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ARCHIVO

JUDICIÁRIO

PUBLICAÇÃO QUINZENAL

DO

JORNAL DO GOMMEHCIO

FUNDADO E DÍRIGIDO PELO DESEMBARGADOR EDGARD

COSTA

VOLUME

LI

(Julho, Agçísto © Setembro)

1939

OO

/>-

‘S*

-v-

-

RIO

DE

J A NE IR O

Jornal do Commercto" RODRIGUES & CIA.

--------- —

1

9

3 9 -------------

INTRODUCÇÃO

AO

SOCIAL

DIREITO

€onferencia

proferida

pelo

Prof.

CESAR1NO

JUNIOR,

cathedratico

de

Legisla­

ção

Social,

da

Faculdade

de

Direito, da Universidade de São Paulo, na sala

“ João Mendes

Junior” ,

da

mesma Faculdade,

em sessão de insta Ilação

do

INSTITUTO DE DIREITO SOCIAL

"Malgré

tout

et après tout,

ie XXe. siècle será toujours

l e

siècle du

droit” .

J o s s e s a n d .

*0 SÉCULO XX

E O DIREITO

do, seguem-se épocas de negação do Estado pelo

indivíduo. Poderão estar certas essas correntes

y y

"Apesar de tudo e depois

de tudo,

o

século

gerá sempre o século do direito”

— disse-o

extremadas? Evidentemente não, pois que exce­

dem a posição de equilibrio.

J

o s s e b a n d ,

um

dos

mais

formosos espíritos

da

aetaial geração de juristas francezes.

Não importa que

a

época

moderna

seja

toda ella plena de terríveis contrastes;

não im­

O EQUILIBRIO

SOCIAL,

PREMO

OBJECTIVO SU­

porta

que,

ali

ou

alhures, triumphe momenta­

O

equilibrio,

a

ordem,

a

paz,

a segurança

neamente o direito da força

direito;

tas

nos

e

não

a força

do

não importa que aberrações não

dêm

a impressão

inédi­

de estarmos retroce­

eis o objectlvo principal da sociedade,

conseguil-o

r ue

surgiu

o

Direito,

é

Foi para

para

me­

lhorai-o que existe a Moral, é para elevai-o que

dendo a periodos

violações

eatuantes

de barbárie.

se

faz

sem

Nenhuma destas

provocar ondas

que,

em­

de direito

de protestos,

a demonstrar

vive

a

Religião,

pqr

Isso

mesmo

que,

bemaventumnça suprema, ella promette

eterna.

como

a

paz

bola

ferido,

não

obstante

por

vezes ignorado,

está vivo

"malgré

tout et après tout” , o direito

e bem vivo.

Poi,

portanto,

para

conseguir

o

equilibrio

es,sa

realizado

social

que surgiu o Direito.

Si surgiu com

a tenha

finalidade, não se segue que

desde logo.

ao primeiro

jacto.

Longo foi o ca­

minho

percorrido,

longa

é

ainda

a

Jornada

a

A LEI PENDULAR DA

HISTORIA

Não

ha

negar

estejamos

face

profundos contrastes,

que

em

de

de antinomias

de

profundas.

“uma

civi­

Terão razão Kiljpatrik ao falar

lização em mudança” ? ou Berdiaeff ao reíe-

rir-se

a

“uma nova

idade

média” ? Seria diffl-

perfazer.

ComtiMo, a contemplação dos resulta­

dos obtidos é um conforto para "animar-nos a/os

esforços a dispender.

A

IGUALDADE

ANTHROPOLOGIOA

cil

precisar

o

rumo

humanidade, ■ Aliás,

que

segue

da

a curva

aetualmente

a

Historia, ainda

estabelecemos

em

quasi

toda

a partfi

(embora perversões moderna^ do senso Jurídico,

não se sabe bem qual seja. Os “çorsi rlcorsl”

de

Be

Vioo?

a

espiral

Greef? Para mim,

de

na

Hemder ?

a

realidade,

hélice

de

no

evolver

humano, só vejo acção e reacção, quasi que

uma lei pendular,

cial,

a

lei

de

por isso que, em matéria so­

estaria

errada:

a

toda

Newton

a soldo

de

interesses

inconfessáveis,

visem

an-

null&r estas conquistas), o principio da igual­

dade anthropologica dos homens, de modo a não

distinguir,

nos pela

outros

quanto

côr

da

aos

pelle,

direitos, os seres

a forma

do

suppostoe

huma­

ou

pa­

cabello

A

característicos

raciaes.

ticção

corresponde

uma reacção, sim,

mas, “de­

sigual” e de sentido contrario.

Por isto se exce­

de sempre a posição de equilibrio, que é a unica

a que deveriamoe aspirar.

Contemplae

a

Historia. Que nos mostra

lavra de paz do Chrlstianlsmo, quasi dezoito sé­

culos antes da Revolução Franceza, já havia af-

firmado. de um modo mais simples e por

isso

mesmo mais verdadeiro, mais humano, do que

ella, a fraternidade

entre os homens,

o

que

ella? A luta entre o materialismo e o espiritua- liamo; entre o dogmatismo e o sceptlcismo; entre

vale dizer, a sua igualdade e liberdade.

da

expansão

grandiosa

dessa

E, mer­

su­

doutrina

o mcionaliemo e o empirismo; e, na ordem so­

cial, entre o individualismo

e

o

socialismo.

