Implementação de

Programas Pedagógicos

C urríc ulo E s t rut ura d o Implementação de Programas Pedagógicos

Currí c u l o E s t r u t u r a d o

Currículo Est rut urad o

Implementação de
Programas Pedagógicos

Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-2997-6

Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva
Irene Carmen Piconi Prestes

Ida Regina Moro Milleo de Mendonça

Marcos Cordiolli

Vilmara Sabim Dechandt

Maria Letizia Marchese

Vilmarise Sabim Pessoa

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
mais informações www.iesde.com.br

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Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva
Ida Regina Moro Milleo de Mendonça
Irene Carmen Piconi Prestes
Marcos Cordiolli
Maria Letizia Marchese
Vilmara Sabim Dechandt
Vilmarise Sabim Pessoa

Currículo Estruturado:
implementação de programas pedagógicos

Edição revisada

IESDE Brasil S.A.
Curitiba
2012
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Brasil.A. mais informações www. I.71 CDU: 37.Currículos .iesde.br .Educação .1.482.A. 1. É proibida a reprodução. por qualquer processo.com. 186p. Dr. CIP-BRASIL.ed.br Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. : 28 cm Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-2997-6 1. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www. Imagem da capa: Shutterstock Todos os direitos reservados. 2012.A.© 2006 – IESDE Brasil S.. Caldeira.[et al]. IESDE Brasil S. Maria de Fátima Minetto.08..07. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. .02 23.com. RJ ________________________________________________________________________________ C986 Currículo estruturado : implementação de programas pedagógicos / Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva. . sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. 12-5247.12 02. Carlos de Carvalho. Al..rev.iesde. 1962-. CDD: 370.A. mesmo parcial.12 037615 ________________________________________________________________________________ Capa: IESDE Brasil S.Curitiba. PR : IESDE Brasil.

....................................................................................................15 Concepção do erro............................................................................................................................................................................29 Escola.............................................................................................................................. lugar de transmissão da cultura........................................................................................43 Humanização......................37 O modelo como transmissão cultural..........................16 Conteúdos escolares..................43 A educação e a formação............................................................................................... mais informações www.67 Quando ensinar?.............................46 Conceito de currículo e considerações gerais.....................................................................................16 Projeto educativo...................................................................................................................................................................................................................................................................................13 Aprendizagem significativa e experiência de êxitos...............................................29 O novo paradigma escolar: a lógica da inclusão..........................22 Aprendizagem significativa (Ausubel)...................37 O ensino como fomento do desenvolvimento natural................................................................................................45 A escolarização.......................................................39 Os fundamentos do currículo – desenvolvimento.....................................................................................................67 O que ensinar?.........................................................................................................................com...........................69 Como ensinar?..........................................24 Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula..........................................................17 O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas..............................................49 O que é currículo?...................30 Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola.........7 Refletindo o cotidiano escolar..........38 A sala de aula: espaço de vida?........................38 O ensino como produção de mudanças conceituais........................................................................57 Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento.................................37 O ensino como treinamento de habilidades... cultura....................................................................................21 A educação centrada na pessoa – uma contribuição de Carl Rogers........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................br ....................................................A................................................13 Aprender faz-se num contexto de interação social..........................................16 O processo de ensino-aprendizagem............................................................................................................................................................................................................................................................................................46 As heranças da cultura pedagógica brasileira...................................71 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.....................................Sumário A função social da escola............................ cultura e desenvolvimento – a humanidade como seres com necessidades.......................70 O que avaliar? Quando avaliar? Como avaliar?..............................................49 Contribuições da Psicologia ao currículo......................................................................................................................................................... escolarização e educação...........................................iesde...............................21 Teoria da instrução e por descoberta (Bruner)...

............103 As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico...................................................113 Áreas de referência das ciências e disciplinas escolares.................................................................................................................................................................................................com........................................139 Uma experiência significativa....................................155 Introdução e/ou eliminação de objetivos...............................................................................................................................................................................154 Adaptações na temporalização....................................Os conteúdos do ensino – o que são?..........................................81 Conteúdos e a organizaçãodo trabalho pedagógico..............................................br .......113 A tradição disciplinar............153 Adaptações relativas às atividades de ensino-aprendizagem.................115 Algumas notas finais......................154 Adaptações relativas aos modos de avaliação...................................................................................133 Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva.................................................................................................................................................................................85 A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão... há um sujeito na sala de aula....107 A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento......................................................................................153 Adaptações relativas à metodologia e à didática....................................141 Em síntese.................................................................................81 A função dos conteúdos do ensino no currículo...........................147 Adaptações curriculares – como operacionalizá-las?..............................................................113 As disciplinas escolares e a organização dos saberes..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................120 A interação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem..........................................97 As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na educação inclusiva....................................................................................................................................................91 Há um sujeito entre as pessoas......................................................................................91 Algumas sugestões para a diversidade e currículo na educação inclusiva..................................................................77 A aprendizagem de saberes e a arte........127 A função e a formação do professor na escola inclusiva............................................139 Estratégias para a aprendizagem comunitária...........................155 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.........141 Entendendo a adaptação escolar............77 A ressignificação e a formaçãode valores e padrões de conduta............................................................................127 Sala de aula: espaço de convivência..........................................155 Introdução e/ou eliminação de conteúdos...................................................................................................................................................................................................................iesde.............................................................................................140 O planejamento da aprendizagem comunitária..................154 Adaptações relativas à prioridade de objetivos e conteúdos............................................................................................................... mais informações www...............123 Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem...............................................................................................................................................................................................................93 A elaboração do projeto pedagógico na escola......................................................................114 As relações de disciplinaridade....................................................79 A experienciação de sentimentos...................................A..............................

.................................. ................................................... mais informações www...............................................................................169 A avaliação diferenciada..........................................................................163 Avaliação diferenciada.157 Recursos ambientais..................................................................169 Avaliação e a promoção de um aluno com necessidades educativas especiais de uma série para a outra...................................................................183 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.......................................157 Em resumo.........................156 Recursos materiais .....................................br .....................................................................................................156 Recursos individuais ....................................................................................................................................................171 Pais..................................................................................................................................................177 Referências.......................................159 Avaliação – concepções teóricas..............................................A.............com......................... professores e alunos – parceiros no processo inclusivo................................................................iesde..................................................Recursos pessoais...................................................................................................................................................

mais informações www.br .com..A.Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde.

A função social da escola Ida Regina Moro Milleo de Mendonça O professor pensa ensinar o que sabe. na qual a forma predominante de educação tem sido a escolar. por isso. as academias etc. o que recolheu dos livros e da vida. qual é a função social da escola? Segundo Dürkheim (1972). por meio da socialização em atividades cotidianas. do grau de desenvolvimento das ciências. perceber o grande distanciamento entre as expectativas da sociedade e a função da escola que nela está inserida. ensina também o que não quer. apesar das significativas mudanças ocorridas ao longo da história da humanidade – a vida social. algo de que não se dá conta e passa silenciosamente pelas paredes da sala. 13) Surgem então novas formas de se efetivar o processo educacional de crianças e de jovens. Isso significa que as demandas de interesses e necessidades de uma sociedade mais povoada e complexa não comportavam uma educação direta das novas gerações nas células primárias de convivência: a família. mas o aluno reteve..br 7 . De acordo com Gomes (2000).A. O professor. (GOMES. Analisar e discutir a função e o papel que a escola ocupa na sociedade contemporânea não é tarefa muito fácil. aviso de antemão. das indústrias etc. de modo geral. No entanto. mais informações www. o grupo de iguais.iesde. entre os membros das gerações mais novas e os próprios adultos da comunidade. é fascinante. chegarmos ao final deste capítulo com uma concepção mais clara e coerente da função social da escola como instituição específica de educação. o aluno pode aprender o avesso ou o diferente do que o professor quer ensinar. percebe-se que eles dependem da religião. mas aquilo que quer aprender.com. 2000. Então. alerta-nos Delval (2001) que. o preceptor. seguidas de uma diversificação de funções e tarefas. Separados de todos essas causas históricas. do Estado. juntos. É comum alunos saírem das universidades e. p. Mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. o trabalho – a prática no contexto escolar continua reproduzindo um modelo de educação semelhante ao de tempos remotos. mas. nos tempos atuais. da organização política. por exemplo: a tutoria. “quando se estuda historicamente a maneira de se formarem e desenvolverem os sistemas de educação. Assim. Ou aquilo que o mestre nem sabe que ensinou. Todavia com as mudanças ocorridas na sociedade. a educação nas sociedades primitivas acontecia. à luz das ideias e das concepções desenvolvidas e discutidas ao longo do texto que apresentaremos. ao iniciar suas atividades de docência. é promover uma reflexão crítica sobre a função social da escola. Essas maneiras de educar as novas gerações antecedem o contexto da sociedade contemporânea. a organização política. Proponho que deixemos de lado preconceitos ou conceitos cristalizados para. Afonso Romano de Sant’Anna N ossa intenção. essa forma de educação torna-se ineficiente. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. tornam-se incompreensíveis”. neste capítulo. os centros ou grupos de trabalho e produção.

retomando os objetivos fundamentais do processo de socialização dos alunos na escola. é por meio do currículo. Quanto à socialização voltada para o desenvolvimento da cidadania e a preparação para a vida pública. seminários e encontros de semana pedagógica. aparece puramente conservadora.br . encontra-se no meio de conflitos e contradições de ideias.A. mais informações www. da organização pedagógica. Ao mesmo tempo que todas as pessoas têm os mesmos direitos como cidadãos. a escola também vivencia dilemas marcados pela demanda social.. os conhecimentos. Embora essa premissa seja real. Vale ressaltar que esses conflitos estão imbuídos na própria dinâmica de manutenção da nossa sociedade. De acordo com Gomes (2000). garantir a reprodução social e cultural como requisito para a sobrevivência mesma da sociedade” (GOMES. o desenvolvimento das novas gerações referente a ideias. como espaço privilegiado de educação. nessa perspectiva. de que forma a escola pode assumir seu compromisso fundamental de socialização dos alunos? A escola. p. exige que a escola tenha como meta primordial a preparação do aluno para o mercado de trabalho. a função social da escola é desenvolver o processo de socialização do aluno e. que a escola gradativamente repassa as ideias. 2000. 14).com. valores e atitudes conservadoras e de mudança.iesde.A função social da escola Na visão de Gomes (2000). no campo econômico esse princípio não se mantém. ouvimos de professores. Desse modo. de certo modo industrial. há um movimento de mudança no sentido de transformação das funções e do papel da escola. os valores e as formas de conduta que a sociedade exige. dentro do contexto escolar. conhecimentos. podemos visualizar que. dos negócios e dos serviços. A reflexão crítica sobre as práticas educativas tem sido fórum permanente de debates. Segundo o referido autor. bem como de pessoas relacionadas a outros segmentos da sociedade. Considera-se a propriedade e não o indivíduo como cidadão de direitos. que a escola está despreparada para atender às exigências das demandas sociais. Muitas vezes. em congressos. Ou seja. das empresas. Contrariando concepções conservadoras impostas pela sociedade. temos que a sociedade contemporânea e. a formação do cidadão para intervenção na vida pública. Assim. sendo a escola concebida pela sociedade contemporânea como uma das instituições sociais responsáveis pela educação das novas gerações. “a função da escola concebida como instituição especificamente configurada para desenvolver o processo de socialização das novas gerações. deve assumir seu papel garantindo o desenvolvimento de ideias. de atitudes e de conhecimentos que 8 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. são dois os objetivos prioritários desse processo: incorporação do aluno no mundo do trabalho. nos últimos anos. bem como dos próprios conteúdos. habilidades e comportamentos precisa estar em consonância com as exigências da coletividade.

na Renascença toma caráter mais leigo.. 3) capacidade de analisar. É papel da escola. Em Atenas.. p. sintetizar e interpretar dados. pluralista. “sua incorporação eficaz no mundo civil. apaixonados pela glória militar. de interpretar e de transformar o mundo.]. na Idade Média a educação era cristã. o colombiano Bernardo Toro (2002. proporciona ao aluno uma visão mais reflexiva e crítica da sociedade. buscar compreendê-la como processo de vida social e individual. possui um sistema de educação que se impõe aos indivíduos [. desejava-se especialmente que as crianças se tornassem homens de ação. sim. da liberdade de escolha e participação política. 2000. São elas: 1) domínio da leitura e da escrita. 15). 1972. Não cabe à escola uma ação educativa que reproduza os valores econômicos e sociais dominantes. possa percebê-los. na convivência com tais valores. refletir sobre as demandas da sociedade marcadas pelo momento histórico e sua função nesse contexto. 5) receber criticamente os meios de comunicação.]. A educação tem variado infinitamente com o tempo e com o meio. É função social da escola preparar os alunos para que. [. entendemos que educação pode ser definida como uma forma de compreender. antes de tudo. 6) capacidade de localizar. Na verdade. refletir e redimensioná-los de acordo com suas reais proporções e repercussões. (DURKHEIM.]. p.] cada sociedade considerada em momento histórico determinado do seu desenvolvimento.. procurava-se formar espíritos delicados. no âmbito da liberdade de consumo. a ação educativa da escola. prudentes. Nas cidades gregas e latinas a educação conduzia o indivíduo a subordinar-se cegamente à coletividade [.iesde. a ciência tende a ocupar o lugar que a arte outrora preenchia. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..A função social da escola proporcionem ao aluno. como instrumento de educação formal. da liberdade e responsabilidade na esfera da vida familiar e pública” (GOMES. ao todo. trabalhar e decidir em grupo. 4) capacidade de compreender e atuar em seu entorno social. portanto não podemos estabelecer um conceito unívoco de educação. p. Podemos. 25) elaborou os códigos da modernidade que são.. Em síntese.]. temos que a ação educativa dela deve estar direcionada à promoção da consciência da realidade humana.. Nesse sentido. ao promover uma consciência da realidade humana e social. mais informações www..A. fatos e situações. 2) capacidade de fazer cálculos e resolver problemas. acessar e usar melhor a informação acumulada. 7) capacidade de planejar. Hoje esforça-se em fazer dele uma personalidade autônoma.. mais literário. Sem a pretensão de supervalorizar as funções da escola. [.. sutis [.com. capazes de gozar o belo e os prazeres da pura especulação. em Roma. Nesse caminho. nos dias de hoje.br 9 .. 35-36) É preciso considerar que vivemos hoje em uma sociedade em mudança.. sete competências para a escola desenvolver no processo educacional dos alunos.

Uma delas é o currículo oculto. da necessária disciplina em termos de horários. Prepará-las para o mundo do trabalho. Ensinar normas básicas de conduta social. o outro. sobretudo. Ritos de iniciação Submetê-las a provas que servem de seleção para a vida social. ouça.A. Outra concepção também interessante sobre as funções sociais da escola é a de Delval (2001). hábitos de estudo e realização de tarefas. é no convívio diário da escola. É na vivência coletiva travada dentro do espaço escolar que o aluno poderá perceber e tomar consciência a respeito de si mesmo. escrever. expressar-se. elaboradas por Toro. tudo aquilo que não está explicitado de forma intencional no desenvolvimento da proposta educativa realizada pela escola. é vivenciado pelo aluno na dinâmica das relações interpessoais (professor-aluno e aluno-aluno).br . 10 Leia novamente e discuta com seus colegas as sete competências da escola. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 1.. pais e comunidade conduzir seu próprio processo educativo. mais informações www. Adquirir o conhecimento científico. Entendemos que a escola possui outras funções distintas das que citamos neste capítulo.A função social da escola É de fundamental importância que a escola em sua atividade cotidiana observe. Estabelecer discriminação entre elas. perceba e identifique as ideias. as atitudes.dos seus parceiros.iesde. bem como no desempenho do trabalho pedagógico realizado diariamente no contexto escolar. Para ele. que o aluno poderá gradativamente conhecer a si mesmo. os valores e a cultura de sua população. Veja quadro a seguir: Funções da escola Cuidado das crianças Aquisições Manter as crianças ocupadas. das afinidades e amizades que podem ser construídas e.com. Todavia. lidar com a aritmética. que ela poderá proporcionar a seus alunos. escolha e analise três competências que você considera que sejam mais importantes para a concretização do processo educacional na escola. enquanto seus pais estão em suas atividades. Solicitação Colocá-las em contato com outras crianças. as funções sociais da escola são quatro. Aquisição de conhecimento Adquirir habilidades básicas instrumentais: ler. Enfim. Entre elas. e construir sua autoimagem e identidade de sujeito social. ou seja. os conhecimentos. Pois é dessa maneira.

com. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. em diferentes momentos..A função social da escola 2.A. Analise e discuta as transformações do processo educativo da escola.iesde. Em seguida. Qual é sua concepção de educação? Qual é a função social da escola em nossa sociedade? 3. realize uma entrevista com um professor de uma escola de seu município para que ele possa lhe contar sobre de que maneira. com seus colegas. apresentadas no referido filme. Assista ao filme Meu adorável professor.br 11 . mais informações www. sua escola tem desempenhado seu papel na sociedade.

iesde.A.. mais informações www.A função social da escola 12 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br .com.

Refletindo o cotidiano escolar Ida Regina Moro Milleo de Mendonça D iscutir sobre o cotidiano escolar pressupõe uma análise do dia a dia da escola de forma crítica e reflexiva. ao tratarmos da função social da escola. Mesmo porque os próprios professores e alunos. pudemos perceber que ela está inserida em uma sociedade. reconhecer e valorizar os diferentes caminhos e métodos utilizados pelos alunos na realização das tarefas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. p. É dessa maneira que o contexto de sala de aula pode transformar-se em verdadeiro espaço de aprendizagens de conteúdos formais e. poderão promover ao aluno o desenvolvimento de capacidades necessárias à sua formação como cidadão. Interação professor-aluno No decorrer do processo de ensino-aprendizagem. refletem-se no contexto escolar. não podem estar à margem. buscam respostas a essas questões dentro do espaço escolar. temas e assuntos. 21) que “o professor pode individual ou coletivamente refletir sobre as questões intra e extraescolares que contextualizam o ensino-aprendizagem”.. De acordo com Giesta (2001. Nas interações professor-aluno. cabe ao professor: problematizar situações e incentivar os alunos a pensarem e agirem na busca de soluções. que se estabelecem no cotidiano das práticas pedagógicas em sala de aula. de certo modo.br 13 . mais informações www. política e econômica que. de convivência coletiva. Falar do cotidiano escolar significa considerar uma gama de eventos socioeducativos que permeiam esse contexto. Aprender faz-se num contexto de interação social No confronto de ideias e de pensamentos com parceiros da mesma idade e com o professor. Nesse sentido.iesde. determinar o que é necessário aprender acerca de um determinado assunto e promover as condições necessárias para que o aluno possa resolver as situações propostas. de maneira implícita ou explícita. p. o aluno constrói conhecimentos.A. No capítulo anterior. pelo professor com seus alunos. tampouco negligenciar as questões vivenciadas pela sociedade. marcada por grandes transformações de ordem social. A intervenção pedagógica do professor. as interações de respeito e de confiança entre o professor e seus alunos são a condição primeira para o estabelecimento de vínculos saudáveis e duradouros. As questões que são tratadas em forma de conhecimento. alerta-nos Giesta (2001. bem como o seu reconhecimento da importância da participação construtiva do aluno no processo de aprendizagem. sobretudo. 22) “o conhecimento pelo próprio professor do saber que utiliza para enfrentar as situações inéditas a cada dia vai exigir dele uma análise da própria prática.com.

Não se esqueça de consultar as Matrizes Curriculares. Selecione os materiais pedagógicos necessários para realizar as atividades. no laboratório. quando e como ensinar. na biblioteca. “pois promove a cooperação. a possibilidade de colocar-se no ponto de vista dos outros. 14 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. implícitos nas ações que executa. as crianças aprendem com seus colegas muitas coisas importantes para a vida” (DELVAL. Assim. Enfatize a importância de estudar e as exigências do mercado de trabalho. ligue o olhar de raio x para conhecer seus alunos e descobrir suas necessidades e desejos. Defina o conteúdo. dezembro. além disso. p. Calcule o tempo (em aulas) necessário para o desenvolvimento de cada tema. Interação aluno-aluno A escola. 87). o professor expresse e delineie propostas claras sobre o que. Faça uma adequação do conteúdo à realidade dos alunos. no diagnóstico das situações. 2000.. É preciso ainda. solicitando aos estudantes que tragam informações de seu cotidiano fora da escola. parques etc. 64) que podem facilitar o trabalho ao longo de todo o ano: Na primeira semana de aula. Nos primeiros dias. na elaboração do planejamento pedagógico. As interações que a criança realiza com os seus pares são de grande importância para o desenvolvimento da autonomia. considerar o conhecimento que o aluno possui acerca de um determinado assunto como uma referência permanente na proposição de novas aprendizagens. no pátio. O que fazer em classe. O ideal é desenvolver atividades lúdicas para que o aluno possa se expressar e mostrar suas expectativas em relação ao ano letivo.A.iesde.Refletindo o cotidiano escolar uma reflexão que faça emergir os recursos intelectuais. evite aulas expositivas e pedidos de tarefa de casa. 2001. é um espaço privilegiado para que os alunos se encontrem e interajam entre si. como instituição educacional. mais informações www. Preveja o local das aulas. Desenvolva atividades diagnósticas para adequar o planejamento à realidade de cada uma de suas classes. e. p. O dia a dia na sala de aula – bom professor é o que está bem preparado Como tornar as aulas mais interessantes e dinâmicas é a dúvida que atormenta dez entre dez professores preocupados em aprimorar seu trabalho e atingir cada vez mais os alunos. Estimule o aluno semana após semana. é necessário que.br . a reciprocidade. Discuta regras de convivência. Veja algumas dicas (NOVA ESCOLA. na escolha das estratégias e na previsão das consequências”. Procure sempre levar a vida real para dentro da escola. em museus.

reflexiva e construtiva. Nessa perspectiva. Aprendizagem significativa e experiência de êxitos As aprendizagens vivenciadas pelos alunos no cotidiano escolar serão significativas quando eles puderem estabelecer relações de ordem substantiva e não arbitrária entre os conhecimentos apresentados nos conteúdos das disciplinas e os conhecimentos previamente construídos por eles.br 15 . no processo de formação dos seus alunos como cidadãos capazes de atuar com competência. se possível. deve eleger os conteúdos pedagógicos que estejam em consonância com as questões sociais. no dia a dia do aluno na escola. lazer etc. a garantia de experiências prazerosas e de êxito no processo de construção do conhecimento não significa omitir ou disfarçar as dificuldades que podem ocorrer durante o processo de aprendizagem. com seus colegas. planejada e continuada para os alunos. durante um período extenso de tempo. a escola.com. a escola poderá oferecer e. A aprendizagem vista como experiência de êxitos é outro aspecto de fundamental relevância na rotina diária do aluno na escola. planejadas com o propósito de contribuir para que os alunos apropriem-se dos conteúdos pedagógicos de forma crítica. compreender a maneira de pensar e de agir de seus pares e perceber que podem existir diferentes interpretações para uma determinada proposição. esse aluno estará fadado a não perceber e valorizar seu potencial para aprender. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde. chegar a um acordo acerca de uma resposta comum. que foram elaboradas individualmente e. Consideramos ainda que a intervenção pedagógica na escola diferencia-se de outras práticas educativas (família. As representações que o aluno constrói de si mesmo acerca de sua capacidade de aprender estão diretamente relacionadas às experiências de aprendizagens vivenciadas por ele. Todavia. é necessário que os alunos possam: confrontar. Então.) por constituir uma ação intencional. Assim. É imprescindível que se promova possibilidades de interações verbais. Se. debates e divisão de tarefas. à medida que a aprendizagem for uma experiência de sucesso. de certo modo. entendemos que o aluno constrói uma representação de si mesmo como alguém capaz. for uma experiência de fracasso. respeito e dignidade na sociedade. descentrar-se de suas próprias ideias. A forma de intervenção pedagógica promovida pelo professor pode viabilizar aprendizagens com maior ou menor grau de significado. Portanto. ao contrário. as respostas a uma situação-problema.Refletindo o cotidiano escolar Ressaltamos que as interações entre os alunos não podem ficar apenas no campo das ações. de efetiva comunicação. elaborar em comum uma solução para uma determinada situação-problema utilizando-se de discussões. garantir um conjunto de práticas educativas. sistemática.. mais informações www.A.

As representações construídas funcionam como verdadeiras explicações e orientam-se por uma lógica interna. professores. pais. uma intervenção pedagógica coerente e adequada vai possibilitar estratégias de superação do erro. alunos. As ideias equivocadas que o aluno possui acerca de um determinado conhecimento. porque o processo cognitivo acontece por reorganização do conhecimento e não por justaposição. ação ou concepção. uma vez que não podemos chegar de imediato ao conhecimento acabado. e todos aprendem com todos. O conhecimento é provisório. que a visão de complexidade e provisoriedade do conhecimento sejam uma referência constante para o professor. Conteúdos escolares Como já explicitamos.A. É necessário. bem como realizar as tarefas a que se propôs na solução do problema.iesde. O processo de ensino-aprendizagem O processo de ensino-aprendizagem. essa lógica faz sentido para o indivíduo. não pode ser entendido como etapa a ser superada. sem dúvida.com. significa uma experiência de êxito. Assim. ao elaborar hipóteses a respeito. mesmo que. diante de um problema posto para o aluno resolver. então. a não ser por aproximações sucessivas que permitam sua reconstrução. Nesse contexto. Por incrível que possa parecer. possa parecer totalmente incoerente. devendo ser interpretadas com erros construtivos. diretores. são expressões de construções inteligentes por parte do discente. cada indivíduo constrói suas próprias representações acerca de uma determinada ideia. mais informações www. tampouco que. correto. Isso requer que a escola seja um espaço de formação e de informação. portanto.. vivenciado pelo aluno na escola. portanto.Refletindo o cotidiano escolar Assim. Entendemos. O erro deve ser visto como algo inerente ao processo de aprendizagem do aluno. Concepção do erro A escola é um ambiente de aprendizagem por excelência. nesse processo de interação social e com o objetivo de conhecimento. que a superação do erro é resultado de um processo contínuo de superação de novas ideias e de transformação das anteriores. assessores pedagógicos constituem grupos de aprendizagem em que todos ensinam a todos. o conhecimento é acabado. aos olhos do outro. podemos conceber a educação escolar como uma prática que: 16 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. os conteúdos escolares que são ensinados ao longo da vida do aluno na escola devem estar em conformidade com as questões sociais que marcam cada momento histórico. Dessa maneira. em cada uma dessas etapas.br . portanto. O objeto de conhecimento é complexo.

A elaboração dele possibilitará à escola uma organização mais eficaz no cumprimento de propósitos estabelecidos em conjunto por professores. você estará proporcionando que o educando busque respostas nos seus conhecimentos anteriores gravados na fita. 1995. bem como poderá garantir uma formação aos seus alunos ao longo da sua escolaridade. somadas a novas vivências. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Todos os dias o meio físico e social grava cada detalhe da vivência infantil.br 17 . de valorização da pessoa e de constante reflexão sobre os aspectos sociais para os nossos alunos no cotidiano escolar. e questione: “o que é que eu sei sobre isso?” A fita responde automaticamente e fornece informações relativas ao conflito presente em suas vivências passadas.iesde. a escola poderá: formular metas. gravadas. Suas experiências passadas são fornecedoras básicas para seus novos co­nhe­cimentos. a aprendizagem é construída passo a passo.Refletindo o cotidiano escolar possibilita aos alunos a desenvolver suas capacidades individuais e coletivas. Essas vivências. promove a aprendizagem de conteúdos necessários para a compreensão da realidade e de participação em relações sociais.com. Entendemos que as questões discutidas neste capítulo permeiam a dinâmica do processo de ensino e aprendizagem no dia a dia da escola. Essas questões devem ser consideradas de forma clara e explícita na elaboração do projeto educativo. delimitar prioridades. poderemos almejar uma educação de qualidade. coordenadores e diretor. Observe os pequenos detalhes que cercam a infância e descobrirá neles um sólido alicerce para construir um excelente planejamento. Quando você planeja com base nas vivências espontâneas da criança. O cérebro de uma criança é muito parecido com uma fita. 22-23) Assim como um belo edifício é feito da soma de tijolos. Ao elaborar o projeto educativo. mais informações www. p. Desse modo. Projeto educativo É imprescindível que cada escola discuta e construa seu projeto educativo.. colocando-as em conflito com suas próprias atitudes e com as situações que essas atitudes podem provocar.A. A criança e o desejo de construir (LOCH. definir os resultados desejados. explicitar valores coletivos assumidos. políticas e culturais. objetivos e meios. que individualmente parecem insignificantes. constituem o conhecimento.

desse modo. A criança pode realizar tanto quanto pensa. Cada ideia.Refletindo o cotidiano escolar Cada etapa vivenciada na construção do conhecimento é. Você estará fazendo. para a criança. Que mudanças você poderia propor nas práticas educativas da escola contemporânea? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Associe novas ideias a conhecimentos já adquiridos pela criança e planeje atividades específicas para fixar suas metas e seus objetivos diante do plano curricular. Estimule-o. educador.iesde. gesto ou palavra.com. uso de um processo simples para ajudar seu educando. Converse com seus colegas e explicite de que maneira constitui-se o dia a dia de trabalho dos professores e alunos em sua escola. Cite algumas situações que exemplifiquem “verdadeiros momentos” de aprendizagem entre os alunos. O pensamento em ação é o processo que a criança usa para conseguir e realizar determinadas coisas. Amplie o diálogo. enfim.br . prepare os caminhos que levam ao saber. Deve estar pronto para responder a todos seus questionamentos. cada descoberta da criança exige uma atenção e um tratamento especial para que possa se transformar em conhecimentos sólidos. A criança aprende quando pergunta. Seja um bom agente. 18 1. Você. Pergunte e escute. 2. em todos os aspectos. deve ser um estímulo para que a criança tenha ideia. que obterá matéria-prima para aprimorar seu trabalho em benefício de seus educandos.A.. mais informações www. o resultado do pensamento em ação. 3.

horários. salas. indiferente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega. frio. cada funcionário é gente. gente. nada de ser como o tijolo que forma a parede. Importante na escola não é só estudar. o coordenador é gente. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.Refletindo o cotidiano escolar A escola (FREIRE. Escola é. gente que trabalha.A. o lugar onde se faz amigos.. programas. só. conceitos. não se trata só de prédios. mais informações www.com. 2005) Escola é. Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”. sobretudo. quadros.. irmão. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém. amigo... é também criar laços de amizade. o professor é gente.iesde. se estima. não é só trabalhar.br 19 . que se alegra. O diretor é gente. que estuda.. se conhece. o aluno é gente.

ser feliz. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com.. Numa escola assim vai ser fácil estudar. crescer. educar-se. é conviver. trabalhar. é se “amarrar nela”! Ora. fazer amigos..iesde.br . é lógico..Refletindo o cotidiano escolar 20 é criar ambiente de camaradagem. mais informações www.A.

Esse autor ainda relata que Rogers se utiliza de um velho adágio para explicar seu objetivo: “poderás levar o cavalo até a água. p. mais informações www. Nessa perspectiva.. La Puente explicita que “Rogers propõe como objetivo da educação uma aprendizagem significativa.com. porém é uma teoria que oferece possibilidades de integração com outras abordagens cognitivistas. Dessa maneira. como teoria de aprendizagem única é insuficiente. a partir de um processo de aprendizagem pessoal. o ensino centrado na pessoa constitui o domínio particular desta abordagem. 104). pretendemos discutir as teorias de aprendizagem de Rogers. Desse modo. porém ele pode ter dificuldades em efetivar sua aprendizagem e o professor poderá oferecer-lhe tal ajuda. A educação centrada na pessoa – uma contribuição de Carl Rogers A abordagem rogeriana em educação surgiu originalmente do campo da psicoterapia e aconselhamento. podemos entender que uma pessoa não pode ensinar outra. A teoria de aprendizagem de Rogers é uma teoria da pessoa em situação de aprendizagem. pois ela enfatiza os aspectos afetivos em detrimento dos aspectos cognitivos. 1980. mas pode facilitar-lhe o processo de aprender. Nossa escolha por essas três abordagens está relacionada às valiosas contribuições dessas teorias para ensino e aprendizagem escolar. o homem total. podemos considerar que. de modo geral. podemos considerar que é o aluno que aprende. p. da personalidade do aluno. pouco conhecidas entre os professores. uma aprendizagem que abranja conceitos e experiências. Isso significa que o aspecto interacional em situação de aprendizagem visa as relações interpessoais e intergrupais dos alunos ou dos grupos envolvidos. São eles: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Milton Nascimento N este capítulo. Transferindo essa ideia para a educação.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas Ida Regina Moro Milleo de Mendonça Há de se cuidar do broto para que a vida nos dê flores e frutos. mas não poderás fazê-lo beber”. Bruner e Ausubel. em seu livro Liberdade para Aprender.iesde. Placo (2002. Outro motivo que reforça nossa escolha é o de que essas teorias têm sido. ou seja. expõe alguns princípios básicos da aprendizagem significativa.br 21 . 88-89) menciona que Rogers. em que o interesse e os motivos de aprender sejam os do aluno” (PENTEADO.A.

ou seja. Explicando de outro modo. o processo sistematizado de ensino fica em segundo plano..]. de modo significativo. limita-se a facilitar a comunicação do estudante consigo mesmo. no mundo moderno. Teoria da instrução e por descoberta (Bruner) Jerome Bruner é considerado o principal representante norte-americano do movimento da Psicologia Cognitivista. dentro de si mesmo...]....].com.. significa dirigir sem dirigir – uma ação facilitadora que consiste em dirigir o aluno às suas próprias experiências para que a partir dessas. É por meio de atos que se adquire a aprendizagem mais significativa [. pois perde sua importância.. quando a autocrítica e a autoapreciação são básicas. a não diretividade é outra ideia de significativo valor. para que ele possa reorganizar o seu campo experimental.A. é a do próprio processo de aprendizagem. Assim. que envolve toda a pessoa do aprendiz. Desse modo. 22 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Não diretividade implica um conjunto de técnicos que implementa a atitude básica de confiança no aluno.]. as teorias de desenvolvimento e de aprendizagem são descritivas.]. com relação ao processo ensino-aprendizagem na teoria rogeriana. Observou as crianças em sala de aula e as experiências dessa investigação são reveladoras. A aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que as matérias a estudar se relacionam com seus próprios objetivos [. do seu processo... responsavelmente.. pois elas esclarecem o que acontece. a criatividade e a autoconfiança são facilitadas. A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa. uma contínua abertura à experiência e à incorporação.. A independência. Quando é fraca a ameaça ao eu. em 1966. A aprendizagem que envolve mudança na organização de cada um na percepção de si mesmo – é ameaçadora e tende a suscitar reações [. é a mais durável e impregnante. Aprender significa interagir com outros pontos de vista. A aprendizagem mais socialmente útil. Suas pesquisas buscavam descobrir como os sujeitos podiam tirar vantagens de aprendizagens anteriores ao tentarem lidar e resolver problemas novos que lhes eram apresentados. do processo de mudança [. A teoria da instrução é prescritiva. ele possa se autodirigir e desempenhe seu autocontrole.]. Nessa perspectiva.].O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas Os seres humanos têm natural potencial para aprender [. sua teoria de ensino cujo título é Uma nova teoria de aprendizagem.. Lança então. A aprendizagem autoiniciada. o professor se abstém de intervir diretamente no campo cognitivo e afetivo do aluno..br . seus sentimentos tanto quanto sua inteligência. a avaliação feita por outros tem importância secundária. o comportamento do aluno.. Quando a autoconfiança é facilitada. Para Bruner. mais informações www. podemos perceber a experiência sob formas diversas e aprendizagens ser levada a efeito [. As aprendizagens que ameaçam o próprio ser são mais facilmente percebidas e assimiladas quando as ameaças externas se reduzem a um mínimo [. Ainda. podemos compreender que a aprendizagem autodirigida ou autoapropriada é vista como a única que pode transformar.iesde.

Segundo Giacaglía. portanto. Jerome Bruner não inventou o método da aprendizagem por descoberta. De acordo com Giacaglía (1980).. O referido autor expressa que um dos pontos fundamentais da teoria de instrução é a concepção de Bruner sobre o desenvolvimento cognitivo do ser humano. isto é. no campo da ação.A. ainda. afastando o aluno das estratégias motivacionais extrínsecas. Conforme Giacaglía. pois exige condutas adequadas do professor. mais informações www. dela depende. a criança é capaz de representá-los mentalmente. p.] é a ferramenta que amplia a capacidade humana” (1980. uma das principais maneiras de que o homem dispõe para lidar inteligentemente com o ambiente [. pelo conhecimento a ser conquistado. 48). Os três tópicos principais que sustentam a teoria de Bruner são: estrutura das matérias de ensino e sua sequenciação. a criança pode representar o mundo abstratamente por meio de símbolos.. pois. reforço. Simbólico – sem fazer uso da ação ou da representação de imagens. ou seja. de prêmios e elogios. Por motivação intrínseca entende-se o interesse e a necessidade do próprio aluno pelo conteúdo a ser aprendido.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas sugere metas e meios para a efetiva ação do professor. deu-lhe fundamentação teórica e o divulgou para que esse método fosse um desafio à atividade e à curiosidade da criança. Todavia. São eles: Enativo – a representação do mundo é demonstrada pela criança por meio da sua ação. pois promove experiên­cias e desperta o gosto pelo estudo. a linguagem tem um papel preponderante na teoria de Bruner. Nesse processo evolutivo dos níveis de representação cognitiva. é capaz de reproduzi-lo.. Pode. É por meio da linguagem que a criança consegue evoluir hierarquicamente de níveis inferiores para o nível de representação simbólica – o pensamento evolui pela linguagem.br 23 .com. auxiliar o aluno a resolvê-lo discutindo diferentes alternativas de solução. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde. tais como: o conhecimento dos conteúdos a serem trabalhados. p. também dos conhecimentos relativos ao estádio de desenvolvimento cognitivo em que o aluno se encontra. O professor apresenta o conteúdo ou o assunto a ser tratado em forma de questão a ser resolvida.. a motivação intrínseca – predisposição do aluno para aprender. “a maneira de ensinar irá depender não apenas do que se souber sobre como se aprende. No entanto. Neste nível.]” (1980. pela realização do desejo de conhecer. Explica que existem três níveis de representação cognitiva. “a linguagem é. Icônico – mesmo sem manipular os objetos. 47). a maior dificuldade atribuída a esse método é a sua execução. a criança não é capaz de explicar verbalmente um caminho que lhe é conhecido. [..

47-48) Convidamos você. ocorrerá de forma coerente. a fazer uma reflexão. saber o que o aluno já sabe é o fator mais importante no processo de aprendizagem.com. ambígua. Estrutura cognitiva é entendida como o conjunto de ideias e noções presentes no sujeito. cada qual com sua utilidade plenamente justificada. Principalmente você. nos dias atuais.59). a manutenção do bom relacionamento com os alunos. Porém.. p. Bicicletas têm 18. 20 ou até mais marchas. para que estes aceitem seu papel como condutor das descobertas e mantenedor do segredo da solução do problema. disposição física e mental para manter o nível de entusiasmo na aula. a aprendizagem e a retenção de um assunto novo é sensivelmente facilitada.br . braço direito – talvez também o esquerdo –. Por quantas mudanças e transformações o mundo já passou? Desde a descoberta do fogo. percepção de quando a resolução de uma proposta está muito demorada e coloca em risco a aprendizagem. mais informações www. p. desorganizada. Conforme Ausubel (apud RONCA. para que ocorra aprendizagem significativa. Vejamos alguns exemplos. paciência. a aprendizagem fica prejudicada” (1980. 1980. Nossos carros: a 24 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. A aprendizagem significativa ocorre quando existe relação entre o que se sabe e o que se quer aprender. leitor. até o computador.iesde. grande trunfo da raça humana. Quando as ideias são significativas para o aluno. Assim. Pilares do conhecimento Considerações sobre os sustentáculos da educação para o terceiro milênio (PILARES. Investigue-se isso e o ensino será consequente.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas a previsão de problemas periféricos ao assunto tratado. o conhecimento se fixa por mais tempo e aumenta a capacidade de o aluno relacionar os diferentes tipos de assuntos que foram aprendidos. 59). Aprendizagem significativa (Ausubel) Os conceitos de estrutura cognitiva e aprendizagem significativa constituem-se como a base das proposições de Ausubel. para esperar que os alunos cheguem às descobertas. é necessário que o aluno manifeste uma predisposição positiva diante da aprendizagem. quase já podemos promovê-lo a melhor amigo do homem. p. 2002. isto é. de acordo com Ronca “se a estrutura cognitiva de um aluno for clara e organizada adequadamente. Se ela é instável.A. professor.

em 1996. mais resistente. ao saírem da escola. não se esmerar para proporcionar aos alunos uma razão para sua existência. à análise do tema. devido à forte ligação existente entre eles. [.. Nessa interação. então? Para responder a essa questão. forno de micro-ondas e tantas outras facilidades. Pois bem. não só para nós como também para as pessoas que nos rodeiam e. Informação e conhecimento continuaram a ser como que molas propulsoras para o crescimento e desenvolvimento do planeta. aprender a viver juntos. Pelas ondas da internet. há quem diga que se a escola não se renovar. Educou-se. pelas páginas de um livro ou de um jornal. Passemos. ao longo da evolução da espécie humana.. nas quais a educação se dava e se dá pela vivência diária na comunidade. Para as donas de casa. preocupou-se durante muito tempo em atender seus educandos no sentido de que eles adquirissem apenas o referencial suficiente para que. e ainda hoje existem. então.. irá fracassar. Hoje. para Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. de maneira que se tire proveito do que realmente é relevante.iesde. mais econômico ou mais qualquer outra coisa. o jovem apreendia valores e comportamentos e o meio em que se situava era um contexto permanente de formação. e ainda se educa infelizmente. E é certo que a educação do novo milênio precisa estar cada vez mais atenta aos movimentos e avanços mundiais. É Jacques Delors quem nos diz “para poder dar resposta ao conjunto das suas missões a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que. ao longo de toda a vida. portanto. Um bom exemplo desse tipo de educação é a sociedade africana pré-colonial. talvez a mundial. Para citar algumas: máquina de lavar roupas.. ainda que esse algo não lhes oferecesse tudo o que de fato desejavam para suas vidas. a Comissão Internacional sobre Educação pra o Século XXI produziu um relatório para a Unesco.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas cada dia.] e. mais informações www. aparece um novo modelo. já que o que se aprendia tinha um significado útil para aquela comunidade: era uma necessidade. muitas novidades ao longo da evolução humana. compartilhando experiências com as pessoas com as quais convivemos são algumas das várias formas de se adquirir conhecimento. aprender a fazer. delineando o que podemos dizer que são os objetivos da educação do novo milênio recém-nascido.]. [.].com.br 25 . o leitor deve estar perguntando o que isso tudo tem a ver com a educação. se a educação não deve mais se deter apenas em transmitir conhecimentos a que ela deve ater-se. ferro elétrico. o homem foi capaz de produzir para si tantas facilidades. um aprendizado de qualidade e que venha ao encontro de sua realidade. Veja bem: se. Vivemos a era do conhecimento. Aprender a conhecer A educação brasileira.A. serão de algum modo para cada individuo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer. na qual não havia professores e aprendia-se fazendo. por que na área da educação tudo continua tão complexo? Sabemos que antigamente existiam sociedades sem escolas. um novo motor. E hoje? Bem.. É este aprender fazendo que tornava importante o aprendizado. mais potente. finalmente aprender a ser”.. fazem parte da nossa realidade.. [. pela interação dos mais novos com os mais velhos. Delors ainda complementa dizendo que esses quatro pilares constituem-se em um só. O que cabe à educação nesse contexto? Proporcionar meios eficazes para que saibamos selecionar tudo o que chega até nós. A esta altura. mas só a mera transmissão de conhecimento não garante a educação plena. encontrassem algo que lhes garantisse o sustento.

onde quer que estejamos. ditos gêmeos idênticos. sem repressões. Perdemos a oportunidade de auxiliar os nossos alunos a desenvolverem o aprender a conhecer. mais informações www. Aprender a conhecer. Aprender a fazer A educação não poderá limitar-se a formar pessoas para realizarem uma atividade única. são iguais. por que esperar que a humanidade.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas conformidade. apropriar-se do sentido implícito em uma frase já nossa velha conhecida: A união faz a força. por saber pensar e repensar suas práticas. Inclui.com. Isto inclui tornar possível a sua formação cognitiva. que a causa da violência esta na maneira como encaramos essas diferenças. mas sim como algo que se constrói ao longo de toda a existência. Aprender a fazer quer dizer fazer de diferentes formas. verdadeiramente. da paz e da colaboração. não só porque a escola corre o risco de se perder. anteriores à escrita. sim. afetiva. privilegiando o desenvolvimento da cultura. para subserviência. Aprender a ser Segundo a comissão. de maneira que não se fique preso a um único meio de chegar aos resultados desejados. É esse tipo de educação que tem que ser urgentemente transformada. pois é justamente por saber pensar que o humano chegou aonde está. Educou-se um ser humano que se contentava com pouca escolha que lhe ofereciam. um dos quatro pilares propostos pela comissão. Quanto ao pensamento. E a memória? Facilmente pensamos que memória é coisa de educação tradicional. aprimorando-as para o seu próprio benefício. por exemplo. porte-se de maneira igual.A. muito em breve estará obsoleto. e isto já é consenso entre nós. ao encontro de suas necessidades e enriqueça suas experiências. Então. da memória e do pensamento. angústias e desejos. É claro que antes devemos exercitar o aprender a aprender. Não é. educadores. significa não conceber o conhecimento como algo imutável. reunida pela diversidade. O que seria da humanidade sem memória? Certamente não teríamos tido conhecimento de muitos acontecimentos.br . Segundo a comissão. Como aceitar o outro sem aceitar a si próprio primeiro? Nisso consiste o 26 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mas porque nós próprios corremos o risco de perder nossa identidade humana se continuarmos a agir dessa maneira. se não fosse pela memória de nossos antepassados. saber trabalhar conjunta e harmoniosamente em busca de objetivos comuns. nossos educandos devem estar preparados para enfrentar situações novas que exijam deles mais do que executar uma tarefa já interiorizada e mecânica. Dessa forma se poderá levar o aluno a compreender que as diferenças não são a causa da violência entre os povos e. compete ao professor oportunizar ao aluno situações para que ele possa desenvolvê-lo adequadamente. Aprender a viver juntos Isso implica colocar-se no lugar do outro. Em outras palavras. a educação deve preocupar-se com o desenvolvimento pleno de seus educandos. Deve-se levar o aluno a compreender e valorizar as diferenças. por fim. também. porque convenceram-no de que ele não dava para o estudo. esse aprender a aprender dá-se pelo exercício de atenção. O mundo evoluiu a passos largos. Se nem irmãos. Significa não apenas desenvolver uma qualificação profissional. hoje. mais sim um leque de competências que o levam a uma qualificação cada vez melhor. psicomotora etc. e o que é moderno.. para sentir suas frustrações. É necessário conhecer-se a si mesmo para que se possa conhecer o outro e aceitá-lo. muitas vezes. que vem com significado de oportunizar a descoberta do mundo como espaço de crescimento e de aprendizagens constante.iesde. Atenção para propor às crianças algo que venha.

