Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira - Setembro/2009

O Keneysianismo Social de Cristovam Buarque como efetiva
alternativa anticíclica
Rogério Antonio Lagoeiro de Magalhães
(COPPE/UFRJ)
RESUMO
O conceito de “Keneysianismo Social” é uma criação de Cristovam Buarque que pretende
adicionar ao conteúdo anticíclico conjuntural do keneysianismo tradicional, uma nova
dimensão transformadora, adequada ao encaminhamento do “conjunto das crises dos tempos
modernos, não só a financeira e econômica, mas também às crises estruturais do meioambiente e da pobreza/desigualdade”. A proposta de Buarque tem por eixo uma “Revolução
Educacionista”, pela qual se universalizaria a educação de qualidade, num “Plano Marshal”
pela educação mundial. O artigo analisa as virtudes e limites da proposta, como efetiva
alternativa anticíclica, e sugere, nesse sentido, a complementação do vetor educacional por
uma ação direta e concomitante em favor da restauração do equilíbrio da repartição
capital/trabalho (lucros/salários), cujo desbalanceamento, nas últimas décadas, um pouco por
todo mundo, seria o verdadeiro problema econômico no fundo da crise.
ABSTRACT
The concept of “Social Keynesianisme” is a creation of Cristovam Buarque to handle all
the crises of modern times, not only financiaally and economicaly, but also the structural
crises of the environment and poverty / inequality. The article examines the virtue and
limitations of the proposal, as an effective alternative.
.
1. A tentação simplista da volta à receita Keynesiana dos anos trinta
Poucos dias antes da sua posse, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama,
conclamou o Congresso americano a aprovar, com urgência, o seu pacote para a recuperação
da economia, dizendo que “se a ajuda não sair logo, a nação corre o risco de afundar numa
crise que pode não ter mais volta”. O que o mundo teme agora é que, mesmo tendo sido seu
plano celeremente aprovado, e mesmo já tendo se ido muito mais longe que o mero socorro
aos bancos do governo Bush, não venha a se fazer suficientemente profundo nas suas linhas
de acerto, para conseguir cortar o circulo vicioso da crise.
De fato, dentre as medidas que vem sendo tentadas, apenas o estímulo direto ao consumo,
pelas diversas formas de fortalecimento da renda das pessoas (diminuição dos juros de
empréstimos, aumento do seguro-desemprego, desoneração do seguro-saúde, diminuição de
impostos, subsídios para pagamento de dívidas, etc.) é o que se apresenta como realmente
original e com possibilidade de efeitos imediatos. No entanto, medidas dessa natureza não
são ainda muito bem aceitas e o que mais se ouve pelo mundo todo é que “investimentos,
investimentos e investimentos, tem que ser o foco central”. Ao que parece, a opinião ainda
dominante entre os políticos e boa parte da sociedade, bem como de expressiva parcela dos
economistas, resta, em boa medida, aprisionada à matriz keynesiana clássica de pensamento
econômico, quando a gravidade do momento pediria a queima de etapas na inovação teórica
da interpretação do fenômeno.
Não é que Keynes não estivesse inteiramente correto quando observou que nas situações
de crise verifica-se uma tendência à queda do investimento frente à poupança acumulada,
diante da qual faz todo o sentido a intervenção governamental compensatória, pela via do
aumento dos investimentos públicos em infraestrutura, com um efeito multiplicado sobre a
renda. Mas, para começar, deve-se observar que o que o que estava realmente em jogo na
receita de Keynes era, muito mais, botar dinheiro no mercado para recuperar o nível de
atividade da economia e segurar o emprego e a renda, do que a infraestrutura em si mesma.
