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Estudos Literários

Unidade 6

Criação Literária

o ato criador era um ato excepcional e independente da vontade do escritor. Os gregos possuíam uma concepção mítica da realidade.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix> . e fatores decorrentes da natureza (o clima.wikipedia. influenciado por fatores externos: fatores sociais (políticos.Criação literária • Como o artista cria suas obras? • Quais são suas motivações? • Por que o texto literário é criação? Evolução das ideias a respeito da criação literária Antiguidade clássica Para os gregos. XVIII) Com o Racionalismo e as ciências da natureza e da sociedade. Idade Média Também acreditava-se na inspiração divina. começou-se a admitir que o ato criador do escritor (e de todos os artistas). a paisagem. eram inspirados pelas Musas (entidades sobrenaturais). as raças). em particular os poetas. Fonte: Disponível em <http://pt. nada tinha de sobrenatural: era apenas um tipo de comportamento humano. econômicos. na qual os escritores. morais). Idade Moderna (séc.

sejam as mais adequadas para transmitir os sentidos que pretende ao leitor.jpg> acesso em 20/05/2009 Ideias contemporâneas sobre a criação literária Ideias contemporâneas • 1° o escritor realiza um trabalho com ideias e sentimentos (conteúdo) e linguagem (forma ou expressão). em sua visão. Escolhe as palavras que. sua época) e passaram a cogitar a natureza singular do estado psíquico que produzia uma obra literária. • experiências afetivas de sua vida pessoal. relê. suspense. Fonte: Disponível em <http://donsmaps. lê o que escreve. rascunha ideias que lhe surgem. rabisca.html> acesso em 20/05/2009 • Final do Século XIX Surgem os estudos de Psicanálise. refaz. escreve. os teóricos da literatura desinteressaram-se do estudo das realidades que eram externas em relação ao escritor (sua raça. o meio ambiente (físico e social) e o momento histórico. •etc • 2° o autor seleciona as ideias e os sentimentos que deseja comunicar. ponto de vista narrativo. rasura.• Século XIX: “teoria das influências na obra de arte”: tanto o comportamento do escritor quanto sua obra eram produtos da influência de três fatores: a raça. • 3° O escritor faz anotações. • textos da própria literatura que lhe precedeu ou que lhe é contemporânea.) que contribuirão para provocar o efeito estético nos leitores. reescreve até se dar por minimamente satisfeito com a forma e o resultado final de seu trabalho. . • observação da natureza. corrige-se. tensão. • fatos cotidianos. sentimentos e linguagem lhe vêm de diferentes fontes: • acontecimentos históricos que vivenciou ou sobre os quais leu.edu/mih/images/Freud. seu meio. rimas. surpresa. Em consequência. com investigações sobre o subconsciente e o inconsciente. etc.com/hoax.bu. Define os outros recursos expressivos (ritmo. O autor é um ser histórico cujas ideias. Fonte: Disponível em <http://www.

1969. e lima. como um templo grego Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. gêmea da Verdade Arte pura.) Promana = brota. Olavo Bilac . 63-64. “A imaginação criadora do poeta — tomada esta palavra num sentido amplo. E natural. O que dizem os escritores sobre o processo de criação? A um poeta Longe do estéril turbilhão da rua. É a força e a graça na simplicidade. na paciência e no sossego. Leia o texto abaixo e comente-o a partir das ideias que acabamos de ver sobre o processo de criação literária. o efeito agrade Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza. e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço: e a trama viva se construa De tal modo.• 4° O critério para decidir se a obra está pronta pode ser o efeito que se pretende causar no leitor ou a própria satisfação pessoal do autor com o que escreveu. Trabalha e teima. inimiga do artifício. p. que a imagem fique nua Rica mas sóbria. e que não tem as fontes misteriosas que os românticos procuram dar-lhe.” (ANJOS. provém. que abrange o criador da obra literária em verso ou em prosa – afigura-se a Dilthey como um fenômeno que promana da vida de todos os dias. Beneditino escreve! No aconchego Do claustro. e sofre.

