PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

VOLUME ÚNICO
Von Knoblauch, Carlsbad. Direito Processual Penal: Aplicado a atividade Policial Militar –
CFSd – 2014 2.ed. (INTRODUÇÃO, IMUNIDADES, INQUÉRITO POLICIAL E AÇÃO
PENAL, COMPETÊNCIA; PROVAS; PRISÕES; JUIZADOS ESPECIAIS; DIREITO
PROCESSUAL APLICADO NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E REVISÃO) –
Atualizado até 27/10/2014 – Material voltado para estudos livres, a PMSC não tem
qualquer responsabilidade no tocante a comentários ou atualizações do conteúdo. 81p.
Proibida a reprodução total ou parcial dos comentários do autor, sem citar a fonte.
A distribuição é autorizada desde que gratuita.

AUTOR:
Carlsbad Von Knoblauch

MINICURRÍCULO DO AUTOR:
Oficial da PMSC, atualmente no posto de Capitão, ingressou na PMSC em 1999 como Cadete,
formou-se em 2002 na APMT, graduado em Segurança Pública pela PMSC/UNIVALI, 2002, em
Direito pela UNIVALI, 2006, pós graduado em Direito Penal e Processo Penal pela Escola do
Ministério Público de SC, 2008 e em Administração da Segurança Pública pela ESAG/UDESC,
2014. Trabalhou 7 meses na Companhia de Herval D´Oeste, 2 anos no CEPM, 4 anos no 7º BPM,
10 meses na Casa Militar, 4 anos no BOPE, 9 meses no 4º BPM e atualmente é Comandante da
1ª Companhia do 7º Batalhão (São José lado oeste da BR-101, São Pedro de Alcântara e PPT).
Ministra aulas desde 2003. Coordenou o sistema de ensino EaD do CFC I, II e III. Coordenador e
Professor de Diversas Disciplinas.
E-mail para contato: carlosvon81@gmail.com

CADERNO DE ESTUDOS E SUA DIVISÃO:
OBJETIVO 1: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL PRINCIPAIS PRINCÍPIOS E IMUNIDADES (6H/A)
OBJETIVO 2: INQUÉRITO POLICIAL (1H/A)
OBJETIVO 3: AÇÃO PENAL (3H/A)
OBJETIVO 4: COMPETÊNCIA (¹/²H/A)
OBJETIVO 5: PROVAS (4 ¹/² H/A)
OBJETIVO 6: PRISÕES (5 H/A)
OBJETIVO 7: JUIZADOS ESPECIAIS E POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO (2 H/A)
OBJETIVO 8: DIREITO PROCESSUAL APLICADO NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E
REVISÃO (5H/A)

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PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

MENSAGEM DO COORDENADOR DA DISCIPLINA
Prezados(as) Alunos(as),
Sejam bem-vindos a disciplina de Direito Processual Penal, especialmente desenvolvida
para as Atividades Policiais Militares.
Procurei neste material, de modo singelo, expressar conteúdo suficiente para que, em 30
horas aulas, o instrutor possa ensinar o que há de mais importante nesta ferramenta de
aplicação do direito material (direito penal) que é o Processo Penal.
O processo penal está intimamente ligado às ações mais arriscadas da nossa atividade e
seu domínio é fundamental para o sucesso em prisões, levantamento e preservação de
provas, tratamento correto a autoridades, uso da força, busca pessoal e domiciliar,
lavratura de termos circunstanciados, etc.
Este material foi elaborado tentando trazer situações comuns do dia-a-dia policial militar,
que envolvem a disciplina de processo penal. Não é um conteúdo voltado para concursos,
mas sim um manual de procedimentos ligados ao processo penal, cuidados essenciais e
atuações policiais padronizadas em ocorrências mais comuns atendidas por nós, com
exemplos reais, jurisprudência atual e doutrina, tudo num linguajar o mais simples e
dentro da realidade da caserna possível.
Todo conteúdo lecionado deve dar prioridade a aplicação prática, portanto, além do
conhecimento, busque verificar a importância do que lhe é repassado.
Com um bom conhecimento de Processo Penal, vocês serão capazes de atuar técnica e
profissionalmente, dentro do que preconiza a legislação brasileira, evitando incorrer em
crimes e transgressões, e tendo maior probabilidade de êxito em ver a aplicação correta
da lei penal ao infrator, em sentido oposto, você ficará frustrado ao ver o transgressor
solto por erros em atos equivocados por você cometidos.
Participe, questione, solicite exemplos, o seu instrutor tem vivência policial militar, como
nenhum outro instrutor de Processo Penal universitário costuma ter, portanto, aproveite!
Nas ocorrências, lembrem-se dos ensinamentos, do que é legal, ilegal, lícito ou ilícito,
ajam sempre com ponderação e segurança, o nosso bem mais precioso é a vida,
preservem as suas e de seus irmãos de farda, bem como a do cidadão.
Desejo sucesso em suas carreiras e não haverá obstáculo que não possa ser vencido, se
andarem com e como os justos.
Bons estudos e estaremos juntos ao longo dessa nova e provavelmente longa caminhada!
Capitão PM Carlsbad Von Knoblauch
Coordenador Estadual da Disciplina de Legislação Institucional e Direito Processual Penal

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PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL
1. A legislação citada vem dentro de caixas de texto com a letra levemente reduzida.
2. Anotações pessoais utilizam esta fonte em itálico, sendo algumas frases principais
negritadas.

3. Ao longo do texto você encontrará ícones como este:
esse símbolo
representa assuntos de suma importância que, portanto, tem MAIOR PROBABILIDADE
de serem cobrados na verificação de aprendizagem. Mas é importante ter em mente que
todos os assuntos aqui tratados são importantes.

4. A imagem do policial militar
representa que aquela parte do assunto está
intimamente explicada com exemplos reais ou voltados para a prática dos serviços da
nossa instituição.

Sumário
AUTOR: ............................................................................................................................................................. 1
MINICURRÍCULO DO AUTOR: ....................................................................................................................... 1
CADERNO DE ESTUDOS E SUA DIVISÃO: ........................................................................................................... 1
MENSAGEM DO COORDENADOR DA DISCIPLINA ............................................................................................. 2
ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL .......................................................................................................................... 3
OBJETIVO 1: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL - PRINCIPAIS PRINCÍPIOS E
IMUNIDADES (6H/A)......................................................................................................................................... 8
1.1.

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS (1H/A) ..................................................................................................... 8

1.1.1.

Conceito de direito processual penal........................................................................................ 8

1.1.2.

Sistemas processuais penais ..................................................................................................... 8

1.1.2.1.

Sistema inquisitivo ............................................................................................................ 8

1.1.2.2.

Sistema acusatório............................................................................................................ 8

1.1.2.3.

Sistema misto ................................................................................................................... 9

1.1.2.4.

Adotado no Brasil – Sistema Acusatório ........................................................................... 9

1.1.3.

Lei processual penal no espaço ................................................................................................ 9

1.1.4.

Aplicação da lei processual no tempo....................................................................................... 9

1.2.

PRINCÍPIOS IMPORTANTES APLICADOS AO PROCESSO PENAL (1H/A).............................................. 9

1.2.1.

Verdade real ............................................................................................................................. 9

1.2.2.

Legalidade................................................................................................................................. 9

1.2.3.

Indisponibilidade .................................................................................................................... 10
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1.2.4.

Publicidade ............................................................................................................................. 10

1.2.5.

Contraditório .......................................................................................................................... 10

1.2.6.

Devido processo legal ............................................................................................................. 10

1.2.7.

Presunção da inocência .......................................................................................................... 10

1.2.8.

Inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos ......................................................... 10

1.3.

A LEI PROCESSUAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS (4H/A)..................................................................... 17

1.3.1.
Atendimento de ocorrência envolvendo pessoas com prerrogativa de função (imunidades) –
POP 304.31 ............................................................................................................................................. 17
1.3.2.

Crimes inafiançáveis – Fundamentação legal ......................................................................... 17

1.3.3.

Resumo ................................................................................................................................... 19

1.3.3.1.

Crimes inafiançáveis do dia a dia policial militar............................................................. 19

1.3.3.2.

Racismo x Injúria racial ................................................................................................... 20

1.3.4.

Breves apontamentos sobre as imunidades ........................................................................... 21

1.3.5.

Atuação policial em cada situação prevista no POP 304.31.................................................... 21

1.3.5.1.

Autoridades Diplomáticas e Presidente da República..................................................... 21

1.3.5.2.

Parlamentares................................................................................................................. 22

1.3.5.3.

Magistrados e membros do Ministério Público .............................................................. 23

1.3.5.4.

Advogados ...................................................................................................................... 24

1.3.5.5.

Militares .......................................................................................................................... 25

1.3.5.6.

Policiais Civis e demais funcionários da SSP.................................................................... 26

OBJETIVO 2: INQUÉRITO POLICIAL (1H/A) ...................................................................................................... 28
2.1.

CONCEITO E OUTROS TÓPICOS....................................................................................................... 28

2.1.1.

Inquérito Policial x Termo Circunstanciado ............................................................................ 28

2.1.2.

Características ........................................................................................................................ 28

2.1.2.1.

Realizado pela Polícia Judiciária ...................................................................................... 28

2.1.2.2.

Inquisitivo ....................................................................................................................... 28

2.1.2.3.

Sigiloso ............................................................................................................................ 28

2.1.2.4.

Escrito ............................................................................................................................. 28

2.1.2.5.

Dispensável ou prescindível ............................................................................................ 29

2.1.3.
2.2.

PEC 37 E A INVESTIGAÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.................................................................. 29

2.2.1.
2.3.

Finalidade ............................................................................................................................... 29
Valor probatório do IP ............................................................................................................ 30

INÍCIO DO INQUÉRITO POLICIAL ..................................................................................................... 30

2.3.1.

De ofício:................................................................................................................................. 30

2.3.2.

Por requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público .......................................... 30

2.3.3.

Mediante representação: ....................................................................................................... 30

2.3.4.

Mediante requisição: .............................................................................................................. 30

4

........2....................... Prazos para representação / requerimento do ofendido e representante ...... 40 5...................................................... Sistemas de apreciação – Sistema da livre (não íntima) convicção ou da verdade real ou do livre convencimento ou da persuasão racional .....................2............ 3......... 35 3..........4............ efetivamente são comuns no serviço de Polícia Ostensiva? ...................................................... efetivamente são comuns no serviço de Polícia Ostensiva? ................2.....................1..................................... CONCEITOS E OUTROS ASPECTOS (¹/² H/A) .......................................... 40 5......3............... 2....1..... 30 2.................................................................................................... Identificação .... 38 4.... INDICIAMENTO..............................2........................4....5..2............................ Indiciamento. 40 5..................................2....4.................................. 34 3................ LOCAIS PARA CONDUÇÃO DO DETIDO ...........2......................2......................... CONCEITO ...2........................2..........4............................................................... 33 3.... 38 4..................2..........2.................................... Importância do PM submeter-se a exame de corpo de delito ..3...... 30 2...........................................................4..2............. Rol de delitos que dependem de representação ......3.............. 31 2............................................... Lei Maria da Penha x Lei 9....................2...2...................................1.......... Crimes de ação penal pública incondicionada .................................1............ 32 3......... 39 OBJETIVO 5: PROVAS (4¹/² H/A)...................................................3. Crimes de ação penal privada ......2..................1.........................................................................1. TIPOS DE PROVAS ......... 40 5...................4.................................................................................... Outros casos .......................................................................................... PRAZO E DILIGÊNCIAS .....2....................4............................................... 32 3.......2....................................5......1................1.. Diligências .........................................3............................................................. Prazo comum: ...... ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL E A IMPORTÂNCIA NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR .............................. 38 4.................................4. Quais destes....4..3.. 32 Crimes de ação penal pública condicionada a representação ...... CONCEITO ................. 31 2.......................................................3.............................. 41 5............... 31 OBJETIVO 3: AÇÃO PENAL (3H/A) ...............2...............2.............................. Delegacia de Polícia Civil (Polícia Judiciária Estadual) .................1.......................................2.............................. 30 2.......1........ Mediante requerimento: ............... 32 3................1................................. Rol de delitos que dependem de representação ..1........................... Exame de corpo de delito e perícias em geral (¹/² H/A) ........................................... 34 3............2......1............................ Identificação .......099/95 ............................6.............................................................. Delegacia de Polícia Federal (Polícia Judiciária Federal) ..............................................................1... Quais destes..........................................2....................................................... 34 3...................PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares..... Pelo Auto de Prisão em Flagrante:.................................... 34 3....................2............ 38 4....................2................................3.....................................................................................1.....3....2...................2.. 41 5 ... 38 4................. 32 3................................... Para os crimes de tráfico: ....3.. Meios de prova .... 30 2............................................................................3........... Prazo para os crimes de competência da Justiça Federal: ...2........ 30 2................................................... 35 3...2............... 41 5.......................................................................... 33 3...... Identificação ................................ 33 3...............................................................1.......... 35 OBJETIVO 4: COMPETÊNCIA (¹/² H/A) ..........................

.............. Indícios e presunções (1 H/A) .2....... ou verdadeiro) (1 H/A) .............. 72 7......................1..........3.....2..................................................4 – BO-PA..............6.......................2.....2.................2.. Prisão Temporária ..........................2............1....... 54 Flagrante Impróprio (ou irreal..2.........1............2....................................... Flagrante Presumido (ou ficto......................................................................... 70 iv.............................. 2................ Depoimentos de policiais ............... 71 OBJETIVO 7: JUIZADOS ESPECIAIS E POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO (2 H/A) ............. A...............2............................................. Exercício (Leia e responda): ..... Busca pessoal..........................8....... 72 7............... 43 5.......... 45 5. 49 PROVAS ILÍCITAS (¹/² H/A)......................................................................................... Apreensão de armas ........1.................................... PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO.. 42 5............... 68 Outras observações pertinentes sobre flagrante delito ................. Testemunhas e ofendido (1 H/A)...1.................... Prisão Preventiva ......... 44 5.............................................................................. 67 5.................... 67 4.......... 5................................................................................ 51 6........2................................................................................2............2..................................................................... 60 C.................................................................5............................2................... PRINCÍPIOS GERAIS ....2............. 47 5........ 67 D.1...................................................................PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares...........3................................2................................8......9.......................... 51 6.............................................................. Busca domiciliar e o ingresso em flagrante delito ............................. QUAL REFLEXO NO SERVIÇO POLICIAL MILITAR? – POP 305............................ Interrogatório .................... 51 6..................................................................................................... Alguns Flagrantes Inválidos (1 H/A) ....................................................................................................................................2....1................................3.. 71 v........................................................ Apreensão de drogas .............................. PRISÃO EM FLAGRANTE – POP 305............................................ 42 5............................................... 54 Exercício (Leia e responda): ........................... Documentos ...............................................1...3............. Reconhecimento das pessoas e coisas.......................... 46 5..............7.......... Exercício (Leia e responda): ........... Confissão ................ Busca domiciliar ................................... 50 OBJETIVO 6: PRISÕES (5 H/A) .1....................................................1...... 47 5....................... Exercício (Leia e responda): ..........................................................................................2......................................... Outras espécies de Flagrantes Válidos.............................................................1.................................. Mandado de prisão (¹/² H/A)........................................... 61 3....................... 45 5..............................................................3..............................................................2....................................................................................... 46 5... ou quase-flagrante) (1¹/² H/A) ....... 53 6.................... Busca e apreensão (1 H/A).........................9..... Ingresso em residência por suspeita de delito x descriminante putativa ................ 44 5...... Acareação ......................................................9....2 ................4.........................................................8........1.....................................................................9............. 5.. PRISÕES PROVISÓRIAS .. 6............................ 42 5.. 72 7......... 73 6 .................................1............................................ 59 B.2................................ Flagrante Próprio (ou real......1...............2...................................................................................... ou assimilado) (¹/² H/A) ............. 45 5..............4....................................2............... 44 5......9............................................................... 52 6......... Uso da força e algemas (¹/² H/A)...............................

.................. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES........................... Tráfico ilícito de drogas (1 ¹/² h/a) ....................2............2............................................................................... 78 8................................................. Maria da penha com agressão (1 h/a) ...........1..... 77 8.......................3........................................................................... 79 8........ POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO (POP 304..... Maria da penha apenas com ameaças e injúrias (1 h/a).......................... 7...........7) – 1H/A ..... SIMULAÇÕES DE OCORRÊNCIAS (4 H/A) ...4......................................... 78 8..2.............................. Oferecimento de drogas para juntos consumirem – art......5.... 33 §3º (¹/² h/a) . 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UTILIZADAS E RECOMENDADAS.....................................................1........2...2.....................2....................... 73 7..................... DA SEGURANÇA ... 81 7 ...... REVISÃO PARA A VERIFICAÇÃO FINAL (1 H/A) ......................... 77 8.... 74 OBJETIVO 8: DIREITO PROCESSUAL APLICADO NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E REVISÃO (5 H/A)............................. 77 8.............4............PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares............................... 80 8.................................................................................3...................................

Na visão do autor.1. SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS A doutrina preconiza três sistemas processuais básicos: 1. já que. os procedimentos que devem ser observados nos crimes de ação penal privada e pública condicionada. a verificação. amplos poderes são concentrados em apenas um órgão. havendo a quebra da ordem. cuidados no levantamento das mesmas. 1.1. p.2. cabendo a partes idôneas os papeis de acusação 8 . o direito penal possivelmente deverá ser imposto.PRINCIPAIS PRINCÍPIOS E IMUNIDADES (6H/A) 1. podemos dizer que no Direito Processual Penal: Encontraremos os regramentos legais que fundamentam a busca pessoal.1. mas inútil. OBJETIVO 1: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL . indispensável ao serviço policial militar.1. preservação. eis que. se o policial não souber aplicá-lo desde o início. Dica: lembrar das “santas inquisições”. levantamento de provas.1. teremos que seguir os regramentos do Direito Processual Penal.1. o direito penal. O direito processual penal permite. Sistema inquisitivo Um único órgão detém poderes para acusar e julgar. 1.2. É uma ferramenta. Mas existem diversas normas vigentes que tem caráter processual e afetam a aplicação do direito penal. a possibilidade do uso regrado da força. estão concentradas no Código de Processo Penal (Decreto-lei nº 3. mas para isso. de nada valerá o conhecimento de direito penal. julgamentos realizados entre os séculos XV e XIX para tentar extirpar heresias do catolicismo. doravante denominado CPP. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS (1H/A) 1.1. veicular e domiciliar. os procedimentos a serem tomados ao flagrar um delito (seja de menor ou maior potencial ofensivo).689.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. os cuidados a serem tomados nas prisões. Deste modo o julgador é imparcial frente ao processo. do contrário teríamos um material interessante. fundamentais. ferramenta indispensável para permitir e tornar útil o direito penal. já que inaplicável por falta de ferramenta.45): Direito Processual Penal é o conjunto de princípios e normas que disciplinam a composição das lides penais. Numa visão bem simples. Sistema acusatório Existe uma clara separação entre os papéis de acusação e julgamento. de 3 de outubro de 1941). tomando-se como base as referências citadas ao final do material. princípios e regramentos constitucionais. o direito processual penal seria o martelo. analisar e julgar os supostos hereges / pecadores. se o direito penal fosse um prego. adaptando a realidade policial militar. aplicar legalmente. é um importante ramo do direito na atividade de Polícia Ostensiva.2. inclusive. por meio da aplicação do Direito Penal objetivo. As normas processuais penais em geral. na qual a autoridade religiosa detinha o poder de acusar. Desta feita. CONCEITO DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Conforme Capez (2013.2. dentro do que preconiza a lei.

inciso XL da CF.2. dará início a ação penal. no sistema acusatório. não é conduzida por juiz.3. PRINCÍPIOS IMPORTANTES APLICADOS AO PROCESSO PENAL (1H/A) 1.1. Nessa fase não há contraditório e ampla defesa. 1. pois não há o que se falar em processo ou contraditório. pois é uma fase inquisitória. VERDADE REAL Diferente do processo cível. devendo agir conforme preconiza a lei. pré-processual. 2013. a autoridade que preside o Inquérito deve conduzi-lo com discrição e sigilo. mesmo a processos em andamento.4.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. oferecerá a denúncia (queixa-crime se privada) que. 1. em crimes de ação penal pública incondicionada. É um sistema utilizado em alguns países europeus. e defesa que possuem tratamento igualitário. Adotado no Brasil – Sistema Acusatório O Brasil adota o sistema acusatório. 9 . defesa e juiz. pois a elas. se o integrante do Ministério Público (ou ente privado no caso de crime de ação penal privada) possuir material que leve a sua convicção a existência de delito e autoria. depois.33). não se aplica o regramento constitucional do artigo 5º. Logo. não se conformando com a verdade formal. não deixam de ser consideradas normas processuais penais). e por conseguinte. Exceção para os crimes de ação penal pública condicionada a representação ou ação penal privada. iniciar ou não a fase acusatória. o Juiz do processo penal. 1.1. com o devido processo legal.2. ressalvadas exceções enumeradas no artigo 1º do CPP. contraditório e ampla defesa.2. p. que remetem a regramentos especiais alheios ao CPP (entretanto. um Juizado de Instrução (adaptado de LENZA. nem mesmo discricionários em certas ocasiões. Sistema misto Existe uma fase investigatória e preliminar que já é conduzida por um juiz. diferentemente das penais.3. onde vige o princípio da oportunidade. 1. existe uma fase investigatória e preliminar.1. com independência entre acusação. Só após. LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO As leis processuais penais aplicam-se para todas as infrações penais cometidas em território brasileiro. 1.2.1. se aplicam imediatamente. LEGALIDADE Todos os órgãos envolvidos na persecução penal não possuem poderes arbitrários. dando o direito a defesa sempre ter a última manifestação.2. deve buscar a verdade real. não dá direito a ampla defesa. mas é considerada administrativa. 1.4. agora sim. os fatos como se deram na realidade. sim. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO As leis processuais.1. se aceita pelo Juiz. para só então.2.

). permitindo contraditar.são inadmissíveis.2. em redes sociais. salvo exceções previstas em lei.2. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. 10 . 1. 1. sob pena de nulidade processual. imputando a elas. LVII . DEVIDO PROCESSO LEGAL Garante a pessoa o direito a somente ser privada da liberdade ou de seus bens após um processo desenvolvido nos termos da lei. violação de sigilo profissional. nem do recurso interposto.5.7. no processo. 1. 1. Provas ilegítimas produzidas com violação a regras de (descumprimento de prazos. tanto as provas ilícitas quanto ilegítimas. fatos criminosos ainda não comprovados (transitados em julgado) ou vexatórios.2. tem direito de conhecer claramente os fatos a ele imputados. São inadmissíveis. natureza processual Ambas são inadmissíveis. São proibidas no processo penal. isso não pode. PUBLICIDADE Vigora o princípio da publicidade dos atos processuais e sessões. CONTRADITÓRIO O acusado em processos em geral.6. devendo ser desentranhadas do processo.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Importante lembrar ainda que os “crimes contra a dignidade sexual” correm em segredo de justiça. INDISPONIBILIDADE A autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial.4. 157. o Ministério Público não pode desistir da ação penal pública. as provas ilícitas. em hipótese algum ser confundido com a publicação indevida e ilegal de imagens não autorizadas de pessoas.2. entretanto. manifestar-se em contraponto a cada um deles. etc. conforme artigo 157 do CPP: Art. 1. 1. Importante o policial militar atentar-se para cuidados em divulgar imagens ou imputar fatos apenas pelo ato da prisão. as provas obtidas por meios ilícitos.3. Provas ilícitas são as produzidas com violação de regras de direito material (ilícito penal.2. INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS Artigo 5º da CF.8. Deste princípio e regramento constitucional decorrem uma série de cuidados a serem tomados na atividade policial. PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA Artigo 5º da CF. inciso LVI . civil ou administrativo). assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. em especial.2.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras.

NULIDADE DO FEITO DECLARADA. não servindo para nada. DENÚNCIA REJEITADA (ART. 023. Nos exemplos do mestre Capez (2013. AMBOS DA LEI N. o flagrante será “quebrado” sendo o preso solto imediatamente! Esse assunto será melhor abordado ainda no capítulo que trata sobre provas. mais pagamento de 60 (sessenta) dias-multa. rejeitar a denúncia. próprios da investigação ou instrução criminal. da comarca da Capital (2ª Vara Criminal). TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. RECURSO DA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE OUTRAS PROVAS AUTÔNOMAS APTAS A DEMONSTRAR A MATERIALIDADE E A AUTORIA.613/1998). DA LEI N. e determinar.011673-0. quanto as derivadas delas. PRELIMINAR DE NULIDADE PROCESSUAL.038698-3. ELEMENTOS PROBATÓRIOS CONSIDERADOS INVÁLIDOS. assim que chegar a efeito o conhecimento de que a prova é ilícita. TEORIA DOS "FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA". pelo MM. observe a jurisprudência seguinte e responda aos questionamentos.343/2006) E LAVAGEM DE DINHEIRO (ART. RESTITUIÇÃO DE BENS APREENDIDOS. Custas legais RELATÓRIO Os apelantes foram condenados. Juiz de Direito da 2ª Vara Criminal da comarca da Capital. OCORRÊNCIA. em regime inicial aberto. em que são apelantes Jair Gregório da Cunha e outros. o emprego do detector de mentiras. Se frustrar pois verá seu “trabalho” inutilizado. para o momento. CPP). PREFACIAL ACOLHIDA. PORQUE REALIZADAS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. 11. 2008. por seu Promotor: ACORDAM. sendo a denúncia rejeitada e devolvidos os bens (dinheiro) aos requerentes! Apelação Criminal n. ILEGALIDADE DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS RECONHECIDA NA SENTENÇA CONDENATÓRIA. nos autos da ação penal n. Newton Varella Júnior APELAÇÕES CRIMINAIS. ainda. mais pagamento de 50 11 . seguindo os trâmites típicos e de praxe. CAPUT. p. 2008. E 35. 395. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PROVAS ILÍCITAS POR DERIVAÇÃO. 33. em Primeira Câmara Criminal. acolher a preliminar arguida pelos réus Jair Gregório da Cunha e Jaison Gregório da Cunha e. a interceptação telefônica sem autorização judicial. § 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só. da Capital Relator: Des. por votação unânime. facultado às partes acompanhar o incidente. e apelada A Justiça. você poderá se frustrar e ser acusado de abuso de autoridade se praticar atos. Esse tema é muito importante. RESULTANDO NA PRISÃO EM FLAGRANTE DOS RÉUS. em regime inicial fechado. 9. no valor unitário mínimo. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (ARTS. 1º. na qual dois presos foram “liberados” por terem as provas consideradas derivadas da interceptação telefônica ilegal pela DEIC. III do Código de Processo Penal. com base no art. esta será inutilizada por decisão judicial.05. § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível. tanto as provas ilícitas. a restituição dos bens apreendidos nos autos. III.011673-0. Vistos. visando a obtenção de provas ilegais ou ilegítimas. nos seguintes termos: Jair Gregório da Cunha. relatados e discutidos estes autos de Apelação Criminal n. e de 3 (três) anos de reclusão. INVESTIGAÇÃO POLICIAL REALIZADA EXCLUSIVAMENTE COM BASE NAS ESCUTAS TELEFÔNICAS ILEGAIS. CAPUT.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. julgando prejudicada a apreciação das demais matérias recursais. RECURSOS PREJUDICADOS NAS DEMAIS MATÉRIAS. às penas de 3 (três) anos e 6 (seis) meses de reclusão. ela será desentranhada dos autos. a confissão obtida mediante tortura. APLICAÇÃO. as cartas particulares interceptadas por meios criminosos”. 395. I. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO PENAL CONFIGURADA. seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.83): “diligência de busca e apreensão sem prévia autorização judicial ou durante a noite. Observe que são inadmissíveis e inutilizadas.

1º. não sendo o caso. os autos ascenderam a esta Superior Instância. em síntese. em regime inicial aberto. respectivamente. em regime inicial fechado. pela redução das penas-base. conheço dos recursos. no valor unitário mínimo. aduzem que não houve condenação pelo crime antecedente. mais pagamento de 10 (dez) dias-multa. assim. Momentos após. § 4º. opinado pelo conhecimento e não provimento dos reclamos. 6. pela aplicação do art. respectivamente. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade. que agentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais . em regime inicial aberto.343/2006. pela prática. No mérito. no que se refere ao delito de associação para o tráfico. então. pois na própria sentença foi reconhecida a ilegalidade das interceptações telefônicas que motivaram a acusação. de modo que as demais provas dela consequentes são igualmente viciadas. bem como à 4 (quatro) anos de reclusão. § 4º. às penas de 3 (três) anos e 4 (quatro) meses de reclusão. 9. ressaltando. no valor unitário mínimo. especificamente para o crime de tráfico. Jaison Gregório da Cunha. em regime inicial fechado. Aline Cechetto Back. mais pagamento de 50 (cinquenta) dias-multa. Robison Westphal.613/1998. sendo descabida a sua condenação pelo delito de lavagem de dinheiro. principalmente porque não foi realizada a necessária perícia de voz nas interceptações. 12 e 14. interceptaram uma ligação telefônica entre o apelante Jair (vulgo "Caio") e uma pessoa identificada por "Jimi". mais pagamento de 60 (sessenta) dias-multa. Narra a denúncia. mais pagamento de 13 (treze) dias-multa. 33. que não era mais namorada do corréu Jair à época dos fatos. bem como à 4 (quatro) anos de reclusão. dos crimes descritos nos arts. ambos da Lei n. da Lei n. a nulidade do processo. tendo a douta ProcuradoriaGeral de Justiça. Postulam. 33.613/1998. em regime inicial aberto. no valor unitário mínimo. No dia seguinte.368/1976. No mérito. da Lei n. 9. em preliminares: a nulidade da sentença pela não apreciação de teses defensivas relativas à ausência de autoria e de materialidade dos crimes. mais pagamento de 60 (sessenta) dias-multa. às penas de 3 (três) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Irresignados. (cinquenta) dias-multa.343/2006. a ausência de provas de que o veículo teria sido adquirido com valores provenientes do tráfico de drogas.368/1976. Aline Cechetto Back argúi. 11. e de 3 (três) anos de reclusão. Pugna. e quanto ao crime de lavagem de dinheiro. I. pelo afastamento da causa especial de aumento de pena no crime de lavagem de dinheiro. 12 e 14. em regime inicial aberto. ainda. aduz que a condenação está embasada em uma única conversa ocorrida cerca de dois meses antes da prisão em flagrante dos corréus. defende que a aquisição do veículo por ambos foi lícita. pela redução das penas ao mínimo legal e. pela prática. alegam a fragilidade probatória para demonstrar a autoria do réu Jair. respectivamente. pela prática do crime descrito no art. 6. Jair Gregório da Cunha e Jaison Gregório da Cunha suscitam. os policiais dirigiram-se ao local e observaram "Jimi" e uma mulher não identificada chegando em um veículo. pela sua absolvição ou. e de 3 (três) anos de reclusão. por descrição genérica e confusa dos fatos. onde este entregaria certa quantidade de droga na residência de Jair. a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos e a alteração do regime inicial de cumprimento da reprimenda para o aberto. em seu patamar máximo. I. os policiais interceptaram outra ligação em que Jaison comunica a Jair que recebera a droga. ambos da Lei n. em parecer da lavra do Exmo. permanência e estabilidade. no valor unitário mínimo. Dr. no valor unitário mínimo. 6. além da não especificação das conduta dos apelantes. requerem a aplicação do art. a nulidade da interceptação telefônica no tocante ao diálogo em que a apelante é apontada como interlocutora. tendo "Jimi" entrado na residência e logo após ligado para a referida mulher autorizando-a a entregar a substância para o recorrente Jaison. ambos da Lei n. 12 e 14. pela prática. Sr. em seu patamar máximo.368/1976. dos crimes descritos nos arts. porque não realizado o exame específico de identificação das vozes. ainda. ocasião em que os agentes públicos dirigiram-se à residência de Jaison e o 12 . por fim. 11. os réus interpuseram apelação criminal. pela prática do crime descrito no art. Salienta. em preliminar: a inépcia da denúncia. no dia 7 de setembro de 2005. argumentam que não restaram evidenciados os requisitos de animus associativo. no valor unitário mínimo. da Lei n. especificamente em relação do crime de tráfico. 1º.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. mais pagamento de 50 (cinquenta) dias-multa. da Lei n. e pela substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. dos crimes descritos nos arts. Contra-arrazoados os apelos. o qual é elemento nuclear do delito em questão. no valor unitário mínimo. pela restituição dos bens apreendidos.Deic vinham investigando os apelantes sobre a prática do comércio ilícito de entropecentes quando.