A

periodos de absoípção do indivíduo pelo Esta-

blime,

dentro

em

desappareceu

a figura odiosa do instituto da escravidão, aftin

de que pudesse firmar-ee, na legislação, o prin­

pouco

das

leis

(75)

36

ARCHIVO

JUDICIÁRIO

(SUPPLEMENTO)

'5- 8-39

c

ip i o

d e

h õ m e m

G r o g iOj

d e

K

a n t ,

d e

n ã

o

d e v e

c o n s id e r a r

c

o m o

m e io s

e

s im

c o m o

f in s .

I h e r i n

os

g , o u t r o s

d e

q u e

o

h o m o n s

A

IGUALDADE

JURÍDICA

Mas,

si

na

M

não havia

senhores e

escra­

vos, havia-os ainda na pratica. Os homens dos

palzes ditos civilizados se dividiam em classes

mais ou menos estanques, privilegiados e não

privilegiados.

As idéas

causaram

a Revo­

lução Franceza, as idéas — repito-o — que não

a Revolução, por isso que as revoluções somente

destroem

tiva,

ram

as

esta

e

unicamente

a

evolução

Franceza

é construc-

modifica­

idéas dn Revolução

situação,

extinguindo

desiqullibrio

o

mas do

nasci­

social resultante, não já da raça,

mento, de fórma a não haver mais, por esse m o­

tivo, privilegiados e não privilegiados. Attin-

giu^se então .o equllibrio social? Não, porque a

\ Revolução

\ predominio

Franceza

da

não

nobreza

fez

pelo

sinão

substituir

da

burguezia.

o

A’

que

s u p e r io r id a d e

r a c ia

l

s e

h a v ia

s u b s tit u íd o

a

h e -

i

g e m o n i a

da.

e s tir p

e

e

a

o s ta

s o b r e p u n h a - s e

a g o ­

r a

a

d o

c a p it a l.

A

DESIGUALDADE

ECONOMICA

Sobrepunha-ae, porém, de um modo bár­

A eterna questão

dos

ricos

e

dos pobres

baro.

se aggravava de um modo terrível, A própria

mentalidade de classe dominante não era mais

a do orgulho da raça — o “Civis romanus sum” ;

não era a do orgulho da progenie illustre,

erradas embora, sempre encerravam algo de res­

peitável, por terem algo do espiritual. Era uma mentalidade purn e baixamente materialista,

em

que

o

afan de

lucro,

o

appetite dos gozos

sensuaes proporcionados pela fortuna, obnttbi-

lavam

toda

todo

e

e

qualquer

qualquer

sentimento

superior,

ao

consideração

humanitária,

ponto de realizar-se, no dominio economico, o

rtbellum omnlum contra omnes” ,

Os

homens

que,

era meios o não mais fins. O "homo oeconomi-

cus" desconhecia a moral e multo mais a reli­

gião. Não o preoccupava o “honéstum” , só lhe

interessava o "licitum” , porque só a violação da

lei era materialmente lhe importava.

coercivel e

a matéria

AS

REIVINDICAÇÕES

DO

PROLETARIADO

i

Assim, a reacção da burguezia contra a no-

breza havia excedido a posição de equllibrio e,

{

i

portanto, de accôrdo com

a lei pendular,

deyia

1 tambem provocar uma reacção da parte dos pre­

judicados

com

os excessos

dos privilegiados.

E

ella veiu, e terrível.

O proletariado, filho da in­

dustrialização crescente e da concentração ur­

bana dos trabalhadores; o proletariado, compos­

to dos que mourejavam nas minas mortíferas

e nas fabricas insalubres, não de sol (nascen­

te) a sol (poente) como no trabalho saudavei

dos campos,

nascente;

0

mas

quasi

de

sol

nascente

por

a

soi

indivi-

proletariado,

formado

duos esfaimados por um salário miserável; ver­

dadeiros frangalhos humanos, que só a fra­

queza differencava das peças dos machinismos

monstruosos, que multas vezes lhes tiravam a

vida ou lhes mutilavam o corpo; o proletariado,

integrado pelas “meias forças” , das mulheres e

das crianças que a cupidez dos industriaes apro­

veitava,

sem

sem

respeito

pela

pela

fraqueza

do

da

compaixão

inexperiência

sexo

idade;

e

o

proletariado, depois de muito explorado, de

muito humilhado, compreendeu, msr-cê da

tação,

nem sempre

bem

intencionada, de

pertencentes

a

sua

união

forças,

a

lectuaes

classe

mittiria

pôr

aos

frequentemente

privilegiada,

faz-r

das

que

fraquezas,

sinão

privilegiados,

exor­

intel-

á própria

lhe

de

per-

im~

eco-

igualdade

nomica,

pelo

menos

o melhoramento de suas

á posi­

condições,

E, ainda, uma, vez a reacção excedeu

ção' de equilíbrio. o proletariado excitado por

esse

conjunto

de

theorias,

mas

realização

algumas

mais

ou

menos

que

mal

acertadas,

exigindo

quasi todas exageradas*

de socialismo,

o

das ■ reivindi­ mais utópica

ou bem se chamam

se

lançou

a

proletariado

cações,

no campo

da

das utopias — a effectivaçao da igualdade abso­

luta entre os homens, neste mundo em que, do

ponto de vista humano, nada existe

luto.

de abso­

E assim, á oppressão dos patrões, que con^

tinuava

a

oppressão

existir, "Se

dos

operários,

oppoz

uma

verdadeira,

vez

á

levando

muita

destruição, ao terrorismo,

como se verificou,

para provar ainda uma oocasião que as revolu­

ções

E;

não

constroem, na Russia

se esboça,

bolchevista.

mia tentativas

totalitarlas,

maximé na “Lei allemã sobre o ordenamento do-

trabalho

como

nista,

nacional” ,

uma

todas

á

onda

as reacções, ao

de

anarchia,

o mundo.

reacção, exagerada^

soçialismo commu-

que

ameaça

varrer

OS ESFORÇOS PELA PAZ SOCIAL

Mas, nesse tumulto, nesse entre chocar de

ambições nessa lutà de interesses, nenhum es­

forço tera surgido para deter o pêndulo da His­

toria, para afastal-o das situações extremadas,

para reconduzil-o á sua posição de equilíbrio?

