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** Conservador do Registo Predial de Macau. de 29 de Junho.° 224/84. 805-823 O REGISTO PREDIAL EM MACAU — BREVES NOTAS * Vicente J.Administração. Concessões por Aforamento e por Arrendamento — A Propriedade Horizontal — Condicionantes e Entraves Burocráticos à Regularização Registrai — Medidas Propostas I — INTRODUÇÃO O tema que nos propomos abordar insere-se numa das áreas mais relevantes dos Serviços da Administração Pública de Macau. vol. justamente considerado como dos mais perfeitos. quer pelo carácter de interesse público de que se reveste o seu regime jurídico. * O presente artigo constitui o desenvolvimento de uma breve nota de apresentação do sistema do registo predial vigente em Macau. Também assim acontece em Macau. Monteiro ** SUMÁRIO I II III IV V VI VII — Introdução — Princípios Registrais — Factos Sujeitos a Registo — A Lei de Terras. por sua vez. Em qualquer ordenamento jurídico moderno existe hoje uma subordinação das normas sobre o direito da propriedade dos imóveis a princípios e valores de segurança jurídica. 1997-3. em Maio de 1997.° 37. cujo sistema de registo predial é de matriz portuguesa. X. quer pelo elevado peso que a indústria da construção civil e o comércio jurídico imobiliário em geral representam na economia do Território. n. 805 . elaborada por ocasião de uma visita de trabalho que os conservadores e notários públicos do Território realizaram a Pequim. de 6 de Julho. que se projectam na sociedade através de um serviço dotado de fé pública e com garantias de eficácia e credibilidade pelas presunções de verdade e exactidão que o caracterizam. sendo certo que o sistema português se acha.° 305/83. fonte directa e imediata do actual código. principalmente após a reforma iniciada com o código aprovado pelo Decreto-Lei n. aprovado pelo Decreto-Lei n.°.

em Macau corno em Portugal.° 29. portanto. o primeiro relativo à introdução do processo informático no registo predial e o segundo à regulamentação do Cadastro Geométrico. A execução prática deste diploma inovador foi regula mentada pelo Decreto de 3 de Janeiro de 1837. a implementação de um novo código não foi esquecida. o último dos quais se acha em fase de tradução e que constituirá o passo decisivo para que se possa considerar o sistema registrai de Macau como um dos mais avançados da região em que se insere. é dotado de fé pública e tem uma função legitimadora dos direitos sobre os imóveis. de 19 de Julho de 1952. de 9 de Setembro. actualizado e adaptado.os 59/92/M. Está estruturalmente organizado na dependência da Direcção dos Serviços de Justiça. nele vigorando. designadamente do Código Napoleónico. a par das alterações pontuais introduzidas ao código do registo predial. É justo reconhecer. Decreto-Lei n. publicada no Boletim Oficial n. 806 .° Suplemento. de 28 de Março de 1967. embora se ache hoje muito mutilado por sucessivas alterações. Este serviço tem a denominação de Conservatória do Registo Predial. Tanto assim é que.° 23088. o ordenamento jurídico de Macau. é dirigido por um jurista. com vista à segurança do comércio jurídico. tendo já sido elaborados dois anteprojectos.° do CRP). de 27 de Junho de 1952. de 4 de Julho de 1929. de 30/12/1967. 4 De que são exemplo os Decreto-Lei n. facilitando ainda o crédito imobiliário. de forte influência francesa. 3 Trata-se do código do registo predial aprovado pelo Decreto-Lei n. apesar de aqui ter vigorado um código do registo predial comum a todas as então chamadas Províncias Ultramarinas1 — que afinal não era mais do que um decalque. de 24 de Agosto e 3/94/ /M. os vários princípios registrais que ao longo de mais de 150 anos5 se foram cimentando no ordenamento jurídico de 1 Cfr. designado de conservador. no entanto. o sistema registrai de Macau é de matriz portuguesa. com significativas repercussões no registo predial. sendo a ele que nos queremos referir sempre que daqui em diante falarmos no código do registo predial (abreviadamente CRP).Com efeito. através da sua publicitação (artigo 1. no que ao registo predial diz respeito.° 47611.° 38804. O registo predial é. 5 Foi com o Decreto de 26 de Outubro de 1836 que se criou em Portugal o então chamado Registo das Hipotecas.° 52. com interligação informática entre ambos os serviços. sempre acolheu os princípios vigentes em Portugal. com o objectivo de conferir maior eficácia e rapidez aos serviços. que. e está dotado de um corpo de funcionários especialmente qualificados. publicado no Boletim Oficial n.° 17070. um serviço público. 4. do código de 19292 que teve aplicação em Portugal até 1959 — ainda hoje o código vigente em Macau é o que vigorou em Portugal até 19843. II — PRINCÍPIOS REGISTRAIS Como se disse. 2 Aprovado pelo Decreto n. tornado extensivo a Macau pela Portaria n. pois. simplificando e modernizando os procedimentos sem perda da necessária segurança jurídica4.

Quer dizer. O requerimento para registo não necessita de fórmulas sacramentais nem de termos rebuscados. No final. o número e a natureza externa dos documentos apresentados. Se o requerente for uma pessoa singular a sua assinatura não necessita de ser reconhecida notarialmente. o nome completo do requerente.). sendo este o modelo que achamos mais ajustado para Macau no futuro. deve ser requerido ao conservador pela pessoa (individual ou colectiva) que nele tem um interesse legítimo. ou no caso de o 6 Nos termos do artigo 136. com um impresso bilingue. noutros (como é o caso de Portugal) basta o preenchimento de um impresso-requisição.Portugal. penhora. como reflexo da realidade populacional do Território. mas deve ser elaborado de forma simples e objectiva e conter os elementos necessários à anotação da respectiva apresentação no Diário6. se exige o pedido verbal.° do código. mas a requerimento dos interessados». a sua natureza (rústico. países há (como a Alemanha) que até já eliminaram o requerimento escrito. o dia mês e ano da apresentação. como Silva Ferrão de Carvalho Martens. mas onde. autor da proposta do Código do Crédito Predial de 29 de Fevereiro de 1860.Também é dispensado o reconhecimento notarial se a entrega dos documentos para registo for feita por advogado ou solicitador com escritório em Macau. a referência aos elementos que permitam a sua identificação sumária. 807 . não estando o mesmo descrito. A secção I do Capítulo II do CRP é consagrada aos princípios gerais enformadores do sistema.° prevê o chamado princípio da instância. o registo não é efectuado oficiosamente. e ainda a referência aos documentos oferecidos. o número da descrição do prédio ou. até porque cada caso é diferente dos restantes. como a França ou a Espanha. a freguesia onde se situa e o nome do proprietário ou possuidor. a indicação do número da descrição do prédio ou. importando aqui fazer uma pequena abordagem a alguns dos que são mais relevantes. urbano ou misto). desde logo o seu artigo 4. etc. Assim. quer por influência de outros sistemas desenvolvidos em países que são culturalmente mais próximos de Portugal. hipoteca. na sua falta. Tratando-se de pessoa colectiva. o requerimento é assinado pelo requerente. a nota de apresentação deve conter o número de ordem. esta fortemente influenciada pelo sistema de matriz germânica. qualquer acto de registo. devido à existência de duas línguas oficiais. contudo. Segundo esta norma «Salvo nos casos especialmente previstos na lei. bastando a exibição do seu documento de identificação perante o funcionário da Conservatória. a espécie do acto requerido (aquisição. seja por uma sentença judicial ou por um acto ou contrato administrativo. seja titulado por uma escritura pública. ou seu representante se for uma pessoa colectiva. quer por influência de ilustres autores que se dedicaram à teoria e técnica do registo imobiliário. Esse pedido pode revestir uma forma mais ou menos solene. também designado de petição ou requerimento.

