governo

,

IDE IAS PARA A AÇÃO MUNICIPAL
GS No 59

MARÇO I 96

------------------------------------------------------------------------------------------------~------

AÇAO

CULTURAL
DESCENTRALIZADA
Descentralizar a a,ão cul·
tural do governo munid
pai contribui para a demo
cratiza,ão da sodedade.

Um outro objetivo é desdobrar e multiplicar a
ação de secretarias e fundações ultrapassando
os "templos e nichos" culturais centrais para
aprofundar as relações com os diversos atores
locais, como sindicatos, movimentos sociais,
associações, entidades.
Com essa política, podem ser revitalizadas
diversas atividades locais; podem ser va lorizadas as expressões culturais das periferias
das cidades; também pode ser promovido o
acesso de toda a população à i.nfonnação e à
criação cultural, além de estimular a produção
local. Outro aspecto importante é a possibilidade de se "desprivatizar" certos espaços culturais, usados, em geral, para fins clientelísticos.


implantação de wna Política de Descentralização Cultural, conjugada
com as outras Políticas Públicas no mwlicípio ,
é um instrumento eficaz de democratização da
cultura ao permitir que todos os cidadãos tenham acesso às atividades de fonnação , aos
programas artísticos e aos projetos c ulturais.
Ajuda também a promover uma maior integração com a população e a dar lugar às manifesta~·ões da comunidade local.

A

O QUE É

descentralização das ações culturais
da secretaria, ftmdação ou outro órgão
de cultura é um mecanismo que visa dar transparência e visibilidade às ações de governo
nesse campo, divulgando as atividades e os
cursõs de fonnação. Ao mesmo tempo, coloca
à disposição da população os equipamentos
públicos de cultura.
Um dos objetivos dessa política é abrir espaços para que a sociedade local e o cidadão
comum parti cipem de fórw1s e da fonnulação
de políticas e projetos culturais para a região
ou bamo bem como para a gestão dos equipamentos.

N

EXPERIÊNCIAS

a cidade de São Paulo-SP (9 842 mil
hab. ), na gestão 1989-1992, a Secretaria Municipal de Cultura implantou tuna
Política de Cidadania Cultural para colocar a
cultura (fruição, difusão, criação do bem cultural e a participação nas deCisÕt!S sobre a
cultura na cidade) como direito dos cidadãos.
É nesse contexto que aparece a Ação Cultural
Regionalizada. O programa, 1111C!ado em
199 1, criou treze Coordenações Regionais
para atuar junto à população da cidade .
A idéia central do programa era trabalhar com
os diversos movimentos e entidades (sociais,
sindicais, populares, culturais), atuando em
conj unto com outras Secretarias Municipais,
estimulando o debate público sobre os problemas das regiões, promovendo eventos (aulas
públicas, mostras culturais, fómns, etc.), apresentando a ação cultural e a idéia de cultura
como direito dos cidadãos. Essas atividades
eram realizadas sempre pensando na
ocupação cultural de espaços sem determinação prévia, mas havia também um
tr.tbalho conjunto com as Casas de Cultur.t promovendo encontros e exposições
itincr.tntes pela cidade e incentivando a
formação de fóruns regionais de cultura.
(cf. Prestação de Contas 1989-1992).