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à mesma época e sob a mesma inspiração. Porque. Sem dúvida. ou se foi somente a Segunda Guerra Mundial que teve o peso suficiente para destravar a economia.. mas.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . Na visão de Cristovam Buarque..Setembro/2009 O sucesso de Keynes deve-se. pode fazer tanto sentido quanto trazer de volta a máquina de escrever ou o avião a hélice. ao fato de ele ter sido um economista com grande sensibilidade política.. ser alcançado de maneira mais direta e eficiente.e um infinitésimo do gasto no Keneysianismo bélico da Segunda Guerra Mundial. por isso mesmo. inspiradas no New Deal de Roosevelt. que se julgam imunes a quaisquer influencias intelectuais. orientado dessa vez para o social”. tanto no plano nacional como na projeção mundial. como propõe. alcançado. Para o Brasil um “programa educacional transformador” que levasse a esse resultado teria um custo estimado R$ 12 bilhões/ano (“Apenas pouco mais de 1% do orçamento do setor público brasileiro).é justamente na educação que o keynesianismo social pode ter seu maior impacto”). tanto pelo objetivo da produção de bens públicos que combatam os fatores de exclusão social (contra a ampliação tão-somente da infraeestrutura econômica. Nesse sentido. na linha da universalização da educação de qualidade. De fato. tendo por meta levar “o filho do trabalhador à mesma escola do filho do capitalista. na década de 30. da própria funcionalidade dos gastos. mas devíamos nos perguntar se o resultado final pretendido por Keynes. A natureza econômica do keynesianismo social de Cristovam Buarque De todo modo. numa perspectiva descomprometida com a alteração do “status quo”). em si mesmas. trata-se de um soma modestíssima diante dos investimentos em obras públicas do New Deal de Roosevelt – e mesmo dos previstos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) brasileiro de hoje . simplesmente para queimar. nas condições de cada momento. favorece a sua perspectiva de implementação (“. a maior lição que nos deixou foi a da busca da esquematização do problema por um ângulo suscetível de ser operacionalizado (aplicado) na prática administrativa.. Simplesmente requentar uma política keynesiana anticíclica. até hoje há quem se pergunte se. nas condições atuais. Pode até funcionar. vale considerar que não se trata tão somente de uma questão de tamanho. uma montanha de sacas de café. de algum economista já falecido” (Keynes). de preço deprimido no mercado internacional. as obras da Tenesse Valley Authority. A Segunda Guerra Mundial mobilizou 100 milhões de homens e 2 .. como por não despertar preconceitos da opinião pública. “O desemprego não permite a espera por uma reorientação ideológica. “teria que ser um keneysianismo adaptado aos tempos modernos. Assim como. há que se reconhecer que. Todavia. Mas. o resultado final da receita de Keynes. nos dias de hoje. como diz Cristovam Buarque. não poderia. apenas para segurar a atividade interna. o que pressupõe a aceitação pela sociedade. o que se. o governo brasileiro gastou uma montanha de dinheiro comprando. como pela própria natureza desses gastos. o investimento em infraestrutura é uma dessas melhores possibilidades. por um lado. tanto por depender de uma decisão política autônoma do governo. 2.A crise atual vai exigir um novo programa mundial. na medida em que tem como contrapartida a pretensa utilidade do gasto. sem dúvida. “Homens práticos. no caso ele mesmo. no essencial. sobretudo. por meio da escola pública”. “O problema do investimento público é que demora a fazer efeito” (Paul Krugman) e. sem saber. No entanto.. a verdade é que a despeito da importância que possam ter tido. em grande medida. foram realmente os investimentos em infraestrutura do New Deal que tiraram os Estados Unidos da crise. parece pouco para conseguir o resultado pretendido.. por exemplo. o principal vetor dessa reorientação seria o educacional (“. Por isso a saída para o atual colapso global ainda será keynesiana. depois. ser. abrindo-se profundos buracos para fechá-los logo em seguida. ficando restrito ao vetor educaiona. geralmente são escravos.muito inferior aos bilhões que estão sendo gastos para tentar recuperar a venda de produtos para atender a demanda privada”). do mesmo modo. poderia.

o que tornava o sistema intrinsecamente contraditório. como na guerra. De fato. Como dizia Gaudy “Ser original é voltar às origens”. não parecendo interessado em reconstruir a teoria econômica a partir da análise do valor” (SANDRONI). as pegadas de um mesmo fenômeno: da mesma forma que a crise de hoje. nas duas situações. alojamento. propriamente dita. só agora. relacionados à manutenção dos exércitos). Essa composição dos gastos pode ter a ver mais do que se pensa com a “eficácia econômica” da guerra. Ou seria a perspectiva de lucros pela frente que já estaria comprometida por algum problema precedente ao qual teria sido devida a inadimplência generalizada? Como só a repetição ensina. alimentação. revisitando Marx e Schumpeter. fundado no desenvolvimento tecnológico continuado. a um custo total (a preços de 2007) de aproximadamente US$ 5 trilhões (Joseph Stiglitz e Linda Bilnes.3 milhões de indivíduos numa campanha de 4 anos. Na concepção de Schumpeter. da qual partiu. Porém. fazendo do seu fim inevitável uma certeza científica inscrita no seu próprio DNA.que deveria ser vista como uma ameaça e enquadrada na camisa de força de uma regulação asfixiante. que estaria no fundo desses descontroles. a políticas de conjuntura. o crack da bolsa.6 trilhões (Military Power Review) e só as tropas dos Estados Unidos engajaram 16. “As obras de Keynes mostram que suas preocupações estavam sempre ligadas a questões práticas. última. assim como hoje se a debita inteira à questão financeira dos empréstimos subprimes e das operações financeiras desreguladas. 3. pode-se perceber. um evento mais virtual do que real (perdeu-se o que não era para se ter ganho). propriamente dita. pode parecer pouco para explicar que se tenha passado do progresso feérico da década de 20 para a depressão econômica que se seguiu .Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . vestuário. contemplam. Enquanto a “mais-valia absoluta” de Marx explicava o lucro capitalista como resultado único da apropriação. sem maiores indagações sobre a causa econômica.da mesma forma que. no Timesonline). As causas econômicas da crise O que realmente transcende Keynes é muito menos a reação à situação de crise pela via que ele percebeu (em todas as suas possíveis variantes) e muito mais a indagação sobre as suas causas. 4. Mas não seria propriamente a inovação – verdadeira alma do capitalismo . das horas de trabalho não-pagas dos trabalhadores . O problema de fundo é bem outro.na visão de Schumpeter o lucro se apresentava como resultado de um processo virtuoso. por uma expectativa de empobrecimento geral.com as hordas de desempregados vagando entre as fábricas intactas e pelos campos à espera de cultivo . é mais uma conseqüência da crise do que sua causa. pode parecer pouco que a inadimplência de uns tantos empréstimos seja suficiente para condenar o mundo a trocar as perspectivas brilhantes de uma era de maravilhas tecnológicas em cascata. 3 . transporte. no Keneysianismo Social os gastos (bolsas para estudantes salários para professores. aquela também se apresenta precedida por um período de inusitada inovação tecnológica.Setembro/2009 mulheres no mundo inteiro (com 40 milhões de mortos) e seu custo total estimado foi de US$ 13. visto com um pouco mais de objetividade. para o observador de hoje. e sua identificação exige que se volte à consideração da natureza do lucro capitalista. que ele solenemente abstraiu. uma vez que a desigualdade poupança/investimento. pelo capital. além dos investimentos propriamente ditos (equipamentos e materiais). cuidados gerais de todo tipo. Na ocasião atribuía-se a crise ao crack da bolsa de Nova Iorque. Parece que o mais natural seria que se tratasse de zerar as perdas já contratadas com os lucros que viriam pela frente e prosseguir sem maiores traumas. Onde Marx e Schumpeter se encontram numa explicação da crise Como dizia Gaudy. com o advento de uma nova crise comparável à de 1929. uma alta parcela de custeio que funcionam como uma transferência de renda para as pessoas (soldos. “Ser original é voltar às origens”.

etc. a mais-valia absoluta de Marx. a demanda não pode crescer na velocidade da acumulação. pelo conjunto do sistema de produção. seja o produtivo ou o financeiro). por debaixo da crise financeira. detonando a dimensão financeira da crise. num moto-contínuo que.Setembro/2009 o lucro se aproximava mais dos conceitos da “mais-valia relativa” e “mais-valia extraordinária”. leva a que o excesso. adiando indefinidamente a crise final prevista por Marx.). apenas retira dela o status de uma explicação sistêmica do lucro. que lhe é anterior.levando a uma fantástica acumulação de forças produtivas . não possa encontrar aplicação produtiva. de um lado. por deficiência da renda básica do trabalhador. fazendo-os dever cada vez mais até que se torne insuportável. indo se refugiar no mercado financeiro (a compulsão do capital é o investimento. até porque se mostra natural que se atribua ao capital (novas máquinas.com o distanciamento dos inovadores em relação aos retardatários – o lucro cresce exponencialmente no interior do sistema. não tenderia a se interromper. Em suma. para catalogá-la dentre as formas de apropriação indébita. por si mesmo.de outro lado. como elemento importante da prática histórica da acumulação capitalista. de parte dos rendimentos que seriam funcionalmente devidos ao trabalho. enquanto pagamento do trabalho-simples) tende a permanecer relativamente o mesmo (“Nos últimos vinte anos o salário do trabalhador comum americano permaneceu estagnado”– Paul Krugman). portanto. produzindo-se o desequilíbrio poupançainvestimento. tem eclodido crises devastadoras. a saída.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . de forma que o desenvolvimento tecnológico explicaria o lucro e a expectativa do lucro explicaria o desenvolvimento tecnológico. uma vez que. Está nessa dicotomia o ponto onde Marx e Schumpeter voltam a se encontrar. à medida em que o desenvolvimento tecnológico penetra no conjunto do sistema de produção. também entrevistos por Marx. A crise financeira é apenas a forma como se manifesta a crise econômica da repartição. embora relegados a uma função coadjuvante no seu esquema teórico. é igualmente verdade que. o problema econômico. nesses três séculos decorridos desde a Revolução Industrial aos nossos dias. Para Schumpeter. não estando propriamente numa maior regulação do sistema financeiro. de tempos em tempos. enquanto o salário (o salário básico do trabalhador comum. onde. como amplamente propalado. dá lugar aos empréstimos temerários e a toda sorte de artimanhas. pelo capital. o que não pode ser negado é que se. pelo acréscimo de novas informações e habilidades. subtraído do trabalho e acumulado como lucro (mais-valia absoluta). ligados ao desenvolvimento tecnológico. tem se apresentado como a diretriz mais evidente do processo de desenvolvimento capitalista . processos. por um longo período. Todavia. A prevalência absoluta do capital. casas e tecnologia. o lucro se apresenta como produto da diferenciação da produtividade entre inovadores e retardatários. nem na 4 . O débito não pago levará os bancos à falência. “Os donos do capital irão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros. que terão que ser nacionalizados pelo Estado” (Marx). a continuidade e abrangência do desenvolvimento tecnológico do sistema de produção. robótica. De fato. reintroduz. para fornecer uma nova explicação do mecanismo da crise: o problema estaria em que na fase ascendente do ciclo de inovação. como se esta não implicasse também numa permanente adaptação do trabalhador comum. com a ameaça de levar o processo econômico à entropia. é o do fim da dispersão de uma etapa de inusitado desenvolvimento tecnológico (informática. observada por Keynes no coração da crise. acompanhando a expansão da diferenciação da produtividade no interior do sistema econômico . na prática. na busca de uma margem de ganho. o que tem sido pouco observado é que a consideração da hipótese de Schumpeter não implica. dando razão aos seus piores prognósticos: a sustentação dinâmica do processo econômico se vê comprometida. necessariamente. conhecimentos) todo o protagonismo da inovação. O problema economico é que essa repartição viciada. em negar a pertinência da “mais-valia absoluta”.