Que o Depoente ouviu quando houve o contato telefônico entre uma mulher e o indivíduo conhecido apenas por "Jimi" [.. 16/17): Que o Depoente e outros policiais da Divisão de Repressão a Entorpecentes da DEIC estavam monitorando há dois meses atrás as atividades delituosas do indivíduo conhecido por "Caio" e outros indivíduos responsáveis pelo tráfico de entorpecentes [. Em seu apelo. foi realizada exclusivamente por meio de interceptações telefônicas. Que no dia de hoje realizaram diversas diligências no sentido de apreender a droga e os traficantes.. setecentos e setenta e sete gramas e nove decigramas) de "maconha". em vista das interceptações telefônicas.].2005 a 8..9g (dezessete mil.. mas que momentos após fora capturado pelos policiais da equipe.. (sem grifo) E o policial João Luis de Souza não foi diferente (fls.. Que no dia de ontem ouviram conversa entre "Caio" "Jimi" onde tratavam da negociação de maconha [. da Lei n. [. policiais desta divisão vinham monitorando os Conduzidos através de interceptações telefônicas autorizadas pelo Juízo da 2º Vara Criminal da Comarca da Capital.]. realizadas no período de 29... 14/15): Que há aproximadamente dois meses atrás o Depoente e outros policiais vinham monitorando através de interceptação telefônica autorizadas pelo Juízo da 2º Vara Criminal da Comarca da Capital as pessoas conhecidas por "Caio". com o produto do tráfico. 1º. também por interceptação telefônica.7. eis que haviam combinado da entrega ser feita por volta de 12:00 horas de hoje. ainda. que a ré Aline. porém este já não mais estava no local. Consta às fls. a nulidade do processo.] Que ouviram a mulher telefonar para "Jimi" dizendo que estaria próxima da casa e que estaria aguardando alguém vir buscar a droga [. Que ao constatar o seu paradeiro através das interceptações telefônicas.. Senão vejamos: O policial Antônio Barbosa Júnior relatou ainda no dia 8 de setembro (fls. 9. dizendo que "sujou" [.]. Registra a peça acusatória. o qual informava o seu paradeiro.. conseguiram localiza-lo e prende-lo quando se encontrava numa residência [. descobriram seu paradeiro. I..9. seriam igualmente viciadas. a qual foi entregue para JAISON.] que "Caio" já havia se evadido.].613/1998). 12/13): Que há cerca de dois meses.]. as quais utilizadas para embasar o decreto condenatório.]... em preliminar.. Que momentos após o indivíduo conhecido por "Jimi" efetuou ligação para a mulher que o acompanhava e informou para esta que efetuasse a entrega da substância entorpecente..].777.. Segundo se extrai dos depoimentos prestados na fase de inquérito pelos policiais civis que participaram da operação. à época namorada de Jair. (sem grifo) 13 . motivo pelo qual para lá se deslocaram e efetuaram sua prisão em flagrante. Que o indivíduo conhecido por "Jimi" e uma mulher até então desconhecida. pois ficou acertado para o dia de hoje a entrega da droga. ocasião em que..2005 (data da prisão em flagrante). ao ser reconhecida na própria sentença a ilegalidade das interceptações telefônicas que motivaram a acusação.]. Razão lhes assiste.368/1976). toda a investigação das atividades dos acusados. Que através de outras ligações efetuadas por "CAIO". "Jimi" e "Jaison". 12 e 14 da Lei n.. Ao fim da demanda. sendo os réus Jair e Aline também pelo delito de lavagem de dinheiro (art. dirigiram-se até a residência de "CAIO" [. Que no dia de ontem foi interceptado uma conversa entre "Caio" e "Jimi".. as demais provas dela consequentes...PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. os réus Jair e Jaison suscitam. o Declarante dirigiu-se ao local onde este se encontrava [.2005.]. prenderam em flagrante com 17. 113/147 o teor das intercerptações telefônicas nos aparelhos celulares utilizados pelos réus. e que inclusive culminou na prisão em flagrante de Jair e Jaison em 8.. que no momento que a recebeu. Jair e Aline adquiriram um veículo Audi A3 para a utilização na mercancia. por vezes intermediava a venda do entorpecente para usuários. Também é exposto que... 6.] Que "Jimi" disse que "Caio" já havia determinado a Jaison para que este recebesse a droga e a escondesse [. Em continuidade à operação.. Que no dia de hoje realizaram diligências e campanas no sentido de apreender a droga. (sem grifo) O policial Anderson Vieira igualmente disse (fls.].9. imediatamente tratou de ligar para "CAIO" [. [. onde negociavam a entrega de uma certa quantidade de substância entorpecente [.]. voltaram à residência de Jair.. foram os acusados condenados pelos crimes de tráfico e de associação para o tráfico de drogas (arts. sob fundamento de que... Que através de outras ligações efetuadas por "Caio". Que no dia de ontem o indivíduo conhecido apenas por "Jimi" havia marcado com "CAIO" para a entrega da substância entorpecente apreendida [.

porém devendo sempre. mas também em relação aos resultados que podem ser obtidos com a utilização de determinado meio de prova. as interceptações continuaram a serem realizadas do dia 02/08/2005 até o dia 08/09/2005. 2008. todo o seu teor. poderá ser lícita se autorizada judicialmente. podendo a interceptação telefônica ser prorrogada tantas vezes quantas forem necessárias.. sob pena de nulidade. da Constituição da República. Nilson Naves. somados a toda uma investigação realizada por agentes desta Autoridade. 149/163): [. 9.193 / ES. Ao fim do procedimento investigativo. 296). desde que comprovada a necessidade da medida. importa salientar..7. "renováveis por igual período desde que comprovada a necessidade de tal medida". que regulamentou a parte final do art.]. enquanto. renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. 5º da Lei nº 9.8. que não poderá exceder o prazo de quinze dias. 5º... 14 . sem autorização judicial.]. indicando também a forma de execução da diligência. 5º.2005 a 8. XII. assim. Conclui-se. Relator: Min.. pelo próprio Magistrado a quo na sentença. da Constituição da República: Art.]. que consignou (fls. a autoridade policial elaborou o respectivo relatório. renováveis por igual período desde que comprovada a necessidade de tal medida. Vê-se. não. que em 18/07/2005 autorizou a medida pelo prazo de 15 (quinze) dias. como dito pelos apelantes. Uma interceptação telefônica.. conforme a decisão que autorizou referidas interceptações. Rio de Janeiro.. Lumen Juris. que a decisão observou estritamente ao que dispõe a Lei n.296/1996. em diversos bancos de dados. 9. doutrina e jurisprudência são pacíficas no sentido de não haver qualquer restrição para que se proceda a várias renovações sucessivas. ed.] Art. disso resultando uma violação indevida daqueles valores (Curso de processo penal. pois. no presente caso não houve a devida autorização para a revonação da autorização após o término daquele período inicialmente deferido.9. trata-se de prova ilícita. Todavia.] os elementos contidos no presente Auto de Prisão em Flagrante. p. [... haver a respectiva autorização judicial. donde consta (fls. colhe-se do Superior Tribunal de Justiça: O prazo de 15 (quinze) dias estabelecido pelo art.296/96 é relativo. efetivamente nos dão conta das atividades ilícitas perpetradas por Jair Gregório da Cunha.] consoante se depreende das ligações monitoradas por agentes desta Autoridade Policial. porquanto produzida em total afronta ao art.2005 (fls. sendo nulas de pleno direito. ainda. 50.. 662/663): O pedido foi deferido por decisão fundamentada. Outrossim. inclusive com as que integram o processo.. Corroborando as investigações e o relato acima.. No primeiro caso.296/1996.. Nesse sentido. 10. a afetação (o resultado) do direito à privacidade e/ou intimidade é permitida. que as interceptações realizadas a contar de 02/08/2005 carecem de autorização judicial.] Tem-se. muito embora o citado dispositivo estabeleça que a renovação da medida seja possível por uma vez. a propósito. Julgado em 11. que as interceptações telefônicas realizadas no período de 2. ou seja. mediante decisão devidamente fundamentada que demonstre a inequívoca indispensabilidade da prova (HC n. no segundo.2005. enquanto meio de prova. ainda.2005. de ofício ou a requerimento: [. assim reconhecido. restou plenamente comprovado que o ora conduzido efetivamente era o comandante de uma organização criminosa voltada para o tráfico de substâncias entorpecentes. A respeito. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz. por decisão fundamentada e. cita-se a lição de Eugênio Pacelli de Oliveira: Na realidade. a medida fora deferida somente pelo prazo de 15 (quinze) dias. 5° A decisão será fundamentada. tendo em seu irmão Jaison o seu principal "gerente". em 15. 462/463). trabalho este baseado em interceptações telefônicas autorizadas judicialmente e.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. e aos ditames da citada Lei n. [.2006). XII.4. mas ilícita quando não autorizada. o término da autorização dar-se-ia em 2. proferida em 18. destacar as conversas telefônicas interceptadas no telefone utilizado por Caio [.. incluindo aí. a cada renovação. a vedação da prova não ocorre unicamente em relação ao meio escolhido. consoante se extrai da transcrição da conversa telefônica mantida entre Aline e Caio [.8.9. No entanto. Ocorre que. vulgo "Caio [. (sem grifo) É certo que.2005. convém ainda.

ed. que as reconduz à categoria de inexistência jurídica. não têm aptidão para surgir como prova. inadmissível em um Estado Democrático de Direito. ou seja.. Em análise às interceptações efetuadas nesse período legal (fls.2005). não são por esta tida como provas.9. Trata-se de não ato. LVI). [. nos autos do processo-crime. Complementando o raciocínio. uma vez que as interceptações telefônicas realizadas no período de 2. 5º. inclusive. Inexistência. sem sombra de dúvidas. ao ser ouvido perante a autoridade policial. que o Juiz foi vítima das contumélias do paciente. que todos os elementos de prova que deram respaldo ao relatado pelos policiais civis e à conclusão das investigações foram exclusivamente extraídos do período em que as interceptações telefônicas foram ilicitamente efetuadas (fls. Dessas referidas conversações. 113/117). Importa consignar.8. o devido processo legal. efetivamente. que permita o prosseguimento do processo. em face da sua manifesta e eloquente inexistência jurídica. permanecem válidas tão-somente aquelas realizadas dentro do prazo judicialmente autorizado. Diante de disso. XII. são apenas meros indícios de que Aline e Jaison estariam negociando a venda de entorpecente ao suposto usuário "Eduardo" (referem-se à venda de "kimono".2005 a 8. 109/110). nosso ordenamento pátrio adota a chamada "ilicitude por derivação". Pois bem." [. estreita e imediata vinculação causal com os elementos de informação que foram obtidos em total desrespeito aos preceitos do art. além das interceptações telefônicas referentes ao período não autorizado. 530). advinda da doutrina dos "frutos da árvore envenenada" (fruit of the poisonous tree).] Ou ainda: As provas obtidas por meios ilícitos contaminam as que são exclusivamente delas decorrentes.] Enfim. relatório final das investigações elaborado pela autoridade policial . [. 9. não havendo participação do réu Jair. a convalidar a prisão em flagrante dos réus.] Por consequência. Elas simplesmente não existem como provas. de não prova. com mais razão. 5º.7.. por não possuírem autonomia em face da prova originariamente ilícita. p. por meio delas. A verdade material (rectius: "verdade judicial processualmente válida") que se busca no processo penal não pode nem deve ser obtida por qualquer meio (Código de Processo Penal comentado. positivada no § 1º do art. porquanto tal situação foi resultante e decorrente de toda uma operação policial realizada em ofensa. isto é. nesse caso. 573 do Código de Processo Penal: "A nulidade de um ato. e da Lei n... ou sequer menção ao seu nome. ilícitas. estar-se-ia dando azo à máxima de que "os fins justificam os meios". que deve velar inflexivelmente pelos direitos e garantias fundamentais. ou de "verde"). art. porquanto é somente dali que se evidencia a atividade delituosa praticada pelos réus.. ora com um terceiro ("Eduardo D'Aquino Telles"). este que. de prova autônoma e não decorrente de prova ilícita. observa-se que seu conteúdo resume-se tão-somente a algumas ligações telefônicas realizadas em um único dia (29.] as provas ilícitas. repita-se. tornam-se inadmissíveis no processo e não podem ensejar a investigação criminal e. ainda. sendo consideradas pela Constituição inadmissíveis. por si só. 13. forçoso reconhecer-se que. constata-se. a denúncia. Fernando da Costa Tourinho Filho assenta: [.a saber: prisão em flagrante dos réus Jair e Jaison. da Constituição Federal. Desse modo.296/1996. por guardarem direta. todas as provas produzidas em razão e em decorrência delas . negou veementemente que consumia drogas ou que teria as adquirido alguma vez dos réus (fls.. 118/147). simplesmente não existem como provas. não serve sequer para respaldar denúncia e muito menos um decreto de prisão preventiva.restam contaminadas pela ilicitude. o que se extrai.. 15 . ainda que tenha restado sobejamente comprovado. Entendendo-se o contrário. São Paulo: Saraiva. 2010.2005 foram declaradas na própria sentença como nulas de pleno direito e são. a instrução e o julgamento (CF. E como é cediço. onde os réus Aline e Jaison conversam ora entre si. que o fato de o tráfico de entorpecentes tratar-se de crime permanente não é apto. teor dos depoimentos prestados pelos policiais na fase de inquérito. a preceito constitucional expresso. causará a dos atos que dele diretamente dependam ou sejam consequência..PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. uma vez declarada. dentre os quais.

Habeas-corpus conhecido e provido para trancar a ação penal instaurada contra o paciente (HC n. com voto.6. Sr. com a restituição dos bens apreendidos nos autos. ficando prejudicada a apreciação das demais matérias recursais. rejeita a denúncia. Drogas também foram restituídas? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5. A denúncia foi aceita. voto no sentido de acolher a preliminar suscitada pelos apelantes Jair e Jaison para rejeitar a denúncia. pela douta Procuradoria-Geral de Justiça.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Destarte. Faça um resumo do ocorrido: 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 16 . 1º de junho de 2010. O julgamento. Min. o Exmo. Relator: Min. determina. Robison Westphal. 72. Rui Fortes. do Código de Processo Penal. e dele participou o Exmo. Des. Maurício Corrêa. ou não. Julgado em 12. julgando prejudicada a apreciação das demais matérias recursais. realizado no dia 25 de maio de 2010. Dr.1996). Florianópolis. ainda. com base no art. 395. Sr. a Câmara acolhe a preliminar arguida pelos réus Jair Gregório da Cunha e Jaison Gregório da Cunha e. Quais bens foram restituídos? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4. Des. e por quê? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.588 / PB. III. Sr. Hilton Cunha Júnior. Newton Varella Júnior RELATOR Responda aos questionamentos abaixo: 1. DECISÃO Ante o exposto. a restituição dos bens apreendidos nos autos. foi presidido pelo Exmo. As provas foram consideradas legais ou ilegais e por quê? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3. Funcionou.

.3. 17 .31).] XLII . podendo evitá-los. 1. 1. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Texto quase idêntico traz o CPP: CPP – Art.nos crimes de racismo. A LEI PROCESSUAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS (4H/A) Regra geral as leis processuais se aplicam a todos por crimes cometidos em territórios nacionais.1.constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. tratando-se de crime inafiançável o procedimento a ser adotado pelo policial militar tende a ser diferenciado dos demais delitos. como agir? Que cuidados tomar? Tais situações costumam repercutir muito mal e gerar graves problemas se o policial militar agir incorretamente. temporária e preventiva) e procedimentos policiais (pré-processuais. §1º e Artigo 53.a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. os executores e os que. § 2º Lei nº 4. entretanto. 5º: [.nos crimes de tortura. A CRFB/88 define como crimes inafiançáveis: CRFB/88 – Art. CRIMES INAFIANÇÁVEIS – FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A definição dos crimes inafiançáveis é importante. nos termos da lei. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. eis que na maior parte das vezes. exceções no tocante a algumas regras específicas. II . II. III Lei nº 8.3. por eles respondendo os mandantes. sujeito à pena de reclusão. III .a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura . se omitirem. terrorismo e nos definidos como crimes hediondos. repressivos e investigativos). XLIV .2. civis ou militares. Não raras vezes deparamo-nos com autoridades cometendo crimes. principalmente no tocante a prisões processuais (flagrante.265/93 – Artigo 40. Existem. Essas exceções são de conhecimento CAPITAL ao policial militar. e deve preceder o conhecimento do que fazer nas situações envolvendo pessoas com prerrogativas (POP 304. XLIII . §§ 2º e 3º Lei Complementar nº 35/79 – Artigo 33 Lei Complementar nº 75/93 – Artigo 18. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. “d” POPs e normas estaduais 1.435/65 Convenção sobre Relações Consulares – Decreto-Lei 183/72 Constituição Federal – Artigo 27.898/65 – Artigo 5º Lei nº 8.906/94 – Artigo 7º. 323. civis ou militares.31 Para confecção desta parte foram utilizadas as seguintes normas atualizadas e vigentes: Convenção de Viena sobre as relações diplomáticas . o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.nos crimes cometidos por grupos armados.3. ATENDIMENTO DE OCORRÊNCIA ENVOLVENDO PESSOAS COM PRERROGATIVA DE FUNÇÃO (IMUNIDADES) – POP 304.Decreto 56..PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Não será concedida fiança: I .

entregar a consumo ou fornecer drogas. Os crimes previstos nos arts. 33.] Art. dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da pena. 2o. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. ter em depósito.latrocínio (art. 34. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . 33. II .200 (mil e duzentos) a 2. caput e § 1o. a prática da tortura. vender. § 1 o). preparação. § 1o Nas mesmas penas incorre quem: I . caput e §§ 1o. fabrica.extorsão qualificada pela morte (art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes. oferece. VII-A – (VETADO) VII-B .extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. de 2014) Parágrafo único. com grupo. insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas. utilizar.estupro de vulnerável (art.falsificação. vende. remete. vedada sua concessão ao reincidente específico. preparar. vender.reclusão. produção ou transformação de drogas. 33. tentado ou consumado.estupro (art. e homicídio qualificado (art. Nos crimes previstos no caput deste artigo. Um vez que a CRFB/88 remete a Lei de Crimes Hediondos.favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. indulto. in fine). oferecer..] Art. 158. exportar. caput e § 1 o. 2º Os crimes hediondos. todos tipificados no Decreto-Lei no 2.978. corrupção. ainda que gratuitamente.848. caput.importa. graça. anistia e liberdade provisória. expor à venda. II. e §§ lo. e pagamento de 1. 2o e 3o da Lei no 2. 273. § 1o-A e § 1o-B. transportar. transportar.. ainda que cometido por um só agente.reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1. expõe à venda. § 2 o. 159. caput. graça e indulto. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. V . de 3 (três) a 10 (dez) anos. 121. adquirir. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I . remeter. oferecer. transporta. produz.889. adquire. A leitura de alguns artigos da Lei do Tráfico Ilícito de Drogas também é essencial. 37... aparelho. Fabricar. 1o. 217-A.] Art. consumados ou tentados: I . Importar.677.000 (dois mil) diasmulta. 157. Art. de 7 de dezembro de 1940 . VII . ainda que gratuitamente.. 213. VIII . precisamos saber quais são os crimes que estão nela definidos: Art. e §§ 1º e 2º). instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação.Código Penal. entregar a qualquer título. 267. ainda que gratuitamente. fornece. tem em depósito. distribuir. Parágrafo único. guardar. II .epidemia com resultado morte (art. matéria-prima. Colaborar. já que nem todos os delitos lá previstos são inafiançáveis: Art.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. I.anistia. III. 3o e 4o). com a redação dada pela Lei no 9. § 2 o).. 121). e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis. de 1o de outubro de 1956. 44. IV . IV e V). de 2 de julho de 1998). 218-B. possuir.[. 2o e 3o).homicídio (art. exporta.500 (mil e quinhentos) dias-multa. VI . e 34 desta Lei: 18 . III . § 3 o. prescrever. como informante. caput e § 1 o. trazer consigo. vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos.[.fiança. caput e §§ 1o e 2o). Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. (Incluído pela Lei nº 12. fabricar. organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. guardar ou fornecer. traz consigo ou guarda. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . adquirir. ministrar.[. produzir. maquinário.

15. e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa. entretanto. Homicídio qualificado 7. Extorsão qualificada pela morte ou mediante sequestro.reclusão. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. Tortura 3. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Mas a experiência do autor. Crimes inafiançáveis do dia a dia policial militar A lista acima facilita consideravelmente “decorar” os crimes inafiançáveis. explosivo. Homicídio com emprego de: emprego de veneno. Latrocínio. artigo 34 – maquinário e produção de drogas para o tráfico e artigo 37 – colaborar com tais crimes. Tráfico ilícito de drogas: Lembre-se que o tráfico ilícito de drogas só é inafiançável quando nas hipóteses típicas de tráfico: artigo 33. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais 14.3. são crimes inafiançáveis: 1. Tráfico Ilícito de Drogas 4. asfixia.1. fogo. 6.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. são muito mais facilmente constatados pelas atividades de polícia judiciária ou no mínimo atividades de Inteligência da Polícia. Estupro (e estupro de vulnerável). 19 . Latrocínio 8. Pena . Epidemia com resultado morte 13. Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável. Terrorismo 5. 16. Genocídio. ou serem flagrados pelo policial militar na atividade típica de polícia ostensiva. Racismo 2. 3. 1. 1. Estupro de vulnerável 12. Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável. Ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Extorsão qualificada pela morte 9. Homicídio em grupo de extermínio 6. Falsificação. RESUMO De modo simplificado. ou de que possa resultar perigo comum. E é só! Não quero dizer que os demais não possam ocorrer. 5. mostra que. 4. 1. Ou outras qualificadoras do artigo 121. apenas alguns dos delitos acima mencionados costumam ser “flagrados” na nossa atividade de Polícia Ostensiva nas nossas atividades de rotina: 1. Estupro 11. corrupção. Tráfico Ilícito de Drogas.3. 2.3.3. Extorsão mediante sequestro 10.

716. sem querer. 4. Mais comum.mediante paga ou promessa de recompensa. e §§ 1º e 2º). fogo. ATENÇÃO: O simples uso de arma de fogo não qualifica o homicídio por si só. Latrocínio: Você deve se lembrar que latrocínio é a prática prevista no artigo 157. porém. 5. III. e que conjunção carnal.3..por motivo fútil. tortura ou outro meio insidioso ou cruel.3. Por óbvio. convém lembrar as demais situações consideradas como homicídio qualificado: I . a ocultação. religião ou procedência nacional. cor. crimes que vedam o acesso a direitos. enfermidade ou outros. que tratam da violação de direitos.para assegurar a execução. IV e V). Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. Locais onde pode haver exploração da prostituição com participação de crianças ou adolescentes. é mais fácil constatar a qualificadora de homicídio. etc. isso porque o racismo inafiançável que a Constituição se refere é o previsto na Lei nº 7. nos casos incidentes no inciso III: com emprego de veneno. por qualquer meio. podem ser estuprados. Homicídio qualificado: No tocante ao homicídio. II.à traição. Racismo x Injúria racial Mas o racismo não é comum no dia-a-dia policial militar? Não! Na verdade o “racismo” não é comum. Estupro (e estupro de vulnerável): quaisquer das formas de estupro (lembre-se que homem ou mulher. dificilmente flagrados. violência ou grave ameaça caracterizam estupro. ou qualquer espécie de ato libidinoso. 121. [. V . 6. não é comumente flagrado (demanda investigação para sua comprovação) no Brasil como um todo. II . ou melhor. Mas cuidado para não a confundir com o simples sequestro ou cárcere privado. § 2º. 3. etnia.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. ou forçar a execução de atividades contra a lei: resultantes de discriminação ou preconceito de raça. O latrocínio poderá ocorrer também mesmo que a subtração não chegue a ser concretizada. caput. I. mediante constrangimento. O agente criminoso comete o roubo (subtraindo coisa alheia móvel mediante grave ameaça ou violência a pessoa. sem dolo). é inafiançável qualquer hipótese de homicídio qualificado (art. na atividade de polícia ostensiva. Portanto “crimes de maior potencial ofensivo”. ou de que possa resultar perigo comum. reduzido à impossibilidade de resistência) mas acaba levando a vítima a morte (por culpa – sem intenção. 1. a impunidade ou vantagem de outro crime. asfixia. ou depois de havê-la. na atividade policial.. entretanto. Além disso o estupro de vulnerável caracteriza-se quando cometido contra vítimas menores de 14 anos de idade. ou que não possa oferecer resistência – deficiência mental. de emboscada. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. é a extorsão mediante sequestro. 218-B. 20 . ou por outro motivo torpe.2. não é comumente flagrada. 2. Em especial em atividades de Polícia Rodoviária. rodovias. arredores de estradas rurais. §3º do CP – Roubo seguido de morte.] IV . mas pode ocorrer. Extorsão qualificada pela morte ou mediante sequestro: a extorsão qualificada pela morte. explosivo. de 5 de janeiro de 1989.

435/65 e Convenção sobre Relações Consulares – Decreto-Lei 183/72. o policial militar deparar-se com uma autoridade com prerrogativa que cometa um delito em flagrante. dispositivos legais. B REVES APONTAMENTOS SOBRE AS IMUNIDADES Você já deve ter ouvido falar sobre as imunidades. por quaisquer de suas opiniões. Os Deputados e Senadores são invioláveis. Importante não confundir. e portanto. veremos como agir em cada situação envolvendo autoridades com prerrogativas: 1. Tal dispositivo visa evitar que essas autoridades sintam-se melindradas em defender novas leis. os xingamentos (polêmica recente nos estádios de futebol). quando em missões diplomáticas a serviço de seu país de origem.3. deputados e senadores não cometem crimes por seus atos. e especificamente no ato da prisão interessa-nos a imunidade processual. mas perfeitamente afiançável. No tocante ao Presidente da República. gestos ou palavras. Forma / Processual / Relativa: Na prática policial. este sim. compreende-se que algumas autoridades. palavras e votos. embora cometam atos típicos e antijurídicos. ATUAÇÃO POLICIAL EM CADA SITUAÇÃO PREVISTA NO POP 304. são imunes a certos preceitos legais. A exemplo. Soberanos.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. [. alterações legais.Cônsules quando investidos nas missões diplomáticas especiais. 53. inafiançável. Devido as normas internacionais ratificadas no Brasil: Convenção de Viena sobre as relações diplomáticas . no Brasil. termos um atendimento técnico e profissional. 1. que é uma autoridade pública que representa um Estado do Brasil. 86.1. impede a prisão. civil e penalmente. São por exemplo. e são comumente flagradas. ATENÇÃO: Não confunda Chefe de Governo que representa uma nação e portanto é autoridade diplomática com Governador. a CRFB/88. os familiares e os funcionários de organismos internacionais . Agentes Diplomáticos . por força da CRFB/88: Art.5.] 21 . que por vezes.. ou dita procedimentos específicos quando..abrangendo o pessoal técnico e administrativo das representações. por exemplo.31 Visando facilitar ao máximo sua atuação e assim. vimos os crimes inafiançáveis e agora.5.Decreto 56. portanto: injúria racial crime de maior potencial ofensivo.3.4. 1. Chefes de Estado e de Governo. Autoridades Diplomáticas e Presidente da República São autoridades diplomáticas: Embaixadores. Ao contrário da injúria que é de menor potencial ofensivo (passível de Termo Circunstanciado) e a injúria racial com pena de 1 a 3 anos. não cometem certos delitos.3. com o racismo. diz o seguinte: CRFB/88 – Art. basicamente temos duas espécies de “imunidades”: Material / Penal / Absoluta: Na qual. etc. as autoridades diplomáticas possuem imunidades praticamente absolutas (penal e processual) em quaisquer crimes. e não é autoridade diplomática.

