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Estudo sobre a importância e as principais dificuldades ao nível da produção

das culturas do tomate, abóbora e couves na Região Oeste
Elaborado por: Ricardo Vicente
9 de Janeiro de 2014

Nota:
Este estudo foi realizado após contacto com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e
Veterinária (INIAV) com o objectivo de contribuir para a reflexão e formação de um Grupo
Operacional que trabalhe sobre as principais urgências do sector hortícola da Região Oeste. A
Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste e os seus associados demonstram assim total
interesse em apoiar e colaborar com todas as entidades que desejem desenvolver trabalhos de
investigação e experimentação no sector hortícola. Não conseguimos neste trabalho e pelas
limitações temporais da sua oportunidade abordar todas as temáticas e culturas do sector em
profundidade, por isso limitámo-nos a identificar aquelas que nos parecem mais urgentes.

As principais culturas hortícolas da Região Oeste

No litoral da Região Oeste as principais culturas agrícolas são culturas hortícolas. E é nesta região que se
concentra a maioria da produção hortícola do país, proveniente de dois sistemas de produção distintos: as
culturas de ar livre e as culturas protegidas.
Actualmente estimamos que a área de culturas protegidas na Região Oeste dedicada à cultura do tomate
seja de 350 a 400 ha, representando a cultura do tomate 80% da área total de culturas protegidas. São
praticadas duas campanhas anuais desta cultura o que gera um volume de produção total entre 70 e 80 mil
toneladas na região.
Nos cultivos de ar livre destacam-se as seguintes culturas hortícolas: as couves de inflorescência e de
cabeça, as abóboras e as batatas.
Para estimar a produção e a área reais cultivadas com couves e abóboras, realizou-se um inquérito às vinte
e uma centrais hortícolas mais importantes da região para estas duas culturas que somou um volume de 31
mil toneladas de abóboras e 64 mil toneladas de couves (inflorescência + cabeça). Estimando-se que cerca
de 30% do mercado total das abóboras das couves circula fora destas centrais, podemos considerar que na
sua totalidade a Região Oeste produz próximo de 44 mil toneladas de abóbora e 91 mil toneladas de couves
diversas. Assim, estimando uma produção média de 30 toneladas/ha nas abóboras e de 25 toneladas/ha
nas couves podemos considerar que são cultivados cerca de 1460 ha de abóboras e 3.640 ha de couves na
Região Oeste.

Abóboras
As principais dificuldades no âmbito da produção e comercialização da cultura da abóbora na Região Oeste
têm que ver com a conservação pós-colheita dos frutos, pois a produção é armazenada durante um
período de tempo longo e variável em função do comportamento do mercado nacional e internacional
(Setembro – Maio). Dependendo das práticas culturais concretizadas no campo, do período e condições de
armazenamento, assim como das condições climáticas, as perdas consequentes do desenvolvimento de
pragas e doenças em armazenamento podem representar entre 25% e 60% da totalidade da produção.

Morada: Av. António José de Almeida, 23 A (Louricoop) 2530 - 113 Lourinhã  Telf: 261 416 003 / 0  Fax: 261 412 882
E-mail: interprofissional@gmail.com  Site: www.aiho.pt

