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lingua portuguesa IV 08.12.2011.indd 1

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Eneida Oliveira Dornellas de Carvalho
Elisabete Borges Agra

Teorias Linguísticas II

Campina Grande-PB
2012

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indd 4 10/04/2012 23:20:15 .Teorias Linguisticas 11 .aula 1.

................................................indd 5 10/04/2012 23:20:15 .............................................41 IV Unidade A relação entre a coerência e a coesão textuais .aula 1.....................117 VIII Unidade Revisão dos fatores responsáveis pela coesão e coerência textuais............79 VI Unidade Intertextualidade: uma forma de reflexão crítica sobre o estudo do texto ..............................................131 Teorias Linguisticas 11 .........................contradição textuais .......................................................................................Sumário I Unidade Conhecendo a linguística textual ....................7 II Unidade A coesão textual .............................................57 V Unidade Intencionalidade................................................. situacionalidade e aceitabilidade: fatores pragmáticos responsáveis pela textualidade ..................95 VII Unidade A textualidade proporcionada pelos critérios de informatividade e não.........23 III Unidade Mecanismos de coesão textual: a Referenciação .............

indd 6 10/04/2012 23:20:15 .aula 1.Teorias Linguisticas 11 .

indd 7 10/04/2012 23:20:16 .aula 1.I UNIDADE Conhecendo a linguística textual Teorias Linguisticas 11 .

um aspecto que ganhou relevada importância a partir do desenvolvimento da linguística textual. Se no primeiro momento. sua capacidade de elaborar o sentido para o texto. Vamos descobrir o modo como se desenvolvem os estudos que adotam seus pressupostos para o estudo do texto. Portanto. neste segundo momento. Assim. resultados tão positivos só surgirão se você fizer sua parte. este curso lhe será muito útil em sua vida acadêmica.indd 8 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:16 . você já sabe. Levando-se em consideração os aspectos referentes à compreensão dos processos envolvidos no ato de produção do texto. reforçamos nos 8 Teorias Linguisticas 11 . como fez para nosso primeiro curso. Mas. bem como tomar conhecimento de resultados práticos que se observam no campo do ensino de leitura e compreensão do texto. dos elementos que o constituem de forma a torná-lo uma unidade de sentido.Apresentação Neste segundo curso de teorias linguísticas é nosso propósito dar prosseguimento ao seu aprendizado sobre o objeto da linguística. garantimos a você que sua própria percepção do texto. o direcionamento do curso se dá no sentido de aprofundar uma teoria. sua capacidade de ler e observar como se dá a construção do texto a partir de sua materialidade linguística. Esta teoria é a linguística textual. apresentamos várias perspectivas de estudo que terminaram por consagrar a linguística como ciência autônoma de investigação da língua. os procedimentos metodológicos adotados para a investigação dos processos linguísticos que se dão no interior do texto. a que resultados se pode chegar centrando-se a análise a partir dos pressupostos da linguística textual. irão se ampliar de forma surpreendente.aula 1.

• Não guardar para si as dúvidas. você: Objetivos • Demonstre uma compreensão do que significa um estudo da língua na perspectiva da linguística textual. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . • Reler se necessário. • Assimile a concepção de texto como a propõe a linguística textual. esclarecendo-as com o professor ou o tutor. • Realizar com segurança a autoavaliação que se encontra ao final da aula. A orientação para que você siga esses passos é para que alcance também os objetivos estabelecidos para esta aula. marcando o que julgar importante.indd 9 I SEAD/UEPB  9 10/04/2012 23:20:16 . pesquise. até que constate que aprendeu. esperamos que ao final desta unidade.sas recomendações para que você tenha o melhor aproveitamento possível. • Responder as atividades propostas. refletindo sobre os novos conceitos e informações apresentados. seguindo os passos já conhecidos: • Dedicar cotidianamente um tempo para suas leituras. com atenção. reflita. • Ler os textos de modo atento. discuta com o professor ou tutor. Se você achar que sua avaliação não foi satisfatória.aula 1. retome as leituras. Assim. fazendo anotações. • Conheça os fundamentos teórico-metodológicos da linguística de texto.

A partir da descrição de fenômenos linguísticos inexplicáveis pelas  10 Teorias Linguisticas 11 . “Na década de 70. alguns deles. Assim. levando em conta o contexto que estava servindo de base para seu uso. Vimos que essas disciplinas estavam estudando a língua em relação aos seus usuários. É dela que transcrevemos os trechos a seguir. através dos quais se caracterizam os momentos históricos mais marcantes da teoria: “Surgida na década de 60.indd 10 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:16 . caracterizadas sobretudo pela contribuição de aportes teóricos advindos de outros ramos do saber. semelhantes aos que já haviam sido estudados no nível da frase”. muitos estudiosos encontram-se ainda bastante presos à gramática estrutural.Um pouco de contextualização Finalizamos nossa última unidade do curso de Teorias Linguísticas I chamando a atenção para o fato de que. A incorporação desses fatores à análise da língua terminaram por dar as condições para o surgimento das chamadas Teorias do discurso: a linguística de texto. vamos tratar de caracterizá-la em especial. se os estudos da linguagem permaneceram por muito tempo marcados pelos pressupostos teóricos de Saussure. essas teorias partilham o fato de conceber o texto como o lugar prioritário onde se reflete a realidade concreta da língua. nos anos sessenta.aula 1. a linguística definitivamente se abria para a interdisciplinaridade. Em comum. o que explica o seu interesse na construção de ‘gramáticas de texto’. a autora que difundiu a linguística textual no Brasil e até hoje é referência para qualquer estudo que trate do tema. na Europa. ou – principalmente – à gramática gerativa. disciplinas das quais fizemos uma breve apresentação para que você tivesse uma idéia de como se deu a conjunção de outras áreas com aquela que tem por objeto específico o estudo da língua. Como nosso foco neste curso recai sobre a linguística textual. inclusive. a análise da conversação e a linha francesa da análise do discurso. Faremos isto principalmente a partir dos trabalhos de Ingedore Villaça Koch. onde ganhou projeção a partir dos anos 70. assiste-se a um novo direcionamento na linguística. a sociolinguística e a antropolinguística. contudo. descrever os fenômenos sintático-semânticos ocorrentes entre enunciados ou sequências de enunciados. que resultou em novas tendências para o estudo da língua. por exemplo. da qual resultou. a Linguística Textual teve inicialmente por preocupação. seguindo uma abordagem imanente do fenômeno linguístico.

embora fundamentadas em pressupostos básicos comuns. Trata-se de uma linguística da enunciação em oposição a uma linguística do enunciado ou do significante. • A LT se funda numa concepção de língua em que a preocupação maior recai nos processos (sociocognitivos) e não no produto. a diferença entre os gêneros textuais. como o faz a linguística clássica. Marcuschi (2008. a pragmática. portanto. o aspecto social e o funcionamento discursivo da língua. 75) apresenta o que há de comum nas diversas vertentes da linguística textual (LT). conforme o enfoque predominante” (KOCH. • A LT tem como ponto central de suas preocupações atuais as relações dinâmicas entre a teoria e a prática. 11-12). mas apesar disso.aula 1. sua preocupação não é descritivista. reduzindo assim o campo de análise e descrição. tais como a concatenação de enunciados. Você pode conhecê-las lendo os textos citados nas referências ao final desta aula. que se dedica aos subdomínios estáveis do sistema. entre o processamento e o uso do texto. como observa Beaugrand (1997). mas uma unidade linguística com propriedades estruturais específicas -. À medida que desenvolvemos este curso. p. Trata-se de uma perspectiva orientada por dados autênticos e não pela introspecção. mesmo em se tratando de ramificações. p. Foram várias. 1989. tais gramáticas têm por objetivo apresentar os princípios de constituição do texto em dada língua”. as ramificações da linguística textual. “É somente a partir de 1980. chegam a diferir bastante umas das outras. você poderá constatar como de fato essas noções estão arraigadas na proposta teórica da linguística textual. a inserção da linguagem em contextos. E constatar por que a linguística textual mantém relações tão fortes com o ensino de língua. tais como a fonologia. que ganham corpo as Teorias do Texto – no plural.indd 11 I SEAD/UEPB  11 10/04/2012 23:20:16 . já que. contudo.gramáticas de frase – já que um texto não é simplesmente uma sequência de frases isoladas. a produção de sentido. • A LT é uma perspectiva de trabalho que observa o funcionamento da língua em uso e não in vitro. a morfologia e a sintaxe. as operações cognitivas. • A LT não se dedica ao estudo das propriedades gerais da língua. • A LT dedica-se a domínios mais flutuantes ou dinâmicos. Leia abaixo o que diz o autor. O que importa nesse momento é ressaltar que. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . noções básicas da teoria são constantes em todas elas. os processos de compreensão.

vale a pena retomar estudos anteriores que já apontavam para a necessidade de se repensar antigos conceitos com a finalidade de explicar melhor o objeto da nova linguística que se delineava. o contexto. Já quando se trata de relacionar o estudo da língua com o social. Assim. tomar novos rumos. que ficou conhecido como formalismo. já sabemos. 1 “O estudo de uma língua exige que se considere rigorosamente a variedade das funções linguísticas e de seus modos de realização no caso considerado. Mas é certo que toda mudança não acontece de forma repentina. É o estudo apoiado na tradição saussuriana. os fatores e os elementos que estão envolvidos numa situação de comunicação. e então explicitar como sua teoria pode representar um avanço em direção a uma linguística discursiva. Assim.. Veja como os representantes do Círculo Linguístico de Praga explicitaram sua tese sobre as funções da língua. e a composição lexical da língua”. A elaboração de um circuito de comunicação. Seguindo essa trilha. foi necessário que houvesse uma mudança na perspectiva de estudo da língua. os participantes. as condições da comunicação. (PARVEAU E SARFATI. é o de Jakobson. e sobretudo a consideração das funções fática. [. Após esse breve comentário.  12 Teorias Linguisticas 11 . você pode retomar o que leu sobre Jakobson na sétima unidade do curso de Teorias Linguísticas I. metalinguística e poética.. 121) Percebe-se na citação que o estudo da estrutura linguística está subordinado ao estudo das funções que acompanham o ato comunicativo. a par da sua estrutura: O estudo da forma significa o estudo da estrutura interna da língua. ou seja. porque teve importância fundamental na adoção de novos paradigmas para o estudo da língua. ampliar seus pressupostos. de seus elementos. importam as necessidades. representaram uma ampliação do foco de estudo da linguística que se restringia apenas ao estudo da forma1. você deve estar lembrado de alguns nomes que citamos anteriormente e que foram importantes para a linguística renovar seus conceitos. p. Um nome que não pode ser esquecido.indd 12 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:16 .Refazendo percursos Para chegarmos à linguística textual. Registre suas conclusões na atividade 3 a seguir. 2006.aula 1. tem-se um estudo de caráter funcionalista.] É de acordo com essas funções e com esses modos que se transformam a estrutura fônica e a gramatical.

indd 13 I SEAD/UEPB dica. Nesse caso. para o que é fundamental em sua teoria. 83). Antes da enunciação. O autor não concebia o homem separado da língua. que começa a vislumbrar possibilidades de estudo da língua para além das formas linguísticas. exterior à vida social. Atividade I Um outro autor que é necessário ser retomado é Benveniste. pedimos que você rememore pontos importantes de sua teoria e registre na atividade a seguir. não poderíamos deixar de fora Bakhtin. Portanto.aula 1. Bakhtin vê na interação o lugar privilegiado para o estudo da língua. o estudo da língua extrapola em muito o estudo das formas isoladas. Assim. Em relação a Benveniste. que caracteriza uma compreensão dos processos linguísticos como tarefa prioritária da linguística. no uso Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Veja como ele pensava essa relação: “O ato individual pelo qual se utiliza a língua introduz em primeiro lugar o locutor como parâmetro nas condições necessárias da enunciação. a aula 9. Veremos que esses pontos terão importância fundamental para a linguística textual. Benveniste concebeu uma linguística em que o sujeito e as condições específicas de produção dos enunciados não podiam estar de fora. Por isso. Dedicamos toda uma aula no curso de Teorias Linguísticas I ao autor. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  13 10/04/2012 23:20:17 . A língua passava então a ser considerada como um forma de atividade entre os participantes de um ato comunicativo. a língua não é senão possibilidade da língua” (BENVENISTE. 1989. você deve estar lembrado. porque é na enunciação. p. Atividade II Em nossa proposta de retomada de autores determinantes para uma mudança de perspectiva na linguística. a língua não pode ser vista como sistema de formas fixas. Esses elementos de fato representaram contribuições significativas para renovar a perspectiva da linguística. vamos chamar sua atenção no momento.

E esse é um processo ininterrupto. realizada através da enunciação ou das enunciações.aula 1. fizeram em comum. passando agora à definição desse campo de estudo. abria-se caminho para outras considerações no estudo da língua.que fazem dela os falantes reais quando estão interagindo. dica. Agora é sua vez: reflita sobre o que dissemos acima e retome a aula em que falamos de Bakhtin. 15). Essa é uma concepção social da língua que vai além do social de Saussure. 123). p. como propunha Saussure. nem pelo ato psicofisiológico de sua produção. Agora responda a pergunta da atividade 3 a seguir: Atividade III Em que aspecto a teoria de Bakhtin o faz ser citado como um precursor da linguística discursiva? O que os autores comentados acima. foi o fato de apontarem para outras possibilidades de análise do objeto da linguística para além do fechamento em sua estrutura. 2002. o da “correnteza verbal”. englobando as produções escritas”. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Seguindo esse percurso. Yaguello (2002. Para Bakhtin. Diz o autor: “A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas nem pela enunciação monológica isolada. daremos então continuidade a nossa aula. resume essa idéia: “Toda enunciação.indd 14 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:17 . observando-a em funcionamento. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua” (BAKHTIN. mas pelo fenômeno social da interação verbal. porque aqui o social é constitutivo. E chegou-se também à linguística textual.  14 Teorias Linguisticas 11 . que ela se realiza. que põe toda enunciação em contato com as demais que já foram produzidas e mesmo com as que ainda estão por vir. no sentido amplo do termo. E assim. fazendo parte de um processo de comunicação ininterrupto. a língua só existe dentro dessa dimensão. como processo. e outros que não citamos aqui. é um elemento do diálogo. Esse é o processo dialógico da língua. de inscrição de sentidos. Havendo situado historicamente seu aparecimento. que não permite serem os enunciados tomados isoladamente. das intenções dos seus produtores. o que faremos a partir da resposta dada à pergunta a seguir. p. chegou-se então ao texto como lugar de observação da língua. na introdução que faz para a tradução do livro Marxismo e filosofia da linguagem.

Então. como expressão do meio social. Já aqui podemos antecipar importantes concepções teóricas que vão marcar uma linguística de caráter discursiva. com uma finalidade. tomado como seu objeto de investigação.indd 15 I SEAD/UEPB  15 10/04/2012 23:20:17 . nesse momento em que interlocutores estão estabelecendo uma relação e para isso estão fazendo uso da língua. pare um momento e volte até nossa quarta aula do curso de Teorias Linguísticas I. Em segundo lugar. como sabemos. Mas voltemos ao texto. Está vendo como os pilares da linguística estrutural continuam firmes? Nenhuma teoria bem fundamentada se perde com o tempo. p.aula 1. quando eles aparecerem em nossas aulas. como a linguística textual. numa determinada sincronia”. como uma atividade. Mas não continue sem saber do que estamos falando porque vamos nomear assim esses elementos. não há como não considerar que o texto para se concretizar depende de alguém. fonológicos. 124) sobre a língua. morfológicos da língua. Ele é considerado o lugar específico para a manifestação da linguagem. Você pode verificar em que sentido ocorreram essas contribuições. a linguística textual tratará tanto de textos falados quanto de textos escritos. retoTeoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Nesse caso. estamos percebendo que a unidade de análise para essa linguística não se restringe aos elementos fonéticos. ao ser perguntada acerca da relação entre língua. produzidos com uma finalidade específica. Vamos pensar um pouco sobre isso. situado numa determinada situação de comunicação. de uma comunidade. Por que esses elementos são importantes? Porque eles nos fazem pensar na interação. lugar de interação entre os membros de uma sociedade e nesse lugar de interação é que se constituem as formas linguísticas e todas as maneiras de falar que existem numa determinada época. dirigindo-se para um outro alguém. Primeiramente. o uso da língua pode ser realizado de forma falada ou escrita. Ao ler esta definição você percebe nela uma orientação teórica convergente com o que se observa na sociolinguística? Isso acontece porque a linguística textual absorveu contribuições dessa disciplina. Veja o que diz Koch (apud XAVIER e CORTEZ.O que é linguística textual? A linguística textual é um ramo dos estudos linguísticos que. como o próprio nome indica. E como sabemos. E textos. 2003. linguagem e sociedade: “A língua se configura através das práticas sociais de uma sociedade. a língua é tomada aqui como uma forma de ação. Essa é a concepção que permeia os estudos linguísticos de orientação discursiva. pensando no que foi dito sobre o texto ser produzido por alguém. está teoricamente centrado no texto. são objetos reais. a língua se configura dentro do meio social. Portanto. Se você não está lembrado do que significam esses conceitos. de um sujeito (Será que podemos pensar em Benveniste neste momento?).

1989.  16 Teorias Linguisticas 11 . relembrar como o fundador da linguística propôs essa diferença. no comentário a seguir. Se for do seu interesse.indd 16 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:17 .aula 1. Recorremos mais uma vez a Ingedore Koch que. 14). que se esclareça também a noção do que se está discutindo. Saussure mesmo já esboçara uma diferença entre língua e linguagem. O texto é muito mais que a simples soma das frases (e palavras) que o compõem: a diferença entre frase e texto não é meramente de ordem quantitativa. de qualquer conjunto de signos” (KOCH. como não poderia deixar de ser. quando se fala em texto. Mas geralmente. Atividade IV Releia a definição de língua acima. em se tratando de uma linguística de texto. 2003. e recupere na última aula sobre outras perspectivas para o estudo da língua. O conceito de linguagem. como objeto particular de investigação não mais a palavra ou a frase isolada. quando se fala em linguagem. pois. mas o texto. apud XAVIER e CORTEZ. sobre os pressupostos teóricos de Saussure. 124).mando a parte da décima aula do curso de teorias linguísticas I que trata da sociolinguística. embora eles possam ser usados indiferentemente. de ordem qualitativa” (KOCH. é importante que se conheça a diferença de conceitos que existe entre estes dois termos. p. Esclarecida a noção de língua com que trabalha a linguística textual. visto que o homem se comunica por meio de textos e que existem diversos fenômenos linguísticos que só podem ser explicados no interior do texto. é necessário. está se pensando na “capacidade do ser humano de se expressar através de um conjunto de signos. Você poderá encontrar esse uso em algum texto que venha a ler. portanto. Esta é nossa proposta para a atividade a seguir. é sim. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Já que a pergunta feita à autora inclui também a noção de linguagem. dica. considerado a unidade básica de manifestação da linguagem. você pode mais uma vez voltar um pouco atrás e na aula três. do curso anterior. aspectos em que se pode perceber a aproximação entre a linguística e a sociolinguística. p. tem uma ampliação maior do que a de língua. nos traz uma definição simples e bastante esclarecedora do que é considerado texto na perspectiva da linguística textual: “A Linguística Textual toma.

é sim. você percebe que há um novo direcionamento no recorte do objeto a ser estudado. se contextualizada. Se por trás do texto não há uma língua. se correspondendo a uma situação de comunicação. Certamente você leu a apresentação desta aula e deve estar fazendo a relação do que foi dito lá com o que acabamos de enunciar aqui sobre o estudo da língua a partir do texto. Sobre esses critérios vamos falar nas próximas unidades. trinta ou mais linhas. e isso por uma razão muito clara nesse estágio dos estudos da língua: o homem se comunica por meio de textos. Texto não é sinônimo de vinte. mas o texto. Assim. Uma outra consideração muito importante que segue essa última afirmação de Koch. Veja por exemplo o que ele já havia enunciado na década de 20: “Cada texto pressupõe um sistema compreensível para todos (convencional. Finalizando. é a de que existem diversos fenômenos linguísticos que só podem ser explicados no interior do texto. 2000. p. No momento. do seu uso efetivo no texto. percebe-se claramente o rompimento com a linguística da frase. já não se trata de um texto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . É assim que vemos as teorias funcionando para dar embasamento a uma prática.O que podemos apreender a partir dessa citação? Primeiramente.. O que isso significa? Que o estudo da língua. Nesse ponto. encontra-se o sistema da língua” (BAKHTIN. Parece óbvio. foram estabelecidos alguns critérios de textualidade. não é? Mas só agora é que a ideia é posta de forma tão transparente na linguística. visto que muitos dos seus pressupostos se harmonizam perfeitamente bem com os pressupostos da linguística textual. vamos tomar o último enunciado: a diferença entre frase e texto não é meramente de ordem quantitativa. dentro de uma dada coletividade) – uma língua (ainda que seja a língua da arte). mas de um fenômeno natural (não pertencente à esfera do signo). A autora diz: não mais a palavra ou a frase isolada. retomamos Bakhtin.aula 1. por trás de todo texto. Essa é uma questão interessante porque remete para a noção de texto. só encontram respaldo se são realizados a partir de seu aparecimento. O que é preciso para que se diga que uma sequência de palavras faladas ou escritas seja um texto? Para responder essa pergunta dentro da perspectiva da linguística textual. Portanto.indd 17 I SEAD/UEPB  17 10/04/2012 23:20:17 . cumprindo uma função comunicativa. analisamos os termos quantitativo e qualitativo. tanto para uma simples pergunta como Que horas são? quanto para um tratado filosófico de cem páginas sobre o sentido da existência humana. Isso vale dessa forma. Na perspectiva que estamos estudando. que pode ser citado como uma referência para a abordagem do texto pela linguística.. é considerada texto. Esperamos que você consiga realizar esta ponte quando estiver atuando como professor de língua portuguesa. 331). o estudo dos aspectos gramaticais envolvidos no seu uso. uma simples palavra. de ordem qualitativa.

gostaríamos de reportar uma definição de linguística textual de Marcuschi (1983. dos níveis de sentido e intenções que realizam a coerência no aspecto semântico e funções pragmáticas”. não linear portanto. O nível pragmático se refere ao nível do uso da língua. Daremos a seguir uma definição de texto e esperamos que você justifique por que essa definição está vinculada à perspectiva discursiva da linguística textual. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Agora é a sua vez. a Linguística Textual trata o texto como um ato de comunicação unificado num complexo universo de ações humanas. 2  18 Teorias Linguisticas 11 . São fatores pragmáticos “os fatores que regem nossas escolhas linguísticas na interação social e os efeitos de nossas escolhas sobre as outras pessoas” (WEDWOOD. p. deve considerar a organização reticulada ou tentacular. independentemente da sua extensão” (KOCH e TRAVAGLIA. Em suma. a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições e implicações a nível pragmático2 da produção do sentido no plano das ações e intenções. como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida. 12-13). 1989. 2002. p. construção. Por um lado deve preservar a organização linear que é o tratamento estritamente linguístico abordado no aspecto da coesão e. leitor).aula 1. Encerrando por aqui esta unidade. em uma situação de interação comunicativa específica. mesmo que provisória e genericamente. “O texto será entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição). 144). Atividade V dica. p. escritor/ ouvinte. Leia a seguir o que ele diz: “Proponho que se veja a Linguística do Texto.indd 18 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:18 . Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos. 8-9). que é tomada pelos usuários da língua (falante. funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. porque com ela o autor resume bem os propósitos da linguística de texto. como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção. por outro.

os textos de Koch são de leitura obrigatória para quem quer conhecer a linguística textual. Você terá assim oportunidade de conhecer os procedimentos teóricos e metodológicos empregados numa análise da língua centrada nos pressupostos da linguística textual. exemplos ilustrativos. na página 11: “A natureza didática do livro é evidente. a leitura do capítulo sobre as linguísticas discursivas. 2006. Vamos apresentar este livro transcrevendo um trecho de seu prefácio. análise de gêneros e compreensão. Ingedore Villaça. especialmente. Percebe-se ainda uma progressão de dificuldade das atividades propostas. porque você ficará conhecendo as fontes em que beberam os pesquisadores da linguística textual no Brasil. 7. Produção textual. De início. Citamos aqui esta introdução. Leituras recomendadas KOCH. glossários. mostrando as filiações teóricas de cada corrente linguística. indicações de obras de consulta para o aprofundamento dos temas tratados e uma série de quadros e tabelas que buscam sistematizar as teorias abordadas. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Neste livro os autores fazem uma apresentação da progressão histórica da linguística no século XIX. MARCUSCHI. especialmente. para que você amplie sua compreensão sobre o assunto estudado. São Paulo. a partir mesmo do prefácio. ficamos sabendo das concepções em que se assentaram as bases da linguística no século XX. podem ser lidos com esse fim. os assuntos que serão tratados nas próximas aulas deste curso. Recomendamos para esta aula. Parábola Editorial. A coesão textual. pela presença de atividades. mas qualquer um de seus livros que estão citados nas referências a seguir. ed. São Paulo: Contexto. De leitura fácil e bastante didática. PAVEAU.aula 1. partindo-se de indagações mais pontuais até pesquisas de campo realizadas pelos alunos e socializadas em pôsteres”.indd 19 I SEAD/UEPB  19 10/04/2012 23:20:18 . Portanto. Por tudo isso vale a pena estudar com esse livro. 2008. Luiz Antônio. Com certeza muita leitura e análise esperam por você. encha-se de disposição para aprender. 1997. Assim.Serão justamente os temas de que fala o autor na citação. já indicamos as obras a seguir. Marie-Anne & SARFATI. fazendo uso de muita exemplificação. Georges-Élia. São Carlos: Claraluz. As grandes teorias da linguística. Da gramática comparada à pragmática.

apresenta elementos ou não. Autovaliação Tendo como base a noção de texto apresentada nesta aula. Sua proposta teórica se baseia especialmente na tomada do texto como objeto de investigação.aula 1. rumo a uma interdisciplinaridade cada vez mais crescente. de uma produção textual requisitada em um vestibular. o funcionamento da língua. especialmente na década de 60.”  20 Teorias Linguisticas 11 .indd 20 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:18 .Resumo O surgimento da linguística textual está atrelado ao movimento de ampliação das fronteiras da linguística. como ela está sendo atualizada pelos falantes. Marina Silva. Redija a carta de demissão da ex-ministra ao presidente Lula. Portanto. apresentando a situação e justificando o pedido. A linguística textual estuda assim. que justifiquem tal noção. Utilize um mínimo de 20 e um máximo de 25 linhas para elaboração de seu texto. a língua enquanto processo. e considerando que sobre ela deve estar centrada a aula de língua portuguesa. a partir do qual sentidos são construídos. já que é ele a unidade básica de comunicação. indique se a proposta abaixo. PROPOSTA DE VESTIBULAR: “Imagine que você é a ex-ministra do Meio Ambiente.

leitor). escritor/ ouvinte.” e Marcuschi (1989. o autor considera o texto “como um ato de comunicação unificado no complexo universo de ações humanas”. 8-9): “O texto será entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição). Lembre-se de que Marcuschi fala nessa mesma passagem. que é tomada pelos usuários da língua (falante.aula 1. mesmo que provisória e genericamente. (1989. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .indd 21 I SEAD/UEPB  21 10/04/2012 23:20:18 . que no texto estão implicadas “pressuposições [. dica.. 12-13): “Proponho que se veja a Linguística do Texto.Para ajudá-lo na elaboração de seu comentário. construção. em uma situação de interação comunicativa específica. como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida. p. releia o que dizem Koch e Travaglia.] a nível pragmático da produção do sentido no plano das ações e intenções”. independentemente da sua extensão. p. como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção. Dessa forma.. funcionamento e recepção de textos escritos ou orais”.