° do CRP consagra um dos mais importantes princípios do nosso sistema registrai.°. e sendo ele um jurista com uma especial qualificação para o cargo. deve a respectiva assinatura ser reconhecida nos termos da lei notarial. a recusa do acto requerido tem de se fundar em graves irregularidades. 7 Cfr. apreciando. a provisoriedade por dúvidas significa que foi detectada alguma irregularidade que.° 2 do citado artigo 243. 2 e 3 do código do registo predial. 8 A provisoriedade por dúvidas não deve confundir-se com a provisoriedade por natureza. alínea e) do código do notariado. Esta apreciação tem por fim a formulação de um juízo de valor.° 1).° 82/90/M. como também os pressupostos e requisitos de validade dos actos neles titulados (regularidade substantiva). O registo definitivo significa que não foi detectada qualquer irre-gularidade. podendo o interessado impugná-lo por via de reclamação hierárquica (para o Procurador-Geral Adjunto) ou recurso contencioso (para o TCGM. como a impossibilidade por falta de elementos ou em que.° contém como que uma cláusula aberta para outras situações. n. não sendo motivo de recusa. o princípio da legalidade. na medida em que. como é o caso de uma nulidade manifesta ou a absoluta falta de título para o registo9. Este tema suscita-nos ainda duas breves observações. No caso de o conservador se recusar a efectuar o acto que lhe foi requerido. o acto não possa ser lavrado por dúvidas (como é o caso da maior parte dos averbamentos).°. 9 Por tradição. n. sob o ponto de vista registrai. exercendo o conservador uma depuração dos actos que inscreve. e 62. O artigo 5. os 808 . ou o efectuar provisoriamente por dúvidas.° do CRP). n. Trata-se de um princípio de tradição já muito antiga e no qual se funda o poder/dever da actividade qualificadora que o conservador exerce através do exame dos documentos que lhe são apresentados a registo.°. a assinatura do respectivo representante deve ser autenticada com o selo branco 7. E por isso que o n. que o levará a tomar uma das seguintes atitudes: a) ou efectua o registo como definitivo. obsta à realização do registo como definitivo.° e 2. da mesma data. artigos 1. por sua própria natureza. os casos de recusa vêm enumerados no código (cfr. e está expressamente prevista na lei (cfr. não só a sua forma externa (regularidade formal).requerente intervir na qualidade de mandatário ou procurador de ou-trem. já que podem surgir situações de absoluta impossibilidade de proceder ao registo que não estejam contidas naquela enumeração. b) ou como provisório por dúvidas8. 135.° l. c) ou recusa-o. na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n. mas sempre se tem entendido que essa enumeração não é taxativa. Se o requerente for uma entidade oficial.° do Decreto-Lei n. de 31 de Dezembro. existe a garantia de que só os actos válidos são levados ao registo. Em primeiro lugar. a actividade de verificação da legalidade dos actos sujeitos a registo incide sobre qualquer documento (notarial. de cuja decisão cabe ainda recurso para o TSJM). Esta refere-se normalmente a situações em que o acto ainda não está concluído ou ao qual falta uma formalidade essencial. emite um despacho escrito e fundamentado. É nele que assenta a credibilidade do sistema. artigo 179.° 83/90/M. artigo 243.

artigos 85. esta presunção é iuris tantum. impondo-se ao autor que comprove não só essa nulidade como que peça o cancelamento do registo impugnado. o do trato sucessivo (cfr. e nunca o de os recusar. de ser elidida por prova em contrário. esta nulidade não poderá afectar o seu direito (cfr. porém. evitando-se.° do Código Civil). estando de boa-fé e confiando no que o registo publicita.° e 12. A sua actividade deve pautar-se por critérios objectivos. Ainda que o registo anterior se funde em negócio inválido. não deve o conservador recorrer a outros elementos de que tenha conhecimento. adquire do titular inscrito por contrato oneroso. além dos que são fornecidos pelos requerentes ou que constem dos registos anteriores. o ónus da prova cabe ao antagonista que pretende pôr em causa a autenticidade desse direito. quem tem o registo a seu favor não precisa de comprovar o seu direito. constituem a consagração de um outro princípio de grande importância. se o prédio cujo direito de propriedade está titulado por uma sentença judicial transitada em julgado se achar inscrito em nome de pessoa diversa do respectivo sujeito passivo. Mas efectuado o registo a favor de alguém presume-se não só que o respectivo direito existe. Porém. registando em seguida o seu direito. em que a protecção do registo vai mais longe permitindo a chamada aquisição tabular11.° l do artigo 408.° do Código Civil. a presunção registrai. O registo apenas torna esses direitos eficazes e oponíveis perante terceiros. Em segundo lugar. mas apenas declarativo. para recusar o registo que lhe é requerido. portanto. por força do princípio da consensualidade. por isso. segundo o qual «A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. Casos há. prevista no n.° do CRP) 11 Por aquisição tabular entende-se a aquisição de um direito por alguém que. através da sua publicidade. deve o acto ser lavrado por dúvidas por violação de um outro princípio. 809 . Este apenas poderá opor dúvidas suscitadas pela desconformidade com a realidade tabular10. objecto de apreciação pelo conservador. Assim. Os artigos 8. os direitos reais sobre os imóveis constituem-se ou transferem-se com a celebração do respectivo contrato. desse modo. No entanto.° do CRP. susceptível. como que pertence à pessoa em cujo nome se acha inscrito. O registo predial de matriz portuguesa não tem carácter constitutivo.° do CRP). artigo 13. salvas as excepções previstas na lei». mas sempre com o fim de facilitar o ingresso dos actos no registo. Mas a validade intrínseca das decisões judiciais com trânsito em julgado não pode ser posta em causa. não sendo. a nulidade do registo só pode ser invocada após o trânsito em julgado da sentença que a reconheça (artigo 84. Quer dizer.° do CRP e 291.judicial ou administrativo). mas cujos efeitos nem sempre são bem entendidos. se a respectiva acção de declaração de nulidade vier a ser registada posteriormente. conjugados entre si. que subsista um registo em vigor com eficácia perante terceiros a publicitar 10 Por realidade tabular entende-se a situação constante do registo.

