e r i o r i d a d , v a n i d a d y
4. «El h o m b r e es lo más bello para el h o m b r e » : C i c e r ó n , De. natura deorum, 1 . Y esto
no es u n signo de limitación, porque encuentra igualmente bellos a otros seres distintos de
él. Se alegra también de la belleza de las formas animales, de la belleza de las formas vegetales, de la belleza de la naturaleza en general. Pero sólo la f o r m a absoluta, perfecta puede
alegrarse sin envidia de la f o r m a de los otros seres.

58

LA

E S E N C I A

DEL

H O M B R E

o r g u l l o del i n d i v i d u o . U n a limitación que sólo r e c o n o z c o c o m o mía,
me h u m i l l a , me avergüenza, me i n t r a n q u i l i z a . Para l i b e r a r m e de
este s e n t i m i e n t o de vergüenza, de esta i n t r a n q u i l i d a d , t r a n s f i e r o las
limitaciones de m i i n d i v i d u a l i d a d a la esencia h u m a n a . L o que es
i n c o m p r e n s i b l e para m í , t a m b i é n lo es p a r a los o t r o s . ¿Por qué debe
preocuparme? N o es c u l p a m í a ; t a m p o c o es c u l p a de m i e n t e n d i m i e n t o ; se f u n d a en el e n t e n d i m i e n t o d e l género m i s m o . Pero es
una l o c u r a , una demencia r i d i c u l a e i n j u r i o s a c o n s i d e r a r c o m o f i n i to y l i m i t a d o lo que c o n s t i t u y e la n a t u r a l e z a del h o m b r e , la esencia
del g é n e r o , que es la esencia absoluta d e l i n d i v i d u o . T o d o ser se
basta a sí m i s m o . N i n g ú n ser puede negarse a sí m i s m o , es d e c i r ,
negar su esencia; ningún ser es l i m i t a d o respecto de sí m i s m o . T o d o
ser es, más b i e n , en y p o r sí m i s m o i n f i n i t o , tiene su D i o s , su esencia
más alta, en sí m i s m o . T o d a l i m i t a c i ó n de u n ser existe sólo respecto de o t r o ser e x t e r i o r y s u p e r i o r . L a v i d a de los e f é m e r e s es ext r a o r d i n a r i a m e n t e c o r t a en c o m p a r a c i ó n c o n la v i d a más larga de
otros animales; y , sin e m b a r g o , esta v i d a breve es para ellos t a n
larga c o m o para o t r o s u n a v i d a de a ñ o s . La hoja sobre la que vive la
oruga representa para ella u n m u n d o , u n espacio i n f i n i t o .
L o que hace que u n ser sea l o que es, l o debe justamente a su
t a l e n t o , sus a p t i t u d e s , su riqueza y sus cualidades. ¿ C ó m o podría
percibir su ser c o m o n o s i e n d o , su r i q u e z a c o m o p o b r e z a y su t a l e n to c o m o i n e p t i t u d ? Si las plantas t u v i e r a n ojos, gusto y capacidad
de j u i c i o , cada p l a n t a declararía que sus flores e r a n las más bellas;
pues su e n t e n d i m i e n t o , su gusto, n o superaría la p o t e n c i a p r o d u c tora de su ser. L o que la p o t e n c i a p r o d u c t o r a desea elaborar c o m o
lo más elevado, el gusto y el j u i c i o deberá t a m b i é n r e c o n o c e r l o y
a f i r m a r l o c o m o l o más elevado. L o que a f i r m a el ser n o puede negarlo el e n t e n d i m i e n t o , el gusto n i el j u i c i o ; de l o c o n t r a r i o , n o
sería el e n t e n d i m i e n t o y el j u i c i o de este ser d e t e r m i n a d o , sino el de
cualquier o t r o . La m e d i d a del ser es también la m e d i d a del e n t e n d i m i e n t o . Si el ser es l i m i t a d o , t a m b i é n lo será el s e n t i m i e n t o y el
e n t e n d i m i e n t o . Pero para u n ser l i m i t a d o no representa su e n t e n d i m i e n t o l i m i t a d o ningún límite; está, a l c o n t r a r i o , perfectamente feliz
y satisfecho consigo m i s m o ; lo siente, l o alaba y enaltece c o m o u n a
fuerza señorial y d i v i n a ; el e n t e n d i m i e n t o l i m i t a d o alaba, p o r su
parte, al ser l i m i t a d o c u y o e n t e n d i m i e n t o es. L o s dos se a d a p t a n
perfectamente. ¿ C ó m o podrían estar en desacuerdo? E l e n t e n d i m i e n t o
constituye el c a m p o de visión de u n ser. Hasta d o n d e alcanza t u
m i r a d a , hasta allí se e x t i e n d e t u p r o p i o ser, y a la inversa. E l ojo d e l
a n i m a l n o alcanza más allá de su necesidad, y su ser n o se e x t i e n d e
t a m p o c o más allá de aquélla. Y hasta donde alcanza t u ser, se ex59

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

tiende también el s e n t i m i e n t o i l i m i t a d o de t i m i s m o , y j u s t o hasta
ese p u n t o eres D i o s . L a r u p t u r a entre e n t e n d i m i e n t o y ser, entre
capacidad de pensar y capacidad de p r o d u c i r en la conciencia h u m a n a es, p o r u n l a d o , s ó l o i n d i v i d u a l , c a r e c i e n d o de s i g n i f i c a ción general, y , p o r o t r o l a d o , es p u r a apariencia. Q u i e n reconoce
que sus poesías son malas n o es t a n l i m i t a d o en su c o n o c i m i e n t o y ,
p o r ende, en su ser, c o m o aquel que considera buenas sus poesías
malas.
E n consecuencia, si piensas l o i n f i n i t o , piensas y afirmas la i n f i n i t u d de la capacidad de pensar; sientes l o i n f i n i t o , sientes y c o n f i r mas, p o r l o t a n t o , la i n f i n i t u d de la capacidad de sentir. E l o b j e t o de
la razón es la razón que se o b j e t i v a , el objeto d e l s e n t i m i e n t o es el
s e n t i m i e n t o que se o b j e t i v a . Si n o tienes ningún s e n t i d o , ningún
s e n t i m i e n t o para la música, n i en la música más bella percibirás
o t r a sensación que la que causa el v i e n t o c u a n d o sopla o el a r r o y o
que susurra a tus pies. ¿ Q u é es, pues, l o que te e m o c i o n a c u a n d o
oyes la música? ¿ Q u é percibes en ella? ¿ Q u é o t r a cosa que la v o z de
t u p r o p i o c o r a z ó n ? Por eso el s e n t i m i e n t o habla sólo al s e n t i m i e n t o , p o r eso el s e n t i m i e n t o existe sólo p a r a el s e n t i m i e n t o , es decir,
se c o m p r e n d e a sí m i s m o ; p o r eso, p o r q u e el o b j e t o del s e n t i m i e n t o
es el s e n t i m i e n t o m i s m o . L a música es u n m o n ó l o g o del s e n t i m i e n t o . Pero t a m b i é n el diálogo de la filosofía es, v e r d a d e r a m e n t e , sólo
u n m o n ó l o g o de la razón: el p e n s a m i e n t o habla sólo al p e n s a m i e n t o . E l b r i l l o m u l t i c o l o r de los cristales encanta a los sentidos; la
razón se interesa sólo p o r las leyes de la cristalografía. Para la razón
es o b j e t o sólo l o r a z o n a b l e .
5

Por consiguiente, t o d o l o que respecto a la especulación sobreh u m a n a y religiosa tiene el s i g n i f i c a d o de d e r i v a d o , s u b j e t i v o , h u m a n o , de m e d i a c i ó n , de i n s t r u m e n t o , t i e n e , desde el p u n t o de
vista de la v e r d a d , la significación de l o o r i g i n a r i o , d i v i n o , esencial y d e l objeto m i s m o . Si, p o r e j e m p l o , el s e n t i m i e n t o es el i n s t r u m e n t o esencial de la r e l i g i ó n , e n t o n c e s la esencia de D i o s n o
expresa o t r a cosa que la esencia d e l s e n t i m i e n t o . E l v e r d a d e r o
p e r o o c u l t o sentido de la frase «el s e n t i m i e n t o es el ó r g a n o de l o
divino» es: el s e n t i m i e n t o es l o más n o b l e , l o más s u b l i m e , es decir,
l o d i v i n o en el h o m b r e . ¿ C ó m o podrías p e r c i b i r l o d i v i n o p o r m e d i o d e l s e n t i m i e n t o si él m i s m o n o fuera de naturaleza divina? L o
d i v i n o sólo es p e r c i b i d o p o r l o d i v i n o . «Dios sólo se conoce p o r
m e d i o de sí m i s m o » . L a esencia d i v i n a que percibe el s e n t i m i e n t o
5. «El e n t e n d i m i e n t o sólo es sensible para el e n t e n d i m i e n t o y para lo que procede de
él»: Reimarus, Wabrbeit der natürlichen
Religión I V , § 8.

60

LA

E S E N C I A

DEL

H O M B R E

no es en r e a l i d a d o t r a cosa que la esencia d e l s e n t i m i e n t o deleitada
y encantada consigo m i s m a ; el s e n t i m i e n t o feliz y e m b r i a g a d o de sí
mismo.
Esto resulta ya d e l h e c h o de que allí d o n d e el s e n t i m i e n t o se
convierte en ó r g a n o de l o i n f i n i t o , en esencia subjetiva de la r e l i gión, el o b j e t o de ésta p i e r d e su v a l o r o b j e t i v o . D e esta manera,
desde que el s e n t i m i e n t o se ha c o n v e r t i d o en f u n d a m e n t o de la r e l i gión, el c o n t e n i d o sagrado de la fe del c r i s t i a n i s m o se ha c o n v e r t i d o
en algo i n d i f e r e n t e . Si desde el p u n t o de vista d e l s e n t i m i e n t o se
atribuye todavía al o b j e t o algún v a l o r , l o tiene solamente gracias al
s e n t i m i e n t o que p o s i b l e m e n t e se r e l a c i o n a c o n él p o r razones c o n tingentes; si o t r o o b j e t o p r o v o c a r a los m i s m o s s e n t i m i e n t o s , sería
igualmente b i e n v e n i d o . E l objeto del s e n t i m i e n t o llega a ser i n d i f e rente precisamente p o r q u e d o n d e el s e n t i m i e n t o se a f i r m a c o m o la
esencia subjetiva de la religión, en r e a l i d a d c o n s t i t u y e su esencia
objetiva, aunque n o se reconozca c o m o t a l , p o r l o menos d i r e c t a mente. D i g o d i r e c t a m e n t e , pues i n d i r e c t a m e n t e se reconoce p o r el
hecho de que el s e n t i m i e n t o en c u a n t o t a l se concibe c o m o r e l i g i o so, es decir, la d i f e r e n c i a entre los s e n t i m i e n t o s p r o p i a m e n t e r e l i giosos e i r r e l i g i o s o s , o p o r l o menos n o religiosos, se s u p r i m e ; es
una consecuencia necesaria desde a q u e l p u n t o de vista en el que el
s e n t i m i e n t o se a f i r m a c o m o ó r g a n o de l o d i v i n o . Pues ¿qué o t r a
cosa te i n d u c e a declarar el s e n t i m i e n t o c o m o ó r g a n o de la esencia
d i v i n a e i n f i n i t a , sino la esencia y n a t u r a l e z a del s e n t i m i e n t o ? Pero
la naturaleza del s e n t i m i e n t o en general ¿no es acaso la naturaleza
de t o d o s e n t i m i e n t o especial, c u a l q u i e r a que sea su objeto?, ¿qué es
lo que convierte este s e n t i m i e n t o en u n s e n t i m i e n t o religioso?, ¿acaso
el ser u n objeto d e t e r m i n a d o ? N o , pues el o b j e t o se c o n v i e r t e en
religioso cuando es o b j e t o , n o del frío e n t e n d i m i e n t o o de la m e m o ria, sino d e l s e n t i m i e n t o . ¿ Q u é es, pues? La n a t u r a l e z a del sentim i e n t o , en el que p a r t i c i p a t o d o s e n t i m i e n t o , sin discriminación de
objeto. Por l o t a n t o , el s e n t i m i e n t o es declarado santo s i m p l e m e n t e
p o r q u e es s e n t i m i e n t o ; el f u n d a m e n t o de su r e l i g i o s i d a d es la n a t u raleza m i s m a del s e n t i m i e n t o , reside en él m i s m o . Pero ¿no se ha
declarado de este m o d o el s e n t i m i e n t o c o m o l o a b s o l u t o , l o d i v i n o
mismo? Si el s e n t i m i e n t o es b u e n o y r e l i g i o s o p o r sí m i s m o , es decir, santo y d i v i n o , ¿acaso n o tiene el s e n t i m i e n t o su D i o s en él
mismo? Pero si quieres, sin e m b a r g o , establecer u n objeto d e l sentim i e n t o e i n t e r p r e t a r al m i s m o t i e m p o t u s e n t i m i e n t o v e r d a d e r a mente, sin i n t r o d u c i r c o n t u r e f l e x i ó n algo e x t r a ñ o , ¿qué o t r a cosa
te queda sino d i s t i n g u i r entre tus s e n t i m i e n t o s i n d i v i d u a l e s y la esencia del s e n t i m i e n t o y aislar esta esencia de las i n f l u e n c i a s p e r t u r b a 61

