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ESCOLA SUPERIOR NÁUTICA INFANTE D.

HENRIQUE
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MARÍTIMA

EXAMES DE RECICLAGEM
PARA
OFICIAIS DE MÁQUINAS MARÍTIMAS

APONTAMENTOS
DE
SISTEMAS PNEUMÁTICOS

Elementos coligidos por:
Prof. Luis Filipe Baptista

ENIDH, Dezembro de 2010
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ÍNDICE

1. PNEUMÁTICA ...............................................................................................................................2
1.1. INTRODUÇÃO À PNEUMÁTICA........................................................................................2
Cilindros ......................................................................................................................................3
Válvulas ......................................................................................................................................3
Comando à distância de um cilindro pneumático ................................................................9
Bloqueamento do distribuidor................................................................................................11
Movimento semi-automático e automático..........................................................................12
Controlo de velocidade da haste do cilindro.......................................................................14
Elementos lógicos ...................................................................................................................15
Circuito pneumático (ciclo manual-automático) .................................................................17
ANEXO. SIMBOLOGIA DE CIRCUITOS PNEUMÁTICOS ..................................................20

1

os cilindros pneumáticos desenvolvem forças até cerca de 30000 Newton (aproximadamente 3000 Kgf).1. bastante desgastantes. pernas) cuja força muscular pode ser substituída por uma força externa. 2 . A pneumática é uma tecnologia que se serve de ambos nas mais diversas aplicações. através dos seus órgãos motores (mãos. Como órgão de potência. desenvolvida linearmente. mas deve-se salientar que o movimento linear ou de vaivém é aquele que iremos dedicar uma maior atenção no estudo que iremos apresentar seguidamente.1. Fig. No entanto. naturalmente. abrir. Fig. Numa primeira análise. Há muitas tarefas. após a aquisição dos conhecimentos básicos acerca desta tecnologia. Cilindro pneumático de duplo efeito em corte. um êmbolo e uma haste.1. que o ser humano realiza. braços. de que são exemplos o cilindro sem haste ou cilindro de banda.1 e 1. só existem dois tipos de movimentos: rotativo e linear. Diversos tipos de cilindros pneumáticos. com o valor anteriormente indicado (Fig. as modificações dos esquemas de comando para o caso de aplicações com motores pneumáticos são de fácil compreensão. uma camisa. No entanto. empurrar. cortar. fechar. pode afirmar-se que acções como transportar. apertar. Este tipo de cilindros é adequado quando se pretende obter cursos longos. tendo como energia.1. INTRODUÇÃO À PNEUMÁTICA Como é conhecimento de todos.2. o ar comprimido. Assim como o motor eléctrico é o órgão de potência para a electricidade. são algumas das aplicações do movimento linear que servirão de exemplo a este estudo. elevar. a tecnologia pneumática tem evoluído bastante.1. prensar.2). Em geral.1. Podem também ser utilizados em manipuladores automáticos controlados por autómatos programáveis. sendo constituído por: duas tampas. o cilindro é um componente extremamente simples. embora basculante (ou de vaivém). visto que muitas operações na indústria podem ser executadas por uma força de vaivém pneumática. PNEUMÁTICA 1. o cilindro pneumático é o componente que executa o referido movimento linear. pelo que hoje em dia existem diversos outros tipos de cilindros pneumáticos. puxar.