Sim, esse esforço eurglu e

de

immobiliaar

Historia,

pelo

conseguiu o mi­

completamente

menos

de

o-

diminuir

lagre, sinão

pêndulo

da

a amplitude de suas osclllações, dc modo a fa­

zer-nos esperar, sinão attingir

a

posição

de

equilibrio, pelo menos approximar-nos bastan­

te

delia. Nem todos os intellectuaes

que orientavam,

as massas proletarias, eram méros agitadores in­ conscientes, desinteressados das eonsequencias.

derradeiras de suas pregações. Nem todos os-

capitalistas tiveram tao empedernidos os cora­

ções, ao ponto de se negarem a reconhecer a

gravidade da situação provocada por seus pro-

prlos excessos.

Nem todos os governos levaram

a tal gráo o seu commodismo antintervencionista„

ao ponto de se absterena totalmente de conceder

alguma protecção aos economicamente fracos,

mesmo em detrimento das illegitimas regalias

da classe dominante, de que elles mesmos eram

oriundos.

A

CARTA

CHRISTA DO TRABALHO

Mas, o esforço supremo para reconduzir a

sociedade ao justo equilibrio, para fazer cessar

a luta de classes, surgiu de • onde necessaria­

mente devia surgir; “Roma locuta, est” . A en-

cyclica “Rerum Novarum” , do inclito Leâo xiii,

uma verdadeira Carta Chrístã do Trabalho,

abordou corajosamente a questão, descrevendo

com vigor e precisão o quadro terrível da eco­

nomia do seculo XIX, mostrando os deveres que incumbem a patrões e operários e fulminando,,

com absoluta imparcialidade, tanto as oppres-

sões dos primeiros, como as exigencias desca­

bidas dos segundos,

O DIREITO NOVO

E

então

Santo

surgiu

Padre

um

Pio

direito

X I.se

novo,

a

que

o

nesta

proprio

referiu

passagem de sua encyclica “Quadragésimo An~ noV; <JDe tal continuo e indefesso labor surgiu

um novo ramo

de disciplina

juridica

de todo

de­

dos.

di­

que-

desconhecido nos tempos passados, o que

./fende vigorosamente

/ trabalhadores,

direitos

gnidade de

homens

os

e

que

de

sagrados

lhes

direitos

da

provêm

pois

christãos,

essas leis se -propõem a protecção dos interesses-

(TO)

5- 8-89

ARCHIVO

JUDICIÁRIO

(SUPPLEMENTO)

37

dos trabalhadores, maximé

das mulheres

e

das

doutrina; que estimular-lhe devidamente a ap-

crianças;

a

alma, a saude,

as forças,

infortúnios

a fatniya,

do

traba­

plicação, vencendo “Fortiter in re, suaviter ia

a

casa,

as

officinas,

os

modo” , as resistenoias

que

se

lhe

opponham,

lho;

numa

palavra:

tudo

o

que

diz respeito

vida e á família dos trabalhadores” .

&

e

finalmente,

que

o desenvolvimento.

orientar-lhe

ponderadamente

A CARTA INTERNACIONAL DO TRABALHO

v Obtido

o

apoio

da

maior

força

moral

do

mundo, esse direito novo progrediu rapidamen­

te, ao ponto de, após a mais terrivel das lutas,

quando a humanidade parecia estar a pique de entredevorar-se, ap pareceu elle redivivo, trans­

formado na "Carta Internacional do Trabalho” ,

do Tratado de Versalhes, cujos artigos encerram

princípios cuja fonte está nás magistraes li­

ções da “Rerum Novarum” .

Dil-o

Pio

xi, ainda

na “Quadragésimo An-

no’ ’ : “Entre as normas dadas para regular o

trabalho dos operários, segundo a justiça e a

equidade, elles

clpaes potências)

(os homens de Estado dai prin-

adoptaram

um

grande nume­

ro .de disposições em tal accôrdo com os princí­

pios

e

as diréctivas de

LeÂo xiii, que parece

as

tenham expressamente tirado delle” . E o mes­

mo afíirma Albert Thom&s, com a sua indis­

cutível autoridade de dirsctor da “Repartição

Internacional do Trabalho” :

"Quando nossa

carta declara solenn-ementeA que o trabalho não

deve ser considerado simplesmente como mer­

cadoria, que é preciso periMttir aos jovens tra­

balhadores o seu desenvolvimento physico e in-

tellectual, dar aos operariosMum salario assegu-

rando um nível de vida conVenlente e a liber­

dade de associação syndical, como os catholicos

não gostariam de reconhecer e sublinhai’, no

documento pontificai de 1891, prlncipios e- mes­

mo formulas que se Inspiram nas mesmas as­

pirações mem, sobre
pirações
mem, sobre

generosas

sobre

a

dignidade

do

ho­

os direitos

imprescriptiv eis da cri­

ança, da mulher e do trabalhador a uma parte

equitativa dos bens que elles proporcionam á

sociedade, sobre a legitimidade das associações

e sobre a- necessidade de intervenção do Esta­

do?”