LA

ESENCIA

DEL

doras e i m p u r a s , a las que está l i g a d o el s e n t i m i e n t o en t i , i n d i v i d u o
l i m i t a d o ? Por eso, l o ú n i c o que puedes o b j e t i v a r , a f i r m a r c o m o i n f i n i t o y d e f i n i r c o m o su esencia, es la naturaleza del s e n t i m i e n t o .
Aquí sólo posees la siguiente c a r a c t e r i z a c i ó n de D i o s : D i o s es sentim i e n t o p u r o , i l i m i t a d o , l i b r e . C u a l q u i e r o t r o D i o s que admitas es
u n D i o s i m p u e s t o desde f u e r a a t u s e n t i m i e n t o . E l s e n t i m i e n t o
es ateo en el s e n t i d o de la fe o r t o d o x a y , c o m o t a l , la religión exige
u n objeto e x t e r n o ; el s e n t i m i e n t o niega u n D i o s o b j e t i v a d o , él m i s m o es D i o s . L a negación d e l s e n t i m i e n t o representa, desde su p u n t o
de vista, la n e g a c i ó n de D i o s . Eres demasiado cobarde o l i m i t a d o
para confesar c o n palabras l o que t u s e n t i m i e n t o s u b r e p t i c i a m e n t e
a f i r m a . U n i d o a consideraciones de o r d e n e x t e r n o , incapaz de c o m p r e n d e r la m a g n a n i m i d a d d e l s e n t i m i e n t o , te espantas ante el ateísm o de t u c o r a z ó n y destruyes c o n t u m i e d o la u n i d a d de t u sentim i e n t o c o n t i g o m i s m o , m i e n t r a s imaginas u n ser o b j e t i v o d i s t i n t o
del s e n t i m i e n t o y recaes de n u e v o , y necesariamente, en las a n t i guas cuestiones y dudas: D i o s , ¿existe o n o existe? Cuestiones y
dudas que ya h a n desaparecido, más aún, que son imposibles d o n d e
el s e n t i m i e n t o es declarado esencia de la religión. E l s e n t i m i e n t o es
t u fuerza más íntima y , sin e m b a r g o , es, al m i s m o t i e m p o , l o más
d i f e r e n t e e i n d e p e n d i e n t e de t i , se e n c u e n t r a en t i y a la vez sobre t i ;
c o n s t i t u y e t u esencia más p r o p i a y , al m i s m o t i e m p o , te d o m i n a
c o m o una esencia e x t r a ñ a ; en una p a l a b r a , es t u D i o s . ¿ C ó m o q u i e res, pues, d i s t i n g u i r de esta esencia que se halla en t i o t r a esencia
o b j e t i v a y e x t r a ñ a ? ¿ C ó m o quieres i r más allá de t u s e n t i m i e n t o ? E l
s e n t i m i e n t o ha sido t o m a d o aquí sólo c o m o e j e m p l o . E l m i s m o val o r posee t o d a fuerza, f a c u l t a d , p o t e n c i a , r e a l i d a d , a c t i v i d a d — e l
n o m b r e es i n d i f e r e n t e — que se d e f i n a c o m o ó r g a n o esencial de u n
o b j e t o . L o que posee subjetivamente o p o r parte del h o m b r e el sign i f i c a d o de esencia, t a m b i é n tiene el s i g n i f i c a d o de esencia o b j e t i v a m e n t e o p o r parte del o b j e t o . E l h o m b r e n o puede i r más allá de su
v e r d a d e r a esencia. Puede, p e r f e c t a m e n t e , imaginarse p o r m e d i o de
la'fantasía o t r o s i n d i v i d u o s de u n a clase supuestamente más elevada, p e r o n o p o d r á jamás p r e s c i n d i r de su g é n e r o , de su esencia. Las
d e t e r m i n a c i o n e s que a t r i b u y e a esos o t r o s i n d i v i d u o s están siempre
sacadas de las d e t e r m i n a c i o n e s de su p r o p i a esencia; d e t e r m i n a c i o nes p o r m e d i o de las cuales se refleja y se o b j e t i v a a sí m i s m o . E n los
cuerpos celestes p u e d e n e x i s t i r , c i e r t a m e n t e , seres pensantes además del h o m b r e ; p e r o aunque a d m i t a m o s la existencia de tales seres, n o p o r eso debemos c a m b i a r n u e s t r o p u n t o de vista; lo e n r i q u e cemos c u a n t i t a t i v a , n o c u a l i t a t i v a m e n t e ; pues así c o m o son válidas
allí nuestras leyes d e l m o v i m i e n t o , así son t a m b i é n válidas las leyes
62

E S E N C I A

C R I S T I A N I S M O

DEL

H O M B R E

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Propio

de e n c o n t r a r seres iguales o semejantes'.

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Así, Por e.emp.o, « c e

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sino que se extienda a otros seres todavía
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es idéntica-, hay un mismo sentido para a música, para la ciencia,
sujetos que disfrutan de ellas debe ser i l i m i t a d o .

63

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LA

LA ESENCIA D E L A R E L I G I Ó N

L o que hemos a f i r m a d o en general de la relación del h o m b r e c o n
6 8

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separable de la conciencia de sí; p e r o en el caso d e l objeto r e l i r e

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d i v m o , l o d i g n o e i n d i g n o de a d o r a c i ó n - .
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Vale aquí, sin restricción alguna, la p r o p o s i c i ó n el objeto d e l

1 • De Genesi ad litteram
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64

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Dios antes u e venerarlo»: M . n u q

D EL A R E L I G I Ó N

h o m b r e es su esencia m i s m a o b j e t i v a d a . T a l c o m o el h o m b r e piensa
y siente, así es su D i o s ; l o que vale el h o m b r e , l o vale su D i o s y n o
más. L a conciencia de D i o s es la a u t o c o n c i e n c i a d e l h o m b r e ; el c o n o c i m i e n t o de D i o s el a u t o c o n o c i m i e n t o del h o m b r e . Conoces a l
h o m b r e p o r su D i o s , y viceversa, conoces su D i o s p o r el h o m b r e ;
los dos s o n u n a m i s m a cosa. L o q u e para el h o m b r e es D i o s , es su
espíritu, su a l m a , y l o q u e es el e s p í r i t u d e l h o m b r e , su a l m a ,
su c o r a z ó n , es su D i o s . D i o s es el i n t e r i o r r e v e l a d o del h o m b r e , el
h o m b r e en cuanto e x p r e s a d o ; la religión es la revelación solemne
de los tesoros ocultos d e l h o m b r e , la confesión de sus pensamientos
más íntimos, la d e c l a r a c i ó n pública de sus secretos de a m o r .

2

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e ^
^c o n^el objeto
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de su
religioso

ESENCIA

Pero si la religión, la conciencia de D i o s , es d e f i n i d a c o m o la
autoconciencia d e l h o m b r e , esto n o l o debemos e n t e n d e r c o m o si el
h o m b r e religioso f u e r a d i r e c t a m e n t e consciente de que su c o n c i e n cia de D i o s es la a u t o c o n c i e n c i a de su esencia, pues la carencia de
esta conciencia c o n s t i t u y e justamente la esencia de la religión. Para
e l i m i n a r este m a l e n t e n d i d o sería m e j o r decir: la religión es la a u t o conciencia p r i m a r i a e i n d i r e c t a del h o m b r e . La religión precede siempre a la filosofía t a n t o e n la h i s t o r i a de la h u m a n i d a d c o m o en la
historia de los i n d i v i d u o s . E l h o m b r e busca su esencia fuera de sí,
antes de e n c o n t r a r l a en sí m i s m o .
La p r o p i a esencia es para él, en p r i m e r lugar, c o m o u n objeto de
o t r o ser. La religión es la esencia i n f a n t i l de la h u m a n i d a d ; p e r o el
niño ve su esencia, el ser h o m b r e , f u e r a de sí m i s m o ; c o m o n i ñ o , el
h o m b r e es objeto para sí m i s m o c o m o o t r o ser. E l proceso h i s t ó r i c o
de las religiones consiste en que lo que para las r e l i g i o n e s anteriores
valía c o m o algo o b j e t i v o , ahora es c o n s i d e r a d o s u b j e t i v o , es decir,
lo que fue c o n t e m p l a d o y a d o r a d o c o m o D i o s , a h o r a es r e c o n o c i d o
c o m o algo h u m a n o . La religión a n t e r i o r es idolatría para la p o s t e r i dad: el h o m b r e a d o r ó su p r o p i a esencia. El h o m b r e se ha o b j e t i v a do, pero n o r e c o n o c i ó el objeto c o m o su p r o p i a esencia. L a religión
p o s t e r i o r da este paso; cada progreso de la religión representa, p o r
lo t a n t o , u n c o n o c i m i e n t o de sí m i s m o más p r o f u n d o , p e r o t o d a
religión d e t e r m i n a d a que define a sus hermanos m a y o r e s c o m o idólatras se exceptuaría a sí m i s m a — y esto necesariamente, de l o c o n t r a r i o ya n o sería r e l i g i ó n — del d e s t i n o , de la esencia general de la
religión; a t r i b u y e a las otras religiones l o que es c u l p a de la religión
en cuanto t a l , si es q u e se puede h a b l a r de culpa. P o r q u e tiene o t r o
objeto, o t r o c o n t e n i d o , p o r q u e ha superado el c o n t e n i d o de las r e l i giones anteriores, cree haberse elevado sobre las leyes eternas y n e cesarias q u e f u n d a n la esencia de la religión, cree q u e su objeto, su
c o n t e n i d o , es s o b r e h u m a n o . Sin e m b a r g o el pensador penetra la
65