(Trad. Marie-Anne & SARFATI. BAKHTIN. BENVENISTE. de Mª. A Linguística de Texto: o que é e como se faz. 1983. Conversas com linguistas: Virtudes e controvérsias da linguística. O texto e a construção dos sentidos. Pereira). 2008. 2004. São Paulo: Parábola. 1979. E. Vieira). Ingedore Villaça. Luiz Antônio. 2. Ingedore Villaça. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. Ed. 1989. M. 1997. Luiz Antônio. XAVIER. M. Universidade Federal de Pernambuco. Luiz Carlos. As grandes teorias da linguística. ed. de M. História concisa da linguística. 2002. Parábola Editorial. MARCUSCHI. Tradução de Marcos Bagno. TRAVAGLIA. Recife.).Referências BAKHTIN. ed. A coesão textual. Suzana (orgs. KOCH. Da gramática comparada à pragmática. PAVEAU. (Trad. Marxismo e filosofia da linguagem. WEEDWOOD. 1929. 1989 (1902-1976).  22 Teorias Linguisticas 11 . São Paulo: Contexto. Ingedore Villaça. São Paulo. Barbara. São Paulo: Contexto. KOCH. São Paulo: Contexto. 2000. Lahud e Y. Problemas de Linguística Geral II. São Carlos: Claraluz. 2006. Produção textual. 8. SP: Pontes. MARCUSCHI. São Paulo: Parábola Editorial. Estética da Criação Verbal. KOCH. A coerência textual. Campinas. 2003. KOCH. análise de gêneros e compreensão. 2003. 1997. E.indd 22 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:18 . Ingedore Villaça. São Paulo: Martins Fontes. (Voloshinov). Georges-Élia. São Paulo: Hucitec. São Paulo: Martins Fontes.aula 1. 7. Antônio Carlos e CORTEZ.

aula 1.indd 23 10/04/2012 23:20:19 .II UNIDADE A coesão textual Teorias Linguisticas 11 .

você já sabe do que se trata um estudo da língua que seja realizado segundo a perspectiva da linguística textual. A partir desta aula você terá certamente uma maior preocupação com sua própria produção textual. só temos a lhe desejar um excelente proveito de seus estudos. Trata-se do estudo dos elementos de coesão textual.Apresentação Com a unidade anterior você tomou conhecimento dos pressupostos fundamentais da corrente linguística que toma o texto como sua unidade básica de estudo. tivemos a preocupação de tornar suficientemente clara a noção do que se entende por texto.indd 24 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:19 . quando se trata de tomá-lo como objeto de investigação segundo essa perspectiva teórica. Pois bem.aula 1. citado na aula anterior. p. Tendo em vista tais considerações. seja ela falada ou escrita. Porque é justamente o aspecto da produção textual que estaremos enfocando nesta unidade. Inclusive. designou como fazendo parte da organização linear que é o tratamento estritamente linguístico abordado no aspecto da coesão”. E o mais importante: estaremos mostrando qual a função que esses elementos exercem nas sequencias textuais em que estão inseridos. Trata-se do que Marcuschi (1983. 12-13). a partir desta segunda unidade estaremos especificamente tratando de apresentar os mecanismos que estão disponíveis na língua para se produzir textos que sejam compreensíveis aos usuários dessa língua. Assim. a partir dos objetivos que estabelecemos a seguir:  24 Teorias Linguisticas 11 . de modo a contribuírem para construírem textos reconhecidos como bem formados pelos usuários da língua.

Objetivos Ao final desta unidade. • Avaliar um texto bem formado. • Reconhecer os elementos que estão estabelecendo a coesão do texto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . esperamos que você seja capaz de: • Explicitar uma concepção de texto partindo da identificação dos elementos de coesão. do ponto de vista da coesão.aula 1.indd 25 I SEAD/UEPB  25 10/04/2012 23:20:19 .

entre os elementos linguísticos do texto. Um pressupõe o outro. respondendo a atividade a seguir:  26 Teorias Linguisticas 11 . É evidente. relações de sentido”. que nesta aula será dispensada atenção prioritária ao estudo desses processos. o texto. ‘isto é. no sentido de que não pode ser efetivamente decodificado a não ser por recurso ao outro”. p. Mas antes que comecemos nosso trabalho de análise de textos para explicitar como operam os mecanismos responsáveis pelo estabelecimento da coesão textual.aula 1. “Para Beaugrande & Dressler (1981). É nesse sentido que transcrevemos abaixo as definições presentes em Koch (2001. são fatores de coesão. ‘afirmando que não se trata de princípios meramente sintáticos. 17. Isso quer dizer que é esse o aspecto fundamental para se definir a coesão. com a finalidade de se obter um produto. diz que: “a coesão ocorre quando a interpretação de algum elemento no discurso é dependente da de outro. de Halliday & Hasan. Uma primeira definição. estabelecidas por teóricos da linguística textual. mas de’ uma espécie de semântica da sintaxe textual. Vamos deixar para você a tarefa de explicitar qual é esse aspecto. por meio de dependências de ordem gramatical”. dotado de sentido. é necessário conhecermos as definições do termo.indd 26 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:19 . as palavras e frases que compõem um texto – encontram-se conectadas entre si numa sequência linear. dos mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer. Você leu as definições acima e certamente percebeu que há um aspecto caracterizador da coesão que é realçado nas três definições. portanto. a coesão concerne ao modo como os componentes da superfície textual – isto é. 18).Da definição de coesão A investigação sobre a coesão no campo da linguística textual é feita com vistas a se investigar os aspectos que dizem respeito aos processos que são empregados no ato de produção textual. aqueles que: “dão conta da estruturação da sequência superficial do texto. Para Marcuschi.

Através dessa relação.aula 1. Isso porque nessa resposta está o cerne do que se entende por coesão. vamos tomar como ponto de partida a noção de coesão como sendo a forma como os elementos linguísticos da superfície textual se relacionam entre si. Analisando a coesão de um texto escrito Nesse momento. vamos analisar como a coesão se processa em um texto real. numa sequência. qual a que abarca uma definição mais completa de coesão? Por quê? Responda a atividade com bastante atenção. Por isso. e assim facilmente poderemos perceber como acontece o encadeamento dos sintagmas. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . são sinalizados os percursos que o leitor/ouvinte deve percorrer para construir o sentido do texto.Atividade I Releia as três definições apresentadas acima. é certo que a coesão interfere também no nível semântico do texto.indd 27 I SEAD/UEPB  27 10/04/2012 23:20:20 . Responda ainda: das três definições. dos parágrafos. o tema que estaremos desenvolvendo aqui. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Passemos agora a uma segunda etapa de nosso percurso em direção ao conhecimento da coesão textual: sua efetivação no texto. a exemplo dos que circulam nos diversos suportes textuais em nossa sociedade. para vermos como de fato ela funciona nos textos. constituindo o processo coesivo. Mas vamos parar de falar sobre a coesão. e identifique o traço comum apresentado pelos três autores. Vamos tomar um texto simples. que definem resumidamente o que é conceituado como coesão. das frases. Para isso. dica. das partes do texto. porque sua resposta será constantemente retomada na sequência desta unidade.

bactérias.indd 28 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:20 . ficamos sabendo quem são os moradores incríveis porque eles estão anunciados justamente após o termo moradores incríveis. Por isso.  28 Teorias Linguisticas 11 . as três partes do texto. Nessa turma estão algas. seres minúsculos e essenciais para a vida na Terra. fungos. Veja bem. separados pelo sinal de pontuação. nº 504. Além disso. Esse já é um fator de coesão. Os dois servem de comida para vários animais. Vamos ver como isso acontece: Primeiramente. lagos e mares tem moradores incríveis: o plâncton. Existem dois tipos de plâncton. o plâncton vegetal faz a fotossíntese e fornece grande parte do oxigênio que existe no planeta.aula 1. moradores incríveis.TEXTO 1 PODER INVISÍVEL Noêmia Lopes A gente não vê. o vegetal e o animal. lagos e mares tem moradores incríveis: o plâncton. por isso são importantes no equilíbrio da cadeia alimentar. Para ficar bem claro por que esses seres são incríveis. (RECREIO. A gente não vê. só essa ordem em que os termos estão dispostos. já é indicativo de que o segundo termo. um imediatamente após o outro. 5/11/2009) Vamos começar a destrinchar esse texto por uma pergunta clássica das aulas de leitura: do que fala do texto? Claro que você consegue responder essa pergunta facilmente. eles ficam flutuando na água. Veja que o modo como os sintagmas. Alguns não tem membros para locomoção e outros são pequenos demais para nadar. moluscos e outras criaturas microscópicas. E um dos motivos para isso é que o texto está muito bem tramado do ponto de vista de sua coesão textual. mas a água de rios. deve ser tomado como referente ao primeiro. o plâncton. Ano10. mas a água de rios. a adjetivação não deixa dúvida: eles são minúsculos e essenciais para a vida na Terra. os dois pontos. as frases. crustáceos. estão encadeados de forma a não oferecem qualquer dúvida quanto aos elementos a que estão sendo feitas as referências no texto. seres minúsculos e essenciais para a vida na Terra.

assim estará exercitando sua capacidade interpretativa. É interessante até que faça o registro do que observou. o leitor faz uma remissão para o parágrafo anterior. se ele segue as pistas linguístico-gramaticais que o autor maneja para construir seu texto. encontramos o termo outros. Mais uma vez. Imediatamente. deparamo-nos como o termo alguns. o texto Poder Invisível.indd 29 I SEAD/UEPB  29 10/04/2012 23:20:20 . Os dois servem de comida para vários animais. Por que é importante estudar a coesão quando se ensina língua? E então. não há como o leitor perder o fio do texto. moluscos e outras criaturas microscópicas. Mas por ora vamos fazer uma pausa para discutir um aspecto importante da coesão. E eles? Você está vendo.aula 1. E continua: Existem dois tipos de plâncton. mas isso não quer dizer que esgotamos todas as possibilidades de verificação dos seus elementos coesivos. bactérias. no sentido de se alcançar. Logo à frente. é simples verificar como se processa a coesão num texto? Temos que admitir que para nós. A gente não vê. Veja só como isso fica evidente se destacamos esses elementos no texto. através da mesma palavra: plâncton. Você até pode ter se dado conta de algum aspecto que não citamos em nossa análise. fungos. eles ficam flutuando na água. que é onde se encontra o termo referido por nessa turma. lagos e mares tem moradores incríveis: seres minúsculos e o plâncton essenciais para a vida na Terra Nessa turma estão algas. O que vai acontecer é que dependendo Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . A quem se refere os dois? Quem são importantes? Se existem dois tipos de plâncton. mas a água de rios. Não há como “esquecer” qual era o tema tratado no texto. de fato.O segundo parágrafo se inicia através do sintagma nessa turma. Continuando a leitura. Por isso. no item a seguir. crustáceos. Chegamos ao final do texto. a coesão continua sendo garantida. leitores proficientes da língua. como produto. é de fácil compreensão. porque ele foi retomado agora no terceiro parágrafo. o texto de qualidade coesiva. sabemos perfeitamente quem são esses outros no texto. Já foi feita aqui a ligação entre os dois primeiros parágrafos do texto. Mas o que importa é que a construção do texto por meio do manuseio dos elementos linguísticos segue a mesma lógica. Dá para recuperar a quem ele se refere? Se sim. o plâncton vegetal é um deles. Alguns não tem membros para locomoção e outros são pequenos demais para nadar.

Portanto. mesmo em se tratando de sua estrutura formal. diferentes recursos coesivos vão ser ativados por seu produtor. como elementos que promovem sua coesão. Reflita sobre qual das duas perspectivas. o importante não é centrar-se sobre uma nomenclatura ou sobre uma categorização do certo e do errado do ponto de vista gramatical. fazemos um uso mais ampo dos recursos coesivos que a língua nos oferece. Esse é um aspecto interessante do ponto de vista do ensino da língua. a da gramática tradicional ou a da linguístca textual. Isso é válido também para os textos orais que produzimos diariamente em nossa vida cotidiana. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  30 Teorias Linguisticas 11 .indd 30 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:20 . quanto mais avançamos no nosso conhecimento de língua e de textos. não adianta construir uma forma para analisar todos os textos com que nos deparamos. pudemos verificar a importância desses elementos quando estão funcionando de fato num texto. é mais eficaz para o ensino de produção textual. No entanto. Você deverá levar suas reflexões para o fórum de debates e assim compartilhá-las com seus colegas. porque. dica. mas sobre o que funciona bem para que meu texto adquira sentido e seja compreendido por quem o lê ou por quem o escuta.do gênero do texto. porque não há um texto que repita outro. temos uma proposta de atividade a seguir. você deve ter percebido que estudamos elementos linguísticos que normalmente são visualizados somente a partir da perspectiva da gramática tradicional. Atividade II Retome alguns dos elementos linguísticos que destacamos durante a análise do texto PODER INVISÍVEL e pesquise numa gramática tradicional o modo como esses elementos são analisados ali. E claro. além disso. É importante salientar ainda que esses recursos são inesgotáveis e que em cada texto são empregados diferentes recursos coesivos. Após essas considerações do ponto de vista do ensino da língua.aula 1. Portanto.

. descanso. Os dois pontos indica que ele se alongou na pronúncia da vogal. um momento de:.. que..:39-47) Ressaltamos no trecho que o falante reformula o enunciado um lazer realmente magnífico. pati particularmente. sabemos por exemplo. como os elementos de coesão são acionados pelo falante. são também construídos com vistas a serem compreendidos.. independentemente da sua extensão” (KOCH e TRAVAGLIA. Depreende-se dessa definição.. Assim ele precisa o sentido do que quis dizer.. possui uma granja na cidade de Carpina.... p. que o sindicato. leitor).. E os textos orais.. leva de associados. e que proporciona.... que a linguistica textual trabalha tanto com textos escritos quanto com textos orais. Somente para exemplificar. também nesses estão presentes elementos de coesão textual. mostramos no trecho de fala a seguir1. em uma situação de interação comunicativa específica. descanso.. são utilizados para indicar pausas feitas pelo falante. (DID.. escritor/ ouvinte.. dos comerciários para falar de um assunto que nos toca.indd 31 I SEAD/UEPB  31 10/04/2012 23:20:20 .. que vão.. dentro de suas especificidades.. e chama a atenção do Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . até lá em busca de paz de sossego e de tranquilidade. Portanto. àquela imensa. um momento de: felicidade podemos dizer assim.. que é tomada pelos usuários da língua (falante.131 – NURC/REC.. de modo a que o resultado da fala seja um texto dotado de sentido. porque para tratar da oralidade seria necessário um curso todo dedicado a isso..... a todos aqueles...... felicidade.. Os três pontos que aparecem nesse texto transcrito a partir de um texto falado. sabemos também.. 1989. 8-9). 1 TEXTO 2 .A coesão no texto falado Para desenvolvermos esse item vamos retomar o conceito de texto que reportamos na unidade anterior: “O texto será entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição). como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida.. um lazer realmente magnífico.aula 1.... através de um outro enunciado em forma de paráfrases: um momento de:... um momento de:....

é claro. mãos à “caneta”. feita através da repetição da sequência: sabemos também que. ou seja. que resume todo o enunciado anterior. prosseguimos nossa aula discutindo a respeito das propriedades da coesão.indd 32 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:20 . tem-se o que podemos reconhecer. Mas como não vamos nos centrar no estudo dessa modalidade de língua. Isso inclui os textos falados que são tão presentes em nossa vida cotidiana e que merecem também ser investigados em seu processo de produção. operando no nível superficial. as construções de sentido para o texto. favorece.  32 Teorias Linguisticas 11 . E para finalizar. na qualidade de falantes da língua. De forma que no final tem-se um todo coeso e dotado de sentido. Atividade III Retome agora a resposta dada para a atividade 1. Lembra-se de termos pedido que você respondesse a atividade 1 com bastante atenção? Pois bem. Destaca-se também no trecho a presença do conector e.seu ouvinte. E isso através. a retomada do início do texto. Este exemplo é elucidativo para demonstrarmos que a coesão faz parte de toda e qualquer produção textual. do termo assim. É hora de fazermos o feedback. chegou o momento de voltarmos à resposta que você deu naquele momento. ou semântico? A afirmação de que a coesão proporciona unidade temática ao texto reflete a ideia de que ela. Então.aula 1. A coesão é um processo sintático. de mais uma atividade. como sendo um texto. no item a seguir. Avalie se a definição escolhida por você é condizente com o que dissemos acima sobre a coesão ser um processo sintático ou semântico. que se diz fazerem parte de sua superfície profunda. Você mesmo pode responder agora: A coesão é um processo sintático ou semântico? Não vale responder sem explicar o porquê. a partir daí.

• Os dois servem de comida para vários animais. Assim.aula 1. o plâncton vegetal faz a fotossíntese e fornece grande parte do oxigênio que existe no planeta. por exemplo. a partir do título mesmo.Continuando. moluscos e outras criaturas microscópicas. o autor do texto garantiu a manutenção do tema ao longo dos parágrafos. O simples conectivo e garante a ligação entre algas. por isso são importantes no equilíbrio da cadeia alimentar. entre Alguns e outros.. Além disso. citadas no texto. crustáceos. como bons conhecedores da língua. podemos perceber claramente que é a partir das relações que se fazem no nível micro. é possível. Assim.que retomam termos citados anteriormente. vão se fazendo também as ligações no nível conceitual. estabelecemos como sujeito do verbo estão. no segundo parágrafo do texto. lagos e mares tem moradores incríveis. que enfatizam determinado tipo de relação que se estabelece entre as orações. estabeleceu os elos de ligação entre eles. Para que a compreensão do texto fosse assegurada. O reconhecimento da unidade temática do texto. fazer sua ligação com o que está nele expresso.. eles ficam flutuando na água. Tudo isso é feito de modo que. E por que não fazemos com o termo que vem antes. nas relações gramaticais mesmo. temos outros conectores. Se continuamos. fungos. • Alguns não tem membros para locomoção e outros são pequenos demais para nadar. desenvolve-o. como por exemplo entre os sujeitos e as formas verbais. mas também reintroduzindo o tema que vinha sendo exposto. no texto PODER INVISÍVEL. são dignas de super heróis. Por isso. E será que a palavra “microscópicos” tem a ver com invisibilidade? A primeira frase do texto já nos dá pista disso: A gente não vê. ao chegar ao final do texto. como vimos para o texto acima. o leitor pode ter formulado uma interpretação para ele. Para isso. ao ir fazendo as ligações na superfície do texto. através do sintagma Nessa turma (segundo parágrafo) e da oração Existem dois tipos de plâncton (terceiro parágrafo). crustáceos. amplia-o. que vão sendo estabelecidas as relações nos níveis superiores. o que é a ordem mais comum em nossa sintaxe? Uma pista: a terminação do verbo indica um sujeito plural. os termos que vem depois dele: algas. moluscos e outras criaturas microscópicas. Percebe-se então que Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . mas a água de rios. bactérias. bactérias. • A gente não vê. se processa porque.indd 33 I SEAD/UEPB  33 10/04/2012 23:20:20 . Vamos retomar o texto: Por que o uso da palavra poder? Porque de fato as ações desses seres microscópicos. Se passamos para o nível das orações. de que falamos anteriormente. fungos.

Mas isto não ocorre:  34 Teorias Linguisticas 11 . Exemplo significativo desse tipo de pensamento pode ser encontrado em Huntington. Wissler. portanto. através de textos coesos. em seu livro Civilization and Climate (1915). qual seja: “a de criar. Bodin e outros. Vivem. 2005. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico. estabelecer e sinalizar os laços que deixam os vários segmentos do texto ligados. Estas teorias. que encontrassem as mesmas respostas culturais para a sobrevivência em um ambiente hostil. em sua completude. O que expusemos até aqui reforça a ideia de que não falamos por palavras isoladas. finalmente. 47). Isso quer dizer: através de sequências que. os primeiro no norte da Europa e os segundos no norte da América. no qual formula uma relação entre a latitude e os centros de civilização. fragmentadas. que um texto está coeso é reconhecer que suas partes – como disse. pois. a função da coesão.indd 34 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:20 . como primeiro exemplo. mas estão ligadas. Ambos têm ao seu dispor flora e fauna semelhantes. mas através de textos. como vimos anteriormente. Kroeber. vamos a mais um texto. das palavras aos parágrafos – não estão soltas. Seria interessante verificar mais uma vez como isso acontece? Então. articulados. Era de se esperar. A partir de 1920. p. na medida em que cumpre assim. TEXTO 3 2. refutaram este tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais.o texto é. então. fazem sentido para quem as produz e para quem se dirigem. unidas entre si” (ANTUNES. ganharam uma grande popularidade. que foram desenvolvidas principalmente por geógrafos no final do século XIX e no início do século XX. Ambos habitam a calota polar norte.aula 1. os lapões e os esquimós. O determinismo geográfico O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. Reconhecer. considerando o clima como um fator importante na dinâmica do progresso. Tomemos. em ambientes geográficos muito semelhantes. do tipo das formuladas por Pollio. antropólogos como Boas. Ou seja. entre outros. Ibn Khaldun. encadeados. o resultado de um processo de múltiplos encadeamentos. caracterizados por um longo e rigoroso inverno. interligadas. São explicações existentes desde a Antiguidade.

Os esquimós constroem suas casas (iglus) cortando blocos de neve e amontoando-os num formato de colméia. os lapões são excelentes criadores de renas.. Em compensação.indd 35 I SEAD/UEPB  35 10/04/2012 23:20:21 . por sua vez. Merecem também atenção o uso do pronome outros. o esquimó abandona a casa tendo que carregar apenas os seus pertences e vai construir um novo retiro Os lapões. necessitam realizar um árduo trabalho que se inicia pelo desmonte. É possível. Quando deseja. Você deve ter prestado atenção também que Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Através dele o autor pode omitir uma lista talvez enorme de teóricos. o autor deixa claro que já havia tratado do assunto antes. O final do parágrafo. 1997. pela retirada do gelo que se acumulou sobre as peles. Cultura: um conceito Antropológico.. 21-22). pela secagem das mesmas e o seu transporte para o novo sítio. enquanto no exterior da casa a temperatura situa-se a muitos graus abaixo de zero grau centígrado. O primeiro parágrafo parte de uma retomada do título. já remete para uma outra parte do texto. A aparente pobreza glacial não impede que os esquimós tenham uma desenvolvida arte de esculturas em pedra-sabão e nem que resolvam os seus conflitos com uma sofisticada competição de canções entre os competidores. enquanto tradicionalmente os esquimós limitam-se à caça desses mamíferos. Um segundo exemplo. ed.aula 1. p. por sua vez. que obviamente não transcrevemos aqui. é a variação cultural observada entre os índios do sudoeste norte-americano: (. Por dentro a casa é forrada com pelos de animais e com o auxílio do fogo conseguem manter o seu interior suficientemente quente. anterior. Começando pelo começo. Com o enunciado: como vimos anteriormente.. Voltamos nossa atenção para o título do texto e percebemos que o mesmo já se inicia privilegiando o aspecto coesivo. vivem em tendas de peles de rena.) (LARAIA. Quando desejam mudar os seus acampamentos.. então. desvencilhar-se das pesadas roupas. Rio de Janeiro: Zahar Editor. 11. Roque de Barros. através da repetição: O determinismo geográfico. transcrito de Felix Keesing.

Mais um termo que se junta a as diferenças do ambiente físico. é retomado primeiro pelo termo explicações. verifica-se que a ligação com o primeiro está assegurada através do sintagma estas teorias. e assim você descobrirá variadas possibilidades de se fazer elos coesivos num texto. e consequente progressão do texto.aula 1. que lemos mais à frente. Dê continuidade à análise que vínhamos fazendo. não é uma tarefa fácil. Isso vale para nossos textos também. Essa é uma função da coesão. é porque ele está bem escrito do ponto de vista da coesão. E ainda. não perca a oportunidade. houve também a retomada do tema através de termos diferentes. de modo que a trama adquira determinada padronagem. Essa tarefa de tecer com palavras. e depois por do tipo das formuladas. Nas próximas aulas estudaremos em maior número possível. será uma oportunidade excelente para tomar conhecimento do que você não percebeu. como cada fio em particular funciona no texto. compartilhar o que você fez no fórum. A partir de 1920. Portanto.indd 36 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:21 . Bom trabalho! de anotações para responder as atividades! Com esta atividade encerramos nossa unidade. um bom livro? E se dizemos que o texto é bom. e do tipo das formuladas. com seus colegas. E ainda a esse tipo de pensamento. Claro que não será possível remarcar todas numa primeira vez. Passando para o segundo parágrafo. Nesse caso. de modo que a trama não apresente falhas. Nesse caso. proporcionando o encadeamento das sequências. quem não gosta de ler um bom texto. Atividade IV dica. explicações. e assim ter uma análise bem completa do texto.  36 Teorias Linguisticas 11 . que o livro é bom. É tarefa que exige cuidado e bastante atenção. ou melhor. deixamos para você a tarefa de dar continuidade à observação de como está sendo costurado o texto. mostrar o que você fez. Você pode indicar que termo é substituído pelo pronome no qual. vale a pena se esmerar. Portanto. Afinal. Mas vale a pena se tornar um bom tecelão. utilize o bloco Está lançada então a proposta. Esperamos que você tenha gostado de descobrir o texto como esse tapete em que se entrecruzam fios de variados tamanhos e cores. definitivamente. na quarta linha desse parágrafo? Uma dica: ele está no gênero masculino e no singular.o sintagma as diferenças do ambiente físico. Há muito mais a se observar quando olhamos esse objeto de perto. Este é um ótimo exercício para se aprender a produzir os próprios textos. a partir daqui. E veja que isso é só o começo.

de frases. 2005. de revistas e jornais da atualidade. Continuamos recomendando Koch. A coesão textual. Irandé Antunes é hoje uma das pesquisadoras que têm se ocupado da linguística textual. que ao estabelecerem relações entre as diversas partes do texto. dos elementos coesivos da superfície textual. vale a pena conhecer outras produções da autora como as citadas nas referências a seguir. Resumo A coesão é estudada no interior da teoria da linguística textual como uma propriedade do texto falado ou escrito. Portanto. ANTUNES. de parágrafos. a autora faz uso de muita exemplificação. São Paulo: Contexto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . por ser uma pioneira da linguística textual no Brasil. Além disso. Portanto. e tem sabido transmitir de forma muito simples e prazerosa a teoria que geralmente é apresentada de forma muito técnica. se apresente como uma unidade de sentido. Observa-se a coesão a partir da materialidade linguística do texto. 7. vão estabelecendo também as relações de sentido que tornam os textos compreensíveis para seus leitores e ouvintes. responsável pelos sucessivos encadeamentos de termos.aula 1. Com bastantes exemplos extraídos da literatura.Leituras recomendadas KOCH. pelas mesmas razões: de leitura fácil e bastante didática. sua leitura é imprescindível. São Paulo: Parábola Editorial.indd 37 I SEAD/UEPB  37 10/04/2012 23:20:21 . seus textos são de leitura obrigatória para quem quer conhecer a teoria. ed. Esta é uma das suas primeiras produções na área. Lutar com palavras: coesão e coerência. 1997. facilmente podemos descobrir os efeitos de sentido que decorrem do uso da linguagem. de modo que este texto como produto. Irandé. Ingedore Villaça.

utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  38 Teorias Linguisticas 11 . Não entra em jogo em jogo aqui seu conhecimento maior ou menor acerca dos temas tratados nos textos. você deve se ater aos elementos coesivos da língua. estarem endereçados a públicos diferentes. as discussões com o professor e os colegas.aula 1. Portanto. a proposta de autoavaliação que sugerimos deve ser realizada com bastante segurança. Compare os dois. de modo a ter segurança para realizar a atividade que sugerimos a seguir: Releia os textos PODER INVISÍVEL e O DETERMINISMO GEOGRÁFICO. na tentativa de compreendê-los. para responder a essa questão.Autovaliação Este é o momento em que você deverá avaliar se seu aprendizado se deu a contento. levando em consideração seu trabalho como leitor/leitora para seguir as pistas coesivas nos dois textos. dica. Agora responda: o fato desses dois textos serem de gêneros diferentes. Se você considera que suas leituras ainda não foram suficientes para realizá-la.indd 38 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:21 . faz com que haja maior dificuldade em reconhecer as pistas linguísticas neles presentes? Por quê? Lembre-se de que. é importante que você retome as leituras.

8. COSTA VAL. MARCUSCHI. São Paulo: Contexto. et. A coesão textual. A Linguística de Texto: o que é e como se faz. São Paulo: Contexto. alii.aula 1. São Paulo. Ingedore Villaça. KOCH. Ingedore Villaça. MARTELLOTA. 2004. 2008. Parábola Editorial. 1997. Luiz Antônio. KOCH.indd 39 I SEAD/UEPB  39 10/04/2012 23:20:21 . 1997. 2008. MARCUSCHI. ed. Ingedore Grunfeld Villaça. Redação e textualidade. ed.Referências ANTUNES. O texto e a construção dos sentidos.) Manual de Linguística. Irandé. análise de gêneros e compreensão. KOCH. São Paulo: Parábola Editorial. (orgs. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. KOCH. M. 1983. Maria da Graça. Luiz Carlos. A coerência textual. São Paulo: Contexto. 2005. Recife. Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Martins Fontes. 7. Ingedore Villaça. São Paulo: Contexto. Luiz Antônio. São Paulo: Martins Fontes. 1991. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Produção textual. 1989. TRAVAGLIA. Universidade Federal de Pernambuco.