Também temos consciência. para concluir. é sinal de que ela é necessária e de que está no caminho certo. já não nos é possível viver isoladamente. Sejamos fortes e estejamos unidos. Escolha três princípios básicos da aprendizagem significativa de Rogers e discuta com seus colegas os aspectos relevantes (positivos e negativos) de cada um deles. nos reserva novos desafios. Ao contrário. este ser que chega até nós e é dada a oportunidade de indicar o caminho que o transformará em humano.com. nossa atitude incoerente continuará a provocar insucessos. ainda que muitas vezes nos neguemos a enxergar quem somos. aprendendo a ser cada vez melhor.iesde. Enfim. mais informações www. 1.. que hoje já conseguimos detectar. Para ajudar nossos alunos a desenvolverem esses quatro pilares – aprender a conhecer. Máquinas podem ser muito úteis. Se falamos uma coisa e fazemos outra. em nossa pratica diária. Então. só por isso. Nunca foi e jamais será. não teremos dificuldades em comunicá-lo aos nossos alunos. aprender a viver juntos e aprender a ser –. mas jamais substituirão o prazer do contato pessoal entre os seres. novas conquistas. Enxergando a si mesmo como sujeito de capacidades múltiplas e como sujeito de relações. Se a escola sobreviveu a tantas turbulências e já praticou tantos erros. aprender a fazer. E não é exagero dizer que não se aprende a ser sozinho. 2. o educando tem condições de desenvolver-se de maneira mais significativa. Qual é o seu ponto de vista sobre a aprendizagem dos alunos em escolas públicas e privadas no Brasil? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. é preciso tê-los assimilados em nossa vivência. Ou não. a educação desse novo milênio. Não podemos esquecer que também educamos pelo exemplo. enquanto educadores de nossa importante missão. se acreditarmos no que falamos. pois é no contato com o outro que nos revelamos. nunca esquecendo que nosso maior objetivo é sempre o aluno. Sabemos que não é tarefa fácil essa de educar.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas quarto pilar da educação do novo milênio que propõe conhecer-se a si mesmo. Ao educador cabe não desanimar. que em breve já não será mais tão novo assim.br 27 . O outro nos mostra quem somos. com certeza. Somos seres humanos e. grande parte de nossos objetivos terá sido alcançada.

explicite de que forma eles vêm sendo abordados no contexto escolar. os quatro pilares do conhecimento e. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. do seu modo. se possível.A.iesde. explique.O processo de ensino e as teorias de aprendizagem nas práticas educativas 3.br .com.. mais informações www. 28 A partir da leitura do texto complementar.

interferindo direta ou indiretamente no dia a dia das escolas. dos alunos. aprende-se a conviver democrática e socialmente. hoje. mais informações www. interferindo.com. Este ensino deve tornar os alunos conhecedores das suas potencialidades e capacidades. O desempenho adequado e competente dessa tarefa é que estabelece e constitui sua importância e sua função social. a escola deve dar lugar no seu cotidiano às questões sociais. O contexto escolar pode ser visto por nós como um ambiente que acolhe e coloca o sujeito na esfera das relações sociais. na qual se reúnem um professor e uma turma de alunos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1997. Neste espaço relacional do cotidiano escolar. de toda a comunidade escolar. exercitando valores. que será possível um ensino cuja lógica seja inclusiva. aos valores implícitos e explícitos que regulam as ações dos agentes escolares e que são determinantes do processo de ensinar e aprender. formam um grupo social. da ética e de uma educação voltada para a construção da cultura da paz.. na formação pessoal de cada aluno.] é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e teve importância maior foi a nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas.br 29 . A escola.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula Irene Carmen Piconi Prestes [. justiça.180).. pois é na diferença que se criam novas práticas. exige-se. a escola é um sistema que tem uma pauta de desempenho socialmente definida e historicamente situada. Professores e alunos com características próprias e histórias diferentes. novos olhares sobre a vida. é um espaço plural. Como todas as outras instituições sociais. que para ser considerada inclusiva a escola esteja voltada à construção de uma estrutura que corresponda às mudanças curriculares. lugar de transmissão da cultura A educação escolar é feita dentro da sala de aula. à constante formação dos profissionais da educação. respeitosos e atentos às diferenças. no qual professor e aluno se encontram.iesde. extremamente complexo. à ética. Sigmund Freud Escola. Tem compromisso com as Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. ou pela personalidade de nossos mestres. diálogo e solidariedade. É por meio da mediação das situações de conflito. Conforme o proposto pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996. de relações de convivência. Inúmeras e diversas são as expectativas da sociedade. com a prática do ensino de valores. Faz-nos pensar que as experiências vividas na escola serão significativas para o modo de se colocar no mundo a nas relações com o “outro”. p. das famílias. a fim de que as situações de aprendizagem promovam o aluno e que ele seja o autor de suas ideias. portanto. à reorganização do espaço educacional.. impregnado de regras. segundo Carvalho (2000. como respeito ao outro. de valores (nem sempre consensuais) e de muitos sentimentos contraditórios quanto às funções políticas e sociais da escola. Isso é fundamental em uma escola realmente inclusiva.

respeitando tudo que existe ao seu redor. tanto dentro quanto fora da escola. Partindo-se do pressuposto que. o autoconhecimento por meio de atividades como contos e histórias da arte. Apontaremos como a escola poderá contribuir para a reconstrução da cultura na sala de aula. mas ela passa a ter uma exigência muito maior que é o compromisso.com. a leitura que o aluno faz é ‘liberou geral. a escola afrouxou’. o que pode ser um elemento decisivo na alteração da prática do professor.. como grande aliada na homogeneização dos sujeitos por um padrão e excludente dos que não se enquadram. visto que ao longo da sua história suas relações são com uma estrutura social discriminatória e seletiva. hoje. cognitivo e psíquico. As mudanças não podem ser feitas sem a participação dos alunos. mais informações www. Vasconcelos (2001.br . Não é comum que se destaque na escola para o reprocessar das ideias e sua ressignificação por parte dos agentes escolares. a responsabilidade. Destacamos. E não é isso. que deixe de excluir de suas salas de aula. diretor. que nesse projeto educativo. destacando aí o lugar subjetivo do sujeito. o contexto escolar representa um lugar de trocas interativas entre pessoas. que a escola trabalhe na promoção da mudança de paradigma. social. Os alunos podem ser protagonistas de mudanças quando é fortalecida a prática de dar retorno aos professores. a educação é planejada. A escola deixou de ter uma exigência autoritária. formal. aceitando os seus defeitos. funcionários) busquem atitudes para harmonizar-se no contexto escolar e na sociedade. nos seus aspectos físico. O novo paradigma escolar: a lógica da inclusão É preciso. p. dessa maneira. Considerando os aspectos citados. implicadas e responsáveis por aquilo que realizam na escola. capacidades. pedagogo. Preservando a subjetividade de cada um no processo de ensinar e de aprender é que poderemos ter pessoas motivadas. é da competência da escola ser promotora de atitudes e situações que possibilitem o repensar da vida em sociedade e finalmente. as diferenças e as necessidades de cada pessoa. em primeiro lugar.A. estimulando a autoestima.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula relações interpessoais e sociais escolares e com as questões que envolvem os valores experimentados na vivência que a escola propicia aos alunos e o contato intelectual com tais valores.iesde. potencialidades e limitações. que isso ocorre valorizando o aluno enquanto ser único. E é importante que o aluno entenda isso”. sob a perspectiva do ser humano. É responsabilidade da escola construir esse novo paradigma que considere a identidade. ou melhor. para viver em paz e com qualidade é necessário estar em equilíbrio consigo mesmo.13) alerta que “quando a escola deixa o aluno de fora e muda. pois o individualismo vem marcando constantemente as relações humanas. Sendo assim. 30 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Há dificuldades de pôr em movimento propostas e significá-las no dia a dia escolar. que os agentes escolares (professor. fato que acaba por gerar situações de conflito. Vamos mostrar. a subjetividade. a construção do conhecimento.

Daí a importância da ade- Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Esse mal-estar pode voltar-se contra os colegas ou contra o professor. os fins que unem seus membros são igualmente impostos.. portanto. em geral. Isso quer dizer que tanto do ponto de vista pedagógico como cultural. também têm uma pedagogia. E se o grupo ganhar coesão nos seus sentimentos negativos pode tirar o máximo efeito da lei do número (Festinger e Newcombe) sem que haja necessidade de um instigador para desencadear a descarga dos sentimentos negativos. um fervilhar de fenômenos relacionais que poderão explicar a disciplina ou a indisciplina na aula.. consciente e cooperativa. o grupo tem um líder formal oficialmente designado. capacitando-o a conviver em harmonia com as diferenças. Na vida de uma turma há. 48-50) O grupo-classe Uma turma é um grupo formal que obedece a características especiais: o grupo não se constituiu de forma voluntária. desejos e concepções de mundo e mostrando ao aluno que o uso dos valores e de uma postura de paz são bases essenciais para a construção de uma cidadania digna. o professor torna-se capaz de trabalhar com qualquer aluno. também ensinam alguma coisa.A. e dentro desses grupos. da fuga ao trabalho ou da apatia. criam-se normas. pressão para a conformidade. interesses. ou a falta de motivação dos alunos para atingi-los. No entanto.. mais informações www. rivalidade entre os grupos [.139).iesde.] tal como a educação.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula A partir desse apontamento. Segundo Silva (1999. o que gera expectativas. não se trata apenas de informar. como luta pela liderança. p. como os programas de televisão ou as exposições de museus.] É dessa perspectiva que os processos escolares se tornam comparáveis aos processos de sistemas culturais extraescolares. 1994.br 31 . o projeto educativo inclusivo valoriza o trabalho em equipe e rejeita a competição. pois é a partir dela que crescemos. Sob esta ótica.. mas trata-se de formas de conhecimento que influenciarão o comportamento das pessoas de maneiras cruciais e até vitais. Se a moral e a produtividade do grupo dependem do interesse suscitado pela prossecução dos fins estipulados..com. uma vez que a proposição de uma educação inclusiva aceita e valoriza a diferença. A turma como espaço relacional (ESTRELA. p. procura de fins comuns que assegurem a coesão e a moral do grupo.. respeitando os diferentes modos de aprender. verificam-se os fenômenos relacionais próprios dos pequenos grupos. a inadequação dos fins propostos.] Entre os membros do grupo há partilha de papéis. existência de bodes expiatórios sobre os quais se descarrega a frustração e a agressividade do grupo. no seio desse grupo formal geram-se grupos informais determinados por razões de vizinhança ou por afinidades várias. estão envolvidas em processos de transformação da identidade e da subjetividade [. as outras instâncias também são pedagógicas. Tanto a educação quanto a cultura. Instituem-se redes de comunicação. emergência de líderes informais. ritmos. pode originar situações de frustração e de descontentamento que se expressam por meio da agressividade. [. nos afirmamos e nos constituímos como sujeitos..

consideram que a influência que se pode exercer sobre alguém pode ter as seguintes bases: poder de recompensa.br . Cada tipo de poder pode gerar efeitos diferentes. Se quisermos transpor estes princípios para o campo da “turma”. poder de perito. Mas. que faz a síntese dos elementos da investigação neste campo que podem 32 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. poder de referência. suscitando a identificação dos alunos à sua pessoa. São bem conhecidos os trabalhos de Lippitt e White (1967) sobre os efeitos provocados num grupo de crianças em situação extraescolar. parece-me que o seu poder baseia-se essencialmente no poder legítimo. constitui uma mística. e aqueles que se identificam com os seus colegas. enquanto que o líder democrático gerava maior interesse pelo trabalho e estimulava a cooperação. e a influência como força capaz de induzir transformações. da planificação cuidada. que é o professor. a coerção origina a diminuição da atração em relação ao detentor do poder. A emergência de normas de conduta é um aspecto importante da vida dos grupos. o grau de delegação de poderes. destaco a de Vayer e Roncin (1981) e a de Barry e Johnson (1970). será tanto mais importante quanto mais elevado é o grau de ensino. É claro que o poder de referência. pela sua competência científica e pedagógica. o que prenuncia o futuro escolar dos alunos. por exemplo. Os alunos que se identificam com os colegas tenderão a unir-se e a criar as suas próprias regras. verificamos que o poder do professor pode assentar em todas estas bases. E o poder de perito. dada a sua função de transmissão cultural. de perguntas constantes e fora do contexto) e obstrução do trabalho (por exemplo. ao criarem as condições de funcionamento harmonioso do grupo. French e Raven (1967).com. originando obstruções sistemáticas no plano das comunicações da aula (por exemplo. recusa do trabalho de casa). A análise da vida da turma por intermédio da dinâmica de grupos tem dado origem a várias obras. contestação e originar o aparecimento de outras regras informais. por meio de interrupções despropositadas. mais informações www. Kahn e Katz (1967) sugerem que a capacidade do supervisor de exercer um papel diferenciado. enquanto que o poder legítimo diminui a resistência ao poder. produzindo pouco. nas organizações. elas podem gerar conflito. enquanto que o poder coercivo só será necessário quando falham as outras bases do poder. e pela sua utilidade para o professor. da variação de estímulos e de projetos motivadores capazes de suscitar entusiasmo e de canalizar a energia do grupo para a produção de trabalho e para a realização de níveis elevados de aspiração.. estão em relação com a produtividade e a moral do grupo. Entre elas. por vezes.A. O aparecimento dessas regras informais é particularmente relevante em grupos de adolescentes. Assim. contribuindo para a constituição de um espírito de grupo ou de gang que. submetem a vontade particular à vontade geral e criam sentimentos de solidariedade e de pertença. um líder autocrático originava apatia e dependência ou um máximo de hostilidade em relação ao líder e aos bodes expiatórios. poder legítimo. pelo que nos limitamos a lembrar que sob um estilo de laissez-faire as crianças brincavam e conversavam.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula quação do currículo às necessidades e interesses dos alunos. porque ele é de fato a autoridade por delegação social e no poder de perito. que se opõem claramente àquelas estabelecidas pelo professor.iesde. e o poder de recompensa poderão facilitar e fortalecer o exercício do seu poder. poder coercivo. de que falaremos adiante. definindo o poder como influência. Quando as regras são impostas por vontade do líder sem consulta ou negociação com os membros do grupo. em função do que foi dito anteriormente sobre a natureza do ato pedagógico. Talcott Parsons (1974) põe em relevo a cisão que se opera numa turma entre os alunos que se identificam com o líder formal. Estas bases do poder que decorrem da natureza do ato pedagógico vão aliás ao encontro das representações dos alunos sobre o professor. pois. A vida do grupo depende ainda do estilo de liderança. o grau de orientação para o empregado e a coesão do grupo são as quatro variáveis que.

esses códigos pressupõem não só acordos expressos como tácitos. Com efeito. A dificuldade que o aluno oriundo de meios desfavorecidos tem em se situar em relação aos códigos verbais revela-se também em relação aos códigos paraverbais e não verbais. A partir da observação de aulas de vários graus de ensino. portanto. revestindo-se assim de um caráter instrumental. Efetivamente. criadas e modificadas constantemente de acordo com os objetivos específicos do momento.com. Ao contrário do que acontece na vida comum. Note-se. Pensa-se. nas páginas que se seguem. do olhar. o que muitas vezes é Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. não estar interessado em adquiri-la. que dificultam a adaptação do aluno à escola. gerando-se. Cria-se assim mais uma dificuldade a juntar àquela que provém da utilização pelo professor de códigos elaborados que o aluno não compreende.iesde. E quanto mais desfavorecido for o meio sociocultural de origem. O lugar central ocupado por esta produção como cerne do processo pedagógico implica a criação de condições favoráveis e. com as suas finalidades e objetivos determinados. como exemplo mais típico. Daí o artificialismo das situações pedagógicas. aceitá-los e interrogá-los. A turma e a comunicação instrumental do saber Todo ato pedagógico é essencialmente um ato de comunicação visando induzir a aprendizagem de um saber. porém. artificialismo que é bem visível no plano das comunicações da sala de aula. Embora não seja uma obra recente. Se eles podem contribuir para a criação daquilo que Bernstein designa como cultura expressiva da escola.A. pela dificuldade em compreendê-los. ao serviço de uma produção social de caráter muito particular. materiais e recursos de toda a ordem) que possam tornar mais eficaz todo o processo. havendo alunos que têm dificuldade em interpretar as diferentes significações do tom de voz. faremos uma análise de alguns aspectos da vida das turmas que têm sido nelas estudadas e que atendem às características específicas dos fenômenos pedagógicos. portanto. do contato físico e do silêncio do professor em função de diferentes contextos. a criação de condições favoráveis à transmissão/recepção do saber explica o caráter arbitrário e convencional do quadro normativo que regula a comunicação na aula. a curto e a longo prazo. continua a ser uma das que explora de um modo mais sistemático a possível aplicação dos princípios da dinâmica de grupos à sala de aula. situações de incomunicabilidade fomentadoras do desinteresse e da indisciplina do aluno. mais informações www. a manipulação das variáveis ambientais (tempos. maior dificuldade o aluno terá em captar a sutileza dos códigos tácitos da aula.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula ser úteis para o diagnóstico dos problemas de indisciplina e para o qual remetemos o leitor. é aquele que detém a informação e não aquele que a procura. na situação criada pela utilização do chamado método expositivo/interrogativo. Se os códigos têm sempre um caráter convencional. que essa aplicação é dedutiva e que carecemos de trabalhos experimentais dentro da sala de aula que demonstrem que a especificidade das situações pedagógicas não produz alterações em princípios que foram verificados em situações diferentes das situações de ensino. Por isso. portanto. que sobre ela faz perguntas a quem supostamente não a detém e que pode.. esses códigos são convenções de valor muito restrito. assim como explica o artificialismo de algumas formas e códigos de comunicação que subvertem aqueles que são usualmente aceites na vida comum. Algo de semelhante se passa com alguns códigos utilizados na sala de aula. podem também criar condições de marginalidade àqueles que a eles não aderem.br 33 . pois não ultrapassam as suas paredes e não funcionam fora dela. espaços. começando por analisar o sistema de comunicações na aula. inclusive. Está. tenho notado que há alunos que não reagem às intervenções disciplinares do professor quando elas se exprimem de forma não verbal.

br . mais informações www.iesde. tenho recolhido registros de incidentes disciplinares provocados pela interpretação ofensiva que o professor faz de certos gestos dos alunos. gestos que têm significado diferente em função do meio social de pertença.A.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula interpretado por este como um sinal de insolência. Por outro lado. 34 1. uma composição sem erros.com. As regras pedagógicas impostas ou negociadas pelo professor enquanto agente normativo (por inerência da delegação social que recebeu para exercer a sua função educativa) determinam e circunscrevem as condições gerais e específicas em que deve decorrer o processo pedagógico e especificam algumas características da produção que se transformam em critérios da sua avaliação (por exemplo. bem estruturada logicamente e com boa apresentação gráfica). Qual é o papel do educador para criar um ambiente relacional propício para o processo de ensinar e de aprender? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Qual é a interferência do meio cultural sobre o desenvolvimento da cada aluno? 2..

A paz fez um mar da revolução Invadir meu destino. só a guerra faz Nosso amor em paz. Eu vim. GIL. a paz Como aquela grande explosão.com. Que contradição.. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Eu pensei em mim. eu pensei em ti. De repente me encheu de paz.A.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula 3. mais informações www. Uma bomba sobre o Japão Fez nascer um Japão na paz.. Eu chorei por nós. Onde o fim da tarde é lilás.. vim parar na beira do cais Onde a estrada chegou ao fim. Onde o mar arrebenta em mim O lamento de tantos ais. Como se o vento de um tufão Arrancasse meus pés do chão Onde eu já não me enterro mais. 2004) A paz invadiu meu coração. A Paz (DONATO.iesde.br 35 . Apresente uma reflexão sobre os textos complementares e a música proposta para a conclusão deste capítulo.

mais informações www.Aprendizagem escolar – a reconstrução da cultura na sala de aula 36 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..A.com.br .iesde.

É o aluno o agente principal e responsável por sua aprendizagem. entretanto.A. ele não pode relacionar o conteúdo transmitido com seus iniciais esquemas de compreensão. A escola existe em função do aluno e da sociedade na qual se insere. discute-se a fugacidade dos conhecimentos em que os novos tornam obsoletos os anteriores. Dessa forma. rever a própria experiência. saber fazer. comunicar conhecimentos. mais informações www. Abordaremos aqui algumas perspectivas e suas características. Um dos pontos negativos dessa visão é a distinção entre o conhecimento elaborado e o conhecimento ainda incipiente do aluno. Volta-se para o desenvolvimento e treinamento de habilidades e capacidades como leitura. nas quais os alunos são instruídos e ensinados pelo professor. artísticas e filosóficas. Ensinar refere-se a instruir. e o conhecimento será fragmentado. diferentes enfoques para entender o ensino. ao longo de sua evolução histórica. Os conteúdos têm que ser adquiridos e os modelos imitados. solução de problemas. não esquecendo que aprendizagem e ensino são processos indissociáveis. orientar. que o ensinar se define em função do aprender. e deve privilegiar a aprendizagem desse aluno. É um conhecimento reflexivo. mudar comportamentos. A ênfase é dada às situações de sala de aula. Então. descobrir o sentido das coisas e da vida. mostrar. O professor é o agente principal e responsável pelo ensino. analisar criticamente o mundo. acumulou conhecimentos que foram conservados e transmitidos às novas gerações de forma lógica e agrupados nas disciplinas científicas. É um ensino que se preocupa mais com a quantidade de conceitos e informações do que com a formação do pensamento reflexivo.br 37 . reflexão etc. Há. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde.com. escrita.. desenvolver habilidades. dirigir. a função da escola que ainda predomina é a da transmissão deste conteúdo sólido que constitui nossa cultura.Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola A Vilmarise Sabim Pessoa prender significa adquirir conhecimentos. O modelo como transmissão cultural Este enfoque diz que o homem. racional e elaborado pela humanidade. O ensino como treinamento de habilidades Neste enfoque. que está sendo desenvolvido para enfrentar os desafios do cotidiano. memorizado e logo esquecido.

onde educação significava liberdade e deveria ser responsabilidade. ação sobre 38 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. pois estão distanciados de sua realidade. O ensino como fomento do desenvolvimento natural Esta concepção encontra sua origem em Rousseau. então. Assim. Neill. A crítica a esse enfoque é o seu caráter idealista. O aluno é um elemento ativo no processo ensino-aprendizagem. que não oportunizaria melhores condições de crescimento moral. O ensino como produção de mudanças conceituais Neste enfoque.iesde. principalmente.com. então. pois no dia a dia a criança adquire habilidades dentro do seu contexto cultural quando realiza tarefas que têm conteúdo e significado que lhe são próprios e fazem parte de sua vida. resultado dessa complexa rede de interações e produtos culturais.br . O ensino deve facilitar os meios para o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno. dos alunos. e o professor é um instigador e orientador desse processo. intelectual e humano. social. e assumir a responsabilidade pelas escolhas feitas. essa perspectiva chama a atenção para que se promova o equilíbrio na escola e na sociedade entre as tendências que priorizam a socialização e as que defendem o desenvolvimento individual. e não apenas dos professores. mas cabe a ele a liberdade para aprender e a direção de sua vida. que muitos dos conhecimentos aprendidos na escola estão dissociados da sua vida cotidiana e tornam-se motivos de aborrecimento e desmotivadores. Segundo ele. este enfoque favoreceria as desigualdades sociais e culturais. pelas interações sociais com o outro e com o mundo. pois o desenvolvimento espontâneo faria com que o indivíduo se socializasse e crescesse culturalmente em um meio possivelmente desfavorecido. mais informações www.A. seus interesses e possibilidades de compreensão. Dessa maneira. pois o desenvolvimento do homem é condicionado pela cultura. Entretanto. Ocorre. entra a escola de Summerhill. Nesse enfoque. a aprendizagem é um processo de transformação e não de acumulação de conhecimentos. situa-se Piaget com sua visão interacionista e construtivista. Seu fundador. que enfatizava a força das disposições naturais do indivíduo para aprender e o respeito ao desenvolvimento espontâneo da criança. acreditava que a educação deveria formar pessoas que tivessem o direito de decidir e escolher seus próprios caminhos. o professor deve conhecer o nível de desenvolvimento de seu aluno. Nessa perspectiva. o conhecimento se constrói por meio do suporte biológico da criança na interação com o meio.Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola Uma das dificuldades que se apresenta é a vinculação dessas capacidades ao conteúdo e ao contexto cultural em que essas habilidades adquirem significado. O homem é. O conhecimento está sempre ligado à ação.

Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola

a pessoa do outro, sobre o próprio corpo etc. e a inteligência tem início nas interações entre a criança e o mundo exterior.
Nessa perspectiva, a importância está no pensamento, na capacidade e no
interesse do aluno, não no conteúdo. Entretanto, é necessário cuidado para não enfatizar em excesso a capacidade do aluno em detrimento dos conteúdos, também
importantes na nossa cultura.

A sala de aula: espaço de vida?
O ensino em nossa sociedade acontece em instituições especializadas chamadas escolas. A aprendizagem dos alunos ocorre em grupos sociais nos quais
acontecem as trocas, relações e interações sociais. O professor, para que possa
orientar o processo de construção, reconstrução e transformação do pensamento
e do conhecimento na aprendizagem, precisa conhecer as leis e influências que
atuam dentro de uma sala de aula.
Segundo Masetto (1997, p. 30)
[...] as experiências vividas em sala de aula por vezes se revestem de alegria, de satisfação
e de convivência proveitosa com o grupo de colegas. Algumas amizades que perduram
pela vida afora começaram nos primeiros anos de escola [...] Outras vezes, a imagem da
sala de aula é mais em branco e preto, da sisudez do professor, das reguadas, dos castigos,
das salas escuras, das situações monótonas e chatas.

A seguir estão os modelos propostos por Gomez (apud SACRISTÁN, 2000).

O modelo processo-produto
Neste modelo, a vida da sala de aula se reduz às relações que se estabelecem
entre o comportamento observável do professor ao ensinar e o rendimento do aluno.
Assim, o ensino se reduz ao comportamento observável do docente, e a aprendizagem se reduz ao rendimento observável do aluno. Esse modelo é criticado porque
reduz a prática educativa a modelos observáveis, não há trocas e interações, porque
as relações ocorrem em sentido unidirecional (do professor para o aluno).
O aluno passa a ser um sujeito passivo sem liberdade para construir e participar
da sua aprendizagem, desconsidera-se a importância dos conteúdos, entre outros.

Modelo mediacional centrado no professor
A forma de atuação do professor depende de suas concepções e crenças
pedagógicas. Neste modelo, o que importa são os processos de socialização por
parte do professor, suas ideias e teorias sobre ensino, aprendizagem e aluno.
O ensino é um processo complexo de relações e trocas, no qual o professor com
sua capacidade de interpretar a realidade é o único instrumento flexível para se
adaptar a cada momento e situação.
O aluno é um ser ativo, que aprende agindo, fazendo, construindo e interagindo com o meio em que vive, ao invés de um ser passivo sem liberdade.
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Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola

Modelo mediacional centrado no aluno
Este enfoque considera que o aluno influi no processo ensino-aprendizagem
como consequência de suas elaborações pessoais. As variações nos efeitos da aprendizagem existem em função das atividades mediadoras dos alunos. O professor, os
conteúdos e a metodologia não influenciam diretamente na aprendizagem.
Esse modelo tem suas limitações, pois limita-se ao “psicologismo” (tendência
a explicar tudo pela Psicologia) e ao aluno, esquecendo-se dos fatores sociais, éticos,
morais, as interações sociais – entre os grupos, o contexto cultural, familiar, social no
qual o indivíduo está inserido – ao papel da escola, do professor e da sociedade neste
processo.

O modelo ecológico da sala de aula
Este modelo concebe a vida da sala de aula como trocas socioculturais e enfatiza a influência recíproca entre professores e alunos, o indivíduo como elemento
ativo de sua aprendizagem e a importância da troca e da criação de significados.
Propõe descrever os processos ensino-aprendizagem que acontecem no contexto
sociocultural da aula, detectar as relações entre meio ambiente e comportamento
individual e grupal, considerar a sala de aula como um espaço social, aberto, de
comunicação e trocas.
O indivíduo é uma realidade inacabada que se constrói ao longo da aprendizagem. A vida da sala de aula e dos alunos que aí se desenvolvem têm muitas formas
diferentes de ser e de se desenvolver em virtude das trocas e interações que ocorrem.
A prática do professor pode acontecer como uma atividade técnica (intervir
de forma técnica e objetiva no processo ensino-aprendizagem mediante a preparação científica do professor). Acontece aqui a prática baseada no modelo behaviorista com ensino programado, livro-texto programado, controle de comportamento e reforços aos comportamentos tidos como certos.
Pode acontecer, ainda, como uma dimensão heurística (a vida da sala de aula
deve ser interpretada como uma rede viva de troca, criação e transformação de significados). A intervenção deve partir dos significados que os alunos trazem para a
sala de aula, de sua experiência cotidiana e do compartilhamento de experiências.
A sala de aula deve ser concebida como um espaço de vivências compartilhadas, de busca de significados, de produção de conhecimento e de experimentação
na ação. O papel do docente é orientar as trocas para que ocorra o conhecimento
e as experiências sejam compartilhadas. É um ato de criação em que professor e
alunos refletem, experimentam, trocam experiências e crescem juntos. O ensino
é uma construção e reconstrução subjetiva, com base na experiência no mundo
social e cultural no qual estão inseridos. É uma atividade em que o aluno elabora
seu conhecimento a partir de sua realidade, reconstruindo a cultura (conjunto de
significados compartilhados por grupos sociais).

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O ensino democrático faz com que o aluno aprenda a pensar e a atuar utilizando a cultura popular para transformar seu próprio pensamento e comportamento, construindo a realidade e elaborando a cultura ao mesmo tempo.
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Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola

Tropeções da inteligência

(ALVES, 1993, p. 12)

Há a história dos dois ursos que caíram numa armadilha e foram levados para um circo. Um
deles, com certeza mais inteligente que o outro, aprendeu logo a se equilibrar na bola e a andar no
monociclo. Seu retrato começou a aparecer em cartazes e todo o mundo batia palmas: “Como é
inteligente”. O outro, burro, ficava amuado num canto, e, por mais que o treinador fizesse promessas e ameaças, não dava sinais de entender. Chamaram o psicólogo do circo e o diagnóstico veio
rápido: “É inútil insistir. O QI é muito baixo...”
Ficou abandonado num canto, sem retratos e sem aplausos, urso burro, sem serventia... O
tempo passou. Veio a crise econômica e o circo foi à falência. Concluíram que a coisa mais caridosa que se poderia fazer aos animais era devolvê-los às florestas de onde haviam sido tirados. E
assim, os dois ursos fizeram a longa viagem de volta.
Estranho que em meio à viagem o urso tido por burro parece ter acordado da letargia, como
se ele estivesse reconhecendo lugares velhos, odores familiares, enquanto que seu amigo de QI
alto brincava tristemente com a bola, último presente. Finalmente, chegaram e foram soltos.
O urso burro sorriu, com aquele sorriso que os ursos entendem, deu um urro de prazer e
abraçou aquele mundo lindo de que nunca se esquecera. O urso inteligente subiu na bola e começou o número que sabia tão bem. Era só o que sabia fazer. Foi então que ele entendeu, em
meio às memórias de gritos de crianças, cheiro de pipoca, música de banda, saltos de trapezistas
e peixes mortos servidos na boca, que há uma inteligência que é boa para o circo. O problema
é que ela não presta para viver. Para exibir sua inteligência ele tivera de se esquecer de muitas
coisas. E este esquecimento seria sua morte.
E podemos perguntar se o desenvolvimento da inteligência não se dá, sempre, às custas de
coisas que devem ser esquecidas, abandonadas, deixadas atrás...

1.

Leia o texto complementar “Tropeções da inteligência” e faça relação com o texto lido.

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br . com outras pessoas.A. Notou diferença no comportamento deles? Houve maior compreensão? As interações sociais tornaram-se mais significativas? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Discuta com um ou dois colegas como é o espaço de sua sala de aula. escrevendo um texto) e comparem com um conteúdo pronto. Escolha um conteúdo a ser trabalhado e proponha que seus alunos construam esse conhecimento (buscando informações em livros. mais informações www. Como vocês podem tornar o ensino mais reflexivo e motivador para seus alunos? 3..iesde. trocando informações com colegas.Diferentes enfoques para compreender o processo de ensino na escola 42 2. discutindo o assunto.com. revistas.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. que permite as diferentes manifestações da cultura e do real e as possibilidades de criar. ou seja. (MARX & ENGELS. como há milhares de anos. e dessa maneira.. Os seres humanos preconcebem a imagem mental de tudo que planejam executar.com. 39) As ações materiais e culturais para satisfação das necessidades dos seres humanos provocam o surgimento de novas necessidades. são levados a dispor de seu cérebro. com teleologia. intenção preconcebida. enquanto que. mais informações www. as necessidades estão determinadas. Subjetivação – os seres humanos.. planeja. vestir-se e alguma coisa mais. uma condição fundamental de toda a história. de maneira geral. de cultura. 40). avaliando-as) desenvolvendo a capacidade de compreender e explicar a realidade.iesde. O primeiro ato histórico é.. p. para os demais animais. Teleologia e objetivação – as diferentes atividades humanas (físicas e mentais) possuem sentido/finalidade.Os fundamentos do currículo – desenvolvimento. ter habitação. portanto. por fatores genéticos e biológicos..] para viver. organizando-as. Tudo que é produzido/objetivado implica em teleologia e sempre modifica o ser humano. a ação de satisfazê-la e o instrumento de satisfação já adquirido conduzem a novas necessidades” (MARX & ENGELS. simplesmente para manter os homens vivos. Assim. Ao agir sobre a natureza os seres humanos desenvolveram (e desenvolvem) as suas capacidades mentais que permitem ampliar a capacidade de intervenção sobre a natureza. um aparelho eletrônico ou uma peça de vestuário. pensa e aprende com o outro. e de fato este é um ato histórico.. Mas.A. um automóvel. e toda atividade humana é um processo de mentalização e. que se organiza com objetivo/alvo determinado. As ações humanas expressam-se em modificações – a produção implica em modificação (de algo) e não apenas “a criação de algo do nada” – e quem trabalha também se modifica em contato com o que deseja. [. cultura e desenvolvimento – a humanidade como seres com necessidades O s seres humanos por não serem autossuficientes. em suas atividades. amplia-se a capacidade de pensamento e criação. é preciso antes de tudo comer. estabelecem relações entre si e com a natureza para satisfazerem as suas necessidades. pois “[. com finalidades e intenções preconcebidas. a produção da própria vida material. deve ser cumprido todos os dias e todas as horas. são objetivações. 1989. portanto. de tempo e de espaço. que ainda hoje. de classe. escolarização e educação Marcos Cordiolli Humanização. 1989. recriar e desenvolver necessidades. a produção dos meios que permitam a satisfação dessas necessidades. Os seres humanos possuem a distinta faculdade de criar. recriar e desmontar o real e o simbólico.br 43 . p. de subjetivação.] satisfeita esta primeira necessidade. como o de uma bebida requintada. cultura. os seres humanos podem constituir diferentes necessidades em função de determinações sociais. beber. mentalizando as suas ações (planejando-as.

cultura. projetos. a pesca. O trabalho humano. padrões de conduta e regras morais. mais informações www. A socialização da cultura humana ocorre por processo de interação em ambientes culturais – manifesta em ações educativas explícitas ou implícitas – formando as novas gerações da espécie.iesde.. portanto. produzem e reproduzem novas relações sociais.com.Os fundamentos do currículo – desenvolvimento. manifestações e relações.br . que permite as condições potenciais para novas criações ou recriações. portanto. adotando. gerando os padrões de família e parentesco e de comunidade. socialização e interação. em toda a sua dimensão – valores. nesse sentido. como o plantio. para satisfazer as suas necessidades. os parâmetros culturais daqueles com os quais mantêm relações. linguagens e códigos. possibilitando infinitas combinações fônicas e semânticas. produz instrumentos e. tecnologias e saberes. é uma objetivação privilegiada. pois os seres humanos elaboram a sua humanização espelhando-se uns nos outros. ou seja. a pecuária etc. produzem cultura. padrões cognitivos. implicam na produção de tecnologia constituindo tanto os instrumentos como os saberes e técnicas. padrões estéticos. produz conhecimentos. Socialização dos saberes e experiências – a vida em sociedade constitui também processos formativos. quando simbólica. as suas ideias. A vida em sociedade possibilita a socialização dos saberes e das experiências acumuladas com aqueles que não sabem ou sabem de outra maneira (ou para os que não são experientes ou que possuem experiências distintas). mas que impõe limites à práxis humana. pois requerem a associação de indivíduos para uma ação coletiva. O mundo humano é carregado de significados e todas as objetivações demandam um sistema simbólico específico – conjuntos de signos e linguagens articuladas que operam com repertórios finitos/limitados de recursos fonéticos e simbólicos. A humanização do ser humano vai além da mediação de sua relação com a natureza por meio dos saberes. escolarização e educação Linguagens e signos – as ações humanas e suas relações. técnicas e instrumentos e expressa-se na ampliação da vida cultural pela ação coletiva. para satisfazer as suas necessidades. pois quando essa é material. É em sociedade que os seres humanos desenvolvem as atividades e exercem a sua criatividade e suas capacidades de imaginar/fantasiar o mundo. hábitos e crenças – constituindo identidades. formas determinadas de ver e sentir o mundo. consti­tuem novas mediações com a natureza e nas relações entre si. sendo formas culturais diversas. sociedade e civilização.A. Mesmo que não produzam bens mate­ riais. 44 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Cultura – as relações sociais criam e recriam ambientes culturais nos quais os seres humanos relacionam-se e. mesmo as mais simples. Ação coletiva – os seres humanos. Este ambiente de produção cultural é o espaço. contam com a experiência acumulada e são dotadas de significado. Tecnologia – as ações humanas.

Os fundamentos do currículo – desenvolvimento, cultura, escolarização e educação

Desenvolvimento humano – para Vygotsky (1989), as ações humanas,
dotadas de teleologia, representam a supremacia da cultura no processo
em que os elementos da inteligência prática vão se revestindo de signos, isto é, de cultura. A “[…] atividade simbólica [constitui-se em] uma
função organizadora específica que invade o processo do uso de instrumentos e produz formas fundamentalmente novas de comportamento”
(VYgotsky, 1989, p. 27). Isso implica a ligação da filogênese com a
ontogênese humana, pois o controle da natureza estabelece-se dialeticamente com o controle do comportamento, sendo que a intervenção do ser
humano na natureza altera a sua própria natureza. Assim, o processo de
internalização da real implica num processo interpessoal que se converte
em processo intrapessoal ocorrendo numa longa série de eventos no próprio processo de desenvolvimento. Nesse sentido, o comportamento, na
sua forma cultural, implica na “reconstrução da atividade psicológica
tendo como base as operações com signo” (VYgotsky, 1989, p. 65).

A educação e a formação
A formação humana é caracterizada pelos processos de socialização e interação que promovem a constituição da identidade dos seres humanos, a forma de
ver e sentir o mundo, em sintonia com o seu ambiente cultural. Portanto, constitui
os alicerces básicos para todas as atividades da vida humana, dotando os indivíduos de características fundamentais que constituem o seu caráter, mentalidade
e cultura. A formação relaciona-se aos processos de constituição, reelaboração e
ressignificação de valores e padrões de conduta, que ocorre fundamentalmente
pela e na interação entre os seres humanos em suas vidas cotidianas.
A educação, por outro lado, é também característica cultural de nossa espécie, com pelo menos duas funções básicas:
de inserção das novas gerações na cultura da comunidade a que pertencem;
de socialização dos novos elementos culturais.
A cultura humana expressa valores, padrões de conduta e regras morais,
linguagens e códigos, padrões cognitivos, tecnologias e saberes, padrões estéticos, hábitos e crenças. As constituições dos elementos culturais ocorrem pela
interação nos grupos de convívio e pelas influências de instituições de formação
humana com as quais os seres humanos convivem por toda a vida, como a família,
a igreja, a escola, os grupos de convívio, associações várias, as mídias etc.
Os processos de ensino-aprendizagem constituem uma das dimensões da
educação, incluindo-se entre os processos de socialização nos quais alguém que
sabe mais se relaciona com outro que sabe menos ou sabe de forma diferente.
Aquele – o que ensina – passa a ser o promotor do processo de aprendizagem ao
orientar/organizar situações de reprodução, reflexão, transmissão ou produção de
saberes. Os processos de ensino-aprendizagem, portanto, não ocorrem apenas em

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Os fundamentos do currículo – desenvolvimento, cultura, escolarização e educação

instituições escolares, mas em todos os espaços sociais, no quais os seres humanos interagem com a troca de saberes, tecnologias, habilidades, mitos etc.

A escolarização
A escolarização forma processo restrito entre as atividades culturais humanas, sendo que só recentemente, há menos de um século, passou a ser frequentada
por parcelas significativas da população.
A instituição escolar é também um espaço de relação cultural entre diversas
gerações, particularmente entre experientes e/ou com pouca experiência ou inexperientes, possibilitando os processos nos quais os seres humanos educam e são
educados, incorporando e transformando a cultura de suas comunidades.
A escola é fundamentalmente um processo institucionalizado, portanto com
objetivação, e sistêmico, com espaços, tempos, regras e processos definidos. Como
instituição social, caracteriza-se por efetivar processos organizados e dirigidos para
o ensino-aprendizagem. A instituição escolar possui uma cultura própria que não
se desvincula da sociedade na qual está inserida, mas que possui autonomia para
promover mudanças dentro das possibi­lidades e limites que dispõe. A escola, em
suas particularidades, parece viver sempre na tensão que opõe: as possibilidades e
desejos de se renovar e refazer, e o peso da tradição que também é sempre presente
com intensa força em seu interior.

As heranças da cultura pedagógica brasileira
A cultura escolar brasileira é muito ampla e diversificada, tem importantes
experiências e ampla variedade de modelos de práticas didáticas, mas padece de
heranças pedagógicas tradicionais, que produziram o modelo de educação massificador e rotinizado. Este modelo que serviu para atender grande número de
alunos e alunas utilizando-se dos mesmos instrumentos pedagógicos, ajudou a
conceber as bases culturais conservadoras para a educação fundadamentada em:
concepções conservadoras de educação, oriunda dos sistemas europeus
feudais e renascentistas, nos quais a educação escolar decorreria do domínio de saberes enciclopedistas com base de suposta erudição;
concepções instrumentais de escolarização, pois seriam supostamente
essas habilidades mais imediatas requeridas pela organização social do
trabalho capitalista, sendo que, no momento atual de reestruturação produtiva, incorpora algumas habilidades comportamentais, também de caráter procedimental;
concepções segmentadas de aprendizagem, acreditando que os processos e situações de aprendizagem e formação seriam individualizados e
especificados.