Cilindros Simples efeito Cilindros quanto ao tipo Duplo efeito Cilindros quanto à classe Leve Média Pesada Especial Mini Membrana Tandem Dupla haste Binário (torque) De uma forma simplista. e a classe média quanto à classe. de modo a poder-se elaborar os primeiros esquemas. CETOP . b) Bloco de válvulas (tipo compacto). ao circuito lógico em causa. Estes componentes já não são tão simples como os cilindros.1.Comissão Europeia de Transmissões Óleo-pneumáticas). porque efectua trabalho em ambos os sentidos de movimento e classe média. não só. Deste modo. necessariamente simples. 3 . iremos introduzir mais alguns elementos da vasta gama de válvulas disponibilizadas pelos fabricantes. o que permite ao aluno uma assimilação progressiva e contínua dos diversos símbolos pneumáticos. a) Válvula simples. Para construir os primeiros circuitos. Vamos começar por descrever alguns componentes. visto existir uma gama muito vasta destes elementos. Duplo efeito. atendendo. a) b) Fig. pretendemos evitar uma apresentação muito exaustiva de simbologia. Válvulas As válvulas de dois estados. apresentam-se seguidamente os principais tipos e características de cilindros e válvulas geralmente utilizados na indústria. são as mais utilizadas em aplicações práticas.3. Para mais detalhes. À medida que se for avançando neste capítulo. veja os quadros de símbolos pneumáticos em Anexo. Válvulas pneumáticas. mas também à aplicação e ambiente de trabalho. com três e cinco orifícios. é forçoso falar das válvulas que lhes estão associadas.Para além dos cilindros pneumáticos. é fundamental estudar-se o princípio de funcionamento destes dois tipos de válvulas. Assim. como introdução ao princípio de funcionamento de válvulas de 3 e 5 orifícios em simbologia normalizada ISO-CETOP 1219 (ISO – International Organization for Standardization . porque possui amortecimento regulável em ambos os fins de curso. pode dizer-se que o cilindro mais usado é o de duplo efeito quanto ao tipo.

2/2. Este mecanismo poderá ser representado por um êmbolo distribuidor. 4 . quer sejam de dois. três. o êmbolo distribuidor encontra-se todo à esquerda. fechada e aberta. A Figura 1. Vamos optar pelo êmbolo distribuidor. 12 2 10 1 a) b) Fig. todas as válvulas. respectivamente.4-a) e b) representa uma válvula de dois orifícios com dois estados. dentro da qual existe um mecanismo que se encarrega de efectuar todos os desvios de fluxo de ar.4-b). ao posicionar-se todo à direita permite que aquela se encontre normalmente aberta. consequentemente. quatro ou cinco orifícios.4-a) representa a válvula normalmente fechada e. Quando pela manhã abre e fecha a torneira da água para se lavar está a utilizar a referida válvula (de passagem). o orifício 1 é a entrada e o 2 é a saída (números normalizados). independentemente do tipo de comando. uma gaveta ou um diafragma. Na figura 1. o leitor toma contacto com este tipo de válvula. tendo em conta que este apresenta um desenho mais simples. são constituídas por um invólucro ou sede (construída com material metálico ou sintético).4 Diariamente. sem se dar conta disso. Nesta válvula. Basicamente.Válvulas quanto ao número de estados 2 orifícios 3 orifícios 4 orifícios 5 orifícios Manual Válvulas quanto ao comando Mecânico Manípulo Botão Puxador Pedal Rolete fixo Rolete móvel Haste sensível Botoneira Electromagnético Eléctrico Electropneumático Pneumático A figura 1.1.

assim. três orifícios e três estados.5 A Figura 1. o que põe em escape todo o ar.A Figura 1. A sua preocupação é enchê-la à pressão da referência indicada pelo fabricante. Na Figura 1. b) representam uma válvula bastante mais importante em pneumática. a) b) Fig.6 Na Figura 1. ficando o 3 fora de serviço durante este estado. isto é. se excluirmos a terceira posição que corresponde à posição de válvula totalmente fechada para admissão e escape em simultâneo. Se por acaso a encheu demasiado. quando enche a câmara-de-ar de um pneu recorre a uma válvula 3/3. O símbolo “Δ” representa a alimentação de ar comprimido já filtrado. Trata-se de uma válvula de três orifícios com dois estados.6-b). através de comunicação interna entre os orifícios 2 e 3. o número de estados ou posições de uma válvula.6-a). uma válvula 3/2. 12 2 10 1 Fig. Provavelmente já contactou certamente com um tipo de componente semelhante no seu quotidiano sem se preocupar. 1. regulado e possivelmente lubrificado. naturalmente. constituindo o símbolo ISO-CETOP de uma válvula 2/2. Por exemplo. ou seja.6-b) o êmbolo distribuidor está colocado à direita o que permite a admissão do ar comprimido entre os orifícios 1 e 2.5 simboliza a reunião dos dois estados possíveis. Assim. O número de quadrados reunidos indica. pretende deixar escapar para a atmosfera o ar em excesso. 5 . o orifício 1 está fora de serviço. Estas duas funções correspondem ao princípio de funcionamento de uma válvula 3/2.1. corresponde ao distribuidor colocado à esquerda. com a sua designação. embora continue “alimentado” pela rede de distribuição do ar comprimido.