3. salvo em flagrante de crime inafiançável. resolva sobre a prisão. impedimentos e incorporação às Forças Armadas. ao policial militar. Assim. [. os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos. aplicando.. pelo voto da maioria de seus membros. por quaisquer de suas opiniões. palavras e votos. remuneração.com. Lavrar BO-COP (POP nº 305.] § 1º ... para que. Identificar a autoridade e liberá-la.sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral.4) – registrar TODO ocorrido. ao se deparar com uma autoridade diplomática a serviço ou Presidente da República. com o máximo de informações possíveis. perda de mandato. inviolabilidade. você deverá agir do seguinte modo2: 1 2 Imagem de http://cartuminas. civil e penalmente. Sendo assim você. Fundamentação legal: CRFB/88 – Art.br/2011/06/depulhaco.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva. § 3º .com. [.] Art.Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais.blogspot.. Parlamentares São parlamentares: Senadores da República.br/2010/11/dum-caricatura. 53.Enquanto não sobrevier sentença condenatória. 27. reconhecer os crimes inafiançáveis.2.html Imagem de http://wall-blogdowall. imunidades. licença. o Presidente da República não estará sujeito a prisão. que cometa um crime deverá1: x Autoridades Diplomáticas e Presidente da República Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. Perceba que aqui se torna essencial. Os Deputados e Senadores são invioláveis.blogspot. ao se deparar com um parlamentar na prática de um delito. Nesse caso. 1... nas infrações comuns.[. Deputados Federais (por todo país) e os Deputados Estaduais (estes em seus Estados).] § 2º Desde a expedição do diploma.html 22 .5.

23 .5.4) – registrar TODO ocorrido. 2) Lavrar BO-COP (POP nº 305. Procuradores de Justiça e Promotores de Justiça. 18. caso em que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado. salvo em flagrante de crime inafiançável.3.. no prazo máximo de vinte e quatro horas.. sob pena de responsabilidade. 3) Identificar a autoridade e liberá-la.não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do órgão especial competente para o julgamento. de 20 de maio de 1993 – Ministério Público da União.4).. Fundamentação legal: Lei nº 8. 4) Lavrar o BO-PA (POP nº 305. 40. Ministros de Tribunal com Ministros de Estado ou Ministro da Justiça (que também é Ministro de Estado). Lei complementar nº 35.São prerrogativas do magistrado: [. Art. com o máximo de informações possíveis. Magistrados e membros do Ministério Público São magistrados ou membros do Ministério Público aqui considerados: Ministros de Tribunal. Juízes de Direito.ser preso somente por ordem judicial escrita. de 12 de fevereiro de 1993 – Lei orgânica nacional do Ministério Público. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público. Lei complementar nº 75. salvo em flagrante de crime inafiançável. caso em que a autoridade fará. Procuradores da República.processuais: d) ser preso ou detido somente por ordem escrita do tribunal competente ou em razão de flagrante de crime inafiançável. x Parlamentares Crime inafiançável (proceder normalmente): 1) Prender o autor (POP nº 400).3.Lei orgânica da Magistratura Nacional.. Procuradores de Justiça com Procuradores do Estado.625. 33 .] II . ATENÇÃO: Não confunda Juiz de Direito com qualquer outro Juiz que não é magistrado. estes não são magistrados. Promotor de Justiça com outros Promotores que não sejam do ministério público. 1. Desembargadores. Crime afiançável: 1) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. caso em que a autoridade fará imediata comunicação àquele tribunal e ao ProcuradorGeral da República.] II . de 14 de março de 1979 .] III . 3) Informar o deslocamento para a DP à CRE/COPOM.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.. Art. São prerrogativas dos membros do Ministério Público da União: [. além de outras previstas na Lei Orgânica: [. 2) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver.. Art. a comunicação e a apresentação do membro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça.

aqui. com o máximo de informações possíveis. 1. Tribunal Regional Federal. No tocante a imunidade processual é limitada ao exercício da profissão. a atuação do policial militar será normal. Art.5.. exceto se o advogado estiver no exercício da profissão: 24 . Fundamentação legal: Lei nº 8.]§ 2º O advogado tem imunidade profissional. de modo geral. Tribunal Regional Eleitoral. por motivo de exercício da profissão. reconhecer os crimes inafiançáveis. é importante.4).4. 3) Identificar a autoridade e liberá-la. 2) Lavrar BO-COP (POP nº 305.].906.Ou no caso de Membro do Ministério Público à Autoridade designada pelo Procurador Geral da República ou Procurador Geral de Justiça. Igualmente.. 7º São direitos do advogado: [. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. de 4 de julho de 1994 – Estatuto da OAB. conforme a competência. Superior Tribunal Militar. em juízo ou fora dele. você deverá agir do seguinte modo: Magistrados e membros do MP Crime inafiançável (não é conduzido para a DP): 1) Prender o autor (POP nº 400). Tribunal de Justiça Militar. 4) Imediatamente comunicar e apresentar o Magistrado à autoridade designada pelo Presidente do Tribunal a que estiver vinculado (Tribunal de Justiça. em caso de crime inafiançável [.3.4) – registrar TODO ocorrido. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. Tribunal Superior do Trabalho.127-8) § 3º O advogado somente poderá ser preso em flagrante. Crime afiançável: 1) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. ao se deparar com um magistrado ou membro do ministério público na prática de um delito. Assim. Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal). 2) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver.. (Vide ADIN 1. ao policial militar.. 3) Lavrar o BO-PA (POP nº 305. em juízo ou fora dele. Tribunal Superior Eleitoral. pelos excessos que cometer. Tribunal Regional do Trabalho. não constituindo injúria. no exercício de sua atividade. Advogados Os advogados não são puníveis por crime de injúria e difamação no exercício de sua atividade. Aqui.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

a atuação nesses casos deve se dar normalmente. Crime afiançável: 1) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. 142. da lei e da ordem.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.4) e seguir os demais procedimentos. por iniciativa de qualquer destes.] Art. 3) Informar o deslocamento para a DP à CRE/COPOM. lavrando BO-TC (POP nº 305. Aqui a atuação será normal. instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina. *Que neste caso seguirá o documento para a OAB. Identificar que não se trata de um crime militar. 2) Lavrar BO-COP (POP nº 305. para não incorrer em crime militar ou transgressão disciplinar. são instituições nacionais permanentes e regulares. são militares dos Estados.. Sendo assim. Militares Militares não possuem “imunidade”.4) – registrar TODO ocorrido.. devendo cuidar entretanto em dois momentos: 1. 4) Lavrar o BO-PA (POP nº 305.4). sob a autoridade suprema do Presidente da República. [. 2. à garantia dos poderes constitucionais e.3) ou BO-PA (POP nº 305. normalmente. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. do Distrito Federal e dos Territórios. pois nesse caso o não há BO-TC e o flagrante deve ser lavrado no Quartel PM. Cuidar no momento da condução: 25 . organizadas com base na hierarquia e na disciplina. entretanto a Constituição Federal preconiza que são instituições fundamentadas com base na hierarquia e disciplina. Advogados Não está no exercício da profissão: 1) Proceder normalmente. quanto 142 (forças armadas). constituídas pela Marinha.5. Fundamentação legal: Constituição Federal: Art. com o máximo de informações possíveis. 3) Identificar a autoridade e liberá-la. 1. mas devido ao respeito a hierarquia. tanto no artigo 42 (militares estaduais). pelo Exército e pela Aeronáutica. no momento da condução você deverá tomar especial cuidado. 2) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. Está no exercício da profissão: Crime inafiançável (proceder normalmente): 1) Prender o autor (POP nº 400).3. e destinam-se à defesa da Pátria.5. As Forças Armadas.

PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Oficial de Serviço. 4) Informar deslocamento para a DP somente mediante o acompanhamento do militar mais antigo que o preso (exceto na impossibilidade absoluta de se fazer presente. válida para todos os integrantes da SSP. Dar especial atenção a revista (o agora. devendo registrar o motivo e a exceção na CRE/COPOM. seja informada acerca dos fatos. x Militares Identificar que não se trata de crime militar.3. poderá estar armado). não possuem “imunidade”. 1. 5) Lavrar o BO-PA (POP nº 305. identificar posto / graduação do militar e passar a tratá-lo com o respeito previsto no R-Cont. se tratando de militar federal deixar com o militar federal responsável presente. Policiais Civis e demais funcionários da SSP Policiais Civis. Atentar-se para a comunicação solicitando que a autoridade a qual está diretamente subordinado o agente público preso. entretanto por uma questão ética. Proceder normalmente dando voz de prisão lavrando BO-PA ou lavrando ou BO-TC para delitos de menor potencial ofensivo. informar também ao militar de serviço da Unidade onde o preso serve ou mais próxima.5. visando evitar conflitos entre as instituições e maus tratos a integrantes de outras corporações. 3) Informar à CRE/COPOM que se trata de militar e contatar um militar de serviço mais antigo que o preso (preferencialmente Sargento Ronda. Feita a revista. “infrator”. Fiscal ou Supervisor). mas mantendo as técnicas de segurança e abordagem. foi editada uma Portaria da Secretaria de Segurança Pública.4). que deverá se fazer PRESENTE. Em se tratando de militar federal.6. Cuidar no momento da condução: 26 . igualmente. não há necessidade de maiores cuidados. ficando com a guarda do mesmo ao término da lavratura no caso de militar estadual que deverá ser conduzido a Unidade com recinto para detenção / prisão de militares ou. 2) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. No caso de BO-PA ou BO-TC que necessite deslocar-se do local: 1) Prender o autor (POP nº 400). 6) Permanecer com o militar detido na DP sob supervisão constante e estritamente o tempo necessário para a lavratura do flagrante. devendo cuidar entretanto em dois momentos: 1. No caso de BO-TC feito estritamente no local. Aqui a atuação será normal. 2.

compareça ao local (Se for o caso. mesmo que não concorde com ela. não cumpre a você como policial militar. 2) Apreender os instrumentos ou objetos usados na prática da infração se houver. Portanto. 5) Lavrar o BO-PA (POP nº 305.4). poderá estar armado). No caso de BO-PA ou BO-TC que necessite deslocar-se do local: 1) Prender o autor (POP nº 400). registrar na ocorrência o motivo de um eventual impedimento na comunicação). e que a lei reserva a tais autoridades o tratamento técnico e profissional que está realizando. Observe atentamente agora o POP 304. 4) Informar deslocamento para a DP somente mediante acompanhamento da autoridade superior ao preso (exceto na impossibilidade absoluta de se fazer presente. Você é um agente da lei. deve agir visando manter a ordem o que inclui: o cumprimento da lei. “infrator”. mesmo que surjam manifestações populares contrárias. ‘in loco’.31. Se necessário. que tentem fazer “justiça com as próprias mãos”. não há necessidade de maiores cuidados. devendo registrar o motivo e a exceção na CRE/COPOM. Proceder normalmente dando voz de prisão lavrando BO-PA ou lavrando ou BO-TC para delitos de menor potencial ofensivo. No caso de BO-TC feito estritamente no local. informe aos manifestantes que você está agindo conforme a lei. Em todas as situações supracitadas o respeito e técnicas policiais devem ser mantidos a todo o momento. e portanto.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. 3) Informar à CRE/COPOM que se trata de funcionário público da SSP e solicitando que a autoridade a qual está diretamente subordinado o agente público preso. 27 . x Policiais Civis e profissionais da SSP Dar especial atenção a revista (o agora. discutir ou querer agir ‘contra legem’.

p.1. essa fase é pré-processual. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados. os inquéritos policiais passaram a limitar-se aos delitos com pena máxima superior a 2 anos. a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. Inquisitivo Como já descrito anteriormente. OBJETIVO 2: INQUÉRITO POLICIAL (1H/A) 2.1. “O inquérito policial é o instrumento através do qual o Estado.1. Escrito Inclusive os depoimentos. Parágrafo único. o termo circunstanciado.2. Nos crimes comuns ressalvadas as exceções constitucionais.099/95. 2. 9º do CPP.3. subsídios para o oferecimento da denúncia. p. passou a substitui-lo. 2013. 2. portanto não vigora aqui o princípio do contraditório.2. ação penal privada). CONCEITO E OUTROS TÓPICOS “Conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária para a apuração de uma infração penal e de sua autoria. Realizado pela Polícia Judiciária É um procedimento realizado pela Polícia Judiciária.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. CARACTERÍSTICAS 2.2. INQUÉRITO POLICIAL X TERMO CIRCUNSTANCIADO Com o advento da lei nº 9. ainda não há o que se falar aqui em ação penal. documento bem mais célere e simples. 2. 20 do CPP: Art. Trata-se a grosso modo.1. inicialmente. 2. de um caderno indiciário.1. titular da ação penal (ou interessado. através do Delegado de Polícia. devem ser tomados a termo. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.113).1.4. Para os demais casos.1.2. 20. Conforme art. busca a apuração das infrações penais e de seus prováveis autores”. 2.2.1. (CAPEZ. a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo”.58). sempre. como já falado: Polícia Civil ou Polícia Federal.1. 2009. 28 .2. e casos especiais (como os abrangidos pela Lei Maria da Penha). onde serão reunidas algumas provas e indícios para fornecer ao membro do Ministério Público. Sigiloso Conforme art. (GRECO. o Inquérito previsto no Código de Processo Penal é de competência da Polícia Civil (Judiciária).

visto esse órgão possuir garantias e independência funcional que lhe traz segurança para proceder grandes apurações. (STJ. Jorge Scartezzini.O MP é o titular da ação penal pública. rel. pela admissibilidade de investigações procedidas pelo MP. mas os principais: . documentos que demonstrem indícios do crime e da autoria suficientes. Dispensável ou prescindível O Membro do Ministério Público não é obrigado a dispor de um inquérito para oferecer a denúncia. Lançando mão de um comentário muito pertinente de Greco (2009. Pelo contexto atual. até aquele instante.271 ‘apud’ CAPEZ.5. marcado por manifestações. 2002. 7-2-2002.2. . O mesmo vale para um Inquérito Policial Militar. uma vez instaurado o IP não poderá ser arquivado pela autoridade policial. será encaminhado para o Juiz da Vara da Justiça Militar.85). 2013. 29 . p. 5ª T. Mas acabou prevalecendo a manutenção do ‘status quo’. analisado pelo MP. um ano emblemático. j. ele SEMPRE. um dos assuntos mais discutidos e polêmicos se tratava da PEC 37. portanto a ele cabe o exame da necessidade de novas provas ou não. p.1. Essa passagem nos faz refletir sobre possíveis interesses escusos em retirar o MP do curso das investigações. podemos perceber a importância do MP continuar efetuando algumas apurações: “o grande problema não foi o Ministério Público investigar. 26 ago. PEC 37 E A INVESTIGAÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO Em 2013. Argumentos e interesses não faltavam. 2. os tribunais têm se posicionado.O texto da Lei Complementar nº 75/93 que diz competir ao MP. a PEC foi rechaçada e a Constituição permaneceu inalterada.1.2. realizar inspeções e diligências investigatórias.O Inquérito é dispensável. mas sim investigar casos de repercussão nacional. Min. para ambos os lados. podendo fazê-lo com base em peças de informações. FINALIDADE “A finalidade do inquérito policial é a apuração de fato que configure infração penal e a respectiva autoria para servir de base à ação penal ou às providências cautelares. independentemente da opinião da autoridade policial militar. em especial o Ministério Público tal possibilidade..117).119). p. podendo o MP propor a ação penal quando detenha informações suficientes para a propositura. que poderá oferecer a denúncia. DJ. tal PEC. para o exercício das suas atribuições institucionais. ou seja. Somente o Juiz competente poderá mandar arquivar os autos. que deverá encaminhá-lo a Juízo para análise do membro do ‘parquet’ que poderá oferecer a denúncia ou solicitar o arquivamento ao Juiz. 2. Embora dispensável. que envolviam quadrilhas formadas por pessoas que. por vários motivos.3.” (CAPEZ. embora com decisões por vezes contraditórias e polêmicas. resumidamente visava alterar a CF de modo a deixar claro a exclusividade da Polícia Judiciária proceder investigações e retirar de outros órgãos. 2.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. p. . 2013. ou solicitar o arquivamento. eram tidas como acima de qualquer suspeita”.

1. mas não pode ser usado como única fonte para fundamentar a decisão: Art. estando o indiciado solto. 2. privativamente. no inquérito policial. p. MEDIANTE REQUERIMENTO: Servirá para requerer a deflagração de IP nos crimes de ação penal pública. INDICIAMENTO. 30 . na forma da lei. não repetíveis e antecipadas.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. POR REQUISIÇÃO DA AUTORIDADE JUDICIÁRIA OU DO MINISTÉRIO PÚBLICO Em especial por requisição do Ministério Público a instauração do Inquérito é compulsória.6.3. o Inquérito Policial. deixa claro o valor meramente complementar. MEDIANTE REPRESENTAÇÃO: Nos crimes de ação penal pública condicionada a representação.140). 2. E 10 dias. MEDIANTE REQUISIÇÃO: Nos crimes de ação penal pública condicionada a requisição do ministro da justiça. 2. 2.3. sendo que nos crimes de ação penal privada é imprescindível o requerimento do ofendido ou representante com qualidade para intentá-lo.2. DE OFÍCIO: A autoridade policial tem obrigação de instaurar. a ação penal pública.”. A doutrina discute. sempre que houver razoáveis indícios de sua autoria”. prisão em flagrante ou tomar conhecimento de outro modo de fato com indícios de crime.3.3. INÍCIO DO INQUÉRITO POLICIAL 2. 129. serve para formar a convicção do Juiz. São funções institucionais do Ministério Público: I . se tomar conhecimento de ‘noticia criminis’. PRAZO E DILIGÊNCIAS 2. se o indiciado estiver preso (improrrogável – Art.4. 2. 2013.2. estará instaurado também o respectivo Inquérito Policial relativo àqueles autos.1. 2.3. da prática do ilícito penal. INDICIAMENTO “É a imputação a alguém. (CAPEZ. não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação. ressalvadas as provas cautelares.3. 2. 10 e parágrafos do CPP). 2.3.3. de ofício.5. a constitucionalidade da autoridade judiciária requisitar a instauração de inquérito.promover.4.1. ‘delatio criminis’. 2. PRAZO COMUM: Regra geral o prazo para o inquérito policial é de 30 dias. PELO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE: Uma vez lavrado o APF. sendo imprescindível a representação do ofendido ou representante. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial.2. por advento do Artigo 129. 155.4. I da CF: “Art.4. permitida a prorrogação. VALOR PROBATÓRIO DO IP O artigo 155 do CPP.

ao tomar conhecimento do delito e instaurar um IP.5. é fundamental a atenção das guarnições policiais militares no local do crime. 2. DILIGÊNCIAS O CPP traz no artigo 6º uma série de providências que devem ser adotadas pela autoridade policial.4.4. PARA OS CRIMES DE TRÁFICO: 30 dias se o indiciado estiver preso e 90 dias solto.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Mas para que isso possa se dar. independente do caso. que será melhor tratada na parte das provas e em outras disciplinas. 2. 31 .4. podendo tais prazos serem duplicados por Juiz mediante pedido justificado.3. devendo empenhar esforços na preservação do local do crime. 2.4. PRAZO PARA OS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL: 15 dias prorrogáveis por mais 15 dias.

CONCEITO “É o direito de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. Outros casos. pois não poderá conduzir. a ação penal será pública e incondicionada. p. embora considerados crimes. E se lavrar BO-TC.1. nesses casos a lei traz expressamente prevista que a ação penal será privada.1. de pleitear ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo.71). mas que afetam a intimidade do particular. quando a lei penal nada disser em contrário.2. nesses casos a ação penal é pública também.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. permitindo ao policial militar atuar em flagrante delito. É também o direito público subjetivo do Estado-Administração. p. sendo esta a regra geral.71): “É o procedimento judicial iniciado pelo titular da ação quando há indícios de autoria e de materialidade a fim de que o juiz declare procedente a pretensão punitiva estatal e condene o autor da infração penal”. interessam quase exclusivamente a intimidade do ofendido. Nesses dois últimos casos: ação penal pública condicionada a representação da vítima e ação penal privada o policial militar deve ficar MUITO atento. é toda ação penal que independe de qualquer condição especial. ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL E A IMPORTÂNCIA NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR Regra geral as ações penais são públicas.1. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA 3. p. p. sem interesse do ofendido ou representante.1. LENZA. 2013. sob pena de incorrer em abuso de autoridade. conduzindo para a delegacia o infrator ou lavrando o BO-TC nos casos de delitos em flagrante de menor potencial ofensivo. Entretanto. 3. Segundo Lenza (2013. Identificação Todos os delitos que a lei não trouxer nenhuma observação para o oferecimento da ação penal (representação ou queixa).71). OBJETIVO 3: AÇÃO PENAL (3H/A) 3. existem delitos de interesse público. “Ação penal pública é aquela em que a iniciativa de seu desencadeamento é exclusiva do Ministério Público”. prender. 3. 2013. (CAPEZ. exceto quando expresso na lei penal que a ação será privada.2. no silêncio da lei a ação é pública incondicionada. Incondicionada. (Cf. (LENZA. deverá deixar claramente consignado que o autor não quis representar (tendo prazo de 6 meses para tal feito). por sua vez. com a consequente satisfação da pretensão punitiva”. sem se preocupar com requisitos.2. Portanto.165). 32 . 2013. mas condicionada a representação da vítima. único titular do poder-dever de punir.

Rol de delitos que dependem de representação Crime de lesão corporal leve (CP. 218-A).2. 145. 129.2. 217-A). 213). Identificação Todos os delitos que a lei trouxer a seguinte observação: “Somente se procede mediante representação” ou similar expressão. §6º. Perigo de contágio venéreo (CP. Estupro de vulnerável (Art. 88 da Lei 9. Crime de lesão corporal culposa (CP. alojar-se em hotel ou utilizar-se de transporte sem ter recursos para o pagamento (art. inclusive perturbação do trabalho ou do sossego alheio.099/95). X a XII c/c o §2º). parágrafo único).2. embora seja compreensível em tais casos identificar alguém que tenha sido. em razão de suas funções (art.2.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. art. Se lavrar BO-TC. exceto nos casos de violência contra a mulher – Lei 11. 129. parágrafo único).2. deverá deixar claramente consignado que o autor não quis representar (tendo prazo de 6 meses para tal feito). art. São a ampla maioria. 3. c/c art. ainda que flagre o delito. parágrafo único). Corrupção de menores (Art. Ameaça (art. Tipos penais do título VI (capítulos I e II) desde que a vítima não seja menor de 18 anos ou vulnerável (qualquer pessoa em situação de fragilidade ou perigo): Estupro (Art. 152. 130 §2º). parágrafo único). incluindo aqui todas as contravenções penais.099/95. c/c o art. Correspondência comercial (art. Corrupção de preposto e violação de segredo de fábrica ou negócio (art.1. §1º. “perturbado” pela ação delituosa. 33 . 88 da Lei 9. 3. enquadram-se nesta categoria. 156. parágrafo único). 196. Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável (Art.340/2006 – Maria da Penha). Furto de coisa comum (art. só poderá prender ou conduzir. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (Art. 215). efetivamente. §1º) – Não confundir com furto simples! Tomar refeição em restaurante. Crimes contra a honra de funcionário em ração do ofício (art.2. 218-B). Quando a ação penal depender da prévia existência de uma condição especial (representação da vítima ou requisição do Ministério da Justiça). Violação sexual mediante fraude (Art. 151.2. o policial militar. art. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO 3. 145. 216A). §4º). 141. mediante representação do ofendido. Violação de correspondência (art. ‘caput’. Assédio sexual (Art. 218). 147. Nestes casos. Crime contra a honra de funcionário público. c/c art. 176. II.

88 da Lei 9. 2) Crime contra a honra de funcionário público.3. alojar-se em hotel ou utilizar-se de transporte sem ter recursos para o pagamento (art. c/c art. “Ação penal privada é aquela em que a iniciativa da propositura da ação é conferida à vítima. o policial militar. efetivamente são comuns no serviço de Polícia Ostensiva? Quais delitos são mais comuns (de serem flagrados) no dia-a-dia policial militar e que necessitam representação da vítima? 1) Crime de lesão corporal leve / culposa (CP. velocidade. art. parágrafo único).3. corrida). c/c o art. entretanto. em razão de suas funções (art. 216-A). prevê situações especiais. exceto nos casos de violência contra a mulher – Lei 11. 176. 3) Ameaça (art. se for o caso de BO-TC. Prazos para representação / requerimento do ofendido e representante Tanto na ação penal pública condicionada.2.3. 2013. a ser melhor explicada em outra disciplina. SOMENTE ESSES!3 3.2. Nestes casos. ainda que flagre o delito. 4) Tomar refeição em restaurante. CRIMES DE AÇÃO PENAL PRIVADA 3. 145. 3.3.340/2006 – Maria da Penha). Assédio sexual (Art. só poderá prender ou conduzir mediante a manifestação do ofendido ou representante legal com qualidade para tal representação.2. 5) Tipos penais do título VI (capítulos I e II) desde que a vítima não seja menor de 18 anos ou vulnerável (qualquer pessoa em situação de fragilidade ou perigo): Estupro (Art. ‘caput’.72).1. A peça inicial se chama queixa-crime”. o CPP traz o prazo de seis meses a contar do conhecimento do autor do delito. 129. deverá ser 3 A lesão corporal na direção de veículo em geral necessita representação também. 147. para o oferecimento da representação para denúncia ou queixa-crime. quanto na ação penal privada. (LENZA. p.2. porém. 213). Quais destes. o mesmo deverá ser informado do prazo (ver adiante). Evidente. 141. Violação sexual mediante fraude (Art.099/95.2. parágrafo único). 3. que podem tornar incondicionada (embriaguez. 215). Identificação Todos os delitos que a lei trouxer a seguinte observação: “somente se procede mediante queixa” ou similar.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.2. que num flagrante no qual o policial militar lavre no local dos fatos o BO-TC e o ofendido resolva não representar ou requerer o encaminhamento a Juízo (oferecer a queixa-crime). 34 . enquadram-se nesta categoria. II. parágrafo único).

138. 161 e incisos). Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (Art. 345. caput. compreendida como a “retirada” da representação outrora realizada. difamação e injúria (arts. não altera NADA no tocante a necessidade ou não da representação ou queixa nos crimes de ação penal pública condicionada ou privada.3. 2) Dano (art. Na prática e resumidamente o que isso significa? 35 . Fraude à execução (art. respectivamente. 3. 138. Exercício arbitrário das próprias razões sem violência (art.2. exceto por um detalhe: a Lei afasta a aplicabilidade da Lei 9. ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva. 3. 164 c/c o art. Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia (art. 163. difamação e injúria (arts. é que só poderá ser feita em juízo. apenas no tocante a retratação. caput). efetivamente são comuns no serviço de Polícia Ostensiva? Quais delitos são mais comuns (de serem flagrados) no dia-a-dia policial militar e que necessitam requerimento da vítima? 1) Calúnia. 345. a Lei Maria da Penha não altera a necessidade ou não de representação / requerimento (queixa) do ofendido. entretanto.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Usurpação de águas. Na atuação policial militar. Dano (art. que nesse caso passará a correr. 163. 184 a 186). parágrafo único). parágrafo único. 236).2. Violação de direito autoral e seguintes (art.099/95 Outro importante delito que merece atenção são os abrangidos no contexto da Lei Maria da Penha. Destaque-se a Lei Maria da Penha. Rol de delitos que dependem de representação Calúnia. caput). Esbulho possessório (Art. parágrafo único).3. LEI MARIA DA PENHA X LEI 9.3. IV). Com o decurso do prazo.099/95.4. e é nela que está definido a necessidade da representação do ofendido nos delitos de lesão corporal leve e culposa. parágrafo único. 3) Exercício arbitrário das próprias razões sem violência (art. 179 e parágrafo único). 139 e 140. 167). já que se trata de um flagrante (de delito de menor potencial ofensivo). 3. Alteração de limites. IV).2. informado do prazo de 6 meses. 139 e 140.4. caput. Quais destes.

e ela SEGURAMENTE demonstra NÃO QUERER representar contra o autor da ameaça. Considere a seguinte situação: Você (na condição de policial militar).. não havendo flagrante. independentemente da "opinião" da esposa.5 (Maria da Penha) e POP 304.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. prender o autor em flagrante delito. informar à CRE/COPOM e retirar -se do local. a guarnição deverá (PMSC): registrar BO-COP. e afirma veementemente que não quer que prendam seu marido. 5 POP 304. 36 . O marido torna a ameaçar a mulher e esta. consignando que a ofendida não quis representar contra o autor. se quem chamou a guarnição não foi a suposta vítima. esta repete que não quer que toquem em seu marido e que a vizinha deve cuidar da vida dela. por sua vez. evidentemente que o mesmo está fundamentado no Código Penal (crimes condicionados a representação). Em separado ao falar com a mulher. Entretanto. mantém a postura em não querer que prendam ou toquem no seu marido. lavrando BO-PA. Quem chamou a guarnição foi a vizinha. Observe. o marido ameaça a mulher "de morte". entretanto. embora no contexto da Lei Maria da Penha. no local. ligando para o COPOM. na sua frente e de seu parceiro de serviço. e conduzi-lo à DP competente (geralmente especializada).12 (Ameaça). Logo. que se na mesma situação o marido agredir a esposa.. Lei nº 11. nem mesmo presumido. entendimento firmado pelo STF (leia a seguir): 4 Apesar de parecer estranho. a guarnição deverá. a) Procedimento policial militar (PMSC) a ser tomado?4 (Tente responder livremente) 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 8____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 9____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 10___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ b) Qual POP regula esta situação (PMSC)?5 (Tente responder livremente) 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ c) Fundamentação: Além dos POPs citados. ainda que leve ou culposamente. você e seu parceiro verificam marido e mulher discutindo. de serviço. concretizará o intento. de agressão. esse delito. atende ocorrência de "briga" de casal.340/06 (Maria da Penha) e o mais importante. A mulher demonstrase muito incomodada com a presença da guarnição. AINDA NECESSITA REPRESENTAÇÃO. dizendo que assim que a guarnição sair do local.

permanecer a necessidade de representação para crimes dispostos em leis diversas da 9.5 37 . de maneira que.2012. Consignou-se que o Tribunal. como o de ameaça e os cometidos contra a dignidade sexual.2. Entendeu-se não ser aplicável aos crimes glosados pela lei discutida o que disposto na Lei 9. (ADI-4424) Portanto o policial militar deverá ter atenção especial nos delitos envolvidos pelo contexto da Lei Maria da Penha.099/95. Min. praticadas contra a mulher em âmbito doméstico. em processo subjetivo. No mais tomar os cuidados normais referentes a necessidade ou não de representação / requerimento (queixa) da ofendida.340/2006. lembrando-se que a lesão corporal leve e culposa são.2011). quando abrangidas pela Lei Maria da Penha. a constitucionalidade do art. em se tratando de lesões corporais. tentando verificar. se a ofendida não está sendo intimidada pelo agressor. Marco Aurélio. ADI 4424/DF.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. entretanto.099/95. rel. declarara. Acentuou-se. de ação penal pública incondicionada! Lembrar-se ainda que. no que afastaria a aplicação da Lei dos Juizados Especiais relativamente aos crimes cometidos com violência doméstica e familiar contra a mulher. 41 da Lei 11. ao julgar o HC 106212/MS (DJe de 13.6. no contexto da Lei Maria da Penha não há o que se falar em BO-TC. 9. mesmo que de natureza leve ou culposa. a ação penal cabível seria pública incondicionada. independentemente da pena prevista. cuidadosamente. jamais! Veja a seguir o POP que regula a atuação nos delitos abrangidos pela Lei Maria da Penha: POP 304.