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

esencia o c u l t a para sí m i s m a de la religión, pues para el pensador la
religión es u n objeto c o m o n o puede serlo para la m i s m a religión.
N u e s t r a tarea es precisamente d e m o s t r a r que la c o n t r a d i c c i ó n entre
l o d i v i n o y l o h u m a n o es i l u s o r i a , es decir, que n o hay más c o n t r a dicción que la que existe entre la esencia y el i n d i v i d u o h u m a n o s , y
que, p o r consiguiente, el o b j e t o y el c o n t e n i d o de la religión cristiana son absolutamente h u m a n o s .
L a religión, p o r l o menos la cristiana, es la relación d e l h o m b r e
consigo m i s m o , o, m e j o r d i c h o , c o n su esencia, p e r o considerada
c o m o una esencia e x t r a ñ a . L a esencia d i v i n a es la esencia h u m a n a ,
o, m e j o r , la esencia d e l h o m b r e p r e s c i n d i e n d o de los límites de l o
i n d i v i d u a l , es decir, d e l h o m b r e real y c o r p o r a l , o b j e t i v a d o , c o n t e m p l a d o y v e n e r a d o c o m o u n ser e x t r a ñ o y d i f e r e n t e de sí m i s m o .
T o d a s las d e t e r m i n a c i o n e s d e l ser d i v i n o son las mismas que las de
la esencia h u m a n a .
3

E n relación a los p r e d i c a d o s , es decir, a las p r o p i e d a d e s o determinaciones de D i o s , esto se a d m i t e sin r e p a r o , p e r o n o sucede l o
m i s m o respecto d e l sujeto, del f u n d a m e n t o esencial de estos p r e d i cados. La negación d e l sujeto i m p l i c a i r r e l i g i o s i d a d , a t e í s m o , p e r o
n o la n e g a c i ó n de los p r e d i c a d o s . L o que n o posee d e t e r m i n a c i ó n
alguna, t a m p o c o ejerce a c t i v i d a d alguna sobre m í ; p e r o l o que n o
tiene ningún efecto, n o tiene para mí existencia. N e g a r las d e t e r m i naciones es t a n t o c o m o negar el ser m i s m o . U n ser sin d e t e r m i n a ciones es u n ser sin o b j e t i v i d a d , y algo sin o b j e t i v i d a d es una nada
de ser. Por consiguiente, c u a n d o el h o m b r e niega todas las d e t e r m i naciones de D i o s , éste representa para él algo n e g a t i v o , es decir,
una nada de ser. Para el h o m b r e v e r d a d e r a m e n t e r e l i g i o s o D i o s n o
aparece c o m o u n ser sin d e t e r m i n a c i o n e s , p o r q u e para él es u n ser
v e r d a d e r o y real. La i n d e t e r m i n a b i l i d a d de D i o s y su consecuencia,
l a i n c o g n o s c i b i l i d a d , es u n f r u t o de t i e m p o s recientes, u n p r o d u c t o
de la i n c r e d u l i d a d m o d e r n a .
L o m i s m o que la razón sólo se d e t e r m i n a y puede ser d e t e r m i n a da c o m o f i n i t a allí d o n d e p a r a el h o m b r e l o absoluto y v e r d a d e r o
reside en el placer sensual, en el s e n t i m i e n t o r e l i g i o s o , en la c o n -

LA

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

templación estética o en los s e n t i m i e n t o s ; del m i s m o m o d o sólo
puede declararse y fijarse c o m o u n d o g m a la i n d e t e r m i n a b i l i d a d y
la i n c o g n o s c i b i l i d a d de D i o s allí d o n d e este objeto n o tiene ningún
interés para el c o n o c i m i e n t o , d o n d e s ó l o la r e a l i d a d ocupa a los
hombres, d o n d e sólo lo real posee para él s i g n i f i c a d o de objeto esencial, a b s o l u t o , d i v i n o , p e r o d o n d e , sin e m b a r g o , existe todavía, en
contradicción c o n esta p u r a c o r r i e n t e m u n d a n a , u n resto de r e l i g i o s i d a d . E l h o m b r e d i s c u l p a c o n la i n c o g n o s c i b i l i d a d de D i o s
su o l v i d o de él y su i n m e r s i ó n en el m u n d o ante l o que todavía le
queda de conciencia r e l i g i o s a ; niega a D i o s , p r á c t i c a m e n t e , c o n los
hechos — p u e s es el m u n d o el que absorbe t o d o s sus p e n s a m i e n tos y s e n t i d o s — , p e r o n o l o niega t e ó r i c a m e n t e , n o discute su existencia, la a d m i t e . Pero esta existencia n o le afecta, n o le i n c o m o da; es u n a existencia n e g a t i v a , u n a e x i s t e n c i a i n e x i s t e n t e , u n a
existencia que se c o n t r a d i c e c o n s i g o m i s m a . Es u n a e x i s t e n c i a
cuyos efectos n o p u e d e n d i s t i n g u i r s e de la n o - e x i s t e n c i a . L a negación de predicados d e t e r m i n a d o s , p o s i t i v o s de la esencia d i v i n a significa la negación de la religión, p e r o c o n s e r v a n d o u n a cierta apariencia de religión, de t a l m a n e r a que n o se reconoce c o m o negación.
N o es más que u n a t e í s m o s u t i l y a s t u t o . E l p r e t e n d i d o t e m o r r e l i gioso de h o n r a r a D i o s m e d i a n t e p r e d i c a d o s d e t e r m i n a d o s r e p r e senta el deseo i r r e l i g i o s o de n o querer saber nada de D i o s , de e x p u l sar a D i o s de t o d a c o m p r e n s i ó n . Q u i e n teme ser f i n i t o , teme e x i s t i r .
T o d a existencia real, es decir, t o d a existencia que sea realmente
existencia, es una existencia c u a l i t a t i v a m e n t e d e t e r m i n a d a . Q u i e n
cree seria, real y v e r d a d e r a m e n t e en la existencia de D i o s , n o se
escandaliza de las p r o p i e d a d e s sensibles de D i o s . Q u i e n n o q u i e r a
sufrir p o r su existencia, q u i e n no q u i e r a ser áspero, que renuncie a
la existencia. U n D i o s que se sienta s u f r i r p o r la d e t e r m i n a c i ó n n o
tiene el v a l o r n i la f u e r z a de existir. L a c u a l i d a d es el f u e g o , o el
o x í g e n o , la sal de la existencia. C u a l q u i e r existencia, una existencia n o cualificada, es u n a existencia desabrida y sin sabor. Pero D i o s
no hay más que en la religión. Allí d o n d e el h o m b r e p i e r d e el gusto
p o r la religión, ésta se c o n v i e r t e en algo desabrido y , p o r l o t a n t o ,
sólo allí se c o n v i e r t e la existencia de D i o s en u n a existencia sin
sabor.

3. «Las perfecciones de Dios son las perfecciones de nuestras almas, pero él las posee
desprovistas de límite... Poseemos alguna f a c u l t a d , algunos conocimientos, algunos bienes,
pero t o d o esto es perfecto en Dios»: L e i b n i z , Teodicea, prefacio. «Todo lo que distingue al
alma humana, pertenece también al ser de D i o s . T o d o lo que se excluye de Dios, t a m p o c o
pertenece a la determinación esencial del alma»: G r e g o r i o de Nisa, De anima (Lips, 1837,
4 2 ) . «Entre todas las ciencias, la más noble y la más i m p o r t a n t e es el c o n o c i m i e n t o de sí
m i s m o , p o r q u e cuando se conoce uno a sí m i s m o , conoce también a Dios»: Clemente de
Alejandría, Paedagogus I I I , c. 1 .

Pero existe todavía u n a manera m á s suave, que la directa que
acabamos de d e f i n i r , de negar los p r e d i c a d o s d i v i n o s . Se a d m i te que los p r e d i c a d o s f i n i t o s de la esencia d i v i n a s o n p r i n c i p a l mente d e t e r m i n a c i o n e s h u m a n a s , p e r o se rechaza su n e g a c i ó n .
Se los define p o r q u e es necesario que el h o m b r e se haga de D i o s
una idea d e t e r m i n a d a y , puesto que es h o m b r e , s ó l o puede tener

66

67

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

u n a idea h u m a n a de D i o s . E n r e l a c i ó n c o n D i o s , se d i c e , estas
d e t e r m i n a c i o n e s n o t i e n e n s i g n i f i c a d o a l g u n o , p e r o si debe e x i s t i r
para mí, n o puede a p a r e c é r s e m e de o t r a m a n e r a que c o m o a mí
aparece, es decir, bajo f o r m a de esencia h u m a n a o algo semejante.
Pero esta distinción entre lo que D i o s es en sí y lo que es para mí
destruye la paz de la religión y es, además, en sí m i s m a , u n a d i s t i n ción sin f u n d a m e n t o e insostenible. N o p u e d o saber en a b s o l u t o si
D i o s es d i f e r e n t e en sí y p o r sí de c o m o es para mí; c o m o es para mí,
así es él, sin restricciones, para mí. Pues para mí consiste precisam e n t e en estas d e t e r m i n a c i o n e s bajo las cuales existe para mí, su ser
en sí, su esencia m i s m a ; él es para mí, tal y c o m o puede ser s i e m p r e ,
de la única m a n e r a p a r a mí. E l h o m b r e r e l i g i o s o está c o m p l e t a m e n te satisfecho c o n respecto a l o que D i o s es para él — d e o t r a r e l a c i ó n
no sabe n a d a — , pues D i o s es en relación a él l o que en r e a l i d a d
puede ser c o n relación al h o m b r e . C o n esta distinción el h o m b r e se
p o n e p o r encima de sí m i s m o , es decir, sobre su esencia, sobre su
m e d i d a a b s o l u t a ; p e r o este ponerse sobre sí m i s m o es una p u r a i l u sión. L a d i f e r e n c i a entre el o b j e t o , t a l c o m o es en sí, y el o b j e t o , t a l
c o m o es p a r a mí, la p u e d o hacer s ó l o c u a n d o el objeto me puede
aparecer realmente de manera d i f e r e n t e de c o m o me aparece; p e r o
n o c u a n d o me aparece t a l c o m o me debe aparecer, es decir, según
m i m e d i d a absoluta. A h o r a b i e n , puede que m i r e p r e s e n t a c i ó n sea
subjetiva, es decir, que n o esté u n i d a o b j e t i v a m e n t e al g é n e r o . Pero
si m i representación c o r r e s p o n d e a la m e d i d a del g é n e r o , entonces
desaparece la distinción entre ser en sí y ser para mí, puesto que
esta r e p r e s e n t a c i ó n es absoluta y t o t a l . La m e d i d a del g é n e r o es la
m e d i d a absoluta, ley y c r i t e r i o del h o m b r e . L a religión posee la
c o n v i c c i ó n de que sus ideas y d e t e r m i n a c i o n e s de D i o s son tales que
t o d o h o m b r e debe adoptarlas si quiere poseer las verdaderas, pues
cree que representa ideas necesarias de la naturaleza h u m a n a , ideas
objetivas, c o n f o r m e s a D i o s . Para t o d a religión son los dioses de las
otras religiones sólo ideas de D i o s , p e r o las ideas que ella tiene de
' D i o s es D i o s m i s m o , D i o s c o m o ella se l o representa, p u r o y v e r d a d e r o , tal c o m o es en sí m i s m o . La religión sólo se c o n t e n t a c o n u n
D i o s t o t a l , sin reserva a l g u n a ; n o quiere u n a p u r a apariencia de
D i o s , quiere a D i o s m i s m o , a D i o s en persona. La religión r e n u n c i a
a sí m i s m a si r e n u n c i a a la esencia de D i o s ; ya n o es la v e r d a d
m i s m a si r e n u n c i a a la posesión d e l D i o s v e r d a d e r o . El escepticism o es el e n e m i g o p r i n c i p a l de la religión. Pero la distinción entre
o b j e t o e idea, D i o s en sí y para mí, es una distinción escéptica y, p o r
lo tanto, irreligiosa.
L o que para el h o m b r e s i g n i f i c a el existente en sí, la esencia
68