AS REPUOÇÕES DO PARAGUAY

E t o d o s

o

q u e

e s t e s

é

e x t r a o r d in a r ia m

e

n t e

in t e r e s s a n t e :

p r in c íp i o s

e

a t a v a m

j á

r e a liz a d o s ,

m

e s m o

m u

it o

a n t e s

d a

p

u b li c a ç ã o

d a

“ R e r u

m

N o v a r u m ” ,

r a g u a y ,

b r o d©

p e lo s

c o m

J e s u

ít a s ,

n a s a

r e d u c ç õ e s H is t o r ia

R o y :

c o n t r a

d o

e

P l e m

a -

o n d e ,

o

e n s in a

A

iíreeit

l e

s e g u r o s

u m u lh e r

r e c e n t e m e n t e

e

d a

­ " P r o t e c ç ã o

a

v e lh i­

c r e a r iç fy

c

e ,

a

e n f e r m id a d e

lim it a ç ã o

d o

d ia

e

d e

o s

a c c id

t r a b a lh o ,

e n t e s

d o

t r a b a lh o , h e b d o -

r e p o u s o

m

a d a ffio

e

m e s m o

o r ie n t a ç ã o

e n c o n t r a r - s e

s o b

u m a

f o r m a

p r o fis s i o n a l

p o d e m

o r ig

in a l

t o d a s

e s t a

s

c

o n

q

d

e r n

u i s t a s ,

a s ”

.

d e

n o s s a s

l e g is la ç õ e s

s o e la e s

m

o

­

Como fazia Colbert diante de sua mesa de

trabalho quando a via pejada de papeis, a re­

presentarem outros tantos casos a resolver, o

estudioso das sciencias jurídicas póde esfregar

as mãos.de satisfeito!

FINALIDADE DO

INSTITUTO

SOCIAL

DE DIREITO

E’

com

a elevada

finalidade

de

contribuir

para. a solução de todos esses problemas

installa ‘hoje

o

“Instituto

de

Direito

que se

Social” ,

constituído por um pugillo de cultores de “Te-

mis” , que visam, sob a égide tranquilllsadora

da doutrina social catholica, dedicar-se ao estu*-

do e á actuação do novo direito, Entretanto, tv denominação adoptada pelo

Instituto,

so,

a

implica,

desde

ao

logo,

compromis­

um

a attribuir-sp

jurídicas

pelo menos

esse

“calouro”

quanto

das

nome

sciencias

permitti-me a expressão que, “sub tegmine ar-

cadarum” , reveste caracter protocollar ...

Denomlnamol-o, nós do Instituto, Direito

Social. E porque o fazemos? Não, por certo, pela

ignorancia da çliversidade enorme de nomes a

elle propostos, mas pela convicção profunda dó

que este appelldo — Direito Social —■ melhor se

coaduna com o conceito hoje mais ou menos

geralmente acccito para a nova disciplina jurí­

dica, por isto que cm regra as suas differen-

tes denominações têm correspondido aos varipa

conceitos que delle formulam os juristas.

O DIREITO OPERÁRIO

Assim, ÇQ m o

: tiv e r a m

e m

v is t a

a s

o

p r im e ir a s

m e d id a s

das

m e lh o r a m e n t o

le g a e s

c o n

d i ­

ç õ e s

d o s

t r a b a lh a d o r e s

cuja

c

o f fi c

o n d i ç ã o

ia

l,

c

m a n u a e s

e r a

a

das

f a b r ic a s c a r e c o d o r a

p r i n c ip a l­

e

Gri-

e

u s in a s ,

a m p a r o

m

e n t e

do

m a is

m u it o s

S g e l l e ,

a u t o r e s ,

C o

f r a n c e z e s ,

o m o

h e n d y

g a tít,

Dttpust

e

D e s v a u x ;

e s p

a n h o s s ,

c o m o

A

l

­

v

a r e s ,

t o

d e

ção

B l a n c o M o r a e s ,

S

a n t a

M a r ia

e a

e n t r e

n ó s

Operaria ou Direito

e m p r e g a r a m

Operário, p are,

e x p r e s s ã o

E v a iu s -

Legisla­

d e n o m i­

nar

a

n

o v a

d i s c ip lin a .

E n t r e t a n t o ,

n o m in a ç ã o

s e

e

lla

n ã o

t e m

p o d i a r a z ã o

e x p li c a r

d

e

ser,

n o p o i s

s e u a s

s i

e s s a

i n i c i o

,

m e s m a

s

d e ­ h o j e m e ­

d

id a s

r io s ,

d e s e

p r o t e c ç ã o , e x t e n d e r a m

a

n t e s

c o n c e d i d a s a c t u a lld a d e ,

a o s

o p e r á

­

c o n s i d e r a

­

v

e lm

e

n t e

m e

lh o r a d a s ,

a

o u t r a

s

c la s s e s

d e

t r a ­

b a lh

a d o r e s ,

c o

m o

o s

t e c h n i c o s

e

in t e ll e c t u a e s ,

e

n ã o

d a

in d u s t r ia ,

c

i o

e

d a

a g r i c u lt u r a .

a

d

e x p r e s s ã o

“ D ir e

it o

a m e n t e

r e s t r i c t a .

como

t a m b e m

d o

c o m m e r -

E\

p

o r

O p e r á r io ” ,

isto,

In a c c e it a v e l

demasia­

como

PROGRESSO DO DIREITO NOVO

-

O DIREITO INDUSTRIAL

B o novo direito progrediu tanto que qua­

renta annos após a memorável "Rerum Nova-

r m ” , um outro grande Pontífice, Pio xi, lem­

brando a admoestação de

Santo Ambkosio que

Ülzia “não haver nenhum dever maior do que

o

de

agradecer” , podia, com

justo orgulho con­

mundo

gratular-se com a christandade e com o

pela seára opima em que se haviam convertido

as sementes lançadas pelo seu glorioso

ante­

cessor.

