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Adorno e Horkheimer no texto conceito de iluminismo apresentam a contradição desse

pensamento, que pretendia libertar os homens dos mitos, mas causou o inverso, os aprisionou
em novos mitos. Este é o objeto dessa resenha, apresentar os argumentos desses autores,
mostrando como ocorreu esse nova forma de dominação.
O Iluminismo, como um pensar que faz progresso, teve como objetivo livrar os homens do
medo e de fazer deles senhores, livrar o mundo do feitiço, dissolver os mitos e anular a
imaginação, pretendia fazer tudo isso através do saber.
Adorno e Horkheimer iniciam citando Bacon, “o pai da filosofia experimental”, ele critica a
tradição Escolástica dos que tem aversão a dúvida, o receio de contradizer, pois diz que essas
e outras causas semelhantes impediram que o entendimento humano fizesse um casamento
feliz com a natureza das coisas. Adorno e Horkheimer compreenderam que Bacon captou
muito bem a ciência que se seguiu a ele, o entendimento que venceu a superstição deve ter
voz de comando sobre a natureza desenfeitiçada, pois o saber que é poder não conhece
limites e a técnica é a essência desse saber.
No entanto o iluminismo tornou-se mito, pois em vez de libertar os homens ela os aprisionou. A
demonstração dessa substituição se faz evidente no texto nas seguintes passagens:
As categorias, nas quais a filosofia ocidental determinara sua eterna ordem da natureza,
marcavam os lugares, antigamente ocupados por Ocnnos e Perséfone, Ariádine e Nereu. (...)
pelas idéias platônicas, o logos filosófico finalmente também toma conta dos deuses patriarcais
do Olimpo. ADORNO E HORKHEIMER (1985, p 20)
Por conseqüência do iluminismo a razão se instrumentaliza e o que não se ajusta às medidas
da calculabilidade e da utilidade é suspeito para ele. Foi a lógica formal a grande escola de
uniformização, que ofereceu aos iluministas o esquema da calculabilidade. O pensar se
coisifica no processo automático, o homem compete com a máquina que ele próprio produz
para que esta possa finalmente substituí-lo.
O iluminismo deixou de lado a experiência clássica de pensar o pensamento, a reflexão, a
razão se torna uma ferramenta, um mero instrumento auxiliar do aparato econômico.
Para o positivismo, que ocupou o posto e juiz da razão esclarecida, uma digressão pelos
mundos inteligíveis não é mais apenas proibida, mas é vista como uma tagarelisse sem
sentido. O positivismo - para a sua felicidade - não precisa ser ateísta, pois o pensamento
reificado não pode nem
mesmo pôr a questão. ADORNO E HORKHEIMER (1985, p 43).
As massas não conseguem perceber a situação em que se encontram, pois apresentam
“incapacidade de ouvir o que nunca foi ouvido, de paupar com as próprias mãos o que nunca
foi tocado”, é uma nova forma de dominação que supera qualquer forma de dominação mítica
vencida. Com a propagação da economia mercantil burguesa, o mito é superado pela razão
calculadora iluminista e daí se tem como conseqüência uma nova barbárie.
No texto é feita uma analogia entre os remadores do mito de Ulisses e os trabalhadores da
fábrica moderna, “os remadores que não podem falar entre si são atrelados, todos eles, ao
mesmo ritmo, tal como o trabalhador moderno, na fábrica, no cinema e na sua comunidade de
trabalho.” São as condições concretas de trabalho na sociedade que impõem o conformismo.
No caminho que vai da mitologia a logística, o pensar perdeu o elemento da reflexão sobre si e
hoje a maquinaria mutila os homens mesmo quando os alimenta. O iluminismo se perdeu no
seu momento positivista.
O iluminismo ao mesmo tempo em que pretendia livrar os homens da dominação dos mitos
para fazer deles senhores e livrar o mundo do feitiço, acabou por lhes aprisionar, pois no
iluminismo a razão se instrumentaliza, o pensar se coisifica, o homem deixou de lado a
experiência clássica de pensar o pensamento, a reflexão, a razão se torna uma ferramenta, um
mero instrumento auxiliar do aparato econômico.
Postado por Eu às 01:31