de Carlos Drummond de Andrade. Tua gota de bile. Para ele. deixa-a em paz. que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. os incidentes pessoais não contam. Não é música ouvida de passagem: rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma O canto não é a natureza nem os homens em sociedade. Não há criação nem morte perante a poesia Diante dela. fadiga e esperança nada Significam A poesia (não tires poesia das coisas) elide sujeito e objeto . a vida é um sol estático não aquece nem ilumina As afinidades. O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas. os aniversários. tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes Nem me reveles teus sentimentos. Não faças poesia com o corpo. A procura da poesia Não faças versos sobre acontecimentos. chuva e noite. completo e confortável corpo. esse excelente.INTERATIVIDADE • Leia o poema a seguir. isso ainda não é poesia Não cantes tua cidade. O que pensas e sentes. tão infenso à efusão lírica. • De acordo com o texto. como é caracterizado o processo de criação literária? • Comente trechos do poema para justificar sua resposta.

não indagues. Não recomponhas tua sepultada e merencória* infância (*melancólica) Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação Que se dissipou. Carlos Drummond de Andrade . sem interesse pela resposta pobre ou terrível. não era poesia Que se partiu. se te provocam. cristal não era. as palavras. Não colhas no chão o poema que se perdeu. Aceita-o. superstições) Desaparecem na curva do tempo. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Tem paciência. é algo imprestável. se obscuros. rolam num rio difícil e se transformam em desprezo. teu sapato de diamante. Não percas tempo em mentir Não te aborreças Teu iate de marfim. mas não há desespero há calma e frescura na superfície intata Ei-los sós e mudos. Ainda úmidas e impregnadas de sono. *crendices. elas se refugiaram na noite.Não dramatizes. vossos esqueletos de família. Espera que cada um se realize e consuma com seu poder de palavra e seu poder de silêncio Não forces o poema a desprender-se do limbo. Não adules o poema. Penetra surdamente no reino das palavras. Chega mais perto e contempla as palavras cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta. antes de escrevê-los. não invoques. vossas mazurcas* e abusões*. como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. em estado de dicionário. que lhe deres: Trouxeste a chave? Repara: ermas de melodia e conceito. (*dança polonesa. Convive com teus poemas. Calma. Estão paralisados.

parágrafos inteiros descartados. FIGUEIRA. de uma vez só. devem atentar para o risco de divulgar uma concepção mistificadora do processo de escrita. .Desmistificação da criação literária • Caracterizar o processo de criação literária como algo espontâneo. sobre regras gramaticais. sobre os assuntos de que vamos tratar). 2011. porque acreditam nessa ideia de que certas pessoas privilegiadas com o dom de escrever conseguiriam compor um texto num passe de mágica. sem explicação racional é leviano e pedagogicamente prejudicial.129) • Escrever é sempre reescrever. reelaborar. rasuras. 2011. sem contar as folhas jogadas fora. p. (BENEDETTI. para escrever. Tal concepção coopera para desestimular aqueles que sentem dificuldades (sempre naturais e esperadas) no processo de composição de seus textos. dedicação. é algo a ser continuamente trabalhado e desenvolvido ao longo de toda a vida (e não apenas durante os anos de escola). refazer. autocrítica. sem sofrimento. misterioso. (BENEDETTI. p. é preciso ter um dom especial. que é um trabalho de paciência.128) • Os professores de línguas (materna ou estrangeira) e de literatura. • Basta que tenhamos acesso a manuscritos de geniais escritores para nos convencermos disso: nos manuscritos. FIGUEIRA. 2011. acaba se chocando contra as exigências do mundo moderno. concentração. sem realizar autocorreções e revisões do texto. a competência para escrever é algo a ser adquirido por todo e qualquer indivíduo. paciência. responsáveis por formar o sujeito enquanto produtor de textos. (BENEDETTI. a escrita é uma atividade que tem sido privada das condições ideais para sua realização. FIGUEIRA. pesquisa (sobre significado de palavras. sem cometer erros. encontramos uma série de rabiscos. é preciso ter nascido com uma predisposição para a escrita – quando.128) • Muitos indivíduos se frustram com sua escrita. p. 2011. sem obstáculos nem dificuldades. (BENEDETTI. a escrita. p. mais do que nunca. FIGUEIRA. • Nos dias de hoje.128) • A escrita é uma atividade que exige tempo. pois se divulga a ideia de que. expressões substituídas. na verdade. autoavaliação. palavras trocadas. esforço. Isso não passa de mito. como vivemos num mundo em que a velocidade dá o tom da vida cotidiana.

