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Nível de vida dos portugueses longe do europeu por mais um ano
Alexandra Figueira Ainda não será este ano que Portugal se aproximará do nível de vida dos países da Zona Euro, se a previsão de crescimento económico do Fundo Monetário Internacional (FMI) se concretizar. O FMI reviu ontem em baixa a estimativa para o país, admitindo que voltará a crescer menos do que os restantes países da moeda única, no que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, apelidou de previsões "demasiado pessimistas" e contrariadas pela "robustez" dos principais indicadores económicos. Em 2009, e depois de sete anos de afastamento, Portugal voltará a convergir com a Europa, mas só porque esta terá um desempenho fraco. A previsão do FMI foi mais pessimista do que a do Banco de Portugal, conhecida anteontem. Vítor Constâncio também reviu em baixa as anteriores estimativas, mas manteve a economia a crescer acima da Zona Euro. Em sintonia com a desaceleração da riqueza, também o desemprego continuará alto. Diz o Fundo que 7,6% da população activa não terá trabalho, este ano, valor que descerá para 7,4% em 2009. Também a estimativa de inflação piora, à semelhança do que sucede nas restantes economias desenvolvidas, devido ao alto preço do petróleo, metais e alimentos. À medida que os meses passam, instituições como o FMI dão conta de impactos sucessivamente maiores do que o antecipado da crise do mercado imobiliário de alto risco dos EUA. Agora, diz o relatório de Primavera, "a economia mundial entrou num território novo e precário". Em tom bem mais pessimista do que o adoptado na última previsão, o economista chefe do Fundo, Simon Johnson, deu como certa uma "recessão moderada" nos EUA, muito por causa do facto de os mercados financeiros estarem "longe de estabilizar". As ondas de choque da recessão americana estendem-se a todo o Mundo. Este ano, a economia mundial deverá crescer 3,7%, abaixo dos 4,9% registados em 2007 e menos do que a anterior estimativa do Fundo, de 4,1%. O impacto na Zona Euro também será apreciável, com a previsão a cair mais de um ponto percentual, para apenas 1,4%. BCE pode baixar juros O FMI reconhece que a inflação europeia está demasiado alta, mas defende que a possível redução para 2% em 2009 permite ao Banco Central Europeu para baixar os juros. Assim ajudaria a sustentar a economia e reduziria o risco de a banca apertar ainda mais a concessão de crédito. O risco é real porque os bancos receiam que os clientes não consigam pagar as prestações e eles próprios têm dificuldade em financiar-se junto de

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outros bancos. O problema vai manter-se enquanto a banca não admitir a real extensão das perdas sofridas com a compra de produtos financeiros estruturados em cima do "subprime" americano, diz o FMI.

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