 40 Teorias Linguisticas 11 .indd 40 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:21 .aula 1.

III UNIDADE Mecanismos de coesão textual: a Referenciação Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .indd 41 I SEAD/UEPB  41 10/04/2012 23:20:22 .aula 1.

indd 42 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:22 . centrando-nos no estudo dos mecanismos disponíveis na língua através dos quais são estabelecidas referências entre os constituintes do texto. reconhecer sua importância para a elaboração do texto. bem como já exercitou os conhecimentos que foram adquiridos sobre os recursos utilizados pelos produtores textuais na busca de uma construção de textos coesivos. Nossa proposta é fazer você perceber como funcionam esses mecanismos e.aula 1. nossa proposta é fazer um estudo mais específico da coesão. você travou conhecimento com a Linguística Textual. Para isso. como um objeto sobre o qual é preciso trabalhar. Desse modo. Esse caminho que você percorreu certamente já lhe proporcionou uma visão muito mais aguçada do produto textual. observando analiticamente o resultado de seu emprego nos textos. atentando para detalhes que podem fazer muita diferença no que o produtor do texto quer dizer. Com esse propósito. elaborando e reelaborando enunciados. Os primeiros passos na linguística textual sempre possibilitam a aquisição de uma noção de texto como artefato. Por isso. no que o leitor pode interpretar. já conhece os pressupostos em que se baseia essa corrente da linguística. escolhendo a palavra mais justa. para esta aula.Apresentação Estudando as duas primeiras aulas deste curso de Teorias Linguísticas II. sobretudo. já conhece a definição de texto com que opera a Linguística de Texto. A partir disso você mesmo poderá também fazer um uso muito mais consciente desses elementos. Todo trabalho de elaboração textual requer a atenção do seu produtor no intuito de chegar a sua forma final mais acabada. o conhecimento dos elementos linguísticos do texto ajuda muito. estabelecemos os objetivos de nossa unidade:  42 Teorias Linguisticas 11 .

aula 1.Objetivos Ao final desta unidade.indd 43 I SEAD/UEPB  43 10/04/2012 23:20:22 . • Avaliar um texto bem formado. do ponto de vista do emprego dos elementos coesivos referenciais. esperamos que você seja capaz de: • Identificar os mecanismos linguísticos responsáveis pela coesão referencial do texto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . • Empregar os conhecimentos da linguística textual em sua atividade de leitor e produtor textual.

para satisfazer sua curiosidade de leitor. de articulações que vão resultar num texto coeso e com sentido. o conhecimento de como funcionam os elementos de coesão. os parágrafos do texto vão sendo encadeados num processo de idas e vindas.aula 1. vamos aos textos ou trechos!  44 Teorias Linguisticas 11 . selecionaremos trechos em que podemos observar o procedimento linguístico específico que queremos analisar. discutindo com os colegas no ambiente virtual. Essa é a função da coesão. Será muito importante seu envolvimento realizando os exercícios.indd 44 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:22 . A partir de agora. Mas. E já que o objeto de análise da linguística textual é o texto.Considerações iniciais necessárias Estamos tratando neste curso. você perceberá como será útil para sua própria atividade de produção textual. sempre que possível. E a partir daí.30) define como sendo “aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual”. em função do limite que nos impõe uma aula como esta. Bem como. parágrafos. um leitor mais atento ao texto que vier a ler a partir de então. Isso porque não temos espaço suficiente para incluir o texto integral. Ao chegar ao final do curso. Assim. p. Certamente você desenvolverá maior controle sobre sua escrita. que Koch (1989. sempre requisitando sua participação. A coesão sequencial será estudada na próxima unidade. teremos o cuidado de recuperar as informações que sejam relevantes para sua compreensão. Porque. Portanto. indicamos sempre a referência para que você possa recuperar todo o contexto textual. para que o texto tenha sentido. de retomadas. evidentemente. remissão) e a coesão sequencial (sequenciação)”. através de textos. tirando as dúvidas com o tutor. vamos apresentar os mecanismos de coesão referencial. lendo o texto na íntegra. tornando-se um produtor textual mais competente. vamos explicando seu funcionamento. vamos observar como os elementos linguísticos responsáveis pela coesão funcionam nos textos. Esta unidade será dedicada à coesão referencial. Asseguramos que essa será uma atitude inteligente e prazerosa. em que a autora propõe a “existência de duas grandes modalidades de coesão: a coesão referencial (referenciação. naturalmente. 26). enunciados. os enunciados. estejam interligados. Contamos com sua efetiva participação na aula. que é bastante didática. Seguiremos a proposta de Koch (1989. é preciso que suas palavras. Contudo. p. da maneira como os termos.

porque neste caso ela cumpre uma função. Recomendamos a leitura de Antunes (2005) para um maior aprofundamento dessa forma de remissão. e a reiteração do termo garante a continuidade do texto. minimamente. Anote aí: um milhão de gatos caolhos. Oitocentos gatos caolhos. mas a retomada do mesmo item lexical é empregada para criar um efeito expressivo. 43) Você contou quantas vezes o termo gato aparece no trecho? Parece um exagero. Os gatos estão por todo o apartamento.. como o próprio nome indica. Toda a cidade! É isso! A cidade está tomada por gatos caolhos. A repetição não desqualifica o trecho.. uma sequência de palavras ou até uma frase inteira”. entre o cineasta Federico Fellini e seu produtor. A ênfase nos gatos. No próximo trecho também observamos um caso de repetição. sua coesão. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Os gatos ocupam todo o prédio. p. mas agora através de um outro mecanismo. cria em nossa mente um cenário tomado por gatos que surgem de todas as partes. Antunes (2005. 2003. o uso de expressões nominais definidas. assim conceituadas por Koch (2009. de um determinante definido seguido de um nome”.aula 1. 71) explica que “A repetição. p.indd 45 I SEAD/UEPB  45 10/04/2012 23:20:23 . corresponde à ação de voltar ao que foi dito antes pelo recurso de fazer reaparecer uma unidade que já ocorreu previamente. porque. Os gatos comem a empregada.Analisando procedimentos de coesão referencial Para começar. e você poderá confirmar o que Antunes disse acima sobre a repetição: “_ Isso. Esse é um recurso através do qual se consegue a reiteração de um referente textual. conseguindo-se assim estabelecer uma forma de coesão textual. 68): “Denominam-se expressões ou formas nominais definidas as formas linguísticas constituídas. p. Essa unidade pode ser uma palavra. Só o casal ainda não foi comido pelos gatos. O casal não consegue sentar ou dormir por causa dos gatos.” (VERISSIMO. Mil. inevitavelmente. conhecido pela montagem de cenas inusitadas. Reportamos o trecho final porque ele exemplifica bem um procedimento recursivo: a repetição de um mesmo item lexical. A repetição da palavra gato revela o exagero do cineasta. Vamos ao trecho em que Fellini fala sobre a presença de gatos em um próximo filme. vamos ler um trecho de um diálogo imaginado por Luis Fernando Veríssimo. Milhões de gatos caolhos.

Para isso. Assim o texto progride. Podemos dizer.aula 1. Fernando Veríssimo. 68). em cada contexto. e ao mesmo tempo em que é retomado. claro. p. Através desse recurso fica assegurada a manutenção do elemento que está sendo o foco do texto. como ressalta Koch (2009. É um judeu da baixa classe média urbana do Leste dos Estados Unidos. p. portanto. Um outro recurso coesivo bastante comum nos textos é a substituição de um termo por outros equivalentes. construiu o texto com o objetivo de fazer o leitor conhecer Woody Allen a partir da apresentação das características que o identificam.indd 46 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:23 . é resignificado pelas novas informações que lhe são acrescentadas. segundo a ótica de Veríssimo.. O argentino Messi voltou a dar espetáculo e foi ovacionado pela  46 Teorias Linguisticas 11 . que o uso das expressões definidas é resultado do projeto discursivo do autor. vários outros epítetos são atribuídos ao jogador. 2003. ao mesmo tempo em que se evita uma repetição que poderia ser enfadonha no texto. Ele mesmo se situa na tradição dos stand-up comedians. se oferece ao leitor outras possibilidades de interpretação para um mesmo referente. faz uso das expressões nominais. pela substituição. um filósofo. em função do projeto de dizer do produtor do texto”.. Dessa forma.Vamos ao exemplo para deixar claro do que estamos tratando: “Woody Allen não é um filósofo. Messi dá novo show O craque do Barcelona Lionel Messi deu novo show no Camp Nou . o referente é retomado... O que acontece também nesse trecho é que seu produtor.” (VERISSIMO.. 50) Você consegue identificar as expressões nominais que são empregadas no trecho para fazer referência a Woody Allen? Você identificou um judeu da baixa classe média urbana. uma estrela da comédia americana e um dos stand-up comedians? O interessante no emprego dessas expressões é que. a partir do título que anuncia o nome de Messi. Mas principalmente. escolha esta que será feita. Veríssimo informa ao leitor quem ele é. É o que acontece nos trechos do jornal a seguir em que. “o uso de uma descrição definida implica sempre uma escolha dentre as propriedades ou qualidades capazes de caracterizar o referente. naquele contexto. Não parece ser isso mesmo o que pretende Veríssimo? A partir da identificação de Woody Allen pelo que ele não é. como dez entre dez estrelas da comédia americana.

esta é a primeira vez na carreira que o craque fez quatro gols em um só jogo. 98) lembra que “podemos substituir uma palavra por um seu sinônimo. 2005. Outras formas de substituição podem ser feitas através de Sinônimos1. 2 ANIMAL RÉPTEIS AVES MAMÍFEROS ROEDORES FELINOS PRIMATAS Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Eleito o melhor jogador do mundo. Ao mesmo tempo. p. Animal funciona como hiperônimo de qualquer uma das classes que estão abaixo na classificação. “Hiperônimo – isto é. Durante o jogo. por uma outra palavra que tenha o mesmo sentido ou.com/materia/ semantica_%28sinonimos_e_antonimos. o leitor tem sempre em mente que é dele que se está falando.html) Hiperônimos2: “Vimos o carro do ministro aproximar-se. usada na biologia. pelo menos. Antunes (2005.. como esta abaixo.)..aula 1. Uma visualização de hiperônimos é facilmente encontrada nas classificações.” (O Norte.torcida do Barça. possibilidade de confusão. que designa uma classe de seres. Não há._ homonimos_e_paronimos%29. Alguns minutos depois. termo) poderem ser empregados um pelo outro sem prejuízo do que se pretende comunicar (MATTOSO CÂMARA. chamada de ‘palavra superordenada’ ou ‘nome genérico” (ANTUNES. como em: “A porta se abriu e apareceu uma menina.grupoescolar. dizia o espanhol ‘Marca’. 98). SINONÍMIA – Propriedade de dois ou mais termos (v. uma palavra de sentido geral.. o que é muito apropriado para um texto jornalístico. isto é. p. a imprensa europeia e argentina também já exaltavam o craque: ‘Deus Messi’. por isso mesmo. que fez gestos levantando e abaixando os braços em reverência ao camisa 10.. em 2009.indd 47 I SEAD/UEPB  47 10/04/2012 23:20:23 .222) 1 Fonte da imagem: http://www. p. sempre na dependência das condições de cada texto”.. o veículo estacionava adiante do Palácio do Governo”. A garotinha tinha olhos azuis e longos cabelos dourados”.. enquanto o ‘Olé’ chamava o meia-atacante de ‘Rei do Camp Nou’. 1986. um sentido aproximado (. 07/04/2010) Podemos dizer que as sucessivas substituições deixam o texto mais informativo a respeito de quem é Messi. portanto.

Todos olharam para o alto e viram a coisa3 se aproximando”. Você pode até identificar elementos que já estudamos na aula anterior. Koch (1989) faz uma relação exaustiva dessas formas. As fotografias registram uma região com cerca de 60 quilômetros de diâmetro. Quem não já se valeu da palavra quando não se lembrava 3 “Entende-se por nominalização o processo gramatical de formar nomes a partir de outras partes do discurso. uma interrelação entre elementos. 1992. um retorno ao que foi anunciado antes no texto. (ISTOÉ.6 quilômetros mostra ainda que a cratera foi pouco afetada pela erosão ou por outros processos geológicos. usualmente verbos e adjetivos. agência espacial americana. explique como. Identifique elementos de coesão referencial. p. foram divulgadas pela Nasa. É fácil perceber neles que os termos em itálico promovem. anaforicamente. Coisa é o mais comum dos hiperônimos em nossa língua. Vamos parar um pouco para que você agora tenha a oportunidade de refletir sobre como se procede para garantir a coesão textual através dos recursos coesivos referenciais que estudamos até aqui. Atividade I Leia atentamente o texto abaixo. 26). Essa será sua primeira atividade. As geleiras de Marte Imagens raras dos paredões de Mojave. portanto.” (KHEDI.aula 1. que caracteriza a coesão textual. utilizando-se recursos lexicais. A paralisação durou uma semana. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  48 Teorias Linguisticas 11 . do uso de expressões nominais.indd 48 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:23 . Segundo os cientistas. 4 Nominalizações4: “Os grevistas paralisaram todas as atividades da fábrica. uma gigantesca cratera de gelo do planeta Marte. o autor do texto consegue garantir a coesão necessária à unidade textual.9 bilhões de anos.Nomes genéricos: “A multidão ouviu o ruído de um motor. da repetição parcial ou total de termos. Vale a pena conferir esse seu trabalho para iniciar os estudos sobre as formas de se estabelecer coesão textual. Depois. através da repetição de termos. Uma espécie de “coringa”. Mojave é uma das mais recentes grandes crateras de Marte – tem cerca de 10 milhões de anos. Sua profundidade de 2. 46). 25) dica. o clima do planeta vermelho pode ter sido influenciado pelo intenso bombardeio de meteoritos há 3. Há. Há muitas outras possibilidades de se fazer remissão em textos. Você encontra nos trabalhos já citados de Antunes (2005) e Koch (2009). diversos exemplos e comentários de como esses recursos podem direcionar um sentido para o texto. Todos esses exemplos foram retirados de Koch (1989. 31/03/2010. P. Em A Coesão Textual.

portanto.. As expressões anafóricas servem.” Quando esse movimento é para frente. 5 “Ginástica para viver.indd 49 I SEAD/UEPB  49 10/04/2012 23:20:23 . há um movimento de referência ao que veio antes. 55)”. a presença dos dois pontos. Ressaltamos que contribui sintaticamente para o estabelecimento dessa relação. Primeiro. p. Esse é um caso de retomada que na linguística é conhecida como anafórica5. e. Os pronomes se incluem entre as principais formas gramaticais através das quais se faz remissão em português. Marcamos com itálico os pronomes que estão estabelecendo uma relação remissiva nos trechos. Podemos constatar assim.aula 1. que proporciona a arquitetura textual. tipicamente. e isso vai gerar outros aumentos de preços’.. diz-se que se tem uma referência catafórica.. ficamos sabendo que a palavra isso faz referência ao aumento de gasolina. para ‘retomar’ outras passagens de um texto. as flexões de gênero e número que permitem a identificação com o termo a que se referem. nesse contexto. 2004. verificamos a presença do pronome ele seguido da expressão mesmo que não deixa dúvida quanto ao nome que está sendo retomado. 26) Veja que só sabemos a que se refere o pronome isso continuando a leitura. Assim fica assegurada a devida ligação entre os elementos do texto e.. Ou seja. (BRAGA..) Ele mesmo se situa na tradição dos stand-up comedians.” (VERISSIMO.. Eles garantem a continuidade referencial e é muito importante observar no seu uso. eles eram mais seus do que os originais.Retomando o último trecho reportado de Verissimo.. (. porque o termo a que se faz referência (Woody Allen) vem antes da forma referencial (ele mesmo). ridícula e patética ginástica que tanta gente faz todo dia simplesmente para isso: para continuar”. olhando par o texto que precede (ILARI.. Observe essa concordância nos exemplos a seguir.. Interprete isso como um mais exercício a ser realizado. Esta será sua ATIVIDADE 2. isso. 2003. fica a tarefa de identificar o termo que está sendo retomado pela referenciação pronominal e de explicar como a referência está acontecendo no trecho.Recentemente uma celebridade reagiu à idéia de que seus seios não eram seus dizendo que tinha pagado por eles. continuar. Um exemplo típico é o demonstrativo isso em frases como ‘a gasolina subiu de novo’. há a apresentação do referente. 2001. 214) Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . como no exemplo a seguir: “Chamamos de anafóricas as expressões que se interpretam por referência a outras passagens do mesmo texto. p. voltando-se no texto. no segundo momento do enunciado. assegura-se também sua compreensão. e depois o termo referido. Woody Allen. “. consequentemente. p. Para você. Veja como isso acontece: “Woody Allen não é um filósofo. que é a relação entre diversos procedimentos linguísticos.

teríamos que usar agora o artigo definido. levado para Campina Grande e está em estado grave.. p. um adolescente de 17 anos faleceu em um acidente de motocicleta. 2003. Já com o artigo definido.. Da mesma forma. O rei sozinho é o rei de quem já se disse morar num castelo.aula 1. 2003.  50 Teorias Linguisticas 11 . o que é uma pena. O castelo era muito sombrio. Suas possibilidades poéticas eram imensas. saiu da pisa e tombou em seguida. às 01h45.Há tempos apareceu uma teoria segundo a qual existiria uma ‘memória da água’. A moto que os dois ocupavam. o Ulisses de Homero segundo Joyce.. Verificar o valor anafórico ou catafórico dos artigos é uma questão essencial a se considerar quando a referência é feita através do artigo definido ou indefinido.“. citadas anteriormente no texto. Um comentário importante a respeito dos artigos como elementos referenciais é que o indefinido funciona como catafórico.O Ulisses de Homero e o Ulisses de Dante se encontram no Ulisses de James Joyce. A teoria não foi provada. numerais. Veja que no exemplo um rei será retomado posteriormente. transformam-se em dois personagens: Leopold Bloom. Por exemplo: Era uma vez um rei que morava num castelo..” (O Norte. b) “Na madrugada do domingo. como podemos verificar nos exemplos: a) Era uma vez um rei que morava num castelo.” (VERISSIMO. acerca da função coesiva dos elementos linguísticos. foi socorrido.. Verificamos assim a importância do conhecimento que está sendo adquirido nessa unidade. A informação acerca dessa particularidade no uso dos artigos nunca é ressaltada pelas gramáticas tradicionais. 05/04/ 2010) Facilmente pode-se reconhecer o valor coesivo do numeral porque ele está sendo usado para fazer referência às pessoas acidentadas... A água reteria nas suas moléculas uma ‘lembrança’ recuperável de movimentos e efeitos.indd 50 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:23 . advérbios pronominais e expressões adverbiais são outros elementos gramaticais que também funcionam como formas remissivas da língua. 126) Os artigos.. O rei vivia muito sozinho.. 133) “. e Stephen Dedalus. Encontram-se. uma yamaha 125. cuja aventura é uma volta para casa. a remissão é feita ao que já foi enunciado antes.. cujo exílio é uma aventura sem volta”. p. identificado como Luciano. se quiséssemos falar do castelo. o Ulisses de Dante segundo Joyce. mas não se fundem. Outra pessoa que estava com ele. (VERISSIMO.

Você pode identificá-lo? Aliás. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! São muitas as possibilidades de se estabelecer referências no texto para que nenhuma parte fique solta. Por isso é importante que você leia sobre o tema nos livros que recomendamos. como no exemplo a seguir:” “A partir de agora. um recurso de referenciação sintática. frequentemente empregado em textos. realize a atividade 3 a seguir: Atividade III Identifique os elementos coesivos referenciais no trecho acima. bem como os termos a que se referem. p.. linguística. diz-se que se tem uma referência catafórica. Não deixe de compartilhar suas descobertas com os colegas e tirar as dúvidas com o professor. sem ligação com as demais. do termo presente em nosso espírito. Essa é uma atitude inteligente por parte do aluno que quer realmente aprender. porque se depreende do contexto geral ou da situação” (MATTOSO CÂMARA. Certamente você já estudou elipse em suas aulas de Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Nesse enunciado está presente uma expressão adverbial que funciona como elemento coesivo. você poderá encontrar na rede uma excelente fonte de pesquisa.49). Vamos apresentar mais uma forma de se fazer coesão referencial.. “ Quando esse movimento é para frente. 6  51 10/04/2012 23:20:24 . Portanto. Analisando com cuidado. Há muitos trabalhos na internet.Você percebe nesse trecho que há o uso de mais formas referenciais além do numeral? Que tal se você identificar os elementos lingUísticos que estão servindo para estabelecer esse tipo de coesão? Vamos lá.” dica. 1986. nossas aulas estão repletas de elementos circunstanciais que utilizamos para fazer ligações entre suas partes. essa é mais uma oportunidade de você por em prática os conhecimentos que já adquiriu sobre os modos de se conferir aspectos coesivos ao texto.indd 51 I SEAD/UEPB Definição: “ELIPSE – Omissão. numa enunciação. Em tão pouco espaço é impossível fazer um estudo exaustivo dos elementos de coesão referencial.aula 1. É o que acontece nos enunciados: c) “ Leia atentamente o texto abaixo”. a elipse6.

2003. onde deve ter aparecido sob a designação de uma figura de linguagem. E mais ainda porque sabe que você também está. com a lúcida irreverência de um emigrado do Brooklyn. Mas está presente no primeiro enunciado do trecho e podemos identificá-lo pelas terminações verbais.aula 1. Ministério de Minas e Energia (ISTOÉ.76)  52 Teorias Linguisticas 11 . Mas o sujeito aqui é outro e por isso está explícito. A próxima forma verbal que aparece no trecho é consome. vamos retomá-lo: “. p. A elipse pode ser um recurso de efeito muito expressivo. como se pode verificar no texto da propaganda a seguir: A gente está muito orgulhoso por ter conquistado tanta coisa. Sabe que Nova York.” (VERISSIMO. sabe que há mais pose do que conteúdo no estilo da ilha.gramática. bem como pelo fato de não haver outro termo que pudesse ocupar a posição de sujeito. consome cultura de segunda mão: o cinema – que não é feito lá – e o alto pensamento europeu. Mais uma vez Veríssimo nos dá um excelente exemplo de coesão em seu texto e também nos deixa mais conhecedores de Woody Allen. 26/05/2010. No primeiro enunciado. frequenta os cinemas de arte. como ele. Mas. p.. tudo muito claro. A partir dele. Por isso. 51) Vamos então verificar como o processo da elipse se faz presente no trecho.. almoça no Russian Tea Room e abomina a Califórnia. apóia todas as causas corretas. está elíptico. Escreve para o New Yorker.indd 52 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:24 . Agora você poderá observar como esse pode ser um recurso que propicia a coesão referencial. uma série de orações: Escreve para o New Yorker/ apóia todas as causas corretas/ frequenta os cinemas de arte/ almoça no Russian Tea Room/ abomina a Califórnia.Allen pertence ao pequeno mundo liberal-intelectual de Nova York. Allen é ainda o sujeito para as duas ocorrências verbais do verbo saber... O sujeito dessas orações não está antecedendo imediatamente as formas verbais.

é importante atentar para o uso desses elementos quando estamos lendo e produzindo textos. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . que efeito de sentido seu uso provoca no texto. tal a necessidade de aprofundamento das noções que apresentamos aqui. Portanto. Utilizamos texto literário. dica. sugerimos a atividade a seguir. É por isso que oferecemos sempre. Isso porque o modo de funcionamento dos elementos coesivos vai depender do gênero do texto. Para isso. que é importante observar que gênero textual estamos lendo ou produzindo. ao final de cada aula. Ressaltamos nesse aspecto. Isso quer dizer que a coesão não é exclusiva de um gênero específico. não perca tempo. Portanto. resulta em um diferente efeito no texto. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Considerações finais inevitáveis O texto que você acabou de analisar é uma propaganda do Governo Federal. Em qualquer texto. indicações de leituras complementares ao seu estudo. Atividade IV Certamente você identifica o termo que foi intencionalmente suprimido no texto. Você mesmo deverá sentir essa necessidade.aula 1. Mais uma vez insistimos que não conseguimos em tão pouco espaço esgotar um assunto tão importante e tão amplo. Você deve ter percebido que os exemplos utilizados na aula para exemplificar o processo de coesão textual são extraídos de gêneros textuais diversos. para ter maior clareza de como o elemento de coesão está empregado no texto.indd 53 I SEAD/UEPB  53 10/04/2012 23:20:24 . Mergulhe fundo na leitura. Dependendo do objetivo para o qual o texto foi produzido. Este texto servirá para você exercitar seu conhecimento acerca da coesão referencial. a presença de um mesmo elemento linguístico empregado para estabelecer a coesão. pedimos que você explique o modo de funcionamento da elipse como recurso de coesão referencial. texto de jornal. pode-se encontrar elementos que estão funcionando ali para garantir sua coesão. texto de revista. Mas para esse nosso tema poderíamos chamá-las de leituras obrigatórias. A partir dele.

seu horizonte de conhecimento acerca da coesão será ampliado.  54 Teorias Linguisticas 11 .indd 54 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:24 . como sendo o processo de coesão referencial. Portanto. 2005. Assim. de retomadas. Mais uma vez. em que os componentes do texto são retomados.aula 1. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. Sinal de que é imprescindível. São Paulo: Parábola Editorial. Os comentários da autora sobre a possibilidade de estudo da língua para além da simples gramaticalidade mostram o quanto é necessária uma formação linguística para o professor de línguas. não há como se furtar a lutar com suas palavras. fazendo com que o texto progrida seguindo um fio condutor. Já comentamos as qualidades de Ingedore como teórica que sabe tornar seu texto didático aos iniciantes. Não deixe de ler esse texto que vai muito além de uma introdução. obedecendo a um processo de idas e vindas. Portanto. Você vai encontrar aqui um aprofundamento necessário e instigante das noções que a autora vem pesquisando. Isso porque ela analisa as mesmas questões de uma perspectiva diferenciada. Você vai ver que Irandé agrupa as noções que tratamos aqui. é muito produtivo acompanhar a evolução de uma teoria por quem tem se dedicado a ela. É isso que acontece mais uma vez nesse seu livro. o que se reconhece na linguística textual. Uma das formas de garantir essa unidade é através do mecanismo de referenciação. Lutar com palavras: coesão e coerência.Leituras recomendadas KOCH. Você já conhece A coesão textual. enunciados. Resumo A construção de um texto requer que seus termos. elementos linguístico-gramaticais são mobilizados de modo a estabelecerem no texto. Irandé. de articulações que vão resultar num todo coeso. São Paulo: Martins Fontes. Ingedore Villaça. uma leitura já recomendada. ANTUNES. 2009. Além disso. de um modo diferente. parágrafos sejam dispostos de forma a estarem encadeados no texto.

No universo dos seus escolhidos. Veríssimo nos convida a partilhar deste banquete – uma seleta caprichada de textos. O Norte. “Louco por cinema. da pintura. em que ele analisa algumas das suas grandes paixões culturais. Boa leitura! Bom trabalho! Fontes dos exemplos apresentados BRAGA. vamos identificar livros e autores que jamais esqueceremos. 04/ 2010. 07. vamos ao texto. Portanto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Esperamos que tenha gostado do texto. música e literatura. Banquete com os deuses. da música popular. Mas como é bem possível que escape algum elemento e você tenha alguma dúvida. nos emocionam e nos fazem sentir deliciosamente jovens”. da filosofia. 2004. Luis Fernando. de arte várias. Pedimos a você que a partir deste título. Será muito proveitoso. Um pé de milho. 2003. Iniciamos com um texto de Veríssimo. há muito. trilhas sonoras que.aula 1. Para favorecer esse processo. João Pessoa. vamos finalizar com um texto sobre ele.Autovaliação Neste momento de autoavaliação é importante que você retome o conteúdo que foi estudado e reflita sobre seu aprendizado. Lembre-se de que dissemos ser impossível apresentar todos os recursos de coesão referencial de que dispõe a língua. 2107. 26/05/2010. nada melhor do que por em prática os conhecimentos adquiridos. 31/3/2010. Banquete com os deuses. Caderno Esportes. Isso é positivo no sentido de que você vai se dar conta de que já pode identificar sozinho elementos e processos de referenciação. Rio de Janeiro: Objetiva. filmes que marcaram nossa vida. Rubem. compartilhe com os colegas suas descobertas no ambiente virtual. astros e estrelas por quem já fomos loucamente apaixonados. Rio de Janeiro: Record.indd 55 I SEAD/UEPB  55 10/04/2012 23:20:24 . Com a proverbial argúcia e o humor generoso com que invariavelmente tempera suas crônicas. comente o funcionamento dos elementos que fazem a coesão referencial do texto. escritos ao longo dos últimos 20 anos. VERISSIMO. ISTOÉ. É um comentário que está na quarta capa de seu livro. 05/ 04/ 2010. o escritor elege um time de craques – mestres do jazz.

MATTOSO CÂMARA. Ingedore Villaça. Irandé. ed. 2001. KHEDI. Lutar com palavras: coesão e coerência. Dicionário de Linguística e Gramática. 1991. São Paulo. Petrópolis: Vozes.aula 1. Valter. São Paulo: Martins Fontes. 1986. São Paulo: Ática. KOCH. 1989. 2009.  56 Teorias Linguisticas 11 . 2005.Referências ANTUNES. Contexto. Introdução à linguística textual. Ingedore Villaça. Redação e textualidade. São Paulo: Parábola Editorial. Rodolfo. 1992. São Paulo: Martins Fontes. Joaquim. ILARI. Formação de palavras em português. Introdução à semântica – brincando com a gramática. A coesão textual. São Paulo: Contexto. Maria da Graça. 7. KOCH. COSTA VAL.indd 56 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:24 .

aula 1.indd 57 I SEAD/UEPB  57 10/04/2012 23:20:25 .IV UNIDADE A relação entre a coerência e a coesão textuais Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

indd 58 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:25 . na tentativa de estabelecer um diálogo entre texto e leitor e levantar reflexões acerca do ato de produção do texto escrito. A unidade se apóia em reflexões acerca do tema.Apresentação Esta unidade procura resumir alguns dos conceitos mais importantes com relação à coerência e coesão textuais e relacioná-los com atividades de análise de redações elaboradas por diversos usuários da língua. na obra “Texto e Coerência” (2009).  58 Teorias Linguisticas 11 .aula 1. de estudiosos como: Ingedore Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia.