crimes eleitorais. DELEGACIA DE POLÍCIA FEDERAL (POLÍCIA JUDICIÁRIA FEDERAL) À Polícia Federal competem. 4. a regra geral. pois mudará o destino inicial do detido em flagrante delito (local para onde o policial deverá conduzi-lo).2. é para a Delegacia local ou especializada. OBJETIVO 4: COMPETÊNCIA (¹/² H/A) 4. etc.2. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas.2..PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. da CRFB/88: Art.] I .. existem exceções. Na atividade policial militar é importante um conhecimento básico.exercer as funções de polícia marítima. portanto.]. por sua vez. com a consequente solução do litígio. LOCAIS PARA CONDUÇÃO DO DETIDO Basicamente podemos definir em dois locais principais para condução do detido pelo policial militar. Segundo ensina o mestre Fernando Capez (2013. Delegacia de Polícia Federal (Polícia Judiciária Federal). CONCEITO “Jurisdição é a função estatal exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário. p. devem ser conduzidos para a Delegacia de Polícia Civil local (exceto especializadas para Menores. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. a vasta maioria das ocorrências com presos.1. 4.). II . detidos e menores apreendidos. segundo artigo 144. (CAPEZ. Idosos. É o poder de julgar um caso concreto. no caso de crimes militares.263). aeroportuária e de fronteiras [. 2013. o contrabando e o descaminho. 144. segundo se dispuser em lei.2.265): “competência é a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos quais o juiz pode prestar jurisdição) [. 38 . tem a finalidade de determinar qual a autoridade judicial terá competência a aplicar o direito ao caso concreto. II. consistente na aplicação de normas da ordem jurídica a um caso concerto. As exceções é que deverão ser conduzidas a locais diferentes. III .] É. Mulheres. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. como por exemplo.. 4. Evidentemente. DELEGACIA DE POLÍCIA CIVIL (POLÍCIA JUDICIÁRIA ESTADUAL) Modo geral.. p. IMPORTANTE: Ler POP 406 sobre condução de presos. Delegacia de Polícia Civil (Polícia Judiciária Estadual).1. crimes durante uma partida esportiva com a chamada “justiça presente”. de acordo com o ordenamento jurídico. por meio do processo”.apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. A discussão da competência. uma verdadeira medida da extensão do poder de julgar”.. a saber: I.prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. §1º. §1º [.. além de todos os casos já vistos de pessoas com prerrogativas de função.

principalmente quando o delito for contra empresas públicas. Crimes em praças desportivas – enquanto estiver a “Justiça Presente” deverão ser conduzidos para ela. Crimes militares – a serem melhor tratados em outra disciplina. OUTROS CASOS Evidentemente existirão exceções: 1. se houver. 2. 4. devendo o preso / detido. serviços e interesses da união (Caixa Econômica Federal. do contrário. bem como. por exemplo). descaminho ou tráfico de drogas internacional ou interestadual (transporte de cargas de drogas em caminhões.3. para o quartel. conforme já visto no tópico específico. filmagens. CUIDADO! A condução de presos para lavratura de BO-PA. para lá ser encaminhado (Delegacia de Polícia Federal mais próxima).PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. para gravações. falsificação verossímil de notas e moedas. não faça isso! 39 . etc. além de transgressão disciplinar. pode configurar crime de abuso de autoridade ou tortura. dependendo do caso. 3. Logo. interrogatórios e afins. Etc. Crimes Eleitorais – deverão ser conduzidos ao Juiz Eleitoral de plantão. a competência será da Polícia Federal. ou ainda envolver contrabando. (Não confundir com militar cometendo crime comum).2. etc. Pessoas com prerrogativas. 5. delegacia. 4. ainda que a pedido de superiores hierárquicos. Deverá o detido ser conduzido para o quartel responsável..). autarquias. normalmente.

não estando preso a qualquer critério legal de prefixação de valores probatórios. Ninguém melhor do que as primeiras pessoas que estiveram no local do crime. e por terceiros. etc.413). CONCEITOS E OUTROS ASPECTOS (¹/² H/A) Conjunto de atos praticados pelas partes. permitindo que a persecução penal chegue até seu objetivo final. não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação. em prova mais ou. que é a efetiva imputação e condenação do agente infrator. É o sistema adotado no Brasil. desde que fundamentadamente para valorar as provas trazidas aos autos. da falsidade ou veracidade de uma afirmação. Capez. preservar e até mesmo levantar elementos probantes. Como versa o Ilustre Rogério Greco (2013. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. No entanto. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial. gravações. p. p. direta ou indiretamente. Parágrafo único.2. o juiz é livre. 5. não há o que se falar. Essa observação abre um importante leque de opções à atividade de Polícia Ostensiva. Conforme o CPP preconiza: Art. pelo juiz. (Cf.372).1. p. 2013. como no processo penal o Juiz deve buscar verdade real. o policial deverá preocupar-se em verificar. Este capítulo é importante ao serviço de Polícia Ostensiva pois. uma vez flagrado o delito.1. essa liberdade não é absoluta.101): O papel do policial na produção da prova dos fatos é de fundamental importância. sendo necessária a devida fundamentação”. sempre dentro da legalidade. 40 . (CAPEZ.1. SISTEMAS DE APRECIAÇÃO – SISTEMA DA LIVRE (NÃO ÍNTIMA) CONVICÇÃO OU DA VERDADE REAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO OU DA PERSUASÃO RACIONAL “O juiz tem liberdade para formar a sua convicção. 2013. imagens. MEIOS DE PROVA O CPP não é taxativo no rol de provas. não repetíveis e antecipadas. menos importante. 155. que poderá colher diversos elementos probantes não nominados no CPP que servirão para convencimento do Juiz como: filmagens.1. O parágrafo único refere-se a casamento.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. destinados a levar ao magistrado a convicção acerca da existência ou inexistência de um fato. portanto. ressalvadas as provas cautelares. ou mesmo que participaram da prisão em flagrante do acusado. morte e parentesco provados mediante certidões oficiais. OBJETIVO 5: PROVAS (4¹/² H/A) 5. 5. leve a demonstração da verdade. compreende-se por meio de prova tudo o que possa ser subsídio para que. para poder tentar traduzir para o processo aquilo que efetivamente ocorreu.

Não tenha dúvida. desacato. É importante. arranhões. IGP ou seção do mesmo (não hospital) e realize o exame.. ainda que levemente (tapa. marcas de unhas. O laudo – resultado – poderá ser requerido mais tarde. é necessária a leitura e compreensão do POP 502 – PRESERVAÇÃO DE LOCAL DE CRIME. bem como. o preso entregue na delegacia. ainda que com lesões leves. agressões.251): “por prova não repetível entende-se aquela cuja reprodução em juízo tornou-se inviável em decorrência de acontecimento ulterior à sua colheita. Observe no nosso grifo que provas cautelares não repetíveis e antecipadas: perícias e algumas provas que não possam ser repetidas.1. EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS EM GERAL (¹/² H/A) Segundo o CPP: Art. do exame de tais vestígios resulta um laudo pericial: laudo pericial do exame de corpo de delito. Quando a infração deixar vestígios. lesões corporais. devendo ser realizado de modo direto ou indireto (através de testemunhas que tenham visto o delito ou peritos. É fundamental que o policial militar lesionado. muitas vezes a simples abrasão das algemas FARÁ exame de corpo de delito. 5. 5.2. preservem o mesmo ao máximo. que as guarnições que primeiro se depararem com o local do delito. e não pode ser suprido pela mera confissão. Segundo LENZA (2013. direto ou indireto.) colha guia de exame de lesões corporais. pela autoridade policial ou autoridade policial militar no curso do IP ou IPM respectivamente. embora não inserido na íntegra neste documento. Aqui.1. na medida do possível. todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. principalmente se houver morto: Art. TIPOS DE PROVAS 5. Como diz o artigo 158 o exame de corpo de delito é fundamental. 41 . poderão ser utilizadas para fundamentar a decisão. etc. será indispensável o exame de corpo de delito. por informações prestadas por testemunhas). etc.2. que resultem em vestígios no Policial Militar. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados. p. tal como ocorre com o depoimento de testemunha que faleceu após ser ouvida na fase do inquérito”.2. Também não raras vezes. registrar o fato e sair. portanto. se dirija ao órgão local competente. gerando prova incontestável de que sofreu lesões corporais.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. limitamo-nos a conduzir o preso à delegacia.1. Importância do PM submeter-se a exame de corpo de delito É comum ocorrerem situações de resistência. 158. 164. não podendo supri-lo a confissão do acusado. Corpo de delito é o conjunto de vestígios deixados pelo delito.

como costuma ser falado.3. ouvido. TESTEMUNHAS E OFENDIDO (1 H/A) Expresso no CPP: Art. participado na cena. Qualquer pessoa que tenha visto. deve ser arrolada. é suficiente para encarcerá-lo.2. Esse recurso. Importante ressaltar também que a confissão pode ser desdita (retratada) a qualquer tempo. Eis que. tão logo tomadas as medidas de segurança.2. Somando-se a observação de que ela não é uma prova “superior” as demais: não supre a falta de exame de corpo de delito. Na condição de policiais militares. Não é lícita qualquer outra forma de interrogatório. INTERROGATÓRIO Conforme o mestre Capez (2013. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova. 197. pode ser retratada a qualquer tempo. mesmo psicológica. No caso de BO-TC deverá ser ouvida a testemunha e seu breve relato tomado a termo. 5. como prova incontestável de que você tenha agido em legítima defesa ou estrito cumprimento do dever legal. Toda pessoa poderá ser testemunha. ainda pouco utilizado pelos nossos policiais. no caso específico será feito um levantamento pela guarnição policial das testemunhas. CONFISSÃO A confissão não é mais. por óbvio. e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo. comum em filmes e telenovelas. as testemunhas presentes. Possibilitando a este a defesa e sua autodefesa. entretanto. a declaração do detido prestada aos policiais militares não constitui qualquer espécie de prova. isolamento e preservação. p. não supre a falta do exame de corpo de delito sempre que a infração deixar vestígios. Esta frase é primordial para entender a importância da Polícia Ostensiva. verificar. não pode ser usada como única fonte formadora da convicção do juiz. “a rainha das provas”.2. verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância. Ressalta-se aqui a expressão: “arrolar testemunhas”. Art. tais perguntas não poderão submeter o detido a qualquer espécie de pressão ou intimidação.427): “É o ato judicial no qual o juiz ouve o acusado sobre a imputação contra ele formulada”. 202. Frisa-se: JUIZ ouve o ACUSADO. Além disso. chegamos facilmente à conclusão do quão infantil é pensar que o simples ato de um suposto infrator assumir que fez algo. pode fazer a diferença.4. 5. ou caracterizarão possível crime de tortura. 5.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. ‘in loco’. no local do delito. 42 . com dados que permitam sua posterior localização.2. ao deter alguém podemos fazer perguntas. servindo unicamente para o que os policiais militares possam melhor elucidar o ocorrido.

O ofendido. conforme se verifica no CPP: Art. não é testemunha. podem igualmente ser ouvidos. entretanto pode incorrer em denunciação caluniosa se der causa a investigação policial ou processo judicial.1. ofício ou profissão. convém observar que existem pessoas que não prestam compromisso em juízo (podendo mentir). obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias. mas obviamente não prestam compromisso com a verdade. ministério. Crianças ou mesmo deficientes mentais. quiserem dar o seu testemunho. ou o filho adotivo do acusado. delegado. não concordamos. TESTEMUNHO DE POLICIAIS. cujos códigos de ética impeçam a revelação do sigilo profissional. até porque. o cônjuge. o afim em linha reta. escrivão de cartório. etc.  Sacerdotes. diretor escolar no tocante ao caso em que estejam relacionados. dentre outras. 207. viciar a instrução do 43 . Art.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Mesmo para a lavratura de BO-COP ou BO-PA testemunhas importantes devem ser arroladas. O ilustre Capez (2013. são raros os juízos que desconsideram tais depoimentos. em geral. entretanto. salvo quando não for possível. a exemplo de dados de empresas. assistentes sociais. entretanto. VÍCIO NÃO DEMONSTRADO. por si só. comissário de menores. advogados. salvo se. por sua vez. jurado. a mãe. p.  Em função do Ofício no tocante ao que o dever imponha sigilo. devam guardar segredo. como Inquéritos Técnicos. Para a lavratura de BO-TC. desobrigadas pela parte interessada. COERÊNCIA COM AS DEMAIS PROVAS: “III. ainda que desquitado. outras que não são obrigadas a depor e ainda outras proibidas de depor. em razão de função. São proibidos de depor:  Juiz.2. Ademais. recusar-se a fazêlo o ascendente ou descendente. 206. 5. como dito. PROVA TESTEMUNHAL. Posição que. e não presta compromisso. por outro modo. São proibidas de depor as pessoas que. Depoimentos de policiais O depoimento de policiais é perfeitamente válido. as testemunhas são importantes. humildemente. Inclusive para procedimentos administrativos.456) entende que o depoimento de policiais deve ser corroborado por testemunhas estranhas aos quadros policiais. o irmão e o pai. promotor.  Deputados e Senadores com relação a informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato ficam igualmente desobrigados a prestar depoimento. Poderão. O testemunho de policiais não tem o condão de. a maior parte da jurisprudência posiciona-se pela perfeita aceitação do depoimento policial como prova de igual valor. em muitos casos somente os policiais irão flagrar o realmente ocorrido.  Profissões como: médicos. imputando a alguém crime caso sabidamente inocente.4. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. não apenas delituais.

embora não seja permitido ler o depoimento. formação de grupos armados e crime organizado.Quantidade de dinheiro. eis que a credibilidade será quebrada frente às demais evidências probantes dos autos. RECONHECIMENTO DAS PESSOAS E COISAS Trata-se da identificação de pessoas ou objetos.5. desde que prestados de forme (sic) firme. 5. p. como e onde estava o mesmo. Gilson Dipp. . Não se admitindo declarações fantasiosas. IMPORTANTE: como demonstrado. para comprovação de delitos.80). O CPP considera: 44 .662/RS. 24-10-2000. etc. ACAREAÇÃO Consiste em colocar frente a frente duas ou mais pessoas e confrontar suas declarações. útil. 5ª T. p.2. Portanto. em porções. neste caso caracterizando-se uma prova inominada. 2000. DOCUMENTOS Aqui. em pó. o depoimento dos policiais tem pleno valor. gravar). se sobressai sua coerência com as demais provas do processo” (STJ.Local onde estavam as drogas: bolso. os servidores policiais não estão impedidos de testemunhar e o valor de suas declarações é pleno. posição. DJ. qual? . 4 dez.290): “Pacificou-se o entendimento de que.Como estavam as drogas. 5. . rel. j.2.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. por um ofendido ou testemunhas. caso contraditórias. recomendamos ao policial militar fazer anotações e guardá-las com o máximo de detalhes possível da ocorrência (ou como sempre. mais um ponto de destaque para o serviço policial militar. trajes que vestia. mas deve ser coerente com o real ocorrido e visto por cada agente. 5.7. qual? Pote.6. em cristais. No mesmo sentido. em especial. tem se tornado importante ao policial recordar detalhes da ação em flagrante delito como: . no combate sempre incessante ao tráfico ilícito de drogas e afins. Cada vez mais. em especial de tráfico. mas que não deve ser usada como única fonte para ensejar uma sentença condenatória. É comum nos dias atuais também o reconhecimento por fotografias. . Esses detalhes costumam ser utilizados para inocentar infratores no caso de dúvidas (‘in dúbio pro reo’). tal como qualquer outra pessoa. coerente com as demais provas e sem contradições. em “tijolo”. é permitido ler apontamentos. Min.Outros detalhes. em tabletes. HC 12.Aparência do detido. feito. em barras.. nos parece muito mais coerente o descrito por estudo do Coordenador Pedro Lenza (2013.2.

] o policial deverá levar as armas apreendidas para a delegacia de polícia. visando a apuração da infração penal. munições e afins. instrumentos para separar drogas. seringas descartáveis para injetar drogas. com certeza absoluta.2.8. O boletim de ocorrência deverá especificar. possíveis desvios do material apreendido. O oposto também pode ocorrer. 239. Art. ser lavrado o auto de prisão em flagrante na hipótese de terem sido presos aqueles que as possuíam ou portavam ilegalmente. não possa o policial afirmar. Ainda. autorize. se dará o mesmo valor do original.2. o papel deixado para trás poderá ser a diferença entre a lavratura e caracterização de um flagrante perfeito e a soltura do autor do delito. evitando-se. instrumentos ou papéis. artefatos para preparação de explosivos. dinheiro e outras evidências que remetam ao tráfico. devem ser retidas juntamente com as drogas. públicos ou particulares. que o indivíduo pode ser um mero viciado (consumidor). instrumentos para embalar drogas. telefones. esteja atento no momento de um flagrante a tais detalhes. papéis de seda para enrolar cigarros de maconha.1.. À fotografia do documento. p. endereços. alguns materiais costumam ter valor probante “contrário”: “cachimbos” para fumar crack. serão encontradas: balanças de precisão.. 5. entre outros materiais utilizados para o tráfico.48) esclarece: [. mas que somente se terá certeza após o laudo de constatação. Toda e qualquer anotação encontrada em posse do suposto traficante: listas de valores. 232. dinheiro em notas pequenas. a fim de que seja instaurado o necessário inquérito policial. Considera-se indício a circunstância conhecida e provada. todo o material apreendido. por exemplo. 5. Apreensão de armas Igualmente no tocante a armas.. informando os modelos das armas apreendidas. No entanto. que. às vezes. tendo relação com o fato.8. ao invés do tráfico. concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias”. por indução. bem como a 45 . etc. Portanto.. dando a entender que se parece com determinada droga. Não raras vezes. devidamente autenticada. deverá fazer constar todas essas informações em seu boletim de ocorrência. Consideram-se documentos quaisquer escritos. inclusive.] o policial militar.46) com o brilhantismo de sempre lembra no tocante a apreensão de drogas que: [. Outro momento importante na ‘coleta’ de provas pelo policial militar. de que se trata de determinada droga. INDÍCIOS E PRESUNÇÕES (1 H/A) Conforme previsto no CPP: “Art. geralmente tendem a caracterizar.2. Apreensão de drogas Rogério Greco (2013. p. clientes.2. podendo. no momento da apreensão. 5. também necessita atenção policial para objetos envolvidos no delito. minuciosamente.. isso não o impede de colocar em seu boletim de ocorrência a palavra “possivelmente”.8. Rogério Greco (2013. com isso. Não importa que.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Parágrafo único.

As buscas domiciliares serão executadas de dia. quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato. Com consentimento do morador. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. Em desastre. Durante o dia: a. c. os executores mostrarão e lerão o mandado ao morador. c. Em flagrante delito. b. destinadas ao acusado ou em seu poder. A busca será domiciliar ou pessoal. 5. é executada a busca dentro de preceitos legais. Busca domiciliar Para a busca domiciliar SEMPRE será necessário: 1. quantidade de munição que com elas foi arrecadada. d.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Em flagrante delito. quando fundadas razões a autorizarem. Para prestar socorro.9. h) colher qualquer elemento de convicção. ou. Portanto podemos resumir que o ingresso em residência.9. que o morador autorize o ingresso.] Art. f) apreender cartas. 5º. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. Com consentimento do morador. ou a quem o represente. 2. evidentemente.2. apesar da redação do CPP que segue abaixo. se houver. Para tanto. por determinação judicial. ou. g) apreender pessoas vítimas de crimes. Observe que. d) apreender armas e munições. a abrir a porta. Em desastre. e seus acessórios. apreendidos os materiais ilícitos.1. abertas ou não. salvo se o morador consentir que se realizem à noite. inciso XI . objetos e até mesmo criminosos. por força constitucional. 46 . § 1º Proceder-se-á à busca domiciliar. e. 2. instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso. e. e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu. 240. d. intimando-o. Autorização do daquele que se apresente como responsável pela morada. [. ou para prestar socorro. para: a) prender criminosos. CRFB/88: Art. a ordem judicial é indispensável. em seguida.. durante o dia. armas.. que visa evitar que as provas se percam com o tempo. 5. Para prestar socorro. 245. e sendo frutífera. Por determinação judicial. Mandado JUDICIAL.a casa é asilo inviolável do indivíduo. Durante a noite: a. (Grifo nosso) Do CPP se extrai: Art. b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos. a não ser. somente dar-se-á nas seguintes hipóteses: 1. B USCA E APREENSÃO (1 H/A) A ‘busca e apreensão’ trata-se de uma medida cautelar. c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos. antes de penetrarem na casa. b.2.

poderá ingressar em residência. não se confunde com o simples ingresso em residência. assinando-o com duas testemunhas presenciais. entretanto. pertencentes a outras pessoas (casas vizinhas. não autoriza o ingresso à residência. o morador será intimado a mostrá-la. se houver e estiver presente.2. § 5º Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar. compelido pela firme compreensão de estar agindo em flagrante delito. sob pena de abuso de autoridade.2. devendo. sejam juntamente apreendidos. verifica que se tratava de um equipamento similar (furadeira. para o descobrimento do que se procura. 47 . independente da gravidade.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. será arrombada a porta e forçada a entrada. declarará previamente sua qualidade e o objeto da diligência. será imediatamente apreendida e posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes. etc. É compreensível e perfeitamente admissível que o policial militar. sem prejuízo do disposto no § 4º. p. cometer abusos. daí sim. mediante um flagrante delito. etc.213) a posse de drogas para consumo pessoal. § 7º Finda a diligência. persiga o preso e que.2. numa situação de flagrante delito. etc.1. será permitido o emprego de força contra coisas existentes no interior da casa. Entretanto. Ingresso em residência por suspeita de delito x descriminante putativa A simples suspeita de delito. Ainda: toda e qualquer infração penal (crimes e contravenções penais). ao flagrar um traficante que se homizie em residência. como por exemplo: visualiza uma pessoa portanto uma arma. Exemplificando. se familiar ou o próprio preso autorizar. os executores lavrarão auto circunstanciado. para efetuar a prisão.1. neste caso. tendo sido visto em flagrante. Interessante destacar. sendo assim.1. que na compreensão de Rogério Greco (2013.9. com eventual ingresso em residência. sem qualquer pressão mesmo psicológica ou ameaça o ingresso na residência e a busca. 5.9. § 1º Se a própria autoridade der a busca. § 4º Observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º. autorizam a atuação policial imediata. locais habitados somente por outras pessoas alheias ao preso. § 2º Em caso de desobediência.). não é aceitável o ingresso em casa alheia. poderá dependendo do erro ser tratado a luz das descriminantes putativas. Neste caso o ingresso se deu em flagrante delito podendo ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite. § 6º Descoberta a pessoa ou coisa que se procura. se o policial ingressar numa residência.). não há o que se falar em qualquer ilegalidade. não comporta prisão em flagrante. a guarnição. e ao ingressar. Mas deve-se ter cautela para não efetuar uma verdadeira devassa em aposentos completamente alheios ao crime flagrado. Busca domiciliar e o ingresso em flagrante delito A busca domiciliar é uma medida autorizada por ordem judicial. ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho. tanto numa simples perturbação do sossego alheio (contravenção penal) quanto num homicídio (crime). Em sentido oposto. visando impedir a consumação do delito ou prender o autor. quando ausentes os moradores. § 3º Recalcitrando o morador. 5. objetos igualmente ilícitos. encontrados na cena do crime ou da voz da prisão em flagrante.

Nas palavras de Greco (2013. na situação em que o policial se encontrava. Flagrada a perturbação do sossego alheio se nega a baixar o som. móveis e eletrônicos. 48 . ou ainda na hipótese do criminoso perseguido lá se ocultar. seu erro poderá ser considerado como grosseiro. Podemos concluir que no nosso serviço diário. é legal (permitido): 1. alegando-se. vale dizer. É flagrado traficando. 20. em seu favor. Exemplo: quarto alugado para outra família que não guarda relação com o preso em flagrante não pode ser revistado. 3. Exemplos: a.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. 3. erros. d. tais excludentes de culpa. se seu erro não for grosseiro. será aplicada a regra constante do art. é proibido destruir ou danificar objetos. por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. b. traficando ou agredindo alguém – sendo visível pela janela. ou seja. Proceder a apreensão de objetos que tenham relação com a infração e que forem encontrados no local dos fatos e imediações. inevitável. O morador pode revogar a qualquer tempo a ‘autorização’ e a guarnição terá que sair. que a sua suspeita era completamente infundada. derivam de erro. Ingressar em residência se houver flagrante delito. proceder a uma busca ilegal e só então. o problema deverá ser tratado à luz das descriminantes putativas. inaceitável. o policial seria considerado como isento de pena. Nesse caso. p. Não podendo o policial usar a seu favor. correr para uma residência. supõe situação de fato que. pois. ou reduzir. encontrar algum objeto ilícito (o autor do delito até poderá responder pela posse de substância ilícita ou arma. Nesta hipótese. 2. Podemos concluir que no nosso serviço diário. Ingressar e revistar a residência de qualquer pessoa que autorizar. tão somente a mesma. Revistar cômodos. podendo excluir a culpabilidade e isentar de pena.214): [. Em tempo. Convém lembrar que as descriminantes putativas. mas sim. mas o flagrante será ‘quebrado’ e poderá a guarnição incorrer em abuso de autoridade). ou perfeitamente deduzível. na verdade não havia qualquer infração penal sendo praticada. casas e salas habitadas por terceiros completamente alheios ao preso em flagrante ou ao que autorizou o ingresso. etc. §1º. Do contrário. o estrito cumprimento do dever legal putativo. Flagrado portando arma. não são excludentes de ilicitude. Após autorização para ingressar em residência. tornaria a ação legítima. Desacata a guarnição. 4. 2. qualquer pessoa saberia. se existisse. desde que o erro em que incorreu o policial não seja grosseiro. mas sim escusável.] se ele se encontrava diante de uma situação imaginária. Ingressar na residência se o criminoso flagrado for perseguido e nela se homiziar. porta aberta. do Código Penal. plenamente justificável. sendo perseguido pela guarnição. que aduz ser isento de pena quem. Ingressar na residência. é ilegal (proibido): 1. c... fazendo com que responda pela violação de domicílio. caso fique demonstrado que sabia estar agindo ‘contra legem’ (contra a lei). compartimentos. embora tenham esse nome.

Utilizar violência física ou psíquica (ameaças. desde que devidamente identificadas! (Cf. oportunidade. 5. verifiquem e apreendam outros objetos ilícitos que estiverem lá guardados). visando obter autorização para ingresso em residência ou revistar cômodos (podendo caracterizar tortura). visando verificar locais alheios ao local do crime (exceto. p.2. aliar critérios como: abordagem. Busca pessoal Sobre a busca pessoal o CPP traz o seguinte: Art. A busca em mulher será feita por outra mulher. (GRECO. A busca pessoal independerá de mandado. A busca pessoal. comportamento. poderá ser suspeito. de modo espontâneo a sua residência. trata-se de mero exaurimento. como armas.9. automóveis. nem ser usada como modo de humilhar. se já foi preso traficando. Logicamente. no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito. p. não podem ter o veículo revistado exceto num flagrante crime inafiançável. 2013. portanto. Em mulheres a busca deverá preferencialmente feita por outra mulher exceto se importar retardamento ou prejuízo da diligência. 49 . aparência. chantagens). mas sim. p. conforme ensina o brilhante Greco (2013. volume sob suas vestes. não necessita de mandado judicial. A busca não pode ser feita visando cor da pele. Segue o CPP: Art. Por exemplo: talvez. 2013. não podendo ser praticada desnecessariamente. inclusive. é como se as imunidades fossem estendidas ao veículo das mesmas. se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. “Não se poderá tolerar os atos que importem em cometimento. tempo estritamente necessário. de condutas ofensivas ao pudor. Este caso. como destacado. constrangendo a mulher com comportamentos desnecessários e indignos”. para que guarnições.39). (CAPEZ. se tiver consigo outros ilícitos. motocicletas. malas. dependendo do local e contexto onde se encontre. Deslocar-se com o preso para rumos completamente distintos da Delegacia. com base na fundada suspeita. exceto. um indivíduo de terno. já caracterizada na atuação em flagrante delito.2. ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. por exemplo: se o preso residir nas imediações / proximidades do local do delito e identificar. p. a. 2013. etc.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.36). Entretanto. 5. a doutrina se posiciona no sentido de que pessoas com prerrogativas. segurança. intimidações. aspectos discriminatórios ou preconceituosos.418). cabelos. 249. Deve-se. suspeita com critérios objetivos. que justifiquem a busca pessoal. ou seja. etc. Não é arbitrária. religião. 244. sempre.37). podendo ser realizada nos casos de fundada suspeita.. etc. 4. a entrega espontânea pelo preso em flagrante do depósito de produtos ilícitos não irá caracterizar nova conduta criminal. tatuagens. A busca pessoal inclui objetos e veículos: bolsas. Paulo Rangel ‘apud’ Greco.

destacamos que a doutrina / jurisprudência consideram lícitas ainda: .PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. obter provas sem. embora não inserido na íntegra neste documento. Em contrapartida. são contaminantes. São inadmissíveis. Esses recursos podem ser bem utilizados pelo policial militar hodiernamente. O CPP prevê expressamente sobre as provas ilícitas por derivação. § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. sem conhecimento do outro. por um dos interlocutores. § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível. . seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. seguindo os trâmites típicos e de praxe. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. etc. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. invalidando tudo aquilo que foi conseguido graças a elas ou não poderia ter sido obtido de modo independente. 2013. § 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só. conforme demonstrado. Aqui. é necessária a leitura e compreensão integral do POP401 – BUSCA PESSOAL. 157. contudo. esta será inutilizada por decisão judicial. (LENZA. tortura. no artigo 157: Art. facultado às partes acompanhar o incidente. 50 . as provas ilícitas além de serem inválidas e desentranhadas do processo. deixar que as mesmas tenham relação com qualquer fonte ilegal: busca em residência sem mandado. devendo ser desentranhadas do processo.Filmagem produzida pelo próprio ofendido ou por câmeras de vigilância instaladas em local público ou acessível ao público. PROVAS ILÍCITAS (¹/² H/A) Já foi bastante esclarecido sobre os cuidados em se obter somente provas lícitas. p. em flagrante. as provas ilícitas. telefônica ou ambiental. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. grampos ilegais.258). próprios da investigação ou instrução criminal.3. (grifo nosso) É importante ao policial militar chegar ao delito. 5.Gravação de conversa.

