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REFERENCIAL TEÓRICO

A tradução, de acordo com Rivers e Temperley, tem sido “ No ensino de línguas (...) em diferentes
momentos, ora um elemento aceito, ora controverso, dependendo dos objetivos dominantes e das
preferências dos professores” (Apud. Costa, 1988: 283)
Apesar dos estudos sobre tradução e ensino de línguas não serem tão recentes foi possível
encontrar, através de uma pesquisa bibliográfica, alguns estudos publicados em livros e na forma de
artigos que analisam os aspectos pertinentes sobre o assunto.
BASSNET (2003) apresenta uma história da tradução na qual reconhece esta como instrumento
para um enriquecimento natural e desejável da língua, apresentando a tradução, inclusive, como um
assunto discutido por pensadores como Cícero e Horácio. Ela menciona ainda que na Roma antiga o
fruto da tradução era uma versão baseada no texto “original” e considerado como uma produção
literária romana, e não somente uma cópia do texto grego.
JAKOBSON (2005) apresenta os três tipos de tradução: “interlingual, intralingual e intersemiótica”,
terminologia essa utilizada ainda hoje para se falar de tradução como ato comum entre os seres
humanos.
FERREIRO (1993) fala da aquisição da escrita por parte de crianças pequenas como construção,
sendo que isso “... implica reconstrução.” WILLS (1999) também usa esse termo ao afirmar que a
tradução é uma atividade lingüística de recriação. Já PAZ (1991) apresenta tradução e a criação
como “gêmeas”, e acrescenta que: “Cada texto é único e, simultaneamente, é a tradução de outro
texto...”.
Com isso concorda FREIRE (2005:67) também apresenta ponto semelhante, afirmando que “a
educação e o conhecimento [são] processos de busca”, e ainda continua dizendo que só há “saber na
invenção, na reinvenção”, processos também presentes no exercício da tradução.
CAMBOURNE (1988:33) fornece um modelo de aprendizado da leitura e escrita (literacy) de
forma esquemática, em que se vê sete itens importantes no que diz respeito a aquisição de tais
habilidades. São esses itens: imersão, demonstração, expectativa, responsabilidade, uso,
aproximação e resposta. Todos esses itens são encontrados no ato tradutório, sendo esse, então, um
exemplo de atividade cognitiva.
WIDDOWSON (1979:111) afirma que “a aprendizagem de uma língua estrangeira deveria ser
apresentada não como uma aquisição de novo conhecimento e experiência, mas como uma extensão
ou uma realização alternativa do que o aluno já sabe.” (tradução nossa).
DEPAULA (2005), pesquisadora do Núcleo de Tradução e Estudos Interdisciplinares – UFES

. sendo ela mesma a responsável pelo projeto “5ª habilidade: tradução e ensino”. VYGOTSKY (1998) afirma que aquilo que um individuo é capaz de realizar assistido por outro.investiga as relações entre tradução e ensino de línguas. seja um parceiro ou um instrutor ou até mesmo instrumentos representa uma habilidade intelectual do indivíduo. Seu trabalho tem muito a acrescentar a essa pesquisa.