• entenda o que se pode considerar como texto.aula 1. queremos que você: • compreenda a relação entre coerência e coesão.indd 59 I SEAD/UEPB  59 10/04/2012 23:20:26 .Objetivos Ao término desta unidade. • observe de que depende e como se estabelece a coerência textual. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

entendemos que a coerência se estabelece através do processo de interação. 02). 2009. Essa teoria. sobretudo. na medida em que busca esclarecer o que é e como se produz um texto.Reflexões iniciais.p. De acordo com Koch e Travaglia (2009) esse  60 Teorias Linguisticas 11 . uma vez que o texto necessita do conhecimento partilhado entre os interlocutores.aula 1. ele se refere. as intenções comunicativas dos interlocutores. “ao mesmo tempo. o que levaria à compreensão do texto (KOCH E TRAVAGLIA. Do ponto de vista semântico. Mas esse critério não diz respeito apenas à noção da competência gramatical que este apresenta. A coerência de um texto tem a ver “com a boa formação” do próprio texto. Esse processo de comunicação é resultado de uma unidade global capaz de “dá continuidade de sentidos perceptível no texto”. Ela se constitui como a possibilidade de estabelecimento entre aquilo que se diz e como esse dizer é compreendido e aceito pelos interlocutores. devendo ser vista não só como o resultado de processos cognitivos. podemos destacar o princípio da interpretabilidade. tudo o que se possa ligar a uma dimensão pragmática da coerência. mas de fatores socioculturais diversos. Como podemos observar a coerência é responsável pelo sentido do texto. afirmarmos que ela é. “a uma boa formação em termos de interlocução comunicativa”. Essa unidade global depende não apenas dos elementos constitutivos do texto. pois sabemos que: a linguística textual. Inicialmente. de interlocução e numa dada situação de comunicação entre usuários da língua. inicialmente. podemos começar pela noção de coerência e sua relação com a coesão.indd 60 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:26 . merece ser conhecida e considerada por quem se interessa pelo trabalho com a expressão escrita na escola (VAL. 12). Os processos cognitivos caracterizam a coerência à medida que possibilitam criar um mundo textual em face do conhecimento de mundo registrado na memória.. semântica e pragmática”. operantes entre os usuários. mas também de fatores interpessoais como as formas de influência do falante na situação de fala. 1991. a noção de texto. devemos compreender. tem se dedicado a estudar a natureza do texto e os fatores envolvidos em sua produção e recepção. desenvolvida sobretudo na Europa a partir do final da década de 60. Daí. enfim. Para entendermos o que é coerência textual.. p. Esse sentido envolve os fatores semânticos e cognitivos. Dessa forma.

coerência e intertextualidade) e os fatores extralinguísticos (intencionalidade. Podemos sintetizar a relação de coerência do texto evidenciado dois fatores: os fatores linguísticos (coesão. tudo isso. mas sim. conforme se supõe pelo princípio da cooperação” (p.aula 1. as unidades anteriores? De acordo com Pécora qualquer tipo de texto. segundo Koch e Travaglia. Revisão de conceitos de coesão segundo alguns estudiosos Vamos relembrar. um texto é coerente no momento em que for compatível com o conhecimento de mundo do receptor. seja oral ou escrito. um pouco. aceitabilidade. através da união entre locutor. uma vez que liga os elementos superficiais do texto. 36). A coesão se difere da coerência porque ela é explicitamente nítida na superfície do texto através de seus elementos linguísticos. 47). não apresenta um conjunto de elementos isolados. informatividade e situalidade). (Pécora. A coerência textual convive com a coesão textual. interlocutor e o mundo partilhado por ambos. Por isso possui um “caráter linear” e a observamos através da sintaxe e gramática do texto.13). 1987.indd 61 I SEAD/UEPB  61 10/04/2012 23:20:26 . todavia um conjunto em sua totalidade semântica em que os elementos estabelecem entre si. “para assegurar um desenvolvimento proporcional” (p.princípio “tem a ver com a produção do texto à medida que quem o faz quer que seja entendido por seu interlocutor. modos de significações. p. O autor define esse conjunto significativo como um valor intersubjetivo e pragmático: A capacidade de um texto possuir um valor intersubjetivo e pragmático está no nível argumentativo das produções linguísticas. mas a sua totalidade Semântica decorre de valores internos à estrutura de um texto e se chama coesão textual. Assim. na combinação das frases e nos períodos. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Elas formam uma espécie de par “opositivo/distintivo”. interferindo na maneira como estes se relacionam. Partindo dessa afirmação. Mas de acordo com Halliday e Hasan (1976) ela também possui um caráter semântico. entendemos que a produção de texto não existe em si mesma.

carro. cheques. fósforo. copo de papel. Água. xícara. cinzeiro. de modo que um deles tem de ser interpretado por referência ao outro. caneta. pente. chaves. papéis. creme dental. pressupondo-o. cadeira. cortina. caixa de entrada. a coesão não é condição única para que o texto apresente textualidade. elipse. papéis. conjunção e coesão lexical. externo. sapatos. fósforo. Para esses autores há cinco distintos mecanismos de coesão: referência. Cueca. xícara. Papéis. pastas. papéis.Logo. papel. Quadros. toalha. cavalete. entender os mecanismos de coesão presentes em dado texto é avaliar que cada componente do texto depende um do outro em seu contexto situacional. blocos de notas. telefone. fósforo. creme de barbear. fósforo. telefone interno. Pasta. Por isso. espuma. lápis. fósforo. cartaz. Cria-se entre os elementos um vínculo” (p. Mesa. cigarro. papel e caneta. pasta.Todavia. Mesa e poltrona. gilete. cigarro. caneta e papel. Jornal. cigarro. prova de anúncio. fósforo. prato. espátula. caneta. Maço de cigarros. espuma. pia. Escova. cadeiras. existe coesão através dos elementos gramaticais e através dos elementos do léxico de determinada língua. agenda. papéis. cigarro. quadro-negro. giz.indd 62 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:26 . bilhetes. papéis. Mesmo apresentando uma relação semântica. Os recursos extralinguísticos possuem o mesmo valor dos recursos intralinguísticos para a compreensão global da textualidade. Diante disso. A textualidade ultrapassa a coesão gramatical e a lexical. calça. folheto. relógio. pasta. água fria. projetos de filmes. jornal. copo com lápis. cadeiras. copos.45). pratos. a coesão envolve todos os elementos do sistema lexical e gramatical. documentos. pincel. sabonete. xícara.aula 1. fotos. toalha. bloco de papel. cadeiras. paletó. telefone. Creme para cabelo. Relógio. fósforo. essa coesão gramatical e essa coesão lexical não garante ao texto um sentido. água. Mesa. Bandeja. meias. caixa de fósforos. substituição. água. guardanapo. revista. descarga. Mictório. telefone. telefone. Pia. água. gravata. Observe o exemplo abaixo do escritor Ricardo Ramos: Circuito Fechado      Chinelos. camisa. vaso com plantas. água quente. pois o sentido do texto depende de “certo grau de coerência” que abrange os diversos elementos tanto do interior do texto quanto do seu exterior. guardanapos. vales. notas. Cigarro e fósforo. telefone. Mesa. Táxi. papel e ca-  62 Teorias Linguisticas 11 . xícara e pires. Escova de dentes. Cigarro. relatórios. talheres. de saída. garrafa. cigarro. caneta. abotoaduras. vaso. níqueis. água. Carteira. lenço. quadros. memorandos. esboços de anúncios. caixa de fósforos. cinzeiros. telefone. Mesa e poltrona. papéis. maço de cigarros. relógio. cigarro. xícara pequena. caneta e papel. cartas. bule. sabonete. papel. De acordo com Halliday e Hasan (1976) “a coesão é a relação semântica entre dois elementos do texto. talheres.

neta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó,
gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras,
pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e
fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos,
meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
Como se percebe, o texto acima deixa notório que o critério da
textualidade não depende somente dos elos coesivos. No caso desse
exemplo, depende dos recursos extralinguísticos oriundos do conhecimento de mundo do interlocutor.
Beaugrande e Dressler (1981) afirmam que coesão é o modo como
os elementos da superfície do texto se encontram relacionados entre si,
numa sequência combinativa. Marcuschi também (2001) conceitua
coesão textual como sendo a “estrutura da sequência superficial do
texto e à sua organização linear sob o aspecto estritamente linguístico”.
Charolles (1978) sugere os conceitos de coesão e conexão. Para o
autor,
a coesão se refere às relações de identidade, de inclusão ou de associação entre constituintes de enunciados, que são as relações entre os elementos do
texto que podem ser resolvidas em termos de igualdade ou diferença: pronomes, SNs, descrições definidas e demonstrativas, possessivos etc. A conexão
marca as relações entre os conteúdos proposicionais e/ou atos de fala; é a marcação da relação entre enunciados (KOCH E TRAVAGLIA. 2009, p. 23).

Que tal agora refletirmos acerca dos
conceitos de coerência textual?
Conceitos de coerência textual de acordo com alguns estudiosos da
língua citados por Koch e Travaglia, no livro “Texto e coerência”.
Segundo Franck (1980), a coerência é a ligação formal entre os termos sequenciais, tais como: enunciados, frases, atos ilocutórios. Essa
ligação relaciona esses termos uns com os outros “e os insere numa forma de organização superior como, por exemplo, nomes em uma lista,
frases em texto, atos de fala numa sequência dialógica etc.” (KOCH E
TRAVAGLIA. 2009, p. 16).
Já Beaugrande e Dressler (1981) acreditam que a coerência é a responsável pela continuidade dos sentidos do texto. Ela é “o resultado da
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atualização de significados potenciais que vai configurar um sentido”.
Ou seja, é o resultado dos conhecimentos partilhado pelos usuários. Assim, a coerência é responsável por acionar os processos cognitivos. Tais
processos divulgam a conexão conceitual. Um desses processos é o conhecimento declarativo – aquele que sugere crenças que dizem respeito
aos fatos do mundo real - e o conhecimento “procedural” – valores guardados na memória e acionados como parte argumentativa sempre que o
usuário necessitar. Para Widdowson (1978) a coerência está diretamente
ligada ao desenvolvimento dos atos da fala. Nesse sentido, os enunciados são dotados de ações (pedido, conselho, aviso, ordem, promessa
etc.) que se concretizam a partir das condições impostas a esses enunciados. O exemplo a seguir determina com precisão esse conceito, vejamos:
Temos o seguinte enunciado:

1. O carro está com defeito.
1.1. O carro – conteúdo proporcional que faz parte do mundo real.
1.2. está com defeito – informação a respeito do seu estado
(ato de
predicação)
1.3. Através dessa enunciação podem-se apresentar diversos
atos de fala, tais como:
1.4.Uma ordem: o dono da oficina manda o funcionário consertar o carro com defeito.
1.5. Um pedido: o dono do carro pede a alguém que esteja
passando por perto para ajudá-lo a empurrar o carro até
a oficina mais próxima.
1.6. Uma asserção: o dono constata que o carro está com
defeito.

Segundo Bernárdez (1982) apud Salomon Marcus (1980) a coerência é semântica, sintática e pragmática. De ponto de vista semântico
ela se manifesta na unidade textual, ou seja, o texto atua como unidade
para remeter ao seu sentido global. É sintática porque é recuperada,
quando necessária, através da “sequência linguística” que forma a unidade do texto e é pragmática, uma vez que o sentido depende um contexto intencional. Assim, “a coerência [...] é não só uma propriedade
do texto, mas também um processo em que não é possível estabelecer
uma diferença marcante entre os níveis pragmático, semântico e sintático” (op. cit. p. 19).
Os linguistas Van Dijk e Kintsch (1983) afirmavam que coerência era
“uma propriedade lógica do texto”, atualmente esses autores acreditam

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que ela encontra-se estabelecida nas diversas situações de comunicação
dos usuários que possuem “modelos cognitivos comuns ou semelhantes”, propiciados por determinado contexto cultural. Eles falam de dois
tipos de coerência: local – aquela que ocorre na superfície do texto – e
global – aquela que faz parte do texto como um todo. Ainda classificam-na em: coerência semântica, sintática, estilística e pragmática.
Para o autor Marcuschi a coerência “é a organização reticulada ou
tentacular do texto, não linear, portanto, dos níveis de sentido e intenções que realizam a coerência no aspecto semântico e função pragmática” (op. cit. p. 21). Dessa forma, para esse linguista, como também
para os linguistas Beaugrande e Dressler, a coerência é estabelecida
através dos elementos que dão continuidade ao sentido do texto.
Caro aluno!
Pretendemos com essa exposição dos conceitos de coesão e coerência difundidos por Koch e Travaglia, em obra já citada, que vocês
adquiram uma visão global do que se entende por esses dois critérios.

Que tal, agora, vocês
praticarem um pouco?

Atividade I
Partindo do pressuposto de que a coesão é responsável pela unidade formal
do texto, construída através de mecanismos gramaticais e lexicais (KOCK E
TRAVAGLIA, 2009) e “a coerência tem a ver com a ‘boa formação’ do texto não
no sentido de gramaticalidade, mas no sentido de boa formação em termos da
interlocução, numa situação comunicativa entre dois usuários”, identifique as
relações de coesão e coerência nos textos transcritos a seguir.

TEXTO A

A vaguidão específica

As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo
de vago-específica.
- Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.
- Junto com os outros?
- Não ponha junto com os outros, não. Senão pode vir
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dica. utilize o bloco

de anotações para
responder as atividades!

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alguém e querer fazer qualquer coisa com eles. Ponha no
lugar do outro dia.
- Sim senhora. Olha, o homem está ai.
- Aquele de quando choveu?
- Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.
- Que é que você disse a ele?
- Eu disse pra ele continuar.
- Ele já começou?
- Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde
quisesse.
- É bom?
- Mais ou menos. O outro parece mais capaz.
- Você trouxe tudo pra cima?
- Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe
porque a senhora recomendou para deixar até a véspera.
- Mas traga, traga. Na ocasião, né! Descemos tudo de
novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama
como na outra noite.
(FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo.
São Paulo, Círculo do Livro, 2001.)

TEXTO B

A Pesca
Affonso Romano de Sant’Anna
o anil
o anzol
o azul
o silêncio
o tempo
o peixe
a agulha
   vertical
   mergulha
a água
a linha
a espuma
o tempo
a âncora
o peixe

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Segundo alguns autores a coesão é em parte responsável pela coerência. porque apenas os elementos linguísticos não são suficientes para garantir a coerência de um texto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . relacionados no processo de produção e interpretação textual. A coerência é entendida como “a configuração conceitual subjacente e responsável pelo sentido do texto. indiscutivelmente.. Por isso. pode haver sequências linguísticas coesas. Coesão e coerência: critérios que se complementam Como podemos observar. e a coesão como sua expressão no plano linguístico” (VAL.aula 1.indd 67 I SEAD/UEPB  67 10/04/2012 23:20:26 .. Sendo assim. um texto coeso pode parecer incoerente. pois ela depende muito dos usuários do texto (seu conhecimento de mundo etc) e da situação.a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aquelíneo ágilclaro estabanado o peixe a areia o sol Continuando a nossa conversa. sem que o leitor acione os recursos extralinguísticos. mas para os quais o leitor não consegue estabelecer ou dificilmente estabelece um sentido que lhe de coerência. 20). a nível de leitor individual. 2000. Tudo isso evidencia que a coesão ajuda a estabelecer a coerência. a coesão contribui para o estabelecimento da coerência. uma vez que o uso adequado esses elementos sozinhos. conclui-se que essa contribuição é apenas parcial. são insuficientes para que se compreenda o sentido global do enunciado. mas cuja textualidade ocorre a nível da coerência”. Evidentemente. mas não a garante. os teóricos que estudam as relações de coesão e coerência concordam que esses critérios estão. De acordo com Marcuschi (2002) há textos sem coesão. por dificuldades particulares do leitor. p. De outra forma. como o desconhecimento do assunto ou não-inserção na situação. mas não assegura a sua obtenção.

numa moeda mais desvalorizada do que o cruzeiro. entretanto não a garante. Para eles “o texto não é coerente porque as frases que o compõem guardam entre si determinadas relações.aula 1. cit. em se tratando de considerarmos se texto constitui-se um texto ou não. qualquer alegoria referente ao ramo. Para refletir. O que podemos perceber é que o processo de compreensão de um texto está diretamente ligado aos critérios de coesão e coerência.indd 68 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:26 . não vale. disse o pintor. pensando. mas estas relações existem precisamente devido à coerência do texto” (op. . . finalmente. conta-se aqui uma história altamente moral sobre a inutilidade da primeira enquanto se economiza o segundo. inutilmente. faz-se necessário atentarmos para o produtor. para o contexto em que o texto está inserido e. Além dos dizeres. Atividade II Leia o texto abaixo e responda: A mensagem Num mundo em que a comunicação é tudo e o discurso sempre pouco. 24). para o destinatário. E chamou o pintor e lhe encomendou a placa para anunciar a especialidade do seu negócio: “Nesta casa se vende ovos frescos”. p. Tudo isso torna claro que a coesão ajuda a estabelecer a coerência. Isso significa afirmar que o texto é considerado texto quando o leitor reconhece implícita e explicitamente os elementos que o compõe tanto na superfície textual quanto em suas entrelinhas. alguns linguistas defendem que os elementos coesivos favorecem na percepção da compreensão da coerência.000 cruzeiros. Ah.Cinquenta mil o quê? Indagou o comerciante. O pintor disse que ficaria em 50. Enfim. recomendou ao pintor que bolasse uma figura. uma vez que ela irá depender dos conhecimentos de mundo acionados pelos usuários do texto e do contexto em que esse texto está inserido. disse então o comerciante.Na verdade. para a intenção comunicativa do locutor..Cinquenta mil cruzeiros.. uma vez que funcionam como resultado da coerência no processo da atividade textual.  68 Teorias Linguisticas 11 . E perguntou quanto era.

disse o pintor. . Se se diz que o senhor vende ovos. Se o freguês passa por aqui e vê: “se vende ovos frescos”.É mesmo. apenas “OVOS”. continuou o pintor. .aula 1. pelo inimitável oval! . por que colocar “Se vende”? Se o freguês potencial lê “Ovos frescos” já sabe que se vende. Rio de Janeiro: Edições O cruzeiro.Como não vale? Retrucou o pintou.O senhor não poderia reduzir um pouco? Arriscou o comerciante. já sabe que é nesta casa. . vinte mil cruzeiros de menos. tiremos também o “frescos”. Ele não vai pensar que é na casa ao lado. continuou impávido o pintor. a de ovos “velhos”. portanto.É certo. que se vendam pela sua pura e simples aparência de ovos. s. . Ninguém pensaria que o senhor vai abrir uma casa comercial para alugar ovos ou apenas para expô-los.Certíssimo. “Fresco” lembra sempre a hipótese contrária.Quanto ao “frescos”. bem bonita. fez o pintou. concordou o negociante.Certíssimo! Berrou o negociante. Portanto. Agora também não é necessário dizer “nesta casa”. preocupado: . não é mesmo? Se o normal são ovos de galinha. exclamou o comerciante.então. bem clara: OVOS! Só ovos. o fato de não ter nenhuma outra ave faz com que os ovos sejam. . me diga aqui.indd 69 I SEAD/UEPB  69 10/04/2012 23:20:26 . concordou o pintor. não precisamos usar figura nenhuma. . Tempo e contratempo. posso reduzir a figura e os dizeres. refletindo melhor. . agora profundamente entusiasmado com a dialética do pintor. ovos em si mesmos. não é mesmo? .d.Claro que posso. explicou o pintor. desenhe ai só essa palavra. voltou-se para o negociante.. Mas antes de começar a usar o pincel. ofendido em sua arte mais do que atingido em sua economia.Como assim? Disse o comerciante. certo? . não há necessidade de colocar nenhuma galinha pintada. tout court. amigo pensando bem. pra começo de conversa. presumivelmente.Olha. de galinha. Por favor. Não deve nem ter passado pela cabeça do comprador a ideia de que seus ovos podem ser outra senão frescos.Mas. não é de boa psicologia usar essa palavra. . Façamos.Então.) Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . por que vender ovos? (Millôr Fernandes. espantou-se ainda mais o comerciante.Então vamos lá. .

da aceitabilidade. Dessa forma. pois.dica. Como podemos notar. Finalizando a nossa conversa.p. do conhecimento partilhado.. dos fatores pragmáticos. a partir de nossas experiências de vida” (ANTUNES. uma série de operações mentais. Observe o exemplo a seguir:  70 Teorias Linguisticas 11 .indd 70 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:27 . utilize o bloco de anotações para responder as atividades! 1. das inferências. da intencionalidade. mas tudo quanto está de pressuposto ou implicado naquilo que é dito. da intertextualidade e da relevância. 122). 1.. da informatividade.[. da focalização. acionados. Segundo Koch “a compreensão depende de nosso conhecimento de mundo e fatores pragmáticos”(op. p. Conhecimento linguístico É do consenso de todos os estudiosos da língua que o conhecimento linguístico é bastante relevante para o estabelecimento da coerência de qualquer texto.] Envolve. 53).. justifique a seguinte afirmação: “coerência [..] é uma atividade de articulação entre o que é apanhado no enunciado e o que é selecionado no conjunto de dados contextuais que conhecemos.. ou é inferível. uma vez que ela é vista como um “processo de interpretabilidade do texto”. sem esse conhecimento o usuário não é capaz de efetivar o processo de comunicação. Com base na leitura da crônica de Millôr Fernandes. que. que cada um desses fatores será objeto de estudo das nossas próximas aulas. Evidentemente. a coerência depende do conhecimento linguístico. do conhecimento de mundo. Como ocorre e de que depende a coerência textual A coerência é estabelecida através de uma multiplicidade de fatores. considerando não apenas o que é posto na superfície do discurso. nos permitem “pescar” ou recuperar a coerência do que dizemos e ouvimos. 2009.aula 1. A seguir explicitaremos cada um desses fatores com exemplos para que você possa se situar no estudo da coerência. A decodificação é necessária para que se possa entender qualquer língua. da situacionalidade. cit. o conhecimento linguístico é a primeira condição para que a comunicação seja efetivada..

na mídia e na história cultural Prof... De acordo com Koch (p. todo o contexto linguístico – ou co-texto – vai contribuir de maneira ativa na construção da coerência”. É a partir dos conhecimentos que temos que vamos construit um modelo do mundo representado em cada texto – é o mundo textual [.].54) “é a coerência que determina. Como vimos.indd 71 I SEAD/UEPB  71 10/04/2012 23:20:27 . pois de acordo com Koch e Travaglia (p.quem é o palestrante. Para que este aviso seja compreendido é necessário.. 2. o conhecimento linguístico serve para nortear o leitor em seu percurso de leitura. 59) “não é possível apreender o sentido de um texto com base apenas nas palavras que o compõem e na sua estruturação sintática. e isto é suficiente para deixar claro que a recuperação desta coerência passa pelas marcas linguísticas”. para que possamos estabelecer a coerência de um Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Dr. São eles: 1º .].. Sébastien Joachim 4ª feira. em ultima instância. Conhecimento de mundo Observe o texto abaixo: O conhecimento de mundo do leitor exerce um papel fundamental para o estabelecimento da coerência de um texto. que elementos vão constituir a estrutura superficial linguística do texto e como eles vão estar encadeados na sequência linguística superficial. constituem o ponto de partida para a elaboração de inferências. É através dele que situamos aquilo que estamos lendo.. Segundo Koch e Travaglia “os modelos cognitivos são culturalmente determinados e apreendidos através de nossa vivência em dada sociedade [.. 06/10/10 15 horas Auditório Ceduc Notamos que as expressões linguísticas do aviso acima não constituem uma frase..aula 1.em que local fica o auditório Ceduc. é indiscutível a importância dos elementos linguísticos do texto para o estabelecimento da coerência [. pelo menos que o interlocutor acione conhecimentos linguísticos prévios.Suponhamos o seguinte aviso no quadro de avisos de uma universidade.entender o que é um colóquio. COLÓQUIO CIDADANIA CULTURAL O pensionato e seus análogos na literatura e na arte. ajudam a captar a orientação argumentativa dos enunciados que compõem o texto [. enfim.] esses elementos servem como pistas para a ativação dos conhecimentos armazenados na memória. 2º . 3º .] ..

indd 72 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:27 . Conhecimento partilhado O conhecimento partilhado diz respeito aos conhecimentos comuns que o locutor e o interlocutor possuem acerca de determinado texto. p. Ela depende do receptor. Intencionalidade De acordo com Costa Val (2001) a intencionalidade de um texto diz respeito “ao empenho do produtor em construir um discurso coerente. “é armazenado na memória do leitor. Na verdade. esse conhecimento é ativado. A função do leitor é fundamental para a construção da coerência. coeso e capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa de-  72 Teorias Linguisticas 11 . cit. caso contrário. se determinado leitor conseguir atribuir-lhe sentido. as intenções do produtor e do receptor. aceitabilidade. Diante dos estímulos fornecidos pelo texto. porque mesmo um texto sendo inteligível para alguns. os atos de fala. dentro do qual as palavras e expressões do texto ganham sentido”(p. São eles: intencionalidade. nenhum texto é coerente ou incoerente. situacionalidade. Afinal. o jogo de interpretação que se instaura no momento da recepção de dado texto. depende de quem o está lendo. tais como o contexto de situação. Fatores pragmáticos responsáveis pela textualidade Para a obtenção da coerência e o alcance da compreensão concorrem também fatores de ordem pragmática. grau de informatividade e intertextualidade. é preciso que haja correspondência ao menos parcial entre os conhecimentos nele ativados e o nosso conhecimento de mundo.texto. de habilidade em desvendar o sentido do texto. 86). possibilitando a compreensão e a construção da coerência” (op. Fatores como esses influenciam a interação do leitor com o texto e são vistos como o aspecto pragmático dessa interação. de sua atitude de cooperação. a partir das vivências e experiências acumuladas ao longo de sua vida. pois ele abrange basicamente o conhecimento de mundo e o conhecimento textual. pois. 3. A coerência. pois. é. Elencaremos aqui cinco fatores responsáveis pela textualidade. O conhecimento partilhado é essencial para o processo de compreensão. não teremos condições de construir o mundo textual. eles criam condições para que a comunicação se estabeleça. 63).aula 1. por estarem fortemente relacionados ao conhecimento de mundo dos interlocutores. ele será considerado coerente.

mais envolvente”. Grau de informatividade O grau de informatividade se refere às informações veiculadas através dos diversos textos. capaz de levá-lo a adquirir conhecimentos ou a cooperar com os objetivos do produtor” (op. útil e relevante. É a adequação do texto à situação comunicativa”(op. coeso.101). Isso ocorre porque o leitor ao acionar o critério de cooperação. ou impressionar. médio e alto. Aceitabilidade Entende-se por aceitabilidade “a expectativa do recebedor de que o conjunto de ocorrências com que se defronta seja um texto coerente. Assim. 52).” (p. “todo texto se constrói como mosaico de citações. ou pedir. E é ela que vai orientar a confecção do texto” (51). Isso significa afirmar que o grau de informatividade dependerá do repertório cultural do leitor. conhecidas ou não. p. todo texto é absorção e transformação de um outro texto” ( p. Ocorre que um discurso menos previsível é mais informativo. toda produção textual deverá ser compatível com a expectativa do leitor em posicionar-se diante do texto. embora a comunicação apresente falhas de quantidade e de qualidade. 51). E de acordo com Kristeva (1974). ou ofender etc. ou convencer. cit. “em sentido restrito. o contexto é definido como responsável pela textualidade. A meta pode ser informar. não haja vazios comunicativos. tenta compreender os textos produzidos. Situacionalidade A situacionalidade de texto diz respeito “aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. resulta mais interessante. Existem três níveis de informatividade: zero. Ele é medido de acordo com o conhecimento de mundo dos usuários a que o texto é endereçado. embora mais trabalhosa. A cooperação é um critério estabelecido pelo produtor e pelo receptor e permite que. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . todo texto faz remissão a outro(s) efetivamente já produzido(s) e que faz(em) parte da memória social dos leitores.terminada situação comunicativa.aula 1. Intertextualidade De acordo com Koch e Elias (2009). Dessa forma. ou alarmar. pois orienta tanto a produção quanto e recepção de determinado texto. 64). porque a sua recepção. cit. Segundo Costa Val (2001) a informatividade “diz respeito à medida na qual as ocorrências de um texto são esperadas ou não. no plano conceitual ou no formal.indd 73 I SEAD/UEPB  73 10/04/2012 23:20:27 .

Como podemos notar o seu humano sempre se apropria do dito em
seu processo de produção simbólica. E de acordo com essas afirmações, a citação é inerente ao texto. todo texto se constrói em torno de
citações diretas ou indiretas. Segundo COMPAGNON (1996) “escrever, pois, é sempre reescrever, não difere de citar. A citação, graças à
confusão metonímica a que preside, é leitura e escrita, une o ato de leitura ao de escrita. Ler ou escrever é realizar um ato de citação” (p. 34).
Esses fatores de textualidade serão aprofundados nas aulas posteriores.

Vamos praticar?