representar o símbolo ISO-CETOP de uma válvula 5/2 de actuação por botão e retorno por mola. ficando o orifício 3 fora de serviço.7 A Figura 1.9-a).7 reúne os dois estados que acabamos de estudar e representa o símbolo ISO-CETOP da válvula 3/2. 1. Neste caso.1. como iremos ver um pouco mais à frente neste estudo. A figura 1. ficando fora de serviço o orifício 5. 2 10 12 3 1 Fig.9-b) representa o esquema da válvula 5/2 em corte na qual é possível observar a configuração do êmbolo distribuidor que canaliza o ar no interior da válvula para os diferentes orifícios. resultando dessa posição o seguinte: admissão entre os orifícios 1 e 4 e simultaneamente escape entre 2 e 3. uma 5/2. 4 2 1 1 5 1 3 a) 6 . isto é. o êmbolo está à direita.8 Na figura 1. a) b) Fig. na qual estão indicados os números correspondentes aos orifícios.8-a). A figura 1. A figura 1. b) representam uma válvula de cinco orifícios com dois estados. existindo admissão entre 1 e 2 e escape entre 4 e 5. a válvula possui comando por manípulo com duas posições fixas estacionárias.A Figura 1.8-a).8-b) apresenta o êmbolo distribuidor à esquerda. Esta válvula é normalmente utilizada para comandar cilindros pneumáticos de duplo efeito.

2 10 12 3 2 12 3 1 1 1 a) b) Fig. conforme indicado na Figura 1. a válvula 3/2 comanda o cilindro de simples efeito e a 5/2 o cilindro de duplo efeito. b) Válvula 5/2 em corte.10 - 1 + 4 2 5 1 3 - 1 1 a) + 4 2 5 1 3 1 b) Fig.11 7 .1. utilizando um cilindro de simples efeito como o da Figura 1.9-a) Símbolo de válvula 5/2. Nestes casos. Vamos admitir que se pretende fixar uma peça. estamos em condições de elaborar os primeiros circuitos pneumáticos básicos. 1. Ambas as válvulas são de actuação por botoneira e retorno por mola.b) Fig.10 ou um cilindro de duplo efeito. 1. Após efectuar-se o estudo preliminar de válvulas 3/2 e 5/2.11.

vamos passar a utilizar apenas circuitos com cilindros de duplo efeito. podemos referir a indústria de confecções. irá estudar-se a controlo de velocidade destes componentes. Quando se pretende que um cilindro execute trabalho em ambos os sentidos. De facto. A figura 1. quando está totalmente premida. com duas posições estacionárias (ou biestáveis).12. Daqui resulta uma maior aceleração do êmbolo e maior acumulação de energia na ponta da haste que executa a referida cravação. devido às dimensões da mola de recuperação. Num cilindro de duplo efeito. à partida. ainda. é necessário utilizar-se um cilindro de duplo efeito. De facto. possui normalmente uma força de 100 N. Daqui resultam. representa o esquema de comando de um cilindro através de uma válvula 5/2 com comando por manípulo. - + 4 2 5 12 1 3 1 Fig. Qual a razão para esta diferença? Porque a mola que executa o retorno da haste no cilindro de simples efeito. Foi dito anteriormente que os cilindros de duplo efeito e de classe média são os mais utilizados. as designações de câmara positiva (+) e câmara negativa (-). Este tipo de operação exige forças entre 6000 e 12000 N e cursos à volta de 50 mm.12. o cilindro de simples efeito é mais rápido que o de duplo efeito porque. para tanto. também.à compressão ou à tracção dependendo. Nestas condições. mas isso não significa que o de simples efeito. quando os êmbolos estiverem completamente avançados. determina que F. o mesmo cilindro desenvolve mais força quando trabalha à compressão do que à tracção. ao retirar alguma área ao êmbolo. embora menos utilizado. A título de exemplo. conforme representado na figura 1. a haste. Assim. Diz-se neste caso que a válvula é biestável.Vamos considerar. concluímos que a força de avanço (F+) é de 1180 N para o cilindro de duplo efeito e de 1080 N para o de simples efeito. não tenha igualmente o seu campo de aplicação. a força desenvolvida pela haste resulta do produto da pressão (P) pela área (S) onde incide o ar comprimido (F=P*S). ou mais propriamente. para além das limitações já descritas. 1. tem uma menor resistência na câmara negativa. Com efeito. O de simples efeito só pode executar trabalho num sentido . que os diâmetros internos dos cilindros são de 50 mm e que o ar está à pressão de 6 bar. raramente superiores a 100 mm. onde a cravação de botões metálicos em calças de ganga (“jeans”) é executada por cilindros pneumáticos de simples efeito. o cilindro de simples efeito está também limitado a cursos pequenos.seja ligeiramente inferior a F+. No entanto. à compressão e à tracção. Logo que possível. da posição da mola a qual possui força unicamente para recolher ou fazer sair a haste. A partir desta fase do estudo. respectivamente. assim acontece.12 8 . temos de diferenciar a força de avanço (F+) da força de retorno (F-).