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Os fundamentos do currículo – desenvolvimento, cultura, escolarização e educação

As propostas curriculares brasileiras, como resultado dessas concepções
conservadoras, são extremamente homogêneas e tradicionais, com poucas ou raras
variações, caracterizadas pela seriação, diretivismo, meritocracia, individualismo
e massificação. Resistem a mudanças, encontrando apoio para a sua sobrevida em
pensadores educacionais importantes, em grande parte dos professores e também
nos pais dos estudantes, refletindo que a cultura pedagógica conservadora ainda
está profundamente enraizada na população brasileira.
As experiências significativas fora do modelo hegemônico, embora restritas, ocorreram na educação popular (a partir da década de 1950), nas pequenas
escolas autodenominadas “alternativas” (a partir da década de 1980) e em redes
públicas de educação (a partir dos anos 1990).
A cultura escolar brasileira ainda continua influenciada pelo modelo da
“escola-funil”, forjado a partir da década de 1950, quando efetivamente as instituições escolares se abriram de forma gradativa para receber parcelas cada vez
maiores das classes populares. No entanto, dados oficiais, do início da década de
80, apontavam que apenas um aluno a cada 100 que ingressam na escola, conseguia atingir 11 anos de escolarização e concluir o antigo 2.º Grau.
Os alunos eram gradativamente excluídos da escola ao longo dos 11 anos
dos antigos 1.º e 2.º Graus, pelo modelo de escolarização, que priorizou o tipo de
aulas e práticas pedagógicas padronizadas, em que o professor ministrava a mesma aula para diversas turmas (e todas elas com grande número de alunos). Os processos pedagógicos eram todos diretivistas, cabendo à escola definir o que e como
ensinar e estabelecendo também os padrões de avaliação: o aluno que progredia
era aquele que melhor se adaptasse aos processos escolares e não necessariamente
aquele que aprendesse mais ou que fosse mais crítico. Dessa maneira, cabia ao
aluno adaptar-se ao modelo escolar.
O resultado deste modelo ainda presente expõe a situação de várias gerações de alunos que concluíram a Educação Básica com sérias dificuldades de
leitura, argumentação e produção de texto; de organização do pensamento; e de
capacidade de compreender a realidade na qual está inserido. Os motivos deste
problema seguramente podem incluir, entre outros, o fato de que as instituições
escolares priorizaram sempre as atividades individualistas, que representavam
mais um “mérito” do aluno, do que o compromisso coletivo com a aprendizagem.
Aos alunos transferiu-se a responsabilidade de obter êxito na aprendizagem e de
adaptação ao modelo escolar, enquanto as instituições escolares estavam se desresponsabilizando com seus objetivos e pelos seus frequentadores.
O desafio da geração atual de educadores é o de desmontar a “escola-funil”,
que é excludente com seus padrões de normalidade. Possuem, também o desafio
de construir uma nova escola, para que os alunos não mais precisem se preparar
para ela, mas que ela se prepare para os alunos.

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incluindo-se entre os processos de socialização. no quais os seres humanos interagem com a troca de saberes. tecnologias.A. nos quais alguém que sabe mais se relaciona com outro que sabe menos ou sabe de forma diferente. escolha pontos que você considerou importantes em cada subitem.br . cultura e desenvolvimento. não ocorrem apenas em instituições escolares.. habilidades. Os processos de ensino-aprendizagem. Aquele – o que ensina – passa a ser o promotor do processo de aprendizagem ao orientar/organizar situação de reprodução. 48 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. Compare essa parte retirada do texto com os fundamentos do currículo da sua escola. mas em todos os espaços sociais. b) A educação e a formação. c) A escolarização. Após a leitura do texto. Depois reúnam-se em trios para debater: a) Humanização. portanto.Os fundamentos do currículo – desenvolvimento. d) As heranças da cultura pedagógica brasileira. escolarização e educação 1. mais informações www. cultura. reflexão. 2. mitos etc. transmissão ou produção de saberes. Os processos de ensino-aprendizagem constituem uma das dimensões da educação.iesde.

A.br 49 .. O que é currículo? Numa perspectiva histórica. temos que o modo como o currículo é definido depende necessariamente do modo como é concebido pelos seus autores. podemos contar que é por volta de 1920.. esquecendo-nos de que o conhecimento que constitui o currículo está vitalmente [. Caminhante. O que queremos neste texto é apresentar alguns pontos referentes ao currículo. como tal. Antonio Machado E screver este início não nos parece fácil.] envolvido naquilo que somos. compreende historicamente uma série de dimensões. às adaptações curriculares e suas possíveis articulações com o aluno com necessidades educativas especiais. o currículo é uma questão de identidade.. também acontece o processo de industrialização e os movimentos migratórios.. um excelente contexto para a descoberta de ideias e de conhecimento às pessoas. não há caminho.] etimologia da palavra currículo. Numa dimensão mais atualizada do currículo. que vão desde uma proposta de organização do conhecimento. Nas discussões [. ou seja. Silva (1993. pista de corrida. que intensificam a busca pela escola. mais informações www. que aparecem os primeiros estudos sobre o currículo (Bobbit. os quais. Concluindo.. “Como sabemos as chamadas teorias do currículo estão recheadas de afirmações que dizem o que fazer para que a realidade se torne o que elas dizem que é ou deveria ser” (SILVA.com.iesde. Nesse período.. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. concentram-se mais na técnica de “como as coisas devem ser”. organização das disciplinas. 13). [. que vem do latim curriculum. Talvez possamos dizer que. Para ilustrar. o currículo. naquilo que nos tornamos: na nossa identidade. métodos e resultados mensuráveis. p.] quando pensamos em currículo pensamos apenas em conhecimento. nada mais. que modela o contexto em objetivos. nos Estados Unidos. além de uma questão de conhecimento. 15) nos aponta uma importante questão do currículo relativa à sua implicação subjetiva na constituição da identidade de cada ser humano. Assim. possam servir de estímulo para a reflexão ao final desta leitura. faz-se o caminho ao andar. temos que constitui um campo de conhecimento.1918)..Conceito de currículo e considerações gerais Irene Carmen Piconi Prestes Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Caminhante. tuas pegadas são o caminho.1999. podemos dizer que no curso dessa corrida que é o currículo acabamos por nos tornar o que somos. p. pois ao escrevê-lo temos que construir um caminho que amplie nosso horizonte de compreensão sobre o tema. até procedimentos.

. Com base no que foi exposto. que é o aluno. alteridade. Acrescentamos que qualquer estudo que se proponha a uma análise da estrutura curricular deverá levar em conta também a estrutura da escola dentro do contexto mais amplo que a condiciona. Esse lugar se constrói tanto a partir das teorias que suportam a formação profissional do educador como sobre a sua experiência.com. segundo o Dicionário Aurélio (1986). Sob esse ponto de vista. etnia. a construção de uma visão abrangente que lhe permita uma percepção totalizante da realidade. O termo estratégia.br .. Muitas propostas de reestruturação de currículo respondem a interesses imediatistas do mercado de trabalho e deixam de lado o desenvolvimento de um projeto educativo voltado para a competência pedagógica. a vida adulta etc. diante do processo de ensinar e de aprender. No ensino atual. Nesse sentido. em geral no percurso de um momento educativo na direção de outro conhecimento. ou seja. ideologia e estilo pessoal. Para nós. sofremos da excessiva compartimentalização do saber. sem interconexão alguma. sexualidade objetivos currículo oculto multiculturalismo No nosso texto. o currículo carateriza-se por uma estratégia de abordagem do objeto. isto é. dificultando a compreensão do conhecimento como um todo integrado. estratégia significa um modo de observar. A organização curricular das disciplinas coloca-as como realidades estanques. FAZENDA. diferença aprendizagem reprodução cultural e social subjetividade avaliação poder significação e discurso metodologia classe social significação e discurso didática capitalismo saber-popular planejamento relações sociais de produção cultura eficiência conscientização gênero. visando a alcançar posições e potenciais favoráveis a futuras ações sobre determinados objetivos”. 1991). de pensar e de agir do educador sobre o aluno. Tradicional Crítica Pós-crítica ensino ideologia identidade. mais informações www. que decorrem do lugar subjetivo do educador. raça. Silva (1999. sistema de valores. 1976. toda estratégia tem um caráter intencional consciente. podemos dizer que o caminho de uma estratégia corresponde a critérios conscientes e inconscientes. entendemos que o currículo tem como foco o aluno. significa “arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas. uma forma de se organizar os currículos escolares de 50 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 17) revela as diferentes concepções teóricas a respeito das teorias do currículo. a infância.Conceito de currículo e considerações gerais No quadro a seguir. quem a emprega deve saber porque e para que a utiliza.A. ética e política alicerçada a partir de uma perspectiva do conhecimento. o qual encontra-se em determinado momento de sua vida.iesde. Uma das tentativas de superação dessa fragmentação tem sido a proposta de se pensar uma educação interdisciplinar (JAPIASSU. científica. p. a adolescência.

Dessa maneira. vai “incomodar” e expandir nosso horizonte de compreensão. no sentido marxista. vamos discutir um texto que. como uma cisão entre a hipótese da determinação econômica e a hipótese da construção discursiva.com. O aluno ao qual se dirige o professor é tão somente o aluno cognitivo. neste momento. Embora seja evidente que somos cada vez mais governados por mecanismos sutis de poder [. pois não permite vê-lo integralmente em seus aspectos: físico. ainda. marxismo e. podemos dizer que a visão que se tem do aluno também é fragmentada. Vamos. poder e identidade (SILVA.. e uma análise textualista. de um lado. de forma talvez menos sutil. de refletir sobre a singularidade. social e cognitivo. mais informações www. Tomamos o referencial da Psicanálise para estabelecer os pilares de sustentação na construção psíquica do sujeito.394/96. 147-150) A aparente disjunção entre uma teoria crítica e uma teoria pós-crítica do currículo tem sido descrita como uma disjunção entre uma análise fundamentada numa economia política do poder e uma teorização que se baseia em formas textuais e discursivas de análise. Refletir sobre as premissas do currículo nos parece essencial para um exercício profissional comprometido e responsável.. já que muitas são as teorias do currículo. Ou ainda.Conceito de currículo e considerações gerais modo a possibilitar uma integração entre as disciplinas. 1999. pós-estruturalismo e pós-modernismo.].iesde. comerciais e financeiras não pode ser Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a qual reflete o contexto escolar como lugar de inscrição e de reconhecimento do sujeito no campo educacional. ou entre. a diferença. Abre-se uma nova ordem para uma postura reflexiva sobre a tarefa educativa. entre uma análise materialista. a construção da identidade pessoal de cada ser humano. Uma possibilidade de superação dessa fragmentação nos é apontada com a proposta da Educação Inclusiva na Lei de Diretrizes e Bases 9. de outro. por relações e estruturas de poder baseadas na propriedade de recursos econômicos e culturais. O poder econômico das grandes corporações industriais. A partir do que foi apresentado. A cisão pode ser descrita. ou melhor. é também evidente que continuamos sendo também governados. com certeza.br 51 . psíquico. permitindo a construção daquela compreensão mais abrangente do saber historicamente produzido pela humanidade..A. é uma demonstração dessa fratura no campo da teoria social crítica. A tensão entre os conceitos de ideologia e de discurso. refletir sobre a constituição subjetiva do sujeito. mesmo que eles se combinem em algumas análises. É preciso reconhecer que a chamada “virada linguística” pode nos ter levado a negligenciar certos mecanismos de dominação e poder que tinham sido detalhadamente analisados pela teoria crítica. Vemos também a possibilidade de pensar os lugares do professor e do aluno no processo do conhecimento. p. Currículo: uma questão de saber. o estilo de cada um no processo de ensinar e de aprender.

Parece. eles continuam mais evidentes e dolorosos do que nunca. simplesmente superação. são também campos de luta em torno da verdade. tenham simplesmente desaparecido. entretanto.. Na verdade. As teorias pós-críticas podem ter ensinado que o poder está em toda parte e que é multiforme. não pode.br . Não se pode dizer que os processos de dominação de classe. Assim. mais informações www. ao contrário das acusações que lhes são feitas.iesde. etnia. com sua ênfase quase exclusiva na classe social..Conceito de currículo e considerações gerais facilmente equacionado com as formas capilares de poder [.]. raça e sexualidade nos fornece um mapa muito mais completo e complexo das relações sociais de dominação do que aquele que as teorias críticas. entretanto. fazia parte da conceitualização de ideologia desenvolvida por várias vertentes marxistas. A concepção de identidade cultural e social desenvolvida pelas teorias pós-críticas nos tem permitido estender nossa concepção de política para muito além de seu sentido tradicional – focalizado nas atividades ao redor do Estado. a teoria educacional crítica não pode voltar a ser simplesmente “crítica”. Como procurei demonstrar em alguns dos tópicos deste livro. que algumas formas de poder são visivelmente mais perigosas e ameaçadoras do que outras. Não há como refutar. é apenas um exemplo dessa produtiva tendência. ser tão facilmente sustentada. As teorias críticas não nos deixam esquecer. Particularmente. a análise da dinâmica de poder envolvida nas relações de gênero.com. Nesse contexto. difundido pelo movimento feminista. inquestionável que. e não pode. o poder político e militar de nações imperiais como os Estados Unidos não pode ser facilmente descrito pela “microtísica” foucaultiana do poder. simplesmente se desfaz. os questionamentos feitos aos impulsos emancipatórios de certas pedagogias críticas. parece incontestável. No campo mais especificamente educacional. tornam o campo social ainda mais politizado. nos tinham anteriormente fornecido. depois das teorias pós-­críticas. Sendo “pós”. pois. explícita ou implicitamente. baseados na exploração econômica. A ciência e o conhecimento. De forma similar. Nesse sentido.A. nenhuma análise textual pode substituir as poderosas ferramentas de análise da sociedade de classes que nos foram legadas pela economia política marxista. As teorias pós-críticas também estenderam nossa compreensão dos processos de dominação. É também verdade que a teorização pós-crítica tornou problemáticas certas premissas e análises da teoria crítica que a precederam. A conhecida consigna “o pessoal também é político”. ao deslocarem a questão da verdade para aquilo que é considerado verdade. sobretudo aquele de suas vertentes marxistas. ser facilmente negado. o questionamento lançado às pretensões totalizantes das grandes narrativas. as teorias pós-críticas. longe de serem o outro do poder. a oposição entre ideologia e ciência. a oposição entre ciência e ideologia. fundamentada como é na oposição verdadeiro-falso. por exemplo. a crítica feita tanto pelo pós-modernismo quanto pelo pós-estruturalismo ao sujeito autônomo e centrado das narrativas modernas. Não se pode tampouco negar que a crítica feita pelas teorias pós-críticas ao conceito de ideologia tem ajudado a desfazer alguns dos embaraços do legado das teorias críticas. tampouco. que. ela não é. dificilmente podem deixar de ser levados em consideração. depois do pós-estruturalismo. assim como ocorre na teoria 52 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Na teoria do currículo. a teoria pós-crítica introduz um claro elemento de tensão no centro mesmo da teorização crítica.. Se alguma coisa pode ser salientada no glorificado processo de globalização é precisamente a extensão dos níveis de exploração econômica da maioria dos países do mundo por um grupo reduzido de países nos quais se concentra a riqueza mundial. à medida que estão fundamentados no pressuposto do retorno a algum núcleo subjetivo essencial e autêntico. Depois do pós-estruturalismo e particularmente depois de Foucault. O legado das teorias críticas. Ao questionar alguns dos pressupostos da teoria crítica de currículo. entretanto.

nos tornamos aquilo que somos. mais informações www. O currículo é uma invenção social como qualquer outra: o Estado.com. o conhecimento não é exterior ao poder.. um território político. definitivamente. um espaço de poder. o poder transforma-se. a nação. por meio de relações de poder e controle. Num cenário pós-crítico.] Ele é o resultado de um processo histórico.Conceito de currículo e considerações gerais social mais geral. para concebê-lo de outras formas. Em determinado momento. como as de grade curricular e lista de conteúdos. certas formas curriculares – e não outras – tornaram-se consolidadas como o currículo. de diferentes formas. As teorias pós-críticas continuam a enfatizar que o currículo não pode ser compreendido sem uma análise das relações de poder nas quais ele está envolvido.br 53 . a religião. mas não desaparece. que o currículo é uma questão de saber. Com a noção de que o currículo é uma construção social. O currículo reproduz – culturalmente – as estruturas sociais. como as de aprendizagem e desenvolvimento ou ainda de imagens estáticas. O currículo tem um papel decisivo na reprodução da estrutura de classes da sociedade capitalista. O currículo é. torna-se impossível pensar o currículo simplesmente por meio de conceitos técnicos. O currículo atua ideologicamente para manter a crença de que a forma capitalista de organização da sociedade é boa e desejável. É apenas uma contingência social e histórica que faz com que o currículo seja dividido em matérias ou disciplinas. Há uma conexão estreita entre o código dominante do currículo e a reprodução de formas de consciência de acordo com a classe social. Nas teorias pós-críticas.. modificam aquilo que as teorias críticas nos ensinaram. como o Estado. que o currículo esteja organizado hierarquicamente[. Pelas relações sociais do currículo. por exemplo. o futebol[.. As teorias pós-críticas ampliam e.. O conhecimento corporificado no currículo carrega as marcas indeléveis das relações sociais de poder. as diferentes classes sociais aprendem quais são seus respectivos papéis nas relações sociais mais amplas. O conhecimento não é aquilo que põe em xeque o poder: o conhecimento é parte inerente do poder. Em contraste com as teorias críticas. o poder torna-se descentrado. identidade e poder. em suma. O currículo é capitalista. mas nossa imaginação está agora livre para pensá-lo por outras metáforas. As teorias críticas também nos ensinaram que é por intermédio da formação da consciência que o currículo contribui para reproduzir a estrutura da sociedade capitalista. a teoria pós-crítica deve se combinar com a teoria crítica para nos ajudar a compreender os processos pelos quais. mas sim “quais conhecimentos são considerados válidos?”. Ambas nos ensinaram. o currículo pode ser todas essas coisas. É também por meio de um processo de invenção social que certos conhecimentos acabam fazendo parte do currículo e outros não. entretanto. A formação da consciência – dominante ou dominada – é determinada pela gramática social do currículo.]. O poder está espalhado por toda a rede social.. para vê-lo de perspectivas que não se restringem àquelas que nos foram legadas pelas estreitas categorias da tradição. Para as teorias pós-críticas. pois ele é também aquilo que dele se faz. aprendemos que a pergunta importante não é “quais conhecimentos são válidos?”. as teorias pós-críticas não limitam Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O currículo transmite a ideologia dominante. o conhecimento não se opõe ao poder. ao mesmo tempo. O poder não tem mais um único centro.iesde. por processos de disputa e conflito social. que o currículo se distribua sequencialmente em intervalos de tempo determinados. O currículo é um aparelho ideológico do Estado capitalista. como os de ensino e eficiência ou de categorias psicológicas.A. Foi também com as teorias críticas que pela primeira vez aprendemos que o ­currículo é uma construção social. Nas teorias pós-críticas. As teorias pós-críticas desconfiam de qualquer postulação que tenha como pressuposto uma situação finalmente livre de poder. Depois das teorias (críticas e pós-críticas) do currículo. Com as teorias críticas aprendemos que o currículo é.

O currículo é trajetória. discurso. mais informações www. emancipação. na etnia. nossa vida. unitária. o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça. Em suma. Com sua ênfase pós-estruturalista na linguagem e nos processos de significação. autonomia. Todo conhecimento depende da significação e esta. 1. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. por isso. que supõem. entretanto. Os currículos têm significados que vão muito além daqueles aos quais as teorias tradicionais nos confinaram. viagem. O currículo é relação de poder. Em seguida reúnam-se em grupos e discutam o que foi destacado. uma essência subjetiva que foi alterada e precisa ser restaurada. O currículo é documento de identidade.A. não podemos mais olhar para o currículo com a mesma inocência de antes. centrada. a subjetividade é já e sempre social. Diferentemente das teorias críticas. depois das teorias críticas e pós-críticas. o conhecimento corporificado no currículo já não seria um conhecimento distorcido e espúrio. As teorias pós-críticas olham com desconfiança para conceitos como alienação.. a própria noção de consciência. documento. nenhum processo de libertação que torne possível a emergência – finalmente – de um eu livre e autônomo.br . Elas desconfiam também da tendência das teorias críticas a postular a existência de um núcleo subjetivo pré-social que teria sido contaminado pelas relações de poder do capitalismo e que seria libertado pelos procedimentos de uma pedagogia crítica. As teorias pós-críticas rejeitam.Conceito de currículo e considerações gerais a análise do poder ao campo das relações econômicas do capitalismo. o currículo e a sociedade seriam finalmente emancipados e libertados. as teorias pós-críticas já não precisam da referência de um conhecimento verdadeiro baseado num suposto “real” para submeter à crítica o conhecimento socialmente construído do currículo. O currículo é autobiografia. território. as teorias pós-críticas rejeitam a hipótese de uma consciência coerente. percurso. todos. com suas conotações racionalistas e cartesianas. Embora as teorias críticas sustentassem que o currículo é uma invenção social. As teorias pós-críticas continuam enfatizando o papel formativo do currículo. espaço. O currículo é lugar. Se pudéssemos nos livrar das relações de poder inerentes ao capitalismo. Não há conhecimento fora desses processos. libertação. no gênero e na sexualidade. 54 Destaque do texto cinco palavras ou frases que são significativas para você. Se a ideologia cedesse lugar ao verdadeiro conhecimento.iesde. O currículo é texto. depende de relações de poder.com. curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. Não existe. Com as teorias pós-críticas. na verdade. Para as teorias pós-críticas. por sua vez. elas ainda mantiveram uma certa noção realista do currículo.

iesde.Conceito de currículo e considerações gerais 2. Questões para serem respondidas antes desta aula. retome-as para um exercício crítico reflexivo sobre questões pertinentes ao âmbito do currículo.com. mais informações www.A. Logo após.. a) O que ensinar? b) Como ensinar? c) Por que determinado conhecimento pertence a um currículo e não a outro? d) Por que alguns conhecimentos são considerados válidos e não outros? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br 55 .

mais informações www.com.br .A.iesde..Conceito de currículo e considerações gerais 56 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

mais informações www. não podemos deixar de refletir sobre um aspecto essencial da atividade pedagógica. é que seria um contrassenso afirmar que o conhecimento tratado em uma escola com professores de precária formação profissional.iesde. por definição. seleção das atividades de aprendizagem. Consequentemente. Retornando ao projeto curricular. é o mesmo tratado por outra escola. Assim. o fundamental é que fique definida uma mudança de perspectiva no planejamento do projeto curricular. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. sobretudo. A complexidade e heterogeneidade dos fatores que envolvem a estruturação curricular exigem a busca de diversas informações. planos de ação e o que se avaliar e as maneiras de fazê-lo. especificamente. aos mais diferentes interesses e “visões de mundo”.Contribuições da Psicologia ao currículo Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva O caminho que leva à formulação de uma proposta curricular é mais fruto de uma série de decisões sucessivas que o resultado da aplicação de alguns princípios firmemente estabelecidos e unicamente aceitos. viabilizando a escolha da melhor forma de ensinar e avaliar. para estabelecer a sequência de aprendizagem que propicie ao máximo a assimilação significativa do conteúdo e a consecução dos objetivos”. ajustando-se. no processo de ensinar e aprender. Um outro aspecto importante a ser considerado. O currículo também abriga as concepções de vida sociocultural. sem laboratórios ou bibliotecas. Coll (2000. sua amplitude conceitual e seus limites largos. além de possibilitar “selecionar os objetivos e conteúdos. A atual flexibilidade curricular. priorizando fontes de informações que possam atender à necessidade de definir objetivos. mas que não será explorado neste texto. estabelecida oficialmente.br 57 . o que importa é justificar e argumentar sobre a solidez das decisões que vamos tomando e. Qualquer currículo traz a marca da cultura na qual foi produzido. Vale destacar aqui que o conhecimento psicológico pode servir à educação. dispondo de precária estrutura física. 49) considera imprescindíveis as informações provenientes da análise psicológica.A. E. velar pela coerência do conjunto. por esta via. Por tal razão é que se pode entender que no currículo estão contidos mais que os conteúdos que ­constituem as disciplinas.. ambas devem cumprir a mesma programação curricular. nas questões que tratam do desenvolvimento. A elaboração de um projeto curricular desencadeia uma rede complexa de buscas. torna-se possível um processo de aprendizagem realmente significativo aos alunos. p. uma construção humana. permitem que sobre o mesmo organize-se uma variedade de representações. da personalidade e da aprendizagem do ser humano. César Coll Q uando buscamos as interconexões entre a Psicologia e a Educação. que oferece melhores condições materiais e profissionais.com. conteúdos. que é o projeto curricular. afetiva e as relações interpessoais que animam aquela cultura. Desse modo. pois essa revela os “processos subjacentes ao crescimento pessoal”. a qual é. no entanto.

pois sabemos que a situação em sala de aula apresenta muito mais complexidade que alguns objetivos comportamentais possam expressar. educadores.A. A influência da história vem colaborar para a formação de modernos conceitos. que por sua vez não são atuais. nas relações que estabelece com o ambiente físico e social. suas características. ilustramos com a entrevista da socióloga argentina Inès Aguerrondo à revista Nova Escola. 24). Para ler o que se passa com cada um é necessário saber muitas coisas.. o processo de aprendizagem e as possibilidades para tudo isso funcionar” (AGUERRONDO. 19). suas aguçadas observações de crianças renderam extensa teorização sobre o desenvolvimento mental e a lógica do funcionamento mental humano. as ideias que predominaram e que nos influenciaram até hoje são os conceitos de Jean Piaget. psicólogos e filósofos debatem teorias sobre o pensamento e a aprendizagem. mais informações www.br . que de alguma forma possam trazer contribuições para atender as diversidades de aprendizagens. Na sua pesquisa. acreditamos que. As competências fundamentais são conhecer em profundidade os conteúdos a serem ensinados. Pode-se dizer que essa atitude é válida não só para o educador do Ensino Fundamental. conduzindo a prática pedagógica de forma contraditória.Contribuições da Psicologia ao currículo Entendendo que o desenvolvimento pode ser assim definido “como o processo por meio do qual o indivíduo constrói ativamente. ou seja. ao explicar que as teorias possuem pontos de divergências. responde “ele tem de entender o que acontece com o aluno. Para esta nova postura do educador. No entanto. mas historicamente formadas” (DAVIS. 2004. as características humanas não são biologicamente herdadas.iesde. como educadores. Mesmo não sendo um educador (era biólogo). 1994. como o médico para fazer um diagnóstico. Piaget toma por referência a concepção de 58 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. Também não acreditamos que. Não é incomum professores treinados lançarem mão de estratégias de ensino que só o tempo pode ensinar. Não é fácil. ao adotarmos uma concepção. teríamos que ser de tal forma fidedignos a ela a ponto de desprezar outras. mas para qualquer profissional da educação preocupado em atender as proposições da Escola para Todos. p. que atenda à diversificação sociocultural do aluno. Outra importante referência é a que nos apresenta Coll (2000). que diante da pergunta “Quais são as principais competências que o professor das séries iniciais deve ter?”. No século passado. mas também pontos não contraditórios. mas organizados a partir da absorção e transformação dos conceitos debatidos ao longo do tempo. p. precisamos conhecer esse conjunto de informações para não assumirmos uma postura eclética que vergue facilmente a qualquer vento modista. As diferentes abordagens teóricas compõem um montante que seria impossível de ser contemplado sem acabar por desprezar algo muito significativo. o que permite a conciliação de algumas delas em benefício da ação educativa. As contribuições da Psicologia para a Educação são significativas e evidentemente complexas. Ao contrário de outras espécies. principalmente em meados dos anos 60. Desde a Antiguidade.

cada vez que o rato manipula ao acaso. isso o conduzirá a manipular outra vez a alavanca. Contudo. Por outro lado. uma alavanca (resposta). Este processo é também marcado por momentos que correspondem a estruturas cognitivas específicas: sensório-motora. suas ideias foram ignoradas pelos educadores e psicólogos ingleses durante anos. a pessoa precisaria primeiro aprender as ideias mais simples que a ela estariam associadas. operatória-concreta e operatória-formal. todo o comportamento de um organismo vivo (um homem. ele recebe alimento dentro da caixa (o alimento funciona como estímulo reforçador). as reflexões sobre a aprendizagem centravam-se na natureza do “reforço” de Ivan Petrovich Pavlov (psicólogo e fisiologista russo). mais informações www. Entre elas.. na chamada caixa de Skinner.iesde. o comportamento tenderá a não acontecer se o organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência. reforço é qualquer estímulo que torne mais forte a resposta que leva de volta ao estímulo. a chave do ensino estava centrada no reforçamento ocasional das respostas (WOOD. Psicólogos de várias partes do mundo tentaram descobrir leis gerais que pudessem levar à formulação de uma teoria de aprendizagem. 4).com. o professor acaba por punir e ridicularizar. apesar de aparentemente simples. Segundo o seu conceito. em muitas situações. por volta de 1938. para aprender uma coisa complexa. como TV e videocassete. Assim. Thorndike formulou a lei do efeito. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. com a intenção de que o aluno mude o comportamento e aprenda. se nós o recompensarmos (efeito) assim que ele o emitir. Outro ponto a destacar na aprendizagem é a predisposição para adquirir conhecimento (BOCK et al. é importante destacar a lei da aprendizagem de Edward Lee Thorndike. levando novamente ao alimento. um rato) tende a se repetir. ao apertarmos um dos botões do rádio formos premiados com música. Por exemplo. a aprendizagem compreende as reações. Por exemplo. p.Contribuições da Psicologia ao currículo desenvolvimento. respostas ou comportamentos que apresentamos a vários estímulos. Durante muitos anos. Isso quer dizer que. que. pré-operatória. De acordo com essa lei. O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das ideias – das mais simples às mais complexas. 1996. 1999). Pavlov e seus seguidores utilizavam técnicas experimentais para ensinar animais. Nesses experimentos. o organismo irá associar essas situações com outras semelhantes. utilizando genericamente essa aprendizagem para outros aparelhos. um pombo.br 59 . envolvendo um processo de equilibrações sucessivas de trocas entre o organismo vivo e o meio ambiente. E. originaram várias teorias diferentes sobre a aprendizagem na Psicologia. Um dos mais influentes psicólogos americanos foi Burrhus Frederic Skinner que. que seria de grande utilidade para a Psicologia comportamentalista. pela lei do efeito. Sob esta ótica. apresentou o “segredo da aprendizagem rápida e duradoura” em um programa de intermitente reforçamento. em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão. se.A. Por volta de 1927. devido a determinadas condições de nossa experiência com o meio ambiente.

COLL e GILLIERON. operatório formal: 11-14/15 anos. Em qualquer caso. como os trabalhos de Piaget. são relativamente universais em sua ordem de aparecimento. A repercussão das experiências educativas formais sobre o crescimento pessoal do aluno também está condicionada pelos conhecimentos prévios pertinentes com os quais inicia sua participação nas mesmas (AUSUBEL.com. representações e conhecimentos que construiu em sua experiência prévia. nas decisões relativas à sua estrutura formal e nas sugestões relativas ao seu desenvolvimento e aplicação. ideias-força.. REIF e HELLER. mas princípios gerais. não são prescrições educativas em sentido estrito. concepções. p. que se traduz em algumas determinadas possibilidades de raciocínio e de aprendizagem a partir da experiência. 1983. com pequenas flutuações nas margens de idade. mas também à maneira de planejar as atividades de aprendizagem. que impregnam todo o Projeto Curricular e encontram um reflexo na maneira de entender a concretização de seus elementos. Para fazer um apanhado dessas teorias e sua aplicação na organização curricular. 1969. utilizando-os como instrumentos de leitura e interpretação que condicionam o resultado da aprendizagem. também podem estar mais ou menos ajustados às exigências das novas situações de aprendizagem e ser mais ou menos corretos.Contribuições da Psicologia ao currículo Porém. escolhemos um texto que além de fácil leitura. (COLL. que a seguir enunciaremos de maneira muito sucinta e um tanto categórica. com o tempo.iesde. O projeto curricular deve levar em conta essas possibilidades. a fim de ajustá-las às peculiaridades de funcionamento da organização mental do aluno. entre outros fatores. 1985) e ressaltou a existência de etapas que. os psicólogos questionam a ideia de reforçamento e começam a considerar outras pesquisas. Bruner. é bastante abrangente. Vygotsky e outros. o mais sensato seria o reforçamento das respostas que devem ser aprendidas. 1. mais informações www. 52-59) Os princípios básicos desses enfoques partilhados ou não contraditórios entre si. A cada um dos grandes estágios de desenvolvimento (sensório-motor: 0-2 anos. aproximadamente. É preciso considerar de forma muito especial esse princípio no estabelecimento de sequências de aprendizagem. operatório concreto: 7-10/11 anos.br . A repercussão das experiências educativas formais sobre o crescimento pessoal do aluno está fortemente condicionada. 2000. 1977. DELVAL. esses conhecimentos podem ser resultado de experiências educacionais anteriores – escolares ou não – ou de aprendizagens espontâneas. 2. As pesquisas e estudos da Psicologia direcionada à Educação não pararam e. Ausbuel. 60 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. pelo seu nível de desenvolvimento operatório. Os estudos de Skinner são bastante valiosos para a aprendizagem escolar. não existe nenhuma dúvida de que o aluno que inicia uma nova aprendizagem escolar o faz a partir dos conceitos. porém ele também possui implicações para a metodologia do ensino e para a avaliação. aproximadamente. A Psicologia Genética tem estudado este desenvolvimento (PIAGET e INHELDER. Por sua vez. 1982). não só no tocante à seleção dos objetivos e dos conteúdos. aproximadamente. aproximadamente) corresponde uma forma de organização mental.A. intuitivo ou pré-sensório-operatório: 2-6/7 anos. uma estrutura intelectual.

. o aluno limitar-se a memorizá-lo sem estabelecer relações com seus conhecimentos prévios. Em seguida. Deve-se estabelecer uma diferença entre o que o aluno é capaz de fazer e de aprender sozinho – fruto dos fatores apontados – e o que é capaz de fazer e aprender com a ajuda e a participação de outras pessoas. A repercussão da aprendizagem escolar sobre o crescimento pessoal do aluno é maior quanto mais significativa ela for. A questão primordial não reside em se a aprendizagem escolar deve dar prioridade aos conteúdos ou aos processos. seguindo suas instruções ou colaborando com elas. 1979). observando-as. Efetivamente. aprendizagem e ensino são três elementos relacionados entre si: o nível de desenvolvimento efetivo condiciona os possíveis aprendizados que o aluno pode realizar graças ao ensino. processos. Assim. 1968. teorias e outros dados de origem não perceptiva. o aluno constrói a realidade. constituídos por fatos. Devemos salientar o destacado papel desempenhado pelo conhecimento prévio do aluno na aprendizagem significativa. ao contrário do que sugere a polêmica sobre o uso. 1977. pode chegar a modificar o nível de desenvolvimento efetivo do aluno mediante as aprendizagens que promove. apud NOVAK. mas em assegurar-se de que a mesma seja significativa. clareza e organização dos conhecimentos que o aluno já possui. A distância entre esses dois pontos. porém este. As atividades educativas escolares têm como finalidade última promover o crescimento pessoal do aluno nesta dupla vertente mediante a assimilação e a aprendizagem da experiência social culturalmente organizada: conhecimentos. por sua vez. quanto mais significados permitir-lhe construir. delimita a margem de incidência da ação educativa. o que realmente importa é que a aprendizagem escolar – de conceitos. normas etc. conceitos. 1973) refere-se ao vínculo entre o novo material de aprendizagem e os conhecimentos prévios do aluno: se o novo material de aprendizagem relacionar-se de forma substantiva e não arbitrária com o que o aluno já sabe. isto é. se for assimilado à sua estrutura cognoscitiva. Aquilo que um aluno é capaz de fazer e aprender em um determinado momento – exponente do seu nível de crescimento pessoal – depende tanto do estágio de desenvolvimento operatório em que se encontra quanto do conjunto de conhecimentos que construiu em suas experiências prévias de aprendizagem. Ao realizar aprendizagens significativas. o fator mais importante que influi sobre a aprendizagem é a quantidade. ao contrário.br 61 . Levar em consideração o nível do aluno na elaboração e aplicação do projeto curricular exige levar em consideração simultaneamente os dois aspectos mencionados. estaremos diante de uma aprendizagem significativa.A. valores. 1982). que Vygotsky chama de zona de desenvolvimento proximal. 5. 4. Com efeito. veremos alguns requisitos que as aprendizagens escolares devem cumprir para causar esse impacto sobre o crescimento pessoal do aluno. A distinção entre aprendizagem significativa e aprendizagem repetitiva. evidenciada no marco de uma tentativa de construir uma teoria da aprendizagem escolar (AUSUBEL. imitando-as. porque está situada entre o nível de desenvolvimento efetivo e o nível de desenvolvimento potencial (VYGOSTKY. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. dos quais o aluno pode dispor a qualquer momento. mais informações www. relações. Desenvolvimento. posteriormente poderá fazer ou aprender sozinho. habilidades. o que a princípio o aluno só é capaz de aprender com a ajuda dos demais. novas zonas de desenvolvimento proximal.Contribuições da Psicologia ao currículo 3. o ensino eficaz é o que parte do nível de desenvolvimento do aluno.iesde. mas para fazê-lo progredir por meio da sua zona de desenvolvimento proximal. (AUSUBEL e ROBINSON. eventualmente. valores – seja significativa. estaremos diante de uma aprendizagem repetitiva. memorística ou mecânica. para ampliá-la e gerar. constituem sua estrutura cognoscitiva. Assim. Estes conhecimentos já presentes (no momento de iniciar a aprendizagem). não para se acomodar a ele. se. atribuindo-lhe significados.

maior será também a sua funcionalidade. tanto do ponto de vista da sua estrutura interna (significatividade lógica: não deve ser arbitrário. porém não é a única e nem sempre consegue o seu propósito. 7. A significatividade da aprendizagem está vinculada muito diretamente à sua funcionalidade. possam ser efetivamente utilizados quando as circunstâncias nas quais o aluno se encontrar assim o exigirem. reformulá-los. inversamente. ao contrário. Portanto. O papel habitualmente atribuído à memória na aprendizagem escolar deve ser reconsiderado. 8. Embora o material de aprendizagem seja potencialmente significativo. que tem escasso ou nulo interesse para a aprendizagem significativa. duas condições devem ser cumpridas. Da mesma forma. isto é. pode conformar-se com estabelecer uma relação exata ou pode tratar de integrar o novo material de aprendizagem com o maior número possível de elementos da sua estrutura cognoscitiva.com. se o aluno estiver predisposto a memorizá-lo pela repetição (com frequência isto requer menos esforço e é mais simples). porém. mais informações www. o aluno deve estar motivado para relacionar o que aprende com o que já sabe. A memória não é apenas a recordação do que foi aprendido. 62 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. ao contrário. matizá-los. julgar e decidir a maior pertinência dos mesmos. Em primeiro lugar. a motivação favorável para aprender significativamente não serve para nada se não for cumprida a condição de que o conteúdo de aprendizagem seja potencialmente significativo na dupla vertente lógica e psicológica. 9. não passa de uma das vias possíveis para levar à aprendizagem significativa. Para a aprendizagem ser significativa.br . ampliá-los ou diferenciá-los em função das novas informações etc. é um ingrediente fundamental da mesma. normas etc. pois poderá relacionar-se com um leque mais amplo de novas situações e de novos conteúdos. Quanto mais numerosas e complexas forem as relações estabelecidas entre o novo conteúdo de aprendizagem e os elementos da estrutura cognoscitiva. quanto maior for o grau de significatividade da aprendizagem realizada. em suma. os resultados carecerão de significado e terão escasso valor educativo. ou seja. quanto mais profunda for sua assimilação. A educação escolar deve sempre ocupar-se de que os conhecimentos adquiridos – conceitos. deve-se ter uma atitude favorável para aprender significativamente. Não devemos esquecer. É preciso distinguir a memorização mecânica e repetitiva. como do ponto de vista da sua possível assimilação (significatividade psicológica: na estrutura cognoscitiva do aluno deve haver elementos pertinentes e relacionáveis). que.. Em segundo lugar. É evidente que a natureza dessa atividade é fundamentalmente interna e não deve ser identificada com a simples manipulação ou exploração de objetos e de situações. – sejam funcionais. que deve estabelecer relações entre o novo conteúdo e os elementos já disponíveis em sua estrutura cognoscitiva. valores. lógica e psicologicamente. da memorização compreensiva. nem confuso). que. pode esforçar-se por construir significados precisos. Este segundo requisito chama a atenção para o papel decisivo dos aspectos motivacionais. o maior ou menor grau de significatividade da aprendizagem dependerá em grande parte da força desta tendência a aprender significativamente: o aluno pode contentar-se em adquirir conhecimentos vagos ou difusos ou. como maneira de propor as atividades escolares. O processo mediante o qual a aprendizagem significativa ocorre requer uma intensa atividade do aluno. o conteúdo deve ser potencialmente significativo. não devemos identificar a aprendizagem por descoberta com a aprendizagem significativa. habilidades. A descoberta como método de ensino.A.iesde. este último tipo de atividade é um meio que pode ser utilizado na educação escolar – e um meio privilegiado em determinadas situações e em determinados momentos evolutivos – para estimular a atividade cognitiva interna diretamente implicada na aprendizagem significativa.Contribuições da Psicologia ao currículo 6.

sequências de acontecimentos. ter um grau de organização e de coerência interna variável e ser mais ou menos válido. diferenciação. a memória é construtiva. Sem dúvida. isto é.Contribuições da Psicologia ao currículo mas a base a partir da qual novas aprendizagens são abordadas (NORMAN.. Esse objetivo recorda a importância da aquisição de estratégias cognitivas de exploração e descoberta. integram-se à estrutura cognoscitiva do aluno. 11. os esquemas permitem fazer inferências em situações novas.. 1981. bem como de planejamento e regulação da própria atividade. reequilíbrio posterior. CHI. isto é.. enriquecimento. e sua significatividade e funcionalidade estão em função da riqueza da mesma.A. Essas estratégias. Quanto mais rica for a estrutura cognoscitiva do aluno – em elementos e relações – maior será a probabilidade de que ele possa construir novos significados. Em outras palavras.. funcionalidade do conhecimento e aprendizagem significativa são os três vértices de um mesmo triângulo. a aquisição dos processos ou estratégias subjacentes ao objetivo de aprender a aprender não pode contrapor-se à aquisição de outros conteúdos (fatos. maior será sua capacidade de aprendizagem significativa. construção e coordenação progressiva – é o objetivo da educação escolar. etc. o objetivo mais ambicioso e ao mesmo tempo irrenunciável da educação escolar equivale a ser capaz de realizar aprendizagens significativas sozinho em ampla gama de situações e circunstâncias. podemos caracterizar a modificação dos esquemas de conhecimento no contexto da educação escolar como um processo de equilíbrio inicial. O primeiro passo para conseguir que o aluno realize uma aprendizagem significativa consiste em romper o equilíbrio inicial de seus esquemas com relação ao novo conteúdo de aprendizagem. na aprendizagem escolar. podem conter tanto conhecimento como regras para utilizá-lo. 75-6). p. podem estar compostos de referências a outros esquemas (. a lembrança das aprendizagens anteriores é modificada pela construção de novos esquemas: assim. valores. 1985). situações. conceitos ou valores). 1983). Inspirando-nos no modelo de equilibração das estruturas cognitivas de Piaget (1975). pode ser concebida como um conjunto de esquemas de conhecimento (ANDERSON. MERRILL et al. porém. os esquemas integram conhecimentos puramente conceituais com habilidades. etc). após sua aquisição. 10. 12. Memorização compreensiva. Aprender a aprender. (COLL. os esquemas podem distorcer a nova informação. atitudes. 1983). Os esquemas são “um conjunto organizado de conhecimentos (. (GAGNÉ e DICK. cujo papel central na realização de aprendizagens significativas foi ressaltado anteriormente.iesde. acontecimentos. 1985..” Um esquema de conhecimento pode ser mais ou menos rico em informações e detalhes. mais informações www.. mais ou menos adequado à realidade. dos elementos que a configuram e da rede de relações que as liga. aprender a avaliar e a modificar os próprios esquemas de conhecimento é um dos componentes essenciais do aprender a aprender. HEWSON e POSNER.) ou gerais” (NORMAN. 1985.). 1977.. 1984.br 63 .. A modificação dos esquemas de conhecimento do aluno – revisão.com. podem ser específicos (. Se Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Quanto maior for a riqueza da estrutura cognoscitiva – quanto mais coisas forem conhecidas significativamente – tanto maior será a funcionalidade dessas estratégias nas novas situações de aprendizagem.). A estrutura cognoscitiva do aluno. ações e sequências de ações. Os diferentes esquemas de conhecimento que formam a estrutura cognoscitiva podem manter relações de extensão e complexidade diversas entre si. “Os esquemas são estruturas de dados para representar conceitos genéricos armazenados na memória aplicáveis a objetos. Todas as funções atribuídas à estrutura cognoscitiva do aluno na realização de aprendizagens implicam diretamente nos esquemas de conhecimento: a nova informação adquirida é armazenada na memória mediante sua incorporação e assimilação a um ou mais esquemas. forçando-a a acomodar-se às suas exigências. desequilíbrio.