° do CRP consagra o princípio do trato sucessivo nas modalidades de inscrição prévia (n. A consolidção do direito fundado na presunção registrai resulta. ele assenta no pressuposto de que cada titularidade tem de se apoiar na precedente. ou seja. tendo por base um negócio jurídico. dado que o registo é sempre lavrado com a data da apresentação. Para que este princípio possa funcionar com eficácia foi criado um livro Diário onde.° do CRP refere-se a um outro princípio registrai de longa tradição.° do Código/84. relativamente aos encargos que oneram os prédios.a existência dum direito quando o mesmo já foi judicialmente declarado nulo. independentemente do momento em que é efectuado. De igual modo. o primeiro no tempo é melhor no direito). concorrem entre si na proporção dos respectivos créditos e não segundo a ordem das apresentações. alienando-os ou onerando-os. segundo o qual o terceiro de boa fé que adquiriu o seu direito a título oneroso e que tenha procedido ao seu registo antes de interposta acção de declaração de nulidade não pode ver o seu direito afectado por essa nulidade.° 2 do citado artigo 9. tem consagração no art. eles não podem ser constituídos por quem (ou contra quem) não tenha legitimi-dade registrai para o efeito. domínio ou mera posse em vigor. isto é. Trata-se da fé pública registrai que. 810 . esta regra apenas sofre uma única excepção: segundo o n. por ordem cronológica. Genericamente. 17. se existirem vários registos de hipoteca no mesmo dia. Vamos agora fazer uma breve referência a um outro dos princípios que constituem o núcleo ou esqueleto de todo o sistema. ou já descrito mas sem inscrições de aquisição. e por virtude dela se atribui a posição temporal dos direitos sobre os imóveis. o princípio do trato sucessivo. Se houver dois actos sobre o mesmo prédio apresentados na mesma data é o número da apresentação que estabelece a prioridade. conferindo-lhe a legitimação para deles dispor legalmente. o princípio da prioridade. o segundo tem em vista conferir protecção aos direitos de quem se acolhe aos benefícios do registo. 85. e é esta a data que conta para fins de prioridade e não a do título que lhe serve de base. o qual significa que quem primeiro se acolhe aos benefícios do registo. O artigo 9. O primeiro caso refere-se ao ingresso no registo predial de um direito real sobre um prédio ainda não descrito. em vigor em Portugal).° 2 do art. Foi um dos primeiros princípios a ser instituído e ao qual foi sempre conferida a maior relevância. são anotadas as apresentações dos actos requeridos.° 2). É pela apresentação que se inicia a publicidade dos registos.° do Código/67 (equivalente ao n. O artigo 13.° 1) e do encadeamento tabular (n.°. não obstante o sistema português não ser de registo constitutivo. fica com um grau ou lugar prevalente sobre os que se lhe seguirem (priori in tempore potior in iure. o ingresso do direito do transmissário no registo depende da prévia inscrição desse direito a favor do transmitente. por sua vez de um outro princípio tradicional dos sistemas de registo constitutivo.

Vejamos o seguinte exemplo: O titular inscrito de um prédio constitui sobre ele uma hipoteca para garantia do cumprimento das obrigações de um contrato de mútuo. quer na vertente da identificação rigorosa dos prédios. não obstante o prédio já se achar inscrito a favor de outrem. Mouteira Guerreiro.° trimestre/1994. quer na vertente da correcta definição dos direitos e completa identificação dos respectivos titulares. a eficácia do princípio do trato sucessivo só funciona plenamente com aquela ressalva. que consiste no incentivo ao registo. já se defende hoje em Portugal que a penhora deverá ser registada por averbamento ao próprio registo de hipoteca. como por exemplo o princípio da especialidade. não constitui uma excepção à regra do trato sucessivo.° e seguintes do CRP). o princípio da legitimação registrai. 811 .° do código (cfr. que significa que só 12 Numa situação como a descrita. como se prevê na alínea b) do artigo 192. o princípio da publicidade. A doutrina e a jurisprudência referem ainda outros princípios com larga tradição nos sistemas de matriz romano-germânica.° do CRP). pág.° 2 do artigo 13. III — FACTOS SUJEITOS A REGISTO No sistema registrai de Macau.° (salvo se o facto que se pretende inscrever for consequência de outro já anterior-mente inscrito). O arrematante poderá registar a sua aquisição definitivamente. Na verdade. o princípio da inscrição.A ressalva contida na parte final do n. valorando-o com os efeitos de eficácia e oponibilidade. artigos 147. o credor pode penhorar o prédio independentemente de nomeação pelo devedor (cfr. cujas descrições devem conter menções gerais e especiais obrigatórias (cfr. etc. vendendo-o em seguida. podendo o mesmo vir a ser vendido em praça no caso de se manter o incumprimento.° e 182. mas sim a confirmação de que o registo de um facto fundamenta e legitima os que se lhe seguirem. 3. segundo o qual não podem ser titulados factos sujeitos a registo sobre os imóveis sem que o respectivo direito se ache definitivamente inscrito a favor do alienante ou onerante. todos eles acolhidos no nosso direito positivo. artigos 181. 95). in Regesta — Revista de Direito Registrai. vigora o princípio do numerus clausus. o credor regista a hipoteca antes do novo adquirente ganhando a correspondente prioridade.° do CPC)12. artigo 835. visto que a sua legitimidade registrai se funda num facto cujo registo é anterior àquela venda (a hipoteca que conduziu à venda executiva). se a transmissão e a constituição de ónus e encargos sobre prédios descritos e inscritos a favor de alguém só é possível com a sua intervenção. como na maioria dos sistemas evoluídos. designadamente através de menções gerais e especiais que são requisitos das inscrições (cfr. à semelhança do que já acontece com a conversão do arresto em penhora. nos termos do qual os actos são publicitados no registo através de inscrições em livros próprios e com os requisitos expressamente previstos na lei. no respeito pelo princípio da prioridade. Se o devedor não cumprir com as obrigações.

