Sobre o autor:
Yopanan Conrado Pereira Rebello
é engenheiro civil pela Universidade Mackenzie (1971),
é mestre e doutor pela FAU-USP (ano).
Diretor Pedagógico da Ycon Formação Continuada
Diretor Técnico da Ycon Engenharia Ltda.
E autor de diversos livros, entre eles:
“A Concepção Estrutural e a Arquitetura”
”Bases para Projeto Estrutural”
”Estruturas de Aço, Concreto e Madeira”
”Fundações”
**títulos publicados pela Zigurate Editora - São Paulo

Ficha técnica:
Produção: CBCA - Centro Brasileiro da Construção em Aço
Coordenação Geral: Sidnei Palatnik
Projeto Gráfico: Thiago Felipe Nascimento e Sidnei Palatnik
Editoração Eletrônica: Thiago Felipe Nascimento
Ilustrações: Sidnei Palatnik e Caetano Sevilla
São Paulo - 2009
©2009 INSTITUTO BRASILEIRO DE SIDERURGIA/CENTRO BRASILEIRO DA CONSTRUÇÃO EM AÇO
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização desta Entidade.

Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Informações do IBS/CBCA
R291s
R291s

Rebello, Yopanan C.P.
Sistemas estruturais em aço na arquitetura / Yopanan C.P. Rebello;
Coordenação de Sidnei Palatnik - Rio de Janeiro: IBS/CBCA, 2009.
Curso a distância – via internet
Modo de acesso: www.cursoscbca.com.br
978-85-89819-19-0
ISBN 978-85-89819-19-0
1.Propriedades do aço 2. Estruturas metálicas 3. Perfis de aço 4. Sistemas
estruturais em aço 5.Curso a distância I.Palatnik, S.
669.14:37.018.43
CDU 669.14:37.018.43

Capa: Showroom Citroen - Paris
Foto: Sidnei Palatnik
2

Av. Rio Branco, 181 / 28º Andar
20040-007 - Rio de Janeiro - RJ
e-mail: cbca@iabr.org.br
site: www.cbca-iabr.org.br

O conteúdo desta apostila é parte integrante do curso
a distância intitulado “Sistemas Estruturais em Aço na
Arquitetura”, desenvolvido pelo Engenheiro e Professor Yopanan Conrado Pereira Rebello e pelo Arquiteto Sidnei Palatnik, para o CBCA - Centro Brasileiro da Construção em Aço - e oferecido no link
www.cursoscbca.com.br.
Ao prepararmos esta apostila tivemos como único fim
oferecer a possibilidade de imprimir o conteúdo escrito do curso, de forma a facilitar sua leitura.
Ressaltamos que inúmeros recursos multimídia disponíveis na internet não se aplicam a esta versão. Ela
também não incluiu todo o conteúdo disponibilizado
no curso, como exercícios, testes e vídeo, bem como o
conteúdo desenvolvido pelos alunos durante os cursos.
Eventuais links para sites, ou outros, apresentados ao
longo do texto, só irão funcionar caso este seja aberto
no seu formato eletrônico (pdf) e que aja uma conexão disponível para a internet.
Os vídeos assinalados ao longo da apostila somente
são disponibilizados através do ambiente de internet
do curso.
Recomendamos que seja feito o download dos vídeos
oferecidos durante o curso para que possam ser visualizados a partir do computador do leitor.

3

Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura
Índice do Curso
Introdução
Módulo 1. Cargas que atuam nas estruturas
Módulo 2. Características do Aço na Construção Civil
Módulo 3. As seções estruturais e suas aplicações
Módulo 4. Os Sistemas Estruturais em Aço
Módulo 5. Associação de Sistemas Estruturais em Aço
Módulo 6. Galpões em estrutura de aço
Módulo 7. Edifícios residenciais e comerciais em Aço
Módulo 8. Proteção contra Corrosão em Estruturas de Aço
Módulo 9. Proteção ao Fogo em Estruturas de Aço
Módulo 10. As interações entre as estruturas de aço e a arquitetura

4

Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura

1
MÓDULO

Cargas que atuam nas estruturas

5

Momento Fletor Momento . Estruturas hipostáticas.4.momento fletor 3. Cargas quanto à direção 1. iso ou hiperestáticas 2. Cargas quanto à geometria Distribuição das cargas nos elementos estruturais: Geometria das cargas Cargas pontuais ou cargas concentradas Cargas lineares Cargas superficiais 1.5.3. Tração simples ou axial 3. Cargas acidentais 1. Relação entre esforços e forma das seções A relação entre os esforços atuantes e as seções resistentes: O princípio da distribuição das massas na seção Tração simples ou axial Compressão simples ou axial Momento fletor – flexão Conceito de hierarquia dos esforços Uso de gráficos 6 . Conceito de equilíbrio .1. Cálculo de momento fletor e força cortante para vigas biapoiadas sem e com balanços 3.Visão geral de cargas nas estruturas Forças que atuam nas estruturas Conceito de direção e sentido Conceito de força 1.4. Equilíbrio interno Equilíbrio estático interno 3. Cargas quanto à freqüência a.3.equilíbrio estático das estruturas. Momento Torçor 4. Cargas que atuam nas estruturas 1.2.2. 3.1. Compressão simples ou axial Compressão simples ou axial e flambagem A Flambagem 3.3.Módulo 1 1. Os vínculos estruturais Estruturas hipo. Conceito de tensão Tensão Regime elástico e Regime plástico Módulo de elasticidade 3.2. Momento . Equilíbrio 2. Cargas permanentes b.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice . Condições para se obter o equilíbrio estático. Cálculo das cargas 2.5. Condições de equilíbrio das estruturas Equilíbrio estático externo 2. isostáticas e hiperestáticas.1.6.

os ganhos com o sistema adotado serão mais consistentes. qualquer que seja ela. A escolha do sistema construtivo não deve ser uma competição entre os diferentes tipos de estruturas. mas uma decisão com base nas necessidades da obra e nas características de cada sistema. Conheça o Professor Yopanan Vídeo 0 . Ao contrário. A análise do custo global da obra pode reduzir substancialmente a diferença entre o uso do aço e do concreto. será o nosso guia no aprendizado dos diversos sistemas estruturais em aço.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 1 PARTE Cargas que atuam nas estruturas INTRODUÇÃO Professor Yopanan Ao projetar uma construção. não irá permitir todos os ganhos possíveis. Se esta definição é feita ainda na fase de anteprojeto. quando muitas definições programáticas já estão prontas.Introdução 7 . engenheiro e calculista. concreto e madeira. nos deparamos com diversas variáveis: necessidades do cliente na forma do programa de arquitetura. projetar com uma estrutura de concreto ou com uma estrutura de aço não é a mesma coisa. condicionantes físicas. limitações financeiras e muitas outras. Cada qual tem suas respectivas limitações e vantagens características de seus componentes e modo de produção. migrar para outro material estrutural já numa fase posterior. como aço. principalmente se usarmos o aço com seu melhor desempenho. conhecedor de diversas técnicas construtivas. normas legais. talvez a mais importante seja a definição do sistema estrutural a ser adotado. Intimamente ligado ao material estrutural que será escolhido está a definição do sistema estrutural. Entre estas. Como sabemos. O Professor Yopanan.