LA

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

suprema en c o m p a r a c i ó n c o n la c u a l n o puede representarse nada
superior, esto es precisamente para él la esencia d i v i n a . ¿ C ó m o p o dría el h o m b r e p r e g u n t a r todavía l o que es en sí aquel objeto? Si
Dios fuera objeto p a r a el pájaro, sería u n objeto en f o r m a de u n ser
dotado de alas; el p á j a r o n o conoce nada más a l t o , nada más grande
que el estar d o t a d o de alas. ¡Cuán ridículo sería si este pájaro a f i r mara que se representa a D i o s c o m o u n pájaro, i g n o r a n d o lo que es
en sí m i s m o ! Para u n p á j a r o la esencia más elevada es precisamente
la de ser pájaro. Si le evitas la r e p r e s e n t a c i ó n de la esencia de pájar o , le quitas, al m i s m o t i e m p o , la idea de ser s u p r e m o . ¿ C ó m o p o dría entonces p r e g u n t a r si D i o s , en sí m i s m o , es u n ser d o t a d o de
alas? Preguntar si D i o s , en sí m i s m o , es tal c o m o es para mí s i g n i f i ca p r e g u n t a r si D i o s es D i o s , s i g n i f i c a elevarse p o r encima de D i o s ,
rebelarse c o n t r a él.
Por eso, una vez que se apodera de la conciencia del h o m b r e la
c e r t i d u m b r e de que los p r e d i c a d o s religiosos son a n t r o p o m o r f i s mos, es decir, representaciones h u m a n a s , surge entonces la d u d a y
la i n c r e d u l i d a d . Y esto es d e b i d o a la inconsecuencia de u n c o r a z ó n
cobarde y de u n débil e n t e n d i m i e n t o , que no p r o g r e s a n desde esta
conciencia hacia la n e g a c i ó n f o r m a l de los p r e d i c a d o s , y desde ésta
a la esencia que f u n d a m e n t a t o d o . Si dudas de la v e r d a d objetiva de
los predicados, c o n s i g u i e n t e m e n t e debes d u d a r t a m b i é n de la v e r dad objetiva del sujeto de estos p r e d i c a d o s . Si tus predicados son
a n t r o p o m ó r f i c o s , t a m b i é n l o es su sujeto. Si a m o r , b o n d a d , personalidad son d e t e r m i n a c i o n e s h u m a n a s , también l o será el f u n d a m e n t o que tú les p r e s u p o n e s . L o m i s m o sucede c o n la existencia de
D i o s , c o n la creencia de que la a f i r m a c i ó n «Dios existe» es u n a n t r o p o m o r f i s m o , una suposición absolutamente humana. ¿ C ó m o
sabes que la esencia de D i o s no es, en r e a l i d a d , u n a limitación i n herente a la e s t r u c t u r a h u m a n a de la r e p r e s e n t a c i ó n ? Los seres
superiores — y tú a d m i t e s su e x i s t e n c i a — son quizá t a n felices en sí
mismos, tan i d e n t i f i c a d o s consigo m i s m o s , que n o e x p e r i m e n t a n
tensión alguna entre sí m i s m o s y u n ser s u p e r i o r . C o n o c e r a D i o s y
no ser D i o s u n o m i s m o , conocer la f e l i c i d a d sin gozar de ella, representa u n a r u p t u r a , u n a desgracia . Los seres superiores no sa4

4. Ésta es la razón por la que la separación curre Dios y el h o m b r e es s u p r i m i d a en el
más allá. En el más allá el h o m b r e no es ya h o m b r e — p o r lo menos para la imaginación—,
no tiene v o l u n t a d p r o p i a , distinta de la v o l u n t a d d i v i n a y, por consiguiente, n o tiene t a m poco un ser p r o p i o —¿qué es un ser sin v o l u n t a d ? — , es idéntico con D i o s ; la distinción y la
oposición entre Dios y el h o m b r e desaparece en el más allá. Pero allí donde sólo existe
Dios, no hay nadie más que D i o s . Allí donde la majestad no tiene c o n t r a r i o , t a m p o c o hay
majestad.

69

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

ben nada de esta desgracia; n o t i e n e n n i n g u n a idea fuera de l o que
ellos son.
Crees que el a m o r es una p r o p i e d a d d i v i n a p o r q u e amas, crees
que D i o s es u n ser sabio y b o n d a d o s o p o r q u e no conoces en t i m i s m o nada m e j o r que la b o n d a d y el e n t e n d i m i e n t o , y crees, en f i n ,
que D i o s existe, que es sujeto o ser; lo que existe es ser, ya se lo
d e f i n a y d e t e r m i n e c o m o sustancia, persona o de c u a l q u i e r o t r a
m a n e r a ; p o r q u e tú m i s m o existes, eres u n ser. N o conoces m a y o r
bien h u m a n o que amar, ser b u e n o y sabio, y no conoces t a m p o c o
m a y o r f e l i c i d a d que e x i s t i r , ser u n existente; pues la conciencia de
t o d o b i e n , de t o d a f e l i c i d a d , está u n i d a a la conciencia del ser de la
existencia. D i o s es para t i u n existente, u n ser, p o r la m i s m a razón
de que es para t i u n ser sabio, feliz y b u e n o . La d i f e r e n c i a entre las
p r o p i e d a d e s y el ser d i v i n o consiste solamente en que mientras el
ser, la existencia, n o te aparece c o m o u n a n t r o p o m o r f i s m o p o r q u e
t u ser i m p l i c a la necesidad de que D i o s sea u n ser existente, las
p r o p i e d a d e s , p o r el c o n t r a r i o , aparecen c o m o a n t r o p o m o r f i s m o s
p o r q u e su necesidad, la necesidad de que Dios sea sabio, b u e n o ,
j u s t o , etc., n o es n i n g u n a necesidad i n m e d i a t a , idéntica con la existencia del h o m b r e , sino una necesidad m e d i a t i z a d a a través de su
a u t o c o n c i e n c i a , de la a c t i v i d a d del p e n s a m i e n t o . Soy u n sujeto, u n
ser, existo, p e r o p u e d o ser sabio o i g n o r a n t e , b u e n o o m a l o . E x i s t i r
es para el h o m b r e l o p r i m e r o , l o f u n d a m e n t a l en su r e p r e s e n t a c i ó n ,
c o n d i c i ó n p r e v i a de los p r e d i c a d o s . La admisión de los p r e d i c a d o s
es l i b r e , p e r o la existencia de D i o s es para él una v e r d a d c o n c l u y e n te, i n t o c a b l e , absolutamente cierta y o b j e t i v a . Sin e m b a r g o , esta d i ferencia es sólo aparente. La necesidad del sujeto consiste en la necesidad del p r e d i c a d o . Eres ser sólo en cuanto ser h u m a n o ; la certeza
y r e a l i d a d de t u existencia se apoya en la certeza y r e a l i d a d de tus
p r o p i e d a d e s h u m a n a s . L o que es el sujeto depende de c ó m o sea el
p r e d i c a d o ; el p r e d i c a d o es la v e r d a d del sujeto; el sujeto es s i m p l e mente el p r e d i c a d o p e r s o n i f i c a d o , existente. Sujeto y p r e d i c a d o se
•diferencian c o m o existencia y esencia. La negación del p r e d i c a d o
es, p o r consiguiente, la negación del sujeto. ¿Qué te queda de la
esencia h u m a n a si le sustraes las p r o p i e d a d e s humanas? H a s t a en el
lenguaje c o t i d i a n o se e m p l e a n los n o m b r e s referentes a las p r o p i e dades d i v i n a s : la p r o v i d e n c i a , la sabiduría, la o m n i p o t e n c i a , en l u gar del ser d i v i n o .
La c e r t i d u m b r e de la existencia de D i o s , de la que hemos d i c h o
que es para el h o m b r e tan cierta o más que su p r o p i a existencia,
sólo depende de la certeza de la c u a l i d a d de D i o s , n o es una certeza
i n m e d i a t a . Para el c r i s t i a n o sólo es cierta la existencia del D i o s cris70

LA

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

t i a n o , para el pagano la d e l D i o s p a g a n o . E l pagano n o d u d a b a de la
existencia de J ú p i t e r , p o r q u e la esencia de éste n o presentaba obstáculos, en cuanto no podía representarse a D i o s bajo n i n g u n a o t r a
cualidad, puesto que ésta era para él la evidencia m i s m a , una verdad d i v i n a . La v e r d a d d e l p r e d i c a d o es la garantía de la existencia.
L o que el h o m b r e a d m i t e c o m o v e r d a d e r o se lo representa i n m e d i a tamente c o m o real, p o r q u e para él, en p r i n c i p i o , s ó l o es v e r d a d e r o
lo que es r e a l ; v e r d a d e r o en o p o s i c i ó n a lo s i m p l e m e n t e representado, soñado o i m a g i n a d o . E l c o n c e p t o de ser, de existencia, es el
concepto p r i m e r o , p r i m i t i v o de v e r d a d . O d i c h o de o t r a manera, en
un p r i n c i p i o crea el h o m b r e la v e r d a d a p a r t i r de la existencia y más
tarde hace depender la existencia de la v e r d a d . D i o s es, ahora, la
esencia d e l h o m b r e , c o n s i d e r a d o c o m o la v e r d a d más elevada; p e r o
D i o s o, lo que es l o m i s m o , la religión, es tan d i f e r e n t e c o m o d i f e rente es la f o r m a l i d a d bajo la que el h o m b r e c o n c i b e su v i d a en
cuanto esencia s u p r e m a . Pero esta f o r m a l i d a d bajo la que el h o m b r e
piensa a D i o s c o n s t i t u y e para él la v e r d a d y , precisamente p o r eso,
la existencia suprema o, s i m p l e m e n t e , la existencia; pues sólo la
existencia suprema es p r o p i a m e n t e existente y , c o m o t a l , merece
este n o m b r e . Por eso D i o s es u n ser real, existente, p o r la m i s m a
razón p o r la que lo es este ser d e t e r m i n a d o ; pues la c u a l i d a d o f o r m a l i d a d de D i o s n o es más que la c u a l i d a d esencial del h o m b r e
m i s m o ; el h o m b r e d e t e r m i n a d o es s i m p l e m e n t e l o que es, tiene su
existencia, su r e a l i d a d , en su d e t e r m i n a c i ó n . A l g r i e g o n o se le p u e de p r i v a r de las p r o p i e d a d e s griegas, sin p r i v a r l e de su existencia
misma. Para una religión d e t e r m i n a d a , es decir, desde u n p u n t o de
vista r e l a t i v o , la certeza de la existencia de D i o s es i n m e d i a t a ; pues
tan necesario c o m o que el griego sea g r i e g o , es que sus dioses f u e ran seres griegos, que f u e r a n seres r e a l m e n t e existentes. L a religión
es la intuición de la i d e n t i d a d de la esencia del m u n d o y d e l h o m b r e
con la esencia del h o m b r e . Pero el h o m b r e no está p o r encima de su
intuición esencial, sino q u e , al c o n t r a r i o , ella lo a n i m a , lo d e t e r m i na y lo d o m i n a . Se e x c l u y e la necesidad de t o d a d e m o s t r a c i ó n , de
toda m e d i a c i ó n de la esencia o de la c u a l i d a d p o r m e d i o de la existencia, la p o s i b i l i d a d de t o d a d u d a . S ó l o p u e d o d u d a r de l o que
separa a m i ser. ¿ C ó m o podría, pues, d u d a r de D i o s , que es m i
p r o p i a esencia? D u d a r de D i o s significaría d u d a r de mí m i s m o . S ó l o
cuando se piensa a D i o s c o m o algo abstracto, c u a n d o sus p r e d i c a dos son mediatizados a través de la a b s t r a c c i ó n filosófica, se o r i g i n a
la distinción o separación entre sujeto y p r e d i c a d o , existencia y esencia; surge la ilusión de que la existencia o el sujeto sea d i f e r e n t e d e l
p r e d i c a d o , algo i n m e d i a t o , algo i n d u d a b l e a d i f e r e n c i a del p r e d i c a 71