o arrendamento. seja no código. e legislação complementar. etc. quer se trate de situações de recurso aos meios judiciais para fazer valer os respectivos direitos (de que são exemplo o registo provisório de acção. seja na lei especial avulsa que cria novas figuas jurídicas. Por isso se mantém no artigo 2. a locação financeira. outras figuras foram ganhando autonomia. como as providências cautelares. ou os ónus de eventual redução das doações sujeitas a colação. com carácter taxativo. Noutros casos ainda para prevenir ou reforçar as garantias de terceiros interessados. ou a apreensão em processo de falência ou insolvência). Nalguns casos o alargamento dos factos sujeitos a registo deveu-se a razões de relevo social ou importância económica (como a enfiteuse. o direito de superfície. hoje contida na Lei n. a hipoteca. a servidão predial.).° 6/80/M. O Território de Macau sempre teve condições singulares e especi-ficidades próprias13 que afastaram a aplicação directa da legislação 13 É o próprio preâmbulo da Lei n. o arresto. de 8 de Julho que. as cláusulas fideicomissárias. e de inalienabilidade por certo tempo). de forma elucidativa.estão sujeitos a registo os factos expressamente previstos na lei. em Portugal.° 6/80/M.° do CRP a tradicional enumeração dos factos que podem ser objecto de registo. Noutros casos à necessidade de criação de normas e processos instrumentais para dar resposta ao aparecimento de novas condições e realidades jurídicas (a afectação dos edifícios ao regime jurídico da propriedade horizontal. ou. IV — A LEI DE TERRAS — CONCESSÕES POR AFORAMENTO E POR ARRENDAMENTO Vigora em Macau uma lei especial sobre a concessão dos terrenos pertencentes ao património do Território. em Macau. o arrolamento ou quaisquer outros actos conservatórios. a promessa de alienação ou oneração e os pactos de preferência com eficácia real. quer se trate de situações em que tenham sido fixadas restrições ao direito de proprieda-de (como as convenções de reserva ou de indivisão da propriedade.). a chamada Lei de Terras. caracteriza as condições especiais do Território de Macau ao enunciar 812 . a constituição do apanágio. a autorização de loteamento seguida da emissão do correspondente alvará e. de 5 de Julho. aquisição ou divisão do direito de propriedade (o chamado direito real maior ou absoluto). etc. de pessoa a nomear. O preâmbulo desta lei descreve com bastante pormenor o contexto em que surge e se justifica a necessidade de fixar com o rigor possível as regras sobre o tratamento jurídico a que estão sujeitos os terrenos objecto de concessão. a penhora. Além dos factos jurídicos que importem o reconhecimento. a concessão por arrendamento. tendo vindo a ser acolhidas no direito positivo como factos igualmente sujeitos a registo. o usufruto.

suscitaram problemas novos.° 5. acrescentando-se no n.° 1679. são alguns dos particularismos de Macau que. mas que se mantém em vigor em Macau) da forma seguinte: «Tem o nome de emprazamento. de 2 de Abril.° e seguintes). a legislação local cedo caminhou para a consagração de regras próprias e diferentes. a proliferação de barracas e outras construções provisórias implantadas em terrenos vagos.° do Código Civil (matéria hoje revogada em Portugal.os 195-A/76. O aforamento foi inicialmente a forma privilegiada na concessão de terrenos. a definição. foi abandonada a modalidade do arrendamento nas concessões de terrenos para construção por se reconhecer que «A introdução do regime da propriedade horizontal. Assim. ao titular do domínio útil. primeiro parágrafo do ponto 2 do preâmbulo do citado Diploma Legislativo n. 813 . e 226/80. tratamento jurídico especial».° 3 do mesmo preceito que: «Ao titulardo domínio directo dá-se o nome de senhorio. 233/76. a finalidade essencialmente urbana do aproveitamento dos terrenos disponíveis e dos que se projecta conquistar ao mar. 15 Cfr. a preocupação de dotar a província de um nível de industrialização. a construção na vertical e a saturação das áreas da parte velha da cidade. onde teve regulamentação pormenorizada (artigo 51. denomi nados directo e útil». com base em meros documentos particulares (as chamadas escrituras de papel de seda ou «sá-chi-kai»). de 19 de Maio de 1928. Decretos-Lei n. de 3 de Fevereiro de 1940.sobre terras em vigor nos restantes territórios onde a administração portuguesa se verificou durante o chamado período colonial. de 16 de Março. de 21 de Agosto de 1965. além de imprimirem fisionomia própria e especial importância ao problemas das terras. A forma da concessão por arrendamento manteve-se no Diploma Legislativo n. de planos e programas de urbanização.° l do artigo 1491. 16 Cfr. a circunstância de não serem poucos nem pequenos os espaços do território insular relativamente aos quais se invoca a propriedade ou posse. publica-do no Boletim Oficial de Macau n. como as particulares condições do Território aconselhavam a adopção de soluções jurídicas especiais. aforamento ou enfiteuse o desmembramento do direito de propriedade em dois domínios.° 1679. com o Diploma Legislativo n. de 15 de Julho. a par do aforamento que sempre se manteve como forma alternativa de concessão. sendo a enfiteuse14 de uso muito comum em Portugal praticamente desde os primórdios da nacionalidade e até à sua extinção em 197615. o de foreiro ou enfiteuta». foi instituído o arrendamento como forma de disposição de terrenos destinados à construção. compatível com os anseios da sua população.° 34. e ao longo dos anos. têm ditado. logo no Diploma Legislativo Provincial n. de 10 de Julho. 14 É a própria lei que define o conceito de enfiteuse no n.° 18. neste domínio. publicado no Boletim Oficial de Macau n. que aprovou o primeiro Regulamento para a Concessão de Terrenos na Província de Macau. desconhecidos pelo legislador de 1940»16. Porém. 546/76. Porém. não apenas em Macau como nas restantes Províncias Ultramarinas. a quase inexistência de explorações agrárias.° 651. Foi então que «A reduzida extensão territorial e a alta densidade demográfica. enfim.

de 3 de Fevereiro de 1940. oferece vantagens que não é lícito ignorar. aprovado pelo Diploma Legislativo n. mormente quando as parcelas requeridas são de grandes dimensões e a concessão é acompanhada de pesados encargos. o Diploma Legislativo n.° 6/80/M. equipa-rou o arrendamento ao aforamento como forma de disposição de terre-nos para construção urbana (artigo 30. admitiu pela primeira vez a possibilidade de venda de pequenas parcelas que se revelem insuficientes para a construção regular e que confinem com terreno de particular em regime de propriedade privada (artigo 30. acaute-lando as situações anteriormente criadas. simplificou os processos de concessão e definiu com rigor os direitos e deveres dos concessionários.° 47. para construção de prédios urbanos destinados a habitação. Deste modo. dados de arrendamento nos termos do Regulamento de concessão de terrenos. Este regime foi transposto para a actual Lei de Terras. sem fazer regressar o arrendamento como forma geral de concessão de terrenos para construção.° 1679. a Lei de Terras aprovada pela Lei n. n. poderão adquirir o domínio útil dos mesmos»17. — acrescenta-se naquele preâmbulo — o presente diploma.° do mesmo Diploma Legislativo n. de 20 de Novembro de 1971.° 1). à rescisão dos arrendamentos e ao destino das benfeitorias incorporadas nos terrenos.°. comércio e indústria. viria a revelar-se.° 1679. 814 . «Assim.° 651. admite.° 1860. resolveu ainda alguns problemas que se colocavam ao nível do registo predial. garantindo também o aproveitamento dos terrenos concedidos. designadamente pelos inconvenientes derivados da subsistência em vigor de inscrições provisórias. inerentes à utilização do terreno». em cujo preâmbulo se volta a referir que «Apesar do avanço que então representou na legislação sobre terras. volvidos alguns anos sobre a sua entrada em vigor. embora subordinada à verificação de certas condições.°. e fixou algumas regras respeitantes à caducidade das concessões provisórias. publicado no Boletim Oficial de Macau n. artigo 119. procedeu a uma pormenorizada regulamentação sobre o regime das concessões. menos adequado à concretização de empreendimentos de significativa dimensão económica e à resolução de outros problemas provocados pelo notável incremento registado na construção urbana». mau grado alguns inconvenientes divulgados aliás no preâmbulo do Regulamento da Ocupação de Terrenos do Estado. de 21 de Agosto de 1965.os 2 e 3).de novo privilegiado o aforamento como forma de concessão desses terrenos e estabelecido que «Os concessionários de terrenos. subtraindo-os a manobras especulativas. Esta situação viria a ser de novo alterada com o diploma legislativo n. n. em vigor. esta modalidade de disposição de terrenos». cujo preâmbulo se inicia com a seguinte afirmação: «O contrato de arrendamento como forma de concessão de terrenos do Estado para fins de construção urbana. 17 Cfr.