portanto. apesar de brusca. em movimento. a rua pela qual a pessoa caminha tiver uma curva. mas em movimento para um observador fora dela. Pode-se escolher qualquer referencial para se definir a direção. a linha do equador. A direção de uma rua ou estrada tem que ser definida em relação a alguma referência. como se estivesse parada. O mesmo não ocorre para uma terceira pessoa parada. por exemplo: quando duas pessoas andam lado a lado. Se por outro lado. Como no conceito de movimento. a agulha de uma bússola.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parte 1 . direção será algo sem nexo. por exemplo.Forças que atuam nas estruturas Video 1 . mas uma vez escolhido esse referencial deve ser fixo e conhecido para que todos possam ter a mesma interpretação dos acontecimentos. ocorre apenas uma vez. É sabido que para se garantir que um objeto esteja em movimento é necessário que esse movimento seja relacionado a um referencial. a terceira pessoa pode ser considerada parada em relação à terra. 8 . Essa pessoa dita parada estaria em movimento junto com o planeta terra. enquanto no caso da curva ocorrem muitas mudanças de direções. ao percorrer esta curva. Logo a terceira pessoa pode ser considerada parada ou não dependendo da referência que se tome.Cargas nas Estruturas Conceito de direção e sentido Quando alguém anda por uma rua reta e de repente entra numa de suas travessas. No entanto essa terceira pessoa considerada parada não o estará para uma quarta que a visse do espaço sideral. Como aquelas duas pessoas que andam lado a lado podem ser consideradas paradas uma em relação à outra.1 . Se não for levado em conta um referencial qualquer. e uma delas olha para a outra. como. o conceito de direção também exige um referencial. que verá as duas primeiras afastando-se e. o caminho que essa pessoa percorre muda bruscamente de direção. ela a verá sempre ao seu lado. ou outra qualquer. No caso anterior quando se entra numa travessa a mudança de direção. a partir do seu início em cada ponto da curva a pessoa também estará mudando de direção.Cargas que atuam nas estruturas 1. com mesmas velocidades.

As cargas que atuam sobre uma viga podem se distribuir de maneira diferente das que atua sobre uma laje. é um referencial bastante definido e que normalmente é utilizado. por exemplo. A reta que vai do ponto de localização de uma pessoa ao pólo magnético da terra dada pela agulha de uma bússola. A direção do vôo de um avião é definida pelo ângulo que sua rota forma com a direção dada pela bússola. a rota entre São Paulo e Rio de Janeiro pode ser ocupada por um avião que vai de São Paulo para o Rio e outro que vai do Rio para São Paulo.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Define-se como direção de uma reta qualquer o ângulo que ela forma com outra reta bem conhecida. o que é um erro grosseiro.Rio de Janeiro ou Rio de Janeiro São Paulo. aquelas que variam são denominadas cargas variáveis. direção e sentido.σ Onde: • F = força • M = massa • σ = aceleração 1. por exemplo. definida uma direção. Matematicamente força é definida como o produto da massa de um corpo pela aceleração que ele adquire numa determinada direção e sentido. Os dois aviões estão indo na mesma direção mas em sentidos contrários. com uma determinada massa. Conceito de força Sempre que um corpo. Portanto. para se caracterizar corretamente o movimento deve-se informar também o sentido. Quanto a geometria as cargas podem ser: • Cargas pontuais ou cargas concentradas • Cargas lineares • Cargas superficiais 9 . Portanto a idéia de força está liga a noção de massa. dizer-se que ele esta na direção contrária. quando esse mesmo corpo. As cargas podem atuar de maneira uniforme sobre a estrutura ou variar sua intensidade ponto a ponto. Normalmente a geometria dos carregamentos acompanha a geometria dos elementos estruturais sobre os quais eles atuam. aceleração (alteração na velocidade). F = M . o que muda é o sentido. A direção é a mesma São Paulo . já em movimento retilíneo (movendo-se sobre uma reta). denominada referencial. Cargas quanto à geometria Distribuição das cargas nos elementos estruturais: Geometria das cargas A distribuição de cargas sobre uma estrutura pode ser diferente de um ponto para outro. ainda. É comum ocorrer o engano de se dizer que determinado veículo está indo na direção de São Paulo para o Rio de Janeiro e o outro que está na mesma estrada mais em sentido contrário.2. As cargas que têm a mesma intensidade ao longo do elemento estrutural são denominadas cargas uniformes. com velocidade constante tiver sua velocidade e/ou sua direção alterada diz-se que a ele foi aplicada uma força. Uma mesma direção ou rota. estiver em repouso e iniciar um movimento ou. É muito comum haver uma certa confusão nos conceitos de direção e sentido.

sendo neste caso predominantes as cargas devidas à gravidade. São exemplos de cargas lineares o peso próprio de uma viga. etc. Essas cargas são representadas graficamente por um conjunto de setas dispostas sobre uma linha. 1. São exemplos de cargas concentradas: uma viga apoiada sobre outra.) 150 kgf/m² Cargas acidentais sobre pisos de escritórios 200 kgf/m².Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Cargas pontuais ou cargas concentradas Cargas pontuais ou cargas concentradas são aquelas localizadas em um ponto. Essas cargas são representadas graficamente por uma seta isolada. tais como as cargas de vento. Cargas lineares Cargas lineares. podem. as cargas de peso. São exemplos de cargas superficiais o peso próprio de uma laje. as cargas podem ocorrer na vertical. ainda. ou seja. Essas cargas são representadas graficamente por um conjunto de setas dispostas sobre uma área. o peso de um líquido sobre o fundo do recipiente. podem. serem inclinadas. e assim por diante. as cargas depositadas por uma laje sobre as vigas. peso próprio de revestimentos de pisos. Cargas superficiais Cargas superficiais são aquelas que se distribuem sobre uma superfície. o empuxo de um líquido sobre as paredes do recipiente que o contém e as cargas acidentais definidas pela Norma. No quadro abaixo apresentamos alguns exemplos de cargas acidentais superficiais definidas pela Norma: Cargas acidentais sobre pisos residenciais (pessoas. Cargas quanto à direção Quanto à direção. 10 . ocorrer na horizontal. 50 a 100 kgf/m². empuxos de solos sobre arrimos. móveis. empuxos de água sobre paredes de piscinas e caixas d’água. oriundas da composição de cargas verticais e horizontais. o peso próprio de um pilar. como o próprio nome diz. também. o peso de uma parede sobre uma viga ou placa. são aquelas distribuídas sobre uma linha. e assim por diante. um pilar que nasce numa viga ou placa.3. Cargas acidentais sobre pisos de lojas Cargas acidentais devidas ao vento 400 kgf/m².

As cargas acidentais são mais difíceis de serem determinadas com precisão e podem variar com o tipo de edificação. Para determiná-lo é necessário o conhecimento das dimensões e peso específico desses revestimentos. as seguintes: • O peso de pessoas. Por isso essas cargas são definidas por Normas.4. como placas de chumbo nas paredes de salas de Raio X. enquanto outras ocorrem de vez em quando. Cargas quanto à freqüência Algumas cargas atuam na estrutura durante toda sua vida útil. podem ser determinadas com grande precisão. reboco. . é considerado no peso das telhas e revestimentos. Obs. • O peso do mobiliário.O efeito da chuva como carregamento. • O peso de veículos.O peso dos revestimentos de pisos. Esta é uma força horizontal que depende do tipo de veículo. Cargas acidentais.O peso de revestimentos especiais. Para determiná-lo é necessário conhecer-se a largura e altura da parede e o peso específico do material do qual ela é feita . azulejo e outros). assim como do revestimento (emboço. b. já considerados. Denominam-se cargas permanentes àquelas que ocorrem ao longo de toda vida útil da estrutura e cargas acidentais àquelas que ocorrem eventualmente. pisos cerâmicos. • A força de frenagem (freio) de veículos. Cargas permanentes As cargas permanentes são cargas cuja intensidade.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Cargas inclinadas 1. pois elas são devidas exclusivamente a forças gravitacionais. apesar de acidental. Para determiná-lo basta o conhecimento das dimensões do elemento estrutural e do peso específico (peso / m³) do material do qual o elemento estrutural é feito.O peso das paredes. São exemplos de cargas acidentais. direção e sentido. como contrapisos. . a.O peso próprio da estrutura. Esta é uma força horizontal que depende da região. • A força de vento. 11 . . São exemplos de cargas permanentes as seguintes: . . ou peso. que podem variar de país para país. No Brasil a norma que determina os valores das cargas acidentais é a NBR 6120 da Associação Brasileira de Normas Técnicas. entre outros. das dimensões verticais e horizontais da edificação. prescritas pela Norma.