1.311) só poderá permanecer preso em duas condições:  Prisão preventiva (por ordem judicial). através de uma consulta o policial consegue verificar se o abordado está com “mandado em aberto” e efetuar a prisão e condução para a autoridade competente. Transgressão disciplinar militar (artigo 5º. PRISÕES PROVISÓRIAS As prisões provisórias são medidas extremamente excepcionais só podendo ocorrer em três situações:  Flagrante Delito. C. o Delegado deverá remeter o APF ao juiz competente no prazo máximo de vinte e quatro horas a partir da prisão. com o melhor acesso às informações. p. Hoje. apresentação espontânea ou expedição de mandado de prisão. 6. ordem de prisão preventiva ou. p. No ordenamento pátrio a prisão só é admitida para: A. que terá de se manifestar pela prisão preventiva se houver fundamento ou não havendo (regra geral) colocar em liberdade. solto. Com manutenção do preso. Infrações penais (comuns ou especiais – militares. pelo atual texto do CPP. a expedição do mandado costuma ser ‘constada’ no SISP. É um dos serviços que a Polícia Militar costuma rotineiramente cumprir.  Prisão temporária (por ordem judicial). do processo penal ou da futura execução da pena. qualquer que seja a modalidade do depósito).PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. consistindo no cerceamento da liberdade do indivíduo. eleitorais. Ilícito civil somente na hipótese de dívida de alimentos – não sendo admitida qualquer outra hipótese hodiernamente (Súmula Vinculante nº 25 do STF: É ilícita a prisão civil de depositário infiel. ordem de prisão temporária. Isto ocorre porque. 2013. etc. 51 . 2. Divide-se em dois modos claramente distintos: 1.  Prisão temporária (por ordem judicial). OBJETIVO 6: PRISÕES (5 H/A) Prisão é um dos modos de punição (mais grave em tempos de paz) previstos no Brasil (e na maior parte dos Estados Democráticos de Direito) para ilícitos considerados mais graves. Prisão sem pena ou prisão processual ou ainda prisão acautelatória: “destinada a assegurar o bom desempenho da investigação criminal. inciso LXI). o sujeito continue praticando delitos” (CAPEZ.  Prisão preventiva (por ordem judicial). MANDADO DE PRISÃO (¹/² H/A) O mandado de prisão será expedido por autoridade competente (Juiz) nos casos de: sentença penal condenatória. B. E conforme ensina de modo muito inteligente Fernando Capez (2013.). Prisão-Pena ou prisão penal: imposta após condenação judicial transitada em julgado. ou ainda a impedir que.1. 6.314).1. após a lavratura do auto de prisão em flagrante.

salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso.210. 6. c) Perigo à integridade física própria ou alheia Visando facilitar o serviço policial militar os autos “dos envolvidos” vêm com tais campos para serem assinalados. e/ou. por quem e terá direito ainda a cópia do mandado (que poderá ser entregue na DP). entretanto. em especial da Polícia Ostensiva. e/ou. justificada a excepcionalidade por escrito. USO DA FORÇA E ALGEMAS (¹/² H/A) O tema “uso de algemas” é polêmico e permite amplos estudos com propriedade. por parte do preso ou de terceiros. a Lei de Execuções Penais (Lei nº 7. sob pena de responsabilidade disciplinar. entretanto. de 11 de julho de 1984) reza no artigo 199: “O emprego de algemas será disciplinado por decreto federal”. facilitando o cumprimento deste requisito: 52 . somente justificando o uso para: a) Resistência. prevê os seguintes requisitos: 1) A ‘excepcionalidade’ do uso deve ser registrada por escrito.2. § 1ºQualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça. O juiz competente providenciará o imediato registro do mandado de prisão em banco de dados mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para essa finalidade. Note que a súmula não proibiu. ainda que fora da competência territorial do juiz que o expediu. sendo alertado pelo SISP tal referência. Mais recentemente (2008). 289-A. O CPP não menciona expressamente sobre o uso ou não de algemas (art. respeitada a inviolabilidade do domicílio no período noturno.1. As mesmas regras do ingresso em residência (para busca e apreensão) são válidas aqui! Na prática policial costumamos denominar que o indivíduo que tem contra si um mandado de prisão: “está com mandado em aberto”. civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere. Tal decreto nunca foi editado. que não é permitido o uso de força. b) Fundado receio de fuga. Conforme verifica-se no CPP: Art. 284). Prevê. mas também não impôs critérios claros / objetivos para a utilização das algemas.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. Pode ser cumprida a qualquer momento do dia e noite. para facilitar o serviço. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. o STF editou a súmula vinculante nº 11 que versa: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. Em termos de legislação. O preso tem direito a saber porque está sendo preso.

3. que a prisão em flagrante delito é uma das únicas exceções admitidas à ordem fundamentada de autoridade judiciária competente (as outras são: Transgressão militar e crime propriamente militar). Além é claro. Entretanto. dentre outros crimes. Continuando (MUITA ATENÇÃO NESTA PARTE): 53 . policiais militares.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. que queima.4 – BO-PA Flagrante vem do latim ‘flagrare’. legalidades e ilegalidades. mas NÃO para crianças! Ler POP 402 – Uso de algemas. etc. portanto.] LXI . local de condução. 301. não raras vezes o excesso caracterizará abuso de autoridade. A atenção a disciplina de uso progressivo da força é fundamental. porque agir. a nós. Note que qualquer um do povo pode agir e prender em flagrante quem quer que seja encontrado praticando uma infração penal. portanto. não é admitida tal faculdade: “autoridades policiais e seus agentes deverão prender [. recém cometida. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. empregar algemas na detenção de menores adolescentes. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. combinando-o com a parte referente às “imunidades” / prerrogativas e a aplicação da Lei 9. que arde.. como agir. é admissível. o que fazer.. definidos em lei. sob pena de incorrer em crime de prevaricação. Na prática policial. você deverá atentar-se e dominar completamente esta parte do material de estudo. PRISÃO EM FLAGRANTE – POP 305. COMPROVADA A NECESSIDADE do uso da força. em especial. Vejamos primeiramente o que diz a CF sobre a imposição da prisão em flagrante: Art.. Sendo assim. Observe. Representa uma das principais situações.]”. das hipóteses nas quais o policial estará amparado pelas excludentes de ilicitude. somos obrigados a agir prendendo em flagrante quem se encontre na prática de infração penal.1. 6. cuidados a serem tomados. Portanto é a infração penal que ainda está “quente”. 5º [. quando agir. referente ao uso da força. como diz o CPP deve se limitar ao indispensável no caso de resistência ou tentativa de fuga. Finalizando. O CPP por sua vez declara: DA PRISÃO EM FLAGRANTE Art.. procedimentos de segurança.099/95 (que determina apenas a lavratura de termos circunstanciados).ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. Perceba ainda que a súmula cala no tocante a algemar menores infratores. A prisão em flagrante delito é uma das situações nas quais o Policial Militar deve ter completo domínio da situação: fundamentação legal.

NARCOTRÁFICO PLENAMENTE CONFIGURADO. armas.036116-6. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. logo depois. Art. CESSÃO GRATUITA. ATENUANTE RECONHECIDA PELA MAGISTRADA PORÉM.CONFISSÃO DE UM DOS ACUSADOS CORROBORADO PELAS PALAVRAS DOS POLICIAIS QUE PROCEDERAM AO FLAGRANTE. caput. TRÁFICO DE DROGAS. p. 40. 33 DA LEI DE TÓXICOS EM SEU GRAU MÁXIMO. INCISO II. POSSIBILIDADE. INCISO I DO CÓDIGO PENAL. IMPOSSIBILIDADE. 2013.está cometendo a infração penal.] RELATÓRIO Na comarca de Criciúma. em situação que faça presumir ser autor da infração. MATERIALIDADE E AUTORIA EVIDENCIADAS. 35.acaba de cometê-la. todos da Lei n. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. 33.é encontrado. INVIABILIDADE. APLICAÇÃO DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA PREVISTA NO § 4º DO ART. § 3º DA LEI N.acaba de cometê-la.DESQUALIFICAÇÃO PARA O ART. ou verdadeiro) (1 H/A) Quando o autor é encontrado nas hipóteses do inciso I: praticando atos executórios da infração penal OU II: acaba de encerrar os atos executórios da infração penal. 54 .OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS PREVISTOS NO ART. temos as seguintes classificações de flagrante delito. DOSIMETRIA. II .PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. RECONHECIMENTO DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA DESCABIMENTO.é perseguido. ambos c/c o art.. Substituto José Everaldo Silva APELAÇÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. Nos dizeres de Capez (2013. PRETENSÃO ALMEJADA PELO APELANTE LUCAS. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 44. [. dando-os como incursos. PRELIMINARES.1. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL PELO JUÍZO A QUO. ABSOLVIÇÃO DO DELITO DE TRÁFICO DE DROGAS.343/06. 33. os dois primeiros. REPRIMENDA FIXADA DE ACORDO COM A DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. IV . INVIABILIDADE. PLEITO DOS APELANTES PELO AFASTAMENTO DA CAUSA DE AUMENTO DO ART. DA LEI 11. INOCORRÊNCIA DE FLAGRANTE PREPARADO.1. Considera-se em flagrante delito quem: I . DROGA ENCONTRADA EM PODER DO ADOLESCENTE. com instrumentos. PREFACIAIS AFASTADAS. DE CARÁTER PERMANENTE. pela autoridade.327) a expressão “acaba de cometer” deve ser tomada como restritiva. INADMISSIBILIDADE. nas sanções do art. 302. e art. Flagrante Próprio (ou real. REPRIMENDA MANTIDA EM REGIME INICIALMENTE FECHADO. Nas infrações permanentes. 303. III . 302.. NÃO APLICADA ANTE A FIXAÇÃO DA REPRIMENDA NO MÍNIMO LEGAL. Considera-se em flagrante delito quem: I . inciso VI. II . Art. A. como segue: 6. CONDUTAS DE "TER EM DEPÓSITO" E "TRAZER CONSIGO". NULIDADE DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE. Exercício (Leia e responda): Apelação Criminal (Réu Preso) n. de Criciúma Relator: Des. logo após. 40.343/06. REQUERIDA SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PELA RESTRITIVA DE DIREITOS PELOS ACUSADOS. MONTANTE DA PENA QUE IMPEDE A CONCESSÃO DE REGIME ABERTO. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. INOCORRÊNCIA. caput. QUANTUM APLICADO COM ACERTO PELA JUÍZA A QUO ANTE AS CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. 302. 11. MÉRITO. VENTILADA PRETENSÃO DE FIXAÇÃO DE REGIME MAIS BRANDO PARA INÍCIO DE CUMPRIMENTO DE PENA REQUERIDA PELOS ACUSADOS. ACUSADO MAURICIO. ALEGADA NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. Lucas do Nascimento Amândio e Victor Hugo da Silva Cardoso. Conforme a situação do artigo 302. VI. sem qualquer intervalo de tempo. o representante do Ministério Público ofereceu denúncia contra Maurício Ferraz de Farias. PENA FIXADA ACIMA DOS QUATRO ANOS. PREEXISTENTES À AUTUAÇÃO POLICIAL. ACUSADO LUCAS. INOCORRÊNCIA. Art. INSURGÊNCIA QUANTO À APLICAÇÃO DA PENA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL.está cometendo a infração penal. CONDENAÇÃO MANTIDA.3. RECURSOS DESPROVIDOS. COMPROVADO ENVOLVIMENTO DE MENOR NA PRÁTICA DELITIVA. INVIABILIDADE.

VI. ambas de caráter permanente. " uma pessoa que poderia conseguir" (fls. 33.32 g (duzentas e quarenta e seis gramas e trinta e dois decigramas) de tal substância entorpecente (de venda proscrita em todo o território nacional por força da Portaria nº 344/98. R. A seguir. quando indagado pelo denunciado Maurício Ferraz de Farias "se conhecia alguém que quisesse comprar maconha" (fls. em momento algum o flagrante foi preparado. No tocante ao mérito. preliminarmente. todavia inocorre tal circunstância. 244-B. 24 a 26. H. totalizava a expressiva quantidade de 246. protraindo o seu momento consumativo no tempo e no espaço (por exemplo. para adquir ir e fracionar o mencionado entorpecente. Contra-arrazoados (fls. dentro de um veículo parado. entre os quais o denunciado Victor Hugo da Silva Cardoso e o adolescente P. 148 e 184) Acerca do assunto. os policiais militares Andrews Mateus de Souza e Júlio César Inácio flagraram-nos cortando. 10 (dez) meses e 10 (dez) dias de reclusão. tudo consoante o Laudo Pericial de fls. onde. posto que as condutas "ter em depósito" e "trazer consigo".343/06. da Lei n. 2007. por volta das 23 horas e 30 minutos. onde lograram êxito em prender o referido réu. em parecer da lavra do Exmo. Dr. e para tanto fazendo uso de duas facas de serra (termo de exibição e apreensão de fls. a nulidade do flagrante delito em razão de ter sido preparado e pela nulidade absoluta ante a ocorrência de cerceamento de defesa. H. corrompeu ou facilitou a corrupção do menor. da Lei n.. Ocorre que. opinando a douta Procuradoria-Geral de Justiça. 33. em concurso material. pessoa que.). e Victor Hugo. no valor mínimo legal e à 5 (cinco) anos.343/06. respectivamente. pelo próprio d enunciado Maurício. associaram-se para. " a função de MAURICIO é fazer a captação de pessoas que querem comprar droga e intermedia a negociação". Requer ainda. para um local ermo no Bairro São Luiz. segundo Maurício tem " acesso a substância entorpecente" (fls. Sr. 13). Sobre a matéria. ambos por violarem o disposto no art. e subsidiariamente. (fls. de fato. a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos e a fixação do regime aberto para o início de resgate da reprimenda. P. Em razão disso. ter em depósito e trazer consigo são permanentes. Retratam uma infração permanente (o bem jurídico resulta afetado em todo momento. da Lei de Drogas e a redução da pena-base para o mínimo legal. caput.343/06 e a diminuição da reprimenda com a aplicação da confissão espontânea. neste momento. repassado um objeto para o último. encontrou-se com Victor e indicou para este. São Paulo: Revista dos Tribunais. VOTO Inicialmente. (fls. C. neste Município de Criciúma. no seu patamar máximo de 2/3 (dois terços). 11. caput. leciona Luiz Flávio Gomes: Crime permanente: as condutas consistentes em guardar. em regime inicial fechado e ao pagamento de 534 (quinhentos e trinta e quatro) dias-multa. vez que. tendo este então. Francisco Bissoli Filho. sendo que um deles seria o denunciado Victor Hugo da Silva Cardoso. 28 da Lei de Drogas e art. Ato contínuo. Feita a devida abordagem. 08).343/06. Regularmente processado o feito. 14). 8. para onde prontamente se deslocaram os antes aludidos policiais. da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde). 258). p. em um veículo Fiat Uno. § 4º e art. a qual. segundo P. 18). o telefone celular de P. H. O acusado postula pela nulidade do flagrante delito sob o argumento de que restou caracterizado flagrante preparado. 11. 11. trazer consigo. H. que teria sido recém entregue pelo acusado Maurício. 11. Chegando ao supracitado local. 374/390).PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. mais o pagamento de 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) dias-multa. a desclassificação da sua conduta para a prevista no art. em concurso material. Deve ser lembrado que algumas modalidades são permanentes. 11.] Consuma-se o crime com a prática de qualquer um dos núcleos trazidos pelo tipo. H. não se exigindo efetivo ato de tráfico. R. caput. em atitude suspeita. fornecer a terceiros. Pugna o réu Lucas do Nascimento Amândio pela absolvição por insuficiência probatória.. H. E o denunciado Victor Hugo da Silva Cardoso. (fl.00 (sessenta reais) em maconha.. os réus apelaram. (o qual também auxiliou a angariar o "cliente" Victor Hugo). solicitado ao interlocutor. ato contínuo. Isso é relevante para uma possível captura do agente (que faz parte da prisão em flagrante). o denunciado Victor Hugo da Silva Cardoso. a pedido dos agentes da lei. pretende o afastamento da causa especial de aumento de pena prevista no art. e o último por infringir o disposto no art. que os policiais militares efetuavam rondas no local dos fatos quando avistaram dois masculinos. o qual efetivamente estava interessado em adquirir maconha. que era o denunciado Maurício Ferraz de Farias. surgiu um veículo VW Gol. os agentes resolveram abordá-lo e revistá-lo. C. a Magistrada julgou procedente em parte a denúncia para condenar os acusados Maurício Ferraz de Farias e Lucas do Nascimento Amândio ao cumprimento. 334/348). perceberam os policiais Júlio e Andrews que o denunciado Maurício Ferraz de Farias (cujas características físicas lhes haviam sido informadas pelo adolescente P.343/06. para uso pessoal.343/06. § 3º da Lei n. 40. 286/299). (303/333).) aguardava algo (ou alguém) na calçada e. bem como. também na quantia mínima. nas imediações do "Barão Lanches".(Lei de drogas comentada. 11. das penas de 4 (quatro) anos. 33. 35. em conjunto com aquelas 8 porções anteriormente apreendidas. ocasião em que encontraram com certa quantidade de material entorpecente. ligou para o denunciado Maurício Ferraz de Farias e solicitou a este o equivalente a R$ 60. 4 (quatro) meses e 5 (cinco) dias. c/c o art. cumpre-se analisar as preliminares aventadas pelo apelante Maurício Ferraz de Farias. 233/258). pelo conhecimento e parcial provimento dos apelos. um dos tabletes de maconha pouco antes adquiridos do denunciado Maurício. Este é o relatório. cuja entrega foi marcada para o já mencionado "Barão Lanches". os autos ascenderam a esta superior instância. pela fixação da causa de diminuição de pena prevista no art. inciso VI. conforme descreve a exordial acusatória de fls. ed. 40. após breve campana. Clama também. I/IV: Infere-se do caderno indiciário incluso que na noite de 21 de novembro do corrente ano o adolescente P. 40. informou a Maurício o nome de um amigo. todos da Lei n. 2. guardar. (fls.069/90. Almeja a readequação da reprimenda com o afastamento da causa de aumento de pena prevista no art. Restaram absolvidos das imputações previstas no art. a droga conhecida por "maconha". H. manter em depósito. a substituição da pena corporal por restritivas de direitos e a aplicação do regime aberto para o início do cumprimento da pena. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. mediante divisão de tarefas (o segundo prospectava clientes e intermediava a vendado entorpecente que guardava o primeiro). os denunciados Lucas do Nascimento Amandio e Maurício Ferraz de Farias. é o entendimento do Excelso Pretório: 55 . os agentes públicos resolveram dar continuidade ao fatos já consumados. expor à venda. e o denunciado Victor Hugo. § 4º da Lei n. Maurício Ferraz de Farias aduz.. Em suma. já preexistiam antes da autuação policial. Houve a cisão do processo com relação ao denunciado Victor Hugo da Silva Cardoso. ao usar da ajuda do adolescente P. [.. Assim é que P. começou a tocar. viu-se que o objeto entregue pelo denunciado Lucas consistia em 13 porções de maconha. da Lei n. Inconformados. havendo então Lucas. sem solução de continuidade). 33. dirigido pelo denunciado Lucas do Nascimento Amandio (e no qual também se encontrava Daniela Ghisi dos Passos). Colhe-se dos autos. etc. VI. tendo sido tal entorpecente (oito porções da erva prensada) pouco depois entregue a P. que novamente fornecesse determinada quantidade de maconha. em regime inici al fechado. Portanto. a fim de fazer "parangas menores". deslocaram-se o adolescente P.

que Lucas vendia maconha. entregou o dinheiro para Maurício. botava. 146) nega a traficância. [. posteriormente. quem tinha a droga. que não recebeu nada pela intermediação. que só intermediou a negociação porque P. não somente pela confissão do corréu Maurício na fase judicial (CD audiovisual de fl. o depoimento do policial militar Andrews Mateus de Souza na etapa judiciária (CD audiovisual de fl.. oferecendo mais droga. que fez isso somente uma vez. que conhecia o P. lhe perguntou se sabia de alguém que vendia maconha. e o outro o Victor Hugo.2008) Dessa forma. e Lucas entregou a droga para Maurício. Félix Fischer. que foi o Lucas que lhe passou a droga. 81020/SP. dentro do carro. que eles estavam cortando a droga em tabletes quando a polícia chegou. o depoente foi pegar a droga para depois entregar a P. 302. comprou de Maurício. disse que ele e Maurício distribuíam a droga. Habeas Corpus n. que não pega droga com ninguém. que o Maurício não entrou no carro do Lucas. que não viu direito a droga. o que deu para entender. pegava a droga com Maurício e depois repassava no 56 . H. mas que o Lucas lhes fornecia. sem que esta o tenha induzido a "guardar" ou "trazer consigo" substância entorpecente. que o Lucas estava em um Gol branco. de ligar para Maurício e simular uma nova compra de entorpecentes. que lhe ligou pedindo mais. H. nem droga. na busca encontraram alguns pedaços de torrão de maconha. é que estava sendo feita uma negociação. Maurício teria repassado droga para P. que a droga que foi apreendida no dia da abordagem. que Maurício falou com Lucas pela janela do carro. disse que o tráfico no colégio é feito pelo celular. alegando que. No tocante a autoria. 146). foi encontrada droga em uma das portas do carro. Na mesma esteira. que P. inviável acolher-se a ventilada preliminar. que o local em que Maurício encontrou o Lucas foi a lanchonete Barão Lanches. De fato. e não ia ganhar nada desse dinheiro.. que pegou R$ 400. ou no console. e caracterizada a situação de flagrância permanente do acusado. que o Maurício estava lhe esperando no "Barão Lanches". feito isso. e que P. que não ligou para P. H. P.. C. o réu Maurício. que conhece Lucas da rua. o Maurício chamou o terceiro. que o Maurício que fez a ligação combinando de se encontrarem. rel.. que Maurício entregou o dinheiro da droga pela janela do carro de Lucas. que usa só maconha. havia mensagens dele oferecendo droga para demais pessoas. que a droga não era sua. recebeu a ligação durante a abordagem. na verdade. no local combinado.. por sua vez. Vale dizer.. acompanhado da polícia e. que avistou um veículo FIAT/UNO em atitude suspeita em local ermo. que não sabe se a polícia apreendeu droga de dentro do seu carro. assumiu os fatos. e nem Vitor Hugo. P. entregou o dinheiro ao Maurício que. do Código de Processo Penal. namorada do Lucas. começou a tocar. na fase judicial (CD audiovisual de fl. que ligou para P. que o P. mas também pelos testigos dos policiais que efetuaram as prisões em flagrante. e nem quem repassa a droga para Lucas. que a droga que o Maurício levou para os outros usuários não estava no seu carro. que o P. mandou mensagem para umas dez pessoas. falou que sempre comprava de Maurício. na verdade. que o P. que não sabia que o Vitor Hugo era menor de idade. e sim P. nem chegou a ser entregue a Maurício. marcar um local para encontrar o fornecedor. durante a abordagem. quando P. pois ela estava embalada numa bolsa plástica. H. e estava esperando no Barão Lanches. conforme consta no laudo.. assumiu que a droga era sua para consumo próprio. que não recorda se Maurício confessou que comprava a droga de Lucas. como P. sendo 4 (quatro) envoltas em plástico filme incolor e fita adesiva bege.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. que usa só maconha. que. e Victor estavam usando droga no momento da abordagem. P. pelo que recorda. no colégio. que desconhece o pacotinho de maconha que teria sido entregue para Maurício revender para P. sendo que já conhecia Lucas de umas duas vezes que comprou ma conha com ele. que. que comprou droga de Lucas duas vezes. os policiais falaram para P. que. foram apreendidos 21 (vinte e uma) porções de maconha. um era o P. que não tinha nenhuma droga com a Daniela. j. que os dois estudavam e vendiam droga no colégio. uma faca que estava sendo utilizada para cortar a droga.] A materialidade encontra-se evidenciada através do termo de exibição e apreensão de fl. dinheiro ou droga gratuitamente de nenhum traficante. que não fez nenhuma outra intermediação para Lucas. já vinha se protraindo no tempo com o simples fato de o ora paciente estar na posse da substância entorpecente (STJ. Lucas. que Maurício pegou a droga com o Lucas. que viu que a polícia tinha apreendido uma certa quantidade de maconha. que o P. os relatos dos policiais militares responsáveis pelo flagrante não deixam qualquer dúvida acerca da autoria do recorrente. que estava com o seu gol branco no dia da abordagem. que a droga estava dentro do carro de Lucas e. falou que comprou a droga de Maurício Ferraz. Min. que encontraram droga dentro do Gol branco que o Lucas estava dirigindo. que falou para P. que não conhece P. que estava dentro do carro de Lucas quando os policiais fizeram a abordagem. que marcaram um local para a entrega da droga e abordagem. O réu Lucas. que não sabe de quem era a droga. que só conhecia Vitor Hugo de vista. admitiu a comercialização do entorpecente exercida pelo réu Lucas. que o P. que. que P. H. o Maurício lhe ligou para fazer um lanche na "Barão Lanches" e fumar um baseado de maconha juntos. por duas vezes. foi comprada do Maurício. que não sabe dizer há quanto tempo Maurício estava repassando droga com P. que lhe pediu maconha. que o Lucas era o fornecedor maior. que no celular do P. não conhecia Lucas. que o P. R. que foi uma coincidência ter encontrado o Lucas no Barão Lanches. 146): Que estavam em rondas no bairro São Luis. que. que nunca os viu. H. Porém. que o fato se deu no período da noite. que não entregou nenhum pacotinho com maconha ao Maurício. H.. Que o Maurício pegou o dinheiro. que não se recorda se P. com massa bruta total de 246. que. que a Daniela estava junto. comprava drogas para revender. que a droga estava com Lucas. que convenceram P. visto que o auto encontra-se em observância aos requisitos legais previstos no art. por sua. que encontrou Lucas duas vezes no Barão Lanches naquele mesmo dia. que a droga era maconha. que. 10 (dez) acondicionadas em filme plástico incolor e 7 (sete) sem embalagem. está claramente evidenciada a atividade de traficância exercida pelo apelante. que. que. incabível falar-se em flagrante preparado. 8 e laudo pericial de fls. mas não tem certeza. dizendo que já tinha droga disponível para venda. H. que essas pessoas eram clientes de P. o celular de P. que P. constatados os indícios de autoria e materialidade.. para uso próprio.. geralmente. in casu. Se a prisão do paciente se deu em decorrência de atividade da polícia. que repassava a droga para Maurício. foi para o local combinado. vez entrou no bar para pegar a droga. que também participou do flagrante: Que estavam em ronda no bairro São Luis quando avistaram um veículo parada em um local bem ermo. e também fumava. que nunca recebeu nenhum favor.32 g ( duzentos e quarenta e seis gramas e trinta e dois centigramas). ao contrário do que consta na denúncia. que não sabe qual é a origem da maconha. veja-se: Policial Militar Julio Cesar Inácio. que acredita que Lucas não confessou que era o fornecedor maior. e era o seu fornecedor quem estava ligando. que leu as mensagens no celular de P. no pátio da oficina que fica no mesmo terreno da "Barão Lanches". que usa droga há uns dois anos. que não ganhou nada com a intermediação. e Maurício fornecia para P. assumiu que a droga era sua. 24/26. que estava no seu carro. perante a autoridade judiciária. em Juízo (CD audiovisual de fl. que eles não aparentavam estar sob o efeito de drogas. que essa não foi a única vez que P. inciso II.00 (quatrocentos reais) em droga. que o Maurício comprava de uma terceira pessoa. pegava droga com o seu colega Maurício. H. em uma rua escura. chegando lá. que a moça estava junto com eles. e constatou que P. para retornar uma ligação recebida.2. que foi realizada a abordagem sendo que dentro do veículo se encontravam Vitor Hugo da Silva Cardoso e P. que a droga estava em forma de torrão. não conhecia Lucas. Saliente-se que. 146). que a droga estava em quatro partes. que a guarnição abordou o veículo e. Lucas. H. em 21. que P. que. que conhecia a Daniela. que havia dois rapazes dentro do veículo. a consumação do crime de tráfico (delito de ação múltipla). na noite da abordagem. e os policiais não estavam presentes no momento. conforme extrai-se de seu interrogatório: Que estudava com o P. que Maurício fez o contato com Lucas. sem nenhuma residência próxima. que era uma outra pessoa. que P. falou de quem comprou a droga.