de 27 de Maio. estão fora do seu âmbito de aplicação. por exemplo. que. a divisão e propriedade por andares já existe há séculos. Coimbra. a concentração demográfica em redor dos grandes pólos de desenvolvimento industrial 18 O direito à propriedade privada é uma característica específica de Macau.° 2/94/M. como foi o caso do Decreto-Lei n. naturalmente. concluir que a Lei de Terras de Macau contém uma especial regulamentação sobre o uso e a constituição. Outras vezes para harmonizar os seus preceitos à evolução resultante da actividade jurisprudencial dos Tribunais. assim.°)18.Nos termos do artigo 179. e.° da Lei de Terras. como se sabe. 19 Cfr. determinada por alteração do seu objecto. Mas é já no presente século. 815 . de acordo com o que se acha estipulado na Declaração Conjunta Sobre a Questão de Macau (cfr. que ampliou a clarificação anteriormente referida e regulamentou com mais pormenor a técnica registrai. 1990. quando esteja em causa a transmissão dos direitos da concessão por subarrendamento. de 26 de Dezembro. o Decreto-Lei n.°) — e os de propriedade privada (cfr. de 4 de Julho. ditadas pela necessidade de aperfeiçoar e dar coerência às suas normas. artigo 7. Em Portugal há notícia de que a regulamentação de situações de condomínio já constava das Ordenações Filipinas19. 14.° 51/83/M. pois. que pela primeira vez caracterizou o direito de arrendamento na perspectiva de um direito real com eficácia erga omnes. que. modificação e extinção de direitos reais sobre os terrenos pertencentes ao Território de Macau. enquadrando-o. Borges de Araújo. principalmente depois da l . pág. artigo 5. Podemos. in A Propriedade Horizontal e o Notariado. V — A PROPRIEDADE HORIZONTAL Embora de difusão recente. Almedina.° 26/ /96/M. que se manterá após a transferência de soberania do Território para a RPC. que a propriedade horizontal se revelou um instrumento de grande utilidade na resolução das grandes crises de habitação. estão sujeitos a registo os seguintes factos: a) As concessões provisórias ou definitivas e a renovação destas. nela se distinguindo e caracterizando os terrenos do seu domínio público. b) A transmissão dos direitos resultantes das concessões. finalidade ou modificação do seu aproveitamento. e que constituíram os fundamentos do direito civil português até à entrada em vigor do Código Civil de 1867. foram inicialmente publicadas em 1603 e confirmadas em 1643. como é o caso da alteração introduzida pela Lei n. A actual Lei de Terras tem sido objecto de constantes alterações. c) A revisão das concessões. Umas vezes com o intuito de clarificar e fixar com rigor o seu conteúdo. o ponto V do seu Anexo I). A escassez dos solos aptos para a construção. entre os factos sujeitos a registo.. dos que integram o seu domínio privado — nos quais se incluem os terrenos vagos (cfr. a Guerra Mundial. mais recentemente.

de 4 de Setembro de 1967 e publicado no Boletim Oficial de Macau n. de 15 de Julho). 2. tornado extensivo às então chamadas Províncias Ultramarinas pela Portaria n. embora inicialmente de forma menos perfeita20. O regime jurídico da propriedade horizontal passou para o Código Civil em vigor21. de 25 de Novembro de 1966. O preâmbulo refere-se ainda às novas regras sobre 20 O que conduziu mais tarde à intervenção do legislador. 21 Aprovado pelo Decreto-Lei n.° 46. foram factores que contribuíram decisivamente para a rápida difusão deste instituto. quanto à possibilidade de titulação de determinados contratos por documento particular (cfr. Foi com o Decreto n.° 267/94.°).° 31/85/M.° Suplemento. no sentido de aperfeiçoar a técnica registrai nesta matéria. nomeadamente os que se referem ao conteúdo a que o respectivo título constitutivo deve obedecer (artigo 1418.° 47344. porém. acrescentando-se: «Permi-te-se a constituição da propriedade horizontal no processo administra-tivo da aprovação do projecto de construção. 22 Esta é uma das áreas que nos parece constituir uma espécie de tabu em Portugal.° e seguintes). que se impunha face ao incremento da construção em altura que por essa época já grassava no Território. aos conjuntos de edifícios (artigo 1438. de 15 de Agosto). provavelmente devido à recente abertura.° 40333. ao condomínio (artigos 1424. De facto. o que. O seu preâmbulo é bastante elucidativo quanto aos propósitos de inovação numa área que se adivinhava vir a ser de grande desenvolvimento no Território. foi recentemente objecto de aperfeiçoamento em Portugal (Decreto-Lei n. que pela primeira vez se procedeu em Portugal à regulamentação do regime jurídico da propriedade horizontal. em bom rigor. de 13 de Abril. tendo sido melhorados muitos aspectos do instituto. de 25 de Outubro). artigo 5. iniciou a modernização do sistema. aliada ao aperfeiçoamento das novas técnicas.° 20/88/M.°-A). à junção e divisão de fracções autónomas (artigo 1422. é uma alternativa à escritura na formalização do modo de constituição por negócio jurídico»22. Na Conservatória de Macau começaram desde logo a fazer-se registos por andares.°-A).° 22869. à regulamentação da administração do prédio (artigos 1429. na medida em que ficou facilitado aos segmentos da população de mais fracos recursos económicos o acesso à propriedade das suas habitações.e a redução dos custos da construção em altura. de 23/11/67. sem prejuízo das necessidades cautelares de certeza e segurança. às regras a observar na afectação das partes comuns (artigo 1421. Decreto-Lei n.°-A). onde lhe é dedicado todo um Capítulo (artigo 1414. de 14 de Outubro de 1955. o Decreto-Lei n. por muitos considerada des propositada. O regime jurídico da propriedade horizontal. visam suprimir entraves burocráticos que pertur-bam a rapidez das transacções dos imóveis». ao esclarecer que: «adoptam-se medidas que. 816 .° e seguintes). Não se foi tão longe.° da Lei n. permitindo-se ao mesmo tempo uma forma simplificada de regularizar as situações anteriores (cfr.° 255/93. como já se foi em Macau.° do Código Civil).°-A e 1435. etc.