como mostra a figura a seguir: Módulo 1 .5. Cálculo das cargas que incidem sobre a estrutura Peso Próprio das lajes maciças Numericamente o peso por metro quadrado da laje depende apenas da altura da laje (h laje). como cofre. Como a carga acidental pode ocorrer em alguns pontos da estrutura e em outros não. Pode-se então escrever: Peso Proveniente das cargas acidentais: NBR 6120 – Cargas para cálculo de estruturas de edificações (Nov/1980) 12 .O peso de móveis especiais. não é determinado pela Norma e deverá ser informado pelo fabricante do mobiliário.1. para um adequado dimensionamento da estrutura deve-se pesquisar. para cada elemento.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura . Muitas vezes carregar parcialmente a estrutura pode ser mais desfavorável que carregála com toda a carga. qual a posição mais desfavorável de carregamento.

Cargas nas vigas provenientes das lajes armada em uma só direção onde l = vão menor da laje Obs: As lajes pré-moldadas comportam-se como lajes armadas em uma só direção (a direção das vigotas). (Capítulo 3) Clique aqui para acessar a apostila.680 kgf / m³ Tijolos cerâmicos revestidos 1. Laje armada em cruz Na prática.120 kgf / m³ Blocos de concreto revestidos 1. Seu peso é dado em tabelas fornecidas pelos fabricantes em função do vão e da sobrecarga (acidental + revestimentos) Cargas nas vigas provenientes das alvenarias Cargas nas vigas provenientes das lajes armadas em cruz Carga na viga do vão menor: Carga na viga do vão maior: onde. l= vão menor e L= vão maior Pesos específicos (‫ ﻻ‬alve) de alvenaria mais usados: Tijolos de barro maciços revestidos 1.250 kgf / m³ Blocos de concreto celular revestidos 950 kgf / m³ onde. essa situação ocorre quando o vão maior é maior que o dobro do vão menor. Muitas delas podem ser obtidas na apostila O Uso do Aço na Arquitetura. b= largura da parede h= altura da parede 13 . Aloizio Fontana Margarido. Cargas nas vigas provenientes das lajes Laje armada em uma só direção Para fins práticos.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Cargas provenientes do peso próprio da viga O peso próprio das vigas pode ser obtido diretamente das tabelas de perfis dos fabricantes. do Prof. isso ocorre quando o vão maior é menor ou igual ao dobro do menor.

mas não suficiente. mas existe movimento. que não sejam o seu peso e a reação da mesa. devem permanecer em equilíbrio estável durante toda a sua vida útil. denominados vínculos. No caso do objeto sobre a mesa não há movimento. 14 . como internamente. desloca-se com velocidade constante e em uma trajetória reta. Diz-se que um objeto está em equilíbrio quando não há alteração no estado das forças que atuam sobre ele. No caso da espaçonave o equilíbrio ocorre. durante toda sua vida útil. Por outro lado. Portanto uma estrutura para estar totalmente em equilíbrio estático deve manter-se nele tanto externamente. para existirem. manter-se-á no lugar indefinidamente. Uma espaçonave. que as dimensões de suas seções sejam corretamente determinadas. é o equilíbrio estático. no espaço sideral. equilíbrio nos seus vínculos.equilíbrio estático das estruturas Vídeo .Conceito de equilíbrio . Embora corretamente dimensionada. o objeto permanece parado. e a mais importante. ou seja. É este último que interessa para as edificações. Nesta situação a espaçonave encontra-se em equilíbrio. a estrutura pode perder o equilíbrio se seus apoios ou as ligações entre as partes que a constituem. longe do efeito gravitacional dos astros. Nesta situação o objeto encontra-se também em equilíbrio. desde que sobre ele não seja aplicada outra força. com o equilíbrio das forças que ocorrem dentro das suas seções. não forem corretamente projetados. que. é que quando submetidas às mais diferentes forças possam manter-se em equilíbrio. Já um objeto sobre uma mesa.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parte 2 . Para uma estrutura permanecer em equilíbrio estático é necessário.Equilíbrio das Estruturas Equilíbrio Uma das propriedades desejadas para as estruturas. Este é o equilíbrio dinâmico. o correto projeto dos vínculos não garante a estabilidade da estrutura se as dimensões das suas seções forem menores que as necessárias.

Para evitar o giro podemos criar outro suporte. uma trava. num dos suportes. Ainda assim o equilíbrio estático da barra não está garantido. A ação da gravidade sobre sua massa provoca o aparecimento da força peso. equilibrando-a.2. ou seja. em equilíbrio estático. Este raciocínio pode ser extrapolado para o espaço. Considere-se uma barra qualquer. Estas são as três condições mínimas necessárias para que ocorra o equilíbrio estático no plano. Uma maneira de evitar que a barra se desloque na vertical é a criação de um dispositivo que crie uma reação contrária à força peso. Para evitar esse movimento pode ser colocada. Condições para se obter o equilíbrio estático. como mostra a figura a seguir. Sob a ação dessa força a barra tende a se deslocar na vertical em direção ao centro da terra. Nestas condições o equilíbrio ainda não é alcançado já que a barra tende a continuar movimentando-se. Suponhamos que para isso se crie um suporte como mostrado na figura a seguir.σ Uma maneira de evitar que a barra se desloque na vertical é a criação de um dispositivo que crie uma reação contrária à força peso. P=M. já que a aplicação de uma força horizontal poderá deslocá-la nessa direção. não ande na horizontal e nem gire. Os vínculos estruturais Vídeo – Vínculos Vídeo – Modelos de Vinculos Vídeo – Vínculos . desde que no seu plano. ela permanecerá indeslocável. só que agora girando em torno do seu suporte.2ª parte 15 . Suponhamos que para isso se crie um suporte como mostrado na figura a seguir. Portanto. Dessa maneira qualquer que seja a força que atue sobre a barra. como mostrado na figura abaixo.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Equilíbrio estático externo 2. Nestas condições a barra não irá movimentar-se na vertical e nem girar.1. 2. equilibrando-a. para um elemento estrutural estar em equilíbrio estático no seu plano é condição necessária e suficiente que ele não ande na vertical.

Articulado porque permite o giro. móvel porque permite o deslocamento numa direção. São vínculos: • a ligação entre uma laje e uma viga. Algo semelhante acontece com os demais vínculos. portanto ele só admite reação em uma direção (normalmente vertical. 16 . a figura a seguir mostra os vínculos e as reações originadas neles. um vínculo articulado móvel apresenta possibilidade de giro e deslocamentos em uma direção (normalmente horizontal). Na figura ao lado são apresentados os significados desses vínculos e suas representações gráficas. • a ligação entre as barras que formam uma malha estrutural e assim por diante. O vínculo que impede o giro e os deslocamentos é denominado vínculo engastado. O vínculo que permite apenas o giro relativo é denominado vínculo articulado fixo. Os vínculos. gerando assim reações. normalmente a horizontal. Um vínculo que permite giro e deslocamento relativos é denominado vínculo articulado móvel. conforme seja desejo de projeto. Por exemplo.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Vínculos Os vínculos são os dispositivos de ligação entre os elementos estruturais. podem ou não permitir movimentos relativos entre os elementos por eles unidos. Cada tipo de vínculo apresenta determinadas restrições de movimento. • uma viga com outra viga. • uma viga e um pilar.