A materialidade restou comprovada através da certidão de nascimento anexada aos autos (fl. e disse que sim. "deve ser considerado traficante não apenas quem comercia entorpecente. da repressão penal. da Lei n. uma quantia de R$ 60.00 (quatrocentos reais). pois este não mencionou o nome da pessoa. que falaram para a polícia que a droga era para uso pessoal.2005. que não recorda se P.343/06 que assim dispõe: Importar. que nunca conversaram sobre isso. que soube que Maurício usou droga algumas vezes. 768) A defesa de Lucas pugna também. que não teve nenhum contato com Lucas e não sabe se ele era o fornecedor de Maurício. não se podendo desqualificá-lo pelo só fato de emanar de agentes estatais incumbidos.518/SP. posto que foi encontrado na posse do menor P. São Paulo: RT.0233714/001. que o Maurício lhe perguntou se conhecia alguém que queria maconha. bem como pelas próprias declarações do mesmo em Juízo (CD-Rom fl. Com efeito. que o Maurício ficou na escola. como bem preleciona o ilustre doutrinador Guilherme de Souza Nucci. É ato que antecede ao fornecer. A qualquer título que seja o fornecimento. 2007. que foram categóricos ao afirmarem que no local da apreensão da droga encontrava-se o menor. que os policiais disseram que iam ligar para todos os números da sua agenda até encontrar quem tinha vendido a droga. 11. depois. que entregaram o dinheiro antes. 11. que Maurício preferiu que eles lhe deixassem no local e ele fosse ao encontro da pessoa. que Maurício lhe ofereceu a droga na sala de aula. que perceberam que P.2005)" (Leis penais e processuais penais comentadas. 1. ou mesmo apresentar para suscitar interesse na compra. mas Maurício não tinha a droga em mãos. que Maurício pediu para que o depoente e Vitor o deixasse no Barão Lanches. restou plenamente evidenciada pelos testemunhos dos policiais militares. 2006. 11. que o Vitor Hugo que queria maconha. (Apelação Criminal n.030741-0. ministrar. é da jurisprudência: Basta o envolvimento eventual da criança ou adolescente no tráfico para caracterização da causa de aumento do art. e não sabe se ofereceu para mais alguém. que. que estava presente no momento da abordagem feita em P.2009). que usa maconha as vezes. 11. pode-se vislumbrar claramente que restou configurada a traficância exercida pelo réu Lucas. DJ 24. que disse ao Maurício que o Vitor Hugo queria. e Maurício falou para esperarem um pouco. Além disso. dar. 13. guardar. momento em que houve a prisão. 2008. na hora do intervalo. mas não disse com quem. que significa prover. rel. j. comprava droga para revender. que não presenciou a abordagem feita no carro de Lucas. C. que o Maurício que lhe procurou. tal fato não afasta a mercancia exercida por ele.343/2006. configura-se como conduta ilícita enquadrável no art. quando se evidenciar que esse servidor do Estado. que. pela desclassificação do delito de tráfico de entorpecentes para a forma prevista no art. como jurisprudencial de que não há qualquer impedimento legal quanto ao depoimento de policiais. que o Vitor Hugo entregou o dinheiro e. que foram até lá para dividir.reveste-se de inquestionável eficácia probatória. o fornecimento de substância tóxica. e Victor. 33 da Lei n. depois Maurício foi pegar a droga para entregar ao Vitor. fazia tudo que tinha que fazer. foram pro Bairro São Luis. E como já é pacífico o entendimento tanto doutrinário.11. Oportuno citar o posicionamento do Excelso Pretório: VALIDADE DO DEPOIMENTO TESTEMUNHAL DE AGENTES POLICIAIS. rel. prescrever. O envolvimento do adolescente no vil comércio emerge claro da prova. (Habeas Corpus n. desde que verossímeis. na delegacia.3. por exemplo. ante as provas amealhadas aos autos e. foi até o Barão Lanches para pegar droga. que Maurício era uma pessoa tranquila na sala de aula. e não o depoente que foi atrás de Maurício pedindo maconha. durante a abordagem. depois. proporcionar. Portanto. o policial perguntou qual foi o papel de Maurício naquela noite. haja vista que a intenção do legislador consiste em punir com maior rigor casos como este. de Lages. 40. São Paulo: Saraiva. 73.que as suas declarações não encontram suporte e nem se harmonizam com outros elementos probatórios idôneos.04. H. ao que o depoente disse que tinha sido Maurício. que não conhecia nenhum dos masculinos antes da ocorrência. inciso VI.343/06. que tinham droga. exportar.O valor do depoimento testemunhal de servidores policiais . coerentes e não desmentidos pelo restante da prova. que. igualmente caracteriza-se o delito. que não iam repassar para mais ninguém. ressaltando a lei a irrelevância da própria gratuidade. devendo ser considerados e examinados como os de outra testemunha qualquer. dizendo que ia ter festa. p. H. Maurício disse que já tinha conseguido a droga. podendo servir sim de base para um decreto condenatório. Maurício voltou pro carro para entregar a droga. tendo em vista o interesse maior de proteção da pessoa em desenvolvimento. colégio. que foram até o bairro São Luis para ver a droga. 8 (oito) porções de maconha. Victor Ferreira.343/06 dos apelantes. ainda que gratuitamente. sem que o depoente e Vitor vissem de quem se tratava. depois. § 3º. que há vários usuários de maconha no colégio. que. como. que Maurício fo buscar os R$ 400. nas duas fases procedimentais próprias.O depoimento testemunhal do agente policial somente não terá valor. da Lei n. que os policiais ligaram para Maurício simulando uma nova compra no valor de R$ 400. . que a droga era para o depoente e Vitor. aquele que a 'guarda' ou a 'mantém em depósito' (Ap. rel. remeter. A respeito.especialmente quando prestado em juízo. os três se reuniram para combinar a venda. que essa foi a única vez que Maurício lhe ofereceu droga. 84/85) De igual forma. Paulo Cezar Dias. 100).tal como ocorre com as demais testemunhas . sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. H. que não sabe se Maurício já ofereceu droga antes no colégio. Min. da Lei de Drogas. Quanto a autoria. j. mesmo que a título gratuito. mas todo aquele que. que. por dever de ofício. que pegou maconha somente aquela vez com Maurício. VI. sob a garantia do contraditório . é pacífico o posicionamento deste Tribunal que o simples envolvimento de menor na prática de infração penal é suficiente para a majoração da reprimenda. que não sabe com quem Maurício pegou a droga. Celso de Mello.0324. entregar a consumo ou fornecer drogas. que essa foi a primeira vez que Maurício lhe ofereceu droga. Vicente Greco Filho e João Daniel Rassi lecionam: Oferecer significa ofertar. que estavam dividindo a droga quando a polícia fez a abordagem. de algum modo. sob o argumento de que o mesmo fornecia a droga gratuitamente aos usuários. 57 . que. que era um pedaço inteiro. preparar.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. que não conhece mais gente que venda droga no colégio. em 26. presenciou a abordagem feita em Lucas. age facciosamente ou quando se demonstrar . em 26. ao que respondeu que foi de captar pessoas para comprarem droga. todavia. que não viu o carro onde Maurício pegou a droga. os policiais mexeram no celular do depoente e viram mensagens enviadas para várias pessoas.00 (sessenta reais). 33.00 (quatrocentos reais) e depois saiu.1996). produzir fabricar. apresentar para ser aceito como dádiva ou empréstimo. 146): Que estudava com Maurício.2. não merece prosperar a tese que busca afastar a causa especial de aumento da pena prevista no art. participa da produção e da circulação de drogas. trazer consigo. . Des.09. 40. p. por revelar interesse particular na investigação penal. (Lei de Drogas Anotada – Lei n.

Des.DISCRICIONARIEDADE MOTIVADA DO JUIZ . pela quantidade de pena aplicada. por mostrar-se suficiente para a reprovação e prevenção delitiva. além de outros elementos que deem conta da dimensão da mercancia praticada pelo réu e da lesão ao bem juridicamente tutelado (Apelação Criminal n. Ainda no tocante à dosimetria da pena.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. embora seja o réu primário. 10 (dez) meses e 10 (dez) dias de reclusão e 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) dias-multa. uma vez que. O flagrante foi considerado legal ou ilegal? Qual “espécie” de flagrante? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3. almejado pelos apelantes. fixando a pena-base no mínimo legal. O que os magistrados entenderam no caso sobre os testemunhos dos policiais militares? Válidos ou inválidos? E por quê? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.MÍNIMA QUANTIDADE DE DROGAS . devendo ser aferido em conformidade com as peculiariedades do caso em concreto. § 4º. 33. § 4º da Lei n. 11. que a Magistrada sentenciante entendeu como favoráveis as circunstâncias judiciais previstas no artigo 59 do Código Penal. verifica-se que também não assiste razão ao acusado Maurício quando almeja a aplicação da atenuante da confissão espontânea.018953-0. supera os 4 (quatro) anos de reclusão. 5 (cinco) anos de reclusão e 500 (quinhentos) dias-multa. na traficância cometida por Maurício? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6. O estabelecimento do percentual de redução. ao aplicar a dosimetria. já se manifestou este Tribunal: APELAÇÃO CRIMINAL . A ocorrência envolveu policiais militares? Fardados ou à paisana? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. conhece-se dos recursos e nega-lhes provimento. o Juiz a quo considerou o modus operandi do crime e a reprovabilidade da conduta do apelante.REDUÇÃO DA METADE .CONDENAÇÃO MANTIDA . Quanto ao pedido de aplicação do grau máximo de diminuição de pena prevista no art. almeja.5. consoante o disposto na Súmula n. efetuada por “Maurício” ou por outros motivos? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5.RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Faça um resumo do ocorrido: 58 . ante o reconhecimento da causa de diminuição de pena do art. o que acarretou num aumento ponderado de 6 (seis) meses em relação as consequências do crime. Moacyr de Moraes Lima Filho. igualmente não pode ser concedido. esclarece-se que. ainda. qual seja. Na segunda fase da pena. § 2º.343/06 . O acusado Lucas. DA LEI 11. resta inviável a fixação de regime aberto. de Tijucas. j. haja vista que ao fixar a reprimenda acima do mínimo legal. Responda aos questionamentos abaixo: 1. considerou que " diante do conluio entre os acusados para a distribuição de drogas (embora não provada a associação estável). Os acusados vislumbram também a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos porém não preenchem um dos requisitos objetivos previstos no art. Colhe-se do decisum. A condenação por tráfico de drogas. Deve ser considerada a natureza e a quantidade dos entorpecentes apreendidos. 254). fica sujeito à discricionariedade motivada do julgador. Destarte. se deu pela venda da droga. § 4º. "c". como bem salientou.2009) Relativamente à fixação de regime inicial de cumprimento de pena mais brando. Ante o exposto. Todavia. posto que a pena aplicada.TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES . isso porque foi corretamente aplicado pela Juíza a quo.NATUREZA ESPECIALMENTE PERNICIOSA . Houve aumento de pena pelo “uso” de menor.APREENSÃO DE CRACK E COCAÍNA .PEQUENO TRAFICANTE . razão não lhe assiste. 33. 11. em 26. 254). 33.PRETENSA APLICAÇÃO DA FRAÇÃO MÁXIMA DE REDUÇÃO DA CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO ART. ficando a pena em definitivo no patamar de 4 (quatro) anos.343/06.343/06. 2009. conforme estabelece o art. 44 do Código Penal. porém não efetuou qualquer alteração uma vez que fixada a reprimenda no mínimo legal. 231 do STJ: "A incidência de circunstâncias atenuantes não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal". do Código Penal. as consequências do crime são graves. da Lei n. rel. Este é o voto. atingindo estudantes do ensino médio" (fl. reconheceu a confissão (fl. requerido pelo apelante Maurício. Nesse sentido. 33. a redução da pena-base para o mínimo legal.VASTO ELENCO PROBATÓRIO .

o autor é perseguido. logo após o delito. 157. caracterizado está o flagrante impróprio. pelo ofendido. III do Código de Processo Penal. em situação que faça presumir ser autor da infração. ou quase-flagrante) (1¹/² H/A) Hipótese do inciso III. Assim. p. para autorizar a lavratura do flagrante. logo após.EXCESSO DE PRAZO .] III . 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Flagrante Impróprio (ou irreal. pelo ofendido ou por qualquer pessoa.ROUBO QUALIFICADO ..EMPREGO DE ARMA E CONCURSO DE PESSOAS (CP. Observe que é caso de flagrante impróprio: Processo: 2008.. Considera-se em flagrante delito quem: [. pois nenhuma das hipóteses usa o termo “apresentar-se” a autoridade ou verbo similar. A lei não delimita o período limite da “perseguição”.IRREGULARIDADE NA PRISÃO EM FLAGRANTE INOCORRÊNCIA . se o paciente é encontrado nas proximidades da região do crime e a poucas horas depois do seu cometimento.RAZOABILIDADE NA TRAMITAÇÃO DO FEITO SEGREGAÇÃO MANTIDA. pela autoridade. § 2º. Consoante os termos do art. I E II) . conforme o entendimento de diversos doutrinadores. logo após. em situação que faça presumir ser autor da infração. dentre eles Greco (2013.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. é praticamente pacífico. poderá ultrapassar dias em perseguição. Entretanto. pelo ofendido ou por qualquer pessoa.PLEITO LIBERATÓRIO . considera-se em flagrante delito quem é perseguido.] 59 . ou mesmo por qualquer pessoa¸ em situação que permita presumir que ele foi o autor da infração. 302. Se a perseguição for constante e efetivamente não cessar. Art. que a apresentação voluntária do autor do delito a autoridade policial. quebra o flagrante. 302. assim. não é verdade.26) que o período máximo é de 24h. pela autoridade.006703-5 (Acórdão) Relator: Salete Silva Sommariva Origem: Blumenau Orgão Julgador: Segunda Câmara Criminal Julgado em: 11/03/2008 Juiz Prolator: Nao Informado Classe: Habeas Corpus Ementa: HABEAS CORPUS .é perseguido. [. pela autoridade.. inexistindo qualquer irregularidade na sua segregação.. ART.

1. 157. B. Demonstrada a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade da conduta criminosa prevista no art. exclusivamente. São Paulo: Revista dos Tribunais. que culminaram. de forma imediata. 312 do CPP. Subst. é possível verificar.12. V. I E II. Não há que se falar em nulidade de flagrante quando. no bojo dos autos n. guarnições da polícia militar iniciaram diligências. 12/14. 4. Inexistindo nos autos qualquer circunstância nova que altere o entendimento exposto quando da apreciação da liminar. denegar a ordem. antecipe-se. IRRELEVÂNCIA. EM DECORRÊNCIA DE O PACIENTE TER SIDO PRESO 9 HORAS APÓS A PRÁTICA DOS FATOS DESCRITOS NA DENÚNCIA. restam evidenciados todos os requisitos do art. 597/598) No que se refere à falta de fundamentação. Francisco Oliveira Neto HABEAS CORPUS. TESE RECHAÇADA. qualquer mácula naquele procedimento. Florianópolis. de S. na prisão do paciente. fazendo com que não se tenha dúvida a seu respeito" (Código de processo penal comentado.12. § 2º. relatados e discutidos estes autos de Habeas Corpus n. adoto como razões de decidir os mesmos argumentos lançados naquela decisão (fls. Aduziu. Mas é razoável a autorização legal para a realização da prisão. nos moldes do art. 157. [. 33/36): "2.] VOTO A ordem não apresenta condições de ser concedida. PERICULUM LIBERTATIS CARACTERIZADO PELA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA APTA À MANUTENÇÃO DA PAZ SOCIAL. Exercício (Leia e responda): Habeas Corpus n. De início. 312 DO CPP. é bom lembrar que a liminar em habeas corpus deriva de construção jurisprudencial pretoriana e não encontra expressa previsão legal. que deve ser rejeitada a referida alegação.. o que. já que não foi surpreendido em plena cena do crime. HC n. evidentes arbitrariedades. 302.01). inclusive na ocasião da apreciação do pedido de revogação da prisão cautelar. aparentemente. 01. PACIENTE PRESO EM FLAGRANTE PELA PRÁTICA. Alegou a nulidade do flagrante.ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO FLAGRANTE. no qual o agente não foi surpreendido na cena do crime. e pacienteR. DO CPP. RESIDÊNCIA FIXA. conforme consignou o magistrado às fls. uma vez que a autoridade tida como coatora. Note-se que a lei faz uso da expressão 'em situação que faça presumir ser o autor da infração'. PRISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA NO ART. FUMUS COMMISSI DELICTI CONSISTENTE NA APREENSÃO DOS OBJETOS ROUBADOS E RECONHECIMENTO DO PACIENTE POR FOTOGRAFIAS. com isso. pois se baseou. HIPÓTESE DO ART. p. segregado desde 5. bem como elementos concretos de que a medida se faz necessária para garantir a ordem pública. I e II. ao menos numa análise perfunctória. impetrado por Zenir Neitzke com o objetivo de que seja concedida liberdade provisória ao paciente R. 312 do CPP para a manutenção da custódia cautelar. 8ª ed. "Os eventuais bons predicados do paciente. rel... outrossim. Quanto à alegada nulidade do flagrante. 2008. em exame aos autos.4. realizado no dia 10 de abril de 2012. 20/23).] 3. 5.003326-7. por unanimidade. não ocorreu na hipótese vertente. Francisco Oliveira Neto RELATOR RELATÓRIO Trata-se de habeas corpus. PRISÃO MANTIDA.000003-0. demonstrando.015738-2. trata-se o caso de típico flagrante impróprio. Justamente por esse motivo. 319 DO CPP. V.. a princípio. foi presidido pelo Excelentíssimo Desembargador Solon d'Eça Neves. pois a evidência da autoria e da materialidade mantém-se. 302 do CPP. 008. porém. 3. da comarca de Blumenau (2ª Vara Criminal). ela somente pode ser concedida quando restar estampado. j. que culminaram.). em que é impetranteZenir Neitzke. Assim sendo. DO CP) 1. 2012. não havendo nos autos. de modo evidente e claro. falta de fundamentação da decisão que converteu a prisão em preventiva. de típico flagrante impróprio. do CP).) mas sem ser preso no local do delito (. Estando devidamente justificada a prisão. Omissis" (TJSC. não apresentando a autoridade dita coatora nada de concreto com relação ao paciente. de Blumenau Relator: Des. 2012. 60 . EM TESE. residência fixa e ocupação lícita não obstam a decretação da prisão preventiva. Juíza de Direito da 2ª Vara Criminal da comarca de Blumenau. IMPOSSIBILIDADE. explicitou suficiente e detidamente as razões fáticas e jurídicas pelas quais manteve prisão preventiva do paciente (fls. 312 DO CPP PREENCHIDOS. e dele participou o Excelentíssimo Desembargador Sérgio Izidoro Heil. após tomarem conhecimento do crime. 157. a princípio. após tomar conhecimento do crime. Vistos. I e II. não configurando nenhuma das situações do art. conforme os depoimentos de Alexandre Marques e Antônio Carlos Bukowitz Junior (fls. SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA POR MEDIDAS CAUTELARES PREVISTAS NO ART. ensina Guilherme de Souza Nucci: "Ocorre quando o agente conclui a infração penal (. trata-se o caso. Des. 12/14). com voto.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO OBSTA A SEGREGAÇÃO CAUTELAR. Irineu João da Silva. a ilegalidade da ordem atacada. em que se apura a prática do crime roubo circunstanciado (art. mas sim perseguido até ser encontrado pela polícia.: A Segunda Câmara Criminal decidiu. ao argumento de que incorreu em ilegalidade a MM. do CP.... BONS PREDICADOS. DO CRIME DE ROUBO CIRCUNSTANCIADO (ART. REQUISITOS DO ART. a qual converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. de S. quando ocorrentes seus fundamentos. Sobre o tema. pois o paciente foi preso 9 horas após a prática dos fatos descritos na denúncia. restando claro que a decisão de manter o paciente no cárcere partiu da falsa idéia de que este tinha mandado de prisão em aberto.. tendo os Tribunais acolhido tal prática a fim de sanar.. [. § 2º. cerca de 9 horas depois. na idéia de conveniência da instrução criminal. cópia da decisão que a decretou. na prisão do paciente. inviável a sua substituição por medida cautelar alternativa. cerca de 9 horas depois. § 2º. 11 de abril de 2012. tais como primariedade. PRISÃO CAUTELAR.015738-2. ORDEM DENEGADA. III. não vislumbra-se. Assim sendo. com pedido de liminar. O julgamento. tiveram início as diligências por parte das guarnições da polícia militar. a impropriedade do flagrante. Isso porque.

SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. por consequência. Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaefer RELATORA RELATÓRIO O Ministério Público ofereceu denúncia em face de GISELA COSTA DOS SANTOS.028242-4. o que demonstra a verdadeira empreitada criminosa. realizado nesta data. Vistos. Substituta Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaefer APELAÇÃO CRIMINAL. como já dito. o que. da Lei n. A prisão preventiva (posterior ao flagrante) foi mantida? Com qual fundamento? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ C. 11. não é o caso dos autos. DILIGÊNCIA DE ROTINA OBJETIVANDO A REPRESSÃO DO TRÁFICO DE DROGAS QUE CULMINOU COM A APELANTE OFERECENDO DROGAS AO POLICIAL QUE SEGUIA A PAISANA NA SUBIDA DO MORRO DO MOCOTÓ.1 GRAMAS DE MACONHA. CAPUT. porquanto.072729-2. Des. DA LEI Nº 11. DOSIMETRIA DA PENA. conforme se depreende no auto de exibição e apreensão (fl.8. POSSIBILIDADE. I e II). TRÁFICO DE DROGAS (ART. Com relação aos bons predicados. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO SOB FUNDAMENTO DE AUSÊNCIA DE PROVAS E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. ELEMENTOS QUE INDICAM SER O SEMIABERTO SUFICIENTE PARA REPRESSÃO E PREVENÇÃO DO CRIME. tudo levando ao entendimento de que o paciente teve participação no crime cometido. PRELIMINAR DE NULIDADE EM RAZÃO DA OCORRÊNCIA DE FLAGRANTE PREPARADO. Sr. 2013. REQUISITOS PREENCHIDOS. Diante do exposto. Vencido o Des.. rel. Por fim. da comarca da Capital (2ª Vara Criminal). Custas legais. dos delitos dispostos no artigo 33. Desembargador Ricardo Roesler (Presidente). deste Sodalício: "(.826/03. DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS FIRMES. 10. evidenciadas. o magistrado converteu a prisão em flagrante em preventiva. 24). 2008. DA LEI DE DROGAS) EM SEU PATAMAR MÁXIMO. Responda aos questionamentos abaixo: 1. 312 do CPP. sendo que dois deles portavam armas de fogo. fica inviabilizada a análise da concessão de medidas substitutivas. RECURSO DEFENSIVO. em que é apelanteGisele Costa dos Santos. CONDIÇÃO DE USUÁRIA QUE. já assentou remansosa jurisprudência que a existência de tais circunstâncias não obstam o deferimento do decreto prisional preventivo. Florianópolis. 14. o Exmo. § 4º. Que flagrante ocorreu? De qual delito? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Sr. restando impossibilitado o deferimento de qualquer pleito antecipatório sem a consulta prévia à autoridade tida por coatora".PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. MATERIALIDADE E AUTORIA DEMONSTRADAS. causaria risco à ordem pública. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. Omissis" (HC n. Em contraponto.§ 2º.8 GRAMAS DE COCAÍNA. o voto é pela denegação da ordem. Com efeito. conforme os seguintes fatos narrados na peça acusatória: 61 . ALÉM DE BALANÇA DE PRECISÃO E ALICATE ENCONTRADOS NA POSSE DA ACUSADA. em tese. entre eles 2 adolescentes. 27).2 GRANAS DE FRAGMENTOS PETRIFICADOS DE COCAÍNA. por maioria de votos. Exercício (Leia e responda): Apelação Criminal (Réu Preso) n. j.343/2006). j. caput. 157. bem como no termo de reconhecimento por fotografia (fl. conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento. além de estar evidenciada. qual seja. não foi acostada aos autos cópia da decisão que homologou o flagrante e converteu a prisão em preventiva.. 19. COERENTES E HARMÔNICOS ALÉM DE CORROBORADOS COM DENÚNCIAS ANÔNIMAS ANTERIORES QUE SE MOSTRAM SUFICIENTES PARA A MANTENÇA DO DECRETO CONDENATÓRIO.1 GRAMAS DE PEDRAS DE C OCAÍNA. a princípio.08). 17 de dezembro de 2013. além de ter sido cometido em local de grande circulação de pessoas (mercado). NÃO IMPEDE O EXERCÍCIO DA NARCOTRAFICÂNCIA.) Os eventuais bons predicados do paciente.003326-7. PREFACIAL AFASTADA. roubo circunstanciado (CP. APREENSÃO DE 20. rel. no caso em apreço. após verificar quea autoria e a materialidade do crime (fumus commissi delicti) estavam. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA FIXADO NO FECHADO.072729-2. tais como primariedade.) Primariedade e predicados pessoais favoráveis – Bons antecedentes e qualidades pessoais não obstam a medida cautelar – Ordem denegada. Sérgio Rizelo que mantinha o regime fechado para o início do cumprimento da pena. 10. Nesse sentido. pelo cometimento. uma vez que o delito foi praticado mediante concurso de quatro agentes. relatados e discutidos estes autos de Apelação Criminal (Réu Preso) n. 20/23). Por outro lado. Souza Varella. e o Exmo.. BENESSE RECONHECIDA PELO MAGISTRADO A QUO COM APLICAÇÃO DA DIMINUIÇÃO MÍNIMA. "(. Participaram do julgamento. em tese.01). SENTENÇA CONDENATÓRIA. a manutenção da custódia preventiva (periculum libertatis) justifica-se nos efeitos danosos da conduta dos indiciados. VOZ NO PRISÃO NO MOMENTO EM QUE ELA ABRIU A NECESSAIRE E INICIAVA A RETIRADA DA MACONHA SOLICITADA PELO AGENTE PÚBLICO. havida e que a soltura do paciente. 3. saliente-se que a prisão provisória somente torna-se antecipação do cumprimento da pena quando não estão preenchidos os requisitos do art. Omissis" (HC n. Desembargador Sérgio Rizelo. 33. Irineu João da Silva. da Capital Relatora: Desa.343/06 e artigo 16 da Lei n. a inexistência de ilegalidade a ser sanada. 2013.4. nos depoimentos colhidos no inquérito policial (fls. a princípio.. 0. residência fixa e ocupação lícita não obstam a decretação da prisão preventiva. 33. CRIME PERMANENTE QUE JÁ ESTAVA CONSUMADO QUANDO DA ABORDAGEM POLICIAL. e apelado Ministério Público do Estado de Santa Catarina: A Segunda Câmara Criminal decidiu. MÉRITO RECURSAL. Des. quando ocorrentes seus fundamentos. ACOLHIMENT O DO PEDIDO DE ALTERAÇÃO. art. 01. aparentemente. PLEITO DE APLICAÇÃO DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA (ART. POR SI SÓ.

1. 01 (um) alicate com cabo de cor azul. 33. 33. em breve. de acordo com a Portaria n. o policial que comparece ao local e mostra-se interessado na aquisição do entorpecente não induz os acusados à prática do delito. para fins de comercialização. no valor mínimo legal. Trata-se de crime impossível. sem a necessidade de flagrante delito de ato de mercância. p. Por tais fundamentos. portanto. espontaneamente.00 (cinquenta reais) em espécie. estando o uso proibido em todo o território nacional. aprovado pelo Decreto n. alternativamente. dizendo que o flagrante fora preparado.1ª T. da Lei n. da imputação prevista no art. . sobreveio sentença (fls. 10. no entanto. A materialidade do crime está estampada no termo de exibição e apreensão (fl. Inconformada. nos seguintes termos: Ex positis. § 4º. 07 e Laudo de Constatação da fl. Cediço que o tráfico de drogas é crime permanente. VII. 137): 62 .2 (dois decigramas) de fragmentos petrificados de cocaína em 01 (um) pacote de papel branco. do Código de Processo Penal. caput. Do crime de tráfico de drogas No dia 29 de março de 2013. 2009. atual. Segundo Guilherme de Souza Nucci. sim. No interrogatório judicial a apelante Gisela Costa dos Santos negou a veracidade dos fatos descritos na denúncia. 344/98 e atualizações subsequentes. o qual demonstra que as substâncias apreendidas tratavam-se de maconha e cocaína. a denunciada questionou qual seria o entorpecente desejado. Lavrou parecer pela douta Procuradoria-Geral de Justiça o Exmo.º 11. e ao pagamento de 333 (trezentos e trinta e três) dias-multa. em regime inicialmente fechado. ocorrendo quando um agente provocador induz ou instiga alguém a cometer uma infração penal. 252/265). conforme Termo de Exibição e Apreensão da fl. enquadradas dentre aquelas capazes de causar dependência física ou psíquica. Sr." (Código de Processo Penal Comentado. Dr. 09). embora negada pela apelante. em regime inicialmente fechado. por infração ao art. alegando. Após a instrução processual. no boletim de ocorrência nº 00104-2013-07511 (fl.1 g (vinte gramas e um decigrama) de maconha distribuídos em 02 (dois) pacotes de plástico. também está devidamente comprovada neste caderno processual. pois o fato de manter guardada a droga destinada ao consumo de terceiros já constitui o crime. aduzindo que (CD audiovisual de fl. A respeito. ainda. cor preta. transportava 05 (cinco) estojos com a inscrição 9X18 e 03 (três) projéteis deflagrados. Prainha. o agente que.00 (dez reais) de maconha e a interroganda separou o produto solicitado objetivando a venda para ele. que opinou pelo conhecimento e desprovimento do apelo (fls. uma vez que o policial induziu-a a praticar o delito.343/06. no valor mínimo legal.665/00. há a notícia de que um crime será. em desacordo com determinação legal ou regulamentar. ed. em desacordo com determinação legal ou regulamentar. porquanto o crime preexiste à ação do agente provocador. 01 (um) celular iPhone 4. fornecimento e distribuição. em razão do flagrante ter sido preparado. 33 da Lei de Tóxicos. (RT 740/539). 7. § 4º. No mérito. 18. e. portava e ocultava no interior de sua necessaire cinco estojos com a inscrição 9X18. confrome regulamentado pelo Regulamento 105. contudo. cometido. A autoria. policiais militares promoviam ronda à paisana e ao aproximarem-se do local supramencionado. a ré interpôs recurso de apelação (fls. oportunidade em que restou surpreendida trazendo consigo as substância ilícitas acima descritas. 09. VOTO Presentes os requisitos de admissibilidade o recurso deve ser conhecido. b) CONDENO-A. 01 (uma) balança de precisão. a atuação do agente provocador caracteriza mero exaurimento. Do crime de posse irregular de acessório de uso proibido Nas mesmas condições de tempo e lugar.. em consequência: a) ABSOLVO-A. localizado no Morro do Mocotó. pugna pela absolvição. rev. em revista pelo imóvel.30 (cento e nove reais e trinta centavos) em espécie. somente para assim poder prendê-la. Cuida-se de apelação criminal interposta por GISELA COSTA DOS SANTOS que busca a reforma da sentença que a condenou ao cumprimento de pena privativa de liberdade de 03 (três) anos e 04 (quatro) meses de reclusão. uma pequena quantidade de maconha e a quantia de R$ 50. substâncias aquelas capazes de causar dependência física e/ou psíquica. 189/206). com base no art. Não configura situação de flagrante preparado aquela em que a polícia 'tendo conhecimento prévio do fato delituoso. 386.1 (dez gramas e um decigrama) de pedras de cocaína em 01 (um) pacote plástico verde. sob o argumento de falta de provas aptas a amparar a condenação. II/IV contra GISELA COSTA DOS SANTOS e. o flagrante preparado "trata-se de um arremedo de flagrante. a nulidade da prisão. a quantia de R$ 109. 3. s/n. 234/242). vem a surpreender.º 11. preliminarmente. 607) Já o flagrante esperado é aquele considerado válido no nosso ordenamento jurídico. requer a aplicação da causa especial de diminuição de pena disposta § 4º do art. assim. ou. Ato contínuo. 18) e no laudo pericial nº 4258/13 (fls. afasto a preliminar de nulidade pelo flagrante preparado. cor preta. contendo a inscrição "Zorba" e. 16. e ao pagamento de 333 (trezentos e trinta e três) dias-multa. em sua prática. conforme Termo de Exibição e Apreensão da fl. em seu grau máximo. via de consequência dos atos subsequentes. amplamente conhecido como ponto de tráfico de drogas. ascenderam os autos a este Tribunal.984 . Sustenta que estava em frente de sua residência preparando um baseado para fumar quando um policial disfarçado lhe pediu R$ 10. acondicionada embaixo do material ilícito. a denunciada Gisela Costa dos Santos trazia consigo. da Lei n. Disse que desconhece as demais drogas e objetos apreendidos. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais. Em preliminar pugna a apelante pela nulidade de sua prisão em flagrante e. Com as contrarrazões (fls. pleiteia a fixação do regime aberto para o cumprimento da pena. pois não há prévia provocação de terceiro visando a indução do agente no cometimento do crime e. 01 (uma) necessaire. 212/229). em cima da mesa da cozinha. no laudo de constatação nº 260/13 (fl. 2. 9. avistaram Gisela Costa dos Santos. no mérito. e ampl. eis o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Inocorre flagrante preparado em sede de crime permanente. marca Tanita.8 g (dezenove gramas e oito decigramas) de cocaína em 01 (um) pacote de plástico branco. por fim. também conhecida pela prática da mercancia de entorpecentes. confirmou que o policial lhe solicitou R$ 10. JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a denúncia de fls. por infração ao art. da Lei n.826/03. iniciaria o processo de execução' (HC 67. encontraram. 07). bem como a substituição da reprimenda corporal por restritivas de direitos e. assim.DJ 10-8-90).00 (dez reais) de maconha e logo em seguida a prendeu supostamente em flagrante. cor verde. Sem saber que os dois indivíduos tratavamse de policias.º 10. nesta Capital. 0. ao cumprimento da pena privativa de liberdade de 3 (três) anos e 4 (quatro) meses de reclusão. não é o que se colhe do conjunto probatório constante destes autos. por volta das 16h. dirigiram-se à residência da denunciada e. sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar 20. Norival Acácio Engel. Por ocasião dos fatos. Este é o relatório.343/06. de uso restrito. 42/46). alega a ausência de provas. o agente que estiver na posse do entorpecente automaticamente está cometendo o delito. em um beco. marca Apple. a denunciada.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