mas até à data todas as tácticas preventivas conhecidas foram insuficientes. Perante o surgimento de pragas e doenças de armazenamento. a maior concentração do armazenamento não se tem traduzido em melhorias substanciais na qualidade do armazenamento praticado. nomeadamente afídeos e cochonilhas para que seja possível realizar a sua monitorização no campo e em armazém. actualmente o único pesticida autorizado para o efeito é o Noven P. isto é. Caso não surjam alternativas a este produto. A informação constante no documento resultou da experiência e sensibilidade de técnicos e agricultores que trabalham na região. é necessário ter em conta que as tecnologias e restantes recursos afectos à produção e armazenamento de abóboras na região são bastante heterogéneas. O armazenamento das abóboras é praticado também em condições muito díspares.Para aumentar o poder de conservação dos frutos e reduzir as perdas é necessário o desenvolvimento e implementação de uma estratégia integrada de intervenção ao longo de toda a cadeia. É certo que a forma mais interessante e que deverá ser privilegiada neste processo é a prevenção. etc. As estratégias de fertilização também são bastante heterogéneas. Por outro lado. É necessário conhecer quais as espécies e ciclos biológicos das pragas de armazenamento.aiho. na Região Oeste em particular.com  Site: www. Morada: Av. habitualmente as abóboras são armazenadas em infra-estruturas adaptadas (pavilhões. um insecticida em pó que está disponível de forma temporária no mercado através de uma autorização extraordinária concedida pela DGAV após uma solicitação da AIHO.pt. Recentemente a AIHO produziu e divulgou um documento com técnicas preventivas para o desenvolvimento das principais pragas e doenças da cultura da abóbora em armazenamento. poucas são as instalações que foram construídas propositadamente para o armazenamento. a sua utilização permanente vai levar ao desenvolvimento de resistências por parte da praga (afídeos) e à consequente perda desta ferramenta. mas este tarda em estar resolvido. A rega é assegurada com equipamentos móveis que conferem pouca agilidade ao sistema de rega e impossibilitam as melhores práticas de regadio com repartição equilibrada do fornecimento de água em função das necessidades culturais. o armazenamento é bastante fragmentado.).pt . onde os principais inimigos de conservação estão identificados. sobre paletes e tabuleiros ou no interior de palotes. Este documento está disponível para download no nosso site: www. Para tal. não há nenhum produto para combater as podridões. da produção ao armazenamento. sendo actualmente a área regada mais importante do que a restante na totalidade da produção. O sector necessita urgentemente de alargar o seu leque de soluções e garantir a permanência do Noven P no mercado.aiho. mesmo nas situações em que as condições de armazenamento são mais próximas do ideal. a rega é pouco monitorizada e a sua prática é maioritariamente assumida como um complemento ao cultivo de “sequeiro”. Apesar de nos últimos anos termos assistido a uma maior concentração dos frutos armazenados. 23 A (Louricoop) 2530 . Por outro lado. armazéns. A importância do regadio tem aumentado bastante nos últimos anos. É importante conhecer quais as condições ideais de armazenamento de forma a poder realizar adaptações às actuais infra-estruturas e construir novas que permitam o óptimo acondicionamento. mas nos últimos anos têm aumentado o número de fertilizações de cobertura veiculadas por rega e o recurso a adubos de libertação controlada. António José de Almeida. O conhecimento rigoroso das necessidades hídricas da cultura. a cultura da abóbora não é assumidamente uma cultura de regadio.113 Lourinhã  Telf: 261 416 003 / 0  Fax: 261 412 882 E-mail: interprofissional@gmail. mas é claramente insuficiente. no entanto. assim como das necessidades nutricionais ao longo do ciclo da cultura para as principais cultivares e para as nossas condições edafoclimáticas são certamente áreas do conhecimento fundamentais para melhorar a viabilidade socioeconómica e ambiental desta cultura. o que possibilitou melhorar os níveis de produção e reduzir impactos ambientais. estufas. A empresa detentora do produto diz estar a tratar do processo de homologação.

aiho. b) Apesar do tecido produtivo ser heterogéneo na dimensão das explorações agrícolas. pelo que os prejuízos decorrentes têm vindo a aumentar para valores substanciais. em especial desde as grandes reconstruções de infra-estruturas após as intempéries de Dezembro de 2009. Morada: Av. com temperaturas e teores de humidade mais elevados. 3. Botrytis. Apesar de se tratarem de problemas bastante diferentes. é necessário estudar e implementar medidas que não sendo óptimas sejam possíveis de implementar com as condições actuais e surtam alguns resultados. Controlo de pragas e doenças (botrytis. partilham uma característica comum: as medidas para a sua resolução são preventivas e essencialmente do âmbito da higienização de práticas culturais e infra-estruturas. perante a realidade é necessário estudar as melhores alternativas a esta medida.pt . momento em que as condições climáticas são mais favoráveis. social e ambiental do investimento tecnológico já realizado. Diversificação de culturas para sistemas de cultivo em substrato. 2. Cladosporiose A doença tem vindo a tornar-se habitual e mais generalizada. nas competências dos agricultores e nos níveis de incrementação de tecnologia. É importante desenvolver e divulgar estratégias preventivas e de combate. Assim.com  Site: www. 4. cladosporiose. Esta cultura afirmou-se como uma das melhores soluções económicas entre os agricultores que praticam horticultura protegida. Sendo óbvio que o melhor aconselhamento é a prática de rotações. Não há nenhum produto fitofarmacêutico com resultados satisfatórios. ácaro bronzeador. vírus e bactérias Estes problemas são mais frequentes na 2ª campanha. Para abordar as dificuldades acima mencionadas são necessárias duas considerações prévias: a) Parte dos problemas fitossanitários são consequentes da reduzida prática de rotações na cultura do tomate. 1. Tratamento e reutilização de águas de drenagem dos sistemas em substrato. a relação que estes mantêm com o mercado não lhes permite em muitos casos optar por esta solução.Tomate As principais dificuldades encontradas na cultura do tomate em estufa na Região Oeste estão relacionadas com os seguintes temas: 1. Pontualmente são praticadas algumas campanhas intermédias. a primeira com plantações a iniciar em Janeiro e colheitas até Junho/Julho e a segunda com plantações em Julho e colheitas até Novembro/Dezembro. Esta urgência não é facilmente perceptível para os “stakeholders” da região. c) O corpo técnico que acompanha o sector hortícola da região é claramente insuficiente para prestar o acompanhamento necessário à rentabilização do ponto de vista económico. viroses e bacterioses). momento em que o nível de tecnologia e as condições de produção dispararam na região. há um desfasamento generalizado entre os equipamentos tecnológicos disponíveis nas explorações agrícolas e o grau de competências de quem toma decisões e acompanha o funcionamento das unidades de produção. António José de Almeida. Adaptação das fertilizações ao ciclo cultural para as diversas cultivares.113 Lourinhã  Telf: 261 416 003 / 0  Fax: 261 412 882 E-mail: interprofissional@gmail. 23 A (Louricoop) 2530 . Há uma grande dificuldade na iniciação deste caminho. Controlo de pragas e doenças A cultura do tomate em estufa é praticada na esmagadora maioria dos casos em duas campanhas distintas.