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

d o d u d o s o . Pero esto es s i m p l e m e n t e una ilusión. U n D i o s que tiene
p r e d i c a d o s abstractos tiene una existencia t a m b i é n abstracta. La
existencia, el ser, varía en función de la c u a l i d a d .
La i d e n t i d a d de sujeto y p r e d i c a d o se i l u m i n a nítidamente a p a r t i r
del proceso e v o l u t i v o de la religión que es idéntico con el proceso
e v o l u t i v o de la c u l t u r a h u m a n a . M i e n t r a s al h o m b r e c o r r e s p o n d a el
p r e d i c a d o de h o m b r e p r i m i t i v o , t a m b i é n a su D i o s c o r r e s p o n d e r á el
de D i o s p r i m i t i v o . Allí d o n d e el h o m b r e se cierra en casas, encierra
t a m b i é n a sus dioses en t e m p l o s . E l t e m p l o manifiesta el v a l o r que
el h o m b r e concede a los e d i f i c i o s bellos. Los t e m p l o s en h o n o r de la
religión son también t e m p l o s en h o n o r del arte de la c o n s t r u c c i ó n .
C o n la elevación del h o m b r e desde el estado de p r i m i t i v i s m o e i n c u l t u r a a la c u l t u r a , c o n la distinción de l o que es c o n v e n i e n t e para
el h o m b r e y n o lo es, surge t a m b i é n , s i m u l t á n e a m e n t e , la distinción
entre l o que es c o n v e n i e n t e para D i o s y l o que n o l o es. D i o s r e p r e senta el c o n c e p t o de la majestad, la d i g n i d a d s u p r e m a , el s e n t i m i e n t o r e l i g i o s o y el s e n t i m i e n t o s u p r e m o de la decencia. M á s tarde los
d o t a d o s artistas griegos i n c o r p o r a r o n a las estatuas de los dioses los
c o n c e p t o s de d i g n i d a d , m a g n a n i m i d a d , q u i e t u d i m p e r t u r b a b l e y
serenidad. Pero ¿por qué estas p r o p i e d a d e s representaban para ellos
a t r i b u t o s , predicados divinos? P o r q u e las consideraban d i v i n i d a d e s .
¿Por qué excluían t o d o s las pasiones bajas e indignas? Precisamente
p o r q u e las consideraban c o m o algo i n d e c o r o s o , i n d i g n o , i n h u m a n o
y, p o r consiguiente, c o m o n o d i v i n o . Los dioses h o m é r i c o s c o m e n y
beben, es decir, beber y comer es un placer d i v i n o . La fortaleza
c o r p o r a l es una p r o p i e d a d de los dioses h o m é r i c o s : Zeus es el dios
más f u e r t e . ¿Por qué? Porque la fortaleza c o r p o r a l en y p o r sí misma aparecía c o m o algo señorial, d i v i n o . La v i r t u d de la g u e r r a era
para los antiguos germanos la v i r t u d más alta. Por esta razón t a m bién era su dios s u p r e m o el dios de la g u e r r a : O d í n ; la g u e r r a , «fund a m e n t o de la ley o ley más antigua». L a p r i m e r a esencia v e r d a d e r a m e n t e d i v i n a es no la p r o p i e d a d de la d e i d a d , sino la d i v i n i d a d
o la d e i d a d de la p r o p i e d a d . Por lo t a n t o , lo que hasta a h o r a la
teología y la filosofía c o n c e b í a n c o m o D i o s , l o a b s o l u t o , el ser esencial, n o es D i o s ; y l o que negaban de D i o s , es precisamente D i o s , es
decir, la p r o p i e d a d , la c u a l i d a d , la d e t e r m i n a c i ó n la r e a l i d a d en gen e r a l . U n v e r d a d e r o ateo, es decir, u n ateo en el sentido c o r r i e n t e
de la palabra, es sólo aquel para q u i e n los predicados de la esencia
d i v i n a , c o m o , p o r e j e m p l o , el a m o r , la sabiduría, la justicia n o exist e n , p e r o n o aquel que niega s i m p l e m e n t e el sujeto de esos p r e d i c a dos. La negación del sujeto n o i m p l i c a en absoluto la negación de
los predicados m i s m o s . Los p r e d i c a d o s tienen significación p r o p i a
72

LA

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

e inde'pendiente, i m p o n e n su r e c o n o c i m i e n t o al h o m b r e p o r su c o n tenido, se muestran i n m e d i a t a m e n t e c o m o v e r d a d e r o s p o r sí mismos. B o n d a d , justicia, sabiduría n o son quimeras p o r q u e la existencia de Dios sea una q u i m e r a ; n i son verdaderos p o r q u e dicha existencia
sea v e r d a d . El c o n c e p t o de Dios d e p e n d e del c o n c e p t o de justicia,
b o n d a d y sabiduría; u n D i o s que n o sea b u e n o , j u s t o y sabio n o es
Dios, p e r o n o viceversa. U n a c u a l i d a d n o es d i v i n a p o r q u e D i o s la
tenga, sino que D i o s la tiene p o r q u e en y p o r sí m i s m a es d i v i n a , y
porque D i o s sin ella sería u n ser d e f i c i e n t e . La j u s t i c i a , la sabiduría,
y en general toda d e t e r m i n a c i ó n que c o n s t i t u y a la d i v i n i d a d de D i o s ,
se determina y se c o n o c e p o r sí m i s m a , p e r o D i o s se d e t e r m i n a y se
conoce p o r la d e t e r m i n a c i ó n , p o r la c u a l i d a d ; solamente en el caso
que yo piense que D i o s y la justicia son lo m i s m o , que Dios es la
realidad de la idea de justicia, o c u a l q u i e r otra c u a l i d a d , d e t e r m i n o
a Dios p o r sí m i s m o . Pero si D i o s c o m o sujeto es algo d e t e r m i n a d o ,
la c u a l i d a d , el p r e d i c a d o es lo d e t e r m i n a n t e y , entonces, pertenece
al p r e d i c a d o , no al sujeto, el r a n g o de ser p r i m e r o , el r a n g o de la
divinidad.
C u a n d o varias p r o p i e d a d e s c o n t r a d i c t o r i a s son reunidas en u n
ser y éste se concibe c o m o u n ser p e r s o n a l , y la p e r s o n a l i d a d es
especialmente subrayada, se o l v i d a , entonces, el o r i g e n de la r e l i gión, se o l v i d a que l o que en la r e p r e s e n t a c i ó n de la r e f l e x i ó n es u n
predicado d i f e r e n c i a b l e o separable d e l sujeto fue p r i m i t i v a m e n t e el
v e r d a d e r o sujeto. De este m o d o , los r o m a n o s y los griegos d i v i n i z a ban las cosas accidentales, c o m o si f u e r a n sustancias; v i r t u d e s , estados de á n i m o , pasiones, c o m o seres i n d e p e n d i e n t e s . E l h o m b r e ,
p a r t i c u l a r m e n t e el r e l i g i o s o , es la m e d i d a de todas las cosas y de
toda r e a l i d a d . T o d o l o que d o m i n a el h o m b r e , t o d o lo que ejerce
alguna impresión sobre su á n i m o , a u n q u e s i m p l e m e n t e sea u n r u i d o
o s o n i d o e x t r a ñ o e i n e x p l i c a b l e , l o objetiva c o m o si fuera u n ser
p a r t i c u l a r y d i v i n o . L a religión abarca t o d o s los objetos del m u n d o ;
t o d o lo que existe es o b j e t o de v e n e r a c i ó n r e l i g i o s a ; en la esencia y
conciencia de la religión n o hay sino l o que se e n c u e n t r a en general
en la esencia y en la c o n c i e n c i a que el h o m b r e tiene de sí m i s m o y
del m u n d o . La religión n o tiene ningún c o n t e n i d o p r o p i o y especial. Hasta las e m o c i o n e s de m i e d o y de t e r r o r tenían en R o m a
sus t e m p l o s . Hacían de las manifestaciones del espíritu seres reales,
de sus s e n t i m i e n t o s , cualidades de las cosas, de las pasiones d o m i nantes, poderes que g o b e r n a b a n el m u n d o ; en u n a palabra, t r a n s f o r m a b a n las p r o p i e d a d e s de su p r o p i o ser, conocidas o d e s c o n o c i das, en seres i n d e p e n d i e n t e s . E l d e m o n i o , los cucos, las brujas, los
fantasmas, los á n g e l e s , eran verdades sagradas, m i e n t r a s el sen73