mesmo que não constituam unidades distintas e isoladas entre si» (n. No caso de o edifício ser construído por fases correspondentes a blocos ou corpos distintos. Após a aprovação do projecto e antes de concluída a construção pode o registo ser feito provisoriamente por natureza.°).° 1) e «Considera-se constituída a propriedade horizontal com a aprovação do projecto instruído nos termos do artigo 2. designadamente quanto à percentagem ou permilagem e respectivos direitos especiais (artigo 7. mantendo embora o essencial do regime anterior. já nos parece demonstrado. revogou aquele Decreto-Lei e. Apesar de pensarmos que esta possibilidade equivale a uma maior vulnerabilidade na segurança geral dos edifícios e a uma maior dificuldade da sua gestão. à possibilidade de passar a ser feito o registo provisório por natureza.a designação das fracções autónomas. aliás.°). Apesar de algumas das inovações introduzidas nos parecerem de duvidosa eficácia e funcionalidade. Assim nos parece.°).°). sendo convertido com base na licença de utilização do prédio e em documento que comprove a sua inscrição na matriz ou a participação para o efeito (artigo 5. desde logo.° 25/96/M. como. pelo aumento 817 . de 9 de Setembro. esta nova lei contém um conjunto de regras de grande alcance prático que não podemos deixar de pôr em relevo. procedeu a uma nova regulamentação. O registo da propriedade horizontal assim constituída é feito com base em fotocópia certificada da memória descritiva das fracções autó-nomas e da decisão da aprovação do projecto. «Além dos modos previstos no artigo 1417. se mantém em vigor pelo prazo de 3 anos.° 2 do artigo 2.° 2). «desde que o respectivo espaço seja suficientemente delimitado. à medida que estes forem sendo concluídos (artigo 6.° 31/85/M. com as assinaturas reconhecidas presencialmente. A Lei n. o qual. com afixação de numeração ou designação própria» (n.°).° do Código Civil. emitida pela Direcção dos Serviços de Solos. se essa modificação não envolver alteração da respectiva posição relativa. Nos termos do artigo 1. e ao registo por blocos ou corpos distintos de edifícios construídos por fases.°» (n. dado na respectiva memória descritiva. ser feito sobre cada um dos blocos. constituída sobre todo o conjunto. não sendo necessário o acordo dos restantes condóminos para a unificação ou divisão das fracções.° 3 do mesmo artigo). por forma indelével. se não for também provisório por dúvidas. o regime da propriedade horizontal pode ser constituído por destinação do prédio à venda em fracções autónomas prevista no respectivo projecto de construção» (n.° do Decreto-Lei n. pode o registo da propriedade horizontal. dos seus limites de contiguidade. a inovação que representa a possibilidade de constituir uma fracção autónoma dos lugares de estacionamento. A modificação do título constitutivo da propriedade horizontal opera-se com o acordo de todos os condóminos. entendendo-se «por espaço suficientemente delimitado a área individualizada pela demarcação. Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) após a passagem da licença de obras (artigo 3.

admitimos que se trata de uma medida ajustada no sentido de resolver muitos dos actuais problemas do estacionamento no Território de Macau. achamos que a formulação do artigo 38. cujo parque automóvel não pára de aumentar. bastando agora o acordo dos condóminos dado na memória descritiva. etc. 818 . como dissemos. onde. como é o conservador. aprovada sem qualquer oposição» (cfr. pelo contrário. n.° 31/85/M apenas com o acordo dos próprios titulares das fracções em causa (cfr. Na verdade.° pode conduzir a resultados imprevisíveis se o preceito não for interpre-tado com a necessária cautela. que já se admitia na vigência do Decreto-Lei n. há também algumas inovações que não merecem o nosso aplauso e que. 23 Não pode exigir-se a um jurista de carreira. Quanto à junção e divisão de fracções autónomas. contudo.desmesurado e descontrolado dos condóminos que lhes têm acesso.° 2 do seu artigo 7. com o reconhecimento simples das assinaturas (n. foi também agora esta matéria melhor disciplinada. Meras razões de celeridade não poderão justificar a preterição de formalidades essenciais à segurança jurídica. aliás.°).°). arrecadações. ainda que a essa modificação corresponda a apresentação de um projecto de alterações. nenhuma outra entidade pública se acha em melhores condições do que a própria DSSOPT para certificar a conformidade da memória descritiva apresentada a registo com o respectivo projecto de construção e a licença de utilização correspondente23. foi expressamente proibida a divisão de uma em novas fracções «salvo autorização do título constitutivo ou da assembleia de condóminos. — cfr. artigo 1422. Mas. os conhecimentos técnicos de engenharia e arquitectura necessários para averiguar a conformidade de peças soltas de processos administrativos complexos como são inequivocamente os de aprovação de projectos de construção. permitindo-se a modi-ficação sem o acordo dos restantes condóminos mesmo nos casos de falta de contiguidade das novas fracções (garagens. Assim. Outra alteração com significativo alcance prático é a que se refere à simplificação do formalismo para a alteração do regime jurídico da propriedade horizontal. a qual só fica garantida com a exibição de um documento único emitido pela entidade competente para garantir que o registo seja correctamente elaborado.os l e 2 do artigo 7. à semelhança.°-A do Código Civil).°). julgamos que deverão ser objecto de ponderação para se proceder às correcções que já se impõem. podendo ainda a maioria qualificada de dois terços pedir o suprimento judicial do acordo dos condóminos que o não tenham dado (n. em primeiro lugar. uma vez que a possibilidade de o registo da propriedade horizontal poder ser efectuado com base em mero duplicado ou fotocópia da memória descritiva das fracções autónomas de que conste a indicação do seu recebimento pela DSSOPT acompa-nhado de qualquer documento comprovativo da sua aprovação comporta alguns riscos.° 2 do artigo 8. do que também já foi consagrado em Portugal.° 3 do mesmo artigo). n.