tem que ser igual para todos os trabalhadores. com os inovadores afastando-se dos retardatários. comprometendo o lucro global do sistema. o valor que deve ter o salário básico do trabalhador (salário-mínimo). sob um novo paradigma tecnológico. O programa educacionista de Cristovam Buarque se inscreve. trata-se. sucede-se uma fase de retração. pela recomposição dos rendimentos do trabalho.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . pode e deve atribuir à participação do trabalho na formação do produto nacional. trabalhar pela abertura de uma nova etapa de inovação. só poderá provir da criação de uma perspectiva de correção dessa distorção de fundo. uma solução que. dentre os mecanismos de regulação do processo econômico. destravar a economia para evitar a recessão. O Salário economicamente devido O nó do imbróglio é esse e só pode ser desatado. na definição de pagamento devido ao trabalho-simples. até porque não teriam havido tantos recursos excedentes necessitando serem emprestados. à diferenciação da produtividade da fase ascendente. além do 5 . “Entre meados de setembro e fins de novembro. sobretudo. as reservas bancarias nos Estados Unidos passaram de US$ 47 bilhões para US$ 640 bilhões. a crise não teria se produzido. Duas preliminares são. como a crise representa o fim de uma etapa de dispersão da inovação. com os retardatários aproximando-se dos inovadores. sem dúvida. pela criação de uma perspectiva de recomposição imediata dos rendimentos do trabalho. nem o consumo teria tido tanta necessidade de ser alavancado pela via dos empréstimos. para que possa se desenvolver em todo o seu potencial. dessa forma. do faxineiro aos executivos. técnica e não apenas politicamente. para se evitar a repetição futura desse mesmo problema. as diferenças de rendimentos entre eles definindo-se como devidas ao fato de que aos rendimentos destes últimos agrega-se. e. o enfrentamento da crise se desdobra sobre duas frentes. no sentido de destravar a economia. entretanto. sob um novo paradigma tecnológico. no seu estágio de desenvolvimento atual. trata-se de estabelecer. que não se pode saber nem como nem quando se conformará. Nessas condições. Em outras palavras. para que a produtividade volte a se diferenciar. o que aproxima os níveis de produtividade em torno de um mesmo ponto. das grandes às micro-empresas. num enfoque de justiça social. 5. de imediato. sem esquecer o interesse social da medida. até aqui resumidos ao manejo da taxa de juros pelos bancos centras. A superação definitiva da crise fica. mas que se pode ter certeza de que sem a solução do primeiro ponto será de ocorrência muito mais difícil. deve-se observar que o salário. na forma visualizada por Schumpeter. o dinheiro liberado para salvamento do mercado de crédito foi entesourado pelas próprias instituições financeiras” (Miriam Leitão). Primeiro. embora não se discuta a necessidade de socorro e disciplina para o setor. em contraposição aos rendimentos dos trabalhadores de modo geral. Frise-se que não se trata simplesmente de “dar ao trabalhador os meios de subsistência de que ele necessita”. sobre essas duas vertentes. em cada dado momento de desenvolvimento do sistema. 2) a possibilidade de sua determinação empírica para a atualidade das economias efetivas. Por outro lado. para que possa funcionar eficientemente como parâmetro da repartição funcional do produto. ou seja. o acompanhamento da “variável salarial”: se o excesso acumulado como lucro tivesse sido tempestivamente distribuído como salário. para que não se gere uma situação de descalabro.Setembro/2009 recuperação da solvência dos bancos. e. como já ficou demonstrado. de estabelecer o quanto a economia. contorne a recessão que parece inevitável. (o capital parado se estiola). segundo. da mesma forma que. Quanto ao primeiro ponto. será preciso incluir. Em suma. pendente da conformação de uma nova etapa de inovação. necessárias nesse sentido: 1) a fixação do próprio conceito de salário.