C2 . temos a câmara positiva de A a ser pressurizada com ar da rede. Este circuito é composto pelos seguintes componentes: • A . assim que a força que a faz mudar de estado deixa de actuar. A Fig. isto é. • B . a válvula Cl deixou de estar premida e retorna à posição inicial.13 Como é normal. porque esta regressa imediatamente à posição de repouso.válvulas de três orifícios com dois estados. Assim. através do orifício 5. com amortecimento regulável. designa-se vulgarmente por monoestável. Vamos iniciar o ciclo com o avanço da haste do cilindro A. logo que receba impulso no seu lado esquerdo. é necessário que haja admissão de ar comprimido na câmara positiva e simultaneamente que a câmara negativa entre em escape para a atmosfera. A válvula B já mudou de estado e como resultado. todos os circuitos são representados na posição de repouso. Esta posição manter-se-á enquanto não houver mudança de estado na válvula 9 . a câmara negativa está em escape através da comunicação entre os orifícios 2 e 3. uma vez que o orifício 2 volta a estar em comunicação com a atmosfera através de 3.cilindro pneumático de duplo efeito. vamos admitir que dispõe de duas botoneiras de comando para fixar e libertar a peça. A 4 2 14 12 B 1 3 2 1 12 C1 5 3 1 2 1 12 C2 3 1 Fig. seguidamente estudar o controlo pneumático à distância. Assim. Por outro lado.Uma válvula quando possui retorno por mola (Figuras 1. após a haste do êmbolo ter atingido o seu ponto morto superior.válvula de cinco orifícios com dois estados. Este impulso é obtido por actuação do botão C1. • C1 . Admissão e escape verificar-se-ão logo que a válvula 5/2 mude de estado.14-b) representa o estado em que ficou o circuito. comando pneumático duplo e impulsos à distância. conforme pode analisar-se na figura 1. 3/2.13. permite o escape do ar que originou o impulso.11). comando manual por botão e retorno por mola.14-b).1.14-a). Para tal. pela acção da mola incorporada na sua sede. visto que os orifícios 1 e 2 comunicam entre si. temos a câmara negativa do cilindro A com ar comprimido à pressão da rede. Comando à distância de um cilindro pneumático Vamos. Na figura 1. 5/2.1. e a câmara positiva à pressão atmosférica. Para tanto.10 e 1. podendo analisar o respectivo circuito na figura 1. atendendo a que o 4 está em comunicação com a atmosfera. atendendo a que existe admissão entre os orifícios 1 e 4.