° da Lei de Terras). da qual consta obrigatoriamente a verificação do cumprimento das obrigações assumidas pelo concessionário (cfr..° permite renovações injustificadas do registo provisório da propriedade horizontal.° 2 do artigo 39.. porque.em detrimento dos interesses dos consumidores finais que são os adquirentes das fracções autónomas. n.S. é prática corrente em Macau a alteração sucessiva dos projeetos de construção até à conclusão dos edifícios.° do código do registo predial vigente).se a renovação do registo provisório é averbada «a requerimento dequalque rinteressado. sob pena de nulidade (cfr. não só porque o registo provisório da propriedade horizontal apenas permite que sejam feitos registos sobre as fracções autónomas também provisoriamente (cfr. Por um lado.. exige a apresentação de documento que comprove a subsistência da razão da provisoriedade. artigo 143. não registadas.O. a insegurança que tal representa para quem jé negociou na base do que o registo publicitava anteriormente. à Conservatória. para fins de anotação ao registo (cfr. pode o construtor prolongar injustificadamente a vigência do registo provisório. para esta renovação. agora imposta pelo n. n.° 5 do artigo 39.. caso essas alterações sejam registadas. como se sabe.T. sendo hoje a esmagadora maioria dos prédios construídos para venda por andares.° e 133. Podem imaginar-se os inconvenientes dessas anotações sucessivas se os titulares dos imóveis não procederem aos correspondentes registos de alteração da propriedade horizontal (agora por averbamento — cfr. assim. protelando. a transmissão das fracção autónomas só é possível havendo prévia autorização da entidade concedente.ou justificadas por meras razões de interesse e oportunidade exclusivas do construtor. Para além da Conservatória passar a funcionar como uma espécie de depósito de documentos. arts. como porque a publicidade que o registo dá ao regime jurídico do prédio estará na maioria dos casos ultrapassada com as sucessivas alterações ao projecto.° não resolve o problema de fundo. impondo-se agora a comunicação oficiosa das alterações aos projectos que afectem a individualização ou o valor das fracções autónomas por parte da D. isto é.° l do artigo 41.°) ou. achamos que a obrigatoriedade do registo provisório da propriedade horizontal.°).° 3 do artigo 37.consideramos que a norma do n. alínea d) do artigo 179. e apenas quando se trate de prédios em regime de propriedade perfeita.. Por outro lado.Em segundo lugar. não se vislumbram vantagens naquela obrigatoriedade.P. Em terceiro lugar. enquanto a concessão se mantém provisória. edificados em terrenos concessionados por arrendamento. nem traz vantagens significativas ao tráfico jurídico imobiliário. a celebração das escrituras sobre as fracções autónomas. antes de verificado o aproveitamento e emitida a licença de utilização.S. 819 . 132. Achamos mais adequada a formulação do anteprojecto do novo código do registo predial (em fase de aprovação) que.mediante declaração da razão de subsistênciada provisoriedade» sem a exibição de um documento comprovativo.° da Lei de Terras). Com efeito.

impõe-se aqui uma actividade desnecessária e que poderá obrigar a inúteis perdas de tempo com o pedido do registo provisório. se requerer a conversão do registo provisório em definitivo. Ao contrário do que resulta das restantes normas. ela só deverá ser imposta após a emissão da licença de utilização. Por isso.° da Lei n. a manter-se a obrigatoriedade do registo da propriedade horizontal. desde que o respectivo pedido seja correctamente instruído com os documentos referidos no n. a errada distribuição das percentagens ou permilagens. demorados e de elevado custo. que comprova a conclusão do edifício sem mais alterações. poderá. Finalmente. levar mais de três meses a ser realizado. seja com a necessária regularização registrai das parcelas que integram o domínio público ou privado do Território por virtude de novos alinha-mentos.° 3 do citado artigo 41. Convém esclarecer. assim. Além de que podem os documentos apresentados conter deficiências que se traduzam na nulidade do próprio processo de aprovação da memória descritiva (a atribuição de partes necessariamente comuns do imóvel a alguma ou algumas das fracções autónomas. lembremo-nos apenas dos processos de concessão. seja com o registo obrigatório das revisões24.° 2 do mesmo artigo 41. Advogamos. não contiverem irregularidades formais e substantivas. que a 24 Nos termos do artigo 5.°.Mas o que mais nos impressiona é a sanção do n. podendo. que poderia ser obtido num prazo inferior a um mês. na medida em que ela pode conduzir à ideia (errada. segundo o qual «A entrega das licenças de utilização depende da prova de se haver efectuado o registo previsto no n. julgamos que o sentido daquela norma deve ser interpretado com a necessária parcimónia. 25 Não é só em Macau. etc.°.°. também em Portugal existe a ideia errada na opinião pública de que os serviços de registo predial e comercial são demasiadamente burocratizados.°.° l do artigo 38.° l». de 29 de Julho. só então. a nosso ver) de que o conservador está vinculado a não recusar o registo. Na verdade. antes de mais.). nos termos do n.° l do artigo 38. em caso de incumprimento reiterado.° 8/9l/M. que muitas vezes têm implicações ao nível registrai. 820 . a concessão ser anulada ou o processo de revisão arquivado. é dado um prazo de seis meses para os concessionários procederem ao registo. há situações de impossibilidade técnica de proceder ao registo. designadamente considerando que o registo não deverá ser recusado se os documentos que o instruírem. o registo definitivo da propriedade horizontal. em que é patente a intenção de desburocratizar e abreviar procedimentos. quer dizer. que. não podemos deixar de manifestar a nossa discordância com a norma do n. que introduziu alterações à Lei de Terras. VI — CONDICIONANTES E ENTRAVES À REGULARIZAÇÃO REGISTRAL Fala-se frequentemente das dificuldades colocadas no registo predial e da sua morosidade25. mesmo que sejam juntos aqueles documentos. seguido do pedido da emissão da licença de utilização para. por isso.

estando agora também a decorrer a formação dos adjuntos. assim. como se pode constatar pelos dados estatísticos dos últimos três anos: DADOS ESTATÍSTICOS Estamos em crer que se há serviços no Território de Macau que funcionam bem e sem atrasos. não poderia assegurar os fins para que existe: dar publicidade aos direitos inerentes aos imóveis. quando o que se espera dela é que dê garantias de eficácia e segurança jurídica aos negócios sobre os imóveis. em que todo o cuidado é pouco. e só muito recentemente foram preenchidas algumas vagas do quadro dos oficiais. facilitando o crédito imobiliário. 821 . mas a montante dela.Conservatória do Registo Predial de Macau. seria o descrédito do sistema que. Como se deixou referido na breve abordagem aos princípios registrais. Mal seria se o conservador se limitasse a registar os actos que lhe são pedidos sem proceder à sua depuração. a Conservatória não pode ser apontada como uma entidade que presta um mau serviço à sociedade. a Conservatória do Registo Predial é um deles. com segurança. mas desde princípios de 1993 que apenas estão 2 conservadores ao serviço. que o quadro do pessoal dirigente da Conservatória é dotado de 3 lugares de conservadores. apenas os registos dos prédio da freguesia de Nossa Senhora de Fátima continuaram a ser feitos com alguma atraso até inícios do ano de 1995. E. desde meados de 1994 que tem o serviço em dia relativamente aos registos dos prédios localizados na maior parte do Território. apesar da tão propalada crise no sector imobiliário.° do CRP). devido à circunstância de terem então sido regularizadas as situações da chamada zona da Areia Preta. sendo hoje habitual o prazo de 15 dias na sua feitura. o movimento da Conservatória não tem sofrido uma quebra muito significativa. exactidão e verdade. A partir de então os registos sempre foram efectuados dentro do prazo que a lei estabelece (30 dias a contar da data da apresentação. Convém não esquecer que estamos a passar por uma fase bastante delicada devido à conversão informática. para bem do próprio instituto do registo predial. Note-se. por outro lado. Quando se diz que há dificuldades no registo devem ser averiguadas as causas dessas dificuldades. futuros conservadores locais. de acordo com o artigo 77. o conservador está vinculado à observância de regras de legalidade. As condicionantes e os entraves burocráticos que se apontam à regularização registrai não residem na Conservatória.