A interpretação será mais correta quanto mais ela se aproximar dos deslocamentos produzidos na estrutura real. uma viga pouco rígida apoia-se em pilares muito rígidos. se houver uma ligação contínua entre vigas e pilares. Neste caso. ou um vinculo articulado se não houver essa continuidade. vínculos engastados. Neste caso. pode-se ter um vínculo rígido (nem totalmente articulado nem totalmente engastado). pensado de forma que se aproxime ao máximo do comportamento real. neste caso tem-se como um bom modelo. Reparem que uma mesma estrutura pode levar a duas ou mais interpretações. No primeiro caso uma estrutura bastante rígida apoia-se em pilares pouco rígidos. uma análise mais profunda pode indicar se eles podem ser considerados móveis ou fixos. 17 . Na figura a seguir são mostrados exemplos reais e seus respectivos modelos. A rigidez dos elementos ligados é sempre um fator a ser observado nessa interpretação teórica. A interpretação dos vínculos é sempre um modelo teórico. ou seja perfeitamente articulados ou móveis. pode-se interpretar os vínculos entre vigas e pilares como articulados.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Nem sempre as estruturas reais apresentam vínculos perfeitos. Nos demais casos têm-se vigas e pilares de mesma ordem de rigidez. dependendo do detalhamento. No segundo caso.

pois os vínculos seriam capazes de absorver as forças horizontais (empuxos) originadas pela abóbada. Na base devido ao grande aumento na dimensão do pilar. A figura mostra um caso real de uma abóbada apoiada em duas vigas periféricas. Um vínculo mal interpretado pode gerar um acidente estrutural. fazendo com que a ligação entre a abóbada e as vigas se constituísse em um verdadeiro vínculo móvel. O modelo adotado foi o de dois vínculos articulados fixos. a estrutura se comportaria adequadamente. Com isso a estrutura tornou-se hipostática ocorrendo o seu colápso. a diminuição da espessura do pilar junto a viga leva inevitavelmente à interpretação de um vínculo articulado.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura O desenho arquitetônico pode induzir a que o modelo estrutural se aproxime de um ou outro tipo. As mesmas questões podem ser observadas no segundo exemplo. a interpretação mais adequada é de um vínculo engastado. Na figura a seguir são mostrados exemplos em que o desenho da arquitetura gera uma interpretação de vínculo. Isso fez com que sob a ação dos empuxos da abóbada a viga se deformasse. Ocorre que as vigas eram muito finas. No primeiro. 18 . portanto com pouca rigidez lateral. Se realmente a ligação entre a abóbada e as vigas fossem desse tipo.

19 .: o neoprene é um tipo de borracha que permite deformações de diversos tipos. como ilustrado na figura a seguir. Assim quando se quer que as dilatações térmicas de uma viga não influenciem os pilares sobre os quais ela se apóia. de maneira que ela possa dilatar-se livremente sem aplicar uma força horizontal ao pilar.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas A opção por um ou outro tipo de vínculo depende do modelo físico idealizado para o comportamento da estrutura. projeta-se um vínculo articulado móvel num dos pilares de apoio da viga. Obs.

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de vínculos reais: 20 .

Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 21 .

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de vínculos aproximados: 22 .

Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 23 .

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 24 .

Quando as condições de estabilidade estiverem abaixo das mínimas a estrutura é dita hipostática (hipo. dizemos que a estrutura é hiperestática (hiper. portanto não interessam ao universo das estruturas de edificações.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 2.3. ela é dita isostática (iso. radical grego que significa acima). isostáticas e hiperestáticas Quando uma estrutura encontra-se em condições de estabilidade exatamente iguais às mínimas necessárias. portanto. 25 . São estruturas que tendem a cair. que se deve trabalhar somente com estruturas isostáticas ou hiperestáticas. Estruturas hipostáticas são estruturas que não se encontram em equilíbrio estático e. radical grego que significa abaixo). radical grego que significa igual). Conclui-se. Quando as condições de estabilidade estão acima das mínimas. isostáticas e hiperestáticas Vídeo – Estruturas Hipo Iso Hiperestáticas Estruturas hipostáticas. Estruturas hipostáticas.

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de estruturas hiperestáticas: vigas contínuas 26 .

Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Exemplo de estrutura isostática: viga biapoiada 27 .

tem-se: 3. considerando a carga distribuída q e o vão l. respectivamente. Carga concentrada Para simplificar o cálculo.4 Cálculo das reações de apoio em vigas biapoiadas sem e com balanços Reações nos apoios em vigas biapoiadas sem balanços 1. pode-se generalizar os resultados usando uma força P qualquer atuando sobre a viga de vão l qualquer e distante a e b dos apoios A e B. 3. Carga distribuída Generalizando. 2.1 Carga concentrada 3. Vigas em balanço Uma viga em balanço é aquela em que uma das extremidades é totalmente livre de apoio e a outra apresenta um apoio engastado.2 Carga distribuída 28 .Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 2.

antes dele romper-se. rompendo-se e perdendo o equilíbrio interno. Como não se pode ver o que acontece dentro da seção de um elemento estrutural.Equilíbrio das Estruturas O equilíbrio externo de uma estrutura é condição necessária. Existe uma relação direta entre o que ocorre dentro do elemento estrutural e as deformações externas visíveis. Conceito de tensão Vídeo – Tensão 29 . como as estruturas hiperestáticas. ou seja. as tensões no material provocam algum deslocamento relativo entre as seções. mas não suficiente para sua existência.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Parte 3 .Equilibrio interno Vídeo . pode perder a sua estabilidade.1. na vertical e não girem. se o material da qual é composta não for capaz de reagir às tensões internas. Semelhante ao caso do equilíbrio externo. A ruptura de um elemento estrutural dá-se pela perda do equilíbrio interno. recorre-se a alguma pista externa. Essa pista é a forma como o elemento estrutural se deforma quando submetido às forças externas. 3. Mesmo uma estrutura com grande grau de estabilidade. para que ocorra o equilíbrio interno é necessário que as secções que compõem o elemento estrutural não se desloquem na horizontal.

Quando a força é aplicada perpendicularmente à superfície resistente. A resistência de um elemento estrutural depende da relação entre a força aplicada e a quantidade de material sobre a qual a força age. Só podemos comparar a resistência de dois materiais comparando as máximas tensões que eles podem resistir. a tensão denomina-se tensão tangencial ou tensão de cisalhamento. Em outras palavras. tangente à superfície resistente. por exemplo. Quando a força aplicada for paralela. a tensão denomina-se tensão normal. Mas isso não garante que um fio de aço resista mais que um fio de algodão. Desde que colocada uma quantidade suficiente de algodão. ou em outras palavras. o algodão. 30 . A essa relação dá-se o nome de tensão.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Vídeo – Tensão normal e tangencial Vídeo – Deformação elástica e plástica Tensão Ninguém duvida que o aço é um material mais resistente que. a tensão é a quantidade de força que atua em uma unidade de área do material. o seu fio poderá resistir mais. ou melhor. o quanto de força por unidade de área eles suportam.

Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Um pilar é um exemplo de peça estrutural submetida a tensão normal. 31 . Um tirante é outro exemplo de peça estrutural submetida a tensão normal.