1. mais informações www. apresentação da tarefa de maneira adequada. A exigência de romper o equilíbrio inicial do aluno nos leva a questões-chave da metodologia de ensino: estabelecimento de uma defasagem adequada entre a tarefa de aprendizagem e os esquemas do aluno. no entanto. incompatível com uma concepção do ensino entendido como pura transmissão de conhecimentos. Não é suficiente. Essas questões.com. modificando adequadamente seus esquemas ou construindo novos. Este não passa do primeiro passo para a aprendizagem significativa.A. assuma cons­ciência disso e esteja motivado para superar o estado de desequilíbrio. conseguir que o aluno se desequilibre. contudo. conteúdos. ele também deve poder reequilibrar-se. mas pode produzir-se ou não e ter maior ou menor alcance conforme a natureza das atividades de aprendizagem. Uma concepção dessa natureza também se impõe às questões tradicionais do Projeto Curricular: objetivos. este não poderá atribuir-lhe significação alguma e o processo de ensino-aprendizagem ficará bloqueado.. como frisa acertadamente Resnick (1983). avaliação etc.iesde. estabelecimento de sequências de aprendizagem. forçarmos a situação. situando a atividade mental construtiva do aluno na base dos processos de crescimento pessoal que a educação escolar tenta promover. 64 Procure no texto lido cinco pontos que você acredita que embasam sua prática pedagógica. Para que ela se conclua.Contribuições da Psicologia ao currículo a tarefa for totalmente alheia ou estiver excessivamente distante dos esquemas do aluno. Entretanto. utilização de incentivos motivacionais que favoreçam um desequilíbrio ótimo. exige uma interpretação igualmente construtivista da intervenção pedagógica.br . Se você ainda não estiver atuando na área. a reequilibração não é automática nem necessária no caso dos esquemas de conhecimento. em suma. tomada de consciência do desequilíbrio e suas causas como motivação intrínseca para superá-lo etc. sem dúvida. Ao contrário. métodos de ensino. A visão de conjunto resultante desta rápida síntese de algumas contribuições da análise psicológica será ampliada para outros aspectos no contexto da problemática dos métodos de ensino. Se. adquirem uma dimensão diferente quando abordadas sob a ótica construtivista. quando a tarefa levantar resistências mínimas ou for interpretada em sua totalidade – correta ou incorretamente – com os esquemas disponíveis. apesar disso. Uma interpretação construtivista da aprendizagem escolar é. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Por certo. segundo o grau e o tipo de ajuda pedagógica. 13. a aprendizagem também resultará bloqueada. o resultado mais provável é uma aprendizagem puramente repetitiva. cuja ideia diretriz consiste em criar as condições adequadas para que os esquemas de conhecimento inevitavelmente construídos pelo aluno no decorrer das suas experiências sejam os mais corretos e ricos possíveis. procure fazer uma análise das situações vivenciadas na sua vida escolar. uma concepção construtivista da intervenção pedagógica não renuncia a formular prescrições concretas para o ensino nem a planejar cuidadosamente as atividades de ensino-aprendizagem.

Reúnam-se e troquem informações sobre as respostas anteriores. 3. acrescentando conhecimentos que possam ser utilizados por você. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. Em seguida.br 65 . faça um registro de considerações do texto (pelo menos três).Contribuições da Psicologia ao currículo 2.com..iesde. mais informações www.

Contribuições da Psicologia ao currículo 66 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.iesde..br . mais informações www.com.

A. implicando num currículo que compreenda um projeto socializador e cultural. portanto.. e o currículo é seu recheio. de educação para o trânsito. evidenciaram-se uma série de interrogações básicas como estruturadoras do que se entende por campo de estudos curriculares. que se refere à carreira. por derivação. já que o tempo é limitado e as capacidades dos alunos são diferenciadas. frequentado por muitos alunos e. Um sistema escolar é complexo. Filosofia educacional Fins da educação Municipais Estaduais Leis Nacionais Políticas Sistema de ensino Microssistemas Objetivos educacionais Gerais Atividades de ensino Específicos Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. que acolham o conjunto das ciências sociais. que recuperem a dimensão estética da cultura. a um percurso que deve ser realizado e. Como assinala Kliebard (1989). Na escolarização não se aprende tudo. que respondam às necessidades de uma cultura juvenil com problemas de integração ao mundo adulto. que fomentem determinados hábitos sociais. à sua representação ou apresentação. além das áreas clássicas do conhecimento. que se abram aos novos meios de comunicação. o guia de seu progresso pela escolaridade. que se preocupem com a deterioração do meio ambiente etc.br 67 .com. de educação para o consumo. entra em cheio na linguagem pedagógica quando a escolarização se torna uma atividade de massas que necessita estruturar-se em ­passagens e níveis. que atendam aos novos saberes científicos e técnicos. O que ensinar? Ninguém mais duvida de que a educação básica de um cidadão deve incluir componentes culturais cada vez mais amplos. como facetas de uma educação integral. de educação sexual. todas elas em torno da pergunta “o que devemos ensinar já que currículo também é uma seleção limitada de cultura?”. A complexidade do mundo moderno exige dos currículos que. que previnam contra as drogas. deve se organizar. deem noções de higiene pessoal.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento Vilmara Sabim Dechandt O termo currículo provém da palavra latina currere. Ainda que o uso do conteúdo do termo remonte à Grécia de Platão e Aristóteles. ao longo da história de praticamente todo este século. Um leque de objetivos cada vez mais desenvolvido para as instituições educativas básicas que afeta todos os cidadãos. nem todos aprendem o mesmo. seu conteúdo.iesde. A escolaridade é um percurso para os alunos. mais informações www.

O currículo aparece sob este olhar como o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis. do construir enfim de ser feliz. mais informações www. Como afirma Tanner (1980.A. do agir. do refletir. subordinam-se e renovam-se. neste atual contexto de século XXI. específicos. abertos. no entanto. Estes saberes. as ideias e as experiências transitam online. Que esta seleção sinalize caminhos do saber. Os objetivos gerais podem ser finais ou intermediários. mas também os problemas do homem e da sociedade. são um marco de referência útil para o planejamento. tendo circulação social. 445).iesde. Antonio Flávio Moreira. para que nele se operem as oportunas adequações. Pedro Demo. processar essas informações em conhecimentos. consciente e participativo das tomadas de decisões da sociedade. mas que pratique e exerça sua cidadania ativa conectada com seus direitos e deveres. facilitando seu uso diferenciado conforme as necessidades e possibilidades de cada professor e cada instituição. com o surgimento da “aldeia global” (comunidade formada com base na eletrônica). “o currículo não deve abordar exclusivamente a herança cultural da humanidade. do ser.. Pablo Gentili. Os objetivos gerais. cognitivos. concretizando as intenções educacionais (quadro anterior) é sumamente complexa e coloca como ponto de partida a finalidade do sistema educacional até os objetivos de execução. A educação requer uma perspectiva sobre o conhecimento. formas de vida e visões de mundo encontram-se. pois estamos na era da globalização da informação e cabe à escola. Pretende-se um currículo que privilegie conteúdos necessários para entender o mundo e os problemas reais e que capacite o aluno para o entendimento e participação na vida social. 68 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. Diferentes saberes. de acordo com sua função: dirigir o processo de ensino-aprendizagem ou garantir a progressão das aprendizagens.br . psicomotores. Mário Sérgio Cortella. Um aluno crítico. de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante. intelectuais articulam-se online em extensão mundial. p. sendo permeado todo esse percurso pelos objetivos gerais. propõem uma mudança ao proceder um inventário e seleção das intenções possíveis dos componentes do currículo. Nos anos 1990. recaem em pontos comuns defendidos por autores que nas últimas décadas desenvolvem pesquisas e estudos sobre currículo. que é essencialmente diferente do conhecimento apenas acadêmico”. Todos os questionamentos. confrontam-se. que pelas formulações abstratas podem prestar-se a múltiplas interpretações. pois definem e direcionam o que ensinar. como Gimeno Sacristán. afetivos e heurísticos. especialmente ao escolher o que será ensinado. as teorias. descrevendo em termos de capacidades do aluno os resultados esperados de uma sequência de ensino-aprendizagem. que seja realmente não apenas cidadão. Juego Torres Santome e tantos outros que contemplam um currículo que atue na heterogeneidade e na direção de uma sociedade mais justa de reencantamento do homem.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento A tarefa de elementar prioridade.

operações ou elementos comportamentais) que leva a um resultado final observável. Bruner propunha organizar adequadamente os blocos de conteúdo.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento Nesta perspectiva. A teoria da aprendizagem acumulativa de Gagné postula a existência do mais simples ao mais complexo. Assim. É um instrumento para sequenciar e concretizar as intenções educativas definidas em termos dos resultados esperados da aprendizagem dos alunos. permite maior e melhor retenção. recrimina os representantes deste enfoque racionalista. algumas propostas enfatizam esses planos do quando ensinar. as contribuições de Gagné partem do fato de que. busca-se na análise de tarefas e de conteúdos os critérios que permitirão dar sequência às intenções educativas. Ele propõe organizar a sequência da aprendizagem de acordo com os princípios que regem a formação e o desenvolvimento da estrutura cognoscitiva. Pode-se definir análise de tarefas como o conjunto coerente de atividades (passos. mais informações www. intervêm capacidades intelectuais de complexidades diversas. expressando as experiências de aprendizagem destinadas a permitir que os aluno adquiram a essência e atuem nele. a fim de facilitar sua apreensão pelos alunos. os conteúdos/ resultados.. plano de sequenciação intraciclos – decisões no seio de cada ciclo dos objetivos e conteúdos das diversas áreas curriculares. O primeiro passo consiste em identificar os elementos fundamentais do conteúdo Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. Aprender uma tarefa pressupõe dominar essa sequência. firme partidário da concretização das intenções educativas por meio do acesso aos conteúdos. Stenhouse (1984) diz: o currículo é uma tentativa para comunicar os princípios e traços essenciais de um propósito educativo. Ausubel. favorece a transferência e assegura a continuidade do ensino. Aprender a estrutura de um conhecimento significa compreendê-lo e relacioná-lo com muitos outros.br 69 .iesde. por via de acesso a esses planos. de tal forma que permaneça aberto à discussão crítica e possa ser transferido efetivamente para a prática com significado real. No início dos anos 1960.com. Na medida em que se adota. Quando ensinar? A atividade de planejar o currículo refere-se ao processo de dar-lhe forma e de­ adequá-lo às peculiaridades dos níveis escolares: como organizar e ordenar temporalmente as intenções educativas a fim de estabelecer sequências de aprendizagens? O processo de concretizar as intenções educativas situa-se em diferentes planos: plano de sequenciação interciclos – ordenação temporal dos objetivos gerais. Em 1950. na execução de uma tarefa. que repousam umas sobre outras de acordo com uma estrutura hierárquica (hierarquia de aprendizagem). facilita a compreensão.

Num sistema de educação com objetivos. a apresentação inicial dos conceitos gerais e inclusivos deve apoiar-se em exemplos concretos. o conteúdo da aprendizagem deve ser ordenado de tal maneira que os conceitos mais gerais e inclusivos sejam apresentados no princípio. Nenhuma das posturas é a mais coerente. 1976). por considerá-los carentes da competência intelectual e das condições mínimas exigidas.iesde. A segunda alternativa pressupõe um primeiro nível de tratamento real das diferenças individuais – que. mas em função das características dos alunos aos quais se dirige. o passo seguinte consiste em ordená-los de acordo com as leis da organização psicológica do conhecimento.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento e organizá-los hierarquicamente. tem predominado uma concepção estática. pedagogia do domínio (BLOOM. a introdução de elementos posteriores deve mostrar tanto as relações que mantêm entre si como as que mantêm com os primeiros. tanto das diferenças individuais quanto do sistema educacional. as sequências de aprendizagem devem partir dos conceitos mais gerais e avançar progressivamente aos mais específicos. conteúdos e métodos de ensino idênticos para todos os alunos existem apenas duas maneiras de levar em consideração as diferenças individuais: excluir aqueles que não podem alcançar as aprendizagens estipuladas. Esta colocação está subetendida na conhecida prática das repetências de curso e nas numerosas propostas de individualização do ensino: ensino programado. de menos. numa colocação construtivista. no entanto. e de acordo com as relações que estabelecem. priorizando aqueles que tenham a máxima generalidade e que possam integrar o maior número possível de elementos. e os mais rápidos. mais informações www. deixam de ser consideradas imodificáveis e definitivas – indivi­dualizando o tempo de exposição dos alunos ao ambiente educativo.. desde que disponham de conceitos relevantes e inclusores em sua estrutura cognoscitiva. Um método de ensino adequado para alguns alunos pode revelar-se inadequado para outros que apresentam características diferentes. O critério de individualização do ensino é ritmo de aprendizagem: os alunos mais lentos precisam de mais tempo para aprender. isto é. ou fazê-los repetir o processo educativo tantas vezes quanto necessárias para alcançar esses aprendizados.com. assumir a necessidade de um ajuste entre ambos os elementos.br . as leis da aprendizagem. Assumir integralmente as diferenças individuais significa. a ação educativa crítica e emancipadora nunca o é em termos absolutos. Tradicionalmente. portanto. A verdadeira individualização consiste em adaptar os métodos de ensino às características individuais dos alunos.A. Novak (1982) considera os seguintes princípios: todos os alunos podem aprender um conteúdo. Como ensinar? A variedade das diferenças individuais e sua repercussão sobre a aprendizagem escolar são fatos reconhecidos e aceitos desde a Antiguidade. 70 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. máquinas de ensinar. Após identificar os elementos mais importantes e agrupá-los em esquemas hierárquico e de relações.

A aprendizagem. com a avaliação. uma forma de comunicação com a cultura. É preciso construir os instrumentos de coleta de dados para a avaliação. Os recursos metodológicos servem para responder às diferenças psicológicas e culturais. pois a variabilidade de traços pessoais. Métodos que obriguem à passividade de estar permanentemente sentado numa classe recebendo informação. intelectual e moral para o aluno. é preciso ter ciência de que. A sequência elaborativa utilizada tenta favorecer o estabelecimento de relações entre o novo material de aprendizagem e o maior número possível de esquemas de conhecimento do aluno.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento O currículo não deve recomendar um método de ensino determinado. manejando uma variedade pequena de materiais e estímulos. com atenção nos seguintes pontos: articular o instrumento com os conteúdos planejados. Para cumprir as funções da avaliação. auxiliar a aprendizagem.iesde. de gênero ou de procedências culturais implica que cada atividade ou tarefa acomode-se melhor a um tipo de aluno do que a outro. ritmos de aprendizagem e formas de aprender. mas um modelo de comportamento físico. Na seleção e acomodação do cenário para o aprendiz. A escolaridade obrigatória para alunos socialmente heterogêneos exige variedade de atividades para dar oportunidade a diferentes interesses. são pouco propícios à acolhida de diferenças. A solução encontrada para concretizar as intenções educativas tenta obter o maior grau possível de globalização. impondo.. e sim incluir critérios gerais de ajuda pedagógica e exemplificá-los mediante propostas concretas de atividades de ensino-aprendizagem nas diferentes áreas curriculares. Articuladas com esses objetivos básicos estão as funções de propiciar a autocompreensão do educando e do educador. na concepção de Ausebel. auxiliar e aprofundar a aprendizagem. O método não é apenas uma forma de ensinar. além disso.br 71 . está sendo solicitada também a manifestação da intimidade do aluno. existe a oportunidade de oferecer tratamentos diversificados aos alunos. motivar o crescimento do educando. acolhendo distintas peculiaridades. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. O que avaliar? Quando avaliar? Como avaliar? A avaliação deve desempenhar as funções de auxiliar o educando no seu desenvolvimento pessoal e responder à sociedade pela qualidade do trabalho educativo realizado. um comportamento mais fácil para alguns alunos do que outros. Variedade que pode permitir a oportunidade de desenvolvimentos diversos em objetivos e conteúdos comuns a todos. mais informações www.com. O currículo comum será menos coercitivo e mais flexível caso possibilite a expressão das diferenças em métodos diversos e permita aos alunos que escolham as ­atividades. social. deve ser significativa e globalizada na medida em que supõe que o novo material de aprendizagem relaciona-se de forma substantiva e não arbitrária com aquilo que o aluno já sabe.

diagnostica as tentativas de acerto e busca ajustes qualitativos no processo de aprendizagem. usar linguagem clara. aprendizagem que estipulam bloqueios.. “como avaliar?”. No início de uma nova fase de Durante o processo de No final de uma etapa de aprendizagem. aprovar ou reprovar. Observação.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento cobrir uma amostra significativa de todos os conteúdos ensinados. Luckesi (1980) enfoca a avaliação como “ato amoroso”. No quadro seguinte.A. registro e interpretação das respostas e comportamentos dos alunos a perguntas e situações que exigem a utilização dos conteúdos aprendidos. Concretiza-se pela observação sistemática com a ajuda de pautas. ou didáticos) a propósito dos conteúdos selecionados. A avaliação do processo de aprendizagem. que marcam o os objetivos (finais. dificuldades. situações relativas ao novo Interpretação das material de aprendizagem. mais informações www. de nível processo de aprendizagem. aprendizagem. Consulta e interpretação do Observação sistemática histórico escolar do aluno. em parceria com os alunos. sendo prática universal realizada em maior ou menor grau. no qual o professor. e pautada do processo de registro e interpretação das aprendizagem. “quando avaliar?”. roteiros. etc. aprendizagem. observações. registros. A avaliação inicial é o histórico escolar do aluno. A avaliação não deve ter como missão classificar. também chamada de avaliação formativa. O que avaliar? Quando avaliar? Como avaliar? Avaliação inicial Os esquemas de conhecimento relevantes para o novo material ou situação de aprendizagem. contempla-se as três modalidades de avaliação e as características individuais dos alunos por meio de aproximações sucessivas: “o que avaliar?”. proporciona a ajuda pedagógica mais adequada em cada momento. hierarquizar.iesde. É entendida como instrumento de ajuste e recurso didático que se integra no próprio processo de ensino-aprendizagem. planilhas. etc. selecionar. compatibilizar as habilidades do instrumento de avaliação com as habilidades trabalhadas na aprendizagem.com.br . registro das respostas e comportamentos observações em planilhas dos alunos ante perguntas e de acompanhamento. Avaliação formativa Avaliação somatória Os tipos e graus de Os progressos. Deve ser entendida como um diagnóstico a serviço das necessidades de conhecimento do aluno. Para Coll (1987). reprimir. no qual é incluída a avaliação qualitativa dos aprendizados alcançados que têm aspecto motivador para realizar novas aprendizagens. 72 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a avaliação designa um conjunto de atuações previstas no currículo mediante o qual é possível ajustar progressivamente a ajuda pedagógica às características e necessidades dos alunos e determinar se foram realizadas ou não e até que ponto as intenções educativas estão na base de tal ajuda pedagógica..

A. Querido filhinho meu? Aprendi que o policial é meu amigo. Foi o que na escola eu aprendi! IV Que aprendeu hoje na escola.p. Aprendi que todo mundo é livre. s. Que está sempre certo e nunca erra. E que. Mesmo que a gente se equivoque às vezes. Deve respeitar os princípios de significatividade e funcionalidade da aprendizagem. mais informações www. E foi o que aprendi hoje na escola.br 73 . E foi o que aprendi hoje na escola. eu tenha minha chance. Não deve ser utilizada apenas para decidir a vida do aluno. Foi isso o que o mestre me ensinou. Querido filhinho meu? Que aprendeu hoje na escola. O que aprendeu hoje na escola? (POSTMAN.iesde. Querido filhinho meu? Que aprendeu hoje na escola. podendo ser um instrumento de controle do processo educacional: o êxito e ou fracasso nos resultados da aprendizagem é um indicador do sucesso ou não do próprio processo educacional. mas para saber se o nível de aprendizagem alcançado a propósito de determinados conteúdos é suficiente para abordar a aprendizagem de outros conteúdos relacionados. Aprendi sobre as grandes em que entramos. Que lutamos na França e na Alemanha. Querido filhinho meu? Aprendi que o nosso governo deve ser forte. primando sempre utilização do conhecimento adquirido ante à mera repetição. Foi o que na escola eu aprendi! III Que aprendeu hoje na escola. Foi o que na escola eu aprendi! Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Aprendi que a justiça nunca morre.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento A avaliação somatória consiste em medir os resultados da aprendizagem. Querido filhinho meu? Aprendi que Washington nunca mentiu. Querido filhinho meu? Que aprendeu hoje na escola.com..) I Que aprendeu hoje na escola. Foi o que na escola eu aprendi! II Que aprendeu hoje na escola. 1971. WEINGARTNER. E foi o que aprendi hoje na escola. talvez um dia. Que os nossos chefes são os melhores do mundo E que os elegemos uma e outra vez. Quando é realizada ao final de um ciclo ou período leva à certificação. Aprendi que o assassino tem o seu castigo. Querido filhinho meu? Aprendi que a guerra não é tão ruim assim. E foi o que aprendi hoje na escola. Querido filhinho meu? Que aprendeu hoje na escola.

com. Agora. Como era organizado o currículo na escola quando você era aluno? Se hoje você é docente.. Discuta o que a poesia está apontando em relação ao currículo nos aspectos de conteúdo e formas de ensino. 2. 3. mais informações www.Novas possibilidades na busca da constituição do conhecimento 74 1.A.iesde. que ações desenvolve para contribuir com a construção de um currículo ativo e flexível? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. O texto anexo O que aprendeu hoje na escola? é uma poesia crítica sobre a escola.br . faça uma reflexão sobre o processo ensino-aprendizagem que nossas escolas propiciam ao aluno.

Assim. nesta perspectiva. podem e devem ser as novas gerações.br . nos alerta que os currículos escolares envolvem apenas “[. os conteúdos são a “porção da cultura escolarizada”. diversos pesquisadores constataram que apenas os saberes escolares. 1993). b) os educandos e educandas convivem com os colegas e com os professores e professoras efetivando diversas relações e situações questionadoras de valores e condutas. Portanto.. As instituições escolares selecionam. Portanto. A aprendizagem de saberes e a arte A nossa espécie. (FORQUIN.A. c) a vivência coletiva dos educandos e educandas possibilitam a experienciação de sentimentos como a emoção. mais informações www. o desejo e o afeto. b) os processos de interação nos espaços escolares são também formadores de valores e padrões de conduta. exercem tanto a tarefa de transferir parte da herança acumulada da humanidade quanto formar para o presente e futuro da vida em sociedade. da herança cultural humana. Um exame mais detalhado das práticas escolares permite-nos verificar que as instituições escolares atuam para além dos saberes. 1995).] uma parte extremamente restrita de tudo o que constitui a experiência coletiva. os processos de organização de propostas curriculares implicam estabelecer o que vai ser disponibilizado aos alunos.. e os organizam na forma de currículo. são relacionados como conteúdos. Examinando tanto as propostas curriculares como os diários de classe. conjuntos de saberes e elementos da produção artística que consideram significativos.iesde. sendo esta porção considerada relevante para a sociedade (WILLIAMS apud VEIGA-NETO. 1992). de diversos tipos. 15). mas também o que lhes vai ser sonegado. que o tempo escolar é também vida em seus múltiplos sentidos.com. por sua diversidade acumulou uma grande riqueza em bens culturais que. 1993. implicando. a cultura viva de uma comunidade humana” (FORQUIN. Os conteúdos curriculares transcendem os saberes e abarcam diversos outros elementos. nos projetos pedagógicos e nos relatos dos diários de classe são bem mais restritos que aqueles efetivamente mobilizados nas diversas atividades escolares (CORDIOLLI. os conteúdos efetivamente apresentados nas propostas curriculares. de alguma forma. embora. Esses pressupostos permitem apresentar a seguinte hipótese para a composição dos conteúdos: a) há diversos conjuntos de saberes e da produção artística acumulados pela humanidade que a sociedade e as instituições escolares acreditam que devam ser acessados e apreendidos pelos alunos e alunas.Os conteúdos do ensino – o que são? Marcos Cordiolli A definição de conteúdos na tradição pedagógica brasileira está fortemente associada a relações de saberes escolares organizados por disciplinas. p. Forquin. 2002a). em dezenas de milhares de anos de vida em sociedade. Vamos propor aqui examinar a situação dos conteúdos a partir dos seguintes pressupostos: a) considerar que as instituições escolares exercem a função social de mediação entre a formação familiar e as demandas sociais das novas gerações de seres humanos (ARENDT. c) a escola ocupa segmentos de tempos cada vez mais importantes na vida dos seres humanos. Para Williams. os elementos 75 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. os currículos escolares selecionam determinados conteúdos (organizando-os na forma de cursos) que as instituições escolares consideram importantes para vida e a formação dos educandos.. Assim.

pois implícita ou explicitamente definem padrões de normalidade e inclusão e são permeados por critérios com motivações de classe. assim como os padrões de normalidade e de inclusão e o que os alunos e alunas vão ou não estudar. 2004). de nação e particularmente de geração (CORDIOLLI. quando foram propostas as atividades comemorativas dos 500 anos da chegada dos europeus ao Brasil.br . do aborto etc. pois implicam reconhecer que é a geração de adultos quem seleciona e organiza o que devem ou não estudar as gerações no estágio de criança. A organização dos saberes e da arte nos currículos representa também mecanismos disciplinadores dos processos de estudar e aprender. de ideologia. implicando critérios de seleção e ordenação dos saberes escolares. devem ocupar pelo menos três quartos da carga horária Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. especificamente. 192). p. Há vários elementos. representam arranjos dentre as combinações disponíveis. pois define padrões de linguagem. b) o peso da tradição de alguns conteúdos que são estudados por geração após geração sem serem questionados.Os conteúdos do ensino – o que são? da produção artística e os conjuntos de saberes escolares definidos como matérias estudadas pelas propostas curriculares representam antes de tudo um exercício de poder. jovem e adulto em escolarização. A disciplina de Ciências da Natureza também é permeada por várias polêmicas e disputas sociais em temas que tratam dos organismos transgênicos. são organizados em disciplinas escolares. na tradição curricular brasileira. 1995. estabelecendo dois polos de disputa: um que os reivindicava como expressão de processos civilizatórios de nosso território e outro que os classificava como conquista e subjugação de indígenas e africanos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (DCN­EF). além de veicular valores e padrões de conduta. 76 Os saberes escolares e arte. diversos movimentos sociais questionaram o sentido destes eventos. adolescente. As diferenças de geração merecem. Os saberes e a arte disponibilizados podem também ser alvos de disputas entre segmentos da sociedade e mesmo das equipes escolares.. poucas são aquelas cujos temas são definidos ou compartilhados pelos educandos. determina que os saberes e artes. das teorias sobre o surgimento da vida. constitui também implicações regulativas. A proposta curricular “[. pré-adolescente. dentre uma vasta gama de possibilidades. bem como a definição de formas pedagógicas para apresentá-los aos educandos e educandas. destaque. de processos cognitivos. de gênero.A. Em 2000.com. por exemplo.] impõe certas definições sobre o que deve ser ensinado” (POPKEWITZ.. As diversidades de temas presentes em diferentes propostas curriculares. em particular. pois que os conteúdos com maior espaço de tempo acabam sendo privilegiados. organizados em áreas do conhecimento. Embora sejam evidentes as tensões nas propostas curriculares. d) os exames tituladores ou selecionadores para a Educação Superior. mas os mais evidentes são: a) a distribuição da carga horária entre disciplinas. A forma de organização dos saberes selecionados como escolares. c) as sistemáticas de avaliação que impõem padrões cognitivos. dos agrotóxicos. mas seguramente são definidas pelas instituições escolares (e os adultos em particular).iesde.. que implicam estudos de determinados conteúdos visando exclusivamente o sucesso nesses eventos.

as propostas pedagógicas organizam as experiências de convívio nos espaços escolares. podem compor uma disciplina denominada Ciências Sócio-Históricas). que disputam a orientação de valores e padrões de conduta dos educandos com outras instituições (CORDIOLLI. Por outro lado. A ressignificação e a formação de valores e padrões de conduta As instituições escolares. (b) Língua Materna. os espaços de escolarização efetivam-se como instituições de formação humana.iesde. representam apenas um dos três eixos em que se fundam os conteú­dos e as práticas escolares (CORDIOLLI. Enquanto que uma área do conhecimento pode ser dividida em duas ou mais disciplinas (Matemática. (g) Língua Estrangeira (a partir do quinto ano).A. constituem espaços de interação entre os educandos e educandas e destes com os professores e professoras. o planejamento de práticas didáticas e o estabelecimento de processos e critérios avaliativos. esse campo da atividade escolar está ausente da grande maioria das propostas pedagógicas e curriculares oficiais da história brasileira e das instituições escolares atuais. (d) Ciências.Os conteúdos do ensino – o que são? mínima (de 200 dias com 800 horas letivas por ano)1. por ser dividida em Álgebra. representa uma alteração na natureza do processo Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. (h) Educação Artística. embora ocupem praticamente toda a atenção dos educadores e das propostas pedagógicas e curriculares. Esta atividade pode também fazer com que os educandos e educandas passem a assumir posturas efetivas como a separação do lixo e a reutilização do papel em sala de aula. 2002). por exemplo. mas efetivamente estas proposições não se traduzem em programas de ação e situações pedagógicas. bem como regulam o comportamento dos educandos e educandas (FORQUIN. 1993). para populações indígenas e migrantes. e (j) Educação Religiosa.br 1 As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (DCNEF) definem as seguintes áreas do conhecimento: (a) Língua Portuguesa. Essas ­situações são organizadas por uma vasta tecnologia educacional que inclui a fixação de objetivos. constituir consciências democráticas. tais como séries. geralmente tem por objetivo a aprendizagem da importância e das formas de uso menos predatório da natureza. A atividade escolar do tema “reciclagem do lixo”. por vezes sutil. mas efetivamente de mudança da cultura dos alunos (CORDIOLLI. mais informações www. As atividades pedagógicas para a formação de valores e condutas são distintas daquelas que se ocupam de saberes e arte. No entanto. sendo que duas ou mais áreas podem ser fundidas em uma disciplina (História e Geografia. posto que não se trata de processos de aprendizagem. tais como preparar para cidadania. As propostas pedagógicas e curriculares. Geometria e Estatística). 77 . O acesso dos educandos aos saberes e à arte faz-se em diversos proces­sos pedagógicos e didáticos que constituem situações de ensino-aprendizagem. O programa de cada disciplina é denominado blocos de conteúdos para determinados períodos. As áreas do conhecimento são convertidas em disciplinas escolares nos currículos das instituições escolares.394. por exemplo.. (i) Educação Física. 2002a). (f) História. mesmo nos modelos mais individualistas. de 20 de dezembro de 1996. etapas ou ciclos. em sua grande maioria. Esses processos. 2001). apresentam apenas declarações de intenção genérica e idealista. na forma do artigo 33 da Lei 9. (c) Matemática. Efetivamente. (e) Geografia. formar valores humanistas.com. a seleção de conteúdos. transcendendo o ensinar e o aprender de saberes e da arte. Essa mudança.

Na legislação de 1925 (conhecida como Reforma Rocha Vaz).A. pois efetivamente tem-se a ressignificação de valores e condutas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. caberia também organizar metodologias adequadas para propiciar situações permanentes e reincidentes para ressignificação de valores e padrões de condutas. 3 Um importante teórico brasileiro – Silvio Gallo – tem insistido quase que solitariamente em denominar de transversalidade as ações pedagógicas de estudos que articulam temas que transcendem as disciplinas – práticas estadas no campo da aprendizagem pelo critério classificatório definido neste presente artigo. (f) Temas Locais (exclusivamente para os anos iniciais) e (g) Trabalho e Consumo (exclusivamente para os anos finais). f) a ciência e a tecnologia. o tema é tratado pela primeira vez com a inclusão da disciplina de Instrução Moral e Cívica. Uma outra situação: alunos que estudaram a “discriminação” em uma ou mais de suas modalidades podem realizar diversas atividades comprovando que aprenderam sobre o tema. Em muitas instituições. tanto no aspecto curricular como no pedagógico. foi introduzida pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (DCNEF) (BRASIL. Portanto. representam marco efetivo no sentido de tratar os valores e padrões de conduta. articuladas. então. 1996) ao reconhecer a necessidade da escolarização e a garantia da vida cidadã por meio da articulação entre vários dos seus aspectos como (DCNEF. cujo exemplo mais significativo são os temas transversais apresentados pelos PCNEF. Nesta mesma perspectiva. art. 3. mas sem efetivamente cumprir a função de formar. com ênfases e ­situações diferentes pelas disciplinas de Filosofia2. IV): a) a saúde.. d) o meio ambiente. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (PCNEF) (BRASIL. (e) Orientação Sexual. sem prejuízo às críticas dos modelos e proposições dos mesmos. 78 As dificuldades na delimitação entre os processos de aprendizagem e de formação do caráter refletem a ausência de projetos e de práticas pedagógicas nas instituições escolares brasileiras com objetivo de propiciar situações permanentes e reincidentes para ressignificação de valores e padrões de condutas. 1997) converteram essas proposições em temas transversais: (a) Ética.com. mais informações www. mas isso não significa que deixaram ou reduziram as condutas e valores discriminatórios em suas vidas cotidianas. e) o trabalho. No Brasil. de Ensino Religioso e Educação Moral e Cívica. As determinações das DCNEF e as sugestões dos PCNEF. geralmente travestidas de atividades inter ou transdisciplinares.Os conteúdos do ensino – o que são? pedagógico. b) a sexualidade. temas relativos à formação de valores foram assumidos. passando a significar as ações para a formação de valores e padrões de conduta 3. esta disciplina tem-se restringido ao convencimento moral por meio de discursos e atividades moralistas e idealistas. A mudança mais importante. essas práticas pedagógicas passaram a ser denominadas de transversalidade em decorrência das proposições dos (PCNEF). Caberia organizar programas de valores e condutas (da mesma forma que temos os de saberes e arte). nesta perspectiva. As proposições das DCNEF e PCNEF não foram efetivamente absorvidas (pelo menos por enquanto) pela cultura pedagógica brasileira. (b) Pluralidade Cultural. porém distintas dos processos de ensino e aprendizagem. (c) Meio Ambiente. Posteriormente. aprender diz respeito a processos cognitivos e à formação de valores e condutas referentes à formação do caráter.br . pois a formação de valores e condutas continua a tratá-las como atividades de ensino (em disciplinas próprias ou como temas geradores das disciplinas escolares) ou. diluídas em atividades do trabalho em sala de aula.iesde. 2 A disciplina de Filosofia não se recuperou plenamente desta tarefa. c) a vida familiar e social. pois expressam um programa de formação de valores e padrões de condutas. g) a cultura e h) as linguagens. (d) Saúde. a inserir-se tanto nas propostas curriculares como nos projetos de organização do trabalho pedagógico.

RCNEI. que se baseiam em práticas e teorias transcendentais. o número de estudos e publicações sobre este tema é reduzido. aqueles que implementam vivências corporais das artes cênicas com os mesmos objetivos.A. Conteúdos e a organização do trabalho pedagógico Os conteúdos. disciplinas escolares e blocos de conteúdos Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. elaborando programas de ação. são as práticas – algumas incluídas nas propostas curriculares – das disciplinas de Ensino da Arte e Educação Física. que parece ainda mais excluído da cultura escolar brasileira. As experiências são restritas a pequenas escolas. desqualificando e. As formas mais comuns estão associadas à psicomotricidade relacional. em alguns casos. ao psicodrama e à outras possibilidades que se fundamentam na Psicologia e requerem qualificações específicas para os educadores e educadoras. seus respectivos processos pedagógicos e formas de organização podem ser expressos na tabela a seguir. Faz-se importante constatar que as instituições escolares que incluem a dimensão da experienciação de sentimentos em suas propostas pedagógicas. Tabela 1 – Os conteúdos escolares e seus respectivos processos pedagógicos Conteúdos Saberes e arte Processos pedagógicos Ensino-aprendizagem Formas de organização Áreas do conhecimento. reprimindo-as. esse campo compõe também os temas transversais. no qual os educandos experienciam diferentes sentimentos.Os conteúdos do ensino – o que são? A experienciação de sentimentos O terceiro e último campo de conteúdos. como a ioga e a meditação. por vezes.iesde.com. é o da experienciação de sentimento. Na Espanha. As instituições escolares são um espaço de interação humana. ocupam-se em alguns momentos do tema) e poucas são as instituições escolares que o incluem em suas propostas curriculares. ignorando. Também constatamos alguns. além de acompanhamentos periódicos de profissionais habilitados. os educandos continuam experienciando os seus sentimentos nos espaços escolares em condições precárias e. que se faz necessária de nota. Este campo organiza os processos ligados à afetividade. ainda. Isso apenas reflete a fragilidade das práticas pedagógicas relativas à experienciação de sentimentos. até prejudiciais. mas no Brasil está excluído dos documentos oficiais (apenas os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.br 79 .. mais informações www. As instituições escolares não as tomam com o objeto de ações pedagógicas. É fundamental que as instituições escolares assumam essa dimensão do processo pedagógico incluindo-a em suas propostas curriculares na organização do trabalho pedagógico. Há. No entanto. A exceção. o fazem de maneiras diversificadas. ao desejo e à emoção.

Os conteúdos do ensino – o que são?

Conteúdos
Valores padrões de conduta
Sentimentos (emoção, desejo,

Processos pedagógicos

Formas de organização

Formação do caráter

Programa de valores e condutas

(transversalidade)

(temas transversais)

Experimentação

Programa de situações de

afeto)

experienciação

Muito se tem dito de processos pedagógicos em que alunos não aprendem
(apesar dos esforços dos professores para ensiná-los), mas quase não observamos
os valores e condutas que são estimulados – espontaneamente ou até inconscientemente por professores e professoras, assim como as situações de experienciação
de sentimentos por vezes negativas que ocorrem em sala de aula, mas que não
são planejadas e organizadas e para as quais os docentes não estão qualificados.
É importante que as instituições escolares reconheçam que conteúdos escolares
são todos os processos que ocorrem com os alunos no espaço das instituições
escolares.
A organização dos espaços de aprendizagem, formação do caráter e expe­rien­
ciação de sentimento – portanto dos diversos tipos de conteúdos, ocorre, porém, de
maneira integrada, por intermédio dos eixos de organização do trabalho pedagógico,
escolhidos em função da proposta pedagógica da instituição e da cultura escolar.
Entre os principais eixos podemos destacar: os projetos, os temas geradores; a contextualização; problematização; a pesquisa do meio; os núcleos de complexidade; as
aulas problematizadoras; as aulas expositivas e os mapas conceituais.

Considerações finais
Definir o que são conteúdos e o que o currículo implica em refletir sobre
o que se transmite e o que se faz com os estudantes, professores e professoras.
(MOREIRA & SILVA, 1999). Investigar esta problemática é importante para que
compreendamos dimensões mais complexas da escolarização. Compreendo que
currículo e conteúdos são imposições “[...] do conhecimento do eu e do mundo que
propicia ordem e disciplina aos indivíduos. A imposição não é feita por meio da
força bruta, mas por meio da inscrição de sistemas simbólicos de acordo com os
quais a pessoa deve interpretar e organizar o mundo e nele agir” (POPKEWITZ,
1995, p. 186).
Portanto, organizar currículo e programas de conteúdos é tomar partido na
formação das novas gerações da humanidade, é participar da disputa pelo futuro
de nossa espécie. E que nós, adultos e professores, consigamos construir uma
outra escola, na qual os alunos e alunas efetivamente escolham os seus caminhos,
sejam sujeitos de suas vidas, e nos tomem como parceiros desta construção.

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Os conteúdos do ensino – o que são?

1.

Em duplas, retirem do texto os pontos essenciais que definem os conteúdos. Depois, junto com
os demais colegas, debatam o tema e montem um cartaz com as conclusões.

2.

Escreva um pequeno texto sobre os conteúdos e a organização do trabalho ­pedagógico.

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Os conteúdos do ensino – o que são?

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Betinho aponta categorias que. pois é um elemento de ação política (efeito-causa) com base na possibilidade de interferência na sociedade. Sua luta é contra a pobreza e a desigualdade. para Giroux (1999).iesde. O professor é um ator social. Essa interferência tem articulação com a história. 12). sendo essa a função dos conteúdos de ensino. na mudança de visão que vai se transformar em ação e “virar” comida. mais informações www. Betinho insere na palavra vida. econômicas e políticas.com. esse movimento que quer recriar o país depende ­essencialmente da confiança que cada um deve ter em si mesmo. na cidadania. Este ator social significa uma ideia. com relações sociais. da ignorância para a educação igualitária. a cultura está presente nos pressupostos filosóficos do movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. fixo e estável. da fome para a fartura. A cultura baseada em um currículo crítico. uma interferência na sociedade (SOUZA. sociedade. quando o professor não apresenta compromisso sociopolítico e competência técnica. Tendo em mente estas questões. Essas categorias citadas por Betinho foram utilizadas por Marx em seu estudo da Revolução Francesa. 1996.º brumário. não apenas o alimento físico. mas a defesa pela vida digna e pelos direitos humanos. a fim de habilitar as pessoas a intervir na formação de sua própria subjetividade e a serem capazes de exercer poder para transformar as condições ideológicas e materiais de dominação. da agressão para o abraço. procura questionar de que forma podemos trabalhar para a reconstrução da imaginação social em benefício da liberdade humana. Uma das categorias definidas é a dos atores. tudo isso num contexto. do tomar para dar. Ao analisar a sociedade. do desrespeito para a união. podem ser estudadas como elementos da “representação da vida”.. é uma esfera pública que amplia as capacidades humanas. que representa um determinado indivíduo ou grupo social. mas como um artefato histórico. A cultura. Na concepção de Betinho. Deve ser uma cultura que leve em conta como as transações simbólicas e materiais do cotidiano fornecem a base para repensar a forma como as pessoas dão sentido e substância ética às suas experiências e vozes. separando o conhecimento para os alunos de 83 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. uma representação.br . emprego. p. na ação solidária e conjunta para transformar a realidade. Na escola. as escolas seriam uma forma particular de vida organizada com o objetivo de produzir e legitimar a cultura. no 18. social e passível de mudanças e transformações. da ausência absoluta da cidadania e dos direitos para o estado e o exercício da cidadania. Na ótica sociopolítica de Herbert de Souza (Betinho). Essa ação de cidadania aposta na consciência. no conjunto.A. educação eficiente e democracia. Ao articular ações buscou mudar a face do Brasil de desumana para humana. sua ação torna-se um “apartheid” educacional.A função dos conteúdos do ensino no currículo Vilmara Sabim Dechandt C urrículo não pode ser concebido como um elemento natural. em práticas que promovam o fortalecimento do poder social e demonstrem as possibilidades da democracia.

que nesse caso seria mera somatória de excluídos e analfabetos políticos e tecnológicos.A função dos conteúdos do ensino no currículo classe média e para alunos de classe trabalhadora. da possibilidade da conquista. Deve tornar-se um cidadão participante. vivenciada e praticada. que tem como função perpetuar a cultura como compromisso político com a aprendizagem de seus alunos.. exonerando o cidadão do papel de ser passivo e inativo”. pois sem ação e decisão não existe cidadania.iesde. tomando decisões refletidas e conscientes. amizade e atenção. solidariedade. cultura e cidadania determinam a participação e o direito de viver plena e decentemente. Indignado com essa situação. da descoberta do eu. compõe a ação do professor direcionada à responsabilidade socioeducativa de garantir a permanência dos alunos em sala. O conteúdo do ensino. Comungando com essas concepções. A luta do sociólogo Betinho novamente se mostra imprescindível. existindo respeito à voz do educando e ao seu voto. ressignificando seus saberes e construindo novos conhecimentos. p. e esse desenvolvimento pode ocorrer de maneira rica ou medíocre. como centro do processo educacional. Seguindo a mesma linha de pensamento. por entender que todo aluno tem o direito de ingressar na escola. da igualdade e justiça social capaz de mudar a fisionomia do país. do conhecimento da própria história. mais informações www.com. A estrutura escolar e o trabalho do professor devem oportunizar o espaço para a prática da cidadania. dependendo das relações interpessoais que se estabelecem. de receber uma educação significativa e prazerosa. Esses princípios têm que estar presentes em todos os tipos de relação. igualdade. A ideia de que todos são iguais diante a lei e dos direitos é uma conquista da humanidade que “deve ser exercida. Betinho projetou na sua campanha o sonho de despertar em cada um de nós o sentimento da solidariedade. 30). compreendendo-a e refletindo sobre os acontecimentos da conjuntura nacional.br . A escola e o educador/ator/trabalhador deveriam promover uma educação com o máximo de desenvolvimento das capacidades cognitivas e afetivas de todos os indivíduos. bem-querer e afetividade. participação e diversidade (SOUZA. 1993. deve apresentar avanços cognitivos que o capacitem a interagir na sociedade. amor. No espaço da sala de aula tem que haver generosidade. contribuindo para a história do nosso país. e a educação é uma das referências para que isso se concretize. A democracia é qualificada como uma realidade na qual se congregam simultaneamente cinco princípios: liberdade. Arendt contempla a perpetuação da cultura pelo currículo escolar como participação em todos os segmentos da sociedade. por meio da relação afetiva e compromissada do professor com todos seus alunos – tirando-os do estado de passividade para o despertar da consciência –. de aprender.A. p. 73) afirma que c­ urrículo. 84 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. da construção da vida. em todas as instituições e relações humanas. O aluno. da interpretação do mundo. Dimenstein (1997.

apesar das diferenças. ensinar não é transferir conhecimentos e conteúdos.iesde. A educação não se torna política por causa da decisão deste ou daquele educador. O educador crítico pode mostrar que é possível mudar o país. No pensamento de Paulo Freire. assim. estética e ética. política. não se reduzem à condição de objeto um do outro. principalmente entre professor e aluno. pedagógica. e isso reforça a importância de sua tarefa político-pedagógica. políticas e ideológicas da sociedade. recriar. É uma experiência total diretiva. de decisão. afeto. ensina alguma coisa a alguém. alma. no campo da economia. no qual esta afetividade seja Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Não há docência sem discência. historizar-se. ideológica. tanto mais alegre e esperançosa é a aprendizagem. Ela é política e sua raiz se acha na própria educabilidade do ser humano.A função dos conteúdos do ensino no currículo As relações interpessoais. das relações humanas. a cultura e o currículo se opõem à opressão e estão relacionados a criar. gnosiológica. quanto. provocando participação e conquista (ARENDT. intencionando tanto mudanças radicais na sociedade. do direito ao trabalho.. Para isso. Freire acredita que a escola deve respeitar os saberes construídos pelos alunos na prática comunitária e discutir com eles as implicações sociais. Tudo isso deve permear o currículo para que a cultura historicamente acumulada tenha valor. mais informações www. p. pelo contrário. inquieto. a um corpo indeciso e acomodado. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. extremamente curioso. é um ato de intervenção no mundo. Sabe que sua experiência na escola é um momento importante que precisa ser autenticamente vivido e socialmente compartilhado com seus alunos. da propriedade. crítico e comprometido com sua prática docente deve forçar a capacidade de crítica do educando. o que foi ensinado realmente se tornou conhecimento.. 1992. pede objetos direto e indireto: quem ensina. existenciar-se. Só existe ensino quando resulta em aprendizado. Neste sentido. acolhendo todos num grande. à educação etc. Quanto mais metódica e rigorosa é a prática da docência. que se funde na sua natureza inacabada e da qual tornou-se consciente. humilde e persistente. alunos passivos e esquecidos pelo professor no espaço de sala de aula. ir adiante. à terra. O educador democrático.br 85 .com. tornou-se um ser ético. ou seja. as duas se explicam e seus sujeitos. biografar-se. imobilizar a história e manter a ordem injusta. sua curiosidade. A educação. Ensinar exige querer bem aos alunos e à própria prática educativa da qual ­se participa. especificidade humana. a maneira consistente com que vive sua presença no mundo. viver seus direitos. um ser de opção. instigador. Esta é a vivência autêntica ensinada pela prática de ensinar-aprender. afetuoso e intelectual “abraço”. Ele sabe o valor que tem para a modificação da realidade. precisa ser um educador criador. 73). Essa abertura significa que seriedade docente e afetividade não são incompatíveis. é a ação pela qual um sujeito criador dá forma. O ser humano. Ensinar é mais que verbo transitivo/intransitivo. sua insubmissão. devem ser de respeito.A.

p.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Nenhum sentido tem acumular verdades que não se transformam em contribuições para toda a sociedade. 32) reivindica a cultura como componente da ação pedagógica subentendendo que “a educação corre paralela ao erotismo. 5). De nada serve guardar arquivos com conhecimentos que não vão ser compartilhados com os alunos. “ uma mão revestida de paciência que toca sem ferir e solta para permitir a mobilidade do ser com quem entre em contato. na relação ­professor-aluno como mão. Mão que renuncia à posse e que aprende do outro num suave galanteio” (RESTREPO. A educação inexiste se não for para ser socializada. incentivando a relação de sedução que se estabelece entre o mestre e o aluno numa identificação ­apaixonada”. Iguala em uma analogia a reelaboração da cultura pelo currículo. 86 Leia a obra de José Elias. e categorize as diferentes funções do conteúdo de ensino que o texto apresenta..A. Restrepo (2001.com. 1. p.A função dos conteúdos do ensino no currículo concebida como direito político de todo aluno de ser respeitado e jamais excluído da sociedade. Mão compassada que tenta reproduzir em seus movimentos a dinâmica caprichosa da vida. 2001. Não há razão para manter em sigilo produções que não vão enriquecer a vida cotidiana da existência humana.iesde. Uma escola assim eu quero para mim. mais informações www.