o fechamento do sistema acarreta riscos elevados para a propagação de doenças radiculares. É vulgar quando surge um problema radicular mais grave o agricultor optar por abrir o sistema e libertar as águas de drenagem para linhas de água próximas.pt . Não há nenhum produto fitofarmacêutico autorizado em Portugal para esta finalidade. Por outro lado seria uma forma de reduzir impactos ambientais. 2.Ácaro bronzeador A praga tem vindo a generalizar-se e assume uma importância maior na 2ª campanha. Esta situação tem vindo a mudar bastante nos últimos anos. É necessário disponibilizar esta informação de forma rigorosa e adaptada às condições locais. não se dá o retorno da solução nutritiva ao sistema de rega. evitando a contaminação de águas e outros recursos naturais.aiho. Tem a agravante de não ser facilmente identificada nas fases iniciais dos ataques. Adaptação das fertilizações ao ciclo cultural para as diversas cultivares Actualmente a grande maioria da área de culturas protegidas está capacitada com sistemas de fertirrega capazes de garantir fertilizações equilibradas e em função das necessidades exactas da cultura em cada fase de desenvolvimento.com  Site: www. Diversificação de culturas para sistemas de cultivo em substrato. Com a recente escalada dos custos dos factores de produção tornou-se ainda mais evidente. Assim. No entanto os gestores destes sistemas não sabem tirar partido desta medida. a prática de rotações mesmo em sistemas de cultivo sem solo apresenta obviamente muitas vantagens que podem ser capitalizadas se forem geradas condições para tal. sendo esta libertada para o ambiente em muitos casos. é importante desenvolver estratégias que permitam a reutilização segura das águas de drenagem e o seu tratamento atempado. pois muitos agricultores já têm noção da poupança que conseguem em adubo com o fechamento do sistema de fertirrega. foi aliás essa necessidade sentida pelos agricultores que promoveu o desenvolvimento da área de cultivo deste sistema. pois tal possibilitaria gerar acréscimos de rentabilidade consideráveis através de aumentos de produção e qualidade. mas o desconhecimento sobre as necessidades destas culturas em substrato é bastante maior. É importante desenvolver e divulgar estratégias preventivas e de combate. tentando limitar o desenvolvimento da praga. Por outro lado é necessário aprender a monitorizar e utilizar devidamente as águas de drenagem em sistemas fechados. Tratamento e reutilização de águas de drenagem dos sistemas em substrato Uma parte considerável dos sistemas de cultivo sem solo está a funcionar de forma aberta. Actualmente os produtores limitam-se a realizar aplicações de enxofre numa fase inicial da cultura e de forma localizada no caule da planta no restante período. No entanto. Morada: Av. Por outro lado. por falta de competências e/ou de acompanhamento técnico suficiente mas também porque não há informação disponível sobre as curvas de exportação nutricionais das culturas e principais cultivares praticadas nas condições edafoclimáticas da região. A grande maioria da área de cultivo em substrato trabalha em monocultura de tomate. pois estas transportam nutrientes consigo que devem influenciar as decisões de fertirrega. courgette e feijão. mas também da redução de custos com medidas fitossanitárias. há sempre o risco da cultura do tomate perder importância ao nível da região e do país e nesse caso estas explorações agrícolas necessitarão de alternativas para manter actividade. António José de Almeida.113 Lourinhã  Telf: 261 416 003 / 0  Fax: 261 412 882 E-mail: interprofissional@gmail. 23 A (Louricoop) 2530 . 4. isto é. momento em que as condições climáticas são mais favoráveis ao seu desenvolvimento. 3. Recentemente têm surgido algumas pequenas áreas com cultivo de meloa. No entanto. pepino.