LA

ESENCIA

DEL

t i m i e n t o r e l i g i o s o persistía d o m i n a n d o a la h u m a n i d a d de f o r m a
absoluta.
Para e l i m i n a r de la m e n t e la u n i d a d de los predicados d i v i n o s y
h u m a n o s , p o r l o t a n t o , la u n i d a d d e l ser d i v i n o y h u m a n o , se apoyan en la idea de que D i o s es u n ser i n f i n i t o , una m u c h e d u m b r e
i n f i n i t a de predicados diferentes, de los que sólo conocemos algunos análogos o semejantes a n o s o t r o s , p e r o los demás, aquellos pollos que D i o s es u n ser c o m p l e t a m e n t e d i f e r e n t e o semejante al h o m bre, los sabremos en el f u t u r o , es decir, en el más allá. Sin e m b a r g o
una m u c h e d u m b r e i n f i n i t a de p r e d i c a d o s realmente diferentes, t a n
diferentes que n o se puede c o n o c e r i n m e d i a t a m e n t e u n o de ellos
una vez dado y c o n o c i d o o t r o c u a l q u i e r a , se realiza y r e a f i r m a solam e n t e en una m u c h e d u m b r e o c o n j u n t o de seres o i n d i v i d u o s d i f e rentes. Así también está c o n s t i t u i d o el ser h u m a n o p o r una riqueza
i n f i n i t a de p r e d i c a d o s diferentes, justamente p o r q u e se realiza en la
riqueza i n f i n i t a de i n d i v i d u o s diferentes. Cada h o m b r e representa
en cierta manera, u n p r e d i c a d o n u e v o , u n n u e v o t a l e n t o de la h u m a n i d a d . Cuantos son los h o m b r e s existentes, tantas son las f u e r zas y las p r o p i e d a d e s que tiene la h u m a n i d a d . La m i s m a fuerza que
existe en t o d o s , también existe en cada i n d i v i d u o p a r t i c u l a r , p e r o
tan d e t e r m i n a d a y especializada, que aparece c o m o una fuerza nueva. El m i s t e r i o de la m u c h e d u m b r e inagotable de las d e t e r m i n a c i o nes d i v i n a s n o es, p o r l o t a n t o , más que el m i s t e r i o d e l ser h u m a n o
en c u a n t o i n f i n i t a m e n t e variable y d e t e r m i n a b l e , y que es, precisamente p o r eso, u n ser sensible. Solamente en la s e n s i b i l i d a d , en el
espacio y en el t i e m p o puede e x i s t i r u n ser i n f i n i t o , realmente i n f i nito y perfecto.
Allí d o n d e existen p r e d i c a d o s v e r d a d e r a m e n t e diferentes existen también t i e m p o s diferentes. Este h o m b r e es u n m ú s i c o excelente, u n escritor excelente, u n m é d i c o e x t r a o r d i n a r i o , p e r o n o puede
s i m u l t á n e a m e n t e tocar, escribir y c u r a r . T a m p o c o , en la dialéctica
negehana, el t i e m p o es el m e d i o p o r el cual p o d e m o s u n i r en el
m j s m o ser oposiciones y c o n t r a d i c c i o n e s . Pero u n i d o al c o n c e p t o
de D i o s , d i f e r e n t e y separado de la esencia del h o m b r e , la v a r i e d a d
i n f i n i t a de predicados diferentes es u n a s i m p l e idea sin r e a l i d a d
p u r a fantasía — l a idea de sensibilidad p e r o sin sus condiciones esenciales, sin la v e r d a d de la s e n s i b i l i d a d — , una idea que está en d i r e c ta c o n t r a d i c c i ó n c o n la esencia d i v i n a e n t e n d i d a c o m o e s p i r i t u a l , es
decir, abstracta y ú n i c a ; pues los p r e d i c a d o s de D i o s poseen la cual i d a d de que, poseyendo u n o , poseo s i m u l t á n e a m e n t e t o d o s los demas, ya que n o se encuentra en ellos n i n g u n a d i f e r e n c i a real. Por
eso, si n o poseemos en los p r e d i c a d o s actuales los f u t u r o s n i en el
74

LA

C R I S T I A N I S M O

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

Dios actual el D i o s f u t u r o , t a m p o c o tenemos en el D i o s f u t u r o al
actual, sino dos seres d i f e r e n t e s . Pero esta d i f e r e n c i a c o n t r a d i c e la
u n i c i d a d , la u n i d a d y la s i m p l i c i d a d de D i o s .
¿Por qué este p r e d i c a d o es u n p r e d i c a d o d i v i n o ? Porque es de
naturaleza d i v i n a , es d e c i r , p o r q u e n o expresa n i n g u n a limitación,
ninguna deficiencia. ¿Por qué lo son los otros predicados? P o r q u e ,
nor muy diferentes que p u e d a n ser, c o i n c i d e n en que expresan t a m bién perfección sin límite. Por eso me p u e d o representar i n n u m e r a bles predicados de D i o s , p o r q u e c o i n c i d e n t o d o s en el c o n c e p t o
abstracto de la d i v i n i d a d , d e b i e n d o t e n e r en c o m ú n l o que c o n s t i t u ya cada p r e d i c a d o p a r t i c u l a r en a t r i b u t o o p r e d i c a d o d i v i n o . Así
sucede en Spinoza. H a b l a de una m u l t i t u d de a t r i b u t o s de la sustancia d i v i n a , p e r o , e x c e p t o el p e n s a m i e n t o y la e x t e n s i ó n , n o n o m b r a
n i n g u n o . ¿Por qué? P o r q u e es c o m p l e t a m e n t e i n d i f e r e n t e conocerlos ya que son en sí m i s m o s i n d i f e r e n t e s y s u p e r f i n o s ; se expresa l o
mismo c o n todos los i n n u m e r a b l e s predicados que c o n el pensam i e n t o y la e x t e n s i ó n . ¿Por qué es el p e n s a m i e n t o a t r i b u t o de la
sustancia? P o r q u e , según Spinoza, se concibe p o r sí m i s m o , expresa
algo i n d i v i s i b l e , p e r f e c t o , i n f i n i t o . Y ¿por qué lo es la e x t e n s i ó n , a
materia? Porque en r e l a c i ó n a sí m i s m a expresa l o m i s m o . Puede la
sustancia, p o r lo t a n t o , tener una c a n t i d a d i n d e t e r m i n a d a de p r e dicados, p o r q u e n o es la d e t e r m i n a c i ó n , la d i f e r e n c i a , sino la n o
diferencia, la i g u a l d a d que son los a t r i b u t o s de la sustancia. O m e jor d i c h o : la sustancia tiene i n n u m e r a b l e m u l t i t u d de p r e d i c a d o s ,
precisamente p o r q u e ella, sí, p o r q u e ella - q u é e x t r a ñ o - p r o p i a mente n o tiene ningún p r e d i c a d o , es decir, ningún p r e d i c a d o real,
d e t e r m i n a d o . La u n i d a d i n d e t e r m i n a d a del p e n s a m i e n t o se c o m p l e menta p o r m e d i o de la v a r i e d a d i n d e t e r m i n a d a de la fantasía. D a d o
que el p r e d i c a d o n o es multum,
es multa (no es m u c h o sino m u c h o s ) .
En r e a l i d a d , ¡os p r e d i c a d o s p o s i t i v o s son el p e n s a m i e n t o y la e x t e n sión. C o n estos dos p r e d i c a d o s h e m o s d i c h o i n f i n i t a m e n t e más que
con los innumerables predicados a n ó n i m o s ; puesto que de este m o d o
hemos a f i r m a d o algo d e t e r m i n a d o ; p o r m e d i o de ellos c o n o c e m o s
algo. Pero la sustancia es t a n i n d i f e r e n t e , t a n p o c o apasionada que
difícilmente podría entusiasmarse y determinarse p o r algo. Por n o
ser algo, prefiere la sustancia ser nada de manera absoluta.
5

A h o r a b i e n , si es u n hecho que l o que c o n s t i t u y e el sujeto o seise encuentra e x c l u s i v a m e n t e en sus d e t e r m i n a c i o n e s , es decir, que
5

Para la fe religiosa, entre el Dios presente y el Dios f u t u r o n o hay más distinción

que la siguiente: el p r i m e r o es u n objeto de la fe, de la representación, de la imaginación-, el
segundo'un objeto de la intuición sensible i n m e d i a t a , es decir, personal, h » los dos casos es
el mismo D i o s , aquí i n d i s t i n t o , allí distinto.

75

LA

ESENCIA

DEL

el p r e d i c a d o es el v e r d a d e r o sujeto, entonces se ha d e m o s t r a d o que
si los predicados d i v i n o s son d e t e r m i n a c i o n e s de la esencia h u m a na, también su sujeto será u n ser h u m a n o . Los predicados d i v i n o s
son, p o r u n l a d o , generales y , p o r o t r o , personales. Los generales
son metafísicos, p e r o sirven a la religión de p u n t o s de c o n t a c t o externos o de f u n d a m e n t o s ; n o c o n s t i t u y e n las d e t e r m i n a c i o n e s características de la religión. S ó l o son los predicados personales los
que f u n d a m e n t a n la esencia de la religión. Tales predicados son,
p o r e j e m p l o , que D i o s es una persona, que es el legislador de la
m o r a l , padre de los h o m b r e s , santo, j u s t o , b u e n o y m i s e r i c o r d i o s o .
De estas y otras d e t e r m i n a c i o n e s se ve o, p o r lo menos, se verá en l o
que sigue que, sobre t o d o las d e t e r m i n a c i o n e s personales, son p u r a mente humanas y que, p o r c o n s i g u i e n t e , el h o m b r e , al relacionarse
c o n D i o s , en la religión, se relaciona c o n su p r o p i a esencia, pues
para la religión estos p r e d i c a d o s n o son ideas o imágenes que el
h o m b r e se hace de D i o s , diferentes de l o que D i o s es en sí m i s m o ,
sino verdades, cosas, realidades. La religión n o sabe nada de a n t r o p o m o r f i s m o s : los a n t r o p o m o r f i s m o s n o son para ella a n t r o p o m o r fismos. La esencia de la religión consiste precisamente en que para
ella estas d e t e r m i n a c i o n e s expresan la esencia de D i o s . Solamente
el e n t e n d i m i e n t o que r e f l e x i o n a sobre la religión y que defendiénd o l a la niega, declara aquellas d e t e r m i n a c i o n e s c o m o simples imágenes. Pero para la religión D i o s es u n v e r d a d e r o p a d r e , v e r d a d e r o
a m o r y m i s e r i c o r d i a , pues para ella es u n ser real, v i v i e n t e y person a l ; sus verdaderas d e t e r m i n a c i o n e s son también d e t e r m i n a c i o n e s
vivientes y personales. Las d e t e r m i n a c i o n e s correspondientes son
las que o f r e c e n al e n t e n d i m i e n t o m a y o r obstáculo y las que niega
en su reflexión sobre la religión. Ésta es subjetivamente s e n t i m i e n t o ,
y p o r eso exige necesariamente, de m a n e r a o b j e t i v a , s e n t i m i e n t o en
el ser d i v i n o . Hasta la i r a m i s m a no representa para ella una e m o ción i n d i g n a de D i o s , c o n t a l que n o esté m o t i v a d a p o r algo m a l o .
D e b e m o s observar aquí — y este f e n ó m e n o es m u y notable p o r que- caracteriza la esencia más íntima de la religión—- que c u a n t o
más h u m a n a es la esencia de D i o s , a p a r e n t e m e n t e t a n t o más grande
es la d i f e r e n c i a entre él y el h o m b r e , es d e c i r , t a n t o más se niega en
la r e f l e x i ó n sobre la religión, en la t e o l o g í a , la i d e n t i d a d , la u n i d a d
del ser h u m a n o y d i v i n o y t a n t o más se rebaja l o h u m a n o tal c o m o
es o b j e t o de la conciencia del h o m b r e . E l f u n d a m e n t o de esto es
6

6. «Tan grande como pueda pensarse la semejanza entre el creador v la creatura debe,
sm embargo, pensarse su diferencia c o m o siendo más grande todavía»: I V c o n c i l i o de I e¬
t r a n , cap. 2. La distinción última entre el h o m b r e y Dios, entre el ser i n f i n i t o y el ser f i n i t o