A função dos conteúdos do ensino no currículo 2.com.A.iesde. qual sua função (domesticação ou emancipação).. Debater com seus pares como está sendo enfocada a cultura presente nos currículos escolares. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www.br 87 .

br .com. mais informações www..A função dos conteúdos do ensino no currículo 88 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.iesde.

da diversidade em nossa sociedade e do ambiente em que vivemos. menos tenderá a restaurá-la. aí está o cerne da qualidade de viver e aprender. deve estar atento a essas situações e investir fortemente no restabelecimento da comunicação.A. a palavra. Ressaltando para nós que é o processo curricular educativo.br 89 . mas nem sempre conscientes na estrutura curricular da educação brasileira. 139) é fatídico ao afirmar: “inclusão e exclusão começam na sala de aula”.A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão Irene Carmen Piconi Prestes Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Igualdade de oportunidades é um amplo conjunto de valores comuns e de propósitos que estão subjacentes ao currículo e ao trabalho das escolas. a construção da identidade pessoal de cada ser humano. a subjetividade. acreditará que a falha está exclusivamente nela? Será que essa falha não é responsabilidade da escola. Quanto menos ele percebe essa ruptura na relação. do currículo. Quando o aluno não entende o professor e suas solicitações. Assim questionamos: será que a criança que experimenta com frequência essa dificuldade de entender e ser entendida. Tomamos o referencial da Psicanálise para estabelecer os pilares de sustentação na construção psíquica do sujeito. do professor ou do planejamento das atividades? Esse texto está voltado para os profissionais da educação que têm interesse em refletir sobre os valores. Há um sujeito entre as pessoas. ou melhor. refletir sobre a constituição subjetiva do sujeito. O professor. mais informações www. Eles também incluem um compromisso com nossa própria valorização. seguindo cada um o seu próprio caminho. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Peter Mitler M itler (2003. Por mais comprometidos que estejam a sociedade e o governo com a inclusão.iesde. As interações entre os membros da comunidade escolar promovem a inclusão e podem. de compreender e ser compreendida. são as relações cotidianas em sala de aula que oferecem ou não a possibilidade de experiências de aprendizagem. em que cada um busca sua forma de pesquisar. há um sujeito na sala de aula Vamos. de nossa família e de outras relações. p. neste momento.com.. dos grupos abrangentes aos quais pertencemos. entendido aqui enquanto uma vivência. sente-se excluído. prevenir a exclusão. que considere cada situação como singular. por sua vez. podemos admitir que o currículo seja “individual”. a identidade presentes. Para o autor. se o entendemos em uma visão particular. se for a sua intenção.

em todos os tempos da construção da identidade. Esse é seu trabalho diário. é a relação entre o sujeito e o outro (mãe-filho. Por exemplo. a um padrão de relação. ou seja. e buscar seu lugar de pertença. para esse sujeito individual. desde antes do nascimento a criança existe no discurso dos pais. Esse modelo é o sujeito ideal do meio.A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão Como um primeiro aspecto temos o contexto social.br . dizemos que a sociedade e suas instituições representam um conjunto de vozes que enunciam um discurso com referenciais identificatórios. Nesse conjunto sucessivo de vozes identificatórias do meio. até mesmo à primeira vista. e cada ato faz com que atinja uma nova posição: para que algo nasça. sem termos consciência.iesde. Na brincadeira de bandido e mocinho. na família. na verdade. E o que esperam do sujeito é que reproduza o “modelo almejado”. a escola muito cedo ocupa um lugar de substituição primeira e imediata dos referenciais parentais. pode-se levantar a hipótese de que. na escola e na sociedade. Assim. torna-se inegável a marca da história de vida ­pessoal de cada sujeito na definição de suas opções no presente. grande parte daquela dificuldade ou facilidade. algo será perdido.. Essa constatação talvez possa explicar. agradável/desagradável. Por tudo isso que apresentamos. assim. depois de mortos pelas obras que produzimos e. esteja ele atuando em qualquer espaço de sua existência. inter e intrapessoal. esse sujeito nasce onde atuam o discurso e o desejo do casal que o concebe. esses referenciais são anteriores ao seu nascimento. de forma que em certas circuns­ tâncias observamos como somos reduzidos a elas. permeadas pelas tradições e pelos costumes. as coisas. de esconde-esconde. assumindo seus direitos e deveres. as pessoas atadas aos lugares que ocupam numa rede de relações e histórias coletivas. Portanto. Reconhecemos que. no espaço relacional da criança no ato de brincar e no processo da escolarização. mais informações www. Concluímos que as palavras representam as pessoas. vivido junto a algum daqueles modelos originais. por exemplo. antes de nascermos pelo nome que recebemos. Revelam a expectativa dos pais.A. nas histórias que conta e quer ouvir. o enxoval do bebê. mas também de significação psíquica das coisas do mundo para si mesma. por exemplo. com pessoas que aparen­ temente nunca nos deram motivos objetivos para qualquer dessas posturas. nos jogos de montar e desmontar. Pode ser que algum traço de comportamento nelas nos remeta. no contexto de uma sociedade letrada. nesse projeto identificatório. professor-aluno) que está sempre em causa. os casos tão frequentes de termos ou não afinidades. entre a necessidade de ser reconhecida como adulto e o desejo de permanecer criança. inseridos num meio específico e sob a influência da condição social que o determina.com. É nesse movimento que parece estar. histórico e cultural como o espaço e o tempo das relações interpessoais. pelas necessidades e pelos desejos. e as mudanças que impomos ao casal parental frente à nossa vinda ao mundo. A criança situa na brincadeira as coisas do seu mundo em uma nova ordem. Por exemplo. Por esse raciocínio. Desenvolve aí um trabalho não apenas lúdico. localiza-se mais em nós 90 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

br 91 . quando se trata de uma convivência próxima. a escola preocupa-se muito com a aprendizagem e pouco com o sujeito que está aprendendo. e o lugar dentro do grupo. Com o que foi apresentado. o vínculo torna-se imprescindivelmente dinâmico. Algumas sugestões para a diversidade e currículo na educação inclusiva Estar na escola não significa que o aluno esteja aprendendo. ou seja.com. E ainda. que nos constituímos como sujeitos de um determinado tempo. mais clara e descontaminada fica a possibilidade de estabelecer uma relação de intercâmbio com o outro. cotidiana e estreita entre pessoas.. como ocorre no caso das relações familiares e de trabalho. ao discurso. como um ser de desejo e de palavra. sob as condições histórico-culturais. mais presentes e misturadas poderão se tornar essas transferências. pois é ele que pode fundar um laço social. construímos nossas possibilidades de ser. visto que é na diversidade das relações com as mais diferentes formas de conhecimento. participando delas. a possibilidade de reconhecimento do “Eu” (identidade pessoal). na sala de aula que ele encontrará a possibilidade de refletir sobre essas referências identificatórias. Atualmente. É na escola. Quando se estabelece o diálogo com a situação do cotidiano escolar. Por isso. O espaço relacional da escola deve dar lugar à fala. assumimos que os processos psicológicos são constituídos nas práticas sociais. atualizado e forte. de uma dada cultura. e não linear. observamos que é assim que vamos entender o aluno. mais informações www. Dessa perspectiva teórica. de fazer e aprender sobre nós e sobre o mundo. principalmente as nossas formas de pensar sobre a ­deficiência mental. em função de uma relação dialética professor-aluno.A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão mesmos.A.iesde. quanto mais cada um dos envolvidos consegue apropriar-se dos determinantes histórico-subjetivos de suas ações no presente. do que propriamente no objeto relacional. Essa proposição nos permite redimensionar as ideias ainda vigentes sobre a deficiência. A escola tem um projeto educativo inclusivo quando reconhece a complexidade das relações humanas (professor-aluno) e a amplitude e os limites de seus objetivos e ações. no jogo das relações. desde que encontre um espaço aberto que esteja interessado em suas questões. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Torna-se essencial conhecer o aluno no campo das relações sociais nas quais ele está envolvido. O comportamento é expressão do contexto mais amplo.

Assim o melhor professor seria aquele que não detém o poder nem o saber.br . mas entre os homens”. Fala-se o que se pensa que se sabe. mas o aluno reteve. Por isso. ele continua seu pensamento afirmando que é preciso “desaprender”. enquanto o discurso oral é tutelado pelo orador. O escritor.com. a mesma história que se dá com o texto. E uma forma de incrementar o poder é o perder. mas o leitor constrói sua leitura segundo suas carências e iluminações. O professor pensa ensinar o que sabe. O jorro contínuo de palavras pode ser ostentado apenas nas ditaduras. mas “com o maior sabor possível”. mas saber desejar é uma atitude refinada. perder é uma forma de ganhar. A construção do silêncio exige muitas palavras. O professor por isso ensina também o que não quer. mais informações www. Ou aquilo que o mestre nem sabe que ensinou. constrói uma casa de palavras para ouvir seu silêncio interior. durante as democracias se aprende que o discurso nem sempre diz. propôs aos alunos que o encontro na classe não tivesse tema predeterminado. s. O orador é falado pelo seu discurso. É. aliás. o saber pode brotar do silêncio. E. sem paternidade. Entre um e outro vai a distância do canibal ao gourmet. O sentido é construído a muitas vozes e ouvidos. mas que está disposto a perder o poder. Portanto. Nesse caso.p. mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe”. o que recolheu dos livros e da vida.A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão Desaprendendo a lição (SANT’ANNA. uma sensação de “nenhum poder. por exemplo.) “Há uma idade em que se ensina o que se sabe. harmonicamente. E num seminário em Paris praticando a errância do saber. por outro lado. mas aquele que de repente aprende”. O autor se propõe a dizer uma coisa. O conceito de ensino como atividade oracular por parte do mestre. ouve-se o que se pensa que foi pronunciado. e o saber é recomeçar. Desejar o saber é uma primeira etapa. para fazer emergir o saber múltiplo. 1994. que se complementa numa passividade auricular da parte do aluno é desmistificado por esse outro raciocínio. um pouco de saber”. pelo simples fato de estar presente. Enriquece-se o saber combatendo-se o poder que ele aparenta. Ali os alunos deveriam não apenas desejar saber.. Assim ele pode aprender o avesso ou diferente do que o professor ensinou. soma-se a astúcia do silêncio. assim como a pausa organiza a música. Mas o aluno aprende aquilo que quer aprender.A. “deixar trabalhar o imprevisível” até que surja a chamada “sapiência”. 92 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Esta frase de Barthes é instigante. A palavra ao ser pronunciada já não nos pertence. E segundo Guimarães Rosa: “mestre não é quem ensina.iesde. O orador também não controla o seu discurso. algo de que não se dá conta e passa silenciosamente pelos gestos e paredes da sala. Tinha razão o polifônico Sócrates “a verdade não está com os homens. Assim como o espaço em branco é importante no poema. mas saber desejar. No princípio era o verbo. à audácia de desaprender o aprendido. O desejo inconsciente do saber é que deveria aflorar o tema. Desmistifica a prática usual do ensino. Por isso equivocou-se o filósofo Derrida ao dizer que o texto segue livre.

Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. sendo quatro frases que revelam a posição transferencial do professor na sua relação com aluno e outras quatro frases que revelam a posição transferencial do aluno com o professor. reúnam-se em grupos e discutam o que foi destacado. propomos a leitura do texto anterior. Assim.. quando se fala em adaptação curricular.br 93 .com.A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão Refletir sobre as premissas da identidade do sujeito nos parece essencial para uma educação que se quer inclusiva. Em seguida. mais informações www.iesde. Destaque do texto frases que identificam a relação professor-aluno.

. Sinto dentro de mim que Você não significa nada. mas tenho que dizer a verdade É tarde demais. Sinto cada vez mais que Já te esqueci! E jamais usarei a frase Eu te amo! Sinto.A. Não te amo mais Estarei mentindo dizendo que Ainda te quero como sempre quis.iesde.br . Tenho certeza que Nada foi em vão.com. Num primeiro momento leia de cima para baixo. Anônimo 94 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S...A diversidade e o currículo – da exclusão à inclusão Convidamos você a ler esse poema. Não poderia dizer jamais que Alimento um grande amor. e depois debaixo para cima. mais informações www.

2000. Cada escola é uma realidade organizativa singular que molda o desenvolvimento do currículo. a escola estará. quais formas de avaliação são mais produtivas para a construção do conhecimento pelo aluno. refletir coletivamente sobre: que aluno deseja formar. é necessário que os professores cultivem o hábito de observar e ouvir os alunos. projetos que tenham como fundamento as questões presentes no cotidiano das relações sociais que permeiam a vida do aluno. Assim. alguns aspectos devem ser considerados na elaboração de propostas pedagógicas: Qualquer aprendizagem nas escolas acontece num meio organizativo. p. educativo e curricular. para ter um ponto de partida no desenvolvimento de projetos pedagógicos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 249). relatados de maneira explícita na proposta pedagógica.com. porque isso requer expor sua missão e os caminhos escolhidos para cumpri-la. e sim englobar todos os aspectos relativos ao cotidiano da escola. “no qual se deve observar não apenas objetivos relacionados com os conteúdos de matérias escolares. 2000. 245). quais metodologias de trabalho são necessárias e representativas. 249). docente e discente. mas também outros que são comuns a todas elas ou que ficam à margem das mesmas” (SACRISTÁN. é necessário o envolvimento não apenas do professor.A elaboração do projeto pedagógico na escola Ida Regina Moro Milleo de Mendonça E ntendemos que o conceito dos projetos pedagógico. p. dentro e fora da escola. mais informações www. o currículo desenvolvido na escola configura-se como um projeto global de cultura e de educação. Compreendemos ainda que o projeto educativo não pode ser resumido em uma questão técnica de caráter pedagógico.br 95 . p. Conforme Sacristán (2000. que conhecimentos são relevantes. Ao elaborar sua proposta pedagógica. Por isso.A.. “A busca da qualidade de ensino é um princípio bastante aceito hoje em dia considerar que a melhoria da qualidade de ensino depende do funcionamento coletivo das equipes docentes” (SACRISTÁN. tem o mesmo significado.iesde. A dinâmica de funcionamento e organização da escola deve estar preparada para oferecer condições propícias e adequadas para a efetivação do processo de ensino e aprendizagem. Deste modo. Isto é. de forma explícita. mas de toda a comunidade escolar. bem como os pais e comunidade. Toda a experiência de aprendizagem dos alunos e as possibilidades ou alternativas de ensino que os professores adotam estão condicionadas por regras de funcionamento geral que afetam a escola e seu conjunto. demonstrando sua capacidade de autonomia.

2000. p.A elaboração do projeto pedagógico na escola É de fundamental importância que os professores. A clareza e sintonia de ações educativas dos professores em relação aos alunos é uma condição básica para a obtenção de resultados satisfatórios no processo de formação dos alunos. ou com a conquista de habilidades intelectuais. [. (SACRISTÁN. Tampouco as atividades culturais vivenciadas pelos alunos na escola podem configurar-se em atividades complementares ou extracurriculares. para que todos propor­cionem estímulos constantes sem demasiadas contradições. A grande maioria de objetivos importantes da educação que não se referem a áreas ou disciplinas concretas.iesde.. (SACRISTÁN. relaciona-se com o desenvolvimento da personalidade.]. desse modo... “Por currículo se entende a cultura real que os alunos recebem e a experiência que obtêm na educação escolarizada. p. Todavia. A cultura não se esgota nas matérias escolares. Se currículo é cultura e deve chegar a ser experiência cultural para os alunos/as alunas. execução e avaliação.] exige uma linha de atuação coerente entre os professores. 2000. 249) Não é mais possível conceber uma série de temas e atividades relacionados à formação cultural do aluno. Deve-se buscar congruência de estilos pedagógicos. possam ter a liberdade de expressar suas ideias e pontos de vista acerca da educação.br . [.com. receber a devida atenção. p.. e não apenas as declarações das prescrições curriculares ou os conteúdos dos guias e textos” (SACRISTÁN. A elaboração do projeto pedagógico deve considerar a vida do aluno na escola. A escola é fonte de experiências educativas. ao elaborar a proposta pedagógica na sua escola. 251) Além de a escola ser um ambiente de informação. engessados em uma determinada matéria de ensino. para a concretização de tal proposta fica evidente a necessidade de expressão de um pensamento que represente a coletividade. o professor no processo de construção do projeto educativo deve considerar sua função de educador e interagir com os demais colegas na escola com o objetivo de promover práticas que se inter-relacionem de forma coerente.A.. 150). A proposição de práticas culturais deve estar explicitada no projeto pedagógico e. É preciso perceber e valorizar a riqueza das experiências que os alunos vivenciam no espaço escolar.. 96 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Portanto. Tais experiências devem ser consideradas de forma relevante na proposição de práticas educativas. considerando sua elaboração.. 2000.] parece inevitável que a escola promova o desenvolvimento de atividades culturais que ampliem a perspectiva das matérias [. é por excelência um espaço privilegiado para a formação do aluno. mais informações www.

6. adquira um conhecimento ou uma regra de conduta. implica ao menos três elementos essenciais: uma pessoa que tenta ensinar. o conhecimento deve ser organizado em relação à capacidade de compreensão da criança. o professor. entre eles. Estes são os elementos indispensáveis. então. 4.. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. partir dos interesses da criança. mas dar-lhes um tratamento cada vez mais geral.br 97 . 114-116) Educação é uma atividade na qual um indivíduo. Os métodos 8. A criança precisa aprender a conceber o conhecimento como o que é. os métodos.iesde. p. O conhecimento é gerado a partir da ação transformadora da realidade. 5. Deve-se partir de problemas concretos. mais informações www. As atividades escolares devem estar conectadas com o ambiente social. como uma força social que permitiu ao homem controlar a natureza. que são os que interessam à criança. A característica do tipo de escolas que pensamos que se possa construir não se relaciona tanto com os conteúdos que se aprendem quanto com a maneira de aprendê-los. as narrações. então. a ciência atual e as necessidades sociais.A elaboração do projeto pedagógico na escola Princípios para a escola (DELVAL. Deve contribuir para o desenvolvimento da criança. 2001. Deve-se. em que medida também são necessidades para a criança. por isso. mas não para estacionar nelas. Deve-se facilitar a atividade da criança. e sim para chegar a princípios gerais. A escola. e um conhecimento que se tenta transmitir. 10. principalmente. o aluno. mas.com.A. 7. 9. deve atender tanto a criança quanto as necessidades da sociedade. 2. 3. a presença de outras pessoas (colegas) etc. voltando aos grandes princí­pios do conhecimento. podemos considerar as condições nas quais se realiza a aprendizagem. o lugar. Por isso. faz com que outro indivíduo. 11. um indivíduo que se pretende que aprenda. Deve-se incorporar a criança às atividades de utilidade social. deve levar em conta o desenvolvimento da criança. além disso. tanto em atenção a ela como à sociedade. Os princípios 1. A educação deve ser total. Deve-se utilizar todos os procedimentos e. mas.

98 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. tanto físico como social. às regras e à cultura da comunidade.com. a compartilhar com eles suas satisfações e problemas. em especial. sua história e sua relação com a sociedade. Comunicar a outros os resultados de trabalho. como um veículo de comunicação. a cooperar. a respeitar as regras da convivência. Buscar informação relevante para esclarecer um assunto ou para resolver um problema. dos conhecimentos mais essenciais que a humanidade foi acumulando. seu funcionamento. a lógica e a matemática. Deve ser naturalmente uma história da cultura.A. deve-se aprender sobre as instituições. pela evolução etc. de certo modo. Aprender a conviver com os demais. as experiências. O próprio homem pode transformar-se em um objeto de estudo apaixonante. tanto oral como escrita. isso se faz aprendendo. o que é o mais essencial. A criança deve aprender sobre a natureza. 13. a criança interessa-se desde muito cedo pela vida dos animais. As máquinas. 18. 21. pela reprodução. Estas se referem. deve permitir a aquisição de habilidades que. sobre a sociedade e sobre si mesma. Entre as coisas que as crianças devem aprender. Em relação à vida social. Os processos industriais de fabricação. as regras morais.iesde. dos movimentos sociais. aos costumes. visto da perspectiva antropológica. por seus costumes. 22. mas não se pode ensinar a aprender.A elaboração do projeto pedagógico na escola Os conteúdos 12.br . estão as seguintes: analisar problemas. Em relação à natureza. das mentalidades. são mais essenciais que esses próprios conhecimentos. mais informações www. Certamente. seus princípios. A tecnologia pode ser um objeto de estudo de grande valor educacional. Deve-se prestar atenção aos valores. A história do homem apresenta um grande interesse quando pode ser vista em uma perspectiva suficientemente ampla fazendo-se uma integração dos diferentes fatores. As habilidades 19. O universo. 16. considerando as diferentes culturas e os costumes. Parte disso é o que alguns chamam de “aprender a aprender”. sobre a organização social. é objeto do conhecimento. As relações com ou outros seres humanos. etc. e sobre a formalização. 17. sobretudo usar a linguagem. 14. 20. à forma de adquirir esses conhecimentos e ao fato de serem capazes de gerar novos conhecimentos. 15. O conhecimento dos problemas relevantes para o homem.. estabelecer problemas. da satisfação das necessidades. ser capaz de expor as próprias ideias com clareza tanto verbalmente como por escrito. deve-se aprender sobre a linguagem. as propriedades das coisas.

br 99 . Que conhecimentos a serem desenvolvidos com os alunos você considera relevantes na proposição de práticas educativas? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.A elaboração do projeto pedagógico na escola 1.iesde. 3. Explicite algumas questões educativas que você considera importantes na elaboração do projeto pedagógico. mais informações www.. De que maneira é elaborado o projeto pedagógico de sua escola? Qual a sua participação nesse processo? 2.com.

” Otimismo é alegria por causa de: coisa humana.A.. Otimismo é quando.. Esperança é quando. 1997.] 100 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A elaboração do projeto pedagógico na escola (ALVES.br . ­nasce a primavera do lado de dentro.. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.. Basta-lhe um morango à beira do abismo [. sendo primavera do lado de fora. Hoje só é possível ter esperança. A esperança se alimenta de pequenas coisas. A esperança tem suas raízes na eternidade. natural. continuam as folhas a borbulhar dentro do coração.com. Sem elas. mais informações www. Camus sabia o que era esperança. Nas pequenas coisas ela floresce.) Hoje não há razões para o otimismo.p.. O otimismo tem suas raízes no tempo. O otimismo se alimenta de grandes coisas. ele morre.iesde. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível. s. sendo seca absoluta do lado de fora.

uma vez que a percepção da diversidade humana é o ponto de partida para a compreensão do processo inclusivo. Lei 4.. nas instituições ou em salas de aula.692/71 e ainda a Constituição Nacional de 1988. pluralidade cultural e trabalho e consumo. considerar a necessidade de construir referenciais nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. pois possibilitam que a adaptação curricular seja realizada em esferas superiores. Vale a pena lembrar que os Parâmetros Curriculares Nacionais dividem-se em áreas que correspondem às disciplinas de cada série: Língua Portuguesa. Arte. Educação Física e Língua Estrangeira. critérios de avaliação e orientações didáticas próprias.] foram elaborados procurando. 1999. que foram elaborados no ano de 1998. Com isso. desde os jesuítas existia uma dedicação a essa classe. É interessante perceber que existe a necessidade de se criar uma identidade única do ensino.5) É possível perceber na citação que a flexibilidade e a dinamicidade são características marcantes desses documentos.A. pretende-se criar condições nas escolas. que possa ser adaptada a qualquer realidade brasileira. meio ambiente. Matemática. Lei 5.br . que sempre elegeu a elite como cliente preferencial.com. por meio de propostas regionais. diferentemente do que nos mostra a história do país. Posteriormente. mais informações www. Não que os discursos anteriores não fossem democráticos. Ciências Naturais. orientação sexual. Se nos reportarmos ao início da educação brasileira. saúde.. p. pelo Ministério da Educação e do Desporto.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na educação inclusiva Maria Letizia Marchese A tualmente. conteúdos. A finalidade dos Parâmetros Curriculares Nacionais é servir como referência curricular nacional.iesde. o ensino brasileiro é norteado por um conjunto de documentos denominado Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). o que veio fundamentar-se na Lei 9. sem a possibilidade de adequação. 101 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania. sob responsabilidade do então ministro Paulo Renato Souza. (BRASIL. com as Leis de Diretrizes e Bases. Ainda em se tratando dos PCN [. de outro. Geografia. políticas existentes no país e. e por isso contribuem de forma muito positiva. culturais.394/96 e na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais. cronologicamente falando. “oficializou-se” uma caminhada em busca da democratização do saber.024/61. História. respeitar diversidades regionais. Cada área possui o seu próprio documento (PCN) com os objetivos. mas apresentavam-se sob a forma de propostas e currículos fechados. Cabe então aos órgãos regionais. de um lado. Isso não poderia ser diferente. eram. possibilitando a democratização do acesso aos conhecimentos. às escolas e aos professores selecionar e adequar os conteúdos da forma mais compatível à realidade local e às necessidades dos alunos.. As áreas trabalham interativamente entre elas e conjuntamente com os temas transversais: ética.

Com isso. Dessa forma. E. é necessário ter em mente que o próprio professor deve ser ativo e consciente do seu papel. (BRASIL. deve-se destacar a publicação das Adaptações curriculares – e estratégias para a adaptação de alunos com necessidades educacionais especiais. capacitando-os para que possam oferecer um ensino de qualidade. Fica bastante claro esse discurso dentro da proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais. para complementar a sua proposta.ª a 8. enriquecendo o currículo e possibilitando o aprofundamento dos conteúdos. mais informações www. para que. contribuem para análise um conteúdo sob vários prismas. que atuam de forma interdisciplinar.com. mas que as adequações serão realizadas de acordo com as suas percepções e concepções. para finalizar. locais e dos alunos. aberta.ª séries). Os Parâmetros Curriculares Nacionais dividem-se em três níveis: os de primeiro e segundo ciclos do Ensino Fundamental (1. Para que o aluno possa atuar. Ele constitui-se numa proposta “politicamente correta”. de modo que a educação não seja um fator suplementar da exclusão social.iesde. possa construir valores que o capacitem a atuar adequadamente na sociedade. Os Parâmetros Curriculares Nacionais utilizam o sistema de ciclos.. visando à melhoria das condições de trabalho e de salário. procura-se minimizar a fragmentação de objetivos e conteúdos e respeitar o ritmo de aprendizagem dos alunos.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na educação inclusiva Percebe-se que a organização dos PCN pressupõe um trabalho conjunto entre as áreas do conhecimento. para que isso aconteça. é preciso que primeiramente haja espaço para isso em sala de aula.br . uma vez que apresenta uma discussão sobre a necessidade de que as políticas educacionais sejam suficientemente diversificadas e concebidas. que visa subsidiar a ação docente na adequação do currículo às características de seus alunos. Experiências anteriores mostram que a aprendizagem do aluno deveria acontecer em prazos determinados. de terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental (5. 102 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. É imperativa na filosofia dos PCN a participação constante e consciente do aluno.ª séries) e os de Ensino Médio. assim como é igualmente importante investir na sua qualificação. Juntamente com os PCN do Ensino Fundamental.. evitando uma abordagem reducionista.A. os PCN estarão contribuindo para a discussão de um currículo adequado para as várias diversidades brasileiras. neste momento. 38) Cabe. À medida que apresentam uma proposta flexível. é necessário criar mecanismos de formação inicial e continuada que correspondam às expectativas da sociedade em relação ao processo de aprendizagem [. fato que pode ter contribuído para o insucesso escolar de muitos alunos.]. pois ele é um dos atores que compõem o processo educacional e influencia diretamente os seus alunos. em geral bimestralmente. sendo que cada ciclo corresponde a duas séries.ª a 4. em meio às suas experiências escolares. Para isso. tornando-se apropriados para as necessidades regionais. Mas. Os PCN colocam a importância do professor e apresentam preocupação em relação a ele: É preciso desenvolver políticas de valorização dos professores. Fica bastante clara a necessidade de que os profissionais da educação estejam conscientes de que os PCN são referenciais. chamar a atenção para o processo de inclusão escolar. um ensino mais relevante e significativo para os alunos. p. dinâmica e adaptável. 1998. foram elaborados os temas transversais.. ou seja. embutida de valores de igualdade de oportunidades educacionais a todos.

logo depois os seus governantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns dos seus jovens às escolas dos brancos. 1999. A que conclusões se pode chegar quanto ao texto complementar? 2.A. Eles eram.] muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência.iesde. Não serviam como guerreiros. para a análise das questões a seguir: 1.. eles eram maus corredores. quando eles voltavam para nós. que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles homens.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na educação inclusiva (BRANDÃO.) Há muitos anos nos Estados Unidos.] nós estamos convencidos que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e. [. É indicada a discussão. A realidade brasileira apresenta as diversidades encontradas no texto? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. matar o inimigo e construir uma cabana. em pequenos grupos. portanto. Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os índios das Seis Nações. s.br 103 . Os chefes responderam agradecendo e recusando. Eis o trecho que nos interessa: [. Não sabiam como caçar o veado. como caçadores ou como conselheiros. embora não possamos aceitá-la..com. A carta acabou conhecida porque Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. como as promessas e os símbolos da educação sempre foram muito adequados a momentos solenes como aquele. Ora. e falavam a nossa língua muito mal. para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores da Virgínia que nos enviem alguns de seus jovens.. os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa. totalmente inúteis.. Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e. sendo assim. Mas. ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. mais informações www..p.

. Elabore um texto (com aproximadamente dez linhas) citando e justificando as características dos Parâmetros Curriculares Nacionais que contribuem com a educação inclusiva.br . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na educação inclusiva 104 3.A.iesde.com. Que relação se pode estabelecer com os Parâmetros Curriculares Nacionais? 4. mais informações www.

Mas essas mudanças devem acontecer em cada escola de maneira peculiar. acontecimentos e legislações que a caracterizaram e caracterizam. quando a sociedade. Adaptar-se às novas situações e necessidades deve ser uma prática constante. de estruturações e reformas que no decorrer dos anos se fizeram necessárias. pelo saber produzido historicamente.iesde. O que caracteriza. Essas mudanças fazem com que surjam novas necessidades sociais. saúde.com. novamente em transformação.A. As necessidades sociais sempre foram a alavanca para descobertas e para soluções que resolvem os problemas de produção. estas devem rever alguns de seus conceitos e algumas práticas já ultrapassadas. nos últimos tempos. da ciência. da educação. a cada geração. Elas fizeram surgir uma herança cultural que vem sendo transferida e renovada. mais informações www. alimentação. da tecnologia.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico Maria Letizia Marchese A tualmente. A grande mudança pela qual o mundo passa deve fazer com que a escola e o seu projeto político-pedagógico também passem por um questionamento profundo. Essa certeza. uma vez que os resultados obtidos por meio da sua prática estão aquém do desejado e do possível.. surgiram avanços que não eram imagináveis até poucas décadas. desde a descoberta do fogo até os dias atuais. ou identifica uma escola. do trabalho e da diversidade. deve fazer parte do projeto político-pedagógico de cada escola. das metas estabelecidas nos projetos político-pedagógicos nos anos anteriores. projeto educativo.br 105 . tenta alicerçar-se nas bases do conhecimento. pois: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a da mudança constante. O contexto social das mudanças deve fazer com que a escola reconheça o impacto das atuais transformações econômicas. é o seu projeto político-pedagógico (PPP) ou. Faz-se premente que sejam realizadas mudanças nesse cenário escolar. políticas. Para que a escola e a educação estejam em consonância com a sociedade e suas necessidades. como é referenciado nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Mas. não há como negar que o mundo vem passando por mudanças radicais em todos os campos e que. sociais e culturais na educação e no ensino e levá-la a rever seu papel e sua função na sociedade e atualizar continuamente seus propósitos. É importante ressaltar que a educação e a escola que temos hoje são frutos de uma história repleta de fatos. moradia. também. transporte e outros.

é possível afirmar que o projeto educativo firma-se em uma história de construções e de reconstruções. define os resultados desejados e incorpora 106 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Para que as mudanças ocorram. e não de sobreposições.br . mais informações www. gestão do tempo e do espaço. pois esta se caracteriza como uma instituição necessária à democratização e à formação de seres pensantes. Essa identidade é constituída por uma trama de circunstâncias em que se cruzam diferentes fatores.com. interação. antropológicos e psicopedagógicos. ministrado por professores capazes de incorporar ao seu trabalho os avanços das pesquisas nas diferentes áreas de conhecimento e de estar atentos às dinâmicas sociais e suas implicações no âmbito escolar. à utilidade e à competência. 1998c. tais como: dados recentes sobre a educação brasileira. é possível perceber que estabelecem orientações sobre o projeto educativo. tradições. ainda.. irá alcançá-la.iesde. p. a escola discute e expõe. tem uma abordagem crítica. com meios adequados. um clima institucional favorável. A partir da compreensão da sociedade e a questão das mudanças constantes. valores coletivos. posicionamento e atuações adequados. realidades econômicas. Isso não se resolve apenas garantindo a oferta de vagas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam que a elaboração e o desenvolvimento do projeto educativo requerem tempo para sua análise. historicamente construídos.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico Sabe-se que cada escola tem identidade própria. p. além de condições objetivas de realização. expectativas. as questões sobre autonomia. discussão e reelaboração contínua. para almejar a qualidade da educação. de forma clara. sociais e características culturais estão presentes e lhes conferem uma identidade absolutamente peculiar. delimita prioridades. A dimensão do passado servirá para a compreensão do presente e a dimensão do futuro será a meta que o presente deve ter clara para saber com que. as questões sociais urgentes (temas transversais). condições. Além disso. Cada escola tem uma cultura própria permeada por valores. autônomos e criativos. a partir de contribuições individuais e coletivas. mas sim oferecendo-se um ensino de qualidade. entre outras – e que podem nortear facilmente a elaboração do projeto político-pedagógico de escolas ou a atualização dele.A. exige-se que a escola a atrele a atributos que se referem à necessidade. políticos. As mudanças que ocorrem na sociedade devem fazer com que a escola reveja seu planejamento. o papel da escola. Uma análise da conjuntura mundial e brasileira revela a necessidade de construção de uma educação básica voltada para a cidadania. o referencial curricular e. (BRASIL. culturais. costumes. Portanto. Contribuem também por serem um referencial moderno e atualizado e. 9) Para alcançar essa escola voltada para a cidadania é necessário ter claro que deve existir uma consonância entre necessidades sociais e objetivos educacionais. é preciso estabelecer qual é o perfil do aluno que se pretende formar e estabelecer planos atingíveis e realizáveis para alcançá-lo. as contribuições das áreas de conhecimento. é necessário considerar aspectos sociais. e do papel da escola nesse contexto. Na proposta dos PCN. de presente e de futuro. sobretudo. (BRASIL 1998c. No interior de cada escola. fato tão necessário para a leitura do mundo contemporâneo e para o acompanhamento de suas mudanças. Ao elaborar seu projeto educativo. 86) O PPP ou projeto educativo deve ter uma dimensão de passado.

1998c.. mais informações www. em função do conhecimento da comunidade em que atua e de sua responsabilidade para com ela (BRASIL.br 107 . p. fazendo com que os jovens se apropriem do espaço escolar e reforcem os laços de identificação com a escola..  A essência do currículo parte de decisões que vêm de fora da sala de aula. o nulo – aquilo que não se fala em sala de aula. O educador tem que ter em mente que ao fazer e pensar currículo. aberta. suas atitudes não são neutras. p. na qual a cidadania possa ser exercida a cada momento e. seja aprendida. quando colocam que é fundamental organizar a escola como um espaço vivo. com base na realidade escolar e da comunidade que a cerca. Temos quatro tipos de currículos: o oficial – é aquele que se expressa no papel – o real – é a apropriação do professor sobre os conteúdos desenvolvidos em sala de aula – o oculto – representa aquilo que não está explícito e não consta como conteúdo. que nos leve a diferentes caminhos. o resgate destas experiências e a identificação da identidade de uma proposta pedagógica. 2001) Ao teorizar sobre currículo. Está vinculado ao campo valorativo. funcionários e direção. Essa diversidade de valores é diagnosticada nas práticas desenvolvidas no interior da escola. Os Parâmetros Curriculares Nacionais podem ser o norte para a elaboração ou a atualização do projeto político-pedagógico das escolas. [. política.A. administrativa e financeira para a escola. Temos que pensar a prática curricular como uma trilha.iesde. que convivendo com contexto em transformação.. hierarquizado.com. verticalizado. Esse pressuposto pode ser observado também nos Parâmetros Curriculares Nacionais.] a construção de um Projeto Político-Pedagógico (PPP) necessita ser em conjunto. por que continuamos reproduzindo? Podemos caminhar em sentido oposto ao imposto? Cada educador deverá encontrar a sua identidade. percebe-se que a atual prática ainda está enraizada no padrão técnico-linear. Então. De acordo com Fischer (2003.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico a autoavaliação ao seu trabalho. que são as decisões político/sociais. O currículo rege valores universais e não pode ser entendido apenas como algo que deva ser cumprido em função legal. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. desse modo. permitindo assim a reflexão deste movimento cotidiano. que possibilitará o repensar das práticas pedagógicas e dos resultados atuais. Eles apresentam uma proposta flexível. sobretudo. entre professores. Currículo: reflexões rumo à transformação (MAQUES. A construção de valores e da cidadania deve ser uma das metas do projeto político-pedagógico. 1).86). contemporânea e. E que não há um modelo para ser seguido. Essa produção deve ser fruto de um trabalho coletivo. alunos. pais. ao qual os sujeitos estão envolvidos. Dentro da sala de aula quem determina o que deve ou não ser eleito como prioridade é ele. decide unir forças no sentido de organizar o projeto da escola. A sala de aula deve ser um espaço aberto tanto às sugestões e críticas quanto à construção e à busca pelo novo.

iesde.br . Qual a relação da prática docente e o projeto político-pedagógico? 2. O que o autor do texto Currículo: reflexões rumo à transformação quer dizer quando coloca que a intenção do “artigo foi o de inquietar. O currículo é um espaço para que as divergências ocorram. cutucar o educador para que reflita sobre a sua prática e que a prática curricular possa ser flexível. 108 1. praxiológica”? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www.A. cutucar o educador para que reflita sobre a sua prática e que a prática curricular possa ser flexível. para que a reflexão flua. inovadora. inovadora.com. para que as mudanças precedam. com conteúdos. praxiológica. a intenção deste artigo foi o de inquietar..As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico Vemos currículo ser confundido com grade curricular. Finalmente.

. mais informações www. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Elabore um texto com aproximadamente dez linhas sobre a escola ideal e o seu projeto político-pedagógico.com.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico 3.A.iesde.br 109 .

br ..iesde.As contribuições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) na elaboração do projeto político-pedagógico 110 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com.A. mais informações www.