que era a segunda pessoa e estava afastado.que tinham outras pessoas no local e saíram gritando "o patrão foi preso". que outra guarnição investiu e foram recebidos aos tiros. que o pai deles está preso e com a prisão ficou desamparada. 2003. pois o exercício da função não desmerece. 137): Que se recorda dos fatos. (Manual de processo penal. que ninguém estava trabalhando ou pintando seu bar no dia. que então se assustou e o policial deu dois tiros para cima. que ela tentou retirar a droga de uma bolsa ou necessaire que trazia consigo. 426). pois não podem ser considerados testemunha inidôneas ou suspeitas. 2007. que estavam à paisana. que não tinha dinheiro consigo e tinha acabado de limpar sua casa. que estava enrolando um baseado por ser viciada quando um policial disfarçado lhe pediu R$ 10. p. separando o material. que foi o depoente quem localizou o material. com ziper e alça lateral. que então o policial pegou no seu braço e anunciou "perdeu Gisela". sua cunhada. p. que no corredor da residência encontraram droga e dinheiro. que por informações conhecia a acusada por envolvimento com o tráfico. que o primeiro policial negociou droga e então foi presa. que pediu R$ 10. maconha?". ressalvando-se sempre a liberdade de o juiz. que a bolsa apreendida lembra uma necessaire. que o Morro do Mocotó é conhecido pelo intenso tráfico de drogas. Sobre o tema. p. uma balança de precisão em perfeito estado de funcionamento. trata-se de uma prova a ser recebida com reservas. que estava a uma distância de 4 ou 5 metros.30 na necessaire em dinheiro picado. quando decidiu ir para a frente de sua casa. ed. igualmente sob o crivo do contraditório e devidamente compromissado. Eric Barão Rodrigues. um alicate normalmente usado para cortar pedra. 306). que tinha cerca de 20 g de maconha e iria tirar de seu fumo para dar ao policial. que na necessaire tinha maconha em quantidade pequena. O depoimento do outro policial militar que participou ação. que só tinha o celular que estava no bolso e o fumo. conferir-lhe valor de acordo com a sua liberdade de convicção. que pegou a necessaire e levou direto para a viatura (grifei e sublinhei). Saraiva: São Paulo.00 de maconha. que nada sabe sobre as mensagens de seu celular ou se recorda dos números de telefone (grifei). que foi levada para a viatura e depois à delegacia sem ver a tal bolsa verde. em apoio para saídas dos policiais a paisana. foi preso por tráfico de drogas há algum tempo. que nesta viela é a casa da acusada. 07) não estava na posse da apelante. Os depoimentos de policiais. que a acusada foi levada para a viatura e diversos disparos de arma de fogo foram desferidos contra a guarnição. dependendo do caso concreto. é necessário destacar que é viável. que não se recorda da expressão "mulher do Castilho". Por sua vez. 63 . Assim. dinheiro e apetrechos usualmente utilizados no comércio ilícito. não há qualquer elemento no caderno processual a indicar que o material apreendido (termo de exibição e apreensão de fl.00 de maconha. que revidaram. Guilherme de Souza Nucci corrobora. que era um feriado. que estava descaracterizado com a arma na cintura. lecionando que: No tocante ao depoimento de policiais. que ao que se recorda mais de três pessoas tomaram esse rumo. São Paulo: Revista dos Tribunais. que o bar que tem há sete anos estava fechado.) Necessário. questionando-o sobre qual seria a substância de seu interesse (crack. que não conversou com Joice na hora em que foi presa. 137): Que se recorda da prisão. que não conversou com ela ou lhe pediu cigarro. inclusive sob o compromisso de dizer a verdade. do Código de Processo Penal. que esta viela entra num túnel azul que dá numa cozinha" (grifei e sublinhei). que não tinha nada sobre a mesa da sua cozinha. que nada sabe sobre os demais bens.. que ao entregar o dinheiro ela abriu a bolsa verde sendo então anunciada a prisão. que vários começaram a gritar "o patrão foi preso". que então diversos populares investiram contra os policiais.. não discrepa do colega (CD audiovisual de fl. são válidos conforme a doutrina processual penal brasileira. que então colocaram um paisano. cocaína ou maconha). portanto. Este agente foi o responsável pela linha de frente da operação a paisana no Morro do Mocotó que tinha como objetivo a repressão ao tráfico de drogas e para quem a apelante ofereceu droga. pela mera condição funcional. não restou comprovada.. Ora. especialmente quando colhidos em juízo com respeito ao contraditório e que não foram contraditados. que o corredor leva a uma cozinha. tinha maconha sobre a mesa com R$ 50. o relato prestado perante o magistrado pelo policial militar Vinicius Alexandre Gonçalves é cristalino na descrição fática. sendo que sua afirmação de que somente lhe pertencia pequena quantidade de maconha que portava em razão de sua qualidade de usuária e que desconhece o proprietário do restante da droga e objetos. pó. que Gisela trazia a necessaire nas mãos.um pó branco como cocaína. explica Julio Fabbrini Mirabete: Não se pode contestar. bem como. que muitas pessoas estavam perto de Gisela e somente ela foi detida. 3. que estava na frente da sua casa. ônus processual que lhe cabia nos termos do que dispõe a primeira parte do art. mas foi o outro policial que apreendeu. 2000. que com a acusada tinham drogas variadas. que Jocimara é sua vizinha e viu ela por ali no momento em que estava na viatura. que o marido da acusada. que o restante do material não era seu. que não tinha dinheiro consigo. que só viu uma viatura. que estava pensando em deixá-lo e só levava os filhos para vê-lo. a validade dos depoimentos de policiais. que somente algemou a acusada e não sabe se outros foram detidos. que fizeram força para prender a acusada que tentou se soltar. bem no Beco da Lixeira. nem torna suspeito seu titular. depois de ter feito almoço para seus filhos. que seu filhos estão sendo criados por outras pessoas. que fuma maconha e por vezes fuma mesclado. ed. que o Choque realizou uma investida e reuniu a munição já deflagrada. ed. que a porta estava aberta e entraram vários masculinos por ali. que o torrão de maconha estava jogado na cadeira da mesa da cozinha. que os disparos foram de fora da casa. que o bar é do outro lado na rua da sua casa. que alguns disparos foram dados da casa. por dar-lhe voz de prisão no momento em que ela retirava o produto pedido da necessaire que portava contendo drogas de natureza diversas. que seu bar está em reforma. que na residência da acusada. 156.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. que saiu correndo e o policial foi lhe pegar perto da passarela do samba. pedra. Júlio Castilho. em regra. que seus depoimentos sejam corroborados por testemunhas estranhas aos quadros policiais. que não tinha munição. que era uma abordagem de rotina.00 em dinheiro. que o celular estava com ela. São Paulo: Atlas. 9. que a acusada tinha uma necessaire. que o outro policial informou "ela está com droga". que não visita seu marido desde dois meses antes de sua prisão. balança de precisão. que após a detenção da acusada alguns masculinos saíram correndo aos gritos. Senão vejamos (CD audiovisual de fl. que é a casa azul do Beco da Lixeira. que encontraram Gisela saindo de uma das vielas e ofereceu a droga "o que é que vai. que isso foi feito após recolherem a acusada na viatura. que Gisela não admitiu nada e fez força contra a guarnição. como qualquer testemunha. que quando chegou já recebeu a ordem de efetuar a detenção da acusada. presumindo-se em princípio que digam a verdade. Que no dia dos fatos estava em casa. que não tinha toda a droga que estão dizendo. 296). que voltaram para a casa da acusada pelo percurso feito pelas pessoas que tentaram se evadir. (. que seu telefone é caro e seu pai que comprou na loja e lhe deu. algumas pedras de cr ack e pequena quantidade de dinheiro. que estava acompanhado de outro policial e estavam a pé. que o beco é subindo à direta. que também tinha R$ 59. (Curso de processo penal. que estavam numa operação de repr essão ao tráfico. (Processo penal. que a viela é a entrada da casa. Para Fernando Capez: Os policiais não estão impedidos de depor. 10. em princípio. devendo o magistrado avaliá-lo com a cautela merecida.

em conjunto.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. o caráter clandestino de certas infrações. como o tráfico. enquanto que será permanente.. (Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. Sobre o tema Guilherme de Souza Nucci discorre: Todas as dezoito condutas. Responda aos questionamentos abaixo: 1. oferecer. nas formas "expor à venda.um sexto a dois terços . São Paulo: Revista dos Tribunais. 4a ed. ensejará um único crime. cujo objeto é a droga. pelo mesmo prazo da condenação. Ademais. a consumação se dá em momento determinado..2 g de fragmentos petrificados de cocaína). Este é o voto. as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços. e prestação pecuniária no valor de um salário mínimo. Como se sabe. trazer consigo e guardar". com a consumação se prolongando no tempo. 346). ou seja. Verifica-se.1 g de pedras de cocaína. Alternativamente requer a apelante a aplicação em seu grau máximo da causa especial de diminuição de pena disposta § 4º do art. 33. de conduta múltipla ou conteúdo variado. remeter. Faça um resumo do ocorrido: 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 64 . 0. produzir.reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.] Dispõe o art.8 g de cocaína. entregar a consumo ou fornecer drogas. que não deixa de ser substância (matéria que possui propriedades específicas) entorpecente (algo tóxico que provoca alterações psíquicas e analgésicas) ou que determine (provoque necessariamente) dependência (sujeição) física (estado mórbido provocador de alteração do organismo) ou psíquica (estado mórbido provocador de alteração mental. O dispositivo legal está assim redigido: § 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo. de bons antecedentes. produzir. não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.] Neste norte. fornecer. trazer consigo. Logo. fabricar. ter em depósito. desde que o agente seja primário. Importar. a prática de qualquer uma das dezoito condutas é suficiente para configurar o crime. 2009. fabricar. em grande parte das vezes. consistentes em prestação de serviço à comunidade. então. transportar. transportar. Todas condutas passam a ter. Diante de todos estes elementos não há o que se falar em míngua probatória ou absolvição por aplicação do princípio in dubio pro reo. exportar. vender. caput. vender. preparar. oferecer. [. gerando sensação de bem-estar). preparar.500 (mil e quinhentos) dias-multa. expor à venda. a minorante deve ser aplicada na fração de 1/3 (um terço). adquirir. A norma prevê que o julgador analise a situação concreta e fundamente a fração a ser utilizada . ministrar. exportar. nas modalidades "importar. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . p. da Lei nº 11. nascendo um tipo misto alternativo. adquirir. e o temor de represálias.1 g de maconha . 10. além dos objetos típicos de mercancia (balança de precisão e alicate). O flagrante foi considerado legal ou ilegal? Qual “espécie” de flagrante? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3. o complemento ainda que gratuitamente (sem cobrança de qualquer preço ou valor). O que os magistrados entenderam no caso sobre os testemunhos dos policiais militares? Válidos ou inválidos? E por quê? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4. Ante do exposto. 19. vedada a conversão em penas restritivas de direitos. que o dispositivo legal traz diversos núcleos verbais. ministrar e entregar" o delito é classificado como instantâneo. num mesmo contexto fático. corrigido até o pagamento. guardar. prescrever. sejam as únicas testemunhas dos fatos delituosos.. faz com que os policiais.343/06: Art. 33 da Lei de Drogas. A ocorrência envolveu policiais militares? Fardados ou à paisana? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. 33.. a prática de várias condutas previstas no tipo. a pena privativa de liberdade imposta à apelante deve ser substituída por duas penas restritivas de direitos. [. não se exigindo o flagrante da venda ou entrega da substância. O magistrado a quo reconheceu estarem preenchidos os requisitos para a aplicação da causa de redução. sendo que sua escolha da fração de redução restou justificada nos seguintes termos: Portanto.diante das particularidades da situação. ter em depósito. ou mesmo o intuito de lucro. Por outro lado. ainda que gratuitamente. diante da quantidade (vários fracionamentos) e da qualidade dos entorpecentes apreendidos (20. remeter. Desprezar seus depoimentos seria comprometer a repressão ao crime. prescrever. ou seja.. é indiferente haver ou não lucro. eis que plenamente demonstrada a participação da apelante na prática do injusto penal pelo qual restou condenada. o recurso deve ser conhecido e parcialmente provido a fim de fixar o regime semiaberto para o cumprimento da pena e substituir a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direito consistentes em prestações de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária.

III do CPP. e por ironia do destino. sobre a procedência dos objetos do crime. Sustenta que foi detido horas depois da prisão da esposa. 302. Por isso. do Código Processual. face ao susto que levou. pois preso fora das hipóteses autorizadoras do flagrante. (fls.) Devese entender que o 'logo após' do dispositivo é o tempo que corre entre a prática do delito e a colheita de informações a respeito da identificação do autor. A polícia. antes de sair de casa. pessoa de maus antecedentes nas comarcas de Criciúma. 290. Que. capturando-o algumas horas depois.INOCORRÊNCIA . 18) Assim. I . Acrescenta que foi designada a data de 01. apontado. o mesmo foi preso por volta das 21:00 horas. da Lei n. É CASO DE FLAGRANTE: Processo: 1999. todavia. A liminar foi indeferida. caput.12. 12 e 18.TRÁFICO DE ENTORPECENTES .PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. também apontou o local onde estavam guardadas algumas armas de fogo pertencentes ao seu marido 'Paulo Eduílio Neves Marques' conhecido como 'Mazaropi'. Procuradoria Geral de Justiça é pela concessão da ordem.368/76.99 para exame de dependência toxicológica. logo após o crime. quando foi procurá-la na delegacia. O Dr. que o paciente sofre constrangimento ilegal. Consta do auto: "Que. não importa o tempo decorrido entre o momento do crime e a prisão de seu autor. logo após o crime. da Lei n.RELATÓRIO: Alega a impetrante. próximo a Delegacia de Polícia.. tendo sido o paciente perseguido pela autoridade. em situação que faça presumir ser autor da infração. sendo ela incessante nos termos legais (art. rapidamente. em que é impetrante Eliege Zabot. 99. Eliege Zabot. 9. na ocasião. logo após o crime. onde foi encontrada grande quantidade de maconha e armas sem autorização. (fl. esposa do paciente. Inquirida pela autoridade policial.ORDEM DENEGADA Tendo sido o agente perseguido pela autoridade policial. 186/187) A d.HABEAS CORPUS . foi denunciado como incurso nas sanções dos arts.. em síntese. III. 99. III.Data venia do douto parecerista.018917-1. denegar a ordem. Juiz prestou informações. se tem entendido que não importa se a perseguição é iniciada por pessoas que se encontravam no local ou pela polícia. da comarca de Içara. restou configurada a situação de flagrância prevista no art. (. e que nunca havia vendido droga para ele. em situação que faça presumir ser autor da infração. as buscas para encontrar 'Mazaropi' continuaram. saiu no encalço do paciente. sendo paciente Paulo Eduílio Neves Marques: ACORDAM. Julio Fabbrini Mirabete ensina: "É permitida a prisão em flagrante quando o agente é perseguido. Que.. § 1º). É o que a doutrina chama de quase-flagrante. logo após o crime pela autoridade. ocasião em que lhe foi dado voz de prisão". Içara e Cascavel.437/97. e art.) Iniciada a perseguição logo após o crime. pelo ofendido ou outra pessoa.NULIDADE DA PRISÃO EM FLAGRANTE . esclarecendo que o paciente. foi presa em flagrante após ação policial na residência do casal. mesmo após a prisão da Senhora Eliege. 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Leitura complementar. 10. mais precisamente de 'maconha'. que toda a droga apreendida pertencia ao seu marido.018917-1. nas proximidades da delegacia. diante de comunicação telefônica ou radiofônica. seu marido a obrigou a vender drogas se aparecesse algum comprador". na presença da advogada. relatados e discutidos estes autos de habeas corpus n.018917-1 (Acórdão) Relator: Amaral e Silva Origem: Içara Orgão Julgador: Primeira Câmara Criminal Julgado em: 07/12/1999 Juiz Prolator: Nao Informado Classe: Habeas Corpus Habeas corpus n. Vistos.. Amaral e Silva PROCESSUAL PENAL . respondeu (fl. (. esclareceu ao Tenente. restou configurada a situação de flagrância prevista no art. II . os policiais interpelaram a interrogada sobre a existência de drogas na residência. tendo a mesma. o local das drogas.VOTO: 1 . 22): "Que. por votação unânime.QUASEFLAGRANTE . 302. Tubarão. 6. que passa a ser imediatamente perseguido após essa rápida investigação procedida por policiais ou particulares. Tem-se admitido 65 . de Içara Relator: Des. em Primeira Câmara Criminal. que no dia de hoje. no que se tem denominado de quase-flagrante ou flagrante impróprio. a ordem deve ser denegada.

São Paulo : Revista dos Tribunais. configurando-se a hipótese do art. 1944/1945) Nesse sentido. Genésio Nolli e Francisco Borges. de Palhoça." (op." (HC n.Pelo exposto. 1997. pouco importando que ela seja pessoal. pacificamente que esse tempo pode ser de várias horas. Lourenço Filho . posteriormente. e encontrando o paciente noutra cidade. 18ª ed. Assim.Denegação da impetração. estando justificada a segregação provisória do paciente. São Paulo : Saraiva. ART. 'Se restou provado que nos termos do art. § 2º. Des. 3. Denegaram a ordem. é cediço que eventuais irregularidades ou nulidades do flagrante.Crime hediondo (art. pela d. ficam superadas com a homologação e com o oferecimento e recebimento da denúncia. ao flagrante próprio. denego a ordem. pela autoridade policial. Como bem diz a Exposição de Motivos que acompanhou o anteprojeto que se converteu no atual CPP. foi-lhe dada voz de prisão . logrando êxito apenas após a oitiva de testemunhas.j. em 66 . 302. da Lei Adjetiva Penal . III do Código de Processo Penal. 12.TESTEMUNHAS QUE POSTERIORMENTE APONTAM O ACUSADO COMO POSSÍVEL AUTOR DO DELITO PACIENTE ENCONTRADO NOUTRA CIDADE. 302.HOMICÍDIO QUALIFICADO (CP. 2. do CPP' (TACRIM-SP . ou mesmo de dias".95). 121. 12.368/76) .HC 95. 302. José Martinho Lisboa . com votos vencedores.769. são equiparadas. para os efeitos legais. obrigando a autoridade policial a iniciar as investigações na busca de indícios do autor do delito. não houve coação alguma. de Itajaí. 432) Anotaram Alberto Silva Franco e outros: "Prisão em flagrante .Pretendida concessão de liberdade provisória . da Lei n.008956-0 (Acórdão) Relator: Salete Silva Sommariva Origem: Porto União Orgão Julgador: Segunda Câmara Criminal Julgado em: 07/04/2009 Juiz Prolator: Nao Informado Classe: Habeas Corpus Ementa: HABEAS CORPUS .Caracterização de flagrância a teor do art. (in Processo Penal. São Paulo : Atlas. III . caso existente. 4ª ed. EM PERÍODO DE TRABALHO. do art." (HC n. por evidente presunção de ter sido um dos autores do roubo efetuado em agência do BESC de Paulo Lopes. p.. os Exmos. Procuradoria Geral de Justiça.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.544. e. caso presentes. ou inquérito policial. p. a jurisprudência da Corte: "Paciente alvo de perseguição e. 12. envolvida em delito de tóxico. Srs. por isto.10. v. a afrontosa intangibilidade de criminosos surpreendidos na atualidade ainda palpitante do crime e em circunstâncias que evidenciam sua relação com este". houve a flagrância. "Habeas corpus . III. HORAS DEPOIS DO ILÍCITO .Rel.ORDEM CONCEDIDA.RT 735/594).Ademais. pessoa de maus antecedentes. cit. do CPP. 302 DO CPP INDEMONSTRADAS . Lavrou parecer. pp. com prejuízo da futura ação penal. O fator temporal não é preponderante. Sr.DECISÃO: Acompanharam o relator. a prisão do paciente é justa e legal' (TJPB . em situação que faça presumir ser autor da infração. desde que advertidas as unidades regionais das Polícias Estadual ou Federal. eis que a prisão foi efetuada dentro das normas legais. III.. 6. Des. 352/353) Tourinho Filho explica que "há certas situações que a lei assemelha à do flagrante delito propriamente dito. a qual. 302. o Exmo. de vista ou através de comunicação telefônica ou radiofônica. Aloysio de Almeida Gonçalves) Como se vê. 2 . Des.Condições fáticas perfeitamente enquadráveis no inciso III. II) . rel.COMUNICAÇÃO DO CRIME SEM INDICAÇÃO DE SUSPEITO . do CPP . 1999.HC . não tem ressonância na ação penal instaurada. (in Código de Processo Penal Interpretado. 1996. 302. III. considera-se em flagrante delito quem é perseguido. Participaram do julgamento. o interesse da Administração da Justiça não pode continuar a ser sacrificado por obsoletos escrúpulos formalísticos que redundam em assegurar. 1942) "'Caracteriza-se a quase-flagrância quando a perseguição se inicia imediatamente após a infração. Florianópolis. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. Luiz Fernando Sirydakis.. p.Perseguição ao agente logo após a identificação do fato criminoso . 07 de dezembro de 1999 Amaral e Silva PRESIDENTE E RELATOR Não é caso de flagrante: Processo: 2009." (in Código de Processo Penal e sua interpretação jurisprudencial. rel.Alegado constrangimento ilegal tendo em vista homologação de flagrante nulo .Rel.RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE . v.HIPÓTESES DO ART.Impossibilidade. Dr. logo após. Consoante os termos do art. 03. Solon d'Eça Neves) 3 .Ordem denegada. se na comunicação da ocorrência do crime não há indicação de suspeitos. "O recebimento da denúncia supre qualquer irregularidade ou eventual nulidade do auto de prisão em flagrante.001866-0 .

roubo. É uma espécie de flagrante bastante comum a delitos abrangidos pela Lei Maria da Penha ou ainda casos de homicídio. armas. dirige-se ao local previsto..] imagine que os policiais tenham chegado minutos após a fuga dos assaltantes. na qual o autor da infração é encontrado. da Lei 9.é encontrado. neste caso. visando à obtenção de melhores provas. armas. oportunidade em que surpreendem o grupo com o malote de dinheiro subtraído da agência bancária. Considera-se em flagrante delito quem: [. ou assimilado) (¹/² H/A) Hipótese prevista no inciso IV. prendendo o autor dos fatos. Perceba que aqui a lei não exige a “perseguição”. com instrumentos. 4. com instrumentos. Flagrante Prorrogado ou Protelado – Em geral a prisão em flagrante é obrigatória para aqueles agentes legais investidos nessa função. exigindo-se a soltura do réu se preso sob esta fundamentação. logo depois. objetos ou papeis que permitam ao autor da prisão o convencimento de que está prendendo o autor da infração penal. inviável a configuração do estado flagrancial. inciso II.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. de acordo com o art. período de trabalho.. Flagrante Presumido (ou ficto. intervém no ato. Art. haver qualquer tipo de perseguição. Estrategicamente. logo depois. Ato contínuo. determinam a realização de barreiras nas saídas da cidade. Na lição de Rogério Greco (2013. começam a rastreá-los sem.. e após a iniciação dos atos executórios. Outras espécies de Flagrantes Válidos Flagrante Esperado – Neste caso a polícia tem informações da possibilidade de ocorrer um delito. mas convém reforçar os seguintes flagrantes inválidos: 67 .] IV . bem como com as armas utilizadas no roubo. 302. podendo. no entanto.26) num roubo a banco: [. 2º. p. lesão corporal. nesse sentido. de cometer a infração. 3. horas após a prática do ilícito. Não há o que se falar aqui em preparação pela polícia. uma vez que não conheciam o paradeiro daqueles que levaram a efeito o crime de roubo. 5..034/95. contudo. Alguns Flagrantes Inválidos (1 H/A) Já foram demonstradas algumas jurisprudências acima. a autoridade policial pode retardar o flagrante nos crimes praticados por organizações criminosas. é importante deixar claro que o policial militar não poderá praticar atos no sentido de induzir ou provocar o delito. serem presos em flagrante. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. dentre outros com “farto” material de corpo de delito.

ora denunciado. Florianópolis. Custas legais..1 gramas de cocaína). induz o agente a fazer algo e age como se estivesse flagrando o delito. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. Srs. Fica autorizada a fixação da pena-base acima do mínimo legal. CONTUDO. FLAGRANTE PREPARADO. num supermercado. ART. condutor do veículo Toyota/Corolla. Ou seja. Jorge Schaefer Martins e dele participaram os Exmos. houve a saída de um veículo na cor preta e com placas que. [. 10. 27 de setembro de 2013. sito na Avenida Patrício Lima. RESTITUIÇÃO INVIÁVEL. 11.826/03. Sobre a mesa da cozinha foi encontrado ainda um celular da marca Nokia que continha fotografias de uma arma de fogo.826/03 e para fixar o regime semiaberto para o resgate da reprimenda relativa ao tipo penal previsto no art. em Tubarão/SC. bairro Humaitá. tendo em vista a quantidade e a natureza da droga (72. mantidas as demais cominações da sentença. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. em Tubarão/SC. na qual a ação (que seria núcleo do delito) é cometida em razão da incitação policial. Se o agente estatal interfere na conduta do acusado de modo a fazê-lo praticar o crime. da Lei n. LEI N. PENA-BASE. OCORRÊNCIA. 11. ART. 59 do Código Penal. informes anônimos ao Centro de Operações da Polícia Militar relataram a ocorrência de disparos de arma de fogo no bairro São Bernardo. inviável a sua restituição. Ato continuo.. Exercício (Leia e responda): “Flagrante” preparado: Apelação Criminal (Réu Preso) n. da Lei n. Tendo em vista denúncias de que o denunciado se dedicava ao comércio proscrito de entorpecentes.343/06. no caso concreto. pelos fatos assim narrados na peça acusatória (fls.] Comprovada a dedicação do acusado às atividades criminosas. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. realizado no dia 26 de setembro de 2013. outra guarnição da Polícia Militar se deslocou até a residência de DIEGO MENDES. dar parcial provimento ao recurso do acusado para absolvê-lo do delito descrito no art. quando.343/06 e dar provimento ao apelo ministerial para majorar a sanção do crime de tráfico ilícito de drogas para 5 anos de reclusão e 600 dias-multa. LEI N. seguranças visualizam uma pessoa pegando objetos e a prendem antes de chegar ao caixa. DOSIMETRIA.. PRELIMINAR. 2013. Ivens José Thives de Carvalho. Dr. INTERFERÊNCIA DO POLICIAL NA CONDUTA DE PORTE DA ARMA. Roberto Lucas Pacheco RELATOR RELATÓRIO Na comarca de Tubarão.343/06. na absolvição do réu. 10. 16. Anderson Saviatto Redivo e DIEGO MENDES. caput. 10. as quais serão analisadas com preponderância sobre o disposto no art. consubstanciada em uma pistola semi-automática. Rodrigo Collaço e Newton Varella Júnior. caput. um rolo de etiqueta de preço auto-adesiva e um rolo de sacos plásticos para embalagem. a qual encontrava-se no interior de uma meia. Súmula 145 do STF “Não há crime. NULIDADE. AGENTE PÚBLICO QUE MARCA LOCAL PARA A AQUISIÇÃO DE ARMA DE FOGO. Efetuadas buscas no automóvel constatou-se que o denunciado DIEGO MENDES portava. RECURSOS MINISTERIAL E DEFENSIVO. Roberto Lucas Pacheco APELAÇÃO CRIMINAL. Ocorre também crime impossível. no interior de um pote de sorvete. 16. O julgamento. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. marca BUL.] A Quarta Câmara Criminal decidiu. sem autorização e em desacordo com determinação legal. a polícia prepara a cena. II-IV – ipsis litteris): Em 13 de dezembro de 2011. No local foram encontradas 42 (quarenta e duas) buchas de cocaína. ORIGEM LÍCITA NÃO COMPROVADA. devidamente carregada com 11 (onze) munições. atrás do banco do condutor. de fabricação israelense.001040-3. DINHEIRO. PRISÃO EM FLAGRANTE IRREGULAR.. [. 68 . mesmo sem exclusividade. CAPUT. caput. fica afastada a possibilidade de conceder ao réu a causa de especial diminuição da pena prevista no § 4. Sr. 16. Flagrante Preparado ou Provocado –Quando a autoridade incita a prática de um crime. o Ministério Público ofereceu denúncia contra Diego Mendes. informando que. logrando êxito em abordá-lo no pátio do Auto Posto Fera. [. da Lei n. a Polícia Militar efetuou rondas no intuito de localizar o veículo em comento. uma arma de fogo de uso restrito de altíssima potencialidade lesiva. Des. posteriormente identificados como Jocelito da Silva Junior. da Lei n.º do art. uma pistola PT938.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.. por exemplo. D. após verificação. 33. PELA NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA. imputando-lhe a prática das condutas descritas no art. de Tubarão Relator: Des. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO. caput. Da referida abordagem constatou-se que o veículo era ocupado por três indivíduos. Des. 33 da Lei n. todos acondicionados no guarda-roupas do denunciado. 42 da Lei de Drogas. remetiam a um Toyota/Corolla. porquanto a posse em momento anterior não foi descrito na exordial acusatória. Sr. calibre 9mm. 11. na sequência. 33. 33.826/03 e no art. Não havendo a necessária comprovação de que a quantia em dinheiro encontrada com o acusado tinha origem lícita.343/06. a prisão em flagrante se torna irregular – flagrante preparado –. POSSE EM MOMENTO ANTERIOR NÃO DESCRITO NA DENÚNCIA. 11. Funcionou como representante do Ministério Público o Exmo. maculando as provas oriundas dessa prisão e implicam. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO RECONHECIDA.. VALORAÇÃO DO QUANTUM DE DIMINUIÇÃO REGULADO PELA RELEVÂNCIA À ELUCIDAÇÃO DOS FATOS. por unanimidade. foi presidido pelo Exmo. CONDENAÇÃO. localizada na rua Manoel Miguel Bittencourt. RECRUDESCIMENTO AUTORIZADO. INDUÇÃO À PRÁTICA CRIMINOSA. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS FAVORÁVEIS.] PERDIMENTO DE BENS. DOSIMETRIA. bairro Humaitá de Cima. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. quando na verdade deu causa a ação. CAPUT. em Tubarão/SC. s/n. conforme previsão contida no art.