Existe,

pois,

um

direito

novo,

vale

dizer,

Um novo campo aberto ás pesquisas dos estu­

diosos do direito, visto como ha que dar-lhe um

nome adequado; que formular-lhe um conceito

precioso; que' traçar-lhe completamente a His­

toria; que registrar-lhe exhaustl vãmente as

fontes; que construir-lhe criteriosamente a

(77)

ou

O

mesmo

se

diga

da

expressão

Direito Industrial, da meema origem,

Legislaçã

usada

por

V e l j e ,

G r e e n w o o d ,

B r y ,

T

y l

C a p it a m

l a

r d

,

P

t a u l

,

e

C u

c h

e ,

H a id a n t

P a u l

P io ,

e, entre

nós,

da

tentes

Aua u t o

ás

F e r n a n d e s .

da

Está ella hoje reserva­

industrial

fabrica,

(pa­

nome

questões

de

propriedade

marca

de

invenção,

commercial,

todas

etc.)

Tanto

as Faculdades de

isto

Direito

é assim,

do

Brasil,

que

em

com

excepção da de

São Paulo,

o

Direito Industrial

é ensinado á parte da Legislação do Trabalho,

embora reunidos ambas na mesma cadeira, sob

a denominação dupla de “Direito Industrial e

Legislação do Trabalho” , ad instar do systema

geralmente, seguido pelas congeneres francezas.

Na

Faculdade

de

Direito

da

Universidade

de São

Paulo,

o

^ireito

Industrial

é

ensinado

  • 38 ARCHTVO

JUDICIÁRIO

(SUPPLEMBNTO)

5- 8-39

 

( juntamente com o Direito Commercial, de que

deriva, o que, pessoalmente, julgo muito mais

acertado.

O DIREITO DO TRABALHO

, ou

Mais felizes seriam os nomes de Legislação

Direito Trabalhista Laborai ou do

Trabalho,

.! usado pela grande maioria dos trabalhistas d«

nossa disciplina jurídica, principalmente italia­

nos 3 allemães, pois permrtte abranger todos os

trabalhadores.

vantam

Mas,

ainda

Diz-se,

contra

por

elles

objecçôes,

exemplo,

se

que

le­

a

nova disciplina se occupa também de situações

não propriamente referentes aos trabalhadores,

1 cprao as normas relativas ás restricções

impos-

j tas ao direito de propriedade, no interesse col-

1 lectivo, as disposições sobre educação social,

amparo aos necessitados, aos menores, ás mu­

lheres, á pequena propriedade, etc, Tal é por

exemplo, a extensão dada á matéria pelo pro-

gramma da Faculdade de Direito dê São Paulo,

que faz da nova disciplina o estudo de "quasi”

toda a activldade social do Estado.

Ademais, visando este ramo do Direito, como

vimos, restabelecer e conservar o equilibrio so­

cial, solucionando a chamada questão "social” ,

muito logico nos parece que se lhe dê exaçta-

mente este qualificativo de "social” , uma vez

que todo equivoco desappareoe, dado o sentido

especial que a palavra tem actualznente. Este

sentido foi posto de relevo pela definição do

“serviço social” approvada na Ia Conferência

Internacional de Serviço

Social

compreende

todo

que tenha por objectivo

tos

oriundos

da

miséria

e

individuo, como

a- familia,

e

Social” .

“O

Serviço /.

esforço '

qualquer

minorar

os soffrimen- ,-

tanto

o .

do

pos-

.

em

que

;

reponduzir

na

medida

sivel, ás normas, de existencia do meio

h&feita” .

Akcá

chama

a

nova

disciplina

Legislação

Sooial explicando:

seja

porque

se

"Social se diz eesa legislação

refere

a

relações

entre classes

ou entre indivíduos de classe diversa, seja por­

que

cos,

não tem

attitude, caraoteres e

tutela e protecção,

fins jurídi­

4e discipli-

mas sim de

namento de situações de factò e de relações so­

ei ass extra-judlciaes, as

parte

contradizem

a

quaes

superam

da

e

em

premissa

absoluta

O DIREITO CORPORATIVO

igualdade

de

direito,

que

imprescindível

ó

Jurídicas

de

á

compreensão das

privado

e

a noção

relações

de

direito

sujeição

que tambem

é

Igualmente não pôde ser exacto o nome de

‘"Direito Corporativo’’', usado por Chiarelli, Ce- f sarine-Sforza, etc. Este, como pará a Italia obser-

: va Borsi “é a disciplina da organização syndicai

imprescindível

rídicas

de

dividuo

Mais

ou

á

compreensão

privado

qualquer

que

classe

no

mesmo

das

relações

o

ju­

in­

direito

de

monos

prendem

ao

sentido

Estado” .