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parafusos são exemplos de elementos estruturais submetidos a tensões de cisalhamento 32 .

ao se duplicar a força o material dobra sua deformação. mais ele se deforma. Todo material quando submetido a tensão apresenta uma deslocabilidade nas suas moléculas. Nenhuma estrutura trabalha dentro do seu limite de resistência. mas em um regime um pouco abaixo desse limite. Neste ensaio são medidas as tensões a que o corpo de prova é submetido e suas respectivas deformações. no concreto armado de 2 e em algumas madeiras chega a 9. Os coeficientes de segurança variam de material para material e são obtidos. não ponham em risco a resistência da estrutura. A deformabilidade visível dos materiais estruturais é uma característica bastante desejável. tais como falhas de material.500 kgf/cm² (tensão normal) τ = 800 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) σ = 90 kgf/cm² (tensão normal) τ = 12 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) σ = 250 kgf/cm² (tensão normal) τ = 6 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) As estruturas quando submetidas a tensões devem trabalhar com uma certa folga.4 . Alguns materiais são mais deformáveis que outros apresentando deformações elevadas mesmo quando solicitados por pequenas forças. estatisticamente. uma maneira de se saber se um elemento estrutural está mais ou menos solicitado é pela verificação do quanto ele se deformou. dependendo da maior ou menor confiabilidade no material: no aço esse coeficiente é da ordem de 1. Regime elástico e Regime plástico Entre a situação de descarregamento total e a ruptura. Aço tipo A-36 Madeira (Peroba) Concreto σ = 1. O quadro abaixo apresenta alguns exemplos de materiais e suas respectivas tensões máximas de trabalho. ou seja. A esse regime de trabalho dá-se o nome de regime de segurança e as tensões atuantes são denominadas tensões admissíveis. O ensaio é levado até a ruptura do material. pois os materiais apresentam capacidades diferentes conforme sejam solicitados a um ou outro tipo. Enquanto as deformações forem proporcionais às forças aplicadas. o que é denominado deformação.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas É importante distinguir-se que tipo de tensão está ocorrendo num elemento estrutural. sua deformação triplica e assim 33 . impossibilidade de uma execução ideal e outros efeitos não previstos. Como as tensões são invisíveis ao olho humano. os materiais passam por algumas fases importantes. A maneira de se determinar o quanto um material resiste é submetendo-o a um ensaio. ao se triplicar a força. A determinação das tensões admissíveis é feita pela aplicação de um coeficiente de segurança às tensões limites do material. já que grandes deformações podem avisar sobre problemas na estrutura. Quanto mais solicitado o material. para que imprevistos.

Para que o gráfico represente o comportamento do material independentemente das dimensões do elemento que serviu de base para o ensaio. As peças de aço. que é uma constante para cada tipo de material. o que a princípio contraria a intuição. ou seja. sua inclinação varia de material para material. são colocadas no gráfico. Essa variação nos mostra que para uma mesma tensão existem materiais que se deformam mais que outros. Concluise que a inclinação dessa reta nos informa quanto deformável é o material. um grande aumento na deformação sem aumento na intensidade da força. são mais 34 . quanto mais inclinada for a reta menos deformável é o material. temos a ruptura do material. denominados gráficos tensão x deformação. Nesta fase quando se deixa de aplicar a força o material volta a ter a sua dimensão original.100. que tende a indicar o contrário. A relação entre a força aplicada e a deformação ocorrida pode ser colocada em gráfico. com o aumento de carga. pode-se notar que o material muda de comportamento não mais apresentando deformações proporcionais ao aumento da força. O módulo de elasticidade do aço é 2. Nesta situação o material quando descarregado passa a apresentar uma deformação permanente. fenômeno típico do aço. Ao final do regime plástico. Isso se deve a maneira como os dois materiais são aplicados nas estruturas.000 kgf/cm². Esta situação caracteriza o fenômeno denominado escoamento do material.000 kgf/cm². Dessa forma obtêm-se gráficos semelhantes àqueles mostrados na figura a seguir. em vez das forças aplicadas. A essa inclinação dá-se o nome de módulo de Young ou módulo de elasticidade. suas respectivas tensões e em vez da deformação total da barra. proporcionalidade entre tensão e deformação. A esta fase dá-se o nome de regime plástico. O elástico de borracha é um elemento que representa bem essa situação.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura por diante. ou seja. devido sua resistência maior. nota-se que na parte onde o gráfico é uma reta. que corresponde à região do regime elástico do material. Quanto maior for o ângulo α. Se a força aplicada atingir valores acima de um determinado limite. Esses valores mostram que o concreto é um material 10 vezes mais deformável que o aço. o material é considerado trabalhando no regime elástico. cujo valor varia com o comprimento inicial é usada a deformação específica que é a relação entre a deformação real e o comprimento inicial da barra. o do concreto é da ordem de 210. Alguns materiais apresentam na passagem do regime elástico para o plástico. Módulo de elasticidade Observando o gráfico da figura acima.

o que resulta na expressão matemática: • σ = Exε onde . normal ao plano da sua secção e aplicada no seu centro de gravidade. Tração simples ou axial Vídeo – Tração simples Tração simples ou axial Se uma barra.σ: Tensão aplicada ao material .000 a 120. já que a tração simples provoca uma solicitação uniforme de todas as fibras da secção. as peças metálicas tendem a ser mais deformáveis. ao contrário.E : Módulo de elasticidade do material . Essas tensões são uniformes ao longo de toda a secção. os gráficos de tensão x deformação apresentam uma relação bastante importante que descreve a maneira como o material se relaciona com as tensões a ele aplicadas e as suas respectivas deformações. todas as suas fibras sofrem a mesma deformação. e se esse aumento ocorre de forma uniforme. provocadas pelas forças de tração simples. que pode ser obtida do gráfico a partir do conceito trigonométrico de tangente. 35 . devido às suas dimensões. quando submetida a forças externas. tendem a afastar as seções.2.100.000 kgf/m² E Concreto 180. Essa relação recebe o nome de Lei de Hooke. ou seja. E Aço 2. pois permite a solução de diversos problemas de dimensionamento de elementos estruturais. que é a relação entre o cateto oposto e o adjacente.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas esbeltas e as de concreto. 3.000 kgf/m² E Madeira 90. A força de tração simples se distribui na secção da barra provocando tensões normais de tração simples. Assim sendo. mais volumosas. Neste caso o equilíbrio interno é obtido quando o material é suficientemente resistente para reagir às tensões que. sofre um aumento no seu tamanho na direção do seu eixo. no gráfico o cateto oposto mede as tensões e o adjacente as deformações específicas. A esta força dá-se o nome de tração simples ou axial.ε : Deformação específica (deformação efetiva dividida pelo comprimento inicial da barra).000 kgf/m² Além do conceito de módulo de elasticidade.000 a 300. pode-se concluir que internamente a barra está sujeita a uma força atuando de dentro para fora. Essa relação é particularmente importante no regime elástico.

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos: Nestes exemplos são apresentados cabos e tirantes que são peças estruturais sempre submetidas a tração simples. 36 .

ou seja. sofre uma diminuição no seu tamanho na direção do seu eixo. e se essa diminuição ocorre de forma uniforme. pode-se concluir que internamente a barra está sujeita a uma força atuando de fora para dentro. Compressão simples ou axial Vídeo – Compressão simples Vídeo – Flambagem Vídeo – Fatores que influenciam a flambagem Vídeo – Momento de inércia Vídeo – A forma da seção Vídeo – Comprimento de flambagem Compressão simples ou axial e flambagem Se a barra. todas as suas fibras sofrem a mesma deformação. 37 .3. A esta força dá-se o nome de compressão simples ou axial.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 3. quando submetida a forças externas. normal ao plano da sua secção e aplicada no centro de gravidade dessa secção.

