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OS TIPOS DE CONHECIMENTO

RESUMO

Neste artigo enfocaremos as características de cada um dos tipos ou níveis de conhecimento
usualmente adotados, vislumbrando seu papel no conhecimento geral do ser humano e procurando
relacionar um nível a outro quando pertinente. São os níveis descritos: empírico, científico, teológico e
filosófico. Concluiremos que a história do desenvolvimento de cada um dos níveis de conhecimento
relaciona-se à própria história do ser humano como ser que observa a realidade, a estuda e busca
transformá-la conforme suas necessidades de compreensão pura ou de sobrevivência.

Palavras-chave: Tipos de Conhecimento; Empírico; Científico; Teológico; Filosófico.

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho propõe-se a apresentação dos níveis em que se divide o
conhecimento humano. Tais níveis foram desenvolvidos ao longo da história em
virtude da capacidade e necessidade inerentes do homem de conhecer o mundo à
sua volta, visando à sobrevivência e ao progresso.
Para alcançar o citado objetivo, é mister, primeiramente, responder à questão:
o que é conhecer? Segundo Amado L. Cervo, “é uma relação que se estabelece
entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido.” (2007, p.5) O sujeito cognoscente
apropria-se, de certa maneira, do objeto conhecido, havendo uma modificação de
um órgão corporal do sujeito: é o conhecimento sensível. Tal conhecimento é
encontrado tanto em animais quanto no homem. O conhecimento dito intelectual não
atinge a aparência, operando sobre as imagens sensoriais para, a partir delas,
construir conceitos, verdades, princípios e leis, habilidade propriamente humana.
Por meio do conhecimento, o homem penetra nas diversas áreas do real para
delas tomar posse. Esta complexidade do real exige diferentes maneiras de
apropriação pelo sujeito cognoscente,gerando, conforme o grau de penetração ou
ainda a área ou estrutura considerados, os ditos níveis do conhecimento. São quatro
os principais ângulos sob os quais se busca o conhecimento e o sentido das coisas:

ainda que consolidado como cultura ou como tradição. p.6) É o conhecimento da pessoa comum. para qualquer homem. Quanto à utilização de métodos e técnicas. que não precisa operacionalizar métodos científicos para a construção de seu conhecimento e que assimila o que há de referência a usos e organizações do que a cerca. é aquele obtido pela pessoa em sua interação com o meio ambiente e com o meio social. filosófico e científico. Segundo João Álvaro Ruiz: “O especialista em lógica conhece a lógica cientificamente. 2. segundo CERVO). é importante salientar que. CONHECIMENTO EMPÍRICO O conhecimento empírico. (2007. São esses os níveis ou tipos de conhecimento discutidos neste trabalho. 3.96) Desta maneira. tal qual as mulheres que já tiveram filhos e que aconselham as “principiantes” sobre receitas que aliviam as cólicas do recém-nascido. não cientificamente.” (RUIZ. p. CONHECIMENTO CIENTÍFICO . mas de maneira vulgar e empírica. por meio de tentativas impetradas que resultam em erros e acertos.2 empírico. a maior parte de seus conhecimentos pertence ao nível do conhecimento empírico. é um conhecimento dito ametódico e assistemático. O homem comum pode conhecer tudo isso de outro modo. teológico. o psicólogo conhece psicologia cientificamente e o químico farmacólogo conhece os componentes e a forma de atuação dos medicamentos cientificamente. também chamado vulgar ou de senso comum (nomenclaturas errôneas. 2008.

o saber empírico pode conduzir o homem para formas mais elaboradas de solução de seus problemas. as empíricoformais se ocupariam em explicar os fenômenos da natureza. Utilizandose de uma metodologia rigorosa. sua estrutura e determinações. passíveis de compreensão e não de explicação. que compõem o proceder científico. é o chamado conhecimento teológico. angariando. “os modos de proceder do conhecimento científico têm em mira descobrir sempre alguma coisa nova ou fornecer o melhor nível de certeza. enfim. precisa exigir níveis adequados de competência intelectual. 235-243) 4. e acompanhada de sinais que as ratificam. Quanto à sua estrutura interna. pelo bomsenso. compreensão e intervenção da realidade. tais como a Física e a Biologia.” (2007. pensamento lógico e raciocínio. que acreditam nas palavras por meio da fé . O conhecimento do senso comum seria. p. alude Urbano Zilles quea ciência poderia ser subdividida em três grandes áreas: a das ciências formais. Direcionado. Tais informações revestem-se de autenticidade e verdade após uma crítica histórica dos fatos narrados. ele procura compreender. em geral são transcritos para os livros sagrados. como explica BARROS. (2006. concomitantemente. entretanto.44) Ainda segundo BARROS.46) Para obter esse objetivo. enquanto as hermenêuticas teriam como objeto as humanidades (como a Sociologia e a Política). englobando-o em leis generalizantes e procedendo com uma sistematização desse objeto aos demais. que poderiam ser integradas a outras ciências: a matemática e a lógica. CONHECIMENTO TEOLÓGICO O conhecimento relativo às revelações feitas por Deus ao homem. das empírico-formais e das hermenêuticas.3 O conhecimento científico ultrapassa o saber puramente empírico. explicação e compreensão sobre um assunto. métodos e técnicas especiais para análise. além do objeto em si. . como seria competente às ciências naturais. As formais se ocupariam do estudo de matérias ideais. que repassa as informações a outros homens. p. (2007. a “pedra fundamental do conhecimento humano”.daí que haja uma grande importância do argumento de autoridade -. p.