Os mais graves são a hérnia da couve ou potra (Plasmoriophora brassicae V. Neste momento são visíveis por toda a região as consequências destas práticas. que passem pela redução do número de mobilizações e da sua intensidade e pela preservação de alguma vegetação no momento das primeiras chuvas. Todos os anos se perdem partes consideráveis da camada arável dos solos nas zonas de maior declive. enquanto as temperaturas médias são mais elevadas. Qualquer um destes problemas é muito agravado pela ausência de rotações. A importância económica dos seus estragos tem vindo a aumentar nos últimos anos. Adaptação da fertilização ao ciclo da cultura. pois a aposta em adubações de fundo localizadas e o recurso a adubos de libertação controlada tem sido maior. a ponderação das fertilizações e a programação das mobilizações de solo assumem maior importância.) e a mosca da couve (Delia radicatum L. no entanto aumentam os riscos de erosão. Por outro lado. 23 A (Louricoop) 2530 . Controlo de pragas e doenças. Controlo de pragas e doenças (hérnia ou potra e mosca da couve).pt . pois não se conhece nenhuma forma de resolver/minorar o problema para além da prática de rotações e da alcalinização de solos acima dos níveis de pH ideias para a maioria das culturas (> 7) que reduz a actividade do agente patogénico. Morada: Av. a sua produção e consumo concentra-se durante o período Outono-Inverno e por isso as questões relacionadas com a gestão da rega são muito menos importantes do que na cultura das abóboras. Durante este período é nos terrenos declivosos e com maiores altitudes que se conseguem as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura. reduzindo as amplitudes térmicas e os riscos de alagamento.113 Lourinhã  Telf: 261 416 003 / 0  Fax: 261 412 882 E-mail: interprofissional@gmail. 2. Técnicas como a plantação e sementeira directa deveriam ser estudadas para esta cultura e região.).aiho. Assim. os principais problemas encontrados no campo relacionam-se com as seguintes temáticas: 1. no entanto. Elevados índices de erosão dos solos. mas dependendo da época do ano e das temperaturas do momento esta solução pode ser claramente insuficiente. Também o conhecimento exacto das necessidades nutricionais das culturas. devido às elevadas precipitações e riscos de lexiviação de nutrientes. com alguma frequência surgem áreas de produção onde as aplicações de produtos fitofarmacêuticos são nulas neste período do ano. Actualmente o combate à mosca da couve é realizado com recurso aos insecticidas granulados e líquidos disponíveis no mercado.com  Site: www. 3. com as cultivares mais frequentes e para as condições edafoclimáticas da região seriam uma mais valia importante para a programação das fertilizações e redução de impactos ambientais. apesar dos produtores destas duas culturas serem comuns. em Setembro. 3. No início de Setembro inicia a época forte de plantações na Região Oeste e é neste momento que se preparam os solos para todas as plantações que vão decorrer durante o Outono e Inverno. Em relação à potra a situação é ainda mais preocupante. para estas culturas. Para mitigar este problema é necessário encontrar estratégias de gestão do solo menos agressivas. Devido às baixas temperaturas também os problemas fitossanitários são minorados durante este período. António José de Almeida. Elevados índices de erosão dos solos e adaptação das fertilizações.Couves Apesar de ser uma cultura praticada durante todo o ano. há disponibilidade por parte dos agricultores para diversificarem as suas culturas mas não há alternativas viáveis de mercado para aumentar a área das culturas alternativas de forma significativa. Os problemas fitossanitários mais preocupantes nas diversas couves são comuns e surgem habitualmente numa fase inicial da cultura e no início da época forte. Nos últimos anos decorreram algumas transformações importantes a este nível. 1 e 2.