76

LA

C R I S T I A N I S M O

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

que lo p o s i t i v o , lo esencial en la intuición o d e t e r m i n a c i ó n del ser
d i v i n o es exclusivamente h u m a n o ; p o r eso la intuición del h o m b r e
en cuanto que es o b j e t o de la c o n c i e n c i a sólo puede ser negativa,
adversa al h o m b r e . Para enriquecer a D i o s debe empobrecerse el
h o m b r e ; para que D i o s sea t o d o , el h o m b r e debe ser nada. Pero
t a m p o c o necesita ser p o r sí m i s m o , p o r q u e t o d o l o que se adjudica
no lo p i e r d e en D i o s , sino que es c o n s e r v a d o . Si el h o m b r e tiene su
esencia en D i o s , ¿ c ó m o p o d r í a tenerla en sí y p o r sí mismo? ¿Por
qué sería necesario p o n e r o tener dos veces lo m i s m o ?
De lo que el h o m b r e se p r i v a , de l o que en sí m i s m o carece, lo
goza en una m e d i d a i n c o m p a r a b l e m e n t e más alta y r i c a en D i o s .
Los monjes hacían el v o t o de castidad en h o n o r d e l ser d i v i n o ,
reprimían el a m o r s e x u a l ; p e r o en su lugar ponían en el cielo, en
D i o s y en la v i r g e n M a r í a la i m a g e n de la m u j e r , la imagen del
a m o r . Podían p r e s c i n d i r t a n t o más de la mujer r e a l , c u a n t o más era
objeto de u n a m o r real la m u j e r i d e a l i m a g i n a d a . C u a n t a más i m p o r t a n c i a daban a la d e s t r u c c i ó n de la sensualidad, tanta m a y o r
i m p o r t a n c i a adquiría la v i r g e n celestial, hasta llegar a ocupar el
lugar de C r i s t o , el l u g a r de D i o s . C u a n t o más se mega lo sensual,
t a n t o más sensual es el D i o s al que se sacrifica lo sensual. L o que se
sacrifica a la d i v i n i d a d a d q u i e r e u n v a l o r especial, es especialmente
agradable a D i o s . A q u e l l o que es lo m á s para el h o m b r e t a m b i é n es
lo más elevado para D i o s ; lo que de v e r d a d agrada al h o m b r e t a m bién agrada a D i o s . Los hebreos n o sacrificaban a J e h o v á animales
i m p u r o s y despreciables, sino los que tenían para ellos g r a n v a l o n
los que ellos mismos c o m í a n era t a m b i é n la c o m i d a de D i o s . Allí
d o n d e se hace de la n e g a c i ó n de lo sensual u n v a l o r especial y u n
sacrificio agradable a D i o s se concede también a la sensibilidad u n
valor s u p e r i o r , y la s e n s i b i l i d a d r e p r i m i d a surge de n u e v o i n v o l u n tariamente en cuanto D i o s ocupa el lugar de lo sensible al que se
había r e n u n c i a d o . La m o n j a se desposa con D i o s , tiene u n esposo
celestial; el m o n j e , una esposa celestial. Pero la v i r g e n celestial es la
manifestación sensible de una v e r d a d general que concierne a la
esencia de la religión. E l h o m b r e a f i r m a en D i o s l o que niega en sí
mismo .
7

8

en general, a la que puede llegar la imaginación especulativa religiosa, es la distinción del
ser y la nada, del ens y del non-ens;

p o r q u e es en la nada donde se s u p r i m e toda c o m u n i d a d

con los demás seres.
7.

«Cibus Dei», 3 Moisés 3, 1 1 .

¡j.

«Quien se desprecia a sí m i s m o , dice por e j e m p l o Anselmo, es apreciado p o r D i o s ,

quien se aborrece, complace a D i o s . Sé pequeño a tus ojos, para ser grande a los ojos de
D i o s ; tanto más serás estimado p o r Dios, cuanto más seas despreciado por los h o m b r e s » :
Anselmi

opera, Paris 1 7 2 1 , 1 9 1 .

77

LA

ESENCIA

DEL

LA

C R I S T I A N I S M O

La religión prescinde del h o m b r e y del m u n d o , p e r o sólo puede
p r e s c i n d i r de deficiencias y límites reales o supuestos, de la nada,
n o de la esencia, n o de lo p o s i t i v o del m u n d o y de la h u m a n i d a d debe, pues, r e t o m a r en la abstracción y en la negación a q u e l l o de lo
que prescinde o cree p r e s c i n d i r . Y, de este m o d o , la religión p o n e
de n u e v o i n c o n s c i e n t e m e n t e en D i o s t o d o lo que ha negado de m a nera consciente, supuesto n a t u r a l m e n t e que lo que niega sea algo
v e r d a d e r o , esencial y, p o r consiguiente, algo que n o deba ser negad o . E l h o m b r e niega en la religión su razón: n o conoce nada de
D i o s p o r sí m i s m o ; sus pensamientos son m u n d a n o s , terrenales.
S ó l o puede creer l o que D i o s le revela. Sin e m b a r g o , los pensamientos de D i o s son h u m a n o s y terrenales; tiene planes c o m o el h o m b r e ; se a c o m o d a a las circunstancias y a la i n t e l i g e n c i a de los h o m bres, c o m o u n maestro se adapta a la i n t e l i g e n c i a de sus discípulos;
calcula c o n e x a c t i t u d el efecto de sus dones o revelaciones; observa
a los h o m b r e s en t o d o lo que hacen y d e f i e n d e n ; sobre t o d o , l o más
m u n d a n o , lo más v u l g a r y v i l . En una palabra, el h o m b r e niega su
saber y su p e n s a m i e n t o f r e n t e a D i o s , para p o n e r en él su saber y su
p e n s a m i e n t o . El h o m b r e r e n u n c i a a su persona, p e r o , precisamente
p o r eso, D i o s es para él el ser o m n i p o t e n t e , i l i m i t a d o , el ser person a l ; niega el h o n o r del h o m b r e , el y o h u m a n o , p e r o p o r eso m i s m o
D i o s es para él u n ser que vive para sí, egoísta, que busca en t o d o
solamente su h o n o r , su p r o v e c h o ; D i o s es la autosatisfacción de sí
m i s m o , frente a t o d o e g o í s m o e n v i d i o s o ; D i o s es el placer m i s m o
del e g o í s m o . L a religión niega, a d e m á s , que l o b u e n o sea una cual i d a d d e l ser h u m a n o ; el h o m b r e es m a l o , c o n o m p i d o , incapaz para
el b i e n ; sólo D i o s es b u e n o , es el b i e n m i s m o . Se exige que el b i e n ,
en c u a n t o D i o s , sea el objeto del h o m b r e ; p e r o ¿acaso n o se a f i r m a
con esto que el bien es una d e t e r m i n a c i ó n esencial del h o m b r e ? Si
soy absolutamente m a l o , es decir, m a l o p o r naturaleza, p o r esencia,
s i m o soy santo, ¿ c ó m o puede lo santo, el bien ser m i o b j e t o , siendo
i n d i f e r e n t e que este o b j e t o me sea d a d o desde fuera o i n t e r i o r m e n te? Si m i c o r a z ó n es m a l o y m i e n t e n d i m i e n t o c o r r o m p i d o , ¿ c ó m o
p u e d o p e r c i b i r y sentir l o santo c o m o santo, y lo b u e n o c o m o bueno?, ¿ c ó m o p u e d o p e r c i b i r la belleza en u n c u a d r o b e l l o , si m i alma
está d o m i n a d a p o r una perversión estética? A u n q u e y o m i s m o n o
sea p i n t o r n i posea la capacidad para crear algo b e l l o , sin e m b a r g o ,
poseo una i n t e l i g e n c i a y una sensibilidad para l o estético, p o r c u a n '
9

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

,

to p e r c i b o lo que es b e l l o fuera de m í . O lo b u e n o n o es creado de
ninguna manera para el h o m b r e , o si lo es, en este último caso se
revela al h o m b r e la s a n t i d a d y b o n d a d de la esencia h u m a n a . L o
que es absolutamente c o n t r a r i o a m i naturaleza, lo que n o está u n i do c o n m i g o p o r ningún lazo c o m ú n , n o lo p u e d o t a m p o c o pensar
ni sentir. L o santo es o b j e t o para mí en cuanto que se c o n t r a p o n e a
m i p e r s o n a l i d a d , p e r o en u n i d a d c o n m i esencia. L o santo es la
recriminación de m i p e c a m i n o s i d a d ; m e r e c o n o z c o en él c o m o pecador, y p o r eso me censuro y c o n o z c o l o que n o soy p e r o debo ser
y lo que p u e d o ser según m i d e t e r m i n a c i ó n ; pues u n deber sin p o d e r
correspondiente es u n a q u i m e r a r i d i c u l a que no afecta nuestro espír i t u . Pero en cuanto c o n o z c o lo b u e n o c o m o d e t e r m i n a c i ó n mía,
c o m o m i ley, también l o c o n o z c o , consciente o i n c o n s c i e n t e m e n t e ,
c o m o m i p r o p i a esencia. O t r o ser que p o r su naturaleza sea d i s t i n t o
de mí n o me concierne. S ó l o p u e d o s e n t i r el pecado c o m o pecado si
lo siento c o m o una c o n t r a d i c c i ó n c o n m i g o m i s m o , es decir, de m i
p e r s o n a l i d a d c o n m i esencialidad. E n t e n d i d o c o m o c o n t r a d i c c i ó n
con lo d i v i n o , pensado c o m o u n ser d i f e r e n t e , el s e n t i m i e n t o de
pecado es i n e x p l i c a b l e y carece de s e n t i d o .
La d i f e r e n c i a entre a g u s t i n i s m o y p e l a g i a n i s m o consiste en que
aquél expresa bajo la f o r m a de la religión l o que éste dice bajo la
f o r m a del r a c i o n a l i s m o . A m b o s dicen l o m i s m o , ambos a t r i b u y e n a l
h o m b r e la b o n d a d , p e r o m i e n t r a s el p e l a g i a n i s m o l o hace d i r e c t a mente, de u n m o d o r a c i o n a l y m o r a l , el agustinismo l o hace i n d i rectamente de una m a n e r a mística, es d e c i r , r e l i g i o s a . Pues lo que
se a t r i b u y e a l D i o s del h o m b r e , se a t r i b u y e , en r e a l i d a d , al h o m b r e
m i s m o ; lo que el h o m b r e dice de D i o s , l o dice en v e r d a d de sí m i s mo. E l agustinismo sería v e r d a d y , p o r c i e r t o , u n a v e r d a d opuesta
al p e l a g i a n i s m o , si el h o m b r e hiciera d e l d i a b l o su D i o s y , consciente de que es el d i a b l o , l o venerase y agasajase c o m o ser s u p r e m o .
Pero m i e n t r a s el h o m b r e venere u n ser b u e n o c o m o D i o s , c o n t e m pla en D i o s su p r o p i o ser b u e n o .
10

10.

El pelagianismo niega a D i o s , a la religión: «Isti tantam t r i b u u n t potestatcm v o -

l u n t a t i , ut pietati auferant o r a r i o n e m » ; Agustín, De natura et gratia contra

Pelagium c. 5 8 .

Sólo t o m a como base el creador, es decir, la naturaleza, y no el salvador, único D i o s r e l i g i o so, en una palabra, niega a D i o s , y p o r esta causa eleva al hombre al r a n g o de D i o s , haciendo de él un ser independiente, autárquico, que prescinde de Dios. (Sobre esto ver, L u l e r o ,
Contra Erasmo y Agustín,

1 c, c. 3 3 ) . El agustinismo niega el hombre y p o r eso rebaja a Dios

al rango del h o m b r e hasta la i g n o m i n i a de la m u e r t e sobre la cruz p o r la salvación del
h o m b r e . El p r i m e r o pone al h o m b r e en lugar de D i o s , el segundo, a D i o s en el lugar del
9. «Dios sólo puede amarse a sí m i s m o , pensarse a sí m i s m o , trabajar para sí mismo
Creando al h o m b r e , Dios persigue su u t i l i d a d , su g l o r i a , etc.»: P. Bayle, E„, BeUmg zur Ges¬
chichte der Phüos. u. Menschheit.

h o m b r e ; los dos desembocan en el m i s m o resultado, la distinción entre ambos es sólo apa-

78

79

riencia e ilusión piadosa. El agustinismo no es más que u n pelagianismo i n v e r t i d o ; lo que él
pone como sujeto, el o t r o lo pone c o m o objeto.