interpretada e explicada. Desta maneira. ultrapassando o que é verificado experimentalmente. não é demonstrada nem experimentada. p. de buscar o sentido das coisas da que envolvem o homem concreto no seu contexto histórico. mas por meio da aceitação dos fatos revelados por Deus. Enquanto este se ocupa do que é imediato e perceptível em nível dos sentidos e de instrumentos e técnicas. esse . está bem mais próxima das tendências volitivas que dos processos racionais. a filosofia. em seu caráter dogmático. (2008. desagradaria o homem contemporâneo. sophia: „sabedoria‟ – não se caracteriza como uma tentativa de deter o conhecimento. CONHECIMENTO FILOSÓFICO O conhecimento filosófico possui objeto de estudo e método diferentes do conhecimento científico. não seria mais a religião que submeteria a ciência. Tal manifestação. sujeito à experimentação. nos conflitos entre os dois saberes. mas a Teologia que procuraria rever seus conceitos para não se opor à mentalidade científica e adogmática do homem moderno. embora seja aceito racionalmente pelas pessoas. BARROS alude à teologia como um saber não perpetrado em princípio pelos fundamentos racionais. caracterizando-se como de ordem místico-intuitiva. como verdade incondicional. (2007. p. A fé religiosa não seria passível de explicação cabal pela teologia ou pela ciência do fato religioso. Desta maneira. a Teologia. visto que a existência divina. como ocorrera quando da incipiência científica. como se poderia supor pela análise etimológica da palavra – philos: „amigo‟. enquanto a ciência ganha cada vez mais prestígio. como explica RUIZ. aquele se detém no que é suprassensível. mas de aproximar-se dele.43) A aceitação dos fatos revelados se faz mediante a ação da fé religiosa. Segundo a avaliação de CERVO. mas por “uma reflexão lógica”.4 O conjunto de verdades aceito como conhecimento teológico é aquele ao qual as pessoas chegaram não com o auxílio de sua inteligência.109) 5. na razão última dos seres em geral. mas analisada. senão ele não crê que “existisse fé sobre a face da Terra”. ou seja. A filosofia teria o papel de interrogar. Em uma análise comparativa ministrada por RUIZ. de procurá-lo.

S. a maior quantidade de conhecimento acumulado por qualquer ser humano é de ordem empírica.5 filosofar é incessante. citando Cipriano Luckesi: “(a filosofia) é uma forma de conhecimento prático. daí a ideia do filósofo ser “filho do seu tempo”.ed. Fundamentos da metodologia científica. CONCLUSÃO O encaminhamento apresentado permite concluir sobre a importância que tiveram e continuam a ter cada um dos tipos de conhecimento humano.42) 6. p. dividindo com a ciência a responsabilidade por grande parte do progresso da humanidade. e a filosofia continua a ser um motor para a constante renovação da mentalidade humana. Sendo marcos ainda proeminentes da história do desenvolvimento da conduta do homem perante a realidade que o circunda. Ela pode não garantir o ‘ganha-pão’. Deste modo. mantiveram. Segundo BARROS. 3. . p. visto que o que circunda o ser humano muda constantemente ao longo do tempo. REFERÊNCIAS BARROS. direcionariam a conduta do homem para o seu melhor sentido. orientadora do exercício de nossa sobrevivência em sociedade.9) A busca pelo saber tem como objetivo final a elaboração de pressupostos que norteariam a ação humana. embora seja hoje a ciência o campo de maior desenvolvimento. J. cada um deles. mas certamente que é com sua ajuda que conseguimos o pão nosso de cada dia. (2007. a religião continua a ter bilhões de adeptos em todo o mundo. como se diz vulgarmente. 7. pois dela depende o encaminhamento de nossa ação. 2007. São Paulo: Pearson Prentice Hall. A. seu caráter de importância.” (2007.

ZILLES. J.6 CERVO. R. Teoria do conhecimento. RUIZ. A. 5. P.. Metodologia científica. Porto Alegre: EDIPUCRS. São Paulo: Pearson Prentice Hall. São Paulo: Atlas.ed. BERVIAN. 6.. 6. 2006. Metodologia Científica. . L. 2008. A. A. DA SILVA.ed. U. 2007.ed.