A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento Marcos Cordiolli As disciplinas escolares e a organização dos saberes O objetivo é discutir. podemos citar: a História continuou a tratar com o passado. Isto sem o arrolamento de outras disciplinas e subdisciplinas menores. Neste sentido. em suas diversas correntes. inicialmente. das matemáticas e do autocuidado com o corpo humano materializado nas práticas de ginástica e esportes. Este é um objetivo já bastante audacioso para a extensão de que dispomos nesta publicação. organizaram as suas propostas curriculares a partir das disciplinas científicas consideradas mais importantes. a Geografia. a Antropologia das relações internas aos grupos sociais.. estava imbuída da concepção iluminista de que os seres humanos que organizassem o pensamento de forma racional e tivessem acesso aos saberes acumulados poderiam tornar-se autônomos das ideologias de todos os tipos. A instituição escolar. e a especialização crescente dos campos de pesquisa e estudos que promovem delimitações que definiram novas ciências.iesde.br 1 Em relação aos seres humanos e suas relações. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. das manifestações da psique humana. o corpo humano e a natureza1. a Política das diferentes formas de exercício do poder. 111 . em suas vertentes humanas. dos estudos da sociedade dividido em História e Geografia. constituindo a base de sociedades democráticas e justas.A. somadas ao ensino da língua nacional. As disputas corporativas eram tanto para resguardar o mercado de trabalho dos especialistas assim como para evitar que outras disciplinas “penetrassem indevidamente” em seus campos. que guarda uma atualidade impressionante. No Brasil. Os limites entre disciplinas que eram basicamente formais ganharam importância a partir do momento em que ser cientista passou a significar emprego (particularmente em instituições escolares e de pesquisas) e que o conhecimento poderia ser convertido em tecnologia e esta utilizada na produção de mercadorias. Mas seguramente é uma discussão já antiga. A tradição disciplinar As disciplinas no pensamento filosófico e científico ganharam importância a partir dos séculos XVII e XVIII. a Administração das possibilidades e práticas de gestão de empresas.com. ocupou-se das formas de organização do espaço pela presença humana. a Economia. expor as diferentes formas de relações entre disciplinas na organização do trabalho pedagógico. como a organização dos currículos na forma de disciplina interfere na cultura escolar brasileira. limitavam-se a transmitir formalmente os saberes produzidos em cada disciplina. a Psicologia. a Linguística da variedade das línguas nas formas escritas e não escritas. Num segundo momento. a Sociologia das relações entre grupos e classes sociais. modelo de disciplina centralizado no ensino da língua nacional. As instituições escolares. No século XIX. neste período. no entanto. das formas de organização da vida material. mais informações www. esta situação foi ampliada com a diversidade de ciências que se dispunham a estudar os seres humanos e suas relações em sociedade.

inicialmente. que organiza os saberes em outras formas que não a de disciplina. Educação Física. ao definirem a organização curricular em áreas do conhecimento. Ensino da Arte e Educação Física. apenas especializam as áreas ao propor a organização em Biologia.iesde.) que articulam mais de uma área de referência. A sobrevivência deste modelo estendeu-se por todo o restante do século XX e ainda foi reafirmado nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o Ensino Fundamental (Brasil. as escolas organizam as disciplinas em currículos e os (PCN) apresentam as proposições de bloco de conteúdos para cada uma delas. depois Educação Moral e Cívica. e diversas disciplinas das pós-graduações. Ciências da Natureza. confundida com atividades de conteúdos ou com a transdisciplinaridade. pois estas foram subdivididas e/ou recompostas em linhas de pesquisas específicas com objetivos mais delimitados. Física. A concepção de transversalidade está fundada em ações pedagógicas para a mudança de valores e condutas que não podem estar restritas a atividades de ensino. Sociologia. podemos dizer que não há mais uma disciplina acadêmica de História. biofísica. Geografia. 1998b) que apresentam as suas grades curriculares estabelecidas a partir das áreas do conhecimento de Língua Portuguesa.. foi a de Instrução Moral e Cívica. fisico-química etc. A mudança mais significativa introduzida pelos PCN foi o deslocamento dos processos de formação de valores e condutas do campo disciplinar3 para um outro próprio. Antropologia. Física. Esta concepção.A. As Diretrizes Curriculares. Áreas de referência das ciências e disciplinas escolares As disciplinas escolares surgiram como uma correspondência às áreas de referência da ciência. mas corresponde a um conjunto de subdisciplinas (como história das mulheres.. já não correspondem diretamente a áreas de produção de saberes. em espiral. Em termos acadêmicos. Língua Estrangeira Moderna. 3 112 Este campo da formação esteve sempre locado em uma disciplina. As DCN para o Ensino Médio. Matemática. Química. inclusive algumas de significativa importância implantadas em outros países e em escolas brasileiras2. requerendo a cooperação constante entre pesquisadores num amplo movimento inter. das artes e de uma área para cuidar do corpo. Artes e Informática. etc. incluindo-se Língua Estrangeira Moderna nos anos finais do Ensino Fundamental. depois Educação Moral e Cívica (Estudo dos Problemas Brasileiros no Ensino Superior) datam da década de 1925 (na Reforma Rocha Vaz). Língua Portuguesa. em rede. É importante frisar que. das ciências da natureza também reunidas num mesmo campo. atualmente. por aquelas associadas a ciências humanas como História. Geografia.br . Filosofia e/ou Sociologia. 2002a. o dos temas transversais (CORDIOLLI. também uma disciplina para tratar do ensino de religião e da formação de valores que se organizavam em torno da disciplina de Instrução Moral e Cívica. Biologia etc. 2 Há uma proliferação de currículos baseados em temas geradores.com. do cotidiano.. definidas pelas DCN. Matemática. em geral. mas a processos permanentes e reincidentes. projetos. trans e multidisciplinar.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento das matemáticas agrupadas em uma só disciplina. História. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Geografia. 1998a) e Médio (Brasil. fizeram uma opção disciplinar entre diversos modelos possíveis. 2002b). Química. em parte. História. das mentalidades) ou em subáreas (como bioquímica. em núcleo de complexidade. posteriormente para a de Ensino Religioso e. ainda não foi devidamente compreendida uma vez que é. mesmo as disciplinas da educação superior. entretanto. Geografia. Política. mais informações www. A partir das áreas do conhecimento.

br 4 Também esbarram em radicalismos ou mitos e. núcleos de complexidades. diversas experiências curriculares e de organização do trabalho pedagógico vêm se desenvolvendo com o objetivo de superar estas situações e. Tal confusão seguramente complica o debate pedagógico. desenvolvidas a partir de currículos escolares organizados em disciplinas. ao explorar um tema. As relações de disciplinaridade O termo interdisciplinaridade invadiu a educação brasileira a partir da segunda metade dos anos 1980. procurando contribuir com a constituição de quadro conceitual a partir da hipótese explicativa que pressupõe que as relações de disciplinaridade podem ser organizadas em vários núcleos distintos (aqui trataremos da inter. às vezes. acaba-se por ter a necessidade de caminhar em algumas direções para formar uma visão sobre os temas ou problemas estudados. pan. A interdisciplinaridade As tentativas de superar as barreiras entre as disciplinas implicaram relações que genericamente foram denominadas interdisciplinaridade. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. inseguranças e erros4. poli. estudioso. entende-se que todo tema. gerando um grande conjunto de definições e propostas que praticamente expressa tudo que pode ocorrer entre duas ou mais disciplinas. seria expressão de todas as relações entre disciplinas. professor ou aluno que. professores ou estudantes de se remeterem a outras disciplinas em função de suas atividades de estudos ou de esforços para a compreensão de algum tema. As dificuldades de professores em conduzir os seus alunos pelos campos de diferentes disciplinas esbarram em situações de isolamento e conflito. a ação interdisciplinar refere-se a processos em que uma disciplina.. mais informações www.).com. Numa proposta não disciplinar (ou seja. trans. para complementar ou expandir os seus conhecimentos. para e multidisciplinaridade) com a mesma essência. mesmo estando ancorado em uma área do conhecimento. Nas práticas pedagógicas em sala de aula. embora possam ser nomeadas de forma diferente. pluri. quando se enuncia um problema ou há o propósito a examinar um tema. parte-se de um ponto específico do conteúdo. No entanto. meta. Neste sentido. 113 . diferentes formas de relações entre disciplinas foram se estabelecendo.A. e a característica básica de uma ação interdisciplinar passou a ser a do pesquisador. recorre a conceitos e instrumentos do conhecimento de outras disciplinas. utiliza conceitos ou instrumentos do conhecimento de outras.iesde. conflitos que opõem partidários das antigas e novas proposições.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento Na prática pedagógica. como toda mudança. O professor que atua numa perspectiva interdisciplinar seria aquele que domina o conteúdo de sua área e recorre a outras disciplinas para ampliar a abordagem dos temas em estudo. ou entre adeptos de concepções diferen­tes para as novas questões. pesquisa do meio etc. No decorrer do século XX. novas formulações foram se constituindo e a interdisciplinaridade passou a corresponder às necessidades dos pesquisadores. geram dúvidas. no entanto. requer práticas de interdisciplinaridade e. apenas nestes casos. de currículos organizados em temas.

podemos ter a multidisciplinaridade. Um estudo da violência pode requerer a ação do economista (com saberes e instrumentos para compreender as bases materiais da violência). necessariamente com um viés comum e articulado cooperativamente. A multidisciplinaridade Na perspectiva acadêmica... Vejamos um exemplo: um professor de Ciências Naturais está tratando com a sua turma o tema obesidade. Não se trata apenas de fazer atividades coordenadas nas quais os professores tratam de um tema ao mesmo tempo.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento A interdisciplinaridade não é..br . possibilitando a produção cooperativa de saberes pela ação de todos os envolvidos no processo. Supomos que o aluno possa tomar esta sentença como uma afirmativa. do antropólogo (para verificar as formas culturais da violência em diferentes segmentos sociais). Ou. se. entre outros profissionais e áreas. Na escola. o professor e a turma organizam tabelas com dados quantitativos. O professor continua sendo de Ciências Naturais. de forma que não se perceba exatamente a linha divisória entre as disciplinas. É fundamental que os professores e as turmas atuem em conjunto. posicionado no campo de uma disciplina. do psicólogo (para estabelecer o impacto sobre a subjetividade dos indivíduos).com. Também não corresponde a qualquer prática que reúna mais de um professor ou disciplina. O professor e a disciplina de Ciências Naturais praticam interdisciplinaridade ao tratar de seu conteúdo. quando duas ou mais disciplinas reúnem-se para atuar em conjunto sobre um mesmo tema. mais informações www. o professor e a turma poderiam fazer incursões pela História (tratando da história da alimentação humana). quanto que o grupo estabeleça uma metodologia de trabalho comum.iesde. a aula permanece desta disciplina. requerendo que o professor e turma utilizem conceitos e instrumentos de outras disciplinas. Neste caso. O texto utilizado afirma que “uma dieta com o consumo diário ampliado em 400 calorias pode provocar a obesidade”. mas mantendo as atividades restritas ao espaço de 114 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. então. Seguindo pelo mesmo exemplo. do sociólogo (para investigar a violência nas relações entre classe e grupos sociais). superando barreiras disciplinares sempre que sentem esta necessidade. mas utiliza-se instrumentos de Língua Portuguesa contextualizados a esta área. é fundamental tanto que as diferentes disciplinas tragam contribuições de saberes e instrumentos de pesquisa. os alunos continuam estudando sobre os temas a ela vinculados. como a violência. Representa sim a iniciativa de partir de um objeto.”). a multidisciplinaridade realiza-se pela reunião de especialistas de diferentes disciplinas para estudar ou pesquisar um tema. justaposição ou articulação de disciplinas ou conteúdos. Da mesma maneira continuam a ser professor e estudantes de Ciências Naturais que utilizam um instrumento da Matemática. portanto. pela Geografia (abordando os aspectos da ação da indústria alimentícia). e então o professor deve orientar os alunos a compreender o que expressa um discurso na condicional (“uma dieta diária ampliada em 400 calorias poderia provocar a obesidade se a pessoa não fizesse atividades físicas adequada. Certos temas requerem uma ação de mais de um especialista. ações que os remetem a instrumentos e saberes de outras áreas.A.

necessitando recorrer constantemente à disciplina de Física para compreender os termos orgânicos.. Também não se trata de estudar um tema “com as visões ou contribuições de diferentes disciplinas”. pois não se buscou a integração dos tempos e das atividades. No Ensino Médio. nos anos iniciais do Ensino Fundamental. em estudo. que veremos a seguir. mas sem efetivamente haver colaboração ou integração entre professores. A pluridisciplinaridade. não se buscou uma cooperação a partir de objetivos comuns.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento suas respectivas disciplinas. Geografia. portanto. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. poderia ocorrer um desafio semelhante com os estudos da obesidade entre Biologia (disciplina que trata da fisiologia humana) e Química. por exemplo. Ainda assim. Trata-se.A. e sem integração ou interação das atividades didáticas. Nas práticas escolares. com um único professor regente. mas sem fazer as mediações colaborativas ou integrativas. mas que cada professor mantém seus objetivos pedagógicos. dispensa-se o viés comum e os aspectos colaborativos ou integrativos da trans e multidisciplinaridade. de disponibilizar aos alunos saberes e procedimentos sobre temas previamente acordados entre professores. formas didáticas. com cada uma delas. poderia ser tratada simultaneamente entre Ciências da Natureza. representa as ações disciplinares que tratam do mesmo tema em diferentes disciplinas. se apenas Biologia e Química atuarem efetivamente em conjunto. mas não as integra efetivamente.com. ritmos e tempos. A pluridisciplinaridade A pluridisciplinaridade traduz as relações entre disciplinas diferentes que possibilitam exposição de saberes sobre o mesmo tema. Podemos examinar uma situação típica de multidisciplinaridade. disciplinas ou estudiosos. estabelecendo uma prática multidisciplinar. respectivamente. No entanto. nos seus espaços e tempos de aula. Aqui. podendo estabelecer relações de interdisciplinaridade com a Física (como já vimos) ou de pluri e transdisciplinaridade (que ainda abordaremos no presente artigo). História. Portanto. Literatura e Língua Portuguesa. pois. estudando as relações entre obesidade e alimentação. tampouco se trata da transdisciplinaridade.iesde. o professor utiliza o mesmo tema para estudar diversas disciplinas. em que Ciências Naturais e Geografia atuem conjuntamente. seguindo o exemplo proposto no estudo da obesidade. mais informações www. como ocorre no Brasil. cada professor ou professora o faz a sua maneira. não se trata da multidisciplinaridade. mesmo resguardando os tempos e atividades específicas para cada disciplina. Efetivamente. pode ocorrer ou não a multidisciplinaridade. Estas formas pedagógicas pertencem a outro campo de relações disciplinares. Muitas vezes. estas duas disciplinas poderiam ter necessidade de estabelecer uma relação interdisciplinar. disponibilizando saberes e procedimentos e expondo o seu “ponto de vista” sobre o tema em estudo. apenas entre elas ocorrerá a multidisciplinaridade.br 115 . como no exemplo anterior. Em turmas de várias disciplinas. com História ou Língua Portuguesa pelos motivos enunciados anteriormente.

que se produzem a partir destas práticas. Na prática escolar. no primeiro caso. mas resguardando seus respectivos tempos e espaços escolares sem integrar efetivamente as ações pedagógicas (como ocorreria na multidisciplinaridade). os pesquisadores têm necessidade de transitar pelos saberes. ainda possui duas vertentes que se complementam: as de práticas que possibilitam conexões entre várias disciplinas e as que promovem o trânsito entre elas. o mesmo processo faz-se necessário. deslocam-se pelos campos de outras disciplinas. pois um professor ou disciplina. podem organizar objetivos comuns para o estudo da obesidade. mas as práticas pedagógicas são individualizadas em cada disciplina. por Edgar Morin e Basarab Nicolescu. No entanto. promovendo uma trajetória transdisciplinar. as disciplinas de Ciências Naturais. de forma a enfocar o tema e objetivos de estudo definidos coletivamente.iesde. organizam os objetivos de estudos. no presente artigo. enquanto prática pedagógica. respeitando seus ritmos. As atividades colaborativas. corresponde ao estabelecimento de canais comunicantes entre diversas disciplinas por intermédio de atividades colaborativas. em comum. Os estudantes. ao se dispor a estudar ou ampliar um tema passa a transitar por saberes de diferentes disciplinas. mas que foram produzidos em outras áreas. Muitos professores podem ser convidados ou se disporem a organizar atividades. a transdisciplinaridade expressa-se nos diálogos articulados entre disciplinas e professores. espaços e tempos escolares de suas respectivas disciplinas.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento A transdisciplinaridade A transdisciplinaridade. atualmente é também denominação de um importante movimento teórico e pedagógico encabeçado. 116 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. não extrapolam os limites de conteúdos.A. No meio acadêmico. lidando com conteúdos já estudados ou ainda por estudar. Retomando o exemplo anterior. Este procedimento é distinto da integração das práticas pedagógicas presentes na multidisciplinaridade e da desvinculação de objetivos comuns da pluridisciplinaridade. de Geografia e do Ensino da Arte. como a interdisciplinaridade. em seus tempos e espaços escolares. na segunda situação. sobre os seus temas de estudo. por tratarmos de relações entre disciplinas instauradas em instituições escolares cujos currículos estão organizados com base em mapas disciplinares fixos. Nas práticas pedagógicas em sala de aula. mas para cumprir os objetivos fixados em outra disciplina. nas quais professores e pesquisadores promovem diálogos de pontos de vista dos saberes acumulados em suas respectivas áreas sobre determinados temas (não no sentido da diferença ideológica ou metodológica. entre outros. mais informações www. embora em diversas situações estas também possam se fazer presentes). apontaremos para configurações distintas daquelas propostas pelos idealizadores de tal movimento.. A transdisciplinaridade. cada professor organiza a aula à sua maneira. fixando ações e práticas conjuntas (diferentemente do que ocorre na pluridisciplinaridade).com. Isto é. tempos e ordenamentos de trabalho pedagógico. é uma decorrência da interdisciplinaridade. A transdisciplinaridade. para compreenderem ou aprofundarem alguns temas. A transdisciplinaridade.br . por exemplo.

da Odontologia. da Economia. os valores e padrões de conduta. de bom e mau etc. da Psicologia etc.A. de saúde. O conceito de saúde. reformulando-os em definições que não pertencem a uma outra área especificamente. por exemplo.. resguardando as mediações necessárias. as formas de organização do pensamento. os alunos poderiam partir dos estudos preliminares em Ciências da Natureza e recorrer à Geografia para compreender relações econômicas do modelo alimentar.iesde. como sempre.. as sistemáticas de avaliação. no contexto do exemplo explicativo que desenvolvemos ao longo deste artigo. a polidisciplinaridade trata dos diferentes temas universais posicionados em todas as disciplinas. os processos de apropriação. da Nutrição. da Fonoaudiologia. pressupõe a contribuição ao temas mais amplos. Os conceitos.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento Seguindo ainda o exemplo do estudo sobre obesidade. da Fisioterapia. de ambiente. entre outros – adotados no projeto pedagógico da instituição escolar e que se fazem presentes em todas as disciplinas e atividades escolares. mais informações www. supradisciplinares e. representa em todos os exemplos anteriores a manutenção de padrões de avaliação. implica em contribuições e problematizações da Medicina. portanto. A metadisciplinaridade A metadisciplinaridade corresponde a práticas pedagógicas que visam à formação de conceitos ou teorias mais amplas que os tratados especificamente em diversas disciplinas. da Ergonomia. Os enfoques diferentes sobre teorias ou conceitos podem. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. de valores de belo e feio (relativo ao biótipo humano). de belo e feio.com. que os fazem mais amplos que as disciplinas nas quais foram estudados. à Literatura e ao Ensino da Arte buscando saberes sobre os modelos culturais de belo e feio aplicados aos biótipos humanos em outras sociedades e em diferentes momentos do passado. de sistematização de saberes. No ambiente escolar. permitir a transcendência para além das disciplinas. de saúde são construídos a partir das contribuições e problematizações de diferentes campos disciplinares. A polidisciplinaridade. metadisciplinares. a dimensão ética de pesquisas. na perspectiva metadisciplinar. No âmbito da escola. posteriormente também recorrer à História. As concepções de sociedade. muitos dos conceitos e saberes vão se constituindo e reconstruindo a partir de múltiplas interações. produção e socialização de saberes etc. de certo e errado. no exemplo de práticas escolares no estudo da obesidade. tais como as atividades didáticas. de natureza. notadamente ao de saúde. A polidisciplinaridade A polidisciplinaridade implica em ações que tratem de questões gerais referentes a todas as disciplinas ou áreas da produção acadêmica. como podemos destacar. mas que se constituíram a partir da contribuição de todas. como o estatuto epistemológico da produção do conhecimento. A metadisciplinaridade. são construções permanentes.br 117 . de democracia.

com.br . mas um conjunto de possibilidades que estimulem a disposição dos professores para construir novas culturas pedagógicas.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento Algumas notas finais O exame das relações disciplinares não deve ser tomado como modelo fixo a ser seguido. acredito que os professores que desejam romper com os limites de suas disciplinas podem verificar quais são as práticas que podem implementar ou que possuem disposição para fazê-lo.A. rompendo com os modelos fixos de currículos.iesde. 1. tempos e espaços escolares. mais informações www.. Portanto. visando estabelecer novas possibilidades entre professores e disciplinas. Responda o que você entendeu sobre a) interdisciplinaridade b) multidisciplinaridade c) pluridisciplinaridade d) polidisciplinaridade 118 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Que as relações disciplinares não sejam uma camisa de força. mas como elemento para exame das propostas e práticas pedagógicas.

. Como você vê a importância e a aplicabilidade do que foi explorado pelo texto? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br 119 .A.iesde.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento 2. mais informações www.com.

mais informações www.A interdisciplinaridade das áreas do conhecimento 120 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com.iesde..A.br .

permitindo o livre diálogo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. harmonia e cooperação em uma relação. Este acontece baseado na confiança mútua entre os atores desse processo. e se estabelece relações com objetos físicos.br 1 O rapport é uma relação especial de confiança mútua ou afinidade emocional. 2000. Drouet (1990. concepções ou outros indivíduos. 121 . p. como defesa ao tratamento recebido”. é preciso que dois atores em especial estejam presentes e que se façam atuantes: o professor e o aluno. deve-se estabelecer o que é conhecido na Psicologia como rapport1. sentimentos e. o sentimento de segurança e a construção de conceitos próprios. Para que a sala de aula possa tornar-se um espaço aberto. juntos. mais informações www. local de incentivo à descoberta – o conhecimento como construção/aventura. Todo relacionamento é composto e permeado por emoções. Esses dois atores devem estar sintonizados para poder estabelecer uma relação ou uma interação e. local de desenvolvimento de integridade profissional. De acordo com este espaço. (MENEGAT apud FAZENDA.com. Para que ocorra um processo adequado de interação entre professor e alunos. ao contrário. enfim. a troca de ideias. Se. p. 84) afirmam que as emoções estão presentes quando se busca conhecer.A interação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem A Maria Letizia Marchese sala de aula é um espaço multifacetado e que apresenta muitas possibilidades de atuação. afirma que “é muito importante o entrosamento entre o professor e seus alunos. a respeito da interação. 190). p.. Davis e Oliveira (1994. desencadear o processo de ensino-aprendizagem. entram em constantes atritos. rico e com múltiplas oportunidades. pois os alunos resistirão à aprendizagem. local de desenvolvimento da capacidade de raciocínio – a busca da habilidade de pensar por si mesmo. Quando isso é conseguido. o professor não conseguirá quase nada do ponto de vista educacional.iesde. o diálogo entre eles flui naturalmente. pela afetividade. 215). Criar o rapport pode ser entendido como o estabelecimento de confiança.A. Menegat acredita que pode ser utilizada como: local de crescimento pessoal e interpessoal – a busca de experiências significativas.

não poderá haver a interação e. foi adotado um modelo de escola baseado na Ratio studiorum2. O modo de agir do professor em sala de aula fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. Neste modelo. estabeleça-se uma retrospectiva histórica. Na interação. compreensão. Faz-se necessário que. Ao aluno restava ser ouvinte e passivo. vigorando a tendência tradicional praticamente até a tomada do governo pelo militares. Essa escola acreditava que a relação professor-aluno deveria ser aberta e que o papel do professor. p. atribuindo-lhe determinadas características. 1995. mais informações www. intenções e significados. p. Por meio dela. consequentemente. O aluno precisa de afeto em relação ao professor e aos colegas. houve uma trajetória baseada em correntes filosóficas e tendências pedagógicas que determinaram o papel dos atores de acordo com os princípios vigentes em cada época. a aprendizagem esperada.35). com ênfase em técnicas e recursos audiovisuais e na tecnologia. A relação professor-aluno volta a se fechar. 1990. um programa. mas um código. de subordinação. OLIVEIRA. sob influência americana. Esse tornou-se o perfil do professor durante muito tempo no Brasil e foi classificado com o tradicional. na década de 1960. Para chegar ao parâmetro atual. O centro do processo ensino-aprendizagem era o professor. afetividade.. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. No período do regime militar.br . A relação professor-aluno era distanciada. não havia trocas de ideias ou opiniões. de realização etc. tanto os alunos quanto o professor vão construindo imagens de seu interlocutor. Na interação que o professor e o aluno estabelecem na escola.iesde. agora passa a ser de estimulador e auxiliar do desenvolvimento do aluno. o que anos mais tarde. 84). cada parceiro busca o atendimento de alguns dos seus desejos: de proteção. (DAVIS. Paulo Freire vem a chamar de educação bancária. o movimento da Escola Nova. uma lei orgânica que se ocupa do conteúdo do ensino ministrado nos colégios e univesidades da Companhia e que impõe métodos e regras a serem observados pelos responsáveis e pelos professores desses colégios e universidades. quando estes fundaram as primeiras escolas. MASETTO. Numa tentativa de romper a rigidez dessa escola tradicional. A relação professor-aluno já teve várias nuances no decorrer da história. 122 Talvez pela mudança extremamente radical nos paradigmas das duas escolas. fica mais fácil para o aluno quando existe uma relação flexível e verdadeira com o professor. Este aluno passa a ser ativo e trabalhar em grupo. p. os fatores afetivos e cognitivos de ambos exercem influência decisiva. quando foram iniciados movimentos de renovação da educação. respeito mútuo e. a tendência nova não obteve grande sucesso no Brasil.” (GOMES.com. surge. que anteriormente era de guia. que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade (ABREU. para a compreensão da atual relação professor-aluno. Se não houver diálogo. adotou-se um modelo de educação objetiva e operacional. a postura do professor caracterizou-se como de autoridade e rigidez. objetivo principal da prática docente. e sua autonomia e liberdade são valorizadas. especialmente. fechada.A interação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem O aprendizado. fazendo menção aos bancos das escolas.A. ressaltando algumas características das mesmas. 115). para sentir prazer de ir à escola e de aprender. A partir deste momento. 2 “A Ratio não é um tratado de pedagogia. O centro do processo ensino-aprendizagem era o aluno. Essa escola ficou conhecida como tecnicista e perdurou até o fim do regime militar. O início da educação brasileira se deu por ocasião da vinda dos jesuítas ao Brasil. 1994.

normas diversas da instituição de ensino etc. e tem como meta a formação de indivíduos polivalentes. (ABREU e MASETTO. Os paradigmas que temos atualmente envolvem a democratização do saber. interagindo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. professor e aluno desempenham papéis diferenciados nessa relação de sala de aula voltada para a aprendizagem e cabe ao primeiro tomar a maior parte das iniciativas. Por certo. atuantes e críticos. p. um conteúdo. é imprescindível que haja um vínculo adequado entre o professor e os alunos.A interação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem Na década de 1980.A. a igualdade de oportunidade. Com a atuação dessas pessoas e com a consciência das suas ações é que a sala de aula irá se tornar um espaço de criação. no seu aspecto individual. um tempo predeterminado. observando-se a escola histórico-crítica. o respeito à diversidade e tantos outros temas voltados para o desenvolvimento humano. vislumbrou-se uma escola que é conhecida como histórico-crítica ou crítico-social dos conteúdos que.com. 114) Para se chegar no modelo de relação professor-aluno que temos hoje. Esse modelo torna a relação professor-aluno aberta. orientada mais para uma ou para outra direção. social e transcendental. desenvolvimento e afetividade. Esses temas. Essas situações-problema favorecem a análise. Individualmente. entretanto. Na atualidade.iesde.br 123 . As situações-problema em sala de aula constituem a principal estratégia do professor para desenvolver o perfil esperado nos seus alunos. Conforme o rumo que tome o desenvolvimento desta interação.. a formulação de hipóteses. visto que ambos atuam continuamente em sala e em situações que exigem soluções. por certo farão com que a relação professor-aluno se torne cada vez mais necessária e integrada. vem permeando nossas salas de aula. o diálogo e a possibilidade de troca de ideias e emoções entre o professor e os alunos. incluindo dar o tom no relacionamento estabelecido entre eles. uma relação tem dois polos e cabe a ambos determinar o clima de sua relação. o professor e o aluno. foi necessário passar por uma série de transformações nos papéis dos envolvidos.. desde a década de 1990. por certo também. formam o cerne do processo educativo. com diálogo. mais informações www. Mesmo estando limitados por um programa. 1990. a aprendizagem do aluno pode ser mais ou menos facilitada. estabeleça um quadro comparativo entre as tendências pedagógicas a respeito da relação professor-aluno.

.com.iesde.br . mais informações www.A.A interação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem 124 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

Em relação à construção de estruturas cognitivas e funções intelectuais superiores. as interações entre crianças são básicas para o desenvolvimento de padrões de comportamento. tomando parte necessária no processo de construção do conhecimento. por exemplo. dar suas opiniões e trocar informações. Além das influências sobre a cognição.. costumes e valores. O professor que sabe da importância das interações sociais no contexto escolar pode favorecê-las e aproveitá-las. de sentimentos e afetos. na construção da escrita. A interação social de pares tem sido vista na literatura (VERBA. induzindo o aluno à cooperação e ao conflito. A interação social de escolares. Os valores nem sempre são os mesmos. pode oportunizar inúmeras situações para se negociar ideias e para trocar formas de escrever. ou seja. estudar e de se relacionar. 1994. Cada um tem seu modo de viver. Sala de aula: espaço de convivência De início. a oportunidade de relacionar-se com outra criança desempenha um papel bastante significativo. os papéis e atribuições são mais homogêneos. como enfatiza Piaget (1961). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. atitudes e valores sociais.br 125 . indagar. ROUILLIER. A capacidade de assumir a perspectiva do outro é vista como elemento fundamental ao desenvolvimento cognitivo. pedir ideias e sugestões. na presença do outro ela tem chances de comentar. É uma ótima oportunidade para exercitar o viver em sociedade. a predominância do adulto e suas experiências sobre a criança. cada aluno é um estranho para o outro. Nas interações adulto-criança estabelece-se o caráter de assimetria. A presença de pares é vista como muito significativa para a criança. pois mesmo quando ela escreve individualmente. autoconceito e de valores morais.iesde. fonte de crescimento (na perspectiva piagetiana).com. e as interações entre crianças constituem um fator central para que isso ocorra. ajudando-os a superarem suas dificuldades. as interações sociais podem subsidiar uma aprendizagem rica e fecunda desde que o professor. coordene e oriente os alunos. 1996) como situação privilegiada para o desenvolvimento cognitivo e para a aprendizagem. Já nas relações criança-criança encontra-se uma simetria. o que ativa a superação do egocentrismo e o desenvolvimento de atitudes e comportamentos sociais positivos. ou seja. concebendo atividades bem pensadas (que propiciem interação e comunicação).Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem O Vilmarise Sabim Pessoa papel das interações criança-criança no processo ensino-aprendizagem tem merecido cada vez mais atenção dos educadores. Na perspectiva pedagógica. brincar. Predomina grande heterogeneidade de crenças. mais informações www.

a interação é pensada a partir dos quadros da Biologia. o que a leva à reflexão. assim. torna-se capaz de discutir. e a ciência torna-se. agimos sobre eles e deles recebemos a ação. e também compreende relações de reciprocidade. partilham significados. Carvalho et al.br . como fator da construção do conhecimento. rivalidades. no período das operações propriamente ditas. 1993). uma aprendizagem coletiva. competição. ela torna-se capaz de cooperação. Na interação criança-criança.Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem Com o tempo. começa a coordenar diferentes pontos de vista. a convivência vai aprofundando as relações e mostrando as diferenças. a interação estimula a produção de um conhecimento conjunto.A.com. A interação social pode ser vista como um encontro de dois indivíduos. transmitem a cultura e recriam a realidade. 1973). como o intercâmbio contínuo entre o mundo exterior e o indivíduo que propicia o processo construtivo biológico e do conhecimento (PIAGET. de alguma forma. mas também é necessário que lhe oportunizem situações para que ele possa exercer a cooperação na convivência com iguais.. constituindo-se em um momento de transformação. significados culturais e sociais. e ainda outro comportamento se estiver sozinha na sala. elaboram códigos. denota que as relações infantis envolvem a capacidade da criança de criar soluções para si próprias. elaborada por esse outro. pois as suas ações pertencem ao campo que vivenciam. capacidade simbólica e de comunicação. outro se esta estiver de costas para ela. em Estudos sociológicos (1973). Nessas interações. trocam experiências. A todo momento estamos interagindo com outros seres humanos. também podem ocorrer imitações (vistas como estratégias usadas para se iniciar uma interação social). Na perspectiva piagetiana.iesde. (1996) definem como social o contexto em que o comportamento de um indivíduo é compreensível pela presença ou pelo comportamento do outro. É um encontro no qual cada um sai diferente do que quando entrou (DURAN. Piaget. 126 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. que podem ser compartilhados e que interferem nessas interações. em que a influência de um sobre o outro é. O outro é um ser social. e está carregado de conceitos. mais informações www. Ao mesmo tempo. afirma que. A interação social. valores. assumem e trocam papéis. Na interação. as crianças negociam regras. agressividade. podem ocorrer processos constitutivos de identidade. Assim. uma criança pode ter um determinado comportamento se estiver em uma sala com outra criança. O desenvolvimento cognitivo é uma condição necessária para que o sujeito atinja um grau de cooperação. motivações inconscientes. de regular atividades dos outros e de dividir o que foi adquirido com companheiros menos experientes. há um nítido progresso de socialização da criança.

e assimétrica. Pode acontecer a observação. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. as crianças podem compartilhar e confrontar sua produção e suas concepções sobre qualquer tema. Teberosky retrata muito bem a importância da mesma quando diz que “a interação social é uma situação privilegiada desde o ponto de vista do desenvolvimento cognitivo” (1987. Na elaboração conjunta. elas podem expressar mais livremente suas opiniões do que na presença de um adulto. o conflito.com. É preciso proporcinar situações para que isso ocorra. As crianças.iesde. estão interagindo pelo olhar.Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem Na interação entre crianças que estão num nível aproximadamente igual de status social e de competência cognitiva. a interação social lhes permite aprofundar a reflexão. pois segundo a autora. favorecendo o colocar-se num trabalho de construção do seu conhecimento. negociando sem sentirem-se obrigadas a aceitar a opinião do outro. pode haver o desejo e a motivação de dividir com o outro e realizar atividades coordenadas com um parceiro. mais informações www. a orientação na resolução de problemas. pelos gestos. entretanto. Nessa situação de aprendizagem e interação social. ao interagir com o objeto de conhecimento e com outras crianças. A capacidade de assumir a perspectiva do outro é então vista como elemento fundamental ao desenvolvimento cognitivo. pelos sinais de assentimento ou reprovação. As interações entre crianças podem alimentar descobertas profundas e fornecer um contexto para a aprendizagem dentro de uma estrutura de suporte social. A aquisição do conhecimento pela observação e imitação tem sido considerada um importante mecanismo tanto na interação simétrica como na assimétrica (VERBA.br 127 . para que ocorram transformações de compreensão. toda situação que permita a socialização do conhecimento é um bom contexto para a aprendizagem. pelas atitudes que têm para com o colega. Em qualquer contexto de ensino-aprendizagem. 1994). a imitação.. enquanto trabalham na sua aprendizagem. a cooperação. logo de seu progresso individual. Por relação simétrica entende-se a relação em que as crianças se apresentam com o mesmo nível de competência cognitiva. A direção da assimetria pode mudar de uma criança para outra: uma pode ser mais competente numa tarefa. colocar os alunos juntos fazendo uma tarefa. a todo momento. p. Não basta. 125). Os alunos que trabalham com outras crianças têm sua atividade mais apoiada e tornam-se mais seguros e confiantes. a relação em que há desigualdade quanto à competência cognitiva. e a outra em outra tarefa. A interação social é uma das condições da construção do conhecimento da criança e.

Enfim.. 128 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br . Como afirmam Carvalho e Beraldo (1989). participa das decisões que lhe dizem respeito e vê respeitados seus interesses e opiniões. que afirma a bidirecionalidade da transmissão cultural e a valorização da criança como agente ativo de seu desenvolvimento. “eu tenho que copiá senão.A.iesde. Pedro olha para ele. assumir decisões e resolver situações de conflito.. escrevendo um texto: Pedro percebe a dificuldade do colega. quando elaborava seu texto: Pedro percebe a dificuldade do colega. Entretanto. os educadores deveriam beneficiar-se de situações de interações sociais. porque não me lembro a outra letra aqui do lado”. A ênfase na promoção de interações criança-criança atribui a elas maior autonomia para tomar iniciativas. Essa atitude corresponde à abordagem construtivista. das trocas e discussões entre as crianças e pequenos grupos. Cutuca-o e mostra-lhe o que escreveu. estão interagindo com o conhecimento por meio da interação com o outro. coordenar cooperativamente suas ações com as dos colegas. tentativa de ajudar e paciência com a demora do colega. Francisco olha. numa situação de interação podem surgir imitações. Coça a cabeça. Observe o exemplo de duas crianças. Cutuca-o e mostra-lhe o que escreveu. Quando as crianças constroem seu texto individualmente. não há quem lhe ofereça um texto como referencial ou que possa esclarecer suas dúvidas. mais informações www. pára. rivalidade. escreve a letra C. A criança que desde pequena experimenta a oportunidade de negociar situações de conflito. mas parece querer copiar do livro. Demonstra vontade de sair da sala. não têm oportunidade de olhar outra produção que não a sua. que aqui chamaremos Pedro e Francisco.. Francisco escreve lentamente. de copiar letras ou outra informação de seu colega.” O menino começa a escrever meio indeciso. Pedro olha para Francisco (indeciso) e para fora da janela. pois estará permitindo que as crianças desenvolvam e consolidem estruturas cognitivas no seu processo de aprendizagem. encontramos na dupla Pedro e Francisco atitudes de aceitação do outro.Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem Quando as crianças têm oportunidade de olhar umas para as outras de oferecer ajuda. agressividade e competição. de mostrar sua produção para fornecer um referencial. terá melhores condições de ser um adulto mais feliz e de trabalhar na construção de uma realidade mais democrática. cruza os braços e se apoia na cabeça pacientemente.com. Espera o colega terminar para saírem ­juntos. “Eu vou fazê na outra linha.

as crianças achavam-se livres para explorar quaisquer materiais: papel. e iam até onde podiam ou se encontravam automotivadas para ir. Minha resposta é “eu não ensino”. os quais deveriam ser considerados em seu planejamento. [. Às vezes. mesmo ­assim. a fim de dominar uma habilidade antes de avançar para o nível seguinte.. As crianças se ensinam... ignorá-lo [. mas o que faziam com ele competia ao indivíduo. dirigindo ou explicando. Descobrimos que ­fracasso era apenas uma palavra. a primeira tarefa de cada indivíduo era elaborar o seu plano de trabalho. a criança começava a estudar ou a trabalhar em seu plano. para a elaboração de um trabalho independente. permitia a interação [. tinham liberdade para fazê-lo.] Quando achavam que estavam prontas a passar à frente. Como eu não me achava livre para desrespeitar o horário curricular fixado pelo Estado.. aprendizagens ou pesquisa com o resto da classe. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. a si próprias e umas às outras. Havia oportunidades para reconhecimento mútuo.Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem Um dia típico na aula (SHIEL. As crianças aprenderam a comunicar-se pela comunicação.]. Assim que o contrato estava pronto. não havia necessidade de enganar para alcançar êxito. ou “contrato”.A. Não havia dois “produtos” iguais – embora existisse uma considerável dependência nas descobertas dos outros. resumi-lo. ou quando havia materiais audiovisuais de interesse geral para a classe. De vez que a avaliação era iniciada pelo próprio aluno e respeitada pelo ­professor. argila etc. e o afastamento de um grupo. Eram elas que estabeleciam o seu próprio ritmo. 1985. a menos que o professor se ache ditando.. Em Arte. assim como livros e ideias. Debatemos também a sequência de aprendizagem. por meio da manipulação e da experimentação.]. mas.. Havia um constante autoagrupamento e reagrupamento. que existe diferença entre fracassar e cometer um erro. Elas descobriram por si mesmas. Tenho sido constantemente contestada: mas como é que você ensina os fatos e os conceitos novos? Aparentemente.. crianças faziam o planejamento com uma ou duas mais. começando em seu próprio nível. crayon.]. especialmente em Matemática. se o desejassem. não pode haver aprendizagem.. Ela podia trabalhar tanto quanto precisasse ou quisesse. As crianças desenvolveram uma disciplina de trabalho que respeitava a ­necessidade de isolamento ou estudo tranquilo por parte do indivíduo. mais informações www. desenhar figuras a respeito – ou.. e que erros fazem parte do processo de aprendizagem. de início [. giz. tintas. expliquei às crianças os blocos semanais concernentes a tempo/assunto.iesde. 59-60) Cada dia começava informalmente.br 129 . Por exemplo. Podiam descrevê-lo. novas técnicas e novos empregos dos veículos de expressão..com. se tínhamos um filme sobre a América do Sul toda a ­classe o assistia. isso era anunciado no quadro e incorporado ao planejamento ­individual. os que perguntam presumem que. p. Quando indivíduos ou grupos queriam partilhar de seus projetos.

peça que duas ou três crianças escrevam juntas e na mesma folha um texto sobre a mesma história (lida em situação individual). 108). Discutam a frase : “Tenho a impressão de que os adultos têm olhos diferentes dos nossos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.Interação entre alunos no processo de ensino-aprendizagem 130 1.com.br . 1981. Traga tiras da Mafalda. basta eu olhar para ele e já sei o que fazer” (KORCZAK. Quando um colega me pede alguma coisa. Numa outra situação.iesde. Há diferenças nas produções? 2.. p. Chico Bento ou outras histórias que falem sobre a sala de aula e o trabalho interativo entre crianças. Peça a uma criança que escreva individualmente um texto sobre uma história (previamente escolhida) que você lerá para ela. e olham de maneira diferente. Compare as produções e analise-as com base no texto.A. mais informações www. 3.

são meros transmissores de conhecimento. Para Giesta. Incredulidade do professor diante de novas propostas pedagógicas Muitas vezes. ou ainda repete condutas de professores que foram seus mestres. “sem procurar entender o porquê e para quê utilizá-las com seus Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A. O estudo insuficiente dessas teorias pelo professor gera práticas pedagógicas superficiais.br 131 . ele persiste na manutenção de práticas tradicionais. Falta de fundamentação teórica O envolvimento e a preocupação constantes do professor com as demandas do dia a dia da escola podem contribuir para que ele não aprofunde seu conhecimento sobre as teorias que fundamentam e auxiliam sua prática pedagógica. Ao trabalharmos com professores. mais informações www. de tentar fazer algo novo e ao final não ter o êxito esperado é outro fator a ser considerado. o fazer e o ser professor. ao longo dos anos. Rubem Alves A s transformações de ordem política. De certa forma. continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver a vida pela magia de nossas palavras.A função e a formação do professor na escola inclusiva Vilmarise Sabim Pessoa Educar é um exercício de imortalidade. reflexivo e transformador da realidade.iesde. É necessário que o desempenho deste profissional na escola contribua para a formação do aluno como cidadão crítico. o professor tem acesso a práticas pedagógicas inovadoras que viabilizam de forma mais coerente o processo de construção do conhecimento em sala de aula.. Não há mais espaço para professores que. social e econômica da sociedade contemporânea têm exigido uma permanente reflexão sobre a função do professor. não morre jamais.com. Desse modo. Porém. o professor apega-se aos procedimentos que sempre exerceu. diante de técnicas de ensino. este comportamento do professor tem dois motivos: ele pode não entender e/ou conhecer com clareza a proposta ou ter dificuldade de colocar em prática teorias formuladas por outros profissionais. O educador. que acabam por transformar-se em receitas. assim. De acordo com Giesta (2001) muitos aspectos devem ser considerados quando analisamos o saber. percebemos que o medo de ­arriscar.

Sacristán (2001. Os instrumentos de avaliação Giesta (2001.A. implica olhar para si mesmo e identificar (GIESTA. A outra diz respeito à apresentação de forma fragmentada dos conteúdos. O professor pode assumir de forma efetiva seu papel de agente transformador. sem efetivar reflexivamente a relação teoria e prática. gera a falta de percepção ou de tomada de consciência de que as aprendizagens construídas e conquistadas em sala de aula devem ser para auxiliá-lo na compreensão de todas as relações sociais que fazem parte de sua vida. sem criatividade. estuda simplesmente para tirar notas suficientes para passar de ano. insignificantes para a vida do aluno no dia a dia e no seu futuro”.A função e a formação do professor na escola inclusiva alunos. Isto leva a uma abordagem superficial e fatalmente passageira. sem sucesso” (GIESTA. p. E o que é mais grave.123) relata que novos materiais curriculares.. o nível de qualidade de desempenho do estudante em favor da quantidade de informações. todavia é necessário que desenvolva sua capacidade de autonomia. apenas contribuem para prejudicar o processo de construção da aprendizagem pelo aluno. as lacunas em seus conhecimentos. suas omissões. p. 38-39): suas opções teóricas pessoais ou públicas. p. por vezes. Isto significa ser reflexivo e construtor de uma atitude consciente. o uso excessivo de provas objetivas. p. seu nível de comprometimento para com aqueles que dependem de seu trabalho. Ainda. em muitos casos.com. que. por sua vez. sua competência técnica. novas tecnologias e ­outros meios de inovação podem contribuir para incrementar a qualidade 132 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. A primeira está relacionada à falta de clareza do professor na seleção dos objetivos essenciais para a vida pessoal e escolar do aluno. O conhecimento restrito dos conteúdos das áreas do conhecimento ou disciplinas O pouco conhecimento do conteúdo a ser trabalhado com os alunos gera em sala situações preocupantes.37). 37) questiona “a importância burocrática dada aos instrumentos de avaliação que desconsidera. mais informações www. Isso se reflete em uma prática pedagógica empobrecida. Leva à acomodação do aluno que. de certo modo. 2001. 2001. seus preconceitos no exercício da profissão.iesde. e uma concepção de avaliação meramente classificatória.br . bem como atividades mecânicas e de memorização que prevalecem a ações efetivas do professor e aluno para buscar a real compreensão dos conteúdos.

seus desejos. uso de outros referenciais. criação de um clima de otimismo. aproveitamento do tempo em sala de aula com atividades interessantes e significativas para o aluno.A. Compreensão do desenvolvimento do aluno – é necessário que o professor conheça o processo de desenvolvimento humano e seja compreensivo em relação às características das fases de desenvolvimento dos alunos. Aceitação e consideração pelos alunos – é importante que o professor evidencie a aceitação e a consideração que os alunos merecem. colocação de limites aceitáveis e que se façam valer.A função e a formação do professor na escola inclusiva da educação.br 133 . suas opiniões. referindo-se ao papel do professor. discussão dos objetivos da disciplina. confiança na capacidade de aprender dos alunos. seus sentimentos. correção das avaliações como instrumento de revisão dos conteúdos pelo aluno. ao fazer uma análise reflexiva do papel do professor. ainda. diferentes de provas. acompanhamento sistemático do desenvolvimento e aprendizagem de cada aluno. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. tais como: regras de conduta claras. qualidades e limitações. “alguém que não se entusiasma por alguma parcela do saber. mesmo que as condições de ensino não sejam ideais. Ribeiro (2002) observa que é necessário destacar alguns procedimentos pedagógicos fundamentais para intervenções e vivências democráticas em sala de aula. Ouvir o aluno. é difícil que transmita entusiasmo e sabedoria aos demais”. Ainda. como democratizador do processo educativo. na adolescência. nenhum desses meios se sobrepõe à melhoria na qualidade da ação do professor. demonstrando. relata que três características deste profissional são fundamentais para a concretização de um ambiente pedagógico cooperativo. relação entre o conhecimento estudado na sala de aula e aspectos que envolvem a vida do aluno.iesde. explicitando o que pensa. Autenticidade – é preciso que o professor se expresse de forma clara. transparência nas suas atitudes. na pré-adolescência. em que os alunos possam apresentar e discutir o que estão aprendendo. Porém.com. mostrando que aprender é uma aventura estimulante.. Para ele. Compreender os sintomas e as condutas que são expressas na infância. Ribeiro (2002). sente e quer. em sala de aula. mais informações www.