Atividade III
Nos textos a seguir há trechos que, se tomados, literalmente, levam a uma
interpretação absurda.
TEXTO 1

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TEXTO 2

“João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto
de uma colina árida, cuja frente dava para o leste. Desde o pé da
colina se espalhava em todas as direções, até o horizonte, uma
planície coberta de areia. Na noite em que completava 30 anos,
João, sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua
casa, olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. De repente, viu um cavalo que descia para sua casa. As árvores e as folhagens não lhe
permitiam ver distintamente; entretanto, observou que o cavalo
era manco. Ao olhar de mais perto, verificou que o visitante era
seu filho Guilherme, que há 20 anos tinha partido para alistar-se
no Exército; e, em todo esse tempo, não havia dado sinal de vida.
Guilherme, ao ver o pai, desmontou imediatamente, correu até
ele, lançando-se nos seus braços e começando a chorar”.
(Texto texto ilustrado pela Prof Mary A. Kato)

a. Transcreva os trechos problemáticos dos textos em questão.
b. Diga qual a interpretação absurda que se pode extrair desses trechos.
c. Quais as interpretações pretendidas pelos autores?
d. Reescreva os textos de forma a deixar explícitas tais interpretações.

dica. utilize o bloco
de anotações para
responder as atividades!

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Leituras recomendadas
“A obra expõe a constituição dos
sentidos dos textos e seus fatores,
tais como os elementos linguísticos,
o conhecimento do mundo, as inferências e a situação. Um de seus
capítulos é dedicado ao registro de
como a análise da coerência TEXTUAL pode auxiliar no trabalho do
professor no ensino da língua. Os
autores apresentam uma ampla bibliografia comentada para os interessados nesse campo”.

“Este trabalho da professora universitária e pesquisadora de língua
portuguesa, Irandé Antunes, é mais
do que um trabalho sobre a coesão
e a coerência textuais. É, sobretudo,
um exercício de tradução, em palavras simples e compreensíveis ao
leigo, daqueles conceitos teóricos e
técnicos que aparecem nos sisudos
manuais de linguística textual. E que
muitas vezes passam, sem qualquer
mediação explicativa, para os livros
didáticos, e a professora ou o professor sequer conseguem saber do que se trata. A capacidade de dizer
de maneira simples o complexo é uma das tantas virtudes da obra que
você está começando a ler” (Luis A. Marcuschi).

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(Autor anônimo) Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Texto Subi a porta e fechei a escada.Resumo Estudamos. Para a obtenção da coerência e o alcance da compreensão concorrem também fatores de ordem pragmática. Autovaliação Para Refletir: Depois das discussões promovidas por esta aula acerca dos fatores responsáveis pela textualidade. as intenções do produtor e do receptor.aula 1.. pois o sentido do texto depende de “certo grau de coerência” que abrange os diversos elementos tanto do interior da produção quanto do seu exterior. Os recursos extralinguísticos possuem o mesmo valor dos recursos intralinguísticos para a compreensão global da textualidade. que a coerência textual convive harmoniosamente com a coesão textual. Fatores como esses influenciam a interação do leitor com o texto e são vistos como aspectos fundamentais nesse jogo interativo. nesta unidade. Por isso.. pois criam condições para que a comunicação se estabeleça. tais como o contexto de situação. Elas formam uma espécie de par “opositivo/distintivo”. Tirei minhas orações e recitei meus sapatos.indd 77 I SEAD/UEPB  77 10/04/2012 23:20:28 . Mas a textualidade ultrapassa a coesão gramatical e a lexical. é possível afirmar que o texto abaixo é coerente? Socialize sua resposta no fórum de debates. a coesão não é condição única para que o texto seja um todo significativo. Desliguei a cama e deitei-me na luz Tudo porque Ele me deu um beijo de boa noite. os atos de fala.

São Paulo. Mônica Magalhães. A coesão textual. J. Ática. Campinas: Pontes / UNICAMP. São Paulo: Cortez. Intertextualidade: diálogos possíveis. I. São Paulo: Ática. 2000. 2009. Trad. L. J. Ler e escrever – estratégias de produção textual. ––––––. VILLARI. FERNANDES. Belo Horizonte: Editora UFMG. Círculo do Livro. A interface de estratégias e habilidades. J. 2006. 2002.indd 78 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:29 . Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez. Introdução à semanálise. São Paulo: Perspectiva. A coerência textual. W. Trad. 2007.  78 Teorias Linguisticas 11 . P. 1974. São Paulo. [s/d. L. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Ática.C. Lúcia Helena França Ferraz. CAVALCANTE E BENTES. 2007. Concepções de linguagem e ensino de português. In: Oficina de leitura: teoria e prática. 1996. Contexto. B. Antoine.]. e GERALDI. KOCH. Vanda Maria. KOCH. GERALDI. W. Contexto. São Paulo: Contexto. Millôr. 2009. In: ––– (org). ELIAS. Villaça. Mourão. FIORIN.2000. Ingedore Villaça. TRAVAGLIA. A. & TRAVAGLIA.C. Semântica.aula 1. São Paulo. Anna Christina. R. Lições de texto: Leitura e redação. & SAVIOLI. O texto na sala de aula. KLEIMAN.Referências COMPAGNON. KRISTEVA. Cleonice P. Ingedore G. São Paulo. 2ª ed. Julia. O trabalho da citação. KOCH.. 2001.

aula 1.indd 79 I SEAD/UEPB  79 10/04/2012 23:20:29 .V UNIDADE Intencionalidade. situacionalidade e aceitabilidade: fatores pragmáticos responsáveis pela textualidade Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

pretendemos que vocês verifiquem que o texto se constitui a partir do entrecruzamento dos fatores de intencionalidade.aula 1. Nesta aula. em que é chamado a colaborar. faz-se necessário perceber as intenções do produtor e a receptividade do leitor. O papel do leitor e sua bagagem cognitiva são essenciais na construção da coerência e do sentido do texto. preenchendo as lacunas deixadas pelo texto. E finalmente que o contexto situacional exerce uma função determinante na construção de seu sentido. aceitabilidade e situacionalidade. que participa de modo fundamental do processo de compreensão.Apresentação Na aula anterior procuramos resumir alguns dos conceitos mais importantes com relação à coerência e coesão textuais e relacioná-los com atividades de análise de redações elaboradas por diversos usuários da língua.  80 Teorias Linguisticas 11 . pois para que o texto apresente textualidade.indd 80 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:30 .

• perceba que o contexto situacional é um fator relevante na construção do sentido do texto. queremos que você: • reconheça as marcas de valores e intenções dos produtores de textos em função de seus interesses políticos. ideológicos e sociais.Objetivos Ao término desta unidade. • verifique que a comunicação se efetiva quando se estabelece um contrato de cooperação entre os interlocutores.aula 1. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . expressos linguisticamente.indd 81 I SEAD/UEPB  81 10/04/2012 23:20:30 .

que ganha existência dentro de um processo interacional. que o predeterminam. (Mikhail Bakhtin) Para relembrar: Algumas considerações acerca do texto: REFLEXÃO 1 .o texto possui apenas uma pequena superfície exposta e uma imensa área imersa subjacente. REFLEXAO 3 O texto é um evento sociocomunicativo.. ou a que se opõe ( Koch. pois possibilita que se verifiquem os vários fatores que dizem respeito tanto aos aspectos formais como as relações sintático-semânticas. p. (KOCH. A palavra está sempre carregada de um conteúdo ideológico ou vivencial.aula 1. faz-se necessário o recurso aos vários sistemas de conhecimento e a ativação de processos e estratégias cognitivas e interacionais. quanto às relações entre texto e os elementos que o constituem: produtor. a que alude.30). que retoma. Todo texto é o resultado de uma coprodução entre interlocutores (KOCH.. p. e. 2009.. Para se chegar às profundezas do implícito e dele extrair um sentido. A noção de texto é de suma importância no campo da linguística textual e na teoria do texto. com os quais dialoga.Reflexões iniciais. 2003. que lhe dão origem. fazem parte outros textos. 2003. REFLEXAO 2 Todo texto é um objeto heterogêneo.  82 Teorias Linguisticas 11 . evidentemente.É assim que compreendemos as palavras e somente reagimos àquelas que despertam em nós ressonâncias ideológicas ou concernentes à vida. O texto e a construção dos Sentidos. que revela uma relação radical de seu interior com seu exterior. destinatário e situação sociocomunicativa. Ler e escrever: estratégias de produção textual.. 13). 46). desse exterior. p.indd 82 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:30 .

Vimos na unidade anterior que um texto para possuir textualidade e ser naturalmente bem interpretado necessita que se verifique alguns fatores. do conhecimento linguístico e do conhecimento de mundo. uma vez que são aspectos essenciais na construção de sentido do texto. De acordo com essa autora. A intencionalidade. ou seja. dos saberes acumulados. da consideração e da reação.aula 1. os efeitos de sentido que o texto pode proporcionar ao leitor. os critérios de intencionalidade e aceitabilidade são de suma importância na interação verbal. contribuindo assim. que é proporcionada pela intencionalidade e pela aceitabilidade no jogo dialógico no ato da comunicação Quanto mais o destinatário tiver conhecimento acerca do tema em questão. a intencionalidade é a finalidade de o produtor elaborar um texto com textualidade. pois garante a interação entre autor e destinatário. A situacionalidade de acordo com Marcuschi (2008) “é o critério Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . algo inacabado. dependerá da construção de sentidos. aceitabilidade. A aceitabilidade é a disposição do destinatário de aceitar um texto que possua importância para ele. mais eficaz será a interação entre os interlocutores. tanto pelo conhecimento transmitido como pelo jogo de interação entre autor e destinatário. De acordo com Beaugrande e Dressier os fatoess que conferem sentido ao texto são: intencionalidade. se instaura o processamento estratégico. Tais inferências contribuem para que se percebam também as relações que um texto possui com outros textos. Ingedore Koch define o texto como um produto em constante transformação. que acontece por meio da interação verbal entre interlocutores no ato da comunicação. A textualidade se constitui a partir desses fatores que fazem do texto não apenas uma sequência de frases. mas um todo constituído de sentido. intertextualidade e informatividade. Assim.indd 83 I SEAD/UEPB  83 10/04/2012 23:20:30 . Nesta unidade. para a realização das intenções e efeitos que o texto proporcionará ao leitor. iremos priorizar os fatores intencionalidade. Desse modo. a aceitabilidade e a situacionalidade como fatores imanentes ao texto Como se nota. situacionalidade. proporcionam a percepção da intertextualidade. aceitabilidade e situacionalidade. por estabelecerem maior nível de inferências e relações com outros textos. os princípios de textualidade são de suma importância. do ponto de vista da compreensão. Para que aconteça êxito no processamento estratégico. no entanto a partir da construção de sentido através do conteúdo fornecido.

Sendo que a situação pode ser entendida tanto em sentido estrito (situação comunicativa propriamente dita). Que tal você refletir um pouco? Atividade I Observe os textos abaixo: TEXTO 1 Jornal do Brasil Haiti: cônsul do Haiti culpa macumba pelo terremoto dica. o mundo criado pelo texto não é uma cópia fiel do mundo real. Observamos: “a) da situação para o texto – neste caso. É um critério de adequação textual que se refere aos fatores que tornam o texto importante em dada situação. trata-se de determinar em que medida a situação comunicativa interfere na produção/ recepção do texto. cultural. o mundo representado textualmente é aquele visto pelo produtor. Jorge Samuel Antoine. ambiente etc) em que ele acontece. logo. orienta a própria atividade textual. O lugar e o momento da comunicação vão influir tanto na produção do texto. como na sua compreensão.indd 84 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:30 .” “b) do texto para a situação: também o texto tem reflexos importantes sobre a situação comunicativa. Ao construir um texto o produtor recria o mundo de acordo com seus objetivos. Segundo Koch e Travaglia (2009) esse critério pode ser entendido sob duas óticas. como em sentido amplo (o contexto sócio-político-cultural em que a interação está inserida).que se refere ao fato de relacionamento do evento textual à situação (social. a partir de suas perspectivas”.Naquele que certamente é o pior momento vivido pelo Haiti nas últimas décadas. o cônsul geral do país caribenho em São Paulo. deu uma demonstração de insensibilidade grosseira em relação às milhares de pessoas atingidas pelo terremoto responsável pela devastação do país que Antoine supostamente deveria estar representando diplomaticamente. Reportagem exibida no SBT Brasil mostra o cônsul  84 Teorias Linguisticas 11 . Ela além de interpretar e relacionar o texto ao contexto interpretativo. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! BRASÍLIA .aula 1.

não sei o que é aquilo. declarou o consulado na nota. o consulado também pediu desculpas pelo ocorrido. na outra apóia-se sobre o meu interlocutor.. que tem relação com outras manifestações de origem africana como o candomblé e a santeria... Ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém como pelo fato de que se dirige para alguém. (. ou houve uma intencionalidade por trás de sua afirmação? Se houve intencionalidade a descreva. O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido”. como afirmou em nota explicativa. 22:02 . de Mikhail Bakhtin.) A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim numa extremidade. Em nenhuma oportunidade tomou atitude racista. Antoine deu as declarações à repórter Elaine Cortez sem saber que estava sendo gravado. Antoine usou propriedades que regulam o Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . tão somente. presente no texto 1? Diante da declaração de Jorge Samuel Antoine sobre a tragédia no Haiti. Ao afirmar que “a desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui ficar conhecido”. que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. toda palavra comporta duas faces. tanto mexer com macumba. 1 Tendo com apoio a reflexão do texto 2 sobre o uso interacional da palavra. tendo se expressado. O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá f. A intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo..asp) TEXTO 2 Na realidade.aula 1.br/pextra/2010/01/15/e150114905.indd 85 I SEAD/UEPB  85 10/04/2012 23:20:30 .terra.. 113). Uma das principais correntes religiosas no país é o vodu. como você avalia a declaração do cônsul geral do Haiti. “Lamentamos profundamente o fato ocorrido. Sexta-feira. você concorda que o cônsul realmente não dominava a língua.com. 1929. Antoine decidiu se explicar e culpou a falta de habilidade com a língua portuguesa pelas declarações. p. Acho que de. É interessante que leiam este livro na íntegra. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor (BAKHTIN/ VOLOCHINOV. Em nota. – comentou o cônsul..1 Responda às questões propostas: O fragmento foi retirado da obra: “Marxismo e Filosofia da Linguagem”.15/01/2010 (Fonte: http://jbonline. – A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui ficar conhecido.afirmando que a tragédia no Haiti trouxe bons resultados para o consulado e atribuindo a culpa do terremoto às origens africanas da população e da religião haitiana.

aula 1. E essa atividade textual não “se esgota pelo conjunto dos elementos verbais que a constituem. com a conclusão da atividade anterior.. A coesão é definida como “um conjunto de recursos léxico-gramaticais destinados a prover e a assinalar a interligação semântica entre os diferentes segmentos que compõem a superfície do texto”. Dessa forma. Cada segmento do texto está vinculado entre si de modo que cada unidade está “presa a um outro antecedente ou subsequente”. Soube relacionar os elementos linguísticos e os elementos extralinguísticos em sua atuação verbal. que nenhuma atividade verbal acontece de qualquer jeito. sem nenhuma intencionalidade.. essa coesão não pode ser considerada meramente superficial. Se sua intenção era afirmar que de agora em diante o mundo olharia para o país com outros olhos. que o cônsul utilizou a língua de forma clara e objetiva para expor seu ponto de vista. Vimos que os estudos sobre a coesão e coerência do texto mostram que esses dois critérios são responsáveis pela interrelação entre o linguístico e o extralinguístico em cada forma de manifestação de uso da língua. pois a rede de relações entre o que foi afirmado pelo representante do Haiti no Brasil foi quebrada. foi inoportuna para o momento.exercício da textualidade e especificam os modos de sua relevância linguística e social. Do resultado dessa vinculação “resultam a continuidade e a unidade semânticas necessárias para que a superfície do texto se mostre coerente”. Espero que você tenha percebido. Essa quebra influenciou diretamente no espaço semântico do seu pronunciamento. Consta entre outros fatores. Evidentemente. a ser não ser por meio de textos intencionais. Mas será que a sua intenção era realmente “enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo”? E a imprensa? Como você avalia a ênfase que ela está dando a esse fato? Dando prosseguimento ao nosso diálogo. com a intervenção dos sujeitos participantes” que são responsáveis pela produção da interpretação dos eventos de comunicação em que se encontram inseridos. Como observamos na fala do cônsul do Haiti. De modo que a afirmação do cônsul do Haiti “a desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui ficar conhecido”. A superfície do texto deve está ligada a sua pertinência. a distribuição das palavras em seu texto produziu um efeito contrário e tal contradição refletiu exatamente na relação com os interlocutores.indd 86 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:30 . Todavia.  86 Teorias Linguisticas 11 . o texto não pode ser considerado o resultado de uma atividade autônoma. ninguém fala ou escreve. Cada atividade verbal acontece sob uma condição de contexto verbal e é essa condição que justifica o sentido do texto.

“ a exigência de que um texto deve constituir uma unidade semântica fundamenta o uso dos vários recursos coesivos”. Veja o exemplo abaixo: “No Brasil apenas 1% tem. O texto quebra regras estruturais com a intenção de provocar no leitor um posicionamento diante do que foi exposto. Podemos concluir que coesão e coerência: • são relevantes ao texto no momento em que estão em plena harmonia. para entendermos o conteúdo do texto em questão. numa determinada situação social. que a omissão do complemento do verbo “ter” tem uma função muito importante no que se refere à coerência. nesse contexto. No caso dessa produção. Como afirma ADAM (2008. Note que o autor opta por deixar uma lacuna no texto para provocar. É notório que. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . “as palavras não preenchem a totalidade dos requisitos necessários à sua realização” (como vimos no texto do Millôr). Sendo assim. Como afirma Irandé Antunes (2009. • têm função de promover a interligação semântica solicitada pela unidade textual. Evidentemente. as implicações resultantes das intenções e expectativas desses sujeitos constituem. a ruptura das regras estruturais da língua promoveu um jogo interativo entre interlocutores. Os restantes 99% tem que” (Millôr Fernandes). não basta apenas a disposição de expressões de forma coesa e coerente para produzir a textualidade. também. é composto também por seus elementos extralinguísticos. Mas.aula 1. um tom satírico e contestador. interagem. Como vimos anteriormente. que. p 87) “um texto falho em elementos coesivos concorre para julgamentos de incoerência e dá a entender que o locutor parece ter perdido o controle de sua comunicação”. além da imprevisibilidade. teremos de atentar que todo texto. além de sua estrutura formal. mas apenas essa distribuição não é suficiente para “a determinação de sua relevância comunicativa”. afirmaremos que o texto citado (muitos nem consideram um texto) está incoerente porque lhe falta um complemento. Logo.Logo. produzem juntos uma peça de comunicação. Notamos o que autor legitima essa lacuna por supor que os leitores saberão preenchê-la. Se tomarmos como base de análise apenas os elementos estruturais da língua.indd 87 I SEAD/UEPB  87 10/04/2012 23:20:30 . 79). o que contribui para sua a coerência são os sentidos que o autor atribui ao verbo ter. p. Tais elementos devem ser levados em consideração no momento de análise de toda produção. um texto é resultado de uma atividade exercida por dois ou mais sujeitos. elementos do sentido figurado. É claro que o texto é construído pela distribuição das palavras.

ainda que essa intenção nem sempre se realize na sua totalidade. Ela se refere à postura do destinatário diante do texto como uma configuração aceitável. atribuir coerência ao texto lido” (op. 2008). Permite certo grau de tolerância.. nesse sentido.. têm em mente ou querem que o leitor faça com o texto. Esse critério é um fator relevante para a textualização. o contexto sociopolítico-cultural em que a interação encontra-se inserida. É com base na intencionalidade que podemos afirmar que o texto é produzido com uma finalidade que deve ser compreendida pelo leitor. • intencionalidade. “Da situação para o texto” se refere ao contexto imediato do ato comunicativo. no sentido estrito. interpreta o texto de acordo com seu ponto de vista.indd 88 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:31 . de modo abrangente. orientá-los para a construção de um sentido – um e não o – compatível com a proposta de sentido que lhes estamos apresentando. o processo de interação.. refletir sobre cada escolha e combinação a serem feitas ter sempre em mente aqueles a quem o texto se destina. como vimos. é a intenção do locutor de produzir uma manifestação linguística coesiva e coerente. ao final. O destinatário. cit. há uma mediação entre o mundo textual e o mundo real. especialmente na conversação usual (MARCHUSCI. a intencionalidade. exerce um papel de relevância. • A aceitabilidade é o outro lado da intencionalidade.. procurando.aula 1. 2009.Finalizando a nossa conversa. Entretecer os fios com amor e habilidade. pois se refere aquilo que os produtores do texto pretendem. diante daquilo que é lido.]. oferecer-lhe os meios necessários para. Um texto que é coerente em dada situação pode não sê-lo em outra: daí a importância da adequação do texto à situação comunicativa. 211). Como podemos observar. enfim. Que tal analisarmos um pouco essas propriedades?  88 Teorias Linguisticas 11 . Em síntese: • “a elaboração de um texto consiste em um trabalho artesanal [. De acordo com Marcuschi citando Beaugrande & Dressler. “Do texto para a situação” se refere à recriação do autor do mundo real de acordo com seus propósitos e interesses. p. • A situacionalidade. por meio de pistas linguísticas e extralinguísticas. é o percurso o qual o autor utiliza para satisfazer suas intenções comunicativas. Ela tem duas direções: da situação para o texto e do texto para a situação.

de fato. você consegue perceber a intencionalidade do produtor? c. o que. Ambos os textos atingiram as suas intencionalidades? dica.indd 89 I SEAD/UEPB de anotações para responder as atividades!  89 10/04/2012 23:20:31 . o gato quis dizer ao rato? b. Explique os critérios de situacionalidade e aceitabilidade a partir da leitura do texto em questão.aula 1.Atividade II Observe os textos abaixo e responda às questões propostas: TEXTO 1 TEXTO 2 a. Ao associar os elementos visuais aos elementos verbais do texto 2 . Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . utilize o bloco d. No texto 1.

indd 90 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:31 . em revistas universitárias brasileiras. vistos pela análise penetrante de Luiz Antônio Marcuschi. se apresentam nesta coletânea.Leituras recomendadas ”Este livro procura condensar noções relevantes dessa teoria e aplicá-las a analise de redações de vestibular. em geral. primeiramente. Luiz Antônio Marcuschi reúne alguns textos que escreveu ao longo dos últimos anos. “Nesta obra. Por isso. pesquisadores da área. há muito se ressentem da falta desses textos que. na tentativa de estabelecer um diagnóstico e levantar sugestões para o trabalho com a expressão escrita na escola”. agora.” Dino Preti  90 Teorias Linguisticas 11 . como sempre acontece com publicações desse tipo. muito precárias. são. muitos dos quais provenientes de sua participação em congressos e seminários de Linguística. cuja regularidade e distribuição. um linguista à frente de seu tempo. Vários deles foram publicados.aula 1. Fenômenos da linguagem: reflexões semânticas e discursivas constitui uma excelente oportunidade para conhecer ou revisitar alguns temas polêmicos da Linguística. professores e alunos.

Nessa perspectiva.indd 91 I SEAD/UEPB  91 10/04/2012 23:20:31 . Não existe passividade no processo de interação verbal.aula 1. É a manifestação da participação efetiva dos interlocutores. O Bêbado e A Equilibrista Elis Regina Composição: João Bosco e Aldir blanc Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos. esta unidade mostrou que o ensino do texto deve está pautado nas propriedades: intencionalidade e aceitabilidade presentes na construção de seu sentido.. A lua Tal qual a dona do bordel Pedia a cada estrela fria Um brilho de aluguel E nuvens! Lá no mata-borrão do céu Chupavam manchas torturadas Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Autovaliação Explicite na canção abaixo os critérios de intencionalidade.. de forma coesa e coerente. a atividade verbal acontece mediante a intervenção dos sujeitos participantes que se predispõem para produzir e interpretar. Diante disso. confeccionar um texto é promover um diálogo entre língua e sociedade. aceitabilidade e situacionalidade presentes em sua constituição. as manifestações linguísticas que efetivam. A atividade linguística só é possível quando produto e destino empenham-se por encontrar o sentido de um enunciado.Resumo Em diálogo com as unidades anteriores.

.aula 1... Com tanta gente que partiu Num rabo de foguete Chora! A nossa Pátria Mãe gentil Choram Marias E Clarisses No solo do Brasil.... Que sonha com a volta Do irmão do Henfil. Dança na corda bamba De sombrinha E em cada passo Dessa linha Pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista Sabe que o show De todo artista Tem que continuar.. Mas sei. Meu Brasil!. que uma dor Assim pungente Não há de ser inutilmente A esperança.Que sufoco! Louco! O bêbado com chapéu-coco Fazia irreverências mil Prá noite do Brasil.indd 92 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:31 ...  92 Teorias Linguisticas 11 ..

com.L. Luiz Antônio. (org. COSTA VAL. São Paulo: Contexto. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. _________. Charge Imagem e palavra numa leitura burlesca do mundo.indd 93 I SEAD/UEPB  93 10/04/2012 23:20:31 . 2009. B. São Paulo: Parábola Editorial. In: A Coerência Textual. 17ed. Petrópolis. BRAIT. In: Produção textual. TRAVAGLIA. BAKHTIN. M. Irandé. 2008. KOCH. São Paulo: Martins Fontes. Processos de produção textual. Luiz Carlos. São Paulo:Hucitec. OLIVEIRA. ANTUNES. ELIAS. análise de gêneros e compreensão. 2001. Redação e textualidade.Simões de. 2008. Campinas. São Paulo: Contexto. 2003. 2009. M. Marxismo e filosofia da linguagem. http://jbonline. Língua texto e ensino outra escola possível. KOCH. 1995.br/pextra/2010/01/15/e150114905. Ler e compreender – os sentidos do texto. 2009. KOCH. MARCHUSCI. M.aula 1. SP. O texto e a construção dos Sentidos.terra. Coerência e Ensino. :Editora da Unicamp. Ler e escrever – estratégias de produção textual. São Paulo: Parábola Editorial.) Bakthin. Vanda Maria. 1997. São Paulo: Contexto. São Paulo: Contexto. 2009.asp Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . J. dialogismo e construção de sentido. Ingedore Villaça. 2004. Ingedore Villaça. São Paulo: Cortez. Maria da Graça. Rio de Janeiro: Vozes. Ingedore Villaça.Referências ADAM.

 94 Teorias Linguisticas 11 .aula 1.indd 94 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:31 .

aula 1.indd 95 I SEAD/UEPB  95 10/04/2012 23:20:32 .VI UNIDADE Intertextualidade: uma forma de reflexão crítica sobre o estudo do texto Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

Nesta unidade. Por isso.aula 1.indd 96 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:32 . aceitabilidade e situacionalidade. Para tanto. percebemos que atividade verbal acontece a partir da intervenção dos sujeitos participantes que se predispõem para produzir e interpretar as manifestações linguísticas que efetivam.Apresentação Na unidade anterior. Assim. fez-se necessário o estudo das propriedades: intencionalidade.  96 Teorias Linguisticas 11 . a atividade linguística só é possível quando produto e destino empenham-se por encontrar o sentido de um enunciado. destacamos que essas propriedades se constituem como elementos responsáveis pelo caráter interativo do texto. estudaremos como o critério da intertextualidade se comporta no texto como um modo de recuperação da história do homem e como condição inerente à produção humana.

aula 1. • A intertextualidade se dá tanto na produção como na recepção da grande rede cultural. • Referências. paráfrases.indd 97 I SEAD/UEPB  97 10/04/2012 23:20:32 .Objetivos Ao final desta unidade. esperamos que você entenda que: • Todo texto faz remissão a outro texto efetivamente já produzido e que faz parte da memória social dos leitores. paródias ou pastiches são algumas das formas de intertextualidade. alusões. epígrafes. de que todos participam. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

 98 Teorias Linguisticas 11 .. 294). da cultura e dos estereótipos. o autor se valha daquilo que já vivenciou. simplesmente os pressupõe já conhecidos do ouvinte). É natural que. A enunciação ocorre na relação com o outro e só desta forma é que ganha sentido.. De acordo com a teoria de Bakhtiniana acerca do dialogismo.. Ao dialogar conscientemente com um texto anterior. tanto quem produz um texto quanto quem o recebe recorre ao conhecimento prévio de outros textos.Para começo de conversa. pois todo texto faz remissão a outro texto ainda que inconscientemente. p.indd 98 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:33 . porque sempre um texto dialoga com outro que o antecedeu no tempo e no espaço de sua produção.] todo falante é por si mesmo um respondente em maior ou menor grau: porque ele é o primeiro falante. mas também de alguns enunciados antecedentes – dos seus e alheios – com os quais o seu enunciado entra nessas ou naquelas relações (baseia-se neles. Evidentemente. pois [. os enunciados produzidos só adquirem sentido quando ocorre a interação verbal. cit. 2003. 2003. nem sempre o autor faz referência à fonte. p. o primeiro a ter violado o terno silêncio do universo do universo. que “se forma e se desenvolve em uma interação constante e contínua com os enunciados individuais dos outros” (op.aula 1. De acordo com a Linguística Textual a intertextualidade é um dos fatores de textualidade. polemiza com eles. Dessa interação constante entre os textos emerge o caráter intertextual. ao elaborar um texto. A própria constituição da palavra intertextualidade já deixa notória a relação que existem entre os textos. Os conceitos referentes à intertextualidade são objetos de reflexão constantes na linguística contemporânea. que o sentido de texto aqui é visto como um recorte significativo feito no processo ininterrupto na imensa rede se significações dos bens e valores culturais. Desse modo. O conhecimento prévio sobre algo que foi exposto anteriormente é de grande importância para elaboração de um sentido ao novo texto. assim como contribuem com os conceitos que se instauram do mundo.. Assim ocorre a experiência discursiva individual. Cada enunciado é um elo na corrente complexamente organizada de outros enunciados (BAKTHIN. pois imagina que o leitor ative seu conhecimento de mundo e compartilhe com ele das informações a respeito dos textos que compõem um determinado universo cultural. e pressupõe não só a existência do sistema da língua que usa. 272).