affii*ma

dos

empregadores

e

empregados

e

da harmo-

Garcia Oviedo:

"Histórica e racionalmente bro­

'

'

nica

coordenação

próprio

por

isso

das

dos

forças

produetivas,

modelo

typi-

italia-

“Esta-

; camente

i

no,

que

Estados do

são

mesmo

chamados

dòs Corporativos” . De accôrdo com esta defini­

ção,

mais

o

Direito

restricto

Corporativo

que

o

séria,

do

Direito

por

um

Trabalho,

lado

por

versar,

quanto

as regras concernentes ■ aos

á

sua

tra­

or­

balhadores

apenas as que se referem

as forças

ganização de “todas”

da producção

vale

dizer

e

não somente as do trabalho —

tou

este

direito

da

necessidade

de

resolver

o

chamado problema social, surgido

pela

ruptura

doa quadros corporativos e o nascimento da

grande

Industria

e,

com

elle,

do

proletariado,

acontecimento que gerou a luta do classes. Isto

é,

a

luta

social.

Social

é,

pois

o

conteúdo

do

problema e social deve ser o direito criado para

sua

os

resolução” .

Ademais,

multas

vezes, mesmo

autores que proscrevem a denominação Di­

duplamente

ínexacto,

Com

efíelto,

a

denomi­

reito

Social

“sociaes” ...

inconscientemente falam

em

leis

nação — Direito Corporativo — para a nova dis­

ciplina,

se

deve

attribuir

pelas

ao

papel

predomi­

profissio-

de

sua

nante assumido

organizações

nãp,

no

Inicio

naes, legalizadas ou

formação. Mas isto não justifica a sua ex­

tensão

a "toda”

a nova disciplina,

de que,

se­

gundo pensamos, o estudo

dical

da organizaçao syn-

é

apenas uma das p a r tB S , embora das m a i s

Parece-nos“ assim

do

perfeitamente

a attitude

Instituto, chamando

justificada >

"Social’* ao

direito novo.

Mas,

dissemos

“Direito” .

:

Será de facto

um

“direito"

e

não

méra “legislação” ?

Nesta

ultima

hypothese

seria

elle

mente um conjunto informs de leis.

apenas >

uníoa-

relevantes.

E,

além

disto,

não

seria

o

efítudo

de

um

“todos”

as forças

da

producção,

objecto de

mas

outro ramo de Direito,

novo ta-mbem,

AUTONOMIA DO DIREITO SOCIAL

diverso

do

que estamos

considerando,

o

Direi-

Na primeira alternativa constituir-se-hia em

. to

Economico, de que nos falam,

.

R

a d b r u c h

e

D

’E u f e m i a ?

entre outros,

ramo autonomo da sciencla jurídica. E’ bem de

vêr, portanto,

que

o

problema da denominação

O DIREITO

SOCIAL

Terminada assim a pars ãestruens, vejamos

a pars instruens, pois nos cabe agora justificar

nome adoptado, de Dirp.ito Social. A expres-

o

são Direito Social, assim como a de Legislação

\ Social incidem na arguição de que todo direi-

}

to

é naturalmente social, por isso que não pode

direito sinão

em sociedade. Ubi socíetas,

A ella respondem os seus partidarips,

a expressão

“social” , na deno-

í

haver

íbi

jus.

observando que

minação da. nova disciplina, visa oppol-a ao dl-

.

\ relto

“individualista” ,

oriundo da Revolução

. Franceza, significando a justa predominância

■ do

interesse collectivo sobre o individual

Em-?

bora “todo o direito” hoje se humanize, se

penetre de um “sentido social” , como tão bem

o têm demonstrado, entre outros os profesôo-

res Josserand e Radbruch,

eese sentido social

se accentuou sobremodo, diria mesmo até, se

concentrou, no novo direito, que chamamos Di­

reito Social.

da nova

disciplina

jurídica

é multo mais serio

do que, á primeira vista, poderia parecer. Não

se trata de simples querella de palavras. Com

effeito, a escolha da segunda designação: “So-.

ciai” ,

é

ao

mesmo

tempo a eleição de sua

e

implica,

“dlf-

como

vimos,

em

Por sua

vez.

a

ou

“Legisla­

“genero pró­

ferença especifica”

decidir o

sou

escolha

da

ção”

ximo”

proprio conceito.

designação

a

"Direito”

do

seu

significa

adopção

e svlbtende a solução de uma importan­

qual

seja

a da autonomia

do

Di­

te questão,

reito Social.

to” ,

ral?

Será o Direito Social um verdadeiro “Direi-)

isto

é,

ramo

distincto

do

Direito

em

ge-(

*

Sustentamos que sim, com

Asquini,

Mossa, J

Pergolesi, Gallart Folch, A ncelleu, Walde-

mar Ferreira e a quasi totalidade dos

eecripto- ;

res da materla, embora contra ponderosas opi- j

níões,

como

as

de

Bakasbi,

Cowiolio-,

lnclusivé ;

as de alguns autores que o consideram, com

muito espirito, mat com pouca exactidão, méra

“perfumaria jurídica” , ..

(78)

5- 8-39

ARCHIVO

JUDICIÁRIO

(.SUPPLEMEíNTO)

39

E’ um facto característico de nossa época a

especialização das normas jurídicas, levando á

formação de ramos mais ou menos autonomos.

do Direito, como o Direito Social, o Direito In­

dustrial, o Direito Rural, o Direito Aereo, etc.