A Flambagem A flambagem é o fenômeno que distingue radicalmente o comportamento entre barras submetidas à tração e barras submetidas à compressão simples. O tipo de material é outro fator. Outros fatores. obtido no ensaio tensão x deformação. Como foi visto anteriormente existem materiais mais deformáveis que outros. portanto. Materiais com módulos de elasticidade altos serão menos deformáveis e. há um comportamento bastante diferenciado entre uma barra sujeita à tração simples e outra sujeita à compressão simples. Se em uma barra tracionada a força de tração simples é aumentada gradativamente. menos evidentes Influenciam o comportamento da barra à flambagem. dá-se o nome de flambagem. a peça se rompe. A flambagem é o fenômeno que distingue radicalmente o comportamento entre barras submetidas à tração e barras submetidas à compressão simples. No caso da compressão axial pode ocorrer a perda de estabilidade da peça. as tensões internas aumentam até que. 38 . É imediata a conclusão de que a intensidade da força aplicada é um desses fatores. e o controle deles é que garante um comportamento adequado das barras submetidas à compressão. exigindo uma preocupação especial com as barras comprimidas. Quanto maior sua intensidade maior será o perigo de flambagem da barra.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos: Além do sentido em que se deformam. bem antes que seja atingida a tensão de ruptura a compressão do material. exigindo uma preocupação especial com as barras comprimidas. A este fenômeno de perda de estabilidade da barra antes da ruptura do material. A flambagem depende de diversos fatores. ultrapassada a tensão de resistência à tração do material. e que a deformabilidade do material é medida pelo seu módulo de elasticidade. são eles a seção e comprimento da barra. sofrerão menos riscos de flambagem. A forma e dimensões da seção da barra são fatores de grande importância no fenômeno da flambagem.

do seu centro de gravidade. Para entender melhor esse fenômeno observe a seguinte analogia física: suponha que se queira girar. É intuitivo que para que isso ocorra é necessário que as massas que compõem a figura estejam adequadamente distribuídas em todas as direções em relação ao centro de gravidade. uma massa qualquer amarrada a ela por um fio. Convém lembrar que o centro de gravidade de uma figura plana é o ponto em que. daí ser possível que o centro de gravidade de uma figura plana ocorra fora dessa figura. como mostra a figura a seguir. cujo centro de gravidade encontra-se na posição mostrada na figura. conseqüentemente. Uma folha de papel dobrada. ou seja suas secções apresentam maior dificuldade de girar em relação ao seu centro de gravidade. se comparada a uma folha não dobrada. mais difícil será a barra flambar. mais difícil será girar a seção e. Pode-se ver que as distribuições de material em relação ao centro de gravidade das secções são muito diferentes para a folha dobrada e a não dobrada. No exemplo da folha de papel. Ou seja. quanto mais longe estiver a massa do centro de giro mais difícil é tirá-la da inércia. com a mão. se a figura tivesse peso. quando ela está dobrada sua seção transversal tem a forma de um V. Essa situação mostra que a maior ou menor possibilidade de uma barra flambar está diretamente ligada a maior ou menor facilidade de giro das suas seções. ou centro de giro. que antes eram paralelas. poder-se-ia suspendêla. apresenta uma resistência bastante superior à flambagem. de forma que ela não sofreria qualquer giro mantendo-se horizontal. o que resulta numa maior resistência ao giro da seção e. CG = Centro de gravidade da seção Qual é o fator que faz com que uma seção se torne mais ou menos resistente ao giro? A maior ou menor possibilidade de uma seção girar depende da maneira como o material está distribuído em relação ao centro de gravidade da seção. portanto numa maior resistência à flambagem. Quanto mais afastado estiver o material do centro de giro da seção da barra. 39 . ou seja. giram em torno dos seus eixos aproximando-se numa das faces e afastando-se em outra. vê-se que ao flambar. Coisa semelhante ocorre com a distribuição de material na seção de uma barra. Naquela o material está mais longe do centro de gravidade. A forma como o material é distribuído na seção pode ser medido matematicamente e recebe o nome de momento de inércia da seção. Nesta situação o centro de gravidade encontra-se na metade dessa altura. O momento de inércia da seção relaciona as diversas porções de áreas que compõem a seção com suas distâncias ao centro de gravidade da seção. as seções da barra. Quanto mais afastada essa massa estiver da mão mais difícil será impulsioná-la ao giro. Quando a folha não está dobrada a sua secção tem a forma de um retângulo cuja altura é muito pequena (a espessura da folha).Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Apresentando a figura ao lado.

Resumindo. a força necessária para provocar sua flambagem ficará reduzida a apenas um quarto. Verifica-se. também. do comprimento da barra e da elasticidade do material que a compõe. notar-se-á que elas flambarão com forças diferentes: quanto maior o comprimento da barra menor será a força necessária para provocar a flambagem. portanto sujeitas a flambagem. com as mesmas seções e de comprimentos diferentes. ou seja. Por isso. A barra ficará quatro vezes mais instável. Ao se comprimir barras. de autoria de Euler. Em outras palavras.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Pode-se concluir que para barras submetidas à compressão. é de extrema importância. A fórmula apresentada a seguir. que a flambagem da barra depende do quadrado do seu comprimento. a maneira como o material está distribuído em relação ao centro de gravidade da secção. sintetiza bem essas relações: 40 . A figura a seguir mostra como os travamentos alteram o comprimento de flambagem da barra e em conseqüência sua capacidade de carga. A figura mostra que o comprimento de flambagem da barra muda em função do tipo de vínculos nos seus extremos. a rigidez de uma barra à flambagem depende da relação entre o momento de inércia da sua seção. a forma da seção. são de fundamental importância as condições de travamento lateral das barras submetidas à compressão. quando se duplica o comprimento de uma barra. Portanto nem sempre o comprimento de flambagem será igual ao comprimento real da barra.

.J : Momento de inércia da secção da peça. 41 .L : Comprimento não travado da peça. ou quando o material é suficientemente resistente para reagir às tensões que tendem a aproximar as secções.Pcr : Carga crítica de flambagem (aquela que provoca a flambagem).Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas * Pcr = π2. No caso da compressão simples o equilíbrio interno é obtido quando a barra é suficientemente rígida. Essas tensões são uniformes ao longo de toda a seção.J L2 * Onde . provocadas pelas forças de compressão simples. .E. a ponto de não girar sob o efeito de flambagem. já que a compressão simples provoca uma solicitação uniforme em todas as fibras da seção. . A força de compressão simples se distribui na seção da barra provocando tensões normais de compressão simples.E : Módulo de elasticidade do material.

Se esse disco for colocado em uma posição em que o cabo que sustenta a carga não esteja alinhado com o seu centro.Momento Fletor Vídeo – Introdução ao Momento fletor Vídeo – Momento Fletor Vídeo – Momento fletor na viga e a linha neutra Vídeo – Forças devidas ao momento fletor Vídeo – Momento e escorregamento Vídeo – Deformação na barra Momento Tome-se um disco fixado no seu centro e tendo na extremidade de um dos seus raios uma carga pendurada por um cabo.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parte 4 .Momento Fletor 3. A análise das forças que atuam no disco mostra a existência de duas forças. onde ele está fixado. o cabo e o centro do disco ficarem alinhados. ele girará até que ocorra o equilíbrio. Momento .4. 42 . quando a carga. uma de ação representada pelo peso e outra de reação a esse peso aplicada no centro do disco.