75). fotografia. no cinema.indd 99 I SEAD/UEPB  99 10/04/2012 23:20:33 . pintura. o que é um traço fundamental da arte na virada do milênio. autêntico representante do nouveau cinéma francês. aos olhos de quem a produz. Compartilhando o seu espaço com as artes de modo geral. por exemplo. dirigido por Robbe-Grillet. Machado (1997. A começar pela escolha da cidade. o que exige permanente atitude de alerta da parte do espectador. diálogos e cenas que se repetem e por uma linguagem cinematográfica que congrega várias outras. Marcado por uma multiplicidade de imagens. por exemplo. alargou-se internamente. é uma produção atravessada por diversos discursos que remetem para uma evidente metalinguagem. As referências a outras situações e lugares são muitas. As diversas transformações verificadas na arte em geral têm levado muitos artistas a dialogarem não com a realidade aparente das coisas. Vejamos como isso se configura: 1. segundo Calvino (1990. 237). Esse procedimento intertextual a partir do entrecruzamento de linguagens é amplamente usado tanto por Caio em sua novela como por Robbe-Grillet na direção de seu filme. p. na República Tcheca. 2006. elaborando narrativas. ao se apropriar de uma vasta gama de materiais estilísticos e formais pertencentes a outros espaços artísticos. p. a intertextualidade “encontra-se na base de constituição de todo e qualquer dizer” (KOCH. por exemplo. a tela se converte num “espaço topográfico” em que os distintos recursos imagéticos. escapa a qualquer tentativa de análise que se paute pela linearidade clássica. “Bem Longe de Marienbad” e o filme “O ano passado lá em Marienbad”. onde se praticava o mesmo jogo em que se arriscam as personagens do filme.O ano passado lá em Marienbad sob a direção de Robbe-Grillet L’année dernière à Marinebad. Dessa forma. verbais e sonoros vêm efetuar-se de forma a diluir as fronteiras formais e materiais entre esses recursos e as linguagens. vídeo. mas com a realidade da própria linguagem. 238) afirma que. música.Dessa forma.aula 1. Sobre essa nova tendência da arte na contemporaneidade. em que se verifica nitidamente um narrador que mais parece um diretor cinematográfico. Não raro os escritores se utilizam de recursos que são tipicamente do cinema. famosa pelos hotéis luxuosos frequentados por espiões durante a Guerra Fria. conduzindo as cenas do enredo da história. teatro. Também a guerra configura uma temática recorrente Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . essa multiplicidade como traço fundamental. “o mundo é visto e representado como uma trama de relações de uma complexidade inextricável em que cada instante está marcado pela presença simultânea de elementos os mais heterogêneos”. como se pode constatar na novela de Caio Fernando Abreu. a linguagem literária.

1997.neste cinema que se aproxima da literatura dos nouveaux romanciers. São várias formas artísticas que a formam. o amante tem um momento de conscientização do seu papel e resolve procurar sua amada. Na abertura do filme ocorrem ações simultâneas com montagens paralelas.244). as instâncias em que se cruza a metadiscursividade. As partes que compõem o quadro da trama se deslocam para os mais diversos contextos espaciais e temporais. percebem-se. Nesse sentido. estabelecendo uma ponte com o público a partir do que essas cenas representam.] a imagem eletrônica se mostra ao espectador não mais como um atestado da existência prévia das coisas visíveis. a tela transforma-se em espaço mosaicado e. é o narrador que rege o olhar em torno das cenas que ele fragmenta. Ao se ver representado no espetáculo. na década de 60. dizendo que O ano passado lá em Marienbad é um melodrama passional de cunho intimista que. controla os afetos do espectador e a ma-  100 Teorias Linguisticas 11 . sobrepondo-se em aspectos que se cruzam. A utilização desse recurso cinematográfico. A imagem se oferece agora como um “texto” para ser decifrado ou “lido” pelo espectador e não mais como paisagem a ser contemplada (MACHADO. A cena inicia-se a partir da atitude observadora do narrador (suposto amante) de uma peça teatral e reproduz exatamente a sua situação: um casal de amantes discute a relação e a fala da mulher reproduz o fim do relacionamento.indd 100 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:33 .. o narrador descreve a decoração pesada do ambiente e essa descrição vem acompanhada de um som que reforça o efeito de peso. Nesse sentido. Representa hoje o local de convergência de todos os novos saberes e das sensibilidades emergentes que perfazem o panorama da visualidade(e também da musicalidade. Na observação inicial dessa trama. Podemos antecipar uma conclusão. mas explicitamente como uma produção do visível. Ambos combinam. p. como efeito de mediação.. baseado na montagem alternada de ações paralelas.aula 1. imediatamente. vai proporcionando uma interiorização e subjetivação. que traz a peça teatral para dentro do filme. da verbalidade) deste final de século [. Na película de Robbe-Grillet. de maneira a exteriorizar o ponto de vista do narrador da trama. sendo o próprio Robbe-Grillet um dos seus representantes.

A forma como o narrador interage com o público faz deste uma testemunha e também cúmplice involuntário do desenrolar da trama. de desconexão verbal é suplementada pela estratégia da repetição de cenas. Essa mistura de linguagens presente na narrativa de Abreu. A excessiva fragmentação narrativa desse texto pode ser encarada como qualidade ou apontada como uma debilidade na construção da história. Assim como narrador da película. mas ainda assim inusitada. Bem longe de Marienbad. proporcionando assim. como faz a literatura com o leitor. o narrador protagonista na novela de Caio é uma recriação do primeiro. novela e filme.seja para transformar autores em personagens. como no filme. pois traz para o lugar cinematográfico uma instância narrativa que forja o tempo e o espaço. de Caio Fernando Abreu Causando menos estranhamento. expressões. como observa Machado (1997. capaz. A impressão. assim como no filme de Robbe-Grillet. situações. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Nesse ponto. Em sua novela o autor usa e abusa do expediente intertextual transitando em um espaço provisório. 2. cria um narrador que exerce abundantemente sua condição de diretor cinematográfico.neira como este reagirá aos acontecimentos encenados. o cinema se aproxima da construção literária. Ele existe no espaço fílmico. convive harmonicamente com o apelo da busca do eu total que. ao mesmo tempo.aula 1. percebemos a proposta de Caio Fernando Abreu em Bem longe Marienbad. almeja a unificação.indd 101 I SEAD/UEPB  101 10/04/2012 23:20:33 . 140): “o cinema aproxima-se cada vez mais do ideal literário de uma narrativa controlada nos seus mínimos detalhes. não rara. uma vez que como o narrador do filme ele entrecruza as linguagens e transforma o ambiente ao seu redor em um espaço cinematográfico. um efeito que aflora com os sentimentos do espectador. de trabalhar os afetos do espectador na sala escura”. época em que se situa a novela. parecem apostar no hibridismo das linguagens como novo modelo estético que se diferenciará da tradição. p. por mais que se apresente em fragmentos. Ambos. essa hibridização figura como interlocutora assídua no universo carnavalizado das referências. Os anos 70 no Brasil. ou apenas para a desmitificação da postura vitalista da contracultura cujo lema era o discurso ideal de vida “faça amor e não faça guerra”.

A mesma coisa acontece na novela de Caio.A novela Bem longe de Marienbad. instituindo esteticamente o caos em busca da ordem. podemos perceber que a relação intertextual existente entre as obras analisadas pode ser considerada como uma tradução. Muda-o. o autor atribui vida a um narrador que será protótipo de boa parte de sua poética: de maneira introspectiva. Veja que através da manipulação do espaço e do tempo a montagem das cenas paralelas na película assume-se como a principal força organizadora em termos da construção de significados. Literatura e cinema interagem com a nossa perspectiva. atordoado ante a sensação de impotência do narrar. e é essa experiência de tempo que faz tanto o espectador quanto o leitor reagirem em suas observações. através de digressões. A função desse narrador. conservando os sentidos da primeira no ato da releitura. podemos afirmar que existe uma relação intertextual entre a película e a novela. Vamos colocar essa teoria em prática?  102 Teorias Linguisticas 11 . predominantemente escrita em primeira pessoa. é constituir as formas de recuperar sua totalidade. situando assim desta forma uma ou várias personagens (ou as suas memórias) em diversos tempos e espaços ao mesmo tempo. no congresso Abralic: Diálogo entre Literatura e outras artes. uma vez que ambos apresentam uma experiência de tempo. o narrador captura os momentos reais em que. coaduna um cenário de ocorrências que estrutura um enredo entrecortado por vozes e situações distintas buscando retratar identidades imersas em conflitos construídos a partir das suas inaptidões no lidar com seus vários eus. A postura desse narrador evolui do entusiasmo inicial à escritura fortemente contestadora que se estrutura numa forma de dizer e articular experiências existenciais singulares que funcionam como marca engajada em torno das representações da sensibilidade e dos vazios deixados por essa contracultura radical. oferece ao narrador uma posição privilegiada. pois apresenta no texto um efeito centrípeto. A lentidão encoraja quem está assistindo ou lendo a pensar. mas sempre dentro do momento das personagens envolvidas. Dessa forma.1 Texto adaptado do artigo: Cruzamentos e fronteiras nos espaços do cênico e do literário. 2008. Pela comparação feita entre cinema e literatura.indd 102 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:33 . A novela e a película são lentas. 1 Posto isso. Tanto no filme quanto na novela a participação do espectador e do leitor afeta o texto.aula 1. pois as obras nos favorecem pensar como a história se relaciona com a nossa própria experiência. que nos coloca em diversos tempos e espaços dentro da narrativa. apresentado por Elisabete Borges Agra e Eneida Dornellas de Carvalho.

.Cheia de graça.. Acione o seu conhecimento de mundo e comente o recurso da intertextualidade utilizado por Jorge de Lima no poema citado. e as estampas de meu catecismo para o meu sonho de ave! E isto tudo tão longe.. lá longe. lá no azul.. um crepúsculo de ouro.. Ave cheia de graça ...”bendita sois entre as mulheres.indd 103 I SEAD/UEPB dica. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . meus brinquedos. tão longe.... e as mãos de minha mãe sobre o meu sonho. bendita!” Bendita! Os outros meninos. bendito é o fruto do vosso ventre.. a vida era tão pura. a burrinha do vigário  pastando  junto à capela.             “. havia. a casaria branca de  minha terra. o Senhor é convosco.”  A tarde era tão bela. meus irmãos  menores.aula 1.. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  103 10/04/2012 23:20:33 ..” E as mãos do sono sobre os meus olhos.... minha irmã.. (Jorge de Lima) 1..Atividade I Leia o texto a seguir e responda à questão proposta: Ave Maria cheia de graças.  as mãos de minha mãe eram tão doces. lá longe..

mantendo. Veja que Mauricio de Souza recorre sutilmente ao conhecimento de mundo do leitor. entretanto retoma o enunciado anterior com outras palavras. essencialmente. Para Afonso R. É um processo no qual o texto “reformulador mantém com o texto anterior uma relação de equivalência semântica”. É uma espécie de adaptação do texto original.Continuando a nossa conversa... Paráfrase Esse recurso se constitui a partir da interpretação de um texto com as próprias palavras daquele que interpretou.aula 1. de Sant`Anna “a percepção desse recurso depende exclusivamente do leitor.indd 104 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:33 . Tipos de relações intertextuais: Observe as tirinhas abaixo: Alusão A alusão é uma forma subtendida de citação: há uma sutileza do autor ao se referir ao texto de outrem.. quando recorre à teoria da relatividade associando imagem a texto. com a intenção de promover um diálogo entre os interlocutores. Portanto. A paráfrase não anula o que foi dito anteriormente.] o que equivale a dizer que são recursos percebidos por um leitor mais informado. [. o ponto de vista da produção interpretada. mantém uma re-  104 Teorias Linguisticas 11 .

contudo. A rês estava quase esfolada. nenhuma outra árvore surgia. pedra do diabo! Topada desgraçada! Papai. em menino.aula 1. verdejava a copa hospitaleira na desolação cor de cinza da paisagem. donde escorria uma água purulenta. E vamos aproveitar. O vaqueiro também se achou no direito de tomar seu quinhão de abrigo e de frescura. algumas crianças. Chico Bento se dirigiu aos esfoladores:      – De que morreu essa novilha.. Só aquele juazeiro. me dá um taquinho de rapadura!      – Ai. o calor. A cabeça inchada não tinha chifres. o cansaço. dois homens. Um exemplo corriqueiro de paráfrase é a síntese. sem.      Em toda a extensão da vista. pedindo de comer. Só dois ocos podres.      Cordulina ofegava de cansaço. marcava onze horas. uma mulher nova. de 1989.      E Chico Bento pensava:      – Por que. Nós já achamos ela doente. enojado:      – E vosmecês têm coragem de comer isso? Me ripuna só de olhar.lação de retrospectiva com o texto parafraseado. com a faca escorrendo sangue. a inquietação. lambendo os pés queimados. se não é da minha conta?      Um dos homens levantou-se. todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha. A Limpa-Trilho gania e parava. os homens esfolavam uma rês e as mulheres faziam ferver uma lata de querosene cheia de água. Observe o exemplo abaixo: Exemplo 1 O QUINZE 2      Debaixo de um juazeiro grande.      Encostando-se ao tronco. uma vez que consiste em reproduzir a essencialidade do texto resumido.indd 105 I SEAD/UEPB Exemplo retirado de uma proposta de vestibular da UFPB.. debaixo desse pé de pau?      O juazeiro era um só. vamos comer mais aquele povo. mal cheirosos. Quando Chico Bento. sempre aparecem com o nome de fome?      – Mãe. no céu.      Chico Bento cuspiu longe. abanando o fogo com um chapéu de palha muito sujo e remendado..      E depois de arriar as trouxas e aliviar a burra. eu queria comer. com seu grupo. devastado e espinhento. um fartum sangrento envolvendo-o todo:      – De mal-dos-chifres. fugir do seu ponto de vista. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . 2  105 10/04/2012 23:20:33 .. as mãos tintas de vermelho. mode não dar para os urubus. condensa aquilo que o autor discutiu amplamente. apontou na estrada.      O sol.      Os meninos choramingavam. reparou nos vizinhos.

É ferida que dói e não se sente. um bando de retirantes tentava aproveitar uma vaca já em estado de putrefação. era uma festa para os urubus vê-la.      Chico Bento alargou os braços. para combater-lhe a fome de dois dias.. Não sente inveja ou se envaidece.indd 106 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:33 . (Rachel de Queiroz ) Síntese Arranchados sob um juazeiro. É só o amor! É só o amor Que conhece o que é verdade. formando um grande bloco sangrento. lá de cima. O amor é bom. não quer o mal. E para comemorar o achado executavam no ar grandes rondas festivas. tenho um bocado no meu surrão!      Realmente a vaca já fedia. Quando Chico Bento. Rebolem essa porqueira pros urubus. lá da frieza mesquinha das nuvens. compadecendo-se daquela situação. num grande gesto de fraternidade:      – Por isso não! Aí nas cargas eu tenho um resto de criação salgada que dá para nós. divide com os miseráveis o resto de alimento que trazia. O amor é o fogo que arde sem se ver.      Toda descarnada. que já é deles!      Eu vou lá deixar um cristão comer bicho podre de mal. Sem amor eu nada seria. por causa da doença..     O outro explicou calmamente:      – Faz dois dias que a gente não bota um de-comer de panela na boca. negrejando as asas pretas em espirais descendentes.aula 1. com o seu bando. deixando o animal para os urubus. aproxima-se também em busca de abrigo e. em meio àquela desolação. EXEMPLO 2 MONTE CASTELO/ LEGIÃO URBANA Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos.  106 Teorias Linguisticas 11 .

É querer estar preso por vontade. é dor que desatina sem doer. é um cuidar que ganha em se perder. é um contentamento descontente. É solitário andar por entre a gente. Todos dormem. é nunca contentar-se de contente.É um contentamento descontente. Amor é fogo que arde sem se ver/ Luís Vaz de Camões Amor é fogo que arde sem se ver. Mas então veremos face a face. É um ter com quem nos mata a lealdade. é ferida que dói. Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos. é servir a quem vence. lealdade. É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade. Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor eu nada seria. É um não querer mais que bem querer. Sem amor eu nada seria. É cuidar que se ganha em se perder. Tão contrário a si é o mesmo amor. É só o amor! É só o amor Que conhece o que é verdade. e não se sente. Agora vejo em parte.aula 1.indd 107 I SEAD/UEPB  107 10/04/2012 23:20:34 . se tão contrário a si é o mesmo Amor? Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . É um não contentar-se de contente. o vencedor. É servir a quem vence. é um andar solitário entre a gente. é ter com quem nos mata. É um estar-se preso por vontade. o vencedor. Estou acordado e todos dormem. Todos dormem.

5 a.) como “o pai da paródia”. como uma espécie de contracanto. registraria que o termo grego paródia implicava a idéia de uma canção que era cantada ao lado de outra.C. porque ele usou o estilo épico para representar os homens não como superiores ao que são na vida diária. gênero que na Antiguidade servia para apresentar os heróis nacionais no mesmo nível dos deuses. como arte. No entanto já em Aristóteles aparece um comentário a respeito desta palavra. é musical. apontam Hipponax de Éfeso (séc. A isto se referem vários dicionários de literatura. A origem.ode)”. Alguns autores. Shipley . mas como inferiores. b) formal — em que o estilo e os efeitos técnicos de um escritor são usados como forma de zombaria. O termo paródia tornou-se institucionalizado a partir do séc. e) temática — em que se faz a caricatura da forma e do espírito de um autor.C. A epopéia. 17. então. Essa definição implica o conhecimento de que originalmente a ode era um poema para ser cantado. Em sua Poética atribuiu a origem da paródia. A tragédia e a epopéia eram gêneros reservados a descrições mais nobres.). Teria ocorrido. 6 a. portanto.  108 Teorias Linguisticas 11 . Significados É mais importante ir rastreando. a Hegemon de Thaso (séc. por exemplo. nos dá uma definição curta e funcional: “paródia significa uma ode que perverte o sentido de outra ode (grego: para.aula 1. O dicionário de literatura de Brewer.Paródia Observe o texto abaixo do autor Affonso Romano de Sant’anna acerca do recurso intertextual paródia: Começo por redefinir paródia traçando uma breve história do termo e vendo como modernamente se aprofunda o seu entendimento. O próprio Shipley. no seu dicionário de literatura discrimina três tipos básicos de paródia: a) verbal — com a alteração de uma ou outra palavra do texto. enquanto a comédia era o espaço da representação popular. Por isto. mais acuradamente. Em literatura acabaria por ter uma conotação mais específica. sofria agora uma degradação. uma inversão. Essa observação de Aristóteles revela um enfoque marcadamente ético e mostra que os gêneros literários eram tão estratificados quanto as classes sociais. tais definições nunca constituíram um grave problema. Aliás. por enquanto. as definições do termo.indd 108 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:34 . no entanto.

Affonso Romano de.Modernamente a paródia se define através de um jogo intertextual.indd 109 I SEAD/UEPB  109 10/04/2012 23:20:34 . Por isto é que é necessário trabalhar mais essa questão da intertextualidade. ou seja. minha fazenda Kara foi arrasada pelos ianques! – “E o que sobrou o vento levou”: Se a paráfrase funciona como um efeito centrípeto. Também ocorre na paráfrase. a paródia funciona como um efeito centrífugo. como veremos mais adiante em Manuel Bandeira. nesse caso. pode-se falar de intertextualidade (quando um autor utiliza textos de outros) e intratextualidade (quando o escritor retoma sua obra e a reescreve).]a paródia é como a lente: exagera os detalhes de tal modo que pode converter uma parte do elemento focado Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Paráfrase & Cia. A esse respeito... considerando-a como um subgênero. De uma maneira geral. e Bakhtin. Leia a história em quadrinhos do Maurício de Souza. como observaremos oportunamente. no entanto. São Paulo: Ática.aula 1. ela descentraliza o texto parodiado.] falar de paródia é falar de intertextualidade das diferenças [. Aproximavam-na do burlesco. Sabe-se que o quadrinho tem a intenção de provocar o humor a partir da relação que o leitor fará do texto anterior com o texto parodiado. considerando-a um mero sinônimo de pastiche. ou seja. de acordo com Romano de Sant’anna. está voltada para a diferença entre a proposta do filme e a proposta do quadrinho. 1919. nisso reside a diferença.. mesmo autores mais contemporâneos definem a paródia também por contiguidade.. não é típica da paródia. 1928) definiam a paródia dentro de uma certa sinonímia. porém. A ridicularização. 2003 3 Como podemos notar. a paródia é um texto que subverte a mensagem do texto que o inspirou. um trabalho de ajuntar pedaços de diferentes partes de obra de um ou de vários artistas. os autores que antecederam os dois formalistas (Tynianov. Nesta linha. Paródia. cujo diálogo já indica a intenção paródica do filme “O vento levou”: -“Oh. Essa anotação. De acordo com Romano de Sant`Anna(2003) “[. Note que ao decorrer ao título do filme a personagem de Maurício de Souza estabelece um diálogo com ele pautado na ridicularizarão.3 SANT’ANNA.

E eu diria. que a paródia é um ato de insubordinação contra o simbólico. Havia minutos que. Depois das grandes borrascas e chuvas. pois o pastiche associa-se à imitação de um estilo. de esterilidade ou de abundância.indd 110 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:34 . 33). esqueceu-se naquela ardente contemplação. recostando-se à ombreira de uma porta de escritório. se o leitor conhece a obra imitada. cheios do brilho profundo e fosforescente que naquele momento derramavam pelo semblante de Amélia. uma maneira de decifrar a Esfinge da Mãe Linguagem. Observem: Texto de referência A Pata da Gazela José de Alencar Simples no trajo e pouco favorecido a respeito de beleza. percebe claramente trechos inteiros sendo copiados. caindo aí. portanto. forma-se também no coração do homem um humo poderoso. Sem disfarce ou acanhamento. Sendo uma rebelião. Ela difere da paráfrase na medida em que a paráfrase se assemelha àquele que dorme edipianamente cego no leito da Mãe Ideologia. Ela mata o texto-pai em busca da diferença. ele tem suas estações. suas quadras de aridez ou de seiva. a semente. O coração é um solo. os calores do sol produzem na terra uma fermentação. usando ainda um raciocínio psicanalítico.num elemento dominante. brota com rapidez. os dotes naturais que excitavam nesse moço alguma atenção eram uma vasta fronte meditativa e os grandes olhos pardos. a parte pelo todo. Ele é a forma mais polemica de intertextualidade. E o gesto inaugural da autoria e da individualidade (p. Depois das grandes dores e das lágrimas torrenciais. como os outros vales da natureza inanimada. Entretanto traduzir as formas como sinônimo é um equivoco. pois ambos envolvem imitação. Glauco Mattoso de posse desse recurso intertextual e remonta a obra de Alencar “A pata da gazela”numa espécie de versão transviada. avistara a moça recostada nas almofadas. É uma espécie de colagem. invertendo. Ele pode ser entendido como uma colagem ou montagem do texto “original”. que forma o humo. Pastiche O pastiche é uma forma de intertextualidade parecida com a paródia.aula 1. percorrendo a Rua da Quitanda em sentido oposto à direção do carro. uma  110 Teorias Linguisticas 11 . Vale onde brotam as paixões. e sentira a seu aspecto viva impressão. pois a obra literária é imitada diretamente de outra. como se faz na charge e na caricatura. a paródia é parricida.

é semente de paixão e pulula com vigor extremo. aí vem! — Felizmente! disse Amélia. que parecia despedir os fogos surdos de uma labareda oculta. Notando Amélia a insistência do mancebo. Versão transviada Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Até que abriu o chapeuzinho-de-sol para interceptar a contemplação apaixonada de que era objeto. que aí penetre. não somente nas roupas negras. incutia nela um desassossego íntimo. Agitava-se impaciente. um sorriso. que frequentemente se debruçava para ver quando vinha o lacaio. Nesta ocasião. como uma criatura no meio de um sono inquieto ou mesmo de um ligeiro pesadelo.indd 111 I SEAD/UEPB  111 10/04/2012 23:20:34 . Laura. e na mágoa que lhe escurecia a fronte. como na cor macilenta das faces nuas. ficou vivamente contrariada. retraiu o corpo com vivacidade: — Enfim. O moço parecia estar nessas condições: ele trajava luto pesado. Então um olhar. Aquele olhar profundo.exuberância de sentimento que precisa de expandir-se.aula 1.

] não é pura repetição. É a revelação do inconsciente obsceno dos românticos e até mesmo dos historiadores de alta estirpe. É naturalmente uma versão transviada da obra de Alencar. Enquanto em “A pata da gazela” prevalece a pura contemplação/ idealização do sexo. mas modificando completamente o perfil sexual dos personagens e o tipo de intriga em que se envolvem” (p. em “A planta da donzela” esse desejo sublimar se transforma em incessante masturbação. A planta da Donzela é uma abertura desenfreada de sentidos. De acordo com Ítalo Moriconi (2005) “A planta da Donzela” é um pastiche que “se combina com a paródia [. É a liberação em ato. Em relação ao decoro de Alencar... A planta da donzela refaz o jogo d’ A pata da gazela”. de mau gosto. Glauco utiliza-se do espírito sardônico da paródia para colocar a nu temas e percepções que os textos românticos e os clássicos modernistas deixaram na sombra. reaproveitando cenas inteiras do livro de Alencar .indd 112 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:35 .Existe um antagonismo presente nessas obras que são fundamentais para se entender o processo intertextual proporcionado pela leitura de “A planta da donzela”. E nessa área da paródia literária. 220).aula 1. ia” da mulher devassa que chicoteia seu parceiro submisso. Atividade II Leia a composição abaixo. como Gilberto Freire. mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Nada do que não era antes quando não somos mutantes E foste um difícil começo  112 Teorias Linguisticas 11 . de Glauco Mattoso. de Caetano Veloso e responda o que se pede: Sampa Composição: Caetano Veloso Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas Ainda não havia para mim Rita Lee A tua mais completa tradução Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João dica. o autor também é mestre. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi. É o grito de “ia.

nas vilas. graças à socialização da palavra. favelas Da força da grana que ergue e destrói coisas belas Da feia fumaça que sobe. leva-nos ainda à humilde conclusão de que o verbo que consideramos nosso é de certa forma o verbo de todos. na roda dos amigos.aula 1. 1994. Como exemplo de texto em que se realiza a intersecção de muitos diálogos. Verifica-se que o compositor utiliza-se desse recurso para estabelecer o diálogo com outros textos. Ele pode ser encontrado no seguinte endereço:www. Encerrando a nossa conversa. de que no lar. Usinadeletras. na escola. Ative o seu conhecimento de mundo e identifique com quem Caetano dialoga para descrever São Paulo em sua variedade. que se instala no interior de cada texto e o define”.Afasto o que não conheço E quem vende outro sonho feliz de cidade Aprende depressa a chamar-te de realidade Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso Do povo oprimido nas filas. nem sequer os intelectuais. p 4). Todavia. na leitura.. php?cod=237&cat=Ensaios&vinda=S 4 A teoria da intertextualidade. apagando as estrelas Eu vejo surgir teus poetas de campos. nunca ninguém deve esquecer.com. teus deuses da chuva Pan-Américas de Áfricas utópicas. (Barros. E aqui vem. Todos os falantes humanos têm naturalmente uma base de partida para elaborar sua comunicação escrita ou falada dentro de um código próprio da comunidade a que pertencem mas é em seu ato singulativo que a palavra toma o sentido da pessoa e da individualidade. túmulo do samba Mais possível novo quilombo de Zumbi E os novos baianos passeiam na tua garoa E novos baianos te podem curtir numa boa Entendemos que a intertextualidade é “o diálogo entre os muitos textos da cultura.. Originalidade e intertextualidade 4 OTexto de autoria de João Ferreira (2000) no ensaio intitulado: Os meandros e as fronteiras da intertextualidade. nos livros. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . espaços Tuas oficinas de florestas. na escuta das informações da imprensa ou na Internet.indd 113 I SEAD/UEPB  113 10/04/2012 23:20:35 . nós estamos apenas no circuito de linguagem que é nossa e dos outros e que o caráter intertextual da expressão e da linguagem nos mostra o patrimônio comum de que participamos nesta grande teia universal do pensamento e da comunicação escrita e falada no seio dos códigos da linguagem. a termo.br/exibelotexto. temos a fala poética de Caetano Veloso na composição “Sampa”. a distinção feita por Saussure entre língua e fala. além de nos ensinar que entre os humanos a linguagem é circulante e que os conceitos se desdobram em ondas de comunicação temporal e intemporal entre humanos.