É importante que os professores tenham regularmente um tempo fora da sala de aula. para falarem sobre seu trabalho. discutir temas recorrentes em educação: avaliação. sistematizar a metodologia.. para que possam saber se suas decisões educacionais estão de acordo com os projetos políticos e culturais de seu país. para que se comprometeram desenvolver em suas aulas. do sentido que o estudo e a escola têm para eles. adotar uma postura de pesquisador e não apenas de transmissor. em um contexto em que se sintam bem.com. porque deve considerar algo que não está nos livros. mas também criticá-la ou aperfeiçoá-la? Nesse contexto. é muito importante a descrição. e não é fácil. não sabe falar de sua prática (mesmo quando tem espaço). O professor. Mais que isso. disciplina em sala de aula. para que possam rever suas práticas. a discussão. Investigador porque comprometido com o conhecimento de técnicas pedagógicas. livro ­didático.A função e a formação do professor na escola inclusiva Sobre a formação docente (MACEDO. em que os conhecimentos são aprofundados e ampliados. que é capaz de promover hipóteses e teorias infantis. motivação dos alunos.. A postura do professor construtivista é experimental porque se trata de dar aulas como um projeto de trabalho. seriação escolar.] Para Piaget (1970) a formação de professores é longa e complexa. das hipóteses. é importante para o professor tomar consciência do que faz ou pensa a respeito de sua prática pedagógica. o professor deve ser um investigador. da sala de aula. os registros. o que implica torná-lo público. exercício. a interação entre professores. julgo fundamentais quatro pontos. Também é importante que os professores critiquem. Primeiro. Conforme essa posição. quando está em uma reunião docente. Como fazer esse professor falar. das relações que fazem. Além disso. compartilhar com colegas os problemas que enfrenta. explicação dos conteúdos. Segundo. ter uma visão crítica das atividades e procedimentos na sala de aula e dos valores culturais de sua função docente. para darem voz ao seu cotidiano escolar.. Nesse processo. cópia. tematizar sua prática. A adoção de uma perspectiva experimental (não é apenas de transmissão) é muito importante no construtivismo de Piaget. Terceiro. que sabe escutá-los e promover argumentações de diversos tipos. substituindo-as por outras melhor fundamentadas e que resultem mais eficazes para os fins educacionais a que se propõem. porque supõe a tematização de seu cotidiano. difícil e envolvente. preferindo escutar os especialistas e conhecer novas técnicas.br . 1994. 59-61) [. Quarto. com um domínio de conteúdos escolares e com a experiência acumulada em seu trabalho docente. em que se aperfeiçoam as formas anteriores de ensinar. Experimental porque há um espírito de novidade. a tendência é ficar dominado pelos problemas práticos e pelo dia a dia. dar conteúdo a suas formas de trabalhar em sala de aula? Como permitir-lhe uma discussão sobre suas dificuldades ou tomar consciência dos aspectos positivos ou negativos de seu trabalho? De que modo fazê-lo valorizar sua prática. ter um melhor conhecimento dos conteúdos escolares e das características do desenvolvimento e aprendizagem dos seus alunos. mais informações www.A. Por mais que um professor faça cursos e fundamente sua prática pedagógica. que em sua sala de aula sabe também fazer falarem seus alunos. A superação desta tendência pelo professor é importante. uma vez que se trata do saber dos seus alunos. p. de criati134 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. que ele pode conhecer de antemão.iesde.

. E isso o leva à ­necessidade contínua de um melhor conhecimento. 1. mas. quais os aspectos fundamentais que o professor deveria desenvolver para tornar-se um verdadeiro profissional da educação? 2. há compromisso com o que se sabe sobre os conteúdos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br 135 . com as coisas que não podem esquecer. ao mesmo tempo há sistematização.com.iesde. no presente da sala de aula. pode-se acrescentar mais uma outra necessidade: coordenar todos esses pontos de vista com uma educação comprometida com a cidadania das crianças.A função e a formação do professor na escola inclusiva vidade. Na sua opinião. igualmente. Ou seja. gozo na produção de conhecimento. o espírito experimental do professor é seu compromisso com o futuro. No texto complementar. além disso tudo. ou uma constante atualização com respeito aos conteúdos escolares. mais informações www. E. há conservação das ­experiências passadas.A. junto com a correspondente consideração das ­características do desenvolvimento e da aprendizagem de seus alunos. há transmissão. porque é interesse. de ir mais fundo. Discuta com seus colegas sobre a importância de cada um destes pontos e registre as conclusões. O espírito transmissivo. Macedo cita quatro pontos importantes no processo de formação do professor. é seu compromisso com o passado no presente.

A. 136 O que significa ser professor? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A função e a formação do professor na escola inclusiva 3..iesde.com.br . mais informações www.

e deve ainda ser condizente com sua realidade. cujos talentos para organização e memorização estavam sendo úteis para ajudar o grupo a acompanhar as informações importantes. até os micróbios no sangue. Os ramos de uma só árvore. com objetivo de fazer com que a escola se torne aberta às diferenças e competente para trabalhar com todos os educandos.. as folhas de uma mesma planta. 313-315) D iante de relatos como esse citado por Peterson. as raias do espectro de um só raio solar ou estrelar. O grupo de aprendizagem também incluía um aluno autista. 46) ao expressar que “a inclusão postula uma reestruturação do sistema de ensino. os traços da polpa de um dedo humano. Esta será nossa questão de reflexão e discussão neste capítulo. Outro aspecto de grande importância.A.br 137 . uma vez que a diversidade entre os alunos é relevante ou podemos. eles assistiam aulas de Linguagem.iesde. apresentado no relato de Peterson. A equipe administrativa reunia-se todas as manhãs e tomava decisões para o “trabalho de aprendizagem” do dia. Assim. as gotas do mesmo fluido. p. de cultura. nos respalda Dutra (2003. ou características pessoais”. p. Rui Barbosa Uma experiência significativa Em uma rede de ensino de um Estado do Meio-Oeste. A proposição de ações educativas deve constar em propostas pedagógicas que possibilitem ao aluno construir uma boa imagem de si mesmo. Podemos duvidar da qualidade de tal empreitada. como parte de um projeto com um ano de duração sobre os efeitos de um novo empreendimento na comunidade. de desenvolvimento e aprendizagem possam ser valorizadas e fazer parte do cotidiano escolar. os argueiros do mesmo pó. (PETERSON. Matemática e outras matérias tradicionais nas quais focalizavam seu desenvolvimento de habilidades em áreas relacionadas ao projeto de aprendizagem. o grupo reuniu-se com o professor para resumir e comentar questões pessoais e de aprendizagem. 1999. Muitas se parecem umas com as outras. podemos ter inúmeras reações. perceber a necessidade como se propor ações e que as diferenças étnicas. Entendemos que duas destas reações devam ser explicadas. a partir de uma “consciência cidadã”. Um aluno com retardo mental era codiretor dos materiais e dos suprimentos do grupo. mais informações www. até os aljôfares do rocio da relva dos prados. propostas que o auxiliem a construir um posicionamento firme contra o preconceito e a favor do respeito às diferenças. Três alunos que haviam recentemente emigrado de outros países estavam estudando inglês enquanto compartilhavam seu conhecimento. mas todas entre si diversificam. gênero. em uma semana de abril.Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva Ida Regina Moro Milleo de Mendonça Não há no universo duas coisas iguais. classe. desde os astros do céu. deste as nebulosas no espaço. um grupo de 20 alunos participou de uma expedição de canoagem com duração de um dia e colheu amostras para a verificação da qualidade da água. sem distinção de raça. Um aluno quadriplégico era presidente da equipe que estudava a qualidade da água. O professor ajudou a organizar uma equipe de manejo para a expedição que facilitou o desenvolvimento e a coordenação das equipes de trabalho. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Antes de voltar para a escola. no meio ambiente e na economia. é a aprendizagem comunitária. Tudo assim. À tarde.com.

apresentaremos algumas estratégias de aprendizagem comunitária. p. mais informações www. a partir de simulações ou de centros de interesse. pois estes envolvem-se na resolução de problemas reais. Esta forma de aprendizagem possibilita ao aluno desenvolver sua capacidade de observação e de investigação. as habilidades e as limitações de cada indivíduo do grupo. Aprendizagem baseada em problemas – nesse tipo de aprendizagem são apresentados aos alunos problemas do mundo real e eles recebem apoio para pesquisar e desenvolver soluções para esses problemas. Segundo Peterson (1999.] Aprendem em grupos diversos e heterogêneos. pois com um grupo menor e coeso. respeitar e conhecer o potencial. Conforme Peterson (1999. o papel do professor resume-se em apoiá-los em suas investigações.. 138 A permanente vivência neste tipo de aprendizagem proporciona aos alunos. a biblioteca pública e o museu. elabora hipóteses e busca soluções. Podem envolver todos os alunos ou apenas um grupo. Escolas dentro das escolas – a escola pode ser transformada em pequenas comunidades que facilitarão a implementação da aprendizagem comunitária. pois o acesso dos alunos a esses recursos é mais fácil – como.] os alunos aprendem a atuar como membros eficientes de suas comunidades em uma sociedade democrática. pode-se utilizar os recursos da comunidade... p. por exemplo. a autodireção dos grupos de trabalho. e em ambos. nos quais desenvolvem relacionamentos de apoio mútuo.A. de forma gradativa... Assim.[. ao abordar este tipo de aprendizagem.iesde. que entendemos ser de grande valor para efetivação de práticas educativas voltadas para tal finalidade. que participarão de verdadeiros centros de interesse. pois ele colhe os dados que precisa. num período relativamente curto.[. aprendem a trabalhar em equipe e aprender como valorizar e acomodar uma grande diversidade. 313).. na escola. professores e alunos estarão envolvidos em um projeto de trabalho. Simulações em sala de aula – as atividades que são desenvolvidas na comunidade podem ser representadas dentro do espaço escolar. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva Acreditamos que a aprendizagem comunitária oportuniza aos alunos vivenciarem verdadeiras experimentações. [. Utilização de recursos comunitários – para a concretização de pequenos projetos dos alunos. Estratégias para a aprendizagem comunitária A aprendizagem comunitária pode acontecer na comunidade. em que a cooperação de todos os professores na formação de uma equipe interdisciplinar é condição necessária para a concretização dos projetos comunitários.br . 307).com.] Aprendem envolvendo-se em atividades do mundo real. O projeto curricular. Ao mesmo tempo convivem em grupos heterogêneos que os possibilita a aprender. significativas. Os professores funcionam apenas como conselheiros. pode envolver apenas uma turma com seu respectivo professor ou a escola como um todo.

iniciar pelos objetivos de aprendizagem para determinados alunos e. bem como a variedade de opções necessárias para alcançar tais objetivos. pela comunidade. museus e programas comunitários. Escola e comunidade devem estar unidas para garantir uma educação de qualidade e significativa para todos os alunos. hospitais. Os alunos terão a oportunidade de trabalhar nestas instituições e vivenciar os respectivos papéis sociais. familiarizam-se com a comunidade e. apresentar e sugerir alternativas de melhoria e transformação da comunidade. em benefício da comunidade. a aprendizagem comunitária pode começar na escola a partir de uma ­observação cuidadosa sobre os tipos de resultados que se deseja para todos os alunos. jornais. Por meio desse tipo de experiência. Para isso. Experiências estas que incluem assistência a hospitais. que está integrada a todas as questões que envolvem a comunidade e. mais informações www. sobretudo. tais como: empresas. com todas as instituições que existem no mundo real. os alunos participam de questões reais. correios. Microssociedade – a escola pode reproduzir no seu espaço uma cidade em miniatura. bancos. pela área do conhecimento. os alunos estarão em permanente interação com as questões reais que envolvem o cotidiano da comunidade. etc. finalmente.. passam a compreender de forma mais consciente as relações que envolvem a vida coletiva. O planejamento da aprendizagem comunitária Ainda de acordo com Peterson (1999). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. ainda. proporciona a todos os alunos uma vivência ativa e mais próxima possível da realidade.Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva Projetos comunitários – esses projetos comportam parcerias entre a escola e as atividades que estão sendo desenvolvidas na comunidade. áreas residenciais e de lazer. Significa.iesde. Aprendizagem de serviços – esta forma de aprendizagem sugere o envolvimento efetivo dos alunos na prestação de serviços a todos os segmentos da comunidade. Podem.A. é preciso que o professor se organize para ensinar os objetivos desta de forma prática e integrada à comunidade. tribunais. o planejamento da aprendizagem pode ­iniciar pela disciplina.br 139 . ou seja. Pode. que a implementação de práticas educativas eficientes e consistentes podem contribuir para que o aluno assuma o papel de verdadeiro agente da transformação de sua comunidade. inclusive. Dessa maneira. Entendemos. Em síntese Escola inclusiva não é aquela que somente mostra-se preparada para tratar de forma adequada as diversidades que se apresentam de maneira implícita ou explícita dentro do próprio espaço escolar. A organização de projetos que tenham potencial para desenvolver os o­ bjetivos é uma boa alternativa. assim. sobretudo.com. inclusive.

iesde. Esses conceitos proporcionam diretrizes ou padrões práticos para o desenvolvimento e a implementação da aprendizagem comunitária que melhoram a aprendizagem de todos os alunos. mais informações www. 140 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. No pensamento de ordem superior. assim como habilidades de julgamento e resolução de problemas.) Quais são os princípios que regem o que chamamos de aprendizagem comunitária? Newmann e Wehlage (1993) descreveram cinco padrões de “instrução autêntica” que captam grande parte dos princípios nos quais estamos interessados. que contribuem para sua aprendizagem. grupos heterogêneos. frequentemente. Quando os alunos estão envolvidos com ideias fundamentais. conexão com o mundo além da sala de aula. Isso pode ser verdade para alguns indivíduos.com. apoio social à realização do aluno. em geral. os alunos com deficiências importantes podem. Esse pensamento crítico requer um elemento de incerteza. 9). Por isso.A. Pensamento de ordem superior O pensamento de ordem inferior ocorre quando os alunos recebem ou repetem informações factuais. ocorre quando um grande número de tópicos é coberto de maneira fragmentada. WEHLAGE. com o desenvolvimento de argumentos ou com a resolução de problemas. cada padrão é descrito com maior profundidade. a profundidade do conhecimento pode ocorrer mais facilmente quando um número menor de tópicos é coberto. mas não o é para a maioria. usando habilidades de pensamento de ordem superior. participar de equipes de aprendizagem. A seguir. aprendem as informações em um nível mais substancial.p. profundidade do conhecimento. A suposição típica é a de que os alunos com necessidades especiais de aprendizagem usam apenas o pensamento de ordem inferior. Seja como for. p. 2003. Profundidade do conhecimento O conhecimento pode ser considerado “superficial” quando “não lida com conceitos importantes de um tópico ou de uma disciplina” (NEWMANN. diferentes estilos e habilidades de aprendizagem. 1993. os alunos usam as informações para chegar a conclusões. Estes são alguns padrões ou princípios críticos que podem ser acrescentados: aprendizagem transdisciplinar ou interdisciplinar. Estes incluem: pensamento de ordem superior.Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva Princípios da prática para a aprendizagem comunitária (DUTRA. A aprendizagem superficial.br . s.. aprendizagem ativa.

Os problemas comunitários requerem frequentemente a aplicação simultânea da Linguagem. Aprendizagem transdisciplinar ou interdisciplinar A aprendizagem transdisciplinar também tem sido adotada na literatura relativa à reestruturação do ensino (JONES. palestras ou aconselhamento em aprendizagem comunitária. mais informações www. os alunos identificam problemas. Sob a orientação dos professores. com objetivos de aprendizagem relacionados. Os alunos devem envolver-se na aprendizagem por meio de atividades significativas. As pessoas mais velhas podem orientar os alunos e apresentar suas experiências. estimulando a aprendizagem dos alunos. hospitais e empresas. Em um problema desse tipo.. A supervisão da tutela dos colegas deve garantir que essa interação atinja os objetivos de aprendizagem definidos tanto para o tutor quanto para o tutelado. do que em uma atmosfera de competição e de exclusão. A maioria dos modelos de Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. de Ciências e de Habilidades Interpessoais. reduz o isolamento da escola e torna a aprendizagem real para todos os alunos. várias disciplinas ou temas escolares são focalizados em conjunto. Tal reconexão deve ocorrer de várias maneiras. desenvolvem equipes de aprendizagem e direcionam o curso da aprendizagem. Na aprendizagem transdisciplinar. do processo de aprendizagem. (ANGELIS. Essa talvez seja a peça fundamental para a melhoria do ensino. em que todos são bem-vindos. A busca dessas conexões aumenta os recursos da aprendizagem. vários professores podem juntar-se para se envolver em um projeto comunitário relacionado a problemas ambientais.Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva Conexão com o mundo além da sala de aula Para a aprendizagem ser eficaz. dentro da comunidade. as escolas devem estar reconectadas de muitas maneiras com a comunidade. Grupos heterogêneos Todos os alunos aprendem mais eficientemente quando sua educação é individualizada e quando têm oportunidades para participar de um grupo heterogêneo. Além disso.A. espera-se que os professores destas várias disciplinas trabalhem juntos. tais como universidades.iesde. os membros da comunidade devem estar envolvidos no processo da aprendizagem por meio de orientação. relacionadas à comunidade. os alunos poderiam aplicar habilidades relacionadas à Matemática. Devem ser feitas parcerias com organizações comunitárias. Apoio social para a realização do aluno Os alunos aprendem mais efetivamente em uma atmosfera de apoio. As pessoas com defi­ciência podem compartilhar suas experiências e aprender e apresentar questões políticas em aulas relacionadas a problemas sociais. prática como aprendiz. e com membros comunitários de todos os tipos para trabalharem cooperativamente com as escolas. Por exemplo. Por isso. e não recipientes passivos. quando os alunos aprendem a envolver-se em atividades comunitárias e a aplicar suas habilidades. às Ciências. WATHEN. de Matemática.com. Aprendizagem ativa As atividades de aprendizagem comunitária proporcionam oportunidades para os alunos serem construtores ativos. à Linguagem Técnica e a outras habilidades. Todos os alunos beneficiam-se quando proporcionam apoio a outros colegas. 1990). cooperação e encorajamento. 1994).br 141 .

Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva

aprendizagem comunitária move-se intencionalmente rumo à transformação da escola e do ensino
conjunto de alunos diferentes. À medida que a aprendizagem comunitária vai além dos confins
estreitos das paredes da sala de aula e das matérias, com o objetivo de melhorar a aprendizagem
essencial, o envolvimento de diferentes alunos compartilhando várias percepções, trabalhando
juntos em diferentes culturas e habilidades, e envolvendo-se na resolução dos problemas uns dos
outros, é visto como um componente fundamental da aprendizagem. Por exemplo, alguns alunos
podem prestar assistência a outros, envolvidos em tarefas de aprendizagem de nível mais elevado;
os alunos que estão trabalhando em tarefas simples podem aprender tais tarefas com outros alunos, e os grupos de estudo podem ser usados, envolvendo alunos de todos os níveis na resolução
conjunta dos problemas. Uma abordagem de aprendizagem diversificada proporciona a todos os
alunos oportunidades para atingir seus objetivos individuais de aprendizagem, embora aprendendo
com o grupo heterogêneo.

Diferentes estilos e habilidades de aprendizagem
Para responder efetivamente a grupos de alunos heterogêneos, a aprendizagem comunitária
precisa desenvolver mecanismos para responder aos vários estilos de aprendizagem, às inteligências múltiplas (ARMSTRONG, 1994; GARDNER, 1983) e às diferentes habilidades de aprendizagem e desempenho. O conceito e a abordagem do ensino de Gardner (1983), que respondem às
várias inteligências dos alunos, proporcionam uma estrutura e um conjunto de estratégias eficientes. Armstrong (1994) forneceu informações e exemplos que podem ser usados pelos professores
para o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem que respondam a várias potencialidades
individuais de aprendizagem e de pensamento.

142

1.

Observe o dia a dia de uma escola e verifique como as diferenças de raça, cultura e características pessoais são tratadas, dentro deste espaço, na relação professor-aluno.

2.

Você tem alguns exemplos interessantes sobre aprendizagem comunitária?

Então, este é o momento de contar aos seus colegas e trocar suas experiências ­significativas.

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Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva

3.

Qual é o seu ponto de vista acerca da inclusão escolar e propostas de trabalho entre escola e
comunidade?

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Atividades independentes – uma estratégia de ação comunitária na escola inclusiva

144

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Podemos proporcionar uma educação de qualidade nas classes de ensino regular. que é desejada e esperada no ensino obrigatório. Se ele é a própria identidade escolar. por isso mesmo. O currículo aberto.br 1 “O handicap torna-se a deficiência da qual padece uma pessoa que. exigindo que se contemple as necessidades educativas especiais. Os currículos fechados oferecem mais comodidade aos professores. Essa resistência a mudanças tem causado sofrimentos e angústias. Define o quê. Para Coll (2000). Mas a prática inclusiva ainda esbarra na resistência. por sua vez. p.com. O currículo consiste em fundamentos filosóficos e sociopolíticos da educação. pois segue-se um roteiro preestabelecido e isto não requer grandes habilidades do professor. e ainda relaciona princípios e operacionalização. os fechados e os abertos. orienta as atividades educativas e as formas de executá-las. 2001). sendo construído a partir do projeto pedagógico da escola. Os inconvenientes estão centrados na dificuldade de garantir uma homogeneidade no currículo. a partir das aspirações e expectativas da sociedade e da cultura em que se insere (AMANCIO. garante o respeito à diversidade. 145 .. mais informações www. Favorece a necessidade de adaptações específicas. Sob essa ótica. bem como suas vantagens e desvantagens. Jeffrey Strully e Cindy Strully A lmejar uma escola melhor para todos implica mudança. à sua organização e funcionamento e ao papel que exerce. os princípios inclusivos estão na origem do processo de reforma do ensino. quando e como ensinar e avaliar. demonstra-se boa vontade em receber a criança com necessidades educativas especiais. a definição do currículo mostra sua dinamicidade. Coll (1995) aponta diferentes tipos de currículos. ou deveria exercer. Exige dos professores muito mais: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. uma falta que caracteriza o mais fraco”. teoria e prática.iesde. encontra-se em posição de inferioridade. A inclusão exige certa dinamicidade curricular que permita ajustar o fazer pedagógico às necessidades dos seus alunos. No contexto escolar. acolhe a criatividade do professor diante do handicap1 de seus alunos. (CHARLOT. mas não se consegue organizar a ação pedagógica de forma diferenciada. planejamento e ação. Suas desvantagens estariam em não se adaptarem às características particulares.Entendendo a adaptação escolar Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Não precisamos escolher entre a socialização e as amizades nas classes de ensino regular e uma educação de qualidade nas classes especiais.. A estruturação do currículo deve estar associada à própria identidade da instituição escolar. 26). que após organizá-los podem aplicá-los sem problemas. muitas vezes. adaptá-lo à clientela seria algo óbvio. marcos teóricos que concretizam a educação na sala de aula. E oferecem segurança..A. 2000.

Manjón et al. 61) trazem uma definição bastante objetiva: “adaptações curriculares são. podemos perceber que já havia alguns ensaios para flexibilizar o currículo. p. num programa individual”. conforme o caso. ritmos de aprendizagem.] o Projeto Curricular Básico sempre está sujeito a diversas adaptações em função das necessidades educativas concretas dos alunos aos quais é aplicado.] na alternativa proposta. porém o ponto de partida e de referência da ação pedagógica sempre é o Projeto Curricular Básico. o currículo é concebido como um instrumento destinado a tornar possível e potenciar o desenvolvimento integral dos alunos (o objetivo do processo de ensino/aprendizagem é potenciar as diferentes capacidades dos alunos que tornarão possível a sua plena realização pessoal e social). naturalmente. que deve ser preservada e transmitida de uma maneira fiel a ela mesma. Mas. As adaptações acontecerão somente nos casos em que a proposta geral não corresponda efetivamente às necessidades específicas da criança. Manjón et al. medidas que o convertam num instrumento útil para responder à inevitável diversidade que apresentam os alunos quanto aos seus interesses. Analisando de forma geral o conceito e a estratégia das adaptações curriculares. por menor que seja. experiência anterior etc. criatividade. que geralmente o aluno deficiente não consegue completar. (1997.. de cultura imutável e definida a priori. pode-se ter a ideia simplista de que se trata mais de uma mudança de terminologia.. p.. no sentido atribuído a este termo na expressão Programa de Desenvolvimento Individual. o que se assim fosse não resolveria o problema inicial. a profundidade e a amplitude das adaptações dependerão. p.. Somente em alguns casos teríamos a elaboração de planos verdadeiramente individuais. a introdução de medidas capazes de flexibilizar os currículos normais.A. 61) Os mesmos autores completam dizendo que não se trata de elaborar programas paralelos. [. De forma isolada. da natureza das necessidades educativas. dedicação. antes de mais nada. 1995. criando uma dinâmica funcional. Como podemos perceber. p. Ruiz (apud COLL.. 183) Reconhecemos a complexidade do tema que exige da escola tomada de decisões específicas que afetam a organização escolar como um todo. que poderá desembocar. (1997. por vezes. que deste modo cumpre uma função normalizadora e integradora no tratamento das necessidades educativas especiais. normalmente chamado na comunidade i­nternacional como Programa de Desenvolvimento Individual (PDI). ou não. Com o tempo. (COLL. O que deve ficar claro é que [. em cada caso. e que se expande além do contexto escolar. 301) diz que durante muitos anos as escolas já ­desenvolviam algum tipo de atendimento diferenciado.iesde. um procedimento de ajuste paulatino da resposta educativa. as reformas do ensino foram entendendo esses programas como importantes e promotores de vantagens. é considerada uma adaptação curricular. 146 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www.Entendendo a adaptação escolar formação. Essa explicação deixa claro que qualquer modificação. Há uma unanimidade entre os autores no tocante ao cuidado em não criarmos na escola dois currículos paralelos o regular e o especial. 2000.com. (1997) ressaltam que. direcionado aos alunos com handicaps ou deficiências. estabelecidos no projeto de escola e na programação das aulas. ao falar deste assunto. assinaladas as suas implicações na planificação dos níveis de escola e classe. O currículo perde o seu caráter quase sagrado.br . uma adaptação pode ter vários níveis de amplitude para favorecer as necessidades educativas especiais dos alunos.

Entendendo a adaptação escolar Os autores são enfáticos em que as propostas de adaptação curricular são distintas das já praticadas em pelo menos três pontos (MANJÓN et al. varia de forma sensível o modo como se leva a cabo a elaboração da proposta curricular resultante das modificações anteriores.iesde. 67): Em primeiro lugar. Evidentemente.. na qual o interesse está centrado nas interações entre as necessidades da criança e a resposta educativa que lhe é oferecida. paraeducativa. senão o possível resultado final de um processo adaptador em que convém seguir certa ordem hierárquica. capazes de satisfazê-las adequadamente. produz-se uma profunda reorientação dos processos conducentes à identificação e avaliação das necessidades educativas especiais. mais informações www. reorienta-se o processo de uma avaliação somativa. como é habitual numa concepção tecnocrática do currículo. sem desconsiderar a possível participação e do acordo explícito dos pais. quanto ao que poderíamos denominar referência básica da proposta (o currículo regular) e aos critérios de atuação (adaptação progressiva desde os elementos curriculares menos significativos aos mais significativos).br 147 . Isso. equipe diretiva e inspeção técnica.com. para outra basicamente curricular. o que requer a identificação funcional das necessidades educativas especiais da criança e ajudas pedagógicas de todo o tipo. Em suma. em grande parte. Como não se trata de elaborar programas especiais para os deficientes. a elaboração de uma adaptação curricular não é uma resposta automática perante a detecção de determinadas necessidades educativas especiais. pelo que uma adaptação curricular pressupõe modificar os planos previstos na escola e ratificados pelos órgãos competentes. priorizando outra de caráter mais qualitativo e dinâmico. Em segundo lugar. produz-se uma deslocação significativa na responsabilidade da tomada de decisões que já não recairá especialistas externos à escola. intraindividual e. formativa e interindividual. e da educação especial. não só no que corresponde à organização do trabalho (que deve ser de tipo cooperativo) como também. sobretudo em determinar os possíveis déficits. pois deixa-se de enfatizar uma avaliação quantitativa e interessada. evidentemente. p.A. isto supõe também uma implicação direta dos próprios docentes no processo avaliativo. Por último. na qual o essencial é obter e julgar uma informação relevante para a tomada de decisões curriculares. É justamente a determinação do nível de ­competências curriculares do aluno e dos fatores que condicionam o seu processo de ensino/aprendizagem. mas sim de ajustar a ajuda pedagógica ao aluno mediante a adequação paulatina do currículo normal.. não como um complemento da tarefa da equipe interdisciplinar. De acordo com esta proposta. e especialmente. mas como o ponto de partida fundamental. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. são as próprias equipes docentes os agentes diretos da decisão. o que constitui ao mesmo tempo ponto de partida e de chegada sobre o qual devem reverter as restantes explorações.

junto ao projeto curricular básico de cada ciclo e aos exemplos de programação que exemplificam seu uso sob determinadas condicionantes (terceiro nível de concretização). as necessidades educativas designam as ações pedagógicas que devem funcionar para que os alunos possam ter acesso ao currículo.br .] As ações pedagógicas especiais não consistem apenas de adaptações curriculares (por exemplo.. em um conjunto de projetos curriculares que abrangem os diferentes ciclos do ensino obrigatório. existem dois tipos delas: as partilhadas por todos os alunos e as específicas de cada um. também devem figurar: 148 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Isso implica a inclusão do tratamento das necessidades educativas especiais no processo de elaboração dos projetos curriculares.. em escolas ordinárias ou especiais – para satisfazer às necessidades educativas dos alunos e assim facilitar seu acesso ao currículo. Por outro lado. ­materiais e instrumentos específicos etc. destacando a importância do conceito de necessidades educativas. formas diferentes de organização escolar. necessidades educativas. Todos os alunos têm. porém estas.. a educação especial é o conjunto de ações pedagógicas ­especiais efetuadas – de forma temporária ou permanente. As ações pedagógicas especiais surgem quando os recursos pedagógicos habituais do sistema escolar não são suficientes para dar uma resposta adequada às necessidades educativas especiais dos alunos. Por essa razão é que o projeto curricular dos ciclos que formam o ensino obrigatório não deve se limitar a possibilitar o tratamento das necessidades educativas especiais dos alunos como adaptações do mesmo. fruto das características diferenciais do aluno. no entanto.. [. também existe entre educação ordinária e educação especial. 1987. Notemos que assim como existe uma continuidade entre necessidades educativas habituais e necessidades educativas especiais.). modificações do ambiente físico-ambiental. à medida que o projeto curricular concretiza o projeto educacional que preside a educação escolar.iesde. A adaptação do projeto curricular básico às necessidades educativas dos alunos é uma exigência do modelo de currículo adotado. As necessidades educativas especiais são as necessidades educativas específicas. por definição. são especialmente relevantes.com. p.Entendendo a adaptação escolar O tratamento das necessidades educativas/ especiais no âmbito curricular (COLL. que. cujo objetivo é a satisfação das necessidades educativas especiais dos alunos. mais informações www. No contexto de certas finalidades da educação que presidem o sistema escolar e o ensino obrigatório. mas deve incluir também orientações. bem como entre ações pedagógicas habituais e ações especiais. que é aplicado tanto à educação ordinária quando à especial. procedimentos e propostas concretas para efetuar essas adaptações. concretizadas em um currículo.A. apoios psicopedagógicos complementares. tomadas em seu conjunto. 185-187) [. sem dúvida.] A educação ordinária e a educação especial. cuja satisfação é imprescindível para garantir seu acesso ao currículo. As necessidades educativas comuns a todos os alunos são satisfeitas mediante as ações pedagógicas habituais. sem que se possa estabelecer uma linha divisória nítida entre ambas. delimitam o que costuma ser chamado de educação ordinária. válidas para todos os alunos promover seu desenvolvimento pessoal mediante o conhecimento do mundo em que vivem e a aquisição das destrezas e conhecimentos necessários para dirigir sua própria vida de forma autônoma e responsável.. Nesta perspectiva. de maneira que. as ações pedagógicas especiais são ações pedagógicas adicionais ou complementares.

assinalando as adaptações e modificações que devem ser introduzidas nos mesmos segundo a natureza e as características das necessidades educativas especiais. não devemos perder de vista que são definidas de acordo com as ações pedagógicas capazes de satisfazê-las.iesde. 1. em duplas. em nenhum caso. uma última observação: embora seja certo que as necessidades educativas especiais derivam das características diferenciais dos alunos (histórico pessoal e/ou déficits de diferente natureza). 3.br 149 .Entendendo a adaptação escolar 1. procedimentos e estratégias para elaborar programas de desenvolvimento individual que permitam satisfazer adequadamente os principais tipos de necessidades educativas especiais. 4. Orientações.com. Retire das páginas anteriores três pontos que você achou significativos (pode ser frases ou parágrafos). uma tipologia de déficits. Tipologia e descrição detalhadas das necessidades educativas especiais mais frequentes dos alunos do ciclo em questão.A. conteúdos. Em consequência. discutam o que vocês escolheram e debatam.. a tipologia de necessidades educativas especiais deve utilizar critérios essencialmente pedagógicos. mais informações www. embora seja evidente a relação entre determinados tipos de déficits e as necessidades educativas que devem ser satisfeitas para que os alunos afetados possam ter acesso ao currículo. orientações didáticas). Orientações. procedimentos e estratégias para identificar as necessidades educativas especiais dos alunos. Depois. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Uma tipologia de necessidades educativas especiais não é. além de considerar as exigências do currículo. 2. Exemplos prototípicos de programas de desenvolvimento individual para as necessidades educativas especiais mais frequentes. A descrição deve destacar as implicações com relação aos diferentes elementos do projeto curricular básico (ob­jetivos. Para concluir.

.A.Entendendo a adaptação escolar 2.iesde. 150 Formando um grande grupo.com. mais informações www. procurem identificar se há nas escolas onde vocês trabalham adaptações curriculares e como elas são organizadas. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.br .

mas como sugestões para que cada escola construa. seja feita em pequeno grupo e com materiais figurativos Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Manjón et al. devem servir como receitas. Uma adaptação desse tipo pode implicar que determinados alunos realizem uma atividade de formas diferentes.. pode parecer simples. após algumas leituras e debates. por exemplo. a partir das necessidades de seus alunos. ou atividade de reforço para a aprendizagem dos mesmos objetivos e conteúdos. uma vez que ela é dependente de tantos outros fatores para que alcance seus objetivos. Poderíamos comparar a ousadia de realizar as adaptações à perspicácia de um equilibrista que precisa estar atento a vários ­segmentos para que sua apresentação chegue ao fim com sucesso. Mas sair do papel para a ação exige muito mais do que boa vontade.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Se realmente queremos que alguém faça parte das nossas vidas faremos o que for preciso para receber essa pessoa e acomodar suas necessidades. que. neste texto. Adaptações relativas às atividades de ensino-aprendizagem Os autores consideram essas as primeiras modificações a serem pensadas pelo contexto quando se pretende melhorar a resposta educativa de crianças com necessidades educativas especiais. comparando-nos ao equilibrista. persistência. Procuraremos. Tememos correr o risco de ­parecer tecnicistas. mais informações www. Parece-nos difícil falar dessa organização prática. ações coerentes. É fundamental entender que não estaremos esgotando o assunto nas ­próximas ­páginas. com certeza.iesde. criatividade. e fundamentalmente.br 151 . 70) apresentam uma sequência interessante a ser ponderada ao organizarmos adaptações. Quando falamos em persistência é a de alguém que monta um quebra-cabeças com muitas peças e precisa tentar novos encaixes sempre que suas tentativas não corresponderem ao esperado. de forma alguma. São mais simples de serem administradas pelo professor e geralmente organizadas mais para um grupo de alunos que para um só indivíduo.com.A. utilizando letras móveis para a mesma tarefa que outros efetuam com lápis e papel. p. Exige. pois ele é bastante abrangente. abordar pontos fundamentais para a operacionalização das adaptações. Outro exemplo seria uma atividade inicialmente prevista para ser realizada individualmente e com material simbólico pelo conjunto da classe. peço que reflitam que suas habilidades aumentam à medida que ele se exercita. Ainda. como nos materiais empregados para realizá-las. Forest (apud COLL. (1997. e podem incidir tanto na seleção das atividades. De nada adiantam propostas se o professor não contar com uma rede de apoio que lhe dê sustentação para a continuidade das modificações feitas. uma visão crítica sobre a diversidade. Tampouco metodologias inovadoras e materiais de apoio de última geração se não houver um preparo dos colegas de sala e de todo o contexto escolar para a acolhida do aluno com necessidades especiais. 1995) E ntender teoricamente as concepções que embasam as adaptações curriculares.

a necessidade de sistemas alternativos de comunicação. menor número de atividades etc. como pode acontecer no caso da resolução de problemas simples de cálculo aritmético ou problemas com frações. mas com diminuição do tempo dedicado aos diferentes conteúdos e objetivos. a experiência demonstra que estão entre os elementos mais difíceis de modificar na prática escolar cotidiana. 152 É uma adaptação que. O grau de modificação vai depender do handicap apresentado pelo aluno. pressupõem uma mudança mínima que tem como finalidade a adequação dos modos de avaliação às peculiaridades de determinados alunos que apresentem necessidades educativas especiais. já que deve ser mantido um certo equilíbrio entre os diferentes tipos de capacidades e conteúdos ao mesmo tempo em que devem conjugar-se na valoração de critérios derivados da análise do currículo.A. como podem ser as limitações sensoriais.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? ou manipulativos de apoio. essas adaptações são relativamente fáceis de serem organizadas e requerem criatividade e disponibilidade para serem programadas. Como podemos perceber. torna-se delicada. fracas competências na leitura e escrita etc. mesmo quando continuemos situados no marco das adaptações pouco significativas do currículo.br .. Aqui perguntamos: quais são as aprendizagens consideradas mínimas para a etapa e ano? Que conteúdos são chave para outros conteúdos posteriores? Que aprendizagens são mais urgentes para esse aluno? Quais são as que favorecem a sua integração escolar e social a médio e longo prazos? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. se comparadas com as restantes que compõem o currículo que continua a ser abordado. Adaptações relativas à prioridade de objetivos e conteúdos Estão diretamente relacionadas à necessidade de priorizar o tipo de competências que devem ser consideradas como fundamentais.com. Adaptações relativas aos modos de avaliação Na prática. Nessas situações. Talvez o exemplo mais claro seja a necessidade de determinados alunos seguirem um processo diferente do processo geral na aprendizagem inicial da leitura e escrita (essa situação é aquela em que a turma de uma forma geral já está alfabetizada e alguns alunos ainda não). mais informações www. Adaptações relativas à metodologia e à didática Essas adaptações são mais exigentes e os autores pressupõem certamente um nível de modificação maior do que o anterior. Embora se trate de ligeiras adaptações curriculares. o professor precisa organizar atividades diferentes que correspondam à necessidade de tempo maior ou de exercícios de fixação diferenciados.iesde. embora não sendo muito significativa.

e também se modificar a quantidade de objetivos propostos. A introdução ou eliminação de conteúdos pode ser também uma sequência da introdução de novos objetivos ligados às necessidades específicas do aluno. programando-o para um outro momento ou eliminando-o definitivamente.br 153 . como alguns relacionados com a necessidade de adquirir um sistema alternativo de comunicação (linguagem gestual. complemento de linguagem.iesde.com. nos quais a avaliação multidimensional deveria apostar. Os autores consideram cruciais esses aspectos. Sua operacionalização. previamente considerados prioritários. nos pais. as decisões educativas devem contemplar sempre as expectativas e metas a médio e longo prazo. Aqui há uma flexibilidade.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Essas questões requerem discussão e reflexão sobre o contexto. embora o grau em que se possa atribuir tal adjetivo a uma adaptação concreta seja determinado pela quantidade de conteúdos afetados e pelo caráter possivemente fundamental dos mesmos na planificação curricular geral. no início. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. ou a própria alfabetização. para que sejam eficazes. Introdução e/ou eliminação de conteúdos Até a fase anterior estaríamos falando de adaptações de pequeno porte (menos significativas ao contexto). os objetivos. Estas interrogações pressupõem que. que expressam e concretizam as intenções educativas que devem guiar toda a prática escolar. Introdução e/ou eliminação de objetivos Por último. É preciso que se tenha feito uma boa adaptação relativa à prio­ridade de objetivos e conteúdos (fase anterior a essa) para que não haja desespero nessa etapa. se esse não a dominar ainda etc). as adaptações individuais podem afetar diretamente o mais básico de todos os elementos curriculares. ou ainda de etapa ou nível escolar.. Adaptações na temporalização Este tipo de adaptação pode consistir no prolongamento do tempo de permanência do aluno num determinado nível de escolaridade ou numa modificação das previsões do tempo para determinados objetivos e conteúdos. pode gerar angústia no professor e. algumas vezes. podendo num determinado nível eliminar-se o objetivo em questão.A. o grau de significação desse tipo de adaptações pode variar dependendo de se tratar de uma eliminação de objetivos de etapa ou de área. mais informações www. Constituem evidente­ mente a modificação mais significativa possível. mas é impossível dispensá-las. não é previsível uma decisão fácil. No entanto. A partir desta medida situamo-nos nas adaptações de caráter significativo.

outras medidas de resposta educativa às necessidades educativas individuais. É necessário trabalhar a coesão do grupo. além de favorecer estruturas de tipo cooperativo. temos que dispensar atenção aos recursos extraordinários que se façam necessários. sempre elogiar antes de apontar necessidades de mudanças. contexto escolar-aluno. Às vezes. organizar grupos variados em sala com a intenção de aumentar os laços. Destacamos que em todos os casos podemos ter exceções que venham a favorecer o aluno. podem ser muito variados. e conhecer o sistema de comunicação que é usado pelo aluno (qualquer que seja ele. mais informações www. como referindo-se ao mesmo ­tempo. que ­estão relacionadas com a provisão de serviços educativos e de meios facilitadores do acesso ao currículo geral. Os recursos pessoais. com ou sem necessidades educativas especiais). que sob nosso ponto de vista. pois todos precisam se sentir fazendo parte de um “time”. pois defendemos que esse aluno especial deve participar o máximo possível das atividades escolares junto com a sua turma. Recursos individuais É de fundamental importância uma avaliação inicial que defina de quais recursos específicos o aluno com necessidades educativas especiais vai necessitar (fisioterapia. Deve-se buscar atitudes positivas diante do aluno. 154 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. reeducação visual. a agressão é uma forma de comunicar que algo não vai bem. estes podem ter um caráter alternativo (serem introduzidos no lugar de outros que são eliminados) ou complementar (serem acrescentados aos objetivos regulares).br . também. fonoaudiologia. Recursos pessoais De fundamental importância.A. Há que se priorizar as relações. deveria ser feito fora do horário das aulas. Procurar aproveitar situações espontâneas favorece as relações com os alunos. papéis e tarefas de cada um nas diferentes situações de ensino-aprendizagem.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Quanto à introdução de novos objetivos.com. reforço com professor particular etc. Todas essas adaptações devem ser entendidas. no entanto. que pode ser bastante variado. bastante significativos. cuidar ao falar sobre os insucessos. assim chamados aqui. psicoterapia. Nelas se apresentam. Outro ponto que destacamos aqui é a necessidade de estabelecer funções. Esses recursos consistiriam num complemento pedagógico. Paralelamente a todas essas colocações. Quando estamos falando em diversidade não podemos admitir posturas rígidas.iesde. Falar em adaptações curriculares e não falar em adaptações relacionais seria um equívoco.). Justificamos isso.. incluem as relações professor-aluno. ao projeto de escola e à programação da classe. as habilidades de relacionamento pessoal podem aparecer como fator decisivo para o equilíbrio que buscamos na inclusão escolar. aluno-aluno.

divisão de res­ ponsabilidades. É fundamental considerar os aspectos emocionais de todos os envolvidos. dos pais ou de outros) geram instabilidade e precisam ser trabalhados. Trata-se de um critério derivado de um princípio geral de normalização de serviços que visam à inclusão escolar. inseguranças (tanto do aluno especial. se essa não possui condições mínimas para atender às necessidades especiais do aluno. Realmente a eliminação de barreiras arquitetônicas precisa ser considerada na escolha de uma escola.iesde. a busca desses recursos deve ser prioridade ao planejarmos as adaptações curriculares. O aluno que está chegando não é “daquele” professor. No dia a dia nas escolas podemos perceber como se sente melhor um aluno que tem. Quando o aluno muda de escola. Os quadros a seguir estão baseados em sugestões de alguns autores e também têm adaptações feitas pela nossa experiência diária. MANJÓN et al. 1997. Ainda tentando organizar a operacionalização das adaptações curriculares estão listadas algumas sugestões. Recursos ambientais Os recursos ambientais são amplamente debatidos. lembrando que isso tanto pode impulsionar o trabalho como impedi-lo. A organização de um portifólio (uma pasta que conta a caminhada do aluno.com. De forma alguma eles devem ser utilizados sem reformulações e adaptações às situações reais que vocês tenham em suas salas. (AMANCIO. mais informações www. Isso implica cooperação e coparticipação de todos. Ainda incluir os quadros organizativos (Quadro 1 e Quadro 2) que servem como parâmetro. Priorizar a organização de uma rede de apoio envolvendo os pais e demais profissionais. como do professor. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. Conflitos emocionais. uma visão geral do que se pretende.br 155 . para que esses possam dar suas sugestões e também ver o esforço da escola. uma cadeira adequada às suas dificuldades motoras e da mesma forma como isso influencia a motivação do professor.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Recursos materiais Estes podem ser infinitamente variados (materiais didáticos ampliados. por exemplo. Com reuniões periódicas e registro em ata das discussões. incluindo as atas das reuniões. Primeiramente. O professor não deve se sentir sozinho nessa caminhada. essa pasta o acompanha. 1999). 2001. A organização desse ­material específico de apoio é importantíssima. a proposta inclusiva tem que ser entendida como filosofia. STAINBACK e STAINBACK. ou deve adequar-se antes da entrada do aluno ou devemos momentaneamente buscar outra escola. facilitando sua nova caminhada. Eles também facilitam a localização das dificuldades e as possíveis áreas a serem modificadas. Por isso.A. dos colegas de sala.) dependendo do handicap apresentado pelo aluno. aparelhos ­auditivos etc. mas de toda a escola. seus progressos e dificuldades) que será construído ao longo do tempo. ansiedades.