Conclui-se dessa experiência que o giro ocorre enquanto estiver aplicado no disco um par de forças. A um par de forças nesta situação dá-se o nome de binário. passa a ter a forma de uma parábola. Quando elas se alinham. Assim solicitada a barra deforma-se e seu eixo. de mesma direção (paralelas e verticais).Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Enquanto as linhas de ação dessas forças não estiverem alinhadas. sentidos contrários (uma para cima e outra para baixo) e enquanto não estiverem colineares. que inicialmente eram paralelas. no meio da qual é aplicada uma força perpendicular ao seu eixo. o disco para. Sempre que ocorrer um binário ocorrerá um giro. A figura a seguir mostra como as forças encontram-se aplicadas no disco. Matematicamente o momento pode ser expresso pelo produto da força pela sua distância ao centro de giro. o disco gira. A figura a seguir mostra uma barra sobre dois suportes. 43 . o que caracteriza a ocorrência de momento. Lembrar que a distância entre uma força e um ponto é a menor distância entre sua linha de ação e o ponto. giram em relação aos eixos horizontais que passam pelos seus centros de gravidade. que antes era reto. A esse giro dá-se o nome de momento. A figura a seguir mostra que ao sofrer essa deformação todas as seções da barra.

Portanto o momento que ocorre na barra submetida a carregamentos aplicados perpendicularmente ao seu eixo. Esse esforço recebe esse nome por que seu efeito é de corte entre as seções longitudinais e transversais da barra. também provoca flecha no seu eixo. Um experimento simples mostra isso. além de provocarem giros nas suas seções. portanto o momento fletor aumenta do apoio para o centro da viga. o que se constitui no fenômeno geral de flexão. mas são conceitualmente bem diferentes. da maior ou menor possibilidade de giro das seções. flechas e giros das secções. Um esforço sempre associado à ocorrência de momento fletor é a Força Cortante. As seções próximas ao centro giram menos que aquelas próximas aos apoios. ou seja. Enquanto a flambagem é provocada por uma força aplicada na direção do eixo da barra (força de compressão simples). O momento fletor provoca deformações parecidas com as causadas pela flambagem. o momento fletor é provocado por forças aplicadas perpendicularmente a esse eixo. Semelhantemente ao fenômeno da flambagem. O binário interno de tração e compressão simultâneo. se distribui na seção transversal da barra provocando simultaneamente tensões normais de tração e de compressão. É fácil observar que ao girarem as seções se aproximam na porção localizada acima do eixo que passa pelo centro de gravidade da seção e a se afastam na porção abaixo desse eixo.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura As deformações que ocorrem ao longo do eixo da barra tornando-o curvo são denominadas flechas. a resistência de uma seção ao momento fletor depende do seu momento de inércia. mostrando a ocorrência de forças simultâneas de compressão e tração. Existe uma relação direta entre momento fletor e força cortante. provocado pelo momento fletor. Mas os agentes causadores são diferentes. veremos que não ocorrerão deslizamentos relativos entre as diversas folhas do maço. ou seja. portanto é um momento de flecha ou momento fletor. Ao se tomar um maço de papéis e sustentá-lo com as mãos e aplicar simultaneamente giros iguais nas extremidades. 44 . Os dois fenômenos apresentam-se visualmente idênticos. O modelo mostra também que a intensidade desse giro varia ao longo do comprimento da barra.

como se estivessem sendo fatiadas. 45 . ou seja. for provocado um giro em apenas uma das extremidades. diminuindo para o centro do vão. as diversas folhas escorregarão. São escorregamentos provocados pelas forças cortantes horizontais e verticais e que se combinam resultando em forças inclinadas de tração e compressão como mostra a figura ao lado. Dependendo do carregamento. o escorregamento das seções transversais. haverá. Sempre que ocorrer o escorregamento longitudinal. também. Como é bastante rara a ocorrência de momento fletor constante ao longo de um trecho de uma viga. Sempre que o momento fletor variar de uma seção a outra do elemento estrutural ocorrerá a tendência de deslizamentos vertical e horizontal das seções da peça. a ocorrência de força cortante. o que mostra que o valor da força cortante é maior nas extremidades. pode-se dizer que sempre que houver a ocorrência de momento fletor haverá a ocorrência de força cortante. Na figura a seguir pode-se observar que as fatias horizontais escorregam mais nas extremidades do que próximas ao centro da viga. o valor da força cortante varia ao longo da viga.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Se ao contrário. cortando a barra em secções longitudinais. indicando a ocorrência de força cortante longitudinal.

Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura A força cortante se distribui nas seções transversais e longitudinais da barra provocando tensões tangenciais ou de cisalhamento verticais e horizontais. A tensão de cisalhamento varia ao longo da mesma secção. No caso da força cortante o equilíbrio interno se dá quando o material é suficientemente resistente para reagir às tensões de tração e compressão inclinadas devidas às tendências de escorregamentos horizontais e verticais das seções. sendo máxima no centro de gravidade e nula nas extremidades. Exemplos de peças estruturais submetidas a flexão 46 .

QA e QB são as forças cortantes máximas que ocorrem nos apoios e são iguais às reações. Cálculo de momento fletor e força cortante para vigas biapoiadas sem e com balanços Força cortante e momento fletor em vigas biapoiadas sem balanços 1. Cargas concentradas Pode-se generalizar os resultados para força cortante e para momento fletor. onde.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 3. Gráficos de força cortante e momento fletor 47 .5.

Cálculo do momento fletor e da força cortante em vigas em balanço 1. Cargas concentradas Generalizando para qualquer carga em qualquer posição sobre o balanço. Cargas distribuídas Pode-se generalizar os procedimentos para uma carga uniformemente distribuída q e um vão qualquer l.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 2. tem-se: Gráficos de momento fletor e força cortante 48 .

Cargas distribuídas Generalizando para qualquer valor de carga uniformemente distribuída em qualquer comprimento de balanço. tem-se: Gráficos de força cortante e momento fletor: 49 .Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 2.

50 . momento significa giro. dando como resultado o aparecimento de forças de tração e compressão. portanto momento torçor deve. inclinadas a 45 graus.6. mas. pode ser realizado com um canudo. não apresentando as flechas características da flexão. também. notar-se-á o escorregamento longitudinal entre as folhas. O efeito dessas forças fica bastante evidente no modelo da figura a seguir. De fato. quando ocorre momento torçor numa barra ocorre giro das suas seções. As deformações que sofrem as quadrículas mostram as direções das forças resultantes da torção.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 3. ainda. As forças cortantes transversais e longitudinais devidas à torção distribuemse nas seções das barras provocando tensões de cisalhamento transversais e longitudinais. semelhantes àquelas discutidas anteriormente quando foi apresentada a força cortante. A figura ao lado mostra o modelo de uma barra submetida a torção. Conclui-se. como vimos no vídeo. O efeito simultâneo dessas tensões resulta em tensões normais inclinadas de tração e compressão. diferentemente do momento fletor. bastante simples. no caso do momento torçor as seções giram com o eixo da barra mantendo-se reto. que o giro transversal e o escorregamento longitudinal provocam forças cortantes transversais e longitudinais. Um outro ensaio. Ao se torcer esse canudo. além do giro relativo entre as seções transversais. Momento Torçor Vídeo – Momento torçor Vídeo – quadrados em losangos Vídeo – Viga balcão Como foi visto anteriormente. força cortante transversal e força cortante longitudinal ocorrem simultaneamente. um escorregamento longitudinal das seções horizontais. feito com uma folha de papel enrolada. Deste ensaio conclui-se que a torção provoca. significar um tipo de giro. que apresenta uma barra quadriculada. Esses dois efeitos.