Esses procedimentos tornam o leitor mais crítico e reflexivo.aula 1. recorreram a tal expediente para demonstrar maior consciência sobre o fazer artístico. podem ser entendidas como forma de reflexão crítica sobre a arte.  114 Teorias Linguisticas 11 . em diferentes épocas e estilos. Autovaliação Agora é com você: Acione a sua história de leitura e produza um texto comentando acerca do recurso da intertextualidade presente nas leituras feitas por você ao longo de sua vida. mais que simples expedientes lúdicos. A intertextualidade está diretamente associada à metalinguagem. um texto absorve outros textos. Os autores.Resumo Nesta unidade. você observou que a intertextualidade. seja a paródia seja a apropriação. pois tais procedimentos são relacionais.indd 114 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:35 . Socialize seu texto no chat a combinar. Na intertextualidade. por exemplo.

levando o leitor a entender as relações ideologia/linguagem”(Sinopse livraria Cultura). São especialmente destacados a paráfrase. “Toda a cultura. incluindo a produção literária. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . dialoga com outras produções por meio de um processo intertextual.indd 115 I SEAD/UEPB  115 10/04/2012 23:20:35 . “Os conceitos de paródia. para esclarecer a natureza da literatura. paráfrase. sobre a razão antropofágica e sobre as relações poesia-música. a alusão. bem como excursos sobre a prática textual do autor. sob o signo antinormativo da invenção e da leitura revisional”( Sinopse livraria Saraiva). A intertextualidade ainda é abordada na perspectiva da recepção e da história literária. estilização e apropriação redefinidos. o pastiche e a tradução. Todo o texto retoma outro texto. Na produção literária. são vistas as epígrafes. balanços das obras de Bense. ricamente exemplificada. a referência. a citação. semiótica e poética da tradução.aula 1.Leituras recomendadas “Reunião dos principais ensaios do autor dedicados à literatura brasileira e diversos outros trabalhos de reflexão sobre teoria literária. as autoras propõem para esta obra uma prática de vinte e uma atividades”(Sinopse livraria Saraiva). Barthes. Além da parte teórica. a paródia. relativizando a questão da autoria. Sergio Buarque de Holanda.

90. KRISTEVA. São Paulo: Ática. Vanda Maria. Sonia M. São Paulo: Cortez. 1974. polifonia. 1985. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. SCHNEIDER. BARROS. 2009. _____. Julia. São Paulo: Contexto. A Pata da Gazela. SANT’ANNA. Desvendando os segredos do texto. José de. Intertextualidade: diálogos possíveis. Rio de Janeiro: Lamparina. Anna Christina. Ingedore Villaça. São Paulo: Perspectiva. SOUSA. Ingedore G. KOCH. Michel. O texto e a construção dos sentidos. Ensaio sobre o plágio. Luiz Fernando P. Mourão. Belo Horizonte: Editora UFMG. Trad. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo. B. Diana Luz Pessoa & FIORIN. Série Bom Livro. COMPAGNON. José Luiz. 2004. _____. Affonso Romano de. 2005.Referências ALENCAR. LUYTEN. 2001. Trad. 1990. Bibe (Org). 1998. Franco. Lúcia Helena França Ferraz. Maurício de. O trabalho da citação. Campinas: Editora da UNICAMP. São Paulo: Globo. Universidade de São Paulo-USP. Paródia. 1992. KOCH. Ingedore G. Introdução à semanálise. Histórias em quadrinhos – leitura crítica. Paráfrase & Cia. 2005. São Paulo: Martins Fontes. 2007. 131. GLAUCO. Mônica Magalhães. Cleonice P. São Paulo: Contexto. A planta da donzela. MATTOSO.Mônica nº.indd 116 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:36 . 2003. Ler e escrever – estratégias de produção textual. a psicanálise e o pensamento. Villaça. (org. 1996. São Paulo: Globo. Trad. Magali nº. São Paulo: Cortez. 2003. São Paulo: Ática. _____. 2007. São Paulo: Cortez. CAVALCANTE E BENTES.aula 1. ELIAS. N. _________________ . KOCH. intertextualidade: em torno de Bakhtin. São Paulo: Paulinas. 2002. Villaça. Antoine.) Dialogismo.  116 Teorias Linguisticas 11 . Ladrões de palavras.

VII UNIDADE A textualidade proporcionada pelos critérios de informatividade e nãocontradição textuais Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .aula 1.indd 117 I SEAD/UEPB  117 10/04/2012 23:20:36 .

Verificou também que ela está diretamente associada à metalinguagem.Apresentação Na unidade anterior. “Suas ocorrências não podem se contradizer. esse recurso é também responsável pela coerência textual. você observou que a intertextualidade é um recurso capaz de acionar a reflexão crítica sobre o texto. Refletiremos também que um texto precisa respeitar princípios lógicos elementares. Nesta unidade. verificaremos como o grau de informatividade presente no texto é medido a partir do conhecimento de mundo a que ele se destina.2006).aula 1. devem ser compatíveis entre si e com o mundo a que se referem”( Costa VAL. É através dele que um texto absorve outros textos. pois tal procedimento é relacional. portanto.indd 118 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:37 .  118 Teorias Linguisticas 11 .

Objetivos Ao término desta unidade. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .aula 1.indd 119 I SEAD/UEPB  119 10/04/2012 23:20:37 . queremos que você: • Compreenda que o grau de informatividade é responsável pela coerência textual. • Entenda que um texto coerente é um texto não-contraditório.

O que vai determinar. são rapidamente reconhecidas e de fácil processamento. Se o leitor não possuir conhecimento prévio suficiente para entender o texto. pois estes são guardados na memória e ativados durante o processo comunicativo. portanto.  120 Teorias Linguisticas 11 . aquelas incomuns ao leitor ou ouvinte. Grau de informatividade do texto Segundo Koch e Travaglia (2009) ao se deparar com um texto. parece notório que o conhecimento prévio e o conhecimento partilhado são essenciais no estabelecimento do grau de informatividade do texto.. é pertinente afirmar que o grau de conhecimento prévio partilhado entre leitor e texto é que vai desvendar se o grau de informação do texto é baixo ou alto a ponto de ter dificultado o estabelecimento da coerência. Costa Val esclarece que as informações são previsíveis quando não são novidades para o ouvinte ou leitor. Costa Val (2006) usa o termo informatividade para explicar “a extensão em que as ocorrências linguísticas apresentadas no texto.. o texto com um padrão razoável de informatividade deve conter todas as informações necessárias para que seja entendido de acordo com intencionalidade do autor. o leitor pode ter dificuldade de interpretá-lo ou porque as informações são para ele superficiais.indd 120 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:37 . são novas ou inesperadas para os receptores”. Dessa forma. previsível menor será o seu caráter informativo.aula 1. Posto isso. ou porque falta-lhe domínio do assunto abordado. Não havendo interação o texto torna-se incoerente para ele. Assim. já as informações imprevisíveis. Diante disso. se um texto for. se um texto é ou não coerente é o grau de conhecimento existente entre leitor e texto. pois estes fatores podem nos apontar se o receptor é portador ou não dos conhecimentos que ajudarão na compreensão do texto como um todo significativo. Já a previsibilidade do texto vai ser determinada pelos conhecimentos adquiridos culturalmente pelos interlocutores no ato da comunicação. se o texto surpreender o leitor com informações desconhecidas por ele. em grande parte. maior será o seu caráter informativo.Reflexões iniciais. Para essa autora a informatividade é medida pelo grau de previsibilidade apresentado pelo texto. fornecem ao texto um aspecto inovador e proporciona ao leitor/ouvinte um desafio por exigir dele mais esforço na compreensão. Levando em consideração que o ato de comunicação é recíproco. não ocorrerá interação entre texto e receptor. no plano conceitual e no formal.

caracterizados por modelos culturais completamente diferentes. proclamada em 1822. ao mesmo tempo que se formavam os respectivos idiomas. mas fazendo parte orgânica do conjunto das literaturas ocidentais. médio ou alto. sociedade e literatura parecem nesses casos configurar um processo contínuo. os povos autóctones eram primitivos vivendo em culturas rudimentares. que por isso sofreu um processo brutal de imposição. Por isso. Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais visível que a nossa é uma literatura modificada pelas condições do Novo Mundo. Não é o caso das literaturas ocidentais do Novo Mundo. No tempo da nossa independência. 1999. Este. afastamento máximo entre a cultura do conquistador e a do conquistado. e diferente do mesmo fato nas literaturas matrizes. incompatíveis com as formas de expressão do colonizador. Veja o exemplo abaixo: A Literatura do Brasil faz parte das literaturas do Ocidente da Europa.indd 121 I SEAD/UEPB  121 10/04/2012 23:20:37 . além de genocida. CANDIDO. A literatura portuguesa. portanto. Humanitas publicações – FFLCH/USP. afinando-se mutuamente e alcançando aos poucos a maturidade. exprimindo a ânsia por vezes patética de identidade por parte de uma nação recente. a ponto de rejeitar o parentesco. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . houve o transplante de línguas e literaturas já maduras para um meio físico diferente. da América Central e das grandes civilizações andinas. formou-se uma teoria nacionalista que parecia incomodada por este dado evidente e procurou minimizá-lo. Com efeito. acentuando o que haveria de original. Antonio. povoado por povos de outras raças. que desconfiava do próprio ser e aspirava ao reconhecimento dos outros.aula 1. Isso significa afirmar que o texto dependerá do repertório cultural do leitor para ser designado como portador de graus de informatividade baixo. de diferente. No caso do Brasil. podemos concluir que o grau informatividade de um texto é medido a partir do conhecimento de mundo das pessoas a que ele se destina. como se quisesse descobrir um estado ideal de começo absoluto. no momento da descoberta e durante o processo de conquista e colonização. foi destruidor de formas culturais superiores no caso do México.Posto isso. a francesa ou a italiana foram se constituindo lentamente. Língua. Iniciação à literatura brasileira. o conceito de “começo” é nela bastante relativo. Trata-se de atitude compreensível como afirmação política. Havia.

Atividade I Leia o texto seguinte (transcrito tal qual foi produzido) e observe o grau de informatividade apresentado e responda às questões propostas abaixo. São afirmações irrelevantes e pautadas no senso comum. Violência essa que devido a vários fatores. Observe o exemplo a seguir: Notamos que o diálogo do texto acima é composto por informações óbvias. O texto não apresenta nenhum grau de informatividade. todavia se for endereçado a um público restrito: aqueles que dominam os conceitos desta área do conhecimento. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! “Atualmente. um dos grandes problemas que afetam a vida de uma sociedade.aula 1. o grau de informatividade poderá ser considerado médio... A coerência é afetada. segundo sociólogos. é a violência nela inserida. Agora é a sua vez. pois não existe nenhuma informação relevante que atraia o publico ao qual se destina. Se esse texto for direcionado a todos os públicos poderá apresentar alto grau de informatividade. Se o grau de informatividade do texto for muito baixo.O texto acima contém discussões acerca da teoria literária.indd 122 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:37 . uma vez que esse público domina o conteúdo em questão. dica. pelo fato de não apresentar informação relevante.  122 Teorias Linguisticas 11 . Um exemplo de informação óbvia é o que comumente chamamos “senso comum”. o destinatário pode desinteressar-se por ele.

. estrutura formal do texto no que se refere à coerência. (Redação de aluno. Apud Maria da Graça Costa Val. A dificuldade na solução deste problema está na complexidade do mesmo. A inovação acerca do tema. Devido as perspectivas quase que inexistentes em uma solução a curto ou médio prazo para a questão da violência. por um problema mental do indivíduo. é se precaver para não se tornar mais uma vítima de um dos problemas mais sérios da nossa sociedade. Que grau de informatividade o texto acima apresenta? Para fundamentar a sua resposta analise os seguintes aspectos: a. medias essas que muitas vezes são impossíveis de serem colocadas em prática. 2. por crises econômicas. Os argumentos: c. Informações relevantes.indd 123 I SEAD/UEPB  123 10/04/2012 23:20:37 . op.p. pelo grande número de adeptos ao uso de drogas.cit.86) 1. Várias são as suas causas e para cada uma se faz necessária uma medida especial. será praticamente impossível de ser eliminada. Leia a tirinha abaixo e responda o que se pede: Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . o melhor a fazer.aula 1.psicólogos e outros estudantes das ciências humanas. d. e. e por uma enorme série de outros fatores. f. b. O desenvolvimento dos argumentos. A violência pode ser gerada pela própria sociedade. A tese apresentada pelo texto.

analise o grau de informatividade da tirinha acima. Não é possível nem desejável que o discurso explicite todas as informações necessárias ao seu processamento. contraditórias. uma vez que ela é também resultante da adequação do que se diz ao contexto além texto. A não-contradição do texto Um texto bem articulado coerentemente possui relações de sentido entre suas informações. e assim por diante. De acordo com o pensamento dessa autora e com as discussões promovidas por esta unidade. sem sentido.indd 124 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:37 . utilize o bloco de anotações para responder as atividades! a. Às vezes. que se relacionam entre si. Acontece que pela fotografia ocorre uma nítida contradição. Segundo Costa Val (2006) “um texto com um bom índice de informatividade precisa atender a outro requisito: a suficiência de dados.. ou seja.dica. Isso significa que um texto tem que apresentar todas as informações necessárias para que seja compreendido com o sentido que o produtor pretende.. tudo aquilo a que o texto diz respeito. o texto começa apresentar informações desencontradas.contraditório. De acordo com Costa Val (2006) A coerência resulta também da não-contradição entre as diferentes partes de um texto que devem estar encadeadas logicamente. Quando ocorre ruptura nessa concatenação. Se ocorrer contradições internas ou externas a textualidade ficará comprometida. 85). há não ser quando falou do recado que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva mandou para os Baianos. O texto a seguir é uma reportagem da Folha de São Paulo afirmando que a presidenta Dilma Rousseff “em seu contato direto com os eleitores depois de tomar posse” não entusiasmou a população. rompe-se a coerência textual. As relações entre os fatos têm que estar presentes e ser pertinentes. Continuando a nossa conversa. pois imagem e texto escrito não combinam entre si. “A relação existente em um texto é a maneira como seus conceitos se organizam e os como exercem seus papeis uns com os outros na sociedade. o produtor de determinado texto levanta um ponto de vista (uma tese) e não consegue argumentá-la. mas é preciso que ele deixe inequívocos todos os dados necessários a sua compreensão aos quais o recebedor não conseguirá chegar sozinho”(p. Cada parte é pressuposto da parte seguinte. Isso se constitui como fator lógico irrefutável. ou quando uma parte atual do texto é contraditória com a anterior. que precisa ser conhecido pelo destinatário.aula 1.  124 Teorias Linguisticas 11 . formando assim um entrecruzamento de ideias concatenadas harmonicamente. Um texto bem relacionado é um texto não. Como resultado disso. os argumentos não passam de informações pautadas no senso comum.

De acordo com a intencionalidade de quem produziu essa reportagem.indd 125 I SEAD/UEPB  125 10/04/2012 23:20:37 . portanto uma contradição entre as partes que compõem este gênero textual. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . causando. Percebe-se que a textualidade está comprometida porque os segmentos estão desconexos. ou seja. a imagem e a escrita deveriam combinar no sentido de um texto reafirmar as informações do outro. Todavia percebemos que essa harmonia foi quebrada. a imagem proporciona uma leitura e o texto escrito outra.Percebemos que o conjunto de textos é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre a imagem e o conteúdo escrito para explicá-la.aula 1.

ela fornece. tadinha. o peixe. depois para outra.Quem. maletas.A gente torna a corta? Ela não tem sossego. primeiro serve para uma coisa. professora? . só fornece o pêlo.Vamos praticar um pouco? O texto a seguir é uma crônica de Carlos Drummond de Andrade. Mas não é só ele não. Além do mais. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Não falando da carne. Basta retirar a lã da vicunha. escolham pincel de texugo.A vicunha.Vejam agora como a zebra é camarada. Vamos adiante. tudo isso o couro do canguru dá pra gente.Depois a gente come a vicunha. e além disso são muito úteis. Eles têm direito à vida. Leia a crônica e responda o que se pede: DA UTILIDADE DOS ANIMAIS Terceiro dia de aula. mantas. também ajuda? .Aquele? É o iaque. . .aula 1. e seu couro listrado serve para forro de cadeira. que vocês estão vendo aí. cobertores. ou por outra. como é que a gente vai comer ele? . Nela o autor relata um dia comum de aula. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Na sala. A galinha.Ele faz pincel.Mas se serve de montaria. não é preciso comer todos os animais. Também se aproveita a carne. . Este é o texugo. Parece que é ótimo. né fessora? . mas a professora já explicava a utilidade do canguru: . estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. .Bem.indd 126 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:38 . mala. não gostaria de pelar o texugo. produz… produz é maneira de dizer. retirada da obra “De notícias e não-notícias faz-se a crônica”. etc. .Aquele cabeludo ali. diz a professora. protegendo-a. que o Arturzinho vai usar quando crescer. sabem?  126 Teorias Linguisticas 11 . Se vocês quiserem pintar a parede do quarto. com um sorriso que envolve toda a fauna. E a carne. como nós. A professora é um amor. uma vez que devemos gostar dele. que torna a crescer… .Bolsas. um boi da Ásia Central. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Canguru é utilíssimo. Para pincel de barba também. com o pêlo dela nós preparamos ponchos. fessora? . o texugo? Não. a vaca… Todos ajudam. Trabalha no circo. . É preciso querer bem a eles. professora. dizem que é gostosa. Do pêlo se fazem perucas bacanas.Daniel. de almofada e para tapete.Vivo.

indd 127 I SEAD/UEPB  127 10/04/2012 23:20:38 . eu nunca vi carne de zebra no açougue. Carlos de. O casco serve para fabricar pentes. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Ricardo? . e não maltratá-los de jeito nenhum. respeitar. duvido que a gente lucre alguma coisa.pergunta que desencadeia riso geral. Vocês devem respeitar o bichinho. Aliás. professora. 1975) Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . É útil.A carne também é listrada?. Se fosse.A senhora disse que a gente deve respeitar. É o que se pode chamar de um bom exemplo. o couro e os ossos. onde costuma aparecer.Do javali. é de uma utilidade que vocês não cauculam. o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon. Então você tira o peixe da goela do biguá. Do couro da girafa Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade. ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida. e aproveitar bem o pêlo. De notícias e não notícias faz-se a crônica. . você pode encomendar um vaso raro para o living da sua casa.Pois lucra. hem? .Apanha e entrega. . tanta coisa. .Engraçado. mas posso garantir que não é listrada. Rio de Janeiro. cigarreiras. com a pele usada para agasalhos. Ah. O pêlo dá escovas é de ótima qualidade.Claro.Não é bem assim. Mas o óleo é bom.Não. O óleo feito da gordura do pinguim… . rico em nitrato.Apanha peixe pra gente. a gente deve amar. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. . José Olympio. como? . . . Por isso que eu digo: devemos amar os animais. O biguá é engraçado. meu Deus. A tartaruga-marinha. . e o biguá pega o peixe mas não pode engolir.Dos chifres do rinoceronte.Bobo que ele é. já presta. . Belá.. Você bota um anel no pescoço dele. .Não riam da Betty. pelar e comer os animais.E o castor? . o castor vai prestar muito serviço. não deixaria de ser comestível por causa disto. Entendeu. professora? . .aula 1. (Texto extraído de Drummond. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pinguim é um adubo maravilhoso: guano.Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados.Entendi.Eu. trazido pela correnteza. deixando os pêlos da cauda para Tereza fazer um bracelete genial.

aula 1. O produtor do discurso não ignora essa participação do interlocutor e conta com ela. No decorrer da narrativa existem trechos contraditórios. O texto não significa exclusivamente por si mesmo. Compreender também que um texto contraditório compromete a textualidade. haverá uma sequência de frases sem nexo. Portanto um texto contraditório e com grau nulo de informatividade é um texto incoerente.indd 128 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:38 . que precisa deter os conhecimentos necessários à sua interpretação. É fundamental saber que a tessitura de um texto não é resultado de frases soltas e desvinculadas entre si.  128 Teorias Linguisticas 11 .. Essa questão é fundamental. funcionam como componentes de um todo e devem articular-se de maneira harmônica para que as informações não se dispersem. não ocorrendo isso. Identifique-os e comente-os levando em conta as discussões promovidas por esta unidade. Sabemos que na organização de um texto é essencial que todos os seus segmentos estejam interligados. sucedendo-se umas após outras. mas fica dependendo da capacidade de pressuposição e inferência do recebedor” (p. dica. 85). e de acordo com Costa Val (2006) “um discurso é aceito como coerente quando apresenta uma configuração conceitual compatível com o conhecimento de mundo do recebedor. É fácil verificar que grande parte dos conhecimentos necessários à compreensão dos textos não vem explicita. Seu sentido é construído não só pelo produtor como também pelo recebedor. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Encerrando a nossa conversa. pois cada frase enunciada deve ter vínculo com a anterior para não perder o fio do pensamento. é um requisito fundamental no estudo da coerência textual. Entender os níveis que promovem a informatividade do texto é perceber que o enunciado tem por obrigação apresentar informações relevantes para aquele a que ele se destina. Por isso que estudar a coerência textual é de suma importância para que entendamos o processo de textualidade. sem coerência.a. São eles que proporcionam nosso processo reflexivo. Caros alunos..

que fuja do senso-comum. dando-lhes um caráter mais informativo. esses dois critérios são grandes contribuintes no estabelecimento de sentido do texto. Cuidado! Não entre em contradição no momento de desenvolvê-los.. Autovaliação Agora é sua vez. a) A leitura é fundamental para a formação do indivíduo. b) A sociedade deve lutar pelo direito da cidadania. em grande parte. maior será o seu caráter informativo. que papeis exercem uns em relação aos outros. se o texto surpreender o leitor com informações desconhecidas por ele. como se organizam. Assim. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  129 10/04/2012 23:20:38 . previsível menor será o seu caráter informativo. Os temas abaixo são sugestões para você desenvolver argumentos pertinentes a eles. pois nossas crianças de hoje dependerão dele amanhã. Tais relações referem-se à forma como seus conceitos se encadeiam. Sendo assim. se um texto for. estudamos os dois critérios responsáveis pela coerência textual: informatividade e não-contradicao..aula 1.Resumo Nesta unidade. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . d) É necessário preservar o meio ambiente. Vimos que a não-contradicão de um texto é percebida a partir das relações existentes entre as suas partes.indd 129 I SEAD/UEPB dica. c) Uma boa educação é fundamental para o desenvolvimento de toda nação. E a informatividade é medida pelo grau de previsibilidade apresentado pelo texto.

KOCH. Isso contribuirá para que todo leitor compreenda o que fazer para deixar o seu texto articulado. Ingedore Villaça. São Paulo: Martins Fontes. José Carlos (org. Antonio. ed. com mais relevância. 2009. AZEREDO. com o objetivo de desenvolver nossa competência para falar. TRAVAGLIA. RJ: Vozes. 1999. De notícias e não notícias faz-se a crônica. 2006. Petrópolis. ouvir. Repensando a textualidade.  130 Teorias Linguisticas 11 . Luiz Carlos.indd 130 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:38 . consistência e adequação. 2007. 17ed. Carlos Drummond de. José Olympio. Humanitas publicações – FFLCH/USP.Leitura recomendada “A intenção deste livro é fixar algumas noções básicas acerca da propriedade textual da coesão e de sua relação com a coerência. Redação e textualidade. Maria da Graça. São Paulo: Contexto. Iniciação à literatura brasileira. 4. CANDIDO.).aula 1. COSTA VAL. In: A Coerência Textual. 1975. Rio de Janeiro. coeso e coerente”(Sinopse da livraria Saraiva). ler e escrever textos. encadeado. Coerência e Ensino. Referências ANDRADE. In: Língua portuguesa em debate: conhecimento e ensino.

indd 131 I SEAD/UEPB  131 10/04/2012 23:20:40 .VIII UNIDADE Revisão dos fatores responsáveis pela coesão e coerência textuais Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .aula 1.

 132 Teorias Linguisticas 11 . Nesta unidade. intencionalidade. intertextualidade. informatividade. tais como: articulação de ideias. ele precisa ser coeso e coerente.aula 1.indd 132 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:40 . situacionalidade e aceitabilidade. não-contradição. vimos que para que um texto seja dotado de sentido/ textualidade. progressão e continuidade. resumiremos esses fatores e os relacionaremos com atividades de análise de redações elaboradas por diversos usuários da língua. Para isso faz-se necessário que ele se constitua de fatores.Apresentação Nas unidades anteriores.

queremos que você • Relembre que a relação entre coesão e coerência é essencial ao estabelecimento da textualidade. • Revise os fatores responsáveis pela coesão e coerência textuais.objetivos Ao término desta unidade.indd 133 I SEAD/UEPB  133 10/04/2012 23:20:40 .aula 1. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .

O encadeamento semântico que produz a textualidade chama-se coesão. mas. das frases.indd 134 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:40 . resultando. bactérias. Ano10. nº 504. Vamos tomar um texto simples. de acordo com Marcuschi “dão conta da estruturação da sequência superficial do texto. dos mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer. dessa maneira. Os dois servem de comida para vários animais. Existem dois tipos de plâncton. fungos. Vamos relembrar? Um texto não é uma unidade construída por uma adição de sentenças. Podemos definir a coesão através do estabelecimento de fatores que. e assim facilmente poderemos perceber como acontece o encadeamento dos sintagmas. das partes do texto. mas a água de rios.Reflexões iniciais. Alguns não tem membros para locomoção e outros são pequenos demais para nadar. por isso são importantes no equilíbrio da cadeia alimentar. constituindo o processo coesivo... mas de’ uma espécie de semântica da sintaxe textual. entre os elementos linguísticos do texto. PODER INVISÍVEL Noêmia Lopes A gente não vê.aula 1. em uma trama semântica a que denominamos de textualidade. (RECREIO. lagos e mares tem moradores incríveis: o plâncton. relações de sentido”. ‘isto é. o plâncton vegetal faz a fotossíntese e fornece grande parte do oxigênio que existe no planeta. Por isso. eles ficam flutuando na água. pelo encadeamento semântico delas. 5/11/2009)  134 Teorias Linguisticas 11 . dos parágrafos. crustáceos. o vegetal e o animal. seres minúsculos e essenciais para a vida na Terra. moluscos e outras criaturas microscópicas. ‘afirmando que não se trata de princípios meramente sintáticos. Nessa turma estão algas. sim. Além disso.

as frases. a adjetivação não deixa dúvida: eles são minúsculos e essenciais para a vida na Terra. Dá para recuperar a quem ele se refere? Se sim. A gente não vê. Veja bem. O segundo parágrafo se inicia através do sintagma nessa turma. a coesão continua sendo garantida. deparamo-nos como o termo alguns. se ele segue as pistas linguístico-gramaticais que o autor maneja para construir seu texto. encontramos o termo outros. os dois pontos. Já foi feita aqui a ligação entre os dois primeiros parágrafos do texto. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Continuando a leitura. Para ficar bem claro por que esses seres são incríveis. um imediatamente após o outro. Esse já é um fator de coesão. E eles? Você está vendo. sabemos perfeitamente quem são esses outros no texto. Imediatamente. as três partes do texto estão encadeados de forma a não oferecem qualquer dúvida quanto aos elementos a que estão sendo feitas as referências no texto. lagos e mares tem moradores incríveis: o plâncton. deve ser tomado como referente ao primeiro. já é indicativo de que o segundo termo. moradores incríveis. o plâncton. ficamos sabendo quem são os moradores incríveis porque eles estão anunciados justamente após o termo moradores incríveis. Veja que o modo como os sintagmas. separados pelo sinal de pontuação. que é onde se encontra o termo referido por nessa turma.indd 135 I SEAD/UEPB  135 10/04/2012 23:20:41 . seres minúsculos e essenciais para a vida na Terra. só essa ordem em que os termos estão dispostos. Mais uma vez.aula 1. não há como o leitor perder o fio do texto. Vamos ver como isso acontece: Primeiramente. o leitor faz uma remissão para o parágrafo anterior.Vamos começar a destrinchar esse texto por uma pergunta clássica das aulas de leitura: do que fala do texto? Claro que você consegue responder essa pergunta facilmente. mas a água de rios. Logo à frente. E um dos motivos para isso é que o texto está muito bem tramado do ponto de vista de sua coesão textual.

sobretudo. Dessa forma. Esse sentido envolve os fatores semânticos e cógnitivos.E a coerência textual. de interlocução e numa dada situação de comunicação entre usuários da língua. desenvolvida sobretudo na Europa a partir do final da década de 60. devendo ser vista não só como o resultado de processos cognitivos. Inicialmente. enfim. Mas esse critério não diz respeito apenas à noção da competência gramatical que este apresenta. semântica e pragmática”. Essa teoria. ele se refere. podemos começar pela noção de coerência e sua relação com a coesão. A coerência de um texto tem a ver “com a boa formação” do próprio texto. mas também de fatores interpessoais como as formas de influência do falante na situação de fala. merece ser conhecida e considerada por quem se interessa pelo trabalho com a expressão escrita na escola (VAL. tem se dedicado a estudar a natureza do texto e os fatores envolvidos em sua produção e recepção. Os processos cognitivos caracterizam a coerência à medida que possibilitam criar um mundo textual em face do conhecimento de mundo registrado na memória. Como podemos observar a coerência é responsável pelo sentido do texto. podemos destacar o princípio da interpretabilidade. Daí. entendemos que a coerência se estabelece através do processo de interação. Do ponto de vista semântico. afirmarmos que ela é. uma vez que o texto necessita do conhecimento partilhado entre os interlocutores. operantes entre os usuários. o que levaria à compreensão do texto (KOCH E TRAVAGLIA.aula 1. Esse processo de comunicação é resultado de uma unidade global capaz de “dá continuidade de sentidos perceptível no texto”. 2009. “ao mesmo tempo. devemos compreender. e qual é a sua relação com a coesão? Para entendermos o que é coerência textual. mas de fatores socioculturais diversos. a noção de texto. Ela se constitui como a possibilidade de estabelecimento entre aquilo que se diz e como esse dizer é compreendido e aceito pelos interlocutores. “a uma boa formação em termos de interlocução comunicativa”. 1991. 02). p.indd 136 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:41 .p. como é estabelecida. na medida em que busca esclarecer o que é e como se produz um texto. Essa unidade global depende não apenas dos elementos constitutivos do texto. pois sabemos que: a linguística textual. tudo o que se possa ligar a uma dimensão pragmática da coerência. as intenções comunicativas dos interlocutores. inicialmente. De acordo com Koch e Travaglia (2009) esse princípio “tem a ver com a produção do texto à medida que quem o faz  136 Teorias Linguisticas 11 . 12).

aula 1. 36). interlocutor e o mundo partilhado por ambos. a coerência é responsável por acionar os processos cognitivos. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . p. Mas de acordo com Halliday e Hasan (1976) ela também possui um caráter semântico. Tais processos divulgam a conexão conceitual. 16). no livro “Texto e coerência” Segundo Franck (1980). Essa ligação relaciona esses termos uns com os outros “e os insere numa forma de organização superior como.13). mas sim. Para Widdowson (1978) a coerência está diretamente ligada ao desenvolvimento dos atos da fala. coerência e intertextualidade) e os fatores extralinguísticos (intencionalidade. frases em texto.”(KOCH E TRAVAGLIA. através da união entre locutor. frases.indd 137 I SEAD/UEPB  137 10/04/2012 23:20:41 . um texto é coerente no momento em que for compatível com o conhecimento de mundo do receptor. Elas formam uma espécie de par “opositivo/distintivo”. Um desses processos é o conhecimento declarativo – aquele que sugere crenças que dizem respeito aos fatos do mundo real . é o resultado dos conhecimentos partilhados pelos usuários. Assim. atos de fala numa sequência dialógica etc. Já Beaugrande e Dressler (1981) acreditam que a coerência é a responsável pela continuidade dos sentidos do texto. nomes em uma lista. atos ilocutórios. a coerência é a ligação formal entre os termos sequenciais. A coesão se difere da coerência porque ela é explicitamente nítida na superfície do texto através de seus elementos linguísticos. entendemos que a produção de texto não existe em si mesma. por exemplo. “para assegurar um desenvolvimento proporcional” (p. interferindo na maneira como estes se relacionam. uma vez que liga os elementos superficiais do texto. na combinação das frases e nos períodos. Ela é “o resultado da atualização de significados potenciais que vai configurar um sentido”. tais como: enunciados. aceitabilidade. Podemos sintetizar a relação de coerência do texto evidenciado dois fatores: os fatores linguísticos (coesão. Assim. tudo isso. Ou seja. conforme se supõe pelo princípio da cooperação” (p. Partindo dessa afirmação. Que tal agora refletirmos acerca dos conceitos de coerência textual? Conceitos de coerência textual de acordo com alguns estudiosos da língua citados por Koch e Travaglia. Por isso possui um “caráter linear” e a observamos através da sintaxe e gramática do texto. A coerência textual convive com a coesão textual.quer que seja entendido por seu interlocutor. 2009.e o conhecimento “procedural” – valores guardados na memória e acionados como parte argumentativa sempre que o usuário necessitar. informatividade e situalidade). segundo Koch e Travaglia.