Além da cultura, também eram tratados outros
temas: AIDS, meninos de rua, prostituição .
alimentação, ecologia. mananciais. Cada gmpo apresentava s ua~ demandas, que eram então discutidas entre agentes culntrais, administradores regionais e população . A mteração
com a Sociedade Civil foi intensificada neste
período . Apesar de o programa não ter sido
implantado como tuna Política de Descentralização Cultural porque a Câmara Municipal
não aprovou o ProJetO de Refonna Admullstrativa proposto pela Prefeitura, houve wna
descentralização de cunho político no sentido
amplo.
A experiência de descentralização da vida cultural de São José dos Campos-SP (468 mil
hab.) é uma propo sta do Consdho Deliberativo da Fundação C ultural "Cassia.tw Ricardo''
aprovada em 1993 para atender o mato r numero de usuário s em todas os seton:s culturais e
localidades do município . Para isso, em 1994,
foi cnado o Departamento de Ação Cultural
Descentraliz-a da, com a ftmção de nnplantar
uma política de descentralização baseada em
dOis pressupostos. o pnmeiro era a derm1ção
dos locais a partir de critérios sóc io-culturais.
orga.t1izações coletivas, e a geografia do município; o segundo era que houvesse pelo menos um agente cultural em cada local onde
fi.Incionaria essa ação .
Esta experiência tem dado ênfase ta.tnbém à
constituição das Casas de Cultura como marcos de referência para a população alguns
espaços foram edificados e outros fora.tn adaptados para o fazer cultural da população local
O importante nessa experiência é que tem se
pautado por quatro diretrizes que aponta.tn
tanto para a democratização da cultura como
para a democracia cultural, ampliando assim
conceitos jà estabelecidos:
a) a infonnação como direito do cidadão , potencializa.tldo a atuação dos agentes culturais
também como cidadãos~
b) a fonnação culh1ral como item forte que
propicia espaços mentais e fi sicos para a criação artí:>1ica. utilizando-se a~ oficinas culturais ~

c) a difusão visa garantir a distribuição e a
circulação dos bens culntrais produzidos na
cidade e região.