A l f r e d o

Rocco

estabelece

tres

requisitos

para que um ramo do Direito possa considerar-

se autonomo; “ que seja bastante vasto para me­

recer um estudo adequado e particular; que

contenha doutrinas homogêneas, dominadas por

conceitos geraes communs e distinctos dos con­

ceitos informadores de outras disciplinas; que

possua um methodo proprio, ou seja que use

processos especiaes para o conhecimento da ver­

dade que constitue o objecto de suas pesquizas,

A n g .e l e l l i diz que o problema da autonomia do

que elle chama a Legislação do Trabalho, con­

siste em saber, si, não obstante a multiplicidade

e a fragmentariedade das leis que a constituem,

seja possível encontrar nellaj; uma unidade or-

ganlca, dominada por prlndipios geraes com­

muns, Por sua veia Fergolesb diz que um ramo

do Direito só tem autonomia\ quando se encon­

tram princípios e institutos i proprios ou, pelo

menos, um particular desenvolvimento de prin­

cípios e institutos do direito commum.

Ora,

estes requisitos

exiatçm

todos

no

Di­

reito

Social.

Bastaria consulta^ um repositorio

qualquer

ds

S o u s a

de leis Sociaes, como o recentissimo

N e t o ,

referente

apenas

ás

leis

traba­

lhistas, para se vêr quão grande é o numero de

nossas

leis

sócias,

verificando-se,

princípios

portanto

a

existência

do requisito quantitativo para a au­

informativos

até

no­

tonomia da nova disciplina,

Quanto

aos

seus

proprios, são

tar-se

elles numerosas,

devendo

que bem poucas

disciplinas juridicas, de

tão curto tempo de existencia (a legislação so­

cial

data

de

1848,

ou

melhpr

ainda,

do

final

do seculo XIX, não l tendo, portanto

meio

seculo

de

extstenclab

podem

sentai-os

em tão grande numero.

Esses prlnci-

apre­

plos são: o seu caracter suppletlvo das deficlen-

clas economicas

dos

indivíduos;

o

caracter

im­

perativo das normas de Direito Social, visto que

elle visa realizar' a paz social,

os benefícios que

tendencia

á

concede

universidade,

sendo, portanto

a

sua

do

irrenunciaveis;

maíp

forte

nelle

que em qualquer outro ramo\ do Direito, em

vista de

ser elle

“humanização ido Direito’*, de

considerar os indivíduos como \ “homens” , e

não como “nacionaes”

a

sua

demais

oppcsição

ramos

dq

nítida

ao

Direito,

deste

ou^ daquelLe paiz;

individualismo

dos

que

visam

realizar

a

justiça cpmmutativa, emquanto que

preeipua

do

Direito

Social

Direito

éí realizar

essa ;tão

bem

O

l i v

e i r a

dlstribuitiva,

ralevo

seus

opposlção

por

recentemente

“Problemas

de

a

a funoção

Justiça

posta

de

V i a n n a ,

nos

a

\] Corporativo” ,

maior amplitude que procura dar á acção do

juiz,

que

decide

muitas

vezes,

mais

de

accôr­

do com

a equidade,

seu

do que com

a letra da lei.

na

parte

Quanto ao

methodo, maximé

da interpretação,

tendo em

vista

o

exige regras especlallsslmas,

seu caracfcei de

conjunto

de

normas protectoras, o que Ieva\ a applicar sem­

pre,

ou

mesmo sempre, em se Itrafrando do Di­

o “ benevola aviplianâa, odiosa res-

]

reito Social,

tringenda” .

Ademais disto, o Direito Social possue ins­

contraciso collectivo de

titutos proprios, como o

trabalho,

cos

magistrados

as normas corporativas^ as sentenças

do

trabalho,

noflando-se nelle,

além da offensa, pelo menos apparente, ao dog ­

ma

constitucional

da

igualdade

perante

a

lei,

tambem a quebra de um outro principio do di­

reito individualista, qual seja k absoluta Inde-

pendencia entre os poderes legislativos, executi­

vo e judiciário.

(79)

Em

nosso

direito

resolvida.

Assim

como

positivo

a

C a r v a l h o

questão

está

d e

M e n d o n ç a

se apoiava na regra do art.

tituição

tonomia

Federal

do

de

basear-nos

34,

n.

22,

da

Cons­

au­

nóa

Cons­

1891, para sustentar

a

podemos

XVI

da

Direito Commercial,

ne, regra

do

art. 10, n.

tituição de- 10 de Novembro paru af firmar a au-,,

tonomia do

reito”

Direito Social, pois ahl vemos, o

ao

3ado

do

"direito”

civil,

“di- /

do '

operário,

"direito"

commercial,

etc.

Está, portanto, com

a demonstração da au­

tonomia do novo

direito, justificada a denomi­

nação ad optada pelo nosso grêmio setentifioo,

de “Instituto de Direito Social” .

Em

nosso

direito

positivo

não

ha

unifor­

midade a respeito. O art. 16, n. XVI da Cons-

tituição de

1937, como

vimos,

fala em

“Dl-

reito Operário”

a

denominação

artigo

189

a

denominação

emquanto

o

‘‘Legislativa

art.

do

137 emprega

Trabalho,r e

o

que

é

a

Faculdade

de “Legislação

official

Social” ,

na

da cadeira

de Direito

de São Paulo,

dé accôrdo com

a

lei

'estadual

juridlco.

a

Justiça

“Legislação

to

Social” .

que instituiu o

seu estuclp

curso

Emquanto isto, o decreto-lei q.ue criou

do

Trabalho,

e

no

no

artigo

94,

l-® /fala

epi

em

Social” ,

Parece,

artigo

\Dlrei-

expres­

portanto,

que estas

np

sões são synonlmas, o que ainda uma vez jus­

tifica a nossa denominação,

:

!