1. a bobina é excitada e atrai o núcleo.º 1) vindo através do corpo da válvula 5/2. A figura 1. a passagem de um impulso pneumático dirigido à válvula B.º 2 e naturalmente produz-se o impulso pneumático à semelhança do verificado na figura 1.14-a). enquanto a bobina permanecer excitada.16 representa o esquema de comando electropneumático do circuito. b) Válvula C2 em escape – cilindro A recua totalmente (válvula B é biestável). premimos a válvula C2. Premindo o contacto eléctrico C1. A figura 1. Logo que o núcleo C1 abra o circuito eléctrico. Estas linhas de alimentação internas estão representadas a tracejado.15-a) indica-nos que pretendemos fazer regressar a haste do êmbolo ao seu ponto morto inferior. 4 4 2 14 5 2 1 C1 3 2 1 1 1 12 5 1 3 1 2 14 12 3 C2 2 1 1 C1 1 1 3 3 2 1 1 1 3 C2 a) 1 b) Fig.º 2 e n. estabelecendo a seguinte ligação no interior do solenóide: o orifício n.º 3 estabelecem o escape pelo interior do núcleo do ar 10 . b) Válvula C1 em escape – cilindro A continua a avançar (válvula B é biestável).º 3 ficará obstruído pela ponta a negro do núcleo.14-a).1.º 1 contacta com o n.B. permitindo deste modo. Consequentemente os orifícios n. Ambos os solenóides (S1 e S2) são “alimentados” por ar comprimido (orifício n. o orifício n. Para que isso suceda. - + 4 4 14 C1 5 1 3 2 10 3 12 12 5 12 2 14 2 2 12 C2 1 a) 3 1 10 2 10 12 C1 1 3 3 2 10 12 1 C2 3 1 b) Fig.15-a). Actuação em C2 – recuo do cilindro A (pilotagem do orifício 12 da válvula 5/2). Actuação em C1 – avanço do cilindro A (pilotagem mo orifício 14 da válvula 5/2). deixa de existir campo magnético e a mola leva-o à posição de repouso.

17 Bloqueamento do distribuidor Vamos seguidamente ver as situações de bloqueamento (fig.16. [1]). S1 é representado pela botoneira “Avanço” e S2 é representado pela botoneira “Recuo”. visto que os impulsos vindos de C1 e C2 se anulam mutuamente e deste modo o seu êmbolo distribuidor não passa da esquerda para a direita.18) no ponto morto inferior. isto é. 11 . A figura 1. o bloqueamento existe agora no ponto morto superior. Fig.17 representa o esquema eléctricopneumático relativo ao movimento de avanço-recuo do cilindro.1. A válvula 5/2.1. a) b) Fig. ou seja.1. a válvula C2 não pode estar actuada. Neste caso.com). (Nota: Imagens retiradas da ref. (Nota: ver http://www. Para que o bloqueamento desapareça. De notar que o esquema representado foi realizado num software específico de desenho e simulação de circuitos pneumáticos (Automation Studio). a válvula Cl não pode estar actuada.19 dá-nos a situação inversa.comprimido que foi necessário para realizar o impulso pneumático que produziu o avanço do cilindro A.1.automationstudio. A Fig. o impulso vindo de C2. é o impulso originado por Cl que tem de entrar em escape. Neste esquema. tem de entrar em escape. ou seja. não pode mudar de estado.

logo que a haste do êmbolo atinja o seu fim de curso.20. permitindo o regresso automático de A e. 12 .1. atingir o ponto morto inferior. Na figura 1. portanto.20 Deve notar-se que o único componente novo que aparece neste circuito é o elemento a1. que é uma válvula 3/2 de comando mecânico por rolete e retorno por mola (sensor de fim de curso). a válvula aí será actuada mecanicamente. 1.1. pretende-se o seguinte: premir manualmente Cl e obter o avanço de A. o que corresponde ao ponto morto superior. Fig.Fig.19 Movimento semi-automático e automático Analisemos seguidamente um circuito que iremos designar por semi-automático.18 Fig.

da posição de start para stop. Este circuito voltará à posição de repouso. vai actuar a válvula a1. mas o ciclo irá manter-se. pretende introduzir-se o conceito de circuito inteiramente automático. ao atingir o seu fim de curso.22 representa o circuito electropneumático equivalente ao anteriormente apresentado. assim.21 Neste circuito. dando origem ao impulso responsável por nova mudança de estado da válvula 5/2. dá-se novo impulso A+ e este dará origem a um novo ciclo de vaivém. a válvula 5/2 que “alimenta” o cilindro de duplo efeito. passe de stop para start. Por exemplo. Fig. dá-se passagem ao impulso pneumático vindo de a0. uma vez que esta válvula se encontra actuada pela haste do cilindro. ou interruptor. foi comutada. embora recorrendo a um simples vaivém. podemos alterar este vaivém de contínuo a descontínuo ou intermitente. logo que a válvula 3/2 de manípulo. diremos simplesmente A+. A deslocação do êmbolo distribuidor da direita para a esquerda.1.21. Logo que a válvula a0 volte a ser actuada pela haste do cilindro. logo que o operador passe a válvula de manípulo. isto é. recebe. ou seja desloca o êmbolo distribuidor da esquerda para a direita. dá origem ao retorno da haste do cilindro. diz-se simplesmente: vai comutar. Fig. o seu êmbolo distribuidor vai deslocarse da direita para a esquerda ou vice-versa. A Fig. em vez de dizer-se que a válvula 5/2 vai mudar de estado. por acção do operador.Com a figura 1. A-. Quando se pretender dizer que a haste do êmbolo do cilindro pneumático A vai avançar ou recolher. 1. Esta acção permite o avanço da haste do cilindro pneumático. o impulso que a faz mudar de estado.22 A partir desta descrição. Como é lógico.1. 13 . vamos passar a usar uma terminologia mais simplificada. Esta. por sua vez. deu-se a comutação.