tanto dentre as empresas produtoras de cada mesma espécie de mercadoria (duas fábricas de biscoitos. Piero.000 mensais. se assim não for. essa parcela do capital humano dos trabalhadores qualificados expandiuse dramaticamente em relação ao salário do trabalhador comum. num dos seus elementos mais estratégicos. Junto com as máquinas. no sentido da intensidade do capital na relação capital/trabalho (K/L) em cada uma delas utilizada (Pe=f(K/L)). definida pela relação entre o valor da sua produção (VP) e o número de trabalhadores nela empregados (L) – Pe=VP/L. não poderia ser maior do que a distribuição como salário de todo o valor nela gerado. em cada um deles sendo produzida uma mercadoria-composta (ao estilo de Sraffa . Assim. naturalmente. Naturalmente. modernamente constituindo-se.Setembro/2009 salário. nas diversas empresas. não poderia ser maior do que a Produtividade econômica do trabalho (Pe) nela registrada. essas relações. de modo geral. tecnicamente.SRAFFA. indiferentemente às espécies de mercadorias que produzam. ou seja. compõe o capital total com que a empresa trabalha. quando há 30 anos não passavam de 30 a 40 vezes. mesmo. “Nos últimos anos os rendimentos dos executivos de grandes companhias chegaram a ser 344 vezes maior que o de trabalhadores médios. simplesmente porque. uma aproximação ao problema pode ser posta na moldura lógica da questão da repartição de um determinado montante entre dois titulares de direitos (o capital e o trabalho) cujas participações individuais não sejam previamente conhecidas. de salário. em relação ao trabalho. ou duas fábricas de automóveis. e não como sócio da empresa. a solução desse problema deve passar pelo princípio óbvio de que a cada um deve ser atribuído o máximo a que tiver direito. o capital humano dos trabalhadores qualificados.000 do faxineiro da empresa. correspondente ao “capital humano” (qualificações) atribuído a cada um. um gerente que receba US$ 10. ganha. umas pelas outras. 6 . A produtividade entre elas varia. o resto constituindo-se. “Produção de mercadorias por meio de mercadorias”.” (Nicholas Kristof). Como condição de lógica geral. como entre unidades de produção de diferentes espécies de mercadorias (entre fábricas de automóveis e de biscoitos). processos e insumos de todo tipo. em rendimentos de capital que lhe são atribuídos. equipamentos. para que todas possam ser produzidas. Quanto à possibilidade da determinação técnica do valor do “salário economicamente devido” nas economias efetivas. empresas) do sistema econômico. o máximo que cada unidade de produção do sistema poderia pagar. como salário. trabalham com diferentes combinações capital/trabalho (K/L). As diferentes unidades de produção (estabelecimentos. estaremos decompondo o sistema em seus diferentes segmentos de produtividade. todas as mercadorias entram umas nas produções das outras – a produção de mercadorias por meio de mercadorias – de maneira que para que o sistema esteja em equilíbrio. de valor igual à soma dos valores das produções individuais neles agregadas. a despeito de sua vinculação formal como empregado. os mesmos US$ R$ 1. com uma quantidade de trabalhadores igual à soma dos trabalhadores de suas respectivas unidades de produção.. o outro estará recebendo mais do que lhe seria devido. se agregarmos as diferentes empresas (unidades de produção) segundo a verificação de cada mesmo coeficiente de produtividade. Na configuração do sistema econômico de Sraffa. observada ao longo das décadas que precederam à crise.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira ..1960). por exemplo). aos seus trabalhadores. Dessa maneira. Na disparada dos rendimentos de capital. No conjunto do sistema. uma parcela adicional diferenciada. Essa parcela adicional de qualificação tem que ser. direta ou indiretamente. as totalidades de suas produções deverão poder se trocar. tanto poderão ser iguais ou diferentes entre si. tecnicamente incluída dentre os rendimentos totais de capital do sistema. é um fato da experiência que um trabalhador será tanto mais produtivo quanto maior a quantidade de capital de que disponha para trabalhar.

a condição de equilíbrio do sistema transparece na distribuição das quantidades de trabalhadores inversamente proporcional aos coeficientes de produtividade dos segmentos. todas essas trocas entre as mercadorias individuais do sistema original. um mesmo valor. todas. O salário. dessa forma. por definição igual para todos os trabalhadores. Vale dizer que o equilíbrio do sistema exige que essas mercadorias-compostas possam se trocar entre si. nas condições gerais de produção daquele dado momento. quanto menor a produtividade (Pe) maior terá que ser a quantidade de trabalhadores (L) em cada um deles. a condição de equilíbrio do sistema é a de que essas mercadorias-compostas dos diferentes segmentos de produtividade tenham. no sentido estatístico de valor mais freqüente. como pagamento do trabalhosimples.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . Sendo Pe=VP/L e sendo o VP igual em todos os segmentos. vai corresponder. ou seja. à produtividade do segmento de menor produtividade relativa (menor Pe). Assim.Setembro/2009 Observe-se que na configuração do sistema segundo seus segmentos de produtividade. 7 . inclusive as de menor produtividade relativa. da distribuição dos trabalhadores por níveis de produtividade) estará no segmento de menor produtividade relativa. Dado que o pressuposto de toda troca é a igualdade dos valores trocados. no segmento da base do sistema. poderão pagar. vão se apresentar resumidas às trocas entre as mercadorias-compostas dos diferentes segmentos. uma vez que esse será o valor homogêneo máximo (o salário é igual para todos e tem que ser o máximo que possa ser pago no sistema) que todas as empresas. como ilustrado na figura 1 a seguir: Conclui-se que a maior quantidade de trabalhadores do que em qualquer outro segmento (a moda.