I

ão dá um peso maior e também mais condi. locms e ele referência) buscando a participação. o "Música de Domingo" e o "Música nas Igrejas". os Centros Culturms (centrms.. não garantia.ão. controle urbano e obras. em parccna com as Administrações RegiOnais.Editoração Eletrôni ca: Jamil R Santos (Pólis) . filmes. etc) . Apesar dos vários problemas que têm surgido.ão. com fóruns e debates abertos a todos. corre·se o risco de se ela· borar um proieto desco· lado das 11 fidelidades lo· cais 11 . Alguns resultados dessa experiêncw ajudrun a visualizar o que tem s1do feito: • Farmação: Cursos e palestras para formação de agentes culturais: "Arte nos Bairros" (60 oticinas) • Difusão: apresentação de concertos. apoio ao movimento Hip-hop e outros grupos. Em municípios pequenos ela também pode ser aplica· da. a continuidade do trabalho proposto.c-mailJXllis(alax.ao Iam· bém requer pessoas ha· bilitadas e capacitadas para um trabalho com as comunidades locais.o físico.897 pessoas. dan. foram realizadas seis oficinas para gmpos teatrms amadores.' CEP 04534-002 -São Paulo . Para a fonnação e a capacitação cultural.ão cultural descen· tralizada tem sido imple· mentada em !frandes e médios munic1pios. Também é possível com· patibilizar essas a.ão de Centros Culturais.d) a organização como um aspecto relevante da ação cultural que coloca a possibilidade de auto-gestão dos grupos.. culminando no projeto "Usina de Teatro".) vem de uma trajetóna de luta para implantar nos bairros uma ação cultural que respeitasse o que já era feito nas diversas comunidades desde a década de 70. principalmente nos setores de saúde. é importan· te a constru.a. Poae·s e ut iliza r também os equipamen· tos históricos desativa· ctõs.. A Ação Cultural Regionalizada de Belo I lonzonte trouxe resultados de importância vitul para a renovação e a inovação culttrral no mU111CÍpiO: Os "Circuitos Cultmai s RegiOnalizados" m1iculam os movimentos culturais. Bairros atendidos: 8 Casas de Cultura implantadas: 3 A experiência da cidade de Belo HorizontL'MG (2. Esta coleta de da· dos serve inclusive para definir '-rioridades da a. regionms. teatro. descentralizadas locais) 1 r+ L----. não have ndo nenhum local apropriado. pode-se usar uma escola ou biblioteca pú· blica para cursos ou ofici· nas (vídeo. h gado à "Saúde Mental" A ação cultural também trabalhou com projetos relaciOnados à Memóna e Patrimômo.~­ dem exercer a fun. que po· derão ser formulados proietos culturais especí· ticos para cada região. com um viés muito academicista. Um outro aspecto impor· tante é o trabalho inte· grado com outras secre· farias e administrasões regionais.Revisão Vcronika discutindo-as com o pú· blico. investimento nos gmpos artísticos e a realização de projetos pcnnanentes como o "Praça Sete Seis e Meia". ~----------------------~~IMPLANTAÇÃol~----------------------~ Para a implanta. vídeos. O apoio das administra.-----' • Reuniões periódicas (avaliação das ações) I Consolidação da ação cultural Ll_d_e_sc_e_n_tr_a_Iiz_a_d_a---'1 r-I Autor: Valmir de Souza. apoio a Fanzines dos bairros.ões regio· nais pode ser fundamen· tal para o funcionamento de uma a. E a '-artir destas "escutas" e ilas audiências públicas. A partir de 89. Pode-se trabalhar com a idéia de que certos e~ui· pamentos com outra fun· . Este agente cultural precisa saber ouvir as asp•ra.ão de Casas de Cultura (veia DICAS 111!! 36) para cada região. As discussões em tomo da descentralização cultural foram consolidadas no "Plano de Ação Cuitmal Regionalizada" que.-.ão deste tipo.ão de uma afão cultural des· centralizada é necessá· ria uma atividade ante· rior como par t e do planeiamento: fa zer um mapeamento das regiões ou bairros e vilas. 4621r-. Foi nessa época que começou a experiência de descentralização das ações culturais. Mui· tas vezes o cidadão da ro. bem como de seus respectivos projetos culturais. 76 . apesar de dar algtms nortes para essa ação. Envolver toda a administra. difundem a produção cultural local e criam espaços de convivência para a população .a procura no centro uma atividade que pode· ria encontrar numa esco· la de bairro. voltado para a população sem-casa: "Projeto de Intervenção Cultural nos Alojamentos". Rua Joaquim Floriano. levan• tando dados sobre equi· pàmentos públ icos e também sobre manifes· tu.ão nos bairros. Público atendido: de 1993 a I 995. Sem este agente.ão podem ser aproveita· dos para a t iv idade s culturais. A a. em SI. ~. adaptando-os p~u a as atividades: casas his· tóricas. com grande efeito multiplicador: os alunos retomaram o seu conhecunento teatral para a<> suas comunidades Em relação às Políticas Púbhcas c a Cultura.Consultor: Hamilton Faria.ões JN!ra essa atua. por exemplo. mmtos avanços pudermn ser constatados: organização dos movimentos culturais. capoeira.~li~sDICAS: (O ll) 822-9076.-·. fortalecimento das comissões setoriais da Fundação Cultural "Cassiru1o Ricardo": parcerias em atividades com Saúde Mental: apoio ao "orçrunento partic1pativo". educação.ões com um plano de governo local. movimentos e das comunidades.-. cinema. foram realizadas três expcnênCias de destaque "Projeto Acrunpados" . lite• ratura. Implantou. através da Secretana Mumcipal de Cultura..SP.. FLUXOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DA AÇ~O CULTURAL DESCENTRALIZADA NO MUNICIPIO Mapeamento das Regiões Audiências públicas ·1 Implantação de práticas (prioridades -. democratização c difusão artístico-cultmal. Por exemplo: em trabalho coniunto com a Secretaria de Edu· ca. considerando-se que há distritos e vilas dis· tantes das cidades.ão deve definir em coniunto uma estratégia que en· volva as políticas sociais do governo. as refonnas administrativas auxiliaram muito o processo de descentralização.ões culturais iá exis· tentes. Essas co· munidades "sem voz 11 na sociedade têm uma ma· neira própria de comuni· car suas necessidades culturais e sociais. • Organização: reuniões com as comunidades. incentivo a bibhotecas comunitárias.apc org . A admlnistra. peças teatrms (nos bairros) Infonnação registro em vídeo e relatório das ações culturais. ar tesanato.060 mil hab. Quan· to ao espa. que trabalhou com tàmílias transferidas de áreas de risco para alojamentos: e tun projeto em parcena com a Secretaria Municipal de Saúde.ões e perceber as carências. divulgação das atividades culturais da cidade. Implantar uma política de descentraliza.