Conteúdos Ensino Tradicional Modificações Sugeridas (encontrado com maior frequência) 1. Criados para a formulação dos objetivos. Avaliar todo o contexto escolar. 3. o plano de adaptação curricular. 1. Abrange todas as áreas de teorias. Normativa e classificatória. 1. Essencialmente transmissora. Valorizar mais os processos do que o aprendizagem. 4. 3. 3. Dirigidos geralmente para o 1. desenvolvimento de capacidades. técnicas e estratégias de avalaiação. facilitador da aprendizagem.. produto. desenvolvimento (cognitiva. para cada aluno que apresente necessidades educativas especiais Nome do aluno: Modificações previstas Eliminações necessárias Introduções necessárias Objetivos Conteúdos 156 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. pessoal e social). 6. O aluno com NEE é excluído em muitas 5. 3. 2. 3. baseada no 1. Adaptar instrumentos de avaliação. Ampliar processos. pessoal e social. Utilizar enfoques construtivistas. Quadro 2 – Adaptações curriculares. incluindo atitude. Apenas considera o produto da 2. mais informações www.iesde.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Quadro 1 – Organização das modificações básicas necessárias Elementos do Currículo 1. Prioriza a repetição ou reprodução. outros individualizados para cada aluno. 4. Centrada numa aprendizagem mecânica. 2. aprendizagem significativa. Metodologia 4. Prioriza a homogeneidade dos métodos. Diretrizes básicas para todos os níveis de 1. Priorizar a funcionalidade. princípios e 2.br . Avaliação 1. 4. 2. Diversificá-los.com. definindo os mínimos. 4. 2. Favorecer a participação do aluno com situações. Respeito às condições de aprendizagem. Unidirecional professor-aluno. Direcionados com os conteúdos acadêmicos. Preferir métodos interativos. 3. incluindo 2.A. comportamento e valores. 3. Considerado como instrumento para o ensino. 3. professor e suas ações. Está direcionada ao aluno e seu produto. O professor deve assumir a postura de 5. e desenvolvimento cognitivo. Objetivos 1. Direcionados a conceitos. o mediador. Pensados para um aluno sem necessidades 2. Incluir todas as áreas de desenvolvimento educativas especiais. NEE. Diversificá-los. 2.

A. mais informações www. como alteração da metodologia. Por isso. didática. do espaço etc. Mesmo no caso de adaptações menos significativas. mas organizá-las de forma singular. precisamos ter em mente que não podemos generalizar as adaptações..iesde. elas podem ser simples e despender poucas modificações do currículo geral ou ser mais significativas e exigir muito mais do contexto. provocando pequenos ajustes em sala de aula. modificação nas avaliações – técnicas e instrumentos. sequenciação e eliminação de conteú­do secundário. modificação no tempo (temporalidade) – alteração do tempo previsto para a realização das atividades.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Nome do aluno: Modificações previstas Eliminações necessárias Introduções necessárias Critérios de avaliação Adaptações nos recursos materiais Adaptações na metodologia e avaliação Em resumo Considerando a diversidade das necessidades educativas especiais que o alunado pode apresentar. organizar Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. precisamos de modificações nos procedimentos didáticos. modificações nos objetivos e conteúdos – priorização de área ou unidade de conteúdos.com.br 157 . seleção de objetivos. Vejamos um pequeno resumo de como elas podem ser e o que envolvem.. A operacionalização envolve: modificação organizacional – organização de grupos. Adaptações curriculares menos significativas São modificações menores no currículo regular e são facilmente realizadas pelo professor.

Registrar em ata as decisões. utilização de materiais como o uso de máquina Braille para cegos etc. materiais.com. trabalhos diversificados. profissionais especializados. Identificar as potencialidades e as necessidades educacionais.A. temporaria ou permanentemente. Levantamento do momento de aprendizagem de todas as áreas. alteração do nível de abstração. Identificar barreiras. modificação na organização diferenciada da sala. mais informações www. atividades alternativas enquanto os demais realizam outras (sequenciação de tarefas. Identificar o desejo do aluno e suas dificuldades.iesde. modificação significativa no planejamento e na atuação docente. Definir a capacitação necessária.br . gráficos). pais e outros. Como organizar a rede de apoio Organizar uma rede de apoio: a equipe pedagógica da escola. Reunir-se com a família. Abrir uma pasta para acompanhamento da evolução que acompanhará o aluno. Definir objetivos a curto e médio prazo para todas as áreas.. Adaptações curriculares mais significativas São modificações amplas que requerem muita organização e apoio tanto dos demais profissionais da escola como de uma rede de apoio extra. Sua operacionalização requer: eliminação de objetivos básicos. não previstos para os demais alunos. recursos de apoio. modificação do nível de complexidade: eliminar partes complexas. estabelecer um c­ alendário.Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? atividades complementares para fixação. auditivos. introdução de objetivos alternativos. explicar os passos. sejam visuais. seleção e introdução de métodos específicos. Definir modalidades de apoio fora da escola. 158 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. quando extrapolam as condições do aluno. ou a substituição de outros. modificação das avaliações.

Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? Considerações Há necessidade de preparar a turma e/ou a escola toda para as adaptações curriculares. As aulas são planejadas para todos. Deve-se considerar a possibilidade de uma tutoria.br 159 .iesde. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. em grupos pequenos. escolher alunos com ­necessidades educativas especiais que são trabalhadas na escola e organizem as adaptações curriculares mais adequadas. procurem. mais informações www. Após a leitura do texto.com. O professor é o grande mediador. Caso vocês não tenham nenhum aluno. ­criem um aluno fictício e suas necessidades educativas e depois organizem as adaptações para ele. depois debata com o grupo. 1. Para você. O currículo não pode ser tedioso. 2. A aprendizagem deve ser contextualizada e fazer sentido para quem está ­aprendendo.. o que é mais importante ao realizar adaptações curriculares? Quais são os saberes indispensáveis para o professor? Responda individualmente em um pequeno texto.A. desinteressante e sem propósito.

com.A.br .Adaptações curriculares – como operacionalizá-las? 160 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www.iesde..

A avaliação classificatória acompanha a visão mecanicista da educação. Celso Vasconcellos V ocê sabia que expressões como avaliar ou avaliação aparecem em 13 dos 92 artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.] constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento de ação e de crescimento para a competência”. A avaliação ultrapassa os limites do constatar. Contudo. p. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.. p. “Enquanto um ensina. repercutindo nas escolas a necessidade de se transpor da avaliação classificatória que até a pouco tem vigorado. Há a preocupação constante com a nota. e trabalhos.Avaliação – concepções teóricas Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva [. Precisa em vez de excluir. Elas atendem tanto à necessidade de avaliar a aprendizagem do aluno. devem ser reproduzidas nas questões de provas. o que se pensa. como a metodologia. tanto na organização como no funcionamento do ensino. quanto à sua qualidade.. não como um fim.] a avaliação é um processo abrangente da existência humana. Ao contrário. 2000. 2002). é rígida quanto à necessidade de se avaliar não só o rendimento escolar do aluno. Barcelos (1998.394/96)? E que essas palavras foram repetidas 23 vezes no curso dos textos da lei? (SOUZA. A prática da avaliação escolar classificatória não favorece o processo de democratização do ensino. é o único dono do saber na sala de aula e os alunos passivamente acatam suas verdades. Não basta dizer que a avaliação deve ser diagnóstica.iesde. possibilita um processo cada vez menos democrático no que se refere tanto à expansão do ensino. a avaliação “[. faz-se necessária uma análise mais profunda do que verdadeiramente significa esse termo.. A amplitude está em entender a avaliação como democrática e participativa. Assim.com. A preocupação com o assunto é crescente. (ROMEIRO. mas também o sistema de ensino. que implica uma reflexão crítica sobre a prática no sentido de captar seus avanços. com toda a sua autoridade. Questões como: o que avaliar? para que avaliar? quando avaliar? como avaliar? quem avaliar? – são fundamentais quando se pensa criticamente em avaliação. A nova Lei das Diretrizes e Bases (LDB) tem como característica básica a flexibilidade. que. conscientizando a realidade ­atualizada. podendo os motivos ser os mais variados”. em vez de fixar-se na unilateralidade da ausência de acerto. respeitando o pluralismo de concepções teóricas que podem favorecer seus objetivos. o outro aprende ou não. precisar ser objetiva “sem dogmatizar as aparências ou o meramente observável”. há que se reconhecer sua importância. precisa permitir o direito à diferença. ficando dependente do professor. mas como meio para se estabelecer novos objetivos. integrar.37) afirma que avaliar é aprender e que avaliar também se aprende e que todos precisam ter o direito de realizar essa aprendizagem. a formação do professor. suas dificuldades e possibilita a tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos. mais informações www. Para o autor a avaliação tem dimensão política. para avaliação diagnóstica.br 161 .. suas resistências. a organização da escola. Essa forma de avaliação estimula a competição e valoriza o acerto e não a reflexão sobre a aprendizagem. 64). Nela. com a principal função de favorecer a melhoria e o crescimento coletivo. no saber o que já se sabe. 72). p. o professor. Segundo Luckesi (1986. por sua vez.. o aluno estuda para “passar de ano”.A. Essa possibilidade de transposição está diretamente relacionada ao conceito que se tem da relação ensino-aprendizagem. o sistema de ensino.

ao final da colheita. 4) diz que o fato de se dizer que a avaliação deve ser diagnóstica. tenho que rever meu tipo de trabalho”. uma vez que essa concepção está preocupada com a perspectiva de que o educando deve apropriar-se criticamente dos conhecimentos e habilidades necessárias à sua realização como sujeito crítico dentro dessa sociedade que caracteriza-se pelo modo capitalista de produção. porém não incorporar o verdadeiro significado do diagnóstico da avaliação para poder processá-lo no contexto escolar. O professor tem que se ver no resultado do aluno. Assumindo duas funções primordiais: adequar a ação pedagógica e determinar o grau em que foram conseguidas as intenções do projeto pedagógico. A cultura docente tem ­mostrado que há uma resistência grande de professores no aspecto da autocrítica. na lei. conduz a reflexões e à tomada de decisões.iesde. A avaliação deixará de ser autoritária se o modelo social e a concepção teórica-prática da educação também não forem autoritários. Precisa ser um indicador para o professor reorganizar sua ação junto aos alunos e para que estes possam controlar seu aproveitamento na ótica proposta pelo professor e exigida pelo processo de elaboração do saber. no sistema. não estou sabendo desenvolver nos meus alunos o hábito de estudo. ­Porém. 162 Avaliação inicial – limita-se a considerar o aluno inicialmente antes de se começar a ação pedagógica. e ao mesmo tempo dar continuidade a uma prática de avaliação classificatória. É pela avaliação que definiremos o tipo da ajuda pedagógica a ser oferecida e isso só é possível se conhecermos o aluno. a utilização desse recurso não precisa ser usada para discriminar o aluno. demonstra claramente a necessidade de uma tomada de consciência por parte do professor que pode até saber. O verdadeiro papel da avaliação está implícito em ser instrumento de diagnóstico para o crescimento. É bastante útil para identificar as necessiEste material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Assim. Povh (2001. p. O ajuste pedagógico abre outro leque de funções da avaliação. nos tempos de hoje. Para a mesma autora. mais informações www. de conceitos ou de menções). Não tenho conseguido motivá-los a estudar. quando e como redimensionar.A. Raramente se ouve “tenho dificuldades. A função diagnóstica não impede que se dê nota ao aluno (em forma de números.. O agricultor não levanta a possibilidade de um diagnóstico para melhorar sua colheita. as laranjas boas das ruins. Esquecendo-se de refletir sobre o que pode ter prejudicado o crescimento daquelas laranjas que precisaram ser excluídas. Para que a avaliação diagnóstica seja possível. é normal – embora não aceitável – que se coloque sempre a culpa pelo fracasso no aluno. Ela terá que se situar e estar a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social e não com a conservação. na TV.Avaliação – concepções teóricas Gandin (1997) compara a avaliação classificatória àquela feita pelo agricultor que separa. na turma. tornando-se ambos sujeitos do processo. na família. o autor sugere a avaliação em três etapas. A avaliação quando atinge um cunho diagnóstico permite muito mais do que uma ­classificação.com. comprometida com a concepção pedagógica histórico-crítica. Coll (2000) acredita que a avaliação na atualidade designa-se a ajustar progressivamente a ação pedagógica às características e necessidades dos alunos.br . Povh (2001) acredita que seja preciso compreendê-la e realizá-la. A avaliação diagnóstica diz quem.

Avaliação – concepções teóricas dades educativas especiais que possam aparecer no grupo. 149). de um projeto desenvolvido. a avaliação não pode centrar-se nos produtos. “A avaliação somatória também é um instrumento de controle do processo educacional: o êxito ou o fracasso nos resultados da aprendizagem dos alunos é um indicador do êxito ou do fracasso do próprio processo educacional [. Entendendo a educação sob essa ótica. Avaliação formativa – é a avaliação do processo de aprendizagem a fim de proporcionar ajuda pedagógica mais adequada a cada momento. em primeiro plano. Quando ocorre a interação professor-aluno. ao refletir sobre os resultados da avaliação. oferecendo atividades produtivas. ­desafiadoras.. Povh (2001) diz que. As ideias desse pensador redefinem a função do professor. pode redimensionar sua ação a partir de suas conclusões. A avaliação somativa preocupa-se com o resultado final. a construção do conhecimento acontece com mais eficácia.. Fazem com que ele transforme seu trabalho na sala de aula. Entre esses dois níveis. permitindo que o ato de avaliar transforme-se num processo interativo por meio do qual educandos e educadores aprendem sobre si mesmos e sobre a realidade escolar no ato próprio da avaliação. que pode ser de uma unidade de estudo. provocando-os para que ­precisem pensar e interagir com os companheiros e instigando-os a resolver problemas. o produto alcançado.. a possibilidade de adesão à nova forma de pensar avaliação está diretamente ligada à concepção de educação. A ação pedagógica e seus efeitos precisam ser avaliados constantemente por educandos e educadores. sem comparação com padrões externos. Vygotsky nos trouxe uma nova visão sobre o desenvolvimento humano. de um bimestre. o foco deixa de ser apenas o aluno. ou à sua forma de avaliar. o conhecimento já adquirido. O professor ­utiliza essa avaliação intuitivamente durante o processo de ensino. considerando que cada indivíduo tem um nível de desenvolvimento real. Para Lemer e Palacios (1995). O professor que costuma utilizá-la com f­ requência obtém resultados muitos satisfatórios. encontra-se a zona de desenvolvimento proximal. isto é.A. Ela permitirá a organização do planejamento efetivo. E ainda um nível de desenvolvimento potencial. mais informações www. Avaliação somatória – ela acontece ao final de um trabalho desenvolvido.iesde.br 163 . revê as ações educativas que estão sendo desenvolvidas e até que ponto o fracasso do aluno não está diretamente relacionado à ela – a prática pedagógica –.]” (COLL. colocando em jogo todas as experiências anteriores do aluno.com. Tem-se que ter absorvido a concepção sociointeracionista. o professor reflete também sua prática pedagógica. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. abrangendo o que podemos aprender. p. Como dissemos nos parágrafos iniciais. que passa de­ ­transmissor de conhecimento a mediador no processo de ensino-aprendizagem. na qual está tudo o que já podemos fazer com a ajuda de uma criança ou de um adulto mais competente. constituindo o que ele é capaz de fazer sozinho. mas sim no processo. o erro passa a ser encarado como indicador de caminhos para novas intervenções. 2000. visando a superação. passando a ver o educando como sujeito de sua própria aprendizagem. do semestre ou ano letivo.

Nesse comentário. a apreciação ou avaliação de uma festa pode se dar de diferentes formas. Pense em sua escola. ou fazer qualquer comentário que qualifique a festa. sozinho. o aluno como o principal sujeito do processo de ensino-aprendizagem. O mesmo acontece com outras situações de avaliação.br . no seu direito à educação e à cidadania que a escola deve se organizar e se estruturar. É um personagem muito importante. estadual ou federal. você pode simplesmente dizer que gostou ou que não gostou. Como você vê. pensamos em avaliar primeiro ou somente o aluno? E mais. manifestar se gostou ou não e dizer por que gostou. senão o mais importante no contexto escolar. Ou então. mas não o único a ser avaliado. quantos eram. Por quê? Será o aluno o único sujeito que merece ser avaliado na escola? Será que ele é a única personagem importante dessa instituição? E não é a mais importante? Será que na escola é só ele quem deve aprender? Será que. por que será que. são avaliadas por todos aqueles que participam ou deveriam delas participar. Mas. mais informações www. relatando onde aconteceu. É pensando no aluno. ainda.. prêmio e castigo. você comenta com alguém se gostou ou não da festa. Mas há outros elementos a considerar. espontânea ou formalmente. deficiências? Em nossa reflexão sobre avaliação escolar teremos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. o aluno precisa. sem se manifestar se gostou ou não. envolvendo tudo e todos que participam do processo educacional que acontece na escola. por que a ideia de avaliação está sempre associada à ideia de erros. compará-la com sua expectativa e imaginar ou propor sugestões que contribuam para melhorar a próxima festa. sim.iesde. falhas. Essas pessoas manifestam sua avaliação de diferentes maneiras. seja em nível municipal. p. Ele será um dos elementos desse processo que participará da avaliação. aprender. 77-80) Quando se pensa a avaliação escolar.com. as avaliações sobre as atividades escolares podem ser feitas de diferentes formas. Uma outra possibilidade é você descrevê-la. Participará de diferentes formas e em diferentes momentos. Amplie seu pensamento 164 Dissemos que a avaliação está presente em nosso cotidiano. antes de pensarmos em avaliar o aluno. sempre do aluno. aprovação e reprovação. diretrizes e parâmetros. as primeiras ideias que surgem são avaliação do aluno – realizada pelo professor –.A. comparar a festa com a expectativa que tinha dela. Mas também pode descrever o evento. quem lá estava. Se a organização da escola envolve tantas pessoas (direta ou indiretamente). manifestar sua satisfação ou não. desde o simples gostar ou não. na tentativa de assegurar uma boa educação aos alunos. A forma como uma escola se acha organizada é expressão das ideias daqueles que dela participam e daqueles que elaboram as diretrizes para sua organização. Mas. Quantas atividades são desenvolvidas aí que. Essa organização resulta do trabalho de diversas pessoas. é necessário que pensemos a avaliação de uma maneira mais global. Você pode. notas. você pode descrever o acontecimento. escolar ou não. tantas normas. em diferentes níveis do sistema educacional. Quando você vai a uma festa. como foi organizado. até a avaliação seguida de sugestões para a melhoria dessas atividades. sim. ao pensar em avaliação. Como no exemplo da apreciação da festa. 2000.Avaliação – concepções teóricas Defina você mesmo (PAIVA. o aluno faz o sucesso e o fracasso escolar? Ora. limitações. sucesso e fracasso.

mais informações www. Definir o que seria necessário para aprimorar a forma de avaliação. 2. Analisar o processo de avaliação da sua escola e situá-lo num dos modelos apresentados. Identificar. quais as funções da avaliação que estão presentes.Avaliação – concepções teóricas 1..iesde.br 165 . Defina avaliação classificatória e avaliação diagnóstica num texto breve. Agora procure: Identificar a concepção de avaliação predominante em sua escola. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.com. apontando as que têm tido maior importância. no trabalho pedagógico desenvolvido em sua escola.

com.Avaliação – concepções teóricas 166 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S..br . mais informações www.A.iesde.

com. Somente uma mudança de paradigma possibilitará que estabeleçam mudanças em todos as âmbitos e isso inclui a avaliação.) uma adequação. Quando meus alunos chegavam. Apesar da conscientização da necessidade de modificações na forma de avaliar. não estou dizendo que não podemos fazer um esboço do planejamento. A prática pressupõe adaptações que têm como finalidade a adequação dos modos de avaliação às peculiaridades de cada aluno. César Coll N o capítulo anterior. Ou seja. Durante anos. A avaliação diferenciada Quando vamos organizar o planejamento. nunca baseado no aluno que “imaginamos que vamos ter”.Avaliação diferenciada Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva A individualização do ensino.iesde. Como vimos no capítulo anterior. diretores. orientadores. muitas vezes. etc. uma capacidade de “ousar pensar diferente”. fazer o que sugere Coll (2000): uma avaliação inicial que norteará a ação pedagógica e que dirá quem são os alunos e do que eles precisam.. Como consequência. passei as primeiras semanas do ano fazendo o planejamento “detalhado” das atividades e objetivos para entregar para coordenação pedagógica. Realmente acreditamos que a possibilidade de modificações dificilmente acontecerá de forma isolada. o que precisamos é entendê-los a fim de utilizá-los de forma construtiva. A inclusão impulsionará melhoras na qualidade de ensino e de aprendizagem. pretendemos aqui. Uma das minhas maiores críticas é com relação a isso. como um processo e não como um fim. e o respeito à diversidade implica em avaliar cada aluno em função dos seus próprios objetivos. observa-se o estabelecimento de categorias que restringem a rótulos os resultados obtidos pelos educandos. abordar como avaliar alunos com necessidades educativas ­especiais. Vejam bem. com a intenção de medir seu desempenho com relação aos objetivos propostos. pois elas podem estar agravadas Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Avaliar constantemente as relações que se estabelecem no contexto educacional. que estão diretamente ligadas ao processo ensino-aprendizagem. Devemos ­cuidar para não ficarmos “paralisados”. observando as reais dificuldades de aprendizagem. primeiramente precisamos ver os alunos. mais informações www. Ainda no mesmo raciocínio. esse deve ser feito baseado no aluno que temos em sala. A partir daí estenderíamos a avaliação em dois planos. isso era quase impossível.br 167 . pais. se houver por parte da escola como um todo (professores. esperando-se dele um determinado rendimento. percebia que precisaria mudar e. ainda encontramos com muita frequência a avaliação somente do aluno. iniciamos a discussão sobre avaliação e as modificações que vem sofrendo impulsionadas pelas novas perspectivas da Lei de Diretrizes e Bases.A. Para caminharmos em direção a uma avaliação diferenciada precisamos entendê-la de forma ampla. mas que esse só seja concluído a partir de uma avaliação inicial dos alunos. dispomos de vários modelos de avaliação.

não teremos no que nos apoiar para impulsionar o progresso. entre outros. painéis.br . 168 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.). Precisamos avaliar suas competências. Testes criteriais – atividades mais direcionadas que oferecerão respostas mais concretas em relação ao potencial do aluno com relação aos conteúdos específicos. Podem ser feitas atividades lúdicas em que o aluno faça uso de seu conhecimento sem grandes cobranças (jogos. Outro fator que precisa ser avaliado são as condições físicas do contexto ­educacional.com.). têm habilidades específicas. a avaliação diferenciada está entrelaçada ao processo ensino-aprendizagem. cartazes. considerando suas habilidades e dificuldades de forma detalhada. Coll (1995. seus sonhos e desejos. mais informações www. o que e quem avaliar exatamente? Primeiramente vamos falar do aluno. 315) enfatiza que “ampliar o objeto de avaliação implica. como um professor extra em classe. necessariamente. como Matemática. p. aluno-aluno. gincanas etc. por mais comprometidos que possam parecer. ampliar os procedimentos de avaliação. pois é preciso verificar se estão adequadas para favorecer a aprendizagem de todos. o que direcionará as modificações necessárias. Juntamente com esses procedimentos. Coll (1995) propõe alguns procedimentos que podem auxiliar a avaliação. E não ­poderíamos deixar de falar da prática pedagógica. da metodologia e como essa é ­organizada.. Podemos incluir a produção de pequenos textos. às vezes a forma como são apresentados os conteúdos. Todos. História. são de metodologia qualitativa”. daremos sugestões de como conduzir a avaliação de forma diferenciada: Testes normativos – atividades que possibilitem conhecer o grupo e cada ­aluno. já que muitos dos elementos a serem avaliados não são passíveis de medidas normativas. não só o relacionamento com o professor e os demais alunos. Essa avaliação considera as dificuldades do aluno e as do sistema de ensino. até atendimentos fora da escola como fonoaudiologia etc. lembrando que essas interações podem ser positivas e favorecer a todos ou podem dificultar a aprendizagem para alguns. baseados em histórias ouvidas. pois ele é o motivo de todo esse esforço. Como podemos perceber.Avaliação diferenciada por problemas relacionais. Avaliar os produtos por meio dos processos – ao averiguar o que foi aprendido precisamos saber quais foram as facilidades e dificuldades. pois as necessidades educativas especiais do aluno podem ser fortemente agravadas pelo contexto escolar. considerando em primeiro lugar as diferentes relações que se estabelecem.iesde. mas também sua motivação para a aprendizagem. incluindo na história conteúdos de diferentes disciplinas.A. professor-pai. Isso inclui professor-aluno. Se conhecermos só suas dificuldades. Mas. A avaliação do potencial do aluno implica também em perceber quais os apoios específicos que serão necessários (desde uma ­simples lupa. Em um segundo momento. detectando suas necessidades e habilidades. ­professor-direção etc. pais-aluno. Um ponto de destaque seria considerar na avaliação os aspectos emocionais do ­aluno. devemos avaliar o contexto educacional. ou pela dinâmica das aulas.

esta deve ser fidedigna e corresponder à realidade. o currículo. Evidenciam. temos que reconhecer que ainda não chegamos a resolusões mais específicas quanto à conclusão de cursos. Há aqueles mais rígidos que acham que se o aluno não demonstrou ter aprendido os conteúdos de uma determinada série ou etapa não pode ser aprovado. à medida que um aluno conclui o ano letivo ou o curso (Ensino Fundamental. a experiência tem nos mostrado que precisamos ficar atentos a alguns pontos.com. destacam que “o desafio mais difícil da avaliação para uma escola inclusiva. como já dissemos. assim o empregador saberá do que poderá dispor. contudo. Para os autores. essa lista de competências adquiridas irá junto ao mercado de trabalho.br 169 . no tocante à avaliação da criança com necessidades educativas especiais e sua passagem de uma série para outra. Nos países mais desenvolvidos. entretanto.A. cada escola tem um conjunto único de regras segundo o qual a avaliação deve estar amparada. Cada vez mais nos parece claro que temos que buscar soluções que atendam tanto à angústia dos professores em organizar suas ações. mas se estende ao pátio.. Quando o professor desenvolve essa capacidade de ­observar. p. Ou ainda. como os Estados Unidos. quanto à importância de se considerar a diversidade e o esforço do aluno. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. Stainback e Stainback (1999. Para o sucesso da avaliação. Como certificar a conclusão de uma etapa a um aluno especial que não venceu todo o conteúdo. não temos regras nem receitas. deve basear-se em múltiplas fontes de evidência. e que não será capaz de vencê-lo mesmo que lhe seja oferecido um tempo maior? Para Stainback e Stainback (1999) a resolução desse impasse só ocorrerá quando as diferenças de cada um e de todos os alunos forem consideradas e quando os professores forem capazes de diferenciar suas ações de ensino para responder às diferenças. é fundir a filosofia e as práticas de valorização das necessidades de aprendizagem de todas as crianças com uma expectativa de excelência de aprendizagem igualmente valiosa”.Avaliação diferenciada Observação – a observação pode ser livre ou sistematizada. Avaliação e a promoção de um aluno com necessidades educativas especiais de uma série para a outra Esse é um ponto que tem rendido muitas discussões. nacionais também influenciam a avaliação. à presença de outros na entrada e saída da escola etc. mais informações www. Médio ou Superior). A observação não se limita à sala de aula. que a aprovação seria uma forma de denegrir o ensino. as exigências estaduais. 264). Assim. escolhida pelos alunos e professores e que determinem a veracidade dos resultados. o que norteará seus novos professores.iesde. Vale ressaltar que é uma ferramenta poderosíssima. ainda. a avaliação torna-se muito mais rica e eficiente. que o julgamento dos professores. uma lista de habilidades deve acompanhá-lo à sua próxima etapa. Contudo.

isto é.. não vai acompanhar cognitivamente o ritmo de seus colegas. É provável. Talvez os avanços na área de bioquímica do cérebro serão capazes de produzir substâncias que facilitem ou acelerem os processos mentais.Avaliação diferenciada Ao avaliarmos o aluno especial não podemos considerar que ele só vai aprender na escola conteúdos pedagógicos. Talvez se possa esperar por dispositivos didáticos mais eficazes. organizar os conhecimentos.. mais informações www. Uma criança com deficiência mental. Eles existem na forma de uma rede. portanto. por exemplo.br . Se a criança ao final do ano letivo não atingiu os objetivos gerais para a série. A sensação de fazer parte pode ser a mola propulsora. e teremos outros problemas além dos de aprendizagem que poderão surgir. Mas daí a aprender sem esforço nem dor. como Educação Física e festas com sua turma..A. a motivação para se chegar aos progressos na aprendizagem. se tem amigos na sala. seria preciso transplantar um cérebro inteiro para as crianças [. 12) Os conhecimentos são adquiridos.. auxiliados por programas de computador especializados tão fáceis de usar quanto poderosos. se participa de trabalhos em grupo. Se. Se a criança com necessidades educativas especiais for reprovada porque não atingiu os objetivos propostos para os outros alunos estaremos cometendo um terrível engano. Será que teremos acabado com o fracasso escolar? Pelo menos dois problemas subsistirão: dar sentido aos aprendizados escolares e lidar com a heterogeneidade dos alunos. deve-se considerar se está bem adaptada aos colegas. os estudantes ainda terão de aprender para saber.iesde. conclui-se que a criança especial vai se beneficiar ao repetir a série devemos considerar que isso não seja frequente. tanto no registro cognitivo como no emocional ou no relacional. Uma 170 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. memorizar.] Daqui a 25 anos. p. que dentro de 25 anos se compreenda melhor o processo da aprendizagem e seus obstáculos. ou seja. a partir da avaliação. os parâmetros para a avaliação devem ser estabelecidos a partir do próprio aluno. terão de desenvolver uma atividade mental intensa para compreender. A engenharia genética não é capaz de incorporá-los aos nossos cromossomos.com. 2003.. essa por sua vez proporcionará condições de aprendizados futuros. O sentido – ou significado – da escola envolve a relação entre investimento e resultados. pois essa criança precisa ter um tempo maior para aprender e com o apoio dos demais isso será mais fácil. igualmente. Portanto. Ela poderá vir a ser uma adolescente no meio de crianças de oito ou nove anos. reforçando a autoestima. Às vezes o aprendizado está em estabelecer relações que possam aumentar a autoestima. O futuro da escola nos pertence (PERRENOUD. comparar.

O objetivo é. com o projeto de vida. procurem responder organizando um pequeno texto: Qual o significado da avaliação na sala de aula? O que vocês acharam do texto O futuro da escola nos pertence? Correlacione o texto com as aulas sobre a avaliação. então. precisa ser confiada a professores cada vez mais qualificados.Avaliação diferenciada pedagogia mais eficaz desencorajará menos os alunos. de saberes cuja utilidade não é fácil de imaginar. Uma vontade política forte e duradoura pesará mais do que a fé no progresso. como a Álgebra. igualmente. Por que eu aprenderia a jogar golfe ou a cozinhar se não tenho necessidade ou vontade disso? Hoje em dia.iesde. com ampla cultura na área das ciências humanas. cooperação entre professores).. ­ligando-os mais explicitamente à ação. o sistema educativo acolhe crianças e adolescentes muito diferentes. O trabalho de mediação dos professores continua a ser essencial para seguir as pistas traçadas pela nova pedagogia e pelas pesquisas sobre a relação entre o saber e a construção do sentido. desesperados em ver que seus progressos têm pouca relação com o tamanho dos esforços empenhados. Seria ilusório crer que basta o tempo para resolver os problemas. o fracasso escolar persistirá. A escola. Mas nenhuma tecnologia. a escola mal consegue fazer com que todos compreendam o interesse em saber ler ou contar. Caso continue “indiferente às diferenças”. O que dizer. haver ferramentas mais precisas de avaliação formativa e de regulamentação. É preciso. propor a cada aluno situações de aprendizagem adequadas para ele – não padronizadas. Os currículos por competências podem contribuir para dar sentido ao saber. com frequência. Mas não há computador capaz de convencer um aluno a aderir à cultura escolar. As tecnologias – simulação e realidade virtual – podem ajudar a obter uma melhor representação das práticas sociais para as quais os conhecimentos e as competências são essenciais. forte orientação para as práticas reflexivas e capacidade de inovação. pode ser ainda menos igualitária e ainda menos eficaz que hoje. mas construídas sob medida. a Filosofia? A escola continua muito despreparada diante dos alunos que não têm interesse em “encher a cabeça de coisas inúteis” e que não percebem o poder e o prazer que esses saberes poderiam lhes trazer. Em duplas. Mas esse sentido também tem relação com o saber.A. Mas esta. A pedagogia diferenciada passa por uma nova organização do trabalho (ciclos plurianuais de aprendizagem. Do outro lado.. nenhuma reforma estrutural poderá fazer efeito sem mediação pedagógica. se não fizermos nada para enfrentar e resolver seus problemas com nossas próprias mãos. para ganhar eficácia. a História. a Biologia.com.. mais informações www. daqui a 25 anos.br 171 . Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.

com. mais informações www..br .iesde.Avaliação diferenciada 172 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.

por opção ou necessidade. sobretudo.Pais. os pais de alunos com necessidades especiais sentem-se ansiosos e apreensivos quando seus filhos estão na escola.com. de certo modo. p. a responsabilidade da educação de crianças e jovens passa para uma esfera coletiva. Com isso. Essa situação ocorre e predomina quando eles percebem que a forma de trabalho realizada dentro da escola com seus filhos diferencia-se da educação que muitos deles tiveram quando crianças. como uma simples colocação do aluno em sala de aula. Ainda há uma cortina aveludada entre o lar e a escola. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Às vezes. De acordo com Mittler (2003. Ou seja. 205) é preciso “repensar a base inteira das ­relações entre a família e a escola para todas as crianças. os professores são resistentes à inclusão.iesde. que demonstram estar preocupados com a inclusão social dos grupos minoritários de suas sociedades. Roberto Shinyashiki A responsabilidade da educação de crianças e adolescentes vem mudando ao longo da história da humanidade. os mesmos professores que explicitam suas resistências. Todavia. sabendo que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. mais informações www. atualmente podemos visualizar atitudes isoladas de professores comprometidos com a educação de seus alunos especiais. enquanto equiparação de oportunidades. deparamo-nos com um grande número de professores que desconhecem o conceito de inclusão. tem uma estreita relação com o papel da mulher na sociedade. imagino a vida como uma viagem de trem. Quando juntos.A. Podemos relatar que se encontra em permanente construção e. vão em busca de estratégias pedagógicas para. Os professores e os pais podem ser amigáveis. uma vez que este processo vem acontecendo em inúmeras escolas em nosso país.. Antes. Ressaltamos ainda que os pais manifestam estas formas de sentimento por não compreenderem com clareza o que de fato seus filhos realizam no dia a dia da escola. na qual a escola está inserida. Esse processo está ligado a uma mobilização da sociedade em diversos países. atender às especificidades daquele ou daqueles alunos.br 173 . inclusive no Brasil. De certa maneira. a mulher/mãe era a figura principal na educação dos filhos.. cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros. queremos afirmar que.. não apenas da responsabilidade da família. mas também da sociedade. Por outro lado. feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos [. úteis e corteses mutuamente.]. Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho. De modo geral. mas há uma tensão subjacente inevitável que surge a partir do desequilíbrio de poder entre eles”. ao receber uma ou mais crianças com necessidades especiais.

Quando pais e profissionais trabalham juntos durante a infância. poderão demonstrar uma atitude de respeito e confiança para com os professores e pela escola como um todo. Sobretudo de propostas pedagógicas e cursos de formação de professores com o objetivo de efetivar o processo de ensino-aprendizagem para atender às especificidades do aluno especial em condições de inclusão. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo Vale ressaltar que ainda estamos longe de políticas públicas que considerem as diferenças. As famílias. diante das questões apontadas. os resultados têm um impacto positivo no desenvolvimento da criança e na sua aprendizagem. baseia-se na publicação Early learning goals (1999). neste processo. pais e professores”.br . Assim. São eles: Pais e mães são os primeiros.A. Assim Mittler (2003. é necessário que os pais recebam todas as informações relevantes sobre as práticas educativas atuais. 205) enfatiza que é preciso “inventar modos novos de trazer os professores e os pais para uma relação de trabalho melhor. Uma parceria bem-sucedida precisa de um fluxo de informação. professores e alunos no processo inclusivo. Assim. de conhecimento e de perícias de duas direções.com. a parte passada e futura desempenhada pelos pais na educação de suas crianças é reconhecida e é explicitamente encorajada. e aos profissionais da área e pais para que discutam as circunstâncias de cada criança. os interesses. estimados e úteis. mais informações www. Com o intuito de reforçar nossas reflexões a respeito da importância da parceria pais. Ainda. Compreendemos que a relação de trabalho melhor está relacionada a um envolvimento permanente da família na escola. todos os pais devem sentir-se bem-vindos. pois isso é válido para a própria causa e também beneficia todas as crianças. citaremos alguns indicadores necessários à efetivação. a uma gama de oportunidades diferentes para colaboração entre as crianças. Estes indicadores são apontados por Mittler (2003) que. Há muitos modos de alcançar a parceria. os esquemas de adaptação são flexíveis e dão bastante tempo às crianças para que se sintam seguras. seja como voluntários em sala de aula ou membros da ­associação de pais e ­professores. p. que tem como meta práticas inclusivas. anotações em agenda etc. entendemos que é de fundamental importância que escola.iesde.. professores e pais desenvolvam uma relação de respeito e confiança para juntos compartilharem a responsabilidade da educação das crianças com necessidades especiais. 174 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. É papel da escola estimular os pais a participar em todos os aspectos operacionais da escola. por sua vez. os principais. Então. mas o que se segue são características comuns de uma prática efetiva: os profissionais da área demonstram respeito e compreensão acerca do papel do pai e da mãe na educação de sua criança. e os mais duradouros educadores de suas crianças. Assim. devem ser reconhecidas pela escola como parceiras plenas e terem a oportunidade de participar de reuniões de planejamento do trabalho pedagógico a ser desenvolvidos com seus filhos. cada etapa do desenvolvimento deve buscar uma parceria efetiva com os pais. os professores e os profissionais nas escolas.Pais. as competências e as necessidades dela. bem-sucedida. é necessário que exista um sistema de comunicação diário entre escolas e famílias por meio de telefonemas.

inclusive os alunos classificados como pessoas com deficiência. Por fim.. potencialidades. 2. como compartilhar e ler livros. os professores e os profissionais nas escolas falam e registram informações sobre o progresso e as aquisições da criança. ao trabalhar para construir comunidades inclusivas. Princípios da rede de apoio (STAINBACK e STAINBACK. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo o conhecimento e as especializações dos pais e de outros adultos na família são usados para apoiar as oportunidades de aprendizagem oferecidas pelo contexto. vídeos que estão disponíveis em línguas usadas nos lares da família e discussão informal. por exemplo. 1999. os componentes de uma rede de apoio não devem ser baseados em uma lista predefinida e rígida de opções de apoio que não podem ser modificadas para satisfazer as necessidades individuais.. amigos ou companheiros de trabalho são tão importantes quanto o apoio profissional. Relacionamentos em que o apoio é natural. fundamentados nos desejos. os professores e os profissionais nas escolas usam uma variedade de meios para manter os pais completamente informados sobre o currículo. 223-230) [. como panfletos. por exemplo. Um enfoque nos apoios naturais ajuda a conectar as pessoas nas classes e nas escolas e. as aprendizagens relevantes e as atividades de jogo. exibições. em geral. Os indivíduos são únicos e diferem em suas necessidades. quando os temos em mente. em vez de algumas pessoas serem sempre apoios. são continuadas em casa. as quais. A rede de apoio baseia-se na premissa de que cada um tem suas capacidades. Por isso. p. é preciso fortalecer os vínculos entre a família e a escola. ou talvez seja o início de todo esse processo. Da mesma forma. em que os indivíduos apoiam um ao outro como colegas. Têm surgido vários princípios básicos de redes de apoio que podem ser úteis.] Fica evidente que há muita ênfase nos alunos e nos professores ajudando-se e apoiando-se mutuamente nos esforços para construir comunidades inclusivas e estimulantes. assim.Pais. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 4. Na rede de apoio. 1.br 175 . e outras sendo sempre os apoiados. é preciso considerar os pais como parte plena da comunidade escolar de tal modo que eles também possam experimentar o senso de pertencer. mais informações www. Os relacionamentos são recíprocos. 3. (MITTLER. nas necessidades e prioridades de ambas as partes. dons e talentos.com. visitas e celebrações. 210-211) Em suma. 2003. que podem ser usados para proporcionar apoio e ajuda a seus companheiros da comunidade. mudam com o tempo. experiências em casa são usadas para desenvolver a aprendizagem no contexto. p. estimula as comunidades que prestam apoio a seus membros. os pais. fazendo reuniões ou elaborando um livro sobre a criança. tanto em arranjos formais quanto em arranjos informais.A.. todas as pessoas estão envolvidas na ajuda e no apoio mútuos.iesde.

pode tornar um indivíduo desnecessariamente dependente dele. 10. Por exemplo. professores 176 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. 8. especialistas. seu advogado deve apresentar o que o consumidor deseja e precisa. 12. capacitar e encorajar as pessoas a prestar apoio mútuo. Esses indivíduos incluem os alunos. diretores e outros funcionários da escola. podem ser facilitados terminando-se com as escolas e classes especiais. 6. A rede de apoio funciona melhor em turmas e escolas integradas e ­heterogêneas. 9. Se a pessoa é muito jovem ou incapaz de se comunicar de maneira eficiente com o provedor.com. se esse for incorretamente proporcionado. e é construída sobre estes apoios naturais. ao mesmo tempo. embora todos entendam que o objetivo é prestar apoio aos outros sempre que necessário. O pessoal da escola nas situações administrativas ou de tomada de decisão não somente deve proporcionar oportunidades para o desenvolvimento de apoio informal entre todos os membros da comunidade escolar.A. O enfoque deve ser o que o consu­midor (a pessoa que está recebendo apoio) deseja e precisa. ajudá-lo a aprender o caminho e as habilidades necessárias para descobri-lo independentemente. 11. Planos que visam e operam para um único aluno ou professor em geral são ineficientes na promoção e na manutenção de uma comunidade inclusiva que presta apoio a seus membros. os diretores. se alguém ajuda um determinado aluno a encontrar o caminho para a lanchonete da escola. professores. segundo ele próprio declarou. quando possível. os voluntários da comunidade e os outros funcionários da escola. eles sempre se esforcem para capacitar as pessoas a se ajudarem e a se apoiarem mutuamente. Esse tipo de apoio inclui capacitar uma pessoa a buscar apoio. pais. Como a rede de apoio pode ser desenvolvida? Os apoios informais e formais essenciais às comunidades inclusivas. A rede de apoio é para todos. A rede de apoio deve ser conduzida pelas pessoas de dentro da escola (isto é. A rede de apoio começa com um exame das interações sociais e das características de apoio que estão naturalmente operando nas classes e em outros ambientes da escola. Não deve ser episódica ou reservada para ser usada apenas em épocas de dificuldade ou de crise. sem. A diversidade aumenta a probabilidade de que todos os membros da turma e da escola. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo 5. que respondem às necessidades de todos os alunos. é fundamental que.br . mais informações www. nas comunidades de sala de aula que prestam apoio a seus membros. A rede de apoio deve ser uma parte natural e contínua da escola e da turma. Por isso. os professores. indivíduos diretamente envolvidos nas comunidades da escola e da sala de aula). mas também. os pais. 7.. Os professores das escolas especiais podem se tornar professores regulares. Os apoios devem ser voltados ao consumidor. quando isso for requerido e prestar assistência aos outros. esse aluno não aprenderá a chegar sozinho à lanchonete. Um perigo inerente a proporcionar alguns tipos de apoio é que. as secretárias. 13.Pais. incluindo alunos. tenham os recursos necessários para dar suporte às necessidades um do outro para se tornarem interdependentes.iesde. os especialistas. Qualquer apoio proporcionado deve visar a capacitação de uma pessoa para ajudar a si mesma e aos outros.

a riqueza de ­materiais. A diversidade fortalece a escola e a sala de aula e oferece a todos os seus membros maiores oportunidades de aprendizagem.A.] Outro importante elemento no desenvolvimento da rede de apoio e da comunidade é que todos nós apreciamos o valor da diversidade. especialistas em recursos e colaboração.iesde. Além disso... 1.br 177 . procedimentos. A diversidade é valorizada nas escolas inclusivas. equipamentos e recursos da educação especial podem ser integrados à educação geral.. [. professores e alunos no processo inclusivo? 2.com. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo de equipe. e facilitadores de redes de apoio na educação regular. mais informações www. Qual é o seu ponto de vista sobre a parceria de pais. De que maneira esta parceria pode acontecer no dia a dia da escola ? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S. apoios.Pais.

mais informações www. professores e alunos – parceiros no processo inclusivo 3.br .iesde.Pais. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.com. 178 Relate para os seus colegas alguma experiência de trabalho coletivo (família-escola) que tenha sido significativo e registre as conclusões.A..

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mais informações www.com.Implementação de Programas Pedagógicos C urríc ulo E s t rut ura d o Implementação de Programas Pedagógicos Currí c u l o E s t r u t u r a d o Currículo Est rut urad o Implementação de Programas Pedagógicos Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-2997-6 Maria de Fátima Minetto Caldeira Silva Irene Carmen Piconi Prestes Marcos Cordiolli Vilmara Sabim Dechandt Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.iesde..br Ida Regina Moro Milleo de Mendonça Maria Letizia Marchese Vilmarise Sabim Pessoa .A.