04/12/2014

Tabelionato Figueiredo ­ 8º Ofício de Notas do Recife

PENHORA DE IMÓVEL DO CASAL
Na jurisprudência de alguns tribunais estaduais, vem sendo admitida a penhora judicial do imóvel de propriedade de um
dos cônjuges, casados pelo regime da comunhão total ou da comunhão parcial, por dívida contraída por um deles.
Neste caso, o direito à meação do cônjuge inocente e não devedor, continuaria preservado na medida em que, alienado
o imóvel penhorado em leilão ou hasta pública, metade do produto da arrematação seria entregue a esse cônjuge como
sua parte na meação. A outra metade ficaria com o credor. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entende, por
exemplo, de modo enfático, que “o bem pertencente a ambos os cônjuges pode e deve ser penhorado para satisfazer
dívida de execução” (Revista de Direito Imobiliário, IRIB, nº 48, jan/jun 2000, pág. 281). Essa posição da jurisprudência,
em um primeiro momento, era também aceita no Superior Tribunal de Justiça – STJ, que considerava recomendável a
“orientação segundo a qual o bem, se for indivisível, será levado por inteiro à hasta pública, cabendo à esposa a metade
do preço alcançado” (STJ, RESP 16.950­MG, Relator Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU de 05.04.93).
No entanto, posteriormente, o STJ veio a rever essa orientação, entendendo ser inadmissível “a alienação judicial do
bem por inteiro, ainda que seja indivisível, reservando­se à mulher a metade do preço alcançado”, pois “o direito do
meeiro sobre os bens não pode ser substituído pelo depósito da metade dos valores obtidos com a hasta pública” (STJ,
RESP 89.167­PR, Relator Min. Barros Monteiro, DJU de 11.11.1996). Conforme entendimento adotado nessa decisão,
“a mulher casada tem direito à meação de seus bens, não sobre o seu valor. Logo, a proteção conferida pela lei faz­se in
natura, (...) sendo incabível substituir­se pelo produto da arrematação”. E assim vem se consolidando essa nova
orientação jurisprudencial, do modo como constante em acórdão do seguinte teor: “Mulher casada. Meação. Execução.
Bem indivisível. Precedentes da Corte. Na forma de precedente da Corte, o direito do meeiro sobre bens não pode ser
substituído pelo depósito da metade dos valores obtidos com a hasta pública” (STJ, RESP 184.618­RJ, Relator Min.
Carlos Alberto Menezes Direito, DJU de 01.07.99).
De acordo, assim, com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, o bem imóvel pertencente ao casal é
indivisível e impenhorável em razão de dívida contraída, isoladamente, por apenas um dos cônjuges, seja pelo marido,
seja pela esposa. Se a dívida não for comum, isto é, se na sua constituição não constar a participação do outro cônjuge
como anuente, devedor solidário ou avalista, então, todo e qualquer imóvel pertencente ao casal, mesmo que não seja o
da habitação da família, considera­se impenhorável. A penhora judicial somente se reconhece válida, nessas hipóteses,
quando a dívida é comum a ambos os cônjuges perante um mesmo credor.
O cartório de registro de imóveis, observando essa orientação jurisprudencial, deve recusar o registro da penhora ou da
carta judicial de arrematação e adjudicação do imóvel em leilão público (Lei 6.015/73, art. 167, I, itens 5 e 26), se o
imóvel estava registrado em nome de cônjuge casado pelo regime da comunhão total ou da comunhão parcial, ou
mesmo pertencente a ambos, quando o processo de execução, do qual resultou a penhora, foi movido contra apenas
um dos cônjuges, sem a participação do titular da meação do imóvel considerado indivisível e impenhorável nesse caso.

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