6. ganha. a direção e amplitude das modificações dos preços relativos após o ajuste do salário economicamente devido. Se a implantação desse novo patamar salarial não for cercada dos cuidados adequados. embora pudéssemos pensar que o preço de uma indústria com alta proporção de trabalho por relação ao capital (baixa K/L. a grande massa de dados a ser tratada). Um “Plano Real” para o salário A partir da determinação objetiva do valor do salário economicamente devido. que já 8 . na prática. até que não se tenha mais acréscimo nenhum). dizendo respeito ao valor mais comumente gerado pela unidade de trabalho nas condições gerais de produção daquele dado momento. de modo a alterar profundamente a repartição do PIB entre o capital e o trabalho. baixa produtividade relativa) devesse aumentar com o aumento do salário. podia se dar justamente o contrário. Assim. assim como das proporções com que foram produzidos os meios de produção daqueles meios de produção e assim por diante”. mas também das proporções com que os próprios meios de produção foram produzidos . conjunturalmente em favor desse último. corre-se o risco de acabar em mera inflação. compatibilizando oferta e demanda e pondo fim à ameaça de recessão. em relação a uma outra de alto K/L (baixa proporção de trabalho. estabelecida a possibilidade de acompanhamento do salário economicamente devido na realidade de cada economia nacional. Dessa forma. pode-se. na formulação dos segmentos de produtividade. Numa palavra. vai corresponder ao padrão de valor-trabalho sobre o qual se estrutura o sistema de preços relativos. deve-se reconhecer que. em tese. é sempre passível de levantamento estatístico (na dependência. mas não só diretamente nelas. na lógica dos rendimentos decrescentes (no exemplo clássico. Nesse sentido a tecnologia do “Plano Real”. a definição abstrata de salário da teoria da produtividade marginal. como sendo a moda da distribuição dos trabalhadores por segmentos de produtividade. objetividade na realidade das economias efetivas. Como diz Sraffa em “Produção de mercadorias por meio de mercadorias” (Capítulo III) “A chave para o movimento de preços relativos que se segue a uma mudança do salário está na desigualdade das proporções em que o trabalho e os meios de produção (K/L) são empregados nas várias indústrias. considerada. mas apenas na prática dos negócios. Mais do que um mero decreto de aumento do salário.Setembro/2009 Por outro lado. o produto decrescente acrescentado por cada unidade de trabalho que se adiciona para trabalhar uma área constante de terra. como se sabe. trata-se de implementar toda uma rotação do sistema de preços relativos da economia em torno desse novo referencial salarial. Observe-se que o salário economicamente devido. não poderiam ser estabelecidas teoricamente. dessa forma. naturalmente do estabelecimento de uma metodologia própria.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . na dependência do encadeamento de proporções a que Sraffa se refere. a menor produtividade relativa admitida no sistema (aquela Pe correspondente à relação K/L à qual não pode ser acrescentada mais nenhuma unidade de trabalho) corresponde ao conceito da produtividade marginal do trabalho que na função macroeconômica da produção da teoria marginalista determina o salário. Todavia. esse é um problema nada trivial. ficando. um plano econômico brasileiro que logrou dar cabo a um processo inflacionário agudo. vindo de décadas. levar a economia a remunerar o trabalho simples (o trabalhador comum do sistema) nesse valor. de fato. sendo o conceito de produtividade econômica do trabalho expresso em termos de uma relação entre duas variáveis objetivamente conhecidas na realidade da produção (o valor financeiro produzido e a quantidade de trabalhadores utilizados. portanto baixo impacto do salário). sem distinção de qualificação). vale dizer. anulando os efeitos econômicos pretendidos e agravando ainda mais o quadro de crise. inclusive. como sendo o acréscimo de produto proveniente da última unidade de trabalho que pode ser acrescentada.