° do CRP). em casos de urgência fundamentada. alterações ao próprio articulado. ou o seu duplicado ou fotocópia com a nota de recebimento na DSSOPT. em conformidade com o que atrás observámos. estando os actos bem titulados. 107. podendo. designadamente o cumprimento dos prazos e o pagamento dos prémios e rendas. arts. Também a chamada Lei do Cadastro (Decreto-Lei n.° 3/94/M. esta deve ser comprovada pela competente certidão emitida pelo Leal Senado de Macau ou pela Câmara das Ilhas. VII — MEDIDAS PROPOSTAS Já foi referido que está em fase de aprovação um código do registo predial para Macau.°. na área dos registos e notariado. n. 264.Como se disse. comum aos três serviços com intervenção na regularização do direito de 822 . mas é reconhecido por todos os que lidam com esta área que esse instrumento jurídico se torna absolutamente essencial ao bom desempenho das atribuições próprias do registo predial de Macau. ser lavrados quase de imediato (cfr. devendo.° l. não se pode hoje apontar qualquer entrave burocrático à Conservatória. alínea g) do n. deverão ser observadas as regras da Lei de Terras. Julgamos que. quer sob o ponto de vista formal.° l do artigo 149. Se ao prédio tiver já sido atribuída numeração policial.° do CRP). Esta realizará o registo se lhe for apresentada a certidão da memória descritiva. É evidente que o código só por si não resolve tudo. quanto a nós. Ninguém poderá exigir uma resposta rápida e eficaz da Administração se não cumprir atempadamente as obrigações assumidas. As especifici-dades do Território são invocadas a propósito de tudo e de nada quando se pretende justificar a necessidade para a criação de instrumentos (jurídicos. alínea c) e 171. essa necessidade se impõe sem reservas. Algumas leis (como a da propriedade horizontal) reclamam regulamentação e. visto que esta circunstância é de referência obrigatória na descrição (cfr. os registos são lavrados num prazo aproximado de 15 dias a 3 semanas. Nas situações em que está em causa um acto de concessão. a certidão da DSSOPT transcreverá a respectiva licença de utilização. quer sob o ponto de vista substantivo. até porque é sabido de todos que Macau tem condições singulares e regras próprias derivadas da existência de uma Lei de Terras.°. Se o prédio já estiver concluído. ou não) para solucionar as questões que se vão colocando no dia a dia.° do CRP). o prédio deverá ser identificado na memória descritiva pelas suas confrontações (cfr. Quanto à regularização da propriedade horizontal. acom-panhada da prova de que o projecto a que a mesma se reporta foi devidamente aprovado. 149. neste caso. o interessado comprovar que o prédio já se acha inscrito na matriz ou que foi feita a participação para a sua inscrição. em caso negativo. de 17 de Janeiro) deverá ser complementada ou harmonizada com o futuro código do registo predial com a consagração de um documento único de titulação dos imóveis.

O seu gigantismo reclama a procura de soluções que. ACCCIA. de 29 de Janeiro) estão hoje ultrapassadas. A própria estrutura orgânica da Conservatória do Registo Predial de Macau carece de urgente redefinição. preâmbulo da Portaria n. Cartórios Notariais e notários privados. que. passam por uma autonomização por secções. bem como dos oficiais é um passo fundamental para que não se perca a qualidade. sobretudo. já que muitas das suas normas são interdependentes. que poderão ficar interligadas. e.° 21/92/M. da vinculação ao tradicional sistema de livros de registo. Pensamos ainda que o novo código do registo predial. com vista à necessária uniformidade de critérios na qualificação dos actos. de 29 de Dezembro). cada uma delas sob a chefia de um conservador. por outro lado. Entretanto. não se verificam hoje os constrangimentos então invocados quanto ao regime de substituição dos conservadores. Esta fórmula. que a informatização não será afectada com a autonomização. aliás. Finalmente. tendo em vista a actualização oficiosa dos registos (como por exemplo o Leal Senado e Câmara das Ilhas para actualização da numeração policial a da denominação das vias públicas) ou para ser permitida a consulta directa dos elementos constantes do registo (Tribunais.). nem seria inédita em Macau. 823 . vem sendo elaborada e corrigida há vários anos. aliás. etc. Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro e Repartição de Finanças). ao qual se poderá dar a designação de Título de Registo de Propriedade. devendo um dos conservadores exercer a direcção da Conservatória. As razões que fundamentaram o abandono daquela fórmula (cfr. parece-nos urgente a publicação de uma nova Lei Orgânica dos Serviços dos Registos e do Notariado. que se pretende abandonar em definitivo. O aperfeiçoamento e melhoria do estatuto dos conservadores e notários públicos. considerando. de 24 de Agosto (que regulamentou o processo informático do registo predial). pensamos que se justifica uma alteração urgente ao Decreto-Lei n.° 59/92/M. uma vez que o programa é centralizado na Direcção dos Serviços de Justiça e comum a todas as secções. o interesse e o empenho que sempre os caracterizou.propriedade (Conservatória do Registo Predial. A este propósito. com áreas de jurisdição próprias.° 217/89/M. libertando-o de algumas peias que ainda se vão mantendo e derivadas. por um lado. já que a Conservatória já esteve dividida em duas secções (cfr. com a introdução de regras que permitam uma maior eficácia e mobilidade interna ao serviço. _ nossa convicção que só com pessoal motivado e empenhado se poderá garantir uma continuidade sem sobressaltos dos sistemas registrai e not1arial para além do período de transição em curso. do nosso ponto de vista. julgamos que se deve caminhar decisivamente para a consagração legal da interligação informática da Conservatória a outros serviços (como já hoje acontece com o Cadastro e as Finanças). Portaria n. deverá ser acompanhado de um código do notariado.

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