CONCEITO

DO

DIREITO

SOCIAl.

?!

Restaria agora, .para tornar .completa a ex­

dos

nossos

a

objectivos

respeito

esclarecer-nos

do

conceito

do

posição

mais

Direito

perfeitamente

Social.

Será,

Direito Social, para nós, como

t

,

o

todo o

elle chama

para

<

ao }

Direito Publioo, em opposição

o

Direito

Individual?

Será

o

e l l io

que

B

direito oriundo dos “factos normativos” , de que/

nos fala

forme

direito

G u r v it c h ,

ou

das "instituições” , con-v

e

R e n a e d ?

Ou

será qf

a

“acto-regra” ,

ainda o

conforme

direito não esta­

Ou

mesmo

o

direito

civil

ensinam

derivado

H a u r io tt

do

noção de Duguit?

tal

de

Ou

S i n s h e i m e r ?

da democracia, de R ip e r t ?

Mas, “cela est une toute autre chosel”

. ..

Pre-

lecionasse eu

Social

pondo

“Direito

na

minha

cathedra

de Legislação

desta Faculdade

um

conceito

Social

é

o

e poderia dizer-vos,

ex­

que

de

para

mim

princípios

o:

e

pessoal,

complexa

Ieig imperativas que, tendo em vista o bem

commum, objectivam auxiliar a satisfazer áa

necessidades vltaes próprias e de suas famil^as,

aos

indivíduos

que,

para

tanto,

necessitam

do

produeto de seu trabalho” .

Instituto

Neste momento, porém, falo da tribuna do

de

Direito

Social,

falo

em

nome de

uma sociedade scientlfica que, sob os bons aus-

picios

de

apenas inicia

trabalhos, com esta assemblêà inaugural. Obvio

é, portanto, ser pelo menos prematura qualquer

conçeltuação da disciplina, por parte do Ins­

tituto, que deverá aprofundar e discutir toda»

as

se

correntes

doutrinárias

a

respeito,

antes

do

uma

pronunciar por uma

dellae ou

de criar

vossa presença,

os seus

nova.

O DIREITO

SOCIAL,

COMO

SOLUÇÃO DA

QUESTÃO SOCIAL

Apenas

o

que

posso

affirmar-vos,

por

isto

que é indiscutível e accelto em todas as cor­

rentes,

é

que

o

Direito

Social,

visa

resolver

a

questão social, “restaurar a ordetn sooial”

como

diz Pio XI e conservar perennemente, uma vess

yestabelecido, o equilibrio social

40

ARCHIVO

JUDiCI ARI O

(SUPPLEMENTO)

6-8-ao

E’

niões

social,

nosso

verdade

sobre

em

o

conceito

que

que

íuncção

de

não

são

vem

da

Direito

unanimes

a

ser

qual

a

opi­

questão

o

Dado,

as

teríamos

Social,

porém,

clacie de

que

o

Instituto

com

orientará

a doutrina

accôrdo

a

sua

social

activi-

catho-

llca, parece-nos não ser muita audacia procurar

nos

escrlptores

cathollcos

tão social.

Infelizmente,

o

conceito

mesmo eiitre

da

ques­

elles va­

riam muito

K

e

t t e

l

mago

que

e r

{eine

que

as opiniões desde

faz delia

uma

Frage)

até

de

o

a

de

Mons,

Von

“questão

P.

males

de

na

de estô­

Antoine

que

ordem

Magen

a define:

“o conjunto

dos

eoffrem

as classes

trabalhadores

religioso-moral, econômica e política

quisa dos remédios que convem trazer-lhes” .

Assim,

dada

essa

divergencia,

P,

nos

parece,

na

entre todas, mais acertada a do

sua

esplendida

'Phllosophia

C a t r e i n ,

Moralis” :

“Nomi-

e

a

pes­

ne quaestionls soclalis" intelligltur quaestio,

quommodo malis et pericixlis gravissimls, qui-

fcus sooietas hodie apud gentes cultas labefac-

frutur, remedlum afferre; et quommodo pax in-

ter dívites (ad. quos -etiam possessores latiíun-

dlorum pértinent) et opfcraríos seu proletários,

stabilitar restitui posait” , ou e m 1 vernáculo:

“Pelo nòme de questão eocial se entende a ques­

tão de como se passa trazer remedio

aos males

perigos gravíssimos pelos quaes ó hoje oppri-

e

mida a sociedade, entre os povos civllisados, 0

de que modo possa ser estavelmente restabele­

cida

a

praz entre

os

ricos

(aos

quaes tambem

e

os

pertencem os proprietários de latiíumllos)

operários ou proletários” ,

Deixamos

nos

assim

resta

expostos

agradecer

os

nossos

objec-

tlvos,

o

estimulo que,

para a sua consecução, nos viestee trazer com

ia vossa pTesença,

todos

vós,

as Exmas,

Sr,

dades civis e ecclesiasticas e o Exmo.

autori­

Pi’o ír

Soares

de Paria,

illustre

Dlrector

desta

Facul­

dade, que nos deu a grande honra de presidir

esta sessão.

Nós

agredecemos

estimulo,

e

de

que

havemos de

para

nos

esforços

ideaes