na formulação apresentada. embora o objetivo seja outro (não se trata de debelar um processo inflacionário crônico. seria necessário. Ao longo do prazo de ajuste. considerando-se que a possibilidade da determinação empírica desse parâmetro de repartição (o salário economicamente devido).. no ambiente de crise. ex-ministro brasileiro das finanças. para o Tesouro cobrir todo o adicional na folha de pagamento das empresas no período dos 4 meses de implantação do plano.Setembro/2009 tinha derrotado treze outros planos em seqüência. os preços tivessem se estabilizado. acabando com a crise num prazo curto e abrindo um novo horizonte econômico para a humanidade.3 trilhão. a propósito. até que os preços relativos se ajustassem ao novo referencial salarial e as próprias empresas pudessem assumi-lo. 7. ortodoxos ou convencionais.0 trilhões). O Keneysianismo. No entanto. baseados no ajuste fiscal e no controle monetário. ou seja. na qual passaram a ser expressos todos os preços. Bresser Pereira. um curto-circuito na repartição capital/trabalho (lucros/salários). que dispensaria o longo e tortuoso volteio dos investimentos públicos em infraestrutura. permitindo a introdução de uma nova moeda estável. em comum com a mecânica do Plano Real. de maneira a que se coordenassem entre si. supondo a duplicação do salário. num valor muito abaixo do que funcionalmente lhe devia corresponder. dos quais 50% (US$ 6. com crescimento explosivo da produtividade e dos lucros e relativa estagnação do salário. dentro dos quais 60% representariam os salários propriamente ditos (aproximadamente US$ 4. ao longo do período de ajuste. na proporção em que o investimento vire renda e. tomemos o PIB dos Estados Unidos de US$ 13 trilhões (para trabalhar com números redondos e aproximados). a necessidade de um prazo de ajuste e de um referencial que articulasse as variações dos preços relativos ao longo desse período. ocasionada por um período anterior de intenso desenvolvimento tecnológico. é o próprio fato desse aumento da renda tratar-se de um efeito 9 . que o Plano Real “adotou uma abordagem rigorosamente de mercado. da década de 30. significando uma injeção na veia do consumo (a propensão a consumir do trabalhador comum é próxima de 100%). evitando congelamentos. não seria possível na época do “Teoria geral dos juros. pode-se presumir.. nos dias de hoje. com desvalorização diária acompanhando a inflação.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . subsidiando o impacto nas folhas de pagamento das empresas. ao fim de um período de quatro meses.O keneysianismo Social como sucedâneo da guerra Nos termos da análise apresentada. da moeda e do crédito”. o total de US$ 1. mas de articular a rotação dos preços relativos da economia na direção de um novo patamar salarial). cifra nada assustadora diante dos quantitativos que vêm sendo alocados ao sistema financeiro. por sinal autor de um desses planos que não lograram sucesso. observou. nesse sentido. . representariam. as empresas não poderiam suportar o impacto do custo adicional em suas folhas de pagamento. é sem dúvida eficaz para resolver a crise. um enfrentamento muito mais efetivo da crise seria possível pela via da recomposição direta da participação do trabalho no produto nacional. evoluísse do patamar atual para o pretendido. de caráter monetarista ou keynesiano. de 1929 e atual. ambas. de Keynes (1936). portanto. antes que todos os preços tivessem incorporado o novo salário e todos pudessem pagá-lo.5 trilhões) representam os rendimentos dos trabalhadores. as crises. Em caráter puramente ilustrativo. o Real”. que. é óbvio. permitiu que. conclui-se que. Por fim. nas suas versões praticadas de 1929 a 1945 (a do New Deal e a bélica) aumenta a demanda agregada na proporção do multiplicador do investimento (inverso da propensão marginal a poupar). alguma coisa como uma URV-Salário em que todos os preços passasem a ser expressos e que.com base na solução rigorosamente inovadora da URV – Unidade de Referencia de Valor – uma moeda-índice. No caso. se inspira no “Produção de mercadorias por meio de mercadorias” de Sraffa (1960) e. Conclusão . Nesse período o Tesouro cobriria diretamente (a fundo perdido) o custo de implantação do plano. o que.