À vista do exposto. porquanto derivada de flagrante preparado. rev. caput.000. no valor mínimo legal. A guarnição ainda diligenciou na residência de Cecília Mendes (mãe do denunciado). atual. 675). da Lei n. Assim. por conta do concurso material de crimes (fls. 11. p. Responda aos questionamentos abaixo: 1. sustentou a existência de flagrante preparado em relação ao delito previsto no art. a fixação da pena-base acima do mínimo legal. mantidas as demais cominações da sentença. e 510 dias-multa. 11. Inicialmente. 545-550 e 551-561). Conquanto se perceba. objetivava a sua prisão. este afirmou ter recebido informação de que o réu estava negociando uma arma de fogo. por haver prova da dedicação do acusado às atividades criminosas (fls. da Lei n. pelas próprias palavras do mencionado agente público. todas embaladas individualmente. Dr. caput. Cumpre destacar. havendo interferência do agente estatal. e o afastamento da causa de diminuição de pena prevista no § 4. uma vez que estava com a arma em razão da negociação havida com policial. deve ser considerada nula a prisão em flagrante do réu pela prática do delito de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. 10. bem como a restituição dos valores apreendidos.00 e que. Lavrou parecer pela douta Procuradoria-Geral de Justiça o Exmo. que o réu tinha a posse da arma de uso restrito antes da ocorrência do flagrante preparado. Irresignados. 11. objetivando lucro com o comércio ilícito de entorpecentes. É o relatório. 33 da Lei n. foram devolvidos? Por quê? 69 . não houve interferência do agente público na conduta do réu de guardar a droga.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. ainda. 16. bairro São João Margem Esquerda.º. levando em consideração a natureza e quantidade da droga apreendida. em Tubarão/SC. 11. por sua vez. aduziu o acusado que a condenação referente ao crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito não pode prevalecer. por isso. 4. Niterói: Impetus.] 6. 292-306). Aduziu. Narrou que após testar a arma e combinar um encontro para a sua suposta aquisição. totalizando 5 anos e 6 meses de reclusão. onde foram apreendidas. o juiz a quo julgou procedentes os pedidos contidos na denúncia e condenou o acusado à pena de 2 anos e 6 meses de reclusão e ao pagamento de 500 dias-multa pela prática do crime descrito no art. postulando o resgate da pena em regime mais brando. Trata-se. 46 (quarenta e seis) buchas de cocaína com peso bruto total de 70. outrossim. com a causa de diminuição de pena prevista em seu § 4. Do exposto tem-se que o denunciado.343/06. da Lei n. em regime fechado. que opinou pelo não provimento do recurso defensivo e provimento do recurso ministerial (fls.343/06. 10. prontas para ser comercializadas. de calibre 9mm. devendo ser absolvido em relação a este crime. Sr. Dito isso. simulou a compra da arma. está configurado o flagrante preparado. É como voto. [. o Ministério Público e o réu interpuseram apelação.826/03 [e para fixar o regime semiaberto para o resgate da reprimenda relativa ao tipo penal previsto no art. induzimento ou participação material (ou cumplicidade) da autoridade ou de seus agentes para que alguém pratique uma infração penal. Concluída a instrução. Direito processual penal: teoria. por R$ 4. caput. 11. pois combinou com o acusado o local aonde deveria levar o instrumento bélico ao argumento de que tinha interesse na compra. VOTO 1. deve-se dar parcial provimento ao recurso do acusado para absolvê-lo do delito descrito no art. Ele foi absolvido de todos os crimes? Ou apenas de alguns? Quais? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3.826/03.343/06 e] dar provimento ao apelo ministerial para majorar a sanção do crime de tráfico ilícito de drogas para 5 anos de reclusão e 600 dias-multa. Robison Westphal. sendo a sua conduta atípica.826/03. A sua participação foi decisiva para a consumação do crime. 568-575). O primeiro requereu. caput. este fato não foi narrado na denúncia nem objeto de aditamento. caput. Por flagrante preparado. dinheiro. práxis e prática. sem autorização e em desacordo com determinação legal. sita na rua Hermogenes Damiani. de um arremedo de flagrante. do condenado.. O agente foi autuado em flagrante por quais crimes? 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. 2006. 33. 10.343/06. 515-523). ed. 42 da Lei n. e à pena de 3 anos de reclusão e ao pagamento de 10 dias-multa pela prática do delito descrito no art. denota-se que o policial organizou uma operação para prender em flagrante o réu. Formulou pedido para substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. caso absolvido do crime de porte ilegal de arma de fogo. da Lei n. caput. no pátio da propriedade – mais precisamente sobre as colunas de sustentação da casa –. guardava e tinha em depósito. pois. outras 4 (quatro) buchas de cocaína em embalagem idêntica às encontradas na casa de DIEGO MENDES. objetivando prendê-lo em flagrante" (PACHECO. 33. da Lei n.. 249). em verdade. da Lei n.º do art. em que a interferência direta do agente provocador impede a consumação do crime. Denilson Feitoza. 528-543). n. ampl. montou uma operação para prender o acusado em um posto de gasolina. que o magistrado não fundamentou a fixação do regime fechado. 16. em verdade. 190.8g (setenta gramas e oito decigramas). entende-se "aquele em que há instigação. inviabilizando a sua análise. 33. 16. cada recorrido pugnou pelo não provimento do recurso interposto pela parte contrária (fls. Nas suas contrarrazões. em suma. com base no art. Os “bens”. neste caso. que não há irregularidade na prisão em flagrante do réu pelo cometimento do tipo penal prevista no art. Relatou que não efetuou a prisão em flagrante do réu na primeira oportunidade para não comprometer seu informante (CD de fl. No caso dos autos. O apenado. já que comprovadamente provenientes do seguro desemprego (fls. quando.343/06. Conforme se infere das declarações prestadas em juízo pelo policial militar Sandro Rodrigues Dias.

Parágrafo único. 310. p. não souber ou não puder fazê-lo. mas. 304. devendo responder o autor por crime de denunciação caluniosa e também abuso de autoridade. § 1º Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido. imputando provas inexistentes. fundamentadamente. sua assinatura. no máximo. conceder ao acusado liberdade provisória. nesse caso. que deverá nos termos do artigo 310 do CPP: Art. lavrando. 6. após cada oitiva suas respectivas assinaturas. a autoridade. o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas. deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade. mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais. a autoridade mandará recolhê-lo à prisão. sob pena de revogação. que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. Outras observações pertinentes sobre flagrante delito CPP: Art. que tenham ouvido sua leitura na presença deste. o policial falsifica uma situação.conceder liberdade provisória.converter a prisão em flagrante em preventiva. ou claramente presentes excludentes de antijuridicidade. Ao receber o auto de prisão em flagrante. procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita. colocando drogas ou armas na cena do crime imputando falsa autoria. se não o for. entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. ou III . Como bem assevera Capez (2013.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. poderá. Apresentado o preso à autoridade competente. com ou sem fiança. afinal. 70 . § 2º A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante. para a autoridade judiciária. quando presentes os requisitos constantes do art. 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4.relaxar a prisão ilegal. É flagrante nulo. Faça um resumo do ocorrido: 1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Flagrante Forjado – Na verdade é quando não ocorre flagrante.Código Penal. de 7 de dezembro de 1940 . e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão. insignificante. enviará os autos à autoridade que o seja. com o condutor. colhendo. exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança. se para isso for competente. Encerrada a lavratura do flagrante a autoridade policial deverá encaminhá-lo em até 24 horas. 312 deste Código. Em seguida. 23 do Decreto-Lei no 2. Se o juiz verificar.334) o auto somente não deve ser lavrado se o fato for claramente atípico. desde logo. e prosseguirá nos atos do inquérito ou processo. o auto. em se tratando de funcionário público. ou II . pelo auto de prisão em flagrante. ouvirá esta o condutor e colherá. § 3º Quando o acusado se recusar a assinar. o juiz deverá fundamentadamente: I .848.

ou. terrorismo e tortura. criança. iv. em sentença transitada em julgado. PRISÃO PREVENTIVA A prisão preventiva somente pode ser determinada por Juiz. 2) Condenado por outro crime doloso.960/1989 é uma espécie de prisão cautelar que visa facilitar as investigações criminais. Conveniência da instrução criminal. portanto destina-se a fase do inquérito policial. 2) Indícios suficientes de autoria. Mas é medida extremamente excepcional. 4) Dúvida da identidade civil. epidemia. As hipóteses do artigo 23 do Código Penal. quadrilha. Sendo que nos casos de crimes hediondos. e. genocídio. o prazo de decretação é de 30 dias. Garantia da ordem pública. b. prorrogado pelo mesmo período (artigo 2º. 71 . igualmente. II. c. sequestro ou cárcere privado. enfermo ou pessoa com deficiência. são referentes as atuais excludentes de ilicitude. Descumprimento de medida cautelar imposta. extorsão. tráfico de entorpecentes. estupro. Para garantia da ordem pública. em qualquer fase da investigação policial ou curso da ação penal. no mínimo: 1) Prova da existência do crime (materialidade). Lei 8072/90). 3) Perigo em deixar o indiciado / acusado solto: a. ou. Além disso.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. mas a maior parte posiciona-se pela necessidade absoluta dos requisitos I e III. ou envenenamento de água ou alimento. Tem prazo normal de cinco dias prorrogável por igual período. sendo o II dispensável. A doutrina diverge. Tem como requisitos para decretação: I. § 4º. idoso. Exige. ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. PRISÃO TEMPORÁRIA Definida pela Lei nº 7. Garantia de aplicação da lei penal. Quando imprescindível para as investigações do inquérito policial. III. ou. mas tem que ser determinada pela autoridade judicial. adolescente. 64 (Código Penal). para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. v. a lei ainda traz como hipóteses de cabimento: 1) Crimes dolosos com pena máxima acima de 4 anos. 3) Se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. ou extorsão mediante sequestro. Quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade. tráfico de entorpecentes ou crime contra o sistema financeiro. roubo. Quando houver indícios de autoria ou participação de um dos seguintes crimes: homicídio doloso. d.

PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.

OBJETIVO 7: JUIZADOS ESPECIAIS E POSSE DE DROGAS
PARA CONSUMO (2 H/A)
Em 1995, por advento da famosa Lei nº 9.099 foram estruturados os Juizados Especiais.
No âmbito penal, por sua vez, os Juizados Especiais Criminais passaram a ter
competência para julgar infrações penais com pena máxima de até 2 anos (crimes com
até 2 anos de pena máxima e todas as contravenções penais).

7.1.

PRINCÍPIOS GERAIS

Os princípios gerais dos juizados especiais criminais em destaque são (CAPEZ, 2013,
p.614-615):
a) Princípio da Oralidade – Os atos processuais serão praticados oralmente,
reduzidos a termo os essenciais.
b) Princípio da Informalidade – Os atos processuais a serem praticados não
serão cercados de rigores formais.
c) Princípio da Economia Processual – Os atos processuais devem ser
praticados no maior número possível, no menor espaço de tempo e da
maneira menos onerosa.
d) Princípio da Celeridade – visa rapidez na execução de atos processuais.
e) Finalidade e prejuízo – Para haver invalidade de atos é necessário
demonstrar prejuízo.

7.2.

QUAL REFLEXO NO SERVIÇO POLICIAL MILITAR? – POP 305.2

O reflexo ao serviço policial militar, reside no fato de que para os crimes abrangidos pela
Lei nº 9.099/95 deixará de ser lavrado flagrante delito, lavrando-se o Termo
Circunstanciado (BO-TC):
Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o
encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos
exames periciais necessários.
Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado
ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança.
Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar,
domicílio ou local de convivência com a vítima.
A expressão “autoridade policial” do artigo 69 da lei, tem sido alvo de constantes
discussões, as quais não iremos nos aprofundar, mas sucintamente, em SC, a Secretaria
de Segurança Pública editou por portaria determinação para que qualquer policial na
condição de autoridade policial, lavre o Termo Circunstanciado, no local dos fatos,
visando, dentre outras vantagens:
a) Melhor atendimento ao ofendido.
b) Não condução coercitiva e com uso de força do infrator.
c) Permanecer mais tempo com a viatura na área onde houve quebra da ordem,
evitando que a mesma fique longe das localidades, nas delegacias.
d) Reduzir a burocracia: duplo registro de ocorrência (pela PM e pela PC).
e) Celeridade e aproveitamento do testemunho real dos policiais militares que
atenderam a ocorrência.

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Significa dizer, portanto, que: nas infrações de menor potencial ofensivo, quando o
autor do delito comprometer-se a comparecer em juízo, o policial militar deverá, no
local dos fatos, lavrar o BO-TC.

7.3.

PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO

Conforme ensina Fernando Capez (2013, p.626-633), referente ao procedimento
sumaríssimo da Lei nº 9.099/95:
1) FASE PRELIMINAR E TRANSAÇÃO:
a. Flagrante pelo policial militar (ou outra “autoridade”) contida no artigo
144 da Constituição Federal.
b. Lavratura do Termo Circunstanciado, pela autoridade que flagrou.
Neste sentido, observa o mestre Fernando Capez (2013, p.626): “é tão
informal que pode ser lavrado até mesmo pelo policial militar que
atendeu a ocorrência, dispensando-o do deslocamento até a
delegacia”. Citando provimento do Conselho Superior da Magistratura
do Estado de São Paulo.
i. O termo circunstanciado, é um documento de registro simples
das partes, um breve relato de cada, infração praticada,
indicação de provas e testemunhas.
c. Prisão em flagrante: se o autor for apresentado ao juizado ou comprometerse a comparecer em data designada, deixará de se impor prisão em
flagrante, SEM FIANÇA.
d. Comparecimento à sede do Juizado.
e. Audiência preliminar – composição civil dos danos e transação penal:
i. Composição de danos civis.
ii. Transação penal – proposta pelo ministério público aplicação
imediata de pena restritiva de direitos ou multa.
f. Do descumprimento da proposta caberá análise pelo MP para eventual
oferecimento da denúncia.
g. Homologada a sentença:
i. Não gera reincidência.
ii. Não gera efeitos civis.
iii. Não gera maus antecedentes.
h. Descumprida ou frustrada a transação penal, o MP poderá oferecer
denúncia dando início a fase processual.

7.4.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

Algumas observações importantes que podem fazer com que o policial não lavre o BO-TC
devendo encaminhar o autor do delito, ofendido e testemunhas, como tradicionalmente
ocorre a Delegacia:
1) Não se lavra BO-TC para crimes militares.
2) Não se lavra BO-TC para delitos abrangidos no contexto da Lei Maria da
Penha.
3) Não se lavra BO-TC para delitos com pena máxima maior que dois anos.
Outras observações mais aprofundadas serão tratadas em matéria específica sobre este
tema, bem como nos exercícios práticos.
Recomenda-se a leitura do POP 305.2 – BO-TC.

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7.5.

POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO (POP 304.7) – 1H/A

No tocante ao POP 304,7 temos uma situação toda peculiar de atendimento pela PMSC
que exige uma atenção redobrada nos estudos. Isto ocorre porque, na “posse de drogas”
para consumo, artigo 28 da Lei de Drogas, a lei não remete simplesmente a Lei 9.099/95,
ao contrário, traz claramente o procedimento a ser tomado:
Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste
Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução
Penal.
§ 1º O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei, salvo se houver concurso com os
crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processado e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes da
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais.
§ 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o
autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso
de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e
perícias necessários.
Perceba que a lei não faculta, em nenhuma hipótese a prisão em flagrante.
Sobre a atuação do agente policial, entretanto, uma pequena diferenciação, manda
encaminhar o autor do fato imediatamente ao juízo competente ou, na falta deste,
assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado;
mas é enfática em afirmar: que não se imporá prisão em flagrante. (VON
KNOBLAUCH, 2014, p.50).

“E para reforçar essa afirmação, seguimos a leitura do §3º do artigo 48”:
§3º Se ausente a autoridade judicial, as providências previstas no § 2º deste artigo serão tomadas de
imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a detenção do agente. (grifo
nosso).
Ademais, as “penas” previstas para a conduta criminal do artigo 28 são:
- Advertência: jurídica, como uma espécie da sanção legal, devendo abordar os
efeitos perniciosos da droga para com o usuário e sua família.
- Prestação de serviços à comunidade.
- Medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo: sendo de
competência do Juiz a fixação do programa e / ou curso ao qual o agente deverá
comparecer / frequentar. (GOMES, 2013).
Quando da reincidência, igualmente Gomes (2013) afirma que ao usuário é cabível uma
“disciplina especial”, sendo duas as possíveis sanções (medidas educativas) ao
reincidente, previstas no §6º: “admoestação verbal ou multa. São sanções que devem ser
impostas sucessivamente, ou seja, primeiro se faz a admoestação. Não produzindo efeito
concreto, parte-se para a multa, que constitui a ultima ratio (isto é, a última medida
constritiva).” (GOMES, 2013, p.152).
Portanto: “mesmo que o agente se recuse ir a juízo, ainda assim, não haverá
recolhimento ao cárcere.” (GOMES, 2013, p.228).

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Responda ao questionamento abaixo:
Significa dizer que o usuário (possuidor de drogas para consumo) não pode jamais
ser detido ou conduzido para a Delegacia de Polícia? Por quê? (Pesquise a
resposta na monografia anexada aos seus materiais de estudo).
1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Entretanto, lembre-se do que acabamos de explicar: em SC o BO-TC pela PMSC é
lavrado in loco (no local) portanto, a condução desnecessária do detido por posse
de drogas para consumo para a Delegacia de Polícia ou outro local apenas para
satisfazer desejo de humilhação ou sentimento de poder do Policial Militar, poderá
caracterizar abuso de autoridade.
Temos, porém, duas situações tratadas no POP 304.7. Entretanto ambas têm como
característica principal a destinação da droga eminentemente para consumo pessoal, ou
para “juntos consumirem”. Esses são pontos essenciais que o policial deverá observar
através de características:
Responda ao questionamento abaixo:
Designe 5 características típicas que levem a crer ser a droga para consumo pessoal e 5
características típicas que levem a crer ser a droga para tráfico (caput do artigo 33) –
Podem ser características das drogas ou dos demais elementos probantes e indícios:
1____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
2____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
4____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
5____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
6____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
7____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Artigo 28: Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar [...].
§ 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas
destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência
física ou psíquica.

75

2). e pagamento de 700 (setecentos) a 1. um do oferecimento (artigo 33§3º) e o que recebeu autor da posse para consumo (artigo 28). Entretanto: 2) Se o autor do oferecimento não aceitar o compromisso. entretanto. 28. também. deverá ser lavrado BOTC (POP nº 305.]§ 3º Oferecer droga. se o autor assumir o compromisso de comparecer em juízo (POP nº 305. Logo: 1) Se ambos aceitarem o compromisso de comparecimento. 76 .2). deverá consignar uma testemunha da negativa de comprometimento do autor em comparecer em juízo.4) e AMBOS conduzidos à Delegacia de Polícia (independentemente do aceite ou não do autor do recebimento. eminentemente para juntos consumirem: Aqui estamos diante de um caso típico de infração penal de menor potencial ofensivo para quem oferece a droga.500 (mil e quinhentos) dias-multa. para juntos a consumirem: Pena . que somente um procedimento deve ser lavrado. sem prejuízo das penas previstas no art. Quem recebe. note que se trata de uma modalidade de tráfico. Frente um flagrante de infração prevista no artigo 33 §3º. Artigo 33: [. contudo..PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. a pessoa de seu relacionamento.2). Lembre-se. Frente um flagrante somente da infração do prevista no artigo 28 ou no seu §1º. de 6 (seis) meses a 1 (um) ano.. SERÁ LAVRADO BO-TC (POP nº305. entretanto. notificar o autor verbalmente da audiência ou na notificação futura ao comparecimento. eventualmente e sem objetivo de lucro.detenção. Caso contrário: 2) MESMO ASSIM. sendo ambos constados como autores. entretanto. está incorrendo no artigo 28. o você deverá: 1) Lavrar o BO-TC. deverá ser lavrado BOPA (POP nº 305.

Tráfico ilícito de drogas. Deixado em local afastado. Todos os cuidados acima são OBRIGATÓRIOS. estas poderão ser substituídas por: narrar os fatos que se seguem. A progressão da força do que simulará o agressor deverá evoluir somente até a resolução com a mera “perseguição” a pé e “verbalização”. C. Caso não seja possível realizar simulações. Deixadas na reserva de armas. 3. 6. SIMULAÇÕES DE OCORRÊNCIAS (4 H/A) Visando facilitar o aprendizado. B. deverão estar: 1. 8. ou área afim. Sem munições. entre o cano e a janela de ejeção um cordel plástico colorido (do tipo usado em varal ou lacre). 9. 77 . com o obje tivo de comprovar limpeza e segurança do equipamento. Maria da penha apenas com ameaças e injúrias. Se tiver possibilidade. O companheiro do lado deverá checar visual e fisicamente se está limpa e sem munições. a saber: A.2. Oferecimento de drogas para juntos consumirem (artigo 33§3º). a instrução deverá ser acompanhada por instrutor de TPO. o instrutor deverá planejar e aplicar ao menos 4 simulações de ocorrências. Só então. Ainda assim: é expressamente proibido a simulação de modo a forçar o aluno a ter que fazer de força menos letal ou letal. 8.1. fechar o armamento deixando. Armamento e Tiro. DA SEGURANÇA Deverá ser priorizado o uso de simulacros de equipamentos. Se possível. num “jogo” de perguntas e respostas coletivo. OBJETIVO 8: DIREITO PROCESSUAL APLICADO NA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E REVISÃO (5 H/A) 8. simular outras situações com os estudantes sempre priorizando situações comuns do dia-a-dia policial militar. Checar visual e fisicamente se está limpa e sem munições. sem carreador e sem munições. 5. 11. 7. 4.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. 10. 2. Caso utilize equipamentos reais. Maria da penha com agressão. D. Fazer antes de iniciar qualquer simulação duplo golpe de segurança em frente ao instrutor. Sem carregador. O instrutor deverá checar física e visualmente se está limpa.

A lavratura em si não é necessária. colher elementos probantes e dizer o que fariam.!!! Preparação da cena: Na casa deixar um pacote de drogas. b. Um operador de COPOM (ou o instrutor fará esse papel). 8. Um local para simular como “casa”. Uma dupla “policial”. dinheiro. Simular um autor oferecer droga. Os “policiais” só deverão agir após serem “chamados” pelo despachante. e.2. d. c.  REALIZAR PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA DO ITEM 8. eventualmente e sem objetivo de lucro. f. Dois “compradores”. d. c. 33 §3º (¹/² H/A) Equipe: a. Um operador de COPOM (ou o instrutor fará esse papel).1. Um “traficante”. “Pacotes” simulando drogas. 8.1. apenas. arrolar testemunhas. Alternar o compromisso dos autores.1. Verificar o aprendizado da turma sobre os fatos simulados e variações.2.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares.  REALIZAR PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA DO ITEM 8. notas miúdas e anotações em local visível (mas dentro da casa). 78 .!!! Definidas as funções afastar os participantes.2. Um autor do oferecimento da droga. Duas duplas “policiais”. podendo ser simulada. Um receptor da droga / possuidor para consumo. Os policiais deverão informar ao COPOM. OFERECIMENTO DE DROGAS PARA JUNTOS CONSUMIREM – ART. anotações de preços e compradores. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS (1 ¹/² H/A) Equipe: a. para juntos a consumirem. após a chegada dos policiais devem flagrar e entender possível essa dedução. b. a pessoa de seu relacionamento. Com o “traficante” deixar apenas duas porções de simulador de droga.

d.!!! Atuação: Definidas as funções afastar os participantes.  REALIZAR PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA DO ITEM 8. MARIA DA PENHA COM AGRESSÃO (1 H/A) Equipe: a. Uma vizinha reclamante. Os policiais militares devem encontrar e apreender o dinheiro. Os policiais deverão intervir verbalmente e o marido cessar as agressões imediatamente. Uma dupla “policial”. mas ela deve reclamar da presença dos policiais (postar-se favorável ao marido). Após registrar no COPOM deverão lavrar BO-PA a lavratura em si não é necessária. b. podendo ser simulada. mas aguardar. Verificar o aprendizado da turma sobre os fatos simulados e variações.1. 79 . e. apenas. Um marido autor do delito. Os policiais só deverão se deslocar após determinado pelo COPOM. “drogas” e também anotações. Na presença dos policiais.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. c. alcançálo. devendo agir somente ao comando do instrutor (no segundo comprador). Os policiais devem verificar ao longe da cena a movimentação de tráfico. Mesmo assim a esposa deve continuar reclamando dos policiais. 8.3. Um operador de COPOM (ou o instrutor fará esse papel). Uma esposa (ofendida).2. o marido deverá simular uma agressão a esposa. Atuação: Definidas as funções afastar os participantes. No local deverão flagrar intensa discussão e ameaças do marido a esposa. O segundo comprador deve permitir que uma dupla o alcance e o detenha. O traficante deverá correr entrando na residência e uma dupla em perseguição.

e. apenas. Os policiais deverão agir como preconiza o POP. apenas. Verificar o aprendizado da turma sobre os fatos simulados e variações. Um marido autor do delito. lavrar BO-PA. arrolando testemunhas. REVISÃO PARA A VERIFICAÇÃO FINAL (1 H/A) Será repassada oportunamente. No local deverão flagrar intensa discussão. Evidentemente os policiais deverão deter o agressor (que não oferecerá resistência). c. Uma vizinha reclamante.2. 80 . A vizinha deve intrometer-se pressionando para que prendam o “marido”.3. ameaças e injúrias do marido a esposa.!!! Atuação: Definidas as funções afastar os participantes. Uma dupla “policial”. registrando claramente que a esposa não quer representar. b. d. podendo ser simulada.1. a lavratura em si não é necessária. conversando calmamente com a esposa que continuará contra a presença dos policiais. Um operador de COPOM (ou o instrutor fará esse papel).  REALIZAR PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA DO ITEM 8. Uma esposa (ofendida). Os policiais só deverão se deslocar após determinado pelo COPOM. podendo ser simulada. A guarnição deverá lavrar somente o BO-COP. mas ela deve reclamar da presença dos policiais (postar-se favorável ao marido). 8. MARIA DA PENHA APENAS COM AMEAÇAS E INJÚRIAS (1 H/A) Equipe: a. Na presença dos policiais.4. o marido deverá simular fazer ameaças e injúrias a esposa. Verificar o aprendizado da turma sobre os fatos simulados e variações. afastando os dois. registrar no COPOM. 8.PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. a lavratura em si não é necessária.

planalto. GRECO. como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Administração de Segurança Pública.planalto. GONÇALVES. da Universidade do Estado de Santa Catarina e Polícia Militar de Santa Catarina. 2. e ampl. São Paulo: Saraiva 2013. Alexandre Cebrian Araújo. O atendimento. 2013. 2013. Pedro (Organizador).. Niterói: Impetus. <http://www2. de ocorrências de posse de drogas para consumo (POP 304. Monografia apresentada para a Escola Superior de Administração e Gerência. 20.08. VON KNOBLAUCH. Direito Processual Penal: Esquematizado. São Paulo: Revista dos Tribunais.gov. Curso de processo penal. REIS. Carlsbad. Rogério.br/presidencia/legislacao> Acessado em 11/09/2014. CAPEZ. 2014. 2013. administrativos e constitucionais. ed.343. Lei de drogas comentada: artigo por artigo: Lei 11. Parabéns! Você concluiu a Disciplina de Direito Processual Penal. <http://www2. 5. 81 f. LENZA.7).PMSC-CFSd-2014-Cap PM Von Knoblauch-Direito Processual Penal-Aplicado às Atividades Policiais Militares. ed. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. ed. Luiz Flávio (Coord. Código de Processo Penal.2006. processuais penais. de 23.gov. Victor Eduardo Rios.). GOMES. pelo policial militar de Santa Catarina. desejamos sucesso na avaliação final. ed. 81 . São Paulo: Saraiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UTILIZADAS E RECOMENDADAS BRASIL. atual. rev. BRASIL. Fernando. 5.br/presidencia/legislacao> Acessado em 11/09/2014. Atividade Policial: Aspectos penais.