1. p. O exemplo a seguir determina com precisão esse conceito.  138 Teorias Linguisticas 11 . cit. Um pedido: o dono do carro pede a alguém que esteja passando por perto para ajudá-lo a empurrar o carro até a oficina mais próxima. 1. Os linguistas Van Dijk e Kintsch (1983) afirmavam que coerência era “uma propriedade lógica do texto”. aviso. quando necessária. Segundo Bernárdez (1982) apud Salomon Marcus (1980) a coerência é semântica. De ponto de vista semântico ela se manifesta na unidade textual. semântico e sintático” (op. sintática e pragmática. o texto atua como unidade para remeter ao seu sentido global. através da “sequência linguística” que forma a unidade do texto e é pragmática. propiciados por determinado contexto cultural.indd 138 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:41 . conselho. está com defeito – informação a respeito do seu estado (ato de predicação) 1. Uma asserção: o dono constata que o carro está com defeito. Eles falam de dois tipos de coerência: local – aquela que ocorre na superfície do texto – e global – aquela que faz parte do texto como um todo. ou seja. O carro – conteúdo proporcional que faz parte do mundo real.4.aula 1. uma vez que o sentido depende um contexto intencional. 19).5. 1.] é não só uma propriedade do texto.. atualmente esses autores acreditam que ela encontra-se estabelecida nas diversas situações de comunicação dos usuários que possuem “modelos cognitivos comuns ou semelhantes”. Assim.6. “a coerência [. O carro está com defeito..) que se concretizam a partir das condições impostas a esses enunciados. 1.2. É sintática porque é recuperada.Nesse sentido. promessa etc. vejamos: Temos o seguinte enunciado: 1. tais como: 1. mas também um processo em que não é possível estabelecer uma diferença marcante entre os níveis pragmático.Uma ordem: o dono da oficina manda o funcionário consertar o carro com defeito.1. ordem. os enunciados são dotados de ações (pedido. Através dessa enunciação podem-se apresentar diversos atos de fala.3.

socializar os gêneros discursivos. Caro aluno! Pretendemos com essa exposição dos conceitos de coesão e coerência difundidos por Koch e Travaglia. não é uma tarefa fácil para o professor de Língua Portuguesa. como sabemos. para esse linguista. o trabalho com o texto não pode limitar-se a uma prática arraigada a certa tradição. desvendar os implícitos. estilística e pragmática. (Irandé Antunes) Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . bem como outras estratégias de leitura”. nem mesmo se deve considerar o texto como pretexto ou exemplificação da Gramática da frase e sim promover um ensino produtivo que permita dotar os alunos de uma sólida capacidade de manejo com o texto. 21). dos níveis de sentido e intenções que realizam a coerência no aspecto semântico e função pragmática” (op. agora. mas também não deve ser uma tarefa enfadonha e improdutiva. sintática. Dessa forma. em toda sua complexidade. Para o autor Marcuschi a coerência “é a organização reticulada ou tentacular do texto. portanto. já que a pluralidade textual possibilita o leque de ferramentas que interagem nas relações sociais. cit.indd 139 I SEAD/UEPB dica. ativar e estimular. a coerência é estabelecida através dos elementos que dão continuidade ao sentido do texto. Assim como. como também para os linguistas Beaugrande e Dressler.Ainda classificam-na em: coerência semântica. permitindo a ampliação dos horizontes do aluno. que vocês adquiram uma visão global do que se entende por esses dois critérios. Os PCN prescrevem que as práticas de leitura e produção de textos não devem limitar-se a um gênero específico. vocês praticarem um pouco? Atividade I 1. e faça uma análise dos fatores responsáveis pela sua coesão. “A atividade de leitura em sala de aula. em obra já citada. não linear. p. cognitivamente as inferências. Leia o texto a seguir. solidificar os tipos textuais. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  139 10/04/2012 23:20:41 . Que tal. propiciando enriquecer o repertório.aula 1.

Um dia. com esse saco aí atrás. observe o texto abaixo e conclua se ele é coeso e coerente aplicando o que vimos até agora acerca deste assunto: A VELHA CONTRABANDISTA Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. quando ela vinha na lambreta com o saco atrás. Por isso. mas não assegura a sua obtenção.indd 140 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:41 .aula 1. 2000. 20).Escuta aqui. Coesão e coerência: critérios que se complementam Como podemos observar. sem que o leitor acione os recursos extralinguísticos. a senhora passa por aqui todo dia. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta.Continuando a nossa conversa. De acordo com os conceitos de coesão e coerência discutidos anteriormente nesta aula. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.. conclui-se que essa contribuição é apenas parcial. relacionados no processo de produção e interpretação textual. A coerência é entendida como “a configuração conceitual subjacente e responsável pelo sentido do texto. vovozinha. e a coesão como sua expressão no plano linguístico” (VAL. uma vez que o uso adequado esses elementos sozinhos. Atividade II 1.. Segundo alguns autores a coesão é em parte responsável pela coerência. p. os teóricos que estudam as relações de coesão e coerência concordam que esses critérios estão. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela: . o fiscal da Alfândega mandou ela parar. indiscutivelmente. porque apenas os elementos linguísticos não são suficientes para garantir a coerência de um texto. a coesão contribui para o estabelecimento da coerência. com um bruto saco atrás da lambreta. Que diabo a senhora leva nesse saco? A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe resta-  140 Teorias Linguisticas 11 . são insuficientes para que se compreenda o sentido global do enunciado. Sendo assim.

. (Stanislaw Ponte Preta) dica. não conto nada a ninguém. todas as vezes.Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia. utilize o bloco de anotações para responder as atividades! Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 .Olha.O senhor promete que não “espaia” ? – quis saber a velhinha. A velhinha saltou.É lambreta. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. não apreendo. E já ia tocar a lambreta. ordenou à velhinha que fosse em frente. No dia seguinte. . Não dou parte. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia.aula 1. que ela adquirira no odontólogo e respondeu: . o fiscal mandou parar outra vez. Ela montou na lambreta e foi embora.indd 141 I SEAD/UEPB  141 10/04/2012 23:20:41 .vam e mais os outros. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e. . o que ela levava no saco era areia. uai! O fiscal examinou e era mesmo. vovozinha. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda.Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. Diz que foi aí que o fiscal se chateou: . quando ela passou na lambreta com o saco atrás. dentro daquele maldito saco. eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Muito encabulado.Juro – respondeu o fiscal.É areia! Aí quem sorriu foi o fiscal. com o saco de areia atrás. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista. quando o fiscal propôs: . mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias? .

os critérios de intencionalidade e aceitabilidade são de suma importância na interação verbal. Segundo Koch e Travaglia (2009) esse critério pode ser entendido sob duas óticas. Observemos:  142 Teorias Linguisticas 11 . que acontece por meio da interação verbal entre interlocutores no ato da comunicação. que é proporcionada pela intencionalidade e pela aceitabilidade no jogo dialógico no ato da comunicação Quanto mais o destinatário tiver conhecimento acerca do tema em questão. É um critério de adequação textual que se refere aos fatores que tornam o texto importante em dada situação. A aceitabilidade é a disposição do destinatário de aceitar um texto que possua importância para ele. por estabelecerem maior nível de inferências e relações com outros textos. Assim. dependerá da construção de sentidos. orienta a própria atividade textual. ou seja.. os princípios de textualidade são de suma importância. mas um todo constituído de sentido. aceitabilidade. uma vez que são aspectos essenciais na construção de sentido do texto. A situacionalidade de acordo com Marcuschi (2008) “é o critério que se refere ao fato de relacionamento do evento textual à situação (social. Ela além de interpretar e relacionar o texto ao contexto interpretativo. mais eficaz será a interação entre os interlocutores. dos saberes acumulados. situacionalidade. algo inacabado. Beaugrande e Dressier denominam tais fatores. como: intencionalidade. ambiente etc) em que ele acontece. Fatores de coerência: uma breve revisão Como vimos.aula 1. contribuindo assim. a intencionalidade é a finalidade de o produtor confeccionar um texto com textualidade. do conhecimento linguístico e do conhecimento de mundo. para a realização das intenções e efeitos que o texto proporcionará ao leitor. intertextualidade e informatividade e não-contradicão. Tais inferências contribuem para que se perceba também as relações que um texto possui com outros textos. a textualidade se constitui a partir de fatores que fazem do texto não apenas uma sequência de frases. pois garante a interação entre autor e destinatário. da consideração e da reação. De acordo com essa autora. se instaura o processamento estratégico. do ponto de vista da compreensão.. Ingedore Koch define o texto como um produto em constante transformação.Encerrando a nossa conversa. no entanto a partir da construção de sentido através do conteúdo fornecido. Para que aconteça êxito no processamento estratégico.indd 142 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:41 . proporcionam a percepção da intertextualidade. Desse modo. os efeitos de sentido que o texto pode proporcionar ao leitor. cultural. tanto pelo conhecimento transmitido como pelo jogo de interação entre autor e destinatário.

“a) da situação para o texto – neste caso, trata-se de determinar em
que medida a situação comunicativa interfere na produção/recepção do texto. Sendo que a situação pode ser entendida tanto em
sentido estrito (situação comunicativa propriamente dita), como
em sentido amplo (o contexto sócio-político-cultural em que a interação está inserida). O lugar e o momento da comunicação vão
influir tanto na produção do texto, como na sua compreensão;”
“b) do texto para a situação: também o texto tem reflexos importantes
sobre a situação comunicativa. Ao construir um texto o produtor
recria o mundo de acordo com seus objetivos, logo, o mundo
criado pelo texto não é uma cópia fiel do mundo real, o mundo
representado textualmente é aquele visto pelo produtor, a partir de
suas perspectivas”.
Segundo Koch e Travaglia (2009) ao se deparar com um texto, o
leitor pode ter dificuldade de interpretá-lo ou porque as informações
são para ele superficiais, ou porque falta-lhe domínio do assunto abordado. O que vai determinar, portanto, se um texto é ou não coerente
é o grau de conhecimento existente entre leitor e texto. Se o leitor não
possuir conhecimento prévio suficiente para entender o texto, não ocorrerá interação entre texto e receptor. Não havendo interação o texto
torna-se incoerente para ele.
Levando em consideração que o ato de comunicação é recíproco, é
pertinente afirmar que o grau de conhecimento prévio partilhado entre
leitor e texto é que vai desvendar se o grau de informação do texto é baixo
ou alto a ponto de ter dificultado o estabelecimento da coerência.
Posto isso, parece notório que o conhecimento prévio e o conhecimento partilhado são essenciais no estabelecimento do grau de informatividade do texto, pois estes fatores podem nos apontar se o receptor
é portador ou não dos conhecimentos que ajudarão na compreensão
do texto como um todo significativo.
Costa Val (2006) usa o termo informatividade para explicar “a extensão em que as ocorrências linguísticas apresentadas no texto, no plano
conceitual e no formal, são novas ou inesperadas para os receptores”.
Para essa autora a informatividade é medida pelo grau de previsibilidade apresentado pelo texto. Dessa forma, se um texto for, em grande
parte, previsível menor será o seu caráter informativo, se o texto surpreender o leitor com informações desconhecidas por ele, maior será o seu
caráter informativo.
Diante disso, Costa Val esclarece que as informações são previsíveis quando não são novidades para o ouvinte ou leitor; são rapidamente reconhecidas e de fácil processamento, já as informações
imprevisíveis, aquelas incomuns ao leitor ou ouvinte, fornecem ao texto um aspecto inovador e proporciona ao leitor/ouvinte um desafio
por exigir dele mais esforço na compreensão. Assim, o texto com um
padrão razoável de informatividade deve conter todas as informações
necessárias para que seja entendido de acordo com intencionalidade
do autor.
Já a previsibilidade do texto vai ser determinada pelos conhecimenTeoria Linguísticas II

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tos adquiridos culturalmente pelos interlocutores no ato da comunicação, pois estes são guardados na memória e ativados durante o processo comunicativo.
Posto isso, podemos concluir que o grau informatividade de um
texto é medido a partir do conhecimento de mundo das pessoas a que
ele se destina. Isso significa afirmar que o texto dependerá do repertório
cultural do leitor para ser designado como portador de graus de informatividade baixo, médio ou alto.
Um texto bem articulado coerentemente possui relações de sentido
entre suas informações, que se relacionam entre si. “A relação existente
em um texto é a maneira como seus conceitos se organizam e os como
exercem seus papeis uns com os outros na sociedade. As relações entre
os fatos têm que estar presentes e ser pertinentes. Isso se constitui como
fator lógico irrefutável. Um texto bem relacionado é um texto não- contraditório. Se ocorrer contradições internas ou externas a textualidade
ficará comprometida. Às vezes, o produtor de determinado texto levanta um ponto de vista (uma tese) e não consegue argumentá-la, os argumentos não passam de informações pautadas no senso comum. Como
resultado disso, o texto começa a apresentar informações desencontradas, sem sentido, contraditórias. De acordo com Costa Val (2006)
A coerência resulta também da não-contradição entre as diferentes
partes de um texto que devem estar encadeadas logicamente. Cada
parte é pressuposto da parte seguinte, e assim por diante, formando
assim um entrecruzamento de ideias concatenadas harmonicamente.
Quando ocorre ruptura nessa concatenação, ou quando uma parte
atual do texto é contraditória com a anterior, rompe-se a coerência textual, uma vez que ela é também resultante da adequação do que se diz
ao contexto além texto, ou seja, tudo àquilo a que o texto diz respeito,
que precisa ser conhecido pelo destinatário.
De acordo com a Linguística Textual a intertextualidade é um dos
fatores de textualidade, pois todo texto faz remissão a outro texto ainda que inconscientemente. Desse modo, tanto quem produz um texto
quanto quem o recebe recorre ao conhecimento prévio de outros textos.
O conhecimento prévio sobre algo que foi exposto anteriormente é
de grande importância para elaboração de um sentido ao novo texto,
assim como contribuem com os conceitos que se instauram do mundo,
da cultura e dos estereótipos. É natural que, ao confeccionar um texto,
o autor se valha daquilo que já vivenciou.
Os conceitos referentes à intertextualidade são objetos de reflexão
constantes na linguística contemporânea, porque sempre um texto dialoga com outro que o antecedeu no tempo e no espaço de sua produção.
Ao dialogar conscientemente com um texto anterior, nem sempre o
autor faz referência à fonte, pois imagina que o leitor ative seu conhecimento de mundo e compartilhe com ele das informações a respeito dos
textos que compõem um determinado universo cultural.
De acordo com a teoria de Bakhtiniana acerca do dialogismo, os
enunciados produzidos só adquirem sentido quando ocorre a interação

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verbal. A enunciação ocorre na relação com o outro e só desta forma
é que ganha sentido, pois
[...] todo falante é por si mesmo um respondente
em maior ou menor grau: porque ele é o primeiro falante, o primeiro a ter violado o terno silêncio do universo do universo, e pressupõe não só
a existência do sistema da língua que usa, mas
também de alguns enunciados antecedentes – dos
seus e alheios – com os quais o seu enunciado entra nessas ou naquelas relações (baseia-se neles,
polemiza com eles, simplesmente os pressupõe já
conhecidos do ouvinte). Cada enunciado é um elo
na corrente complexamente organizada de outros
enunciados (BAKTHIN. 2003, p. 272).

Assim ocorre a experiência discursiva individual, que “se forma e se
desenvolve em uma interação constante e contínua com os enunciados
individuais dos outros” (op. cit. 2003, p. 294).
Dessa interação constante entre os textos emerge o caráter intertextual. A própria constituição da palavra intertextualidade já deixa notória
a relação que existem entre os textos. Evidentemente, que o sentido de
texto aqui é visto como um recorte significativo feito no processo ininterrupto na imensa rede sd significações dos bens e valores culturais.
Dessa forma, a intertextualidade “encontra-se na base de constituição
de todo e qualquer dizer” (KOCH, 2006, p. 75).
As diversas transformações verificadas na arte em geral têm levado
muitos artistas a dialogarem não com a realidade aparente das coisas,
mas com a realidade da própria linguagem. Compartilhando o seu
espaço com as artes de modo geral, a linguagem literária, por exemplo, alargou-se internamente, ao se apropriar de uma vasta gama de
materiais estilísticos e formais pertencentes a outros espaços artísticos.

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são vistas as epígrafes. consistência e adequação. Isso contribuirá para que todo leitor compreenda o que fazer para deixar o seu texto articulado. ler e escrever textos. com o objetivo de desenvolver nossa competência para falar. dialoga com outras produções por meio de um processo intertextual. a paródia. “A intenção deste livro é fixar algumas noções básicas acerca da propriedade textual da coesão e de sua relação com a coerência.Leituras recomendadas ”Este livro procura condensar noções relevantes dessa teoria e aplicá-las à analise de redações de vestibular. a referência.  146 Teorias Linguisticas 11 . ricamente exemplificada. Na produção literária. ouvir. Além da parte teórica. incluindo a produção literária. A intertextualidade ainda é abordada na perspectiva da recepção e da história literária. “Toda a cultura. São especialmente destacados a paráfrase. o pastiche e a tradução. a citação. as autoras propõem para esta obra uma prática de vinte e uma atividades”(Sinopse Livraria Saraiva). na tentativa de estabelecer um diagnóstico e levantar sugestões para o trabalho com a expressão escrita na escola”. relativizando a questão da autoria. a alusão. encadeado. com mais relevância.aula 1.indd 146 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:42 . Todo o texto retoma outro texto. coeso e coerente” (Sinopse da Livraria Saraiva).

Se você considera que suas leituras ainda não foram suficientes para realizá-la. as discussões com o professor e os colegas. Mas a textualidade ultrapassa a coesão gramatical e a lexical.aula 1. a coesão não é condição única para que o texto seja um todo significativo. Elas formam uma espécie de par “opositivo/distintivo”. Autovaliação Este é o momento em que você deverá avaliar se seu aprendizado se deu a contento. Compare os dois. de parágrafos. Portanto. as intenções do produtor e do receptor. Fatores como esses influenciam a interação do leitor com o texto e são vistos como aspectos fundamentais nesse jogo interativo. levando em consideração seu trabalho como leitor/leitora para seguir as pistas coesivas e coerentes nos dois textos. Por isso.indd 147 I SEAD/UEPB dica. se apresente como uma unidade de sentido. pois criam condições para que a comunicação se estabeleça. grau de informatividade. E a coerência textual convive harmoniosamente com a coesão textual. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!  147 10/04/2012 23:20:42 . estarem endereçados (intencionalidade) a públicos diferentes (aceitabilidade) . Para a obtenção da coerência e o alcance da compreensão concorrem também fatores de ordem pragmática. é importante que você retome as leituras. responsável pelos sucessivos encadeamentos de termos. faz com que haja maior dificuldade em reconhecer as pistas linguísticas neles presentes? Por quê? Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . tais como: o contexto de situação. pois o sentido do texto depende de “certo grau de coerência” que abrange os diversos elementos tanto do interior da produção quanto do seu exterior. não-contradicão e intertextualidade. na tentativa de compreendê-los. os atos de fala. a proposta de autoavaliação que sugerimos deve ser realizada com bastante segurança. de frases. de modo que este texto como produto. de modo a ter segurança para realizar a atividade que sugerimos a seguir: Leia os textos abaixo: PODER INVISÍVEL e O DETERMINISMO GEOGRÁFICO.Resumo A coesão é estudada no interior da teoria da linguística textual como uma propriedade do texto falado ou escrito. Agora responda: o fato desses dois textos serem de gêneros diferentes.

ganharam uma grande popularidade. considerando o clima como um fator importante na dinâmica do progresso. você deve se ater aos critérios de coesão e coerência textuais responsáveis pela textualidade. nº 504. o vegetal e o animal. eles ficam flutuando na água. que foram desenvolvidas principalmente por geógrafos no final do século XIX e no início do século XX. 5/11/2009) TEXTO II O DETERMINISMO GEOGRÁFICO O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. Kroeber. Existem dois tipos de plâncton. (RECREIO. São explicações existentes desde a Antiguidade. para responder a essa questão. Os dois servem de comida para vários animais. Wissler. Entra em jogo aqui o grau de informatividade acerca dos temas tratados nos textos. Alguns não tem membros para locomoção e outros são pequenos demais para nadar. moluscos e outras criaturas microscópicas. como vimos anteriormente. no qual formula uma relação entre a latitude e os centros de civilização. antropólogos como Boas. A partir de 1920. bactérias. fungos. Nessa turma estão algas. crustáceos.indd 148 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:42 . refutaram este tipo de determinismo  148 Teorias Linguisticas 11 . mas a água de rios. entre outros. seres minúsculos e essenciais para a vida na Terra. TEXTO I PODER INVISÍVEL Noêmia Lopes A gente não vê. Por isso.Lembre-se de que. o plâncton vegetal faz a fotossíntese e fornece grande parte do oxigênio que existe no planeta. Estas teorias. em seu livro Civilization and Climate (1915).aula 1. Ano10. por isso são importantes no equilíbrio da cadeia alimentar. Exemplo significativo desse tipo de pensamento pode ser encontrado em Huntington. lagos e mares tem moradores incríveis: o plâncton. do tipo das formuladas por Pollio. Bodin e outros. Além disso. Ibn Khaldun.

necessitam realizar um árduo trabalho que se inicia pelo desmonte.) (LARAIA. Por dentro a casa é forrada com pelos de animais e com o auxílio do fogo conseguem manter o seu interior suficientemente quente. Quando deseja. 11. Tomemos. enquanto tradicionalmente os esquimós limitam-se à caça desses mamíferos. Vivem. como primeiro exemplo. pela retirada do gelo que se acumulou sobre as peles. vivem em tendas de peles de rena. é a variação cultural observada entre os índios do sudoeste norte-americano: (.aula 1. Rio de Janeiro: Zahar Editor. caracterizados por um longo e rigoroso inverno. ed. transcrito de Felix Keesing. Era de se esperar.indd 149 I SEAD/UEPB  149 10/04/2012 23:20:43 . Um segundo exemplo.. A aparente pobreza glacial não impede que os esquimós tenham uma desenvolvida arte de esculturas em pedra-sabão e nem que resolvam os seus conflitos com uma sofisticada competição de canções entre os competidores. desvencilhar-se das pesadas roupas. pois. então. 1997. o esquimó abandona a casa tendo que carregar apenas os seus pertences e vai construir um novo retiro Os lapões. É possível. em ambientes geográficos muito semelhantes. enquanto no exterior da casa a temperatura situa-se a muitos graus abaixo de zero grau centígrado.. p.e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais. Teoria Linguísticas II Teorias Linguisticas 11 . Cultura: um conceito Antropológico. os lapões e os esquimós. os primeiro no norte da Europa e os segundos no norte da América. Quando desejam mudar os seus acampamentos. Mas isto não ocorre: Os esquimós constroem suas casas (iglus) cortando blocos de neve e amontoando-os num formato de colméia. Roque de Barros. Ambos habitam a calota polar norte. 21-22). Em compensação. portanto. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico. os lapões são excelentes criadores de renas. que encontrassem as mesmas respostas culturais para a sobrevivência em um ambiente hostil. pela secagem das mesmas e o seu transporte para o novo sítio. Ambos têm ao seu dispor flora e fauna semelhantes. por sua vez.

polifonia. Parábola Editorial. 1989. Luiz Carlos. M. 1991.  150 Teorias Linguisticas 11 . 1974. 4. Luiz Antônio. São Paulo: Contexto. 2005. RJ: Vozes. Trad. KOCH. O texto na sala de aula.Referências ANTUNES. W. São Paulo: Perspectiva. Ingedore Villaça. Julia. A coerência textual. Introdução à semanálise. Trad. BARROS. Redação e textualidade. Belo Horizonte: Editora UFMG. 2004. 2000. Campinas: Pontes / UNICAMP. B. análise de gêneros e compreensão. (orgs.). KRISTEVA. ed. alii. TRAVAGLIA. Recife. Lutar com palavras: coesão e coerência. 1997. In: Língua portuguesa em debate: conhecimento e ensino. A. In: Oficina de leitura: teoria e prática. Maria da Graça. 2001. KLEIMAN. _______. 2008. São Paulo: Martins Fontes. AZEREDO. 2007. Lúcia Helena França Ferraz. Petrópolis. 2007. 2000. São Paulo: Contexto. MARTELLOTA. 1996. Universidade Federal de Pernambuco. ed. intertextualidade: em torno de Bakhtin. Repensando a textualidade. et. 7. O texto e a construção dos sentidos. O trabalho da citação. In: ––– (org). José Luiz. Irandé. Ingedore Villaça.) Manual de Linguística. MARCUSCHI. COMPAGNON.indd 150 SEAD/UEPB I Teoria Linguísticas II 10/04/2012 23:20:43 . ______. Universidade de São Paulo-USP. São Paulo: Contexto. A coesão textual. A interface de estratégias e habilidades. Antoine. KOCH. ed. São Paulo.) Dialogismo. ______. COSTA VAL. São Paulo: Contexto. São Paulo. São Paulo: Parábola Editorial. Concepções de linguagem e ensino de português. 8.aula 1. Mourão. São Paulo: Ática. 1983. J. 2008. Cleonice P. (org. José Carlos (org. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. A Linguística de Texto: o que é e como se faz. São Paulo: Martins Fontes. Produção textual. Diana Luz Pessoa & FIORIN. GERALDI.

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