Enquanto todo mundo Espera a cura do mal E a loucura finge Que isso tudo é normal Eu finjo ter paciência. O mundo vai girando Cada vez mais veloz A gente espera do mundo E o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência.. Será que é tempo Que lhe falta para perceber? Será que temos esse tempo Para perder? E quem quer saber? A vida é tão rara Tão rara.. descanse. Não há atividade. a vida não para A vida não para não... de Lenine e Dudu Falcão. • Não há nenhuma questão para ser respondida. Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma Eu sei. relaxe. Apenas ouça a música. Paciência Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma A vida não para....... Enquanto o tempo Acelera e pede pressa Eu me recuso faço hora Vou na valsa A vida é tão rara.MÚSICA • Ouça a canção Paciência. ..

.. Mesmo quando tudo pede Um pouco mais de calma Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma Eu sei..Será que é tempo Que lhe falta para perceber? Será que temos esse tempo Para perder? E quem quer saber? A vida é tão rara Tão rara.. O leitor perante a literatura Como nos tornamos leitores? Que tipo de educação se deve ter para se tornar leitor? A educação literária do leitor . a vida é tão rara A vida é tão rara.. A vida é tão rara..

o leitor a recria. O direito de ler em qualquer lugar 8. 2007. o autor não escreveu para vocês. pois a literatura é rica o bastante para oferecer-lhes algum autor que seja digno de sua atenção.192) • A “Projeção Empática” (FIGUEIRA. • Os limites da interpretação são determinados pelo texto e pelo contexto. 2007): • antes de recusar uma obra.a poesia é algo que se sente. O direito de ler uma frase aqui outra ali 9. deslocando-nos de nossa posição para tentar enxergar a partir da posição (da perspectiva) do outro. O direito de não ler 2. O direito de se calar Daniel Pennac A sabedoria e a tolerância do leitor perante a literatura • A “Projeção Empática” (EAGLETON. • A recriação da obra pelo leitor (sua interpretação) tem limites... 2006. O direito de pular páginas 3.A liberdade do leitor perante a literatura “. se uma história não os leva ao desejo de saber o que acontece depois. p.. p. O direito de reler 5. Deixem-no de lado. O direito de ler qualquer coisa 6. O leitor como recriador da obra • O autor cria a obra. por preconceito ou incompatibilidade. O direito de não terminar um livro 4.. e se vocês não sentem a poesia.” (FIGUEIRA.111): • operação que o leitor deve realizar para superar a distância temporal existente entre o intérprete do presente e o texto do passado. se não têm um sentimento de beleza. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível) 7. • consiste em “compreender o texto do passado com base no conhecimento das condições históricas em que ele foi produzido. . devemos nos esforçar para tentar entender o ponto de vista do autor. O direito de ler em voz alta 10.” Jorge Luis Borges 1.

° — Ler. retóricas ou poéticas. Conclusões sobre a Criação literária 1.° — Adquirir noções gerais da História das literaturas.A formação do professor de literatura e do crítico literário • 1. para compreender os critérios com os quais se julgam as obras. históricos e ideológicos que influenciaram a composição das obras. • 2. se quiserem apreciar (e aprender com) sua literatura. mas uma construção feita com a linguagem verbal. que podem contribuir para nossas interpretações e reflexões. . os mais variados materiais (literários e não literários). • 4.° — Adquirir noções básicas de Teoria Literária. • 3. o autor tem sua liberdade criativa e os leitores devem procurar compreendê-lo. com emoções e com saberes que fazem parte do universo sócio-histórico-ideológico do autor. 5. perceber os elementos sociais. A "arte de escrever" não é um conjunto de regras gramaticais. frequentemente.° — Adquirir noções básicas de Análise Literária. 2. para elaborar interpretações mais profundas na compreensão de uma obra. Um autor não precisa se submeter às exigências do gosto e da compreensão do público.° – Adquirir noções básicas de Crítica Literária.

2007.br/lep/arquivos/dissertacoes_e_teses/dissertacao_luisfernan do.Leitura e produção .pdf . dos. B. • BENEDETTI. Estudos Literários. C. Bahia: Publicações da Universidade da Bahia. Disponível em: http://www. A criação literária. F. ed. B.Referências • AMORA. São Paulo: Cultrix. L. S. T. Letras . Introdução à teoria da literatura. C. 6. São Paulo: Martins Fontes. Teoria da literatura: uma introdução. • EAGLETON.ufu. In: BENEDETTI et al. 1973. 1969. Dissertação de mestrado. FIGUEIRA. L. Trad. 2006. • FIGUEIRA.2. Atravessamentos polêmicos em estudos literários. F. • ANJOS.Módulo 1. Ribeirão Preto: COC. A. UFU.ileel. Waltensir Dutra.. R. 2011.