1. e o ar contido na câmara negativa é estrangulado durante o escape através da válvula V2. isto é. Este não é mais do que uma válvula controladora de fluxo unidireccional. a válvula de retenção não impede a livre circulação do ar e como tal possuímos uma admissão sem qualquer estrangulamento no movimento de retorno. livre. A V1 V2 4 2 14 12 B 2 1 12 C1 3 1 5 1 3 2 1 12 C2 3 1 Fig. Neste sentido. estrangula a passagem do ar num sentido e deixa passá-lo livremente em sentido contrário. não é a admissão mas sim o escape da câmara contrária que se deve estrangular. vejamos como regular a velocidade de um cilindro pneumático. tanto quanto possível. Esta operação dar-se-á logo que a válvula 5/2 seja comutada pelo impulso vindo de C1. em sentido contrário àquele que se acabou de descrever. apresenta um novo símbolo. isto é. teremos de possuir admissão de ar na câmara negativa. Admita-se o sentido de avanço como exemplo. A figura 1. a pressão do ar comprimido sofre variações que provocam oscilações no movimento em ritmo intermitente. Quando se pretender regular a velocidade em ambos os sentidos. ou seja. obrigando-o a passar numa zona estrangulada. uma força constante e se a admissão estiver estrangulada. excepto com cilindros de simples efeito e ainda de duplo efeito mas com diâmetros internos até 20 mm. Este componente possui uma válvula de retenção que impede totalmente a passagem do ar durante o escape. terão que se usar dois estranguladores de fluxo (V1 e V2). 14 . Neste caso. o ar circulará livremente através do “by-pass” ao estrangulamento. Porém teremos de concluir que é errado. O esquema da figura 1. pretende-se. conforme representado na figura 1.23. Controlo de velocidade da haste do cilindro Para continuar o estudo. o do componente V2.A palavra impulso pode ter o mesmo significado através dos seguintes termos: pilotagem. É vulgar pensar-se que devemos estrangular a respectiva admissão de modo a conseguirmos variar a velocidade em causa.23 Quando se pretende o movimento de retorno.23.23 representa a admissão na câmara positiva como deve ser efectuada. Em qualquer movimento. ordem. Acima destes valores. de variação regulável no exterior da sede e através de um parafuso. quer seja de avanço ou de retorno. sinal.

Entende-se por activa aquela que é alimentada a partir da rede de energia (ar comprimido) e por passiva a que está em série com a activa. o sinal S (responsável pelo arranque da máquina) nunca será obtido. visto que necessita de “alimentação” própria para executar o fecho da válvula. Vamos começar pelo estudo da função E (and). o operador pretender pôr a máquina em funcionamento. através do funcionamento do circuito da Fig. por acaso. Isto significa que a válvula tem de ser activa e nunca passiva.1. em pneumática. Como exemplo prático desta função. teremos o aparecimento do sinal S. uma válvula de retorno por ar interno não pode se usada em série. balancé ou qualquer outro dispositivo em que haja o perigo de ser mutilado. tendo livre a outra.24. A válvula B somente recebe o ar comprimido através de A. ele porá em marcha a máquina que comanda sem que haja a possibilidade de danificar uma das mãos. 15 .24 Na figura 1. pode referir-se a protecção de um operador quando este comanda manualmente uma prensa. Só assim.24.25 pode observar-se o mesmo circuito constituído por componentes electropneumáticos. é o processo mais económico de construi aquela função. Fig. apenas com uma mão. logo que esta deixe de ser actuada. Vamos admitir que a mão esquerda do operador se ocupa do botão A e a mão direita do botão B. diz-se que uma função lógica E (and) é uma função em série. Com efeito. principalmente. depende do funcionamento interno das válvulas e das condições lógicas do circuito. mas nem sempre é possível executá-la em série. isto é. Com efeito. Em geral. OU (Or) e NEGAÇÃO (Not). Por exemplo.1. nos dedos ou nas mãos. é forçoso utilizar-se uma função lógica E (and). Quando os botões A e B estiverem premidos. significa que o operador utilizou ambas as mãos e assim.1. Na Fig. Vamos exemplificar esta situação através do comando de um cilindro pneumático de duplo efeito. obrigar o operador a usar a mão esquerda e a mão direita em simultâneo. Se.Elementos lógicos Nesta secção vamos descrever as três funções lógicas mais simples. De modo a evitar este perigo. ou seja: E (And). vamos designar a válvula A como activa e a B como passiva. como facilmente se observa. o que equivale a dizer que não possui energia própria. uma guilhotina. que irá fazer avançar a haste do cilindro.