Keynes continua dando as cartas.Brasil/abril 2009) goza dessa mesma propriedade da guerra. 2008 CARCANHOLO. Reinaldo. Carlo . A “eficácia econômica” da guerra deve-se. Como se viu. 4 . Anais do V encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política. São Paulo. no seu espírito prático. “Oferta e demanda e a determinação do valor de mercado / Tentativa de interpretação do cap. segundo estimativa citada na Military Power Review) tenha conseguido destravar a riqueza estagnada desde a crise de 1929. Para o Brasil.Versão 10 . produção e transferência de valor”. Observe-se que o Keneysianismo Social.C. Rareté”. Machado. 2001. J. à grande proporção de gastos de custeio. na forma de bolsas para estudantes e salários para professores. Christian. Dessa forma se destravaria a riqueza mundial estagnada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENETTI. de maneira a reequilibrar a repartição capital/trabalho. 1999 BUARQUE. como aqui se propõe. “ A economia e a política do Plano Real”. vestuário.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . seria necessário agregar-lhe a componente da recomposição direta dos rendimentos do trabalho.Brasil. Cristovam. no Timesonline). na versão esboçada por Buarque (Le Monde Diplomatique . Paris: Durand. “Valeur et Repartition”. “O que é o educacionismo”. Isso torna legítimo suspeitar que só mesmo a Segunda Guerra Mundial. pouco mais do que 1% do orçamento público brasileiro). Não obstante. possibilitando a prosperidade do pósguerra (ver. “Sobre o conceito de mais valia extra em Marx”. Reproduction. esse plano teria o objetivo de reordenar os preços relativos em torno do novo referencial salarial posto em linha com a produtividade-padrão de cada economia nacional (cujo cálculo é estatisticamente possível. se restrito ao vetor educacional (RS$ 16 bilhões/ano. o “Pós-Guerra” de Tony Judt). na forma de um Plano Real para o Salário. a propósito. São Paulo. como vimos). L . inaugurando uma nova fase de prosperidade comparável á que se seguiu ao fim da segunda grande guerra. X do livro III . Revista de Economia Política vol. Anais do VI encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política. Editora Paz e Terra. cujo desbalanceamento anterior se constituiria no fundo econômico da crise. 2000. para que o Keynesianismo Social viesse a se constituir num sucedâneo à “eficácia econômica” da guerra. por outro lado. Cristovam. Cristovam. Le Monde Diplomatique . “A segunda abolição – uma proposta para a erradicação da pobreza no Brasil”. Reinaldo. Abril 2009 BUARQUE. cuidados gerais de manutenção dos exércitos – “Nos Estados Unidos foram incorporados 16.outubro-dezembro/94 BUARQUE.Setembro/2009 indireto que vai exigir que a dimensão da intervenção tenha que ser potencializada para surtir efeito. “Prix.3 milhões de indivíduos numa campanha de 4 anos ao custo total de US$ 5 trilhões a preços de 2007” (Joseph Stiglitz e Linda Balmer. pela alta proporção dos gastos de custeio com impacto direto na renda. BRESSER PEREIRA. “é preciso adaptalo à realidade dos novos tempos”(BUARQUE). “Um programa educacional transformador”. de efeito similar ao aumento direto da renda disponível (soldos.14 no. fica lhe faltando a massa crítica necessária para destravar a economia. “Mais valia extra. 1991 BORGES NETO. Editora Brasiliense. essa seria a porta de entrada para uma perspectiva de desenvolvimento sustentado e acelerado. Grenoble: Presses Universitaires de Grenoble. especialmente. no gigantismo dos seus números e na intensidade temporal de seus gastos ((US$ 13. São Paulo. alimentação. CARCANHOLO. 1976 BIDARD. mas para que se possa ser fiel a ele mesmo. Muito embora a Revolução Educacionista se imponha como eixo para a construção de um futuro qualitativamente diferente para o Brasil e para o mundo.6 trilhões nos seus 5 anos de duração.

“O pensamento econômico do século XX”. Alain. Ignacy. SCHUMPETER.L.Trabalho a ser apresentado no II Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira . “Produção de mercadorias por meio de mercadorias”. Objetiva. HERSCOVICI. Cláudio. Rogério A. Karl. “Em busca de novas estratégias de desenvolvimento”. Joseph. Piero. MAGALHÃES. Apresentação dos “Princípios de economia política e tributação de David Ricardo”. John Maynard. Francisco Paulo. São Paulo: EDUC. Francisco Paulo. Revista Economia/ APEC -Volume V . Anais do VIII encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política (2003). 2000. “A condição econômica da modernidade abrangente”. CIPOLLA. MARX. Anais do VII encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política. Nathan. 1979 ROSEMBERG.Setembro/2009 Preliminar”. “O Capital”. essência e aparência e o conceito da mais-valiaextraordinária”. Revista Brasileira de Inovação/ volume 5/Número 2/ julho-dezembro de 2006. “A Teoria do desenvolvimento econômico”. 1936 MAGALHÃES. Anais do VII encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política. Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política. São Paulo: Estudos avançados 9 (25) . Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura. 2008 KEYNES. 12. Rio de Janeiro: Zahar Editores. HERSCOVICI. Anais do V encontro da Sociedade Brasileira de Economia Política. 2002. 2002. interest and money. The general theory of employment. Rogério A. “Valor de mercado. Vitória: EDUFES. SACHS. Tony. Paul. preço de mercado e o conceito de mais valia extraordinária”. 1961 SINGER. São Paulo: Editora Abril. concorrência e preço de produção: uma perspectiva dinâmica”. Cadernos PET de teoria econômica. 1985 SRAFFA. “Pós-Guerra”. 1995 SERRANO. “Quão exógena é a ciência?”. Franklin & MEDEIROS.“Processo de gravitação. 2002. 1977. CIPOLLA. JUDT. Dinâmica macroeconômica – uma interpretação a partir de Marx e de Keynes. 11 .julho/ dez 2005. São Paulo. UFPr. “Valor. N. NAPOLEONI.L. Alain. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.”Teorias da distribuição” . “O desenvolvimento econômico e a retomada da abordagem clássica do excedente”. junho 2003. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. Carlos. 2000.