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

L o m i s m o que o c u r r e con la d o c t r i n a de la c o r r u p c i ó n r a d i c a l
del ser h u m a n o , sucede también c o n la d o c t r i n a , idéntica en su c o n t e n i d o , de que el h o m b r e n o tiene capacidad para nada b u e n o , es
decir, que n o puede nada p a r t i e n d o de sí m i s m o y de su p r o p i a
fuerza. La negación de la capacidad y a c t i v i d a d del h o m b r e sería
v e r d a d si el h o m b r e negara t a m b i é n en D i o s la a c t i v i d a d m o r a l y
a f i r m a r a c o m o el n i h i l i s t a o r i e n t a l o panteísta: el ser d i v i n o es u n
ser sin v o l u n t a d n i a c t i v i d a d , i n d i f e r e n t e e i g n o r a n t e de la d i s t i n ción entre el b i e n y el m a l . Q u i e n d e f i n a a D i o s c o m o u n ser a c t i v o
y, más c o n c r e t a m e n t e , c o m o u n ser m o r a l m e n t e activo y c r í t i c o ,
c o m o u n ser que ama el b i e n , l o p o n e en práctica y l o recompensa,
y, en c a m b i o , castiga el m a l , lo rechaza y c o n d e n a , ese tal niega sólo
aparentemente la a c t i v i d a d h u m a n a ; en r e a l i d a d , la c o n v i e r t e en
r e a l i d a d s u p r e m a y realísima. Q u i e n hace actuar a D i o s en f o r m a
h u m a n a , a f i r m a la a c t i v i d a d h u m a n a c o m o a c t i v i d a d d i v i n a , pues
dice: u n D i o s que n o fuera a c t i v o , n i m o r a l n i h u m a n a m e n t e , n o es
D i o s , y , en consecuencia, hace depender el c o n c e p t o de la d e i d a d
del c o n c e p t o de la a c t i v i d a d respectiva del h o m b r e , pues no conoce
una a c t i v i d a d s u p e r i o r .
El h o m b r e —-éste es el m i s t e r i o de la religión-— o b j e t i v a " su
esencia y se c o n v i e r t e a su vez en objeto de este ser o b j e t i v o , transf o r m a d o en u n sujeto, en una persona; él se piensa c o m o o b j e t o ,
p e r o c o m o objeto de u n o b j e t o , c o m o objeto de o t r o ser. L o m i s m o
o c u r r e aquí. El h o m b r e es u n o b j e t o de D i o s . Q u e el h o m b r e sea
b u e n o o m a l o n o es i n d i f e r e n t e para D i o s ; él tiene u n v i v o e í n t i m o
interés en que sea b u e n o ; quiere que sea b u e n o para que sea feliz,
pues sin b o n d a d n o existe la f e l i c i d a d . La nada de la a c t i v i d a d h u m a n a es anulada a su vez p o r el h o m b r e r e l i g i o s o en c u a n t o c o n vierte sus o p i n i o n e s y acciones en o b j e t o de D i o s y al h o m b r e en f i n
de D i o s , pues lo que es objeto en el espíritu es f i n en la a c c i ó n ,
h a c i e n d o de la a c t i v i d a d d i v i n a u n m e d i o para la salvación h u m a n a .
D i o s es a c t i v o para que el h o m b r e llegue a ser b u e n o y feliz. De esta
..manera, el h o m b r e , que parece p r o f u n d a m e n t e h u m i l l a d o es elevad o , en r e a l i d a d , a l o más a l t o . E l h o m b r e , en y p o r m e d i o de D i o s ,
sólo tiene c o m o o b j e t o a sí m i s m o . El h o m b r e tiene c o m o objeto a
D i o s , p e r o D i o s sólo tiene c o m o o b j e t o la salvación m o r a l y eterna

LA

E S E N C I A

DE

LA

R E L I G I Ó N

del h o m b r e , es decir, el h o m b r e s ó l o tiene c o m o o b j e t o a sí m i s m o .
La a c t i v i d a d d i v i n a n o d i f i e r e de la a c t i v i d a d h u m a n a .
En efecto, ¿ c ó m o podría la a c t i v i d a d divina actuar sobre mí c o m o
su objeto y hasta en m í m i s m o , si f u e r a una a c t i v i d a d esencialmente
diferente?, ¿ c ó m o p o d r í a tener una f i n a l i d a d h u m a n a el m e j o r a r y
hacer feliz al h o m b r e , si n o fuera ella misma h u m a n a ? , ¿acaso el
objetivo n o d e t e r m i n a la acción? C u a n d o el h o m b r e se p r o p o n e su
m e j o r a m i e n t o m o r a l , t o m a entonces resoluciones y propósitos d i v i nos, p e r o si D i o s tiene c o m o objeto la salvación d e l h o m b r e , e n t o n ces tiene fines h u m a n o s y una a c t i v i d a d h u m a n a c o r r e s p o n d i e n t e
a estos fines. E l o b j e t o del h o m b r e en D i o s es su p r o p i a a c t i v i d a d .
Pero justamente p o r q u e considera su p r o p i a a c t i v i d a d c o m o algo
o b j e t i v a d o , d i f e r e n t e de sí m i s m o , y el bien c o m o u n o b j e t o , así
también recibe necesariamente el i m p u l s o , la fuerza m o t r i z , no de sí
m i s m o , sino de este o b j e t o . C o n t e m p l a su esencia fuera de sí y la
considera c o m o el b i e n m i s m o ; se c o m p r e n d e de manera i n m e d i a t a ,
pues es u n a t a u t o l o g í a , ya que para él el i m p u l s o al b i e n p r o v i e n e de
donde él m i s m o ha p u e s t o el b i e n .
D i o s es la esencia del h o m b r e p r o p i a y subjetiva, separada e
i n c o m u n i c a d a ; p o r l o t a n t o , no p u e d e actuar p o r sí m i s m o , t o d o l o
bueno p r o v i e n e de D i o s . C u a n t o más subjetivo y h u m a n o es D i o s ,
tanto más enajena el h o m b r e su p r o p i a s u b j e t i v i d a d , su p r o p i a h u m a n i d a d , p o r q u e D i o s es, en y p o r sí, su y o a l i e n a d o que se recupera de n u e v o s i m u l t á n e a m e n t e . Así c o m o la a c t i v i d a d a r t e r i a l i m p u l sa la sangre hasta las e x t r e m i d a d e s más lejanas, y la a c t i v i d a d de las
venas la reconduce n u e v a m e n t e ; así c o m o la v i d a en general consiste en una c o n t i n u a sístole y diàstole, l o m i s m o o c u r r e en la religión.
En la sístole religiosa se despoja al h o m b r e de su p r o p i a esencia, se
repudia y condena a sí m i s m o ; en la diàstole religiosa acepta nuevamente la esencia r e p u d i a d a en su c o r a z ó n . D i o s es el único ser que
actúa y o b r a p o r sí m i s m o ; éste es el acto de la fuerza de repulsión
religiosa; D i o s es el ser que actúa en mí, c o n m i g o , p o r mí, sobre,
para mí, el p r i n c i p i o de m i salvación, de mis buenas acciones y
o p i n i o n e s , p o r c o n s i g u i e n t e , p r i n c i p i o y esencia de m i p r o p i o b i e n ;
éste es el acto de la f u e r z a de a t r a c c i ó n religiosa.

11. Por otra parte, c o m o se ha dicho de manera suficientemente clara, en este espíritu
es necesario d i s t i n g u i r la auto-objetivación religiosa, o r i g i n a r i a , del hombre y la auro-objetivación de la reflexión y de la especulación; esta última es a r b i t r a r i a , la p r i m e r a n o es
a r b i t r a r i a , es necesaria, tan necesaria como el arte o el lenguaje. Ciertamente, con el t i e m po, la teología acaba siempre p o r c o i n c i d i r con la religión.

El d e s a r r o l l o de la religión, i n d i c a d o más a r r i b a en sus rasgos
generales, consiste, c o n s i d e r a d o más de cerca, en que el h o m b r e
despoja a D i o s cada vez más para atribuírselo a sí m i s m o . A l p r i n c i p i o el h o m b r e pone t o d o fuera de sí m i s m o sin i n d i f e r e n c i a a l g u n a .
Esto se muestra p a r t i c u l a r m e n t e en la fe de la r e v e l a c i ó n . L o que en
u n t i e m p o p o s t e t i o r , o p a r a u n p u e b l o más i n s t r u i d o , l o da la n a t u raleza, la razón, era u n d o n de D i o s en u n t i e m p o a n t e r i o r o para u n

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81

LA

ESENCIA

DEL

C R I S T I A N I S M O

p u e b l o i n c u l t o . Los hebreos creían que t o d o s los i m p u l s o s del h o m bre, p o r natutales que f u e r a n , hasta la m i s m a inclinación a la l i m pieza, eran m a n d a m i e n t o s p o s i t i v o s de D i o s . Por este e j e m p l o p o demos ver de n u e v o que D i o s es t a n t o más p r ó x i m o y más c o m ú n al
h o m b r e , c u a n t o más se despoja el h o m b r e de sí m i s m o . La h u m i l dad y la abnegación d e l h o m b r e n o p u e d e n i r más lejos que c u a n d o
éste niega poseer la fuerza y la capacidad para c u m p l i r p o r sí mism o , p o r sus p r o p i o s i m p u l s o s , los m a n d a m i e n t o s de la c o n d u c t a
v u l g a r . Por el c o n t r a r i o , la religión cristiana distinguió los i m p u l sos y las pasiones d e l h o m b r e según su c u a l i d a d , según su c o n t e n i d o ; convirtió las pasiones, las o p i n i o n e s y los pensamientos buenos
en revelaciones, en efectos, es decir, en o p i n i o n e s , pasiones y p e n samientos de D i o s ; pues l o que D i o s revela es una d e t e r m i n a c i ó n de
D i o s m i s m o . C u a n d o el c o r a z ó n está l l e n o , esta p l e n i t u d pasa a la
boca y c o m o es el efecto t a l es la causa, y c o m o es la revelación así
es el ser que se revela. U n D i o s que sólo se m a n i f i e s t a en buenas
o p i n i o n e s es u n D i o s cuya p r o p i e d a d esencial es la b o n d a d m o r a l .
La religión cristiana d i s t i n g u e la l i m p i e z a m o r a l i n t e r n a de la corp o r a l e x t e r i o r . La religión hebrea i d e n t i f i c a b a a m b a s . La religión
cristiana es, en o p o s i c i ó n a la hebrea, la religión de la crítica y de la
l i b e r t a d . E l hebreo no osaba hacer nada fuera de lo o r d e n a d o p o r
D i o s ; carecía de decisión p r o p i a hasta para las cosas más superficiales; el p o d e r de la religión se e x t e n d í a hasta sobre las c o m i d a s .
La religión c r i s t i a n a , en c a m b i o , i n d e p e n d i z a al h o m b r e de todas
esas cosas superficiales, es decir, p o n e en los h o m b r e s l o que el
hebreo puso fuera de sí, en D i o s . Israel es la representación más
perfecta de este p o s i t i v i s m o . Para el hebreo el c r i s t i a n o es u n l i b r e pensador, u n esprit fort. Así c a m b i a n las cosas. L o que ayer todavía
era religión, h o y ya n o l o es, y lo que h o y pasa p o r a t e í s m o , será
m a ñ a n a t e n i d o p o r religión.
12

13

12.

5 Moisés 23, 12, 13.

13. Ver p o r ejemplo 1 Moisés 35, 2; 3 Moisés 1 1 , 44 y el c o m e n t a r i o de Clericus
concerniente a estos pasajes.

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I.
L A E S E N C I A V E R D A D E R A , ES

DECIR,

ANTROPOLÓGICA, DE LA RELIGION