este elemento não permite a comunicação entre os orifícios de A e B.Fig. a esfera ou disco irá manter-se na última posição (à esquerda ou à direita) e o sinal S irá obter-se sem qualquer dificuldade.27 representa o símbolo ISO-CETOP 1219 da válvula OU bem como a vista em corte da respectiva válvula.1. 1. É também bastante usada e a título de exemplo poderemos referir um circuito constituído por ciclo manual ou automático e ainda um circuito de emergência. a) b) Fig.1.27 Na eventualidade de os dois sinais A e B surgirem em “simultâneo”.26 Consideremos agora a função lógica OU (Or). Esta figura representa o símbolo ISO-CETOP 1219 da válvula E bem como a vista em corte da respectiva válvula.25 O mesmo circuito pode ser executado por um elemento lógico E (and). O elemento lógico OU funciona da seguinte forma: quer o sinal A quer o sinal B passam da entrada para a saída e escapam pela mesma via de chegada. A esfera ou disco nunca poderá ocupar a posição central. 16 . pelo que não se deve confundir este componente com uma vulgar ligação “T”.1. a) b) Fig. No entanto. A Fig. visto impedir dessa forma a passagem de ar de A ou B para a saída (S). conforme representado na Fig.26. em funcionamento normal.1.

“Recuo”. passa-se de imediato ao movimento de vaivém automático.29 Referências: [1]. A Fig. http://www. Site do fabricante de automatismos NORGREN MOTION CONTROL.asp [4].1.1.norgren.1. Ar comprimido industrial.1. por manípulo (Manual/Automático) permite duas posições estacionárias.com/default.28. http://www.28 Fig. Conforme se pode verificar. a válvula 5/2 de comando manual. Logo que o manípulo coloque a válvula na posição “Automático”. Edição da Fundação Calouste Gulbenkian [3]. Fig. Método sequencial para automatização electro-pneumática.Circuito pneumático (ciclo manual-automático) Considere o circuito representado na Fig.28. Site do fabricante de automatismos ASCOJOUCOMATIC. Componentes pneumáticos de automatização.1. Edição da Fundação Calouste Gulbenkian [2]. José Novais (1991). enquanto que a linha de alimentação dos sensores de fim de curso a0 e a1.pt/ 17 .29 representa a versão electropneumática do circuito representado na Fig. visto que a0 e a1 passam a estar alimentados por ar comprimido enquanto que as botoneiras manuais passam a ficar fora de serviço.ascojoucomatic. FLUID PNEUMATIC EQUIPMENT. está à pressão atmosférica (escape). O estado correspondente à posição “Manual” vai alimentar os botões “Avanço”. 2ª edição. José Novais (1995).

Esquema de uma instalação de distribuição de ar comprimido a bordo de um navio Fig. Esquema de ar de arranque de uma instalação Diesel. (Fonte: MAN-B&W). 18 .

modelo RTA) 19 .Esquema de ar de arranque por ar comprimido a) Válvula de ar de arranque 2) Esquema de funcionamento do circuito de ar de arranque (SULZER.

SIMBOLOGIA DE CIRCUITOS PNEUMÁTICOS (Nota: Simbologia obtida a partir da ref.[4]) 20 .ANEXO.

21 .