em algumas situações. quando o material tiver resistência suficiente para reagir às tensões de tração e compressão resultantes da tendência de escorregamento transversal e longitudinal das seções.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas No caso da torção o equilíbrio interno se dá. pode ser o fator determinante. Esta seção é a circular cheia. o que se denomina “Princípio da Distribuição das Massas na Seção”. sua ruptura dar-se-á. com a mesma força de tração axial. com a mesma quantidade de material. vêem-se as diversas possibilidades de formas de seção transversal. aqui. pode-se concluir que os elementos estruturais submetidos a tração simples serão aqueles que ocuparão menor espaço no ambiente e que resultarão mais leves física e visualmente. seja pela necessidade de aumento do espaço útil da edificação. sempre. impondo muitas vezes a escolha de uma forma que não seja. Se interessar. A maior ou menor facilidade de execução da secção estrutural. Na figura a seguir. Supondo que a barra esteja sujeita a tração axial e que seja sempre usado o mesmo material. todas com a mesma área. a ruptura da peça sempre se dará quando é atingido o limite de resistência do material. Discutiremos. Concluise que a quantidade de material. e não a forma como ele é distribuído na seção. desenvolve tensões uniformes na seção de uma barra. Tração simples ou axial A tração simples ou axial. a de menor consumo de material. 4. semelhantemente ao caso da força cortante. pode-se escolher dentre todas as possíveis seções aquela que concentre material bem próximo do seu centro de gravidade. e em conseqüência sua quantidade e o espaço ocupado. como resultado. como já foi visto. é o fator determinante na resistência de uma barra submetida à tração simples ou axial. não é só a economia de material que define uma boa escolha. Vídeo – Relação entre esforços e forma A forma como se distribui o material na seção transversal de uma peça estrutural pode determinar o seu melhor ou pior aproveitamento. Devido a essa propriedade dos esforços de tração serem bem absorvidos por seções com massa concentrada. Relação entre esforços e forma das seções. Diminuir o espaço ocupado pelos elementos estruturais pode ser desejável. 51 . Entretanto. em princípio. o menor espaço ocupado pelos elementos estruturais. seja por questões estéticas. Qualquer que seja a forma da seção. Este princípio discute as relações entre os esforços atuantes e as formas de seções mais adequadas para suportá-los. ou seja.

Viu-se que para aumentar a resistência da seção ao efeito da flambagem é preciso que o material se distribua o mais afastado possível do centro de gravidade da seção. Portanto. as primeiras serão sempre mais pesadas que as segundas. já discutido. que ocupa 10 % a menos de espaço.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Na prática as seções que respondem bem aos esforços de tração são: Compressão simples ou axial A compressão simples. É importante notar que para uma mesma força. na compressão simples não é a quantidade de material o fator determinante na resistência da seção. antes de ocorrer a ruptura da seção por compressão é bem provável que ocorra um deslocamento lateral da peça estrutural. Na prática as seções que respondem bem ao esforço de compressão simples são mostradas a seguir. além disso. solicita as seções das peças estruturais com tensões uniformes. Numa seção submetida à compressão simples o material junto ao seu centro de gravidade apresenta pouca eficiência. podendo ser desprezado. Essas tensões crescem com o aumento do esforço de compressão. Na compressão simples a melhor distribuição de massa na seção é aquela que ocorre fora do centro de gravidade e igualmente espaçada em qualquer direção. 52 . Tanto física como visualmente. como a tração simples. também interessa aquela que ocupa o menor espaço. Ao contrário da tração simples. fazendo-a perder a estabilidade. as peças submetidas a compressão simples serão sempre mais robustas que aquelas submetidas à tração simples. as seções vazadas. optar-se-á pela seção vazada circular. é ela a única que apresenta a mesma resistência à flambagem em qualquer direção. ou seja. Ë o fenômeno da flambagem. devido ao fenômeno da flambagem. Como na seção circular vazada o material distribui-se uniformemente em torno do centro de gravidade. mas a maneira como esse material se distribui. ao se procurar maior economia de material deve-se escolher seções que não apresentem material junto ao centro de gravidade. mas ao contrário da tração simples. Se.

ou seja.flexão A distribuição das tensões nas seções sujeitas a momento fletor é aquela apresentada na figura abaixo. portanto. mais resistente será a seção. da maior ou menor tendência de giro da seção.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Exemplo: Perfil seção I Momento fletor . A intensidade dessas tensões depende não só da altura da seção. a uma variação na intensidade dessas forças. variam ao longo da altura da seção de um máximo à compressão a um máximo à tração. A relação entre o momento de inércia da seção e sua altura é denominada módulo de resistência da seção. As tensões devidas ao momento fletor não se distribuem de maneira uniforme. o que corresponde a uma variação no braço do binário tração-compressão. tensões de tração e compressão. 53 . ou seja. passando por zero junto ao centro de gravidade da seção. Essa distribuição leva a concluir que numa seção submetida a momento fletor as massas devem se concentrar em pontos mais afastados do centro de gravidade e devem diminuir próximos a ele. como também do momento de inércia da seção. Ocorrem simultaneamente. Em outras palavras: quanto maior o módulo de resistência de uma seção menores serão as tensões devidas ao momento fletor e.

O fenômeno da flambagem exige da seção mais rigidez (distribuição adequada de material) do que quantidade de material. comprovam essa afirmação. Conceito de hierarquia dos esforços Note-se que tanto o fenômeno da flambagem como o de flexão exige uma distribuição de massas longe do centro de gravidade da seção. a impossibilidade de se prever em que direção vai ocorrer a flambagem exige a necessidade de uma distribuição uniforme de material em todas as direções. maior quantidade e melhor qualidade de material. A primeira fórmula evidencia que a capacidade de uma barra ser estável à flambagem independe da resistência do material. Onde • • • • Pcr : Carga que inicia a flambagem da barra E : Módulo de elasticidade do material J : Momento de inércia da secção da barra L : Comprimento não travado da barra. que conforme o esforço aplicado há uma exigência diferente em relação a quantidade. Duas barras de mesmos comprimentos.Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Um esquema representativo dessa distribuição de massa é dado na figura ao lado. No caso da flexão a concentração de material deve ocorrer onde se concentram os esforços de tração e compressão. estas são as seções que respondem melhor aos esforços de flexão. transversalmente ao plano em que ocorre o momento fletor. Já a flexão exige. Onde • Mcr : Momento que inicia a ruptura da barra • σ : Tensão de ruptura do material da barra • W : módulo de resistência da secção. 54 . que dão os esforços críticos para compressão simples e momento fletor respectivamente. além de uma distribuição adequada. o que implica em maior quantidade de material ou maior resistência do mesmo. As fórmulas a seguir. Conclui-se daí que a flexão exige. mesmos módulos de elasticidade e de resistências diferentes. além da rigidez. como mostrado na segunda fórmula. a resistência do material. portanto. Na compressão simples. Vê-se. As fórmulas apresentadas referem-se a barras com extremidades articuladas. flambarão com a mesma carga crítica. a forma de distribuição e qualidade de material. ou seja. Na prática. o que já não ocorre com a capacidade de uma seção sob flexão. mesmas seções. pois ela é independente de σ (tensão de resistência do material).

Já o esforço de compressão simples. tanto física como visualmente. ficando a compressão simples no meio termo. 55 . existem esforços mais econômicos que outros quanto ao consumo de material e espaço ocupado pelas seções. O que resulta numa hierarquia de esforços. tanto física como visualmente. outros mais. e os de flexão menos favorável. levando a peças estruturais mais pesadas. os esforços de tração simples são aqueles que apresentam um desempenho mais favorável. conduz a seções com maior consumo de material e mais robustas que as submetidas à tração simples. grande resistência e quantidade de material. Os esforços de tração simples. além de apresentarem uma distribuição adequada de material. Resumindo pode-se dizer que. como se pode ver são aqueles que exigem a menor quantidade de material e resultam em seções mais esbeltas e leves. por exigir certa rigidez. apresentem também.Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Sendo que alguns esforços exigem menos. ou seja. tem-se a flexão que exige seções que. Por último. em termos de dimensões das seções transversais das peças estruturais.